Catecismo da Igreja Católica

Exposição da Doutrina Católica

1. PRÓLOGO (§1-§25)

PRÓLOGO

A vida do homem – conhecer e amar a Deus

§ 1
Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em Si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para o tornar participante da sua vida bem-aventurada. Por isso, sempre e em toda a parte, Ele está próximo do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-Lo, a conhecê-Lo e a amá-Lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade da sua família que é a Igreja. Para tal, enviou o seu Filho como Redentor e Salvador na plenitude dos tempos. N'Ele e por Ele, chama os homens a tornarem-se, no Espírito Santo, seus filhos adoptivos e, portanto, herdeiros da sua vida bem-aventurada.
Deus, in Se Ipso infinite perfectus atque beatus, secundum purae bonitatis propositum, hominem libere creavit, ut illum vitae Suae beatae efficeret participem. Quare Ipse omni tempore et in omni loco homini fit propinquus. Hominem Deus vocat et adiuvat ut Eum quaerat, cognoscat atque totis viribus diligat. Omnes homines, peccato dispersos, in unitatem convocat familiae Suae, quae est Ecclesia. Ad id efficiendum, Suum misit Filium tamquam Redemptorem et Salvatorem, cum tempora sunt impleta. In Ipso et per Ipsum homines Deus vocat ut in Spiritu Sancto filii Eius fiant adoptivi atque ideo heredes Eius vitae beatae.
§ 2
Para que este convite se fizesse ouvir por toda a Terra, Cristo enviou os Apóstolos que escolhera, dando-lhes o mandato de anunciar o Evangelho: «Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprirem tudo quanto vos prescrevi. E eis que Eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo» (Mt 28, 19-20). Fortalecidos por esta missão, os Apóstolos «partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles confirmando a Palavra com os sinais que a acom­panhavam» (Mc 16, 20).
Ut haec vocatio in toto resonaret orbe, Christus Apostolos misit, quos elegerat, illis Evangelii nuntiandi praebens mandatum: « Euntes ergo docete omnes gentes, baptizantes eos in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti, docentes eos servare omnia, quaecumque mandavi vobis. Et ecce ego vobiscum sum omnibus diebus usque ad consummationem saeculi » (Mt 28,19-20). Apostoli, huius missionis virtute, « profecti praedicaverunt ubique, Domino cooperante et sermonem confirmante, sequentibus signis » (Mc 16,20).
§ 3
Aqueles que, com a ajuda de Deus, aceitaram o convite de Cristo e livremente Lhe responderam, foram por sua vez impelidos, pelo amor do mesmo Cristo, a anunciar por toda a parte a Boa-Nova. Este tesouro, recebido dos Apóstolos, foi fielmente guardado pelos seus sucessores. Todos os fiéis de Cristo são chamados a transmiti-lo de geração em geração, anunciando a fé, vivendo-a em partilha fraterna e celebrando-a na liturgia e na oração (1).
Illi qui, Deo iuvante, hanc vocationem Christi acceperunt eique libere responderunt, impulsi sunt et ipsi Christi amore ad Bonum Nuntium ubique terrarum proclamandum. Hunc thesaurum, quem ab Apostolis acceperant, eorum successores fideliter servaverunt. Christifideles vocantur omnes ut illum de generatione in generationem transmittant, fidem annuntiantes, ex ea in communione fraterna viventes eamque in liturgia et precibus celebrantes.14 II. De fide transmittenda – De catechesi

PRÓLOGO

Transmitir a fé – a catequese

§ 4
Bem cedo se chamou catequese ao conjunto de esforços empreendidos na Igreja para fazer discípulos, para ajudar os homens a acreditar que Jesus é o Filho de Deus, a fim de, pela fé, terem a vida em seu nome, e para os educar e instruir nessa vida, construindo assim o Corpo de Cristo (2).
Cito catechesis est appellata nisuum summa in Ecclesia susceptorum ut discipuli arcesserentur, ut homines iuvarentur ad credendum Iesum esse Filium Dei idque credentes vitam haberent in nomine Eius, ut iidem educarentur et in hac vita instituerentur et sic corpus Christi aedificaretur.15
§ 5
«A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, que compreende especialmente o ensino da doutrina cristã, ministrado em geral dum modo orgânico e sistemático, em ordem à iniciação na plenitude da vida cristã» (3).
« In universum affirmari potest catechesim esse educationem in fide impertiendam pueris, iuvenibus, adultis, potissimum per institutionem doctrinae christianae, quae plerumque cohaerenti fit via atque ratione, eo nempe consilio ut credentes christianae vitae plenitudini initientur ».16
§ 6
Sem se confundir com eles, a catequese articula-se com um certo número de elementos da missão pastoral da Igreja que têm um aspecto catequético, preparam para a catequese ou dela derivam: o primeiro anúncio do Evangelho ou pregação missionária, para suscitar a fé; a busca das razões de acreditar; a experiência da vida cristã; a celebração dos sacramentos; a integração na comunidade eclesial; o testemunho apostólico e missionário (4)
Quin cum ipsis confundatur, catechesis cum pluribus aliis elementis missionis pastoralis Ecclesiae conectitur, quae rationem quamdam catecheticam prae se ferunt, catechesim ipsam praeparant aut ex illa manant. Ut sunt: prima Evangelii annuntiatio seu missionalis praedicatio ad fidem excitandam; argumentorum ad credendum inquisitio; vitae christianae experientia; sacramentorum celebratio; in ecclesialem communitatem insertio; apostolicum et missionale testimonium.17
§ 7
«A catequese está intimamente ligada a toda a vida da Igreja. Dependem essencialmente dela não só a expansão geográfica e o crescimento numérico, mas também, e muito mais ainda, o crescimento interior da Igreja e a sua conformidade com o desígnio de Deus» (5).
« Patet autem catechesim cum omni vita Ecclesiae arcte coniungi atque conecti. Ex ipsa enim potissimum pendet non solum disseminatio Ecclesiae per loca eiusque auctus per numeros, verum multo magis interius Ecclesiae incrementum eiusque convenientia cum Dei consilio ».18
§ 8
Os períodos de renovação da Igreja são também tempos fortes de catequese. Assim, na grande época dos Padres da Igreja, vemos santos bispos consagrarem parte importante do seu ministério à catequese, como por exemplo São Cirilo de Jerusalém, São João Crisóstomo, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e tantos outros Padres, cujas obras catequéticas continuam a ser modelo.
Tempora in quibus Ecclesia renovatur, sunt etiam tempora, quibus catechesis insigni traditur ratione. Sic, in magna Patrum Ecclesiae percipitur aetate, sanctos nempe Episcopos in suo ministerio catechesi magni momenti tribuisse partes. Tales enim sanctus Cyrillus Hierosolymitanus, sanctus Ioannes Chrysostomus, sanctus Ambrosius, sanctus Augustinus atque plures alii habentur Patres, quorum opera catechetica exemplo esse pergunt.
§ 9
O ministério da catequese vai buscar energias sempre novas aos concílios. O Concílio de Trento constitui, a este respeito, um exemplo a sublinhar: nas suas constituições e decretos, deu prioridade à catequese; está na origem do Catecismo Romano que tem o seu nome e que constitui um trabalho de primeira ordem como compêndio da doutrina cristã; fez nascer na Igreja uma organização notável da catequese; e, graças a santos bispos e teólogos, como São Pedro Canísio, São Carlos Borromeo, São Toríbio de Mogrovejo e São Roberto Belarmino, levou à publicação de numerosos catecismos.
Ministerium catecheticum vires semper in Conciliis haurit renovatas. Ad hoc quod attinet, Concilium Tridentinum exemplum habetur efferendum: etenim catechesi in suis decretis priores tribuit partes; in illo Catechismus Romanus suam invenit originem, qui etiam eius nomine insignitur et opus est praestantissimum tamquam doctrinae christianae compendium; illud in Ecclesia dispositionem pro catechesi tradenda suscitavit notatu dignam; atque etiam impulit ut plures catechismi, opera sanctorum Episcoporum ac theologorum, veluti sancti Petri Canisii, sancti Caroli Borromeo, sancti Turibii de Mogrovejo vel sancti Roberti Bellarmino, ederentur.
§ 10
Não admira, pois, que, na sequência do II Concílio do Vaticano (que o Papa Paulo VI considerava como o grande catecismo dos tempos modernos), a catequese da Igreja tenha de novo chamado a atenção. O Directório catequético geral, de 1971; as sessões do Sínodo dos Bispos consagradas à evangelização (1974) e à catequese (1977): e as exortações apostólicas correspondentes — Evangelii nuntiandi (1975) e Catechesi tradendae (1979) — são disso bom testemunho. A assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos de 1985 pediu: «que seja redigido um catecismo ou compêndio de toda a doutrina católica, tanto no tocante à fé como no que respeita à moral» (6). O Santo Padre João Paulo II fez seu este voto do Sínodo dos Bispos. Reconheceu que «tal desejo corresponde inteiramente a uma verdadeira necessidade da Igreja universal e das Igrejas particulares»(7). E pôs todo o seu empenho cm que se concretizasse este desejo dos Padres sinodais.
Inde mirum non est, in motu a Concilio Vaticano II inducto (quod quidem Concilium Paulus Papa VI tamquam magnum temporis hodierni habuit catechismum), Ecclesiae catechesim iterum mentes ad se convertisse. Directorium generale catecheticum anno 1971 editum, coetus Synodi Episcoporum evangelizationi (1974) et catechesi (1977) dicati, adhortationes apostolicae Evangelii nuntiandi (1975) et Catechesi tradendae (1979), quae illis coetibus respondent, idipsum testantur. Coetus extraordinarius Synodi Episcoporum, anno 1985 celebratus, rogavit: « Valde communiter desideratur Catechismus seu compendium totius doctrinae catholicae, tam de fide quam de moribus conscribendum ».19 Summus Pontifex Ioannes Paulus II huic Synodi Episcoporum voto sese sociavit, id nempe agnoscens: « Desiderium omnino respondet verae necessitati Ecclesiae universalis et Ecclesiarum particularium ».20 Sedulo est adnisus ut hoc Patrum Synodi desiderium in rem duceretur. III. De huius Catechismi fine atque de illis ad quos ipse dirigatur

PRÓLOGO

Finalidade e destinatários deste catecismo

§ 11
A finalidade deste Catecismo é apresentar uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz do II Concilio do Vaticano e do conjunto da Tradição da Igreja. As suas fontes principais são a Sagrada Escritura, os santos Padres, a liturgia e o Magistério da Igreja. E destina-se a servir «como ponto de referência aos catecismos ou compêndios a publicar nos diversos países» (8).
Scopus huius Catechismi est organicam atque syntheticam offerre expositionem essentialium et fundamentalium doctrinae catholicae de fide et moribus argumentorum sub luce Concilii Vaticani II necnon totius Ecclesiae Traditionis. Sacra Scriptura, sancti Patres, liturgia et Ecclesiae Magisterium praecipui eius sunt fontes. Ad id vero destinatur ut « quasi punctum referentiae sit pro catechismis seu compendiis quae in diversis regionibus componentur ».21
§ 12
Este Catecismo destina-se principalmente aos responsáveis pela catequese, que são em primeiro lugar os bispos, enquanto doutores da fé e pastores da Igreja. É-lhes oferecido como instrumento para o desempenho da sua missão de ensinar o povo de Deus. E, através dos bispos, dirige-se aos redactores de catecismos, aos sacerdotes e aos catequistas. Será também uma leitura útil para todos os outros fiéis cristãos.
Hic Catechismus ad eos praecipue dirigitur qui catechesis officii sponsores habentur: imprimis ad Episcopos quatenus fidei doctores et Ecclesiae sunt Pastores. Illis offertur tamquam instrumentum pro eorum officio adimplendo Dei populum edocendi. Per Episcopos ad illos ulterius dirigitur qui catechismos redigunt, ad presbyteros et ad catechistas. Eius autem lectio omnibus aliis christifidelibus utilis etiam erit. IV. De huius structura Catechismi

PRÓLOGO

Estrutura deste catecismo

§ 13
O plano deste Catecismo inspira-se na grande tradição dos catecismos que articulam a catequese cm torno de quatro «pilares»: a profissão da fé baptismal (Símbolo), os sacramentos da fé, a vida da fé (Mandamentos) e  a oração do crente (o Pai Nosso).
Huius Catechismi dispositio magnam catechismorum sequitur traditionem, secundum quam catechesis circa quattuor struitur « fundamentales columnas »: baptismalis scilicet Professionem fidei (Symbolum), fidei sacramenta, vitam secundum fidem (Mandata), credentis orationem (« Pater noster »).Pars prima: Professio fidei

PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

PRÓLOGO

Estrutura deste catecismo

§ 14
Aqueles que, pela fé e pelo Baptismo, pertencem a Cristo, devem confessar a sua fé baptismal diante dos homens (9). Por isso, o Catecismo começa por expor em que consiste a Revelação, pela qual Deus Se dirige e Se dá ao homem, e a fé pela qual o homem responde a Deus (Primeira Secção). O Símbolo da fé resume os dons que Deus faz ao homem, como Autor de todo o bem, Redentor e Santificador, e articula-os em volta dos «três capítulos» do nosso Baptismo – a fé num só Deus: o Pai Todo-poderoso, Criador; e o seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador: e o Espírito Santo, na Santa Igreja (Segunda Secção).
Illi qui per fidem et Baptismum sunt Christi, fidem coram hominibus confiteri debent baptismalem.22 Propterea Catechismus imprimis exponit in quo consistant Revelatio, per quam Deus ad hominem Se vertit eique Se donat, et fides, qua homo Deo respondet (sectio prima). Fidei Symbolum dona colligit compendio, quae Deus, ut omnis boni Auctor, ut Redemptor, ut Sanctificator, homini largitur eaque circa nostri Baptismi « tria capita » disponit - est enim fides in unum Deum: Patrem omnipotentem, Creatorem; et Iesum Christum, Eius Filium, Dominum et Salvatorem nostrum; et Spiritum Sanctum, in sancta Ecclesia (sectio secunda).Pars secunda: Fidei sacramenta

SEGUNDA PARTE: OS SACRAMENTOS DA FÉ

PRÓLOGO

Estrutura deste catecismo

§ 15
A segunda parte do Catecismo expõe como a salvação de Deus, realizada uma vez por todas por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, se toma presente nas acções sagradas da liturgia da Igreja(Primeira Secção), e em especial nos sete sacramentos (Segunda Secção).
Secunda Catechismi pars exponit quomodo Dei salus, semel pro semper a Christo Iesu atque a Spiritu Sancto peracta, in actionibus sacris liturgiae Ecclesiae reddatur praesens (sectio prima), praesertim vero in septem sacramentis (sectio secunda). Pars tertia: Vita ex fide

TERCEIRA PARTE: A VIDA DA FÉ

PRÓLOGO

Estrutura deste catecismo

§ 16
A terceira parte do Catecismo apresenta o fim último do homem, criado à imagem de Deus – a bem-aventurança e os caminhos para a ela chegar: um comportamento recto e livre, com a ajuda da lei de Deus e da sua graça (Primeira Secção); um comportamento que realize o duplo mandamento da caridade, explicitado nos dez Mandamentos de Deus (Segunda Secção).
Catechismi tertia pars hominis ad Dei imaginem creati ultimum ostendit finem: beatitudinem viasque ad illam perveniendi: per rectum nempe et liberum agendi modum adiumento Legis et gratiae Dei (sectio prima); per modum agendi qui duplex in rem deducit caritatis mandatum quod in decem Dei mandatis explicatur (sectio secunda). Pars quarta: Oratio in vita ex fide

QUARTA PARTE: A ORAÇÃO NA VIDA DA FÉ

PRÓLOGO

Estrutura deste catecismo

§ 17
A última parte do Catecismo trata do sentido e da importância da oração na vida dos crentes(Primeira Secção), terminando com um breve comentário aos sete pedidos da Oração do Senhor(Segunda Secção). De facto, nesses sete pedidos encontramos a suma dos bens que devemos esperar e que o nosso Pai dos Céus nos quer dar.
Pars Catechismi postrema de sensu et momento agit orationis in credentium vita (sectio prima). Ipsa per brevem septem postulationum dominicae Orationis clauditur commentarium (sectio secunda). In illis enim summam invenimus bonorum, quae et nos sperare debemus et Pater noster caelestis nobis impertire vult.

QUARTA PARTE: A ORAÇÃO NA VIDA DA FÉ

PRÓLOGO

Indicações práticas para o uso deste catecismo

§ 18
Este Catecismo foi concebido como uma exposição orgânica de toda a fé católica. Deve, portanto, ser lido como um todo. Numerosas notas remissivas à margem do texto (números impressos em tipos menores remetendo para outros parágrafos que tratam do mesmo assunto) e o índice analítico no fim do volume, permitem encarar cada tema na sua ligação com o conjunto da fé.
Hic Catechismus ut totius fidei catholicae concipitur organica expositio. Propterea tamquam unum quid legendus est. Eo quod lector in margine textus saepe ad alios remittitur locos (per numeros typis minoribus compositos qui se ad alias referunt paragraphos de eadem re agentes), et ope indicis analytici in extremo volumine positi, fit ut unumquodque argumentum in sua cum fidei summa conspici possit coniunctione.
§ 19
Muitas vezes, os textos da Sagrada Escritura não são citados literalmente, mas com a simples indicação da referência (por meio dum cf.) feita em nota. Para uma inteligência aprofundada desses passos, convém recorrer aos próprios textos. Tais referências bíblicas são um instrumento de trabalho para a catequese.
Saepe sacrae Scripturae textus litteraliter non afferuntur, sed mera ad illos (per « cf ») in nota fit allegatio. Pro talium locorum profundiore intellegentia ad textus ipsos accedere oportet. Hae biblicae allegationes pro catechesi sunt laboris instrumentum.
§ 20
Quando, cm certas passagens, se emprega a letra miúda, isso quer dizer que se trata de anotações de tipo histórico ou apologético, ou de exposições doutrinais complementares.
Litterarum minorum usus quibusdam in locis indicat de historicae vel apologeticae indolis agi notationibus, vel de expositionibus doctrinalibus complementariis.
§ 21
As citações, em letra miúda, de fontes patrísticas, litúrgicas, do Magistério ou da hagiografia, destinam-se a enriquecer a exposição doutrinal. Frequentemente, esses textos foram escolhidos a pensar num emprego directamente catequético.
Allegationes litteris minoribus expressae fontium patristicorum, liturgicorum, magisterialium et hagiographicorum ad expositionem doctrinalem ditandam ordinantur. Hi textus pro usu directe catechetico saepe sunt selecti.
§ 22
No fim de cada unidade temática, uma série de textos breves resume, em fórmulas escolhidas, o essencial do ensinamento. Estes «RESUMINDO» têm por fim dar à catequese local sugestões de fórmulas sintéticas e fáceis de decorar.
In fine cuiusque argumenti unitatem quamdam constituentis, textuum brevium series, per formulas concisas, doctrinae essentialia comprehendunt. Haec « compendia » intendunt locali catechesi praebere suggestiones pro formulis syntheticis et aptis quae memoriae mandentur. VI. Necessariae accommodationes23 Hic Catechismus in expositione insistit doctrinali. Ipse enim auxilium afferre intendit ut fides profundius cognoscatur. Eo ipso ad id dirigitur ut haec ad maturitatem perducatur fides, ut in vita altiores agat radices atque ut in testimonio exhibito eluceat.23

QUARTA PARTE: A ORAÇÃO NA VIDA DA FÉ

PRÓLOGO

Adaptações necessárias

§ 23
A tónica deste Catecismo incide sobre a exposição doutrinal. Com efeito, a sua intenção é ajudar a aprofundar o conhecimento da fé. Todo ele se orienta no sentido do amadurecimento da mesma fé, do seu enraizamento na vida e da sua irradiação no testemunho (10).
Hic Catechismus in expositione insistit doctrinali. Ipse enim auxilium afferre intendit ut fides profundius cognoscatur. Eo ipso ad id dirigitur ut haec ad maturitatem perducatur fides, ut in vita altiores agat radices atque ut in testimonio exhibito eluceat.23
§ 24
Pela sua própria finalidade, este Catecismo não se propõe realizar as adaptações da exposição e dos métodos catequéticos, exigidas pelas diferenças de culturas, idades, maturidade espiritual, situações sociais e eclesiais daqueles a quem a catequese se dirige. Essas indispensáveis adaptações pertencem aos catecismos apropriados e, sobretudo, àqueles que ministram o ensino aos fiéis:

«Aquele que ensina deve "fazer-se tudo para todos" (1 Cor 9, 22) para a todos atrair a Jesus Cristo. [...] Sobretudo, não julgue que lhe está confiada apenas uma categoria de almas e que, portanto, lhe incumbe o trabalho de ensinar e formar de modo idêntico, na verdadeira piedade, todos os fiéis, usando sempre um só e mesmo método! Atendendo a que, em Cristo Jesus, uns são como crianças recém-nascidas, outros como adolescentes e outro, finalmente, já são efectivamente adultos, é necessário que pondere com toda a diligência quais são os que precisam de leite e quais os que carecem de um alimento mais sólido. [...] Isto mesmo testemunhava de si próprio o Apóstolo. [...] Os que são chamados ao ministério da pregação devem, ao transmitir o ensino dos mistérios da fé e das normas dos costumes, adaptar as suas palavras à mentalidade e à inteligência dos seus ouvintes» (11).

Propter ipsum scopum ab eo intentum, hic Catechismus non quaerit expositionis et methodorum catecheticarum peragere accommodationes, quae a diversitate culturarum, aetatum, spiritualis maturitatis, socialium et ecclesialium habitudinum eorum postulantur, ad quos dirigitur catechesis. Hae prorsus necessariae accommodationes ad peculiares pertinent catechismos, et adhuc amplius ad eos qui christifideles instituunt.

« Qui docendi munus exercet, omnia omnibus efficiatur, ut et omnes Christo lucrifaciat [...]. Neque vero unius tantum generis homines fidei suae commissos esse arbitretur, ut praescripta quadam et certa docendi formula erudire, atque ad veram pietatem instituere aeque omnes fideles possit: sed cum alii veluti modo geniti infantes sint, alii in Christo adolescere incipiant, nonnulli vero quodammodo confirmata sint aetate, necesse est diligenter considerare, quibus lacte, quibus solidiore cibo opus sit [...]. Id vero Apostolus [...] observandum indicavit [...] ut videlicet intelligerent qui ad hoc ministerium vocati sunt, ita in tradendis fidei mysteriis, ac vitae praeceptis doctrinam ad audientium sensum atque intelligentiam accommodari oportere ».24

ACIMA DE TUDO — A CARIDADE

PRÓLOGO

§ 25
A concluir esta apresentação, é oportuno Lembrar este princípio pastoral enunciado pelo Catecismo Romano:

Este é sem dúvida o caminho melhor, que o mesmo apóstolo seguia quando fundamentava a sua doutrina e ensino na caridade que não acaba nunca. A finalidade da doutrina e do ensino deve fixar-se toda no amor, que não acaba. Podemos expor muito bem o que se deve crer, esperar ou fazer; mas, sobretudo, devemos pôr sempre em evidência o amor de nosso Senhor, de modo que cada qual compreenda que qualquer acto de virtude perfeitamente cristão, não tem outra origem nem outro fim senão o amor (12).

Ad hanc praesentationem concludendam in memoriam expedit revocare hoc pastorale principium quod Catechismus Romanus profert:

« Haec nimirum est via illa excellentior, quam [...] Apostolus demonstravit, cum omnem doctrinae et institutionis suae rationem ad charitatem, quae numquam excidit, dirigeret. Sive enim credendum, sive sperandum, sive agendum aliquid proponatur, ita in eo semper charitas Domini nostri commendari debet, ut quivis perspiciat omnia perfectae christianae virtutis opera non aliunde quam a dilectione ortum habere, neque ad alium finem, quam ad dilectionem referenda esse ».25

2. PRIMEIRA PARTE - A PROFISSÃO DA FÉ (§26-1065)

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

§ 26
Quando professamos a nossa fé, começamos por dizer: «Creio», ou «Cremos». Portanto, antes de expor a fé da Igreja, tal como é confessada no Credo, celebrada na liturgia, vivida na prática dos mandamentos e na oração, perguntemos a nós mesmos o que significa «crer». A fé é a resposta do homem a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida. Comecemos, pois, por considerar esta busca do homem (capítulo primeiro): depois, a Revelação divina pela qual Deus vem ao encontro do homem (capítulo segundo); finalmente, a resposta da fé (capítulo terceiro).
Cum nostram profitemur fidem, verbo incipimus: « Credo » vel « Credimus ». Antequam Ecclesiae fidem exponamus, qualem in Symbolo confitemur, qualis in liturgia celebratur, qualis in vitam per mandatorum observantiam ducitur atque per orationem, quaestionem nobis proponamus: quid « credere » significet. Fides est responsio ab homine data Deo, qui Se illi revelat et donat, simul abundantissimam afferens lucem homini in sensum vitae suae inquirenti ultimum. Hanc igitur hominis inquisitionem imprimis consideramus (caput primum), deinde Revelationem divinam, per quam Deus homini occurrit (caput secundum), denique fidei responsum (caput tertium). CAPUT PRIMUM
HOMO EST DEI « CAPAX » I. De desiderio Dei

O HOMEM É «CAPAZ» DE DEUS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

O desejo de Deus

§ 27
O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso:

«A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele, e por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador»(1).

Dei desiderium in corde hominis est inscriptum, quia homo a Deo et ad Deum creatus est; Deus autem hominem ad Se allicere non desinit, et solummodo in Deo inveniet homo veritatem et beatitudinem quas indesinenter exquirit:

« Dignitatis humanae eximia ratio in vocatione hominis ad communionem cum Deo consistit. Ad colloquium cum Deo iam inde ab ortu suo invitatur homo: non enim exsistit, nisi quia, a Deo ex amore creatus, semper ex amore conservatur; nec plene secundum veritatem vivit, nisi amorem illum libere agnoscat et Creatori suo se committat ».1

§ 28
De muitos modos, na sua história e até hoje, os homens exprimiram a sua busca de Deus em crenças e comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações, etc.). Apesar das ambiguidades de que podem enfermar, estas formas de expressão são tão universais que bem podemos chamar ao homem um ser religioso:Deus «criou de um só homem todo o género humano, para habitar sobre a superfície da terra, e fixou períodos determinados e os limites da sua habitação, para que os homens procurassem a Deus e se esforçassem realmente por O atingir e encontrar. Na verdade, Ele não está longe de cada um de nós. É n'Ele que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 26-28).
Homines, in historia sua ad haec usque tempora, multiplici modo, suam Dei inquisitionem expresserunt suis religiosis et persuasionibus et se gerendi rationibus (precibus, sacrificiis, cultibus, meditationibus etc.). Hae expressionis formae, quamquam ambiguitates secum ferre possunt, ita sunt universales, ut homo ens religiosum appellari possit:

Deus « fecit [...] ex uno omne genus hominum inhabitare super universam faciem terrae, definiens statuta tempora et terminos habitationis eorum, quaerere Deum si forte attrectent Eum et inveniant, quamvis non longe sit ab unoquoque nostrum. In Ipso enim vivimus et movemur et sumus » (Act 17,26-28).

Deus « fecit [...] ex uno omne genus hominum inhabitare super universam faciem terrae, definiens statuta tempora et terminos habitationis eorum, quaerere Deum si forte attrectent Eum et inveniant, quamvis non longe sit ab unoquoque nostrum. In Ipso enim vivimus et movemur et sumus » (Act 17,26-28).
§ 29
Mas esta «relação íntima e vital que une o homem a Deus»(2) pode ser esquecida, desconhecida e até explicitamente rejeitada pelo homem. Tais atitudes podem ter origens diversas (3) a revolta contra o mal existente no mundo, a ignorância ou a indiferença religiosas, as preocupações do mundo e das riquezas(4), o mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião e, finalmente, a atitude do homem pecador que, por medo, se esconde de Deus(5) e foge quando Ele o chama (6).
Attamen homo « hanc intimam ac vitalem cum Deo coniunctionem »2 oblivisci, neglegere, immo explicite reiicere potest. Tales habitudines e fontibus valde diversis possunt oriri:3 e rebellione contra malum quod est in mundo, e religiosis ignorantia vel indifferentia, e saeculi et divitiarum sollicitudine,4 e pravo credentium exemplo, e cogitationum tendentiis religioni adversantibus, ex habitudine denique hominis peccatoris ob timorem se a Deo abscondentis5 et ab Eius vocatione fugientis.6
§ 30
«Exulte o coração dos que procuram o Senhor» (Sl 105, 3). Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a rectidão da sua vontade, «um coração recto», e também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus.És grande, Senhor, e altamente louvável; grande é o teu poder e a tua sabedoria é sem medida. E o homem, pequena parcela da tua criação, pretende louvar-Te – precisamente ele que, revestido da sua condição mortal, traz em si o testemunho do seu pecado, o testemunho de que Tu resistes aos soberbos. Apesar de tudo, o homem, pequena parcela da tua criação, quer louvar-Te. Tu próprio a isso o incitas, fazendo com que ele encontre as suas delícias no teu louvor, porque nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti (7).
« Laetetur cor quaerentium Dominum » (Ps 105,3). Si homo potest Dei oblivisci aut Illum respuere, Ipse tamen Deus omnem hominem ad Ipsum quaerendum vocare non desinit, ut homo vivat et beatitudinem inveniat. Haec autem inquisitio ab homine requirit totum eius intelligentiae nisum, eius voluntatis rectitudinem, « cor rectum » atque etiam testimonium aliorum qui eum doceant Deum quaerere.

« Magnus es, Domine, et laudabilis valde: magna virtus Tua et sapientiae Tuae non est numerus. Et laudare Te vult homo, aliqua portio creaturae Tuae, et homo circumferens mortalitatem suam, circumferens testimonium peccati sui et testimonium quia superbis resistis: et tamen laudare Te vult homo, aliqua portio creaturae Tuae. Tu excitas, ut laudare Te delectet, quia fecisti nos ad Te, et inquietum est cor nostrum, donec requiescat in Te ».7

« Magnus es, Domine, et laudabilis valde: magna virtus Tua et sapientiae Tuae non est numerus. Et laudare Te vult homo, aliqua portio creaturae Tuae, et homo circumferens mortalitatem suam, circumferens testimonium peccati sui et testimonium quia superbis resistis: et tamen laudare Te vult homo, aliqua portio creaturae Tuae. Tu excitas, ut laudare Te delectet, quia fecisti nos ad Te, et inquietum est cor nostrum, donec requiescat in Te ».7 II. De viis, quibus ad Deum cognoscendum habetur accessus

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Os caminhos de acesso ao conhecimento de Deus

§ 31
Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, c homem que procura Deus descobre certos «caminhos» de acesso ao conhecimento de Deus. Também se lhes chama «provas da existência de Deus» – não no sentido das provas que as ciências naturais indagam mas no de «argumentos convergentes e convincentes» que permitem chegar a verdadeiras certezas.Estes «caminhos» para atingir Deus têm como ponto de partida criação: o mundo material e a pessoa humana.
Homo, ad Dei imaginem creatus et ad Deum cognoscendum et amandum vocatus, cum Deum quaerit, quasdam detegit « vias » ut ad Dei accedat cognitionem. Illae etiam « argumenta exsistentiae Dei » appellantur, non tamen eodem sensu quo scientiae naturales quaerunt argumenta, sed quatenus « argumenta convergentia et persuadentia » sunt quae ad veras certitudines pertingere sinunt.Hae « viae » Deo appropinquandi initium a creatione sumunt: a mundo materiali et a persona humana.
§ 32
O mundo: A partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode chegar-se ao conhecimento de Deu: como origem e fim do universo.

São Paulo afirma a respeito dos pagãos: «O que se pode conhecer de Deus manifesto para eles, porque Deus lho manifestou. Desde a criação do mundo, a perfeições invisíveis de Deus, o seu poder eterno e a sua divindade tornam-se pelas suas obras, visíveis à inteligência» (Rm 1, 19-20) (8).

E Santo Agostinho: «Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar interroga a beleza do ar que se dilata e difunde, interroga a beleza do céu [...] interroga todas estas realidades. Todas te respondem: Estás a ver como somo belas. A beleza delas é o seu testemunho de louvor [«confessio»]. Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo [«Ptdcher»], que não está sujeite à mudança?» (9).

Mundus: Deus potest, ex motu et efficientia, ex contingentia, ex ordine et pulchritudine mundi, ut origo et finis universi cognosci.

Sanctus Paulus de gentibus affirmat: « Quod noscibile est Dei, manifestum est in illis; Deus enim illis manifestavit. Invisibilia enim Ipsius a creatura mundi per ea, quae facta sunt, intellecta conspiciuntur, sempiterna Eius et virtus et divinitas » (Rom 1,19-20).8

Atque sanctus Augustinus dicit: « Interroga pulchritudinem terrae, interroga pulchritudinem maris, interroga pulchritudinem dilatati et diffusi aeris, interroga pulchritudinem coeli, [...] interroga ista. Respondent tibi omnia: Ecce vide, pulchra sumus. Pulchritudo eorum, confessio eorum. Ista pulchra mutabilia quis fecit, nisi incommutabilis Pulcher? ».9

§ 33
O homem: Com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu sentido do bem moral, com a sua liberdade e a voz da sua consciência, com a sua ânsia de infinito e de felicidade, o homem interroga-se sobre a existência de Deus. Nestas aberturas, ele detecta sinais da sua alma espiritual. «Gérmen de eternidade que traz em si mesmo, irredutível à simples matéria» (10), a sua alma só em Deus pode ter origem.
Homo: allectus sua veritati et pulchritudini apertione, boni moralis sensu, libertate et suae conscientiae voce, infiniti et beatitudinis appetitu homo de exsistentia Dei se interrogat. In his omnibus, animae suae spiritualis percipit signa. « Semen aeternitatis, quod [homo] in se gerit, ad solam materiam cum irreductibile sit »,10 eius anima originem ducere nequit nisi a solo Deo.
§ 34
O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos, nem o seu primeiro princípio, nem o seu fim último, mas que participam do Ser-em-si, sem princípio nem fim. Assim, por estes diversos «caminhos», o homem pode ter acesso ao conhecimento da existência duma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, «e a que todos chamam Deus» (11).
Mundus et homo testantur se in semetipsis neque primum principium neque finem habere ultimum, sed participare illius « Esse » quod in se est sine origine et sine fine. Sic, per varias huiusmodi « vias », homo accedere potest ad cognitionem exsistentiae illius realitatis quae est causa prima finisque ultimus omnium et « quam omnes Deum nominant ».11
§ 35
As faculdades do homem tornam-no capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar na sua intimidade, Deus quis revelar-Se ao homem e dar-lhe a graça de poder receber com fé esta revelação. Todavia, as provas da existência de Deus podem dispor para a fé e ajudar a perceber que a fé não se opõe à razão humana.
Hominis facultates illum capacem efficiunt Dei personalis exsistentiam cognoscendi. Sed ut homo in Eius intimitatem ingredi possit, voluit Deus Se homini revelare illique gratiam conferre qua hanc Revelationem per fidem accipere possit. Nihilominus argumenta exsistentiae Dei ad fidem disponere possunt atque adiutorio esse ut fides humanae rationi non opponi perspiciatur. III. De Dei cognitione secundum Ecclesiam

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O conhecimento de Deus segundo a Igreja

§ 36
«A Santa Igreja, nossa Mãe, atesta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas» (12). Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade porque foi criado «à imagem de Deus» (Gn 1, 27).
« Sancta Mater Ecclesia tenet et docet, Deum, rerum omnium principium et finem, naturali humanae rationis lumine e rebus creatis certo cognosci posse ».12 Sine hac capacitate, homo Revelationem Dei accipere nequiret. Hanc vero capacitatem habet homo quia « ad imaginem Dei » creatus est (Gn 1,27).
§ 37
Nas condições históricas em que se encontra, o homem experimenta, no entanto, muitas dificuldades para chegar ao conhecimento de Deus só com as luzes da razão:

«Com efeito, para falar com simplicidade, apesar de a razão humana poder verdadeiramente, pelas suas forças e luz naturais, chegar a um conhecimento verdadeiro e certo de um Deus pessoal, que protege e governa o mundo pela sua providência, bem como de uma lei natural inscrita pelo Criador nas nossas almas, há, contudo, bastantes obstáculos que impedem esta mesma razão de usar eficazmente e com fruto o seu poder natural, porque as verdades que dizem respeito a Deus e aos homens ultrapassam absolutamente a ordem das coisas sensíveis; e quando devem traduzir-se em actos e informar a vida, exigem que nos dêmos e renunciemos a nós próprios. O espírito humano, para adquirir semelhantes verdades, sofre dificuldade da parte dos sentidos e da imaginação, bem como dos maus desejos nascidos do pecado original. Daí deriva que, em tais matérias, os homens se persuadem facilmente da falsidade ou, pelo menos, da incerteza das coisas que não desejariam fossem verdadeiras» (13).

Attamen homo in condicionibus historicis, in quibus versatur, plures experitur difficultates ad Deum solo rationis lumine cognoscendum.

« Licet humana ratio, simpliciter loquendo, veram et certam cognitionem unius Dei personalis, mundum providentia Sua tuentis ac gubernantis, necnon naturalis legis a Creatore nostris animis inditae, suis naturalibus viribus ac lumine assequi revera possit, nihilominus non pauca obstant, quominus eadem ratio hac sua nativa facultate efficaciter fructuoseque utatur. Quae enim ad Deum pertinent et ad rationes spectant, quae inter homines Deumque intercedunt, veritates sunt rerum sensibilium ordinem omnino transcendentes, quae, cum in vitae actionem inducuntur eamque informant, sui devotionem suique abnegationem postulant. Humanus autem intellectus in talibus veritatibus acquirendis difficultate laborat tum ob sensuum imaginationisque impulsum, tum ob pravas cupiditates ex peccato originali ortas. Quo fit ut homines in rebus huiusmodi libenter sibi suadeant esse falsa vel saltem dubia, quae ipsi nolint esse vera ».13

§ 38
É por isso que o homem tem necessidade de ser esclarecido pela Revelação de Deus, não somente no que diz respeito ao que excede o seu entendimento, mas também sobre «as verdades religiosas e morais que, de si, não são inacessíveis à razão, para que possam ser, no estado actual do género humano, conhecidas por todos sem dificuldade, com uma certeza firme e sem mistura de erro» (14).
Hac de causa, homo eget per Dei Revelationem illuminari non solum circa ea quae suum superant intellectum, sed etiam « ut ea, quae in rebus religionis et morum rationi per se impervia non sunt, in praesenti quoque humani generis condicione, ab omnibus expedite, firma certitudine et nullo admixto errore cognosci possint ».14 IV. Quomodo de Deo loquendum?

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Como falar de Deus?

§ 39
Ao defender a capacidade da razão humana para conhecer Deus, a Igreja exprime a sua confiança na possibilidade de falar de Deus a todos os homens e com todos os homens. Esta convicção está na base do seu diálogo com as outras religiões, com a filosofia e as ciências, e também com os descrentes e os ateus.
Ecclesia, cum rationis humanae capacitatem Deum cognoscendi defendit, suam exprimit fiduciam de sua omnibus hominibus et cum omnibus hominibus de Deo loquendi possibilitate. Ab hac persuasione, eius colloquium cum aliis religionibus, cum philosophia et scientia, atque etiam cum non credentibus et atheis initium sumit.
§ 40
Mas dado que o nosso conhecimento de Deus é limitado, a nossa linguagem, ao falar de Deus, também o é. Não podemos falar de Deus senão a partir das criaturas e segundo o nosso modo humano limitado de conhecer e de pensar.
Cum nostra de Deo cognitio sit limitata, locutiones nostrae de Deo pariter limitatae sunt. Deum nominare nequimus nisi a creaturis procedentes atque secundum nostrum humanum limitatum cognoscendi et cogitandi modum.
§ 41
Todas as criaturas são portadoras duma certa semelhança de Deus, muito especialmente o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. As múltiplas perfeições das criaturas (a sua verdade, a sua bondade, a sua beleza) reflectem, pois, a perfeição infinita de Deus. Daí que possamos falar de Deus a partir das perfeições das suas criaturas: «porque a grandeza e a beleza das criaturas conduzem, por analogia, à contemplação do seu Autor» (Sb 13, 5).
Omnes creaturae quandam cum Deo prae se ferunt similitudinem, singulariter autem homo ad Dei imaginem et similitudinem creatus. Multiplices creaturarum perfectiones (earum veritas, bonitas, pulchritudo) Dei perfectionem reverberant infinitam. Hac de causa, Deum valemus nominare ab Eius creaturarum procedentes perfectionibus, « a magnitudine enim et pulchritudine creaturarum cognoscibiliter potest Creator horum videri » (Sap 13,5).
§ 42
Deus transcende toda a criatura. Devemos, portanto, purificar incessantemente a nossa linguagem no que ela tem de limitado, de ilusório, de imperfeito, para não confundir o Deus «inefável, incompreensível, invisível, impalpável» (15) com as nossas representações humanas. As nossas palavras humanas ficam sempre aquém do mistério de Deus.
Deus omnem transcendit creaturam. Necessarium igitur est nostras indesinenter locutiones purificare ab eo quod limitatum, imaginarium et imperfectum est, ne Deum, qui est « ineffabilis, incomprehensibilis, invisibilis, inexcogitabilis »,15 cum nostris humanis confundamus repraesentationibus. Nostra humana verba semper citra Dei manent mysterium.
§ 43
Ao falar assim de Deus, a nossa linguagem exprime-se, evidentemente, de modo humano. Mas atinge realmente o próprio Deus, sem todavia poder exprimi-Lo na sua infinita simplicidade. Devemos lembrar-nos de que, «entre o Criador e a criatura, não é possível notar uma semelhança sem que a dissemelhança seja ainda maior» (16), e de que «não nos é possível apreender de Deus o que Ele é, senão apenas o que Ele não é, e como se situam os outros seres em relação a Ele»(17).Resumindo:
Cum sic de Deo loquimur, nostrae locutiones humano utique modo exprimuntur, sed revera Deum Ipsum attingunt, quin tamen Ipsum in Eius infinita exprimere possint simplicitate. Illud etenim in memoriam revocare oportet: « Inter Creatorem et creaturam non potest similitudo notari, quin inter eos maior sit dissimilitudo »;16 atque etiam: « Non enim de Deo capere possumus quid est, sed quid non est, et qualiter alia se habeant ad Ipsum ».17 Compendium

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 44
O homem é, por natureza e vocação, um ser religioso. Vindo de Deus e caminhando para Deus, o homem não vive uma vida plenamente humana senão na medida em que livremente viver a sua relação com Deus.
Homo natura et vocatione est ens religiosum. Cum vero homo a Deo veniat et ad Deum vadat, vita plene humana non vivit, nisi libere coniunctus vivat cum Deo.
§ 45
O homem foi feito para viver em comunhão com Deus, em quem encontra a sua felicidade: «Quando eu estiver todo em Ti, não mais haverá tristeza nem angústia; inteiramente repleta de Ti, a minha vida será vida plena»(18).
Homo factus est ut in communione vivat cum Deo, in quo eius invenitur felicitas. « Cum inhaesero Tibi ex omni me, nusquam erit mihi dolor et labor, et viva erit vita mea tota plena Te ».18
§ 46
Quando escuta a mensagem das criaturas e a voz da sua consciência, o homem pode alcançar a certeza da existência de Deus, causa e fim de tudo.
Cum creaturarum nuntium suaeque conscientiae auscultat vocem, homo ad certitudinem existentiae Dei, causae et finis omnium, pervenire potest.
§ 47
A Igreja ensina que o Deus único e verdadeiro, nosso Criador e Senhor; pode ser conhecido com certeza pelas suas obras, graças à luz natural da razão humana (19).
Ecclesia docet Deum unum et verum, nostrum Creatorem et Dominum, per Eius opera, naturali rationis humanae lumine certo cognosci posse.19
§ 48
Nós podemos realmente falar de Deus partindo das múltiplas perfeições das criaturas, semelhanças de Deus infinitamente perfeito, ainda que a nossa linguagem limitada não consiga esgotar o mistério.
Deum revera nominare possumus procedentes a multiplicibus creaturarum perfectionibus, quae Dei infinite perfecti sunt similitudines, licet nostrae finitae locutiones Eius non exhauriant mysterium.
§ 49
«A criatura sem o Criador esvai-se» (20). Por isso, os crentes sentem-se pressionados pelo amor de Cristo a levar a luz do Deus vivo aos que O ignoram ou rejeitam.
« Creatura [...] sine Creatore evanescit ».20 Propterea credentes sciunt se amore Christi urgeri ut Dei viventis lumen afferant ad illos, qui Eum ignorant vel respuunt. (1) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 19: AAS 58 (1966) 1038-1039.(2) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 19: AAS 58 (1966) 1039.(3) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 19-21: AAS 58 (1966) 1038-1042.(4) Cf Mt 13,22.(5) Cf Gn 3,8-10.(6) Cf Ion 1,3. (7) Sanctus Augustinus, Confessiones, 1, 1, 1: CCL 27, 1 (PL 32, 659-661).(8) Cf Act 14,15-17; 17,27-28; Sap 13,1-9. (9) Sanctus Augustinus, Sermo 241, 2: PL 38, 1134. (10) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 18: AAS 58 (1966) 1038; cf Ibid., 14: AAS 58 (1966) 1036. (11) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I, q. 2, a. 3, c: Ed. Leon. 4, 31.(12) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3004; cf Ibid., De Revelatione, canon 2: DS 3026; Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 6: AAS 58 (1966) 819. (13) Pius XII, Litt. enc. Humani generis: DS 3875. (14) Ibid.: DS 3876. Cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3005; Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 6: AAS 58 (1966) 819-820; Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I, q. 1, a. 1, c: Ed. Leon. 4, 6. (15) Liturgia Byzantina. Anaphora sancti Ioannis Chrysostomi: Liturgies Eastern and Western, ed. F.E. Brightman (Oxford 1896) p. 384 (PG 63, 915).(16) Concilium Lateranense IV, Cap. 2. De errore abbatis Ioachim: DS 806.(17) Sanctus Thomas Aquinas, Summa contra gentiles, 1, 30: Ed. Leon. 13, 92. (18) Sanctus Augustinus, Confessiones, 10, 28, 39: CCL 27, 175 (PL 32, 795).(19) Cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, De revelatione, canon 2: DS 3026.(20) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054.

DEUS AO ENCONTRO DO HOMEM

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

§ 50
Pela razão natural, o homem pode conhecer Deus com certeza, a partir das suas obras. Mas existe outra ordem de conhecimento, que o homem de modo nenhum pode atingir por suas próprias forças: a da Revelação divina (1). Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-Se e dá-Se ao homem. E fá-lo revelando o seu mistério, o desígnio benevolente que, desde toda a eternidade, estabeleceu em Cristo, em favor de todos os homens. Revela plenamente o seu desígnio, enviando o seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo.
Homo naturali ratione Deum, ab Eius procedens operibus, cum certitudine cognoscere potest. Sed alius habetur cognitionis ordo quem homo nequaquam suis viribus attingere valet, scilicet ille Revelationis divinae.21 Deus, decisione prorsus libera, Se revelat atque homini Se donat. Id Ipse facit Suum revelans mysterium, Suum benevolum consilium quod omnino ab aeterno in Christo pro omnibus hominibus cepit. Suum plene revelavit consilium Filium Suum dilectum, Dominum nostrum Iesum Christum, necnon Spiritum Sanctum mittens. ARTICULUS 1 
DE REVELATIONE DEI I. Deus Suum revelat « benevolum consilium »

A REVELAÇÃO DE DEUS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Deus revela o seu «desígnio benevolente»

§ 51
«Aprouve a Deus, na sua sabedoria e bondade, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tomam participantes da natureza divina»(2).
« Placuit Deo pro Sua bonitate et sapientia Seipsum revelare et notum facere sacramentum voluntatis Suae, quo homines per Christum, Verbum carnem factum, in Spiritu Sancto accessum habent ad Patrem et divinae naturae consortes efficiuntur ».22
§ 52
Deus, que «habita numa luz inacessível» (1 Tm 6, 16), quer comunicar a sua própria vida divina aos homens que livremente criou, para fazer deles, no seu Filho único, filhos adoptivos (3). Revelando-Se a Si mesmo, Deus quer tornar os homens capazes de Lhe responderem, de O conhecerem e de O amarem, muito para além de tudo o que seriam capazes por si próprios.
Deus, « lucem habitans inaccessibilem » (1 Tim 6,16), vitam Suam divinam hominibus a Se libere creatis communicare vult, ut eos in unico Filio Suo filios efficiat adoptivos.23 Deus Seipsum revelans homines facere vult capaces Illi respondendi, Illum cognoscendi Illumque amandi ultra totum id cuius capaces essent ex se ipsis.53 Consilium divinum Revelationis in rem perducitur simul « gestis verbisque intrinsece inter se connexis »24 seseque mutuo elucidantibus. Id « paedagogiam divinam » implicat peculiarem: Deus Se homini gradatim communicat, illum per temporis periodos ad supernaturalem Revelationem praeparat accipiendam quam Deus de Se Ipso facit quaeque in Persona et missione Verbi incarnati, Iesu Christi culmen attinget.

Sanctus Irenaeus Lugdunensis de hac paedagogia divina saepe loquitur sub imagine mutuae inter Deum et hominem assuetudinis. « Verbum Dei [...] habitavit in homine et Filius hominis factus est, ut assuesceret hominem percipere Deum et assuesceret Deum in homine secundum placitum Patris ».25

Sanctus Irenaeus Lugdunensis de hac paedagogia divina saepe loquitur sub imagine mutuae inter Deum et hominem assuetudinis. « Verbum Dei [...] habitavit in homine et Filius hominis factus est, ut assuesceret hominem percipere Deum et assuesceret Deum in homine secundum placitum Patris ».25II. Revelationis periodiAb origine Deus Se praebet cognoscendum
§ 53
O desígnio divino da Revelação realiza-se, ao mesmo tempo, «por meio de acções e palavras, intrinsecamente relacionadas entre si» (4) e esclarecendo-se mutuamente. Comporta uma particular «pedagogia divina»: Deus comunica-Se gradualmente ao homem e prepara-o, por etapas, para receber a Revelação sobrenatural que faz de Si próprio e que vai culminar na Pessoa e missão do Verbo encarnado, Jesus Cristo.

Santo Ireneu de Lião fala várias vezes desta pedagogia divina, sob a imagem da familiaridade mútua entre Deus e o homem: «O Verbo de Deus [...] habitou no homem e fez-Se Filho do Homem, para acostumar o homem a apreender Deus e Deus a habitar no homem, segundo o beneplácito do Pai» (5).

Consilium divinum Revelationis in rem perducitur simul « gestis verbisque intrinsece inter se connexis »24 seseque mutuo elucidantibus. Id « paedagogiam divinam » implicat peculiarem: Deus Se homini gradatim communicat, illum per temporis periodos ad supernaturalem Revelationem praeparat accipiendam quam Deus de Se Ipso facit quaeque in Persona et missione Verbi incarnati, Iesu Christi culmen attinget.

Sanctus Irenaeus Lugdunensis de hac paedagogia divina saepe loquitur sub imagine mutuae inter Deum et hominem assuetudinis. « Verbum Dei [...] habitavit in homine et Filius hominis factus est, ut assuesceret hominem percipere Deum et assuesceret Deum in homine secundum placitum Patris ».25

DESDE A ORIGEM, DEUS DÁ-SE A CONHECER

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As etapas da Revelação

§ 54
«Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo, oferece aos homens um testemunho perene de Si mesmo nas coisas criadas, e, além disso, decidindo abrir o caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se a Si mesmo, desde o princípio, aos nossos primeiros pais» (6). Convidou-os a uma comunhão íntima consigo, revestindo-os de uma graça e justiça resplandecentes.
« Deus, per Verbum omnia creans et conservans, in rebus creatis perenne Sui testimonium hominibus praebet et, viam salutis supernae aperire intendens, insuper protoparentibus inde ab initio Semetipsum manifestavit ».26 Ipse eos ad intimam cum Semetipso invitavit communionem, splendentibus illos induens gratia atque iustitia. 55 Haec Revelatio peccato nostrorum protoparentum interrupta non est. Deus enim « post eorum [...] lapsum eos, Redemptione promissa, in spem salutis erexit et sine intermissione generis humani curam egit, ut omnibus qui secundum patientiam boni operis salutem quaerunt, vitam aeternam daret ».27

« Et cum amicitiam Tuam, non oboediens amisisset, non eum dereliquisti in mortis imperio. [...] Sed et Foedera pluries hominibus obtulisti ».28

« Et cum amicitiam Tuam, non oboediens amisisset, non eum dereliquisti in mortis imperio. [...] Sed et Foedera pluries hominibus obtulisti ».28Foedus cum Noe
§ 55
Esta Revelação não foi interrompida pelo pecado dos nossos primeiros pais. Com efeito, Deus, «depois da sua queda, com a promessa de redenção, deu-lhes a esperança da salvação, e cuidou continuamente do género humano, para dar a vida eterna a todos aqueles que, perseverando na prática das boas obras, procuram a salvação»(7).

«E quando, por desobediência, perdeu a vossa amizade, não o abandonastes ao poder da morte [...] Repetidas vezes fizestes aliança com os homens (8)».

Haec Revelatio peccato nostrorum protoparentum interrupta non est. Deus enim « post eorum [...] lapsum eos, Redemptione promissa, in spem salutis erexit et sine intermissione generis humani curam egit, ut omnibus qui secundum patientiam boni operis salutem quaerunt, vitam aeternam daret ».27

« Et cum amicitiam Tuam, non oboediens amisisset, non eum dereliquisti in mortis imperio. [...] Sed et Foedera pluries hominibus obtulisti ».28

A ALIANÇA COM NOÉ

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As etapas da Revelação

§ 56
Desfeita a unidade do género humano pelo pecado, Deus procurou imediatamente, salvar a humanidade intervindo com cada uma das suas partes. A aliança com Noé, a seguir ao dilúvio (9), exprime o princípio da economia divina em relação às «nações», quer dizer, em relação aos homens reagrupados «por países e línguas, por famílias e nações» (Gn 10, 5) (10).
Deus, unitate generis humani peccato comminuta, statim humanum intendit salvare genus cum unaquaque ex eius partibus interveniens. Foedus cum Noe initum post diluvium29 principium Oeconomiae divinae exprimit erga « nationes », id est, erga homines « secundum linguam suam et familias suas in nationibus suis » (Gn 10,5) coniunctos.30
§ 57
Esta ordem, ao mesmo tempo cósmica, social e religiosa da pluralidade das nações (11), destinava-se a limitar o orgulho duma humanidade decaída, que, unânime na sua perversidade (12), pretendia refazer por si mesma a própria unidade, à maneira de Babel (13). Mas, por causa do pecado (14), quer o politeísmo quer a idolatria da nação e do seu chefe são uma contínua ameaça de perversão pagã a esta economia provisória.
Hic ordo pluralitatis nationum, simul cosmicus, socialis et religiosus,31 destinatur ad generis humani lapsi limitandam superbiam, quod in sua perversitate unanime,32 per se ipsum ad modum Babelis suam efficere vellet unitatem.33 Sed, propter peccatum,34 polytheismus, sicut etiam nationis eiusque ducis idololatria huic provisoriae Oeconomiae indesinenter paganam minantur perversionem.
§ 58
A aliança com Noé permanece em vigor enquanto durar o tempo das nações (15), até à proclamação universal do Evangelho. A Bíblia venera algumas grandes figuras das «nações», como «o justo Abel», o rei e sacerdote Melquisedec (16), figura de Cristo (17), ou os justos «Noé, Danel e Job» (Ez 14, 14). Deste modo, a Escritura exprime o alto grau de santidade que podem atingir os que vivem segundo a aliança de Noé, na expectativa de que Cristo «reúna, na unidade, todos os filhos de Deus dispersos» (Jo 11, 52).
Foedus cum Noe initum viget donec perdurant tempora nationum,35 usque ad universalem Evangelii proclamationem. Scriptura magnos quosdam « nationum » veneratur homines, sicut « iustum Abel », regem et sacerdotem Melchisedech,36 qui Christi est figura,37 vel iustos « Noe, Danel et Job » (Ez 14,14). Sic Scriptura exprimit quam sanctitatis altitudinem illi attingere possunt, qui secundum Foedus initum cum Noe vivunt, exspectantes Christum, qui « filios Dei, qui erant dispersi, congregaret in unum » (Io 11,52). Deus Abraham eligit

DEUS ELEGE ABRAÃO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As etapas da Revelação

§ 59
Para reunir a humanidade dispersa, Deus escolhe Abrão, chamando-o para «deixar a sua terra, a sua família e a casa de seu pai» (Gn 12, 1), para o fazer Abraão, quer dizer, «pai de um grande número de nações» (Gn 17, 5): «Em ti serão abençoadas todas as nações da Terra» (Gn 12, 3) (18).
Ut humanum genus dispersum congregaret in unum, Deus Abram eligit, illum vocans: « Egredere de terra tua et de cognatione tua et de domo patris tui » (Gn 12,1); eo consilio ut illum faciat Abraham, id est, « patrem multarum gentium » (Gn 17,5): « Atque in te benedicentur universae cognationes terrae! » (Gn 12,3).38
§ 60
O povo descendente de Abraão será o depositário da promessa feita aos patriarcas, o povo eleito (19), chamado a preparar a reunião, um dia, de todos os filhos de Deus na unidade da Igreja (20). Será o tronco em que serão enxertados os pagãos tornados crentes (21).
Populus ab Abraham descendens depositarius erit Promissionis Patriarchis factae, populus electionis,39 vocatus ad parandam futuram congregationem omnium filiorum Dei in Ecclesiae unitatem;40 ille radix erit in quam pagani inserentur credentes effecti.41
§ 61
Os patriarcas, os profetas e outras personagens do Antigo Testamento foram, e serão sempre, venerados como santos em todas as tradições litúrgicas da Igreja.
Patriarchae et Prophetae et alii magni Veteris Testamenti homines fuerunt eruntque semper tamquam sancti in omnibus Ecclesiae traditionibus liturgicis veneratione culti.Deus populum Suum Israel efformat

DEUS FORMA O SEU POVO ISRAEL

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As etapas da Revelação

§ 62
Depois dos patriarcas, Deus formou Israel como seu povo, salvando-o da escravidão do Egipto. Concluiu com ele a aliança do Sinai e deu-lhe, por Moisés, a sua Lei, para que Israel O reconhecesse e O servisse como único Deus vivo e verdadeiro, Pai providente e justo Juiz, e vivesse na expectativa do Salvador prometido (22).
Post Patriarchas, Deus Israel tamquam populum efformavit Suum, illum ex Aegypti salvans servitute. Foedus Sinai cum illo inivit eique per Moysen Legem donavit Suam, ad Se agnoscendum Sibique tamquam soli Deo vivo et vero necnon Patri provido iustoque iudici inserviendum, et ad promissum Salvatorem exspectandum.42
§ 63
Israel é o povo sacerdotal de Deus (23), sobre o qual «foi invocado o Nome do Senhor» (Dt 28, 10). É o povo daqueles «a quem Deus falou em primeiro lugar»(24), o povo dos «irmãos mais velhos» na fé de Abraão (25).
Israel est populus sacerdotalis Dei,43 super quem « Nomen Domini invocatum sit » (Dt 28,10). Est igitur eorum populus « ad quos prius locutus est Dominus Deus noster »,44 populus « fratrum maiorum » in fide Abraham.45
§ 64
Pelos profetas, Deus forma o seu povo na esperança da salvação, na expectativa duma aliança nova e eterna, destinada a todos os homens (26), e que será gravada nos corações (27). Os profetas anunciam uma redenção radical do povo de Deus, a purificação de todas as suas infidelidades (28), uma salvação que abrangerá todas as nações (29). Serão sobretudo os pobres e os humildes do Senhor (30) os portadores desta esperança. As mulheres santas como Sara, Rebeca, Raquel, Míriam, Débora, Ana, Judite e Ester conservaram viva a esperança da salvação de Israel. Maria é a imagem puríssima desta esperança (31).
Per Prophetas, Deus populum Suum in salutis efformat spe, in exspectatione Foederis Novi et aeterni omnibus hominibus destinati46 et quod in cordibus erit inscriptum.47 Prophetae radicalem populi Dei annuntiant Redemptionem, ab omnibus eius infidelitatibus purificationem,48 salutem quae omnes complectetur nationes.49 Pauperes praesertim et humiles Domini50 hanc tenebunt spem. Sanctae mulieres, sicut Sara, Rebecca, Rachel, Miryam, Debora, Anna, Iudith, Esther, spem salutis Israel servaverunt vivam. Purissima huius spei imago est Maria.51 III. Christus Iesus « mediator simul et plenitudo totius Revelationis »52 Deus totum in Verbo Suo dixit

NO SEU VERBO, DEUS DISSE TUDO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Jesus Cristo – «Mediador e plenitude de toda a Revelação» (32)

§ 65
«Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos pelo seu Filho» (Heb 1, 1-2). Cristo, Filho de Deus feito homem, é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai.N'Ele, o Pai disse tudo. Não haverá outra palavra além dessa. São João da Cruz, após tantos outros, exprime-o de modo luminoso, ao comentar Heb 1, 1-2:

«Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra – e não tem outra – (Deus) disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única e já nada mais tem para dizer. [...] Porque o que antes disse parcialmente pelos profetas, revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que é o seu Filho. E por isso, quem agora quisesse consultar a Deus ou pedir-Lhe alguma visão ou revelação, não só cometeria um disparate, mas faria agravo a Deus, por não pôr os olhos totalmente em Cristo e buscar fora d'Ele outra realidade ou novidade» (33).

« Multifariam et multis modis olim Deus locutus patribus in Prophetis, in novissimis his diebus locutus est nobis in Filio » (Heb 1,1-2). Christus, Filius Dei homo factus, est Patris Verbum unicum, perfectum et insuperabile. Totum in Eo dixit, et aliud quam hoc non habebitur verbum. Sanctus Ioannes a Cruce, post tot alios, id modo dilucido exprimit, Heb 1,1-2 commentans:

« Dando quippe nobis, sicut dedit, Filium Suum, qui est unicum solumque Ipsius Verbum, omnia nobis simul unaque vice in hoc unico Verbo locutus est nihilque amplius habet loquendum. [...] Id enim quod antea per partes loquebatur Prophetis, iam nobis totum in Ipso dixit, Ipsum nobis totum dando, id est, Filium Suum. Quamobrem ille qui nunc vellet aliquid a Deo sciscitari, vel visionem aliquam aut revelationem ab Eo postulare, non solum stultum quid faceret, sed videretur iniuriam Deo inferre, non defigendo omnino suos oculos in Christum vel aliam rem aut novitatem extra illum requirendo ».53

JÁ NÃO HAVERÁ OUTRA REVELAÇÃO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Jesus Cristo – «Mediador e plenitude de toda a Revelação» (32)

§ 66
«Portanto, a economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e já não se há-de esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo»(34). No entanto, apesar de a Revelação já estar completa, ainda não está plenamente explicitada. E está reservado à fé cristã apreender gradualmente todo o seu alcance, no decorrer dos séculos.
« Oeconomia ergo christiana, utpote Foedus Novum et definitivum, numquam praeteribit, et nulla iam nova Revelatio publica expectanda est ante gloriosam manifestationem Domini nostri Iesu Christi ».54 Attamen, quamquam Revelatio est completa, plene explanata non est; fidei manet christianae, saeculorum decursu, omnem eius amplitudinem gradatim intelligere.
§ 67
No decurso dos séculos tem havido revelações ditas «privadas», algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é «aperfeiçoar» ou «completar» a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja.A fé cristã não pode aceitar «revelações» que pretendam ultrapassar ou corrigir a Revelação de que Cristo é a plenitude. É o caso de certas religiões não-cristãs, e também de certas seitas recentes. fundadas sobre tais «revelações».Resumindo:
Decursu saeculorum, revelationes sic dictae « privatae » habitae sunt, quarum quaedam Ecclesiae sunt agnitae auctoritate. Hae tamen ad depositum fidei non pertinent. Earum munus definitivam Christi Revelationem « meliorare » non est vel « complere », sed adiutorium praebere ut ipsa, in quadam historiae periodo, plenius deducatur in vitam. Fidelium sensus, sub Ecclesiae Magisterii ductu, id discernere et accipere valet quod pro Ecclesia in his revelationibus germanam Christi vel sanctorum continet hortationem.Fides christiana nequit « revelationes » accipere, quae superare vel corrigere Revelationem contendunt, cuius Christus est completio. Sic quaedam se habent religiones non christianae atque aliquae recentes sectae quae in talibus nituntur « revelationibus ».Compendium

COMPÊNDIO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Resumindo

§ 68
Por amor, Deus revelou-Se e deu-Se ao homem. Dá assim uma resposta definitiva e superabundante às questões que o homem se põe a si próprio sobre o sentido e o fim da sua vida.
Deus amore Se homini revelavit atque donavit. Ita definitivum et super effluens responsum affert quaestionibus quas homo sibi circa sensum et finem vitae ponit suae.
§ 69
Deus revelou-Se ao homem, comunicando-lhe gradualmente o seu próprio mistério, por acções e por palavras.
Deus Se homini revelavit, proprium Suum gestis et verbis gradatim illi communicans mysterium.
§ 70
Além do testemunho que dá de Si mesmo através das coisas criadas, Deus manifestou-Se a Si próprio aos nossos primeiros pais. Falou-lhes e, depois da queda, prometeu-lhes a salvação (35) e ofereceu-lhes a sua aliança.
Praeter testimonium quod Deus de Se in rebus praebet creatis, Ipse nostris protoparentibus est manifestatus. Illis locutus est atque, post lapsum, salutem promisit55 eisque Suum obtulit Foedus.
§ 71
Deus concluiu com Noé uma aliança eterna entre Si e todos os seres vivos (36). Essa aliança durará enquanto durar o mundo.
Deus cum Noe sempiternum inter Se et omnia entia viventia pepigit Foedus.56 Hoc Foedus perdurabit donec mundus perduret.
§ 72
Deus escolheu Abraão e concluiu uma aliança com ele e os seus descendentes. Fez deles o seu povo, ao qual revelou a sua Lei por meio de Moisés. E preparou-o, pelos profetas, a acolher a salvação destinada a toda a humanidade.
Deus Abraham elegit et cum illo eiusque posteritate Foedus iniit. Ex eo populum efformavit Suum cui per Moysen Suam Legem revelavit. Illum per Prophetas praeparavit ad salutem accipiendam toti humano generi destinatam.
§ 73
Deus revelou-Se plenamente enviando o seu próprio Filho, no qual estabeleceu a sua aliança para sempre. O Filho é a Palavra definitiva do Pai, de modo que, depois d'Ele, não haverá outra Revelação.
Deus Se plene revelavit Suum Filium mittens, in quo Foedus Suum instituit in aeternum. Hic est Verbum Patris definitivum, et sic nulla post Eum habebitur Revelatio. (21) Cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3015.(22) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818. (23) Cf Eph 1,4-5.(24) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.(25) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 20, 2: SC 211, 392 (PG 7, 944); cf, exempli gratia, Ibid. 3, 17, 1: SC 211, 330 (PG 7, 929); Ibid. 4, 12, 4: SC 100, 518 (PG 7, 1006); Ibid. 4, 21, 3: SC 100, 684 (PG 7, 1046). (26) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 3: AAS 58 (1966) 818.(27) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 3: AAS 58 (1966) 818. (28) Prex eucharistica IV: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 467. (29) Cf Gn 9,9.(30) Cf Gn 10,20-31.(31) Cf Act 17,26-27.(32) Cf Sap 10,5.(33) Cf Gn 11,4-6.(34) Cf Rom 1,18-25.(35) Cf Lc 21,24.(36) Cf Gn 14,18.(37) Cf Heb 7,3. (38) Cf Gal 3,8.(39) Cf Rom 11,28.(40) Cf Io 11,52; 10,16.(41) Cf Rom 11,17-18.24.(42) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 3: AAS 58 (1966) 818.(43) Cf Ex 19,6. (44) Feria VI in passione Domini, Oratio universalis VI: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 254.(45) Cf Ioannes Paulus II, Alloc. nella sinagoga durante l'incontro con la comunità Ebraica della Città di Roma (13 aprilis 1986), 4: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, IX1, 1027. (46) Cf Is 2,2-4.(47) Cf Ier 31,31-34; Heb 10,16. (48) Cf Ez 36.(49) Cf Is 49,5-6; 53,11.(50) Cf Soph 2,3.(51) Cf Lc 1,38.(52) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818. (53) Sanctus Ioannes a Cruce, Subida del monte Carmelo, 2, 22, 3-5: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 11 (Burgos 1929) p. 184. (54) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 4: AAS 58 (1966) 819.(55) Cf Gn 3,15.(56) Cf Gn 9,16.

A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

§ 74
Deus «quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4), quer dizer, de Cristo Jesus (37). Por isso, é preciso que Cristo seja anunciado a todos os povos e a todos os homens, e que, assim a Revelação chegue aos confins do mundo:

Deus dispôs amorosamente que permanecesse íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos (38).

Deus « omnes homines vult salvos fieri et ad agnitionem veritatis venire » (1 Tim 2,4), id est, Christi Iesu.57 Oportet igitur ut Christus omnibus populis omnibusque annuntietur hominibus atque sic Revelatio usque ad terrae perveniat extrema.

« Quae Deus ad salutem cunctarum gentium revelaverat, eadem benignissime disposuit ut in aevum integra permanerent omnibusque generationibus transmitterentur ».58

A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A Tradição apostólica

§ 75
«Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma, tendo cumprido e promulgado pessoalmente o Evangelho antes prometido pelos profetas, mandou aos Apóstolos que o pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes assim os dons divinos» (39).
« Christus Dominus, in quo summi Dei tota Revelatio consummatur, mandatum dedit Apostolis ut Evangelium, quod promissum ante per Prophetas Ipse adimplevit et proprio ore promulgavit, tamquam fontem omnis et salutaris veritatis et morum disciplinae omnibus praedicarent, eis dona divina communicantes ».59 Praedicatio apostolica...

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A Tradição apostólica

§ 76
A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor, fez-se de duas maneiras:

oralmente, «pelos Apóstolos, que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo»;

por escrito, «por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação» (40).

Secundum Domini mandatum, Evangelii transmissio duobus est effecta modis: — Ore tenus « ab Apostolis, qui in praedicatione orali, exemplis et institutionibus ea tradiderunt quae sive ex ore, conversatione et operibus Christi acceperant, sive a Spiritu Sancto suggerente didicerant »; — Scripto « ab illis Apostolis virisque apostolicis, qui, sub inspiratione Eiusdem Spiritus Sancti, nuntium salutis scriptis mandaverunt ».60...continuata in successione apostolica

CONTINUADA NA SUCESSÃO APOSTÓLICA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A Tradição apostólica

§ 77
«Para que o Evangelho fosse perenemente conservado íntegro e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores, "entregando-lhes o seu próprio ofício de magistério"» (41). Com efeito, «a pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se, por uma sucessão ininterrupta, até à consumação dos tempos» (42).
« Ut autem Evangelium integrum et vivum iugiter in Ecclesia servaretur, Apostoli successores reliquerunt Episcopos, ipsis "suum ipsorum locum magisterii tradentes" ».61 Re quidem vera, « praedicatio apostolica, quae in inspiratis libris speciali modo exprimitur, continua successione usque ad consummationem temporum conservari debebat ».62
§ 78
Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, denomina-se Tradição, enquanto distinta da Sagrada Escritura, embora estreitamente a ela ligada. Pela Tradição, «a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo em que acredita» (43). «Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante» (44).
Haec viva transmissio, in Spiritu Sancto peracta, quatenus distincta a sacra Scriptura, licet arcte cum ea coniuncta, Traditio appellatur. Per eam « Ecclesia, in sua doctrina, vita et cultu, perpetuat cunctisque generationibus transmittit omne quod ipsa est, omne quod credit ».63 « Sanctorum Patrum dicta huius Traditionis vivificam testificantur praesentiam, cuius divitiae in praxim vitamque credentis et orantis Ecclesiae transfunduntur ».64
§ 79
Assim, a comunicação que o Pai fez de Si próprio, pelo seu Verbo, no Espírito Santo, continua presente e activa na Igreja: «Deus, que outrora falou, dialoga sem interrupção com a esposa do seu amado Filho; e o Espírito Santo – por quem ressoa a voz do Evangelho na Igreja, e, pela Igreja, no mundo – introduz os crentes na verdade plena e faz com que a palavra de Cristo neles habite em toda a sua riqueza» (45).
Sic communicatio Sui Ipsius, quam Pater per Suum Verbum in Spiritu Sancto effecit, praesens atque activa permanet in Ecclesia: « Deus, qui olim locutus est, sine intermissione cum dilecti Filii Sui Sponsa colloquitur et Spiritus Sanctus, per quem viva vox Evangelii in Ecclesia, et per ipsam in mundo resonat, credentes in omnem veritatem inducit, verbumque Christi in eis abundanter inhabitare facit ».65 II. De relatione inter Traditionem et sacram Scripturam Unus communis fons...

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A relação entre a Tradição e a Sagrada Escritura

§ 80
«A Tradição sagrada e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim» (46). Uma e outra tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo, que prometeu estar com os seus, «sempre, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20).
« Sacra Traditio ergo et sacra Scriptura arcte inter se connectuntur atque communicant. Nam ambae, ex eadem divina scaturigine promanantes, in unum quodammodo coalescunt et in eundem finem tendunt ».66 Utraque praesens efficit in Ecclesia et fecundum mysterium Christi, qui Se cum Suis promisit permansurum « omnibus diebus usque ad consummationem saeculi » (Mt 28,20). ...duo diversi transmissionis modi

DUAS FORMAS DE TRANSMISSÃO DISTINTAS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A relação entre a Tradição e a Sagrada Escritura

§ 81
«A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito divino».«A sagrada Tradição, por sua vez, conserva a Palavra de Deus, confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, e transmite-a integralmente aos seus sucessores, para que eles, com a luz do Espírito da verdade, fielmente a conservem, exponham e difundam na sua pregação» (47).
« Sacra Scriptura est locutio Dei quatenus divino afflante Spiritu scripto consignatur ».« Sacra autem Traditio Verbum Dei, a Christo Domino et a Spiritu Sancto Apostolis concreditum, successoribus eorum integre transmittit, ut illud, praelucente Spiritu veritatis, praeconio suo fideliter servent, exponant atque diffundant ».67
§ 82
Daí resulta que a Igreja, a quem está confiada a transmissão e interpretação da Revelação, «não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência» (48).
Inde sequitur ut Ecclesia, cui Revelationis transmissio et interpretatio sunt commissae, « certitudinem suam de omnibus revelatis non per solam sacram Scripturam hauriat. Quapropter utraque pari pietatis affectu ac reverentia suscipienda et veneranda est ».68Traditio apostolica et traditiones ecclesiales

TRADIÇÃO APOSTÓLICA E TRADIÇÕES ECLESIAIS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A relação entre a Tradição e a Sagrada Escritura

§ 83
A Tradição de que falamos aqui é a que vem dos Apóstolos. Ela transmite o que estes receberam do ensino e do exemplo de Jesus e aprenderam pelo Espírito Santo. De facto, a primeira geração de cristãos não tinha ainda um Novo Testamento escrito, e o próprio Novo Testamento testemunha o processo da Tradição viva.É preciso distinguir, desta Tradição, as «tradições» teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais, nascidas no decorrer do tempo nas Igrejas locais. Elas constituem formas particulares, sob as quais a grande Tradição recebe expressões adaptadas aos diversos lugares e às diferentes épocas. É à sua luz que estas podem ser mantidas, modificadas e até abandonadas, sob a direcção do Magistério da Igreja.
Traditio, de qua hic loquimur, ab Apostolis procedit et id transmittit quod ipsi a Iesu doctrina receperunt et exemplo atque quod ipsos Spiritus Sanctus edocuit. Re quidem vera, prima christianorum generatio nondum Novum Testamentum habebat scriptum, ipsumque Novum Testamentum viventis Traditionis processum testatur. Ab illa « traditiones » theologicae, disciplinares, liturgicae aut ad devotionem pertinentes sunt distinguendae, quae temporis decursu in Ecclesiis localibus natae sunt. Hae sunt particulares formae sub quibus magna Traditio expressiones diversis locis et diversis aetatibus accommodatas recipit. Sub eius luce, Magisterio Ecclesiae duce, possunt hae servari, immutari vel etiam derelinqui. III. De interpretatione depositi fidei Depositum fidei toti Ecclesiae commissum

A HERANÇA DA FÉ CONFIADA À TOTALIDADE DA IGREJA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A interpretação da herança da fé

§ 84
O depósito da fé (49) («depositum fidei»), contido na Tradição sagrada e na Sagrada Escritura, foi confiado pelos Apóstolos ao conjunto da Igreja. «Apoiando-se nele, todo o povo santo persevera unido aos seus pastores na doutrina dos Apóstolos e na comunhão, na fracção do pão e na oração, de tal modo que, na conservação, actuação e profissão da fé transmitida, haja uma especial concordância dos pastores e dos fiéis» (50).
Depositum fidei,69 quod in sacra Traditione et in sacra continetur Scriptura, per Apostolos toti commissum est Ecclesiae. « Cui inhaerens tota plebs sancta Pastoribus suis adunata in doctrina Apostolorum et communione, fractione panis et orationibus iugiter perseverat, ita ut in tradita fide tenenda, exercenda profitendaque singularis fiat Antistitum et fidelium conspiratio ».70Ecclesiae Magisterium

O MAGISTÉRIO DA IGREJA

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A interpretação da herança da fé

§ 85
«O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou contida na Tradição, foi confiado só ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo (51), isto é, aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma.
« Munus autem authentice interpretandi Verbum Dei scriptum vel traditum soli vivo Ecclesiae Magisterio concreditum est, cuius auctoritas in nomine Iesu Christi exercetur »,71 nempe Episcopis in communione cum Petri Successore, Romano Episcopo.
§ 86
«Todavia, este Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado» (52).
« Quod quidem Magisterium non supra Verbum Dei est, sed eidem ministrat, docens nonnisi quod traditum est, quatenus illud, ex divino mandato et Spiritu Sancto assistente, pie audit, sancte custodit et fideliter exponit, ac ea omnia ex hoc uno fidei deposito haurit quae tamquam divinitus revelata credenda proponit ».72
§ 87
Os fiéis, lembrando-se da palavra de Cristo aos Apóstolos: «Quem vos escuta escuta-me a Mim» (Lc 10, 16) (53), recebem com docilidade os ensinamentos e as directrizes que os seus pastores lhes dão, sob diferentes formas.
Fideles, memores verbi Christi ad Apostolos: « Qui vos audit, me audit » (Lc 10,16),73 doctrinas et normas dociliter accipiunt, quas illis eorum Pastores diversis formis praebent.Dogmata fidei

OS DOGMAS DA FÉ

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A interpretação da herança da fé

§ 88
O Magistério da Igreja faz pleno uso da autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando propõe, dum modo que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, verdades contidas na Revelação divina ou quando propõe, de modo definitivo, verdades que tenham com elas um nexo necessário.
Ecclesiae Magisterium auctoritatem a Christo receptam plene adhibet, cum dogmata definit, id est, cum, modo populum christianum ad adhaesionem fidei irrevocabilem vinculante, veritates proponit in Revelatione divina contentas, vel etiam cum veritates cum his conexionem necessariam habentes modo proponit definitivo.
§ 89
Existe uma ligação orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé: iluminam-no e tornam-no seguro. Por outro lado, se a nossa vida for recta, a nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé (54).
Inter nostram vitam spiritualem et dogmata vinculum habetur organicum. Dogmata lumina sunt nostrae fidei viam illustrantia eamque securam efficientia. E converso, si vita nostra recta est, nostra intelligentia nostrumque cor ad lumen dogmatum fidei accipiendum erunt aperta.74
§ 90
A interligação e a coerência dos dogmas podem encontrar-se no conjunto da revelação do mistério de Cristo (55). Convém lembrar que «existe uma ordem ou "hierarquia" das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente» (56).
Dogmatum mutua vincula eorumque cohaerentia in complexu Revelationis mysterii Christi possunt inveniri.75 Memorare oportet « exsistere ordinem seu "hierarchiam" veritatum doctrinae catholicae, cum diversus sit earum nexus cum fundamento fidei christianae ».76 Sensus supernaturalis fidei

O SENTIDO SOBRENATURAL DA FÉ

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A interpretação da herança da fé

§ 91
Todos os fiéis participam na compreensão e na transmissão da verdade revelada. Todos receberam a unção do Espírito Santo que os instrui (57) e os conduz «à verdade total» (Jo 16, 13).
Christifideles omnes in veritate revelata intelligenda et transmittenda participant. Ipsi unctionem receperunt a Spiritu Sancto, qui eos docet77 eosque deducit « in omnem veritatem » (Io 16,13).
§ 92
«A totalidade dos fiéis [...] não pode enganar-se na fé e manifesta esta sua propriedade peculiar por meio do sentir sobrenatural da fé do povo todo, quando, "desde os bispos até ao último dos fiéis leigos", exprime consenso universal em matéria de fé e costumes» (58).
« Universitas fidelium [...] in credendo falli nequit, atque hanc suam peculiarem proprietatem mediante supernaturali sensu fidei totius populi manifestat, cum "ab Episcopis usque ad extremos laicos fideles" universalem suum consensum de rebus fidei et morum exhibet ».78
§ 93
«Com este sentido da fé, que se desperta e sustenta pela acção do Espírito de verdade, o povo de Deus, sob a direcção do sagrado Magistério [...] adere indefectivelmente à fé, uma vez por todas confiada aos santos; penetra-a mais profundamente com juízo acertado e aplica-a mais totalmente na vida» (59).
« Illo enim sensu fidei, qui a Spiritu veritatis excitatur et sustentatur, populus Dei sub ductu sacri Magisterii [...] semel traditae sanctis fidei indefectibiliter adhaeret, recto iudicio in eam profundius penetrat eamque in vita plenius applicat ».79 Augmentum in intelligentia fidei

O CRESCIMENTO NA INTELIGÊNCIA DA FÉ

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A interpretação da herança da fé

§ 94
Graças à assistência do Espírito Santo, a inteligência das realidades e das palavras do depósito da fé pode crescer na vida da Igreja:

– «Pela contemplação e pelo estudo dos crentes, que as meditam no seu coração» (60); e particularmente pela «investigação teológica, que aprofunda o conhecimento da verdade revelada» (61).

– «Pela inteligência interior das coisas espirituais que os crentes experimentam» (62); «Divina eloquia cum legente crescunt» – «As palavras divinas crescem com quem as lê» (63).

– «Pela pregação daqueles que receberam, com a sucessão episcopal, um carisma certo da verdade» (64).

Per Spiritus Sancti assistentiam, intelligentia tam rerum quam verborum depositi fidei in Ecclesiae potest crescere vita: — « ex contemplatione et studio credentium, qui ea conferunt in corde suo »;80 praesertim « theologica inquisitio [...] profundam veritatis revelatae cognitionem » prosequitur;81 — « ex intima spiritualium rerum quam [credentes] experiuntur intelligentia »;82 « divina eloquia cum legente crescunt »;83 — « ex praeconio eorum qui cum Episcopatus successione charisma veritatis certum acceperunt ».84
§ 95
«É claro, portanto, que a sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, segundo um sapientíssimo desígnio de Deus, estão de tal maneira ligados e conjuntos, que nenhum pode subsistir sem os outros e, todos juntos, cada um a seu modo, sob a acção do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas» (65).Resumindo:
« Patet igitur sacram Traditionem, sacram Scripturam et Ecclesiae Magisterium, iuxta sapientissimum Dei consilium, ita inter se connecti et consociari, ut unum sine aliis non consistat, omniaque simul, singula suo modo sub actione unius Spiritus Sancti, ad animarum salutem efficaciter conferant ».85 Compendium

COMPÊNDIO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Resumindo

§ 96
O que Cristo confiou aos Apóstolos, estes o transmitiram, pela sua pregação e por escrito, sob a inspiração do Espírito Santo, a todas as gerações, até à vinda gloriosa de Cristo.
Id quod Christus concredidit Apostolis, ipsi sua praedicatione et scripto, Spiritu Sancto inspirante, omnibus usque ad gloriosum Christi reditum generationibus transmiserunt.
§ 97
«A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um único depósito sagrado da Palavra de Deus» (66), no qual, como num espelho, a Igreja peregrina contempla Deus, fonte de todas as suas riquezas.
« Sacra Traditio et sacra Scriptura unum Verbi Dei sacrum depositum constituunt »,86 in quo, tamquam in speculo, Ecclesia peregrinans Deum, omnium suarum divitiarum contemplatur fontem.
§ 98
«Na sua doutrina, vida e culto, a Igreja perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é, tudo aquilo em que acredita» (67).
« Ecclesia, in sua doctrina, vita et cultu, perpetuat cunctisque generationibus transmittit omne quod ipsa est, omne quod credit ».87
§ 99
Graças ao sentido sobrenatural da fé, o povo de Deus, no seu todo, não cessa de acolher o dom da Revelação divina, de nele penetrar mais profundamente e de viver dele mais plenamente.
Populus Dei totus, per suum supernaturalem fidei sensum, donum Revelationis divinae accipere, in id profundius penetrare atque ex eo plenius vivere non desinit.
§ 100
O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus foi confiado unicamente ao Magistério da Igreja, ao Papa e aos bispos em comunhão com ele.
Munus Dei Verbum authentice interpretandi soli Magisterio Ecclesiae commissum est, Romano Pontifici et Episcopis in communione cum illo. (57) Cf Io 14,6. (58) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820.(59) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820.(60) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820. (61) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820.(62) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 820.(63) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. (64) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.(65) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.(66) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 9: AAS 58 (1966) 821. (67) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 9: AAS 58 (1966) 821.(68) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 9: AAS 58 (1966) 821.(69) Cf 1 Tim 6,20; 2 Tim 1,12-14. (70) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.(71) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.(72) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. (73) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 20: AAS 57 (1965) 24.(74) Cf Io 8,31-32.(75) Cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3016 (mysteriorum nexus); Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 25: AAS 57 (1965) 29. (76) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 11: AAS 57 (1965) 99.(77) Cf 1 Io 2,20.27. (78) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 12: AAS 57 (1965) 16.(79) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 12: AAS 57 (1965) 16.(80) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.(81) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 62: AAS 58 (1966) 1084; cf Ibid., 44: AAS 58 (1966) 1065; Const. dogm. Dei Verbum, 23: AAS 58 (1966) 828; Ibid., 24: AAS 58 (1966) 828-829; Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 94. (82) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.(83) Sanctus Gregorius Magnus, Homilia in Ezechielem 1, 7, 8: CCL 142, 87 (PL 76, 843).(84) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.(85) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. (86) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.(87) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.

A SAGRADA ESCRITURA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Cristo – Palavra única da Escritura santa

§ 101
Na sua bondade condescendente, para Se revelar aos homens. Deus fala-lhes em palavras humanas: «As palavras de Deus, com efeito, expressas por línguas humanas, tornaram-se semelhantes à linguagem humana, tal como outrora o Verbo do eterno Pai se assemelhou aos homens assumindo a carne da debilidade humana» (68).
Deus, Suae bonitatis condescensione, ut Se hominibus revelet, ad illos verbis loquitur humanis. « Dei enim verba, humanis linguis expressa, humano sermoni assimilia facta sunt, sicut olim aeterni Patris Verbum, humanae infirmitatis assumpta carne, hominibus simile factum est ».88
§ 102
Através de todas as palavras da Sagrada Escritura. Deus não diz mais que uma só Palavra, o seu Verbo único, em quem totalmente Se diz (69):

«Lembrai-vos de que o discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados, o qual, sendo no princípio Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, pois não está sujeito ao tempo» (70).

Omnibus sacrae Scripturae verbis, Deus unum solummodo Verbum dicit, Suum unicum Verbum in quo Ipse Se totum exprimit:89

« Meminit caritas vestra, cum sit unus sermo Dei in Scripturis omnibus dilatatus, et per multa ora sanctorum unum Verbum sonet, quod cum sit in principio Deus apud Deum, ibi non habet syllabas, quia non habet tempora ».90

§ 103
Por esta razão, a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras tal como venera o Corpo do Senhor. Nunca cessa de distribuir aos fiéis o Pão da vida, tornado à mesa quer da Palavra de Deus, quer do Corpo de Cristo (71).
Hac de causa, Ecclesia divinas Scripturas semper est venerata, sicut etiam Domini veneratur corpus. Fidelibus Panem vitae porrigere non desinit sumptum ex mensa tam Verbi Dei quam corporis Christi.91
§ 104
Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra continuamente o seu alimento e a sua força (72), porque nela não recebe apenas uma palavra humana, mas o que ela é na realidade: a Palavra de Deus (73). «Nos livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos Céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles» (74).
In sacra Scriptura indesinenter invenit Ecclesia suum nutrimentum suamque virtutem,92 quia in illa accipit non verbum tantum humanum, sed id quod ipsa revera est: Verbum Dei.93 « In Sacris enim Libris Pater qui in caelis est filiis Suis peramanter occurrit et cum eis sermonem confert ».94 II. De inspiratione et veritate sacrae Scripturae

A SAGRADA ESCRITURA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Inspiração e verdade da Sagrada Escritura

§ 105
Deus é o autor da Sagrada Escritura. «A verdade divinamente revelada, que os livros da Sagrada Escritura contêm e apresentam, foi registrada neles sob a inspiração do Espírito Santo».«Com efeito, a santa Mãe Igreja, segundo a fé apostólica, considera como sagrados e canónicos os livros completos do Antigo e do Novo Testamento com todas as suas partes, porque, escritos por inspiração do Espírito Santo, têm Deus por autor, e como tais foram confiados à própria Igreja» (75).
Deus est sacrae Scripturae auctor. « Divinitus revelata, quae in sacra Scriptura litteris continentur et prostant, Spiritu Sancto afflante consignata sunt ».« Libros enim integros tam Veteris quam Novi Testamenti, cum omnibus eorum partibus, sancta Mater Ecclesia ex apostolica fide pro sacris et canonicis habet propterea quod, Spiritu Sancto conscripti, Deus habent auctorem, atque ut tales ipsi Ecclesiae traditi sunt ».95
§ 106
Deus inspirou os autores humanos dos livros sagrados. «Para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens, na posse das suas faculdades e capacidades, para que, agindo Ele neles e por eles, pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria» (76).
Deus humanos Sacrorum Librorum inspiravit auctores. « In Sacris vero Libris conficiendis Deus homines elegit, quos facultatibus ac viribus suis utentes adhibuit, ut Ipso in illis et per illos agente, ea omnia eaque sola, quae Ipse vellet, ut veri auctores scripto traderent ».96
§ 107
Os livros inspirados ensinam a verdade. «E assim como tudo o que os autores inspirados ou hagiógrafos afirmam, deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, por isso mesmo se deve acreditar que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro, a verdade que Deus quis que fosse consignada nas sagradas Letras em ordem à nossa salvação» (77).
Libri inspirati veritatem docent. « Cum ergo omne id, quod auctores inspirati seu hagiographi asserunt, retineri debeat assertum a Spiritu Sancto, inde Scripturae libri veritatem, quam Deus nostrae salutis causa Litteris sacris consignari voluit, firmiter, fideliter et sine errore docere profitendi sunt ».97
§ 108
No entanto, a fé cristã não é uma «religião do Livro». O Cristianismo é a religião da «Palavra» de Deus, «não duma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo» (78). Para que não sejam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna do Deus vivo, pelo Espírito Santo, nos abra o espírito à inteligência das Escrituras (79).
Fides tamen christiana quaedam « religio Libri » non est. Christianismus religio est « Verbi » Dei: Verbi quidem quod est « non verbum scriptum et mutum, sed Verbum incarnatum et vivum ».98 Necessarium est Christum, aeternum Dei viventis Verbum, per Spiritum Sanctum nobis aperire sensum, ut intelligamus Scripturas,99 ne illae quasi littera mortua permaneant. III. Spiritus Sanctus Scripturae interpres

A SAGRADA ESCRITURA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

O Espírito Santo, intérprete da Escritura

§ 109
Na Sagrada Escritura, Deus fala ao homem à maneira dos homens. Portanto, para bem interpretar a Escritura, é necessário prestar atenção ao que os autores humanos realmente quiseram dizer, e àquilo que aprouve a Deus manifestar-nos pelas palavras deles (80).
In sacra Scriptura, Deus homini hominum loquitur more. Ad recte igitur Scripturam interpretandam, attentos esse oportet ad id quod auctores humani vere intenderunt affirmare et ad id quod Deus Suis verbis reapse nobis manifestare voluit. 100
§ 110
Para descobrir a intenção dos autores sagrados, é preciso ter em conta as condições do seu tempo e da sua cultura, os «géneros literários» em uso na respectiva época, os modos de sentir, falar e narrar correntes naquele tempo. «Porque a verdade é proposta e expressa de modos diversos, em textos históricos de vária índole, ou proféticos, ou poéticos ou de outros géneros de expressão»(81).
Ad auctorum sacrorum intentionem eruendam, habenda est ratio eorum temporis et eorum culturae condicionum, « generum litterariorum » illa aetate adhibitorum, modorum sentiendi, loquendi et narrandi qui tunc temporis erant in usu. « Aliter enim atque aliter veritas in textibus vario modo historicis, vel propheticis, vel poeticis, vel in aliis dicendi generibus proponitur et exprimitur ». 101
§ 111
Mas, uma vez que a Sagrada Escritura é inspirada, existe outro princípio de interpretação recta, não menos importante que o anterior, e sem o qual a Escritura seria letra morta: «A Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita» (82).O II Concílio do Vaticano indica três critérios para uma interpretação da Escritura conforme ao Espírito que a inspirou (83):
Sed quia sacra Scriptura est inspirata, aliud rectae interpretationis habetur principium, non minoris momenti quam illud praecedens ac sine quo Scriptura « littera mortua » permaneret: « Sacra Scriptura Eodem Spiritu quo scripta est etiam legenda [est] et interpretanda ». 102Concilium Vaticanum II criteria tria indicat ad Scripturae interpretationem secundum Spiritum qui illam inspiravit: 103
§ 112
. Prestar grande atenção «ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura». Com efeito, por muito diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é una, em razão da unidade do desígnio de Deus, de que Jesus Cristo é o centro e o coração, aberto desde a sua Páscoa (84).

«Por coração (85) de Cristo entende-se a Sagrada Escritura que nos dá a conhecer o coração de Cristo. Este coração estava fechado antes da Paixão, porque a Escritura estava cheia de obscuridades. Mas a Escritura ficou aberta depois da Paixão e assim, aqueles que desde então a consideram com inteligência, discernem o modo como as profecias devem ser interpretadas» (86).

1. Magnam praestare attentionem « ad contentum et unitatem totius Scripturae ». Etenim licet libri qui illam componunt, valde sint diversi, una est Scriptura ratione unitatis propositi Dei, cuius Christus Iesus centrum est et post Suum Pascha apertum cor. 104

« Per cor 105 Christi intelligitur sacra Scriptura, quae manifestat cor Christi. Hoc autem erat clausum ante passionem, quia erat obscura: sed aperta est post passionem quia eam iam intelligentes considerant, et discernunt quomodo prophetiae sint exponendae ». 106

§ 113
. Ler a Escritura na «tradição viva de toda a Igreja». Segundo uma sentença dos Padres, «Sacra Scriptura principalius est in corde Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta» – «A Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja, mais do que em instrumentos materiais» (87). Com efeito, a Igreja conserva na sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito Santo que lhe dá a interpretação espiritual da Escritura («... secundum spiritualem sensum quem Spiritus donat Ecclesiae» «segundo o sentido espiritual que o Espírito Santo dá à Igreja») (88).
2. Scripturam deinde legere « ratione habita vivae totius Ecclesiae Traditionis ». Secundum Patrum adagium, sacra Scriptura principalius est in corde Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta. 107 Ecclesia etenim in Traditione sua memoriam Verbi Dei fert viventem, eique Spiritus Sanctus spiritualem Scripturae praebet interpretationem (« ...secundum spiritalem sensum, quem Spiritus donat Ecclesiae »). 108
§ 114
. Estar atento «à analogia da fé» (89). Por «analogia da fé» entendemos a coesão das verdades da fé entre si e no projecto total da Revelação.
3. Analogiae fidei 109 attente habere rationem. Per « analogiam fidei » cohaerentiam intelligimus veritatum fidei inter ipsas et intra totum Revelationis propositum.De Scripturae sensibus

OS SENTIDOS DA ESCRITURA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

O Espírito Santo, intérprete da Escritura

§ 115
Segundo uma antiga tradição, podemos distinguir dois sentidos da Escritura: o sentido literal e o sentido espiritual, subdividindo-se este último em sentido alegórico, moral e anagógico. A concordância profunda dos quatro sentidos assegura a sua riqueza à leitura viva da Escritura na Igreja:
Secundum veterem traditionem duo possunt distingui Scripturae sensus: sensus litteralis et sensus spiritualis; hic vero ultimus in sensum allegoricum, moralem et anagogicum subdividitur. Profunda quattuor sensuum conspiratio viventi lectioni Scripturae in Ecclesia omnes eius praestat divitias.
§ 116
O sentido literal. É o expresso pelas palavras da Escritura e descoberto pela exegese segundo as regras da recta interpretação. «Omnes sensus (sc. Sacrae Scripturae) fundentur super litteralem» – «Todos os sentidos (da Sagrada Escritura) se fundamentam no literal» (90).
Sensus litteralis. Est sensus qui verbis Scripturae significatur et ab illa invenitur exegesi, quae rectae interpretationis observat regulas. « Omnes [sacrae Scripturae] sensus fundentur super unum, scilicet litteralem ». 110
§ 117
O sentido espiritual. Graças à unidade do desígnio de Deus, não só o texto da Escritura, mas também as realidades e acontecimentos de que fala, podem ser sinais. 1. O sentido alegórico. Podemos adquirir uma compreensão mais profunda dos acontecimentos, reconhecendo o seu significado em Cristo: por exemplo, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de Cristo e, assim, do Baptismo (91). 2. O sentido moral. Os acontecimentos referidos na Escritura podem conduzir-nos a um comportamento justo. Foram escritos «para nossa instrução» (1 Cor 10, 11) (92). 3. O sentido anagógico. Podemos ver realidades e acontecimentos no seu significado eterno, o qual nos conduz (em grego: «anagoge») em direcção à nossa Pátria. Assim, a Igreja terrestre é sinal da Jerusalém celeste (93).
Sensus spiritualis. Propter consilii Dei unitatem, non solum Scripturae textus, sed etiam res et eventus de quibus textus loquitur, signa esse possunt.1. Sensus allegoricus. Profundiorem eventuum acquirere possumus intelligentiam, eorum significationem in Christo agnoscentes; sic transitus per Mare Rubrum signum victoriae est Christi et proinde Baptismi; 1112. Sensus moralis. Eventus in Scriptura narrati nos ducere debent ad iuste agendum. Ipsi scripti sunt « ad correptionem nostram » (1 Cor 10,11); 1123. Sensus anagogicus. Pariter possibile est res et eventus in eorum perspicere aeterna significatione, quatenus nos versus nostram ducunt (graece anagoge) Patriam. Sic Ecclesia est in terris signum caelestis Ierusalem. 113
§ 118
Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos:

«Littera gesta docet, quid credas allegoria.
Moralis quid agas, quo tendas anagogia».
«A letra
ensina-te os factos (passados), a alegoria o que deves crer,
 a moral o que deves fazer, a anagogia para onde deves tender» (94).

Distichon in Medio Aevo compositum quid quattuor significent sensus in synthesin colligit:

« Littera gesta docet, quid credas allegoria,
moralis quid agas, quo tendas anagogia ». 114

§ 119
«Cabe aos exegetas trabalhar, de harmonia com estas regras, por entender e expor mais profundamente o sentido da Sagrada Escritura, para que, mercê deste estudo, de algum modo preparatório, amadureça o juízo da Igreja. Com efeito, tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a Palavra de Deus» (95):

«Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas» – «Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja católica» (96).

« Exegetarum autem est secundum has regulas adlaborare ad sacrae Scripturae sensum penitius intelligendum et exponendum, ut quasi praeparato studio, iudicium Ecclesiae maturetur. Cuncta enim haec, de ratione interpretandi Scripturam, Ecclesiae iudicio ultime subsunt, quae Verbi Dei servandi et interpretandi divino fungitur mandato et ministerio ». 115

« Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas ». 116

OS SENTIDOS DA ESCRITURA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

O Cânon das Escrituras

§ 120
Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados (97). Esta lista integral é chamada «Cânon» das Escrituras. Comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se se contar Jeremias e as Lamentações como um só) escritos, e, para o Novo, 27 (98):Para o Antigo Testamento: Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio, Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crónicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Job, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coelet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o livro de Ben-Sirá (ou Eclesiástico), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Nahum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias;Para o Novo Testamento: Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João; os Actos dos Apóstolos; as epístolas de São Paulo: aos Romanos, primeira e segunda aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, primeira e segunda aos Tessalonicenses, primeira e segunda a Timóteo, a Tito, a Filémon: a Epístola aos Hebreus; a Epístola de Tiago, a primeira e segunda de Pedro, as três epístolas de João, a Epístola de Judas e o Apocalipse.
Traditio apostolica Ecclesiam discernere fecit quaenam scripta in Sacrorum Librorum adnumeranda essent elencho. 117 Hic integer elenchus « canon » Scripturarum appellatur. Pro Vetere Testamento 46 implicat scripta (45, si Ieremias et Lamentationes simul adnumerantur) et 27 pro Novo. 118 Sunt vero: Genesis, Exodus, Leviticus, Numeri, Deuteronomium, Iosue, Iudices, Ruth, duo libri Samuelis, duo libri Regum, duo libri Paralipomenon (seu Chronicorum), Esdras et Nehemias, Tobias, Iudith, Esther, duo libri Machabaeorum, Iob, Psalmi, Proverbia, Ecclesiastes, Canticum Canticorum, Sapientia, Ecclesiasticus, Isaias, Ieremias, Lamentationes, Baruch, Ezechiel, Daniel, Oseas, Ioel, Amos, Abdias, Ionas, Micheas, Nahum, Habacuc, Sophonias, Aggaeus, Zacharias, Malachias, pro Vetere Testamento.Evangelia secundum Matthaeum, Marcum, Lucam et Ioannem, Actus Apostolorum, epistulae sancti Pauli ad Romanos, prima et secunda ad Corinthios, ad Galatas, ad Ephesios, ad Philippenses, ad Colossenses, prima et secunda ad Thessalonicenses, prima et secunda ad Timotheum, ad Titum, ad Philemonem, epistula ad Hebraeos, epistula Iacobi, epistula prima et secunda Petri, tres epistulae Ioannis, epistula Iudae, Apocalypsis, pro Novo Testamento. Vetus Testamentum

O ANTIGO TESTAMENTO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

O Cânon das Escrituras

§ 121
O Antigo Testamento é uma parte da Sagrada Escritura de que não se pode prescindir. Os seus livros são divinamente inspirados e conservam um valor permanente (99), porque a Antiga Aliança nunca foi revogada.
Vetus Testamentum inamissibilis est pars sacrae Scripturae. Eius libri divinitus sunt inspirati et valorem servant permanentem, 119 quia Foedus Vetus nunquam est retractatum.
§ 122
Efectivamente, «a "economia"do Antigo Testamento destinava-se, sobretudo, a preparar [...] o advento de Cristo, redentor universal».Os livros do Antigo Testamento, «apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias», dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus: neles «encontram-se sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces»; neles, em suma, está latente o mistério da nossa salvação» (100).
Etenim « Veteris Testamenti Oeconomia ad hoc potissimum disposita erat, ut Christi universorum Redemptoris [...] Adventum praepararet ». Libri Veteris Testamenti, « quamvis etiam imperfecta et temporaria contineant », totam divinam amoris salvifici Dei testantur paedagogiam: in illis « sublimes de Deo doctrinae ac salutaris de vita hominis sapientia mirabilesque precum thesauri reconduntur », in illis « tandem latet mysterium salutis nostrae ». 120
§ 123
Os cristãos veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus. A Igreja combateu sempre vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento, sob o pretexto de que o Novo o teria feito caducar (Marcionismo).
Christiani Vetus Testamentum tamquam verum Dei Verbum venerantur. Ecclesia ideam Vetus reiiciendi Testamentum, praetextantem id a Novo effectum esse caducum (Marcionismus), semper firmiter respuit. Novum Testamentum

O NOVO TESTAMENTO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

O Cânon das Escrituras

§ 124
«A Palavra de Deus, que é força de Deus para salvação de quem acredita, apresenta-se e manifesta o seu poder dum modo eminente nos escritos do Novo Testamento»(101). Estes escritos transmitem-nos a verdade definitiva da Revelação divina. O seu objecto central é Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, os seus actos, os seus ensinamentos, a sua Paixão e glorificação, bem como os primórdios da sua Igreja sob a acção do Espírito Santo (102).
« Verbum Dei, quod virtus Dei est in salutem omni credenti, in scriptis Novi Testamenti praecellenti modo praesentatur et vim suam exhibet ». 121 Haec scripta veritatem Revelationis divinae nobis tradunt definitivam. Eorum centrale obiectum est Iesus Christus, Filius Dei incarnatus, Eius gesta, doctrina, passio et glorificatio, sicut etiam Eius Ecclesiae initia sub actione Spiritus Sancti. 122
§ 125
Os evangelhos são o coração de todas as Escrituras, «enquanto são o principal testemunho da vida e da doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador» (103).
Evangelia sunt omnium Scripturarum cor, « quippe quae praecipuum testimonium sint de Verbi Incarnati, Salvatoris nostri, vita atque doctrina ». 123
§ 126
Na formação dos evangelhos podemos distinguir três etapas:

1. A vida e os ensinamentos de Jesus. A Igreja sustenta firmemente que os quatro evangelhos, «cuja historicidade afirma sem hesitações, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, durante a sua vida terrena, até ao dia em que subiu ao Céu».

2. A tradição oral. «Na verdade, após a Ascensão do Senhor, os Apóstolos transmitiram aos seus ouvintes (com aquela compreensão mais plena de que gozavam, uma vez instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo Espírito de verdade) as coisas que Ele tinha dito e feito».

3. Os evangelhos escritos. «Os autores sagrados, porém, escreveram os quatro evangelhos, escolhendo algumas coisas, entre as muitas transmitidas por palavra ou por escrito, sintetizando umas, desenvolvendo outras, segundo o estado das Igrejas, conservando, finalmente, o carácter de pregação, mas sempre de maneira a comunicar-nos coisas verdadeiras e sinceras acerca de Jesus» (104).

In Evangeliorum compositione tres distingui possunt periodi: 1. Iesu vita et doctrina. Ecclesia firmiter tenet quattuor Evangelia, « quorum historicitatem incunctanter affirmat, fideliter tradere quae Iesus Dei Filius, vitam inter homines degens, ad aeternam eorum salutem reapse fecit et docuit, usque in diem qua assumptus est ».2. Traditio oralis. « Apostoli quidem post Ascensionem Domini, illa quae Ipse dixerat et fecerat, auditoribus ea pleniore intelligentia tradiderunt, qua ipsi, eventibus gloriosis Christi instructi et lumine Spiritus veritatis edocti, fruebantur ».3. Evangelia scripta. « Auctores autem sacri quattuor Evangelia conscripserunt, quaedam e multis aut ore aut iam scripto traditis seligentes. quaedam in synthesim redigentes, vel statui Ecclesiarum attendendo explanantes, formam denique praeconii retinentes, ita semper ut vera et sincera de Iesu nobiscum communicarent ». 124
§ 127
O Evangelho quadriforme ocupa na Igreja um lugar único, de que são testemunhas a veneração de que a Liturgia o rodeia e o atractivo incomparável que em todos os tempos exerceu sobre os santos:

«Não há doutrina melhor, mais preciosa e esplêndida do que o texto do Evangelho. Vede e retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou pelas suas palavras e realizou pelos seus actos» (105).

«É sobretudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações. Nele encontro tudo o que é necessário à minha pobre alma. Nele descubro sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos» (106).

Evangelium quadriforme in Ecclesia locum tenet singularem, sicut veneratio quam ei liturgia tribuit, et incomparabilis attractio quam ipsum in sanctos omni tempore exercuit, testantur.

« Non est maior nec melior nec pretiosior nec splendidior ulla doctrina quam Evangelii lectio. Hoc videte, hoc tenete, quod Dominus et Magister noster Christus et verbis docuit et exemplis implevit ». 125

« Super omnia Evangelium in meis orationibus me occupat; in illo invenio quidquid pauperi animae meae est necessarium. In eo semper nova lumina, sensus absconditos detego et arcanos ». 126

A UNIDADE DO ANTIGO E DO NOVO TESTAMENTO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

O Cânon das Escrituras

§ 128
A Igreja, já nos tempos apostólicos (107), e depois constantemente na sua Tradição, pôs em evidência a unidade, do plano divino nos dois Testamentos, graças à tipologia. Esta descobre nas obras de Deus, na Antiga Aliança, prefigurações do que o mesmo Deus realizou na plenitude dos tempos, na pessoa do seu Filho encarnado.
Ecclesia, inde a temporibus apostolicis 127 et deinde in Traditione constanter, consilii divini in duobus Testamentis unitatem illustravit per typologiam. Haec in Dei operibus sub Vetere Testamento peractis praefigurationes discernit illius quod Deus in plenitudine temporum in Persona Filii Sui incarnati adimplevit. 129 Christiani itaque Vetus legunt Testamentum sub luce Christi mortui et resuscitati. Haec typologica lectio inexhaustum Veteris Testamenti ostendit contentum. Ipsa tamen non debet oblivioni dare illud valorem proprium Revelationis servare suum, ab Ipso Domino nostro confirmatum. 128 Ceterum, Novum Testamentum postulat etiam ut sub Veteris legatur luce. Primaeva catechesis christiana constanter ad id recurrebat. 129 Secundum adagium antiquum, Novum Testamentum in Vetere est occultum, dum Vetus est in Novo detectum: ita fit ut « in Vetere Novum lateat et in Novo Vetus pateat ». 130
§ 129
Os cristãos lêem, pois, o Antigo Testamento à luz de Cristo morto e ressuscitado. Esta leitura tipológica manifesta o conteúdo inesgotável do Antigo Testamento. Mas não deve fazer-nos esquecer de que ele mantém o seu valor próprio de Revelação, reafirmado pelo próprio Jesus, nosso Senhor (108). Aliás, também o Novo Testamento requer ser lido à luz do Antigo. A catequese cristã primitiva recorreu constantemente a este método (109). Segundo um velho adágio, o Novo Testamento está oculto no Antigo, enquanto o Antigo é desvendado no Novo: « Novum in Vetere latet et in Novo Vetus patet» – «O Novo está oculto no Antigo, e o Antigo está patente no Novo» (110).
Christiani itaque Vetus legunt Testamentum sub luce Christi mortui et resuscitati. Haec typologica lectio inexhaustum Veteris Testamenti ostendit contentum. Ipsa tamen non debet oblivioni dare illud valorem proprium Revelationis servare suum, ab Ipso Domino nostro confirmatum. 128 Ceterum, Novum Testamentum postulat etiam ut sub Veteris legatur luce. Primaeva catechesis christiana constanter ad id recurrebat. 129 Secundum adagium antiquum, Novum Testamentum in Vetere est occultum, dum Vetus est in Novo detectum: ita fit
§ 130
A tipologia significa o dinamismo em ordem ao cumprimento do plano divino, quando «Deus for tudo em todos» (1 Cor 15, 28). Assim, a vocação dos patriarcas e o êxodo do Egipto, por exemplo, não perdem o seu valor próprio no plano de Deus pelo facto de, ao mesmo tempo, serem etapas intermédias desse mesmo plano.
Typologia dynamismum significat in consilii divini adimpletionem, cum « Deus omnia in omnibus » erit (1 Cor 15,28). Sic, exempli gratia, vocatio Patriarcharum et Exodus ex Aegypto valorem proprium in Dei consilio non amittunt suum eo quod simul ipsius sint intermediae periodi. V. De sacra Scriptura in Ecclesiae vita

A UNIDADE DO ANTIGO E DO NOVO TESTAMENTO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A Sagrada Escritura na vida da Igreja

§ 131
«É tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus, que ela se torna para a Igreja apoio e vigor e, para os filhos da Igreja, solidez da fé, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual» (111). É necessário que «os fiéis tenham largo acesso à Sagrada Escritura» (112).
« Tanta autem Verbo Dei vis ac virtus inest, ut Ecclesiae sustentaculum ac vigor, et Ecclesiae filiis fidei robur, animae cibus, vitae spiritualis fons purus et perennis exstet ». 131 « Christifidelibus aditus ad sacram Scripturam late pateat oportet ». 132
§ 132
«O estudo das Páginas sagradas deve ser como que a "alma" da sagrada teologia. Também o ministério da Palavra, isto é, a pregação pastoral, a catequese, e toda a espécie de instrução cristã, na qual a homilia litúrgica deve ter um lugar principal, com proveito se alimenta e santamente se revigora com a palavra da Escritura» (113).
« Sacrae Paginae studium sit veluti anima sacrae theologiae. Eodem autem Scripturae verbo etiam ministerium verbi, pastoralis nempe praedicatio, catechesis omnisque instructio christiana, in quo homilia liturgica eximium locum habeat oportet, salubriter nutritur sancteque virescit ». 133
§ 133
A Igreja «exorta com ardor e insistência todos os fiéis [...] a que aprendam "a sublime ciência de Jesus Cristo" (Fl. 3, 8) na leitura frequente da Sagrada Escritura. Porque "a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo"» (114).Resumindo:
Ecclesia « christifideles omnes [...] vehementer peculiariterque exhortatur, ut frequenti divinarum Scripturarum lectione "eminentem scientiam Iesu Christi" (Phil 3,8) ediscant. "Ignoratio enim Scripturarum ignoratio Christi est" ». 134 Compendium

COMPÊNDIO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Resumindo

§ 134
Omnis Scriptura divina unus liber est, et ille unus liber Christus est, «quia omnis Scriptura divina de Christo loquitur; et omnis Scriptura divina in Christo impletur» – Toda a Escritura divina é um só livro, e esse livro único é Cristo, «porque toda a Escritura divina fala de Cristo e toda a Escritura divina se cumpre em Cristo» (115).
Omnis Scriptura divina unus liber est, et hic unus liber est Christus, « quia omnis Scriptura divina de Christo loquitur, et omnis Scriptura divina in Christo impletur ». 135
§ 135
«As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus; e, pelo facto de serem inspiradas, são verdadeiramente a Palavra de Deus» (116).
« Sacrae autem Scripturae Verbum Dei continent et, quia inspiratae, vere Verbum Dei sunt ». 136
§ 136
Deus é o autor da Sagrada Escritura, ao inspirar os seus autores humanos: age neles e por eles. E assim nos dá a garantia de que os seus escritos ensinam, sem erro, a verdade da salvação (117).
Deus sacrae Scripturae est auctor humanos eius auctores inspirans; Ipse in illis et per illos agit. Sic praestat eorum scripta sine errore veritatem docere salutarem. 137
§ 137
A interpretação das Escrituras inspiradas deve, antes de mais nada, estar atenta ao que Deus quer revelar, por meio dos autores sagrados, para nossa salvação. O que vem do Espírito não é plenamente entendido senão pela acção do Espírito (118).
Scripturarum inspiratarum interpretatio debet imprimis ad id attendere quod Deus per sacros auctores, nostrae salutis causa, revelare voluit. Id quod a Spiritu venit, nonnisi per Spiritus actionem plene intelligitur. 138
§ 138
A Igreja recebe e venera, como inspirados, os 46 livros do Antigo e os 27 do Novo Testamento.
Ecclesia 46 libros Veteris et 27 libros Novi Testamenti, tamquam inspiratos, recipit et veneratur.
§ 139
Os quatro evangelhos ocupam um lugar central, dado que Jesus Cristo é o seu centro.
Quattuor Evangelia locum habent centralem quia Christus Iesus eorum est centrum.
§ 140
A unidade dos dois Testamentos deriva da unidade do plano de Deus e da sua Revelação. O Antigo Testamento prepara o Novo, ao passo que o Novo dá cumprimento ao Antigo. Os dois esclarecem-se mutuamente; ambos são verdadeira Palavra de Deus.
Utriusque Testamenti unitas ex unitate consilii et Revelationis Dei promanat. Vetus Testamentum praeparat Novum, hoc autem Vetus adimplet; ambo se mutuo illuminant; utrumque est verum Verbum Dei.
§ 141
«A Igreja sempre venerou as Divinas Escrituras, tal como o próprio Corpo do Senhor» (119) ambos alimentam e regem toda a vida cristã. «A vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 119, 105)(120).
« Divinas Scripturas sicut et ipsum corpus dominicum semper venerata est Ecclesia »; 139 utrumque totam vitam christianam nutrit et regit. « Lucerna pedibus meis verbum Tuum et lumen semitis meis » (Ps 119,105). 140 (88) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 13: AAS 58 (1966) 824. (89) Cf Heb 1,1-3. (90) Sanctus Augustinus, Enarratio in Psalmum 103, 4, 1: CCL 40, 1521 (PL 37, 1378). (91) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827. (92) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829. (93) Cf 1 Thess 2,13. (94) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827-828. (95) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 822-823. (96) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823. (97) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823. (98) Sanctus Bernardus Claraevallensis, Homilia super "Missus est", 4, 11: Opera, ed. J. Leclercq-H. Rochais, v. 4 (Romae 1966) p. 57. (99) Cf Lc 24,45. (100) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 823. (101) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 823. (102) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 824. (103) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 824. (104) Cf Lc 24,25-27.44-46. (105) Cf Ps 22,15. (106) Sanctus Thomas Aquinas, Expositio in Psalmos, 21, 11: Opera omnia, v. 18 (Parisiis 1876) p. 350. (107) Cf Sanctus Hilarius Pictaviensis, Liber ad Constantium Imperatorem 9: CSEL 65, 204 (PL 10, 570); Sanctus Hieronymus, Commentarius in epistulam ad Galatas 1, 1, 11-12: PL 26, 347. (108) Origenes, Homiliae in Leviticum, 5, 5: SC 286, 228 (PG 12, 454). (109) Cf Rom 12,6. (110) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I, q. 1, a. 10, ad 1: Ed. Leon. 4, 25. (111) Cf 1 Cor 10,2. (112) Cf Heb 3,1–4,11. (113) Cf Apc 21,1–22,5. (114) 5 Augustinus de Dacia, Rotulus pugillaris, I: ed. A. Walz: Angelicum 6 (1929) 256. (115) 5 Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 824. (116) 5 Sanctus Augustinus, Contra epistulam Manichaei quam vocant fundamenti, 5, 6: CSEL 25, 197 (PL 42, 176). (117) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. (118) Cf Decretum Damasi: DS 179-180; Concilium Florentinum, Decretum pro Iacobitis: DS 1334-1336; Concilium Tridentinum, Sess. 4a, Decretum de Libris Sacris et de traditionibus recipiendis: DS 1501-1504. (119) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 14: AAS 58 (1966) 825. (120) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 15: AAS 58 (1966) 825. (121) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 17: AAS 58 (1966) 826. (122) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 20: AAS 58 (1966) 827. (123) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 18: AAS 58 (1966) 826. (124) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 19: AAS 58 (1966) 826-827. (125) Sancta Caesaria Iunior, Epistula ad Richildam et Radegundem: SC 345, 480. (126) Sancta Theresia a Iesu Infante, Manuscrit A, 83v: Manuscrits autobiographiques (Paris 1992) p. 268. (127) Cf 1 Cor 10,6.11; Heb 10,1; 1 Pe 3,21. (128) Cf Mc 12,29-31. (129) Cf 1 Cor 5,6-8; 10,1-11. (130) Sanctus Augustinus, Quaestiones in Heptateucum, 2, 73: CCL 33, 106 (PL 34, 623); cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 16: AAS 58 (1966) 825. (131) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 828. (132) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 22: AAS 58 (1966) 828. (133) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829. (134) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 25: AAS 58 (1966) 829; cf Sanctus Hieronymus, Commentarii in Isaiam, Prologus: CCL 73, 1 (PL 24, 17). (135) Hugo de Sancto Victore, De Arca Noe, 2, 8: PL 176, 642; cf Ibid. 2, 9: PL 176, 642-643. (136) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829. (137) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 822-823. (138) Cf Origenes, Homiliae in Exodum, 4, 5: SC 321, 128 (PG 12, 320). (139) 3 Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827. (140) Cf Is 50,4.

A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

§ 142
Pela sua revelação, «Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele» (1). A resposta adequada a este convite é a fé.
Sua Revelatione, « Deus invisibilis ex abundantia caritatis Suae homines tamquam amicos alloquitur et cum eis conversatur, ut eos ad societatem Secum invitet in eamque suscipiat ». 141 Huic invitationi idonea responsio est fides.
§ 143
Pela fé, o homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador (2). A Sagrada Escritura chama «obediência da fé» a esta resposta do homem a Deus revelador (3).
Per fidem homo suum intellectum suamque voluntatem Deo plene submittit. Homo ex toto quod est, Deo revelanti suum praebet assensum. 142 Haec responsio hominis Deo revelanti « oboeditio fidei » a sacra appellatur Scriptura. 143 ARTICULUS 1
CREDO I. De fidei oboedientia

EU CREIO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A «obediência da fé»

§ 144
Obedecer (ob-audire) na fé é submeter-se livremente à palavra escutada, por a sua verdade ser garantida por Deus, que é a própria verdade. Desta obediência, o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe é Abraão. A sua realização mais perfeita é a da Virgem Maria.
In fide oboedire (ob-audire) est se libere audito submittere verbo, quia eius veritas a Deo, qui ipsa veritas est, praestatur. Abraham huius oboedientiae est exemplar, nobis a sacra Scriptura propositum. Virgo autem Maria eius effectio est perfectissima. Abraham – « pater omnium credentium »

ABRAÃO – «O PAI DE TODOS OS CRENTES»

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A «obediência da fé»

§ 145
A Epístola aos Hebreus, no grande elogio que faz da fé dos antepassados, insiste particularmente na fé de Abraão: «Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento de Deus, e partiu para uma terra que viria a receber como herança: partiu, sem saber para onde ia» (Heb 11, 8) (4). Pela fé, viveu como estrangeiro e peregrino na terra prometida (5). Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu em sacrifício o seu filho único (6).
Epistula ad Hebraeos, in magno illo fidei maiorum elogio, in fide Abraham peculiariter insistit: « Fide vocatus Abraham oboedivit in locum exire, quem accepturus erat in hereditatem, et exivit nesciens quo iret » (Heb 11,8). 144 Fide ut advena et peregrinus in Terra vixit promissa. 145 Fide, Sara accepit filium Promissionis concipere Fide denique Abraham suum filium unicum in sacrificio obtulit. 146
§ 146
Abraão realiza assim a definição da fé dada pela Epístola aos Hebreus: «A fé constitui a garantia dos bens que se esperam, e a prova de que existem as coisas que não se vêem» (Heb 11, 1). «Abraão acreditou em Deus, e isto foi-lhe atribuído como justiça» (Rm 4, 3) (7). «Fortalecido» por esta fé (Rm 4, 20), Abraão tornou-se «o pai de todos os crentes» (Rm 4, 11. 18) (8).
Sic Abraham definitionem fidei, ab epistula ad Hebraeos traditam, in rem ducit: « Est autem fides sperandorum substantia, rerum argumentum non apparentium » (Heb 11,1). « Credidit autem Abraham Deo, et reputatum est illi ad iustitiam » (Rom 4,3). 147 Hac « confortatus fide » (Rom 4,20), Abraham factus est « pater omnium credentium » (Rom 4,11.18). 148
§ 147
O Antigo Testamento é rico em testemunhos desta fé. A Epístola aos Hebreus faz o elogio da fé exemplar dos antigos, «que lhes valeu um bom testemunho» (Heb 11, 2. 39). No entanto, para nós, «Deus previra destino melhor»: a graça de crer no seu Filho Jesus, «guia da nossa fé, que Ele leva à perfeição» (Heb 11, 40; 12, 2).
Vetus Testamentum testimoniis est huius fidei copiosum. Epistula ad Hebraeos exemplaris fidei proclamat elogium, in qua « testimonium consecuti sunt seniores » (Heb 11,2.39), « Deo pro nobis melius aliquid providente »: gratiam scilicet in Filium Suum credendi, « ducem fidei et consummatorem Iesum » (Heb 11,40; 12,2). Maria – « Beata quae credidit »

MARIA – «FELIZ AQUELA QUE ACREDITOU»

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A «obediência da fé»

§ 148
A Virgem Maria realiza, do modo mais perfeito, a «obediência da fé». Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazidos pelo anjo Gabriel, acreditando que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) (9) e dando o seu assentimento: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Isabel saudou-a: «Feliz aquela que acreditou no cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). É em virtude desta fé que todas as gerações a hão-de proclamar bem-aventurada (10).
Maria Virgo modo perfectissimo oboedientiam fidei in rem ducit. In fide, Maria nuntium et promissionem ab Angelo Gabriel allata recipit, credens quod « non erit impossibile apud Deum omne verbum » (Lc 1,37) 149 suumque praebens assensum: « Ecce ancilla Domini; fiat mihi secundum verbum tuum » (Lc 1,38). Elisabeth illam his salutavit verbis: « Beata, quae credidit, quoniam perficientur ea, quae dicta sunt ei a Domino » (Lc 1,45). Propter hanc fidem omnes generationes illam proclamabunt beatam. 150
§ 149
Durante toda a sua vida e até à última provação (11), quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, a sua fé jamais vacilou. Maria nunca deixou de crer «no cumprimento» da Palavra de Deus. Por isso, a Igreja venera em Maria a mais pura realização da fé.
Per totius eius vitae cursum, et usque ad eius extremam probationem, 151 cum Iesus, eius filius, est mortuus in cruce, eius fides non vacillavit. Maria verbum Dei « perficiendum esse » credere non desiit. Ecclesia igitur in Maria purissimam fidei veneratur effectionem. II. « Scio enim cui credidi » (2 Tim 1,12) In solum Deum credere

CRER SÓ EM DEUS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

«Eu sei em quem pus a minha fé» (2 Tm 1, 12)

§ 150
Antes de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus. Enquanto adesão pessoal a Deus e assentimento à verdade por Ele revelada, a fé cristã difere da fé numa pessoa humana. É justo e bom confiar totalmente em Deus e crer absolutamente no que Ele diz. Seria vão e falso ter semelhante fé numa criatura (12).
Fides est imprimis adhaesio personalis hominis ad Deum; simul vero et inseparabiliter est liber toti veritati a Deo revelatae assensus. Fides christiana, quatenus adhaesio personalis ad Deum et veritati ab Ipso revelatae assensus, a fide in personam differt humanam. Bonum et iustum est se plene Deo fidere idque absolute credere, quod Ipse dixit. Vanum et falsum esset talem fidem in quamdam reponere creaturam. 152In Iesum Christum, Filium Dei, credere
§ 151
Para o cristão, crer em Deus é crer inseparavelmente n'Aquele que Deus enviou – «no seu Filho muito amado» em quem Ele pôs todas as suas complacências (13): Deus mandou-nos que O escutássemos (14). O próprio Senhor disse aos seus discípulos: «Acreditais em Deus, acreditai também em Mim» (Jo 14, 1). Podemos crer em Jesus Cristo, porque Ele próprio é Deus, o Verbo feito carne: «A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer» (Jo 1, 18). Porque «viu o Pai» (Jo 6, 46), Ele é o único que O conhece e O pode revelar (15).
Pro christiano credere in Deum est inseparabiliter in Eum credere quem Ille misit: Filium Suum dilectum, in quo complacuit; 153 Deus nobis dixit ut Eum audiremus. 154 Dominus Ipse Suis dixit discipulis: « Creditis in Deum et in me credite » (Io 14,1). In Iesum Christum credere possumus, quia Ipse est Deus, Verbum caro factum: « Deum nemo vidit unquam; unigenitus Deus, qui est in sinum Patris, Ipse enarravit » (Io 1,18). Quia Ille « vidit Patrem » (Io 6,46), solus Eum novit et potestatem Eum habet revelandi. 155In Spiritum Sanctum credere

CRER NO ESPÍRITO SANTO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

«Eu sei em quem pus a minha fé» (2 Tm 1, 12)

§ 152
Não é possível acreditar em Jesus Cristo sem ter parte no seu Espírito. É o Espírito Santo que revela aos homens quem é Jesus. Porque «ninguém é capaz de dizer: "Jesus é Senhor", a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Cor 12, 3). «O Espírito penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus [...]. Ninguém conhece o que há em Deus senão o Espírito de Deus» (1 Cor 2, 10-11). Só Deus conhece inteiramente Deus. Nós cremos no Espírito Santo, porque Ele é Deus. A Igreja não cessa de confessar a sua fé num só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.
Impossibile est quempiam in Iesum Christum credere, quin ille Eius sit particeps Spiritus. Sanctus vero Spiritus hominibus revelat quis Iesus sit. Etenim « nemo potest dicere "Dominus Iesus", nisi in Spiritu Sancto » (1 Cor 12,3). « Spiritus enim omnia scrutatur, etiam profunda Dei. [...] Quae Dei sunt, nemo cognovit nisi Spiritus Dei » (1 Cor 2,10-11). Solus Deus Deum plene cognoscit. In Sanctum credimus Spiritum, quia Ille est Deus. Ecclesia suam fidem in unum Deum, Patrem, Filium et Spiritum Sanctum confiteri non desinit. III. De proprietatibus fideiFides est gratia quaedam

A FÉ É UMA GRAÇA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As características da fé

§ 153
Quando Pedro confessa que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, Jesus declara-lhe que esta revelação não lhe veio «da carne nem do sangue, mas do seu Pai que está nos Céus» (Mt 16, 17) (16). A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. «Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte o coração para Deus, abre os olhos do entendimento, e dá "a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade"» (17).
Cum sanctus Petrus Iesum esse Christum, Filium Dei vivi, confitetur, Iesus ei declarat hanc revelationem ex carne et sanguine ei non venisse, sed ex Patre Suo « qui in caelis est » (Mt 16,17). 156 Fides est donum Dei, virtus supernaturalis ab Illo infusa. « Quae fides ut praebeatur, opus est praeveniente et adiuvante gratia Dei et internis Spiritus Sancti auxiliis, qui cor moveat et in Deum convertat, mentis oculos aperiat, et det "omnibus suavitatem in consentiendo et credendo veritati" ». 157 Fides est actus humanus

A FÉ É UM ACTO HUMANO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As características da fé

§ 154
O acto de fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que crer é um acto autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário à nossa própria dignidade acreditar no que outras pessoas nos dizem acerca de si próprias e das suas intenções, e confiar nas suas promessas (como, por exemplo, quando um homem e uma mulher se casam), para assim entrarem em mútua comunhão. Por isso, é ainda menos contrário à nossa dignidade «prestar, pela fé, submissão plena da nossa inteligência e da nossa vontade a Deus revelador» (18) e entrar assim em comunhão intima com Ele.
Credere possibile non est nisi per gratiam et interna Sancti Spiritus auxilia. Minus verum non est, credere actum esse vere humanum. Neque hominis libertati neque intellectui contrarium est Deo fidere veritatibusque ab Illo revelatis adhaerere. In ipso humano commercio, nostrae propriae dignitati contrarium non est, credere id quod alii homines de se ipsis et de suis dicunt intentionibus, et illorum promissionibus fidere (sicut cum vir et mulier matrimonium ineunt), ad sic ingrediendum in mutuam communionem. Consequenter adhuc minus contrarium est nostrae dignitati « plenum revelanti Deo intellectus et voluntatis obsequium fide praestare » 158 et sic in communionem cum Eo ingredi intimam.
§ 155
Na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina: «Credere est actas intellectus assentientis veritati divinae ex imperio voluntatis, a Deo motae per gratiam» — «Crer é o acto da inteligência que presta o seu assentimento à verdade divina, por determinação da vontade, movida pela graça de Deus» (19).
In fide, humanus intellectus et voluntas cum gratia divina cooperantur: « Credere est actus intellectus assentientis veritati divinae ex imperio voluntatis a Deo motae per gratiam ». 159 Fides et intellectus

A FÉ E A INTELIGÊNCIA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As características da fé

§ 156
O motivo de crer não é o facto de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural. Nós cremos «por causa da autoridade do próprio Deus revelador, que não pode enganar-se nem enganar-nos» (20). «Contudo, para que a homenagem da nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados de provas exteriores da sua Revelação» (21). Assim, os milagres de Cristo e dos santos (22), as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade «são sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos» (23), «motivos de credibilidade», mostrando que o assentimento da fé não é, «de modo algum, um movimento cego do espírito» (24).
Motivum credendi id non est quod veritates revelatae lumini nostrae rationis naturalis tamquam verae et intelligibiles appareant. Credimus « propter auctoritatem Ipsius Dei revelantis, qui nec falli nec fallere potest ». 160 « Ut nihilominus fidei nostrae "obsequium rationi consentaneum" esset, voluit Deus cum internis Spiritus Sancti auxiliis externa iungi Revelationis Suae argumenta ». 161 Sic Christi et sanctorum miracula, 162 prophetiae, Ecclesiae propagatio et sanctitas, eius fecunditas et stabilitas « divinae Revelationis signa sunt certissima et omnium intelligentiae accommodata », 163 credibilitatis motiva quae ostendunt quod « fidei assensus nequaquam sit motus animi caecus ». 164
§ 157
A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida, as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas; mas «a certeza dada pela luz divina é maior do que a dada pela luz da razão natural» (25). «Dez mil dificuldades não fazem uma só dúvida» (26).
Fides est certa, omni humana cognitione certior, quia in ipso Verbo Dei fundatur, qui mentiri nequit. Veritates revelatae possunt utique rationi et experientiae humanis obscurae videri, sed « maior est certitudo quae est per divinum lumen, quam quae est per lumen rationis naturalis ». 165 « Decem milia difficultatum unum non efficiunt dubium ». 166
§ 158
«A fé procura compreender» (27): é inerente à fé o desejo do crente de conhecer melhor Aquele em quem acreditou, e de compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais profundo exigirá, por sua vez, uma fé maior e cada vez mais abrasada em amor. A graça da fé abre «os olhos do coração» (Ef 1, 18) para uma inteligência viva dos conteúdos da Revelação, isto é, do conjunto do desígnio de Deus e dos mistérios da fé, da íntima conexão que os Liga entre si e com Cristo, centro do mistério revelado. Ora, para «que a compreensão da Revelação seja cada vez mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé, mediante os seus dons» (28). Assim, conforme o dito de Santo Agostinho, «eu creio para compreender e compreendo para crer melhor» (29).
« Fides quaerens intellectum »: 167 fidei est inhaerens ut credens melius Eum cognoscere exoptet in quem suam reposuit fidem idque melius intelligere quod Ipse revelavit; profundior cognitio, e parte sua, maiorem fidem secum ducet, semper amplius succensam amore. Gratia fidei « oculos cordis » (Eph 1,18) aperit ad vivam eorum intelligentiam quae in Revelatione continentur, intelligentiam scilicet complexus consilii Dei et mysteriorum fidei, eorum conexionis inter se et cum Christo mysterii revelati centro. « Quo vero profundior usque evadat Revelationis intelligentia, [...] Spiritus Sanctus fidem iugiter per dona Sua perficit ». 168 Ita secundum sancti Augustini adagium: « Intellige ut credas: crede, ut intelligas ». 169
§ 159
Fé e ciência. «Muito embora a fé esteja acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, também acendeu no espírito humano a luz da razão. E Deus não pode negar-Se a Si próprio, nem a verdade pode jamais contradizer a verdade» (30). «É por isso que a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará em oposição à fé: as realidades profanas e as da fé encontram a sua origem num só e mesmo Deus. Mais ainda: aquele que se esforça, com perseverança e humildade, por penetrar no segredo das coisas, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todos os seres e faz que eles sejam o que são, mesmo que não tenha consciência disso» (31).
Fides et scientia. « Verum etsi fides sit supra rationem, nulla tamen umquam inter fidem et rationem vera dissensio esse potest: cum Idem Deus, qui mysteria revelat et fidem infundit, animo humano rationis lumen indiderit, Deus autem negare Se Ipsum non possit, nec verum vero umquam contradicere ». 170 « Ideo inquisitio methodica in omnibus disciplinis, si modo vere scientifico et iuxta normas morales procedit, numquam fidei revera adversabitur, quia res profanae et res fidei ab Eodem Deo originem ducunt. Immo, qui humili et constanti animo abscondita rerum perscrutari conatur, etsi inscius quasi manu Dei ducitur qui, res omnes sustinens, facit ut sint id quod sunt ». 171 Libertas fidei

A LIBERDADE DA FÉ

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As características da fé

§ 160
Para ser humana, «a resposta da fé, dada pelo homem a Deus, deve ser voluntária. Por conseguinte, ninguém deve ser constrangido a abraçara fé contra vontade. Efectivamente, o acto de fé é voluntário por sua própria natureza» (32). «E certo que Deus chama o homem a servi-Lo em espírito e verdade; mas, se é verdade que este apelo obriga o homem em consciência, isso não quer dizer que o constranja [...]. Isto foi evidente, no mais alto grau, em Jesus Cristo» (33). De facto, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo nenhum constrangeu alguém. «Deu testemunho da verdade, mas não a impôs pela força aos seus contraditores. O seu Reino [...] dilata-se graças ao amor, pelo qual, levantado na cruz, Cristo atrai a Si todos os homens (34)».
Ut responsio fidei humana sit, « caput est [...] hominem debere Deo voluntarie respondere credendo; invitum proinde neminem esse cogendum ad amplectendam fidem. Etenim actus fidei ipsa sua natura voluntarius est ». 172 « Deus quidem homines ad inserviendum Sibi in spiritu et veritate vocat, unde ipsi in conscientia vinciuntur, non vero coercentur. [...] Hoc autem summe apparuit in Christo Iesu ». 173 Christus etenim ad fidem invitavit et conversionem, nullo tamen modo constrinxit. « Testimonium enim perhibuit veritati, eam tamen contradicentibus vi imponere noluit. Regnum enim Eius [...] crescit [...] amore, quo Christus exaltatus in cruce homines ad Seipsum trahit ». 174Necessitas fidei

A NECESSIDADE DA FÉ

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As características da fé

§ 161
Para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n'Aquele que O enviou para nos salvar (35). «Porque "sem a fé não é possível agradar a Deus" (Heb 11, 6) e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém jamais pode justificar-se sem ela e ninguém que não "persevere nela até ao fim" (Mt 10, 22; 24, 13) poderá alcançar a vida eterna» (36).
In Iesum Christum credere et in Illum qui Eum propter nostram misit salutem, necessarium est ad hanc obtinendam salutem. 175 « Quoniam vero "sine fide... impossibile est placere Deo" (Heb 11,6) et ad filiorum Eius consortium pervenire, ideo nemini umquam sine illa contigit iustificatio, nec ullus, nisi in ea "perseveraverit usque in finem" (Mt 10,22; 24,13), vitam aeternam assequetur ». 176In fide perseverantia

A PERSEVERANÇA NA FÉ

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As características da fé

§ 162
A fé á um dom gratuito de Deus ao homem. Mas nós podemos perder este dom inestimável. Paulo adverte Timóteo a respeito dessa possibilidade: «Combate o bom combate, guardando a fé e a boa consciência; por se afastarem desse princípio é que muitos naufragaram na fé» (1 Tm 1, 18-19). Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus; temos de pedir ao Senhor que no-la aumente (37); ela deve «agir pela caridade» (Gl 5, 6) (38), ser sustentada pela esperança (39) e permanecer enraizada na fé da Igreja.
Fides gratuitum est donum, quod Deus homini praebet. Hoc inaestimabile possumus donum amittere; sanctus Paulus de hoc monet Timotheum: « Hoc praeceptum commendo tibi [...] ut milites [...] bonam militiam, habens fidem et bonam conscientiam, quam quidam repellentes circa fidem naufragaverunt » (1 Tim 1,18-19). Ad vivendum, crescendum et perseverandum usque ad finem in fide, illam debemus Verbo Dei nutrire; Dominum precari debemus ut illam nobis adaugeat; 177 ipsa « per caritatem » operari (Gal 5,6), 178 a spe sustineri 179 et in Ecclesiae fide debet esse radicata.Fides – initium vitae aeternae

A FÉ – VIDA ETERNA INICIADA

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

As características da fé

§ 163
A fé faz que saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatifica, termo da nossa caminhada nesta Terra. Então veremos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12), «tal como Ele é» (1 Jo 3, 2). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna:

«Enquanto, desde já, contemplamos os benefícios da fé, como reflexo num espelho, é como se possuíssemos já as maravilhas que a nossa fé nos garante havermos de gozar um dia» (40).

Fides facit ut gaudium et lumen visionis beatificae quasi in antecessu gustemus, quae finis est nostrae peregrinationis hic in terris. Tunc videbimus Deum « facie ad faciem » (1 Cor 13,12), « sicuti est » (1 Io 3,2). Fides igitur iam est vitae aeternae initium:

« Repositorum nobis in promissis bonorum, quae per fidem fruenda exspectamus, perinde quasi iam adsint, gratiam velut in speculo contemplantes » sumus. 180

§ 164
Por enquanto porém, «caminhamos pela fé e não vemos claramente» (2 Cor 5, 7), e conhecemos Deus «como num espelho, de maneira confusa, [...] imperfeita» (1 Cor, 13, 12). Luminosa por parte d'Aquele em quem ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade, e pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos parece muitas vezes bem afastado daquilo que a ,fé nos diz: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa-Nova, podem abalar a fé e tornarem-se, em relação a ela, uma tentação.
Nunc tamen « per fidem [...] ambulamus et non per speciem » (2 Cor 5,7) Deumque, « per speculum in aenigmate [...], ex parte » (1 Cor 13,12) cognoscimus. Licet fides luminosa sit propter Illum in quem credit, vita fidei saepe obscura est. Fides potest probationi submitti. Mundus in quo vivimus, saepe valde videtur remotus ab iis quae fides asseverat; experientiae mali et doloris, multiplicis iniustitiae et mortis Bono Nuntio videntur contradicere; illae fidem possunt concutere et ei fieri tentatio.
§ 165
É então que nos devemos voltar para as testemunhas da fé: Abraão, que acreditou, «esperando contra toda a esperança» (Rm 4, 18); a Virgem Maria que, na «peregrinação da fé» (41), foi até à «noite da fé» (42), comungando no sofrimento do seu Filho e na noite do seu sepulcro (43); e tantas outras testemunhas da fé: «envoltos em tamanha nuvem de testemunhas, devemos desembaraçar-nos de todo o fardo e do pecado que nos cerca, e correr com constância o risco que nos é proposto, fixando os olhos no guia da nossa fé, o qual a leva à perfeição» (Heb 12, 1-2).
Tunc ad fidei testes nos convertere debemus: ad Abraham « qui contra spem in spe credidit » (Rom 4,18); ad Mariam Virginem quae « in peregrinatione fidei », 181 usque ad « noctem fidei » processit 182 Filii sui cruciatus participans Eiusque sepulcri noctem; 183 et ad tot alios fidei testes: « Ideoque et nos tantam habentes circumpositam nobis nubem testium, deponentes omne pondus et circumstans nos peccatum, per patientiam curramus propositum nobis certamen, aspicientes in ducem fidei et consummatorem Iesum » (Heb 12,1-2). (141) 5 Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.(142) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 5: AAS 58 (1966) 819.(143) Cf Rom 1,5; 16,26.(144) Cf Gn 12,1-4.(145) Cf Gn 23,4.(146) Cf Heb 11,17.(147) Cf Gn 15,6.(148) Cf Gn 15,5.(149) Cf Gn 18,14.(150) Cf Lc 1,48.(151) Cf Lc 2,35.(152) Cf Ier 17,5-6; Ps 40,5; 146,3-4. (153) Cf Mc 1,11. (154) Cf Mc 9,7. (155) Cf Mt 11,27. (156) Cf Gal 1,15-16; Mt 11,25. (157) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 5: AAS 58 (1966) 819.(158) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3008.(159) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 2, a. 9, c: Ed. Leon. 8, 37; cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3010.(160) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3008. (161) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3009.(162) Cf Mc 16,20; Heb 2,4. (163) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3009.(164) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3010. (165) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 171, a. 5, 3um: Ed. Leon. 10, 373. (166) Ioannes Henricus Newman, Apologia pro vita sua, c. 5 , ed. M.J. Svaglic (Oxford 1967) p. 210. (167) Sanctus Anselmus Cantuariensis, Proslogion, Prooemium: Opera omnia, ed. F.S. Schmitt, v. 1 (Edinburghi 1946) p. 94. (168) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 5: AAS 58 (1966) 819.(169) Sanctus Augustinus, Sermo 43, 7, 9: CCL 41, 512 (PL 38, 258). (170) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3017.(171) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054.(172) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 10: AAS 58 (1966) 936; cf CIC canon 748 § 2. (173) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 11: AAS 58 (1966) 936.(174) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 11: AAS 58 (1966) 937.(175) Cf Mc 16,16; Io 3,36; 6,40 et alibi. (176) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3012; cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 8: DS 1532. (177) Cf Mc 9,24; Lc 17,5; 22,32. (178) Cf Iac 2, 14-26. (179) Cf Rom 15,13. (180) Sanctus Basilius Magnus, Liber de Spiritu Sancto, 15, 36: SC 17bis, 370 (PG 32, 132); cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 4, a. 1, c: Ed. Leon. 8, 44. (181) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 58: AAS 57 (1965) 61.(182) Cf Ioannes Paulus II, Litt. Enc. Redemptoris Mater, 17: AAS 79 (1987) 381.(183) Cf Ioannes Paulus II, Litt. Enc. Redemptoris Mater, 18: AAS 79 (1987) 382-383.

NÓS CREMOS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

§ 166
A fé é um acto pessoal, uma resposta livre do homem à proposta de Deus que Se revela. Mas não é um acto isolado. Ninguém pode acreditar sozinho, tal como ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo, como ninguém a si mesmo se deu a vida. Foi de outrem que o crente recebeu a fé; a outrem a deve transmitir. O nosso amor a Jesus e aos homens impele-nos a falar aos outros da nossa fé. Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser amparado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para amparar os outros na fé.
Fides est actus personalis: libera hominis responsio incepto Dei Se revelantis. Sed fides actus non est solitarius. Nemo credere potest solus, sicut nemo solus vivere potest. Nemo sibi ipsi dat fidem, sicut nemo sibi ipsi vitam dat. Credens fidem ab aliis accepit illamque aliis transmittere debet. Noster erga Iesum et homines amor nos ad aliis de nostra fide loquendum impellit. Unusquisque credens est quasi anulus in magna credentium catena. Credere non possum nisi aliorum fide sustentus et mea fide ad aliorum fidem confero sustinendam.
§ 167
«Eu creio» (44): é a fé da Igreja, professada pessoalmente por cada crente, principalmente por ocasião do Baptismo. «Nós cremos» (45): é a fé da Igreja, confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, de modo mais geral, pela assembleia litúrgica dos crentes. «Eu creio»: é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus pela sua fé e nos ensina a dizer: «Eu creio», «Nós cremos».
« Credo »: 184 est fides Ecclesiae quam unusquisque credens personaliter profitetur, praesertim cum baptizatur. « Credimus »: 185 est fides Ecclesiae quam Episcopi in Concilio profitentur congregati vel generalius quam liturgica credentium profitetur congregatio. « Credo »: est etiam Ecclesia, Mater nostra quae Deo fide respondet sua nosque docet dicere: « Credo », « Credimus ». I. « Respice, Domine, fidem Ecclesiae Tuae »

NÓS CREMOS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

«Olhai, Senhor, para a fé da vossa Igreja»

§ 168
É, antes de mais, a Igreja que crê, e que assim suporta, nutre e sustenta a minha fé. É primeiro a Igreja que, por toda a parte, confessa o Senhor («Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia» – «A Santa Igreja anuncia por toda a terra a glória do vosso nome» – como cantamos no «Te Deum»). Com ela e nela, também nós somos atraídos e levados a confessar: «Eu creio», «Nós cremos». É da Igreja que recebemos a fé e a vida nova em Cristo, pelo Baptismo. No Ritual Romano, o ministro do Baptismo pergunta ao catecúmeno: «Que vens pedir à Igreja de Deus?» E ele responde: – «A fé». – «Para que te serve a fé?» – «Para alcançar a vida eterna» (46).
Ecclesia credit imprimis et sic meam fidem ducit, nutrit et sustinet. Ecclesia Dominum ubique confitetur imprimis (« Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia », in hymno canimus « Te Deum ») atque cum illa et in illa impellimur et ducimur, ut nos etiam confiteamur: « Credo », « Credimus ». Ab Ecclesia recipimus fidem novamque in Christo vitam per Baptismum. Iuxta « Rituale Romanum », minister Baptismatis quaerit a catechumeno: « Quid petis ab Ecclesia Dei? ». Et responsio: « Fidem ». - « Fides quid tibi praestat? » - « Vitam aeternam ». 186
§ 169
A salvação vem só de Deus. Mas porque é através da Igreja que recebemos a vida da fé, a Igreja é nossa Mãe. «Cremos que a Igreja é como que a mãe do nosso novo nascimento, mas não cremos na Igreja como se ela fosse a autora da nossa salvação»(47). É porque é nossa Mãe, é também a educadora da nossa fé.
Salus a solo Deo venit; sed quia vitam fidei per Ecclesiam recipimus, ipsa est Mater nostra: « Credimus Ecclesiam quasi regenerationis Matrem, non in Ecclesiam credimus quasi in salutis auctorem ». 187 Quia illa est Mater nostra, est etiam nostrae fidei educatrix. II. Sermo fidei

NÓS CREMOS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

A linguagem da fé

§ 170
Não acreditamos em fórmulas, mas sim nas realidades que as fórmulas exprimem e que a fé nos permite «tocar». «O acto [de fé] do crente não se detém no enunciado, mas na realidade [enunciada]» (48). No entanto, é através das fórmulas da fé que nos aproximamos dessas realidades. As fórmulas permitem-nos exprimir e transmitir a fé, celebrá-la em comunidade, assimilá-la e dela viver cada vez mais.
Non in formulas credimus, sed in res quas illae exprimunt et quas nobis fides « tangere » permittit. « Actus autem [fidei] credentis non terminatur ad enuntiabile, sed ad rem [enuntiatam] ». 188 Tamen ad has res adiutorio formulationum fidei appropinquamus. Hae permittunt fidem exprimere et transmittere, illam in communitate celebrare, illam facere propriam et ex illa magis magisque vivere.
§ 171
A Igreja, que é «coluna e apoio da verdade» (1 Tm 3, 15), guarda fielmente a fé transmitida aos santos de uma vez por todas (49). É ela que guarda a memória das palavras de Cristo. É ela que transmite, de geração em geração, a confissão de fé dos Apóstolos. Tal como uma mãe ensina os seus filhos a falar e, dessa forma, a compreender e a comunicar, a Igreja, nossa Mãe, ensina-nos a linguagem da fé, para nos introduzir na inteligência e na vida da fé.
Ecclesia quae est « columna et firmamentum veritatis » (1 Tim 3,15), semel traditam sanctis fidem 189 custodit fideliter. Ipsa est quae verborum Christi memoriam servat et confessionem fidei Apostolorum a generatione transmittit in generationem. Sicut mater suos filios loqui docet atque adeo mente intelligere et cum aliis communicare, Ecclesia, Mater nostra, sermonem fidei nos docet ad nos in fidei intelligentiam introducendos et vitam. III. Una fides

NÓS CREMOS

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Uma só fé

§ 172
Desde há séculos, através de tantas línguas, culturas, povos e nações, a Igreja não cessa de confessar a sua fé única, recebida de um só Senhor, transmitida por um só Baptismo, enraizada na convicção de que todos os homens têm apenas um só Deus e Pai (50). Santo Ireneu de Lião, testemunha desta fé, declara:
A saeculis, per tot linguas, culturas, populos et nationes, Ecclesia unam fidem suam confiteri non desinit, ab uno Domino acceptam, per unum Baptismum transmissam, in persuasione radicatam omnes homines nonnisi unum habere Deum et Patrem. 190 Sanctus Irenaeus Lugdunensis, huius fidei testis, declarat:
§ 173
«A Igreja, embora dispersa por todo o mundo até aos confins da Terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, [...] guarda [esta pregação e esta fé] com tanto cuidado como se habitasse numa só casa; nela crê de modo idêntico, como tendo um só coração e uma só alma; prega-a e ensina-a e transmite-a com voz unânime, como se tivesse uma só boca» (51).
« Ecclesia enim per universum orbem usque ad fines terrae seminata, et ab Apostolis et discipulis eorum accepit eam fidem [...]. Hanc praedicationem [...] et hanc fidem [...] diligenter custodit quasi unam domum inhabitans, et similiter credit his, videlicet quasi unam animam habens et unum cor, et consonanter haec praedicat et docet, et tradit quasi unum possidens os ». 191
§ 174
«Através do mundo, as línguas diferem: mas o conteúdo da Tradição é um só e o mesmo. Nem as Igrejas estabelecidas na Germania têm outra fé ou outra tradição, nem as que se estabeleceram entre os Iberos ou entre os Celtas, as do Oriente, do Egipto ou da Líbia, nem as que se fundaram no centro do mundo» (52). «A mensagem da Igreja é verídica e sólida, porque nela aparece um só e o mesmo caminho de salvação, em todo o mundo» (53).
« Nam etsi in mundo loquelae dissimiles sunt, sed tamen virtus Traditionis una et eadem est. Et neque hae quae in Germania sunt fundatae Ecclesiae aliter credunt aut aliter tradunt, neque hae quae in Hiberis sunt, neque hae quae in Celtis, neque hae quae in Oriente, neque hae quae in Aegypto, neque hae quae in Libya, neque hae quae in medio mundi sunt constitutae ». 192 « Ecclesiae quidem praedicatio vera et firma, apud quam una et eadem salutis via in universo mundo ostenditur ». 193
§ 175
Esta fé, «que recebemos da Igreja, guardamo-la nós cuidadosamente, porque sem cessar, sob a acção do Espírito de Deus, tal como um depósito de grande valor encerrado num vaso excelente, ela rejuvenesce e faz rejuvenescer o próprio vaso que a contém» (54). Resumindo:
Fidem « perceptam ab Ecclesia custodimus, et quae semper a Spiritu Dei, quasi in vaso bono eximium quoddam depositum iuvenescens, et iuvenescere faciens ipsum vas in quo est ». 194 Compendium

COMPÊNDIO

«EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

Resumindo

§ 176
A fé é uma adesão pessoal, do homem todo, a Deus que Se revela. Comporta uma adesão da inteligência e da vontade à Revelação que Deus fez de Si mesmo, pelas suas acções e palavras.
Fides est personalis totius hominis ad Deum Se revelantem adhaesio. Intellectus et voluntatis implicat adhaesionem ad Revelationem, quam Deus gestis et verbis de Se Ipso fecit.
§ 177
«Crer» tem, pois, uma dupla referência: à pessoa e à verdade; à verdade, pela confiança na pessoa que a atesta.
« Credere » igitur duplicem habet relationem: ad personam et ad veritatem; ad veritatem propter fiduciam in personam quae illam testificatur.
§ 178
Não devermos crer em mais ninguém senão em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.
In nullum alium credere debemus quam in Deum, Patrem, Filium et Spiritum Sanctum.
§ 179
A fé é um dom sobrenatural de Deus. Para crer, o homem tem necessidade dos auxílios interiores do Espírito Santo.
Fides donum Dei est supernaturale. Ad credendum homo interioribus eget Spiritus Sancti auxiliis.
§ 180
«Crer» é um acto humano, consciente e livre, que está de acordo com a dignidade da pessoa humana.
« Credere » actus est humanus, conscius et liber, qui personae humanae correspondet dignitati.
§ 181
«Crer» é um acto eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e nutre a nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. «Ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe» (55).
« Credere » actus est ecclesialis. Fides Ecclesiae nostram praecedit, gignit, sustinet et nutrit fidem. Ecclesia est omnium credentium Mater. « Habere iam non potest Deum Patrem qui Ecclesiam non habet Matrem ». 195
§ 182
«Nós cremos em tudo quanto está contido na Palavra de Deus, escrita ou transmitida, e que a Igreja propõe à nossa fé como divinamente revelado» (56).
« Nos ea omnia credimus, quae in Verbo Dei scripto vel tradito continentur et ab Ecclesia [...] tamquam divinitus revelata credenda proponuntur ». 196
§ 183
A fé é necessária para a salvação. O próprio Senhor o afirma: «Quem acreditar e for baptizado salvar-se-á, mas quem não acreditar será condenado» (Mc 16, 16).
Fides ad salutem necessaria est. Ipse Dominus asserit: « Qui crediderit et baptizatus fuerit, salvus erit; qui vero non crediderit, condemnabitur » (Mc 16,16).
§ 184
«A fé é um antegozo do conhecimento que nos tornará felizes na vida futura» (57).
« Fides [...] praelibatio quaedam est illius cognitionis quae nos in futuro beatos faciet ». 197  SYMBOLUM FIDEI  (184) Symbolum Apostolicum: DS 30. (185) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150 (in textu originali graeco). (186) Ordo initiationis christianae adultorum, 75, ed. typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1972) p. 24; Ibid., 247, p. 91. (187) Faustus Reiensis, De Spiritu Sancto 1, 2: CSEL 21, 104 (1, 1: PL 62, 11).(188) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 1, a. 2, ad 2: Ed. Leon. 8, 11. (189) Cf Ids 1,3. (190) Cf Eph 4,4-6. (191) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 1, 10, 1-2: SC 264, 154-158 (PG 7, 550-551). (192) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 1, 10, 2: SC 264, 158-160 (PG 7, 531-534). (193) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 5, 20, 1: SC 153, 254-256 (PG 7, 1177). (194) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 24, 1: SC 211, 472 (PG 7, 966). (195) Sanctus Cyprianus Carthaginiensis, De Ecclesiae catholicae unitate, 6: CCL 3, 253 (PL 4, 519). (196) Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 20: AAS 60 (1968) 441.(197) Sanctus Thomas Aquinas, Compendium theologiae, 1, 2: Ed. Leon. 42, 83. (198) DS 30.(199) DS 150.

OS SÍMBOLOS DA FÉ

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 185
Quem diz «Creio» afirma: «dou a minha adesão àquilo em que nós cremos». A comunhão na fé tem necessidade duma linguagem comum da fé, normativa para todos e a todos unindo na mesma confissão de fé.

Símbolo dos Apóstolos & Credo de Niceia–Constantinopla

SÍMBOLO DOS APÓSTOLOS CREDO DE NICEIA–CONSTANTINOPLA
Creio em Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra;
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
e em Jesus Cristo, seu único Filho,
nosso Senhor,
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus.
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e Se fez homem.
padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, de onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai. De novo há-de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo; Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas.
na santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos; Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica.
na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna. Amen Professo um só Baptismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há-de vir. Amen.
Qui dicit « Credo », dicit « Adhaereo ei quod nos credimus ». Communio in fide eget communi fidei sermone, qui omnibus sit norma omnesque in eadem fidei confessione coniungat.
§ 186
Desde a origem, a Igreja apostólica exprimiu e transmitiu a sua própria fé em fórmulas breves e normativas para todos (1). Mas bem cedo a Igreja quis também recolher o essencial da sua fé em resumos orgânicos e articulados, destinados sobretudo aos candidatos ao Baptismo.

«Esta síntese da fé não foi feita segundo as opiniões humanas: mas recolheu-se de toda a Escritura o que nela há de mais importante, para apresentar na integra aquilo e só aquilo que a fé ensina. E, tal como a semente de mostarda contém, num pequeno grão, numerosos ramos, do mesmo modo este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contido no Antigo e no Novo Testamento» (2).

Inde ab origine, Ecclesia apostolica suam propriam fidem in formulis brevibus et vim normae habentibus pro omnibus expressit et transmisit.1 Sed iam prorsus cito Ecclesia etiam voluit suae fidei essentialia in compendiis organicis et articulatis colligere, quae candidatis ad Baptismum potissimum erant destinata.

« Non enim ut hominibus placuit, fidei summa composita est; sed ex omni Scriptura potissima quaeque capita selecta, unam fidei doctrinam complent. Et quemadmodum sinapis semen in modico grano multos continet ramos, ita et fides haec, paucis in verbis, omnem tam Veteri quam Novo in Testamento contentam pietatis cognitionem insinuata recondit ».2

§ 187
A estas sínteses da fé chamamos-lhes «profissões de fé», porque resumem a fé professada pelos cristãos. Chamamos-lhes «Credo», pelo facto de elas normalmente começarem pela palavra: «Creio». Igualmente lhes chamamos «símbolos da fé».
Hae fidei syntheses « Professiones fidei » appellantur, quia fidem breviter complectuntur quam christiani profitentur. « Credo » appellantur propterea quod in illis generatim primum verbum est « Credo ». Pariter « Symbola fidei » appellantur.
§ 188
A palavra grega «symbolon» significava a metade dum objecto partido (por exemplo, um selo), que se apresentava como um sinal de identificação. As duas partes eram justapostas para verificar a identidade do portador. O «símbolo da fé» é, pois, um sinal de identificação e de comunhão entre os crentes. «Symbolon» também significa resumo, colectânea ou sumário. O «símbolo da fé» é o sumário das principais verdades da fé. Por isso, serve de ponto de referência primário e fundamental da catequese.
Verbum graecum symbolon dimidiam rei fractae significabat partem (exempli gratia, sigilli) quae tamquam agnitionis signum praesentabatur. Partes fractae simul collocabantur ad identitatem comprobandam illius qui quamdam partem portabat. Symbolum fidei est signum agnitionis et communionis inter credentes. Symbolon indicat deinde compendium, collectionem vel summarium. « Symbolum fidei » compendium est praecipuarum veritatum fidei. Inde sequitur illud pro catechesi tamquam primum et fundamentale haberi punctum, ad quod oportet referri.
§ 189
A primeira «profissão de fé» faz-se por ocasião do Baptismo. O «símbolo da fé» é, antes de mais nada, o símbolo baptismal. E uma vez que o Baptismo é conferido «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»(Mt 28, 19), as verdades da fé professadas por ocasião do Baptismo articulam-se segundo a sua referência às três pessoas da Santíssima Trindade.
Prima « Professio fidei » fit cum Baptismus recipitur. « Symbolum fidei » est imprimis Symbolum baptismale. Quia Baptismus « in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti » (Mt 28,19) confertur, veritates fidei in Baptismo agnitae secundum suam ad tres Personas Sanctissimae Trinitatis relationem articulantur.
§ 190
O Símbolo divide-se, portanto, em três partes: «na primeira, trata da Primeira Pessoa divina e da obra admirável da criação: na segunda, da Segunda Pessoa divina e do mistério da Redenção dos homens; na terceira, da Terceira Pessoa divina, fonte e princípio da nossa santificação» (3). São estes «os três capítulos do nosso selo [baptismal]» (4).
Symbolum est igitur in tres partes divisum « ut in una, divinae naturae Prima Persona et mirum creationis opus describatur; in altera, Secunda Persona et humanae Redemptionis mysterium; in tertia, Tertia item Persona, caput et fons sanctitatis nostrae ».3 Haec sunt « tria capita nostri sigilli [baptismalis] ».4
§ 191
O Símbolo «está estruturado em três partes [...] subdivididas em fórmulas variadas e muito adequadas. Segundo uma comparação frequentemente empregada pelos Padres, chamamos-lhes artigos. De facto, assim como nos nossos membros há certas articulações que os distinguem e separam, do mesmo modo, nesta profissão de fé, foi com razão e propriedade que se deu o nome de artigos às verdades que devemos crer em particular e de modo distinto» (5). Segundo uma antiga tradição, já atestada por Santo Ambrósio, é costume enumerar doze artigos do Credo, simbolizando, com o número dos doze Apóstolos, o conjunto da fé apostólica (6).
Symbolum « in tres [...] partes ita distributum videtur, ut [...] variis et aptissimis sententiis concludatur. Eas autem sententias, similitudine quadam a Patribus nostris frequenter usurpata, articulos appellamus. Ut enim corporis membra articulis distinguuntur, ita etiam in hac fidei confessione, quidquid distincte et separatim ab alio nobis credendum est, recte et apposite articulum dicimus ».5 Secundum quamdam antiquam traditionem, quam iam sanctus Ambrosius testatur, mos etiam habetur duodecim articulos in Credo numerandi, ut, Apostolorum numero, symbolice fidei apostolicae significetur complexus.6
§ 192
Foram numerosas, ao longo dos séculos, e correspondendo sempre às necessidades das diferentes épocas, as profissões ou símbolos da fé: os símbolos das diferentes Igrejas apostólicas e antigas (7), o símbolo «Quicumque», chamado de Santo Atanásio (8), as profissões de fé de certos concílios (Toledo (9); Latrão (10): Lião (11) Trento (12)) ou de certos papas, como a «Fides Damasi» (13) ou o «Credo do Povo de Deus», de Paulo VI (1968) (14).
Decursu saeculorum, ut responsio necessitatibus daretur diversarum aetatum, plures fuerunt Professiones seu Symbola fidei: Symbola diversarum apostolicarum et veterum Ecclesiarum,7 Symbolum « Quicumque » quod dicitur Athanasianum,8 Professiones fidei quorumdam Conciliorum (Toletani;9 Lateranensis;10 Lugdunensis;11 Tridentini12) vel aliquorum Summorum Pontificum sicut « Fides Damasi »13 vel « Credo populi Dei » a Paulo VI exaratum (1968).14
§ 193
Nenhum dos símbolos dos diferentes períodos da vida da Igreja pode ser considerado ultrapassado ou inútil. Todos nos ajudam a abraçar e a aprofundar hoje a fé de sempre, através dos diversos resumos que dela se fizeram.Entre todos os símbolos da fé, há dois que têm um lugar muito especial na vida da Igreja:
Nullum e diversarum aetatum vitae Ecclesiae Symbolis potest tamquam superatum et inutile considerari. Illa nos adiuvant ad fidem semper propositam, per diversa compendia quae de illa sunt facta, hodie attingendam et penetrandam.Inter omnia fidei Symbola, duo in vita Ecclesiae locum obtinent prorsus particularem:
§ 194
O Símbolo dos Apóstolos, assim chamado porque se considera, com justa razão, o resumo fiel da fé dos Apóstolos. É o antigo símbolo baptismal da Igreja de Roma. A sua grande autoridade vem-lhe deste facto: «É o símbolo adoptado pela Igreja romana, aquela em que Pedro, o primeiro dos Apóstolos, teve a sua cátedra, e para a qual ele trouxe a expressão da fé comum» (15).
Symbolum Apostolicum ita appellatum quia tamquam fidei Apostolorum iure consideratur fidele compendium. Vetus est Symbolum baptismale Ecclesiae Romanae. Eius magna auctoritas ex hoc procedit: « Hoc autem est Symbolum, quod Romana Ecclesia tenet, ubi primus Apostolorum Petrus sedit et communem sententiam eo detulit ».15
§ 195
O Símbolo dito de Niceia-Constantinopla deve a sua grande autoridade ao facto de ser proveniente desses dois primeiros concílios ecuménicos (dos anos de 325 e 381). Ainda hoje continua a ser comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente.
Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum appellatum suam magnam habet auctoritatem eo quod a duobus prioribus Conciliis Oecumenicis (325 et 381) procedit. Adhuc hodie omnibus magnis Ecclesiis Orientis et Occidentis permanet commune.
§ 196
A exposição da fé, que vamos fazer, seguirá o Símbolo dos Apóstolos, que constitui, por assim dizer, «o mais antigo catecismo romano». Entretanto, a nossa exposição será completada por constantes referências ao Símbolo Niceno-Constantinopolitano, muitas vezes mais explícito e pormenorizado.
Nostra fidei expositio Apostolicum sequetur Symbolum, quod, ut ita dicamus, « antiquissimum catechismum Romanum » constituit. Expositio tamen complebitur ad Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum assidue recurrendo, quod saepe magis explicite magisque singillatim exprimitur.
§ 197
Como no dia do nosso Baptismo, quando toda a nossa vida foi confiada «a esta regra de doutrina» (Rm 6, 17), acolhemos o Símbolo da nossa fé que dá a vida. Recitar com fé o Credo é entrar em comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo. E é também entrar em comunhão com toda a Igreja, que nos transmite a fé e em cujo seio nós acreditamos:

«Este Símbolo é o selo espiritual [...], é a meditação do nosso coração e a sentinela sempre presente; é, sem dúvida, o tesouro da nossa alma» (16).

Sicut die nostri Baptismi, cum tota vita nostra « in eam formam doctrinae » (Rom 6,17) concredita est, Symbolum accipimus nostrae fidei quae vitam praestat. « Credo » fide recitare est in communionem ingredi cum Deo Patre, Filio et Spiritu Sancto, est etiam in communionem ingredi cum universa Ecclesia quae nobis transmittit fidem et in cuius sinu credimus:

« Symbolum est spirituale signaculum, [...] cordis est nostri meditatio et quasi semper praesens custodia, certe thesaurus pectoris nostri ».16

CREIO EM DEUS PAI

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 198
A nossa profissão de fé começa por Deus, porque Deus é «o Primeiro e o Último» (Is 44, 6), o Princípio e o Fim de tudo. O Credo começa por Deus Pai, porque o Pai é a Primeira Pessoa divina da Santíssima Trindade; o nosso Símbolo começa pela criação do céu e da terra, porque a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus.
Nostra fidei Professio incipit a Deo, quia Deus est « primus et [...] novissimus » (Is 44,6), omnium initium et finis. « Credo » incipit a Deo Patre, quia Pater Prima est Persona divina Sanctissimae Trinitatis. Nostrum Symbolum incipit a creatione caeli et terrae, quia creatio initium et fundamentum est omnium Dei operum. ARTICULUS 1
«CREDO IN DEUM PATREM OMNIPOTENTEM, 
CREATOREM CAELI ET TERRAE» Paragraphus 1
CREDO IN DEUM

CREIO EM DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«CREIO EM DEUS PAI TODO-PODEROSO CRIADOR DO CÉU E DA TERRA»

§ 199
«Creio em Deus»: é esta a primeira afirmação da profissão de fé e também a mais fundamental. Todo o Símbolo fala de Deus; ao falar também do homem e do mundo, fá-lo em relação a Deus. Os artigos do Credo dependem todos do primeiro, do mesmo modo que todos os mandamentos são uma explicitação do primeiro. Os outros artigos fazem-nos conhecer melhor a Deus, tal como Ele progressivamente Se revelou aos homens. «Os fiéis professam, antes de mais nada, crer em Deus»(1).I. «Creio em um só Deus»
« Credo in Deum »: haec prima Professionis fidei affirmatio est etiam omnium maxime fundamentalis. Totum Symbolum de Deo loquitur, et cum de homine etiam loquitur et de mundo, id in relatione facit ad Deum. Omnes Professionis fidei articuli ab hoc pendent primo, sicut mandata Dei primum explicant mandatum. Ceteri articuli faciunt ut melius Deum cognoscamus qualem Ipse Se hominibus gradatim revelavit. « Recte igitur fideles primo se in Deum credere profitentur ».17 I. « Credo in unum Deum »

CREIO EM DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Creio em um só Deus»

§ 200
É com estas palavras que começa o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. A confissão da unicidade de Deus, que radica na Revelação divina da Antiga Aliança, é inseparável da confissão da existência de Deus e tão fundamental como ela. Deus é único; não há senão um só Deus: «A fé cristã crê e professa que há um só Deus, por natureza, por substância e por essência» (2).
His verbis Symbolum incipit Nicaenum-Constantinopolitanum. Confessio unicitatis Dei, quae in Revelatione divina Veteris Foederis radicatur, ab illa exsistentiae Dei est inseparabilis atque etiam prorsus fundamentalis. Deus est Unus: non est nisi unus Deus. « Deum igitur natura, substantia, essentia unum [...] christiana fides credit et profitetur ».18
§ 201
A Israel, seu povo eleito, Deus revelou-Se como sendo único: «Escuta, Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). Por meio dos profetas, Deus faz apelo a Israel e a todas as nações para que se voltem para Ele, o Único: «Voltai-vos para Mim, e sereis salvos, todos os confins da terra, porque Eu sou Deus e não há outro [...] Diante de Mim se hão-de dobrar todos os joelhos, em Meu nome hão-de jurar todas as línguas. E dirão: "Só no Senhor existem a justiça e o poder"» (Is 45, 22-24) (3).
Israel, electo Suo, Deus, tamquam Unum, Se revelavit: « Audi, Israel: Dominus Deus noster Dominus Unus est. Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo et ex tota anima tua et ex tota fortitudine tua » (Dt 6,4-5). Deus, per Prophetas, Israel et omnes appellat nationes ut ad Ipsum, Unum, se convertant: « Convertimini ad me et salvi eritis, omnes fines terrae, quia ego Deus, et non est alius. [...] Mihi curvabitur omne genu, et iurabit omnis lingua. "Tantum in Domino" dicent "sunt iustitiae et robur" » (Is 45,22-24).19
§ 202
O próprio Jesus confirma que Deus é «o único Senhor», e que é necessário amá-Lo «com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento e com todas as forças» (4). Ao mesmo tempo, dá a entender que Ele próprio é «o Senhor» (5). Confessar que «Jesus é o Senhor» é próprio da fé cristã. Isso não vai contra a fé num Deus Único. Do mesmo modo, crer no Espírito Santo, «que é Senhor e dá a Vida», não introduz qualquer espécie de divisão no Deus único:

«Nós acreditamos com firmeza e afirmamos simplesmente que há um só Deus verdadeiro, imenso e imutável, incompreensível, todo-poderoso e inefável. Pai e Filho e Espírito Santo: três Pessoas, mas uma só essência, uma só substância ou natureza absolutamente simples»(6).

Ipse Iesus Deum « unum Dominum » esse confirmat Eumque ex toto corde et ex tota anima et ex tota mente et ex tota virtute amandum esse.20 Simul autem indicat, Se Ipsum « Dominum » esse.21 Fidei christianae proprium est « Iesum esse Dominum » profiteri. Hoc fidei in Unum Deum contrarium non est. Credere in Spiritum Sanctum « Dominum et vivificantem » nullam in Deum Unum introducit divisionem:

« Firmiter credimus et simpliciter confitemur, quod unus solus est verus Deus, aeternus, immensus et incommutabilis, incomprehensibilis, omnipotens et ineffabilis, Pater et Filius et Spiritus Sanctus: Tres quidem Personae, sed una essentia, substantia seu natura simplex omnino ».22

CREIO EM DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Deus revela o seu nome

§ 203
Deus revelou-Se ao seu povo Israel, dando-lhe a conhecer o seu nome. O nome exprime a essência, a identidade da pessoa e o sentido da sua vida. Deus tem um nome. Não é uma força anónima. Dizer o seu nome é dar-Se a conhecer aos outros; é, de certo modo, entregar-Se a Si próprio, tornando-Se acessível, capaz de ser conhecido mais intimamente e de ser invocado pessoalmente.
Deus populo Suo Israel Se revelavit, illi Nomen Suum praebens cognoscendum. Nomen essentiam, identitatem personae et sensum exprimit vitae eius. Deus nomen habet. Ille vis anonyma non est. Nomen tradere suum est se aliis praebere cognoscendum, est quodammodo se ipsum tradere, se accessibilem reddendo, capacem qui intimius cognoscatur et appelletur, nempe personaliter.
§ 204
Deus revelou-Se progressivamente e sob diversos nomes ao seu povo; mas foi a revelação do nome divino feita a Moisés na teofania da sarça ardente, no limiar do êxodo e da Aliança do Sinai, que se impôs como sendo a revelação fundamental, tanto para a Antiga como para a Nova Aliança.
Deus populo Suo, modo progressivo et sub diversis nominibus, Se revelavit, sed revelatio Nominis divini facta Moysi in theophania rubi ardentis, in limine Exodi et Foederis Sinaitici, tamquam revelatio pro Vetere et Novo Foedere fundamentalis apparuit. Deus vivens

O DEUS VIVO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Deus revela o seu nome

§ 205
Do meio duma sarça que arde sem se consumir, Deus chama por Moisés. E diz-lhe: «Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob» (Ex 3, 6). Deus é o Deus dos antepassados, Aquele que tinha chamado e guiado os patriarcas nas suas peregrinações. É o Deus fiel e compassivo, que se lembra deles e das promessas que lhes fez. Ele vem para libertar da escravidão os seus descendentes. É o Deus que, para além do espaço e do tempo, pode e quer fazê-lo, e empenhará a Sua omnipotência na concretização deste desígnio.
Deus Moysen vocat de medio rubi, qui ardet quin consummatur. Deus dicit Moysi: « Ego sum Deus patris tui, Deus Abraham, Deus Isaac et Deus Iacob » (Ex 3,6). Deus est Deus patrum, Ille qui Patriarchas in eorum peregrinationibus vocaverat et duxerat. Est Deus fidelis et misericors qui eorum et Suarum promissionum recordatur; venit ut eorum posteros a servitute liberet. Est Deus qui, ultra tempus et spatium, id potest et vult, quique Suam ad hoc consilium adhibebit omnipotentiam.« Ego sum qui sum »

Ait Moyses ad Deum: « Ecce, ego vadam ad filios Israel et dicam eis: "Deus patrum vestrorum misit me ad vos". Si dixerint mihi: "Quod est nomen Eius?", quid dicam eis? ». Dixit Deus ad Moysen: « Ego sum qui sum ». Ait: « Sic dices filiis Israel: "Qui sum" misit me ad vos. [...] Hoc Nomen mihi est in aeternum, et hoc memoriale meum in generationem et generationem » (Ex 3,13-15).

Ait Moyses ad Deum: « Ecce, ego vadam ad filios Israel et dicam eis: "Deus patrum vestrorum misit me ad vos". Si dixerint mihi: "Quod est nomen Eius?", quid dicam eis? ». Dixit Deus ad Moysen: « Ego sum qui sum ». Ait: « Sic dices filiis Israel: "Qui sum" misit me ad vos. [...] Hoc Nomen mihi est in aeternum, et hoc memoriale meum in generationem et generationem » (Ex 3,13-15).

«EU SOU AQUELE QUE SOU»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Deus revela o seu nome

§ 206
Ao revelar o seu nome misterioso de YHWH, «Eu sou Aquele que É», ou «Eu sou Aquele que Sou», ou ainda «Eu sou quem Eu sou», Deus diz Quem é e com que nome deve ser chamado. Este nome divino é misterioso, tal como Deus é mistério. E, ao mesmo tempo, um nome revelado e como que a recusa dum nome. É assim que Deus exprime melhor o que Ele é, infinitamente acima de tudo o que podemos compreender ou dizer: Ele é o «Deus escondido» (Is 45, 15), o seu nome é inefável (7), e é o Deus que Se faz próximo dos homens.
Deus, Nomen Suum YHWH revelans arcanum, scilicet, « Ego sum Ille qui est » vel « Ego sum Ille qui sum » vel etiam « Ego sum qui Ego sum », dicit Quis Ipse sit et quo nomine sit appellandus. Hoc Nomen divinum est arcanum sicut Deus mysterium est. Prorsus simul est Nomen revelatum et quasi nominis reiectio, et propterea Deum optime exprimit ut illud quod Ille est, infinite superans totum id quod intelligere vel dicere possumus: Ille est « Deus absconditus » (Is 45,15), Nomen Eius est ineffabile,23 atque Ille Deus est qui Se hominibus facit propinquum.
§ 207
Ao revelar o seu nome, Deus revela ao mesmo tempo a sua fidelidade, que é de sempre e para sempre, válida tanto para o passado («Eu sou o Deus de teu pai» – Ex 3, 6), como para o futuro («Eu estarei contigo» – Ex 3, 12). Deus, que revela o seu nome como sendo «Eu sou», revela-Se como o Deus que está sempre presente junto do seu povo para o salvar.
Deus, Nomen revelans Suum, simul Suam revelat fidelitatem, quae ab aeterno et in aeternum est, quae pro praeterito valet (« Ego sum Deus patris tui », Ex 3,6) sicut pro futuro (« Ego ero tecum », Ex 3,12). Deus qui Suum Nomen revelat tamquam « Ego sum », Se tamquam Deum revelat, qui semper adest, Suo populo praesens ad illum salvandum.
§ 208
Perante a presença atraente e misteriosa de Deus, o homem descobre a sua pequenez. Diante da sarça ardente, Moisés descalça as sandálias e cobre o rosto face à santidade divina (8). Ante a glória do Deus três vezes santo, Isaías exclama: «Ai de mim, que estou perdido, pois sou um homem de lábios impuros» (Is 6, 5). Perante os sinais divinos realizados por Jesus. Pedro exclama: «Afasta-Te de mim, Senhor, porque eu sou um pecador» (Lc 5, 8). Mas porque Deus é santo, pode perdoar ao homem que se descobre pecador diante d'Ele: «Não deixarei arder a minha indignação [...]. É que Eu sou Deus, e não homem, o Santo que está no meio de vós» (Os 11, 9). E o apóstolo João dirá também: «Tranquilizaremos diante d'Ele, o nosso coração, se o nosso coração vier a acusar-nos. Pois Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas» (1 Jo 3, 19-20).
Coram attrahenti et arcana Dei praesentia, homo parvitatem detegit suam. Coram rubo ardenti, Moyses calceamenta solvit vultumque velat in conspectu divinae sanctitatis.24 Coram gloria ter sancti Dei, Isaias exclamat: « Vae mihi, quia perii! Quia vir pollutus labiis ego sum » (Is 6,5). Coram signis divinis quae Iesus patrat, exclamat Petrus: « Exi a me, quia homo peccator sum, Domine » (Lc 5,8). Sed quia Deus sanctus est, potest homini ignoscere, qui se coram Illo peccatorem detegit: « Non faciam furorem irae meae, [...] quoniam Deus ego et non homo, in medio tui Sanctus » (Os 11,9). Pari modo, apostolus Ioannes dicet: « In conspectu Eius placabimus corda nostra, quoniam si reprehenderit nos cor, maior est Deus corde nostro et cognoscit omnia » (1 Io 3,19-20).
§ 209
Por respeito pela santidade de Deus, o povo de Israel não pronuncia o seu nome. Na leitura da Sagrada Escritura, o nome revelado é substituído pelo título divino de «Senhor» («Adonai», em grego «Kyrios»). É sob este título que será aclamada a divindade de Jesus: «Jesus é o Senhor».
Populus Israel Nomen Dei propter reverentiam erga Eius sanctitatem non pronuntiat. In sacrae Scripturae lectione, Nomen revelatum titulo divino « Dominus » (Adonai, graece 5bD4@H) substituitur. Hoc titulo divinitas acclamabitur Iesu: « Iesus est Dominus ».« Deus teneritudinis et clementiae »

«DEUS DE TERNURA E DE PIEDADE»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Deus revela o seu nome

§ 210
Depois do pecado de Israel, que se afastou de Deus para adorar o bezerro de ouro (9), Deus atende a intercessão de Moisés e aceita caminhar no meio dum povo infiel, manifestando deste modo o seu amor (10). A Moisés, que Lhe pede a graça de ver a sua glória. Deus responde: «Farei passar diante de ti toda a minha bondade (beleza) e proclamarei diante de ti o nome de YHWH» (Ex 33, 18-19). E o Senhor passa diante de Moisés e proclama: «O Senhor, o Senhor [YHWH, YHWH] é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade» (Ex 34, 6). Moisés confessa, então, que o Senhor é um Deus de perdão» (11).
Post peccatum Israel, qui se a Deo avertit ad vitulum aureum adorandum,25 Deus intercessionem exaudit Moysis et acceptat in medio populi ambulare infidelis, amorem Suum ita manifestans.26 Deus Moysi qui petit gloriam Eius videre, respondet: « Ego ostendam omne bonum [pulchrum] tibi et vocabo in nomine Domini [YHWH] coram te » (Ex 33,18-19). Et Dominus coram Moyse transit et proclamat: « Dominus, Dominus [YHWH, YHWH] Deus, misericors et clemens, patiens et multae miserationis ac verax » (Ex 34,6). Tunc Moyses Dominum tamquam Deum profitetur qui ignoscit.27
§ 211
O nome divino «Eu sou» ou «Ele é» exprime a fidelidade de Deus, que, apesar da infidelidade do pecado dos homens e do castigo que merece, «conserva a sua benevolência em favor de milhares de pessoas» (Ex 34, 7). Deus revela que é «rico de misericórdia» (Ef 2, 4), ao ponto de entregar o seu próprio Filho. Dando a vida para nos libertar do pecado, Jesus revelará que Ele mesmo é portador do nome divino: «Quando elevardes o Filho do Homem, então sabereis que Eu sou» (Jo 8, 28).
Nomen divinum « Ego sum » vel « Ille est » Dei exprimit fidelitatem qui, infidelitate peccati hominum et punitione quam illud meretur non obstantibus, « custodit misericordiam in milia » (Ex 34,7). Deus revelat quod Ipse « dives est in misericordia » (Eph 2,4), progrediens usque ad proprium Filium tradendum Suum. Iesus, vitam Suam donans ut nos a peccato liberet, revelabit Se Ipsum ferre Nomen divinum: « Cum exaltaveritis Filium hominis, tunc cognoscetis quia "Ego sum" » (Io 8,28).Solus Deus EST

SÓ DEUS É

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Deus revela o seu nome

§ 212
No decorrer dos séculos, a fé de Israel pôde desenvolver e aprofundar as riquezas contidas na revelação do nome divino. Deus é único, fora d'Ele não há deuses (12). Ele transcende o mundo e a história. Foi Ele que fez o céu e a terra; «eles hão-de passar, mas Vós permaneceis; tal como um vestido, eles se vão gastando [...] Vós, porém, sois sempre o mesmo e os vossos anos não têm fim» (Sl 102, 27-28). N'Ele «não há variação nem sombra de mudança» (Tg 1, 17). Ele é «Aquele que é», desde sempre e para sempre; e assim, permanece sempre fiel a Si mesmo e às suas promessas.
Saeculorum decursu, fides Israel divitias in revelatione Nominis divini contentas explanare altiusque in eas penetrare potuit. Deus est unus, extra Illum non sunt dei.28 Ille mundum et historiam transcendit. Ille caelum fecit et terram: « Ipsi peribunt. Tu autem permanes; et omnes sicut vestimentum veterascent [...]. Tu autem Idem Ipse es, et anni Tui non deficient » (Ps 102,27-28). Apud Eum « non est transmutatio nec vicissitudinis obumbratio » (Iac 1,17). Ille est « Qui est » ab aeterno et in aeternum, et sic etiam qui semper Sibi Ipsi Suisque promissionibus permanet fidelis.
§ 213
A revelação do nome inefável «Eu sou Aquele que sou» encerra, portanto, a verdade que só Deus «É». Foi nesse sentido que já a tradução dos Setenta e, na sua sequência, a Tradição da Igreja. compreenderam o nome divino: Deus é a plenitude do Ser e de toda a perfeição, sem princípio nem fim. Enquanto todas as criaturas d'Ele receberam todo o ser e o ter, só Ele é o seu próprio Ser, e Ele é por Si mesmo tudo o que Ele é.
Revelatio igitur Nominis ineffabilis « Ego sum qui sum » hanc continet veritatem: solus Deus EST. Hoc sensu iam translatio Septuaginta interpretum et post illam Traditio Ecclesiae Nomen intellexerunt divinum: Deus est plenitudo Essendi et omnis perfectionis, sine principio et sine fine. Dum omnes creaturae ab Illo receperunt quidquid sunt et habent, Ille solus est Suum ipsum esse et Ille est a Se Ipso quidquid Ille est. III. Deus, « Ille qui est », est veritas et amor

SÓ DEUS É

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Deus, «Aquele que é», é verdade e amor

§ 214
Deus, «Aquele que É», revelou-Se a Israel como Aquele que é «cheio de misericórdia e fidelidade» (Ex 34, 6). Estas duas palavras exprimem, de modo sintético, as riquezas do nome divino. Em todas as suas obras, Deus mostra a sua benevolência, a sua bondade, a sua graça, o seu amor; mas também a sua credibilidade, a sua constância, a sua fidelidade, a sua verdade. «Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade» (Sl 138, 2) (13). Ele é a verdade, porque «Deus é luz, e n'Ele não há trevas nenhumas» (1 Jo 1, 5); Ele é «Amor», como ensina o apóstolo João (1 Jo 4, 8).
Deus, « Ille qui est », Se Israel revelavit tamquam Illum qui est « multae miserationis ac verax » (Ex 34,6). Haec duo verba, modo compendioso, Nominis divini exprimunt divitias. Deus in omnibus operibus Suis Suam benevolentiam ostendit, Suam bonitatem, Suam gratiam, Suum amorem; sed etiam Se dignum esse in quo fiducia reponatur, Suam constantiam, Suam fidelitatem, Suam veritatem. « Confitebor Nomini Tuo propter misericordiam Tuam et veritatem Tuam » (Ps 138,2).29 Ille est veritas, « quoniam Deus lux est, et tenebrae in Eo non sunt ullae » (1 Io 1,5); Ille est « caritas », ut apostolus docet Ioannes (1 Io 4,8). Deus veritas est

DEUS É A VERDADE

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Deus, «Aquele que é», é verdade e amor

§ 215
«A verdade é princípio da vossa palavra, é eterna toda a sentença da vossa justiça» (Sl 119, 160). «Decerto, Senhor Deus, Vós é que sois Deus e dizeis palavras de verdade» (2 Sm 7, 28); é por isso que as promessas de Deus se cumprem sempre (14). Deus é a própria verdade; as suas palavras não podem enganar. É por isso que nos podemos entregar com toda a confiança e em todas as coisas à verdade e à fidelidade da sua palavra. O princípio do pecado e da queda do homem foi uma mentira do tentador, que o levou a duvidar da palavra de Deus, da sua benevolência e da sua fidelidade.
« Principium verborum Tuorum veritas, in aeternum omnia iudicia iustitiae Tuae » (Ps 119,160). « Nunc ergo, Domine Deus, Tu es Deus, et verba Tua erunt vera » (2 Sam 7,28); propterea Dei promissiones semper in rem deducuntur.30 Deus est ipsa veritas, Eius verba fallere nequeunt. Hac de causa, potest quis, cum plena fiducia, veritati et fidelitati verbi Eius in omnibus se tradere. Initium peccati et lapsus hominis mendacium fuit Tentatoris, qui ad dubitandum de verbo Dei, de Eius benevolentia et de Eius fidelitate induxit.
§ 216
A verdade de Deus é a sua sabedoria, que comanda toda a ordem da criação e governo do mundo (15). Só Deus que, sozinho, criou o céu e a terra (16) pode dar o conhecimento verdadeiro de todas as coisas criadas na sua relação com Ele (17).
Veritas Dei est Eius sapientia, quae toti ordini creationis et gubernationis dominatur mundi.31 Deus qui solus caelum et terram creavit,32 solus potest veram omnium rerum creatarum cognitionem in earum relatione ad Se praebere.33
§ 217
Deus é igualmente verdadeiro quando Se revela: todo o ensinamento que vem de Deus é «doutrina de verdade» (Ml 2, 6). Quando Ele enviar o seu Filho ao mundo, será «para dar testemunho da verdade» (Jo 18, 37): «Sabemos [...] que veio o Filho de Deus e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro» (1 Jo 5, 20) (18).
Deus etiam verus est cum Se revelat: doctrina quae venit a Deo, est « Lex veritatis » (Mal 2,6). Cum « in mundum » Filium mittat Suum, erit « ut testimonium » perhibeat « veritati » (Io 18,37): « Et scimus quoniam Filius Dei venit et dedit nobis sensum, ut cognoscamus Eum, qui verus est » (1 Io 5,20).34 Deus caritas est

DEUS É AMOR

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Deus, «Aquele que é», é verdade e amor

§ 218
No decorrer da sua história, Israel pôde descobrir que Deus só tinha uma razão para Se lhe ter revelado e o ter escolhido, de entre todos os povos, para ser o seu povo: o seu amor gratuito (19). E Israel compreendeu, graças aos seus profetas, que foi também por amor que Deus não deixou de o salvar (20) e de lhe perdoar a sua infidelidade e os seus pecados (21).
Historiae suae decursu, Israel detegere potuit, Deum nonnisi unum habuisse motivum ut Se revelaret et illum inter omnes populos eligeret ut Eius esset: amorem Suum gratuitum.35 Israel per suos intellexit Prophetas, Deum, etiam propter amorem, illum salvare36 illique infidelitatem et peccata dimittere non desiisse.37
§ 219
O amor de Deus para com Israel é comparado ao amor dum pai para com o seu filho(22). Este amor é mais forte que o de uma mãe para com os seus filhos (23). Deus ama o seu povo, mais que um esposo a sua bem-amada (24); este amor vencerá mesmo as piores infidelidades (25); e chegará ao mais precioso de todos os dons: «Deus amou de tal maneira o mundo, que lhe entregou o seu Filho Único» (Jo 3, 16).
Dei amor erga Israel amori patris erga filium comparatur suum.38 Hic amor amore matris erga filios suos est fortior.39 Deus populum amat Suum plus quam sponsus suam dilectam;40 hic amor vel pessimas etiam vincet infidelitates;41 ille usque ad pretiosissimum perveniet donum: « Sic enim dilexit Deus mundum, ut Filium Suum unigenitum daret » (Io 3,16).
§ 220
O amor de Deus é «eterno» (Is 54, 8): «Ainda que as montanhas se desloquem e vacilem as colinas, o meu amor não te abandonará» (Is 54, 10). «Amei-te com amor eterno: por isso, guardei o meu favor para contigo» (Jr 31, 3).
Dilectio Dei est « sempiterna » (Is 54,8): « Montes enim recedent, et colles movebuntur, misericordia autem mea non recedet a te » (Is 54,10). « In caritate perpetua dilexi te; ideo attraxi te in misericordia » (Ier 31,3).
§ 221
São João irá ainda mais longe, ao afirmar: «Deus é Amor» (1 Jo 4, 8, 16): a própria essência de Deus é Amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, o seu Filho único e o Espírito de Amor, Deus revela o seu segredo mais íntimo ": Ele próprio é eternamente permuta de amor: Pai, Filho e Espírito Santo; e destinou-nos a tomar parte nessa comunhão.
Sanctus Ioannes adhuc ulterius progreditur cum testatur: « Deus caritas est » (1 Io 4,8.16): ipsum Dei Esse est amor. Filium Suum unicum et Spiritum amoris in plenitudine temporum mittens, Deus Suum summe intimum revelat secretum:42 Ipse aeterne est amoris commercium: Pater, Filius et Spiritus Sanctus, nosque destinavit ut huius simus participes. IV. De consectariis fidei in Unum Deum

DEUS É AMOR

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Consequências da fé no Deus Único

§ 222
Crer em Deus, o Único, e amá-Lo com todo o nosso ser, tem consequências imensas para toda a nossa vida:
Credere in Deum, Unum, Illumque amare ex toto quod quis est, immensa habet pro tota nostra vita consectaria.
§ 223
É conhecer a grandeza e a majestade de Deus: «Deus é grande demais para que O possamos conhecer» (Job 36, 26). É por isso que Deus deve ser «o primeiro a ser servido» (27).
Dei magnitudinem et maiestatem cognoscere: « Ecce Deus magnus vincens scientiam nostram » (Iob 36,26). Propterea Deus esse debet « primus cui praestatur servitium ».43
§ 224
É viver em acção de graças: Se Deus é o Único, tudo o que nós somos e tudo quanto possuímos vem d'Ele: «Que possuis que não tenhas recebido?» (1 Cor 4, 7). «Como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me deu?» (Sl 116, 12).
In gratiarum actione vivere: si Deus Unus est, quidquid sumus et habemus, ab Illo venit: « Quid autem habes quod non accepisti? » (1 Cor 4,7). « Quid retribuam Domino pro omnibus, quae retribuit mihi? » (Ps 116,12).
§ 225
É conhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens: todos eles foram feitos «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1, 26).
Unitatem et veram dignitatem omnium hominum cognoscere: omnes sunt facti « ad imaginem et similitudinem » Dei (Gn 1,26).
§ 226
É fazer bom uso das coisas criadas: A fé no Deus único leva-nos a usar de tudo quanto não for Ele, na medida em que nos aproximar d'Ele, e a desprender-nos de tudo, na medida em que d'Ele nos afastar (28):

«Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afasta de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxima de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a Ti»  (29).

Rebus creatis bene uti: fides in Unum Deum nos ducit ad utendum omnibus quae Ipse non sunt, in mensura qua ea nos ad Illum admovent, et ad separandum nos ab eis in mensura qua ea nos ab Illo seiungunt:44

« Domine meus ac Deus meus, aufer a me quidquid ad Te me impedit! Domine meus ac Deus meus, da mihi quidquid ad Te me adducit! Domine meus ac Deus meus, solve me a me et da me totum Tibi [esse] proprium! ».45

§ 227
É ter confiança em Deus, em todas as circunstâncias, mesmo na adversidade. Uma oração de Santa Teresa de Jesus exprime admiravelmente tal atitude:

«Nada te perturbe / Nada te espante
Tudo passa / Deus não muda
A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem
nada lhe falta / Só Deus basta» (30).

In omnibus adiunctis Deo fidere, in rebus etiam adversis. Oratio quaedam sanctae Theresiae a Iesu id exprimit mirabiliter:

« Nihil te turbet, nihil te terreat,
omnia transeunt, Deus non mutatur,
patientia omnia obtinet;
ei qui Deum habet nihil deest:
Deus solus sufficit ».46

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 228
«Escuta, Israel! O Senhor; nosso Deus, é o único Senhor...» (Dt 6, 4; Mc 12, 29). «O ser supremo tem necessariamente de ser único, isto é, sem igual. [...] Se Deus não for único, não é Deus» (31).
« Audi, Israel: Dominus Deus noster Dominus unus est... » (Dt 6,4; Mc 12,29). « Unicum sit necesse est summum magnum, — quod fuerit par non habendo —. [...] Deus, si non unus est, non est ».47
§ 229
A fé em Deus leva-nos a voltarmo-nos só para Ele, como a nossa primeira origem e o nosso último fim, e a nada Lhe preferir ou por nada O substituir:
Fides in Deum nos ducit ut nos ad Deum solum, tamquam ad nostram primam originem nostrumque ultimum finem, vertamus, et ut nihil Illi praeferamus vel substituamus.
§ 230
Deus, ao revelar-Se, continua mistério inefável: «Se O compreendesses, não seria Deus» (32).
Deus, Se revelans, mysterium permanet ineffabile: « Si cepisti, non est Deus ».48
§ 231
O Deus da nossa fé revelou-Se como Aquele que é: deu-Se a conhecer como «cheio de misericórdia e fidelidade» (Ex 34, 6). O seu próprio Ser é verdade e amor.
Deus nostrae fidei Se revelavit sicut Ille qui est; Se cognoscendum praebet ut qui « multae miserationis ac verax » (Ex 34,6) est. Ipsum Eius Esse est veritas et amor. (17) Catechismus Romanus, 1, 2, 6: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 23. (18) Catechismus Romanus, 1, 2, 8: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 26. (19) Cf Phil 2,10-11. (20) Cf Mc 12,29-30. (21) Cf Mc 12,35-37. (22) Concilium Lateranense IV, Cap. 1, De fide catholica: DS 800.(23) Cf Idc 13,18.(24) Cf Ex 3,5-6.(25) Cf Ex 32.(26) Cf Ex 33,12-17.(27) Cf Ex 34,9.(28) Cf Is 44,6.(29) Cf Ps 85,11.(30) Cf Dt 7,9.(31) Cf Sap 13,1-9.(32) Cf Ps 115,15.(33) Cf Sap 7,17-21.(34) Cf Io 17,3.(35) Cf Dt 4,37; 7,8; 10,15.(36) Cf Is 43,1-7.(37) Cf Os 2.(38) Cf Os 11,1.(39) Cf Is 49,14-15.(40) Cf Is 62,4-5.(41) Cf Ez 16; Os 11.(42) Cf 1 Cor 2,7-16; Eph 3,9-12. (43) Sancta Ioanna de Arco, Dictum: Procès de condamnation, ed. P. TissetY. Lanhers, v. 1 (Paris 1960) p. 280 et 288. (44) Cf Mt 5,29-30; 16,24; 19,23-24. (45) Sanctus Nicolaus a Flüe, Bruder-Klausen-Gebet, apud R. Amschwand, Bruder Klaus. Ergänzungsband zum Quellenwerk von R. Durrer (Sarnen 1987) p. 215. (46) Sancta Theresia a Iesu, Poesía, 9: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 6 (Burgos 1919) p. 90. (47) Tertullianus, Adversus Marcionem 1, 3, 5: CCL 1, 444 (PL 2, 274).(48) Sanctus Augustinus, Sermo, 52, 6, 16: ed. P. Verbraken: Revue Bénédictine 74 (1964) 27 (PL 38,360).

O PAI

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«Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»

§ 232
Os cristãos são baptizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). Antes disso, eles respondem «Creio» à tríplice pergunta com que são interpelados a confessar a sua fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo: «Fides omnium christianorum in Trinitate consistit – A fé de todos os cristãos assenta na Trindade») (33).
Christiani « in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti » baptizantur (Mt 28,19). Prius respondent « Credo » triplici interrogationi quae ab illis petit ut eorum fidem in Patrem, in Filium et in Spiritum profiteantur: « Fides omnium christianorum in Trinitate consistit ».49
§ 233
Os cristãos são baptizados «em nome» do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e não «nos nomes» deles porque não há senão um só Deus – o Pai Omnipotente, o Seu Filho Unigénito e o Espírito Santo: a Santíssima Trindade.
Christiani baptizantur « in nomine » Patris et Filii et Spiritus Sancti, et non « in nominibus » eorum,50 quia unus est Deus, Pater Omnipotens et Eius Filius unicus et Spiritus Sanctus: Sanctissima Trinitas.
§ 234
O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. E, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na «hierarquia das verdades da fé» (35). «Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, reconcilia consigo e Se une aos homens que se afastam do pecado»(36).
Mysterium Sanctissimae Trinitatis est centrale fidei et vitae christianae mysterium. Est mysterium Dei in Se Ipso. Est igitur ceterorum fidei mysteriorum fons, lumen illa illuminans. Doctrina est maxime fundamentalis et essentialis in « hierarchia veritatum » fidei.51 « Historia salutis idem est ac historia viae ac rationis, qua Deus verus et unus: Pater, Filius, Spiritus Sanctus, Sese hominibus revelat eosque a peccato aversos Sibi reconciliat et coniungit ».52
§ 235
Neste parágrafo se exporá brevemente de que maneira foi revelado o mistério da Santíssima Trindade (I), como é que a Igreja formulou a doutrina da fé sobre este mistério (II) e, por fim, como é que, pelas missões divinas do Filho e do Espírito Santo, Deus Pai realiza o seu «desígnio de benevolência» de criação, redenção e santificação (III).
Hac paragrapho breviter exponetur quomodo Beatae Trinitatis mysterium revelatum sit (I), quomodo Ecclesia doctrinam fidei de hoc mysterio enuntiaverit (II), quomodo, denique, Deus Pater, per divinas Filii et Spiritus Sancti missiones, Suum creationis, Redemptionis et sanctificationis « benevolum consilium » ducat in rem (III).
§ 236
Os Padres da Igreja distinguem entre «Theologia» e «Oikonomia», designando pelo primeiro termo o mistério da vida íntima de Deus-Trindade e, pelo segundo, todas as obras de Deus pelas quais Ele Se revela e comunica a sua vida. É pela «Oikonomia» que nos é revelada a «Theologia»; mas, inversamente, é a «Theologia» que esclarece toda a «Oikonomia». As obras de Deus revelam quem Ele é em Si mesmo: e, inversamente, o mistério do seu Ser íntimo ilumina o entendimento de todas as suas obras. Analogicamente, é o que se passa com as pessoas humanas. A pessoa revela-se no que faz, e, quanto mais conhecemos uma pessoa, tanto melhor compreendemos o seu agir.
Ecclesiae Patres inter Theologia et Oeconomia distinguunt, primo verbo mysterium vitae intimae Dei-Trinitatis denotantes, altero vero omnia Dei opera per quae Ipse Se revelat vitamque communicat Suam. Per Oeconomiam nobis Theologia revelatur; sed, e contra, Theologia totam illustrat Oeconomiam. Opera Dei revelant quis Ille in Se Ipso sit; et, e contra, mysterium Eius Esse intimi intelligentiam omnium operum Eius illuminat. Sic res analogice se habet inter personas humanas. Persona in agendo manifestatur et quo melius quamdam cognoscimus personam, eo melius eius agere intelligimus.
§ 237
A Trindade é um mistério de fé em sentido estrito, um dos «mistérios ocultos em Deus, que não podem ser conhecidos se não forem revelados lá do alto» (37) É verdade que Deus deixou traços do seu Ser trinitário na obra da criação e na sua revelação ao longo do Antigo Testamento. Mas a intimidade do seu Ser como Trindade Santíssima constitui um mistério inacessível à razão sozinha e, mesmo, à fé de Israel antes da Encarnação do Filho de Deus e da missão do Espírito Santo.
Trinitas est fidei mysterium sensu stricto, unum nempe e mysteriis in Deo absconditis, « quae, nisi revelata divinitus, innotescere non possunt ».53 Deus utique quaedam Sui Esse trinitarii vestigia in Suo creationis opere reliquit et in Revelatione Sua decursu Veteris Testamenti. Sed intimitas Eius Esse, ut Sanctae Trinitatis, ante Incarnationem Filii Dei et missionem Sancti Spiritus, constituit mysterium soli rationi et etiam fidei Israel inaccessibile. II. De revelatione Dei tamquam Trinitatis Pater per Filium revelatus

O PAI REVELADO PELO FILHO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A revelação de Deus como Trindade

§ 238
A invocação de Deus como «Pai» é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada como «pai dos deuses e dos homens». Em Israel, Deus é chamado Pai enquanto criador do mundo (38). Mais ainda, Deus é Pai em razão da Aliança e do dom da Lei a Israel, seu «filho primogénito» (Ex 4, 22). Também é chamado Pai do rei de Israel  (39). E é muito especialmente «o Pai dos pobres», do órfão e da viúva, entregues à sua protecção amorosa (40).
Invocatio Dei ut « Patris » in multis cognita est religionibus. Saepe divinitas tamquam « pater deorum et hominum » consideratur. In Israel, Deus, tamquam Creator mundi, est Pater appellatus.54 Deus adhuc magis est Pater ratione Foederis et doni Legis populo facti, de quo dicit: « Filius meus primogenitus Israel » (Ex 4,22). Etiam appellatus est Pater regis Israel.55 Et est, modo prorsus peculiari, « Pater pauperum », orphani et viduae, qui sub Eius benevola sunt protectione.56
§ 239
Ao designar Deus com o nome de «Pai», a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é a origem primeira de tudo e a autoridade transcendente, e, ao mesmo tempo, que é bondade e solicitude amorosa para com todos os seus filhos. Esta ternura paternal de Deus também pode ser expressa pela imagem da maternidade (41), que indica melhor a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura A linguagem da fé vai, assim, alimentar-se na experiência humana dos progenitores, que são, de certo modo, os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência diz também que os progenitores humanos são falíveis e podem desfigurar a face da paternidade e da maternidade. Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas (42), sem deixar de ser de ambas a origem e a medida (43): ninguém é pai como Deus.
Sermo fidei, Deum nomine « Patris » nuncupans, duas rationes praecipue indicat: Deum primam omnium esse originem et auctoritatem transcendentem Illumque simul esse bonitatem et sollicitudinem omnes Suos filios diligentem. Haec paterna Dei teneritudo etiam per imaginem maternitatis exprimi potest,57 quae Dei immanentiam atque intimitatem inter Deum et Eius creaturam magis indicat. Ita sermo fidei in experientia humana haurit parentum, qui quodammodo pro homine primi sunt Dei repraesentantes. Haec tamen experientia etiam ostendit, parentes humanos fallibiles esse illosque vultum paternitatis et maternitatis deformare posse. Recordari igitur oportet, Deum humanam sexuum transcendere distinctionem. Ille nec vir est nec femina, Ille est Deus. Paternitatem etiam et maternitatem transcendit humanas,58 licet earum sit origo atque mensura:59 nemo pater est, sicut Deus est Pater.
§ 240
Jesus revelou que Deus é «Pai» num sentido inédito: não o é somente enquanto Criador: é Pai eternamente em relação ao seu Filho único, o qual, eternamente, só é Filho em relação ao Pai: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (Mt 11, 27).
Iesus, Deum esse « Patrem », sensu inaudito, revelavit: Ille non est tantummodo Pater quatenus Creator, sed Pater est aeterne in relatione ad Filium Suum unicum, qui aeterne Filius non est nisi in relatione ad Patrem Suum: « Nemo novit Filium nisi Pater, neque Patrem quis novit nisi Filius et cui voluerit Filius revelare » (Mt 11,27).
§ 241
É por isso que os Apóstolos confessam que Jesus é «o Verbo [que] estava [no princípio] junto de Deus» e que é Deus (Jo 1, 1), «a imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15), «o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância» (Heb 1, 3).
Hac de causa, Apostoli Iesum tamquam « Verbum » confitentur quod « in principio erat [...] apud Deum, et Deus erat Verbum » (Io 1,1), tamquam Illum « qui est imago Dei invisibilis » (Col 1,15) atque « splendor gloriae et figura substantiae Eius » (Heb 1,3).
§ 242
Na esteira deles, seguindo a tradição apostólica, no primeiro concílio ecuménico de Niceia, em 325, a Igreja confessou que o Filho é «consubstancial» ao Pai (44), quer dizer, um só Deus com Ele. O segundo concilio ecuménico, reunido em Constantinopla em 381, guardou esta expressão na sua formulação do Credo de Niceia e confessou «o Filho unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, luz da luz. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai» (45).
Post illos, Ecclesia Traditionem sequens apostolicam anno 325 in primo Concilio Oecumenico Nicaeno confessa est Filium esse « consubstantialem Patri »,60 id est, unum Deum cum Illo. Secundum Concilium Oecumenicum Constantinopoli anno 381 congregatum, in sua formulatione Symboli Nicaeni, hanc expressionem servavit et confessum est « Filium Dei unigenitum, ex Patre natum ante omnia saecula, Lumen de Lumine, Deum verum de Deo vero, genitum, non factum, consubstantialem Patri ».61 Pater et Filius a Spiritu revelati

O PAI E O FILHO REVELADOS PELO ESPÍRITO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A revelação de Deus como Trindade

§ 243
Antes da sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de um «outro Paráclito»(Defensor), o Espírito Santo. Agindo desde a criação (46) e tendo outrora «falado pelos profetas» (47), o Espírito Santo estará agora junto dos discípulos, e neles (48), para os ensinar (49) e os guiar «para a verdade total» (Jo 16, 13). E, assim, o Espírito Santo é revelado como uma outra pessoa divina, em relação a Jesus e ao Pai.
Iesus, ante Pascha Suum, missionem annuntiat « alius Paracliti » (Defensoris), Spiritus Sancti. Hic, iam a creatione operans,62 et postquam « locutus est per Prophetas »,63 erit nunc apud discipulos et in illis,64 ut eos doceat65 eosque deducat « in omnem veritatem » (Io 16,13). Ita Spiritus Sanctus tamquam alia revelatur Persona divina in relatione ad Iesum et ad Patrem.
§ 244
A origem eterna do Espírito revela-se na sua missão temporal. O Espírito Santo é enviado aos Apóstolos e à Igreja, tanto pelo Pai, em nome do Filho, como pessoalmente pelo Filho, depois do seu regresso ao Pai (50). O envio da pessoa do Espírito, após a glorificação de Jesus (51) revela em plenitude o mistério da Santíssima Trindade.
Origo Spiritus aeterna in Eius missione revelatur temporali. Spiritus Sanctus ad Apostolos et ad Ecclesiam mittitur tam a Patre in nomine Filii quam personaliter a Filio, postquam Hic ad Patrem rediit.66 Missio Personae Spiritus post Iesu glorificationem67 mysterium Sanctissimae Trinitatis plene revelat.
§ 245
A fé apostólica relativamente ao Espírito foi confessada pelo segundo concilio ecuménico, reunido em Constantinopla em 381:«Nós acreditamos no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai» (52). A Igreja reconhece assim o Pai como «a fonte e a origem de toda a Divindade» (53). Mas a origem eterna do Espírito Santo não está desligada da do Filho: «O Espírito Santo, que é a terceira pessoa da Trindade, é Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho, da mesma substância e também da mesma natureza... Contudo, não dizemos que Ele é somente o Espírito do Pai, mas, ao mesmo tempo, o Espírito do Pai e do Filho»(54). O Credo do Concílio de Constantinopla da Igreja confessa que Ele, «com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado» (55).
Fides apostolica relate ad Spiritum Sanctum a secundo Concilio Oecumenico anno 381 Constantinopoli proclamata est: Credimus « et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem, qui ex Patre procedit ».68 Hoc modo, Ecclesia Patrem agnoscit tamquam « fontem et originem totius divinitatis ».69 Aeterna tamen Spiritus Sancti origo sine nexu cum illa Filii non est. « Spiritum quoque Sanctum, qui est Tertia in Trinitate Persona, unum atque aequalem cum Deo Patre et Filio credimus esse Deum, unius substantiae, unius quoque esse naturae; [...] qui tamen nec Patris tantum nec Filii tantum, sed simul Patris et Filii Spiritus dicitur ».70 Symbolum Constantinopolitani Concilii Ecclesiae profitetur: « Qui cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur ».71
§ 246
A tradição latina do Credo confessa que o Espírito «procede do Pai e do Filho (Filioque)». O Concílio de Florença, em 1438, explicita: «O Espírito Santo [...] recebe a sua essência e o seu ser ao mesmo tempo do Pai e do Filho, e procede eternamente de um e do outro como dum só Princípio e por uma só espiração [...] E porque tudo o que é do Pai, o próprio Pai o deu ao seu Filho Unigénito, gerando-O, com excepção do seu ser Pai, esta mesma procedência do Espírito Santo, a partir do Filho, Ele a tem eternamente do seu Pai, que eternamente O gerou» (56).
Latina Symboli traditio profitetur Spiritum « a Patre Filioque » procedere. Concilium Florentinum, anno 1439, explicat: « Spiritus Sanctus [...] essentiam Suam Suumque esse subsistens habet ex Patre simul et Filio, et ex Utroque aeternaliter tamquam ab uno principio et unica spiratione procedit [...]. Et quoniam omnia, quae Patris sunt, Pater Ipse unigenito Filio Suo gignendo dedit, praeter esse Patrem, hoc ipsum quod Spiritus procedit ex Filio, Ipse Filius a Patre aeternaliter habet, a quo etiam aeternaliter genitus est ».72
§ 247
A afirmação do Filioque não figurava no Símbolo de Constantinopla de 381. Mas, com base numa antiga tradição latina e alexandrina, o Papa São Leão já a tinha confessado dogmaticamente em 447 (57), mesmo antes de Roma ter conhecido e recebido o Símbolo de 381 no Concílio de Calcedónia, em 451). O uso desta fórmula no Credo foi sendo, pouco a pouco, admitido na liturgia latina (entre os séculos VIII e XI). A introdução do Filioque no Símbolo Niceno-Constantinopolitano pela liturgia latina constitui, ainda hoje, no entanto, um diferendo com as igrejas ortodoxas.
Affirmatio de Filioque in Symbolo anno 381 Constantinopoli proclamato non habebatur. Sed sanctus Leo Papa, veterem traditionem latinam et alexandrinam sequens, illam iam anno 447 dogmatice erat professus,73 etiam priusquam Roma anno 451 in Concilio Chalcedonensi Symbolum anni 381 cognovisset et recepisset. Usus huius formulae in Symbolo pedetentim (inter VIII et XI saeculum) est in liturgia latina admissus. Introductio tamen verbi Filioque in Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum peracta a liturgia latina adhuc hodie dissensionem cum Ecclesiis orthodoxis constituit.
§ 248
A tradição oriental exprime, antes de mais, o carácter de origem primeira do Pai em relação ao Espírito. Ao confessar o Espírito como «saído do Pai» (Jo 15, 26), afirma que Ele procede do Pai pelo Filho (58). A tradição ocidental exprime, sobretudo, a comunhão consubstancial entre o Pai e o Filho, ao dizer que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho (Filioque). E di-lo «de maneira legítima e razoável» (59), «porque a ordem eterna das pessoas divinas na sua comunhão consubstancial implica que o Pai seja a origem primeira do Espírito, enquanto «princípio sem princípio» (60), mas também que, enquanto Pai do Filho Único, seja com Ele «o princípio único de que procede o Espírito Santo» (61). Esta legítima complementaridade, se não for exagerada, não afecta a identidade da fé na realidade do mesmo mistério confessado.
Traditio orientalis imprimis notam exprimit Patris ut primae originis relate ad Spiritum. Profitens Spiritum « qui a Patre procedit » (Io 15,26), Eum affirmat a Patre per Filium procedere.74 Traditio vero occidentalis imprimis consubstantialem communionem inter Patrem et Filium affirmat, Spiritum ex Patre Filioque procedere dicens. Ipsa hoc « licite et rationabiliter »75 dicit, quia Personarum divinarum aeternus ordo in communione consubstantiali implicat Patrem, quatenus « est principium sine principio »,76 primam originem esse Spiritus, sed etiam, quatenus Filii unici est Pater, cum Illo unicum esse principium ex quo, « tamquam ex uno principio »,77 Spiritus procedit. Haec licita complementaritas, nisi exacerbetur, identitatem fidei in realitatem eiusdem mysterii proclamati non afficit. III. Sanctissima Trinitas in doctrina fidei Dogmatis trinitarii efformatio

A FORMAÇÃO DO DOGMA TRINITÁRIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Santíssima Trindade na doutrina da fé

§ 249
A verdade revelada da Santíssima Trindade esteve, desde a origem, na raiz da fé viva da Igreja. principalmente por meio do Baptismo. Encontra a sua expressão na regra da fé baptismal, formulada na pregação, na catequese e na oração da Igreja. Tais formulações encontram-se já nos escritos apostólicos, como o comprova esta saudação retomada na liturgia eucarística: «A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós» (2 Cor 13, 13)(62).
Inde ab initio, veritas revelata de Sanctissima Trinitate in radicibus fuit viventis fidei Ecclesiae, praesertim per Baptismum. Ipsa suam invenit expressionem in regula fidei baptismalis enuntiata in praedicatione, catechesi et oratione Ecclesiae. Tales formulae iam in scriptis inveniuntur apostolicis, sicut haec testatur salutatio, resumpta a liturgia eucharistica: « Gratia Domini Iesu Christi et caritas Dei et communicatio Sancti Spiritus cum omnibus vobis » (2 Cor 13,13).78
§ 250
No decurso dos primeiros séculos, a Igreja preocupou-se com formular mais explicitamente a sua fé trinitária, tanto para aprofundar a sua própria inteligência da fé, como para a defender contra os erros que a deformavam. Foi esse o trabalho dos primeiros concílios, ajudados pelo trabalho teológico dos Padres da Igreja e sustentados pelo sentido da fé do povo cristão.
Priorum saeculorum decursu, Ecclesia suam fidem trinitariam, modo magis explicito, enuntiare studuit, sive ut suam propriam fidei intelligentiam altius penetraret sive ut illam contra errores defenderet qui eam deformabant. Haec opera veterum fuit Conciliorum quae a labore theologico Patrum Ecclesiae sunt adiuta et a sensu fidei populi christiani fulcita.
§ 251
Para a formulação do dogma da Trindade, a Igreja teve de elaborar uma terminologia própria, com a ajuda de noções de origem filosófica: «substância», «pessoa» ou «hipóstase», «relação», etc. Ao fazer isto, a Igreja não sujeitou a fé a uma sabedoria humana, mas deu um sentido novo, inédito, a estes termos, chamados a exprimir também, desde então, um mistério inefável, «transcendendo infinitamente tudo quanto podemos conceber a nível humano» (63).
Pro enuntiatione dogmatis Trinitatis, Ecclesia propriam terminologiam evolvere debuit, notionibus originis philosophicae adiuta: « substantia », « persona » vel « hypostasis », « relatio » etc. Hoc faciens, fidem non submisit sapientiae humanae, sed sensum novum, inauditum, his dedit vocabulis, quae exinde ad significandum etiam destinabantur mysterium ineffabile quod « infinite omne id superat, quod nos modo humano intellegere possumus ».79
§ 252
A Igreja utiliza o termo «substância» (às vezes também traduzido por «essência» ou «natureza») para designar o ser divino na sua unidade; o termo «pessoa» ou «hipóstase» para designar o Pai, o Filho e o Espírito Santo na distinção real entre Si; e o termo «relação» para designar o facto de que a sua distinção reside na referência recíproca de uns aos outros.
Ecclesia vocabulo utitur « substantia » (quod per « essentiam » vel per « naturam » quandoque etiam vertitur) ad Esse divinum in Eius designandum unitate, vocabulo autem « persona » vel « hypostasis » ad Patrem, Filium et Spiritum Sanctum indicandos in Eorum reali distinctione inter Se, vocabulo autem « relatio » ad indicandum Eorum distinctionem in eo residere quod alii ad alios referuntur.Sanctissimae Trinitatis dogma

O DOGMA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Santíssima Trindade na doutrina da fé

§ 253
A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: «a Trindade consubstancial» (64). As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única: cada uma delas é Deus por inteiro: «O Pai é aquilo mesmo que o Filho, o Filho aquilo mesmo que o Pai, o Pai e o Filho aquilo mesmo que o Espírito Santo, ou seja, um único Deus por natureza» (65). «Cada uma das três pessoas é esta realidade, quer dizer, a substância, a essência ou a natureza divina» (66).
Trinitas est Una. Tres deos non confitemur, sed Unum Deum in Tribus Personis: « Trinitatem consubstantialem ».80 Personae divinae unam divinitatem non inter Se dividunt, sed unaquaeque Earum est Deus totus: « cum [...] ipsum sit Pater quod Filius, ipsum Filius quod Pater, ipsum Pater et Filius quod Spiritus Sanctus: id est natura Unus Deus ».81 « Quaelibet Trium Personarum est illa res, videlicet substantia, essentia seu natura divina ».82
§ 254
As pessoas divinas são realmente distintas entre Si. «Deus é um só, mas não solitário» (67). «Pai», «Filho», «Espírito Santo» não são meros nomes que designam modalidades do ser divino, porque são realmente distintos entre Si. «Aquele que é o Filho não é o Pai e Aquele que é o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo é Aquele que é o Pai ou o Filho» (68). São distintos entre Si pelas suas relações de origem: «O Pai gera, o Filho é gerado, o Espírito Santo procede»(69). A unidade divina é trina.
Personae divinae sunt inter Se realiter distinctae. « Colimus et confitemur: non sic unum Deum, quasi solitarium ».83 « Pater », « Filius », « Spiritus Sanctus » non sunt simpliciter nomina modos divini « Esse » designantia, quia illi inter se realiter sunt distincti: « Non enim Ipse est Pater qui Filius, nec Filius Ipse qui Pater, nec Spiritus Sanctus Ipse qui est vel Pater vel Filius ».84 Inter Se per relationes originis distinguuntur: « Est Pater, qui generat, et Filius, qui gignitur, et Spiritus Sanctus, qui procedit ».85 Divina Unitas est Trina.
§ 255
As pessoas divinas são relativas umas às outras. Uma vez que não divide a unidade divina, a distinção real das pessoas entre Si reside unicamente nas relações que as referenciam umas às outras: «Nos nomes relativos das pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo a ambos. Quando falamos destas três pessoas, considerando as relações respectivas, cremos, todavia, numa só natureza ou substância» (70). Com efeito, «n'Eles tudo é um, onde não há a oposição da relação» (71). «Por causa desta unidade, o Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo: o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo: o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho»(72).
Personae divinae inter Se sunt relativae. Distinctio realis Personarum inter Se, quia divinam non dividit unitatem, in relationibus solummodo consistit quibus aliae ad alias referuntur: « In relativis vero Personarum nominibus Pater ad Filium, Filius ad Patrem, Spiritus Sanctus ad Utrosque refertur: quae cum relative Tres Personae dicantur, una tamen natura vel substantia creditur ».86 Inter illas utique « omnia [...] sunt unum, ubi non obviat relationis oppositio ».87 « Propter hanc unitatem Pater est totus in Filio, totus in Spiritu Sancto; Filius totus est in Patre, totus in Spiritu Sancto; Spiritus Sanctus totus est in Patre, totus in Filio ».88
§ 256
São Gregório de Nazianzo, também chamado «o Teólogo», confia aos catecúmenos de Constantinopla o seguinte resumo da fé trinitária:

«Antes de mais nada, guardai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me dá coragem para suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que, daqui a instantes, eu vou mergulhar-vos na água e dela fazer-vos sair. Eu vo-la dou por companheira e protectora de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Potência, uma nos Três e abrangendo os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou natureza, sem grau superior que eleve nem grau inferior que abaixe [...] É de três infinitos a infinita conaturalidade. Deus integralmente, cada um considerado em Si mesmo [...] Deus, os Três considerados juntamente [...] Assim que comecei a pensar na Unidade logo me encontrei envolvido no esplendor da Trindade. Mal começo a pensar na Trindade, logo à Unidade sou reconduzido» (73).

Sanctus Gregorius Nazianzenus, qui etiam « Theologus » appellatur, hoc fidei trinitariae compendium catechumenis tradit Constantinopolitanis:

« Ante omnia, bonum depositum, quaeso, custodi, cui vivo, et pro quo milito, et quod utinam me ex hac vita discedentem comitetur, cum quo et omnes vitae molestias perfero, et iucunditates omnes contemno ac pro nihilo duco; fidem, inquam, et confessionem in Patrem, et Filium, et Spiritum Sanctum. Hanc tibi hodierno die committo; cum hac te, et lustricis aquis immergam, et in altum extraham. Hanc tibi do totius vitae sociam, et patronam, unam deitatem et potentiam, quae in Tribus coniunctim invenitur, et Tria divisim comprehendit, nec substantiis aut naturis inaequalis est, nec praestantiis aut submissionibus augetur vel minuitur [...]. Trium infinitorum, infinitam coniunctionem, Deum unumquemque, si separatim consideretur [...]; Deum rursus Tria haec, si simul cogitentur [...]. Vix Unum animo concepi, cum statim Tribus circumfulgeo. Vix Tria distinguere incipio, cum ad Unum reducor ».89

O DOGMA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

As obras divinas e as missões trinitárias

§ 257
«O lux beata Trinitas et principalis Unitas! – Ó Trindade. Luz ditosa, ó primordial Unidade!» (74). Deus é eterna bem-aventurança, vida imortal, luz sem ocaso. Deus é amor: Pai, Filho e Espírito Santo. Livremente. Deus quer comunicar a glória da sua vida bem-aventurada. Tal é o «mistério da sua vontade» (Ef 1, 9) que Ele concebeu antes da criação do mundo em seu Filho muito-amado, uma vez que nos «destinou de antemão a que nos tornássemos seus filhos adoptivos por Jesus Cristo» (Ef 1, 5), quer dizer, a sermos «conformes à imagem do seu Filho» (Rm 8, 29), graças ao «Espírito que faz de vós filhos adoptivos» (Rm 8, 15). Este desígnio é uma «graça que nos foi dada [...] desde toda a eternidade»(2 Tm 1, 9), a qual procede imediatamente do amor trinitário. E este amor manifesta-se na obra da criação, em toda a história da salvação depois da queda, e nas missões do Filho e do Espírito, continuadas pela missão da Igreja (75).
« O lux, beata Trinitas, et principalis Unitas! ».90 Deus est aeterna beatitudo, vita immortalis, lux indeficiens. Deus est amor: Pater, Filius et Spiritus Sanctus. Deus libere gloriam Suae vitae beatae communicare vult. Tale est « beneplacitum Eius » (Eph 1,9) quod ante mundi creationem in Filio Suo concepit dilecto, atque adeo « praedestinavit nos in adoptionem filiorum per Iesum Christum » (Eph 1,5), id est, nos « praedestinavit conformes fieri imaginis Filii Eius » (Rom 8,29) per « Spiritum adoptionis filiorum » (Rom 8,15). Hoc consilium gratia est « quae data est nobis ante tempora saecularia » (2 Tim 1,9), immediate ab amore trinitario procedens. Illud in creationis opere evolvitur et post lapsum in tota salutis historia, in missionibus Filii et Spiritus quas missio continuat Ecclesiae.91
§ 258
Toda a economia divina é obra comum das três pessoas divinas. Assim como não tem senão uma e a mesma natureza, a Trindade não tem senão uma e a mesma operação (76). «O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três princípios das criaturas, mas um só princípio» (77). No entanto, cada pessoa divina realiza a obra comum segundo a sua propriedade pessoal. É assim que a Igreja confessa, na sequência do Novo Testamento (78), «um só Deus e Pai, de Quem são todas as coisas; um só Senhor Jesus Cristo, para Quem são todas as coisas; e um só Espírito Santo, em Quem são todas as coisas» (79). São sobretudo as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo que manifestam as propriedades das pessoas divinas.
Tota Oeconomia divina commune Trium Personarum divinarum est opus. Etenim Trinitas, sicut nonnisi una eademque est natura, unam eamdemque habet operationem.92 « Pater et Filius et Spiritus Sanctus non tria principia [sunt] creaturae, sed unum principium ».93 Unaquaeque tamen Persona divina secundum Suam proprietatem personalem commune operatur opus. Sic Ecclesia, Novum sequens Testamentum,94 profitetur: « Unus [...] Deus et Pater ex quo omnia; et Unus Dominus Iesus Christus, per quem omnia; et Unus Spiritus Sanctus, in quo omnia ».95 Missiones divinae Incarnationis Filii et doni Spiritus Sancti proprietates divinarum Personarum praecipue manifestant.
§ 259
Obra ao mesmo tempo comum e pessoal, toda a economia divina faz conhecer não só a propriedade das pessoas divinas, mas também a sua única natureza. Por isso, toda a vida cristã é comunhão com cada uma das pessoas divinas, sem de modo algum as separar. Todo aquele que dá glória ao Pai, fá-lo pelo Filho no Espírito Santo: todo aquele que segue Cristo, fá-lo porque o Pai o atrai (80) e o Espírito o move (81).
Tota Oeconomia divina, opus simul commune et personale, cognoscendas praebet et proprietatem divinarum Personarum et Earum unam naturam. Tota vita christiana est etiam cum unaquaque Personarum divinarum communio quin Illas ullo modo separet. Qui Patrem glorificat, id per Filium facit in Spiritu Sancto; qui Christum sequitur, id facit quia Pater illum attrahit96 et Spiritus illum movet.97
§ 260
O fim último de toda a economia divina é o acesso das criaturas à unidade perfeita da bem-aventurada Trindade (82). Mas já desde agora nós somos chamados a ser habitados pela Santíssima Trindade: «Quem me tem amor, diz o Senhor, porá em prática as minhas palavras. Meu Pai amá-lo-á; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada» (Jo 14, 23):

«Ó meu Deus, Trindade que eu adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim, para me estabelecer em Vós, imóvel e pacifica como se já a minha alma estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar a minha paz, nem fazer-me sair de Vós, ó meu Imutável, mas que cada minuto me leve mais longe na profundeza do vosso mistério! Pacificai a minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada querida e o lugar do vosso repouso. Que nunca ai eu Vos deixe só, mas que esteja lá inteiramente, toda desperta na minha fé, toda em adoração, toda entregue à vossa acção criadora» (83).

Totius Oeconomiae divinae finis ultimus est creaturarum in unitatem perfectam Beatissimae Trinitatis ingressus.98 Sed iam nunc vocamur ut a Sanctissima inhabitemur Trinitate. Dicit enim Dominus: « Si quis diligit me, sermonem meum servabit, et Pater meus diliget eum, et ad eum veniemus et mansionem apud eum faciemus » (Io 14,23):

« O Deus meus, Trinitas quam adoro, adiuva me ut mei plene obliviscar ad me immobilem et serenam in Te stabiliendam, quasi anima mea in aeternitate iam esset; nihil pacem meam perturbare possit neque me ex Te educere, o mi Immutabilis, sed unumquodque temporis momentum me altius ducat in profunditatem mysterii Tui! Animam meam pacifica; fac ex ea caelum Tuum, mansionem Tuam dilectam et locum quietis Tuae. Utinam nunquam Te ibi relinquam solum, sed Tecum sim ibi tota egomet ipsa, tota in fide mea vigilans, tota in adoratione, tota actioni creatrici Tuae dedita ».99

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 261
O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus pode dar-nos o seu conhecimento, revelando-Se como Pai, Filho e Espírito Santo.
Mysterium Sanctissimae Trinitatis mysterium est centrale fidei et vitae christianae. Solus Deus Eius cognitionem nobis praebere potest Se tamquam Patrem, Filium et Spiritum Sanctum revelans.
§ 262
A Encarnação do Filho de Deus revela que Deus é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial ao Pai, quer dizer que n'Ele e com Ele é o mesmo e único Deus.
Incarnatio Filii Dei revelat, Deum esse Patrem aeternum, et Filium esse Patri consubstantialem, scilicet, Ipsum in Illo et cum Illo Eumdem esse unum Deum.
§ 263
A missão do Espírito Santo, enviado pelo Pai em nome do Filho (84) e pelo Filho «de junto do Pai» (Jo 15, 26), revela que Ele é, com Eles, o mesmo e único Deus. «Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado» (85).
Missio Spiritus Sancti, quem Pater in nomine Filii 100 et Filius « a Patre » (Io 15,26) mittit, revelat Ipsum esse cum Illis Eumdem Deum unum. « Cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur ». 101
§ 264
«O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira; e, pelo dom eterno do Pai ao Filho, procede do Pai e do Filho em comunhão» (86).
« Spiritus Sanctus de Patre principaliter, et Ipso sine ullo intervallo temporis dante [Filio], communiter de Utroque procedit ». 102
§ 265
Pela graça do Baptismo «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», (Mt 28, 19), somos chamados a participar na vida da Trindade bem-aventurada; para já, na obscuridade da fé, e depois da morte na luz eterna (87).
Per gratiam Baptismi « in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti » (Mt 28,19) ad vitam Beatissimae Trinitatis vocamur participandam, « hisce in terris in obscuritate fidei et post mortem in sempiterna luce ». 103
§ 266
«Fides autem catholica haec est, ut unum Deum in Trinitate, et Trinitatem in unitate veneremur, neque confundentes personas, neque substantiam sepa-raptes; alia enim est persona Patris, alia Filii, alia Spiritus Sancti: sed Patris et Filii et Spiritus Sancti una est divinitas, aequalis gloria, coaeterna majestas (88) – A fé católica é esta: venerarmos um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confudir as Pessoas nem dividir a substância: porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas do Pai e do Filho e do Espírito Santo é só uma a divindade, igual a glória e coeterna a majestade».
« Fides autem catholica haec est, ut Unum Deum in Trinitate, et Trinitatem in unitate veneremur, neque confundentes Personas, neque substantiam separantes: alia est enim Persona Patris, alia Filii, alia Spiritus Sancti; sed Patris et Filii et Spiritus Sancti una est divinitas, aequalis gloria, coaeterna maiestas ». 104
§ 267
Inseparáveis no que são, as pessoas divinas são também inseparáveis no que fazem. Mas, na operação divina única, cada uma manifesta o que Lhe é próprio na Trindade, sobretudo nas missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo.
Personae divinae, inseparabiles in eo quod sunt, etiam in eo quod faciunt inseparabiles sunt. Sed in unica operatione divina unaquaeque id manifestat quod Ei in Trinitate proprium est, praecipue in missionibus divinis Incarnationis Filii et doni Spiritus Sancti. (49) Sanctus Caesarius Arelatensis, Expositio vel traditio Symboli (sermo 9): CCL 103, 47. (50) Cf Vigilius, Professio fidei (552): DS 415. (51) Cf Sacra Congregatio pro Clericis, Directorium catechisticum generale, 43: AAS 64 (1972) 123. (52) Sacra Congregatio pro Clericis, Directorium catechisticum generale, 47: AAS 64 (1972) 125. (53) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3015.(54) Cf Dt 32,6; Mal 2,10. (55) Cf 2 Sam 7,14. (56) Cf Ps 68,6. (57) Cf Is 66,13; Ps 131,2. (58) Cf Ps 27,10. (59) Cf Eph 3,14-15; Is 49,15. (60) Symbolum Nicaenum: DS 125. (61) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (62) Cf Gn 1,2. (63) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (64) Cf Io 14,17. (65) Cf Io 14,26. (66) Cf Io 14,26; 15,26; 16,14. (67) Cf Io 7,39. (68) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (69) Concilium Toletanum VI (anno 638), De Trinitate et de Filio Dei Redemptore incarnato: DS 490. (70) Concilium Toletanum XI (anno 675), Symbolum: DS 527. (71) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (72) Concilium Florentinum, Decretum pro Graecis: DS 1300-1301.(73) Cf Sanctus Leo Magnus, Epistula Quam laudabiliter: DS 284. (74) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948.(75) Concilium Florentinum, Decretum pro Graecis (anno 1439): DS 1302. (76) Concilium Florentinum, Decretum pro Iacobitis (anno 1442): DS 1331.(77) Concilium Lugdunense II, Constitutio de Summa Trinitate et fide catholica (1274): DS 850. (78) Cf 1 Cor 12,4-6; Eph 4,4-6. (79) Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 9: AAS 60 (1968) 437.(80) Concilium Constantinopolitanum II (anno 553), Anathematismi de tribus Capitulis, 1: DS 421. (81) Concilium Toletanum XI (anno 675), Symbolum: DS 530. (82) Concilium Lateranense IV (anno 1215), Cap. 2, De errore abbatis Ioachim: DS 804. (83) Fides Damasi: DS 71. (84) Concilium Toletanum XI (anno 675), Symbolum: DS 530. (85) Concilium Lateranense IV (anno 1215), Cap. 2, De errore abbatis Ioachim: DS 804. (86) Concilium Toletanum XI (anno 675), Symbolum: DS 528. (87) Concilium Florentinum, Decretum pro Iacobitis (anno 1442): DS 1330.(88) Concilium Florentinum, Decretum pro Iacobitis (1442): DS 1331.(89) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio, 40, 41: SC 358, 292-294 (PG 36, 417).(90) Hymnus ad II Vesperas Dominicae, in Hebdomadis 2 et 4: Liturgia Horarum, editio typica, v. 3 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 684 et 931; v. 4 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974) p. 632 et 879.(91) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 2-9: AAS 58 (1966) 948-958. (92) Cf Concilium Constantinopolitanum II (anno 553), Anathematismi de tribus Capitulis, 1: DS 421. (93) Concilium Florentinum, Decretum pro Iacobitis (1442): DS 1331.(94) Cf 1 Cor 8,6.(95) Concilium Constantinopolitanum II (anno 553), Anathematismi de tribus Capitulis, 1: DS 421. (96) Cf Io 6,44. (97) Cf Rom 8,14. (98) Cf Io 17,21-23. (99) Beata Elisabeth a Trinitate, Élévation à la Trinité: Ecrits spirituels, 50, ed. M.M. Philipon (Paris 1949) p. 80. (100) Cf Io 14,26. (101) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (102) Sanctus Augustinus, De Trinitate, 15, 26, 47: CCL 50A, 529 (PL 42, 1095).(103) Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 9: AAS 60 (1968) 436. (104) Symbolum « Quicumque »: DS 75.

O TODO-PODEROSO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 268
De todos os atributos divinos, só a omnipotência é nomeada no Símbolo: confessá-la é de grande alcance para a nossa vida. Nós acreditamos que ela é universal, porque Deus, que tudo criou (89), tudo governa e tudo pode; amorosa, porque Deus é nosso Pai (90); misteriosa, porque só a fé a pode descobrir, quando «ela actua plenamente na fraqueza» (2 Cor 12, 9) (91).«FAZ TUDO QUANTO LHE APRAZ» (Sl 115, 3)
Ex omnibus attributis divinis, de sola omnipotentia Dei in Symbolo fit mentio: magni momenti est pro nostra vita eam profiteri. Credimus illam esse universalem, quia Deus, qui omnia creavit, 105 omnia regit et omnia potest; amore plenam, quia Deus Pater est noster; 106 arcanam, quia illam sola fides potest discernere, cum « in infirmitate perficitur » (2 Cor 12,9). 107 « Omnia, quaecumque voluit fecit » (Ps 115,3)
§ 269
As Sagradas Escrituras confessam, a cada passo, o poder universal de Deus. Ele é chamado «o Poderoso de Jacob» (Gn 49, 24; Is 1, 24: etc.) «o Senhor dos Exércitos», «o Forte, o Poderoso» (SI 24, 8-10). Se Deus é omnipotente «no céu e na terra» (Sl 135, 6), é porque foi Ele quem os fez. Portanto, nada Lhe é impossível (92) e Ele dispõe à vontade da sua obra (93); Ele é o Senhor do Universo, cuja ordem foi por Ele estabelecida e Lhe permanece inteiramente submissa e disponível; Ele é o Senhor da história; governa os corações e os acontecimentos segundo a sua vontade (94): «O vosso poder imenso sempre vos assiste – e quem poderá resistir à força do Vosso braço?» (Sb 11, 21).«PORQUE PODEIS TUDO, DE TODOS VOS COMPADECEIS» (Sb 11, 23)
Sacrae Litterae saepe potentiam Dei confitentur universalem. Ille « Potentis Iacob » appellatur nomine (Gn 49,24; Is 1 24 et alibi), « Dominus virtutum » dicitur, « Fortis et Potens » (Ps 24,8-10). Ideo Deus est omnipotens « in caelo et in terra » (Ps 135,6), quia Ipse ea fecit. Nihil est Illi impossibile 108 et, secundum Suam voluntatem, de Suo opere disponit; 109 Ille est Dominus universi, cuius statuit ordinem qui Illi plene subiectus manet et praesto est. Ille est historiae Dominus: corda et eventus secundum Suam regit voluntatem: 110 « Multum enim valere Tibi soli subest semper, et virtuti brachii Tui quis resistet? » (Sap 11,21). « Misereris omnium, quia omnia potes » (Sap 11,23)
§ 270
Deus é o Pai todo-poderoso. A sua paternidade e o seu poder esclarecem-se mutuamente. Com efeito, Ele mostra a sua omnipotência paterna pelo modo como cuida das nossas necessidades (95) pela adopção filial que nos concede («serei para vós um Pai e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo poderoso»: 2 Cor 6, 18); enfim, pela sua infinita misericórdia, pois mostra o seu poder no mais alto grau, perdoando livremente os pecados.
Deus est Pater omnipotens. Eius paternitas et potentia mutuo se illuminant. Ille utique Suam omnipotentiam ostendit paternam modo quo de nostris curat necessitatibus; 111 adoptione filiali quam nobis donat (« ero vobis in Patrem et vos eritis mihi in filios et filias, dicit Dominus omnipotens »: 2 Cor 6,18); Sua denique infinita misericordia, etenim Suam potentiam summopere manifestat, peccata libere ignoscens.
§ 271
A omnipotência divina não é, de modo algum, arbitrária: «Em Deus, o poder e a essência, a vontade e a inteligência, a sabedoria e a justiça, são uma só e a mesma coisa, de modo que nada pode estar no poder divino que não possa estar na justa vontade de Deus ou na sua sábia inteligência» (96).
Omnipotentia divina nequaquam est arbitraria: « In Deo est idem potentia et essentia et voluntas et intellectus et sapientia et iustitia. Unde nihil potest esse in potentia divina, quod non possit esse in voluntate iusta Ipsius, et in intellectu sapiente Eius ». 112Mysterium apparentis impotentiae Dei

O MISTÉRIO DA APARENTE IMPOTÊNCIA DE DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 272
A fé em Deus Pai todo-poderoso pode ser posta à prova pela experiência do mal e do sofrimento. Por vezes, Deus pode parecer ausente e incapaz de impedir o mal. Ora, Deus Pai revelou a sua omnipotência do modo mais misterioso, na humilhação voluntária e na ressurreição de seu Filho, pelas quais venceu o mal. Por isso, Cristo crucificado é «força de Deus e sabedoria de Deus. Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens» (1 Cor 1, 25). Foi na ressurreição e na exaltação de Cristo que o Pai «exerceu a eficácia da [sua] poderosa força» e mostrou a «incomensurável grandeza que representa o seu poder para nós, os crentes» (Ef 1, 19-22).
Fides in Deum Patrem omnipotentem per mali et doloris experientiam potest in probationem adduci. Quandoque Deus potest absens videri atque incapax impediendi malum. Deus igitur Pater omnipotentiam Suam modo maxime arcano revelavit in voluntaria humiliatione et in resurrectione Filii Sui, per quas malum vicit. Sic Christus crucifixus est Dei virtus et Dei sapientia « quia quod stultum est Dei, sapientius est hominibus, et quod infirmum est Dei, fortius est hominibus » (1 Cor 1,25). In Christi resurrectione et exaltatione, Pater operatus est « operationem potentiae virtutis » Suae et ostendit quam « sit supereminens magnitudo virtutis » Suae « in nos qui credimus » (Eph 1,19-22).
§ 273
Só a fé pode aderir aos caminhos misteriosos da omnipotência de Deus. Esta fé gloria-se nas suas fraquezas, para atrair a si o poder de Cristo (97). Desta fé é modelo supremo a Virgem Maria, pois acreditou que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) e pôde proclamar a grandeza do Senhor: «O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas; 'Santo' –  é o seu nome» (Lc 1, 49).
Sola fides viis omnipotentiae Dei adhaerere potest arcanis. Haec fides gloriatur in infirmitatibus suis ut attrahat super se potentiam Christi. 113 Huius fidei supremum exemplar est Maria Virgo, quae credidit « quia non erit impossibile apud Deum omne verbum » (Lc 1,37) et Dominum magnificare potuit: « quia fecit mihi magna, qui potens est, et sanctum Nomen Eius » (Lc 1,49).
§ 274
«Portanto, nada é mais próprio para firmar a nossa fé e a nossa esperança do que a convicção, profundamente arraigada nas nossas almas, de que nada é impossível a Deus. Tudo o que [o Credo] seguidamente nos propõe para crer, as coisas maiores, as mais incompreensíveis, bem como as mais sublimes e mais acima das leis ordinárias da Natureza, basta que a nossa razão tenha a ideia da omnipotência divina para as admitir facilmente e sem hesitação alguma» (98). Resumindo:
« Nulla res tam ad fidem et spem nostram confirmandam valet, quam si fixum in animis nostris teneamus nihil non fieri a Deo posse; quidquid enim deinceps credere oporteat, quamvis magnum et admirabile sit, rerumque ordinem ac modum superet, illi tamen facile humana ratio, postquam Dei omnipotentis notitiam perceperit, sine ulla haesitatione assentitur ». 114 Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 275
Confessamos com o justo Job: «Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível» (Job 42, 2).
Cum Iob, iusto, confitemur: « Scio quia omnia potes et nulla Te latet cogitatio » (Iob 42,2).
§ 276
Fiel ao testemunho da Escritura, a Igreja dirige muitas vezes a sua oração ao «Deus todo-poderoso e eterno» (omnipotens sempiterne Deus), crendo firmemente que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) (99).
Ecclesia, fidelis testimonio Scripturae, saepe suam orationem ad « Deum omnipotentem et aeternum » dirigit (« Omnipotens sempiterne Deus... »), firmiter credens « quia non erit impossibile apud Deum omne verbum » (Lc 1,37). 115
§ 277
Deus manifesta a sua omnipotência convertendo-nos dos nossos pecados e restabelecendo-nos na sua amizade pela graça («Deus qui omnipotentiam tuam parcendo maxime et miserando manifestas» – «Senhor; que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis») (100).
Deus omnipotentiam ostendit Suam, nos a nostris peccatis convertens et in Suam amicitiam per gratiam restituens (« Deus, qui omnipotentiam Tuam parcendo maxime et miserando manifestas »). 116
§ 278
Se não crermos que o amor de Deus é omnipotente, como poderemos crer que o Pai pôde criar-nos, o Filho remir-nos e o Espírito Santo santificar-nos?
Nisi quis amorem Dei omnipotentem esse credat, quomodo credet Deum nos creare, Filium nos redimere, Spiritum Sanctum nos sanctificare potuisse? (105) Cf Gn 1,1; Io 1,3. (106) Cf Mt 6,9. (107) Cf 1 Cor 1,18. (108) Cf Ier 32,17; Lc 1,37. (109) Cf Ier 27,5. (110) Cf Est 4,17c; Prv 21,1; Tb 13,2. (111) Cf Mt 6,32. (112) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I, q. 25, a. 5, ad 1: Ed. Leon. 4, 297. (113) Cf 2 Cor 12,9; Phil 4,13. (114) Catechismus Romanus, 1, 2, 13: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona) p. 31. (115) Cf Gn 18,14; Mt 19,26. (116) Dominica XXVI « per annum », Collecta: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 365.

O CRIADOR

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 279
«No princípio, Deus criou o céu e a terra» (Gn 1, 1). É com estas palavras solenes que começa a Sagrada Escritura. E o Símbolo da fé retoma-as, confessando a Deus, Pai todo-poderoso, como «Criador do céu e da terra» (101), «de todas as coisas, visíveis e invisíveis» (102). Vamos, portanto, falar primeiro do Criador, depois da sua criação, e, finalmente, da queda do pecado, de que Jesus, Filho de Deus, nos veio Libertar.
« In principio creavit Deus caelum et terram » (Gn 1,1). Haec verba sollemnia in limine sunt sacrae Scripturae. Symbolum fidei haec verba iterum sumit confitens Deum Patrem omnipotentem tamquam « Creatorem caeli et terrae », 117 « visibilium omnium et invisibilium ». 118 Imprimis igitur de Creatore loquemur, deinde de Eius creatione, denique de lapsu peccati, a quo ut nos liberaret, Filius Dei, Iesus Christus, venit.
§ 280
A criação é o fundamento de «todos os desígnios salvíficos de Deus», «o princípio da história da salvação» (103), que culmina em Cristo. Por seu lado, o mistério de Cristo derrama sobre o mistério da criação a luz decisiva; revela o fim, em vista do qual «no princípio Deus criou o céu e a terra» (Gn 1, 1): desde o princípio, Deus tinha em vista a glória da nova criação em Cristo (104).
Creatio relate « ad omnia incepta salvifica Dei » est fundamentum, « exordium historiae salutis », 119 quae in Christo culmen habet. Viceversa, Christi mysterium est lux decisiva pro mysterio creationis; illud finem revelat ob quem « in principio creavit Deus caelum et terram » (Gn 1,1): ab initio, Deus gloriam novae creationis in Christo intendebat. 120
§ 281
É  por isso que as leituras da Vigília Pascal, celebração da nova criação em Cristo, começam pela narrativa da criação. Do mesmo modo, na liturgia bizantina, a narrativa da criação constitui sempre a primeira leitura das vigílias das grandes festas do Senhor. Segundo o testemunho dos antigos, a instrução dos catecúmenos para o Baptismo segue o mesmo caminho (105).
Hac de causa, lectiones Vigiliae Paschalis, quae celebratio est novae creationis in Christo, a narratione incipiunt creationis; haec in liturgia Byzantina, in vigiliis magnorum Domini festorum, primam semper constituit lectionem. Secundum veterum testimonium, catechumenorum instructio ad Baptismum eandem sequitur viam. 121 I. Catechesis de creatione

O CRIADOR

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A catequese sobre a criação

§ 282
A catequese sobre a criação reveste-se duma importância capital. Diz respeito aos próprios fundamentos da vida humana e cristã, porque torna explícita a resposta da fé cristã à questão elementar que os homens de todos os tempos têm vindo a pôr-se: «De onde vimos?» «Para onde vamos?» «Qual a nossa origem?» «Qual o nosso fim?» «Donde vem e para onde vai tudo quanto existe?» As duas questões, da origem e, do fim, são inseparáveis. E são decisivas para o sentido e para a orientação da nossa vida e do nosso proceder.
Catechesis de creatione summi est momenti. Ad ipsa vitae humanae et christianae fundamenta refertur: etenim fidei christianae responsum explicat ad quaestionem elementariam quam homines omnium temporum sibi posuerunt: « Unde venimus? » « Quo imus? » « Quaenam origo est nostra? » « Quinam noster est finis? » « Unde venit et quo it quidquid exsistit? ». Hae duae quaestiones, originis nempe et finis, sunt inseparabiles. Decisivae sunt pro sensu et ordinatione nostrae vitae nostrique modi agendi.
§ 283
A questão das origens do mundo e do homem tem sido objecto de numerosas investigações científicas, que enriqueceram magnificamente os nossos conhecimentos sobre a idade e a dimensão do cosmos, a evolução dos seres vivos, o aparecimento do homem. Tais descobertas convidam-nos, cada vez mais, a admirar a grandeza do Criador e a dar-Lhe graças por todas as suas obras, e pela inteligência e saber que dá aos sábios e investigadores. Estes podem dizer com Salomão: «Foi Ele quem me deu a verdadeira ciência de todas as coisas, a fim de conhecer a constituição do Universo e a força dos elementos [...], porque a Sabedoria, que tudo criou, mo ensinou» (Sb 7, 17-21).
Quaestio de originibus mundi et hominis obiectum est plurium investigationum scientificarum, quae nostras cognitiones de aetate et dimensionibus mundi universi, de effectione formarum viventium, de prima hominis apparitione magnopere ditaverunt. Hae detectiones nos invitant ut magnitudinem Creatoris admiremur magis, Illi propter omnia Eius opera agamus gratias et propter intelligentiam et scientiam, quas Ipse doctis et investigatoribus praebet. Hi dicere possunt cum Salomone: « Ipse dedit mihi horum, quae sunt, scientiam veram, ut sciam dispositionem orbis terrarum et virtutes elementorum [...]; omnium enim artifex docuit me Sapientia » (Sap 7,17-21).
§ 284
O grande interesse atribuído a estas pesquisas é fortemente estimulado por uma questão de outra ordem, que ultrapassa o domínio próprio das ciências naturais. Porque não se trata apenas de saber quando e como surgiu materialmente o cosmos, nem quando é que apareceu o homem; mas, sobretudo, de descobrir qual o sentido de tal origem: se foi determinada pelo acaso, por um destino cego ou uma fatalidade anónima, ou, antes, por um Ser transcendente, inteligente e bom, chamado Deus. E se o mundo provém da sabedoria e da bondade de Deus, qual a razão do mal? De onde vem ele? Quem é por ele responsável? E será que existe uma libertação do mesmo?
Magna attentio his investigationibus concessa fortiter a quaestione alius ordinis stimulatur, quae campum proprium scientiarum naturalium excedit. Quaestio tantum non est, ut sciatur quando et quomodo universus mundus materialiter sit ortus neque quando homo apparuerit, sed ut potius detegatur quinam sit talis originis sensus: utrum illa casu regatur, fato caeco, anonyma necessitate, an ab Ente transcendenti, intelligenti et bono, quod Deus appellatur. Et si mundus a sapientia et bonitate Dei procedit, cur malum exsistit? Undenam illud venit? Quisnam est responsabilis illius? Habeturne ab eo liberatio?
§ 285
Desde os princípios que a fé cristã teve de defrontar-se com respostas, diferentes da sua, sobre a questão das origens. De facto, nas religiões e nas culturas antigas encontram-se muitos mitos relativos às origens. Certos filósofos disseram que tudo é Deus, que o mundo é Deus, ou que a evolução do mundo é a evolução de Deus (panteísmo): outros disseram que o mundo é uma emanação necessária de Deus, brotando de Deus como duma fonte e a Ele voltando; outros, ainda, afirmaram a existência de dois princípios eternos, o bem e o mal, a luz e as trevas, em luta permanente (dualismo, maniqueísmo). Segundo algumas destas concepções, o mundo (pelo menos o mundo material) seria mau, produto duma decadência e, portanto, objecto de repúdio ou de superação (gnose); outras admitem que o mundo tenha sido feito por Deus, mas à maneira dum relojoeiro que, depois de o ter feito, o abandonou a si mesmo (deísmo); outras, finalmente, rejeitam qualquer origem transcendente do mundo e vêem nele o puro jogo duma matéria que teria existido sempre (materialismo). Todas estas tentativas dão testemunho da permanência e universalidade do problema das origens. É uma busca própria do homem.
Ab initio, fides christiana invenitur coram responsis ad quaestionem circa origines diversis a sua. Sic in religionibus et culturis antiquis plures habentur mythi relate ad origines. Quidam philosophi dixerunt, omnia esse Deum, mundum esse Deum, vel fieri mundi esse fieri Dei (pantheismus); alii dixerunt mundum emanationem Dei esse necessariam, ab hoc orientem fonte et ad illum redeuntem; adhuc alii affirmaverunt duorum principiorum aeternorum exsistentiam, Boni et Mali, Lucis et Tenebrarum, in pugna permanenti (dualismus, manicheismus); secundum quasdam ex his conceptionibus, mundus (saltem mundus materialis) malus esset, cuiusdam decadentiae productus, et propterea reiiciendus et superandus (gnosis); alii admittunt, mundum factum esse a Deo, sed ad modum quo artifex facit horologium, ita ut, postquam illum fecerit, sibi ipsi dereliquerit (deismus); alii denique nullam admittunt mundi originem transcendentem, sed vident in illo purum ludum materiae quae semper exstitisset (materialismus). Omnia haec tentamina permanentiam et universalitatem quaestionis de originibus testantur. Haec investigatio propria est hominis.
§ 286
Não há dúvida de que a inteligência humana é capaz de encontrar uma resposta para a questão das origens. Com efeito, a existência de Deus Criador pode ser conhecida com certeza pelas suas obras, graças à luz da razão humana (106), mesmo que tal conhecimento muitas vezes seja obscurecido e desfigurado pelo erro. E é por isso que a fé vem confirmar e esclarecer a razão na compreensão exacta desta verdade: «Pela fé, sabemos que o mundo foi organizado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê provém de coisas invisíveis» (Heb 11, 3).
Ipsa humana intelligentia habet utique capacitatem quoddam responsum inveniendi quaestioni de originibus. Etenim exsistentia Dei Creatoris potest lumine rationis humanae per Eius opera certo cognosci, 122 quamquam haec cognitio saepe obscurata et deformata est errore. Hac de causa, fides rationem confirmat et illustrat in recta huius veritatis intelligentia. « Fide intelligimus aptata esse saecula Verbo Dei, ut ex invisibilibus visibilia facta sint » (Heb 11,3).
§ 287
A verdade da criação é tão importante para toda a vida humana que Deus, na sua bondade, quis revelar ao seu povo tudo quanto é salutar conhecer-se a esse propósito. Para além do conhecimento natural, que todo o homem pode ter do Criador (107), Deus revelou progressivamente a Israel o mistério da criação. Deus, que escolheu os patriarcas, que fez sair Israel do Egipto e que, escolhendo Israel, o criou e formou (108) revela-Se como Aquele a quem pertencem todos os povos da terra e toda a terra, como sendo o único que «fez o céu e a terra» (Sl 115, 15; 124, 8; 134, 3).
Veritas creationis tanti momenti est pro tota vita humana ut Deus, in Sua teneritudine, populo Suo revelare voluerit quidquid salutare est de hac re cognoscere. Ultra cognitionem naturalem quam quilibet homo potest de Creatore habere, 123 Deus progressive Israel mysterium creationis revelavit. Ille qui Patriarchas elegit, qui Israel eduxit de Aegypto et qui, Israel eligens, eum creavit et formavit, 124 Se revelat tamquam Illum cui omnes populi terrae pertinent, atque adeo universa terra, tamquam Illum qui solus « fecit caelum et terram » (Ps 115,15; 124,8; 134,3).
§ 288
Assim, a revelação da criação é inseparável da revelação e da realização da Aliança de Deus, o Deus Único, com o seu povo. A criação é revelada como o primeiro passo para esta Aliança, como o primeiro e universal testemunho do amor omnipotente de Deus (109). Por isso, a verdade da criação é expressa com vigor crescente na mensagem dos profetas (110), na oração dos salmos (111) e da liturgia, na reflexão da sabedoria (112) do Povo eleito.
Ita revelatio creationis a revelatione et effectione Foederis Unius Dei cum Eius populo inseparabilis est. Creatio revelata est tamquam primus gressus ad hoc Foedus, tamquam primum et universale omnipotentis amoris Dei testimonium. 125 Veritas creationis exprimitur etiam cum vi crescenti in Prophetarum nuntio, 126 in oratione psalmorum 127 et liturgiae, in sapientiali consideratione 128 populi electi.
§ 289
Entre tudo quanto a Sagrada Escritura nos diz sobre a criação, os três primeiros capítulos do Génesis ocupam um lugar único. Do ponto de vista literário, estes textos podem ter diversas fontes. Os autores inspirados puseram-nos no princípio da Escritura, de maneira a exprimirem, na sua linguagem solene, as verdades da criação, da sua origem e do seu fim em Deus, da sua ordem e da sua bondade, da vocação do homem, e enfim, do drama do pecado e da esperança da salvação. Lidas à luz de Cristo, na unidade da Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja, estas palavras continuam a ser a fonte principal para a catequese dos mistérios do «princípio»: criação, queda, promessa da salvação.
Inter omnia sacrae Scripturae de creatione verba, tria priora Genesis capita locum habent singularem. Sub ratione litteraria, hi textus diversos habere possunt fontes. Auctores inspirati eos initio Scripturae collocaverunt ita ut suo sermone sollemni exprimerent veritates creationis, eius originis et finis in Deo, eius ordinis et bonitatis, vocationis hominis, denique tragoediae peccati et spei salutis. Haec verba, lecta sub lumine Christi, in unitate sacrae Scripturae et in Traditione viva Ecclesiae, fons permanent principalis pro catechesi mysteriorum « initii »: creationis, lapsus, promissionis salutis. II. Creatio – Sanctissimae Trinitatis opus

O CRIADOR

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A criação – obra da Santíssima Trindade

§ 290
«No princípio, Deus criou o céu e a terra». Três coisas são afirmadas nestas primeiras palavras da Escritura: Deus eterno deu um princípio a tudo quanto existe fora d'Ele. Só Ele é criador (o verbo «criar» – em hebraico «bara» – tem sempre Deus por sujeito). E tudo quanto existe (expresso pela fórmula «o céu e a terra») depende d' Aquele que lhe deu o ser.
« In principio creavit Deus caelum et terram » (Gn 1,1): in his primis verbis Scripturae tria affirmantur: Deus aeternus initium dedit omnibus quae extra Illum exsistunt. Ille solus est Creator (verbum « creare » — hebraice bara — semper habet Deum tamquam subiectum). Universitas eorum quae exsistunt (expressa a formula « caelum et terra ») ab Illo dependet, qui ei esse dat.
§ 291
«No princípio era o Verbo [...] e o Verbo era Deus [...] Tudo se fez por meio d'Ele e, sem Ele, nada se fez» (Jo 1, 1-3). O Novo Testamento revela que Deus tudo criou por meio do Verbo eterno, seu Filho muito-amado. Foi n'Ele «que foram criados todos os seres que há nos céus e na terra [...]. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele. Ele é anterior a todas as coisas, e todas se mantêm por Ele» (Cl 1, 16-17). A fé da Igreja afirma igualmente a acção criadora do Espírito Santo: Ele é Aquele «que dá a vida» (113), «o Espírito Criador» (Veni, Creator Spiritus), a «Fonte de todo o bem» (114).
« In principio erat Verbum [...] et Deus erat Verbum. [...] Omnia per Ipsum facta sunt, et sine Ipso factum est nihil » (Io 1,1-3). Novum Testamentum revelat, Deum omnia per Verbum creasse aeternum, Suum Filium dilectum. « In Ipso condita sunt universa in caelis et in terra [...]. Omnia per Ipsum et in Ipsum creata sunt, et Ipse est ante omnia, et omnia in Ipso constant » (Col 1,16-17). Fides Ecclesiae actionem creatricem Spiritus Sancti pariter affirmat: Ille, quem profitemur « vivificantem », 129 est « Spiritus Creator » (« Veni, Creator Spiritus »), « bonitatis Fons ». 130
§ 292
Insinuada no Antigo Testamento (115) revelada na Nova Aliança, a acção criadora do Filho e do Espírito Santo, inseparavelmente unida à do Pai, é claramente afirmada pela regra de fé da Igreja: «Existe um só Deus. Ele é o Pai, é Deus, é o Criador, o Autor, o Ordenador. Fez todas as coisas por Si mesmo, quer dizer, pelo Seu Verbo e pela sua Sabedoria» (116) «pelo Filho e pelo Espírito» que são como «as suas mãos» (117). A criação é obra comum da Santíssima Trindade.
Actio creatrix Filii et Spiritus, cum illa Patris inseparabiliter una, adumbrata in Vetere Testamento, 131 in Novo Foedere revelata, clare a regula fidei affirmatur Ecclesiae: « Solus Hic Deus invenitur [...]: Hic Pater, Hic Deus, Hic Conditor, Hic Factor, Hic Fabricator, qui fecit ea per Semetipsum, hoc est per Verbum et per Sapientiam Suam »; 132 « Filius et Spiritus » sunt quasi « manus » Eius. 133 Creatio commune est opus Sanctissimae Trinitatis. III. « Mundus ad Dei gloriam conditus est »

O CRIADOR

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«O mundo foi criado para glória de Deus»

§ 293
É uma verdade fundamental, que a Escritura e a Tradição não cessam de ensinar e de celebrar: «O mundo foi criado para glória de Deus» (118). Deus criou todas as coisas, explica São Boaventura, «non propter gloriam augendam, sed propter gloriam manifestandam et propter gloriam suam communicandam – Não para aumentar a Sua glória, mas para a manifestar e para a comunicar » (119). Para criar, Deus não tem outra razão senão o seu amor e a sua bondade: «Aperta manu clave amoris creaturae prodierunt – As criaturas saíram da mão (de Deus) aberta pela chave do amor» (120). E o I Concílio do Vaticano explica:

«Na sua bondade e pela sua força omnipotente, não para aumentar a sua felicidade nem para adquirir a sua perfeição, mas para a manifestar pelos bens que concede às suas criaturas, Deus, no seu libérrimo desígnio, criou do nada simultaneamente e desde o princípio do tempo uma e outra criatura — a espiritual e a corporal» (121).

Veritas est fundamentalis, quam Scriptura et Traditio docere et celebrare non desinunt, « mundum ad Dei gloriam conditum esse ». 134 Deus omnia creavit, explicat sanctus Bonaventura « non [...] propter gloriam augendam, sed propter gloriam manifestandam et propter gloriam Suam communicandam ». 135 Deus enim nullam aliam rationem habere potest ad creandum, nisi Suum amorem Suamque bonitatem: « Aperta enim manu clave amoris, creaturae prodierunt ». 136 Concilium vero Vaticanum I explicat:

« Deus bonitate Sua et omnipotenti virtute non ad augendam Suam beatitudinem nec ad acquirendam, sed ad manifestandam perfectionem Suam per bona, quae creaturis impertitur, liberrimo consilio simul ab initio temporis utramque de nihilo condidit creaturam, spiritualem et corporalem ». 137

§ 294
A glória de Deus está em que se realize esta manifestação e esta comunicação da sua bondade, em ordem às quais o mundo foi criado. Fazer de nós «filhos adoptivos por Jesus Cristo. Assim aprouve à sua vontade, para que fosse enaltecida a glória da sua graça» (Ef 1, 5-6): «Porque a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus: se a revelação de Deus pela criação já proporcionou a vida a todos os seres que vivem na terra, quanto mais a manifestação do Pai pelo Verbo proporciona a vida aos que vêem a Deus!» (122). O fim último da criação é que Deus Pai, «criador de todos os seres, venha finalmente a ser 'tudo em todos' (1 Cor 15, 28), provendo, ao mesmo tempo, à sua glória e à nossa felicidade» (123).
Gloria Dei est ut haec manifestatio et haec communicatio Suae bonitatis, propter quas mundus creatus est, in rem ducantur. « Praedestinavit nos in adoptionem filiorum per Iesum Christum in Ipsum, secundum beneplacitum voluntatis Suae in laudem gloriae gratiae Suae » (Eph 1,5-6). « Gloria enim Dei vivens homo, vita autem hominis visio Dei. Si enim quae est per condicionem ostensio Dei vitam praestat omnibus in terra viventibus, multo magis ea quae est per Verbum manifestatio Patris vitam praestat his qui vident Deum ». 138 Finis ultimus creationis est ut Deus, « qui conditor est omnium, tandem fiat "omnia in omnibus" (1 Cor 15,28), gloriam Suam simul et beatitudinem nostram procurando ». 139 IV. Mysterium creationisDeus sapientia et amore creat

DEUS CRIA COM SABEDORIA E POR AMOR

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mistério da criação

§ 295
Acreditamos que Deus criou o mundo segundo a sua sabedoria (124). O mundo não é fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso. Acreditamos que ele procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade: «porque Vós criastes todas as coisas e, pela vossa vontade, elas receberam a existência e foram criadas» (Ap 4, 11). «Como são grandes, Senhor, as vossas obras! Tudo fizestes com sabedoria» (Sl 104, 24). «O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia estende-se a todas as criaturas» (Sl 145, 9).
Credimus Deum secundum Suam sapientiam creasse mundum. 140 Hic cuiuslibet necessitatis, fati caeci aut casus non est effectus. Credimus eum a voluntate libera procedere Dei, qui creaturas voluit efficere Sui esse, Suae sapientiae et Suae bonitatis participes. « Tu creasti omnia, et propter voluntatem Tuam erant et creata sunt » (Apc 4,11). « Quam multiplicata sunt opera Tua, Domine! Omnia in sapientia fecisti » (Ps 104,24). « Suavis Dominus universis, et miserationes Eius super omnia opera Eius » (Ps 145,9).

DEUS CRIA «DO NADA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mistério da criação

§ 296
Acreditamos que Deus não precisa de nada preexistente, nem de qualquer ajuda, para criar (124). A criação tão pouco é uma emanação necessária da substância divina (126). Deus cria livremente «do nada» (127):

«Que haveria de extraordinário, se Deus tivesse tirado o mundo duma matéria preexistente? Um artista humano, quando se lhe dá um material, faz dele o que quer. O poder de Deus, porém, mostra-se precisamente quando parte do nada para fazer tudo o que quer» (128).

Credimus Deum nulla re praeexsistenti neque ullo adiutorio egere ad creandum. 141 Neque creatio emanatio est necessaria e divina substantia. 142 Deus libere creat « ex nihilo »: 143

« Quid autem magni esset, si Deus ex materia subiecta mundum faceret? Opifex enim apud nos cum materiam ab aliquo acceperit ex ea quidquid placuerit effingit. Dei autem potentia in eo spectatur, ut ex nihilo faciat quaecumque voluerit ». 144

§ 297
A fé na criação a partir «do nada» é testemunhada na Escritura como uma verdade cheia de promessa e de esperança. É assim que a mãe dos sete filhos os anima ao martírio:

«Não sei como aparecestes no meu seio; não fui eu que vos dei a respiração e a vida, nem fui eu que dispus os membros que compõem cada um de vós. Por isso, o Criador do mundo, que formou o homem à nascença e concebeu todas as coisas na sua origem, vos dará novamente, na sua misericórdia, a respiração e a vida, uma vez que vos desprezais agora a vós próprios, por amor às suas leis [...] Peço-te, meu filho, que olhes para o céu e para a terra. Vê todas as coisas que neles se encontram, para saberes que Deus não as fez do que já existia, e que o mesmo sucede com o género humano» (2 Mac 7, 22-23.28).

Fidem de creatione « ex nihilo » Scriptura testatur tamquam plenam promissionis et spei veritatem. Ita mater septem filiorum eos ad martyrium excitat:

« Nescio qualiter in utero meo apparuistis neque ego spiritum et vitam donavi vobis et singulorum vestrorum compagem non sum ego modulata; sed enim mundi Creator, qui formavit hominis nativitatem quique omnium invenit originem et spiritum et vitam vobis cum misericordia reddet, sicut nunc vosmetipsos despicitis propter leges Eius. [...] Peto, nate, ut aspicias ad caelum et terram et quae in ipsis sunt, universa videns intelligas quia non ex his, quae erant, fecit illa Deus; et hominum genus ita fit » (2 Mac 7,22-23.28).

§ 298
Uma vez que Deus pode criar «do nada», também pode, pelo Espírito Santo, dar a vida da alma aos pecadores, criando neles um coração puro e a vida do corpo aos defuntos, pela ressurreição. Ele que «dá a vida aos mortos e chama o que não existe como se já existisse» (Rm 4, 17). E como, pela sua palavra, pôde fazer que das trevas brilhasse a luz (130), pode também dar a luz da fé aos que a ignoram (131).
Quia Deus ex nihilo creare potest, potest etiam per Spiritum Sanctum vitam animae peccatoribus donare cor purum in illis creans, 145 et defunctis vitam corporis per resurrectionem, Ille « qui vivificat mortuos et vocat ea, quae non sunt, quasi sint » (Rom 4,17). Et quia per Verbum Suum potuit efficere ut lux e tenebris splendesceret, 146 etiam lumen fidei donare potest eis qui Illum ignorant. 147Deus mundum ordinatum creat et bonum

DEUS CRIA UM MUNDO ORDENADO E BOM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mistério da criação

§ 299
Uma vez que Deus cria com sabedoria, a criação possui ordem. «Dispusestes tudo com medida, número e peso» (Sb 11, 20). Criada no Verbo e pelo Verbo eterno, «que é a imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15), a criação destina-se e orienta-se para o homem, imagem de Deus (132), chamado ele próprio a uma relação pessoal com Deus. A nossa inteligência, participante da luz do intelecto divino, pode entender o que Deus nos diz pela sua criação (133), sem dúvida com grande esforço e num espírito de humildade e de respeito perante o Criador e a sua obra (134). Saída da bondade divina, a criação partilha dessa bondade («E Deus viu que isto era bom [...] muito bom»: Gn 1, 4. 10. 12. 18. 21. 31). Porque a criação é querida por Deus como um dom orientado para o homem, como herança que lhe é destinada e confiada. A Igreja, em diversas ocasiões, viu-se na necessidade de defender a bondade da criação, mesmo a do mundo material (135).
Si Deus cum sapientia creat, creatio ordinata est: « omnia in mensura et numero et pondere disposuisti » (Sap 11,20). Illa in aeterno Verbo et per aeternum Verbum, quod « est imago Dei invisibilis » (Col 1,15), creata, homini destinatur et ad eum dirigitur, imaginem Dei, 148 et ipsum ad relationem personalem cum Deo vocatum. Nostra intelligentia, particeps luminis Intellectus divini, potest intelligere id quod nobis Deus per creationem dicit, 149 utique non sine magno nisu et in spiritu humilitatis atque reverentiae coram Creatore Eiusque opere. 150 Creatio, e divina bonitate orta, hanc participat bonitatem (« Et vidit Deus quod esset bona [...] valde bona »: Gn 1,4.10.12.18.21.31). Deus enim creationem voluit tamquam donum homini designatum, tamquam hereditatem illi destinatam et concreditam. Ecclesia pluries bonitatem creationis, inclusa mundi materialis bonitate, defendere debuit. 151Deus creationem transcendit eique est praesens

DEUS TRANSCENDE A CRIAÇÃO E ESTÁ PRESENTE NELA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mistério da criação

§ 300
Deus é infinitamente maior do que todas as suas obras (136): «A vossa majestade está acima dos céus» (Sl 8, 2), «insondável é a sua grandeza» (Sl 145, 3). Mas, porque Ele é o Criador soberano e livre, causa primeira de tudo quanto existe, está presente no mais íntimo das suas criaturas: «É n'Ele que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 28). Segundo as palavras de Santo Agostinho, Ele é «superior summo meo et interior intimo meo — Deus está acima do que em mim há de mais elevado e é mais interior do que aquilo que eu tenho de mais íntimo» (137).
Deus omnibus operibus Suis est infinite maior: 152 « elevata est magnificentia » Eius « super caelos » (Ps 8,2), « magnitudinis Eius non est investigatio » (Ps 145,3). Sed quia Ille Creator sublimis est et liber, prima omnium exsistentium causa, creaturarum Suarum ultimae intimitati est praesens: « In Ipso enim vivimus, movemur et sumus » (Act 17,28). Secundum sancti Augustini verba, Ipse est « interior intimo meo et superior summo meo ». 153Deus creationem conservat et sustinet

DEUS SUSTENTA E CONDUZ A CRIAÇÃO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mistério da criação

§ 301
Depois da criação, Deus não abandona a criatura a si mesma. Não só lhe dá o ser e o existir, mas a cada instante a mantém no ser, lhe dá o agir e a conduz ao seu termo. Reconhecer esta dependência total do Criador é fonte de sabedoria e de liberdade, de alegria e de confiança:

«Vós amais tudo quanto existe e não tendes aversão a coisa alguma que fizestes: se tivésseis detestado alguma criatura, não a teríeis formado. Como poderia manter-se qualquer coisa, se Vós não quisésseis? Como é que ela poderia durar, se não a tivésseis chamado à existência? Poupais tudo, porque tudo é vosso, ó Senhor, que amais a vida» (Sb 11, 24-26).

Post creationem, Deus Suam sibi ipsi non derelinquit creaturam. Ei non solum esse et exsistere praebet, sed eam in « esse » singulis conservat momentis, ei agere tribuit eamque ad eius ducit terminum. Hanc absolutam relate ad Creatorem agnoscere dependentiam fons est sapientiae et libertatis, gaudii et fiduciae:

« Diligis enim omnia, quae sunt, et nihil odisti eorum, quae fecisti; nec enim, si odisses, aliquid constituisses. Quomodo autem posset aliquid permanere, nisi Tu voluisses? Aut, quod a Te vocatum non esset, conservaretur? Parcis autem omnibus, quoniam Tua sunt, Domine, qui amas animas » (Sap 11,24-26).

DEUS SUSTENTA E CONDUZ A CRIAÇÃO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Deus realiza o seu desígnio: a divina Providência

§ 302
A criação tem a sua bondade e a sua perfeição próprias, mas não saiu totalmente acabada das mãos do Criador. Foi criada «em estado de caminho» («in statu viae») para uma perfeição última ainda a atingir e a que Deus a destinou. Chamamos divina Providência às disposições pelas quais Deus conduz a sua criação em ordem a essa perfeição:

«Deus guarda e governa, pela sua Providência, tudo quanto criou, "atingindo com força dum extremo ao outro e dispondo tudo suavemente" (Sb 8, 1). Porque "tudo está nu e patente a seus olhos" (Heb 4, 13), mesmo aquilo que depende da futura acção livre das criaturas» (138).

Creatio propriam habet bonitatem propriamque perfectionem, sed e Creatoris manibus prorsus absoluta non exiit. Creata est « in statu viae » versus perfectionem ultimam adhuc obtinendam, ad quam Deus illam destinavit. Divinam appellamus providentiam dispositiones per quas Deus Suam creationem in hanc ducit perfectionem.

« Universa vero, quae condidit, Deus providentia Sua tuetur atque gubernat, "attingens a fine usque ad finem fortiter et disponens omnia suaviter" (Sap 8,1). "Omnia enim nuda et aperta sunt oculis Eius" (Heb 4,13), ea etiam, quae libera creaturarum actione futura sunt ». 154

§ 303
É unânime, a este respeito, o testemunho da Escritura: a solicitude da divina Providência é concreta e imediata, cuida de tudo, desde os mais insignificantes pormenores até aos grandes acontecimentos do mundo e da história. Os livros santos afirmam, com veemência, a soberania absoluta de Deus no decurso dos acontecimentos: «Tudo quanto Lhe aprouve, o nosso Deus o fez, no céu e na terra» (Sl 115, 3); e de Cristo se diz: «que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre» (Ap 3, 7); «há muitos projectos no coração do homem, mas é a vontade do Senhor que prevalece» (Pr 19, 21).
Unanime est testimonium Scripturae: divinae providentiae sollicitudo concreta est et immediata, curae habet omnia a minimis rebus usque ad magnos mundi et historiae eventus. Libri sancti fortiter affirmant absolutum Dei dominatum in eventuum cursu: « Deus autem noster in caelo; omnia, quaecumque voluit, fecit » (Ps 115,3); et de Christo dicitur: « qui aperit et nemo claudet, et claudit et nemo aperit » (Apc 3,7); « Multae cogitationes in corde viri, voluntas autem Domini permanebit » (Prv 19,21).
§ 304
É assim que, muitas vezes, vemos o Espírito Santo, autor principal da Sagrada Escritura, atribuir a Deus certas acções, sem mencionar causas-segundas. Isso não é «uma maneira de dizer» primitiva, mas sim um modo profundo de afirmar o primado de Deus e o seu senhorio absoluto sobre a história e sobre o mundo (139) e de ensinar a ter confiança n'Ele. A oração dos Salmos é, aliás, a grande escola desta confiança (140).
Sic apparet Spiritum Sanctum, sacrae Scripturae auctorem principalem, Deo actiones saepe tribuere, quin causarum secundarum faciat mentionem. Ibi priscus non habetur « modus loquendi », sed profundus modus primatum Dei et Eius absolutum dominatum supra historiam et mundum in memoriam revocandi 155 atque ita educandi ad fiduciam in Illum. Psalmorum precatio huius fiduciae magna est schola. 156
§ 305
Jesus reclama um abandono filial à Providência do Pai celeste, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos: «Não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? Que havemos de beber? [...] Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo» (Mt 6, 31-33) (141).
Iesus postulat filialem derelictionem in providentiam Patris caelestis, qui minimas filiorum Suorum necessitates habet curae: « Nolite ergo solliciti esse dicentes: "Quid manducabimus?", aut: "Quid bibemus?" [...]. Scit enim Pater vester caelestis quia his omnibus indigetis. Quaerite autem primum Regnum Dei et iustitiam eius, et haec omnia adicientur vobis » (Mt 6,31-33). 157 Providentia et causae secundae

A PROVIDÊNCIA E AS CAUSAS SEGUNDAS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Deus realiza o seu desígnio: a divina Providência

§ 306
Deus é o Senhor soberano dos seus planos. Mas, para a realização dos mesmos, serve-Se também do concurso das criaturas. Isto não é um sinal de fraqueza, mas da grandeza e bondade de Deus omnipotente. É que Ele não só permite às suas criaturas que existam, mas confere-lhes a dignidade de agirem por si mesmas, de serem causa e princípio umas das outras e de cooperarem, assim, na realização do seu desígnio.
Deus consilii Sui summus est Dominus. Sed ut illud ducat in rem, creaturarum etiam utitur concursu. In hoc non habetur debilitatis signum, sed magnitudinis et bonitatis omnipotentis Dei. Deus enim non solum creaturis donat ut exsistant, sed dignitatem ut ipsae agant, ut aliae aliarum causae sint et principia et ut sic ad impletionem consilii Eius cooperentur.
§ 307
Aos homens, Deus concede mesmo poderem participar livremente na sua Providência, confiando-lhes a responsabilidade de «submeter» a terra e dominá-la (142). Assim lhes concede que sejam causas inteligentes e livres, para completar a obra da criação, aperfeiçoar a sua harmonia, para o seu bem e o dos seus semelhantes. Cooperadores muitas vezes inconscientes da vontade divina, os homens podem entrar deliberadamente no plano divino, pelos seus actos e as suas orações, como também pelos seus sofrimentos (143). Tornam-se, então, plenamente «colaboradores de Deus» (1 Cor 3, 9)(144) e do seu Reino(145).
Hominibus Deus potestatem etiam largitur providentiam libere participandi Suam, illis responsabilitatem concredens terram subiiciendi eique dominandi. 158 Sic Deus hominibus praestat ut causae intelligentes sint et liberae ad creationis opus complendum eiusque harmoniam pro sui ipsorum et proximorum bono perficiendam. Homines, cooperatores voluntatis divinae saepe inconscii, consilium divinum possunt deliberate ingredi suis actionibus, suis precibus, sed etiam suis doloribus. 159 Sic « Dei [...] adiutores » (1 Cor 3,9) 160 Eiusque Regni 161 plene fiunt.
§ 308
Esta é uma verdade inseparável da fé em Deus Criador: Deus age em toda a acção das suas criaturas. É Ele a causa-primeira, que opera nas e pelas causas-segundas: «É Deus que produz em nós o querer e o operar, segundo o seu beneplácito» (Fl 2, 13)(146). Longe de diminuir a dignidade da criatura, esta verdade realça-a. Tirada «do nada» pelo poder, sabedoria e bondade de Deus, a criatura separada da sua origem, nada pode, porque «a criatura sem o Criador esvai-se» (147). Muito menos pode atingir o seu fim último, sem a ajuda da graça (148).
A fide in Deum Creatorem haec veritas est inseparabilis: Deus in omni actione creaturarum Suarum agit. Ille causa est prima quae in causis secundis et per eas operatur: « Deus est enim, qui operatur in vobis et velle et perficere pro Suo beneplacito » (Phil 2,13). 162 Haec veritas non solum creaturae non minuit dignitatem, sed eam extollit. Illa, a Dei potentia, sapientia et bonitate, ex nihilo effecta, nihil potest, si a sua origine abscindatur; « creatura enim sine Creatore evanescit »; 163 multo minus potest finem suum ultimum consequi sine gratiae adiutorio. 164Providentia et mali scandalum

A PROVIDÊNCIA E O ESCÂNDALO DO MAL

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Deus realiza o seu desígnio: a divina Providência

§ 309
Se Deus Pai todo-poderoso, Criador do mundo ordenado e bom, tem cuidado com todas as suas criaturas, porque é que o mal existe? A esta questão, tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, não é possível dar uma resposta rápida e satisfatória. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta questão: a bondade da criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela Encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pela agregação à Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir, mas à qual podem, também de antemão, negar-se, por um mistério terrível. Não há nenhum pormenor da mensagem cristã que não seja, em parte, resposta ao problema do mal.
Si Deus Pater omnipotens, mundi ordinati et boni Creator, omnes creaturas Suas curae habet, cur malum exsistit? Huic tam urgenti quam inevitabili, tam dolorosae quam arcanae quaestioni nulla sufficiet festina responsio. Fidei christianae complexus huic quaestioni responsum constituit: creationis bonitas, peccati tragoedia, patiens amor Dei qui homini praevenit Suis Foederibus, Filii Sui Incarnatione redemptrice, Spiritus dono, Ecclesiae convocatione, sacramentorum virtute, ad vitam beatam vocatione, cui liberae creaturae praevie invitantur ut consentiant, sed a qua illae etiam praevie, terribili mysterio, se substrahere possunt. Nulla nuntii christiani habetur ratio quae, partim, quaestioni de malo responsum non sit.
§ 310
Mas, porque é que Deus não criou um mundo tão perfeito que nenhum mal pudesse existir nele? No seu poder infinito, Deus podia sempre ter criado um mundo melhor (149). No entanto, na sua sabedoria e bondade infinitas, Deus quis livremente criar um mundo «em estado de caminho» para a perfeição última. Este devir implica, no desígnio de Deus, juntamente com o aparecimento de certos seres, o desaparecimento de outros; o mais perfeito, com o menos perfeito; as construções da natureza, com as suas destruições. Com o bem físico também existe, pois, o mal físico, enquanto a criação não tiver atingido a perfeição (150).
Cur Deus mundum sic perfectum non creavit ut nullum malum in illo exsistere posset? Deus, secundum Suam potentiam infinitam, semper aliquid melius posset creare. 165 Attamen Deus in Sua sapientia et bonitate infinitis mundum « in statu viae » in eius ultimam perfectionem versus libere creare voluit. Hic processus implicat, in consilio Dei, cum quorumdam entium apparitione disparitionem aliorum, cum perfectiore etiam minus perfectum, cum naturae constructionibus etiam destructiones. Sic cum bono physico etiam malum physicum exsistit, donec creatio perfectionem suam non fuerit consecuta. 166
§ 311
Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para o seu último destino por livre escolha e amor preferencial. Podem, por conseguinte, desviar-se. De facto, pecaram. Foi assim que entrou no mundo o mal moral, incomensuravelmente mais grave que o mal físico. Deus não é, de modo algum, nem directa nem indirectamente, causa do mal moral (151). No entanto, permite-o por respeito pela liberdade da sua criatura e misteriosamente sabe tirar dele o bem:

«Deus todo-poderoso [...] sendo soberanamente bom, nunca permitiria que qualquer mal existisse nas suas obras se não fosse suficientemente poderoso e bom para do próprio mal, fazer surgir o bem» (152).

Angeli et homines, creaturae intelligentes et liberae, in suum finem ultimum, per electionem liberam et amorem praeferentiae, ambulare debent. Propterea deviare possunt. De facto peccaverunt. Sic malum morale, sine comparatione gravius quam malum physicum, mundum est ingressum. Deus nullo modo, neque directe neque indirecte, causa est mali moralis. 167 Illud tamen permittit, creaturae Suae observans libertatem, et modo arcano scit ex illo bonum adducere:

« Neque enim Deus omnipotens [...], cum summe bonus sit, ullo modo sineret mali esse aliquid in operibus Suis nisi usque adeo esset omnipotens et bonus ut bene faceret et de malo ». 168

§ 312
Assim, com o tempo, é possível descobrir que Deus, na sua omni­potente Providência, pode tirar um bem das consequências dum mal (mesmo moral), causado pelas criaturas: «Não, não fostes vós – diz José a seus irmãos – que me fizestes vir para aqui. Foi Deus. [...] Premeditastes contra mim o mal: o desígnio de Deus aproveitou-o para o bem [...] e um povo numeroso foi salvo» (Gn, 45, 8; 50, 20) (153). Do maior mal moral jamais praticado, como foi o repúdio e a morte do Filho de Deus, causado pelos pecados de todos os homens, Deus, pela superabundância da sua graça (154), tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa redenção. Mas nem por isso o mal se transforma em bem.
Sic, tempore decurrente, detegi potest, Deum, in Sua omnipotenti providentia, bonum adducere posse ex consequentiis mali, etiam moralis, a Suis creaturis patrati: « Non vestro consilio, sed Dei voluntate huc missus sum. [...] Vos cogitastis de me malum; sed Deus vertit illud in bonum ut [...] salvos faceret multos populos » (Gn 45,8; 50,20). 169 Deus e maximo malo morali quod unquam commissum fuerit, e reiectione et occisione Filii Dei, omnium hominum peccatis causata, per gratiae Suae superabundantiam, 170 maximum adduxit bonorum: glorificationem Christi et nostram Redemptionem. Non tamen propterea malum efficitur bonum.
§ 313
«Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade:

Assim, Santa Catarina de Sena diz aos «que se escandalizam e se revoltam contra o que lhes acontece»: «Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem, e não com nenhum outro fim» (155).

E S. Tomás Moro, pouco antes do seu martírio, consola a filha com estas palavras: «Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom»(156).

E Juliana de Norwich: «Compreendi, pois, pela graça de Deus, que era necessário ater-me firmemente à fé [...] e crer, com não menos firmeza, que todas as coisas serão para bem [...]». «Thou shalt see thyself that all manner of thing shall be well» (157).

« Diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum » (Rom 8,28). Sanctorum testimonium hanc veritatem confirmare non desinit. 

Sic sancta Catharina Senensis dicit ad eos « qui cum multa scandalizantur impatientia » et contra id insurgunt quod eis accidit: « Omnia ex amore data sunt et ut saluti hominis provideatur, et non propter ullum alium finem ». 171

Et sanctus Thomas More, paulo ante martyrium, filiam consolatur suam: « Nihil contingere potest, quod Deus non velit. Quidquid autem Ille vult, utcumque nobis malum videatur, est tamen vere optimum ». 172

Et domina Iuliana de Norwich: « Didici ergo, per gratiam Dei, oportere, me firmiter ad fidem adhaerere [...] atque cum fortitudine credere omnia rerum genera futura esse bona [...]. Tu ipsa videbis omnia rerum genera bona esse futura » (« Thou shalt see thyself that all manner of thing shall be well »). 173

§ 314
Nós cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Muitas vezes, porém, os caminhos da sua Providência são-nos desconhecidos. Só no fim, quando acabar o nosso conhecimento parcial e virmos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12), é que nos serão plenamente conhecidos os caminhos pelos quais, mesmo através do mal e do pecado, Deus terá conduzido a criação ao repouso desse Sábado (158) definitivo, em vista do qual criou o céu e a terra.Resumindo:
Firmiter credimus, Deum Dominum mundi esse et historiae. Sed viae providentiae Eius saepe nobis ignotae sunt. Solum in termino, cum nostra partialis cognitio finietur, cum Deum « facie ad faciem » (1 Cor 13,12) videbimus, nobis plene cognitae erunt viae, quibus, etiam per mali et peccati tragoedias, Deus creationem Suam usque ad quietem illius Sabbati 174 deducet definitivi, propter quod caelum et terram creavit.Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 315
Na criação do mundo e do homem, Deus deu o primeiro e universal testemunho do seu amor omnipotente e da sua sabedoria e fez o primeiro anúncio do seu «desígnio amoroso», o qual tem como finalidade a nova criação em Cristo.
Deus in mundi et hominis creatione primum et universale protulit testimonium Sui amoris omnipotentis Suaeque sapientiae, primum nuntium Sui « benevolentis consilii », quod in nova creatione in Christo suum invenit finem.
§ 316
Embora a obra da criação seja particularmente atribuída ao Pai, é igualmente verdade de fé que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são o único e indivisível princípio da criação.
Licet opus creationis peculiariter Patri attribuatur, est pariter fidei veritas Patrem, Filium et Spiritum Sanctum unum et indivisibile principium esse creationis.
§ 317
Só Deus criou o Universo, livremente, directamente, sem qualquer ajuda.
Deus solus mundum libere, directe, sine ullo creavit adiutorio.
§ 318
Nenhuma criatura possui o poder infinito necessário para «criar», no sentido próprio da palavra: quer dizer; para produzir e dar o ser ao que de modo algum o possuía (chamar à existência «ex nihilo» a partir do nada) (159).
Nulla creatura potestatem habet infinitam, quae necessaria est ad « creandum » in proprio verbi sensu, id est, ad producendum et donandum esse ei quod id nullatenus habebat (vocare « ex nihilo » ad exsistentiam). 175
§ 319
Deus criou o mundo para manifestar e comunicar a sua glória. Que as criaturas partilhem da sua verdade, da sua bondade e da sua beleza – eis a glória, para a qual Deus as criou.
Deus mundum creavit ad Suam gloriam manifestandam et communicandam. Gloria propter quam Deus Suas creavit creaturas, est ut ipsae Eius veritatem, Eius bonitatem et Eius participent pulchritudinem.
§ 320
Deus, que criou o universo, mantém-no na existência pelo seu Verbo; «o Filho tudo sustenta com a sua palavra poderosa» (He 1, 3) e pelo seu Espírito criador que dá a vida.
Deus, qui mundum creavit universum, eum in exsistentia conservat per Verbum, Filium Suum qui portat « omnia verbo virtutis Suae » (Heb 1,3), et per Spiritum Suum Creatorem vivificantem.
§ 321
A divina Providência consiste nas disposições pelas quais Deus conduz, com sabedoria e amor; todas as criaturas, para o seu último fim.
Divina providentia dispositiones sunt quibus Deus, cum sapientia et amore, omnes creaturas Suas usque ad ultimum earum conducit finem.
§ 322
Cristo convida-nos a abandonarmo-nos filialmente à Providência do Pai dos céus (160); o apóstolo São Pedro retoma o seu pensamento ao dizer: «Lançai sobre Deus toda a vossa inquietação porque Ele vela por vós» (1 Pe 5, 7)(161).
Christus nos ad filialem invitat derelictionem in providentiam nostri Patris caelestis, 176 et sanctus apostolus Petrus repetit: vivite « omnem sollicitudinem vestram proicientes in Eum, quoniam Ipsi cura est de vobis » (1 Pe 5,7). 177
§ 323
A Providência divina também age pela acção das criaturas. Aos seres humanos, Deus permite-lhes cooperar livremente com os seus desígnios.
Providentia divina etiam per actionem agit creaturarum. Deus hominibus tribuit ut libere Eius consiliis cooperentur.
§ 324
A permissão divina do mal físico e do mal moral é um mistério, que Deus esclarece por seu Filho Jesus Cristo, morto e ressuscitado para vencer o mal. A fé dá-nos a certeza de que Deus não permitiria o mal, se do próprio mal não fizesse sair o bem, por caminhos que só na vida eterna conheceremos plenamente.
Divina mali physici et mali moralis permissio mysterium est, quod Deus per Filium Suum, Iesum Christum, mortuum et resuscitatum ad malum vincendum, illuminat. Fides nobis certitudinem praebet de eo quod Deus malum non permitteret, nisi Ille ex ipso malo oriri faceret bonum, viis quas non nisi in vita aeterna plene cognoscemus. (117) Symbolum apostolicum: DS 30. (118) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (119) Sacra Congregatio pro Clericis, Directorium catechisticum generale, 51: AAS 64 (1972) 128. (120) Cf Rom 8,18-23. (121) Cf Egeria, Itinerarium seu Peregrinatio ad loca sancta 46, 2: SC 296, 308; PLS 1, 1089-1090; Sanctus Augustinus, De catechizandis rudibus 3, 5: CCL 46, 124 (PL 40, 313). (122) Cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, De Revelatione, canon 1: DS 3026. (123) Cf Act 17,24-29; Rom 1,19-20. (124) Cf Is 43,1. (125) Cf Gn 15,5; Ier 33,19-26. (126) Cf Is 44,24. (127) Cf Ps 104. (128) Cf Prv 8,22-31. (129) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (130) Liturgia Byzantina, 2um Sticherum Vesperarum Dominicae Pentecostes: Pentekostarion (Romae 1883) p. 408. (131) Cf Ps 33,6; 104,30; Gn 1,2-3. (132) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 2, 30, 9: SC 294, 318-320 (PG 7, 822). (133) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4, 20, 1: SC 100, 626 (PG 7, 1032). (134) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, De Deo rerum omnium Creatore, canon 5: DS 3025. (135) Sanctus Bonaventura, In secundum librum Sententiarum, dist. 1, p. 2, a. 2, q. 1, concl.: Opera omnia, v. 2 (Ad Claras Aquas 1885) p. 44. (136) Sanctus Thomas Aquinas, Commentum in secundum librum Sententiarum, Prologus: Opera omnia, v. 8 (Parisiis 1873) p. 2.(137) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002. (138) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4, 20, 7: SC 100, 648 (PG 7, 1037). (139) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948.(140) Cf Sap 9,9.(141) Cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002.(142) Cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, De Deo rerum omnium Creatore, canones 1-4: DS 3023-3024. (143) Concilium Lateranense IV, Cap. 2, De fide catholica: DS 800; Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, De Deo rerum omnium Creatore, canon 5: DS 3025. (144) Sanctus Theophilus Antiochenus Ad Autolycum, 2, 4: SC 20, 102 (PG 6, 1052). (145) Cf Ps 51,12. (146) Cf Gn 1,3. (147) Cf 2 Cor 4,6. (148) Cf Gn 1,26. (149) Cf Ps 19,2-5. (150) Cf Iob 42,3. (151) Cf Sanctus Leo Magnus, Epistula Quam laudabiliter: DS 286; Concilium Bracarense I, Anathematismi praesertim contra Priscillianistas, 5-13: DS 455-463; Concilium Lateranense IV, Cap. 2, De fide catholica: DS 800; Concilium Florentinum, Decretum pro Iacobitis: DS 1333; Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002. (152) Cf Eccli 43, 30. (153) Sanctus Augustinus, Confessiones, 3, 6, 11: CCL 27, 33 (PL 32, 688).(154) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3003.(155) Cf Is 10,5-15; 45,5-7; Dt 32,39; Eccli 11,14. (156) Cf Ps 22; 32; 35; 103; 138; et alii. (157) Cf Mt 10,29-31. (158) Cf Gn 1,26-28. (159) Cf Col 1,24. (160) Cf 1 Thess 3,2. (161) Cf Col 4,11. (162) Cf 1 Cor 12,6. (163) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054. (164) Cf Mt 19,26; Io 15,5; Phil 4,13. (165) Cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I, q. 25, a. 6: Ed. Leon. 4, 298-299. (166) Cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa contra gentiles, 3, 71: Ed. Leon. 14, 209-211. (167) Cf Sanctus Augustinus, De libero arbitrio, 1, 1, 1: CCL 29, 211 (PL 32, 1221-1223); Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 79, a. 1: Ed. Leon. 7, 76-77. (168) Sanctus Augustinus, Enchiridion de fide, spe et caritate, 3, 11: CCL 46, 53 (PL 40, 236). (169) Cf Tb 2,12-18 vulg. (170) Cf Rom 5,20. (171) Sancta Catharina Senensis, Il dialogo della Divina provvidenza 138: ed. G. Cavallini (Roma 1995) p. 441. (172) Margarita Roper, Epistula ad Aliciam Alington (mense augusti 1534): The Correspondence of Sir Thomas More, ed. E.F. Rogers (Princeton 1947) p. 531-532. (173) Iuliana de Norwich, Revelatio 13, 32: A Book of Showings to the Anchoress Julian of Norwich, ed. E. Colledge-J. Walsh, vol. 2 (Toronto 1978) p. 426 et 422. (174) Cf Gn 2,2. (175) Cf Sacra Congregatio Studiorum, Decretum (27 iulii 1914): DS 3624.(176) Cf Mt 6,26-34.(177) Cf Ps 55,23.

CÉU E A TERRA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 325
O Símbolo dos Apóstolos professa que Deus é «Criador do céu e da terra» (162). E o Símbolo Niceno-Constantinopolitano explicita: «... de todas as coisas, visíveis e invisíveis» (163).
Symbolum Apostolicum Deum « Creatorem caeli et terrae » 178 profitetur esse, et Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum explicat: « ...visibilium omnium et invisibilium ». 179
§ 326
Na Sagrada Escritura, a expressão «céu e terra» significa: tudo o que existe, a criação inteira. Indica também o laço que, no interior da criação, ao mesmo tempo une e distingue céu e terra: «a terra» é o mundo dos homens (164); «o céu» ou «os céus» pode designar o firmamento (165), mas também o «lugar» próprio de Deus: «Pai nosso que estais nos céus» (Mt 5, 16)(166), e, por conseguinte, também «o céu» que é a glória escatológica. Finalmente, a palavra «céu» indica o «lugar» das criaturas espirituais – os anjos – que rodeiam Deus.
In sacra Scriptura, locutio « caelum et terra » significat: totum quod exsistit, universam creationem. Etiam indicat vinculum, quod, intra creationem, simul caelum et terram unit et distinguit: « Terra » est mundus hominum. 180 « Caelum » vel « caeli » firmamentum potest denotare, 181 sed etiam « locum » proprium Dei: Patris nostri, « qui in caelis est » (Mt 5,16); 182 et consequenter etiam « caelum » quod gloria est eschatologica. Verbum « caelum » denique indicat « locum » creaturarum spiritualium — angelorum — qui Deum circumstant.
§ 327
A profissão de fé do quarto Concílio de Latrão afirma que Deus, «desde o princípio do tempo, criou do nada ao mesmo tempo uma e outra criatura, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre. Depois criou a criatura humana, que participa das duas primeiras, formada, como é, de espírito e corpo» (167).
Professio fidei Concilii Lateranensis quarti affirmat: Deus « simul ab initio temporis utramque de nihilo condidit creaturam, spiritualem et corporalem, angelicam videlicet et mundanam: ac denique humanam, quasi communem ex spiritu et corpore constitutam ». 183I. Angeli Exsistentia angelorum – fidei veritas

A EXISTÊNCIA DOS ANJOS UMA VERDADE DE FÉ

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os anjos

§ 328
A existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição.
Exsistentia entium spiritualium, non corporalium, quae sacra Scriptura generatim angelos appellat, fidei est veritas. Tam dilucidum est Scripturae testimonium quam dilucida est Traditionis unanimitas.Qui sunt?

QUEM SÃO OS ANJOS?

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os anjos

§ 329
Santo Agostinho diz a respeito deles: «Angelus [...] officii nomen est, non naturae. Quaeris nomen naturae, spiritus est; quaeris officium, angelus est: ex eo quod est, spiritus est: ex eo quod agit, angelus –Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo (anjo = mensageiro)» (168). Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. Pelo facto de contemplarem «continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus» (Mt 18, 10), eles são «os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra» (Sl 103, 20).
Sanctus Augustinus dicit relate ad illos: « "Angelus" [...] officii nomen est, non naturae. Quaeris nomen huius naturae, spiritus est; quaeris officium, angelus est: ex eo quod est, spiritus est, ex eo quod agit, angelus est ». 184 Angeli, ex toto esse suo, sunt Dei ministri et nuntii. Quoniam « semper vident faciem Patris mei, qui in caelis est » (Mt 18,10), sunt « facientes verbum Illius in audiendo vocem sermonum Eius » (Ps 103,20).
§ 330
Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e vontade: são criaturas pessoais (169) e imortais (170). Excedem em perfeição todas as criaturas visíveis. O esplendor da sua glória assim o atesta (171).
Quatenus creaturae pure spirituales, intelligentiam habent et voluntatem: creaturae sunt personales 185 et immortales. 186 Perfectione creaturas omnes visibiles superant. Splendor gloriae eorum id testatur. 187 Christus « cum omnibus angelis Suis »

CRISTO «COM TODOS OS SEUS ANJOS»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os anjos

§ 331
Cristo é o centro do mundo dos anjos (angélico). Estes pertencem-Lhe: «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os [seus] anjos...» (Mt 25, 31). Pertencem-Lhe, porque criados por e para Ele: «em vista d'Ele é que foram criados todos os seres, que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os anjos que são os tronos, senhorias, principados e dominações. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele» (Cl 1, 16), E são d'Ele mais ainda porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador: «Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação?» (Heb 1, 14).
Christus mundi angelici centrum est. Illi sunt angeli Eius: « Cum autem venerit Filius hominis in gloria Sua, et omnes angeli cum Eo... » (Mt 25,31). Eius sunt, quia per Eum et in Eum sunt creati: « Quia in Ipso condita sunt universa in caelis et in terra, visibilia et invisibilia, sive throni sive dominationes sive principatus sive potestates. Omnia per Ipsum et in Ipsum creata sunt » (Col 1,16). Eius sunt adhuc magis, quia illos fecit nuntios Sui consilii salutis: « Nonne omnes sunt administratorii spiritus, qui in ministerium mittuntur propter eos, qui hereditatem capient salutis? » (Heb 1,14).
§ 332
Ei-los, desde a criação (172) e ao longo de toda a história da salvação, anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação, e postos ao serviço do plano divino da sua realização: eles fecham o paraíso terrestre (173); protegem Lot (174), salvam Agar e seu filho (175), detêm a mão de Abraão (176) pelo seu ministério é comunicada a Lei (177), são eles que conduzem o povo de Deus (178), anunciam nascimentos (179) e vocações (180) assistem os profetas (181) – para não citar senão alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus (182).
Illi, inde a creatione 188 et per totum historiae salutis decursum, adsunt, salutem sive procul sive prope annuntiantes atque eius effectionis divino servientes consilio: illi paradisum claudunt terrestrem, 189 Lot protegunt, 190 Agar eiusque filium salvant, 191 Abrahae detinent manum, 192 Lex per illorum communicatur ministerium, 193 populum Dei ducunt, 194 nativitates annuntiant 195 et vocationes, 196 Prophetis assistunt, 197 ut tantum quaedam afferamus exempla. Denique, Angelus Gabriel nativitatem Praecursoris et illam Ipsius Iesu annuntiat. 198
§ 333
Da Encarnação à Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é rodeada da adoração e serviço dos anjos. Quando Deus «introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: Adorem-n'O todos os anjos de Deus» (Heb 1, 6). O seu cântico de louvor, na altura do nascimento de Cristo, nunca deixou de se ouvir no louvor da Igreja: «Glória a Deus [...]» (Lc 2, 14). Eles protegem a infância de Jesus (183), servem-n'O no deserto (184) e confortam-n'O na agonia (185) no momento em que por eles poderia ter sido salvo das mãos dos inimigos (186) como outrora Israel (187). São ainda os anjos que «evangelizam» (188), anunciando a Boa-Nova da Encarnação (189) e da Ressurreição (190) de Cristo. E estarão presentes aquando da segunda vinda de Cristo, que anunciam (191), ao serviço do seu juízo (192).
Ab Incarnatione ad Ascensionem, vita Verbi incarnati adoratione et servitio circumdatur angelorum. Cum Deus « introducit primogenitum in orbem terrae dicit: Et adorent Eum omnes angeli Dei » (Heb 1,6). Eorum canticum laudis in Christi Nativitate resonare non desiit in Ecclesiae laude: « Gloria [...] Deo... » (Lc 2,14). Illi Iesu protegunt infantiam, 199 Ei serviunt in deserto, 200 Eum in agonia confortant, 201 cum Ipse per illos de inimicorum manu salvari potuisset 202 sicut olim Israel. 203 Angeli etiam evangelizant 204 Bonum Nuntium Incarnationis 205 et Resurrectionis annuntiantes Christi. 206 In Christi aderunt reditu, quem annuntiant, 207 pro Eius iudicii servitio. 208 Angeli in vita Ecclesiae

OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os anjos

§ 334
Daqui resulta que toda a vida da Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos (193).
Exinde tota Ecclesiae vita adiutorium arcanum et potens lucrifacit angelorum. 209
§ 335
Na sua liturgia, a Igreja associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes santo (194); invoca a sua assistência (como na oração "In paradisum deducant te angeli – conduzam-te os anjos ao paraíso" da Liturgia dos Defuntos (195), ou ainda no «Hino querubínico» da Liturgia bizantina (196), e festeja de modo mais particular a memória de certos anjos (São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda).
Ecclesia in sua liturgia se angelis coniungit ad Deum ter sanctum adorandum; 210 eorum invocat assistentiam (sic in oratione In paradisum deducant te angeli... liturgiae defunctorum, 211 vel etiam in « Hymno cherubico » liturgiae Byzantinae 212); peculiarius memoriam celebrat quorumdam angelorum (sancti Michaelis, sancti Gabrielis, sancti Raphaelis, Angelorum Custodum).
§ 336
Desde o seu começo (197) até à morte (198), a vida humana é acompanhada pela sua assistência (199) e intercessão (200). «Cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida» (201). Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.
Vita humana, inde a suo initio 213 ad obitum, 214 est eorum custodia 215 et eorum circumdata intercessione. 216 « Quod autem unicuique fidelium adsit angelus velut paedagogus quidam et pastor vitam dirigens nemo contradicet ». 217 Vita christiana, iam hic in terris, societatem beatam angelorum et hominum in Deo unitorum participat in fide.II. Mundus visibilis

OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mundo visível

§ 337
Foi o próprio Deus que criou o mundo visível, com toda a sua riqueza, a sua diversidade e a sua ordem. A Sagrada Escritura apresenta a obra do Criador, simbolicamente, como uma sequência de seis dias «de trabalho» divino, que terminam no «repouso» do sétimo dia (202). O texto sagrado ensina, a respeito da criação, verdades reveladas por Deus para a nossa salvação (203), as quais permitem «conhecer a natureza última e o valor de todas as criaturas e a sua ordenação para a glória de Deus» (204).
Deus Ipse mundum creavit visibilem in tota eius magnificentia, diversitate et ordine. Scriptura symbolice opus praesentat Creatoris tamquam successionem sex dierum « laboris » divini quae in « quiete » diei septimi terminatur. 218 Relate ad creationem, textus sacer veritates docet a Deo revelatas nostrae salutis causa, 219 quae permittunt « totius creaturae intimam naturam, valorem et ordinationem in laudem Dei agnoscere ». 220
§ 338
Nada existe que não deva a sua existência a Deus Criador: O mundo começou quando foi tirado do nada pela Palavra de Deus: todos os seres existentes, toda a Natureza, toda a história humana radicam neste acontecimento primordial: é a própria génese, pela qual o mundo foi constituído e o tempo começado (205).
Nihil exsistit quod suam exsistentiam Deo Creatori non debeat. Mundus incepit, cum ex nihilo per Verbum Dei est factus; omnia entia exsistentia, omnis natura, tota historia humana in hoc primordiali radicantur eventu: est enim genesis per quam mundus constitutus est tempusque incepit. 221
§ 339
Cada criatura possui a sua bondade e perfeição próprias. Acerca de cada uma das obras dos «seis dias» está escrito: «E Deus viu que era bom». «Foi em virtude da própria criação que todas as coisas foram estabelecidas segundo a sua consistência, a sua verdade, a sua excelência própria, com o seu ordenamento e leis específicas» (206). As diferentes criaturas, queridas pelo seu próprio ser, reflectem, cada qual a seu modo, uma centelha da sabedoria e da bondade infinitas de Deus. É por isso que o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura, para evitar o uso desordenado das coisas, que despreza o Criador e traz consigo consequências nefastas para os homens e para o seu meio ambiente.
Unaquaeque natura suam bonitatem et suam perfectionem possidet proprias. De singulis operibus « sex dierum » dicitur: « Et vidit Deus quod esset bonum ». « Ex ipsa enim creationis condicione res universae propria firmitate, veritate, bonitate propriisque legibus ac ordine instruuntur ». 222 Diversae creaturae, in suo esse proprio volitae, radium reverberant, unaquaeque suo modo, infinitae sapientiae et infinitae bonitatis Dei. Hac de causa, homo bonitatem propriam uniuscuiusque creaturae revereri debet, ut usus rerum vitetur inordinatus, qui Creatorem contemnit et consequentias nefastas pro hominibus et pro eorum ambitu secum fert.
§ 340
A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espectáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente, no serviço umas das outras.
Creaturarum interdependentia a Deo est volita. Sol et luna, cedrus et flosculus, aquila et passer: spectaculum earum diversitatum et inaequalitatum innumerarum significat, nullam e creaturis sibi ipsi sufficere. Illae non exsistunt nisi in dependentia aliarum ab aliis, ut se mutuo compleant in servitio aliarum ad alias.
§ 341
A beleza do Universo: A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações existentes entre si. O homem descobre-as progressivamente como leis da natureza. Elas suscitam a admiração dos sábios. A beleza da criação reflecte a beleza infinita do Criador, a qual deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência e da vontade humanas.
Universi pulchritudo. Ordo et harmonia mundi creati ex diversitate resultat entium et relationum inter ea exsistentium. Homo ea progressive detegit tamquam naturae leges. Scientiarum cultorum suscitant admirationem. Creationis pulchritudo reverberat infinitam Creatoris pulchritudinem. Illa reverentiam et submissionem intelligentiae hominis et voluntatis eius inspirare debet.
§ 342
A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos «seis dias», indo do menos perfeito para o mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas (207) e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: «[Vós] valeis mais do que muitos passarinhos» (Lc 12, 7), e ainda: «Um homem vale muito mais que uma ovelha» (Mt 12, 12).
Creaturarum hierarchia ordine « sex dierum » exprimitur qui a minus perfecto ad perfectiorem procedit. Deus omnes Suas amat creaturas, 223 et eas, etiam passeres, habet curae. Tamen Iesus dicit: « Multis passeribus pluris estis » (Lc 12,7), vel etiam: « Quanto igitur melior est homo ove! » (Mt 12,12).
§ 343
O homem é o ponto culminante da obra da criação. A narrativa inspirada exprime essa realidade, fazendo nítida distinção entre a criação do homem e a das outras criaturas (208).
Homo culmen est operis creationis. Narratio inspirata id exprimit, creationem hominis nitide ab illa aliarum distinguens creaturarum. 224
§ 344
Existe uma solidariedade entre todas as criaturas pelo facto de todas terem o mesmo Criador e todas serem ordenadas para a sua glória:

«Louvado sejas meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
 especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumia
E ele é belo e radiante com grande esplendor:
de Ti. Altíssimo, nos dá ele a imagem [...]

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água,
que é tão útil e humilde,
e preciosa e casta [...]

Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra,
que nos sustenta e governa,
e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras [...]

Louvai e bendizei a meu Senhor,
e dai-lhe graças e servi-o
com grande humildade» (219).

Inter omnes creaturas mutua habetur necessitudo eo quod omnes Eumdem habeant Creatorem, et omnes ad Eius ordinentur gloriam:

« Laudatus sis, mi Domine, cum universa creatura Tua,
principaliter cum domino fratre Sole,
qui est dies, et illuminas nos per ipsum.
Et ipse est pulcher et irradians magno splendore;
de Te, Altissime, profert significationem...

Laudatus sis, mi Domine, propter sororem Aquam,
quae est perutilis et humilis
et pretiosa et casta...

Laudatus sis, mi Domine, propter sororem nostram matrem Terram,
quae nos sustentat et gubernat,
et producit diversos fructus
cum coloratis floribus et herba...

Laudate et benedicite Dominum meum,
gratias agite et servite Illi
magna humilitate ». 225

§ 345
O «Sábado» – fim da obra dos «seis dias». O texto sagrado diz que «Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera» e que assim «se completaram o céu e a terra»; e no sétimo dia Deus «descansou» e santificou e abençoou este dia (Gn 2, 1-3). Estas palavras inspiradas são ricas de salutares ensinamentos:
Sabbatum — finis operis « sex dierum ». Textus sacer dicit: « Complevitque Deus die septimo opus Suum, quod fecerat » et sic « perfecti sunt caeli et terra »; atque Deus die septimo « requievit », huic « benedixit » diei et illum « sanctificavit » (Gn 2,1-3). Haec inspirata verba doctrinis salutaribus sunt abundantia.
§ 346
Na criação, Deus estabeleceu uma base e leis que permanecem estáveis (210) sobre as quais o crente pode apoiar-se com confiança, e que serão para ele sinal e garantia da fidelidade inquebrantável da Aliança divina (211). Por seu lado, o homem deve manter-se fiel a esta base e respeitar as leis que o Criador nela inscreveu.
Deus in creatione fundamentum posuit et leges quae stabilia permanent, 226 super quae credens fidenter potest inniti et quae illi signum erunt et pignus inconcussae fidelitatis Foederis Dei. 227 Ex parte sua, homo fidelis huic fundamento manere debebit et leges vereri in illo a Creatore inscriptas.
§ 347
A criação foi feita em vista do Sábado e, portanto, do culto e da adoração de Deus. O culto está inscrito na ordem da criação (212) – «Operi Dei nihil preponatur – Nada se anteponha à obra de Deus (ao culto divino)» – diz a Regra de São Bento (213) indicando assim a justa ordem das preocupações humanas.
Creatio intuitu sabbati effecta est et propterea intuitu cultus et adorationis Dei. Cultus est in creationis ordine inscriptus. 228 « Nihil operi Dei praeponatur », dicit sancti Benedicti Regula, 229 ita rectum sollicitudinum humanarum denotans ordinem.
§ 348
O Sábado está no coração da Lei de Israel. Guardar os Mandamentos é corresponder à sabedoria e à vontade de Deus, expressas na sua obra da criação.
Sabbatum in corde est Legis Israel. Servare mandata est sapientiae et voluntati Dei consonare in opere creationis Eius expressis.
§ 349
O oitavo dia. Mas para nós, um dia novo surgiu: o dia da Ressurreição de Cristo. O sétimo dia acaba a primeira criação. O oitavo dia começa a nova criação. A obra da criação culmina, assim, na obra maior da Redenção. A primeira criação encontrou o seu sentido e cume ria nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira (214).Resumindo:
Dies octavus. Sed pro nobis, novus dies est ortus: dies resurrectionis Christi. Septimus dies primam concludit creationem. Octavus dies creationem incipit novam. Sic opus creationis culminat in maximo Redemptionis opere. Prima creatio sensum suum et culmen invenit in nova creatione in Christo, cuius splendor superat illum primae. 230 Compendium
§ 350
Os anjos são criaturas espirituais que glorificam a Deus sem cessar e servem os seus planos salvíficos em relação às outras criaturas: «Ad omnia bona nostra cooperantur angeli – Os anjos prestam a sua cooperação a tudo quanto diz respeito ao nosso bem» (215).
Angeli creaturae sunt spirituales, quae Deum incessanter glorificant et qui Eius consiliis erga alias creaturas serviunt salvificis: « Ad omnia bona nostra cooperantur angeli ». 231
§ 351
Os anjos assistem a Cristo, seu Senhor. Servem-n'O de modo particular no cumprimento da sua missão salvífica em relação aos homens.
Angeli Christum, Dominum circumstant suum. Illi serviunt peculiariter in effectione Eius missionis salvificae erga homines.
§ 352
A Igreja venera os anjos, que a ajudam na sua peregrinação terrestre e protegem todo o género humano.
Ecclesia angelos veneratur qui eam in eius peregrinatione adiuvant terrestri et qui omne ens protegunt humanum.
§ 353
Deus quis a diversidade das suas criaturas e a sua bondade própria, a sua interdependência e a sua ordem. Destinou todas as criaturas materiais para o bem do género humano. O homem, e através dele toda a criação, tem como destino a glória de Deus.
Deus creaturarum Suarum diversitatem et earum propriam voluit bonitatem, earum interdependentiam et earum ordinem. Omnes creaturas materiales ad bonum generis destinavit humani. Homo, et per eum tota creatio, ad gloriam destinatur Dei.
§ 354
Respeitar as leis inscritas na criação e as relações derivantes da natureza das coisas, é princípio de sabedoria e fundamento da moral.
Leges in creatione inscriptas observare atque relationes quae e rerum natura derivantur, principium est sapientiae et fundamentum moralitatis. (178) DS 30.(179) DS 150. (180) Cf Ps 115,16. (181) Cf Ps 19,2. (182) Cf Ps 115,16. (183) Concilium Lateranense IV, Cap. 1, De fide catholica: DS 800; cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002 et Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 8: AAS 60 (1968) 436.(184) Sanctus Augustinus, Enarratio in Psalmum 103, 1, 15: CCL 40, 1488 (PL 37, 1348-1349).(185) Cf Pius XII, Litt. enc. Humani generis: DS 3891. (186) Cf Lc 20,36. (187) Cf Dn 10,9-12. (188) Cf Iob 38,7, ubi angeli « filii Dei » appellantur. (189) Cf Gn 3,24. (190) Cf Gn 19. (191) Cf Gn 21,17. (192) Cf Gn 22,11. (193) Cf Act 7,53. (194) Cf Ex 23,20-23. (195) Cf Idc 13. (196) Cf Idc 6,11-24; Is 6,6. (197) Cf 1 Reg 19,5. (198) Cf Lc 1,11.26. (199) Cf Mt 1,20; 2,13.19. (200) Cf Mc 1,13; Mt 4,11. (201) Cf Lc 22,43. (202) Cf Mt 26,53. (203) Cf 2 Mac 10,29-30; 11,8. (204) Cf Lc 2,10. (205) Cf Lc 2,8-14. (206) Cf Mc 16,5-7. (207) Cf Act 1,10-11. (208) Cf Mt 13,41; 24,31; Lc 12,8-9. (209) Cf Act 5,18-20; 8,26-29; 10,3-8; 12,6-11; 27,23-25. (210) Cf Prex eucharistica, 27, Sanctus: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 392.(211) Ordo exsequiarum, 50, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969) p. 23.(212) Liturgia Byzantina sancti Ioannis Chrysostomi, Hymnus cherubinorum: Liturgies Eastern and Western, ed. F.E. Brightman (Oxford 1896) p. 377.(213) Cf Mt 18,10.(214) Cf Lc 16,22.(215) Cf Ps 34,8; 91,10-13.(216) Cf Iob 33,23-24; Zach 1,12; Tb 12,12. (217) Sanctus Basilius Magnus, Adversus Eunomium, 3, 1: SC 305, 148 (PG 29, 656). (218) Cf Gn 1,1–2,4. (219) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823.(220) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 36: AAS 57 (1965) 41.(221) Cf Sanctus Augustinus, De Genesi contra Manichaeos, 1, 2, 4: PL 36, 175.(222) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054.(223) Cf Ps 145,9.(224) Cf Gn 1,26.(225) Sanctus Franciscus Assisiensis, Canticum Fratris Solis: Opuscula sancti Patris Francisci Assisiensis, ed. C. Esser (Grottaferrata 1978) p. 84-86.(226) Cf Heb 4,3-4.(227) Cf Ier 31,35-37; 33,19-26. (228) Cf Gn 1,14. (229) Sanctus Benedictus, Regula, 43, 3: CSEL 75, 106 (PL 66, 675).(230) Cf Vigilia Paschalis, oratio post primam lectionem: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 276. (231) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I, 114, 3, ad 3: Ed. Leon. 5, 535.

O HOMEM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 355
«Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher» (Gn 1, 27). O homem ocupa um lugar único na criação: é «à imagem de Deus» (I); na sua própria natureza, une o mundo espiritual e o mundo material (II); foi criado «homem e mulher» (III); Deus estabeleceu-o na sua amizade (IV).
« Creavit Deus hominem ad imaginem Suam; ad imaginem Dei creavit illum; masculum et feminam creavit eos » (Gn 1,27). Homo in creatione locum habet unicum: est « ad imaginem Dei » (I); in sua propria natura mundum spiritualem et mundum coniungit materialem (II); « masculus et femina » est creatus (III); Deus illum in Sua constituit amicitia (IV). I. « Ad imaginem Dei »

O HOMEM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«A imagem de Deus»

§ 356
De todas as criaturas visíveis, só o homem é «capaz de conhecer e amar o seu Criador» (216); é a «única criatura sobre a terra que Deus quis por si mesma» (217); só ele é chamado a partilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Com este fim foi criado, e tal é a razão fundamental da sua dignidade:

«Qual foi a razão de terdes elevado o homem a tão alta dignidade? Foi certamente o incomparável amor com que Vos contemplastes a Vós mesmo na vossa criatura e Vos enamorastes dela; porque foi por amor que a criastes, foi por amor que lhe destes um ser capaz de apreciar o vosso bem eterno» (218).

Inter omnes creaturas visibiles solus homo capax est « suum Creatorem cognoscendi et amandi »; 232 « in terris sola creatura est quam Deus propter seipsam voluerit »; 233 solus ille est vocatus ad vitam Dei, cognitione et amore, participandam. Ad hunc finem creatus est et in hoc fundamentalis habetur ratio eius dignitatis:

« Quis fuit in causa, ut hominem in tanta dignitate locares? Amor inaestimabilis quo creaturam Tuam in Temetipso respexisti, de qua fuisti "philocaptus"; nam propter amorem eam creasti, propter amorem esse ei dedisti, ut summum Tuum aeternum gustaret Bonum ». 234

§ 357
Porque é «à imagem de Deus», o indivíduo humano possui a dignidade de pessoa: ele não é somente alguma coisa, mas alguém. É capaz de se conhecer, de se possuir e de livremente se dar e entrar em comunhão com outras pessoas. E é chamado, pela graça, a uma Aliança com o seu Criador, a dar-Lhe uma resposta de fé e amor que mais ninguém pode dar em seu lugar.
Humanum individuum, quia est ad imaginem Dei, dignitatem habet personae: non est solum res aliqua, sed aliquis. Capax est se cognoscendi, se possidendi et se libere donandi atque in communionem ingrediendi cum aliis personis, est per gratiam ad Foedus cum suo Creatore vocatus, ad Illi fidei et amoris offerendum responsum quod nullus alius suo loco praebere potest.
§ 358
Deus tudo criou para o homem (219) mas o homem foi criado para servir e amar a Deus, e para Lhe oferecer toda a criação:

«Qual é, pois, o ser que vai chegar à existência rodeado de tal consideração? É o homem, grande e admirável figura vivente, mais precioso aos olhos de Deus que toda a criação; é o homem, para quem existem o céu e a terra e o mar e a totalidade da criação, e a cuja salvação Deus deu tanta importância, que, por ele, nem ao seu próprio Filho poupou. Porque Deus não desiste de tudo realizar, para fazer subir o homem até Si e fazê-lo sentar à sua direita» (220).

Deus omnia creavit pro homine; 235 homo est creatus ut Deo serviat Eumque amet et Ei totam offerat creationem:

« Quisnam igitur tandem est ille creandus, cui tantum honoris deferatur? Homo est, magnum illud animal et admirabile quodque omni creatura praestantius est apud Deum, propter quem caelum et terra et mare ac reliquum omne creaturae corpus est conditum: homo, cuius ita Deus salutem adamavit, ut ne Unigenito quidem Suo propter eum parceret: neque enim omnia praestare molirique destitit, donec in altum evectum in Sua dextera collocavit ». 236

§ 359
«Na realidade, só no mistério do Verbo Encarnado é que verdadeiramente se esclarece o mistério do homem» (221):

«São Paulo ensina-nos que dois homens estão na origem do género humano: Adão e Cristo. [...] O primeiro Adão, diz ele, foi criado como um ser humano que recebeu a vida; o segundo é um ser espiritual que dá a vida. O primeiro foi criado pelo segundo, de Quem recebeu a alma que o faz viver. [...] O segundo Adão gravou a sua imagem no primeiro, quando o modelou. Por isso, veio a assumir a sua função e o seu nome, para que não se perdesse aquele que fizera à sua imagem. Primeiro e último Adão: o primeiro teve princípio; o último não terá fim. Por isso é que o último é verdadeiramente o primeiro, como Ele mesmo diz: "Eu sou o Primeiro e o Último"» (222).

« Reapse nonnisi in mysterio Verbi incarnati mysterium hominis vere clarescit »: 237

« Duos homines beatus Apostolus hodie retulit humano generi dedisse principium, Adam videlicet et Christum. [...] Factus, inquit, primus homo Adam in animam viventem, novissimus Adam in spiritum vivificantem. Ille primus ab Isto novissimo factus est, a quo est et animam consecutus ut viveret. [...] Hic est Adam, qui Suam tunc in illo, cum fingeret, imaginem collocavit. Hinc est quod eius personam suscipit, nomen recipit, ne Sibi quod ad Suam imaginem fecerat deperiret. Primus Adam, novissimus Adam: ille primus habet initium, Hic novissimus non habet finem, quia Hic novissimus vere Ipse est primus, Ipso dicente: "Ego primus et ego novissimus" ». 238

§ 360
Graças à comunidade de origem, o género humano forma uma unidade. Deus «fez, a partir de um só homem todo o género humano para habitar sobre toda a face da terra» (Act 17, 26) (223):

«Maravilhosa visão, que nos faz contemplar o género humano na unidade da sua origem em Deus [...]; na unidade da sua natureza, em todos igualmente integrada dum corpo material e duma alma espiritual; na unidade do seu fim imediato e da sua missão no mundo; na unidade da sua habitação, a terra, de cujos bens todos os homens, por direito natural, podem servir-se para sustentar e desenvolver a vida; na unidade do seu fim sobrenatural. Deus, para o Qual todos devem tender, na unidade dos meios para atingir este fim; [...] na unidade da Redenção, para todos levada a cabo por Cristo» (224).

Propter originis communitatem genus humanum constituit unitatem. Deus enim « fecit [...] ex uno omne genus hominum inhabitare super universam faciem terrae » (Act 17,26): 239

« Miro quodam mentis obtutu humanum genus, ob communem a Creatore originem unum intueri ac contemplari possumus [...]; itemque natura unum, quae ex corporis concretione et ex immortali spiritualique animo constat; unum ob proxime omnibus assequendum finem, obque commune per praesentis huius vitae decursum fungendum munus; unum ob eamdem habitationem, terrarum nempe orbem, cuius opibus naturali iure omnes frui possunt, ut sese alere queant seseque ad auctiora incrementa provehere; unum denique ob supernum finem, Deum Ipsum, quo contendant omnes oportet, et ob res atque adiumenta, quibus eundem finem tandem aliquando contingere valeant [...] itemque ex una eademque Redemptione, quam Christus [...] omnibus dilargitus est ». 240

§ 361
«Esta lei de solidariedade humana e de caridade» (225), sem excluir a rica variedade das pessoas, das culturas e dos povos, assegura-nos que todos os homens são verdadeiramente irmãos.
Haec lex « mutuae [...] hominum necessitudinis caritatisque », 241 quin divitem varietatem personarum, culturarum et populorum excludat, nobis tutatur omnes homines vere esse fratres. II. « Corpore et anima unus »

O HOMEM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Corpore et anima unus» – Unidade de corpo e alma

§ 362
A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. A narrativa bíblica exprime esta realidade numa linguagem simbólica, quando afirma que «Deus formou o homem com o pó da terra, insuflou-lhe pelas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se num ser vivo» (Gn 2, 7). O homem, no seu ser total, foi, portanto, querido por Deus.
Persona humana, ad imaginem Dei creata, simul est ens corporale et spirituale. Narratio biblica hanc realitatem sermone exprimit symbolico, cum asserit: « Formavit Dominus Deus hominem pulverem de humo et inspiravit in nares eius spiraculum vitae, et factus est homo in animam viventem » (Gn 2,7). Totus ergo homo est a Deo volitus.
§ 363
Muitas vezes, a palavra alma designa, nas Sagradas Escrituras, a vida humana (226), ou a pessoa humana no seu todo (227). Mas designa também o que há de mais íntimo no homem (228) e de maior valor na sua pessoa (229), aquilo que particularmente faz dele imagem de Deus: «alma» significa o princípio espiritual no homem.
In sacra Scriptura verbum anima saepe vitam denotat humanam 242 vel totam humanam personam. 243 Sed denotat etiam id quod in homine est summe intimum 244 et maximi valoris in illo, 245 per quod ille magis peculiariter est imago Dei: « anima » significat principium spirituale in homine.
§ 364
O corpo do homem participa na dignidade da «imagem de Deus»: é corpo humano precisamente por ser animado pela alma espiritual, e a pessoa humana na sua totalidade é que é destinada a tornar-se, no Corpo (Místico) de Cristo, templo do Espírito (230):

«Corpo e alma, mas realmente uno, o homem, na sua condição corporal, reúne em si mesmo os elementos do mundo material, que assim nele encontram a sua consumação e nele podem louvar Livremente o seu Criador. Por isso, não é lícito ao homem menosprezar a vida do corpo. Pelo contrário, deve estimar e respeitar o seu corpo, que foi criado por Deus e que há-de ressuscitar no último dia» (231).

Corpus hominis dignitatem « imaginis Dei » participat; illud est corpus humanum praecise quia anima spirituali animatur, atque tota persona humana destinatur completa ut in corpore Christi templum Spiritus fiat. 246

« Corpore et anima unus, homo per ipsam suam corporalem condicionem elementa mundi materialis in se colligit, ita ut, per ipsum, fastigium suum attingant et ad liberam Creatoris laudem vocem attollant. Vitam ergo corporalem homini despicere non licet, e contra ipse corpus suum, utpote a Deo creatum et ultima die resuscitandum, bonum et honore dignum habere tenetur ». 247

§ 365
A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a «forma» do corpo (232); quer dizer, é graças à alma espiritual que o corpo, constituído de matéria, é um corpo humano e vivo. No homem, o espírito e a matéria não são duas naturezas unidas, mas a sua união forma uma única natureza.
Unitas animae et corporis ita est profunda ut anima « forma » corporis considerari debeat; 248 id est propter animam spiritualem corpus, materia constitutum, est corpus humanum et vivens; spiritus et materia in homine non sunt duae naturae unitae, sed eorum unio unam solam efficit naturam.
§ 366
A Igreja ensina que cada alma espiritual é criada por Deus de modo imediato (233) e não produzida pelos pais; e que é imortal (234), isto é, não morre quando, na morte, se separa do corpo; e que se unirá de novo ao corpo na ressurreição final.
Ecclesia docet unamquamque animam spiritualem a Deo esse immediate creatam 249 — illa non est a parentibus « producta » —; ea nos etiam docet illam esse immortalem; 250 illa non perit cum a corpore separatur in morte, et iterum corpori unietur in resurrectione finali.
§ 367
Encontra-se às vezes uma distinção entre alma e espírito. São Paulo, por exemplo, ora para que «todo o nosso ser, o espírito, a alma e o corpo», seja guardado sem mancha até à vinda do Senhor (1 Ts 5, 23). A Igreja ensina que esta distinção não introduz uma dualidade na alma (235), «Espírito» significa que o homem é ordenado, desde a sua criação, para o seu fim sobrenatural (236), e que a alma é capaz de ser gratuitamente sobreelevada até à comunhão com Deus (237).
Quandoque invenitur animam a spiritu distingui. Sic sanctus Paulus orat ut nostra « omnia, et integer spiritus [...] et anima et corpus » serventur « sine querela in Adventu Domini » (1 Thess 5,23). Ecclesia docet hanc distinctionem dualitatem non introducere in animam. 251 « Spiritus » significat hominem inde a creatione sua ad suum finem supernaturalem ordinari, 252 animamque eius capacem esse quae gratuito ad communionem superelevetur cum Deo. 253
§ 368
A tradição espiritual da Igreja insiste também no coração,no sentido bíblico de «fundo do ser» («nas entranhas»: Jr 31, 33) em que a pessoa se decide ou não por Deus (238).
Ecclesiae traditio spiritualis etiam in corde insistit, sensu biblico « intimae profunditatis » (« in visceribus »: Ier 31,33), ubi persona se decidit aut non decidit pro Deo. 254 III. « Masculum et feminam creavit eos » Aequalitas et diversitas a Deo volitae

IGUALDADE E DIFERENÇA QUERIDAS POR DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Homem e mulher os criou»

§ 369
O homem e a mulher foram criados, quer dizer, foram queridos por Deus: em perfeita igualdade enquanto pessoas humanas, por um lado; mas, por outro, no seu respectivo ser de homem e de mulher. «Ser homem», «ser mulher» é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm uma dignidade inamissível e que lhes vem imediatamente de Deus, seu Criador (239). O homem e a mulher são, com uma mesma dignidade, «à imagem de Deus». No seu «ser homem» e no seu «ser mulher», reflectem a sabedoria e a bondade do Criador.
Vir et mulier creati sunt, id est sunt a Deo voliti: ex alia parte, in aequalitate perfecta quatenus personae humanae, ex alia vero in eorum esse specificum viri et mulieris. « Virum esse », « mulierem esse » realitas est bona et a Deo volita: vir et mulier dignitatem habent inamissibilem quae illis immediate a Deo eorum Creatore advenit. 255 Vir et mulier sunt, cum eadem dignitate, « ad imaginem Dei ». Illi in suo « virum-esse » et in suo « mulierem-esse » sapientiam et bonitatem reverberant Creatoris.
§ 370
Deus não é, de modo algum; à imagem do homem. Não é nem homem nem mulher. Deus é puro espírito, no Qual não há lugar para a diferença de sexos. Mas as «perfeições» do homem e da mulher reflectem qualquer coisa da infinita perfeição de Deus: as duma mãe (240) e as dum pai e esposo (241).
Deus nequaquam est ad imaginem hominis. Neque vir est neque mulier. Deus est spiritus purus in quo pro sexuum differentia locus non est. Sed viri et mulieris « perfectiones » aliquid infinitae perfectionis reverberant Dei: tales sunt perfectiones matris 256 et illae patris et sponsi. 257« Alius pro alio » – « unitas duorum »

«UM PARA O OUTRO» – «UMA UNIDADE A DOIS»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Homem e mulher os criou»

§ 371
Criados juntamente, o homem e a mulher são, na vontade de Deus, um para o outro. A Palavra de Deus no-lo dá a entender em diversos passos do texto sagrado. «Não convém que o homem esteja só: vou fazer-lhe uma ajudante que se pareça com ele» (Gn 2, 18). Nenhum dos animais pode ser este «par» do homem (242). A mulher que Deus «molda» da costela tirada do homem e que apresenta ao homem, provoca da parte deste, uma exclamação admirativa, de amor e comunhão: «E osso dos meus ossos e carne da minha carne» (Ga 2, 23). O homem descobre a mulher como um outro «eu», da mesma humanidade.
Vir et mulier, simul creati, voliti sunt a Deo ut alius sit pro alio. Verbum Dei id suggerit intelligendum diversis textus sacri lineamentis. « Non est bonum esse hominem solum; faciam ei adiutorium simile sui » (Gn 2,18). Nullum animalium tale « par » hominis esse potest. 258 Mulier quam Deus ex costa « efformat » de viro sublata quamque Ipse ad virum adduxit, admirationis ex parte viri provocat clamorem, amoris et communionis exclamationem: « Haec nunc os ex ossibus meis et caro de carne mea! » (Gn 2,23). Vir mulierem detegit tamquam aliud « ego » eiusdem humanitatis.
§ 372
O homem e a mulher são feitos «um para o outro»: não é que Deus os tenha feito «a meias» e «incompletos»; criou-os para uma comunhão de pessoas, em que cada um pode ser «ajuda» para o outro, uma vez que são, ao mesmo tempo, iguais enquanto pessoas («osso dos meus ossos») e complementares enquanto masculino e feminino (243). No matrimónio, Deus une-os de modo que, formando «uma só carne» (Gn 2, 24), possam transmitir a vida humana: «crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra» (Gn 1, 28). Transmitindo aos seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como esposos e pais, cooperam de modo único na obra do Criador (244).
Vir et mulier facti sunt « alius pro alio »: non quasi Deus eos nonnisi « dimidiatos » effecerit et « incompletos »; Ille eos pro personarum creavit communione, in qua unusquisque « adiutorium » esse potest pro alio, quia simul quatenus personae sunt aequales (« os ex ossibus meis... ») et quatenus masculinum et femininum sese mutuo complent. 259 In matrimonio, Deus eos ita coniungit ut « unam carnem » efformantes (Gn 2,24) vitam humanam transmittere valeant: « Crescite et multiplicamini et replete terram » (Gn 1,28). Vir et mulier, tamquam sponsi et parentes, suis descendentibus vitam transmittentes humanam, singulari modo, operi cooperantur Creatoris. 260
§ 373
Segundo o desígnio de Deus, o homem e a mulher são vocacionados para «dominarem a terra» (245) como «administradores» de Deus. Esta soberania não deve ser uma dominação arbitrária e destruidora. A imagem do Criador, «que ama tudo o que existe» (Sb 11, 24), o homem e a mulher são chamados a participar na Providência divina em relação às outras criaturas. Daí a sua responsabilidade para com o mundo que Deus lhes confiou.
In Dei consilio, vir et mulier vocationem habent subiiciendi terram 261 tamquam « administratores » Dei. Haec dominatus elatio arbitraria et destructiva esse non debet. Ad imaginem Creatoris qui diligit « omnia, quae sunt » (Sap 11,24), vir et mulier vocantur ad divinam participandam providentiam erga alias creaturas. Exinde eorum responsabilitas pro mundo quem Deus illis concredidit. IV. Homo in paradiso

«UM PARA O OUTRO» – «UMA UNIDADE A DOIS»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O homem no paraíso

§ 374
O primeiro homem não só foi criado bom, como também foi constituído num estado de amizade com o seu Criador, e de harmonia consigo mesmo e com a criação que o rodeava; amizade e harmonia tais, que só serão ultrapassadas pela glória da nova criação em Cristo.
Primus homo non solum est creatus bonus, sed in amicitia cum Creatore suo et in harmonia cum semetipso et cum creatione illum circumstante constitutus est, quae solum a gloria novae creationis in Christo sunt superatae.
§ 375
A Igreja, interpretando de modo autêntico o simbolismo da linguagem bíblica à luz do Novo Testamento e da Tradição, ensina que os nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram constituídos num estado de santidade e de justiça originais (246). Esta graça da santidade original era uma participação na vida divina (247).
Ecclesia symbolismum sermonis biblici authentice sub Novi Testamenti et Traditionis luce interpretans, docet primos nostros parentes, Adamum et Evam, in statu sanctitatis et iustitiae originalis constitutos esse. 262 Haec sanctitatis originalis gratia erat participatio vitae divinae. 263
§ 376
Todas as dimensões da vida do homem eram fortalecidas pela irradiação desta graça. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não devia nem morrer (248), nem sofrer (249). A harmonia interior da pessoa humana, a harmonia entre o homem e a mulher (250), enfim, a harmonia entre o primeiro casal e toda a criação, constituía o estado dito «de justiça original».
Huius gratiae splendore omnes dimensiones vitae hominis confortabantur. Dum homo in intimitate permaneret divina, nec mori 264 nec pati debebat. 265 Interior harmonia personae humanae, harmonia inter virum et mulierem, 266 harmonia denique inter primum par humanum et totam creationem constituebat statum qui « iustitia originalis » appellatur.
§ 377
O «domínio» do mundo, que Deus tinha concedido ao homem desde o princípio, realizava-se, antes de mais, no próprio homem como domínio de si. O homem era integrado e ordenado em todo o seu ser, porque livre da tríplice concupiscência (251), que o sujeita aos prazeres dos sentidos, à ambição dos bens terrenos e à afirmação de si contra os imperativos da razão.
Mundi « dominatus » quem Deus homini ab initio concesserat, imprimis apud ipsum hominem in rem ducebatur tamquam sui dominatus. Homo intactus erat et ordinatus in toto esse suo, quippe qui libera triplici concupiscentia 267 quae eum voluptatibus sensuum, bonorum terrenorum cupidini et affirmationi sui contra iussa submittit rationis.
§ 378
Sinal da familiaridade com Deus é o facto de Deus o colocar no jardim (252). Ali vive «a fim de o cultivar e guardar» (Gn 2, 15): o trabalho não é um castigo (253), mas a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível.
Signum familiaritatis hominis cum Deo est Deum eum in viridarium collocasse. 268 Ibi vivit ut illud « operaretur et custodiret » (Gn 2,15): labor poena non est, 269 sed cooperatio viri et mulieris cum Deo in creatione visibili perficienda.
§ 379
Toda esta harmonia da justiça original, prevista para o homem pelo plano de Deus, será perdida pelo pecado dos nossos primeiros pais.Resumindo:
Tota haec iustitiae originalis harmonia, pro homine a consilio Dei praevisa, per peccatum nostrorum amittetur protoparentum. Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 380
«Formastes o homem à vossa imagem e lhe confiastes o Universo, para que, servindo-Vos unicamente a Vós, seu Criador; exercesse domínio sobre todas as criaturas» (254).
Deus, « hominem ad Tuam imaginem condidisti, eique commisisti mundi curam universi, ut, Tibi soli Creatori serviens, creaturis omnibus imperaret ». 270
§ 381
O homem foi predestinado para reproduzir a imagem do Filho de Deus feito homem –«imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15) –, para que Cristo seja o primogénito duma multidão de irmãos e irmãs (255).
Homo praedestinatus est ut imaginem reproducat Filii Dei, hominis facti — « qui est imago Dei invisibilis » (Col 1,15) — ut Christus primogenitus multitudinis fratrum sit et sororum. 271
§ 382
O homem é «uma unidade de corpo e alma» (256). A doutrina da fé afirma que a alma espiritual e imortal foi criada imediatamente por Deus.
Homo est « corpore et anima unus ». 272 Fidei doctrina affirmat animam spiritualem et immortalem immediate a Deo esse creatam.
§ 383
«Deus não criou o homem solitário: desde a origem "criou-os homem e mulher" (Gn 1, 27); a sociedade dos dois realiza a primeira forma de comunhão entre pessoas» (257).
« Deus non creavit hominem solum: nam inde a primordiis "masculum et feminam creavit eos" (Gn 1,27), quorum consociatio primam formam efficit communionis personarum ». 273
§ 384
A Revelação dá-nos a conhecer o estado de santidade e justiça originais do homem e da mulher, antes do pecado: da amizade de ambos com Deus derivava a felicidade da sua existência no paraíso.
Revelatio statum sanctitatis et iustitiae originalium viri et mulieris ante peccatum nobis cognoscendum praebet: ex eorum amicitia cum Deo exsistentiae eorum in paradiso promanabat felicitas.  (232) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034. (233) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 24: AAS 58 (1966) 1045. (234) Sancta Catharina Senensis, Il dialogo della Divina provvidenza, 13: ed. G. Cavallini (Roma 1995) p. 43. (235) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034; Ibid., 24: AAS 58 (1966) 1045; Ibid., 39: AAS 58 (1966) 1056-1057. (236) Sanctus Ioannes Chrysostomus, Sermones in Genesim, 2, 1: PG 54, 587-588.(237) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.(238) Sanctus Petrus Chrysologus, Sermones 117, 1-2: CCL 24A, 709 (PL 52, 520).(239) Cf Tb 8,6.(240) Pius XII, Litt. enc. Summi Pontificatus: AAS 31 (1939) 427; cf Concilium Vaticanum II, Decl. Nostra aetate, 1: AAS 58 (1966) 740.(241) Pius XII, Litt. enc. Summi Pontificatus: AAS 31 (1939) 426. (242) Cf Mt 16,25-26; Io 15,13. (243) Cf Act 2,41. (244) Cf Mt 26,38; Io 12,27. (245) Cf Mt 10,28; 2 Mac 6,30. (246) Cf 1 Cor 6,19-20; 15,44-45. (247) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 14: AAS 58 (1966) 1035. (248) Cf Concilium Viennense (anno 1312), Const. « Fidei catholicae »: DS 902. (249) Cf Pius XII, Litt. enc. Humani generis (anno 1950): DS 3896; Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 8: AAS 60 (1968) 436.(250) Cf Concilium Lateranense V (anno 1513), Bulla Apostolici regiminis: DS 1440.(251) Cf Concilium Constantinopolitanum IV (anno 870), canon 11: DS 657. (252) Cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3005; Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042-1043. (253) Cf Pius XII, Litt. enc. Humani generis (anno 1950): DS 3891.(254) Cf Dt 6,5; 29,3; Is 29,13; Ez 36,26; Mt 6,21; Lc 8,15; Rom 5,5. (255) Cf Gn 2,7.22. (256) Cf Is 49,14-15; 66,13; Ps 131,2-3. (257) Cf Os 11,1-4; Ier 3,4-19. (258) Cf Gn 2,19-20. (259) Cf Ioannes Paulus II, Ep. ap. Mulieris dignitatem, 7: AAS 80 (1988) 1664-1665. (260) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1070-1071. (261) Cf Gn 1,28. (262) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 1: DS 1511. (263) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6. (264) Cf Gn 2,17; 3,19. (265) Cf Gn 3,16. (266) Cf Gn 2,25. (267) Cf 1 Io 2,16. (268) Cf Gn 2,8. (269) Cf Gn 3,17-19. (270) Prex eucharistica IV, 118: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 467. (271) Cf Eph 1,3-6; Rom 8,29. (272) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 14: AAS 58 (1966) 1035. (273) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034.

A QUEDA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 385
Deus é infinitamente bom e todas as suas obras são boas. No entanto, ninguém escapa à experiência do sofrimento, dos males da natureza – que aparecem como ligados aos limites próprios das criaturas –, e sobretudo à questão do mal moral. Donde vem o mal? «Quaerebam unde malum et non erat exitus – Procurava a origem do mal e não encontrava solução», diz Santo Agostinho (258). A sua própria busca dolorosa só encontrará saída na conversão ao Deus vivo. Porque «o mistério da iniquidade» (2 Ts 2, 7) só se esclarece à luz do «mistério da piedade» (259). A revelação do amor divino em Cristo manifestou, ao mesmo tempo, a extensão do mal e a superabundância da graça (260). Devemos, portanto, abordar a questão da origem do mal, fixando o olhar da nossa fé n'Aquele que é o seu único vencedor (261).
Deus infinite est bonus et omnia Eius opera bona sunt. Attamen nemo doloris, malorum in natura — quae tamquam limitibus creaturarum propriis apparent conexa — aufugit experientiam et praecipue quaestionem mali moralis. Unde venit malum? « Quaerebam unde malum et non erat exitus », dicit sanctus Augustinus, 274 et eius propria dolorosa investigatio exitum non inveniet nisi in eius conversione ad Deum vivum. Quia « mysterium [...] iniquitatis » (2 Thess 2,7) non illuminatur nisi sub luce mysterii pietatis. 275 Revelatio amoris divini in Christo simul extensionem mali et superabundantiam gratiae manifestavit. 276 Debemus igitur quaestionem originis mali considerare, nostrae fidei oculos coniicientes in Illum qui solus eius est victor. 277 I. Ubi abundavit peccatum, superabundavit gratia Peccati realitas

A REALIDADE DO PECADO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Onde abundou o pecado, sobreabundou a graça»

§ 386
O pecado está presente na história do homem. Seria vão tentar ignorá-lo ou dar outros nomes a esta obscura realidade. Para tentar compreender o que é o pecado, temos primeiro de reconhecer o laço profundo que une o homem a Deus, porque, fora desta relação, o mal do pecado não é desmascarado na sua verdadeira identidade de recusa e oposição a Deus, embora continue a pesar na vida do homem e na história.
Peccatum in historia hominis est praesens: vanum esset conari id ignorare vel huic obscurae realitati alia praebere nomina. Ut quis intelligere enitatur quid peccatum sit, oportet vinculum profundum hominis cum Deo imprimis agnoscere, quia extra hanc relationem malum peccati in sua vera identitate reiectionis Dei et oppositionis ad Illum non detegitur, licet vitam hominis et historiam onerare pergat.
§ 387
A realidade do pecado e, dum modo particular, a do pecado das origens, só se esclarece à luz da Revelação divina. Sem o conhecimento que esta nos dá de Deus, não se pode reconhecer claramente o pecado, e somos tentados a explicá-lo unicamente como falta de maturidade, fraqueza psicológica, erro, consequência necessária duma estrutura social inadequada, etc. Só no conhecimento do desígnio de Deus sobre o homem é que se compreende que o pecado é um abuso da liberdade que Deus dá às pessoas criadas para que possam amá-Lo e amarem-se mutuamente.
Realitas peccati et peculiarius peccati originum solummodo sub Revelationis divinae illustratur luce. Sine cognitione quam illa nobis de Deo praebet, peccatum clare nequit agnosci, et tentatio habetur illud tantum explicandi tamquam defectum in crescendo, tamquam psychologicam debilitatem, errorem, necessariam structurae socialis deficientis consequentiam etc. Solummodo in cognitione consilii Dei de homine intelligitur peccatum abusum esse libertatis quam Deus creatis donat personis ut Illum et se invicem possint amare. Peccatum originale – essentialis veritas fidei

O PECADO ORIGINAL – UMA VERDADE FUNDAMENTAL DA FÉ

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Onde abundou o pecado, sobreabundou a graça»

§ 388
Com o progresso da Revelação, vai-se esclarecendo também a realidade do pecado. Embora o povo de Deus do Antigo Testamento tenha abordado a dor da condição humana à luz da história da queda narrada no Génesis, não podia atingir o significado último dessa história, o qual só se manifesta à luz da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo (262). É preciso conhecer Cristo como fonte da graça para reconhecer Adão como fonte do pecado. Foi o Espírito Paráclito, enviado por Cristo ressuscitado, que veio «confundir o mundo em matéria de pecado» (Jo 16, 8), revelando Aquele que é o seu redentor.
Cum Revelationis progressu realitas etiam peccati illustrata est. Licet populus Dei Veteris Testamenti ad dolorem condicionis humanae sub luce historiae lapsus in Genesi narratae accesserit, huius historiae ultimam non poterat assequi significationem quae solummodo sub luce mortis et resurrectionis Iesu Christi manifestatur. 278 Necesse est Christum tamquam gratiae cognoscere fontem ut Adam tamquam peccati fons agnoscatur. Spiritus Paraclitus, a Christo resuscitato missus, venit ut arguat « mundum de peccato » (Io 16,8), Illum revelans qui eius est Redemptor.
§ 389
A doutrina do pecado original é, por assim dizer, «o reverso» da Boa-Nova de que Jesus é o Salvador de todos os homens, de que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é oferecida a todos, graças a Cristo. A Igreja, que tem o sentido de Cristo (263), sabe bem que não pode tocar-se na revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo.
Peccati originalis doctrina est, ut ita dicatur, « aversa pars » huius Boni Nuntii: Iesum omnium hominum esse Salvatorem, omnes egere salute atque salutem omnibus Christi offerri beneficio. Ecclesia quae sensum habet Christi, 279 scit revelationem peccati originalis attrectari non posse quin Christi laedatur mysterium. Ad narrationem lapsus legendam

PARA LER A NARRATIVA DA QUEDA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Onde abundou o pecado, sobreabundou a graça»

§ 390
A narrativa da queda (Gn 3) utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um facto que teve lugar no princípio da história do homem (264). A Revelação dá-nos uma certeza de fé de que toda a história humana está marcada pela falta original, livremente cometida pelos nossos primeiros pais (265).
Lapsus narratio (Gn 3) sermone utitur imaginibus confecto, sed eventum affirmat primordialem, factum quod initio historiae hominis locum habuit. 280 Revelatio nobis praebet fidei certitudinem de eo quod tota humana historia signata est originali culpa libere a nostris protoparentibus commissa. 281 II. Angelorum lapsus

PARA LER A NARRATIVA DA QUEDA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A queda dos anjos

§ 391
Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus (266), a qual, por inveja, os faz cair na morte (267). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo (268). Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. «Diabolus enim et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali – De facto, o Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus» (269).
Electioni inoboedienti nostrorum protoparentum vox subest seductrix, Deo opposita, 282 quae propter invidiam eos in mortem cadere facit. 283 Scriptura et Ecclesiae Traditio in hoc ente angelum perspiciunt lapsum, Satanam vel Diabolum appellatum. 284 Ecclesia docet eum primo angelum fuisse bonum, a Deo factum. « Diabolus et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali ». 285
§ 392
A Escritura fala dum pecado destes anjos (270). A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: «Sereis como Deus» (Gn 3, 5). O Diabo é «pecador desde o princípio» (1 Jo 3, 8), «pai da mentira» (Jo 8, 44).
Scriptura loquitur de horum angelorum peccato. 286 Hic « lapsus » in libera electione horum creatorum consistit spirituum, qui radicaliter et irrevocabiliter Deum Eiusque reiecerunt Regnum. Huius rebellionis reverberationem in verbis Tentatoris ad protoparentes invenimus nostros: « Eritis sicut Deus » (Gn 3,5). « A principio Diabolus peccat » (1 Io 3,8), « mendax est et pater eius » (Io 8,44).
§ 393
É o carácter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. «Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte» (271).
Irrevocabilis indoles optionis angelorum, et non infinitae misericordiae divinae defectus, facit ut eorum peccatum remitti non possit. « Post lapsum enim nulla ipsis paenitentia est, uti nec hominibus post mortem ». 287
§ 394
A Escritura atesta a influência nefasta daquele que Jesus chama «o assassino desde o princípio» (Jo 8, 44), e que chegou ao ponto de tentar desviar Jesus da missão recebida do Pai (272). «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus» (1 Jo 3, 8). Dessas obras, a mais grave em consequências foi a mentirosa sedução que induziu o homem a desobedecer a Deus.
Scriptura nefastum testatur influxum illius qui a Iesu « homicida [...] ab initio » (Io 8,44) appellatur quique etiam Iesum a missione a Patre accepta conatus est deviare. 288 « Propter hoc apparuit Filius Dei, ut dissolvat opera Diaboli » (1 Io 3,8). Horum operum gravissimum propter consequentias mendax fuit seductio quae hominem induxit ut Deo inoboediret.
§ 395
No entanto, o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas, de qualquer modo, criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás exerça no mundo a sua acção, por ódio contra Deus e o seu reinado em Jesus Cristo, e embora a sua acção cause graves prejuízos – de natureza espiritual e indirectamente, também, de natureza física – a cada homem e à sociedade, essa acção é permitida pela divina Providência, que com força e suavidade dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da actividade diabólica é um grande mistério. Mas «nós sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28).
Potentia tamen Satanae infinita non est. Ille non est nisi creatura, potens propterea quod purus est spiritus, sed semper creatura: aedificationem Regni Dei impedire non potest. Quamquam Satanas ex odio contra Deum Eiusque Regnum in Iesu Christo in mundo agit, et quamquam eius actio gravia causat damna — naturae spiritualis et indirecte etiam naturae physicae — unicuique homini et societati, haec actio a divina permittitur providentia quae fortiter et suaviter historiam hominis regit et mundi. Permissio divina activitatis diabolicae magnum est mysterium, « scimus autem quoniam diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum » (Rom 8,28).III. Peccatum originaleLibertatis probatio

A PROVA DA LIBERDADE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O pecado original

§ 396
Deus criou o homem «à sua imagem» e constituiu-o na sua amizade. Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade na modalidade da livre submissão a Deus. É isso o que exprime a proibição feita ao homem de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, «pois no dia em que o comeres, morrerás» (Gn 2, 17). A «árvore de conhecer o bem e o mal» (Gn 2, 17) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e confiadamente respeitar. O homem depende do Criador. Está sujeito às leis da criação e às normas morais que regulam o exercício da liberdade.
Deus hominem ad Suam creavit imaginem et in amicitia constituit Sua. Homo, creatura spiritualis, in hac amicitia vivere non potest nisi per modum liberae submissionis ad Deum. Hoc exprimit prohibitio homini facta edendi de arbore scientiae boni et mali, « in quocumque enim die comederis ex eo, morte morieris » (Gn 2,17). Lignum « scientiae boni et mali » (Gn 2,17) symbolice limitem suggerit intransgressibilem quem homo, quatenus creatura, libere agnoscere et fidenter observare debet. Homo a Creatore pendet; legibus creationis et normis est submissus moralibus quae libertatis regulant usum. Primum peccatum hominis

O PRIMEIRO PECADO DO HOMEM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O pecado original

§ 397
Tentado pelo Diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança no seu Criador (273). Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem (274). Daí em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na sua bondade.
Homo, a Diabolo tentatus, fiduciam erga suum Creatorem in corde mori sivit suo 289 et sua libertate abutens, Dei mandato inoboedivit. In hoc hominis primum constitit peccatum. 290 Omne exinde peccatum inoboedientia erit relate ad Deum et defectus fiduciae in Eius bonitatem.
§ 398
Neste pecado, o homem preferiu-se a si próprio a Deus, e por isso desprezou Deus: optou por si próprio contra Deus, contra as exigências da sua condição de criatura e, daí, contra o seu próprio bem. Constituído num estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente «divinizado» por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis «ser como Deus»(275), mas «sem Deus, em vez de Deus, e não segundo Deus» (276).
In hoc peccato, homo se ipsum praefert Deo, et eo ipso Deum contemnit: electionem sui ipsius contra Deum fecit, contra exigentias sui status creaturae et exinde contra suum proprium bonum. Homo, constitutus in statu sanctitatis, destinabatur ut plene esset a Deo in gloria « deificatus ». Per Diaboli seductionem, voluit « sicut Deus esse », 291 sed « extra Deum, et prae Deo, et non secundum Deum ». 292
§ 399
A Escritura refere as consequências dramáticas desta primeira desobediência: Adão e Eva perdem imediatamente a graça da santidade original (277). Têm medo daquele Deus (278) de quem se fizeram uma falsa imagem: a dum Deus ciumento das suas prerrogativas (279).
Scriptura tragicas huius primae inoboedientiae ostendit consequentias. Adam et Eva sanctitatis originalis gratiam amittunt illico. 293 Metum habent Dei, 294 cuius falsam conceperunt imaginem, illam Dei Suarum avidi praerogativarum. 295
§ 400
A harmonia em que viviam, graças à justiça original, ficou destruída; o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo foi quebrado (280); a união do homem e da mulher ficou sujeita a tensões (281); as suas relações serão marcadas pela avidez e pelo domínio (282). A harmonia com a criação desfez-se: a criação visível tornou-se, para o homem, estranha e hostil (283). Por causa do homem, a criação ficou sujeita «à servidão da corrupção» (284). Enfim, vai concretizar-se a consequência explicitamente anunciada para o caso da desobediência (285): o homem «voltará ao pó de que foi formado» (286). A morte faz a sua entrada na história da humanidade (287).
Harmonia in qua erant, propter originalem iustitiam stabilita, destructa est; dominatus facultatum animae spiritualium in corpus ruptus est; 296 viri et mulieris unio est submissa tensionibus; 297 eorum relationes a cupidine et dominatione signabuntur. 298 Harmonia cum creatione est fracta: creatio visibilis facta est pro homine aliena et hostilis. 299 Propter hominem creatio servituti corruptionis subiecta est. 300 Denique consequentia pro inoboedientiae casu explicite nuntiata 301 ducetur in rem: homo in pulverem revertetur, unde sumptus est. 302 Mors in historiam ingreditur humanitatis 303.
§ 401
A partir deste primeiro pecado, uma verdadeira «invasão» de pecado inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim na pessoa de Abel (288); a corrupção universal como consequência do pecado (289). Na história de Israel, o pecado manifesta-se com frequência, sobretudo como uma infidelidade ao Deus da Aliança e como transgressão da lei de Moisés. Mesmo depois da redenção de Cristo, o pecado manifesta-se de muitas maneiras entre os cristãos (290). A Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja não se cansam de lembrar a presença e a universalidade do pecado na história do homem.

«O que a Revelação divina nos dá a conhecer, concorda com os dados da experiência. Quando o homem olha para dentro do seu próprio coração, descobre-se inclinado também para o mal, e imerso em muitos males, que não podem provir do seu Criador, que é bom. Muitas vezes, recusando reconhecer Deus como seu princípio, o homem perturbou, por isso mesmo, a sua ordenação para o fim último e, ao mesmo tempo, toda a harmonia consigo próprio, com os outros homens e com toda a criação» (291).

Post primum peccatum, vera « invasio » peccati mundum replet: fratricidium a Cain commissum in Abelem; 304 universalis corruptio consequenter ad peccatum; 305 etiam in historia Israel peccatum saepe manifestatur praesertim tamquam infidelitas erga Deum Foederis et tamquam transgressio Legis Moysis; etiam post Redemptionem Christi, inter christianos, peccatum multipliciter manifestatur. 306 Scriptura et Traditio Ecclesiae praesentiam et universalitatem peccati in historia hominum memorare non desinunt:

« Quod Revelatione divina nobis innotescit, cum ipsa experientia concordat. Nam homo, cor suum inspiciens, etiam ad malum inclinatum se comperit et in multiplicibus malis demersum, quae a bono suo Creatore provenire non possunt. Deum tamquam principium suum saepe agnoscere renuens, etiam debitum ordinem ad finem suum ultimum, simul ac totam suam sive erga seipsum sive erga alios homines et omnes res creatas ordinationem disrupit ». 307

CONSEQUÊNCIAS DO PECADO DE ADÃO PARA A HUMANIDADE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O pecado original

§ 402
Todos os homens estão implicados no pecado de Adão. É São Paulo quem o afirma: «pela desobediência de um só homem, muitos [quer dizer, a totalidade dos homens] se tornaram pecadores» (Rm 5, 19): «Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram» (Rm 5, 12). A universalidade do pecado e da morte, o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo: «Assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só [Cristo], virá para todos a justificação que dá a vida» (Rm 5, 18).
Omnes homines peccato Adami implicantur. Sanctus Paulus hoc affirmat: « Per inoboeditionem unius hominis peccatores constituti sunt multi » (Rom 5,19), id est omnes homines: « Sicut per unum hominem peccatum in hunc mundum intravit et per peccatum mors, et ita in omnes homines mors pertransiit, eo quod omnes peccaverunt... » (Rom 5,12). Universalitati peccati et mortis, contraponit Apostolus universalitatem salutis in Christo: « Sicut per unius delictum in omnes homines in condemnationem, sic et per unius [Christi] iustitiam in iustificationem vitae » (Rom 5,18).
§ 403
Depois de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens, e a sua inclinação para o mal e para a morte não se compreendem sem a ligação com o pecado de Adão e o facto de ele nos ter transmitido um pecado de que todos nascemos infectados e que é «morte da alma» (292). A partir desta certeza de fé, a Igreja confere o Baptismo para a remissão dos pecados, mesmo às crianças que não cometeram qualquer pecado pessoal (293).
Ecclesia, sanctum Paulum sequens, semper docuit immensam miseriam, quae homines opprimit, et eorum inclinationem ad malum et ad mortem comprehensibiles non esse sine earum vinculo cum peccato Adami et cum facto quod ille nobis peccatum transmisit, quo omnes affecti nascimur et quod est « mors animae ». 308 Propter hanc fidei certitudinem, Ecclesia Baptismum praebet in remissionem peccatorum etiam infantibus qui peccatum personale non commiserunt. 309
§ 404
Como é que o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? Todo o género humano é, em Adão, «sicut unum corpus unius hominis – como um só corpo dum único homem» (294). Em virtude desta «unidade do género humano», todos os homens estão implicados no pecado de Adão, do mesmo modo que todos estão implicados na justificação de Cristo. Todavia, a transmissão do pecado original é um mistério que nós não podemos compreender plenamente. Mas sabemos, pela Revelação, que Adão tinha recebido a santidade e a justiça originais, não só para si, mas para toda a natureza humana; consentindo na tentação, Adão e Eva cometeram um pecado pessoal, mas este pecado afecta a natureza humana que eles vão transmitir num estado decaído (295). É um pecado que vai ser transmitido a toda a humanidade por propagação, quer dizer, pela transmissão duma natureza humana privada da santidade e justiça originais. E é por isso que o pecado original se chama «pecado» por analogia: é um pecado «contraído» e não «cometido»; um estado, não um acto.
Quomodo peccatum Adami est peccatum omnium eius descendentium effectum? Totum genus humanum est in Adamo « sicut unum corpus unius hominis ». 310 Propter hanc « generis humani unitatem » omnes homines implicantur peccato Adami, sicut omnes iustitia Christi implicantur. Transmissio tamen peccati originalis est mysterium quod plene comprehendere non possumus. Sed per Revelationem scimus Adamum sanctitatem et iustitiam recepisse originales non pro se tantum, sed pro tota humana natura: Tentatori obsecundantes, Adam et Eva peccatum personale committunt, sed hoc peccatum naturam humanam afficit, quam illi in statu lapso sunt transmissuri. 311 Est peccatum quod toti humanitati per propagationem transmittetur, id est per transmissionem naturae humanae privatae originalibus sanctitate et iustitia. Hac de causa, peccatum originale appellatur « peccatum » modo analogico: est peccatum « contractum » et non commissum, status et non actus.
§ 405
Embora próprio de cada um (296), o pecado original não tem, em qualquer descendente de Adão, carácter de falta pessoal. É a privação da santidade e justiça originais, mas a natureza humana não se encontra totalmente corrompida: está ferida nas suas próprias forças naturais, sujeita à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado (inclinação para o mal, que se chama concupiscência). O Baptismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e reorienta o homem para Deus, mas as consequências para a natureza, enfraquecida e inclinada para o mal, persistem no homem e convidam-no ao combate espiritual.
Peccatum originale, licet unicuique proprium, 312 in nullo descendente Adami indolem habet culpae personalis. Originalium sanctitatis et iustitiae est privatio, sed natura humana totaliter corrupta non est: ea in propriis viribus naturalibus est vulnerata, ignorantiae, dolori et mortis imperio submissa, et ad peccatum inclinata (haec ad malum inclinatio « concupiscentia » appellatur). Baptismus, vitam gratiae Christi donans, peccatum delet originale et hominem ad Deum convertit, sed consequentiae pro natura, debilitata et ad malum inclinata, permanent in homine eumque ad luctam vocant spiritualem.
§ 406
A doutrina da Igreja sobre a transmissão do pecado original foi definida sobretudo no século V, particularmente sob o impulso da reflexão de Santo Agostinho contra o pelagianismo, e no século XVI, por oposição à Reforma protestante. Pelágio sustentava que o homem podia, pela força natural da sua vontade livre, sem a ajuda necessária da graça de Deus, levar uma vida moralmente boa; reduzia a influência do pecado de Adão à de um simples mau exemplo. Os primeiros reformadores protestantes, pelo contrário, ensinavam que o homem estava radicalmente pervertido e a sua liberdade anulada pelo pecado das origens: identificavam o pecado herdado por cada homem com a tendência para o mal («concupiscência»), a qual seria invencível. A Igreja pronunciou-se especialmente sobre o sentido do dado revelado, quanto ao pecado original, no segundo Concílio de Orange em 529 (297) e no Concílio de Trento em 1546 (298).
Doctrina Ecclesiae de peccati originalis transmissione praesertim saeculo V, praecipue sub impulsu considerationis sancti Augustini contra pelagianismum, est determinata, et saeculo XVI in oppositione ad protestantium Reformationem. Pelagius tenebat hominem naturali vi suae liberae voluntatis, sine necessario adiutorio gratiae, posse vitam moraliter ducere bonam; sic culpae Adami reducebat influxum ad illum mali exempli. E contra, priores reformatores protestantes docebant per peccatum originum hominem radicaliter esse perversum et eius libertatem ad nihilum reductam; peccatum hereditate ab unoquoque homine receptum idem putabant ac tendentiam ad malum (concupiscentiam) quae insuperabilis esset. Ecclesia de sensu dati revelati circa peccatum originale specialiter se expressit in Concilio Arausicano II anno 529 313 et in Concilio Tridentino anno 1546. 314Ardua lucta...

UM DURO COMBATE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O pecado original

§ 407
A doutrina sobre o pecado original – ligada à da redenção por Cristo – proporciona uma visão de lúcido discernimento sobre a situação do homem e da sua acção neste mundo. Pelo pecado dos primeiros pais, o Diabo adquiriu um certo domínio sobre o homem, embora este permanecesse livre. O pecado original traz consigo «a escravidão, sob o poder daquele que possuía o império da morte, isto é, do Diabo» (299). Ignorar que o homem tem uma natureza ferida, inclinada para o mal, dá lugar a graves erros no domínio da educação, da política, da acção social (300) e dos costumes.
Doctrina de peccato originali — conexa cum illa de Redemptione per Christum — intuitum praebet lucidae discretionis circa statum hominis eiusque operationem in mundo. Per protoparentum peccatum Diabolus dominatum quemdam acquisivit super hominem, quamvis hic permaneat liber. Peccatum originale secum fert « captivitatem sub eius potestate, "qui mortis" deinde "habuit imperium", hoc est Diaboli ». 315 Ignorare hominem naturam habere vulneratam, ad malum inclinatam, gravibus erroribus ansam praebet in campo educationis, rei politicae, actionis socialis 316 et morum.
§ 408
As consequências do pecado original e de todos os pecados pessoais dos homens dão ao mundo, no seu conjunto, uma condição pecadora, que pode ser designada pela expressão de São João «o pecado do mundo» (Jo 1, 29). Esta expressão significa também a influência negativa que as situações comunitárias e as estruturas sociais, que são o fruto dos pecados dos homens, exercem sobre as pessoas (301).
Consequentiae peccati originalis et omnium personalium peccatorum hominum conferunt mundo, in eius complexu, peccatricem condicionem, quae sancti Ioannis potest expressione denotari: « peccatum mundi » (Io 1,29). Per hanc expressionem etiam negativus significatur influxus quem condiciones communitariae et structurae sociales, quae peccatorum hominum sunt fructus, super personas exercent. 317
§ 409
Esta dramática situação do mundo, que «está todo sob o poder do Maligno» (1 Jo 5, 19) (302), transforma a vida do homem num combate:

«Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens. Tendo começado nas origens, há-de durar – o Senhor no-lo disse – até ao último dia. Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem. Só através de grandes esforços é que, com a graça de Deus, consegue realizar a sua unidade interior» (303).

Hic tragicus status mundi, qui « totus in Maligno positus est » (1 Io 5,19), 318 vitam hominis reddit luctam:

« Universam enim hominum historiam ardua colluctatio contra potestates tenebrarum pervadit, quae inde ab origine mundi incepta, usque ad ultimum diem, dicente Domino, perseverabit. In hanc pugnam insertus, homo ut bono adhaereat iugiter certare debet, nec sine magnis laboribus, Dei gratia adiuvante, in seipso unitatem obtinere valet ». 319

UM DURO COMBATE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Vós não o abandonastes ao poder da morte»

§ 410
Depois da queda, o homem não foi abandonado por Deus. Pelo contrário, Deus chamou-o (304) e anunciou-lhe, de modo misterioso, que venceria o mal e se levantaria da queda (305). Esta passagem do Génesis tem sido chamada « Proto-Evangelho» por ser o primeiro anúncio do Messias redentor, do combate entre a Serpente e a Mulher, e da vitória final dum descendente desta.
Homo post suum lapsum non est a Deo derelictus. E contra, Deus eum vocat 320 et ei, modo arcano, victoriam supra malum annuntiat et elevationem de lapsu. 321 Hic locus Genesis est « Protoevangelium » appellatus, quia primus est Messiae Redemptoris nuntius, luctae inter serpentem et Mulierem et finalis victoriae cuiusdam a Muliere descendentis.
§ 411
A Tradição cristã vê nesta passagem um anúncio do «novo Adão» (306) que, pela sua «obediência até à morte de cruz» (Fl 2, 8), repara super‑abundantemente a desobediência de Adão (307). Por outro lado, muitos santos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher, anunciada no proto-Evangelho, a Mãe de Cristo, Maria, como «nova Eva». Ela foi a primeira a beneficiar, dum modo único, da vitória sobre o pecado alcançada por Cristo: foi preservada de toda a mancha do pecado original (308) e, durante toda a sua vida terrena, por uma graça especial de Deus, não cometeu qualquer espécie de pecado (309).
Traditio christiana hoc loco nuntium videt « novi Adami », 322 qui propter suam oboedientiam « usque ad mortem [...] crucis » (Phil 2,8), superabundanter inoboedientiam reparat Adami. 323 Ceterum, plures Patres et Ecclesiae doctores in Muliere annuntiata in « Protoevangelio » Matrem Christi agnoscunt Mariam, tamquam « novam Evam ». Illa fuit quae prima, et modo singulari, victoria a Christo de peccato reportata fruita est: illa ab omni labe peccati originalis praeservata est immunis 324 et per totam suam vitam terrenam, propter gratiam Dei specialem, nullum commisit peccati genus. 325
§ 412
Mas porque é que Deus não impediu o primeiro homem de pecar? São Leão Magno responde: «A graça inefável de Cristo deu-nos bens superiores aos que a inveja do demónio nos tinha tirado» (310). E São Tomás de Aquino: «Nada se opõe a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais alto depois do pecado. Efectivamente, Deus permite que os males aconteçam para deles tirar um bem maior. Daí a palavra de São Paulo: "onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5, 20). Por isso, na bênção do círio pascal canta-se: "Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor!"» (311).Resumindo:
Sed cur Deus primum hominem peccare non impedivit? Sanctus Leo Magnus respondet: sumus « ampliora adepti per ineffabilem Christi gratiam quam per Diaboli amiseramus invidiam ». 326 Et sanctus Thomas Aquinas: « Nihil autem prohibet ad aliquid maius humanam naturam productam esse post peccatum: Deus enim permittit mala fieri ut inde aliquid melius eliciat. Unde dicitur Rom 5,20: "Ubi abundavit iniquitas, superabundavit et gratia". Unde et in benedictione Cerei Paschalis dicitur: "O felix culpa, quae talem ac tantum meruit habere Redemptorem!" ». 327 Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 413
«Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra por os vivos se perderem [...]. A morte entrou no mundo pela inveja do Diabo» (Sb 1, 13; 2, 24).
« Deus mortem non fecit nec laetatur in perditione vivorum [...]. Invidia autem Diaboli mors introivit in orbem terrarum » (Sap 1,13; 2,24).
§ 414
Satanás ou Diabo e os outros demónios são anjos decaídos por terem livremente recusado servir a Deus e ao seu desígnio. A sua opção contra Deus é definitiva. E eles tentam associar o homem à sua revolta contra Deus.
Satan seu Diabolus ceteraque demonia angeli sunt lapsi quia libere renuerunt Deo Eiusque servire consilio. Eorum contra Deum optio definitiva est. Hominem eorum rebellioni contra Deum sociare conantur.
§ 415
«Estabelecido por Deus num estado de santidade, o homem, seduzido pelo Maligno desde o princípio da história, abusou da sua liberdade, levantando-se contra Deus e pretendendo atingir o seu fim fora de Deus» (312).
« In iustitia a Deo constitutus, homo tamen, suadente Maligno, inde ab exordio historiae, libertate sua abusus est, seipsum contra Deum erigens et finem suum extra Deum attingere cupiens ». 328
§ 416
Pelo seu pecado, Adão, como primeiro homem, perdeu a santidade e a justiça originais que tinha recebido de Deus, não somente para si, mas para todos os seres humanos.
Adam, quatenus primus homo, per peccatum suum, sanctitatem et iustitiam amisit originales quas a Deo receperat, non solum sibi, sed omnibus hominibus.
§ 417
À sua descendência, Adão e Eva transmitiram a natureza humana ferida pelo seu primeiro pecado, portanto privada da santidade e da justiça originais. Esta privação é chamada «pecado original».
Adam et Eva posteritati suae naturam humanam per suum primum peccatum transmiserunt vulneratam, et ideo sanctitate et iustitia privatam originalibus. Haec privatio « peccatum originale » appellatur.
§ 418
Como consequência do pecado original, a natureza humana ficou enfraquecida nas suas forças e sujeita à ignorância, ao sofrimento e ao domínio da morte, e inclinada para o pecado – inclinação que se chama «concupiscência».
Consequenter ad peccatum originale, natura humana est in suis viribus debilitata, ignorantiae, dolori et mortis dominatui submissa, atque ad peccatum inclinata (haec inclinatio appellatur « concupiscentia »).
§ 419
«Afirmamos, pois, com o Concílio de Trento, que o pecado original é transmitido com a natureza humana, "não por imitação, mas por propagação", e que, assim, é "próprio de cada um"»(313).
« Tenemus igitur, Concilium Tridentinum secuti, peccatum originale, una cum natura humana, transfundi "propagatione, non imitatione", idque "inesse unicuique proprium" ». 329
§ 420
A vitória alcançada por Cristo sobre o pecado trouxe-nos bens superiores àqueles que o pecado nos tinha tirado: «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5, 20).
Victoria de peccato a Christo reportata nobis bona donavit meliora illis quae peccatum nobis abstulerat: « Ubi autem abundavit peccatum, superabundavit gratia » (Rom 5,20).
§ 421
«Segundo a fé dos cristãos, este mundo foi criado e continua a ser conservado pelo amor do Criador; é verdade que caiu sob a escravidão do pecado, mas Cristo, pela Cruz e Ressurreição, venceu o poder do Maligno e libertou-o...» (314).
« Mundum [...] christifideles credunt ex amore Creatoris conditum et conservatum, sub peccati quidem servitute positum, sed a Christo crucifixo et resurgente, fracta potestate Maligni, liberatum... ». 330 (274) Sanctus Augustinus, Confessiones, 7, 7, 11: CCL 27, 99 (PL 32, 739).(275) Cf 1 Tim 3,16.(276) Cf Rom 5,20.(277) Cf Lc 11,21-22; Io 16,11; 1 Io 3,8. (278) Cf Rom 5,12-21. (279) Cf 1 Cor 2,16. (280) Cf Concilium Vaticanum II, Const past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034-1035. (281) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 3: DS 1513; Pius XII, Litt. enc. Humani generis: DS 3897; Paulus VI, Allocutio iis qui interfuerunt Coetui v. d. « Simposio » a theologis doctisque viris habito de originali peccato (11 iulii 1966): AAS 58 (1966) 649-655. (282) Cf Gn 3,1-5. (283) Cf Sap 2,24. (284) Cf Io 8,44; Apc 12,9. (285) Concilium Lateranense IV (anno 1215), Cap. 1, De fide catholica: DS 800. (286) Cf 2 Pe 2,4. (287) Sanctus Ioannes Damascenus, Expositio fidei 18 [De fide orthodoxa 2, 4]: PTS 12, 50 (PG 94, 877). (288) Cf Mt 4,1-11. (289) Cf Gn 3,1-11. (290) Cf Rom 5,19. (291) Gn 3,5.(292) Sanctus Maximus Confessor, Ambiguorum liber: PG 91, 1156. (293) Cf Rom 3,23. (294) Cf Gn 3,9-10. (295) Cf Gn 3,5. (296) Cf Gn 3,7. (297) Cf Gn 3,11-13. (298) Cf Gn 3,16. (299) Cf Gn 3,17.19. (300) Cf Rom 8,20. (301) Cf Gn 2,17. (302) Cf Gn 3,19. (303) Cf Rom 5,12. (304) Cf Gn 4,3-15. (305) Cf Gn 6,5.12; Rom 1,18-32. (306) Cf 1 Cor 1-6; Apc 2-3. (307) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1035. (308) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 2: DS 1512. (309) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 4: DS 1514. (310) Sanctus Thomas Aquinas, Quaestiones disputatae de malo, 4, 1, c.: Ed. Leon. 23, 105. (311) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canones 1-2: DS 1511-1512. (312) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 3: DS 1513. (313) Concilium Arausicanum II, Canones 1-2: DS 371-372. (314) Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali: DS 1510-1516. (315) Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 1: DS 1511; cf Heb 2,14. (316) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 25: AAS 83 (1991) 823-824. (317) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 213-217. (318) Cf 1 Pe 5,8. (319) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 37: AAS 58 (1966) 1055. (320) Cf Gn 3,9. (321) Cf Gn 3,15. (322) Cf 1 Cor 15,21-22.45. (323) Cf Rom 5,19-20. (324) Cf Pius IX, Bulla Ineffabilis Deus: DS 2803. (325) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, canon 23: DS 1573. (326) Sanctus Leo Magnus, Sermo 73, 4: CCL 88A, 453 (PL 54, 151).(327) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 1, a. 3, ad 3: Ed. Leon. 11, 14; verba a sancto Thoma hic allata in Praeconio Paschali « Exsultet » cantantur. (328) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034-1035. (329) Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 16: AAS 60 (1968) 439.(330) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 2: AAS 58 (1966) 1026.

A BOA-NOVA: DEUS ENVIOU O SEU FILHO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 422
«Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos» (Gl 4, 4-5). Esta é a «Boa-Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus»(1): Deus visitou o seu povo(2) e cumpriu as promessas feitas a Abraão e à sua descendência (3) fê-lo para além de toda a expectativa: enviou o seu «Filho muito-amado» (4).
« At ubi venit plenitudo temporis, misit Deus Filium Suum, factum ex muliere, factum sub Lege, ut eos, qui sub Lege erant, redimeret, ut adoptionem filiorum reciperemus » (Gal 4,4-5). En Evangelium Iesu Christi Filii Dei:1 Deus populum Suum visitavit.2 Promissiones Abraham et semini eius factas implevit.3 Id ultra omnem fecit exspectationem: misit Filium Suum dilectum.4
§ 423
Nós cremos e confessamos que Jesus de Nazaré, judeu nascido duma filha de Israel, em Belém, no tempo do rei Herodes o Grande e do imperador César Augusto, carpinteiro de profissão, morto crucificado em Jerusalém sob o procurador Pôncio Pilatos no reinado do imperador Tibério, é o Filho eterno de Deus feito homem; que Ele «saiu de Deus» (Jo 13, 3), «desceu do céu» (Jo 3, 13; 6, 33) e «veio na carne» (5), porque «o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade [...] Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos, graça sobre graça» (Jo 1, 14, 16).
Credimus et profitemur Iesum ex Nazareth, Iudaeum natum de filia Israel in Bethlehem, tempore regis Herodis Magni et imperatoris Caesaris Augusti I, munere fabri lignarii fungentem, mortuum crucifixum Hierosolymis, sub Pontio Pilato procuratore, imperatore Tiberio regnante, aeternum esse Dei Filium hominem factum qui « a Deo exivit » (Io 13,3), « qui descendit de caelo » (Io 3,13; 6,33), qui in carne venit,5 quia « Verbum caro factum est et habitavit in nobis, et vidimus gloriam Eius, gloriam quasi Unigeniti a Patre, plenum gratiae et veritatis. [...] Et de plenitudine Eius nos omnes accepimus, et gratiam pro gratia » (Io 1,14.16).
§ 424
Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, nós cremos e confessamos a respeito de Jesus: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16). Foi sobre o rochedo desta fé, confessada por Pedro, que Cristo edificou a sua Igreja (6).«ANUNCIAR A INSONDÁVEL RIQUEZA DE CRISTO» (Ef 3, 8)
Gratia moti Spiritus Sancti et a Patre tracti, credimus et confitemur relate ad Iesum: « Tu es Christus, Filius Dei vivi » (Mt 16,16). Super huius fidei petram, quam Petrus confessus est, Christus Suam fundavit Ecclesiam.6 « Evangelizare investigabiles divitias Christi » (Eph 3,8)
§ 425
A transmissão da fé cristã é, antes de mais, o anúncio de Jesus Cristo, para Levar à fé n'Ele. Desde o princípio, os primeiros discípulos arderam no desejo de anunciar Cristo: «Nós é que não podemos deixar de dizer o que vimos e escutámos» (Act 4, 20). E convidam os homens de todos os tempos a entrar na alegria da sua comunhão com Cristo:

«O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram acerca do Verbo da vida, é o que nós vos anunciamos, pois a vida manifestou-Se e nós vimo-la e dela damos testemunho: nós vos anunciamos a vida eterna que estava junto do Pai e nos foi manifestada. Nós vos anunciamos o que vimos e ouvimos, para que estejais também em comunhão connosco. E a comunhão em que estamos é com o Pai e com o seu Filho, Jesus Cristo. E escrevemos tudo isto para a nossa alegria ser completa» (1 Jo, 1, 1-4).

Fidei christianae transmissio est imprimis Iesu Christi nuntius ut homines ad fidem in Illum adducantur. Ab initio, priores discipuli desiderio arserunt Christum nuntiandi: « Non enim possumus nos, quae vidimus et audivimus non loqui » (Act 4,20). Omnium temporum homines invitant ut in gaudium eorum communionis cum Christo ingrediantur:

« Quod audivimus, quod vidimus oculis nostris, quod perspeximus et manus nostrae contrectaverunt de Verbo vitae — et vita apparuit, et vidimus et testamur et annuntiamus vobis vitam aeternam, quae erat coram Patre et apparuit nobis — quod vidimus et audivimus, annuntiamus et vobis, ut et vos communionem habeatis nobiscum. Communio autem nostra est cum Patre et cum Filio Eius Iesu Christo. Et haec scribimus nos, ut gaudium nostrum sit plenum » (1 Io 1,1-4).

NO CORAÇÃO DA CATEQUESE: CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 426
«No coração da catequese, encontramos essencialmente uma Pessoa: Jesus de Nazaré, Filho único do Pai [...], que sofreu e morreu por nós e que agora, ressuscitado, vive connosco para sempre [...]. Catequizar [...] é revelar, na Pessoa de Cristo, todo o desígnio eterno de Deus [...]. É procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo e dos sinais por Ele realizados» (7). O fim da catequese é «pôr em comunhão com Jesus Cristo: somente Ele pode levar ao amor do Pai, no Espírito, e fazer-nos participar na vida da Santíssima Trindade» (8).
« Illico ergo affirmandum est in ipsa catecheseos intima ratione hanc potissimum personam inveniri: Iesu Christi Nazareni, "Unigeniti a Patre" [...]; qui passus ac pro nobis mortuus est; quique iam, quandoquidem resurrexit, vivit semper nobiscum. [...] Catechesim tradere [...] idem valet ac patefacere in Christi Persona universum Dei consilium aeternum [...]; idem ac sensum gestuum et verborum Christi comprehendere studere necnon signorum, quae Ipse perpetravit ».7 Catechesis scopus: « Ut quis [...] ad communionem cum Eo [cum Iesu Christo] [...] perveniat; Ipse enim solus conducere aliquem potest ad amorem Patris in Spiritu et ad Sanctissimae Trinitatis vitam participandam ».8
§ 427
«Na catequese, é Cristo, Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado; tudo o mais é-o em referência a Ele. E só Cristo ensina. Todo e qualquer outro o faz apenas na medida em que é seu porta-voz, consentindo em que Cristo ensine pela sua boca [...]. Todo o catequista deveria poder aplicar a si próprio a misteriosa palavra de Jesus: "A minha doutrina não é minha, mas d'Aquele que Me enviou" (Jo 7, 16)» (9).
« Affirmari ergo oportet in catechesi Christum, Verbum incarnatum et Filium Dei, institutione tradi, cetera autem prout ad Eum referantur; solum Christum docere, quemvis alium docentem ea dumtaxat ratione, qua Eius sit nuntius seu interpres et qua Christus per huius os loquatur. [...] Oportet ergo ad omnem catecheseos institutorem haec arcana verba Christi possint transferri: "Mea doctrina non est mea, sed Eius qui misit me" (Io 7,16) ».9
§ 428
Aquele que é chamado a «ensinar Cristo» deve, portanto, antes de mais nada, procurar «esse lucro sobreeminente que é o conhecimento de Jesus Cristo». Tem de «aceitar perder tudo [...] para ganhar Cristo e encontrar-se n'Ele» e «conhecê-Lo, a Ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformar-se com Ele na morte, na esperança de chegar a ressuscitar dos mortos» (Fl 3, 8-11).
Qui ad Christum evangelizandum vocatus est, debet igitur imprimis « eminentiam scientiae Christi Iesu quaerere »; oportet eum « omnia detrimentum facere », « ut Christum » lucrifaciat et inveniatur « in Illo », « ad cognoscendum Illum et virtutem Resurrectionis Eius et communionem passionum Illius, conformans » se « morti Eius, si quo modo » occurrat « ad resurrectionem, quae est ex mortuis » (Phil 3,8-11).
§ 429
Deste conhecimento amoroso de Cristo brota o desejo de O anunciar, de «evangelizar» e levar os outros ao «sim» da fé em Jesus Cristo. Mas, ao mesmo tempo, faz-se sentir a necessidade de conhecer sempre melhor esta fé. Com esse objectivo, seguindo a ordem do Símbolo da fé, primeiro serão apresentados os principais títulos de Jesus: Cristo, Filho de Deus, Senhor (Artigo 2). O Símbolo confessa, em seguida, os principais mistérios da vida de Cristo: da sua Encarnação (Artigo 3), da sua Páscoa (Artigos 4 e 5) e, por fim, da sua Glorificação (Artigos 6 e 7).
Ex hac Christi cognitione amore affecta, desiderium scaturit Illum annuntiandi, « evangelizandi », et alios adducendi ad « assensum » fidei in Iesum Christum. Sed simul necessitas percipitur hanc fidem semper melius cognoscendi. Ad hunc scopum, secundum ordinem Symboli fidei, imprimis praecipui Iesu praesentabuntur tituli: Christus, Filius Dei, Dominus (articulus 2). Symbolum deinde confitetur praecipua vitae Christi mysteria: illa Incarnationis Eius (articulus 3), illa Paschatis Eius (articuli 4 et 5), denique illa Eius glorificationis (articuli 6 et 7). (1) Cf Mc 1,1.(2) Cf Lc 1,68.(3) Cf Lc 1,55.(4) Cf Mc 1,11.(5) Cf 1 Io 4,2.(6) Cf Mt 16,18; Sanctus Leo Magnus, Sermo 4, 3: CCL 88, 19-20 (PL 54, 151); Sermo 51, 1: CCL 88A, 296-297 (PL 54, 309); Sermo 62, 2: CCL 88A, 377-378 (PL 54, 350-351); Sermo 83, 3: CCL 88A, 521-522 (PL 54, 432). (7) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Catechesi tradendae, 5: AAS 71 (1979) 1280-1281.(8) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Catechesi tradendae, 5: AAS 71 (1979) 1281.(9) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Catechesi tradendae, 6: AAS 71 (1979) 1281-1282.

«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Jesus

§ 430
Em hebraico, Jesus quer dizer «Deus salva». Quando da Anunciação, o anjo Gabriel dá-Lhe como nome próprio o nome de Jesus, o qual exprime, ao mesmo tempo, a sua identidade e a sua missão (10). Uma vez que «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7), será Ele quem, em Jesus, seu Filho eterno feito homem, «salvará o seu povo dos seus pecados»(Mt 1, 21). Em Jesus, Deus recapitula, assim, toda a sua história de salvação em favor dos homens.
Iesus Hebraice significat: « Deus salvat ». In Annuntiatione, Angelus Gabriel Ei, tamquam nomen proprium, nomen Iesu dedit, quod simul identitatem Eius exprimit et missionem.10 Quia nemo « potest dimittere peccata nisi solus Deus » (Mc 2,7), in Iesu, Filio Suo aeterno, homine facto, Ipse « salvum faciet populum Suum a peccatis eorum » (Mt 1,21). Sic in Iesu, Deus totam Suam historiam recapitulat salutis pro hominibus.
§ 431
Nesta história da salvação, Deus não Se contenta com libertar Israel «da casa da escravidão» (Dt 5, 6), fazendo-o sair do Egipto. Salvou-o também do seus pecados. Porque o pecado é sempre uma ofensa feita a Deus (11), só Ele é que pode absolvê-lo (12). É por isso que Israel, tomando cada vez mais consciência da universalidade do pecado, só poderá procurar a salvação na invocação do nome do Deus Redentor (13).
In historia salutis Deus satis non habuit Israel « de domo servitutis » (Dt 5,6) liberare, eum de Aegypto faciens exire. Ille eum etiam de eius salvat peccato. Quia peccatum semper offensa est Deo illata,11 solus Ille potest id absolvere.12 Hac de causa, Israel semper maiorem acquirens conscientiam universalitatis peccati, amplius salutem quaerere non poterit nisi in invocatione nominis Dei Redemptoris.13
§ 432
O nome de Jesus significa que o próprio nome de Deus está presente na pessoa do seu Filho (14) feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados. Ele é o único nome divino que traz a salvação (15) e pode desde agora ser invocado por todos, pois a todos os homens Se uniu pela Encarnação (16), de tal modo que «não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (Act 4, l2) (17).
Nomen Iesu significat ipsum Nomen Dei praesens in Persona esse Filii Sui,14 hominis facti ad peccatorum universalem et definitivam Redemptionem. Iesus est Nomen divinum, quod solum affert salutem15 et ab omnibus exinde invocari potest, quia Ipse per Incarnationem omnibus hominibus Se univit16 ita ut nullum aliud sit nomen « sub caelo datum in hominibus, in quo oportet nos salvos fieri » (Act 4,12).17
§ 433
O nome de Deus salvador era invocado apenas uma vez por ano, pelo sumo sacerdote, para expiação dos pecados de Israel, depois de ter aspergido o propiciatório do «santo dos santos» com o sangue do sacrifício (18). O propiciatório era o lugar da presença de Deus (19). Quando São Paulo diz de Jesus que Deus O «ofereceu para, n'Ele, pelo seu sangue, se realizar a expiação» (Rm 3, 25), quer dizer que, na sua humanidade, «era Deus que em Cristo reconciliava o mundo consigo» (2 Cor 5, 19).
Nomen Dei Salvatoris semel in anno a summo sacerdote pro expiatione peccatorum Israel invocabatur, cum ille Sanctissimi propitiatorium sanguine asperserat sacrificii.18 Propitiatorium locus erat praesentiae Dei.19 Cum sanctus Paulus dicit de Iesu: « quem proposuit Deus propitiationem [...] in sanguine Ipsius » (Rom 3,25), significat quod in Eius humanitate, « Deus erat in Christo mundum reconcilians Sibi » (2 Cor 5,19).
§ 434
A ressurreição de Jesus glorifica o nome de Deus salvador (20) porque, a partir daí, é o nome de Jesus que manifesta em plenitude o poder supremo do nome que está acima de todos os nomes» (Fl 2, 9-10). Os espíritos maus temem o seu nome (21) e é em seu nome que os discípulos de Jesus fazem milagres (22), porque tudo o que pedem ao Pai, em seu nome, Ele lho concede (23).
Iesu resurrectio Nomen Dei glorificat « Salvatoris »,20 quia exinde Nomen Iesu supremam potentiam plene manifestat Nominis « quod est super omne nomen » (Phil 2,9-10). Spiritus maligni nomen timent Eius21 et in nomine Eius discipuli Iesu faciunt miracula,22 quoniam quodcumque petunt a Patre in nomine Eius, dat illis.23
§ 435
O nome de Jesus está no centro da oração cristã. Todas as orações litúrgicas se concluem com a fórmula «per Dominum nostrum Jesum Christum – por nosso Senhor Jesus Cristo». A Ave-Maria culmina nas palavras «e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus». A oração-do-coração dos Orientais, chamada «oração a Jesus», diz: «Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador». E muitos cristãos morrem, como Santa Joana d'Arc, tendo nos lábios apenas uma palavra: «Jesus» (24).
Nomen Iesu in corde est orationis christianae. Omnes liturgicae orationes formula concluduntur: « per Dominum nostrum Iesum Christum ». Oratio « Ave Maria » culminat verbis: « Et benedictus fructus ventris tui, Iesus ». Orientalis oratio cordis, « oratio Iesu » appellata, dicit: « Iesu Christe, Fili Dei, Domine, miserere mei peccatoris ». Plures christiani moriuntur solum verbum « Iesu », sicut sancta Ioanna de Arco, habentes in ore.24 II. Christus

«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Cristo

§ 436
Cristo vem da tradução grega do termo hebraico «Messias», que quer dizer «ungido». Só se torna nome próprio de Jesus porque Ele cumpre perfeitamente a missão divina que tal nome significa. Com efeito, em Israel eram ungidos, em nome de Deus, aqueles que Lhe eram consagrados para uma missão d'Ele dimanada. Era o caso dos reis (25), dos sacerdotes (26) e, em raros casos, dos profetas (27). Este devia ser, por excelência, o caso do Messias, que Deus enviaria para estabelecer definitivamente o seu Reino (28). O Messias devia ser ungido pelo Espírito do Senhor (29), ao mesmo tempo como rei e sacerdote (30) mas também como profeta (31). Jesus realizou a expectativa messiânica de Israel na sua tríplice função de sacerdote, profeta e rei.
Christus e versione graeca venit verbi Hebraici « Messias » quod « unctus » significat. Id proprium effectum non est nomen Iesu nisi quia Ipse perfecte missionem divinam adimplet quam id indicat. In Israel etenim in nomine Dei illi ungebantur qui consecrabantur Ei ad missionem ab Eo procedentem. Talis casus erat regum,25 sacerdotum26 et, quandoque, Prophetarum.27 Talis, per excellentiam, casus debebat esse Messiae quem Deus ad Regnum Suum definitive instaurandum missurus erat.28 Oportebat Messiam per Spiritum Domini unctum esse29 tamquam regem simul et sacerdotem,30 sed etiam tamquam Prophetam.31 Iesus spem Israel adimplevit messianicam in Suo triplici munere sacerdotis, prophetae et regis.
§ 437
O anjo anunciou aos pastores o nascimento de Jesus como sendo o do Messias prometido a Israel: «nasceu-vos hoje, na cidade de David, um salvador que é Cristo, Senhor» (Lc 2, 11). Desde a origem, Ele é «Aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo» (Jo 10, 36), concebido como «santo» no seio virginal de Maria (32). José foi convidado por Deus a «levar para sua casa Maria, sua esposa», grávida d'«Aquele que nela foi gerado pelo poder do Espírito Santo» (Mt 1, 20), para que Jesus, «chamado Cristo», nascesse da esposa de José, na descendência messiânica de David (Mt 1, 16) (33).
Angelus pastoribus Nativitatem Iesu nuntiavit tamquam illam Messiae Israel promissi: « Natus est vobis hodie Salvator, qui est Christus Dominus, in civitate David » (Lc 2,11). Ab origine est Ille « quem Pater sanctificavit et misit in mundum » (Io 10,36), tamquam « sanctum » in sinu virginali Mariae conceptum.32 Ioseph a Deo vocatus est ut Mariam acciperet coniugem suam in utero habentem id « quod [...] in ea natum est de Spiritu Sancto » (Mt 1,20), ut Iesus, « qui vocatur Christus » (Mt 1,16), ex uxore Ioseph nascatur in generatione messianica David.33
§ 438
A consagração messiânica de Jesus manifesta a sua missão divina. «Aliás, é o que indica o seu próprio nome; porque no nome de Cristo está subentendido Aquele que ungiu. Aquele que foi ungido e a própria Unção com que foi ungido. Aquele que ungiu é o Pai, Aquele que foi ungido é o Filho, e foi-o no Espírito que é a Unção» (34). A sua eterna consagração messiânica revelou-se no tempo da sua vida terrena, quando do seu baptismo por João, altura em que «Deus O ungiu com o Espírito Santo e poder» (Act 10, 38), «para que se manifestasse a Israel» (Jo 1, 31) como seu Messias. As suas obras e palavras dá-lo-ão a conhecer como «o santo de Deus» (35).
Messianica Iesu consecratio Suam divinam manifestat missionem. « Quemadmodum et ipsum nomen significat: in Christi enim nomine subauditur qui unxit et Ipse qui unctus est, et ipsa unctio in qua unctus est; et unxit quidem Pater, unctus est vero Filius, in Spiritu, qui est Unctio ».34 Eius messianica aeterna consecratio est tempore Eius vitae terrestris revelata cum a Ioanne baptizatus est, cum « unxit Eum Deus Spiritu Sancto et virtute » (Act 10,38), « ut manifestetur Israel » (Io 1,31) sicut Eius Messias. Eius opera et verba Eum cognoscendum praebent tamquam « Sanctum Dei ».35
§ 439
Numerosos judeus, e mesmo alguns pagãos que partilhavam da sua esperança, reconheceram em Jesus os traços fundamentais do messiânico «filho de David», prometido por Deus a Israel (36). Jesus aceitou o título de Messias a que tinha direito (37), mas não sem reservas, uma vez que esse título era compreendido, por numerosos dos seus contemporâneos, segundo um conceito demasiado humano (38), essencialmente político (39).
Plures Iudaei atque etiam quidam gentiles qui illorum participabant spem, in Iesu fundamentalia agnoverunt lineamenta messianici « filii David » a Deo Israel promissi.36 Iesus titulum Messiae acceptavit, in quem ius habebat,37 sed non sine cautela, quia a nonnullis Eius coaetaneis secundum conceptionem nimis humanam,38 essentialiter politicam intelligebatur.39
§ 440
Jesus aceitou a profissão de fé de Pedro, que O reconhecia como o Messias, anunciando a paixão próxima do Filho do Homem (40). Revelou o conteúdo autêntico da sua realeza messiânica, ao mesmo tempo na identidade transcendente do Filho do Homem «que desceu do céu» (Jo 3, 13)(41) e na sua missão redentora como Servo sofredor: «O Filho do Homem [...] não veio para ser servido, veio para servir e dar a vida como resgate pela multidão» (Mt 20, 28) (42). Foi por isso que o verdadeiro sentido da sua realeza só se manifestou do cimo da cruz (43). E só depois da ressurreição, a sua realeza messiânica poderá ser proclamada por Pedro perante o Povo de Deus: «Saiba, com absoluta certeza, toda a casa de Israel, que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes» (Act 2, 36).
Iesus professionem fidei Petri, qui Illum tamquam Messiam agnoscebat, acceptavit, proximam annuntians Filii hominis passionem.40 Authenticum Suae regalitatis messianicae contentum simul detexit in identitate transcendenti Filii hominis « qui descendit de caelo » (Io 3,13),41 et in Sua missione redemptrice Servi patientis: « Filius hominis non venit ministrari sed ministrare et dare animam Suam Redemptionem pro multis » (Mt 20,28).42 Propterea verus sensus Eius regalitatis nonnisi ex crucis summitate manifestatus est.43 Solummodo post Resurrectionem, messianica Eius regalitas a Petro coram populo Dei proclamari poterit: « Certissime ergo sciat omnis domus Israel quia Dominum Eum et Christum Deus fecit, Hunc Iesum, quem vos crucifixistis » (Act 2,36).III. Filius Dei unicus 441 Filius Dei titulus est in Vetere Testamento angelis,44 populo Electionis,45 filiis Israel46 eiusque regibus47 datus. Tunc filiationem significat adoptivam quae inter Deum et Eius creaturam relationes peculiaris intimitatis instituit. Cum promissus Rex-Messias dicitur « filius Dei »,48 id non implicat necessario, secundum horum textuum litteralem sensum, eum plus quam humanum esse. Illi qui ita Iesum tamquam Messiam Israel nominaverunt,49 fortasse nihil amplius voluerunt dicere.50

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A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Filho único de Deus

§ 441
Filho de Deus, no Antigo Testamento, é um título dado aos anjos (44), ao povo eleito (45) aos filhos de Israel (46) e aos seus reis (47). Nestes casos, significa uma filiação adoptiva, que estabelece entre Deus e a sua criatura relações de particular intimidade. Quando o Rei-Messias prometido é chamado «filho de Deus» (48), isso não implica necessariamente, segundo o sentido literal de tais textos, que Ele seja mais que um simples ser humano. Os que assim designaram Jesus, enquanto Messias de Israel (49), talvez não tenham querido dizer mais (50).
Filius Dei titulus est in Vetere Testamento angelis,44 populo Electionis,45 filiis Israel46 eiusque regibus47 datus. Tunc filiationem significat adoptivam quae inter Deum et Eius creaturam relationes peculiaris intimitatis instituit. Cum promissus Rex-Messias dicitur « filius Dei »,48 id non implicat necessario, secundum horum textuum litteralem sensum, eum plus quam humanum esse. Illi qui ita Iesum tamquam Messiam Israel nominaverunt,49 fortasse nihil amplius voluerunt dicere.50
§ 442
Mas não é este o caso de Pedro, quando confessa Jesus como «Cristo, o Filho de Deus vivo» (51), porque Jesus responde-lhe solenemente: «não foram a carne nem o sangue que to revelaram, mas sim o meu Pai que está nos céus» (Mt 16, 17). De igual modo, Paulo dirá, a propósito da sua conversão no caminho de Damasco: «Quando aprouve a Deus –  que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça – revelar o seu Filho em mim, para que O anuncie como Evangelho aos gentios...» (Gl 1, 15-16). «E logo começou a proclamar nas sinagogas que Jesus era o Filho de Deus» (Act 9, 20). Será este, desde o princípio (52),o núcleo da fé apostólica (53), primeiramente professada por Pedro como fundamento da Igreja (54).
Hoc non valet de Petro cum Iesum tamquam « Christum, Filium Dei vivi » confitetur,51 quia Iesus ei sollemniter respondet: « Caro et sanguis non revelavit tibi, sed Pater meus, qui in caelis est » (Mt 16,17). Pari modo, Paulus relate ad suam in via ad Damascum conversionem dicet: « Cum autem placuit Deo, qui me segregavit de utero matris meae et vocavit per gratiam Suam, ut revelaret Filium Suum in me, ut evangelizarem Illum in gentibus... » (Gal 1,15-16). « Continuo in synagogis praedicabat Iesum, quoniam Hic est Filius Dei » (Act 9,20). Hoc ab initio52 centrum erit fidei apostolicae,53 quam imprimis confessus est Petrus tamquam fundamentum Ecclesiae.54
§ 443
Se Pedro pôde reconhecer o carácter transcendente da filiação divina de Jesus-Messias, foi porque Este lha deixou perceber nitidamente. Diante do Sinédrio, à pergunta dos seus acusadores: «Então, tu és o Filho de Deus?» Jesus respondeu: «É como dizeis, sou» (Lc 22, 70) (55). Já muito antes, Ele Se designara como «o Filho» que conhece o Pai (56), diferente dos «servos» que Deus anteriormente enviara ao seu povo (57), superior aos próprios anjos (58). Ele distinguiu a sua filiação da dos Seus discípulos, nunca dizendo «Pai nosso» (59), a não ser para lhes ordenar: «vós, quando rezardes, dizei assim: Pai nosso» (Mt 6,9); e sublinhou esta distinção: «o meu Pai e vosso Pai» (Jo 20, 17).
Si Petrus indolem transcendentem filiationis divinae Iesu Messiae agnoscere potuit, hoc evenit quia Ipse eam clare significavit. Iesus, coram Synedrio, Suorum accusatorum quaestioni: « Tu ergo es Filius Dei? », respondit: « Vos dicitis quia ego sum » (Lc 22,70).55 Iam multo prius, Se tamquam « Filium » denotavit qui Patrem novit,56 qui est distinctus a « servis » quos Deus antea populo miserat Suo,57 ipsis angelis superior.58 Suam filiationem ab illa Suorum distinxit discipulorum nunquam dicens « Pater noster »,59 nisi ut illis mandaret: « Sic ergo vos orabitis: Pater noster » (Mt 6,9); atque distinctionem extulit inter « Patrem meum et Patrem vestrum » (Io 20,17).
§ 444
Os evangelhos referem, em dois momentos solenes, no baptismo e na transfiguração de Cristo, a voz do Pai, que O designa como seu «filho muito-amado» (60). Jesus designa-Se a Si próprio como «o Filho único de Deus» (Jo 3, 16), afirmando por este título a sua preexistência eterna (61). E exige a fé «no nome do Filho único de Deus» (Jo 3, 18). Esta profissão de fé cristã aparece já na exclamação do centurião diante de Jesus crucificado: «Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!» (Mc 15, 39); porque somente no Mistério Pascal o crente pode dar pleno significado ao título de «Filho de Deus».
Evangelia referunt in duobus momentis sollemnibus, in Baptismo et in Transfiguratione Christi, vocem Patris Illum tamquam « Filium Suum dilectum » denotasse.60 Iesus Se Ipsum tamquam Filium Dei Unigenitum denotat 61 et hoc titulo Suam aeternam affirmat praeexsistentiam.62 Fidem postulat « in nomen Unigeniti Filii Dei » (Io 3,18). Haec confessio christiana iam in exclamatione centurionis apparet coram Iesu in cruce: « Vere homo hic Filius Dei erat » (Mc 15,39). Solummodo in mysterio Paschali potest credens titulo « Filii Dei » ultimam eius praebere significationem.
§ 445
É depois da ressurreição que a filiação divina de Jesus aparece no poder da sua humanidade glorificada: «Segundo o Espírito santificante, pela sua ressurreição de entre os mortos, Ele foi estabelecido como Filho de Deus em poder» (Rm 1, 4) (62). E os Apóstolos poderão confessar: «Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como a Filho único, cheio de graça e de verdade» (Jo 1, 14).
Post Eius Resurrectionem, filiatio Eius divina in virtute glorificatae humanitatis Eius apparet: « Constitutus est Filius Dei in virtute secundum Spiritum sanctificationis ex resurrectione mortuorum » (Rom 1,4).63 Apostoli confiteri poterunt: « Vidimus gloriam Eius, gloriam quasi Unigeniti a Patre, plenum gratiae et veritatis » (Io 1,14).IV. Dominus446 In versione graeca librorum Veteris Testamenti, Nomen ineffabile YHWH sub quo Deus Se Moysi revelavit,64 verbo Kyrios (« Dominus ») redditur. Dominus exinde factus est nomen maxime usitatum ad ipsam divinitatem Dei Israel denotandam. Novum Testamentum hunc fortem tituli « Domini » sensum adhibet pro Patre et etiam simul, et in hoc novitas habetur, pro Iesu, Ipso sic agnito tamquam Deo.65

«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Senhor

§ 446
Na tradução grega dos Livros do Antigo Testamento, o nome inefável sob o qual Deus Se revelou a Moisés (63), YHWH, é traduzido por « Kyrios» («Senhor»). Senhor torna-se, desde então, o nome mais habitual para designar a própria divindade do Deus de Israel. É neste sentido forte que o Novo Testamento utiliza o título de «Senhor», tanto para o Pai como também – e aí é que está a novidade – para Jesus, assim reconhecido como sendo Ele próprio Deus (64).
In versione graeca librorum Veteris Testamenti, Nomen ineffabile YHWH sub quo Deus Se Moysi revelavit,64 verbo Kyrios (« Dominus ») redditur. Dominus exinde factus est nomen maxime usitatum ad ipsam divinitatem Dei Israel denotandam. Novum Testamentum hunc fortem tituli « Domini » sensum adhibet pro Patre et etiam simul, et in hoc novitas habetur, pro Iesu, Ipso sic agnito tamquam Deo.65
§ 447
O próprio Jesus veladamente atribui a Si mesmo este título, quando discute com os fariseus sobre o sentido do Salmo 110 (65), e também, de modo explícito, ao dirigir-Se aos Apóstolos (66). Ao longo de toda a vida pública, os seus gestos de domínio sobre a natureza, sobre as doenças, sobre os demónios, sobre a morte e o pecado, demonstravam a sua soberania divina.
Ipse Iesus Sibi, modo velato, hunc tribuit titulum, cum de sensu psalmi 110 disputat cum Pharisaeis,66 sed etiam modo explicito Se ad Suos vertens Apostolos.67 Per totum Eius vitae publicae decursum gestus Eius dominatus supra naturam, supra morbos, supra daemonia, supra mortem et peccatum, Eius divinum demonstrabant principatum.
§ 448
Muitíssimas vezes, nos evangelhos, aparecem pessoas que se dirigem a Jesus chamando-lhe «Senhor». Este título exprime o respeito e a confiança dos que se aproximam de Jesus e d'Ele esperam socorro e cura (67). Pronunciado sob a moção do Espírito Santo, exprime o reconhecimento do Mistério divino de Jesus (68). No encontro com Jesus ressuscitado, transforma-se em adoração: «Meu Senhor e meu Deus» (Jo 20, 28). Assume então uma conotação de amor e afeição, que vai ficar como típica da tradição cristã: «E o Senhor!» (Jo 21, 7).
Saepissime in Evangeliis homines ad Iesum se vertunt Illum « Dominum » appellantes. Hic titulus venerationem et fiduciam testatur eorum qui ad Iesum appropinquant et ab Illo auxilium exspectant et sanationem.68 Sub Spiritus Sancti motione, agnitionem exprimit mysterii divini Iesu.69 In occursu cum Iesu resuscitato efficitur adoratio: « Dominus meus et Deus meus! » (Io 20,28). Tunc connotationem sumit amoris et affectus, quae traditionis christianae erit proprium: « Dominus est! » (Io 21,7).
§ 449
Ao atribuir a Jesus o título divino de Senhor, as primeiras confissões de fé da Igreja afirmam, desde o princípio (69), que o poder, a honra e a glória, devidos a Deus Pai, também são devidos a Jesus (70), porque Ele é «de condição divina» (Fl 2, 6) e o Pai manifestou esta soberania de Jesus ressuscitando-O de entre os mortos e exaltando-O na sua glória (71).
Priores confessiones fidei Ecclesiae, Iesu titulum divinum Domini tribuentes, ab origine affirmant70 potestatem, honorem et gloriam Deo Patri debitas etiam Iesu deberi,71 quia Ipse est « in forma Dei » (Phil 2,6) et quia Pater hunc Iesu manifestavit dominatum Eum resuscitans ex mortuis et exaltans in gloria Sua.72
§ 450
Desde o princípio da história cristã, a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história (72) significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de modo absoluto, a nenhum poder terreno, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o «Senhor»(73). «A Igreja crê... que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre» (74).
Ab historiae christianae initio, affirmatio dominatus Iesu super mundum et super historiam73 significat etiam agnoscere hominem suam libertatem personalem nulli potestati terrestri, sed soli Deo Patri et Domino Iesu Christo, modo absoluto, submittere debere: Caesar « Dominus » non est.74 Ecclesia « credit clavem, centrum et finem totius humanae historiae in Domino ac Magistro suo inveniri ».75
§ 451
A oração cristã é marcada pelo título de «Senhor», quer no convite à oração: «O Senhor esteja convosco», quer na conclusão da mesma: «Por nosso Senhor Jesus Cristo», quer ainda pelo grito cheio de confiança e de esperança: «Maran atha» («O Senhor vem!») ou «Marana tha» («Vem, Senhor!») (1 Cor 16, 22): «Amen, vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 20).Resumindo:
Oratio christiana est titulo « Dominus » signata, sive invitatio ad orationem « Dominus vobiscum » sive orationis conclusio « per Dominum nostrum Iesum Christum » vel etiam clamor fiduciae plenus et spei: « Maran atha » (Dominus venit!) aut « Marana tha » (Veni, Domine!) (1 Cor 16,22). « Amen. Veni, Domine Iesu » (Apc 22,20). Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 452
O nome de Jesus significa «Deus salva». O menino nascido da Virgem Maria é chamado «Jesus», «porque salvará o seu povo dos seus pecados» (Mt 1, 21); «não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (Act 4, 12).
Nomen Iesu significat « Deum qui salvat ». Infans ex Virgine Maria natus appellatus est « Iesus »: « Ipse enim salvum faciet populum Suum a peccatis eorum » (Mt 1,21). « Nec enim nomen aliud est sub caelo datum in hominibus, in quo oportet nos salvos fieri » (Act 4,12).
§ 453
O nome de Cristo significa «Ungido», «Messias». Jesus é Cristo, porque «Deus O ungiu com o Espírito Santo e o poder» (Act 10, 38). Ele era «Aquele que estava para vir» (Lc 7, 19), o objecto da «esperança de Israel» (75).
Nomen Christi « unctum », « Messiam » significat. Iesus est Christus quia « unxit Eum Deus Spiritu Sancto et virtute » (Act 10,38). Ille erat « qui venturus » est (Lc 7,19), spei Israel obiectum.76
§ 454
O nome de Filho de Deus significa a relação única e eterna de Jesus Cristo com Deus seu Pai: Ele é o Filho único do Pai (76) e, Ele próprio, Deus (77). Crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus é condição necessária para ser cristão (78).
Nomen Filii Dei relationem unicam significat et aeternam Iesu Christi ad Deum Eius Patrem. Ille unicus Patris est Filius77 et Deus Ipse.78 Credere Iesum esse Filium Dei est necessarium ut quis christianus sit.79
§ 455
O nome de Senhor significa a soberania divina. Confessar ou invocar Jesus como Senhor é crer na sua divindade. «Ninguém pode dizer "Jesus é Senhor", a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Co 12, 3).
Nomen Domini significat divinum principatum. Confiteri vel invocare Iesum tamquam Dominum est in Eius credere divinitatem: « Nemo potest dicere: "Dominus Iesus", nisi in Spiritu Sancto » (1 Cor 12,3). (10) Cf Lc 1,31. (11) Cf Ps 51,6. (12) Cf Ps 51,11. (13) Cf Ps 79,9. (14) Cf Act 5,41; 3 Io 7. (15) Cf Io 3,18; Act 2,21. (16) Cf Rom 10,6-13. (17) Cf Act 9,14; Iac 2,7. (18) Cf Lv 16,15-16; Eccli 50,22; Heb 9,7. (19) Cf Ex 25,22; Lv 16,2; Nm 7,89; Heb 9,5.(20) Cf Io 12,28.(21) Cf Act 16,16-18; 19,13-16.(22) Cf Mc 16,17.(23) Cf Io 15,16.(24) Cf La réhabilitation de Jeanne la Pucelle. L'enquête ordonnée par Charles VII en 1450 et le codicille de Guillaume Bouillé, ed. P. Doncoeur-Y. Lanhers (Paris 1956) p. 39. 45. 56. (25) Cf 1 Sam 9,16; 10,1; 16,1.12-13; 1 Reg 1,39. (26) Cf Ex 29,7; Lv 8,12. (27) Cf 1 Reg 19,16. (28) Cf Ps 2,2; Act 4,26-27. (29) Cf Is 11,2. (30) Cf Zach 4,14; 6,13. (31) Cf Is 61,1; Lc 4,16-21. (32) Cf Lc 1,35. (33) Cf Rom 1,3; 2 Tim 2,8; Apc 22,16. (34) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 18, 3: SC 211, 350 (PG 7, 934). (35) Cf Mc 1,24; Io 6,69; Act 3,14. (36) Cf Mt 2,2; 9,27; 12,23; 15,22; 20,30; 21,9.15. (37) Cf Io 4,25-26; 11,27. (38) Cf Mt 22,41-46. (39) Cf Io 6,15; Lc 24,21. (40) Cf Mt 16,16-23. (41) Cf Io 6,62; Dn 7,13. (42) Cf Is 53,10-12. (43) Cf Io 19,19-22; Lc 23,39-43. (44) Cf Dt (LXX) 32, 8; Iob 1,6. (45) Cf Ex 4,22; Os 11,1; Ier 3,19; Eccli 36,14; Sap 18,13. (46) Cf Dt 14,1; Os 2,1. (47) Cf 2 Sam 7,14; Ps 82,6. (48) Cf 1 Par 17,13; Ps 2,7. (49) Cf Mt 27,54. (50) Cf Lc 23,47. (51) Cf Mt 16,16. (52) Cf 1 Thess 1,10. (53) Cf Io 20,31. (54) Cf Mt 16,18. (55) Cf Mt 26,64; Mc 14,62. (56) Cf Mt 11,27; 21,37-38. (57) Cf Mt 21,34-36. (58) Cf Mt 24,36. (59) Cf Mt 5,48; 6,8; 7,21; Lc 11,13. (60) Cf Mt 3,17; 17,5. (61) Cf Io 3,16. (62) Cf Io 10,36. (63) Cf Act 13,33. (64) Cf Ex 3,14. (65) Cf 1 Cor 2,8. (66) Cf Mt 22,41-46; cf etiam Act 2,34-36; Heb 1,13.(67) Cf Io 13,13.(68) Cf Mt 8,2; 14,30; 15,22; et alibi. (69) Cf Lc 1,43; 2,11. (70) Cf Act 2,34-36. (71) Cf Rom 9,5; Tit 2,13; Apc 5,13. (72) Cf Rom 10,9; 1 Cor 12,3; Phil 2,9-11. (73) Cf Apc 11,15. (74) Cf Mc 12,17; Act 5,29. (75) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 10: AAS 58 (1966) 1033; cf Ibid., 45: AAS 58 (1966) 1066. (76) Cf Act 28,20. (77) Cf Io 1,14.18; 3,16.18. (78) Cf Io 1,1. (79) Cf Act 8,37; 1 Io 2,23.

O FILHO DE DEUS FEZ-SE HOMEM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Porque é que o Verbo encarnou?

§ 456
Com o Credo Niceno-Constantinopolitano, respondemos confessando: «Por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus; e encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se fez homem» (79).
Cum Symbolo Nicaeno-Constantinopolitano respondemus confitentes: « Propter nos homines et propter nostram salutem, descendit de caelis, et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine et homo factus est ».80
§ 457
O Verbo fez-Se carne para nos salvar, reconciliando-nos com Deus: «Foi Deus que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados» (1 Jo 4, 10). «O Pai enviou o Filho como salvador do mundo» (1 Jo 4, 14). «E Ele veio para tirar os pecados» (1 Jo 3, 5):

«Enferma, a nossa natureza precisava de ser curada; decaída, precisava de ser elevada; morta, precisava de ser ressuscitada. Tínhamos perdido a posse do bem; era preciso que nos fosse restituído. Encerrados nas trevas, precisávamos de quem nos trouxesse a luz; cativos, esperávamos um salvador: prisioneiros, esperávamos um auxílio; escravos, precisávamos dum libertador. Seriam razões sem importância? Não seriam suficientes para comover a Deus, a ponto de O fazer descer até à nossa natureza humana para a visitar, já que a humanidade se encontrava em estado tão miserável e infeliz?» (80).

Verbum caro factum est ut nos cum Deo reconcilians salvaret: Deus « dilexit nos et misit Filium Suum propitiationem pro peccatis nostris » (1 Io 4,10). « Pater misit Filium salvatorem mundi » (1 Io 4,14). « Ille apparuit, ut peccata tolleret » (1 Io 3,5):

« Opus enim habebat medico natura nostra, quae morbo laborabat. Opus habebat eo qui erigeret, homo qui ceciderat. Opus habebat eo qui vivificaret, qui a vita exciderat. Opus habebat eo qui ad bonum reduceret, qui defluxerat a boni participatione. Egebat lucis praesentia, qui erat inclusus in tenebris. Quaerebat redemptorem captivus, adiutorem vinctus, liberatorem is qui iugo premebatur servitutis. Haecne sunt parva et indigna quae Deum moveant, ut descendat ad humanam naturam visitandam, cum adeo infeliciter et miserabiliter affecta esset humanitas? ».81

§ 458
O Verbo fez-Se carne, para que assim conhecêssemos o amor de Deus: «Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele» (I Jo 4, 9). «Porque Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).
Verbum caro factum est ut sic amorem Dei cognoscamus: « In hoc apparuit caritas Dei in nobis quoniam Filium Suum unigenitum misit Deus in mundum, ut vivamus per Eum » (1 Io 4,9). « Sic enim dilexit Deus mundum, ut Filium Suum unigenitum daret, ut omnis qui credit in Eum, non pereat, sed habeat vitam aeternam » (Io 3,16).
§ 459
O Verbo fez-Se carne, para ser o nosso modelo de santidade: «Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim [...]» (Mt 11, 29). «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14, 6). E o Pai, na montanha da Transfiguração, ordena: «Escutai-o» (Mc 9, 7) (81). De facto, Ele é o modelo das bem-aventuranças e a norma da Lei nova: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 15, 12). Este amor implica a oferta efectiva de nós mesmos, no seu seguimento (82).
Verbum caro factum est ut nostrum sit sanctitatis exemplar: « Tollite iugum meum super vos et discite a me... » (Mt 11,29). « Ego sum via et veritas et vita; nemo venit ad Patrem nisi per me » (Io 14,6). Atque Pater super Transfigurationis montem mandat: « Audite Illum » (Mc 9,7).82 Ipse utique beatitudinum est exemplar et Legis novae norma: Diligite invicem « sicut dilexi vos » (Io 15,12). Hic amor effectivam sui ipsius implicat oblationem ad sequelam Illius.83
§ 460
O Verbo fez-Se carne, para nos tornar «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4): «Pois foi por essa razão que o Verbo Se fez homem, e o Filho de Deus Se fez Filho do Homem: foi para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a adopção divina, se tornasse filho de Deus» (83). «Porque o Filho de Deus fez-Se homem, para nos fazer deuses» (84). «Unigenitus [...] Dei Filias, suae divinitatis volens nos esse participes, naturam nostram assumpsit, ut homines deos faceret factos homo – O Filho Unigénito de Deus, querendo que fôssemos participantes da sua divindade, assumiu a nossa natureza para que, feito homem, fizesse os homens deuses» (84).
Verbum caro factum est ut nos efficeret « divinae consortes naturae » (2 Pe 1,4): « Propter hoc Verbum Dei homo, et qui Filius Dei est Filius hominis factus est, ut homo, commixtus Verbo Dei et adoptionem percipiens, fiat filius Dei ».84 « Ipse siquidem homo factus est, ut nos dii efficeremur ».85 « Unigenitus [...] Dei Filius, Suae divinitatis volens nos esse participes, naturam nostram assumpsit, ut homines deos faceret factus homo ».86 II. Incarnatio

O FILHO DE DEUS FEZ-SE HOMEM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Encarnação

§ 461
Retomando a expressão de São João («o Verbo fez-Se carne»: Jo 1, 14), a Igreja chama «Encarnação» ao facto de o Filho de Deus ter assumido uma natureza humana, para nela levar a efeito a nossa salvação. Num hino que nos foi conservado por São Paulo, a Igreja canta este mistério:

«Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio, assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de Cruz» (Fl 2, 5-8) (86).

Ecclesia, sancti Ioannis expressionem iterum sumens (« Verbum caro factum est »: Io 1,14), « Incarnationem » appellat factum assumptionis naturae humanae a Filio Dei ut nostram in ea adimpleat salutem. Ecclesia in hymno quem sanctus Paulus testatur, mysterium canit Incarnationis:

« Hoc sentite in vobis, quod et in Christo Iesu: qui cum in forma Dei esset, non rapinam arbitratus est esse Se aequalem Deo, sed Semetipsum exinanivit formam servi accipiens, in similitudinem hominum factus; et habitu inventus ut homo, humiliavit Semetipsum factus oboediens usque ad mortem, mortem autem crucis! » (Phil 2,5-8).87

§ 462
A Epístola aos Hebreus fala do mesmo mistério:

«É por isso que, ao entrar neste mundo, Cristo diz: "Não quiseste sacrifícios e oferendas, mas formaste-Me um corpo. Holocaustos e imolações pelo pecado não Te foram agradáveis. Então Eu disse: Eis-Me aqui [...] para fazer a tua vontade"» (Heb 10, 5-7, citando o Sl 40. 7-9, segundo os LXX).

Epistula ad Hebraeos de eodem loquitur mysterio:

« Ideo ingrediens mundum dicit: "Hostiam et oblationem noluisti, corpus autem aptasti mihi; holocautomata et sacrificia pro peccato non Tibi placuerunt. Tunc dixi: Ecce venio, [...] ut faciam, Deus, voluntatem Tuam" » (Heb 10,5-7, adducens Ps 40,7-9 LXX).

§ 463
A fé na verdadeira Encarnação do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã: «Nisto haveis de reconhecer o Espírito de Deus: todo o espírito que confessa a Jesus Cristo encarnado é de Deus» (1 Jo 4, 2). É esta a alegre convicção da Igreja desde o seu princípio, ao cantar «o grande mistério da piedade»: «Ele manifestou-Se na carne» (1 Tm 3, 16).
Fides in veram Filii Dei Incarnationem signum fidei christianae est distinctivum: « In hoc cognoscitis Spiritum Dei: omnis spiritus, qui confitetur Iesum Christum in carne venisse, ex Deo est » (1 Io 4,2). Talis est laeta persuasio Ecclesiae inde ab eius initio, cum « magnum pietatis mysterium » canit: Ille « manifestatus est in carne » (1 Tim 3,16). III. Verus Deus et verus Homo

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Verdadeiro Deus e verdadeiro homem

§ 464
O acontecimento único e absolutamente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que seja o resultado de uma mistura confusa do divino com o humano. Ele fez-Se verdadeiro homem, permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Esta verdade da fé, teve a Igreja de a defender e clarificar no decurso dos primeiros séculos, perante heresias que a falsificavam.
Eventus unicus et prorsus singularis Incarnationis Filii Dei non significat Iesum Christum esse partim Deum et partim hominem, neque esse confusae commixtionis effectum inter humanum et divinum. Ille factus est vere Homo, vere permanens Deus. Iesus Christus verus est Deus et verus Homo. Ecclesia hanc fidei veritatem defendere debuit et clarificare priorum saeculorum decursu coram haeresibus quae illam corrumpebant.
§ 465
As primeiras heresias negaram menos a divindade de Cristo que a sua verdadeira humanidade (docetismo gnóstico). Desde os tempos apostólicos que a fé cristã insistiu sobre a verdadeira Encarnação do Filho de Deus «vindo na carne» (87). Mas, a partir do século III, a Igreja teve de afirmar, contra Paulo de Samossata, num concilio reunido em Antioquia, que Jesus Cristo é Filho de Deus por natureza e não por adopção. O primeiro Concílio ecuménico de Niceia, em 325, confessou no seu Credo que o Filho de Deus é «gerado, não criado, consubstancial ('homoúsios') ao Pai» (88); e condenou Ario, o qual afirmava que «o Filho de Deus saiu do nada» (89) e devia ser «duma substância diferente da do Pai» (90).
Priores haereses non tam divinitatem Christi negaverunt, quam Eius veram humanitatem (docetismus gnosticus). A temporibus apostolicis, fides christiana in vera Incarnatione Filii Dei institit, qui in carne venit.88 Sed a saeculo tertio, Ecclesia contra Paulum Samosatenum, in Concilio Antiochiae congregato, affirmare debuit Iesum Christum Filium Dei esse natura, non adoptione. Primum Concilium Oecumenicum Nicaenum, anno 325, in suo Symbolo confessum est Filium Dei esse « natum, non factum, unius substantiae cum Patre (quod graece dicunt homousion) »89 et Arium damnavit qui affirmabat esse « Filium Dei ortum ex nihilo »90 et « ex alia substantia aut essentia » esse quam Pater est.91
§ 466
A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Perante esta heresia, São Cirilo de Alexandria e o terceiro Concilio ecuménico, reunido em Éfeso em 431,confessaram que «o Verbo, unindo na sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, Se fez homem» (91). A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde que foi concebida. Por isso, o Concílio de Éfeso proclamou, cm 431, que Maria se tornou, com toda a verdade. Mãe de Deus, por ter concebido humanamente o Filho de Deus em seu seio: «Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus dela tenha recebido a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado duma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne» (92).
Haeresis nestoriana in Christo perspiciebat personam humanam Personae divinae Filii Dei coniunctam. Adversus illam sanctus Cyrillus Alexandrinus et tertium Concilium Oecumenicum Ephesi congregatum anno 431 confessi sunt « Verbum, unita Sibi secundum hypostasim carne animata rationali anima, [...] hominem factum » esse.92 Humanitas Christi aliud subiectum non habet quam Persona divina Filii Dei quae illam assumpsit fecitque Suam inde ab Eius conceptione. Hac de causa, Concilium Ephesinum anno 431 proclamavit Mariam per conceptionem humanam Filii Dei in sinu suo verissime factam esse Matrem Dei: « Deiparam [...], non quod Verbi natura Ipsiusque divinitas ortus Sui principium ex sancta Virgine sumpserit, sed quod sacrum illud corpus anima intelligente perfectum ex ea traxerit, cui et Dei Verbum, secundum hypostasim unitum, secundum carnem natum dicitur ».93
§ 467
Os monofisitas afirmavam que a natureza humana tinha deixado de existir, como tal, em Cristo, sendo assumida pela sua pessoa divina de Filho de Deus. Confrontando-se com esta heresia, o quarto Concílio ecuménico, em Calcedónia, no ano de 451, confessou:

«Na sequência dos santos Padres, ensinamos unanimemente que se confesse um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente perfeito na divindade e perfeito na humanidade, sendo o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto duma alma racional e dum corpo, consubstancial ao Pai pela sua divindade, consubstancial a nós pela sua humanidade, «semelhante a nós em tudo, menos no pecado» (93): gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nestes últimos dias, por nós e pela nossa salvação, nascido da Virgem Mãe de Deus segundo a humanidade.

Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é abolida pela sua união; antes, as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas numa só pessoa e numa só hipóstase» (94).

Monophysitae affirmabant naturam humanam qua talem in Christo exsistere desivisse, cum a Persona divina Filii Dei assumpta sit. Huic haeresi se contraponens, quartum Concilium Oecumenicum, Chalcedone, anno 451, confessum est:

« Sequentes igitur sanctos Patres, unum Eundemque confiteri Filium Dominum nostrum Iesum Christum consonanter omnes docemus, Eundem perfectum in deitate, Eundem perfectum in humanitate, Deum vere et Hominem vere, Eundem ex anima rationali et corpore, consubstantialem Patri secundum deitatem et consubstantialem nobis Eundem secundum humanitatem, "per omnia nobis similem absque peccato";94 ante saecula quidem de Patre genitum secundum deitatem, in novissimis autem diebus Eundem propter nos et propter nostram salutem ex Maria Virgine Dei Genetrice secundum humanitatem.

Unum Eundemque Christum Filium Dominum unigenitum, in duabus naturis inconfuse, immutabiliter, indivise, inseparabiliter agnoscendum, nusquam sublata differentia naturarum propter unitionem magisque salva proprietate utriusque naturae, et in unam Personam atque subsistentiam concurrente ».95

§ 468
Depois do Concílio de Calcedónia, alguns fizeram da natureza humana de Cristo uma espécie de sujeito pessoal. Contra eles, o quinto Concílio ecuménico, reunido em Constantinopla em 553, confessou a propósito de Cristo: «não há n'Ele senão uma só hipóstase (ou pessoa), que é nosso Senhor Jesus Cristo, um da santa Trindade» (95). Tudo na humanidade de Cristo deve, portanto, ser atribuído à sua pessoa divina como seu sujeito próprio (96); não só os milagres, mas também os sofrimentos (97) e a própria morte: «Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e um da Santíssima Trindade» (98).
Quidam post Concilium Chalcedonense ex natura humana Christi quasi subiectum effecerunt personale. Quintum Concilium Oecumenicum, Constantinopoli, anno 553, contra illos confessum est: esse « unam Eius subsistentiam [seu Personam] [...], qui est Dominus (noster) Iesus Christus, Unus de sancta Trinitate ».96 Omnia ergo in Christi humanitate Eius Personae divinae tamquam Eius proprio subiecto attribui debent,97 non solum miracula, sed etiam passiones98 et ipsa Mors: confitemur « Dominum nostrum Iesum Christum, qui crucifixus est carne, Deum esse verum, et Dominum gloriae, et Unum de Sancta Trinitate ».99
§ 469
Assim, a Igreja confessa que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem. É verdadeiramente o Filho de Deus feito homem, nosso irmão, e isso sem deixar de ser Deus, nosso Senhor:

«Id quod fuit remansit, et quod non fuit assumpsit» – «Continuou a ser o que era e assumiu o que não era», como canta a Liturgia Romana (90). E a Liturgia de São João Crisóstomo proclama e canta: «Ó Filho único e Verbo de Deus, sendo imortal. Vos dignastes, para nossa salvação, encarnar no seio da Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, e sem mudança Vos fizestes homem e fostes crucificado! Ó Cristo Deus, que por Vossa morte esmagastes a morte, que sois um da Santíssima Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo, salvai-nos!» (100).

Sic Ecclesia confitetur Iesum inseparabiliter verum esse Deum et verum Hominem. Est vere Filius Dei qui homo factus est, frater noster, et quidem quin Deus, Dominus noster, esse desineret:

« Id quod fuit remansit, et quod non erat assumpsit », canit liturgia Romana. 100 Et sancti Ioannis Chrysostomi liturgia proclamat et canit: « O Fili Unigenite et Verbum Dei, qui es immortalis, propter nostram salutem dignatus es incarnari e sancta Matre Dei semperque Virgine Maria, qui sine mutatione factus es homo et crucifixus es. O Christe Deus, qui Morte Tua mortem devicisti, qui es Unus de Sancta Trinitate, cum Patre et Spiritu Sancto glorificatus, salva nos! ». 101

O FILHO DE DEUS FEZ-SE HOMEM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Como é que o Filho de Deus é homem

§ 470
Uma vez que, na união misteriosa da Encarnação, «a natureza humana foi assumida, não absorvida» (101), a Igreja, no decorrer dos séculos, foi levada a confessar a plena realidade da alma humana, com as suas operações de inteligência e vontade, e do corpo humano de Cristo. Mas, paralelamente, a mesma Igreja teve de lembrar repetidamente que a natureza humana de Cristo pertence, como própria, à pessoa divina do Filho de Deus que a assumiu. Tudo o que Ele fez e faz nela, depende de «um da Trindade». Portanto, o Filho de Deus comunica à sua humanidade o seu próprio modo de existir pessoal na Santíssima Trindade. E assim, tanto na sua alma como no seu corpo, Cristo exprime humanamente os costumes divinos da Trindade (102):

«O Filho de Deus trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (103).

Cum, in Incarnationis arcana unione, natura humana « assumpta, non perempta sit », 102 Ecclesia saeculorum decursu adducta est ad plenam animae humanae cum eius intellectus et voluntatis operationibus atque corporis humani Christi realitatem confitendam. Sed pari modo in memoriam vicissim revocare debuit naturam humanam Christi tamquam propriam ad Personam divinam Filii Dei pertinere qui illam assumpsit. Quidquid Ille est et quidquid Ille agit in ea, « ex Uno de Trinitate » provenit. Filius igitur Dei humanitati Suae proprium modum exsistendi personaliter in Trinitate communicat Suum. Sic Christus, tam in Sua anima quam in Suo corpore, divinos Trinitatis mores humane exprimit: 103

« Filius Dei [...] humanis manibus opus fecit, humana mente cogitavit, humana voluntate egit, humano corde dilexit. Natus de Maria Virgine, vere unus ex nostris factus est, in omnibus nobis similis excepto peccato ». 104

A ALMA E O CONHECIMENTO HUMANO DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Como é que o Filho de Deus é homem

§ 471
Apolinário de Laodiceia afirmava que, em Cristo, o Verbo tinha ocupado o lugar da alma ou do espírito. Contra este erro, a Igreja confessou que o Filho eterno assumiu também uma alma racional humana (104).
Apollinaris Laodicensis affirmabat Verbum in Christo animam vel spiritum substituisse. Contra hunc errorem Ecclesia confessa est Filium aeternum etiam animam rationalem assumpsisse humanam. 105
§ 472
Esta alma humana, que o Filho de Deus assumiu, é dotada de um verdadeiro conhecimento humano. Como tal, este não podia ser por si mesmo ilimitado. Exercia-se nas condições históricas da sua existência no espaço e no tempo. Foi por isso que o Filho de Deus, fazendo-Se homem, pôde aceitar «crescer em sabedoria, estatura e graça» (Lc 2, 52) e também teve de Se informar sobre o que, na condição humana, deve aprender-se de modo experimental (105). Isso correspondia à realidade do seu abatimento voluntário na «condição de servo» (106).
Haec anima humana, quam Filius Dei assumpsit, vera cognitione humana est dotata. Haec cognitio qua talis de se illimitata esse non poterat: in condicionibus historicis suae in spatio et tempore exercebatur exsistentiae. Hac de causa, Filius Dei Se hominem faciens acceptare potuit « sapientia et aetate et gratia » proficere (Lc 2,52) atque adeo inquirere debere de eis quae in condicione humana modo experimentali discenda sunt. 106 Hoc realitati Eius voluntariae in « forma servi » exinanitionis correspondebat. 107
§ 473
Mas, ao mesmo tempo, este conhecimento verdadeiramente humano do Filho de Deus exprimia a vida divina da sua pessoa (107). «A natureza humana do Filho de Deus, não por si mesma, mas pela sua união com o Verbo, conhecia e manifestava em si tudo o que é próprio de Deus» (108). É o caso, em primeiro lugar, do conhecimento íntimo e imediato que o Filho de Deus feito homem tem do seu Pai (109). O Filho também mostrava, no seu conhecimento humano, a clarividência divina que tinha dos pensamentos secretos do coração dos homens (110).
Sed, eodem tempore, haec cognitio vere humana Filii Dei vitam divinam Eius exprimebat Personae. 108 « Dei Filius cuncta noverat; ac per Ipsum, quem Ille hominem induerat; non natura, sed qua Verbo unitus erat. [...] Humana natura, qua erat unita Verbo, cuncta noverat divinaque haec ac pro maiestate in Se exhibebat ». 109 Talis est imprimis casus intimae et immediatae cognitionis quam Filius Dei homo factus habet de Patre Suo. 110 Filius etiam in Sua cognitione humana divinam ostendebat penetrationem quam de cogitationibus cordis hominum habebat secretis. 111
§ 474
Pela sua união com a Sabedoria divina na pessoa do Verbo Encarnado, o conhecimento humano de Cristo gozava, em plenitude, da ciência dos desígnios eternos que tinha vindo revelar (111). O que neste domínio Ele reconhece ignorar (112) declara, noutro ponto, não ter a missão de o revelar (113).
Cognitio humana Christi, propter Suam unionem cum Sapientia divina in Persona Verbi incarnati plenitudine gaudebat scientiae consiliorum aeternorum, ad quae venerat revelanda. 112 Quod Ipse in hoc campo ignorare agnoscit, 113 alias declarat Se missionem non habere id revelandi. 114 Voluntas humana Christi

A VONTADE HUMANA DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Como é que o Filho de Deus é homem

§ 475
De igual modo, a Igreja confessou, no sexto Concilio ecuménico, que Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas mas cooperantes, de maneira que o Verbo feito carne quis humanamente, em obediência ao Pai, tudo quanto decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo para a nossa salvação (114). A vontade humana de Cristo «segue a sua vontade divina, sem fazer resistência nem oposição em relação a ela, antes estando subordinada a essa vontade omnipotente» (115).
Pari modo, Ecclesia in sexto Concilio Oecumenico confessa est Christum duas voluntates et duas naturales possidere operationes, divinas et humanas, non oppositas, sed cooperantes, ita ut Verbum caro factum in oboedientia ad Patrem humane voluerit quidquid Ipse cum Patre et Spiritu Sancto pro nostra salute divine deciderat. 115 Ecclesia agnoscit « sequentem Eius humanam voluntatem et non resistentem vel reluctantem, sed potius et subiectam divinae Eius atque omnipotenti voluntati ». 116 Verum corpus Christi

O VERDADEIRO CORPO DE CRISTO

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§ 476
Uma vez que o Verbo Se fez carne, assumindo uma verdadeira natureza humana, o corpo de Cristo era circunscrito (116). Portanto, o rosto humano de Jesus pode ser «pintado» (117). No VII Concílio ecuménico (118), a Igreja reconheceu como legítimo que ele fosse representado em santas imagens.
Quia Verbum caro factum est veram assumens humanitatem, corpus Christi erat circumscriptum. 117 Hac de causa, vultus humanus Iesu potest « depingi ». 118 Ecclesia in septimo Concilio Oecumenico 119 tamquam legitimum agnovit ut per sanctas repraesentetur imagines.
§ 477
Ao mesmo tempo, a Igreja sempre reconheceu que, no corpo de Jesus, «Deus que, por sua natureza, era invisível, tornou-Se visível aos nossos olhos» (119). Com efeito, as particularidades individuais do corpo de Cristo exprimem a pessoa divina do Filho de Deus. Este fez seus os traços do seu corpo humano, de tal modo que, pintados numa imagem sagrada, podem ser venerados porque o crente que venera a sua imagem, «venera nela a pessoa nela representada» (120).
Ecclesia simul semper hoc agnovit: in corpore Iesu, Deus qui est « invisibilis in Suis, visibilis in nostris apparuit ». 120 Re vera, peculiaritates individuales corporis Christi Personam exprimunt divinam Filii Dei. Hic Sui corporis humani lineamenta fecit Sua ita ut ea in quadam sacra imagine depicta possint veneratione coli, quia fidelis qui imaginem veneratur, « adorat in ea depicti subsistentiam ». 121 Verbi incarnati cor

O CORAÇÃO DO VERBO ENCARNADO

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§ 478
Jesus conheceu-nos e amou-nos, a todos e a cada um, durante a sua vida, a sua agonia e a sua paixão, entregando-Se por cada um de nós: «O Filho de Deus amou-me e entregou-Se por mim» (Gl 2, 20). Amou-nos a todos com um coração humano. Por esse motivo, o Sagrado Coração de Jesus, trespassado pelos nossos pecados e para nossa salvação (121), «praecipuus consideratur index et symbolus... illius amoris, quo divinus Redemptor aeternum Patrem hominesque universos continenter adamat é considerado sinal e símbolo por excelência... daquele amor com que o divino Redentor ama sem cessar o eterno Pai e todos os homens» (122).Resumindo:
Iesus in vita Sua, in agonia Sua in Suaque passione nos cognovit et amavit omnes et singulos atque pro unoquoque nostrum Se tradidit: Filius Dei « dilexit me et tradidit Semetipsum pro me » (Gal 2,20). Ipse nos omnes corde amavit humano. Hac de causa, sacrum cor Iesu, propter nostra peccata et pro nostra salute transfixum, 122 « praecipuus consideratur index et symbolus [...] illius amoris, quo divinus Redemptor aeternum Patrem hominesque universos continenter adamat ». 123 Compendium

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 479
No tempo estabelecido por Deus, o Filho Unigénito do Pai, a Palavra eterna, isto é, o Verbo e imagem substancial do Pai, encarnou. Sem perder a natureza divina, assumiu a natureza humana.
Tempore a Deo stabilito, Filius unicus Patris, Verbum aeternum et substantialis imago Patris, incarnatus est: Ipse quin divinam naturam amitteret, naturam assumpsit humanam.
§ 480
Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade da sua Pessoa divina; por essa razão, Ele é o único mediador entre Deus e os homens.
Iesus Christus verus est Deus et verus Homo in unitate Suae Personae divinae; propterea unus est mediator inter Deum et homines.
§ 481
Jesus Cristo tem duas naturezas, a divina e a humana, não confundidas, mas unidas na única Pessoa do Filho de Deus.
Iesus Christus duas possidet naturas, divinam et humanam, inconfusas, sed in unica Persona Filii Dei coniunctas.
§ 482
Verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Cristo tem uma inteligência e uma vontade humanas em perfeito acordo e submissão à inteligência e vontade divinas, que Ele tem em comum com o Pai e o Espírito Santo.
Christus, cum verus sit Deus verusque Homo, intellectum et voluntatem habet humanos perfecte concordes et submissos Suo intellectui ac Suae voluntati divinis, quos cum Patre et Spiritu Sancto habet communes.
§ 483
A encarnação é, pois, o mistério da união admirável da natureza divina e da natureza humana, na única Pessoa do Verbo.
Incarnatio est igitur mysterium admirabilis unionis naturae divinae et naturae humanae in unica Persona Verbi. (80) DS 150.(81) Sanctus Gregorius Nyssenus, Oratio catechetica 15, 3: TD 7, 78 (PG 45, 48).(82) Cf Dt 6,4-5.(83) Cf Mc 8,34.(84) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 19, 1: SC 211, 374 (PG 7, 939).(85) Sanctus Athanasius Alexandrinus, De Incarnatione, 54, 3: SC 199, 458 (PG 25, 192). (86) Sanctus Thomas Aquinas, Officium de festo corporis Christi, Ad Matutinas, In primo Nocturno, Lectio 1: Opera omnia, v. 29 (Parisiis 1876) p. 336. (87) Cf Canticum ad I Vesperas Dominicae: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1, p. 545. 629. 718 et 808; v. 2, p. 844. 937. 1037 et 1129; v. 3, p. 548. 669. 793 et 916; v. 4, p. 496. 617. 741 et 864 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973-1974). (88) Cf 1 Io 4,2-3; 2 Io 7. (89) Symbolum Nicaenum: DS 125. (90) Concilium Nicaenum, Epistula synodalis « Epeide tes » ad Aegyptios: DS 130.(91) Symbolum Nicaenum: DS 126. (92) Concilium Ephesinum, Epistula II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS 250. (93) Concilium Ephesinum, Epistula II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS 251. (94) Cf Heb 4,15 (95) Concilium Chalcedonense, Symbolum: DS 301-302. (96) Concilium Constantinopolitanum II, Sess. 8a, Canon 4: DS 424. (97) Cf iam Concilium Ephesinum, Anathematismi Cyrilli Alexandrini, 4: DS 255. (98) Cf Concilium Constantinopolitanum II, Sess. 8a, Canon 3: DS 423.(99) Concilium Constantinopolitanum II, Sess. 8a, Canon 10: DS 432. (100) In sollemnitate sanctae Dei Genetricis Mariae, Antiphona ad « Benedictus »: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 394; cf Sanctus Leo Magnus, Sermo 21, 2: CCL 138, 87 (PL 54, 192). (101) Officium Horarum Byzantinum, Hymnus «O monoghenis»: «Horológion tò méga (Romae 1876) p. 82. (102) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. (103) Cf Io 14,9-10. (104) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042-1043. (105) Cf Sanctus Damasus I, Epistula Oti te apostolike kathedra: DS 149.(106) Cf Mc 6,38; 8,27; Io 11,34; etc. (107) Cf Phil 2,7. (108) Cf Sanctus Gregorius Magnus, Epistula Sicut aqua: DS 475.(109) Sanctus Maximus Confessor, Quaestiones et dubia, Q. I, 67: CCG 10, 155 (66: PG 90, 840).(110) Cf Mc 14,36; Mt 11,27; Io 1,18; 8,55; etc. (111) Cf Mc 2,8; Io 2,25; 6,61; etc. (112) Cf Mc 8,31; 9,31; 10,33-34; 14,18-20.26-30. (113) Cf Mc 13,32. (114) Cf Act 1,7. (115) Cf Concilium Constantinopolitanum III (anno 681), Sess. 18a, Definitio de duabus in Christo voluntatibus et operationibus: DS 556-559.(116) Concilium Constantinopolitanum III, Sess. 18a, Definitio de duabus in Christo voluntatibus et operationibus: DS 556. (117) Cf Concilium Lateranense (anno 649), Canon 4: DS 504. (118) Cf Gal 3,1. (119) Concilium Nicaenum II (anno 787), Act. 7a, Definitio de sacris imaginibus: DS 600-603. (120) Praefatio in Nativitate Domini, II: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 396. (121) Concilium Nicaenum II, Act. 7a, Definitio de sacris imaginibus: DS 601. (122) Cf Io 19,34. (123) Pius XII, Litt. Enc. Haurietis aquas: DS 3924; cf Id., Litt. Enc. Mystici corporis: DS 3812.

CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, NASCIDO DA VIRGEM MARIA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 484
A Anunciação a Maria inaugura a «plenitude dos tempos» (Gl 4, 4), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos. Maria é convidada a conceber Aquele em quem habitará «corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Cl 2, 9). A resposta divina ao seu «como será isto, se Eu não conheço homem?» (Lc 1, 34) é dada pelo poder do Espírito: «O Espírito Santo virá sobre ti» (Lc 1, 35).
« Plenitudo temporis » (Gal 4,4), id est, promissionum et praeparationum adimpletio Annuntiatione ad Mariam sumit initium. Maria invitatur ut Illum concipiat in quo « omnis plenitudo divinitatis corporaliter » inhabitabit (Col 2,9). Responsio divina quaestioni eius: « Quomodo fiet istud, quoniam virum non cognosco? » (Lc 1,34), per potentiam datur Spiritus: « Spiritus Sanctus superveniet in te » (Lc 1,35).
§ 485
A missão do Espírito Santo está sempre unida e ordenada à do Filho (123). O Espírito Santo, que é «o Senhor que dá a Vida», é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e para a fecundar pelo poder divino, fazendo-a conceber o Filho eterno do Pai, numa humanidade originada da sua.
Spiritus Sancti missio semper coniungitur cum missione Filii et ad illam ordinatur. 124 Spiritus Sanctus, qui « Dominus est et Vivificans », 125 mittitur ad uterum Virginis Mariae sanctificandum ad illamque divine fecundandam, faciens ut illa Filium Patris concipiat aeternum in humanitate assumpta ab eius humanitate.
§ 486
Tendo sido concebido como homem no seio da Virgem Maria, o Filho único do Pai é «Cristo», isto é, ungido pelo Espírito Santo (124), desde o princípio da sua existência humana, embora a sua manifestação só se venha a fazer progressivamente: aos pastores (125), aos magos 126), a João Baptista (127), aos discípulos (128). Toda a vida de Jesus Cristo manifestará, portanto, «como Deus O ungiu com o Espírito Santo e o poder» (Act 10, 38).
Filius unicus Patris, tamquam homo in utero Virginis Mariae conceptus, est « Christus », id est, a Spiritu Sancto unctus, 126 ab initio Suae exsistentiae humanae, licet Eius manifestatio non nisi progressive deducta fuerit in rem: pastoribus, 127 magis, 128 Ioanni Baptistae, 129 discipulis. 130 Tota igitur Iesu Christi vita manifestabit « quomodo unxit Eum Deus Spiritu Sancto et virtute » (Act 10,38). II. ...natus ex Maria Virgine

CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, NASCIDO DA VIRGEM MARIA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

nascido da Virgem Maria

§ 487
O que a fé católica crê, a respeito de Maria, funda-se no que crê a respeito de Cristo. Mas o que a mesma fé ensina sobre Maria esclarece, por sua vez, a sua fé em Cristo.
Id quod fides catholica credit circa Mariam, fundatur super id quod illa circa Christum credit, sed id quod illa de Maria docet, eius in Christum vicissim illuminat fidem. Praedestinatio Mariae

A PREDESTINAÇÃO DE MARIA

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nascido da Virgem Maria

§ 488
«Deus enviou o seu Filho» (GI 4, 4). Mas, para Lhe «formar um corpo» (129), quis a livre cooperação duma criatura. Para isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe do seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré, na Galileia, «virgem que era noiva de um homem da casa de David, chamado José. O nome da virgem era Maria» (Lc 1, 26-27):

«O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para Mãe, precedesse a Encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida (130).

« Misit Deus Filium Suum » (Gal 4,4), sed ut Illi corpus aptaret 131 liberam cuiusdam creaturae voluit cooperationem. Ad hoc, ab aeterno, Deus, ut Mater esset Filii Sui, quamdam filiam Israel elegit, adulescentulam Iudaeam ex Nazareth in Galilaea, « virginem desponsatam viro, cui nomen erat Ioseph de domo David, et nomen virginis Maria » (Lc 1,26-27):

« Voluit autem misericordiarum Pater, ut acceptatio praedestinatae Matris Incarnationem praecederet, ut sic, quemadmodum femina contulit ad mortem, ita etiam femina conferret ad vitam ». 132

§ 489
Ao longo da Antiga Aliança, a missão de Maria foi preparada pela missão de santas mulheres. Logo no princípio, temos Eva; apesar da sua desobediência, ela recebe a promessa duma descendência que sairá vitoriosa do Maligno(131) e de vir a ser a mãe de todos os vivos (132). Em virtude desta promessa, Sara concebe um filho, apesar da sua idade avançada (133). Contra toda a esperança humana, Deus escolheu o que era tido por incapaz e fraco (134) para mostrar a sua fidelidade à promessa feita: Ana, a mãe de Samuel (135), Débora, Rute, Judite e Ester e muitas outras mulheres. Maria «é a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus. Com ela, enfim, excelsa filha de Sião, passada a longa espera da promessa, cumprem-se os tempos e inaugura-se a nova economia da salvação» (136).
Toto Veteris Foederis decursu, missio Mariae ab illa sanctarum mulierum est praeparata. Prorsus initio, est Eva: ipsa, non obstante sua inoboedientia, Promissionem recipit descendentiae quae Maligni erit victrix 133 et Promissionem de eo quod ipsa cunctorum viventium mater futura est. 134 Vi huius Promissionis, Sara, non obstante sua magna aetate, filium concipit. 135 Deus, contra omnem humanam spem, id eligit quod tamquam impotens considerabatur et debile 136 ut Suam fidelitatem erga Suam ostendat Promissionem: Annam, matrem Samuelis, 137 Deboram, Ruth, Iudith, Esther multasque alias mulieres. Maria « praecellit inter humiles ac pauperes Domini, qui salutem cum fiducia ab Eo sperant et accipiunt. Cum ipsa tandem praecelsa Filia Sion, post diuturnam exspectationem Promissionis, complentur tempora et nova instauratur Oeconomia ». 138Immaculata Conceptio

A IMACULADA CONCEIÇÃO

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nascido da Virgem Maria

§ 490
Para vir a ser Mãe do Salvador, Maria «foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão» (137). O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-a como «cheia de graça»(138). Efectivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus.
Maria, ut esset Mater Salvatoris, « a Deo donis tanto munere dignis praedita est ». 139 Angelus Gabriel, in Annuntiationis momento, eam tamquam « gratia plenam » salutat. 140 Erat revera necessarium illam a gratia Dei prorsus duci, ut liberum suae fidei assensum annuntiationi vocationis suae posset praebere.
§ 491
Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, «cumulada de graça» por Deus (139), tinha sido redimida desde a sua conceição. É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, procla­mado em 1854 pelo Papa Pio IX: «Por uma graça e favor singular de Deus omnipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição» (140).
Saeculorum decursu, Ecclesia conscia facta est Mariam, a Deo « gratia repletam », 141 inde a sua conceptione esse redemptam. Immaculatae Conceptionis dogma, anno 1854 a Summo Pontifice Pio IX proclamatum, hoc confitetur: « beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suae conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Iesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpae labe praeservatam immunem ». 142
§ 492
Este esplendor de uma «santidade de todo singular», com que foi «enriquecida desde o primeiro instante da sua conceição» (141), vem-lhe totalmente de Cristo: foi «remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho» (142). Mais que toda e qualquer outra pessoa  criada, o Pai a «encheu de toda a espécie de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo» (Ef 1, 3). «N'Ele a escolheu antes da criação do mundo, para ser, na caridade, santa e irrepreensível na sua presença» (Ef 1, 4).
Hi « singularis prorsus sanctitatis » splendores, quibus « a primo instante suae conceptionis ditata » est, 143 universi ei proveniunt a Christo: ipsa est « intuitu meritorum Filii sui sublimiore modo redempta ». 144 Pater eam, plus quam quamlibet aliam personam creatam, « benedixit [...] in omni benedictione spirituali in caelestibus in Christo » (Eph 1,3). Ille « elegit » eam « in Ipso ante mundi constitutionem, ut » esset sancta et immaculata « in conspectu Eius in caritate » (Eph 1,4).
§ 493
Os Padres da tradição oriental chamam ã Mãe de Deus «a toda santa» («Panaghia»), celebram-na como «imune de toda a mancha de pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura» (143). Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a vida.
Traditionis orientalis Patres Matrem Dei « totam sanctam » (Panaghia) appellant, illi eam celebrant « ab omni peccati labe immunem, quasi a Spiritu Sancto plasmatam novamque creaturam formatam ». 145 Gratia Dei, Maria in tota vita sua ab omni peccato personali pura permansit.« Fiat mihi secundum verbum tuum... »

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§ 494
Ao anúncio de que dará à luz «o Filho do Altíssimo», sem conhecer homem, pela virtude do Espírito Santo (144), Maria respondeu pela «obediência da fé» (145), certa de que «a Deus nada é impossível»: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Assim, dando o seu consentimento à palavra de Deus, Maria tornou-se Mãe de Jesus. E aceitando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina da salvação, entregou-se totalmente à pessoa e à obra do seu Filho para servir, na dependência d'Ele e com Ele, pela graça de Deus, o mistério da redenção (146). «Como diz Santo Ireneu, "obedecendo, Ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o género humano" (147). Eis porque não poucos Padres afirmam, tal como ele, nas suas pregações, que "o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a Virgem Maria com a sua fé" (148); e, por comparação com Eva, chamam Maria a "Mãe dos vivos" e afirmam muitas vezes: "a morte veio por Eva, a vida veio por Maria"» (149).
Maria, cum ei nuntiatum esset se, quin virum cognosceret, per Spiritus Sancti virtutem, « Filium Altissimi » esse parituram, 146 respondit cum « oboeditione fidei », 147 certo sciens non esse impossibile apud Deum omne verbum: « Ecce ancilla Domini; fiat mihi secundum verbum tuum » (Lc 1,38). Sic Maria, verbo Dei suum praebens assensum, Mater Iesu facta est et voluntatem divinam salutis, quin ullum peccatum illam retineat, pleno corde amplectens, sese integre personae et operi Filii sui devovit, ut mysterio Redemptionis dependenter ab Illo et cum Illo, per Dei gratiam, serviret: 148

« Ipsa enim, ut ait Irenaeus, "oboediens et sibi et universo generi humano causa facta est salutis". 149 Unde non pauci Patres antiqui in praedicatione sua cum eo libenter asserunt: "Hevae inoboedientiae nodum solutionem accepisse per oboedientiam Mariae; quod alligavit virgo Heva per incredulitatem, hoc Virginem Mariam solvisse per fidem"; 150 et comparatione cum Heva instituta, Mariam "Matrem viventium" appellant, saepiusque affirmant: "mors per Hevam, vita per Mariam" ». 151

A MATERNIDADE DIVINA DE MARIA

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nascido da Virgem Maria

§ 495
Chamada nos evangelhos «a Mãe de Jesus» (Jo 2, 1; 19, 25)(150), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo e desde antes do nascimento do seu Filho, como «a Mãe do meu Senhor» (Lc 1, 43). Com efeito, Aquele que Ela concebeu como homem por obra do Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não é outro senão o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus («Theotokos») (151).
Maria, in Evangeliis « Mater Iesu » appellata (Io 2,1; 19,25), 152 iam ante Filii sui Nativitatem, sub impulsu Spiritus, tamquam « Mater Domini mei » acclamatur (Lc 1,43). Revera, Ille quem ipsa, qua hominem, de Spiritu Sancto concepit et qui vere eius Filius secundum carnem factus est, alius non est quam Filius aeternus Patris, Secunda Persona Sanctissimae Trinitatis. Ecclesia profitetur Mariam vere esse Deiparam (Theotokos). 153Virginitas Mariae

A VIRGINDADE DE MARIA

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nascido da Virgem Maria

§ 496
Desde as primeiras formulações da fé (152), a Igreja confessou que Jesus foi concebido unicamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando igualmente o aspecto corporal deste acontecimento: Jesus foi concebido « absque semine, [...] ex Spiritu Sancto – do Espírito Santo, sem sémen [de homem]» (153). Os Santos Padres vêem, na conceição virginal, o sinal de que foi verdadeiramente o Filho de Deus que veio ao mundo numa humanidade como a nossa:

Diz, por exemplo, Santo Inácio de Antioquia (princípio do século II): «Vós estais firmemente convencidos, a respeito de nosso Senhor, que Ele é verdadeiramente da raça de David segundo a carne (154). Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus (155); verdadeiramente nascido duma virgem [...], foi verdadeiramente crucificado por nós, na sua carne, sob Pôncio Pilatos [...] e verdadeiramente sofreu, como também verdadeiramente ressuscitou» (156).

Inde a primis fidei formulis, 154 Ecclesia professa est Iesum per solam virtutem Sancti Spiritus in sinu Virginis Mariae esse conceptum, rationem etiam corporalem huius affirmans eventus: Iesus « absque semine [...] ex Spiritu Sancto » conceptus est. 155 Patres in conceptione virginali signum perspiciunt de eo quod vere Filius Dei in humanitate venit sicut nostra:

Ita sanctus Ignatius Antiochenus (initio saeculi secundi): « Observavi vos [...] plena firmaque fide credentes in Dominum nostrum vere oriundum ex genere David secundum carnem, 156 Filium Dei secundum voluntatem et potentiam Dei, 157 natum vere ex virgine; [...] vere sub Pontio Pilato [...] clavis confixum pro nobis in carne [...]. Vere passus est, ut et vere resuscitavit ». 158

§ 497
As narrativas evangélicas (157) entendem a conceição virginal como uma obra divina que ultrapassa toda a compreensão e possibilidade humanas (158): «O que foi gerado nela vem do Espírito Santo», diz o anjo a José, a respeito de Maria, sua esposa (Mt 1, 20). A Igreja vê nisto o cumprimento da promessa divina feita através do profeta Isaías: «Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho» (Is 7, 14), segundo a tradução grega de Mt 1, 23.
Narrationes evangelicae 159 conceptionem intelligunt virginalem tamquam opus divinum omnem comprehensionem et omnem possibilitatem superans humanas: 160 « Quod enim in ea natum est, de Spiritu Sancto est », dicit angelus ad Ioseph circa Mariam eius sponsam (Mt 1,20). Ecclesia ibi adimpletionem perspicit Promissionis divinae datae ab Isaia propheta: « Ecce virgo in utero habebit et pariet filium » (Is 7,14), secundum versionem graecam Mt 1,23.
§ 498
Tem, por vezes, causado impressão o silêncio do Evangelho de São Marcos e das epístolas do Novo Testamento sobre a conceição virginal de Maria Também foi questionado, se não se trataria aqui de lendas ou construções teológicas fora do âmbito da historicidade. A isto há que responder: a fé na conceição virginal de Jesus encontrou viva oposição, troça ou incompreensão por parte dos não-crentes, judeus e pagãos (159); mas não tinha origem na mitologia pagã, nem era motivada por qualquer adaptação às ideias do tempo. O sentido deste acontecimento só é acessível à fé. que o vê no «nexo que liga os mistérios entre si» (160), no conjunto dos mistérios de Cristo, da Encarnação até à Páscoa. Já Santo Inácio de Antioquia fala deste nexo: «O príncipe deste mundo não teve conhecimento da virgindade de Maria e do seu parto, tal como da morte do Senhor: três mistérios extraordinários, que se efectuaram no silêncio de Deus» (161).
Quandoque propter silentium evangelii sancti Marci et epistularum Novi Testamenti circa conceptionem virginalem Mariae habita est turbatio. Quaeri etiam potuit utrum hic de fabulis vel de constructionibus ageretur theologicis sine historicitatis ambitu. Ad id oportet respondere: fides in conceptionem virginalem Iesu e parte non credentium Iudaeorum et gentilium vivam oppositionem, irrisiones vel incomprehensionem invenit: 161 illa a mythologia pagana vel a quadam ad ideas temporis adaptatione orta non erat. Sensus huius eventus non nisi fidei accessibilis est, quae illum perspicit in « mysteriorum ipsorum nexu inter se », 162 in mysteriorum Christi complexu, ab Eius Incarnatione usque ad Pascha Eius. Iam sanctus Ignatius Antiochenus hunc nexum testatur: « Et principem huius mundi latuit Mariae virginitas et partus ipsius, similiter et mors Domini: tria mysteria clamoris, quae in silentio Dei patrata sunt ». 163Maria – « semper Virgo »

MARIA – «SEMPRE VIRGEM»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

nascido da Virgem Maria

§ 499
O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria (162), mesmo no parto do Filho de Deus feito homem (163). Com efeito, o nascimento de Cristo «não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal» da sua Mãe (164). A Liturgia da Igreja celebra Maria “Aeiparthenos” como a «sempre Virgem»(165)
Profundior meditatio fidei eius in maternitatem virginalem adduxit Ecclesiam ad profitendam realem et perpetuam Mariae virginitatem, 164 etiam in partu Filii Dei, hominis facti. 165 Revera Nativitas Christi « virginalem Eius [matris] integritatem non minuit sed sacravit ». 166 Ecclesiae liturgia Mariam tamquam Aeiparthénon, « semper Virginem » celebrat. 167
§ 500
A isso objecta-se, por vezes, que a Escritura menciona irmãos e irmãs de Jesus (166). A Igreja entendeu sempre estas passagens como não designando outros filhos da Virgem Maria. Com efeito, Tiago e José, «irmãos de Jesus» (Mt 13, 55), são filhos duma Maria discípula de Cristo (167) designada significativamente como «a outra Maria» (Mt 28, 1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, segundo uma expressão conhecida do Antigo Testamento (168).
Ad hoc quandoque obiicitur Scripturam fratrum et sororum Iesu facere mentionem. 168 Ecclesia haec loca semper intellexit tamquam non alios filios Virginis Mariae denotantia: Iacobus utique et Ioseph, « fratres » Iesu (Mt 13,55), filii sunt cuiusdam Mariae Christi discipulae, 169 quae significanter tamquam « altera Maria » (Mt 28,1) denotatur. Agitur de proximis propinquis secundum quamdam notam Veteris Testamenti expressionem. 170
§ 501
Jesus é o filho único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria (169) estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: «Ela deu à luz um Filho que Deus estabeleceu como "primogénito de muitos irmãos" (Rm 8, 29), isto é, dos fiéis para cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe» (170).
Iesus est unicus Mariae Filius. Sed spiritualis Mariae maternitas 171 ad omnes extenditur homines, ad quos Ille venit salvandos: « Filium autem peperit, quem Deus posuit primogenitum in multis fratribus (Rom 8,29), fidelibus nempe, ad quos gignendos et educandos materno amore cooperatur ». 172 Virginalis maternitas Mariae in consilio Dei

A MATERNIDADE VIRGINAL DE MARIA NO PLANO DE DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

nascido da Virgem Maria

§ 502
O olhar da fé pode descobrir, em ligação com o conjunto da Revelação, as razões misteriosas pelas quais Deus, no seu desígnio salvífico, quis que o seu Filho nascesse duma virgem. Tais razões dizem respeito tanto à pessoa e missão redentora de Cristo como ao acolhimento dessa missão por Maria, para bem de todos os homens:
Intuitus fidei, in connexione cum Revelationis complexu, arcanas potest detegere rationes, propter quas Deus, in Suo consilio salvifico, voluit Filium Suum e Virgine nasci. Hae rationes tam ad Personam et redemptricem Christi missionem quam ad huius missionis ex parte Mariae pro omnibus hominibus referuntur acceptationem.
§ 503
A virgindade de Maria manifesta a iniciativa absoluta de Deus na Encarnação. Jesus só tem Deus por Pai (171). «A natureza humana, que Ele assumiu, nunca O afastou do Pai [...]. Naturalmente Filho do seu Pai segundo a divindade, naturalmente Filho da sua Mãe segundo a humanidade, mas propriamente Filho de Deus nas suas duas naturezas» (172).
Mariae virginitas absolutum inceptum Dei in Incarnatione manifestat. Iesus Patrem non habet nisi Deum. 173 « Numquam fuit propter hominem quem adsumpsit a Patre alienus. [...] Unus Idemque est Dei et hominis Filius. Naturaliter Patri secundum divinitatem, naturaliter Matri secundum humanitatem; proprius tamen Patri in utroque ». 174
§ 504
Jesus é concebido pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, porque Ele é o Novo Adão (173), que inaugura a criação nova: «O primeiro homem veio da terra e do pó: o segundo homem veio do céu» (1 Cor 15, 47). A humanidade de Cristo é, desde a sua conceição, cheia do Espírito Santo, porque Deus «não dá o Espírito por medida» (Jo 3, 34). É da «sua plenitude», que Lhe é própria enquanto cabeça da humanidade resgatada que «nós recebemos graça sobre graça» (Jo 1, 16).
Iesus de Spiritu Sancto in sinu Virginis Mariae conceptus est, quia est novus Adam, 175 qui creationem novam inaugurat: « Primus homo de terra terrenus, secundus homo de caelo » (1 Cor 15,47). Humanitas Christi, inde a Sua conceptione, a Spiritu Sancto repletur quia Deus Ei « non [...] ad mensuram dat Spiritum » (Io 3,34). « De plenitudine Eius », propria Illius qui caput est humanitatis redemptae, 176 « accepimus [...] gratiam pro gratia » (Io 1,16).
§ 505
Jesus, o novo Adão, inaugura, pela sua conceição virginal, o novo nascimento dos filhos de adopção, no Espírito Santo, pela fé, «Como será isso?» (Lc 1, 34) (175). A parti­cipação na vida divina não procede «do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus» (Jo 1, 13). A recepção desta vida é virginal, porque inteiramente dada ao homem pelo Espírito. O sentido esponsal da vocação humana, em relação a Deus (176), foi perfeitamente realizado na maternidade virginal de Maria.
Iesus, novus Adam, Sua conceptione virginali, novam nativitatem inaugurat filiorum adoptionis in Spiritu Sancto per fidem. « Quomodo fiet istud? » (Lc 1,34). 177 Vitae divinae participatio procedit « non ex sanguinibus neque ex voluntate carnis neque ex voluntate viri, sed ex Deo » (Io 1,13). Acceptio huius vitae est virginalis, quia homini omnino a Spiritu Sancto donatur. Sensus sponsalicius vocationis humanae relate ad Deum 178 in maternitate virginali Mariae perfecte adimpletur.
§ 506
Maria é virgem, porque a virgindade é nela o sinal da sua fé, «sem a mais leve sombra de dúvida» (177) e da sua entrega sem reservas à vontade de Deus (178). É graças à sua fé que ela vem a ser a Mãe do Salvador: «Beatior est Maria percipiendo fïdem Christi quam concipiendo carnem Christi – Maria é mais feliz por receber a fé de Cristo do que por conceber a carne de Cristo» (179).
Maria est Virgo quia eius virginitas est signum fidei eius nullo dubio adulteratae 179 et suae donationis indivisae voluntati Dei. 180 Eius fides praebet ei Matrem effici Salvatoris. « Beatior ergo Maria percipiendo fidem Christi quam concipiendo carnem Christi ». 181
§ 507
Maria é, ao mesmo tempo, virgem e mãe, porque é a figura e a mais perfeita realização da Igreja (180): «Por sua vez, a Igreja, que contempla a sua santidade misteriosa e imita a sua caridade, cumprindo fielmente a vontade do Pai, torna-se também, ela própria, mãe, pela fiel recepção da Palavra de Deus: efectivamente, pela pregação e pelo Baptismo, gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos por acção do Espírito Santo e nascidos de Deus. E também ela é virgem, pois guarda fidelidade total e pura ao seu esposo» (181).Resumindo:
Maria simul Virgo est et Mater quia figura est et perfectissima Ecclesiae effectio: 182 « Ecclesia [...] per Verbum Dei fideliter susceptum et ipsa fit Mater: praedicatione enim ac Baptismo filios, de Spiritu Sancto conceptos et ex Deo natos, ad vitam novam et immortalem generat. Et ipsa est virgo, quae fidem Sponso datam integre et pure custodit ». 183 Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 508
Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe do seu Filho. «Cheia de graça», ela é «o mais excelso fruto da Redenção» (182). Desde o primeiro instante da sua conceição, ela foi totalmente preservada imune da mancha do pecado original, e permaneceu pura de todo o pecado pessoal ao longo da vida.
Deus in descendentia Evae Virginem elegit Mariam ut Filii Sui esset Mater. Illa, « gratia plena », est « praecellens Redemptionis fructus »: 184 ipsa est a primo instanti conceptionis suae a labe peccati originalis prorsus immunis praeservata et pura ab omni peccato personali toto vitae suae permansit decursu.
§ 509
Maria é verdadeiramente «Mãe de Deus», pois é a Mãe do Filho eterno de Deus feito homem que, Ele próprio, é Deus.
Maria est vere « Mater Dei » propterea quod Mater est aeterni Filii Dei, hominis facti, qui est Deus Ipse.
§ 510
Maria permaneceu «Virgem ao conceber o seu Filho, Virgem ao dá-Lo à luz, Virgem grávida, Virgem fecunda, Virgem perpétua» (183); com todo o seu ser; ela é a «serva do Senhor» (Lc 1, 38).
Maria permansit Filium suum « concipiens Virgo, pariens Virgo, Virgo gravida, Virgo feta, Virgo perpetua »: 185 toto esse suo est « ancilla Domini » (Lc 1,38).
§ 511
A Virgem Maria «cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens» (184). Pronunciou o seu «fiat» – faça-se – «loco totius humanae naturae – em vez de toda a humanidade» (185): pela sua obediência, tornou-se a nova Eva, mãe dos vivos.
Maria Virgo « libera fide et oboedientia humanae saluti » 186 est cooperata. Illa assensum suum, « loco totius humanae naturae », 187 pronuntiavit. Illa est facta, sua oboedientia, nova Eva, Mater viventium.  (124) Cf Io 16,14-15. (125) Cf Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (126) Cf Mt 1,20; Lc 1,35. (127) Cf Lc 2,8-20. (128) Cf Mt 2,1-12. (129) Cf Io 1,31-34. (130) Cf Io 2,11. (131) Cf Heb 10,5. (132) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 56: AAS 57 (1965) 60; cf Ibid., 61: AAS 57 (1965) 63. (133) Cf Gn 3,15. (134) Cf Gn 3,20. (135) Cf Gn 18,10-14; 21,1-2. (136) Cf 1 Cor 1,27. (137) Cf 1 Sam 1. (138) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 55: AAS 57 (1965) 59-60.(139) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 56: AAS 57 (1965) 60.(140) Cf Lc 1,28.(141) Cf Lc 1,28.(142) Pius IX, Bulla Ineffabilis Deus: DS 2803. (143) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 56: AAS 57 (1965) 60.(144) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 53: AAS 57 (1965) 58.(145) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 56: AAS 57 (1965) 60.(146) Cf Lc 1,28-37.(147) Cf Rom 1,5.(148) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 56: AAS 57 (1965) 60-61.(149) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 22, 4: SC 211, 440 (PG 7, 959). (150) Cf Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 22, 4: SC 211, 442-444 (PG 7, 959-960). (151) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 56: AAS 57 (1965) 60-61.(152) Cf Mt 13,55.(153) Cf Concilium Ephesinum, Epistula II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS 251. (154) Cf DS 10-64.(155) Concilium Lateranense (anno 649), Canon 3: DS 503. (156) Cf Rom 1,3. (157) Cf Io 1,13. (158) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Smyrnaeos, 1-2: SC 10bis, p. 132-134 (Funk 1, 274-276). (159) Cf Mt 1,18-25; Lc 1,26-38. (160) Cf Lc 1,34. (161) Cf Sanctus Iustinus, Dialogus cum Tryphone Iudaeo, 66-67: CA 2, 234-236 (PG 6, 628-629); Origenes, Contra Celsum, 1, 32: SC 132, 162-164 (PG 8, 720-724); Ibid., 1, 69: SC 132, 270 (PG 8, 788-789); et alii. (162) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3016.(163) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Ephesios, 19, 1: SC 10bis, 74 (Funk 1, 228); cf 1 Cor 2,8. (164) Cf Concilium Constantinopolitanum II, Sess. 8a, Canon 6: DS 427.(165) Cf Sanctus Leo Magnus, Tomus ad Flavianum: DS 291; Ibid.: DS 294; Pelagius I, Epistula Humani generis: DS 442; Concilium Lateranense, Canon 3: DS 503; Concilium Toletanum XVI, Symbolum: DS 571; Paulus IV, Const. Cum quorumdam hominum: DS 1880. (166) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 57: AAS 57 (1965) 61.(167) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 52: AAS 57 (1965) 58.(168) Cf Mc 3,31-35; 6,3; 1 Cor 9,5; Gal 1,19. (169) Cf Mt 27,56. (170) Cf Gn 13,8; 14,16; 29,15; etc. (171) Cf Io 19,26-27; Apc 12,17. (172) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 63: AAS 57 (1965) 64.(173) Cf Lc 2,48-49.(174) Concilium Foroiuliense (anno 796 vel 797), Symbolum: DS 619. (175) Cf 1 Cor 15,45. (176) Cf Col 1,18. (177) Cf Io 3,9. (178) Cf 2 Cor 11,2. (179) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 63: AAS 57 (1965) 64. (180) Cf 1 Cor 7,34-35. (181) Sanctus Augustinus, De sancta virginitate, 3, 3: CSEL 41, 237 (PL 40, 398). (182) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 63: AAS 57 (1965) 64. (183) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 64: AAS 57 (1965) 64.(184) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 103: AAS 56 (1964) 125.(185) Sanctus Augustinus, Sermo 186, 1: PL 38,999. (186) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 56: AAS 57 (1965) 60.(187) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 30, a. 1, c: Ed. Leon. 11, 315.

OS MISTÉRIOS DA VIDA DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 512
Relativamente à vida de Cristo, o Símbolo da Fé apenas fala dos mistérios da Encarnação (conceição e nascimento) e da Páscoa (paixão, crucifixão, morte, sepultura, descida à mansão dos mortos, ressurreição, ascensão). Nada diz explicitamente dos mistérios da vida oculta e pública de Jesus. Mas os artigos que dizem respeito à Encarnação e à Páscoa de Jesus esclarecem toda a vida terrena de Cristo. «Tudo o que Jesus fez e ensinou desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao céu» (Act 1, 1-2) deve ser visto á luz dos mistérios do Natal e da Páscoa.
Symbolum fidei relate ad vitam Christi non loquitur nisi de mysteriis Incarnationis (conceptionis et nativitatis) et Paschatis (passionis, crucifixionis, mortis, sepulturae, descensus ad inferos, resurrectionis et ascensionis). Nihil explicite dicit de mysteriis vitae occultae et publicae Iesu; articuli tamen fidei qui ad Iesu Incarnationem et Pascha referuntur, totam vitam terrenam illuminant Christi. Omnia « quae coepit Iesus facere et docere, usque in diem, qua [...] assumptus est » (Act 1,1-2), sub lumine mysteriorum Nativitatis et Paschatis sunt perspicienda.
§ 513
A catequese, segundo as circunstâncias, explanará toda a riqueza dos mistérios de Jesus. Aqui, basta indicar alguns elementos comuns a todos os mistérios da vida de Cristo (I), para depois esboçar os principais mistérios da vida oculta (II) e pública (III) de Jesus.
Catechesis, secundum adiuncta, omnes divitias explanabit mysteriorum Iesu. Hic indicare sufficit quaedam omnibus mysteriis vitae Christi elementa communia (I), ad adumbranda deinde praecipua vitae occultae (II) et publicae (III) Iesu mysteria. I. Tota vita Christi mysterium est

OS MISTÉRIOS DA VIDA DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Toda a vida de Cristo é mistério

§ 514
Muitas coisas que interessam à curiosidade humana, a respeito de Jesus, não figuram nos evangelhos. Quase nada se diz da sua vida em Nazaré e mesmo grande parte da sua vida pública não é relatada (186). O que foi escrito nos evangelhos, foi-o «para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome» (Jo 20, 31).
Plura quae curiositatem relate ad Iesum movent humanam, in Evangeliis non continentur. De vita Eius in Nazareth fere nihil dicitur, et etiam magna Eius vitae publicae pars non narratur. 188 Id quod in Evangeliis scriptum est, narratur « ut credatis quia Iesus est Christus Filius Dei, et ut credentes vitam habeatis in nomine Eius » (Io 20,31).
§ 515
Os evangelhos foram escritos por homens que foram dos primeiros a receber a fé (187) e que quiseram partilhá-la com outros. Tendo conhecido, pela fé, quem é Jesus, puderam ver e fazer ver os traços do seu mistério em toda a sua vida terrena. Desde os panos do nascimento (188) até ao vinagre da paixão (189) e ao sudário da ressurreição (190), tudo, na vida de Jesus, é sinal do seu mistério. Através dos seus gestos, milagres e palavras, foi revelado que «n'Ele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Cl 2, 9). A sua humanidade aparece, assim, como «sacramento», isto é, sinal e instrumento da sua divindade e da salvação que Ele veio trazer. O que havia de visível na sua vida terrena conduz ao mistério invisível da sua filiação divina e da sua missão redentora.
Evangelia scripta sunt ab hominibus qui inter primos sunt qui fidem habuerunt 189 et illam aliis volunt participandam praebere. Cum cognovissent fide quis Iesus sit, perspicere et facere perspicienda potuerunt vestigia mysterii Eius in tota Eius vita terrestri. A pannis Nativitatis Eius 190 usque ad Eius passionis acetum 191 et Resurrectionis Eius sudarium, 192 totum in vita Iesu signum est Eius mysterii. Per Eius gesta, per Eius miracula, per verba Eius, revelatum est « in Ipso » inhabitare omnem plenitudinem « divinitatis corporaliter » (Col 2,9). Sic humanitas Eius tamquam « sacramentum » apparet, id est, signum et instrumentum divinitatis Eius et salutis quam Ipse affert: quod in Eius vita terrestri visibile erat, ad mysterium ducebat invisibile Eius filiationis divinae Eiusque missionis redemptricis. Communia lineamenta mysteriorum Iesu

OS TRAÇOS COMUNS DOS MISTÉRIOS DE JESUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Toda a vida de Cristo é mistério

§ 516
Toda a vida de Cristo é revelação do Pai: as suas palavras e actos, os seus silêncios e sofrimentos, a maneira de ser e de falar. Jesus pode dizer: «Quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14, 9); e o Pai: «Este é o meu Filho predilecto: escutai-O» (Lc 9, 35). Tendo-Se nosso Senhor feito homem para cumprir a vontade do Pai (191), os mais pequenos pormenores dos seus mistérios manifestam «o amor de Deus para connosco» (192).
Tota Christi vita est Revelatio Patris: verba et actus Eius, silentia atque passiones, Eius modus essendi et loquendi. Iesus dicere potest: « Qui vidit me, vidit Patrem » (Io 14,9); et Pater: « Hic est Filius meus electus; Ipsum audite » (Lc 9,35). Cum Dominus noster factus sit homo ut voluntatem Patris adimpleat, 193 lineamenta vel minima mysteriorum Eius caritatem Dei erga nos 194 nobis manifestant.
§ 517
Toda a vida de Cristo é mistério de redenção. A redenção vem-nos, antes de mais, pelo sangue da cruz (193). Mas este mistério está actuante em toda a vida de Cristo: já na sua Encarnação, pela qual, fazendo-Se pobre, nos enriquece com a sua pobreza (194); na vida oculta que, pela sua obediência (195), repara a nossa insubmissão; na palavra que purifica os seus ouvintes (196): nas curas e expulsões dos demónios, pelas quais «toma sobre Si as nossas enfermidades e carrega com as nossas doenças» (Mt 8, 17)(197); na ressurreição, pela qual nos justifica (198).
Tota Christi vita mysterium est Redemptionis. Redemptio venit ad nos imprimis per crucis sanguinem, 195 sed hoc mysterium in tota vita operatur Christi: iam in Incarnatione Eius, per quam, Se pauperem faciens, nos Sua ditat paupertate; 196 in Eius vita occulta, quae, per Eius submissionem, 197 nostram reparat insubiectionem; in Eius verbo, quod Eius auditores purificat; 198 in Eius sanationibus et exorcismis, per quae « Ipse nostras infirmitates accepit et aegrotationes portavit » (Mt 8,17); 199 in Eius Resurrectione, per quam nos iustificat. 200
§ 518
Toda a vida de Cristo é mistério de recapitulação. Tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha por fim restabelecer o homem decaído na sua vocação originária:

«Quando Ele encarnou e Se fez homem, recapitulou em Si a longa história dos homens e proporcionou-nos, em síntese, a salvação, de tal forma que aquilo que havíamos perdido em Adão – isto é, sermos imagem e semelhança de Deus – o recuperássemos em Cristo Jesus» (199). «Aliás, foi por isso que Cristo passou por todas as idades da vida, restituindo assim a todos os homens a comunhão com Deus» (200).

Tota vita Christi Recapitulationis est mysterium. Quidquid Iesus fecit, dixit et passus est, scopum habebat hominem lapsum in suam primam vocationem restaurandi:

« Quando incarnatus et homo factus longam hominum expositionem in Seipso recapitulavit, in compendio nobis salutem praestans, ut quod perdideramus in Adam, id est secundum imaginem et similitudinem esse Dei, hoc in Christo Iesu reciperemus ». 201 « Quapropter et per omnem venit aetatem, omnibus restituens eam quae est ad Deum communionem ». 202

A NOSSA COMUNHÃO NOS MISTÉRIOS DE JESUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Toda a vida de Cristo é mistério

§ 519
Toda a riqueza de Cristo «se destina a todos os homens e constitui o bem de cada um» (201). Cristo não viveu para Si mesmo, mas para nós, desde a Encarnação «por nós homens e para nossa salvação» (202) até á sua morte «por causa dos nossos pecados» (1 Cor 15, 3) e à sua ressurreição «para nossa justificação» (Rm 4, 25). Ainda agora, Ele é «o nosso advogado junto do Pai» (1 Jo 2, 1), «sempre vivo para interceder por nós» (Heb 7, 25). Com tudo o que viveu e sofreu por nós, uma vez por todas, Ele está para sempre presente «em nosso favor, na presença de Deus» (Heb 9, 24).
Omnes Christi divitiae omni homini praesto sunt omnisque hominis bonum efficiunt. 203 Christus vitam Suam non duxit pro Se, sed pro nobis, ab Incarnatione « propter nos homines et propter nostram salutem » 204 usque ad Suam Mortem « pro peccatis nostris » (1 Cor 15,3) et Resurrectionem Suam « propter iustificationem nostram » (Rom 4,25). Adhuc nunc Ipse noster est advocatus « ad Patrem » (1 Io 2,1), « semper vivens ad interpellandum » pro nobis (Heb 7,25). Cum omnibus quae semel pro semper propter nos in vita transegit et passus est, in aeternum manet « vultui Dei pro nobis » (Heb 9,24) praesens.
§ 520
Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo (203): é «o homem perfeito» (204), que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar (205); com a sua oração, convida-nos à oração (206); com a sua pobreza, incita--nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições (207).
Iesus, in tota Sua vita, Se tamquam nostrum exemplar ostendit: 205 Ipse est « perfectus homo », 206 qui nos invitat ut Eius efficiamur discipuli Eumque sequamur: Sua humiliatione nobis exemplum dedit imitandum, 207 Sua oratione ad orationem attrahit, 208 Sua paupertate ad libere inopiam et persecutiones vocat accipiendas. 209
§ 521
Tudo o que Cristo viveu, Ele próprio faz com que o possamos viver n'Ele e Ele vivê-lo em nós. «Pela sua Encarnação, o Filho de Deus uniu-Se, de certo modo, a cada homem» (208). Nós somos chamados a ser um só com Ele; Ele faz-nos comungar, enquanto membros do seu corpo, em tudo o que Ele próprio viveu na sua carne por nós, e como nosso modelo:

«Devemos continuar a completar em nós os estados e mistérios da vida de Jesus e pedir-Lhe continuamente que Se digne consumá-los perfeitamente em nós e em toda a sua Igreja [...]. Na verdade, o Filho de Deus deseja comunicar e prolongar, de certo modo, os seus mistérios em nós e em toda a sua Igreja, [...] quer pelas graças que decidiu conceder-nos, quer pelos efeitos que deseja produzir em nós, por meio destes mistérios. É neste sentido que Ele quer completá-los em nós» (209).

Christus facit ut quidquid Ipse vita transegit, nos vita nostra in Eo geramus et Ipse vita Sua in nobis gerat. « Filius Dei Incarnatione Sua cum omni homine quodammodo Se univit ». 210 Vocamur ut nonnisi unum simus cum Eo; Ipse facit ut nos, tamquam membra corporis Eius, id communicemus quod Ille vita transegit in carne Sua pro nobis et tamquam nostrum exemplar:

« Prosequi debemus et adimplere in nobis status et mysteria Iesu Eumque Iesum saepe deprecari [...] ut illa in nobis et in universa Ecclesia Sua consummet atque adimpleat. [...] Namque Dei Filius in animo habet et communicare et extendere quodammodo ac continuare mysteria Sua in nobis atque in universa Ecclesia Sua, [...] tum gratiis quas nobis impertire statuit tum effectibus quos vult in nobis per haec eadem mysteria operari. Hac ratione vult in nobis illa adimplere ». 211

OS PREPARATIVOS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os mistérios da infância e da vida oculta de Jesus

§ 522
A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento tão grandioso, que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da «primeira Aliança» (210), tudo Deus faz convergir para Cristo. Anuncia-O pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. E, por outro lado, desperta no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda.
Adventus Filii Dei in terram eventus est ita immensus, ut Deus per saecula illum praeparare voluerit. Ipse omnia, ritus et sacrificia, figuras et symbola « Prioris Testamenti », 212 in Christum facit convergere: Ipse Eum per os annuntiat Prophetarum qui se in Israel succedunt. Ceterum in corde gentilium obscuram suscitat huius Adventus exspectationem.
§ 523
São João Baptista é o precursor imediato do Senhor (211), enviado para Lhe preparar o caminho (212). «Profeta do Altíssimo» (Lc 1, 76), supera todos os profetas (213), é o último deles (214) inaugura o Evangelho (215); saúda a vinda de Cristo desde o seio da sua Mãe (216) e põe a sua alegria em ser «o amigo do esposo» (Jo 3, 29) que ele designa como «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (Jo 1, 29). Precedendo Jesus «com o espírito e o poder de Elias» (Lc 1, 17), dá testemunho d'Ele pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio (217).
Sanctus Ioannes Baptista immediatus est praecursor Domini, 213 missus ut viam praeparet. 214 Ipse, « Propheta Altissimi » (Lc 1,76), omnes Prophetas superat, 215 eorum est ultimus, 216 Evangelium inaugurat; 217 ex matris suae sinu Adventum salutat Christi, 218 et suum habet gaudium in eo quod sit « amicus sponsi » (Io 3,29), quem tamquam Agnum « Dei, qui tollit peccatum mundi » denotat (Io 1,29). Iesum « in spiritu et virtute Eliae » (Lc 1,17) praecedens, Illi sua praedicatione, suo conversionis baptismate et tandem suo martyrio 219 perhibet testimonium.
§ 524
Ao celebrar em cada ano a Liturgia do Advento, a Igreja actualiza esta expectativa do Messias. Comungando na longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo da sua segunda vinda (218). Pela celebração do nascimento e martírio do Precursor, a Igreja une-se ao seu desejo: «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3, 30).
Ecclesia, Adventus liturgiam singulis celebrans annis, hanc Messiae exspectationem in actum ducit: fideles longam primi Adventus Salvatoris praeparationem communicantes, ardens renovant secundi Adventus optatum. 220 Per celebrationem nativitatis et martyrii Praecursoris, Ecclesia eius unitur optato: « Illum oportet crescere, me autem minui » (Io 3,30). Nativitatis mysterium

O MISTÉRIO DO NATAL

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os mistérios da infância e da vida oculta de Jesus

§ 525
Jesus nasceu na humildade dum estábulo, no seio duma família pobre (219). As primeiras testemunhas deste acontecimento são simples pastores. E é nesta pobreza que se manifesta a glória do céu (220). A Igreja não se cansa de cantar a glória desta noite:

«Hoje a Virgem dá à luz o Eterno
e a terra oferece uma gruta ao Inacessível.
Cantam-n'O os anjos e os pastores,
e com a estrela os magos põem-se a caminho,
porque Tu nasceste para nós,
pequeno Infante. Deus eterno!» (221)

Iesus in stabuli humilitate natus est, in familia paupere; 221 simplices pastores testes eventus sunt primi. In hac paupertate manifestatur gloria caeli. 222 Ecclesia gloriam huius noctis canere non desinit:

« Hodie Virgo parit Supersubstantiale,
et terra Inaccessibili specum offert.
Angeli cum pastoribus Eum glorificant,
magi cum stella faciunt iter:
quia pro nobis natus est
Parvus Infans, Deus in aeternum! ». 223

§ 526
«Tornar-se criança» diante de Deus é a condição para entrar no Reino (222), e para isso, é preciso abaixar-se (223) tornar-se pequeno. Mais ainda: é preciso «nascer do Alto» (Jo 3, 7), «nascer de Deus» (224) para se «tornar filho de Deus» (225). O mistério do Natal cumpre-se em nós quando Cristo «Se forma» em nós (226). O Natal é o mistério desta «admirável permuta»:

«O admirabile commercium! Creator generis humani, animatum corpus sumens de Virgine nasci dignatus est; et, procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem». – «Oh admirável permuta! O Criador do género humano, tomando corpo e alma, dignou-Se nascer duma Virgem; e, feito homem sem progenitor humano, tornou-nos participantes da sua divindade!» (227).

« Puerum fieri » relate ad Deum est condicio ad Regnum ingrediendum; 224 ad hoc necessarium est se humiliare, 225 parvum effici; immo necessarium est « nasci denuo » (Io 3,7), ex Deo nasci 226 ut quis filius Dei fiat. 227 Mysterium Nativitatis in nobis impletur, cum Christus « formatur » in nobis. 228 Iesu Nativitas est huius « admirabilis commercii » mysterium:

« O admirabile commercium! Creator generis humani, animatum corpus sumens, de Virgine nasci dignatus est; et, procedens homo sine semine, largitus est nobis Suam deitatem ». 229

OS MISTÉRIOS DA INFÂNCIA DE JESUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os mistérios da infância e da vida oculta de Jesus

§ 527
A circuncisão de Jesus, oito dias depois do seu nascimento (228), sinal da sua inserção na descendência de Abraão, no povo da Aliança, da sua submissão à Lei (229) e da sua deputação para o culto de Israel, no qual participará durante toda a sua vida. Este sinal prefigura «a circuncisão de Cristo», que é o Baptismo (230).
Iesu circumcisio, octo post Eius Nativitatem dies, 230 signum est insertionis Eius in Abraham descendentiam, in Foederis populum, Eius submissionis Legi 231 Eiusque destinationis ad cultum Israel, quem per totam Suam participabit vitam. Hoc signum praefigurat « Christi circumcisionem » quae est Baptisma. 232
§ 528
A Epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e salvador do mundo. Juntamente com o baptismo de Jesus no Jordão e as bodas de Caná (231), a Epifania celebra a adoração de Jesus pelos «magos» vindos do Oriente (232). Nestes «magos», representantes das religiões pagãs circunvizinhas, o Evangelho vê as primícias das nações, que acolhem a Boa-Nova da salvação pela Encarnação. A vinda dos magos a Jerusalém, para «adorar o rei dos judeus» (233), mostra que eles procuram em Israel, à luz messiânica da estrela de David (234), Aquele que será o rei das nações (235). A sua vinda significa que os pagãos não podem descobrir Jesus e adorá-Lo como Filho de Deus e Salvador do mundo, senão voltando-se para os Judeus (236) e recebendo deles a sua promessa messiânica, tal como está contida no Antigo Testamento (237). A Epifania manifesta que «todos os povos entram na família dos patriarcas» (238) e adquire a « israelitica dignitas» – a dignidade própria do povo eleito (239).
Epiphania est Iesu, ut Messiae Israel, Filii Dei et Salvatoris mundi, manifestatio. Cum baptismate Iesu in Iordane et nuptiis Cana, 233 adorationem Iesu celebrat a « magis » qui ab oriente venerant. 234 Evangelium in his « magis » religiones paganas circumstantes repraesentantibus perspicit primitias nationum quae Bonum Nuntium accipiunt salutis per Incarnationem. Magorum adventus in Ierusalem ad regem Iudaeorum adorandum 235 ostendit, eos in Israel, sub luce messianica stellae David, 236 Illum quaerere, qui rex erit nationum. 237 Eorum adventus significat paganos Iesum invenire et Illum ut Filium Dei et Salvatorem mundi adorare non posse nisi se ad Iudaeos vertant 238 et ab illis Promissionem accipiant messianicam sicut in Vetere continetur Testamento. 239 Epiphania manifestat gentium plenitudinem intrare in Patriarcharum familiam 240 et « Israeliticam dignitatem » 241 acquirere.
§ 529
A apresentação de Jesus no templo (240) mostra-O como Primogénito que pertence ao Senhor (241). Com Simeão e Ana, é toda a expectativa de Israel que vem ao encontro do seu Salvador (a tradição bizantina designa por encontro este acontecimento). Jesus é reconhecido como o Messias tão longamente esperado, «luz das nações» e «glória de Israel», mas também como «sinal de contradição». A espada de dor, predita a Maria, anuncia essa outra oblação, perfeita e única, da cruz, que trará a salvação que Deus «preparou diante de todos os povos».
Praesentatio Iesu in Templo 242 Ipsum ostendit tamquam Primogenitum qui ad Dominum pertinet ut proprius. 243 Cum Simeone et Anna, tota Israel exspectatio in Salvatoris sui venit occursum (ita traditio Byzantina hunc appellat eventum). Iesus tamquam Messias agnoscitur tam longe exspectatus, « lumen gentium » et « gloria Israel », sed etiam « signum contradictionis ». Doloris gladius qui Mariae praedicitur, annuntiat hanc aliam, perfectam et unicam, crucis oblationem, quae salutem donabit quam Deus « ante faciem omnium populorum » paravit.
§ 530
A fuga para o Egipto e o massacre dos Inocentes (242) manifestam a oposição das trevas à luz: «Ele veio para o que era seu e os seus não O receberam» (Jo 1, 11). Toda a vida de Cristo decorrerá sob o signo da perseguição. Os seus partilham-na com Ele (243). O seu regresso do Egipto (244) lembra o Êxodo (245) e apresenta Jesus como o libertador definitivo.
Fuga in Aegyptum et innocentium occisio 244 oppositionem ostendunt tenebrarum ad lucem: « In propria venit, et Sui Eum non receperunt » (Io 1,11). Tota Christi vita persecutione erit signata. Qui Eius sunt, illam cum Eo participant. 245 Reditus ex Aegypto 246 Exodum revocat in memoriam 247 et Iesum tamquam definitivum praesentat liberatorem.Mysteria vitae occultae Iesu

OS MISTÉRIOS DA VIDA OCULTA DE JESUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os mistérios da infância e da vida oculta de Jesus

§ 531
Durante a maior parte da sua vida, Jesus partilhou a condição da imensa maioria dos homens: uma vida quotidiana sem grandeza aparente, vida de trabalho manual, vida religiosa judaica sujeita à Lei de Deus (246), vida na comunidade. De todo este período, é-nos revelado que Jesus era «submisso» a seus pais (247) e que «ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52).
Iesus, per magnam vitae Suae partem, condicionem partis immense maioris hominum participavit: vitam quotidianam sine apparenti magnitudine, vitam laboris manuum, vitam religiosam Iudaicam Legi Dei submissam, 248 vitam in communitate. Tota hac periodo, nobis revelatur Iesum fuisse Suis parentibus subditum 249 et « sapientia et aetate et gratia apud Deum et homines » profecisse (Lc 2,52).
§ 532
A submissão de Jesus à sua Mãe e ao seu pai legal foi o cumprimento perfeito do quarto mandamento. É a imagem temporal da sua obediência filial ao Pai celeste. A submissão diária de Jesus a José e a Maria anunciava e antecipava a submissão de Quinta-Feira Santa: «Não se faça a minha vontade [...]» (Lc 22, 42). A obediência de Cristo, no quotidiano da vida oculta, inaugurava já a recuperação daquilo que a desobediência de Adão tinha destruído (248).
Iesu submissio Suae Matri Suoque patri legali quartum perfecte adimplet praeceptum. Illa temporalis est imago Eius oboedientiae filialis Patri Eius caelesti. Quotidiana Iesu submissio Ioseph et Mariae submissionem annuntiat et anticipat orationis in horto: « Non mea voluntas... » (Lc 22,42). Oboedientia Christi in quotidianis vitae occultae adiunctis iam opus inaugurabat restaurationis eorum quae Adami destruxerat inoboedientia. 250
§ 533
A vida oculta de Nazaré permite a todos os homens entrar em comunhão com Jesus, pelos diversos caminhos da vida quotidiana:

«Nazaré é a escola em que se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho [...] Em primeiro lugar, uma lição de silêncio. Oh! se renascesse em nós o amor do silêncio, esse admirável e indispensável hábito do espírito [...]! Uma lição de vida familiar Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu carácter sagrado e inviolável [...]. Uma lição de trabalho, Nazaré, a casa do "Filho do carpinteiro"! Aqui desejaríamos compreender e celebrar a lei, severa mas redentora, do trabalho humano [...] Daqui, finalmente, queremos saudar os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande modelo, o seu Irmão divino» (249)

Vita occulta Nazarethana omnibus permittit hominibus per vias vitae maxime quotidianas cum Iesu communionem habere:

« Nazarena domus schola est, in qua incipit Christi vita dignosci: Evangelii nempe schola. [...] Silentium enim haec docet imprimis. Utinam optima in nobis revirescat silentii aestimatio, mirandi nempe huius ac necessarii mentis habitus [...]. Domesticam hic praeterea vivendi percipimus rationem. Nos sane Nazareth admoneat quid sit familia, quid eius communio dilectionis, eius gravis ac nitida pulchritudo, sacra eius inviolabilisque proprietas [...]. Operis denique hic cognoscimus disciplinam. O Nazarena sedes, fabri Filii domus, hic potissimum severam quidem sed redemptricem laboris humani legem intellegere optamus et celebrare [...]; hic denique totius mundi operariis salutem volumus nuntiare, iisdemque magnum exemplar ostendere, divinum fratrem ». 251

§ 534
O reencontro de Jesus no templo (250) é o único acontecimento que quebra o silêncio dos evangelhos sobre os anos ocultos de Jesus. Nele, Jesus deixa entrever o mistério da sua consagração total à missão decorrente da sua filiação divina: «Não sabíeis que Eu tenho de estar na casa do meu Pai?». Maria e José «não compreenderam» esta palavra, mas acolheram-na na fé, e Maria «guardava no coração todas estas recordações», ao longo dos anos em que Jesus permaneceu oculto no silêncio duma vida normal.
Iesu inventio in Templo 252 solus est eventus qui Evangeliorum de annis occultis Iesu rumpit silentium. Ibi Iesus Suae totalis consecrationis missioni e Sua filiatione divina provenienti mysterium permittit suspicari: « Nesciebatis quia in his, quae Patris mei sunt, oportet me esse? ». Maria et Ioseph hoc verbum « non intellexerunt », sed illud in fide acceperunt, et Maria « conservabat omnia verba in corde suo » per totum decursum annorum quibus Iesus in vitae ordinariae silentio permanebat occultus. III. Mysteria vitae publicae Iesu Iesu baptismus

OS MISTÉRIOS DA VIDA OCULTA DE JESUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os mistérios da vida pública de Jesus

§ 535
O início (251) da vida pública de Jesus é o seu baptismo por João, no rio Jordão (252). João pregava «um baptismo de penitência, em ordem à remissão dos pecados» (Lc 3, 3). Uma multidão de pecadores, publicanos e soldados (253), fariseus e saduceus (254) e prostitutas vinha ter com ele, para que os baptizasse. «Então aparece Jesus». O Baptista hesita, Jesus insiste: e recebe o baptismo. Então o Espírito Santo, sob a forma de pomba, desce sobre Jesus e uma voz do céu proclama: «Este é o meu Filho muito amado» (Mt 3,13-17). Tal foi a manifestação («epifania») de Jesus como Messias de Israel e Filho de Deus.
Initium 253 vitae publicae Iesu est Eius baptismus a Ioanne in Iordane peractus. 254 Ioannes « baptismum paenitentiae in remissionem peccatorum » proclamabat (Lc 3,3). Multitudo peccatorum, publicanorum et militum, 255 Pharisaeorum et Sadducaeorum 256 et meretricum 257 venit ut ab illo baptizetur. « Tunc venit Iesus ». Baptista haesitat, Iesus insistit: Ipse baptismum recipit. Tunc Spiritus Sanctus, in columbae forma, super Iesum venit, et vox proclamat de caelo: « Hic est Filius meus dilectus » (Mt 3,13-17). Haec est Iesu manifestatio (« epiphania ») tamquam Messiae Israel et Filii Dei.

O BAPTISMO DE JESUS

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Os mistérios da vida pública de Jesus

§ 536
Da parte de Jesus, o seu baptismo é a aceitação e a inauguração da sua missão de Servo sofredor. Deixa-se contar entre o número dos pecadores (256). É já «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (Jo 1, 29), e antecipa já o «baptismo» da sua morte sangrenta (257). Vem, desde já, para «cumprir toda a justiça» (Mt 3,15). Quer dizer que Se submete inteiramente à vontade do Pai e aceita por amor o baptismo da morte para a remissão dos nossos pecados (258). A esta aceitação responde a voz do Pai, que põe toda a sua complacência no Filho (259). O Espírito que Jesus possui em plenitude, desde a sua conceição, vem «repousar» sobre Ele (Jo 1, 32-33) (260) e Jesus será a fonte do mesmo Espírito para toda a humanidade. No baptismo de Cristo, «abriram-se os céus» (Mt 3, 16) que o pecado de Adão tinha fechado, e as águas são santificadas pela descida de Jesus e do Espírito, prelúdio da nova criação.
Iesu baptismus est, ex parte Eius, acceptatio et inauguratio Eius missionis, tamquam Servi patientis. Ipse sinit Se inter peccatores adnumerari. 258 Ipse iam est « Agnus Dei, qui tollit peccatum mundi » (Io 1,29); iam « baptismum » anticipat Suae cruentae Mortis. 259 Iam venit ad « omnem iustitiam » implendam (Mt 3,15), id est, Se totum Patris Sui submittit voluntati: Ipse amore huic mortis consentit baptismo pro nostrorum peccatorum remissione. 260 Huic acceptationi vox respondet Patris qui in Filio Suo totum placitum ponit Suum. 261 Spiritus quem Iesus in plenitudine inde a Sua possidet conceptione, venit ut « maneat » super Eum. 262 Iesus erit Illius fons pro tota humanitate. In Suo baptismo, « aperti sunt Ei caeli » (Mt 3,16), quos peccatum clauserat Adami; atque aquae per Iesu et Spiritus descensum sanctificantur, ut novae creationis proludium.
§ 537
Pelo Baptismo, o cristão é sacramentalmente assimilado a Jesus que, no seu baptismo, antecipa a sua morte e ressurreição. Deve entrar neste mistério de humilde abatimento e de penitência, descer à água com Jesus, para de lá subir com Ele, renascer da água e do Espírito para se tornar, no Filho, filho-amado do Pai e «viver numa vida nova» (Rm 6, 4):

«Sepultemo-nos com Cristo pelo Baptismo, para com Ele ressuscitarmos; desçamos com Ele, para com Ele sermos elevados; tornemos a subir com Ele, para n'Ele sermos glorificados» (261).
«Tudo o que se passou com Cristo dá-nos a conhecer que, depois do banho de água, o Espírito Santo desce sobre nós do alto dos céus e, adoptados pela voz do Pai, tornamo-nos filhos de Deus» (262).

Christianus, per Baptisma, sacramentaliter Iesu assimilatur qui in baptismo Suo Mortem Suam et Suam anticipat Resurrectionem; ille debet hoc humilis submissionis et paenitentiae mysterium ingredi, in aquam cum Iesu descendere ut cum Illo ascendat, atque ex aqua et Spiritu denuo nasci ut in Filio filius Patris fiat dilectus et « in novitate vitae » ambulet (Rom 6,4):

« Proinde, cum Christo per Baptismum sepeliamur, ut cum Eo resurgamus; cum Eo descendamus, ut simul etiam extollamur; cum Eo ascendamus, ut simul quoque gloria afficiamur ». 263

Sic factum est « ut ex eis quae consummabantur in Christo cognosceremus post aquae lavacrum et de caelestibus portis Sanctum in nos Spiritum involare et caelestis nos gloriae unctione perfundi et paternae vocis adoptione filios fieri ». 264

A TENTAÇÃO DE JESUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os mistérios da vida pública de Jesus

§ 538
Os evangelhos falam dum tempo de solidão que Jesus passou no deserto, imediatamente depois de ter sido baptizado por João: «Impelido»pelo Espírito para o deserto, Jesus ali permanece sem comer durante quarenta dias. Vive com os animais selvagens e os anjos servem-n'O (263).No fim desse tempo, Satanás tenta-O por três vezes, procurando pôr em causa a sua atitude filial para com Deus; Jesus repele esses ataques, que recapitulam as tentações de Adão no paraíso e de Israel no deserto; e o Diabo afasta-se d'Ele «até determinada altura» (Lc 4, 13).
Evangelia de quodam tempore solitudinis Iesu in deserto loquuntur immediate postquam Ipse a Ioanne est baptizatus: « Spiritus expellit Eum in desertum » (Mc 1,12) et Ipse ibi permanet quadraginta dies quin manducet; cum bestiis vivit silvestribus et angeli serviunt Ei. 265 Ad finem huius temporis, Satanas ter Eum tentat quaerens Eius filialem erga Deum habitum ponere in quaestione. Iesus has reiicit oppugnationes quae tentationes Adam in paradiso et Israel in deserto recapitulant, atque Diabolus ab Eo discedit « usque ad tempus » (Lc 4,13).
§ 539
Os evangelistas indicam o sentido salvífico deste acontecimento misterioso, Jesus é o Novo Adão, que Se mantém fiel naquilo em que o primeiro sucumbiu à tentação. Jesus cumpre perfeitamente a vocação de Israel: contrariamente aos que outrora, durante quarenta anos, provocaram a Deus no deserto (264), Cristo revela-Se o Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisto, Jesus vence o Diabo: «amarrou o homem forte», para lhe tirar os despojos (265). A vitória de Jesus sobre o tentador, no deserto, antecipa a vitória da paixão, suprema obediência do seu amor filial ao Pai.
Evangelistae indicant huius arcani eventus salvificum sensum. Iesus est novus Adam, qui ibi permanet fidelis ubi primus tentationi succubuit. Iesus vocationem Israel perfecte adimplet: illis contrarie qui olim quadraginta annis in deserto Deum provocaverunt, 266 Christus e contra tamquam Servus revelatur Dei plene oboediens divinae voluntati. In hoc est Iesus Diaboli victor: Ipse fortem alligavit ut ab illo praedam iterum eriperet. 267 Victoria Iesu de Tentatore in deserto victoriam anticipat passionis, supremae oboedientiae Eius amoris filialis erga Patrem.
§ 540
A tentação de Jesus manifesta a maneira própria de o Filho de Deus ser Messias, ao contrário da que Lhe propõe Satanás e que os homens (266) desejam atribuir-Lhe. Foi por isso que Cristo venceu o Tentador, por nós: «Nós não temos um sumo-sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas; temos um, que possui a experiência de todas as provações, tal como nós, com excepção do pecado» (Heb 4, 15). Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto.
Tentatio Iesu modum manifestat quo Filius Dei est Messias, contrarium illi quem Ei Satan proponit atque homines 268 Ei exoptant attribuere. Propterea Christus Tentatorem pro nobis vicit: « Non enim habemus pontificem, qui non possit compati infirmitatibus nostris, tentatum autem per omnia secundum similitudinem absque peccato » (Heb 4,15). Singulis annis per quadraginta dies Magnae Quadragesimae Ecclesia unitur mysterio Iesu in deserto.« Appropinquavit Regnum Dei »

«O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os mistérios da vida pública de Jesus

§ 541
«Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia. Aí proclamava a Boa-Nova da vinda de Deus, nestes termos: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e acreditai na Boa-Nova!"» (Mc 1, 14-15). «Por isso, Cristo, a fim de cumprir a vontade do Pai, deu começo na terra ao Reino dos céus» (267). Ora a vontade do Pai é «elevar os homens à participação da vida divina» (268). E fá-lo reunindo os homens em torno do seu Filho, Jesus Cristo. Esta reunião é a Igreja, a qual é na terra «o germe e o princípio» do Reino de Deus» (269).
« Postquam autem traditus est Ioannes, venit Iesus in Galilaeam praedicans Evangelium Dei et dicens: "Impletum est tempus, et appropinquavit Regnum Dei; paenitemini et credite Evangelio" » (Mc 1,14-15). « Christus ideo, ut voluntatem Patris impleret, Regnum caelorum in terris inauguravit ». 269 Patris autem voluntas est « homines ad participandam vitam divinam elevare ». 270 Id facit homines circa Filium Suum, Iesum Christum, congregans. Haec congregatio est Ecclesia quae in terris « germen et initium » est Regni Dei. 271
§ 542
Cristo está no centro desta reunião dos homens na «família de Deus». Reúne-os à sua volta pela sua palavra, pelos seus sinais que manifestam o Reino de Deus, pelo envio dos discípulos. E realizará a vinda do seu Reino sobretudo pelo grande mistério da sua Páscoa: a sua morte de cruz e a sua ressurreição. «E Eu, uma vez elevado da Terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32). Todos os homens são chamados a esta união com Cristo (270).
Christus in corde est huius congregationis hominum in « familia Dei ». Ipse eos convocat circa Se per verbum Suum, per Sua signa quae Regnum Dei manifestant, per discipulorum Suorum missionem. Ipse Adventum Sui Regni deducet in rem praecipue per magnum Suae Paschatis mysterium: per Suam Mortem in cruce et Resurrectionem Suam. « Et ego, si exaltatus fuero a terra, omnes traham ad meipsum » (Io 12,32). Ad hanc unionem cum Christo omnes vocantur homines. 272Annuntiatio Regni Dei

O ANÚNCIO DO REINO DE DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os mistérios da vida pública de Jesus

§ 543
Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel (271), este Reino messiânico é destinado a acolher os homens de todas as nações (272). Para ter acesso a ele, é preciso acolher a Palavra de Jesus:

«A Palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo: aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo, já receberam o Reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe» (273).

Omnes homines ad Regnum ingrediendum vocantur. Hoc Regnum messianicum, imprimis filiis Israel nuntiatum, 273 destinatur ad homines omnium gentium accipiendos. 274 Ad accedendum in illud, necessarium est Iesu accipere verbum:

« Verbum nempe Domini comparatur semini, quod in agro seminatur: qui illud cum fide audiunt et Christi pusillo gregi adnumerantur, Regnum ipsum susceperunt; propria dein virtute semen germinat et increscit usque ad tempus messis ». 275

§ 544
O Reino é dos pobres e pequenos, quer dizer, dos que o acolheram com um coração humilde. Jesus foi enviado para «trazer a Boa-Nova aos pobres» (Lc 4, 18) (274). Declara-os bem-aventurados, porque «é deles o Reino dos céus» (Mt 5, 3). Foi aos «pequenos» que o Pai se dignou revelar o que continua oculto aos sábios e inteligentes (275). Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à cruz: sabe o que é sofrer a fome (276), a sede  (277) e a indigência (278). Mais ainda: identifica-se com os pobres de toda a espécie, e faz do amor activo para com eles a condição da entrada no seu Reino (279).
Regnum est pauperum et parvulorum, id est, illorum qui illud corde acceperunt humili. Iesus mittitur « evangelizare pauperibus » (Lc 4,18). 276 Eos beatos declarat « quoniam ipsorum est Regnum Dei » (Mt 5,3); his « parvulis » Pater id dignatus est revelare quod sapientibus et prudentibus manet absconditum. 277 Iesus, a praesepe usque ad crucem, vitam pauperum participat; famem, 278 sitim 279 et inopiam experitur. 280 Immo vero: Se cum pauperibus omnis generis identificat et ex amore activo erga illos condicionem facit ingressus in Regnum Suum. 281
§ 545
Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17) (280). Convida-os à conversão sem a qual não se pode entrar no Reino, mas por palavras e actos, mostra-lhes a misericórdia sem limites do Seu Pai para com eles e a imensa «alegria que haverá no céu, por um só pecador que se arrependa» (Lc 15, 7). A prova suprema deste amor será o sacrifício da sua própria vida, «pela remissão dos pecados» (Mt 26, 28).
Iesus peccatores ad mensam invitat Regni: « Non veni vocare iustos, sed peccatores » (Mc 2,17). 282 Eos ad conversionem invitat sine qua Regnum ingredi possibile non est, sed eis ostendit, verbis et gestis, misericordiam Patris Sui illimitatam erga eos 283 et immensum « gaudium [quod] erit in caelo super uno peccatore paenitentiam agente » (Lc 15,7). Suprema huius amoris demonstratio sacrificium erit Suae propriae vitae « in remissionem peccatorum » (Mt 26,28).
§ 546
Jesus chama para entrar no Reino, por meio de parábolas, traço característico do seu ensino (282). Por meio delas, convida para o banquete do Reino (283), mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo (284). As palavras não bastam, exigem-se actos (285). As parábolas são, para o homem, uma espécie de espelho: como é que ele recebe a Palavra? Como chão duro, ou como terra boa? (286) Que faz ele dos talentos recebidos? (287) Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas. É preciso entrar no Reino, quer dizer, tornar-se discípulo de Cristo, para «conhecer os mistérios do Reino dos céus» (Mt 13, 11). Para os que ficam «fora» (Mc 4, 11), tudo permanece enigmático (288).
Iesus ad Regnum ingrediendum per parabolas vocat quae lineamentum constituunt characteristicum instructionis Eius. 284 Per eas, Ipse ad convivium invitat Regni, 285 sed etiam electionem exigit radicalem: ad acquirendum Regnum est necessarium omnia donare; 286 verba non sufficiunt, requiruntur actiones. 287 Parabolae pro homine quasi specula sunt: accepitne verbum tamquam durum solum an tamquam terra bona? 288 Quidnam ex acceptis facit talentis? 289 Iesus et praesentia Regni in hoc mundo sunt secreto in parabolarum corde. Necessarium est Regnum ingredi, id est, discipulum fieri Christi ad « mysteria Regni caelorum » cognoscenda (Mt 13,11). Pro eis qui « foris » perstant (Mc 4,11), totum permanet aenigmaticum. 290Signa Regni Dei

OS SINAIS DO REINO DE DEUS

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Os mistérios da vida pública de Jesus

§ 547
Jesus acompanha as suas palavras com numerosos «milagres, prodígios e sinais» (Act 2,22), os quais manifestam que o Reino está presente n'Ele. Comprovam que Ele é o Messias anunciado (289).
Iesus Sua verba pluribus comitatur « virtutibus et prodigiis et signis » (Act 2,22) quae ostendunt Regnum in Eo esse praesens. Illa testantur Iesum esse Messiam praenuntiatum. 291
§ 548
Os sinais realizados por Jesus testemunham que o Pai O enviou (290). Convidam a crer n'Ele (291). Aos que se Lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem (292). Assim, os milagres fortificam a fé n'Aquele que faz as obras do seu Pai: testemunham que Ele é o Filho de Deus (293). Mas também podem ser «ocasião de queda» (294). Eles não pretendem satisfazer a curiosidade nem desejos mágicos. Apesar de os seus milagres serem tão evidentes, Jesus é rejeitado por alguns (295); chega mesmo a ser acusado de agir pelo poder dos demónios (296).
Signa a Iesu effecta Patrem Eum misisse testantur. 292 Invitant ad credendum in Eum. 293 Illis qui ad Eum fide se vertunt, id concedit quod petunt. 294 Tunc miracula fidem roborant in Eum qui Patris Sui facit opera: Eum Filium Dei testantur esse. 295 Sed etiam possunt esse scandali occasio. 296 Non enim intendunt curiositati et magicis satisfacere optatis. Iesus, non obstantibus Suis miraculis tam evidentibus, a quibusdam est reiectus; 297 accusatus etiam de eo est quod per daemonia ageret. 298
§ 549
Ao libertar certos homens dos males terrenos da fome (297), da injustiça (298) da doença e da morte (299) – Jesus realizou sinais messiânicos; no entanto, Ele não veio para abolir todos os males deste mundo (300), mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado (301), que os impede de realizar a sua vocação de filhos de Deus e é causa de todas as servidões humanas.
Iesus, quosdam homines a terrestribus famis, 299 iniustitiae, 300 morbi et mortis liberans malis, 301 signa perfecit messianica. Ipse tamen non venit ut omnia mala hic in terris aboleret, 302 sed ut homines a gravissima omnium servitute liberaret, ab illa peccati, 303 quae eos in eorum vocatione filiorum Dei irretit et omnes eorum causat humanas servitutes.
§ 550
A vinda do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás (302): «Se é pelo Espírito de Deus que Eu expulso os demónios, então é porque o Reino de Deus chegou até vós» (Mt 12, 28). Os exorcismos de Jesus libertam os homens do poder dos demónios (303). E antecipam a grande vitória de Jesus sobre «o príncipe deste mundo» (304). É pela cruz de Cristo que o Reino de Deus vai ser definitivamente estabelecido: «Regnavit a ligno Deus – Deus reinou desde o madeiro» (305).
Adventus Regni Dei profligatio est regni Satan: 304 « Si autem in Spiritu Dei ego eicio daemones, igitur pervenit in vos Regnum Dei » (Mt 12,28). Iesu exorcismi homines a daemoniorum liberant dominio. 305 Magnam Iesu anticipant victoriam super « principem huius mundi ». 306 Per crucem Christi Regnum Dei definitive stabilietur: « Regnavit a ligno Deus ». 307 « Claves Regni »

«AS CHAVES DO REINO»

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Os mistérios da vida pública de Jesus

§ 551
Desde o princípio da sua vida pública, Jesus escolheu alguns homens, em número de doze, para andarem com Ele e participarem na sua missão (306). Deu-lhes parte na sua autoridade «e enviou-os a pregar o Reino de Deus e a fazer curas» (Lc 9, 2). Estes homens ficam para sempre associados ao Reino de Cristo, porque, por meio deles, Jesus Cristo dirige a Igreja:

«Eu disponho, a vosso favor, do Reino, como meu Pai dispõe dele a meu favor, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu Reino. E sentar-vos-eis em tronos, a julgar as doze tribos de Israel» (Lc 22, 29-30).

Iesus, ab initio Suae vitae publicae, viros duodecim numero elegit ut cum Ipso essent et Suam participarent missionem. 308 Eis in Sua auctoritate partem tribuit « et misit illos praedicare Regnum Dei et sanare infirmos » (Lc 9,2). In perpetuum Regno Christi manent associati, quia Ipse per illos Ecclesiam dirigit:

« Ego dispono vobis, sicut disposuit mihi Pater meus Regnum, ut edatis et bibatis super mensam meam in Regno meo, et sedeatis super thronos iudicantes duodecim tribus Israel » (Lc 22,29-30).

§ 552
No colégio dos Doze, Simão Pedro ocupa o primeiro lugar (307). Jesus confiou-lhe uma missão única. Graças a uma revelação vinda do Pai, Pedro confessara: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16). E nosso Senhor declarou-lhe então: «Tu és Pedro: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela» (Mt 16, 18). Cristo, «pedra viva» (308), garante à sua Igreja, edificada sobre Pedro, a vitória sobre os poderes da morte. Pedro, graças à fé que confessou, permanecerá o rochedo inabalável da Igreja. Terá a missão de defender esta fé para que nunca desfaleça e de nela confirmar os seus irmãos (309).
In Duodecim collegio, Simon Petrus primum habet locum. 309 Iesus illi missionem credidit unicam. Vi revelationis a Patre procedentis, Petrus confessus erat: « Tu es Christus, Filius Dei vivi » (Mt 16,16). Tunc Dominus noster illi declaraverat: « Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam; et portae inferi non praevalebunt adversus eam » (Mt 16,18). Christus, « Lapis vivus », 310 Ecclesiae Suae super Petrum aedificatae victoriam de mortis asseverat potentiis. Petrus, ratione fidei quam confessus est, rupes Ecclesiae permanebit inconcussa. Missionem habebit hanc fidem custodiendi ne unquam deficiat, fratresque in ea confirmandi. 311
§ 553
Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus» (Mt 16, 19). O «poder das chaves» designa a autoridade para governar a Casa de Deus, que é a Igreja. Jesus, o «bom Pastor» (Jo 10, 11), confirmou este cargo depois da sua ressurreição: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 15-17). O poder de «ligar e desligar» significa a autoridade para absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja. Jesus confiou esta autoridade à Igreja pelo ministério dos Apóstolos e particularmente pelo de Pedro, o único a quem confiou explicitamente as chaves do Reino.
Iesus Petro auctoritatem credidit specificam: « Tibi dabo claves Regni caelorum; et quodcumque ligaveris super terram, erit ligatum in caelis, et quodcumque solveris super terram, erit solutum in caelis » (Mt 16,19). « Potestas clavium » auctoritatem denotat ad domum Dei gubernandam, quae est Ecclesia. Iesus, « Pastor bonus » (Io 10,11), hoc confirmavit munus post Resurrectionem Suam: « Pasce oves meas » (Io 21,15-17). Potestas « ligandi et solvendi » auctoritatem significat ad absolvenda peccata, ad iudicia pronuntianda doctrinalia et ad decisiones disciplinares in Ecclesia sumendas. Iesus hanc Ecclesiae credidit auctoritatem per Apostolorum ministerium 312 et peculiariter Petri, cui uni explicite claves credidit Regni.Praegustatio Regni: Transfiguratio

UM ANTEGOZO DO REINO: A TRANSFIGURAÇÃO

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Os mistérios da vida pública de Jesus

§ 554
A partir do dia em que Pedro confessou que Jesus era o Cristo, Filho do Deus vivo, o Mestre «começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e lá sofrer [...], que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia» (Mt 16, 21). Pedro rejeita este anúncio e os outros também não o entendem (312). É neste contexto que se situa o episódio misterioso da transfiguração de Jesus (313), no cimo duma alta montanha, perante três testemunhas por Ele escolhidas: Pedro, Tiago e João. O rosto e as vestes de Jesus tornaram-se fulgurantes de luz, Moisés e Elias aparecem, «e falam da sua morte, que ia consumar-se em Jerusalém» (Lc 9, 31). Uma nuvem envolve-os e uma voz do céu diz: «Este é o meu Filho predilecto: escutai-O» (Lc 9, 35).
A die qua Petrus confessus est Iesum esse Christum, Filium Dei vivum, Magister « coepit [...] ostendere discipulis quia oporteret Eum ire Hierosolymam et multa pati [...] et occidi et tertia die resurgere » (Mt 16,21): Petrus hanc reiicit annuntiationem, 313 ceteri illam non magis intelligunt. 314 In hoc contextu, arcanus collocatur eventus Transfigurationis Iesu, 315 supra montem excelsum, coram tribus testibus ab Eo electis: Petro, Iacobo et Ioanne. Vultus et vestimenta Iesu luce fiunt fulgentia. Moyses et Elias apparent et loquentes cum Eo « dicebant exodum Eius, quem completurus erat in Ierusalem » (Lc 9,31). Nubes illos operit et vox de caelo dicit: « Hic est Filius meus electus; Ipsum audite » (Lc 9,35).
§ 555
Por um momento, Jesus mostra a sua glória divina, confirmando assim a confissão de Pedro. Mostra também que, para «entrar na sua glória» (Lc 24, 26), tem de passar pela cruz em Jerusalém. Moisés e Elias tinham visto a glória de Deus sobre a montanha; a Lei e os Profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias (314). A paixão de Jesus é da vontade do Pai: o Filho age como Servo de Deus (315). A nuvem indica a presença do Espírito Santo: «Tota Trinitas apparuit: Pater in voce; Filius in homine; Spiritus in nube clara – Apareceu toda a Trindade: o Pai na voz; o Filho na humanidade; o Espírito Santo na nuvem luminosa» (316):

«Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os teus discípulos contemplaram a tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai» (317).

Momentanee Iesus Suam gloriam ostendit divinam, Petri sic confirmans confessionem. Etiam ostendit Se, ut intret « in gloriam Suam » (Lc 24,26), per crucem in Ierusalem transire debere. Moyses et Elias gloriam Dei super montem viderant; Lex et Prophetae passiones praenuntiaverant Messiae. 316 Passio Iesu est utique a Patre volita: Filius tamquam Servus Dei agit. 317 Nubes praesentiam denotat Spiritus Sancti: « Tota Trinitas apparuit, Pater in voce, Filius in homine, Spiritus Sanctus in nube clara »: 318

« Transfiguratus es super montem, et quatenus capaces erant, discipuli Tui gloriam Tuam, Christe Deus, contemplati sunt, ut cum Te videant crucifixum, intelligant Tuam passionem esse voluntariam, et mundo praedicent Te vere esse Patris splendorem ». 319

§ 556
No limiar da vida pública, o baptismo; no limiar da Páscoa, a transfiguração. Pelo baptismo de Jesus «declaratum fuit mysterium primae regenerationis – foi declarado o mistério da (nossa) primeira regeneração» – o nosso Baptismo; e a transfiguração «est sacramentum secundae regenerationis – é o sacramento da (nossa) segunda regeneração» – a nossa própria ressurreição (318). Desde agora, nós participamos na ressurreição do Senhor pelo Espírito Santo que actua nos sacramentos do Corpo de Cristo. A transfiguração dá-nos um antegozo da vinda gloriosa de Cristo, «que transfigurará o nosso corpo miserável para o conformar com o seu corpo glorioso» (Fl 3, 21). Mas lembra-nos também que temos de passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus» (Act 14, 22):

«Era isso que Pedro ainda não tinha compreendido, quando manifestava o desejo de ficar com Cristo no cimo da montanha (319). – Isso, Ele to reservou, Pedro, para depois da morte. Mas agora, Ele próprio te diz: Desce para sofrer na Terra, para servir na Terra, para ser desprezado e crucificado na Terra. A Vida desce para se fazer matar: o Pão desce para passar fome; o Caminho desce para se cansar de andar; a Fonte desce para ter sede; – e tu recusas-te a sofrer?» (320).

In vitae publicae limine: baptismus; in limine Paschatis: Transfiguratio. Per baptismum Iesu « declaratum fuit mysterium primae regenerationis »: nostrum Baptisma; Transfiguratio « est sacramentum secundae regenerationis »: propriae resurrectionis nostrae. 320 Iam nunc resurrectionem Domini participamus per Spiritum Sanctum qui in sacramentis agit corporis Christi. Transfiguratio nobis praegustationem praebet gloriosi Adventus Christi « qui transfigurabit corpus humilitatis nostrae, ut illud conforme faciat corpori gloriae Suae » (Phil 3,21). Sed ipsa etiam nobis in memoriam revocat « quoniam per multas tribulationes oportet nos intrare in Regnum Dei » (Act 14,22):

« Hoc Petrus nondum intelligebat, quando in monte vivere cum Christo desiderabat. 321 Servabat tibi hoc, Petre, post mortem. Nunc autem Ipse dicit: Descende laborare in terra, servire in terra, contemni, crucifigi in terra. Descendit vita, ut occideretur; descendit panis, ut esuriret; descendit via, ut in itinere lassaretur; descendit fons, ut sitiret: et tu recusas laborare? ». 322

A SUBIDA DE JESUS PARA JERUSALÉM

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Os mistérios da vida pública de Jesus

§ 557
«Ora, como se aproximavam os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a firme resolução de Se dirigir a Jerusalém» (Lc 9, 51) (321). Por esta decisão, indicava que subia para Jerusalém pronto para lá morrer. Já por três vezes tinha anunciado a sua paixão e a sua ressurreição (322). E ao dirigir-Se para Jerusalém, declara: «não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém» (Lc 13, 33).
« Dum complerentur dies assumptionis Eius, et Ipse faciem Suam firmavit, ut iret in Ierusalem » (Lc 9,51). 323 Per hanc decisionem significabat Se in Ierusalem ascendere paratum ut ibi moreretur. Ter passionem Suam nuntiaverat et Suam Resurrectionem. 324 In Ierusalem pergens, dicit: « Non capit Prophetam perire extra Ierusalem » (Lc 13,33).
§ 558
Jesus recorda o martírio dos profetas que tinham sido entregues à morte em Jerusalém (323). No entanto, continua a convidar Jerusalém a reunir-se à sua volta: «Quantas vezes Eu quis agrupar os teus filhos como a galinha junta os seus pintainhos sob as asas!... Mas vós não quisestes» (Mt 23, 37b). Quando já avista Jerusalém, chora sobre ela (324) e exprime, uma vez mais, o desejo do seu coração: «Se neste dia também tu tivesses conhecido o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está oculto aos teus olhos» (Lc 19, 42).
Iesus in memoriam revocat mortem Prophetarum, qui in Ierusalem erant interfecti. 325 Tamen insistit in vocanda Ierusalem ut circa Eum congregetur: « Quotiens volui congregare filios tuos, quemadmodum gallina congregat pullos suos sub alas, et noluistis! » (Mt 23,37b). Cum Ierusalem perspicitur, super illam plorat 326 et adhuc iterum cordis Sui exprimit optatum: « Si cognovisses et tu in hac die, quae ad pacem tibi! Nunc autem abscondita sunt ab oculis tuis » (Lc 19,42). Messianicus Iesu in Ierusalem ingressus

A ENTRADA MESSIÂNICA DE JESUS EM JERUSALÉM

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§ 559
Como vai Jerusalém acolher o seu Messias? Embora tenha sempre evitado as tentativas populares de O fazerem rei (325), Jesus escolheu o momento e preparou os pormenores da sua entrada messiânica na cidade de «David, seu pai» (Lc 1, 32) (326). E é aclamado como filho de David e como aquele que traz a salvação («Hosanna» quer dizer «então salva!», «dá a salvação»). Ora, o «rei da glória» (Sl 24, 7-10) entra na «sua cidade», «montado num jumento» (Zc 9, 9). Não conquista a filha de Sião, figura da sua Igreja, nem pela astúcia nem pela violência, mas pela humildade que dá testemunho da verdade (327). Por isso é que, naquele dia, os súbditos do seu Reino, são as crianças (328) e os «pobres de Deus», que O aclamam, tal como os anjos O tinham anunciado aos pastores (329). A aclamação deles: «Bendito o que vem em nome do Senhor» (Sl 118, 26) é retomada pela Igreja no «Sanctus» da Liturgia Eucarística, a abrir o memorial da Páscoa do Senhor.
Quomodo Ierusalem Messiam accipiet suum? Iesus, qui Se semper popularibus subtraxerat conatibus Eum regem faciendi, 327 tempus eligit et Suum ingressum messianicum in civitatem « David patris Sui » (Lc 1,32) singillatim praeparat. 328 Acclamatur ut filius David, ut Is qui salutem affert (Hosanna significat « salva igitur! », « salutem dona! »). Nunc vero « Rex gloriae » (Ps 24,7-10) « sedens super asinum » (Zach 9,9) Suam ingreditur civitatem: Filiam Sion, Suae figuram Ecclesiae, nec dolo nec violentia imperio subiicit Suo, sed humilitate quae veritatis testimonium perhibet. 329 Hac de causa, illa die, Regni Sui subditi erunt pueri 330 et « pauperes Dei » qui Eum acclamant, sicut angeli Eum pastoribus annuntiabant. 331 Eorum acclamatio: « Benedictus qui venit in nomine Domini » (Ps 118,26) ab Ecclesia iterum sumitur in « Sanctus » liturgiae eucharisticae ad memoriale Paschatis Domini initiandum.
§ 560
A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias vai realizar pela Páscoa da sua morte e da sua ressurreição. É com a sua celebração, no Domingo de Ramos, que a Liturgia da Igreja começa a Semana Santa. Resumindo:
Ingressus Iesu in Ierusalem Adventum manifestat Regni quem Rex-Messias per Suae Mortis et Suae Resurrectionis Pascha est impleturus. Liturgia Ecclesiae per eius celebrationem, in Dominica Palmarum, magnam Hebdomadam Sanctam aperit. Compendium

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 561
«Toda a vida de Cristo foi um contínuo ensinamento: os seus silêncios, os seus milagres, os seus gestos, a sua oração, o seu amor pelo homem, a sua predilecção pelos pequenos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total na cruz pela redenção do mundo, a sua ressurreição tudo é actuação da sua palavra e cumprimento da Revelação» (330).
Recte « consideranti tota Christi vita apparebit perpetua quaedam institutio: silentia videlicet Ipsius, signa, preces, amor erga homines, studium humilium atque pauperum singulare, Sacrificium crucis in hominum Redemptionem plene susceptum, ipsa denique Resurrectio sunt effectio verbi atque consummatio Revelationis Ipsius ». 332
§ 562
Os discípulos de Cristo devem conformar-se com Ele até que Ele Se forme neles (331), «Por isso, somos assumidos nos mistérios da sua vida, configurados com Ele, com Ele mortos e ressuscitados, até que reinemos com Ele» (332).
Christi discipuli debent Ei conformari donec Ipse in illis formetur. 333 « Quapropter in vitae Eius mysteria adsumimur, cum Eo configurati, commortui et conresuscitati, donec cum Eo conregnemus ». 334
§ 563
Pastor ou mago, ninguém pode atingir a Deus neste mundo senão ajoelhando diante do presépio de Belém e adorando-O oculto na fraqueza duma criança.
Homo, sive pastor sit sive magus, Deum hic in terra assequi non potest, nisi ante praesepe Bethlehem genuflectens Eumque in debilitate infantis adorans occultum.
§ 564
Pela sua submissão a Maria e a José, assim como pelo seu trabalho humilde em Nazaré durante longos anos, Jesus dá-nos o exemplo da santidade na vida quotidiana da família e do trabalho.
Iesus, per Suam Mariae et Ioseph submissionem atque adeo per Suum humilem per longos annos in Nazareth laborem nobis praebet exemplum sanctitatis in quotidiana familiae et laboris vita.
§ 565
Desde o princípio da sua vida pública, desde o seu baptismo, Jesus é o «Servo» inteiramente consagrado à obra redentora, que consumará pelo «baptismo» da sua paixão.
Iesus, inde ab initio Suae vitae publicae, a Suo baptismate, est « Servus » plene Redemptionis consecratus operi, quod per Eius passionis adimplebitur « baptisma ».
§ 566
A tentação no deserto mostra Jesus como Messias humilde, que triunfa de Satanás pela total adesão ao desígnio de salvação querido pelo Pai.
Tentatio in deserto Iesum ostendit Messiam humilem qui de Satan triumphat per Suam totalem consilio salutis a Patre volito adhaesionem.
§ 567
O Reino dos céus foi inaugurado na terra por Cristo, e resplandece para os homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo» (333). A Igreja é o gérmen e o princípio deste Reino. As suas chaves são confiadas a Pedro.
Regnum caelorum in terra a Christo est inauguratum. « Hoc vero Regnum in verbo, operibus et praesentia Christi hominibus elucescit ». 335 Ecclesia semen est et initium huius Regni. Eius claves Petro committuntur.
§ 568
A transfiguração de Cristo tem por fim fortalecer a fé dos Apóstolos em vista da paixão: a subida à «alta montanha» prepara a subida ao Calvário. Cristo, cabeça da Igreja, manifesta o que o seu Corpo contém e irradia nos sacramentos: «a esperança da Glória» (Cl 1, 27) (334).
Christi Transfiguratio habet, ut scopum, Apostolorum roborare fidem in ordine ad passionem: ascensus in « montem excelsum » ascensum praeparat in Calvarium. Christus, Caput Ecclesiae, manifestat id quod corpus continet Suum et quod in sacramentis reverberat: « spes gloriae » (Col 1,27). 336
§ 569
Jesus subiu voluntariamente a Jerusalém, sabendo perfeitamente que ali ia morrer de morte violenta, por causa da oposição dos pecadores (335).
Iesus voluntarie in Ierusalem ascendit, quamquam cognoscebat Se propter contradictionem peccatorum ibi morte violenta esse moriturum. 337
§ 570
A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do Reino, que o Rei-Messias, acolhido na cidade pelas crianças e pelos humildes de corarão, vai realizar pela Páscoa da sua morte e ressurreição.
Ingressus Iesu in Ierusalem Adventum manifestat Regni, quem Rex-Messias, a pueris et ab humilibus corde in Sua civitate acceptus, per Pascha Suae Mortis et Suae Resurrectionis impleturus est. (188) Cf Io 20,30. (189) Cf Mc 1,1; Io 21,24. (190) Cf Lc 2,7. (191) Cf Mt 27,48. (192) Cf Io 20,7. (193) Cf Heb 10,5-7. (194) Cf 1 Io 4,9. (195) Cf Eph 1,7; Col 1,13-14 (Vulgata); 1 Pe 1,18-19.(196) Cf 2 Cor 8,9.(197) Cf Lc 2,51.(198) Cf Io 15,3.(199) Cf Is 53,4.(200) Cf Rom 4,25.(201) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 18, 1: SC 211, 342-344 (PG 7, 932).(202) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 18, 7: SC 211, 366 (PG 7, 937); cf Id., Adversus haereses, 2, 22, 4: SC 294, 220-222 (PG 7, 784). (203) Cf Ioannes Paulus II, Litt. Enc. Redemptor hominis, 11: AAS 71 (1979) 278.(204) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (205) Cf Rom 15,5; Phil 2,5. (206) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 38: AAS 58 (1966) 1055. (207) Cf Io 13,15. (208) Cf Lc 11,1. (209) Cf Mt 5,11-12. (210) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. (211) Sanctus Ioannes Eudes, Le royaume de Jésus, 3, 4: Oeuvres complètes, v. 1 (Vannes 1905) p. 310-311. (212) Cf Heb 9,15. (213) Cf Act 13,24. (214) Cf Mt 3,3. (215) Cf Lc 7,26. (216) Cf Mt 11,13. (217) Cf Act 1,22; Lc 16,16. (218) Cf Lc 1,41. (219) Cf Mc 6,17-29. (220) Cf Apc 22,17. (221) Cf Lc 2,6-7. (222) Cf Lc 2,8-20. (223) Sanctus Romanus Melodus, Kontakion, 10, In diem Nativitatis Christi, Prooemium: SC 110, 50. (224) Cf Mt 18,3-4. (225) Cf Mt 23,12. (226) Cf Io 1,13. (227) Cf Io 1,12. (228) Cf Gal 4,19. (229) In sollemnitate sanctae Dei Genetricis Mariae, Antiphona ad I et II Vesperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 385 et 397. (230) Cf Lc 2,21. (231) Cf Gal 4,4. (232) Cf Col 2,11-13. (233) Cf In sollemnitate Epiphaniae Domini, Antiphona ad « Magnificat » in II Vesperis: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 465. (234) Cf Mt 2,1. (235) Cf Mt 2,2. (236) Cf Nm 24,17; Apc 22,16. (237) Cf Nm 24,17-19. (238) Cf Io 4,22. (239) Cf Mt 2,4-6. (240) Cf Sanctus Leo Magnus, Sermo 33, 3: CCL 138, 173 (PL 54, 242).(241) Vigilia Paschalis, Oratio post tertiam lectionem: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 277. (242) Cf Lc 2,22-39. (243) Cf Ex 13,12-13. (244) Cf Mt 2,13-18. (245) Cf Io 15,20. (246) Cf Mt 2,15. (247) Cf Os 11,1. (248) Cf Gal 4,4. (249) Cf Lc 2,51. (250) Cf Rom 5,19. (251) Paulus VI, Homilia in templo Annuntiationis beatae Mariae Virginis in Nazareth (5 ianuarii 1964): AAS 56 (1964) 167-168. (252) Cf Lc 2,41-52. (253) Cf Lc 3,23. (254) Cf Act 1,22. (255) Cf Lc 3,10-14. (256) Cf Mt 3,7. (257) Cf Mt 21,32. (258) Cf Is 53,12. (259) Cf Mc 10,38; Lc 12,50. (260) Cf Mt 26,39. (261) Cf Lc 3,22; Is 42,1. (262) Cf Io 1,32-33; Is 11,2. (263) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 40, 9: SC 358, 216 (PG 36, 369).(264) Sanctus Hilarius Pictaviensis, In evangelium Matthaei, 2, 6: SC 254, 110 (PL 9, 927). (265) Cf Mc 1,13. (266) Cf Ps 95,10. (267) Cf Mc 3,27. (268) Cf Mt 16,21-23. (269) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.(270) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6.(271) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.(272) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.(273) Cf Mt 10,5-7.(274) Cf Mt 8,11; 28,19.(275) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 5: AAS 57 (1965) 7.(276) Cf Lc 7,22.(277) Cf Mt 11,25.(278) Cf Mc 2,23-26; Mt 21,18. (279) Cf Io 4,6-7; 19,28. (280) Cf Lc 9,58. (281) Cf Mt 25,31-46. (282) Cf 1 Tim 1,15. (283) Cf Lc 15,11-32. (284) Cf Mc 4,33-34. (285) Cf Mt 22,1-14. (286) Cf Mt 13,44-45. (287) Cf Mt 21,28-32. (288) Cf Mt 13,3-9. (289) Cf Mt 25,14-30. (290) Cf Mt 13,10-15. (291) Cf Lc 7,18-23. (292) Cf Io 5,36; 10,25. (293) Cf Io 10,38. (294) Cf Mc 5,25-34; 10,52; etc. (295) Cf Io 10,31-38. (296) Cf Mt 11,6. (297) Cf Io 11,47-48. (298) Cf Mc 3,22. (299) Cf Io 6,5-15. (300) Cf Lc 19,8. (301) Cf Mt 11,5. (302) Cf Lc 12,13-14; Io 18,36. (303) Cf Io 8,34-36. (304) Cf Mt 12,26. (305) Cf Lc 8,26-39. (306) Cf Io 12,31. (307) Venantius Fortunatus, Hymnus « Vexilla Regis »: MGH 141, 34 (PL 88, 96).(308) Cf Mc 3,13-19. (309) Cf Mc 3,16; 9,2; Lc 24,34; 1 Cor 15,5. (310) Cf 1 Pe 2,4. (311) Cf Lc 22,32. (312) Cf Mt 18,18. (313) Cf Mt 16,22-23. (314) Cf Mt 17,23; Lc 9,45. (315) Cf Mt 17,1-8 et par.; 2 Pe 1,16-18. (316) Cf Lc 24,27. (317) Cf Is 42,1. (318) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 45, a. 4, ad 2: Ed. Leon. 11, 433. (319) Liturgia Byzantina. Kontakion in die Transfigurationis: Menaia tou olou eniautou, v. 6 (Romae 1901) p. 341. (320) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 45, a. 4, ad 2: Ed. Leon. 11, 433. (321) Cf Lc 9,33. (322) Sanctus Augustinus, Sermo 78, 6: PL 38, 492-493. (323) Cf Io 13,1. (324) Cf Mc 8,31-33; 9,31-32; 10,32-34. (325) Cf Mt 23,37a. (326) Cf Lc 19,41. (327) Cf Io 6,15. (328) Cf Mt 21,1-11. (329) Cf Io 18,37. (330) Cf Mt 21,15-16; Ps 8,3. (331) Cf Lc 19,38; 2,14. (332) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Catechesi tradendae, 9: AAS 71 (1979) 1284.(333) Cf Gal 4,19.(334) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 7: AAS 57 (1965) 10.(335) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 5: AAS 57 (1965) 7. (336) Cf Sanctus Leo Magnus, Sermo 51, 3: CCL 138A, 298-299 (PL 54, 310).(337) Cf Heb 12,3.

«JESUS CRISTO PADECEU SOB PÔNCIO PILATOS FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 571
O mistério pascal da cruz e ressurreição de Cristo está no centro da Boa-Nova que os Apóstolos, e depois deles a Igreja, devem anunciar ao mundo. O desígnio salvífico de Deus cumpriu-se de «una vez por todas» (Heb 9, 26) pela morte redentora do seu Filho Jesus Cristo.
Mysterium Paschale crucis et resurrectionis Christi in centro est Boni Nuntii quem Apostoli et post illos Ecclesia mundo annuntiare debent. Consilium Dei salvificum per mortem redemptricem Eius Filii Iesu Christi « semel » (Heb 9,26) impletum est.
§ 572
A Igreja permanece fiel à «interpretação de todas as Escrituras» dada pelo próprio Jesus, tanto antes como depois da sua Páscoa (336) «Não tinha o Messias de sofrer tudo isto, para entrar na sua glória?» (Lc 24, 26). Os sofrimentos de Jesus tomaram a sua forma histórica concreta, pelo facto de Ele ter sido «rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas» (Mc 8, 31), que «O entregaram aos pagãos para ser escarnecido, flagelado e crucificado» (Mt 20, 19).
Ecclesia permanet fidelis omnium Scripturarum interpretationi quam Ipse Iesus tam ante quam post Suum dedit Pascha: 338 « Nonne haec oportuit pati Christum et intrare in gloriam Suam? » (Lc 24,26). Iesu passio suam historicam sumpsit formam eo quod reprobatus est « a senioribus et a summis sacerdotibus et scribis » (Mc 8,31), qui tradiderunt « Eum gentibus ad illudendum et flagellandum et crucifigendum » (Mt 20,19).
§ 573
A fé pode, portanto, esforçar-se por investigar as circunstâncias da morte de Jesus, fielmente transmitidas pelos evangelhos (337) e esclarecidas por outras fontes históricas, para melhor compreender o sentido da redenção.
Fides igitur potest conari circumstantias mortis Iesu scrutari, fideliter ab Evangeliis transmissas 339 et ab aliis historicis fontibus illustratas, ad sensum Redemptionis melius intelligendum. Paragraphus 1
IESUS ET ISRAEL

JESUS E ISRAEL

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 574
Desde o princípio do ministério público de Jesus, fariseus e partidários de Herodes, com sacerdotes e escribas, puseram-se de acordo para lhe dar a morte (338). Por alguns dos seus actos (expulsões de demónios (339); perdão dos pecados (340) curas em dia de sábado (341); interpretação original dos preceitos de pureza legal (342): trato familiar com publicanos e pecadores públicos (343), Jesus pareceu a alguns, mal intencionados, suspeito de possessão diabólica (344). Foi acusado de blasfémia (345) e de falso profetismo (346), crimes religiosos que a Lei castigava com a pena de morte por apedrejamento (347).
Ab initiis ministerii publici Iesu, Pharisaei et Herodis sectatores, cum sacerdotibus et scribis, convenerunt ut Eum perderent. 340 Propter quosdam ex Suis actibus (propter daemoniorum expulsiones; 341 peccatorum remissionem; 342 sanationes die sabbati; 343 propriam praeceptorum de puritate legali interpretationem; 344 familiaritatem cum publicanis et publicis peccatoribus 345), Iesus quibusdam mala intentione affectis visus est de possessione diabolica suspectus. 346 Accusatus est de blasphemia 347 et de falso prophetismo, 348 de criminibus nempe religiosis quae Lex poena puniebat mortis sub lapidationis forma. 349
§ 575
Muitas atitudes e palavras de Jesus foram, portanto, «sinal de contradição» (348) para as autoridades religiosas de Jerusalém, a quem o Evangelho de São João muitas vezes chama simplesmente «os Judeus» (349), mais ainda do que para o comum do Povo de Deus (350). Sem dúvida que as suas relações com os fariseus não foram unicamente polémicas: são fariseus que O previnem do perigo que corre (351). Jesus louva alguns de entre eles, como o escriba de Mc 12, 34, e em várias ocasiões come em casa de fariseus (352). Jesus confirma doutrinas partilhadas por esta elite religiosa do povo de Deus: a ressurreição dos mortos (353) formas de piedade (esmola, jejum e oração (354)) e o hábito de se dirigir a Deus como Pai, o carácter central do mandamento do amor de Deus e do próximo (355).
Nonnulli igitur actus et verba Iesu fuerunt « signum contradictionis » 350 pro auctoritatibus religiosis Hierosolymorum, quas evangelium sancti Ioannis saepe « Iudaeos » appellat, 351 adhuc magis quam pro communi populo Dei. 352 Utique Eius relationes cum Pharisaeis non fuerunt solummodo contentiosae. Quidam Pharisaei Eum de periculo monent quod Ei impendit. 353 Iesus quosdam ex illis laudat, sicut scribam de quo Mc 12,34, et pluries apud Pharisaeos manducat. 354 Iesus doctrinas confirmat in hoc selecto religioso populi Dei coetu communes: resurrectionem mortuorum, 355 formas pietatis (eleemosynam, orationem et ieiunium) 356 et consuetudinem se ad Deum ut Patrem dirigendi, indolem centralem mandati amoris Dei et proximi. 357
§ 576
Aos olhos de muitos em Israel, parece que Jesus procede contra as instituições essenciais do Povo eleito:

– a submissão à Lei, na totalidade dos seus preceitos escritos e, para os fariseus, na interpretação da tradição oral;

– a centralidade do templo de Jerusalém, como lugar santo em que Deus habita de maneira privilegiada;

– a fé no Deus único, cuja glória nenhum homem pode partilhar.

Oculis plurium in Israel, Iesus contra essentiales populi electi agere videtur institutiones:

— contra submissionem Legi in integritate scriptorum mandatorum eius et, pro Pharisaeis, in interpretatione traditionis oralis;

— contra indolem centralem Templi Hierosolymorum tamquam loci sancti in quo Deus modo habitat singulari;

— contra fidem in Deum unicum cuius gloriae nullus homo potest particeps fieri.

JESUS E ISRAEL

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Jesus e a Lei

§ 577
Jesus fez uma solene advertência no início do sermão da montanha, ao apresentar a Lei dada por Deus no Sinai, quando da primeira Aliança, à luz da graça da Nova Aliança:

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a Terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequeno que seja, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os praticar e ensinar, será grande no Reino dos céus» (Mt 5, 17-19).

Iesus initio sermonis montani sollemnem fecit admonitionem in qua Legem, a Deo in Sinai occasione Primi Foederis datam, sub luce gratiae Novi Foederis praesentavit:

« Nolite putare quoniam veni solvere Legem aut Prophetas; non veni solvere, sed adimplere. Amen quippe dico vobis: Donec transeat caelum et terra, iota unum aut unus apex non praeteribit a Lege, donec omnia fiant. Qui ergo solverit unum de mandatis istis minimis et docuerit sic homines, minimus vocabitur in Regno caelorum; qui autem fecerit et docuerit, hic magnus vocabitur in Regno caelorum » (Mt 5,17-19).

§ 578
Jesus, o Messias de Israel e, portanto, o maior no Reino dos céus, fazia questão de cumprir a Lei, executando-a integralmente até nos mais pequenos preceitos, segundo as suas próprias palavras. Foi, mesmo, o único a poder fazê-lo perfeitamente (356). Os Judeus, segundo a sua própria confissão, não puderam nunca cumprir integralmente a Lei sem violação do mínimo preceito (357). Por isso é que, em cada festa anual da Expiação, os filhos de Israel pediam a Deus perdão pelas suas transgressões da Lei. Com efeito, a Lei constitui um todo e, como lembra São Tiago, «quem observa toda a Lei, mas falta num só mandamento, torna-se réu de todos os outros» (Tg 2, 10) (358).
Iesus, Messias Israel, maximus proinde in Regno caelorum, Legem implere debebat, eam, secundum Ipsius propria verba, in eius integritate exsequens usque ad eius minima mandata. Immo Ipse solus potuit id facere perfecte. 358 Iudaei, secundum suam propriam confessionem, nunquam Legem in eius potuerunt implere integritate quin minimum mandatum violarent. 359 Propterea in singulis annuis Expiationis festivitatibus, filii Israel veniam a Deo precabantur pro suis Legis transgressionibus. Revera, Lex totum quid constituit et, sicut sanctus Iacobus commemorat, « quicumque autem totam Legem servaverit, offendat autem in uno, factus est omnium reus » (Iac 2,10). 360
§ 579
Este princípio da integralidade da observância da Lei, não só na letra mas também no espírito, era caro aos fariseus. Tomando-o extensivo a Israel, conduziram muitos judeus do tempo de Jesus a um zelo religioso extremo (359). E um tal zelo, se não se ficasse por uma casuística «hipócrita» (360), com certeza que prepararia o povo para esta inaudita intervenção de Deus, que será o cumprimento perfeito da Lei pelo único justo representante de todos os pecadores (361).
Hoc principium integritatis in observanda Lege, non solum secundum eius litteram, sed secundum eius spiritum, magni aestimabatur a Pharisaeis. Illud pro Israel proponentes, multos temporis Iesu Iudaeos ad religiosum adduxerunt extremum zelum. 361 Hic, nisi se in « hypocrita » disceptatione casuum dissolvi vellet, 362 populum necessario praeparabat ad hunc Dei interventum inauditum qui perfecta Legis futura erat effectio a solo Iusto peracta loco omnium peccatorum. 363
§ 580
O cumprimento perfeito da Lei só podia ser obra do divino Legislador, nascido sujeito à Lei na pessoa do Filho (362). Em Jesus, a Lei já não aparece gravada em tábuas de pedra, mas «no íntimo do coração» (Jr 31, 33) do Servo, o qual, proclamando «fielmente o direito» (Is 42, 3), se tornou «a aliança do povo» (Is 42, 6). Jesus cumpriu a Lei até ao ponto de tomar sobre Si «a maldição da Lei» (363) em que incorrem aqueles que não «praticam todos os preceitos da Lei» (364); porque «a morte de Cristo foi para remir as faltas cometidas durante a primeira Aliança» (Heb 9, 15).
Perfecta Legis adimpletio nonnisi a divino poterat peragi Legislatore nato sub Lege in Persona Filii. 364 In Iesu, Lex non amplius super tabulis apparet inscripta lapideis, sed « in visceribus » et « in corde » (Ier 31,33) Servi qui, quoniam « in veritatem proferet iudicium » (Is 42,3), factus est « Foedus populi » (Is 42,6). Iesus Legem adimplet usque ad « maledictum Legis » assumendum super Se 365 in quod illi incurrerant « qui non permanent in omnibus, quae scripta sunt, ut faciant ea », 366 quia mors Christi evenit « in redemptionem earum praevaricationum, quae erant sub Priore Testamento » (Heb 9,15).
§ 581
Jesus apareceu aos olhos dos Judeus e dos seus chefes espirituais como um «rabbi» (365). Muitas vezes argumentou, no quadro da interpretação rabínica da Lei (366). Mas, ao mesmo tempo, Jesus tinha forçosamente de Se confrontar com os doutores da Lei porque não Se contentava com propor a sua interpretação a par das deles: «ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas» (Mt 7, 28-29). N'Ele, era a própria Palavra de Deus, que Se fizera ouvir no Sinai, para dar a Moisés a Lei escrita, que de novo Se fazia ouvir sobre a montanha das bem-aventuranças (367). Esta Palavra de Deus não aboliu a Lei, mas cumpriu-a, ao fornecer, de modo divino, a sua interpretação última: «Ouvistes que foi dito aos antigos [...] Eu, porém, digo-vos» (Mt 5, 33-34). Com esta mesma autoridade divina, desaprova certas «tradições humanas» (368) dos fariseus, que «anulam a Palavra de Deus» (369).
Iesus Iudaeorum et eorum spiritualium ducum apparuit oculis tamquam « rabbi ». 367 Ipse saepe intra rabbinicam Legis interpretationem est argumentatus. 368 Sed simul Iesus necessario Legis doctores collidebat quia Se ad Suam proponendam interpretationem inter illas eorum non restringebat; « erat enim docens eos sicut potestatem habens et non sicut scribae eorum » (Mt 7,29). In Eo, idem Verbum Dei quod resonaverat in Sinai ad Legem scriptam Moysi donandam, Se iterum praebet audiendum in monte beatitudinum. 369 Hoc Verbum Legem non abolet, sed adimplet, eius ultimam interpretationem modo suppeditans divino: « Audistis quia dictum est antiquis [...]. Ego autem dico vobis » (Mt 5,33-34). Ipse, cum hac eadem divina auctoritate quasdam reprobat « traditiones humanas » 370 Pharisaeorum quae rescindunt verbum Dei. 371
§ 582
Indo mais longe, Jesus cumpriu a lei sobre a pureza dos alimentos, tão importante na vida quotidiana judaica, explicando o seu sentido «pedagógico» (370) por uma interpretação divina: «Não há nada fora do homem que, ao entrar nele, o possa tornar impuro [...] – e assim declarava puros todos os alimentos – [...]. O que sai do homem é que o toma impuro. Pois, do interior do coração dos homens é que saem os pensamentos perversos» (Mc 7, 18-21). Proporcionando, com autoridade divina, a interpretação definitiva da Lei, Jesus colocou-Se numa situação de confronto com certos doutores da Lei, que não aceitavam a sua interpretação, muito embora garantida pelos sinais divinos que a acompanhavam (371). Isto vale sobretudo para a questão do sábado: Jesus lembra, e muitas vezes com argumentos rabínicos (372), que o repouso sabático não é violado pelo serviço de Deus (373) ou do próximo (374) que as suas curas realizam.
Iesus, ulterius procedens, de puritate alimentorum perfecit Legem, tanti momenti in vita quotidiana Iudaeorum, eius sensum aperiens « paedagogicum » 372 per interpretationem divinam: « Omne extrinsecus introiens in hominem non potest eum coinquinare, [...] — purgans omnes escas. Dicebat autem: Quod de homine exit, illud coinquinat hominem; ab intus enim de corde hominum, cogitationes malae procedunt » (Mc 7,18-21). Iesus, interpretationem Legis definitivam tradens cum auctoritate divina, inventus est in oppositione ad quosdam Legis doctores qui Eius interpretationem non accipiebant, licet signis divinis confirmatam quae illam comitabantur. 373 Hoc peculiariter valet de sabbati quaestione: Iesus saepe cum argumentis rabbinicis 374 commemorat requiem sabbati non perturbari Dei 375 vel proximi servitio 376 quod Eius praestant sanationes. II. Iesus et Templum

JESUS E ISRAEL

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Jesus e o templo

§ 583
Jesus, como antes d'Ele os profetas, professou pelo templo de Jerusalém o mais profundo respeito. Ali foi apresentado por José e Maria, quarenta dias depois do seu nascimento (375). Na idade de doze anos, decidiu ficar no templo para lembrar aos seus pais que tinha de Se ocupar das coisas de seu Pai (376). Ao templo subiu todos os anos, ao menos pela Páscoa, durante a vida oculta (377). O seu próprio ministério público foi ritmado pelas peregrinações a Jerusalém nas grandes festas judaicas (378).
Iesus, sicut ante Eum Prophetae, erga Templum Hierosolymorum venerationem professus est profundissimam. Ibi a Ioseph et Maria quadraginta dies post Suam Nativitatem est praesentatus. 377 Duodecim annorum aetate manere statuit in Templo ut Suis parentibus in memoriam revocaret Se Patris Sui teneri rebus. 378 Singulis annis saltem ad Pascha illuc ascendit Suae vitae occultae tempore; 379 ipsum Eius publicum ministerium quasi rhythmo regebatur peregrinationum in Ierusalem pro magnis Iudaeorum festis. 380
§ 584
Jesus subiu ao templo como quem sobe ao lugar privilegiado de encontro com Deus. O templo é para Ele a casa do seu Pai, uma casa de oração, e indigna-Se com o facto de o átrio exterior se ter tornado lugar de negócio (379). Se expulsa os vendilhões do templo é pelo amor zeloso a seu Pai: «Não façais da casa do meu Pai casa de comércio». «Os discípulos recordaram-se de que estava escrito: "O zelo pela tua casa devorar-me-á" (Sl 69, 10)» (Jo 2, 16-17). Depois da ressurreição, os Apóstolos guardaram para com o templo um respeito religioso (380).
Iesus in Templum ascendit tamquam ad locum pro occursu cum Deo praestantem. Templum pro Eo Patris Eius est mansio, domus orationis, et indignatur quia eius exterius atrium locus factus est mercaturae. 381 Si mercatores expellit e Templo, id facit propter studiosum amorem erga Patrem Suum: « Nolite facere domum Patris mei domum negotiationis. Recordati sunt discipuli Eius quia scriptum est: "Zelus domus Tuae comedit me" (Ps 69,10) » (Io 2,16-17). Post Resurrectionem Eius, Apostoli religiosam erga Templum servaverunt venerationem. 382
§ 585
No entanto, nas vésperas da sua paixão, Jesus anunciou a ruína deste esplêndido edifício, do qual não ficaria pedra sobre pedra (381). Há aqui o anúncio dum sinal dos últimos tempos, que vão iniciar-se com a sua própria Páscoa (382). Mas esta profecia pôde ser referida de modo deturpado por falsas testemunhas, quando do interrogatório a que Jesus foi sujeito em casa do sumo-sacerdote (383) e ser-Lhe lançada em rosto, como injúria, quando agonizava, pregado na cruz (384).
Iesus tamen, in Suae passionis limine, ruinam huius splendidi praenuntiavit aedificii, cuius non relinquetur lapis super lapidem. 383 Ipse hic signum ultimorum nuntiavit temporum quae per Pascha Suum sunt aperienda. 384 Sed haec prophetia modo deformato a falsis testibus in Eius interrogatorio coram summo sacerdote potuit referri 385 Eique tamquam iniuriam reddi cum Ipse cruci affixus erat clavis. 386
§ 586
Longe de ter sido contra o templo (385) onde proclamou o essencial da sua doutrina (386), Jesus quis pagar o imposto do templo, associando a Si Pedro (387), que Ele acabara de estabelecer como pedra basilar da sua Igreja futura (388). Mais ainda: identificou-Se com o templo, apresentando-Se como a morada definitiva de Deus entre os homens (389). Por isso é que a sua entrega à morte corporal (390) prenuncia a destruição do templo, a qual vai assinalar a entrada numa nova idade da história da salvação: «Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai» (Jo 4, 21) (391).
Iesus, nullo modo fuit hostilis Templo, 387 in quo Suae doctrinae impertivit essentialia, 388 tributum Templi solvere voluit in hoc Sibi socians Petrum 389 quem nuper tamquam fundamentum pro Sua futura collocaverat Ecclesia. 390 Immo vero, Se cum Templo identificavit tamquam mansionem Dei inter homines Se ostendens definitivam. 391 Hac de causa, Eius corporalis occisio 392 Templi praenuntiat destructionem quae ingressum manifestabit in novam aetatem historiae salutis: « Venit hora quando neque in monte hoc neque in Hierosolymis adorabitis Patrem » (Io 4,21). 393 III. Iesus et fides Israel in Deum Unicum et Salvatorem

JESUS E ISRAEL

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Jesus e a fé de Israel no Deus único e salvador

§ 587
Se a Lei e o templo de Jerusalém puderam ser ocasião de «contradição» (392) entre Jesus e as autoridades religiosas de Israel, o seu papel na redenção dos pecados, obra divina por excelência, foi, para essas autoridades, a verdadeira pedra de escândalo (393).
Si Lex et Hierosolymorum Templum occasio « contradictionis » 394 esse potuerunt ex parte Iesu pro auctoritatibus religiosis Israel, Eius munus in peccatorum Redemptione, opere per excellentiam divino, vera petra scandali pro illis fuit. 395
§ 588
Jesus escandalizou os fariseus por comer com os publicanos e os pecadores (394) tão familiarmente como com eles (395). Contra aqueles «que se consideravam justos e desprezavam os demais» (Lc 18, 9) (396) Jesus afirmou: «Eu não vim chamar os justos, vim chamar os pecadores, para que se arrependam» (Lc 5, 32). E foi mais longe, afirmando, diante dos fariseus, que, sendo o pecado universal (397), cegam-se a si próprios (398) aqueles que pretendem não precisar de salvação.
Iesus scandalum fuit Pharisaeis comedens cum publicanis et peccatoribus 396 tam familiariter sicut cum illis ipsis. 397 Contra eos inter illos « qui in se confidebant tamquam iusti et aspernabantur ceteros » (Lc 18,9), 398 Iesus affirmavit: « Non veni vocare iustos, sed peccatores in paenitentiam » (Lc 5,32). Longius vero processit, coram Pharisaeis proclamans, cum peccatum sit universale, 399 illos qui salute non egere praesumunt, se ipsos obcaecare. 400
§ 589
Jesus escandalizou, sobretudo, por ter identificado a sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus a respeito dos mesmos (399). Chegou, até, a dar a entender que, sentando-Se à mesa dos pecadores (400), os admitia no banquete messiânico (401). Mas foi muito particularmente ao perdoar os pecados que Jesus colocou as autoridades religiosas de Israel perante um dilema. É que, como essas autoridades justamente dizem, apavoradas, «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7). Jesus ao perdoar os pecados, ou blasfema por ser um homem que se faz igual a Deus (402), ou diz a verdade e a Sua pessoa torna então presente e revela o nome de Deus (403).
Iesus scandalum praecipue fuit quia Ipse Suum modum misericorditer agendi in peccatores cum modo agendi identificavit Ipsius Dei respectu eorum. 401 Ipse processit usque ad insinuandum Se, mensam participando peccatorum, 402 eos ad convivium admittere messianicum. 403 Sed praesertim peccata dimittens, Iesus auctoritates religiosas Israel ante dilemma collocavit. Nonne recte in sua dicerent consternatione: « Quis potest dimittere peccata nisi solus Deus? » (Mc 2,7)? Iesus, peccata dimittens, aut blasphemat quia est homo qui se Deo facit aequalem, 404 aut verum dicit et Eius Persona Nomen reddit praesens et revelat Dei. 405
§ 590
Só a identidade divina da pessoa de Jesus é que pode justificar uma exigência tão absoluta como esta: «Quem não está comigo, está contra Mim» (Mt 12, 30); o mesmo se diga de quando afirma ser «mais que Jonas,... mais que Salomão» (Mt 12, 41-42), «mais que o templo» (404); de quando lembra, a respeito de si próprio, que David chamou ao Messias o seu Senhor (405); de quando afirma: «Antes de Abraão existir, "Eu sou"» (Jo 8, 58); e ainda mais: «Eu e o Pai somos um» (Jo 10, 30).
Sola identitas divina Personae Iesu hanc tam absolutam exigentiam potest iustificare: « Qui non est mecum, contra me est » (Mt 12,30); eodem modo, cum dicit Se « plus quam Iona, [...] plus quam Salomon » esse (Mt 12,41-42), vel Templo maiorem; 406 cum relate ad Se commemorat David Messiam Dominum appellasse suum; 407 cum asserit: « Antequam Abraham fieret, ego sum » (Io 8,58); et etiam: « Ego et Pater unum sumus » (Io 10,30).
§ 591
Jesus pediu às autoridades religiosas de Jerusalém que acreditassem n'Ele, por causa das obras do seu Pai que Ele fazia (406). Mas tal acto de fé tinha de passar por uma misteriosa morte para si mesmo, a qual desse lugar a um novo «nascimento do Alto» (407), por atracção da graça divina (408). Tal exigência de conversão, face a um tão surpreendente cumprimento das promessas (409), permite compreender o trágico desdém do Sinédrio, ao sentenciar que Jesus merecia a morte como blasfemo (410). Os membros do Sinédrio agiam assim, ao mesmo tempo por «ignorância» (411) e pelo «endurecimento» (412) da sua «incredulidade» (413).Resumindo:
Iesus a religiosis Hierosolymorum petivit auctoritatibus ut in Ipsum crederent propter opera Patris Eius quae Ipse faciebat. 408 Sed talis actus fidei per arcanam sibimet ipsi mortem debebat transire ad novam desuper nativitatem 409 cum gratiae divinae attractione. 410 Talis exigentia conversionis coram tam miranda promissionum adimpletione 411 tragicum errorem Synedrii permittit intelligere aestimantis Iesum tamquam blasphemum mereri mortem. 412 Sic eiusdem membra simul per ignorantiam 413 agebant et propter caecitatem 414 incredulitatis. 415Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 592
Jesus não aboliu a Lei do Sinai, mas cumpriu-a (414) com tal perfeição (415) que revelou o sentido último dela (416) e resgatou as transgressões contra ela cometidas (417).
Iesus Legem Sinai non abolevit sed adimplevit 416 cum tali perfectione 417 ut eius sensum revelaret ultimum 418 et ut transgressiones redimeret contra illam. 419
§ 593
Jesus venerou o templo, subindo a ele nas festas judaicas de peregrinação e amou com amor zeloso esta morada de Deus entre os homens. O templo prefigura o seu mistério. Quando anuncia a sua destruição, fá-lo como revelação da sua própria morte e da entrada numa nova idade da história da salvação, em que o seu Corpo será o templo definitivo.
Iesus Templum est veneratus, ad illud in festis peregrinationis ascendens Iudaeorum, atque hanc Dei inter homines mansionem amore amavit studioso. Templum mysterium praefigurat Eius. Destructionem praenuntiat illius, sed tamquam Suae propriae occisionis manifestationem et ingressus in novam historiae salutis aetatem in qua Eius corpus Templum erit definitivum.
§ 594
Jesus praticou actos, como o perdão dos pecados, que O manifestaram como sendo o próprio Deus salvador (418). Alguns judeus, que, não reconhecendo o Deus feito homem (419) viam n'Ele «um homem que se faz Deus» (420), julgaram-n'O como blasfemo.
Iesus posuit actus, sicut peccatorum remissionem, qui Ipsum tamquam Deum Salvatorem manifestaverunt. 420 Quidam Iudaei, qui in Eo Deum hominem factum 421 non agnoscentes perspiciebant hominem qui faciebat seipsum Deum 422 et Eum tamquam blasphemum iudicaverunt. (338) Lc 24,27.44-45. (339) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 19: AAS 58 (1966) 826-827.(340) Cf Mc 3,6.(341) Cf Mt 12,24. (342) Cf Mc 2,7.(343) Cf Mc 3,1-6.(344) Cf Mc 7,14-23.(345) Cf Mc 2,14-17.(346) Cf Mc 3,22; Io 8,48; 10,20. (347) Cf Mc 2,7; Io 5,18; 10,33. (348) Cf Io 7,12; 7,52. (349) Cf Io 8,59; 10,31. (350) Cf Lc 2,34.(351) Cf Io 1,19; 2,18; 5,10; 7,13; 9,22; 18,12; 19,38; 20,19. (352) Cf Io 7,48-49. (353) Cf Lc 13,31. (354) Cf Lc 7,36; 14,1. (355) Cf Mt 22,23-34; Lc 20,39. (356) Cf Mt 6,2-18. (357) Cf Mc 12,28-34. (358) Cf Io 8,46.(359) Cf Io 7,19; Act 13,38-41; 15,10. (360) Cf Gal 3,10; 5,3. (361) Cf Rom 10,2. (362) Cf Mt 15,3-7; Lc 11,39-54. (363) Cf Is 53,11; Heb 9,15. (364) Cf Gal 4,4.(365) Cf Gal 3,13.(366) Cf Gal 3,10.(367) Cf Io 11,28; 3,2; Mt 22,23-24.34-36. (368) Cf Mt 12,5; 9,12; Mc 2,23-27; Lc 6,6-9; Io 7,22-23.(369) Cf Mt 5,1.(370) Cf Mc 7,8. (371) Cf Mc 7,13.(372) Cf Gal 3,24.(373) Cf Io 5,36; 10,25.37-38; 12,37. (374) Cf Mc 2,25-27; Io 7,22-24. (375) Cf Mt 12,5; Nm 28,9. (376) Cf Lc 13,15-16; 14,3-4. (377) Cf Lc 2,22-39. (378) Cf Lc 2,46-49. (379) Cf Lc 2,41.(380) Cf Io 2,13-14; 5,1.14; 7,1.10.14; 8,2; 10,22-23. (381) Cf Mt 21,13. (382) Cf Act 2,46; 3,1; 5,20-21; etc. (383) Cf Mt 24,1-2. (384) Cf Mt 24,3; Lc 13,35. (385) Cf Mc 14,57-58. (386) Cf Mt 27,39-40. (387) Cf Mt 8,4; 23,21; Lc 17,14; Io 4,22. (388) Cf Io 18,20. (389) Cf Mt 17,24-27. (390) Cf Mt 16,18. (391) Cf Io 2,21; Mt 12,6. (392) Cf Io 2,18-22. (393) Cf Io 4,23-24; Mt 27,51; Heb 9,11; Apc 21,22.(394) Cf Lc 2,34.(395) Cf Lc 20,17-18; Ps 118,22. (396) Cf Lc 5,30.(397) Cf Lc 7,36; 11,37; 14,1. (398) Cf Io 7,49; 9,34. (399) Cf Io 8,33-36. (400) Cf Io 9,40-41. (401) Cf Mt 9,13; Os 6,6. (402) Cf Lc 15,1-2. (403) Cf Lc 15,23-32. (404) Cf Io 5,18; 10,33. (405) Cf Io 17,6.26. (406) Cf Mt 12,6.(407) Cf Mc 12,36-37.(408) Cf Io 10,36-38.(409) Cf Io 3,7.(410) Cf Io 6,44.(411) Cf Is 53,1.(412) Cf Mc 3,6; Mt 26,64-66.(413) Cf Lc 23,34; Act 3,17-18. (414) Cf Mc 3,5; Rom 11,25. (415) Cf Rom 11,20. (416) Cf Mt 5,17-19. (417) Cf Io 8,46.(418) Cf Mt 5,33.(419) Cf Heb 9,15.(420) Cf Io 5,16-18.(421) Cf Io 1,14.(422) Cf Io 10,33.

DIVISÕES ENTRE AS AUTORIDADES JUDAICAS A RESPEITO DE JESUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O processo de Jesus

§ 595
Entre as autoridades religiosas de Jerusalém, não somente se encontravam o fariseu Nicodemos (421) e o notável José de Arimateia, discípulos ocultos de Jesus (422), mas também, durante muito tempo, houve dissensões a respeito d'Ele (423) ao ponto de, na própria véspera da paixão. João poder dizer deles que «um bom número acreditou n' Ele», embora de modo assaz imperfeito (Jo 12, 42); o que não é nada de admirar, tendo-se presente que, no dia seguinte ao de Pentecostes, «um grande número de sacerdotes se submetia à fé» (Act 6, 7) e «alguns homens do partido dos fariseus tinham abraçado a fé» (Act 15, 5), de tal modo que São Tiago podia dizer a São Paulo que «muitos milhares entre os judeus abraçaram a fé e todos têm zelo pela Lei» (Act 21, 20).
Inter religiosas Hierosolymorum auctoritates non inventi sunt solummodo Pharisaeus Nicodemus 423 et procer Ioseph ab Arimathaea qui discipuli Iesu fuerunt secreto, 424 sed diu dissensiones circa Eum exortae sunt 425 ita ut, pridie ante passionem, sanctus Ioannes dicere potuerit: « Ex principibus multi crediderunt in Eum », licet modo valde imperfecto (Io 12,42). Hoc prorsus mirandum non est si consideretur immediate post Pentecosten « multa etiam turba sacerdotum oboediebat fidei » (Act 6,7) et erant « quidam de haeresi Pharisaeorum, qui crediderant » (Act 15,5) ita ut sanctus Iacobus sancto Paulo dicere potuerit: « Vides, frater, quot milia sint in Iudaeis, qui crediderunt, et omnes aemulatores sunt Legis » (Act 21,20).
§ 596
As autoridades religiosas de Jerusalém não foram unânimes na atitude a adoptar a respeito de Jesus (424). Os fariseus ameaçaram de excomunhão aqueles que O seguissem (425). Aos que temiam que «todos acreditassem n'Ele e os romanos viessem destruir o templo e a nação» (Jo 11, 48), o sumo sacerdote Caifás propôs, profetizando: «E do vosso interesse que morra um só homem pelo povo e não pereça a nação inteira» (Jo 11, 50). O Sinédrio, tendo declarado Jesus «réu de morte» (426) como blasfemo, mas tendo perdido o direito de condenar à morte fosse quem fosse (427), entregou Jesus aos romanos, acusando-O de revolta política (428) — o que O colocava em pé de igualdade com que Barrabás, acusado de «sedição» (Lc 23, 19). São também de carácter político as ameaças que os sumos-sacerdotes fazem a Pilatos, pressionando-o a condenar Jesus à morte (429).
Auctoritates Hierosolymorum religiosae circa modum procedendi qui relate ad Iesum adhibendus erat, unanimes non fuerunt. 426 Pharisaei excommunicationem minati sunt illis qui Eum sequerentur. 427 Eis qui timebant: « Omnes credent in Eum, et venient Romani et tollent nostrum locum et gentem! » (Io 11,48), summus sacerdos Caiphas prophetans proposuit: « Expedit vobis, ut unus moriatur homo pro populo, et non tota gens pereat! » (Io 11,50). Synedrium, cum Iesum reum mortis declarasset 428 tamquam blasphemum, ius tamen ad mortem indicendam cum perdidisset, 429 Iesum Romanis tradit Ipsum de seditione politica accusans, 430 id quod Eum in comparationem ducet cum Barabba « propter seditionem » (Lc 23,19) accusato. Summi etiam sacerdotes politicas in Pilatum exercent minationes ut Iesum damnet capitis. 431 Iudaei collective mortis Iesu obnoxii non sunt

OS JUDEUS NÃO SÃO COLECTIVAMENTE RESPONSÁVEIS PELA MORTE DE JESUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O processo de Jesus

§ 597
Tendo em conta a complexidade histórica do processo de Jesus, manifestada nas narrativas evangélicas, e qualquer que tenha sido o pecado pessoal dos intervenientes no processo (Judas, o Sinédrio, Pilatos), que só Deus conhece, não se pode atribuir a responsabilidade do mesmo ao conjunto dos judeus de Jerusalém, apesar da gritaria duma multidão manipulada (430) e das censuras globais contidas nos apelos à conversão, depois do Pentecostes (431). O próprio Jesus, perdoando na cruz (432) e Pedro a seu exemplo, apelaram para «a ignorância» (433) dos judeus de Jerusalém e mesmo dos seus chefes. Menos ainda é possível estender a responsabilidade ao conjunto dos judeus no espaço e no tempo, a partir do grito do povo: «Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos» (Mt 27, 25), que é uma fórmula de ratificação (434):

Por isso, a Igreja declarou no II Concílio do Vaticano: «Não se pode, todavia, imputar indistintamente a todos os judeus que então viviam, nem aos judeus do nosso tempo, o que na sua paixão se perpetrou. [...] Nem por isso os judeus devem ser apresentados como reprovados por Deus e malditos, como se tal coisa se concluísse da Sagrada Escritura» (435).

Ratione habita multiplicitatis historicae processus Iesu, quae in narrationibus evangelicis manifestatur, et quodcumque est personale peccatum actorum processus (Iudae, Synedrii, Pilati) quod solus Deus novit, non potest universitati Iudaeorum Hierosolymorum responsabilitas tribui, non obstantibus clamoribus multitudinis circumventae 432 vel incusationibus generalibus quae post Pentecosten in hortationibus ad conversionem continentur. 433 Iesus Ipse in cruce dans veniam 434 et Petrus post Eum rationem habuerunt « ignorantiae » 435 Iudaeorum Hierosolymorum et etiam ducum eorum. Adhuc minus licet, a clamore populi procedendo: « Sanguis Eius super nos et super filios nostros » (Mt 27,25), qui formulam significat ratihabitionis, 436 responsabilitatem ad alios Iudaeos extendere in spatio et tempore:

Eodem modo Ecclesia in Concilio Vaticano II declaravit: « Ea quae in passione Eius perpetrata sunt nec omnibus indistincte Iudaeis tunc viventibus, nec Iudaeis hodiernis imputari possunt. [...] Iudaei [...] neque ut a Deo reprobati neque ut maledicti exhibeantur, quasi hoc ex sacris Litteris sequatur ». 437

TODOS OS PECADORES FORAM AUTORES DA PAIXÃO DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O processo de Jesus

§ 598
A Igreja, no magistério da sua fé e no testemunho dos seus santos, nunca esqueceu que «os pecadores é que foram os autores, e como que os instrumentos, de todos os sofrimentos que o divino Redentor suportou» (436). Partindo do princípio de que os nossos pecados atingem Cristo em pessoa (437), a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a mais grave responsabilidade no suplício de Jesus, responsabilidade que eles muitas vezes imputaram unicamente aos judeus:

«Devemos ter como culpados deste horrível crime os que continuam a recair nos seus pecados. Porque foram os nossos crimes que fizeram nosso Senhor Jesus Cristo suportar o suplício da cruz, é evidente que aqueles que mergulham na desordem e no mal crucificam de novo em seu coração, tanto quanto deles depende, o Filho de Deus, pelos seus pecados, expondo-O à ignomínia. E temos de reconhecer: o nosso crime, neste caso, é maior que o dos judeus. Porque eles, como afirma o Apóstolo, «se tivessem conhecido a Sabedoria de Deus, não leriam crucificado o Senhor da glória» (1 Cor 2, 8); ao passo que nós, pelo contrário, fazemos profissão de O conhecer: e, quando O renegamos pelos nossos actos, de certo modo levantamos contra Ele as nossas mãos assassinas» (438).

«Não foram os demónios que O pregaram na cruz, mas tu com eles O crucificaste, e ainda agora O crucificas quando te deleitas nos vícios e pecados» (439).

Ecclesia in fidei suae Magisterio et in testimonio sanctorum suorum nunquam huiusmodi est oblita veritatis: « poenarum omnium quas [Christus] pertulit, peccatores et auctores et ministri fuerunt ». 438 Ratione habita de eo quod nostra peccata Christum Ipsum attingunt, 439 Ecclesia christianis maximam responsabilitatem non dubitat imputare in Iesu supplicio, qua responsabilitate ipsi nimis frequenter solos gravaverunt Iudaeos:

« Hac culpa omnes teneri iudicandum est qui in peccata saepius prolabuntur. Nam, cum peccata nostra Christum Dominum impulerint ut crucis supplicium subiret, profecto qui in flagitiis et sceleribus volutantur, rursus, quod in ipsis est, crucifigunt in semetipsis Filium Dei, et ostentui habent. Quod quidem scelus eo gravius in nobis videri potest, quam fuerit in Iudaeis, quod illi, eodem Apostolo teste, si cognovissent, numquam Dominum gloriae crucifixissent (1 Cor 2,8); nos autem et nosse Eum profitemur, et tamen factis negantes, quodammodo violentas Ei manus videmur inferre ». 440

« Et etiam daemones non crucifixerunt Eum, sed tu cum ipsis crucifixisti Eum et adhuc crucifigis delectando in vitiis et peccatis ». 441

«JESUS ENTREGUE, SEGUNDO O DESÍGNIO DETERMINADO DE DEUS»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A morte redentora de Cristo no desígnio divino de salvação

§ 599
A morte violenta de Jesus não foi fruto do acaso, nem coincidência infeliz de circunstâncias várias. Faz parte do mistério do desígnio de Deus, como Pedro explica aos judeus de Jerusalém, logo no seu primeiro discurso no dia de Pentecostes: «Depois de entregue, segundo o desígnio determinado e a previsão de Deus» (Act 2, 23). Esta linguagem bíblica não significa que os que «entregaram Jesus» (440) foram simples actores passivos dum drama previamente escrito por Deus.
Violenta mors Iesu in infelici adiunctorum concursu fructus casus non fuit. Ea ad mysterium consilii pertinet Dei, ut sanctus Petrus Iudaeis Hierosolymorum explicat inde a suo primo Pentecostes sermone: Hic « definito consilio et praescientia Dei » traditus est (Act 2,23). Hic biblicus loquendi modus non significat eos, qui Iesum tradiderunt, 442 solummodo passivos fuisse executores scenae in antecessu a Deo scriptae.
§ 600
A Deus, todos os momentos do tempo estão presentes na sua actualidade. Por isso, Ele estabelece o seu desígnio eterno de «predestinação», incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça: «Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se nesta cidade, com as nações pagãs e os povos de Israel, contra o vosso santo Servo Jesus, a quem ungistes (441). Cumpriram assim tudo o que o vosso poder e os vossos desígnios tinham de antemão decidido que se realizasse» (Act 4, 27-28). Deus permitiu os actos resultantes da sua cegueira (442), como fim de levar a cabo o seu plano de salvação (443).
Omnia temporis momenta in sua actualitate praesentia sunt Deo. Ipse igitur consilium Suum « praedestinationis » stabilit aeternum, liberum uniuscuiusque hominis gratiae Suae responsum includens in eo: « Convenerunt enim vere in civitate ista adversus sanctum puerum Tuum Iesum, quem unxisti, Herodes et Pontius Pilatus cum gentibus et populis Israel, 443 facere, quaecumque manus Tua et consilium praedestinavit fieri » (Act 4,27-28). Deus actus ex eorum caecitate ortos permisit 444 ad Suum consilium adimplendum salutis. 445 « Mortuus est pro peccatis nostris secundum Scripturas »

«MORTO PELOS NOSSOS PECADOS, SEGUNDO AS ESCRITURAS»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A morte redentora de Cristo no desígnio divino de salvação

§ 601
Este plano divino de salvação, pela entrega à morte do «Servo, o Justo» (444), tinha sido de antemão anunciado na Escritura como um mistério de redenção universal, quer dizer, de resgate que liberta os homens da escravidão do pecado (445) São Paulo professa, numa confissão de fé que diz ter «recebido» (446), que «Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras» (1 Cor 15, 3) (447). A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo sofredor (448). O próprio Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo sofredor (449). Após a sua ressurreição, deu esta interpretação das Escrituras aos discípulos de Emaús (450) e depois aos próprios Apóstolos (451).
Hoc divinum salutis consilium occisionis « Iusti Servi » 446 in antecessum erat in Scriptura nuntiatum tamquam mysterium Redemptionis universalis, id est, Redemptionis quae homines a peccati liberat servitute. 447 Sanctus Paulus, in quadam fidei confessione, quam dicit se « accepisse », 448 profitetur « quoniam Christus mortuus est pro peccatis nostris secundum Scripturas » (1 Cor 15,3). 449 Mors Christi redemptiva peculiariter prophetiam Servi adimplet patientis. 450 Iesus Ipse sensum Suae vitae et Suae Mortis sub luce Servi patientis praesentavit. 451 Post Suam Resurrectionem, hanc Scripturarum interpretationem discipulis Emmaus, 452 deinde ipsis dedit Apostolis. 453« Deus Eum pro nobis peccatum fecit »

«POR NÓS, DEUS FÊ-LO PECADO»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A morte redentora de Cristo no desígnio divino de salvação

§ 602
Consequentemente, Pedro pôde formular assim a fé apostólica no plano divino da salvação: «fostes resgatados da vã maneira de viver herdada dos vossos pais, pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito nem mancha, predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por nossa causa» (1 Pe1, 18-20). Os pecados dos homens, que se seguiram ao pecado original, foram castigados com a morte (452). Enviando o seu próprio Filho na condição de escravo (453), que era a de uma humanidade decaída e votada à morte por causa do pecado (454), «a Cristo, que não conhecera o pecado, Deus fê-lo pecado por amor de nós, para que, em Cristo, nos tornássemos justos aos olhos de Deus» (2 Cor 5, 21).
Consequenter potest sanctus Petrus fidem apostolicam in consilium divinum salutis sic exprimere: « Redempti estis de vana vestra conversatione a patribus tradita [...] pretioso sanguine quasi Agni incontaminati et immaculati Christi, praecogniti quidem ante constitutionem mundi, manifestati autem novissimis temporibus propter vos » (1 Pe 1,18-20). Hominum peccata quae peccatum consequuntur originale, morte puniuntur. 454 Suum proprium Filium in forma servi mittens, 455 in forma nempe humanitatis lapsae et morti propter peccatum destinatae, 456 Deus « Eum, qui non noverat peccatum, pro nobis peccatum fecit, ut nos efficeremur iustitia Dei in Ipso » (2 Cor 5,21).
§ 603
Jesus não conheceu a reprovação como se tivesse pecado pessoalmente (455). Mas, no amor redentor que constantemente O unia ao Pai (456), assumiu-nos no afastamento do nosso pecado em relação a Deus a ponto de, na cruz, poder dizer em nosso nome: «Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?» (Mc 15, 34) (457). Tendo-O feito solidário connosco, pecadores, «Deus não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O para morrer por nós todos» (Rm 8, 32), para que fôssemos «reconciliados com Ele pela morte do seu Filho» (Rm 5, 10).
Iesus reprobationem non cognovit ac si Ipse peccasset. 457 Sed in amore redemptivo qui Eum semper Patri uniebat, 458 nos assumpsit in nostri peccati deviatione relate ad Deum ita ut nomine nostro dicere potuerit in cruce: « Deus meus, Deus meus, ut quid dereliquisti me? » (Mc 15,34). 459 Cum sic Eum nobis peccatoribus coniunxisset, Deus « Filio Suo non pepercit, sed pro nobis omnibus tradidit Illum » (Rom 8,32) ut simus « reconciliati [...] Deo per Mortem Filii Eius » (Rom 5,10). Deus inceptum habet in amore redemptivo universali

DEUS TOMA A INICIATIVA DO AMOR REDENTOR UNIVERSAL

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A morte redentora de Cristo no desígnio divino de salvação

§ 604
Entregando o seu Filho pelos nossos pecados, Deus manifesta que o seu plano sobre nós é um desígnio de amor benevolente, independente de qualquer mérito da nossa parte: «Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Deus que nos amou a nós e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados» (1 Jo 4, 10) (458). «Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores» (Rm 5, 8).
Deus Filium Suum pro nostris tradens peccatis, manifestat Suum consilium circa nos consilium esse benevolentis amoris qui meritum ex parte nostra praecedit omne: « In hoc est caritas, non quasi nos dilexerimus Deum, sed quoniam Ipse dilexit nos et misit Filium Suum propitiationem pro peccatis nostris » (1 Io 4,10). 460 « Commendat autem Suam caritatem Deus in nos, quoniam, cum adhuc peccatores essemus, Christus pro nobis mortuus est » (Rom 5,8).
§ 605
Este amor é sem exclusão. Jesus lembrou-o ao terminar a parábola da ovelha perdida: «Assim, não é da vontade do meu Pai, que está nos céus, que se perca um só destes pequeninos» (Mt 18, 14). E afirma «dar a Sua vida em resgate pela multidão» (Mt 20, 28). Esta última expressão não é restritiva: simplesmente contrapõe o conjunto da humanidade à pessoa única do redentor, que Se entrega para a salvar (459). No seguimento dos Apóstolos (460), a Igreja ensina que Cristo morreu por todos os homens, sem excepção: «Não há, não houve, nem haverá nenhum homem pelo qual Cristo não tenha sofrido» (461).
Hic amor exceptionem non habet. Iesus id in conclusione parabolae amissae ovis in memoriam revocavit: « Sic non est voluntas ante Patrem vestrum, qui in caelis est, ut pereat unus ex pusillis istis » (Mt 18,14). Asseverat Se « dare animam Suam Redemptionem pro multis » (Mt 20,28). Haec ultima dictio restrictiva non est: illa humanitatis complexum uni Personae opponit Redemptoris qui Se dat ut illam salvet. 461 Ecclesia, Apostolos sequens, 462 Christum docet pro omnibus hominibus sine ulla exceptione mortuum esse: « Nullus est, fuit vel erit homo, pro quo [Christus] passus non fuerit ». 463 III. Christus Se Ipsum Patri Suo pro nostris obtulit peccatis Tota Christi vita ad Patrem est oblatio

TODA A VIDA DE CRISTO É OBLAÇÃO AO PAI

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Cristo ofereceu-Se a Si mesmo ao Pai pelos nossos pecados

§ 606
O Filho de Deus, «descido do céu, não para fazer a sua vontade mas a do seu Pai, que O enviou» (462), «diz, ao entrar no mundo: [...] Eis-me aqui, [...] ó Deus, para fazer a tua vontade. [...] E em virtude dessa mesma vontade, é que nós fomos santificados, pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre» (Heb 10, 5-10). Desde o primeiro instante da sua Encarnação, o Filho faz seu o plano divino de salvação, no desempenho da sua missão redentora: «O meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e realizar a sua obra» (Jo 4, 34). O sacrifício de Jesus «pelos pecados do mundo inteiro» (1 Jo 2, 2) é a expressão da sua comunhão amorosa com o Pai: «O Pai ama-Me, porque Eu dou a minha vida» (Jo 10, 17). «O mundo tem de saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou» (Jo 14, 31).
Filius Dei qui descendit de caelo, non ut faciat voluntatem Suam sed voluntatem Eius qui misit Illum, 464 « ingrediens mundum dicit: [...] Ecce venio [...] ut faciam, Deus, voluntatem Tuam; [...] in qua voluntate sanctificati sumus per oblationem corporis Christi Iesu in semel » (Heb 10,5-10). Filius a primo instanti Incarnationis Suae consilium divinae salutis amplectitur in Sua missione redemptrice: « Meus cibus est, ut faciam voluntatem Eius, qui misit me, et ut perficiam opus Eius » (Io 4,34). Iesu sacrificium « pro [peccatis] totius mundi » (1 Io 2,2) expressio est Suae amoris communionis cum Patre: « Propterea me Pater diligit, quia ego pono animam meam » (Io 10,17). Oportet « ut cognoscat mundus quia diligo Patrem, et sicut mandatum dedit mihi Pater, sic facio » (Io 14,31).
§ 607
Este desejo de fazer seu o plano do amor de redenção do seu Pai, anima toda a vida de Jesus (463). A sua paixão redentora é a razão de ser da Encarnação: «Pai, salva-Me desta hora! Mas por causa disto, é que Eu cheguei a esta hora» (Jo 12, 27). «O cálice que o Pai Me deu, não havia de bebê-lo?» (Jo 18, 11). E ainda na cruz, antes de «tudo estar consumado» (Jo 19, 30), diz: «Tenho sede» (Jo 19, 28).
Hoc optatum amplectendi consilium amoris redemptivi Patris totam Iesu animat vitam, 465 quia Eius passio redemptrix est Incarnationis Eius ratio: « Pater, salvifica me ex hora hac? Sed propterea veni in horam hanc » (Io 12,27). « Calicem, quem dedit mihi Pater, non bibam illum? » (Io 18,11). Et adhuc in cruce ante quam totum « consummatum est » (Io 19,30), dicit: « Sitio » (Io 19,28).« Agnus qui tollit peccatum mundi »

«O CORDEIRO QUE TIRA O PECADO DO MUNDO»

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§ 608
Depois de ter aceitado dar-Lhe o baptismo como aos pecadores (464), João Baptista viu e mostrou em Jesus o «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (465). Manifestou deste modo que Jesus é, ao mesmo tempo, o Servo sofredor, que Se deixa levar ao matadouro sem abrir a boca (466), carregando os pecados das multidões (467), e o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa (468), Toda a vida de Cristo manifesta a sua missão: «servir e dar a vida como resgate pela multidão» (469).
Ioannes Baptista in Iesu, postquam Ei inter peccatores baptisma donare acceptaverat, 466 vidit et monstravit Agnum Dei, qui tollit peccatum mundi. 467 Sic manifestat Iesum esse simul Servum patientem qui silens permittit ad lanienam Se duci 468 et peccatum portat multorum, 469 et Agnum Paschalem, symbolum Redemptionis Israel in primo Paschate. 470 Tota Christi vita Suam missionem exprimit: ministrare et dare animam Suam Redemptionem pro multis. 471Iesus libere amorem Patris amplectitur redemptivum

JESUS PARTILHA LIVREMENTE O AMOR REDENTOR DO PAI

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§ 609
Ao partilhar, no seu coração humano, o amor do Pai para com os homens, Jesus «amou-os até ao fim» (Jo 13, 1), «pois não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama» (Jo 15, 13). Assim, no sofrimento e na morte, a sua humanidade tornou-se instrumento livre e perfeito do seu amor divino, que quer a salvação dos homens (470). Com efeito, Ele aceitou livremente a sua paixão e morte por amor do Pai e dos homens a quem o Pai quer salvar: «Ninguém Me tira a vida. Sou Eu que a dou espontaneamente» (Jo 10, 18). Daí, a liberdade soberana do Filho de Deus, quando Ele próprio vai ao encontro da morte (471).
Iesus in corde Suo humano amorem Patris amplectens erga homines, « in finem dilexit eos » (Io 13,1), quia « maiorem hac dilectionem nemo habet, ut animam suam quis ponat pro amicis suis » (Io 15,13). Sic Eius humanitas in passione et in Morte instrumentum liberum effecta est et perfectum Eius amoris divini, qui hominum vult salutem. 472 Revera passionem Suam Suamque Mortem libere accepit ob amorem Patris Sui et hominum, quos Ipse salvare vult: « Nemo tollit [...] [animam meam] a me, sed ego pono eam a meipso » (Io 10,18). Inde suprema Filii Dei libertas, cum Ipse pergit Mortem versus. 473 Iesus in Cena anticipavit liberam vitae Suae oblationem

NA CEIA, JESUS ANTECIPOU A OBLAÇÃO LIVRE DA SUA VIDA

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§ 610
Jesus exprimiu de modo supremo a oblação livre de Si mesmo na refeição que tornou com os doze Apóstolos (472), na «noite em que foi entregue» (1 Cor 11, 23). Na véspera da sua paixão, quando ainda era livre, Jesus fez desta última Ceia com os Apóstolos o memorial da sua oblação voluntária ao Pai (473) para a salvação dos homens: «Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós» (Lc 22, 19). «Isto é o meu "Sangue da Aliança", que vai ser derramado por uma multidão, para remissão dos pecados» (Mt 26, 28).
Iesus Suam liberam oblationem quam maxime expressit in convivio cum duodecim Apostolis manducato 474 « in qua nocte tradebatur » (1 Cor 11,23). Iesus pridie passionis Suae, cum liber adhuc erat, ex hac ultima Cena cum Apostolis Suis memoriale fecit Suae voluntariae oblationis ad Patrem 475 pro hominum salute: « Hoc est corpus meum, quod pro vobis datur » (Lc 22,19). « Hic est [...] sanguis meus Novi Testamenti, qui pro vobis effunditur in remissionem peccatorum » (Mt 26,28).
§ 611
A Eucaristia, que neste momento instituiu, será o «memorial» (474) do seu sacrifício. Jesus incluiu os Apóstolos na sua própria oferenda e pediu-lhes que a perpetuassem (475). Desse modo, instituiu os Apóstolos como sacerdotes da Nova Aliança: «Eu consagro-me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade» (Jo 17, 19) (476).
Eucharistia quam Ipse in hoc momento instituit, « memoriale » 476 erit Eius sacrificii. Iesus Apostolos in Sua propria includit oblatione et ab illis petit ut illam perpetuent. 477 Sic Iesus Suos Apostolos sacerdotes instituit Novi Testamenti: « Pro eis ego sanctifico meipsum, ut sint et ipsi sanctificati in veritate » (Io 17,19). 478Agonia in Gethsemani

A AGONIA NO GETSÉMANI

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§ 612
O cálice da Nova Aliança, que Jesus antecipou na Ceia, oferecendo-Se a Si mesmo (477), é aceite seguidamente por Jesus das mãos do Pai, na agonia no Getsémani (478), fazendo-Se «obediente até á morte» (Fl 2, 8) (479). Na sua oração, Jesus diz: «Meu Pai, se é possível, que se afaste de Mim este cálice [...]» (Mt 26, 39). Exprime desse modo o horror que a morte representa para a sua natureza humana. Com efeito, esta, como a nossa, está destinada à vida eterna. Mas, diferentemente da nossa, é perfeitamente isenta do pecado (480) que causa a morte (481). E, sobretudo, é assumida pela pessoa divina do «Príncipe da Vida» (482), do «Vivente» (483). Aceitando, com a sua vontade humana, que se faça a vontade do Pai (484) aceita a sua morte enquanto redentora, para «suportar os nossos pecados no seu corpo, no madeiro da cruz» (1 Pe 2, 24).
Iesus calicem Novi Testamenti, quod in Cena Seipsum offerens anticipaverat, 479 deinde de manibus Patris accipit in Sua agonia in Gethsemani, 480 « factus oboediens usque ad Mortem » (Phil 2,8). 481 Iesus orat: « Pater mi, si possibile est, transeat a me calix iste... » (Mt 26,39). Sic horrorem exprimit quem Mors pro Sua natura repraesentat humana. Revera, haec, sicut nostra, ad vitam destinatur aeternam; praeterea, aliter quam nostra, est perfecte a peccato exempta, 482 quod mortem causat; 483 sed praesertim illa est a Persona divina « Ducis vitae », 484 « Viventis », 485 assumpta. Acceptans Sua voluntate humana ut Patris fiat voluntas, 486 Suam Mortem acceptat quatenus redemptricem ut « peccata nostra Ipse » perferat « in corpore Suo super lignum » (1 Pe 2,24). Christi mors est sacrificium unicum et definitivum

A MORTE DE CRISTO É O SACRIFÍCIO ÚNICO E DEFINITIVO

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§ 613
A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens (485) por meio do «Cordeiro que tira o pecado do mundo» (486), e o sacrifício da Nova Aliança (487)que restabelece a comunhão entre o homem e Deus (488), reconciliando-o com Ele pelo «sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados» (489).
Christi mors simul est sacrificium Paschale, quod Redemptionem hominum adimplet definitivam 487 per Agnum qui tollit peccatum mundi, 488 et sacrificium Novi Testamenti, 489 quod hominem iterum in communione ponit cum Deo 490 illum cum Eo reconcilians per sanguinem pro multis effusum in remissionem peccatorum. 491
§ 614
Este sacrifício de Cristo é único, leva à perfeição e ultrapassa todos os sacrifícios (490). Antes de mais, é um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega o seu Filho para nos reconciliar consigo (491). Ao mesmo tempo, é oblação do Filho de Deus feito homem, que livremente e por amor (492) oferece a sua vida (493) ao Pai pelo Espírito Santo (494) para reparar a nossa desobediência.
Hoc Christi sacrificium est unicum et omnia sacrificia consummat et superat. 492 Illud est imprimis donum Ipsius Dei Patris: Pater tradit Filium Suum ut nos Secum reconciliet. 493 Simul est oblatio Filii Dei hominis facti qui libere et ob amorem 494 Suam offert vitam 495 Patri Suo per Spiritum Sanctum 496 ad nostram reparandam inoboedientiam.Iesus Suam oboedientiam pro nostra substituit inoboedientia

JESUS SUBSTITUI A NOSSA DESOBEDIÊNCIA PELA SUA OBEDIÊNCIA

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§ 615
«Como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos» (Rm 5, 19). Pela sua obediência até à morte, Jesus realizou a acção substitutiva do Servo sofredor, que oferece a sua vida como sacrifício de expiação, ao carregar com o pecado das multidões, que justifica carregando Ele próprio com as suas faltas (495). Jesus reparou as nossas faltas e satisfez ao Pai pelos nossos pecados (496).
« Sicut [...] per inoboedientiam unius hominis peccatores constituti sunt multi, ita et per unius oboedientiam iusti constituentur multi » (Rom 5,19). Iesus, per Suam oboedientiam usque ad Mortem, substitutionem adimplevit Servi patientis qui ponit in piaculum animam Suam, peccatum multorum ferens, quos iustificat iniquitates eorum portans. 497 Iesus nostras reparavit culpas et Patri pro nostris satisfecit peccatis. 498In cruce, Iesus sacrificium consummat Suum

NA CRUZ, JESUS CONSUMA O SEU SACRIFÍCIO

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§ 616
É o «amor até ao fim» (497) que confere ao sacrifício de Cristo o valor de redenção e reparação, de expiação e satisfação. Ele conheceu-nos e amou-nos a todos no oferecimento da sua vida (498). «O amor de Cristo nos pressiona, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram» (2 Cor 5, 14). Nenhum homem, ainda que fosse o mais santo, estava em condições de tornar sobre si os pecados de todos os homens e de se oferecer em sacrifício por todos. A existência, em Cristo, da pessoa divina do Filho, que ultrapassa e ao mesmo tempo abrange todas as pessoas humanas e O constitui cabeça de toda a humanidade, é que torna possível o seu sacrifício redentor por todos.
Hic amor in finem 499 sacrificio Christi confert valorem Redemptionis et reparationis, expiationis et satisfactionis. Ille nos omnes cognovit et amavit in vitae Suae oblatione. 500 « Caritas [...] Christi urget nos, aestimantes hoc quoniam, si unus pro omnibus mortuus est, ergo omnes mortui sunt » (2 Cor 5,14). Nullus homo, etiamsi omnium esset sanctissimus, capax erat omnium hominum peccata sumendi super se seque offerendi in sacrificio pro omnibus. Exsistentia Personae divinae Filii in Christo, quae superat simulque amplectitur omnes personas humanas, et quae Eum Caput totius constituit humanitatis, Eius sacrificium redemptivum pro omnibus possibile facit.
§ 617
«Sua sanctissima passione in ligno crucis nobis justificationem meruit – Pela sua santíssima paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação» – ensina o Concílio de Trento (499), sublinhando o carácter único do sacrifício de Cristo como fonte de salvação eterna (500). E a Igreja venera a Cruz cantando: «O crux, ave, spes unica! – Avé, ó cruz, esperança única!» (501).
« Sua sanctissima passione in ligno crucis nobis iustificationem meruit »: docet Concilium Tridentinum, 501 indolem efferens unicam sacrificii Christi tamquam auctoris salutis aeternae. 502 Ecclesia autem crucem veneratur cantans: « O crux, ave, spes unica! ». 503 Nostra in sacrificio Christi participatio

A NOSSA PARTICIPAÇÃO NO SACRIFÍCIO DE CRISTO

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§ 618
A cruz é o único sacrifício de Cristo, mediador único entre Deus e os homens (502). Mas porque, na sua pessoa divina encarnada. «Ele Se uniu, de certo modo, a cada homem» (503), «a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhe­cido» (504). Convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-Lo(505) porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos (506). De facto, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários (507). Isto realiza-se, em sumo grau, em sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do seu sofrimento redentor (508):

Há uma só escada verdadeira fora do paraíso; fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu» (509).

Crux unicum est sacrificium Christi unius mediatoris inter Deum et homines. 504 Sed quia, in Sua Persona divina incarnata, « cum omni homine quodammodo Se univit », 505 hominibus « cunctis possibilitatem offert ut, modo Deo cognito, [...] Paschali mysterio consocientur ». 506 Ipse Suos vocat discipulos ut tollant crucem suam et sequantur Eum, 507 quia Ipse passus est pro nobis, nobis relinquens exemplum ut sequamur vestigia Eius. 508 Ipse etenim Suo sacrificio redemptivo illos vult etiam sociare qui eius sunt primi beneficiarii. Hoc 509 adimpletur, modo supremo, in persona Matris Eius, quae, intimius quam quilibet alius, mysterio Eius passionis redemptricis est associata. 510

« Unica haec et vera est scala paradisi, nec praeter crucem alia superest qua in caelum ascendatur ». 511

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 619
«Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras» (1 Cor 15, 3).
« Christus mortuus est pro peccatis nostris secundum Scripturas » (1 Cor 15,3).
§ 620
A nossa salvação procede da iniciativa amorosa de Deus em nosso favor, pois «foi Ele que nos amou a nós e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados» (1 Jo 4, 10). «Foi Deus que, em Cristo, reconciliou consigo o mundo» (2 Cor 5, 19).
Nostra salus ex incepto amoris Dei erga nos profluit « quoniam Ipse dilexit nos et misit Filium Suum propitiationem pro peccatis nostris » (1 Io 4,10). « Deus erat in Christo mundum reconcilians Sibi » (2 Cor 5,19).
§ 621
Jesus ofereceu-Se livremente para nossa salvação. Este dom, significa-o e realiza-o Ele, de antemão, durante a Ultimo Ceia: «Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós» (Lc 22, 19).
Iesus Se libere pro nostra obtulit salute. Ipse hoc significat donum et in antecessu ducit in rem dum ultima peragebatur Cena: « Hoc est corpus meum, quod pro vobis datur » (Lc 22,19).
§ 622
Nisto consiste a redenção de Cristo: Ele «veio dar a sua vida em resgate pela multidão»(Mt 20, 28), quer dizer; veio «amuar os seus até ao fim» (Jo 13, 1), para que fossem libertos da má conduta herdada dos seus pais (510).
In hoc Christi consistit Redemptio: Ipse « venit [...] dare animam Suam Redemptionem pro multis » (Mt 20,28), id est, « Suos [...] in finem dilexit » (Io 13,1) ut redempti essent de vana sua conversatione a patribus tradita. 512
§ 623
Pela sua obediência amorosa ao Pai, «até d morte de cruz» (Fl 2, 8), Jesus cumpriu a missão expiatória (511) do Servo sofredor, que justifica as multidões, tomando sobre Si o peso das suas faltas (Is 53, 11) (512).
Iesus, per Suam erga Patrem amore plenam oboedientiam « usque ad Mortem [...] crucis » (Phil 2,8), Suam missionem adimplet expiatricem 513 Servi patientis qui iustificat multos et iniquitates eorum Ipse portat. 514 (423) Cf Io 7,50.(424) Cf Io 19,38-39.(425) Cf Io 9,16-17; 10,19-21. (426) Cf Io 9,16; 10,19. (427) Cf Io 9,22.(428) Cf Mt 26,66.(429) Cf Io 18,31.(430) Cf Lc 23,2.(431) Cf Io 19,12.15.21.(432) Cf Mc 15,11.(433) Cf Act 2,23.36; 3,13-14; 4,10; 5,30; 7,52; 10,39; 13,27-28; 1 Thess 2,14-15.(434) Cf Lc 23,34.(435) Cf Act 3,17.(436) Cf Act 5,28; 18,6.(437) Concilium Vaticanum II, Decl. Nostra aetate, 4: AAS 58 (1966) 743. (438) Catechismus Romanus, 1, 5, 11: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 64; cf Heb 12,3. (439) Cf Mt 25,45; Act 9,4-5. (440) Catechismus Romanus, 1, 5, 11: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 64. (441) Sanctus Franciscus Assisiensis, Admonitio, 5, 3: Opuscula sancti Patris Francisci Assisiensis, ed. C. Esser (Grottaferrata 1978) p. 66. (442) Cf Act 3,13. (443) Cf Ps 2,1-2. (444) Cf Mt 26,54; Io 18,36; 19,11. (445) Cf Act 3,17-18. (446) Cf Is 53,11; Act 3,14. (447) Cf Is 53,11-12; Io 8,34-36. (448) Cf 1 Cor 15,3. (449) Cf etiam Act 3,18; 7,52; 13,29; 26,22-23. (450) Cf Is 53,7-8; Act 8,32-35. (451) Cf Mt 20,28. (452) Cf Lc 24,25-27. (453) Cf Lc 24,44-45. (454) Cf Rom 5,12; 1 Cor 15,56. (455) Cf Phil 2,7. (456) Cf Rom 8,3.(457) Cf Io 8,46.(458) Cf Io 8,29.(459) Cf Ps 22,1.(460) Cf 1 Io 4,19.(461) Cf Rom 5,18-19.(462) Cf 2 Cor 5,15; 1 Io 2,2.(463) Concilium Carisiacum (anno 853), De libero arbitrio hominis et de praedestinatione, canon 4: DS 624. (464) Cf Io 6,38.(465) Cf Lc 12,50; 22,15; Mt 16,21-23. (466) Cf Lc 3,21; Mt 3,14-15. (467) Cf Io 1,29.36. (468) Cf Is 53,7; Ier 11,19. (469) Cf Is 53,12. (470) Cf Ex 12,3-14; Io 19,36; 1 Cor 5,7. (471) Cf Mc 10,45. (472) Cf Heb 2,10.17-18; 4,15; 5,7-9. (473) Cf Io 18,4-6; Mt 26,53. (474) Cf Mt 26,20. (475) Cf 1 Cor 5,7. (476) Cf 1 Cor 11,25. (477) Cf Lc 22,19. (478) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 22a, Doctrina de sanctissimo Missae Sacrificio, canon 2: DS 1752; Sess. 23a, Doctrina de sacramento Ordinis, c. 1: DS 1764. (479) Cf Lc 22,20. (480) Cf Mt 26,42. (481) Cf Heb 5,7-8. (482) Cf Heb 4,15. (483) Cf Rom 5,12. (484) Cf Act 3,15. (485) Cf Apc 1,18; Io 1,4; 5,26. (486) Cf Mt 26,42. (487) Cf 1 Cor 5,7; Io 8,34-36. (488) Cf Io 1,29; 1 Pe 1,19. (489) Cf 1 Cor 11,25. (490) Cf Ex 24,8.(491) Cf Mt 26,28; Lv 16,15-16. (492) Cf Heb 10,10. (493) Cf 1 Io 4,10. (494) Cf Io 15,13. (495) Cf Io 10,17-18. (496) Cf Heb 9,14. (497) Cf Is 53,10-12. (498) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529.(499) Cf Io 13,1.(500) Cf Gal 2,20; Eph 5,2.25.(501) Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 1: DS 1529.(502) Cf Heb 5,9.(503) Additio liturgica ad Hymnum « Vexilla Regis »: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974) p. 313; v. 4 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974) p. 1129.(504) Cf 1 Tim 2,5.(505) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.(506) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1043.(507) Cf Mt 16,24.(508) Cf 1 Pe 2,21.(509) Cf Mc 10,39; Io 21,18-19; Col 1,24. (510) Cf Lc 2,35.(511) Sancta Rosa de Lima: P. Hansen, Vita mirabilis [...] venerabilis sororis Rosae de sancta Maria Limensis (Romae 1664) p. 137.(512) Cf 1 Pe 1,18.(513) Cf Is 53,10.(514) Cf Is 53,11; Rom 5,19.

JESUS CRISTO FOI SEPULTADO

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§ 624
«Pela graça de Deus, ele experimentou a morte, para proveito de todos» (Heb 2, 9). No seu plano de salvação, Deus dispôs que o seu Filho, não só «morresse pelos nossos pecados» (1 Cor 15, 3), mas também «saboreasse a morte», isto é, conhecesse o estado de morte, o estado de separação entre a sua alma e o seu corpo, durante o tempo compreendido entre o momento em que expirou na cruz e o momento em que ressuscitou. Este estado de Cristo morto é o mistério do sepulcro e da descida à mansão dos mortos. É o mistério do Sábado Santo, em que Cristo, depositado no túmulo (513), manifesta o repouso sabático de Deus (514) depois da realização (515) da salvação dos homens, que pacifica todo o universo (516).
Ille « gratia Dei pro omnibus » gustavit « mortem » (Heb 2,9). Deus in Suo salutis consilio disposuit ut Filius Suus non solum moreretur « pro peccatis nostris » (1 Cor 15,3), sed etiam ut « gustaret mortem », id est, statum cognosceret mortis, statum separationis inter Suam animam et corpus Suum per tempus quod inter momentum comprehenditur in quo in cruce exspiravit et momentum in quo resurrexit. Hic Christi mortui status est mysterium sepulcri et descensus ad inferos. Est mysterium Sabbati Sancti in quo Christus in sepulcro positus 515 magnam requiem Dei sabbaticam 516 manifestat post salutis hominum consummationem 517 quae universum pacificat mundum. 518 Christus Suo corpore in sepulcro

O CORPO DE CRISTO NO SEPULCRO

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§ 625
A permanência do corpo de Cristo no túmulo constitui o laço real entre o estado passível de Cristo antes da Páscoa e o seu estado glorioso actual de ressuscitado. É a mesma pessoa do «Vivente» que pode dizer: «Estive morto e eis-Me vivo pelos séculos dos séculos» (Ap 1, 18):

«É este o mistério do desígnio de Deus àcerca da morte e da ressurreição dos mortos: se Ele não impediu que a morte separasse a alma do corpo, segundo a ordem necessária da natureza: mas juntou-os de novo um ao outro pela ressurreição, a fim de ser Ele próprio na sua pessoa o ponto de encontro da morte e da vida, suspendendo em Si a decomposição da natureza produzida pela morte e tornando-Se, Ele próprio, princípio de reunião para as partes separadas» (517).

Permanentia Christi in sepulcro vinculum constituit reale inter statum Christi passibilem ante Pascha et Eius, Resuscitati, actualem statum gloriosum. Eadem Persona « Viventis » dicere potest: « Fui mortuus et ecce sum vivens in saecula saeculorum » (Apc 1,18):

« Est autem hoc mysterium dispensationis Dei circa [Filii] Mortem et Resurrectionis ex mortuis quod morte quidem fuerit anima separata a corpore, et non prohibuerit necessariam naturae consequentiam; omnis autem rursus ad Se invicem reduxerit per Resurrectionem, adeo ut eis esset utriusque confinium, nempe mortis et vitae: ut qui in Se quidem statuerit naturam morte divisam, Ipse tamen fuerit principium unionis eorum quae sunt divisa ». 519

§ 626
Uma vez que o «Príncipe da Vida», a quem deram a morte (518), é precisamente o mesmo «Vivente que ressuscitou» (519), é forçoso que a pessoa divina do Filho de Deus tenha continuado a assumir a alma e o corpo, separados um do outro pela morte:

«Embora Cristo, enquanto homem tenha sofrido a morte e a sua santa alma tenha sido separada do seu corpo imaculado, nem por isso a divindade se separou, de nenhum modo, nem da alma nem do corpo: e nem por isso a Pessoa única foi dividida em duas. Tanto o corpo como a alma tiveram existência simultânea, desde o início, na Pessoa do Verbo; e, apesar de na morte terem sido separados, nenhum dos dois deixou de subsistir na Pessoa única do Verbo» (520).

Siquidem « Dux vitae » qui interfectus est 520 Idem utique est ac « Vivens qui resurrexit », 521 necessarium est Personam Filii Dei assumere perrexisse animam Suam Suumque corpus inter se per mortem separata:

« Quamvis igitur Christus ut homo mortem obierit, sanctaque Ipsius anima ab immaculato corpore distracta sit, divinitas tamen a neutro, hoc est, nec ab anima, nec a corpore quoquo modo seiuncta est: neque propterea Persona una in duas divisa fuit. Siquidem et corpus et anima simul ab initio in Verbi Persona exsistentiam habuerunt; ac licet in morte divulsa sint, utrumque tamen eorum unam Verbi Personam, qua subsisteret, semper habuit ». 522

«NÃO DEIXAREIS O VOSSO SANTO SOFRER A CORRUPÇÃO»

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§ 627
A morte de Cristo foi uma verdadeira morte, na medida em que pôs fim à sua existência humana terrena. Mas por causa da união que a Pessoa do Filho manteve com o seu corpo, este não se tornou um despojo mortal como os outros, porque «não era possível que Ele ficasse sob o domínio» da morte (Act 2, 24) e, por isso, «o poder divino preservou o corpo de Cristo da corrupção» (521). De Cristo pode dizer-se ao mesmo tempo: «Foi cortado da terra dos vivos» (Is 53, 8) e: «A minha carne repousará na esperança, porque Tu não abandonarás a minha alma na mansão dos mortos, nem deixarás que o teu santo conheça a corrupção» (Act 2, 26-27) (522). A ressurreição de Jesus «ao terceiro dia» (1 Cor 15, 4; Lc 24, 46) (523) era disso sinal, até porque se julgava que a corrupção começava a manifestar-se a partir do quarto dia (524).
Mors Christi fuit vera mors, quatenus Eius exsistentiae humanae terrestri finem imposuit. Sed propter unionem quam Persona Filii cum corpore servavit Suo, hoc non factum est mortalis spoliatio sicut cetera, quia « impossibile erat teneri » illud a morte (Act 2,24) et propterea « virtus divina corpus Christi a putrefactione praeservavit ». 523 De Christo simul dici potuit: « Abscissus est a terra viventium » (Is 53,8); et: « Caro mea requiescet in spe. Quoniam non derelinques animam meam in inferno neque dabis Sanctum Tuum videre corruptionem » (Act 2,26-27). 524 Resurrectio Christi « tertia die » (1 Cor 15,4; Lc 24,46) 525 huius rei erat signum, etiam quia corruptio putabatur a quarto manifestari die. 526 « Consepulti cum Christo... »

»

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§ 628
O Baptismo, cujo sinal original e pleno é a imersão, significa eficazmente a descida ao túmulo, por parte do cristão que morre para o pecado com Cristo, com vista a uma vida nova. «Fomos sepultados com Ele, pelo Baptismo, na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova» (Rm 6, 4) (525).Resumindo:
Baptisma cuius signum originale et plenum immersio est, efficaciter descensum significat christiani in sepulcrum ut peccato moriatur cum Christo in ordine ad novam vitam: « Consepulti ergo sumus cum Illo per Baptismum in mortem, ut quemadmodum suscitatus est Christus a mortuis per gloriam Patris, ita et nos in novitate vitae ambulemus » (Rom 6,4). 527 Compendium

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Resumindo

§ 629
Para benefício de todos os homens, Jesus experimentou a morte (526). Foi, de verdade, o Filho de Deus feito homem que morreu e foi sepultado.
Christus pro omni homine mortem gustavit. 528 Vere Filius Dei factus homo est Ille qui est mortuus et sepultus.
§ 630
Durante a permanência de Cristo no túmulo, a sua pessoa divina continuou a assumir tanto a alma como o corpo, apesar de sepa­rados entre si pela morte. Por isso, o corpo de Cristo morto «não sofreu a corrupção» (Act 13,37).
Tempore permansionis Christi in sepulcro, Eius Persona divina assumere perrexit tam Suam animam quam corpus Suum, separata tamen inter se per mortem. Hac de causa, corpus Christi mortui « non vidit corruptionem » (Act 13,37). (515) Cf Io 19,42. (516) Cf Heb 4,4-9. (517) Cf Io 19,30. (518) Cf Col 1,18-20. (519) Sanctus Gregorius Nyssenus, Oratio catechetica 16, 9: TD 7, 90 (PG 45, 52).(520) Cf Act 3,15.(521) Cf Lc 24,5-6.(522) Sanctus Ioannes Damascenus, Expositio fidei, 71 [De fide orthodoxa, 3, 27]: PTS 12, 170 (PG 94, 1098). (523) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, 51, 3, ad 2: Ed. Leon. 11, 490.(524) Cf Ps 16,9-10.(525) Cf Mt 12,40; Io 2,1; Os 6,2. (526) Cf Io 11,39. (527) Cf Col 2,12; Eph 5,26. (528) Cf Heb 2,9.

«JESUS CRISTO DESCEU À MANSÃO DOS MORTOS, AO TERCEIRO DIA RESSUSCITOU DOS MORTOS»

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§ 631
«Jesus desceu às regiões inferiores da Terra. Aquele que desceu é precisamente o mesmo que subiu» (Ef 4, 9-10). O Símbolo dos Apóstolos confessa, num mesmo artigo da fé, a descida de Cristo a mansão dos mortos e a sua ressurreição dos mortos ao terceiro dia, porque, na sua Páscoa, é da profundidade da morte que Ele faz jorrar a vida:

«Christus, Filius tuus,
qui, regressos ab inferis,
humano generi serenus illuxit,
et vivit et regnat in saecula saeculorum. Amen».
 
«Jesus Cristo, vosso Filho,
que, ressuscitando de entre os mortos,
iluminou o género humano com a sua luz e a sua paz
e vive glorioso pelos séculos dos séculos. Ámen» (527).

Iesus « descendit in inferiores partes terrae. Qui descendit, Ipse est et qui ascendit » (Eph 4,9-10). Symbolum Apostolicum in eodem articulo confitetur descensum Christi ad inferos et Eius Resurrectionem a mortuis tertia die, quia Ipse in Suo Paschate ex imo mortis vitam fecit scaturire:« Christus Filius Tuus,
qui, regressus ab inferis,
humano generi serenus illuxit,
et vivit et regnat in saecula saeculorum. Amen ». 529 Paragraphus 1
CHRISTUS DESCENDIT AD INFEROS

CRISTO DESCEU À MANSÃO DOS MORTOS

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§ 632
As frequentes afirmações do Novo Testamento, segundo as quais Jesus «ressuscitou de entre os mortos» (1 Cor 15, 20) (528), pressupõem que, anteriormente à ressurreição, Ele tenha estado na mansão dos mortos (529) este o sentido primeiro dado pela pregação apostólica à descida de Jesus à mansão dos mortos: Jesus conheceu a morte, como todos os homens, e foi ter com eles à morada dos mortos. Porém, desceu lá como salvador proclamando a Boa-Nova aos espíritos que ali estavam prisioneiros (530).
Frequentes Novi Testamenti affirmationes, secundum quas Iesus « resurrexit a mortuis » (1 Cor 15,20), 530 praesupponunt, Illum, ante Resurrectionem, in mortuorum incoluisse mansione. 531 Praedicatio apostolica descensui Iesu ad inferos hunc primum tribuit sensum: Iesus mortem cognovit sicut omnes homines et ad illos, anima Sua, in mortuorum mansionem, profectus est. Ipse tamen ut Salvator illuc descendit, Bonum Nuntium spiritibus proclamans, qui ibi detinebantur. 532
§ 633
A morada dos mortos, a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos, Sheol ou Hades (531), porque aqueles que aí se encontravam estavam privados da visão de Deus (532). Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor (533), o que não quer dizer que a sua sorte fosse idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no «seio de Abraão» (534). «Foram precisamente essas almas santas, que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou quando desceu à mansão dos mortos» (535). Jesus não desceu à mansão dos mortos para de lá libertar os condenados (536), nem para abolir o inferno da condenação (537), mas para libertar os justos que O tinham precedido (538).
Scriptura mansionem mortuorum in quam Christus mortuus descendit, inferos appellat, Sheol vel Αιδην 533 quia illi qui ibi inveniuntur, visione privantur Dei. 534 Talis est revera, Redemptorem exspectando, casus omnium mortuorum, impiorum vel iustorum, 535 id quod non significat eorum sortem esse eamdem, sicut Iesus ostendit in parabola pauperis Lazari recepti « in sinum Abrahae ». 536 « Horum igitur piorum animas qui in sinu Abrahae Salvatorem exspectabant, Christus Dominus ad inferos descendens liberavit ». 537 Iesus ad inferos non descendit ut damnatos liberaret 538 neque ut damnationis destrueret infernum, 539 sed ut iustos liberaret qui Illum praecesserant. 540
§ 634
«A Boa-Nova foi igualmente anunciada aos mortos...» (1 Pe 4, 6). A descida à mansão dos mortos é o cumprimento, até à plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a última fase da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta no seu significado real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, porque todos aqueles que se salvaram se tornaram participantes da redenção.
« Et mortuis evangelizatum est... » (1 Pe 4,6). Descensus ad inferos adimpletio est, usque ad plenitudinem, nuntii evangelici salutis. Ille ultima est phasis missionis messianicae Iesu, in tempore densata, sed immense vasta in sua reali significatione extensionis operis redemptivi ad omnes homines omnium temporum omniumque locorum, quia omnes qui salvati sunt, Redemptionis facti sunt participes.
§ 635
Cristo, portanto, desceu aos abismos da morte (539), para que «os mortos ouvissem a voz do Filho do Homem e os que a ouvissem, vivessem» (Jo 5, 25). Jesus, «o Príncipe da Vida» (540), «pela sua morte, reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertou quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira» (Heb 2, 14-15). Desde agora, Cristo ressuscitado «detém as chaves da morte e do Hades» (Ap 1, 18) e «ao nome de Jesus todos se ajoelhem, no céu, na terra e nos abismos» (Fl 2, 10).

«Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o rei dorme. A terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos [...]. Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte. Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu filho [...] "Eu sou o teu Deus, que por ti me fiz teu filho [...] Desperta tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos: levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos"» (541).

Christus igitur descendit in mortis profunditatem 541 ut « mortui » audiant « vocem Filii Dei et, qui audierint », vivant (Io 5,25). Iesus, « Dux vitae », 542 « per mortem » destruxit « eum, qui habebat mortis imperium, id est, Diabolum, et » liberavit « eos, qui timore mortis per totam vitam obnoxii erant servituti » (Heb 2,14-15). Exinde Christus resuscitatus habet « claves mortis et inferni » (Apc 1,18) et « in nomine Iesu omne genu » flectitur « caelestium et terrestrium et infernorum » (Phil 2,10).

« Hodie silentium magnum in terra; silentium magnum, et solitudo deinceps; silentium magnum, quoniam Rex dormit; terra timuit et quievit, quoniam Deus in carne obdormivit, et a saeculo dormientes excitavit. [...] Profecto primum parentem tamquam perditam ovem quaesitum vadit. Omnino in tenebris et in umbra mortis sedentes invisere vult; omnino captivum Adam, unaque captivam Evam ex doloribus solutum vadit Deus, Illiusque filius. [...] Ego Deus tuus, qui propter te factus sum filius tuus. [...] Expergiscere, qui dormis: etenim non ideo te feci, ut in inferno contineare vinctus. Surge a mortuis; ego sum Vita mortuorum ». 543

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 636
Na expressão «Jesus desceu à mansão dos mortos», o Símbolo confessa que Jesus morreu realmente, e que, por ter morrido por nós, venceu a morte e o Diabo «que tem o poder da morte» (Heb 2, 14).
Symbolum, in expressione « Iesus descendit ad inferos », confitetur Iesum vere mortuum esse et per Mortem Suam pro nobis mortem vicisse et Diabolum « qui habebat mortis imperium » (Heb 2,14).
§ 637
Cristo morto, na sua alma unida à pessoa divina, desceu à morada dos mortos. E abriu aos justos, que O tinham precedido, as portas do céu.
Mortuus Christus, anima Sua Suae Personae divinae unita, in mortuorum descendit mansionem. Iustis qui Illum praecesserant, portas aperuit caeli. (529) Vigilia Paschalis, Praeconium Paschale (« Exsultet »): Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 273 et 275.(530) Cf Act 3,15; Rom 8,11. (531) Cf Heb 13,20. (532) Cf 1 Pe 3,18-19. (533) Cf Phil 2,10; Act 2,24; Apc 1,18; Eph 4,9.(534) Cf Ps 6,6; 88,11-13.(535) Cf Ps 89,49; 1 Sam 28,19; Ez 32,17-32. (536) Cf Lc 16,22-26. (537) Catechismus Romanus, 1, 6, 3: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 71. (538) Cf Concilium Romanum (anno 745), De descensu Christi ad inferos: DS 587.(539) Cf Benedictus XII, Libellus Cum dudum (1341), 18: DS 1011; Clemens VI, Epistula Super quibusdam (anno 1351), c. 15, 13: DS 1077.(540) Cf Concilium Toletanum IV (anno 633), Capitulum, 1: DS 485; Mt 27,52-53.(541) Cf Mt 12,40; Rom 10,7; Eph 4,9. (542) Cf Act 3,15. (543) Antiqua homilia in sancto et magno Sabbato: PG 43, 440. 452. 461.

AO TERCEIRO DIA, RESSUSCITOU DOS MORTOS

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§ 638
«Nós vos anunciamos a Boa-Nova de que a promessa feita aos nossos pais, a cumpriu Deus para nós, seus filhos, ao ressuscitar Jesus» (Act 13, 32-33). A ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo, acreditada e vivida como verdade central pela primeira comunidade cristã, transmitida como fundamental pela Tradição, estabelecida pelos documentos do Novo Testamento, pregada como parte essencial do mistério pascal, ao mesmo tempo que a cruz:

«Cristo ressuscitou dos mortos.
Pela Sua morte venceu a morte,
e aos mortos deu a vida» (542).

« Nos vobis evangelizamus eam, quae ad patres Promissio facta est, quoniam hanc Deus adimplevit filiis eorum, nobis resuscitans Iesum » (Act 13,32-33). Resurrectio Iesu suprema est veritas nostrae fidei in Christum, tamquam veritas centralis credita et in vitam ducta a prima communitate christiana, transmissa a Traditione tamquam fundamentalis, stabilita a Novi Testamenti documentis, praedicata tamquam, simul cum cruce, essentialis pars mysterii Paschalis:

« Christus resurrexit ex mortuis.
Per Mortem Suam vicit mortem,
mortuis Ipse vitam dedit ». 544

AO TERCEIRO DIA, RESSUSCITOU DOS MORTOS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Acontecimento histórico e transcendente

§ 639
O mistério da ressurreição de Cristo é um acontecimento real, com manifestações historicamente verificadas, como atesta o Novo Testamento. Já São Paulo, por volta do ano 56, pôde escrever aos Coríntios: «Transmiti-vos, em primeiro lugar, o mesmo que havia recebido: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras: a seguir, apareceu a Pedro, depois aos Doze» (1 Cor 15, 3-4). O Apóstolo fala aqui da tradição viva da ressurreição, de que tinha tomado conhecimento após a sua conversão, às portas de Damasco (543).
Mysterium resurrectionis Christi eventus est realis qui manifestationes historice compertas habuit sicut Novum Testamentum testatur. Iam sanctus Paulus potuit ad Corinthios circa annum 56 scribere: « Tradidi enim vobis in primis, quod et accepi, quoniam Christus mortuus est pro peccatis nostris secundum Scripturas et quia sepultus est et quia suscitatus est tertia die secundum Scripturas et quia visus est Cephae et post haec Duodecim » (1 Cor 15,3-4). Apostolus hic loquitur de Resurrectionis traditione viventi quam post conversionem ad portas Damasci didicerat suam. 545Sepulcrum vacuum

O TÚMULO VAZIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Acontecimento histórico e transcendente

§ 640
«Por que motivo procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou» (Lc 24, 5-6). No quadro dos acontecimentos da Páscoa, o primeiro elemento que se nos oferece é o sepulcro vazio. Isso não é, em si, uma prova directa. A ausência do corpo de Cristo do sepulcro poderia explicar-se doutro modo (544). Apesar disso, o sepulcro vazio constitui, para todos, um sinal essencial. A descoberta do facto pelos discípulos foi o primeiro passo para o reconhecimento do facto da ressurreição. Foi, primeiro, o caso das santas mulheres (545), depois o de Pedro (546). «O discípulo que Jesus amava» (Jo 20, 2) afirma que, ao entrar no sepulcro vazio e ao descobrir «os lençóis no chão» (Jo 20, 6), «viu e acreditou» (547); o que supõe que ele terá verificado, pelo estado em que ficou o sepulcro vazio "', que a ausência do corpo de Jesus não podia ter sido obra humana e que Jesus não tinha simplesmente regressado a uma vida terrena, como fora o caso de Lázaro (549).
« Quid quaeritis Viventem cum mortuis? Non est hic, sed resurrexit » (Lc 24,5-6). Intra Paschatis eventus, primum elementum quod invenitur, est sepulcrum vacuum. Id in se argumentum directum non est. Absentia corporis Christi in sepulcro aliter posset explicari. 546 Hoc non obstante, sepulcrum vacuum pro omnibus constituit signum essentiale. Inventio eius a discipulis primus fuit gressus ad factum ipsum Resurrectionis agnoscendum. Talis est imprimis sanctarum mulierum casus, 547 deinde Petri. 548 Discipulus « quem amabat Iesus » (Io 20,2) affirmat se, sepulcrum ingredientem et detegentem « linteamina posita » (Io 20,6), vidisse et credidisse. 549 Hoc supponit ipsum comperuisse in sepulcri vacui statu 550 absentiam corporis Iesu opus humanum esse nequivisse et Iesum simpliciter ad vitam non rediisse terrestrem sicut casus fuerat Lazari. 551 Resuscitati apparitiones

AS APARIÇÕES DO RESSUSCITADO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Acontecimento histórico e transcendente

§ 641
Maria Madalena e as santas mulheres, que vinham para acabar de embalsamar o corpo de Jesus (550), sepultado à pressa por causa do início do «Sábado», no fim da tarde de Sexta-feira Santa (551), foram as primeiras pessoas a encontra-se com o Ressuscitado (552). Assim, as mulheres foram as primeiras mensageiras da ressurreição de Cristo para os próprios Apóstolos (553). Em seguida, foi a eles que Jesus apareceu: primeiro a Pedro, depois aos Doze (554). Pedro, incumbido de consolidar a fé dos seus irmãos (555), vê, portanto, o Ressuscitado antes deles e é com base no seu testemunho que a comunidade exclama: «Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão» (Lc 24, 34.36).
Maria Magdalena et sanctae mulieres quae veniebant ut perficerent corporis Iesu unctionem, 552 festinanter sepulti propter adventum Sabbati vespere magnae Feriae sextae, 553 primae fuerunt quae Resuscitato occurrerunt. 554 Sic mulieres Christi resurrectionis fuerunt primae nuntiae pro ipsis Apostolis. 555 His Iesus deinde apparet, prius Petro, postea Duodecim. 556 Petrus ergo, vocatus ad fidem suorum confirmandam fratrum, 557 videt Resuscitatum ante eos et super eius testimonium clamat communitas: « Surrexit Dominus vere et apparuit Simoni » (Lc 24,34).
§ 642
Tudo quanto aconteceu nestes dias pascais empenha cada um dos Apóstolos – e muito particularmente Pedro – na construção da era nova, que começa na manhã do dia de Páscoa. Como testemunhas do Ressuscitado, eles são as pedras do alicerce da sua Igreja. A fé da primeira comunidade dos crentes está fundada no testemunho de homens concretos, conhecidos dos cristãos e, a maior parte, vivendo ainda entre eles. Estas «testemunhas da ressurreição de Cristo» (556) são, em primeiro lugar, Pedro e os Doze. Mas há outros: Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas às quais Jesus apareceu em conjunto, além de Tiago e de todos os Apóstolos (557).
Quidquid his diebus evenit Paschalibus, unumquemque Apostolorum — et peculiariter Petrum — in construenda nova aetate obligat quae mane incepit Paschatis. Tamquam Resuscitati testes, lapides permanent fundationis Eius Ecclesiae. Primae credentium communitatis fides super testimonium hominum fundatur determinatorum quos christiani cognoscebant et quorum magna pars adhuc vivebat inter eos. Hi « testes resurrectionis Christi » 558 sunt imprimis Petrus et Duodecim, sed non illi solummodo: Paulus loquitur de plus quam quingentis personis quibus Iesus simul apparuit, superquam quod Iacobo et omnibus Apostolis. 559
§ 643
Perante estes testemunhos, é impossível interpretar a ressurreição de Cristo fora da ordem física e não a reconhecer como um facto histórico. Resulta, dos factos, que a fé dos discípulos foi submetida à prova radical da paixão e morte de cruz do seu Mestre, por este de antemão anunciada (558). O abalo provocado pela paixão foi tão forte que os discípulos (pelo menos alguns) não acreditaram imediatamente na notícia da ressurreição. Longe de nos apresentar uma comunidade tomada de exaltação mística, os evangelhos apresentam-nos os discípulos abatidos (de «rosto sombrio»: Lc 24, 17) e apavorados (559). Foi por isso que não acreditaram nas santas mulheres, regressadas da sua visita ao túmulo, e «as suas narrativas pareceram-lhe um desvario» (Lc 24, 11) (560). Quando Jesus apareceu aos onze, na tarde do dia de Páscoa, «censurou-lhes a falta de fé e a teimosia em não quererem acreditar naqueles que O tinham visto ressuscitado» (Mc 16, 14).
Coram his testimoniis impossibile est Christi resurrectionem extra ordinem physicum interpretari, eamque non agnoscere tamquam factum historicum. Ex factis consequitur discipulorum fidem radicali passionis et Mortis eorum Magistri in cruce probationi, ab Ipso nuntiatae in antecessum, 560 fuisse submissam. Animi percussio a passione provocata tanta fuit ut discipuli (saltem quidam inter eos) nuntio Resurrectionis statim non crediderint. Evangelia a communitate nobis ostendenda affecta a mystica exaltatione longe distant; discipulos nobis praesentant fractos (« tristes »: Lc 24,17) et consternatos. 561 Propterea sanctis mulieribus e sepulcro redeuntibus non crediderunt et earum verba « visa sunt ante illos sicut deliramentum » (Lc 24,11). 562 Cum Iesus Se Undecim manifestavit vespere Paschatis, « exprobravit incredulitatem eorum et duritiam cordis, quia his, qui viderant Eum resuscitatum, non crediderunt » (Mc 16,14).
§ 644
Mesmo confrontados com a realidade de Jesus Ressuscitado, os discípulos ainda duvidam (561) de tal modo isso lhes parecia impossível: julgavam ver um fantasma (562). «Por causa da alegria, estavam ainda sem querer acreditar e cheios de assombro» (Lc 24, 41). Tomé experimentará a mesma provação da dúvida (563), e quando da última aparição na Galileia, referida por Mateus, «alguns ainda duvidavam» (Mt 28, 17).É por isso que a hipótese, segundo a qual a ressurreição teria sido um «produto» da fé (ou da credulidade) dos Apóstolos, é inconsistente. Pelo contrário, a sua fé na ressurreição nasceu — sob a acção da graça divina da experiência directa da realidade de Jesus Ressuscitado.
Discipuli, etiam ante Iesu resuscitati positi realitatem, adhuc dubitant; 563 tam impossibilis eis videbatur res: illi spiritum videre putabant, 564 « adhuc autem illis non credentibus prae gaudio et mirantibus » (Lc 24,41). Thomas eamdem dubii experietur probationem, 565 et occasione ultimae apparitionis in Galilaea quam Matthaeus narrat, « quidam [...] dubitaverunt » (Mt 28,17). Hac de causa, hypothesis, secundum quam Resurrectio « effectus » fuisset fidei (vel credulitatis) Apostolorum, fundamento caret. Omnino e contra, eorum fides in Resurrectionem orta est — sub gratiae divinae actione — ex directa experientia realitatis Iesu resuscitati.Status humanitatis resuscitatae Christi

O ESTADO DA HUMANIDADE RESSUSCITADA DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Acontecimento histórico e transcendente

§ 645
Jesus Ressuscitado estabeleceu com os seus discípulos relações directas, através do contacto físico (564) e da participação na refeição (565). Desse modo, convida-os a reconhecer que não é um espírito (566), e sobretudo a verificar que o corpo ressuscitado, com o qual se lhes apresenta, é o mesmo que foi torturado e crucificado, pois traz ainda os vestígios da paixão (567). No entanto, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas dum corpo glorioso: não está situado no espaço e no tempo, mas pode, livremente, tornar-se presente onde e quando quer (568), porque a sua humanidade já não pode ser retida sobre a terra e já pertence exclusivamente ao domínio divino do Pai (569). Também por este motivo, Jesus Ressuscitado é soberanamente livre de aparecer como quer: sob a aparência dum jardineiro (570) ou «com um aspecto diferente» (Mc 16, 12) daquele que era familiar aos discípulos; e isso, precisamente, para lhes despertar a fé (571).
Iesus resuscitatus relationes directas cum Suis init discipulis per tactum 566 et participationem in cibo. 567 Sic illos invitat ut Eum agnoscant spiritum non esse, 568 sed praesertim ut comperiant corpus resuscitatum cum quo Se illis praesentat, idem esse quod cruciatum et crucifixum fuit, quia adhuc vestigia Suae portat passionis. 569 Hoc tamen corpus authenticum et reale proprietates simul possidet novas corporis gloriosi: non amplius in spatio et tempore positum est, sed potest libere praesens effici ubi et quando Ipse vult, 570 quia Eius humanitas non potest amplius in terra retineri et solum ad Patris ditionem pertinet divinam. 571 Hac etiam de causa, Iesus resuscitatus est supreme liber apparendi ut vult: sub specie hortulani 572 vel « in alia effigie » (Mc 16,12) quam illa quae discipulis erat consueta, praecise ut eorum suscitet fidem. 573
§ 646
A ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena, como no caso das ressurreições que Ele tinha realizado antes da Páscoa: a filha de Jairo, o jovem de Naim e Lázaro. Esses factos eram acontecimentos milagrosos, mas as pessoas miraculadas reencontravam, pelo poder de Jesus, uma vida terrena «normal»: em dado momento, voltariam a morrer. A ressurreição de Cristo é essencialmente diferente. No seu corpo ressuscitado, Ele passa do estado de morte a uma outra vida, para além do tempo e do espaço. O corpo de Cristo é, na ressurreição, cheio do poder do Espírito Santo; participa da vida divina no estado da sua glória, de tal modo que São Paulo pode dizer de Cristo que Ele é o «homem celeste» (572).
Resurrectio Christi ad vitam terrestrem reditus non fuit, sicut casus fuit resurrectionum quas Ipse ante Pascha peregerat: filiae Iairi, adulescentis Naim, Lazari. Haec facta eventus erant miraculosi, sed personae in quibus miraculum factum erat, vitam terrestrem « ordinariam » recuperabant per Iesu potentiam. Quandoque illi morientur iterum. Christi resurrectio est essentialiter diversa. In Suo corpore resuscitato transit ex mortis statu ad aliam vitam ultra tempus et spatium. Corpus Iesu in Resurrectione a Spiritus Sancti impletur potentia; vitae divinae participat in statu gloriae Suae, ita ut Paulus de Christo dicere potuerit, Illum esse hominem caelestem. 574Resurrectio tamquam eventus transcendens

A RESSURREIÇÃO COMO ACONTECIMENTO TRANSCENDENTE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Acontecimento histórico e transcendente

§ 647
«Oh noite bendita! – canta o «Exultet» pascal – única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro» (573). Com efeito, ninguém foi testemunha ocular do acontecimento da ressurreição propriamente dita e nenhum evangelista o descreve. Ninguém pôde dizer como ela se deu, fisicamente. Ainda menos a sua essência mais íntima, a passagem a uma outra vida, foi perceptível aos sentidos. Acontecimento histórico comprovado pelo sinal do túmulo vazio e pela realidade dos encontros dos Apóstolos com Cristo Ressuscitado, nem por isso a ressurreição deixa de estar, naquilo em que transcende e ultrapassa a história, no próprio centro do mistério da fé. Foi por isso que Cristo Ressuscitado não Se manifestou ao mundo (574), mas aos discípulos, «aos que com Ele tinham subido da Galileia a Jerusalém» e que «são agora testemunhas de Jesus junto do povo» (Act 13, 31).
« O vere beata nox — canit hymnus « Exsultet » Paschatis —, quae sola meruit scire tempus et horam in qua Christus ab inferis resurrexit ». 575 Revera, ipsius eventus Resurrectionis nemo fuit testis oculatus et nullus Evangelista illum describit. Nemo dicere potuit quomodo illa physice locum habuit. Eius essentia maxime intima, transitus ad aliam vitam, adhuc minus sensibus fuit perceptibilis. Resurrectio, eventus historicus qui per sepulcri vacui signum et per realitatem occursuum Apostolorum cum Christo resuscitato potest comperiri, non minus in eo quod historiam transcendit et superat, in corde mysterii permanet fidei. Hac de causa, Christus resuscitatus Se mundo non manifestat, 576 sed discipulis Suis, « his, qui simul ascenderant cum Eo de Galilaea in Ierusalem, qui nunc sunt testes Eius ad populum » (Act 13,31). II. Resurrectio – Sanctissimae Trinitatis opus

A RESSURREIÇÃO COMO ACONTECIMENTO TRANSCENDENTE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A ressurreição – obra da Santíssima Trindade

§ 648
A ressurreição de Cristo é objecto de fé, na medida em que é uma intervenção transcendente do próprio Deus na criação e na história. Nela, as três pessoas divinas agem em conjunto e manifestam a sua originalidade própria: realizou-se pelo poder do Pai, que «ressuscitou» (Act 2, 24) Cristo seu Filho, e assim introduziu de modo perfeito a sua humanidade – com o seu corpo – na Trindade. Jesus foi divinamente revelado «Filho de Deus em todo o seu poder, pela sua ressurreição de entre os mortos» (Rm 1, 4). São Paulo insiste na manifestação do poder de Deus (575) por obra do Espírito, que vivificou a humanidade morta de Jesus e a chamou ao estado glorioso de Senhor.
Resurrectio Christi est obiectum fidei quatenus interventus est transcendens Ipsius Dei in creatione et in historia. In ea, Tres Personae divinae simul operantur et Suam propriam originalitatem manifestant. Ea per potentiam fit Patris qui « suscitavit » (Act 2,24) Christum, Filium Suum, et hoc modo humanitatem Eius — cum corpore Eius — modo perfecto in Trinitatem introduxit. Iesus definite revelatur « Filius Dei in virtute secundum Spiritum sanctificationis ex resurrectione mortuorum » (Rom 1,4). Sanctus Paulus insistit in manifestatione potentiae Dei 577 per operationem Spiritus qui humanitatem Iesu vivificavit mortuam et eam vocavit ad statum Domini gloriosum.
§ 649
Quanto ao Filho, Ele opera a sua própria ressurreição em virtude do seu poder divino. Jesus anuncia que o Filho do Homem deverá sofrer muito, e depois ressuscitar (no sentido activo da palavra (576)). Aliás, é d'Ele esta afirmação explícita: «Eu dou a minha vida para retomá-la [...] Tenho o poder de a dar e o poder de a retomar» (Jo 10, 17-18). «Nós cremos que Jesus morreu e depois ressuscitou» (1 Ts 4, 14).
Filius autem Suam propriam operatur Resurrectionem virtute Suae potentiae divinae. Iesus annuntiat Filium hominis multa pati debere, mori et deinde resurgere (sensu activo verbi 578). Ceterum Ipse affirmat explicite: « Ego pono animam meam, ut iterum sumam eam. [...] Potestatem habeo ponendi eam et potestatem habeo iterum sumendi eam » (Io 10,17-18). « Credimus quod Iesus mortuus est et resurrexit » (1 Thess 4,14).
§ 650
Os Santos Padres contemplam a ressurreição a partir da pessoa divina de Cristo, que ficou unida à sua alma e ao seu corpo, separados entre si pela morte: «Pela unidade da natureza divina, que continua presente em cada uma das duas partes do homem, estas unem-se de novo. Assim, a morte é produzida pela separação do composto humano e a ressurreição pela união das duas partes separadas» (577).
Patres Resurrectionem contemplantur a divina Christi procedentes Persona quae unita animae Suae permansit Suoque corpori inter ipsa per mortem separatis. « Propter unitatem naturae divinae, quae utrique hominis parti ex aequo inest, quae seiuncta separataque erant, rursum coeunt et coniunguntur. Atque ita ex partium coniunctarum divisione mors sequitur, ex divisarum autem coniunctione Resurrectio ». 579 III. Sensus et momentum Resurrectionis salvificum

A RESSURREIÇÃO COMO ACONTECIMENTO TRANSCENDENTE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Sentido e alcance salvífico da ressurreição

§ 651
«Se Cristo não ressuscitou, então a nossa pregação é vã e também é vã a vossa fé» (1 Cor 15, 14). A ressurreição constitui, antes de mais, a confirmação de tudo quanto Cristo em pessoa fez e ensinou. Todas as verdades, mesmo as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram a sua justificação se, ressuscitando, Cristo deu a prova definitiva, que tinha prometido, da sua autoridade divina.
« Si autem Christus non suscitatus est, inanis est ergo praedicatio nostra, inanis est et fides vestra » (1 Cor 15,14). Resurrectio imprimis confirmationem constituit omnium quae Christus Ipse fecit et docuit. Omnes veritates, etiam illae spiritui humano maxime inaccessibiles, suam iustificationem inveniunt, si Christus resurgens definitivum Suae auctoritatis divinae praebuit argumentum quod promiserat.
§ 652
A ressurreição de Cristo é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento (578) e do próprio Jesus, durante a sua vida terrena (579). A expressão «segundo as Escrituras» (580) indica que a ressurreição de Cristo cumpriu essas predições.
Resurrectio Christi adimpletio promissionum est Veteris Testamenti 580 et Iesu Ipsius in Eius vita terrestri. 581 Locutio « secundum Scripturas » 582 denotat Christi resurrectionem has implevisse praedictiones.
§ 653
A verdade da divindade de Jesus é confirmada pela ressurreição. Ele tinha dito: «Quando elevardes o Filho do Homem, então sabereis que "Eu Sou"» (Jo 8, 28). A ressurreição do Crucificado demonstrou que Ele era verdadeiramente «Eu Sou», o Filho de Deus e Ele próprio Deus. São Paulo pôde declarar aos judeus: «E nós vos anunciamos a Boa-Nova de que a promessa feita aos nossos pais, cumpriu-a Deus para os filhos deles ao ressuscitar Jesus, como justamente está escrito no Salmo segundo: "Tu és meu Filho, Eu gerei-Te hoje"» (Act 13, 32-33) (581). O mistério da ressurreição de Cristo está estreitamente ligado ao mistério da Encarnação do Filho de Deus. É dele o cumprimento, segundo o desígnio eterno de Deus.
Veritas divinitatis Iesu Resurrectione confirmatur Eius. Ipse dixerat: « Cum exaltaveritis Filium hominis, tunc cognoscetis quia Ego sum » (Io 8,28). Crucifixi Resurrectio demonstrat Illum vere « Ego sum » esse, Filium Dei et Ipsum Deum. Sanctus Paulus potuit Iudaeis declarare: « Et nos vobis evangelizamus eam, quae ad patres Promissio facta est, quoniam hanc Deus adimplevit filiis eorum, nobis resuscitans Iesum, sicut et in psalmo secundo scriptum est: Filius meus es tu; ego hodie genui te » (Act 13,32-33). 583 Resurrectio Christi mysterio Incarnationis Filii Dei est arcte coniuncta. Ea est eius adimpletio secundum aeternum Dei consilium.
§ 654
Existe um duplo aspecto no mistério pascal: pela sua morte, Cristo liberta-nos do pecado; pela sua ressurreição, abre-nos o acesso a uma nova vida. Esta é, antes de mais, a justificação, que nos repõe na graça de Deus (582), «para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos [...], também nós vivamos uma vida nova» (Rm 6, 4). Esta consiste na vitória sobre a morte do pecado e na nova participação na graça (583); realiza a adopção filial, porque os homens tornam-se irmãos de Cristo, como o próprio Jesus chama aos discípulos depois da ressurreição: «Ide anunciar aos meus irmãos» (Mt 28, 10) (584). Irmãos, não por natureza, mas por dom da graça, porque esta filiação adoptiva proporciona uma participação real na vida do Filho, plenamente revelada na sua ressurreição.
In Paschali mysterio duplex habetur ratio: Ipse per Suam Mortem nos a peccato liberat, per Suam Resurrectionem nobis accessum ad novam aperit vitam. Haec est imprimis iustificatio, quae nos in gratiam Dei restituit 584 « ut quemadmodum suscitatus est Christus a mortuis [...], ita et nos in novitate vitae ambulemus » (Rom 6,4). Ipsa in victoria consistit de morte peccati et in nova gratiae participatione. 585 Ipsa adoptionem filialem adimplet, quia homines fratres Christi efficiuntur sicut Iesus Ipse Suos appellat discipulos post Resurrectionem Suam: « Ite, nuntiate fratribus meis » (Mt 28,10). 586 Fratres non natura, sed gratiae dono, quia haec filiatio adoptiva participationem praestat realem in Filii unici vita, quae plene in Eius revelata est Resurrectione.
§ 655
Finalmente, a ressurreição de Cristo – e o próprio Cristo Ressuscitado – é princípio e fonte da nossa ressurreição futura: «Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram [...]. Do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida» (1 Cor 15, 20-22). Na expectativa de que isto se realize, Cristo Ressuscitado vive no coração dos seus fiéis. N'Ele, os cristãos «saboreiam as maravilhas do mundo vindouro» (Heb 6, 5) e a sua vida é atraída por Cristo para o seio da vida divina (585), «para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles» (2 Cor 5, 15).Resumindo:
Resurrectio denique Christi — et Ipse Christus resuscitatus — principium est et fons nostrae resurrectionis futurae: « Christus resurrexit a mortuis, primitiae dormientium. [...] Sicut enim in Adam omnes moriuntur, ita et in Christo omnes vivificabuntur » (1 Cor 15,20-22). In huius adimpletionis exspectatione, Christus resuscitatus in corde Suorum vivit fidelium. In Eo christiani gustant « virtutes [...] saeculi venturi » (Heb 6,5) et illorum vita a Christo in vitae divinae rapitur sinum 587 « ut et qui vivunt, iam non sibi vivant, sed Ei qui pro ipsis mortuus est et resurrexit » (2 Cor 5,15). Compendium

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 656
A fé na ressurreição tem por objecto um acontecimento, ao mesmo tempo historicamente testemunhado pelos discípulos (que realmente encontraram o Ressuscitado) e misteriosamente transcendente, enquanto entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus.
Fides in Resurrectionem, ut obiectum, eventum habet simul historice testimonio confirmatum a discipulis qui realiter Resuscitato occurrerunt, et modo arcano transcendentem quatenus ingressum humanitatis Christi in gloriam Dei.
§ 657
O sepulcro vazio e os lençóis deixados no chão significam, por si mesmos, que o corpo de Cristo escapou aos laços da morte e da corrupção, pelo poder de Deus. E preparam os discípulos para o encontro com o Ressuscitado.
Sepulcrum vacuum et linteamina posita per se ipsa significant corpus Christi e vinculis mortis et corruptionis per potentiam Dei effugisse. Ea ad occursum cum Resuscitato discipulos praeparant.
§ 658
Cristo, «primogénito de entre os mortos» (Cl 1, 18), é o princípio da nossa própria ressurreição, desde agora pela justificação da nossa alma (586), mais tarde pela vivificação do nosso corpo (587).
Christus, « primogenitus ex mortuis » (Col 1,18), nostrae propriae resurrectionis est principium, iam nunc per nostrae animae iustificationem, 588 posterius per nostri corporis vivificationem. 589 (544) Liturgia Byzantina, Troparium in die Paschatis: Pentêkostárion (Romae 1884) p. 6. (545) Cf Act 9,3-18. (546) Cf Io 20,13; Mt 28,11-15. (547) Cf Lc 24,3.22-23. (548) Cf Lc 24,12. (549) Cf Io 20,8. (550) Cf Io 20,5-7. (551) Cf Io 11,44. (552) Cf Mc 16,1; Lc 24,1. (553) Cf Io 19,31.42. (554) Cf Mt 28,9-10; Io 20,11-18. (555) Cf Lc 24,9-10. (556) Cf 1 Cor 15,5. (557) Cf Lc 22,31-32. (558) Cf Act 1,22. (559) Cf 1 Cor 15,4-8. (560) Cf Lc 22,31-32. (561) Cf Io 20,19. (562) Cf Mc 16,11.13. (563) Cf Lc 24,38. (564) Cf Lc 24,39. (565) Cf Io 20,24-27. (566) Cf Lc 24,39; Io 20,27. (567) Cf Lc 24,30.41-43; Io 21,9.13-15. (568) Cf Lc 24,39. (569) Cf Lc 24,40; Io 20,20.27. (570) Cf Mt 28,9.16-17; Lc 24,15.36; Io 20,14.19.26; 21,4.(571) Cf Io 20,17.(572) Cf Io 20,14-15. (573) Cf Io 20,14.16; 21,4.7. (574) Cf 1 Cor 15,35-50. (575) Vigilia Paschalis, Praeconium Paschale (« Exsultet »): Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 272.(576) Cf Io 14,22.(577) Cf Rom 6,4; 2 Cor 13,4; Phil 3,10; Eph 1,19-22; Heb 7,16. (578) Cf Mc 8,31; 9,9.31; 10,34. (579) Sanctus Gregorius Nyssenus, De tridui inter mortem et resurrectionem Domini nostri Iesu Christi spatio: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger-H. Langerbeck, v. 9 (Leiden 1967) p. 293-294 (PG 46, 417); cf etiam Statuta Ecclesiae Antiqua: DS 325; Anastasius II, Epistula In prolixitate epistulae: DS 359; Sanctus Hormisdas, Epistula Inter ea quae: DS 369; Concilium Toletanum XI, Symbolum: DS 539. (580) Cf Lc 24,26-27.44-48. (581) Cf Mt 28,6; Mc 16,7; Lc 24,6-7. (582) Cf 1 Cor 15,3-4; Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150 (583) Cf Ps 2,7. (584) Cf Rom 4,25. (585) Cf Eph 2,4-5; 1 Pe 1,3. (586) Cf Io 20,17. (587) Cf Col 3,1-3. (588) Cf Rom 6,4. (589) Cf Rom 8,11.

«JESUS SUBIU AOS CÉUS E ESTÁ SENTADO À DIREITA DE DEUS, PAI TODO-PODEROSO»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 659
«Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus» (Mc 16, 19). O corpo de Cristo foi glorificado desde o momento da sua ressurreição, como o provam as propriedades novas e sobrenaturais de que, a partir de então, ele goza permanentemente (588). Mas, durante os quarenta dias em que vai comer e beber familiarmente com os discípulos (589) e instruí-los sobre o Reino (590), a sua glória fica ainda velada sob as aparências duma humanidade normal (591). A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível da sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem (592) e pelo céu (593). onde a partir de então, está sentado à direita de Deus (594). Só de modo absolutamente excepcional e único é que Se mostrará a Paulo, «como a um aborto» (1 Cor 15, 8), numa última aparição que o constitui Apóstolo (595).
« Dominus quidem Iesus, postquam locutus est eis, assumptus est in caelum et sedit a dextris Dei » (Mc 16,19). Corpus Christi, ab instanti Suae Resurrectionis, glorificatum est, ut id novae et supernaturales demonstrant proprietates, quibus exinde gaudet permanenter. 590 Sed per quadraginta dies, in quibus cum discipulis Suis familiariter manducabit et bibet 591 illosque circa Regnum instruet, 592 Eius gloria adhuc sub lineamentis humanitatis ordinariae manet velata. 593 Ultima Iesu apparitio ab irreversibili Eius humanitatis absolvitur ingressu in gloriam divinam a nube significatam 594 et a caelo, 595 ubi iam inde ad dexteram Dei sedet. 596 Ipse, modo prorsus exceptionali et unico, Paulo « tamquam abortivo » (1 Cor 15,8) manifestabitur in quadam ultima apparitione quae illum constituit Apostolum. 597
§ 660
O carácter velado da glória do Ressuscitado, durante este tempo, transparece na sua misteriosa palavra a Maria Madalena: « [...] ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus» (Jo 20, 17). Isto indica uma diferença entre a manifestação da glória de Cristo Ressuscitado e a de Cristo exaltado à direita do Pai. O acontecimento da ascensão, ao mesmo tempo histórico e transcendente, marca a transição duma para a outra.
Indoles gloriae Resuscitati per hoc tempus velata in Eius arcanis verbis ad Mariam Magdalenam translucet: « Nondum [...] ascendi ad Patrem; vade autem ad fratres meos et dic eis: Ascendo ad Patrem meum et Patrem vestrum, et Deum meum et Deum vestrum » (Io 20,17). Hoc differentiam denotat manifestationis inter gloriam Christi resuscitati et illam Christi exaltati ad dexteram Patris. Eventus Ascensionis simul historicus et transcendens transitum signat inter aliam et aliam.
§ 661
Esta última etapa continua intimamente unida à primeira, isto é, à descida do céu realizada na Encarnação. Só Aquele que «saiu do Pai» pode «voltar para o Pai»: Cristo (596). «Ninguém subiu ao céu senão Aquele que desceu do céu: o Filho do Homem» (Jo 3, 13) (597). Abandonada às suas forças naturais, a humanidade não tem acesso à «Casa do Pai» (598), à vida e à felicidade de Deus. Só Cristo Ode abrir ao homem este acesso: «subindo aos céus, como nossa cabeça e primogénito, deu-nos a esperança de irmos um dia ao seu encontro, como membros do seu corpo» (599).
Hic ultimus gressus stricte manet unitus primo, id est, descensui de caelis, qui in Incarnatione deductus est in rem. Ille tantum qui « ex Patre exivit » potest « ad Patrem redire »: Christus. 598 « Nemo ascendit in caelum, nisi qui descendit de caelo, Filius hominis » (Io 3,13). 599 Humanitas, suis viribus relicta naturalibus, in « Domum Patris » 600 accessum non habet, in vitam et in beatitudinem Dei. Solus Christus potuit homini hunc aperire accessum, « ut illuc confideremus, Sua membra, nos subsequi quo Ipse, Caput nostrum Principiumque praecessit ». 601
§ 662
«E Eu, uma vez elevado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32). A elevação na cruz significa e anuncia a elevação da ascensão aos céus. É o princípio dela, Jesus Cristo, o único sacerdote da nova e eterna Aliança, «não entrou num santuário feito por homens [...]. Entrou no próprio céu, a fim de agora se apresentar diante de Deus em nosso favor» (Heb 9, 24). Nos céus, Cristo exerce permanentemente o seu sacerdócio, «sempre vivo para interceder a favor daqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus» (Heb 7, 25). Como «sumo sacerdote dos bens futuros» (Heb 9, 11), Ele é o centro e o actor principal da liturgia que honra o Pai que está nos céus (600).
« Et ego, si exaltatus fuero a terra, omnes traham ad meipsum » (Io 12,32). Elevatio in cruce elevationem significat et annuntiat Ascensionis in caelum. Illa est eius initium. Iesus Christus, unicus Novi et aeterni Foederis Sacerdos, « non [...] in manufacta sancta [...] introivit [...], sed in ipsum caelum, ut appareat nunc vultui Dei pro nobis » (Heb 9,24). Christus in caelo permanenter sacerdotium exercet Suum, « semper vivens ad interpellandum pro eis » qui accedunt « per Semetipsum ad Deum » (Heb 7,25). Tamquam « Pontifex futurorum bonorum » (Heb 9,11), centrum est et principalis actor liturgiae quae Patrem honorat in caelis. 602
§ 663
Doravante, Cristo está sentado à direita do Pai: «Por direita do Pai entendemos a glória e a honra da divindade, em cujo seio Aquele que, antes de todos os séculos, existia como Filho de Deus, como Deus e consubstancial ao Pai, tomou assento corporalmente desde que encarnou e o seu corpo foi glorificado» (601).
Christus, exinde, sedet ad dexteram Patris: « Per paternae dextrae vocabulum significamus divinitatis honorem et gloriam, in qua cum Dei Filius, tamquam Deus Patrique consubstantialis, ante saecula esset, ad extremum caro factus corporeo quoque modo considet, in eamdem nimirum gloriam ascita Ipsius carne ». 603
§ 664
Sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino messiânico, cumprimento da visão do profeta Daniel a respeito do Filho do Homem: «Foi-Lhe entregue o domínio, a majestade e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu domínio é um domínio eterno, que não passará jamais, e a sua realeza não será destruída» (Dn 7, 14). A partir deste momento, os Apóstolos tornaram-se as testemunhas do «Reino que não terá fim» (602).Resumindo:
Sessio ad dexteram Patris inaugurationem significat Regni Messiae, adimpletionem visionis Danielis prophetae circa Filium hominis: « Et data sunt Ei potestas et honor et Regnum; et omnes populi, tribus et linguae Ipsi servierunt: potestas Eius potestas aeterna, quae non auferetur, et Regnum Eius, quod non corrumpetur » (Dn 7,14). Ab hoc momento, Apostoli testes facti sunt « Regni cuius non erit finis ». 604Compendium

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 665
A ascensão de Cristo marca a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, de onde há-de voltar (603) mas que, entretanto, O oculta aos olhos dos homens (604).
Christi Ascensio ingressum signat definitivum humanitatis Iesu in caelestem ditionem Dei, unde iterum veniet, 605 sed interim Eum hominum abscondit oculis. 606
§ 666
Jesus Cristo, cabeça da Igreja, precede-nos no Reino glorioso do Pai, para que nós, membros do seu corpo, vivamos na esperança de estarmos um dia eternamente com Ele.
Iesus Christus, Ecclesiae Caput, nos in Regnum Patris praecedit gloriosum, ut nos, Eius corporis membra, in spe vivamus quandoque aeterne cum Eo essendi.
§ 667
Jesus Cristo, tendo entrado, uma vez por todas, no santuário dos céus, intercede incessantemente por nós, como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo.
Iesus Christus, semel pro semper in sanctuarium ingressus caeleste, pro nobis incessanter intercedit tamquam mediator qui nobis permanenter Spiritus Sancti praestat effusionem. (590) Cf Lc 24,31; Io 20,19.26. (591) Cf Act 10,41. (592) Cf Act 1,3.(593) Cf Mc 16,12; Lc 24,15; Io 20,14-15; 21,4. (594) Cf Act 1,9; etiam Lc 9,34-35; Ex 13,22. (595) Cf Lc 24,51. (596) Cf Mc 16,19; Act 2,33; 7,56; etiam Ps 110,1. (597) Cf 1 Cor 9,1; Gal 1,16. (598) Cf Io 16,28. (599) Cf Eph 4,8-10. (600) Cf Io 14,2.(601) Praefatio de Ascensione Domini, I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 410. (602) Cf Apc 4,6-11. (603) Sanctus Ioannes Damascenus, Expositio fidei, 75 [De fide orthodoxa, 4, 2]: PTS 12, 173 (PG 94, 1104). (604) Cf Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (605) Cf Act 1,11. (606) Cf Col 3,3.

«DE ONDE HÁ-DE VIR A JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Voltará na sua glória»

§ 668
«Cristo morreu e voltou à vida para ser Senhor dos mortos e dos vivos» (Rm 14, 9). A ascensão de Cristo aos céus significa a sua participação, na sua humanidade, no poder e autoridade do próprio Deus. Jesus Cristo é Senhor: Ele possui todo o poder nos céus e na Terra. Está «acima de todo o principado, poder, virtude e soberania», porque o Pai «tudo submeteu a seus pés»(Ef 1, 20-22). Cristo é o Senhor do cosmos (605) e da história, N'Ele, a história do homem, e até a criação inteira, encon­tram a sua «recapitulação» (606), o seu acabamento transcendente.
« Christus et mortuus est et vixit, ut et mortuorum et vivorum dominetur » (Rom 14,9). Christi Ascensio in caelum participationem significat Eius humanitatis in Ipsius Dei potentia et auctoritate. Iesus Christus est Dominus: omnem potestatem possidet in caelis et in terra. Ipse est « supra omnem principatum et potestatem et virtutem et dominationem », quia Pater « omnia subiecit sub pedibus Eius » (Eph 1,20-22). Christus universi mundi est Dominus 607 atque historiae. In Eo historia hominis et etiam tota creatio suam inveniunt « recapitulationem », 608 suum culmen transcendens.

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«Voltará na sua glória»

§ 669
Como Senhor, Cristo é também a cabeça da Igreja, que é o seu corpo (607). Elevado ao céu e glorificado, tendo assim cumprido plenamente a sua missão, continua na terra por meio da Igreja. A redenção é a fonte da autoridade que Cristo, em virtude do Espírito Santo, exerce sobre a Igreja (608). «O Reino de Cristo já está misteriosamente presente na Igreja» (609), «gérmen e princípio deste mesmo Reino na Terra» (610).
Quatenus Dominus, Christus etiam Caput est Ecclesiae quae Eius est corpus. 609 In caelum elevatus et glorificatus, cum plene Suam missionem sic adimplevisset, in Ecclesia Sua permanet in terris. Redemptio fons est auctoritatis quam Christus virtute Spiritus Sancti in Ecclesiam exercet. 610 « Regnum Christi iam praesens in mysterio » 611 est in Ecclesia quae huius « Regni in terris germen et initium constituit ». 612
§ 670
Depois da ascensão, o desígnio de Deus entrou na sua consumação. Estamos já na «última hora» (1 Jo 2, 18) (611). «Já chegou pois, a nós, a plenitude dos tempos, a renovação do mundo já está irrevogavelmente adquirida e, de certo modo, encontra-se já realmente antecipada neste tempo: com efeito, ainda aqui na Terra, a Igreja está aureolada de uma verdadeira, embora imperfeita, santidade» (612). O Reino de Cristo manifesta já a sua presença pelos sinais miraculosos (613) que acompanham o seu anúncio pela Igreja (614).
Inde ab Ascensione, consilium Dei suam ingressum est adimpletionem. Iam sumus in « novissima hora » (1 Io 2,18). 613 « Iam ergo fines saeculorum ad nos pervenerunt et renovatio mundi irrevocabiliter est constituta atque in hoc saeculo reali quodam modo anticipatur: etenim Ecclesia iam in terris vera sanctitate licet imperfecta insignitur ». 614 Regnum Christi suam praesentiam per signa miraculosa iam manifestat, 615 quae eius per Ecclesiam comitantur nuntium. 616 ...donec omnia Ei subiiciantur

À ESPERA DE QUE TUDO LHE SEJA SUBMETIDO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Voltará na sua glória»

§ 671
Já presente na sua Igreja, o Reino de Cristo, contudo, ainda não está acabado «em poder e glória» (Lc 21, 27) (615) pela vinda do Rei à terra. Este Reino ainda é atacado pelos poderes do mal (616), embora estes já tenham sido radicalmente vencidos pela Páscoa de Cristo. Até que tudo Lhe tenha sido submetido (617), «enquanto não se estabelecem os novos céus e a nova terra, em que habita a justiça, a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à presente ordem temporal, leva a imagem passageira deste mundo e vive no meio das criaturas que gemem e sofrem as dores do parto, esperando a manifestação dos filhos de Deus» (618). Por este motivo, os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia (619), para que se apresse o regresso de Cristo (620), dizendo-Lhe: «Vem, Senhor» (Ap 22, 20) (621).
Tamen Regnum Christi, iam in Eius Ecclesia praesens, nondum est absolutum « cum potestate et gloria magna » (Lc 21,27) 617 per Adventum Regis in terram. Adhuc Regnum a potestatibus oppugnatur malis, 618 quamquam hae iam in radice sunt per Christi Pascha victae. Donec omnia Ei fuerint submissa, 619 « donec [...] fuerint novi caeli et nova terra, in quibus iustitia habitat, Ecclesia peregrinans, in suis sacramentis et institutionibus, quae ad hoc aevum pertinent, portat figuram huius saeculi quae praeterit et ipsa inter creaturas degit quae ingemiscunt et parturiunt usque adhuc et exspectant revelationem filiorum Dei ». 620 Hac de causa, christiani orant, maxime in Eucharistia, 621 ad Christi properandum reditum, 622 Ei dicentes: « Veni, Domine » (Apc 22,20). 623
§ 672
Cristo afirmou, antes da sua ascensão, que ainda não era a hora do estabelecimento glorioso do Reino messiânico esperado por Israel (622), o qual devia trazer a todos os homens, segundo os profetas (623), a ordem definitiva da justiça, do amor e da paz. O tempo presente é, segundo o Senhor, o tempo do Espírito e do testemunho (624) mas é também um tempo ainda marcado pela «desolação» (625) e pela provação do mal (626), que não poupa a Igreja (627) e inaugura os combates dos últimos dias (628). É um tempo de espera e de vigília (629).
Christus ante Suam Ascensionem affirmaverat nondum esse horam gloriosae constitutionis Regni messianici ab Israel exspectati, 624 quod omnibus hominibus afferre debebat, secundum Prophetas, 625 ordinem definitivum iustitiae, amoris et pacis. Tempus praesens est, secundum Dominum, Spiritus tempus et testimonii, 626 sed etiam tempus adhuc ab instanti necessitate 627 signatum et a probatione mali 628 quod Ecclesiae non parcet 629 et ultimorum dierum inaugurat proelium. 630 Tempus est exspectationis et vigiliae. 631 Adventus gloriosus Christi, spes Israel

A VINDA GLORIOSA DE CRISTO, ESPERANÇA DE ISRAEL

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

«Voltará na sua glória»

§ 673
A partir da ascensão, a vinda de Cristo na glória está iminente (630) mesmo que não nos «pertença saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade» (Act 1, 7) (631). Este advento escatológico pode realizar-se a qualquer momento (632), ainda que esteja «retido», ele e a provação final que o há-de preceder (633).
Post Ascensionem, Adventus Christi in gloria imminet, 632 quamquam non est nostrum « nosse tempora vel momenta, quae Pater posuit in Sua potestate » (Act 1,7). 633 Hic eventus eschatologicus in quolibet potest impleri momento, 634 quamquam tam ipse « detinetur » quam probatio finalis quae illum praecedet. 635
§ 674
A vinda do Messias glorioso está pendente, a todo o momento da história (634), do seu reconhecimento por «todo o Israel» (635), do qual «uma parte se endureceu» (636) na «incredulidade» (Rm 11, 20) em relação a Jesus. E Pedro quem diz aos judeus de Jerusalém, após o Pentecostes: «Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que os pecados vos sejam perdoados. Assim, o Senhor fará que venham os tempos de alívio e vos mandará o Messias Jesus, que de antemão vos foi destinado. O céu tem de O conservar até à altura da restauração universal, que Deus anunciou pela boca dos seus santos profetas de outrora» (Act 3, 19-21). E Paulo faz-se eco destas palavras: «Se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos?» (Rm 11, 15). A entrada da totalidade dos judeus (637) na salvação messiânica, a seguir à «conversão total dos pagãos» (638), dará ao povo de Deus ocasião de «realizar a plenitude de Cristo» (Ef 4, 13), na qual «Deus será tudo em todos» (1 Cor 15, 2).
Adventus Messiae gloriosi in quolibet historiae momento ab eo pendet 636 quod agnoscatur ab « omni Israel » 637 cuius pars est indurata 638 in « incredulitate » (Rom 11,2) relate ad Iesum. Sanctus Petrus Iudaeis Hierosolymorum dicit post Pentecosten: « Paenitemini igitur et convertimini, ut deleantur vestra peccata, ut veniant tempora refrigerii a conspectu Domini, et mittat Eum, qui praedestinatus est vobis Christus, Iesum, quem oportet caelum quidem suscipere usque in tempora restitutionis omnium, quae locutus est Deus per os sanctorum a saeculo suorum Prophetarum » (Act 3,19-21). Et sanctus Paulus ei resonat: « Si enim amissio eorum reconciliatio est mundi, quae assumptio nisi vita ex mortuis? » (Rom 11,15). Ingressus plenitudinis Iudaeorum 639 in salutem messianicam, post plenitudinem gentium, 640 populo Dei effectionem praebebit « plenitudinis Christi » (Eph 4,13), in qua erit « Deus omnia in omnibus » (1 Cor 15,28).Ultima Ecclesiae probatio

A ÚLTIMA PROVA DA IGREJA

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«Voltará na sua glória»

§ 675
Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes (639). A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra (640), porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado (641).
Ante Christi Adventum, Ecclesia probationem subire debet finalem quae fidem plurium credentium labefactabit. 641 Persecutio, quae eius peregrinationem comitatur in terris, 642 deteget « mysterium iniquitatis » sub forma religiosae fallaciae hominibus afferentis simulatam eorum problematibus solutionem penso pretio apostasiae a veritate. Fallacia religiosa suprema illa est Anti-Christi, id est, cuiusdam pseudo-messianismi in quo homo se ipsum glorificat loco Dei Eiusque Messiae qui in carne venit. 643
§ 676
Esta impostura anticrística já se esboça no mundo, sempre que se pretende realizar na história a esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela, através do juízo escatológico. A Igreja rejeitou esta falsificação do Reino futuro, mesmo na sua forma mitigada, sob o nome de milenarismo (642), e principalmente sob a forma política dum messianismo secularizado, «intrinsecamente perverso» (643).
Haec antichristica fallacia iam in mundo adumbratur quotiescumque intenditur messianicam in historia adimplere spem quae non nisi ultra historiam per iudicium eschatologicum perfici potest: Ecclesia hanc Regni futuri adulterationem, etiam sub eius forma mitigata, nomine millenarismi reiecit, 644 praecipue sub forma politica messianismi saecularizati, « intrinsecus pravi ». 645
§ 677
A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição (644). O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja (645) segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal (646), que fará descer do céu a sua Esposa (647). O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo final (648), após o último abalo cósmico deste mundo passageiro (649).
Ecclesia gloriam Regni non ingredietur nisi per hoc ultimum Pascha, in quo Dominum suum in Eius Morte Eiusque sequetur Resurrectione. 646 Regnum igitur per Ecclesiae triumphum historicum non adimplebitur 647 secundum progressum quemdam ascendentem, sed per Dei victoriam de ultimo mali impetu, 648 quae faciet ut Eius Sponsa de caelo descendat. 649 Dei triumphus de mali eversione formam sumet Iudicii ultimi, 650 post ultimam cosmicam excussionem huius mundi qui transit. 651 II. « Iudicare vivos et mortuos »

A ÚLTIMA PROVA DA IGREJA

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«Para julgar os vivos e os mortos»

§ 678
Na sequência dos profetas (650) e de João Baptista (651), Jesus anunciou, na sua pregação, o Juízo do último dia. Então será revelado o procedimento de cada um (652) e o segredo dos corações (653). Então, será condenada a incredulidade culpável, que não teve em conta a graça oferecida por Deus (654). A atitude tomada para com o próximo revelará a aceitação ou a recusa da graça e do amor divino (655). No último dia, Jesus dirá: «Sempre que o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes» (Mt 25, 40).
Iesus, post Prophetas 652 et Ioannem Baptistam, 653 in Sua praedicatione nuntiavit ultimi diei Iudicium. Tunc in luce ponentur rationes vivendi uniuscuiusque 654 et secretum cordium. 655 Tunc culpabilis condemnabitur incredulitas quae gratiam a Deo oblatam nihili fecit. 656 Habitus relate ad proximum revelabit acceptationem vel repulsionem gratiae et amoris divini. 657 Iesus ultimo die dicet: « Quamdiu fecistis uni de his fratribus meis minimis, mihi fecistis » (Mt 25,40).
§ 679
Cristo é Senhor da vida eterna. O pleno direito de julgar definitivamente as obras e os corações dos homens pertence-Lhe a Ele, enquanto redentor do mundo. Ele «adquiriu» este direito pela sua cruz. Por isso, o Pai entregou «ao Filho todo o poder de julgar» (Jo 5, 22) (656). Ora, o Filho não veio para julgar, mas para salvar (657) e dar a vida que tem em Si (658). É pela recusa da graça nesta vida que cada qual se julga já a si próprio (659), recebe segundo as suas obras (660) e pode, mesmo, condenar-se para a eternidade, recusando o Espírito de amor (661).Resumindo:
Christus Dominus est vitae aeternae. Plenum ius de operibus et cordibus hominum definitive iudicandi ad Eum pertinet quatenus mundi Redemptorem. Hoc ius per Suam « acquisivit » crucem. Etiam Pater « iudicium omne dedit Filio » (Io 5,22). 658 Filius autem non venit ut iudicet, sed ut salvet, 659 et ut donet vitam quae in Ipso est. 660 Per reiectionem gratiae in hac vita, unusquisque iam seipsum iudicat, 661 secundum sua recipit opera 662 et etiam se in aeternum damnare potest amoris reiiciens Spiritum. 663 Compendium

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 680
Cristo Senhor reina já pela Igreja, mas ainda não Lhe estão submetidas todas as coisas deste mundo. O triunfo do Reino de Cristo só será um facto, depois dum último assalto das forças do mal.
Christus Dominus iam per Ecclesiam regnat, sed huius mundi nondum sunt omnia Ei submissa. Triumphus Regni Christi sine ultimo quodam impetu potestatum mali non habebitur.
§ 681
No dia do Juízo, no fim do mundo, Cristo virá na sua glória para completar o triunfo definitivo do bem sobre o mal, os quais, como o trigo e o joio, terão crescido juntos no decurso da história.
Die Iudicii, in fine mundi, Christus in gloria veniet ad definitivum adimplendum triumphum boni de malo, quae, tamquam triticum et zizania, per historiae cursum simul creverint.
§ 682
Quando vier; no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos, Cristo glorioso há-de revelar a disposição secreta dos corações, e dará a cada um segundo as suas obras e segundo tiver aceite ou recusado a graça.
Christus gloriosus, in fine temporum veniens ad vivos et mortuos iudicandos, secretam cordium revelabit dispositionem et singulis hominibus retribuet secundum eorum opera et secundum eorum acceptionem vel reiectionem gratiae. (607) Cf Eph 4,10; 1 Cor 15,24.27-28. (608) Cf Eph 1,10. (609) Cf Eph 1,22. (610) Cf Eph 4,11-13. (611) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.(612) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.(613) Cf 1 Pe 4,7.(614) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.(615) Cf Mc 16,17-18.(616) Cf Mc 16,20.(617) Cf Mt 25,31.(618) Cf 2 Thess 2,7.(619) Cf 1 Cor 15,28.(620) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.(621) 1 Cor 11,26.(622) Cf 2 Pe 3,11-12.(623) Cf 1 Cor 16,22; Apc 22,17. (624) Cf Act 1,6-7. (625) Cf Is 11,1-9. (626) Cf Act 1,8. (627) Cf 1 Cor 7,26. (628) Cf Eph 5,16. (629) Cf 1 Pe 4,17. (630) Cf 1 Io 2,18; 4,3; 1 Tim 4,1. (631) Cf Mt 25,1-13; Mc 13,33-37. (632) Cf Apc 22,20. (633) Cf Mc 13,32. (634) Cf Mt 24,44; 1 Thess 5,2. (635) Cf 2 Thess 2,3-12. (636) Cf Rom 11,31. (637) Cf Rm 11,26; Mt 23,39. (638) Cf Rom 11,25. (639) Cf Rom 11,12. (640) Cf Rom 11,25; Lc 21,24. (641) Cf Lc 18,8; Mt 24,12. (642) Cf Lc 21,12; Io 15,19-20. (643) Cf 2 Thess 2,4-12; 1 Thess 5,2-3; 2 Io 7; 1 Io 2,18.22.(644) Cf Sanctum Officium, Decretum de millenarismo (19 iulii 1944): DS 3839.(645) Cf Pius XI, Litt. enc. Divini Redemptoris (19 martii 1937): AAS 29 (1937) 65-106, condemnans « molimina simulato mystico sensu » huius « fucatae tenuiorum redemptionis speciei » (p. 69); Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 20-21: AAS 58 (1966) 1040-1042.(646) Cf Apc 19,1-9.(647) Cf Apc 13,8.(648) Cf Apc 20,7-10.(649) Cf Apc 21,2-4.(650) Cf Apc 20,12.(651) Cf 2 Pe 3,12-13.(652) Cf Dn 7,10; Il 3-4; Mal 3,19. (653) Cf Mt 3,7-12. (654) Cf Mc 12,38-40. (655) Cf Lc 12,1-3; Io 3,20-21; Rom 2,16; 1 Cor 4,5.(656) Cf Cf Mt 11,20-24; 12,41-42. (657) Cf Mt 5,22; 7,1-5. (658) Cf Io 5,27; Mt 25,31; Act 10,42; 17,31; 2 Tim 4,1.(659) Cf Io 3,17.(660) Cf Io 5,26.(661) Cf Io 3,18; 12,48.(662) Cf 1 Cor 3,12-15. (663) Cf Mt 12,32; Heb 6,4-6; 10,26-31.

CREIO NO ESPÍRITO SANTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 683
«Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor" a não ser pela acção do Espírito Santo» (1Cor 12, 3). «Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: "Abbá! Pai!'» (Gl 4, 6). Este conhecimento da fé só é possível no Espírito Santo. Para estar em contacto com Cristo, é preciso primeiro ter sido tocado pelo Espírito Santo. É Ele que nos precede e suscita em nós a fé. Em virtude do nosso Baptismo, primeiro sacramento da fé, a Vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida no Filho, é-nos comunicada, íntima e pessoalmente, pelo Espírito Santo na Igreja:

O Baptismo «dá-nos a graça do novo nascimento em Deus Pai, por meio do Filho no Espírito Santo. Porque aqueles que têm o Espírito de Deus são conduzidos ao Verbo, isto é, ao Filho: mas o Filho apresenta-os ao Pai, e o Pai dá-lhes a incorruptibilidade. Portanto, sem o Espírito não é possível ver o Filho de Deus, e sem o Filho ninguém tem acesso ao Pai, porque o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus faz-se pelo Espírito Santo»(1).

« Nemo potest dicere: "Dominus Iesus", nisi in Spiritu Sancto » (1 Cor 12,3). « Misit Deus Spiritum Filii Sui in corda nostra clamantem: "Abba, Pater!" » (Gal 4,6). Haec fidei cognitio nonnisi in Spiritu Sancto possibilis est. Ut quis in communione sit cum Christo, necessarium est imprimis ut a Spiritu Sancto tangatur. Ipse nos praecedit fidemque in nobis suscitat. Per nostrum Baptisma, primum fidei sacramentum, vita, quae suum in Patre habet fontem et nobis offertur in Filio, intime et personaliter a Spiritu Sancto communicatur in Ecclesia:

Baptismus « nobis gratiam praebet novae nativitatis in Deo Patre per Filium Suum in Spiritu Sancto. Quia illi qui Spiritum Dei portant, conducuntur ad Verbum, id est, ad Filium; sed Filius illos Patri praesentat et Pater illis incorruptibilitatem procurat. Sine Spiritu igitur possibile non est Filium Dei videre, et sine Filio nemo potest ad Patrem appropinquare, quia cognitio Patris est Filius et cognitio Filii Dei fit per Spiritum Sanctum ».1

§ 684
O Espírito Santo, pela sua graça, é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova que consiste em conhecer o Pai e Aquele que Ele enviou, Jesus Cristo (2). No entanto, Ele é o último na revelação das Pessoas da Santíssima Trindade. São Gregário de Nazianzo, «o Teólogo», explica esta progressão pela pedagogia da «condescendência» divina:

«O Antigo Testamento proclamava manifestamente o Pai e mais obscuramente o Filho. O Novo manifestou o Filho e fez entrever a divindade do Espírito. Agora, porém, o próprio Espírito vive connosco e manifesta-se a nós mais abertamente. Com efeito, quando ainda não se confessava a divindade do Pai, não era prudente proclamar abertamente o Filho: e quando a divindade do Filho ainda não era admitida, não era prudente acrescentar o Espírito Santo como um fardo suplementar, para empregar uma expressão um tanto ousada [...] É por avanços e progressões "de glória em glória " que a luz da Trindade brilhará em mais esplendorosas claridades» (3).

Spiritus Sanctus, gratia Sua, primus est in fide excitanda nostra et in vita nova quae solum Patrem cognoscere est et quem Ipse misit, Iesum Christum.2 Ille tamen est ultimus in revelatione Personarum Sanctissimae Trinitatis. Sanctus Gregorius Nazianzenus, « Theologus », hanc progressionem per « condescendentiae » divinae explicat paedagogiam:

« Vetus Testamentum Patrem aperte praedicabat, Filium obscurius. Novum autem nobis Filium perspicue ostendit, et Spiritus divinitatem subobscure quodammodo indicavit. Nunc vero Spiritus Ipse nobiscum versatur, seseque nobis apertius declarat. Neque enim tutum erat, Patris divinitate nondum confessa, Filium aperte praedicari: nec Filii divinitate nondum admissa, Spiritum Sanctum velut graviorem quamdam, si ita loqui fas est, sarcinam nobis ingeri: [...] quin tacitis potius accessionibus et [...] ascensionibus, atque "e claritate in claritatem" progressionibus et incrementis, Trinitatis lumen splendoribus illuceret ».3

§ 685
Crer no Espírito é, portanto, professar que o Espírito Santo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, «adorado e glorificado com o Pai e o Filho» (4). É por isso que tratamos do mistério divino do Espírito Santo na «teologia» trinitária. Portanto, aqui só trataremos do Espírito Santo no âmbito da «economia» divina.
In Spiritum Sanctum credere est proinde profiteri Spiritum Sanctum Unam ex Personis esse Sanctissimae Trinitatis, Patri et Filio consubstantialem, quae « cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur ».4 Hac de causa, de divino Spiritus Sancti mysterio in « theologia trinitaria » quaestio posita est. Hic igitur de Spiritu Sancto nonnisi in « Oeconomia » agetur divina.
§ 686
O Espírito Santo age juntamente com o Pai e o Filho, desde o princípio até à consumação do desígnio da nossa salvação. Mas é nestes «últimos tempos», inaugurados com a Encarnação redentora do Filho, que Ele é revelado e dado, reconhecido e acolhido como Pessoa. Então, esse desígnio divino, consumado em Cristo, «Primogénito» e Cabeça da nova criação, poderá tomar corpo na humanidade pelo Espírito derramado: a Igreja, a comunhão dos santos, a remissão dos pecados, a ressurreição da carne, a vida eterna.
Spiritus Sanctus ab initio usque ad consummationem consilii nostrae salutis cum Patre operatur et Filio. Sed tantum « ultimis temporibus » ab Incarnatione redemptrice Filii inauguratis, revelatur et donatur, agnoscitur et accipitur tamquam Persona. Tunc hoc consilium divinum, impletum in Christo, novae creationis « Primogenito » et Capite, corpus in humano genere per Spiritum effusum sumere poterit: Ecclesiam, sanctorum communionem, remissionem peccatorum, carnis resurrectionem, vitam aeternam.  (1) 9 Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Demonstratio praedicationis apostolicae, 7: SC 62, 41-42. (2) Cf Io 17,3.(3) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 31 (Theologica 5), 26: SC 250, 326 (PG 36, 161-164).(4) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150.

«CREIO NO ESPÍRITO SANTO»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 687
«Ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus» (1 Cor 2, 11). Ora, o seu Espírito, que O revela, faz-nos conhecer Cristo, seu Verbo, sua Palavra viva; mas não Se diz a Si próprio. Aquele que «falou pelos profetas» (5) faz-nos ouvir a Palavra do Pai. Mas a Ele, nós não O ouvimos. Não O conhecemos senão no movimento em que Ele nos revela o Verbo e nos dispõe a acolhê-Lo na fé. O Espírito de verdade, que nos «revela» Cristo, «não fala de Si próprio» (6). Tal escondimento, propriamente divino, explica porque é que «o mundo não O pode receber, porque não O vê nem O conhece», enquanto aqueles que crêem em Cristo O conhecem, porque habita com eles e está neles (Jo 14, 17).
« Quae Dei sunt, nemo cognovit nisi Spiritus Dei » (1 Cor 2,11). Nunc vero Spiritus qui Eum revelat, nobis praebet Christum cognoscere, Verbum Eius vivum, sed Semetipsum non exprimit. « Qui locutus est per Prophetas »5 nobis Verbum Patris praebet audire. Sed Eum non audimus. Eum non cognoscimus nisi in motu in quo nobis Verbum revelat nosque disponit ad Illud in fide accipiendum. Spiritus veritatis qui nobis « detegit » Christum, non loquitur a Semetipso.6 Talis occultatio proprie divina explicat cur Eum « mundus non potest accipere, quia non videt Eum nec cognoscit » (Io 14,17), dum illi qui in Christum credunt, Eum cognoscunt, quia cum illis manet.
§ 688
A Igreja, comunhão viva na fé dos Apóstolos que ela transmite, é o lugar do nosso conhecimento do Espírito Santo:

— Nas Escrituras, que Ele inspirou:
— na Tradição, de que os Padres da Igreja são testemunhas sempre actuais;
— no Magistério da Igreja, que Ele assiste;
— na liturgia sacramental, através das suas palavras e dos seus símbolos, em que o Espírito Santo nos põe em comunhão com Cristo;
—  na oração, em que Ele intercede por nós;
—  nos carismas e ministérios, pelos quais a Igreja é edificada;
— nos sinais de vida apostólica e missionária;
—  no testemunho dos santos, nos quais Ele manifesta a sua santidade e continua a obra da salvação.

Ecclesia, communio viva in Apostolorum fide quam transmittit, locus est nostrae cognitionis de Spiritu Sancto:

— in Scripturis quas Ipse inspiravit;
— in Traditione, cuius Patres testes sunt semper actuales;
— in Ecclesiae Magisterio, cui Ipse assistit;
— in liturgia sacramentali, per eius verba et symbola, in quibus Spiritus Sanctus nos in communionem ponit cum Christo;
— in oratione, in qua Ipse pro nobis intercedit;
— in charismatibus et ministeriis, per quae Ecclesia aedificatur:
— in signis vitae apostolicae et missionalis;
— in sanctorum testimoniis, in quibus Ipse Suam manifestat sanctitatem et salutis prosequitur opus.

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A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A missão conjunta do Filho e do Espírito

§ 689
Aquele que o Pai enviou aos nossos corações, o Espírito do seu Filho (7), é realmente Deus. Consubstancial ao Pai e ao Filho, é d'Eles inseparável, tanto na vida íntima da Trindade como no seu dom de amor pelo mundo. Mas ao adorar a Santíssima Trindade, vivificante, consubstancial e indivisível, a fé da Igreja professa também a distinção das Pessoas. Quando o Pai envia o seu Verbo, envia sempre o seu Espírito: missão conjunta na qual o Filho e o Espírito Santo são distintos mas inseparáveis. Sem dúvida, é Cristo quem aparece, Ele que é a Imagem visível de Deus invisível; mas é o Espírito Santo quem O revela.
Ille quem Pater in nostra misit corda, Spiritus Filii Eius7 vere Deus est. Ille, Patri et Filio consubstantialis, est ab Eis inseparabilis tam in vita Trinitatis intima quam in Eius dono amoris pro mundo. Sed fides Ecclesiae, Sanctissimam Trinitatem adorans vivificantem, consubstantialem et indivisibilem, etiam Personarum profitetur distinctionem. Cum Pater Suum mittit Verbum, semper Spiritum mittit Suum: missio coniuncta in qua Filius et Spiritus Sanctus distincti sunt, sed inseparabiles. Christus est utique qui apparet, Ipse Imago visibilis Dei invisibilis, sed est Spiritus Sanctus qui Eum revelat.
§ 690
Jesus é Cristo, «ungido», porque o Espírito é d'Ele a Unção; e tudo quanto acontece a partir da Encarnação, decorre desta plenitude (8). Finalmente, quando Cristo é glorificado (9), pode, por sua vez, enviar de junto do Pai, o Espírito, aos que crêem n'Ele: comunica-lhes a sua glória (10), quer dizer, o Espírito Santo que O glorifica (11). A missão conjunta desenvolver-se-á, a partir desse momento, nos filhos adoptados pelo Pai no Corpo do seu Filho: a missão do Espírito de adopção consistirá em uni-los a Cristo e fazê-los viver n' Ele:

«A unção sugere... que não há nenhuma distância entre o Filho e o Espírito. Com efeito, do mesmo modo que entre a superfície do corpo e a unção do óleo, nem a razão nem os sentidos encontram qualquer entremeio, assim é imediato o contacto do Filho com o Espírito, de tal modo que aquele que vai tomar contacto com o Filho pela fé, tem que contactar primeiro com o óleo. Com efeito, não há pane alguma que esteja despida do Espírito Santo. É por isso que a confissão do Senhorio do Filho se faz no Espírito Santo para aqueles que a recebem, pois o Espírito vem, de todos os lados, ao encontro daqueles que se aproximam pela fé» (12).

Iesus est Christus, « unctus », quia Spiritus Unctio Eius est, et quidquid inde ab Incarnatione evenit, ab hac profluit plenitudine.8 Cum denique Christus est glorificatus,9 potest, Sua vice, apud Patrem, illis, qui in Eum credunt, Spiritum mittere: Ipse illis Suam communicat gloriam,10 id est, Spiritum Sanctum qui Eum glorificat.11 Coniuncta missio exinde in adoptatos a Patre expandetur filios in corpore Filii Eius: missio Spiritus adoptionis erit illos cum Christo coniungere et efficere ut in Eo vivant.

« Unctionis autem [...] significatio est ut nullam inter Filium et Sanctum Spiritum distantiam esse putemus; nam sicuti inter corporis cutem et olei unctionem nihil intermedium nec ratio nec sensus novit, ita indivisa est Filii copulatio cum Sancto Spiritu, ita ut opus sit eum qui Christum fide velit attingere, antea accedere ad unguenti contactum: nullum est enim membrum illud, quod Spiritu Sancto sit nudum. Propterea confessio de Filii dominatu, in Sancto Spiritu a recipientibus fit, quibus per fidem accedentibus undique occurrit Sanctus Spiritus ».12

O NOME PRÓPRIO DO ESPÍRITO SANTO

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O nome, as designações e os símbolos do Espírito Santo

§ 691
«Espírito Santo», tal á o nome próprio d'Aquele que adoramos e glorificamos com o Pai e o Filho. A Igreja recebeu este nome do Senhor e professa-o no Baptismo dos seus novos filhos (13).O termo «Espírito» traduz o termo hebraico « Ruah» que, na sua primeira acepção, significa sopro, ar, vento. Jesus utiliza precisamente a imagem sensível do vento para sugerir a Nicodemos a novidade transcendente d'Aquele que é pessoalmente o Sopro de Deus, o Espírito divino (14). Por outro lado, Espírito e Santo são atributos divinos comuns às três Pessoas divinas. Mas, juntando os dois termos, a Escritura, a Liturgia e a linguagem teológica designam a Pessoa inefável do Espírito Santo, sem equívoco possível com os outros empregos dos termos «espírito» e «santo».
« Spiritus Sanctus », tale nomen est proprium Illius quem cum Patre et Filio adoramus et glorificamus. Ecclesia hoc nomen a Domino recepit et id in Baptismate novorum filiorum confitetur suorum.13 Verbum « Spiritus » vocem Ruah vertit Hebraicam quae, in suo primo sensu, flatum, aerem, ventum significat. Iesus hac venti praecise imagine utitur sensibili ut Nicodemo transcendentem suggerat novitatem Illius qui est personaliter Dei Afflatus, divinus Spiritus.14 Ex alia parte, Spiritus et Sanctus attributa sunt divina Tribus divinis Personis communia. Sed Scriptura, liturgia et theologicus sermo, haec duo coniungentes vocabula, Personam ineffabilem denotant Spiritus Sancti sine ulla possibili aequivocatione cum aliis usibus verborum « spiritus » et « sanctus ».Spiritus Sancti appellationes

AS DESIGNAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO

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O nome, as designações e os símbolos do Espírito Santo

§ 692
Jesus, ao anunciar e prometer a vinda do Espírito Santo, chama-Lhe o «Paráclito», que, à letra, quer dizer: «aquele que é chamado para junto», ad vocatus (Jo 14, 16. 26; 15, 26; 16, 7). «Paráclito» traduz-se habitualmente por «Consolador», sendo Jesus o primeiro consolador (15). O próprio Senhor chama ao Espírito Santo «o Espírito da verdade» (16).
Cum Iesus Spiritus Sancti annuntiat et promittit Adventum, Eum Paráclito appellat, seu litteraliter: « illum qui prope appellatur », advocatum (Io 14,16.26; 15,26; 16,7). Paráclito solet verti ut « Consolator », cum Iesus primus consolator sit.15 Ipse Dominus Spiritum Sanctum « Spiritum veritatis » appellat.16
§ 693
Além do seu nome próprio, que é o mais empregado nos Actos dos Apóstolos e nas epístolas, encontramos em S. Paulo as designações: Espírito da promessa (Gl 3, 14; Ef 1, 13), Espírito de adopção (Rm 8, 15: Gl 4, 6), Espírito de Cristo (Rm 8, 9), Espírito do Senhor (2 Cor 3, 17). Espírito de Deus (Rm 8, 9. 14; 15, 19; 1 Cor 6, 11; 7, 40), e em S. Pedro, Espírito de glória (1 Pe 4, 14).
Praeter proprium Eius nomen, quod in Actibus Apostolorum et in Epistulis est maxime adhibitum, apud sanctum Paulum inveniuntur appellationes: Spiritus Promissionis (Eph 1,13; Gal 3,14), Spiritus adoptionis (Rom 8,15; Gal 4,6), Spiritus Christi (Rom 8,9), Spiritus Domini (2 Cor 3,17), Spiritus Dei (Rom 8,9.14; 15,19; 1 Cor 6,11; 7,40), et apud sanctum Petrum, Spiritus gloriae (1 Pe 4,14). Spiritus Sancti symbola

OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

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O nome, as designações e os símbolos do Espírito Santo

§ 694
A água. O simbolismo da água é significativo da acção do Espírito Santo no Baptismo, pois que, após a invocação do Espírito Santo, ela torna-se o sinal sacramental eficaz do novo nascimento. Do mesmo modo que a gestação do nosso primeiro nascimento se operou na água, assim a água baptismal significa realmente que o nosso nascimento para a vida divina nos é dado no Espírito Santo. Mas, «baptizados num só Espírito», «a todos nos foi dado beber de um único Espírito» (1 Cor 12, 13): portanto, o Espírito é também pessoalmente a Agua viva que brota de Cristo crucificado (17) como da sua fonte, e jorra em nós para a vida eterna (18).
Aqua. Symbolum aquae significat actionem Spiritus Sancti in Baptismo, propterea quod ea post invocationem Spiritus Sancti signum sacramentale efficax novae fit nativitatis: sicut nostrae primae nativitatis graviditas in aqua peracta est, sic aqua baptismalis re vera significat nostram nativitatem ad vitam divinam in Spiritu Sancto donari. Sed, « in uno Spiritu [...] baptizati », « et omnes unum Spiritum potati sumus » (1 Cor 12,13): Spiritus est igitur etiam personaliter Aqua viva quae e Christo oritur crucifixo17 tamquam de suo fonte et quae in nobis salit in vitam aeternam.18
§ 695
A unção. O simbolismo da unção com óleo é também significativo do Espírito Santo, a ponto de se tomar o seu sinónimo (19). Na iniciação cristã, ela é o sinal sacramental da Confirmação, que justamente nas Igrejas Orientais se chama «Crismação». Mas, para lhe apreender toda a força, temos de voltar à primeira unção realizada pelo Espírito Santo: a de Jesus. Cristo («Messias» em hebraico) significa «ungido» pelo Espírito de Deus. Houve «ungidos» do Senhor na antiga Aliança (20), sobretudo o rei David (21). Mas Jesus é o ungido de Deus de maneira única: a humanidade que o Filho assume é totalmente «ungida pelo Espírito Santo». Jesus é constituído «Cristo» pelo Espírito Santo (22). A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que pelo anjo O anuncia como Cristo aquando do seu nascimento (23) e leva Simeão a ir ao templo ver o Cristo do Senhor (24). É Ele que enche Cristo (25) e cujo poder emana de Cristo nos seus actos de cura e salvamento (26). Finalmente, é Ele que ressuscita Jesus de entre os mortos (27). Então, plenamente constituído «Cristo» na sua humanidade vencedora da morte (28), Jesus difunde em profusão o Espírito Santo, até que «os santos» constituam, na sua união à humanidade do Filho de Deus, o «homem adulto à medida completa da plenitude de Cristo» (Ef 4, 13), «o Cristo total», para empregar a expressão de Santo Agostinho (29).
Unctio. Symbolum unctionis olei etiam Spiritum Sanctum significat ita ut Eius efficiatur synonymon.19 Illa est, in initiatione christiana, signum sacramentale Confirmationis, quae praecise in Ecclesiis Orientalibus appellatur « Chrismatio ». Sed ut tota eius vis intelligatur, oportet ad primam unctionem redire a Spiritu Sancto peractam: illam Iesu. Christus (« Messias » a lingua Hebraica) « unctum » Spiritus Dei significat. In Vetere Foedere, quidam « uncti » Domini fuerunt,20 rex David modo eminenti.21 Sed Iesus est Unctus Dei singulariter: humanitas quam Filius assumit, totaliter est « uncta Spiritus Sancti ». Iesus a Spiritu Sancto « Christus » est constitutus.22 Virgo Maria Christum concipit de Spiritu Sancto, qui Eum ut Christum per angelum annuntiat in Eius Nativitate,23 et Simeonem impellit ut in Templum veniat ad Christum videndum Domini;24 Ipse Christum implet25 et Eius virtus a Christo exit in Huius actibus sanationis et salutis.26 Ipse denique Iesum a mortuis resuscitat.27 Tunc Iesus, plene « Christus » in Sua humanitate mortis victrice constitutus,28 profuse Spiritum Sanctum effundit donec « sancti », in sua unione cum humanitate Filii Dei, constituant illum « virum perfectum, in mensuram aetatis plenitudinis Christi » (Eph 4,13): « totum Christum », secundum sancti Augustini locutionem.29
§ 696
O fogo. Enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo. O profeta Elias, que «apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente» (Sir 48, 1), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo (30), figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Baptista, que «irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias» (Lc 1, 17), anuncia Cristo como Aquele que «há-de baptizar no Espírito Santo e no fogo» (Lc 3, 16), aquele Espírito do qual Jesus dirá: «Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado!» (Lc 12, 49). É sob a forma de línguas, «uma espécie de línguas de fogo», que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si (31). A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da acção do Espírito Santo (32). «Não apagueis o Espírito!» (1 Ts 5, 19).
Ignis. Dum aqua nativitatem significabat et fecunditatem vitae in Spiritu Sancto datae, ignis symbolum est virtutis transformantis actuum Spiritus Sancti. Propheta Elias, qui « surrexit [...] quasi ignis et verbum ipsius quasi facula ardebat » (Eccli 48,1), perorationem suam de caelo super sacrificium montis Carmeli30 attraxit ignem, ut figuram ignis Sancti Spiritus qui id transformat quod tangit. Ioannes Baptista, qui praecedit ante Dominum « "in spiritu" et virtute Eliae » (Lc 1,17), Christum annuntiat tamquam Illum qui « baptizabit in Spiritu Sancto et igni » (Lc 3,16), in Illo Spiritu de quo Iesus dicet: « Ignem veni mittere in terram et quid volo? Si iam accensus esset! » (Lc 12,49). Sub imagine linguarum « tamquam ignis », Spiritus Sanctus super discipulos sedet mane Pentecostes eosque Secum replet.31 Traditio spiritualis hoc ignis symbolum tamquam actionis Spiritus Sancti retinebit maxime expressivum:32 « Spiritum nolite extinguere » (1 Thess 5,19).
§ 697
A nuvem e a luz. Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as teofanias do Antigo Testamento, a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador, velando a transcendência da sua glória: a Moisés no monte Sinai (33), na tenda da reunião (34) e durante a marcha pelo deserto (35); a Salomão, aquando da dedicação do templo (36). Ora estas figuras são realizadas por Cristo no Espírito Santo. É Ele que desce sobre a Virgem Maria e a cobre «com a sua sombra», para que conceba e dê à luz Jesus (37). No monte da transfiguração, é Ele que «sobrevém na nuvem que cobriu da sua sombra» Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João, nuvem da qual se fez ouvir uma voz que dizia: "Este é o meu Filho, o meu Eleito, escutai-O!"» (Lc 9, 35). E, enfim, a mesma nuvem que «esconde Jesus aos olhos» dos discípulos no dia da Ascensão (38) e que O revelará como Filho do Homem na sua glória, no dia da sua vinda (39).
Nubes et lumen. Haec duo symbola in Spiritus Sancti manifestationibus inseparabilia sunt. Inde a Veteris Testamenti theophaniis, nubes sive obscura sive luminosa Deum revelat viventem et salvatorem, transcendentiam velans Eius gloriae; cum Moyse in monte Sinai,33 in Tabernaculo Conventus34 et per iter in deserto;35 cum Salomone occasione dedicationis Templi.36 Hae igitur figurae a Christo in Spiritu Sancto adimplentur. Hic super Virginem venit Mariam eamque « obumbrat » ut ipsa Iesum concipiat et pariat.37 In monte Transfigurationis, Ipse supervenit in nube quae Iesum, Moysen et Eliam, necnon Petrum, Iacobum et Ioannem, obumbrat « et vox facta est de nube dicens: "Hic est Filius meus electus; Ipsum audite" » (Lc 9,35). Eadem denique nubes « suscepit Iesum ab oculis » discipulorum in die Ascensionis38 et Filium hominis in Eius revelabit gloria in Die Adventus Eius.39
§ 698
O selo é um símbolo próximo do da unção. Com efeito, foi a Cristo que «Deus marcou com o seu selo» (Jo 6, 27) e é n'Ele que o Pai nos marca também com o seu selo» (40). Porque indica o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Ordem, a imagem do selo («sphragis») foi utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o «carácter» indelével, impresso por estes três sacramentos, que não podem ser repetidos.
Sigillum symbolum est propinquum illi unctionis. Christus utique est Ille quem « Pater signavit Deus » (Io 6,27) et in Illo nos etiam Pater signat.40 Imago sigilli (sphragis), quia effectum denotat indelebilem unctionis Spiritus Sancti in sacramentis Baptismi, Confirmationis et Ordinis, in quibusdam traditionibus theologicis adhibita est ad exprimendum « characterem » indelebilem ab his tribus impressum sacramentis quae iterari non possunt.
§ 699
A mão. É pela imposição das mãos que Jesus cura os doentes (41) e abençoa as crianças (42). O mesmo farão os Apóstolos, em seu nome (43). Ainda mais: é pela imposição das mãos dos Apóstolos que o Espírito Santo é dado (44). A Epístola aos Hebreus coloca a imposição das mãos no número dos «artigos fundamentais» do seu ensino (45). Este sinal da efusão omnipotente do Espírito Santo, guarda-o a Igreja nas suas epicleses sacramentais.
Manus. Iesus, manus imponens, aegrotos sanabat41 et pueris benedicebat.42 Apostoli eodem facient modo in nomine Eius.43 Immo, Spiritus Sanctus per impositionem manuum datur Apostolorum.44 Epistula ad Hebraeos impositionem manuum inter « fundamentales articulos » enumerat suae doctrinae.45 Ecclesia hoc signum omnipotentis effusionis Spiritus Sancti in suis sacramentalibus servavit Epiclesibus.
§ 700
O dedo. «É pelo dedo de Deus que Jesus expulsa os demónios» (46). Se a Lei de Deus foi escrita em tábuas de pedra «pelo dedo de Deus» (Ex 31, 18), a «carta de Cristo», entregue ao cuidado dos Apóstolos, «é escrita com o Espírito de Deus vivo: não em placas de pedra, mas em placas que são corações de carne» (2 Cor 3, 3). O hino «Veni Creator Spiritus» invoca o Espírito Santo como «digitus paternae dexterae» — «Dedo da mão direita do Pai» (47).
Digitus. « In digito Dei eiicit Iesus daemonia ».46 Si Lex Dei in tabulis lapideis « digito Dei » (Ex 31,18) scripta est, « epistula Christi », Apostolorum curae concredita, est « scripta [...] Spiritu Dei vivi, non in tabulis lapideis sed in tabulis cordis carnalibus » (2 Cor 3,3). Hymnus « Veni Creator Spiritus » Spiritum Sanctum verbis invocat: « dextrae Dei Tu digitus ».47
§ 701
A pomba. No final do dilúvio (cujo simbolismo tem a ver com o Baptismo), a pomba solta por Noé regressa com um ramo verde de oliveira no bico, sinal de que a terra é outra vez habitável /48). Quando Cristo sobe das águas do seu baptismo, o Espírito Santo, sob a forma duma pomba, desce e paira sobre Ele (49). O Espírito desce e repousa no coração purificado dos baptizados. Em certas igrejas, a sagrada Reserva eucarística é conservada num relicário metálico em forma de pomba (o columbarium) suspenso sobre o altar. O símbolo da pomba para significar o Espírito Santo é tradicional na iconografia cristã.
Columba. In fine diluvii (cuius symbolum ad Baptismum spectat), columba a Noe dimissa redit, olivae virentem in ore portans ramum, significantem terram iterum habitabilem esse.48 Cum Iesus ex aqua Sui ascendit baptismi, Spiritus Sanctus sub columbae forma super Eum descendit et manet.49 Spiritus in cor purificatum descendit baptizatorum ibique quiescit. In quibusdam ecclesiis, sancta eucharistica Asservatio in receptaculo metallico fit formam columbae habenti (in columbario) super altare suspenso. Symbolum columbae ad Spiritum Sanctum denotandum in iconographia christiana traditionale est. III. Spiritus et Verbum Dei in promissionum tempore

OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

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O Espírito e a Palavra de Deus, no tempo das promessas

§ 702
Desde o princípio até à «plenitude do tempo» (50), a missão conjunta do Verbo e do Espírito do Pai permanece oculta, mas está actuante. O Espírito de Deus prepara o tempo do Messias: e um e outro, ainda não plenamente revelados, já são prometidos com o fim de serem esperados e acolhidos quando da sua manifestação. É por isso que, quando a Igreja lê o Antigo Testamento (51) perscruta nele (52) o que o Espírito, «que falou pelos profetas» (53), nos quer dizer acerca de Cristo.Por «profetas», a fé da Igreja entende aqui todos aqueles que o Espírito Santo inspirou no anúncio vivo e na redacção dos Livros santos, tanto do Antigo como do Novo Testamento. A tradição judaica distingue a Lei (os cinco primeiros livros ou Pentateuco), os Profetas (os livros ditos históricos e proféticos) e os Escritos (sobretudo sapienciais, em particular os Salmos) (54).
Ab initio usque ad « Plenitudinem temporis »,50 missio coniuncta Verbi et Spiritus Patris occulta manet, sed ea operatur. Spiritus Dei tempus praeparat Messiae, et ambo, quin adhuc plene sint revelati, iam promissi sunt ut exspectentur et accipiantur cum Eorum fiat manifestatio. Hac de causa, Ecclesia cum Vetus legit Testamentum,51 scrutatur52 id quod Spiritus « qui locutus est per Prophetas »,53 nobis de Christo dicere intendit.Verbo « prophetae », fides Ecclesiae hic intelligit omnes illos quos Spiritus Sanctus inspiravit in viva annuntiatione et in Libris Sanctis redigendis tam Veteris quam Novi Testamenti. Traditio Iudaica distinguit Legem (quinque primos libros seu Pentateuchum), Prophetas (libros quos historicos et propheticos dicimus) et Scripta (praecipue libros sapientiales et Psalmos).54In creatione

NA CRIAÇÃO

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§ 703
A Palavra de Deus e o seu Espírito estão na origem do ser e da vida de todas as criaturas (55).

É próprio do Espírito Santo reinar, santificar e animar a criação, porque Ele é Deus consubstancial ao Pai e ao Filho [...]. Pertence-Lhe o poder sobre a vida, porque, sendo Deus, guarda a criação no Pai pelo Filho (56).

Verbum Dei et Eius Afflatus in origine sunt exsistentiae et vitae omnis creaturae:55

« Spiritui Sancto convenit regnare, sanctificare et animare creationem, quia Ipse Deus est Patri et Verbo consubstantialis [..]. Deus cum sit, robur praebet omnibus creaturis easque custodit in Patre et in Filio ».56

§ 704
«Quanto ao homem, foi com as suas próprias mãos (quer dizer, com o Filho e o Espírito Santo) que Deus o moldou [...] e sobre a carne moldada desenhou a sua própria forma, de modo que, mesmo o que havia de ser visível, tivesse a forma divina» (57) .
« Quantum ad hominem, Ipse illum Suis manibus [id est, Filio et Spiritu Sancto] plasmavit [...] et super carnem plasmatam designavit Suam propriam formam ita ut etiam id quod visibile esset, formam portaret divinam ».57 Promissionis Spiritus

O ESPÍRITO DA PROMESSA

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§ 705
Desfigurado pelo pecado e pela morte, o homem permanece «à imagem de Deus», à imagem do Filho, mas está «privado da glória de Deus» (58) , privado da «semelhança». A promessa feita a Abraão inaugura a «economia da salvação», no termo da qual o próprio Filho assumirá «a imagem»(59) e restaurá-la-á na «semelhança» com o Pai, voltando a dar-lhe a glória, o Espírito «que dá a vida».
Homo, a peccato et a morte deformatus, manet « ad imaginem Dei », ad imaginem Filii, sed « eget gloria Dei »,58 « similitudine » privatus. Promissio Abrahae facta Oeconomiam inaugurat salutis, ad cuius finem Ipse Filius assumet « imaginem »59 eamque restaurabit in « similitudinem » cum Patre, ei restituens gloriam, Spiritum « vivificantem ».
§ 706
Contra toda a esperança humana, Deus promete a Abraão uma descendência, como fruto da fé e do poder do Espírito Santo (60). Nessa descendência serão abençoadas todas as nações da terra (61). Essa descendência será o Cristo (62) no qual a efusão do Espírito Santo fará «a unidade dos filhos de Deus dispersos» (63). Comprometendo-Se por juramento (64), Deus obriga-Se, desde logo, ao dom do seu Filho muito-amado (65) e ao dom do «Espírito Santo prometido, que constitui o título de garantia da nossa herança para a redenção do povo que Deus adquiriu para Si mesmo» (66).
Contra omnem humanam spem, Deus Abrahae promittit descendentiam tamquam fructum fidei et virtutis Spiritus Sancti.60 In illa omnes nationes benedicentur terrae.61 Haec descendentia erit Christus62 in quo effusio Sancti Spiritus efficiet congregationem in unum filiorum Dei qui erant dispersi.63 Se iuramento obligans,64 Deus iam ad Filii Sui dilecti donum Se obligat65 necnon ad donum Spiritus Promissionis qui Redemptionem praeparat populi quem Deus Sibi acquisivit.66 In Theophaniis et in Lege

NAS TEOFANIAS E NA LEI

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§ 707
As teofanias (manifestações de Deus) iluminam o caminho da promessa, dos patriarcas a Moisés e de Josué até às visões que inauguram a missão dos grandes profetas. A Tradição cristã sempre reconheceu que, nestas teofanias, o Verbo de Deus Se deixava ver e ouvir, ao mesmo tempo revelado e «velado», na nuvem do Espírito Santo.
Theophaniae (manifestationes Dei), inde a Patriarchis usque ad Moysen, et inde a Iosue usque ad visiones quae magnorum Prophetarum inaugurant missionem, iter illuminant Promissionis. Traditio christiana semper agnovit Verbum Dei in his Theophaniis Se praebere videndum et audiendum, in Sancti Spiritus nube revelatum simul et « obumbratum ».
§ 708
Esta pedagogia de Deus manifesta-se especialmente no dom da Lei (67). A Lei foi dada como um «pedagogo» para conduzir o povo a Cristo (68). Mas a sua impotência para salvar o homem, privado da «semelhança» divina e o conhecimento acrescido que ela dá do pecado (69) suscitam o desejo do Espírito Santo. Os gemidos dos Salmos são disso testemunho.
Haec Dei paedagogia speciatim in dono Legis apparet.67 Lex data est tamquam "paedagogus" ut populum ad Christum ducat.68 Sed eius impotentia ut hominem « similitudine » divina privatum salvet, et augmentata cognitio quam de peccato praebet,69 Spiritus Sancti suscitant desiderium. Psalmorum gemitus id testantur. In Regno et in Exilio

NO REINO E NO EXÍLIO

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O Espírito e a Palavra de Deus, no tempo das promessas

§ 709
A Lei, sinal da promessa e da Aliança, deveria reger o coração e as instituições do povo nascido da fé de Abraão. «Se ouvirdes realmente a minha voz, se guardardes a minha Aliança [...], sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação consagrada» (Ex 19, 5-6) (70) . Mas depois de David, Israel sucumbe à tentação de se tornar um reino como as outras nações. Ora o Reino, objecto da promessa feita a David (71) , será obra do Espírito Santo: pertencerá aos que são pobres segundo o Espírito.
Lex, signum Promissionis et Foederis, cor et institutiones populi ex fide Abrahae orti regere debuisset. « Si ergo audieritis vocem meam et custodieritis pactum meum, [...] eritis mihi regnum sacerdotum et gens sancta » (Ex 19,5-6).70 Sed, post David, Israel tentationi succubuit constituendi regnum sicut aliae nationes. Regnum, autem, obiectum Promissionis David factae71 opus erit Spiritus Sancti; id ad pauperes pertinebit secundum Spiritum.
§ 710
O esquecimento da Lei e a infidelidade à Aliança levam à morte: é o Exílio, aparentemente o fracasso das promessas, mas, na realidade, fidelidade misteriosa do Deus salvador e o princípio duma restauração prometida, mas segundo o Espírito. Era preciso que o povo de Deus sofresse esta purificação (72). O exílio traz já a sombra da cruz no desígnio de Deus; e o «resto» dos pobres que regressa do Exílio é uma das figuras mais transparentes da Igreja.
Oblivio Legis et infidelitas relate ad Foedus ad mortem ducunt: exilium apparenter promissionum est casus, de facto arcana Dei salvatoris fidelitas et initium promissae restaurationis, sed secundum Spiritum. Oportebat populum Dei hanc pati purificationem;72 Exilium iam umbram crucis in consilio Dei portat, et reliquiae pauperum quae ex illo redeunt, quaedam sunt figura inter illas maxime perlucidas Ecclesiae.Messiae Eiusque Spiritus exspectatio

A EXPECTATIVA DO MESSIAS E DO SEU ESPÍRITO

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§ 711
«Eis que vou fazer algo de novo» (Is 43, 19): duas linhas proféticas vão ser traçadas, incidindo uma sobre a expectativa do Messias e outra sobre o anúncio dum Espírito novo, convergindo ambas no pequeno «resto», o povo dos pobres (73), que aguarda na esperança a «consolação de Israel» e «a libertação de Jerusalém» (Lc 2, 25.38).Vimos mais atrás como Jesus cumpriu as profecias que Lhe diziam respeito. Limitamo-nos agora àquelas em que aparece mais clara a relação entre o Messias e o seu Espírito.
« Ecce ego facio nova » (Is 43,19): duae lineae adumbrantur propheticae, altera ad exspectationem ducens Messiae, altera ad Spiritum novum annuntiandum, ambae in parvas convergunt « reliquias », in populum pauperum,73 qui in spe « consolationem Israel » et « redemptionem Ierusalem » exspectat (Lc 2,25.38). Supra vidimus quomodo Iesus prophetias ad Eum attinentes adimplevit. Hic ad illas circumscribimur in quibus magis inter Messiam Eiusque Spiritum apparet relatio.
§ 712
Os traços do rosto do Messias esperado começam a aparecer no Livro do Emanuel (74) (quando Isaías [...] teve a visão da glória» de Cristo: Jo 12, 41), particularmente em Is 11, 1-2:

«Naquele dia,
sairá um ramo do tronco de Jessé
e um rebento brotará das suas raízes.
Sobre ele repousará o Espírito do Senhor:
espírito de sabedoria e de entendimento,
espírito de conselho e de fortaleza,
espírito de conhecimento e de temor do Senhor».

Lineamenta vultus Messiae exspectati manifestari incipiunt in Libro Emmanuelis74 (cum « Isaias [...] vidit gloriam » Christi: Io 12,41), speciatim in Is 11,1-2:

« Et egredietur virga de stirpe Iesse,
et flos de radice eius ascendet:
et requiescet super eum Spiritus Domini:
spiritus sapientiae et intellectus,
spiritus consilii et fortitudinis,
spiritus scientiae et timoris Domini ».

§ 713
Os traços do Messias são revelados sobretudo nos cânticos do Servo (75). Estes cânticos anunciam o sentido da paixão de Jesus, indicando assim a maneira como Ele derramará o Espírito Santo para dar vida à multidão: não a partir do exterior, mas assumindo a nossa «condição de servo» (Fl 2, 7). Tomando sobre Si a nossa morte, Ele pode comunicar-nos o seu próprio Espírito de vida.
Messiae lineamenta praecipue in canticis Servi revelantur.75 Haec cantica sensum annuntiant passionis Iesu, et sic modum denotant, quo Ipse Spiritum Sanctum effundet ut multitudinem vivificet: non ab extra, sed nostram amplectens « formam servi » (Phil 2,7). Super Se nostram sumens mortem, nobis proprium Suum vitae Spiritum potest communicare.
§ 714
É por isso que Cristo inaugura o anúncio da Boa-Nova, apropriando-Se desse passo de Isaías (Lc 4, 18-19) (76) :

«O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim,
porque o Senhor Me ungiu.
Enviou-Me a anunciar a Boa-Nova aos que sofrem,
para curar os desesperados,
para anunciar a libertação aos exilados
e a liberdade aos prisioneiros,
para proclamar o ano da graça do Senhor».

Hac de causa, Christus annuntiationem Boni Nuntii inaugurat Suum hunc Isaiae faciens locum (Lc 4,18-19):76

« Spiritus Domini super me;
propter quod unxit me
evangelizare pauperibus,
misit me praedicare captivis remissionem
et caecis visum,
dimittere confractos in remissione,
praedicare annum Domini acceptum ».

§ 715
Os textos proféticos, respeitantes directamente ao envio do Espírito Santo, são oráculos em que Deus fala ao coração do seu povo na linguagem da promessa, com os acentos do «amor e da fidelidade» (77), cujo cumprimento São Pedro proclamará na manhã do Pentecostes (78)». Segundo estas promessas, nos «últimos tempos» o Espírito do Senhor há-de renovar o coração dos homens, gravando neles uma lei nova; reunirá e reconciliará os povos dispersos e divididos; transformará a primeira criação e Deus habitará nela com os homens, na paz.
Textus prophetici directe ad missionem Spiritus Sancti spectantes sunt oracula in quibus Deus ad cor loquitur populi Sui in Promissionis sermone cum tenore amoris et fidelitatis,77 cuius sanctus Petrus adimpletionem proclamabit mane Pentecostes.78 Secundum has promissiones, in « ultimis temporibus », Spiritus Domini cor hominum renovabit novam Legem sculpens in illis; Ipse dispersos et divisos congregabit et reconciliabit populos; creationem transformabit primam ibique Deus cum hominibus habitabit in pace.
§ 716
O povo dos «pobres» (79) , dos humildes e dos mansos, totalmente entregues aos desígnios misteriosos do seu Deus, o povo dos que esperam a justiça, não dos homens mas do Messias, tal é, afinal, a grande obra da missão oculta do Espírito Santo, durante o tempo das promessas, para preparar a vinda de Cristo. É a qualidade do seu coração, purificado e iluminado pelo Espírito, que se exprime nos salmos. Nestes pobres, o Espírito prepara para o Senhor «um povo bem disposto» (80).
Populus « pauperum »,79 humilium et mitium qui plene consiliis arcanis Dei sui se deserunt, illorum qui iustitiam exspectant non ab hominibus, sed a Messia, magnum denique est opus occultum Spiritus Sancti, tempore promissionum perdurante, ad Adventum Christi praeparandum. Valor eorum cordis, purificati et illuminati a Spiritu in Psalmis exprimitur. In his pauperibus, Spiritus Domino « plebem perfectam » praeparat.80 IV. Spiritus Christi in plenitudine temporum Ioannes, Praecursor, Propheta et Baptista

JOÃO, PRECURSOR, PROFETA E BAPTISTA

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O Espírito de Cristo na plenitude do tempo

§ 717
«Apareceu um homem, enviado por Deus, que tinha o nome de João» (Jo 1, 6). João é «cheio do Espírito Santo já desde o seio materno» (Lc 1, 15) (81), pelo próprio Cristo que a Virgem acabava de conceber por obra e graça do Espírito Santo. A « visitação» de Maria a Isabel tornou-se, assim, «visita de Deus ao seu povo» (82).
« Fuit homo missus a Deo, cui nomen erat Ioannes » (Io 1,6). Ioannes est « Spiritu Sancto » repletus « adhuc ex utero matris suae » (Lc 1,15)81 ab Ipso Christo quem Virgo Maria de Spiritu Sancto nuper conceperat. Sic « Visitatio » Mariae ad Elisabeth effecta est visitatio Dei populo Eius.82
§ 718
João é «Elias que devia vir» (83). O fogo do Espírito habita nele e fá-lo «correr à frente» (como «precursor») do Senhor que chega. Em João o Precursor, o Espírito Santo acaba de «preparar para o Senhor um povo bem disposto» (Lc 1, 17).
Ioannes est « Elias qui venturus est »:83 Ignis Spiritus in eo habitat eumque facit « prae currere » (ut « praecursor ») Domino qui venit. In Ioanne, Praecursore, Spiritus Sanctus perficit « parare Domino plebem perfectam » (Lc 1,17).
§ 719
João é «mais do que um profeta» (84). Nele, o Espírito Santo consuma o «falar pelos profetas». João termina o ciclo dos profetas inaugurado por Elias (85). Anuncia como iminente a consolação de Israel; é ele a «voz» do Consolador que vai chegar (86). Tal como fará o Espírito da verdade, «ele vem como testemunha, para dar testemunho da Luz» (Jo 1, 7)  (87). A respeito de João, o Espírito cumpre assim as «indagações dos profetas» e o «desejo» dos anjos (88): «Aquele sobre Quem vires o Espírito Santo descer e permanecer, é Ele que baptiza no Espírito Santo. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus [...] Eis o Cordeiro de Deus!» (Jo 1, 33-36).
Ioannes est « plus quam Propheta ».84 Spiritus Sanctus in eo « locutionem per Prophetas » adimplet. Ioannes cyclum claudit Prophetarum ab Elia inauguratum.85 Annuntiat consolationem Israel imminere, est « vox » Consolatoris qui venit.86 Ipse, ut etiam Spiritus veritatis faciet, « venit in testimonium, ut testimonium perhiberet de Lumine » (Io 1,7).87 Ita, in Ioanne, Spiritus « scrutationes Prophetarum » adimplet et « desiderium » angelorum:88 « Super quem videris Spiritum descendentem et manentem super Eum, Hic est qui baptizat in Spiritu Sancto. Et ego vidi et testimonium perhibui quia Hic est Filius Dei. [...] Ecce Agnus Dei » (Io 1,33-36).
§ 720
Finalmente, com João Baptista, o Espírito Santo inaugura, em prefiguração, aquilo que vai realizar com e em Cristo: restituir ao homem «a semelhança» divina. O baptismo de João era para o arrependimento: o Baptismo na água e no Espírito será um novo nascimento (89).
Spiritus Sanctus denique, cum Ioanne Baptista id praefigurans inaugurat, quod Ipse in rem ducet cum Christo et in Christo: homini « similitudinem » restituere divinam. Baptisma Ioannis erat ad paenitentiam, illud in aqua et in Spiritu nova erit nativitas.89 « Ave, gratia plena »

«ALEGRA-TE, Ó CHEIA DE GRAÇA»

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O Espírito de Cristo na plenitude do tempo

§ 721
Maria, a santíssima Mãe de Deus, sempre virgem, é a obra-prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo. Pela primeira vez no desígnio da salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a morada na qual o seu Filho e o seu Espírito podem habitar entre os homens. É neste sentido que a Tradição da Igreja muitas vezes lê, em relação a Maria, os mais belos textos sobre a Sabedoria (90): Maria é cantada e apresentada na Liturgia como «o Trono da Sabedoria». Nela começam a manifestar-se as «maravilhas de Deus», que o Espírito vai realizar em Cristo e na Igreja:
Maria, sanctissima Mater Dei, semper Virgo opus praestantissimum est missionis Filii et Spiritus in plenitudine temporis. Pater, in consilio salutis et quia Eius Spiritus eam praeparaverat, Mansionem primo invenit in qua Eius Filius Eiusque Spiritus inter homines possunt habitare. Hoc sensu, Traditio Ecclesiae saepe pulcherrimos textus de Sapientia legit in relatione ad Mariam:90 Maria in liturgia canitur et repraesentatur tamquam « Sedes Sapientiae ».In ea « mirabilia Dei » manifestari incipiunt, quae Spiritus in Christo et in Ecclesia est adimpleturus.
§ 722
O Espírito Santo preparou Maria pela sua graça. Convinha que fosse «cheia de graça» a Mãe d'Aquele em Quem «habita corporalmente a plenitude da divindade» (Cl 2, 9). Ela foi, por pura graça, concebida sem pecado, como a mais humilde das criaturas, a mais capaz de acolher o dom inefável do Omnipotente. É a justo título que o anjo Gabriel a saúda como «Filha de Sião»: «Ave» (= «Alegra-te») (91). É a acção de graças de todo o povo de Deus, e portanto da Igreja, que ela faz subir até ao Pai, no Espírito Santo, com o seu cântico (92) , quando já portadora, em si, do Filho eterno.
Spiritus Sanctus gratia Sua Mariam praeparavit. Oportebat « gratia plenam » Matrem esse Illius in quo « inhabitat omnis plenitudo divinitatis corporaliter » (Col 2,9). Ipsa concepta est, in pura gratia, sine peccato, tamquam humillima creaturarum, omnium capacissima ad ineffabile Omnipotentis donum accipiendum. Recte Angelus Gabriel eam tamquam « Filiam Sion » salutat: « Ave » (= « Laetare »).91 Ipsa, cantico suo,92 gratiarum actionem totius populi Dei ideoque Ecclesiae ascendere facit ad Patrem in Spiritu Sancto, cum ipsa in se Filium gestat aeternum.
§ 723
Em Maria, o Espírito Santo realiza o desígnio benevolente do Pai. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. A sua virgindade torna-se fecundidade única, pelo poder do Espírito e da fé  (93).
In Maria, Spiritus Sanctus consilium Patris benevolens deducit in rem. De Spiritu Sancto, Virgo concipit et parit Filium Dei. Eius virginitas fecunditas fit singularis per Spiritus et fidei virtutem.93
§ 724
Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai feito Filho da Virgem. Ela é a sarça ardente da teofania definitiva: cheia do Espírito Santo, mostra o Verbo na humildade da sua carne; e é aos pobres (94) e às primícias das nações (95) que Ela O dá a conhecer.
In Maria, Spiritus Sanctus Filium Patris manifestat Filium Virginis effectum. Ea rubus est ardens Theophaniae definitivae: ipsa, Spiritu Sancto repleta, Verbum ostendit in humilitatis carnis Eius atque facit ut pauperes94 et primitiae gentium95 Illud cognoscant.
§ 725
Finalmente, por Maria, o Espírito começa a pôr em comunhão com Cristo os homens que são «objecto do amor benevolente de Deus» (96); e os humildes são sempre os primeiros a recebé-Lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos.
Per Mariam denique Spiritus Sanctus incipit ponere in communionem cum Christo homines qui sunt obiecta amoris benevolentis Dei (« bonae voluntatis » Dei),96 atque humiles semper sunt primi qui illum accipiunt: pastores, magi, Simeon et Anna, sponsi in Cana et primi discipuli.
§ 726
No termo desta missão do Espírito, Maria torna-se a «Mulher», a nova Eva «mãe dos vivos», Mãe do «Cristo total» (97). É como tal que Ela está presente com os Doze, «num só coração, assíduos na oração» (Act 1, 14), no alvorecer dos «últimos tempos», que o Espírito vai inaugurar na manhã do Pentecostes, com a manifestação da Igreja.
Ad finem huius missionis Spiritus, Maria fit « Mulier », nova Eva, « Mater viventium », « totius Christi » Mater.97 Qua talis cum Duodecim praesentatur « unanimiter in oratione » (Act 1,14) in aurora « temporum novissimorum » quae Spiritus est inauguraturus mane Pentecostes cum Ecclesiae manifestatione. Christus Iesus

JESUS CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O Espírito de Cristo na plenitude do tempo

§ 727
Toda a missão do Filho e do Espírito Santo, na plenitude do tempo, está contida no facto de o Filho ser o ungido do Espírito do Pai, desde a sua Encarnação: Jesus é o Cristo, o Messias.Todo o segundo capítulo do Símbolo da Fé deve ser lido a esta luz. Toda a obra de Cristo é missão conjunta do Filho e do Espírito Santo. Aqui mencionaremos somente o que se refere à promessa do Espírito Santo feita por Jesus, e à sua doação pelo Senhor glorificado.
Tota Filii et Spiritus Sancti in plenitudine temporis missio in eo continetur quod Filius est Unctus Spiritus Patris inde ab Incarnatione Sua: Iesus est Christus, Messias.Totum caput secundum Symboli fidei est sub hac luce legendum. Totum Christi opus est missio coniuncta Filii et Spiritus Sancti. Hic solum commemorabitur id quod ad Spiritus Sancti spectat promissionem a Iesu et ad Eius donum a Domino glorificato.
§ 728
Jesus não revela plenamente o Espírito Santo enquanto Ele próprio não for glorificado pela sua morte e ressurreição. No entanto, sugere-O pouco a pouco, mesmo no seu ensino às multidões, quando revela que a sua carne será alimento para a vida do mundo (98). Insinua-O também a Nicodemos (99) , à samaritana (100) e aos que tomam parte na festa dos Tabernáculos (101). Aos seus discípulos, fala d'Ele abertamente a propósito da oração (102) e do testemunho que devem dar (103).
Iesus Spiritum Sanctum non plene revelat donec Ipse per Suam Mortem Suamque Resurrectionem glorificatus est. Tamen Ipse Eum lente suggerit etiam in Sua doctrina ad turbas, cum revelat carnem Suam cibum pro mundi vita futuram esse.98 Etiam Nicodemo,99 Samaritanae 100 et illis suggerit qui Tabernaculorum participes sunt festivitatis. 101 Discipulis Suis aperte loquitur occasione orationis 102 et testimonii quod ipsi debebunt perhibere. 103
§ 729
Só quando chega a Hora em que vai ser glorificado, é que Jesus promete a vinda do Espírito Santo, pois a sua morte e ressurreição serão o cumprimento da promessa feita aos antepassados (104). O Espírito da verdade, o outro Paráclito, será dado pelo Pai a pedido de Jesus; será enviado pelo Pai em nome de Jesus; Jesus O enviará de junto do Pai, porque do Pai procede. O Espírito Santo virá, nós O conheceremos, Ele ficará connosco para sempre, habitará connosco; há-de ensinar-nos tudo, há-de lembrar-nos tudo o que Cristo nos disse e dará testemunho d'Ele; conduzir-nos-á à verdade total e glorificará a Cristo. Quanto ao mundo, confundi-lo-á em matéria de pecado, de justiça e de julgamento.
Solummodo cum venit Hora in qua Iesus est glorificandus, Ipse Adventum Spiritus Sancti promittit, propterea quod Eius Mors et Resurrectio adimpletio erunt Promissionis Patribus factae: 104 Spiritus veritatis, alius Paráclito ad orationem Iesu donabitur a Patre; Ipse a Patre mittetur in nomine Iesu; Iesus a Patre Eum mittet, quia Is ex Patre procedit. Spiritus Sanctus veniet, Eum cognoscemus, nobiscum erit pro semper, nobiscum habitabit; nos omnia docebit et nobis revocabit in memoriam omnia quae Iesus dixit Ipsique reddet testimonium; Is nos ducet in omnem veritatem Christumque glorificabit. Relate ad mundum, eum confundet in materia peccati, iustitiae et iudicii.
§ 730
Chega, por fim, a «Hora de Jesus» (105) : Jesus entrega o seu espírito nas mãos do Pai (106) , no momento em que pela sua morte vence a morte, de tal modo que, «ressuscitado dos mortos pela glória do Pai» (Rm 6, 4), logo dá o Espírito Santo «soprando» sobre os discípulos (107). A partir dessa «Hora», a missão de Cristo e do Espírito torna-se a missão da Igreja: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21) (108).
Tandem Hora Iesu advenit: 105 Iesus spiritum Suum in manus tradit Patris 106 tum cum in quo per Mortem Suam victor est mortis, ita ut « suscitatus [...] a mortuis per gloriam Patris » (Rom 6,4), mox Spiritum Sanctum donet « insufflans » super discipulos Suos. 107 Inde ab hac Hora, missio Christi et Spiritus fit missio Ecclesiae: « Sicut misit me Pater, et ego mitto vos » (Io 20,21). 108 V. Spiritus et Ecclesia in ultimis temporibus Pentecostes

O PENTECOSTES

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O Espírito e a Igreja nos últimos tempos

§ 731
No dia de Pentecostes (no termo das sete semanas pascais), a Páscoa de Cristo completou-se com a efusão do Espírito Santo que Se manifestou, Se deu e Se comunicou como Pessoa divina: da sua plenitude, Cristo Senhor derrama em profusão o Espírito (109).
Die Pentecostes (ad finem septem hebdomadarum Paschalium), Pascha Christi in effusione Spiritus Sancti adimpletur qui manifestatur, datur et communicatur tamquam Persona divina: Christus Dominus de plenitudine Sua abundanter Spiritum effundit. 109
§ 732
Neste dia, revelou-Se plenamente a Santíssima Trindade. A partir deste dia, o Reino anunciado por Cristo abre-se aos que n'Ele crêem. Na humildade da carne e na fé, eles participam já na comunhão da Santíssima Trindade. Pela sua vinda, que não cessará jamais, o Espírito Santo faz entrar no mundo nos «últimos tempos», no tempo da Igreja, no Reino já herdado mas ainda não consumado:

«Nós vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontrámos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível, porque foi Ela que nos salvou» (110).

Hac die, Sanctissima Trinitas plene revelatur. Post hanc diem, Regnum a Christo nuntiatum illis aperitur qui in Eum credunt: in humilitate carnis et in fide iam Sanctissimae Trinitatis participant communionem. Spiritus Sanctus, per Suum Adventum, qui non cessat, mundum introducit in « tempora novissima », tempus Ecclesiae, Regnum iam hereditate possessum, sed nondum consummatum:

« Vidimus verum Lumen, Spiritum recepimus caelestem, veram fidem invenimus: Trinitatem adoramus indivisibilem quia Ipsa nos salvavit ». 110

« Vidimus verum Lumen, Spiritum recepimus caelestem, veram fidem invenimus: Trinitatem adoramus indivisibilem quia Ipsa nos salvavit ». 110Spiritus Sanctus – Dei Donum

O ESPÍRITO SANTO – DOM DE DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O Espírito e a Igreja nos últimos tempos

§ 733
«Deus é Amor» (1 Jo 4, 8.16) e o Amor é o primeiro dom, que contém todos os outros. Este amor «derramou-o Deus nos nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5).
« Deus caritas est » (1 Io 4,8.16) et caritas primum est donum, quod cetera continet omnia. Haec caritas « diffusa est in cordibus nostris per Spiritum Sanctum, qui datus est nobis » (Rom 5,5).
§ 734
Uma vez que estamos mortos, ou pelo menos feridos pelo pecado, o primeiro efeito do dom do Amor é a remissão dos nossos pecados. E é a comunhão do Espírito Santo (2 Cor 13, 13) que, na Igreja, restitui aos baptizados a semelhança divina perdida pelo pecado.
Quia per peccatum mortui sumus vel saltem vulnerati, primus effectus doni caritatis remissio nostrorum est peccatorum. « Communicatio Sancti Spiritus » (2 Cor 13,13) in Ecclesia baptizatos restituit ad similitudinem divinam per peccatum amissam.
§ 735
Ele dá-nos então as «arras» ou as «primícias» da nossa herança (111): a própria vida da Santíssima Trindade, que consiste em amar «como Ele nos amou» (112). Este amor (a caridade de que se fala em 1 Cor 13) é o princípio da vida nova em Cristo, tornada possível graças ao facto de termos «recebido uma força vinda do alto, a do Espírito Santo»(Act 1, 8).
Tunc Ipse « arrabonem » seu « primitias » nostrae praebet hereditatis: 111 vitam ipsam Sanctissimae Trinitatis quae diligere est « sicut Ipse dilexit nos ». 112 Hic amor (caritas de qua 1 Cor 13) principium est vitae novae in Christo, possibilis effectae quia accepimus « virtutem superveniente Spiritu Sancto » (Act 1,8).
§ 736
É graças a esta força do Espírito que os filhos de Deus podem dar fruto. Aquele que nos enxertou na verdadeira Vide far-nos-á dar «os frutos do Espírito: caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio» (Gl 5, 22-23). «O Espírito é a nossa vida»: quanto mais renunciarmos a nós próprios (113), mais «caminharemos segundo o Espírito» (114):

«Pela comunhão com Ele, o Espírito Santo torna-nos espirituais, recoloca-nos no paraíso, reconduz-nos ao Reino dos céus e à adopção filial, dá-nos a confiança de chamar Pai a Deus e de participar na graça de Cristo, de ser chamados filhos da luz e de tomar parte na glória eterna» (115).

Per hanc Spiritus virtutem possunt filii Dei fructum ferre. Ille qui nos in veram inseruit Vitem, nos ferre faciet Spiritus fructum qui « est caritas, gaudium, pax, longanimitas, benignitas, bonitas, fides, mansuetudo, continentia » (Gal 5,22-23). Spiritus est vita nostra; quo magis nosmetipsos abnegamus, 113 eo magis Spiritus facit ut etiam operaremur. 114

« Per Spiritum Sanctum datur in paradisum restitutio, ad Regnum caelorum ascensus, in adoptionem filiorum reditus: datur fiducia Deum appellandi Patrem suum, consortem fieri gratiae Christi, filium lucis appellari, aeternae gloriae participem esse ». 115

O ESPÍRITO SANTO E A IGREJA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O Espírito e a Igreja nos últimos tempos

§ 737
A missão de Cristo e do Espírito Santo completa-se na Igreja, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo. Esta missão conjunta associa, doravante, os fiéis de Cristo à sua comunhão com o Pai no Espírito Santo: o Espírito prepara os homens e adianta-se-lhes com a sua graça para os atrair a Cristo. Manifesta-lhes o Senhor ressuscitado, lembra-lhes a sua Palavra e abre-lhes o espírito à inteligência da sua morte e da sua ressurreição. Torna-lhes presente o mistério de Cristo, principalmente na Eucaristia, com o fim de os reconciliar, de os pôr em comunhão com Deus, para os fazer dar «muito fruto» (116).
Missio Christi et Spiritus Sancti in Ecclesia adimpletur, corpore Christi et templo Spiritus Sancti. Haec missio coniuncta sociat exinde Christi fideles communioni Eius cum Patre in Spiritu Sancto: Spiritus homines praeparat, eos gratia Sua praevenit ut eos ad Christum trahat. Ipse eis Dominum manifestat resuscitatum, Eiusdem verbum eis revocat in memoriam eisque aperit spiritum ad intelligentiam Mortis et Resurrectionis Eius. Ipse eis mysterium Christi praesens reddit, maxime in Eucharistia, ut eos reconciliet eosque in communionem ponat cum Deo, ut eos faciat « multum afferre fructum ». 116
§ 738
Assim, a missão da Igreja não se acrescenta à de Cristo e do Espírito Santo, mas é o sacramento dela: por todo o seu ser e em todos os seus membros, é enviada para anunciar e testemunhar, actualizar e derramar o mistério da comunhão da Santíssima Trindade (será este o objecto do próximo artigo):

«Nós todos, que recebemos o único e mesmo Espírito, quer dizer, o Espírito Santo, fundimo-nos entre nós e com Deus. Porque, embora sejamos numerosos separadamente, e Cristo faça com que o Espírito do Pai e seu habite em cada um de nós, este Espírito único e indivisível reconduz pessoalmente à unidade os que são distintos entre si [...] e faz com que todos apareçam n'Ele como sendo um só. E assim como o poder da santa humanidade de Cristo faz com que todos aqueles em quem ela se encontra formem um só corpo, penso que, do mesmo modo, o Espírito de Deus, que habita em todos, único e indivisível, os leva todos à unidade espiritual» (117).

Sic Ecclesiae missio illi Christi et Spiritus Sancti non additur, sed eius est sacramentum: illa, cum toto esse suo et in omnibus suis membris, mittitur ut mysterium communionis Sanctissimae Trinitatis annuntiet et testetur, in actum ducat et propaget (hoc erit obiectum sequentis articuli):

« Dicemus rursus, nos omnes, accepto uno et Eodem Spiritu, Sancto nimirum, commisceri quodammodo et inter nos, et cum Deo. Licet enim multi seorsim simus, et in unoquoque nostrum Christus Spiritum Patris ac Suum inhabitare faciat, unus tamen est ac indivisibilis, qui spiritus invicem distinctos [...] in unitatem colligit per Seipsum et omnes velut unum quid cerni facit in Seipso. Quemadmodum enim sanctae carnis [Christi] virtus concorporales reddit eos in quibus est, eodem, opinor, modo unus in omnibus indivisibilis inhabitans Dei Spiritus, ad unitatem spiritalem omnes cogit ». 117

§ 739
Uma vez que o Espírito Santo é a unção de Cristo, é Cristo, a Cabeça do corpo, quem O derrama nos seus membros para os alimentar, os curar, os organizar nas suas mútuas funções, os vivificar, os enviar a dar testemunho, os associar à sua oferta ao Pai e à sua intercessão pelo mundo inteiro. É pelos sacramentos da Igreja que Cristo comunica aos membros do seu corpo o seu Espírito Santo e santificador (será este o objecto da segunda parte do Catecismo).
Quia Spiritus Sanctus est Christi Unctio, Christus, Caput corporis, Eum effundit in membra Sua ut ea nutriat, sanet, in eorum mutuis functionibus ordinet, vivificet, mittat ad testificandum, Suae societ oblationi ad Patrem Suaeque intercessioni pro universo mundo. Per Ecclesiae sacramenta, Christus membris corporis Sui Suum Spiritum communicat Sanctum et Sanctificatorem (hoc obiectum erit secundae partis Catechismi).
§ 740
Estas «maravilhas de Deus», oferecidas aos crentes nos sacramentos da Igreja, dão os seus frutos na vida nova em Cristo, segundo o Espírito (será este o objecto da terceira parte do Catecismo).
Haec « mirabilia Dei », in sacramentis Ecclesiae oblata credentibus, suos ferunt fructus in vita nova in Christo secundum Spiritum (hoc obiectum erit tertiae Catechismi partis).
§ 741
«Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis» (Rm 8, 26). O Espírito Santo, artífice das obras de Deus, é o Mestre da oração (será este o objecto da quarta parte do Catecismo).Resumindo
« Spiritus adiuvat infirmitatem nostram; nam quid oremus, sicut oportet nescimus, sed Ipse Spiritus interpellat gemitibus inenarrabilibus » (Rom 8,26). Spiritus Sanctus, artifex operum Dei, orationis est Magister (hoc erit obiectum quartae partis Catechismi).Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 742
«E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: "Abbá!" Pai!» (Gl 4, 6).
« Quoniam autem estis filii, misit Deus Spiritum Filii Sui in corda nostra clamantem: Abba, Pater » (Gal 4,6).
§ 743
Desde o princípio até à consumação do tempo, quando Deus envia o seu Filho, envia sempre o seu Espírito: a missão dos dois é conjunta e inseparável.
Ab initio usque ad temporis consummationem, cum Deus Filium mittit Suum, semper Suum mittit Spiritum: Eorum missio est coniuncta et inseparabilis.
§ 744
Na plenitude dos tempos, o Espírito Santo realiza em Maria todas as preparações para a vinda de Cristo ao povo de Deus. Pela acção do Espírito Santo n 'Ela, o Pai dá ao mundo o Emanuel, «Deus connosco» (Mt 1, 23).
In plenitudine temporis, Spiritus Sanctus in Maria omnes adimplet praeparationes ad Christi Adventum in populum Dei. Per actionem Spiritus Sancti in illa, Pater mundo dat Emmanuelem, « Nobiscum-Deum » (Mt 1,23).
§ 745
O Filho de Deus é consagrado Cristo (Messias) pela unção do Espírito Santo, na sua Encarnação (118).
Filius Dei per unctionem Spiritus Sancti consecratur Christus (Messias) in Incarnatione Sua. 118
§ 746
Pela sua morte e ressurreição, Jesus foi constituído Senhor e Cristo na glória (119). Da sua plenitude, Ele derrama o Espírito Santo sobre os Apóstolos e sobre a Igreja.
Iesus, per Mortem Suam Suamque Resurrectionem, est Dominus et Christus in gloria constitutus. 119 Ipse, de plenitudine Sua, Spiritum Sanctum effundit super Apostolos et Ecclesiam.
§ 747
O Espírito Santo, que Cristo-cabeça derrama sobre os seus membros, constrói, anima e santifica a Igreja. Ela é o sacramento da comunhão da Santíssima Trindade com os homens.
Spiritus Sanctus, quem Christus, Caput, in Sua membra effundit, Ecclesiam aedificat, animat et sanctificat. Ea sacramentum est communionis Sanctissimae Trinitatis et hominum. (5) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (6) Cf Io 16,13. (7) Cf Gal 4,6.(8) Cf Io 3,34.(9) Cf Io 7,39.(10) Cf Io 17,22.(11) Cf Io 16,14.(12) Sanctus Gregorius Nyssenus, Adversus Macedonianos de Spiritu Sancto, 16: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger-H. Langerbeck, v. 31 (Leiden 1958) p. 102-103 (PG 45, 1321). (13) Cf Mt 28,19. (14) Cf Io 3,5-8. (15) Cf 1 Io 2,1 (B"DVi80J@H). (16) Cf Io 16,13. (17) Cf Io 19,34; 1 Io 5,8. (18) Cf Io 4,10-14; 7,38; Ex 17,1-6; Is 55,1; Zach 14,8; 1 Cor 10,4; Apc 21,6; 22,17. (19) Cf 1 Io 2,20.27; 2 Cor 1,21. (20) Cf Ex 30,22-32. (21) Cf 1 Sam 16,13. (22) Cf Lc 4,18-19; Is 61,1. (23) Cf Lc 2,11. (24) Cf Lc 2,26-27. (25) Cf Lc 4,1. (26) Cf Lc 6,19; 8,46. (27) Cf Rom 1,4; 8,11. (28) Cf Act 2,36. (29) Sanctus Augustinus, Sermo 341, 1, 1: PL 39, 1493; Ibid. 9, 11: PL 39, 1499. (30) Cf 1 Reg 18,38-39. (31) Cf Act 2,3-4. (32) Cf Sanctus Ioannes a Cruce, Llama de amor viva: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 1-102; 103-213.(33) Cf Ex 24,15-18.(34) Cf Ex 33,9-10.(35) Cf Ex 40,36-38; 1 Cor 10,1-2. (36) Cf 1 Reg 8,10-12. (37) Cf Lc 1,35. (38) Cf Act 1,9. (39) Cf Lc 21,27. (40) Cf 2 Cor 1,22; Eph 1,13; 4,30. (41) Cf Mc 6,5; 8,23. (42) Cf Mc 10,16. (43) Cf Mc 16,18; Act 5,12; 14,3. (44) Cf Act 8,17-19; 13,3; 19,6. (45) Cf Heb 6,2. (46) Cf Lc 11,20. (47) In Dominica Pentecostes, Hymnus ad I et II Vesperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974) p. 795 et 812. (48) Cf Gn 8,8-12. (49) Cf Mt 3,16 et par. (50) Cf Gal 4,4. (51) Cf 2 Cor 3,14. (52) Cf Io 5,39.46. (53) Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum: DS 150. (54) Cf Lc 24,44. (55) Cf Ps 33,6; 104,30; Gn 1,2; 2,7; Eccle 3,20-21; Ez 37,10. (56) Officium Horarum Byzantinum. Matutinum pro die Dominica modi secundi, Antiphonae 1 et 2: Paraklêtikês (Romae 1885) p. 107.(57) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Demonstratio praedicationis apostolicae, 11: SC 62, 48-49.(58) Cf Rom 3,23.(59) Cf Io 1,14; Phil 2,7. (60) Cf Gn 18,1-15; Lc 1,26-38.54-55; Io 1,12-13; Rom 4,16-21. (61) Cf Gn 12,3. (62) Cf Gal 3,16. (63) Cf Io 11,52. (64) Cf Lc 1,73. (65) Cf Gn 22,17-18; Rom 8,32; Io 3,16. (66) Cf Eph 1,13-14; Gal 3,14. (67) Cf Ex 19-20; Dt 1-11; 29-30. (68) Cf Gal 3,24. (69) Cf Rom 3,20. (70) Cf 1 Pe 2,9. (71) Cf 2 Sam 7; Ps 89; Lc 1,32-33. (72) Cf Lc 24,26. (73) Cf Soph 2,3. (74) Cf Is 6-12. (75) Cf Is 42,1-9; Mt 12,18-21; Io 1,32-34, atque etiam Is 49,16; Mt 3,17; Lc 2,32, et denique Is 50,4-10 et 52,13-15; 53,12. (76) Cf Is 61,1-2. (77) Cf Ez 11,19; 36,25-28; 37,1-14; Ier 31,31-34; Il 3,1-5.(78) Cf Act 2,17-21.(79) Cf Soph 2,3; Ps 22,27; 34,3; Is 49,13; 61,1; etc. (80) Cf Lc 1,17. (81) Cf Lc 1,41. (82) Cf Lc 1,68. (83) Cf Mt 17,10-13. (84) Cf Lc 7,26. (85) Cf Mt 11,13-14. (86) Cf Io 1,23; Is 40,1-3. (87) Cf Io 15,26; 5,33. (88) Cf 1 Pe 1,10-12. (89) Cf Io 3,5. (90) Cf Prv 8,1–9,6; Eccli 24. (91) Cf Soph 3,14; Zach 2,14. (92) Cf Lc 1,46-55. (93) Cf Lc 1,26-38; Rom 4,18-21; Gal 4,26-28. (94) Cf Lc 2,15-19. (95) Cf Mt 2,11. (96) Cf Lc 2,14. (97) Cf Io 19,25-27. (98) Cf Io 6,27.51.62-63. (99) Cf Io 3,5-8. (100) Cf Io 4,10.14.23-24. (101) Cf Io 7,37-39. (102) Cf Lc 11,13. (103) Cf Mt 10,19-20. (104) Cf Io 14,16-17.26; 15,26; 16,7-15; 17,26. (105) Cf Io 13,1; 17,1. (106) Cf Lc 23,46; Io 19,30. (107) Cf Io 20,22. (108) Cf Mt 28,19; Lc 24,47-48; Act 1,8. (109) Cf Act 2,33-36. (110) Officium Horarum Byzantinum. Vespertinum in die Pentecostes, Sticherum 4: Pentekostárion (Romae 1884) p. 390.(111) Cf Rom 8,23; 2 Cor 1,22. (112) Cf 1 Io 4,11-12. (113) Cf Mt 16,24-26. (114) Cf Gal 5,25. (115) Sanctus Basilius Magnus, Liber de Spiritu Sancto, 15, 36: SC 17bis, 370 (PG 32, 132). (116) Cf Io 15,5.8.16. (117) Sanctus Cyrillus Alexandrinus, Commentarius in Iohannem, 11, 11: PG 74, 561.(118) Cf Ps 2,6-7.(119) Cf Act 2,36.

«CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 748
«A luz dos povos é Cristo: por isso, este sagrado Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja ardentemente iluminar todos os homens com a sua luz que resplandece no rosto da Igreja, anunciando o Evangelho a toda a criatura» (120). É com estas palavras que começa a «Constituição Dogmática sobre a Igreja» do II Concilio do Vaticano. Desse modo, o Concílio mostra que o artigo de fé sobre a Igreja depende inteiramente dos artigos relativos a Jesus Cristo. A Igreja não tem outra luz senão a de Cristo. Ela é, segundo uma imagem cara aos Padres da Igreja, comparável à lua, cuja luz é toda reflexo da do sol.
« Lumen gentium cum sit Christus, haec sacrosancta Synodus, in Spiritu Sancto congregata, omnes homines claritate Eius, super faciem Ecclesiae resplendente, illuminare vehementer exoptat, omni creaturae Evangelium annuntiando ». 120 His verbis aperitur « Constitutio dogmatica de Ecclesia » Concilii Vaticani II. Sic Concilium articulum fidei de Ecclesia plene ab articulis ostendit dependere qui ad Christum Iesum referuntur. Ecclesia aliud lumen non habet quam illud Christi; illa est aequiparabilis, secundum imaginem quae Patribus placet, lunae cuius totum lumen est solis reverberatio.
§ 749
O artigo sobre a Igreja depende também inteiramente do artigo sobre o Espírito Santo, que o precede. «Com efeito, depois de ter mostrado que o Espírito Santo é a fonte e o dador de toda a santidade, nós confessamos agora que foi Ele quem dotou de santidade a Igreja» (121). A Igreja é, segundo a expressão dos Padres, o lugar «onde floresce o Espírito» (122).
Articulus de Ecclesia etiam plene ab illo de Spiritu Sancto dependet qui eum praecedit. « Quia cum iam demonstratum sit Spiritum Sanctum omnis sanctitatis fontem et largitorem esse, nunc ab Eodem Ecclesiam sanctitate donatam confitemur ». 121 Ecclesia, secundum Patrum expressionem, locus est « ubi floret Spiritus ». 122
§ 750
Crer que a Igreja é «santa» e «católica», e que é «una» e «apostólica» (como acrescenta o Símbolo Niceno-Constantinopolitano), é inseparável da fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. No Símbolo dos Apóstolos fazemos profissão de crer a Igreja santa («Credo... Ecclesiam»), e não na Igreja, para não confundir Deus com as suas obras e para atribuir claramente à bondade de Deus todos os dons que Ele próprio pôs na sua Igreja (123).
Credere Ecclesiam « Sanctam » esse et « Catholicam », illamque esse « Unam » et « Apostolicam » (sicut Symbolum Nicaenum-Constantinopolitanum adiungit) inseparabile est a fide in Deum Patrem et Filium et Spiritum Sanctum. In Symbolo Apostolico profitemur nos credere sanctam Ecclesiam (« Credo [...] Ecclesiam ») et non in Ecclesiam, ne Deum Eiusque confundamus opera et ut clare bonitati attribuamus Dei omnia dona quae Ipse in Sua posuit Ecclesia. 123 (120) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 1: AAS 57 (1965) 5.(121) Catechismus Romanus, 1, 10, 1: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 104. (122) Sanctus Hippolytus Romanus, Traditio apostolica, 35: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) p. 82. (123) Cf Catechismus Romanus, 1, 10, 22: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 118.

A IGREJA NO DESÍGNIO DE DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os nomes e as imagens da Igreja

§ 751
A palavra «Igreja» («ekklesía», do verbo grego «ek-kalein» = «chamar fora») significa «convocação». Designa as assembleias do povo em geral (124) de carácter religioso. É o termo frequentemente utilizado no Antigo Testamento grego para a assembleia do povo eleito diante de Deus, sobretudo para a assembleia do Sinai, onde Israel recebeu a Lei e foi constituído por Deus como seu povo santo (125). Ao chamar-se «Igreja», a primeira comunidade dos que acreditaram em Cristo reconhece-se herdeira dessa assembleia. Nela, Deus «convoca» o seu povo de todos os confins da terra. O termo « Kyriakê», de onde derivaram «church», «Kirche», significa «aquela que pertence ao Senhor».
Verbum « Ecclesia » [« ekklesia, », « ek-kalein », vocare ex] « convocationem » significat. Congregationem denotat populi, 124 generatim indolis religiosae. Hoc verbum frequenter a Vetere Testamento graeco adhibetur pro congregatione populi electi ante Deum, praecipue pro congregatione Sinai ubi Israel Legem accepit et a Deo tamquam Eius populus sanctus constitutus est. 125 Se « Ecclesiam » appellans, prima communitas eorum qui in Christum credebant, huius congregationis se agnoscebat heredem. In ea Deus populum Suum ex omnibus terrae « convocat » finibus. Verbum Kyriaké, ex quo Church, Kirche derivantur, significat « illam quae ad Dominum pertinet ».
§ 752
Na linguagem cristã, a palavra «Igreja» designa a assembleia litúrgica (126), mas também a comunidade local (127) ou toda a comunidade universal dos crentes (128). Estes três significados são, de facto, inseparáveis. «A Igreja» é o povo que Deus reúne no mundo inteiro. Ela existe nas comunidades locais e realiza-se como assembleia litúrgica, sobretudo eucarística. Vive da Palavra e do Corpo de Cristo, e é assim que ela própria se torna Corpo de Cristo.
In sermone christiano, verbum « Ecclesia » congregationem denotat liturgicam, 126 sed etiam communitatem localem 127 et totam communitatem universalem credentium. 128 Hae tres significationes de facto sunt inseparabiles. « Ecclesia » est populus quem Deus congregat ex mundo universo. Ipsa in communitatibus exsistit localibus et tamquam congregatio liturgica, praecipue eucharistica, ducitur in rem. Ex verbo et ex corpore vivit Christi et sic ipsa corpus Christi fit.Ecclesiae symbola

OS SÍMBOLOS DA IGREJA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os nomes e as imagens da Igreja

§ 753
Na Sagrada Escritura, encontramos grande quantidade de imagens e figuras ligadas entre si, mediante as quais a Revelação fala do mistério inesgotável da Igreja. As imagens tomadas do Antigo Testamento constituem variantes duma ideia de fundo, que é a de «povo de Deus». No Novo Testamento (129), todas estas imagens encontram um novo centro, pelo facto de Cristo Se tomar «a Cabeça» deste povo (130) que é, desde então, o seu corpo. A volta deste centro, agrupam-se imagens «tiradas quer da vida pastoril ou agrícola, quer da construção ou também da família e matrimónio» (131).
In sacra Scriptura, multitudinem invenimus imaginum et figurarum quae inter se connectuntur, per quas Revelatio de Ecclesiae mysterio loquitur inexhauribili. Imagines ex Vetere Testamento desumptae variationes constituunt eiusdem ideae illis subiacentis, ideae « populi Dei ». In Novo Testamento, 129 omnes hae imagines novum inveniunt centrum eo quod Christus « Caput » fit huius populi, 130 qui exinde corpus est Eius. Circa hoc centrum imagines glomerantur « sive a vita pastorali vel ab agricultura, sive ab aedificatione aut etiam a familia et sponsalibus desumptae ». 131
§ 754
«Assim a Igreja é o redil, cuja única e necessária porta é Cristo (132). E também o rebanho, do qual o próprio Deus predisse que seria o pastor (133) e cujas ovelhas, ainda que governadas por pastores humanos, são contudo guiadas e alimentadas sem cessar pelo próprio Cristo, bom Pastor e Príncipe dos pastores (134), o qual deu a vida pelas suas ovelhas (135)» (136) . 755 «A Igreja é a agricultura ou o campo de Deus (137). Nesse campo cresce a oliveira antiga, de que os patriarcas foram a raiz santa e na qual se realizou e realizará a reconciliação de judeus e gentios (138). Ela foi plantada pelo celeste Agricultor como uma vinha eleita (139). A verdadeira Videira é Cristo: é Ele que dá vida e fecundidade aos sarmentos, isto é, a nós que, pela Igreja, permanecemos n'Ele, e sem o Qual nada podemos fazer (140)» (141).
« Est enim Ecclesia ovile, cuius ostium unicum et necessarium Christus est. 132 Est etiam grex, cuius Ipse Deus pastorem Se fore praenuntiavit, 133 et cuius oves, etsi a pastoribus humanis gubernantur, indesinenter tamen deducuntur et nutriuntur ab Ipso Christo, bono Pastore Principeque pastorum, 134 qui vitam Suam dedit pro ovibus 135 ». 136
§ 755
«A Igreja é a agricultura ou o campo de Deus (137). Nesse campo cresce a oliveira antiga, de que os patriarcas foram a raiz santa e na qual se realizou e realizará a reconciliação de judeus e gentios (138). Ela foi plantada pelo celeste Agricultor como uma vinha eleita (139). A verdadeira Videira é Cristo: é Ele que dá vida e fecundidade aos sarmentos, isto é, a nós que, pela Igreja, permanecemos n'Ele, e sem o Qual nada podemos fazer (140)» (141).
« Est Ecclesia agricultura seu ager Dei. 137 In illo agro crescit antiqua oliva, cuius radix sancta fuerunt Patriarchae, et in qua Iudaeorum et gentium reconciliatio facta est et fiet. 138 Ipsa plantata est a caelesti Agricola tamquam vinea electa. 139 Vitis vera Christus est, vitam et fecunditatem tribuens palmitibus, scilicet nobis, qui per Ecclesiam in Ipso manemus, et sine quo nihil possumus facere 140 ». 141
§ 756
«A Igreja é também muitas vezes chamada construção de Deus (142). O próprio Senhor se comparou à pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou pedra angular (Mt 21, 42 par.: Act 4, 11; 1 Pe 2, 7; Sl 118, 22). Sobre esse fundamento é a Igreja construída pelos Apóstolos (143), e dele recebe firmeza e coesão. Esta construção recebe vários nomes: casa de Deus (144), na qual habita a sua família; habitação de Deus no Espírito (145); tabernáculo de Deus com os homens (146); e, sobretudo, templo santo, o qual, representado pelos santuários de pedra e louvado pelos santos Padres, é com razão comparado, na Liturgia, à cidade santa, a nova Jerusalém. Nela, com efeito, somos edificados cá na terra como pedras vivas (147). Esta cidade, S. João contemplou-a "descendo do céu, da presença de Deus, na renovação do mundo, como esposa adornada para ir ao encontro do esposo" (Ap 21, 1-2)» (148).
« Saepius quoque Ecclesia dicitur aedificatio Dei. 142 Dominus Ipse Se comparavit lapidi, quem reprobaverunt aedificantes, sed qui factus est in caput anguli (Mt 21,42 et par; Act 4,11; 1 Pe 2,7; Ps 118,22). Super illud fundamentum Ecclesia ab Apostolis exstruitur, 143 ab eoque firmitatem et cohaesionem accipit. Quae constructio variis appellationibus decoratur: domus Dei, 144 in qua nempe habitat Eius familia, habitaculum Dei in Spiritu, 145 tabernaculum Dei cum hominibus, 146 et praesertim templum sanctum, quod in lapideis sanctuariis repraesentatum a sanctis Patribus laudatur, et in liturgia non immerito assimilatur Civitati sanctae, novae Ierusalem. In ipsa enim tamquam lapides vivi his in terris aedificamur. 147 Quam sanctam Civitatem Ioannes contemplatur, in renovatione mundi descendentem de caelis a Deo, "paratam sicut sponsam ornatam viro suo" (Apc 21,1-2) ». 148
§ 757
«A Igreja é também chamada "Jerusalém do Alto" e "nossa mãe" (Gl 4, 26) (149); é também descrita como a Esposa imaculada do Cordeiro sem mancha (150), a qual Cristo "amou, pela qual Se entregou para a santificar" (Ef 5, 25-26), que uniu a Si por um vínculo indissolúvel, e à qual, sem cessar, "alimenta e presta cuidados" (Ef 5, 29)» (151).
« Ecclesia etiam, "quae sursum est Ierusalem" et "Mater nostra" appellatur (Gal 4,26); 149 describitur ut Sponsa immaculata Agni immaculati, 150 quam Christus "dilexit, et Seipsum tradidit pro ea, ut illam sanctificaret" (Eph 5,25-26), quam Sibi Foedere indissolubili sociavit et indesinenter "nutrit et fovet" (Eph 5,29) ». 151 II. Origo, fundatio et missio Ecclesiae

OS SÍMBOLOS DA IGREJA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Origem, fundação e missão da Igreja

§ 758
Para perscrutar o mistério da Igreja, é conveniente meditar primeiro sobre a sua origem no desígnio da Santíssima Trindade e sobre a sua progressiva realização na história.
Ad mysterium Ecclesiae scrutandum, oportet imprimis eius originem in consilio meditari Sanctissimae Trinitatis et eius progressivam in historia effectionem.Consilium in corde Patris ortum

UM DESÍGNIO NASCIDO NO CORAÇÃO DO PAI

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Origem, fundação e missão da Igreja

§ 759
«O eterno Pai, que pelo libérrimo e insondável desígnio da sua sabedoria e bondade, criou o universo, decidiu elevar os homens participação da vida divina», para a qual a todos convida em seu Filho: «E, aos que crêem em Cristo, decidiu convocá-los na santa Igreja». Esta «família de Deus» constituiu-se e realizou-se gradualmente ao longo das etapas da história humana, segundo as disposições do Pai: de facto, a Igreja «prefigurada já desde o princípio do mundo e admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na antiga Aliança, foi constituída no fim dos tempos, e manifestada pela efusão do Espírito Santo, e será gloriosamente consumada no fim dos séculos» (152).
« Aeternus Pater, liberrimo et arcano sapientiae ac bonitatis Suae consilio, mundum universum creavit, homines ad participandam vitam divinam elevare decrevit », ad quam omnes homines in Filio Suo appellat. « Credentes autem in Christum convocare statuit in sancta Ecclesia ». Haec « familia Dei » constituitur et in rem gradatim ducitur per historiae humanae gressus secundum Patris dispositiones: revera, Ecclesia « iam ab origine mundi praefigurata, in historia populi Israel ac Foedere antiquo mirabiliter praeparata, in novissimis temporibus constituta, effuso Spiritu est manifestata, et in fine saeculorum gloriose consummabitur ». 152Ecclesia – iam ab origine mundi praefigurata

A IGREJA – PREFIGURADA DESDE A ORIGEM DO MUNDO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Origem, fundação e missão da Igreja

§ 760
«O mundo foi criado em ordem à Igreja», diziam os cristãos dos primeiros tempos (153). Deus criou o mundo em ordem à comunhão na sua vida divina, comunhão que se realiza pela "convocação" dos homens em Cristo, e esta "convocação" é a Igreja. A Igreja é o fim de todas as coisas (154). Até as próprias vicissitudes dolorosas, como a queda dos anjos e o pecado do homem, não foram permitidas por Deus senão como ocasião e meio de pôr em acção toda a força do seu braço, toda a medida do amor que queria dar ao mundo:

«Assim como a vontade de Deus é um acto e se chama mundo, do mesmo modo a sua intenção é a salvação dos homens e chama-se Igreja» (155).

« Mundus propter hanc [Ecclesiam] creatus est », dicebant christiani priorum temporum. 153 Deus mundum creavit intuitu communionis in vita Sua divina, communionis quae efficitur per « convocationem » hominum in Christum, et haec « convocatio » Ecclesia est. Ecclesia finis est omnium, 154 et ipsae dolorosae vicissitudines, sicut angelorum lapsus et hominis peccatum, permissae a Deo non fuerunt nisi ut occasio et medium ad totam Eius brachii extendendam virtutem, totam mensuram amoris quem mundo praebere volebat:

« Quemadmodum enim Eius voluntas est opus, et id mundus nominatur; ita etiam Eius propositum est hominum salus, et id vocatum est Ecclesia ». 155

A IGREJA – PREPARADA NA ANTIGA ALIANÇA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Origem, fundação e missão da Igreja

§ 761
A reunião do povo de Deus começa no instante em que o pecado destrói a comunhão dos homens com Deus e entre si. A reunião da Igreja é, por assim dizer, a reacção de Deus ao caos provocado pelo pecado. Esta reunificação realiza-se secretamente no seio de todos os povos: «Em qualquer nação, quem O teme e pratica a justiça, é aceite por Ele» (Act 10, 35) (156).
Populi Dei congregatio incipit ab instante in quo peccatum communionem hominum cum Deo hominumque inter se destruit. Ecclesiae congregatio est quasi reactio Dei ad chaos a peccato provocatum. Haec readunatio secreto in sinu omnium efficitur populorum: « In omni gente, qui timet [...] [Deum] et operatur iustitiam, acceptus est Illi » (Act 10,35). 156
§ 762
A preparação remota da reunião do povo de Deus começa com a vocação de Abraão, a quem Deus promete que há-de vir a ser o pai de um grande povo (157). A preparação imediata começa com a eleição de Israel como povo de Deus (158). Pela sua eleição, Israel deve ser o sinal da reunião futura de todas as nações (159). Mas já os profetas acusam Israel de ter quebrado a aliança, comportando-se como uma prostituta (160). Eles anunciam uma Aliança nova e eterna (161). «Esta Aliança nova, instituiu-a Cristo» (162).
Remota praeparatio congregationis populi Dei incipit cum vocatione Abraham, cui Deus promittit eum patrem populi magni futurum esse. 157 Praeparatio immediata cum electione incipit Israel, tamquam populi Dei. 158 Per suam electionem, Israel futurae congregationis omnium gentium debet esse signum. 159 Sed iam Prophetae accusant Israel quod Foedus ruperit et se in modum meretricis gesserit. 160 Foedus Novum annuntiant et aeternum. 161 « Quod Foedus Novum Christus instituit ». 162Ecclesia – a Christo Iesu constituta

A IGREJA – INSTITUÍDA POR JESUS CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Origem, fundação e missão da Igreja

§ 763
Pertence ao Filho realizar, na plenitude dos tempos, o plano de salvação do seu Pai; tal é o motivo da sua «missão» (163). «O Senhor Jesus deu início à sua Igreja, pregando a boa-nova do advento do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras» (164). Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou na terra o Reino dos céus. A Igreja «é o Reino de Cristo já presente em mistério» (165).
Ad Filium pertinet, in plenitudine temporum, consilium salutis Patris Sui ad effectum adducere: haec est Eius « missionis » ratio. 163 « Dominus enim Iesus Ecclesiae Suae initium fecit praedicando faustum nuntium, Adventum scilicet Regni Dei a saeculis in Scripturis promissi ». 164 Ad voluntatem Patris implendam, Christus Regnum caelorum inauguravit in terris. Ecclesia est « Regnum Christi iam praesens in mysterio ». 165
§ 764
«Este Reino manifesta-se aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo» (166), Acolher a palavra de Jesus é «acolher o próprio Reino» (167). O germe e começo do Reino é o «pequeno rebanho» (Lc 12, 32) daqueles que Jesus veio congregar ao seu redor e dos quais Ele próprio é o Pastor (168). Eles constituem a verdadeira família de Jesus (169). Aqueles que assim juntou em redor de si, ensinou uma nova «maneira de agir», mas também uma oração própria (170).
« Hoc vero Regnum in verbo, operibus et praesentia Christi hominibus elucescit ». 166 Iesu accipere verbum est « Regnum ipsum suscipere ». 167 Germen et initium Regni sunt « pusillus grex » (Lc 12,32) eorum ad quos Iesus circa Se convocandos venit et quorum Ipse est Pastor. 168 Illi veram Iesu constituunt familiam. 169 Illos quos Ipse circa Se congregavit, novum docuit « modum agendi », sed etiam propriam orationem. 170
§ 765
O Senhor Jesus dotou a sua comunidade duma estrutura que perma­necerá até ao pleno acabamento do Reino. Temos, antes de mais, a escolha dos Doze, com Pedro como chefe (171). Representando as doze tribos de Israel (172), são as pedras do alicerce da nova Jerusalém (173). Os Doze (174) e os outros discípulos (175) participam da missão de Cristo, do seu poder, mas também da sua sorte (176). Com todos estes actos, Cristo prepara e constrói a sua Igreja.
Dominus Iesus Suam communitatem instruxit structura quae usque ad plenam Regni permanebit adimpletionem. Electio habetur imprimis Duodecim cum Petro tamquam eorum duce. 171 Ii, duodecim Israel repraesentantes tribus, 172 petrae sunt fundamenti novae Ierusalem. 173 Duodecim 174 aliique discipuli 175 missionem participant Christi, potestatem Eius, sed etiam Eius sortem. 176 Omnibus his actibus, Christus Suam Ecclesiam praeparat et aedificat.
§ 766
Mas a Igreja nasceu principalmente do dom total de Cristo pela nossa salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na cruz. «Tal começo e crescimento da Igreja exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado» (177). Porque «foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja» (178). Assim como Eva foi formada do costado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração trespassado de Cristo, morto na cruz (179).
Sed Ecclesia praecipue nata est ex dono totali Christi pro nostra salute, in Eucharistiae institutione anticipato et in cruce deducto in rem. « Exordium et incrementum [Ecclesiae] significantur sanguine et aqua ex aperto latere Iesu crucifixi exeunti ». 177 « Nam de latere Christi in cruce dormientis ortum est totius Ecclesiae mirabile sacramentum ». 178 Sicut Eva de latere Adami formata est, sic Ecclesia est nata de corde transfixo Cristi in cruce mortui. 179Ecclesia – a Spiritu Sancto manifestata

A IGREJA – MANIFESTADA PELO ESPÍRITO SANTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Origem, fundação e missão da Igreja

§ 767
«Consumada a obra que o Pai confiou ao Filho para cumprir na terra, no dia de Pentecostes foi enviado o Espírito Santo para que santificasse continuamente a Igreja» (180). Foi então que «a Igreja foi publicamente manifestada diante duma grande multidão» e «teve o seu início a difusão do Evangelho entre os gentios, por meio da pregação» (181). Porque é «convocação» de todos os homens à salvação, a Igreja é, por sua própria natureza, missionária, enviada por Cristo a todas as nações, para de todas fazer discípulos (182).
« Opere autem consummato, quod Pater Filio commisit in terra faciendum, missus est Spiritus Sanctus die Pentecostes, ut Ecclesiam iugiter sanctificaret ». 180 Tunc « Ecclesia coram multitudine publice manifestata est, [et] diffusio Evangelii inter gentes per praedicationem exordium sumpsit ». 181 Ecclesia, quia omnium hominum ad salutem est « convocatio », sua ipsa natura, est missionalis, missa a Christo ad omnes nationes ut ex illis faciat discipulos. 182
§ 768
Para que a Igreja possa realizar a sua missão, o Espírito Santo «enriquece-a e guia-a com diversos dons hierárquicos e carismáticos» (183). Pelo que a Igreja, enriquecida com os dons do seu fundador e guardando fielmente os seus preceitos de caridade, de humildade e de abnegação, recebe a missão de anunciar e instaurar o Reino de Cristo e de Deus em todos os povos, e constitui o germe e o princípio deste mesmo Reino na terra» (184).
Spiritus Sanctus « Ecclesiam [...] diversis donis hierarchicis et charismaticis instruit ac dirigit », 183 ut suam efficiat missionem. « Unde Ecclesia, donis sui Fundatoris instructa fideliterque Eiusdem praecepta caritatis, humilitatis et abnegationis servans, missionem accipit Regnum Christi et Dei annuntiandi et in omnibus gentibus instaurandi, huiusque Regni in terris germen et initium constituit ». 184 Ecclesia – consummata in gloria

A IGREJA – CONSUMADA NA GLÓRIA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Origem, fundação e missão da Igreja

§ 769
«A Igreja [...] só na glória celeste alcançará a sua realização acabada» (185), aquando do regresso glorioso de Cristo. Até esse dia, «a Igreja avança na sua peregrinação por entre as perseguições do mundo e das consolações de Deus» (186). Vivendo na terra, ela tem consciência de viver no exílio, longe do Senhor (187) e suspira pelo advento do Reino em plenitude, pela hora em que «espera e deseja juntar-se ao seu Rei na glória» (188). A consumação da Igreja – e através dela, do mundo – na glória, não se fará sem grandes provações. Só então é que «todos os justos, desde Adão, "desde o justo Abel até ao último eleito", se encontrarão reunidos na Igreja universal junto do Pai» (189).
« Ecclesia [...] nonnisi in gloria caelesti consummabitur », 185 in Adventu Christi glorioso. Usque ad talem diem, « inter persecutiones mundi et consolationes Dei peregrinando procurrit Ecclesia ». 186 Hic in terris se scit in exilio esse, peregrinantem a Domino, 187 et ad plenum Regni Adventum adspirat, ad horam qua « cum Rege suo in gloria coniungetur ». 188 Ecclesiae consummatio et per eam illa mundi in gloria non fiet sine magnis probationibus. Tunc solummodo « omnes iusti inde ab Adam, "ab Abel iusto usque ad ultimum electum" in Ecclesia universali apud Patrem congregabuntur ». 189 III. Ecclesiae mysterium

A IGREJA – CONSUMADA NA GLÓRIA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mistério da Igreja

§ 770
A Igreja está na história, mas, ao mesmo tempo, transcende-a. Só «com os olhos da fé» (190) é que se pode ver na sua realidade visível, ao mesmo tempo, uma realidade espiritual, portadora de vida divina.
Ecclesia est in historia, sed eam simul transcendit. « Mens fide tantummodo illustrata » 190 potest in eius realitate visibili realitatem quamdam spiritualem perspicere quae vitam portat divinam. Ecclesia – simul visibilis et spiritualis

A IGREJA – AO MESMO TEMPO VISÍVEL E ESPIRITUAL

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mistério da Igreja

§ 771
«Cristo, mediador único, constitui e continuamente sustenta sobre a terra, como um todo visível, a sua Igreja santa, comunidade de fé, esperança e amor, por meio da qual difunde em todos a verdade e a graça». A Igreja é, simultaneamente:

– «sociedade dotada de órgãos hierárquicos e corpo místico de Cristo»;
– «agrupamento visível e comunidade espiritual»;
– «Igreja terrestre e Igreja ornada com os bens celestes».

– «sociedade dotada de órgãos hierárquicos e corpo místico de Cristo»;
– «agrupamento visível e comunidade espiritual»;
– «Igreja terrestre e Igreja ornada com os bens celestes».Estas dimensões constituem, em conjunto, «uma única realidade complexa, formada pelo duplo elemento humano e divino» (191).

É próprio da Igreja ser «simultaneamente humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, empenhada na acção e dada à contemplação, presente no mundo e, todavia, peregrina; mas de tal forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a acção à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos» (192).

«Humildade! Sublimidade! Tenda de Cedar e santuário de Deus; habitação terrena e palácio celeste; casa de barro e corte real; corpo mortal e templo de luz; enfim, objecto de desprezo para os orgulhosos e esposa de Cristo! Ela é morena mas bela, ó filhas de Jerusalém; ela que, empalidecida pela fadiga e sofrimento dum longo exílio, tem, no entanto, por ornamento a beleza celeste» (193).

« Unicus mediator Christus Ecclesiam Suam sanctam, fidei, spei et caritatis communitatem his in terris ut compaginem visibilem constituit et indesinenter sustentat, qua veritatem et gratiam ad omnes diffundit ». Ecclesia est simul:

— « societas [...] organis hierarchicis instructa et mysticum Christi corpus »;
— « coetus adspectabilis et communitas spiritualis »;
— « Ecclesia terrestris et Ecclesia caelestibus bonis ditata ».

— « societas [...] organis hierarchicis instructa et mysticum Christi corpus »;
— « coetus adspectabilis et communitas spiritualis »;
— « Ecclesia terrestris et Ecclesia caelestibus bonis ditata ».Hae dimensiones simul « unam realitatem complexam efformant, quae humano et divino coalescit elemento ». 191

Ecclesiae « proprium est esse humanam simul ac divinam, visibilem invisibilibus praeditam, actione ferventem et contemplationi vacantem, in mundo praesentem et tamen peregrinam; et ita quidem ut in ea quod humanum est ordinetur ad divinum eique subordinetur, quod visibile ad invisibile, quod actionis ad contemplationem, et quod praesens ad futuram civitatem quam inquirimus ». 192

« O humilitas! O sublimitas! Et tabernaculum Cedar, et sanctuarium Dei; et terrenum tabernaculum et caeleste palatium; et domus lutea et aula regia; et corpus mortis et templum lucis; et despectio denique superbis, et sponsa Christi. Nigra sum, sed formosa, filiae Ierusalem: quam etsi labor et dolor longi exsilii decolorat, species tamen caelestis exornat ». 193

A IGREJA – MISTÉRIO DA UNIÃO DOS HOMENS COM DEUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mistério da Igreja

§ 772
É na Igreja que Cristo realiza e revela o seu próprio mistério, como a meta do desígnio de Deus: «recapitular tudo n'Ele» (Ef 1, 10). São Paulo chama «grande mistério» (Ef 5, 32) à união esponsal de Cristo e da Igreja. Porque está unida a Cristo como a seu esposo (194), a própria Igreja, por seu turno, se torna mistério (195). E é contemplando nela este mistério, que S. Paulo exclama: «Cristo em vós — eis a esperança da glória!» (Cl 1, 27).
In Ecclesia, Christus Suum proprium mysterium tamquam scopum consilii Dei adimplet et revelat: « recapitulare omnia in Christo » (Eph 1,10). Sanctus Paulus unionem sponsalem Christi et Ecclesiae « mysterium [...] magnum » appellat (Eph 5,32). Ecclesia quia Christo tamquam Sponso est unita suo, 194 fit etiam ipsa mysterium. 195 Sanctus Paulus in ea mysterium contemplans exclamat: « Christus in vobis, spes gloriae » (Col 1,27).
§ 773
Na Igreja, esta comunhão dos homens com Deus pela «caridade, que não passa jamais» (1 Cor 13, 8), é o fim que comanda tudo quanto nela é meio sacramental, ligado a este mundo que passa (196). «A sua estrutura está completamente ordenada à santidade dos membros de Cristo. E a santidade aprecia-se em função do "grande mistério", em que a esposa responde com a dádiva do seu amor ao dom do Esposo» (197). Nesta santidade que é o mistério da Igreja, Maria precede-nos todos como «a Esposa sem mancha nem ruga» (198). E é por isso que «a dimensão mariana da Igreja precede a sua dimensão petrina» (199).
In Ecclesia, haec hominum communio cum Deo per caritatem quae « numquam excidit » (1 Cor 13,8), finis est qui ordinat quiquid in ea medium est sacramentale huic connexum mundo qui praeterit. 196 Ecclesiae « compago tota ad membrorum in Christo sanctimoniam dirigitur. Porro secundum "mysterium magnum" illa diiudicatur sanctitas, ubi Sponsi dono respondet Sponsa proprio amoris dono ». 197 Maria nos omnes praecedit in sanctitate quae mysterium est Ecclesiae, quatenus Sponsa est non habens maculam aut rugam. 198 Hac de causa, « mariana ratio Ecclesiae petrinam praecedit rationem ». 199Ecclesia – sacramentum universale salutis

A IGREJA – SACRAMENTO UNIVERSAL DA SALVAÇÃO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O mistério da Igreja

§ 774
A palavra grega mysterion foi traduzida em latim por dois termos: mysterium e sacramentum. Na segunda interpretação, o termo sacramentum exprime prevalentemente o sinal visível da realidade oculta da salvação, indicada pelo termo mysterium. Neste sentido, o próprio Cristo é o mistério da salvação: «Nem há outro mistério senão Cristo (200). A obra salvífica da sua humanidade santa e santificadora é o sacramento da salvação, que se manifesta e actua nos sacramentos da Igreja (que as Igrejas do Oriente chamam também «os santos mistérios»). Os sete sacramentos são os sinais e os instrumentos pelos quais o Espírito Santo derrama a graça de Cristo, que é a Cabeça, na Igreja que é o seu Corpo. A Igreja possui, pois, e comunica a graça invisível que significa: e é neste sentido analógico que é chamada «sacramento».775 «A Igreja em Cristo é como que o sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (201). Ser sacramento da união íntima do homem com Deus, eis a primeira finalidade da Igreja. E porque a comunhão dos homens entre si radica na união com Deus, a Igreja é, também, o sacramento da unidade do género humano. Nela, esta unidade já começou, pois reúne homens «de toda a nação, raça, povo e língua» (Ap 7, 9). A Igreja é, ao mesmo tempo, «sinal e instrumento» da plena realização desta unidade, que ainda há-de vir.
Verbum graecum mysterion duobus vocabulis in linguam latinam versum est: mysterium et sacramentum. In ulteriore interpretatione, vocabulum sacramentum magis visibile exprimit signum realitatis occultae salutis, quam vocabulum mysterium denotat. Hoc sensu, Christus Ipse mysterium est salutis: « non est enim aliud Dei mysterium nisi Christus ». 200 Opus salvificum Eius humanitatis sanctae et sanctificantis sacramentum est salutis, quod manifestatur et operatur in Ecclesiae sacramentis (quae Ecclesiae Orientales etiam « sancta mysteria » appellant). Septem sacramenta signa sunt et instrumenta per quae Spiritus Sanctus gratiam effundit Christi qui est Caput, in Ecclesiam quae corpus est Eius. Ecclesia ergo invisibilem continet et communicat gratiam quam ipsa significat. Hoc sensu analogico, ipsa appellatur « sacramentum ».
§ 775
«A Igreja em Cristo é como que o sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (201). Ser sacramento da união íntima do homem com Deus, eis a primeira finalidade da Igreja. E porque a comunhão dos homens entre si radica na união com Deus, a Igreja é, também, o sacramento da unidade do género humano. Nela, esta unidade já começou, pois reúne homens «de toda a nação, raça, povo e língua» (Ap 7, 9). A Igreja é, ao mesmo tempo, «sinal e instrumento» da plena realização desta unidade, que ainda há-de vir.
Ecclesia est « in Christo veluti sacramentum seu signum et instrumentum intimae cum Deo unionis totiusque generis humani unitatis »: 201 sacramentum esse intimae unionis hominum cum Deo: talis est primus Ecclesiae scopus. Quia communio inter homines in unione cum Deo radicatur, Ecclesia est etiam sacramentum unitatis generis humani. In ea, haec unitas iam incepit, quia homines congregat « ex omnibus gentibus et tribubus et populis et linguis » (Apc 7,9); Ecclesia simul est « signum et instrumentum » plenae effectionis huius unitatis quae adhuc advenire debet.
§ 776
Como sacramento, a Igreja é instrumento de Cristo. «É assumida por Ele como instrumento da redenção universal»(202), «o sacramento universal da salvação»(203), pelo qual o mesmo Cristo «manifesta e simultaneamente actualiza o mistério do amor de Deus pelos homens»(204). É o «projecto visível do amor de Deus para com a humanidade»(205), segundo o qual Deus quer «que todo o género humano forme um só povo de Deus, se una num só Corpo de Cristo e se edifique num só templo do Espírito Santo»(206).Resumindo:
Tamquam sacramentum, Ecclesia instrumentum est Christi. « Ab Eo etiam ut instrumentum Redemptionis omnium adsumitur », 202 « universale salutis sacramentum » 203 per quod Christus « mysterium amoris Dei erga homines manifestat simul et operatur ». 204 Ea « est consilium visibile amoris Dei erga genus humanum », 205 quod vult « ut universum genus humanum unum populum efformet Dei, in unum corpus coalescat Christi, in unum coaedificetur templum Spiritus Sancti ». 206 Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 777
A palavra «Igreja» significa «convocação». Designa a assembleia daqueles que a Palavra de Deus convoca para formar o seu povo, e que, alimentados pelo Corpo de Cristo, se tornam, eles próprios, Corpo de Cristo.
Verbum « Ecclesia » « convocationem » significat. Congregationem denotat eorum quos Verbum Dei convocat ut populum Dei efforment et qui, Christi corpore nutriti, fiunt ipsi corpus Christi.
§ 778
A Igreja é, ao mesmo tempo, caminho e meta do desígnio de Deus: prefigurada na criação, preparada na antiga Aliança, fundada pelas palavras e actos de Jesus Cristo, realizada pela sua Cruz redentora e pela sua ressurreição, manifesta-se como mistério de salvação pela efusão do Espírito Santo. Será consumada na glória do céu como assembleia de todos os resgatados da terra (207).
Ecclesia simul via est et scopus consilii Dei: in creatione praefigurata, in Vetere Foedere praeparata, verbis et actionibus fundata Iesu Christi, in rem ducta a cruce Eius redemptrice ab Eiusque Resurrectione, est tamquam mysterium salutis ab effusione Spiritus Sancti manifestata. Ipsa consummabitur in gloria caelesti tamquam congregatio omnium qui redempti sunt de terra. 207
§ 779
A Igreja é, ao mesmo tempo, visível e espiritual, sociedade hierárquica e Corpo Místico de Cristo. É una, mas formada por um duplo elemento: humano e divino. Aí reside o seu mistério, que só a fé pode acolher.
Ecclesia simul visibilis est et spiritualis, societas hierarchica et corpus Christi mysticum. Ipsa est una, duplice formata elemento humano et divino. Ibi est eius mysterium quod sola fide potest accipi.
§ 780
A Igreja é, neste mundo, o sacramento da salvação, o sinal e o instrumento da comunhão de Deus e dos homens.
Ecclesia est in hoc mundo sacramentum salutis, signum et instrumentum communionis Dei et hominum. (124) Cf Act 19,39. (125) Cf Ex 19. (126) Cf 1 Cor 11,18; 14,19.28.34-35. (127) Cf 1 Cor 1,2; 16,1. (128) Cf 1 Cor 15,9; Gal 1,13; Phil 3,6. (129) Cf Eph 1,22; Col 1,18. (130) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.(131) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 6: AAS 57 (1965) 8.(132) Cf Io 10,1-10.(133) Cf Is 40,11; Ez 34,11-31. (134) Cf Io 10,11; 1 Pe 5,4, (135) Cf Io 10,11-15. (136) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 6: AAS 57 (1965) 8.(137) Cf 1 Cor 3,9.(138) Cf Rom 11,13-26.(139) Cf Mt 21,33-43 et par.; Is 5,1-7. (140) Cf Io 15,1-5 (141) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 6: AAS 57 (1965) 8.(142) Cf 1 Cor 3,9.(143) Cf 1 Cor 3,11.(144) Cf 1 Tim 3,15.(145) Cf Eph 2,19-22.(146) Cf Apc 21,3.(147) Cf 1 Pe 2,5.(148) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 6: AAS 57 (1965) 8-9.(149) Cf Apc 12,17.(150) Cf Apc 19,7; 21,2.9; 22,17. (151) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 6: AAS 57 (1965) 9.(152) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6.(153) Hermas, Pastor, 8, 1 (Visio 2, 4, 1): SC 53, 96; cf Aristides, Apologia, 16, 7: BP 11, 125; Sanctus Iustinus, Apologia, 2, 7: CA 1, 216-218 (PG 6, 456). (154) Cf Sanctus Epiphanius, Panarion, 1, 1, 5, Haereses 2, 4: GCS 25, 174 (PG 41, 181). (155) Clemens Alexandrinus, Paedagogus, 1, 6, 27, 2: GCS 12, 106 (PG 8, 281).(156) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 9: AAS 57 (1965) 12; Ibid., 13: AAS 57 (1965) 17-18; Ibid., 16: AAS 57 (1965) 20.(157) Cf Gn 12,2; 15,5-6.(158) Cf Ex 19,5-6; Dt 7,6. (159) Cf Is 2,2-5; Mich 4,1-4. (160) Cf Os 1; Is 1,2-4; Ier 2; etc. (161) Cf Ier 31,31-34; Is 55,3. (162) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.(163) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 3: AAS 57 (1965) 6; Id., Decr. Ad gentes, 3: AAS 58 (1966) 949. (164) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 5: AAS 57 (1965) 7.(165) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.(166) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 5: AAS 57 (1965) 7. (167) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 5: AAS 57 (1965) 7.(168) Cf Mt 10,16; 26,31; Io 10,1-21. (169) Cf Mt 12,49. (170) Cf Mt 5-6. (171) Cf Mc 3,14-15. (172) Cf Mt 19,28; Lc 22,30. (173) Cf Apc 21,12-14. (174) Cf Mc 6,7. (175) Cf Lc 10,1-2. (176) Cf Mt 10,25; Io 15,20. (177) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.(178) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 5: AAS 56 (1964) 99.(179) Cf Sanctus Ambrosius, Expositio evangelii secundum Lucam, 2, 85-89: CCL 14, 69-72 (PL 15, 1666-1668). (180) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 4: AAS 57 (1965) 6.(181) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 4: AAS 58 (1966) 950.(182) Cf Mt 28,19-20; Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948; Ibid., 5-6: AAS 58 (1966) 951-955. (183) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 4: AAS 57 (1965) 7.(184) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.(185) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.(186) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 18, 51: CSEL 402, 354 (PL 41, 614); cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.(187) Cf 2 Cor 5,6; Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 6: AAS 57 (1965) 9. (188) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.(189) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 2: AAS 57 (1965) 6.(190) Catechismus Romanus, 1, 10, 20: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 117. (191) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 11.(192) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 2: AAS 56 (1964) 98.(193) Sanctus Bernardus Claraevallensis, In Canticum sermo, 27, 7, 14: Opera, ed. J. Leclercq-C.H. Talbot-H. Rochais, v. 1 (Romae 1957) p. 191.(194) Cf Eph 5,25-27. (195) Cf Eph 3,9-11. (196) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 53. (197) Ioannes Paulus II, Ep. ap. Mulieris dignitatem, 27: AAS 80 (1988) 1718.(198) Cf Eph 5,27.(199) Ioannes Paulus II, Ep. ap. Mulieris dignitatem, 27: AAS 80 (1988) 1718, nota 55. (200) Sanctus Augustinus, Epistula 187, 11, 34: CSEL 57, 113 (PL 33, 845).(201) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 1: AAS 57 (1965) 5.(202) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.(203) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.(204) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 45: AAS 58 (1966) 1066.(205) Paulus VI, Allocutio ad Sacri Collegii Cardinalium Patres (22 iunii 1973): AAS 65 (1973) 391.(206) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 956; cf Id., Const. dogm. Lumen gentium, 17: AAS 57 (1965) 20-21.(207) Cf Apc 14,4.

A IGREJA – POVO DE DEUS, CORPO DE CRISTO, TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja – Povo de Deus

§ 781
«Em todos os tempos e em todas as nações foi agradável a Deus aquele que O teme e pratica a justiça. No entanto, aprouve a Deus salvar e santificar os homens não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse na santidade. Foi por isso que escolheu Israel para ser o seu povo, estabeleceu com ele uma aliança e instruiu-o progressivamente manifestando-se a Si mesmo e os desígnios da Sua vontade na história desse povo, e santificando-o para Si. Mas tudo isso aconteceu como preparação da Aliança nova e perfeita, que seria concluída em Cristo [...]. Esta nova Aliança instituiu-a Cristo no seu Sangue, chamando um povo, proveniente de judeus e pagãos, a juntar-se na unidade, não segundo a carne, mas no Espírito» (208).As CARACTERÍSTICAS DO POVO DE DEUS
« In omni quidem tempore et in omni gente Deo acceptus est quicumque timet Eum et operatur iustitiam. Placuit tamen Deo homines non singulatim, quavis mutua connexione seclusa, sanctificare et salvare, sed eos in populum constituere, qui in veritate Ipsum agnosceret Ipsique sancte serviret. Plebem igitur Israeliticam Sibi in populum elegit, quocum Foedus instituit et quem gradatim instruxit, Sese atque propositum voluntatis Suae in eius historia manifestando eumque Sibi sanctificando. Haec tamen omnia in praeparationem et figuram contigerunt Foederis illius Novi et perfecti, in Christo feriendi [...]. Quod Foedus Novum Christus instituit, Novum scilicet Testamentum in Suo sanguine, ex Iudaeis ac gentibus plebem vocans, quae non secundum carnem sed in Spiritu ad unitatem coalesceret ». 208Populi Dei peculiaritates
§ 782
O povo de Deus possui características que o distinguem nitidamente de todos os agrupamentos religiosos, étnicos, políticos ou culturais da história:

– é o povo de Deus: Deus não é propriedade de nenhum povo; mas adquiriu para Si um povo constituído por aqueles que outrora não eram um povo: «raça eleita, sacerdócio real, nação santa» (1 Pe 2, 9);

– vem-se a ser membro deste povo, não pelo nascimento físico, mas pelo «nascimento do Alto», «da água e do Espírito» (Jo 3, 3-5), isto é, pela fé em Cristo e pelo Baptismo;

– este povo tem por Cabeça Jesus Cristo (o Ungido, o Messias): porque a mesma unção, o Espírito Santo, flui da Cabeça por todo o Corpo, este é o «povo messiânico»;

«a condição deste povo é a dignidade da liberdade dos filhos de Deus: nos seus corações, como num templo, reside o Espírito Santo» (209);

– «a sua lei é o mandamento novo, de amar como o próprio Cristo nos amou (210)»; é a lei «nova» do Espírito Santo (211);

– a sua missão é ser o sal da terra e a luz do mundo (212). «Constitui para todo o género humano o mais forte gérmen de unidade, esperança e salvação» (213);

– o seu destino, finalmente, é «o Reino de Deus, o qual, começado na terra pelo próprio Deus, se deve dilatar cada vez mais, até ser também por Ele consumado no fim dos séculos» (214).

Populus Dei peculiaritates habet quae illum nitide ab omnibus historiae coetibus religiosis, ethnicis, politicis vel culturalibus distinguunt:

— Populus est Dei: Deus ad nullum populum pertinet tamquam proprius. Sed Ipse Sibi populum acquisivit ex illis qui prius populus non erant: « genus electum, regale sacerdotium, gens sancta » (1 Pe 2,9).

— Huius populi membrum aliquis fit non per physicam nativitatem, sed per nativitatem « desuper », « ex aqua et Spiritu » (Io 3,3-5), id est, per fidem in Christum et per Baptismum.

— Hic populus habet ut Caput Iesum Christum (Unctum, Messiam): quia eadem Unctio, Spiritus Sanctus, ex Capite fluit in corpus, hoc est « populus messianicus ».

— « Habet pro conditione dignitatem libertatemque filiorum Dei, in quorum cordibus Spiritus Sanctus sicut in templo inhabitat ». 209

— « Habet pro lege mandatum novum diligendi sicut Ipse Christus dilexit nos ». 210 Haec est Lex « nova » Spiritus Sancti. 211

— Eius missio est, ut sal sit terrae et lux mundi. 212 « Pro toto [...] genere humano firmissimum est germen unitatis, spei et salutis ». 213

— Eius tandem finis est « Regnum Dei, ab Ipso Deo in terris inchoatum, ulterius dilatandum, donec in fine saeculorum ab Ipso etiam consummetur ». 214

UM POVO SACERDOTAL, PROFÉTICO E REAL

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja – Povo de Deus

§ 783
Jesus Cristo é Aquele que o Pai ungiu com o Espírito Santo e constituiu «sacerdote, profeta e rei». Todo o povo de Deus participa destas três funções de Cristo, com as responsabilidades de missão e de serviço que delas resultam (215).
Iesum Christum Pater Spiritu Sancto unxit atque « Sacerdotem, Prophetam et Regem » constituit. Universus populus Dei haec tria munera Christi participat et responsabilitates missionis fert et servitii quae ex illis derivantur. 215
§ 784
Ao entrar no povo de Deus pela fé e pelo Baptismo, participa-se na vocação única deste povo: na sua vocação sacerdotal – «Cristo Senhor, sumo-sacerdote escolhido de entre os homens, fez do povo novo «um reino de sacerdotes para o seu Deus e Pai». Na verdade, pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, os baptizados são consagrados para serem uma casa espiritual, um sacerdócio santo (216).
Cum quis populum Dei per fidem ingreditur et per Baptismum, participationem recipit in huius populi vocatione unica: in eius vocatione sacerdotali: « Christus Dominus, Pontifex ex hominibus assumptus novum populum "fecit regnum et sacerdotes Deo et Patri Suo". Baptizati enim, per regenerationem et Spiritus Sancti unctionem consecrantur in domum spiritualem et sacerdotium sanctum ». 216
§ 785
«O povo santo de Deus participa também da função profética de Cristo», sobretudo pelo sentido sobrenatural da fé, que é o de todo o povo, leigos e hierarquia, quando «adere indefectivelmente à fé transmitida aos santos de uma vez por todas» (217),aprofunda o conhecimento da mesma, e se torna testemunha de Cristo no meio deste mundo.
« Populus Dei sanctus de munere quoque prophetico Christi participat ». Praecipue per supernaturalem fidei sensum, qui proprius est populi universi, laicorum et hierarchiae, cum ille « semel traditae sanctis fidei indefectibiliter adhaeret » 217 eiusque profundius penetrat intelligentiam et testis fit Christi in medio mundi huius.
§ 786
Finalmente, o povo de Deus participa na função real de Cristo. Cristo exerce a sua realeza atraindo a Si todos os homens pela sua morte e ressurreição (218). Cristo, Rei e Senhor do universo, fez-Se o servo de todos, pois «não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida como resgate pela multidão» (Mt 20, 28). Para o cristão, «reinar é servi-Lo» (219), em especial «nos pobres e nos que sofrem, nos quais a Igreja reconhece a imagem do seu Fundador pobre e sofredor (220). O povo de Deus realiza a sua «dignidade real» na medida em que viver de acordo com esta vocação de servir com Cristo.

«De todos os regenerados em Cristo, o sinal da cruz faz reis, a unção do Espírito Santo consagra sacerdotes, para que, independentemente do serviço particular do nosso ministério, todos os cristãos espirituais no uso da razão se reconheçam membros desta estirpe real e participantes da função sacerdotal. De facto, que há de tão real para uma alma como governar o seu corpo na submissão a Deus? E que há de tão sacerdotal como oferecer ao Senhor uma consciência pura, imolando no altar do seu coração as vítimas sem mancha da piedade?» (221).

Populus denique Dei de munere regali participat Christi. Christus Suum regium exercet principatum omnes homines per Suam Mortem et Resurrectionem ad Se trahens. 218 Christus, Rex et Dominus universi mundi, factus est omnium servus, quatenus « non venit ministrari sed ministrare et dare animam Suam Redemptionem pro multis » (Mt 20,28). Pro christiano, Illi « servire, regnare est »; 219 Ecclesia praesertim « in pauperibus et patientibus imaginem Fundatoris sui pauperis et patientis agnoscit ». 220 Populus Dei suam « regalem dignitatem » ducit in rem, secundum hanc vivens vocationem serviendi cum Christo.

« Omnes enim in Christo regeneratos, crucis signum efficit reges, Spiritus Sancti unctio consecrat sacerdotes, ut praeter istam specialem nostri ministerii servitutem universi spiritales et rationabiles christiani agnoscant se regii generis et sacerdotalis officii esse consortes. Quid enim tam regium quam subditum Deo animum corporis sui esse rectorem? Et quid tam sacerdotale quam vovere Domino conscientiam puram, et immaculatas pietatis hostias de altari cordis offerre? ». 221

A IGREJA É COMUNHÃO COM JESUS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja – Corpo de Cristo

§ 787
Desde o princípio, Jesus associou os discípulos à sua vida (222). Revelou-lhes o mistério do Reino (223): deu-lhes parte na sua missão, na sua alegria (224) e nos seus sofrimentos (225). Jesus fala duma comunhão ainda mais íntima entre Ele e os que O seguem: «Permanecei em Mim, como Eu em vós [...]. Eu sou a cepa, vós os ramos» (Jo 15, 4-5). E anuncia uma comunhão misteriosa e real entre o seu próprio Corpo e o nosso: «Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele» (Jo 6, 56).
Inde ab initio, Iesus vitae Suae Suos associavit discipulos; 222 eis Regni revelavit mysterium; 223 eos Suae missionis, gaudii Sui 224 et Suarum passionum participes effecit. 225 Iesus de communione adhuc intimiore loquitur inter Se et eos qui Illum sequentur: « Manete in me, et ego in vobis. [...] Ego sum vitis, vos palmites » (Io 15,4-5). Et communionem annuntiat arcanam et realem inter corpus Suum et nostrum: « Qui manducat meam carnem et bibit meum sanguinem, in me manet, et ego in illo » (Io 6,56).
§ 788
Quando a sua presença visível lhes foi tirada, Jesus não deixou órfãos os discípulos (226). Prometeu-lhes ficar com eles até ao fim dos tempos (227), e enviou-lhes o seu Espírito (228). A comunhão com Jesus tornou-se, de certo modo, mais intensa: «Comunicando o seu Espírito aos seus irmãos, por Ele reunidos de todas as nações, constituiu-os seu Corpo Místico» (229).
Iesus, cum visibilis Eius praesentia discipulis Eius sublata est, eos orphanos non reliquit. 226 Eis promisit Se cum illis usque ad finem temporum esse mansurum. 227 Ipse eis Spiritum misit Suum. 228 Sic communio cum Iesu quodammodo facta est intensior: « Communicando enim Spiritum Suum, fratres Suos, ex omnibus gentibus convocatos, tamquam corpus Suum mystice constituit ». 229
§ 789
A comparação da Igreja com um corpo lança uma luz particular sobre a ligação íntima existente entre a Igreja e Cristo. Ela não está somente reunida à volta d'Ele: está unificada n'Ele, no seu Corpo. Na Igreja, Corpo de Cristo, são de salientar mais especificamente três aspectos: a unidade de todos os membros entre si, pela união a Cristo; Cristo, Cabeça do Corpo; a Igreja, Esposa de Cristo.
Comparatio Ecclesiae cum corpore lumen emittit super nexum intimum inter Ecclesiam et Christum. Ipsa non est solum circa Illum congregata; est in Illo unificata, in corpore Illius. Tres rationes Ecclesiae - corporis Christi modo magis specifico sunt efferendae: unitas omnium membrorum inter se per ipsorum unionem cum Christo; Christus Caput corporis; Ecclesia, Christi Sponsa. « Unum corpus »

«UM SÓ CORPO»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja – Corpo de Cristo

§ 790
Os crentes que respondem à Palavra de Deus e se tornam membros do Corpo de Cristo, ficam estreitamente unidos a Cristo: «Neste Corpo, a vida de Cristo difunde-se nos crentes, unidos pelos sacramentos, dum modo misterioso e real, a Cristo sofredor e glorificado» (230), Isto verifica-se particularmente no Baptismo, que nos une à morte e ressurreição de Cristo (231), e na Eucaristia, pela qual, «participando realmente no Corpo de Cristo», somos elevados à comunhão com Ele e entre nós (232).
Credentes qui Verbo Dei respondent et membra corporis Christi fiunt, arcte uniti cum Christo efficiuntur: « In corpore illo vita Christi in credentes diffunditur, qui Christo passo atque glorificato, per sacramenta arcano ac reali modo uniuntur ». 230 Hoc speciatim verum est de Baptismo per quem Christi morti et resurrectioni unimur, 231 et de Eucharistia, per quam « de corpore Domini realiter participantes, ad communionem cum Eo et inter nos elevamur ». 232
§ 791
Mas a unidade do Corpo não anula a diversidade dos membros: «Na edificação do Corpo de Cristo existe diversidade de membros e funções. É o mesmo Espírito que distribui os seus vários dons, segundo a sua riqueza e as necessidades dos ministérios para utilidade da Igreja» (233). A unidade do Corpo Místico produz e estimula a caridade entre os fiéis: «Daí que, se algum membro padece, todos os membros sofrem juntamente; e se algum membro recebe honras, todos se alegram» (234). Em suma, a unidade do Corpo Místico triunfa sobre todas as divisões humanas: «Todos vós que fostes baptizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; porque todos vós sois um só, em Cristo Jesus» (Gl 3, 27-28).
Unitas corporis diversitatem non abolet membrorum: « In aedificatione corporis Christi diversitas viget membrorum et officiorum. Unus est Spiritus, qui varia Sua dona, secundum divitias Suas atque ministeriorum necessitates ad Ecclesiae utilitatem dispertit ». 233 Unitas corporis mystici inter fideles producit et fovet caritatem: « Unde si quid patitur unum membrum, compatiuntur omnia membra; sive si unum membrum honoratur, congaudent omnia membra ». 234 Unitas denique corporis Christi de omnibus humanis divisionibus est victrix: « Quicumque enim in Christum baptizati estis, Christum induistis: non est Iudaeus neque Graecus, non est servus neque liber, non est masculus et femina; omnes enim vos unus estis in Christo Iesu » (Gal 3,27-28).Huius corporis, Christus est Caput

«A CABEÇA DESTE CORPO É CRISTO»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja – Corpo de Cristo

§ 792
Cristo «é a Cabeça do Corpo que é a Igreja» (Cl 1, 18). Ele é o Princípio da criação e da Redenção. Elevado à glória do Pai, «tem em tudo a primazia» (Cl 1, 18), principalmente sobre a Igreja, por meio da qual estende o seu reinado sobre tudo quanto existe.
Christus « est Caput corporis Ecclesiae » (Col 1,18). Ipse Principium creationis est et Redemptionis. Elevatus in gloriam Patris, est « in omnibus Ipse primatum tenens » (Col 1,18), praecipue in Ecclesia per quam Ipse Regnum Suum extendit super omnia.
§ 793
Une-nos à sua Páscoa: todos os membros se devem esforçar por se parecerem com Ele, «até que Cristo Se forme neles» (Gl 4, 19). «É para isso que nós somos introduzidos nos mistérios da sua vida [...], associados aos seus sofrimentos como o corpo à cabeça, unidos à sua paixão para ser unidos à sua glória» (235).
Ipse nos Paschati unit Suo: omnia membra eniti debent ut Ipsi similia fiant « donec formetur Christus » in eis (Gal 4,19). « Quapropter in vitae Eius mysteria adsumimur, [...] Eius passionibus tamquam corpus Capiti consociamur, Ei compatientes, ut cum Eo conglorificemur ». 235
§ 794
Provê ao nosso crescimento (236): a fim de crescermos em tudo para Aquele que é a Cabeça (237), Cristo distribui no seu Corpo, a Igreja, os dons e os serviços pelos quais mutuamente nos ajudamos no caminho da salvação.
Ipse nostro providet augmento: 236 Christus, ut nos in Se, Caput nostrum, 237 crescere faciat, disponit in corpore Suo, in Ecclesia, dona et ministeria per quae nos mutuo in salutis via adiuvamus.
§ 795
Cristo e a Igreja são, pois, o «Cristo total» (Christus totus). A Igreja é una com Cristo. Os santos têm desta unidade uma consciência muito viva:«Congratulemo-nos, pois, e dêmos graças pelo facto de nos termos tornado não apenas cristãos, mas o próprio Cristo. Estais a compreender, irmãos, a graça que Deus nos fez, dando-nos Cristo por Cabeça? Admirai e alegrai-vos: nós tornámo-nos Cristo. Com efeito, uma vez que Ele é a Cabeça e nós os membros, o homem completo é Ele e nós [...]. A plenitude de Cristo é, portanto, a Cabeça e os membros. Que quer dizer: a Cabeça e os membros? Cristo e a Igreja» (238).

«Redemptor noster unam se personam cum sanctam Ecelesiam, quam assumpsit, exhibuit – O nosso Redentor apresentou-Se a Si próprio como uma única pessoa unida à santa Igreja, que Ele assumiu» (239).

«Caput et membra, quasi una persona mystica – Cabeça e membros são, por assim dizer, uma só e mesma pessoa mística» (240).

Uma palavra de Santa Joana d'Arc aos seus juízes resume a fé dos santos Doutores e exprime o bom-senso do crente: «De Jesus Cristo e da Igreja eu penso que são um só, e não há que levantar dificuldades a esse respeito» (241).

Christus et Ecclesia sunt igitur « Christus totus ». Ecclesia est cum Christo una. Sancti huius unitatis sunt valde vivide conscii:

« Ergo gratulemur et agamus gratias, non solum nos christianos factos esse, sed Christum. Intelligitis, fratres, gratiam Dei super nos Capitis? Admiramini, gaudete, Christus facti sumus. Si enim Caput Ille, nos membra; totus homo, Ille et nos. [...] Plenitudo ergo Christi, Caput et membra. Quid est Caput et membra? Christus et Ecclesia ». 238

« Redemptor noster unam Se personam cum sancta Ecclesia quam assumpsit, exhibuit ». 239

« Caput et membra sunt quasi una persona mystica ». 240

Quaedam sanctae Ioannae de Arco ad eius iudices sententia fidem sanctorum Doctorum redigit in synthesin bonumque credentis exprimit sensum: « Et eius est opinio quod totum est unum de Domino nostro et de Ecclesia, et quod de hoc non debet fieri ulla difficultas ». 241

A IGREJA É A ESPOSA DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja – Corpo de Cristo

§ 796
A unidade de Cristo e da Igreja, Cabeça e membros do Corpo, implica também a distinção entre ambos, numa relação pessoal. Este aspecto é, muitas vezes, expresso pela imagem do esposo e da esposa. O tema de Cristo Esposo da Igreja foi preparado pelos profetas e anunciado por João Baptista (242). O próprio Senhor Se designou como «o Esposo» (Mc 2, 19) (243). E o Apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel, membro do seu Corpo, como uma esposa «desposada» com Cristo Senhor, para formar com Ele um só Espírito (244). Ela é a Esposa imaculada do Cordeiro imaculado (245) que Cristo amou, pela qual Se entregou «para a santificar» (Ef 5, 26), que associou a Si por uma aliança eterna, e à qual não cessa de prestar cuidados como ao Seu próprio Corpo (246).

«Eis o Cristo total, Cabeça e Corpo, um só, formado de muitos [...]. Quer seja a Cabeça que fale, quer sejam os membros, é Cristo que fala: fala desempenhando o papel de Cabeça (ex persona capitis), ou, então, desempenhando o papel do Corpo (ex persona corporis). Conforme ao que está escrito: «Serão os dois uma só carne. É esse um grande mistério; digo-o em relação a Cristo e à Igreja» (Ef 5, 31-32). E o próprio Senhor diz no Evangelho: «Já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6). Como vedes, temos, de algum modo, duas pessoas diferentes; no entanto, tornam-se uma só na união esponsal [...] «Diz-se "Esposo" enquanto Cabeça e "esposa" enquanto Corpo» (247).

Unitas Christi et Ecclesiae, Capitis et membrorum corporis, etiam utriusque implicat in relatione personali distinctionem. Haec ratio saepe per sponsi et sponsae exprimitur imaginem. Thema Christi Ecclesiae Sponsi a Prophetis praeparatum est et a Ioanne Baptista annuntiatum. 242 Dominus Se Ipsum denotat tamquam « Sponsum » (Mc 2,19). 243 Apostolus Ecclesiam praesentat et unumquemque fidelem, Eius corporis membrum, tamquam Sponsam Christo Domino « desponsatam » ut cum Illo unus sit Spiritus. 244 Illa Sponsa est immaculata Agni immmaculati, 245 quam Christus dilexit, pro qua Se tradidit « ut illam sanctificaret » (Eph 5,26), quam Ipse Sibi Foedere sociavit aeterno, et cuius, tamquam proprii corporis Sui, curam sumere non desinit. 246

« Fit totus Christus, caput et corpus, et ex multis unus. [...] Sive autem caput loquatur, sive membra loquantur, Christus loquitur: loquitur ex persona capitis, loquitur ex persona corporis. Sed quid dictum est? "Erunt duo in carne una. Sacramentum hoc magnum est; ego, inquit, dico, in Christo et in Ecclesia" (Eph 5,31-32). Et Ipse in Evangelio: "Igitur iam non duo, sed una caro" (Mt 19,6). Nam ut noveritis has duas quodammodo esse personas, et rursus unam copulatione coniugii [...]. "Sponsum" Se dixit ex capite, "sponsam" ex corpore ». 247

A IGREJA É A ESPOSA DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja – Templo do Espírito Santo

§ 797
«O que o nosso espírito, quer dizer, a nossa alma, é para os nossos membros, o Espírito Santo é-o para os membros de Cristo, para o Corpo de Cristo, que é a Igreja» (248). «É ao Espírito de Cristo, como a um princípio oculto, que se deve atribuir o facto de todas as partes do Corpo estarem unidas, tanto entre si como com a Cabeça suprema, pois Ele está todo na Cabeça, todo no Corpo, todo em cada um dos seus membros» (249). É o Espírito Santo que faz da Igreja «o templo do Deus vivo» (2 Cor 6, 16) (250):

«De facto, foi à própria Igreja que o dom de Deus foi confiado [...]. Nela foi depositada a comunhão com Cristo, isto é, o Espírito Santo, arras da incorruptibilidade, confirmação da nossa fé e escada da nossa ascensão para Deus [...]. Porque onde está a Igreja, aí está também o Espírito de Deus; e onde está o Espírito de Deus, aí está a Igreja e toda a graça» (251).

« Quod est spiritus noster, id est anima nostra, ad membra nostra; hoc Spiritus Sanctus ad membra Christi, ad corpus Christi, quod est Ecclesia ».248 « Huic autem Christi Spiritui tamquam non adspectabili principio id quoque attribuendum est, ut omnes corporis partes tam inter sese, quam cum excelso Capite suo coniungantur, totus in Capite cum sit, totus in Corpore, totus in singulis membris ».249 Spiritus Sanctus Ecclesiam efficit « templum Dei vivi » (2 Cor 6,16).250

« Hoc enim Ecclesiae creditum est Dei munus [...] et in eo deposita est communicatio Christi, id est Spiritus Sanctus, arrha incorruptelae et confirmatio fidei nostrae et scala ascensionis ad Deum. [...] Ubi enim Ecclesia, ibi et Spiritus Dei; et ubi Spiritus Dei, illic Ecclesia et omnis gratia ».251

§ 798
O Espírito Santo é «o princípio de toda a acção vital e verdadeiramente salvífica em cada uma das diversas partes do Corpo» (252), Ele realiza, de múltiplas maneiras, a edificação de todo o Corpo na caridade (253): pela Palavra de Deus, «que tem o poder de construir o edifício» (Act 20, 32); mediante o Baptismo, pelo qual forma o Corpo de Cristo (254); pelos sacramentos, que fazem crescer e curam os membros de Cristo; pela «graça dada aos Apóstolos que ocupa o primeiro lugar entre os seus dons» (255); pelas virtudes que fazem agir segundo o bem; enfim, pelas múltiplas graças especiais (chamadas «carismas») pelos quais Ele torna os fiéis «aptos e disponíveis para assumir os diferentes cargos e ofícios proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja» (256).
Spiritus Sanctus « in omnibus corporis partibus cuiusvis est habendus actionis vitalis ac reapse salutaris principium ».252 Ipse multipliciter in totius corporis aedificationem operatur in caritate:253 per Verbum Dei « qui potens est aedificare » (Act 20,32), per Baptisma per quod Ipse corpus efformat Christi;254 per sacramenta quae membris Christi augmentum praebent et sanationem; per Apostolorum gratiam quae inter Eius dona praestat,255 per virtutes quae secundum bonum agere faciunt, per multiplices denique speciales gratias (quae « charismata » appellantur) per quas Ipse fideles « aptos et promptos reddit ad suscipienda varia opera et officia, pro renovatione et ampliore aedificatione Ecclesiae proficua ».256Charismata

OS CARISMAS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja – Templo do Espírito Santo

§ 799
Extraordinários ou simples e humildes, os carismas são graças do Espírito Santo que, directa ou indirectamente, têm uma utilidade eclesial, ordenados como são para a edificação da Igreja, o bem dos homens e as necessidades do mundo.
Charismata, sive extraordinaria sive simplicia et humilia, Spiritus Sancti sunt gratiae quae directe vel indirecte utilitatem habent ecclesialem, quatenus ad Ecclesiae ordinantur aedificationem, ad hominum bonum et ad mundi necessitates.
§ 800
Os carismas devem ser acolhidos com reconhecimento por aquele que os recebe, mas também por todos os membros da Igreja. De facto, eles são uma maravilhosa riqueza de graças para a vitalidade apostólica e para a santidade de todo o Corpo de Cristo; desde que se trate de dons verdadeiramente procedentes do Espírito Santo e exercidos de modo plenamente conforme aos impulsos autênticos do mesmo Espírito, quer dizer, segundo a caridade, verdadeira medida dos carismas (257).
Charismata cum gratitudine sunt accipienda ab illo qui ea recipit, sed etiam ab omnibus Ecclesiae membris. Ea sunt revera mirabiles divitiae gratiae pro vitalitate apostolica et pro sanctitate totius corporis Christi; dummodo de donis agatur quae vere a Spiritu Sancto procedunt et modo exerceantur plene impulsibus authenticis Eiusdem Spiritus conformi, id est secundum caritatem, veram charismatum mensuram.257
§ 801
Nesse sentido será sempre necessário o discernimento dos carismas. Nenhum carisma dispensa a referência e a submissão aos pastores da Igreja. «A eles compete, de modo especial, não extinguir o Espírito, mas tudo examinar para reter o que é bom» (258), de modo que todos os carismas, na sua diversidade e complementaridade, cooperem para o «bem comum» (1 Cor 12, 7) (259).Resumindo:
Hoc sensu, charismatum discretio apparet semper necessaria. Nullum charisma eximitur de relatione et submissione Pastoribus Ecclesiae. Eis « speciatim competit, non Spiritum extinguere, sed omnia probare et quod bonum est tenere »,258 ut omnia charismata in sua diversitate et complementaritate « ad utilitatem » (1 Cor 12,7) cooperentur.259 Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 802
Jesus Cristo «entregou-Se por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade e de purificar e constituir um povo de sua exclusiva posse» (Tt 2, 14).
Christus Iesus « dedit Semetipsum pro nobis, ut nos redimeret ab omni inquitate et mundaret Sibi populum peculiarem » (Tit 2,14).
§ 803
«Vós sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido» (1 Pe 2, 9).
« Vos autem genus electum, regale sacerdotium, gens sancta, populus in acquisitionem » (1 Pe 2,9).
§ 804
Entra-se no povo de Deus pela fé e pelo Baptismo. «Todos os homens são chamados a fazer parte do povo de Deus» (260), para que, em Cristo, «os homens constituam uma só família e um único povo de Deus» (261).
Ingressus in populum Dei per fidem fit et per Baptismum. « Ad novum populum Dei cuncti vocantur homines »,260 ut in Christo « homines unam familiam unumque populum Dei constituant ».261
§ 805
A Igreja é o Corpo de Cristo. Pelo Espírito e pela sua acção nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, Cristo morto e ressuscitado constitui como seu Corpo a comunidade dos crentes.
Ecclesia corpus est Christi. Per Spiritum Eiusque actionem in sacramentis, praesertim in Eucharistia, Christus mortuus et resuscitatus communitatem credentium constituit tamquam corpus Suum.
§ 806
Na unidade deste Corpo, existe diversidade de membros e de funções. Mas todos os membros estão unidos uns aos outros, parti­cularmente àqueles que sofrem, aos pobres e aos perseguidos.
In huius corporis unitate diversitas habetur membrorum et munerum. Omnia membra inter se uniuntur, peculiariter cum illis qui patiuntur, pauperes sunt et persecutione vexati.
§ 807
A Igreja é este Corpo, cuja Cabeça é Cristo: ela vive d'Ele, n'Ele e para Ele; e Ele vive com ela e nela.
Ecclesia corpus est cuius Christus est Caput: de Ipso, in Ipso et pro Ipso vivit; Ipse cum illa vivit et in illa.
§ 808
A Igreja é a Esposa de Cristo: Ele amou-a e entregou-Se por ela. Purificou-a pelo seu sangue. Fez dela a mãe fecunda de todos os filhos de Deus.
Ecclesia Sponsa est Christi: Ipse eam dilexit et tradidit Semetipsum pro ea. Per Suum sanguinem eam purificavit. Eam Matrem fecit fecundam omnium filiorum Dei.
§ 809
A Igreja é o Templo do Espírito Santo. O Espírito é como que a alma do Corpo Místico, princípio da sua vida, da unidade na diversidade e da riqueza dos seus dons e carismas.
Ecclesia templum est Spiritus Sancti. Spiritus est velut corporis mystici anima, principium vitae eius, unitatis in diversitate et divitiarum suorum donorum et charismatum.
§ 810
«A Igreja universal aparece, assim, como "um povo que vai buscar a sua unidade à unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo"» (262).
« Sic apparet universa Ecclesia sicuti "de unitate Patris et Filii et Spiritus Sancti plebs adunata" ».262 (208) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 9: AAS 57 (1965) 12-13.(209) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.(210) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 9: AAS 57 (1965) 13; cf Io 13,34. (211) Cf Rom 8,2; Gal 5,25. (212) Cf Mt 5,13-16. (213) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.(214) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.(215) Cf Ioannes Paulus II, Litt. Enc. Redemptor hominis, 18-21: AAS 71 (1979) 301-320.(216) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.(217) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 12: AAS 57 (1965) 16.(218) Cf Io 12,32.(219) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 36: AAS 57 (1965) 41.(220) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.(221) Sanctus Leo Magnus, Sermo 4, 1: CCL 138, 16-17 (PL 54, 149). (222) Cf Mc 1,16-20; 3,13-19. (223) Cf Mt 13,10-17. (224) Cf Lc 10,17-20. (225) Cf Lc 22,28-30. (226) Cf Io 14,18. (227) Cf Mt 28,20. (228) Cf Io 20,22; Act 2,33. (229) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 7: AAS 57 (1965) 9.(230) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 7: AAS 57 (1965) 9.(231) Cf Rom 6,4-5; 1 Cor 12,13. (232) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 7: AAS 57 (1965) 9.(233) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 7: AAS 57 (1965) 10.(234) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 7: AAS 57 (1965) 10.(235) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 7: AAS 57 (1965) 10.(236) Cf Col 2,19.(237) Cf Eph 4,11-16.(238) Sanctus Augustinus, In Iohannis evangelium tractatus, 21, 8: CCL 36, 216-217 (PL 35, 1568). (239) Sanctus Gregorius Magnus, Moralia in Iob, Praefatio, 6, 14: CCL 143, 19 (PL 75, 525). (240) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 48, a. 2, ad 1: Ed. Leon. 11, 464. (241) Sancta Ioanna de Arco, Dictum: Procès de condamnation, ed. P. Tisset (Paris 1960) p. 166 (textus gallicus.)(242) Cf Io 3,29.(243) Cf Mt 22,1-14; 25,1-13.(244) Cf 1 Cor 6,15-17; 2 Cor 11,2. (245) Cf Apc 22,17; Eph 1,4; 5,27. (246) Cf Eph 5,29. (247) Sanctus Augustinus, Enarratio in Psalmum 74, 4: CCL 39, 1027 (PL 37, 948-949). (248) Sanctus Augustinus, Sermo 268, 2: PL 38, 1232. (249) Pius XII, Litt. enc. Mystici corporis: DS 3808. (250) Cf 1 Cor 3,16-17; Eph 2,21. (251) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 24, 1: SC 211, 472-474 (PG 7, 966). (252) Pius XII, Litt. enc. Mystici corporis: DS 3808. (253) Cf Eph 4,16. (254) Cf 1 Cor 12,13. (255) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 7: AAS 57 (1965) 10.(256) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 12: AAS 57 (1965) 16; cf Id., Decr. Apostolicam actuositatem, 3: AAS 58 (1966) 839-840.(257) Cf 1 Cor 13.(258) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 12: AAS 57 (1965) 17.(259) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 30: AAS 57 (1965) 37; Ioannes Paulus II, Adh. ap. Christifideles laici, 24: AAS 81 (1989) 435. (260) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 13: AAS 57 (1965) 17.(261) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 1: AAS 58 (1966) 947.(262) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 4: AAS 57 (1965) 7; cf Sanctus Cyprianus Carthaginiensis, De dominica Oratione, 23: CCL 3A, 105 (PL 4, 553).

A IGREJA É UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 811
«Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica» (263). Estes quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si (264) indicam traços essenciais da Igreja e da sua missão. A Igreja não os confere a si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, concede à sua Igreja que seja una, santa, católica e apostólica, e é ainda Ele que a chama a realizar cada uma destas qualidades.
« Haec est unica Christi Ecclesia, quam in Symbolo unam, sanctam, catholicam et apostolicam profitemur ».263 Haec quattuor attributa inseparabiliter inter se connexa,264 Ecclesiae eiusque missionis lineamenta denotant essentialia. Ecclesia ea ex se ipsa non habet; Christus per Spiritum Sanctum tribuit Ecclesiae ut una, sancta, catholica sit et apostolica, atque etiam Ipse eam vocat ut unamquamque ex his qualitatibus deducat in rem.
§ 812
Só a fé pode reconhecer que a Igreja recebe estas propriedades da sua fonte divina. Mas as manifestações históricas das mesmas são sinais que também falam claro à razão humana. «A Igreja, lembra o I Concílio do Vaticano, em razão da sua santidade, da sua unidade católica, da sua invicta constância, é, por si mesma, um grande e perpétuo motivo de credibilidade e uma prova incontestável da sua missão divina» (265).
Solum fides agnoscere potest Ecclesiam has proprietates ex fonte habere divino. Sed earum historicae manifestationes sunt etiam signa quae rationi humanae clare loquuntur. « Ecclesia per se ipsa — commemorat Concilium Vaticanum I —, ob suam [...] eximiam sanctitatem [...], ob catholicam unitatem invictamque stabilitatem magnum quoddam et perpetuum est motivum credibilitatis et divinae suae legationis testimonium irrefragabile ».265 I. Ecclesia est una« Unitatis Ecclesiae sacrum mysterium »266

«O SAGRADO MISTÉRIO DA UNIDADE DA IGREJA» (266)

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é una

§ 813
A Igreja é una, graças à sua fonte: «O supremo modelo e princípio deste mistério é a unidade na Trindade das pessoas, dum só Deus, Pai e Filho no Espírito Santo» (267). A Igreja é una graças ao seu fundador: «O próprio Filho encarnado [...] reconciliou todos os homens com Deus pela sua Cruz, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só Corpo» (268). A Igreja é una graças à sua «alma»: «O Espírito Santo que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo que é o princípio da unidade da Igreja» (269). Pertence, pois, à própria essência da Igreja que ela seja una:

«Que admirável mistério! Há um só Pai do universo, um só Logos do universo e também um só Espírito Santo, idêntico em toda a parte; e há também uma só mãe Virgem, à qual me apraz chamar Igreja» (270).

Ecclesia una est ratione sui fontis: « Huius mysterii supremum exemplar et principium est in Trinitate Personarum unitas unius Dei Patris et Filii in Spiritu Sancto ».267 Ecclesia una est ratione sui Fundatoris: « Ipse enim Filius incarnatus [...] per crucem Suam omnes homines Deo reconciliavit [...] restituens omnium unitatem in uno populo et uno corpore ».268 Ecclesia una est ratione « animae » suae: « Spiritus Sanctus, qui credentes inhabitat totamque replet atque regit Ecclesiam, miram illam communionem fidelium efficit et tam intime omnes in Christo coniungit, ut Ecclesiae unitatis sit Principium ».269 Ad ipsam ergo essentiam Ecclesiae pertinet ut una sit:

« O miraculum mysticum! Unus quidem est universorum Pater. Unum est etiam Verbum universorum, et Spiritus Sanctus unus, et Ipse est ubique. Una autem sola est Mater Virgo; mihi autem placet eam vocare Ecclesiam ».270

§ 814
Desde a origem, no entanto, esta Igreja apresenta-se com uma grande diversidade, proveniente ao mesmo tempo da variedade dos dons de Deus e da multiplicidade das pessoas que os recebem. Na unidade do povo de Deus, juntam-se as diversidades dos povos e das culturas. Entre os membros da Igreja existe uma diversidade de dons, de cargos, de condições e de modos de vida. «No seio da comunhão da Igreja existem legitimamente Igrejas particulares, que gozam das suas tradições próprias» (271). A grande riqueza desta diversidade não se opõe à unidade da Igreja. No entanto, o pecado e o peso das suas consequências ameaçam constantemente o dom da unidade. Também o Apóstolo se viu na necessidade de exortar a que se guardasse «a unidade do Espírito pelo vínculo da paz» (Ef 4, 3).
Haec tamen Ecclesia una, inde ab origine sua, se cum magna praesentat diversitate, quae simul procedit e varietate donorum Dei et e multiplicitate personarum quae illa recipiunt. In populi Dei unitate diversitates congregantur populorum et culturarum. Inter Ecclesiae membra diversitas exsistit donorum, munerum, condicionum et vitae modorum; « in ecclesiastica communione legitime adsunt Ecclesiae particulares, propriis traditionibus fruentes ».271 Magnae huius diversitatis divitiae unitati Ecclesiae non opponuntur. Peccatum tamen et eius consequentiarum pondus constanter unitatis dono minantur. Propterea Apostolus hortari debet ad servandam « unitatem spiritus in vinculo pacis » (Eph 4,3).
§ 815
Quais são os vínculos da unidade? «Acima de tudo, a caridade, que é o vínculo da perfeição» (Cl 3, 14). Mas a unidade da Igreja peregrina é assegurada também por laços visíveis de comunhão:

– a profissão duma só fé, recebida dos Apóstolos;
– a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;
– a sucessão apostólica pelo sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus (272).

– a profissão duma só fé, recebida dos Apóstolos;
– a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;
– a sucessão apostólica pelo sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus (272).
Quaenam sunt haec unitatis vincula? Super omnia, caritas quae « est vinculum perfectionis » (Col 3,14). Sed Ecclesiae peregrinantis unitas etiam per visibilia communionis fulcitur vincula:

— per unius fidei Professionem ab Apostolis receptae;

— per communem cultus divini celebrationem, praesertim sacramentorum;

— per apostolicam ope sacramenti Ordinis successionem, quae concordiam familiae Dei sustinet fraternam.272

§ 816
«A única Igreja de Cristo [...] é aquela que o nosso Salvador, depois da ressurreição, entregou a Pedro, com o encargo de a apascentar, confiando também a ele e aos outros apóstolos a sua difusão e governo [...]. Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele» (273).

O decreto do II Concílio do Vaticano sobre o Ecumenismo explicita: «Com efeito, só pela Igreja Católica de Cristo, que é "meio geral de salvação", é que se pode obter toda a plenitude dos meios de salvação. Na verdade, foi apenas ao colégio apostólico, de que Pedro é o chefe, que, segundo a nossa fé, o Senhor confiou todas as riquezas da nova Aliança, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que sejam plenamente incorporados todos os que, de certo modo, pertencem já ao povo de Deus» (274).

O decreto do II Concílio do Vaticano sobre o Ecumenismo explicita: «Com efeito, só pela Igreja Católica de Cristo, que é "meio geral de salvação", é que se pode obter toda a plenitude dos meios de salvação. Na verdade, foi apenas ao colégio apostólico, de que Pedro é o chefe, que, segundo a nossa fé, o Senhor confiou todas as riquezas da nova Aliança, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que sejam plenamente incorporados todos os que, de certo modo, pertencem já ao povo de Deus» (274).
« Haec est unica Christi Ecclesia, [...] quam Salvator noster, post Resurrectionem Suam, Petro pascendam tradidit, eique ac ceteris Apostolis diffundendam et regendam commisit [...]. Haec Ecclesia, in hoc mundo ut societas constituta et ordinata, subsistit in Ecclesia catholica, a Successore Petri et Episcopis in eius communione gubernata ».273

Decretum de Oecumenismo Concilii Vaticani II explicat: « Per solam enim catholicam Christi Ecclesiam, quae generale auxilium salutis est, omnis salutarium mediorum plenitudo attingi potest. Uni nempe Collegio apostolico cui Petrus praeest credimus Dominum commisisse omnia bona Foederis Novi, ad constituendum unum Christi corpus in terris, cui plene incorporentur oportet omnes, qui ad populum Dei iam aliquo modo pertinent ».274

§ 817
De facto, «nesta Igreja de Deus una e única, já desde os primórdios surgiram algumas cisões, que o Apóstolo censura asperamente como condenáveis. Nos séculos posteriores, porém, surgiram dissensões mais amplas. Importantes comunidades separaram-se da plena comunhão da Igreja Católica, às vezes por culpa dos homens duma e doutra parte» (275). As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (a saber: a heresia, a apostasia e o cisma) (276) devem-se aos pecados dos homens:

«Ubi peccata, ibi est multitudo, ibi schismata, ibi haereses, ibi discussiones. Ubi autem virtus, ibi singularitas, ibi unio, ex quo omnium credentium erat cor unum et anima una — Onde há pecados, aí se encontra a multiplicidade, o cisma, a heresia, o conflito. Mas onde há virtude, aí se encontra a unicidade e aquela união que faz com que todos os crentes tenham um só coração e uma só alma» (277).

De facto, « in hac una et unica Dei Ecclesia iam a primordiis scissurae quaedam exortae sunt, quas ut damnandas graviter vituperat Apostolus; posterioribus vero saeculis ampliores natae sunt dissensiones, et communitates haud exiguae a plena communione Ecclesiae catholicae seiunctae sunt, quandoque non sine hominum utriusque partis culpa ».275 Rupturae quae unitatem vulnerant corporis Christi (distinguuntur haeresis, apostasia et schisma),276 sine hominum peccatis non fiunt:

« Ubi peccata sunt, ibi est multitudo, ibi schismata, ibi haereses, ibi dissensiones; ubi autem virtus, ibi singularitas, ibi unio, ex quo omnium credentium erat cor unum et anima una ».277

§ 818
Os que hoje nascem em comunidades provenientes de tais rupturas, «e que vivem a fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da divisão. A Igreja Católica abraça-os com respeito e caridade fraterna [...]. Justificados pela fé recebida no Baptismo, incorporados em Cristo, é a justo título que se honram com o nome de cristãos e os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos legitimamente como irmãos no Senhor» (278).
Illi qui hodie in communitatibus ortis ex talibus rupturis nascuntur « et fide Christi imbuuntur, de separationis peccato argui nequeunt, eosque fraterna reverentia et dilectione amplectitur Ecclesia catholica. [...] Iustificati ex fide in Baptismate, Christo incorporantur, ideoque christiano nomine iure decorantur et a filiis Ecclesiae catholicae ut fratres in Domino merito agnoscuntur ».278
§ 819
Além disso, existem fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica, «muitos elementos de santificação e de verdade» (279): «a Palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade, outros dons interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis» (280). O Espírito de Cristo serve-Se destas Igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Todos estes bens provêm de Cristo e a Ele conduzem (281) e por si mesmos reclamam «a unidade católica» (282).
Praeterea, « elementa plura sanctificationis et veritatis »279 extra visibiles Ecclesiae catholicae limites exsistunt: « Verbum Dei scriptum, vita gratiae, fides, spes et caritas, aliaque interiora Spiritus Sancti dona ac visibilia elementa ».280 Christi Spiritus his Ecclesiis et communitatibus utitur ecclesialibus tamquam salutis mediis quorum virtus ex gratiae et veritatis procedit plenitudine quam Christus Ecclesiae catholicae commisit. Haec omnia bona proveniunt a Christo et ad Illum ducunt281 atque ex semetipsis « ad unitatem catholicam »282 vocant.In via ad unitatem

A CAMINHO DA UNIDADE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é una

§ 820
A unidade, «Cristo a concedeu à sua Igreja desde o princípio. Nós cremos que ela subsiste, sem possibilidade de ser perdida, na Igreja Católica, e esperamos que cresça de dia para dia até à consumação dos séculos» (283). Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. Foi por esta intenção que Jesus orou na hora da sua paixão e não cessa de orar ao Pai pela unidade dos seus discípulos: «...Que todos sejam um. Como Tu, ó Pai, és um em Mim e Eu em Ti, assim também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste» (Jo 17, 21). O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo (284).
Unitatem, « quam Christus ab initio Ecclesiae Suae largitus est, [...] inamissibilem in Ecclesia catholica subsistere credimus et usque ad consummationem saeculi in dies crescere speramus ».283 Christus Suae Ecclesiae donum unitatis semper praebet, sed Ecclesia semper orare et adlaborare debet ad conservandam, fulciendam et perficiendam unitatem quam pro illa Christus vult. Hac de causa, Ipse Iesus in hora Suae passionis Patrem oravit, et orare non desinit, pro Suorum discipulorum unitate: « ...ut omnes unum sint, sicut Tu, Pater, in me et ego in Te, ut et ipsi in nobis unum sint: ut mundus credat quia Tu me misisti » (Io 17,21). Optatum unitatem omnium christianorum restaurandi Christi est donum et Spiritus Sancti vocatio.284
§ 821
Para lhe corresponder de modo adequado, exige-se:

– uma renovação permanente da Igreja, numa maior fidelidade à sua vocação. Essa renovação é a força do movimento a favor da unidade (285);
a conversão do coração, «com o fim levar uma vida mais pura segundo o Evangelho» (286), pois o que causa as divisões é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo;
a oração em comum, porque «a conversão do coração e a santidade de vida. unidas às orações, públicas e privadas, pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o movimento ecuménico, e com razão podem chamar-se ecumenismo espiritual» (287);
o mútuo conhecimento fraterno (288);
a formação ecuménica dos fiéis, e especialmente dos sacerdotes (289);
o diálogo entre os teólogos, e os encontros entre os cristãos das diferentes Igrejas e comunidades (290);
a colaboração entre cristãos nos diversos domínios do serviço dos homens »(291).

Ut huic adaequate respondeatur, requiruntur:

— permanens Ecclesiae renovatio in maiore fidelitate ad eius vocationem. Haec renovatio vis est motus unitatem versus;285

cordis conversio ut singuli « secundum Evangelium vitam degere studeant »,286 quia membrorum infidelitas Christi dono divisionum est causa;

oratio in communi, quia « cordis conversio vitaeque sanctitas, una cum privatis et publicis supplicationibus pro christianorum unitate, tamquam anima totius motus oecumenici existimandae sunt et merito oecumenismus spiritualis nuncupari possunt »;287

mutua fraterna cognitio;288

oecumenica institutio fidelium et speciatim sacerdotum;289

dialogus inter theologos et conventus inter christianos diversarum Ecclesiarum et communitatum;290

cooperatio inter christianos in diversis servitii hominum campis.291

§ 822
A preocupação com realizar a união «diz respeito a toda a Igreja, fiéis e pastores» (292). Mas também se deve «ter consciência de que este projecto sagrado da reconciliação de todos os cristãos na unidade duma só e única Igreja de Cristo, ultrapassa as forças e capacidades humanas». Por isso, pomos toda a nossa esperança «na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para connosco e no poder do Espírito Santo» (293).
« Ad totam Ecclesiam sollicitudo unionis instaurandae spectat, tam ad fideles quam ad Pastores ».292 Sed oportet nos esse conscios « hoc sanctum propositum reconciliandi christianos omnes in unitate unius unicaeque Ecclesiae Christi humanas vires et dotes excedere ». Hac de causa, nostram spem reponimus totam « in oratione Christi pro Ecclesia, in amore Patris erga nos, in virtute Spiritus Sancti ».293 II. Ecclesia est sancta

A CAMINHO DA UNIDADE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é santa

§ 823
«A Igreja é [...], aos olhos da fé, indefectivelmente santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado «o único Santo», com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como sua esposa, entregou-Se por ela para a santificar, uniu-a a Si como seu Corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus» (294). A Igreja é, pois, «o povo santo de Deus» (295), e os seus membros são chamados «santos» (296).
« Ecclesia [...] indefectibiliter sancta creditur. Christus enim Dei Filius, qui cum Patre et Spiritu "solus Sanctus" celebratur, Ecclesiam tamquam Sponsam Suam dilexit, Seipsum tradens pro ea, ut illam sanctificaret, eamque Sibi ut corpus Suum coniunxit atque Spiritus Sancti dono cumulavit, ad gloriam Dei ».294 Ecclesia est igitur « populus Dei sanctus »,295 eiusque membra « sancti » appellantur.296
§ 824
A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e n'Ele toma-se também santificante. «Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim, (297) para a santificação dos homens em Cristo e para a glorificação de Deus». É na Igreja que se encontra «a plenitude dos meios de salvação» (298). É nela que «nós adquirimos a santidade pela graça de Deus» (299).
Ecclesia, Christo unita, ab Ipso sanctificatur; ab Ipso et in Ipso illa fit etiam sanctificans: ad sanctificationem hominum in Christo et Dei glorificationem, « uti ad finem, omnia [...] Ecclesiae opera contendunt ».297 In illa « omnis salutarium mediorum plenitudo »298 reposita est. In illa « per gratiam Dei sanctitatem acquirimus ».299
§ 825
«Na terra, a Igreja está revestida duma verdadeira, ainda que imperfeita, santidade» (300). Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir: «Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um pelo seu caminho» (301).
« Ecclesia iam in terris vera sanctitate licet imperfecta insignitur ».300 In eius membris, sanctitas perfecta adhuc est acquirenda: « Tot ac tantis salutaribus mediis muniti, christifideles omnes, cuiusvis conditionis ac status, ad perfectionem sanctitatis qua Pater Ipse perfectus est, sua quisque via, a Domino vocantur ».301
§ 826
A caridade é a alma da santidade à qual todos são chamados: «É ela que dirige todos os meios de santificação, lhes dá alma e os conduz ao seu fim»(302):

«Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava: compreendi que a igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue... Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e lugares ... numa palavra, que ele é Eterno» (303).

A Igreja «é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo» (307).
Caritas anima est sanctitatis ad quam omnes appellantur: illa « omnia sanctificationis media regit, informat ad finemque perducit »:302

« Intellexi Ecclesiae, si ipsa corpus variis compactum membris habeat, membrum maxime necessarium et omnium nobilissimum deesse non posse; intellexi Ecclesiam Cor habere et huiusmodi Cor esse Amore incensum. Intellexi unum Amorem facere ut membra Ecclesiae agant, etsi Amor extingueretur, Apostolos Evangelium non amplius esse annuntiaturos, Martyres recusaturos esse sanguinem effundere suum... Intellexi Amorem omnes in se concludere Vocationes, Amorem omnia esse, eundemque universa tempora et loca comprehendere... uno verbo amorem Aeternum esse ».303

§ 827
«Enquanto que Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação» (304). Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores (305). Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos (306). A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação: A Igreja «é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo» (307).
« Dum vero Christus, "sanctus, innocens, impollutus", peccatum non novit, sed sola delicta populi repropitiare venit, Ecclesia in proprio sinu peccatores complectens, sancta simul et semper purificanda, paenitentiam et renovationem continuo prosequitur ».304 Omnia Ecclesiae membra, eius ministris inclusis, se peccatores agnoscere debent.305 In omnibus zizania peccati bono Evangelii semini usque ad finem temporum adhuc miscentur.306 Ecclesia igitur peccatores congregat Christi salute captos, sed adhuc in sanctificationis via:

Ecclesia « est igitur sancta, licet in sinu suo peccatores complectatur; nam ipsa non alia fruitur vita, quam vita gratiae; hac profecto si aluntur, membra illius sanctificantur, si ab eadem se removent, peccata sordesque animae contrahunt, quae obstant, ne sanctitas eius radians diffundatur. Quare affligitur et paenitentiam agit pro noxis illis, potestatem habens ex his sanguine Christi et dono Spiritus Sancti filios suos liberandi ».307

§ 828
Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está nela, e ampara a esperança dos fiéis, propondo-lhes os santos como modelos e intercessores (308). «Os santos e santas foram sempre fonte e origem de renovação nos momentos mais difíceis da história da Igreja (309)». «A santidade é a fonte secreta e o padrão infalível da sua actividade apostólica e do seu dinamismo missionário» (310).
Ecclesia, quosdam canonizans fideles, id est sollemniter proclamans hos fideles heroice virtutes exercuisse et in fidelitate gratiae Dei duxisse vitam, potentiam agnoscit Spiritus sanctitatis qui est in ea, et spem sustinet fidelium his illos praebens tamquam exemplaria et intercessores.308 « In circumstantiis difficillimis per totam historiam Ecclesiae, semper sancti et sanctae fuerunt fons et origo renovationis ».309 « Sanctitas Ecclesiae est profecto secretus fons et mensura infallibilis eius operositatis apostolicae et impetus missionarii ».310
§ 829
«Na pessoa da Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição, sem mancha nem ruga, que lhe é própria. Mas os fiéis de Cristo têm ainda de trabalhar para crescer em santidade, vencendo o pecado. Por isso, levantam os olhos para Maria»(311): nela, a Igreja é já plenamente santa.
« Dum autem Ecclesia in beatissima Virgine ad perfectionem iam pertingit, qua sine macula et ruga exsistit, christifideles adhuc nituntur, ut devincentes peccatum in sanctitate crescant; ideoque oculos suos ad Mariam attollunt »:311 in ea, Ecclesia est iam plene sancta. III. Ecclesia est catholicaQuid « catholica » significet?

QUE QUER DIZER «CATÓLICA»?

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é católica

§ 830
A palavra «católico» significa «universal» no sentido de «segundo a totalidade» ou «segundo a integridade». A Igreja é católica num duplo sentido:É católica porque Cristo está presente nela: «onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica» (312). Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça (313), o que implica que ela receba d'Ele a «plenitude dos meios de salvação» (314) que Ele quis: confissão de fé recta e completa, vida sacramental integral e ministério ordenado na sucessão apostólica. Neste sentido fundamental, a Igreja era católica no dia de Pentecostes (315) e sê-lo-á sempre até ao dia da Parusia.
Verbum « catholica » significat « universalis » sive « secundum totalitatem » sive « secundum integritatem ». Ecclesia est catholica duplici sensu: Est catholica quia in ea Christus est praesens. « Ubi fuerit Christus Iesus, ibi catholica est Ecclesia ».312 In ea Christi corporis, eius Capiti uniti, subsistit plenitudo,313 id quod implicat eam ex Illo recipere « plenitudinem mediorum salutis »314 ab Ipso volitorum: rectae et completae fidei confessionem, vitam sacramentalem integram atque ordinatum in successione apostolica ministerium. Hoc sensu fundamentali, Ecclesia die Pentecostes erat catholica,315 et ipsa id semper erit usque ad diem Parusiae.
§ 831
É católica, porque Cristo a enviou em missão à universalidade do género humano (316):

«Todos os homens são chamados a fazer parte do povo de Deus. Por isso, permanecendo uno e único, este povo está destinado a estender-se a todo o mundo e por todos os séculos, para se cumprir o desígnio da vontade de Deus que, no princípio, criou a natureza humana na unidade e decidiu enfim reunir na unidade os seus filhos dispersos [...]. Este carácter de universalidade que adorna o povo de Deus é dom do próprio Senhor. Graças a tal dom, a Igreja Católica tende a recapitular, eficaz e perpetuamente, a humanidade inteira, com todos os bens que ela contém, sob Cristo Cabeça, na unidade do Seu Espírito (317).

Ea est catholica quia a Christo ad genus humanum mittitur universum:316

« Ad novum populum Dei cuncti vocantur homines. Quapropter hic populus, unus et unicus manens, ad universum mundum et per omnia saecula est dilatandus, ut propositum adimpleatur voluntatis Dei, qui naturam humanam in initio condidit unam, filiosque Suos, qui erant dispersi, in unum tandem congregare statuit. [...] Hic universalitatis character, qui populum Dei condecorat, Ipsius Domini donum est, quo catholica Ecclesia efficaciter et perpetuo tendit ad recapitulandam totam humanitatem cum omnibus bonis eius, sub Capite Christo, in unitate Spiritus Eius ».317

CADA UMA DAS IGREJAS PARTICULARES É «CATÓLICA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é católica

§ 832
«A Igreja de Cristo está verdadeiramente presente em todas as legítimas comunidades locais de fiéis que, unidas aos seus pastores, recebem, também elas, no Novo Testamento, o nome de Igrejas [...]. Nelas, os fiéis são reunidos pela pregação do Evangelho de Cristo e é celebrado o mistério da Ceia do Senhor [...]. Nestas comunidades, ainda que muitas vezes pequenas e pobres ou dispersas, está presente Cristo, por cujo poder se constitui a Igreja una, santa, católica e apostólica» (318).
« Christi Ecclesia vere adest in omnibus legitimis fidelium congregationibus localibus, quae, Pastoribus suis adhaerentes, et ipsae in Novo Testamento Ecclesiae vocantur. [...] In eis praedicatione Evangelii Christi congregantur fideles et celebratur mysterium Coenae Domini [...]. In his communitatibus, licet saepe exiguis et pauperibus, vel in dispersione degentibus, praesens est Christus, cuius virtute consociatur una, sancta, catholica et apostolica Ecclesia ».318
§ 833
Entende-se por Igreja particular, que é em primeiro lugar a diocese (ou «eparquia»), uma comunidade de fiéis cristãos em comunhão de fé e de sacramentos com o seu bispo, ordenado na sucessão apostólica (319). Estas Igrejas particulares «são formadas à imagem da Igreja universal; é nelas e a partir delas que existe a Igreja Católica una e única» (320).
Nomine Ecclesiae particularis, quae in primis dioecesis est (vel eparchia), communitas quaedam intelligitur fidelium in communione fidei et sacramentorum cum eorum Episcopo in successione apostolica ordinato.319 Hae Ecclesiae particulares « ad imaginem Ecclesiae universalis » sunt formatae, « in quibus et ex quibus una et unica Ecclesia catholica exsistit ».320
§ 834
As Igrejas particulares são plenamente católicas pela comunhão com uma de entre elas: a Igreja Romana, «que preside à caridade» (321). «Com esta Igreja, mais excelente por causa da sua origem, deve necessariamente estar de acordo toda a Igreja, isto é, os fiéis de toda a parte» (322). «Desde que o Verbo Encarnado desceu até nós, todas as Igrejas cristãs de todo o mundo tiveram e têm a grande Igreja que vive aqui (em Roma)como única base e fundamento, porque, segundo as próprias promessas do Salvador, as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela» (323).
Ecclesiae particulares plene sunt catholicae per communionem cum una ex ipsis: cum Ecclesia Romana, quae « caritati praesidens »321 est. « Ad hanc enim Ecclesiam propter potentiorem principalitatem necesse est omnem convenire Ecclesiam, hoc est eos qui sunt undique fideles ».322 « Ab initio enim quando ad nos Dei Verbum assumpta carne descendit, unicam firmam basim et fundamentum omnes ubique christianorum Ecclesiae, quae ibi [Romae] est, maximam nacti sunt habentque Ecclesiam: ut in quam, iuxta ipsam Salvatoris promissionem, portae inferi haudquaquam praevaluerint ».323
§ 835
«A Igreja universal não deve ser entendida como simples somatório ou, por assim dizer, federação de Igrejas particulares [...]. Mas é antes a Igreja, universal por vocação e missão, que lançando raiz numa variedade de terrenos culturais, sociais e humanos, toma em cada parte do mundo aspectos e formas de expressão diversos» (324). A rica variedade de normas disciplinares, ritos litúrgicos, patrimónios teológicos e espirituais, próprios das Igrejas locais, «mostra da forma mais evidente, pela sua convergência na unidade, a catolicidade da Igreja indivisa» (325).
« Caveamus autem, ne Ecclesiam universalem cogitemus quamdam esse summam vel, si dicere licet, foederatam consociationem [...] Ecclesiarum particularium [...]. Ecclesia ipsa, vocatione et missione universali, cum radices mittit in varias conditiones, ad civilem, socialem et humanum ordinem spectantes, in quavis orbis terrae parte exteriores facies ac lineamenta diversa induit ».324 Dives disciplinarum ecclesiasticarum, liturgicorum rituum, patrimoniorum theologicorum et spiritualium Ecclesiis localibus propriorum « in unum conspirans varietas indivisae Ecclesiae catholicitatem luculentius demonstrat ».325 Quis ad Ecclesiam pertinet catholicam?

QUEM PERTENCE À IGREJA CATÓLICA?

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é católica

§ 836
«Todos os homens são chamados [...] à unidade católica do povo de Deus; de vários modos a ela pertencem, ou para ela estão ordenados, tanto os fiéis católicos como os outros que também acreditam em Cristo e, finalmente, todos os homens sem excepção, que a graça de Deus chama à salvação» (326):
« Ad [...] catholicam populi Dei unitatem [...] omnes vocantur homines, ad eamque variis modis pertinent vel ordinantur sive fideles catholici, sive alii credentes in Christo, sive denique omnes universaliter homines, gratia Dei ad salutem vocati ».326
§ 837
«Estão plenamente incorporados na sociedade que é a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos, e que, além disso, pelos laços da profissão de fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, estão unidos no todo visível da Igreja, com Cristo que a dirige por meio do Sumo Pontífice e dos bispos. Mas a incorporação não garante a salvação àquele que, por não perseverar na caridade, está no seio da Igreja «de corpo» mas não «de coração» (327).
« Illi plene Ecclesiae societati incorporantur, qui Spiritum Christi habentes, integram eius ordinationem omniaque media salutis in ea instituta accipiunt, et in eiusdem compage visibili cum Christo, eam per Summum Pontificem atque Episcopos regente, iunguntur, vinculis nempe Professionis fidei, sacramentorum et ecclesiastici regiminis ac communionis. Non salvatur tamen, licet Ecclesiae incorporetur, qui in caritate non perseverans, in Ecclesiae sinu "corpore" quidem, sed non "corde" remanet ».327
§ 838
«Com aqueles que, tendo sido baptizados, têm o belo nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro, a Igreja sabe-se unida por múltiplas razões» (328). «Aqueles que crêem em Cristo e receberam validamente o Baptismo encontram-se numa certa comunhão, embora imperfeita, com a Igreja Católica» (329). Quanto às Igrejas Ortodoxas, esta comunhão é tão profunda «que bem pouco lhes falta para atingir a plenitude, que permita uma celebração comum da Eucaristia do Senhor» (330).
« Cum illis qui, baptizati, christiano nomine decorantur, integram autem fidem non profitentur vel unitatem communionis sub Successore Petri non servant, Ecclesia semetipsam novit plures ob rationes coniunctam ».328 « Hi enim qui in Christum credunt et Baptismum rite receperunt, in quadam cum Ecclesia catholica communione, etsi non perfecta constituuntur ».329 Cum Ecclesiis orthodoxis haec communio tam profunda est « ut paululum ei desit ad plenitudinem assequendam quae permittat communem celebrationem Eucharistiae Domini ».330 Ecclesia et non-christiani

A IGREJA E OS NÃO-CRISTÃOS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é católica

§ 839
«Aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão também, de uma de ou outra forma, ordenados ao povo de Deus» (331):A relação da Igreja com o Povo Judaico. A Igreja, povo de Deus na nova Aliança, ao perscrutar o seu próprio mistério, descobre o laço que a une ao povo judaico (332), «a quem Deus falou primeiro» (333). Ao invés das outras religiões não cristãs, a fé judaica é já uma resposta à revelação de Deus na antiga Aliança. É ao povo judaico que «pertencem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas [...] e os patriarcas; desse povo Cristo nasceu segundo a carne» (Rm 9, 4-5); porque «os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis» (Rm 11, 29).
« [...] qui Evangelium nondum acceperunt, ad populum Dei diversis rationibus ordinantur ».331Relatio Ecclesiae cum populo Iudaico. Ecclesia, populus Dei in Novo Foedere, suum proprium scrutans mysterium, vinculum suum cum populo detegit Iudaico,332 ad quem « prius locutus est Dominus Deus noster ».333 Aliter ac apud alias religiones non christianas, fides Iudaica revelationi Dei in Vetere Foedere est iam responsum. Huius populi Iudaici « adoptio est filiorum et gloria et testamenta et legislatio et cultus et promissiones, [...] [eius] sunt patres, et [...] [ex eo] Christus secundum carnem » (Rom 9,4-5), « sine paenitentia enim sunt dona et vocatio Dei » (Rom 11,29).
§ 840
Aliás, quando se considera o futuro, o povo de Deus da Antiga Aliança e o novo povo de Deus tendem para fins análogos: a esperança da vinda (ou do regresso) do Messias. Mas a esperança é, dum lado, a do regresso do Messias, morto e ressuscitado, reconhecido como Senhor e Filho de Deus: do outro, a da vinda no fim dos tempos do Messias, cujos traços permanecem velados – expectativa acompanhada pelo drama da ignorância ou do falso conhecimento de Cristo Jesus.
Ceterum, si futurum consideretur, populus Dei Veteris Foederis et novus populus Dei ad scopos tendunt analogos: exspectationem Adventus (vel reditus) Messiae. Sed, ex alia parte, est exspectatio reditus Messiae, mortui et resuscitati, tamquam Domini et Filii Dei agniti; ex alia vero parte, exspectatio Adventus, in fine temporum, Messiae, cuius lineamenta velata permanent, exspectatio quam tragoedia ignorantiae vel inscientiae comitatur Christi Iesu.
§ 841
Relações da Igreja com os muçulmanos. «O desígnio de salvação envolve igualmente os que reconhecem o Criador, entre os quais, em primeiro lugar, os muçulmanos que declarando guardar a fé de Abraão, connosco adoram o Deus único e misericordioso que há-de julgar os homens no último dia» (334).
Relationes Ecclesiae cum musulmanis. « Propositum salutis et eos amplectitur, qui Creatorem agnoscunt, inter quos imprimis musulmanos, qui fidem Abrahae se tenere profitentes, nobiscum Deum adorant unicum, misericordem, homines die novissimo iudicaturum ».334
§ 842
A ligação da Igreja com as religiões não cristãs é, antes de mais, a da origem e do fim comuns do género humano:

«De facto, todos os povos formam uma única comunidade; têm uma origem única, pois Deus fez que toda a raça humana habitasse à superfície da terra; têm também um único fim último, Deus, cuja providência, testemunhos de bondade e desígnio de salvação se estendem a todos, até que os eleitos sejam reunidos na cidade santa» (335).

Ecclesiae vinculum cum religionibus non christianis imprimis illud est originis et finis generi humano communium:

« Una enim communitas sunt omnes gentes, unam habent originem, cum Deus omne genus hominum inhabitare fecerit super universam faciem terrae, unum etiam habent finem ultimum, Deum, cuius providentia ac bonitatis testimonium et consilia salutis ad omnes se extendunt, donec uniantur electi in Civitate sancta ».335

§ 843
A Igreja reconhece nas outras religiões a busca, «ainda nas sombras e sob imagens», do Deus desconhecido mas próximo, pois é Ele quem a todos dá vida, respiração e todas as coisas e quer que todos os homens se salvem. Assim, a Igreja considera tudo quanto nas outras religiões pode encontrar-se de bom e verdadeiro, «como uma preparação evangélica e um dom d'Aquele que ilumina todo o homem, para que, finalmente, tenha a vida» (336).
Ecclesia in aliis religionibus « in umbris et imaginibus » inquisitionem agnoscit Dei ignoti, sed proximi, quia Ipse omnibus vitam, spiritum et omnia praebet et quia Ipse vult omnes homines salvos fieri. Sic Ecclesia quidquid bonum et verum in religionibus inveniri potest, tamquam praeparationem evangelicam considerat « et ab Illo datum qui illuminat omnem hominem, ut tandem vitam habeat ».336
§ 844
Mas no seu comportamento religioso, os homens revelam também limites e erros que desfiguram neles a imagem de Deus:

«Muitas vezes, enganados pelo Maligno, transviaram-se nos seus raciocínios, trocando a verdade de Deus pela mentira. Preferindo o serviço da criatura ao do Criador, ou vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, expuseram-se ao desespero final» (337).

Homines tamen in suo religiose procedendi modo etiam limites manifestant et errores qui in eis imaginem deturpant Dei:

« At saepius homines, a Maligno decepti, evanuerunt in cogitationibus suis, et commutaverunt veritatem Dei in mendacium, servientes creaturae magis quam Creatori vel sine Deo viventes ac morientes in hoc mundo, extremae desperationi exponuntur ».337

« At saepius homines, a Maligno decepti, evanuerunt in cogitationibus suis, et commutaverunt veritatem Dei in mendacium, servientes creaturae magis quam Creatori vel sine Deo viventes ac morientes in hoc mundo, extremae desperationi exponuntur ».337
§ 845
Foi para reunir de novo todos os seus filhos, desorientados e dispersos pelo pecado, que o Pai quis reunir toda a humanidade na Igreja do seu Filho. A Igreja é o lugar onde a humanidade deve reencontrar a sua unidade e a salvação. Ela é «o mundo reconciliado» (338); é a nau que «navega segura neste mundo, ao sopro do Espírito Santo, sob a vela panda da Cruz do Senhor» (339). Segundo uma outra imagem, querida aos Padres da Igreja, ela é figurada pela arca de Noé, a única que salva do dilúvio (340).
Pater, ut omnes filios Suos quos peccatum dispersit et avertit, iterum congregaret, totam humanitatem in Ecclesiam Filii Sui convocare voluit. Ecclesia est locus in quo humanitas suam unitatem suamque salutem recuperare debet. Ipsa est « mundus reconciliatus ».338 Ipsa haec navis est « quae pleno dominicae crucis velo Sancti Spiritus flatu in hoc bene navigat mundo »339 secundum aliam imaginem Patribus Ecclesiae acceptam, ipsa ab Arca Noe figuratur quae sola salvat de diluvio.340 « Extra Ecclesiam nulla salus »

«FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é católica

§ 846
Como deve entender-se esta afirmação, tantas vezes repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo: O santo Concílio «ensina, apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, que esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação. De facto, só Cristo é mediador e caminho de salvação. Ora, Ele torna-Se-nos presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ao afirmar-nos expressamente a necessidade da fé e do Baptismo, Cristo confirma-nos, ao mesmo tempo, a necessidade da própria Igreja, na qual os homens entram pela porta do Baptismo. É por isso que não se podem salvar aqueles que, não ignorando que Deus, por Jesus Cristo, fundou a Igreja Católica como necessária, se recusam a entrar nela ou a nela perseverar» (341).
Quomodo haec assertio saepe a Patribus Ecclesiae repetita est intelligenda? Modo positivo formulata, significat omnem salutem a Christo-Capite per Ecclesiam procedere quae corpus est Eius: Sancta Synodus « docet [...], sacra Scriptura et Traditione innixa, Ecclesiam hanc peregrinantem necessariam esse ad salutem. Unus enim Christus est mediator ac via salutis, qui in corpore Suo, quod est Ecclesia, praesens nobis fit; Ipse autem necessitatem fidei et Baptismi expressis verbis inculcando, necessitatem Ecclesiae, in quam homines per Baptismum tamquam per ianuam intrant, simul confirmavit. Quare illi homines salvari non possent, qui Ecclesiam Catholicam a Deo per Iesum Christum ut necessariam esse conditam non ignorantes, tamen vel in eam intrare, vel in eadem perseverare noluerint ».341
§ 847
Esta afirmação não visa aqueles que, sem culpa da sua parte, ignoram Cristo e a sua igreja:

«Com efeito, também podem conseguir a salvação eterna aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, no entanto procuram Deus com um coração sincero e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade conhecida através do que a consciência lhes dita» (342).

Haec affirmatio ad illos non refertur qui sine culpa sua Christum Eiusque ignorant Ecclesiam:

« Qui enim Evangelium Christi Eiusque Ecclesiam sine culpa ignorantes, Deum tamen sincero corde quaerunt, Eiusque voluntatem per conscientiae dictamen agnitam operibus adimplere, sub gratiae influxu, conantur, aeternam salutem consequi possunt ».342

§ 848
«Muito embora Deus possa, por caminhos só d'Ele conhecidos, trazer à fé, «sem a qual é impossível agradar a Deus» (343), homens que, sem culpa sua, ignoram o Evangelho, a Igreja tem o dever e, ao mesmo tempo, o direito sagrado, de evangelizar» (344) todos os homens.
« Etsi ergo Deus viis Sibi notis homines Evangelium sine eorum culpa ignorantes ad fidem adducere possit, sine qua impossibile est Ipsi placere,343 Ecclesiae tamen necessitas incumbit, simulque ius sacrum, evangelizandi »344 omnes homines.Missio – exigentia catholicitatis Ecclesiae

A MISSÃO – UMA EXIGÊNCIA DA CATOLICIDADE DA IGREJA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é católica

§ 849
O mandato missionário. «Enviada por Deus às nações, para ser o sacramento universal da salvação, a Igreja, em virtude das exigências íntimas da sua própria catolicidade e em obediência ao mandamento do seu fundador, procura incansavelmente anunciar o Evangelho a todos os homens» (345). «Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. E eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28, 19-20).
Missionale mandatum. « Ad gentes divinitus missa ut sit "universale salutis sacramentum" Ecclesia ex intimis propriae catholicitatis exigentiis, mandato sui Fundatoris oboediens, Evangelium omnibus hominibus nuntiare contendit »:345 « Euntes ergo docete omnes gentes, baptizantes eos in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti, docentes eos servare omnia, quaecumque mandavi vobis. Et ecce ego vobiscum sum omnibus diebus usque ad consummationem saeculi » (Mt 28,19-20).
§ 850
A origem e o fim da missão. O mandato missionário do Senhor tem a sua fonte primeira no amor eterno da Santíssima Trindade: «Por sua natureza, a Igreja peregrina é missionária, visto ter a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo» (346). E o fim último da missão consiste em fazer todos os homens participantes na comunhão existente entre o Pai e o Filho, no Espírito de amor (347).
Missionis origo et scopus. Mandatum Domini missionale fontem suum habet ultimum in amore aeterno Sanctissimae Trinitatis: « Ecclesia peregrinans natura sua missionaria est, cum ipsa ex missione Filii missioneque Spiritus Sancti originem ducat secundum propositum Dei Patris ».346 Ultimus missionis scopus alius non est quam homines efficere participes communionis exsistentis inter Patrem et Filium in Ipsorum amoris Spiritu. 347
§ 851
O motivo da missão. É ao amor de Deus por todos os homens que, desde sempre, a Igreja vai buscar a obrigação e o vigor do seu ardor missionário: «Porque o amor de Cristo nos impele...» (2 Cor 5, 14) (348). Com efeito, «Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4). Deus quer a salvação de todos, mediante o conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecem à moção do Espírito da verdade estão já no caminho da salvação. Mas a Igreja, à qual a mesma verdade foi confiada, deve ir ao encontro dos que a procuram para lha levar. É por acreditar no desígnio universal da salvação que a Igreja deve ser missionária.
Missionis motivum. Ex Dei erga omnes homines amore hausit semper Ecclesia obligationem et vim sui impulsus missionalis: « Caritas enim Christi urget nos... » (2 Cor 5,14). 348 Revera, Deus « omnes homines vult salvos fieri et ad agnitionem veritatis venire » (1 Tim 2,4). Deus vult omnium salutem per veritatis agnitionem. Salus in veritate invenitur. Qui motioni Spiritus veritatis oboediunt, sunt iam in salutis via; sed Ecclesia, cui haec veritas concredita est, eorum optato debet occurrere ut eisdem eam afferat. Quia ipsa consilium salutis credit universale, missionaria esse debet.
§ 852
Os caminhos da missão. «O protagonista de toda a missão eclesial é o Espírito Santo» (349). É Ele que conduz a Igreja pelos caminhos da missão. E esta «continua e prolonga, no decorrer da história, a missão do próprio Cristo, que foi enviado para anunciar a Boa-Nova aos pobres. É, portanto, pelo mesmo caminho seguido por Cristo que, sob o impulso do Espírito Santo, a Igreja deve seguir, ou seja, pelo caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si mesma até à morte – morte da qual Ele saiu vitorioso pela ressurreição» (350). É assim que «o sangue dos mártires se torna semente de cristãos» (351).
Missionis viae. « Spiritus [...] Sanctus primas partes agens est totius missionis ecclesialis ». 349 Ipse Ecclesiam conducit in missionis viis. Eadem continuat et per historiam explicat missionem Ipsius Christi, qui evangelizare pauperibus missus est; « eadem via, instigante Spiritu Christi, Ecclesia procedere debet ac Ipse Christus processit, via nempe paupertatis, oboedientiae, servitii et Sui Ipsius immolationis usque ad mortem, ex qua per Resurrectionem Suam victor processit ». 350 Hoc modo, « semen est sanguis christianorum ». 351
§ 853
Porém, no seu peregrinar, a Igreja também faz a experiência da «distância que separa a mensagem de que é portadora, da fraqueza humana daqueles a quem este Evangelho é confiado» (352). Só avançando pelo caminho «da penitência e da renovação» (353) e entrando «pela porta estreita da Cruz» (354) é que o povo de Deus pode expandir o Reino de Cristo (355). Com efeito, «assim como foi na pobreza e na perseguição que Cristo realizou a redenção, assim também a Igreja é chamada a seguir pelo mesmo caminho, para comunicar aos homens os frutos da salvação» (356).
At Ecclesia in sua peregrinatione etiam experitur « quantum inter se distent nuntius a se prolatus et humana debilitas eorum quibus Evangelium concreditur ». 352 Populus Dei, nonnisi « paenitentiam et renovationem » prosequens 353 et « per angustam viam crucis procedens », 354 Regnum Christi extendere valet. 355 « Sicut autem Christus opus Redemptionis in paupertate et persecutione perfecit, ita Ecclesia ad eamdem viam ingrediendam vocatur, ut fructus salutis hominibus communicet ». 356
§ 854
Pela sua própria missão, «a Igreja faz a caminhada de toda a humanidade e partilha a sorte terrena do mundo. Ela é como que o fermento e, por assim dizer, a alma da sociedade humana, chamada a ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus» (357). O esforço missionário exige, portanto, paciência. Começa pelo anúncio do Evangelho aos povos e grupos que ainda não acreditam em Cristo (358); prossegue no estabelecimento de comunidades cristãs, que sejam «sinais da presença de Deus no mundo» (359) e na fundação de Igrejas locais (360); compromete-se num processo de inculturação, para incarnar o Evangelho nas culturas dos povos (361); e também não deixará de conhecer alguns fracassos. «Pelo que diz respeito aos homens, aos grupos humanos e aos povos, a Igreja só a pouco e pouco os atinge e penetra, assim os assumindo na plenitude católica» (362).
Ecclesia, per suam ipsam missionem, « una cum tota humanitate incedit eamdemque cum mundo sortem terrenam experitur, ac tamquam fermentum et veluti anima societatis humanae in Christo renovandae et in familiam Dei transformandae exsistit ». 357 Missionalis igitur nisus patientiam exigit. Is per annuntiationem Evangelii incipit ad populos et ad coetus qui nondum in Christum credunt; 358 prosequitur christianas stabiliens communitates quae signa sint praesentiae Dei in mundo, 359 et locales fundans Ecclesias; 360 processum aggreditur inculturationis ad Evangelium in populorum culturis incarnandum; 361 non illi deerit ut etiam contrarium experiatur exitum. « Quod autem ad homines coetus et populos attinet, eos gradatim tantum tangit ac penetrat, et sic eos in catholicam plenitudinem assumit ». 362
§ 855
A missão da Igreja requer um esforço em ordem à unidade dos cristãos (363). «De facto, as divisões entre cristãos impedem a Igreja de realizar a plenitude da catolicidade que lhe é própria, naqueles seus filhos que, sem dúvida, lhe pertencem pelo Baptismo, mas que se encontram separados da plenitude da comunhão com ela. Mais ainda: para a própria Igreja, torna-se mais difícil exprimir, sob todos os seus aspectos, a plenitude da catolicidade na própria realidade da sua vida» (364).
Ecclesiae missio nisum postulat in christianorum unitatem. 363 Etenim « divisiones christianorum impedimento Ecclesiae sunt quominus ipsa ad effectum deducat plenitudinem catholicitatis sibi propriam in iis filiis, qui sibi quidem Baptismate appositi, sed a sua plena communione seiuncti sunt. Immo et pro ipsa Ecclesia difficilius fit plenitudinem catholicitatis sub omni respectu in ipsa vitae realitate exprimere ». 364
§ 856
A tarefa missionária implica um diálogo respeitoso com aqueles que ainda não aceitam o Evangelho (365). Os crentes podem tirar proveito para si mesmos deste diálogo, aprendendo a conhecer melhor «tudo quanto de verdade e graça se encontrava já entre os povos, como que por uma secreta presença de Deus» (366). Se anunciam a Boa-Nova aos que a ignoram, é para consolidar, completar e elevar a verdade e o bem que Deus espalhou entre os homens e os povos, e para os purificar do erro e do mal, «para glória de Deus, confusão do demónio e felicidade do homem» (367).
Missionale opus dialogum observantia plenum implicat cum illis qui nondum Evangelium acceptant. 365 Credentes pro se ipsis ex hoc dialogo profectum possunt obtinere, melius cognoscere discentes « quidquid [...] veritatis et gratiae iam apud gentes quasi secreta Dei praesentia inveniebatur ». 366 Ipsi Bonum Nuntium illis qui eum ignorant, annuntiant ut consolident, compleant et elevent veritatem et bonum quae Deus inter homines et populos diffudit, atque ut eos ab errore purificent et malo « ad gloriam Dei, confusionem Daemonis et beatitudinem hominis ». 367 IV. Ecclesia est apostolica

A MISSÃO – UMA EXIGÊNCIA DA CATOLICIDADE DA IGREJA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é apostólica

§ 857
A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos:

– foi e continua a ser construída sobre o «alicerce dos Apóstolos» (Ef 2, 20 (368)), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo (369);

– guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina (370), o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos (371);

-continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, «assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja»:

«Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo» (373).

Ecclesia est apostolica quia est super Apostolos fundata, et quidem triplici sensu:

— ipsa fuit et permanet aedificata « super fundamentum Apostolorum » (Eph 2,20 368), testium ab Ipso Christo electorum et missorum; 369

— ipsa, adiutorio Spiritus habitantis in ea, doctrinam, 370 bonum depositum, sana verba ab Apostolis audita 371 custodit et transmittit;

— ipsa doceri, sanctificari et dirigi pergit ab Apostolis usque ad Christi reditum ope eorum qui illos in eorum munere pastorali succedunt: ope collegii Episcoporum, « cui assistunt presbyteri, una cum Successore Petri Ecclesiaeque Summo Pastore ». 372

« Qui gregem Tuum, Pastor aeterne, non deseris, sed per beatos Apostolos continua protectione custodis, ut iisdem rectoribus gubernetur, quos Filii Tui vicarios eidem contulisti praeesse Pastores ». 373

A MISSÃO DOS APÓSTOLOS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é apostólica

§ 858
Jesus é o enviado do Pai. Desde o princípio do seu ministério, «chamou para junto de Si os que Lhe aprouve [...] e deles estabeleceu Doze, para andarem consigo e para os enviar a pregar» (Mc 3, 13-14). A partir de então, eles serão os seus «enviados» (é o que significa a palavra grega apostoloi). Neles, Jesus continua a sua própria missão: «Tal como o Pai Me enviou, assim Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21) (374). O seu ministério é, pois, a continuação da própria missão de Jesus: «Quem vos acolhe, acolhe-Me a Mim», disse Ele aos Doze (Mt 10, 40) (375).
Iesus est Patris Missus. Inde ab initio Sui ministerii « vocat ad Se, quos voluit Ipse [...]. Et fecit Duodecim, ut essent cum Illo, et ut mitteret eos praedicare » (Mc 3,13-14). Exinde ii erunt Eius « missi » (verbum graecum apostoloi hoc significat). Ipse in eis Suam propriam prosequitur missionem: « Sicut misit me Pater, et ego mitto vos » (Io 20,21). 374 Eorum ministerium est ergo missionis Eius continuatio: « Qui recipit vos, me recipit », dicit Ipse Duodecim (Mt 10,40). 375
§ 859
Jesus uniu-os à missão que Ele próprio recebera do Pai: «assim como o Filho não pode fazer nada por Si mesmo» (Jo 5, 19.30), mas tudo recebe do Pai que O enviou, assim também aqueles que Jesus envia nada podem fazer sem Ele (376); d'Ele recebem o mandato da missão e o poder de o cumprir. Os apóstolos de Cristo sabem, portanto, que são qualificados por Deus como «ministros de uma Aliança nova» (2 Cor 3, 6), «ministros de Deus» (2 Cor 6, 4), «embaixadores de Cristo» (2 Cor 5, 20), «servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus» (1 Cor 4, 1).
Iesus eos missioni Suae coniungit a Patre receptae: sicut « non potest Filius a Se facere quidquam » (Io 5,19.30), sed omnia recipit a Patre qui Illum misit, sic ii quos Iesus mittit, nihil possunt facere sine Illo 376 a quo missionis mandatum et potestatem illam adimplendi recipiunt. Christi igitur Apostoli sciunt se a Deo factos esse idoneos « ministros Novi Testamenti » (2 Cor 3,6), « Dei ministros » (2 Cor 6,4), « pro Christo [...] legatione » fungentes (2 Cor 5,20), « ministros Christi et dispensatores mysteriorum Dei » (1 Cor 4,1).
§ 860
No múnus dos Apóstolos há um aspecto intransmissível: serem as testemunhas escolhidas da ressurreição do Senhor e os alicerces da Igreja. Mas há também um aspecto da sua missão que permanece. Cristo prometeu estar com eles até ao fim dos tempos (377). «A missão divina confiada por Jesus aos Apóstolos é destinada a durar até ao fim dos séculos, uma vez que o Evangelho que devem transmitir é, para a Igreja, princípio de toda a sua vida em todos os tempos. Por isso é que os Apóstolos tiveram o cuidado de instituir [...] sucessores» (378).
In Apostolorum munere, quaedam habetur ratio quae transmitti non potest: esse scilicet resurrectionis Domini testes electos atque Ecclesiae fundamenta. Sed alia etiam permanens habetur ratio eorum muneris. Christus eis promisit Se cum illis usque ad finem temporum esse permansurum. 377 « Missio illa divina, a Christo Apostolis concredita, ad finem saeculi erit duratura, cum Evangelium, ab eis tradendum, sit in omne tempus pro Ecclesia totius vitae principium. Quapropter Apostoli [...] de instituendis successoribus curam egerunt ». 378Episcopi Apostolorum successores

OS BISPOS, SUCESSORES DOS APÓSTOLOS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A Igreja é apostólica

§ 861
«Para que a missão que lhes fora confiada pudesse ser continuada depois da sua morte, os Apóstolos, como que por testamento, mandataram os seus cooperadores imediatos para levarem a cabo a sua tarefa e consolidarem a obra por eles começada, encomendando-lhes a guarda do rebanho em que o Espírito Santo os tinha instituído para apascentar a Igreja de Deus. Assim, instituíram homens nestas condições e tudo dispuseram para que, após a sua morte, outros homens provados tomassem conta do seu ministério» (379).
Apostoli « ut missio ipsis concredita post eorum mortem continuaretur, cooperatoribus suis immediatis, quasi per modum testamenti, demandaverunt munus perficiendi et confirmandi opus ab ipsis inceptum, commendantes illis ut attenderent universo gregi, in quo Spiritus Sanctus eos posuit pascere Ecclesiam Dei. Constituerunt itaque huiusmodi viros ac deinceps ordinationem dederunt, ut cum decessissent, ministerium eorum alii viri probati exciperent ». 379
§ 862
«Do mesmo modo que o encargo confiado pelo Senhor singularmente a Pedro, o primeiro dos Apóstolos, e destinado a ser transmitido aos seus sucessores, é um múnus permanente, assim também é permanente o múnus confiado aos Apóstolos de serem pastores da Igreja, múnus cuja perenidade a ordem sagrada dos bispos deve garantir». Por isso, a Igreja ensina que, «em virtude da sua instituição divina, os bispos sucedem aos Apóstolos como pastores da Igreja, de modo que quem os ouve, ouve a Cristo e quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo» (380).
« Sicut autem permanet munus a Domino singulariter Petro, primo Apostolorum, concessum et successoribus eius transmittendum, ita permanet munus Apostolorum pascendi Ecclesiam, ab ordine sacrato Episcoporum iugiter exercendum ». Propterea docet Ecclesia « Episcopos ex divina institutione in locum Apostolorum successisse, tamquam Ecclesiae Pastores, quos qui audit, Christum audit, qui vero spernit, Christum spernit et Eum qui Christum misit ». 380 Apostolatus
§ 863
Toda a Igreja é apostólica, na medida em que, através dos sucessores de Pedro e dos Apóstolos, permanece em comunhão de fé e de vida com a sua origem. Toda a Igreja é apostólica, na medida em que é «enviada» a todo o mundo. Todos os membros da Igreja, embora de modos diversos, participam deste envio. «A vocação cristã é também, por natureza, vocação para o apostolado». E chamamos «apostolado» a «toda a actividade do Corpo Místico» tendente a «alargar o Reino de Cristo à terra inteira» (381).
Tota Ecclesia est apostolica quatenus, per successores Petri et Apostolorum, in fidei et vitae communione cum origine permanet sua. Tota Ecclesia est apostolica quatenus in mundum « mittitur » universum; omnia Ecclesiae membra, licet modis diversis, hanc participant missionem. « Vocatio enim christiana, natura sua, vocatio quoque est ad apostolatum ». « Apostolatus » appellatur « omnis navitas corporis mystici » ad « Regnum Christi ubique terrarum » dilatandum. 381
§ 864
«Sendo Cristo, enviado do Pai, a fonte e a origem de todo o apostolado da Igreja», é evidente que a fecundidade do apostolado, tanto dos ministros ordenados como dos leigos, depende da sua união vital com Cristo (382). Segundo as vocações, as exigências dos tempos e os vários dons do Espírito Santo, o apostolado toma as formas mais diversas. Mas é sempre a caridade, haurida principalmente na Eucaristia, «que é como que a alma de todo o apostolado» (383).
« Cum Christus missus a Patre totius apostolatus Ecclesiae fons et origo sit, patet fecunditatem apostolatus » tam ministrorum ordinatorum quam laicorum « pendere ex ipsorum cum Christo vitali unione ». 382 Apostolatus, secundum vocationes, temporis postulationes, diversa Spiritus Sancti dona, formas maxime diversas sumit. Sed caritas, hausta praesertim ex Eucharistia, semper « veluti anima est totius apostolatus ». 383
§ 865
A Igreja é una, santa, católica e apostólica na sua identidade profunda e última, porque é nela que existe desde já, e será consumado no fim dos tempos, «o Reino dos céus», «o Reino de Deus» (384), que veio até nós na Pessoa de Cristo e que cresce misteriosamente no coração dos que n'Ele estão incorporados, até à sua plena manifestação escatológica. Então, todos os homens por Ele resgatados e n' Ele tornados «santos e imaculados na presença de Deus no amor» (385), serão reunidos como o único povo de Deus, «a Esposa do Cordeiro» (386), «a Cidade santa descida do céu, de junto de Deus, trazendo em si a glória do mesmo Deus» (387). E «a muralha da cidade assenta sobre doze alicerces, cada um dos quais tem o nome de um dos Doze apóstolos do Cordeiro» (Ap 21, 14).Resumindo:
Ecclesia est una, sancta, catholica et apostolica in sua profunda et ultima identitate, quia in ea iam exsistit et in fine temporum adimplebitur « Regnum caelorum », « Regnum Dei », 384 quod in Persona Christi advenit et in corde eorum qui Ei sunt incorporati, modo crescit arcano usque ad suam plenam eschatologicam manifestationem. Tunc omnes homines ab Eo redempti, in Eo effecti « sancti et immaculati in conspectu Dei in caritate », 385 congregabuntur tamquam unicus populus Dei, « Sponsa Agni », 386 « Civitas sancta descendens de caelo a Deo, habens claritatem Dei »; 387 « et murus civitatis habens fundamenta duodecim, et super ipsis duodecim nomina duodecim Apostolorum Agni » (Apc 21,14). Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 866
A Igreja é una: tem um só Senhor, professa uma só fé, nasce dum só Baptismo e forma um só Corpo, vivificado por um só Espírito, em vista duma única esperança (388), no termo da qual todas as divisões serão superadas.
Ecclesia est una: ipsa unum habet Dominum, unam profitetur fidem, ex uno nascitur Baptismo, nonnisi unum efformat corpus, uno vivificatum Spiritu, in ordine ad unam spem, 388 in cuius impletione omnes superabuntur divisiones.
§ 867
A Igreja é santa: é seu autor o Deus santíssimo; Cristo, seu Esposo, por ela Se entregou para a santificar; vivifica-a o Espírito de santidade. Embora encerra pecadores no seu seio, ela é «a sem-pecado feita de pecadores». Nos santos brilha a sua santidade; em Maria, ela é já totalmente santa.
Ecclesia est sancta: Sanctissimus Deus eius est auctor; Christus eius Sponsus est, qui tradidit Semetipsum ut eam sanctificaret; Spiritus sanctitatis eam vivificat. Licet peccatores amplectatur, ipsa est sine peccato ex peccatoribus facta. In sanctis sanctitas eius elucet; in Maria est ipsa iam plene sancta.
§ 868
A Igreja é católica: anuncia a totalidade da fé, tem à sua disposição e administra a plenitude dos meios de salvação; é enviada a todos os povos; dirige-se a todos os homens; abrange todos os tempos; «é, por sua própria natureza, missionária» (389).
Ecclesia est catholica: ipsa totalitatem annuntiat fidei; in se fert et administrat mediorum salutis plenitudinem; ipsa mittitur ad omnes gentes; ad omnes homines se dirigit; omnia amplectitur tempora; ipsa « natura sua missionaria est ». 389
§ 869
A Igreja é apostólica: está edificada sobre alicerces duradouros, que são «os Doze apóstolos do Cordeiro» (390); é indestrutível (391); é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos bispos.
Ecclesia est apostolica: ipsa est super fundamentis mansuris aedificata: duodecim Apostolos Agni; 390 ipsa est indestructibilis; 391 ipsa in veritate servatur infallibiliter; Christus eam per Petrum et alios gubernat Apostolos, praesentes in eorum successoribus, in Summo Pontifice et in Episcoporum collegio.
§ 870
«A única Igreja de Cristo, da qual professamos no Credo que é una, santa, católica e apostólica, [...] é na Igreja Católica que subsiste, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos que estão em comunhão com ele, embora numerosos elementos de santificação e de verdade se encontrem fora das suas estruturas» (392).
« Unica Christi Ecclesia, quam in Symbolo unam, sanctam, catholicam et apostolicam profitemur, [...] subsistit in Ecclesia catholica, a Successore Petri et Episcopis in eius communione gubernata, licet extra eius compaginem elementa plura sanctificationis et veritatis inveniantur ». 392 (263) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 11.(264) Cf Sanctum Officium, Epistula ad Episcopos Angliae (14 septembris 1864): DS 2888.(265) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3013. (266) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 92.(267) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 92.(268) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1101.(269) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 91. (270) Clemens Alexandrinus, Paedagogus, 1, 6, 42: GCS 12, 115 (PG 8, 300).(271) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 13: AAS 57 (1965) 18. (272) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 91-92; Id., Const. dogm. Lumen gentium, 14: AAS 57 (1965) 18-19; CIC canon 205. (273) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 11-12.(274) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 94.(275) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 92-93.(276) Cf CIC canon 751. (277) Origenes, In Ezechielem homilia, 9, 1: SC 352, 296 (PG 13, 732).(278) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93. (279) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.(280) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93; cf Id., Const. dogm. Lumen gentium, 15: AAS 57 (1965) 19. (281) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93.(282) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.(283) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 95. (284) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 1: AAS 57 (1965) 90-91.(285) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 6: AAS 57 (1965) 96-97.(286) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 7: AAS 57 (1965) 97. (287) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 8: AAS 57 (1965) 98.(288) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 9: AAS 57 (1965) 98.(289) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 10: AAS 57 (1965) 99. (290) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 94; Ibid., 9: AAS 57 (1965) 98; Ibid., 11: AAS 57 (1965) 99.(291) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 12: AAS 57 (1965) 99-100.(292) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 5: AAS 57 (1965) 96. (293) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 24: AAS 57 (1965) 107.(294) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 39: AAS 57 (1965) 44.(295) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 12: AAS 57 (1965) 16. (296) Cf Act 9,13; 1 Cor 6,1; 16,1. (297) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 10: AAS 56 (1964) 102.(298) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 94.(299) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 53. (300) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.(301) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 16. (302) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 42: AAS 57 (1965) 48.(303) Sancta Theresia a Iesu Infante, Manuscrit B, 3v: Manuscrits autobiographiques (Paris 1992) p. 299. (304) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 12; cf Id., Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 92-94; Ibid., 6: AAS 57 (1965) 96-97. (305) Cf 1 Io 1,8-10. (306) Cf Mt 13,24-30. (307) Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 19: AAS 60 (1968) 440.(308) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 40: AAS 57 (1965) 44-45; Ibid., 48-51: AAS 57 (1965) 53-58. (309) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Christifideles laici, 16: AAS 81 (1989) 417.(310) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Christifideles laici, 17: AAS 81 (1989) 419-420.(311) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 65: AAS 57 (1965) 64. (312) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Smyrnaeos 8, 2: SC 10bis, p. 138 (Funk 1, 282). (313) Cf Eph 1,22-23. (314) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 6: AAS 58 (1966) 953.(315) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 4: AAS 58 (1966) 950-951. (316) Cf Mt 28,19. (317) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 13: AAS 57 (1965) 17.(318) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 26: AAS 57 (1965) 31. (319) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Christus Dominus, 11: AAS 58 (1966) 677; CIC canones 368-369; CCEO canones 177, § 1. 178. 311, § 1. 312.(320) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 27. (321) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Romanos, Inscr.: SC 10bis, p. 106 (Funk 1, 252). (322) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 3, 3, 2: SC 211, 32 (PG 7, 849); cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Pastor aeternus, c. 2: DS 3057. (323) Sanctus Maximus Confessor, Opuscula theologica et polemica: PG 91, 137-140.(324) Paulus VI, Adh. ap. Evangelii nuntiandi, 62: AAS 68 (1976) 52. (325) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 29.(326) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 13: AAS 57 (1965) 18. (327) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 14: AAS 57 (1965) 18-19.(328) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 15: AAS 57 (1965) 19.(329) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93. (330) Paulus VI, Allocutio in Aede Sixtina, decem exactis annis a sublatis mutuis excommunicationibus inter Romanam et Constantinopolitanam Ecclesias (14 decembris 1975): AAS 68 (1976) 121; cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 13-18: AAS 57 (1965) 100-104. (331) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 16: AAS 57 (1965) 20.(332) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Nostra aetate, 4: AAS 58 (1966) 742-743.(333) Feria VI in passione Domini, Celebratio passionis Domini, Oratio universalis VI: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 254.(334) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; cf Id., Decl. Nostra aetate, 3: AAS 58 (1966) 741-742. (335) Concilium Vaticanum II, Decl. Nostra aetate, 1: AAS 58 (1966) 740.(336) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; cf Id., Decl. Nostra aetate, 2: AAS 58 (1966) 740-741; Paulus VI, Adh. ap. Evangelii nuntiandi, 53: AAS 68 (1976) 41. (337) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 16: AAS 57 (1965) 20.(338) Cf Sanctus Augustinus, Sermo 96, 7, 9: PL 38, 588. (339) Sanctus Ambrosius, De virginitate 18, 119: Sancti Ambrosii Episcopi Mediolanensis opera, v. 142 (Milano-Roma 1989) p. 96 (PL 16, 297).(340) Cf iam 1 Pe 3,20-21.(341) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 14: AAS 57 (1965) 18.(342) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; cf Sanctum Officium, Epistula ad Archiepiscopum Bostoniensem (8 augusti 1949): DS 3866-3872. (343) Cf Heb 11,6. (344) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 955.(345) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 1: AAS 58 (1966) 947. (346) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948.(347) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 23: AAS 83 (1991) 269-270. (348) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 842-843; Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 11: AAS 83 (1991) 259-260. (349) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 21: AAS 83 (1991) 268.(350) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 952. (351) Tertullianus, Apologeticum, 50, 13: CCL 1, 171 (PL 1, 603). (352) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 43: AAS 58 (1966) 1064.(353) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 12; cf Ibid., 15: AAS 57 (1965) 20. (354) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 1: AAS 58 (1966) 947.(355) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 12-20: AAS 83 (1991) 260-268. (356) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.(357) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 40: AAS 58 (1966) 1058.(358) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 42-47: AAS 83 (1991) 289-295. (359) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 15: AAS 58 (1966) 964.(360) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 48-49: AAS 83 (1991) 295-297.(361) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 52-54: AAS 83 (1991) 299-302.(362) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 6: AAS 58 (1966) 953. (363) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 50: AAS 83 (1991) 297-298.(364) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 96.(365) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 55: AAS 83 (1991) 302-304.(366) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 9: AAS 58 (1966) 958. (367) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 9: AAS 58 (1966) 958.(368) Cf Apc 21,14.(369) Cf Mt 28,16-20; Act 1,8; 1 Cor 9,1; 15,7-8; Gal 1,1; etc. (370) Cf Act 2,42. (371) Cf 2 Tim 1,13-14. (372) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 952.(373) Praefatio de Apostolis I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 426. (374) Cf Io 13,20; 17,18. (375) Cf Lc 10,16. (376) Cf Io 15,5.(377) Cf Mt 28,20.(378) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 20: AAS 57 (1965) 23.(379) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 20: AAS 57 (1965) 23; cf Sanctus Clemens Romanus, Epistula ad Corinthios, 42, 4: SC 167, 168-170 (Funk, 1, 152); Ibid., 44, 2: SC 167, 172 (Funk, 1, 154-156).(380) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 20: AAS 57 (1965) 24. (381) Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 2: AAS 58 (1966) 838.(382) Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 4: AAS 58 (1966) 840; cf Io 15,5. (383) Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 3: AAS 58 (1966) 839.(384) Cf Apc 19,6.(385) Cf Eph 1,4.(386) Cf Apc 21,9. (387) Cf Apc 21,10-11. (388) Cf Eph 4,3-5. (389) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948.(390) Cf Apc 21,14.(391) Cf Mt 16,18.(392) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 8: AAS 57 (1965) 11-12.

OS FIÉIS DE CRISTO: HIERARQUIA, LEIGOS, VIDA CONSAGRADA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 871
«Fiéis são aqueles que, por terem sido incorporados em Cristo pelo Baptismo, foram constituídos em povo de Deus e por este motivo se tornaram, a seu modo, participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo e, segundo a própria condição, são chamados a exercer a missão que Deus confiou à Igreja para esta realizar no mundo» (393).
« Christifideles sunt qui, utpote per Baptismum Christo incorporati, in populum Dei sunt constituti, atque hac ratione muneris Christi sacerdotalis, prophetici et regalis suo modo participes facti, secundum propriam cuiusque condicionem, ad missionem exercendam vocantur, quam Deus Ecclesiae in mundo adimplendam concredidit ». 393
§ 872
«Devido à sua regeneração em Cristo, existe entre todos os fiéis verdadeira igualdade no concernente à dignidade e à actuação, pela qual todos eles cooperam para a edificação do Corpo de Cristo, segundo a condição e a função próprias de cada um» (394).
« Inter christifideles omnes, ex eorum quidem in Christo regeneratione, vera viget quoad dignitatem et actionem aequalitas, qua cuncti, secundum propriam cuiusque condicionem et munus, ad aedificationem corporis Christi cooperantur ». 394
§ 873
As próprias diferenças que o Senhor quis que existissem entre os membros do seu Corpo servem a sua unidade e missão. Porque «há na Igreja diversidade de ministérios, mas unidade de missão. Cristo confiou aos Apóstolos e aos seus sucessores o encargo de ensinar, santificar e governar em seu nome e pelo seu poder. Mas os leigos, feitos participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, assumem na Igreja e no mundo a parte que lhes toca naquilo que é a missão de todo o povo de Deus» (395). Por fim, «de ambos estes grupos [hierarquia e leigos] existem fiéis que, pela profissão dos conselhos evangélicos [...], se consagram a Deus de modo peculiar, e contribuem para a missão salvífica da Igreja» (396).
Differentiae ipsae quas Dominus inter corporis Sui membra ponere voluit, eius unitatem servant eiusque missionem. Quia « est in Ecclesia diversitas ministerii, sed unitas missionis. Apostolis eorumque successoribus a Christo collatum est munus in Ipsius nomine et potestate docendi, sanctificandi et regendi. At laici, muneris sacerdotalis, prophetici et regalis Christi participes effecti, suas partes in missione totius populi Dei explent in Ecclesia et in mundo ». 395 Tandem « ex utraque parte [ex hierarchia et ex laicis] habentur christifideles, qui professione consiliorum evangelicorum [...] suo peculiari modo Deo consecrantur et Ecclesiae missioni salvificae prosunt ». 396

PORQUÊ O MINISTÉRIO ECLESIAL?

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A constituição hierárquica da Igreja

§ 874
A fonte do ministério na Igreja é o próprio Cristo. Foi Ele que o instituiu e lhe deu autoridade e missão, orientação e finalidade.

«Cristo Senhor, para apascentar e aumentar continuamente o povo de Deus, instituía na sua Igreja vários ministérios, para bem de todo o Corpo. Com efeito, os ministros que estão dotados do poder sagrado estão ao serviço dos seus irmãos, para que todos quantos pertencem ao povo de Deus [...] alcancem a salvação» (397).

Ipse Christus est ministerii fons in Ecclesia. Ipse illud instituit illique auctoritatem et missionem, directionem praebuit et finalitatem:

« Christus Dominus, ad populum Dei pascendum semperque augendum, in Ecclesia Sua varia ministeria instituit, quae ad bonum totius corporis tendunt. Ministri enim, qui sacra potestate pollent, fratribus suis inserviunt, ut omnes qui de populo Dei sunt [...] ad salutem perveniant ». 397

§ 875
«Como hão-de acreditar naquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, sem que alguém o anuncie? E como hão-de anunciar, se não forem enviados?» (Rm 10, 14-15). Ninguém, nenhum indivíduo ou comunidade, pode anunciar a si mesmo o Evangelho. «A fé surge da pregação» (Rm 10, 17). Por outro lado, ninguém pode dar a si próprio o mandato e a missão de anunciar o Evangelho. O enviado do Senhor fala e actua, não por autoridade própria, mas em virtude da autoridade de Cristo; não como membro da comunidade, mas falando à comunidade em nome de Cristo. Ninguém pode conferir a si mesmo a graça; ela deve ser-lhe dada e oferecida. Isto supõe ministros da graça, autorizados e habilitados em nome de Cristo. É d'Ele que os bispos e presbíteros recebem a missão e a faculdade (o «poder sagrado») de agir na pessoa de Cristo Cabeça e os diáconos a força de servir o povo de Deus na «diaconia» da Liturgia, da Palavra e da caridade, em comunhão com o bispo e com o seu presbitério. A este ministério, no qual os enviados de Cristo fazem e dão, por graça de Deus, o que por si mesmos não podem fazer nem dar, a tradição da Igreja chama «sacramento». O ministério da Igreja é conferido por um sacramento próprio.
« Quomodo credent ei, quem non audierunt? Quomodo autem audient sine praedicante? Quomodo vero praedicabunt nisi mittantur? » (Rom 10,14-15). Nemo, nec individuum ullum neque ulla communitas, potest sibi ipsi Evangelium annuntiare: « Fides ex auditu » (Rom 10,17). Nemo potest sibi ipsi mandatum dare et missionem Evangelium nuntiandi. Missus a Domino non auctoritate propria loquitur et agit, sed virtute auctoritatis Christi; non tamquam communitatis membrum, sed eidem nomine Christi loquens. Nemo potest sibi ipsi conferre gratiam, haec debet donari et offerri. Hoc supponit ministros gratiae, auctoritate et aptitudine a Christo ornatos. Ab Eo Episcopi et presbyteri missionem et facultatem (« sacram potestatem ») agendi in persona Christi Capitis accipiunt, diaconi vero vim populo Dei serviendi in « diaconia » liturgiae, verbi et caritatis, in communione cum Episcopo eiusque presbyterio. Hoc ministerium, in quo missi a Christo e dono Dei faciunt et tribuunt quod ex se ipsis facere et tribuere non possunt, Ecclesiae traditio « sacramentum » appellat. Ministerium Ecclesiae per sacramentum proprium confertur.
§ 876
Intrinsecamente ligado à natureza sacramental do ministério eclesial está o seu carácter de serviço. Com efeito, inteiramente dependentes de Cristo, que lhes dá missão e autoridade, os ministros são verdadeiramente «servos de Cristo» (398), à imagem do mesmo Cristo que por nós livremente tomou «a forma de servo» (Fl 2, 7). E uma vez que a palavra e a graça, de que são ministros, não são deles, mas de Cristo que lhas confiou para os outros, eles tornar-se-ão livremente servos de todos (399).
Intrinsece coniuncta naturae sacramentali ministerii ecclesialis est eius indoles servitii. Ministri etenim, prorsus dependentes a Christo qui missionem praebet et auctoritatem, vere sunt « servi Christi » 398 ad imaginem Christi qui libere propter nos « formam servi » (Phil 2,7) accepit. Quia verbum et gratia quorum sunt ministri, eorum non sunt, sed Christi qui illa eis pro aliis concredidit, ipsi libere omnium fient servi. 399
§ 877
Do mesmo modo, pertence à natureza sacramental do ministério eclesial que ele tenha um carácter colegial. De facto, desde o princípio do seu ministério, o Senhor Jesus instituiu os Doze, «gérmenes do novo Israel e ao mesmo tempo origem da hierarquia sagrada» (400). Escolhidos juntamente, também juntamente foram enviados, e a sua unidade fraterna estará ao serviço da comunhão fraterna de todos os fiéis. Será como um reflexo e um testemunho da comunhão das pessoas divinas (401). Por isso, todo o bispo exerce o seu ministério no seio do colégio episcopal e em comunhão com o bispo de Roma, sucessor de Pedro e chefe do mesmo colégio; e todos os presbíteros exercem o seu ministério no seio do presbyterium da diocese, sob a direcção do seu bispo.
Eodem modo, sacramentalis naturae ministerii ecclesialis est ut indolem collegialem habeat. Revera, Dominus Iesus, inde ab initio Sui ministerii, Duodecim instituit, « novi Israel germina simulque sacrae hierarchiae » originem. 400 Simul electi, etiam sunt simul missi, eorumque unitas fraterna in servitium erit fraternae communionis omnium fidelium; ea quasi reverberatio erit et testimonium communionis Personarum divinarum. 401 Hac de causa, quilibet Episcopus suum exercet ministerium in collegii episcopalis sinu, in communione cum Episcopo Romano, sancti Petri Successore et collegii capite; presbyteri ministerium exercent suum in presbyterii dioecesis sinu, sub Episcopi sui directione.
§ 878
Finalmente, pertence à natureza sacramental do ministério eclesial que ele tenha um carácter pessoal. Se os ministros de Cristo actuam em comunhão, fazem-no sempre também de modo pessoal. Cada qual é chamado pessoalmente –: «Tu, segue-Me» (Jo 21, 22)(402) – para ser, na missão comum, uma testemunha pessoal, pessoalmente responsável perante Aquele que lhe confere a missão, agindo «na pessoa d'Ele» e em favor das pessoas: «Eu te baptizo em nome do Pai...»; «Eu te absolvo...».
Naturae denique sacramentalis est ministerii ecclesialis ut habeat indolem personalem. Si Christi ministri in communione agunt, etiam semper modo agunt personali. Unusquisque personaliter vocatur: « Tu me sequere » (Io 21,22), 402 ut, in missione communi, testis sit personalis, responsabilitatem personaliter ferens coram Illo qui missionem praebet, « in Eius persona » et pro personis agens: « Ego te baptizo in nomine Patris... »; « Ego te absolvo... ».
§ 879
O ministério sacramental na Igreja é, pois, um serviço exercido em nome de Cristo. Tem um carácter pessoal e uma forma colegial. Isto verifica-se nos vínculos que ligam o colégio episcopal e o seu chefe, o sucessor de Pedro, bem como na relação entre a responsabilidade pastoral do bispo pela sua Igreja particular e a solicitude comum do colégio episcopal pela Igreja universal.
Ministerium sacramentale in Ecclesia est igitur servitium in nomine Christi exercitum. Hoc indolem habet personalem et formam collegialem. Haec in vinculis efficitur inter collegium episcopale et eius caput, Successorem Petri, et in relatione inter responsabilitatem pastoralem Episcopi pro sua Ecclesia particulari et sollicitudinem collegii episcopalis communem pro Ecclesia universali. Collegium episcopale eiusque caput, Romanus Pontifex

O COLÉGIO EPISCOPAL E O SEU CHEFE, O PAPA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A constituição hierárquica da Igreja

§ 880
Cristo, ao instituir os Doze, «deu-lhes a forma dum corpo colegial, quer dizer, dum grupo estável, e colocou á sua frente Pedro, escolhido de entre eles» (403). «Assim como, por instituição do Senhor, Pedro e os outros apóstolos formam um só colégio apostólico, assim de igual modo o pontífice romano, sucessor de Pedro, e os bispos, sucessores dos Apóstolos, estão unidos entre si» (404).
Christus, Duodecim condens, « ad modum collegii seu coetus stabilis instituit, cui ex iisdem electum Petrum praefecit ». 403 « Sicut statuente Domino, sanctus Petrus et ceteri Apostoli unum Collegium apostolicum constituunt, pari ratione Romanus Pontifex, Successor Petri et Episcopi, successores Apostolorum, inter se coniunguntur ». 404
§ 881
Foi só de Simão, a quem deu o nome de Pedro, que o Senhor fez a pedra da sua Igreja. Confiou-lhe as chaves desta (405) e instituiu-o pastor de todo o rebanho (406). «Mas o múnus de ligar e desligar, que foi dado a Pedro, também foi dado, sem dúvida alguma, ao colégio dos Apóstolos unidos ao seu chefe» (407). Este múnus pastoral de Pedro e dos outros apóstolos pertence aos fundamentos da Igreja e é continuado pelos bispos sob o primado do Papa.
Dominus e solo Simone, cui nomen dedit Petri, petram fecit Ecclesiae Suae. Ei claves eius dedit; 405 eum pastorem totius gregis instituit. 406 « Illud autem ligandi ac solvendi munus, quod Petro datum est, collegio quoque Apostolorum, suo capiti coniuncto, tributum esse constat ». 407 Hoc Petri et aliorum Apostolorum pastorale munus ad Ecclesiae pertinet fundamenta. Id ab Episcopis continuatur sub Romani Pontificis primatu.
§ 882
O Papa, bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, tanto os bispos como a multidão dos fiéis» (408). Com efeito, em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer» (409).
Summus Pontifex, Romanus Episcopus et Successor sancti Petri, « est unitatis, tum Episcoporum tum fidelium multitudinis, perpetuum ac visibile principium et fundamentum ». 408 « Romanus enim Pontifex habet in Ecclesiam, vi muneris sui, Vicarii scilicet Christi et totius Ecclesiae Pastoris, plenam, supremam et universalem potestatem, quam semper libere exercere valet ». 409
§ 883
«O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade a não ser em união com o pontífice romano [...] como sua cabeça». Como tal, este colégio é «também sujeito do poder supremo e pleno sobre toda a Igreja, poder que, no entanto, só pode ser exercido com o consentimento do pontífice romano» (410).
« Collegium autem seu corpus Episcoporum auctoritatem non habet, nisi simul cum Pontifice Romano, [...] ut capite eius intellegatur ». Hoc collegium, qua tale, « subiectum quoque supremae ac plenae potestatis in universam Ecclesiam exsistit, quae quidem potestas nonnisi consentiente Romano Pontifice exerceri potest ». 410
§ 884
«O colégio dos bispos exerce de modo solene o poder sobre toda a Igreja no concílio ecuménico» (411). Mas «não há concilio ecuménico se não for, como tal, confirmado, ou pelo menos aceite, pelo sucessor de Pedro» (412).
« Potestatem in universam Ecclesiam Collegium Episcoporum sollemni modo exercet in Concilio Oecumenico ». 411 « Concilium Oecumenicum nunquam datur, quod a Successore Petri non sit ut tale confirmatum vel saltem receptum ». 412
§ 885
«Pela sua múltipla composição, este colégio exprime a variedade e a universalidade do povo de Deus: enquanto reunido sob uma só cabeça, revela a unidade do rebanho de Cristo» (413).
« Collegium hoc quatenus ex multis compositum, varietatem etuniversalitatem populi Dei, quatenus vero sub uno capite collectum unitatem gregis Christi exprimit ». 413
§ 886
«Cada bispo, individualmente, é o princípio e o fundamento da unidade na sua respectiva Igreja particular» (414). Como tal, «exerce a sua autoridade pastoral sobre a porção do povo de Deus que lhe foi confiada» (415), assistido pelos presbíteros e diáconos. Mas, como membro do colégio episcopal, cada qual participa na solicitude por todas as Igrejas (416), dever que exerce, antes de mais, «governando bem a sua própria Igreja como porção da Igreja universal», contribuindo assim «para o bem de todo o Corpo Místico, que é também o corpo das Igrejas» (417). Esta solicitude há-de abranger, de modo particular, os pobres (418), os perseguidos por causa da fé e ainda os missionários espalhados por toda a terra.
« Episcopi autem singuli visibile principium et fundamentum sunt unitatis in suis Ecclesiis particularibus ». 414 Qua tales « regimen suum pastorale super portionem populi Dei sibi commissam [...] exercent », 415 cum presbyterorum et diaconorum assistentia. Sed, qua collegii episcopalis membra, singuli eorum pro omnibus Ecclesiis participant sollicitudinem, 416 quam exercent imprimis « bene regendo propriam Ecclesiam ut portionem Ecclesiae universalis », sic conferentes « ad bonum totius mystici corporis, quod est etiam corpus Ecclesiarum ». 417 Haec sollicitudo praesertim ad pauperes extendetur, 418 ad eos qui persecutionem propter fidem patiuntur, necnon ad missionarios qui in tota operantur terra.
§ 887
As Igrejas particulares vizinhas e de cultura homogénea formam províncias eclesiásticas ou conjuntos mais vastos, chamados patriarcados ou regiões (419). Os bispos destes conjuntos podem reunir-se em sínodos ou concílios provinciais. «Igualmente, hoje, as conferências episcopais podem prestar uma ajuda múltipla e fecunda, em ordem à realização concreta do espírito colegial» (420).
Ecclesiae particulares proximae et cultura praeditae homogenea provincias efformant ecclesiasticas vel ampliores circumscriptiones patriarchatus appellati vel regiones. 419 Harum circumscriptionum Episcopi in Synodis possunt congregari vel in provincialibus Conciliis. « Simili ratione Coetus Episcopales hodie multiplicem atque fecundam opem conferre possunt, ut collegialis affectus ad concretam applicationem perducatur ». 420Munus docendi

O OFÍCIO DE ENSINAR

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A constituição hierárquica da Igreja

§ 888
Os bispos, com os presbíteros seus cooperadores, «têm como primeiro dever anunciar o Evangelho de Deus a todos os homens» (421), conforme a ordem do Senhor; (422). Eles são «os arautos da fé», que trazem a Cristo novos discípulos, e os «doutores autênticos» da fé apostólica, «munidos da autoridade de Cristo» (423).
Episcopi, cum presbyteris, cooperatoribus suis, « primum habent officium Evangelium Dei omnibus evangelizandi », 421 secundum Domini mandatum. 422 Ipsi « sunt fidei praecones, qui novos discipulos ad Christum adducunt, et doctores authentici » fidei apostolicae, « auctoritate Christi praediti ». 423
§ 889
Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos Apóstolos, Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, Ele que é a Verdade. Pelo «sentido sobrenatural da fé», o povo de Deus «adere de modo indefectível à fé», sob a conduta do Magistério vivo da Igreja (424).
Christus, qui veritas est, ad Ecclesiam in puritate fidei ab Apostolis transmissae conservandam, voluit Ecclesiae Suae participationem in Sua propria infallibilitate conferre. « Mediante supernaturali sensu fidei », populus Dei « fidei indefectibiliter adhaeret », sub ductu vivi Magisterii Ecclesiae. 424
§ 890
A missão do Magistério está ligada ao carácter definitivo da Aliança instaurada por Deus em Cristo com o seu povo. Deve protegê-lo dos desvios e falhas, e garantir-lhe a possibilidade objectiva de professar, sem erro, a fé autêntica. O múnus pastoral do Magistério está, assim, ordenado a velar por que o povo de Deus permaneça na verdade que liberta. Para cumprir este serviço. Cristo dotou os pastores do carisma da infalibilidade em matéria de fé e de costumes. O exercício de tal carisma pode revestir-se de diversas modalidades:
Missio Magisterii coniungitur cum indole definitiva Foederis a Deo in Christo cum populo Suo instaurati; Ipse eum a deviationibus protegere debet et defectibus, eique possibilitatem obiectivam tutari fidem authenticam sine errore profitendi. Sic Magisterii pastorale munus ordinatur ad vigilandum ut populus Dei in veritate permaneat quae liberat. Ad hoc servitium adimplendum, Christus Pastores charismate donavit infallibilitatis in rebus fidei et morum. Huius charismatis exercitium diversas potest induere formas:
§ 891
«Desta infalibilidade goza o pontífice romano, chefe do colégio episcopal, por força do seu ofício, quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis, e encarregado de confirmar na fé os seus irmãos, proclama, por um acto definitivo, um ponto de doutrina respeitante à fé ou aos costumes [...]. A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo dos bispos, quando exerce o seu Magistério supremo em união com o sucessor de Pedro», sobretudo num concílio ecuménico (425) Quando, pelo seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa «para crer como sendo revelada por Deus» (426) como doutrina de Cristo, «deve-se aderir na obediência da fé a tais definições» (427). Esta infalibilidade abarca tudo quanto abarca o depósito da Revelação divina
Hac « infallibilitate Romanus Pontifex, Collegii Episcoporum caput vi muneris sui gaudet, quando, ut supremus omnium christifidelium Pastor et Doctor, qui fratres suos in fide confirmat, doctrinam de fide vel moribus definitivo actu proclamat. [...] Infallibilitas Ecclesiae promissa in corpore Episcoporum quoque inest, quando supremum Magisterium cum Petri Successore exercet », presertim in aliquo Concilio Oecumenico. 425 Cum Ecclesia, ope sui supremi Magisterii, quaedam « tamquam divinitus revelata credenda proponit » 426 et tamquam doctrinam Christi, talibus « definitionibus fidei obsequio est adhaerendum ». 427 Haec infallibilitas « tantum patet quantum divinae Revelationis patet depositum ». 428
§ 892
A assistência divina é também dispensada aos sucessores dos Apóstolos, quando ensinam em comunhão com o sucessor de Pedro, e de modo particular ao bispo de Roma, pastor de toda a Igreja, quando, mesmo sem chegarem a uma definição infalível e sem se pronunciar de «modo definitivo», no exercício do seu Magistério ordinário, propõem uma doutrina que leva a uma melhor inteligência da Revelação em matéria de fé e de costumes. A este ensinamento ordinário devem os fiéis «prestar o assentimento religioso do seu espírito» (429), o qual, embora distinto do assentimento da fé, é, no entanto, seu prolongamento.
Assistentia divina etiam Apostolorum successoribus praebetur in communione cum Petri Successore docentibus, et peculiariter Episcopo Romano, totius Ecclesiae Pastori, cum, quin ad definitionem perveniant infallibilem et quin « modo definitivo » se exprimant, in Magisterii ordinarii exercitio doctrinam proponunt quae ad meliorem Revelationis ducit intelligentiam in rebus fidei et morum. Christifideles huic ordinario Magisterio « religioso animi obsequio adhaerere debent », 429 quod, licet ab assensu fidei distinguatur, illum tamen protrahit.Munus sanctificandi

O OFÍCIO DE SANTIFICAR

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A constituição hierárquica da Igreja

§ 893
O bispo tem igualmente «a responsabilidade de dispensar a graça do sumo sacerdócio» (430), em particular na Eucaristia, que oferece pessoalmente ou cuja celebração pelos presbíteros seus cooperadores ele garante. É que a Eucaristia é o centro da vida da Igreja particular. O bispo e os presbíteros santificam a Igreja com a sua oração e o seu trabalho, bem como pelo ministério da Palavra e dos sacramentos. E também a santificam com o seu exemplo, actuando «não com um poder autoritário sobre a herança do Senhor, mas como modelos do rebanho» (1 Pe 5, 3). Assim «chegarão, com o rebanho que lhes está confiado, à vida eterna» (431).
Episcopus etiam « est "oeconomus gratiae supremi sacerdotii" », 430 praesertim in Eucharistia quam ipse offert et cuius oblationem per presbyteros, cooperatores suos, tutatur. Eucharistia enim centrum est vitae Ecclesiae particularis. Episcopus et presbyteri Ecclesiam sanctificant oratione sua suoque labore, per verbi et sacramentorum ministerium. Eam sanctificant per exemplum suum, non « dominantes in cleris, sed formae facti gregis » (1 Pe 5,3). Sic fiet « ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniant sempiternam ». 431 Munus regendi

O OFÍCIO DE GOVERNAR

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A constituição hierárquica da Igreja

§ 894
«Os bispos dirigem as suas Igrejas particulares, como vigários e legados de Cristo, mediante os seus conselhos, incitamentos e exemplos; mas também com a sua autoridade e com o seu poder sagrado» (432), que, no entanto, devem exercer para edificação naquele espírito de serviço que é próprio o do seu Mestre (433).
« Episcopi Ecclesias particulares sibi commissas ut vicarii et legati Christi regunt, consiliis, suasionibus, exemplis, verum etiam auctoritate et sacra potestate », 432 quam tamen debent ad aedificandum exercere in servitii spiritu, qui ille est Magistri eorum. 433
§ 895
«Este poder, que eles exercem pessoalmente em nome de Cristo, é um poder próprio, ordinário e imediato. O seu exercício, contudo, está regulado em definitivo pela autoridade suprema da Igreja» (434). Mas os bispos não devem ser considerados como vigários do Papa; a autoridade ordinária e imediata deste sobre toda a Igreja, não anula, pelo contrário, confirma e defende, a daqueles. A autoridade episcopal deve exercer-se em comunhão com toda a Igreja, sob a direcção do Papa.
« Haec potestas qua, nomine Christi, personaliter funguntur, est propria, ordinaria et immediata, licet a suprema Ecclesiae auctoritate exercitium eiusdem ultimatim regatur ». 434 Sed Episcopi considerandi non sunt tamquam vicarii Romani Pontificis, cuius ordinaria et immediata super omnem Ecclesiam auctoritas illam eorum non abrogat, sed e contra confirmat et defendit. Haec exerceri debet in communione cum tota Ecclesia sub Romani Pontificis ductu.
§ 896
O Bom Pastor há-de ser o modelo e a «forma» do múnus pastoral do bispo. Consciente das suas fraquezas, «o bispo pode mostrar-se indulgente para com os ignorantes e os transviados. Não se furte a atender os que de si dependem, rodeando-os de carinho, como a verdadeiros filhos [...]. Quanto aos fiéis, devem viver unidos ao seu bispo como a Igreja a Jesus Cristo e Jesus Cristo ao Pai» (435).

«Segui todos o bispo, como Jesus Cristo o Pai; e o presbitério como se fossem os Apóstolos; quanto aos diáconos, respeitai-os como à lei de Deus. Ninguém faça, à margem do bispo, nada do que diga respeito à Igreja» (436).

Bonus Pastor exemplar erit et « forma » muneris pastoralis Episcopi. Debilitatum suarum conscius, Episcopus « condolere potest iis qui ignorant et errant. Subditos, quos ut veros filios suos fovet [...], audire ne renuat. [...] Fideles autem Episcopo adhaerere debent sicut Ecclesia Iesu Christo, et sicut Iesus Christus Patri »: 435

« Omnes Episcopo obtemperate, ut Iesus Christus Patri, et presbyterio ut Apostolis; diaconos autem revereamini ut Dei mandatum. Separatim ab Episcopo nemo quidquam faciat eorum, quae ad Ecclesiam spectant ». 436

O OFÍCIO DE GOVERNAR

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os fiéis leigos

§ 897
«Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos com excepção dos membros da ordem sacra ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Baptismo, constituídos em povo de Deus e feitos participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, na Igreja e no mundo, a missão de todo o povo cristão» (437).
« Nomine laicorum hic intelleguntur omnes christifideles praeter membra ordinis sacri et status religiosi in Ecclesia sanciti, christifideles scilicet qui, utpote Baptismate Christo concorporati, in populum Dei constituti, de munere Christi sacerdotali, prophetico et regali suo modo participes facti, pro parte sua missionem totius populi christiani in Ecclesia et in mundo exercent ». 437Laicorum vocatio

A VOCAÇÃO DOS LEIGOS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os fiéis leigos

§ 898
«A vocação própria dos leigos consiste precisamente em procurar o Reino de Deus ocupando-se das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus [...]. Pertence-lhes, de modo particular, iluminar e orientar todas as realidades temporais a que estão estreitamente ligados, de tal modo que elas sejam realizadas e prosperem constantemente segundo Cristo, para glória do Criador e Redentor» (438).
« Laicorum est, ex vocatione propria, res temporales gerendo et secundum Deum ordinando, Regnum Dei quaerere. [...] Ad illos ergo peculiari modo spectat res temporales omnes, quibus arcte coniunguntur, ita illuminare et ordinare, ut secundum Christum iugiter fiant et crescant et sint in laudem Creatoris et Redemptoris ». 438
§ 899
A iniciativa dos cristãos leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar, com as exigências da doutrina e da vida cristã, as realidades sociais, políticas e económicas. Tal iniciativa é um elemento normal da vida da Igreja:

«Os fiéis leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja: por eles, a Igreja é o princípio vital da sociedade. Por isso, eles, sobretudo, devem ter uma consciência cada vez mais clara, não somente de que pertencem à Igreja, mas de que são Igreja, isto é, comunidade dos fiéis na terra sob a direcção do chefe comum, o Papa, e dos bispos em comunhão com ele. Eles são Igreja» (439).

Laicorum christianorum incepta peculiariter sunt necessaria cum agitur de detegendis et inveniendis mediis ut ea quae doctrina et vita christianae exigunt, realitates sociales, politicas, oeconomicas imbuant. Haec incepta elementum sunt normale vitae Ecclesiae:

« Christifideles, et magis concrete laici, in prima vitae Ecclesiae inveniuntur acie; per illos Ecclesia societatis humanae vitale est principium. Propterea illi, et quidem praecipue, semper clarius conscii esse debent se non solum ad Ecclesiam pertinere, sed Ecclesiam esse, id est, christifidelium in terris communitatem sub communis capitis ductu, nempe Romani Pontificis, et Episcoporum in communione cum ipso. Illi sunt Ecclesia ». 439

§ 900
Porque, como todos os fiéis, são por Deus encarregados do apostolado, em virtude do Baptismo e da Confirmação, os leigos têm o dever e gozam do direito, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra. Este dever é ainda mais urgente quando só por eles podem os homens receber o Evangelho e conhecer Cristo. Nas comunidades eclesiais, a sua acção é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, a maior parte das vezes, alcançar pleno efeito (440).
Laici, quia ipsis, sicut omnibus christifidelibus, a Deo virtute Baptismi et Confirmationis apostolatus est commendatus, officio tenentur et iure gaudent, sive individualiter sive in consociationibus congregati, laborandi ut nuntius divinus salutis ab omnibus hominibus et in terra universa cognoscatur et accipiatur; haec obligatio est adhuc urgentior cum homines nonnisi per eos Evangelium audire possunt et Christum cognoscere. Eorum actio in communitatibus ecclesialibus ita est necessaria ut, sine illa, apostolatus Pastorum plerumque non possit suum plenum effectum obtinere. 440Participatio laicorum in munere sacerdotali Christi

A PARTICIPAÇÃO DOS LEIGOS NA FUNÇÃO SACERDOTAL DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os fiéis leigos

§ 901
«Em virtude da sua consagração a Cristo e da unção do Espírito Santo, os leigos recebem a vocação admirável e os meios que permitem ao Espírito produzir neles frutos cada vez mais abundantes. De facto, todas as suas actividades, orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres do espírito e do corpo, se forem vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida se pacientemente suportadas, tudo se transforma em "sacrifício espiritual, agradável a Deus por Jesus Cristo" (1 Pe 2, 5). Na celebração eucarística, todas estas oblações se unem à do Corpo de Senhor, para serem piedosamente oferecidas ao Pai. É assim que os leigos, como adoradores que em toda a parte se comportam santamente, consagram a Deus o próprio mundo» (441).
« Laici, utpote Christo dicati et Spiritu Sancto uncti, mirabiliter vocantur et instruuntur, ut uberiores semper fructus Spiritus in ipsis producantur. Omnia enim eorum opera, preces et incepta apostolica, conversatio coniugalis et familiaris, labor quotidianus, animi corporisque relaxatio, si in Spiritu peragantur, immo molestiae vitae si patienter sustineantur, fiunt spirituales hostiae, acceptabiles Deo per Iesum Christum, 441 quae in Eucharistiae celebratione, cum dominici corporis oblatione, Patri piissime offeruntur. Sic et laici, qua adoratores ubique sancte agentes, ipsum mundum Deo consecrant ». 442
§ 902
Os pais participam dum modo particular no múnus da santificação, «vivendo em espírito cristão a vida conjugal e cuidando da educação cristã dos filhos» (442).
Modo peculiari, parentes munus participant sanctificationis « vitam coniugalem spiritu christiano ducendo et educationem christianam filiorum procurando ». 443
§ 903
Os leigos, se têm as qualidades requeridas, podem ser admitidos de modo estável aos ministérios de leitor e de acólito (443). «Onde as necessidades da Igreja o aconselharem, por falta de ministros, os leigos, mesmo que não sejam leitores nem acólitos, podem suprir alguns ofícios destes, como os de exercer o ministério da Palavra, presidir às orações litúrgicas, conferir o Baptismo e distribuir a sagrada Comunhão, segundo as prescrições do Direito» (444).
Laici, si qualitates habeant requisitas, possunt modo stabili ad ministeria admitti lectoris et acolythi. 444 « Ubi Ecclesiae necessitas id suadeat, deficientibus ministris, possunt etiam laici, etsi non sint lectores vel acolythi, quaedam eorundem officia supplere, videlicet ministerium verbi exercere, precibus liturgicis praeesse, Baptismum conferre atque sacram Communionem distribuere, iuxta iuris praescripta ». 445Eorum participatio in munere prophetico Christi

A SUA PARTICIPAÇÃO NA FUNÇÃO PROFÉTICA DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os fiéis leigos

§ 904
«Cristo [...] realiza a sua missão profética não só através da hierarquia [...], mas também por meio dos leigos. Para isso os constituiu testemunhas, e lhes concedeu o sentido da fé e a graça da Palavra» (445):

«Ensinar alguém, para o trazer à fé, [...] é dever de todo o pregador e, mesmo, de todo o crente» (446).

« Christus [...] Suum munus propheticum adimplet, non solum per Hierarchiam, [...] sed etiam per laicos, quos ideo et testes constituit et sensu fidei et gratia verbi instruit »: 446

« Instructio [...] conversiva ad fidem [...] potest competere cuilibet praedicatori, vel etiam cuilibet fideli ». 447

§ 905
Os leigos realizam a sua missão profética também pela evangelização, «isto é, pelo anúncio de Cristo, concretizado no testemunho da vida e na palavra». Para os leigos, «esta acção evangelizadora [...] adquire um carácter específico e uma particular eficácia, por se realizar nas condições ordinárias da vida secular» (447).

«Este apostolado não consiste só no testemunho da vida: o verdadeiro apóstolo procura todas as ocasiões de anunciar Cristo pela palavra, tanto aos não-crentes [...] como aos fiéis» (448).

Laici suam missionem propheticam etiam per evangelizationem adimplent, « nuntium Christi scilicet et testimonio vitae et verbo prolatum ». Apud laicos « haec evangelizatio [...] notam quamdam specificam et peculiarem efficacitatem acquirit ex hoc, quod in communibus condicionibus vitae completur »: 448

« Apostolatus tamen huiusmodi non in solo vitae testimonio consistit; verus apostolatus quaerit occasiones Christum verbis annuntiandi sive non credentibus [...], sive fidelibus ». 449

§ 906
Aqueles de entre os fiéis leigos que disso forem capazes e que para tal se formarem, podem também prestar o seu concurso à formação catequética (449), ao ensino das ciências sagradas (450) e aos meios de comunicação social (451).
Illi ex christifidelibus laicis qui harum rerum capaces sint et ad eas efformentur, suum etiam possunt praebere concursum ad catecheticam formationem, 450 ad scientiarum sacrarum institutionem, 451 ad communicationis socialis media. 452
§ 907
«Os fiéis, segundo a ciência, a competência e a proeminência de que desfrutam, têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverência devida aos pastores, e tendo em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas» (452).
« Pro scientia, competentia et praestantia quibus pollent, ipsis ius est, immo et aliquando officium, ut sententiam suam de his quae ad bonum Ecclesiae pertinent sacris Pastoribus manifestent eamque, salva fidei morumque integritate ac reverentia erga Pastores, attentisque communi utilitate et personarum dignitate, ceteris christifidelibus notam faciant ». 453Eorum participatio in munere Christi regali

A SUA PARTICIPAÇÃO NA FUNÇÃO REAL DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Os fiéis leigos

§ 908
Fazendo-se obediente até à morte (453), Cristo comunicou aos seus discípulos o dom de régia liberdade, para que «com abnegação de si mesmos e santidade de vida, vençam em si próprios o reino do pecado» (454).

«Aquele que submete o corpo e governa a sua alma, sem se deixar submergir pelas paixões, é senhor de si mesmo; pode ser chamado rei, porque é capaz de reger a sua própria pessoa: é livre e independente e não se deixa cativar por uma escravidão culpável» (455).

Christus, per Suam oboedientiam usque ad mortem, 454 Suis discipulis communicavit donum libertatis regiae ut « sui abnegatione vitaque sancta regnum peccati in seipsis devincant ». 455

« Quicumque proprium corpus subegerit nec eius passionibus turbari animam suam rector sui congrua vivacitate permiserit, is bene regia quadam potestate se cohibens rex dicitur, quod regere se noverit et arbiter sui iuris sit, non captivus trahatur in culpam ». 456

§ 909
«Além disso, também pela união das suas forças, devem os leigos sanear as instituições e as condições de vida no mundo, quando estas tendem a levar ao pecado, para que todas se conformem com as regras da justiça e favoreçam a prática da virtude, em vez de a impedirem. Agindo assim, impregnarão de valor moral a cultura e as obras humanas (456).
« Laici praeterea, collatis quoque viribus, instituta ac condiciones mundi, si qua mores ad peccatum incitant, ita sanent, ut haec omnia ad iustitiae normas conformentur et virtutum exercitio potius faveant quam obsint. Ita agendo culturam operaque humana valore morali imbuent ».457
§ 910
«Os leigos também podem sentir-se ou serem chamados a colaborar com os pastores no serviço da comunidade eclesial, trabalhando pelo crescimento e vida da mesma, exercendo ministérios muito variados, segundo a graça e os carismas que ao Senhor aprouver comunicar-lhes» (457).
« Laici [...] possunt animadvertere se vocatos esse vel vocari ad consociandam operam cum Pastoribus in famulatu communitatis ecclesialis, in eius auctum et vitae ubertatem, dum ministeria valde distincta exercent, pro gratia atque charismatibus, quae Dominus iis dilargiri voluerit ».458
§ 911
Na Igreja, «os fiéis leigos podem cooperar no exercício do poder de governo, segundo as normas do direito» (458). É o caso da sua presença nos concílios particulares (459) nos sínodos diocesanos (460) e nos conselhos pastorais (461) do exercício da função pastoral duma paróquia (462) da colaboração nos conselhos para os assuntos económicos (463); da participação nos tribunais eclesiásticos (464); etc.
In Ecclesia, in exercitio potestatis regiminis, « christifideles laici ad normam iuris cooperari possunt ».459 Sic cum eorum praesentia in Conciliis particularibus,460 Synodis dioecesanis,461 Consiliis pastoralibus;462 in exercitio muneris pastoralis cuiusdam paroeciae;463 collaboratione in Consiliis de rebus oeconomicis;464 participatione in tribunalibus ecclesiasticis,465 etc.
§ 912
Os fiéis devem «distinguir cuidadosamente os direitos e deveres que lhes competem como membros da Igreja, daqueles que lhes dizem respeito como membros da sociedade humana. Procurem harmonizar uns e outros, lembrando-se de que em todos os assuntos temporais se devem guiar pela sua consciência cristã, pois nenhuma actividade humana, mesmo de ordem temporal, pode subtrair-se ao domínio de Deus» (465).
Christifideles debent « sedulo distinguere inter iura et officia quae eis incumbunt, quatenus Ecclesiae aggregantur, et ea quae eis competunt, ut sunt humanae societatis membra. Utraque inter se harmonice consociare satagent, memores se, in quavis re temporali, christiana conscientia duci debere, cum nulla humana activitas, ne in rebus temporalibus quidem, Dei imperio substrahi possit ».466
§ 913
«Assim, todo e qualquer leigo, em virtude dos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja "segundo a medida do dom de Cristo" (Ef 4, 7)» (466).
« Sic omnis laicus, ex ipsis donis sibi collatis, testis simul et vivum instrumentum missionis ipsius Ecclesiae exsistit "secundum mensuram donationis Christi" (Eph 4,7) ».467 III. Vita consecrata

A SUA PARTICIPAÇÃO NA FUNÇÃO REAL DE CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A vida consagrada

§ 914
«O estado de vida constituído pela profissão dos conselhos evangélicos, embora não pertença à estrutura hierárquica da Igreja, está, no entanto, incontestavelmente ligado à sua vida e santidade» (467).
« Status [...], qui professione consiliorum evangelicorum constituitur, licet ad Ecclesiae structuram hierarchicam non spectet, ad eius tamen vitam et sanctitatem inconcusse pertinet ».468 Consilia evangelica, vita consecrata

CONSELHOS EVANGÉLICOS, VIDA CONSAGRADA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A vida consagrada

§ 915
Os conselhos evangélicos são, na sua multiplicidade, propostos a todos os discípulos de Cristo. A perfeição da caridade, a que todos os fiéis são chamados, comporta, para aqueles que livremente assumem o chamamento à vida consagrada, a obrigação de praticar a castidade no celibato por amor do Reino, a pobreza e a obediência. É a profissão destes conselhos, num estado de vida estável reconhecido pela Igreja, que caracteriza a «vida consagrada» a Deus (468).
Consilia evangelica, in sua multiplicitate, omnibus Christi proponuntur discipulis. Perfectio caritatis, ad quam omnes christifideles vocantur, pro illis qui libere vocationem assumunt ad vitam consecratam, implicat obligationem observandi castitatem in caelibatu pro Regno, paupertatem et oboedientiam. Horum consiliorum professio, in vitae stabilis statu ab Ecclesia agnito, « vitam consecratam » Deo distinguit.469
§ 916
A partir daí, o estado de vida consagrada aparece como uma das maneiras de viver uma consagração «mais íntima», radicada no Baptismo e totalmente dedicada a Deus (469). Na vida consagrada, os fiéis propõem‑se, sob a moção do Espírito Santo, seguir Cristo mais de perto, entregar‑se a Deus amado acima de todas as coisas e, procurando a perfeição da caridade ao serviço do Reino, ser na Igreja sinal e anúncio da glória do mundo que há-de vir (470).
Vitae consecratae status apparet tunc tamquam unus e modis vivendi in consecratione « intimiore », quae in Baptismo radicatur et Deo totaliter devovet.470 In vita consecrata, christifideles sibi proponunt, sub Spiritus Sancti motione, Christum pressius sequi, se Deo super omnia dilecto dare et, perfectionem persequentes caritatis in Regni servitio, gloriam mundi futuri significare et annuntiare in Ecclesia.471Arbor magna, plures rami

UMA GRANDE ÁRVORE, DE FRONDOSA RAMAGEM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A vida consagrada

§ 917
«Tal como uma árvore se ramifica maravilhosa e variadamente no campo do Senhor, a partir de uma semente lançada por Deus, assim surgiram diversas formas de vida solitária ou comum, e várias famílias religiosas que vêm aumentar a riqueza espiritual, tanto em proveito dos seus próprios membros como no de todo o Corpo de Cristo» (471).
« Quasi in arbore ex germine divinitus dato mirabiliter et multipliciter in agro Domini ramificata, variae formae vitae solitariae vel communis, variaeque Familiae [...] [creverunt], quae tum ad profectum sodalium, tum ad bonum totius corporis Christi opes augent ».472
§ 918
«Desde as origens da Igreja, houve homens e mulheres que se propuseram, pela prática dos conselhos evangélicos, seguir mais livremente Cristo e imitá-Lo de modo mais fiel. Cada qual a seu modo. Levaram uma vida consagrada a Deus. Muitos de entre eles, sob o impulso do Espírito Santo, viveram na solidão; outros fundaram famílias religiosas que a Igreja de bom grado acolheu e aprovou com a sua autoridade» (472).
« Inde ab exordiis quidem Ecclesiae fuerunt viri et mulieres, qui per praxim consiliorum evangelicorum Christum maiore cum libertate sequi pressiusque imitari intenderunt et suo quisque modo vitam Deo dicatam duxerunt, e quibus multi, Spiritu Sancto afflante, vel vitam solitariam degerunt vel Familias religiosas suscitaverunt, quas Ecclesia sua auctoritate libenter suscepit et adprobavit ».473
§ 919
Os bispos devem esforçar-se sempre por discernir os novos dons de vida consagrada, confiados pelo Espírito Santo à sua Igreja. A aprovação de novas formas de vida consagrada é reservada à Sé Apostólica (473).
Episcopi nova dona vitae consecratae a Spiritu Sancto Ecclesiae Eius concredita semper discernere satagent; novarum vitae consecratae formarum approbatio Sedi Apostolicae reservatur.474 Vita eremitica

A VIDA EREMÍTICA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A vida consagrada

§ 920
Os eremitas nem sempre fazem profissão pública dos três conselhos evangélicos; mas, «por meio de um mais estrito apartamento do mundo, do silêncio na solidão, da oração assídua e da penitência, consagram a sua vida ao louvor de Deus e à salvação do mundo» (474).
Eremitae, quin publice tria consilia evangelica semper profiteantur, « arctiore a mundo secessu, solitudinis silentio, assidua prece et paenitentia, suam in laudem Dei et mundi salutem vitam devovent ».475
§ 921
Os eremitas manifestam o aspecto interior do mistério da Igreja que é a intimidade pessoal com Cristo. Oculta aos olhos dos homens, a vida do eremita é pregação silenciosa d'Aquele a Quem entregou a sua vida. Cristo é tudo para ele. É uma vocação especial para encontrar no deserto, no próprio combate espiritual, a glória do Crucificado.
Ipsi singulis hanc interiorem mysterii Ecclesiae ostendunt rationem, quae intimitas est personalis cum Christo. Eremitae vita, oculis hominum abscondita, silentiosa est praedicatio Eius, cui ipse vitam suam donavit, quia Is pro ipso est omnia. Ibi vocatio habetur peculiaris ad inveniendam in deserto, in ipso spirituali proelio, Crucifixi gloriam.Virgines et viduae consecratae

AS VIRGENS E AS VIÚVAS CONSAGRADAS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A vida consagrada

§ 922
Já desde os tempos apostólicos, apareceram virgens (475) e viúvas cristãs (476), chamadas pelo Senhor a unirem-se a Ele sem partilha, numa maior liberdade de coração, de corpo e de espírito, que tomaram a decisão, aprovada pela Igreja, de viver, respectivamente, no estado de virgindade ou de castidade perpétua, «por amor do Reino dos céus» (Mt 19, 12).
A temporibus apostolicis, virgines476 fuerunt et viduae christianae,477 quae a Domino vocatae ut Ei sine divisione adhaereant in maiore cordis, corporis et spiritus libertate, consilium ceperunt, ab Ecclesia approbatum, vivendi respective in virginitatis vel castitatis perpetuae statu « propter Regnum caelorum » (Mt 19,12).
§ 923
As virgens, «emitindo o santo propósito de seguir mais de perto a Cristo, são consagradas a Deus pelo Bispo diocesano segundo o rito litúrgico aprovado, desposam-se misticamente com Cristo Filho de Deus e dedicam-se ao serviço da Igreja» (477). Por este ritual solene (consecratio virginum – consagração das virgens), a «virgem é constituída como pessoa consagrada, sinal transcendente do amor da Igreja a Cristo, imagem escatológica da Esposa celeste e da vida futura» (478).
Virgines, « sanctum propositum emittentes Christum pressius sequendi, ab Episcopo dioecesano iuxta probatum ritum liturgicum Deo consecrantur, Christo Dei Filio mystice desponsantur et Ecclesiae servitio dedicantur ».478 Per hunc sollemnem ritum (Consecratio virginum), « virgo [...] [constituitur] persona sacrata, signum transcendens amoris Ecclesiae erga Christum, imago eschatologica Sponsae caelestis vitaeque futurae ».479
§ 924
«Próxima das outras formas de vida consagrada» (479), a ordem das virgens estabelece a mulher que vive no mundo (ou a monja) na oração, na penitência, no serviço dos seus irmãos e no trabalho apostólico, segundo o estado e carismas respectivos concedidos a cada uma (480). As virgens consagradas podem associar-se para observarem mais fielmente os seus propósitos (481).
Aliis vitae consecratae formis accedens,480 ordo virginum mulierem in mundo viventem (vel monialem) instituit in oratione, paenitentia, fratrum servitio et apostolico labore, secundum statum et charismata unicuique respective oblata.481 Virgines consecratae consociari possunt ut fidelius propositum servent suum.482Vita religiosa

A VIDA RELIGIOSA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A vida consagrada

§ 925
Nascida no Oriente, nos primeiros séculos do cristianismo  (482), e vivida em institutos canonicamente erectos pela Igreja (483), a vida religiosa distingue-se das outras formas de vida consagrada pelo aspecto cultual, pela profissão pública dos conselhos evangélicos, pela vida fraterna em comum e pelo testemunho dado a respeito da união de Cristo e da Igreja (484).
Vita religiosa, in Oriente prioribus christianismi saeculis orta483 et in institutis canonice ab Ecclesia erectis acta,484 ab aliis vitae consecratae formis distinguitur ratione cultuali, publica consiliorum evangelicorum professione, vita fraterna in communi ducta, testimonio unioni Christi et Ecclesiae tributo.485
§ 926
A vida religiosa faz parte do mistério da Igreja. É um dom que a Igreja recebe do seu Senhor, e que oferece, como um estado de vida estável, ao fiel chamado por Deus à profissão dos conselhos. Assim, a Igreja pode, ao mesmo tempo, manifestar Cristo e reconhecer-se como Esposa do Salvador. A vida religiosa é convidada a significar, nas suas variadas formas, a própria caridade de Deus, em linguagem do nosso tempo.
Vita religiosa ab Ecclesiae procedit mysterio. Ea donum est quod Ecclesia a Domino recipit suo et quod ipsa, tamquam statum stabilem fideli vocato a Deo in professione offert consiliorum. Sic Ecclesia simul potest Christum manifestare et se tamquam Salvatoris agnoscere Sponsam. Vita religiosa invitatur ut, sub formis diversis, ipsam Dei significet caritatem, in nostri temporis sermone.
§ 927
Todos os religiosos, isentos ou não (485), têm o seu lugar entre os cooperadores do bispo diocesano na sua função pastoral (486). A implantação e a expansão missionária da Igreja requerem a presença da vida religiosa em todas as suas formas, desde os começos da evangelização (487). «A história confirma os grandes méritos das famílias religiosas na propagação da fé e na formação de novas Igrejas, desde as antigas instituições monásticas e as Ordens medievais, até às congregações modernas» (488).
Omnes religiosi, exempti vel non exempti,486 inter Episcopi dioecesani in eius pastorali munere cooperatores locum obtinent.487 Plantatio et dilatatio missionalis Ecclesiae praesentiam requirunt vitae religiosae omnibus eius formis inde ab evangelizationis initio.488 « Illustrat historia merita egregia religiosarum Familiarum in fide propaganda necnon in novis conformandis Ecclesiis: nec solum antiquorum Institutorum monasticorum et Ordinum Mediae Aetatis, verum nostrae etiam aetatis Congregationum ».489 Instituta saecularia

OS INSTITUTOS SECULARES

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A vida consagrada

§ 928
«Instituto secular é o instituto de vida consagrada, em que os fiéis, vivendo no século, se esforçam por atingir a perfeição da caridade e por contribuir, sobretudo a partir de dentro, para a santificação do mundo» (489).
« Institutum saeculare est institutum vitae consecratae, in quo christifideles in saeculo viventes ad caritatis perfectionem contendunt atque ad mundi sanctificationem praesertim ab intus conferre student ».490
§ 929
Os membros destes institutos, mediante uma «vida perfeita e inteiramente consagrada [a esta] santificação» (490), tomam parte na tarefa de evangelização da Igreja, «no mundo e a partir do mundo» (491), onde a sua presença actua «à maneira de fermento» (492). O seu testemunho de vida cristã visa ordenar segundo Deus as realidades temporais e impregnar o mundo com a força do Evangelho. Assumem, por vínculos sagrados, os conselhos evangélicos e mantêm entre si a comunhão e fraternidade próprias do seu teor de vida secular (493).
Membra horum institutorum, « vita perfecte et omnino [huic] sanctificationi consecrata »,491 « munus Ecclesiae evangelizandi, in saeculo et ex saeculo, participant »,492 ubi eorum praesentia ut fermentum agit.493 Eorum testimonium vitae christianae tendit ad ordinandas secundum Deum res temporales atque ad mundum virtute Evangelii informandum. Vinculis sacris consilia assumunt evangelica et inter se communionem servant et fraternitatem vitae rationi saeculari eorum proprias.494 Societates vitae apostolicae

AS SOCIEDADES DE VIDA APOSTÓLICA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A vida consagrada

§ 930
Aproximam-se das diversas formas de vida consagrada, «as sociedades de vida apostólica, cujos membros, sem votos religiosos, prosseguem o fim apostólico próprio da sociedade e, vivendo em comum a vida fraterna, de acordo com a própria forma de vida, tendem, pela observância das constituições, à perfeição da caridade. Entre elas há sociedades, cujos membros [...] assumem os conselhos evangélicos» segundo as suas constituições» (494).
Diversis vitae consecratae formis « accedunt societates vitae apostolicae, quarum sodales, sine votis religiosis, finem apostolicum societatis proprium prosequuntur et, vitam fraternam in communi ducentes, secundum propriam vitae rationem, per observantiam constitutionum ad perfectionem caritatis tendunt. Inter has sunt societates in quibus sodales [...] consilia evangelica assumunt » secundum suas constitutiones.495 Consecratio et missio: Regem annuntiare qui venit

CONSAGRAÇÃO E MISSÃO: ANUNCIAR O REI QUE VEM

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A vida consagrada

§ 931
Entregando-se a Deus amado sobre todas as coisas, aquele que pelo Baptismo já Lhe estava devotado, encontra-se, assim, mais intimamente consagrado ao serviço divino e dedicado ao bem da Igreja. Pelo estado de consagração a Deus, a Igreja manifesta Cristo e mostra como o Espírito Santo nela actua de modo admirável. Aqueles que pro­fessam os conselhos evangélicos têm, pois, por missão, antes de mais, viver a sua consagração. «Visto estarem dedicados, em virtude da sua consagração, ao serviço da Igreja, têm obrigação de trabalhar, de modo especial, segundo a índole própria do instituto, na acção missionária» (495).
Deo summe dilecto traditus, ille quem iam Baptismus Ei dicaverat, sic intimius servitio divino invenitur consecratus et bono Ecclesiae deditus. Per statum consecrationis ad Deum, Ecclesia manifestat Christum atque ostendit quomodo Spiritus Sanctus modo admirabili in ipsa agat. Ii qui consilia evangelica profitentur, habent imprimis, ut missionem, suam consecrationem in vitam ducere. « Cum vi ipsius consecrationis sese servitio Ecclesiae dedicent, obligatione tenentur ad operam, ratione suo Instituto propria, speciali modo in actione missionali navandam ».496
§ 932
Na Igreja, que é como o sacramento, isto é, o sinal e o instrumento da vida de Deus, a vida consagrada surge como um sinal particular do mistério da Redenção. Seguir e imitar Cristo «mais de perto», manifestar «mais claramente» o seu aniquilamento, é entrar «mais profundamente» presente, no coração de Cristo, aos seus contemporâneos. Quem segue este caminho «mais estreito» estimula os seus irmãos pelo seu exemplo e «dá este esplêndido e sublime testemunho: o mundo não pode ser transfigurado e oferecido a Deus sem o espírito das bem-aventuranças» (496).
In Ecclesia quae est veluti sacramentum, id est signum et instrumentum vitae Dei, vita religiosa tamquam signum mysterii Redemptionis apparet peculiare. « Pressius » Christum sequi et imitari, « clarius » Eius manifestare exinanitionem, est « profundius » praesens, in corde Christi, esse coaetaneis suis. Illi qui in hac « arctiore » sunt via, suos fratres exemplo stimulant suo et « praeclarum et eximium testimonium reddunt, mundum transfigurari Deoque offerri non posse sine spiritu beatitudinum ».497
§ 933
Quer este testemunho seja público, como no estado religioso, quer seja mais discreto ou mesmo secreto, a vinda de Cristo é, para todos os consagrados, a origem e a meta das suas vidas:

«Como o povo de Deus não tem na terra cidade permanente [...], o estado religioso [...] manifesta a todos os crentes a presença, já neste mundo, dos bens celestes; dá testemunho da vida nova e eterna adquirida pela redenção de Cristo e anuncia a ressurreição futura e a glória celeste» (497).

Sive hoc testimonium publicum sit, sicut in statu religioso, sive magis privatum vel etiam secretum, Christi Adventus pro omnibus consecratis origo et eorum vitae permanet directio:

« Cum enim populus Dei hic manentem civitatem non habeat, [...] [hic status] tum bona caelestia iam in hoc saeculo praesentia omnibus credentibus manifestat, tum vitam novam et aeternam Redemptione Christi acquisitam testificat, tum resurrectionem futuram et gloriam Regni caelestis praenuntiat ».498

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 934
«Por instituição divina, há na Igreja, entre os fiéis, ministros sagrados, também chamados, em direito, clérigos, sendo os outros chamados leigos». E há fiéis que, pertencendo a uma ou a outra destas duas categorias, se consagraram a Deus pela profissão dos conselhos evangélicos e servem assim a missão da Igreja (498).
« Ex divina institutione, inter christifideles sunt in Ecclesia ministri sacri, qui in iure et clerici vocantur; ceteri autem et laici nuncupantur ». Denique ex utraque hac parte habentur christifideles qui, per consiliorum evangelicorum professionem, sunt Deo consecrati et sic missioni prosunt Ecclesiae.499
§ 935
Para anunciar a fé e implantar o seu Reino, Cristo envia os Apóstolos e respectivos sucessores. Fá-los participantes da sua missão. É d'Ele que uns e outros recebem o poder de agir em seu nome.
Christus ad fidem annuntiandam et Regnum Suum stabiliendum Suos mittit Apostolos eorumque successores. Eos Suae missionis facit participes. Ii potestatem agendi in Eius persona ab Ipso accipiunt.
§ 936
Senhor fez de Pedro o fundamento visível da sua Igreja. Deu-lhe as chaves dela. O bispo da Igreja de Roma, sucessor de S. Pedro, é «a cabeça do colégio dos bispos, vigário de Cristo e pastor da Igreja universal neste mundo» (499).
Dominus ex Petro fundamentum Ecclesiae Suae fecit visibile. Ei claves dedit eius. Episcopus Ecclesiae Romanae, Successor Petri, « Collegii Episcoporum est caput, Vicarius Christi atque universae Ecclesiae his in terris Pastor ».500
§ 937
Papa «está revestido, por instituição divina, do poder supremo, plenário, imediato e universal para o governo das almas» (500).
Romanus Pontifex « suprema, plena, immediata et universali in curam animarum, ex divina institutione, gaudet potestate ».501
§ 938
Os bispos, estabelecidos pelo Espírito Santo, sucedem aos Apóstolos. São, «cada um por sua parte, princípio visível e fundamento da unidade nas suas Igrejas particulares» (501).
Episcopi, a Spiritu Sancto constituti, Apostolis succedunt. « Singuli visibile principium et fundamentum sunt unitatis in suis Ecclesiis particularibus ».502
§ 939
Ajudados pelos presbíteros seus cooperadores e pelos diáconos, os bispos têm o encargo de ensinar autenticamente a fé, celebrar o culto divino, sobretudo a Eucaristia, e governar a sua Igreja como verdadeiros pastores. Incumbe-lhes também o cuidado de todas as Igrejas, com e sob a orientação do Papa.
Episcopi, a presbyteris, suis collaboratoribus, et a diaconis adiuti, munus habent fidem authentice docendi, cultum divinum, praecipue Eucharistiam, celebrandi, et Ecclesias suas, tamquam veri Pastores, regendi. Eorum muneri etiam omnium Ecclesiarum pertinet sollicitudo cum et sub Romano Pontifice.
§ 940
«Sendo próprio do estado dos leigos viverem a sua vida no meio do mundo e dos assuntos profanos, eles são chamados por Deus a exercer o seu apostolado no mundo à maneira de fermento, graças ao vigor do seu espírito cristão» (502).
« Cum vero laicorum statui hoc sit proprium ut in medio mundi negotiorumque saecularium vitam agant, ipsi a Deo vocantur ut, spiritu christiano ferventes, fermenti instar in mundo apostolatum suum exerceant ».503
§ 941
Os leigos participam do sacerdócio de Cristo: cada vez mais unidos a Ele, desenvolvem a graça do Baptismo e da Confirmação em todas as dimensões da vida pessoal, familiar, social e eclesial, e assim realizam a vocação à santidade dirigida a todos os baptizados.
Laici sacerdotium Christi participant: Ei semper magis uniti, gratiam Baptismi et Confirmationis in omnibus vitae personalis, familiaris, socialis et ecclesialis rationibus explicant, et sic vocationem ad sanctitatem omnibus baptizatis directam deducunt in rem.
§ 942
Graças à sua missão profética, os leigos «são também chamados a ser, em todas as circunstâncias e no próprio coração da comunidade humana, testemunhas de Cristo» (503).
Laici, propter suam missionem propheticam, « etiam ad hoc vocantur ut in omnibus, in media quidem humana consortione, Christi sint testes ».504
§ 943
Graças à sua missão real, os leigos têm o poder de vencer em si mesmos e no mundo o império do pecado, mediante a abnegação e a santidade de vida (504).
Laici, propter suam missionem regiam, per suam abnegationem et per sanctitatem vitae suae possunt peccato imperium eius in se ipsis evellere et in mundo.505
§ 944
A vida consagrada a Deus caracteriza-se pela profissão pública dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, num estado de vida estável reconhecido pela Igreja.
Vita Deo consecrata per professionem publicam consiliorum evangelicorum distinguitur paupertatis, castitatis et oboedientiae in statu vitae stabilis ab Ecclesia agnito.
§ 945
Entregue a Deus, amado sobre todas as coisas, aquele que o Baptismo já a Ele tinha destinado, encontra-se, no estado de vida consagrada, mais intimamente votado ao serviço divino e dedicado ao bem de toda a Igreja.
Deo summe dilecto traditus, ille quem iam Baptismus ad Eum destinaverat, in vitae consecratae statu, intimius servitio divino dicatus invenitur et totius Ecclesiae bono deditus. (393) CIC canon 204, § 1; cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 31: AAS 57 (1965) 37-38. (394) CIC canon 208; cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 32: AAS 57 (1965) 38-39. (395) Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 2: AAS 58 (1966) 838-839.(396) CIC canon 207, § 2.(397) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 18: AAS 57 (1965) 21-22.(398) Cf Rom 1,1.(399) Cf 1 Cor 9,19.(400) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 951. (401) Cf Io 17,21-23. (402) Cf Mt 4,19.21; Io 1,43. (403) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 19: AAS 57 (1965) 22.(404) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 22: AAS 57 (1965) 25; cf CIC canon 330.(405) Cf Mt 16,18-19.(406) Cf Io 21,15-17.(407) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 22: AAS 57 (1965) 26.(408) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 27. (409) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 22: AAS 57 (1965) 26; cf Id., Decr. Christus Dominus, 2: AAS 58 (1966) 673; Ibid., 9: AAS 58 (1966) 676. (410) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 22: AAS 57 (1965) 26; cf CIC canon 336. (411) CIC canon 337, § 1. (412) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 22: AAS 57 (1965) 27.(413) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 22: AAS 57 (1965) 26. (414) Concilium Vaticanum II, Const. dogm Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 27.(415) Concilium Vaticanum II, Const. dogm Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 27. (416) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Christus Dominus, 3: AAS 58 (1966) 674.(417) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 28. (418) Cf Gal 2,10. (419) Cf Canones Apostolorum, 34 [Constitutiones apostolicae, 8, 47, 34]: SC 336, 284 (Funk, Didascalia et Constitutiones Apostolorum, 1, 572-574). (420) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 29.(421) Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 4: AAS 58 (1966) 995. (422) Cf Mc 16,15. (423) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 25: AAS 57 (1965) 29.(424) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 12: AAS 57 (1965) 16; cf Id., Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. (425) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 25: AAS 57 (1965) 30; cf Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Pastor aeternus, c. 4: DS 3074.(426) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. (427) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 25: AAS 57 (1965) 30.(428) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 25: AAS 57 (1965) 30. (429) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 25: AAS 57 (1965) 29-30.(430) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 26: AAS 57 (1965) 31.(431) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 26: AAS 57 (1965) 32. (432) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 27: AAS 57 (1965) 32.(433) Cf Lc 22,26-27.(434) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 27: AAS 57 (1965) 32. (435) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 27: AAS 57 (1965) 33.(436) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Smyrnaeos 8, 1: SC 10bis, 138 (Funk 1,282).(437) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 31: AAS 57 (1965) 37. (438) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 31: AAS 57 (1965) 37-38.(439) Pius XII, Allocutio ad Patres Cardinales recenter creatos (20 februarii 1946): AAS 38 (1946) 149; adductus a Ioanne Paulo II, Adh. ap. Christifideles laici, 9: AAS 81 (1989) 406. (440) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 33: AAS 57 (1965) 39.(441) Cf 1 Pe 2,5.(442) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 34: AAS 57 (1965) 40; cf Ibid., 10: AAS 57 (1965) 14-15. (443) CIC canon 835, § 4. (444) Cf CIC canon 230, § 1. (445) CIC canon 230, § 3. (446) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 35: AAS 57 (1965) 40.(447) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 71, a. 4, ad 3: Ed. Leon. 12, 124.(448) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 35: AAS 57 (1965) 40. (449) Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 843; cf Id., Decr. Ad gentes, 15: AAS 58 (1966) 965.(450) Cf CIC canones 774. 776. 780.(451) Cf CIC canon 229.(452) Cf CIC canon 822, § 3.(453) CIC canon 212, § 3. (454) Cf Phil 2,8-9. (455) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 36: AAS 57 (1965) 41.(456) Sanctus Ambrosius, Expositio psalmi CXVIII, 14, 30: CSEL 62, 318 (PL 15, 1476).(457) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 36: AAS 57 (1965) 42. (458) Paulus VI, Adh. ap. Evangelii nuntiandi, 73: AAS 68 (1976) 61.(459) CIC canon 129, § 2. (460) Cf CIC canon 443, § 4. (461) Cf CIC canon 463, § 1-2. (462) Cf CIC canones 511-512. 536. (463) Cf CIC canon 517, § 2. (464) Cf CIC canones 492, § 1. 537. (465) Cf CIC canon 1421, § 2. (466) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 36: AAS 57 (1965) 42.(467) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 33: AAS 57 (1965) 39. (468) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 44: AAS 57 (1965) 51.(469) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 42-43: AAS 57 (1965) 47-50; Id., Decr. Perfectae caritatis, 1: AAS 58 (1966) 702-703.(470) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Perfectae caritatis, 5: AAS 58 (1966) 704-705.(471) Cf CIC canon 573.(472) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 43: AAS 57 (1965) 49. (473) Concilium Vaticanum II, Decr. Perfectae caritatis, 1: AAS 58 (1966) 702.(474) Cf CIC canon 605.(475) CIC canon 603, § 1.(476) Cf 1 Cor 7,34-36.(477) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Vita consecrata, 7: AAS 88 (1996) 382. (478) CIC canon 604, § 1. (479) Ordo Consecrationis virginum, Praenotanda, 1, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 7. (480) Cf CIC canon 604, § 1. (481) Cf Ordo Consecrationis virginum, Praenotanda, 2, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 7. (482) Cf CIC canon 604, § 2. (483) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 15: AAS 57 (1965) 102.(484) Cf CIC canon 573.(485) Cf CIC canon 607.(486) Cf CIC canon 591.(487) Concilium Vaticanum II, Decr. Christus Dominus, 33-35: AAS 58 (1966) 690-692. (488) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 18: AAS 58 (1966) 968-969; Ibid., 40: AAS 58 (1966) 987-988. (489) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 69: AAS 83 (1991) 317.(490) CIC canon 710.(491) Pius XII, Const. ap. Provida Mater: AAS 39 (1947) 118. (492) CIC canon 713, § 2. (493) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Perfectae caritatis, 11: AAS 58 (1966) 707.(494) Cf CIC canon 713.(495) CIC canon 731, § 1-2.(496) CIC canon 783; cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Redemptoris missio, 69: AAS 83 (1991) 317-318.(497) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 31: AAS 57 (1965) 37.(498) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 44: AAS 57 (1965) 50-51.(499) Cf CIC canon 207, § 1-2.(500) CIC canon 331. (501) Concilium Vaticanum II, Decr. Christus Dominus, 2: AAS 58 (1966) 673.(502) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 27. (503) Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 2: AAS 58 (1966) 839.(504) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 43: AAS 58 (1966) 1063.(505) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 36: AAS 57 (1965) 41.

A COMUNHÃO DOS SANTOS

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 946
Depois de ter confessado «a santa Igreja Católica», o Símbolo dos Apóstolos acrescenta «a comunhão dos santos». Este artigo é, em certo sentido, uma explicitação do anterior: pois «que é a Igreja senão a assembleia de todos os santos?» (505). A comunhão dos santos é precisamente a Igreja.
Symbolum Apostolicum postquam « sanctam Ecclesiam catholicam » est professum, « sanctorum communionem » adiungit. Hic articulus quodammodo explicitatio est praecedentis: « Ecclesia quid est aliud quam sanctorum omnium congregatio? ».506 Sanctorum communio est profecto Ecclesia.
§ 947
«Uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem duns é comunicado aos outros [...]. E assim, deve-se acreditar que existe uma comunhão de bens na Igreja. [...] Mas o membro mais importante é Cristo, que é a Cabeça [...]. Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, comunicação que se faz através dos sacramentos da Igreja» (506). «Como a Igreja é governada por um só e mesmo Espírito, todos os bens por ela recebidos tornam-se necessariamente um fundo comum» (507).
« Quia omnes fideles sunt unum corpus, bonum unius alteri communicatur. [...] Unde et inter alia credenda [...], est quod communicatio bonorum sit in Ecclesia [...]. Principale membrum est Christus, quia est Caput. [...] Bonum ergo Christi communicatur [...] omnibus membris; et haec communicatio fit per sacramenta Ecclesiae ».507 « Unitas enim Spiritus, a quo illa regitur, efficit ut quidquid in eam collatum est, commune sit ».508
§ 948
A expressão «comunhão dos santos» tem, portanto, dois significados estreitamente ligados: «comunhão nas coisas santas, sancta», e «comunhão entre as pessoas santas, sancti».

«Sancta sanctis! (O que é santo, para aqueles que são santos)». Assim proclama o celebrante na maior parte das liturgias orientais, no momento da elevação dos santos Dons antes do serviço da comunhão. Os fiéis (sancti) são alimentados pelo Corpo e Sangue de Cristo (sancta), para crescerem na comunhão do Espírito Santo (Koinônia) e a comunicarem ao mundo.

Expressio igitur « sanctorum communio » duas habet significationes: « communionem rerum sanctarum (sancta) » et « communionem inter personas sanctas (sancti) ».

« Sancta sanctis! » a celebrante proclamatur in plerisque liturgiis orientalibus cum elevatio fit sanctorum Donorum ante Communionis servitium. Christifideles (sancti) corpore et sanguine Christi (sancta) nutriuntur ut in communione Spiritus Sancti crescant (Koinonia) eamque mundo communicent.

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A comunhão dos bens espirituais

§ 949
Na comunidade primitiva de Jerusalém, os discípulos «eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações» (Act 2, 42).A comunhão na fé. A fé dos fiéis é a fé da Igreja recebida dos Apóstolos, tesouro de vida que se enriquece na medida em que é partilhada.
In communitate primitiva Ierusalem, discipuli « erant [...] perseverantes in doctrina Apostolorum et communicatione, in fractione panis et orationibus » (Act 2,42). Communio in fide. Fides fidelium est fides Ecclesiae ab Apostolis accepta, thesaurus vitae qui communicatus ditescit.
§ 950
A comunhão nos sacramentos. «O fruto de todos os sacramentos pertence a todos. Os sacramentos, e sobretudo o Baptismo, que é como que a porta por onde os homens entram na Igreja, são outros tantos vínculos sagrados que os unem todos e os ligam a Jesus Cristo. A comunhão dos santos é a comunhão dos sacramentos [...];o nome de comunhão pode aplicar-se a cada um deles, porque cada um deles nos une a Deus [...]. Mas este nome convém mais à Eucaristia do que a qualquer outro, porque é principalmente ela que consuma esta comunhão» (508).
Sacramentorum communio. « Omnium enim sacramentorum fructus ad universos fideles pertinet; quibus sacramentis, veluti sacris vinculis, Christo connectuntur et copulantur, et maxime omnium baptismo, quo tamquam ianua in Ecclesiam ingrediuntur. Hac autem sanctorum communione sacramentorum communionem intelligi debere, Patres in Symbolo significant [...]. Hoc nomen [communionis] omnibus sacramentis convenit, cum Deo nos coniungant [...]; magis tamen proprium est Eucharistiae, quae hanc efficit communionem ».509
§ 951
A comunhão dos carismas: na comunhão da Igreja, o Espírito Santo «distribui também graças especiais entre os fiéis de todas as ordens» para a edificação da Igreja (509). Ora, em cada um se manifestam os dons do Espírito, para o bem comum» (1 Cor 12, 7).
Charismatum communio: in Ecclesiae communione, Spiritus Sanctus « inter omnis ordinis fideles distribuit gratias quoque speciales » ad Ecclesiae aedificationem.510 « Unicuique autem datur manifestatio Spiritus ad utilitatem » (1 Cor 12,7).
§ 952
«Eles punham tudo em comum» (Act 4, 32): «Tudo o que o verdadeiro cristão possui, deve olhá-lo como um bem que lhe é comum com os demais, e deve estar sempre pronto e ser diligente para ir em socorro do pobre e da miséria do próximo» (510). O cristão é um administrador dos bens do Senhor (511).
« Erant illis omnia communia » (Act 4,32): « Nihil tandem a vere christiano homine possidetur, quod sibi cum ceteris omnibus commune esse non existimare debeat; quare ad sublevandam indigentium miseriam prompti ac parati esse debent ».511 Christianus est administrator bonorum Domini.512
§ 953
A comunhão da caridade: na sanctorum communio, «nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum de nós morre para si mesmo» (Rm 14, 7). «Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro for honrado por alguém, todos os membros se alegram com ele. Vós sois Corpo de Cristo e seus membros, cada um na parte que lhe diz respeito» (1 Cor 12, 26-27). «A caridade não é interesseira» (1 Cor 13, 5) (512). O mais insignificante dos nossos actos, realizado na caridade, reverte em proveito de todos, numa solidariedade com todos os homens, vivos ou defuntos, que se funda na comunhão dos santos. Pelo contrário, todo o pecado prejudica esta comunhão.
Communio caritatis: in sanctorum communione « nemo [...] nostrum sibi vivit et nemo sibi moritur » (Rom 14,7). « Et sive patitur unum membrum, compatiuntur omnia membra; sive glorificatur unum membrum, congaudent omnia membra. Vos autem estis corpus Christi et membra ex parte » (1 Cor 12,26-27). Caritas « non quaerit, quae sua sunt » (1 Cor 13,5).513 Nostrorum actuum minimus in caritate factus ad omnium profectum repercutitur, in hac mutua necessitudine cum omnibus hominibus, vivis et mortuis, quae in sanctorum communione fundatur. Omne peccatum huic nocet communioni. II. Communio inter Ecclesiam caelestem et terrestrem

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A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A comunhão entre a Igreja do céu e a da terra

§ 954
Os três estados da Igreja. «Até que o Senhor venha na sua majestade e todos os seus anjos com Ele e, vencida a morte, tudo Lhe seja submetido, dos seus discípulos uns peregrinam na terra, outros, passada esta vida, são purificados, e outros, finalmente, são glorificados e contemplam "claramente Deus trino e uno, como Ele é"» (513):

«Todos, porém, comungamos, embora de modo e grau diversos, no mesmo amor de Deus e do próximo, e todos entoamos ao nosso Deus o mesmo hino de glória. Com efeito, todos os que são de Cristo e têm o seu Espírito, formam uma só Igreja e n'Ele estão unidos uns aos outros») (514).

Tres Ecclesiae status. « Donec ergo Dominus venerit in maiestate Sua et omnes angeli cum Eo et, destructa morte, Illi subiecta fuerint omnia, alii e discipulis Eius in terris peregrinantur, alii hac vita functi purificantur, alii vero glorificantur intuentes "clare Ipsum Deum trinum et unum, sicuti est" »:514

« Omnes tamen, gradu quidem modoque diverso, in eadem Dei et proximi caritate communicamus et eundem hymnum gloriae Deo nostro canimus. Universi enim qui Christi sunt, Spiritum Eius habentes, in unam Ecclesiam coalescunt et invicem cohaerent in Ipso ».515

§ 955
«E assim, de modo nenhum se interrompe a união dos que ainda caminham sobre a terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo: mas antes, segundo a constante fé da Igreja, essa união é reforçada pela comunicação dos bens espirituais» (515).
« Viatorum igitur unio cum fratribus qui in pace Christi dormierunt, minime intermittitur, immo secundum perennem Ecclesiae fidem, spiritualium bonorum communicatione roboratur ».516
§ 956
A intercessão dos santos. «Os bem-aventurados, estando mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a Igreja na santidade [...]. Eles não cessam de interceder a nosso favor, diante do Pai, apresentando os méritos que na terra alcançaram, graças ao Mediador único entre Deus e os homens, Jesus Cristo [...]. A nossa fraqueza é assim grandemente ajudada pela sua solicitude fraterna» (516):

«Não choreis, que eu vos serei mais útil depois da morte e vos ajudarei mais eficazmente que durante a vida» (517).

«Quero passar o meu céu a fazer o bem sobre a terra» (518)

Sanctorum intercessio: « Ex eo enim quod coelites intimius cum Christo uniuntur, totam Ecclesiam in sanctitatem firmius consolidant [...]. Non desinunt apud Patrem pro nobis intercedere, exhibentes merita quae per unum mediatorem Dei et hominum, Christum Iesum in terris sunt adepti. [...] Eorum proinde fraterna sollicitudine infirmitas nostra plurimum iuvatur »:517

« Nolite plorare, quia ego utilior ero vobis ad locum, ad quem vado, quam hic fuerim ».518
« In meo degere volo caelo, bonum faciens in terra ».519

§ 957
A comunhão com os santos. «Não é só por causa do seu exemplo que veneramos a memória dos bem-aventurados, mas ainda mais para que a união de toda a Igreja no Espírito aumente com o exercício da caridade fraterna. Pois, assim como a comunhão cristã entre os cristãos ainda peregrinos nos aproxima mais de Cristo, assim também a comunhão com os santos nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e Cabeça, toda a graça e a própria vida do povo de Deus» (519).

«A Cristo, nós O adoramos, porque Ele é o Filho de Deus; quanto aos mártires, nós os amamos como a discípulos e imitadores do Senhor: e isso é justo, por causa da sua devoção incomparável para com o seu Rei e Mestre. Assim nós possamos também ser seus companheiros e condiscípulos!» (520).

Communio cum sanctis. « Nec tamen solius exempli titulo coelitum memoriam colimus, sed magis adhuc ut totius Ecclesiae unio in Spiritu roboretur per fraternae caritatis exercitium. Nam sicut christiana inter viatores communio propinquius nos ad Christum adducit, ita consortium cum sanctis nos Christo coniungit, a quo tamquam a fonte et capite omnis gratia et ipsius populi Dei vita promanat »:520

« Illum [Christum] enim, utpote Filium Dei, adoramus; martyres vero tamquam Domini discipulos et imitatores merito diligimus propter eximiam ipsorum erga Regem ac Magistrum suum benevolentiam; quorum utinam et nos fiamus consortes ac condiscipuli ».521

§ 958
A comunhão com os defuntos. «Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam venerou, com muita piedade, desde os primeiros tempos do cristianismo, a memória dos defuntos; e, "porque é um pensamento santo e salutar rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados" (2 Mac 12, 46), por eles ofereceu também sufrágios» (521). A nossa oração por eles pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a sua intercessão em nosso favor.
Cum defunctis communio: « Hanc communionem totius Iesu Christi mystici corporis apprime agnoscens, Ecclesia viatorum inde a primaevis christianae religionis temporibus, defunctorum memoriam magna cum pietate excoluit et, quia "sancta et salubris est cogitatio pro defunctis exorare, ut a peccatis solvantur" (2 Mac 12,46), etiam suffragia pro illis obtulit ».522 Nostra pro eis oratio non solum eos potest iuvare, sed etiam eorum intercessionem pro nobis efficacem facere.
§ 959
Na única família de Deus. «Todos os que somos filhos de Deus e formamos em Cristo uma família, ao comunicarmos uns com os outros na caridade mútua e no comum louvor da Santíssima Trindade, correspondemos à íntima vocação da Igreja» (522).Resumindo:
In una Dei familia. « Omnes qui filii Dei sumus et unam familiam in Christo constituimus, dum in mutua caritate et una Sanctissimae Trinitatis laude invicem communicamus, intimae Ecclesiae vocationi correspondemus ».523 Compendium

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 960
A Igreja é «comunhão dos santos»: esta expressão designa, em primeiro lugar, as «coisas santas» (sancta) e, antes de mais, a Eucaristia, pela qual «é representada e se realiza a unidade dos fiéis que constituem um só Corpo em Cristo» (523).
Ecclesia est « sanctorum communio »: haec expressio imprimis « res sanctas » (sancta) denotat et maxime Eucharistiam, per quam « repraesentatur et efficitur unitas fidelium, qui unum corpus in Christo constituunt ».524
§ 961
Este termo também designa a comunhão das «pessoas santas» (sancti) em Cristo, que «morreu por todos», de modo que o que cada um faz ou sofre por Cristo e em Cristo reverte em proveito de todos.
Haec locutio etiam communionem denotat « personarum sanctarum » (sancti) in Christo qui « pro omnibus mortuus est », ita ut id quod unusquisque in et pro Christo facit vel patitur, ferat fructum pro omnibus.
§ 962
«Nós cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo: dos que peregrinam na terra, dos defuntos que estão levando a cabo a sua purificação e dos bem-aventurados do céu: formam todos uma só Igreja; e cremos que, nesta comunhão, o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre atento às nossas orações» (524).
« Credimus communionem omnium christifidelium, scilicet eorum qui in terris peregrinantur, qui vita functi purificantur et qui caelesti beatitudine perfruuntur, universosque in unam Ecclesiam coalescere; ac pariter credimus in hac communione praesto nobis esse misericordem Dei Eiusque sanctorum amorem, qui semper precibus nostris pronas aures praebent ».525 (506) Sanctus Nicetas Remesianae, Instructio ad competentes, 5, 3, 23 [Explanatio Symboli, 10]: TPL 1, 119 (PL 52, 871). (507) Sanctus Thomas Aquinas, In Symbolum Apostolorum scilicet « Credo in Deum » expositio, 13: Opera omnia, v. 27 (Parisiis 1875) p. 224. (508) Catechismus Romanus, 1, 10, 24: ed.P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 119. (509) Catechismus Romanus, 1, 10, 24: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 119. (510) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 12: AAS 57 (1965) 16.(511) Catechismus Romanus, 1, 10, 27: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 121. (512) Cf Lc 16,1-3. (513) Cf 1 Cor 10,24. (514) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 49: AAS 57 (1965) 54.(515) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 49: AAS 57 (1965) 54-55.(516) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 49: AAS 57 (1965) 55.(517) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 49: AAS 57 (1965) 55.(518) Sanctus Dominicus, moribundus, ad suos fratres: Relatio iuridica 4 (Frater Radulphus de Faventia), 42: Acta sanctorum, Augustus I, p. 636; cf Iordanus de Saxonia, Vita 4, 69: Acta sanctorum, Augustus I, p. 551.(519) Sancta Theresia a Iesu Infante, Verba (17 iulii 1897): Derniers Entretiens (Paris 1971) p. 270. (520) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 50: AAS 57 (1965) 56.(521) Martyrium sancti Polycarpi 17, 3: SC 10bis, 232 (Funk 1, 336). (522) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 50: AAS 57 (1965) 55.(523) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 51: AAS 57 (1965) 58.(524) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.(525) Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 30: AAS 60 (1968) 445.

MARIA – MÃE DE CRISTO MÃE DA IGREJA

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 963
Depois de termos falado do papel da Virgem Maria no mistério de Cristo e do Espírito, é conveniente considerarmos agora o seu lugar no mistério da Igreja. «Efectivamente, a Virgem Maria [...] é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor [...]. Ao mesmo tempo, porém, é verdadeiramente "Mãe dos membros (de Cristo) [...], porque cooperou com o seu amor para que na Igreja nascessem os fiéis, membros daquela Cabeça"» (525). «Maria, [...] Mãe de Cristo e Mãe da Igreja» (526).
Postquam de beatae Virginis munere in mysterio Christi et Spiritus sumus locuti, oportet nunc eius locum in mysterio Ecclesiae considerare. « Virgo enim Maria [...] ut vera Mater Dei ac Redemptoris agnoscitur et honoratur [...], immo "plane Mater membrorum (Christi), [...] quia cooperata est caritate ut fideles in Ecclesia nascerentur, quae illius Capitis membra sunt ».526 « Maria, [...] Mater Christi, Mater etiam [...] Ecclesiae ».527 I. Maternitas Mariae relate ad Ecclesiam Tota suo Filio unita...

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A maternidade de Maria em relação à Igreja

§ 964
O papel de Maria em relação à Igreja é inseparável da sua união com Cristo e decorre dela directamente. «Esta associação de Maria com o Filho na obra da salvação, manifesta-se desde a concepção virginal de Cristo até à sua morte» (527). Mas é particularmente manifesta na hora da sua paixão:

«A Bem-aventurada Virgem avançou na peregrinação de fé, e manteve fielmente a sua união como Filho até à Cruz, junto da qual esteve de pé, não sem um desígnio divino; padeceu acerbamente com o seu Filho único e associou-se com coração de mãe ao seu sacrifício, consentindo amorosamente na imolação da vítima que d'Ela nascera; e, por fim, foi dada por mãe ao discípulo pelo próprio Jesus Cristo, agonizante na Cruz, com estas palavras: "Mulher, eis aí o teu filho" (Jo 19, 26-27)» (528).

Munus Mariae erga Ecclesiam ab eius unione cum Christo est inseparabile, ex ea directe derivatur. « Haec autem Mariae cum Filio in opere salutari coniunctio a tempore virginalis conceptionis Christi ad Eius usque Mortem manifestatur ».528 In hora passionis Eius illa est peculiariter manifesta:

« Beata Virgo in peregrinatione fidei processit, suamque unionem cum Filio fideliter sustinuit usque ad crucem, ubi non sine divino consilio stetit, vehementer cum Unigenito suo condoluit et sacrificio Eius se materno animo sociavit, victimae de se genitae immolationi amanter consentiens; ac demum ab Eodem Christo Iesu in cruce moriente uti mater discipulo, hisce verbis data est: "Mulier, ecce filius tuus" » (cf Io 19,26-27).529

§ 965
Depois da Ascensão do seu Filho, Maria «assistiu com suas orações aos começos da Igreja» (529). E, reunida com os Apóstolos e algumas mulheres, vemos «Maria implorando com as suas orações o dom daquele Espírito, que já na Anunciação a cobrira com a Sua sombra» (530).
Maria, post Ascensionem Filii sui, « primitiis Ecclesiae precibus suis adstitit ».530 Cum Apostolis et quibusdam adunatam mulieribus, « videmus [...] Mariam quoque precibus suis implorantem donum Spiritus, qui in Annuntiatione ipsam iam obumbraverat ».531...etiam in Assumptione sua...

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A maternidade de Maria em relação à Igreja

§ 966
«Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte» (529). A Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:«No teu parto guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste a mundo, ó Mãe de Deus: alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas tuas orações, hás-de livrar as nossas almas da morte» (532).
« Denique Immaculata Virgo, ab omni originalis culpae labe praeservata immunis, expleto terrestris vitae cursu, corpore et anima ad caelestem gloriam assumpta est, ac tamquam universorum Regina a Domino exaltata, ut plenius conformaretur Filio suo, Domino dominantium ac peccati mortisque victori ».532 Sanctae Virginis Assumptio est singularis participatio Resurrectionis Filii sui et anticipatio resurrectionis ceterorum christianorum:« In generatione tua virginitatem servasti, in dormitione tua mundum non dereliquisti, o Dei genetrix: fontem Vitae es adepta, tu, quae Deum concepisti viventem et quae, per preces tuas, nostras animas liberabis a morte ».533 ...ipsa est Mater nostra in ordine gratiae

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A maternidade de Maria em relação à Igreja

§ 967
Pela sua plena adesão à vontade do Pai, à obra redentora do Filho e a todas as moções do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Por isso, ela é «membro eminente e inteiramente singular da Igreja» (533) e constitui mesmo «a realização exemplar»,o typus, da Igreja (534).
Virgo Maria, propter suam plenam adhaesionem voluntati Patris, operi Filii sui redemptivo et omni Spiritus Sancti motioni, est pro Ecclesia exemplar fidei et caritatis. Hac de causa, ipsa est « supereminens prorsusque singulare membrum Ecclesiae »,534 et etiam « exemplarem effectionem », « typum », Ecclesiae constituit.535
§ 968
Mas o seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai ainda mais longe. Ela «cooperou de modo inteiramente singular, com a sua fé, a sua esperança e a sua ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É, por essa razão, nossa Mãe, na ordem da graça» (535).
Sed eius munus erga Ecclesiam et omnem humanitatem ulterius extenditur. Ipsa « operi Salvatoris singulari prorsus modo cooperata est, oboedientia, fide, spe et flagrante caritate, ad vitam animarum supernaturalem restaurandam. Quam ob causam Mater nobis in ordine gratiae exsistit ».536
§ 969
«Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto da Cruz, até à consumação perpétua de todos os eleitos. De facto, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna [...]. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro e medianeira» (536).
« Haec autem in gratiae Oeconomia maternitas Mariae indesinenter perdurat, inde a consensu quem in Annuntiatione fideliter praebuit, quemque sub cruce incunctanter sustinuit, usque ad perpetuam omnium electorum consummationem. In coelis enim assumpta salutiferum hoc munus non deposuit, sed multiplici intercessione sua pergit in aeternae salutis donis nobis conciliandis. [...] Propterea beata Virgo in Ecclesia titulis Advocatae, Auxiliatricis, Adiutricis, Mediatricis invocatur ».537
§ 970
«Mas a função maternal de Maria para com os homens, de modo algum ofusca ou diminui a mediação única de Cristo, mas antes manifesta a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salutar da Virgem santíssima [...] deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia» (537). «Efectivamente, nenhuma criatura pode ser equiparada ao Verbo Encarnado e Redentor; mas, assim como o sacerdócio de Cristo é participado de diversos modos pelos ministros e pelo povo fiel, e assim como a bondade de Deus, sendo uma só, se difunde variamente pelos seres criados, assim também a mediação única do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas, uma cooperação variada, que participa dessa fonte única» (538).
« Mariae autem maternum munus erga homines [...] Christi unicam mediationem nullo modo obscurat nec minuit, sed virtutem eius ostendit. Omnis enim salutaris beatae Virginis influxus [...] ex superabundantia meritorum Christi profluit, Eius mediationi innititur, ab illa omnino dependet, ex eademque totam virtutem haurit ».538 « Nulla enim creatura cum Verbo incarnato ac Redemptore connumerari unquam potest; sed sicut sacerdotium Christi variis modis tum a ministris tum a fideli populo participatur, et sicut una bonitas Dei in creaturis modis diversis realiter diffunditur, ita etiam unica mediatio Redemptoris non excludit, sed suscitat variam apud creaturas participatam ex unico fonte cooperationem ».539 II. Beatae Virginis cultus

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O culto à Santíssima Virgem

§ 971
«Todas as gerações me hão-de proclamar ditosa» (Lc 1, 48): «a piedade da Igreja para com a santíssima Virgem pertence à própria natureza do culto cristão» (539). A santíssima Virgem «é com razão venerada pela Igreja com um culto especial. E, na verdade, a santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de "Mãe de Deus", e sob a sua protecção se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades [...]. Este culto [...], embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta por igual ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente» (540). Encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus (541) e na oração mariana, como o santo rosário, «resumo de todo o Evangelho» (542).
« Beatam me dicent omnes generationes » (Lc 1,48). « Ecclesiae pietas erga beatam Mariam Virginem pertinet ad naturam ipsam christiani cultus ».540 Beata Virgo « speciali cultu ab Ecclesia merito honoratur. Et sane ab antiquissimis temporibus beata Virgo sub titulo "Deiparae" colitur, sub cuius praesidium fideles in cunctis periculis et necessitatibus suis deprecantes confugiunt. [...] Qui cultus [...] singularis omnino quamquam est, essentialiter differt a cultu adorationis, qui Verbo incarnato aeque ac Patri et Spiritui Sancto exhibetur, eidemque potissimum favet »;541 ipse in festivitatibus liturgicis Matri Dei dicatis exprimitur542 et in oratione mariana, sicut est sanctum Rosarium, « totius Evangelii breviarium ».543 III. Maria – icon eschatologica Ecclesiae

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Maria - ícone escatológico da Igreja

§ 972
Depois de termos falado da Igreja, da sua origem, missão e destino, não poderíamos terminar melhor do que voltando a olhar para Maria, a fim de contemplar nela o que a Igreja é no seu mistério, na sua «peregrinação da fé», e o que será na pátria ao terminar a sua caminhada, onde a espera, na «glória da santíssima e indivisa Trindade» e «na comunhão de todos os santos» (543), Aquela que a mesma Igreja venera como Mãe do seu Senhor e como sua própria Mãe:

«Assim como, glorificada já em corpo e alma, a Mãe de Jesus é imagem e início da igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também, brilha na terra como sinal de esperança segura e de consolação, para o povo de Deus ainda peregrino» (544).

Postquam de Ecclesia, de eius origine, de missione eius atque de eius destinatione sumus locuti, melius concludere non possumus quam erga Mariam vertens intuitum ut in illa contemplemur quid Ecclesia in suo mysterio, in sua sit « peregrinatione fidei », et quid ipsa in patria futura sit, in sui itineris fine, ubi eam, « ad gloriam Sanctissimae et individuae Trinitatis », « in omnium sanctorum communione »,544 illa exspectat quam Ecclesia tamquam Matrem Domini sui suamque propriam Matrem veneratur.

« Interim autem Mater Iesu, quemadmodum in caelis corpore et anima iam glorificata, imago et initium est Ecclesiae in futuro saeculo consummandae, ita his in terris, quoadusque advenerit dies Domini, tamquam signum certae spei et solatii peregrinanti populo Dei praelucet ».545

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 973
Ao pronunciar o «Fiat» da Anunciação e dando o seu consentimento ao mistério da Encarnação, Maria colabora desde logo com toda a obra a realizar por seu Filho. Ela é Mãe, onde quer que Ele seja Salvador e Cabeça do Corpo Místico.
Maria, verbum « Fiat » in Annuntiatione pronuntians atque sic mysterio Incarnationis suum donans consensum, iam toti cooperatur operi quod eius Filius adimplere debet. Ipsa est Mater ubicumque Ille Salvator est atque corporis mystici Caput.
§ 974
Terminado o curso da sua vida terrena, a santíssima Virgem Maria foi elevada em corpo e alma para a glória do céu, onde participa já na glória da ressurreição do seu Filho, antecipando a ressurreição de todos os membros do Seu Corpo.
Beatissima Virgo Maria, peracto suae vitae terrestris cursu, corpore et anima in gloriam caelestem assumpta est, ubi ipsa iam Resurrectionis Filii sui participat gloriam, omnium membrorum corporis Eius anticipans resurrectionem.
§ 975
«Nós cremos que a santíssima Mãe de Deus, a nova Eva, a Mãe da Igreja, continua a desempenhar no céu o seu papel maternal para com os membros de Cristo»  (545).
« Credimus sanctissimam Dei Genetricem, novam Hevam, Matrem Ecclesiae, caelitus nunc materno pergere circa Christi membra munere fungi ».546 (526) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 53: AAS 57 (1965) 57-58; cf Sanctus Augustinus, De sancta virginitate 6, 6: CSEL 41, 240 (PL 40, 399). (527) Paulus VI, Allocutio ad Conciliares Patres, tertia exacta Oecumenicae Synodi Sessione (21 novembris 1964): AAS 56 (1964) 1015. (528) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 57: AAS 57 (1965) 61.(529) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 58: AAS 57 (1965) 61-62.(530) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 69: AAS 57 (1965) 66. (531) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 59: AAS 57 (1965) 62.(532) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 59: AAS 57 (1965) 62; cf Pius XII, Const. ap. Munificentissimus Deus (1 novembris 1950): DS 3903.(533) Troparium in die dormitionis beatae Mariae Virginis: Horológion tò mega (Romae 1876) p. 215. (534) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 53: AAS57 (1965) 59.(535) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 63: AAS 57 (1965) 64.(536) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 61: AAS 57 (1965) 63. (537) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 62: AAS 57 (1965) 63.(538) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 60: AAS 57 (1965) 62. (539) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 62: AAS 57 (1965) 63.(540) Paulus VI, Adh. ap. Marialis cultus, 56: AAS 66 (1974) 162. (541) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 66: AAS 57 (1965) 65.(542) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 103: AAS 56 (1964) 125.(543) Paulus VI, Adh. ap. Marialis cultus, 42: AAS 66 (1974) 152-153. (544) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 69: AAS 57 (1965) 66-67.(545) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 68: AAS 57 (1965) 66.(546) Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 15: AAS 60 (1968) 439.

«CREIO NA REMISSÃO DOS PECADOS»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 976
O Símbolo dos Apóstolos liga a fé no perdão dos pecados à fé no Espírito Santo, mas também à fé na Igreja e na comunhão dos santos. Foi ao dar o Espírito Santo aos Apóstolos que Cristo ressuscitado lhes transmitiu o seu próprio poder divino de perdoar os pecados: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos» (Jo 20, 22-23).(A segunda parte do Catecismo tratará expressamente do perdão dos pecados por meio do Baptismo, do sacramento da Penitência e dos outros sacramentos, sobretudo da Eucaristia. Por isso, basta evocar aqui brevemente alguns dados fundamentais).
Symbolum Apostolicum fidem de peccatorum remissione cum fide in Spiritum Sanctum coniungit, sed etiam cum fide de Ecclesia et de sanctorum communione. Christus resuscitatus, Apostolis Suis donans Spiritum Sanctum, eis Suam propriam divinam remittendi peccata contulit potestatem: « Accipite Spiritum Sanctum. Quorum remiseritis peccata, remissa sunt eis; quorum retinueritis, retenta sunt » (Io 20,22-23).(Altera Catechismi pars de peccatorum remissione per Baptismum, per sacramentum Paenitentiae et alia sacramenta, praesertim Eucharistiam aget explicite. Sufficit igitur hic breviter quaedam elementa commemorare fundamentalia). I. Unum Baptisma in remissionem peccatorum

«CREIO NA REMISSÃO DOS PECADOS»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Um só Baptismo para a remissão dos pecados

§ 977
Nosso Senhor ligou o perdão dos pecados à fé e ao Baptismo: «Ide por todo o mundo e proclamai a Boa-Nova a todas as criaturas. Quem acreditar e for baptizado será salvo» (Mc 16, 15-16). O Baptismo é o primeiro e principal sacramento do perdão dos pecados, porque nos une a Cristo, que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação (546), a fim de que «também nós vivamos numa vida nova» (Rm 6, 4).
Dominus noster remissionem peccatorum ad fidem et Baptismum alligavit: « Euntes in mundum universum praedicate Evangelium omni creaturae. Qui crediderit et baptizatus fuerit, salvus erit » (Mc 16,15-16). Baptismus est primum et praecipuum sacramentum remissionis peccatorum, quia ipse nos cum Christo coniungit mortuo propter nostra peccata et resuscitato propter nostram iustificationem,547 ut « in novitate vitae ambulemus » (Rom 6,4).
§ 978
«No momento em que fazemos a nossa primeira profissão de fé, ao receber o santo Baptismo que nos purifica, o perdão que recebemos é tão pleno e total que não fica absolutamente nada por apagar, quer da falta original, quer das faltas cometidas de própria vontade por acção ou omissão; nem qualquer pena a suportar para as expiar [...]. Mas apesar disso, a graça do Baptismo não isenta ninguém de nenhuma das enfermidades da natureza. Pelo contrário, resta-nos ainda combater os movimentos da concupiscência, que não cessam de nos arrastar para o mal» (547).
« Venia, cum primum fidem profitentes sacro baptismo abluimur, adeo cumulate nobis datur, ut nihil aut culpae delendum, sive ea origine contracta, sive quid propria voluntate omissum vel commissum sit, aut poenae persolvendum relinquatur. Verum per baptismi gratiam nemo tamen ab omni naturae infirmitate liberatur: quin potius, [...] unicuique adversus concupiscentiae motus, quae nos ad peccata incitare non desinit, pugnandum » est.548
§ 979
Neste combate contra a inclinação para o mal, quem seria suficientemente forte e vigilante para evitar todas as feridas do pecado? «Portanto, se era necessário que a Igreja tivesse o poder de perdoar os pecados, era também necessário que o Baptismo não fosse para ela o único meio de se servir destas chaves do Reino dos céus que tinha recebido de Jesus Cristo; era necessário que fosse capaz de perdoar as faltas a todos os penitentes que tivessem pecado, até mesmo ao último dia da sua vida» (548).
Quis, in hoc proelio cum inclinatione ad malum, sat esset strenuus et vigilans ad omne vulnus peccati vitandum? « Cum igitur necesse fuerit in Ecclesia potestatem esse peccata remittendi alia etiam ratione quam baptismi sacramento, claves regni caelorum illi concreditae sunt, quibus possint unicuique paenitenti, etiam si usque ad extremum vitae diem peccasset, delicta condonari ».549
§ 980
É pelo sacramento da Penitência que o baptizado pode ser reconciliado com Deus e com a Igreja:

«Os Santos Padres tiveram razão quando chamaram à Penitência um "baptismo laborioso" (549). Este sacramento da Penitência é necessário para a salvação daqueles que caíram depois do Baptismo, tal como o próprio Baptismo o é para os que ainda não foram regenerados» (550).

Per Paenitentiae sacramentum, baptizatus potest cum Deo et cum Ecclesia reconciliari:

« Merito Paenitentia "laboriosus quidam Baptismus"550 a sanctis Patribus dictus [...] [est]. Est autem hoc sacramentum Paenitentiae lapsis post Baptismum ad salutem necessarium, ut nondum regeneratis ipse Baptismus ».551

«CREIO NA REMISSÃO DOS PECADOS»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O poder das chaves

§ 981
Depois da ressurreição, Cristo enviou os seus Apóstolos «a anunciar a todos os povos o arrependimento em seu nome, com vista à remissão dos pecados» (Lc 24, 47). Este «ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18), não o cumprem os Apóstolos e os seus sucessores somente anunciando aos homens o perdão de Deus que nos foi merecido por Jesus Cristo, e chamando-os à conversão e à fé; mas também comunicando-lhes a remissão dos pecados pelo Baptismo e reconciliando-os com Deus e com a Igreja, graças ao poder das chaves recebido de Cristo:

A Igreja «recebeu as chaves do Reino dos céus, para que nela se faça a remissão dos pecados pelo Sangue de Cristo e a acção do Espírito Santo. É nesta Igreja que a alma, morta pelos pecados, recupera a vida para viver com Cristo, cuja graça nos salvou» (551).

Christus, post Resurrectionem Suam, Suos misit Apostolos ut praedicarent « in nomine Eius paenitentiam in remissionem peccatorum in omnes gentes » (Lc 24,47). Apostoli eorumque successores hoc « ministerium reconciliationis » (2 Cor 5,18) adimplent non solum hominibus remissionem a Deo annuntiantes, quam nobis Christus meruit, eosque ad conversionem et ad fidem vocantes, sed etiam eis remissionem peccatorum per Baptismum communicantes eosque cum Deo et cum Ecclesia reconciliantes virtute potestatis clavium a Christo receptae:

Ecclesia « claves accipit Regni caelorum, ut in illa per sanguinem Christi, operante Spiritu Sancto, fiat remissio peccatorum. In hac Ecclesia revivescit anima, quae mortua fuerat peccatis, ut convivificetur Christo, cuius gratia sumus salvi facti ».552

§ 982
Não há nenhuma falta, por mais grave que seja, que a santa Igreja não possa perdoar. «Nem há pessoa, por muito má e culpável que seja, a quem não deva ser proposta a esperança certa do perdão, desde que se arrependa verdadeiramente dos seus erros» (552). Cristo, que morreu por todos os homens, quer que na sua Igreja as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que se afastar do pecado (553).
Nulla habetur culpa, cuiuslibet sit gravitatis, quam sancta Ecclesia remittere non possit. « Nemo adeo improbus et scelestus fuerit, quem si erratorum suorum vere paeniteat, certa ei veniae spes proposita esse non debeat ».553 Christus, qui pro omnibus hominibus mortuus est, vult ianuas remissionis in Ecclesia Sua semper apertas esse cuicumque qui redeat e peccato.554
§ 983
A catequese deve esforçar-se por despertar e alimentar, entre os fiéis, a fé na grandeza incomparável do dom que Cristo ressuscitado fez à sua Igreja: a missão e o poder de verdadeiramente perdoar os pecados, pelo ministério dos Apóstolos e seus sucessores:

«O Senhor quer que os seus discípulos tenham um poder imenso: Ele quer que os seus pobres servidores façam, em seu nome, tudo quanto Ele fazia quando vivia na terra» (554).

«Os sacerdotes receberam um poder que Deus não deu nem aos anjos nem aos arcanjos. [...] Deus sanciona lá em cima tudo o que os sacerdotes fazem cá em baixo» (555).

«Se na Igreja não houvesse a remissão dos pecados, nada havia a esperar, não existiria qualquer esperança duma vida eterna, duma libertação eterna. Dêmos graças a Deus, que deu à sua Igreja um tal dom» (556).

Catechesis nitetur ut in fidelibus fidem de incomparabili magnitudine doni a Domino resuscitato Eius Ecclesiae facti suscitet atque nutriat: missionis et potestatis peccata per Apostolorum eorumque successorum ministerium vere remittendi.

« Vult Dominus plurimum posse discipulos Suos, vult a servulis Suis ea fieri in nomine Suo, quae faciebat Ipse positus in terris ».555

« Potestatemque acceperunt [sacerdotes], quam neque angelis neque archangelis dedit Deus. [...] Ac quaecumque inferne sacerdotes faciunt eadem Deus superne confirmat ». 556

Remissio peccatorum « in Ecclesia si non esset, nulla spes esset: remissio peccatorum si in Ecclesia non esset, nulla futurae vitae et liberationis aeternae spes esset. Gratias agimus Deo, qui Ecclesiae Suae dedit hoc donum ». 557

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 984
O Credo relaciona «o perdão dos pecados» com a profissão de fé no Espírito Santo. De facto, Cristo ressuscitado confiou aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, quando lhes deu o Espírito Santo.
Symbolum « remissionem peccatorum » cum Professione fidei in Spiritum Sanctum coniungit. Christus etenim resuscitatus potestatem remittendi peccata concredidit Apostolis, cum eis Spiritum Sanctum donavit.
§ 985
O Baptismo é o primeiro e principal sacramento para o perdão dos pecados: une-nos a Cristo morto e ressuscitado e dá-nos o Espírito Santo.
Baptismus primum est et praecipuum sacramentum pro remissione peccatorum: ipse nos cum Christo coniungit mortuo et resuscitato nobisque Spiritum Sanctum donat.
§ 986
Por vontade de Cristo, a Igreja possui o poder de perdoar os pecados dos baptizados e exerce-o através dos bispos e dos presbíteros, de modo habitual no sacramento da Penitência.
Ex Christi voluntate, Ecclesia remittendi baptizatis peccata possidet potestatem quam, modo habituali, per Episcopos et presbyteros exercet in sacramento Paenitentiae.
§ 987
«Na remissão dos pecados, os sacerdotes e os sacramentos são instrumentos mediante os quais nosso Senhor Jesus Cristo, único autor e dispensador da salvação, nos concede a remissão dos pecados e a graça da justificação» (557).
« Tum sacerdotes tum sacramenta ad peccata condonanda veluti instrumenta [...] [valent], quibus Christus Dominus, auctor Ipse et largitor salutis, remissionem peccatorum et iustitiam in nobis efficit ». 558 (547) Cf Rom 4,25. (548) Catechismus Romanus, 1, 11, 3: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 123. (549) Catechismus Romanus, 1, 11, 4: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 123. (550) Cf Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 39, 17: SC 358, 188 (PG 36, 356).(551) Concilium Tridentinum, Sess. 14a, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 2: DS 1672.(552) Sanctus Augustinus, Sermo 214, 11: ed. P. Verbraken: Revue Bénédictine 72 (1962) 21 (PL 38, 1071-1072). (553) Catechismus Romanus, 1, 11, 5: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 124. (554) Cf Mt 18,21-22. (555) Sanctus Ambrosius, De Paenitentia, 1, 8, 34: CSEL 73, 135-136 (PL 16, 476-477). (556) Sanctus Ioannes Chrysostomus, De sacerdotio, 3, 5: SC 272, 148 (PG 48, 643).(557) Sanctus Augustinus, Sermo 213, 8, 8: ed. G. Morin, Sancti Augustini sermones post Maurinos reperti [Guelferbytanus 1, 9] (Romae 1930) p. 448 (PL 38, 1064). (558) Catechismus Romanus, 1, 11, 6: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 124-125.

«CREIO NA RESSURREIÇÃO DA CARNE»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 988
O Credo cristão — profissão da nossa fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e na sua acção criadora, salvadora e santificadora — culmina na proclamação da ressurreição dos mortos no fim dos tempos, e na vida eterna.
Symbolum christianum — Professio nostrae fidei in Deum Patrem, Filium et Spiritum Sanctum atque de Eius actione creatrici, salvatrici et sanctificanti — ad culmen pervenit in proclamatione resurrectionis mortuorum in fine temporum atque vitae aeternae.
§ 989
Nós cremos e esperamos firmemente que, tal como Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também os justos, depois da morte, viverão para sempre com Cristo ressuscitado, e que Ele os ressuscitará no último dia (558). Tal como a d'Ele, também a nossa ressurreição será obra da Santíssima Trindade:

«Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós» (Rm 8, 11) (559).

Firmiter credimus atque adeo speramus: sicut Christus vere a mortuis resurrexit atque in aeternum vivit, ita etiam iusti post mortem suam in aeternum cum Christo vivent resuscitato qui eos ultimo die resuscitabit. 559 Nostra resurrectio, sicut illa Eius, opus erit Sanctissimae Trinitatis:

« Quod si Spiritus Eius, qui suscitavit Iesum a mortuis, habitat in vobis, qui suscitavit Christum a mortuis, vivificabit et mortalia corpora vestra per inhabitantem Spiritum Suum in vobis » (Rom 8,11). 560

« Quod si Spiritus Eius, qui suscitavit Iesum a mortuis, habitat in vobis, qui suscitavit Christum a mortuis, vivificabit et mortalia corpora vestra per inhabitantem Spiritum Suum in vobis » (Rom 8,11). 560
§ 990
A palavra «carne» designa o homem na sua condição de fraqueza e mortalidade (560) «Ressurreição da carne» significa que, depois da morte, não haverá somente a vida da alma imortal, mas também os nossos «corpos mortais» (Rm 8, 11) retomarão a vida.
Verbum « caro » hominem denotat in eius condicione debilitatis et mortalitatis. 561 « Carnis resurrectio » significat post mortem non solum vitam animae haberi immortalis, sed etiam nostra « mortalia corpora » (Rom 8,11) vitam esse iterum assumptura.
§ 991
Crer na ressurreição dos mortos foi, desde o princípio, um elemento essencial da fé cristã. «A ressurreição dos mortos é a fé dos cristãos: é por crer nela que somos cristãos» (561):«Como é que alguns de entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé. [...] Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (1 Cor 15, 12-14, 20).
Credere mortuorum resurrectionem elementum fuit essentiale fidei christianae inde ab eius initiis. « Fiducia christianorum resurrectio mortuorum. Illam credentes sumus »: 562

« Quomodo quidam dicunt in vobis quoniam resurrectio mortuorum non est? Si autem resurrectio mortuorum non est, neque Christus suscitatus est! Si autem Christus non suscitatus est, inanis est ergo praedicatio nostra, inanis est et fides vestra [...]. Nunc autem Christus resurrexit a mortuis, primitiae dormientium » (1 Cor 15,12-14.20).

« Quomodo quidam dicunt in vobis quoniam resurrectio mortuorum non est? Si autem resurrectio mortuorum non est, neque Christus suscitatus est! Si autem Christus non suscitatus est, inanis est ergo praedicatio nostra, inanis est et fides vestra [...]. Nunc autem Christus resurrexit a mortuis, primitiae dormientium » (1 Cor 15,12-14.20).I. Resurrectio Christi et nostraProgressiva Resurrectionis revelatio

REVELAÇÃO PROGRESSIVA DA RESSURREIÇÃO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A ressurreição de Cristo e a nossa ressurreição

§ 992
A ressurreição dos mortos foi revelada progressivamente por Deus ao seu povo. A esperança na ressurreição corporal dos mortos impôs-se como consequência intrínseca da fé num Deus criador do homem todo, alma e corpo. O Criador do céu e da terra é também Aquele que mantém fielmente a sua aliança com Abraão e a sua descendência. É nesta dupla perspectiva que começará a exprimir-se a fé na ressurreição. Nas suas provações, os mártires Macabeus confessam:

«O Rei do universo ressuscitar-nos-á para uma vida eterna, a nós que morremos pelas suas leis» (2 Mac 7, 9). «É preferível morrermos às mãos dos homens e termos a esperança em Deus de que havemos de ser ressuscitados por Ele» (2 Mac 7, 14) (562).

Resurrectio mortuorum progressive a Deo est populo Eius revelata. Spes in corporalem mortuorum resurrectionem praevaluit tamquam intrinseca consequentia fidei in Deum totius hominis, animae et corporis, Creatorem. Caeli et terrae Creator est etiam Ille qui Foedus Suum cum Abraham et eius progenie fideliter servat. In hoc duplici prospectu fides resurrectionis incipiet exprimi. Martyres Maccabaei in suis profitentur probationibus:

« Rex mundi defunctos nos pro Suis legibus in aeternam vitae resurrectionem suscitabit » (2 Mac 7,9). « Potius est ab hominibus morti datos spem exspectare a Deo iterum ab Ipso resuscitandos » (2 Mac 7,14). 563

§ 993
Os fariseus (563) e muitos contemporâneos do Senhor (564) esperavam a ressurreição. Jesus ensina-a firmemente. E aos saduceus, que a negavam, responde: «Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?» (Mc 12, 24). A fé na ressurreição assenta na fé em Deus, que «não é um Deus de mortos, mas de vivos» (Mc 12, 27).
Pharisaei 564 et plures Domini coaetanei 565 resurrectionem exspectabant. Iesus illam firmiter docet. Sadducaeis qui eam negant, respondet: « Non ideo erratis, quia non scitis Scripturas neque virtutem Dei? » (Mc 12,24). Resurrectionis fides nititur fidei in Deum qui « non est Deus mortuorum sed vivorum » (Mc 12,27).
§ 994
Mas há mais: Jesus liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa: «Eu sou a Ressurreição e a Vida» (Jo 11, 25). É o próprio Jesus que, no último dia, há-de ressuscitar os que n'Ele tiverem acreditado (565), comido o seu Corpo e bebido o seu Sangue (566) Desde logo, Ele dá um sinal disto mesmo e uma garantia, restituindo a vida a alguns mortos (567) e preanunciando assim a sua própria ressurreição que, no entanto, será de ordem diferente. Jesus fala deste acontecimento único como do «sinal de Jonas» (568), do sinal do templo (569); Ele anuncia a sua ressurreição ao terceiro dia depois da morte (570).
Immo vero: Iesus fidem resurrectionis cum Sua propria coniungit Persona: « Ego sum Resurrectio et Vita » (Io 11,25). Ipse Iesus novissimo die resuscitabit illos qui in Eum crediderint 566 et qui Eius maducaverint corpus Eiusque biberint sanguinem. 567 Iam nunc signum praebet et pignus quibusdam mortuis vitam reddens, 568 Suam sic propriam annuntians Resurrectionem quae tamen alius erit ordinis. De hoc eventu unico loquitur tamquam de signo Ionae, 569 tamquam de signo Templi: 570 Ipse Resurrectionem Suam die tertia post Suam interfectionem annuntiat esse eventuram. 571
§ 995
Ser testemunha de Cristo é ser «testemunha da sua ressurreição» (Act 1, 22) (571), é «ter comido e bebido com Ele depois da sua ressurreição dos mortos» (Act 10, 41). A esperança cristã na ressurreição é toda marcada pelos encontros com Cristo ressuscitado. Nós ressuscitaremos como Ele, com Ele e por Ele.
Christi esse testem est « testem Resurrectionis Eius » (Act 1,22) 572 esse, manducavisse et bibisse « cum Illo postquam resurrexit a mortuis » (Act 10,41). Spes christiana resurrectionis est prorsus signata occursibus cum Christo resuscitato. Resurgemus sicut Ipse, cum Ipso, per Ipsum.
§ 996
Desde o princípio, a fé cristã na ressurreição deparou com incompreensões e oposições (572). «Não há ponto em que a fé cristã encontre mais contradição do que o da ressurreição da carne» (573). É bastante comum a aceitação de que, depois da morte, a vida da pessoa humana continua de modo espiritual. Mas como acreditar que este corpo, tão manifestamente mortal, possa ressuscitar para a vida eterna?
Inde ab initio, fides christiana resurrectionis incomprehensionibus occurrit et oppositionibus. 573 « In nulla ergo re tam vehementer, tam pertinaciter, tam obnixe et contentiose contradicitur fidei christianae, sicut de carnis resurrectione ». 574 Valde communiter accipitur vitam personae humanae, post mortem, modo prosequi spirituali. Sed quomodo crederetur hoc corpus tam manifeste mortale ad vitam posse resurgere aeternam?Quomodo resurgunt mortui?

COMO É QUE OS MORTOS RESSUSCITAM?

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A ressurreição de Cristo e a nossa ressurreição

§ 997
O que é ressuscitar? Na morte, separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, enquanto a sua alma vai ao encontro de Deus, embora ficando à espera de se reunir ao seu corpo glorificado. Deus, na sua omnipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível aos nossos corpos, unindo-os às nossas almas pela virtude da ressurreição de Jesus.
Quid est « resurgere »? In morte, animae et corporis separatione, corpus hominis in corruptionem decidit, dum eius anima in Dei occursum procedit, manens tamen in exspectatione corpori suo glorificato sese coniungendi. Deus, omnipotentia Sua, definitive vitam incorruptibilem nostris reddet corporibus, ea, resurrectionis Iesu virtute, nostris animabus coniungens.
§ 998
Quem ressuscitará? Todos os homens que tiverem morrido: «Os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 29) (574).
Quis resurget? Omnes homines qui mortui sunt: « Procedent, qui bona fecerunt, in resurrectionem vitae, qui vero mala egerunt, in resurrectionem iudicii » (Io 5,29). 575
§ 999
Como? Cristo ressuscitou com o seu próprio corpo: «Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo» (Lc 24, 39); mas não regressou a uma vida terrena. De igual modo, n'Ele «todos ressuscitarão com o seu próprio corpo, com o corpo que agora têm» (575), mas esse corpo será «transformado em corpo glorioso»  (576) em «corpo espiritual» (1 Cor 15, 44):

«Alguém poderia perguntar: "Como ressuscitam os mortos? Com que espécie de corpo voltam eles?" Insensato! O que tu semeias não volta à vida sem morrer. E o que semeias não é o corpo que há-de vir, é um simples grão [...]. O que é semeado sujeito à corrupção ressuscita incorruptível; [...] os mortos ressuscitarão incorruptíveis [...]. É, de facto, necessário que este ser corruptível se revista de incorruptibilidade, que este ser mortal se revista de imortalidade» (1 Cor 15, 35-37. 42. 52-53).

Quomodo? Christus cum proprio Suo corpore surrexit: « Videte manus meas et pedes meos, quia ipse ego sum! » (Lc 24,39); sed Ipse ad vitam non rediit terrestrem. Pari modo, in Eo « omnes cum suis propriis resurgent corporibus, quae nunc gestant », 576 sed hoc corpus transfigurabitur in corpus gloriae, 577 in « corpus spiritale » (1 Cor 15,44):

« Sed dicet aliquis: "Quomodo resurgunt mortui? Quali autem corpore veniunt?" Insipiens! Tu, quod seminas, non vivificatur, nisi prius moriatur; et quod seminas, non corpus, quod futurum est, seminas, sed nudum granum [...]. Seminatur in corruptione, resurgit in incorruptione; [...] mortui suscitabuntur incorrupti [...]. Oportet enim corruptibile hoc induere incorruptelam, et mortale induere immortalitatem » (1 Cor 15,35-37.42.52-53).

§ 1000
Este «como» ultrapassa a nossa imaginação e o nosso entendimento; só na fé se torna acessível. Mas a nossa participação na Eucaristia dá-nos já um antegozo da transfiguração do nosso corpo, operada por Cristo:

«Assim como, depois de ter recebido a invocação de Deus, o pão que vem da terra deixa de ser pão ordinário e é Eucaristia, constituída por duas coisas, uma terrena, outra celeste, do mesmo modo os nossos corpos, que participam na Eucaristia, já não são corruptíveis, pois têm a esperança da ressurreição» (577).

Hic « modus quo resurrectio fiet », nostram imaginationem nostrumque superat intellectum; ipse solum in fide est accessibilis. Sed nostra in Eucharistia participatio iam nobis praelibationem praebet transfigurationis nostri corporis per Christum:

« Quemadmodum enim qui est a terra panis, percipiens invocationem Dei, iam non communis panis est, sed Eucharistia ex duabus rebus constans, terrena et caelesti: sic et corpora nostra percipientia Eucharistiam iam non sunt corruptibilia, spem resurrectionis habentia ». 578

§ 1001
Quando? Definitivamente o no último dia» (Jo 6, 39-40.44.54; 11, 24), «no fim do mundo» (578). Com efeito, a ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo:

«Ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro» (1 Ts 4, 16).

Quando? Modo definitivo, « in novissimo die » (Io 6,39-40. 44.54; 11,24); « in fine mundi ». 579 Resurrectio etenim mortuorum intime cum Parusia Christi connectitur:

« Quoniam Ipse Dominus in iussu, in voce archangeli et in tuba Dei descendet de caelo, et mortui, qui in Christo sunt, resurgent primi » (1 Thess 4,16).

RESSUSCITADOS COM CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A ressurreição de Cristo e a nossa ressurreição

§ 1002
Se é verdade que Cristo nos há-de ressuscitar «no último dia», também é verdade que, de certo modo, nós já ressuscitámos com Cristo. De facto, braças ao Espírito Santo, a vida cristã é desde já, na terra, uma participação na morte e ressurreição de Cristo:

«Pelo Baptismo fostes sepultados com Cristo e também ressuscitastes com Ele, devido à fé que tivestes na força de Deus, que O ressuscitou dos mortos [...]. Uma vez que ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do Alto, onde Cristo Se encontra sentado à direita de Deus» (Cl 2, 12; 3, 1).

Si verum est Christum nos « in novissimo die » esse resuscitaturum, etiam est verum nos iam quodammodo cum Christo esse resuscitatos. Revera, vita christiana, propter Spiritum Sanctum, est, iam in terris, participatio in morte et resurrectione Christi:

« Consepulti Ei in Baptismo, in quo et conresuscitati estis per fidem operationis Dei, qui suscitavit Illum a mortuis [...]. Igitur si conresurrexistis cum Christo, quae sursum sunt quaerite, ubi Christus est in dextera Dei sedens » (Col 2,12; 3,1).

§ 1003
Unidos a Cristo pelo Baptismo, os crentes participam já realmente na vida celeste de Cristo ressuscitado (579). Mas esta vida continua «escondida com Cristo em Deus» (Cl 3, 3). «Ele próprio nos ressuscitou e nos fez sentar nos céus, em Cristo Jesus» (Ef 2, 6). Alimentados pelo seu Corpo na Eucaristia, nós pertencemos já ao Corpo de Cristo. Quando ressuscitarmos no último dia, havemos também de nos «manifestar com Ele na glória» (Cl 3, 4).
Credentes, Christo per Baptismum coniuncti, realiter vitam caelestem Christi resuscitati iam participant, 580 sed haec vita permanet « abscondita [...] cum Christo in Deo » (Col 3,3). Ipse nos « et conresuscitavit et consedere fecit in caelestibus in Christo Iesu » (Eph 2,6). Corpore Christi in Eucharistia nutriti, iam ad Eius corpus pertinemus. Cum in novissimo resurgemus die, « tunc et » nos apparebimus « cum Ipso in gloria » (Col 3,4).
§ 1004
À espera desse dia, o corpo e a alma do crente participam já na dignidade de ser «em Cristo». Daí a exigência do respeito para com o próprio corpo e também para com o corpo de outrem, particularmente quando sofre:

«O corpo [...] é para o Senhor. E o Senhor é para o corpo. E Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos há-de ressuscitar a nós pelo seu poder. Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? [...] Não sabeis que não pertenceis a vós próprios? [...]. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo» (1 Cor 6, 13-15. 19-20).

In huius diei exspectatione, corpus et anima credentis iam dignitatem participant essendi « in Christo »; unde exigentia observantiae erga proprium corpus, sed etiam erga corpus alius, praesertim cum patitur:

« Corpus autem [...] Domino, et Dominus corpori; Deus vero et Dominum suscitavit et nos suscitabit per virtutem Suam. Nescitis quoniam corpora vestra membra Christi sunt? [...] Non estis vestri. [...] Glorificate ergo Deum in corpore vestro » (1 Cor 6,13-15.19-20).

RESSUSCITADOS COM CRISTO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Morrer em Cristo Jesus

§ 1005
Para ressuscitar com Cristo, temos de morrer com Cristo, temos «de nos exilar do corpo para habitarmos junto do Senhor» (2 Cor 5, 8). Nesta «partida» (580) que é a morte, a alma é separada do corpo. Voltará a juntar-se-lhe no dia da ressurreição dos mortos (581).
Ad resurgendum cum Christo oportet cum Christo mori, oportet « peregrinari a corpore et praesentes esse ad Dominum » (2 Cor 5,8). In profectione, 581 quae est mors, anima a corpore separatur. Ea corpori suo iterum coniungetur resurrectionis mortuorum die. 582 Mors

A MORTE

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Morrer em Cristo Jesus

§ 1006
«É em face da morte que o enigma da condição humana mais se adensa» (582). Num certo sentido, a morte do corpo é natural: mas sabemos pela fé que a morte é, de facto, «salário do pecado» (Rm 6, 23) (583). E para aqueles que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar na sua ressurreição (584).
« Coram morte aenigma condicionis humanae maximum evadit ». 583 Quodam sensu, corporalis mors est naturalis, sed pro fide, de facto, « stipendia [...] peccati mors » (Rom 6,23) est. 584 Et pro illis qui in gratia moriuntur Christi, ipsa participatio est in morte Domini, ut illi in Eius resurrectione etiam possint participare. 585
§ 1007
A morte é o termo da vida terrena. As nossas vidas são medidas pelo tempo no decurso do qual nós mudamos e envelhecemos. E como acontece com todos os seres vivos da terra, a morte surge como o fim normal da vida. Este aspecto da morte confere uma urgência às nossas vidas: a lembrança da nossa condição de mortais também serve para nos lembrar de que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida:

«Lembra-te do teu Criador nos dias da mocidade [...], antes que o pó regresse à terra, donde veio, e o espírito volte para Deus que o concedeu» (Ecl 12, 1.7).

Mors terminus est vitae terrestris. Vitae nostrae mensurantur a tempore, in cuius cursu mutamur, senescimus et, sicut apud omnia entia terrae viventia, mors tamquam finis normalis apparet vitae. Haec mortis ratio nostris vitis urgentiam praebet: mortalitatis nostrae recordatio etiam inservit ut nobis in memoriam revocet nos tempus habere limitatum ad vitam nostram deducendam in rem:

« Memento Creatoris tui in diebus iuventutis tuae, antequam [...] revertatur pulvis in terram suam, unde erat, et spiritus redeat ad Deum, qui dedit illum » (Eccle 12,1.7).

§ 1008
A morte é consequência do pecado. Intérprete autêntico das afirmações da Sagrada Escritura (585) e da Tradição, o Magistério da Igreja ensina que a morte entrou no mundo por causa do pecado do homem (586). Embora o homem possuísse uma natureza mortal. Deus destinava-o a não morrer. A morte foi, portanto, contrária aos desígnios de Deus Criador e entrou no mundo como consequência do pecado (587). «A morte corporal, de que o homem estaria isento se não tivesse pecado» (588), é, pois, «o último inimigo» (1 Cor 15, 26) do homem a ter de ser vencido.
Mors consequentia est peccati. Ecclesiae Magisterium, authenticus affirmationum sacrae Scripturae 586 et Traditionis interpres, docet mortem in mundum ingressam esse propter hominis peccatum. 587 Quamquam homo naturam possidebat mortalem, Deus illum destinabat ad non moriendum. Mors igitur contraria consiliis fuit Dei Creatoris et in mundum ingressa est tamquam peccati consequentia. 588 « Mors [...] corporalis, a qua homo si non peccasset subtractus fuisset », 589 est etiam hominis « novissima [...] inimica » (1 Cor 15,26) vincenda.
§ 1009
A morte é transformada por Cristo. Jesus, Filho de Deus, também sofreu a morte, própria da condição humana. Mas apesar da repugnância que sentiu perante ela (589), assumiu-a num acto de submissão total e livre à vontade do Pai. A obediência de Jesus transformou em bênção a maldição da morte (590).
Mors est a Christo transformata. Iesus, Filius Dei, etiam mortem est passus, ut condicionis humanae proprium est. Sed Ipse, non obstante Suo coram illa pavore, 590 eam assumpsit in actu totalis et liberae submissionis voluntati Patris Sui. Iesu oboedientia maledictionem mortis in benedictionem transformavit. 591 Mortis christianae sensus

O SENTIDO DA MORTE CRISTÃ

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Morrer em Cristo Jesus

§ 1010
Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. «Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro» (Fl 1, 21). «É digna de fé esta palavra: se tivermos morrido com Cristo, também com Ele viveremos» (2 Tm 2, 11). A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Baptismo, o cristão já «morreu com Cristo» sacramentalmente para viver uma vida nova; se morremos na graça de Cristo, a morte física consuma este «morrer com Cristo» e completa assim a nossa incorporação n'Ele, no seu acto redentor:

«É bom para mim morrer em (eis) Cristo Jesus, mais do que reinar dum extremo ao outro da terra. É a Ele que eu procuro, Ele que morreu por nós: é a Ele que eu quero, Ele que ressuscitou para nós. Estou prestes a nascer [...]. Deixai-me receber a luz pura: quando lá tiver chegado, serei um homem» (591).

Propter Christum, mors christiana sensum habet positivum. « Mihi enim vivere Christus est et mori lucrum » (Phil 1,21). « Fidelis sermo: nam si commortui sumus, et convivemus » (2 Tim 2,11). Essentialis novitas mortis christianae in hoc habetur: christianus, per Baptismum, est iam sacramentaliter « mortuus cum Christo », ut in vita nova vivat; si in gratia morimur Christi, mors physica illud « mori cum Christo » consummat et ita nostram ad Illum perficit in Eius actu redemptivo incorporationem:

« Praestat mihi in (ϵἰς) Γϵσ ρισνο, ηϵ ϵσσϵρϵ ρϵ φινο αι ονφινι δελλα τϵρρα. Ιο ερο ολυι ηε μορ περ νοι; ιο ψογλιο ολυι ηε μορ περ νοι ρισυσιτ. Ιλ παρτο ιμμινεντε. 592 Λασιατε ηε ιο ραγγιυνγα λα πυρα λυε; γιυντο λ, σαρ ψεραμεντε υν υομο ». 593

§ 1011
Na morte, Deus chama o homem a Si. É por isso que o cristão pode experimentar, em relação à morte, um desejo semelhante ao de S. Paulo: «Desejaria partir e estar com Cristo» (Fl 1, 23). E pode transformar a sua própria morte num acto de obediência e amor para com o Pai, a exemplo de Cristo (592):

«O meu desejo terreno foi crucificado: [...] há em mim uma água viva que dentro de mim murmura e diz: "Vem para o Pai"» (593).
«Ansiosa por ver-te, desejo morrer» (594).
«Eu não morro, entro na vida» (595).

Deus ad Se hominem vocat in morte. Hac de causa, christianus relate ad mortem potest optatum experiri simile illi sancti Pauli: « desiderium » habeo « dissolvi et cum Christo esse » (Phil 1,23); et suam propriam mortem potest transformare in actum oboedientiae et amoris erga Patrem ad exemplum Christi: 594

« Amor meus crucifixus est; [...] aqua vivens et loquens in me est, mihi interius dicens: "Veni ad Patrem" ». 595
« Te videndi anxia,mori cupio ». 596
« Non morior, vitam ingredior ». 597

§ 1012
A visão cristã da morte (596) é expressa de modo privilegiado na liturgia da Igreja:

«Para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma: e, desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna» (597).

Visio christiana mortis, 598 modo praeclaro, in liturgia exprimitur Ecclesiae:

« Tuis enim fidelibus, Domine, vita mutatur, non tollitur, et, dissoluta terrestris huius incolatus domo, aeterna in caelis habitatio comparatur ». 599

§ 1013
A morte é o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo de graça e misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino último. Quando acabar «a nossa vida sobre a terra, que é só uma» (598), não voltaremos a outras vidas terrenas. «Os homens morrem uma só vez» (Heb 9, 27). Não existe «reencarnação» depois da morte.
Mors finis est terrestris peregrinationis hominis, temporis gratiae et misericordiae quas Deus ei offert ad eius vitam terrestrem in rem deducendam secundum consilium divinum et ad eius ultimam decidendam sortem. « Expleto unico terrestris nostrae vitae cursu », 600 ad alias vitas terrestres ulterius non redibimus. « Statutum est hominibus semel mori » (Heb 9,27). « Reincarnatio » post mortem non habetur.
§ 1014
A Igreja exorta-nos a prepararmo-nos para a hora da nossa morte («Duma morte repentina e imprevista, livrai-nos, Senhor»: antiga Ladainha dos Santos), a pedirmos à Mãe de Deus que rogue por nós «na hora da nossa morte» (Oração da Ave-Maria) e a confiarmo-nos a S. José, padroeiro da boa morte:

«Em todos os teus actos em todos os teus pensamentos, havias de te comportar como se devesses morrer hoje. Se tivesses boa consciência, não terias grande receio da morte. Mais vale acautelares-te do pecado do que fugir da morte. Se hoje não estás preparado, como o estarás amanhã?» (599).

«Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal, à qual nenhum homem vivo pode escapar. Ai daqueles que morrem em pecado mortal: Bem-aventurados os que ela encontrar a cumprir as tuas santíssimas vontades, porque a segunda morte não lhes fará mal» (600).

Ecclesia nos hortatur ut ad horam mortis nostrae praeparemur (« A subitanea et improvisa morte, libera nos, Domine »: antiquae Litaniae sanctorum), ut Matrem Dei pro nobis « in hora mortis nostrae » intercedere precemur (oratio « Ave Maria »), ut nos sancto Ioseph, bonae mortis patrono, committamus:

« Sic te in omni facto et cogitatu deberes tenere, quasi statim esses moriturus. Si bonam conscientiam haberes, non multum mortem timeres. Melius esset peccata cavere, quam mortem fugere. Si hodie non es paratus, quomodo cras eris? ». 601

« Laudatus sis, mi Domine, 
propter sororem mortem corporalem, 
quam nullus homo vivens potest evadere.
Vae illis, qui morientur in peccatis mortalibus;
beati illi, quos reperiet in Tuis sanctissimis voluntatibus,
quia secunda mors non faciet eis malum ». 602

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 1015
«Caro salutis est cardo – A carne é o fulcro da salvação» (601). Nós cremos em Deus, que é o Criador da carne; cremos no Verbo que Se fez carne para remir a carne; cremos na ressurreição da carne, acabamento da criação e da redenção da carne.
« Caro salutis est cardo ». 603 Credimus in Deum qui est carnis Creator; credimus in Verbum carnem factum ut carnem redimeret; credimus resurrectionem carnis, culmen creationis et redemptionis carnis.
§ 1016
Pela morte, a alma é separada do corpo; mas, na ressurreição, Deus restituirá a vida incorruptível ao nosso corpo transformado, reunindo-o à nossa alma. Tal como Cristo ressuscitou e vive para sempre, todos nós ressuscitaremos no último dia.
Anima per mortem a corpore separatur, sed in resurrectione Deus vitam incorruptibilem corpori nostro reddet transformato, illud iterum nostrae coniungens animae. Sicut Christus resurrexit et in aeternum vivit, omnes nos ultimo resurgemus die.
§ 1017
«Nós cremos na verdadeira ressurreição desta carne que possuímos agora» (602). No entanto, semeia-se no túmulo um corpo corruptível e ressuscita um corpo incorruptível (603) um «corpo espiritual» (1 Cor 15, 44).
« Credimus [...] veram resurrectionem huius carnis, quam nunc gestamus ». 604 Seminatur tamen in sepulcro corpus corruptibile, resurgit corpus incorruptibile, 605 « corpus spiritale » (1 Cor 15,44).
§ 1018
Em consequência do pecado original, o homem deve sofrer a morte corporal, «de que estaria isento, se não tivesse pecado» (604).
Consequenter ad peccatum originale, homo debet corporalem subire mortem « a qua [...] si non peccasset subtractus fuisset ». 606
§ 1019
Jesus, Filho de Deus, sofreu livremente a morte por nós, numa submissão total e livre à vontade de Deus seu Pai. Pela sua morte, Ele venceu a morte, abrindo assim a todos os homens a possibilidade da salvação.
Iesus, Filius Dei, mortem pro nobis est libere passus in totali et libera submissione voluntati Dei, Patris Sui. Sua Morte vicit mortem, possibilitatem salutis omnibus sic aperiens hominibus. (559) Cf Io 6,39-40.(560) Cf 1 Thess 4,14; 1 Cor 6,14; 2 Cor 4,14; Phil 3,10-11.(561) Cf Gn 6,3; Ps 56,5; Is 40,6. (562) Tertullianus, De resurrectione mortuorum, 1, 1: CCL 2, 921 (PL 2, 841).(563) Cf 2 Mac 7,29; Dn 12,1-13. (564) Cf Act 23,6. (565) Cf Io 11,24. (566) Cf Io 5,24-25; 6,40. (567) Cf Io 6,54. (568) Cf Mc 5,21-43; Lc 7,11-17; Io 11. (569) Cf Mt 12,39. (570) Cf Io 2,19-22. (571) Cf Mc 10,34. (572) Cf Act 4,33. (573) Cf Act 17,32; 1 Cor 15,12-13. (574) Sanctus Augustinus, Enarratio in Psalmum 88, 2, 5: CCL 39, 1237 (PL 37, 1134). (575) Cf Dn 12,2. (576) Concilium Lateranense IV, Cap. 1, De fide catholica: DS 801.(577) Cf Phil 3,21.(578) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4,18, 5: SC 100, 610-612 (PG 7, 1028-1029). (579) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 54.(580) Cf Phil 3,20.(581) Cf Phil 1,23.(582) Cf Paulus VI, Sollemnis Professio fidei, 28: AAS 60 (1968) 444. (583) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 18: AAS 58 (1966) 1038. (584) Cf Gn 2,17. (585) Cf Rom 6,3-9; Phil 3,10-11. (586) Cf Gn 2,17; 3,3.19; Sap 1,13; Rom 5,12; 6,23.(587) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 1: DS 1511.(588) Cf Sap 2,23-24.(589) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 18: AAS 58 (1966) 1038.(590) Cf Mc 14,33-34; Heb 5,7-8. (591) Cf Rom 5,19-21. (592) ...(593) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Romanos, 6, 1-2: SC 10bis, 114 (Funk 1, 258-260). (594) Cf Lc 23,46. (595) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Romanos, 7, 2: SC 10bis, 116 (Funk 1, 260). (596) Sancta Theresia a Iesu, Poesía, 7: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 6 (Burgos 1919) p. 86. (597) Sancta Theresia a Iesu Infante, Lettre (9 iunii 1897): Correspondance Générale, v. 2 (Paris 1973) p. 1015. (598) Cf 1 Thess 4,13-14. (599) Praefatio defunctorum I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 439. (600) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 54.(601) De imitatione Christi, 1, 23, 5-8: ed. T. Lupo (Città del Vaticano 1982) p. 70. (602) Sanctus Franciscus Assisiensis, Canticum Fratris Solis: Opuscula sancti Patris Francisci Assisiensis, ed. C. Esser (Grottaferrata 1978) p. 85-86. (603) Tertullianus, De resurrectione mortuorum, 8, 2: CCL 2, 931 (PL 2, 852).(604) Concilium Lugdunense II, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 854. (605) Cf 1 Cor 15,42. (606) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 18: AAS 58 (1966) 1038.

«CREIO NA VIDA ETERNA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 1020
O cristão, que une a sua própria morte à de Jesus, encara a morte como chegada até junto d'Ele, como entrada na vida eterna. A Igreja, depois de, pela última vez, ter pronunciado sobre o cristão moribundo as palavras de perdão da absolvição de Cristo e de, pela última vez, o ter marcado com uma unção fortificante e lhe ter dado Cristo, no Viático, como alimento para a viagem, fala-lhe com estas doces e confiantes palavras:

«Parte deste mundo, alma cristã, em nome de Deus Pai omnipotente, que te criou, em nome de Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, que por ti sofreu, em nome do Espírito Santo, que sobre ti desceu; chegues hoje ao lugar da paz e a tua morada seja no céu, junto de Deus, na companhia da Virgem Maria. Mãe de Deus, de São José e de todos os Anjos e Santos de Deus [...]. Confio-te ao Criador para que voltes Àquele que te formou do pó da terra. Venham ao encontro de ti, que estás a partir desta vida, Santa Maria, os Anjos e todos os Santos [...]. Vejas o teu Redentor face a face e gozes da contemplação de Deus pelos séculos dos séculos» (605).

Christianus qui suam propriam mortem cum illa Iesu coniungit, mortem videt tamquam adventum ad Ipsum et ingressum in vitam aeternam. Cum Ecclesia ultimo super morientem christianum verba veniae absolutionis Christi dixerit, ultimo unctione roboranti eum signaverit eique Christum in viatico tamquam alimentum pro itinere dederit, eum cum dulci alloquitur securitate:

« Proficiscere, anima christiana, de hoc mundo, in nomine Dei Patris omnipotentis, qui te creavit, in nomine Iesu Christi Filii Dei vivi, qui pro te passus est, in nomine Spiritus Sancti, qui in te effusus est; hodie sit in pace locus tuus et habitatio tua apud Deum in sancta Sion, cum sancta Dei Genetrice Virgine Maria, cum sancto Ioseph, et omnibus angelis et sanctis Dei. [...] Ad auctorem tuum, qui te de limo terrae formavit, revertaris. Tibi itaque egredienti de hac vita sancta Maria, angeli et omnes sancti occurrant. [...] Redemptorem tuum facie ad faciem videas et contemplatione Dei potiaris in saecula saeculorum ». 607

«CREIO NA VIDA ETERNA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O juízo particular

§ 1021
A morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo (606). O Novo Testamento fala do juízo, principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na sua segunda vinda. Mas também afirma, reiteradamente, a retribuição imediata depois da morte de cada qual, em função das suas obras e da sua fé. A parábola do pobre Lázaro (607) e a palavra de Cristo crucificado ao bom ladrão (608), assim como outros textos do Novo Testamento (609), falam dum destino final da alma (610), o qual pode ser diferente para umas e para outras.
Mors vitae hominis imponit finem tamquam tempori aperto acceptationi vel reiectioni gratiae divinae in Christo manifestatae. 608 Novum Testamentum de iudicio loquitur praecipue in prospectu finalis occursus cum Christo in Eius secundo Adventu, sed pluries etiam retributionem uniuscuiusque immediate post mortem affirmat in relatione cum eius operibus eiusque fide. Parabola pauperis Lazari 609 et verbum Christi in cruce ad bonum latronem, 610 sicut alii Novi Testamenti textus 611 loquuntur de ultima animae sorte, 612 quae diversa pro aliis et aliis esse potest.
§ 1022
Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação (611), quer para entrar imediatamente na felicidade do céu (612), quer para se condenar imediatamente para sempre (613).

«Ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor» (614).

Singuli homines inde a morte sua retributionem suam aeternam in sua immortali recipiunt anima in iudicio particulari quod eorum vitam refert Christo sive per purificationem 613 sive ad immediate in beatitudinem caeli ingrediendum 614 sive ad se immediate in aeternum damnandum. 615

« Ad vesperum te de amore examinabunt ». 616

«CREIO NA VIDA ETERNA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O céu

§ 1023
Os que morrerem na graça e na amizade de Deus e estiverem perfeitamente purificados, viverão para sempre com Cristo. Serão para sempre semelhantes a Deus, porque O verão «tal como Ele é» (1 Jo 3, 2), «face a face» (1 Cor 13, 12) (615):

«Com a nossa autoridade apostólica, definimos que, por geral disposição divina, as almas de todos os santos mortos antes da paixão de Cristo [...] e as de todos os outros fiéis que morreram depois de terem recebido o santo Baptismo de Cristo e nas quais nada havia a purificar no momento da morte, ou ainda daqueles que, se no momento da morte houve ou ainda há qualquer coisa a purificar, acabaram por o fazer [...] mesmo antes de ressuscitarem em seus corpos e do Juízo universal – e isto depois da Ascensão ao céu do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo –, estiveram, estão e estarão no céu, associadas ao Reino dos céus e no paraíso celeste, com Cristo, na companhia dos santos anjos. E depois da paixão e morte de nosso Senhor Jesus Cristo, essas almas viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e face a face, sem a mediação de qualquer criatura» (616).

Illi qui in gratia et amicitia moriuntur Dei et qui perfecte sunt purificati, in aeternum cum Christo vivunt. In aeternum sunt similes Deo quia Eum vident « sicuti est » (1 Io 3,2), « facie ad faciem » (1 Cor 13,12): 617

« Auctoritate apostolica diffinimus: quod secundum communem Dei ordinationem animae sanctorum omnium [...] et aliorum fidelium defunctorum post sacrum ab eis Christi Baptisma susceptum, in quibus nihil purgabile fuit, quando decesserunt, [...] vel si tunc fuerit aut erit aliquid purgabile in eisdem, cum post mortem suam fuerint purgatae [...] etiam ante resumptionem suorum corporum et iudicium generale post Ascensionem Salvatoris Domini nostri Iesu Christi in caelum, fuerunt, sunt et erunt in caelo, caelorum Regno et paradiso caelesti cum Christo, sanctorum angelorum consortio congregatae, ac post Domini Iesu Christi passionem et mortem viderunt et vident divinam essentiam visione intuitiva et etiam faciali, nulla mediante creatura ». 618

§ 1024
Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade, esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e todos os bem-aventurados, chama-se «céu». O céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.
Haec vita perfecta cum Sanctissima Trinitate, haec communio vitae cum Ea, cum Maria Virgine, angelis et omnibus beatis « caelum » appellatur. Caelum finis est ultimus et adimpletio profundissimarum appetitionum hominis, status supremae et definitivae beatitudinis.
§ 1025
Viver no céu é «estar com Cristo» (617). Os eleitos vivem «n'Ele»; mas n'Ele conservam, ou melhor, encontram a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio (618):

«Porque a vida consiste em estar com Cristo, onde está Cristo, aí está a vida, aí está o Reino» (619).

In caelo vivere est « cum Christo esse ». 619 Electi « in Ipso » vivunt, sed ibi servant, immo inveniunt suam propriam identitatem, suum proprium nomen: 620

« Vita est enim esse cum Christo, quia ubi Christus ibi Regnum ». 621

§ 1026
Pela sua morte e ressurreição, Jesus Cristo «abriu-nos» o céu. A vida dos bem-aventurados consiste na posse em plenitude dos frutos da redenção operada por Cristo, que associa à sua glorificação celeste aqueles que n'Ele acreditaram e permaneceram fiéis à sua vontade. O céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados n'Ele.
Iesus Christus, per Suam Mortem Suamque Resurrectionem nobis caelum « aperuit ». Beatorum vita in plena possessione consistit fructuum Redemptionis peractae a Christo qui Suae glorificationi caelesti illos consociat qui in Eum crediderunt et qui Eius voluntati permanserunt fideles. Caelum beata est communitas omnium eorum qui Ei perfecte sunt incorporati.
§ 1027
Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo ultrapassa toda a compreensão e toda a representação. A Sagrada Escritura fala-nos dele por imagens: vida, luz, paz, banquete de núpcias, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, paraíso: aquilo que «nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem, Deus o preparou para aqueles que O amam» (1 Cor 2, 9).
Hoc mysterium beatae communionis cum Deo et cum omnibus illis qui in Christo sunt, omnem comprehensionem superat et repraesentationem omnem. Scriptura nobis de illa loquitur in imaginibus: vita, lux, pax, nuptiale convivium, vinum Regni, domus Patris, Ierusalem caelestis, paradisus: « Quod oculus non vidit, nec auris audivit, nec in cor hominis ascendit, quae praeparavit Deus his, qui diligunt Illum » (1 Cor 2,9).
§ 1028
Em virtude da sua transcendência, Deus não pode ser visto tal como é, senão quando Ele próprio abrir o seu mistério à contemplação imediata do homem e lhe der capacidade para O contemplar. Esta contemplação de Deus na sua glória celeste é chamada pela Igreja «visão beatífica»:

«Qual não será a tua glória e a tua felicidade quando fores admitido a ver a Deus, a ter a honra de participar nas alegrias da salvação e da luz eterna, na companhia de Cristo Senhor teu Deus, [...] gozar no Reino dos céus, na companhia dos justos e dos amigos de Deus, das alegrias da imortalidade alcançada!» (620).

Deus, propter Suam transcendentiam, non potest sicuti est videri nisi cum Ipse Suum mysterium immediatae aperit contemplationi hominis illique Ipse capacitatem praebet. Haec Dei contemplatio in Eius gloria caelesti ab Ecclesia « visio beatifica » appellatur:

« Quae erit gloria et quanta laetitia admitti ut Deum videas, honorari ut cum Christo Domino Deo tuo salutis ac lucis aeternae gaudium capias, [...] cum iustis et Dei amicis in Regno caelorum datae immortalitatis voluptate gaudere ». 622

§ 1029
Na glória do céu, os bem-aventurados continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus, em relação aos outros homens e a toda a criação. Eles já reinam com Cristo. Com Ele «reinarão pelos séculos dos séculos» (Ap 22, 5) (621).
In caeli gloria, beati gaudenter voluntatem Dei implere pergunt relate ad alios homines et ad universam creationem. Iam illi cum Christo regnant; cum Eo « regnabunt in saecula saeculorum » (Apc 22,5). 623 III. Finalis purificatio seu purgatorium

«CREIO NA VIDA ETERNA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A purificação final ou Purgatório

§ 1030
Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu.
Illi qui in gratia et amicitia Dei, sed imperfecte purificati, moriuntur, quamquam suae aeternae salutis sunt certi, post suam mortem patiuntur purificationem, ut sanctitatem acquirant necessariam ad caeli gaudium ingrediendum.
§ 1031
A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório sobretudo nos concílios de Florença (622) e de Trento (623). A Tradição da Igreja, referindo-se a certos textos da Escritura (624) fala dum fogo purificador:

«Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do julgamento, um fogo purificador, conforme afirma Aquele que é a verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfémia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir» (625).

Ecclesia purgatorium hanc finalem appellat electorum purificationem quae prorsus a damnatorum poena est diversa. Ecclesia doctrinam fidei relate ad purgatorium formulavit, praecipue in Conciliis Florentino 624 et Tridentino. 625 Ecclesiae Traditio, se ad quosdam Scripturae textus referens, 626 de igne loquitur purificatorio:

« De quibusdam levibus culpis esse ante iudicium purgatorius ignis credendus est, pro eo quod veritas dicit quia si quis in Sancto Spiritu blasphemiam dixerit, neque in hoc saeculo remittetur ei, neque in futuro (Mt 12,32). In qua sententia datur intelligi quasdam culpas in hoc saeculo, quasdam vero in futuro posse laxari ». 627

§ 1032
Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos:

«Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício do seu pai (627) por que duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? [...] Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações» (628).

Haec doctrina etiam nititur praxi orationis pro defunctis, de qua iam sacra Scriptura loquitur: « Unde pro defunctis expiationem fecit [Iudas Maccabaeus], ut a peccato solverentur » (2 Mac 12,46). Inde a prioribus temporibus, Ecclesia defunctorum memoriam est venerata et suffragia pro illis obtulit, maxime Sacrificium eucharisticum, 628 ut purificati ad visionem beatificam Dei possent pervenire. Ecclesia etiam eleemosynas, indulgentias et opera paenitentiae commendat pro defunctis:

« Eis ergo opem feramus, et commemorationem eorum peragamus. Si enim Iobi filios expiabat patris sacrificium: 629 quid dubitas, an nobis pro eis qui excesserunt offerentibus, ipsis detur aliqua consolatio? [...] Ne nos pigeat opem ferre iis qui excesserunt, et pro eis offerre preces ». 630

«CREIO NA VIDA ETERNA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O Inferno

§ 1033
Não podemos estar em união com Deus se não escolhermos livremente amá-Lo. Mas não podemos amar a Deus se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos: «Quem não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida: ora vós sabeis que nenhum homicida tem em si a vida eterna» (1 Jo 3, 14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados d'Ele, se descurarmos as necessidades graves dos pobres e  dos pequeninos seus irmãos (629). Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado d'Ele para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno».
Non possumus Deo esse uniti nisi libere Eum diligere eligamus. Sed Deum diligere non possumus, si contra Eum, contra nostrum proximum vel contra nosmetipsos graviter peccemus: « Qui non diligit, manet in morte. Omnis, qui odit fratrem suum, homicida est, et scitis quoniam omnis homicida non habet vitam aeternam in semetipso manentem » (1 Io 3,14-15). Dominus noster nos monet nos ab Eo separatos fore, si necessitatibus gravibus occurrere omittamus pauperum et parvulorum qui Eius sunt fratres. 631 In peccato mortali mori quin nos huius paeniteat et quin amorem Dei excipiamus misericordem, significat ab Eo in aeternum propter nostram propriam liberam electionem manere separatos. Hic status definitivae exclusionis sui ipsius (« auto-exclusionis ») a communione cum Deo et cum beatis denotatur verbo « infernus ».
§ 1034
Jesus fala muitas vezes da «gehena» do «fogo que não se apaga» (630) reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, a alma e o corpo (631). Jesus anuncia, em termos muitos severos, que «enviará os seus anjos que tirarão do seu Reino [...] todos os que praticaram a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente»(Mt 13, 41-42), e sobre eles pronunciará a sentença: «afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno» (Mt 25, 41).
Iesus saepe loquitur de « gehenna » ignis inextinguibilis, 632 illis reservata qui usque ad suae vitae finem credere et converti recusant, et ubi simul anima et corpus perdi possunt. 633 Iesus verbis annuntiat gravibus: « Mittet Filius hominis angelos Suos, et colligent de Regno Eius [...] eos, qui faciunt iniquitatem, et mittent eos in caminum ignis » (Mt 13,41-42), et Ipse condemnationem pronuntiabit: « Discedite a me, maledicti, in ignem aeternum! » (Mt 25,41).
§ 1035
A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, «o fogo eterno» (632). A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.
Doctrina Ecclesiae exsistentiam inferni eiusque affirmat aeternitatem. Animae eorum qui in statu moriuntur peccati mortalis, immediate post mortem in inferos descendunt ubi poenas patiuntur inferni, « ignem aeternum ». 634 Praecipua inferni poena consistit in aeterna separatione a Deo in quo solummodo potest homo vitam et beatitudinem habere pro quibus creatus est et quas cupit.
§ 1036
As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14):

«Como não sabemos o dia nem a hora, é preciso que, segundo a recomendação do Senhor, vigiemos continuamente, a fim de que, no termo da nossa vida terrena, que é só uma, mereçamos entrar com Ele para o banquete de núpcias e ser contados entre os benditos, e não sejamos lançados, como servos maus e preguiçosos, no fogo eterno, nas trevas exteriores, onde "haverá choro e ranger de dentes"» (633).

Affirmationes sacrae Scripturae et doctrina Ecclesiae relate ad infernum sunt vocatio ad responsabilitatem qua homo sua uti debet libertate intuitu suae aeternae sortis. Simul urgentem vocationem ad conversionem constituunt: « Intrate per angustam portam, quia lata est porta et spatiosa via, quae ducit ad perditionem, et multi sunt, qui intrant per eam; quam angusta porta et arta via, quae ducit ad vitam, et pauci sunt, qui inveniunt eam! » (Mt 7,13-14).

« Cum vero nesciamus diem neque horam, monente Domino, constanter vigilemus oportet, ut, expleto unico terrestris nostrae vitae cursu, cum Ipso ad nuptias intrare et cum benedictis connumerari mereamur, neque sicut servi mali et pigri iubeamur discedere in ignem aeternum, in tenebras exteriores ubi erit fletus et stridor dentium ». 635

§ 1037
Deus não predestina ninguém para o Inferno (634). Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim. Na liturgia eucarística e nas orações quotidianas dos seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus, «que não quer que ninguém pereça, mas que todos se convertam» (2 Pe 3, 9):

«Aceitai benignamente, Senhor, a oblação que nós, vossos servos, com toda a vossa família, Vos apresentamos. Dai a paz aos nossos dias livrai-nos da condenação eterna e contai-nos entre os vossos eleitos» (635).

Deus neminem praedestinat ut in infernum eat; 636 ad hoc enim requiruntur aversio a Deo voluntaria (peccatum mortale) et in illa usque ad finem persistere. Ecclesia, in liturgia eucharistica et in suorum fidelium orationibus quotidianis, misericordiam implorat Dei qui non vult « aliquos perire, sed omnes ad paenitentiam reverti » (2 Pe 3,9):

« Hanc igitur oblationem servitutis nostrae, sed et cunctae familiae Tuae, quaesumus, Domine, ut placatus accipias: diesque nostros in Tua pace disponas atque ab aeterna damnatione nos eripi et in electorum Tuorum iubeas grege numerari ». 637

«CREIO NA VIDA ETERNA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

O Juízo final

§ 1038
A ressurreição de todos os mortos, «justos e pecadores» (Act 24, 15), há-de preceder o Juízo final. Será «a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 28-29). Então Cristo virá «na sua glória, com todos os seus anjos [...]. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. [...] Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31-33.46).
Resurrectio omnium mortuorum, « iustorum et iniquorum » (Act 24,15), Iudicium praecedet ultimum. Tunc erit « hora, in qua omnes, qui in monumentis sunt, audient vocem [...] [Filii hominis] et procedent, qui bona fecerunt, in resurrectionem vitae, qui vero mala egerunt, in resurrectionem iudicii » (Io 5,28-29). Tunc Christus veniet « in gloria Sua, et omnes angeli cum Eo [...]. Et congregabuntur ante Eum omnes gentes; et separabit eos ab invicem, sicut pastor segregat oves ab haedis, et statuet oves quidem a dextris suis, haedos autem a sinistris. [...] Et ibunt hi in supplicium aeternum, iusti autem in vitam aeternam » (Mt 25,31-33.46).
§ 1039
É perante Cristo, que é a Verdade, que será definitivamente posta descoberto a verdade da relação de cada homem com Deus (636). O Juízo final revelará, até às suas últimas consequências, o que cada um tiver feito ou deixado de fazer de bem durante a sua vida terrena:

«Todo o mal que os maus fazem é registado – e eles não o sabem. No dia em que "Deus virá e não se calará" (Sl 50, 3) [...]. Então, Ele Se voltará para os da sua esquerda: "Na terra, dir-lhes-á, Eu tinha posto para vós os meus pobrezinhos, Eu, Cabeça deles, estava no céu sentado à direita do Pai – mas na terra os meus membros tinham fome: o que vós tivésseis dado aos meus membros, teria chegado à Cabeça. Quando Eu coloquei os meus pobrezinhos na terra, constituí-os vossos portadores para trazerem as vossas boas obras ao meu tesouro. Vós nada depositastes nas mãos deles: por isso nada encontrais em Mim"» (637).

Coram Christo qui veritas est, veritas circa relationem uniuscuiusque hominis cum Deo definitive fiet manifesta. 638 Iudicium ultimum id revelabit, usque ad eius ultimas consequentias, quod unusquisque boni fecerit, aut facere omiserit, in suae vitae terrestris decursu:

« Servatur quidquid mali faciunt et nesciunt, ubi venerit Deus noster manifestus et non silebit (Ps 50,3) [...]. Deinde convertet Se et ad illos qui sunt a sinistris: Minimos meos egentes posueram vobis in terra. Ego tamquam caput, dicet, in caelo sedebam ad dexteram Patris, sed membra mea in terra laborabant, membra mea in terra egebant. Membris meis daretis, et ad caput perveniret quod daretis. Et sciretis quia minimos meos egentes quando vobis in terra posui, laturarios vobis institui qui opera vestra in thesaurum meum portarent. Et nihil in eorum manibus posuistis, propterea apud me nihil invenistis ». 639

§ 1040
O Juízo final terá lugar quando acontecer a vinda gloriosa de Cristo. Só o Pai sabe o dia e a hora, só Ele decide sobre a sua vinda. Pelo seu Filho Jesus Cristo. Ele pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história. Nós ficaremos a saber o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a sua providência tudo terá conduzido para o seu fim último. O Juízo final revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte (638).
Iudicium ultimum in reditu Christi glorioso eveniet. Solus Pater cognoscit horam et diem, solus Ipse Eius decidit Adventum. Per Filium Suum Iesum Christum, verbum definitivum super totam historiam tunc pronuntiabit Suum. Sensum ultimum totius operis creationis et totius Oeconomiae salutis cognoscemus et mirabiles intelligemus vias per quas Eius providentia omnia versus eorum ultimum conduxerit finem. Iudicium ultimum revelabit iustitiam Dei de omnibus iniustitiis commissis a Suis creaturis triumphare Eiusque amorem morte esse fortiorem. 640
§ 1041
A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2 Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» (Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10).
Iudicii ultimi nuntius vocat ad conversionem dum Deus adhuc hominibus « tempus acceptabile » praebet et « dies salutis » (2 Cor 6,2). Sanctum Dei inspirat timorem. Ad Regni Dei impellit iustitiam. Annuntiat « beatam spem » (Tit 2,13) reditus Domini, qui veniet « glorificari in sanctis Suis et admirabilis fieri in omnibus, qui crediderunt » (2 Thess 1,10). VI. Caelorum novorum et terrae novae spes

«CREIO NA VIDA ETERNA»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

A esperança dos novos céus e da nova terra

§ 1042
No fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude. Depois do Juízo final, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado:

Então a Igreja alcançará «na glória celeste, a sua realização acabada, quando vier o tempo da restauração de todas as coisas e, quando, juntamente com o género humano, também o universo inteiro, que ao homem está intimamente ligado e por ele atinge o seu fim, for perfeitamente restaurado em Cristo» (639).

In fine temporum, Regnum Dei ad suam perveniet plenitudinem. Post Iudicium universale, iusti in aeternum cum Christo regnabunt, corpore et anima glorificati, et ipse universus renovabitur mundus:

Tunc Ecclesia « in gloria caelesti consummabitur, quando [...] cum genere humano universus quoque mundus, qui intime cum homine coniungitur et per eum ad finem suum accedit, perfecte in Christo instaurabitur ». 641

§ 1043
A esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama «os novos céus e a nova terra» (2 Pe 3, 13) (640). Será a realização definitiva do desígnio divino de «reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há nos céus e na terra» (Ef 1, 10).
Sacra Scriptura hanc arcanam renovationem, quae humanitatem transformabit et mundum, appellat « novos [...] caelos et terram novam » (2 Pe 3,13). 642 Illa erit definitiva effectio consilii Dei: « recapitulare omnia in Christo, quae in caelis et quae in terra » (Eph 1,10).
§ 1044
Neste «mundo novo» (641), a Jerusalém celeste, Deus terá a sua morada entre os homens. «Há-de enxugar-lhes dos olhos todas as lágrimas; a morte deixará de existir, e não mais haverá luto, nem clamor, nem fadiga. Porque o que havia anteriormente desapareceu» (Ap 21, 4) (642).
In hoc universo mundo novo, 643 in Ierusalem caelesti, Deus mansionem Suam inter homines habebit. « Et absterget omnem lacrimam ab oculis eorum, et mors ultra non erit, neque luctus neque clamor neque dolor erit ultra, quia prima abierunt » (Apc 21,4). 644
§ 1045
Para o homem, esta consumação será a realização final da unidade do género humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrina era «como que o sacramento» (643). Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a «Cidade santa de Deus» (Ap 21, 2), a «Esposa do Cordeiro» (Ap 21, 9). Esta não mais será atingida pelo pecado, pelas manchas (644), pelo amor próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica, em que Deus Se manifestará aos eleitos de modo inesgotável, será a fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão.
Pro homine, haec consummatio effectio erit ultima unitatis generis humani a Deo volitae inde a creatione et cuius Ecclesia peregrinans erat « veluti sacramentum ». 645 Qui Christo fuerint uniti, redemptorum efformabunt communitatem, Dei « Civitatem sanctam » (Apc 21,2), « sponsam uxorem Agni » (Apc 21,9). Haec non amplius a peccato erit vulnerata, a sordibus, 646 a sui ipsius amore, quae communitatem terrestrem hominum destruunt vel vulnerant. Visio beatifica in qua Deus electis modo inexhaustibili aperietur, perennis erit fons beatitudinis, pacis et mutuae communionis.
§ 1046
Quanto ao cosmos, a Revelação afirma a profunda comunidade de destino entre o mundo material e o homem:

Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus [...] com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza [...]. Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo» (Rm 8, 19-23).

Relate ad mundum universum, Revelatio profundam communitatem destinationis affirmat mundi materialis et hominis:

« Nam exspectatio creaturae revelationem filiorum Dei exspectat [...] in spem, quia et ipsa creatura liberabitur a servitute corruptionis [...]. Scimus enim quod omnis creatura congemiscit et comparturit usque adhuc; non solum autem, sed et nos ipsi primitias Spiritus habentes, et ipsi intra nos gemimus [...] exspectantes redemptionem corporis nostri » (Rom 8,19-23).

§ 1047
Assim, pois, também o universo visível está destinado a ser transformado, «a fim de que o próprio mundo, restaurado no seu estado primitivo, esteja sem mais nenhum obstáculo ao serviço dos justos» (645), participando na sua glorificação em Jesus Cristo ressuscitado.
Universus mundus visibilis destinatur igitur et ipse ut transformetur: « Oportet ergo et ipsam conditionem redintegratam ad pristinum sine prohibitione servire iustis », 647 participantem eorum glorificationis in Iesu Christo resuscitato.
§ 1048
«Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos como é que o universo será transformado. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens» (646).
« Terrae ac humanitatis consummandae tempus ignoramus, nec universi transformandi modum novimus. Transit quidem figura huius mundi per peccatum deformata, sed docemur Deum novam habitationem novamque terram parare in qua iustitia habitat, et cuius beatitudo omnia pacis desideria, quae in cordibus hominum ascendunt, implebit et superabit ». 648
§ 1049
«A expectativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes activar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus» (647).
« Exspectatio tamen novae terrae extenuare non debet, sed potius excitare, sollicitudinem hanc terram excolendi, ubi corpus illud novae familiae humanae crescit quod aliqualem novi saeculi adumbrationem iam praebere valet. Ideo, licet progressus terrenus a Regni Christi augmento sedulo distinguendus sit, inquantum tamen ad societatem humanam melius ordinandam conferre potest, Regni Dei magnopere interest ». 649
§ 1050
«Pois todos os bens da dignidade humana, da comunhão fraterna e da liberdade, ou seja, todos os frutos excelentes da natureza e do nosso esforço, depois de os termos propagado pela terra, no Espírito do Senhor e segundo o seu mandato, voltaremos de novo a encontrá-los, mas então purificados de qualquer mancha, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o Reino eterno e universal» (648). Então, Deus será «tudo em todos» (1 Cor 15, 28), na vida eterna:

«A vida subsistente e verdadeira é o Pai que, pelo Filho e no Espírito Santo, derrama sobre todos sem excepção os dons celestes. Graças à sua misericórdia, também nós, homens, recebemos a promessa indefectível da vida eterna» (649).

« Bona enim humanae dignitatis, communionis fraternae et libertatis, hos omnes scilicet bonos naturae ac industriae nostrae fructus, postquam in Spiritu Domini et iuxta Eius mandatum in terris propagaverimus, postea denuo inveniemus, mundata tamen ab omni sorde, illuminata ac transfigurata, cum Christus Patri reddet Regnum aeternum et universale ». 650 Tunc Deus erit « omnia in omnibus » (1 Cor 15,28), in vita aeterna:

« Vita reipsa et veritate Pater est, qui per Filium omnibus in Spiritu Sancto caelestia dona tamquam ex fonte profundit: at per Eius benignitatem nobis quoque hominibus aeternae vitae bona veraciter promissa sunt ». 651

COMPÊNDIO

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

Resumindo

§ 1051
Ao morrer: cada homem recebe, na sua alma imortal, a sua retribuição eterna, num juízo particular feito por Cristo, Juiz dos vivos e dos mortos.
Singuli homines in anima sua immortali, inde a morte sua, in iudicio particulari, aeternam suam recipiunt retributionem a Christo, vivorum et mortuorum iudice.
§ 1052
«Nós cremos que as almas de todos os que morrem na graça de Cristo [...] constituem o povo de Deus no além da morte, a qual será definitivamente destinada no dia da ressurreição, quando estas almas forem reunidas aos seus corpos» (650).
« Credimus animas eorum omnium, qui in gratia Christi moriuntur [...] populum Dei constituere post mortem, quae omnino destruetur resurrectionis die, quo hae animae cum suis corporibus coniungentur ». 652
§ 1053
«Nós cremos que a multidão dessas almas que estão congregadas à volta de Jesus e de Maria, no paraíso, formam a Igreja celeste onde, na eterna bem-aventurança, vêem Deus como Ele é onde também, certamente em graus e modos diversos, estão associadas aos santos anjos no governo divino exercido por Cristo glorioso, intercedendo por nós e ajudando a nossa fraqueza com a sua solicitude fraterna» (651).
« Credimus multitudinem earum animarum, quae cum Iesu et Maria in paradiso congregantur, Ecclesiam caelestem efficere, ubi eaedem, aeterna beatitudine fruentes, Deum vident sicuti est atque etiam gradu quidem modoque diverso, una cum sanctis angelis partem habent in divina rerum gubernatione, quam Christus glorificatus exercet, cum pro nobis intercedant suaque fraterna sollicitudine infirmitatem nostram plurimum iuvent ». 653
§ 1054
Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria de Deus.
Qui in gratia et amicitia Dei, sed imperfecte purificati, moriuntur, quamquam de sua salute aeterna sunt certi, post suam mortem patiuntur purificationem ut sanctitatem acquirant necessariam ad gaudium Dei ingrediendum.
§ 1055
Em virtude da «comunhão dos santos», a Igreja encomenda os defuntos à misericórdia de Deus e oferece em seu favor sufrágios, em particular o santo Sacrifício eucarístico.
Propter « sanctorum communionem », Ecclesia defunctos Dei commendat misericordiae et pro illis suffragia offert, maxime sanctum Sacrificium eucharisticum.
§ 1056
Seguindo o exemplo de Cristo, a Igreja adverte os fiéis da «triste e lamentável realidade da morte eterna» (652), também chamada «Inferno».
Ecclesia, Christi sequens exemplum, fideles admonet de tristi ac luctuosa realitate mortis aeternae, 654 quae etiam « infernus » appellatur.
§ 1057
A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode encontrar a vida e a felicidade para que foi criado e às quais aspira.
Praecipua inferni poena in aeterna consistit separatione a Deo, in quo homo vitam et beatitudinem habere solummodo potest ad quas creatus est et quas ipse cupit.
§ 1058
A Igreja ora para que ninguém se perca: «Senhor [...], não permitais que eu me separe de Vós» (653). Sendo verdade que ninguém se pode salvar a si mesmo, também é verdade que «Deus quer que todos se salvem» (1 Tm 2, 4) e que a Ele «tudo é possível» (Mt 19, 26).
Ecclesia orat ut nullus se perdat: « Domine, [...] me [...] a Te numquam separari permittas ». 655 Si verum est neminem posse se ipsum salvare, verum etiam est, Deum velle « omnes homines salvos fieri » (1 Tim 2,4) et apud Eum « omnia possibilia » esse (Mt 19,26).
§ 1059
«A santa Igreja Romana crê e firmemente confessa que, no dia do Juízo, todos os homens hão-de comparecer com o seu próprio corpo perante o tribunal de Cristo, para prestar contas dos seus próprios actos» (654).
« Sacrosancta Ecclesia Romana firmiter credit et firmiter asseverat, quod [...] in die Iudicii omnes homines ante tribunal Christi cum suis corporibus comparebunt, reddituri de propriis factis rationem ». 656
§ 1060
No fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude. Então, os justos reinarão com Cristo para sempre, glorificados em corpo e alma; o próprio universo material será transformado. Deus será, então, «tudo em todos» (1 Cor 15, 28), na vida eterna.
Regnum Dei, in fine temporum, ad suam perveniet plenitudinem. Tunc iusti regnabunt in aeternum cum Christo, corpore et anima glorificati, et ipse mundus materialis universus transformabitur. Tunc Deus erit « omnia in omnibus » (1 Cor 15,28), in vita aeterna.  « AMEN »

«AMEN»

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

§ 1061
O Credo, tal como o último livro da Sagrada Escritura (655) termina com a palavra hebraica Ámen, palavra que se encontra com frequência no final das orações do Novo Testamento. Do mesmo modo, a Igreja termina com um «Ámen» as suas orações.
Symbolum, sicut etiam ultimus sacrae Scripturae liber, 657 verbo Hebraico Amen concluditur. Idem saepe in fine orationum invenitur Novi Testamenti. Eodem modo, Ecclesia suas orationes finit cum Amen.
§ 1062
Em hebraico, Ámen está ligado à mesma raiz que a palavra «crer», raiz que exprime solidez, confiança, fidelidade. Assim se compreende porque é que o «Ámen» se pode dizer tanto da fidelidade de Deus para connosco como da nossa confiança n'Ele.
Amen Hebraice ad eamdem radicem quam verbum « credere » refertur. Haec radix soliditatem, credibilitatem, fidelitatem exprimit. Sic intelligitur cur « Amen » de fidelitate Dei erga nos dici possit et de nostra fiducia in Ipsum.
§ 1063
No profeta Isaías encontramos a expressão «Deus de verdade», literalmente «Deus do Ámen», quer dizer, o Deus fiel às suas promessas: «Todo aquele que desejar ser abençoado sobre a terra deve desejar sê-lo pelo Deus fiel (do Ámen)» (Is 65, 16). Nosso Senhor emprega frequentemente a palavra «Ámen» (656), por vezes sob forma redobrada » (657), para sublinhar a confiança que deve inspirar a sua doutrina, a sua autoridade fundada na verdade de Deus.
In prophetia Isaiae invenitur expressio « Deus veritatis », ad litteram « Deus Amen », id est, Deus Suis promissis fidelis: « Quicumque benedicit sibi in terra, benedicet sibi in Deo Amen » (Is 65,16). Dominus noster saepe verbo « Amen » utitur, 658 quandoque sub forma iterata, 659 ad efferendam Suae doctrinae credibilitatem, auctoritatem Suam super Dei veritatem fundatam.
§ 1064
O «Ámen» final do Credo retoma e confirma, portanto, a palavra com que começa: «Creio». Crer é dizer «Ámen» às palavras, às promessas, aos mandamentos de Deus; é fiar-se totalmente n'Aquele que é o «Ámen» de infinito amor e perfeita fidelidade. A vida cristã de cada dia será, então, o «Ámen» ao «Creio» da profissão de fé do nosso Baptismo:

«Que o teu Símbolo seja para ti como um espelho. Revê-te nele, para ver se crês tudo quanto dizes crer. E alegra-te todos os dias na tua fé» (658).

Finale igitur « Amen » Symboli iterum sumit et confirmat primum eius verbum: « Credo ». Credere est verbis, promissionibus, mandatis Dei dicere « Amen », est se Illi prorsus concredere qui est « Amen » infiniti amoris et perfectae fidelitatis. Vita christiana uniuscuiusque diei erit ergo « Amen » illi « credo » Professionis fidei nostri Baptismatis:

« Sit tamquam speculum tibi Symbolum tuum. Ibi te vide, si credis omnia quae te credere confiteris, et gaude quotidie in fide tua ». 660

§ 1065
O próprio Jesus Cristo é o «Ámen» (Ap 3, 14). É o Ámen definitivo do amor do Pai para connosco: assume e leva a bom termo o nosso «Ámen» ao Pai: «É que todas as promessas de Deus encontram n'Ele um «sim»! Desse modo, por seu intermédio, nós dizemos «Ámen» a Deus, a fim de lhe darmos glória» (2 Cor 1, 20):

«Por Cristo, com Cristo, em Cristo,
a Vós, Deus Pai todo-poderoso,
na unidade do Espírito Santo,
toda a honra e toda a glória
agora e para sempre.
ÁMEN» (659).

Iesus Christus Ipse est « Amen » (Apc 3,14). Ipse est « Amen » definitivum amoris Patris erga nos; Ipse assumit et perficit nostrum « Amen » ad Patrem: « Quotquot enim promissiones Dei sunt, in Illo "Est"; ideo et per Ipsum "Amen" Deo ad gloriam per nos » (2 Cor 1,20):

« Per Ipsum et cum Ipso et in Ipso,
est Tibi Deo Patri omnipotenti,
in unitate Spiritus Sancti,
omnis honor et gloria
per omnia saecula saeculorum.

AMEN ». 661

3. SEGUNDA PARTE - A CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO CRISTÃO (§1066-1690)

PORQUÊ A LITURGIA?

INTRODUÇÃO

§ 1066
No Símbolo da Fé, a Igreja confessa o mistério da Santíssima Trindade e o seu «desígnio admirável» (Ef 1, 9) sobre toda a criação: o Pai realiza o «mistério da sua vontade», dando o seu Filho muito amado e o seu Espírito Santo para a salvação do mundo e para a glória do seu nome. Tal é o mistério de Cristo (1), revelado e realizado na história segundo um plano, uma «disposição» sabiamente ordenada, a que São Paulo chama «a economia do mistério» (Ef 3, 9) e a que a tradição patrística chamará «a economia do Verbo encarnado» ou «economia da salvação».
Ecclesia, in Symbolo fidei, mysterium profitetur Sanctissimae Trinitatis et « mysterium voluntatis Suae secundum beneplacitum Eius » (Eph 1,9) super totam creationem: Pater « mysterium voluntatis Suae » adimplet Filium Suum dilectum Suumque Spiritum Sanctum pro salute mundi donans et pro Sui Nominis gloria. Tale est mysterium Christi1 revelatum et peractum in historia secundum consilium, « dispositionem » sapienter ordinatam quae a sancto Paulo « dispensatio [oeconomia] mysterii » (Eph 3,9) appellatur et a traditione patristica « Oeconomia Verbi incarnati » vel « Oeconomia salutis » appellabitur.
§ 1067
«Esta obra da redenção humana e da glorificação perfeita de Deus, cujo prelúdio foram as magníficas obras divinas operadas no povo do Antigo Testamento, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada paixão, Ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão, em que, "morrendo, destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida". Efectivamente, foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu "o sacramento admirável de toda a Igreja"» (2). É por isso que, na liturgia, a Igreja celebra principalmente o mistério pascal, pelo qual Cristo realizou a obra da nossa salvação.
« Hoc autem humanae Redemptionis et perfectae Dei glorificationis opus, cui divina magnalia in populo Veteris Testamenti praeluserant, adimplevit Christus Dominus, praecipue per Suae beatae passionis, ab inferis Resurrectionis et gloriosae Ascensionis Paschale mysterium, quo "mortem nostram moriendo destruxit, et vitam resurgendo reparavit". Nam de latere Christi in cruce dormientis ortum est totius Ecclesiae mirabile sacramentum ».2 Hac de causa, Ecclesia in liturgia praecipue mysterium celebrat Paschale per quod Christus opus nostrae salutis adimplevit.
§ 1068
É este mistério de Cristo que a Igreja proclama e celebra na sua liturgia, para que os fiéis dele vivam e dele dêem testemunho no mundo.

«A liturgia, com efeito, pela qual, sobretudo no sacrifício eucarístico, "se actua a obra da nossa redenção", contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da, verdadeira Igreja» (3).

Ecclesia hoc Christi mysterium in sua liturgia annuntiat et celebrat, ut fideles ex eo vivant idque in mundo testentur:

« Liturgia enim, per quam, maxime in divino Eucharistiae Sacrificio, "opus nostrae Redemptionis exercetur", summe eo confert ut fideles vivendo exprimant et aliis manifestent mysterium Christi et genuinam verae Ecclesiae naturam ».3

QUAL O SIGNIFICADO DA PALAVRA LITURGIA?

INTRODUÇÃO

§ 1069
Originariamente, a palavra «liturgia» significa «obra pública», «serviço por parte dele em favor do povo». Na tradição cristã, quer dizer que o povo de Deus toma parte na «obra de Deus» (4). Pela liturgia, Cristo, nosso Redentor e Sumo-Sacerdote, continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra da nossa redenção.
Verbum « liturgia » originaliter « opus publicum », « in nomine populi pro populo servitium » significat. In traditione christiana significare vult, Dei populum « opus Dei »4 participare. Christus, Redemptor noster et Summus Sacerdos, per liturgiam, in Ecclesia Sua, cum ipsa et per ipsam, opus prosequitur nostrae Redemptionis.
§ 1070
No Novo Testamento, a palavra «liturgia» é empregada para designar, não somente a celebração do culto divino mas também o anúncio do Evangelho (6) e a caridade em acto (7). Em todas estas situações, trata-se do serviço de Deus e dos homens. Na celebração litúrgica, a Igreja é serva, à imagem do seu Senhor, o único « Liturgo» (8), participando no seu sacerdócio (culto) profético (anúncio) e real (serviço da caridade):

«Com razão se considera a liturgia como o exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo. Nela, mediante sinais sensíveis e no modo próprio de cada qual, significa-se e realiza-se a santificação dos homens e é exercido o culto público integral pelo corpo Místico de Jesus Cristo, isto é, pela cabeça e pelos membros. Portanto, qualquer celebração litúrgica, enquanto obra de Cristo Sacerdote e do seu corpo que é a Igreja, é acção sagrada por excelência e nenhuma outra acção da Igreja a iguala em eficácia com o mesmo título e no mesmo grau» (9).

Verbum « liturgia » in Novo Testamento adhibetur ad denotandum non solum divini cultus celebrationem,5 sed etiam Evangelii nuntium6 et caritatem in actu.7 In omnibus his adiunctis agitur de Dei et hominum servitio. Ecclesia in celebratione liturgica est serva, ad imaginem Domini sui, unius « Liturgi »,8 Eius participans sacerdotium (cultum) propheticum (nuntium) et regale (caritatis servitium):

« Merito igitur liturgia habetur veluti Iesu Christi sacerdotalis muneris exercitatio, in qua per signa sensibilia significatur et modo singulis proprio efficitur sanctificatio hominis, et a mystico Iesu Christi corpore, Capite nempe Eiusque membris, integer cultus publicus exercetur. Proinde omnis liturgica celebratio, utpote opus Christi Sacerdotis Eiusque corporis, quod est Ecclesia, est actio sacra praecellenter, cuius efficacitatem eodem titulo eodemque gradu nulla alia actio Ecclesiae adaequat ».9

A LITURGIA COMO FONTE DE VIDA

INTRODUÇÃO

§ 1071
Obra de Cristo, a Liturgia é também uma acção da sua Igreja. Ela realiza e manifesta a Igreja como sinal visível da comunhão de Deus e dos homens por Cristo; empenha os fiéis na vida nova da comunidade, e implica uma participação «consciente, activa e frutuosa» de todos (10).
Liturgia, opus Christi, est etiam Eius Ecclesiae actio. Eadem Ecclesiam efficit et manifestat tamquam signum visibile communionis Dei et hominum per Christum. Fideles assumit in novam communitatis vitam. Implicat participationem ab omnibus « scienter, actuose et fructuose »10 peractam.
§ 1072
«A liturgia não esgota toda a acção da Igreja» (11). Deve ser precedida pela evangelização, pela fé e pela conversão, e só então pode produzir os seus frutos na vida dos fiéis: a vida nova segundo o Espírito, o empenhamento na missão da Igreja e o serviço da sua unidade.
« Liturgia non explet totam actionem Ecclesiae »:11 illam evangelizatio, fides et conversio debent praecedere; tunc ipsa in vita fidelium suos potest ferre fructus: vitam novam secundum Spiritum, obligationem in missione Ecclesiae et servitium pro eius unitate.Oratio et liturgia

ORAÇÃO E LITURGIA

INTRODUÇÃO

§ 1073
A liturgia é também participação na oração de Cristo, dirigida ao Pai no Espírito Santo. Nela, toda a oração cristã encontra a sua fonte e o seu termo. Pela liturgia, o homem interior lança raízes e alicerça-se no «grande amor com que o Pai nos amou» (Ef 2, 4), em seu Filho bem-amado. É a mesma «maravilha de Deus» que é vivida e interiorizada por toda a oração, «em todo o tempo, no Espírito» (Ef 6, 18).
Liturgia est etiam participatio orationis Christi, ad Patrem in Spiritu Sancto directae. In ea, omnis oratio christiana suum fontem suumque invenit finem. Per liturgiam, homo interior radicatur et fundatur12 super Dei « nimiam caritatem [...], qua dilexit nos » (Eph 2,4) in Filio Suo dilecto. Est idem « mirabile Dei » quod vita ducitur et interius fit ab omni oratione, « omni tempore in Spiritu » (Eph 6,18). Catechesis et liturgia

CATEQUESE E LITURGIA

INTRODUÇÃO

§ 1074
«A liturgia é simultaneamente o cume para o qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde dimana toda a sua força» (13). É, portanto, o lugar privilegiado da catequese do Povo de Deus. «A catequese está intrinsecamente ligada a toda a acção litúrgica e sacramental, pois é nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, que Jesus Cristo age em plenitude, em ordem à transformação dos homens» (14).
« Liturgia est culmen ad quod actio Ecclesiae tendit et simul fons unde omnis eius virtus emanat ».13 Ea locus est praecipuus catechesis populi Dei. « Catechesis suapte natura cum omnibus celebrationibus liturgicis atque sacramentalibus coniungitur, quippe cum in sacramentis, maxime in Eucharistia, Christus Iesus cumulate agat ad hominum transformationem ».14
§ 1075
A catequese litúrgica visa introduzir no mistério de Cristo (ela é «mistagogia»), partindo do visível para o invisível, do significante para o significado, dos «sacramentos» para os «mistérios». Tal catequese compete aos catecismos locais e regionais; o presente catecismo, que deseja colocar-se ao serviço de toda a Igreja na diversidade dos seus ritos e das suas culturas (15) apresentará o que é fundamental e comum a toda a Igreja a respeito da liturgia, enquanto mistério e enquanto celebração (Primeira Secção), e depois, dos sete sacramentos e sacramentais (Segunda Secção).
Catechesis liturgica in mysterium Christi conatur introducere (ipsa est mistagogia), a visibili ad invisibile procedens, a significanti ad significatum, a « sacramentis » ad « mysteria ». Talis catechesis ad competentiam pertinet catechismorum localium et regionalium. Hic Catechismus, qui ad totius Ecclesiae servitium in diversitate eius rituum eiusque culturarum esse vult,15 id exponet quod fundamentale est totique Ecclesiae commune ad liturgiam tamquam mysterium et celebrationem attinens (sectio prima), deinde septem sacramenta et sacramentalia (sectio secunda). (1) Cf Eph 3,4.(2) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 5: AAS 56 (1964) 99.(3) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 2: AAS 56 (1964) 97-98.(4) Cf Io 17,4.(5) Cf Act 13,2; Lc 1,23.(6) Cf Rom 15,16; Phil 2,14-17.30. (7) Cf Rom 15,27; 2 Cor 9,12; Phil 2,25. (8) Cf Heb 8,2.6. (9) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 7: AAS 56 (1964) 101.(10) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 11: AAS 56 (1964) 103.(11) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 9: AAS 56 (1964) 101.(12) Cf Eph 3,16-17.(13) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 10: AAS 56 (1964) 102.(14) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Catechesi tradendae, 23: AAS 71 (1979) 1296.(15) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 3-4: AAS 56 (1964) 98.

PRIMEIRA SECÇÃO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

§ 1076
No dia do Pentecostes, pela efusão do Espírito Santo, a Igreja foi manifestada ao mundo(1). O dom do Espírito inaugura um tempo novo na «dispensação do mistério»: o tempo da Igreja, durante o qual Cristo manifesta, torna presente e comunica a sua obra de salvação pela liturgia da sua Igreja, «até que Ele venha» (1 Cor 11, 26). Durante este tempo da Igreja, Cristo vive e age, agora na sua Igreja e com ela, de um modo novo, próprio deste tempo novo. Age pelos sacramentos e é a isso que a Tradição comum do Oriente e do Ocidente chama «economia sacramental». Esta consiste na comunicação (ou «dispensação») dos frutos do mistério pascal de Cristo na celebração da liturgia «sacramental» da Igreja.É por isso que importa, antes de mais, pôr em relevo esta «dispensação sacramental» (Capítulo primeiro). Assim, aparecerão mais claramente a natureza e os aspectos essenciais da celebração litúrgica (Capítulo segundo).
Die Pentecostes, per Spiritus Sancti effusionem, Ecclesia mundo est manifestata.16 Donum Spiritus tempus inaugurat novum in « dispensatione mysterii »: tempus Ecclesiae, quo perdurante Christus per liturgiam Ecclesiae Suae Suum opus salutis manifestat, praesens facit et communicat « donec veniat » (1 Cor 11,26). Per hoc Ecclesiae tempus, Christus vivit et agit iam in Ecclesia Sua et cum illa modo novo proprio huius novi temporis. Agit per sacramenta; hoc communis traditio Orientis et Occidentis « Oeconomiam sacramentalem » appellat; haec in communicatione (seu « dispensatione ») consistit fructuum mysterii Paschalis Christi in celebratione liturgiae « sacramentalis » Ecclesiae. Hac de causa, imprimis ostendere oportet hanc « dispensationem sacramentalem » (caput primum). Sic clarius apparebunt natura et rationes essentiales celebrationis liturgicae (caput secundum). (16) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 6: AAS 56 (1964) 100; Id., Const. dogm. Lumen gentium, 2: AAS 57 (1965) 6.

A LITURGIA – OBRA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

O Pai, fonte e fim da liturgia

§ 1077
«Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, nos céus, nos encheu de toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. Foi assim que, n' Ele, nos escolheu antes da criação do mundo, para sermos, na caridade, santos e irrepreensíveis na sua presença. Destinou-nos de antemão a que nos tornássemos seus filhos adoptivos por Jesus Cristo. Assim aprouve à sua vontade, para que fosse enaltecida a glória da sua graça, com a qual nos favoreceu em seu Filho muito amado» (Ef 1, 3-6).
« Benedictus Deus et Pater Domini nostri Iesu Christi, qui benedixit nos in omni benedictione spiritali in caelestibus in Christo, sicut elegit nos in Ipso ante mundi constitutionem, ut essemus sancti et immaculati in conspectu Eius in caritate, qui praedestinavit nos in adoptionem filiorum per Iesum Christum in Ipsum, secundum beneplacitum voluntatis Suae, in laudem gloriae gratiae Suae, in qua gratificavit nos in Dilecto » (Eph 1,3-6).
§ 1078
Abençoar é uma acção divina que dá a vida e de que o Pai é a fonte. A sua bênção é, ao mesmo tempo, palavra e dom («bene-dictio», «eu-logia»). Aplicada ao homem, tal palavra significará a adoração e a entrega ao seu Criador, em acção de graças.
Benedictio actio est divina quae vitam donat et cuius Pater est fons. Eius benedictio est simul verbum et donum (bene-dictio, eu-logia). Haec locutio homini applicata adorationem et redditionem Creatori eius significabit in gratiarum actione.
§ 1079
Desde o princípio até à consumação dos tempos, toda a obra de Deus é bênção. Desde o poema litúrgico da primeira criação até aos cânticos da Jerusalém celeste, os autores inspirados anunciam o desígnio da salvação como uma imensa bênção divina.
Inde ab initio usque ad temporum consummationem, totum Dei opus benedictio est. Inde a primae creationis liturgico poëmate usque ad caelestis Ierusalem cantica, inspirati auctores consilium annuntiant salutis tamquam immensam benedictionem divinam.
§ 1080
Desde o princípio, Deus abençoa os seres vivos, especialmente o homem e a mulher. A aliança com Noé e todos os seres animados renova esta bênção de fecundidade, apesar do pecado do homem, pelo qual a terra fica «maldita». Mas é a partir de Abraão que a bênção divina penetra na história dos homens, que caminhava em direcção à morte, para a fazer regressar à vida, à sua fonte: pela fé do «pai dos crentes» que acolhe a bênção, é inaugurada a história da salvação.
Inde ab initio, Deus viventibus, praesertim viro et mulieri, benedixit. Foedus cum Noe et cum omnibus entibus animatis hanc fecunditatis renovat benedictionem, non obstante hominis peccato propter quod terra est « maledicta ». Sed inde ab Abraham, benedictio divina penetrat hominum historiam quae mortem versus ibat, ut illam faceret vitam versus, ad eius fontem, ascendere: per fidem « patris credentium » qui benedictionem accipit, salutis historia inauguratur.
§ 1081
As bênçãos divinas manifestam-se em acontecimentos maravilhosos e salvíficos: o nascimento de Isaac, a saída do Egipto (Páscoa e Êxodo), o dom da terra prometida, a eleição de David, a presença de Deus no templo, o exílio purificador e o regresso do «pequeno resto». A Lei, os Profetas e os Salmos, que entretecem a liturgia do povo eleito, se por um lado recordam essas bênçãos divinas, por outro respondem-lhes com as bênçãos de louvor e acção de graças.
Benedictiones divinae in mirabilibus et salvificis manifestantur eventibus: tales sunt nativitas Isaac, exitus de Aegypto (Pascha et Exodus), donum Terrae promissae, electio David, Dei praesentia in Templo, exilium purificans et reditus « parvi residui ». Lex, Prophetae et Psalmi qui populi electi intexunt liturgiam, has divinas simul commemorant benedictiones illisque cum laudis et gratiarum actionis respondent benedictionibus.
§ 1082
Na liturgia da Igreja, a bênção divina é plenamente revelada e comunicada: o Pai é reconhecido e adorado como a Fonte e o Fim de todas as bênçãos da criação e da salvação; no seu Verbo – encarnado, morto e ressuscitado por nós –, Ele cumula-nos das suas bênçãos e, por Ele, derrama nos nossos corações o Dom que encerra todos os dons: o Espírito Santo.
In Ecclesiae liturgia, benedictio divina plene revelatur et communicatur: Pater tamquam fons et finis omnium benedictionum creationis et salutis agnoscitur et adoratur; in Verbo Suo, pro nobis incarnato, mortuo et resuscitato, nos Suis cumulat benedictionibus, et per Illum in corda nostra donum effundit quod omnia continet dona: Spiritum Sanctum.
§ 1083
Compreende-se então a dupla dimensão da liturgia cristã, como resposta de fé e de amor às «bênçãos espirituais» com que o Pai nos gratifica. Por um lado, a Igreja, unida ao seu Senhor e «sob a acção do Espírito Santo» (2), bendiz o Pai «pelo seu Dom inefável» (2 Cor 9, 15), mediante a adoração, o louvor e a acção de graças. Por outro lado, e até à consumação do desígnio de Deus, a Igreja não cessa de oferecer ao Pai «a oblação dos seus próprios dons» e de Lhe implorar que envie o Espírito Santo sobre esta oblação, sobre si própria, sobre os fiéis e sobre o mundo inteiro, a fim de que, pela comunhão na morte e ressurreição de Cristo-Sacerdote e pelo poder do Espírito, estas bênçãos divinas produzam frutos de vida, «para que seja enaltecida a glória da sua graça» (Ef 1, 6).
Duplex tunc intelligitur liturgiae christianae ratio tamquam responsionis fidei et amoris « benedictionibus spiritualibus » quibus Pater nos gratificavit. Ex altera parte, Ecclesia, suo Domino unita et sub Spiritus Sancti actione,17 Patri benedicit « super inenarrabili dono Eius » (2 Cor 9,15), per adorationem, laudem et gratiarum actionem. Ex altera vero, et usque ad consilii Dei consummationem, Ecclesia Patri « oblationem suorum propriorum donorum » offerre non desinit Eumque precari ut Spiritum Sanctum super hanc mittat oblationem, super semetipsam, super fideles et super totum mundum, ut, per communionem in morte et resurrectione Christi-Sacerdotis et per virtutem Spiritus, hae divinae benedictiones fructus ferant vitae « in laudem gloriae gratiae Suae » (Eph 1,6). II. Christi opus in liturgiaChristus glorificatus...

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

A acção de Cristo na liturgia

§ 1084
«Sentado à direita do Pai» e derramando o Espírito Santo sobre o seu corpo que é a Igreja, Cristo age agora pelos sacramentos, que instituiu para comunicar a sua graça. Os sacramentos são sinais sensíveis (palavras e acções), acessíveis à nossa humanidade actual. Realizam eficazmente a graça que significam, em virtude da acção de Cristo e pelo poder do Espírito Santo.
Christus, « sedens ad dexteram Patris » et Spiritum Sanctum in Suum effundens corpus, quod est Ecclesia, iam operatur per sacramenta a Se instituta ad Suam gratiam communicandam. Sacramenta signa sunt sensibilia (verba et actiones), nostro actuali generi humano accessibilia. Efficaciter gratiam efficiunt quam significant propter Christi actionem et per Spiritus Sancti virtutem.
§ 1085
Na liturgia da Igreja, Cristo significa e realiza principalmente o seu mistério pascal. Durante a sua vida terrena, Jesus anunciava pelo seu ensino e antecipava pelos seus actos o seu mistério pascal. Uma vez chegada a sua «Hora» (3), Jesus vive o único acontecimento da história que não passa jamais: morre, é sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-Se à direita do Pai «uma vez por todas» (Rm 6, 10; Heb 7, 27; 9, 12). É um acontecimento real, ocorrido na nossa história, mas único; todos os outros acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado. Pelo contrário, o mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado, já que pela sua morte, Ele destruiu a morte; e tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida.
In Ecclesiae liturgia, Christus Suum Paschale mysterium praecipue significat et efficit. In vita Sua terrestri, Iesus per Suam doctrinam annuntiabat et per Suos actus mysterium Paschale anticipabat Suum. Cum Hora venit,18 unicum historiae vixit eventum qui non transit: Iesus moritur, sepelitur, resurgit a mortuis et sedet ad dexteram Patris « semel » (Rom 6,10; Heb 7,27; 9,12). Eventus est realis, qui in nostra historia accidit, sed est unicus: omnes alii historiae eventus semel adveniunt, deinde transeunt, a praeterito tempore devorati. E contra, mysterium Paschale Christi solum in praeterito permanere non potest, propterea quod Ipse per Mortem Suam destruxit mortem et quidquid Christus est, et quidquid Ipse pro omnibus hominibus fecit et passus est, aeternitatem participat divinam et sic omnia transcendit tempora et praesens efficitur. Eventus crucis et Resurrectionis permanet omniaque ad vitam trahit. ...inde ab Apostolorum Ecclesia...

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

A acção de Cristo na liturgia

§ 1086
«Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também Ele enviou os Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para que, pregando o Evangelho a toda a criatura, anunciassem que o Filho de Deus, pela sua morte e ressurreição, nos libertara do poder de Satanás e da morte e nos introduzira no Reino do Pai, mas também para que realizassem a obra da salvação que anunciavam, mediante o Sacrifício e os sacramentos, à volta dos quais gira toda a vida litúrgica» (4).
« Sicut Christus missus est a Patre, ita et Ipse Apostolos, repletos Spiritu Sancto, misit, non solum ut, praedicantes Evangelium omni creaturae, annuntiarent Filium Dei Morte Sua et Resurrectione nos a potestate Satanae et a morte liberasse et in Regnum Patris transtulisse, sed etiam ut, quod annuntiabant, opus salutis per Sacrificium et sacramenta, circa quae tota vita liturgica vertit, exercerent ».19
§ 1087
Deste modo, Cristo ressuscitado, ao dar o Espírito Santo aos Apóstolos, confia-lhes o seu poder de santificação: (5) eles tornam-se sinais sacramentais de Cristo. Pelo poder do mesmo Espírito Santo, eles confiam este poder aos seus sucessores. Esta «sucessão apostólica» estrutura toda a vida litúrgica da Igreja: ela própria é sacramental, transmitida pelo sacramento da Ordem.
Sic Christus resuscitatus, Apostolis Spiritum Sanctum donans, eis Suam sanctificationis concredit potestatem:20 ipsi signa Christi efficiuntur sacramentalia. Per Eiusdem Spiritus Sancti virtutem, hanc potestatem suis concredunt successoribus. Haec « successio apostolica » totam liturgicam Ecclesiae vitam struit: ipsa sacramentalis est per Ordinis sacramentum transmissa. ...praesens in terrestri est liturgia...

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

A acção de Cristo na liturgia

§ 1088
«Para realizar tão grande obra» – como é a dispensação ou comunicação da sua obra de salvação – «Cristo está sempre presente na sua igreja, sobretudo nas acções litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro – "o que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu outrora na Cruz" – quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas. Está presente com a sua virtude nos sacramentos, de modo que, quando alguém baptiza, é o próprio Cristo que baptiza. Está presente na sua Palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta os salmos, Ele que prometeu: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou Eu, no meio deles" (Mt 18, 20)» (6).
« Ad tantum vero opus perficiendum [dispensationem seu communicationem Sui operis salutis] Christus Ecclesiae Suae semper adest, praesertim in actionibus liturgicis. Praesens adest in Missae Sacrificio cum in ministri persona, "Idem nunc offerens sacerdotum ministerio, qui Seipsum tunc in cruce obtulit", tum maxime sub speciebus eucharisticis. Praesens adest virtute Sua in sacramentis, ita ut cum aliquis baptizat, Christus Ipse baptizet. Praesens adest in Verbo Suo, siquidem Ipse loquitur dum sacrae Scripturae in Ecclesia leguntur. Praesens adest denique cum supplicat et psallit Ecclesia, Ipse qui promisit: "Ubi sunt duo vel tres congregati in nomine meo, ibi sum in medio eorum" (Mt 18,20) ».21
§ 1089
«Em tão grande obra, pela qual Deus é perfeitamente glorificado e os homens santificados, Cristo associa sempre a Si a Igreja, sua amadíssima esposa, a qual invoca o seu Senhor e por meio d'Ele rende culto ao eterno Pai» (7).
« Tanto in opere, quo Deus perfecte glorificatur et homines sanctificantur, Christus Ecclesiam, Sponsam Suam dilectissimam, Sibi semper consociat, quae Dominum suum invocat et per Ipsum Aeterno Patri cultum tribuit ».22...quae liturgiam participat caelestem

QUE PARTICIPA NA LITURGIA CELESTE

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

A acção de Cristo na liturgia

§ 1090
«Na liturgia da terra, participamos, saboreando-a de antemão, na liturgia celeste, celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual nos dirigimos como peregrinos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo; com todo o exército da milícia celestial, cantamos ao Senhor um hino de glória; venerando a memória dos santos, esperamos ter alguma parte e comunhão com eles; e aguardamos o Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo, até que Ele apareça como nossa vida e também nós apareçamos com Ele na glória» (8).
« In terrena liturgia caelestem illam praegustando participamus, quae in sancta Civitate Ierusalem, ad quam peregrini tendimus, celebratur, ubi Christus est in dextera Dei sedens, sanctorum minister et tabernaculi veri; cum omni militia caelestis exercitus hymnum gloriae Domino canimus; memoriam sanctorum venerantes partem aliquam et societatem cum iis speramus; Salvatorem exspectamus Dominum nostrum Iesum Christum, donec Ipse apparebit vita nostra, et nos apparebimus cum Ipso in gloria ».23 III. Spiritus Sanctus et Ecclesia in liturgia

QUE PARTICIPA NA LITURGIA CELESTE

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

O Espírito Santo e a Igreja na liturgia

§ 1091
Na liturgia, o Espírito Santo é o pedagogo da fé do povo de Deus, o artífice das «obras-primas de Deus» que são os sacramentos da Nova Aliança. O desejo e a obra do Espírito no coração da Igreja é que nós vivamos da vida de Cristo ressuscitado. Quando Ele encontra em nós a resposta da fé que suscitou, realiza-se uma verdadeira cooperação. E, por ela, a liturgia torna-se a obra comum do Espírito Santo e da Igreja.
Spiritus Sanctus est in liturgia paedagogus fidei populi Dei, artifex « operum capitalium Dei » quae Novi Testamenti sunt sacramenta. Optatum et opus Spiritus in corde Ecclesiae est ut ex Christi resuscitati vivamus vita. Cum in nobis fidei invenit responsum quod Ipse suscitavit, vera fit cooperatio. Propter hanc liturgia opus fit commune Spiritus Sancti et Ecclesiae.
§ 1092
Nesta dispensação sacramental do mistério de Cristo, o Espírito Santo age do mesmo modo que nos outros tempos da economia da salvação: prepara a Igreja para o encontro com o seu Senhor; lembra e manifesta Cristo à fé da assembleia; torna presente e actualiza o mistério de Cristo pelo seu poder transformante; e finalmente, enquanto Espírito de comunhão, une a Igreja à vida e à missão de Cristo.
In hac sacramentali dispensatione mysterii Christi, Spiritus Sanctus operatur eodem modo ac aliis temporibus Oeconomiae salutis: Ipse Ecclesiam praeparat ut Domino occurrat suo; fidei congregationis Christum commemorat et manifestat; praesens et actuale Christi facit mysterium per Suam transformantem virtutem; Spiritus denique communionis Ecclesiam vitae et missioni coniungit Christi.Spiritus Sanctus ad Christum praeparat accipiendum

O ESPÍRITO SANTO PREPARA PARA ACOLHER CRISTO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

O Espírito Santo e a Igreja na liturgia

§ 1093
O Espírito Santo realiza, na economia sacramental, as figuras da Antiga Aliança. Uma vez que a Igreja de Cristo estava «admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na Antiga Aliança» (9), a liturgia da Igreja conserva, como parte integrante e insubstituível, fazendo-os seus, elementos do culto dessa Antiga Aliança:

– principalmente a leitura do Antigo Testamento;
– a oração dos Salmos;
– e sobretudo, o memorial dos acontecimentos salvíficos e das realidades significativas, que encontraram o seu cumprimento no mistério de Cristo (a Promessa e a Aliança, o Êxodo e a Páscoa, o Reino e o Templo, o Exílio e o regresso).

Spiritus Sanctus in Oeconomia sacramentali figuras adimplet Veteris Foederis. Propterea quod Ecclesia Christi erat « in historia populi Israel ac Foedere Antiquo mirabiliter praeparata »,24 Ecclesiae liturgia, tamquam partem integrantem atque non substituendam, elementa conservat cultus Veteris Foederis, ea sua faciens:

— praecipue lectionem Veteris Testamenti;
— psalmorum orationem;
— et maxime memoriam eventuum salutarium et realitatum significantium quae suam in mysterio Christi invenerunt adimpletionem (Promissionis et Foederis, Exodus et Paschatis, Regni et Templi, Exilii et Reditus).

§ 1094
É com base nesta harmonia dos dois Testamentos (10) que se articula a catequese pascal do Senhor (11) e, depois, a dos Apóstolos e dos Padres da Igreja. Esta catequese desvenda o que estava oculto sob a letra do Antigo Testamento: o mistério de Cristo. É chamada «tipológica», porque revela a novidade de Cristo a partir das «figuras» (tipos) que a anunciavam nos factos, palavras e símbolos da primeira Aliança. Por esta releitura no Espírito de verdade a partir de Cristo, as figuras são desvendadas (12). Assim, o dilúvio e a arca de Noé prefiguravam a salvação pelo Baptismo (13), tal como a nuvem, a travessia do Mar Vermelho e a água do rochedo eram figura dos dons espirituais de Cristo (14); e o maná do deserto prefigurava a Eucaristia, «o verdadeiro Pão do céu» (Jo 6, 48).
Super hanc utriusque Testamenti harmoniam,25 catechesis Paschalis Domini ordinatur,26 deinde illa Apostolorum et Ecclesiae Patrum. Haec catechesis detegit id quod sub littera Veteris Testamenti occultum manebat: mysterium Christi. Ea « typologica » appellatur quia novitatem Christi revelat inde a « figuris » (tipos) quae Illum in primi Foederis factis, verbis et symbolis annuntiabant. Per hanc in Spiritu veritatis inde a Christo novam lectionem, revelantur figurae.27 Sic diluvium et Arca Noe salutem praefigurabant per Baptismum,28 pari modo nubes et Maris Rubri transitus, atque aqua de petra figura erat spiritualium Christi donorum;29 manna deserti Eucharistiam, « Panem de caelo verum » (Io 6,32), praefigurabat.
§ 1095
É por isso que a Igreja, especialmente por ocasião dos tempos do Advento, da Quaresma e sobretudo na noite da Páscoa, relê e revive todos estes grandes acontecimentos da história da salvação no «hoje» da sua liturgia. Isso, porém, exige igualmente que a catequese ajude os fiéis a abrirem-se a esta inteligência «espiritual» da economia da salvação, tal como a liturgia da Igreja a manifesta e no-la faz viver.
Hac de causa, Ecclesia, praesertim temporibus Adventus, Quadragesimae et maxime nocte Paschatis, omnes hos magnos historiae salutis eventus in « hodie » suae liturgiae iterum legit iterumque vivit. Sed hoc etiam exigit ut catechesis fideles adiuvet ad se huic intelligentiae « spirituali » Oeconomiae salutis aperiendos, qualem liturgia Ecclesiae manifestat facitque vivere.
§ 1096
Liturgia judaica e liturgia cristã. Um melhor conhecimento da fé e da vida religiosa do povo judeu, tal como ainda agora são professadas e vividas, pode ajudar a compreender melhor certos aspectos da liturgia cristã. Para os judeus, tal como para os cristãos, a Sagrada Escritura é uma parte essencial das suas liturgias: para a proclamação da Palavra de Deus, a resposta a esta Palavra, a oração de louvor e de intercessão por vivos e mortos, o recurso à misericórdia divina. A liturgia da Palavra, na sua estrutura própria, encontra a sua origem na oração judaica. A Oração das Horas e outros textos e formulários litúrgicos têm nela os seus paralelos, assim como as próprias fórmulas das nossas orações mais veneráveis, como o Pai Nosso. As orações eucarísticas inspiram-se também em modelos de tradição judaica. A relação entre a liturgia judaica e a liturgia cristã, como igualmente a diferença dos respectivos conteúdos, são particularmente visíveis nas grandes festas do ano litúrgico, como a Páscoa. Tanto os cristãos como os judeus celebram a Páscoa: a Páscoa da história, virada para o futuro, entre os judeus: a Páscoa consumada na morte e ressurreição de Cristo, entre os cristãos – embora sempre na esperança da sua consumação definitiva.
Liturgia Iudaica et liturgia christiana. Melior cognitio fidei et vitae religiosae populi Iudaici, sicut adhuc hodie in professione exprimuntur et in vitam ducuntur, ad quasdam liturgiae christianae rationes melius intelligendas potest adiuvare. Pro Iudaeis et pro christianis, sacra Scriptura pars est essentialis liturgiarum ipsorum: pro proclamatione Verbi Dei, responsione ad hoc Verbum, oratione laudis et intercessionis pro vivis et defunctis, recursu ad misericordiam divinam. Verbi liturgia, in sua propria structura, a liturgia Iudaica originem invenit suam. Oratio Horarum et alii textus et formularia liturgica parallelos habent suos, sicut etiam ipsae formulae nostrarum maxime venerabilium orationum, qualis est « Pater noster ». Preces eucharisticae etiam in exemplaribus traditionis Iudaicae inspirantur. Relatio inter liturgiam Iudaicam et liturgiam christianam, sed etiam differentia contentuum earum, peculiariter visibiles sunt in magnis festivitatibus anni liturgici, sicut in Paschate. Christiani et Iudaei Pascha celebrant: Pascha historiae versus futurum tendens apud Iudaeos; Pascha adimpletum in Christi morte et resurrectione apud christianos, licet semper in consummationis definitivae exspectatione.
§ 1097
Na liturgia da Nova Aliança, toda a acção litúrgica, especialmente a celebração da Eucaristia e dos sacramentos, é um encontro entre Cristo e a Igreja. A assembleia litúrgica recebe a sua unidade da «comunhão do Espírito Santo», que reúne os filhos de Deus no único corpo de Cristo. Ultrapassa todas as afinidades humanas, raciais, culturais e sociais.
In Novi Foederis liturgia, omnis actio liturgica, speciatim celebratio Eucharistiae et sacramentorum, occursus est inter Christum et Ecclesiam. Liturgica congregatio suam habet unitatem ex « communione Spiritus Sancti » qui filios Dei coniungit in unum Christi corpus. Illa affinitates superat humanas, gentilitias, culturales et sociales.
§ 1098
A assembleia deve preparar-se para o encontro com o seu Senhor, ser «um povo bem disposto» (15). Esta preparação dos corações é obra comum do Espírito Santo e da assembleia, particularmente dos seus ministros. A graça do Espírito Santo procura despertar a fé, a conversão do coração e a adesão à vontade do Pai. Estas disposições pressupõem-se para receber outras graças oferecidas na própria celebração, e para os frutos de vida nova que ela é destinada a produzir em seguida.
Congregatio se debet praeparare ut Domino occurrat suo, ut sit plebs perfecte parata.30 Haec cordium praeparatio commune est opus Spiritus Sancti et congregationis, praesertim ministrorum eius. Gratia Spiritus Sancti fidem suscitare conatur, conversionem cordis et voluntati Patris adhaesionem. Hae dispositiones praesupponuntur pro acceptione aliarum gratiarum quae in ipsa offeruntur celebratione et pro vitae novae fructibus ad quos deinde producendos celebratio destinatur. Spiritus Sanctus mysterium Christi in memoriam revocat

O ESPÍRITO SANTO RECORDA O MISTÉRIO DE CRISTO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

O Espírito Santo e a Igreja na liturgia

§ 1099
O Espírito e a Igreja cooperam para manifestar Cristo e a sua obra de salvação na liturgia. Principalmente na Eucaristia, e analogicamente nos outros sacramentos, a liturgia é o memorial do mistério da salvação. O Espírito Santo é a memória viva da Igreja (16).
Spiritus et Ecclesia cooperantur ut Christus Eiusque opus salutis manifestentur in liturgia. Praecipue in Eucharistia et analogice in ceteris sacramentis, liturgia Memoriale est mysterii salutis. Spiritus Sanctus vivens Ecclesiae est memoria.31
§ 1100
A Palavra de Deus. O Espírito Santo lembra à assembleia litúrgica, em primeiro lugar, o sentido do acontecimento salvífico, dando vida à Palavra de Deus, que é anunciada para ser recebida e vivida:«É enorme a importância da Sagrada Escritura na celebração da liturgia. Porque é a ela que se vão buscar as leituras que se explicam na homilia e os salmos para cantar; com o seu espírito e da sua inspiração nasceram as preces, as orações e os hinos litúrgicos: dela tiram a sua capacidade de significação as acções e os sinais» (17).
Verbum Dei. Spiritus Sanctus imprimis congregationi commemorat liturgicae sensum eventus salutis, vitam donans Dei Verbo quod annuntiatur, ut recipi possit et in vitam adduci:

« Maximum est sacrae Scripturae momentum in liturgia celebranda. Ex ea enim lectiones leguntur et in homilia explicantur, psalmi canuntur, atque ex eius afflatu instinctuque preces, orationes et carmina liturgica effusa sunt, et ex ea significationem suam actiones et signa accipiunt ».32

« Maximum est sacrae Scripturae momentum in liturgia celebranda. Ex ea enim lectiones leguntur et in homilia explicantur, psalmi canuntur, atque ex eius afflatu instinctuque preces, orationes et carmina liturgica effusa sunt, et ex ea significationem suam actiones et signa accipiunt ».32
§ 1101
É o Espírito Santo que dá aos leitores e ouvintes, segundo a disposição dos seus corações, a inteligência espiritual da Palavra de Deus. Através das palavras, acções e símbolos, que formam a trama duma celebração, o Espírito Santo põe os fiéis e os ministros em relação viva com Cristo, Palavra e Imagem do Pai, de modo a poderem fazer passar para a sua vida o sentido daquilo que ouvem, vêem e fazem na celebração.
Spiritus Sanctus intelligentiam Verbi Dei spiritualem legentibus praebet et audientibus, secundum cordium eorum dispositiones. Per verba, actiones et symbola quae celebrationis tramam efformant, fideles et ministros in relatione viventi ponit cum Christo, Verbo et Imagine Patris, ut illi possint facere ut in eorum vitas sensus rerum transeat quae in celebratione audiunt, contemplantur et agunt.
§ 1102
«É pela Palavra da salvação [...] que a fé é alimentada no coração dos fiéis; e é mercê da fé que tem início e se desenvolve a reunião dos fiéis» (18). O anúncio da Palavra de Deus não se fica por um ensinamento: faz apelo à resposta da fé, enquanto assentimento e compromisso, em vista da aliança entre Deus e o seu povo. É ainda o Espírito Santo que dá a graça da fé, a fortifica e a faz crescer na comunidade. A assembleia litúrgica é, antes de mais, comunhão na fé.
« Verbo [...] salutari [...] in corde fidelium alitur fides, qua congregatio fidelium incipit et crescit ».33 Verbi Dei annuntiatio in quadam instructione non sistit: responsum fidei postulat, tamquam consensum et obligationem, in ordine ad Foedus inter Deum Eiusque populum. Spiritus Sanctus etiam gratiam praebet fidei, eam roborat et crescere facit in communitate. Liturgica congregatio est imprimis communio in fide.
§ 1103
A anamnese. A celebração litúrgica refere-se sempre às intervenções salvíficas de Deus na história. «A economia da revelação realiza-se por meio de acções e palavras intimamente relacionadas entre si [...]; as palavras [...] declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (19). Na liturgia da Palavra, o Espírito Santo «lembra» à assembleia tudo quanto Cristo fez por nós. Segundo a natureza das acções litúrgicas e as tradições rituais das Igrejas, uma celebração «faz memória» das maravilhas de Deus numa anamnese mais ou menos desenvolvida. O Espírito Santo, que assim desperta a memória da Igreja, suscita então a acção de graças e o louvor (doxologia).
Anamnesis. Celebratio liturgica semper ad interventus Dei salvificos in historia refertur. « Revelationis Oeconomia fit gestis verbisque intrinsece inter se connexis, ita ut [...] verba [...] opera proclament et mysterium in eis contentum elucident ».34 In liturgia verbi, Spiritus Sanctus congregationi « revocat in memoriam » quidquid Christus pro nobis fecit. Secundum actionum liturgicarum naturam et traditiones Ecclesiarum rituales, celebratio « memoriam facit » mirabilium Dei in Anamnesi plus minusve explicata. Spiritus Sanctus, qui sic memoriam suscitat Ecclesiae, excitat etiam gratiarum actionem et laudem (doxologia).Spiritus Sanctus mysterium Christi efficit actuale

O ESPÍRITO SANTO ACTUALIZA O MISTÉRIO DE CRISTO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

O Espírito Santo e a Igreja na liturgia

§ 1104
A liturgia cristã não se limita a recordar os acontecimentos que nos salvaram: actualiza-os, torna-os presentes. O mistério pascal de Cristo celebra-se, não se repete; as celebrações é que se repetem. Mas em cada uma delas sobrevém a efusão do Espírito Santo, que actualiza o único mistério.
Liturgia christiana non solum commemorat eventus qui nos salvaverunt, sed eos actuales reddit, praesentes efficit. Paschale Christi mysterium celebratur, non iteratur; celebrationes iterantur; in unaquaque ex illis effusio supervenit Spiritus Sancti qui unicum mysterium reddit actuale.
§ 1105
A epiclese («invocação sobre») é a intercessão mediante a qual o sacerdote suplica ao Pai que envie o Espírito santificador para que as oferendas se tornem o corpo e o sangue de Cristo e para que, recebendo-as, os fiéis se tornem eles próprios uma oferenda viva para Deus.1106 Juntamente com a anamnese, a epiclese é o coração de qualquer celebração sacramental, e mais particularmente da Eucaristia:

«Tu perguntas como é que o pão se torna corpo de Cristo, e o vinho [..] sangue de Cristo? Por mim, digo-te: o Espírito Santo irrompe e realiza isso que ultrapassa toda a palavra e todo o pensamento. [...] Baste-te ouvir que é pelo Espírito Santo, do mesmo modo que é da Santíssima Virgem e pelo Espírito Santo que o Senhor, por Si mesmo e em Si mesmo, assumiu a carne» (20).

Ad resurgendum cum Christo oportet cum Christo mori, oportet « peregrinari a corpore et praesentes esse ad Dominum » (2 Cor 5,8). In profectione, 581 quae est mors, anima a corpore separatur. Ea corpori suo iterum coniungetur resurrectionis mortuorum die. 582
§ 1106
Juntamente com a anamnese, a epiclese é o coração de qualquer celebração sacramental, e mais particularmente da Eucaristia:

«Tu perguntas como é que o pão se torna corpo de Cristo, e o vinho [..] sangue de Cristo? Por mim, digo-te: o Espírito Santo irrompe e realiza isso que ultrapassa toda a palavra e todo o pensamento. [...] Baste-te ouvir que é pelo Espírito Santo, do mesmo modo que é da Santíssima Virgem e pelo Espírito Santo que o Senhor, por Si mesmo e em Si mesmo, assumiu a carne» (20).

Epiclesis est, cum Anamnesi, in corde uniuscuiusque celebrationis sacramentalis, modo magis particulari Eucharistiae:

« Et quaeris quomodo panis fit corpus Christi, ac vinum [...] sanguis Christi? Ego vero tibi repono Spiritum Sanctum supervenire, et ea facere, quae sermonem conceptumque omnem procul exsuperant. [...] Sat tibi sit audire, hoc fieri per Spiritum Sanctum; quemadmodum et ex sancta Dei Genitrice per Spiritum Sanctum Dominus Sibimet et in Seipso carnem sumpsit ».35

§ 1107
O poder transformante do Espírito Santo na liturgia apressa a vinda do Reino e a consumação do mistério da salvação. Na expectativa e na esperança. Ele faz-nos realmente antecipar a comunhão plena da Santíssima Trindade. Enviado pelo Pai, que atende a epiclese da Igreja, o Espírito dá a vida aos que O acolhem e constitui para eles, desde já, as «arras» da sua herança (21).
Virtus transformans Spiritus Sancti in liturgia Adventum Regni properat et consummationem mysterii salutis. In exspectatione et in spe Ipse nos communionem plenam Sanctissimae Trinitatis realiter facit anticipare. Spiritus, missus a Patre qui Epiclesim exaudit Ecclesiae, illis vitam praebet qui Eum accipiunt et iam nunc est pro illis illorum hereditatis « arrabo ».36Spiritus Sancti communio

A COMUNHÃO DO ESPÍRITO SANTO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

O Espírito Santo e a Igreja na liturgia

§ 1108
A finalidade da missão do Espírito Santo em toda a acção litúrgica é pôr-nos em comunhão com Cristo, para formarmos o seu corpo. O Espírito Santo é como que a seiva da Videira do Pai, que dá fruto nos sarmentos (22). Na liturgia, realiza-se a mais íntima cooperação do Espírito Santo com a Igreja. Ele, Espírito de comunhão, permanece indefectivelmente na Igreja, e é por isso que a Igreja é o grande sacramento da comunhão divina que reúne os filhos de Deus dispersos. O fruto do Espírito na liturgia é, inseparavelmente, comunhão com a Santíssima Trindade e comunhão fraterna (23).
Finis missionis Spiritus Sancti in omni actione liturgica est ut in communione simus cum Christo ad corpus Eius efformandum. Spiritus Sanctus est quasi succus vitis Patris qui in palmitibus suum fert fructum.37 In liturgia, cooperatio intima Spiritus et Ecclesiae deducitur in rem. Ipse, Spiritus communionis, in Ecclesia permanet indefectibiliter, et hac de causa Ecclesia magnum est communionis divinae sacramentum quod filios Dei congregat dispersos. Fructus Spiritus in liturgia est inseparabiliter communio cum Sanctissima Trinitate et communio fraterna.38
§ 1109
A epiclese é também oração pelo pleno efeito da comunhão da assembleia no mistério de Cristo. «A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo» (2 Cor 13, 13) devem estar sempre connosco e dar frutos, para além da celebração eucarística. Por isso, a Igreja pede ao Pai que envie o Espírito Santo, para que faça da vida dos fiéis uma oferenda viva para Deus pela transformação espiritual à imagem de Cristo, pela preocupação com a unidade da Igreja e pela participação na sua missão, mediante o testemunho e o serviço da caridade.Resumindo:
Epiclesis est etiam oratio pro pleno effectu communionis congregationis in Christi mysterio. « Gratia Domini Iesu Christi et caritas Dei et communicatio Sancti Spiritus » (2 Cor 13,13) nobiscum semper debent permanere fructusque ferre ultra eucharisticam celebrationem. Ecclesia igitur Patrem orat ut Spiritum Sanctum mittat qui ex fidelium vita oblationem Deo efficiat viventem per spiritualem transformationem ad imaginem Christi, sollicitudinem de unitate Ecclesiae et participationem in missione eius per testimonium et caritatis servitium. Compendium

COMPÊNDIO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Resumindo

§ 1110
Na liturgia da Igreja, Deus Pai é bendito e adorado como fonte de todas as bênçãos da criação e da salvação, com que nos abençoou no seu Filho, para nos dar o Espírito da adopção filial.
In Ecclesiae liturgia, Deus Pater benedicitur et adoratur tamquam fons omnium benedictionum creationis et salutis, quibus Ipse nobis in Filio benedixit Suo, ad nobis Spiritum adoptionis filialis donandum.
§ 1111
A obra de Cristo na liturgia é sacramental, porque o seu mistério de salvação torna-se ali presente pelo poder do seu Espírito Santo; porque o seu corpo, que é a Igreja, é como que o sacramento (sinal e instrumento) no qual o Espírito Santo dispensa o mistério da salvação; e porque, através das suas acções litúrgicas, a Igreja peregrina participa já, por antecipação, na liturgia do céu.
Christi opus in liturgia est sacramentale quia Eius mysterium salutis per virtutem Spiritus Sancti Eius efficitur praesens; quia Eius corpus, quod est Ecclesia, veluti sacramentum (signum et instrumentum) est per quod Spiritus Sanctus mysterium salutis dispensat; quia Ecclesia peregrinans, per suas actiones liturgicas, iam praegustando, liturgiam participat caelestem.
§ 1112
A missão do Espírito Santo na liturgia da Igreja é preparar a assembleia para o encontro com Cristo, lembrar e manifestar Cristo à fé da assembleia, tornar presente e actualizar a obra salvífica de Cristo pelo seu poder transformante e fazer frutificar o dom da comunhão na Igreja.
Spiritus Sancti missio in Ecclesiae liturgia est congregationem praeparare ut Christo occurrat; fidei congregationis Christum commemorare et praesentare; per Suam transformantem virtutem opus salvificum Christi praesens reddere et actuale atque efficere ut donum communionis in Ecclesia ferat fructus. (17) Cf Lc 10,21. (18) Cf Io 13,1; 17,1. (19) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 6: AAS 56 (1964) 100.(20) Cf Io 20,21-23. (21) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 7: AAS 56 (1964) 100-101. (22) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 7: AAS 56 (1964) 101.(23) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 8: AAS 56 (1964) 101; cf Id., Const. dogm. Lumen gentium, 50: AAS 57 (1965) 55-57.(24) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 2: AAS 57 (1965) 6.(25) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 14-16: AAS 58 (1966) 824-825.(26) Cf Lc 24,13-49.(27) Cf 2 Cor 3,14-16.(28) Cf 1 Pe 3,21.(29) Cf 1 Cor 10,1-6.(30) Cf Lc 1,17.(31) Cf Io 14,26.(32) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 24: AAS 56 (1964) 106-107.(33) Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 4: AAS 58 (1966) 996.(34) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.(35) Sanctus Ioannes Damascenus, Expositio fidei, 86 [De fide orthodoxa, 4, 13]: PTS 12, 194-195 (PG 94, 1141. 1145). (36) Cf Eph 1,14; 2 Cor 1,22. (37) Cf Io 15,1-17; Gal 5,22. (38) Cf 1 Io 1,3-7.

O MISTÉRIO PASCAL NOS SACRAMENTOS DA IGREJA

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

§ 1113
Toda a vida litúrgica da Igreja gravita em torno do sacrifício eucarístico e dos sacramentos (24). Há na Igreja sete sacramentos: Baptismo, Confirmação ou Crisma, Eucaristia, Penitência, Unção dos enfermos, Ordem e Matrimónio (25). Neste artigo, trata-se do que é comum aos sete sacramentos da Igreja, do ponto de vista doutrinal; o que lhes é comum sob o aspecto da celebração será exposto no capítulo II; e o que é próprio de cada um constituirá o objecto da secção II.
Tota vita liturgica Ecclesiae circa Sacrificium eucharisticum et sacramenta vertit.39 In Ecclesia septem sunt sacramenta: Baptismus, Confirmatio seu Chrismatio, Eucharistia, Paenitentia, Unctio infirmorum, Ordo et Matrimonium.40 In hoc articulo agitur de eo quod septem Ecclesiae sacramentis ratione doctrinali commune est. Id quod ratione celebrationis est commune, in capite secundo exponetur, et quod proprium unicuique est eorum, obiectum erit secundae sectionis. I. Christi sacramenta

O MISTÉRIO PASCAL NOS SACRAMENTOS DA IGREJA

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Os sacramentos de Cristo

§ 1114
«Aderindo à doutrina da Sagrada Escritura, às tradições apostólicas [...] e ao sentir unânime dos santos Padres» (26), nós professamos que «os sacramentos da nova Lei [...] foram todos instituídos por nosso Senhor Jesus Cristo» (27).
« Sanctarum Scripturarum doctrinae, apostolicis Traditionibus [...] et Patrum consensui inhaerendo »,41 profitemur « sacramenta novae Legis [...] fuisse omnia a Iesu Christo Domino nostro instituta ».42
§ 1115
As palavras e as acções de Jesus durante a sua vida oculta e o seu ministério público já eram salvíficas. Antecipavam o poder do seu mistério pascal. Anunciavam e preparavam o que Ele ia dar à Igreja quando tudo estivesse cumprido. Os mistérios da vida de Cristo são os fundamentos do que, de ora em diante, pelos ministros da sua Igreja, Cristo dispensa nos sacramentos, porque «o que no nosso Salvador era visível, passou para os seus mistérios» (28).
Iam verba et opera Iesu, tempore Eius vitae occultae Eiusque ministerii publici, salvifica erant. Eius mysterii Paschalis anticipabant virtutem. Illa id annuntiabant et praeparabant quod Ipse Ecclesiae erat daturus, cum omnia essent adimpleta. Mysteria vitae Christi fundamenta sunt illius quod Christus deinceps per Ecclesiae Suae ministros in sacramentis dispensat, quia « quod [...] Redemptoris nostri conspicuum fuit, in sacramenta transivit ».43
§ 1116
«Forças que saem» do corpo de Cristo (29), sempre vivo e vivificante: acções do Espírito Santo que opera no seu corpo que é a Igreja, os sacramentos são «as obras-primas de Deus», na nova e eterna Aliança.
« Virtutes quae exeunt » de corpore Christi,44 semper viventis et vivificantis, actiones Spiritus Sancti in Eius corpore operantis quod est Ecclesia, sacramenta « opera capitalia Dei » sunt in Novo et aeterno Foedere. II. Ecclesiae sacramenta

O MISTÉRIO PASCAL NOS SACRAMENTOS DA IGREJA

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Os sacramentos da Igreja

§ 1117
Pelo Espírito que a conduz «para a verdade total» (Jo 16, 13), a Igreja reconheceu, a pouco e pouco, este tesouro recebido de Cristo e foi-lhe precisando a « dispensação» , tal como o fez relativamente ao cânon das Sagradas Escrituras e à doutrina da fé, enquanto fiel despenseira dos mistérios de Deus (30). Assim, a Igreja discerniu, no decorrer dos séculos, que, entre as suas celebrações litúrgicas, há sete que são, no sentido próprio da palavra, sacramentos instituídos pelo Senhor.
Ecclesia, per Spiritum qui eam « in omnem veritatem » (Io 16,13) deducit, hunc thesaurum a Christo receptum paulatim agnovit eiusque « dispensationem » determinavit sicut pro sacrarum Scripturarum canone fecit et fidei doctrina, tamquam fidelis mysteriorum Dei dispensatrix.45 Sic Ecclesia saeculorum discrevit decursu, inter suas celebrationes liturgicas, septem esse quae, sensu huius termini proprio, sacramenta sunt a Domino instituta.
§ 1118
Os sacramentos são «da Igreja», no duplo sentido de que são «por ela» e «para ela». São «pela Igreja», porque ela é o sacramento da acção de Cristo que nela opera, graças à missão do Espírito Santo. E são «para a Igreja», são estes «sacramentos que fazem a Igreja» (31), porque manifestam e comunicam aos homens, sobretudo na Eucaristia, o mistério da comunhão do Deus-Amor, um em três pessoas.
Sacramenta, hoc duplici sensu, sunt « Ecclesiae »: ea sunt « per illam » et « pro illa ». Sunt « per Ecclesiam » quia haec sacramentum est actionis Christi in ea per Spiritus Sancti missionem operantis. Et sunt « pro Ecclesia », sunt « sacramenta [...] quibus aedificatur Ecclesia »,46 quippe quae hominibus, praesertim in Eucharistia, mysterium communionis Dei-Amoris, Unius in Tribus Personis, manifestant et communicant.
§ 1119
Formando com Cristo-Cabeça «como que uma única pessoa mística» (32), a Igreja age nos sacramentos como «comunidade sacerdotal», «organicamente estruturada» (33): pelo Baptismo e pela Confirmação, o povo sacerdotal torna-se apto a celebrar a liturgia; e por outro lado, certos fiéis, «assinalados com a sagrada Ordem, ficam constituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a Palavra e a graça de Deus» (34).
Ecclesia, cum Christo-Capite constituens « unam dumtaxat [...] mysticam personam »,47 in sacramentis operatur tamquam « communitas sacerdotalis » « organice exstructa »:48 per Baptisma et Confirmationem, populus sacerdotalis ad liturgiam celebrandam fit aptus; ex altera parte, quidam fideles, sacro Ordine insigniti, « ad Ecclesiam verbo et gratia Dei pascendam, Christi nomine instituuntur ».49
§ 1120
O ministério ordenado ou sacerdócio ministerial (35) está ao serviço do sacerdócio baptismal. Ele garante que, nos sacramentos, é de certeza Cristo que age pelo Espírito Santo em favor da Igreja. A missão de salvação, confiada pelo Pai ao seu Filho encarnado, é confiada aos Apóstolos e, por eles, aos seus sucessores; eles recebem o Espírito de Jesus para agirem em seu nome e na sua pessoa (36). Assim, o ministro ordenado é o laço sacramental que une a acção litúrgica àquilo que disseram e fizeram os Apóstolos e, por eles, ao que disse e fez o próprio Cristo, fonte e fundamento dos sacramentos.
Ministerium ordinatum seu « sacerdotium ministeriale »50 in sacerdotii baptismalis est servitium. Illud Christum revera, in sacramentis, agere per Spiritum Sanctum pro Ecclesia praestat. Missio salutis a Patre Eius Filio incarnato concredita, Apostolis committitur et per eos successoribus eorum: hi Spiritum Sanctum Iesu accipiunt ad agendum in nomine et in persona Eius.51 Sic ministerium ordinatum vinculum est sacramentale quod actionem liturgicam coniungit cum eo quod Apostoli dixerunt et fecerunt, et, per illos, cum eo quod Christus, sacramentorum fons et fundamentum, dixit et fecit.
§ 1121
Os três sacramentos do Baptismo, Confirmação e Ordem conferem, além da graça, um carácter sacramental ou «selo», pelo qual o cristão participa no sacerdócio de Cristo e faz parte da Igreja segundo estados e funções diversas. Esta configuração a Cristo e à Igreja, realizada pelo Espírito, é indelével (37), fica para sempre no cristão como disposição positiva para a graça, como promessa e garantia da protecção divina e como vocação para o culto divino e para o serviço da Igreja. Por isso, estes sacramentos nunca podem ser repetidos.
Tria sacramenta Baptismi, Confirmationis et Ordinis, praeter gratiam, sacramentalem conferunt characterem seu « signum » per quod christianus Christi participat sacerdotium et Ecclesiae fit pars secundum status et munera diversa. Haec configuratio Christo et Ecclesiae, a Spiritu effecta, indelebilis est,52 perpetuo permanet in christiano tamquam dispositio positiva pro gratia, tamquam promissio et cautio protectionis divinae atque tamquam vocatio ad cultum divinum et ad Ecclesiae servitium. Haec igitur sacramenta numquam possunt iterari.III. Sacramenta fidei

O MISTÉRIO PASCAL NOS SACRAMENTOS DA IGREJA

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Os sacramentos da fé

§ 1122
Cristo enviou os Apóstolos para que, «em seu nome, pregassem a todas as nações a conversão para o perdão dos pecados» (Lc 24, 47). «Fazei discípulos de todas as nações, baptizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). A missão de baptizar, portanto a missão sacramental, está implicada na missão de evangelizar; porque o sacramento é preparado pela Palavra de Deus e pela fé, que é assentimento à dita Palavra:

«O povo de Deus é reunido, antes de mais, pela Palavra de Deus vivo [...]. A pregação da Palavra é necessária para o próprio ministério dos sacramentos, enquanto são sacramentos da fé, que nasce e se alimenta da Palavra» (38).

Christus Suos Apostolos misit ut praedicent « in nomine Eius paenitentiam in remissionem peccatorum in omnes gentes » (Lc 24,47). « Docete omnes gentes, baptizantes eos in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti » (Mt 28,19). Missio baptizandi, missio igitur sacramentalis, in missione evangelizandi implicatur, quia sacramentum a verbo Dei et a fide praeparatur quae huic verbo est assensus:

« Populus Dei primum coadunatur Verbo Dei vivi [...]. Verbi praedicatio requiritur ad ipsum ministerium sacramentorum, quippe quae sint sacramenta fidei, quae de Verbo nascitur et nutritur ».53

§ 1123
«Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do corpo de Cristo e, por fim, a prestar culto a Deus; como sinais, têm também a função de instruir. Não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam sacramentos da fé» (39).
« Sacramenta ordinantur ad sanctificationem hominum, ad aedificationem corporis Christi, ad cultum denique Deo reddendum; ut signa vero etiam ad instructionem pertinent. Fidem non solum supponunt, sed verbis et rebus etiam alunt, roborant, exprimunt; quare fidei sacramenta dicuntur ».54
§ 1124
A fé da Igreja é anterior à fé do fiel, que é chamado a aderir a ela. Quando a Igreja celebra os sacramentos, confessa a fé recebida dos Apóstolos. Daí o adágio antigo: «Lex orandi, lex credendi – A lei da oração é a lei da fé» (Ou: «Legem credendi lex statuat supplicandi – A lei da fé é determinada pela lei da oração», como diz Próspero de Aquitânia [século V]) (40). A lei da oração é a lei da fé, a Igreja crê conforme reza. A liturgia é um elemento constitutivo da Tradição santa e viva (41).
Ecclesiae fides fidem praecedit fidelis, qui invitatur ut illi adhaereat. Cum Ecclesia sacramenta celebrat, fidem profitetur ab Apostolis receptam. Inde vetus adagium: « Lex orandi, lex credendi » (vel: « Legem credendi lex statuat supplicandi », secundum Prosperum Aquitanum [saeculo quinto]).55 Lex orationis est lex fidei. Ecclesia credit sicut orat. Liturgia elementum est constituens sanctae et vivificae Traditionis.56
§ 1125
É por isso que nenhum rito sacramental pode ser modificado ou manipulado ao arbítrio do ministro ou da comunidade. Nem mesmo a autoridade suprema da Igreja pode mudar a liturgia a seu bel-prazer, mas somente na obediência da fé e no respeito religioso do mistério da liturgia.
Hac de causa, nullus ritus sacramentalis potest ad placitum ministri vel communitatis mutari vel ad eorum variari commodum. Ipsa auctoritas Ecclesiae suprema non potest liturgiam ad placitum commutare suum, sed solummodo in oboedientia fidei et in religiosa mysterii liturgiae observantia.
§ 1126
Aliás, uma vez que os sacramentos exprimem e desenvolvem a comunhão da fé na Igreja, a lex orandi é um dos critérios essenciais do diálogo que procura restaurar a unidade dos cristãos (42).
Ceterum, quia sacramenta communionem fidei in Ecclesia exprimunt et explicant, lex orandi quoddam est e criteriis essentialibus dialogi qui unitatem christianorum intendit restaurare.57 IV. Sacramenta salutis

O MISTÉRIO PASCAL NOS SACRAMENTOS DA IGREJA

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Os sacramentos da salvação

§ 1127
Celebrados dignamente na fé, os sacramentos conferem a graça que significam (43). Eles são eficazes, porque neles é o próprio Cristo que opera: é Ele que baptiza, é Ele que age nos sacramentos para comunicar a graça que o sacramento significa. O Pai atende sempre a oração da Igreja do seu Filho, a qual, na epiclese de cada sacramento, exprime a sua fé no poder do Espírito. Tal como o fogo transforma em si tudo quanto atinge, assim o Espírito Santo transforma em vida divina tudo quanto se submete ao seu poder.
Sacramenta, in fide digne celebrata, gratiam conferunt quam significant.58 Sunt efficacia quia in eis Ipse Christus operatur: Ipse est qui baptizat, Ipse est qui in Suis agit sacramentis ut gratiam communicet quam sacramentum significat. Pater orationem Ecclesiae Filii Sui semper exaudit, quae, in uniuscuiusque sacramenti Epiclesi, suam fidem exprimit in virtutem Spiritus. Sicut ignis transformat in se quidquid tangit, Spiritus Sanctus in vitam transformat divinam id quod Eius virtuti submittitur.
§ 1128
É esse o sentido da afirmação da Igreja (44): os sacramentos actuam ex opere operato (à letra: «pelo próprio facto de a acção ser executada»), quer dizer, em virtude da obra salvífica de Cristo, realizada uma vez por todas. Segue-se daí que «o sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas pelo poder de Deus» (45). Desde  que um sacramento seja celebrado conforme a intenção da Igreja, o poder de Cristo e do seu Espírito age nele e por ele, independentemente da santidade pessoal do ministro. No entanto, os frutos dos sacramentos dependem também das disposições de quem os recebe.
Hic est sensus affirmationis Ecclesiae:59 sacramenta agunt ex opere operato (seu « ex ipso facto quod actio adimpleta est »), id est, virtute salvifici operis Christi, semel pro semper adimpleti. Inde hoc sequitur: « non [...] sacramentum perficitur per iustitiam hominis dantis vel suscipientis, sed per virtutem Dei ».60 Eo ipso quod sacramentum secundum intentionem Ecclesiae celebratur, virtus Christi et Eius Spiritus in eo et per id operatur independenter a sanctitate personali ministri. Tamen, sacramentorum fructus etiam a dispositionibus dependent illius qui ea recipit.
§ 1129
A Igreja afirma que, para os crentes, os sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação (46). A «graça sacramental» é a graça do Espírito Santo dada por Cristo e própria de cada sacramento. O Espírito cura e transforma aqueles que O recebem, conformando-os com o Filho de Deus. O fruto da vida sacramental é que o Espírito de adopção deifique " os fiéis, unindo-os vitalmente ao Filho único, o Salvador.
Ecclesia affirmat sacramenta Novi Foederis esse pro credentibus ad salutem necessaria.61 « Gratia sacramentalis » est gratia Spiritus Sancti a Christo donata et unicuique sacramento propria. Spiritus sanat et transformat illos qui Eum recipiunt Filio Dei ipsos conformans. Vitae sacramentalis fructus est, ut Spiritus adoptionis fideles deificet,62 eos modo vitali cum Filio unico, Salvatore, coniungens. V. Sacramenta vitae aeternae

O MISTÉRIO PASCAL NOS SACRAMENTOS DA IGREJA

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Os sacramentos da vida eterna

§ 1130
A Igreja celebra o mistério do seu Senhor «até que Ele venha» e «Deus seja tudo em todos»(1 Cor 11, 26; 15, 28). Desde a era Apostólica, a liturgia é atraída para o seu termo pelo gemido do Espírito na Igreja: «Marana tha!» (1 Cor 16, 22). A liturgia participa, assim, no desejo de Jesus: «Tenho ardentemente desejado comer convosco esta Páscoa [...], até que ela se realize plenamente no Reino de Deus» (Lc 22, 15-16). Nos sacramentos de Cristo, a Igreja recebe já as arras da sua herança e já participa na vida eterna, embora «aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo» (Tt 2, 13). «O Espírito e a esposa dizem: "Vem!" [...] «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 17.20).

São Tomás de Aquino define assim as diferentes dimensões do sinal sacramental: «Sacramentum est et signum rememorativum eius quod praecessit, scilicet passionis Christi; et demonstrativum eius quod in nobis efficitur per Christi passionem, scilicet gratiae; et prognosticum, id est, praenuntiativum futurae gloriae O sacramento é sinal rememorativo daquilo que o precedeu, ou seja, da paixão de Cristo; e demonstrativo daquilo que em nós a paixão de Cristo realiza, ou seja, da graça; e prognóstico, quer dizer, que anuncia de antemão a glória futura»(48).

Ecclesia mysterium Domini sui celebrat « donec veniat » (1 Cor 11,26) et « sit Deus omnia in omnibus » (1 Cor 15,28). Inde ab aetate apostolica, liturgia ad suum trahitur finem per gemitum Spiritus in Ecclesia: « Marana tha! » (1 Cor 16,22). Sic liturgia desiderium participat Iesu: « Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, [...] donec impleatur in Regno Dei » (Lc 22,15-16). In Christi sacramentis, Ecclesia iam recipit arrabonem Eius hereditatis, iam vitam participat aeternam, licet exspectans « beatam spem et adventum gloriae magni Dei et Salvatoris nostri Iesu Christi » (Tit 2,13). « Et Spiritus et Sponsa dicunt: "Veni!" [...] Veni, Domine Iesu! » (Apc 22,17.20).

Sanctus Thomas ita diversas signi sacramentalis rationes compendiat: « Sacramentum est et signum rememorativum eius quod praecessit, scilicet passionis Christi; et demonstrativum eius quod in nobis efficitur per Christi passionem, scilicet gratiae; et prognosticum, idest praenuntiativum, futurae gloriae ».63

COMPÊNDIO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Resumindo

§ 1131
Os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis, com os quais são celebrados os sacramentos, significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Eles dão fruto naqueles que os recebem com as disposições requeridas.
Sacramenta sunt signa efficacia gratiae, a Christo instituta et Ecclesiae concredita, per quae vita divina nobis praebetur. Ritus visibiles quibus sacramenta celebrantur, gratias significant et efficiunt unicuique sacramento proprias. Fructum ferunt in illis qui ea cum requisitis recipiunt dispositionibus.
§ 1132
A Igreja celebra os sacramentos enquanto comunidade sacerdotal estruturada pelo sacerdócio baptismal e pelo dos ministros ordenados.
Ecclesia sacramenta celebrat tamquam sacerdotalis communitas a sacerdotio baptismali et ab illo ministrorum ordinatorum exstructa.
§ 1133
O Espírito Santo prepara para os sacramentos pela Palavra de Deus e pela fé, que acolhe a Palavra nos corações bem dispostos. Então, os sacramentos fortificam e exprimem a fé.
Spiritus Sanctus ad sacramenta per Verbum Dei praeparat et per fidem quae Verbum accipit in cordibus bene dispositis. Tunc sacramenta fidem roborant et exprimunt.
§ 1134
O fruto da vida sacramental é, ao mesmo tempo, pessoal e eclesial. Por um lado, este fruto é, para todo o fiel, viver para Deus em Cristo Jesus; por outro, é para a Igreja crescimento na caridade e na sua missão de testemunho.
Vitae sacramentalis fructus est simul personalis et ecclesialis. Ex altera parte, hic fructus pro omni fideli est vita pro Deo in Iesu Christo; ex altera, pro Ecclesia est augmentum in caritate et in eius missione testimonii. (39) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 6: AAS 56 (1964) 100.(40) Cf Concilium Lugdunense II, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 860; Concilium Florentinum, Decretum pro Armenis: DS 1310; Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Canones de sacramentis in genere, canon 1: DS 1601. (41) Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Decretum de sacramentis, Prooemium: DS 1600.(42) Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Canones de sacramentis in genere, canon 1: DS 1601.(43) Sanctus Leo Magnus, Sermo 74, 2: CCL 138A, 457 (PL 54, 398). (44) Cf Lc 5,17; 6,19; 8,46. (45) Cf Mt 13,52; 1 Cor 4,1. (46) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 22, 17: CSEL 402, 625 (PL 41, 779); cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 64, a. 2, ad 3: Ed. Leon. 12, 43. (47) Pius XII, Litt. enc. Mystici corporis: AAS 35 (1943) 226.(48) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.(49) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.(50) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.(51) Cf Io 20,21-23; Lc 24,47; Mt 28,18-20. (52) Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Canones de sacramentis in genere, canon 9: DS 1609. (53) Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 4: AAS 58 (1966) 995-996. (54) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 59: AAS 56 (1964) 116. (55) Indiculus, c. 8: DS 246 (PL 51, 209). (56) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.(57) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 91-92; Ibid., 15: AAS 57 (1965) 101-102. (58) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Canones de sacramentis in genere, canon 5: DS 1605; Ibid., canon 6: DS 1606. (59) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Canones de sacramentis in genere, canon 8: DS 1608. (60) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 68, a. 8, c.: Ed. Leon. 12, 100. (61) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 4a, Canones de sacramentis in genere, canon 8: DS 1604. (62) Cf 2 Pe 1,4. (63) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 60, a. 3, c.: Ed. Leon. 12,6.

A CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL DO MISTÉRIO PASCAL

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

§ 1135
A catequese da liturgia implica, primeiramente, a compreensão da economia sacramental (capítulo primeiro). A esta luz revela-se a novidade da sua celebração. Tratar-se-á, pois, neste capítulo da celebração dos sacramentos da Igreja. Ter-se-á em vista aquilo que, através da diversidade das tradições litúrgicas, é comum à celebração dos sete sacramentos; o que é próprio de cada um será apresentado mais adiante. Esta catequese fundamental das celebrações sacramentais responderá às principais questões que os fiéis se colocam a este respeito:

– quem celebra?
– como celebrar?
– quando celebrar?
– onde celebrar?

Liturgiae catechesis Oeconomiae sacramentalis imprimis implicat intelligentiam (caput primum). Sub hac luce, eius celebrationis revelatur novitas. In hoc igitur capite de celebratione agetur sacramentorum Ecclesiae. Id considerabitur quod, in traditionum liturgicarum diversitate, septem sacramentorum celebrationi est commune; id quod unicuique eorum proprium est, exponetur ulterius. Haec fundamentalis catechesis celebrationum sacramentalium prioribus respondebit quaestionibus quas fideles de hac re sibi ponunt:

— Quis celebrat?
— Quomodo celebrandum?
— Quando celebrandum?
— Ubi celebrandum?

CELEBRAR A LITURGIA DA IGREJA

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Quem celebra?

§ 1136
A liturgia é «acção» do «Cristo total» (Christus totus). Os que agora a celebram para além dos sinais, estão já integrados na liturgia celeste, onde a celebração é totalmente comunhão e festa.
Liturgia « actio » est totius Christi. Illi qui nunc eam ultra signa celebrant, sunt iam in liturgia caelesti, ubi celebratio plene communio est et festum.Liturgiae caelestis celebrantes

OS CELEBRANTES DA LITURGIA CELESTE

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Quem celebra?

§ 1137
O Apocalipse de São João, lido na liturgia da Igreja, revela-nos, primeiramente, um trono preparado no céu, e Alguém sentado no trono (1), «o Senhor Deus» (Is 6, 1) (2). Depois, o Cordeiro «imolado e de pé» (Ap 5, 6) (3): Cristo crucificado e ressuscitado, o único Sumo-Sacerdote do verdadeiro santuário (4), o mesmo «que oferece e é oferecido, que dá e é dado»(5). Enfim, «o rio da Vida [...] que corre do trono de Deus e do Cordeiro» (Ap 22, 1), um dos mais belos símbolos do Espírito Santo (6).
Sancti Ioannis Apocalypsis, in Ecclesiae liturgia lecta, nobis imprimis revelat thronum positum in caelo; et supra thronum sedentem:64 « Dominum » (Is 6,1).65 Deinde « Agnum stantem tamquam occisum » (Apc 5,6):66 Christum crucifixum et resuscitatum, unum Summum Sacerdotem tabernaculi veri,67 Eundem qui est « offerens et oblatus, accipiens et donatus ».68 Tandem, « fluvium aquae vivae [...] procendentem de throno Dei et Agni » (Apc 22,1), quoddam e pulcherrimis Spiritus Sancti signis.69
§ 1138
«Recapitulados» em Cristo, tomam parte no serviço do louvor de Deus e na realização do seu desígnio: os Poderes celestes (7), toda a criação (os quatro viventes), os servidores da Antiga e da Nova Aliança (os vinte e quatro anciãos), o novo povo de Deus (os cento e quarenta e quatro mil) (8), em particular os mártires, «degolados por causa da Palavra de Deus» (Ap 6, 9) e a santíssima Mãe de Deus (a Mulher (9); a Esposa do Cordeiro (10) enfim, «uma numerosa multidão que ninguém podia contar e provinda de todas as nações, tribos, povos e línguas» (Ap 7, 9).
In Christo « recapitulati » servitium laudis Dei et adimpletionem participant Eius consilii: Virtutes caelestes,70 tota creatio (quattuor Animalia), Veteris et Novi Foederis ministri (viginti quattuor Seniores), novus populus Dei (centum quadraginta quattuor milia),71 peculiariter martyres interfecti « propter verbum Dei » (Apc 6,9), et sanctissima Mater Dei (Mulier;72 Sponsa Agni73), denique « turba magna, quam dinumerare nemo poterat, ex omnibus gentibus et tribubus et populis et linguis » (Apc 7,9).
§ 1139
É nesta liturgia eterna que o Espírito e a Igreja nos fazem participar, quando celebramos o mistério da salvação nos sacramentos.
Huius aeternae liturgiae participes Spiritus et Ecclesia nos efficiunt, cum mysterium salutis in sacramentis celebramus. Liturgiae sacramentalis celebrantes

OS CELEBRANTES DA LITURGIA SACRAMENTAL

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Quem celebra?

§ 1140
É toda a comunidade, o corpo de Cristo unido à sua Cabeça, que celebra. «As acções litúrgicas não são acções privadas, mas celebrações da Igreja, que é "o sacramento da unidade", isto é, povo santo reunido e ordenado sob a direcção dos bispos. Por isso, tais acções pertencem a todo o corpo da Igreja, manifestam-no e afectam-no, atingindo, porém, cada um dos membros de modo diverso, segundo a variedade de estados, funções e participação actual» (11). Também por isso, «sempre que os ritos comportam, segundo a natureza própria de cada qual, uma celebração comum, caracterizada pela presença e activa participação dos fiéis, inculque-se que esta deve preferir-se, na medida do possível, à celebração individual e como que privada» (12).
Tota communitas, corpus Christi suo Capiti unitum, celebrat. « Actiones liturgicae non sunt actiones privatae, sed celebrationes Ecclesiae, quae est "unitatis sacramentum", scilicet plebs sancta sub Episcopis adunata et ordinata. Quare ad universum corpus Ecclesiae pertinent illudque manifestant et afficiunt; singula vero membra ipsius diverso modo, pro diversitate ordinum, munerum et actualis participationis attingunt ».74 Hac etiam de causa, « quoties ritus, iuxta propriam cuiusque naturam, secum ferunt celebrationem communem, cum frequentia et actuosa participatione fidelium, inculcetur hanc, in quantum fieri potest, esse praeferendam celebrationi eorum singulari et quasi privatae ».75
§ 1141
A assembleia que celebra é a comunidade dos baptizados, que «pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma casa espiritual e um sacerdócio santo, para oferecerem, mediante todas as obras do cristão, sacrifícios espirituais» (13). Este «sacerdócio comum» é o de Cristo, único Sacerdote, participado por todos os seus membros (14):

«É desejo ardente da Mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e activa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da liturgia exige e que é, por força do Baptismo, um direito e um dever do povo cristão, "raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido"(1 Pe 2, 9) (15)»(16).

Celebrans congregatio communitas est baptizatorum, qui, « per regenerationem et Spiritus Sancti unctionem consecrantur in domum spiritualem et sacerdotium sanctum, ut per omnia opera hominis christiani spirituales offerant hostias ».76 « Sacerdotium commune » illud est Christi, unius Sacerdotis, ab omnibus Eius membris participatum:77

« Valde cupit Mater Ecclesia ut fideles universi ad plenam illam, consciam atque actuosam liturgicarum celebrationum participationem ducantur, quae ab ipsius liturgiae natura postulatur et ad quam populus christianus, "genus electum, regale sacerdotium, gens sancta, populus acquisitionis" (1 Pe 2,9),78 vi Baptismatis ius habet et officium ».79

§ 1142
Mas «nem todos os membros têm a mesma função» (Rm 12, 4). Alguns deles são chamados por Deus, na Igreja e pela Igreja, a um serviço especial da comunidade. Estes servidores são escolhidos e consagrados pelo sacramento da Ordem, pelo qual o Espírito Santo os torna aptos para agirem na pessoa de Cristo-Cabeça ao serviço de todos os membros da Igreja (17). O ministro ordenado é como que o «ícone» de Cristo-Sacerdote. Por ser na Eucaristia que se manifesta plenamente o sacramento da Igreja, na presidência da Eucaristia aparece em primeiro lugar o ministério do bispo e, em comunhão com ele, o dos presbíteros e diáconos.
« Omnia autem membra non eundem actum habent » (Rom 12,4). Quaedam membra vocantur a Deo, in Ecclesia et per eam, ad speciale communitatis servitium. Hi ministri eliguntur et consecrantur per sacramentum Ordinis, per quod Spiritus Sanctus illos aptos reddit ut in persona agant Christi-Capitis ad omnium membrorum Ecclesiae servitium.80 Minister ordinatus est velut « icon » Christi Sacerdotis. Quia, in Eucharistia, sacramentum Ecclesiae plene manifestatur, in praesidentia Eucharistiae apparet imprimis ministerium Episcopi et, in communione cum eo, illud presbyterorum et diaconorum.
§ 1143
Para o exercício das funções do sacerdócio comum dos fiéis, existem ainda outros ministérios particulares, não consagrados pelo sacramento da Ordem, e cuja função é determinada pelos bispos segundo as tradições litúrgicas e as necessidades pastorais. «Também os acólitos, os leitores, os comentadores e os membros do coro desempenham um verdadeiro ministério litúrgico» (18).
Ad muneribus sacerdotii communis fidelium inserviendum, alia etiam habentur ministeria particularia, per sacramentum Ordinis non consecrata, et quorum functio ab Episcopis secundum traditiones liturgicas et necessitates pastorales determinatur. « Etiam ministrantes, lectores, commentatores et ii qui ad scholam cantorum pertinent, vero ministerio liturgico funguntur ».81
§ 1144
Assim, na celebração dos sacramentos, toda a assembleia é « liturga», cada qual segundo a sua função, mas «na unidade do Espírito» que age em todos. «Nas celebrações litúrgicas, limite-se cada um, ministro ou simples fiel, ao exercer o seu ofício, a fazer tudo e só o que é da sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas» (19).
Sic, in celebratione sacramentorum, tota congregatio « liturgus » est, unusquisque secundum munus suum, sed « in unitate Spiritus » qui in omnibus agit. « In celebrationibus liturgicis quisque, sive minister sive fidelis, munere suo fungens, solum et totum id agat, quod ad ipsum ex rei natura et normis liturgicis pertinet ».82 II. Quomodo celebrandum?Signa et symbola

SINAIS E SÍMBOLOS

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Como celebrar?

§ 1145
Uma celebração sacramental é tecida de sinais e de símbolos. Segundo a pedagogia divina da salvação, a sua significação radica na obra da criação e na cultura humana, determina-se nos acontecimentos da Antiga Aliança e revela-se plenamente na pessoa e na obra de Cristo.
Celebratio sacramentalis signis et symbolis texitur. Secundum paedagogiam divinam salutis, eorum significatio in opere creationis et in cultura humana radicatur, in eventibus Veteris Foederis determinatur et in persona et opere Christi plene revelatur.
§ 1146
Sinais do mundo dos homens. Os sinais e os símbolos ocupam um lugar importante na vida humana. Sendo o homem um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais através de sinais e símbolos materiais. Como ser social, o homem tem necessidade de sinais e de símbolos para comunicar com o seu semelhante através da linguagem. dos gestos e de acções. O mesmo acontece nas suas relações com Deus.
Signa mundi humani. In vita humana, signa et symbola locum magni momenti occupant. Homo, ens simul corporale et spirituale cum sit, realitates spirituales per signa et symbola materialia exprimit et percipit. Tamquam ens sociale, homo signis eget et symbolis ut, per locutionem, per gestus, per actiones, cum aliis communicet. Idem pro eius relatione cum Deo evenit.
§ 1147
Deus fala ao homem através da criação visível. O cosmos material apresenta-se à inteligência do homem para que leia nele os traços do seu Criador (20). A luz e a noite, o vento e o fogo, a água e a terra, a árvore e os frutos, tudo fala de Deus e simboliza, ao mesmo tempo, a sua grandeza e a sua proximidade.
Deus homini per creationem loquitur visibilem. Mundus universus materialis intelligentiae exhibetur hominis ut ipse in eo Creatoris sui vestigia legat.83 Lumen et nox, ventus et ignis, aqua et terra, arbor et fructus de Deo loquuntur, Eius simul magnitudinem et proximitatem symbolice significant.
§ 1148
Enquanto criaturas, estas realidades sensíveis podem tornar-se o lugar de expressão da acção de Deus que santifica os homens e da acção dos homens que prestam a Deus o seu culto. O mesmo acontece com os sinais e símbolos da vida social dos homens: lavar e ungir, partir o pão e beber do mesmo copo podem exprimir a presença santificante de Deus e a gratidão do homem para com o seu Criador.
Hae realitates sensibiles, quatenus creaturae, possunt fieri locus expressionis actionis Dei qui homines sanctificat, et actionis hominum qui cultum suum tribuunt Deo. Idem signis evenit et symbolis vitae socialis hominum: lavare et ungere, panem frangere et calicem distribuere possunt praesentiam Dei sanctificantem exprimere et gratitudinem hominis coram eius Creatore.
§ 1149
As grandes religiões da humanidade dão testemunho, muitas vezes de modo impressionante, deste sentido cósmico e simbólico dos ritos religiosos. A liturgia da Igreja pressupõe, integra e santifica elementos da criação e da cultura humana, conferindo-lhes a dignidade de sinais da graça, da nova criação em Cristo Jesus.
Magnae generis humani religiones testantur, saepe modo animum moventi, hunc sensum cosmicum atque symbolicum rituum religiosorum. Ecclesiae liturgia elementa creationis et culturae humanae praesupponit, assumit et sanctificat, eis conferens dignitatem signorum gratiae, novae creationis in Iesu Christo.
§ 1150
Sinais da Aliança. O povo eleito recebe de Deus sinais e símbolos distintivos, que marcam a sua vida litúrgica: já não são unicamente celebrações de ciclos cósmicos e práticas sociais, mas sinais da Aliança, símbolos das proezas operadas por Deus em favor do seu povo. Entre estes sinais litúrgicos da Antiga Aliança, podem citar-se a circuncisão, a unção e a sagração dos reis e dos sacerdotes, a imposição das mãos, os sacrifícios e sobretudo a Páscoa. A Igreja vê nestes sinais uma prefiguração dos sacramentos da Nova Aliança.
Foederis signa. Populus electus a Deo signa et symbola recipit peculiaria quae eius vitam distinguunt liturgicam: non sunt amplius solummodo celebrationes cyclorum cosmicorum et gestuum socialium, sed signa Foederis, symbola magnalium a Deo gestorum pro Ipsius populo. Inter haec signa liturgica Veteris Foederis commemorari possunt circumcisio, regum et sacerdotum unctio et consecratio, manuum impositio, sacrificia et praesertim Pascha. Ecclesia in his signis praefigurationem videt sacramentorum Novi Foederis.
§ 1151
Sinais assumidos por Cristo. Na sua pregação, o Senhor Jesus serve-Se muitas vezes dos sinais da criação para dar a conhecer os mistérios do Reino de Deus (21). Realiza as suas curas ou sublinha a sua pregação com sinais materiais ou gestos simbólicos (22). Dá um sentido novo aos factos e sinais da Antiga Aliança, sobretudo ao Êxodo e à Páscoa (23), porque Ele próprio é o sentido de todos esses sinais.
Signa a Christo assumpta. Dominus Iesus in Sua praedicatione signis saepe utitur creationis ut cognoscenda praebeat mysteria Regni Dei.84 Sanationes peragit vel praedicationem effert Suam signis materialibus vel gestibus symbolicis.85 Sensum donat novum factis et signis Veteris Foederis, praesertim Exodo et Paschati,86 quia Ipse sensus est omnium horum signorum.
§ 1152
Sinais sacramentais. Depois do Pentecostes, é através dos sinais sacramentais da sua Igreja que o Espírito Santo opera a santificação. Os sacramentos da Igreja não vêm abolir, mas purificar e assumir, toda a riqueza dos sinais e símbolos do cosmos e da vida social. Além disso, realizam os tipos e figuras da Antiga Aliança, significam e realizam a salvação operada por Cristo, e prefiguram e antecipam a glória do céu.
Signa sacramentalia. Post Pentecosten, Spiritus Sanctus, per sacramentalia Ecclesiae Suae signa, sanctificationem operatur. Ecclesiae sacramenta non abolent, sed omnes divitias signorum et symbolorum mundi materialis vitaeque socialis purificant et assumunt. Praeterea typos adimplent et figuras Foederis Veteris, salutem significant et efficiunt a Christo peractam caelique gloriam praefigurant et anticipant.Verba et actiones

PALAVRAS E ACÇÕES

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Como celebrar?

§ 1153
Cada celebração sacramental é um encontro dos filhos de Deus com o seu Pai, em Cristo e no Espírito Santo. Tal encontro exprime-se como um diálogo, através de acções e de palavras. Sem dúvida, as acções simbólicas são já, só por si, uma linguagem. Mas é preciso que a Palavra de Deus e a resposta da fé acompanhem e dêem vida a estas acções, para que a semente do Reino produza os seus frutos em terra boa. As acções litúrgicas significam o que a Palavra de Deus exprime: ao mesmo tempo, a iniciativa gratuita de Deus e a resposta de fé do seu povo.
Celebratio sacramentalis est occursus filiorum Dei cum ipsorum Patre, in Christo et Spiritu Sancto, atque hic occursus exprimitur tamquam dialogus, per actiones et verba. Actiones symbolicae sunt utique iam ipsae dictio quaedam, sed requiritur Verbum Dei et responsionem fidei has comitari et vivificare actiones, ut semen Regni suum ferat fructum in terra bona. Actiones liturgicae id significant quod Verbum Dei exprimit: simul gratuitum Dei inceptum et responsionem fidei populi Eius.
§ 1154
A liturgia da Palavra é parte integrante das celebrações sacramentais. Para alimentar a fé dos fiéis, os sinais da Palavra de Deus devem ser valorizados: o livro da Palavra (leccionário ou evangeliário), a sua veneração (procissão, incenso, luz), o lugar da sua proclamação (ambão), a sua leitura audível e inteligível, a homilia do ministro que prolonga a sua proclamação, as respostas da assembleia (aclamações, salmos de meditação, litanias, confissão de fé...).
Verbi liturgia pars est integralis celebrationum sacramentalium. Ut fidem fidelium nutriant, signa Verbi Dei debent magni fieri: liber Verbi (lectionarium vel evangeliarium), eius veneratio (processio, incensum, lumen), locus eius annuntiationis (ambo), eius audibilis et intelligibilis lectio, homilia ministri quae eius protrahit proclamationem, congregationis responsiones (acclamationes, meditationis psalmi, litaniae, Professio fidei).
§ 1155
Inseparáveis enquanto sinais e ensinamento, as palavras e a acção litúrgica são-no também enquanto realizam o que significam. O Espírito Santo não se limita a dar a compreensão da Palavra de Deus suscitando a fé nela; pelos sacramentos, realiza também as «maravilhas» de Deus anunciadas pela Palavra: torna presente e comunica a obra do Pai, realizada pelo Filho muito amado.
Liturgicum verbum atque liturgica actio, inseparabilia quatenus signa et doctrina, inseparabilia etiam sunt quatenus efficientia id quod significant. Spiritus Sanctus non solum Verbi Dei praebet intelligentiam, fidem suscitans: Ipse per sacramenta etiam « mirabilia » Dei efficit a Verbo annuntiata: opus Patris a Filio dilecto peractum praesens reddit et communicat. Cantus et musica

CANTO E MÚSICA

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Como celebrar?

§ 1156
«A tradição musical da Igreja universal criou um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da liturgia solene» (24). A composição e o canto dos salmos inspirados, muitas vezes acompanhados por instrumentos musicais, estavam já estreitamente ligados às celebrações litúrgicas da Antiga Aliança. A Igreja continua e desenvolve esta tradição: «Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai e louvai ao Senhor no vosso coração» (Ef 5,19) (25). Quem canta, reza duas vezes (26).
« Musica traditio Ecclesiae universae thesaurum constituit pretii inaestimabilis, inter ceteras artis expressiones excellentem, eo praesertim quod ut cantus sacer qui verbis inhaeret necessariam vel integralem liturgiae sollemnis partem efficit ».87 Compositio et cantus psalmorum inspiratorum, quos musicae instrumenta comitabantur saepe, iam celebrationibus liturgicis Veteris Foederis erant arcte coniuncta. Ecclesia hanc traditionem prosequitur et amplificat: « Loquentes vobismetipsis in psalmis et hymnis et canticis spiritalibus, cantantes et psallentes in cordibus vestris Domino » (Eph 5,19).88 Qui canit, bis orat.89
§ 1157
O canto e a música desempenham a sua função de sinais, dum modo tanto mais significativo, quanto «mais intimamente estiverem unidos à acção litúrgica» (27),, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos momentos previstos e o carácter solene da celebração. Participam, assim, na finalidade das palavras e das acções litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis (28).

«Como eu chorei ao ouvir os vossos hinos, os vossos cânticos, as suaves harmonias que ecoavam pela vossa igreja! Que emoção me causavam! Passavam pelos meus ouvidos, derramando a verdade no meu coração. Um grande impulso de piedade me elevava, e as lágrimas rolavam-me pela face; mas faziam-me bem» (29).

Cantus et musica suum munus signorum modo eo significantiore conficiunt, « quanto arctius cum actione liturgica connectuntur »90 secundum tria praecipua criteria: pulchritudinem expressivam orationis, unanimem congregationis in momentis praevisis participationem et sollemnem celebrationis indolem. Sic illa finem participant verborum et actionum liturgicarum: gloriam Dei et sanctificationem fidelium:91

« Quantum flevi in hymnis et canticis Tuis suave sonantis ecclesiae Tuae vocibus commotus acriter! Voces illae influebant auribus meis et eliquabatur veritas in cor meum et exaestuabat inde affectus pietatis, et currebant lacrimae, et bene mihi erat cum eis ».92

§ 1158
A harmonia dos sinais (canto, música, palavras e acções) é aqui tanto mais expressiva e fecunda quanto mais se exprimir na riqueza cultural própria do Povo de Deus que celebra (30). Por isso, «promova-se com empenho o canto religioso popular para que, tanto nos exercícios piedosos e sagrados como nas próprias acções litúrgicas», de acordo com as normas da Igreja, «ressoem as vozes dos fiéis» (31). Mas «os textos destinados ao canto sacro devem estar de acordo com a doutrina católica e inspirar-se sobretudo na Sagrada Escritura e nas fontes litúrgicas» (32).
Harmonia signorum (cantus, musicae, verborum et actionum) hic eo magis est expressiva et fecunda quo magis divitiis culturalibus exprimitur populo Dei celebranti propriis.93 Hac de causa, « cantus popularis religiosus sollerter foveatur, ita ut in piis sacrisque exercitiis et in ipsis liturgicis actionibus », iuxta Ecclesiae normas, « fidelium voces resonare possint ».94 Attamen « textus cantui sacro destinati catholicae doctrinae sint conformes, immo ex sacris Scripturis et fontibus liturgicis potissimum hauriantur ».95 Sanctae imagines

AS SANTAS IMAGENS

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Como celebrar?

§ 1159
A imagem sagrada, o «ícone» litúrgico, representa principalmente Cristo. Não pode representar o Deus invisível e incompreensível: foi a Encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova «economia» das imagens:

«Outrora Deus, que não tem nem corpo nem figura, não podia de modo algum, ser representado por uma imagem. Mas agora, que Ele se fez ver na carne e viveu no meio dos homens, eu posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus [...] Contemplamos a glória do Senhor com o rosto descoberto» (33).

Sacra imago, liturgica icon, Christum praecipue repraesentat. Ipsa Deum invisibilem et incomprehensibilem nequit repraesentare; Filii Dei Incarnatio novam inauguravit imaginum « oeconomiam »:

« Olim Deus, ut corporis ac figurae expers, imagine nequaquam repraesentabatur. Nunc vero postquam in carne visus est Deus, et cum hominibus conversatus est, qua parte conspiciendum Se praebuit, Dei imaginem efformo. [...] Nos autem revelata facie gloriam Domini speculamur ».96

§ 1160
A iconografia cristã transpõe para a imagem a mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite pela palavra. Imagem e palavra esclarecem-se mutuamente:

«Para dizer brevemente a nossa profissão de fé, nós conservamos todas as tradições da Igreja, escritas ou não, que nos foram transmitidas intactas. Uma delas é a representação pictórica das imagens, que está de acordo com a pregação da história evangélica, acreditando que, de verdade e não só de modo aparente, o Deus Verbo Se fez homem, o que é tão útil como proveitoso, pois as coisas que mutuamente se esclarecem têm indubitavelmente uma significação recíproca» (34).

Per imaginem christiana iconographia evangelicum transcribit nuntium, quem sacra Scriptura transmittit per Verbum. Imago et Verbum sese mutuo explanant:

« Ut compendiose fateamur, omnes ecclesiasticas sive scripto, sive sine scripto sancitas nobis traditiones illibate servamus; quarum una est etiam imaginalis picturae formatio, quae historiae evangelicae praedicationis concinit, ad certitudinem verae et non secundum phantasiam Dei Verbi inhumanationis effectae, et ad similem nobis utilitatem commode proficiens. Quae namque se mutuo indicant, indubitanter etiam mutuas habent significationes ».97

§ 1161
Todos os sinais da celebração litúrgica fazem referência a Cristo: também as imagens sagradas da Mãe de Deus e dos santos. De facto, elas significam Cristo que nelas é glorificado; manifestam «a nuvem de testemunhas» (Heb 12, 1) que continuam a participar na salvação do mundo e às quais estamos unidos, sobretudo na celebração sacramental. Através dos seus ícones, é o homem «à imagem de Deus», finalmente transfigurado «à sua semelhança» (35), que se revela à nossa fé – como ainda os anjos, também eles recapitulados em Cristo:

«Seguindo a doutrina divinamente inspirada dos nossos santos Padres e a tradição da Igreja Católica, que nós sabemos ser a tradição do Espírito Santo que nela habita, definimos com toda a certeza e cuidado que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da Cruz preciosa e vivificante, pintadas, representadas em mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre as alfaias e vestes sagradas, nos muros e em quadros, nas casas e nos caminhos: e tanto a imagem de nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de nossa Senhora, a puríssima e santa Mãe de Deus, a dos santos anjos e de todos os santos e justos» (36).

Omnia celebrationis liturgicae signa ad Christum referuntur: etiam sacrae imagines sanctae Dei Genetricis et sanctorum. Ipsae revera significant Christum qui in illis glorificatur. Ipsae manifestant « nubem testium » (Heb 12,1) qui in mundi salute participare pergunt et quibus in celebratione sacramentali praecipue coniungimur. Per eorum icones, homo, « ad imaginem Dei » effectus, tandem « ad Eius similitudinem »98 transfiguratus, nostrae revelatur fidei, atque per easdem etiam angeli, qui et ipsi in Christo sunt recapitulati:

« Sequentes [...] divinitus inspiratum sanctorum Patrum nostrorum magisterium, et catholicae Traditionem Ecclesiae (nam Spiritus Sancti hanc esse novimus, qui nimirum in ipsa inhabitat), definimus in omni certitudine ac diligentia, sicut figuram pretiosae ac vivificae crucis, ita venerabiles ac sanctas imagines proponendas tam quae de coloribus et tessellis, quam quae ex alia materia congruenter in sanctis Dei ecclesiis, et sacris vasis et vestibus, et in parietibus ac tabulis, domibus et viis: tam videlicet imaginem Dei ac Salvatoris nostri Iesu Christi, quam intemeratae Dominae nostrae sanctae Dei Genitricis, honorabiliumque angelorum et omnium sanctorum simul et almorum virorum ».99

§ 1162
«A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para os meus olhos, e, tal como o espectáculo do campo, impele o meu coração a dar glória a Deus» (37). A contemplação dos sagrados ícones, unida à meditação da Palavra de Deus e ao canto dos hinos litúrgicos, entra na harmonia dos sinais da celebração, para que o mistério celebrado se imprima na memória do coração e se exprima depois na vida nova dos fiéis.
« Imaginum pulchritudo et colores meam stimulant orationem. Aspectum movent picturae flores, atque ad instar prati visum oblectant meum, et Dei gloriam sensim instillant animo ». 100 Sanctarum iconum contemplatio, simul cum Verbi Dei meditatione et hymnorum liturgicorum cantu, ad signorum celebrationis harmoniam accedit ut mysterium celebratum in cordis imprimatur memoria et deinde in vita nova exprimatur fidelium. III. Quando celebrandum?Tempus liturgicum

O TEMPO LITÚRGICO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Quando celebrar?

§ 1163
«A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar com uma comemoração sagrada, em determinados dias do ano, a obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou Domingo, celebra a memória da ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano, na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua bem-aventurada paixão. E distribui todo o mistério de Cristo pelo decorrer do ano [...]. Comemorando assim os mistérios da Redenção, ela abre aos fiéis as riquezas das virtudes e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar de algum modo presentes a todos os tempos, para que os fiéis, em contacto com eles, se encham da graça da salvação» (38).
« Pia Mater Ecclesia suum esse ducit Sponsi sui divini opus salutiferum, statis diebus per anni decursum, sacra recordatione celebrare. In unaquaque hebdomada, die quam Dominicam vocavit, memoriam habet resurrectionis Domini, quam semel etiam in anno solemnitate maxima Paschatis, una cum beata Ipsius passione, frequentat. Totum vero Christi mysterium per anni circulum explicat [...]. Mysteria Redemptionis ita recolens, divitias virtutum atque meritorum Domini sui, adeo ut omni tempore quodammodo praesentia reddantur, fidelibus aperit, qui ea attingant et gratia salutis repleantur ». 101
§ 1164
O povo de Deus, desde o tempo da lei mosaica, conheceu festas em datas fixadas a partir da Páscoa, para comemorar as acções portentosas do Deus Salvador, dar-Lhe graças por elas, perpetuar-lhes a lembrança e ensinar as novas gerações a conformarem com elas a sua conduta. No tempo da Igreja, situado entre a Páscoa de Cristo, já realizada uma vez por todas, e a sua consumação no Reino de Deus, a liturgia celebrada em dias fixos está toda impregnada da novidade do mistério de Cristo.
Populus Dei, iam a Lege mosaica, festivitates cognovit fixas inde a Paschate ad actiones Dei Salvatoris commemorandas mirabiles, ad gratias Ei de illis reddendas, ad earum memoriam servandam et ad novas docendas generationes ut suum modum procedendi eis aptent. Ecclesiae tempore, quod inter Pascha Christi semel pro semper iam impletum et eius consummationem in Regno Dei decurrit, liturgia diebus statutis celebrata plene a mysterii Christi signata est novitate.
§ 1165
Quando a Igreja celebra o mistério de Cristo, há uma palavra que ritma a sua oração: Hoje!, como um eco da oração que lhe ensinou o seu Senhor (39) e do chamamento do Espírito Santo (40). Este «hoje» do Deus vivo, em que o homem é chamado a entrar, é a «Hora» da Páscoa de Jesus, que atravessa e sustenta toda a história:

«A vida derramou-se sobre todos os seres e todos são inundados duma grande luz: o Oriente dos orientes invade o universo e Aquele que era "antes da estrela da manhã" e antes dos astros, imortal e imenso, o grande Cristo, brilha mais que o Sol sobre todos os seres. É por isso que, para nós que n'Ele cremos, se instaura um dia de luz, longo, eterno, que não se extingue: a Páscoa mística» (41).

Cum Ecclesia mysterium celebrat Christi, unum verbum orationem effert eius: « Hodie! », orationem repercutiens quam eius Dominus ipsam docuit, 102 et vocationem Spiritus Sancti. 103 Hoc Dei viventis « hodie » ad quod ingrediendum vocatur homo, est « Hora » Paschatis Iesu qui omnem transcendit et ducit historiam:

« Vita universis aperta est, et luce perenni omnia plena sunt, atque Oriens orientium universum obtinet: et Ille ante luciferum genitus, immortalis et magnus splendet Christus universis plus quam sol. Ideoque longa et aeterna et inextinguibilis nobis in Ipsum credentibus dies adest candida, Pascha mysticum ». 104

O DIA DO SENHOR

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Quando celebrar?

§ 1166
«Por tradição apostólica, que remonta ao próprio dia da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal todos os oito dias, no dia que bem se denomina dia do Senhor ou Domingo» (42). O dia da ressurreição de Cristo é, ao mesmo tempo, o «primeiro dia da semana», memorial do primeiro dia da criação, e o «oitavo dia» em que Cristo, após o seu «repouso» do grande sábado, inaugura o «dia que o Senhor fez», o «dia que não conhece ocaso» (43). A «Ceia do Senhor» é o seu centro, porque é nela que toda a comunidade dos fiéis encontra o Senhor ressuscitado, que os convida para o seu banquete (44):

«O dia do Senhor, o dia da ressurreição, o dia dos cristãos é o nosso dia. Chama-se dia do Senhor por isso mesmo: porque foi nesse dia que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos lhe chamam dia do Sol, também nós, de bom grado o confessamos: porque hoje se ergueu a luz do mundo, hoje apareceu o sol da justiça, cujos raios nos trazem a salvação» (45).

« Mysterium Paschale Ecclesia, ex Traditione apostolica, quae originem ducit ab ipsa die resurrectionis Christi, octava quaque die celebrat, quae dies Domini seu dies Dominica merito nuncupatur ». 105 Dies resurrectionis Christi simul est « prima dies Hebdomadae », memoriale primae diei creationis, et « octava dies » in qua Christus, post Suam magni Sabbati « quietem », Diem inaugurat « quam fecit Dominus » (Ps 118,24), « diem sine vespero ». 106 « Cena Domini » centrum est eius, quia in ea tota communitas fidelium Domino occurrit resuscitato qui eos ad Suum invitat convivium: 107

« Dies Dominica, dies Resurrectionis, dies christianorum, dies nostra est. Unde et Dominica dicitur: quia Dominus in ea victor ascendit ad Patrem. Quod si a gentilibus dies solis vocatur, et nos hoc libentissime confitemur: hodie enim lux mundi orta est, hodie sol iustitiae ortus est, in cuius pennis est sanitas ». 108

§ 1167
O Domingo é o dia por excelência da assembleia litúrgica, em que os fiéis se reúnem «para, ouvindo a Palavra de Deus e participando na Eucaristia, fazerem memória da paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus, e darem graças a Deus, que os "regenerou para uma esperança viva pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos"» (46):

«Quando meditamos, ó Cristo, nas maravilhas que tiveram lugar neste dia de domingo da tua santa ressurreição, dizemos: Bendito o dia de Domingo, porque nele teve início a criação [...] a salvação do mundo [...] a renovação do género humano [...]. Foi nesse dia que o céu e a terra se congratularam e que todo o universo se encheu de luz. Bendito o dia de Domingo, porque nele foram abertas as portas do paraíso, para que Adão e todos os deportados nele entrassem sem temor» (47).

Dominica est per excellentiam dies liturgici conventus, in qua fideles congregantur « ut, Verbum Dei audientes et Eucharistiam participantes, memores sint passionis, resurrectionis et gloriae Domini Iesu, et gratias agant Deo qui eos regeneravit in spem vivam per resurrectionem Iesu Christi ex mortuis »: 109

« Cum ergo meditamur, [Christe,] mirabilia gloriosa et signa prodigiosa quae in hac sancta die Dominica Tuae sanctae et gloriosae Resurrectionis impleta sunt, dicimus: Benedicta est dies Dominica, quia in ea initium fuit creationis, [...] Redemptio mundi, [...] renovatio generis humani [...]. In ea caelum et terra splendent et mundus universus lumine est repletus. Benedicta est dies Dominica, quia in ea portae paradisi sunt apertae ut eum Adam et omnes exclusi ingrediantur sine timore ». 110

O ANO LITÚRGICO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Quando celebrar?

§ 1168
Partindo do Tríduo Pascal, como da sua fonte de luz, o tempo novo da ressurreição enche todo o ano litúrgico da sua claridade. Progressivamente, dum lado e doutro desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia. Ele é realmente o ano da graça do Senhor (48). A economia da salvação realiza-se no quadro do tempo, mas a partir do seu cumprimento na Páscoa de Jesus e da efusão do Espírito Santo, o fim da história é antecipado, pregustado, e o Reino de Deus entra no nosso tempo.
Novum tempus Resurrectionis, inde a Triduo Paschali, tamquam a suo fonte luminis, totum annum liturgicum sua replet claritate. Pedetentim, in alio et alio huius fontis latere, per liturgiam transfiguratur annus. Ipse est revera annus Domini acceptus. 111 Oeconomia salutis intra temporis operatur quadrum, sed, inde ab eius adimpletione in Iesu Paschate et in Spiritus Sancti effusione, finis historiae anticipatur « praegustu » et Regnum Dei nostra ingreditur tempora.
§ 1169
É por isso que a Páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a «festa das festas», a «solenidade das solenidades», tal como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio chama-lhe «o grande domingo» (49), tal como a Semana Santa é chamada no Oriente «a semana maior». O mistério da ressurreição, em que Cristo aniquilou a morte, penetra no nosso velho tempo com a sua poderosa energia, até que tudo Lhe seja submetido.
Hac de causa, Pascha festivitas quaedam inter alias simpliciter non est: ipsa est « Festivitas festivitatum », « Sollemnitas sollemnitatum », sicut Eucharistia sacramentum est sacramentorum (magnum sacramentum). Sanctus Athanasius illud « magnam Dominicam » appellat, 112 quemadmodum Hebdomada sancta apud Orientales « Magna Hebdomada » appellatur. Resurrectionis mysterium, in quo Christus mortem abolevit, Sua potenti virtute nostrum vetus penetrat tempus, donec omnia Ei subiiciantur.
§ 1170
No Concílio de Niceia (em 325), todas as Igrejas acordaram em que a Páscoa cristã fosse celebrada no domingo a seguir à lua cheia (14 de Nisan), depois do equinócio da Primavera. Devido a diferentes métodos usados para calcular o dia 14 de Nisan, a data da Páscoa nem sempre coincide nas Igrejas do Ocidente e do Oriente. Por isso, estas Igrejas procuram hoje um acordo, para chegarem de novo a celebrar numa data comum o dia da ressurreição do Senhor.
In Concilio Nicaeno (anno 325), omnes Ecclesiae consenserunt ut Pascha christianum die celebraretur Dominica quae plenilunium (14 Nisan) post aequinoctium subsequitur vernum. Propter diversas methodos ad diem 14 mensis Nisan calculandum adhibitas, Paschatis dies in Ecclesiis Occidentis et Orientis non semper simul incidit. Quapropter ipsae hodie consensionem quaerunt qua perveniant ad diem resurrectionis Domini communi tempore iterum celebrandam.
§ 1171
O ano litúrgico é o desenrolar dos diferentes aspectos do único mistério pascal. Isto vale particularmente para o ciclo das festas em torno do mistério da Encarnação (Anunciação, Natal, Epifania), que comemoram o princípio da nossa salvação e nos comunicam as primícias do mistério da Páscoa.
Annus liturgicus est diversarum rationum unius mysterii Paschalis explicatio. Id praesertim valet de cyclo festivitatum circa Incarnationem (de Annuntiatione, Nativitate, Epiphania), quae initium nostrae commemorant salutis et mysterii Paschalis nobis communicant primitias.Proprium sanctorum in anno liturgico

O SANTORAL NO ANO LITÚRGICO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Quando celebrar?

§ 1172
«Na celebração deste ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera, com especial amor, porque indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho, a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus; nela vê e exalta o mais excelso fruto da redenção e contempla com alegria, como numa imagem puríssima, o que ela própria deseja e espera ser inteiramente» (50).
« In hoc annuo mysteriorum Christi circulo celebrando, sancta Ecclesia beatam Mariam Dei Genetricem cum peculiari amore veneratur, quae indissolubili nexu cum Filii sui opere salutari coniungitur; in qua praecellentem Redemptionis fructum miratur et exaltat, ac veluti in purissima imagine, id quod ipsa tota esse cupit et sperat cum gaudio contemplatur ». 113
§ 1173
Quando a Igreja, no ciclo anual, faz memória dos mártires e dos outros santos, «proclama o mistério pascal» realizado naqueles homens e mulheres que «sofreram com Cristo e com Ele foram glorificados, propõe aos fiéis os seus exemplos, que a todos atraem ao Pai por Cristo, e implora, pelos seus méritos, os benefícios de Deus» (51).
Cum Ecclesia, in circulo annuo, martyres aliosque sanctos commemorat, « praedicat Paschale mysterium » in illis viris et mulieribus « cum Christo compassis et conglorificatis, et fidelibus exempla eorum proponit, omnes per Christum ad Patrem trahentia, eorumque meritis Dei beneficia impetrat ». 114 Liturgia Horarum

A LITURGIA DAS HORAS

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Quando celebrar?

§ 1174
O mistério de Cristo, a sua Encarnação e a sua Páscoa, que celebramos na Eucaristia, especialmente na assembleia dominical, penetra e transfigura o tempo de cada dia pela celebração da Liturgia das Horas, «o Ofício divino» (52). Esta celebração, na fidelidade às recomendações apostólicas de «orar sem cessar»  (53) «constituiu-se de modo a consagrar, pelo louvor a Deus, todo o curso diurno e nocturno do tempo» (54). É «a oração pública da Igreja»(55), na qual os fiéis (clérigos, religiosos e leigos) exercem o sacerdócio real dos baptizados. Celebrada «segundo a forma aprovada» pela Igreja, a Liturgia das Horas «é verdadeiramente a voz da própria Esposa que fala com o Esposo; mais ainda, é a oração que Cristo, unido ao seu corpo, eleva ao Pai» (56).
Christi mysterium, Eius Incarnatio Eiusque Pascha, quod in Eucharistia, praesertim in congregatione dominicali, celebramus, tempus uniuscuiusque diei penetrat et transfigurat per liturgiae Horarum celebrationem, per « Officium divinum ». 115 Hoc celebrationis officium apostolicis hortationibus « ad orandum sine intermissione » 116 fideliter obsequens, « ita est constitutum ut totus cursus diei ac noctis per laudem Dei consecretur ». 117 « Orationem publicam Ecclesiae » 118 constituit, in qua fideles (clerici, religiosi et laici) regale exercent baptizatorum sacerdotium. Liturgia Horarum, « forma probata » ab Ecclesia cum celebratur, « vere vox est ipsius Sponsae, quae Sponsum alloquitur, immo etiam oratio Christi cum Ipsius corpore ad Patrem ». 119
§ 1175
A Liturgia das Horas está destinada a tornar-se a oração de todo o povo de Deus. Nela, o próprio Cristo «continua a exercer o seu múnus sacerdotal por intermédio da sua Igreja» (57). Cada qual participa nela segundo o seu lugar próprio na Igreja e as circunstâncias da sua vida: os sacerdotes, enquanto dedicados ao ministério pastoral, porque são chamados a permanecer assíduos na oração e no ministério da Palavra (58): os religiosos e religiosas, em virtude do carisma da sua vida consagrada (59); e todos os fiéis, segundo as suas possibilidades: «Cuidem os pastores de almas de que, nos domingos e festas mais solenes, se celebrem em comum na Igreja as Horas principais, sobretudo as Vésperas. Recomenda-se também aos próprios leigos que recitem o Ofício divino, quer juntamente com os sacerdotes, quer reunidos entre si, ou mesmo sozinhos» (60).
Liturgia Horarum est destinata ut totius populi Dei fiat oratio. In ea enim Ipse Christus « sacerdotale munus per ipsam Suam Ecclesiam pergit » 120 exercere; unusquisque, secundum suum munus in Ecclesia proprium et vitae suae adiuncta, in ea participat: sacerdotes quia, quatenus ministerio pastorali addicti, vocati sunt ut in oratione et ministerio verbi assidui permaneant; 121 religiosi et religiosae propter suae vitae consecratae charisma; 122 omnes fideles secundum suam possibilitatem. « Curent animarum Pastores ut Horae praecipuae, praesertim Vesperae, diebus Dominicis et festis sollemnioribus, in ecclesia communiter celebrentur. Commendatur ut et ipsi laici recitent Officium divinum, vel cum sacerdotibus, vel inter se congregati, quin immo unusquisque solus ». 123
§ 1176
Celebrar a Liturgia das Horas exige, não somente harmonizar a voz com o coração que ora, mas também procurar «adquirir maior instrução litúrgica e bíblica, especialmente quanto aos salmos» (61).
Liturgiam Horarum celebrare exigit non solum vocem cordi concordare oranti, sed etiam « liturgicam et biblicam praecipue psalmorum institutionem sibi uberiorem » 124 comparare.
§ 1177
Os hinos e as preces litânicas da Liturgia das Horas inserem a oração dos salmos no tempo da Igreja, exprimindo o simbolismo do momento do dia, do tempo litúrgico ou da festa celebrada. Além disso, a leitura da Palavra de Deus em cada Hora (com os responsórios ou tropários que a seguem) e, em certas horas, as leituras dos Padres e mestres espirituais, revelam mais profundamente o sentido do mistério celebrado, ajudam a compreender os salmos e preparam para a oração silenciosa. A lectio divina, na qual a Palavra de Deus é lida e meditada para se tornar oração, é deste modo enraizada na celebração litúrgica.
Hymni et litaniae Orationis Horarum precationem psalmorum in tempus inserunt Ecclesiae, symbolismum exprimentes momenti diei, temporis liturgici vel festivitatis celebratae. Praeterea lectio Verbi Dei in singulis Horis (cum responsoriis vel tropariis quae illam consequuntur) et, quibusdam in Horis, lectiones Patrum et magistrorum spiritualium sensum mysterii celebrati profundius revelant, psalmorum adiuvant intelligentiam et ad orationem praeparant silentiosam. Lectio divina, in qua Verbum Dei legitur et meditatione consideratur ut ipsum efficiatur oratio, in celebratione liturgica sic etiam radicatur.
§ 1178
A Liturgia das Horas, que é como que um prolongamento da celebração eucarística, não exclui, antes postula como complemento, as diversas devoções do povo de Deus, particularmente a adoração e o culto do Santíssimo Sacramento.
Liturgia Horarum, quae quasi celebrationis eucharisticae est productio, non excludit, sed tamquam complementum postulat diversas populi Dei devotiones, praesertim adorationem et cultum Sanctissimi Sacramenti. IV. Ubi celebrandum?

A LITURGIA DAS HORAS

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Onde celebrar?

§ 1179
O culto «em espírito e verdade» (Jo 4, 24) da Nova Aliança não está ligado a nenhum lugar exclusivo. Toda a terra é santa e está confiada aos filhos dos homens. O que tem primazia, quando os fiéis se reúnem num mesmo lugar, sãs as «pedras vivas» que se juntam para «a edificação dum edifício espiritual» (1 Pe 2, 4-5). O corpo de Cristo ressuscitado é o templo espiritual donde brota a fonte de água viva. Incorporados em Cristo pelo Espírito Santo, «nós somos o templo do Deus vivo» (2 Cor 6, 16).
Cultus Novi Foederis « in Spiritu et veritate » (Io 4,24) loco unico non vinculatur. Tota terra est sancta et filiis hominum concredita. Primaria ratione cum fideles in eodem congregantur loco, sunt « lapides vivi », collecti ut « domus spiritalis » aedificetur (1 Pe 2,5). Corpus Christi resuscitati templum est spirituale, ex quo aquae vivae fluit fons. Christo per Spiritum Sanctum incorporati, « templum Dei vivi » (2 Cor 6,16) ipsi nos sumus.
§ 1180
Quando o exercício da liberdade religiosa não é impedido (62), os cristãos constroem edifícios destinados ao culto divino. Estas igrejas visíveis não são simples lugares de reunião, mas significam e manifestam a Igreja que vive nesse lugar, morada de Deus com os homens reconciliados e unidos em Cristo.
Cum libertatis religiosae non impeditur exercitium, 125 christiani aedificia construunt cultui divino destinata. Hae visibiles ecclesiae non sunt simplices loci congressionis, sed Ecclesiam significant et manifestant tali loco viventem, commorationem Dei cum hominibus in Christo reconciliatis et unitis.
§ 1181
«A casa de oração em que é celebrada e conservada a santíssima Eucaristia, em que os fiéis se reúnem, e na qual a presença do Filho de Deus, nosso Salvador, oferecido por nós no altar do sacrifício, é venerada para auxílio e consolação dos fiéis, deve ser bela e apta para a oração e para as celebrações sagradas» (63). Nesta «casa de Deus», a verdade e a harmonia dos sinais que a constituem devem manifestar Cristo presente e actuante neste lugar (64).
« Domus orationis in qua sanctissima Eucharistia celebratur et servatur, fidelesque congregantur, et in qua praesentia Filii Dei Salvatoris nostri in ara sacrificali pro nobis oblati, in auxilium atque solatium fidelium colitur, nitida, orationi et sacris sollemnibus apta esse debet ». 126 In hac « domo Dei », signorum, quae illam constituunt, veritas et harmonia debent Christum manifestare qui in hoc loco praesens est et operatur: 127
§ 1182
O altar da Nova Aliança é a cruz do Senhor (65), de onde dimanam os sacramentos do mistério pascal. Sobre o altar, que é o centro da igreja, é tornado presente o sacrifício da Cruz sob os sinais sacramentais. Ele é também a mesa do Senhor, para a qual o povo de Deus é convidado (66). Em certas liturgias orientais, o altar é, ainda, o símbolo do túmulo (Cristo morreu verdadeiramente e verdadeiramente ressuscitou).
Novi Foederis altare crux est Domini, 128 ex qua sacramenta mysterii Paschalis promanant. Super altare, quod ecclesiae est centrum, sub signis sacramentalibus Sacrificium crucis fit praesens. Id etiam Domini est Mensa, ad quam populus Dei invitatur. 129 In quibusdam liturgiis orientalibus, altare symbolum est etiam sepulcri (Christus vere est mortuus et vere resuscitatus).
§ 1183
O sacrário deve ser situado, «nas igrejas, num dos lugares mais dignos, com a maior honra» (67). A nobreza, o arranjo e a segurança do tabernáculo eucarístico (68) devem favorecer a adoração do Senhor, realmente presente no Santíssimo Sacramento do altar.O Santo Crisma (myron), cuja unção é o sinal sacramental do selo do dom do Espírito Santo, é tradicionalmente conservado e venerado num lugar seguro do santuário. Pode juntar-se-lhe o óleo dos catecúmenos e o dos enfermos.
Tabernaculum debet « in nobilissimo loco et quam honorificentissime in ecclesiis » 130 collocari. Tabernaculi eucharistici nobilitas, dispositio et securitas 131 adorationem Domini realiter in Sanctissimo altaris Sacramento praesentis fovere debent. Sanctum chrisma (myron), cuius unctio signum sacramentale est sigilli doni Spiritus Sancti, more traditionali conservatur et honoratur in tuto sanctuarii loco. Ibi oleum catechumenorum et infirmorum potest includi.
§ 1184
A cadeira do bispo (cátedra) ou do sacerdote «deve significar a sua função de presidente da assembleia e guia da oração» (69).O ambão: «A dignidade da Palavra de Deus requer na igreja um lugar próprio para a sua proclamação. Durante a liturgia da Palavra, é para lá que deve convergir espontaneamente a atenção dos fiéis» (70).
Sedes Episcopi (cathedra) vel presbyteri « debet munus eius praesidendi coetui atque orationem dirigendi significare ». 132 Ambo: « Dignitas Verbi Dei requirit ut in ecclesia locus congruus exsistat e quo annuntietur et ad quem, inter liturgiam verbi, attentio fidelium sponte convertatur ». 133
§ 1185
A reunião do povo de Deus começa pelo Baptismo. Por isso, a igreja deve ter um lugar apropriado para a celebração do Baptismo (baptistério) e favorecer a lembrança das promessas do Baptismo (água benta).A renovação da vida baptismal exige a Penitência. Por isso, a igreja deve prestar-se à expressão do arrependimento e à recepção do perdão dos pecados, o que reclama um lugar apropriado para acolher os penitentes.A igreja deve ser, também, um espaço que convide ao recolhimento e à oração silenciosa, que prolongue e interiorize a grande oração da Eucaristia.
Congregatio populi Dei a Baptismate incipit; ecclesia igitur debet locum habere pro celebratione Baptismatis (baptisterium) et memoriam promissionum Baptismi promovere (aqua benedicta).Renovatio vitae baptismalis paenitentiam exigit. Ecclesia paenitentiae expressioni et veniae receptioni obsequi debet, id quod aptum ad paenitentes recipiendos postulat locum.Ecclesia etiam spatium esse debet quod ad recollectionem et ad orationem invitat silentiosam quae magnam Eucharistiae precem protrahit et interiorem reddit.
§ 1186
Finalmente a igreja tem uma significação escatológica. Para entrar na casa de Deus, é preciso franquear um limiar, símbolo da passagem do mundo ferido pelo pecado para o mundo da vida nova, à qual todos os homens são chamados. A igreja visível simboliza a casa paterna, para a qual o Povo de Deus está a caminho e onde o Pai «enxugará todas as lágrimas dos seus olhos» (Ap 21, 4). É também por isso que a igreja é a casa de todos os filhos de Deus, amplamente aberta e acolhedora. Resumindo:
Ecclesia denique significationem habet eschatologicam. Ad ingrediendum in domum Dei, necessarium est limen transgredi, quod symbolum est transitus e mundo vulnerato a peccato ad mundum vitae novae ad quem omnes vocantur homines. Ecclesia visibilis symbolum est domus paternae ad quam populus Dei progreditur et in qua Pater « absterget omnem lacrimam ab oculis eorum » (Apc 21,4). Hac de causa, ecclesia etiam domus est omnium filiorum Dei, ample aperta et receptatrix. Compendium

COMPÊNDIO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Resumindo

§ 1187
A liturgia é obra do Cristo total, cabeça e corpo. O nosso Sumo-Sacerdote celebra-a sem cessar na liturgia celeste, com a Santa Mãe de Deus, os Apóstolos, todos os santos e a multidão dos seres humanos que já entraram no Reino.
Liturgia opus est totius Christi, Capitis et corporis. Summus Sacerdos noster eam incessanter in liturgia caelesti celebrat, cum sancta Dei Genetrice, Apostolis, omnibus sanctis et multitudine hominum qui iam Regnum sunt ingressi.
§ 1188
Numa celebração litúrgica, toda a assembleia é «liturga», cada qual segundo a sua função. O sacerdócio baptismal é de todo o corpo de Cristo. Mas alguns fiéis são ordenados pelo sacramento da Ordem para representar Cristo como Cabeça do corpo.
In celebratione liturgica, tota congregatio « liturgus » est, unusquisque secundum munus suum. Sacerdotium baptismale illud est totius corporis Christi. Sed quidam fideles ab Ordinis sacramento sunt ordinati ut Christum tamquam Caput corporis repraesentent.
§ 1189
A celebração litúrgica comporta sinais e símbolos que se referem à criação (luz, água, fogo), à vida humana (lavar, tingir; partir o pão) e à história da salvação (ritos da Páscoa). Inseridos no mundo da fé e assumidos pela força do Espírito Santo, estes elementos cósmicos, estes ritos humanos, estes gestos memoriais de Deus, tornam-se portadores da acção salvadora e santificadora de Cristo.
Celebratio liturgica signa implicat et symbola quae ad creationem (lumen, aqua, ignis), ad vitam humanam (lavare, ungere, panem frangere) et ad historiam referuntur salutis (Paschatis ritus). Haec elementa cosmica, hi ritus humani, hi Dei memoriales gestus, inserta in mundo fidei et a virtute Spiritus Sancti assumpta, portatoria fiunt salvatricis et sanctificatricis actionis Christi.
§ 1190
A liturgia da Palavra é parte integrante da celebração. O sentido da celebração é expresso pela Palavra de Deus que é anunciada e pelo compromisso da fé que lhe responde.
Liturgia verbi pars integralis est celebrationis. Sensus celebrationis exprimitur Dei Verbo, quod annuntiatur, et fidei obligatione quae ei respondet.
§ 1191
canto e a música estão em conexão estreita com a acção litúrgica. São critérios do seu bom uso: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia e o carácter sagrado da celebração.
Cantus et musica in stricta sunt connexione cum actione liturgica. Criteria pro bono eius usu sunt: pulchritudo orationem exprimens, unanimis participatio congregationis et indoles sacra celebrationis.
§ 1192
As imagens sagradas, presentes nas nossas igrejas e nas nossas casas, destinam-se a despertar e alimentar a nossa fé no mistério de Cristo. Através do ícone de Cristo e das suas obras de salvação, é a Ele que adoramos. Através das imagens sagradas da Santa Mãe de Deus, dos anjos e dos santos, veneramos as pessoas que nelas vemos representadas.
Sanctae imagines, in nostris ecclesiis in nostrisque domibus praesentes, ad nostram fidem in mysterium Christi destinantur suscitandam et nutriendam. Per Christi Eiusque operum salutis iconem, Ipsum adoramus. Per sanctae Dei Genetricis, angelorum et sanctorum imagines sanctas, personas veneramur quae in illis repraesentantur.
§ 1193
Domingo, «Dia do Senhor», é o dia principal da celebração da Eucaristia, porque é o dia da ressurreição. É o dia por excelência da assembleia litúrgica, o dia da família cristã, o dia da alegria e do descanso do trabalho. É «o fundamento e o núcleo de todo o ano litúrgico» (71).
Dominica, « Dies Domini », praecipua est dies pro Eucharistiae celebratione quia Resurrectionis est dies. Per excellentiam dies est liturgicae congregationis, dies familiae christianae, dies laetitiae et requiei a labore. Est « fundamentum et nucleus totius anni liturgici ». 134
§ 1194
A Igreja «desdobra todo o mistério de Cristo durante o ciclo anual, desde a Encarnação e o Natal até à Ascensão, ao dia do Pentecostes e à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor» (72).
Ecclesia « totum [...] Christi mysterium per anni circulum explicat, ab Incarnatione et Nativitate usque ad Ascensionem, ad diem Pentecostes et ad exspectationem beatae spei et Adventus Domini ». 135
§ 1195
Celebrando a memória dos santos, em primeiro lugar da Santa Mãe de Deus, depois dos Apóstolos, dos mártires e dos outros santos, em dias fixos do ano litúrgico, a Igreja da terra manifesta a sua união à liturgia celeste; glorifica Cristo por ter realizado a salvação nos seus membros glorificados; o exemplo deles é para ela um estímulo no seu peregrinar para o Pai.
Ecclesia terrestris sanctos statutis anni liturgici diebus commemorans, imprimis sanctam Dei Genetricem, deinde Apostolos, martyres et alios sanctos, se liturgiae caelesti unitam manifestat; ipsa Christum glorificat propter salutem ab Eo in Eius membris glorificatis adimpletam; eorum exemplum ipsam stimulat in eius via ad Patrem.
§ 1196
Os fiéis que celebram a Liturgia das Horas unem-se a Cristo, nosso Sumo-Sacerdote, pela oração dos salmos, a meditação da Palavra de Deus, os cânticos e as bênçãos, a fim de serem associados à sua oração contínua e universal, que dá glória ao Pai e implora o dom do Espírito Santo sobre o mundo inteiro.
Fideles qui liturgiam Horarum celebrant, Christo uniuntur nostro Summo Sacerdoti, per psalmorum precationem, meditationem Verbi Dei, cantica et benedictiones, ut Eius incessabili et universali consocientur orationi, quae Patrem glorificat et Spiritus Sancti donum super mundum implorat universum.
§ 1197
Cristo é o verdadeiro Templo de Deus, «o lugar em que reside a sua glória»; pela graça de Deus, também os cristãos se tornam templos do Espírito Santo, pedras vivas com que se constrói a Igreja.
Christus verum Templum est Dei, « locus ubi Eius habitat gloria »; per gratiam Dei, christiani efficiuntur, et ipsi, templa Spiritus Sancti, lapides vivi, ex quibus Ecclesia aedificatur.
§ 1198
Na sua condição terrena, a Igreja tem necessidade de lugares onde a comunidade possa reunir-se: as nossas igrejas visíveis, lugares sagrados, imagens da Cidade santa, da Jerusalém celeste para a qual caminhamos como peregrinos.
Ecclesia, in sua terrestri condicione, locis eget in quibus communitas congregari possit: nostris visibilibus ecclesiis, locis sanctis, imaginibus sanctae Civitatis seu caelestis Ierusalem, ad quam peregrini pergimus.
§ 1199
É nestas igrejas que a Igreja celebra o culto público para glória da Santíssima Trindade, ouve a Palavra de Deus e canta os seus louvores, eleva a sua oração e oferece o sacrifício de Cristo, sacramentalmente presente no meio da assembleia. Estas igrejas são também lugares de recolhimento e de oração pessoal.
In his ecclesiis cultum publicum celebrat Ecclesia ad gloriam Sanctissimae Trinitatis, Verbum Dei audit et Eius canit laudes, suam orationem ascendere facit et Christi sacramentaliter praesentis in medio congregationis Sacrificium offert. Hae ecclesiae recollectionis et orationis personalis etiam sunt loci. (64) Cf Apc 4,2. (65) Cf Ez 1,26-28. (66) Cf Io 1,29. (67) Cf Heb 4,14-15; 10,19-21; etc. (68) Liturgia Byzantina. Anaphora Iohannis Chrysostomi: F.E. Brightman, Liturgies Eastern and Western (Oxford 1896) p. 378 (PG 63, 913).(69) Cf Io 4,10-14; Apc 21,6. (70) Cf Apc 4-5; Is 6,2-3. (71) Cf Apc 7,1-8; 14,1. (72) Cf Apc 12. (73) Cf Apc 21,9. (74) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 26: AAS 56 (1964) 107. (75) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 27: AAS 56 (1964) 107. (76) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.(77) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14; Ibid., 34: AAS 57 (1965) 40; Id., Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 991-992. (78) Cf 1 Pe 2,4-5. (79) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 14: AAS 56 (1964) 104. (80) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 992; Ibid., 15: AAS 58 (1966) 1014. (81) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 29: AAS 56 (1964) 107. (82) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 28: AAS 56 (1964) 107. (83) Cf Sap 13,1; Rom 1,19-20; Act 14,17. (84) Cf Lc 8,10. (85) Cf Io 9,6; Mc 7,33-35; 8,22-25. (86) Cf Lc 9,31; 22,7-20. (87) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 112: AAS 56 (1964) 128. (88) Cf Col 3,16-17. (89) Cf Sanctus Augustinus, Enarratio in Psalmum 72, 1: CCL 39, 986 (PL 36, 914).(90) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 112: AAS 56 (1964) 128.(91) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 112: AAS 56 (1964) 128.(92) Sanctus Augustinus, Confessiones, 9, 6, 14: CCL 27, 141 (PL 32, 769-770).(93) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 119: AAS 56 (1964) 129-130. (94) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 118: AAS 56 (1964) 129. (95) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 121: AAS 56 (1964) 130. (96) Sanctus Iohannes Damascenus, De sacris imaginibus oratio, 1, 16: PTS 17, 89 et 92 (PG 94, 1245 et 1248). (97) Concilium Nicaenum II (anno 787), Terminus: COD p. 135. (98) Cf Rom 8,29; 1 Io 3,2. (99) Concilium Nicaenum II, Definitio de sacris imaginibus: DS 600.(100) Sanctus Iohannes Damascenus, De sacris imaginibus oratio 1, 47: PTS 17, 151 (PG 94, 1268). (101) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 102: AAS 56 (1964) 125. (102) Cf Mt 6,11. (103) Cf Heb 3,7–4,11; Ps 95,8. (104) Pseudo-Hippolytus Romanus, In sanctum Pascha, 1, 1-2: Studia patristica mediolanensia 15, 230-232 (PG 59, 755). (105) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 106: AAS 56 (1964) 126. (106) Cf Matutinum in die Paschatis ritus Byzantini, Oda 9, troparium: Pentekostárion (Romae 1884) p. 11. (107) Cf Io 21,12; Lc 24,30. (108) Sanctus Hieronymus, In die Dominica Paschae homilia: CCL 78, 550 (PL 30, 218-219). (109) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 106: AAS 56 (1964) 126. (110) Fanqîth, Breviarium iuxta ritum Ecclesiae Antiochenae Syrorum, v. 6 (Mossul 1886) p. 193b. (111) Cf Lc 4,19. (112) Sanctus Athanasius Alexandrinus, Epistula festivalis, 1 (anno 329), 10: PG 26, 1366. (113) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 103: AAS 56 (1964) 125. (114) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 104: AAS 56 (1964) 126; cf Ibid., 108: AAS 56 (1964) 126 et Ibid., 111: AAS 56 (1964) 127. (115) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, IV, 83-101: AAS 56 (1984) 121-125. (116) Cf 1 Thess 5,15; Eph 6,18. (117) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 84: AAS 56 (1964) 121. (118) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 98: AAS 56 (1964) 124. (119) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 84: AAS 56 (1964) 121. (120) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 83: AAS 56 (1964) 121. (121) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 86: AAS 56 (1964) 121; Ibid., 96: AAS 56 (1964) 123; Id., Decr. Presbyterorum ordinis, 5: AAS 58 (1966) 998. (122) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 98: AAS 56 (1964) 124. (123) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 100: AAS 56 (1964) 124. (124) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 90: AAS 56 (1964) 122. (125) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 4: AAS 58 (1966) 932-933. (126) Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 5: AAS 58 (1966) 998; cf Id., Const. Sacrosanctum Concilium, 122-127: AAS 56 (1964) 130-132. (127) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 7: AAS 56 (1964) 100-101. (128) Cf Heb 13,10. (129) Cf Institutio generalis Missalis Romani, 259: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 75.(130) Paulus VI, Litt. Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 771. (131) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 128: AAS 56 (1964) 132. (132) Institutio generalis Missalis Romani, 271: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 77. (133) Institutio generalis Missalis Romani, 272: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 77. (134) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 106: AAS 56 (1964) 126. (135) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 102: AAS 56 (1964) 125.

TRADIÇÕES LITÚRGICAS E CATOLICIDADE DA IGREJA

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

§ 1200
Desde a primeira comunidade de Jerusalém até à Parusia, as Igrejas de Deus celebram em toda a parte o mesmo mistério pascal, fiéis à fé apostólica. O mistério celebrado na liturgia é um só, mas as formas da sua celebração são diversas.
Idem mysterium Paschale ubique celebrant Ecclesiae Dei, a prima Hierosolymorum communitate usque ad Parusiam, fidei apostolicae fideles. Mysterium in liturgia celebratum unum est, sed formae eius celebrationis sunt diversae.
§ 1201
A riqueza insondável do mistério de Cristo é tal, que nenhuma tradição litúrgica pode esgotar-lhe a expressão. A história da origem e desenvolvimento destes ritos testemunha uma complementaridade admirável. Sempre que as Igrejas viveram estas tradições litúrgicas em comunhão na fé e nos sacramentos da fé, enriqueceram-se mutuamente, crescendo na fidelidade à Tradição e à missão comum de toda a Igreja (73).
Inscrutabiles mysterii Christi tales sunt divitiae ut nulla traditio liturgica possit eius expressionem exhaurire. Historia ortus et progressionis horum rituum mirabilem testatur complementaritatem. Cum Ecclesiae has traditiones liturgicas in fidei et sacramentorum fidei communione duxerunt in vitam, mutuo se locupletaverunt et creverunt in fidelitate Traditioni et communi totius Ecclesiae missioni. 136
§ 1202
As diversas tradições litúrgicas nasceram em razão da própria missão da Igreja. As Igrejas duma mesma área geográfica e cultural acabaram por celebrar o mistério de Cristo através de expressões particulares, culturalmente diferenciadas: na tradição do «depósito da fé» (74), no simbolismo litúrgico, na organização da comunhão fraterna, na compreensão teológica dos mistérios e nos tipos de santidade. Assim, Cristo, Luz e Salvação de todos os povos, é manifestado pela vida litúrgica duma Igreja ao povo e à cultura a que a mesma Igreja é enviada e em que se radicou. A Igreja é católica: pode integrar na sua unidade, purificando-as, todas as verdadeiras riquezas das culturas (75).
Diversae traditiones liturgicae propter ipsam Ecclesiae missionem sunt ortae. Ecclesiae eiusdem geographici et culturalis spatii pervenerunt ad mysterium Christi per expressiones peculiares, culturaliter proprias, celebrandum: in traditione « depositi fidei », 137 in liturgico symbolismo, in fraternae communionis organizatione, in theologica mysteriorum intelligentia et in sanctitatis typis. Sic Christus, omnium populorum Lux et Salus, in liturgica cuiusdam Ecclesiae vita, populo et culturae manifestatur ad quos illa missa et in quibus radicata est. Ecclesia est catholica: in suam unitatem omnes veras culturarum divitias, potest, eas purificans, colligere. 138
§ 1203
As tradições litúrgicas ou ritos, actualmente em uso na Igreja, são: o rito latino (principalmente o rito romano, mas também os ritos de certas igrejas locais, como o rito ambrosiano ou o de certas ordens religiosas) e os ritos bizantino, alexandrino ou copta, siríaco, arménio, maronita e caldeu. «Fiel à tradição, o sagrado Concílio declara que a santa Mãe Igreja considera iguais em direito e dignidade todos os ritos legitimamente reconhecidos e quer que no futuro se mantenham e sejam promovidos por todos os meios» (76).
Traditiones liturgicae seu ritus nunc usitati in Ecclesia sunt ritus latinus (praecipue ritus Romanus, sed etiam ritus quarumdam localium Ecclesiarum, sicut ritus Ambrosianus, vel quorumdam ordinum religiosorum) et ritus Byzantinus, Alexandrinus seu Copticus, Syriacus, Armenius, Maronita et Chaldaeus. « Traditioni [...] fideliter obsequens, sacrosanctum Concilium declarat sanctam Matrem Ecclesiam omnes ritus legitime agnitos aequo iure atque honore habere, eosque in posterum servari et omnimodo foveri velle ». 139Liturgia et culturae

LITURGIA E CULTURAS

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

§ 1204
A celebração da Liturgia deve, pois, corresponder ao génio e à cultura dos diferentes povos (77). Para que o mistério de Cristo seja «dado a conhecer a todos os gentios, para que obedeçam à fé» (Rm 16, 26), tem de ser anunciado, celebrado e vivido em todas as culturas, de modo que estas não sejam abolidas mas resgatadas e plenamente realizadas por ele (78). É com e pela sua cultura humana própria, assumida e transfigurada por Cristo, que a multidão dos filhos de Deus tem acesso ao Pai, para O glorificar num só Espírito.
Liturgiae celebratio debet igitur diversorum populorum correspondere indoli atque culturae. 140 Ut mysterium Christi « ad oboedientiam fidei in cunctis gentibus » patefiat (Rom 16,26), in omnibus culturis annuntiari, celebrari et in vitam duci debet ita ut hae ab illo non aboleantur, sed redimantur et perficiantur. 141 Multitudo filiorum Dei cum eorum humana propria cultura et per illam, a Christo assumptam et transfiguratam, accessum habet ad Patrem, ad Ipsum in uno Spiritu glorificandum.
§ 1205
«Na liturgia, sobretudo na dos sacramentos, existe uma parte imutável — por ser de instituição divina — da qual a Igreja é guardiã, e partes susceptíveis de mudança que a Igreja tem o poder e, por vezes, mesmo o dever de adaptar às culturas dos povos recentemente evangelizados» (79).
« Consideretur oportet in liturgia, et praesertim in sacramentorum liturgia, partem immutabilem inesse, utpote divinitus instituta, cuius Ecclesia est custos, et partes quae mutari possunt, quas ipsa potest et interdum debet ad culturas componere populorum recens evangelizatorum ». 142
§ 1206
«A diversidade litúrgica pode ser fonte de enriquecimento, mas também pode provocar tensões, incompreensões recíprocas e até cismas. Neste domínio, é claro que a diversidade não deve prejudicar a unidade. Ela só pode exprimir-se na fidelidade à fé comum, aos sinais sacramentais que a Igreja recebeu de Cristo e à comunhão hierárquica. A adaptação às culturas exige uma conversão do coração e, se necessário, rupturas com hábitos ancestrais incompatíveis com a fé católica» (80).Resumindo:
« Varietas liturgica fons auctus esse potest, sed etiam contentiones suscitare, inscitias invicem et etiam schismata. Patet hac in re varietatem non debere unitati nocere, nec exprimi posse nisi per fidelitatem erga fidem communem, erga signa sacramentalia, quae Ecclesia a Christo accepit, atque erga hierarchicam communionem. Accommodatio ad culturas cordis conversionem exigit et, si necesse sit, etiam intermissionem consuetudinum avitarum cum fide catholica insociabilium ». 143 Compendium

COMPÊNDIO

A «ECONOMIA» SACRAMENTAL

Resumindo

§ 1207
Convém que a celebração da liturgia tenda a exprimir-se na cultura do povo em que a Igreja se encontra, sem se submeter a ela. Por outro lado, a própria liturgia é geradora e formadora de culturas.
Oportet ut liturgiae celebratio ad se in cultura populi tendat exprimendam ubi Ecclesia invenitur, quin se illi submittat. Ex alia vero parte, liturgia ipsa est culturarum generatrix et efformatrix.
§ 1208
As diversas tradições litúrgicas, ou ritos, legitimamente reconhecidas, uma vez que significam e comunicam o mesmo mistério de Cristo, manifestam a catolicidade da Igreja.
Diversae liturgicae traditiones, seu ritus, legitime agnitae, quatenus idem Christi mysterium significant et communicant, Ecclesiae manifestant catholicitatem.
§ 1209
O critério que garante a unidade na pluriformidade das tradições litúrgicas é a fidelidade à Tradição apostólica, quer dizer: a comunhão na fé e nos sacramentos recebidos dos Apóstolos, comunhão que é significada e garantida pela sucessão apostólica.
Criterium, quod unitatem in traditionum liturgicarum tuetur pluriformitate, est Traditioni apostolicae fidelitas, id est: communio in fide et sacramentis ab Apostolis receptis, quae quidem communio a successione apostolica significatur et in tuto ponitur. (136) Cf Paulus VI, Adh. ap. Evangelii nuntiandi, 63-64: AAS 68 (1976) 53-55.(137) Cf 2 Tim 1,14.(138) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 28-29; Id., Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1964) 95.(139) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 4: AAS 56 (1964) 98.(140) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 37-40: AAS 56 (1964) 110-111.(141) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Catechesi tradendae, 53: AAS 71 (1979) 1319-1321.(142) Ioannes Paulus II, Litt. ap. Vicesimus quintus annus, 16: AAS 81 (1989) 912-913; cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 21: AAS 56 (1964) 105-106. (143) Ioannes Paulus II, Litt. ap. Vicesimus quintus annus, 16: AAS 81 (1989) 913.

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1210
Os sacramentos da nova Lei foram instituídos por Cristo e são em número de sete, a saber: o Baptismo, a Confirmação, a Eucaristia, a Penitência, a Unção dos Enfermos, a Ordem e o Matrimónio. Os sete sacramentos tocam todas as etapas e momentos importantes da vida do cristão: outorgam nascimento e crescimento, cura e missão à vida de fé dos cristãos. Há aqui uma certa semelhança entre as etapas da vida natural e as da vida espiritual (1).
Sacramenta novae Legis a Christo sunt instituta et numero sunt septem, scilicet, Baptismus, Confirmatio, Eucharistia, Poenitentia, Unctio infirmorum, Ordo et Matrimonium. Septem sacramenta omnes gressus omniaque magni ponderis momenta in christiani vita attingunt: ipsa vitae fidei christianorum originem et augmentum, sanationem praebent atque missionem. In hoc quaedam habetur similitudo inter vitae naturalis gressus illosque vitae spiritualis. 144
§ 1211
Seguindo esta analogia, exporemos primeiro os três sacramentos da iniciação cristã (capítulo primeiro), depois os sacramentos de cura (capítulo segundo) e finalmente os que estão ao serviço da comunhão e da missão dos fiéis (capítulo terceiro). Esta ordem não é, certamente, a única possível, mas permite ver que os sacramentos formam um organismo, no qual cada sacramento particular tem o seu lugar vital. Neste organismo, a Eucaristia ocupa um lugar único, como «sacramento dos sacramentos»: «todos os outros sacramentos estão ordenados para este, como para o seu fim» (2).
Secundum hanc analogiam, imprimis tria exponentur sacramenta initiationis christianae (caput primum), deinde sacramenta sanationis (caput secundum), tandem sacramenta quae in servitium sunt communionis et missionis fidelium (caput tertium). Hic utique ordo unicus possibilis non est, sed perspicere permittit sacramenta quemdam efformare organismum in quo unumquodque particulare sacramentum suum habet locum vitalem. In hoc organismo Eucharistia locum obtinet singularem quatenus « sacramentorum sacramentum »: « Omnia alia sacramenta ordinari videntur ad hoc sacramentum sicut ad finem ». 145 (144) Cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 65, a. 1, c: Ed. Leon. 12, 56-57. (145) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 65, a. 3, c: Ed. Leon. 12, 60.

OS SACRAMENTOS DA INICIAÇÃO CRISTÃ

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1212
Através dos sacramentos da iniciação cristã – Baptismo, Confirmação e Eucaristia são lançados os alicerces de toda a vida cristã. «A participação na natureza divina, dada aos homens pela graça de Cristo, comporta uma certa analogia com a origem, crescimento e sustento da vida natural. Nascidos para uma vida nova pelo Baptismo, os fiéis são efectivamente fortalecidos pelo sacramento da Confirmação e recebem na Eucaristia o Pilo da vida eterna Assim. por estes sacramentos da iniciação cristã, eles recebem cada vez mais riquezas da vida divina e avançam para a perfeição da caridade» (3).
Per initiationis christianae sacramenta, Baptismum, Confirmationem et Eucharistiam, omnis vitae christianae ponuntur fundamenta. « Divinae consortium naturae, quo homines per Christi gratiam donantur, similitudinem quandam prae se fert ortus vitae naturalis, eius incrementi et alimonii. Etenim Baptismo renati fideles Confirmationis sacramento roborantur ac tandem in Eucharistia cibo vitae aeternae vegetantur, ita ut hisce initiationis christianae sacramentis thesauros vitae divinae magis magisque percipiant atque ad perfectionem caritatis progrediantur ». 146 (146) Paulus VI, Const. ap. Divinae consortium naturae: AAS 63 (1971) 657; cf Ordo initiationis christianae adultorum, Praenotanda 1-2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1972) p. 7.

O SACRAMENTO DO BAPTISMO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1213
O santo Baptismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito («vitae spiritualis ianua – porta da vida espiritual») e a porta que dá acesso aos outros sacramentos. Pelo Baptismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus: tornamo-nos membros de Cristo e somos incorporados na Igreja e tornados participantes na sua missão (4). «Baptismos est sacramentam regeneratiorais per aquam in Verbo – O Baptismo pode definir-se como o sacramento da regeneração pela água e pela Palavra» (5).
Sanctum Baptisma totius est fundamentum vitae christianae, vitae spiritualis ianua atque ostium ad reliqua sacramenta aperiens accessum. Per Baptisma a peccato liberamur et tamquam filii Dei regeneramur, Christi efficimur membra et Ecclesiae incorporamur atque eius missionis reddimur participes: 147 « Ita fit ut recte et apposite definiatur baptismum esse sacramentum regenerationis per aquam in verbo ». 148 I. Quomodo hoc sacramentum appellatur?

O SACRAMENTO DO BAPTISMO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Como se chama este sacramento?

§ 1214
Chama-se Baptismo, por causa do rito central com que se realiza: baptizar (baptizeis, em grego) significa «mergulhar», «imergir». A «imersão» na água simboliza a sepultura do catecúmeno na morte de Cristo, de onde sai pela ressurreição com Ele (6) como «nova criatura» (2 Cor 5, 17; Gl 6, 15).
Appellatur Baptismus secundum ritum centralem quo efficitur: baptizare (graece baptizeis) significat « mergere », « immergere »; « immersio » in aquam significat sepulturam catechumeni in mortem Christi, unde, per Resurrectionem cum Illo, 149 tamquam « nova creatura » (2 Cor 5,17; Gal 6,15) egreditur.
§ 1215
Este sacramento é também chamado «banho da regeneração e da renovação no Espírito Santo» (Tt 3, 5), porque significa e realiza aquele nascimento da água e do Espírito, sem o qual «ninguém pode entrar no Reino de Deus» (Jo 3, 5).
Hoc sacramentum etiam « lavacrum regenerationis et renovationis Spiritus Sancti » (Tit 3,5) appellatur, quia illam significat et efficit ex aqua et Spiritu nativitatem, sine qua nemo « potest introire in Regnum Dei » (Io 3,5).
§ 1216
«Este banho é chamado iluminação, porque aqueles que recebem este ensinamento [catequético] ficam com o espírito iluminado...» (7). Tendo recebido no Baptismo o Verbo, «luz verdadeira que ilumina todo o homem» (Jo 1, 9), o baptizado, «depois de ter sido iluminado» (8), tornou-se «filho da luz» (9) e ele próprio «luz» (Ef 5, 8):

«O Baptismo é o mais belo e magnífico dos dons de Deus [...] Chamamos-lhe dom, graça, unção, iluminação, veste de incorruptibilidade, banho de regeneração, selo e tudo o que há de mais precioso. Dom, porque é conferido àqueles que não trazem nada: graça, porque é dado mesmo aos culpados: baptismo, porque o pecado é sepultado nas águas; unção, porque é sagrado e régio (como aqueles que são ungidos); iluminação, porque é luz irradiante; veste, porque cobre a nossa vergonha; banho, porque lava; selo, porque nos guarda e é sinal do senhorio de Deus» (10).

« Vocatur autem hoc lavacrum illuminatio, quod mente illuminentur qui haec [catechetice] discunt ». 150 Baptizatus, cum in Baptismo receperit Verbum quod est « lux vera quae illuminat omnem hominem » (Io 1,9), postquam « illuminatus » est, 151 fit « filius lucis » 152 et ipse « lux » (Eph 5,8):

Baptismus, « omnium Dei beneficiorum praeclarissimum est et praestantissimum. [...] Donum vocamus, gratiam, Baptismum, unctionem, illuminationem, incorruptionis indumentum, regenerationis lavacrum, sigillum, ac denique excellentissimo quovis nomine appellamus. Donum dicitur quia iis qui nihil prius contulerunt datur; gratia quia etiam debentibus; baptismus, quia peccatum in aqua sepelitur; unctio, quia sacer et regius (haec enim erant quae ungebantur); illuminatio, quia splendor et claritas; indumentum, quia ignominiae nostrae velamen est; lavacrum, quia abluit; sigillum, quia conservatio est ac dominationis obsignatio ». 153

AS PREFIGURAÇÕES DO BAPTISMO NA ANTIGA ALIANÇA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O Baptismo na economia da salvação

§ 1217
Na liturgia da Vigília Pascal, a quando da bênção da água baptismal, a Igreja faz solenemente memória dos grandes acontecimentos da história da salvação que prefiguravam já o mistério do Baptismo:

«Senhor nosso Deus: pelo vosso poder invisível, realizais maravilhas nos vossos sacramentos. Ao longo dos tempos, preparastes a água para manifestar a graça do Baptismo» (11).

In Vigiliae Paschalis liturgia, cum aquae baptismalis benedictio fit, Ecclesia sollemniter magnos commemorat historiae salutis eventus qui iam Baptismi praefigurabant mysterium:

« Deus, [...] invisibili potentia per sacramentorum signa mirabilem operaris effectum, et creaturam aquae multis modis praeparasti ut Baptismi gratiam demonstraret ». 154

§ 1218
Desde o princípio do mundo, a água, esta criatura humilde e admirável, é a fonte da vida e da fecundidade. A Sagrada Escritura vê-a como «incubada» pelo Espírito de Deus (12):

«Logo no princípio do mundo, o vosso Espírito pairava sobre as águas, para que já desde então concebessem o poder de santificar» (13).

A mundi origine, aqua, haec humilis et miranda creatura, vitae et fecunditatis est fons. Eam sacra Scriptura perspicit sub Spiritu Dei qui veluti ei « incubat »: 155

« Deus, cuius Spiritus super aquas inter ipsa mundi exordia ferebatur, ut iam tunc virtutem sanctificandi aquarum natura conciperet ». 156

§ 1219
A Igreja viu na arca de Noé uma prefiguração da salvação pelo Baptismo. Com efeito, graças a ela, «um pequeno grupo, ao todo oito pessoas, foram salvas pela água» (1 Pe 3, 20):

«Nas águas do dilúvio, destes-nos uma imagem do Baptismo, sacramento da vida nova, porque as águas significam ao mesmo tempo o fim do pecado e o princípio da santidade» (14).

Ecclesia in Arca Noe praefigurationem vidit salutis per Baptismum. Revera, per illam « pauci, id est octo animae, salvae factae sunt per aquam » (1 Pe 3,20):

« Regenerationis speciem in ipsa diluvii effusione signasti, ut unius eiusdemque elementi mysterio et finis esset vitiis et origo virtutum ». 157

§ 1220
Se a água de nascente simboliza a vida, a água do maré um símbolo da morte. Por isso é que podia prefigurar o mistério da cruz. E por este simbolismo, o Baptismo significa a comunhão com a morte de Cristo.
Si aqua fontis symbolum est vitae, aqua maris symbolum est mortis. Hac de causa, crucis mysterii figura esse poterat. Propter hunc symbolismum, Baptismus communionem cum morte Christi significat.
§ 1221
É sobretudo a travessia do Mar Vermelho, verdadeira libertação de Israel da escravidão do Egipto, que anuncia a libertação operada pelo Baptismo:

«Aos filhos de Abraão fizestes atravessar a pé enxuto o Mar Vermelho, para que esse povo, liberto da escravidão, fosse a imagem do povo santo dos baptizados» (15).

Praesertim transitus Maris Rubri, vera Israel liberatio a servitute Aegypti, liberationem a Baptismo peractam annuntiat:

« Abrahae filios per Mare Rubrum sicco vestigio transire fecisti, ut plebs, a Pharaonis servitute liberata, populum baptizatorum praefiguraret ». 158

§ 1222
Finalmente, o Baptismo é prefigurado na travessia do Jordão, graças à qual o povo de Deu- recebe o dom da terra prometida à descendência de Abraão, imagem da vida eterna. A promessa desta herança bem-aventurada cumpre-se na Nova Aliança.
Baptismus denique in Iordanis praefiguratur transitu, per quem populus Dei donum recipit Terrae descendentibus Abrahae promissae, imaginis vitae aeternae. Huius beatae hereditatis promissio in Novo Foedere adimpletur.Baptismus Christi

O BAPTISMO DE CRISTO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O Baptismo na economia da salvação

§ 1223
Todas as prefigurações da Antiga Aliança encontram a sua realização em Jesus Cristo. Ele começa a sua vida pública depois de Se ter feito baptizar por São João Baptista no Jordão (16). E depois da sua ressurreição, confere esta missão aos Apóstolos: «Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações; baptizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinai-os a cumprir tudo quanto vos mandei» (Mt 28, 19-20) (17).
Omnes Veteris Foederis praefigurationes suam in Christo Iesu inveniunt consummationem. Ipse Suam vitam publicam incipit postquam fecit Se a sancto Ioanne Baptista in Iordane baptizari, 159 et, post Resurrectionem Suam, hanc Apostolis praebet missionem: « Euntes ergo docete omnes gentes, baptizantes eos in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti, docentes eos servare omnia, quaecumque mandavi vobis » (Mt 28,19-20). 160
§ 1224
Nosso Senhor sujeitou-se voluntariamente ao Baptismo de São João, destinado aos pecadores, para cumprir toda a justiça (18). Este gesto de Jesus é uma manifestação do seu «aniquilamento» (19). O Espírito que pairava sobre as águas da primeira criação, desce então sobre Cristo como prelúdio da nova criação e o Pai manifesta Jesus como seu «Filho muito amado» (20).
Dominus noster Se voluntarie sancti Ioannis submisit baptismo, peccatoribus destinato, ad omnem iustitiam implendam. 161 Hic Iesu gestus manifestatio est Eius « exinanitionis ». 162 Spiritus qui super aquas primae creationis ferebatur, tunc super Christum descendit, novam creationem praeludens, et Pater Iesum ut Suum dilectum manifestat Filium. 163
§ 1225
Foi na sua Páscoa que Cristo abriu a todos os homens as fontes do Baptismo. De facto, Ele já tinha falado da sua paixão, que ia sofrer em Jerusalém, como dum «baptismo» com que devia ser baptizado (21). O sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado (22) são tipos do Baptismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova (23): desde então, é possível «nascer da água e do Espírito» para entrar no Reino de Deus (Jo 3, 5).

«Repara: Onde é que foste baptizado, de onde é que vem o Baptismo, senão da cruz de Cristo, da morte de Cristo? Ali está todo o mistério: Ele sofreu por ti. Foi n'Ele que tu foste resgatado, n'Ele que foste salvo» (24).

In Paschate Suo, Christus omnibus hominibus Baptismi fontes aperuit. Re quidem vera, iam de passione quam Ipse Hierosolymis erat subiturus, locutus erat tamquam de « Baptismo » quo Ipse baptizandus erat. 164 Sanguis et aqua quae de aperto Iesu crucifixi exiverunt latere, 165 typi sunt Baptismi et Eucharistiae, vitae novae sacramentorum: 166 exinde possibile est « ex aqua et Spiritu » nasci ad introeundum in Regnum Dei (Io 3,5).

« Vide, ubi baptizaris, unde sit Baptisma nisi de cruce Christi, de morte Christi. Ibi est omne mysterium, quia pro te passus est. In Ipso redimeris, in Ipso salvaris ». 167

O BAPTISMO NA IGREJA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O Baptismo na economia da salvação

§ 1226
Desde o dia de Pentecostes que a Igreja vem celebrando e administrando o santo Baptismo. Com efeito, São Pedro declara à multidão, abalada pela sua pregação: «convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo» (Act 2, 38). Os Apóstolos e os seus colaboradores oferecem o Baptismo a quem quer que acredite em Jesus: judeus, pessoas tementes a Deus, pagãos (25). O Baptismo aparece sempre ligado à fé: «Acredita no Senhor Jesus e serás salvo juntamente com a tua família», declara São Paulo ao seu carcereiro em Filipos. E a narrativa continua: «o carcereiro [...] logo recebeu o Baptismo, juntamente com todos os seus» (Act 16, 31-33).
Inde a die Pentecostes, Ecclesia sanctum celebravit et administravit Baptismum. Revera, sanctus Petrus multitudini sua praedicatione perturbatae declarat: « Paenitentiam [...] agite, et baptizetur unusquisque vestrum in nomine Iesu Christi in remissionem peccatorum vestrorum, et accipietis donum Sancti Spiritus » (Act 2,38). Apostoli et eorum collaboratores Baptismum offerunt cuilibet qui in Iesum credit: Iudaeis, Deum timentibus, paganis. 168 Baptismus semper apparet ut fidei coniunctus: « Crede in Domino Iesu et salvus eris tu et domus tua », declarat sanctus Paulus suo custodi carceris Philippis. Narratio autem prosequitur: « Et baptizatus est ipse et omnes eius continuo » (Act 16,31-33).
§ 1227
Segundo o apóstolo São Paulo, pelo Baptismo o crente comunga na morte de Cristo; é sepultado e ressuscita com Ele:

«Todos nós, que fomos baptizados em Cristo Jesus, fomos baptizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova» (Rm 6, 3-4) (26).

Os baptizados «revestem-se de Cristo» (27). Pelo Espírito Santo, o Baptismo é um banho que purifica, santifica e justifica (28).
Secundum sanctum Paulum apostolum, credens per Baptismum morti Christi communicat; cum Ipso sepelitur et resurgit:

« Quicumque baptizati sumus in Christum Iesum, in Mortem Ipsius baptizati sumus. Consepulti ergo sumus cum Illo per Baptismum in mortem, ut quemadmodum suscitatus est Christus a mortuis per gloriam Patris, ita et nos in novitate vitae ambulemus » (Rom 6,3-4). 169

Baptizati « Christum induerunt ». 170 Baptismus, per Spiritum Sanctum, lavacrum est quod purificat, sanctificat et iustificat. 171
§ 1228
O Baptismo é, pois, um banho de água, no qual «a semente incorruptível» da Palavra de Deus produz o seu efeito vivificador (29). Santo Agostinho dirá do Baptismo: «Accedit verbum ad elementum, et fit sacramentam – Junta-se a palavra ao elemento material e faz-se o sacramento» (30).
Baptismus est ergo aquae lavacrum in quo « semen incorruptibile » Verbi Dei suum producit effectum vivificantem. 172 Sanctus Augustinus de Baptismo dicet: « Accedit verbum ad elementum, et fit sacramentum ». 173 III. Quomodo Baptismi celebratur sacramentum? Christiana initiatio

A INICIAÇÃO CRISTÃ

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Como se celebra o sacramento do Baptismo?

§ 1229
Desde o tempo dos Apóstolos que tornar-se cristão requer um caminho e uma iniciação com diversas etapas. Este itinerário pode ser percorrido rápida ou lentamente. Mas deverá sempre incluir certos elementos essenciais: o anúncio da Palavra, o acolhimento do Evangelho que implica a conversão, a profissão de fé, o Baptismo, a efusão do Espírito Santo, o acesso à comunhão eucarística.
Inde ab Apostolorum temporibus, christianum fieri in rem deducitur per iter et initiationem quae pluribus constant gradibus. Hoc iter potest celeriter vel lente percurri. Illud vero quaedam elementa essentialia semper implicabit: Verbi annuntiationem, Evangelii acceptionem ad conversionem trahentem, fidei Professionem, Baptismum, Spiritus Sancti effusionem, ad Communionem eucharisticam accessum.
§ 1230
Esta iniciação tem variado muito no decurso dos séculos e segundo as circunstâncias. Nos primeiros séculos da Igreja, a iniciação cristã conheceu grande desenvolvimento, com um longo período de catecumenato e uma série de ritos preparatórios que escalonavam liturgicamente o caminho da preparação catecumenal, desembocando na celebração dos sacramentos da iniciação cristã.
Haec initiatio, saeculorum decursu et secundum diversa adiuncta, multum variavit. Prioribus Ecclesiae saeculis, initiatio christiana magnum experta est incrementum, cum longa catechumenatus periodo et cum praeviorum successione rituum qui iter praeparationis catechumenatus liturgice signabant et ad celebrationem sacramentorum initiationis christianae ducebant.
§ 1231
Nas regiões onde o Baptismo das crianças se tomou largamente a forma habitual da celebração deste sacramento, esta transformou-se num acto único, que integra, de um modo muito abreviado, as etapas preliminares da iniciação cristã. Pela sua própria natureza, o Baptismo das crianças exige um catecumenato pós-baptismal. Não se trata apenas da necessidade duma instrução posterior ao Baptismo mas do desenvolvimento necessário da graça baptismal no crescimento da pessoa. É o espaço próprio da catequese.
Ubi infantium Baptismus ample habitualis forma celebrationis effectus est huius sacramenti, ipsa est facta actus unicus qui gradus initiationi christianae praevios, modo valde compendiario, colligit. Propter suam ipsam naturam, Baptismus infantium catechumenatum exigit postbaptismalem. Agitur non solum de necessitate institutionis Baptismo posterioris, sed de necessaria gratiae baptismalis explicatione in personae incremento. Hic est proprius catechismi locus.
§ 1232
O II Concílio do Vaticano restaurou, para a Igreja latina, «o catecumenato dos adultos, distribuído em várias fases» (31). O respectivo ritual encontra-se no Ordo initiationis christianae adultorum (1972). Aliás, o Concílio permitiu que, «para além dos elementos de iniciação próprios da tradição cristã», se admitam, em terras de missão, «os elementos de iniciação usados por cada um desses povos, na medida em que puderem integrar-se no rito cristão» (32).
A Concilio Vaticano II pro Ecclesia latina « catechumenatus adultorum pluribus gradibus distinctus » est restauratus. 174 Eius inveniuntur ritus in Ordine initiationis christianae adultorum (1972). Concilium ceterum permisit ut, « praeter ea quae in traditione christiana habentur », in terris missionum admittantur « illa etiam elementa [...] quae apud unumquemque populum in usu esse reperiuntur, quatenus ritui christiano accommodari possunt ». 175
§ 1233
Hoje em dia, portanto, em todos os ritos latinos e orientais, a iniciação cristã dos adultos começa com a sua entrada no catecumenato, para atingir o ponto culminante na celebração única dos três sacramentos, Baptismo, Confirmação e Eucaristia (33). Nos ritos orientais, a iniciação cristã das crianças na infância começa no Baptismo, seguido imediatamente da Confirmação e da Eucaristia, enquanto no rito romano a mesma iniciação prossegue durante os anos de catequese, para terminar, mais tarde, com a Confirmação e a Eucaristia, ponto culminante da sua iniciação cristã (34).
Hodie igitur in omnibus latinis et orientalibus ritibus, initiatio christiana adultorum ab eorum in catechumenatum incipit ingressu, suumque attingit culmen in unica celebratione trium sacramentorum Baptismi, Confirmationis et Eucharistiae. 176 In ritibus orientalibus, initiatio christiana infantium in Baptismo incipit quem immediate Confirmatio et Eucharistia sequuntur, dum in ritu Romano illa per catecheseos prosequitur annos ut posterius Confirmatione concludatur et Eucharistia quae culmen est eorum initiationis christiana. 177Mystagogia celebrationis

A MISTAGOGIA DA CELEBRAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Como se celebra o sacramento do Baptismo?

§ 1234
O sentido e a graça do sacramento do Baptismo aparecem claramente nos ritos da sua celebração. Seguindo, com participação atenta, os gestos e as palavras desta celebração, os fiéis são iniciados nas riquezas que este sacramento significa e realiza em cada novo baptizado.
Sensus et gratia sacramenti Baptismi clare in ritibus eius apparent celebrationis. Fideles, gestus et verba huius celebrationis attenta participatione sequentes, initiantur divitiis quas hoc sacramentum in unoquoque novo baptizato significat et efficit.
§ 1235
O sinal da cruz, no princípio da celebração, manifesta a marca de Cristo impressa naquele que vai passar a pertencer-Lhe, e significa a graça da redenção que Cristo nos adquiriu pela sua cruz.
Signum crucis, in celebrationis limine, Christi denotat sigillum super illum qui ad Eum mox pertinebit et Redemptionis significat gratiam quam Christus nobis per Suam crucem acquisivit.
§ 1236
O anúncio da Palavra de Deus ilumina com a verdade revelada os candidatos e a assembleia e suscita a resposta da fé, inseparável do Baptismo. Na verdade, o Baptismo é, de modo particular, o «sacramento da fé», uma vez que é a entrada sacramental na vida da fé.
Verbi Dei annuntiatio candidatis et congregationi veritatem illuminat revelatam, et fidei suscitat responsum, quod a Baptismo est inseparabile. Baptismus est modo peculiari « sacramentum fidei », quia ipse sacramentalis in vitam fidei est ianua.
§ 1237
E porque o Baptismo significa a libertação do pecado e do diabo, seu instigador, pronuncia-se sobre o candidato um ou vários exorcismos. Ele é ungido com o óleo dos catecúmenos ou, então, o celebrante impõe-lhe a mão e ele renuncia expressamente a Satanás. Assim preparado, pode professar a fé da Igreja, à qual será «confiado» pelo Baptismo (35).
Quia Baptismus a peccato et ab eius instigatore, Diabolo, significat liberationem, unus (vel plures) super candidatum profertur exorcismus. Ipse ungitur catechumenorum oleo vel celebrans ei imponit manum, et ipse Satanae explicite abrenuntiat. Ita praeparatus, potest Ecclesiae profiteri fidem in quam ipse per Baptismum « tradetur ». 178
§ 1238
A água baptismal é então consagrada por uma oração de epiclese (ou no próprio momento, ou na Vigília Pascal). A Igreja pede a Deus que, pelo seu Filho, o poder do Espírito Santo desça a esta água, para que os que nela forem baptizados «nasçam da água e do Espírito» (Jo 3, 5).
Aqua baptismalis deinde (sive in momento ipso sive in Vigilia Paschali) per Epiclesis consecratur orationem. Ecclesia petit a Deo ut, per Eius Filium, Spiritus Sancti virtus in hanc descendat aquam, ut qui in ea baptizabuntur, « ex aqua et Spiritu » nascantur (Io 3,5).
§ 1239
Segue-se o rito essencial do sacramento: o baptismo propriamente dito, que significa e realiza a morte para o pecado e a entrada na vida da Santíssima Trindade, através da configuração com o mistério pascal de Cristo. O Baptismo é realizado, do modo mais significativo, pela tríplice imersão na água baptismal; mas, desde tempos antigos, pode também ser conferido derramando por três vezes água sobre a cabeça do candidato.
Tunc sacramenti sequitur ritus essentialis: Baptismus proprie dictus, qui mortem peccato significat et efficit, atque ingressum in vitam Sanctissimae Trinitatis per configurationem mysterio Paschali Christi. Baptismus modo maxime significativo fit per triplicem immersionem in aquam baptismalem. Sed ab antiquitate potest etiam conferri ter super caput candidati infundendo aquam.
§ 1240
Na Igreja latina, esta tríplice infusão é acompanhada pelas palavras do ministro: «N., eu te baptizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Nas liturgias orientais, estando o catecúmeno voltado para o Oriente, o sacerdote diz: «O servo de Deus N. é baptizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»; e à invocação de cada pessoa da Santíssima Trindade, mergulha-o e retira-o da água.
In Ecclesia latina, hanc triplicem infusionem haec verba comitantur ministri: « N., ego te baptizo in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti ». In liturgiis orientalibus, catechumeno ad Orientem verso, sacerdos dicit: « Servus Dei, N., baptizatur in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti ». Et ad uniuscuiusque Personae Sanctissimae Trinitatis invocationem, ille eum in aquam mergit et ab ipsa extollit.
§ 1241
A unção com o santo crisma, óleo perfumado que foi consagrado pelo bispo, significa o dom do Espírito Santo ao novo baptizado. Ele tornou-se cristão, quer dizer, «ungido» pelo Espírito Santo, incorporado em Cristo, que foi ungido sacerdote, profeta e rei (36).
Unctio sancti chrismatis, olei fragrantis ab Episcopo consecrati, Spiritus Sancti significat donum novo baptizato collatum. Ipse effectus est christianus, id est « unctus » a Spiritu Sancto, incorporatus Christo qui Sacerdos, Propheta et Rex est unctus. 179
§ 1242
Na liturgia das Igrejas do Oriente, a unção pós-baptismal é o sacramento da Crismação (Confirmação). Na liturgia romana, anuncia uma segunda unção com o santo Crisma, que será dada pelo bispo: o sacramento da Confirmação que, por assim dizer, «confirma» e completa a unção baptismal.
In Ecclesiarum Orientalium liturgia, unctio postbaptismalis sacramentum est Chrismationis (Confirmationis). In liturgia Romana, ipsa secundam annuntiat sancti chrismatis unctionem quam Episcopus conferet: sacramentum Confirmationis quod unctionem baptismalem quasi « confirmat » et perficit.
§ 1243
A veste branca simboliza que o baptizado «se revestiu de Cristo» (37): ressuscitou com Cristo. A vela, acesa no círio pascal, significa que Cristo iluminou o neófito. Em Cristo, os baptizados são «a luz do mundo» (Mt 5, 14) (38).O recém-baptizado é agora filho de Deus no seu Filho Único e pode dizer a oração dos filhos de Deus: O Pai-Nosso.
Vestis alba baptizatum Christum induisse, 180 cum Christo surrexisse, symbolice indicat. Cereus de Cereo Paschali accensus Christum significat neophytum illuminasse. In Christo, baptizati sunt « lux mundi » (Mt 5,14). 181Novus baptizatus iam filius est Dei in Filio Unico. Filiorum Dei potest dicere orationem: Pater noster.1244 Prima Communio eucharistica. Neophytus, filius Dei effectus, vestique nuptiali indutus, « ad cenam nuptiarum Agni » admittitur et vitae novae recipit nutrimentum, corpus et sanguinem Christi. Ecclesiae Orientales vivam servant conscientiam unitatis initiationis christianae, sanctam Communionem donantes omnibus novis baptizatis et confirmatis, etiam parvulis infantibus, verbum Domini recolentes: « Sinite parvulos venire ad me. Ne prohibueritis eos » (Mc 10,14). Ecclesia latina, accessum ad sanctam Communionem illis reservans qui usus rationis attigerunt aetatem, apertionem Baptismi ad Eucharistiam exprimit, infantem mox baptizatum ad altare pro oratione « Pater noster » admovens.
§ 1244
A primeira Comunhão eucarística. Tornado filho de Deus, revestido da veste nupcial, o neófito é admitido «ao banquete das núpcias do Cordeiro» e recebe o alimento da vida nova, o corpo e sangue de Cristo. As Igrejas orientais conservam uma consciência viva da unidade da iniciação cristã, dando a sagrada Comunhão a todos os novos baptizados e confirmados, mesmo às criancinhas, lembrando a palavra do Senhor: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis» (Mc 10, 14). A Igreja latina, que reserva o acesso à sagrada Comunhão para aqueles que atingiram o uso da razão, exprime a abertura do Baptismo em relação à Eucaristia aproximando do altar a criança recém-baptizada para a oração do Pai Nosso.
Prima Communio eucharistica. Neophytus, filius Dei effectus, vestique nuptiali indutus, « ad cenam nuptiarum Agni » admittitur et vitae novae recipit nutrimentum, corpus et sanguinem Christi. Ecclesiae Orientales vivam servant conscientiam unitatis initiationis christianae, sanctam Communionem donantes omnibus novis baptizatis et confirmatis, etiam parvulis infantibus, verbum Domini recolentes: « Sinite parvulos venire ad me. Ne prohibueritis eos » (Mc 10,14). Ecclesia latina, accessum ad sanctam Communionem illis reservans qui usus rationis attigerunt aetatem, apertionem Baptismi ad Eucharistiam exprimit, infantem mox baptizatum ad altare pro oratione « Pater noster » admovens.
§ 1245
A celebração do Baptismo conclui-se com a bênção solene. Aquando do Baptismo de recém-nascidos, a bênção da mãe ocupa um lugar especial.
Sollemnis benedictio celebrationem concludit Baptismi. Cum de recenter natorum agitur Baptismo, matris benedictio peculiarem habet locum. IV. Quis Baptismum recipere potest?

A MISTAGOGIA DA CELEBRAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem pode receber o Baptismo?

§ 1246
«Todo o ser humano ainda não baptizado – e só ele – é capaz de receber o Baptismo» (39)
« Baptismi capax est omnis et solus homo nondum baptizatus ». 182 Baptismus adultorum

O BAPTISMO DOS ADULTOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem pode receber o Baptismo?

§ 1247
Desde os princípios da Igreja, o Baptismo dos adultos é a situação mais corrente nas terras onde o anúncio do Evangelho ainda é recente. O catecumenato (preparação para o Baptismo) tem, nesse caso, um lugar importante; sendo iniciação na fé e na vida cristã, deve dispor para o acolhimento do dom de Deus no Baptismo, Confirmação e Eucaristia.
Ab Ecclesiae originibus, adultorum Baptismus est condicio omnium frequentissima ubi Evangelii annuntiatio adhuc est recens. Catechumenatus (praeparatio ad Baptismum) locum tunc habet magni momenti. Is, cum initiatio ad fidem sit et ad vitam christianam, disponere debet ad doni Dei in Baptismo, Confirmatione et Eucharistia acceptionem.
§ 1248
O catecumenato, ou formação dos catecúmenos, tem por finalidade permitir a estes, em resposta à iniciativa divina e em união com uma comunidade eclesial, conduzir à maturidade a sua conversão e a sua fé. Trata-se duma «formação e de uma aprendizagem de toda a vida cristã», mediante a qual os discípulos se unem com Cristo seu mestre. Por conseguinte, sejam os catecúmenos convenientemente iniciados no mistério da salvação, na prática dos costumes evangélicos, e, com ritos sagrados a celebrar em tempos sucessivos, sejam introduzidos na vida da fé, da Liturgia e da caridade do povo de Deus» (40).
Scopus catechumenatus, seu formationis catechumenorum, est illis efficere possibile, incepto divino respondendo et in unione cum quadam ecclesiali communitate, suam conversionem suamque fidem ad maturitatem ducere. Agitur de « totius vitae christianae » institutione, qua « discipuli cum Christo suo Magistro coniunguntur. Catechumeni ergo apte initientur mysterio salutis et exercitio morum evangelicorum sacrisque ritibus, successivis temporibus celebrandis, introducantur in vitam fidei, liturgiae et caritatis populi Dei ». 183
§ 1249
Os catecúmenos «estão já unidos à Igreja», já são da casa de Cristo, e, não raro, eles levam já uma vida de fé, de esperança e de caridade» (41). «A mãe Igreja já os abraça como seus, com amor e solicitude» (42).
Catechumeni « iam [...] cum Ecclesia coniuncti sunt, iam de domo sunt Christi et non raro iam vitam agunt fidei, spei et caritatis ». 184 Eos « iam ut suos dilectione et cura complectitur Mater Ecclesia ». 185 Baptismus infantium

O BAPTISMO DAS CRIANÇAS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem pode receber o Baptismo?

§ 1250
Nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Baptismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus (44), a que todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Baptismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento (45).
Cum natura lapsa et peccato originali maculata nati, etiam ipsi infantes nova egent in Baptismo nativitate 186 ut liberentur a tenebrarum potestate et transferantur in dominium libertatis filiorum Dei, 187 ad quam omnes homines vocantur. In Baptismo infantium peculiariter manifestatur pura gratuitas gratiae salutis. Ideo Ecclesia et parentes infantem inaestimabili privarent gratia deveniendi in filium Dei, si ei, paulo post nativitatem, Baptismum non conferrent. 188
§ 1251
Os pais cristãos reconhecerão que esta prática corresponde, também, ao seu papel de sustentar a vida que Deus lhes confiou (46).
Parentes christiani agnoscent, hanc praxim etiam congruere cum suo munere nutritorum vitae a Deo illis concreditae. 189
§ 1252
A prática de baptizar as crianças é tradição imemorial da Igreja. Explicitamente atestada desde o século II, é no entanto bem possível que, desde o princípio da pregação apostólica, quando «casas» inteiras receberam o Baptismo se tenham baptizado também as crianças (48).
Praxis parvulos baptizandi infantes traditio Ecclesiae est immemorialis. A saeculo II explicita de illa habentur testimonia. Est tamen vere possibile, iam ab initiis praedicationis apostolicae, cum integrae « domus » Baptismum receperunt, 190 etiam infantes esse baptizatos. 191Fides et Baptismus

FÉ E BAPTISMO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem pode receber o Baptismo?

§ 1253
O Baptismo é o sacramento da fé (49). Mas a fé tem necessidade da comunidade dos crentes. Só na fé da Igreja é que cada um dos fiéis pode crer. A fé que se requer para o Baptismo não é uma fé perfeita e amadurecida, mas um princípio chamado a desenvolver-se. Ao catecúmeno ou ao seu padrinho pergunta-se: «Que pedis à Igreja de Deus?» E ele responde: «A fé!».
Baptismus est sacramentum fidei. 192 Sed fides communitate eget credentium. Singuli christifideles nonnisi in fide Ecclesiae credere possunt. Fides quae pro Baptismo requiritur non est fides perfecta et matura, sed quoddam initium quod vocatur ad se augendum. Catechumenus vel eius patrinus interrogatur: « Quid petis ab Ecclesia Dei? ». Et respondet: « Fidem! ».
§ 1254
Em todos os baptizados, crianças ou adultos, a fé deve crescer depois do Baptismo. É por isso que a Igreja celebra todos os anos, na Vigília Pascal, a renovação das promessas do Baptismo. A preparação para o Baptismo conduz apenas ao umbral da vida nova. O Baptismo é a fonte da vida nova em Cristo, donde jorra toda a vida cristã.
Fides in omnibus baptizatis, sive infantibus sive adultis post Baptismum crescere debet. Hac de causa, Ecclesia, singulis annis, in Vigilia Paschali, renovationem celebrat promissionum baptismalium. Praeparatio ad Baptismum solum ad vitae novae ducit limen. Baptismus fons est vitae novae in Christo ex quo tota vita christiana profluit.
§ 1255
Para que a graça baptismal possa desenvolver-se, é importante a ajuda dos pais. Esse é também o papel do padrinho ou da madrinha, que devem ser pessoas de fé sólida, capazes e preparados para ajudar o novo baptizado, criança ou adulto, no seu caminho de vida cristã (50). O seu múnus é um verdadeiro ofício eclesial (51). Toda a comunidade eclesial tem uma parte de responsabilidade no desenvolvimento e na defesa da graça recebida no Baptismo.
Ut gratia baptismalis explicari possit, parentum adiutorium magni est momenti. Hac etiam in re munus habetur patrini vel matrinae qui solidi debent esse credentes, idonei et parati ad novum baptizatum, infantem vel adultum, adiuvandum in eius vitae christianae itinere. 193 Eorum munus est verum ecclesiale officium. 194 Tota communitas ecclesialis responsabilitatem participat in explicanda et servanda gratia Baptismo recepta. V. Quis baptizare potest?

FÉ E BAPTISMO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem pode baptizar?

§ 1256
São ministros ordinários do Baptismo o bispo e o presbítero, e, na Igreja latina, também o diácono (52). Em caso de necessidade, qualquer pessoa, mesmo não baptizada, desde que tenha a intenção requerida, pode baptizar utilizando a fórmula baptismal trinitária (53). A intenção requerida é a de querer fazer o que faz a Igreja quando baptiza. A Igreja vê a razão desta possibilidade na vontade salvífica universal de Deus (54) e na necessidade do Baptismo para a salvação (55).
Ministri ordinarii Baptismi sunt Episcopus et presbyter et, in Ecclesia latina, etiam diaconus. 195 In casu necessitatis, quaelibet persona, etiam non baptizata, intentionem habens requisitam, potest baptizare, 196 formulam baptismalem adhibens trinitariam. Intentio autem requisita est id velle facere quod facit Ecclesia baptizans. Ecclesia huius possibilitatis perspicit rationem in Dei voluntate salvifica universali 197 et in Baptismi necessitate ad salutem. 198 VI. Necessitas Baptismi

FÉ E BAPTISMO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A necessidade do Baptismo

§ 1257
O próprio Senhor afirma que o Baptismo é necessário para a salvação (56). Por isso, ordenou aos seus discípulos que anunciassem o Evangelho e baptizassem todas as nações (57). O Baptismo é necessário para a salvação de todos aqueles a quem o Evangelho foi anunciado e que tiveram a possibilidade de pedir este sacramento (58). A Igreja não conhece outro meio senão o Baptismo para garantir a entrada na bem-aventurança eterna. Por isso, tem cuidado em não negligenciar a missão que recebeu do Senhor de fazer «renascer da água e do Espírito» todos os que podem ser baptizados. Deus ligou a salvação ao sacramento do Baptismo; mas Ele próprio não está prisioneiro dos seus sacramentos.
Ipse Dominus asserit Baptismum esse ad salutem necessarium. 199 Ille etiam Suis discipulis mandatum dedit nuntiandi Evangelium atque omnes gentes baptizandi. 200 Baptismus ad salutem illis est necessarius quibus Evangelium nuntiatum est et qui possibilitatem habuerunt hoc sacramentum petendi. 201 Ecclesia aliud medium non cognoscit ad ingressum in beatitudinem aeternam in tuto ponendum nisi Baptismum; hac de causa, missionem neglegere vitat quam ea a Domino accepit faciendi ut « ex aqua et Spiritu » illi omnes nascantur qui baptizari possunt. Deus salutem sacramento alligavit Baptismi, sed Ipse non est Suis sacramentis alligatus.
§ 1258
Desde sempre, a Igreja tem a firme convicção de que aqueles que sofrem a morte por causa da fé, sem terem recebido o Baptismo, são baptizados pela sua morte por Cristo e com Cristo. Este Baptismo de sangue, tal como o desejo do Baptismo ou Baptismo de desejo, produz os frutos do Baptismo, apesar de não ser sacramento.
Inde a suo ortu, Ecclesia firmam servat persuasionem, eos qui mortem propter fidem patiuntur, quin Baptismum receperint, sua pro Christo et cum Ipso baptizari morte. Hic Baptismus sanguinis, sicut votum Baptismi, fructus affert Baptismi, quin sit sacramentum.
§ 1259
Para os catecúmenos que morrem antes do Baptismo, o seu desejo explícito de o receber, unido ao arrependimento dos seus pecados e à caridade, garante-lhes a salvação, que não puderam receber pelo sacramento.
Pro catechumenis qui ante Baptismum moriuntur, eorum votum explicitum recipiendi illum, paenitentiae de eorum peccatis atque caritati coniunctum, illis praestat salutem quam per sacramentum recipere nequiverunt.
§ 1260
«Com efeito, já que Cristo morreu por todos e a vocação última de todos os homens é realmente uma só, a saber, a divina, devemos manter que o Espírito Santo a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhecido» (59). Todo o homem que, na ignorância do Evangelho de Cristo e da sua Igreja, procura a verdade e faz a vontade de Deus conforme o conhecimento que dela tem, pode salvar-se. Podemos supor que tais pessoas teriam desejado explicitamente o Baptismo se dele tivessem conhecido a necessidade.
« Cum enim pro omnibus mortuus sit Christus, cumque vocatio hominis ultima revera una sit, scilicet divina, tenere debemus Spiritum Sanctum cunctis possibilitatem offerre ut, modo Deo cognito, huic Paschali mysterio consocientur ». 202 Quilibet homo qui, Evangelium Christi Eiusque Ecclesiam ignorans, veritatem quaerit et Dei facit voluntatem prout illam cognoscit, salvari potest. Supponi potest, tales personas explicite Baptismum fuisse desideraturas, si eius cognovissent necessitatem.
§ 1261
Quanto às crianças que morrem sem  Baptismo, a Igreja não pode senão confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito do respectivo funeral. De facto, a grande misericórdia de Deus, «que quer que todos os homens se salvem» (1 Tm 2, 4), e a ternura de Jesus para com as crianças, que O levou a dizer: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis» (Mc 10, 14), permitem-nos esperar que haja um caminho de salvação para as crianças que morrem sem Baptismo. Por isso, é mais premente ainda o apelo da Igreja a que não se impeçam as criancinhas de virem a Cristo, pelo dom do santo Baptismo.
Relate ad infantes mortuos sine Baptismo, Ecclesia non potest nisi eos misericordiae Dei concredere, sicut ipsa in ritu pro eis facit exsequiarum. Re vera, magna misericordia Dei, « qui omnes homines vult salvos fieri » (1 Tim 2,4), et Iesu teneritas erga infantes, propter quam dixit: « Sinite parvulos venire ad me. Ne prohibueritis eos » (Mc 10,14), nobis permittunt sperare, viam haberi salutis pro infantibus mortuis sine Baptismo. Tanto vehementior est etiam hortatio Ecclesiae, ne parvuli impediantur infantes quominus ad Christum per sancti Baptismi perveniant donum. VII. Gratia Baptismi

FÉ E BAPTISMO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A graça do Baptismo

§ 1262
Os diferentes efeitos do Baptismo são significados pelos elementos sensíveis do rito sacramental. A imersão na água evoca os simbolismos da morte e da purificação, mas também da regeneração e da renovação. Os dois efeitos principais são, pois, a purificação dos pecados e o novo nascimento no Espírito Santo (60).
Diversi Baptismi effectus per sensibilia ritus sacramentalis significantur elementa. Immersio in aquam ad symbolismos appellat mortis et purificationis, sed etiam ad illos regenerationis et renovationis. Duo praecipui effectus sunt ergo peccatorum purificatio et nova in Spiritu Sancto nativitas. 203In remissionem peccatorum...

PARA A REMISSÃO DOS PECADOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A graça do Baptismo

§ 1263
Pelo Baptismo todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas devidas ao pecado (61). Com efeito, naqueles que foram regenerados, nada resta que os possa impedir de entrar no Reino de Deus: nem o pecado de Adão, nem o pecado pessoal, nem as consequências do pecado, das quais a mais grave é a separação de Deus.
Per Baptismum omnia peccata remittuntur, peccatum originale et omnia personalia peccata, sicut etiam omnes peccati poenae. 204 Re vera in eis qui sunt regenerati, nihil manet quod eos Regnum Dei ingredi impediat, neque Adae peccatum neque peccatum personale, neque peccati consequentiae, quarum gravissima est a Deo separatio.
§ 1264
No baptizado permanecem, no entanto, certas consequências temporais do pecado, como os sofrimentos, a doença, a morte, ou as fragilidades inerentes à vida, como as fraquezas de carácter, etc., assim como uma inclinação para o pecado a que a Tradição chama concupiscência ou, metaforicamente, a «isca» ou «aguilhão» do pecado («fomes peccati»): «Deixada para os nossos combates, a concupiscência não pode fazer mal àqueles que, não consentindo nela, resistem corajosamente pela graça de Cristo. Bem pelo contrário, "aquele que tiver combatido segundo as regras será coroado" (2 Tm 2, 5)» (62).
Quaedam tamen consequentiae temporales peccati in baptizato permanent, sicut dolores, aegritudo, mors, vel fragilitates vitae inhaerentes, sicut indolis debilitates, etc., vel etiam inclinatio ad peccatum quae concupiscentia vel metaphorice fomes peccati a Traditione appellatur: « quae, cum ad agonem relicta sit, nocere non consentientibus et viriliter per Christi Iesu gratiam repugnantibus non valet. Quin immo "qui legitime certaverit, coronabitur" (2 Tim 2,5) ». 205« Nova creatura »
§ 1265
O Baptismo não somente purifica de todos os pecados, como faz também do neófito «uma nova criatura» (63), um filho adoptivo de Deus (64), tornado «participante da natureza divina» (65), membro de Cristo (66) e co-herdeiro com Ele (67), templo do Espírito Santo (68).
Baptismus non solum ab omnibus peccatis purificat, sed etiam e neophyto « novam creaturam » facit, 206 filium Dei adoptivum 207 qui effectus est « divinae consors naturae », 208 Christi membrum 209 et cum Eo coheres, 210 Spiritus Sancti templum. 211

«UMA NOVA CRIATURA»

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A graça do Baptismo

§ 1266
A Santíssima Trindade confere ao baptizado a graça santificante, a graça da justificação, que

– o torna capaz de crer em Deus, esperar n'Ele e O amar, pelas virtudes teologais;
–  lhe dá o poder de viver e agir sob a moção do Espírito Santo e pelos dons do Espírito Santo;
– lhe permite crescer no bem, pelas virtudes morais. Assim, todo o organismo da vida sobrenatural do cristão tem a sua raiz no santo Baptismo.

Sanctissima Trinitas baptizato gratiam sanctificantem, gratiam iustificationis largitur:— quae illum reddit capacem credendi in Deum, in Eum sperandi Eumque amandi per virtutes theologales;
— illi potestatem praebet vivendi et agendi secundum Spiritus Sancti motionem per dona Spiritus Sancti;
— illum in bono per virtutes morales crescendi dat facultatem.Sic totus vitae supernaturalis christiani organismus in sancto radicatur Baptismo.Ecclesiae, Christi corpori, incorporati

INCORPORADOS NA IGREJA, CORPO DE CRISTO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A graça do Baptismo

§ 1267
O Baptismo faz de nós membros do corpo de Cristo. «Desde então [...], somos nós membros uns dos outros.» (Ef 4, 25). O Baptismo incorpora na Igreja. Das fontes baptismais nasce o único povo de Deus da Nova Aliança, que ultrapassa todos os limites naturais ou humanos das nações, das culturas, das raças e dos sexos: «Por isso é que todos nós fomos baptizados num só Espírito, para formarmos um só corpo» (1 Cor 12, 13).
Baptismus nos membra efficit corporis Christi. « Propter quod [...] sumus invicem membra » (Eph 4,25). Baptismus Ecclesiae incorporat. E baptismalibus fontibus unus nascitur populus Dei Novi Foederis, qui omnes limites naturales vel humanos superat nationum, culturarum, stirpium et sexuum: « Etenim in uno Spiritu omnes nos in unum corpus baptizati sumus » (1 Cor 12,13).
§ 1268
Os baptizados tornaram-se «pedras vivas» para «a edificação dum edifício espiritual, para um sacerdócio santo» (1 Pe 2, 5). Pelo Baptismo, participam no sacerdócio de Cristo, na sua missão profética e real, são «raça eleita, sacerdócio de reis, nação santa, povo que Deus tornou seu», para anunciar os louvores d'Aquele que os «chamou das trevas à sua luz admirável» (1 Pe 2, 9). O Baptismo confere a participação no sacerdócio comum dos fiéis.
Baptizati « lapides vivi » sunt effecti ad aedificationem « domus spiritalis in sacerdotium sanctum » (1 Pe 2,5). Per Baptismum, Christi participant sacerdotium Eiusque missionem propheticam et regiam, ipsi sunt « genus electum, regale sacerdotium, gens sancta, populus in acquisitionem, ut virtutes » annuntient « Eius qui de tenebris [...] [eos] vocavit in admirabile lumen Suum » (1 Pe 2,9). Baptismus in sacerdotio communi fidelium largitur participationem.
§ 1269
Feito membro da Igreja, o baptizado já não se pertence a si próprio (69) mas Aquele que morreu e ressuscitou por nós (70). A partir daí, é chamado a submeter-se aos outros (71), a servi-los (72) na comunhão da Igreja, a ser «obediente e dócil» aos chefes da Igreja (73) e a considerá-los com respeito e afeição (74). Assim como o Baptismo é fonte de responsabilidade e deveres, assim também o baptizado goza de direitos no seio da Igreja: direito a receber os sacramentos, a ser alimentado com a Palavra de Deus e a ser apoiado com outras ajudas espirituais da Igreja (75).
Baptizatus, membrum Ecclesiae effectus, non amplius sibi pertinet, 212 sed Illi qui pro nobis mortuus est et resurrexit. 213 Exinde vocatur ut se aliis submittat, 214 illis serviat 215 in Ecclesiae communione atque ut « oboediens et docilis » Ecclesiae sit praepositis 216 eosque observantia et caritate prosequatur. 217 Sicut Baptismus fons est responsabilitatum et obligationum, etiam baptizatus iuribus in Ecclesiae gaudet sinu: ut sacramenta recipiat, ut verbo Dei nutriatur et ut aliis spiritualibus sustineatur Ecclesiae adiumentis. 218
§ 1270
Os baptizados, «regenerados [pelo Baptismo] para serem filhos de Deus, devem confessar diante dos homens a fé que de Deus receberam por meio da Igreja» e participar na actividade apostólica e missionária do povo de Deus (77).
Baptizati, « in filios Dei [per Baptismum] regenerati, fidem quam a Deo per Ecclesiam acceperunt coram hominibus profiteri tenentur » 219 et actuositatem apostolicam et missionalem populi Dei participare. 220Sacramentale unitatis christianorum vinculum

O VÍNCULO SACRAMENTAL DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A graça do Baptismo

§ 1271
O Baptismo constitui o fundamento da comunhão entre todos os cristãos, mesmo com aqueles que ainda não estão em plena comunhão com a Igreja Católica: «Pois aqueles que crêem em Cristo e foram devidamente baptizados, estão numa certa comunhão, embora não perfeita, com a Igreja Católica justificados no Baptismo pela fé, são incorporados em Cristo, e, por isso, com direito se honram com o nome de cristãos e justamente são reconhecidos pelos filhos da Igreja Católica como irmãos no Senhor» (78). «O Baptismo, pois, constitui o vínculo sacramental da unidade vigente entre todos os que por ele foram regenerados» (79).
Baptismus fundamentum constituit communionis inter omnes christianos, etiam relate ad illos qui nondum in plena sunt cum Ecclesia catholica communione: « Hi enim qui in Christo credunt et Baptismum rite receperunt, in quadam cum Ecclesia catholica communione, etsi non perfecta, constituuntur. [...] Iustificati ex fide in Baptismate, Christo incorporantur, ideoque christiano nomine iure decorantur et a filiis Ecclesiae catholicae ut fratres in Domino merito agnoscuntur ». 221 « Baptismus igitur vinculum unitatis sacramentale constituit vigens inter omnes qui per illum regenerati sunt ». 222Signum spirituale indelebile...

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A graça do Baptismo

§ 1272
Incorporado em Cristo pelo Baptismo, o baptizado é configurado com Cristo (80). O Baptismo marca o cristão com um selo espiritual indelével («charactere») da sua pertença a Cristo. Esta marca não é apagada por nenhum pecado, embora o pecado impeça o Baptismo de produzir frutos de salvação (81). Ministrado uma vez por todas, o Baptismo não pode ser repetido.
Baptizatus, Christo per Baptismum incorporatus, Christo est configuratus. 223 Baptismus christianum signat sigillo spirituali indelebili (charactere) quod eum ad Christum pertinere significat. Hoc sigillum nullo peccato deletur, quamquam peccatum impedit ne Baptismus suos fructus salutis ferat. 224 Baptismus, semel pro semper collatus, iterari non potest.
§ 1273
Incorporados na Igreja pelo Baptismo, os fiéis receberam o carácter sacramental que os consagra para o culto religioso cristão (82). O selo baptismal capacita e compromete os cristãos a servir a Deus mediante uma participação viva na santa liturgia da Igreja, e a exercer o seu sacer­dócio baptismal pelo testemunho duma vida santa e duma caridade eficaz  (83).
Fideles, Ecclesiae per Baptismum incorporati, characterem receperunt sacramentalem qui eos cultui religioso christiano consecrat. 225 Sigillum baptismale christianos reddit capaces eosque obligat ad Deo serviendum in participatione viva sanctae liturgiae Ecclesiae et ad eorum sacerdotium baptismale exercendum testimonio vitae sanctae et caritatis actuosae. 226
§ 1274
O «selo do Senhor» («dominicus character») (84) é o selo com que o Espírito Santo nos marcou «para o dia da redenção» (Ef 4, 30) (85). «O Baptismo é, efectivamente, o selo da vida eterna» (86). O fiel que tiver «guardado o selo» até ao fim, quer dizer, que tiver permanecido fiel às exigências do seu Baptismo, poderá partir «marcado pelo sinal da fé» (87), com a fé do seu Baptismo, na expectativa da visão bem-aventurada de Deus – consumação da fé – e na esperança da ressurreição. Resumindo:
« Dominicus character » 227 est sigillum quo Spiritus nos signavit « in diem Redemptionis » (Eph 4,30). 228 « Baptismus est sigillum vitae aeternae ». 229 Fidelis qui usque ad finem « sigillum servaverit », id est, exigentiis Baptismi sui permanserit fidelis, poterit « cum signo fidei » 230 decedere, cum sui Baptismi fide, in exspectatione beatae visionis Dei — quae fidei est consummatio — et in spe resurrectionis.Compendium

COMPÊNDIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Resumindo

§ 1275
A iniciação cristã faz-se pelo conjunto de três sacramentos: o Baptismo, que é o princípio da vida nova; a Confirmação, que é a consolidação da mesma vida; e a Eucaristia, que alimenta o discípulo com o corpo e sangue de Cristo, em vista da sua transformação n'Ele.
Christiana initiatio per trium sacramentorum complexum adimpletur: per Baptismum qui est vitae novae initium; per Confirmationem quae eius est solidatio; et per Eucharistiam quae corpore et sanguine Christi nutrit discipulum ut hic in Illum transformetur.
§ 1276
«Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, baptizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinai-os a cumprir tudo quanto vos mandei» (Mt 28, 19-20).
«Euntes ergo docete omnes gentes, baptizantes eos in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti, docentes eos servare omnia, quaecumque mandavi vobis » (Mt 28,19-20).
§ 1277
O Baptismo constitui o nascimento para a vida nova em Cristo. Segundo a vontade do Senhor; ele é necessário para a salvação, como a própria Igreja, na qual o Baptismo introduz.
Baptismus nativitatem ad novam vitam constituit in Christo. Secundum voluntatem Domini, necessarius est ad salutem, sicut ipsa Ecclesia in quam Baptismus introducit.
§ 1278
O rito essencial do Baptismo consiste em mergulhar na água o candidato ou em derramar água sobre a sua cabeça, pronunciando a invocação da Santíssima Trindade, isto é, do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Ritus essentialis Baptismi consistit in immersione candidati in aquam vel in aquae infusione super caput eius, Sanctissimae Trinitatis, id est, Patris et Filii et Spiritus Sancti invocationem pronuntiando.
§ 1279
O fruto do Baptismo ou graça baptismal é uma realidade rica que inclui: a remissão do pecado original e de todos os pecados pessoais; o renascimento para uma vida nova, pela qual o homem se torna filho adoptivo do Pai, membro de Cristo, templo do Espírito Santo. Por esse facto, o baptizado é incorporado na Igreja, corpo de Cristo, e tornado participante do sacerdócio de Cristo.
Baptismi fructus seu gratia baptismalis realitas est dives, quae implicat: peccati originalis et omnium peccatorum personalium remissionem, nativitatem ad vitam novam per quam homo filius adoptivus fit Patris, membrum Christi et templum Spiritus Sancti. Eo ipso, baptizatus Ecclesiae, corpori Christi incorporatur, et sacerdotii Christi efficitur particeps.
§ 1280
O Baptismo imprime na alma um sinal espiritual indelével, o carácter; que consagra o baptizado para o culto da religião cristã. Por causa do carácter; o Baptismo não pode ser repetido (88).
Baptismus imprimit in anima signum spirituale indelebile, characterem, quod baptizatum cultui christianae religionis consecrat. Propter characterem, Baptismus iterari nequit. 231
§ 1281
Os que sofrem a morte por causa da fé, os catecúmenos e todos aqueles que, sob o impulso da graça, sem conhecerem a Igreja, procuram sinceramente a Deus e se esforçam por cumprir a sua vontade, podem salvar-se, mesmo sem terem recebido o Baptismo (89).
Qui mortem propter fidem patiuntur, catechumeni et omnes homines qui, sub gratiae impulsu, quin Ecclesiam cognoscant, Deum sincere quaerunt et Eius voluntatem implere conantur, salvari possunt, etiamsi Baptismum non receperint. 232
§ 1282
Desde os tempos mais antigos, o Baptismo é administrado às crianças, visto ser uma graça e um dom de Deus que não supõem méritos humanos; as crianças são baptizadas na fé da Igreja. A entrada na vida cristã dá acesso à verdadeira liberdade.
Inde a temporibus perquam antiquissimis, Baptismus infantibus administratur, quia ipse gratia et donum est Dei, quae merita non praesupponunt humana; infantes in fide baptizantur Ecclesiae. Ingressus in vitam christianam accessum verae praebet libertati.
§ 1283
Quanto às crianças que morrem sem Baptismo, a Liturgia da Igreja convida-nos a ter confiança na misericórdia divina e a rezar pela sua salvação.
Relate ad infantes mortuos sine Baptismo, liturgia Ecclesiae nos invitat ad fiduciam in misericordia divina habendam, et ad orandum pro eorum salute.
§ 1284
Em caso de necessidade, qualquer pessoa pode baptizar, desde que tenha a intenção de fazer o que a Igreja faz e derrame água sobre a cabeça do candidato, dizendo: «Eu te baptizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».
In casu necessitatis, quaelibet persona baptizare potest, dummodo intentionem habeat faciendi quod facit Ecclesia et super candidati caput aquam infundat dicens: « Ego te baptizo in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti ». (147) Cf Concilium Florentinum, Decretum pro Armenis: DS 1314; CIC canones 204, § 1. 849; CCEO canon 675, § 1. (148) Catechismus Romanus 2, 2, 5: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 179. (149) Cf Rom 6,3-4; Col 2,12. (150) Sanctus Iustinus, Apologia, 1, 61: CA 1, 168 (PG 6, 421).(151) Cf Heb 10,32.(152) Cf 1 Thess 5,5.(153) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 40, 3-4: SC 358, 202-204 (PG 36, 361-364).(154) Vigilia Paschalis, Benedictio aquae: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 283. (155) Cf Gn 1,2. (156) Vigilia Paschalis, Benedictio aquae: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 283. (157) Vigilia Paschalis, Benedictio aquae: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 283. (158) Vigilia Paschalis, Benedictio aquae: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 283. (159) Cf Mt 3,13. (160) Cf Mc 16,15-16. (161) Cf Mt 3,15. (162) Cf Phil 2,7. (163) Cf Mt 3,16-17. (164) Cf Mc 10,38; Lc 12,50. (165) Cf Io 19,34. (166) Cf 1 Io 5,6-8. (167) Sanctus Ambrosius, De sacramentis, 2, 2, 6: CSEL 73, 27-28 (PL 16, 425-426). (168) Cf Act 2,41; 8,12-13; 10,48; 16,15. (169) Cf Col 2,12. (170) Cf Gal 3,27. (171) Cf 1 Cor 6,11; 12,13. (172) Cf 1 Pe 1,23; Eph 5,26. (173) Sanctus Augustinus, In Iohannis evangelium tractatus, 80,3: CCL 36, 529 (PL 35, 1840). (174) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 64: AAS 56 (1964) 117. (175) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 65: AAS 56 (1964) 117; cf Ibid., 37-40: AAS 56 (1964) 110-111.(176) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 14: AAS 58 (1966) 963; CIC canones 851. 865-866. (177) Cf CIC canones 851, 2. 868. (178) Cf Rom 6,17. (179) Cf Ordo Baptismi parvulorum, 62 (Typis Polyglottis Vaticanis 1969) p. 32. (180) Cf Gal 3,27. (181) Cf Phil 2,15. (182) CIC canon 864; cf CCEO canon 679. (183) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 14: AAS 58 (1966) 962-963; cf Ordo initiationis christianae adultorum, Praenotanda 19 (Typis Polyglottis Vaticanis 1972) p. 11; Ibid., De tempore catechumenatus eiusque ritibus 98, p. 36. (184) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 14: AAS 58 (1966) 963.(185) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 14: AAS 57 (1965) 19; cf CIC canones 206. 788. (186) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 4: DS 1514. (187) Cf Col 1,12-14. (188) Cf CIC canon 867; CCEO canon 686, § 1. (189) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 15-16; Ibid., 41: AAS 57 (1965) 47; Id., Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067-1069; CIC canones 774, § 2. 1136. (190) Cf Act 16,15.33; 18,8; 1 Cor 1,16. (191) Cf Sacra Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Pastoralis actio, 4: AAS 72 (1980) 1139. (192) Cf Mc 16,16. (193) Cf CIC canones 872-874. (194) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 67: AAS 56 (1964) 118. (195) Cf CIC canon 861, § 1; CCEO canon 677, § 1. (196) Cf CIC canon 861, § 2. (197) Cf 1 Tim 2,4. (198) Cf Mc 16,16. (199) Cf Io 3,5. (200) Cf Mt 28,20. Cf Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Decretum de sacramentis, Canones de sacramento Baptismi, canon 5: DS 1618; Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 14: AAS 57 (1965) 18; Id., Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 951-952.(201) Cf Mc 16,16.(202) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1043; cf Id., Const. dogm. Lumen gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; Id., Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 955. (203) Cf Act 2,38; Io 3,5. (204) Cf Concilium Florentinum, Decretum pro Armenis: DS 1316.(205) Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 5: DS 1515.(206) Cf 2 Cor 5,17.(207) Cf Gal 4,5-7.(208) Cf 2 Pe 1,4.(209) Cf 1 Cor 6,15; 12,27. (210) Cf Rom 8,17. (211) Cf 1 Cor 6,19. (212) Cf 1 Cor 6,19. (213) Cf 2 Cor 5,15. (214) Cf Eph 5,21; 1 Cor 16,15-16. (215) Cf Io 13,12-15. (216) Cf Heb 13,17. (217) Cf 1 Thess 5,12-13. (218) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 37: AAS 57 (1965) 42-43; CIC canones 208-223; CCEO canon 675, § 2. (219) 7 Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 16. (220) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 17: AAS 57 (1965) 21; Id., Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 956; Ibid., 23: AAS 58 (1966) 974-975. (221) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93.(222) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 22: AAS 57 (1965) 105.(223) Cf Rom 8,29.(224) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Decretum de sacramentis, Canones de sacramentis in genere, canon 9: DS 1609; Ibid., Canones de sacramento Baptismi, canon 6: DS 1619. (225) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 16. (226) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 15-16. (227) Cf Sanctus Augustinus, Epistula 98, 5: CSEL 34, 527 (PL 33, 362).(228) Cf Eph 1,13-14; 2 Cor 1,21-22. (229) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Demonstratio praedicationis apostolicae, 3: SC 62, 32. (230) Prex Eucharistica I seu Canon Romanus: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 454.(231) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Decretum de sacramentis, Canones de sacramentis in genere, canon 9: DS 1609; Ibid., Canones de sacramento Baptismi, canon 11: DS 1624. (232) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 16: AAS 57 (1965) 20.

O SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1285
Com o Baptismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos «sacramentos da iniciação cristã», cuja unidade deve ser salvaguardada. Por isso, é preciso explicar aos fiéis que a recepção deste sacramento é necessária para a plenitude da graça baptismal (90). Com efeito, os baptizados «pelo sacramento da Confirmação, são mais perfeitamente vinculados à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e deste modo ficam mais estritamente obrigados a difundir e a defender a fé por palavras e obras, como verdadeiras testemunhas de Cristo» (91).
Sacramentum Confirmationis cum Baptismo et Eucharistia complexum constituit « sacramentorum initiationis christianae », cuius unitas tuenda est. Fidelibus igitur explicandum est, huius sacramenti receptionem necessariam esse ad gratiae baptismalis completionem. 233 Re vera, baptizati « sacramento Confirmationis perfectius Ecclesiae vinculantur, speciali Spiritus Sancti robore ditantur, sicque ad fidem tamquam veri testes Christi verbo et opere simul diffundendam et defendendam arctius obligantur ». 234 I. Confirmatio in Oeconomia salutis

O SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A Confirmação na economia da salvação

§ 1286
No Antigo Testamento, os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias esperado (92), em vista da sua missão salvífica (93). A descida do Espírito Santo sobre Jesus, aquando do seu baptismo por João, foi o sinal de que era Ele o que havia de vir, de que era o Messias, o Filho de Deus (94). Concebido pelo poder do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam numa comunhão total com o mesmo Espírito Santo, que o Pai Lhe dá «sem medida» (Jo 3, 34).
In Vetere Testamento, Prophetae annuntiaverunt Spiritum Domini super Messiam exspectatum esse requieturum 235 Eius missionis salvificae causa. 236 Descensus Spiritus Sancti super Iesum, cum Ipse a Ioanne baptizatus est, signum fuit, Ipsum esse Illum qui erat venturus, Eum Messiam esse, Filium Dei. 237 Iesus conceptus erat de Spiritu Sancto; tota Eius vita totaque Eius missio fiunt in totali communione cum Spiritu Sancto quem Pater Illi « non [...] ad mensuram dat » (Io 3,34).
§ 1287
Ora, esta plenitude do Espírito não devia permanecer unicamente no Messias: devia ser comunicada a todo o povo messiânico (95). Repetidas vezes, Cristo prometeu esta efusão do Espírito promessa que cumpriu, primeiro no dia de Páscoa (97) e depois, de modo mais esplêndido, no dia de Pentecostes (98). Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos começaram a proclamar «as maravilhas de Deus» (Act 2, 11) e Pedro declarou que esta efusão do Espírito era o sinal dos tempos messiânicos (99). Aqueles que então acreditaram na pregação apostólica, e se fizeram baptizar, receberam, por seu turno, o dom do Espírito Santo (100).
Haec autem Spiritus plenitudo illa solummodo Messiae manere non debebat, ipsa erat toti populo messianico communicanda. 238 Pluries Christus hanc Spiritus promisit effusionem, 239 et promissionem hanc die Paschatis primum complevit, 240 et deinde, splendidiore modo, die Pentecostes. 241 Spiritu Sancto repleti, Apostoli « magnalia Dei » incipiunt proclamare (Act 2,11), Petrusque declarat hanc Spiritus effusionem signum temporum esse messianicorum. 242 Qui tunc praedicationi crediderunt apostolicae et baptizari curaverunt, Spiritus Sancti donum sua vice receperunt. 243
§ 1288
«A partir de então, os Apóstolos, para cumprirem a vontade de Cristo, comunicaram aos neófitos, pela imposição das mãos, o dom do Espírito para completar a graça do Baptismo (101). É por isso que, na Epístola aos Hebreus, se menciona, entre os elementos da primeira instrução cristã, a doutrina sobre os Baptismos e também sobre a imposição das mãos (102). A imposição das mãos é justificadamente reconhecida, pela Tradição católica, como a origem do sacramento da Confirmação que, de certo modo, perpetua na Igreja a graça do Pentecostes» (103).
« Ex [...] [illo] tempore Apostoli, Christi voluntatem implentes, Spiritus donum, quod Baptismi gratiam compleret, neophytis manuum impositione impertierunt. 244 Sic factum est, ut in epistula ad Hebraeos, inter primae institutionis christianae elementa, recenseretur doctrina Baptismatum et impositionis manuum. 245 Quae manuum impositio ex traditione catholica merito agnoscitur initium sacramenti Confirmationis, quod gratiam pentecostalem in Ecclesia quodam modo perpetuat ». 246
§ 1289
Bem cedo, para melhor significar o dom do Espírito Santo, se acrescentou à imposição das mãos uma unção com óleo perfumado (crisma). Esta unção ilustra o nome de «cristão», que significa «ungido»,e que vai buscar a sua origem ao próprio nome de Cristo, aquele que «Deus ungiu com o Espírito Santo» (Act 10, 38). E este rito da unção mantém-se até aos nossos dias, tanto no Oriente como no Ocidente. É por isso que, no Oriente, este sacramento se chama crismação (= unção do crisma), ou myron, que significa «crisma». No Ocidente, o nome de Confirmação sugere que este sacramento confirma o Baptismo e, ao mesmo tempo, consolida a graça baptismal.
Cito, ut melius donum Spiritus Sancti significaretur, impositioni manuum unctio fragrantis olei (chrismatis) adiuncta est. Haec unctio nomen « christiani » elucidat quod « unctum » significat et ab illo Ipsius Christi suam sumit originem: « Unxit Eum Deus Spiritu Sancto » (Act 10,38). Hic quidem ritus unctionis usque ad nostros exsistit dies tam in Oriente quam in Occidente. Hac de causa, in Oriente, hoc sacramentum Chrismatio vocatur seu chrismatis unctio, vel myron quod « chrisma » significat. In Occidente, nomen Confirmationis suggerit hoc sacramentum simul Baptismum confirmare et gratiam solidare baptismalem. Duae traditiones: Orientis et Occidentis

DUAS TRADIÇÕES: O ORIENTE E O OCIDENTE

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1290
Nos primeiros séculos, a Confirmação constitui geralmente uma única celebração com o Baptismo, formando com ele, segundo a expressão de São Cipriano, um «sacramento duplo» (104). Entre outras razões, a multiplicação dos baptismos de crianças, e isto em qualquer tempo do ano, e a multiplicação das paróquias (rurais), ampliando as dioceses, deixaram de permitir a presença do bispo em todas as celebrações baptismais. No Ocidente, porque se desejava reservar ao bispo o completar do Baptismo, instaurou-se a separação, no tempo, dos dois sacramentos. O Oriente conservou unidos os dois sacramentos, de tal modo que a Confirmação é dada pelo sacerdote que baptiza. Este, no entanto, só o pode fazer com o «myron» consagrado por um bispo (105).
Prioribus saeculis, Confirmatio unam celebrationem cum Baptismo generatim constituit, « sacramentum utrumque », secundum expressionem sancti Cypriani, 247 efformans cum eo. Inter alia motiva, multiplicatio Baptismorum infantium, et quidem in quolibet anni tempore, et paroeciarum (ruralium) multiplicatio, dioeceses augens, in omnibus baptismalibus celebrationibus non amplius Episcopi permittunt praesentiam. In Occidente, quia optatur perfectionem Baptismi reservare Episcopo, temporalis instituitur utriusque sacramenti separatio. Oriens duo sacramenta servavit coniuncta, ita ut Confirmatio conferatur a praesbytero qui baptizat. Hic tamen id facere nequit nisi myron adhibens ab Episcopo consecratum. 248
§ 1291
Um costume da Igreja de Roma facilitou a expansão da prática ocidental, graças a uma dupla unção com o santo crisma, depois do baptismo: a unção já feita pelo sacerdote ao neófito ao sair do banho baptismal é completada por uma segunda unção, feita pelo bispo na fronte de cada um dos novos baptizados (106). A primeira unção com o santo crisma, feita pelo sacerdote, ficou ligada ao rito baptismal e significa a participação do baptizado nas funções profética, sacerdotal e real de Cristo. Se o Baptismo é conferido a um adulto, há apenas uma unção pós-baptismal: a da Confirmação.
Quidam Ecclesiae Romanae mos facilius reddidit incrementum praxis occidentalis, propter duplicem unctionem cum sancto chrismate post Baptismum: illa, iam a presbytero peracta super neophytum, cum hic a lavacro baptismali exibat, per secundam completur unctionem ab Episcopo factam super frontem singulorum novorum baptizatorum. 249 Prima unctio cum sancto chrismate, illa quam presbyter praebet, ritui baptismali coniuncta mansit; ipsa participationem significat baptizati in muneribus prophetico, sacerdotali et regio Christi. Si Baptismus adulto confertur, non nisi una habetur unctio postbaptismalis: illa Confirmationis.
§ 1292
A prática das Igrejas do Oriente sublinha mais a unidade da iniciação cristã. A da Igreja latina exprime, com maior nitidez, a comunhão do novo cristão com o seu bispo, garante e servidor da unidade da sua Igreja, da sua catolicidade e da sua apostolicidade; e assim, a ligação com as origens apostólicas da Igreja de Cristo.
Praxis Ecclesiarum Orientalium unitatem initiationis christianae magis effert. Illa Ecclesiae latinae clarius exprimit communionem novi christiani cum eius Episcopo, sponsore et servitore unitatis Ecclesiae eius, eius catholicitatis et eius apostolicitatis, et proinde vinculum cum originibus apostolicis Ecclesiae Christi. II. Confirmationis signa et ritus

DUAS TRADIÇÕES: O ORIENTE E O OCIDENTE

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os sinais e o rito da Confirmação

§ 1293
No rito deste sacramento, convém considerar o sinal da unção e o que essa unção designa e imprime: o selo espiritual.A unção, na simbologia bíblica e antiga, é rica de numerosas significações: o óleo é sinal de abundância (107) e de alegria (108), purifica (unção antes e depois do banho) e torna ágil (unção dos atletas e lutadores): é sinal de cura, pois suaviza as contusões e as feridas (109) e torna radiante de beleza, saúde e força.
In ritu huius sacramenti, considerare oportet signum unctionis et id quod unctio indicat et imprimit: spirituale sigillum.Unctio, in biblico et vetere symbolismo, pluribus abundat significationibus: oleum est signum abundantiae 250 et laetitiae, 251 purificat (unctio ante et post lavacrum) et agilem reddit (unctio athletarum et luctatorum); signum est sanationis, quia contusiones mollit et plagas; 252 pulchritudine, sanitate et vi reddit splendentem.
§ 1294
Todos estes significados da unção com óleo se reencontram na vida sacramental. A unção antes do Baptismo, com o óleo dos catecúmenos, significa purificação e fortalecimento; a unção dos enfermos exprime cura e conforto. A unção com o santo crisma depois do Baptismo, na Confirmação e na Ordenação, é sinal duma consagração. Pela Confirmação, os cristãos, quer dizer, os que são ungidos, participam mais na missão de Jesus Cristo e na plenitude do Espírito Santo de que Ele está repleto, a fim de que toda a sua vida espalhe «o bom odor de Cristo» (110)
Omnes hae significationes unctionis cum oleo peractae in vita sacramentali iterum inveniuntur. Unctio ante Baptismum cum catechumenorum oleo purificationem significat et roborationem; unctio infirmorum sanationem et consolationem exprimit. Unctio sancti chrismatis post Baptismum, in Confirmatione et in Ordinatione, signum est cuiusdam consecrationis. Per Confirmationem, christiani, id est, illi qui sunt uncti, magis in missione participant Iesu Christi et in Spiritus Sancti plenitudine, qua Ille est repletus, ut tota eorum vita exhalet Christi bonum odorem. 253
§ 1295
Por esta unção, o confirmando recebe «a marca», o selo do Espírito Santo. O selo é o símbolo da pessoa (111), sinal da sua autoridade (112), da sua propriedade sobre um objecto (113). Era assim que se marcavam os soldados com o selo do seu chefe e também os escravos com o do seu dono. O selo autentica um acto jurídico (114) ou um documento (115) e, eventualmente, torna-o secreto (116).
Confirmandus, per hanc unctionem, signum, sigillum accipit Spiritus Sancti. Sigillum est personae symbolum, 254 signum eius auctoritatis, 255 eius possessionis super aliquod obiectum 256 — hoc modo, milites sigillo sui ducis signabantur et etiam servi illo domini sui —; ratum facit actum iuridicum 257 vel documentum 258 idque quandoque reddit secretum. 259
§ 1296
O próprio Cristo se declara marcado com o selo do Pai (117). O cristão também está marcado com um selo: «Foi Deus que nos concedeu a unção, nos marcou também com o seu selo e depôs as arras do Espírito em nossos corações» (2 Cor 1, 21-22) (118). Este selo do Espírito Santo marca a pertença total a Cristo, a entrega para sempre ao seu serviço, mas também a promessa da protecção divina na grande prova escatológica (119).
Ipse Iesus Se signatum sigillo Patris Sui declarat. 260 Etiam christianus est sigillo quodam signatus: « Qui autem confirmat nos vobiscum in Christum et qui unxit nos Deus, et qui signavit nos et dedit arrabonem Spiritus in cordibus nostris » (2 Cor 1,21-22). 261 Hoc sigillum Spiritus Sancti totalem significat pertinentiam ad Christum, aliquem in Eius servitium esse in perpetuum, sed etiam promissionem protectionis divinae in magna eschatologica probatione. 262 Confirmationis celebratio

A CELEBRAÇÃO DA CONFIRMAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os sinais e o rito da Confirmação

§ 1297
Um momento importante que precede a celebração da Confirmação, mas que, de certo modo, faz parte dela, é a consagração do santo crisma. É o bispo que, em Quinta-Feira Santa, no decorrer da missa crismal, consagra o santo crisma para toda a sua diocese. Nas Igrejas do Oriente, esta consagração é mesmo reservada ao Patriarca:

A liturgia de Antioquia exprime assim a epiclese da consagração do santo crisma (myron, em grego): «[Pai (...), envia o Teu Espírito Santo] sobre nós e sobre este óleo que está diante de nós e consagra-o, para que seja para todos os que com ele forem ungidos e marcados, myron santo, myron sacerdotal, myron real, unção de alegria, a veste da luz, o manto da salvação, o dom espiritual, a santificação das almas e dos corpos, a felicidade imperecível, o selo indelével, o escudo da fé, o capacete invencível contra todas as obras do Adversário» (120).

Magni momenti ritus, qui celebrationem Confirmationis praecedit, sed qui, quodammodo, eius efficit partem, est sancti chrismatis consecratio. Episcopus, Feria quinta in Cena Domini, intra Missam chrismalem, sanctum chrisma pro tota sua consecrat dioecesi. In Ecclesiis Orientalibus, haec consecratio Patriarchae etiam reservatur:

Liturgia Antiochena, sic Epiclesim consecrationis sancti chrismatis (quod graece dicitur myron) exprimit: « [Pater (...) Spiritum Sanctum mitte] super nos et super unguentum hoc propositum, et sanctifica ipsum, ut sit omnibus qui eo perungentur et consignabuntur myron sanctum, myron sacerdotale, unguentum regale, indumentum lucidum, amictus salutis, custodia vitae, munus spirituale, sanctitas animarum et corporum, laetitia cordis, suavitas aeterna, gaudium indefectibile, sigillum illaesum, scutum fidei, galea terribilis adversus omnem operationem Adversarii ». 263

§ 1298
Quando a Confirmação é celebrada separadamente do Baptismo, como acontece no rito romano, a Liturgia do sacramento começa pela renovação das promessas do Baptismo e pela profissão de fé dos confirmandos. Assim se evidencia claramente que a Confirmação se situa na continuação do Baptismo (121). No caso do Baptismo dum adulto, este recebe imediatamente a Confirmação e participa na Eucaristia (122).
Cum Confirmatio separatim a Baptismo celebratur, sicut in ritu Romano accidit, sacramenti liturgia renovatione promissionum Baptismi et Professione fidei confirmandorum incipit. Sic clare apparet Confirmationem in continuitate cum Baptismo collocari. 264 Cum adultus baptizatur, immediate Confirmationem recipit et Eucharistiam participat. 265
§ 1299
No rito romano, o bispo estende as mãos sobre o grupo dos confirmandos, gesto que, desde o tempo dos Apóstolos, é sinal do dom do Espírito. E o bispo invoca assim a efusão do Espírito:

«Deus todo-poderoso, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, pela água e pelo Espírito Santo, destes uma vida nova a estes vossos servos e os libertastes do pecado, enviai sobre eles o Espírito Santo Paráclito; dai-lhes, Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de ciência e de piedade, e enchei-os do espírito do vosso temor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo» (123).

In ritu Romano, Episcopus manus super universos confirmandos extendit, qui quidem gestus, inde ab Apostolorum temporibus, signum est doni Spiritus. Et sic Episcopus effusionem invocat Spiritus:

« Deus omnipotens, Pater Domini nostri Iesu Christi, qui hos famulos regenerasti ex aqua et Spiritu Sancto, liberans eos a peccato, Tu, Domine immitte in eos Spiritum Sanctum Paraclitum; da eis spiritum sapientiae et intellectus, spiritum consilii et fortitudinis, spiritum scientiae et pietatis; adimple eos spiritu timoris Tui. Per Christum Dominum nostrum ». 266

§ 1300
Segue-se o rito essencial do sacramento. No rito latino, «o sacramento da Confirmação é conferido pela unção do santo crisma sobre a fronte, feita com a imposição da mão, e por estas palavras: «Accipe signaculum doni Spiritus Sancti – Recebe por este sinal o Espírito Santo, o Dom de Deus» (124). Nas Igrejas orientais de rito bizantino, a unção do myron faz-se depois duma oração de epiclese, sobre as partes mais significativas do corpo: a fronte, os olhos, o nariz, os ouvidos, os lábios, o peito, as costas, as mãos e os pés, sendo cada unção acompanhada da fórmula: «Σφραγίζ δωραζ Πυεύματζ Άγίoυ» («Signaculum doni Spiritus Sancti – Selo do dom que é o Espírito Santo» ) (125).
Sacramenti sequitur ritus essentialis. In ritu latino, « sacramentum Confirmationis confertur per unctionem chrismatis in fronte, quae fit manus impositione, atque per verba: "Accipe signaculum doni Spiritus Sancti" ». 267 In Ecclesiis Orientalibus Byzantini ritus, unctio myron fit post Epiclesis orationem, super partes corporis magis significativas: frontem, oculos, nares, aures, labia, pectus, dorsum, manus et pedes; singulas unctiones comitatur formula: Σφραγίζ δωραζ Πυεύματζ Άγίoυ (« Signaculum doni Spiritus Sancti »). 268
§ 1301
O ósculo da paz, com que termina o rito do sacramento, significa e manifesta a comunhão eclesial com o bispo e com todos os fiéis (126).
Osculum pacis quod ritum concludit sacramenti, communionem ecclesialem cum Episcopo et cum omnibus fidelibus indicat et manifestat. 269 III. Confirmationis effectus

A CELEBRAÇÃO DA CONFIRMAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os efeitos da Confirmação

§ 1302
Ressalta desta celebração que o efeito do sacramento da Confirmação é uma efusão especial do Espírito Santo, tal como outrora foi concedida aos Apóstolos, no dia de Pentecostes.
E celebratione patet effectum sacramenti Confirmationis specialem esse Spiritus Sancti effusionem, sicut fuit illa olim die Pentecostes Apostolis concessa.
§ 1303
Por esse facto, a Confirmação proporciona crescimento e aprofundamento da graça baptismal:

– enraíza-nos mais profundamente na filiação divina, que nos leva a dizer « Abba! Pai!» (Rm 8, 15);
–  une-nos mais firmemente a Cristo;
– aumenta em nós os dons do Espírito Santo;
– torna mais perfeito o laço que nos une à Igreja (127);
– dá-nos uma força especial do Espírito Santo para propagarmos e defendermos a fé, pela palavra e pela acção, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessarmos com valentia o nome de Cristo, e para nunca nos envergonharmos da cruz (128):

«Lembra-te, pois, de que recebeste o sinal espiritual, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de ciência e de piedade, o espírito do santo temor, e guarda o que recebeste. Deus Pai marcou-te com o seu sinal, o Senhor Jesus Cristo confirmou-te e pôs no teu coração o penhor do Espírito» (129).

Hac de causa, Confirmatio augmentum et altiorem penetrationem affert gratiae baptismalis:— nos profundius in filiationem radicat divinam in qua clamamus: « Abba, Pater! » (Rom 8,15);
— nos Christo firmius unit;
— dona Spiritus Sancti in nobis auget;
— nostrum vinculum cum Ecclesia reddit perfectius; 270
— nobis specialem Spiritus Sancti concedit vim, ut fidem verbo et opere propagemus et defendamus tamquam veri Christi testes, ut nomen Christi strenue confiteamur neque experiamur coram cruce ruborem: 271

« Unde repete, quia accepisti signaculum spirituale, spiritum sapientiae et intellectus, spiritum consilii atque virtutis, spiritum cognitionis atque pietatis, spiritum sancti timoris, et serva quod accepisti. Signavit te Deus Pater, confirmavit te Christus Dominus, et dedit pignus, Spiritum, in cordibus tuis ». 272

§ 1304
Tal como o Baptismo, de que é a consumação, a Confirmação é dada uma só vez. Com efeito, a Confirmação imprime na alma uma marca espiritual indelével, o «carácter» (130), que é sinal de que Jesus Cristo marcou um cristão com o selo do seu Espírito, revestindo-o da fortaleza do Alto, para que seja sua testemunha (131).
Confirmatio, sicut Baptismus cuius est perfectio, solum semel confertur. Confirmatio etenim in anima imprimit signum spirituale indelebile, « characterem », 273 qui significat Iesum Christum sigillo Sui Spiritus christianum signavisse, eum virtute superinduens ex alto ut ipse Eius sit testis. 274
§ 1305
O «carácter» aperfeiçoa o sacerdócio comum dos fiéis, recebido no Baptismo, e «o confirmado recebe a força de confessar a fé de Cristo publicamente e como em virtude dum encargo oficial (quasi ex officio)» (132).
« Character » sacerdotium commune fidelium, in Baptismo receptum, perficit, et « confirmatus accipit potestatem publice fidem Christi verbis profitendi, quasi ex officio ». 275 IV. Quis hoc sacramentum recipere potest?

A CELEBRAÇÃO DA CONFIRMAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem pode receber este sacramento?

§ 1306
Todo o baptizado ainda não confirmado pode e deve receber o sacramento da Confirmação (133). Uma vez que Baptismo, Confirmação e Eucaristia formam uma unidade, segue-se que «os fiéis têm obrigação de receber este sacramento no tempo devido» (134), porque, sem a Confirmação e a Eucaristia, o sacramento do Baptismo é, sem dúvida, válido e eficaz, mas a iniciação cristã fica incompleta.
Omnis baptizatus nondum confirmatus sacramentum Confirmationis recipere potest et debet. 276 Quia Baptismus, Confirmatio et Eucharistia unitatem efformant, consequenter « fideles tenentur obligatione hoc sacramentum tempestive recipiendi », 277 quia sacramentum Baptismi, sine Confirmatione et Eucharistia, validum utique est et efficax, sed initiatio christiana incompleta manet.
§ 1307
O costume latino, desde há séculos, aponta «a idade da discrição» como ponta de referência para se receber a Confirmação. Em perigo de morte, porém, devem confirmar-se as crianças, mesmo que ainda não tenham atingido a idade da discrição (135).
Consuetudo latina, inde a saeculis, ad Confirmationem recipiendam, « aetatem discretionis » indicat tamquam punctum ad quod referri oportet. In mortis tamen periculo, infantes confirmari debent, etiamsi nondum ad aetatem pervenerint discretionis. 278
§ 1308
Se por vezes se fala da Confirmação como «sacramento da maturidade cristã», não deve, no entanto, confundir-se a idade adulta da fé com a idade adulta do crescimento natural, nem esquecer-se que a graça baptismal é uma graça de eleição gratuita e imerecida, que não precisa duma «ratificação» para se tornar efectiva. São Tomás recorda isso mesmo:

«A idade do corpo não constitui um prejuízo para a alma. Por isso, mesmo na infância, o homem pode receber a perfeição da idade espiritual de que fala a Sabedoria (4, 8): «A velhice honrada não é a que dão os longos dias, nem se avalia pelo número dos anos». E foi assim que muitas crianças, graças à fortaleza do Espírito Santo que tinham recebido, lutaram corajosamente e até ao sangue por Cristo» (136).

Si quandoque de Confirmatione tamquam de « sacramento maturitatis christianae » fit sermo, oporteret non propterea aetatem adultam fidei cum aetate adulta naturalis incrementi confundere, neque oblivisci gratiam baptismalem gratiam esse electionis gratuitae et immeritae quae « ratihabitione » non eget ut efficax efficiatur. Sanctus Thomas id in memoriam revocat:

« Aetas corporis non praeiudicat animae. Unde etiam in puerili aetate homo potest consequi perfectionem spiritualis aetatis: de qua dicitur Sapientia [4, 8]: "Senectus venerabilis est non diuturna, neque numero annorum computata". Et inde est, quod multi in puerili aetate propter robur Spiritus Sancti perceptum, usque ad sanguinem fortiter certaverunt pro Christo ». 279

§ 1309
A preparação para a Confirmação deve ter por fim conduzir o cristão a uma união mais íntima com Cristo e a uma familiaridade mais viva com o Espírito Santo, com a sua acção, os seus dons e os seus apelos, para melhor assumir as responsabilidades apostólicas da vida cristã. Desse modo, a catequese da Confirmação deve esforçar-se por despertar o sentido de pertença à Igreja de Jesus Cristo, tanto à Igreja universal como à comunidade paroquial. Esta última tem uma responsabilidade particular na preparação dos confirmandos (137).
Praeparatio ad Confirmationem intendere debet, christianum ad intimiorem cum Christo unionem ducere, ad vividiorem cum Spiritu Sancto, cum Eius actione, cum Eius donis et cum Eius vocationibus familiaritatem, ut melius responsabilitates apostolicas vitae christianae assumere possit. Hac de causa, catechesis Confirmationis conabitur suscitare sensum pertinendi ad Iesu Christi Ecclesiam, tam ad Ecclesiam universalem quam ad paroecialem communitatem. Haec ultima specialem in confirmandorum praeparatione habet responsabilitatem. 280
§ 1310
Para receber a Confirmação é preciso estar em estado de graça. Convém recorrer ao sacramento da Penitência para ser purificado, em vista do dom do Espírito Santo. E uma oração mais intensa deve preparar para receber com docilidade e disponibilidade a força e as graças do Espírito Santo (138).
Ad Confirmationem suscipiendam, status gratiae necessarius est. Oportet ad sacramentum Poenitentiae recurrere, ut quis purificetur in ordine ad Sancti Spiritus donum. Intensior oratio disponere debet ad virtutem et gratias Sancti Spiritus, cum docilitate et promptitudine, recipiendas. 281
§ 1311
Tanto para a Confirmação, como para o Baptismo, convém que os candidatos procurem a ajuda espiritual dum padrinho ou de uma madrinha. É conveniente que seja o mesmo do Baptismo, para marcar bem a unidade dos dois sacramentos (139).
Pro Confirmatione, sicut pro Baptismo, candidatos oportet spirituale patrini vel matrinae quaerere adiutorium. Ad utriusque sacramenti unitatem bene efferendam, oportet illum esse eumdem ac pro Baptismo. 282 V. Confirmationis minister

A CELEBRAÇÃO DA CONFIRMAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O ministro da Confirmação

§ 1312
O ministro originário da Confirmação é o bispo (140).No Oriente, é ordinariamente o sacerdote que baptiza quem imediatamente confere a Confirmação, numa só e mesma celebração. Fá-lo, no entanto, com o santo crisma consagrado pelo patriarca ou pelo bispo, o que exprime a unidade apostólica da Igreja, cujos laços são reforçados pelo sacramento da Confirmação. Na Igreja latina aplica-se a mesma disciplina nos baptismos de adultos ou quando é admitido à plena comunhão com a Igreja um baptizado de outra comunidade cristã, que não tenha recebido validamente o sacramento da Confirmação (141).
Confirmationis minister originarius est Episcopus. 283 In Oriente communiter presbyter qui baptizat, etiam immediate Confirmationem confert in una eademque celebratione. Illud tamen efficit cum sancto chrismate consecrato a Patriarcha vel Episcopo, id quod unitatem Ecclesiae exprimit apostolicam, cuius vincula sacramento corroborantur Confirmationis. In Ecclesia latina eadem adhibetur disciplina in Baptismate adultorum vel cum in plenam communionem admittitur cum Ecclesia baptizatus alius communitatis christianae quae sacramentum Confirmationis validum non habet. 284
§ 1313
No rito latino, o ministro ordinário da Confirmação é o bispo (142). Mesmo que o bispo possa, em caso de necessidade, conceder a presbíteros a faculdade de administrar a Confirmação (143), é conveniente que seja ele mesmo a conferi-la, não se esquecendo de que foi por esse motivo que a celebração da Confirmação foi separada, no tempo, da do Baptismo. Os bispos são os sucessores dos Apóstolos e receberam a plenitude do sacramento da Ordem. A administração deste sacramento feita por eles, realça que ele tem como efeito unir mais estreitamente aqueles que o recebem à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de dar testemunho de Cristo.
In ritu latino, minister ordinarius Confirmationis est Episcopus. 285 Licet Episcopus, si adsit necessitas, presbyteris facultatem concedere possit Confirmationem administrandi, 286 oportet, ipsum illam conferre, ne obliviscatur celebrationem Confirmationis a Baptismo temporaliter hac de causa esse separatam. Episcopi Apostolorum sunt successores, ipsi plenitudinem sacramenti Ordinis receperunt. Administratio huius sacramenti ab ipsis bene significat, illud tamquam effectum habere, eos, qui illud recipiunt, arctius cum Ecclesia coniungere, cum eius apostolicis originibus et cum eius missione Christum testandi.
§ 1314
Se um cristão estiver em perigo de morte, qualquer sacerdote pode conferir-lhe a Confirmação (144). De facto, é vontade da Igreja que nenhum dos seus filhos, mesmo pequenino, parta deste mundo sem ter sido levado à perfeição pelo Espírito Santo com o dom da plenitude de Cristo.Resumindo:
Si christianus in mortis versatur periculo, quilibet sacerdos illi Confirmationem potest conferre. 287 Revera Ecclesia nullum e suis filiis, etiam maxime parvulum, ex hoc mundo vult proficisci, quin a Spiritu Sancto prius perficiatur dono plenitudinis Christi. Compendium

COMPÊNDIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Resumindo

§ 1315
«Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles. Apenas tinham sido baptizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo» (Act 8, 14-17).
« Cum autem audissent Apostoli, qui erant Hierosolymis, quia recepit Samaria verbum Dei, miserunt ad illos Petrum et Ioannem, qui cum descendissent, oraverunt pro ipsis, ut acciperent Spiritum Sanctum; nondum enim super quemquam illorum venerat, sed baptizati tantum erant in nomine Domini Iesu. Tunc imposuerunt manus super illos, et accipiebant Spiritum Sanctum » (Act 8,14-17).
§ 1316
A Confirmação completa a graça baptismal; ela é o sacramento que dá o Espírito Santo, para nos enraizar mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais solidamente em Cristo, tornar mais firme o laço que nos prende à Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra, acompanhada de obras.
Confirmatio gratiam perficit baptismalem; est sacramentum quod Spiritum Sanctum donat ad nos profundius in filiatione divina radicandos, ad nos firmius Christo incorporandos, ad solidius nostrum vinculum efficiendum cum Ecclesia, ad nos magis Eius missioni sociandos et ad nos adiuvandos ut testimonium fidei christianae reddamus verbo quod opera comitentur.
§ 1317
A Confirmação, tal como o Baptismo, imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou carácter indelével; é por isso que só se pode receber este sacramento uma vez na vida.
Confirmatio, sicut Baptismus, in christiani anima signum spirituale seu characterem imprimit indelebilem; hac de causa, sacramentum non nisi semel in vita recipi potest.
§ 1318
No Oriente, este sacramento é administrado imediatamente a seguir ao Baptismo e é seguido da participação na Eucaristia; esta tradição põe em relevo a unidade dos três sacramentos da iniciação cristã. Na Igreja latina, este sacramento é administrado quando se atinge a idade da razão e ordinariamente a sua celebração é reservada ao bispo, significando assim que este sacramento vem robustecer o vínculo eclesial.
In Oriente, hoc sacramentum immediate post Baptismum administratur; illud participatio sequitur Eucharistiae; haec traditio unitatem trium sacramentorum initiationis christianae effert. In Ecclesia latina, hoc sacramentum administratur cum aetas rationis attingitur et eius celebratio communiter Episcopo reservatur, ita significando hoc sacramentum vinculum firmare ecclesiale.
§ 1319
O candidato à Confirmação, que atingiu a idade da razão, deve professar a fé, estar em estado de graça, ter a intenção de receber o sacramento e estar preparado para assumir o seu papel de discípulo e testemunha de Cristo, na comunidade eclesial e nos assuntos temporais.
Candidatus ad Confirmationem, qui ad rationis pervenerit aetatem, fidem debet profiteri, in gratiae statu esse, intentionem habere recipiendi sacramentum et paratum esse ad munus assumendi discipuli et testis Christi, in communitate ecclesiali et in negotiis temporalibus.
§ 1320
O rito essencial da Confirmação é a unção com o santo crisma na fronte do baptizado (no Oriente também em outros órgãos dos sentidos), com a imposição da mão do ministro e as palavras: «Accipe signaculum doni Spiritus Sancti – Recebe por este sinal o Espírito Santo, o Dom de Deus» (no rito Romano) ou: «Signaculum doni Spiritus Sancti – Selo do dom que é o Espírito Santo» (no rito Bizantino).
Ritus essentialis Confirmationis est unctio cum sancto chrismate super frontem baptizati (in Oriente etiam super alia sensuum organa), cum impositione manus ministri et verbis: « Accipe signaculum doni Spiritus Sancti » in ritu Romano, « Signaculum doni Spiritus Sancti » in ritu Byzantino.
§ 1321
Quando a Confirmação é celebrada separadamente do Baptismo, a sua ligação com este sacramento é expressa, entre outras coisas, pela renovação dos compromissos baptismais. A celebração da Confirmação no decorrer da Eucaristia contribui para sublinhar a unidade dos sacramentos da iniciação cristã.
Cum Confirmatio separatim a Baptismo celebratur, eius vinculum cum Baptismo, inter alia, per renovationem exprimitur baptismalium promissionum. Celebratio Confirmationis intra Eucharistiam ad unitatem confert sacramentorum initiationis christianae efferendam. (233) Cf Ordo Confirmationis, Praenotanda 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 16. (234) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 15; cf Ordo Confirmationis, Praenotanda 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 16. (235) Cf Is 11,2. (236) Cf Lc 4,16-22; Is 61,1. (237) Cf Mt 3,13-17; Io 1,33-34. (238) Cf Ez 36,25-27; Il 3,1-2. (239) Cf Lc 12,12; Io 3,5-8; 7,37-39; 16,7-15; Act 1,8.(240) Cf Io 20,22.(241) Cf Act 2,1-4.(242) Cf Act 2,17-18.(243) Cf Act 2,38.(244) Cf Act 8,15-17; 19,5-6.(245) Cf Heb 6,2.(246) Paulus VI, Const. ap. Divinae consortium naturae: AAS 63 (1971) 659. (247) Cf Sanctus Cyprianus Carthaginiensis, Epistula 73, 21: CSEL 32, 795 (PL 3, 1169). (248) Cf CCEO canones 695, § 1. 696, § 1. (249) Cf Sanctus Hippolytus Romanus, Traditio apostolica, 21: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) p. 50 et 52. (250) Cf Dt 11,14; etc. (251) Cf Ps 23,5; 104,15. (252) Cf Is 1,6; Lc 10,34. (253) Cf 2 Cor 2,15. (254) Cf Gn 38,18; Ct 8,6. (255) Cf Gn 41,42. (256) Cf Dt 32,34. (257) Cf 1 Reg 21,8. (258) Cf Ier 32,10. (259) Cf Is 29,11. (260) Cf Io 6,27. (261) Cf Eph 1,13; 4,30. (262) Cf Apc 7,2-3; 9,4; Ez 9,4-6. (263) Pontificale iuxta ritum Ecclesiae Syrorum Occidentalium id est Antiochiae, Pars I, Versio latina (Typis Polyglottis Vaticanis 1941) p. 36-37. (264) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 71: AAS 56 (1964) 118. (265) Cf CIC canon 866. (266) Ordo Confirmationis, 25 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 26.(267) Paulus VI, Const. ap. Divinae consortium naturae: AAS 63 (1971) 657. (268) Rituale per le Chiese orientali di rito bizantino in lingua greca, Pars 1 (Libreria Editrice Vaticana 1954) p. 36. (269) Cf Sanctus Hippolytus Romanus, Traditio apostolica, 21: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) p. 54. (270) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965).(271) Cf Concilium Florentinum, Decretum pro Armenis: DS 1319; Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 15; Ibid., 12: AAS 57 (1965) 16. (272) Sanctus Ambrosius, De mysteriis, 7, 42: CSEL 73, 106 (PL 16, 402-403).(273) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Decretum de sacramentis, Canones de sacramentis in genere, canon 9: DS 1609. (274) Cf Lc 24,48-49. (275) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 72, a. 5, ad 2: Ed. Leon. 12, 130. (276) Cf CIC canon 889, § 1. (277) CIC canon 890.(278) Cf CIC canones 891. 883, 3. (279) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 72, a. 8, ad 2: Ed. Leon. 12, 133. (280) Cf Ordo Confirmationis, Praenotanda, 3 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 16. (281) Cf Act 1,14. (282) Cf Ordo Confirmationis, Praenotanda, 5 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 17; Ibid., 6 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 17; CIC canon 893, § 1-2. (283) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 26: AAS 57 (1965) 32. (284) Cf CIC canon 883, § 2. (285) Cf CIC canon 882. (286) Cf CIC canon 884, § 2. (287) Cf CIC canon 883, 3.

O SACRAMENTO DA EUCARISTIA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1322
A sagrada Eucaristia completa a iniciação cristã. Aqueles que foram elevados à dignidade do sacerdócio real pelo Baptismo e configurados mais profundamente com Cristo pela Confirmação, esses, por meio da Eucaristia, participam, com toda a comunidade, no próprio sacrifício do Senhor.
Sancta Eucharistia initiationem christianam concludit. Qui ad dignitatem sacerdotii regalis sunt per Baptismum elevati et profundius Christo per Confirmationem configurati, ipsum sacrificium Domini cum tota communitate per Eucharistiam participant.
§ 1323
«O nosso Salvador instituiu na última ceia, na noite em que foi entregue, o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue, para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até voltar, o sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da glória futura» (145).
« Salvator noster, in Cena novissima, qua nocte tradebatur, Sacrificium eucharisticum corporis et sanguinis Sui instituit, quo Sacrificium crucis in saecula, donec veniret, perpetuaret, atque adeo Ecclesiae dilectae Sponsae memoriale concrederet Mortis et Resurrectionis Suae: sacramentum pietatis, signum unitatis, vinculum caritatis, convivium Paschale, in quo Christus sumitur, mens impletur gratia et futurae gloriae nobis pignus datur ». 288 I. Eucharistia – fons et culmen vitae ecclesialis

O SACRAMENTO DA EUCARISTIA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A Eucaristia – fonte e cume da vida eclesial

§ 1324
A Eucaristia é «fonte e cume de toda a vida cristã» (146). «Os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa» (147).
Eucharistia est totius vitae christianae fons et culmen. 289 « Cetera autem sacramenta, sicut et omnia ecclesiastica ministeria, et opera apostolatus, cum sacra Eucharistia cohaerent et ad eam ordinantur. In sanctissima enim Eucharistia totum bonum spirituale Ecclesiae continetur, Ipse scilicet Christus, Pascha nostrum ». 290
§ 1325
«A comunhão de vida com Deus e a unidade do povo de Deus, pelas quais a Igreja é o que é, são significados e realizados pela Eucaristia. Nela se encontra o cume, ao mesmo tempo, da acção pela qual Deus, em Cristo, santifica o mundo, e do culto que no Espírito Santo os homens prestam a Cristo e, por Ele, ao Pai» (148).
« Communio vitae divinae et unitas populi Dei, quibus Ecclesia subsistit, Eucharistia apte significatur et mirabiliter efficitur. In ea culmen habetur et actionis qua Deus in Christo mundum sanctificat et cultus quem homines Christo et per Ipsum Patri in Spiritu Sancto exhibent ». 291
§ 1326
Enfim, pela celebração eucarística, unimo-nos desde já à Liturgia do céu e antecipamos a vida eterna, quando «Deus for tudo em todos» (1 Cor 15, 18 ).
Denique per celebrationem eucharisticam caelesti iam coniungimur liturgiae atque vitam anticipamus aeternam in qua erit « Deus omnia in omnibus » (1 Cor 15,28).
§ 1327
Em síntese, a Eucaristia é o resumo e a súmula da nossa fé: «A nossa maneira de pensar está de acordo com a Eucaristia: e, por sua vez, a Eucaristia confirma a nossa maneira de pensar» (149).
Breviter, Eucharistia est nostrae fidei compendium et summa: « Nostra autem consonans est sententia Eucharistiae, et Eucharistia rursus confirmat sententiam nostram ». 292 II. Quomodo hoc appellatur sacramentum?

O SACRAMENTO DA EUCARISTIA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Como se chama este sacramento?

§ 1328
A riqueza inesgotável deste sacramento exprime-se nos diferentes nomes que lhe são dados. Cada um destes nomes evoca alguns dos seus aspectos. Chama-se:
Eucaristia, porque é acção de graças a Deus. As palavras« eucharistein» (Lc 22, 19; 1 Cor 11, 24) e «eulogein» (Mt 26, 26; Mc 14, 22) lembram as bênçãos judaicas que proclamam – sobretudo durante a refeição – as obras de Deus: a criação, a redenção e a santificação.
Huius sacramenti inexhaustibiles divitiae diversis exprimuntur nominibus quae illi praebentur. Unumquodque ex illis nominibus quasdam eius evocat rationes. Appellatur: Eucharistia quia est gratiarum actio ad Deum. Verba eucharistein (Lc 22,19; 1 Cor 11,24) et eulogein (Mt 26,26; Mc 14,22) benedictiones Iudaicas revocant in memoriam quae — praesertim in convivio — Dei proclamant opera: creationem, Redemptionem et sanctificationem.
§ 1329
Ceia do Senhor (150), porque se trata da ceia que o Senhor comeu com os discípulos na véspera da sua paixão e da antecipação do banquete nupcial do Cordeiro (151) na Jerusalém celeste.Fracção do Pão, porque este rito, próprio da refeição dos judeus, foi utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão como chefe de família (152), sobretudo aquando da última ceia (153) . É por este gesto que os discípulos O reconhecerão depois da sua ressurreição (154) e é com esta expressão que os primeiros cristãos designarão as suas assembleias eucarísticas (155). Querem com isso significar que todos os que comem do único pão partido, Cristo, entram em comunhão com Ele e formam um só corpo n'Ele (156).Assembleia eucarística («sýnaxis»), porque a Eucaristia é celebrada em assembleia de fiéis, expressão visível da Igreja (157).
Dominica Cena 293 quia agitur de Cena quam Dominus cum Suis discipulis sumpsit Suae passionis pridie, et de anticipatione cenae nuptiarum Agni 294 in caelesti Ierusalem.Fractio panis quia hic ritus, convivii Iudaici proprius, a Iesu adhibitus est cum panem benedicebat et distribuebat tamquam mensae dominus, 295 praecipue in ultima Cena. 296 Per hunc gestum, discipuli Eum agnoscent post Eius Resurrectionem, 297 et cum hac expressione primi christiani suas eucharisticas denotabunt congregationes. 298 Sic significant omnes illos qui unicum edunt panem fractum, Christum, in communionem cum Eo ingredi et non nisi unum corpus in Eo efformare. 299 Eucharistica congregatio (sýnaxis), quia Eucharistia celebratur in fidelium congregatione, visibili Ecclesiae expressione. 300
§ 1330
Memorial da paixão e ressurreição do Senhor.Santo Sacrifício, porque actualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e inclui a oferenda da Igreja; ou ainda santo Sacrifício da Missa, «Sacrifício de louvor» (Heb 13, 15) (158), Sacrifício espiritual (159) Sacrifício puro (160) e santo, pois completa e ultrapassa todos os sacrifícios da Antiga Aliança.Santa e divina Liturgia, porque toda a liturgia da Igreja encontra o seu centro e a sua expressão mais densa na celebração deste sacramento; no mesmo sentido se lhe chama também celebração dos Santos Mistérios. Fala-se igualmente do Santíssimo Sacramento, porque é o sacramento dos sacramentos. E, com este nome, se designam as espécies eucarísticas guardadas no sacrário.
Memoriale passionis et resurrectionis Domini. Sanctum Sacrificium, quia unicum Christi Salvatoris sacrificium reddit actuale et quia Ecclesiae includit oblationem; vel etiam sanctum Sacrificium Missae, « hostia laudis » (Heb 13,15), 301 spiritalis hostia, 302 oblatio munda 303 et sancta, quia omnia sacrificia Veteris Foederis complet et superat. Sancta et divina liturgia, quia tota Ecclesiae liturgia suum centrum et suam expressionem quam maxime densam in huius sacramenti invenit celebratione; eodem sensu etiam appellatur sanctorum mysteriorum celebratio. Sermo etiam est de Sanctissimo Sacramento quia ipsum est sacramentum sacramentorum. Hoc nomine species designantur eucharisticae quae in tabernaculo reservantur.
§ 1331
Comunhão, pois é por este sacramento que nos unimos a Cristo, o qual nos torna participantes do seu corpo e do seu sangue, para formarmos um só corpo (161); chama-se ainda as coisas santas («tà hágia»; «sancta») (162) – é o sentido primário da «comunhão dos santos» de que fala o Símbolo dos Apóstolos – , pão dos anjos, pão do céu, remédio da imortalidade (163), viático...
Communio, quia per hoc sacramentum coniungimur cum Christo, qui nos corporis Sui et sanguinis Sui facit participes ad unum efformandum corpus; 304 appellatur etiam sancta, tà hágia 305 — hic est primarius sensus « communionis sanctorum » de qua Symbolum loquitur Apostolorum —, panis angelorum, panis de caelo, pharmacum immortalitatis, 306 viaticum...
§ 1332
Santa Missa, porque a liturgia em que se realiza o mistério da salvação termina com o envio dos fiéis («missio»), para que vão cumprir a vontade de Deus na sua vida quotidiana.
Sancta Missa, quia liturgia in qua mysterium completur salutis, per missionem concluditur fidelium, ut ipsi Dei voluntatem in sua vita adimpleant quotidiana. III. Eucharistia in Oeconomia salutis Signa panis et vini

OS SINAIS DO PÃO E DO VINHO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A Eucaristia na economia da salvação

§ 1333
No centro da celebração da Eucaristia temos o pão e o vinho que, pelas palavras de Cristo e pela invocação do Espírito Santo, se tornam o corpo e o sangue do mesmo Cristo. Fiel à ordem do Senhor, a Igreja continua a fazer, em memória d'Ele e até à sua vinda gloriosa, o que Ele fez na véspera da sua paixão: «Tomou o pão...», «Tomou o cálice com vinho...». Tornando-se misteriosamente o corpo e o sangue de Cristo, os sinais do pão e do vinho continuam a significar também a bondade da criação. Por isso, no ofertório [apresentação das oferendas], nós damos graças ao Criador pelo pão e pelo vinho (164), fruto «do trabalho do homem», mas primeiramente «fruto da terra» e «da videira», dons do Criador. A Igreja vê no gesto de Melquisedec, rei e sacerdote, que «ofereceu pão e vinho» (Gn 14, 18), uma prefiguração da sua própria oferenda (165).
In corde celebrationis Eucharistiae habentur panis et vinum quae, per Christi verba et per Spiritus Sancti invocationem, corpus et sanguis Christi fiunt. Ecclesia, mandato Domini fidelis, in Eius memoriam, usque ad reditum Eius gloriosum, agere pergit id quod Ipse Suae passionis egit pridie: « Accepit panem... », « Accepit calicem, ex genimine vitis repletum... ». Panis et vini signa, cum corpus et sanguis Christi arcano modo efficiuntur, creationis etiam significare pergunt bonitatem. Sic in Offertorio, gratias agimus Creatori propter panem et vinum, 307 fructum « operis manuum hominum », sed etiam prius « fructum terrae » atque « vitis », Creatoris igitur dona. Ecclesia in gestu Melchisedech, regis et sacerdotis, qui protulit « panem et vinum » (Gn 14,18), propriae suae oblationis perspicit praefigurationem. 308
§ 1334
Na Antiga Aliança, o pão e o vinho são oferecidos em sacrifício entre as primícias da terra, em sinal de reconhecimento ao Criador. Mas também recebem uma nova significação no contexto do Êxodo: os pães ázimos que Israel come todos os anos na Páscoa, comemoram a pressa da partida libertadora do Egipto; a lembrança do maná do deserto recordará sempre a Israel que é do pão da Palavra de Deus que ele vive (166). Finalmente, o pão de cada dia é o fruto da terra prometida, penhor da fidelidade de Deus às suas promessas. O «cálice de bênção» (1 Cor 10, 16), no fim da ceia pascal dos judeus, acrescenta à alegria festiva do vinho uma dimensão escatológica – a da expectativa messiânica do restabelecimento de Jerusalém. Jesus instituiu a sua Eucaristia dando um sentido novo e definitivo à bênção do pão e do cálice.
In Vetere Foedere, panis et vinum, inter terrae primitias, offeruntur velut sacrificium, tamquam signum gratitudinis erga Creatorem. Sed ea novam etiam accipiunt in contextu Exodi significationem: Panes azymi, quos Israel singulis annis in Paschate edebat, festinationem commemorant liberatoris exitus ex Aegypto; recordatio manna deserti semper Israel commemorabit, ipsum ex pane Verbi Dei vivere. 309 Panis denique quotidianus est Terrae promissae fructus, pignus fidelitatis Dei promissionibus Eius. « Calix benedictionis » (1 Cor 10,16), ad finem convivii Paschalis Iudaeorum, gaudio festivo vini rationem addit eschatologicam, illam messianicae exspectationis restitutionis Ierusalem. Iesus Suam instituit Eucharistiam, sensum novum praebens et definitivum benedictioni panis et calicis.
§ 1335
Os milagres da multiplicação dos pães, quando o Senhor disse a bênção, partiu e distribuiu os pães pelos seus discípulos para alimentar a multidão, prefiguram a superabundância deste pão único da sua Eucaristia (167). O sinal da água transformada em vinho em Caná (168) já anuncia a «Hora» da glorificação de Jesus. E manifesta o cumprimento do banquete das núpcias no Reino do Pai, onde os fiéis beberão do vinho novo (169) tornado sangue de Cristo.
Miracula multiplicationis panum, cum Dominus benedictionem dixit, panes fregit et per Suos discipulos ad multitudinem nutriendam distribuit, superabundantiam praefigurant unius huius panis Eucharistiae Eius. 310 Signum aquae in vinum mutatae in Cana, 311 iam Horam annuntiat glorificationis Iesu. Ipsum consummationem manifestat convivii nuptiarum in Patris Regno, in quo fideles novum vinum bibent 312 sanguinem Christi effectum.
§ 1336
O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, tal como o anúncio da paixão os escandalizou: «Estas palavras são insuportáveis! Quem as pode escutar?» (Jo 6, 60). A Eucaristia e a cruz são pedras de tropeço. É o mesmo mistério e não cessa de ser ocasião de divisão. «Também vos quereis ir embora?» (Jo 6, 67): esta pergunta do Senhor ecoa através dos tempos, como convite do seu amor a descobrir que só Ele tem «palavras de vida eterna» (Jo 6, 68) e que acolher na fé o dom da sua Eucaristia é acolhê-1'O a Ele próprio.
Prima Eucharistiae annuntiatio discipulos divisit, sicut illos passionis annuntiatio scandalizavit: « Durus est hic sermo! Quis potest eum audire? » (Io 6,60). Eucharistia et crux petrae sunt scandali. Idem est mysterium et occasio esse non desinit divisionis. « Numquid et vos vultis abire? » (Io 6,67): haec Domini interrogatio per aetates resonat, tamquam invitatio amoris Eius ad detegendum, Ipsum esse unum qui habeat « verba vitae aeternae » (Io 6,68), atque in fide accipere donum Eucharistiae Eius esse Ipsum accipere. Institutio Eucharistiae

A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A Eucaristia na economia da salvação

§ 1337
Tendo amado os seus, o Senhor amou-os até ao fim. Sabendo que era chegada a hora de partir deste mundo para regressar ao Pai, no decorrer duma refeição, lavou-lhes os pés e deu-lhes o mandamento do amor (170). Para lhes deixar uma garantia deste amor, para jamais se afastar dos seus e para os tornar participantes da sua Páscoa, instituiu a Eucaristia como memorial da sua morte e da sua ressurreição, e ordenou aos seus Apóstolos que a celebrassem até ao seu regresso, «constituindo-os, então, sacerdotes do Novo Testamento» (171).
Dominus, cum dilexisset Suos, in finem dilexit eos. Sciens horam venisse transeundi ex hoc mundo ut ad Suum Patrem rediret, in convivii transcursu, eis pedes lavit et mandatum dedit amoris. 313 Ut eis pignus huius amoris relinqueret, ut a Suis Se nunquam amoveret et ut eos Sui Paschatis efficeret participes, Eucharistiam instituit tamquam Suae Mortis Suaeque Resurrectionis memoriale, atque eam usque ad Suum reditum celebrare, Suis mandavit Apostolis, « quos tunc Novi Testamenti sacerdotes constituebat ». 314
§ 1338
Os três evangelhos sinópticos e São Paulo transmitiram-nos a narração da instituição da Eucaristia. Por seu lado, São João refere as palavras de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, palavras que preparam a instituição da Eucaristia: Cristo designa-se a si próprio como o pão da vida, descido do céu (172).
Tria Evangelia synoptica et sanctus Paulus narrationem institutionis Eucharistiae nobis transmiserunt; e parte sua, sanctus Ioannes refert verba Iesu in synagoga Capharnaum, quae quidem verba institutionem praeparant Eucharistiae: Christus Se Ipsum designat tamquam panem vitae, qui descendit de caelo. 315
§ 1339
Jesus escolheu a altura da Páscoa para cumprir o que tinha anunciado em Cafarnaum: dar aos seus discípulos o seu corpo e o seu sangue:

«Veio o dia dos Ázimos, em que devia imolar-se a Páscoa. [Jesus] enviou então a Pedro e a João, dizendo: "Ide preparar-nos a Páscoa, para que a possamos comer" [...]. Partiram pois, [...] e prepararam a Páscoa. Ao chegar a hora, Jesus tomou lugar à mesa, e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes então: "Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer. Pois vos digo que não voltarei a comê-la, até que ela se realize plenamente no Reino de Deus". [...] Depois, tomou o pão e, dando graças, partiu-o, deu-lho e disse-lhes: "Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim". No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice e disse: "Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós"» (Lc 22, 7-20) (173).

Iesus Paschatis elegit tempus ad id adimplendum quod in Capharnaum nuntiaverat: Se discipulis Suis Suum corpus Suumque sanguinem esse daturum:

« Venit autem dies Azymorum, in qua necesse erat occidi Pascha. Et [Iesus] misit Petrum et Ioannem dicens: "Euntes parate nobis Pascha, ut manducemus". [...] Euntes autem [...] paraverunt Pascha. Et cum facta esset hora, discubuit, et Apostoli cum Eo. Et ait illis: "Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, antequam patiar. Dico enim vobis: Non manducabo illud, donec impleatur in Regno Dei". [...] Et accepto pane, gratias egit et fregit et dedit eis dicens: "Hoc est corpus meum, quod pro vobis datur. Hoc facite in meam commemorationem". Similiter et calicem, postquam cenavit, dicens: "Hic calix Novum Testamentum est in sanguine meo, qui pro vobis funditur" » (Lc 22,7-20). 316

§ 1340
Celebrando a última ceia com os seus Apóstolos, no decorrer do banquete pascal, Jesus deu o seu sentido definitivo à Páscoa judaica. Com efeito, a passagem de Jesus para o seu Pai, pela sua morte e ressurreição – a Páscoa nova – é antecipada na ceia e celebrada na Eucaristia, que dá cumprimento a Páscoa judaica e antecipa a Páscoa final da Igreja na glória do Reino.
Iesus, ultimam cum Apostolis Suis celebrans Cenam in decursu Paschalis convivii, Paschati Iudaico sensum tribuit definitivum. Re vera, transitus Iesu ad Eius Patrem per Mortem et Resurrectionem, novum nempe Pascha, in Cena anticipatur et in Eucharistia celebratur quae Pascha Iudaicum adimplet et Pascha Ecclesiae anticipat finale in gloria Regni. « Hoc facite in meam commemorationem »

«FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM»

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A Eucaristia na economia da salvação

§ 1341
Ao ordenar que repetissem os seus gestos e palavras, «até que Ele venha» (1 Cor 11, 26), Jesus não pede somente que se lembrem d'Ele e do que Ele fez. Tem em vista a celebração litúrgica, pelos apóstolos e seus sucessores, do memorial de Cristo, da sua vida, morte, ressurreição e da sua intercessão junto do Pai.
Mandatum Iesu Eius gestus Eiusque verba iterandi « donec veniat » (1 Cor 11,26), non solum exigit Iesum et id quod Ipse fecit, recordari. Liturgicam per Apostolos eorumque successores prospicit celebrationem memorialis Christi, Ipsius vitae, Mortis, Resurrectionis et intercessionis apud Patrem.
§ 1342
Desde o princípio, a Igreja foi fiel à ordem do Senhor. Da Igreja de Jerusalém está escrito:

«Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. [...] Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração» (Act 2, 42.46).

Ab initio, Ecclesia huic Domini mandato fuit fidelis. De Ecclesia dicitur Hierosolymitana:

« Erant autem perseverantes in doctrina Apostolorum et communicatione, in fractione panis et orationibus. [...] Cotidie quoque perdurantes unanimiter in templo et frangentes circa domos panem, sumebant cibum cum exsultatione et simplicitate cordis » (Act 2,42.46).

§ 1343
Era sobretudo «no primeiro dia da semana», isto é, no dia de domingo, dia da ressurreição de Jesus, que os cristãos se reuniam «para partir o pão» (Act 20, 7). Desde esses tempos até aos nossos dias, a celebração da Eucaristia perpetuou-se, de maneira que hoje a encontramos em toda a parte na Igreja com a mesma estrutura fundamental. Ela continua a ser o centro da vida da Igreja.
Praecipue « in una [...] sabbatorum », id est, die Dominica, die resurrectionis Iesu, christiani conveniebant « ad frangendum panem » (Act 20,7). Ab illo tempore ad nostros usque dies, celebratio Eucharistiae est perpetuata ita ut hodie eam ubique in Ecclesia cum eadem structura inveniamus fundamentali. Ipsa centrum permanet vitae Ecclesiae.
§ 1344
Assim, de celebração em celebração, anunciando o mistério pascal de Jesus «até que Ele venha» (1Cor 11, 26), o Povo de Deus em peregrinação «avança pela porta estreita da cruz» (174) para o banquete celeste, em que todos os eleitos se sentarão à mesa do Reino.
Ita populus Dei peregrinans, mysterium Iesu annuntians Paschale, « donec veniat » (1 Cor 11,26), ab alia ad aliam celebrationem, « per angustam viam crucis » 317 procedit ad convivium caeleste, in quo omnes electi ad mensam sedebunt Regni. IV. Celebratio liturgica Eucharistiae Missa omnium saeculorum

A MISSA DE TODOS OS SÉCULOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A celebração litúrgica da Eucaristia

§ 1345
Desde o século II, temos o testemunho de São Justino, mártir, sobre as grandes linhas do desenrolar da celebração eucarística. Permaneceram as mesmas até aos nossos dias, em todas as grandes famílias litúrgicas. Eis o que ele escreve, cerca do ano 155, para explicar ao imperador pagão Antonino Pio (138-161) o que fazem os cristãos:

«No dia que chamam Dia do Sol, realiza-se a reunião num mesmo lugar de todos os que habitam a cidade ou o campo.
Lêem-se as memórias dos Apóstolos e os escritos dos Profetas, tanto quanto o tempo o permite.
Quando o leitor acabou, aquele que preside toma a palavra para incitar e exortar à imitação dessas belas coisas.
Em seguida, levantamo-nos todos juntamente e fazemos orações» (175) «por nós mesmos [...] e por todos os outros, [...] onde quer que estejam, para que sejamos encontrados justos por nossa vida e acções, e fiéis aos mandamentos, e assim obtenhamos a salvação eterna.
Terminadas as orações, damo-nos um ósculo uns aos outros.
Depois, apresenta-se àquele que preside aos irmãos pão e uma taça de água e vinho misturados.
Ele toma-os e faz subir louvor e glória ao Pai do universo, pelo nome do Filho e do Espírito Santo, e dá graças (em grego: eucharistian) longamente, por termos sido julgados dignos destes dons.
Quando ele termina as orações e acções de graças, todo o povo presente aclama: Ámen.
[...] Depois de aquele que preside ter feito a acção de graças e de o povo ter respondido, aqueles a que entre nós chamamos diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água "eucaristizados" e também os levam aos ausentes» (176).

A saeculo II, sancti Iustini martyris habemus testimonium circa lineamenta fundamentalia quibus eucharistica evolvitur celebratio. Haec ad nostros usque dies pro omnibus magnis liturgicis familiis permanserunt eadem. Ecce quid ipse circa annum 155 scribat ut imperatori pagano Antonino Pio (138-161) explicet id quod christiani peragunt:

« Ac Solis qui dicitur die omnium qui in urbibus aut agris degunt in eundem locum conventus fit.
Et commentaria Apostolorum aut scripta Prophetarum leguntur, quoad licet per tempus.
Deinde, ubi lector desiit, is qui praeest oratione admonet et incitat ad haec praeclara imitanda.
Postea consurgimus communiter omnes et preces fundimus » 318 « et pro nobis ipsis [...] et pro aliis ubique omnibus [...] ut rectam operibus vitam agentes et mandatorum observatores inveniamur, quo aeternam salutem adsequamur.
Invicem osculo salutamus ubi desiimus precari.
Deinde ei qui fratribus praeest panis affertur et poculum aquae et vini.
Quibus ille acceptis laudem et gloriam Parenti universorum per nomen Filii et Spiritus Sancti sursum mittit et gratiarum actionem (graece: eucharistian), pro eo quod nos his donis dignatus sit, prolixe exsequitur.
Postquam preces et gratiarum actionem absolvit, omnis qui adest populus fauste acclamat dicens Amen.
[...] Postquam vero is qui praeest gratiarum actionem absolvit et omnis populus fauste acclamavit, qui apud nos dicuntur diaconi panem et vinum et aquam "eucharistizata" (eucharisteténtos) unicuique praesentium dant participanda et ad absentes perferunt ». 319

§ 1346
A liturgia eucarística processa-se em conformidade com uma estrutura fundamental, que se tem conservado através dos séculos até aos nossos dias. Desdobra-se em dois grandes momentos, que formam basicamente uma unidade:

– a reunião, a liturgia da Palavra, com as leituras, a homilia e a oração universal;
a liturgia eucarística, com a apresentação do pão e do vinho, a acção de graças consecratória e a comunhão.

Liturgia da Palavra e liturgia eucarística constituem juntas "um  só e mesmo acto de culto" (177). Com efeito, a mesa posta para nós na Eucaristia é, ao mesmo tempo, a da Palavra de Deus e a do corpo do Senhor (178).
Eucharistiae liturgia secundum structuram evolvitur fundamentalem quae per saecula usque ad nos conservata est. In duobus magnis explicatur cardinibus qui unitatem penitus efformant:— congregatio, liturgia verbi, cum lectionibus, homilia et universali precatione;
— liturgia eucharistica, cum panis et vini praesentatione, gratiarum actione consecratoria et communione. Liturgia verbi et liturgia eucharistica simul efficiunt « unum actum cultus »; 320 re vera, mensa pro nobis in Eucharistia praeparata simul est illa Verbi Dei et illa corporis Domini. 321
§ 1347
Não é esse também o dinamismo da refeição pascal de Jesus Ressuscitado com os seus discípulos? Enquanto caminhavam, Ele explicava-lhes as Escrituras; depois, pondo-Se à mesa com eles, «tomou o pão, proferiu a bênção, partiu-o e deu-lho» (179).
Nonne ibi ipse motus habetur convivii Paschalis Iesu resuscitati cum discipulis Suis? Iter peragens, Ipse eis Scripturas aperiebat, deinde ad mensam cum eis recumbens: « Accepit panem et benedixit ac fregit et porrigebat illis » (Lc 24,30). 322 Celebrationis motus

O DESENROLAR DA CELEBRAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A celebração litúrgica da Eucaristia

§ 1348
Todos se reúnem. Os cristãos acorrem a um mesmo lugar para a assembleia eucarística. A sua cabeça está o próprio Cristo, que é o actor principal da Eucaristia. Ele é o Sumo-Sacerdote da Nova Aliança. É Ele próprio que preside invisivelmente a toda a celebração eucarística. E é em representação d'Ele (agindo «in persona Christi capitis – na pessoa de Cristo-Cabeça»), que o bispo ou o presbítero preside à assembleia, toma a palavra depois das leituras, recebe as oferendas e diz a oração eucarística. Todos têm a sua parte activa na celebração, cada qual a seu modo: os leitores, os que trazem as oferendas, os que distribuem a comunhão e todo o povo cujo Ámen manifesta a participação.
Omnium conventus. Christiani in eumdem locum pro eucharistica concurrunt congregatione. In illo principem obtinet locum Ipse Christus, qui Eucharistiae principalis est agens. Ipse est Summus Novi Foederis Sacerdos. Ipse invisibiliter omni celebrationi eucharisticae praeest. Eum repraesentans Episcopus vel presbyter (in persona Christi Capitis agens) congregationi praesidet, post lectiones sermonem facit, dona recipit et precationem dicit eucharisticam. Omnes in celebratione suas activas habent partes, unusquisque suo modo: lectores, illi qui dona afferunt, illi qui communionem distribuunt, et totus integer populus, cuius Amen participationem manifestat.
§ 1349
A liturgia da Palavra comporta «os escritos dos Profetas», quer dizer, o Antigo Testamento, e «as Memórias dos Apóstolos» ou seja, as suas epístolas e os evangelhos. Depois da homilia, que é uma exortação a acolher esta Palavra como o que ela é na realidade, Palavra de Deus(180), e a pô-la em prática, vêm as intercessões por todos os homens, segundo a palavra do Apóstolo: «Recomendo, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e acções de graças, por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade» (1 Tm 2, 1-2).
Liturgia verbi implicat « scripta Prophetarum » seu Antiquum Testamentum et « commentaria Apostolorum », id est, eorum epistulas et evangelia; post homiliam quae ad hoc verbum hortatur accipiendum tamquam id quod ipsum vere est, Verbum Dei, 323 et ad illud exsequendum, intercessiones sequuntur pro omnibus hominibus, secundum Apostoli verba: « Obsecro igitur primo omnium fieri obsecrationes, orationes, postulationes, gratiarum actiones, pro omnibus hominibus, pro regibus et omnibus, qui in sublimitate sunt » (1 Tim 2,1-2).
§ 1350
A apresentação das oferendas (ofertório): traz-se então para o altar, por vezes processionalmente, o pão e o vinho que vão ser oferecidos pelo sacerdote em nome de Cristo no sacrifício eucarístico, no qual se tornarão o seu corpo e o seu sangue. É precisamente o mesmo gesto que Cristo fez na última ceia, «tomando o pão e o cálice». «Só a Igreja oferece esta oblação pura ao Criador, oferecendo-Lhe em acção de graças o que provém da sua criação» (181). A apresentação das oferendas no altar assume o gesto de Melquisedec e põe os dons do Criador nas mãos de Cristo. É Ele que, no seu sacrifício, leva à perfeição todas as tentativas humanas de oferecer sacrifícios.
Donorum praesentatio (offertorium): tunc ad altare, quandoque processione, panis et vinum afferuntur quae a sacerdote, nomine Christi, in Sacrificio offerentur eucharistico, in quo Eiusdem corpus et sanguis efficientur. Est idem gestus Christi in ultima Cena, « panem et calicem accipientis ». « Hanc oblationem Ecclesia sola puram offert Fabricatori, offerens Ei cum gratiarum actione ex creatura Eius ». 324 Donorum praesentatio ad altare gestum Melchisedech assumit et Creatoris dona manibus concredit Christi. Ipse in Suo sacrificio omnia humana conamina offerendi sacrificia ad perfectionem ducit.
§ 1351
Desde o princípio, com o pão e o vinho para a Eucaristia, os cristãos trazem as suas ofertas para a partilha com os necessitados. Este costume, sempre actual, da colecta (182) inspira-se no exemplo de Cristo, que Se fez pobre para nos enriquecer (183):

«Os que são ricos e querem, dão, cada um conforme o que a si mesmo se impôs; o que se recolhe é entregue àquele que preside e ele, por seu turno, presta assistência aos órfãos, às viúvas, àqueles que a doença ou qualquer outra causa priva de recursos, aos prisioneiros, aos imigrantes, numa palavra, a todos os que sofrem necessidade» (184).

Ab initio, christiani offerunt, cum pane et vino pro Eucharistia, sua dona ut eis impertiantur qui in egestate sunt. Hic collectae 325 mos, semper actualis, ab exemplo inspiratur Christi qui factus est pauper ut nos divites efficeret: 326

« Qui abundant ac volunt pro arbitrio quisque suo quod visum est largiuntur, et quod colligitur apud eum qui praeest deponitur, et ipse subvenit pupillis ac viduis, et iis qui ob morbum aut aliam ob causam indigent, et iis qui in vinculis sunt, et advenientibus peregre hospitibus, uno verbo omnium inopum curator est ». 327

§ 1352
A anáfora: Com a oração eucarística, oração de acção de graças e de consagração, chegamos ao coração e cume da celebração:no prefácio, a Igreja dá graças ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo, por todas as suas obras: pela criação, redenção e santificação. Toda a comunidade une, então, as suas vozes àquele louvor incessante que a Igreja celeste – os anjos e todos os santos – cantam ao Deus três vezes Santo:
Anaphora: cum eucharistica prece, cum prece nempe actionis gratiarum et consecrationis, ad cor et culmen pervenimus celebrationis: in praefatione, Ecclesia, per Christum, in Spiritu Sancto, gratias Patri agit propter omnia Eius opera, propter creationem, Redemptionem et sanctificationem. Tota communitas tunc huic laudi incessanti coniungitur quam caelestis Ecclesia, angeli omnesque sancti, ter Sancto canunt Deo.
§ 1353
na epiclese, pede ao Pai que envie o seu Espírito Santo (ou o poder da sua bênção)(185)sobre o pão e o vinho, para que se tornem, pelo seu poder, o corpo e o sangue de Jesus Cristo, e para que os que participam na Eucaristia sejam um só corpo e um só espírito. (Algumas tradições litúrgicas colocam a epiclese depois da anamnese);na narração da instituição, a força das palavras e da acção de Cristo e o poder do Espírito Santo tomam sacramentalmente presentes, sob as espécies do pão e do vinho, o corpo e o sangue do mesmo Cristo, o seu sacrifício oferecido na cruz de uma vez por todas;
In epiclesi, ipsa petit a Patre ut Suum mittat Spiritum (vel Suae benedictionis potentiam 328) super panem et vinum ut, per Eius virtutem, corpus et sanguis Iesu Christi fiant, et ut illi qui Eucharistiam participant, unum sint corpus et unus spiritus (quaedam liturgicae traditiones Epiclesim post anamnesim collocant). In institutionis narratione, vis verborum et actionis Christi, et Spiritus Sancti potentia, sub panis et vini speciebus Eius corpus et sanguinem sacramentaliter efficiunt praesentia, Eius sacrificium semel pro semper in cruce oblatum.
§ 1354
na anamnese que se segue, a Igreja faz memória da paixão, ressurreição e regresso glorioso de Cristo Jesus: e apresenta ao Pai a oferenda do seu Filho, que nos reconcilia com Ele:nas intercessões, a Igreja manifesta que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja do céu e da terra, dos vivos e dos defuntos, e na comunhão com os pastores da Igreja: o Papa, o bispo da diocese, o seu presbitério e os seus diáconos, e todos os bispos do mundo inteiro com as suas Igrejas.
In anamnesi quae sequitur, Ecclesia passionem, resurrectionem et reditum Christi Iesu recolit gloriosum; ipsa Patri oblationem praesentat Filii Eius qui nos cum Eo reconciliat. In intercessionibus, Ecclesia exprimit Eucharistiam in communione cum tota Ecclesia caeli et terrae, vivorum et defunctorum, celebrari et in communione cum Pastoribus Ecclesiae, cum Papa, cum Episcopo dioeceseos, eius presbyterio et eius diaconis, et cum Episcopis totius mundi cum eorum Ecclesiis.
§ 1355
Na comunhão, precedida da Oração do Senhor e da fracção do pão, os fiéis recebem «o pão do céu» e «o cálice da salvação», o corpo e o sangue de Cristo, que Se entregou «para a vida do mundo» (Jo 6, 51):

Porque este pão e este vinho foram, segundo a expressão antiga, «eucaristizados» (186), «chamamos a este alimento Eucaristia; e ninguém pode tomar parte nela se não acreditar na verdade do que entre nós se ensina, se não recebeu o banho para a remissão dos pecados e o novo nascimento e se não viver segundo os preceitos de Cristo» (187).

In Communione, quam Domini oratio et panis praecedunt fractio, fideles « panem de caelo » et « calicem salutarem » accipiunt, corpus et sanguinem Christi qui Se Ipsum tradidit « pro mundi vita » (Io 6,51).

Quia hic panis et hoc vinum, secundum veterem expressionem sunt « eucharistizata », 329 « hoc alimentum apud nos vocatur Eucharistia, cuius nulli alii licet esse participi nisi qui credat veram esse doctrinam nostram, et illo ad remissionem peccatorum et ad regenerationem lavacro ablutus fuerit, et ita vivat ut Christus tradidit ». 330

O DESENROLAR DA CELEBRAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacrifício sacramental: acção de graças, memorial, presença

§ 1356
Se os cristãos celebram a Eucaristia desde as origens e sob uma forma que, na sua substância não mudou através da grande diversidade dos tempos e das liturgias, é porque sabem que estão ligados pela ordem do Senhor, dada na véspera da sua paixão: «Fazei isto em memória de Mim» (1 Cor 11, 24-25).
Si christiani inde ab originibus Eucharistiam celebrant, et quidem sub quadam forma, quae, quoad substantiam, in decursu magnae diversitatis aetatum et liturgiarum mutata non est, hoc ideo accidit quia scimus nos mandato Domini vinculari, pridie passionis Eius praescripto: « Hoc facite in meam commemorationem » (1 Cor 11,24-25).
§ 1357
Esta ordem do Senhor, cumprimo-la celebrando o memorial do seu sacrifício. E fazendo-o, oferecemos ao Pai o que Ele próprio nos deu: os dons da sua criação, o pão e o vinho, transformados, pelo poder do Espírito Santo e pelas palavras de Cristo, no corpo e no sangue do mesmo Cristo: assim Cristo torna-se real e misteriosamente presente.
Hoc Domini adimplemus mandatum memoriale sacrificii Eius celebrantes. Hoc facientes, id Patri offerimus quod Ipse nobis donavit: dona Eius creationis, panem et vinum, per Spiritus Sancti potentiam et Christi verba, corpus et sanguinem Christi effecta: sic Christus realiter et arcano modo praesens fit.
§ 1358
Temos, pois, de considerar a Eucaristia

– como acção de graças e louvor ao Pai,
– como memorial sacrificial de Cristo e do Seu corpo,
– como presença de Cristo pelo poder da sua Palavra e do seu Espírito.

Oportet igitur ut Eucharistiam consideremus:— tamquam actionem gratiarum et laudem Patri;
— tamquam memoriale sacrificale Christi et corporis Eius;
— tamquam Christi praesentiam per virtutem Eius verbi Eiusque Spiritus.Gratiarum actio et laus Patri

A ACÇÃO DE GRAÇAS E O LOUVOR AO PAI

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacrifício sacramental: acção de graças, memorial, presença

§ 1359
A Eucaristia, sacramento da nossa salvação realizada por Cristo na cruz, é também um sacrifício de louvor em acção de graças pela obra da criação. No sacrifício eucarístico, toda a criação, amada por Deus, é apresentada ao Pai, através da morte e ressurreição de Cristo. Por Cristo, a Igreja pode oferecer o sacrifício de louvor em acção de graças por tudo o que Deus fez de bom, belo e justo, na criação e na humanidade.
Eucharistia, sacramentum nostrae salutis per Christum in cruce adimpletae, laudis est etiam sacrificium in gratiarum actionem propter creationis opus. In Sacrificio eucharistico, tota creatio a Deo dilecta praesentatur Patri per Christi mortem et resurrectionem. Per Christum potest Ecclesia sacrificium laudis offerre in gratiarum actionem propter quidquid boni, pulchri et iusti in creatione et in genere humano Deus effecit.
§ 1360
A Eucaristia é um sacrifício de acção de graças ao Pai, uma bênção pela qual a Igreja exprime o seu reconhecimento a Deus por todos os seus benefícios, por tudo o que Ele fez mediante a criação, a redenção e a santificação. Eucaristia significa, antes de mais, «acção de graças».
Eucharistia est sacrificium actionis gratiarum ad Patrem, benedictio per quam Ecclesia Deo propter omnia Eius beneficia suam exprimit gratitudinem, propter omnia quae Ipse per creationem, Redemptionem et sanctificationem effecit. Eucharistia imprimis « gratiarum actionem » significat.
§ 1361
A Eucaristia é também o sacrifício de louvor, pelo qual a Igreja canta a glória de Deus em nome de toda a criação. Este sacrifício de louvor só é possível através de Cristo: Ele une os fiéis à sua pessoa, ao seu louvor e à sua intercessão, de maneira que o sacrifício de louvor ao Pai ë oferecido por Cristo e com Cristo, para ser aceite em Cristo.
Eucharistia est etiam sacrificium laudis, per quod Ecclesia in totius creationis nomine gloriam canit Dei. Hoc laudis sacrificium non nisi per Christum possibile est: Ipse fideles Suae coniungit personae, Suae laudi et Suae intercessioni, atque ita sacrificium laudis ad Patrem per Christum et cum Ipso offertur ut accipiatur in Ipso.Memoriale sacrificale Christi Eiusque corporis, Ecclesiae

O MEMORIAL SACRIFICIAL DE CRISTO E DO SEU CORPO, A IGREJA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacrifício sacramental: acção de graças, memorial, presença

§ 1362
A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a actualização e a oferenda sacramental do seu único sacrifício, na liturgia da Igreja que é o seu corpo. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial.
Eucharistia est memoriale Paschatis Christi, Eius unici sacrificii in actum deductio et sacramentalis oblatio, in liturgia Ecclesiae quae corpus est Eius. In omnibus eucharisticis precibus, post institutionis verba, orationem invenimus quae anamnesis seu memoriale appellatur.
§ 1363
No sentido que lhe dá a Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus fez pelos homens (188). Na celebração litúrgica destes acontecimentos, eles tomam-se de certo modo presentes e actuais. É assim que Israel entende a sua libertação do Egipto: sempre que se celebrar a Páscoa, os acontecimentos do Êxodo tornam-se presentes à memória dos crentes, para que conformem com eles a sua vida.
In sacrae Scripturae sensu, memoriale recordatio eventuum praeteritorum solummodo non est, sed proclamatio mirabilium quae Deus pro hominibus implevit. 331 In liturgica horum eventuum celebratione, ii quodammodo praesentes fiunt et actuales. Sic Israel suam ex Aegypto intelligit liberationem: semper ac Pascha celebratur, Exodi eventus memoriae credentium fiunt praesentes ut ipsi illis suam conforment vitam.
§ 1364
O memorial recebe um sentido novo no Novo Testamento. Quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz memória da Páscoa de Cristo, e esta torna-se presente: o sacrifício que Cristo ofereceu na cruz uma vez por todas, continua sempre actual (189): «Todas as vezes que no altar se celebra o sacrifício da cruz, no qual "Cristo, nossa Páscoa, foi imolado", realiza-se a obra da nossa redenção» (190).
Memoriale in Novo Testamento sensum recipit novum. Cum Ecclesia Eucharistiam celebrat, memor est Christi Paschatis, quod praesens fit: sacrificium quod Christus semel pro semper obtulit in cruce, semper permanet actuale: 332 « Quoties Sacrificium crucis, quo "Pascha nostrum immolatus est Christus" (1 Cor 5,7), in altari celebratur, opus nostrae Redemptionis exercetur ». 333
§ 1365
Porque é o memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício. O carácter sacrificial da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós» e «este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» (Lc 22, 19-20). Na Eucaristia, Cristo dá aquele mesmo corpo que entregou por nós na cruz, aquele mesmo sangue que «derramou por muitos em remissão dos pecados» (Mt 26, 28).
Quia Eucharistia memoriale Paschatis est Christi, est etiam sacrificium. Indoles sacrificalis Eucharistiae in ipsis verbis institutionis manifestatur: « Hoc est corpus meum, quod pro vobis datur » et « Hic calix Novum Testamentum est in sanguine meo qui pro vobis funditur » (Lc 22,19-20). In Eucharistia, Christus hoc ipsum corpus dat quod pro nobis in cruce tradidit, ipsum sanguinem quem Ille effudit « pro multis [...] in remissionem peccatorum » (Mt 26,28).
§ 1366
A Eucaristia é, pois, um sacrifício, porque representa (torna presente) o sacrifício da cruz, porque é dele o memorial e porque aplica o seu fruto:

Cristo «nosso Deus e Senhor [...], ofereceu-Se a Si mesmo a Deus Pai uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da cruz, para realizar em favor deles [homens] uma redenção eterna. No entanto, porque após a sua morte não se devia extinguir o seu sacerdócio (Heb 7, 24-27), na última ceia, "na noite em que foi entregue" (1 Cor 11, 13). [...] Ele [quis deixar] à Igreja, sua esposa bem-amada, um sacrifício visível (como o exige a natureza humana), em que fosse representado o sacrifício cruento que ia realizar uma vez por todas na cruz, perpetuando a sua memória até ao fim dos séculos e aplicando a sua eficácia salvífica à remissão dos pecados que nós cometemos cada dia» (191).

Eucharistia est igitur sacrificium quia Sacrificium crucis repraesentat (praesens reddit), quia eius est memoriale et quia eius fructum applicat:

Christus « Deus et Dominus noster, [...] semel Se Ipsum in ara crucis, morte intercedente, Deo Patri [...] [obtulit], ut aeternam illis [hominibus] Redemptionem operaretur: quia tamen post mortem sacerdotium Eius exstinguendum non erat [Heb 7,24.27], in Coena novissima, "qua nocte tradebatur" [1 Cor 11,23], [...] dilectae Sponsae Suae Ecclesiae visibile (sicut hominum natura exigit) [...] [reliquit] sacrificium, quo cruentum illud semel in cruce peragendum repraesentaretur eiusque memoria in finem usque saeculi permaneret, atque illius salutaris virtus in remissionem eorum, quae a nobis quotidie committuntur, peccatorum applicaretur ». 334

§ 1367
O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: «É uma só e mesma vítima e Aquele que agora Se oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora Se ofereceu a Si mesmo na cruz; só a maneira de oferecer é que é diferente» (192). E porque «neste divino sacrifício, que se realiza na missa, aquele mesmo Cristo, que a Si mesmo Se ofereceu outrora de modo cruento sobre o altar da cruz, agora está contido e é imolado de modo incruento [...], este sacrifício é verdadeiramente propiciatório» (193).
Sacrificium Christi et Sacrificium Eucharistiae unum sunt sacrificium: « Una enim eademque est hostia, Idem nunc offerens sacerdotum ministerio, qui Se Ipsum tunc in cruce obtulit, sola ratione offerendi diversa »: 335 « Et quoniam in divino hoc sacrificio, quod in Missa peragitur, Idem Ille Christus continetur et incruente immolatur, qui in ara crucis "semel Se Ipsum cruente obtulit" [...] sacrificium istud vere propitiatorium » est. 336
§ 1368
A Eucaristia é igualmente o sacrifício da Igreja. A Igreja, que é o corpo de Cristo, participa na oblação da sua Cabeça. Com Ele, ela própria é oferecida integralmente. Ela une-se à sua intercessão junto do Pai em favor de todos os homens. Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo torna-se também o sacrifício dos membros do seu corpo. A vida dos fiéis, o seu louvor, o seu sofrimento, a sua oração, o seu trabalho unem-se aos de Cristo e à sua oblação total, adquirindo assim um novo valor. O sacrifício de Cristo presente sobre o altar proporciona a todas as gerações de cristãos a possibilidade de se unirem à sua oblação.

Nas catacumbas, a Igreja é frequentemente representada como uma mulher em oração, de braços estendidos em atitude orante. Como Cristo, que estendeu os braços na cruz, assim, por Ele, com Ele e n'Ele, a Igreja oferece-se e intercede por todos os homens.

Eucharistia est quoque Ecclesiae sacrificium. Ecclesia, quae corpus est Christi, oblationem sui Capitis participat. Cum Eo, ipsa tota offertur. Cum Eius intercessione apud Patrem pro omnibus hominibus se coniungit. In Eucharistia, sacrificium Christi fit etiam sacrificium membrorum Eius corporis. Vita fidelium, eorum laus, eorum dolor, eorum oratio, eorum labor illis Christi Eiusque totali uniuntur oblationi, et sic novum acquirunt valorem. Sacrificium Christi super altari praesens omnibus christianorum generationibus possibilitatem praebet Eius oblationi se uniendi.

In catacumbis, Ecclesia saepe tamquam mulier in oratione repraesentatur, brachiis apertis in gestu orantis. Se, sicut Christus qui brachia extendit in cruce, per Ipsum, cum Ipso et in Ipso offert et pro omnibus intercedit hominibus.

§ 1369
Toda a Igreja está unida à oblação e intercessão de Cristo. Encarregado do ministério de Pedro na Igreja, o Papa está associado a toda e qualquer celebração da Eucaristia, na qual é nomeado como sinal e servidor da unidade da Igreja universal. O bispo do lugar é sempre responsável pela Eucaristia, mesmo quando presidida por um presbítero; o seu nome é citado nela para significar a sua presidência da Igreja particular, no meio do presbitério e com a assistência dos diáconos. A comunidade intercede também por todos os ministros que, por ela e com ela, oferecem o sacrifício eucarístico:

«Seja tida como legítima somente aquela Eucaristia que é presidida pelo bispo ou por quem ele encarregou» (194).

«É pelo ministério dos presbíteros que o sacrifício espiritual dos fiéis se consuma em união com o sacrifício de Cristo. Mediador único, que é oferecido na Eucaristia de modo incruento e sacramental, pelas mãos deles, em nome de toda a Igreja, até quando o mesmo Senhor voltar» (195).

«É pelo ministério dos presbíteros que o sacrifício espiritual dos fiéis se consuma em união com o sacrifício de Cristo. Mediador único, que é oferecido na Eucaristia de modo incruento e sacramental, pelas mãos deles, em nome de toda a Igreja, até quando o mesmo Senhor voltar» (195).
Ecclesia tota cum oblatione coniungitur et intercessione Christi. Papa qui Petri ministerium in Ecclesia sustinet, omni Eucharistiae associatur celebrationi in qua tamquam unitatis Ecclesiae Universae signum et minister nominatur. Episcopus loci semper Eucharistiae est responsabilis, etiam cum presbyter illi praeest; eius nomen in illa pronuntiatur ut significetur eum Ecclesiae particulari praeesse, in medio presbyterii et assistentibus diaconis. Communitas etiam pro omnibus intercedit ministris qui, pro illa et cum illa, Sacrificium offerunt eucharisticum:

« Valida Eucharistia habeatur illa, quae sub Episcopo peragitur vel sub eo, cui ipse concesserit ». 337

« Per presbyterorum autem ministerium sacrificium spirituale fidelium consummatur in unione cum sacrificio Christi, unici mediatoris, quod per manus eorum, nomine totius Ecclesiae, in Eucharistia incruente et sacramentaliter offertur, donec Ipse Dominus veniat ». 338

« Per presbyterorum autem ministerium sacrificium spirituale fidelium consummatur in unione cum sacrificio Christi, unici mediatoris, quod per manus eorum, nomine totius Ecclesiae, in Eucharistia incruente et sacramentaliter offertur, donec Ipse Dominus veniat ». 338
§ 1370
À oblação de Cristo unem-se não só os membros que estão ainda neste mundo, mas também os que já estão na glória do céu: é em comunhão com a santíssima Virgem Maria e fazendo memória d'Ela, assim como de todos os santos e de todas as santas, que a Igreja oferece o sacrifício eucarístico. Na Eucaristia, a Igreja, com Maria, está como que ao pé da cruz, unida à oblação e à intercessão de Cristo.
Christi oblationi coniunguntur non solum membra quae adhuc hic in terris sunt, sed etiam illa quae iam sunt in caeli gloria: Ecclesia, in communione cum beatissima Virgine Maria et eiusdem, sicut etiam omnium sanctorum omniumque sanctarum, faciens memoriam, Sacrificium offert eucharisticum. Ecclesia in Eucharistia, cum Maria, est quodammodo iuxta crucem, oblationi Christi unita et intercessioni.
§ 1371
O sacrifício eucarístico é também oferecido pelos fiéis defuntos, «que morreram em Cristo e não estão ainda de todo purificados» (196), para que possam entrar na luz e na paz de Cristo:

«Enterrai este corpo não importa onde! Não vos dê isso qualquer cuidado! Tudo o que vos peço é que vos lembreis de mim diante do altar do Senhor, onde quer que estejais» (197).

«Depois [na anáfora], nós rezamos pelos santos padres e bispos falecidos, e em geral por todos aqueles que morreram antes de nós, certos de que isso será de grande proveito para as almas em favor das quais tal súplica se faz, enquanto está presente a vítima santa e temível [...]. Apresentando a Deus as nossas súplicas pelos que morreram, tenham embora sido pecadores, nós [...] apresentamos Cristo imolado pelos nossos pecados, tornando assim propício, para eles e para nós, o Deus que é amigo dos homens» (198).

Sacrificium eucharisticum offertur etiam pro fidelibus defunctis, « pro defunctis in Christo, nondum ad plenum purgatis », 339 ut Christi lumen et pacem ingredi possint:

« Ponite [...] hoc corpus ubicumque: nihil vos eius cura conturbet; tantum illud vos rogo, ut ad Domini altare memineritis mei, ubiubi fueritis ». 340

« Deinde [in anaphora] et pro defunctis sanctis Patribus et Episcopis, et omnibus generatim qui inter nos vita functi sunt [oramus]; maximum hoc credentes adiumentum illis animabus fore, pro quibus oratio defertur, dum sancta et perquam tremenda coram iacet victima. [...] Et nos pro defunctis, etiamsi peccatores sint, preces Deo offerentes, [...] Christum mactatum pro peccatis nostris offerimus, Deum amicum hominum cum pro illis tum pro nobis propitiantes ». 341

§ 1372
Santo Agostinho resumiu admiravelmente esta doutrina que nos incita a uma participação cada vez mais perfeita no sacrifício do nosso Redentor que celebramos na Eucaristia:

«Toda esta cidade resgatada, ou seja, a assembleia e sociedade dos santos, é oferecida a Deus como um sacrifício universal pelo Sumo-Sacerdote que, sob a forma de servo, foi ao ponto de Se oferecer por nós na sua paixão, para fazer de nós corpo duma tal Cabeça [...] Tal é o sacrifício dos cristãos: "Nós que somos muitos, formamos em Cristo um só corpo" (Rm 12, 5). E este sacrifício, a Igreja não cessa de o renovar no sacramento do altar bem conhecido dos fiéis, em que lhe é mostrado que ela própria é oferecida naquilo que oferece» (199).

Sanctus Augustinus in synthesim mirabiliter hanc redegit doctrinam quae nos incitat ad participationem semper magis completam in nostri Redemptoris sacrificio quod in Eucharistia celebramus:

« Tota ipsa redempta civitas, hoc est congregatio societasque sanctorum, universale sacrificium [...] [offertur] Deo per Sacerdotem magnum, qui etiam Se Ipsum obtulit in passione pro nobis, ut tanti Capitis corpus essemus, secundum formam servi. [...] Hoc est sacrificium christianorum: "Multi unum corpus in Christo" (Rom 12,5). Quod etiam Sacramento altaris fidelibus noto frequentat Ecclesia, ubi ei demonstratur, quod in ea re, quam offert, ipsa offeratur ». 342

A PRESENÇA DE CRISTO PELO PODER DA SUA PALAVRA E DO ESPÍRITO SANTO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacrifício sacramental: acção de graças, memorial, presença

§ 1373
«Jesus Cristo, que morreu, que ressuscitou, que está à direita de Deus, que intercede por nós» (Rm 8, 34), está presente na sua Igreja de múltiplos modos (200): na sua Palavra, na oração da sua Igreja, «onde dois ou três estão reunidos em Meu nome» (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros (201), nos seus sacramentos, dos quais é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas está presente «sobretudo sob as espécies eucarísticas» (202).
« Christus Iesus, qui mortuus est, immo qui suscitatus est, qui et est ad dexteram Dei, qui etiam interpellat pro nobis » (Rom 8,34), multipliciter est Ecclesiae Suae praesens: 343 in verbo Suo, in Ecclesiae Suae oratione, « ubi enim sunt duo vel tres congregati in nomine meo, ibi sum in medio eorum » (Mt 18,20), in pauperibus, aegrotis, captivis, 344 in sacramentis quorum Ipse est auctor, in Missae Sacrificio et in persona ministri. Sed « maxime [est praesens] sub speciebus eucharisticis ». 345
§ 1374
O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela «como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos» (203). No santíssimo sacramento da Eucaristia estão «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo» (204). «Esta presença chama-se "real", não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem "reais", mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem» (205).
Modus praesentiae Christi sub speciebus eucharisticis est singularis. Is Eucharistiam super omnibus sacramentis elevat et propterea illa est « quasi consummatio spiritualis vitae, et omnium sacramentorum finis ». 346 In Sanctissimo Eucharistiae Sacramento continentur vere, realiter et substantialiter corpus et sanguis una cum anima et divinitate Domini nostri Iesu Christi ac proinde totus Christus. 347 « Quae quidem praesentia "realis" dicitur non per exclusionem, quasi aliae "reales" non sint, sed per excellentiam, quia est substantialis, qua nimirum totus atque integer Christus, Deus et homo, fit praesens ». 348
§ 1375
É pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo que Ele Se torna presente neste sacramento. Os Padres da Igreja proclamaram com firmeza a fé da mesma Igreja na eficácia da Palavra de Cristo e da acção do Espírito Santo, para operar esta conversão. Assim, São João Crisóstomo declara:

«Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tomem corpo e sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia estas palavras, mas a sua eficácia e a graça são de Deus. Isto é o Meu corpo, diz ele. Esta palavra transforma as coisas oferecidas» (206).

«Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tomem corpo e sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia estas palavras, mas a sua eficácia e a graça são de Deus. Isto é o Meu corpo, diz ele. Esta palavra transforma as coisas oferecidas» (206).E Santo Ambrósio diz a respeito da mesma conversão:

Estejamos bem convencidos de que «isto não é o que a natureza formou, ruas o que a bênção consagrou, e de que a força da bênção ultrapassa a da natureza, porque pela bênção a própria natureza é mudada» (207). «A Palavra de Cristo, que pôde fazer do nada o que não existia, não havia de poder mudar coisas existentes no que elas ainda não eram? Porque não é menos dar às coisas a sua natureza original do que mudá-la» (208).

In hoc sacramento, Christus fit praesens per conversionem panis et vini in corpus et sanguinem Christi. Patres Ecclesiae fidem Ecclesiae in verbi Christi et actionis Spiritus Sancti efficacitatem ad hanc conversionem peragendam asseveraverunt firmiter. Sic sanctus Ioannes Chrysostomus declarat:

« Non enim homo est, qui facit ut proposita efficiantur corpus et sanguis Christi, sed Ipse Christus qui pro nobis crucifixus est. Figuram implens stat sacerdos verba illa proferens: virtus autem et gratia Dei est. Hoc est corpus meum, inquit. Hoc verbum transformat ea, quae proposita sunt ». 349

« Non enim homo est, qui facit ut proposita efficiantur corpus et sanguis Christi, sed Ipse Christus qui pro nobis crucifixus est. Figuram implens stat sacerdos verba illa proferens: virtus autem et gratia Dei est. Hoc est corpus meum, inquit. Hoc verbum transformat ea, quae proposita sunt ». 349Et sanctus Ambrosius de hac conversione ait:

Persuasi simus « non hoc esse, quod natura formavit, sed quod benedictio consecravit, maioremque vim esse benedictionis quam naturae, quia benedictione etiam natura ipsa mutatur ». 350 « Sermo ergo Christi, qui potuit ex nihilo facere, quod non erat, non potest ea, quae sunt, in id mutare, quod non erant? Non enim minus est novas rebus dare quam mutare naturas ». 351

§ 1376
O  Concílio de Trento resume a fé católica declarando: «Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação» (209).
Concilium Tridentinum fidem catholicam in synthesim redigit declarans: « Quoniam autem Christus Redemptor noster corpus Suum id, quod sub specie panis offerebat, vere esse dixit, ideo persuasum semper in Ecclesia Dei fuit, idque nunc denuo sancta haec Synodus declarat: per consecrationem panis et vini conversionem fieri totius substantiae panis in substantiam corporis Christi Domini nostri, et totius substantiae vini in substantiam sanguinis Eius. Quae conversio convenienter et proprie a sancta catholica Ecclesia transsubstantiatio est appellata ». 352
§ 1377
A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura enquanto as espécies eucarísticas subsistirem. Cristo está presente todo em cada uma das espécies e todo em cada uma das suas partes, de maneira que a fracção do pão não divide Cristo (210).
Praesentia eucharistica Christi a momento incipit consecrationis et perdurat dum species subsistunt eucharisticae. Christus est totus integer sub unaquaque specierum et totus integer in earum partibus, ita ut panis fractio Christum non dividat. 353
§ 1378
O culto da Eucaristia. Na liturgia da Missa, nós exprimimos a nossa fé na presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho, entre outras maneiras, ajoelhando ou inclinando-nos profundamente em sinal de adoração do Senhor. «A Igreja Católica sempre prestou e continua a prestar este culto de adoração que é devido ao sacramento da Eucaristia, não só durante a missa, mas também fora da sua celebração: conservando com o maior cuidado as hóstias consagradas, apresentando-as aos fiéis para que solenemente as venerem, e levando-as em procissão» (211).
Eucharistiae cultus. In Missae liturgia, nostram fidem in praesentiam realem Christi sub panis et vini speciebus, exprimimus, inter alia, genua flectentes vel profunde in signum adorationis Domini nos inclinantes. « Hunc latriae cultum Eucharistiae sacramento praestandum, Catholica Ecclesia non solum intra, verum etiam extra Missarum sollemnia exhibuit et exhibet, consecratas Hostias quam diligentissime adservando, eas sollemni fidelium venerationi proponendo, in processionibus frequentissimi populi laetitia circumferendo ». 354
§ 1379
A sagrada Reserva (sacrário) era, ao princípio, destinada a guardar, de maneira digna, a Eucaristia, para poder ser levada aos doentes e ausentes, fora da missa. Pelo aprofundamento da fé na presença real de Cristo na sua Eucaristia, a Igreja tomou consciência do sentido da adoração silenciosa do Senhor, presente sob as espécies eucarísticas, por isso que o sacrário deve ser colocado num lugar particularmente digno da igreja; deve ser construído de tal modo que sublinhe e manifeste a verdade da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento.
Sancta reservatio (tabernaculum) prius destinabatur ad Eucharistiam digne servandam ut aegrotis et absentibus posset extra Missam deferri. Ecclesia, per ulteriorem penetrationem in fidem de reali Christi praesentia in Eucharistia, effecta est conscia sensus silentiosae adorationis Christi sub speciebus eucharisticis praesentis. Hac de causa, tabernaculum collocari debet in loco ecclesiae peculiariter digno; sic construi debet ut veritas praesentiae realis Christi in Sanctissimo Sacramento efferatur et manifestetur.
§ 1380
É de suma conveniência que Cristo tenha querido ficar presente à sua Igreja deste modo único. Uma vez que estava para deixar os seus sob forma visível, Cristo quis dar-nos a sua presença sacramental; e visto que ia sofrer na cruz para nos salvar, quis que tivéssemos o memorial do amor com que nos amou «até ao fim» (Jo 13, 1), até ao dom da própria vida. Com efeito, na sua presença eucarística, Ele fica misteriosamente no meio de nós, como Aquele que nos amou e Se entregou por nós (212), e permanece sob os sinais que exprimem e comunicam este amor:

«A Igreja e o mundo têm grande necessidade do culto eucarístico. Jesus espera-nos neste sacramento do amor. Não regateemos o tempo para estar com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e disposta a reparar as faltas graves e os pecados do mundo. Que a nossa adoração não cesse jamais» (213).

Valde conveniens est, Christum, hoc modo singulari, Ecclesiae Suae praesentem manere voluisse. Quia Christus sub Sua forma visibili relicturus erat Suos, nobis Suam praesentiam volebat donare sacramentalem; quia Ipse Se in cruce oblaturus erat ut nos salvaret, volebat nos memoriale habere amoris quo Ipse nos « in finem dilexit » (Io 13,1), usque ad vitae Suae donum. Re vera, Ipse, in Sua praesentia eucharistica, in medio nostri modo manet arcano sicut Is qui nos dilexit et tradidit Semetipsum pro nobis, 355 et quidem manet sub signis quae hunc amorem exprimunt et communicant:

« Ecclesiae quidem et mundo valde opus est eucharistico cultu. Praestolatur nos Iesus hoc in caritatis sacramento. Ne tempori nostro parcamus ut Eum conveniamus cum adoratione, cum contemplatione fidei plena et parata graves culpas et crimina mundi compensare. Adoratio nostra profecto numquam deficiat ». 356

§ 1381
«A presença do verdadeiro corpo e do verdadeiro sangue de Cristo neste sacramento, "não a apreendemos pelos sentidos, diz São Tomás, mas só pela fé, que se apoia na autoridade de Deus". É por isso que, comentando o texto de São Lucas 22, 19 "Isto é o Meu corpo que será entregue por vós", São Cirilo de Alexandria declara: "Não vás agora perguntar-te se isso é verdade; mas acolhe com fé as palavras do Senhor, porque Ele, que é a verdade, não mente"» (214):
« Verum corpus Christi et verum sanguinem esse in hoc sacramento, ut ait sanctus Thomas, "non sensu deprehendi potest, sed sola fide, quae auctoritati divinae innititur. Unde super illud Lucae 22,19: Hoc est corpus meum quod pro vobis tradetur, dicit Cyrillus: Non dubites an hoc verum sit; sed potius suscipe verba Salvatoris in fide; cum enim sit veritas, non mentitur" »: 357

A PRESENÇA DE CRISTO PELO PODER DA SUA PALAVRA E DO ESPÍRITO SANTO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O banquete pascal

§ 1382
A Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor. Mas a celebração do sacrifício eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo, que Se ofereceu por nós.

Adoro te devote

Latim Português
«Adoro te devote, latens Deitas,
Quae sub his figuris vere latitas:
Tibi se cor meum totem subjicit,
Quica, Te contemplans, totem deficit.»
Adoro-te com devoção, ó Deus que te escondes,
Que sob estas figuras de verdade te ocultas:
A ti meu coração se submete inteiramente,
Porque, ao contemplar-te, desfalece por completo.
«Visus, tactus, gustus in Te fallitur
Sed auditu solo tuto creditur:
Credo quidquid dixit Dei Filius:
Nil hoc Veritatis verbo verius» (215).
Visão, tacto e paladar em ti falham,
Apenas ouvindo se crê com segurança:
Creio em tudo o que disse o Filho de Deus:
Nada mais verdadeiro que esta palavra da Verdade.
Missa simul et inseparabiliter sacrificale est memoriale in quo crucis perpetuatur Sacrificium, et sacrum convivium Communionis corporis et sanguinis Domini. Sed Sacrificii eucharistici celebratio prorsus dirigitur ad intimam unionem fidelium cum Christo per Communionem. Communicare est Ipsum recipere Christum qui Se pro nobis obtulit.
§ 1383
O altar, à volta do qual a Igreja se reúne na celebração da Eucaristia, representa os dois aspectos dum mesmo mistério: o altar do sacrifício e a mesa do Senhor, e isto tanto mais que o altar cristão é o símbolo do próprio Cristo, presente no meio da assembleia dos seus fiéis, ao mesmo tempo como vítima oferecida para a nossa reconciliação e como alimento celeste que se nos dá. «Com efeito, o que é o altar de Cristo senão a imagem do corpo de Cristo?» – pergunta Santo Ambrósio (216); e noutro passo: «O altar representa o corpo [de Cristo], e o corpo de Cristo está sobre o altar» (217). A liturgia exprime esta unidade do sacrifício e da comunhão em numerosas orações. Assim, a Igreja de Roma reza na sua anáfora:

«Humildemente Vos suplicamos, Deus todo-poderoso, que esta nossa oferenda seja apresentada pelo vosso santo Anjo no altar celeste, diante da vossa divina majestade, para que todos nós, participando deste altar pela comunhão do santíssimo corpo e sangue do vosso Filho, alcancemos a plenitude das bênçãos e graças do céu»» (218)

Altare, circa quod Ecclesia in Eucharistiae celebratione congregatur, duas eiusdem mysterii repraesentat rationes: altare sacrificii et mensam Domini, et quidem eo magis quod christianum altare symbolum est Ipsius Christi, praesentis in medio congregationis fidelium Eius, simul sicut victimae pro nostra reconciliatione oblatae et sicut cibi caelestis qui nobis Se dat. « Quid est enim altare Christi nisi forma corporis Christi? », inquit sanctus Ambrosius, 359 et alibi: « Forma corporis altare est et corpus Christi est in altari ». 360 Liturgia hanc sacrificii et Communionis unitatem in pluribus exprimit orationibus. Sic Ecclesia Romana in sua precatur anaphora:

« Supplices Te rogamus, omnipotens Deus: iube haec perferri per manus sancti angeli Tui in sublime altare Tuum, in conspectu divinae maiestatis Tuae; ut, quotquot ex hac altaris participatione sacrosanctum Filii Tui corpus et sanguinem sumpserimus, omni benedictione caelesti et gratia repleamur ». 361

«TOMAI TODOS E COMEI»: A COMUNHÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O banquete pascal

§ 1384
O Senhor dirige-nos um convite insistente a que O recebamos no sacramento da Eucaristia: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (Jo 6, 53).
Dominus instantem ad nos dirigit invitationem ut Ipsum in Eucharistiae recipiamus sacramento: « Amen, amen dico vobis: Nisi manducaveritis carnem Filii hominis et biberitis Eius sanguinem, non habetis vitam in vobismetipsis » (Io 6,53).
§ 1385
Para responder a este convite, devemos preparar-nos para este momento tão grande e santo. São Paulo exorta a um exame de consciência: «Quem comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada qual a si mesmo e então coma desse pão e beba deste cálice; pois quem come e bebe, sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação» (1Cor 11, 27-29). Aquele que tiver consciência dum pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes de se aproximar da Comunhão.
Ut huic invitationi respondeamus, ad hoc momentum tam magnum et sanctum nos praeparare debemus. Sanctus Paulus ad conscientiae hortatur examen: « Quicumque manducaverit panem vel biberit calicem Domini indigne, reus erit corporis et sanguinis Domini. Probet autem seipsum homo, et sic de pane illo edat et de calice bibat; qui enim manducat et bibit, iudicium sibi manducat et bibit non diiudicans corpus » (1 Cor 11,27-29). Qui peccati gravis est conscius, sacramentum Reconciliationis recipere debet antequam ad Communionem accedat.
§ 1386
Perante a grandeza deste sacramento, o fiel só pode retomar humildemente e com ardente fé a palavra do centurião (219) : «Domine, non sum dignus, ut intres sub tectum meum, sed tantum dic verbum, et sanabitur anima mea – Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma [só] palavra e serei salvo» (220). E na divina liturgia de São João Crisóstomo, os fiéis oram no mesmo Espírito:

«Faz-me comungar hoje, ó Filho de Deus, na tua ceia mística. Porque eu não revelarei o segredo aos teus inimigos, nem te darei o beijo de Judas. Mas, como o ladrão, eu te suplico: Lembra-Te de mim, Senhor, no teu Reino» (221).

Fidelis coram huius sacramenti magnitudine non nisi verba centurionis humiliter et cum ardenti fide repetere potest: 362 « Domine, non sum dignus, ut intres sub tectum meum, sed tantum dic verbo, et sanabitur anima mea ». 363 Et in divina liturgia sancti Ioannis Chrysostomi, fideles eodem orant spiritu:

« Fac me hodie communicare in Tua Cena mystica, o Fili Dei. Quia secretum Tuis non dicam inimicis, neque Tibi osculum dabo Iudae. Sed, sicut latro, ad Te clamo: Memento mei, Domine, in Regno Tuo ». 364

§ 1387
Para se prepararem convenientemente para receber este sacramento, os fiéis devem observar o jejum prescrito na sua Igreja (222). A atitude corporal (gestos, traje) deve traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo Se torna nosso hóspede.
Fideles, ut se convenienter ad hoc sacramentum praeparent recipiendum, ieiunium in Ecclesia sua praescriptum observabunt. 365 Habitus corporalis (gestus, vestis) respectum, sollemnitatem, laetitiam huius exprimet momenti in quo Christus hospes fit noster.
§ 1388
É conforme ao próprio sentido da Eucaristia que os fiéis, se tiverem as disposições requeridas (223), recebam a Comunhão quando participam na missa (224): «Recomenda-se vivamente aquela mais perfeita participação na missa em que os fiéis, depois da comunhão do sacerdote, recebem, do mesmo sacrifício, o corpo do Senhor» (225).
Ipsi sensui Eucharistiae conforme est, fideles, si dispositiones habeant quae requiruntur, 366 Communionem recipere, cum Missam participant: 367 « Valde commendatur illa perfectior Missae participatio qua fideles post Communionem sacerdotis ex eodem Sacrificio corpus Dominicum sumunt ». 368
§ 1389
A Igreja impõe aos fiéis a obrigação de «participar na divina liturgia nos domingos e dias de festa» (226) e de receber a Eucaristia ao menos uma vez em cada ano, se possível no tempo pascal (227) preparados pelo sacramento da Reconciliação. Mas recomenda-lhes vivamente que recebam a santa Eucaristia aos domingos e dias de festa, ou ainda mais vezes, mesmo todos os dias.
Ecclesia fidelibus obligationem imponit qua ipsi « tenentur diebus Dominicis et festis interesse divinae liturgiae », 369 et Eucharistiam, saltem semel in anno, recipere, tempore Paschali si fieri potest, 370 sacramento Reconciliationis praeparati. Sed Ecclesia fidelibus vehementer commendat sanctam Eucharistiam diebus Dominicis et festivis recipere, vel adhuc frequentius, singulis etiam diebus.
§ 1390
Graças à presença sacramental de Cristo sob cada uma das espécies, a comunhão apenas sob a espécie de pão permite receber todo o fruto de graça da Eucaristia. Por razões pastorais, esta maneira de comungar estabeleceu-se legitimamente como a mais habitual no rito latino. «A sagrada Comunhão tem uma forma mais plena, enquanto sinal, quando é feita sob as duas espécies. Com efeito, nesta forma manifesta-se mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico» (228). É a forma habitual de comungar, nos ritos orientais.
Communio sub una panis specie, propter praesentiam sacramentalem Christi sub unaquaque specie, totum fructum gratiae Eucharistiae recipere permittit. Ob rationes pastorales, haec recipiendi Communionem forma, tamquam maxime habitualis, est in ritu latino legitime stabilita. « Formam ratione signi pleniorem habet sacra Communio cum fit sub utraque specie. In ea enim forma signum eucharistici convivii perfectius elucet ». 371 Talis forma recipiendi Communionem est habitualis in ritibus orientalibus. Communionis fructus

OS FRUTOS DA COMUNHÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O banquete pascal

§ 1391
A Comunhão aumenta a nossa união com Cristo. Receber a Eucaristia na comunhão traz consigo, como fruto principal, a união íntima com Cristo Jesus. De facto, o Senhor diz: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele» (Jo 6, 56). A vida em Cristo tem o seu fundamento no banquete eucarístico: «Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também o que Me come viverá por Mim» (Jo 6, 57):

«Quando, nas festas do Senhor, os fiéis recebem o corpo do Filho, proclamam uns aos outros a boa-nova de que lhes foram dadas as arras da vida, como quando o anjo disse a Maria de Magdala: "Cristo ressuscitou!". Eis que também agora a vida e a ressurreição são conferidas àquele que recebe Cristo» (229).

Communio nostram cum Christo auget unionem. Eucharistiam in Communione recipere, tamquam praecipuum fructum, unionem affert intimam cum Christo Iesu. Re vera Dominus dicit: « Qui manducat meam carnem et bibit meum sanguinem, in me manet et ego in illo » (Io 6,56). Vita in Christo suum invenit fundamentum in convivio eucharistico: « Sicut misit me vivens Pater, et ego vivo propter Patrem; et, qui manducat me, et ipse vivet propter me » (Io 6,57):

« Cum in festivitatibus [Domini] populus corpus accipit Filii, alius alii Bonum proclamant Nuntium: arrhabonem vitae datum esse; sicut cum angelus Mariae [Magdalenae] dixit: 'Surrexit Christus!'. Ecce etiam nunc vitam et resurrectionem illi conferri qui Christum recipit ». 372

§ 1392
O que o alimento material produz na nossa vida corporal, realiza-o a Comunhão, de modo admirável, na nossa vida espiritual. A comunhão da carne de Cristo Ressuscitado, «vivificada pelo Espírito Santo e vivificante» (230), conserva, aumenta e renova a vida da graça recebida no Baptismo. Este crescimento da vida cristã precisa de ser alimentado pela Comunhão eucarística, pão da nossa peregrinação, até à hora da morte, em que nos será dado como viático.
Id quod materiale nutrimentum in vita producit corporali, Communio modo admirabili in nostra vita spirituali deducit in rem. Communio carnis Christi resuscitati, « Spiritu Sancto vivificatae et vivificantis », 373 vitam gratiae in Baptismo susceptam conservat, auget et renovat. Hoc vitae christianae augmentum eget Communione eucharistica, nostrae peregrinationis pane, nutriri usque ad mortis horam, in qua nobis dabitur tamquam viaticum.
§ 1393
A Comunhão afasta-nos do pecado. O corpo de Cristo que recebemos na Comunhão é «entregue por nós» e o sangue que nós bebemos é «derramado pela multidão, para remissão dos pecados». É por isso que a Eucaristia não pode unir-nos a Cristo sem nos purificar, ao mesmo tempo, dos pecados cometidos, e nos preservar dos pecados futuros:

«Sempre que O recebemos, anunciamos a morte do Senhor (231). Se nós anunciamos a morte do Senhor, anunciamos a remissão dos pecados. Se, de cada vez que o seu sangue é derramado, é derramado para remissão dos pecados, eu devo recebê-lo sempre, para que sempre Ele perdoe os meus pecados. Eu que peco sempre, devo ter sempre um remédio» (232).

Communio nos a peccato separat. Corpus Christi quod in Communione recipimus, est « traditus pro nobis », et sanguis quem bibimus, est « effusus pro multis in remissionem peccatorum ». Hac de causa, Eucharistia nos Christo unire non potest quin simul nos a peccatis purificet commissis et a peccatis praeservet futuris:

« Quotiescumque accipimus, mortem Domini adnuntiamus. 374 Si mortem, adnuntiamus remissionem peccatorum. Si, quotiescumque effunditur sanguis, in remissionem peccatorum funditur, debeo illum semper accipere, ut semper mihi peccata dimittat. Qui semper pecco, semper debeo habere medicinam ». 375

§ 1394
Tal como o alimento corporal serve para restaurar as forças perdidas, assim também a Eucaristia fortifica a caridade que, na vida quotidiana, tende a enfraquecer-se; e esta caridade vivificada apaga os pecados veniais (233). Dando-Se a nós, Cristo reaviva o nosso amor e torna-nos capazes de quebrar as ligações desordenadas às criaturas e de nos radicarmos n'Ele.

«Uma vez que Cristo morreu por nós por amor, quando nós fazemos memória da sua morte no momento do sacrifício, pedimos que esse amor nos seja dado pela vinda do Espírito Santo; suplicamos humildemente que, em virtude desse amor pelo qual Cristo quis morrer por nós, também nós, recebendo a graça do Espírito Santo, possamos considerar o mundo como crucificado para nós e sermos nós próprios crucificados para o mundo; [...] tendo recebido o dom do amor, morramos para o pecado e vivamos para Deus» (234).

Sicut nutrimentum materiale ad vires amissas inservit restaurandas, Eucharistia caritatem roborat quae, in vita quotidiana, ad se debilitandam tendit; atque haec vivificata caritas peccata delet venialia. 376 Christus, Se nobis donans, nostrum iterum vivificat amorem nosque capaces reddit, nostros inordinatos affectus ad creaturas rumpendi nosque in Eum radicandi:

« Quoniam ergo Christus pro nobis caritate mortuus est, cum tempore sacrificii commemorationem Mortis Eius facimus, caritatem nobis tribui per Adventum Sancti Spiritus postulamus; hoc suppliciter exorantes, ut per ipsam caritatem qua pro nobis Christus crucifigi dignatus est, nos quoque gratia Sancti Spiritus accepta, mundum crucifixum habere et mundo crucifigi possimus; [...] munere caritatis accepto, moriamur peccato et vivamus Deo ». 377

§ 1395
Pela mesma caridade que acende em nós, a Eucaristia preserva-nos dos pecados mortais futuros. Quanto mais participarmos na vida de Cristo e progredirmos na sua amizade, mais difícil nos será romper com Ele pelo pecado mortal. A Eucaristia não está ordenada ao perdão dos pecados mortais. Isso é próprio do sacramento da Reconciliação. O que é próprio da Eucaristia é ser o sacramento daqueles que estão na plena comunhão da Igreja.
Eucharistia, per ipsam caritatem quam in nobis accendit, nos a peccatis mortalibus praeservat futuris. Quo magis Christi vitam participamus et quo magis in Illius progredimur amicitia, eo difficilius fit cum Illo per peccatum mortale abscindere coniunctionem. Eucharistia ad peccatorum mortalium remissionem non ordinatur. Hoc sacramenti Reconciliationis proprium est. Eucharistiae est proprium, eorum esse sacramentum qui in plena Ecclesiae sunt communione.
§ 1396
A unidade do corpo Místico: a Eucaristia faz a Igreja. Os que recebem a Eucaristia ficam mais estreitamente unidos a Cristo. Por isso mesmo, Cristo une todos os fiéis num só corpo: a Igreja. A Comunhão renova, fortalece e aprofunda esta incorporação na Igreja já realizada pelo Baptismo. No Baptismo fomos chamados a formar um só corpo (235). A Eucaristia realiza esta vocação: «O cálice da bênção que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque participamos desse único pão» (1 Cor 10, 16-17):

«Se sois o corpo de Cristo e seus membros, é o vosso sacramento que está colocado sobre a mesa do Senhor, é o vosso sacramento que recebeis. Vós respondeis «Ámen» [«Sim, é verdade!»] àquilo que recebeis e, ao responder, o subscreveis. Tu ouves esta palavra: «O corpo de Cristo»; e respondes: «Ámen», Então, sê um membro de Cristo, para que o teu «Ámen» seja verdadeiro» (326).

Corporis mystici unitas: Eucharistia facit Ecclesiam. Illi qui Eucharistiam recipiunt, arctius Christo coniunguntur. Propterea, Christus omnes coniungit fideles in unum corpus: Ecclesiam. Communio hanc incorporationem ad Ecclesiam, iam per Baptismum deductam in rem, renovat, roborat et profundiorem reddit. In Baptismo vocati sumus ad unum corpus constituendum. 378 Eucharistia hanc adimplet vocationem: « Calix benedictionis, cui benedicimus, nonne communicatio sanguinis Christi est? Et panis, quem frangimus, nonne communicatio corporis Christi est? Quoniam unus panis, unum corpus multi sumus, omnes enim de uno pane participamus » (1 Cor 10,16-17):

« Si ergo vos estis corpus Christi et membra, mysterium vestrum in Mensa dominica positum est: mysterium vestrum accipitis. Ad id quod estis, Amen [Utique, verum est] respondetis, et respondendo subscribitis. Audis enim, corpus Christi; et respondes, Amen. Esto membrum corporis Christi, ut verum sit Amen ». 379

« Si ergo vos estis corpus Christi et membra, mysterium vestrum in Mensa dominica positum est: mysterium vestrum accipitis. Ad id quod estis, Amen [Utique, verum est] respondetis, et respondendo subscribitis. Audis enim, corpus Christi; et respondes, Amen. Esto membrum corporis Christi, ut verum sit Amen ». 379
§ 1397
A Eucaristia compromete-nos com os pobres: Para receber, na verdade, o corpo e o sangue de Cristo entregue por nós, temos de reconhecer Cristo nos mais pobres, seus irmãos (237):

«Saboreaste o sangue do Senhor e não reconheces sequer o teu irmão. Desonras esta mesa, se não julgas digno de partilhar o teu alimento aquele que foi julgado digno de tomar parte nesta mesa. Deus libertou-te de todos os teus pecados e chamou-te para ela; e tu nem então te tornaste mais misericordioso» (238).

Eucharistia erga pauperes obligat: ad corpus et sanguinem Christi pro nobis tradita in veritate recipienda, Christum in pauperrimis, fratribus Eius, debemus agnoscere: 380

« Gustasti sanguinem Dominicum, et neque fratrem ita agnoscis; [...] nunc autem ipsam etiam mensam dedecoras, dum illum qui dignatus est illius particeps fieri, ne cibis quidem tuis dignum existimas. [...]. Ab [...] omnibus [peccatis] te liberavit Deus, teque tali mensa dignatus est: tu vero nec sic quidem benignior effectus es ». 381

§ 1398
A Eucaristia e a unidade dos cristãos. Perante a grandeza deste mistério, Santo Agostinho exclama: «O sacramentum pietatis! O signum unitatis! O vinculum caritatis! – Ó sacramento da piedade, ó sinal da unidade, ó vínculo da caridade!» Quanto mais dolorosas se fazem sentir as divisões da Igreja que rompem a comum participação na mesa do Senhor, tanto mais prementes são as orações que fazemos ao Senhor para que voltem os dias da unidade completa de todos os que crêem n' Ele.
Eucharistia et christianorum unitas. Coram huius mysterii magnitudine sanctus Augustinus exclamat: « O sacramentum pietatis! O signum unitatis! O vinculum caritatis! ». 382 Quo magis dolorosae percipiuntur Ecclesiae divisiones quae communem disrumpunt participationem mensae Domini, eo urgentiores sunt orationes ad Dominum ut dies unitatis completae redeant omnium eorum qui in Eum credunt.
§ 1399
As Igrejas orientais que não estão em comunhão plena com a Igreja Católica celebram a Eucaristia com um grande amor. «Essas Igrejas, embora separadas, têm verdadeiros sacramentos; e principalmente, em virtude da sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia, por meio dos quais continuam unidos a nós por vínculos estreitíssimos» (240). Portanto, «uma certa comunhão in sacris é não só possível, mas até aconselhável em circunstâncias oportunas e com aprovação da autoridade eclesiástica» (241).
Ecclesiae Orientales quae in plena communione cum Ecclesia catholica non sunt, Eucharistia magno cum amore celebrant. « Illae Ecclesiae, quamvis seiunctae, vera sacramenta [...] [habent], praecipua vero, vi successionis apostolicae, sacerdotium et Eucharistiam, quibus arctissima necessitudine adhuc nobiscum coniunguntur ». 383 Proinde « quaedam communicatio in sacris, datis opportunis circumstantiis et approbante auctoritate ecclesiastica, non solum possibilis est sed etiam suadetur ». 384
§ 1400
As comunidades eclesiais saídas da Reforma, separadas da Igreja Católica, «não [conservaram] a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, sobretudo por causa da falta do sacramento da Ordem» (242). É por esse motivo que a intercomunhão eucarística com estas comunidades não é possível para a Igreja Católica. No entanto, estas comunidades eclesiais, «quando na santa ceia fazem memória da morte e ressurreição do Senhor, professam que a vida é significada na comunhão com Cristo e esperam a sua vinda gloriosa» (243).
Communitates ecclesiales e Reformatione ortae, ab Ecclesia catholica seiunctae, « praesertim propter sacramentum Ordinis defectum, genuinam atque integram substantiam mysterii eucharistici non » servant. 385 Hac de causa, pro Ecclesia catholica, intercommunio eucharistica cum his communitatibus possibilis non est. Hae tamen communitates ecclesiales « dum in sancta Cena mortis et resurrectionis Domini memoriam faciunt, vitam in Christi communione significari profitentur atque gloriosum Eius Adventum exspectant ». 386
§ 1401
Se urgir uma grave necessidade, segundo o juízo do Ordinário os ministros católicos podem ministrar os sacramentos (Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos) aos outros cristãos que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica, mas que os pedem por sua livre vontade: requer-se, nesse caso, que manifestem a fé católica em relação a estes sacramentos e que se encontrem nas devidas disposições (244).
Cum necessitas gravis urget, secundum Ordinarii iudicium, ministri catholici possunt sacramenta (Eucharistiam, Paenitentiam, Unctionem infirmorum) aliis conferre christianis qui in plena communione cum Ecclesia catholica non sunt, sed qui sua sponte illa petunt: oportet eos tunc fidem catholicam circa haec sacramenta profiteri et in dispositionibus inveniri quae requiruntur. 387 VII. Eucharistia – « Futurae gloriae pignus »

OS FRUTOS DA COMUNHÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A Eucaristia – «Penhor da futura glória»

§ 1402
Numa antiga oração, a Igreja aclama assim o mistério da Eucaristia: «O sacrum convivium in quo Christus sumitur: recolitur memoria passionis eius; mens impletur gratia et futurae gloriae nobis pignus datur – Ó sagrado banquete, em que se recebe Cristo e se comemora a sua paixão, em que a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da futura glória» (245). Se a Eucaristia é o memorial da Páscoa da Senhor, se pela nossa comunhão no altar somos cumulados da «plenitude das bênçãos se graças do céu» (246), a Eucaristia é também a antecipação da glória celeste.
In quadam vetere oratione, Ecclesia mysterium acclamat Eucharistiae: « O sacrum convivium in quo Christus sumitur: recolitur memoria passionis Eius, mens impletur gratia et futurae gloriae nobis pignus datur ». 388 Si Eucharistia memoriale est Paschatis Domini, si per nostram altaris Communionem « omni benedictione caelesti et gratia » replemur, 389 Eucharistia est quoque gloriae caelestis anticipatio.
§ 1403
Na última ceia, o próprio Senhor chamou a atenção dos seus discípulos para a consumação da Páscoa no Reino de Deus: «Eu vos digo que não voltarei a beber deste fruto da videira, até o dia em que beberei convosco o vinho novo no Reino do meu Pai» (Mt 26, 29) (247). Sempre que a Igreja celebra a Eucaristia, lembra-se desta promessa, e o seu olhar volta-se para «Aquele que vem» (Ap 1, 4). Na sua oração, ela clama pela sua vinda: «Marana tha» (1Cor 16, 22), «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 20), «que a Tua graça venha e que este mundo passe!» (248).
In ultima Cena, Ipse Dominus intuitum discipulorum Suorum ad Paschatis consummationem in Regno Dei direxit: « Dico autem vobis: Non bibam amodo de hoc genimine vitis usque in diem illum, cum illud bibam vobiscum novum in Regno Patris mei » (Mt 26,29). 390 Quoties Ecclesia Eucharistiam celebrat, huius promissionis est memor et eius intuitus vertitur ad Eum « qui venturus est » (Apc 1,4). In oratione sua Ipsius implorat Adventum: « Marana tha » (1 Cor 16,22), « Veni, Domine Iesu » (Apc 22,20), « Adveniat gratia et praetereat mundus hic ». 391
§ 1404
A Igreja sabe que, desde já, o Senhor vem na sua Eucaristia e que está ali, no meio de nós. Mas esta presença é velada. E é por isso que nós celebramos a Eucaristia «expectantes beatam spem et adventum Salvatoris nostri Jesu Christi – enquanto aguardamos a feliz esperança e a vinda de Jesus Cristo nosso Salvador» (249), pedindo a graça de ser acolhidos «com bondade no vosso Reino, onde também nós esperamos ser ser recebidos, para vivermos [...] eternamente na vossa glória, quando enxugardes todas as lágrimas dos nossos olhos; e, vendo-Vos tal como sois, Senhor nosso Deus, seremos para sempre semelhantes a Vós e cantaremos sem fim os vossos louvores, por Jesus Cristo nosso Senhor» (250).
Ecclesia scit iam nunc Dominum in Sua venire Eucharistia, et ibi Eum in medio esse nostri. Tamen haec praesentia est velata. Hac de causa, Eucharistiam celebramus « exspectantes beatam spem et Adventum Salvatoris nostri Iesu Christi », 392 orantes « ut [in Regno Tuo] simul gloria Tua perenniter satiemur, quando omnem lacrimam absterges ab oculis nostris, quia Te, sicuti es, Deum nostrum videntes, Tibi similes erimus cuncta per saecula, et Te sine fine laudabimus ». 393
§ 1405
Desta grande esperança – dos novos céus e da nova terra, onde habitará a justiça (251) – não temos garantia mais segura nem sinal mais manifesto do que a Eucaristia. Com efeito, cada vez que se celebra este mistério, «realiza-se a obra da nossa redenção» (252) e nós «partimos o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas viver em Jesus Cristo para sempre» (253).Resumindo:
Huius magnae spei, illius nempe caelorum novorum et terrae novae in quibus habitabit iustitia, 394 nullum securius habemus pignus neque signum magis manifestum quam Eucharistiam. Re vera, quoties hoc celebratur mysterium « opus nostrae Redemptionis exercetur » 395 et nos « unum panem [...] [frangimus], qui pharmacum immortalitatis est, antidotum, ne moriamur, sed vivamus semper in Iesu Christo ». 396Compendium

COMPÊNDIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Resumindo

§ 1406
Jesus diz: «Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente [...] Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna [...], permanece em Mim, e Eu nele» (Jo 6, 51.54.56).
Iesus dixit: « Ego sum panis vivus, qui de caelo descendi. Si quis manducaverit ex hoc pane, vivet in aeternum [...]. Qui manducat meam carnem et bibit meum sanguinem, habet vitam aeternam, [...] in me manet, et ego in illo » (Io 6,51.54.56).
§ 1407
A Eucaristia é o coração e o cume da vida da Igreja, porque nela Cristo associa a sua Igreja e todos os seus membros ao seu sacrifício de louvor e de acção de graças, oferecido ao Pai uma vez por todas na cruz; por este sacrifício, Ele derrama as graças da salvação sobre o seu corpo, que é a Igreja.
Eucharistia cor et culmen est vitae Ecclesiae, quia in ea Christus Ecclesiam Suam et omnia eius membra sacrificio laudis et actionis gratiarum sociat Suo quod semel pro semper in cruce Suo Patri obtulit; Ipse per hoc sacrificium gratias salutis super Suum effundit corpus quod est Ecclesia.
§ 1408
A celebração eucarística inclui sempre: a proclamação da Palavra de Deus, a acção de graças a Deus Pai por todos os seus benefícios, sobretudo pelo dom do seu Filho, a consagração do pão e do vinho e a participação no banquete litúrgico pela recepção do corpo e do sangue do Senhor Estes elementos constituem um só e mesmo acto de culto.
Celebratio eucharistica semper implicat: proclamationem Verbi Dei, actionem gratiarum Deo Patri pro omnibus Eius beneficiis, praesertim pro dono Filii Eius, consecrationem panis et vini et participationem in convivio liturgico per receptionem corporis et sanguinis Domini. Haec elementa unum eumdemque actum cultus constituunt.
§ 1409
A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, isto é, da obra do salvação realizada pela vida, morte e ressurreição de Cristo, obra tornada presente pela acção litúrgica.
Eucharistia est Paschatis Christi memoriale: id est, operis salutis per Christi vitam, mortem et resurrectionem adimpleti, operis per actionem liturgicam praesentis effecti.
§ 1410
É o próprio Cristo, sumo e eterno sacerdote da Nova Aliança, que, agindo pelo ministério dos sacerdotes, oferece o sacrifício eucarístico. E é ainda o mesmo Cristo, realmente presente sob as espécies do pão e do vinho, que é a oferenda do sacrifício eucarístico.
Ipse Christus, aeternus Novi Foederis Summus Sacerdos, per sacerdotum ministerium agens, Sacrificium offert eucharisticum. Praeterea Idem Christus realiter sub panis et vini speciebus praesens est Sacrificii eucharistici oblatio.
§ 1411
Só os sacerdotes validamente ordenados podem presidir à Eucaristia e consagrar o pão e o vinho, para que se tornem o corpo e o sangue do Senhor:
Solummodo sacerdotes valide ordinati Eucharistiae possunt praeesse atque panem et vinum consecrare ut corpus et sanguis fiant Domini.
§ 1412
Os sinais essenciais do sacramento eucarístico são o pão de trigo e o vinho da videira, sobre os quais é invocada a bênção do Espírito Santo, e o sacerdote pronuncia as palavras da consagração ditas por Jesus durante a última ceia: «Isto é o meu corpo, que será entregue por vós... Este é o cálice do meu sangue...».
Signa essentialia sacramenti sunt panis tritici et vinum vitis, super quae Spiritus Sancti invocatur benedictio atque sacerdos verba pronuntiat consecrationis quae Iesus in ultima dixit Cena: « Hoc est corpus meum quod pro vobis tradetur. [...] Hic est calix sanguinis mei ».
§ 1413
Pela consagração, opera-se a transubstanciação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo. Sob as espécies consagradas do pão e do vinho, o próprio Cristo, vivo e glorioso, está presente de modo verdadeiro, real e substancial, com o seu corpo e o seu sangue, com a sua alma e a sua divindade (254).
Per consecrationem transsubstantiatio fit panis et vini in Christi corpus et sanguinem. Sub panis et vini speciebus consecratis, Ipse Christus, vivus et gloriosus, praesens est vere, realiter et substantialiter, Eius corpus et sanguis cum Eius anima et divinitate. 397
§ 1414
Enquanto sacrifício, a Eucaristia é oferecida também em reparação dos pecados dos vivos e dos defuntos e para obter de Deus benefícios espirituais ou temporais.
Eucharistia, quatenus sacrificium, etiam in reparationem offertur peccatorum tam vivorum quam defunctorum, et ad beneficia spiritualia vel temporalia a Deo obtinenda.
§ 1415
Aquele que quiser receber Cristo na Comunhão eucarística deve encontrar-se em estado de graça. Se alguém tiver consciência de ter pecado mortalmente, não deve aproximar-se da Eucaristia sem primeiro ter recebido a absolvição no sacramento da Penitência.
Qui Christum in Communione eucharistica vult recipere, in gratiae statu debet inveniri. Si quis de peccato mortali a se commisso habet conscientiam, ad Eucharistiam accedere non debet quin prius absolutionem in sacramento acceperit Poenitentiae.
§ 1416
A sagrada Comunhão do corpo e sangue de Cristo aumenta a união do comungante com o Senhor perdoa-lhe os pecados veniais e preserva-o dos pecados graves. E uma vez que os laços da caridade entre o comungante e Cristo são reforçados, a recepção deste sacramento reforça a unidade da Igreja, corpo Místico de Cristo.
Sancta corporis et sanguinis Christi Communio unionem communicantis auget cum Domino, ei peccata remittit venialia eumque a peccatis praeservat gravibus. Eo quod caritatis vincula inter communicantem et Christum roborantur, huius sacramenti receptio unitatem roborat Ecclesiae, corporis mystici Christi.
§ 1417
A Igreja recomenda vivamente aos fiéis que recebam a sagrada Comunhão quando participam na celebração da Eucaristia; e impõe-lhes a obrigação de o fazerem ao menos uma vez por ano.
Ecclesia fidelibus vehementer commendat ut sanctam recipiant Communionem, cum Eucharistiae participant celebrationem; eis huius rei obligationem imponit saltem semel in anno.
§ 1418
Uma vez que Cristo em pessoa está presente no Sacramento do Altar; devemos honrá-Lo com culto de adoração. «A visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo nosso Senhor» (255).
Eo quod Ipse Christus in altaris Sacramento praesens est, Eum cultu adorationis honorare oportet. Sanctissimi Sacramenti visitatio est « erga Christum Dominum [...] et grati animi argumentum et amoris pignus et debitae adorationis officium ». 398
§ 1419
Tendo passado deste mundo para o Pai, Cristo deixou-nos na Eucaristia o penhor da glória junto d'Ele: a participação no santo sacrifício identifica-nos com o seu coração, sustenta as nossas forças ao longo da peregrinação desta vida, faz-nos desejar a vida eterna e desde já nos une à Igreja do céu, à Santíssima Virgem e a todos os santos.
Christus, cum ex hoc mundo ad Patrem transierit, nobis in Eucharistia pignus praebet gloriae apud Se: participatio sancti Sacrificii nos Ipsius assimilat cordi, nostras sustinet vires peregrinatione huius vitae perdurante, nos vitam aeternam facit concupiscere atque nos iam Ecclesiae unit caelesti, beatissimae Virgini et omnibus sanctis. (288) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 47: AAS 56 (1964) 113. (289) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 15. (290) Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 5: AAS 58 (1966) 997.(291) Sacra Congregatio Rituum, Instr. Eucharisticum mysterium, 6: AAS 59 (1967) 545.(292) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4, 18, 5: SC 100, 610 (PG 7, 1028). (293) Cf 1 Cor 11,20. (294) Cf Apc 19,9. (295) Cf Mt 14,19; 15, 36; Mc 8,6.19. (296) Cf Mt 26,26; 1 Cor 11,24. (297) Cf Lc 24,13-35. (298) Cf Act 2,42.46; 20,7.11. (299) Cf 1 Cor 10,16-17. (300) Cf 1 Cor 11,17-34. (301) Cf Ps 116,13.17. (302) Cf 1 Pe 2,5. (303) Cf Mal 1,11. (304) Cf 1 Cor 10,16-17. (305) Cf Constitutiones apostolicae, 8, 13, 12: SC 336, 208 (Funk, Didascalia et Constitutiones Apostolorum, 1, 516); Didaché, 9, 5: SC 248, 178 (Funk, Patres apostolici, 1, 22); Ibid., 10, 6: SC 248, 180 (Funk, Patres apostolici 1, 24).(306) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Ephesios, 20, 2: SC 10bis, 76 (Funk 1, 230).(307) Cf Ps 104,13-15.(308) Cf Prex eucharistica I seu Canon Romanus, 95: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 453. (309) Cf Dt 8,3. (310) Cf Mt 14,13-21; 15,32-39. (311) Cf Io 2,11. (312) Cf Mc 14,25. (313) Cf Io 13,1-17. (314) Concilium Tridentinum, Sess. 22a, Doctrina de ss. Missae Sacrificio, c. 1: DS 1740. (315) Cf Io 6. (316) Cf Mt 26,17-29; Mc 14,12-25; 1 Cor 11,23-25.(317) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 1: AAS 58 (1966) 947. (318) Sanctus Iustinus, Apologia, 1, 67: CA 1, 184-186 (PG 6, 429).(319) Sanctus Iustinus, Apologia, 1, 65: CA 1, 176-180 (PG 6, 428). (320) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 56: AAS 56 (1964) 115. (321) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827.(322) Cf Lc 24,13-35. (323) Cf 1 Thess 2,13. (324) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4, 18, 4: SC 100, 606 (PG 7, 1027); cf Mal 1,11. (325) Cf 1 Cor 16,1. (326) Cf 2 Cor 8,9. (327) Sanctus Iustinus, Apologia, 1, 67: CA 1, 186-188 (PG 6, 429).(328) Cf Prex eucharistica I seu Canon Romanus, 90: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 451. (329) Cf Sanctus Iustinus, Apologia, 1, 65: CA 1, 180 (PG 6, 428).(330) Sanctus Iustinus, Apologia, 1, 66: CA 1, 180 (PG 6, 428). (331) Cf Ex 13,3. (332) Cf Heb 7,25-27. (333) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.(334) Concilium Tridentinum, Sess. 22a, Doctrina de ss. Missae Sacrificio, c. 1: DS 1740. (335) Concilium Tridentinum, Sess. 22a, Doctrina de ss. Missae Sacrificio, c. 2: DS 1743. (336) Ibid.(337) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Smyrnaeos, 8, 1: SC 10bis, 138 (Funk 1, 282). (338) Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 993.(339) Concilium Tridentinum, Sess. 22a, Doctrina de ss. Missae Sacrificio, c. 2: DS 1743. (340) Sanctus Augustinus, Confessiones, 9, 11, 27: CCL 27, 149 (PL 32, 775); verba sanctae Monicae, ante suam mortem, ad sanctum Augustinum et fratrem eius. (341) Sanctus Cyrillus Hierosolymitanus, Catecheses mystagogicae, 5, 9-10: SC 126, 158-160 (PG 30, 1116-1117). (342) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 10, 6: CSEL 401, 456 (PL 41, 284).(343) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.(344) Cf Mt 25,31-46.(345) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 7: AAS 56 (1964) 100-101.(346) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 73, a. 3, c: Ed. Leon. 12, 140. (347) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 13a, Decretum de ss. Eucharistia, canon 1: DS 1651. (348) Paulus VI, Litt. Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 764.(349) Sanctus Ioannes Chrysostomus, De proditione Iudae homilia, 1, 6: PG 49, 380. (350) Sanctus Ambrosius, De mysteriis, 9, 50: CSEL 73, 110 (PL 16, 405).(351) Ibid., 9, 52: CSEL 73, 112 (PL 16, 407). (352) Concilium Tridentinum, Sess. 13a, Decretum de ss. Eucharistia, c. 4: DS 1642. (353) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 13a, Decretum de ss. Eucharistia, c. 3: DS 1641. (354) Paulus VI, Litt. Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 769.(355) Cf Gal 2,20.(356) Ioannes Paulus II, Epist. Dominicae Cenae, 3: AAS 72 (1980) 119; cf Enchiridion Vaticanum, 7, 177. (357) Paulus VI, Litt. Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 757; cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 75, a. 1, c: Ed. Leon. 12, 156; Sanctus Cyrillus Alexandrinus, Commentarius in Lucam, 22, 19: PG 72, 912. (358) AHMA 50, 589.(359) Sanctus Ambrosius, De sacramentis, 5, 7: CSEL 73, 61 (PL 16, 447).(360) Sanctus Ambrosius, De sacramentis, 4, 7: CSEL 73, 49 (PL 16, 437). (361) Prex eucharistica I seu Canon Romanus, 96: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 453.(362) Cf Mt 8,8.(363) Ritus Communionis, 133: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 474. (364) Liturgia Byzantina. Anaphora Iohannis Chrysostomi, Prex ante Communionem: F.E. Brightman, Liturgies Eastern and Western (Oxford 1896) p. 394 (PG 63, 920). (365) Cf CIC canon 919. (366) Cf CIC canones 916-917. (367) Fideles, eadem die, altera tantum vice, ss. Eucharistiam suscipere possunt. Pontificia Commissio Codici Iuris Canonici authentice interpretando, Responsa ad proposita dubia, 1: AAS 76 (1984) 746.(368) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 55: AAS 56 (1964) 115.(369) Concilium Vaticanum II, Decr. Orientalium Ecclesiarum, 15: AAS 57 (1956) 81.(370) Cf CIC canon 920.(371) Institutio generalis Missalis Romani, 240: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 68. (372) Fanqîth, Breviarium iuxta ritum Ecclesiae Antiochenae Syrorum, v. 1 (Mossul 1886) p. 237a-b. (373) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 5: AAS 58 (1966) 997. (374) Cf 1 Cor 11,26. (375) Sanctus Ambrosius, De sacramentis, 4, 28: CSEL 73, 57-58 (PL 16, 446).(376) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 13a, Decretum de ss. Eucharistia, c. 2: DS 1638.(377) Sanctus Fulgentius Ruspensis, Contra gesta Fabiani, 28, 17: CCL 91A, 813-814 (PL 65, 789). (378) Cf 1 Cor 12,13. (379) Sanctus Augustinus, Sermo 272: PL 38, 1247. (380) Cf Mt 25,40. (381) Sanctus Ioannes Chrysostomus, In epistulam I ad Corinthios, homilia 27, 5: PG 61, 230. (382) Sanctus Augustinus, In Iohannis evangelium tractatus, 26, 13: CCL 36, 266 (PL 35, 1613); cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 47: AAS 56 (1964) 113. (383) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 15: AAS 57 (1965) 102. (384) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 15: AAS 57 (1965) 102; cf CIC canon 844, § 3. (385) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 22: AAS 57 (1965) 106. (386) Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 22: AAS 57 (1965) 106. (387) Cf CIC canon 844, § 4. (388) In Sollemnitate ss.mi corporis et sanguinis Christi, Antiphona ad « Magnificat » in II Vesperis: Liturgia Horarum, editio typica, v. 3 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 502. (389) Prex eucharistica I seu Canon Romanus, 96: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 453.(390) Cf Lc 22,18; Mc 14,25. (391) Didaché, 10, 6: SC 248, 180 (Funk, Patres apostolici, 1, 24).(392) Ritus Communionis, 126 [Embolismus post « Pater noster »]: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 472; cf Tit 2,13. (393) Prex eucharistica III, 116: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 465. (394) Cf 2 Pe 3,13. (395) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.(396) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Ephesios, 20, 2: SC 10bis, 76 (Funk 1, 230). (397) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 13a, Decretum de ss. Eucharistia, c. 3: DS 1640; Ibid., canon 1: DS 1651. (398) Paulus VI, Litt. Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 771.

OS SACRAMENTOS DE CURA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1420
Pelos sacramentos da iniciação cristã, o homem recebe a vida nova de Cristo. Ora, esta vida, nós trazemo-la «em vasos de barro». Por enquanto, ela está ainda «oculta com Cristo em Deus» (Cl 3, 3). Vivemos ainda na «nossa morada terrena» (1), sujeita ao sofrimento à doença e à morte. A vida nova de filhos de Deus pode ser enfraquecida e até perdida pelo pecado.
Per initiationis christianae sacramenta, homo vitam Christi recipit novam. Hanc autem vitam « in vasis fictilibus » (2 Cor 4,7) gestamus. Nunc ea adhuc « abscondita est cum Christo in Deo » (Col 3,3). Adhuc sumus in terrestri domo nostra,1 dolori, aegritudini et morti submissa. Haec nova filii Dei vita potest debilitari et etiam amitti per peccatum.
§ 1421
O Senhor Jesus Cristo, médico das nossas almas e dos nossos corpos, que perdoou os pecados ao paralítico e lhe restituiu a saúde do corpo (2) quis que a sua Igreja continuasse, com a força do Espírito Santo, a sua obra de cura e de salvação, mesmo para com os seus próprios membros. É esta a finalidade dos dois sacramentos de cura: o sacramente da Penitência e o da Unção dos enfermos.
Dominus Iesus Christus, medicus nostrarum animarum nostrorumque corporum, qui paralytico peccata remisit et salutem reddidit corporis,2 voluit Ecclesiam Suam, Spiritus Sancti virtute, Eius opus sanationis prosequi et salutis, etiam relate ad sua propria membra. Hic est duorum sacramentorum sanationis scopus: sacramenti Poenitentiae et Unctionis infirmorum. (1) Cf 2 Cor 5,1. (2) Cf Mc 2,1-12.

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E DA RECONCILIAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1422
«Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão» (3).
« Qui vero ad sacramentum Poenitentiae accedunt, veniam offensionis Deo illatae ab Eius misericordia obtinent et simul reconciliantur cum Ecclesia, quam peccando vulneraverunt, et quae eorum conversioni caritate, exemplo, precibus adlaborat ».3 I. Quomodo hoc sacramentum appellatur?

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E DA RECONCILIAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Como se chama este sacramento?

§ 1423
É chamado sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão (4) e o esforço de regressar à casa do Pai (5) da qual o pecador se afastou pelo pecado.É chamado sacramento da Penitência, porque consagra uma caminhada pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador.
Conversionis sacramentum appellatur, propterea quod sacramentaliter vocationem Iesu ad conversionem deducit in rem,4 consilium nempe redeundi ad Patrem5 a quo quis per peccatum se elongavit.Poenitentiae sacramentum appellatur, propterea quod iter consecrat personale et ecclesiale conversionis, poenitentiae et satisfactionis christiani peccatoris.
§ 1424
É chamado sacramento da confissão, porque o reconhecimento, a confissão dos pecados perante o sacerdote é um elemento essencial deste sacramento. Num sentido profundo, este sacramento é também uma «confissão», reconhecimento e louvor da santidade de Deus e da sua misericórdia para com o homem pecador.E chamado sacramento do perdão, porque, pela absolvição sacramental do sacerdote. Deus concede ao penitente «o perdão e a paz» (6).E chamado sacramento da Reconciliação, porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: «Deixai-vos reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20). Aquele que vive do amor misericordioso de Deus está pronto para responder ao apelo do Senhor: «Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão» (Mt 5, 24).
Confessionis sacramentum appellatur, propterea quod declaratio, confessio peccatorum coram sacerdote elementum est essentiale huius sacramenti. Sensu quodam profundo, sacramentum etiam « confessio » est, agnitio et laus sanctitatis Dei et misericordiae Eius erga hominem peccatorem.Indulgentiae sacramentum appellatur, propterea quod per sacramentalem sacerdotis absolutionem, Deus poenitenti tribuit « indulgentiam [...] et pacem ».6 Reconciliationis sacramentum appellatur, quia peccatori amorem praebet Dei qui reconciliat: « Reconciliamini Deo » (2 Cor 5,20). Qui ex amore Dei vivit misericorde, est promptus ut vocationi Domini respondeat: « Vade prius, reconciliare fratri tuo » (Mt 5,24). II. Cur sacramentum quoddam Reconciliationis post Baptismum?

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E DA RECONCILIAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Porquê, um sacramento de Reconciliação depois do Baptismo?

§ 1425
«Vós fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus» (1 Cor 6, 11). Precisamos de tomar consciência da grandeza do dom de Deus que nos foi concedido nos sacramentos da iniciação cristã, para nos apercebermos de até que ponto o pecado é algo de inadmissível para aquele que foi revestido de Cristo (7). Mas o apóstolo São João diz também: «Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós» (1 Jo 1, 8). E o próprio Senhor nos ensinou a rezar: «Perdoai-nos as nossas ofensas» (Lc 11, 4 ), relacionando o perdão mútuo das nossas ofensas com o perdão que Deus concederá aos nossos pecados.
« Abluti estis, [...] sanctificati estis, [...] iustificati estis in nomine Domini Iesu Christi et in Spiritu Dei nostri! » (1 Cor 6,11). Oportet conscios esse magnitudinis doni Dei quod nobis in initiationis christianae sacramentis concessum est, ad intelligendum quousque peccatum res sit aliena pro eo qui Christum induit.7 Sed sanctus apostolus Ioannes etiam scribit: « Si dixerimus quoniam peccatum non habemus, nosmetipsos seducimus, et veritas in nobis non est » (1 Io 1,8). Atque Ipse Dominus nos docuit orare: « Dimitte nobis peccata nostra » (Lc 11,4), mutuam nostrarum offensionum remissionem coniungens remissioni quam Deus nostris concedet peccatis.
§ 1426
A conversão a Cristo, o novo nascimento do Baptismo, o dom do Espírito Santo, o corpo e sangue de Cristo recebidos em alimento, tornaram-nos «santos e imaculados na sua presença» (Ef 1, 4), tal como a própria Igreja, esposa de Cristo, é «santa e imaculada na sua presença» (Ef 5, 27). No entanto, a vida nova recebida na iniciação cristã não suprimiu a fragilidade e a fraqueza da natureza humana, nem a inclinação para o pecado, a que a tradição chama concupiscência, a qual persiste nos baptizados, a fim de que prestem as suas provas no combate da vida cristã, ajudados pela graça de Cristo (8). Este combate é o da conversão, em vista da santidade e da vida eterna, a que o Senhor não se cansa de nos chamar (9).
Conversio ad Christum, nova in Baptismo nativitas, donum Spiritus Sancti, corpus et sanguis Christi tamquam nutrimentum recepta nos effecerunt sanctos et immaculatos « in conspectu Eius » (Eph 1,4), sicut Ecclesia ipsa, Christi Sponsa, est coram Eo « sancta et immaculata » (Eph 5,27). Tamen vita nova recepta in initiatione christiana fragilitatem et debilitatem naturae humanae non suppressit, neque inclinationem ad peccatum quam traditio concupiscentiam appellat, quae manet in baptizatis ut ipsi suas probationes subeant in vitae christianae proelio, Christi gratia adiuti.8 Hoc proelium est illud conversionis propter sanctitatem et vitam aeternam ad quam Dominus nos incessanter vocat.9 III. Baptizatorum conversio

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E DA RECONCILIAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A conversão dos baptizados

§ 1427
Jesus chama à conversão. Tal apelo é parte essencial do anúncio do Reino: «O tempo chegou ao seu termo, o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e acreditai na boa-nova» (Mc 1, 15). Na pregação da Igreja, este apelo dirige-se, em primeiro lugar, àqueles que ainda não conhecem Cristo e o seu Evangelho. Por isso, o Baptismo é o momento principal da primeira e fundamental conversão. É pela fé na boa-nova e pelo Baptismo (10) que se renuncia ao mal e se adquire a salvação, isto é, a remissão de todos os pecados e o dom da vida nova.
Iesus ad conversionem vocat. Haec vocatio pars essentialis est annuntiationis Regni: « Impletum est tempus, et appropinquavit Regnum Dei; paenitemini et credite Evangelio » (Mc 1,15). In Ecclesiae praedicatione haec vocatio dirigitur imprimis ad illos qui nondum Christum et Eius Evangelium cognoscunt. Sic Baptismus locus est praecipuus primae et fundamentalis conversionis. Per fidem in Bonum Nuntium et per Baptismum fit10 mali abrenuntiatio et acquiritur salus, id est omnium peccatorum remissio et vitae novae donum.
§ 1428
Ora, o apelo de Cristo à conversão continua a fazer-se ouvir na vida dos cristãos. Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que «contém pecadores no seu seio» e que é, «ao mesmo tempo, santa e necessitada de purificação, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e de renovação» (11). Este esforço de conversão não é somente obra humana. É o movimento do «coração contrito» (12) atraído e movido pela graça (13) para responder ao amor misericordioso de Deus, que nos amou primeiro (14).
Vocatio igitur Christi ad conversionem in christianorum vita resonare pergit. Haec secunda conversio munus est non interrumptum pro tota Ecclesia quae « in proprio sinu peccatores complectens, sancta simul et semper purificanda, poenitentiam et renovationem continuo prosequitur ».11 Hic conversionis nisus opus solummodo humanum non est. Motus est « cordis contriti »12 gratia attracti et permoti13 ut amori respondeat misericordi Dei qui prior nos dilexit.14
§ 1429
Testemunho disto mesmo, é a conversão de Pedro, depois de três vezes ter negado o seu mestre. O olhar infinitamente misericordioso de Jesus provoca-lhe lágrimas de arrependimento (15) e, depois da ressurreição do Senhor, a tríplice afirmação do seu amor para com Ele (16). A segunda conversão tem, também, uma dimensão comunitária. Isto aparece no apelo dirigido pelo Senhor a uma Igreja inteira: «Arrepende-te!» (Ap 2, 5-16).

Santo Ambrósio diz, a respeito das duas conversões que, na Igreja, «existem a água e as lágrimas: a água do Baptismo e as lágrimas da Penitência»

Sancti Petri post triplicem sui Magistri negationem conversio id testatur. Intuitus infinitae misericordiae Iesu lacrimas provocat poenitentiae15 et, post resurrectionem Domini, triplicem affirmationem illius amoris erga Eum.16 Secunda conversio etiam rationem habet communitariam. Hoc apparet in vocatione Domini ad quamdam integram Ecclesiam: « Age poenitentiam! » (Apc 2,5.16).

Sanctus Ambrosius de duabus conversionibus dicit: « Ecclesia autem et aquam habet, et lacrimas habet, aquam Baptismatis, lacrimas Poenitentiae ».17

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E DA RECONCILIAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A penitência interior

§ 1430
Como já acontecia com os profetas, o apelo de Jesus à conversão e à penitência não visa primariamente as obras exteriores, «o saco e a cinza», os jejuns e as mortificações, mas a conversão do coração, a penitência interior: Sem ela, as obras de penitência são estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão dessa atitude cm sinais visíveis, gestos e obras de penitência (18).
Sicut iam apud Prophetas, vocatio Iesu ad conversionem et ad poenitentiam opera externa non intendit primario, « saccum et cinerem », ieiunia et mortificationes, sed conversionem cordis, interiorem poenitentiam. Sine hac, opera poenitentiae infructuosa manent et mendacia; e contra, interior conversio ad huius habitus impellit expressionem in signis visibilibus, in gestibus et in poenitentiae operibus.18
§ 1431
A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um regresso, uma conversão a Deus de todo o nosso coração, uma rotura com o pecado, uma aversão ao mal, com repugnância pelas más acções que cometemos. Ao mesmo tempo, implica o desejo e o propósito de mudar de vida, com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda da sua graça. Esta conversão do coração é acompanhada por uma dor e uma tristeza salutares, a que os Santos Padres chamaram animi cruciatus (aflição do espírito), compunctio cordis (compunção do coração) (19).
Poenitentia interior est radicalis totius vitae nova directio, reditus, e toto nostro corde ad Deum conversio, cessatio a peccato, aversio a malo, una cum repugnantia erga malas actiones quas commiserimus. Simul implicat optatum et resolutionem mutandi vitam cum misericordiae divinae spe et cum fiducia in adiutorium gratiae Eius. Hanc cordis conversionem dolor et tristia comitantur salutares quae a Patribus animi cruciatus, compunctio cordis appellantur.19
§ 1432
O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração novo (20). A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: «Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos» (Lm 5, 21). Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo. É ao descobrir a grandeza do amor de Deus que o nosso coração é abalado pelo horror e pelo peso do pecado, e começa a ter receio de ofender a Deus pelo pecado e de estar separado d'Ele. O coração humano converte-se, ao olhar para Aquele a quem os nossos pecados trespassaram (21).

«Tenhamos os olhos fixos no sangue de Cristo e compreendamos quanto Ele é precioso para o seu Pai, pois que, derramado para nossa salvação, proporcionou ao mundo inteiro a graça do arrependimento» (22).

Hominis cor grave est et induratum. Oportet ut Deus cor homini indat novum.20 Conversio est imprimis opus gratiae Dei qui efficit ut corda nostra redeant ad Ipsum: « Converte nos, Domine, ad Te, et convertemur » (Lam 5,21). Deus nobis vim donat ut iterum incipiamus. Cor nostrum, amoris Dei detegens magnitudinem, horrore et pondere concutitur peccati et ne Deum peccato offendat et ab Eo separetur timere incipit. Cor humanum convertitur, in Eum respiciens quem peccata nostra transfixerunt.21

« Sanguinem Christi intentis oculis intueamur et cognoscamus, quam pretiosus sit Deo et Patri Eius, qui propter nostram salutem effusus toti mundo paenitentiae gratiam obtulit ».22

§ 1433
Depois da Páscoa, é o Espírito Santo que «confunde o mundo no tocante ao pecado», isto é, faz ver ao mundo o pecado de não ter acreditado n'Aquele que o Pai enviou (23). Mas este mesmo Espírito, que desmascara o pecado, é o Consolador (24) que dá ao coração do homem a graça do arrependimento e da conversão (25).
Inde a Paschate, Spiritus Sanctus arguit mundum de peccato, quia scilicet non crediderunt in Eum23 quem Pater misit. Sed Idem Hic Spiritus, qui peccatum detegit, est Consolator24 qui cordi hominis gratiam praebet poenitentiae et conversionis.25 V. Multiplices poenitentiae formae in vita christiana

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E DA RECONCILIAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

As múltiplas formas da penitência na vida cristã

§ 1434
A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola que exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros. A par da purificação radical operada pelo Baptismo ou pelo martírio, citam, como meios de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para se reconciliar com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação com a salvação do próximo (27), a intercessão dos santos e a prática da caridade «que cobre uma multidão de pecados» (1 Pe 4, 8).
Christiani interior poenitentia expressiones valde diversas potest habere. Scriptura et Patres tribus praecipue insistunt formis: ieiunio, orationi, eleemosynae,26 quae conversionem exprimunt relate ad se ipsum, relate ad Deum et relate ad alios. Iuxta radicalem purificationem quam Baptismus vel martyrium operantur, ipsi afferunt, sicut media ad veniam peccatorum obtinendam, nisus peractos ad se cum proximo reconciliandum, poenitentiae lacrimas, curam pro salute proximi,27 intercessionem sanctorum et exercitium caritatis quae « operit multitudinem peccatorum » (1 Pe 4,8).
§ 1435
A conversão realiza-se na vida quotidiana por gestos de reconciliação, pelo cuidado dos pobres, o exercício e a defesa da justiça e do direito (28), pela confissão das próprias faltas aos irmãos, pela correcção fraterna, a revisão de vida, o exame de consciência, a direcção espiritual, a aceitação dos sofrimentos, a coragem de suportar a perseguição por amor da justiça. Tomar a sua cruz todos os dias e seguir Jesus é o caminho mais seguro da penitência (29).
Conversio in vita fit quotidiana per reconciliationis gestus, per curam de pauperibus, per exercitium et defensionem iustitiae et iuris,28 per defectuum confessionem ad fratres, correctionem fraternam, vitae revisionem, examen conscientiae, spiritualem directionem, dolorum acceptationem, patientiam in persecutione propter iustitiam. Tutissima via poenitentiae est propriam crucem quotidie sumere et Iesum sequi.29
§ 1436
Eucaristia e Penitência. A conversão e a penitência quotidianas têm a sua fonte e alimento na Eucaristia: porque na Eucaristia torna-se presente o sacrifício de Cristo, que nos reconciliou com Deus: pela Eucaristia nutrem-se e fortificam-se os que vivem a vida de Cristo: «ela é o antídoto que nos livra das faltas quotidianas e nos preserva dos pecados mortais» (30).
Eucharistia et Poenitentia. Conversio et poenitentia quotidianae suum fontem suumque nutrimentum in Eucharistia inveniunt, quia in ea praesens fit Christi sacrificium quod nos cum Deo reconciliavit; per illam nutriuntur et roborantur illi qui ex Christi vivunt vita; ipsa est « antidotum, quo liberemur a culpis quotidianis et a peccatis mortalibus praeservemur ».30
§ 1437
A leitura da Sagrada Escritura, a oração da Liturgia das Horas e do Pai Nosso, todo o acto sincero de culto ou de piedade reavivam em nós o espírito de conversão e de penitência e contribuem para o perdão dos nossos pecados.
Sacrae Scripturae lectio, precatio liturgiae Horarum et orationis « Pater noster », quilibet sincerus actus cultus vel pietatis in nobis spiritum resuscitant conversionis et poenitentiae et ad nostrorum peccatorum conferunt remissionem.
§ 1438
Os tempos e os dias de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja (31). Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias).1439 O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do «filho pródigo», cujo centro é «o pai misericordioso» (32): o deslumbramento duma liberdade ilusória e o abandono da casa paterna: a miséria extrema em que o filho se encontra depois de delapidada a fortuna: a humilhação profunda de se ver obrigado a guardar porcos e, pior ainda, de desejar alimentar-se das bolotas que os porcos comiam: a reflexão sobre os bens perdidos: o arrependimento e a decisão de se declarar culpado diante do pai: o caminho do regresso: o acolhimento generoso por parte do pai: a alegria do pai: eis alguns dos aspectos próprios do processo de conversão. O fato novo, o anel e o banquete festivo são símbolos desta vida nova, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta para Deus e para o seio da família que é a Igreja. Só o coração de Cristo, que conhece a profundidade do amor do seu Pai, pôde revelar-nos o abismo da sua misericórdia, de um modo tão cheio de simplicidade e beleza.
Poenitentiae tempora et dies in anni liturgici decursu (tempus quadragesimae, unaquaeque feria sexta in mortis Domini memoriam) momenta sunt praeclara pro praxi poenitentiali Ecclesiae.31 Haec tempora sunt praesertim apta pro exercitiis spiritualibus, liturgiis poenitentialibus, peregrinationibus in poenitentiae signum, privationibus voluntariis sicut ieiunio et eleemosyna, fraterna participatione (operibus caritativis et missionalibus).
§ 1439
O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do «filho pródigo», cujo centro é «o pai misericordioso» (32): o deslumbramento duma liberdade ilusória e o abandono da casa paterna: a miséria extrema em que o filho se encontra depois de delapidada a fortuna: a humilhação profunda de se ver obrigado a guardar porcos e, pior ainda, de desejar alimentar-se das bolotas que os porcos comiam: a reflexão sobre os bens perdidos: o arrependimento e a decisão de se declarar culpado diante do pai: o caminho do regresso: o acolhimento generoso por parte do pai: a alegria do pai: eis alguns dos aspectos próprios do processo de conversão. O fato novo, o anel e o banquete festivo são símbolos desta vida nova, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta para Deus e para o seio da família que é a Igreja. Só o coração de Cristo, que conhece a profundidade do amor do seu Pai, pôde revelar-nos o abismo da sua misericórdia, de um modo tão cheio de simplicidade e beleza.
Conversionis et poenitentiae motus a Iesu mirabiliter descriptus est in parabola quae « filii prodigi » appellatur, cuius centrum est « pater misericors »:32 fallacis libertatis fascinatio, domus paternae derelictio; extrema miseria in qua filius versatur post sua fortunae dona dilapidata, profunda humiliatio illius qui se obligatum perspicit ad porcos pascendos et, quod peius est, ea cupiendi se siliquis nutriri quas porci manducabant; de bonis amissis meditatio; poenitentia et decisio se culpabilem coram patre declarandi suo; reditus via; generosa acceptio apud patrem; gaudium patris: ibi aliquot lineamenta habentur processus conversionis propria. Pulchra vestis, anulus et epulae festivae quaedam sunt symbola huius vitae novae, purae, dignae, laetitia plenae quae vita est hominis revertentis ad Deum et ad sinum familiae Eius, quae est Ecclesia. Solummodo Christi cor quod profunditates cognoscit amoris Patris Sui, potuit abyssum misericordiae Eius, modo ita simplicitate et pulchritudine pleno, nobis revelare. VI. Sacramentum Poenitentiae et Reconciliationis

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E DA RECONCILIAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacramento da Penitência e da Reconciliação

§ 1440
O pecado é, antes de mais, ofensa a Deus, ruptura da comunhão com Ele. Ao mesmo tempo, é um atentado contra a comunhão com a Igreja. É por isso que a conversão traz consigo, ao mesmo tempo, o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja, o que é expresso e realizado liturgicamente pelo sacramento da Penitência e Reconciliação (33).
Peccatum est primario offensio Dei, abruptio communionis cum Eo. Simul Ecclesiae communioni infert detrimentum. Hac de causa, conversio simul indulgentiam Dei et reconciliationem apportat cum Ecclesia, id quod sacramentum Poenitentiae et Reconciliationis liturgice exprimit et efficit.33Solus Deus peccatum dimittit

SÓ DEUS PERDOA O PECADO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacramento da Penitência e da Reconciliação

§ 1441
Só Deus perdoa os pecados (34). Jesus, porque é Filho de Deus, diz de Si próprio: «O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados» (Mc 2, 10) e exerce este poder divino: «Os teus pecados são-te perdoados!» (Mc 2, 5) (35). Mais ainda: em virtude da sua autoridade divina, concede este poder aos homens para que o exerçam em seu nome.
Solus Deus peccata dimittit.34 Quia Iesus Filius est Dei, dicit de Se Ipso: « Potestatem habet Filius hominis in terra dimittendi peccata » (Mc 2,10) et Ipse hanc divinam exercet potestatem: « Dimittuntur peccata tua » (Mc 2,5).35 Immo: Ipse, virtute Suae auctoritatis divinae, hanc potestatem confert hominibus,36 ut eam in nomine exerceant Eius.
§ 1442
Cristo quis que a sua Igreja fosse, toda ela, na sua oração, na sua vida e na sua actividade, sinal e instrumento do perdão e da reconciliação que Ele nos adquiriu pelo preço do seu sangue. Entretanto, confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico. É este que está encarregado do «ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18). O apóstolo é enviado «em nome de Cristo» e «é o próprio Deus» que, através dele, exorta e suplica: «Deixai-vos reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20).
Christus voluit Suam Ecclesiam totam, in sua oratione, in vita sua et in suis operationibus, signum esse et instrumentum indulgentiae et reconciliationis quas Ipse nobis, Sui sanguinis pretio, acquisivit. Tamen potestatis absolutionis exercitium ministerio concredidit apostolico. Ipsum suscepit « ministerium reconciliationis » (2 Cor 5,18). Apostolus nomine Christi mittitur, et Deus Ipse per illum exhortatur et rogat: « Reconciliamini Deo » (2 Cor 5,20). Reconciliatio cum Ecclesia

RECONCILIAÇÃO COM A IGREJA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacramento da Penitência e da Reconciliação

§ 1443
Durante a sua vida pública. Jesus não somente perdoou os pecados, como também manifestou o efeito desse perdão: reintegrou os pecadores perdoados na comunidade do povo de Deus, da qual o pecado os tinha afastado ou mesmo excluído. Sinal bem claro disso é o facto de Jesus admitir os pecadores à sua mesa, e mais ainda: de se sentar à mesa deles, gesto que exprime ao mesmo tempo, de modo desconcertante, o perdão de Deus (37), e o regresso ao seio do povo de Deus (38).
Iesus, Suae vitae publicae tempore, non solum peccata remisit, sed etiam effectum huius remissionis manifestavit: peccatores quibus remissionem concedebat, in populi Dei iterum redintegravit communitatem, a qua peccatum illos elongaverat vel etiam excluserat. Huius rei signum est conspicuum, Iesum peccatores ad Suam mensam admisisse, immo vero Se eorum mensae accubuisse, qui quidem gestus, modo commoventi, simul exprimit remissionem Dei37 et reditum ad populi Dei sinum.38
§ 1444
Ao tornar os Apóstolos participantes do seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor dá-lhes também autoridade para reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta dimensão eclesial do seu ministério exprime-se, nomeadamente, na palavra solene de Cristo a Simão Pedro: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra ficará ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra ficará desligado nos céus» (Mt 16, 19). «Este mesmo encargo de ligar e desligar, conferido a Pedro, foi também atribuído ao colégio dos Apóstolos unidos à sua cabeça (Mt 18,18; 28, 16-20)» (39).
Dominus, Apostolos Suae propriae potestatis peccata dimittendi participes efficiens, illis etiam auctoritatem donat peccatores reconciliandi cum Ecclesia. Haec ecclesialis ratio muneris illorum speciatim exprimitur in sollemnibus Christi ad Petrum verbis: « Tibi dabo claves Regni caelorum; et quodcumque ligaveris super terram, erit ligatum in caelis, et quodcumque solveris super terram, erit solutum in caelis » (Mt 16,19). « Illud autem ligandi ac solvendi munus, quod Petro datum est, collegio quoque Apostolorum, suo capiti coniuncto, tributum esse constat (cf Mt 18,18; 28,16-20) ».39
§ 1445
As palavras ligar e desligar significam: aquele que vós excluirdes da vossa comunhão, ficará também excluído da comunhão com Deus; aquele que de novo receberdes na vossa comunhão, também Deus o acolherá na sua. A reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus.
Verba ligare et solvere significant: ille, quem vos a vestra excluseritis communione, a communione excludetur cum Deo; Deus eum, quem vos iterum in vestram receperitis communionem, recipiet etiam in Suam. Reconciliatio cum Ecclesia a reconciliatione cum Deo inseparabilis est.Indulgentiae sacramentum

O SACRAMENTO DO PERDÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacramento da Penitência e da Reconciliação

§ 1446
Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores da sua Igreja, antes de mais para aqueles que, depois do Baptismo, caíram em pecado grave e assim perderam a graça baptismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de se converterem e de reencontrarem a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como «a segunda tábua (de salvação), depois do naufrágio que é a perda da graça» (40).
Christus hoc sacramentum Poenitentiae pro omnibus membris Ecclesiae Suae instituit peccatoribus, imprimis pro illis quae, post Baptismum, in peccatum grave ceciderunt et sic gratiam amiserunt baptismalem atque communioni ecclesiali vulnus intulerunt. Hisce sacramentum Poenitentiae novam offert possibilitatem se convertendi et iustificationis gratiam iterum inveniendi. Ecclesiae Patres hoc sacramentum praesentant tamquam salutis « secundam post naufragium deperditae gratiae tabulam ».40
§ 1447
No decorrer dos séculos, a forma concreta segundo a qual a Igreja exerceu este poder recebido do Senhor variou muito. Durante os primeiros séculos, a reconciliação dos cristãos que tinham cometido pecados particularmente graves depois do Baptismo (por exemplo: a idolatria, o homicídio ou o adultério) estava ligada a uma disciplina muito rigorosa, segundo a qual os penitentes tinham de fazer penitência pública pelos seus pecados, muitas vezes durante longos anos, antes de receberem a reconciliação. A esta «ordem dos penitentes» (que apenas dizia respeito a certos pecados graves) só raramente se era admitido e, em certas regiões, apenas uma vez na vida. Durante século VII, inspirados pela tradição monástica do Oriente, os missionários irlandeses trouxeram para a Europa continental a prática «privada» da penitência que não exigia a realização pública e prolongada de obras de penitência, antes de receber a reconciliação com a Igreja. O sacramento processa-se, a partir de então, dum modo mais secreto, entre o penitente e o sacerdote. Esta nova prática previa a possibilidade da repetição e abria assim o caminho a uma frequência regular deste sacramento. Permitia integrar, numa só celebração sacramental, o perdão dos pecados graves e dos pecados veniais. Nas suas grandes linhas, é esta forma de penitência que a Igreja tem praticado até aos nossos dias.
Decursu saeculorum, forma concreta, secundum quam Ecclesia hanc exercuit potestatem a Domino receptam, multum variavit. Per priora saecula, christianorum, qui peccata peculiariter gravia post suum commiserant Baptismum (exempli gratia, idololatriam, homicidium vel adulterium), reconciliatio cum valde stricta coniungebatur disciplina, secundum quam poenitentes pro suis peccatis publicam debebant poenitentiam agere, quandoque per longos annos, antequam reconciliationem reciperent. Ad hunc « poenitentium ordinem » (qui non nisi ad quaedam gravia attinebat peccata) non admittebatur quis nisi raro et, in quibusdam regionibus, semel in vita sua. Durante saeculo VII, missionarii hibernici, qui a traditione monastica inspirabantur orientali, ad Europam continentalem praxim poenitentiae attulerunt « privatam » quae non exigit publicam et protractam effectionem operum poenitentiae ante receptionem reconciliationis cum Ecclesia. Exinde sacramentum, secretiore modo, inter poenitentem conficitur et sacerdotem. Haec nova praxis possibilitatem praevidebat reiterationis et sic viam aperiebat regulari huius sacramenti frequentationi. Illa in una celebratione sacramentali complecti permittebat peccatorum gravium et peccatorum venialium remissionem. In suis magnis lineamentis, haec est Poenitentiae forma quam Ecclesia ad nostros usque dies exsequitur.
§ 1448
Através das mudanças que a disciplina e a celebração deste sacramento têm conhecido no decorrer dos séculos, distingue-se a mesma estrutura fundamental. Esta inclui dois elementos igualmente essenciais: por um lado, os actos do homem que se converte sob a acção do Espírito Santo, a saber, a contrição, a confissão e a satisfação: por outro, a acção de Deus pela intervenção da Igreja. A Igreja que, por meio do bispo e seus presbíteros, concede, em nome de Jesus Cristo, o perdão dos pecados e fixa o modo da satisfação, também reza pelo pecador e faz penitência com ele. Assim, o pecador á curado e restabelecido na comunhão eclesial.
Per has mutationes, quas disciplina et celebratio huius sacramenti saeculorum decursu expertae sunt, eadem perspicitur structura fundamentalis. Ipsa implicat duo elementa pariter essentialia: ex altera parte, actus hominis qui sub Spiritus Sancti actione se convertit: scilicet contritionem, confessionem et satisfactionem; ex altera autem actionem Dei per interventum Ecclesiae. Ecclesia, quae, per Episcopum et eius presbyteros, peccatorum concedit remissionem, in Iesu Christi nomine, et satisfactionis determinat modum, etiam pro peccatore orat et poenitentiam peragit cum eo. Sic peccator sanatur et in communionem ecclesialem restituitur.
§ 1449
A fórmula de absolvição, em uso na Igreja latina, exprime os elementos essenciais deste sacramento: o Pai das misericórdias é a fonte de todo o perdão. Ele realiza a reconciliação dos pecadores pela Páscoa do seu Filho e pelo dom do seu Espírito, através da oração e do ministério da Igreja:

«Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo» (41).

Absolutionis formula, qua Ecclesia latina utitur, elementa huius sacramenti exprimit essentialia: Pater misericordiarum fons est omnis remissionis. Ipse reconciliationem efficit peccatorum per Filii Sui Pascha et per donum Spiritus, per orationem et ministerium Ecclesiae:

« Deus, Pater misericordiarum, qui per mortem et resurrectionem Filii Sui mundum Sibi reconciliavit et Spiritum Sanctum effudit in remissionem peccatorum, per ministerium Ecclesiae indulgentiam tibi tribuat et pacem. Et ego te absolvo a peccatis tuis in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti ».41

O SACRAMENTO DO PERDÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os actos do penitente

§ 1450
«Poenitentia cogit peccatorem omnia libenter sufferre; in corde eius contritio, in ore confessio, in opere tota humilitas vel fructifera satisfactio – A penitência leva o pecador a tudo suportar de bom grado: no coração, a contrição; na boca, a confissão; nas obras, toda a humildade e frutuosa satisfação» (42).
« Poenitentia cogit peccatorem omnia libenter sufferre; in corde eius contritio, in ore confessio, in opere tota humilitas vel fructifera satisfactio ».42 Contritio

A CONTRIÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os actos do penitente

§ 1451
Entre os actos do penitente, a contrição ocupa o primeiro lugar. Ela é «uma dor da alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não mais pecar no futuro» (43).
Inter actus poenitentis, primum locum habet contritio. Ipsa « animi dolor ac detestatio est de peccato commisso, cum proposito non peccandi de cetero ».43
§ 1452
Quando procedente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, a contrição é dita «perfeita» (contrição de caridade). Uma tal contrição perdoa as faltas veniais: obtém igualmente o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental (44).
Contritio cum ex amore provenit Dei super omnia amati, « perfecta » appellatur (caritatis contritio). Talis contritio veniales remittit defectus; etiam veniam obtinet peccatorum mortalium, si firmum implicat propositum ad confessionem sacramentalem recurrendi quam primum possibile sit.44
§ 1453
A contrição dita «imperfeita» (ou «atrição») é, também ela, um dom de Deus, um impulso do Espírito Santo. Nasce da consideração da fealdade do pecado ou do temor da condenação eterna e das outras penas de que o pecador está ameaçado (contrição por temor). Um tal abalo da consciência pode dar início a uma evolução interior, que será levada a bom termo sob a acção da graça, pela absolvição sacramental. No entanto, por si mesma, a contrição imperfeita não obtém o perdão dos pecados graves, mas dispõe para obtê-lo no sacramento da Penitência (45).
Contritio quae dicitur « imperfecta » (seu « attritio »), est, et ipsa, donum Dei, Spiritus Sancti impulsio. E consideratione oritur foeditatis peccati vel ex timore damnationis aeternae et aliarum poenarum quae peccatori minantur (contritio ex timore). Talis commotio conscientiae interiorem incipere potest evolutionem quae sub actione gratiae per absolutionem perficietur sacramentalem. Per se ipsam tamen contritio imperfecta veniam peccatorum gravium non obtinet, sed disponit ad eam obtinendam in Poenitentiae sacramento.45
§ 1454
É conveniente que a recepção deste sacramento seja preparada por um exame de consciência, feito à luz da Palavra de Deus. Os textos mais adaptados para este efeito devem procurar-se no Decálogo e na catequese moral dos evangelhos e das cartas dos Apóstolos: sermão da montanha e ensinamentos apostólicos (46).
Oportet huius sacramenti receptionem per examen conscientiae factum sub lumine Verbi Dei praeparare. Aptissimi textus ad hoc sunt in Decalogo quaerendi atque in Evangeliorum et Epistularum apostolicarum morali catechesi: in sermone montano, in apostolicis doctrinis.46 Peccatorum confessio

A CONFISSÃO DOS PECADOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os actos do penitente

§ 1455
A confissão (a acusação) dos pecados, mesmo de um ponto de vista simplesmente humano, liberta-nos e facilita a nossa reconciliação com os outros. Pela confissão, o homem encara de frente os pecados de que se tornou culpado; assume a sua responsabilidade e, desse modo, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, para tornar possível um futuro diferente.
Peccatorum confessio (accusatio), etiam ex quadam mere humana consideratione, nos liberat et nostram cum aliis reconciliationem efficit faciliorem. Per confessionem homo peccata directe respicit, quorum ipse culpabilis est effectus; eorum assumit responsabilitatem atque adeo iterum aperitur Deo et Ecclesiae communioni ad novum futurum possibile efficiendum.
§ 1456
A confissão ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da Penitência: «Os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de que têm consciência, após se terem seriamente examinado, mesmo que tais pecados sejam secretíssimos e tenham sido cometidos apenas contra os dois últimos preceitos do Decálogo (47); porque, por vezes, estes pecados ferem mais gravemente a alma e são mais perigosos que os cometidos à vista de todos» (48):

«Quando os fiéis se esforçam por confessar todos os pecados de que se lembram, não se pode duvidar de que os apresentam todos ao perdão da misericórdia divina. Os que procedem de modo diverso, e conscientemente ocultam alguns, esses não apresentam à bondade divina nada que ela possa perdoar por intermédio do sacerdote. Porque, "se o doente tem vergonha de descobrir a sua ferida ao médico, a medicina não pode curar o que ignora"» (49).

Confessio sacerdoti partem constituit essentialem sacramenti Poenitentiae: Oportet « a paenitentibus omnia peccata mortalia, quorum post diligentem sui discussionem conscientiam habent, in confessione recenseri, etiamsi occultissima illa sint et tantum adversus duo ultima Decalogi praecepta commissa,47 quae nonnumquam animum gravius sauciant, et periculosiora sunt iis, quae in manifesto admittuntur »:48

« Dum omnia, quae memoriae occurrunt, peccata Christi fideles confiteri student, procul dubio omnia divinae misericordiae ignoscenda exponunt. Qui vero secus faciunt et scienter aliqua retinent, nihil divinae bonitati per sacerdotem remittendum proponunt. "Si enim erubescat aegrotus vulnus medico detegere, quod ignorat medicina non curat" ».49

§ 1457
Segundo o mandamento da Igreja, «todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição, está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano» (50). Aquele que tem consciência de haver cometido um pecado mortal, não deve receber a sagrada Comunhão, mesmo que tenha uma grande contrição, sem ter previamente recebido a absolvição sacramental (51); a não ser que tenha um motivo grave para comungar e não lhe seja possível encontrar-se com um confessor (52). As crianças devem aceder ao sacramento da Penitência antes de receberem pela primeira vez a Sagrada Comunhão (53).
Iuxta Ecclesiae praeceptum, « omnis fidelis, postquam ad annos discretionis pervenerit, obligatione tenetur peccata sua gravia, saltem semel in anno, fideliter confitendi ».50 Qui conscientiam habet de peccato mortali a se commisso, sanctam Communionem recipere non debet, etiamsi magnam experiatur contritionem, quin prius absolutionem acceperit sacramentalem,51 nisi motivum grave adsit ad Communionem suscipiendam et possibile non sit ad confessarium accedere.52 Pueri ad Poenitentiae sacramentum debent accedere ante quam primam sanctam recipiant Communionem.53
§ 1458
Sem ser estritamente necessária, a confissão das faltas quotidianas (pecados veniais) é contudo vivamente recomendada pela Igreja. (54) Com efeito, a confissão regular dos nossos pecados veniais ajuda-nos a formar a nossa consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixarmo-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo com maior frequência, neste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele (55):

«Aquele que confessa os seus pecados e os acusa, já está de acordo com Deus. Deus acusa os teus pecados; se tu também os acusas, juntas-te a Deus. O homem e o pecador são, por assim dizer, duas realidades distintas. Quando ouves falar do homem, foi Deus que o criou: quando ouves falar do pecador, foi o próprio homem quem o fez. Destrói o que fizeste, para que Deus salve o que fez. [...] Quando começas a detestar o que fizeste, é então que começam as tuas boas obras, porque acusas as tuas obras más. O princípio das obras boas é a confissão das más. Praticaste a verdade e vens à luz» (56).

Confessio defectuum quotidianorum (peccatorum venialium), quin stricte sit necessaria, enixe ab Ecclesia commendatur.54 Revera regularis nostrorum peccatorum venialium confessio nos adiuvat ad nostram efformandam conscientiam, ad pugnandum contra nostras malas tendentias, ad permittendum ut Christus nos sanet, ad progrediendum in vita Spiritus. Donum misericordiae Patris frequentius per hoc sacramentum accipientes, impellimur ut misericordes simus sicut Ipse.55

« Qui confitetur peccata sua, et accusat peccata sua, iam cum Deo facit. Accusat Deus peccata tua; si et tu accusas, coniungeris Deo. Quasi duae res sunt, homo et peccator. Quod audis homo, Deus fecit; quod audis peccator, ipse homo fecit. Dele quod fecisti, ut Deus salvet quod fecit. [...] Cum autem coeperit tibi displicere quod fecisti, inde incipiunt bona opera tua, quia accusas mala opera tua. Initium operum bonorum, confessio est operum malorum. Facis veritatem et venis ad Lucem ».56

« Qui confitetur peccata sua, et accusat peccata sua, iam cum Deo facit. Accusat Deus peccata tua; si et tu accusas, coniungeris Deo. Quasi duae res sunt, homo et peccator. Quod audis homo, Deus fecit; quod audis peccator, ipse homo fecit. Dele quod fecisti, ut Deus salvet quod fecit. [...] Cum autem coeperit tibi displicere quod fecisti, inde incipiunt bona opera tua, quia accusas mala opera tua. Initium operum bonorum, confessio est operum malorum. Facis veritatem et venis ad Lucem ».56Satisfactio

A SATISFAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os actos do penitente

§ 1459
Muitos pecados prejudicam o próximo. Há que fazer o possível por reparar esse dano (por exemplo: restituir as coisas roubadas, restabelecer a boa reputação daquele que foi caluniado, indemnizar por ferimentos). A simples justiça o exige. Mas, além disso, o pecado fere e enfraquece o próprio pecador, assim como as suas relações com Deus e com o próximo. A absolvição tira o pecado, mas não remedeia todas as desordens causadas pelo pecado (57). Aliviado do pecado, o pecador deve ainda recuperar a perfeita saúde espiritual. Ele deve, pois, fazer mais alguma coisa para reparar os seus pecados: «satisfazer» de modo apropriado ou «expiar» os seus pecados. A esta satisfação também se chama «penitência».
Multa peccata malum inferunt proximo. Oportet facere quidquid possibile est, ad id reparandum (exempli gratia, res restituere furto sublatas, famam restabilire illius quem sumus calumniati, compensare vulnera). Mera iustitia hoc exigit. Sed ulterius peccatum peccatorem ipsum vulnerat et debilitat, sicut etiam eius relationes cum Deo et cum proximo. Absolutio peccatum tollit, sed omnibus inordinationibus a peccato causatis remedium non affert.57 A peccato liberatus, peccator debet adhuc plenam salutem spiritualem recuperare. Debet igitur aliquid amplius facere ad sua peccata reparanda: debet « satisfacere » modo convenienti vel peccata sua « expiare ». Haec satisfactio vocatur etiam « poenitentia ».
§ 1460
A penitência que o confessor impõe deve ter em conta a situação pessoal do penitente e procurar o seu bem espiritual. Deve corresponder, quanto possível, à gravidade e natureza dos pecados cometidos. Pode consistir na oração, num donativo, nas obras de misericórdia, no serviço do próximo, em privações voluntárias, sacrifícios e, sobretudo, na aceitação paciente da cruz que temos de levar. Tais penitências ajudam-nos a configurar-nos com Cristo, que, por Si só, expiou os nossos pecados (58) uma vez por todas. Tais penitências fazem que nos tornemos co-herdeiros de Cristo Ressuscitado, «uma vez que também sofremos com Ele» (Rm 8, 17) (59):

«Mas esta satisfação, que realizamos pelos nossos pecados, não é possível senão por Jesus Cristo: nós que, por nós próprios, nada podemos, com a ajuda "d'Aquele que nos conforta, podemos tudo" (60). Assim, o homem não tem nada de que se gloriar. Toda a nossa «glória» está em Cristo [...] em quem nós satisfazemos, "produzindo dignos frutos de penitência" (61), os quais vão haurir n'Ele toda a sua força, por Ele são oferecidos ao Pai, e graças a Ele são aceites pelo Pai» (62).

Poenitentia, quam confessarius imponit, rationem habere debet personalis status poenitentis eiusque bonum quaerere spirituale. In quantum possibile est, gravitati et naturae peccatorum commissorum oportet ut correspondeat. Consistere potest in oratione, in quadam oblatione, in operibus misericordiae, in servitio proximi, in privationibus voluntariis, in sacrificiis, et praecipue in patienti crucis acceptatione quam ferre debemus. Tales poenitentiae nos adiuvant ut Christo configuremur qui solus nostra expiavit peccata58 semel pro semper. Eaedem nobis permittunt coheredes fieri Christi resuscitati quia Ipsi « compatimur » (Rom 8 17):59

« Neque vero ita nostra est satisfactio haec, quam pro peccatis nostris exsolvimus, ut non sit per Christum Iesum; nam qui ex nobis tamquam ex nobis nihil possumus, Eo cooperante, "qui nos confortat, omnia possumus".60 Ita non habet homo, unde glorietur; sed omnis gloriatio nostra in Christo est, [...] in quo satisfacimus, "facientes fructus dignos paenitentiae",61 qui ex Illo vim habent, ab Illo offeruntur Patri, et per Illum acceptantur a Patre ».62

A SATISFAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O ministro deste sacramento

§ 1461
Uma vez que Cristo confiou aos Apóstolos o ministério da reconciliação (63) os bispos, seus sucessores, e os presbíteros, colaboradores dos bispos, continuam a exercer tal ministério. Com efeito, os bispos e os presbíteros é que têm, em virtude do sacramento da Ordem, o poder de perdoar todos os pecados, «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».
Quia Christus ministerium Reconciliationis Suis concredidit Apostolis,63 Episcopi, eorum successores, et presbyteri, Episcoporum collaboratores, hoc ministerium exercere pergunt. Re vera, Episcopi et presbyteri, virtute sacramenti Ordinis, potestatem habent omnia remittendi peccata « in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti ».
§ 1462
O perdão dos pecados reconcilia com Deus mas também com a Igreja. O bispo, chefe visível da Igreja particular, é justamente considerado, desde os tempos antigos, como o principal detentor do poder e ministério da reconciliação: é o moderador da disciplina penitencial (64). Os presbíteros, seus colaboradores, exercem-no na medida em que receberam o respectivo encargo, quer do seu bispo (ou dum superior religioso), quer do Papa, através do direito da Igreja (65).
Peccatorum absolutio reconciliat cum Deo, sed etiam cum Ecclesia. Episcopus igitur, Ecclesiae particularis visibile caput, inde a temporibus antiquis, iusta ratione consideratur sicut ille qui principaliter reconciliationis habet potestatem et ministerium: ipse est disciplinae poenitentialis moderator.64 Presbyteri, eius collaboratores, id exercent in ea mensura in qua facultatem receperint sive ab Episcopo suo (vel a superiore religioso) sive a Romano Pontifice per Ecclesiae ius.65
§ 1463
Certos pecados particularmente graves são punidos pela excomunhão, a pena eclesiástica mais severa, que impede a recepção dos sacramentos e o exercício de certos actos eclesiásticos (66) e cuja absolvição, por conseguinte, só pode ser dada, segundo o direito da Igreja, pelo Papa, pelo bispo do lugar ou por sacerdotes por eles autorizados (67). Em caso de perigo de morte, qualquer sacerdote, mesmo que careça da faculdade de ouvir confissões, pode absolver de qualquer pecado e de toda a excomunhão (68).
Quaedam peccata speciatim gravia plectuntur excommunicatione, poena ecclesiastica omnium severissima, quae sacramentorum impedit receptionem et quorumdam actuum ecclesiasticorum exercitium,66 et cuius absolutio consequenter non potest concedi, secundum Ecclesiae ius, nisi a Romano Pontifice, ab Episcopo loci vel a sacerdotibus quibus ipsi auctoritatem contulerint.67 In casu periculi mortis, quilibet sacerdos, etiam facultate ad audiendas confessiones carens, ab omni peccato absolvere potest atque ab omni excommunicatione.68
§ 1464
Os sacerdotes devem exortar os fiéis a aproximarem-se do sacramento da Penitência; e devem mostrar-se disponíveis para a celebração deste sacramento, sempre que os cristãos o peçam de modo razoável (69).
Sacerdotes debent fideles hortari ut ad Poenitentiae accedant sacramentum et debent se paratos ostendere ad hoc sacramentum celebrandum quoties christiani illud rationabiliter petant.69
§ 1465
Ao celebrar o sacramento da Penitência, o sacerdote exerce o ministério do bom Pastor que procura a ovelha perdida: do bom Samaritano que cura as feridas; do Pai que espera pelo filho pródigo e o acolhe no seu regresso; do justo juiz que não faz acepção de pessoas e cujo juízo é, ao mesmo tempo, justo e misericordioso. Em resumo, o sacerdote é sinal e instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador.
Sacerdos, sacramentum celebrans Poenitentiae, ministerium adimplet boni Pastoris qui perditam quaerit ovem, illud boni Samaritani qui vulnera curat, Patris qui filium exspectat prodigum et eum accipit in eius reditu, iusti iudicis qui personarum non facit acceptionem et cuius iudicium simul iustum est et misericors. Uno verbo, sacerdos signum est et instrumentum amoris misericordis Dei erga peccatorem.
§ 1466
O confessor não é dono, mas servidor do perdão de Deus. O ministro deste sacramento deve unir-se à intenção e à caridade de Cristo (70). Deve ter um conhecimento comprovado do comportamento cristão, experiência das coisas humanas, respeito e delicadeza para com aquele que caiu; deve amar a verdade, ser fiel ao Magistério da Igreja, e conduzir o penitente com paciência para a cura e a maturidade plena. Deve rezar e fazer penitência por ele, confiando-o à misericórdia do Senhor.
Confessarius dominus non est, sed minister veniae Dei. Minister huius sacramenti cum intentione et caritate Christi se coniungere debet.70 Cognitionem christianorum morum habere debet probatam, rerum humanarum experientiam, respectum et suavitatem erga illum qui cecidit; veritatem debet amare, Ecclesiae Magisterio esse fidelem et patienter poenitentem ducere ad sanationem et plenam maturitatem. Orare debet atque poenitentiam agere pro eo, eumdem Domini concredens misericordiae.
§ 1467
Dada a delicadeza e a grandeza deste ministério e o respeito devido às pessoas, a igreja declara que todo o sacerdote que ouve confissões está obrigado a guardar segredo absoluto sobre os pecados que os seus penitentes lhe confessaram, sob penas severíssimas (71). Tão pouco pode servir-se dos conhecimentos que a confissão lhe proporciona sobre a vida dos penitentes. Este segredo, que não admite excepções, é chamado «sigilo sacramental», porque aquilo que o penitente manifestou ao sacerdote fica «selado» pelo sacramento.
Perspectis sanctimonia et magnitudine huius ministerii et observantia personis debita, Ecclesia declarat omnes sacerdotes qui confessiones audiunt, obligatos esse ad secretum absolutum relate ad peccata quae eorum poenitentes illis sint confessi, sub poenis severissimis.71 Neque possunt usum facere cognitionum quas illis confessio praebuerit circa poenitentium vitam. Hoc secretum, quod exceptiones non admittit, « sigillum sacramentale » appellatur, quia id quod poenitens sacerdoti manifestavit, manet a sacramento « sigillatum ».IX. Effectus huius sacramenti

A SATISFAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os efeitos deste sacramento

§ 1468
«Toda a eficácia da Penitência consiste em nos restituir à graça de Deus e em unir-nos a Ele numa amizade perfeita» (72). O fim e o efeito deste sacramento são, pois, a reconciliação com Deus. Naqueles que recebem o sacramento da Penitência com coração contrito e disposição religiosa, seguem-se-lhe «a paz e a tranquilidade da consciência, acompanhadas duma grande consolação espiritual» (73). Com efeito, o sacramento da reconciliação com Deus leva a uma verdadeira «ressurreição espiritual», à restituição da dignidade e dos bens próprios da vida dos filhos de Deus, o mais precioso dos quais é a amizade do mesmo Deus (74).
« Poenitentiae itaque omnis in eo vis est, ut nos in Dei gratiam restituat, cum Eoque summa amicitia coniungat ».72 Scopus igitur et effectus huius sacramenti est reconciliatio cum Deo. In illis qui Poenitentiae sacramentum accipiunt cum corde contrito et dispositione religiosa, « conscientiae pax ac serenitas cum vehementi spiritus consolatione consequi solet ».73 Revera sacramentum Reconciliationis cum Deo veram « resurrectionem spiritualem » affert, restitutionem dignitatis et bonorum vitae filiorum Dei, quorum pretiosissimum est Dei amicitia.74
§ 1469
Este sacramento reconcilia-nos com a Igreja. O pecado abala ou rompe a comunhão fraterna. O sacramento da Penitência repara-a ou restaura-a. Nesse sentido, não se limita apenas a curar aquele que é restabelecido na comunhão eclesial, mas também exerce um efeito vivificante sobre a vida da Igreja que sofreu com o pecado de um dos seus membros (75). Restabelecido ou confirmado na comunhão dos santos, o pecador é fortalecido pela permuta de bens espirituais entre todos os membros vivos do corpo de Cristo, quer vivam ainda em estado de peregrinos, quer já tenham atingido a pátria celeste (76):

«É de lembrar que a reconciliação com Deus tem como consequência, por assim dizer, outras reconciliações, que trarão remédio a outras rupturas produzidas pelo pecado: o penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no mais profundo do seu ser, onde recupera a própria verdade interior: reconcilia-se com os irmãos, que de algum modo ofendeu e magoou: reconcilia-se com a Igreja; reconcilia-se com toda a criação» (77).

Hoc sacramentum nos cum Ecclesia reconciliat. Peccatum communionem fraternam attenuat vel frangit. Poenitentiae sacramentum illam reparat vel restaurat. Hoc sensu, non solum sanat eum qui in communionem restituitur ecclesialem, sed effectum etiam habet vivificantem super vitam Ecclesiae, quae peccatum unius e suis membris passa est.75 Peccator, in communione sanctorum restitutus vel confirmatus, per bonorum spiritualium roboratur communicationem quae inter omnia viva corporis Christi habetur membra, sive adhuc in peregrinationis sint statu sive iam sint in patria coelesti.76

« Necesse tamen est addere eiusmodi reconciliationem cum Deo quasi alias reconciliationes progignere, quae totidem aliis medeantur discidiis peccato effectis: paenitens, cui venia datur, reconciliat se sibi in intima parte eius quod est ipse, ubi veritatem suam interiorem recuperat; reconciliatur fratribus ab eo aliqua ratione offensis et laesis; reconciliatur Ecclesiae; reconciliatur universae creaturae ».77

§ 1470
Neste sacramento, o pecador, remetendo-se ao juízo misericordioso de Deus, de certo modo antecipa o julgamento a que será submetido no fim desta vida terrena. É aqui e agora, nesta vida, que nos é oferecida a opção entre a vida e a morte. Só pelo caminho da conversão é que podemos entrar no Reino de onde o pecado grave nos exclui? (78). Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé, o pecador passa da morte à vida «e não é sujeito a julgamento» (Jo 5, 24).
In hoc sacramento, peccator, se misericordi Dei tradens iudicio, quodammodo anticipat iudicium cui submittetur in huius vitae terrestris fine. Etenim nunc, in hac vita, nobis electio offertur inter vitam et mortem, et non nisi per viam conversionis possumus intrare in Regnum Dei a quo grave excludit peccatum.78 Peccator, se Christo per poenitentiam et fidem convertens, a morte transit ad vitam « et in iudicium non venit » (Io 5,24).X. Indulgentiae

A SATISFAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

As indulgências

§ 1471
A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do sacramento da Penitência.
Doctrina et praxis indulgentiarum in Ecclesia arcte cum effectibus coniunguntur sacramenti Poenitentiae. Quid sunt indulgentiae?« Indulgentia est remissio coram Deo poenae temporalis pro peccatis, ad culpam quod attinet iam deletis, quam christifidelis, apte dispositus et certis ac definitis condicionibus, consequitur ope Ecclesiae quae, ut ministra Redemptionis, thesaurum satisfactionum Christi et sanctorum auctoritative dispensat et applicat ».79 « Indulgentia est partialis vel plenaria prout a poena temporali pro peccatis debita liberat ex parte aut ex toto ».80 « Quivis fidelis potest indulgentias [...] sibi ipsi lucrari, aut defunctis applicare ».81Poenae peccati

AS PENAS DO PECADO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

As indulgências

§ 1472
Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, deve ter-se presente que o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, portanto, torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama «pena eterna» do pecado. Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama Purgatório. Esta purificação liberta do que se chama «pena temporal» do pecado. Estas duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado. Uma conversão procedente duma caridade fervorosa pode chegar à total purificação do pecador, de modo que nenhuma pena subsista (82).
Ad hanc doctrinam et hanc praxim Ecclesiae intelligendas, oportet perspicere peccatum duplicem consequentiam habere. Peccatum grave nos communione privat cum Deo, et ideo nos incapaces reddit vitae aeternae, cuius privatio « poena aeterna » peccati appellatur. Ex alia parte, quodlibet peccatum, etiam veniale, morbidam ad creaturas secumfert affectionem, quae purificatione eget sive his in terris sive post mortem, in statu qui appellatur purgatorium. Haec purificatio liberat ab eo quod « poena temporalis » peccati appellatur. Hae duae poenae concipi non debent quasi vindicta quaedam a Deo ab extrinseco inflicta, sed potius quasi ex ipsa peccati natura profluentes. Conversio ex ferventi procedens caritate potest usque ad totalem peccatoris purificationem pervenire ita ut nulla poena subsistat.82
§ 1473
O perdão do pecado e o restabelecimento da comunhão com Deus trazem consigo a abolição das penas eternas do pecado. Mas subsistem as penas temporais. O cristão deve esforçar-se por aceitar, como uma graça, estas penas temporais do pecado, suportando pacientemente os sofrimentos e as provações de toda a espécie e, chegada a hora, enfrentando serenamente a morte: deve aplicar-se, através de obras de misericórdia e de caridade, bem como pela oração e pelas diferentes práticas da penitência, a despojar-se completamente do «homem velho» e a revestir-se do «homem novo» (83).
Venia peccati et restauratio communionis cum Deo remissionem aeternarum poenarum peccati secumferunt. Sed poenae peccati permanent temporales. Christianus, passiones et probationes omnis generis patienter tolerans et, cum advenerit dies, mortem sereno respiciens animo, niti debet ut has peccati temporales poenas accipiat tamquam gratiam; per opera misericordiae et caritatis atque etiam per orationem et diversa poenitentiae exercitia, incumbere debet ad « veterem hominem » plene exuendum et ad « novum hominem » superinduendum.83 In sanctorum communione

NA COMUNHÃO DOS SANTOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

As indulgências

§ 1474
O cristão que procura purificar-se do seu pecado e santificar-se com a ajuda da graça de Deus, não se encontra só. «A vida de cada um dos filhos de Deus está ligada de modo admirável, em Cristo e por Cristo, à vida de todos os outros irmãos cristãos, na unidade sobrenatural do corpo Místico de Cristo, como que numa pessoa mística» (84).
Christianus qui conatur se a peccato purificare suo et se cum gratiae Dei adiutorio sanctificare, solus non invenitur. « Vita singulorum filiorum Dei in Christo et per Christum cum vita omnium fratrum christianorum mirabili nexu coniungitur in supernaturali unitate corporis mystici Christi, quasi in una mystica persona ».84
§ 1475
Na comunhão dos santos, «existe, portanto, entre os fiéis – os que já estão na pátria celeste, os que foram admitidos à expiação do Purgatório, e os que vivem ainda peregrinos na terra – um constante laço de amor e uma abundante permuta de todos os bens» (85). Nesta admirável permuta, a santidade de um aproveita aos demais, muito para além do dano que o pecado de um tenha podido causar aos outros. Assim, o recurso à comunhão dos santos permite ao pecador contrito ser purificado mais depressa e mais eficazmente das penas do pecado.
In sanctorum communione « inter fideles, vel caelesti patria potitos, vel admissa in purgatorio expiantes, vel adhuc in terra peregrinantes, profecto est perenne caritatis vinculum et bonorum omnium abundans permutatio ».85 In hac permutatione admirabili, sanctitas unius multo magis proficit ceteris quam damnum quod unius peccatum potuit ceteris causare. Sic recursus ad sanctorum communionem contrito permittit peccatori se citius et efficacius a poenis peccati purificari.
§ 1476
A estes bens espirituais da comunhão dos santos, também lhes chamamos o tesouro da Igreja, «que não é um somatório de bens, como quando se trata das riquezas materiais acumuladas no decurso dos séculos, mas sim o preço infinito e inesgotável que têm junto de Deus as expiações e méritos de Cristo, nosso Senhor, oferecidos para que a humanidade seja liberta do pecado e chegue à comunhão com o Pai. É em Cristo, nosso Redentor, que se encontram em abundância as satisfações e os méritos da sua redenção (86)».
Haec spiritualia communionis sanctorum bona etiam Ecclesiae thesaurum appellamus, « qui quidem non est quasi summa bonorum ad instar materialium divitiarum, quae per saecula cumulantur, sed est infinitum et inexhaustum pretium, quod apud Deum habent expiationes et merita Christi Domini, oblata ut humanitas tota a peccato liberetur et ad communionem cum Patre perveniat; est Ipse Christus Redemptor, in quo sunt et vigent satisfactiones et merita Redemptionis Eius ».86
§ 1477
«Pertencem igualmente a este tesouro o preço verdadeiramente imenso, incomensurável e sempre novo que têm junto de Deus as orações e boas obras da bem‑aventurada Virgem Maria e de todos os santos, que se santificaram pela graça de Cristo, seguindo as suas pegadas, e que realizaram uma obra agradável ao Pai; de modo que, trabalhando pela sua própria salvação, igualmente cooperaram na salvação dos seus irmãos na unidade do corpo Místico» (87).
« Praeterea ad hunc thesaurum pertinet etiam pretium vere immensum et incommensurabile et semper novum, quod coram Deo habent orationes ac bona opera beatae Mariae Virginis et omnium sanctorum, qui, Christi Domini per Ipsius gratiam vestigia secuti, semetipsos sanctificaverunt, et perfecerunt opus a Patre acceptum; ita ut, propriam salutem operantes, etiam ad salutem fratrum suorum in unitate corporis mystici contulerint ».87Indulgentiam Dei per Ecclesiam obtinere

OBTER A INDULGÊNCIA DE DEUS MEDIANTE A IGREJA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

As indulgências

§ 1478
A indulgência obtém-se mediante a Igreja que, em virtude do poder de ligar e desligar que lhe foi concedido por Jesus Cristo, intervém a favor dum cristão e lhe abre o tesouro dos méritos de Cristo e dos santos, para obter do Pai das misericórdias o perdão das penas temporais devidas pelos seus pecados. É assim que a Igreja não quer somente vir em ajuda deste cristão, mas também incitá-lo a obras de piedade, penitência e caridade» (88).
Indulgentia per Ecclesiam obtinetur, quae propter potestatem ligandi et solvendi quae illi a Iesu Christo concessa est, in favorem intervenit alicuius christiani eique thesaurum aperit meritorum Christi et sanctorum ad obtinendam a misericordiarum Patre remissionem poenarum temporalium quas eius peccata merentur. Sic Ecclesia non solum in adiutorium huius christiani vult venire, sed eum etiam ad opera pietatis, poenitentiae et caritatis excitare.88
§ 1479
Uma vez que os fiéis defuntos, em vias de purificação, também são membros da mesma comunhão dos santos, nós podemos ajudá-los, entre outros modos, obtendo para eles indulgências, de modo que sejam libertos das penas temporais devidas pelos seus pecados.
Quia fideles in purificationis via defuncti membra sunt etiam eiusdem sanctorum communionis, eos possumus adiuvare, inter alia, indulgentias pro eis acquirendo, ita ut a poenis temporalibus debitis pro suis peccatis solvantur. XI. Celebratio sacramenti Poenitentiae

OBTER A INDULGÊNCIA DE DEUS MEDIANTE A IGREJA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A celebração do sacramento da Penitência

§ 1480
Tal como todos os sacramentos, a Penitência é uma acção litúrgica. Ordinariamente, os elementos da sua celebração são os seguintes: saudação e bênção do sacerdote, leitura da Palavra de Deus para iluminar a consciência e suscitar a contrição e exortação ao arrependimento: a confissão que reconhece os pecados e os manifesta ao sacerdote; a imposição e aceitação da penitência; a absolvição do sacerdote; o louvor de acção de graças e a despedida com a bênção do sacerdote.
Poenitentia, sicut omnia sacramenta, actio est liturgica. Haec sunt ordinario elementa celebrationis: salutatio et benedictio sacerdotis, lectio Verbi Dei ad conscientiam illuminandam et contritionem suscitandam, et hortatio ad poenitentiam; confessio quae peccata agnoscit et sacerdoti manifestat; poenitentiae impositio et acceptatio; absolutio sacerdotis; laus actionis gratiarum et dimissio cum sacerdotis benedictione.
§ 1481
A liturgia bizantina tem várias fórmulas de absolvição, em forma deprecativa, que exprimem admiravelmente o mistério do perdão: «Deus, que pelo profeta Natan perdoou a David, quando ele confessou os seus próprios pecados, a Pedro depois de ele ter chorado amargamente, à pecadora depois de ela ter derramado lágrimas a seus pés, ao publicano e ao pródigo, este mesmo Deus vos perdoe, por intermédio de mim pecador, nesta vida e na outra, e vos faça comparecer, sem vos condenar no seu temível tribunal: Ele que é bendito pelos séculos dos séculos. Ámen» (89).
Liturgia Byzantina plures absolutionis cognoscit formulas, in forma deprecativa, quae mirabiliter mysterium exprimunt veniae: « Deus, qui per prophetam Nathan indulsit David, cum ipse sua propria peccata confessus est, et Petro cum amare flevit, et peccatrici cum suas lacrimas super pedes Eius effudit, et publicano et prodigo, Idem Deus vobis indulgeat, per me, peccatorem, in hac vita et in altera, et quin vos condemnet, faciat vos ante Eius tribunal manifestari terribile. Qui est benedictus in saecula saeculorum. Amen ».89
§ 1482
O sacramento da Penitência pode também ter lugar no âmbito duma celebração comunitária, na qual se faz uma preparação conjunta para a confissão e conjuntamente se dão graças pelo perdão recebido. Neste caso, a confissão pessoal dos pecados e a absolvição individual são inseridas numa liturgia da Palavra de Deus, com leituras e homilia, exame de consciência feito em comum, pedido comunitário de perdão, oração do Pai Nosso e acção de graças em comum. Esta celebração comunitária exprime mais claramente o carácter eclesial da penitência. No entanto, seja qual for a forma da sua celebração, o sacramento da Penitência é sempre, por sua própria natureza, uma acção litúrgica, portanto eclesial e pública (90).
Sacramentum Poenitentiae potest etiam confici intra celebrationem communitariam, in qua poenitentes simul ad confessionem praeparantur et simul gratias agunt de venia recepta. Hic confessio peccatorum personalis et absolutio individualis in liturgiam verbi Dei inseruntur cum lectionibus et homilia, examine conscientiae ducto in communi, imploratione veniae communitaria, oratione « Pater noster » et gratiarum actione in communi. Haec celebratio communitaria clarius exprimit ecclesialem poenitentiae indolem. Sacramentum Poenitentiae, quicumque est celebrationis eius modus, semper est, sua ipsa natura, actio liturgica, ideoque ecclesialis et publica.90
§ 1483
Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação, com confissão geral e absolvição geral. Tal necessidade grave pode ocorrer quando há perigo iminente de morte, sem que o sacerdote ou os sacerdotes tenham tempo suficiente para ouvir a confissão de cada penitente. A necessidade grave pode existir também quando, tendo em conta o número dos penitentes, não há confessores bastantes para ouvir devidamente as confissões individuais num tempo razoável, de modo que os penitentes, sem culpa sua, se vejam privados, durante muito tempo, da graça sacramental ou da sagrada Comunhão. Neste caso, para a validade da absolvição, os fiéis devem ter o propósito de confessar individualmente os seus pecados graves em tempo oportuno (91). Pertence ao bispo diocesano julgar se as condições requeridas para a absolvição geral existem (92). Uma grande afluência de fiéis, por ocasião de grandes festas ou de peregrinações, não constitui um desses casos de grave necessidade (93).
In casibus gravis necessitatis potest recursus fieri ad celebrationem communitariam Reconciliationis cum confessione generali et absolutione generali. Talis necessitas gravis contingere potest, cum imminens mortis habetur periculum quin sacerdos vel sacerdotes tempus habeant sufficiens ad audiendam confessionem uniuscuiusque poenitentis. Necessitas gravis potest etiam exsistere cum, ratione habita numeri poenitentium, sufficientes non adsunt confessarii ad confessiones individuales intra rationabile tempus debite audiendas, ita ut poenitentes, sine culpa sua, privati gratia sacramentali vel sancta Communione, longo tempore, permanerent. In tali casu, pro absolutionis validitate, fideles propositum habere debent individualiter sua gravia peccata confitendi debito tempore.91 Episcopi dioecesani est iudicare utrum condiciones pro absolutione generali requisitae exsistant.92 Magnus fidelium concursus occasione magnarum festivitatum vel peregrinationum casus talis gravis necessitatis non constituit.93
§ 1484
«A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja: somente a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão» (94). Há razões profundas para que assim seja. Cristo age em cada um dos sacramentos. Ele dirige-Se pessoalmente a cada um dos pecadores: «Meu filho, os teus pecados são-te perdoados» (Mc 2, 5); Ele é o médico que Se inclina sobre cada um dos doentes com necessidade d'Ele (95) « para os curar: alivia-os e reintegra-os na comunhão fraterna. A confissão pessoal é, pois, a forma mais significativa da reconciliação com Deus e com a Igreja.Resumindo:
« Individualis et integra confessio atque absolutio manent unicus modus ordinarius, quo fideles se cum Deo et Ecclesia reconciliant, nisi impossibilitas physica vel moralis ab huiusmodi confessione excuset ».94 Hoc gravibus non caret rationibus. Christus in unoquoque agit sacramento. Personaliter ad unumquemque dirigitur peccatorem: « Fili, dimittuntur peccata tua » (Mc 2,5); Ipse est medicus qui super singulos Se inclinat aegrotos qui Eo egent,95 ut illos sanet; Ipse eos sublevat et in communionem redintegrat fraternam. Confessio personalis est igitur forma reconciliationis cum Deo et cum Ecclesia maxime significativa.Compendium

COMPÊNDIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Resumindo

§ 1485
«Na tarde da Páscoa, o Senhor Jesus apareceu aos seus Apóstolos e disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos"» (Jo 20, 22-23).
Paschatis vespera, Dominus Iesus Se Suis manifestavit Apostolis « et dicit eis: "Accipite Spiritum Sanctum. Quorum remiseritis peccata, remissa sunt eis; quorum retinueritis, retenta sunt" » (Io 20,22-23).
§ 1486
perdão dos pecados cometidos depois do Baptismo é concedido por meio dum sacramento próprio, chamado sacramento da Conversão, da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação.
Remissio peccatorum post Baptismum commissorum per sacramentum conceditur proprium quod Conversionis, Confessionis, Poenitentiae vel Reconciliationis appellatur sacramentum.
§ 1487
Quem peca, ofende a honra de Deus e o seu amor, a sua própria dignidade de homem chamado a ser filho de Deus, e o bem-estar espiritual da Igreja, da qual cada fiel deve ser pedra viva.
Ille qui peccat, honorem vulnerat Dei et amorem Eius, suam propriam dignitatem hominis vocati ut filius sit Dei et bonum statum spiritualem Ecclesiae cuius unusquisque christianus lapis esse debet vivus.
§ 1488
Aos olhos da fé, não existe mal mais grave do que o pecado; nada tem piores consequências para os próprios pecadores, para a Igreja e para todo o mundo.
Iuxta fidei oculos, nullum malum est gravius peccato nihilque peiores habet consequentias pro ipsis peccatoribus, pro Ecclesia et pro universo mundo.
§ 1489
Voltar à comunhão com Deus, depois de a ter perdido pelo pecado, é um movimento nascido da graça do mesmo Deus misericordioso e cheio de interesse pela salvação dos homens. Deve pedir-se esta graça preciosa, tanto para si mesmo como para os outros.
Reditus ad communionem cum Deo, postquam per peccatum amissa est, est motus ortus a gratia Dei pleni misericordia et solliciti de salute hominum. Hoc donum pretiosum implorare oportet pro se ipsis et pro aliis.
§ 1490
O movimento de regresso a Deus, pela conversão e arrependimento, implica dor e aversão em relação aos pecados cometidos, e o propósito firme de não tornar a pecar no futuro. Portanto, a conversão refere-se ao passado e ao futuro: alimenta-se da esperança na misericórdia divina.
Motus reditus ad Deum, qui conversio et poenitentia appellatur, dolorem implicat et aversionem relate ad peccata commissa, et firmum propositum non amplius peccandi in futurum. Conversio igitur ad tempus praeteritum refertur et futurum; spe nutritur in misericordiam divinam.
§ 1491
O sacramento da Penitência é constituído pelo conjunto de três actos realizados pelo penitente e pela absolvição do sacerdote. Os actos do penitente são: o arrependimento, a confissão ou manifestação dos pecados ao sacerdote e o propósito de cumprir a reparação e as obras de reparação.
Poenitentiae sacramentum ex complexu trium actuum a poenitente peractorum et ex absolutione sacerdotis constituitur. Actus poenitentis sunt: poenitentia, confessio seu manifestatio peccatorum ad sacerdotem atque propositum reparationem adimplendi reparationisque opera.
§ 1492
O arrependimento (também chamado contrição) deve inspirar-se em motivações que brotam da fé. Se for motivado pelo amor de caridade para com Deus, diz-se «perfeito»; se fundado em outros motivos, diz-se «imperfeito».
Poenitentia (etiam contritio appellata) debet a motivis inspirari quae a fide profluunt. Si poenitentia ex amore caritatis erga Deum concipitur, dicitur « perfecta »; si ipsa in aliis fundatur motivis, « imperfecta » appellatur.
§ 1493
Aquele que quer obter a reconciliação com Deus e com a Igreja, deve confessar ao sacerdote todos os pecados graves que ainda não tiver confessado e de que se lembre depois de ter examinado cuidadosamente a sua consciência. A confissão das faltas veniais, sem ser em si necessária, é todavia vivamente recomendada pela Igreja.
Qui reconciliationem cum Deo et cum Ecclesia vult obtinere, sacerdoti omnia peccata gravia confiteri debet quae nondum est confessus et quorum recordatur postquam suam accurate examinavit conscientiam. Defectuum venialium confessio, quin in se sit necessaria, vivide tamen ab Ecclesia commendatur.
§ 1494
O confessor propõe ao penitente o cumprimento de certos actos de «satisfação» ou «penitência», com o fim de reparar o mal causado pelo pecado e restabelecer os hábitos próprios dum discípulo de Cristo.
Confessarius poenitenti adimpletionem proponit quorumdam actuum « satisfactionis » seu « poenitentiae » ad damnum a peccato causatum reparandum et ad habitus restaurandos qui Christi discipulo sunt proprii.
§ 1495
Só os sacerdotes que receberam da autoridade da Igreja a faculdade de absolver; podem perdoar os pecados em nome de Cristo.
Solummodo sacerdotes qui ab Ecclesiae auctoritate facultatem absolvendi receperunt, possunt peccata in nomine Christi dimittere.
§ 1496
Os efeitos espirituais do sacramento da Penitência são:

a reconciliação com Deus, pela qual o penitente recupera a graça;
–  a reconciliação com a Igreja;
–  a remissão da pena eterna, em que incorreu pelos pecados mortais;
–  a remissão, ao menos em parte, das penas temporais, consequência do pecado;
–  a paz e a serenidade da consciência e a consolação espiritual;
 o acréscimo das forças espirituais para o combate cristão.

Effectus spirituales sacramenti Poenitentiae sunt: — reconciliatio cum Deo qua poenitens gratiam recuperat;
— reconciliatio cum Ecclesia;
— remissio poenae aeternae in quam quis per peccata incurrit mortalia;
— remissio, saltem partialis, poenarum temporalium quae conse quentiae sunt peccatorum;
— conscientiae pax et serenitas, atque consolatio spiritualis;
— augmentum virium spiritualium pro certamine christiano.
§ 1497
A confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua a ser o único meio ordinário para a reconciliação com Deus e com a Igreja.
Confessio peccatorum gravium individualis et integra, quam absolutio sequitur, unum medium permanet ordinarium pro reconciliatione cum Deo et cum Ecclesia.
§ 1498
Por meio das indulgências, os fiéis podem obter para si próprios, e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, consequência do pecado.
Per indulgentias, fideles pro se ipsis et etiam pro animabus purgatorii remissionem obtinere possunt poenarum temporalium, quae consequentiae sunt peccatorum.

A UNÇÃO DOS ENFERMOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1499
«Pela santa Unção dos Enfermos e pela oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda os doentes ao Senhor, sofredor e glorificado, para que os alivie e os salve: mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à paixão e morte de Cristo, concorram para o bem do povo de Deus» (95).
« Sacra infirmorum Unctione atque oratione presbyterorum, Ecclesia tota aegrotantes Domino patienti et glorificato commendat ut eos alleviet et salvet, immo eos hortatur ut sese Christi passioni et morti libere sociantes, ad bonum populi Dei conferant ».96 I. Eius in Oeconomia salutis fundamenta Aegritudo in vita humana

A DOENÇA NA VIDA HUMANA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os seus fundamentos na economia da salvação

§ 1500
A doença e o sofrimento estiveram sempre entre os problemas mais graves que afligem a vida humana. Na doença, o homem experimenta a sua incapacidade, os seus limites, a sua finitude. Qualquer enfermidade pode fazer-nos entrever a morte.
Aegritudo et dolor semper inter gravissima fuerunt problemata quae vitam afficiunt humanam. In aegritudine, homo suam experitur impotentiam, suos limites suamque finitatem. Omnis aegritudo efficere potest ut mortem prospiciamus.
§ 1501
A doença pode levar à angústia, ao fechar-se em si mesmo e até, por vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode tornar uma pessoa mais amadurecida, ajudá-la a discernir, na sua vida, o que não é essencial para se voltar para o que o é. Muitas vezes, a doença leva à busca de Deus, a um regresso a Ele.
Aegritudo ad angustiam ducere potest, ad recedendum in se ipsum, quandoque ad desperationem et ad rebellionem contra Deum. Potest etiam personam maturiorem efficere, eam adiuvare ad discernendum in vita sua quod essentiale non est, ut ipsa se vertat ad id quod est essentiale. Saepissime aegritudo quaesitionem provocat Dei, reditum ad Eum.Aegrotus coram Deo

O DOENTE PERANTE DEUS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os seus fundamentos na economia da salvação

§ 1502
O homem do Antigo Testamento vive a doença à face de Deus. É diante de Deus que desafoga o seu lamento pela doença que lhe sobreveio (97) e é d'Ele. Senhor da vida e da morte, que implora a cura (98). A doença torna-se caminho de conversão (99) e o perdão de Deus dá início à cura (100). Israel faz a experiência de que a doença está, de modo misterioso, ligada ao pecado e ao mal, e de que a fidelidade a Deus em conformidade com a sua Lei restitui a vida: «porque Eu, o Senhor, é que sou o teu médico» (Ex 15, 26). O profeta entrevê que o sofrimento pode ter também um sentido redentor pelos pecados dos outros (101). Finalmente, Isaías anuncia que Deus fará vir para Sião um tempo em que perdoará todas as faltas e curará todas as doenças (102).
Homo Veteris Testamenti in aegritudine vivit coram Deo. Ante Deum de sua lamentatur aegritudine97 et ab Eo, vitae et mortis Domino, sanationem deprecatur.98 Aegritudo fit conversionis via,99 et Dei indulgentia initiat sanationem. 100 Israel experitur, aegritudinem, arcano modo, cum peccato coniungi et malo, et fidelitatem erga Deum, secundum Eius Legem, reddere vitam: « Ego enim Dominus sanator tuus » (Ex 15,26). Propheta introspicit dolorem sensum habere posse redemptorem pro aliorum peccatis. 101 Denique, Isaias annuntiat Deum esse pro Sion tempus adducturum, quo omnem dimittet culpam omnemque aegritudinem sanabit. 102 Christus-medicus

CRISTO-MÉDICO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os seus fundamentos na economia da salvação

§ 1503
A compaixão de Cristo para com os doentes e as suas numerosas curas de enfermos de toda a espécie (103) são um sinal claro de que «Deus visitou o seu povo» (104) e de que o Reino de Deus está próximo. Jesus tem poder não somente para curar, mas também para perdoar os pecados (105): veio curar o homem na sua totalidade, alma e corpo: é o médico de que os doentes precisam (106). A sua compaixão para com todos os que sofrem vai ao ponto de identificar-Se com eles: «Estive doente e visitastes-Me» (Mt 25, 36). O seu amor de predilecção para com os enfermos não cessou, ao longo dos séculos, de despertar a atenção particular dos cristãos para aqueles que sofrem no corpo ou na alma. Ele está na origem de incansáveis esforços para os aliviar.
Christi erga aegrotos compassio pluresque Eius sanationes aegrotorum omnis generis 103 perspicue significant Deum visitavisse plebem Suam 104 Regnumque Dei omnino appropinquare. Iesus non solum sanandi habet potentiam, sed etiam peccata dimittendi: 105 Ipse venit ut integrum sanaret hominem, corpus et animam; Ipse est medicus quo aegroti indigent. 106 Eius compassio erga omnes qui patiuntur, eo procedit ut Se cum illis efficiat unum: eram « infirmus, et visitastis me » (Mt 25,36). Eius praedilectionis amor pro infirmis, saeculorum decursu, christianorum sollicitudinem omnino peculiarem excitare non desivit erga omnes illos qui in suo corpore patiuntur vel anima. Ab eo nisus oriuntur indefessi ad illos sublevandos.
§ 1504
Frequentemente, Jesus pede aos doentes que acreditem (107). Serve-se de sinais para curar: saliva e imposição das mãos (108), lodo e lavagem (109). Por seu lado, os doentes procuram tocar-Lhe (110), «porque saía d'Ele uma força que a todos curava» (Lc 6, 19). Por isso, nos sacramentos, Cristo continua a «tocar-nos» para nos curar.
Saepe Iesus ab aegrotis postulat ut credant. 107 Signis utitur ad sanandum: saliva et manuum impositione, 108 luto et ablutione. 109 Aegroti Eum tangere quaerunt 110 « quia virtus de Illo exibat et sanabat omnes » (Lc 6,19). Ita, in sacramentis, Christus nos « tangere » pergit ad nos sanandos.
§ 1505
Comovido por tanto sofrimento, Cristo não só Se deixa tocar pelos doentes, como também faz suas as misérias deles: «Tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças» (Mt 8, 17) (111). Ele não curou todos os doentes. As curas que fazia eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e sobre a morte, mediante a sua Páscoa. Na cruz, Cristo tomou sobre Si todo o peso do mal (112) e tirou «o pecado do mundo» (Jo 1, 29), do qual a doença não é mais que uma consequência. Pela sua paixão e morte na cruz. Cristo deu novo sentido ao sofrimento: desde então este pode configurar-nos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora.
Christus, tot doloribus commotus, non solum Se ab aegrotis tangi permittit, sed miserias nostras facit Suas: « Ipse infirmitates nostras accepit et aegrotationes portavit » (Mt 8,17). 111 Ipse non omnes sanavit aegrotos. Eius sanationes signa erant Adventus Regni Dei. Radicaliorem annuntiabant sanationem: victoriam de peccato et de morte per Eius Pascha. Christus in cruce omne pondus mali super Se accepit 112 et sustulit « peccatum mundi » (Io 1,29), cuius aegritudo nonnisi consequentia est. Per Suam passionem et Mortem in cruce, Christus novum sensum dedit dolori: hic iam nos Ei configurare Eiusque passioni redemptrici potest coniungere. « Infirmos curate... »

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OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os seus fundamentos na economia da salvação

§ 1506
Cristo convida os discípulos a seguirem-no, tomando a sua cruz (113). Seguindo-O, eles adquirem uma nova visão da doença e dos doentes. Jesus associa-os à sua vida pobre e servidora. Fá-los participar no seu ministério de compaixão e de cura: E eles «partiram e pregaram que era preciso cada um arrepender-se. Expulsavam muitos demónios, ungiam com óleo numerosos doentes, e curavam-nos» (Mc 6, 12-13).
Christus discipulos invitat Suos ut Eum sequantur, crucem, et ipsi, sumentes suam. 113 Eum sequentes, novam aegritudinis et aegrotorum adquirunt visionem. Iesus illos Suae pauperi et servienti consociat vitae. Eos Sui compassionis et sanationis ministerii efficit participes: « Et exeuntes praedicaverunt, ut paenitentiam agerent; et daemonia multa eiciebant et ungebant oleo multos aegrotos et sanabant » (Mc 6,12-13).
§ 1507
O Senhor ressuscitado renova esta missão («em Meu nome... hão-de impor as mãos aos doentes, e estes ficarão curados»: Mc 16, 1 7-18) e confirma-a por meio dos sinais que a Igreja realiza invocando o seu nome (114). Estes sinais manifestam de modo especial, que Jesus é verdadeiramente «Deus que salva» (115).
Dominus resuscitatus hanc renovat missionem (« In nomine meo [...] super aegrotos manus imponent et bene habebunt »: Mc 16,17-18) eamque confirmat signis quae Ecclesia Nomen Ipsius invocans peragit. 114 Haec signa speciatim manifestant Iesum vere esse « Deum qui salvat ». 115
§ 1508
O Espírito Santo confere a alguns o carisma especial de poderem curar (116) para manifestar a força da graça do Ressuscitado. Todavia, nem as orações mais fervorosas obtêm sempre a cura de todas as doenças. Assim, São Paulo deve aprender do Senhor que «a minha graça te basta: pois na fraqueza é que a minha força actua plenamente» (2 Cor 12, 9), e que os sofrimentos a suportar podem ter como sentido que «eu complete na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo, que é a Igreja» (Cl 1, 24).
Spiritus Sanctus quibusdam speciale sanationis donat charisma 116 ad virtutem manifestandam gratiae Resuscitati. Tamen orationes maxime instantes non semper omnium aegritudinum obtinent sanationem. Sic Paulus a Domino discere debet: « Sufficit tibi gratia mea, nam virtus in infirmitate perficitur » (2 Cor 12,9); et dolores tolerandos hunc sensum habere posse: « Adimpleo ea quae desunt passionum Christi in carne mea pro corpore Eius, quod est Ecclesia » (Col 1,24).
§ 1509
«Curai os enfermos!» (Mt 10, 8). A Igreja recebeu este encargo do Senhor e procura cumpri-lo, tanto pelos cuidados que dispensa aos doentes, como pela oração de intercessão com que os acompanha. Ela "crê na presença vivificante de Cristo, médico das almas e dos corpos, presença que age particularmente através dos sacramentos e de modo muito especial da Eucaristia, pão que dá a vida eterna (117) e cuja ligação com a saúde corporal é insinuada por São Paulo (118).
« Infirmos curate! » (Mt 10,8). Ecclesia hoc a Domino munus accepit atque officium exsequendi illud tam per curas quas ipsa affert aegrotis quam per intercessionis orationem qua ipsa eosdem comitatur. Ipsa in vivificantem Christi credit praesentiam, animarum et corporum medici. Haec praesentia est peculiariter activa per sacramenta, et quidem modo prorsus singulari per Eucharistiam, panem qui vitam donat aeternam 117 et cuius vinculum cum corporali sanatione a sancto Paulo innuitur. 118
§ 1510
Entretanto, a Igreja dos Apóstolos conhece um rito próprio em favor dos enfermos, atestado por São Tiago: «Alguém de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados» (Ts; 5, 14-15). A Tradição reconheceu neste rito um dos sete sacramentos da Igreja (119).
Ecclesia tamen apostolica proprium cognoscit pro aegrotis ritum, de quo sanctus Iacobus testatur: « Infirmatur quis in vobis? Advocet presbyteros Ecclesiae, et orent super eum, unguentes eum oleo in nomine Domini. Et oratio fidei salvabit infirmum, et allevabit eum Dominus; et si peccata operatus fuerit, dimittentur ei » (Iac 5,14-15). Traditio in hoc ritu unum e septem Ecclesiae agnovit sacramentis. 119 Sacramentum infirmorum

UM SACRAMENTO DOS ENFERMOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os seus fundamentos na economia da salvação

§ 1511
A Igreja crê e confessa que, entre os sete sacramentos, há um, especialmente destinado a reconfortar os que se encontram sob a provação da doença: a Unção dos enfermos:

«Esta santa unção dos enfermos foi instituída por Cristo nosso Senhor como sacramento do Novo Testamento, verdadeira e propriamente dito, insinuado por São Marcos (120), mas recomendado aos fiéis e promulgado por São Tiago, apóstolo e irmão do Senhor» (121).

Ecclesia credit et confitetur, inter septem sacramenta, sacramentum haberi speciatim destinatum ad eos confortandos qui aegritudine probantur: Unctionem infirmorum:

« Instituta est autem haec sacra Unctio infirmorum tamquam vere et proprie sacramentum Novi Testamenti a Christo Domino nostro, apud Marcum quidem insinuatum, 120 per Iacobum autem apostolum ac Domini fratrem fidelibus commendatum ac promulgatum ». 121

« Instituta est autem haec sacra Unctio infirmorum tamquam vere et proprie sacramentum Novi Testamenti a Christo Domino nostro, apud Marcum quidem insinuatum, 120 per Iacobum autem apostolum ac Domini fratrem fidelibus commendatum ac promulgatum ». 121
§ 1512
Na tradição litúrgica, tanto no Oriente como no Ocidente, temos, desde os tempos antigos, testemunhos de unções de doentes praticadas com óleo benzido. No decorrer dos séculos, a Unção dos enfermos começou a ser conferida cada vez mais exclusivamente aos que estavam prestes a morrer. Por causa disso, fora-lhe dado o nome de «Extrema-Unção». Porém, apesar dessa evolução, a liturgia nunca deixou de pedir ao Senhor pelo doente, para que recuperasse a saúde, se tal fosse conveniente para a sua salvação
In traditione liturgica tam in Oriente quam in Occidente, inde ab antiquitate, habentur testimonia de unctionibus infirmorum oleo benedicto peractis. Saeculorum decursu, infirmorum Unctio, modo magis magisque exclusivo, est illis collata qui in extremo vitae discrimine versabantur. Propterea nomen « Extremae Unctionis » receperat. Non obstante hac evolutione, liturgia nunquam Dominum orare desivit ut aegrotus valetudinem recuperaret, si id eius saluti esset conveniens. 122
§ 1513
A Constituição Apostólica «Sacram Unctionem Infirmorum», de 30 de Novembro de 1972, na sequência do II Concílio do Vaticano (123), estabeleceu que, a partir de então, se observasse o seguinte no rito romano:

«O sacramento da Unção dos Enfermos é conferido aos que se encontram enfermos com a vida em perigo, ungindo-os na fronte e nas mãos com óleo de oliveira ou, segundo as circunstância, com outro óleo de origem vegetal, devidamente benzido, proferindo uma só vez, as palavras: "Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos"» (124).

Constitutio apostolica « Sacram Unctionem infirmorum » (30 novembris 1972), Concilium Vaticanum II sequens, 123 instituit ut in posterum, in ritu Romano, hoc servetur quod sequitur:

« Sacramentum Unctionis infirmorum confertur infirmis periculose aegrotantibus, eos liniendo in fronte et in manibus oleo olivarum aut, pro opportunitate, alio oleo e plantis, rite benedicto, haec verba, una tantum vice, proferendo: "Per istam sanctam Unctionem et suam piissimam misericordiam adiuvet te Dominus gratia Spiritus Sancti, ut a peccatis liberatum te salvet atque propitius allevet" ». 124

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem recebe e quem administra este sacramento?

§ 1514
A Unção dos Enfermos «não é sacramento só dos que estão prestes a morrer. Por isso, o tempo oportuno para a receber é certamente quando o fiel começa, por doença ou por velhice, a estar em perigo de morte» (125).
Unctio infirmorum « non est sacramentum eorum tantum qui in extremo vitae discrimine versantur. Proinde tempus opportunum eam recipiendi iam certe habetur cum fidelis incipit esse in periculo mortis propter infirmitatem vel senium ». 125
§ 1515
Se um doente que recebeu a Unção recupera a saúde, pode, em caso de nova enfermidade grave, receber outra vez este sacramento. No decurso da mesma doença, este sacramento pode ser repetido se o mal se agrava. É conveniente receber a Unção dos Enfermos antes duma operação cirúrgica importante. E o mesmo se diga a respeito das pessoas de idade, cuja fragilidade se acentua.
Si aegrotus qui Unctionem recepit, valetudinem recuperat, potest, si nova accidat gravis aegritudo, iterum hoc recipere sacramentum. Eadem aegritudine perdurante, hoc sacramentum potest iterari, si aegritudo gravior efficiatur. Congruum est, infirmorum recipere Unctionem ante chirurgicam cuiusdam momenti sectionem. Idem valet pro personis senescentis aetatis quarum fragilitas fit acutior.« ...advocet presbyteros Ecclesiae »

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OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem recebe e quem administra este sacramento?

§ 1516
Só os sacerdotes (bispos e presbíteros) são ministros da Unção dos Enfermos (126). É dever dos pastores instruir os fiéis acerca dos benefícios deste sacramento. Que os fiéis animem os enfermos chamarem o sacerdote para receberem este sacramento. E que os doentes se preparem para o receber com boas disposições, com a ajuda do seu pastor e de toda a comunidade eclesial, convidada a rodear, de um modo muito especial, os doentes, com as suas orações e atenções fraternas.III. Como se celebra este sacramento?
Solummodo sacerdotes (Episcopi et presbyteri) ministri sunt Unctionis infirmorum. 126 Obligatio est Pastorum, fideles de huius sacramenti instruere beneficiis. Fideles hortentur aegrotos ut sacerdotem advocent ad hoc sacramentum recipiendum. Aegroti se praeparent ad hoc bonis dispositionibus recipiendum, cum Pastoris sui adiutorio et totius communitatis ecclesialis, quae invitatur ut aegrotos, modo prorsus peculiari, suis orationibus suisque fraternis circumdet curis. III. Quomodo hoc celebratur sacramentum?

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OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Como se celebra este sacramento?

§ 1517
Como todos os sacramentos, a Unção dos Enfermos é uma celebração litúrgica e comunitária (127) quer tenha lugar no seio da família, quer no hospital ou na igreja, para um só doente ou para um grupo deles. É muito conveniente que seja celebrada durante a Eucaristia, memorial da Páscoa do Senhor. Se as circunstâncias a tal convidarem, a celebração do sacramento pode ser precedida pelo sacramento da Penitência e seguida pelo da Eucaristia. Enquanto sacramento da Páscoa de Cristo, a Eucaristia deveria ser sempre o último sacramento da peregrinação terrestre, o «viático» da «passagem» para a vida eterna.
Unctio infirmorum, sicut omnia sacramenta, celebratio est liturgica et communitaria, 127 sive locum habeat in familia, sive in nosocomio sive in ecclesia, pro uno tantum aegroto vel pro integro aegrotorum coetu. Valde conveniens est, eam intra Eucharistiam, memoriale Paschatis Domini, celebrari. Si adiuncta id suadent, celebrationem sacramenti potest Poenitentiae sacramentum praecedere et Eucharistiae sacramentum sequi. Eucharistia, quatenus sacramentum Paschatis Christi, semper ultimum peregrinationis terrestris deberet esse sacramentum, « viaticum » pro « transitu » ad vitam aeternam.
§ 1518
Palavra e sacramento formam um todo inseparável. A liturgia da Palavra, precedida dum acto penitenciai, abre a celebração. As palavras de Cristo e o testemunho dos Apóstolos despertam a fé do doente e da comunidade, para pedir ao Senhor a força do seu Espírito.
Verbum et sacramentum unitatem efformant inseparabilem. Liturgia verbi, quam poenitentialis praecedit actus, celebrationem aperit. Christi verba, Apostolorum testimonium fidem aegroti et communitatis suscitant, ad petendam a Domino virtutem Spiritus Eius.
§ 1519
A celebração do sacramento compreende principalmente os seguin­tes elementos: «Os presbíteros da Igreja» (128) impõem em silêncio - as mãos sobre os enfermos; rezam por eles na fé da Igreja (129); é a epiclese própria deste sacramento; então, conferem a unção com óleo, benzido, se possível, pelo bispo.Estes actos litúrgicos indicam a graça que este sacramento confere aos doentes.
Sacramenti celebratio praecipue elementa includit quae sequuntur: « presbyteri Ecclesiae » 128 manus aegrotis — silentio — imponunt; super aegrotis in fide orant Ecclesiae; 129 haec est Epiclesis huius sacramenti propria; tunc unctionem oleo peragunt benedicto, si possibile est, ab Episcopo. Hae actiones liturgicae indicant, quam gratiam hoc sacramentum conferat aegrotis. IV. Effectus celebrationis huius sacramenti

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OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os efeitos da celebração deste sacramento

§ 1520
Um dom particular do Espírito Santo. A primeira graça deste sacramento é uma graça de reconforto, de paz e de coragem para vencer as dificuldades próprias do estado de doença grave ou da fragilidade da velhice. Esta graça é um dom do Espírito Santo, que renova a confiança e a fé em Deus, e dá força contra as tentações do Maligno, especialmente a tentação do desânimo e da angústia da morte (130). Esta assistência do Senhor pela força do seu Espírito visa levar o doente à cura da alma, mas também à do corpo, se tal for a vontade de Deus (131). Além disso, «se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados» (Tg 5, 15) (132).
Peculiare Spiritus Sancti donum. Prima huius sacramenti gratia est confortationis gratia, pacis et vigoris animi ad difficultates superandas quae propriae sunt status aegritudinis gravis vel fragilitatis senectutis. Haec gratia est Spiritus Sancti donum quod fiduciam et fidem renovat in Deum atque contra Maligni roborat tentationes, tentationem nempe defectionis animi et angustiae coram morte. 130 Haec Domini assistentia per virtutem Spiritus Eius aegrotum ducere intendit ad animae sanationem, sed etiam ad illam corporis, si talis est Dei voluntas. 131 Praeterea, « si peccata operatus fuerit, dimittentur ei » (Iac 5,15). 132
§ 1521
A união à paixão de Cristo. Pela graça deste sacramento, o enfermo recebe a força e o dom de se unir mais intimamente à paixão de Cristo: ele é, de certo modo, consagrado para produzir frutos pela configuração com a paixão redentora do Salvador. O sofrimento, sequela do pecado original, recebe um sentido novo: transforma-se em participação na obra salvífica de Jesus.
Cum Christi passione coniunctio, Per huius sacramenti gratiam, aegrotus virtutem recipit et donum se arctius cum Christi passione coniungendi: quodammodo consecratur ad fructum ferendum per configurationem ad redemptricem Salvatoris passionem. Dolor, peccati originalis sequela, novum recipit sensum: participatio fit salvifici operis Iesu.
§ 1522
Uma graça eclesial. Os doentes que recebem este sacramento, «associando-se livremente à paixão e morte de Cristo, concorrem para o bem do povo de Deus» (133). Ao celebrar este sacramento, a Igreja, na comunhão dos santos, intercede pelo bem do doente. E o doente, por seu lado, pela graça deste sacramento, contribui para a santificação da Igreja e para o bem de todos os homens, pelos quais a Igreja sofre e se oferece, por Cristo, a Deus Pai.
Gratia ecclesialis. Fideles qui hoc recipiunt sacramentum, « sese Christi passioni et morti libere sociantes, ad bonum populi Dei » conferunt. 133 Ecclesia, hoc in sanctorum communione celebrans sacramentum, pro aegroti intercedit bono. E parte sua, aegrotus, per huius sacramenti gratiam, ad Ecclesiae confert sanctificationem et ad bonum omnium hominum, pro quibus Ecclesia patitur seseque ad Deum Patrem offert per Christum.
§ 1523
Uma preparação para a última passagem. Se o sacramento da Unção dos Enfermos é concedido a todos os que sofrem de doenças e enfermidades graves, com mais forte razão o é aos que estão prestes a deixar esta vida («in exitu vitae constituti (134)): de modo que também foi chamado «sacramentum exeuntium – sacramento dos que partem» (135). A Unção dos Enfermos completa a nossa conformação com a morte e ressurreição de Cristo, tal como o Baptismo a tinha começado. Leva à perfeição as unções santas que marcam toda a vida cristã: a do Baptismo selara em nós a vida nova: a da Confirmação robustecera-nos para o combate desta vida; esta última unção mune o fim da nossa vida terrena como que de um sólido escudo em vista das últimas batalhas, antes da entrada na Casa do Pai (136).
Ad ultimum transitum praeparatio. Si sacramentum Unctionis infirmorum omnibus confertur qui aegritudines et infirmitates patiuntur graves, potiore ratione illis, qui sunt « in exitu vitae constituti », 134 ita ut illud etiam « sacramentum exeuntium » sit appellatum. 135 Infirmorum Unctio nostram perficit conformationem ad mortem et resurrectionem Christi, sicut Baptismus illam inceperat. Ipsa sanctas complet unctiones quae totam vitam signant christianam; illa Baptismi vitam novam in nobis sigillaverat; illa Confirmationis nos ad huius vitae proelium roboraverat. Haec ultima unctio finem munit nostrae vitae firmo praesidio pro ultimis ante ingressum in Domum Patris certaminibus. 136 V. Viaticum, ultimum christiani sacramentum

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OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O Viático, último sacramento do cristão

§ 1524
Àqueles que vão deixar esta vida, a Igreja oferece-lhes, além da Unção dos Enfermos, a Eucaristia como viático. Recebida neste momento de passagem para o Pai, a comunhão do corpo ,e sangue de Cristo tem um significado e uma importância particulares. É semente de vida eterna e força de ressurreição, segundo as palavras do Senhor: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna: e Eu ressuscitá-lo‑ei no último dia» (Jo 6, 54). Sacramento de Cristo morto e ressuscitado, a Eucaristia é aqui sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai (137).
Illis qui hanc vitam sunt relicturi, Ecclesia offert, praeter infirmorum Unctionem, Eucharistiam tamquam viaticum. Communio corporis et sanguinis Christi, recepta hoc momento transitus ad Patrem, sensum habet et momentum peculiaria. Est semen vitae aeternae et virtus resurrectionis, secundum Domini verba: « Qui manducat meam carnem et bibit meum sanguinem, habet vitam aeternam; et ego resuscitabo eum in novissimo die » (Io 6,54). Eucharistia, Christi mortui et resuscitati sacramentum, tunc sacramentum transitus est de morte ad vitam, ex hoc mundo ad Patrem. 137
§ 1525
Assim, do mesmo modo que os sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Eucaristia constituem uma unidade chamada «os sacramentos da iniciação cristã», também pode dizer-se que a Penitência, a Santa Unção e a Eucaristia, como viático, constituem, quando a vida do cristão chega ao seu termo, «os sacramentos que preparam a entrada na Pátria» ou os sacramentos com que termina a peregrinação.Resumindo:
Hoc modo, sicut Baptismi, Confirmationis et Eucharistiae sacramenta constituunt unitatem quae « sacramenta initiationis christianae » appellatur, dici potest Poenitentiam, sanctam Unctionem et Eucharistiam, cum vita christiana suum attingit finem, constituere, quatenus viaticum praestant, « sacramenta quae praeparant ad Patriam » seu sacramenta quae peregrinationem complent. Compendium

COMPÊNDIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Resumindo

§ 1526
«Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará. E, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados» (Tg 5, 14-15).
« Infirmatur quis in vobis? Advocet presbyteros Ecclesiae, et orent super eum, unguentes eum oleo in nomine Domini. Et oratio fidei salvabit infirmum, et allevabit eum Dominus; et si peccata operatus fuerit, dimittentur ei » (Iac 5,14-15).
§ 1527
sacramento da Unção dos Enfermos tem por finalidade conferir uma graça especial ao cristão que enfrenta as dificuldades inerentes ao estado de doença grave ou de velhice.
Sacramentum Unctionis infirmorum habet, ut scopum, gratiam conferre specialem christiano qui difficultates experitur statui gravis aegritudinis vel senectutis inhaerentes.
§ 1528
tempo oportuno para receber a Santa Unção chegou certamente quando o fiel começa a encontrar-se em perigo de morte, devido a doença ou a velhice.
Opportunum ad sanctam Unctionem recipiendam tempus certo iam advenit, cum fidelis in mortis periculo propter aegritudinem vel senectutem incipit versari.
§ 1529
Todas as vezes que um cristão cai gravemente enfermo, pode receber a Santa Unção; e também quando, mesmo depois de a ter recebido, a doença se agrava.
Quoties christianus in gravem incidit morbum, sanctam Unctionem recipere potest, itemque cum, post illam receptam, gravescit aegritudo.
§ 1530
Só os sacerdotes (presbíteros e bispos) podem ministrar o sacramento da Unção dos Enfermos; para isso, empregarão óleo benzido pelo bispo ou, em caso de necessidade, pelo próprio presbítero celebrante.
Solummodo sacerdotes (presbyteri et Episcopi) Unctionis infirmorum possunt conferre sacramentum; ad illud conferendum oleo utuntur benedicto ab Episcopo, vel, si necessarium est, ab ipso presbytero celebranti.
§ 1531
essencial da celebração deste sacramento consiste na unção na fronte e nas mãos do doente (no rito romano) ou sobre outras partes do corpo (no Oriente), unção acompanhada da oração litúrgica do sacerdote celebrante que pede a graça especial deste sacramento.
Id quod in huius sacramenti celebratione essentiale est, consistit ex unctione super aegroti frontem et manus (in ritu Romano) vel super alias corporis partes (in Oriente), quam unctionem liturgica deprecatio celebrantis comitatur sacerdotis, qui specialem huius sacramenti postulat gratiam.
§ 1532
A graça especial do sacramento da Unção dos Enfermos tem como efeitos:

a união do doente à paixão de Cristo, para o seu bem e para o de toda a Igreja;
–  o conforto, a paz e a coragem para suportar cristãmente os sofrimentos da doença ou da velhice;
–  o perdão dos pecados, se o doente não pôde obtê-lo pelo sacramento da Penitência;
–  o restabelecimento da saúde, se tal for conveniente para a salvação espiritual;
–  a preparação para a passagem para vida eterna.

Specialis gratia sacramenti Unctionis infirmorum habet tamquam effectus:— infirmi coniunctionem cum passione Christi, pro eius et totius Ecclesiae bono;
— solacium, pacem et virtutem ad dolores aegritudinis vel senectutis christiano modo tolerandos;
— remissionem peccatorum, si aegrotus illam per Poenitentiae sacramentum obtinere nequivit;
— valetudinis restitutionem, si id spirituali est saluti conveniens;
— praeparationem ad transitum in vitam aeternam.

OS SACRAMENTOS AO SERVIÇO DA COMUNHÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1533
O Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia são os sacramentos da iniciação cristã. São o fundamento da vocação comum de todos os discípulos de Cristo – vocação à santidade e à missão de evangelizar o mundo. E conferem as graças necessárias para a vida segundo o Espírito, nesta existência de peregrinos em marcha para a Pátria.
Baptismus, Confirmatio et Eucharistia sacramenta sunt christianae initiationis. Ipsa vocationem fundant communem omnium discipulorum Christi, vocationem ad sanctitatem et ad missionem evangelizationis mundi. Gratias conferunt necessarias ad vitam secundum Spiritum in hac peregrinorum vita qui procedunt versus patriam.
§ 1534
Dois outros sacramentos, a Ordem e o Matrimónio, são ordenados para a salvação de outrem. Se contribuem também para a salvação pessoal, é através do serviço aos outros que o fazem. Conferem uma missão particular na Igreja, e servem a edificação do povo de Deus.
Duo alia sacramenta, Ordo et Matrimonium, ad aliorum ordinantur salutem. Etiam ad salutem conferunt personalem, sed id efficiunt per aliorum servitium. Missionem particularem conferunt in Ecclesia et aedificationi inserviunt populi Dei.
§ 1535
Nestes sacramentos, aqueles que já foram consagrados pelo Baptismo e pela Confirmação (1) para o sacerdócio comum de todos os fiéis, podem receber consagrações particulares. Os que recebem o sacramento da Ordem são consagrados para serem, em nome de Cristo, «com a palavra e a graça de Deus, os pastores da igreja» (2). Por seu lado, «os esposos cristãos são fortalecidos e como que consagrados por meio de um sacramento especial em ordem ao digno cumprimento dos deveres do seu estado» (3).
In his sacramentis, illi qui iam Baptismo et Confirmatione sunt consecrati 138 ad commune omnium fidelium sacerdotium, possunt consecrationes accipere particulares. Illi qui sacramentum Ordinis recipiunt, consecrantur « ad Ecclesiam verbo et gratia Dei pascendam » 139 in nomine Christi. Iuxta suam condicionem, « coniuges christiani ad sui status officia et dignitatem peculiari sacramento roborantur et veluti consecrantur ». 140 (138) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14. (139) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.(140) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068.

O SACRAMENTO DA ORDEM

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1536
A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos: é, portanto, o sacramento do ministério apostólico. E compreende três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconado.

[Sobre a instituição e a missão do ministério apostólico por Cristo ver os números 874-896. Aqui apenas se trata da via sacramental pela qual se transmite este ministério].

Ordo est sacramentum per quod missio a Christo Ipsius Apostolis concredita exerceri pergit in Ecclesia usque ad finem temporum: est igitur ministerii apostolici sacramentum. Tres implicat gradus: Episcopatum, presbyteratum et diaconatum.

O SACRAMENTO DA ORDEM

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Porquê este nome de sacramento da Ordem?

§ 1537
A palavra Ordem, na antiguidade romana, designava corpos constituídos no sentido civil, sobretudo o corpo dos que governavam, Ordinatio designa a integração num ordo. Na Igreja existem corpos constituídos, que a Tradição, não sem fundamento na Sagrada Escritura (4), designa, desde tempos antigos, com o nome de táxeis (em grego), ordines (em latim): a liturgia fala assim do ordo episcoporum – ordem dos bispos –,do ordo presbyterorum - ordem dos presbíteros – e do ordo diaconorum –ordem dos diáconos. Há outros grupos que também recebem este nome de ordo: os catecúmenos, as virgens, os esposos, as viúvas...
Verbum Ordo, in antiquitate Romana, corpora sensu civili constituta designabat, praesertim corpus eorum qui gubernant. Ordinatio acceptionem in quemdam designat ordinem. In Ecclesia corpora habentur constituta, quae Traditio, non sine fundamentis in sacra Scriptura, 141 inde ab antiquis temporibus nomine táxeis (graece), ordines appellat: sic liturgia de ordine Episcoporum loquitur, de ordine presbyterorum, de ordine diaconorum. Alii etiam coetus hoc nomen ordinis accipiunt: catechumeni, virgines, coniugati, viduae...
§ 1538
A integração num destes corpos da Igreja fazia-se através dum rito chamado ordinatio, acto religioso e litúrgico que era uma consagração, uma bênção ou um sacramento. Hoje, a palavra ordinatio é reservada ao acto sacramental que integra na ordem dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos, e que ultrapassa a simples eleição, designação, delegação ou instituição pela comunidade, pois confere um dom do Espírito Santo que permite o exercício dum «poder sagrado» (sacra potestas) (5) que só pode vir do próprio Cristo, pela sua Igreja. A ordenação também é chamada consecratio consagração –, porque é um pôr à parte e uma investidura feita pelo próprio Cristo para a sua Igreja. A imposição das mãos do bispo, com a oração consecratória, constituem o sinal visível desta consagração.
Acceptio in quoddam ex his Ecclesiae corporibus fiebat per ritum qui ordinatio appellabatur, per actum nempe religiosum et liturgicum qui erat consecratio, benedictio vel sacramentum. Hodie verbum ordinatio reservatur actui sacramentali qui in Episcoporum, presbyterorum et diaconorum accipit ordinem et qui meram superat electionem, designationem, delegationem vel institutionem a communitate peractas, quia Spiritus Sancti confert donum quod potestatem sacram 142 exercere sinit, et quod solum ab Ipso Christo, per Eius Ecclesiam, potest procedere. Ordinatio etiam consecratio appellatur, quia segregatio est et muneris collatio ab Ipso Christo pro Eius Ecclesia. Impositio manuum Episcopi, cum prece consecratoria, signum constituit visibile huius consecrationis. II. Sacramentum Ordinis in Oeconomia salutis Sacerdotium Veteris Foederis

O SACERDÓCIO DA ANTIGA ALIANÇA

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacramento da Ordem na economia da salvação

§ 1539
O povo eleito foi constituído por Deus como «um reino de sacerdotes e uma nação consagrada» (Ex 19, 6) (6). Mas, dentro do povo de Israel, Deus escolheu uma das doze tribos, a de Levi, segregada para o serviço litúrgico (7) o próprio Deus é a sua parte na herança (8). Um rito próprio consagrou as origens do sacerdócio da Antiga Aliança (9). Nela, os sacerdotes são «constituídos em favor dos homens, nas coisas respeitantes a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados» (10).
Populus electus a Deo constitutus est tamquam « regnum sacerdotum et gens sancta » (Ex 19,6). 143 Sed, intra populum Israel, Deus unam ex duodecim tribubus elegit, illam Levi, pro servitio liturgico segregatam; 144 Ipse Deus pars est hereditatis eius. 145 Ritus proprius origines sacerdotii Veteris Foederis consecravit. 146 Sacerdotes in eo « pro hominibus constituuntur in his, quae sunt ad Deum, ut offerant dona et sacrificia pro peccatis ». 147
§ 1540
Instituído para anunciar a Palavra de Deus (11) e para restabelecer a comunhão com Deus pelos sacrifícios e a oração, aquele sacerdócio é, no entanto, impotente para operar a salvação, precisando de repetir sem cessar os sacrifícios, sem poder alcançar uma santificação definitiva (12)  a qual só o sacrifício de Cristo havia de conseguir.
At hoc sacerdotium, institutum ad verbum Dei annuntiandum 148 et ad communionem cum Deo iterum stabiliendam per sacrificia et orationem, incapax manet salutem operandi, egens incessanter sacrificia iterare, quin ad definitivam perveniat sanctificationem, 149 quam solummodo sacrificium Christi operaturum erat.
§ 1541
Apesar disso, no sacerdócio de Aarão e no serviço dos levitas, assim como na instituição dos setenta «Anciãos» (13), a liturgia da Igreja vê prefigurações do ministério ordenado da Nova Aliança. Assim, no rito latino, a Igreja pede, na oração consecratória da ordenação dos bispos:

«Senhor Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo [...] por vossa palavra e vosso dom instituístes a Igreja com as suas normas fundamentais, eternamente predestinastes a geração dos justos que havia de nascer de Abraão, estabelecestes príncipes e sacerdotes, e não deixastes sem ministério o vosso santuário...» (14).

Ecclesiae tamen liturgia in sacerdotio Aaronis et in levitarum servitio, sicut etiam in septuaginta « Senum » institutione, 150 praefigurationes perspicit ministerii ordinati Novi Foederis. Sic, in ritu latino, Ecclesia orat in oratione consecratoria ordinationis Episcoporum:

« Deus et Pater Domini nostri Iesu Christi, [...] Tu qui dedisti in Ecclesia Tua normas per verbum gratiae Tuae, qui praedestinasti ex principio genus iustorum ab Abraham, qui constituisti principes et sacerdotes, et sanctuarium Tuum sine ministerio non dereliquisti... ». 151

§ 1542
Na ordenação dos presbíteros, a Igreja reza:

«Senhor, Pai santo, [...] já na Antiga Aliança se desenvolveram funções sagradas que eram sinais do sacramento novo. A Moisés e a Aarão, que pusestes à frente do povo para o conduzirem e santificarem, associastes como seus colaboradores outros homens também escolhidos por Vós. No deserto, comunicastes o espírito de Moisés a setenta homens prudentes, com o auxílio dos quais ele governou mais facilmente o vosso povo. Do mesmo modo, as graças abundantes concedidas a Aarão. Vós as transmitistes a seus filhos, a fim de não faltarem sacerdotes, segundo a Lei, para oferecer os sacrifícios do templo, sombra dos bens futuros...» (15).

In presbyterorum ordinatione, orat Ecclesia:

« Domine, sancte Pater, [...] iam in Priore Testamento officia sacramentis mysticis instituta creverunt: ut cum Moysen et Aaron regendo et sanctificando populo praefecisses, ad eorum societatis et operis adiumentum sequentis ordinis et dignitatis viros eligeres. Sic in eremo, per septuaginta virorum prudentium mentes Moysi spiritum propagasti [...]. Sic in filios Aaron paternae plenitudinis abundantiam transfudisti ». 152

§ 1543
E na oração consecratória para a ordenação dos diáconos, a Igreja confessa:

«Senhor, Pai santo, [...] é o novo templo que se edifica quando estabeleceis os três graus dos ministros sagrados para servirem ao vosso nome, como já na primeira Aliança escolhestes os filhos de Levi, para o serviço do templo antigo» (16).

Et in prece consecratoria pro diaconorum ordinatione, Ecclesia confitetur:

« Omnipotens Deus, [...] Ecclesiam Tuam [...] in augmentum templi novi crescere dilatarique largiris, sacris muneribus trinos gradus ministrorum nomini Tuo servire constituens, sicut iam ab initio Levi filios elegisti, ad prioris tabernaculi ministerium explendum ». 153

O SACERDÓCIO ÚNICO DE CRISTO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacramento da Ordem na economia da salvação

§ 1544
Todas as prefigurações do sacerdócio da Antiga Aliança encontram a sua realização em Jesus Cristo, «único mediador entre Deus e os homens» (1 Tm 2, 5). Melquisedec, «sacerdote do Deus Altíssimo» (Gn 14, 18), é considerado pela Tradição cristã como uma prefiguração do sacerdócio de Cristo, único «Sumo-Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec» (Heb 5, l0; 6, 20), «santo, inocente, sem mancha» (Heb 7, 26), que «com uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que foram santificados» (Heb 10, 14), isto é, pelo único sacrifício da sua cruz.
Omnes praefigurationes sacerdotii Veteris Foederis suam inveniunt adimpletionem in Christo Iesu qui est « unicus [...] mediator Dei et hominum » (1 Tim 2,5). Melchisedech, « sacerdos Dei altissimi » (Gn 14,18), a Traditione christiana consideratur sicut praefiguratio sacerdotii Christi, qui unus est « pontifex iuxta ordinem Melchisedech » (Heb 5,10; 6,20), « sanctus, innocens, impollutus » (Heb 7,26), quique « una [...] oblatione consummavit in sempiternum eos, qui sanctificantur » (Heb 10,14), id est, uno Suae crucis sacrificio.
§ 1545
O sacrifício redentor de Cristo é único, realizado uma vez por todas. E no entanto, é tornado presente no sacrifício eucarístico da Igreja. O mesmo se diga do sacerdócio único de Cristo, que é tornado presente pelo sacerdócio ministerial, sem diminuição da unicidade do sacerdócio de Cristo: «e por isso, só Cristo é verdadeiro sacerdote, sendo os outros seus ministros» (17).
Sacrificium Christi redemptivum est unicum, semel pro semper peractum. Et tamen ipsum in Sacrificio eucharistico Ecclesiae fit praesens. Idem dicendum est de unico Christi sacerdotio: illud praesens fit per sacerdotium ministeriale quin unicitas sacerdotii minuatur Christi: « Et ideo solus Christus est verus Sacerdos, alii autem ministri Eius ». 154Duae unius sacerdotii Christi participationes

DUAS PARTICIPAÇÕES NO SACERDÓCIO ÚNICO DE CRISTO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacramento da Ordem na economia da salvação

§ 1546
Cristo, sumo sacerdote e único mediador, fez da Igreja «um reino de sacerdotes para Deus seu Pai» (18). Toda a comunidade dos crentes, como tal, é uma comunidade sacerdotal. Os fiéis exercem o seu sacerdócio baptismal através da participação, cada qual segundo a sua vocação própria, na missão de Cristo, sacerdote, profeta e rei. É pelos sacramentos do Baptismo e da Confirmação que os fiéis são «consagrados para serem [...] um sacerdócio santo» (19).
Christus, Summus Sacerdos et unus mediator, Ecclesiam fecit regnum sacerdotum Deo et Patri Suo. 155 Tota credentium communitas, qua talis, est sacerdotalis. Fideles suum baptismale exercent sacerdotium per suam participationem, unusquisque secundum suam propriam vocationem, missionis Christi, Sacerdotis, Prophetae et Regis. Per Baptismi et Confirmationis sacramenta, fideles « consecrantur in [...] sacerdotium sanctum ». 156
§ 1547
O sacerdócio ministerial ou hierárquico dos bispos e dos presbíteros e o sacerdócio comum de todos os fiéis – embora «um e outro, cada qual segundo o seu modo próprio, participem do único sacerdócio de Cristo» (20) – são, no entanto, essencialmente diferentes ainda que sendo «ordenados um para o outro» (21). Em que sentido? Enquanto o sacerdócio comum dos fiéis se realiza no desenvolvimento da vida baptismal – vida de fé, esperança e caridade, vida segundo o Espírito – o sacerdócio ministerial está ao serviço do sacerdócio comum, ordena-se ao desenvolvimento da graça baptismal de todos os cristãos. É um dos meios pelos quais Cristo não cessa de construir e guiar a sua igreja. E é por isso que é transmitido por um sacramento próprio, que é o sacramento da Ordem.
Episcoporum et presbyterorum sacerdotium ministeriale seu hierarchicum et commune omnium fidelium sacerdotium, quamquam « unum [...] et alterum suo peculiari modo de uno Christi sacerdotio participant », 157 differunt tamen essentia, quamquam « ad invicem [...] ordinantur ». 158 Quonam sensu? Dum commune fidelium sacerdotium in rem deducitur per incrementum gratiae baptismalis, vitae fidei, spei et caritatis, vitae secundum Spiritum, sacerdotium ministeriale in servitium est sacerdotii communis, ad incrementum gratiae baptismalis omnium christianorum refertur. Unum habetur ex mediis per quae Christus Suam Ecclesiam aedificare et ducere non desinit. Propterea per proprium transmittitur sacramentum, per Ordinis sacramentum.In persona Christi-Capitis...

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacramento da Ordem na economia da salvação

§ 1548
No serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja, como Cabeça do seu corpo, Pastor do seu rebanho, Sumo-Sacerdote do sacrifício redentor, mestre da verdade. É o que a Igreja exprime quando diz que o padre, em virtude do sacramento da Ordem, age in persona Christi Capitis – na pessoa de Cristo Cabeça (22):

«É o mesmo Sacerdote, Jesus Cristo, de quem realmente o ministro faz as vezes. Se realmente o ministro é assimilado ao Sumo-Sacerdote, em virtude da consagração sacerdotal que recebeu, goza do direito de agir pelo poder do próprio Cristo que representa 'virtute ac persona ipsius Christi'» (23).

«Cristo é a fonte de todo o sacerdócio: pois o sacerdócio da [antiga] lei era figura d'Ele, ao passo que o sacerdote da nova lei age na pessoa d'Ele» (24).

In ecclesiali ministri ordinati servitio, Ipse Christus, Ecclesiae Suae est praesens, quatenus Caput Sui corporis, Pastor Sui gregis, Summus sacrificii redemptoris Sacerdos, veritatis Magister. Hoc est quod Ecclesia exprimit affirmans sacerdotem, virtute sacramenti Ordinis, in persona Christi Capitis agere: 159

« Idem itaque Sacerdos, Christus Iesus, cuius quidem sacram personam Eius administer gerit. Hic siquidem, ob consecrationem quam accepit sacerdotalem, Summo Sacerdoti assimulatur, ac potestate fruitur operandi virtute ac persona Ipsius Christi ». 160

« Christus autem est fons totius sacerdotii: nam sacerdos legalis erat figura Ipsius; sacerdos autem novae Legis in persona Ipsius operatur ». 161

§ 1549
Pelo ministério ordenado, especialmente dos bispos e padres, a presença de Cristo como cabeça da Igreja torna-se visível no meio da comunidade dos crentes (25). Segundo a bela expressão de Santo Inácio de Antioquia, o bispo é týpos toû Patrós, como que a imagem viva de Deus Pai (26).
Per ministerium ordinatum, praesertim Episcoporum et presbyterorum, praesentia Christi, tamquam Capitis Ecclesiae, in communitate credentium, visibilis fit. 162 Secundum pulchram sancti Ignatii Antiocheni locutionem, Episcopus est typos tou Patrós, quasi vivens imago Dei Patris. 163
§ 1550
Esta presença de Cristo no seu ministro não deve ser entendida como se este estivesse premunido contra todas as fraquezas humanas, contra o afã de domínio, contra os erros, isto é, contra o pecado. A força do Espírito Santo não garante do mesmo modo todos os actos do ministro. Enquanto que nos sacramentos esta garantia é dada, de maneira que nem mesmo o pecado do ministro pode impedir o fruto da graça, há muitos outros actos em que a condição humana do ministro deixa vestígios, que nem sempre são sinal de fidelidade ao Evangelho e podem, por conseguinte, prejudicar a fecundidade apostólica da Igreja.
Haec Christi praesentia in ministro non sic debet intelligi ac si hic contra omnes humanas debilitates esset praemunitus, contra spiritum dominationis, contra errores, etiam contra peccatum. Spiritus Sancti virtus non omnibus ministri actibus eodem modo suam dat cautionem. Dum in sacramentis, haec datur cautio, ita ut ipsum ministri peccatum fructum gratiae impedire nequeat, multi alii habentur actus in quibus humanum ministri sigillum relinquit vestigia quae non semper signum sunt fidelitatis erga Evangelium, et quae consequenter apostolicae Ecclesiae fecunditati nocere possunt.
§ 1551
Este sacerdócio é ministerial. «O encargo que o Senhor confiou aos pastores do seu Povo é um verdadeiro serviço» (27). Refere-se inteiramente a Cristo e aos homens. Depende inteiramente de Cristo e do seu sacerdócio único, e foi instituído em favor dos homens e da comunidade da Igreja. O sacramento da Ordem comunica «um poder sagrado», que não é senão o de Cristo. O exercício desta autoridade deve, pois, regular-se pelo modelo de Cristo, que por amor Se fez o último e servo de todos (28). «O Senhor disse claramente que o cuidado dispensado ao seu rebanho seria uma prova de amor para com Ele» (29).
Hoc sacerdotium est ministeriale. « Munus [...] illud, quod Dominus Pastoribus populi Sui commisit, verum est servitium ». 164 Ad Christum et ad homines plene refertur. Plene a Christo et ab Eius dependet unico sacerdotio, et pro hominibus et Ecclesiae constitutum est communitate. Sacramentum Ordinis « sacram potestatem » communicat, quae alia non est ac illa Christi. Huius auctoritatis exercitium debet igitur secundum exemplar mensurari Christi, qui propter amorem ultimus et omnium factus est servus. 165 « Iure itaque Dominus curam gregis amoris erga Se argumentum esse dixit ». 166 ...« nomine totius Ecclesiae »

«EM NOME DE TODA A IGREJA»

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O sacramento da Ordem na economia da salvação

§ 1552
O sacerdócio ministerial não tem somente o encargo de representar Cristo. cabeça da Igreja, perante a assembleia dos fiéis; age também em nome de toda a Igreja, quando apresenta a Deus a oração da mesma Igreja (30) e, sobretudo, quando oferece o sacrifício eucarístico (31).
Sacerdotium ministeriale non solum habet munus repraesentandi Christum — Ecclesiae Caput — coram fidelium congregatione, agit etiam totius Ecclesiae nomine, cum Deo orationem praesentat Ecclesiae 167 et maxime cum eucharisticum offert Sacrificium. 168
§ 1553
«Em nome de toda a Igreja» não quer dizer que os sacerdotes sejam os delegados da comunidade. A oração e a oferenda da Igreja são inseparáveis da oração e da oferenda de Cristo, sua cabeça. É sempre o culto de Cristo na e pela sua Igreja. É toda a Igreja, corpo de Cristo, que ora e se oferece, «por Cristo, com Cristo, em Cristo», na unidade do Espírito Santo, a Deus Pai. Todo o corpo, caput et memora – cabeça e membros –, ora e oferece-se; e, por isso, aqueles que, no corpo, são de modo especial os ministros, chamam-se ministros não apenas de Cristo, mas também da Igreja. É porque representa Cristo, que o sacerdócio ministerial pode representar a Igreja.
« Nomine totius Ecclesiae », hoc non significat sacerdotes delegatos esse communitatis. Ecclesiae oratio et oblatio ab oratione et oblatione Christi, Capitis eius, sunt inseparabiles. Semper est cultus Christi in Ecclesia Sua et per ipsam. Tota Ecclesia, corpus Christi, orat et se offert « per Ipsum et cum Ipso et in Ipso », in unitate Spiritus Sancti, Deo Patri. Totum corpus, caput et membra, orat et se offert, et propterea illi qui, in corpore, speciatim eius sunt ministri, appellantur ministri non solum Christi, sed etiam Ecclesiae. Quia sacerdotium ministeriale Christum repraesentat, potest Ecclesiam repraesentare. III. Tres sacramenti Ordinis gradus

«EM NOME DE TODA A IGREJA»

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os três graus do sacramento da Ordem

§ 1554
«O ministério eclesiástico, instituído por Deus, é exercido em ordens diversas por aqueles que, desde a antiguidade, são chamados bispos, presbíteros e diáconos» (32). A doutrina católica, expressa na liturgia, no Magistério e na prática constante da Igreja, reconhece que existem dois graus de participação ministerial no sacerdócio de Cristo: o episcopado e o presbiterado. O diaconado destina-se a ajudá-los e a servi-los. Por isso, o termo «sacerdos» designa, no uso actual, os bispos e os presbíteros, mas não os diáconos. Todavia, a doutrina católica ensina que os graus de participação sacerdotal (episcopado e presbiterado) e o grau de serviço (diaconado), todos três são conferidos por um acto sacramental chamado «ordenação», ou seja, pelo sacramento da Ordem.

«Reverenciem todos os diáconos como a Jesus Cristo e de igual modo o bispo que é a imagem do Pai, e os presbíteros como o senado de Deus e como a assembleia dos Apóstolos: sem eles, não se pode falar de Igreja» (33).

« Ministerium ecclesiasticum divinitus institutum diversis ordinibus exercetur ab illis qui iam ab antiquo Episcopi, presbyteri et diaconi vocantur ». 169 Doctrina catholica, in liturgia, Magisterio et constanti Ecclesiae explicita praxi, agnoscit, duos gradus participationis ministerialis exsistere sacerdotii Christi: Episcopatum et presbyteratum. Diaconatus ad illos adiuvandos atque ad illis serviendum destinatur. Propterea verbum sacerdos designat, in usu hodierno, Episcopos et presbyteros, sed non diaconos. Tamen doctrina catholica docet, gradus participationis sacerdotalis (Episcopatum et presbyteratum) et gradum servitii (diaconatum) conferri, hos omnes tres, actu sacramentali qui « ordinatio » appellatur, id est, sacramento Ordinis:

« Cuncti revereantur diaconos ut Iesum Christum, sicut et Episcopum, qui est typus Patris, presbyteros autem ut senatum Dei et concilium Apostolorum. Sine his Ecclesia non vocatur ». 170

« Cuncti revereantur diaconos ut Iesum Christum, sicut et Episcopum, qui est typus Patris, presbyteros autem ut senatum Dei et concilium Apostolorum. Sine his Ecclesia non vocatur ». 170Ordinatio episcopalis – plenitudo sacramenti Ordinis

A ORDENAÇÃO EPISCOPAL – PLENITUDE DO SACRAMENTO DA ORDEM

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os três graus do sacramento da Ordem

§ 1555
«Entre os vários ministérios, que na Igreja se exercem desde os primeiros tempos, consta da Tradição que o principal é o daqueles que, constituídos no episcopado através de uma sucessão que remonta às origens, são os transmissores da semente apostólica» (34).
« Inter varia illa ministeria quae inde a primis temporibus in Ecclesia exercentur, teste traditione, praecipuum locum tenet munus illorum qui, in Episcopatum constituti, per successionem ab initio decurrentem, apostolici seminis traduces habent ». 171
§ 1556
Para desempenhar a sua sublime missão, «os Apóstolos foram enriquecidos por Cristo com uma efusão especial do Espírito Santo, que sobre eles desceu: e pela imposição das mãos eles próprios transmitiram aos seus colaboradores este dom espiritual que foi transmitido até aos nossos dias através da consagração episcopal» (35).
Ad suam altam adimplendam missionem, « Apostoli speciali effusione supervenientis Spiritus Sancti a Christo ditati sunt, et ipsi adiutoribus suis per impositionem manuum donum spirituale tradiderunt, quod usque ad nos in episcopali consecratione transmissum est ». 172
§ 1557
O II Concílio do Vaticano «ensina que, pela consagração episcopal, se confere a plenitude do sacramento do Ordens, à qual o costume litúrgico da Igreja e a voz dos santos Padres chamam sumo sacerdócio e vértice ["summa"] do sagrado ministério» (36).
Concilium Vaticanum II docet « episcopali consecratione plenitudinem conferri sacramenti Ordinis, quae nimirum et liturgica Ecclesiae consuetudine et voce sanctorum Patrum summum sacerdotium, sacri ministerii summa nuncupatur ». 173
§ 1558
«A consagração episcopal, juntamente com a função de santificar, confere também as funções de ensinar e governar [...] De facto, pela imposição das mãos e pelas palavras da consagração, a graça do Espírito Santo é dada e é impresso o carácter sagrado, de tal modo que os bispos fazem as vezes, de uma forma eminente e visível, do próprio Cristo, Mestre, Pastor e Pontífice, e actuam em vez d'Ele [«in Eius persona agant»]» (37). Por isso, pelo Espírito Santo que lhes foi dado, os bispos foram constituídos verdadeiros e autênticos mestres da fé, pontífices e pastores» (38).
« Episcopalis autem consecratio, cum munere sanctificandi, munera quoque confert docendi et regendi [...]. Perspicuum est manuum impositione et verbis consecrationis gratiam Spiritus Sancti ita conferri et sacrum characterem ita imprimi, ut Episcopi, eminenti ac adspectabili modo, Ipsius Christi Magistri, Pastoris et Pontificis partes sustineant et in Eius persona agant ». 174 « Episcopi itaque, per Spiritum Sanctum qui datus est eis, veri et authentici effecti sunt fidei Magistri, Pontifices ac Pastores ». 175
§ 1559
«É em virtude da consagração episcopal e pela comunhão hierárquica com a cabeça e os membros do colégio que alguém é constituído membro do corpo episcopal» (39).O carácter e a natureza colegial da ordem episcopal manifestam-se, entre outros modos, na antiga prática da Igreja que exige, para a consagração dum novo bispo, a participação de vários bispos (40). Para a ordenação legítima dum bispo requer-se, hoje, uma intervenção especial do bispo de Roma, em virtude da sua qualidade de supremo vínculo visível da comunhão das Igrejas particulares na Igreja una, e de garante da sua liberdade.
« Membrum Corporis episcopalis aliquis constituitur vi sacramentalis consecrationis et hierarchica communione cum Collegii capite atque membris ». 176 Indoles et natura collegiales ordinis episcopalis manifestantur, inter alia, vetere Ecclesiae praxi quae pro novi Episcopi consecratione vult ut plures Episcopi participent in sacro. 177 Pro legitima Episcopi ordinatione, hodie specialis Episcopi Romani requiritur interventus, ratione suae qualitatis supremi visibilis vinculi communionis Ecclesiarum particularium in una Ecclesia et sponsoris earum libertatis.
§ 1560
Cada bispo tem, como vigário de Cristo, o encargo pastoral da Igreja particular que lhe foi confiada. Mas, ao mesmo tempo, partilha colegialmente com todos os seus irmãos no episcopado a solicitude por todas as Igrejas: «Se cada bispo é pastor próprio apenas da porção do rebanho que foi confiada aos seus cuidados, a sua qualidade de legítimo sucessor dos Apóstolos, por instituição divina, torna-o solidariamente responsável pela missão apostólica da Igreja» (41).
Unusquisque Episcopus, tamquam Christi vicarius, pastorale habet munus Ecclesiae particularis quae ipsi est concredita, sed simul pro omnibus Ecclesiis sollicitudinem cum omnibus suis in Episcopatu fratribus gestat collegialiter: « Quodsi unusquisque Episcopus portionis tantum gregis sibi commissae sacer Pastor est, tamen qua legitimus Apostolorum successor ex Dei institutione et praecepto apostolici muneris Ecclesiae una cum ceteris Episcopis sponsor fit ». 178
§ 1561
Tudo o que acaba de ser dito explica porque é que a Eucaristia celebrada pelo bispo tem uma significação muito especial como expressão da Igreja reunida em torno do altar sob a presidência daquele que representa visivelmente Cristo, bom Pastor e Cabeça da sua Igreja (42).
Quidquid nunc dictum est, explicat cur Eucharistia ab Episcopo celebrata prorsus specialem habeat significationem tamquam expressionem Ecclesiae circa altare congregatae sub praesidentia illius qui visibiliter repraesentat Christum, bonum Pastorem et Caput Ecclesiae Eius. 179 Ordinatio presbyterorum – cooperatorum Episcoporum

A ORDENAÇÃO DOS PRESBÍTEROS – COOPERADORES DOS BISPOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os três graus do sacramento da Ordem

§ 1562
«Cristo, a Quem o Pai santificou e enviou ao mundo, por meio dos seus Apóstolos tornou os bispos, que são sucessores deles, participantes da sua consagração e missão; e estes, por sua vez, transmitem legitimamente o múnus do seu ministério em grau diverso e a diversos sujeitos na Igreja» (43). O seu cargo ministerial foi transmitido em grau subordinado aos presbíteros, para que, constituídos na Ordem do presbiterado, fossem cooperadores da Ordem episcopal para o desempenho perfeito da missão apostólica confiada por Cristo» (44).
« Christus, quem Pater sanctificavit et misit in mundum, consecrationis missionisque Suae per Apostolos Suos, eorum successores, videlicet Episcopos participes effecit, qui munus ministerii sui, vario gradu, variis subiectis in Ecclesia legitime tradiderunt ». 180 Eorum « munus ministerii, subordinato gradu, presbyteris traditum est, ut in Ordine presbyteratus constituti, ad rite explendam missionem apostolicam a Christo concreditam, ordinis episcopalis essent cooperatores ». 181
§ 1563
«O ofício dos presbíteros, enquanto unido à Ordem episcopal, participa da autoridade com que o próprio Cristo edifica, santifica e governa o seu corpo. Por isso, o sacerdócio dos presbíteros, embora pressuponha os sacramentos da iniciação cristã, é conferido mediante um sacramento especial, em virtude do qual os presbíteros, mediante a unção do Espírito Santo, ficam assinalados com um carácter particular e, dessa maneira, configurados a Cristo-Sacerdote, de tal modo que possam agir em nome e na pessoa de Cristo Cabeça» (45).
« Officium presbyterorum, utpote ordini episcopali coniunctum, participat auctoritatem qua Christus Ipse corpus Suum extruit, sanctificat et regit. Quare sacerdotium presbyterorum initiationis christianae sacramenta supponit, peculiari tamen illo sacramento confertur, quo presbyteri, unctione Spiritus Sancti, speciali charactere signantur et sic Christo Sacerdoti configurantur, ita ut in persona Christi Capitis agere valeant ». 182
§ 1564
«Os presbíteros, embora não possuam o pontificado supremo e dependam dos bispos no exercício do próprio poder, todavia estão-lhes unidos na honra do sacerdócio; e, por virtude do sacramento da Ordem, são consagrados, à imagem de Cristo, sumo e eterno sacerdote (46), para pregar o Evangelho, ser pastores dos fiéis e celebrar o culto divino como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento (47).
« Presbyteri, quamvis pontificatus apicem non habeant et in exercenda sua potestate ab Episcopis pendeant, cum eis tamen sacerdotali honore coniuncti sunt et vi sacramenti Ordinis, ad imaginem Christi, Summi atque aeterni Sacerdotis, 183 ad Evangelium praedicandum fidelesque pascendos et ad divinum cultum celebrandum consecrantur, ut veri sacerdotes Novi Testamenti ». 184
§ 1565
Em virtude do sacramento da Ordem, os sacerdotes participam das dimensões universais da missão confiada por Cristo aos Apóstolos. O dom espiritual que receberam na ordenação prepara-os, não para uma missão limitada e restrita, «mas sim para uma missão de salvação de amplitude universal, "até aos confins da terra"» (48), «dispostos, no seu coração, a pregar o Evangelho em toda a parte» (49).
Sacerdotes, virtute sacramenti Ordinis, universalitatem participant missionis Apostolis a Christo concreditae. Donum spirituale quod in ordinatione receperunt, eos praeparat, non ad missionem quamdam limitatam et restrictam, sed ad missionem salutis amplitudinis universalis, « usque ad ultimum terrae » (Act 1,8), 185 ita ut sint « animo parati ad Evangelium ubique praedicandum ». 186
§ 1566
«É no culto ou sinaxe eucarística que, por excelência exercem o seu múnus sagrado: nela, agindo na pessoa de Cristo e proclamando o seu mistério, unem as preces dos fiéis ao sacrifício da cabeça e, no sacrifício da Missa, tornam presente e aplicam, até à vinda do Senhor, o único sacrifício do Novo Testamento, o de Cristo, o qual de uma vez por todas se ofereceu ao Pai, como hóstia imaculada» (50). É deste sacrifício único que todo o seu ministério sacerdotal tira a própria força (51).
« Suum vero munus sacrum maxime exercent in eucharistico cultu vel synaxi, qua in persona Christi agentes Eiusque mysterium proclamantes, vota fidelium sacrificio Capitis ipsorum coniungunt, et unicum sacrificium Novi Testamenti, Christi scilicet Sese Patri immaculatam hostiam semel offerentis, in Sacrificio Missae usque ad Adventum Domini repraesentant et applicant ». 187 Ex hoc unico sacrificio, totum eorum sacerdotale ministerium suam haurit vim. 188
§ 1567
«Cooperadores esclarecidos da Ordem episcopal, sua ajuda e instrumento, chamados para o serviço do povo de Deus, os presbíteros constituem com o seu bispo um único presbyterium com diversas funções. Onde quer que se encontre uma comunidade de fiéis, eles tornam de certo modo, presente o bispo, ao qual estão associados, de ânimo fiel e generoso, e cujos encargos e solicitude assumem, segundo a própria medida, traduzindo-os na prática do cuidado quotidiano dos fiéis» (52). Os presbíteros só podem exercer o seu ministério na dependência do bispo e em comunhão com ele. A promessa de obediência, que fazem ao bispo no momento da ordenação, e o ósculo da paz dado pelo bispo no final da liturgia de ordenação, significam que o bispo os considera seus colaboradores, filhos, irmãos e amigos e que, em contrapartida, eles lhe devem amor e obediência.
« Presbyteri, ordinis episcopalis providi cooperatores eiusque adiutorium et organum, ad populo Dei inserviendum vocati, unum presbyterium cum suo Episcopo constituunt, diversis quidem officiis mancipatum. In singulis localibus fidelium congregationibus Episcopum, quocum fidenti et magno animo sociantur, quodammodo praesentem reddunt eiusque munera et sollicitudinem pro parte suscipiunt et cura cotidiana exercent ». 189 Presbyteri ministerium suum exercere non possunt nisi dependentes ab Episcopo et in communione cum ipso. Oboedientiae promissio quam Episcopo in ordinationis faciunt momento et osculum pacis Episcopi ad finem liturgiae ordinationis significant, Episcopum eos tamquam suos collaboratores, suos filios, suos fratres suosque amicos considerare, eosque vicissim illi amorem debere et oboedientiam.
§ 1568
«Os presbíteros, elevados pela ordenação à Ordem do presbiterado, estão unidos entre si numa íntima fraternidade sacramental. Especialmente na diocese, a cujo serviço, sob o bispo respectivo, estão consagrados, formam um só presbitério» (53). A unidade do presbitério tem uma expressão litúrgica no costume segundo o qual, durante o rito da ordenação presbiterial, os presbíteros impõem também eles as mãos, depois do bispo.
« Presbyteri, per ordinationem in Ordine presbyteratus constituti, omnes inter se intima fraternitate sacramentali nectuntur; specialiter autem in dioecesi cuius servitio sub Episcopo proprio addicuntur unum presbyterium efformant ». 190 Presbyterii unitas expressionem invenit liturgicam in consuetudine, secundum quam presbyteri, in ritu ordinationis, post Episcopum, et ipsi manus imponunt.Ordinatio diaconorum – « ad ministerium »

A ORDENAÇÃO DO DIÁCONOS – «EM VISTA DO SERVIÇO»

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os três graus do sacramento da Ordem

§ 1569
«No grau inferior da hierarquia estão os diáconos, aos quais foram impostas as mãos, "não em vista do sacerdócio, mas do serviço"» (54). Para a ordenação no diaconado, só o bispo é que impõe as mãos, significando com isso que o diácono está especialmente ligado ao bispo nos encargos próprios da sua « diaconia» (55).
« In gradu inferiori hierarchiae sistunt diaconi, quibus "non ad sacerdotium, sed ad ministerium" manus imponuntur ». 191 Pro diacono ordinando, solus Episcopus manus imponit, ita significans diaconum in muneribus suae « diaconiae » Episcopo speciatim annecti. 192
§ 1570
Os diáconos participam de modo especial na missão e na graça de Cristo (56). O sacramento da Ordem marca-os com um selo («carácter») que ninguém pode fazer desaparecer e que os configura com Cristo, que se fez «diácono», isto é, o servo de todos (57). Entre outros serviços, pertence aos diáconos assistir o bispo e os sacerdotes na celebração dos divinos mistérios, sobretudo da Eucaristia, distribuí-la, assistir ao Matrimónio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregar, presidir aos funerais e consagrar-se aos diversos serviços da caridade (58).
Diaconi missionem et gratiam Christi, modo speciali, participant. 193 Ordinis sacramentum eos signat sigillo (« charactere ») quod nemo delere potest et quod eos configurat Christo qui factus est « diaconus », id est, omnium minister. 194 Ad diaconos pertinent, inter alia, Episcopo et presbyteris in mysteriorum divinorum celebratione assistere, maxime Eucharistiae, eamque distribuere, Matrimonio assistere idque benedicere, Evangelium proclamare et praedicare, exsequiis praesidere atque se diversis caritatis consecrare servitiis. 195
§ 1571
A partir do II Concílio do Vaticano, a Igreja latina restabeleceu o diaconado «como grau próprio e permanente da hierarquia» (59), enquanto as Igrejas do Oriente o tinham sempre mantido. Este diaconado permanente, que pode ser conferido a homens casados, constitui um enriquecimento importante para a missão da Igreja. Com efeito, é apropriado e útil que homens, cumprindo na Igreja um ministério verdadeiramente diaconal, quer na vida litúrgica e pastoral, quer nas obras sociais e caritativas, «sejam fortificados pela imposição das mãos, transmitida desde os Apóstolos, e mais estreitamente ligados ao altar, para que cumpram o seu ministério mais eficazmente por meio da graça sacramental do diaconado» (60).
Post Concilium Vaticanum II, ab Ecclesia latina diaconatus « tamquam proprius ac permanens gradus hierarchiae » 196 est iterum stabilitus, dum Ecclesiae Orientales illum semper servaverant. Hic diaconatus permanens, qui viris coniugatis conferri potest, Ecclesiam multum ad eius ditavit missionem. Re vera, aptum est et utile, viros qui in Ecclesia ministerium vere diaconale explent sive in vita liturgica et pastorali sive in operibus socialibus et caritativis « per impositionem manuum inde ab Apostolis traditam corroborari et altari arctius coniungi, ut ministerium suum per gratiam sacramentalem diaconatus efficacius expleant ». 197 IV. Huius sacramenti celebratio

A ORDENAÇÃO DO DIÁCONOS – «EM VISTA DO SERVIÇO»

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A celebração deste sacramento

§ 1572
A celebração da ordenação dum bispo, de presbíteros ou de diáconos, dada a sua importância na vida duma Igreja particular, requer o concurso do maior número possível de fiéis. Terá lugar, de preferência, ao domingo e na Sé catedral, com solenidade adequada à circunstância. As três ordenações – do bispo, do presbítero e do diácono – seguem o mesmo esquema. O lugar próprio de sua celebração é dentro da liturgia eucarística.
Celebratio ordinationis Episcopi, presbyterorum vel diaconorum, propter suum pro vita Ecclesiae particularis momentum, fidelium postulat concursum quam maximum sit possibile. Die Dominica et in cathedrali ecclesia potissimum peragetur cum sollemnitate adiunctis accommodata. Tres ordinationes, Episcopi nempe, presbyteri et diaconi, idem sequuntur schema. Earum locus intra eucharisticam est liturgiam.
§ 1573
O rito essencial do sacramento da Ordem é constituído, para os três graus, pela imposição das mãos, por parte do bispo, sobre a cabeça do ordinando, bem como pela oração consecratória específica, que pede a Deus a efusão do Espírito Santo e dos seus dons apropriados ao ministério para que é ordenado o candidato (61).
Ritus essentialis sacramenti Ordinis, pro tribus gradibus, impositione manuum ab Episcopo super caput ordinandi peracta constituitur atque prece consecratoria specifica quae a Deo effusionem postulat Spiritus Sancti Eiusque dona ministerio, ad quod candidatus ordinatur, accommodata. 198
§ 1574
Como em todos os sacramentos, ritos anexos envolvem a celebração. Variando muito nas diversas tradições litúrgicas, tem todos um traço comum: exprimem os múltiplos aspectos da graça sacramental. Assim, os ritos iniciais, no rito latino – a apresentação e a eleição do ordinando, a alocução do bispo, o interrogatório do ordinando, as ladainhas dos santos – atestam que a escolha do candidato se fez em conformidade com o costume da Igreja e preparam o acto solene da consagração depois da qual vários ritos vêm exprimir e completar, de modo simbólico, o mistério realizado: para o bispo e para o sacerdote, a unção com o santo crisma, sinal da unção especial do Espírito Santo, que torna fecundo o seu ministério; entrega do livro dos Evangelhos do anel, da mitra e do báculo ao bispo, em sinal da sua missão apostólica de anunciar a Palavra de Deus, da sua fidelidade à Igreja, esposa de Cristo, do seu múnus de pastor do rebanho do Senhor: para o presbítero, entrega da patena e do cálice, «a oferenda do povo santo» (62) que ele é chamado a apresentar a Deus; para o diácono, entrega do livro dos Evangelhos, pois acaba de receber a missão de anunciar o Evangelho de Cristo.
Sicut in omnibus sacramentis, ritus quidam annexi celebrationem circumdant. In diversis traditionibus liturgicis magnopere variantes, in communi habent, eos multiplices exprimere gratiae sacramentalis rationes. Sic, in ritu latino, ritus initiales — ordinandi presentatio et electio, Episcopi allocutio, ordinandi interrogatorium, sanctorum litaniae — testantur candidati electionem secundum usum Ecclesiae esse factam actumque sollemnem praeparant consecrationis, post quam plures sequuntur ritus ut mysterium adimpletum exprimant et symbolice perficiant: pro Episcopo et presbytero unctio sancto chrismate, signum specialis unctionis Spiritus Sancti qui fecundum eorum reddit ministerium; libri Evangeliorum, anuli, mitrae et baculi traditio Episcopo tamquam signum eius missionis apostolicae annuntiandi verbum Dei, eius fidelitatis erga Ecclesiam, Sponsam Christi, eius muneris pastoris gregis Domini; presbytero traditio patenae et calicis, oblationis plebis sanctae, 199 ad quam Deo praesentandam vocatur; traditio libri Evangeliorum diacono qui missionem iam accepit Evangelium Christi nuntiandi. V. Quis potest hoc sacramentum conferre?

A ORDENAÇÃO DO DIÁCONOS – «EM VISTA DO SERVIÇO»

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem pode conferir este sacramento?

§ 1575
Foi Cristo quem escolheu os Apóstolos e lhes deu parte na sua missão e autoridade. Depois de ter subido à direita do Pai, Cristo não abandona o seu rebanho, antes continuamente o guarda por meio dos Apóstolos com a sua protecção e continua a dirigi-lo através destes mesmos pastores que hoje prosseguem a sua obra  (63). É pois Cristo «quem dá», a uns serem apóstolos, a outros serem pastores (64). E continua agindo por meio dos bispos (65).
Christus Apostolos elegit eisque in Sua missione Suaque auctoritate dedit participationem. Ad dexteram Patris elevatus, gregem Suum non deserit, sed eum per Apostolos sub continua Sua custodit protectione et adhuc per hos eosdem dirigit Pastores qui hodie Eius opus prosequuntur. 200 Christus igitur quosdam « dat » esse Apostolos, alios autem Pastores. 201 Ipse per Episcopos agere pergit. 202
§ 1576
Uma vez que o sacramento da Ordem é o sacramento do ministério apostólico, pertence aos bispos, enquanto sucessores dos Apóstolos, transmitir «o dom espiritual» (66), «a semente apostólica» (67). Os bispos validamente ordenados, isto é, que estão na linha da sucessão apostólica, conferem validamente os três graus do sacramento da Ordem (68).
Quia sacramentum Ordinis est ministerii apostolici sacramentum, ad Episcopos, quatenus Apostolorum successores, pertinet « donum spirituale », 203 « apostolici seminis traduces » 204 transmittere. Episcopi valide ordinati, id est, illi qui in successione sunt apostolica, valide tres sacramenti Ordinis conferunt gradus. 205 VI. Quis potest hoc recipere sacramentum?

A ORDENAÇÃO DO DIÁCONOS – «EM VISTA DO SERVIÇO»

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Quem pode receber este sacramento?

§ 1577
«Só o varão (vir) baptizado pode receber validamente a sagrada ordenação» (69). O Senhor Jesus escolheu homens (viri) para formar o colégio dos Doze Apóstolos (70), e o mesmo fizeram os Apóstolos quando escolheram os seus colaboradores (71) para lhes sucederem no desempenho do seu ministério (72). O Colégio dos bispos, a que os presbíteros estão unidos no sacerdócio, torna presente e actualiza, até que Cristo volte, o Colégio dos Doze. A Igreja reconhece-se vinculada por essa escolha feita pelo Senhor em pessoa. É por isso que a ordenação das mulheres não é possível (73).
« Sacram ordinationem valide recipit solus vir baptizatus ». 206 Dominus Iesus viros elegit ad efformandum duodecim Apostolorum collegium, 207 atque idem fecerunt Apostoli cum elegerunt collaboratores, 208 qui eis in eorum succederent munere. 209 Episcoporum collegium cum quo presbyteri in sacerdotio sunt coniuncti, praesens, usque ad Christi reditum, reddit et actuale efficit Duodecim collegium. Ecclesia se agnoscit huius electionis Ipsius Domini vinculo alligatam. Hac de causa, mulierum ordinatio possibilis non est. 210
§ 1578
Ninguém tem direito a receber o sacramento da Ordem. Com efeito, ninguém pode arrogar-se tal encargo. É-se chamado a ele por Deus (74). Aquele que julga reconhecer em si sinais do chamamento divino ao ministério ordenado, deve submeter humildemente o seu desejo à autoridade da Igreja, à qual incumbe a responsabilidade e o direito de chamar alguém para receber as Ordens. Como toda e qualquer graça, este sacramento só pode ser recebido como um dom imerecido.
Nemo habet ius sacramentum Ordinis recipiendi. Re vera, nemo sibi hoc sumit munus. Ad illud fit a Deo vocatio. 211 Qui signa vocationis Dei ad ministerium ordinatum agnoscere putat, suum optatum humiliter submittere debet Ecclesiae auctoritati, ad quam pertinent responsabilitas et ius aliquem vocandi ad ordines recipiendos. Sicut omnis gratia, hoc sacramentum recipi non potest nisi tamquam donum immeritum.
§ 1579
Todos os ministros ordenados da Igreja latina, à excepção dos diáconos permanentes, são normalmente escolhidos entre homens crentes que vivem celibatários e têm vontade de guardar o celibato «por amor do Reino dos céus» (Mt 19, 12). Chamados a consagrarem-se totalmente ao Senhor e às «suas coisas» (75) dão-se por inteiro a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta vida nova, para cujo serviço o ministro da Igreja é consagrado: aceite de coração alegre, anuncia de modo radioso o Reino de Deus (76).
Omnes Ecclesiae latinae ministri ordinati, praeter diaconos permanentes, modo normali inter fideles viros eliguntur qui ut coelibes vivunt et voluntatem habent coelibatum servandi « propter Regnum caelorum » (Mt 19,12). Vocati ut sine divisione Domino consecrentur et illis quae sunt Eius, 212 se totos Deo et hominibus tradunt. Coelibatus signum est huius novae vitae in cuius servitium minister consecratur Ecclesiae; laeto acceptus corde, modo splendenti Regnum annuntiat Dei. 213
§ 1580
Nas Igrejas orientais vigora, desde há séculos, uma disciplina diferente: enquanto os bispos são escolhidos unicamente entre os celibatários, homens casados podem ser ordenados diáconos e presbíteros. Esta prática é, desde há muito tempo, considerada legítima: estes sacerdotes exercem um ministério frutuoso nas suas comunidades (77). Mas, por outro lado, o celibato dos sacerdotes é tido em muita honra nas Igrejas orientais e são numerosos aqueles que livremente optam por ele, por amor do Reino de Deus. Tanto no Oriente como no Ocidente, aquele que recebeu o sacramento da Ordem já não pode casar-se.
In Ecclesiis Orientalibus, inde a saeculis, disciplina viget diversa: dum Episcopi solum inter coelibes eliguntur, viri coniugati possunt diaconi et presbyteri ordinari. Haec praxis, a longo tempore, legitima habetur; hi presbyteri ministerium in suis communitatibus exercent fructuosum. 214 Ceterum, coelibatus presbyterorum in Ecclesiis Orientalibus valde est in honore, et plures presbyteri illum propter Regnum Dei libere elegerunt. In Oriente, sicut in Occidente, qui sacramentum recepit Ordinis, non potest iam matrimonium contrahere. VII. Effectus sacramenti Ordinis Character indelebilis

O CARÁCTER INDELÉVEL

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os efeitos do sacramento da Ordem

§ 1581
Este sacramento configura o ordinando com Cristo por uma graça especial do Espírito Santo, a fim de servir de instrumento de Cristo em favor da sua Igreja. Pela ordenação, recebe-se a capacidade de agir como representante de Cristo, cabeça da Igreja. na sua tríplice função de sacerdote, profeta e rei.
Hoc sacramentum ordinandum Christo per gratiam Spiritus Sancti configurat specialem, ut sit instrumentum Christi pro Eius Ecclesia. Per ordinationem recipitur capacitas agendi tamquam Christi legatus, Capitis Ecclesiae, in Eius triplici munere sacerdotis, prophetae et regis.
§ 1582
Tal como no caso do Baptismo e da Confirmação, esta participação na função de Cristo é dada uma vez por todas. O sacramento da Ordem confere, também ele, um carácter espiritual indelével, e não pode ser repetido nem conferido para um tempo limitado (78).
Sicut in Baptismo et Confirmatione, haec participatio muneris Christi semel pro semper praebetur. Sacramentum Ordinis confert, et ipsum, characterem spiritualem indelebilem et iterari non potest nec ad tempus conferri. 215
§ 1583
Uma pessoa validamente ordenada pode, é certo, por graves motivos, ser dispensada das obrigações e funções decorrentes da ordenação, ou ser proibido de as exercer (79): mas já não pode voltar a ser leigo, no sentido estrito (80), porque o carácter impresso pela ordenação fica para sempre. A vocação e a missão recebidas no dia da ordenação marcam-no de modo permanente.
Valide ordinatus potest certe, gravibus de causis, ab obligationibus et muneribus exonerari ordinationi coniunctis vel prohiberi ne ea exerceat, 216 sed non potest, sensu stricto, laicus rursus fieri quia impressus ordinatione character manet semper. 217 Vocatio et missio receptae die eius ordinationis eum permanenti modo signant.
§ 1584
Uma vez que é Cristo, afinal, quem age e opera a salvação através do ministro ordenado, a indignidade deste não impede Cristo de agir (81). Santo Agostinho di-lo numa linguagem vigorosa:

«Quanto ao ministro orgulhoso, deve ser contado juntamente com o diabo. E nem por isso se contamina o dom de Cristo: o que através de tal ministro se comunica, conserva a sua pureza: o que passa por ele mantém-se límpido e chega até à terra fértil. [...] De facto, a virtude espiritual do sacramento é semelhante à luz: os que devem ser iluminados recebem-na na sua pureza, e ela, embora atravesse seres manchados, não se suja» (82).

Quia Christus est qui ultimo agit et operatur salutem per ministrum ordinatum, huius indignitas non impedit quominus Christus agat. 218 Sanctus Augustinus id firmiter asserit:

« Qui vero fuerit superbus minister, cum zabulo computatur; sed non contaminatur donum Christi, quod per illum fluit purum, quod per illum transit liquidum venit ad fertilem terram. [...] Spiritalis enim virtus sacramenti ita est ut lux: et ab illuminandis pura excipitur, et si per immundos transeat, non inquinatur ». 219

A GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os efeitos do sacramento da Ordem

§ 1585
A graça do Espírito Santo própria deste sacramento consiste numa configuração com Cristo, Sacerdote, Mestre e Pastor, de quem o ordenado é constituído ministro.
Spiritus Sancti gratia huic sacramento propria est illa configurationis ad Christum Sacerdotem, Magistrum et Pastorem, cuius ordinatus constituitur minister.
§ 1586
Para o bispo, é, em primeiro lugar, uma graça de fortaleza («Spiritum principalem – Espírito soberano», isto é, Espírito que faz chefes, pede a oração de consagração do bispo, no rito latino (83)): a graça de guiar e defender, com força e prudência, a sua Igreja, como pai e pastor, com amor desinteressado para com todos e uma predilecção pelos pobres, os enfermos e os necessitados (84). Esta graça impele-o a anunciar o Evangelho a todos, a ser o modelo do seu rebanho, a ir adiante dele no caminho da santificação, identificando-se na Eucaristia com Cristo sacerdote e vítima, sem recear dar a vida pelas suas ovelhas:

«Ó Pai, que conheceis os corações, concedei ao vosso servo, que escolhestes para o episcopado, a graça de apascentar o vosso santo rebanho e de exercer de modo irrepreensível, diante de Vós, o supremo sacerdócio, servindo-Vos noite e dia: que ele torne propício o vosso rosto e ofereça os dons da vossa santa Igreja: tenha, em virtude do Espírito do supremo sacerdócio, o poder de perdoar os pecados segundo o vosso mandamento, distribua os cargos segundo a vossa ordem e desligue de todo o vínculo pelo poder que Vós destes aos Apóstolos: que ele Vos agrade pela sua doçura e coração puro, oferecendo-Vos um perfume agradável, por vosso Filho Jesus Cristo...» (85).

Pro Episcopo est imprimis gratia roboris (« Spiritum principalem » seu Spiritum qui principes constituit, petit oratio consecrationis Episcopi in ritu latino 220): illa ducendi suam Ecclesiam eamque defendendi fortiter et prudenter sicut pater et pastor, cum amore erga omnes gratuito et praedilectione erga pauperes, infirmos et nos. 221 Haec gratia illum impellit ut Evangelium omnibus nuntiet, ut gregi suo sit exemplar, ut illum in via sanctificationis praecedat, se in Eucharistia cum Christo Sacerdote et Victima unum efficiens, quin timeat pro ovibus suis dare vitam:

« Da, cordis cognitor Pater, super hunc servum Tuum, quem elegisti ad Episcopatum, pascere gregem sanctum Tuum, et primatum sacerdotii Tibi exhibere sine reprehensione, servientem noctu et die, incessanter repropitiari vultum Tuum et offerre dona sanctae Ecclesiae Tuae, spiritu primatus sacerdotii habere potestatem dimittere peccata secundum mandatum Tuum, dare sortes secundum praeceptum Tuum, solvere etiam omnem colligationem secundum potestatem quam dedisti Apostolis, placere autem Tibi in mansuetudine et mundo corde, offerentem Tibi odorem suavitatis, per Puerum Tuum Iesum Christum... ». 222

§ 1587
O dom espiritual, conferido pela ordenação presbiterial, está expresso nesta oração própria do rito bizantino. O bispo, impondo as mãos, diz, entre outras coisas:

«Senhor, enchei do dom do Espírito Santo aquele que Vos dignastes elevar ao grau de presbítero, para que seja digno de se manter irrepreensível diante do vosso altar, de anunciar o Evangelho do vosso Reino, de desempenhar o ministério da vossa Palavra de verdade, de Vos oferecer dons e sacrifícios espirituais, de renovar o vosso povo pelo banho da regeneração; de modo que, ele próprio, vá ao encontro do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo, vosso Unigénito, no dia da sua segunda vinda, e receba da vossa imensa bondade a recompensa dum fiel desempenho do seu ministério» (86).

Donum spirituale, quod ordinatio confert presbyteralis, hac oratione ritui Byzantino propria exprimitur. Episcopus, manus imponens, dicit inter alia:

« Ipse Domine, etiam et istum quem Tibi presbyteri gradum subire complacuit, dono Sancti Tui Spiritus adimple, ut inculpate sancto Tuo altari assistere dignus fiat, Regni Tui Evangelium annuntiare, veritatis Tuae verbum sanctificare, dona et hostias spirituales Tibi offerre, populumque Tuum per lavacrum regenerationis innovare; ut et ipse in secundo magni Dei et Salvatoris nostri Iesu Christi Filii Tui unigeniti Adventu occurrens, rectae administrationis proprii nimirum sibi ordinis, in multitudine bonitatis Tuae, mercedem accipiat ». 223

§ 1588
Quanto aos diáconos, «fortalecidos pela graça sacramental, servem o povo de Deus na "diaconia" da liturgia, da palavra e da caridade, em comunhão com o bispo e o seu presbitério» (87).
Diaconi vero « gratia [...] sacramentali roborati, in diaconia liturgiae, verbi et caritatis populo Dei, in communione cum Episcopo eiusque presbyterio, inserviunt ». 224
§ 1589
Perante a grandeza da graça e do múnus sacerdotais, os santos doutores sentiram o apelo urgente à conversão, a fim de corresponderem, por toda a sua vida, Àquele de Quem o sacramento os constituiu ministros. É assim que São Gregário de Nazianzo, ainda jovem presbítero. exclama:

«Temos de começar por nos purificar, antes de purificarmos os outros: temos de ser instruídos, para podermos instruir: temos de nos tornar luz para alumiar, de nos aproximar de Deus para podermos aproximar d'Ele os outros, ser santificados para santificar, conduzir pela mão e aconselhar com inteligência» (88). «Eu sei de Quem somos ministros, a que nível nos encontramos e para onde nos dirigimos. Conheço as alturas de Deus e a fraqueza do homem, mas também a sua força» (89). [Quem é, pois, o sacerdote? Ele é] «o defensor da verdade, eleva-se com os anjos glorifica com os arcanjos, faz subir ao altar do Alto as vítimas dos sacrifícios, participa no sacerdócio de Cristo, remodela a criatura, restaura [nela] a imagem [de Deus], recria-a para o mundo do Alto e, para dizer o que há de mais sublime, é divinizado e diviniza» (90).

E diz o santo Cura d'Ars: «É o sacerdote quem continua a obra da redenção na terra»... «Se bem se compreendesse o que o sacerdote é na terra, morrer-se-ia, não de medo, mas de amor». [...] «O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus» (91).

Coram gratiae et muneris sacerdotalium magnitudine, sancti doctores urgentem ad conversionem sunt experti vocationem ut tota vita sua corresponderent Ei, cuius sacramentum illos constituit ministros. Sic sanctus Gregorius Nazianzenus, tunc admodum iuvenis presbyter, exclamat:

« Purgari prius oportet, deinde purgare; sapientia instrui, atque ita demum alios sapientia instruere; lux fieri, et alios illuminare; ad Deum appropinquare, et ita alios adducere; sanctificari, et postea sanctificare; cum manibus ducere, cum prudentia consilium dare ». 225 « Scio, cuius ministri sumus, et ubi iacentes, et quo mittentes. Scio, quae Dei sublimitas, quae humana infirmitas, ac rursum potentia sit ». 226 [Quis est ergo sacerdos? Est] veritatis propugnator, « qui cum angelis stabit, cum archangelis glorificabit, ad supernum altare sacrificia transmittet, cum Christo sacerdotio fungetur, figmentum instaurabit, imaginem exhibebit, superno mundo opificem aget, et, ut, quod maius est, dicam, deus erit, aliosque deos efficiet ». 227

Et sanctus Parochus pagi Ars: « Sacerdos opus Redemptionis hic in terris prosequitur ». [...] « Si quis hic in terris bene intelligeret sacerdotem, moreretur non ex metu, sed ex amore ». [...] « Sacerdotium est cordis Iesu amor ». 228

COMPÊNDIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Resumindo

§ 1590
São Paulo ao seu discípulo Timóteo: «Exorto-te a que reavives o dom que Deus depositou em ti, pela imposição das minhas mãos» (2 Tm 1, 6), e «aquele que aspira ao lugar de bispo, aspira a uma nobre função» (1 Tm 3, 1). A Tito, o mesmo Apóstolo dizia: «Se te deixei em Creta, foi para acabares de organizar o que faltava e estabelecer anciãos em cada cidade, como te havia ordenado» (Tt 1, 5).
Sanctus Paulus suo discipulo Timotheo dicit: « Admoneo te, ut resuscites donationem Dei, quae est in te per impositionem manuum mearum » (2 Tim 1,6), et: « si quis Episcopatum appetit, bonum opus desiderat » (1 Tim 3,1). Ad Titum dicebat: « Huius rei gratia reliqui te Cretae, ut ea, quae desunt, corrigas et constituas per civitates presbyteros, sicut ego tibi disposui » (Tit 1,5).
§ 1591
A Igreja é, na sua totalidade, um povo sacerdotal. Graças ao Baptismo, todos os fiéis participam no sacerdócio de Cristo. Esta participação chama-se «sacerdócio comum dos fiéis». Na base deste sacerdócio e ao seu serviço, existe uma outra participação na missão de Cristo: a do ministério conferido pelo sacramento da Ordem, cuja missão é servir em nome e na pessoa de Cristo-Cabeça no meio da comunidade.
Tota Ecclesia populus est sacerdotalis. Propter Baptismum, omnes fideles sacerdotium participant Christi. Haec participatio « sacerdotium commune fidelium » appellatur. Super eius fundamento et in eius servitium alia exsistit missionis Christi participatio, illa ministerii collati sacramento Ordinis, cuius munus est, nomine et in persona Christi Capitis, in communitate servire.
§ 1592
O sacerdócio ministerial difere essencialmente do sacerdócio comum dos fïéis, porque confere um poder sagrado para o serviço dos mesmos fiéis. Os ministros ordenados exercem o seu serviço junto do povo de Deus pelo ensino (munus docendi), pelo culto divino (munus liturgicum) e pelo governo pastoral (munus regendi).
Sacerdotium ministeriale essentialiter a sacerdotio fidelium differt communi propterea quod sacram potestatem in fidelium confert servitium. Ministri ordinati suum erga populum Dei servitium exercent per doctrinam (munus docendi), cultum divinum (munus liturgicum) et per pastoralem gubernationem (munus regendi).
§ 1593
Desde as origens, o ministério ordenado fui conferido e exercido em três graus: o dos bispos, o dos presbíteros e o dos diáconos. Os ministérios conferidos pela ordenação são insubstituíveis na estrutura orgânica da Igreja: sem bispo, presbíteros e diáconos, não pode falar-se de Igreja (92).
Inde ab originibus, ministerium ordinatum in tribus gradibus collatum est et exercitum: in illo Episcoporum, in illo presbyterorum et in illo diaconorum. Ministeria per ordinationem collata pro organica Ecclesiae structura non possunt substitui: sine Episcopo, presbyteris et diaconis de Ecclesia sermo esse nequit. 229
§ 1594
O bispo recebe a plenitude do sacramento da Ordem que o insere no colégio episcopal e faz dele o chefe visível da Igreja particular que lhe é confiada. Os bispos, enquanto sucessores dos Apóstolos e membros do Colégio, têm parte na responsabilidade apostólica e na missão de toda a Igreja, sob a autoridade do Papa, sucessor de São Pedro.
Episcopus sacramenti Ordinis recipit plenitudinem quae eum in Collegium inserit episcopale eumque efficit visibile caput Ecclesiae particularis quae ei concredita est. Episcopi, quatenus Apostolorum successores et Collegii membra, responsabilitatem apostolicam participant et missionem totius Ecclesiae sub auctoritate Romani Pontificis, Successoris sancti Petri.
§ 1595
Os presbíteros estão unidos aos bispos na dignidade sacerdotal e, ao mesmo tempo, dependem deles no exercício das suas funções pastorais; são chamados a ser os cooperadores providentes dos bispos; formam, d volta do seu bispo, o presbitério, que assume com ele a responsabilidade da Igreja particular: Os presbíteros recebem do bispo o encargo duma comunidade paroquial ou duma função eclesial determinada.
Presbyteri in dignitate sacerdotali cum Episcopis coniunguntur simulque ab illis dependent in suorum munerum pastoralium exercitio; vocati sunt ut providi Episcoporum sint cooperatores; circa suum Episcopum presbyterium constituunt, quod cum illo responsabilitatem sustinet Ecclesiae particularis. Ab Episcopo officium communitatis accipiunt paroecialis vel munus ecclesiale concretum.
§ 1596
Os diáconos são ministros ordenados para as tarefas de serviço da Igreja; não recebem o sacerdócio ministerial, mas a ordenação confere-lhes funções importantes no ministério da Palavra, culto divino, governo pastoral e serviço da caridade, encargos que eles devem desempenhar sob a autoridade pastoral do seu bispo.
Diaconi sunt ministri ordinati ad munera servitii Ecclesiae; sacerdotium non accipiunt ministeriale, sed ordinatio illis confert munera magni momenti in ministerio verbi, cultus divini, pastoralis gubernationis et servitii caritatis, quae quidem munera sub auctoritate pastorali sui Episcopi debent explere.
§ 1597
O sacramento da Ordem é conferido pela imposição das mãos, seguida duma solene oração consecratória, que pede a Deus para o ordinando as graças do Espírito Santo, requeridas para o seu ministério. A ordenação imprime um carácter sacramental indelével.
Sacramentum Ordinis per manuum impositionem confertur quam oratio sollemnis sequitur consecratoria quae a Deo pro ordinando postulat gratias Spiritus Sancti ad eius ministerium requisitas. Ordinatio characterem sacramentalem imprimit indelebilem.
§ 1598
A Igreja confere o sacramento da Ordem somente a homens (viris) baptizados, cujas aptidões para o exercício do ministério tenham sido devidamente reconhecidas. Compete à autoridade da Igreja a responsabilidade e o direito de chamar alguém para receber a Ordem.
Ecclesia sacramentum Ordinis solummodo baptizatis confert viris, quorum aptitudines ad ministerii exercitium rite recognitae sunt. Ad Ecclesiae auctoritatem pertinent responsabilitas et ius aliquem vocandi ad ordines recipiendos.
§ 1599
Na Igreja latina, o sacramento da Ordem para o presbiterado, normalmente, apenas é conferido a candidatos decididos a abraçar livremente o celibato e que manifestem publicamente a sua vontade de o guardar por amor do Reino de Deus e do serviço dos homens.
In Ecclesia latina, sacramentum Ordinis pro presbyteratu normali modo nonnisi candidatis confertur qui dispositi sunt ad coelibatum libere amplectendum et publice suam manifestant voluntatem eum servandi propter Regni Dei et servitii hominum amorem.
§ 1600
Pertence aos bispos o direito de conferir o sacramento da Ordem nos seus três graus.
Ad Episcopos pertinet Ordinis sacramentum in tribus conferre gradibus. (141) Cf Heb 5,6; 7,11; Ps 110,4. (142) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14. (143) Cf Is 61,6. (144) Cf Nm 1,48-53. (145) Cf Ios 13,33. (146) Cf Ex 29,1-30; Lv 8. (147) Cf Heb 5,1. (148) Cf Mal 2,7-9. (149) Cf Heb 5,3; 7,27; 10,1-4. (150) Cf Nm 11,24-25. (151) Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum, De Ordinatione Episcopi. Prex ordinationis, 47, editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis 1990) p. 24. (152) Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum, De Ordinatione presbyterorum. Prex ordinationis, 159, editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis 1990) p. 91-92.(153) Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum, De Ordinatione diaconorum. Prex ordinationis, 207, editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis 1990) p. 121. (154) Sanctus Thomas Aquinas, Commentarium in epistolam ad Hebraeos, c. 7, lect. 4: Opera omnia, v. 21 (Parisiis 1876) p. 647.(155) Cf Apc 1,6; 5,9-10; 1 Pe 2,5.9. (156) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.(157) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.(158) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.(159) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14; Ibid., 28: AAS 57 (1965) 34; Id., Const. Sacrosanctum Concilium, 33: AAS 56 (1964) 108; Id., Decr. Christus Dominus, 11: AAS 58 (1966) 677; Id., Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 992; Ibid., 6: AAS 58 (1966) 999.(160) Pius XII, Litt. enc. Mediator Dei: AAS 14 (1947) 548. (161) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, III, q. 22, a. 4, c: Ed. Leon. 11, 260. (162) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 21: AAS 57 (1965) 24. (163) Cf Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Trallianos, 3, 1: SC 10bis, 96 (Funk 1, 244); Id., Epistula ad Magnesios, 6, 1: SC 10bis, 84 (Funk 1, 234). (164) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 24: AAS 57 (1965) 29.(165) Cf Mc 10,43-45; 1 Pe 5,3. (166) Sanctus Ioannes Chrysostomus, De sacerdotio, 2, 4: SC 272, 118 (PG 48, 635); cf Io 21,15-17. (167) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 33: AAS 56 (1964) 108. (168) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 14. (169) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 28: AAS 57 (1965) 33-34.(170) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Trallianos, 3, 1: SC 10bis, 96 (Funk 1, 244). (171) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 20: AAS 57 (1965) 23.(172) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 21: AAS 57 (1965) 24.(173) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 21: AAS 57 (1965) 25.(174) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 21: AAS 57 (1965) 25.(175) Concilium Vaticanum II, Decr. Christus Dominus, 2: AAS 58 (1966) 674.(176) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 22: AAS 57 (1965) 26.(177) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 22: AAS 57 (1965) 26.(178) Pius XII, Litt. enc. Fidei donum: AAS 49 (1957) 237; cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 23: AAS 57 (1965) 27-28; Id., Decr. Christus Dominus, 4: AAS 58 (1966) 674-675; Ibid., 36: AAS 58 (1966) 692; Ibid., 37: AAS 58 (1966) 693; Id., Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 951-952; Ibid., 6: AAS 58 (1966) 952-953; Ibid., 38: AAS 58 (1966) 984-986. (179) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 41: AAS 56 (1964) 111; Id., Const. dogm. Lumen gentium, 26: AAS 57 (1965) 31-32.(180) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 28: AAS 57 (1965) 33.(181) Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 992.(182) Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 992.(183) Cf Heb 5,1-10; 7,24; 9,11-28. (184) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 28: AAS 57 (1965) 34.(185) Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 10: AAS 558 (1966) 1007.(186) Concilium Vaticanum II, Decr. Optatam totius, 20: AAS 58 (1966) 726.(187) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 28: AAS 57 (1965) 34.(188) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 993.(189) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 28: AAS 57 (1965) 35.(190) Concilium Vaticanum II. Decr. Presbyterorum ordinis, 8: AAS 58 (1966) 1003.(191) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 29: AAS 57 (1965) 36; cf Id., Decr. Christus Dominus, 15: AAS 58 (1966) 679.(192) Cf Sanctus Hippolytus Romanus, Traditio apostolica, 8: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) p. 22-24. (193) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 41: AAS 57 (1965) 46; Id., Decr. Ad gentes, 16: AAS 58 (1966) 967.(194) Cf Mc 10,45; Lc 22,27; Sanctus Polycarpus Smyrnensis, Epistula ad Philippenses, 5, 2: SC 10bis 182 (Funk 1, 300). (195) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 29: AAS 57 (1965) 36; Id., Const. Sacrosanctum Concilium, 35, 4: AAS 56 (1964) 109; Id., Decr. Ad gentes, 16: AAS 58 (1966) 967.(196) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 29: AAS 57 (1965) 36.(197) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 16: AAS 58 (1966) 967. (198) Cf Pius XII, Const. ap. Sacramentum ordinis: DS 3858. (199) Cf Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum, De Ordinatione presbyterorum. Traditio panis et vini, 163, editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis 1990) p. 95. (200) Cf Praefatio de Apostolis I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 426. (201) Cf Eph 4,11. (202) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 21: AAS 57 (1965) 24. (203) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 21: AAS 57 (1965) 24.(204) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 20: AAS 57 (1965) 23.(205) Cf Innocentius III, Professio fidei Waldensibus praescripta: DS 794; Concilium Lateranense IV, Cap. 1, De fide catholica: DS 802; CIC canon 1012; CCEO canones 744. 747. (206) 5 CIC canon 1024. (207) Cf Mc 3,14-19; Lc 6,12-16. (208) Cf 1 Tim 3,1-13; 2 Tim 1,6; Tit 1,5-9. (209) Cf Sanctus Clemens Romanus, Epistula ad Corinthios, 42, 4: SC 167, 168-170 (Funk 1, 152); Ibid., 44,3: SC 167, 172 (Funk 1, 156).(210) Cf Ioannes Paulus II, Ep. ap. Mulieris dignitatem, 26-27: AAS 80 (1988) 1715-1720; Id., Ep. ap. Ordinatio sacerdotalis: AAS 86 (1994) 545-548; Sacra Congregatio pro Doctrina fidei, Decl. Inter insigniores: AAS 69 (1977) 98-116; Id., Responsum ad dubium circa doctrinam in Epist. Ap. « Ordinatio Sacerdotalis » traditam: AAS 87 (1995) 1114.(211) Cf Heb 5,4.(212) Cf 1 Cor 7,32. (213) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 16: AAS 58 (1966) 1015-1016. (214) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 16: AAS 58 (1966) 1015. (215) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 23a, Doctrina de sacramento Ordinis, c. 4: DS 1767; Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 21: AAS 57 (1965) 25; Ibid., 28: AAS 57 (1965) 34; Ibid., 29: AAS 57 (1965) 36; Id., Decr. Presbyterorum ordinis, 2: 58 (1966) 992. (216) CIC canones 290-293. 1336, § 1, 3 et 5. 1338, § 2. (217) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 23a, Canones de sacramento Ordinis, canon 4: DS 1774. (218) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 7a, Canones de sacramentis in genere, canon 12: DS 1612; Concilium Constantiense, Errores Iohannis Wyclif, 4: DS 1154. (219) Sanctus Augustinus, In Iohannis evangelium tractatus, 5, 15: CCL 36, 50 (PL 35, 1422). (220) Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum, De Ordinatione Episcopi. Prex ordinationis, 47, editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis 1990) p. 24. (221) Concilium Vaticanum II, Decr. Christus Dominus, 13: AAS 58 (1966) 678-679; Ibid., 16: AAS 58 (1966) 680-681. (222) Sanctus Hippolytus Romanus, Traditio apostolica, 3: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) p. 8-10. (223) Liturgia Byzantina. 2 oratio chirotoniae presbyteralis: Eukológion to méga (Roma 1873) p. 136. (224) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 29: AAS 57 (1965) 36.(225) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 2, 71: SC 247, 184 (PG 35, 480).(226) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 2, 74: SC 247, 186 (PG 35, 481).(227) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 2, 73: SC 247, 186 (PG 35, 481).(228) B. Nodet, Le Curé d'Ars. Sa pensée-son coeur (Le Puy 1966) p. 98. (229) Cf Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Trallianos, 3, 1: SC 10bis, 96 (Funk 1, 244).

O SACRAMENTO DO MATRIMÓNIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1601
«O pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, entre os baptizados foi elevado por Cristo Senhor à dignidade de sacramento» (93) .
« Matrimoniale foedus, quo vir et mulier inter se totius vitae consortium constituunt, indole sua naturali ad bonum coniugum atque ad prolis generationem et educationem ordinatum, a Christo Domino ad sacramenti dignitatem inter baptizatos evectum est ». 230 I. Matrimonium in consilio Dei

O SACRAMENTO DO MATRIMÓNIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O matrimónio no desígnio de Deus

§ 1602
A Sagrada Escritura começa pela criação do homem e da mulher, à imagem e semelhança de Deus (94), e termina com a visão das «núpcias do Cordeiro» (Ap 19, 9) (95). Do princípio ao fim, a Escritura fala do matrimónio e do seu «mistério», da sua instituição e do sentido que Deus lhe deu, da sua origem e da sua finalidade, das suas diversas realizações ao longo da história da salvação, das suas dificuldades nascidas do pecado e da sua renovação «no Senhor» (1 Cor 7, 39), na Nova Aliança de Cristo e da Igreja (96).
Sacra Scriptura creatione viri et mulieris ad imaginem et similitudinem Dei incipit 231 et visione « nuptiarum Agni » (Apc 19,9) 232 concluditur. Ab initio usque ad finem, Scriptura de Matrimonio atque de eius loquitur mysterio, de eius institutione et de sensu quem Deus illi dedit, de eius origine et fine, de eius diversis adimpletionibus per decursum historiae salutis, de eius difficultatibus e peccato ortis et de eius renovatione « in Domino » (1 Cor 7,39), in Novo Christi et Ecclesiae Foedere. 233Matrimonium in creationis ordine

O MATRIMÓNIO NA ORDEM DA CRIAÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O matrimónio no desígnio de Deus

§ 1603
«A íntima comunidade da vida e do amor conjugal foi fundada pelo Criador e dotada de leis próprias [...]. O próprio Deus é o autor do matrimónio» (97). A vocação para o matrimónio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, tais como saíram das mãos do Criador. O matrimónio não é uma instituição puramente humana, apesar das numerosas variações a que esteve sujeito no decorrer dos séculos, nas diferentes culturas, estruturas sociais e atitudes espirituais. Tais diversidades não devem fazer esquecer os traços comuns e permanentes. Muito embora a dignidade desta instituição nem sempre e nem por toda a parte transpareça com a mesma clareza (98), existe, no entanto, em todas as culturas, um certo sentido da grandeza da união matrimonial. Porque «a saúde da pessoa e da sociedade está estreitamente ligada a uma situação feliz da comunidade conjugal e familiar» (99).
« Intima communitas vitae et amoris coniugalis, a Creatore condita [est] suisque legibus instructa [...]. Ipse [...] Deus est auctor matrimonii ». 234 Vocatio ad matrimonium in ipsa natura viri et mulieris est inscripta, quales e manu Creatoris orti sunt. Matrimonium institutio mere humana non est, non obstantibus variationibus non paucis quas ipsum passum est per saeculorum decursum in diversis culturis, structuris socialibus et spiritualibus habitibus. Hae diversitates efficere non debent ut lineamenta communia et permanentia oblivioni mandentur. Licet non ubique huius institutionis dignitas eadem claritate illucescat, 235 in omnibus tamen culturis quidam de magnitudine unionis matrimonialis est sensus. « Salus personae et societatis humanae ac christianae arcte cum fausta condicione communitatis coniugalis et familiaris connectitur ». 236
§ 1604
Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor, vocação fundamental e inata de todo o ser humano. Porque o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (100) que é amor (1 Jo 4, 8.16). Tendo-os Deus criado homem e mulher, o amor mútuo dos dois torna-se imagem do amor absoluto e indefectível com que Deus ama o homem. É bom, muito bom, aos olhos do Criador (101). E este amor, que Deus abençoa, está destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum do cuidado da criação: «Deus abençoou-os e disse-lhes: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a"» (Gn 1, 28).
Deus qui hominem ex amore creavit, eum etiam vocavit ad amorem, qui fundamentalis et innata omnis humanae personae est vocatio. Homo etenim ad imaginem et similitudinem Dei est creatus 237 qui Ipse « Caritas est » (1 Io 4,8.16). Cum Deus eum virum et mulierem creaverit, eorum mutuus amor imago fit amoris absoluti et indefectibilis quo Deus amat hominem. Hic est bonus, immo valde bonus, ante Creatoris oculos. 238 Et hic amor, quem Deus benedicit, destinatur ut fecundus sit atque ut in opere communi custodiae creationis deducatur in rem: « Benedixitque illis Deus et ait illis: "Crescite et multiplicamini et replete terram et subicite eam" » (Gn 1,28).
§ 1605
Que o homem e a mulher tenham sido criados um para o outro, afirma-o a Sagrada Escritura: «Não é bom que o homem esteja só» (Gn 2, 18). A mulher, «carne da sua carne» (102), isto é, sua igual, a criatura mais parecida com ele, é-lhe dada por Deus como uma ,auxiliar» (103), representando assim aquele «Deus que é o nosso auxílio» (104). «Por esse motivo, o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher: e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). Que isto significa uma unidade indefectível das duas vidas, o próprio Senhor o mostra, ao lembrar qual foi, «no princípio», o desígnio do Criador (105): «Portanto, já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6).
Virum et mulierem alterum pro altero creatos esse sacra asserit Scriptura: « Non est bonum esse hominem solum » (Gn 2,18). Mulier, « caro de carne » eius, 239 id est, ei par, ei omnino proxima, illi a Deo donatur tamquam « adiutorium », 240 Deum sic repraesentans, a quo nostrum est auxilium. 241 « Quam ob rem relinquet vir patrem suum et matrem et adhaerebit uxori suae; et erunt in carnem unam » (Gn 2,24). Ipse Dominus ostendit hoc significare unitatem utriusque vitae indefectibilem, in memoriam revocans quale « ab initio » fuerit Creatoris consilium: 242 « Itaque iam non sunt duo sed una caro » (Mt 19,6). Matrimonium sub peccati regimine

O MATRIMÓNIO SOB O REGIME DO PECADO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O matrimónio no desígnio de Deus

§ 1606
Todo o homem faz a experiência do mal, à sua volta e em si mesmo. Esta experiência faz-se também sentir nas relações entre o homem e a mulher. Desde sempre, a união de ambos foi ameaçada pela discórdia, o espírito de domínio, a infidelidade, o ciúme e conflitos capazes de ir até ao ódio e à ruptura. Esta desordem pode manifestar-se de um modo mais ou menos agudo e ser mais ou menos ultrapassada, conforme as culturas, as épocas, os indivíduos. Mas parece, sem dúvida, ter um carácter universal.
Omnis homo circa se et in se ipso mali habet experientiam. Haec experientia in relationibus etiam percipitur inter virum et mulierem. Omni tempore, eorum unionem discordia, dominationis spiritus, infidelitas, invidia et conflictus minantur qui usque ad odium et rupturam possunt pervenire. Haec inordinatio modo plus minusve acuto manifestari potest atque plus minusve potest superari secundum culturas, aetates, individua, sed indolem universalem videtur certo habere.
§ 1607
Segundo a fé, esta desordem, que dolorosamente comprovamos, não procede da natureza do homem e da mulher, nem da natureza das suas relações, mas do pecado. Ruptura com Deus, o primeiro pecado teve como primeira consequência a ruptura da comunhão original do homem e da mulher. As suas relações são distorcidas por acusações recíprocas (106); a atracção mútua, dom próprio do Criador (107), converte-se em relação de domínio e de cupidez (108): a esplêndida vocação do homem e da mulher para serem fecundos, multiplicarem-se e submeterem a terra (109) fica sujeita às dores do parto e do ganha-pão (110).
Secundum fidem, haec inordinatio, quam modo doloroso percipimus, e viri et mulieris non provenit natura neque ex natura relationum eorum, sed ex peccato. Primum peccatum, abruptio a Deo, tamquam primam habet consequentiam abruptionem originalis communionis viri et mulieris. Eorum necessitudines mutuis detorquentur obiurgationibus; 243 eorum mutua attractio, proprium Creatoris donum, 244 in dominationis et cupiditatis mutatur relationes; 245 pulchra vocatio viri et mulieris ut fecundi sint, multiplicentur et terram subiiciant, 246 poenis gravatur partus et laboris ad panem obtinendum. 247
§ 1608
No entanto, a ordem da criação subsiste, apesar de gravemente perturbada. Para curar as feridas do pecado, o homem e a mulher precisam da ajuda da graça que Deus, na sua misericórdia infinita, nunca lhes recusou (111). Sem esta ajuda, o homem e a mulher não podem chegar a realizar a união das suas vidas para a qual Deus os criou «no princípio».
Creationis tamen subsistit ordo, quamquam graviter perturbatus. Ad vulnera peccati sananda, vir et mulier egent adiutorio gratiae quam Deus, in Sua infinita misericordia, nunquam eis recusavit. 248 Sine hoc adiumento, vir et mulier pervenire non possunt ad vitarum suarum efficiendam unionem, ad quam « ab initio » Deus eos creavit. Matrimonium sub Legis paedagogia

O MATRIMÓNIO SOB A PEDAGOGIA DA LEI

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O matrimónio no desígnio de Deus

§ 1609
Na sua misericórdia, Deus não abandonou o homem pecador. As penas que se seguiram ao pecado, «as dores do parto» (112), o trabalho «com o suor do rosto» (Gn 3, 19), constituem também remédios que reduzem os malefícios do pecado. Depois da queda, o matrimónio ajuda a superar o auto-isolamento, o egoísmo, a busca do próprio prazer, e a abrir-se ao outro, à mútua ajuda, ao dom de si.
Deus in Sua misericordia hominem peccatorem non dereliquit. Poenae quae peccatum sunt secutae, dolores partus, 249 labor « in sudore vultus tui » (Gn 3,19) remedia etiam constituunt quae peccati minuunt damna. Post lapsum, matrimonium adiuvat ad superandum recessum in se ipsum, « egoismum », sui amorem, conquisitionem propriae voluptatis, atque ad se alteri aperiendum, ad mutuum adiutorium, ad sui donum.
§ 1610
A consciência moral relativamente à unidade e indissolubilidade do matrimónio desenvolveu-se sob a pedagogia da antiga Lei. A poligamia dos patriarcas e dos reis ainda não é explicitamente rejeitada. No entanto, a Lei dada a Moisés visa proteger a mulher contra um domínio arbitrário por parte do homem, ainda que a mesma Lei comporte também, segundo a palavra do Senhor, vestígios da «dureza do coração» do homem, em razão da qual Moisés permitiu o repúdio da mulher (113).
Conscientia moralis relate ad matrimonii unitatem et indissolubilitatem sub Legis veteris paedagogia est aucta. Patriarcharum et regum polygamia nondum expresse reiicitur. Tamen Lex Moysi tradita tendit ad mulierem contra arbitrium dominatus viri defendendam, quamvis et ipsa etiam secum ferat, iuxta Domini verbum, vestigia « duritiae cordis » viri, propter quam Moyses mulieris permisit repudium. 250
§ 1611
Ao verem a Aliança de Deus com Israel sob a imagem dum amor conjugal, exclusivo e fiel (114), os profetas prepararam a consciência do povo eleito para uma inteligência aprofundada da unicidade e indissolubilidade do matrimónio (115). Os livros de Rute e de Tobias dão testemunhos comoventes do elevado sentido do matrimónio, da fidelidade e da ternura dos esposos. E a Tradição viu sempre no Cântico dos Cânticos uma expressão única do amor humano, enquanto reflexo do amor de Deus, amor «forte como a morte», que «nem as águas caudalosas conseguem apagar» (Ct 8, 6-7).
Prophetae, Foedus Dei cum Israel sub coniugalis amoris exclusivi et fidelis perspicientes imagine, 251 populi electi praeparaverunt conscientiam ad profundiorem unicitatis et indissolubilitatis matrimonii intelligentiam. 252 Libri Ruth atque Thobis testimonia commoventia praebent de alto matrimonii sensu, de fidelitate et teneritudine coniugum. Traditio in Cantico Canticorum expressionem semper vidit singularem amoris humani, quatenus hic repercussio est amoris Dei, amoris qui « fortis est ut mors » et quem « aquae multae non potuerunt exstinguere » (Ct 8,6-7).Matrimonium in Domino

O MATRIMÓNIO NO SENHOR

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O matrimónio no desígnio de Deus

§ 1612
A aliança nupcial entre Deus e o seu povo Israel tinha preparado a Aliança nova e eterna, pela qual o Filho de Deus, encarnando e dando a sua vida, uniu a Si, de certo modo, toda a humanidade por Ele salva (116), preparando assim as «núpcias do Cordeiro» (117).
Nuptiale Foedus inter Deum et Eius populum Israel Novum et aeternum praeparaverat Foedus, in quo Filius Dei, Se incarnans Suamque donans vitam, totum genus humanum ab Ipso salvatum quodammodo Sibi coniunxit, 253 sic « nuptias Agni » praeparans. 254
§ 1613
No umbral da sua vida pública, Jesus realiza o seu primeiro sinal –a pedido da sua Mãe – por ocasião duma festa de casamento (118). A Igreja atribui uma grande importância à presença de Jesus nas bodas de Caná. Ela vê nesse facto a confirmação da bondade do matrimónio e o anúncio de que, doravante, o matrimónio seria um sinal eficaz da presença de Cristo.
Iesus, in Suae vitae publicae limine, Suum primum signum — ob matris Suae petitionem — in quodam matrimonii festo est operatus. 255 Ecclesia magni fecit Iesu praesentiam in nuptiis Canae. Ibi confirmationem perspicit bonitatis matrimonii ibique annuntiari matrimonium exinde signum efficax praesentiae Christi esse futurum.
§ 1614
Na sua pregação, Jesus ensinou sem equívocos o sentido original da união do homem e da mulher, tal como o Criador a quis no princípio: a permissão de repudiar a sua mulher, dada por Moisés, era uma concessão à dureza do coração (119): a união matrimonial do homem e da mulher é indissolúvel: foi o próprio Deus que a estabeleceu: «Não separe, pois, o homem o que Deus uniu» (Mt 19, 6).
Iesus, in praedicatione Sua, sine ambiguitate docuit originalem sensum unionis viri et mulieris, qualem ab initio eam voluit Creator: permissio, a Moyse concessa, propriam repudiandi uxorem, cordis duritiae erat concessio; 256 matrimonialis viri et mulieris coniunctio indissolubilis est: Deus Ipse eam perfecit: « Quod ergo Deus coniunxit, homo non separet » (Mt 19,6).
§ 1615
Esta insistência inequívoca na indissolubilidade do vínculo matrimonial pôde criar perplexidade e aparecer como uma exigência impraticável (120). No entanto, Jesus não impôs aos esposos um fardo impossível de levar e pesado demais (121), mais pesado que a Lei de Moisés. Tendo vindo restabelecer a ordem original da criação, perturbada pelo pecado, Ele próprio dá a força e a graça de viver o matrimónio na dimensão nova do Reino de Deus. É seguindo a Cristo, na renúncia a si próprios e tornando a sua cruz (122), que os esposos poderão «compreender» (123) o sentido original do matrimónio e vivê-lo com a ajuda de Cristo. Esta graça do Matrimónio cristão é fruto da cruz de Cristo, fonte de toda a vida cristã.
Haec haud ambigua in vinculi matrimonialis indissolubilitate instantia perplexitatem inducere potuit et quasi exigentia videri quae effici nequit. 257 Tamen Iesus coniugibus non imposuit pondus quod ferri non possit et nimis grave, 258 Lege Moysis onerosius. Veniens ad initialem creationis ordinem, peccato perturbatum, restaurandum, Ipse vim praebet et gratiam ad vivendum in matrimonio secundum novam Regni Dei rationem. Coniuges, Christum sequentes, sibi ipsis abrenuntiantes, suam crucem super se tollentes, 259 « capere » 260 poterunt originalem matrimonii sensum et cum Christi adiutorio vivere iuxta illum. Haec Matrimonii christiani gratia fructus est crucis Christi, quae totius vitae christianae est fons.
§ 1616
É o que o Apóstolo Paulo nos dá a entender, quando diz: «Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, a fim de a santificar» (Ef 5, 25-26): e acrescenta imediatamente: «"Por isso o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher e serão os dois uma só carne". É grande este mistério, digo-o em relação a Cristo e à Igreja» (Ef 5, 31-32).
Apostolus Paulus hoc praebet intelligendum dicens: « Viri, diligite uxores, sicut et Christus dilexit Ecclesiam et Seipsum tradidit pro ea, ut illam sanctificaret » (Eph 5,25-26), statim adiungens: « "Propter hoc relinquet homo patrem et matrem et adhaerebit uxori suae, et erunt duo in carne una". Mysterium hoc magnum est; ego autem dico de Christo et Ecclesia! » (Eph 5,31-32).
§ 1617
Toda a vida cristã tem a marca do amor esponsal entre Cristo e a Igreja. Já o Baptismo, entrada no povo de Deus, é um mistério nupcial: é, por assim dizer, o banho de núpcias (124) que precede o banquete das bodas, a Eucaristia. O Matrimónio cristão, por sua vez, torna-se sinal eficaz, sacramento da aliança de Cristo com a Igreja. E uma vez que significa e comunica a graça desta aliança, o Matrimónio entre baptizados é um verdadeiro sacramento da Nova Aliança (125).
Tota vita christiana signum amoris sponsalis fert Christi et Ecclesiae. Iam Baptismus, in populum Dei ingressus, mysterium est nuptiale: est quasi nuptiarum lavacrum 261 quod nuptiarum praecedit convivium, Eucharistiam. Matrimonium christianum, e parte sua, signum fit efficax, sacramentum Foederis Christi et Ecclesiae. Quia eius significat et communicat gratiam, Matrimonium inter baptizatos verum est Novi Foederis sacramentum. 262 Virginitas propter Regnum

A VIRGINDADE POR AMOR DO REINO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O matrimónio no desígnio de Deus

§ 1618
Cristo é o centro de toda a vida cristã. A união com Ele prevalece sobre todas as outras, quer se trate de laços familiares, quer sociais (126). Desde o princípio da Igreja, houve homens e mulheres que renunciaram ao grande bem do matrimónio, para seguirem o Cordeiro aonde quer que Ele vá (127), para cuidarem das coisas do Senhor, para procurarem agradar-Lhe para saírem ao encontro do Esposo que vem (128). O próprio Cristo convidou alguns a seguirem-n'O neste modo de vida, de que Ele é o modelo:

«Há eunucos que nasceram assim do seio materno; há os que foram feitos eunucos pelos homens; e há os que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder entender, entenda!» (Mt 19, 12).

Christus totius vitae christianae est centrum. Vinculum cum Ipso primum locum obtinet relate ad omnia alia vincula familiaria vel socialia. 263 Ab Ecclesiae initio, viri exstiterunt et mulieres qui magno matrimonii abrenuntiaverunt bono ut Agnum sequerentur quocumque iret, 264 ut de rebus Domini haberent curam, ut Ei studerent placere, 265 ut irent obviam Sponso qui venit. 266 Ipse Christus quosdam invitavit ut Eum in hoc sequerentur vitae genere, cuius Ipse permanet exemplar:

« Sunt enim eunuchi, qui de matris utero sic nati sunt; et sunt eunuchi, qui facti sunt ab hominibus; et sunt eunuchi, qui seipsos castraverunt propter Regnum caelorum. Qui potest capere, capiat » (Mt 19,12).

§ 1619
A virgindade por amor do Reino dos céus é um desenvolvimento da graça baptismal, um sinal poderoso da preeminência da união com Cristo e da espera fervorosa do seu regresso, um sinal que lembra também que o matrimónio é uma realidade do tempo presente, que é passageiro (130).
Virginitas propter Regnum caelorum est gratiae baptismalis explicatio, signum potens praeeminentiae vinculi cum Christo atque ardentis exspectationis reditus Eius, signum quod etiam revocat in memoriam matrimonium realitatem esse praesentis saeculi quod praeterit. 267
§ 1620
Quer, o sacramento do Matrimónio, quer a virgindade por amor do Reino de Deus, vêm do próprio Senhor. É Ele que lhes dá sentido e concede a graça indispensável para serem vividos em conformidade com a sua vontade (131). A estima pela virgindade por amor do Reino (132) e o sentido cristão do matrimónio são inseparáveis e favorecem-se mutuamente:

«Denegrir o Matrimónio é, ao mesmo tempo, diminuir a glória da virgindade: enaltecê-lo é realçar a admiração devida à virgindade [...] Porque, no fim de contas, o que só em comparação com um mal parece bom, não pode ser um verdadeiro bem: mas o que ainda é melhor do que bens incontestados, esse é que é o bem por excelência» (133)

Utrumque, Matrimonii sacramentum et virginitas propter Regnum Dei, ab Ipso Domino provenit. Ipse illis significationem praebet et gratiam tribuit necessariam ad vivendum in eis secundum voluntatem Eius. 268 Virginitatis propter Regnum aestimatio 269 et christiana Matrimonii significatio inseparabiles sunt et sibi mutuo favent:

« Qui matrimonium damnat, is virginitatis etiam gloriam carpit; qui laudat, is virginitatem admirabiliorem [...] reddit. Nam quod deterioris comparatione bonum videtur, id haud sane admodum bonum est; quod autem omnium sententia bonis melius, id excellens bonum est ». 270

A VIRGINDADE POR AMOR DO REINO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A celebração do Matrimónio

§ 1621
No rito latino, a celebração do Matrimónio entre dois fiéis católicos tem lugar normalmente no decorrer da santa Missa, em virtude da ligação de todos os sacramentos com o mistério pascal de Cristo (134). Na Eucaristia realiza-se o memorial da Nova Aliança, pela qual Cristo se uniu para sempre à Igreja, sua esposa bem-amada, por quem se entregou (135). Por isso, é conveniente que os esposos selem o seu consentimento à doação recíproca pela oferenda das próprias vidas, unindo-a à oblação de Cristo pela sua Igreja, tornada presente no sacrifício eucarístico, e recebendo a Eucaristia, para que, comungando o mesmo corpo e o mesmo sangue de Cristo, «formem um só corpo» em Cristo (136).
In ritu latino, Matrimonii celebratio inter duos fideles catholicos plerumque intra sanctam Missam fit propter omnium sacramentorum vinculum cum Paschali Christi mysterio. 271 In Eucharistia memoriale efficitur Novi Foederis, in quo Christus Se Ecclesiae Sponsae Suae dilectae in perpetuum coniunxit pro qua Seipsum tradidit. 272 Oportet igitur sponsos suum sigillare consensum ad se mutuo donandos vitarum suarum oblatione, illum coniungentes cum Christi oblatione pro Eius Ecclesia praesenti effecta in Sacrificio eucharistico, et Eucharistiam accipientes, ut, idem corpus et eumdem sanguinem Christi communicantes, « unum corpus » efforment in Christo. 273
§ 1622
«Enquanto acção sacramental de santificação, a celebração litúrgica do Matrimónio [...] deve ser por si mesma válida, digna e frutuosa» (137).  Por isso, é conveniente que os futuros esposos se preparem para a celebração do seu Matrimónio, recebendo o sacramento da Penitência.
« Ut sacramentalis actio sanctificationis, Matrimonii celebratio — liturgiae [...] illigata — oportet per se sit valida, digna, frugifera ». 274 Oportet igitur ut futuri sponsi se ad sui Matrimonii celebrationem disponantur, Poenitentiae recipientes sacramentum.
§ 1623
Segundo a tradição latina, são os esposos quem, como ministros da graça de Cristo, mutuamente se conferem o sacramento do Matrimónio, ao exprimirem, perante a Igreja, o seu consentimento. Nas tradições das Igrejas orientais, os sacerdotes que oficiam – Bispos ou presbíteros – são testemunhas do mútuo consentimento manifestado pelos esposos (138), mas a sua bênção também é necessária para a validade do sacramento (139).
Secundum traditionem latinam, sponsi, tamquam ministri gratiae Christi, sibi mutuo Matrimonii conferunt sacramentum, suum consensum coram Ecclesia significantes. In traditionibus Ecclesiarum Orientalium, sacerdotes — Episcopi vel presbyteri — testes sunt consensus mutuo ab sponsis praestiti, 275 sed etiam eorum benedictio ad validitatem sacramenti est necessaria. 276
§ 1624
As diversas liturgias são ricas em orações de bênção e de epiclese, pedindo a Deus a sua graça e invocando a sua bênção sobre o novo casal, especialmente sobre a esposa. Na epiclese deste sacramento, os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão do amor de Cristo e da Igreja (140). É Ele o selo da aliança de ambos, a nascente sempre oferecida do seu amor, a força pela qual se renovará a sua fidelidade.
Diversae liturgiae divites sunt in precibus benedictionis et Epiclesis quae a Deo Eius postulant gratiam et super novos coniuges benedictionem, speciatim super sponsam. In huius sacramenti Epiclesi, coniuges Spiritum Sanctum accipiunt tamquam communionem amoris Christi et Ecclesiae. 277 Ipse eorum foederis est sigillum, fons semper oblatus eorum amoris, vis qua eorum renovabitur fidelitas. III. Consensus matrimonialis

A VIRGINDADE POR AMOR DO REINO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O consentimento matrimonial

§ 1625
Os protagonistas da aliança matrimonial são um homem e uma mulher baptizados, livres para contrair Matrimónio e que livremente exprimem o seu consentimento. «Ser livre» quer dizer:

–  não ser constrangido;
– não estar impedido por nenhuma lei natural nem eclesiástica.

In foedere matrimoniali primas agentes partes sunt vir et mulier, baptizati, liberi ad matrimonium contrahendum et qui suum consensum libere exprimunt. « Liberum esse » significat:— coactiones non subire;
— legis naturalis vel ecclesiasticae non habere impedimentum.
§ 1626
A Igreja considera a permuta dos consentimentos entre os esposos como o elemento indispensável «que constitui o Matrimónios (141). Se faltar o consentimento, não há Matrimónio.
Ecclesia considerat consensuum commutationem inter sponsos tamquam elementum necessarium quod « matrimonium facit ». 278 Si consensus deest, matrimonium non habetur.
§ 1627
O consentimento consiste num «acto humano pelo qual os esposos se dão e se recebem mutuamente» (142): «Eu recebo-te por minha esposa. Eu recebo-te por meu esposo» (143). Este consentimento, que une os esposos entre si, tem a sua consumação no facto de os dois «se tornarem uma só carne» (144).
Consensus consistit in « actu humano, quo coniuges sese mutuo tradunt et accipiunt ». 279 « Ego accipio te in uxorem meam... »; « Ego accipio te in maritum meum... ». 280 Hic consensus qui sponsos coniungit inter se, suam invenit consummationem in eo quod uterque « una caro » fit. 281
§ 1628
O consentimento deve ser um acto da vontade de cada um dos contraentes, livre de violência ou de grave temor externo (145). Nenhum poder humano pode substituir-se a este consentimento (146). Faltando esta liberdade, o matrimónio é inválido.
Consensus esse debet actus voluntatis uniuscuiusque contrahentium a violentia vel a gravi metu externo liber. 282 Nulla humana potestas hunc consensum potest supplere. 283 Si haec libertas deest, Matrimonium est invalidum.
§ 1629
Por este motivo (ou por outras razões, que tornem nulo ou não realizado o casamento) (147),  a Igreja pode, depois de examinada a situação pelo tribunal eclesiástico competente, declarar «a nulidade do Matrimónio», ou seja, que o Matrimónio nunca existiu. Em tal caso, os contraentes ficam livres para se casarem, salvaguardadas as obrigações naturais resultantes da união anterior (148).
Propter hanc rationem (vel propter alias rationes quae Matrimonium nullum reddunt et infectum 284) Ecclesia, post examen condicionum a tribunali ecclesiastico competenti peractum, potest declarare « nullitatem Matrimonii », id est, Matrimonium nunquam exstitisse. In hoc casu, contrahentes liberi sunt ad nuptias ineundas, sed naturalibus tenentur obligationibus ex unione praecedenti. 285
§ 1630
O sacerdote (ou o diácono), que assiste à celebração do Matrimónio, recebe o consentimento dos esposos em nome da Igreja e dá a bênção da Igreja. A presença do ministro da Igreja (bem como das testemunhas) exprime visivelmente que o Matrimónio é uma realidade eclesial.
Sacerdos (vel diaconus) qui Matrimonii assistit celebrationi, sponsorum accipit consensum nomine Ecclesiae eisque impertitur Ecclesiae benedictionem. Praesentia ministri Ecclesiae (et etiam testium) visibiliter exprimit, Matrimonium ecclesialem esse realitatem.
§ 1631
É por esse motivo que, normalmente, a Igreja exige para os seus fiéis a forma eclesiástica da celebração do Matrimónio (149). Muitas razões concorrem para explicar esta determinação:

– o Matrimónio sacramental é um acto litúrgico. Portanto, é conveniente que seja celebrado na liturgia pública da Igreja;
–  o Matrimónio introduz num ordo eclesial, cria direitos e deveres na Igreja, entre os esposos e para com os filhos;
–  uma vez que o Matrimónio é um estado de vida na Igreja, é necessário que haja a certeza a respeito dele (daí a obrigação de haver testemunhas);
–  o carácter público do consentimento protege o «sim» uma vez dado e ajuda a permanecer-lhe fiel.

Hac de causa, Ecclesia modo normali a suis fidelibus formam ecclesiasticam postulat ad contrahendum Matrimonium. 286 Plures rationes ad hanc determinationem explicandam concurrunt:— Matrimonium sacramentale actus est liturgicus. Exinde convenit illud in publica Ecclesiae celebrari liturgia;
— Matrimonium in ordinem introducit ecclesialem, iura gignit et obligationes in Ecclesia inter coniuges et relate ad filios;
— quia Matrimonium status vitae est in Ecclesia, necessarium est certitudinem haberi de matrimonio (unde obligatio ut habeantur testes);
— indoles publica consensus hunc protegit, postquam praestitus est, et adiuvat ut fidelitas erga eum servetur.
§ 1632
Para que o «sim» dos esposos seja um acto livre e responsável, e para que a aliança matrimonial tenha bases humanas e cristãs sólidas e duradoiras, é de primordial importância a preparação para o matrimónio:O exemplo e o ensino dados pelos pais e pelas famílias continuam a ser o caminho privilegiado desta preparação.
O papel dos pastores e da comunidade cristã, como «família de Deus», é indispensável para a transmissão dos valores humanos e cristãos do Matrimónio e da família (150), e isto tanto mais quanto é certo que, nos nossos dias, muitos jovens conhecem a experiência de lares desfeitos, que já não garantem suficientemente aquela iniciação:

«Os jovens devem ser conveniente e oportunamente instruídos, sobretudo no seio da própria família, acerca da dignidade, missão e exercício do amor conjugal. Deste modo, educados na estima pela castidade, poderão passar, chegada a idade conveniente, de um noivado honesto para o matrimónio» (151).

Ut consensus coniugum actus liber sit et responsabilis, et ut matrimoniale foedus humana et christiana fundamenta solida habeat et mansura, praeparatio ad Matrimonium maximi est momenti. Exemplum et instructio a parentibus et a familiis donata huius praeparationis praeclara permanent via.Munus Pastorum et communitatis christianae quatenus « familiae Dei » necessarium est ad valores humanos et christianos matrimonii et familiae tradendos, 287 eo magis quod nostris temporibus plures iuvenes experientiam norunt familiarum dissociatarum quae amplius hanc initiationem sufficienter non praestant:

« Iuvenes de amoris coniugalis dignitate, munere et opere, potissimum in sinu ipsius familiae, apte et tempestive instruendi sunt, ut, castitatis cultu instituti, convenienti aetate ab honestis sponsalibus ad nuptias transire possint ». 288

CASAMENTOS MISTOS E DISPARIDADE DE CULTOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

O consentimento matrimonial

§ 1633
Em muitos países, a situação do matrimónio misto (entre um católico e um baptizado não-católico) apresenta-sede modo bastante frequente. Tal situação pede uma atenção particular dos cônjuges e dos pastores. O caso dos casamentos com disparidade de culto (entre um católico e um não-baptizado) exige uma atenção ainda maior.
In pluribus regionibus, condicio matrimonii mixti (inter catholicum et baptizatum non catholicum) sat frequenter accidit. Ipsa attentionem coniugum et Pastorum exigit particularem; casus matrimoniorum cum disparitate cultus (inter catholicum et non baptizatum) maiorem adhuc postulat circumspectionem.
§ 1634
A diferença de confissão religiosa entre os cônjuges não constitui um obstáculo insuperável para o Matrimónio, quando eles conseguem pôr em comum o que cada um recebeu na sua comunidade e aprender um do outro o modo como cada um vive a sua fidelidade a Cristo. Mas as dificuldades dos matrimónios mistos nem por isso devem ser subestimadas. São devidas ao facto de a separação dos cristãos ainda não ter sido superada. Os esposos arriscam-se a vir a ressentir-se do drama da desunião dos cristãos no seio do próprio lar. A disparidade de culto pode agravar ainda mais estas dificuldades. As divergências em relação à fé, o próprio conceito do Matrimónio e ainda as diferentes mentalidades religiosas podem constituir uma fonte de tensões no Matrimónio, principalmente por causa da educação dos filhos. Pode então surgir uma tentação: a indiferença religiosa.
Confessionis diversitas inter coniuges obstaculum insuperabile non constituit pro matrimonio, cum ipsi valent id in commune afferre quod unusquisque eorum in sua recepit communitate et mutuo discere quomodo unusquisque in sua vivat erga Christum fidelitate. Sed difficultates matrimoniorum mixtorum spernendae non sunt. Illae oriuntur ex eo quod christianorum separatio nondum superata est. Coniuges in periculo sunt ne, intra propriam domum, christianorum disiunctionem modo experiantur tragico. Disparitas cultus has difficultates potest graviores adhuc efficere. Diversitates relate ad fidem, ipsa matrimonii notio, sed etiam modi religiose cogitandi differentes, constituere possunt contentionum fontem in matrimonio, praesertim quoad filiorum educationem. Tunc quaedam potest praesentari tentatio: religiosa indifferentia.
§ 1635
Segundo o direito em vigor na Igreja latina, um Matrimónio misto precisa da permissão expressa da autoridade eclesiástica (152) para a respectiva liceidade. Em caso de disparidade de culto, é requerida uma dispensa expressa do impedimento para a validade do Matrimónio (153). Tanto a permissão como a dispensa supõem que as duas partes conhecem e não rejeitam os fins e propriedades essenciais do Matrimónio: e também que a parte católica confirma os seus compromissos, dados também a conhecer expressamente à parte não católica, de conservar a sua fé e de assegurar o Baptismo e a educação dos filhos na Igreja Católica (154).
Secundum ius in Ecclesia latina vigens, matrimonium mixtum pro sua liceitate eget explicita permissione auctoritatis ecclesiasticae. 289 In casu disparitatis cultus explicita dispensatio ab impedimento requiritur ut validum sit Matrimonium. 290 Haec permissio vel haec dispensatio supponunt utramque partem fines et proprietates essentiales Matrimonii cognoscere et non excludere; atque etiam partem catholicam obligationes confirmare, parti non catholicae communicatas ut eas ipsa cognoscat, servandi propriam fidem et praestandi Baptismum et educationem filiorum in Ecclesia catholica. 291
§ 1636
Em muitas regiões, graças ao diálogo ecuménico, as respectivas comunidades cristãs puderam organizar uma pastoral comum para os casamentos mistos. O seu papel consiste em ajudar os casais a viver a sua situação particular à luz da fé. Ela deve também ajudá-los a superar as tensões entre as obrigações dos cônjuges um para com o outro e para com as respectivas comunidades eclesiais. Deve estimular o desenvolvimento do que lhes é comum na fé e o respeito pelo que os divide.
Multis in regionibus, propter dialogum oecumenicum, communitates christianae, quas id afficit, actionem pastoralem pro matrimoniis mixtis communem instruxerunt. Eius munus est, hos adiuvare coniuges ut in sua condicione particulari sub fidei vivant lumine. Talis actio eos etiam debet adiuvare, ut contentiones superent inter obligationes coniugum mutuas et quas erga suas communitates habent ecclesiales. Ea debet incrementum fovere illorum quae illis in fide sunt communia, et observantiam illorum quae eos separant.
§ 1637
Nos casamentos com disparidade de culto, o cônjuge católico tem uma tarefa particular a cumprir, «porque o marido não-crente é santificado pela sua mulher e a mulher não-crente é santificada pelo marido crente» (1 Cor 7, 14). Será uma grande alegria para o cônjuge cristão e para a Igreja, se esta «santificação» levar à conversão livre do outro à fé cristã (155). O amor conjugal sincero, a prática humilde e paciente das virtudes familiares e a oração perseverante, podem preparar o cônjuge não-crente para receber a graça da conversão.
In matrimoniis cum disparitate cultus, coniux catholicus munus habet particulare: « Sanctificatus est enim vir infidelis in muliere, et sanctificata est mulier infidelis in fratre » (1 Cor 7,14). Pro coniuge christiano et pro Ecclesia magnum est gaudium, si haec « sanctificatio » ad liberam conducat alterius coniugis conversionem ad fidem christianam. 292 Sincerus amor coniugalis, humile et patiens virtutum familiarium exercitium et perseverans oratio coniugem non credentem possunt praeparare ad conversionis gratiam accipiendam. IV. Effectus sacramenti Matrimonii

CASAMENTOS MISTOS E DISPARIDADE DE CULTOS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os efeitos do sacramento do Matrimónio

§ 1638
« Do Matrimónio válido origina-se entre os cônjuges um vínculo de sua natureza perpétuo e exclusivo: no matrimónio cristão, além disso, são os cônjuges robustecidos e como que consagrados por um sacramento peculiar para os deveres e dignidade do seu estado» (156).
« Ex valido Matrimonio enascitur inter coniuges vinculum natura sua perpetuum et exclusivum; in Matrimonio praeterea christiano coniuges ad sui status officia et dignitatem peculiari sacramento roborantur et veluti consecrantur ». 293 Vinculum matrimoniale

O VÍNCULO MATRIMONIAL

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os efeitos do sacramento do Matrimónio

§ 1639
O consentimento, pelo qual os esposos mutuamente se dão e se recebem, é selado pelo próprio Deus (157). Da sua aliança «nasce uma instituição, também à face da sociedade, tornada firme e estável pela lei divina» (158). A aliança dos esposos é integrada na aliança de Deus com os homens: «O autêntico amor conjugal é assumido no amor divino» (159).
Consensus quo coniuges sese mutuo dant et accipiunt, a Deo Ipso sigillatur. 294 Ex eorum foedere, « institutum ordinatione divina firmum oritur, etiam coram societate ». 295 Sponsorum foedus in Dei cum hominibus inseritur Foedus: « Germanus amor coniugalis in divinum amorem assumitur ». 296
§ 1640
O vínculo matrimonial é, portanto, estabelecido pelo próprio Deus, de maneira que o matrimónio ratificado e consumado entre baptizados não pode jamais ser dissolvido. Este vínculo, resultante do acto humano livre dos esposos e da consumação do matrimónio, é, a partir de então, uma realidade irrevogável e dá origem a uma aliança garantida pela fidelidade de Deus. A Igreja não tem poder para se pronunciar contra esta disposição da sabedoria divina (160).
Vinculum matrimoniale propterea a Deo Ipso stabilitur, ita ut Matrimonium ratum et consummatum inter baptizatos nunquam possit dissolvi. Hoc vinculum quod ex actu humano sponsorum libero et ex matrimonii sequitur consummatione, realitas est iam irrevocabilis et originem praebet foederi a Dei fidelitate praestito. Ad Ecclesiae non pertinet potestatem, se contra hanc sapientiae divinae dispositionem pronuntiare. 297 Gratia sacramenti Matrimonii

A GRAÇA DO SACRAMENTO DO MATRIMÓNIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os efeitos do sacramento do Matrimónio

§ 1641
Os esposos cristãos, «no seu estado de vida e na sua ordem, têm, no povo de Deus, os seus dons próprios» (161). Esta graça própria do sacramento do Matrimónio destina-se a aperfeiçoar o amor dos cônjuges e a fortalecer a sua unidade indissolúvel. Por meio desta graça, «eles auxiliam-se mutuamente para chegarem à santidade pela vida conjugal e pela procriação e educação dos filhos» (162).
Coniuges christiani « in suo vitae statu et ordine proprium suum in populo Dei donum habent ». 298 Haec gratia sacramenti Matrimonii propria ad perficiendum destinatur coniugum amorem, ad eorum unitatem indissolubilem roborandam. Illi hac gratia « se invicem in vita coniugali necnon prolis susceptione et educatione ad sanctitatem adiuvant ». 299
§ 1642
Cristo é a fonte desta graça. «Assim como outrora Deus veio ao encontro do seu povo com unia aliança de amor e fidelidade, assim agora o Salvador dos homens e Esposo da Igreja vem ao encontro dos esposos cristãos com o sacramento do Matrimónio» (163). Fica com eles, dá-lhes a coragem de O seguirem tomando sobre si a sua cruz, de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro (164), de serem «submissos um ao outro no temor de Cristo» (Ef 5, 21) e de se amarem com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias do seu amor e da sua vida familiar, Ele dá-lhes, já neste mundo, um antegosto do festim das núpcias do Cordeiro:

«Onde irei buscar forças para descrever, de modo satisfatório, a felicidade do Matrimónio que a Igreja une, que a oblação eucarística confirma e a bênção sela? Os anjos proclamam-no, o Pai celeste ratifica-o [...] Que jugo o de dois cristãos, unidos por uma só esperança, um único desejo, uma única disciplina, um mesmo serviço! Ambos filhos do mesmo Pai, servos do mesmo Senhor; nada os separa, nem no espírito nem na carne; pelo contrário, eles são verdadeiramente dois numa só carne. Ora, onde a carne á só uma, também um só é o espírito» (165).

Christus est huius gratiae fons. « Sicut enim Deus olim Foedere dilectionis et fidelitatis populo Suo occurrit, ita nunc hominum Salvator Ecclesiaeque Sponsus, per sacramentum Matrimonii christifidelibus coniugibus obviam venit ». 300 Ipse cum eis manet, eis vim praebet ut Ipsum sequantur suam crucem super se sumentes, ut iterum post lapsus surgant, ut sibi mutuo indulgeant, ut alii aliorum portent onera, 301 ut sint « subiecti invicem in timore Christi » (Eph 5,21), et se mutuo ament amore supernaturali, tenero et fecundo. Ipse illis praebet, iam hic in terris, in gaudiis eorum amoris et eorum vitae familiaris, ut nuptiarum Agni praegustent convivium:

« Unde vero sufficiamus ad enarrandam felicitatem eius matrimonii, quod Ecclesia conciliat et confirmat oblatio et obsignat benedictio, angeli renuntiant, Pater rato habet? [...] Quale iugum fidelium duorum unius spei, unius voti, unius disciplinae, eiusdem servitutis! Ambo fratres, ambo conservi; nulla spiritus carnisve discretio, atquin vere duo in carne una. Ubi caro una, unus est spiritus ». 302

A GRAÇA DO SACRAMENTO DO MATRIMÓNIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os bens e as exigências do amor conjugal

§ 1643
«O amor conjugal comporta um todo em que entram todas as componentes da pessoa – apelo do corpo e do instinto, força do sentimento e da afectividade, aspiração do espírito e da vontade –; visa uma unidade profundamente pessoal – aquela que, para além da união numa só carne, conduz à formação dum só coração e duma só alma –; exige a indissolubilidade e a fidelidade na doação recíproca definitiva; e abre-se à fecundidade. Trata-se, é claro, das características normais de todo o amor conjugal natural, mas com um significado novo que não só as purifica e consolida, mas as eleva ao ponto de fazer delas a expressão de valores especificamente cristãos» (166).
« Coniugalis amor secum infert universalitatem, in quam ingrediuntur omnes partes ipsius personae — postulationes corporis et instinctus, vires sensuum et affectuum, desideria spiritus et voluntatis —; spectat ille ad unitatem quam maxime personalem, quae videlicet ultra communionem in una carne sola nihil aliud efficit nisi cor unum et animam unam; poscit vero indissolubilitatem ac fidelitatem extremae illius donationis mutuae et patet fecunditati. Paucis verbis de communibus agitur proprietatibus naturalis cuiuslibet amoris coniugalis, atqui nova cum significatione, quae non tantum purificat eas et confirmat, sed etiam tantopere extollit ut fiant declaratio bonorum proprie christianorum ». 303Matrimonii unitas et indissolubilitas

A UNIDADE E A INDISSOLUBILIDADE DO MATRIMÓNIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os bens e as exigências do amor conjugal

§ 1644
Pela sua própria natureza, o amor dos esposos exige a unidade e a indissolubilidade da sua comunidade de pessoas, a qual engloba toda a sua vida: «assim, já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6) (167). «Eles são chamados a crescer sem cessar na sua comunhão, através da fidelidade quotidiana à promessa da mútua doação total que o Matrimónio implica» (168). Esta comunhão humana é confirmada, purificada e aperfeiçoada pela comunhão em Jesus Cristo, conferida pelo sacramento do Matrimónio; e aprofunda-se pela vida da fé comum e pela Eucaristia recebida em comum.
Coniugum amor, sua ipsa natura, unitatem et indissolubilitatem exigit eorum communitatis personalis quae totam eorum amplectitur vitam: « Quod ergo Deus coniunxit, homo non separet » (Mt 19,6). 304 Coniuges « adiguntur ad crescendum continenter in communione sua per cotidianam fidelitatem erga matrimoniale promissum mutuae plenae donationis ». 305 Haec humana communio confirmatur, purificatur et perficitur communione in Iesu Christo, a Matrimonii sacramento donata. Ipsa per fidei communis vitam et per Eucharistiam in communi receptam profundior fit.
§ 1645
«A igual dignidade pessoal, que se deve reconhecer à mulher e ao homem no amor pleno que têm um pelo outro, manifesta claramente a unidade do Matrimónio, confirmada pelo Senhor» (169). A poligamia é contrária a esta igual dignidade e ao amor conjugal, que é único e exclusivo (170).
« Aequali etiam dignitate personali cum mulieris tum viri agnoscenda in mutua atque plena dilectione, unitas Matrimonii a Domino confirmata luculenter apparet ». 306 Polygamia huic aequali dignitati est contraria atque coniugali amori qui unicus est et exclusivus. 307 Amoris coniugalis fidelitas

A FIDELIDADE DO AMOR CONJUGAL

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os bens e as exigências do amor conjugal

§ 1646
Pela sua própria natureza, o amor conjugal exige dos esposos uma fidelidade inviolável. Esta é uma consequência da doação de si mesmos que os esposos fazem um ao outro. O amor quer ser definitivo. Não pode ser «até nova ordem». «Esta união íntima, enquanto doação recíproca de duas pessoas, tal como o bem dos filhos, exigem a inteira fidelidade dos cônjuges e reclamam a sua união indissolúvel» (171).
Amor coniugalis, sua ipsa natura, inviolabilem a coniugibus exigit fidelitatem. Hoc ex eorum ipsorum consequitur dono quod sibi mutuo impertiunt coniuges. Amor definitivus esse vult. Ipse « usque ad novam decisionem » esse non potest. Haec « intima unio, utpote mutua duarum personarum donatio, sicut et bonum liberorum, plenam coniugum fidem exigunt atque indissolubilem eorum unitatem urgent ». 308
§ 1647
O motivo mais profundo encontra-se na fidelidade de Deus à sua aliança, de Cristo à sua Igreja. Pelo sacramento do Matrimónio, os esposos ficam habilitados a representar esta fidelidade e a dar testemunho dela. Pelo sacramento, a indissolubilidade do Matrimónio adquire um sentido novo e mais profundo.
Profundissimum motivum in fidelitate Dei ad Eius Foedus invenitur, Christi ad Ecclesiam. Per Matrimonii sacramentum, coniuges apti fiunt qui hanc repraesentent fidelitatem eamque testentur. Per sacramentum, indissolubilitas Matrimonii novum et profundiorem accipit sensum.
§ 1648
Pode parecer difícil, e até impossível, ligar-se por toda a vida a um ser humano. Por isso mesmo, é da maior importância anunciar a boa-nova de que Deus nos ama com um amor definitivo e irrevogável, de que os esposos participam neste amor que os conduz e sustém e de que, pela sua fidelidade, podem ser testemunhas do amor fiel de Deus. Os esposos que, com a graça de Deus, dão este testemunho, muitas vezes em condições bem difíceis, merecem a gratidão e o amparo da comunidade eclesial (172).
Videri potest difficile, immo impossibile, se pro tota vita personae ligare humanae. Eo ipso maximi est momenti Bonum Nuntium proclamare: Deum nos amore definitivo amare et irrevocabili, coniuges hunc participare amorem qui eos ducit et sustinet, eosque per suam fidelitatem testes esse posse Dei fidelis amoris. Coniuges qui, cum Dei gratia, hoc dant testimonium, saepe in valde difficilibus condicionibus, gratitudinem communitatis ecclesialis merentur et fulcimentum. 309
§ 1649
No entanto, há situações em que a coabitação matrimonial se torna praticamente impossível pelas mais diversas razões. Em tais casos, a Igreja admite a separação física dos esposos e o fim da coabitação. Mas os esposos não deixam de ser marido e mulher perante Deus: não são livres de contrair nova união. Nesta situação difícil, a melhor solução seria, se possível, a reconciliação. A comunidade cristã é chamada a ajudar estas pessoas a viverem cristãmente a sua situação, na fidelidade ao vínculo do seu Matrimónio, que continua indissolúvel (173).
Condiciones tamen exstant in quibus matrimonialis cohabitatio, valde diversis e causis, practice impossibilis fit. In talibus casibus, Ecclesia physicam coniugum admittit separationem et finem cohabitationis. Coniuges maritus et uxor coram Deo esse non desinunt; liberi non sunt ad novam contrahendam unionem. In tali difficili condicione, reconciliatio, si possibilis sit, optima esset solutio. Communitas christiana vocatur ad has personas adiuvandas ut in sua condicione christiane vivant, in fidelitate ad sui matrimonii vinculum quod indissolubile permanet. 310
§ 1650
Hoje em dia e em muitos países, são numerosos os católicos que recorrem ao divórcio, em conformidade com as leis civis, e que contraem civilmente uma nova união. A Igreja mantém, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo («quem repudia a sua mulher e casa com outra comete adultério em relação à primeira; e se uma mulher repudia o seu marido e casa com outro, comete adultério»: Mc 10, 11-12), que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro Matrimónio foi válido. Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objectivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação, por meio do sacramento da Penitência, só pode ser dada àqueles que se arrependerem de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometerem a viver em continência completa.
Plures sunt catholici, in non paucis regionibus, qui, secundum leges civiles, ad divortium recurrunt et novam civilem contrahunt unionem. Ecclesia, propter fidelitatem ad Iesu Christi verbum (« Quicumque dimiserit uxorem suam et aliam duxerit, adulterium committit in eam; et si ipsa dimiserit virum suum et alii nupserit, moechatur »: Mc 10,11-12), tenet se non posse hanc novam unionem ut validam agnoscere, si primum matrimonium validum erat. Si divortio seiuncti novas civiliter inierunt nuptias, in condicione inveniuntur quae obiective Dei Legem transgreditur. Exinde ad eucharisticam Communionem accedere non possunt, dum haec condicio permaneat. Eadem ex causa, quasdam responsabilitates ecclesiales non possunt exercere. Reconciliatio per Poenitentiae sacramentum nonnisi illis concedi potest, quos poenitet, se Foederis signum et fidelitatis erga Christum esse transgressos, et se ad vivendum in completa continentia obligant.
§ 1651
Com respeito a cristãos que vivem nesta situação e que muitas vezes conservam a fé e desejam educar cristãmente os seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar provas duma solicitude atenta, para que eles não se sintam separados da Igreja, em cuja vida podem e devem participar como baptizados que são:

«Serão convidados a ouvir a Palavra de Deus, a assistir ao sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a prestar o seu contributo às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em prol da justiça, a educar os seus filhos na fé cristã, a cultivar o espírito de penitência e a cumprir os actos respectivos, a fim de implorarem, dia após dia, a graça de Deus» (174).

Relate ad christianos qui in hac condicione vivunt et qui saepe fidem servant et suos filios christiane exoptant educare, sacerdotes et tota communitas attentam ostendere debent sollicitudinem, ne illi se tamquam separatos ab Ecclesia considerent, cuius vitam ut baptizati possunt et debent participare:

« Hortandi praeterea sunt ut Verbum Dei exaudiant, Sacrificio Missae intersint, preces fundere perseverent, opera caritatis necnon incepta communitatis pro iustitia adiuvent, filios in christiana fide instituant, spiritum et opera paenitentiae colant ut cotidie sic Dei gratiam implorent ». 311

A ABERTURA À FECUNDIDADE

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Os bens e as exigências do amor conjugal

§ 1652
«Pela sua própria natureza, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados à procriação e à educação dos filhos, que constituem o ponto alto da sua missão e a sua coroa»

«Os filhos são, sem dúvida, o mais excelente dom do Matrimónio e contribuem muitíssimo para o bem dos próprios pais. O mesmo Deus que disse: "não é bom que o homem esteja só" (Gn 2, 18) e que "desde o princípio fez o homem varão e mulher" (Mt 19, 4), querendo comunicar-lhe uma participação especial na sua obra criadora, abençoou o homem e a mulher dizendo: "Sede fecundos e multiplicai-vos" (Gn 1, 28). Por isso, o culto autêntico do amor conjugal e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do Matrimónio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do Criador e do Salvador, que, por meio deles, aumenta continuamente e enriquece a sua família» (176).

« Indole autem sua naturali, ipsum institutum matrimonii amorque coniugalis ad procreationem et educationem prolis ordinantur iisque veluti suo fastigio coronantur »: 312

« Filii sane sunt praestantissimum matrimonii donum et ad ipsorum parentum bonum maxime conferunt. Ipse Deus qui dixit: "non est bonum hominem esse solum" (Gn 2,18) et "qui hominem ab initio masculum et feminam... fecit" (Mt 19,4), volens ei participationem specialem quamdam in Suiipsius opere creativo communicare, viro et mulieri benedixit dicens: "crescite et multiplicamini" (Gn 1,28). Unde verus amoris coniugalis cultus totaque vitae familiaris ratio inde oriens, non posthabitis ceteris matrimonii finibus, eo tendunt ut coniuges forti animo dispositi sint ad cooperandum cum amore Creatoris atque Salvatoris, qui per eos Suam familiam in dies dilatat et ditat ». 313

§ 1653
A fecundidade do amor conjugal estende-se aos frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que os pais transmitem aos filhos pela educação. Os pais são os principais e primeiros educadores dos seus filhos(177). Neste sentido, a missão fundamental do Matrimónio e da família é estar ao serviço da vida (178).
Amoris coniugalis fecunditas ad vitae moralis, spiritualis et supernaturalis extenditur fructus quos parentes per educationem suis tradunt filiis. Parentes praecipui sunt et primi suorum filiorum educatores. 314 Hoc sensu, fundamentale matrimonii et familiae officium est in vitae esse ministerium. 315
§ 1654
Os esposos a quem Deus não concedeu a graça de ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente falando. O seu Matrimónio irradiar uma fecundidade de caridade, de acolhimento e de sacrifício.
Coniuges quibus Deus habere filios non concessit, possunt tamen vitam coniugalem degere plenam sensu sub ratione humana et christiana. Eorum matrimonium potest caritatis, acceptionis et sacrificii fecunditate elucescere. VI. Ecclesia domestica

A ABERTURA À FECUNDIDADE

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A Igreja doméstica

§ 1655
Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família de José e de Maria. A Igreja outra coisa não é senão a «família de Deus». Desde as suas origens, o núcleo aglutinante da Igreja era, muitas vezes, constituído por aqueles que, «com toda a sua casa», se tinham tornado crentes» (179). Quando se convertiam, desejavam que também «toda a sua casa» fosse salva (180). Estas famílias, que passaram a ser crentes, eram pequenas ilhas de vida cristã no meio dum mundo descrente.
Christus in sinu sanctae Familiae Ioseph et Mariae nasci et crescere voluit. Ecclesia aliud non est nisi « familia Dei ». Inde ab eius originibus, Ecclesiae nucleus saepe ex illis constabat qui « cum tota domo sua » effecti erant credentes. 316 Cum convertebantur, cupiebant « totam domum suam » etiam salvari. 317 Hae familiae, credentes effectae, parvae erant vitae christianae insulae in mundo non credenti.
§ 1656
Nos nossos dias, num mundo muitas vezes estranho e até hostil à fé, as famílias crentes são de primordial importância, como focos de fé viva e irradiante. É por isso que o II Concílio do Vaticano chama à família, segundo uma antiga expressão, «Ecclesia domestica – Igreja doméstica» (181). É no seio da família que os pais são, «pela palavra e pelo exemplo [...], os primeiros arautos da fé para os seus filhos, ao serviço da vocação própria de cada um e muito especialmente da vocação consagrada» (182).
Nostris diebus, in mundo saepe fidei alieno et etiam hostili, familiae credentes maximi sunt momenti tamquam viventis et elucentis fidei foci. Hac de causa, Concilium Vaticanum II familiam, cum vetere quadam expressione, Ecclesiam domesticam appellat. 318 In familiae sinu, parentes sunt « verbo et exemplo [...] pro filiis suis primi fidei praecones, et vocationem unicuique propriam, sacram vero peculiari cura, foveant oportet ». 319
§ 1657
É aqui que se exerce, de modo privilegiado, o sacerdócio baptismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, «na recepção dos sacramentos, na oração e acção de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade efectiva» (183). O lar é, assim, a primeira escola de vida cristã e «uma escola de enriquecimento humano» (184). É aqui que se aprende a tenacidade e a alegria no trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e sempre renovado, e, sobretudo, o culto divino, pela oração e pelo oferecimento da própria vida.
Hic, modo praeclaro, sacerdotium baptismale exercetur patris familias, matris, filiorum, omnium familiae membrorum « in sacramentis suscipiendis, in oratione et gratiarum actione, testimonio vitae sanctae, abnegatione et actuosa caritate ». 320 Familia, hoc modo, prima schola vitae christianae et « schola quaedam uberioris humanitatis est ». 321 Ibi patientia et laetitia laboris, amor fraternus, indulgentia generosa, etiam iterata, et praecipue divinus per orationem et propriae vitae oblationem cultus discuntur.
§ 1658
Não podem esquecer-se, também, certas pessoas que estão, em virtude das condições concretas em que têm de viver, muitas vezes sem assim o terem querido, particularmente próximas do coração de Cristo, e que merecem, portanto, a estima e a solicitude atenta da Igreja, particularmente dos pastores: o grande número de pessoas celibatárias. Muitas delas ficam sem família humana, frequentemente devido a condições de pobreza. Algumas vivem a sua situação no espírito das bem-aventuranças, servindo a Deus e ao próximo de modo exemplar. Mas a todas é necessário abrir as portas dos lares, «igrejas domésticas», e da grande família que é a Igreja. «Ninguém se sinta privado de família neste mundo: a Igreja é casa e família para todos, especialmente para quantos estão "cansados e oprimidos" (Mt 11, 28)» (185).Resumindo:
Oportet adhuc quasdam commemorare personas quae, propter condiciones concretas in quibus debent vivere — et saepe quin id voluerint — peculiariter cordi Iesu sunt proximae quaeque affectum et sollicitudinem Ecclesiae et praesertim Pastorum merentur diligentem: magnum personarum coelibum numerum. Plures ex illis sine familia humana manent, saepe propter paupertatis condiciones. Sunt quae in sua condicione vivunt secundum beatitudinum spiritum, Deo et proximo modo exemplari servientes. Omnibus illis portas aperire oportet familiarum, « Ecclesiarum domesticarum », et magnae familiae quae est Ecclesia: « Nemo hoc in mundo familia privatur: omnibus enim Ecclesia est domus atque familia, iis potissimum, qui "laborant et onerati sunt" (Mt 11,28) ». 322 Compendium

COMPÊNDIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Resumindo

§ 1659
São Paulo diz: «Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja [...] É grande este mistério, que eu refiro a Cristo e à Igreja» (Ef 5, 25.32).
Sanctus Paulus dicit: « Viri, diligite uxores, sicut et Christus dilexit Ecclesiam [...]. Mysterium hoc magnum est; ego autem dico de Christo et Ecclesia! » (Eph 5,25.32).
§ 1660
A aliança matrimonial, pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma comunidade íntima de vida e de amor; foi fundada e dotada das suas leis próprias pelo Criador: Pela sua natureza, ordena-se ao bem dos cônjuges, bem como à procriação e educação dos filhos. Entre os baptizados ,foi elevada por Cristo Senhor à dignidade de sacramento (186).
Matrimoniale foedus, quo vir et mulier inter se intimam vitae et amoris constituunt communitatem, a Creatore est fundatum et suis propriis legibus praeditum. Natura sua ad coniugum ordinatur bonum, sicut etiam ad filiorum generationem et educationem. Inter baptizatos ad sacramenti dignitatem a Christo Domino est evectum. 323
§ 1661
O sacramento do Matrimónio significa a união de Cristo com a Igreja. Confere aos esposos a graça de se amarem com o amor com que Cristo amou a sua Igreja; a graça do sacramento aperfeiçoa assim o amor humano dos esposos, dá firmeza à sua unidade indissolúvel e santifica-os no caminho da vida eterna (187).
Matrimonii sacramentum unionem Christi significat et Ecclesiae. Coniugibus confert gratiam sese amandi amore quo Christus Suam dilexit Ecclesiam; sic sacramenti gratia amorem coniugum perficit humanum, indissolubilem eorum confirmat unitatem eosque in via ad vitam aeternam sanctificat. 324
§ 1662
O Matrimónio assenta no consentimento dos contraentes, quer dizer; na vontade de se darem mútua e definitivamente, com o fim de viverem uma aliança de amor fiel e fecundo.
Matrimonium consensu fundatur coniugum, id est, voluntate sese mutuo et definitive donandi ad vivendum in fidelis et fecundi amoris foedere.
§ 1663
Uma vez que o Matrimónio estabelece os cônjuges num estado público de vida na Igreja, é conveniente que a sua celebração seja pública, integrada numa celebração litúrgica, perante o sacerdote (ou testemunha qualificada da Igreja), as testemunhas e a assembleia dos fiéis.
Quia matrimonium coniuges in publicum vitae statum stabilit in Ecclesia, oportet eius celebrationem publicam esse intra celebrationem liturgicam, coram sacerdote (vel Ecclesiae qualificato teste), testibus et fidelium congregatione.
§ 1664
A unidade, a indissolubilidade e a abertura à fecundidade são essenciais ao Matrimónio. A poligamia é incompatível com a unidade do Matrimónio; o divórcio separa o que Deus uniu; a recusa da fecundidade desvia a vida conjugal do seu «dom mais excelente», o filho (188).
Unitas, indissolubilitas et mens ad fecunditatem aperta matrimonio sunt essentiales. Polygamia est matrimonii unitati repugnans; divortium id separat quod Deus coniunxit; fecunditatis reiectio vitam disiungit coniugalem ab eius « praestantissimo dono », a filio. 325
§ 1665
O novo casamento dos divorciados, em vida do cônjuge legítimo, é contrário ao desígnio e à Lei de Deus ensinados por Cristo. Eles não ficam separados da Igreja, mas não têm acesso à comunhão eucarística. Viverão a sua vida cristã sobretudo educando os filhos na fé.
Novae nuptiae divortio seiunctorum, vivente coniuge legitimo, Dei consilium et Legem transgrediuntur quae Christus edocuit. Ipsi ab Ecclesia non sunt separati, sed ad Communionem eucharisticam non possunt accedere. Suam vitam christianam praecipue ducent, filios in fide educantes suos.
§ 1666
O lar cristão é o lugar onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. É por isso que a casa de família se chama, com razão, «Igreja doméstica», comunidade de graça e de oração, escola de virtudes humanas e de caridade cristã.
Domus christiana locus est in quo filii primum fidei recipiunt nuntium. Propterea domus familiaris iure « Ecclesia domestica » appellatur, gratiae et orationis communitas, virtutum humanarum et caritatis christianae schola. (230) CIC canon 1055, § 1. (231) Cf Gn 1,26-27.(232) Cf Apc 19,7.(233) Cf Eph 5,31-32. (234) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067. (235) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067. (236) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067. (237) Cf Gn 1,27. (238) Cf Gn 1,31. (239) Cf Gn 2,23. (240) Cf Gn 2,18. (241) Cf Ps 121,2. (242) Cf Mt 19,4. (243) Cf Gn 3,12. (244) Cf Gn 2,22. (245) Cf Gn 3,16. (246) Cf Gn 1,28. (247) Cf Gn 3,16-19. (248) Cf Gn 3,21. (249) Cf Gn 3,16. (250) Cf Mt 19,8; Dt 24,1. (251) Cf Os 1-3; Is 54; 62; Ier 2-3; 31; Ez 16; 23.(252) Cf Mal 2,13-17.(253) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.(254) Cf Apc 19,7 et 9.(255) Cf Io 2,1-11.(256) Cf Mt 19,8.(257) Cf Mt 19,10.(258) Cf Mt 11,29-30. (259) Cf Mc 8,34. (260) Cf Mt 19,11. (261) Cf Eph 5,26-27. (262) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 24a, Doctrina de sacramento Matrimonii: DS 1800; CIC canon 1055, § 1. (263) Cf Lc 14,26; Mc 10,28-31. (264) Cf Apc 14,4. (265) Cf 1 Cor 7,32. (266) Cf Mt 25,6. (267) Cf Mc 12,25; 1 Cor 7,31. (268) Cf Mt 19,3-12. (269) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 42: AAS 57 (1965) 48; Id., Decr. Perfectae caritatis, 12: AAS 58 (1966) 707; Id., Decr. Optatam totius, 10: AAS 58 (1966) 720-721.(270) Sanctus Ioannes Chrysostomus, De virginitate, 10, 1: SC 125, 122 (PG 48, 540); cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 16: AAS 74 (1982) 98. (271) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 61: AAS 56 (1964) 116-117. (272) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 6: AAS 57 (1965) 9.(273) Cf 1 Cor 10,17. (274) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 67: AAS 74 (1982) 162.(275) Cf CCEO canon 817.(276) Cf CCEO canon 828.(277) Cf Eph 5,32.(278) CIC canon 1057, § 1.(279) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067; CIC canon 1057, § 2. (280) Ordo celebrandi Matrimonium, 62, Editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis 1991) p. 17. (281) Cf Gn 2,24; Mc 10,8; Eph 5,31. (282) Cf CIC canon 1103. (283) Cf CIC canon 1057, § 1. (284) Cf CIC canones 1083-1108. (285) Cf CIC canon 1071, § 1, 3. (286) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 24a, Decretum "Tametsi": DS 1813-1816; CIC canon 1108. (287) Cf CIC canon 1063. (288) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070. (289) Cf CIC canon 1124. (290) Cf CIC canon 1086. (291) Cf CIC canon 1125. (292) Cf 1 Cor 7,16. (293) CIC canon 1134. (294) Cf Mc 10,9. (295) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067. (296) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068. (297) Cf CIC canon 1141. (298) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 16.(299) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 15-16; cf Ibid., 41: AAS 57 (1965) 47. (300) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068. (301) Cf Gal 6,2. (302) Tertullianus, Ad uxorem, 2, 8, 6-7: CCL 1, 393 (PL 1, 1415-1416); cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 13: AAS 74 (1982) 94. (303) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 13: AAS 74 (1982) 96.(304) Cf Gn 2,24.(305) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 19: AAS 74 (1982) 101.(306) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070.(307) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 19: AAS 74 (1982) 102.(308) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068.(309) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 20: AAS 74 (1982) 104.(310) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 83: AAS 74 (1982) 184; CIC canones 1151-1155. (311) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 84: AAS 74 (1982) 185.(312) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068.(313) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1070-1071.(314) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Gravissimum educationis, 3: AAS 58 (1966) 731.(315) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 28: AAS 74 (1982) 114.(316) Cf Act 18,8.(317) Cf Act 16,31; 11,14. (318) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 16; cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 21: AAS 74 (1982) 105. (319) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 16.(320) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 10: AAS 57 (1965) 15.(321) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 52: AAS 58 (1966) 1073.(322) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 85: AAS 74 (1982) 187.(323) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067-1068; CIC canon 1055, § 1. (324) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 24a, Doctrina de sacramento Matrimonii: DS 1799. (325) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1070.

OS SACRAMENTAIS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1667
«A Santa Mãe Igreja instituiu também os sacramentais. Estes são sinais sagrados por meio dos quais, imitando de algum modo os sacramentos, se significam e se obtêm, pela oração da Igreja, efeitos principalmente de ordem espiritual. Por meio deles, dispõem-se os homens para a recepção do principal efeito dos sacramentos e são santificadas as várias circunstâncias da vida» (1).
« Sacramentalia praeterea sancta Mater Ecclesia instituit. Quae sacra sunt signa quibus, in aliquam sacramentorum imitationem, effectus praesertim spirituales significantur et ex Ecclesiae impetratione obtinentur. Per ea homines ad praecipuum sacramentorum effectum suscipiendum disponuntur et varia vitae adiuncta sanctificantur ». 326Lineamenta sacramentalium characteristica

TRAÇOS CARACTERÍSTICOS DOS SACRAMENTAIS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1668
São instituídos pela Igreja com vista à santificação de certos minis­térios da mesma Igreja, de certos estados de vida, de circunstâncias muito variadas da vida cristã, bem como do uso de coisas úteis ao homem. Segundo as decisões pastorais dos bispos, podem também corresponder às necessidades, à cultura e à história próprias do povo cristão duma região ou duma época. Incluem sempre uma oração, muitas vezes acompanhada dum sinal determinado, como a imposição da mão, o sinal da cruz, a aspersão com água benta (que recorda o Baptismo).
Ipsa ab Ecclesia sunt instituta ad sanctificationem quorumdam Ecclesiae ministeriorum, quorumdam vitae statuum, adiunctorum vitae christianae valde diversorum, atque etiam usus rerum homini utilium. Secundum determinationes pastorales Episcoporum etiam respondere possunt necessitatibus, culturae et historiae populi christiani cuiusdam regionis vel aetatis propriis. Semper precationem complectuntur quam saepe signum comitatur concretum, sicut manuum impositio, signum crucis, aspersio aquae benedictae (quae Baptismum revocat in memoriam).
§ 1669
Eles decorrem do sacerdócio baptismal: todo o baptizado é chamado a ser uma «bênção» (2) e a abençoar (3). Por isso, há certas bênçãos que podem ser presididas por leigos (4). Porém, quanto mais uma bênção disser respeito à vida eclesial e sacramental, tanto mais a sua presidência será reservada ao ministério ordenado (bispos, presbíteros ou diáconos) (5).
A sacerdotio oriuntur baptismali: omnis baptizatus vocatur ut sit benedictio 327 et benedicat. 328 Hac de causa, laici quibusdam benedictionibus praesidere possunt; 329 quo magis quaedam benedictio ad vitam ecclesialem attinet et sacramentalem, eo magis eiusdem praesidentia ministro reservatur ordinato (Episcopo, presbyteris vel diaconis). 330
§ 1670
Os sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela. «Portanto, a liturgia dos sacramentos e sacramentais oferece aos fiéis bem dispostos a possibilidade de santificarem quase todos os acontecimentos da vida por meio da graça divina que deriva do mistério pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, mistério onde vão buscar a sua eficácia todos os sacramentos e sacramentais. E assim, quase não há uso honesto das coisas materiais que não possa reverter para este fim: a santificação dos homens e o louvor a Deus» (6).
Sacramentalia gratiam Spiritus Sancti ad modum sacramentorum non conferunt, sed per Ecclesiae orationem praeparant ad gratiam recipiendam et disponunt ad cooperandum cum illa. « Fidelibus bene dispositis omnis fere eventus vitae [...] [sanctificatur] gratia divina manante ex mysterio Paschali passionis, mortis et resurrectionis Christi, a quo omnia sacramenta et sacramentalia suam virtutem derivant; nullusque paene rerum materialium usus honestus ad finem hominem sanctificandi Deumque laudandi dirigi non » potest. 331 Sacramentalium formae diversae

FORMAS VARIADAS DOS SACRAMENTAIS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1671
Entre os sacramentais figuram, em primeiro lugar, as bênçãos (de pessoas, da mesa, de objectos e lugares). Toda a bênção é louvor de Deus e oração para obter os seus dons. Em Cristo, os cristãos são abençoados por Deus Pai, «com toda a espécie de bênçãos espirituais» (Ef 1, 3). É por isso que a Igreja dá a bênção invocando o nome de Jesus e fazendo habitualmente o santo sinal da cruz de Cristo.
Inter sacramentalia inveniuntur imprimis benedictiones (personarum, mensae, rerum, locorum). Omnis benedictio laus est Dei et oratio ad Eius dona obtinenda. In Christo, christiani a Deo Patre benedicuntur « in omni benedictione spiritali » (Eph 1,3). Hac de causa, Ecclesia benedictionem impertit Nomen Iesu invocans et plerumque sanctum crucis Christi faciens signum.
§ 1672
Certas bênçãos têm um alcance duradoiro: são as que têm por fim consagrar pessoas a Deus e reservar objectos e lugares para usos litúrgicos. Entre as que são destinadas a pessoas (e que não devem confundir-se com a ordenação sacramental) figuram a bênção do abade ou abadessa dum mosteiro, a consagração das virgens e das viúvas, o rito da profissão religiosa e as bênçãos para certos ministérios da Igreja (leitores, acólitos, catequistas, etc.). Como exemplo das que dizem respeito a objectos, pode apontar-se a dedicação ou bênção de unta igreja ou de um altar, a bênção dos santos óleos, dos vasos e paramentos sagrados, dos sinos, etc.
Quaedam benedictiones scopum habent mansurum: earum effectus est, personas Deo consecrare et res atque loca ad usum reservare liturgicum. Inter illas quae personis destinantur — non confundendae cum ordinatione sacramentali — numerantur benedictio abbatis et abbatissae monasterii, consecratio virginum et viduarum, ritus professionis religiosae et benedictiones pro quibusdam Ecclesiae ministeriis (lectoribus, acolythis, catechistis, etc.). Sicut exemplum earum quae ad res referuntur, possunt recenseri dedicatio vel benedictio ecclesiae aut altaris, benedictio sanctorum oleorum, vasorum et vestium sacrarum, campanarum, etc.
§ 1673
Quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objecto seja protegido contra a acção do Maligno e subtraído ao seu domínio, fala-se de exorcismo. Jesus praticou-o (7) - e é d'Ele que a Igreja obtém o poder e encargo de exorcizar (8). Sob uma forma simples, faz-se o exorcismo na celebração do Baptismo. O exorcismo solene, chamado «grande exorcismo», só pode ser feito por um presbítero e com licença do bispo. Deve proceder-se a ele com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja (9). O exorcismo tem por fim expulsar os demónios ou libertar do poder diabólico, e isto em virtude da autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. Por isso, antes de se proceder ao exorcismo, é importante ter a certeza de que se trata duma presença diabólica e não duma doença.
Cum Ecclesia publice et cum auctoritate, Iesu Christi nomine, petit ut quaedam persona vel res contra Maligni protegatur influxum et ab eius subtrahatur dominatu, id dicitur exorcismus. Iesus illum exercuit, 332 et ab Eodem Ecclesia exorcizandi potestatem habet et munus. 333 Forma simplici, exorcismus fit in Baptismi celebratione. Sollemnis exorcismus, « magnus exorcismus » appellatus, non potest fieri nisi a presbytero cum Episcopi permissione. Hac in re, oportet prudenter procedere, normas ab Ecclesia stabilitas stricte observando. 334 Exorcismus intendit demonia expellere vel ab influxu demoniaco liberare et quidem auctoritate spirituali quam Iesus Suae concredidit Ecclesiae. Valde diversus est casus aegritudinum, praecipue psychicarum, quarum cura ad scientiam medicam pertinet. Magni igitur momenti est, antequam exorcismus celebretur, certiorem fieri, de praesentia Maligni agi et non de quadam aegritudine. Religiositas popularis

A RELIGIOSIDADE POPULAR

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1674
Fora da liturgia dos sacramentos e dos sacramentais, a catequese deve ter em consideração as formas de piedade dos fiéis e a religiosidade popular. O sentimento religioso do povo cristão desde sempre encontrou a sua expressão em variadas formas de piedade, que rodeiam a vida sacramental da Igreja, tais como a veneração das relíquias, as visitas aos santuários, as peregrinações, as procissões, a via-sacra, as danças religiosas, o rosário, as medalhas, etc. (10).
Praeter liturgiam sacramentalem et sacramentalia, catechesis attendere debet ad formas pietatis fidelium et religiositatis popularis. Populi christiani sensus religiosus semper suam invenit expressionem in variis pietatis formis quae vitam Ecclesiae circumdant sacramentalem, sicut reliquiarum veneratio, sanctuariorum visitationes, peregrinationes, processiones, via crucis, religiosae saltationes, Rosarium, numismata etc. 335
§ 1675
Estas manifestações são um prolongamento da vida litúrgica da Igreja, mas não a substituem. «Devem ser organizadas, tendo em conta os tempos litúrgicos e de modo a harmonizarem-se com a liturgia, a dimanarem dela de algum modo e a nela introduzirem o povo; porque, por sua natureza, a liturgia lhes é, de longe, superior» (11).
Hae expressiones vitam liturgicam protrahunt Ecclesiae, sed eam non supplent: « Ita vero, ratione habita temporum liturgicorum, eadem exercitia ordinentur oportet, ut sacrae liturgiae congruant, ab ea quodammodo deriventur, ad eam populum manuducant, utpote quae natura sua iisdem longe antecellat ». 336
§ 1676
Para manter e apoiar a religiosidade popular, é necessário um discernimento pastoral. O mesmo se diga, se for caso disso, para purificar e corrigir o sentimento religioso subjacente a essas devoções e para fazer progredir no conhecimento do mistério de Cristo. A sua prática está submetida ao cuidado e às decisões dos bispos e às normas gerais da igreja (12).

«A religiosidade do povo, no seu núcleo, é um acervo de valores que responde com sabedoria cristã às grandes incógnitas da existência. A sapiência popular católica tem uma capacidade de síntese vital: engloba criadoramente o divino e o humano, Cristo e Maria, espírito e corpo, comunhão e instituição, pessoa e comunidade, fé e pátria, inteligência e afecto. Esta sabedoria é um humanismo cristão que afirma radicalmente a dignidade de toda a pessoa como filho de Deus, estabelece uma fraternidade fundamental, ensina a encontrar a natureza e a compreender o trabalho e proporciona as razões para a alegria e o humor, mesmo no meio de uma vida muito dura. Esta sabedoria é também para o povo um princípio de discernimento, um instinto evangélico pelo qual capta espontaneamente quando se serve na Igreja o Evangelho e quando ele é esvaziado e asfixiado por outros interesses» (13).

Pastoralis discretio necessaria est ad religiositatem popularem sustinendam et fulciendam, et, si casus id ferat, ad religiosum purificandum et corrigendum sensum qui his subest devotionibus et ad efficiendum ut in cognitione mysterii Christi progressus fiat. Earum exercitium curae et iudicio submittitur Episcoporum atque generalibus Ecclesiae normis. 337

« Populi religiositas, in suo nucleo, valorum est complexus qui, cum sapientia christiana, magnis exsistentiae respondet quaestionibus. Sapientia popularis catholica capacitatem habet synthesis vitalis; sic, modo creativo, divina et humana simul fert; Christum et Mariam, spiritum et corpus; communionem et institutionem; personam et communitatem; fidem et patriam, intelligentiam et affectum. Haec sapientia christianus est humanismus qui dignitatem radicaliter affirmat omnis personae humanae tamquam filii Dei, fraternitatem stabilit fundamentalem, naturam invenire et laborem intelligere docet et rationes affert ad laetanter et hilariter vivendum, etiam in vita valde dura. Haec sapientia est etiam pro populo discretionis principium, evangelicus instinctus quo spontaneo percipit modo quandonam servitium in Ecclesia praestetur Evangelio, et quandonam illud aliis commodis evacuetur et suffocetur ». 338

COMPÊNDIO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

Resumindo

§ 1677
Chamam-se sacramentais os sinais sagrados instituídos pela Igreja, cuja finalidade é preparar os homens para receberem os frutos dos sacramentos e santificarem as diferentes circunstâncias da vida.
Sacramentalia appellantur signa sacra ab Ecclesia instituta, cuius scopus est homines ad sacramentorum recipiendum fructum praeparare et diversa vitae sanctificare adiuncta.
§ 1678
Entre os sacramentais, as bênçãos ocupam um lugar importante. Compreendem, ao mesmo tempo, o louvor de Deus pelas suas obras e a intercessão da Igreja para que os homens possam fazer uso dos dons de Deus segundo o espírito do Evangelho.
Inter sacramentalia, benedictiones locum magni momenti occupant. Ipsae simul Dei implicant laudem propter Eius opera Eiusque dona, et Ecclesiae intercessionem ut homines donis Dei uti possint secundum Evangelii spiritum.
§ 1679
Além da liturgia, a vida cristã nutre-se das variadas formas da piedade popular, enraizadas nas diferentes culturas. Procurando esclarecê-las com a luz da fé, a Igreja favorece as formas de religiosidade popular que exprimem um instinto evangélico e uma sabedoria humana, e que enriquecem a vida cristã.
Praeter liturgiam, vita christiana formis variis pietatis popularis nutritur, quae in diversis radicantur culturis. Ecclesia religiositatis popularis favet formis, quae instinctum evangelicum et sapientiam exprimunt humanam quaeque vitam christianam ditant, simul tamen curans ut per fidei lumen eas illustret. (326) 9 Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 60: AAS 56 (1964) 116; cf CIC canon 1166; CCEO canon 867. (327) Cf Gn 12,2. (328) Cf Lc 6,28; Rom 12,14; 1 Pe 3,9. (329) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 79: AAS 56 (1964) 120; cf CIC canon 1168. (330) Cf De Benedictionibus, Praenotanda generalia, 16 et 18, Editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1984) p. 13.14-15. (331) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 61: AAS 56 (1964) 116-117. (332) Cf Mc 1,25-26. (333) Cf Mc 3,15; 6,7.13; 16,17. (334) Cf CIC canon 1172. (335) Cf Concilium Nicaenum II, Definitio de sacris imaginibus: DS 601; Ibid.: DS 603; Concilium Tridentinum, Sess. 25a, Decretum de invocatione, veneratione et reliquiis sanctorum, et sacris imaginibus: DS 1822. (336) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 13: AAS 56 (1964) 103. (337) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Catechesi tradendae, 54: AAS 71 (1979) 1321-1322. (338) III Conferencia General del Episcopado Latinoamericano, Puebla. La Evangelización en el presente y en el futuro de América Latina, 448 (Bogotá 1979) p. 131; cf Paulus VI, Adh. ap. Evangelii nuntiandi, 48: AAS 68 (1976) 37-38.

AS EXÉQUIAS CRISTÃS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

§ 1680
Todos os sacramentos, principalmente os da iniciação cristã, têm por fim a última páscoa do cristão, que, pela morte, o faz entrar na vida do Reino. Então se cumpre o que ele confessa na fé e na esperança: «Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir» (14).
Omnia sacramenta, et praesertim illa christianae initiationis, habent, ut scopum, filii Dei ultimum Pascha, illud quod, per mortem, eum in Regni vitam intrare facit. Tunc adimpletur id quod ipse in fide et spe profitebatur: « Exspecto resurrectionem mortuorum, et vitam venturi saeculi ». 339 I. Christiani ultimum Pascha

AS EXÉQUIAS CRISTÃS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A última Páscoa do cristão

§ 1681
O sentido cristão da morte é revelado à luz do mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo, em quem pomos a nossa única esperança. O cristão que morre em Cristo Jesus «abandona este corpo para ir morar junto do Senhor» (15).
Christianus mortis sensus lumine revelatur mysterii Paschalis mortis et resurrectionis Christi, in quo nostra spes unica considit. Christianus qui in Christo Iesu moritur, peregrinatur a corpore et praesens est ad Dominum. 340
§ 1682
O dia da morte inaugura para o cristão, no termo da sua vida sacramental, a consumação do seu novo nascimento começado no Baptismo, o definitivo «assemelhar-se à imagem do Filho», conferido pela unção do Espírito Santo e pela participação no banquete do Reino, antecipada na Eucaristia, ainda que algumas derradeiras purificações lhe sejam ainda necessárias, para poder vestir o traje nupcial.
Dies mortis pro christiano, in fine eius vitae sacramentalis, consummationem inaugurat eius novae nativitatis in Baptismo inceptae, « similitudinem » definitivam ad « imaginem Filii » unctione Spiritus Sancti collatam et participationem convivii Regni, quae in Eucharistia anticipabatur, etiamsi ultimae purificationes ei sint adhuc necessariae ad vestem nuptialem superinduendam.
§ 1683
A Igreja que, como mãe, trouxe sacramentalmente no seu seio o cristão durante a sua peregrinação terrena, acompanha-o no termo da sua caminhada para o entregar «nas mãos do Pai». E oferece ao Pai, em Cristo, o filho da sua graça, e depõe na terra, na esperança, o gérmen do corpo que há-de ressuscitar na glória (16). Esta oblação é plenamente celebrada no sacrifício eucarístico, e as bênçãos que o precedem e o seguem são sacramentais.
Ecclesia quae, sicut Mater, christianum, terrestri eius peregrinatione perdurante, sacramentaliter in suo portavit sinu, eum comitatur ad finem itineris eius, ut eum tradat « in manus Patris ». Ipsa Patri offert in Christo filium Eius gratiae, et in terram deponit, in spe, semen corporis quod in gloria resurget. 341 Haec oblatio plene Sacrificio celebratur eucharistico; benedictiones quae illud praecedunt vel consequuntur, sunt sacramentalia. II. Exsequiarum celebratio

AS EXÉQUIAS CRISTÃS

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

A celebração das exéquias

§ 1684
As exéquias cristãs são uma celebração litúrgica da Igreja. O ministério da Igreja tem em vista, aqui, tanto exprimir a comunhão eficaz com o defunto, como fazer participar nela a comunidade reunida para o funeral e anunciar-lhe a vida eterna.
Exsequiae christianae sunt liturgica Ecclesiae celebratio. Ecclesiae ministerium hic intendit tam ut communionem cum defuncto exprimat efficacem quam ut eiusdem participem efficiat communitatem pro obsequiis congregatam ipsique aeternam nuntiet vitam.
§ 1685
Os diferentes ritos das exéquias exprimem o carácter pascal da morte cristã e correspondem às situações e tradições de cada região, até no que respeita à cor litúrgica (17).
Diversi exsequiarum ritus indolem Paschalem christianae exprimunt mortis atque condicionibus et traditionibus respondent uniuscuiusque regionis, etiam in eo quod ad colorem refertur liturgicum. 342
§ 1686
A Celebração das Exéquias – Ordo exsequiarum – da liturgia romana propõe três tipos de celebração das exéquias, correspondentes aos três lugares em que se desenrolam (a casa, a igreja, o cemitério), e segundo a importância que lhes dão a família, os costumes locais, a cultura e a piedade popular. O esquema é, aliás, comum a todas as tradições litúrgicas e compreende quatro momentos principais:
Ordo exsequiarum liturgiae Romanae tres celebrationis exsequiarum proponit typos, qui tribus locis correspondent, in quibus ipsae evolvuntur (in domo, ecclesia, coemeterio), et secundum momentum quod illis tribuunt familia, mores loci, cultura et pietas popularis. Ceterum modus quo evolvuntur, omnibus traditionibus liturgicis est communis et quattuor praecipua continet momenta:
§ 1687
O acolhimento da comunidade. Uma saudação de fé dá início à celebração. Os parentes do defunto são acolhidos com uma palavra de «consolação» (no sentido do Novo Testamento: a fortaleza do Espírito Santo na esperança (18). Também a comunidade orante, que se junta, espera ouvir «as palavras da vida eterna». A morte dum membro da comunidade (ou o seu dia aniversário, sétimo ou trigésimo) é um acontecimento que deve levar a ultrapassar as perspectivas «deste mundo» e projectar os fiéis para as verdadeiras perspectivas da fé em Cristo Ressuscitado.
Communitatis acceptio. Fidei salutatio celebrationem aperit. Defuncto propinqui verbo accipiuntur « consolationis » (sensu Novi Testamenti: roboris Spiritus Sancti in spe 343). Communitas orans quae congregatur, etiam « verba vitae aeternae » exspectat. Alicuius membri communitatis mors (vel dies anniversarius, dies septimus vel trigesimus) eventus est qui efficere debet ut « huius mundi » superentur perspectivae et fideles ad veras perspectivas trahantur fidei in Christum resuscitatum.
§ 1688
A liturgia da Palavra, aquando das exéquias, exige uma preparação, tanto mais atenta quanto a assembleia presente pode incluir fiéis pouco frequentadores da liturgia e até amigos do defunto que não sejam cristãos. A homilia, de modo particular, deve «evitar o género literário do elogio fúnebre» (19) e iluminar o mistério da morte cristã com a luz de Cristo ressuscitado.
Verbi liturgia, in exsequiis, praeparationem exigit eo magis accuratam quod communitas tunc praesens fideles includere potest liturgiae parum assiduos et amicos defuncti qui christiani non sint. Homilia, speciatim, debet genus elogii funebris secludere 344 et mortis christianae mysterium illuminare Christi resuscitati luce.
§ 1689
O sacrifício eucarístico. Quando a celebração tem lugar na igreja, a Eucaristia é o coração da realidade pascal da morte cristã (20). É então que a Igreja manifesta a sua comunhão eficaz com o defunto: oferecendo ao Pai, no Espírito Santo, o sacrifício da morte e ressurreição de Cristo, pede-Lhe que o seu filho defunto seja purificado dos pecados e respectivas consequências, e admitido à plenitude pascal da mesa do Reino (21). É pela Eucaristia assim celebrada que a comunidade dos fiéis, especialmente a família do defunto, aprende a viver em comunhão com aquele que «adormeceu no Senhor», comungando o corpo de Cristo, de que ele é membro vivo, e depois rezando por ele e com ele.
Sacrificium eucharisticum. Cum celebratio in ecclesia fit, Eucharistia cor est realitatis Paschalis mortis christianae. 345 Tunc Ecclesia suam cum defuncto exprimit efficacem communionem: ipsa, Patri, in Spiritu Sancto, sacrificium offerens mortis et resurrectionis Christi, supplicat ut filius suus a suis peccatis eorumque consequentiis purificetur et ad Paschalem mensae Regni admittatur plenitudinem. 346 Per Eucharistiam sic celebratam, fidelium communitas, speciatim familia defuncti, discit in communione vivere cum illo qui « in Domino dormivit », communicando Christi corpus, cuius ille membrum est vivum, et deinde pro illo et cum illo orando.
§ 1690
O adeus («a Deus») ao defunto é a sua «encomendação a Deus» pela Igreja. É «a última saudação dirigida pela comunidade cristã a um dos seus membros, antes de o corpo ser levado para a sepultura» (22). A tradição bizantina exprime-o pelo ósculo do adeus ao defunto:

Nesta saudação final, «canta-se por ele ter partido desta vida e pela sua separação, mas também porque há uma comunhão e uma reunião. Com efeito, mortos, nós não nos separamos uns dos outros, porque todos percorremos o mesmo caminho e nos reencontraremos no mesmo lugar. Nunca nos separaremos, porque vivemos para Cristo e agora estamos unidos a Cristo, indo para Ele... estaremos todos juntos em Cristo» (23).

Valedictio defuncto (in pluribus linguis latinis « adieu », « addio », « adiós » = ad Deum) est eius « commendatio ad Deum » per Ecclesiam. Est « extrema [...] valedictio, qua communitas christiana membrum suum consalutat, antequam corpus efferatur vel sepeliatur ». 347 Traditio Byzantina id exprimit per valedictionis osculum defuncto:

Hac finali salutatione « cantatur propter ex hac vita migrationem et amandationem, necnon quoniam adest communio et adunatio, quatenus mortui nequaquam ab invicem separabimur; omnes enim eamdem teremus viam et in eodem loco collocabimur, neque separabimur unquam, nam Christo vivemus, et nunc Christo adunamur, ad Eum progredientes [...] universi simul fideles cum Christo erimus ». 348

4. TERCEIRA PARTE - A VIDA EM CRISTO (§1691-2557)

INTRODUÇÃO

§ 1691
«Reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias da tua vida passada. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Não te esqueças de que foste libertado do poder das trevas e transferido para a luz e para o Reino de Deus» (1).
« Agnosce, o christiane, dignitatem tuam, et divinae consors factus naturae, noli in veterem vilitatem degeneri conversatione recidere. Memento cuius Capitis et cuius sis corporis membrum. Reminiscere quia erutus de potestate tenebrarum, traslatus es in Dei lumen et Regnum ».1
§ 1692
O Símbolo da fé, professou a grandeza dos dons de Deus ao homem na obra da criação e, mais ainda, na da redenção e santificação. O que a fé confessa, os sacramentos comunicam-no: pelos «sacramentos, que os fizeram renascer», os cristãos tornaram-se «filhos de Deus» (1 Jo 3, 1) (2), «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4). Reconhecendo pela fé a sua nova dignidade, os cristãos são chamados a levar, doravante, uma vida digna do Evangelho de Cristo (3). Pelos sacramentos e pela oração, recebem a graça de Cristo e os dons do seu Espírito, que dela os tornam capazes.
Symbolum fidei magnitudinem est professum donorum quae Deus homini largitus est in Suae creationis opere et adhuc magis per Redemptionem et sanctificationem. Quod fides confitetur, sacramenta communicant: christiani per sacramenta quae efficiunt ut ipsi renascantur, facti sunt « filii Dei » (1 Io 3,1),2 « divinae consortes naturae » (2 Pe 1,4). Christiani, suam novam dignitatem fide agnoscentes, vocantur ut posthac digne Evangelio Christi conversentur.3 Per sacramenta et orationem, gratiam Christi accipiunt et Eius Spiritus dona quae eos ad hoc efficiunt capaces.
§ 1693
Cristo Jesus fez sempre aquilo que era do agrado do Pai (4). Viveu sempre em perfeita comunhão com Ele. De igual modo, os seus discípulos são convidados a viver sob o olhar do Pai, «que vê no segredo» (Mt 6, 6), para se tornarem «perfeitos como o Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 47).
Christus Iesus semper fecit id quod Patri placebat.4 Semper in perfecta communione vixit cum Illo. Eodem modo, discipuli Eius invitantur ad vivendum ante conspectum Patris « qui videt in abscondito » (Mt 6,6), ut « perfecti, sicut Pater [...] caelestis perfectus est » (Mt 5,47) efficiantur.
§ 1694
Incorporados em Cristo pelo Baptismo (5), os cristãos «morreram para o pecado e vivem para Deus em Cristo Jesus» (6), participando assim na vida do Ressuscitado (7). Seguindo a Cristo e em união com Ele (8), os cristãos podem esforçar-se por ser imitadores de Deus, como filhos bem amados, e por proceder com amor» (9), conformando os seus pensamentos, palavras e acções com os sentimentos de Cristo Jesus (10) e seguindo os seus exemplos (11).
Christiani, Christo per Baptismum incorporati,5 mortui sunt peccato, viventes autem Deo in Christo Iesu,6 vitam sic Resuscitati participantes.7 Christum sequentes Eique coniuncti,8 christiani conari possunt imitatores esse Dei, sicut filii carissimi et ambulare in dilectione,9 suas cogitationes, sua verba suasque actiones sic conformantes, ut hoc sentiant in se, quod et in Christo Iesu10 Eiusque sectentur exempla.11
§ 1695
«Justificados pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus» (1 Cor 6, 11), «santificados e chamados a serem santos» (12) os cristãos tornaram-se «templo do Espírito Santo» (1 Cor 6, 19). Este, que é o «Espírito do Filho», ensina-os a orar ao Pai (13) e, tendo-Se feito vida deles, impele-os a agir (14) para produzirem os frutos do Espírito (15) mediante uma caridade activa. Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo renova-nos interiormente por uma transformação espiritual (16), ilumina-nos e fortalece-nos para vivermos como «filhos da luz» (Ef 5, 8) «em toda a espécie de bondade, justiça e verdade (Ef 5, 9).
Christiani, « iustificati [...] in nomine Domini Iesu Christi et in Spiritu Dei nostri » (1 Cor 6,11), sanctificati et vocati sancti,12 « templum [...] Spiritus Sancti » (1 Cor 6,19) sunt effecti. Hic « Spiritus Filii » eos Patrem docet orare13 et, vita factus eorum, eos agere facit,14 ut fructus Spiritus ferant15 per actuosam caritatem. Spiritus Sanctus, peccati sanans vulnera, nos spirituali transformatione renovat interius,16 Ipse nos illuminat et roborat ut tamquam « filii lucis » (Eph 5,8) vivamus « in omni bonitate et iustitia et sanctitate » (Eph 5,9).
§ 1696
O caminho de Cristo «leva à vida»; um caminho contrário «leva à perdição» (Mt 7, 13) (17). A parábola evangélica dos dois caminhos está sempre presente na catequese da Igreja. E significa a importância das decisões morais para a nossa salvação. «Há dois caminhos, um da vida, outro da morte: mas entre os dois existe uma grande diferença» (18).
Via Christi « ducit ad vitam » (Mt 7,14), contraria autem via « ducit ad perditionem » (Mt 7,13).17 Evangelica duplicis viae parabola in Ecclesiae catechesi semper manet praesens. Ipsa decisionum moralium momentum pro nostra salute significat. « Duae viae sunt, altera vitae et altera mortis, sed multum interest inter duas vias ».18
§ 1697
Na catequese, importa revelar com toda a clareza a alegria e as exigências do caminho de Cristo(19). A catequese da «vida nova» n'Ele (Rm 6, 4), deve ser:

uma catequese do Espírito Santo, mestre interior da vida segundo Cristo, doce hóspede e amigo que inspira, guia, rectifica e fortalece essa vida;


uma catequese da graça, pois é pela graça que somos salvos e é também pela graça que as nossas obras podem ser frutuosas para a vida eterna;


 – uma catequese das bem-aventuranças, porque o caminho de Cristo se resume nelas e é o único caminho da felicidade eterna a que o coração do homem aspira;


uma catequese do pecado e do perdão, porque, sem se reconhecer pecador, o homem não pode conhecer a verdade sobre si mesmo, condição dum procedimento justo: e, sem a oferta do perdão, não seria capaz de suportar aquela verdade;


uma catequese das virtudes humanas, que faz apreender a beleza e o atractivo das rectas disposições para o bem;


uma catequese das virtudes cristãs da fé, esperança e caridade, que se inspira abundantemente no exemplo dos santos;


uma catequese do duplo mandamento da caridade exposto no decálogo;


uma catequese eclesial, porque é nas múltiplas permutas dos «bens espirituais», na «comunhão dos santos», que a vida cristã pode crescer, desenvolver-se e comunicar-se.


In catechesi oportet tota claritate gaudium et exigentias viae ostendere Christi.19 Catechesis de « novitate vitae » (Rom 6,4) in Illo erit: — catechesis de Spiritu Sancto, Magistro interiore vitae secundum Christum, dulci hospite et amico qui hanc vitam inspirat, ducit, corrigit et roborat; — catechesis de gratia, quia gratia salvati sumus et etiam gratia possunt opera nostra fructum ferre in vitam aeternam; — catechesis de beatitudinibus, quia Christi via summatim in beatitudinibus comprehenditur, unico itinere ad aeternam felicitatem quam cor appetit hominis; — catechesis de peccato et venia, quia homo, quin se peccatorem agnoscat, de se ipso cognoscere nequit veritatem, quae ad iuste operandum est condicio, atque, quin ei offerretur venia, hanc veritatem tolerare nequiret; — catechesis de humanis virtutibus, quae faciat ut pulchritudo et allectatio percipiantur rectarum ad bonum dispositionum; — catechesis de christianis virtutibus fidei, spei et caritatis, quae summopere sanctorum inspiratur exemplo; — catechesis de duplici caritatis praecepto in Decalogo explicato; — catechesis ecclesialis, quia vita christiana solum in multiplici « bonorum spiritualium » commutatione in « communione sanctorum » crescere, expandi et communicari potest.
§ 1698
A referência, primeira e última, desta catequese será sempre o próprio Jesus Cristo, que é «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6). De olhos postos n'Ele com fé, os cristãos podem esperar que Ele próprio realize neles as suas promessas e, amando-O com o amor com que Ele os amou, podem fazer as obras correspondentes à sua dignidade:

«Rogo-te que penses em nosso Senhor Jesus Cristo como tua verdadeira cabeça, e em ti como um dos seus membros. Ele é para ti como a cabeça para os membros. Tudo o que é d'Ele é teu: o espírito, o coração, o corpo, a alma e todas as faculdades. Deves usar de todas elas como se fossem realmente tuas, para servir, louvar, amar e glorificar a Deus. Tu és para Ele como um membro em relação à cabeça: e, por isso, também Ele deseja ardentemente servir-Se de todas as tuas faculdades como se fossem suas, para servir e glorificar o Pai» (20).
«Para mim, viver é Cristo» (Fl 1, 21).

Primus et ultimus talis catechesis respectus semper Ipse erit Iesus Christus qui est « via et veritas et vita » (Io 14,6). Christifideles, in Eum fide respicientes, sperare possunt Ipsum in eis Suas impleturum esse promissiones, atque Eum amantes amore quo Ipse illos amavit, opera esse facturos quae eorum correspondent dignitati:

« Te rogo ut cogites [...] Dominum nostrum Iesum Christum tuum esse verum Caput, et te unum ex Eius membris. [...] Ipse tibi est sicut membris caput; omnia Sua, tua sunt: Eius spiritus, cor, corpus, anima omnesque facultates [...], quibus omnibus tibi utendum est quasi tibi propria sint ut Deo servias, Deum laudes, ames et glorifices. Tu autem Ipsi es sicut membrum capiti, quapropter vehementer Ipse optat omnibus tuis facultatibus uti, quasi Eius sint, ad Patri Suo serviendum Eumque glorificandum ».20

« Mihi [...] vivere Christus est » (Phil 1,21).

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1699
A vida no Espírito Santo realiza a vocação do homem (Capítulo primeiro). É feita de caridade divina e de solidariedade humana (Capítulo segundo). É concedida gratuitamente como salvação (Capítulo terceiro).
Vita in Spiritu Sancto vocationem adimplet hominis (caput primum). Ea in caritate divina et solidarietate consistit humana (caput secundum). Ipsa ut salus conceditur gratuito (caput tertium).

A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1700
A dignidade da pessoa humana radica na sua criação à imagem e semelhança de Deus (Artigo 1) e realiza-se na sua vocação à bem-aventurança divina (Artigo 2). Compete ao ser humano chegar livremente a esta realização (Artigo 3). Pelos seus actos deliberados (Artigo 4), a pessoa humana conforma-se, ou não, com o bem prometido por Deus e atestado pela consciência moral (Artigo 5). Os seres humanos edificam-se a si mesmos e crescem a partir do interior: fazem de toda a sua vida sensível e espiritual objecto do próprio crescimento (Artigo 6). Com a ajuda da graça, crescem na virtude (Artigo 7), evitam o pecado e, se o cometeram, entregam-se como o filho pródigo (1) à misericórdia do Pai dos céus (Artigo 8). Atingem, assim, a perfeição da caridade.
Personae humanae dignitas in eius radicatur creatione ad imaginem et similitudinem Dei (articulus primus); ipsa in sua ad divinam beatitudinem vocatione adimpletur (articulus secundus). Hominis est ad talem adimpletionem se libere dirigere (articulus tertius). Persona humana, per suos actus deliberatos (articulus quartus), ad bonum conformatur vel non conformatur, quod Deus promisit quodque conscientia testatur moralis (articulus quintus). Homines se ipsos aedificant et intus crescunt: e tota sua vita sensibili et spirituali materiam faciunt sui incrementi (articulus sextus). Cum gratiae adiutorio crescunt in virtute (articulus septimus), peccatum vitant et, si illud commiserunt, se, sicut filius prodigus,21 Patris nostri coelestis misericordiae committunt (articulus octavus). Sic ad perfectionem accedunt caritatis. (21) Cf Lc 15,11-31.

O HOMEM, IMAGEM DE DEUS

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1701
«Cristo, [...] na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, manifesta plenamente o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime» (2). Foi em Cristo, «imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15) (3), que o homem foi criado «à imagem e semelhança» do Criador. Assim como foi em Cristo, redentor e salvador, que a imagem divina, deformada no homem pelo primeiro pecado, foi restaurada na sua beleza original e enobrecida pela graça de Deus (4).
« Christus, [...] in ipsa revelatione mysterii Patris Eiusque amoris, hominem ipsi homini plenissime manifestat eique altissimam eius vocationem patefacit ».22 In Christo, « qui est imago Dei invisibilis » (Col 1,15),23 homo « ad imaginem et similitudinem » Creatoris creatus est. In Christo, Redemptore et Salvatore, imago divina, in homine deformata primo peccato, in sua originali pulchritudine est restaurata et gratia Dei nobilitata.24
§ 1702
A imagem divina está presente em cada homem. Resplandece na comunhão das pessoas, à semelhança da unidade das Pessoas divinas entre Si (cf. Capítulo segundo).
Imago divina in unoquoque homine est praesens. In personarum communione resplendet, ad similitudinem unitatis Personarum divinarum inter Se (cf Caput secundum).
§ 1703
Dotada de uma alma «espiritual e imortal» (5) a pessoa humana é «a única criatura sobre a tema querida por Deus por si mesma» (6). Desde que é concebida, é destinada para a bem-aventurança eterna.
Persona humana, dotata anima spirituali et immortali,25 « in terris sola creatura est quam Deus propter seipsam voluerit ».26 Inde a conceptione sua ad aeternam destinatur beatitudinem.
§ 1704
A pessoa humana participa da luz e da força do Espírito divino. Pela razão, é capaz de compreender a ordem das coisas estabelecida pelo Criador. Pela vontade, é capaz de se orientar a si própria para o bem verdadeiro. E encontra a perfeição na «busca e no amor da verdade e do bem» (7).
Persona humana lucem et robur Spiritus divini participat. Ratione capax est ordinem rerum a Creatore stabilitum intelligendi. Sua voluntate capax est se ipsam dirigendi ad suum verum bonum. Suam invenit perfectionem vera bonaque inquirendo et diligendo.27
§ 1705
Em virtude da sua alma e das forças espirituais da inteligência e da vontade, o homem é dotado de liberdade, «sinal privilegiado da imagem divina» (8).
Homo, propter suam animam suasque spirituales intellectus et voluntatis potentias, dotatus est libertate quae « eximium est divinae imaginis [...] signum ».28
§ 1706
Mediante a sua razão, o homem conhece a voz de Deus que o impele «a fazer [...] o bem e a evitar o mal» (9). Todos devem seguir esta lei, que ressoa na consciência e se cumpre no amor de Deus e do próximo. O exercício da vida moral atesta a dignidade da pessoa.
Ratione sua, homo vocem cognoscit Dei quae eum urget « ad bonum [...] faciendum ac malum vitandum ».29 Unusquisque tenetur hanc sequi legem quae in conscientia resonat et quae in amore Dei et proximi impletur. Vitae moralis exercitium personae humanae dignitatem testatur.
§ 1707
«Seduzido pelo Maligno desde o começo da história, o homem abusou da sua liberdade» (10). Sucumbiu à tentação e cometeu o mal. Conserva o desejo do bem, mas a sua natureza está ferida pelo pecado original. O homem ficou com a inclinação para o mal e sujeito ao erro:

O homem encontra-se, pois, dividido em si mesmo. E assim, toda a vida humana, quer singular quer colectiva, apresenta-se como uma luta, e quão dramática, entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas» (11).

« Homo tamen, suadente Maligno, inde ab exordio historiae, libertate sua abusus est ».30 Tentationi occubuit et malum commisit. Boni conservat desiderium, sed eius natura vulnus peccati originalis fert. Factus est ad malum proclivis et errori subiectus:

« Ideo in seipso divisus est homo. Quapropter tota vita hominum, sive singularis sive collectiva, ut luctationem et quidem dramaticam se exhibet inter bonum et malum, inter lucem et tenebras ».31

§ 1708
Pela sua paixão, Cristo livrou-nos de Satanás e do pecado e mereceu-nos a vida nova no Espírito Santo. A sua graça restaura o que o pecado tinha deteriorado em nós.
Passione Sua, Christus nos a Satana et a peccato liberavit. Nobis vitam novam in Spiritu Sancto promeruit. Eius gratia id restaurat quod peccatum in nobis detriverat.
§ 1709
Quem crê em Cristo torna-se filho de Deus. Esta adopção filial transforma-o, dando-lhe a possibilidade de seguir o exemplo de Cristo. Torna-o capaz de agir com rectidão e de praticar o bem. Na união com o seu Salvador, o discípulo atinge a perfeição da caridade, que é a santidade. Amadurecida na graça, a vida moral culmina na vida eterna, na glória do céu. Resumindo:
Qui in Christum credit, filius Dei fit. Haec filialis adoptio eum transformat, ei conferens ut Christi exemplum sequatur. Ipsa eum capacem reddit recte agendi et bonum exercendi. Discipulus, suo unitus Salvatori, caritatis assequitur perfectionem, nempe sanctitatem. Vita moralis, maturata in gratia, in vitam expanditur aeternam in coeli gloria. Compendium

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 1710
«Cristo [...] manifesta plenamente o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime» (12).
« Christus [...] hominem ipsi homini plenissime manifestat eique altissimam eius vocationem patefacit ».32
§ 1711
Dotada de uma alma espiritual, de inteligência e de vontade, a pessoa humana é, desde a sua concepção, ordenada para Deus e destinada à eterna bem-aventurança. E continua a aperfeiçoar-se na «busca e amor da verdade e do bem» (13).
Persona humana, dotata anima spirituali, intellectu et voluntate, inde a sua conceptione, ad Deum ordinatur et ad beatitudinem destinatur aeternam. Suam persequitur perfectionem, vera bonaque inquirendo et diligendo.33
§ 1712
«A verdadeira liberdade é, no homem, o sinal privilegiado da imagem de Deus» (14).
« Vera [...] libertas eximium est divinae imaginis in homine signum ».34
§ 1713
O homem é obrigado a seguir a lei moral, que o impele a «fazer [...] o bem e a evitar o mal» (15). Esta lei ressoa na sua consciência.
Homo legem moralem sequi tenetur, quae illum « ad bonum [...] faciendum ac malum vitandum »35 urget. Haec lex in eius conscientia resonat.
§ 1714
O homem, ferido na sua natureza pelo pecado original, está sujeito ao erro e inclinado para o mal no exercício da sua liberdade.
Homo in natura sua a peccato originali vulneratus, errori est subiectus et ad malum in suae libertatis exercitio inclinatus.
§ 1715
Quem crê em Cristo possui a vida nova no Espírito Santo. A vida moral, crescida e amadurecida na graça, deve consumar-se na glória do céu.
Qui in Christum credit, novam in Spiritu Sancto habet vitam. Vita moralis quae in gratia crescit et maturescit, in coeli gloria perfici debet. (22) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. (23) Cf 2 Cor 4,4. (24) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. (25) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 14: AAS 58 (1966) 1036. (26) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 24: AAS 58 (1966) 1045. (27) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 15: AAS 58 (1966) 1036. (28) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037. (29) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037. (30) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034. (31) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1035. (32) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. (33) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 15: AAS 58 (1966) 1036. (34) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037. (35) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037.

A NOSSA VOCAÇÃO PARA A BEM-AVENTURANÇA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As bem-aventuranças

§ 1716
As bem-aventuranças estão no coração da pregação de Jesus. O seu anúncio retorna as promessas feitas ao povo eleito, desde Abraão. A pregação de Jesus completa-as, ordenando-as, não já somente à felicidade resultante da posse duma tema, mas ao Reino dos céus:

«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a tema.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz. porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal de vós. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos céus a vossa recompensa» (Mt 5, 3-12).

Beatitudines in corde sunt praedicationis Iesu. Earum annuntiatio promissiones populo electo inde ab Abraham factas assumit iterum. Ipsa eas perficit, illas ordinando non amplius ad mere quadam fruendum terra, sed ad Regnum coelorum:

« Beati pauperes spiritu, quoniam ipsorum est Regnum caelorum.
Beati, qui lugent, quoniam ipsi consolabuntur.
Beati mites, quoniam ipsi possidebunt terram.
Beati, qui esuriunt et sitiunt iustitiam, quoniam ipsi saturabuntur.
Beati misericordes, quia ipsi misericordiam consequentur.
Beati mundo corde, quoniam ipsi Deum videbunt.
Beati pacifici, quoniam filii Dei vocabuntur.
Beati, qui persecutionem patiuntur propter iustitiam, quoniam ipsorum est Regnum caelorum.
Beati estis cum maledixerint vobis et persecuti vos fuerint et dixerint omne malum adversum vos, mentientes, propter me. Gaudete et exsultate, quoniam merces vestra copiosa est in caelis » (Mt 5,3-12).

§ 1717
As bem-aventuranças retratam o rosto de Jesus Cristo e descrevem-nos a sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória da sua paixão e ressurreição; definem os actos e atitudes características da vida cristã; são as promessas paradoxais que sustentam a esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas; já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos.
Beatitudines vultum depingunt Iesu Christi Eiusque caritatem describunt; vocationem exprimunt fidelium gloriae passionis Eius et Resurrectionis consociatorum; actiones et habitudines vitae christianae peculiares illustrant; inopinabiles sunt promissiones quae spem in tribulationibus sustinent; discipulis benedictiones annuntiant et retributiones iam subobscure asseveratas; in Virginis Mariae et omnium sanctorum vita inaugurantur. II. Felicitatis desiderium

A NOSSA VOCAÇÃO PARA A BEM-AVENTURANÇA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

O desejo de felicidade

§ 1718
As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina; Deus pô-lo no coração do homem para o atrair a Si, o único que o pode satisfazer:

«Todos nós, sem dúvida, queremos viver felizes, e não há entre os homens quem não dê o seu assentimento a esta afirmação, mesmo antes de ela ser plenamente enunciada» (16)


«Como é então, Senhor, que eu Te procuro? De facto, quando Te procuro, ó meu Deus, é a vida feliz que eu procuro. Faz com que Te procure, para que a minha alma viva! Porque tal como o meu corpo vive da minha alma, assim a minha alma vive de Ti» (17).


«Só Deus sacia» (18).

Beatitudines naturali felicitatis respondent desiderio. Hoc desiderium originis est divinae; Deus illud in hominis posuit corde ut illum attrahat ad Se qui solus illud potest implere:

« Beate certe omnes vivere volumus neque quisquam est in hominum genere, qui non huic sententiae, antequam plane sit emissa, consentiat ».36

« Quomodo ergo Te quaero, Domine? Cum enim Te, Deum meum, quaero, vitam beatam quaero. Quaeram Te, ut vivat anima mea. Vivit enim corpus meum de anima mea et vivit anima mea de Te ».37

« Deus enim solus satiat ».38

§ 1719
As bem-aventuranças descobrem a meta da existência humana, o fim último dos actos humanos: Deus chama-nos à sua própria felicidade. Esta vocação dirige-se a cada um, pessoalmente, mas também ao conjunto da Igreja, povo novo constituído por aqueles que acolheram a promessa e dela vivem na fé.
Beatitudines scopum detegunt exsistentiae humanae, ultimum actuum humanorum finem: Deus nos ad Suam propriam vocat beatitudinem. Haec vocatio ad unumquemque dirigitur personaliter, sed etiam ad totam Ecclesiam, novum populum eorum qui Promissionem acceperunt et in eius fide vivunt. III. Beatitudo christiana

A NOSSA VOCAÇÃO PARA A BEM-AVENTURANÇA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A bem-aventurança cristã

§ 1720
O Novo Testamento emprega muitas expressões para caracterizar a bem-aventurança a que Deus chama o homem: a chegada do Reino de Deus (19); a visão de Deus: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8) (20); a entrada na alegria do Senhor (21) a entrada no repouso de Deus (22):

«Lá, descansaremos e veremos: veremos e amaremos; amaremos e louvaremos. Eis o que acontecerá no fim sem fim. E que outro fim temos nós, sendo chegar ao Reino que lido tem fim ?» (23).

Novum Testamentum, ut beatitudinem insigniat, ad quam Deus hominem vocat, pluribus utitur expressionibus: Adventu Regni Dei;39 visione Dei: « Beati mundo corde, quoniam ipsi Deum videbunt » (Mt 5,8);40 ingressu in gaudium Domini;41 ingressu in requiem Dei:42

« Ibi vacabimus et videbimus, videbimus et amabimus, amabimus et laudabimus. Ecce quod erit in fine sine fine. Nam quis alius noster est finis nisi pervenire ad Regnum, cuius nullus est finis? ».43

§ 1721
De facto, Deus colocou-nos no mundo para O conhecermos, servirmos e amarmos, e assim chegarmos ao paraíso. A bem-aventurança faz-nos participantes da natureza divina (1 Pe 1, 4) e da vida eterna (24). Com ela, o homem entra na glória de Cristo (25) e no gozo da vida trinitária.
Deus enim nos posuit in mundo ut Ipsum cognoscamus, Ipsi serviamus Ipsumque amemus atque ut sic ad paradisum perveniamus. Beatitudo nos efficit « divinae consortes naturae » (2 Pe 1,4) et vitae aeternae.44 Cum ea homo gloriam ingreditur Christi45 et fruitionem vitae trinitariae.
§ 1722
Uma tal bem-aventurança ultrapassa a inteligência e as simples forças humanas. Resulta de um dom gratuito de Deus. Por isso se classifica de sobrenatural, tal como a graça, que dispõe o homem para entrar no gozo de Deus.

«" Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus". É certo que "ninguém pode ver a Deus" na sua grandeza e glória inenarrável e "continuar a viver", porque o Pai é inacessível. Mas, no seu amor, na sua bondade para com os homens e na sua omnipotência, vai ao ponto de conceder aos que O amam esta graça: ver a Deus [...] porque "o que é impossível aos homens é possível a Deus"» (26).

Talis beatitudo intelligentiam superat et solas vires humanas. E dono Dei oritur gratuito. Propterea supernaturalis dicitur, sicut gratia quae hominem disponit ad divinam ingrediendam fruitionem.

« "Beati mundo corde, quoniam ipsi Deum videbunt". Sed secundum magnitudinem quidem Eius et inenarrabilem gloriam "nemo videbit Deum et vivet", incapabilis enim Pater, secundum autem dilectionem et humanitatem et quod omnia possit, etiam hoc concedit his qui Se diligunt, id est videre Deum [...]: quoniam "quae impossibilia sunt apud homines possibilia apud Deum" ».46

§ 1723
A bem-aventurança prometida coloca-nos perante as opções morais decisivas. Convida-nos a purificar o nosso coração dos seus maus instintos e a procurar o amor de Deus acima de tudo. E ensina-nos que a verdadeira felicidade não reside nem na riqueza ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por útil que seja, como as ciências, as técnicas e as artes, nem em qualquer criatura, mas só em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor:

 «A riqueza á a grande divindade deste tempo: é a ela que a multidão, toda a massa dos homens, presta instintiva homenagem. Mede-se a felicidade pela fortuna, como pela fortuna se mede a honorabilidade [...] Tudo provém desta convicção: com a riqueza, tudo se pode. A riqueza é, pois, um dos ídolos actuais: outro, é a notoriedade. [...] A notoriedade, o facto de se ser conhecido e de dar brado no mundo (a que poderia chamar-se fama de imprensa), acabou por ser considerada como um bem em si mesma, um bem soberano, objecto, até, de verdadeira veneração» (27).

Promissa beatitudo nos collocat ante electiones morales decisivas. Nos invitat ad cor nostrum a malis purificandum instinctibus et ad amorem Dei super omnia quaerendum. Nos docet veram felicitatem in divitiis vel commoditate non residere neque in gloria humana vel potentia, neque in ullo humano opere, etiamsi perutile sit, sicut scientiae, technicae et artes, neque in ulla creatura, sed in solo Deo, omnis boni et omnis amoris fonte:

« Divitiae magna divinitas sunt hodierna; illis multitudo, tota hominum massa, obsequium tribuit spontaneum. Beatitudinem metiuntur secundum fortunam, et secundum fortunam etiam honorabilitatem metiuntur. [...] Hoc oritur e nostra convictione [...] iuxta quam omnia sunt cum divitiis possibilia. Divitiae sunt igitur unum ex hodiernis idolis famaque aliud est. [...] Fama, cognosci et in mundo rumorem facere ad id pervenit ut bonum in se ipsa consideretur, bonum excelsum, obiectum, et ipsa, verae venerationis. [...] Id appellari posset ephemeridum fama ».47

§ 1724
O decálogo, o sermão da montanha e a catequese apostólica descrevem-nos os caminhos que conduzem ao Reino dos céus. Por eles avançamos, passo a passo, pelos actos de cada dia, amparados pela graça do Espírito Santo. Fecundados pela Palavra de Cristo, pouco a pouco, damos frutos na Igreja para a glória de Deus (28).Resumindo:
Decalogus, sermo montanus et catechesis apostolica nobis describunt vias quae ad Regnum ducunt coelorum. Eis pedetentim per actus implicamur quotidianos, gratia Spiritus Sancti sustentos. Christi verbo fecundati, lente fructus ferimus in Ecclesia ad gloriam Dei.48 Compendium

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 1725
As bem-aventuranças retomam e aperfeiçoam as promessas de Deus, desde Abraão, ordenando-as para o Reino dos céus. Correspondem ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração do homem.
Beatitudines promissiones Dei inde ab Abraham factas assumunt et perficiunt, eas ad Regnum coelorum ordinando. Felicitatis respondent desiderio quod Deus in hominis posuit corde.
§ 1726
As bem-aventuranças ensinam-nos qual o fim último a que Deus nos chama: o Reino, a visão de Deus, a participação na natureza divina, a vida eterna, a filiação, o repouso em Deus.
Beatitudines nos finem ultimum docent ad quem Deus nos vocat: Regnum, visionem Dei, participationem divinae naturae, vitam aeternam, filiationem et in Deo requiem.
§ 1727
A bem-aventurança da vida eterna é um dom gratuito de Deus; é sobrenatural, como a graça que a ela conduz.
Vitae aeternae beatitudo donum Dei est gratuitum; ipsa est supernaturalis sicut gratia quae ad illam ducit.
§ 1728
As bem-aventuranças colocam-nos perante opções decisivas relativamente aos bens terrenos; purificam o nosso coração, para nos ensinarem a amar a Deus sobre todas as coisas.
Beatitudines nos ante decisivas relate ad bona terrestria collocant electiones; ipsae nostrum purificant cor ad nos docendum Deum amare super omnia.
§ 1729
A bem-aventurança do céu determina os critérios de discernimento no uso dos bens terrenos, em conformidade com a Lei de Deus.
Coeli beatitudo determinat criteria ad usum bonorum terrestrium discernendum secundum Legem Dei. (36) Sanctus Augustinus, De moribus Ecclesiae catholicae, 1, 3, 4: CSEL 90, 6 (PL 32, 1312). (37) Sanctus Augustinus, Confessiones, 10, 20, 29: CCL 27, 170 (PL 32, 791).(38) Sanctus Thomas Aquinas, In Symbolum Apostolorum scilicet « Credo in Deum » expositio, c. 15: Opera omnia, v. 27 (Parisiis 1875) p. 228.(39) Cf Mt 4,17.(40) Cf 1 Io 3,2; 1 Cor 13,12. (41) Cf Mt 25,21.23. (42) Cf Heb 4,7-11. (43) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 22, 30: CSEL 402, 670 (PL 41, 804).(44) Cf Io 17,3.(45) Cf Rom 8,18.(46) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4, 20, 5: SC 100, 638.(47) Ioannes Henricus Newman, Discourses addressed to Mixed Congregations, 5 [Saintliness the Standard of Christian Principle] (Westminster 1966) p. 89-91.(48) Cf parabola seminatoris: Mt 13,3-23.

A LIBERDADE DO HOMEM

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1730
Deus criou o homem racional, conferindo-lhe a dignidade de pessoa dotada de iniciativa e do domínio dos seus próprios actos. «Deus quis "deixar o homem entregue à sua própria decisão" (Sir 15, 14), de tal modo que procure por si mesmo o seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegue à total e beatífica perfeição» (29):

«O homem é racional e, por isso, semelhante a Deus, criado livre e senhor dos seus actos» (30).

Deus hominem creavit rationabilem, ei dignitatem conferens personae quae capax est suos incipiendi et dominandi actus. « Voluit enim Deus hominem "relinquere in manu consilii sui" (Eccli 15,14), ita ut Creatorem suum sponte quaerat et libere ad plenam et beatam perfectionem Ei inhaerendo perveniat »:49

« Homo vero rationabilis, et secundum hoc similis Deo, liber in arbitrio factus et suae potestatis ».50

A LIBERDADE DO HOMEM

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Liberdade e responsabilidade

§ 1731
A liberdade é o poder, radicado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, praticando assim, por si mesmo, acções deliberadas. Pelo livre arbítrio, cada qual dispõe de si. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e de maturação na verdade e na bondade. E atinge a sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.
Libertas est potestas, in ratione et voluntate radicata, agendi vel non agendi, hoc vel illud faciendi, actiones deliberatas sic per se ipsum ponendi. Per liberum arbitrium unusquisque de se ipso disponit. Libertas est in homine vis incrementi et maturationis in veritate et bonitate. Libertas suam attingit perfectionem, cum ad Deum, beatitudinem nostram, ordinatur.
§ 1732
Enquanto se não fixa definitivamente no seu bem último, que é Deus, a liberdade implica a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, e portanto, de crescer na perfeição ou de falhar e pecar. É ela que caracteriza os actos propriamente humanos. Torna-se fonte de louvor ou de censura, de mérito ou de demérito.
Quamdiu libertas definitive fixa non est in suo ultimo bono, quod est Deus, possibilitatem implicat inter bonum et malum eligendi, illam igitur in perfectione crescendi vel deficiendi atque peccandi. Ipsa actus proprie humanos distinguit. Fons fit laudis vel vituperationis, meriti vel demeriti.
§ 1733
Quanto mais o homem fizer o bem, mais livre se torna. Não há verdadeira liberdade senão no serviço do bem e da justiça. A opção pela desobediência e pelo mal é um abuso da liberdade e conduz à escravidão do pecado (31).
Quo magis quis bonum facit, eo liberior fit. Vera non habetur libertas nisi in boni et iustitiae servitium. Inoboedientiae et mali electio est libertatis abusus et ducit ad servitutem peccati.51
§ 1734
A liberdade torna o homem responsável pelos seus actos, na medida em que são voluntários. O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre os próprios actos.
Libertas hominem suorum facit responsabilem actuum quatenus ipsi voluntarii sunt. Progressus in virtute, boni cognitio et ascesis dominium augent voluntatis super eius actus.
§ 1735
A imputabilidade e responsabilidade dum acto podem ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência, o medo, os hábitos, as afeições desordenadas e outros factores psíquicos ou sociais.
Imputabilitas et responsabilitas cuiusdam actionis minui possunt atque adeo supprimi propter ignorantiam, inadvertentiam, violentiam, metum, consuetudines, affectiones immoderatas et alias psychicas vel sociales causas.
§ 1736
Todo o acto directamente querido é imputável ao seu autor.Assim, depois do pecado no paraíso, o Senhor pergunta a Adão: «Que fizeste'?» (Gn 3, 13). O mesmo faz a Caim (32). Assim também o profeta Natan ao rei David, após o adultério com a mulher de Urias e o assassinato deste (33).Uma acção pode ser indirectamente voluntária, quando resulta duma negligência relativa ao que se deveria ter conhecido ou feito, por exemplo, um acidente de trânsito, provocado por ignorância do código da estrada.
Omnis actus directe volitus auctori suo imputabilis est: Sic Dominus post peccatum in paradiso quaerit ab Adam: « Quid hoc fecisti? » (Gn 3,13). Eodem modo, Cain interrogat.52 Sic etiam propheta Nathan loquitur ad regem David post adulterium cum uxore Uriae huiusque necem.53 Actio quaedam potest indirecte voluntaria esse, cum ipsa e negligentia provenit relate ad id quod cognosci vel fieri debuisset, sicut infortunium ex ignorantia proveniens codicis vehiculorum transitum regentis.
§ 1737
Um efeito pode ser tolerado, sem ter sido querido pelo agente, por exemplo, o esgotamento duma mãe à cabeceira do seu filho doente. O efeito mau não é imputável se não tiver sido querido nem como fim nem como meio do acto, como a morte sofrida quando se levava socorro a uma pessoa em perigo. Para que o efeito mau seja imputável, é necessário que seja previsível e que aquele que age tenha a possibilidade de o evitar como, por exemplo, no caso dum homicídio cometido por um condutor em estado de embriaguez.
Effectus quidam, quin ab agente sit volitus, potest tolerari, exempli gratia extrema matris ad lectum filii aegrotantis defatigatio. Effectus malus imputabilis non est, si non est volitus nec ut finis nec ut medium actionis, sic mors accepta dum cuidam personae versanti in periculo fertur auxilium. Ut effectus malus sit imputabilis, requiritur ut ille possit praevideri et ut agens possibilitatem habeat illum evitandi, exempli gratia in casu homicidii ab eo commissi qui vehiculum in statu ducit ebrietatis.
§ 1738
A liberdade exercita-se nas relações entre seres humanos. Toda a pessoa humana, criada à imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável. Todos devem a todos este dever do respeito. O direito ao exercício da liberdade é uma exigência inseparável da dignidade da pessoa humana, nomeadamente em matéria moral e religiosa (34). Este direito deve ser civilmente reconhecido e protegido dentro dos limites do bem comum e da ordem pública (35).
Libertas in relationibus inter homines exercetur. Unaquaeque persona humana, ad imaginem Dei creata, ius habet naturale ut tamquam ens liberum et responsabile agnoscatur. Omnes unicuique hoc debent observantiae officium. Ius ad exercitium libertatis exigentia est inseparabilis a personae humanae dignitate, praesertim in re morali et religiosa.54 Hoc ius debet civiliter agnosci et protegi intra boni communis et ordinis publici limites.55 II. Libertas humana in Oeconomia salutis

A LIBERDADE DO HOMEM

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A liberdade humana na economia da salvação

§ 1739
Liberdade e pecado. A liberdade do homem é finita e falível. E, de facto, o homem falhou. Livremente, pecou. Rejeitando o projecto divino de amor, enganou-se a si mesmo; tornou-se escravo do pecado. Esta primeira alienação gerou uma multidão de outras. A história da humanidade, desde as suas origens, dá testemunho de desgraças e opressões nascidas do coração do homem, como consequência de um mau uso da liberdade.
Libertas et peccatum. Libertas humana finita est et fallibilis. De facto, homo defecit. Ipse libere peccavit. Amoris Dei consilium reiiciens, se ipsum decepit; servus factus est peccati. Haec prima alienatio multas alias genuit. Historia generis humani, inde a suis originibus, aerumnas testatur et oppressiones e corde hominis natas, ut consequentiam mali libertatis usus.
§ 1740
Ameaças à liberdade. O exercício da liberdade não implica o direito de tudo dizer e fazer. É falso pretender que «o homem, sujeito da liberdade, se basta a si mesmo, tendo por fim a satisfação do seu interesse próprio no gozo dos bens terrenos»(36). Por outro lado, as condições de ordem económica e social, política e cultural, requeridas para um justo exercício da liberdade, são com demasiada frequência desprezadas e violadas. Estas situações de cegueira e de injustiça abalam a vida moral e induzem tanto os fracos como os fortes na tentação de pecar contra a caridade. Afastando-se da lei moral, o homem atenta contra a sua própria liberdade, agrilhoa-se a si mesmo, quebra os laços de fraternidade com os seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina.
Pericula quae libertati minantur. Libertatis exercitium ius non implicat omnia dicendi et omnia faciendi. Falsa praesumptio est « notio subiecti huiusmodi libertatis, quod ut individua persona habetur sibi sufficiens finemque habens satisfaciendi suis commodis fruitione bonorum terrestrium ».56 Ceterum, condiciones ordinis oeconomici et socialis, politici et culturalis pro iusto libertatis exercitio requisitae nimis frequenter ignorantur et violantur. Hi caecitatis et iniustitiae status vitam moralem onerant et tam fortes quam debiles in tentationem ducunt contra caritatem peccandi. Homo, se a lege separans morali, suae propriae libertati infert detrimentum, se ipsum vinculis alligat, sui similium rumpit fraternitatem et contra divinam rebellat veritatem.
§ 1741
Libertação e salvação. Pela sua cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha numa situação de escravatura. «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gl 5, 1). N'Ele, nós comungamos na verdade que nos liberta (37). Foi-nos dado o Espírito Santo e, como ensina o Apóstolo, «onde está o Espírito, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17). Já desde agora nos gloriamos da «liberdade dos filhos de Deus» (38).
Liberatio et salus. Christus, per Suam crucem gloriosam, omnium hominum obtinuit salutem. Ipse eos a peccato redemit, quod eos in servitute detinebat. « Hac libertate nos Christus liberavit » (Gal 5,1). In Ipso cum veritate, quae nos liberat,57 communionem habemus. Spiritus Sanctus nobis est datus, et sicut Apostolus docet, « ubi [...] Spiritus Domini, ibi libertas » (2 Cor 3,17). Iam nunc gloriamur libertate filiorum Dei.58
§ 1742
Liberdade e graça. A graça de Cristo não faz concorrência de modo nenhum, à nossa liberdade, quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem. Pelo contrário, e como o certifica a experiência cristã sobretudo na oração, quanto mais dóceis formos aos impulsos da graça, tanto mais crescem a nossa liberdade interior e a nossa segurança nas provações, como também perante as pressões e constrangimentos do mundo exterior. Pela acção da graça, o Espírito Santo educa-nos para a liberdade espiritual, para fazer de nós colaboradores livres da sua obra na Igreja e no mundo:

«Deus eterno e misericordioso, afastai de nós toda a adversidade, para que, sem obstáculos do corpo ou do espírito, possamos livremente cumprir a vossa vontade» (39).

Libertas et gratia. Gratia Christi nullo modo apparet ut aemulatrix nostrae libertatis, cum haec veritatis et boni correspondet sensui quem Deus in hominis corde posuit. E contra, sicut christiana experientia id testatur praesertim in oratione, quo dociliores impulsibus sumus gratiae, eo magis augentur nostra intima libertas atque nostra in probationibus securitas, sicut etiam coram mundi exterioris pressuris et coactionibus. Operatione gratiae, Spiritus Sanctus nos ad libertatem educat spiritualem, ut nos Sui operis in Ecclesia et in mundo liberos efficiat collaboratores:

« Omnipotens et misericors Deus, universa nobis adversantia propitiatus exclude, ut, mente et corpore pariter expediti, quae Tua sunt liberis mentibus exsequamur ».59

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 1743
«Deus [...] deixou o homem entregue à sua própria decisão» (Sir 15, 14), para que ele possa aderir livremente ao seu Criador e chegar assim à perfeição beatífica (40).
« Deus [...] hominem [...] reliquit [...] in manu consilii sui » (Eccli 15,14) ut possit libere Creatori adhaerere suo et sic ad perfectam beatitudinem pervenire.60
§ 1744
A liberdade é a capacidade de agir ou não agir e, assim, de realizar por si mesmo acções deliberadas. Atinge a perfeição do seu acto, quando está ordenada para Deus, supremo Bem.
Libertas est facultas agendi vel non agendi et sic per se ipsum actiones deliberatas ponendi. Ipsa perfectionem attingit sui actus, cum ad Deum, excelsum Bonum, ordinatur.
§ 1745
A liberdade caracteriza os actos propriamente humanos. Torna o ser humano responsável pelos actos de que é autor voluntário. O seu agir deliberado pertence-lhe como próprio.
Libertas actus proprie humanos distinguit. Hominem reddit responsabilem actuum, quorum ipse voluntarie est auctor. Eius deliberata operatio ad eum pertinet tamquam propria.
§ 1746
A imputabilidade ou responsabilidade duma acção pode ser diminuída, ou suprimida, por ignorância, violência, medo e outros factores psíquicos ou sociais.
Cuiusdam actionis imputabilitas vel responsabilitas possunt propter ignorantiam, violentiam, metum et alias psychicas vel sociales causas minui aut supprimi.
§ 1747
O direito ao exercício da liberdade é uma exigência inseparável da dignidade do homem, sobretudo em matéria religiosa e moral. Mas o exercício da liberdade não implica o suposto direito de tudo dizer ou de tudo fazer.
Ius ad exercitium libertatis exigentia est ab hominis dignitate inseparabilis, praesertim in re religiosa et morali. Sed exercitium libertatis non implicat praesumptum ius ad omnia facienda vel ad omnia dicenda.
§ 1748
«Foi para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gl 5, 1).
« Hac libertate nos Christus liberavit » (Gal 5,1). (49) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037. (50) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4, 4, 3: SC 100, 424 (PG 7, 983). (51) Cf Rom 6,17. (52) Cf Gn 4,10. (53) Cf 2 Sam 12,7-15. (54) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 930-931. (55) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 7: AAS 58 (1966) 934-935. (56) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Libertatis conscientia, 13: AAS 79 (1987) 559. (57) Cf Io 8,32. (58) Cf Rom 8,21. (59) Dominica XXXII « Per annum », Collecta: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 371.(60) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037.

A MORALIDADE DOS ACTOS HUMANOS

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1749
A liberdade faz do homem um sujeito moral. Quando age de maneira deliberada, o homem é, por assim dizer, o pai dos seus actos. Os actos humanos, quer dizer, livremente escolhidos em consequência dum juízo de consciência, são moralmente qualificáveis. São bons ou maus.
Libertas hominem subiectum efficit morale. Homo, cum modo agit deliberato, est, ut ita dicamus, pater suorum actuum. Actus humani, id est, libere post conscientiae iudicium electi, sunt moraliter aestimabiles. Sunt boni aut mali. I. Fontes moralitatis

A MORALIDADE DOS ACTOS HUMANOS

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As fontes da moralidade

§ 1750
A moralidade dos actos humanos depende:

– do objecto escolhido;
– do fim que se tem em vista ou da intenção:
– das circunstâncias da acção.

O objecto, a intenção e as circunstâncias são as «fontes» ou elementos constitutivos da moralidade dos actos humanos.
Actuum humanorum moralitas dependet:— ex obiecto electo;
— ex fine intento seu ex intentione;
— ex circumstantiis actionis.Obiectum, intentio et circumstantiae « fontes » constituunt, seu elementa constitutiva, moralitatis actuum humanorum.
§ 1751
O objecto escolhido é um bem para o qual a vontade tende deliberadamente. E a matéria dum acto humano. O objecto escolhido especifica moralmente o acto da vontade, na medida em que a razão o reconhece e o julga conforme, ou não, ao verdadeiro bem. As regras objectivas da moralidade enunciam a ordem racional do bem e do mal, atestada pela consciência.
Obiectum electum est bonum in quod voluntas deliberate tendit. Est materia actus humani. Obiectum electum actum voluntatis moraliter specificat, prout ratio illud agnoscat et iudicet conforme vel non cum vero bono. Obiectivae normae moralitatis rationalem boni et mali enuntiant ordinem, quem conscientia testatur.
§ 1752
Em face do objecto, a intenção coloca-se do lado do sujeito que age. Porque está na fonte voluntária da acção e a determina pelo fim em vista, a intenção é um elemento essencial na qualificação moral da acção. O fim em vista é o primeiro dado da intenção e designa a meta a atingir pela acção. A intenção é um movimento da vontade em direcção ao fim; diz respeito ao termo do agir. É o alvo do bem que se espera da acção empreendida. Não se limita à direcção das nossas acções singulares, mas pode ordenar para um mesmo fim acções múltiplas: pode orientar toda a vida para o fim último. Por exemplo, um serviço prestado tem por fim ajudar o próximo, mas pode ser inspirado, ao mesmo tempo, pelo amor de Deus como fim último de todas as acções. Uma mesma acção pode também ser inspirada por várias intenções, como prestar um serviço para obter um favor ou para satisfazer a vaidade.
Coram obiecto, intentio se collocat e parte subiecti agentis. Intentio, quippe quae ex fonte voluntario est actionis eamque per finem determinat, elementum est essentiale in morali aestimatione actionis. Finis est primus terminus intentionis et scopum indicat quem actio prosequitur. Intentio motus est voluntatis in finem; terminum respicit actionis. Ipsa est propositum boni quod ab actione incepta exspectatur. Ad actiones singulares non reducitur dirigendas, sed in eumdem scopum potest plures actiones ordinare; totam vitam potest ad finem ultimum disponere. Exempli gratia, servitium praestitum habet ut finem adiuvare proximum, sed potest simul amore Dei inspirari tamquam finis ultimi omnium nostrarum actionum. Eadem actio potest etiam pluribus inspirari intentionibus, sicut servitium praestare ad favorem obtinendum vel ad vanitatem exinde educendam.
§ 1753
Uma intenção boa (por exemplo: ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento em si mesmo desordenado (como a mentira e a maledicência). O fim não justifica os meios. Assim, não se pode justificar a condenação dum inocente como meio legítimo para salvar o povo. Pelo contrário, uma intenção má acrescentada (por exemplo, a vanglória) torna mau um acto que, em si, pode ser bom (como a esmola (41)).
Intentio bona (exempli gratia: proximum adiuvare) nec bonum nec iustum reddit modum agendi qui in se ipso esset deordinatus (sicut mendacium et maledicentia). Finis media non iustificat. Sic innocentis damnatio iustificari non potest tamquam medium legitimum ad populum salvandum. E contra, mala intentio superaddita (sicut gloria vana) malum reddit actum qui in se potest bonus esse (sicut eleemosyna61).
§ 1754
As circunstâncias, incluindo as consequências, são elementos secundários dum acto moral. Contribuem para agravar ou atenuar a bondade ou malícia moral dos actos humanos (por exemplo, o montante dum roubo). Podem também diminuir ou aumentar a responsabilidade do agente (por exemplo, agir por medo da morte). As circunstâncias não podem, de per si, modificar a qualidade moral dos próprios actos; não podem tornar boa nem justa uma acção má em si mesma.
Circumstantiae, in quibus consequentiae includuntur, elementa sunt secundaria actus moralis. Conferunt ad actuum humanorum bonitatem vel malitiam moralem aggravandam aut minuendam (exempli gratia, summa cuiusdam furti). Possunt etiam agentis attenuare vel augere responsabilitatem (sic propter mortis metum agere). Circumstantiae ex se qualitatem moralem ipsorum actuum mutare non possunt; nec bonam reddere possunt nec iustam actionem in se ipsa malam. II. Actus boni et actus mali

A MORALIDADE DOS ACTOS HUMANOS

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Os actos bons e os actos maus

§ 1755
O acto moralmente bom pressupõe, em simultâneo, a bondade do objecto, da finalidade e das circunstâncias. Um fim mau corrompe a acção, mesmo que o seu objecto seja bom em si (como orar e jejuar «para ser visto pelos homens»).O objecto da escolha pode, por si só, viciar todo um modo de agir. Há comportamentos concretos – como a fornicação – cuja escolha é sempre um erro, porque comporta uma desordem da vontade, isto é, um mal moral.
Actus moraliter bonus simul bonitatem praesupponit obiecti, finis et circumstantiarum. Finis malus actionem corrumpit, etiamsi eius obiectum in se bonum sit (sicut orare et ieiunare ut quis ab hominibus videatur).Obiectum electionis potest per se solum totum agendi modum vitiare. Sunt concreti agendi modi — sicut fornicatio — quos eligere semper erroneum est, quia eorum electio deordinationem implicat voluntatis, id est, malum morale.
§ 1756
É, portanto, erróneo julgar a moralidade dos actos humanos tendo em conta apenas a intenção que os inspira, ou as circunstâncias (meio, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir, etc.) que os enquadram. Há actos que, por si e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e das intenções, são sempre gravemente ilícitos em razão do seu objecto; por exemplo, a blasfémia e o jurar falso, o homicídio e o adultério. Não é permitido fazer o mal para que dele resulte um bem.Resumindo:
Erroneum ergo est de actuum humanorum moralitate iudicare, solummodo intentionem quae illos inspirat, vel circumstantias considerando (rerum ambitum, socialem pressionem, coactionem vel necessitatem agendi) quae quasi eorum sunt scaena. Actus sunt qui per se ipsos et in se ipsis, independenter a circumstantiis et ab intentionibus, ratione sui obiecti semper sunt graviter illiciti; sic blasphemia et periurium, homicidium et adulterium. Non licet malum facere ut exinde bonum proveniat.Compendium

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 1757
O objecto, a intenção e as circunstâncias constituem as três «fontes» da moralidade dos actos humanos.
Obiectum, intentio et circumstantiae tres constituunt « fontes » moralitatis actuum humanorum.
§ 1758
O objecto escolhido especifica moralmente o acto da vontade, conforme a razão o reconhece e o julga bom ou mau.
Obiectum electum actum voluntatis moraliter specificat prout ratio illud agnoscit et iudicat bonum vel malum.
§ 1759
«Não se pode justificar uma acção má feita com boa intenção» (42). O fim não justifica os meios.
« Nullum malum bona intentione factum excusatur ».62 Finis non iustificat media.
§ 1760
O acto moralmente bom pressupõe, em simultâneo, a bondade do objecto, da finalidade e das circunstâncias.
Actus moraliter bonus simul obiecti, finis et circumstantiarum praesupponit bonitatem.
§ 1761
Há comportamentos concretos pelos quais é sempre errado optar, porque a sua escolha inclui uma desordem da vontade, isto é, um mal moral. Não é permitido fazer o mal para que dele resulte um bem.
Sunt rationes agendi concretae quas eligere semper erroneum est, quia earum electio inordinationem implicat voluntatis, id est, malum morale. Non licet malum facere ut exinde bonum proveniat. (61) Cf Mt 6,2-4. (62) 5 Sanctus Thomas Aquinas, In duo praecepta caritatis et in decem Legis praecepta expositio, c. 6: Opera omnia, v. 27 (Parisiis 1875) p. 149.

A MORALIDADE DAS PAIXÕES

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1762
A pessoa humana ordena-se à bem-aventurança através dos seus actos deliberados: as paixões ou sentimentos que experimenta podem dispô-la nesse sentido e contribuir para isso.
Persona humana per suos actus deliberatos ordinatur ad beatitudinem: passiones vel affectiones quas experitur, illam possunt ad hanc disponere atque ad hanc conferre. I. Passiones

A MORALIDADE DAS PAIXÕES

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As paixões

§ 1763
O termo «paixões» pertence ao património cristão. Os sentimentos ou paixões são as emoções ou movimentos da sensibilidade. que inclinam a agir, ou a não agir, em vista do que se sentiu ou imaginou como bom ou como mau.
Vox « passiones » ad patrimonium pertinet christianum. Affectiones vel passiones designant sensibilitatis commotiones vel motus qui ad agendum inclinant vel ad non agendum in ordine ad id quod ut bonum vel ut malum sentitur vel fingitur.
§ 1764
As paixões são componentes naturais do psiquismo humano, constituem o lugar de passagem e garantem a ligação entre a vida sensível e a vida do espírito. Nosso Senhor designa o coração do homem como fonte de onde brota o movimento das paixões (43).
Passiones elementa humanae psychologiae sunt naturalia, ipsae efformant locum transitus et fulciunt vinculum inter vitam sensibilem et vitam spiritus. Dominus noster cor hominis designat tamquam fontem unde motus oritur passionum.63
§ 1765
São numerosas as paixões. A mais fundamental é o amor, provocado pela atracção do bem. O amor causa o desejo do bem ausente e a esperança de o alcançar. Este movimento tem o seu termo no prazer e na alegria do bem possuído. A apreensão pelo mal causa o ódio, a aversão e o receio do mal futuro; este movimento termina na tristeza pelo mal presente ou na cólera que a ele se opõe.
Passiones multae sunt. Passio maxime fundamentalis est amor attractione boni provocatus. Amor desiderium causat boni absentis et spem illud obtinendi. Hic motus in fruitione boni possessi et in gaudio de illo expletur. Mali apprehensio odium, aversionem causat et metum mali futuri. Hic motus expletur in tristitia mali praesentis et in ira quae illi opponitur.
§ 1766
«Amar é querer bem a alguém» (44). Todos os outros afectos nascem neste movimento original do coração do homem para o bem. Só o bem é amado (45). «As paixões são más se o amor for mau, e boas se ele for bom» (46).
« Amare est velle alicui bonum ».64 Omnes aliae affectiones suum habent fontem in hoc motu originali cordis hominis in bonum. Nihil aliud amatur nisi bonum.65 « Proinde mala sunt ista, si malus amor est; bona, si bonus ».66 II. Passiones et vita moralis

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Paixões e vida moral

§ 1767
Em si mesmas, as paixões não são nem boas nem más. Só recebem qualificação moral na medida em que dependem efectivamente da razão e da vontade. As paixões dizem-se voluntárias, «ou porque são comandadas pela vontade, ou porque a vontade não Lhes opõe obstáculos» (47). Pertence à perfeição do bem moral ou humano que as paixões sejam reguladas pela razão (48).
Passiones, in se ipsis, nec bonae sunt nec malae. Moralem non recipiunt qualificationem nisi quatenus a ratione vel a voluntate revera pendent. Passiones dicuntur voluntariae « vel ex eo quod a voluntate imperantur, vel ex eo quod a voluntate non prohibentur ».67 Ad boni moralis vel humani perfectionem pertinet, passiones ratione regulari.68
§ 1768
Os grandes sentimentos não determinam nem a moralidade nem a santidade das pessoas; são o reservatório inesgotável das imagens e afectos com que se exprime a vida moral. As paixões são moralmente boas quando contribuem para uma acção boa, e más, no caso contrário. A vontade recta ordena para o bem e para a bem-aventurança os movimentos sensíveis que assume; a vontade má sucumbe às paixões desordenadas e exacerba-as. As emoções e os sentimentos podem ser assumidos pelas virtudes, ou pervertidos pelos vícios.
Magni animi sensus neque moralitatem neque sanctitatem decidunt personarum; receptaculum sunt inexhaustibile imaginum et affectionum in quibus exprimitur vita moralis. Passiones sunt moraliter bonae cum ad actionem conferunt bonam, et malae in casu contrario. Recta voluntas ad bonum et ad beatitudinem sensibiles ordinat motus quos ipsa assumit; mala voluntas passionibus succumbit deordinatis easque exacerbat. Commotiones et sensus possunt in virtutes assumi, vel in vitiis perverti.
§ 1769
Na vida cristã, o próprio Espírito Santo realiza a sua obra mobilizando todo o ser, mesmo as dores, temores e tristezas, como se vê claramente na agonia e paixão do Senhor. Em Cristo, os sentimentos humanos podem alcançar a sua consumação na caridade e na bem-aventurança divina.
In vita christiana, Ipse Spiritus Sanctus opus perficit Suum, totam movens personam, eius doloribus, timoribus et tristitiis inclusis, sicut in Domini agonia apparet et passione. In Christo, humanae affectiones possunt suam recipere consummationem in caritate et beatitudine divina.
§ 1770
A perfeição moral consiste em que o homem não seja movido para o bem só pela vontade, mas também pelo apetite sensível, segundo esta palavra do Salmo: «O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo» (Sl 84, 3).Resumindo:
Perfectio moralis implicat ut homo ad bonum non solum sua voluntate, sed etiam suo sensibili appetitu moveatur secundum haec psalmi verba: « Cor meum et caro mea exsultaverunt in Deum vivum » (Ps 84,3). Compendium

COMPÊNDIO

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Resumindo

§ 1771
O termo «paixões» designa afectos ou sentimentos. Através das suas emoções, o homem pressente o bem e suspeita do mal.
Vox « passiones » affectiones designat vel sensus. Per suas commotiones homo bonum praesentit vel malum suspicatur.
§ 1772
As principais paixões são o amor e o ódio, o desejo e o temor; a alegria, a tristeza e a cólera.
Praecipuae passiones sunt amor et odium, desiderium et metus, gaudium, tristitia et ira.
§ 1773
Nas paixões, enquanto movimentos da sensibilidade, não há bem, nem mal moral. Mas, na medida em que dependem ou não da razão e da vontade, há nelas bem ou mal moral.
In passionibus quatenus sensibilitatis motibus nec bonum habetur morale nec malum. Sed in illis bonum morale vel malum habetur prout illae pendent vel non pendent a ratione et a voluntate.
§ 1774
As emoções e os sentimentos podem ser assumidos pelas virtudes, ou pervertidos pelos vícios.
Commotiones et affectiones possunt in virtutes assumi, vel in vitiis perverti.
§ 1775
A perfeição do bem moral consiste em que o homem não seja movido para o bem só pela vontade, mas também pelo seu «coração».
Boni moralis perfectio est hominem ad bonum non solum sua voluntate, sed etiam suo « corde » moveri. (63) Cf Mc 7,21.(64) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 26, a. 4, c: Ed. Leon. 6, 190.(65) Cf Sanctus Augustinus, De Trinitate, 8, 3, 4: CCL 50, 271-272 (PL 42, 949).(66) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 14, 7: CSEL 402, 13 (PL 41, 410).(67) 5 Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 24, a. 1, c: Ed. Leon. 6, 179.(68) Cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 24, a. 3, c: Ed. Leon. 6, 181.

A MORALIDADE DAS PAIXÕES

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1776
«No mais profundo da consciência, o homem descobre uma lei que não se deu a si mesmo, mas à qual deve obedecer e cuja voz ressoa, quando necessário, aos ouvidos do seu coração, chamando-o sempre a amar e fazer o bem e a evitar o mal [...]. De facto, o homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus [...]. A consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do homem, no qual ele se encontra a sós com Deus, cuja voz ressoa na intimidade do seu ser» (49).
« In imo conscientiae legem homo detegit, quam ipse sibi non dat, sed cui oboedire debet, et cuius vox, semper ad bonum amandum et faciendum ac malum vitandum eum advocans, ubi oportet, auribus cordis sonat [...]. Nam homo legem in corde suo a Deo inscriptam habet [...]. Conscientia est nucleus secretissimus atque sacrarium hominis, in quo solus est cum Deo, cuius vox resonat in intimo eius ».69

A CONSCIÊNCIA MORAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

O juízo da consciência

§ 1777
Presente no coração da pessoa, a consciência moral (50) leva-a, no momento oportuno, a fazer o bem e a evitar o mal. E também julga as opções concretas, aprovando as boas e denunciando as más (51). Ela atesta a autoridade da verdade em relação ao Bem supremo, pelo qual a pessoa humana se sente atraída e cujos mandamentos acolhe. Quando presta atenção à consciência moral, o homem prudente pode ouvir Deus a falar-lhe.
Conscientia moralis,70 praesens in personae corde, ei iniungit, tempore opportuno, bonum peragere malumque evitare. Electiones etiam iudicat concretas, eas approbans quae bonae sunt, illas denuntians quae sunt malae.71 Veritatis testatur auctoritatem relate ad Bonum supremum, cuius attractionem persona humana experitur et cuius praecepta recipit. Homo prudens, cum conscientiam moralem exaudit, Deum loquentem potest audire.
§ 1778
A consciência moral é um juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral dum acto concreto que vai praticar, que está prestes a executar ou que já realizou. Em tudo quanto diz e faz, o homem tem obrigação de seguir fielmente o que sabe ser justo e recto. E pelo juízo da sua consciência que o homem tem a percepção e reconhece as prescrições da lei divina:

A consciência «é uma lei do nosso espírito, mas que o ultrapassa, nos dá ordens, e significa responsabilidade e dever, temor e esperança [...]. É a mensageira d'Aquele que, tanto no mundo da natureza como no da graça, nos fala veladamente, nos instrui e nos governa. A consciência é o primeiro de todos os vigários de Cristo» (52).

Conscientia moralis est rationis iudicium quo persona humana qualitatem moralem actus agnoscit concreti quem illa factura est, quem efficit vel quem perfecit. Homo in omnibus quae dicit vel facit, fideliter sequi tenetur quod ipse iustum et rectum esse scit. Homo, per suae conscientiae iudicium, praescripta Legis divinae percipit et agnoscit:

Conscientia « est nostri spiritus lex, sed quae nostrum superat spiritum, quae nobis praescriptiones facit, quae responsabilitatem et officium, timorem significat et spem. [...] Ipsa est nuntia Illius qui, in ordine naturae sicut in illo gratiae, nobis per velamentum loquitur, nos instruit et gubernat. Conscientia est omnium Christi vicariorum primus ».72

§ 1779
Importa que cada um esteja suficientemente presente a si mesmo para ouvir e seguir a voz da sua consciência. Esta exigência de interioridade é tanto mais necessária quanto a vida nos leva muitas vezes a subtrair-nos a qualquer reflexão, exame ou introspecção:

«Regressa à tua consciência, interroga-a [...] Voltai, irmãos, ao vosso interior, e, em tudo quanto fazeis, olhai para a Testemunha que é Deus» (53).

Oportet unumquemque adeo sibimetipsi esse praesentem ut suae conscientiae vocem audiat et sequatur. Haec interioritatis exigentia eo magis est necessaria quod vita nobis saepe adducit periculum ut ab omni reflexione, examine vel reditu in nos substrahamur:

« Redi ad conscientiam tuam, ipsam interroga. [...] Redite ergo intro, fratres; et in omnibus quaecumque facitis, intuemini testem Deum ».73

§ 1780
A dignidade da pessoa humana implica e exige a rectidão da consciência moral. A consciência moral compreende a percepção dos princípios da moralidade («sindérese»), a sua aplicação em determinadas circunstâncias por meio de um discernimento prático das razões e dos bens e, por fim, o juízo emitido sobre os actos concretos a praticar ou já praticados. A verdade sobre o bem moral, declarada na lei da razão, é reconhecida prática e concretamente pelo prudente juízo da consciência. Classifica-se de prudente o homem que opta em conformidade com este juízo.
Dignitas personae humanae rectitudinem conscientiae moralis implicat et exigit. Conscientia moralis perceptionem complectitur principiorum moralitatis (synderesim), eorum applicationem in occurrentibus circumstantiis per practicam rationum et bonorum discretionem et proinde iudicium de actibus concretis conficiendis vel iam confectis latum. Veritas de bono morali, declarata in lege rationis, practice et concrete per prudens iudicium conscientiae agnoscitur. Homo, qui secundum hoc iudicium eligit, prudens appellatur.
§ 1781
A consciência permite assumir a responsabilidade dos actos praticados. Se o homem comete o mal, o justo juízo da consciência pode ser nele a testemunha da verdade universal do bem e, ao mesmo tempo, da maldade da sua opção concreta. O veredicto do juízo da consciência continua a ser um penhor de esperança e de misericórdia. Atestando a falta cometida, lembra o perdão a pedir, o bem a praticar ainda e a virtude a cultivar incessantemente com a graça de Deus.

«Tranquilizaremos diante d'Ele o nosso coração, se o nosso coração vier a acusar-nos. Pois Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas» (1 Jo 3, 19-20).

Conscientia responsabilitatem actuum effectorum permittit assumere. Si homo malum committit, iustum conscientiae iudicium potest in eo testis manere de universali veritate boni, simul ac de malitia eius electionis singularis. Sententia iudicii conscientiae pignus manet spei et misericordiae. Illa, culpam testans commissam, in memoriam revocat, veniam esse petendam, bonum adhuc faciendum et virtutem incessanter gratia Dei colendam:

« In conspectu Eius placabimus corda nostra, quoniam si reprehenderit nos cor, maior est Deus corde nostro et cognoscit omnia » (1 Io 3,19-20).

§ 1782
O homem tem o direito de agir em consciência e em liberdade a fim de tomar pessoalmente decisões morais. «O homem não deve ser forçado a agir contra a própria consciência. Nem deve também ser impedido de actuar segundo ela, sobretudo em matéria religiosa» (54).
Homo ius habet secundum conscientiam et libere agendi, ut decisiones morales personaliter assumere possit. Homo « non est ergo cogendus, ut contra suam conscientiam agat. Sed neque impediendus est, quominus iuxta suam conscientiam operetur, praesertim in re religiosa ».74 II. Conscientiae efformatio

A CONSCIÊNCIA MORAL

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A formação da consciência

§ 1783
A consciência deve ser informada e o juízo moral esclarecido. Uma consciência bem formada é recta e verídica; formula os seus juízos segundo a razão, em conformidade com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador. A formação da consciência é indispensável aos seres humanos, submetidos a influências negativas e tentados pelo pecado a preferir o seu juízo próprio e a recusar os ensinamentos autorizados.
Conscientia certior fieri et iudicium morale illustrari debent. Conscientia bene efformata recta est et verax. Sua enuntiat iudicia rationem sequens, secundum verum bonum a Creatoris sapientia volitum. Conscientiae educatio est necessaria hominibus qui influxibus negativis sunt subiecti et a peccato tentati ut suum iudicium praeferant proprium et auctoritate praeditas reiiciant doctrinas.
§ 1784
A formação da consciência é tarefa para toda a vida. Desde os primeiros anos, a criança desperta para o conhecimento e para a prática da lei interior reconhecida pela consciência moral. Uma educação prudente ensina a virtude: preserva ou cura do medo, do egoísmo e do orgulho, dos ressentimentos da culpabilidade e dos movimentos de complacência, nascidos da fraqueza e das faltas humanas. A formação da consciência garante a liberdade e gera a paz do coração.
Conscientiae educatio munus est totius vitae. A prioribus annis, ipsa puerum suscitat ad cognitionem et praxim interioris legis a morali conscientia agnitae. Prudens educatio virtutem docet; ipsa a metu, a caeco sui amore (« egoismo ») et a superbia, a culpabilitatis exacerbationibus et complacentiae motibus praeservat, quae ex debilitate et humanis oriuntur culpis, vel ea sanat. Conscientiae educatio libertatem praestat et pacem cordis gignit.
§ 1785
Na formação da consciência, a Palavra de Deus é a luz do nosso caminho. Devemos assimilá-la na fé e na oração, e pô-la em prática. Devemos também examinar a nossa consciência, de olhos postos na cruz do Senhor. Somos assistidos pelos dons do Espírito Santo, ajudados pelo testemunho e pelos conselhos dos outros e guiados pelo ensino autorizado da Igreja (55).
In conscientiae efformanda, Verbum Dei lux itineris est nostri; illud in fide et oratione proprium facere oportet atque in praxim adducere. Debemus quoque nostram examinare conscientiam respiciendo ad crucem Domini. Dona Spiritus Sancti succurrunt nobis, qui aliorum testimonio et consiliis adiuvamur atque Ecclesiae doctrina auctoritate praedita ducimur.75 III. Secundum conscientiam eligere

A CONSCIÊNCIA MORAL

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Decidir em consciência

§ 1786
Perante a necessidade de decidir moralmente, a consciência pode emitir um juízo recto, de acordo com a razão e a lei de Deus, ou, pelo contrário, um juízo erróneo, que se afaste delas.
Conscientia, coram electione morali posita, potest sive iudicium rectum rationi et Legi divinae conforme ferre sive, e contra, iudicium erroneum quod ab eis discedit.
§ 1787
Por vezes, o homem vê-se confrontado com situações que tornam o juízo moral menos seguro e a decisão difícil. Mas deve procurar sempre o que é justo e bom e discernir a vontade de Deus expressa na lei divina.
Homo quandoque in condicionibus invenitur quae iudicium morale minus certum et decisionem efficiunt difficilem. Ipse tamen semper quaerere debet quod iustum est et bonum, atque voluntatem Dei in Lege divina expressam discernere.
§ 1788
Para isso, o homem esforça-se por interpretar os dados da experiência e os sinais dos tempos, graças à virtude da prudência, aos conselhos de pessoas sensatas e à ajuda do Espírito Santo e dos seus dons.
Ad hoc, homo conatur facta experientiae et signa temporum per prudentiae virtutem, per personarum prudentium consilia et per Spiritus Sancti Eiusque donorum adiutorium interpretari.
§ 1789
Algumas regras aplicam-se a todos os casos:

– nunca é permitido fazer mal para que daí resulte um bem;
– a «regra de ouro» é: «Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho, de igual modo, vós também» (Mt 7, 12) (56).
– a caridade passa sempre pelo respeito do próximo e da sua consciência: «Ao pecardes assim contra os irmãos, ao ferir-lhes a consciência é contra Cristo que pecais» (1 Cor 8, 12). «O que é bom é não [...] [fazer] nada em que o teu irmão possa tropeçar, cair ou fraquejar» (Rm 14, 21).

In omnibus casibus quaedam applicantur regulae:— Nunquam licet malum facere ut ex eo bonum proveniat.— « Regula aurea »: « Omnia [...], quaecumque vultis ut faciant vobis homines, ita et vos facite eis » (Mt 7,12).76— Caritas semper proximi et eius conscientiae continet observantiam. « Peccantes in fratres et percutientes conscientiam eorum infirmam, in Christum peccatis » (1 Cor 8,12). « Bonum est non [...] [facere] id, in quo frater tuus offendit aut scandalizatur aut infirmatur » (Rom 14,21 vulg.).IV. Iudicium erroneum

A CONSCIÊNCIA MORAL

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O juízo erróneo

§ 1790
O ser humano deve obedecer sempre ao juízo certo da sua consciência. Agindo deliberadamente contra ele, condenar-se-ia a si mesmo. Mas pode acontecer que a consciência moral esteja na ignorância e faça juízos erróneos sobre actos a praticar ou já praticados.
Homo semper certo suae conscientiae debet oboedire iudicio. Si contra hoc deliberate ageret, se ipsum damnaret. Sed evenit conscientiam moralem in ignorantia versari et erronea ferre iudicia de actibus ponendis vel iam commissis.
§ 1791
Muitas vezes, tal ignorância pode ser imputada à responsabilidade pessoal. Assim acontece «quando o homem pouco se importa de procurar a verdade e o bem e quando a consciência se vai progressivamente cegando, com o hábito do pecado» (57). Nesses casos, a pessoa é culpada do mal que comete.
Haec ignorantia saepe responsabilitati personali potest imputari. Hoc evenit, « cum homo de vero ac bono inquirendo parum curat, et conscientia ex peccati consuetudine paulatim fere obcaecatur ».77 His in casibus, persona, mali quod committit, est culpabilis.
§ 1792
A ignorância a respeito de Cristo e do seu Evangelho, os maus exemplos dados por outros, a escravidão das paixões, a pretensão de uma mal entendida autonomia da consciência, a rejeição da autoridade da Igreja e do seu ensino, a falta de conversão e de caridade, podem estar na origem dos desvios do juízo na conduta moral.
Ignorantia Christi et Eius Evangelii, mala exempla ab aliis praebita, passionum servitus, postulatio male intellectae autonomiae conscientiae, reiectio auctoritatis Ecclesiae eiusque doctrinae, defectus conversionis et caritatis origo esse possunt deflexionum iudicii in modo morali agendi.
§ 1793
Se, pelo contrário, a ignorância é invencível, ou o juízo erróneo sem responsabilidade do sujeito moral, o mal cometido pela pessoa não pode ser-lhe imputado. Mas nem por isso deixa de ser um mal, uma privação, uma desordem. É preciso trabalhar, portanto, para corrigir dos seus erros a consciência moral.
Si — e contra — ignorantia est invincibilis, vel iudicium erroneum sine subiecti moralis responsabilitate, malum a persona commissum non potest ei imputari. Ipsum nihilominus manet malum, privatio, deordinatio. Est ergo necessarium operam dare ut conscientia moralis a suis erroribus corrigatur.
§ 1794
A consciência boa e pura é iluminada pela fé verdadeira. Porque a caridade procede, ao mesmo tempo, «dum coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera» (1 Tm 1, 5) (58).

«Quanto mais prevalecer a recta consciência, tanto mais as pessoas e os grupos estarão longe da arbitrariedade cega e procurarão conformar-se com as normas objectivas da moralidade» (59).

Conscientia bona et pura illuminatur fide vera. Nam caritas simul procedit « de corde puro et conscientia bona et fide non ficta » (1 Tim 1,5):78

« Quo magis ergo conscientia recta praevalet, eo magis personae et coetus a caeco arbitrio recedunt et normis obiectivis moralitatis conformari satagunt ».79

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 1795
«A consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do homem, no qual ele se encontra a sós com Deus, cuja voz ressoa na intimidade do seu ser» (60).
« Conscientia est nucleus secretissimus atque sacrarium hominis, in quo solus est cum Deo, cuius vox resonat in intimo eius ».80
§ 1796
A consciência moral é um juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral dum acto concreto.
Conscientia moralis est iudicium rationis quo persona humana moralem actus concreti agnoscit qualitatem.
§ 1797
Para o homem que procedeu mal, o veredicto da consciência é um penhor de conversão e de esperança.
Pro homine qui malum commiserit, iudicium conscientiae eius pignus manet conversionis et spei.
§ 1798
Uma consciência bem formada é recta e verídica. Formula os seus juízos segundo a razão e em conformidade com o verdadeiro bem, querido pela sabedoria do Criador. Cada qual deve procurar os meios para formar a sua consciência.
Conscientia bene efformata recta est et verax. Sua enuntiat iudicia rationem sequens, secundum verum bonum a Creatoris sapientia volitum. Unusquisque media assumere debet ad suam conscientiam efformandam.
§ 1799
Perante a necessidade de decidir moralmente, a consciência pode formular um juízo recto, de acordo com a razão e a lei divina, ou, pelo contrário, um juízo erróneo, que das mesmas se afasta.
Conscientia, ante electionem moralem posita, potest ferre sive iudicium rectum rationi et Legi divinae conforme sive, e contra, iudicium erroneum quod ab eis discedit.
§ 1800
O ser humano deve obedecer sempre ao juízo certo da sua consciência.
Homo iudicio certo conscientiae suae semper debet oboedire.
§ 1801
A consciência moral pode permanecer na ignorância ou fazer juízos erróneos. Tal ignorância e erros nem sempre são isentos de culpabilidade.
Conscientia moralis potest in ignorantia manere vel erronea ferre iudicia. Hae ignorantiae et hi errores non semper a culpabilitate sunt exempti.
§ 1802
A Palavra de Deus é luz para os nossos passos. Devemos assimilá-la na fé e na oração e pô-la em prática. É assim que se forma a consciência moral.
Verbum Dei gressibus nostris est lumen. Oportet illud in fide et oratione proprium facere, et in praxim ducere. Sic conscientia moralis efformatur. (69) 5 Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037. (70) Cf Rom 2,14-16. (71) Cf Rom 1,32. (72) Ioannes Henricus Newman, A Letter to the Duke of Norfolk, 5: Certain Difficulties felt by Anglicans in Catholic Teaching, v. 2 (Westminster 1969) p. 248. (73) Sanctus Augustinus, In epistulam Ioannis ad Parthos tractatus 8, 9: PL 35, 2041. (74) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 3: AAS 58 (1966) 932.(75) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 14: AAS 58 (1966) 940.(76) Cf Lc 6,31; Tb 4,15.(77) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037.(78) Cf 1 Tim 3,9; 2 Tim 1,3; 1 Pe 3,21; Act 24,16. (79) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037. (80) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037.

AS VIRTUDES

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1803
«Tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento» (Fl 4, 8).A virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem. Permite à pessoa não somente praticar actos bons, mas dar o melhor de si mesma. A pessoa virtuosa tende para o bem com todas as suas forças sensíveis e espirituais; procura o bem e opta por ele em actos concretos.

«O fim duma vida virtuosa consiste em tornar-se semelhante a Deus» (61).

« Quaecumque sunt vera, quaecumque pudica, quaecumque iusta, quaecumque casta, quaecumque amabilia, quaecumque bonae famae, si qua virtus et si qua laus, haec cogitate » (Phil 4,8). Virtus est habitualis et firma dispositio ad bonum faciendum. Ipsa non solum personae permittit actus peragere bonos, sed etiam optima sui ipsius donare. Persona virtuosa omnibus suis viribus sensibilibus et spiritualibus ad bonum tendit; id prosequitur et eligit in suis concretis actionibus:

« Sit finis vitae cum virtute degendae, ut quis Numini divino assimiletur ».81

AS VIRTUDES

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As virtudes humanas

§ 1804
As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade, que regulam os nossos actos, ordenam as nossas paixões e guiam o nosso procedimento segundo a razão e a fé. Conferem facilidade, domínio e alegria para se levar uma vida moralmente boa. Homem virtuoso é aquele que livremente pratica o bem.As virtudes morais são humanamente adquiridas. São os frutos e os germes de actos moralmente bons e dispõem todas as potencialidades do ser humano para comungar no amor divino.
Virtutes humanae habitus sunt firmi, dispositiones stabiles, habituales intellectus et voluntatis perfectiones, quae nostros regulant actus, nostras ordinant passiones et nostrum agendi modum ducunt secundum rationem et fidem. Ipsae facilitatem, dominium comparant et gaudium ad vitam moraliter bonam ducendam. Homo virtuosus ille est qui bonum libere exercet.Virtutes morales humano acquiruntur modo. Fructus sunt et germina actuum moraliter bonorum; omnes hominis potentias disponunt ad communicandum cum amore divino. Cardinalium virtutum distinctio

DISTINÇÃO DAS VIRTUDES CARDEAIS

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As virtudes humanas

§ 1805
Há quatro virtudes que desempenham um papel de charneira. Por isso, se chamam «cardeais»; todas as outras se agrupam em torno delas. São: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. «Se alguém ama a justiça, o fruto dos seus trabalhos são as virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza» (Sb 8, 7). Com estes ou outros nomes, estas virtudes são louvadas em numerosas passagens da Sagrada Escritura.
Quattuor virtutes munere funguntur « cardinis ». Propterea appellantur « cardinales »; ceterae omnes circum eas ordinantur. Illae sunt prudentia, iustitia, fortitudo et temperantia. « Si iustitiam quis diligit, labores huius sunt virtutes: sobrietatem enim et prudentiam docet, iustitiam et fortitudinem » (Sap 8,7). Aliis nominibus hae virtutes in pluribus Scripturae laudantur locis.
§ 1806
A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir. «O homem prudente vigia os seus passos» (Pr 14, 15). «Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar» (1 Pe 4, 7). A prudência é a «recta norma da acção», escreve São Tomás (62) seguindo Aristóteles. Não se confunde, nem com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. É chamada «auriga virtutum – condutor das virtudes», porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena a sua conduta segundo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e ultrapassamos as dúvidas sobre o bem a fazer e o mal a evitar.
Prudentia est virtus quae practicam disponit rationem ad nostrum verum bonum in omnibus discernendum adiunctis et ad iusta seligenda media ad illud efficiendum. Homo « astutus considerat gressus suos » (Prv 14,15). « Estote itaque prudentes et vigilate in orationibus » (1 Pe 4,7). Prudentia est « recta ratio agibilium », scribit sanctus Thomas82 post Aristotelem. Ipsa nec cum timiditate vel metu confunditur nec cum duplicitate vel simulatione. Auriga virtutum appellatur: alias enim regit virtutes illis regulam indicans et mensuram. Prudentia immediate iudicium ducit conscientiae. Homo prudens suum agendi modum decidit et ordinat hoc sequendo iudicium. Hac virtute, principia moralia sine errore casibus applicamus particularibus et dubia superamus de bono peragendo et malo vitando.
§ 1807
A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A justiça para com Deus chama-se «virtude da religião». Para com os homens, a justiça leva a respeitar os direitos de cada qual e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que promove a equidade em relação às pessoas e ao bem comum. O homem justo, tantas vezes evocado nos livros santos, distingue-se pela rectidão habitual dos seus pensamentos e da sua conduta para com o próximo. «Não cometerás injustiças nos julgamentos. Não favorecerás o pobre, nem serás complacente para com os poderosos. Julgarás o teu próximo com imparcialidade» (Lv 19, 15). «Senhores, dai aos vossos escravos o que é justo e equitativo, considerando que também vós tendes um Senhor no céu» (Cl 4, 1).
Iustitia virtus est moralis quae in constanti et firma consistit voluntate Deo et proximo tribuendi id, quod illis debetur. Iustitia erga Deum « virtus religionis » appellatur. Erga homines disponit ad uniuscuiusque observanda iura et ad stabiliendam in relationibus humanis harmoniam quae aequitatem respectu personarum et boni communis promovet. Homo iustus, saepe in Libris Sacris commemoratus, rectitudine distinguitur habituali suarum cogitationum et rectitudine sui agendi modi erga proximum. « Non consideres personam pauperis nec honores vultum potentis. Iuste iudica proximo tuo » (Lv 19,15). « Domini, quod iustum est et aequum servis praestate, scientes quoniam et vos Dominum habetis in caelo » (Col 4,1).
§ 1808
A fortaleza é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa. «O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória» (Sl 118, 14). «No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!» (Jo 16, 33).
Fortitudo virtus est moralis quae firmitatem in difficultatibus praestat et constantiam in bono prosequendo. Propositum roborat tentationibus resistendi et obstacula in vita morali superandi. Fortitudinis virtus capacitatem praebet metum, etiam mortis, vincendi, aggrediendi probationem et persecutiones. Disponit ad progrediendum usque ad abrenuntiationem et propriae vitae sacrificium pro iusta defendenda causa. « Fortitudo mea et laus mea, Dominus » (Ps 118,14). « In mundo pressuram habetis, sed confidite, ego vici mundum » (Io 16,33).
§ 1809
A temperança é a virtude moral que modera a atracção dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração (63). A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: «Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites» (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada «moderação», ou «sobriedade». Devemos «viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente» (Tt 2, 12).

«Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder [...], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)» (64).

Temperantia est virtus moralis quae voluptatum moderatur allectationem atque in bonorum creatorum usu praebet aequilibrium. Dominium roborat voluntatis in instinctus et desideria inter honestatis continet limites. Persona temperans ordinat suos sensibiles ad bonum appetitus, sanam servat discretionem et non sequitur fortitudinem suam ut ambulet in concupiscentiis cordis sui.83 Temperantia in Vetere Testamento saepe laudatur: « Post concupiscentias tuas non eas et a voluptatibus tuis te contine » (Eccli 18,30). In Novo Testamento, ipsa « moderatio » appellatur vel « sobrietas ». Oportet ut « sobrie et iuste et pie vivamus in hoc saeculo » (Tit 2,12).

« Nihil sit aliud bene vivere, quam toto corde, tota anima, tota mente diligere Deum, [...], ut incorruptus in eo amor atque integer custodiatur, quod est temperantiae, ut nullis frangatur incommodis, quod est fortitudinis, nulli alii serviat, quod est iustitiae, vigilet in discernendis rebus, ne fallacia paulatim dolusve subrepat, quod est prudentiae ».84

AS VIRTUDES E A GRAÇA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As virtudes humanas

§ 1810
As virtudes humanas, adquiridas pela educação, por actos deliberados e por uma sempre renovada perseverança no esforço, são purificadas e elevadas pela graça divina. Com a ajuda de Deus, forjam o carácter e facilitam a prática do bem. O homem virtuoso sente-se feliz ao praticá-las.
Virtutes humanae, educatione, deliberatis actibus et renovata semper in conatu perseverantia adquisitae, divina purificantur et elevantur gratia. Dei adiutorio, ipsae excudunt indolem et in bono exercendo facilitatem praebent. Virtuosus homo in illis exercendis felix est.
§ 1811
Não é fácil, ao homem ferido pelo pecado, manter o equilíbrio moral. O dom da salvação, que nos veio por Cristo, dá-nos a graça necessária para perseverar na busca das virtudes. Cada qual deve pedir constantemente esta graça de luz e de força, recorrer aos sacramentos, cooperar com o Espírito Santo e seguir os seus apelos a amar o bem e acautelar-se do mal.
Homini vulnerato a peccato facile non est morale servare aequilibrium. Donum salutis per Christum gratiam nobis tribuit necessariam ad perseverandum in virtutibus quaerendis. Unusquisque hanc lucis et roboris gratiam semper postulare debet, ad sacramenta recurrere, cum Sancto Spiritu cooperari, Eius vocationes sequi ad bonum amandum et se a malo servandum. II. Virtutes theologales

AS VIRTUDES E A GRAÇA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As virtudes teologais

§ 1812
As virtudes humanas radicam nas virtudes teologais, que adaptam as faculdades do homem à participação na natureza divina (65). De facto, as virtudes teologais referem-se directamente a Deus e dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade. Têm Deus Uno e Trino por origem, motivo e objecto.
Virtutes humanae in virtutibus radicantur theologalibus quae hominis facultates ad naturae divinae accommodant participationem.85 Virtutes enim theologales directe ad Deum referuntur. Christianos disponunt ut in consuetudine cum Sanctissima Trinitate vivant. Deum Unum et Trinum habent tamquam originem, motivum et obiectum.
§ 1813
As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão, Informam e vivificam todas as virtudes morais. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus e assim merecerem a vida eterna. São o penhor da presença e da acção do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. São três as virtudes teologais: fé, esperança e caridade (66).
Virtutes theologales moralem agendi modum christiani proprium fundant, animant et distinguunt. Ipsae omnes virtutes morales informant et vivificant. A Deo in animas infunduntur fidelium ad eos efficiendos capaces qui tamquam filii Eius agant et vitam mereantur aeternam. Ipsae praesentiae et actionis Spiritus Sancti in hominis facultatibus sunt pignus. Tres sunt virtutes theologales: fides, spes et caritas.86 Fides

A FÉ

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As virtudes teologais

§ 1814
A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou e que a santa Igreja nos propõe para acreditarmos, porque Ele é a própria verdade. Pela fé, «o homem entrega-se total e livremente a Deus» (67). E por isso, o crente procura conhecer e fazer a vontade de Deus. «O justo viverá pela fé» (Rm 1, 17). A fé viva «actua pela caridade» (Gl 5, 6).
Fides virtus est theologalis qua in Deum credimus atque omnia quae Ipse nobis dixit et revelavit quaeque Ecclesia nobis credenda proponit, quia Ille est ipsa veritas. Fide « homo se totum libere Deo committit ».87 Propterea qui credit, voluntatem Dei cognoscere conatur et facere. « Iustus [...] ex fide vivet » (Rom 1,17). Fides viva « per caritatem operatur » (Gal 5,6).
§ 1815
O dom da fé permanece naquele que não pecou contra ela (68). Mas, «sem obras, a fé está morta» (Tg 2, 26): privada da esperança e do amor, a fé não une plenamente o fiel a Cristo, nem faz dele um membro vivo do seu corpo.
Fidei donum in eo permanet qui contra eamdem non peccavit.88 Sed « fides sine operibus mortua est » (Iac 2,26). Fides, spe et amore privata, fidelem Christo plene non unit neque eum vivens Eius corporis efficit membrum.
§ 1816
O discípulo de Cristo, não somente deve guardar a fé e viver dela, como ainda professá-la, dar firme testemunho dela e propagá-la: «Todos devem estar dispostos a confessar Cristo diante dos homens e a segui-Lo no caminho da cruz, no meio das perseguições que nunca faltam à Igreja» (69). O serviço e testemunho da fé são requeridos para a salvação: «A todo aquele que me tiver reconhecido diante dos homens, também Eu o reconhecerei diante do meu Pai que está nos céus. Mas àquele que me tiver negado diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus» (Mt 10, 32-33).
Christi discipulus non solum debet fidem servare ex eaque vivere, sed illam praeterea profiteri, cum securitate testari et propagare: « Omnes [...] parati sint oportet, Christum coram hominibus confiteri, Eumque inter persecutiones, quae Ecclesiae nunquam desunt, in via crucis subsequi ».89 Fidei servitium et testimonium ad salutem requiruntur: « Omnis [...] qui confitebitur me coram hominibus, confitebor et ego eum coram Patre meo, qui est in caelis; qui autem negaverit me coram hominibus, negabo et ego eum coram Patre meo qui est in caelis » (Mt 10,32-33). Spes

A ESPERANÇA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As virtudes teologais

§ 1817
A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. «Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel» (Heb 10, 23). «O Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, para que, justificados pela sua graça, nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna» (Tt 3, 6-7).
Spes est virtus theologalis qua, tamquam nostram felicitatem, Regnum caelorum et vitam appetimus aeternam, nostram fiduciam in Christi collocantes promissionibus et nitentes non nostris viribus, sed auxilio gratiae Spiritus Sancti. « Teneamus spei confessionem indeclinabilem, fidelis enim est, qui repromisit » (Heb 10,23). Is Hunc Spiritum « effudit super nos abunde per Iesum Christum Salvatorem nostrum, ut iustificati gratia Ipsius heredes simus secundum spem vitae aeternae » (Tit 3,6-7).
§ 1818
A virtude da esperança corresponde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem; assume as esperanças que inspiram as actividades dos homens, purifica-as e ordena-as para o Reino dos céus; protege contra o desânimo; sustenta no abatimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O ânimo que a esperança dá preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade.
Virtus spei appetitioni respondet ad felicitatem a Deo in corde uniuscuiusque hominis positae; exspectationes assumit quae activitates inspirant hominum; eas purificat ut easdem ad Regnum caelorum ordinet; ab animi protegit defectione; in omni sustinet derelictione; in beatitudinis aeternae exspectatione dilatat cor. Spei impulsus a caeco sui amore (« egoismo ») praeservat et ad felicitatem ducit caritatis.
§ 1819
A esperança cristã retorna e realiza a esperança do povo eleito, que tem a sua origem e modelo na esperança de Abraão, o qual, em Isaac, foi cumulado das promessas de Deus e purificado pela provação do sacrifício (70). «Contra toda a esperança humana, Abraão teve esperança e acreditou. Por isso, tornou-se pai de muitas nações» (Rm 4, 18).
Spes christiana spem populi electi iterum assumit et perficit, quae suam originem suumque invenit exemplar in spe Abrahae promissionibus Dei in Isaac repleti et per sacrificii probationem purificati.90 « Contra spem in spe credidit, ut fieret pater multarum gentium » (Rom 4,18).
§ 1820
A esperança cristã manifesta-se, desde o princípio da pregação de Jesus, no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam a nossa esperança para o céu, como nova tema prometida e traçam-lhe o caminho através das provações que aguardam os discípulos de Jesus. Mas, pelos méritos do mesmo Jesus Cristo e da sua paixão, Deus guarda-nos na «esperança que não engana» (Rm 5, 5). A esperança é «a âncora da alma, inabalável e segura» que penetra [...]«onde entrou Jesus como nosso precursor» (Heb 6, 19-20). É também uma arma que nos protege no combate da salvação: «Revistamo-nos com a couraça da fé e da caridade, com o capacete da esperança da salvação» (1 Ts 5, 8). Proporciona-nos alegria, mesmo no meio da provação: «alegres na esperança, pacientes na tribulação» (Rm 12, 12). Exprime-se e nutre-se na oração, particularmente na oração do Pai-Nosso, resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.
Inde ab initio praedicationis Iesu, spes christiana in nuntio explicatur beatitudinum. Beatitudines, caelum versus, tamquam in novam Terram promissam, nostram elevant spem; huic delineant viam per probationes quae Iesu manent discipulis. Sed per Iesu Christi Eiusque passionis merita, Deus nos in spe servat quae « non confundit » (Rom 5,5). Spem « sicut ancoram habemus animae, tutam ac firmam », eo usque incedentem « ubi praecursor pro nobis introivit Iesus » (Heb 6,19-20). Ipsa est etiam armatura quae nos in colluctatione protegit salutis: « induti loricam fidei et caritatis et galeam spem salutis » (1 Thess 5,8). Illa nobis in ipsa probatione procurat gaudium: « Spe gaudentes, in tribulatione patientes » (Rom 12,12). In oratione exprimitur et nutritur, praesertim in Oratione dominica, compendio omnium quae spes efficit ut appetamus.
§ 1821
Podemos, portanto, esperar a glória do céu prometida por Deus àqueles que O amam (71) e fazem a sua vontade (72). Em todas as circunstâncias, cada qual deve esperar, com a graça de Deus, «permanecer firme até ao fim» (73) e alcançar a alegria do céu, como eterna recompensa de Deus pelas boas obras realizadas com a graça de Cristo. É na esperança que a Igreja pede que «todos os homens se salvem» (1 Tm 2, 4) e ela própria aspira a ficar, na glória do céu, unida a Cristo, seu Esposo:

«Espera, espera, que não sabes quando virá o dia nem a hora. Vela com cuidado, que tudo passa com brevidade, embora o teu desejo faça o certo duvidoso e longo o tempo breve. Olha que quanto mais pelejares, mais mostrarás o amor que tens a teu Deus, e mais te regozijarás com teu Amado em gozo e deleite que não pode ter fim» (74).

Sperare igitur possumus caeli gloriam a Deo illis promissam qui Eum diligunt91 et Eius faciunt voluntatem.92 In quibuslibet adiunctis, unusquisque debet sperare, cum gratia Dei, perseverare in finem93 et caeli obtinere gaudium tamquam aeternam Dei pro bonis operibus gratia Christi peractis retributionem. Spe orat Ecclesia « omnes homines [...] salvos fieri » (1 Tim 2,4). Ipsa, in gloria caeli, Christo, Sponso suo, unita esse cupit:

« Spera, spera, tu quae nescis quandonam veniet dies et hora. Diligenter vigila, quoniam breviter omnia transeunt, quamvis desiderium tuum in incertum vertat certum, et in longum vertat breve tempus. Animadverte te, quo magis certabis, eo magis amorem, quem in Deum habes tuum, esse monstraturam et magis, Dilecto tuo fruituram cum gaudio et delectatione, quae finem habere non potest ».94

A CARIDADE

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As virtudes teologais

§ 1822
A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
Caritas est virtus theologalis qua Deum super omnia propter Se Ipsum et proximum nostrum tamquam nosmetipsos propter Dei diligimus amorem.
§ 1823
Jesus faz da caridade o mandamento novo (75). Amando os seus «até ao fim» (Jo 13, 1), manifesta o amor do Pai, que Ele próprio recebe. E os discípulos, amando-se uns aos outros, imitam o amor de Jesus, amor que eles recebem também em si. É por isso que Jesus diz: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor» (Jo 15, 9). E ainda: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei» (Jo 15, 12).
Iesus ex caritate mandatum novum efficit.95 Suos diligens « in finem » (Io 13,1), Patris manifestat amorem quem Ipse recipit. Discipuli se mutuo diligentes Iesu imitantur amorem quem etiam in se recipiunt. Propterea dicit Iesus: « Sicut dilexit me Pater, et ego dilexi vos; manete in dilectione mea » (Io 15,9). Et etiam: « Hoc est praeceptum meum, ut diligatis invicem, sicut dilexi vos » (Io 15,12).
§ 1824
Fruto do Espírito e plenitude da Lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e do seu Cristo: «Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor» (Jo 15, 9-10) (76).
Caritas, fructus Spiritus et plenitudo Legis, Dei et Eius Christi servat mandata. « Manete in dilectione mea. Si praecepta mea servaveritis, manebitis in dilectione mea » (Io 15,9-10).96
§ 1825
Cristo morreu por amor de nós, sendo nós ainda «inimigos» (Rm 5, 10). O Senhor pede-nos que, como Ele, amemos até os nossos inimigos (77), que nos façamos o próximo do mais afastado (78), que amemos as crianças (79) e os pobres como a Ele próprio (80).

O apóstolo São Paulo deixou-nos um incomparável quadro da caridade: «A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse, não se imita, não guarda ressentimento, não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta» (1Cor 13, 4-7).

Christus amore erga nos mortuus est, cum adhuc eramus « inimici » (Rom 5,10). Dominus a nobis postulat ut amemus sicut Ipse etiam nostros inimicos,97 ut nos remotissimo faciamus proximos,98 ut sicut Ipsum amemus parvulos99 et pauperes. 100

Sanctus apostolus Paulus incomparabilem caritatis effecit descriptionem: « Caritas patiens est, benigna est caritas, non aemulatur, non agit superbe, non inflatur, non est ambitiosa, non quaerit, quae sua sunt, non irritatur, non cogitat malum, non gaudet super iniquitatem, congaudet autem veritati; omnia suffert, omnia credit, omnia sperat, omnia sustinet » (1 Cor 13,4-7).

§ 1826
Sem a caridade, diz ainda o Apóstolo, «nada sou». E tudo o que for privilégio, serviço, ou mesmo virtude..., se não tiver caridade «de nada me aproveita» (81). A caridade é superior a todas as virtudes. É a primeira das virtudes teologais: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13, 13).
Sine caritate, dicit etiam Apostolus, « nihil sum ». Et quidquid est privilegium, servitium, etiam virtus... si caritatem non habuero, « nihil mihi prodest ». 101 Caritas est omnibus superior virtutibus. Virtutum theologalium est prima: « Nunc autem manet fides, spes, caritas, tria haec; maior autem ex his est caritas » (1 Cor 13,13).
§ 1827
O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade. Esta é o «vínculo da perfeição» (Cl 3, 14) e a forma das virtudes: articula-as e ordena-as entre si; é a fonte e o termo da sua prática cristã. A caridade assegura e purifica a nossa capacidade humana de amar e eleva-a à perfeição sobrenatural do amor divino.
Omnium virtutum exercitium caritate animatur et inspiratur. Ipsa est « vinculum perfectionis » (Col 3,14); ipsa est forma virtutum; eas connectit et inter se ordinat; fons est et terminus earum christianae praxis. Caritas roborat et purificat nostram humanam amandi facultatem. Eam ad supernaturalem amoris divini perfectionem elevat.
§ 1828
A prática da vida moral animada pela caridade dá ao cristão a liberdade espiritual dos filhos de Deus. O cristão já não está diante de Deus como um escravo, com temor servil, nem como o mercenário à espera do salário, mas como um filho que corresponde ao amor «d'Aquele que nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19):

«Nós, ou nos desviamos do mal por temor do castigo e estamos na atitude do escravo, ou vivemos à espera da recompensa e parecemo-nos com os mercenários; ou, finalmente, é pelo bem em si e por amor d'Aquele que manda, que obedecemos [...], e então estamos na atitude própria dos filhos» (82).

«Nós, ou nos desviamos do mal por temor do castigo e estamos na atitude do escravo, ou vivemos à espera da recompensa e parecemo-nos com os mercenários; ou, finalmente, é pelo bem em si e por amor d'Aquele que manda, que obedecemos [...], e então estamos na atitude própria dos filhos» (82).1829 Os frutos da caridade são: a alegria, a paz e a misericórdia; exige a prática do bem e a correcção fraterna; é benevolente; suscita a reciprocidade, é desinteressada e liberal: é amizade e comunhão:

«A consumação de todas as nossas obras é o amor. É nele que está o fim: é para a conquista dele que corremos; corremos para lá chegar e, uma vez chegados, é nele que descansamos» (83).

Praxis vitae moralis caritate animata spiritualem filiorum Dei libertatem praebet christiano. Hic non amplius sistit coram Deo tamquam servus in timore servili neque tamquam mercennarius salarium quaerens, sed tamquam filius qui amori respondet Illius qui « prior dilexit nos » (1 Io 4,19):

« Aut enim supplicii metu a malo declinamus, versamurque in affectu servili; aut mercedis fructus requirentes, ob nostram ipsorum utilitatem mandata explemus, et hoc pacto mercennariis efficimur similes; aut ob ipsum honestum caritatemque erga Legislatorem nostrum [...], et ita demum ut filii afficimur ». 102

A CARIDADE

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

As virtudes teologais

§ 1829
Os frutos da caridade são: a alegria, a paz e a misericórdia; exige a prática do bem e a correcção fraterna; é benevolente; suscita a reciprocidade, é desinteressada e liberal: é amizade e comunhão:

«A consumação de todas as nossas obras é o amor. É nele que está o fim: é para a conquista dele que corremos; corremos para lá chegar e, uma vez chegados, é nele que descansamos» (83).

Caritas habet, ut fructus, gaudium, pacem et misericordiam; beneficentiam exigit et correctionem fraternam; benevola est; reciprocationem suscitat, manet quin quaerat quae sua sunt, et est liberalis; amicitia est et communio:

« Ipsa est consummatio omnium operum nostrorum, dilectio. Ibi est finis: propter hoc currimus; ad ipsum currimus; cum venerimus ad eam, requiescemus ». 103

A CARIDADE

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Os dons e os frutos do Espírito Santo

§ 1830
A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil aos impulsos do Espírito Santo.
Vita moralis christianorum Spiritus Sancti donis sustinetur. Haec dispositiones sunt permanentes quae hominem docilem reddunt ut Spiritus Sancti sequatur impulsus.
§ 1831
Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Pertencem em plenitude a Cristo, filho de David (84). Completam e levam à perfeição as virtudes de quem os recebe. Tornam os fiéis dóceis, na obediência pronta, às inspirações divinas.

«Que o vosso espírito de bondade me conduza pelo caminho recto» (Sl 143, 10). «Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus [...]; se somos filhos, também somos herdeiros: herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo» (Rm 8, 14.17).

Septem Spiritus Sancti dona sunt sapientia, intellectus, consilium, fortitudo, scientia, pietas et timor Dei. Eadem in sua plenitudine ad Christum pertinent Filium David. 104 Illorum qui ea recipiunt, virtutes complent et ducunt ad earumdem perfectionem. Fideles dociles reddunt ad prompte inspirationibus divinis oboediendum.

« Spiritus Tuus bonus deducet me in terram rectam » (Ps 143,10).

« Quicumque enim Spiritu Dei aguntur, hi filii Dei sunt. [...] Si autem filii, et heredes; heredes quidem Dei, coheredes autem Christi » (Rom 8,14.17).

A CARIDADE

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Os dons e os frutos do Espírito Santo

§ 1832
Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna. A tradição da Igreja enumera doze: «caridade, alegria, paz, paciência, bondade, longanimidade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade» (Gl 5, 22-23 segundo a Vulgata).Resumindo:
Fructus Spiritus sunt perfectiones quas Spiritus Sanctus, ut gloriae aeternae primitias, in nobis efformat. Ecclesiae traditio duodecim enumerat: « fructus [...] est caritas, gaudium, pax, patientia, benignitas, bonitas, longanimitas, mansuetudo, fides, modestia, continentia, castitas » (Gal 5,22-23 vulg.). Compendium

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Resumindo

§ 1833
A virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem.
Virtus dispositio est habitualis et firma ad bonum faciendum.
§ 1834
As virtudes humanas são disposições estáveis da inteligência e da vontade, que regulam os nossos actos, ordenam as nossas paixões e guiam o nosso procedimento segundo a razão e a fé. Podem ser agrupadas à roda das quatro virtudes cardiais: prudência, justiça, fortaleza e temperança.
Humanae virtutes dispositiones intellectus et voluntatis sunt stabiles, quae nostros regulant actus, nostras ordinant passiones et nostrum agendi modum ducunt secundum rationem et fidem. Eaedem possunt circum quattuor virtutes cardinales ordinari: prudentiam, iustitiam, fortitudinem et temperantiam.
§ 1835
A prudência dispõe a razão prática para discernir, em todas as circunstâncias, o verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o realizar.
Prudentia practicam disponit rationem ad nostrum verum bonum discernendum in omnibus adiunctis et ad iusta seligenda media ad illud adimplendum.
§ 1836
A justiça consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.
Iustitia in constanti et firma consistit voluntate Deo et proximo tribuendi id, quod illis debetur.
§ 1837
A .fortaleza assegura, no meio das dificuldades, a firmeza e a constância na prossecução do bem.
Fortitudo firmitatem in difficultatibus praebet et constantiam in bono prosequendo.
§ 1838
A temperança modera a atracção dos prazeres sensíveis e proporciona equilíbrio no uso dos bens criados.
Temperantia allectationem moderatur voluptatum sensibilium atque in bonorum creatorum usu praebet aequilibrium.
§ 1839
As virtudes morais desenvolvem-se pela educação, por actos deliberados e pela perseverança no esforço. A graça divina purifica-as e eleva-as.
Virtutes morales educatione, actibus deliberatis et perseverantia in conatu crescunt. Gratia divina eas purificat et elevat.
§ 1840
As virtudes teologais dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade. Têm, Deus por origem, motivo e objecto – Deus conhecido pela fé, esperado e amado por Si mesmo.
Virtutes theologales christianos disponunt ut in consuetudine cum Sanctissima Trinitate vivant. Ipsae, tamquam originem, motivum et obiectum, habent Deum, Deum nempe fide cognitum, speratum et propter Se Ipsum amatum.
§ 1841
São três as virtudes teologais: fé, esperança e caridade (85). Informam e vivificam todas as virtudes morais.
Tres sunt virtutes theologales: fides, spes et caritas. 105 Ipsae omnes morales virtutes informant et vivificant.
§ 1842
Pela fé, cremos em Deus e em tudo quanto Ele nos revelou e a santa Igreja nos propõe para acreditarmos.
Fide credimus in Deum atque omnia credimus quae Ipse nobis revelavit quaeque Ecclesia nobis proponit credenda.
§ 1843
Pela esperança, desejamos e esperamos de Deus, com firme confiança, a vida eterna e as graças para a merecer.
Spe cupimus et a Deo exspectamus, cum firma fiducia, vitam aeternam et gratias ad illam merendam.
§ 1844
Pela caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. A caridade é o «vínculo da perfeição» (Cl 3, 14) e a forma de todas as virtudes.
Caritate Deum super omnia et nostrum proximum tamquam nosmetipsos proter amorem diligimus Dei. Ipsa est « vinculum perfectionis » (Col 3,14) et omnium virtutum forma.

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Resumindo

§ 1845
Os sete dons do Espírito Santo, concedidos aos cristãos, são: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.
Septem Spiritus Sancti dona christianis concessa sunt sapientia, intellectus, consilium, fortitudo, scientia, pietas et timor Dei. (81) Sanctus Gregorius Nyssenus, De beatitudinibus, oratio 1: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger, v. 72 (Leiden 1992) p. 82 (PG 44, 1200).(82) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 47, a. 2, sed contra: Ed. Leon. 8, 349. (83) Cf Eccli 5,2; 37,27-31. (84) Sanctus Augustinus, De moribus Ecclesiae catholicae, 1, 25, 46: CSEL 90, 51 (PL 32, 1330-1331). (85) Cf 2 Pe 1,4. (86) Cf 1 Cor 13,13. (87) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 5: AAS 58 (1966) 819.(88) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 15: DS 1544.(89) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 42: AAS 57 (1965) 48; cf Id., Decl. Dignitatis humanae, 14: AAS 58 (1966) 940.(90) Cf Gn 17,4-8; 22,1-18.(91) Cf Rom 8,28-30.(92) Cf Mt 7,21.(93) Cf Mt 10,22; Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 13: DS 1541. (94) Sancta Theresia a Iesu, Exclamaciones del alma a Dios, 15, 3: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 4 (Burgos 1917) p. 290.(95) Cf Io 13,34.(96) Cf Mt 22,40; Rom 13,8-10. (97) Cf Mt 5,44. (98) Cf Lc 10,27-37. (99) Cf Mc 9,37. (100) Cf Mt 25,40.45. (101) Cf 1 Cor 13,1-3. (102) Sanctus Basilius Magnus, Regulae fusius tractatae, prol. 3: PG 31, 896.(103) Sanctus Augustinus, In epistulam Ioannis ad Parthos tractatus, 10, 4: PL 35, 2056-2057. (104) Cf Is 11, 1-2. (105) Cf 1 Cor 13,13.

O PECADO

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A misericórdia e o pecado

§ 1846
O Evangelho é a revelação, em Jesus Cristo, da misericórdia de Deus para com os pecadores (86). O anjo assim o disse a José: «Pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados» (Mt 1, 21), o mesmo se diga da Eucaristia, sacramento da Redenção: «Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que vai ser derramado por todos para a remissão dos pecados» (Mt 26, 28).
Evangelium est revelatio, in Iesu Christo, misericordiae Dei erga peccatores. 106 Angelus id nuntiat Ioseph: « Vocabis nomen Eius Iesum: Ipse enim salvum faciet populum Suum a peccatis eorum » (Mt 1,21). Idem valet de Eucharistia, sacramento Redemptionis: « Hic est enim sanguis meus Novi Testamenti, qui pro multis effunditur in remissionem peccatorum » (Mt 26,28).
§ 1847
«Deus, que nos criou sem nós, não quis salvar-nos sem nós» (87). O acolhimento da sua misericórdia exige de nós a confissão das nossas faltas. «Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e para nos purificar de toda a maldade» (1 Jo 1, 8-9).
Deus, « qui [...] te fecit sine te, non te iustificat sine te ». 107 Eius misericordiae acceptatio a nobis postulat culparum nostrarum confessionem: « Si dixerimus quoniam peccatum non habemus, nosmetipsos seducimus, et veritas in nobis non est. Si confiteamur peccata nostra, fidelis est et iustus, ut remittat nobis peccata et emundet nos ab omni iniustitia » (1 Io 1,8-9).

O PECADO

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A misericórdia e o pecado

§ 1848
Como afirma São Paulo: «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5, 20). Mas para realizar a sua obra, a graça tem de pôr a descoberto o pecado, para converter o nosso coração e nos obter «a justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor» (Rm 5, 21). Como um médico que examina a chaga antes de lhe aplicar o penso, Deus, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, projecta uma luz viva sobre o pecado:

«A conversão requer o reconhecimento do pecado. Contém em si mesma o juízo interior da consciência. Pode ver-se nela a prova da acção do Espírito de verdade no mais íntimo do homem. Torna-se, ao mesmo tempo, o princípio dum novo dom da graça e do amor: "Recebei o Espírito Santo". Assim, neste "convencer quanto ao pecado". descobrimos um duplo dom: o dom da verdade da consciência e o dom da certeza da redenção. O Espírito da verdade é o Consolador» (88).

Sicut sanctus Paulus id affirmat: « ubi [...] abundavit peccatum, superabundavit gratia » (Rom 5,20). Sed gratia ut opus efficiat suum, peccatum debet detegere ad nostrum convertendum cor et ad nobis conferendam « iustitiam in vitam aeternam per Iesum Christum Dominum nostrum » (Rom 5,21). Deus, sicut medicus qui vulnus inspicit antequam illud sanet, per Suum Verbum Suumque Spiritum, lucem in peccatum emittit vivam:

« Conversio enim postulat persuasionem de peccato, iudicium in se interius continet ipsius conscientiae idque, cum comprobatio sit actionis Spiritus veritatis in hominis intimo, simul novum evadit principium largitionis gratiae amorisque: "Accipite Spiritum Sanctum". Itaque, in illo "arguere de peccato" reperimus duplicem largitionem: donum veritatis ipsius conscientiae necnon donum certitudinis de Redemptione. Spiritus veritatis est Paraclitus ». 108

O PECADO

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Definição de pecado

§ 1849
O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a recta consciência. É uma falha contra o verdadeiro amor para com Deus e para com o próximo, por causa dum apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana. Foi definido como «uma palavra, um acto ou um desejo contrários à Lei eterna» (89).
Peccatum contra rationem, veritatem, rectam conscientiam est culpa; a vero amore erga Deum et erga proximum, propter perversam ad quaedam bona affectionem, est defectio. Hominis vulnerat naturam et humanam attentat solidarietatem. Definitum est tamquam « factum vel dictum vel concupitum aliquid contra aeternam Legem ». 109
§ 1850
O pecado é uma ofensa a Deus: «Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos» (Sl 51, 6). O pecado é contrário ao amor que Deus nos tem e afasta d'Ele os nossos corações. É, como o primeiro pecado, uma desobediência, uma revolta contra Deus, pela vontade de os homens se tornarem «como deuses», conhecendo e determinando o que é bem e o que é mal (Gn 3, 5). Assim, o pecado é «o amor de si próprio levado até ao desprezo de Deus» (90). Por esta exaltação orgulhosa de si mesmo, o pecado é diametralmente oposto à obediência de Jesus, que realizou a salvação (91).
Peccatum est in Deum offensa: « Tibi, Tibi soli peccavi et malum coram Te feci » (Ps 51,6). Peccatum se contra Dei amorem erga nos extollit et ab eo nostra amovet corda. Idem, sicut primum peccatum, inoboedientia est, contra Deum rebellio, propter voluntatem essendi « sicut Deus » (Gn 3,5), bonum et malum cognoscendo et determinando. Sic peccatum est « amor sui usque ad contemptum Dei ». 110 Propter hanc sui ipsius superbam exaltationem, peccatum oboedientiae Iesu quae salutem perfecit, 111 per diametrum est oppositum.

O PECADO

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Definição de pecado

§ 1851
É precisamente na paixão, em que a misericórdia de Cristo o vai vencer, que o pecado manifesta melhor a sua violência e a sua multiplicidade: incredulidade, ódio assassino, rejeição e escárnio por parte dos chefes e do povo, cobardia de Pilatos e crueldade dos soldados, traição de Judas tão dura para Jesus, negação de Pedro e abandono dos discípulos. No entanto, mesmo na hora das trevas e do príncipe deste mundo (92), o sacrifício de Cristo torna-se secretamente a fonte de onde brotará, inesgotável, o perdão dos nossos pecados.
In passione praecise, in qua Christi misericordia illud est victura, peccatum suam violentiam suamque multiplicitatem optime manifestat: incredulitatem, mortiferum odium, reiectionem et ludibria principum et populi, Pilati debilitatem, militum crudelitatem, Iudae proditionem Iesu tam acerbam, Petri negationem ac discipulorum derelictionem. In ipsa tamen tenebrarum et Principis huius mundi hora, 112 Christi sacrificium secreto fit fons ex quo nostrorum peccatorum inexhauste profluet venia. III. Peccatorum diversitas

O PECADO

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A diversidade dos pecados

§ 1852
É grande a variedade dos pecados. A Sagrada Escritura fornece-nos várias listas. A Epístola aos Gálatas opõe as obras da carne aos frutos do Espírito: «As obras da natureza decaída ("carne") são claras: imoralidade, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, inimizades, discórdias, ciúmes, fúrias, rivalidades, dissensões, facciosismos, invejas, excessos de bebida e de comida e coisas semelhantes a estas. Sobre elas vos previno, como já vos tinha prevenido: os que praticam acções como estas, não herdarão o Reino de Deus» (Gl 5, 19-21) (93).
Magna est peccatorum varietas. Plures eorum catalogos affert Scriptura. Epistula ad Galatas opera carnis fructui opponit Spiritus: « Manifesta autem sunt opera carnis, quae sunt fornicatio, immunditia, luxuria, idolorum servitus, veneficia, inimicitiae, contentiones, aemulationes, irae, rixae, dissensiones, sectae, invidiae, ebrietates, comissationes, et his similia, quae praedico vobis, sicut praedixi, quoniam, qui talia agunt, Regnum Dei non consequentur » (Gal 5,19-21). 113

O PECADO

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A diversidade dos pecados

§ 1853
Os pecados podem distinguir-se segundo o seu objecto, como todo o acto humano; ou segundo as virtudes a que se opõem; por excesso ou por defeito; ou segundo os mandamentos que violam. Também podem agrupar-se segundo outros critérios: os que dizem respeito a Deus, ao próximo, à própria pessoa do pecador; pecados espirituais e carnais: ou, ainda, pecados por pensamentos, palavras, obras ou omissões. A raiz do pecado está no coração do homem, na sua vontade livre, conforme o ensinamento do Senhor: «do coração é que provêm pensamentos malévolos, assassínios, adultérios, fornicações, roubos, falsos testemunhos, maledicências – coisas que tornam o homem impuro» (Mt 15, 19). Mas é também no coração que reside a caridade, princípio das obras boas e puras, que o pecado ofende.
Peccata secundum suum obiectum possunt distingui, sicut pro omni actu humano fit, vel secundum virtutes quibus per excessum vel defectum opponuntur, vel secundum praecepta quibus adversantur. Ordinari etiam possunt prout ad Deum, ad proximum vel ad se ipsum referantur; dividi possunt in spiritualia et carnalia peccata, vel etiam in peccata cogitationis, verbi, per actionem vel per omissionem. Peccati radix est in hominis corde, in eius libera voluntate, secundum Domini doctrinam: « De corde [...] exeunt cogitationes malae, homicidia, adulteria, fornicationes, furta, falsa testimonia, blasphemiae. Haec sunt, quae coinquinant hominem » (Mt 15,19-20). In corde etiam caritas residet, bonorum operum et purorum principium, quam peccatum vulnerat. IV. Gravitas peccati: peccatum mortale et veniale

O PECADO

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A gravidade do pecado: pecado mortal e pecado venial

§ 1854
Os pecados devem ser julgados segundo a sua gravidade. A distinção entre pecado mortal e pecado venial, já perceptível na Escritura (94), impôs-se na Tradição da Igreja. A experiência dos homens corrobora-a.
Peccata secundum eorum gravitatem oportet aestimare. Distinctio inter peccatum mortale et peccatum veniale, quae iam in Scriptura percipitur, 114 in Ecclesiae praevaluit Traditione. Eam experientia hominum confirmat.
§ 1855
O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infracção grave à Lei de Deus. Desvia o homem de Deus, que é o seu último fim, a sua bem-aventurança, preferindo-Lhe um bem inferior. O pecado venial deixa subsistir a caridade, embora ofendendo-a e ferindo-a.
Peccatum mortale, per gravem Legis Dei infractionem, in corde hominis destruit caritatem; hominem avertit a Deo qui finis eius est ultimus eiusque beatitudo, Illi bonum praeferens inferius. Peccatum veniale caritatem subsistere sinit, etiamsi eam offendat et vulneret.
§ 1856
O pecado mortal, atacando em nós o princípio vital que é a caridade, torna necessária uma nova iniciativa da misericórdia de Deus e uma conversão do coração que normalmente se realiza no quadro do sacramento da Reconciliação:

«Quando [...] a vontade se deixa atrair por uma coisa de si contrária à caridade, pela qual somos ordenados para o nosso fim último, o pecado, pelo seu próprio objecto, deve considerar-se mortal [...], quer seja contra o amor de Deus (como a blasfémia, o perjúrio, etc.), quer contra o amor do próximo (como o homicídio, o adultério, etc.) [...] Em contrapartida, quando a vontade do pecador por vezes se deixa levar para uma coisa que em si é desordenada, não sendo todavia contrária ao amor de Deus e do próximo (como uma palavra ociosa, um risco supérfluo, etc.), tais pecados são veniais» (95).

Peccatum mortale, principium vitale, quod est caritas, oppugnans in nobis, novo misericordiae Dei eget incepto et cordis conversione, quae normali modo intra sacramentum Reconciliationis perficitur:

« Cum [...] voluntas fertur in aliquid quod secundum se repugnat caritati, per quam homo ordinatur in ultimum finem, peccatum ex suo obiecto habet quod sit mortale [...] sive sit contra dilectionem Dei, sicut blasphemia, periurium et huiusmodi; sive contra dilectionem proximi, sicut homicidium, adulterium et similia. [...] Quandoque vero voluntas peccantis fertur in id quod in se continet quandam inordinationem, non tamen contrariatur dilectioni Dei et proximi: sicut verbum otiosum, risus superfluus, et alia huiusmodi. Et talia sunt peccata venialia ». 115

§ 1857
Para que um pecado seja mortal, requerem-se, em simultâneo, três condições: «É pecado mortal o que tem por objecto uma matéria grave, e é cometido com plena consciência e de propósito deliberado» (96).
Ut peccatum sit mortale tres condiciones simul requiruntur: est peccatum mortale quodvis peccatum « cuius obiectum est materia gravis et, insuper, quod plena conscientia et deliberato consensu admittitur ». 116
§ 1858
A matéria grave é precisada pelos dez Mandamentos, segundo a resposta que Jesus deu ao jovem rico: «Não mates, não cometas adultério, não furtes, não levantes falsos testemunhos, não cometas fraudes, honra pai e mãe» (Mc 10, 18). A gravidade dos pecados é maior ou menor: um homicídio é mais grave que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas também entra em linha de conta: a violência cometida contra pessoas de família é, por sua natureza, mais grave que a exercida contra estranhos.
Materia gravis decem determinatur mandatis secundum Iesu responsum ad iuvenem divitem: « Ne occidas, ne adulteres, ne fureris, ne falsum testimonium dixeris, ne fraudem feceris, honora patrem tuum et matrem » (Mc 10,19). Gravitas peccatorum maior vel minor est: homicidium gravius est furto. Qualitas personarum laesarum etiam est perpendenda: violentia contra cognatos exercita per se gravior est quam illa contra alienum.
§ 1859
Para que o pecado seja mortal tem de ser cometido com plena consciência e total consentimento. Pressupõe o conhecimento do carácter pecaminoso do acto, da sua oposição à Lei de Deus. E implica também um consentimento suficientemente deliberado para ser uma opção pessoal. A ignorância simulada e o endurecimento do coração (97) não diminuem, antes aumentam, o carácter voluntário do pecado.
Peccatum mortale plenam cognitionem requirit plenumque consensum. Cognitionem praesupponit indolis peccatoriae actus, eius oppositionis ad Legem Dei. Consensum etiam implicat sufficienter deliberatum ut electio sit personalis. Ignorantia affectata et cordis induratio 117 indolem voluntariam peccati non minuunt, sed augent.
§ 1860
A ignorância involuntária pode diminuir, ou mesmo desculpar, a imputabilidade duma falta grave. Mas parte-se do princípio de que ninguém ignora os princípios da lei moral, inscritos na consciência de todo o homem. Os impulsos da sensibilidade e as paixões podem também diminuir o carácter voluntário e livre da falta. O mesmo se diga de pressões externas e de perturbações patológicas. O pecado cometido por malícia, por escolha deliberada do mal, é o mais grave.
Ignorantia involuntaria potest imputabilitatem culpae gravis minuere, atque adeo excusare. Sed nemo legis moralis putatur ignorare principia quae in conscientia cuiuslibet hominis sunt inscripta. Sensibilitatis impulsus, passiones indolem voluntariam et liberam culpae possunt pariter minuere, sicut etiam externae pressiones vel perturbationes pathologicae. Peccatum ex malitia, ex deliberata mali electione, gravissimum est.
§ 1861
O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, tal como o próprio amor. Tem como consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. E se não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no Inferno, uma vez que a nossa liberdade tem capacidade para fazer escolhas definitivas, irreversíveis. No entanto, embora nos seja possível julgar se um acto é, em si, uma falta grave, devemos confiar o juízo sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus.
Peccatum mortale radicalis est possibilitas libertatis humanae, sicut ipse amor. Caritatis amissionem secum fert et privationem gratiae sanctificantis, id est, status gratiae. Nisi poenitentia redimatur et Dei venia, a Regno Dei exclusionem producit et aeternam inferni mortem, cum nostra libertas potestatem habeat electiones faciendi definitivas, sine reditu. Nihilominus, quamquam iudicare possumus actum quemdam in se culpam esse gravem, iudicium de personis iustitiae et misericordiae Dei debemus concredere.
§ 1862
Comete-se um pecado venial quando, em matéria leve, não se observa a medida prescrita pela lei moral ou quando, em matéria grave, se desobedece à lei moral, mas sem pleno conhecimento ou sem total consentimento.
Peccatum veniale committitur, cum mensura a lege morali praescripta non servatur in materia levi, vel etiam cum legi morali in materia gravi non praestatur oboedientia, sed sine plena cognitione vel sine pleno consensu.
§ 1863
O pecado venial enfraquece a caridade, traduz um afecto desordenado aos bens criados, impede o progresso da pessoa no exercício das virtudes e na prática do bem moral; e merece penas temporais. O pecado venial deliberado e não seguido de arrependimento, dispõe, a pouco e pouco, para cometer o pecado mortal. No entanto, o pecado venial não quebra a aliança com Deus e é humanamente reparável com a graça de Deus. «Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade, nem, portanto, da bem-aventurança eterna» (98).

«Enquanto vive na carne, o homem não é capaz de evitar totalmente o pecado, pelo menos os pecados leves. Mas estes pecados, que chamamos leves, não os tenhas por insignificantes. Se os tens por insignificantes quando os pesas, treme quando os contas. Muitos objectos leves fazem uma massa pesada; muitas gotas de água enchem um rio; muitos grãos fazem um monte. Onde, então, está a nossa esperança? Antes de mais, na confissão...» (99).

Peccatum veniale caritatem debilitat; deordinatam erga bona creata exprimit affectionem; animae progressum impedit in virtutum exercitio et in boni moralis praxi; poenas meretur temporales. Peccatum veniale deliberatum et sine poenitentia permanens nos paulatim disponit ad peccatum committendum mortale. Tamen peccatum veniale Foedus non disrumpit cum Deo. Cum gratia Dei est humanitus reparabile. « Non privat gratia sanctificante, amicitia cum Deo, caritate neque aeterna beatitudine »: 118

« Non potest homo, quamdiu carnem portat, nisi habere vel levia peccata. Sed ista levia quae dicimus, noli contemnere. Si contemnis quando appendis; expavesce, quando numeras. Levia multa faciunt unum grande: multae guttae implent flumen; multa grana faciunt massam. Et quae spes est? Ante omnia, Confessio... ». 119

§ 1864
«Todo o pecado ou blasfémia será perdoado aos homens, mas a blasfémia contra o Espírito não lhes será perdoada» (Mt 12, 31) (100). Não há limites para a misericórdia de Deus, mas quem recusa deliberadamente receber a misericórdia de Deus, pelo arrependimento, rejeita o perdão dos seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo (101). Tal endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna.
« Omne peccatum et blasphemia remittetur hominibus, Spiritus autem blasphemia non remittetur » (Mt 12,31). 120 Misericordia divina limitibus caret, sed qui deliberate misericordiam Dei per poenitentiam accipere respuit, suorum peccatorum veniam reiicit et salutem per Spiritum Sanctum oblatam. 121 Talis induratio ad impoenitentiam finalem potest conducere et ad aeternam damnationem. V. Peccati multiplicatio

O PECADO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A proliferação do pecado

§ 1865
O pecado arrasta ao pecado; gera o vício, pela repetição dos mesmos actos. Daí resultam as inclinações perversas, que obscurecem a consciência e corrompem a apreciação concreta do bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e reforçar-se, embora não possa destruir radicalmente o sentido moral.
Peccatum exercitationem constituit ad peccatum; per eorumdem actuum repetitionem vitium generat. Inde perversae procedunt inclinationes quae conscientiam obscurant et concretam de bono et malo corrumpunt aestimationem. Sic peccatum ad se multiplicandum tendit et ad se roborandum, sed sensum moralem radicitus destruere nequit.
§ 1866
Os vícios podem classificar-se segundo as virtudes a que se opõem, ou relacionando-os com os pecados capitais que a experiência cristã distinguiu, na sequência de São João Cassiano (102) e São Gregório Magno (103). Chamam-se capitais, porque são geradores doutros pecados e doutros vícios. São eles: a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça ou negligência (acédia).
Vitia possunt statui secundum virtutes quibus adversantur, vel etiam ad peccata capitalia reduci quae experientia christiana, sanctum Ioannem Cassianum 122 et sanctum Gregorium Magnum secuta, 123 distinxit. Capitalia appellantur quia alia peccata, alia vitia generant. Sunt superbia, avaritia, invidia, ira, luxuria, gula, pigritia seu acedia.
§ 1867
A tradição catequética lembra também a existência de «pecados que bradam ao céu». Bradam ao céu: o sangue de Abel (104); o pecado dos sodomitas (105); o clamor do povo oprimido no Egipto (106); o lamento do estrangeiro, da viúva e do órfão (107); a injustiça para com o assalariado (108).
Traditio catechetica in memoriam etiam revocat exsistere « peccata quae ad coelum clamant ». Ad coelum clamant: sanguis Abel; 124 peccatum Sodomitarum; 125 clamor populi in Aegyto oppressi; 126 gemitus advenae, viduae et orphani; 127 iniustitia in mercennarium. 128
§ 1868
O pecado é um acto pessoal. Mas, além disso, nós temos responsabilidade nos pecados cometidos por outros, quando neles cooperamos:

– tomando parte neles, directa e voluntariamente;
– ordenando-os. aconselhando-os, aplaudindo-os ou aprovando-os;
– não os denunciando ou não os impedindo, quando a isso obrigados;
– protegendo os que praticam o mal.

Peccatum actus est personalis. Praeterea, in peccatis ab aliis commissis habemus responsabilitatem, cum eisdem cooperamur: — in illis directe et voluntarie participantes;
— ea praecipientes, suadentes, laudantes vel approbantes;
— ea non revelantes vel non impedientes, cum ad id tenemur;
— illos protegentes qui malum faciunt.

O PECADO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A proliferação do pecado

§ 1869
Assim, o pecado torna os homens cúmplices uns dos outros, faz reinar entre eles a concupiscência, a violência e a injustiça. Os pecados provocam situações sociais e instituições contrárias à Bondade divina; as «estruturas de pecado» são expressão e efeito dos pecados pessoais e induzem as suas vítimas a que, por sua vez, cometam o mal. Constituem, em sentido analógico, um «pecado social» (109).Resumindo:
Sic peccatum homines invicem complices reddit, inter eos concupiscentiam, violentiam et iniustitiam facit regnare. Peccata condiciones sociales et institutiones provocant bonitati divinae contrarias. « Structurae peccati » expressio sunt et effectus peccatorum personalium. Ipsae ad malum vicissim committendum suas inducunt victimas. Sensu analogico, « peccatum sociale » constituunt. 129 Compendium

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 1870
«Deus encerrou todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos» (Rm 11, 32).
« Conclusit [...] Deus omnes in incredulitatem, ut omnium misereatur » (Rom 11,32).
§ 1871
O pecado é «uma palavra, um acto ou um desejo contrários à lei eterna» (110). É uma ofensa a Deus. Levanta-se contra Deus por uma desobediência contrária à obediência de Cristo.
Peccatum est « factum vel dictum vel concupitum aliquid contra aeternam Legem ». 130 Offensa est in Deum. Idem se contra Deum per inoboedientiam extollit oboedientiae Christi contrariam.
§ 1872
O pecado é um acto contrário à razão. Fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana.
Peccatum actus est rationi contrarius. Naturam vulnerat et humanam attentat solidarietatem.
§ 1873
A raiz de todos os pecados está no coração do homem. As suas espécies e gravidade aferem-se, principalmente, pelo seu objecto.
Omnium peccatorum radix est in corde hominis. Eorum species eorumque gravitas secundum eorum obiecta praecipue mensurantur.
§ 1874
Optar deliberadamente – isto é, sabendo e querendo – por algo gravemente contrário à lei divina e ao fim último do homem, é cometer um pecado mortal. Este destrói em nós a caridade, sem a qual a bem-aventurança eterna é impossível; se não houver arrependimento, tem como consequência a morte eterna.
Deliberate eligere, id est, scienter et voluntario, rem Legi divinae et fini hominis ultimo graviter contrariam idem est ac peccatum mortale committere. Id destruit in nobis caritatem, sine qua beatitudo aeterna est impossibilis. Sine poenitentia mortem aeternam secum fert.
§ 1875
O pecado venial constitui uma desordem moral, reparável pela caridade que deixa subsistir em nós.
Peccatum veniale moralem deordinationem constituit reparabilem per caritatem quam illud in nobis sinit subsistere.
§ 1876
A repetição dos pecados, mesmo veniais, gera os vícios, entre os quais se distinguem os pecados capitais.
Peccatorum, etiam venialium, repetitio vitia generat, inter quae peccata capitalia sunt praecipua. (106) Cf Lc 15.(107) Sanctus Augustinus, Sermo 169, 11, 13: PL 38, 923. (108) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Dominum et vivificantem, 31: AAS 78 (1986) 843. (109) Sanctus Augustinus, Contra Faustum manichaeum, 22, 27: CSEL 25, 621 (PL 42, 418); cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 71, a. 6: Ed. Leon. 7,8-9. (110) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 14, 28: CSEL 402, 56 (PL 41, 436).(111) Cf Phil 2,6-9.(112) Cf Io 14,30.(113) Cf Rom 1,28-32; 1 Cor 6,9-10; Eph 5,3-5; Col 3,5-9; 1 Tim 1,9-10; 2 Tim 3,2-5. (114) Cf 1 Io 5,16-17. (115) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 88, a. 2, c: Ed. Leon. 7, 135. (116) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Reconciliatio et paenitentia, 17: AAS 77 (1985) 221. (117) Cf Mc 3,5-6; Lc 16,19-31. (118) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Reconciliatio et paenitentia, 17: AAS 77 (1985) 221. (119) Sanctus Augustinus, In epistulam Iohannis ad Parthos tractatus, 1, 6: PL 35, 1982. (120) Cf Mc 3,29; Lc 12,10. (121) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Dominum et vivificantem, 46: AAS 78 (1986) 864-865. (122) Cf Sanctus Ioannes Cassianus, Conlatio, 5, 2: CSEL 13, 121 (PL 49, 611).(123) Cf Sanctus Gregorius Magnus, Moralia in Iob, 31, 45, 87: CCL 143B, 1610 (PL 76, 621). (124) Cf Gn 4,10. (125) Cf Gn 18,20; 19,13. (126) Cf Ex 3,7-10. (127) Cf Ex 22,20-22. (128) Cf Dt 24,14-15; Iac 5,4. (129) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 216. (130) Sanctus Augustinus, Contra Faustum manichaeum, 22, 27: CSEL 25, 621 (PL 42, 418).

A COMUNIDADE HUMANA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1877
A vocação da humanidade é manifestar a imagem de Deus e ser transformada à imagem do Filho único do Pai. Esta vocação reveste-se de uma forma pessoal, pois cada um é chamado a entrar na bem-aventurança divina. Mas diz também respeito ao conjunto da comunidade humana.
Generis humani vocatio est imaginem Dei manifestare et ad unius Filii Patris imaginem transformari. Haec vocatio formam induit personalem, quia unusquisque ad beatitudinem divinam vocatur ingrediendam; ipsa etiam ad communitatis humanae refertur summam.

A PESSOA E A SOCIEDADE

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

O carácter comunitário da vocação humana

§ 1878
Todos os homens são chamados ao mesmo fim, que é o próprio Deus. Existe uma certa semelhança entre a unidade das pessoas divinas e a fraternidade que os homens devem instaurar entre si, na verdade e no amor (1). O amor ao próximo é inseparável do amor a Deus.
Omnes homines ad eumdem vocantur finem, ad Ipsum Deum. Quaedam exsistit similitudo inter Personarum divinarum unitatem et fraternitatem quam homines inter se debent instaurare in veritate et amore. 131 Amor proximi ab amore in Deum est inseparabilis.
§ 1879
A pessoa humana tem necessidade da vida social. Esta não constitui para ela algo de acessório, mas uma exigência da sua natureza. Graças ao contacto com os demais, ao serviço mútuo e ao diálogo com os seus irmãos, o homem desenvolve as suas capacidades, e assim responde à sua vocação (2).
Persona humana sociali eget vita. Haec pro illa aliquid adventicium non constituit, sed eius naturae exigentiam. Homo, commercio cum aliis, mutuis officiis et colloquio cum fratribus, omnes suas excolit facultates; sic suae respondet vocationi. 132
§ 1880
Sociedade é um conjunto de pessoas ligadas de modo orgânico por um princípio de unidade que ultrapassa cada uma delas. Assembleia ao mesmo tempo visível e espiritual, uma sociedade perdura no tempo: assume o passado e prepara o futuro. Através dela, cada homem é constituído «herdeiro», recebe «talentos» que enriquecem a sua identidade e cujos frutos deve desenvolver (3). Com toda a razão, cada um é devedor de dedicação às comunidades de que faz parte e de respeito às autoridades encarregadas do bem comum.
Societas quaedam est personarum summa organice religatarum quodam unitatis principio quod unamquamque earum superat. Societas, coetus simul visibilis et spiritualis, in tempore perdurat: praeteritum assumit et futurum praeparat. Per illam, unusquisque homo « heres » constituitur, « talenta » recipit quae suam ditant identitatem et quorum fructus ipse augere debet. 133 Iusta ratione, unusquisque se devovere debet communitatibus quarum est particeps et auctoritates revereri quae pro bono communi habent officium.
§ 1881
Cada comunidade define-se pelo fim a que tende e, por conseguinte, obedece a regras específicas. Mas « pessoa humana é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais» (4).
Unaquaeque communitas suo scopo definitur et consequenter regulis oboedit specificis, sed « principium, subiectum et finis omnium institutorum socialium est et esse debet humana persona ». 134
§ 1882
Certas sociedades, como a família e a comunidade civil, correspondem de modo mais imediato à natureza do homem. São-lhe necessárias. Para favorecer a participação do maior número possível de pessoas na vida social, deve fomentar-se a criação de associações e instituições de livre iniciativa, «com fins económicos, culturais, sociais, desportivos, recreativos, profissionais, políticos, tanto no interior das comunidades políticas como a nível mundial» (5). Esta «socialização» exprime também a tendência natural que leva os seres humanos a associarem-se, com vista a atingirem objectivos que ultrapassam as capacidades individuais. Desenvolve as qualidades da pessoa, particularmente o sentido de iniciativa e de responsabilidade, e contribui para garantir os seus direitos (6).
Quaedam societates, sicut familia et civitas, naturae hominis immediatius correspondent. Ei sunt necessariae. Ut quam plurimorum participatio in vita sociali foveatur, oportet creationi favere associationum et institutionum liberae electionis « ad res oeconomicas atque sociales, ad animi cultum atque relaxationem, ad res gymnicas, ad variarum artium professionem, ad rationes politicas; quae sive ad unam tantum nationem, sive ad universas [...] [attineant] gentes ». 135 Haec « socializatio » simul tendentiam exprimit naturalem quae homines impellit ad se consociandos, ut consequantur scopos qui individuales superant capacitates. Eadem qualitates auget personae, praesertim eius sensum aggrediendi incepta et responsabilitatis. Adiuvat ad eius tuenda iura. 136
§ 1883
Mas a socialização também oferece perigos. Uma intervenção exagerada do Estado pode constituir uma ameaça à liberdade e às iniciativas pessoais. A doutrina da Igreja elaborou o princípio dito da subsidiariedade. Segundo ele, «uma sociedade de ordem superior não deve interferir na vida interna duma sociedade de ordem inferior, privando-a das suas competências, mas deve antes apoiá-la, em caso de necessidade, e ajudá-la a coordenar a sua acção com a dos demais componentes sociais, com vista ao bem comum» (7).
Socializatio pericula etiam exhibet. Nimis compulsus interventus Status potest libertati et inceptis minari personalibus. Doctrina Ecclesiae principium sic dictum subsidiarietatis elaboravit. Secundum illud asseritur « superioris ordinis societatem invadere non debere societatis ordinis inferioris in interiorem vitam et eam propriis officiis exuere, quae ex contrario est potius in necessitatibus sustinenda et adiuvanda, ut eius actio cum reliquis sodalibus partibus componatur, videlicet in bonum commune conversa ». 137
§ 1884
Deus não quis reservar só para Si o exercício de todos os poderes. Confia a cada criatura as funções que ela é capaz de exercer, segundo as capacidades da sua própria natureza. Este modo de governo deve ser imitado na vida social. O procedimento de Deus no governo do mundo, que testemunha tão grande respeito para com a liberdade humana, deveria inspirar a sabedoria daqueles que governam as comunidades humanas. Eles devem actuar como ministros da providência divina.
Deus exercitium omnium potestatum Sibi soli retinere noluit. Unicuique creaturae munera remittit quae ipsa capax est exercendi, secundum capacitates suae propriae naturae. Hic gubernationis modus in vita sociali est imitandus. Modus quo Deus agit in mundo gubernando, qui tantam considerationem erga humanam testatur libertatem, sapientiam deberet inspirare eorum qui communitates gubernant humanas. Hi se tamquam divinae providentiae ministri gerere debent.
§ 1885
O princípio da subsidiariedade opõe-se a todas as formas de colectivismo e marca os limites da intervenção do Estado. Visa harmonizar as relações entre os indivíduos e as sociedades e tende a instaurar uma verdadeira ordem internacional.
Subsidiarietatis principium omnibus collectivismi opponitur formis. Limites signat interventui Status. Relationes inter individua et societates in harmoniam ducere quaerit. Tendit ad verum ordinem instaurandum internationalem. II. Conversio et societas

A PESSOA E A SOCIEDADE

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Conversão e sociedade

§ 1886
A sociedade é indispensável à realização da vocação humana. Para atingir esse fim, tem de ser respeitada a justa hierarquia dos valores, que «subordina as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais» (8):

«A convivência humana [...] há-de considerar-se, antes de mais, como um facto de ordem principalmente espiritual: como comunicação de conhecimentos, à luz da verdade; exercício de direitos e cumprimento de deveres; incentivo e apelo aos bens do espírito; gozo comum do justo prazer da beleza em todas as suas expressões; permanente disposição para partilhar com os outros o melhor de si mesmo; aspiração a uma mútua e cada vez mais rica assimilação de valores espirituais. Todos estes valores vivificam e, ao mesmo tempo, orientam tudo o que diz respeito às doutrinas, às realidades económicas, à convivência cívica, aos movimentos e regimes políticos, à ordem jurídica e aos demais elementos exteriores através dos quais se articula e se exprime a convivência humana no seu incessante devir» (9).

Societas prorsus est necessaria ut vocatio humana ad effectum adducatur. Ad hunc obtinendum scopum, oportet iustam valorum observari hierarchiam quae « materialia ac naturalia interioribus et spiritalibus subiciat »: 138

« Hominum igitur societas [...] primum omnium tamquam res quaedam ad animum praesertim pertinens est habenda; per quam homines, veritatis lumine collustrante, rerum cognitiones inter se communicent; iura sua vindicare et officia exsequi possint; ad bona animi appetenda incitentur; e qualibet re decora, cuicuimodi ipsa est, iustam voluptatem mutuo capiant; perpetua voluntate inclinent ad optima ipsorum quaeque in alios transfundenda; studiose spectent ad aliorum animi bona in animum suum convertenda. Quae quidem bona simul afficiunt, simul omnia dirigunt, quae ad doctrinas, ad rem oeconomicam, ad civium coniunctionem, ad rei publicae progressus et disciplinam, ad legum praecepta, ad reliquas denique partes pertinent, quae extrinsecus hominum communitatem constituunt continenterque explicant ». 139

§ 1887
A inversão dos meios e dos fins (10), que chega a dar valor de fim último ao que não passa de meio para a ele chegar ou a considerar as pessoas como puros meios com vista a um fim, gera estruturas injustas que «tornam árduo e praticamente impossível um procedimento cristão, conforme com os mandamentos do divino legislador» (11).
Mediorum et finium inversio 140 quae pervenit usque ad valorem finis ultimi tribuendum ei quod solum medium est in illum concurrens, vel ad personas considerandas tamquam mera media relate ad finem, iniustas generat structuras quae « arduam vel fere impossibilem reddunt vitae rationem christianam, praeceptis summi Legislatoris congruentem ». 141
§ 1888
Deve-se, pois, apelar para as capacidades espirituais e morais da pessoa e para a exigência permanente da sua conversão interior, para se conseguirem mudanças sociais que estejam realmente ao seu serviço. A prioridade reconhecida à conversão do coração, não elimina de modo algum, antes impõe, a obrigação de introduzir nas instituições e nas condições de vida, quando introduzem ao pecado, as correcções convenientes para que elas se conformem com as normas da justiça e favoreçam o bem, em vez de se lhe oporem (12).
Oportet igitur ad spirituales et morales capacitates personae accurrere et ad permanentem exigentiam interioris conversionis eius, ut sociales obtineantur mutationes quae revera in eius sint servitium. Prioritas conversioni cordis agnita nullo modo eliminat, sed e contra imponit obligationem afferendi institutis et vitae condicionibus, cum ipsae ad peccatum incitant, sanationes convenientes ut ad iustitiae normas conformentur, ne bono obsint, sed illi faveant. 142
§ 1889
Sem a ajuda da graça, os homens não seriam capazes de «descobrir o caminho, muitas vezes estreito, entre a cobardia que cede ao mal e a violência que, julgando combatê-lo, o agrava» (13). É o caminho da caridade, ou seja, do amor de Deus e do próximo. A caridade constitui o maior mandamento social. Ela respeita o outro e os seus direitos, exige a prática da justiça, de que só ela nos torna capazes e inspira-nos uma vida de entrega: «Quem procurar preservar a vida, há-de perdê-la; quem a perder, há-de salvá-la» (Lc 17, 33).Resumindo:
Sine gratiae auxilio, homines nescirent « semitam saepius angustam dispicere inter animum pusillum malis cedentem hinc et illinc vim quae mala illa duplicat cum sese decipiat eadem vincere posse ». 143 Ea caritatis est via, scilicet, amoris Dei et proximi. Caritas maximum constituit praeceptum sociale. Alium reveretur eiusque iura. Praxim exigit iustitiae et solummodo ipsa nos eius reddit capaces. Vitam inspirat donationis sui: « Quicumque quaesierit animam suam salvam facere, perdet illam; et, quicumque perdiderit illam, vivificabit eam » (Lc 17,33). Compendium

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 1890
Existe uma certa semelhança entre a unidade das pessoas divinas e a fraternidade que os homens devem instaurar entre si.
Quaedam exsistit similitudo inter Personarum divinarum unitatem et fraternitatem quam homines inter se debent instaurare.
§ 1891
Para se desenvolver em conformidade com a sua natureza, a pessoa humana tem necessidade da vida social. Certas sociedades, como a família e a comunidade civil, correspondem, de modo mais imediato, à natureza do homem.
Persona humana, ut sese secundum suam excolat naturam, vita eget sociali. Quaedam societates, sicut familia et civitas, naturae hominis immediatius correspondent.
§ 1892
«A pessoa humana é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais» (14).
« Principium, subiectum et finis omnium institutorum socialium est et esse debet humana persona ». 144
§ 1893
Deve promover-se uma larga participação nas associações e instituições de livre iniciativa.
Ampla in associationibus et institutionibus liberae electionis fovenda est participatio.
§ 1894
Segundo o princípio da subsidiariedade, nem o Estado nem qualquer sociedade mais abrangente devem substituir-se à iniciativa e à responsabilidade das pessoas e dos corpos intermédios.
Secundum subsidiarietatis principium, neque Status neque ulla amplior societas inceptum et responsabilitatem personarum et corporum intermediorum debent substituere.
§ 1895
A sociedade deve favorecer a prática das virtudes, e não impedi-la. Deve inspirar-se numa justa hierarquia de valores.
Societas exercitio virtutum favere debet, non illi obesse. Iusta valorum hierarchia eam inspirare debet.
§ 1896
Onde quer que o pecado perverta o clima social, deve fazer-se apelo à conversão dos corações e à graça de Deus. A caridade incentiva reformas justas. Não existe solução para a questão social fora do Evangelho (15).
Ubi peccatum atmospheram pervertit socialem, oportet ad cordium conversionem et ad Dei gratiam accurrere. Caritas ad iustas impellit reformationes. Quaestionis socialis solutio extra Evangelium non habetur. 145 (131) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 24: AAS 58 (1966) 1045. (132) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 25: AAS 58 (1966) 1045. (133) Cf Lc 19,13.15. (134) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 25: AAS 58 (1966) 1045. (135) Ioannes XXIII, Litt. enc. Mater et magistra, 60: AAS 53 (1961) 416.(136) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 25: AAS 58 (1966) 1045-1046; Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 16: AAS 83 (1991) 813. (137) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 48: AAS 83 (1991) 854; cf Pius XI, Litt. enc. Quadragesimo anno: AAS 23 (1931) 184-186.(138) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 36: AAS 83 (1991) 838.(139) Ioannes XXIII, Litt. enc. Pacem in terris, 36: AAS 55 (1963) 266. (140) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 41: AAS 83 (1991) 844.(141) Pius XII, Nuntius radiophonicus (1 iunii 1941): AAS 33 (1941) 197. (142) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 36: AAS 57 (1965) 42. (143) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 25: AAS 83 (1991) 823.(144) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 25: AAS 58 (1966) 1045.(145) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 5: AAS 83 (1991) 800.

A PARTICIPAÇÃO NA VIDA SOCIAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A autoridade

§ 1897
«A sociedade humana não estará bem constituída nem será fecunda, se a ela não presidir uma autoridade legítima que salvaguarde as instituições e dedique o necessário trabalho e esforço ao bem comum» (16).Chama-se «autoridade» àquela qualidade em virtude da qual pessoas ou instituições dão leis e ordens a homens e esperam obediência da parte deles.
« Hominum societas neque bene composita, neque bonorum fecunda esse potest, nisi ei adsint qui, auctoritate legitima decorati, instituta servent et, quantum est satis, in omnium commoda operam curamque impendant suam ». 146« Auctoritas » appellatur qualitas propter quam personae vel instituta hominibus leges ferunt atque mandata, et ex parte eorum oboedientiam exspectant.
§ 1898
Toda a comunidade humana tem necessidade de uma autoridade que a governe (17). Esta tem o seu fundamento na natureza humana. Ela é necessária para a unidade da comunidade civil. O seu papel consiste em assegurar, quanto possível, o bem comum da sociedade.
Omnis humana communitas auctoritate eget, quae eam regat. 147 Haec in natura humana suum invenit fundamentum. Ad civitatis unitatem est necessaria. Eius munus consistit in bono communi societatis, in quantum fieri potest, tuendo.
§ 1899
A autoridade exigida pela ordem moral emana de Deus: «Submeta-se cada qual às autoridades constituídas. Pois não há autoridade que não tenha sido constituída por Deus e as que existem foram estabelecidas por Ele. Quem resiste, pois, à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus, e os que lhe resistem atraem sobre si a condenação» (Rm 13, 1‑2) (18).
Auctoritas, quae ab ordine morali postulatur, a Deo procedit: « Omnis anima potestatibus subdita sit. Non est enim potestas nisi a Deo; quae autem sunt, a Deo ordinatae sunt. Itaque, qui resistit potestati, Dei ordinationi resistit; qui autem resistunt Ipsi, sibi damnationem acquirent » (Rom 13,1-2). 148
§ 1900
O dever de obediência impõe a todos a obrigação de tributar à autoridade as honras que lhe são devidas e de rodear de respeito e, segundo o seu mérito, de gratidão e benevolência, as pessoas que a exercem.Saída da pena do papa São Clemente de Roma, encontramos a mais antiga oração da Igreja pela autoridade política (19):

«Dai-lhes, Senhor, a saúde, a paz, a concórdia, a estabilidade, para que exerçam sem obstáculos a soberania que lhes confiastes. Sois Vós, ó mestre, celeste rei dos séculos, quem dá aos filhos dos homens glória, honra e poder sobre as coisas da terra. Dirigi, Senhor, o seu conselho segundo o que é bem, segundo o que é agradável aos vossos olhos, para que, exercendo com piedade, na paz e na mansidão, o poder que lhes destes, Vos encontrem propício» (20).

Oboedientiae officium omnibus iniungit ut auctoritati honores tribuantur, quae illi debentur, atque ut personae quae eius munus exercent, observantia et, pro earum meritis, gratitudine et benevolentia circumdentur.

Apud sanctum Clementem Romanum Papam invenitur oratio, omnium antiquissima, pro auctoritate politica: 149

Eis « da, Domine, sanitatem, pacem, concordiam, firmitatem, ut imperium, quod Tu iis dedisti, sine offendiculo administrent. Tu enim, Domine, caelestis rex saeculorum, filiis hominum das gloriam et honorem et potestatem eorum, quae in terra sunt; Tu, Domine, dirige consilium eorum secundum id, quod bonum et beneplacitum est in conspectu Tuo, ut potestatem a Te datam in pace et mansuetudine pie administrantes propitium Te habeant ». 150

§ 1901
Se a autoridade remete para uma ordem fixada por Deus, já «a determinação dos regimes políticos, tal como a designação dos seus dirigentes, devem ser deixados à livre vontade dos cidadãos» (12).A diversidade dos regimes políticos é moralmente admissível, desde que concorram para o bem legítimo da comunidade que os adopta. Os regimes cuja natureza for contrária à lei natural, à ordem pública e aos direitos fundamentais das pessoas, não podem promover o bem comum das nações onde se impuseram.
Dum auctoritas ad ordinem a Deo determinatum pertinet, oportet ut « regiminis determinatio et moderatorum designatio liberae civium voluntati relinquantur ». 151Politicorum regiminum diversitas moraliter admitti potest, dummodo ad bonum legitimum concurrant communitatis quae ea assumit. Regimina, quorum natura legi naturali, ordini publico et personarum iuribus fundamentalibus contraria est, bonum commune nationum, quibus illa imponuntur, nequeunt revera consequi.
§ 1902
A autoridade não recebe de si mesma a legitimidade moral. Por isso, não deve proceder de maneira despótica, mas agir em prol do bem comum, como uma «força moral fundada na liberdade e no sentido de responsabilidade» (22):

«A legislação humana só se reveste do carácter de lei, na medida em que se conforma com a justa razão; daí ser evidente que ela recebe todo o seu vigor da Lei eterna. Na medida em que se afastar da razão, deve ser declarada injusta, pois não realiza a noção de lei: será, antes, uma forma de violência» (23).

Auctoritas suam legitimitatem moralem ex seipsa non elicit. Tyrannice se gerere non debet, sed pro bono operari communi « ut vis moralis, quae libertate et suscepti officii onerisque conscientia nititur »: 152

« Lex humana intantum habet rationem legis, inquantum est secundum rationem rectam: et secundum hoc manifestum est quod a Lege aeterna derivatur. Inquantum vero a ratione recedit, sic dicitur lex iniqua: et sic non habet rationem legis, sed magis violentiae cuiusdam ». 153

§ 1903
A autoridade só é exercida legitimamente na medida em que procurar o bem comum do respectivo grupo e em que, para o atingir, empregar meios moralmente lícitos. No caso de os dirigentes promulgarem leis injustas ou tomarem medidas contrárias à ordem moral, tais disposições não podem obrigar as consciências. «Neste caso, a própria autoridade deixa de existir e degenera em abuso do poder» (24).
Auctoritas legitime exercetur solummodo si bonum quaerit commune coetus, de quo agitur, et ad illud consequendum media adhibet moraliter licita. Si eveniat ut rectores leges edicant iniustas vel consilia ordini morali capiant contraria, talia mandata conscientias obligare non possent. « Tunc auctoritas ipsa plane corruit, et foeda sequitur iniuria ». 154
§ 1904
«É preferível que todo o poder seja equilibrado por outros poderes e outras competências que o mantenham no seu justo limite. Este é o princípio do "Estado de direito", no qual é soberana a Lei, e não a vontade arbitrária dos homens» (25).
« Idcirco satius est compensari omnem potestatem cum aliis muneribus imperiisque quae eiusdem servent fines. Hoc est "Civitatis iuris" principium, in qua non arbitrariae voluntates hominum, at leges potissimum dominantur ». 155 II. Bonum commune

A PARTICIPAÇÃO NA VIDA SOCIAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

O bem comum

§ 1905
Em conformidade com a natureza social do homem, o bem de cada um está necessariamente relacionado com o bem comum. E este não pode definir-se senão em referência à pessoa humana:

«Não vivais isolados, fechados em vós mesmos, como se já estivésseis justificados; mas reuni-vos para procurar em conjunto o que é de interesse comum» (26).

Secundum socialem hominis naturam, bonum uniuscuiusque necessario conexum est cum bono communi. Hoc definiri nequit nisi in relatione ad personam humanam:

« Ne in vobismet ipsis involuti vobis solis vivatis tanquam iam iustificati, sed in unum convenientes conquiratis id, quod omnibus prodest ». 156

§ 1906
Por bem comum deve entender-se «o conjunto das condições sociais que permitem, tanto aos grupos como a cada um dos seus membros, atingir a sua perfeição, do modo mais completo e adequado» (27). O bem comum interessa à vida de todos. Exige prudência da parte de cada um, sobretudo da parte de quem exerce a autoridade. E inclui três elementos essenciais:
Ut bonum commune oportet intelligere « summam earum vitae socialis condicionum, quae tum coetibus, tum singulis membris permittunt ut propriam perfectionem plenius atque expeditius consequantur ». 157 Bonum commune interest ad omnium vitam. Ex parte uniuscuiusque prudentiam exigit, et adhuc magis ex parte eorum qui auctoritatis exercent munus. Tria elementa essentialia implicat:
§ 1907
Supõe, em primeiro lugar, o respeito da pessoa como tal. Em nome do bem comum, os poderes públicos são obrigados a respeitar os direitos fundamentais e inalienáveis da pessoa humana. A sociedade humana deve empenhar-se em permitir, a cada um dos seus membros, realizar a própria vocação. De modo particular, o bem comum reside nas condições do exercício das liberdades naturais, indispensáveis à realização da vocação humana: «Por exemplo, o direito de agir segundo a recta norma da sua consciência, o direito à salvaguarda da vida privada e à justa liberdade, mesmo em matéria religiosa» (28).
Imprimis observantiam personae qua talis supponit. Propter bonum commune, publicae potestates iura personae humanae fundamentalia et non alienabilia observare tenentur. Societas unicuique ex suis membris permittere debet, suam vocationem in rem perducere. Singulatim, bonum commune in condicionibus exstat libertates naturales exercendi quae necessariae sunt ut vocatio excolatur humana: ut ius « ad agendum iuxta rectam suae conscientiae normam, ad vitae privatae protectionem atque ad iustam libertatem etiam in re religiosa ». 158
§ 1908
Em segundo lugar, o bem comum exige o bem-estar social e o desenvolvimento da própria sociedade. O desenvolvimento é o resumo de todos os deveres sociais. Sem dúvida, à autoridade compete arbitrar, em nome do bem comum, entre os diversos interesses particulares; mas deve tornar acessível a cada qual aquilo de que precisa para levar uma vida verdadeiramente humana: alimento, vestuário, saúde, trabalho, educação e cultura, informação conveniente, direito de constituir família (29), etc.
Secundo, bonum commune ipsius coetus prosperitatem socialem exigit et incrementum. Incrementum est omnium officiorum socialium compendium. Utique ad auctoritatem pertinet, propter bonum commune, inter varia particularia commoda decernere. Sed unicuique debet accessibile reddere id quo ille ad vitam vere humanam ducendam eget: victum, vestitum, sanitatem, laborem, educationem et culturam, congruam informationem, ius ad familiam condendam, 159 etc.
§ 1909
Finalmente, o bem comum implica a paz, quer dizer, a permanência e segurança duma ordem justa. Supõe, portanto, que a autoridade assegure, por meios honestos, a segurança da sociedade e dos seus membros. O bem comum está na base do direito à legítima defesa, pessoal e colectiva.
Bonum commune denique pacem implicat, id est, iusti ordinis stabilitatem et securitatem. Supponit igitur auctoritatem, honestis mediis, securitatem praestare societatis atque illam membrorum eius. Stabilit ius ad legitimam personalem defensionem et collectivam.
§ 1910
Se cada comunidade humana possui um bem comum que lhe permite reconhecer-se como tal, é na comunidade política que se encontra a sua realização mais completa. Compete ao Estado defender e promover o bem comum da sociedade civil, dos cidadãos e dos corpos intermédios.
Si unaquaeque humana communitas bonum possidet commune quod ei permittit se qua talem agnoscere, in communitate politica impletio talis boni invenitur plenissima. Ad Statum pertinet commune societatis civilis, civium et corporum intermediorum bonum defendere et promovere.
§ 1911
As dependências humanas intensificam-se. Estendem-se, pouco a pouco, a toda a terra. A unidade da família humana, reunindo seres de igual dignidade natural, implica um bem comum universal. E este requer uma organização da comunidade das nações, capaz de «prover às diversas necessidades dos homens, tanto no domínio da vida social (alimentação, saúde, educação...), como para fazer face a múltiplas circunstâncias particulares que podem surgir aqui e ali (por exemplo: [...] acudir às misérias dos refugiados, dar assistência aos migrantes e suas famílias...)» (30).
Humanae dependentiae arctiores fiunt. Ad universum mundum paulatim extenduntur. Familiae humanae unitas, membra congregans quae eadem naturali fruuntur dignitate, bonum commune universale implicat. Hoc organizationem communitatis nationum exigit capacem « variis hominum necessitatibus pro sua parte [...] [providendi] tam in vitae socialis campis ad quos pertinent victus, sanitas, educatio [...], quam in nonnullis condicionibus particularibus quae alicubi oriri possunt, ut sunt necessitas [...] aerumnis profugorum per universum mundum dispersorum occurrendi, vel etiam migrantes eorumque familias adiuvandi ». 160
§ 1912
O bem comum está sempre orientado para o progresso das pessoas: «A ordem das coisas deve estar subordinada à ordem das pessoas, e não o inverso» (31). Esta ordem tem por base a verdade, constrói-se na justiça e é vivificada pelo amor.
Bonum commune ad personarum semper ordinatur progressum: « Rerum ordinatio ordini personarum subiicienda est et non e converso ». 161 Hic ordo in veritate fundatur, super iustitiam aedificatur, amore vivificatur. III. Responsabilitas et participatio

A PARTICIPAÇÃO NA VIDA SOCIAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Responsabilidade e participação

§ 1913
Participação é o empenhamento voluntário e generoso da pessoa nas permutas sociais. É necessário que todos tomem parte, cada qual segundo o lugar que ocupa e o papel que desempenha, na promoção do bem comum. Este é um dever inerente à dignidade da pessoa humana.
Participatio est voluntaria et generosa obligatio personae in socialibus commerciis. Necessarium est, omnes, unumquemque pro loco quem aliquis occupat et munere quo fungitur, in bono communi promovendo participare. Hoc officium dignitati inhaeret personae humanae.
§ 1914
A participação realiza-se, primeiro, ao encarregar-se alguém dos sectores de que assume a responsabilidade pessoal: pelo cuidado que põe na educação da família, pela consciência com que realiza o seu trabalho, o homem participa no bem dos outros e da sociedade (32).
Participatio imprimis fit per susceptionem oneris in partibus quarum responsabilitas personalis assumitur: homo per curam educationi familiae suae impensam, per conscientiam in labore suo, aliorum et societatis bonum participat. 162
§ 1915
Os cidadãos devem, tanto quanto possível, tomar parte activa na vida pública. As modalidades desta participação podem variar de país para país ou de uma cultura para outra. «É de louvar o modo de agir das nações em que, em autêntica liberdade, o maior número possível de cidadãos participa nos assuntos públicos» (33).
Cives debent, quantum possibile est, activam in vita publica sumere partem. Huius participationis modi ab alia in aliam nationem vel ab alia in aliam culturam diversi esse possunt. « Laudanda est autem ratio agendi nationum, in quibus pars quam maxima civium in vera libertate rerum publicarum particeps fit ». 163
§ 1916
A participação de todos na promoção do bem comum implica, como qualquer dever ético, uma conversão incessantemente renovada dos parceiros sociais. A fraude e outros subterfúgios, pelos quais alguns se esquivam às obrigações da lei e às prescrições do dever social, devem ser firmemente condenados como incompatíveis com as exigências da justiça. Importa promover o progresso das instituições que melhorem as condições da vida humana (34).
Omnium participatio in labore pro bono communi, sicut omne ethicum officium, sociorum socialium conversionem implicat incessanter renovatam. Fraus vel alia effugia, quibus a legis obligationibus et a socialis officii praescriptis quidam sese evadunt, firmiter damnanda sunt, quia cum exigentiis iustitiae componi nequeunt. Oportet progressum curare institutionum quae condiciones vitae humanae efficiunt meliores. 164
§ 1917
Incumbe àqueles que exercem cargos de autoridade garantir os valores que atraem a confiança dos membros do grupo e os incitam a colocar-se ao serviço dos seus semelhantes. A participação começa pela educação e pela cultura. «Pode-se legitimamente pensar que o futuro da humanidade está nas mãos daqueles que souberem dar às gerações de amanhã razões de viver e de esperar» (35).Resumindo:
Ad eos, qui munus auctoritatis exercent, pertinet affirmare valores, qui membrorum coetus fiduciam alliciunt illaque incitant ut in servitium suorum parium se ponant. Participatio ab educatione incipit atque cultura. « Iure arbitrari possumus futuram humanitatis sortem in illorum manibus reponi, qui posteris generationibus vivendi et sperandi rationes tradere valent ». 165 Compendium

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 1918
«Não existe autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram por Deus estabelecidas» (Rm 13, 1).
« Non est [...] potestas nisi a Deo; quae autem sunt, a Deo ordinatae sunt » (Rom 13,1).
§ 1919
Toda a comunidade humana tem necessidade duma autoridade, para se manter e desenvolver:
Omnis humana communitas auctoritate eget ut conservetur et augeatur.
§ 1920
«A comunidade política e a autoridade pública têm o seu fundamento na natureza humana, e pertencem, por isso, à ordem estabelecida por Deus» (36).
« Patet [...] communitatem politicam et auctoritatem publicam in natura humana fundari ideoque ad ordinem a Deo praefinitum pertinere ». 166
§ 1921
A autoridade exerce-se de modo legítimo, se se dedicar a conseguir o bem comum da sociedade. Para o atingir, deve empregar meios moralmente aceitáveis.
Auctoritas legitime exercetur, si ad bonum commune societatis persequendum applicatur. Ad illud obtinendum, media debet adhibere, quae moraliter admitti possint.
§ 1922
A diversidade dos regimes políticos é legítima, desde que estas concorram para o bem da comunidade.
Regiminum politicorum diversitas legitima est, dummodo ad communitatis bonum concurrant.
§ 1923
A autoridade política deve exercer-se dentro dos limites da ordem moral, e garantir as condições necessárias para o exercício da liberdade.
Auctoritas politica intra ordinis moralis limites debet protendi et condiciones tueri ad libertatis exercitium.
§ 1924
O bem comum abrange «o conjunto das condições sociais que permitem aos grupos e às pessoas atingir a sua perfeição, do modo mais pleno e fácil» (37).
Bonum commune complectitur « summam earum vitae socialis condicionum, quae tum coetibus, tum singulis membris permittunt ut propriam perfectionem plenius atque expeditius consequantur ». 167
§ 1925
O bem comum inclui três elementos essenciais: o respeito e a promoção dos direitos fundamentais da pessoa; a prosperidade ou desenvolvimento dos bens espirituais e temporais da sociedade; a paz e a segurança do grupo e dos seus membros.
Bonum commune tria elementa implicat essentialia: iurium fundamentalium personae observantiam et promotionem; prosperitatem seu bonorum spiritualium et temporalium societatis incrementum; pacem et securitatem coetus eiusque membrorum.
§ 1926
A dignidade da pessoa humana implica a busca do bem comum. Cada qual deve preocupar-se em suscitar e sustentar instituições que melhorem as condições da vida humana.
Personae humanae dignitas inquisitionem implicat boni communis. Unusquisque curare debet ut instituta suscitentur et sustineantur, quae vitae humanae condiciones meliores efficiant.
§ 1927
Compete ao Estado defender e promover o bem comum da sociedade civil. O bem comum de toda a família humana exige uma organização da sociedade internacional.
Ad Statum pertinet civilis societatis bonum commune defendere et promovere. Commune totius familiae humanae bonum requirit quamdam societatis internationalis organizationem. (146) Ioannes XXIII, Litt. enc. Pacem in terris, 46: AAS 55 (1963) 269.(147) Cf Leo XIII, Litt. enc. Diuturnum illud: Leonis XIII Acta 2, 271; Id., Litt. enc. Immortale Dei: Leonis XIII Acta 5, 120. (148) Cf 1 Pe 2,13-17. (149) Cf iam 1 Tim 2,1-2. (150) Sanctus Clemens Romanus, Epistula ad Corinthios, 61, 1-2: SC 167, 198-200 (Funk 1, 178-180). (151) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 74: AAS 58 (1966) 1096. (152) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 74: AAS 58 (1966) 1096. (153) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 93, a. 3, ad 2: Ed. Leon. 7, 164. (154) Ioannes XXIII, Litt. enc. Pacem in terris, 51: AAS 55 (1963) 271.(155) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 44: AAS 83 (1991) 848.(156) Epistula Pseudo Barnabae, 4. 10: SC 172, 100-102 (Funk 1, 48). (157) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1046; cf Ibid., 74: AAS 58 (1966) 1096. (158) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1046. (159) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1046. (160) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 84: AAS 58 (1966) 1107. (161) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1047. (162) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 43: AAS 83 (1991) 847.(163) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 31: AAS 58 (1966) 1050.(164) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 30: AAS 58 (1966) 1049.(165) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 31: AAS 58 (1966) 1050.(166) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 74: AAS 58 (1966) 1096.(167) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1046.

A JUSTIÇA SOCIAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1928
A sociedade garante a justiça social, quando realiza as condições que permitem às associações e aos indivíduos obterem o que lhes é devido, segundo a sua natureza e vocação. A justiça social está ligada ao bem comum e ao exercício da autoridade.
Societas iustitiam praestat socialem, cum condiciones adimplet quae associationibus et singulis individuis id obtinere permittunt quod illis secundum eorum naturam eorumque vocationem debetur. Iustitia socialis cum bono communi et cum auctoritatis conectitur exercitio. I. Personae humanae observantia

A JUSTIÇA SOCIAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

O respeito pela pessoa humana

§ 1929
A justiça social só pode alcançar-se no respeito da dignidade transcendente do homem. A pessoa constitui o fim último da sociedade, que está ordenada para ela:

A defesa e promoção da dignidade da pessoa humana «foram-nos confiadas pelo Criador, tarefa a que estão rigorosa e responsavelmente obrigados os homens e as mulheres em todas as conjunturas da história (38).

Iustitia socialis non nisi in observantia transcendentis dignitatis hominis obtineri potest. Persona ultimus est scopus societatis quae ad illam ordinatur:

Personae humanae dignitatis « defensio et provectio a Creatore nobis sunt commissae, et [...] [illius] proprie debitores sunt viri et mulieres, pro suscepto munere, quovis historiae tempore ». 168

§ 1930
O respeito pela pessoa humana implica o dos direitos que dimanam da sua dignidade de criatura. Esses direitos são anteriores à sociedade e impõem-se-lhe. Estão na base da legitimidade moral de qualquer autoridade: desprezando-os ou recusando reconhecê-los na sua legislação positiva, uma sociedade atenta contra a sua própria legitimidade moral (39). Faltando esse respeito, uma sociedade não tem outra solução, senão o recurso à força e à violência, para obter a obediência dos seus súbitos. É dever da Igreja trazer à memória dos homens de boa vontade aqueles direitos, e distingui-los das reivindicações abusivas ou falsas.
Personae humanae observantia observantiam implicat iurium quae ab eius, tamquam creaturae, procedunt dignitate. Haec iura sunt praevia societati eique imponuntur. Legitimitatem fundant moralem omnis auctoritatis: societas, illa irridens vel illa in sua legislatione positiva agnoscere renuens, suam propriam moralem legitimitatem labefacit. 169 Sine tali observantia, auctoritas solummodo vi vel violentiae potest inniti, ad suorum subditorum obtinendam oboedientiam. Ad Ecclesiam pertinet haec iura in memoriam hominum bonae voluntatis revocare, eaque ab abusivis vel falsis distinguere vindicationibus.
§ 1931
O respeito pela pessoa humana passa pelo respeito pelo princípio: «Que cada um considere o seu próximo, sem qualquer excepção, como «outro ele mesmo», e zele, antes de mais, pela sua existência e pelos meios que lhe são necessários para viver dignamente» (40). Nenhuma legislação será capaz, por si mesma, de fazer desaparecer os temores, os preconceitos, as atitudes de orgulho e egoísmo que são obstáculo ao estabelecimento de sociedades verdadeiramente fraternas. Tais atitudes só desaparecem com a caridade, que vê em cada homem um «próximo», um irmão.
Personae humanae observantia observantiam huius supponit principii: « ut singuli proximum, nullo excepto, tamquam "alterum seipsum" considerare debeant, de eius vita et de mediis ad illam degendam necessariis rationem imprimis habentes ». 170 Nulla legislatio timores, praeiudicia, superbiae et caeci sui amoris (« egoismi ») habitus, qui institutioni adversantur societatum vere fraternarum, per se ipsam posset eliminare. Hi agendi modi solum caritate cessant quae in unoquoque homine « proximum », fratrem invenit.
§ 1932
O dever de nos fazermos o «próximo» do outro, e de o servirmos activamente, é tanto mais premente quanto esse outro for mais indefeso, seja em que domínio for. «Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes» (Mt 25, 40).
Officium se efficiendi proximum alius eique active serviendi adhuc urgentius fit, quo ille est indigentior, in quacumque id sit ratione. « Quamdiu fecistis uni de his fratribus meis minimis, mihi fecistis » (Mt 25,40).
§ 1933
Este mesmo dever é extensivo a todos os que pensam ou se comportam de modo diferente de nós. A doutrina de Cristo chega a exigir o perdão das ofensas. Ele estende o mandamento do amor, que é o da nova Lei, a todos os inimigos (41). A libertação, no espírito do Evangelho, é incompatível com o ódio ao inimigo, enquanto pessoa; embora não o seja com o ódio ao mal, que ele pode praticar enquanto inimigo.
Idem officium extenditur ad illos qui aliter ac nos cogitant vel agunt. Christi doctrina eo usque pervenit ut offensarum requirat veniam. Eadem praeceptum amoris, quod proprium est novae Legis, ad omnes extendit inimicos. 171 Liberatio in Evangelii spiritu cum odio inimici tamquam personae incompossibilis est, non tamen cum odio mali quod ille tamquam inimicus peragit. II. Aequalitas et differentiae inter homines

A JUSTIÇA SOCIAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Igualdade e diferença entre os homens

§ 1934
Criados à imagem do Deus único, dotados duma idêntica alma racional, todos os homens têm a mesma natureza e a mesma origem. Resgatados pelo sacrifício de Cristo, todos são chamados a participar da mesma bem-aventurança divina. Todos gozam, portanto, de igual dignidade.
Omnes homines, ad unius Dei imaginem creati, eadem anima rationali praediti, eamdem habent naturam eamdemque originem. Sacrificio Christi redempti, omnes appellantur ad eamdem beatitudinem divinam participandam: omnes ergo eadem gaudent dignitate.
§ 1935
A igualdade entre os homens assenta essencialmente na sua dignidade pessoal e nos direitos que dela dimanam:

«Toda a espécie de discriminação relativamente aos direitos fundamentais da pessoa, quer por razão do sexo, quer da raça, cor, condição social, língua ou religião, deve ser ultrapassada e eliminada como contrária ao desígnio de Deus» (42).

Aequalitas inter homines essentialiter eorum dignitati personali innititur iuribusque quae ex ea manant:

« Omnis [...] discriminandi modus in iuribus personae fundamentalibus, sive socialis sive culturalis, ob sexum, stirpem, colorem, socialem condicionem, linguam aut religionem, superandus et removendus est, utpote Dei proposito contrarius ». 172

§ 1936
Ao vir ao mundo, o homem não dispõe de tudo o que é necessário para o desenvolvimento da sua vida corporal e espiritual. Precisa dos outros. Há diferenças relacionadas com a idade, as capacidades físicas, as aptidões intelectuais e morais, os intercâmbios de que cada um pôde beneficiar, a distribuição das riquezas (43). Os «talentos» não são distribuídos por igual (44).
Homo, cum in mundum venit, non omnibus gaudet quae ad vitae suae, corporalis et spiritualis, progressionem sunt necessaria. Ipse aliis eget. Differentiae apparent quae cum aetate, cum capacitatibus physicis, cum habilitatibus intellectualibus et moralibus, cum commerciis quibus quisque potuit perfrui, cum distributione divitiarum sunt conexae. 173 « Talenta » non aequaliter distribuuntur. 174
§ 1937
Estas diferenças fazem parte do plano de Deus que quer que cada um receba de outrem aquilo de que precisa e que os que dispõem de «talentos» particulares comuniquem os seus benefícios aos que deles precisam. As diferenças estimulam e muitas vezes obrigam as pessoas à magnanimidade, à benevolência e à partilha: e incitam as culturas a enriquecerem-se umas às outras:

«Eu distribuo as virtudes tão diferentemente, que não dou tudo a todos, mas a uns uma e a outros outra [...] A um darei principalmente a caridade, a outro a justiça, a este a humildade, àquele uma fé viva. [...] E assim dei muitos dons e graças de virtudes, espirituais e temporais, com tal diversidade, que não comuniquei tudo a uma só pessoa, a fim de que vós fosseis forçados a usar de caridade uns para com os outros; [...] Eu quis que um tivesse necessidade do outro e todos fossem meus ministros na distribuição das graças e dons de Mim recebidos» (45).

Hae differentiae ad propositum pertinent Dei qui vult alium ab alio ea recipere quibus eget, illosque, quibus « talenta » praesto sunt particularia, ea illis communicare qui eisdem egent. Differentiae personas ad generositatem, ad benevolentiam et ad communicationem excitant et saepe obligant; culturas stimulant ut aliae alias locupletent:

« Cur tam diversas posui [virtutes] ut uni non omnes praebeam, sed huic aliam istique aliam particularem? [...] Alii caritatem praecipue dabo; alii, iustitiam; huic, humilitatem; isti, fidem vivam. [...] Atque ita multa dona et gratias virtutis aliarumque rerum spiritualium et corporalium [...] ego cum maxima inaequalitate omnia distribui qui in uno non omnia posui, ut necessario habeatis occasionem exercendi caritatem, alii relate ad alios; [...] volui alium alio egere et meos esse ministros pro administratione gratiarum atque donorum quae a me receperunt ». 175

§ 1938
Mas também existem desigualdades iníquas que ferem milhões de homens e de mulheres. Essas estão em contradição frontal com o Evangelho:

«A igual dignidade pessoal postula que se chegue a condições de vida mais humanas e justas. Com efeito, as excessivas desigualdades económicas e sociais entre os membros ou povos da única família humana provocam escândalo e são obstáculo à justiça social, à equidade, à dignidade da pessoa humana e, finalmente, à paz social e internacional» (46).

Etiam iniquae inaequalitates exsistunt quae millia millium virorum et mulierum percutiunt. Ipsae Evangelio aperte contradicunt:

« Aequalis personarum dignitas postulat ut ad humaniorem et aequam vitae condicionem deveniatur. Etenim nimiae inter membra vel populos unius familiae humanae inaequalitates oeconomicae et sociales scandalum movent, atque iustitiae sociali, aequitati, personae humanae dignitati, necnon paci sociali et internationali adversantur ». 176

A JUSTIÇA SOCIAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A solidariedade humana

§ 1939
O princípio da solidariedade, também enunciado sob o nome de «amizade» ou de «caridade social», é uma exigência directa da fraternidade humana e cristã (47):

Um erro, «hoje largamente espalhado, é o que esquece esta lei da solidariedade humana e da caridade, ditada e imposta tanto pela comunidade de origem e pela igualdade da natureza racional entre todos os homens, seja qual for o povo a que pertençam, como pelo sacrifício da redenção oferecido por Jesus Cristo no altar da cruz ao Pai celeste, em favor da humanidade pecadora» (48).

Solidarietatis principium, quod etiam « amicitiae » vel « caritatis socialis » nomine enuntiatur, exigentia est directa humanae et christianae fraternitatis: 177

Erroris caput « primum, tam late in praesens pernicioseque vulgatum, oblivione continetur mutuae illius hominum necessitudinis caritatisque, quam quidem cum communis origo postulat, ac rationabilis omnium hominum naturae aequalitas, ad quaslibet iidem gentes pertineant, tum Redemptionis sacrificium praecipit, quod Christus Dominus expiandis animis Aeterno Patri in ara crucis obtulit ». 178

§ 1940
A solidariedade manifesta-se, em primeiro lugar, na repartição dos bens e na remuneração do trabalho. Implica também o esforço por uma ordem social mais justa, em que as tensões possam ser resolvidas melhor e os conflitos encontrem mais facilmente uma saída negociada.
Solidarietas imprimis in bonorum manifestatur distributione et in remuneratione laboris. Conatum etiam implicat pro ordine sociali iustiore in quo tensiones melius possint resolvi et in quo ipsae exitum conciliatum possint facilius invenire.
§ 1941
Os problemas sócio-económicos só podem ser resolvidos com a ajuda de todas as formas de solidariedade: solidariedade dos pobres entre si, dos ricos com os pobres, dos trabalhadores entre si, dos empresários e empregados na empresa; solidariedade entre as nações e entre os povos. A solidariedade internacional é uma exigência de ordem moral. Dela depende, em parte, a paz do mundo.
Problemata socialia et oeconomica solvi nequeunt nisi cum omnium solidarietatis formarum adiutorio: solidarietatis pauperum inter se, divitum et pauperum, operariorum inter se, eorum qui in negotio laborem locant et eorum qui in eo illum recipiunt, solidarietatis inter nationes et inter populos. Internationalis solidarietas est ordinis moralis exigentia. Mundi pax partim ex ea pendet.
§ 1942
A virtude da solidariedade vai além dos bens materiais. Ao difundir os bens espirituais da fé, a Igreja favoreceu, por acréscimo, o desenvolvimento dos bens temporais, a que, muitas vezes, abriu novos caminhos. Assim se verificou, ao longo dos séculos, a Palavra do Senhor: «Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo» (Mt 6, 33):

«Desde há dois mil anos que vive e persevera na alma da Igreja este sentimento, que levou e ainda leva as almas até ao heroísmo caridoso dos monges agricultores, dos libertadores de escravos, dos que cuidam dos doentes, dos mensageiros da fé, da civilização, da ciência a todas as gerações e a todos os povos, em vista a criar condições sociais capazes de a todos tornar possível uma vida digna do homem e do cristão» (49).

Solidarietatis virtus bonorum materialium ambitum excedit. Ecclesia spiritualia fidei distribuens bona, bonorum temporalium progressionem insuper adiuvit, cui saepe novas aperuit vias. Sic, per saeculorum decursum, verbum Domini ad effectum est deductum: « Quaerite autem primum Regnum Dei et iustitiam eius, et haec omnia adiicientur vobis » (Mt 6,33):

« Ac si, abhinc duo millia annorum, in anima Ecclesiae, sensus responsabilitatis collectivae omnium pro omnibus non vivat et perseveret, ex quo usque ad heroicam caritatem moti sunt et moventur spiritus, nempe monachi agricolae, servorum liberatores, infirmorum sanatores, fidem, civilem cultum et scientiam omnibus aetatibus omnibusque gentibus afferentes, ad condiciones sociales creandas quae solae sunt capaces vitam homine et christiano dignam efficiendi possibilem et facilem ». 179

§ 1943
A sociedade assegura a justiça social, realizando as condições que permitem às associações e aos indivíduos obterem o que lhes é devido.
Societas iustitiam praestat socialem, cum condiciones adimplet quae associationibus et singulis individuis id obtinere permittunt quod illis debetur.
§ 1944
O respeito pela pessoa humana considera o outro como «outro eu». Supõe o respeito pelos direitos fundamentais, decorrentes da dignidade intrínseca da pessoa.
Personae humanae observantia alterum tamquam « alterum seipsum » considerat. Eadem observantiam supponit iurium fundamentalium, quae ex intrinseca personae profluunt dignitate.
§ 1945
A igualdade entre os homens assenta na sua dignidade pessoal e nos direitos que dela dimanam.
Aequalitas inter homines eorum dignitati personali innititur iuribusque quae ex ea derivantur.
§ 1946
As diferenças entre as pessoas fazem parte do desígnio de Deus que quer que precisemos uns dos outros. Devem estimular a caridade.
Differentiae inter personas ad consilium pertinent Dei qui vult nos mutuo aliis egere. Illae caritatem debent excitare.
§ 1947
A igual dignidade das pessoas humanas exige esforços no sentido de reduzir desigualdades sociais e económicas excessivas. Conduza o desaparecimento das desigualdades iníquas.
Aequalis personarum humanarum dignitas conatum exigit ad nimias inaequalitates sociales et oeconomicas reducendas. Eadem ad iniquarum inaequalitatum impellit suppressionem.
§ 1948
A solidariedade é uma virtude eminentemente cristã. Pratica a partilha dos bens espirituais, ainda mais que a dos materiais.
Solidarietas virtus est eminenter christiana. Bonorum spiritualium adhuc magis quam materialium exercet participationem. (168) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 47: AAS 80 (1988) 581. (169) Cf Ioannes XXIII, Litt. enc. Pacem in terris, 61: AAS 55 (1963) 274.(170) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 27: AAS 58 (1966) 1047.(171) Cf Mt 5,43-44.(172) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 29: AAS 58 (1966) 1048-1049.(173) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 29: AAS 58 (1966) 1048.(174) Cf Mt 25,14-30; Lc 19,11-27. (175) Sancta Catharina Senensis, Il dialogo della Divina provvidenza, 7: ed. G. Cavallini (Roma 1995) p. 23-24. (176) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 29: AAS 58 (1966) 1049. (177) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 38-40: AAS 80 (1988) 564-569; Id., Litt. enc. Centesimus annus, 10: AAS 83 (1991) 805-806. (178) Pius XII, Litt. enc. Summi Pontificatus: AAS 31 (1939) 426.(179) Pius XII, Nuntius radiophonicus (1 iunii 1941): AAS 33 (1941) 204.

A SALVAÇÃO DE DEUS: A LEI E A GRAÇA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1949
Chamado à bem-aventurança, mas ferido pelo pecado, o homem tem necessidade da salvação de Deus. O auxílio divino é-lhe dado em Cristo, pela lei que o dirige e na graça que o ampara:

«Trabalhai com temor e tremor na vossa salvação: porque é Deus que opera em vós o querer e o agir, segundo os seus desígnios» (Fl 2, 12-13).

Homo, ad beatitudinem vocatus, sed peccato vulneratus, Dei eget salute. Auxilium divinum ei in Christo pervenit per Legem, quae eum dirigit atque in gratia quae eum sustinet:

« Cum metu et tremore vestram salutem operamini; Deus est enim, qui operatur in vobis et velle et perficere pro Suo beneplacito » (Phil 2,12-13).

A LEI MORAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 1950
A lei moral é obra da Sabedoria divina. Podemos defini-la, em sentido bíblico, como uma instrução paterna, uma pedagogia de Deus. Ela prescreve ao homem os caminhos, as regras de procedimento que o levam à bem-aventurança prometida e lhe proíbe os caminhos do mal, que desviam de Deus e do seu amor. E, ao mesmo tempo, firme nos seus preceitos e amável nas suas promessas.
Lex moralis est Sapientiae divinae opus. Sensu biblico, definiri potest tamquam instructio paterna, Dei paedagogia. Homini praescribit vias, agendi regulas quae ad promissam ducunt beatitudinem; mali vetat vias quae a Deo Eiusque avertunt amore. Eadem simul in suis praeceptis firma et in suis promissis est amabilis.
§ 1951
A lei é uma regra de procedimento emanada da autoridade competente em ordem ao bem comum. A lei moral pressupõe a ordem racional estabelecida entre as criaturas, para seu bem e em vista do seu fim, pelo poder, sabedoria e bondade do Criador. Toda a lei encontra na Lei eterna a sua verdade primeira e última. A lei é declarada e estabelecida pela razão como uma participação na providência do Deus vivo, Criador e Redentor de todos. «Esta ordenação da razão, eis o que se chama a lei» (1).

«Entre todos os seres animados, o homem é o único que pode gloriar-se de ter recebido de Deus uma lei: animal dotado de razão, capaz de compreender e de discernir, ele regulará o seu procedimento dispondo da sua liberdade e da sua razão, na submissão Àquele que tudo lhe submeteu» (2).

Lex regula est agendi ab auctoritate competenti propter bonum commune promulgata. Lex moralis ordinem rationalem praesupponit inter creaturas pro earum bono et propter earum finem a potentia, sapientia et bonitate Creatoris stabilitum. Omnis lex in Lege aeterna suam primam et ultimam invenit veritatem. Lex, tamquam participatio providentiae Dei vivi, Creatoris et Redemptoris omnium, a ratione declaratur et stabilitur. « Ordinatio rationis lex nominatur »: 180

« Ut solus homo gloriaretur, quod solus dignus fuisset, qui Legem a Deo sumeret, utque animal rationale, intellectus et scientiae capax, ipsa quoque libertate rationali contineretur, Ei subiectus, qui subiecerat illi omnia ». 181

§ 1952
As expressões da lei moral são diversas, mas todas coordenadas entre si: a lei eterna, fonte em Deus de todas as leis; a lei natural; a lei  revelada, compreendendo a Lei antiga e a Lei nova ou evangélica: por fim, as leis civis e eclesiásticas.
Diversae sunt legis moralis expressiones, et quidem omnes inter se cohaerent: Lex aeterna, fons omnium legum in Deo; lex naturalis; Lex revelata Legem veterem Legemque continens novam seu evangelicam; tandem leges civiles et ecclesiasticae.
§ 1953
A lei moral encontra em Cristo a sua plenitude e unidade. Jesus Cristo é, em pessoa, o caminho da perfeição. Ele é o fim da lei, porque só Ele ensina e confere a justiça de Deus: «O fim da Lei é Cristo, para a justificação de todo o crente» (Rm 10, 4).
Lex moralis suam plenitudinem suamque unitatem invenit in Christo. Ipse Iesus Christus est perfectionis via. Ipse finis est Legis, quia solus Ipse docet et praebet iustitiam Dei: « Finis enim Legis Christus ad iustitiam omni credenti » (Rom 10,4). I. Lex moralis naturalis

A LEI MORAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A lei moral natural

§ 1954
O homem participa na sabedoria e na bondade do Criador, que lhe confere o domínio dos seus actos e a capacidade de se governar em ordem à verdade e ao bem. A lei natural exprime o sentido moral original que permite ao homem discernir, pela razão, o bem e o mal, a verdade e a mentira:

«A lei natural [...] está escrita e gravada na alma de todos e de cada um dos homens, porque não é senão a razão humana ordenando fazer o bem e proibindo pecar... Mas este ditame da razão humana não poderia ter força de lei, se não fosse a voz e a intérprete duma razão superior, à qual o nosso espírito e a nossa liberdade devem estar sujeitos» (3).

Homo sapientiam et bonitatem participat Creatoris, qui ei dominium contulit eius actuum et facultatem se gubernandi iuxta veritatem et bonum. Lex naturalis sensum moralem exprimit originalem qui homini permittit ratione discernere quid bonum sit et malum, veritas et mendacium:

« Lex naturalis [...] scripta est et insculpta in hominum animis singulorum, quia ipsa est humana ratio recte facere iubens et peccare vetans. Ista vero humanae rationis praescriptio vim habere legis non potest, nisi quia altioris est vox atque interpres rationis, cui mentem libertatemque nostram subiectam esse oporteat ». 182

§ 1955
A lei «divina e natural» (4) mostra ao homem o caminho a seguir para praticar o bem e atingir o seu fim. A lei natural enuncia os preceitos primários e essenciais que regem a vida moral. Tem como fulcro a aspiração e a submissão a Deus, fonte e juiz de todo o bem, assim como o sentido do outro como igual a si mesmo. Quanto aos seus preceitos principais, está expressa no Decálogo. Esta lei é chamada natural, não em relação à natureza dos seres irracionais, mas porque a razão que a promulga é própria da natureza humana:

«Onde estão, pois, inscritas [estas regras] senão no livro daquela luz que se chama a verdade? É lá que está escrita toda a lei justa, e é de lá que ela passa para o coração do homem que pratica a justiça; não que imigre para ele, mas porque nele imprime a sua marca, à maneira de um selo que do sinete passa para a cera, sem contudo deixar o sinete» (5).

A lei natural «não é senão a luz da inteligência posta em nós por Deus; por ela, nós conhecemos o que se deve fazer e o que se deve evitar. Esta luz ou esta lei, deu-a Deus ao homem na criação» (6).

Lex divina et naturalis 183 homini ostendit viam sequendam ut bonum exerceat atque finem consequatur suum. Lex naturalis prima et essentialia enuntiat praecepta quae vitam regunt moralem. Tamquam fundamentum habet appetitionem Dei et submissionem Ei, qui fons est et iudex omnis boni, atque etiam sensum alterius tamquam aequalis sibimet ipsi. Quoad sua praecipua praecepta exprimitur in Decalogo. Haec lex dicitur naturalis non per relationem ad entia irrationabilia, sed quia ratio, quae illam promulgat, ad naturam humanam proprie pertinet:

« Ubi ergo scriptae sunt [istae regulae], nisi in libro lucis illius quae veritas dicitur unde omnis lex iusta describitur et in cor hominis qui operatur iustitiam non migrando sed tamquam imprimendo transfertur, sicut imago ex anulo et in ceram transit et anulum non relinquit? ». 184

Lex naturae « non aliud est nisi lumen intellectus insitum nobis a Deo, per quod cognoscimus quid agendum et quid vitandum. Hoc lumen et hanc legem dedit Deus homini in creatione ». 185

§ 1956
Presente no coração de cada homem e estabelecida pela razão, a lei natural é universal nos seus preceitos, e a sua autoridade estende-se a todos os homens. Ela exprime a dignidade da pessoa e determina a base dos seus deveres e direitos fundamentais:

«Existe, sem dúvida, uma verdadeira lei, que é a recta razão; ela é conforme à natureza, comum a todos os homens; é imutável e eterna; as suas ordens apelam para o dever; as suas proibições desviam da falta. [...] É um sacrilégio substituí-la por uma lei contrária: e é interdito deixar de cumprir uma só que seja das suas disposições; quanto a ab-rogá-la inteiramente, ninguém o pode fazer» (7).

Lex naturalis, in uniuscuiusque hominis corde praesens et ratione stabilita, in suis praeceptis est universalis et eius auctoritas ad omnes extenditur homines. Dignitatem exprimit personae atque eius iurium eiusque officiorum fundamentalium basim determinat:

« Est quidem vera lex recta ratio, naturae congruens, diffusa in omnes, constans, sempiterna, quae vocet ad officium iubendo, vetando a fraude deterreat. [...] Huic legi nec obrogari fas est, neque derogari aliquid ex hac licet, neque tota abrogari potest ». 186

§ 1957
A aplicação da lei natural varia muito; pode requerer uma reflexão adaptada à multiplicidade das condições de vida, segundo os lugares, as épocas e as circunstâncias. Todavia, na diversidade das culturas, a lei natural permanece como regra a unir os homens entre si, impondo-lhes, para além das diferenças inevitáveis, princípios comuns.
Legis naturalis applicatio valde diversa est; accommodatam multiplicitati condicionum vitae, secundum loca, aetates et circumstantias, potest requirere deliberationem. Attamen lex naturalis, in culturarum diversitate, tamquam regula permanet homines coniungens inter se eisque, praeter inevitabiles differentias, communia imponens principia.
§ 1958
A lei natural é imutável (8) e permanente através das variações da história. Subsiste sob o fluxo das ideias e dos costumes e está na base do respectivo progresso. As regras que a traduzem permanecem substancialmente válidas. Mesmo que se lhe neguem até os princípios, não é possível destruí-la nem tirá-la do coração do homem; ela ressurge sempre na vida dos indivíduos e das sociedades:

«Não há dúvida de que o roubo é punido pela vossa Lei, Senhor, e pela lei que está escrita no coração do homem e que nem a própria iniquidade consegue apagar» (9).

Lex naturalis est immutabilis 187 et, per historiae mutationes, permanens; sub fluxu subsistit idearum et morum eorumque sustinet progressum. Regulae, quae illam exprimunt, substantialiter perseverant validae. Etiamsi eius principia pernegentur, ipsa destrui non potest neque ex hominis corde auferri. In individuorum et societatum vita semper ipsa resurgit:

« Furtum certe punit Lex Tua, Domine, et lex scripta in cordibus hominum, quam ne ipsa quidem delet iniquitas ». 188

§ 1959
Obra excelente do Criador, a lei natural fornece os fundamentos sólidos sobre os quais o homem pode construir o edifício das regras morais que hão-de orientar as suas opções. Também nela assenta a base moral indispensável para a construção da comunidade dos homens. Enfim, proporciona a base necessária à lei civil, que a ela se liga, quer por uma reflexão que dos seus princípios tira as conclusões, quer por adições de natureza positiva e jurídica.
Lex naturalis, optimum Creatoris opus, fundamenta praebet solida, super quae homo aedificium construere potest moralium regularum quae eius dirigant electiones. Etiam basim moralem statuit pernecessariam ad communitatem hominum aedificandam. Ea denique necessariam basim providet legi civili, quae ad eam refertur, sive per deliberationem quae conclusiones ex eiusdem deducit principiis, sive per positivae et iuridicae naturae additiones.
§ 1960
Os preceitos da lei natural não são por todos recebidos de maneira clara e imediata. Na situação actual, a graça e a Revelação são necessárias ao homem pecador para que as verdades religiosas e morais possam ser conhecidas, «por todos e sem dificuldade, com firme certeza e sem mistura de erro» (10). A lei natural proporciona à lei revelada e à graça uma base preparada por Deus e concedida por obra do Espírito.
Legis naturalis praecepta clare et immediate ab omnibus non percipiuntur. In praesenti condicione, gratia et Revelatio sunt homini peccatori necessariae, ut religiosae et morales veritates « ab omnibus expedite, firma certitudine et nullo admixto errore cognosci possint ». 189 Lex naturalis Legi revelatae et gratiae fundamentum praebet a Deo praeparatum et Spiritus operi congruens.II. Lex vetus

A LEI MORAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A Lei antiga

§ 1961
Deus, nosso Criador e nosso Redentor, escolheu Israel como seu povo e revelou-lhe a sua Lei, preparando assim a vinda de Cristo. A Lei de Moisés exprime muitas verdades naturalmente acessíveis à razão. Estas encontram-se declaradas e autenticadas no âmago da aliança da salvação.
Deus, noster Creator nosterque Redemptor, Sibi Israel tamquam populum elegit Suum eique Suam revelavit Legem, Adventum Christi sic praeparans. Lex Moysis plures exprimit veritates quae naturaliter rationi sunt perviae. Hae intra salutis Foedus inveniuntur declaratae et authentice confirmatae.
§ 1962
A Lei antiga é o primeiro estádio da lei revelada. As suas prescrições morais estão compendiadas nos Dez Mandamentos. Os preceitos do Decálogo assentam os alicerces da vocação do homem, feito à imagem de Deus: proíbem o que é contrário ao amor de Deus e do próximo e prescrevem o que lhe é essencial. O Decálogo é uma luz oferecida à consciência de todo o homem, para lhe manifestar o apelo e os caminhos de Deus e o proteger contra o mal:

Deus «escreveu nas tábuas da Lei o que os homens não fiam nos seus corações» (11)

Lex vetus primus Legis revelatae est status. Eius praescriptiones morales in decem compendiantur praeceptis. Decalogi praecepta vocationi hominis, ad Dei imaginem formati, iaciunt fundamenta; id vetant quod Dei et proximi contrarium est amori, et id praescribunt quod ei est essentiale. Decalogus lux est conscientiae omnis hominis oblata ad Dei vocationem et vias eidem manifestandas, eumque protegendum contra malum:

A Deo « scriptum est et in tabulis quod in cordibus non legebant ». 190

§ 1963
Segundo a tradição cristã, a Lei santa (12), espiritual (13) e boa (14), é ainda imperfeita. Como um pedagogo (15) ela mostra o que se deve fazer; mas, por si, não dá a força, a graça do Espírito para ser cumprida. Por causa do pecado, que ela não pode anular, não deixa de ser uma lei de escravidão. Segundo São Paulo, ela tem por função principalmente denunciar e manifestar o pecado que constitui uma «lei de concupiscência» (16) no coração do homem. No entanto, a Lei permanece como a primeira etapa no caminho do Reino. Prepara e dispõe o povo eleito e cada cristão para a conversão e para a fé em Deus salvador. Proporciona um ensinamento que subsiste para sempre, como Palavra de Deus.
Secundum christianam traditionem, Lex sancta, 191 spiritalis 192 et bona 193 adhuc est imperfecta. Tamquam paedagogus, 194 id ostendit quod facere oportet, sed ex se vim, gratiam Spiritus non praebet, ad illam adimplendam. Illa, propter peccatum, quod tollere nequit, lex manet servitutis. Iuxta sanctum Paulum, munus habet praesertim denuntiandi et manifestandi peccatum quod « legem concupiscentiae » 195 in hominis corde constituit. Tamen Lex primus permanet gressus in Regni via. Populum electum et unumquemque christianum praeparat et disponit ad conversionem et ad fidem in Deum Salvatorem. Doctrinam praebet quae in perpetuum tamquam verbum Dei subsistit.
§ 1964
A Lei antiga é uma preparação para o Evangelho. «A Lei é profecia e pedagogia das realidades futuras» (17). Ela profetiza e preanuncia a obra de libertação do pecado, que será realizada por Cristo; e fornece ao Novo Testamento imagens, «tipos» e símbolos para exprimir a vida segundo o Espírito. Finalmente, a Lei completa-se pelo ensinamento dos Livros Sapienciais e dos Profetas, que a orientam para a Nova Aliança e para o Reino dos céus.

Houve [...] na vigência da Antiga Aliança, pessoas que possuíam a caridade e a graça do Espírito Santo, e aspiravam acima de tudo às promessas espirituais e eternas, sob este aspecto, já pertenciam à nova Lei. E, vice-versa, existem na nova Aliança homens carnais, ainda distantes da perfeição da Nova Lei. Para os incitar à prática da virtude, tem sido necessário, mesmo na Nova Aliança, o temor do castigo e certas promessas temporais. Em todo o caso, a Lei antiga, embora prescrevesse a caridade, não dava o Espírito Santo, pelo qual "a caridade se difunde nos nossos corações" (Rm 5, 5)» (18).

Lex vetus quaedam est praeparatio ad Evangelium. « Lex et disciplina erat illis et prophetia futurorum ». 196 A peccato vaticinatur et praeannuntiat liberationis opus quod adimplebitur cum Christo, eadem Novo Testamento imagines, « typos », symbola praebet ad vitam secundum Spiritum exprimendam. Lex denique doctrina librorum sapientialium perficitur et Prophetarum qui eam ad Novum Foedus et caelorum Regnum dirigunt:

« Fuerunt [...] aliqui in statu Veteris Testamenti habentes caritatem et gratiam Spiritus Sancti, qui principaliter exspectabant promissiones spirituales, et aeternas. Et secundum hoc pertinebant ad Legem novam. Similiter etiam in Novo Testamento sunt aliqui carnales nondum pertingentes ad perfectionem novae Legis, quos oportuit etiam in Novo Testamento induci ad virtutis opera per timorem poenarum, et per aliqua temporalia promissa. Lex autem vetus etsi praecepta caritatis daret, non tamen per eam dabatur Spiritus Sanctus, per quem "diffunditur caritas in cordibus nostris", ut dicitur Rom 5,5 ». 197

A LEI MORAL

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A nova Lei ou Lei evangélica

§ 1965
A Lei nova ou Lei evangélica é a perfeição, na terra, da Lei divina, natural e revelada. É obra de Cristo e tem a sua expressão, de modo particular, no sermão da montanha. É também obra do Espírito Santo e, por Ele, torna-se a lei interior da caridade: «Estabelecerei com a casa de Israel uma aliança nova [...] Hei-de imprimir as minhas leis no seu espírito e gravá-las-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo» (Heb 8, 8-10) (19).
Lex nova seu Lex evangelica in terris perfectio est Legis divinae, naturalis et revelatae. Ea opus est Christi et in sermone montano praesertim exprimitur. Ea Spiritus Sancti est etiam opus et, per Illum, caritatis lex efficitur interior: « Consummabo super domum Israel et super domum Iudae Testamentum Novum [...] dando leges meas in mentem eorum, et in corde eorum superscribam eas; et ero eis in Deum, et ipsi erunt mihi in populum » (Heb 8,8 et 10). 198
§ 1966
A Lei nova é a graça do Espírito Santo, dada aos fiéis pela fé em Cristo. Opera pela caridade e serve-se do sermão do Senhor para nos ensinar o que se deve fazer, e dos sacramentos para nos comunicar a graça de o fazer:

Aquele que quiser meditar com piedade e perspicácia o sermão que nosso Senhor pronunciou na montanha, tal como o lemos no Evangelho de São Mateus, nele encontrará, sem dúvida alguma, a carta perfeita da vida cristã [...]. Esse sermão encerra todos os preceitos próprios para guiar a vida cristã» (20).

Lex nova est Spiritus Sancti gratia fidelibus per fidem in Christum donata. Per caritatem operatur, et Domini utitur sermone ut nos doceat quid facere oporteat, atque sacramentis ut nobis gratiam communicet ad id agendum:

« Sermonem quem locutus est Dominus noster Iesus Christus in monte, sicut in evangelio secundum Matthaeum legimus, si quis pie sobrieque consideraverit, puto quod inveniet in eo, quantum ad mores optimos pertinet, perfectum vitae christianae modum [...]. Hoc dixi, ut appareat istum sermonem omnibus praeceptis quibus christiana vita informatur, esse perfectum ». 199

§ 1967
A Lei evangélica «cumpre» (21), apura, ultrapassa e leva à perfeição a Lei antiga. Nas «bem-aventuranças», ela cumpre as promessas divinas, elevando-as e ordenando-as para o «Reino dos céus». Dirige-se àqueles que estão dispostos a acolher com fé esta esperança nova: os pobres, os humildes, os aflitos, os corações puros, os perseguidos por causa de Cristo, traçando assim os surpreendentes caminhos do Reino.
Lex evangelica Legem veterem adimplet, 200 perpolit, superat et perficit. In beatitudinibus divinas adimplet promissiones eas elevans easque ad « Regnum caelorum » ordinans. Ad eos se dirigit qui ad hanc novam spem accipiendam cum fide sunt dispositi: ad pauperes, humiles, afflictos, corda habentes pura, persecutionem propter Christum patientes, sic inopinatas Regni delineans vias.
§ 1968
A Lei evangélica dá cumprimento aos mandamentos da Lei. O sermão do Senhor, longe de abolir ou desvalorizar as prescrições morais da Lei antiga, tira deles as virtualidades ocultas, fazendo surgir novas exigências: revela toda a verdade divina e humana que elas contêm. Não acrescenta preceitos externos novos: mas chega a reformar a raiz dos actos, o coração, onde o homem escolhe entre o puro e o impuro (22), onde se formam a fé, a esperança e a caridade e, com elas, as outras virtudes. Assim, o Evangelho leva a Lei à sua plenitude, pela imitação da perfeição do Pai celeste (23), pelo perdão dos inimigos e pela oração pelos perseguidores, à maneira da generosidade divina (24).
Lex evangelica Legis adimplet praecepta. Sermo Domini praescriptiones morales veteris Legis non solvit nec earum minuit valorem, sed earum occultas deducit virtutes et efficit ut ex eis novae oriantur exigentiae: totam earum revelat divinam et humanam veritatem. Nova praecepta non addit externa, sed pervenit usque ad actuum reformandam radicem, cor, ubi homo inter purum eligit et impurum, 201 ubi fides, spes et caritas et, cum illis, aliae efformantur virtutes. Evangelium sic Legem ducit ad suam plenitudinem per imitationem perfectionis Patris caelestis, 202 per inimicorum veniam et orationem pro persecutoribus, generositatis divinae ad instar. 203
§ 1969
A Lei nova pratica os actos da religião: a esmola, a oração, o jejum, ordenando-os para «o Pai que vê no segredo», ao contrário do desejo «de ser visto pelos homens» (25). A sua oração é o «Pai Nosso» (26).
Lex nova actus exercet religionis: eleemosynam, orationem et ieiunium, eos ordinans ad « Patrem [...] qui videt in abscondito », aliter ac qui cupiunt « ut videantur ab hominibus ». 204 Eius oratio est « Pater noster ». 205
§ 1970
A Lei evangélica implica a escolha decisiva entre «os dois caminhos» (27) e a passagem à prática das palavras do Senhor (28); resume-se na regra de ouro: «Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho, de igual modo, vós também, pois nisso consiste a Lei e os Profetas»(Mt 7, 12) (29).Toda a Lei evangélica se apoia no «mandamento novo» de Jesus (30), de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (31).
Lex evangelica electionem implicat decretoriam inter « duas vias » 206 et Domini verborum effectionem; 207 ea in regula aurea compendiatur: « Omnia ergo, quaecumque vultis ut faciant vobis homines, ita et vos facite eis; haec est enim Lex et Prophetae » (Mt 7,12). 208 Tota Lex evangelica in Iesu mandato novo 209 continetur, ut nos invicem diligamus sicut Ipse dilexit nos. 210
§ 1971
Ao sermão do Senhor convém juntar a catequese moral dos ensinamentos apostólicos. como Rm 12-15; 1 Cor 12-13; Cl 3-4; Ef 4-5; etc... Esta doutrina transmite o ensinamento do Senhor com a autoridade dos Apóstolos, sobretudo pela exposição das virtudes que dimanam da fé em Cristo e que são animadas pela caridade, o principal dom do Espírito Santo. «Seja a vossa caridade sem fingimento [...]. Amai-vos uns aos outros com amor fraterno [...]. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração, acudindo com a vossa parte às necessidades dos santos, procurando o ensejo de exercer a hospitalidade (Rm 12, 9-12). Esta catequese ensina-nos também a tratar os casos de consciência à luz da nossa relação com Cristo e com a Igreja (23).
Sermoni Domini catechesim moralem doctrinarum apostolicarum addere oportet, sicut Rom 12-15; 1 Cor 12-13; Col 3-4; Eph 4-6; etc. Haec institutio doctrinam Domini cum Apostolorum transmittit auctoritate, praesertim per expositionem virtutum quae ex fide in Christum procedunt et quas caritas, praecipuum Spiritus Sancti donum, animat: « Dilectio sine simulatione. [...] Caritate fraternitatis invicem diligentes [...] spe gaudentes, in tribulatione patientes, orationi instantes, necessitatibus sanctorum communicantes, hospitalitatem sectantes » (Rom 12,9-13). Haec catechesis nos etiam docet conscientiae casus tractare sub lumine nostrae ad Christum et ad Ecclesiam relationis. 211
§ 1972
A Lei nova é chamada Lei do amor, porque faz agir mais pelo amor infundido pelo Espírito Santo do que pelo temor: Lei da graça, porque confere a força da graça para agir pela fé e pelos sacramentos; Lei de liberdade porque nos liberta das observâncias rituais e jurídicas da Lei antiga, nos inclina a agir espontaneamente sob o impulso da caridade e, finalmente, nos faz passar da condição do escravo «que ignora o que faz o seu senhor», para a do amigo de Cristo: «porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi do meu Pai» (Jo 15, 15); ou ainda para a condição de filho herdeiro (34).
Lex nova appellatur lex amoris, quia ipsa movet ad agendum amore quem Spiritus Sanctus infundit, potius quam timore; lex gratiae, quia virtutem confert gratiae ad agendum per fidem et sacramenta; lex libertatis, 212 quia nos a ritualibus et iuridicis Legis veteris liberat observantiis, nos inclinat ad sponte agendum sub caritatis impulsu, et nos denique transire facit e condicione servi qui « nescit quid facit dominus eius », ad illam amici Christi « quia omnia quae audivi a Patre meo, nota feci vobis » (Io 15,15) vel adhuc ad filii heredis condicionem. 213
§ 1973
Além dos seus preceitos, a Lei nova inclui também os conselhos evangélicos. A distinção tradicional entre os mandamentos de Deus e os conselhos evangélicos estabelece-se por referência à caridade, perfeição da vida cristã. Os preceitos destinam-se a afastar tudo o que é incompatível com a caridade. Os conselhos têm por fim afastar o que, mesmo sem lhe ser contrário, pode constituir impedimento à expansão da caridade (35).
Lex nova, praeter sua praecepta, etiam implicat consilia evangelica. Traditionalis distinctio inter praecepta Dei et consilia evangelica stabilitur relate ad caritatem, perfectionem vitae christianae. Praecepta destinantur ad id vitandum quod cum caritate componi nequit. Consilia habent, ut scopum, id vitare quod, etiamsi ipsi non sit contrarium, potest impedimento esse caritatis progressioni. 214
§ 1974
Os conselhos evangélicos manifestam a plenitude viva da caridade, sempre insatisfeita por não dar mais. Atestam o seu ímpeto e solicitam a nossa prontidão espiritual. A perfeição da Lei nova consiste essencialmente nos preceitos do amor de Deus e do próximo. Os conselhos indicam caminhos mais directos, meios mais adequados, e são praticáveis segundo a vocação de cada um:

«Deus não quer que cada um observe todos os conselhos, mas somente os que são convenientes, segundo a diversidade das pessoas, dos tempos, das ocasiões e das forças, consoante a caridade o requer; pois é ela que, como rainha de todas as virtudes, de todos os mandamentos, de todos os conselhos, em suma, de todas as leis e de todas as acções cristãs, lhes dá a todos e a todas o lugar, a ordem, o tempo e o valor» (36).

Consilia evangelica vivam plenitudinem manifestant caritatis nunquam contentae non amplius donandi. Eiusdem testantur impulsum et nostram spiritualem sollicitant promptitudinem. Novae Legis perfectio essentialiter in praeceptis consistit amoris Dei et proximi. Consilia magis directas indicant vias, faciliora media, et exerceri debent secundum uniuscuiusque vocationem:

« Deus non vult unumquemque omnia observare consilia, sed solummodo illa quae secundum personarum, temporum, occasionum et virium diversitatem conveniunt, prout requirit caritas; ipsa enim est, quae, sicut omnium regina virtutum, omnium mandatorum, omnium consiliorum, et denique omnium legum omniumque actionum christianarum, omnibus suum locum, ordinem, tempus praebet et valorem ». 215

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 1975
Segundo a Escritura, a Lei é uma instrução paterna de Deus, que prescreve ao homem os caminhos que levam à bem-aventurança prometida, e proíbe os caminhos do mal.
Secundum Scripturam, Lex est paterna Dei instructio, homini praescribens vias quae ad promissam ducunt beatitudinem et mali vetans vias.
§ 1976
«A lei é uma ordenação da razão para o bem comum, promulgada por aquele que tem o encargo da comunidade» (37).
Lex est « quaedam rationis ordinatio ad bonum commune, ab eo qui curam communitatis habet, promulgata ». 216
§ 1977
Cristo é o fim da Lei (38). Só Ele ensina e concede a justiça de Deus.
Christus finis est Legis. 217 Solus Ipse docet et praebet iustitiam Dei.
§ 1978
A lei natural é uma participação na sabedoria e bondade de Deus pelo homem, formado à imagem do seu Criador Ela exprime a dignidade da pessoa humana e constitui a base dos seus direitos e deveres fundamentais.
Lex naturalis participatio est sapientiae et bonitatis Dei ab homine ad imaginem Creatoris eius formato. Personae humanae exprimit dignitatem et basim constituit eius iurium eiusque officiorum fundamentalium.
§ 1979
A lei natural é imutável, permanente através da história. As regras que a traduzem permanecem substancialmente válidas. É a base necessária para a fixação das regras morais e da lei civil.
Lex naturalis est immutabilis, et permanens per historiae decursum. Regulae, quae eam exprimunt, substantialiter validae perseverant. Fundamentum est necessarium pro regularum moralium aedificatione et pro lege civili.
§ 1980
A Lei antiga é o primeiro estádio da Lei revelada. As suas prescrições morais estão compendiadas nos Dez Mandamentos.
Lex vetus primus Legis revelatae est status. Eius morales praescriptiones in decem compendiantur praeceptis.
§ 1981
A Lei de Moisés contém muitas verdades naturalmente acessíveis à razão. Deus revelou-as, porque os homens não as liam no seu coração.
Lex Moysis plures continet veritates quae rationi naturaliter sunt perviae. Deus illas revelavit quia homines in corde suo eas non legebant.
§ 1982
A Lei antiga é uma preparação para o Evangelho.
Lex vetus quaedam est ad Evangelium praeparatio.
§ 1983
A nova Lei é a graça do Espírito Santo, recebida pela fé em Cristo, operando pela caridade. Está expressa sobretudo no sermão do Senhor na montanha e utiliza os sacramentos para nos comunicar a graça.
Lex nova est gratia Spiritus Sancti per fidem in Christum recepta, per caritatem operans. Illa praesertim in sermone Domini exprimitur montano et sacramentis utitur ad nobis gratiam communicandam.
§ 1984
A Lei evangélica cumpre, ultrapassa e aperfeiçoa a Lei antiga: as suas promessas pelas bem-aventuranças do Reino dos céus; os seus mandamentos, reformando a raiz dos actos, o coração.
Lex evangelica Legem veterem adimplet, eam superat eamque ad eius ducit perfectionem: eius promissiones per Regni caelorum beatitudines, eius praecepta radicem reformando actuum, nempe cor.
§ 1985
A nova Lei é uma lei de amor; uma lei de graça, uma lei de liberdade.
Lex nova est lex amoris, lex gratiae, lex libertatis.
§ 1986
Além dos seus preceitos, a nova Lei comporta os conselhos evangélicos. «A santidade da Igreja é especialmente favorecida pelos vários conselhos que o Senhor propõe no Evangelho aos seus discípulos» (39).
Praeter praecepta, Lex nova consilia continet evangelica. « Sanctitas Ecclesiae item speciali modo fovetur multiplicibus consiliis, quae Dominus in Evangelio discipulis Suis observanda proponit ». 218 (180) Leo XIII, Litt. enc. Libertas praestantissimum: Leonis XIII Acta 8,218; cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 90, a. 1: Ed. Leon. 7, 149-150. (181) Tertullianus, Adversus Marcionem, 2, 4, 5: CCL 1, 479 (PL 2, 315).(182) Leo XIII, Litt. enc. Libertas praestantissimum: Leonis XIII Acta 8,219.(183) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 89: AAS 58 (1966) 1111-1112.(184) Sanctus Augustinus, De Trinitate, 14, 15, 21: CCL 50A, 451 (PL 42, 1052).(185) Sanctus Thomas Aquinas, In duo praecepta caritatis et in decem Legis praecepta expositio, c. 1: Opera omnia, v. 27 (Parisiis 1875) p. 144.(186) Marcus Tullius Cicero, De re publica, 3, 22, 33: Scripta quae manserunt omnia, Bibliotheca Teubneriana fasc. 39, ed. K. Ziegler, (Leipzig 1969) p. 96. (187) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 10: AAS 58 (1966) 1033. (188) Sanctus Augustinus, Confessiones, 2, 4, 9: CCL 27, 21 (PL 32, 678).(189) Concilium Vaticanum I, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3005; Pius XII, Litt. enc. Humani generis: DS 3876. (190) Sanctus Augustinus, Enarratio in Psalmum 57, 1: CCL 39, 708 (PL 36, 673).(191) Cf Rom 7,12.(192) Cf Rom 7,14.(193) Cf Rom 7,16.(194) Cf Gal 3,24.(195) Cf Rom 7.(196) 5 Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4, 15, 1: SC 100, 548 (PG 7, 1012).(197) 5 Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 107, a. 1, ad 2: Ed. Leon. 7, 279. (198) Cf Ier 31,31-34. (199) Sanctus Augustinus, De sermone Domini in monte, 1, 1, 1: CCL 35, 1-2 (PL 34, 1229-1231). (200) Cf Mt 5,17-19. (201) Cf Mt 15,18-19. (202) Cf Mt 5,48. (203) Cf Mt 5,44. (204) Cf Mt 6,1-6.16-18. (205) Cf Mt 6,9-13. (206) Cf Mt 7,13-14. (207) Cf Mt 7,21-27. (208) Cf Lc 6,31. (209) Cf Io 13,34. (210) Cf Io 15,12. (211) Cf Rom 14; 1 Cor 5-10. (212) Cf Iac 1,25; 2,12. (213) Cf Gal 4,1-7; 21-31; Rom 8,15-17. (214) Cf Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 184, a. 3: Ed. Leon. 10, 453-454. (215) Sanctus Franciscus de Sales, Traité de l'amour de Dieu, 8, 6: Oeuvres, v. 5 (Annecy 1894) p. 75. (216) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, I-II, q. 90, a. 4, c: Ed. Leon. 7, 152. (217) Cf Rom 10,4. (218) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 42: AAS 57 (1965) 48.

GRAÇA E JUSTIFICAÇÃO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A justificação

§ 1987
A graça do Espírito Santo tem o poder de nos justificar, isto é, de nos lavar dos nossos pecados e de nos comunicar «a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo»(40) e pelo Baptismo (41):

«Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não morre: a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque, na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre: mas a sua vida é uma vida para Deus. Assim vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus» (Rm 6, 8- l l ).

Spiritus Sancti gratia vim habet nos iustificandi, id est, nos a nostris lavandi peccatis nobisque communicandi iustitiam Dei per fidem Iesu Christi 219 et per Baptismum: 220

« Si autem mortui sumus cum Christo, credimus quia simul etiam vivemus cum Eo; scientes quod Christus suscitatus ex mortuis iam non moritur, mors Illi ultra non dominatur. Quod enim mortuus est, peccato mortuus est semel; quod autem vivit, vivit Deo. Ita et vos existimate vos mortuos quidem esse peccato, viventes autem Deo in Christo Iesu » (Rom 6,8-11).

§ 1988
Pelo poder do Espírito Santo, nós tomamos parte na paixão de Cristo, morrendo para o pecado, e na sua ressurreição, nascendo para uma vida nova. Somos os membros do seu corpo, que é a Igreja (42), os sarmentos enxertados na videira, que é Ele próprio (43):

«É pelo Espírito que nós temos parte em Deus. [...] Pela participação no Espírito, tornamo-nos participantes da natureza divina [...]. É por isso que aqueles em quem habita o Espírito são divinizados» (44).

Per Spiritus Sancti potentiam, passionem participamus Christi, peccato morientes, et Eius Resurrectionem, nascentes ad vitam novam; membra sumus Eius corporis quod est Ecclesia, 221 palmites inserti Viti quae Ipse est: 222

« Per Spiritum Dei participes dicimur. [...] Spiritus communicatione divinae naturae consortes efficimur [...]. Nec enim alia de causa, hi in quibus Ille est, deificantur ». 223

§ 1989
A primeira obra da graça do Espírito Santo é a conversão, que opera a justificação, segundo a mensagem de Jesus no princípio do Evangelho: «Convertei-vos, que está perto o Reino dos céus» (Mt 4, 17). Sob a moção da graça, o homem volta-se para Deus e desvia-se do pecado, acolhendo assim o perdão e a justiça do Alto. «A justificação comporta, portanto, a remissão dos pecados, a santificação e a renovação do homem interior» (45).
Primum gratiae Spiritus Sancti opus est conversio quae iustificationem operatur secundum Iesu nuntium in Evangelii initio: « Paenitentiam agite; appropinquavit enim Regnum caelorum » (Mt 4,17). Sub gratiae motione, homo ad Deum se vertit et a peccato se avertit, veniam et iustitiam sic accipiens ex alto. « Iustificatio [...] non est sola peccatorum remissio, sed et sanctificatio et renovatio interioris hominis ». 224
§ 1990
A justificação desliga o homem do pecado, que está em contradição com o amor de Deus, e purifica-lhe o coração. A justificação continua a iniciativa da misericórdia de Deus, que oferece o perdão; reconcilia o homem com Deus; liberta-o da escravidão do pecado e cura-o.
Iustificatio hominem solvit a peccato quod Dei contradicit amori et eius cor a peccato purificat. Iustificatio inceptum sequitur misericordiae Dei qui veniam offert. Ipsa hominem reconciliat cum Deo. A servitute peccati liberat et sanat.
§ 1991
A justificação é, ao mesmo tempo, acolhimento da justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo. Justiça designa, aqui, a rectidão do amor divino. Com a justificação, são difundidas nos nossos corações a fé, a esperança e a caridade, e é-nos concedida a obediência à vontade divina.
Iustificatio est simul iustitiae Dei acceptio per fidem in Iesum Christum. Iustitia rectitudinem amoris divini hic denotat. Una cum iustificatione, fides, spes et caritas in corda infunduntur nostra, et oboedientia voluntati divinae nobis conceditur.
§ 1992
A justificação foi-nos merecida pela paixão de Cristo, que na cruz Se ofereceu como hóstia viva, santa e agradável a Deus, e cujo sangue se tornou instrumento de propiciação pelos pecados de todos os homens. A justificação é concedida pelo Baptismo, sacramento da fé. Conforma-nos com a justiça de Deus que nos torna interiormente justos pelo poder da sua misericórdia. E tem por fim a glória de Deus e de Cristo, e o dom da vida eterna (46):

«Mas agora, foi sem a Lei que se manifestou a justiça de Deus, atestada pela Lei e pelos Profetas: a justiça que vem para todos os crentes, mediante a fé em Jesus Cristo. É que não há diferença alguma: todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Sem o merecerem, são justificados pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus. Deus ofereceu-o para, nele, pelo seu sangue, se realizar a expiação que actua mediante a fé: foi assim que Ele mostrou a sua justiça, ao perdoar os pecados cometidos outrora, no tempo da divina paciência. Deus mostra assim a sua justiça no tempo presente, porque Ele é justo e justifica quem tem fé em Jesus» (Rm 3, 21-26).

Iustificatio nobis est merita per passionem Christi qui Se tamquam hostiam vivam, sanctam et Deo placitam in cruce obtulit et cuius sanguis instrumentum propitiationis pro omnium hominum peccatis est effectus. Iustificatio per Baptismum, sacramentum fidei, praebetur. Ipsa nos ad iustitiam conformat Dei, qui nos interne per Suae misericordiae potentiam iustos efficit. Tamquam scopum gloriam Dei habet et Christi, et vitae aeternae donum: 225

« Nunc autem sine lege iustitia Dei manifestata est, testificata a Lege et Prophetis, iustitia autem Dei per fidem Iesu Christi, in omnes qui credunt. Non enim est distinctio: omnes enim peccaverunt et egent gloria Dei, iustificati gratis per gratiam Ipsius per Redemptionem, quae est in Christo Iesu; quem proposuit Deus propitiatorium per fidem in sanguine Ipsius ad ostensionem iustitiae Suae, cum praetermisisset praecedentia delicta in sustentatione Dei, ad ostensionem iustitiae Eius in hoc tempore, ut sit Ipse iustus et iustificans eum, qui ex fide est Iesu » (Rom 3,21-26).

§ 1993
A justificação estabelece a colaboração entre a graça de Deus e a liberdade do homem. Do lado do homem, exprime-se no assentimento da fé à Palavra de Deus que convida à conversão, e na cooperação da caridade com o impulso do Espírito Santo que se lhe adianta e o guarda:

«Quando Deus move o coração do homem pela iluminação do Espírito Santo o homem não fica sem fazer nada ao receber esta inspiração, que, aliás, pode rejeitar: no entanto, também não pode, sem a graça de Deus, caminhar, por sua livre vontade, para a justiça na sua presença» (47).

Iustificatio inter gratiam Dei et libertatem hominis cooperationem stabilit. Haec, ex parte hominis, exprimitur in fidei assensu ad verbum Dei qui eumdem ad conversionem invitat, et in caritatis cooperatione impulsui Spiritus Sancti qui assensum praevenit et servat:

« Ita ut tangente Deo cor hominis per Spiritus Sancti illuminationem, neque homo ipse nihil omnino agat, inspirationem illam recipiens, quippe qui illam et abicere potest, neque tamen sine gratia Dei movere se ad iustitiam coram Illo libera sua voluntate possit ». 226

§ 1994
A justificação é a obra mais excelente do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus e concedido pelo Espírito Santo. Santo Agostinho pensa que «a justificação do ímpio é obra maior que a criação do céu e da terra»; porque «o céu e a terra passarão, ao passo que a justificação e a salvação dos eleitos permanecerão» (48). Pensa mesmo que a justificação dos pecadores é mais importante que a criação dos anjos em justiça, pelo tacto de testemunhar uma maior misericórdia.
Iustificatio est amoris Dei excellentissimum opus in Christo Iesu manifestatum et per Spiritum Sanctum concessum. Sanctus Augustinus impii iustificationem putat opus « prorsus maius [...] esse [...], quam est caelum et terra [...]. Et caelum enim et terra transibit; praedestinatorum autem [...] salus et iustificatio permanebit ». 227 Etiam opinatur peccatorum iustificationem superare angelorum in iustitia creationem quatenus misericordiam testatur maiorem.
§ 1995
O Espírito Santo é o mestre interior. Fazendo nascer o «homem interior» (49) a justificação implica a santificação de todo o ser:

«Pois, como pusestes os vossos membros ao serviço da impureza e do mal para cometer a iniquidade, assim ponde agora os vossos membros ao serviço da justiça para chegar à santidade. [...] Mas agora, libertos do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade: e o termo é a vida eterna» (Rm 6, 19-22).

Spiritus Sanctus magister est interior. Iustificatio, efficiens ut « interior homo » 228 nascatur, sanctificationem implicat totius hominis:

« Sicut enim exhibuistis membra vestra servientia immunditiae et iniquitati ad iniquitatem, ita nunc exhibete membra vestra servientia iustitiae ad sanctificationem. [...] Nunc vero liberati a peccato, servi autem facti Deo, habetis fructum vestrum in sanctificationem, finem vero vitam aeternam! » (Rom 6,19.22).

GRAÇA E JUSTIFICAÇÃO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A graça

§ 1996
A nossa justificação vem da graça de Deus. A graça é o favor, o socorro gratuito que Deus nos dá, a fim de respondermos ao seu chamamento para nos tornarmos filhos de Deus (50) filhos adoptivos (51) participantes da natureza divina (52) e da vida eterna (53).
Nostra iustificatio a gratia venit Dei. Gratia est favor, auxilium gratuitum quod Deus nobis praebet ut Eius vocationi respondeamus: filios Dei fieri, 229 filios adoptivos, 230 divinae naturae participes 231 et vitae aeternae. 232
§ 1997
A graça é uma participação na vida de Deus, introduz-nos na intimidade da vida trinitária: pelo Baptismo, o cristão participa na graça de Cristo, cabeça do seu corpo; como «filho adoptivo», pode doravante chamar «Pai» a Deus, em união como seu Filho Unigénito; e recebe a vida do Espírito, que lhe infunde a caridade e forma a Igreja.
Gratia est vitae Dei participatio, ea nos in vitae trinitariae introducit intimitatem: per Baptismum, christianus gratiam participat Christi, Capitis corporis Eius. Tamquam « filius adoptivus », deinceps Deum potest « Patrem », in unione cum Filio unico, appellare. Vitam recipit Spiritus, qui ei caritatem inspirat et qui Ecclesiam format.
§ 1998
Esta vocação para a vida eterna é sobrenatural. Depende inteiramente da iniciativa gratuita de Deus, porque só Ele pode revelar-Se e dar-Se a Si mesmo. E ultrapassa as capacidades da inteligência e as forças da vontade humana, como de qualquer criatura (54).
Haec vocatio ad vitam aeternam est supernaturalis. Prorsus a gratuito Dei dependet incepto, quia Ipse solus Seipsum revelare potest atque donare. Ea facultates superat intelligentiae et vires voluntatis humanae, sicut et omnis creaturae. 233
§ 1999
A graça de Cristo é dom gratuito que Deus nos faz da sua vida, infundida pelo Espírito Santo na nossa alma para a curar do pecado e a santificar. É a graça santificante ou deificante, recebida no Baptismo. É, em nós, a nascente da obra de santificação (55):

«Por isso, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou: eis que surgiram coisas novas! Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo» (2 Cor 5, 17-18).

Christi gratia donum est gratuitum, quod Deus nobis praebet, vitae Eius per Spiritum Sanctum in animam nostram infusae ad eidem medendum a peccato eamque sanctificandam: illa est gratia sanctificans seu deificans, in Baptismo recepta. Ipsa est in nobis operis sanctificationis fons: 234

« Si quis ergo in Christo nova creatura; vetera transierunt, ecce, facta sunt nova. Omnia autem ex Deo, qui reconciliavit nos Sibi per Christum » (2 Cor 5,17-18).

§ 2000
A graça santificante é um dom habitual, uma disposição estável e sobrenatural, que aperfeiçoa a alma, mesmo para a tornar capaz de viver com Deus e de agir por seu amor. Devemos distinguir a graça habitual, disposição permanente para viver e agir segundo o apelo divino, e as graças actuais, que designam as intervenções divinas, quer na origem da conversão, quer no decurso da obra de santificação.
Gratia sanctificans donum est habituale, dispositio stabilis et supernaturalis ipsam perficiens animam ut eam capacem efficiat vivendi cum Deo et propter Eius amorem agendi. Distinguendae sunt gratia habitualis, dispositio permanens ad vivendum et agendum secundum divinam vocationem, et gratiae actuales quae interventus designant divinos sive in conversionis initio sive in operis sanctificationis decursu.
§ 2001
A preparação do homem para acolher a graça é já obra da graça. Esta é necessária para suscitar e sustentar a nossa colaboração na justificação pela fé e na santificação pela caridade. Deus acaba em nós o que começou, «porque é Ele próprio que começa, fazendo com que queiramos e é Ele que acaba, cooperando com aqueles que assim querem» (56):

É certo que nós também trabalhamos, mas não fazemos mais do que cooperar com Deus que trabalha, porque a sua misericórdia nos precedeu. Precedeu-nos para sermos curados e continua a acompanhar-nos para que, uma vez curados, sejamos vivificados. Precede-nos para que sejamos chamados, segue-nos para que sejamos glorificados, precede-nos para que vivamos segundo a piedade, segue-nos para que vivamos para sempre com Ele, porque sem Ele nada podemos fazer» (57).

Praeparatio hominis ad gratiam accipiendam iam opus est gratiae. Haec necessaria est ut nostra suscitetur et sustineatur cooperatio ad iustificationem per fidem et ad sanctificationem per caritatem. Deus id in nobis perficit quod incepit, « quoniam Ipse ut velimus operatur incipiens, qui volentibus cooperatur perficiens »: 235

« Ubi quidem operamur et nos, sed Illo operante cooperamur, quia misericordia Eius praevenit nos. Praevenit autem, ut sanemur, quia et subsequetur ut etiam sanati vegetemur; praevenit, ut vocemur, subsequetur ut glorificemur; praevenit, ut pie vivamus, subsequetur ut cum Illo semper vivamus, quia sine Illo nihil facere possumus ». 236

§ 2002
A livre iniciativa de Deus reclama a resposta livre do homem, porque Deus criou o homem à sua imagem, conferindo-lhe, com a liberdade, o poder de O conhecer e de O amar. Só livremente é que a sua alma entra na comunhão do amor. Deus toca imediatamente e move directamente o coração do homem. Colocou no homem uma aspiração à verdade e ao bem, que só Ele pode satisfazer. As promessas da «vida eterna» correspondem a esta aspiração, para além de toda a esperança.

«Se Tu, após as tuas obras muito boas, [...] descansaste no sétimo dia, foi para nos dizer de antemão, pela voz do Teu Livro, que no termo das nossas obras, que "são muito boas" pelo simples facto de teres sido Tu quem no-las deu, também nós repousaremos em Ti, no Sábado da vida eterna» (58).

Liberum Dei inceptum liberam hominis responsionem exigit, quia Deus hominem ad Suam creavit imaginem, ei, cum libertate, conferens potestatem Ipsum cognoscendi et amandi. Anima solummodo libere communionem ingreditur amoris. Deus immediate tangit et directe movet cor hominis. In homine posuit appetitionem ad veritatem et bonum quam solum Ipse complere potest. « Vitae aeternae » promissiones respondent, ultra omnem spem, huic appetitioni:

« Ut id, quod Tu post opera Tua bona valde, quamvis ea quietus feceris, requievisti septimo die, hoc praeloquatur nobis vox Libri Tui, quod et nos post opera nostra ideo bona valde, quia Tu nobis ea donasti, Sabbato vitae aeternae requiescamus in Te ». 237

§ 2003
A graça é, antes de tudo e principalmente, o dom do Espírito que nos justifica e nos santifica. Mas também compreende os dons que o Espírito nos dá, para nos associar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar na salvação dos outros e no crescimento do corpo Místico de Cristo, que é a Igreja. São as graças sacramentais, dons próprios dos diferentes sacramentos. São, além disso, as graças especiais, também chamadas «carismas», segundo o termo grego empregado por São Paulo e que significa favor, dom gratuito, benefício (59). Qualquer que seja o seu carácter, por vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas estão ordenados para a graça santificante e têm por finalidade o bem comum da Igreja. Estão ao serviço da caridade que edifica a Igreja (60).
Gratia imprimis et praesertim donum est Spiritus qui nos iustificat et sanctificat. Sed gratia etiam illa dona includit quae Spiritus nobis largitur ad nos Suo operi sociandos, ad nos efficiendos capaces qui aliorum saluti et corporis Christi, Ecclesiae, collaboremus incremento. Haec sunt gratiae sacramentales, dona diversis sacramentis propria. Praeterea gratiae speciales habentur, quae etiam charismata appellantur secundum verbum graecum a sancto Paulo adhibitum, quod favorem, donum gratuitum, beneficium significat. 238 Quaecumque earum est indoles, quandoque extraordinaria, sicut miraculorum vel linguarum donum, charismata ad gratiam ordinantur sanctificantem, et ut scopum commune bonum habent Ecclesiae. Ad servitium sunt caritatis quae Ecclesiam aedificat. 239
§ 2004
Entre as graças especiais, devem mencionar-se as graças de estado, que acompanham o exercício das responsabilidades da vida cristã e dos ministérios no seio da Igreja:

«Possuímos dons diferentes, conforme a graça que nos foi dada. Quem tem o dom da profecia, comunique-o em harmonia com a fé: quem tem o dom do ministério, exerça as funções do ministério: quem tem o dom do ensino, ensine: quem tem o dom de exortar, exorte; quem tem a missão de repartir, faça-o com desinteresse; quem preside, faça-o com zelo; quem exerce a misericórdia, faça-o com alegria» (Rm 12, 6-8).

Inter gratias speciales, oportet mentionem facere gratiarum status quae responsabilitatum vitae christianae et ministeriorum in Ecclesia comitantur exercitium:

« Habentes autem donationes secundum gratiam, quae data est nobis differentes; sive prophetiam secundum rationem fidei; sive ministerium, in ministrando; sive qui docet, in doctrina; sive qui exhortatur, in exhortatione; qui tribuit in simplicitate; qui praeest, in sollicitudine; qui miseretur, in hilaritate » (Rom 12,6-8).

§ 2005
Sendo, como é, de ordem sobrenatural, a graça escapa nossa experiência e só pode ser conhecida pela fé. Não podemos, pois, basear-nos nos nossos sentimentos nem nas nossas obras, para daí concluirmos que estamos justificados e salvos (61). No entanto, segundo a palavra do Senhor, que diz: «Pelos seus frutos os conhecereis» (Mt 7, 20), a consideração dos benefícios de Deus na nossa vida e na vida dos santos oferece-nos uma garantia de que a graça de Deus opera em nós e nos incita a uma fé cada vez maior e a uma atitude de pobreza confiante:

Encontramos uma das mais belas ilustrações desta atitude na resposta de Santa Joana d'Arc a uma pergunta capciosa dos seus juízes eclesiásticos: «Interrogada sobre se sabe se está na graça de Deus, responde; "Se não estou, Deus nela me ponha: se estou, Deus nela me guarde"» (62).

Gratia, supernaturalis cum sit, nostrae se subducit experientiae et non nisi per fidem potest cognosci. Non possumus igitur nostris animi sensibus vel nostris operibus inniti ut exinde deducamus nos iustificatos esse vel salvatos. 240 Tamen secundum Domini verbum: « Ex operibus eorum cognoscetis eos » (Mt 7,20), consideratio beneficiorum Dei in vita nostra et in sanctorum vita nobis pignus offert gratiam in nobis operari nosque incitat ad fidem semper maiorem et ad habitum fretae paupertatis.

Quaedam ex pulcherrimis huius habitus illustrationibus in responsione sanctae Ioannae de Arco invenitur ad captiosam eius iudicum ecclesiasticorum quaestionem « Interrogata an sciat quod ipsa sit in gratia Dei: Respondit: "Si ego non sim, Deus ponat me; si ego sim, Deus me teneat in illa" ». 241

Quaedam ex pulcherrimis huius habitus illustrationibus in responsione sanctae Ioannae de Arco invenitur ad captiosam eius iudicum ecclesiasticorum quaestionem « Interrogata an sciat quod ipsa sit in gratia Dei: Respondit: "Si ego non sim, Deus ponat me; si ego sim, Deus me teneat in illa" ». 241III. Meritum

« In sanctorum concilio celebraris,
et eorum coronando merita Tua dona coronas ». 242

GRAÇA E JUSTIFICAÇÃO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

O mérito

§ 2006
A palavra «mérito» designa, em geral, a retribuição devida por uma comunidade ou sociedade à acção de um dos seus membros, experimentada como um benefício ou um malefício, digna de recompensa ou de castigo. O mérito diz respeito à virtude da justiça, em conformidade com o princípio da igualdade que a rege.
Verbum « meritum » generatim designat retributionem quam debet communitas vel societas propter cuiusdam ex suis membris actionem quae, tamquam bonum vel malum factum, mercede vel sanctione percipitur digna. Meritum ad virtutem pertinet iustitiae iuxta aequalitatis principium, quod illam regit.
§ 2007
Em relação a Deus, não há, da parte do homem, mérito no sentido dum direito estrito. Entre Ele e nós, a desigualdade é sem medida, pois nós tudo recebemos d'Ele, nosso Criador.
Coram Deo, in sensu stricti iuris, meritum ex parte hominis non habetur. Inter Eum et nos inaequalitas mensura caret, quia omnia ab Eo, nostro accepimus Creatore.
§ 2008
O mérito do homem perante Deus, na vida cristã, provém do facto de que Deus dispôs livremente associar o homem à obra da sua graça. A acção paterna de Deus é primeira, pelo seu impulso, e o livre agir do homem é segundo, na sua colaboração; de modo que os méritos das obras devem ser atribuídos à graça de Deus, primeiro, e depois ao fiel. Aliás, o próprio mérito do homem depende de Deus, porque as suas boas acções procedem, em Cristo, das predisposições e ajudas do Espírito Santo.
Hominis meritum coram Deo in vita christiana ex eo provenit quod Deus hominem operi gratiae Suae sociare libere disposuit. Dei actio paterna per suum impulsum prima est, et operatio hominis libera in sua cooperatione est secunda, ita ut bonorum operum merita gratiae Dei imprimis sint tribuenda, deinde fideli. Ceterum, ipsum hominis meritum in Deum revertit, quia eius bona opera in Christo procedunt a Spiritus Sancti inceptis et auxiliis.
§ 2009
A adopção filial, tornando-nos, pela graça, participantes da natureza divina, pode conferir-nos, segundo a justiça gratuita de Deus, um verdadeiro mérito. Trata-se de um direito derivante da graça, o direito pleno do amor que nos faz «co-herdeiros» de Cristo e dignos de obter a «herança prometida da vida eterna» (64). Os méritos das nossas boas obras são dons da bondade divina (65). «A graça precedeu; agora restitui-se o que é devido [...] Os méritos são dons de Deus» (66).
Adoptio filialis, nos, per gratiam, reddens naturae divinae participes, secundum iustitiam Dei gratuitam, verum meritum nobis potest conferre. Ibi ius habetur per gratiam, ius amoris plenum, quod nos « coheredes » facit Christi et dignos qui vitae aeternae hereditatem promissam obtineamus. 243 Nostrorum bonorum operum merita dona sunt bonitatis divinae. 244 « Ante gratia donabatur, modo debitum redditur. [...] Dona Ipsius sunt merita tua ». 245
§ 2010
Uma vez que, na ordem da graça, a iniciativa pertence a Deus, ninguém pode merecer a graça primeira, que está na origem da conversão, do perdão e da justificação. Sob a moção do Espírito Santo e da caridade, podemos, depois, merecer para nós mesmos e para outros, as graças úteis para a santificação e para o aumento da graça e da caridade, bem como para a obtenção da vida eterna. Os próprios bens temporais, tais como a saúde e a amizade, podem ser merecidos segundo a sabedoria de Deus. Estas graças e estes bens são objecto da oração cristã. Esta provê à nossa necessidade da graça para as acções meritórias.
Cum inceptum in ordine gratiae ad Deum pertineat in conversionis, veniae et iustificationis origine, nemo primam gratiam mereri potest. Sub Spiritus Sancti et caritatis motione, possumus exinde mereri pro nobismet ipsis et pro aliis gratias pro nostra sanctificatione, pro augmento gratiae et caritatis, sicut pro vita aeterna obtinenda utiles. Ipsa bona temporalia, sicut valetudinem, amicitiam, secundum Dei sapientiam mereri possumus. Hae gratiae et haec dona obiectum sunt orationis christianae. Haec nostrae providet indigentiae gratiae ad actiones meritorias.
§ 2011
A caridade de Cristo é, em nós, a fonte de todos os nossos méritos diante de Deus. A graça, unindo-nos a Cristo com um amor activo, assegura a qualidade sobrenatural dos nossos actos e, por consequência, o seu mérito, tanto diante de Deus como diante dos homens. Os santos tiveram sempre uma consciência viva de que os seus méritos eram pura graça.

«Depois do exílio da terra, espero ir gozar de Vós na Pátria, mas não quero acumular méritos para o céu, quero é trabalhar só por vosso amor [...] Na noite desta vida, aparecerei diante de Vós com as mãos vazias, pois não Vos peço, Senhor, que conteis as minhas obras. Todas as nossas justiças têm manchas aos vossos olhos. Quero, portanto, revestir-me com a vossa própria Justiça, e receber do vosso Amor a posse eterna de Vós mesmo...» (67).

Christi caritas est in nobis omnium nostrorum meritorum fons coram Deo. Gratia, nos cum Christo amore coniungens activo, qualitatem nostrorum actuum praestat supernaturalem et, consequenter, eorum meritum coram Deo sicut coram hominibus. Sancti semper vivam habuerunt conscientiam merita eorum pura esse gratiam:

« Post terrae exilium, spero me esse profecturam ad Te in Patria fruendum, sed nolo ad caelum congerere merita, volo propter Tuum solum amorem laborare [...]. Vespere huius vitae coram Te vacuis apparebo manibus, non enim a Te peto, Domine, ut mea aestimes opera. Omnes iustitiae nostrae ante oculos Tuos habent maculas. Volo igitur Tua propria revestiri iustitia et a Tuo amore possessionem Tui Ipsius recipere aeternam... ». 246

GRAÇA E JUSTIFICAÇÃO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A santidade cristã

§ 2012
«Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam [...]. Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem do seu Filho, para que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. E aqueles que predestinou, também os chamou; e aqueles que chamou, também os justificou; e aqueles que justificou, também os glorificou» (Rm 8, 28-30).
« Diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum [...]. Nam, quos praescivit, et praedestinavit conformes fieri imaginis Filii Eius, ut sit Ipse primogenitus in multis fratribus; quos autem praedestinavit, hos et vocavit; et quos vocavit, hos et iustificavit; quos autem iustificavit, illos et glorificavit » (Rom 8,28-30).
§ 2013
«Os cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» (68). Todos são chamados à santidade: «Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48):

«Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que Cristo as dá, a fim de que [...] obedecendo em tudo à vontade do Pai, se consagrem com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo. Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos» (69).

« Omnes christifideles cuiuscumque status vel ordinis ad vitae christianae plenitudinem et caritatis perfectionem » vocantur. 247 Omnes vocantur ad sanctitatem: « Estote ergo vos perfecti, sicut Pater vester caelestis perfectus est » (Mt 5,48):

« Ad quam perfectionem adipiscendam fideles vires secundum mensuram donationis Christi acceptas adhibeant, ut [...] voluntatem Patris in omnibus obsequentes, gloriae Dei et servitio proximi toto animo sese devoveant. Ita sanctitas populi Dei in abundantes fructus excrescet, sicut in Ecclesiae historia per tot sanctorum vitam luculenter commostratur ». 248

§ 2014
O progresso espiritual tende para a união cada vez mais íntima com Cristo. Esta união chama-se «mística», porque participa no mistério de Cristo pelos sacramentos – «os santos mistérios» –  e, n'Ele, no mistério da Santíssima Trindade. Deus chama-nos todos a esta íntima união com Ele, mesmo que graças especiais ou sinais extraordinários desta vida mística somente a alguns sejam concedidos, para manifestar o dom gratuito feito a todos.
Spiritualis progressus ad semper arctiorem cum Christo tendit unionem. Haec unio appellatur « mystica », quia mysterium Christi per sacramenta — « sancta mysteria » — participat et, in Ipso, Sanctissimae Trinitatis mysterium. Deus nos omnes ad hanc intimam cum Eo vocat unionem, etiamsi gratiae speciales vel signa extraordinaria huius vitae mysticae solum quibusdam concedantur ad donum gratuitum omnibus factum manifestandum.
§ 2015
O caminho desta perfeição passa pela cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual (70). O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças:

«Aquele que sobe, nunca mais pára de ir de princípio em princípio, por princípios que não têm fim. Aquele que sobe nunca mais deixa de desejar aquilo que já conhece» (71).

Perfectionis iter transit per crucem. Sanctitas non habetur sine abrenuntiatione et sine spirituali certamine. 249 Spiritualis progressus ascesim implicat et mortificationem quae gradatim ducunt ad vivendum in beatitudinum pace et gaudio:

« Neque unquam se sistit ascendens, ex principio sumens principium, neque in se perficitur eorum quae sunt semper maiora principium. In iis enim quae sunt cognita, nunquam ascendentis sistitur desiderium ». 250

§ 2016
Os filhos da santa Igreja, nossa Mãe, esperam justamente a graça da perseverança final e a recompensa de Deus seu Pai pelas boas obras realizadas com a sua graça, em comunhão com Jesus (72). Guardando a mesma regra de vida, os crentes partilham a «bem-aventurada esperança» dos que a misericórdia divina reúne na «Cidade santa, a nova Jerusalém, que desce do céu, como noiva adornada para o seu Esposo» (Ap 21, 2).Resumindo:
Nostrae Matris sanctae Ecclesiae filii recte gratiam perseverantiae finalis et retributionem a Deo sperant Patre suo propter bona opera cum Eius gratia peracta in communione cum Iesu. 251 Credentes, eamdem vitae servantes regulam, participant « beatam spem » eorum quos misericordia divina congregat in « Civitatem sanctam Ierusalem novam [...] descendentem de caelo a Deo, paratam sicut sponsam ornatam viro suo » (Apc 21,2). Compendium

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 2017
A graça do Espírito Santo confere-nos a justiça de Deus. Unindo-nos, pela fé e pelo Baptismo, à paixão e ressurreição de Cristo, o Espírito Santo faz-nos participar da sua vida.
Spiritus Sancti gratia nobis Dei iustitiam confert. Spiritus nos per fidem et Baptismum passioni et resurrectioni Christi coniungens, vitae Ipsius facit participes.
§ 2018
A justificação, tal como a conversão, apresenta duas faces. Sob a moção da graça, o homem volta-se para Deus e desvia-se do pecado, recebendo assim o perdão e a justiça do Alto.
Iustificatio, sicut conversio, duos exhibet aspectus. Sub gratiae motione, homo se ad Deum vertit et a peccato se avertit, sic veniam et iustitiam accipiens ex alto.
§ 2019
A justificação compreende a remissão dos pecados, a santificação e a renovação do homem interior.2020 A justificação foi-nos merecida pela paixão de Cristo. Foi-nos dada por meio do Baptismo. Conforma-nos com a justiça de Deus, que nos faz justos. Tem como fim a glória de Deus e de Cristo e o dom da vida eterna. É a obra mais excelente da misericórdia de Deus.
Iustificatio remissionem peccatorum, sanctificationem et renovationem implicat interioris hominis.
§ 2020
A justificação foi-nos merecida pela paixão de Cristo. Foi-nos dada por meio do Baptismo. Conforma-nos com a justiça de Deus, que nos faz justos. Tem como fim a glória de Deus e de Cristo e o dom da vida eterna. É a obra mais excelente da misericórdia de Deus.
Iustificatio nobis per Christi passionem est merita. Nobis per Baptismum conceditur. Nos ad iustitiam conformat Dei qui nos iustos facit. Tamquam scopum habet gloriam Dei et Christi, et vitae aeternae donum. Ea excellentissimum est misericordiae Dei opus.
§ 2021
A graça é o socorro que Deus nos dá para correspondermos à nossa vocação de nos tornarmos seus filhos adoptivos. Introduz-nos na intimidade da vida trinitária.
Gratia est auxilium quod Deus nobis praebet ad nostrae respondendum vocationi ut Eius filii efficiamur adoptivi. Ea nos in intimitatem vitae trinitariae introducit.
§ 2022
Na obra da graça, a iniciativa divina previne, prepara e suscita a livre resposta do homem. A graça corresponde às aspirações profundas da liberdade humana; chama-a a cooperar consigo e aperfeiçoa-a.
Divinum in opere gratiae inceptum liberam hominis responsionem praevenit, praeparat et suscitat. Gratia profundis libertatis humanae respondet aspirationibus; eam appellat ad secum cooperandum eamque perficit.
§ 2023
A graça santificante é o dom gratuito que Deus nos faz da sua vida, infundida pelo Espírito Santo na alma para a curar do pecado e a santificar.
Gratia sanctificans donum est gratuitum, quod Deus nobis praebet, vitae Eius, a Spiritu Sancto in nostram animam infusae ad eidem medendum a peccato eamque sanctificandam.
§ 2024
A graça santificante torna-nos «agradáveis a Deus». Os carismas, graças especiais do Espírito Santo, estão ordenados à graça santificante e têm por finalidade o bem comum da Igreja. Deus também actua por meio de múltiplas graças actuais, distintas da graça habitual, permanente em nós.
Gratia sanctificans nos « Deo gratos » reddit. Charismata, gratiae speciales Spiritus Sancti, ad gratiam sanctificantem ordinantur et tamquam scopum bonum Ecclesiae habent commune. Deus etiam per multiplices gratias actuales agit quae a gratia habituali, in nobis permanenti, distinguuntur.
§ 2025
Não há para nós mérito diante de Deus, senão como consequência do Livre desígnio divino de associar o homem à obra da sua graça. O mérito pertence, em primeiro lugar, à graça de Deus; em segundo lugar, à cooperação do homem. O mérito do homem reverte para Deus.
Pro nobis coram Deo meritum non est nisi quod liberum Dei consequitur consilium, hominem sociandi operi Suae gratiae. Meritum imprimis pertinet ad Dei gratiam, secundo loco ad hominis cooperationem. Hominis meritum ad Deum revertit.
§ 2026
A graça do Espírito Santo, em virtude da nossa filiação adoptiva, pode conferir-nos um verdadeiro mérito segundo a justiça gratuita de Deus. A caridade é, em nós, a principal fonte de mérito perante Deus.
Spiritus Sancti gratia, propter nostram adoptivam filiationem, potest nobis verum conferre meritum secundum iustitiam Dei gratuitam. Caritas est in nobis praecipuus meriti coram Deo fons.
§ 2027
Ninguém pode merecer a graça primeira, que está na origem da conversão. Sob a moção do Espírito Santo, podemos merecer; para nós mesmos e para outrem, todas as graças úteis para chegar à vida eterna, bem como os bens temporais necessários.
Nemo primam potest mereri gratiam quae conversionis est origo. Sub Spiritus Sancti motione, pro nobismet ipsis et pro aliis gratias omnes possumus mereri utiles ad perveniendum in vitam aeternam, sicut etiam bona temporalia necessaria.
§ 2028
«Todos os cristãos [...] são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» (73). «A perfeição cristã só tem um limite: o de não ter nenhum» (74).
« Omnes christifideles [...] ad vitae christianae plenitudinem et caritatis perfectionem » vocantur. 252 « In virtute vero hunc ab Apostolo perfectionis terminum esse didicimus, quod nullus in ipsa sit terminus ». 253
§ 2029
«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt, 16, 24).
« Si quis vult post me venire, abneget semetipsum et tollat crucem suam et sequatur me » (Mt 16,24). (219) Cf Rom 3,22. (220) Cf Rom 6,3-4. (221) Cf 1 Cor 12. (222) Cf Io 15,1-4. (223) Sanctus Athanasius Alexandrinus, Epistula ad Serapionem, 1, 24: PG 26, 585-588. (224) Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1528.(225) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529.(226) Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 5: DS 1525.(227) Sanctus Augustinus, In Iohannis evangelium tractatus, 72, 3: CCL 36, 508 (PL 35, 1823). (228) Cf Rom 7,22; Eph 3,16. (229) Cf Io 1,12-18. (230) Cf Rom 8,14-17. (231) Cf 2 Pe 1,3-4. (232) Cf Io 17,3. (233) Cf 1 Cor 2,7-9. (234) Cf Io 4,14; 7,38-39. (235) Sanctus Augustinus, De gratia et libero arbitrio, 17,33: PL 44, 901.(236) Sanctus Augustinus, De natura et gratia, 31, 35: CSEL 49, 258-259 (PL 44, 264). (237) Sanctus Augustinus, Confessiones, 13, 36, 51: CCL 27, 272 (PL 32, 868).(238) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 12: AAS 57 (1965) 16-17.(239) Cf 1 Cor 12.(240) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 9: DS 1533-1534.(241) Sancta Ioanna de Arco, Dictum: Procès de condamnation, ed. P. Tisset (Paris 1960) p. 62. (242) Praefatio de sanctis, I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 428; cf « Doctor gratiae », Sanctus Augustinus, Enarratio in Psalmum 102, 7: CCL 40, 1457 (PL 37, 1321). (243) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 16: DS 1546. (244) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, c. 16: DS 1548. (245) Sanctus Augustinus, Sermo 298,4-5: SPM 1, 98-99 (PL 38, 1367).(246) Sancta Theresia a Iesu Infante, Acte d'offrande à l'Amour miséricordieux: Récréations pieuses - Prières (Paris 1992) p. 514-515. (247) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 40: AAS 57 (1965) 45.(248) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 40: AAS 57 (1965) 45.(249) Cf 2 Tim 4.(250) Sanctus Gregorius Nyssenus, In Canticum homilia 8: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger-H. Langerbeck, v. 6 (Leiden 1960) p. 247 (PG 44, 941).(251) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, canon 26: DS 1576.(252) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 40: AAS 57 (1965).(253) Sanctus Gregorius Nyssenus, De vita Moysis, 1, 5: ed. M. Simonetti (Vicenza 1984) p. 10 (PG 44, 300).

A IGREJA, MÃE E EDUCADORA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

§ 2030
É em Igreja, em comunhão com todos os baptizados, que o cristão realiza a sua vocação. Da Igreja recebe a Palavra de Deus, que contém os ensinamentos da «Lei de Cristo» (75); da Igreja recebe a graça dos sacramentos que o sustentam no «caminho»: da Igreja recebe o exemplo da santidade: reconhece-lhe a figura e a fonte na santíssima Virgem Maria; distingue-a no testemunho autêntico dos que a vivem: descobre-a na tradição espiritual e na longa história dos santos que o precederam e que a liturgia celebra ao ritmo do Santoral.
In Ecclesia, in communione cum omnibus baptizatis, christianus suam adimplet vocationem. Ab Ecclesia, Dei accipit Verbum quod doctrinas continet « Legis Christi ». 254 Ab Ecclesia, sacramentorum recipit gratiam quae illum in « via » sustinet. Ab Ecclesia, exemplum sanctitatis discit; cuius figuram et fontem in sanctissima Virgine Maria agnoscit; eam in authentico discernit testimonio eorum qui secundum eam vivunt; eam in traditione detegit spirituali et in longa historia sanctorum qui illum praecesserunt et quos liturgia celebrat in calendarii sanctorum decursu.
§ 2031
A vida moral é um culto espiritual. Nós «oferecemos os nossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus» (76), no seio do corpo de Cristo que formamos e em comunhão com a oferenda da sua Eucaristia. Na liturgia e na celebração dos sacramentos, a oração e doutrina conjugam-se com a graça de Cristo, para esclarecer e alimentar o agir cristão. Como todo o conjunto da vida cristã, a vida moral tem a sua fonte e o seu ponto alto no sacrifício eucarístico.
Moralis vita cultus est spiritualis. « Exhibemus corpora nostra hostiam viventem, sanctam, Deo placentem », 255 in Christi corpore quod efformamus et in communione cum Eucharistiae Eius oblatione. In liturgia et in sacramentorum celebratione, oratio et doctrina coniunguntur cum gratia Christi ad modum agendi christianum illustrandum et nutriendum. Sicut vitae christianae complexus, vita moralis suum fontem et culmen in Sacrificio invenit eucharistico. I. Vita moralis et Magisterium Ecclesiae

A IGREJA, MÃE E EDUCADORA

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Vida moral e Magistério da Igreja

§ 2032
A Igreja, «coluna e fundamento da verdade» (1 Tm 3, 15), «recebeu dos Apóstolos o solene mandamento de Cristo de anunciar a verdade da salvação» (77). «À Igreja compete anunciar sempre e em toda a parte os princípios morais, mesmo de ordem social, bem como emitir juízo acerca de quaisquer realidades humanas, na medida em que o exigirem os direitos fundamentais da pessoa humana ou a salvação das almas» (78).
Ecclesia, « columna et firmamentum veritatis » (1 Tim 3,15), « solemne Christi mandatum annuntiandi veritatem salutarem [...] ab Apostolis recepit ». 256 « Ecclesiae competit semper et ubique principia moralia etiam de ordine sociali annuntiare, necnon iudicium ferre de quibuslibet rebus humanis, quatenus personae humanae iura fundamentalia aut animarum salus id exigant ». 257
§ 2033
O Magistério dos pastores da Igreja, em matéria moral, exerce-se ordinariamente na catequese e na pregação, com a ajuda das obras dos teólogos e autores espirituais. Assim se transmitiu, de geração em geração, sob a égide e a vigilância dos pastores, o «depósito» da moral cristã, formado por um conjunto característico de regras, mandamentos e virtudes procedentes da fé em Cristo e vivificados pela caridade. Esta catequese tomou por fundamento, tradicionalmente, a par do Credo e do Pai Nosso, o Decálogo, que enuncia os princípios da vida moral válidos para todos os homens.
Magisterium Pastorum Ecclesiae in re morali ordinarie in catechesi et in praedicatione exercetur, cum adiutorio operum theologorum et auctorum spiritualium. Sic a generatione in generationem, sub Pastorum ductu et vigilantia, doctrinae moralis christianae transmissum est « depositum », compositum ex summa peculiari regularum, praeceptorum et virtutum a fide in Christum procedentium et a caritate vivificatorum. Haec catechesis traditionaliter sumpsit tamquam fundamentum, una cum Symbolo fidei et Oratione dominica, Decalogum qui vitae moralis enuntiat principia pro omnibus hominibus valida.
§ 2034
O Romano Pontífice e os bispos, como «doutores autênticos, investidos na autoridade de Cristo, pregam ao povo a eles confiado a fé que deve ser acreditada e aplicada aos costumes» (79). O Magistério ordinário e universal do Papa, e dos bispos em comunhão com ele, ensina aos fiéis a verdade que se deve crer, a caridade que se deve praticar e a bem-aventurança que se deve esperar.
Romanus Pontifex et Episcopi, tamquam « doctores authentici seu auctoritate Christi praediti, [...] populo sibi commisso fidem credendam et moribus applicandam praedicant ». 258 Magisterium ordinarium et universale Romani Pontificis et Episcoporum in communione cum ipso fideles docet veritatem credendam, caritatem exercendam, beatitudinem sperandam.
§ 2035
O grau supremo na participação da autoridade de Cristo está garantido pelo carisma da infalibilidade. Esta «é tão ampla quanto o depósito da Revelação divina» (80); e estende-se também a todos os elementos de doutrina, mesmo moral, sem os quais as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas e observadas (81).
Gradus supremus participationis in auctoritate Christi a charismate praestatur infallibilitatis. Hoc « tantum patet quantum divinae Revelationis patet depositum »; 259 ad omnia etiam doctrinae, doctrina morali ibi inclusa, extenditur elementa, sine quibus veritates fidei salutares nequeunt custodiri, exponi vel observari. 260
§ 2036
A autoridade do Magistério estende-se também aos preceitos específicos da lei natural, porque a sua observância, exigida pelo Criador, é necessária à salvação. Ao lembrar as prescrições da lei natural, o Magistério da Igreja exerce uma parte essencial da sua função profética, de anunciar aos homens o que eles são na verdade e de lhes lembrar o que devem ser perante Deus (82).
Magisterii auctoritas etiam ad specifica legis naturalis extenditur praecepta, quia eorum observantia, a Creatore postulata, necessaria est ad salutem. Ecclesiae Magisterium, in memoriam revocans legis naturalis praescripta, essentialem exercet partem sui prophetici muneris, hominibus nuntiandi quid ipsi vere sint eisque commemorandi quid ipsi coram Deo esse debeant. 261
§ 2037
A Lei de Deus, confiada à Igreja, é ensinada aos fiéis como caminho de vida e de verdade. Os fiéis têm, portanto, o direito (83) de serem instruídos sobre os preceitos divinos salvíficos que purificam o juízo e, com a graça, curam a razão humana ferida. E têm o dever de observar as constituições e decretos emanados da autoridade legítima da Igreja. Mesmo que sejam disciplinares, tais determinações requerem docilidade na caridade.
Lex Dei, Ecclesiae concredita, tamquam via vitae et veritatis, fidelibus traditur. Fideles igitur habent ius 262 ut de salutaribus instruantur divinis praeceptis, quae iudicium purificant et rationi humanae vulneratae medentur per gratiam. Officium habent constitutiones et decreta observandi proclamata a legitima Ecclesiae auctoritate. Hae determinationes, quamvis disciplinares sint, docilitatem requirunt in caritate.
§ 2038
Na tarefa do ensino e da aplicação da moral cristã, a Igreja precisa da dedicação dos pastores, da ciência dos teólogos, do contributo de todos os cristãos e homens de boa vontade. A fé e a prática do Evangelho conferem a cada qual uma experiência da vida «em Cristo» que o ilumina e o torna capaz de avaliar as realidades divinas e humanas, segundo o Espírito de Deus (84). Assim, o Espírito Santo pode servir-Se dos mais humildes para iluminar os sábios e os mais elevados em dignidade.
Ecclesia, in opere docendi et applicandi doctrinam moralem christianam, eget Pastorum sedulitate, theologorum scientia, omnium christianorum hominumque bonae voluntatis adiumento. Fides et Evangelium ductum in rem unicuique experientiam praebent vitae « in Christo », quae eum illuminat et capacem reddit realitates divinas aestimandi et humanas secundum Spiritum Dei. 263 Sic Spiritus Sanctus potest humillimis uti ad sapientes et dignitate altiores illustrandos.
§ 2039
Os ministérios devem exercer-se num espírito de serviço fraterno e de dedicação à Igreja, em nome do Senhor (85). Ao mesmo tempo, a consciência de cada um, no seu juízo moral sobre os seus actos pessoais, deve evitar fechar-se numa consideração individual. Deve abrir-se o mais possível à consideração do bem de todos, tal como ele se exprime na lei moral, natural e revelada, e consequentemente, na lei da Igreja e no ensino autorizado do Magistério sobre as questões morais. Não convém opor a consciência pessoal e a razão à lei moral ou ao Magistério da Igreja.
Ministeria in spiritu servitii fraterni et obsequii erga Ecclesiam debent exerceri, in nomine Domini. 264 Conscientia insimul singulorum, in suo iudicio morali de suis actibus personalibus, vitare debet ne in consideratione individuali sit clausa. Quam optime potest, conari debet ut ad considerationem boni omnium se aperiat, prout in lege morali exprimitur naturali et revelata, et consequenter in lege Ecclesiae et in doctrina authentica Magisterii de quaestionibus moralibus. Opponere non oportet conscientiam personalem et rationem legi morali vel Ecclesiae Magisterio.
§ 2040
Assim, pode desenvolver-se entre os cristãos um verdadeiro espírito filial em relação à Igreja. Esse espírito é a expansão normal da graça baptismal, que nos gerou no seio da Igreja e nos tornou membros do corpo de Cristo. Na sua solicitude maternal, a Igreja concede-nos a misericórdia de Deus, que supera todos os nossos pecados e age especialmente através do sacramento da Reconciliação. Como mãe solícita, administra-nos também, na sua liturgia, diariamente, o alimento da Palavra e da Eucaristia do Senhor.
Sic potest inter christianos verus spiritus filialis erga Ecclesiam augescere. Ipse est normalis expansio gratiae baptismalis, quae nos in Ecclesiae genuit sinu et membra reddidit corporis Christi. Ecclesia, sua materna sollicitudine, nobis tribuit Dei misericordiam quae omnia nostra superat peccata et in Reconciliationis speciatim agit sacramento. Ipsa, sicut praevidens mater, etiam in sua liturgia, alimentum Verbi et Eucharistiae Domini nobis largitur per dies. II. Praecepta Ecclesiae

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A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Os preceitos da Igreja

§ 2041
Os preceitos da Igreja inserem-se nesta linha duma vida moral ligada à vida litúrgica e nutrindo-se dela. O carácter obrigatório destas leis positivas, promulgadas pelas autoridades pastorais, tem por fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável de espírito de oração e de esforço moral e de crescimento no amor a Deus e ao próximo. Os preceitos mais gerais da Igreja são cinco:
Praecepta Ecclesiae in hac linea vitae moralis cum vita liturgica coniunctae et ab illa nutritae collocantur. Indoles obligatoria harum legum positivarum ab auctoritatibus pastoralibus promulgatarum, pro scopo habet fidelibus providere minimum pernecessarium in orationis spiritu et in morali nisu, in incremento amoris Dei et proximi.
§ 2042
O primeiro preceito («Ouvir missa inteira e abster-se de trabalhos servis nos domingos e festas de guarda») exige aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, bem como as principais festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos, que a Igreja declara como sendo de preceito, sobretudo participando na celebração eucarística em que a comunidade cristã se reúne e descansando de trabalhos e ocupações que possam impedir a santificação desses dias (86).O segundo preceito («Confessar-se ao menos uma vez em cada ano») assegura a preparação para a Eucaristia, mediante a recepção do sacramento da Reconciliação que continua a obra de conversão e perdão do Baptismo (87).O terceiro preceito («Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição») garante um mínimo na recepção do Corpo e Sangue do Senhor, em ligação com as festas pascais, origem e centro da liturgia cristã (88).
Primum praeceptum (« Diebus Dominicis ceterisque festis de praecepto Missam audire et ab operibus servilibus vacare ») a fidelibus exigit diem in quo resurrectio Domini commemoratur, necnon praecipuas liturgicas festivitates quae Domini, beatae Virginis Mariae et sanctorum honorant mysteria, sanctificare, imprimis eucharisticam participando celebrationem, in qua communitas congregatur christiana, atque ab illis requiescere laboribus et negotiis quae talem horum dierum sanctificationem possint impedire. 265 Secundum praeceptum (« Peccata saltem semel in anno confiteri ») ad Eucharistiam praestat praeparationem per receptionem sacramenti Reconciliationis, quod opus conversionis et veniae prosequitur Baptismi. 266Tertium praeceptum (« Eucharistiae sacramentum saltem in Paschate recipere ») minimum praestat in corporis et sanguinis Domini receptione in conexione cum festis Paschalibus, origine et centro liturgiae christianae. 267
§ 2043
O quarto preceito («Guardar abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja») assegura os dias de ascese e de penitência que nos preparam para as festas litúrgicas e contribuem para nos fazer adquirir domínio sobre os nossos instintos e a liberdade do coração (89).O quinto preceito («prover as necessidades da Igreja, segundo os legítimos usos e costumes e as determinações») aponta ainda aos fiéis a obrigação de prover, às necessidades materiais da Igreja consoante as possibilidades de cada um (90).
Quartum praeceptum (« Diebus ab Ecclesia statutis ab esu carnium abstinere et ieiunium servare ») tempora tuetur asceseos et paenitentiae quae nos ad festa praeparant liturgica et ad acquirendum in nostros instinctus dominium et cordis libertatem. 268 Quintum praeceptum (« Ecclesiae necessitatibus subvenire ») enuntiat, fideles praeterea obligari ad subveniendum, singulos secundum suam facultatem, materialibus Ecclesiae necessitatibus. 269 III. Vita moralis et testimonium missionarium

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A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Vida moral e testemunho missionário

§ 2044
A fidelidade dos baptizados é condição primordial para o anúncio do Evangelho e para a missão da Igreja no mundo. Para manifestar diante dos homens a sua força de verdade e irradiação, a mensagem de salvação deve ser autenticada pelo testemunho de vida dos cristãos. «O testemunho de vida cristã e as obras realizadas com espírito sobrenatural são meios poderosos para atrair os homens à fé e a Deus» (91).
Baptizatorum fidelitas condicio est primaria pro Evangelii annuntiatione et pro Ecclesiae missione in mundo. Salutis nuntius, ut suam veritatis et splendoris vim coram hominibus ostendat, vitae christianorum consignari debet testimonio. « Ipsum testimonium vitae christianae et opera bona spiritu supernaturali exercita, vim habent attrahendi homines ad fidem et ad Deum ». 270
§ 2045
Porque são membros do corpo cuja cabeça é Cristo (92), os cristãos contribuem, pela constância das suas convicções e dos seus costumes, para a edificação da Igreja. A Igreja cresce, aumenta e desenvolve-se pela santidade dos seus fiéis (93), até ao «estado do homem perfeito, à medida da estatura de Cristo na sua plenitude» (Ef 4, 13).Resumindo:
Christiani, quia membra sunt corporis cuius Christus est Caput, 271 suarum persuasionum et suorum morum constantia, ad aedificationem Ecclesiae conferunt. Ecclesia augetur, crescit et expanditur suorum fidelium sanctitate, 272 donec ipsi constituantur « in virum perfectum in mensuram aetatis plenitudinis Christi » (Eph 4,13).
§ 2046
Vivendo segundo Cristo, os cristãos apressam a vinda do Reino de Deus, do «Reino da justiça, da verdade e da paz» (94). Mas nem por isso descuram as suas tarefas terrestres. Fiéis ao seu Mestre, cumprem-nas com rectidão, paciência e amor.
Christiani, sua secundum Christum vita, accelerant Adventum Regni Dei, quod est « Regnum iustitiae, amoris et pacis ». 273 Non ideo sua terrena neglegunt munera; ipsi, suo Magistro fideles, rectitudine, patientia et amore, illa adimplent.

COMPÊNDIO

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

Resumindo

§ 2047
A vida moral é um culto espiritual. O agir cristão encontra alimento na liturgia e na celebração dos sacramentos.
Moralis vita cultus est spiritualis. Christianus agendi modus in liturgia et in sacramentorum celebratione suum invenit nutrimentum.
§ 2048
Os preceitos da Igreja dizem respeito à vida moral e cristã, unida à liturgia e nutrindo-se dela.
Ecclesiae praecepta ad moralem et christianam attinent vitam, liturgiae unitam et ab illa nutritam.
§ 2049
O magistério dos pastores da Igreja em matéria moral exerce-se ordinariamente na catequese e na pregação, com base no Decálogo, que enuncia os princípios da vida moral válidos para todo o homem.
Magisterium Pastorum Ecclesiae in re morali generatim in catechesi exercetur et in praedicatione, super fundamentum Decalogi qui vitae moralis enuntiat principia pro omni homine valida.
§ 2050
O Romano Pontífice e os bispos, na qualidade de doutores auténticos, pregam ao povo de Deus a fé que deve ser acreditada e aplicada nos costumes. Compete-lhes também pronunciarem-se sobre as questões morais da área da lei natural e da razão.
Romanus Pontifex et Episcopi, tamquam doctores authentici, populo Dei fidem credendam et moribus applicandam praedicant. Ad eos etiam pertinet iudicium de moralibus ferre quaestionibus quae ad legem naturalem pertinent et ad rationem.
§ 2051
A infalibilidade do Magistério dos pastores abrange todos os elementos de doutrina, mesmo moral, sem os quais as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas ou observadas.
Infallibilitas Magisterii Pastorum ad omnia doctrinae extenditur elementa, doctrina morali in illis inclusa, sine quibus veritates fidei salutares nequeunt custodiri, exponi vel observari.

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2052
«Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?» Ao jovem que Lhe faz esta pergunta, Jesus responde, primeiro, invocando a necessidade de reconhecer a Deus como «o único Bom», o Bem por excelência e a fonte de todo o bem. Depois, declara-lhe: «Se queres entrar na vida, observa os mandamentos». E cita ao seu interlocutor os mandamentos que dizem respeito ao amor do próximo: «Não matarás; não cometerás adultério: não furtarás; não levantarás falso testemunho; honra pai e mãe». Finalmente, resume estes mandamentos de modo positivo: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Mt 19, 16-19).

Os Dez Mandamentos

Êxodo 20, 2-17 Deuteronómio 5, 6-21 Fórmula Catequética
Eu sou o Senhor teu Deus, Que te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravidão. Não terás outros deuses perante Mim. Não farás de ti nenhuma imagem esculpida... Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto dessa casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de Mim... Primeiro: Adorar a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas.
Não invocarás em vão o Nome do Senhor teu Deus... Não invocarás em vão o Nome do Senhor teu Deus... Segundo: Não invocar o santo nome de Deus em vão.
Lembrar-te do dia do Sábado para o santificar... Guarda o dia do sábado para o santificar. Terceiro: Santificar os domingos e festas de guarda.
Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias... Honra teu pai e tua mãe... Quarto: Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
Não matarás. Não matarás. Quinto: Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo).
Não cometerás adultério. Não cometerás adultério. Sexto: Guardar castidade nas palavras e nas obras.
Não roubarás. Não roubarás. Sétimo: Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. Oitavo: Não levantar falsos testemunhos (nem faltar à verdade ou difamar o próximo).
Não cobiçarás a casa do teu próximo. Nono: Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.
Não desejarás a mulher do próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem nada que lhe pertença. Não desejarás a mulher do teu próximo; Não cobiçarás ... nada que pertença ao teu próximo. Décimo: Não cobiçar as coisas alheias.
Estes dez mandamentos resumem-se em dois que são:
Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos.
« Magister, quid boni faciam, ut habeam vitam aeternam? ». Adulescenti hanc Ei quaestionem proponenti, Iesus imprimis respondet necessitatem asseverans agnoscendi Deum tamquam Illum qui « unus est Bonus », tamquam Bonum per excellentiam et tamquam omnis boni fontem. Iesus deinde ei declarat: « Si autem vis ad vitam ingredi, serva mandata ». Et collocutori Suo praecepta memorat quae amorem proximi respiciunt: « Non homicidium facies, non adulterabis, non facies furtum, non falsum testimonium dices, honora patrem et matrem ». Iesus denique haec mandata modo compendiat positivo: « Diliges proximum tuum sicut teipsum » (Mt 19,16-19).
§ 2053
A esta primeira resposta vem juntar-se uma segunda: «Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá-os aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Vem, depois, e segue-Me» (Mt 19, 21). Esta resposta não anula a primeira. Seguir Jesus implica cumprir os mandamentos. A Lei não é abolida (1): mas o homem é convidado a reencontrá-la na Pessoa do seu mestre, em Quem ela encontra o seu perfeito cumprimento. Nos três evangelhos sinópticos, o apelo de Jesus ao jovem rico, para O seguir na obediência de discípulo e na observância dos preceitos, está associado ao apelo à pobreza e à castidade (2). Os conselhos evangélicos são inseparáveis dos mandamentos.
Huic primae responsioni adiungitur altera: « Si vis perfectus esse, vade, vende, quae habes, et da pauperibus, et habebis thesaurum in caelo; et veni, sequere me » (Mt 19,21). Haec priorem non abrogat. Christi sequela mandatorum includit impletionem. Lex non aboletur,1 sed homo invitatur ad eam reperiendam in persona Magistri sui, qui eius adimpletio est perfecta. In tribus Evangeliis synopticis, vocatio Iesu iuveni diviti directa, ut Eum per oboedientia discipuli sequatur et praeceptorum observantiam, vocationi ad paupertatem et castitatem est proxima.2 Consilia evangelica a mandatis sunt inseparabilia.
§ 2054
Jesus retomou os dez mandamentos, mas manifestou a força do Espírito que actua na letra em que eles se exprimem. Pregou a «justiça que excede a dos escribas e fariseus» (3), do mesmo modo que a dos pagãos (4). E explicou todas as exigências dos mandamentos: «Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás [...]; Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal» (Mt 5, 21-22).
Iesus iterum decem sumpsit mandata, sed vim Spiritus manifestavit in eorum littera operantem; praedicavit iustitiam quae illam scribarum superat et Pharisaeorum3 sicut etiam illam paganorum.4 Omnes mandatorum explicuit exigentias: « Audistis quia dictum est antiquis: Non occides [...]. Ego autem dico vobis: Omnis, qui irascitur fratri suo, reus erit iudicio » (Mt 5,21-22).
§ 2055
Quando Lhe perguntam: «Qual é o maior mandamento que há na Lei?» (Mt 22, 36), Jesus responde: «Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente: tal é o maior e primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. A estes dois mandamentos está Ligada toda a Lei, bem como os Profetas» (Mt 22, 37-40) (5). O Decálogo deve ser interpretado à luz deste duplo e único mandamento da caridade, plenitude da Lei.

«De facto: ''Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás" bem como qualquer outro mandamento, estão resumidos numa só frase: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo". O amor não faz mal ao próximo. Assim, é no amor que está o pleno cumprimento da Lei» (Rm 13, 9-10).

Cum Ei ponitur quaestio: « Quod est mandatum magnum in Lege? » (Mt 22,36), Iesus respondet: « Diliges Dominum Deum tuum in toto corde tuo et in tota anima tua et in tota mente tua: hoc est magnum et primum mandatum. Secundum autem simile est huic: Diliges proximum tuum sicut teipsum. In his duobus mandatis universa Lex pendet et Prophetae » (Mt 22,37-40).5 Decalogus est interpretandus luce huius duplicis et unici mandati caritatis, quae Legis est plenitudo:

« Nam: Non adulterabis, Non occides, Non furaberis, Non concupisces, et quod est aliud mandatum, in hoc verbo recapitulatur: Diliges proximum tuum tamquam teipsum. Dilectio proximo malum non operatur; plenitudo ergo Legis est dilectio » (Rom 13,9-10).

O DECÁLOGO NA SAGRADA ESCRITURA

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2056
A palavra «Decálogo» significa literalmente «dez palavras» (Ex 34, 28: Dt 4, 13: 10, 4). Estas dez palavras, Deus as revelou ao seu povo na montanha sagrada. Escreveu-as com o «seu Dedo» (6), o que não aconteceu com os outros preceitos escritos por Moisés (7). São palavras de Deus num sentido eminente e foram-nos transmitidas no Livro do Êxodo(8) e no do Deuteronómio (9). Desde o Antigo Testamento que os livros santos fazem referência às «dez palavras» mas é na Nova Aliança em Jesus Cristo que será revelado o seu sentido pleno.
Verbum « Decalogus » litteraliter significat « decem verba » (Ex 34,28; Dt 4,13; 10,4). Deus populo Suo super monte sancto haec « decem verba » revelavit. Ea scripsit « Digito Suo »,6 aliter ac alia praecepta a Moyse scripta.7 Eadem, sensu eminenti, Dei constituunt verba. Nobis in libro Exodi transmittuntur8 et in illo Deuteronomii.9 Inde a Vetere Testamento, Libri Sancti ad « decem verba » referuntur,10 sed in Novo Testamento in Iesu Christo eorum plenus revelabitur sensus.
§ 2057
O Decálogo compreende-se, antes de mais nada, no contexto do Êxodo que é o grande acontecimento libertador de Deus, no centro da Antiga Aliança. Quer sejam formuladas como preceitos negativos ou interdições, quer como mandamentos positivos (por exemplo: «Honra teu pai e tua mãe»), as «dez palavras» indicam as condições duma vida liberta da escravidão do pecado. O Decálogo é um caminho de vida:

«Se amares o teu Deus, andares nos seus caminhos e guardares os seus mandamentos, leis e costumes, viverás e multiplicar-te-ás» (Dt 30, 16).

Esta força libertadora do Decálogo aparece, por exemplo, no mandamento sobre o repouso do sábado, que abrange igualmente os estrangeiros e os escravos:

«Recorda-te de que foste escravo no país do Egipto, de onde o Senhor teu Deus te fez sair com mão forte e braço poderoso» (Dt 5, 15).

Decalogus imprimis in contextu intelligitur Exodi qui, in Veteris Foederis centro, magnus liberans est Dei eventus. « Decem verba » sive tamquam praecepta negativa, prohibitiones, redigantur sive tamquam mandata positiva (sicut « Honora patrem tuum et matrem tuam »), condiciones indicant pro vita a servitute peccati liberata. Decalogus est via vitae:

« Si [...] diligas Dominum Deum tuum et ambules in viis Eius et custodias mandata Illius et praecepta atque iudicia, vives; ac multiplicabit te » (Dt 30,16).

Haec liberatrix Decalogi vis apparet exempli gratia in mandato de requie sabbati, quod pariter advenis destinatur et servis:

« Memento quod et ipse servieris in Aegypto, et eduxerit te inde Dominus Deus tuus in manu forti et brachio extento » (Dt 5,15).

§ 2058
As «dez palavras» resumem e proclamam a Lei de Deus: «Estas palavras dirigiu-as o Senhor a toda a vossa assembleia sobre a montanha, do meio do fogo, da nuvem e das trevas, com voz forte, sem acrescentar mais nada: escreveu-as em duas tábuas de pedra e entregou-mas» (Dt 5, 22). Por isso é que estas duas tábuas são chamadas «o testemunho» (Ex 25, 16). De facto, elas contêm as cláusulas da aliança concluída entre Deus e o seu povo. Estas «tábuas do testemunho» (Ex 31, 18; 32, 15; 34, 29) devem ser depositadas na «arca» (Ex 25, 16: 40, 1-2).
« Decem verba » Legem Dei compendiant et proclamant: « Haec verba locutus est Dominus ad omnem multitudinem vestram in monte, de medio ignis et nubis et caliginis voce magna nihil addens amplius; et scripsit ea in duabus tabulis lapideis, quas tradidit mihi » (Dt 5,22). Hac de causa, hae duae tabulae appellantur « Testimonium » (Ex 25,16). Eaedem etenim continent Foederis condiciones inter Deum et Eius populum sanciti. Has « tabulas testimonii » (Ex 31,18; 32,15; 34,29) in « arca » opus erat deponere (Ex 25,16; 40,1-3).
§ 2059
As «dez palavras» são pronunciadas por Deus no decurso duma teofania («sobre a montanha, no meio do fogo, o Senhor vos falou face a face»: Dt 5, 4). Fazem parte da revelação que Deus fez de Si mesmo e da sua glória. O dom dos mandamentos é uma dádiva do próprio Deus e da sua santa vontade. Dando a conhecer as suas vontades, Deus revela-Se ao seu povo.
« Decem verba » a Deo intra theophaniam proferuntur (« Facie ad faciem locutus est vobis in monte de medio ignis »: Dt 5,4). Ad Revelationem pertinent quam Deus de Se Ipso deque Sua gloria facit. Mandatorum donum est donum Ipsius Dei atque sanctae Eius voluntatis. Deus, cognitas reddens Suas voluntates, populo Suo Se revelat.
§ 2060
O dom dos mandamentos e da Lei faz parte da Aliança selada por Deus com os seus. Segundo o Livro do Êxodo, a revelação das «dez palavras» teve lugar entre a proposta da Aliança (11) e a sua conclusão (12) depois de o povo se ter comprometido a «fazer» tudo o que o Senhor tinha dito e a «obedecer» (13). O Decálogo nunca é transmitido sem primeiro se evocar a Aliança («o Senhor nosso Deus firmou connosco uma Aliança no Horeb»: Dt 5, 2).
Mandatorum et Legis donum partem constituit Foederis a Deo cum Eius populo sanciti. Secundum librum Exodi, revelatio « decem verborum » conceditur inter Foederis propositionem11 et eius conclusionem12 — postquam populus se obligavit ad « faciendum » quidquid Dominus dixerat eique « oboediendum ».13 Decalogus nunquam transmittitur nisi post Foederis commemorationem (« Dominus Deus noster pepigit nobiscum Foedus in Horeb »: Dt 5,2).
§ 2061
É no âmbito da Aliança que os mandamentos recebem o seu pleno significado. Segundo a Escritura, o procedimento moral do homem atinge todo o seu sentido na e pela Aliança. A primeira das "dez palavras" lembra o amor primeiro de Deus pelo seu povo:

«Como, em castigo do pecado, se tinha dado a passagem do paraíso da liberdade para a escravidão deste mundo, por esse motivo, a primeira frase do Decálogo, primeira palavra dos mandamentos de Deus, incide sobre a liberdade: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, de uma casa de escravidão" (Ex 20, 2: Dt 5, 6)» (14).

Praecepta suam plenam significationem recipiunt intra Foedus. Secundum Scripturam, moralis modus agendi hominis totum suum sumit sensum in Foedere et per illud. Primum ex « decem verbis » priorem commemorat amorem Dei erga populum Eius:

« Et quoniam de paradiso libertatis pro poena peccati ad huius mundi ventum fuerat servitutem, idcirco primus sermo Decalogi, id est prima mandatorum Dei vox de libertate profertur dicens: "Ego sum Dominus Deus tuus, qui eduxi te de terra Aegypti, de domo servitutis" (Ex 20,2; Dt 5,6) ».14

§ 2062
Os mandamentos propriamente ditos vêm em segundo lugar e traduzem as implicações da pertença a Deus, instituída pela Aliança. A existência moral é resposta à iniciativa amorosa do Senhor. É reconhecimento, homenagem a Deus e culto de acção de graças. É cooperação com o plano que Deus prossegue na história.
Mandata stricte dicta secundo veniunt loco; implicationes exprimunt condicionis pertinendi ad Deum per Foedus institutae. Moralis exsistentia responsio est ad inceptum Domini plenum amore. Est agnitio, obsequium Deo et cultus actionis gratiarum. Est cooperatio proposito quod Deus in historia prosequitur.
§ 2063
A Aliança e o diálogo entre Deus e o homem são ainda comprovados pelo facto de todas as obrigações serem enunciadas em primeira pessoa ("Eu sou o Senhor...") e dirigidas a um outro sujeito ("tu..."). Em todos os mandamentos de Deus, é um pronome pessoal singular que designa o destinatário. Ao mesmo tempo que a todo o povo, Deus faz conhecer a sua vontade a cada um em particular:

«O Senhor prescreveu o amor para com Deus e ensinou a justiça para com o próximo, para que o homem não fosse nem injusto nem indigno de Deus. Assim, através do Decálogo, Deus preparava o homem para se tornar seu amigo e ter um só coração com o seu próximo [...]. As palavras do Decálogo continuam a ser para nós [cristãos] o que eram; longe de serem abolidas, elas receberam amplificação e desenvolvimento, com o facto da vinda do Senhor na carne» (15).

Foedus et dialogus inter Deum et hominem testimonium etiam accipiunt ex eo quod omnia officia in prima enuntiantur persona (« Ego sum Dominus... ») et ad aliud diriguntur subiectum (« Tu... »). In omnibus Dei mandatis, pronomen personale habetur singulare quod eum designat ad quem diriguntur. Deus, simul ac omni populo, unicuique singillatim Suam voluntatem praebet cognoscendam:

« Et erga Deum dilectionem praecipiebat et eam quae ad proximum est iustitiam insinuabat, ut neque iniustus neque indignus sit Deo, praestruens hominem per Decalogum in Suam amicitiam et eam quae circa proximum est concordiam [...]. Et ideo similiter [Decalogi verba] permanent apud nos [christianos], extensionem et augmentum, sed non dissolutionem accipientia per carnalem Eius Adventum ».15

O DECÁLOGO NA TRADIÇÃO DA IGREJA

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2064
Na fidelidade à Sagrada Escritura e em conformidade com o exemplo de Jesus, a Tradição da Igreja reconheceu no Decálogo uma importância e um significado primordiais.
Ecclesiae Traditio, Scripturae fidelis et secundum Iesu exemplum, Decalogo momentum agnovit et significationem primi ordinis.
§ 2065
A partir de Santo Agostinho, os "Dez Mandamentos" têm um lugar preponderante na catequese dos futuros baptizados e dos fiéis. No século XV, começou o costume de exprimir os preceitos do Decálogo em fórmulas rimadas, fáceis de decorar, e positivas, que ainda hoje se usam. Os catecismos da Igreja expuseram muitas vezes a moral cristã seguindo a ordem dos «Dez Mandamentos».
Inde a sancto Augustino, « decem mandata » in catechesi baptizandorum et fidelium locum habent praevalentem. Saeculo XV, mos incepit Decalogi praecepta exprimendi formulis similiter cadentibus, quae facile memoria retinerentur, et positivis. Tales adhuc hodie adhibentur. Ecclesiae catechismi saepe doctrinam moralem christianam exposuerunt secundum « decem mandatorum » ordinem.
§ 2066
A divisão e a numeração dos mandamentos variou no decurso da história. O actual catecismo segue a divisão dos mandamentos estabelecida por Santo Agostinho e que passou a ser tradicional na Igreja Católica. É a mesma das «confissões» luteranas. Os Padres gregos procederam a uma divisão um tanto diversa, que se encontra nas Igrejas ortodoxas e nas comunidades reformadas.
Mandatorum divisio et enumeratio in historiae decursu variae fuerunt. Hic catechismus divisionem mandatorum sequitur a sancto Augustino stabilitam et in Ecclesia catholica traditionalem effectam. Haec est pariter illa confessionum lutheranarum. Patres Graeci aliquantulum differentem peregerunt divisionem quae in Ecclesiis orthodoxis et in communitatibus invenitur reformatis.
§ 2067
Os Dez Mandamentos enunciam as exigências do amor de Deus e do próximo. Os três primeiros referem-se mais ao amor de Deus: os outros sete, ao amor do próximo:

«Como a caridade abrange dois preceitos, nos quais o Senhor resume toda a Lei e os Profetas, [...] assim também os Dez Mandamentos estão divididos em duas tábuas. Três foram escritos numa tábua e sete na outra» (16).

Decem praecepta exigentias enuntiant amoris Dei et proximi. Tria priora magis ad amorem Dei referuntur et alia septem ad amorem proximi.

« Nam sicut duo sunt praecepta dilectionis, ex quibus Dominus dicit totam Legem Prophetasque pendere, [...] ita ipsa decem praecepta in duabus tabulis data sunt. Tria quippe dicuntur in una tabula esse conscripta, et septem in altera ».16

§ 2068
O Concílio de Trento ensina que os Dez Mandamentos obrigam os cristãos e que o homem justificado continua obrigado a cumpri-los (17). E o II Concilio do Vaticano também o afirma: «Os bispos, sucessores dos Apóstolos, recebem do Senhor [...] a missão de ensinar todas as nações e de pregar o Evangelho a toda a criatura, para que todos os homens se salvem pela fé, pelo Baptismo e pelo cumprimento dos mandamentos» (18).
Concilium Tridentinum docet decem praecepta christianos obligare et hominem iustificatum ad ea observanda adhuc teneri.17 Concilium Vaticanum II affirmat: « Episcopi, utpote Apostolorum successores, a Domino [...] missionem accipiunt docendi omnes gentes et praedicandi Evangelium omni creaturae, ut homines universi, per fidem, Baptismum et adimpletionem mandatorum salutem consequantur ».18 Unitas Decalogi

A UNIDADE DO DECÁLOGO

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2069
O Decálogo forma um todo indissociável. Cada «Palavra» remete para cada uma das outras e para todas; elas condicionam-se reciprocamente. As duas «tábuas» esclarecem-se mutuamente; formam uma unidade orgânica. Transgredir um mandamento é infringir todos os outros (19). Não é possível honrar a outrem sem louvar a Deus seu criador; nem se pode adorar a Deus sem amar todos os homens, suas criaturas. O Decálogo unifica a vida teologal e a vida social do homem.
Decalogus summam efformat inseparabilem. Singula « verba », alia ad alia, referuntur et ad omnia; reciproce se afficiunt. Duae tabulae sese mutuo illuminant; unitatem efformant organicam. Unum transgredi mandatum est cetera infringere omnia.19 Alius honorari nequit quin Deus benedicatur Creator eius. Deus adorari non posset quin omnes homines amarentur Eius creaturae. Decalogus vitam adunat theologalem vitamque socialem hominis.Decalogus et lex naturalis

O DECÁLOGO E A LEI NATURAL

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2070
Os Dez Mandamentos fazem parte da revelação de Deus. Mas, ao mesmo tempo, ensinam-nos a verdadeira humanidade do homem. Põem em relevo os deveres essenciais e, por conseguinte, indirectamente, os direitos fundamentais inerentes à natureza da pessoa humana. O Decálogo encerra uma expressão privilegiada da «lei natural»:

No princípio, Deus admoestou os homens com os preceitos da lei natural, que tinha enraizado nos seus corações, isto é, pelo Decálogo. Se alguém não os cumprisse, não se salvaria. E Deus não exigiu mais nada aos homens» (20).

Decem mandata ad Dei Revelationem pertinent. Ea nos simul veram hominis docent humanitatem. In lucem ponunt officia essentialia et exinde, indirecte, iura fundamentalia naturae personae humanae inhaerentia. Decalogus praeclaram continet expressionem « legis naturalis »:

« Nam Deus primo quidem per naturalia praecepta quae ab initio infixa dedit hominibus admonens eos, hoc est per Decalogum — quae si quis non fecerit, non habet salutem —, et nihil plus ab eis exquisivit ».20

§ 2071
Embora acessíveis à simples razão, os preceitos do Decálogo foram revelados. Para atingir um conhecimento completo e certo das exigências da lei natural, a humanidade pecadora precisava desta revelação:

«Uma explicação completa dos mandamentos do Decálogo tornou-se necessária no estado de pecado, por causa do obscurecimento da lei da razão e do desvio da vontade» (21)

Decalogi praecepta, quamvis soli rationi sint pervia, revelata sunt. Ad completam et certam cognitionem obtinendam exigentiarum legis naturalis, peccator genus humanum hac egebat revelatione:

« Explicatio enim plenaria mandatorum Decalogi opportuna fuit secundum statum peccati propter obscurationem luminis rationis et propter obliquationem voluntatis ».21

A OBRIGAÇÃO DO DECÁLOGO

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2072
Uma vez que exprimem os deveres fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo, os Dez Mandamentos revelam, no seu conteúdo primordial, obrigações graves. São basicamente imutáveis e a sua obrigação impõe-se sempre e em toda a parte. Ninguém pode dispensar-se dela. Os Dez Mandamentos foram gravados por Deus no coração do ser humano.
Decem praecepta, quippe quae officia hominis erga Deum et erga proximum eius exprimunt fundamentalia, revelant in iis, quae primario continent, obligationes graves. Ea fundamentaliter sunt immutabilia et eorum obligationes semper et ubique valent. Nemo ab eis posset dispensare. Decem mandata in corde hominis sunt a Deo inscripta.
§ 2073
Mas a obediência aos mandamentos também implica obrigações cuja matéria, em si mesma, é leve. Assim, a injúria por palavras é proibida pelo quinto mandamento, mas só poderá ser falta grave em razão das circunstâncias ou da intenção de quem a profere.
Oboedientia erga praecepta implicat etiam obligationes, quarum materia in se ipsa est levis. Sic iniuria verbis a quinto prohibetur mandato, sed culpa gravis esse non posset nisi ratione adiunctorum vel intentionis illius qui eam profert.« Sine me nihil potestis facere »

«SEM MIM, NADA PODEIS FAZER»

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2074
Jesus diz: «Eu sou a cepa, vós as varas. Quando alguém permanece em Mim, e Eu nele, esse é que dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer» (Jo 15, 5). O fruto, a que se faz referência nesta palavra, é a santidade duma vida fecundada pela união com Cristo. Quando cremos em Jesus Cristo, comungamos nos seus mistérios e guardamos os seus mandamentos, o Salvador vem em pessoa amar em nós o seu Pai e os seus irmãos, o nosso Pai e os nossos irmãos. A sua pessoa toma-se, graças ao Espírito, a regra viva e interior do nosso agir. «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei» (Jo 15, 12).Resumindo:
Iesus dicit: « Ego sum vitis, vos palmites. Qui manet in me, et ego in eo, hic fert fructum multum, quia sine me nihil potestis facere » (Io 15,5). Fructus hoc verbo commemoratus est sanctitas vitae per unionem cum Christo fecundatae. Cum in Iesum Christum credimus, mysteria Eius communicamus et Eius servamus mandata, Ipse Salvator venit ad Patrem Suum fratresque Suos, Patrem nostrum atque nostros fratres in nobis amandos. Eius persona fit, propter Spiritum, regula viva et interior nostri agendi modi. « Hoc est praeceptum meum, ut diligatis invicem, sicut dilexi vos » (Io 15,12). Compendium

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2075
«Que devo fazer de bom para ter a vida eterna; – Se queres entrar na vida, observa os mandamentos» (Mt 19, 16-17).
« Quid boni faciam, ut habeam vitam aeternam » – « Si [...] vis ad vitam ingredi, serva mandata » (Mt 19,16-17).
§ 2076
Com o seu modo de agir e com a sua pregação, Jesus confirmou a perenidade do Decálogo.
Iesus, Suo agendi modo Suaque praedicatione, perennitatem Decalogi testatus est.
§ 2077
A dádiva do Decálogo foi feita no âmbito da Aliança concluída por Deus com o seu povo. É nesta e por esta Aliança que os mandamentos de Deus recebem o seu verdadeiro significado.
Decalogi donum est concessum intra Foedus a Deo cum Eius populo conclusum. Praecepta Dei suam veram accipiunt significationem in hoc Foedere et per hoc Foedus.
§ 2078
Por fidelidade à Escritura e em conformidade com o exemplo de Jesus, a Tradição da Igreja reconheceu ao Decálogo uma importância e um significado primordiais.
Ecclesiae Traditio, Scripturae fidelis et secundum Iesu exemplum, Decalogo agnovit primi ordinis et momentum et significationem.
§ 2079
O Decálogo forma uma unidade orgânica, em que cada «palavra» ou «mandamento» remete para todo o conjunto. Transgredir um mandamento é infringir toda a Lei (22).
Decalogus unitatem efformat organicam in qua unumquodque « verbum » vel « mandatum » ad totum remittit complexum. Unum mandatum transgredi est totam infringere Legem.22
§ 2080
O Decálogo encerra uma expressão privilegiada da lei natural. É-nos dado a conhecer pela revelação divina e pela razão humana.
Decalogus praeclaram legis naturalis continet expressionem. A nobis per divinam Revelationem et per humanam cognoscitur rationem.
§ 2081
Os Dez Mandamentos enunciam, no seu conteúdo fundamental, obrigações graves. No entanto, a obediência a estes mandamentos implica também obrigações, cuja matéria, em si mesma, é leve.
Decem praecepta in iis, quae primario continent, obligationes enuntiant graves. Tamen oboedientia ad haec praecepta etiam implicat obligationes, quarum materia in se ipsa est levis.
§ 2082
Aquilo que Deus manda, Ele o torna possível pela sua grata.
Quod Deus praecipit, per Suam gratiam possibile reddit. (1) Cf Mt 5,17.(2) Cf Mt 19,6-12.21.23-29. (3) Cf Mt 5,20.(4) Cf Mt 5,46-47.(5) Cf Dt 6,5; Lv 19,18. (6) Cf Ex 31,18; Dt 5,22. (7) Cf Dt 31,9.24. (8) Cf Ex 20,1-17. (9) Cf Dt 5,6-22. (10) Cf, exempli gratia, Os 4,2; Ier 7,9; Ez 18,5-9.(11) Cf Ex 19.(12) Cf Ex 24. (13) Cf Ex 24,7. (14) Origenes, In Exodum homilia 8, 1: SC 321, 242 (PG 12, 350).(15) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4, 16, 3-4: SC 100, 566-570 (PG 7, 1017-1018). (16) Sanctus Augustinus, Sermo 33,2: CCL 41, 414 (PL 38, 208).(17) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 6a, Decretum de iustificatione, canones 19-20: DS 1569-1570.(18) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 24: AAS 57 (1965).(19) Cf Iac 2,10-11.(20) Sanctus Irenaeus Lugdunensis, Adversus haereses, 4, 15, 1: SC 100, 548 (PG 7, 1012).(21) Sanctus Bonaventura, In quattuor libros Sententiarum, 3, 37, 1, 3: Opera omnia, v. 3 (Ad Claras Aquas 1887) p. 819-820. (22) Cf Iac 2,10-11.

«AMARÁS O SENHOR TEU DEUS COM TODO O TEU CORAÇÃO, COM TODA A TUA ALMA E COM TODAS AS TUAS FORÇAS»

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2083
Jesus resumiu os deveres do homem para com Deus nestas palavras: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente» (Mt 22, 37) (1). Elas são um eco imediato do apelo solene: «Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único» (Dt 6, 4).Deus foi o primeiro a amar. O amor do Deus único é lembrado na primeira das «dez palavras». Em seguida, os mandamentos explicitam a resposta de amor que o homem é chamado a dar ao seu Deus.
Iesus officia hominis erga Deum hoc compendiavit mandato: « Diliges Dominum Deum tuum in toto corde tuo et in tota anima tua et in tota mente tua » (Mt 22,37).23 In illis immediate resonat sollemnis appellatio: « Audi, Israel: Dominus Deus noster Dominus Unus est » (Dt 6,4). Deus prior dilexit. Amor Unius Dei in primo ex « decem verbis » recolitur. Praecepta deinde responsionem enodant amoris ad quam Deo suo praebendam vocatur homo. (23) Cf Lc 10,27: « ...ex omnibus viribus tuis ».

O PRIMEIRO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Ao Senhor teu Deus adorarás, a Ele servirás»

§ 2084
Deus dá-Se a conhecer lembrando a sua acção omnipotente, benevolente e libertadora, na história daquele a quem se dirige: «Sou Eu [...] que te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravidão» (Dt 5, 6). A primeira palavra encerra o primeiro mandamento da Lei: «Ao Senhor, teu Deus, adorarás, a Ele servirás [...]. Não ireis atrás de outras divindades» (Dt 6, 13-14). O primeiro apelo e a justa exigência de Deus é que o homem O acolha e O adore.
Deus Se cognoscendum praebet, Suam omnipotentem, benevolam et liberatricem commemorans actionem in historia illius ad quem Ipse dirigitur: « Ego [...], qui eduxi te de terra Aegypti, de domo servitutis » (Dt 5,6). Primum verbum mandatum Legis continet primum: « Dominum Deum tuum timebis, et Ipsi servies [...]. Non ibitis post deos alienos » (Dt 6,13-14). Prima Dei appellatio et iusta exigentia est, hominem Ipsum accipere et adorare.
§ 2085
O Deus único e verdadeiro revela, antes de mais, a sua glória a Israel (3). A revelação da vocação e da verdade do homem está ligada à revelação de Deus. O homem tem a vocação de manifestar Deus pelo seu agir, em conformidade com a sua criação, «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1, 26).

«Não haverá jamais outro Deus, ó Trifão, e nunca houve outro, desde os séculos [...], senão Aquele que fez e ordenou o Universo. Não pensamos que o nosso Deus seja diferente do vosso. É o mesmo que fez sair os vossos pais do Egipto, pela sua mão poderosa e braço levantado. Nós não pomos as nossas esperanças em qualquer outro, que não há, mas no mesmo que vós, o Deus de Abraão, Isaac e Jacob» (4).

Deus unus et verus Suam gloriam imprimis revelat Israel.25 Revelatio vocationis et veritatis hominis cum Dei Revelatione coniungitur. Homo vocationem habet Deum manifestandi per suum agendi modum congruentem cum sua creatione « ad imaginem et similitudinem » Dei (Gn 1,26):

« Neque alius unquam erit Deus, Trypho, neque alius a saeculo exstitit [...] praeter Eum qui hoc universum fecit et disposuit. Neque alium nobis, alium vobis Deum esse putamus, sed Ipsum Illum qui patres vestros eduxit ex terra Aegypti manu potenti et brachio excelso; neque in alium quemquam speramus (non enim exstat), sed in Eum in quem etiam vos, Deum Abrahami et Isaaci et Iacobi ».26

§ 2086
«O primeiro dos preceitos abrange a fé, a esperança e a caridade. De facto, quem diz Deus diz um ser constante, imutável, sempre o mesmo, fiel, perfeitamente justo. Daí se segue que devemos necessariamente aceitar as suas palavras e ter n'Ele uma fé e confiança plenas. É todo-poderoso, clemente, infinitamente propenso a bem-fazer. Quem poderia não pôr n'Ele todas as suas esperanças? E quem seria capaz de não O amar, ao ver os tesouros de bondade e ternura que derramou sobre nós? Daí a fórmula que Deus emprega na Sagrada Escritura, quer no princípio, quer no fim dos seus preceitos: Eu sou o Senhor» (5).
« In priori autem [mandato] continetur praeceptum fidei, spei et charitatis. Nam cum Deum dicimus, immobilem, incommutabilem, perpetuo eundem manentem, fidelem, recte sine ulla iniquitate confitemur; ex quo Eius oraculis assentientes, omnem Ipsi fidem et auctoritatem tribuamus necesse est. Qui vero omnipotentiam, clementiam et ad bene faciendum facilitatem ac propensionem Illius considerat, poteritne spes omnes suas non in Illo collocare? At si bonitatis ac dilectionis Ipsius effusas in nos divitias contempletur, Illumne poterit non amare? Hinc est illud prooemium, hinc illa conclusio, qua in praecipiendo mandandoque in Scriptura utitur Deus: Ego Dominus ».27 Fides

A FÉ

OS DEZ MANDAMENTOS

«Ao Senhor teu Deus adorarás, a Ele servirás»

§ 2087
A nossa vida moral tem a sua fonte na fé em Deus, que nos revela o seu amor. São Paulo fala da «obediência da fé» (6) como a primeira obrigação. E faz ver, no «desconhecimento de Deus», o princípio e a explicação de todos os desvios morais (7). O nosso dever para com Deus é crer n'Ele e dar testemunho d'Ele.
Nostra moralis vita suum invenit fontem in fide in Deum qui nobis Suum revelat amorem. Sanctus Paulus loquitur de oboeditione fidei28 tamquam de prima obligatione. Ipse efficit ut in « ignorantia Dei » principium et explicatio omnium moralium deflexionum perspiciantur.29 Nostrum erga Deum officium est in Eum credere Eique testimonium reddere.
§ 2088
O primeiro mandamento ordena-nos que alimentemos e guardemos com prudência e vigilância a nossa fé, rejeitando tudo quanto a ela se opõe. Pode-se pecar contra a fé de vários modos:A dúvida voluntária em relação à fé negligencia ou recusa ter por verdadeiro o que Deus revelou e a Igreja nos propõe para crer. A dúvida involuntária é a hesitação em crer, a dificuldade em superar as objecções relacionadas com a fé, ou ainda a angústia suscitada pela sua obscuridade. Quando deliberadamente cultivada, a dúvida pode levar à cegueira do espírito.
Primum mandatum a nobis postulat ut prudenter et vigilanter nostram nutriamus et custodiamus fidem atque reiiciamus quidquid illi opponitur. Diversi sunt modi contra fidem peccandi:Dubium voluntarium circa fidem negligit vel reiicit tamquam verum id aestimare quod Deus revelavit et Ecclesia proponit credendum. Dubium involuntarium indicat haesitationem in credendo, difficultatem obiectiones superandi cum fide coniunctas vel etiam anxietatem ab obscuritate fidei suscitatam. Dubium, si deliberate fovetur, ad spiritus potest ducere caecitatem.
§ 2089
A incredulidade é o desprezo da verdade revelada ou a recusa voluntária de lhe prestar assentimento. A «heresia é a negação pertinaz, depois de recebido o Baptismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou ainda a dúvida pertinaz acerca da mesma; apostasia é o repúdio total da fé cristã; cisma é a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos» (8).
Incredulitas est veritatis revelatae negligentia vel voluntaria recusatio illi assensum praebendi. « Dicitur haeresis, pertinax, post receptum Baptismum, alicuius veritatis fide divina et catholica credendae denegatio, aut de eadem pertinax dubitatio; apostasia, fidei christianae ex toto repudiatio; schisma, subiectionis Summo Pontifici aut communionis cum Ecclesiae membris eidem subditis detrectatio ».30 Spes

A ESPERANÇA

OS DEZ MANDAMENTOS

«Ao Senhor teu Deus adorarás, a Ele servirás»

§ 2090
Quando Deus Se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino pelas suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dará a capacidade de, por sua vez, O amar e de agir de acordo com os mandamentos da caridade. A esperança é a expectativa confiante da bênção divina e da visão beatífica de Deus: é também o receio de ofender o amor de Deus e de provocar o castigo.
Cum Deus Se revelat hominemque vocat, hic amori divino suis propriis viribus non potest plene respondere. Sperare debet, Deum ei capacitatem esse daturum redamandi atque secundum caritatis mandata agendi. Spes est fiducialis exspectatio benedictionis divinae et beatae visionis Dei; ipsa etiam timor est amorem Dei offendendi et punitionem provocandi.
§ 2091
O primeiro mandamento visa igualmente os pecados contra a esperança, que são o desespero e a presunção:Pelo desespero, o homem deixa de esperar de Deus a sua salvação pessoal, os socorros para a atingir, ou o perdão dos seus pecados. Opõe-se à bondade de Deus, à sua justiça (porque o Senhor é fiel às suas promessas) e à sua misericórdia.
Primum praeceptum ad peccata etiam contra spem refertur, quae desperatio sunt et praesumptio: Desperatione, homo a Deo suam salutem personalem, auxilia ut ad eam perveniat, vel suorum peccatorum veniam desinit sperare. Eadem bonitati opponitur Dei, iustitiae Eius — quia Deus Suis promissionibus est fidelis — et Eius misericordiae.
§ 2092
Há duas espécies de presunção: o homem ou presume das suas capacidades (esperando poder salvar-se sem a ajuda do Alto), ou presume da omnipotência ou misericórdia divinas (esperando obter o perdão sem se converter, e a glória sem a merecer).
Duae praesumptionis habentur species. Vel homo de suis praesumit capacitatibus (sperans se sine adiutorio ex alto posse salvari) vel praesumit de omnipotentia et misericordia divinis (sperans Eius veniam sine conversione obtinere et gloriam sine merito).Caritas

A CARIDADE

OS DEZ MANDAMENTOS

«Ao Senhor teu Deus adorarás, a Ele servirás»

§ 2093
A fé no amor de Deus implica o apelo e a obrigação de corresponder à caridade divina com um amor sincero. O primeiro mandamento manda-nos amar a Deus sobre todas as coisas (9) e a todas as criaturas por Ele e por causa d'Ele.
Fides in amorem Dei vocationem involvit et obligationem respondendi caritati divinae amore sincero. Primum mandatum nos Deum super omnia iubet amare31 omnesque creaturas per Eum et propter Eum.
§ 2094
Pode-se pecar contra o amor de Deus de diversas maneiras: a indiferença descuida ou recusa a consideração da caridade divina; desconhece-lhe o cuidado preveniente e nega-lhe a força. A ingratidão não reconhece, por desleixo ou recusa formal, a caridade divina, não retribuindo amor com amor. A tibieza, que é hesitação ou negligência em corresponder ao amor divino, pode implicar a recusa de se entregar ao movimento da caridade. A acédia ou preguiça espiritual chega a recusar a alegria que vem de Deus e a aborrecer o bem divino. O ódio a Deus nasce do orgulho: opõe-se ao amor de Deus, cuja bondade nega, e ousa amaldiçoá-lo como Aquele que proíbe o pecado e lhe inflige o castigo.
Diversis modis possibile est contra Dei amorem peccare: indifferentia considerationem caritatis divinae negligit vel reiicit; eam ignorat praevenire eiusque negat vim. Ingratitudo caritatem divinam omittit vel recusat agnoscere eique amorem reddere pro amore. Tepiditas est haesitatio vel negligentia ad amori divino respondendum, potest reiectionem implicare se motui caritatis tradendi. Acedia seu spiritualis pigritia pervenit usque ad reiiciendum gaudium, quod a Deo procedit, et ad bonum abhorrendum divinum. Odium erga Deum a superbia provenit. Amori opponitur Dei cuius bonitatem negat et cui maledicere intendit tamquam Ei qui peccata prohibet et poenas infligit. II. « Illi soli servies »

A CARIDADE

OS DEZ MANDAMENTOS

«Só a Ele prestarás culto»

§ 2095
As virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade informam e vivificam as virtudes morais. Assim, a caridade leva-nos a prestar a Deus o que com toda a justiça Lhe devemos, enquanto criaturas. A virtude da religião dispõe-nos para tal atitude.
Virtutes theologales fidei, spei et caritatis morales informant et vivificant virtutes. Sic caritas nos ducit ad id Deo reddendum quod Ei, quatenus creaturae, ex plena iustitia debemus. Virtus religionis nos ad hanc disponit habitudinem.

A ADORAÇÃO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Só a Ele prestarás culto»

§ 2096
A adoração é o primeiro acto da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-Lo como tal, Criador e Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe, Amor infinito e misericordioso. «Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto» (Lc 4, 8) – diz Jesus, citando o Deuteronómio (Dt 6, 13).
Adoratio primus est virtutis religionis actus. Deum adorare est Eum agnoscere tamquam Deum, tamquam Creatorem et Salvatorem, Dominum et Dominatorem omnium quae exsistunt, Amorem infinitum et misericordem. « Dominum tuum adorabis et Illi soli servies » (Lc 4,8), dicit Iesus afferens Deuteronomium (Dt 6,13).
§ 2097
Adorar a Deus é reconhecer, com respeito e submissão absoluta, o «nada da criatura», que só por Deus existe. Adorar a Deus é, como Maria no Magnificat, louvá-Lo, exaltá-Lo e humilhar-se, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que o seu Nome é santo (10). A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar sobre si próprio, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo.
Deum adorare est observantia et submissione absoluta agnoscere « nihilum creaturae », quae nonnisi a Deo est. Deum adorare est Eum, sicut Maria in « Magnificat », laudare, Eum extollere et se humiliare, cum gratitudine confitens Ipsum magna fecisse et sanctum esse Nomen Eius.32 Adoratio unius Dei hominem liberat a reclusione in se ipso, a peccati servitute et ab idololatria mundi.

A ORAÇÃO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Só a Ele prestarás culto»

§ 2098
Os actos de fé, de esperança e de caridade, exigidos pelo primeiro mandamento, fazem-se na oração. A elevação do espírito para Deus é uma expressão da nossa adoração ao mesmo Deus: oração de louvor e de acção de graças, de intercessão e de súplica. A oração é condição indispensável para se poder obedecer aos mandamentos de Deus. «E preciso orar sempre, sem desfalecer» (Lc 18, 1).
Actus fidei, spei et caritatis, quos primum iubet mandatum, in oratione fiunt. Spiritus ad Deum elevatio expressio est nostrae adorationis Dei: oratio laudis et gratiarum actionis, intercessionis et petitionis. Oratio condicio est pernecessaria ut quis praeceptis Dei oboedire possit. « Oportet semper orare et non deficere » (Lc 18,1). Sacrificium

O SACRIFÍCIO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Só a Ele prestarás culto»

§ 2099
É justo que se ofereçam a Deus sacrifícios, em sinal de adoração e de reconhecimento, de súplica e de comunhão: «Verdadeiro sacrifício é todo o acto realizado para se unir a Deus em santa comunhão e poder ser feliz» (11).
Iustum est Deo sacrificia offerre tamquam signum adorationis et grati animi, supplicationis et communionis: « Verum sacrificium est omne opus, quod agitur ut sancta societate inhaereamus Deo, relatum scilicet ad illum finem boni, quo veraciter beati esse possimus ».33
§ 2100
Para ser autêntico, o sacrifício exterior deve ser expressão do sacrifício espiritual: «O meu sacrifício é um espírito arrependido...» (Sl 51, 19). Os profetas da Antiga Aliança denunciaram muitas vezes os sacrifícios feitos sem participação interior (12) ou sem ligação com o amor do próximo (13). Jesus recorda a palavra do profeta Oseias: «Eu quero misericórdia e não sacrifício» (Mt 9, 13; 12, 7) (14). O único sacrifício perfeito é o que Cristo ofereceu na cruz, em total oblação ao amor do Pai e para nossa salvação (15). Unindo-nos ao seu sacrifício, podemos fazer da nossa vida um sacrifício a Deus.
Sacrificium externum, ut verum sit, sacrificii spiritualis expressio esse debet: « Sacrificium Deo spiritus contribulatus... » (Ps 51,19). Prophetae Veteris Foederis saepe effecta sine interna participatione accusaverunt sacrificia34 vel sine coniunctione cum amore proximi.35 Iesus verbum prophetae Oseae commemorat: « Misericordiam volo et non sacrificium » (Mt 9,13; 12,7).36 Unum sacrificium perfectum est illud quod Iesus, totali oblatione amori Patris et pro nostra salute, obtulit in cruce.37 Coniungentes nos cum Eius sacrificio, nostram vitam sacrificium possumus efficere Deo. Promissiones et vota

PROMESSAS E VOTOS

OS DEZ MANDAMENTOS

«Só a Ele prestarás culto»

§ 2101
Em muitas circunstâncias, o cristão chamado a fazer promessas a Deus. O Baptismo e a Confirmação, o Matrimónio e a Ordenação comportam sempre promessas. Por devoção pessoal, o cristão pode também prometer a Deus tal ou tal acto, uma oração, uma esmola, uma peregrinação, etc. A fidelidade às promessas feitas a Deus é uma manifestação do respeito devido à majestade divina e do amor para com o Deus fiel.
Christianus, multis in adiunctis, vocatur ad promissiones Deo faciendas. Baptismus et Confirmatio, Matrimonium et Ordinatio eas semper implicant. Christianus, devotione personali, etiam promittere potest Deo quemdam actum, quamdam orationem, quamdam eleemosynam, quamdam peregrinationem, etc. Fidelitas ad promissiones Deo factas est observantia debita divinae maiestati et amori erga Deum fidelem.
§ 2102
«O voto, isto é, a promessa deliberada e livre feita a Deus de um bem possível e melhor, deve cumprir-se por virtude da religião» (16). O voto é um acto de devoção, no qual o cristão se oferece a si próprio a Deus ou Lhe promete uma obra boa. Portanto, pelo cumprimento dos seus votos, ele dá a Deus o que Lhe foi prometido e consagrado. Os Actos dos Apóstolos mostram-nos São Paulo cuidadoso em cumprir os votos que fez (17).
« Votum, idest promissio deliberata ac libera Deo facta de bono possibili et meliore, ex virtute religionis impleri debet ».38 Votum est devotionis actus quo christianus se ipsum devovet Deo vel opus bonum Ei promittit. Ipse igitur, suorum votorum adimpletione, Deo id reddit quod Ei promissum et consecratum est. Actus Apostolorum nobis ostendunt sanctum Paulum sollicitum de adimplendis votis quae ipse fecit.39
§ 2103
A Igreja reconhece um valor exemplar aos votos de praticar os conselhos evangélicos (18):

«A mãe Igreja alegra-se por encontrar no seu seio muitos homens e mulheres que seguem mais de perto o abaixamento do Salvador e mais claramente o manifestam, abraçando a pobreza na liberdade dos filhos de Deus e renunciando à própria vontade: em matéria de perfeição, sujeitam-se ao homem, por amor de Deus, para além do que é obrigação, a fim de mais plenamente se conformarem a Cristo obediente» (19).

Ecclesia votis ad consilia evangelica exsequenda valorem agnoscit exemplarem:40

« Gaudet Mater Ecclesia plures in sinu suo inveniri viros ac mulieres, qui exinanitionem Salvatoris pressius sequuntur et clarius demonstrant, paupertatem in filiorum Dei libertate suscipientes et propriis voluntatibus abrenuntiantes: illi scilicet sese homini propter Deum in re perfectionis ultra mensuram praecepti subiiciunt, ut Christo oboedienti sese plenius conforment ».41

O DEVER SOCIAL DE RELIGIÃO E O DIREITO À LIBERDADE RELIGIOSA

OS DEZ MANDAMENTOS

«Só a Ele prestarás culto»

§ 2104
«Todos os homens têm o dever de buscar a verdade, sobretudo no que diz respeito a Deus e à sua Igreja; e de uma vez conhecida, a abraçar e guardar» Este dever funda-se na «própria natureza dos homens» (22). Não está em oposição ao «respeito sincero» pelas diversas religiões, que «muitas vezes reflectem um raio da verdade que ilumina todos os homens» (23), nem à exigência da caridade que impele os cristãos «a agir com amor, prudência e paciência para com os homens que se encontram no erro ou na ignorância da fé» (24).
« Homines [...] cuncti tenentur veritatem, praesertim in iis quae Deum Eiusque Ecclesiam respiciunt quaerere eamque cognitam amplecti ac servare ».43 Hoc officium ab ipsa hominum procedit natura.44 Sincerae observantiae non contradicit diversarum religionum quae « haud raro referunt [...] radium illius veritatis, quae illuminat omnes homines »,45 neque exigentiae caritatis quae christianos urget « ut amanter, prudenter, patienter aga[n]t cum hominibus, qui in errore vel ignorantia circa fidem versantur ».46
§ 2105
O dever de prestar a Deus um culto autêntico diz respeito ao homem individual e socialmente. Esta é «a doutrina católica tradicional sobre o dever moral que os homens e as sociedades têm para com a verdadeira religião e a única Igreja de Cristo» (25). Ao evangelizar incessantemente os homens, a Igreja trabalha para que eles possam «impregnar de espírito cristão as mentalidades e os costumes, as leis e as estruturas da comunidade em que vivem» (26). É dever social dos cristãos respeitar e despertar em cada homem o amor da verdade e do bem. Esse dever exige que tornem conhecido o culto da única verdadeira religião que subsiste na Igreja católica e apostólica (27). Os cristãos são chamados a ser a luz do mundo (28). A Igreja manifesta assim a realeza de Cristo sobre toda a criação, e em particular sobre as sociedades humanas (29).
Officium Deo cultum authenticum tribuendi hominem individualiter et socialiter respicit. Hoc constituit « traditionalem doctrinam catholicam de morali hominum ac societatum officio erga veram religionem et unicam Christi Ecclesiam ».47 Ecclesia, homines incessanter evangelizans, laborat ut ipsi possint spiritu christiano informare « mentem et mores, leges et structuras communitatis »,48 in qua vivunt. Christianorum sociale officium est in unoquoque homine observare et suscitare amorem veri et boni. Ab illis petit ut cognoscendum praebeant cultum unicae verae religionis quae in catholica et apostolica Ecclesia subsistit.49 Christiani vocantur ut lux mundi efficiantur.50 Sic Ecclesia regalitatem manifestat Christi super totam creationem et speciatim super humanas societates.51
§ 2106
«Que em matéria religiosa ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência, nem impedido de proceder dentro dos justos limites segundo a mesma, em privado e em público, só ou associado com outros» (30). Este direito funda-se na própria natureza da pessoa humana, cuja dignidade a leva a aderir livremente à verdade divina, que transcende a ordem temporal: e por isso, «permanece mesmo naqueles que não satisfazem a obrigação de buscar e aderir à verdade» (31).
« In re religiosa neque aliquis cogatur ad agendum contra suam conscientiam neque impediatur, quominus iuxta suam conscientiam agat privatim vel publice, vel solus vel aliis sociatus, intra debitos limites ».52 Hoc ius super natura ipsa humanae fundatur personae cuius dignitas efficit ut ipsa libere divinae adhaereat veritati quae ordinem temporalem transcendit. Quamobrem hoc ius « perseverat etiam in iis qui obligationi quaerendi veritatem eique adhaerendi non satisfaciunt ».53
§ 2107
«Se, em razão das circunstâncias particulares dos diferentes povos, se atribui a determinado grupo religioso um reconhecimento civil especial na ordem jurídica, é necessário que, ao mesmo tempo, se reconheça e assegure a todos os cidadãos e comunidades religiosas o direito à liberdade em matéria religiosa» (32).
« Si attentis populorum circumstantiis peculiaribus uni communitati religiosae specialis civilis agnitio in iuridica civitatis ordinatione tribuitur, necesse est ut simul omnibus civibus et communitatibus religiosis ius ad libertatem in re religiosa agnoscatur et observetur ».54
§ 2108
O direito à liberdade religiosa não é nem a permissão moral de aderir ao erro (33), nem um suposto direito ao erro (34), mas um direito natural da pessoa humana à liberdade civil, isto é, à imunidade do constrangimento exterior, dentro dos justos limites, em matéria religiosa, por parte do poder político. Este direito natural deve ser reconhecido na ordem jurídica da sociedade, de tal maneira que constitua um direito civil (35).
Ius ad libertatem religiosam neque moralis est permissio adhaerendi errori55 neque praesumptum ad errorem ius,56 sed naturale ius personae humanae ad libertatem civilem, id est, ad immunitatem a coactione externa, intra iustos limites, in re religiosa, ex parte politicae potestatis. Hoc ius naturale in ordine iuridico societatis agnosci debet ita ut ius civile constituat.57
§ 2109
O direito à liberdade religiosa não pode, de per si, ser ilimitado (36) nem limitado somente por uma «ordem pública» concebida de maneira positivista ou naturalista (37). Os «justos limites» que lhe são próprios devem ser determinados para cada situação social pela prudência política, segundo as exigências do bem comum, e ratificadas pela autoridade civil, segundo «regras jurídicas conformes à ordem moral objectiva» (38).
Ius ad libertatem religiosam neque potest, natura sua, esse illimitatum58 neque limitatum solummodo ordine publico qui modo « positivistico » vel « naturalistico » concipiatur.59 « Iusti limites » qui ei sunt inhaerentes pro unaquaque sociali rerum condicione debent prudentia politica determinari secundum exigentias boni communis atque auctoritate civili haberi rati « secundum normas iuridicas, ordini morali obiectivo conformes ».60 III. « Non habebis deos alienos coram me »

O DEVER SOCIAL DE RELIGIÃO E O DIREITO À LIBERDADE RELIGIOSA

OS DEZ MANDAMENTOS

«Não terás outros deuses perante Mim»

§ 2110
O primeiro mandamento proíbe honrar outros deuses, além do único Senhor que Se revelou ao seu povo: e proíbe a superstição e a irreligião. A superstição representa, de certo modo, um excesso perverso de religião; a irreligião é um vício oposto por defeito à virtude da religião.
Primum praeceptum alios deos honorare vetat praeter Unum Dominum qui Se Suo populo revelavit. Superstitionem et irreligionem prohibet. Superstitio quodammodo excessum perversum repraesentat religionis; irreligio vitium est virtuti religioni per defectum oppositum.Superstitio

A SUPERSTIÇÃO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Não terás outros deuses perante Mim»

§ 2111
A superstição é um desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Também pode afectar o culto que prestamos ao verdadeiro Deus: por exemplo, quando atribuímos uma importância de algum modo mágica a certas práticas, aliás legítimas ou necessárias. Atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição (39).
Superstitio est sensus religiosi aberratio et exercitiorum quae ille imponit. Ea potest etiam afficere cultum quem vero tribuimus Deo, exempli gratia cum momentum quodammodo magicum quibusdam adscribitur exercitiis quae ceterum legitima sunt vel necessaria. Orationum vel signorum sacramentalium efficacitatem soli eorum materiali rationi assignare, praeter dispositiones interiores quas eadem exigunt, est in superstitionem decidere.61 Idololatria

A IDOLATRIA

OS DEZ MANDAMENTOS

«Não terás outros deuses perante Mim»

§ 2112
O primeiro mandamento condena o politeísmo. Exige do homem que não acredite em outros deuses além de Deus, que não venere outras divindades além da única. A Sagrada Escritura está constantemente a lembrar esta rejeição dos «ídolos, ouro e prata, obra das mãos do homem, que «têm boca e não falam, têm olhos e não vêem...». Estes ídolos vãos tornam vão o homem: «sejam como eles os que os fazem e quantos põem neles a sua confiança» (Sl 115, 4-5.8) (40). Deus, pelo contrário, é o «Deus vivo» (Js 3, 10) (41), que faz viver e intervém na história.
Primum praeceptum polytheismum damnat. Ab homine exigit ne in alios credat deos praeter Deum, neque alias veneretur divinitates nisi Unicam. Scriptura in mentem constanter revocat hanc reiectionem relate ad « simulacra [...] argentum et aurum, opera manuum hominum », quae « os habent et non loquentur, oculos habent et non videbunt... ». Haec vana idola hominem efficiunt vanum: « Similes illis erunt, qui faciunt ea, et omnes qui confidunt in eis » (Ps 115,4-5.8).62 E contra, Deus est « Deus vivens » (Ios 3,10),63 qui vivere facit et in historia intervenit.
§ 2113
A idolatria não diz respeito apenas aos falsos cultos do paganismo. Continua a ser uma tentação constante para a fé. Ela consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria desde o momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demónios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro, etc., «Vós não podereis servir a Deus e ao dinheiro», diz Jesus (Mt 6, 24). Muitos mártires foram mortos por não adorarem «a Besta» (42), recusando-se mesmo a simularem-lhe o culto. A idolatria recusa o senhorio único de Deus; é, pois, incompatível com a comunhão divina (43).
Idololatria non refertur solummodo ad falsos paganismi cultus. Permanet constans fidei tentatio. Consistit in deificando id quod Deus non est. Idololatria habetur semper cum homo creaturam loco Dei honorat et reveretur, sive de diis agatur vel de daemonibus (exempli gratia satanismus), de potestate, de voluptate, de stirpe, de atavis, de Statu, de pecunia, etc. « Non potestis Deo servire et mammonae », dicit Iesus (Mt 6,24). Complures martyres occubuerunt ne adorarent « Bestiam »,64 eius cultus etiam reiicientes simulationem. Idololatria unicum Dei recusat Dominatum; ideo cum communione divina nequit componi.65
§ 2114
A vida humana unifica-se na adoração do Único. O mandamento de adorar o único Senhor simplifica o homem e salva-o duma dispersão ilimitada. A idolatria é uma perversão do sentido religioso inato no homem. Idólatra é aquele que «refere a sua indestrutível noção de Deus seja ao que for, que não a Deus» (44).
Vita humana in Unici adunatur adoratione. Mandatum solum Dominum adorandi hominem simplificat et ab illimitata salvat dispersione. Idololatria depravatio est sensus religiosi homini innati. Idololatrae sunt illi qui « ad quaecumque alia quam ad Deum firme impressam animo de Illo notionem accommodant ».66 Divinatio et magia

ADIVINHAÇÃO E MAGIA

OS DEZ MANDAMENTOS

«Não terás outros deuses perante Mim»

§ 2115
Deus pode revelar o futuro aos seus profetas ou a outros santos. Mas a atitude certa do cristão consiste em pôr-se com confiança nas mãos da Providência, em tudo quanto se refere ao futuro, e em pôr de parte toda a curiosidade malsã a tal propósito. A imprevidência, no entanto, pode constituir uma falta de responsabilidade.
Deus Suis Prophetis vel aliis sanctis futurum potest revelare. Iusta tamen christiana habitudo consistit in committendo se fiducialiter in providentiae manus relate ad id quod ad futurum spectat et in relinquendo omnem de hac re insanam curiositatem. Inconsideratio defectum responsabilitatis potest constituere.
§ 2116
Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demónios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente «reveladoras» do futuro (45). A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenómenos de vidência, o recurso aos "médiuns", tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele.
Omnes divinationis formae reiiciendae sunt: recursus ad Satanam vel ad daemonia, mortuorum evocatio vel alia exercitia quae erronee supponuntur futurum « detegere ».67 Horoscopiorum consultatio, astrologia, chiromantia, auguriorum et sortium interpretatio, praevisionis phaenomena, recursus ad pythones (mediums) voluntatem manifestant dominii in tempus, in historiam et tandem in homines, atque simul optatum occultas potentias sibi conciliandi. Illae sunt in contradictione cum honore et observantia, cum timore amanti coniunctis, quae soli debemus Deo.
§ 2117
Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. Tais práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas da intenção de fazer mal a outrem ou quando recorrem à intervenção dos demónios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele. O recurso às medicinas ditas tradicionais não legitima nem a invocação dos poderes malignos, nem a exploração da credulidade alheia.
Omnia magiae vel veneficii exercitia, quibus intenditur in occultas vires dominari ad eas in proprium servitium subiiciendas et ad potestatem supernaturalem obtinendam in proximum — quamvis ea sit ad illi sanitatem comparandam —, graviter sunt virtuti religionis contraria. Haec exercitia adhuc damnabiliora sunt, cum intentio aliis nocendi eadem comitatur vel ipsa ad interventum recurrunt daemonum. Actio amuleta gestandi est etiam reprehensibilis. Spiritismus saepe exercitia implicat divinationis vel magiae. Ecclesia fideles etiam monet ut ab eo abstineant. Recursus ad artes medicas, quae traditionales dicuntur, nec invocationem malarum potestatum nec ex aliorum credulitate profectum reddit legitima.Irreligio

A IRRELIGIÃO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Não terás outros deuses perante Mim»

§ 2118
O primeiro mandamento da Lei de Deus reprova os principais pecados de irreligião: tentar a Deus por palavras ou actos, o sacrilégio, a simonia.
Primum mandatum Dei praecipua irreligionis reprobat peccata: actionem tentandi Deum, verbis vel operibus, sacrilegium et simoniam.
§ 2119
Tentar a Deus consiste em pôr à prova, por palavras ou actos, a sua bondade e a sua omnipotência. Foi assim que Satanás quis que Jesus se atirasse do templo abaixo, para com isso forçar Deus a intervir (46). Jesus opôs-lhe a Palavra de Deus: «Não tentarás o Senhor teu Deus»(Dt 6, 16). O desafio contido em semelhante tentação a Deus fere o respeito e a confiança que devemos ao nosso Criador e Senhor, implicando sempre uma dúvida relativamente ao seu amor, à sua providência e ao seu poder (47).
Actio tentandi Deum consistit in Eius bonitate et Eius omnipotentia, verbo vel opere, subiiciendis experimento. Sic Satan a Iesu obtinere volebat, ut Se e Templo proiiceret et, tali gestu, Deum ad agendum subigeret.68 Iesus ei verbum Dei opponit: « Non tentabitis Dominum Deum vestrum » (Dt 6,16). Provocatio, quam talis Dei tentatio continet, observantiam vulnerat et fiduciam quas nostro Creatori debemus et Domino. Dubium semper continet de Eius amore, Eius providentia Eiusque potentia.69
§ 2120
O sacrilégio consiste em profanar ou em tratar indignamente os sacramentos e outras acções litúrgicas, bem como as pessoas, as coisas e os lugares consagrados a Deus. O sacrilégio é um pecado grave, sobretudo quando é cometido contra a Eucaristia, pois que, neste sacramento, é o próprio corpo de Cristo que Se nos torna presente substancialmente (48).
Sacrilegium in sacramentis et ceteris actionibus liturgicis, et etiam personis, rebus et locis Deo consecratis profanandis vel indigne pertractandis consistit. Sacrilegium peccatum est grave praecipue cum contra Eucharistiam committitur, quia, in hoc sacramento, ipsum corpus Christi nobis substantialiter praesens fit.70
§ 2121
A simonia (49) define-se como a compra ou venda das realidades espirituais. A Simão, o mago, que queria comprar o poder espiritual que via operante nos Apóstolos, Pedro responde: «Vá contigo o teu dinheiro para a perdição, porque julgaste poder adquirir por dinheiro o dom de Deus» (Act 8, 20). O apóstolo conformava-se, assim, à Palavra de Jesus: «Recebestes de graça, pois dai gratuitamente» (Mt 10, 8) (50). É impossível alguém apropriar-se dos bens espirituais e comportar-se a respeito deles como proprietário ou dono, pois eles têm a sua fonte em Deus, e só d'Ele se podem receber gratuitamente.
Simonia71 definitur sicut rerum spiritualium emptio vel venditio. Simoni mago, qui spiritualem volebat emere potestatem quam in Apostolis perspiciebat operari, respondet Petrus: « Argentum tuum tecum sit in perditionem, quoniam donum Dei existimasti pecunia possideri! » (Act 8,20). Ipse se ad verbum conformabat Iesu: « Gratis accepistis, gratis date » (Mt 10,8).72 Impossibile est sibi bona appropriari spiritualia seseque gerere tamquam possidentem et dominum relate ad illa, quippe quae suum in Deo habent fontem. Solum gratis possunt ab Eo accipi.
§ 2122
«Além das ofertas determinadas pela autoridade competente, o ministro nada peça pela administração dos sacramentos, e tenha o cuidado de que os pobres, em razão da pobreza, não se vejam privados do auxílio dos sacramentos» (51). A autoridade competente fixa essas «oblações» em virtude do princípio segundo o qual o povo cristão tem o dever de contribuir para o sustento dos ministros da Igreja. «O trabalhador merece o seu sustento» (Mt 10, 10) (52).
« Minister, praeter oblationes a competenti auctoritate definitas, pro sacramentorum administratione nihil petat, cauto semper ne egentes priventur auxilio sacramentorum ratione paupertatis ».73 Competens auctoritas has « oblationes » determinat ratione principii iuxta quod populus christianus sustentationi ministrorum Ecclesiae debet subvenire: « Dignus enim est operarius cibo suo » (Mt 10,10).74 Atheismus

O ATEÍSMO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Não terás outros deuses perante Mim»

§ 2123
«Muitos [...] dos nossos contemporâneos não percebem esta íntima e vital ligação a Deus, ou até a rejeitam explicitamente; de tal maneira que o ateísmo deve ser considerado um dos factos mais graves do tempo actual» (53).
« Multi [...] ex coaevis nostris hanc intimam ac vitalem cum Deo coniunctionem nequaquam perspiciunt aut explicite reiiciunt, ita ut atheismus inter gravissimas huius temporis res adnumerandus sit ».75
§ 2124
A palavra «ateísmo» abrange fenómenos muito diversos. Uma forma frequente dele é o materialismo prático, que limita as suas necessidades e ambições ao espaço e ao tempo. O humanismo ateu julga falsamente que o homem «é para si mesmo o seu próprio fim, o único artífice e demiurgo da sua própria história» (54). Uma outra forma do ateísmo contemporâneo é a que espera a libertação do homem exclusivamente através duma libertação económica e social, à qual «a religião, por sua mesma natureza, se oporia, na medida em que, dando ao homem a esperança duma enganosa vida futura, o afasta da construção da cidade terrena» (55).
Atheismi nomen ad phaenomena extenditur valde diversa. Frequens eius forma practicus est materialismus qui ad spatium et tempus suas necessitates limitat suasque ambitiones. Humanismus atheus false considerat hominem talem esse qui « sibi ipsi sit finis, propriae suae historiae solus artifex et demiurgus ».76 Alia atheismi hodierni forma liberationem exspectat hominis a liberatione oeconomica et sociali, cui « religionem natura sua obstare contendit, quatenus, in futuram fallacemque vitam spem hominis erigens, ipsum a civitatis terrestris aedificatione deterreret ».77
§ 2125
Na medida em que nega ou rejeita a existência de Deus, o ateísmo é um pecado contra a virtude da religião (56). A imputabilidade desta falta pode ser largamente diminuída, atendendo às intenções e às circunstâncias. Na génese e difusão do ateísmo, «os crentes podem ter tido parte não pequena, na medida em que, pela negligência na educação da sua fé, ou por exposições falaciosas da doutrina, ou ainda pelas deficiências da sua vida religiosa, moral e social, se pode dizer que mais esconderam do que revelaram o autêntico rosto de Deus e da religião» (57).
Atheismus, quatenus Dei exsistentiam reiicit vel recusat, peccatum est contra virtutem religionis.78 Huius culpae imputatio potest ample minui propter intentiones et adiuncta. In genesi et diffusione atheismi, « partem non parvam habere possunt credentes, quatenus, neglecta fidei educatione, vel fallaci doctrinae expositione, vel etiam vitae suae religiosae, moralis ac socialis defectibus, Dei et religionis genuinum vultum potius velare quam revelare dicendi sunt ».79
§ 2126
Muitas vezes, o ateísmo funda-se num falso conceito da autonomia humana, levado até à recusa de qualquer dependência em relação a Deus (58). No entanto, «o reconhecimento de Deus de modo nenhum se opõe à dignidade do homem, uma vez que esta se funda e se realiza no próprio Deus» (59). A Igreja sabe que «a sua mensagem está de acordo com os desejos mais profundos do coração humano» (60).
Atheismus saepe falsa autonomiae humanae fundatur conceptione, eo perducta usque ad reiectionem omnis dependentiae a Deo.80 Tamen agnitio Dei dignitati hominis nequaquam opponitur, « cum huiusmodi dignitas in Ipso Deo fundetur et perficiatur ».81 Ecclesia scit « nuntium suum cum secretissimis humani cordis desideriis concordare ».82 Agnosticismus

O AGNOSTICISMO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Não terás outros deuses perante Mim»

§ 2127
O agnosticismo reveste muitas formas. Em certos casos, o agnóstico recusa-se a negar Deus. Postula, pelo contrário, a existência dum ser transcendente, incapaz de Se revelar e do qual ninguém seria capaz de dizer fosse o que fosse. Em outros casos, não se pronuncia sobre a existência de Deus, declarando ser impossível prová-la, e até afirmá-la ou negá-la.
Agnosticismus complures induit formas. Quibusdam in casibus, agnosticus Deum negare respuit; e contra, exsistentiam postulat entis transcendentis quod se revelare nequiret et de quo nemo quidquam dicere posset. In aliis casibus, agnosticus circa exsistentiam Dei non decidit, impossibile esse declarans illam probare vel etiam illam affirmare aut negare.
§ 2128
O agnosticismo pode, por vezes, encerrar uma certa busca de Deus. Mas pode igualmente representar um indiferentismo, uma fuga perante a questão última da existência e uma preguiça da consciência moral. Com muita frequência, o agnosticismo equivale a um ateísmo prático.
Agnosticismus potest quandoque indagationem Dei continere aliquam, sed pariter indifferentismum, fugam coram ultima exsistentiae quaestione, et conscientiae moralis pigritiam potest significare. Agnosticismus nimis saepe atheismo aequivalet practico. IV. « Non facies tibi sculptile... »

O AGNOSTICISMO

OS DEZ MANDAMENTOS

»

§ 2129
Esta imposição divina comportava a interdição de qualquer representação de Deus feita pela mão do homem. O Deuteronómio explica: «Tomai muito cuidado convosco, pois não vistes imagem alguma no dia em que o Senhor vos falou no Horeb do meio do fogo. Portanto, não vos deixeis corromper, fabricando para vós imagem esculpida» do quer que seja (Dt 4, 15-16). Quem Se revelou a Israel foi o Deus absolutamente transcendente. «Ele é tudo», mas, ao mesmo tempo, «está acima de todas as suas obras» (Sir 43, 27-28). Ele é «a própria fonte de toda a beleza criada» (Sb 13, 3).
Iniunctio divina prohibitionem implicabat omnis repraesentationis Dei per manum hominis. Deuteronomium explicat: « Non vidistis aliquam similitudinem in die, qua locutus est vobis Dominus in Horeb de medio ignis; ne forte corrupti faciatis vobis sculptam similitudinem, imaginem » (Dt 4,15-16) cuiuslibet rei. Deus, absolute Transcendens, Se Israel revelavit. « Ipse est omnia », sed simul est « Magnus super omnia opera Sua » (Eccli 43,29-30). « Speciei enim principium et auctor » (Sap 13,3) est.
§ 2130
No entanto, já no Antigo Testamento Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado: por exemplo, a serpente de bronze (61) a arca da Aliança e os querubins (62).
In Vetere tamen Testamento, Deus iniunxit vel permisit institutionem imaginum, quae symbolice ducerent ad salutem per Verbum incarnatum: sic serpens aeneus,83 Arca Foederis et cherubim.84
§ 2131
Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio ecuménico, de Niceia (ano de 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova «economia» das imagens.
Septimum Concilium Oecumenicum, Nicaeae (anno 787), Verbi incarnati nisum mysterio, contra iconoclastas, cultum iustificavit iconum: illarum Christi, sed etiam illarum Dei Genetricis, angelorum et sanctorum omnium. Per Suam Incarnationem, Filius Dei novam imaginum inauguravit « oeconomiam ».
§ 2132
O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, «a honra prestada a uma imagem remonta (63) ao modelo original» e «quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada» (64). A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa», e não uma adoração, que só a Deus se deve:

«O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem» (65).

Cultus christianus imaginum contrarius non est primo praecepto quod idola prohibet. Re vera, « imaginis honor ad exemplar transit »,85 et « qui adorat imaginem, adorat in ea depicti subsistentiam ».86 Honor sanctis imaginibus tributus est reverens veneratio, non adoratio quae soli Deo convenit:

« Imaginibus non exhibetur religionis cultus secundum quod in seipsis considerantur, quasi res quaedam: sed secundum quod sunt imagines ducentes in Deum incarnatum. Motus autem qui est in imaginem prout est imago, non sistit in ipsa, sed tendit in id cuius est imago ».87

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2133
«Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 5).
« Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo et ex tota anima tua et ex tota fortitudine tua » (Dt 6,5).
§ 2134
O primeiro mandamento chama o homem a crer em Deus, a esperar n'Ele e a amá-Lo sobre todas as coisas.
Primum mandatum hominem vocat ad credendum in Deum, ad sperandum in Eo et ad Eum amandum super omnia.
§ 2135
«Ao Senhor teu Deus adorarás» (Mt 4, 10). Adorar a Deus, orar-Lhe, prestar-Lhe o culto que Lhe é devido, cumprir as promessas e votos que se Lhe fizeram, são actos da virtude da religião, que traduzem a obediência ao primeiro mandamento.
« Dominum Deum tuum adorabis » (Mt 4,10). Deum adorare, Eum orare, Ei offerre cultum qui ad Eum pertinet, promissiones et vota implere Ei facta, virtutis religionis sunt actus, qui ab oboedientia primo mandato procedunt.
§ 2136
O dever de prestar a Deus um culto autêntico diz respeito ao homem, individual e socialmente.
Officium cultum authenticum Deo tribuendi hominem individualiter respicit et socialiter.
§ 2137
O homem deve poder professar livremente a religião, tanto em privado como em público (66).
Homo debet potestatem habere privatim publiceque religionem libere profitendi.88
§ 2138
A superstição é um desvio do culto que prestamos ao verdadeiro Deus. Manifesta-se na idolatria, bem como nas diferentes formas de adivinhação e magia.
Superstitio est aberratio cultus quem vero tribuimus Deo. In idololatria manifestatur, sicut etiam in diversis formis divinationis et magiae.
§ 2139
O acto de tentar a Deus por palavras ou por obras, o sacrilégio e a simonia são pecados de irreligião, proibidos pelo primeiro mandamento.
Actio Deum tentandi, verbis vel actibus, sacrilegium, simonia peccata sunt irreligionis a primo mandato prohibita.
§ 2140
Na medida em que rejeita ou recusa a existência de Deus, o ateísmo é um pecado contra o primeiro mandamento.
Atheismus, quatenus exsistentiam Dei reiicit vel recusat, contra primum praeceptum est peccatum.
§ 2141
O culto das imagens sagradas funda-se no mistério da encarnação do Verbo de Deus. E não é contrário ao primeiro mandamento.
Sanctarum imaginum cultus mysterio nititur Incarnationis Verbi Dei. Primo praecepto contrarius non est. (24) Cf Dt 5,6-9. (25) Cf Ex 19,16-25; 24,15-18. (26) Sanctus Iustinus, Dialogus cum Tryphone Iudaeo, 11, 1: CA 2, 40 (PG 6, 497).(27) Catechismus Romanus, 3, 2, 4: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 408-409. (28) Cf Rom 1,5; 16,26. (29) Cf Rom 1,18-32. (30) CIC canon 751.(31) Cf Dt 6,4-5.(32) Cf Lc 1,46-49.(33) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 10, 6: CSEL 401, 454-455 (PL 41, 283).(34) Cf Am 5,21-25.(35) Cf Is 1,10-20.(36) Cf Os 6,6.(37) Cf Heb 9,13-14.(38) CIC canon 1191, § 1.(39) Cf Act 18,18; 21,23-24.(40) Cf CIC canon 654.(41) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 42: AAS 57 (1965) 48-49.(42) Cf CIC canones 692. 1196-1197. (43) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 1: AAS 58 (1966) 930.(44) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 931.(45) Concilium Vaticanum II, Decl. Nostra aetate, 2: AAS 58 (1966) 741. (46) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 14: AAS 58 (1966) 940.(47) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 1: AAS 58 (1966) 930.(48) Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 13: AAS 58 (1966) 849.(49) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 1: AAS 58 (1966) 930.(50) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 13: AAS 58 (1966) 850.(51) Cf Leo XIII, Litt. enc. Immortale Dei: Leonis XIII Acta 5, 118-150; Pius XI, Litt enc. Quas primas: AAS 17 (1925) 593-610.(52) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 930; cf Id., Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1046. (53) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 931.(54) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 6: AAS 58 (1966) 934.(55) Cf Leo XIII, Litt. enc. Libertas praestantissimum: Leonis XIII Acta 8, 229-230.(56) Cf Pius XII, Allocutio iis qui interfuerunt Conventui quinto nationali Italico Unionis Iurisconsultorum catholicorum (6 decembris 1953): AAS 45 (1953) 799. (57) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 930-931. (58) Cf Pius VI, Breve Quod aliquantum (10 martii 1791): Collectio Brevium atque Instructionum SS. D. N. Pii Papae VI, quae ad praesentes Ecclesiae Catholicae in Gallia [...] calamitates pertinent (Romae 1800) p. 54-55. (59) Cf Pius IX, Litt. enc. Quanta cura: DS 2890. (60) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 7: AAS 58 (1966) 935.(61) Cf Mt 23,16-22.(62) Cf Is 44,9-20; Ier 10,1-16; Dn 14,1-30; Bar 6; Sap 13,1–15,19.(63) Cf Ps 42,3; etc. (64) Cf Apc 13-14. (65) Cf Gal 5,20; Eph 5,5. (66) Origenes, Contra Celsum, 2, 40: SC 132, 378 (PG 11, 861).(67) Cf Dt 18,10; Ier 29,8. (68) Cf Lc 4,9. (69) Cf 1 Cor 10,9; Ex 17,2-7; Ps 95,9. (70) Cf CIC canones 1367. 1376. (71) Cf Act 8,9-24. (72) Cf iam Is 55,1. (73) canon 848.(74) Cf Lc 10,7; 1 Cor 9,4-18; 1 Tim 5,17-18. (75) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 19: AAS 58 (1966) 1039. (76) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 20: AAS 58 (1966) 1040. (77) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 20: AAS 58 (1966) 1040. (78) Cf Rom 1,18. (79) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 19: AAS 58 (1966) 1039. (80) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 20: AAS 58 (1966) 1040. (81) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 21: AAS 58 (1966) 1040. (82) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 21: AAS 58 (1966) 1042. (83) Cf Nm 21,4-9; Sap 16,5-14; Io 3,14-15. (84) Cf Ex 25,10-22; 1 Reg 6,23-28; 7,23-26. (85) Sanctus Basilius Magnus, Liber de Spiritu Sancto, 18, 45: SC 17bis, 406 (PG 32, 149). (86) Concilium Nicaenum II, Definitio de sacris imaginibus: DS 601; cf Concilium Tridentinum, Sess. 25a, Decretum de invocatione, veneratione et reliquiis sanctorum, et sacris imaginibus: DS 1821-1825; Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 125: AAS 56 (1964) 132; Id., Const. dogm. Lumen gentium, 67: AAS 57 (1965) 65-66. (87) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 81, a. 3, ad 3: Ed. Leon. 9, 180. (88) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 15: AAS 58 (1966) 940.

O SEGUNDO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O nome do Senhor é Santo

§ 2142
O segundo mandamento manda respeitar o nome do Senhor. Depende, como o primeiro mandamento, da virtude da religião, e regula, dum modo mais particular, o nosso uso da palavra nas coisas santas.
Secundum praeceptum Nomen Domini praescribit observare. Ex virtute religionis, sicut primum mandatum, promanat et, modo magis particulari, nostrum verbi usum regulat in rebus sanctis.
§ 2143
Entre todas as palavras da Revelação, há uma, singular, que é a revelação do nome de Deus. Deus confia o seu nome aos que crêem n'Ele; revela-se-lhes no seu mistério pessoal. O dom do nome é da ordem da confidência e da intimidade. «O nome do Senhor é Santo»; por isso, o homem não pode abusar dele. Deve guardá-lo na memória, num silêncio de adoração amorosa (68). E não o empregará nas suas próprias palavras senão para o bendizer, louvar e glorificar (69).
Inter omnia Revelationis verba, unum est singulare, quod Eius Nominis est revelatio. Deus Suum concredit Nomen illis qui in Eum credunt; Ipse eis Se revelat in Suo mysterio personali. Nominis donum ad ordinem fiduciae et intimitatis pertinet. « Sanctum est Nomen Domini ». Propterea homo eo abuti non potest. Id debet conservare memoria in silentio amantis adorationis.90 Id in sua propria verba non inseret nisi ad ei benedicendum, id laudandum idque glorificandum.91
§ 2144
A deferência para com o seu nome exprime a que é devida ao mistério do próprio Deus e a toda a realidade sagrada que ele evoca. O sentido do sagrado deriva da virtude da religião:

«Os sentimentos de temor e de sagrado serão ou não sentimentos cristãos? [...] Ninguém pode razoavelmente pôr isso em dúvida. São os sentimentos que nós teríamos, e num grau intenso, se tivéssemos a visão do Deus soberano. São os sentimentos que nós teríamos, se tivéssemos consciência da sua presença. Ora, na medida em que acreditamos que Ele está presente, devemos ter tais sentimentos. Não os ter é não estar conscientes desta realidade, é não crer que Ele está presente» (70).

Obsequium in Eius Nomen exprimit illud quod Ipsius Dei debetur mysterio et toti realitati sacrae quam hoc suggerit. Sensus sacri ad virtutem pertinet religionis:

« Suntne sensus timoris et sacri sensus christiani an non? [...] Nemo de hac re potest rationabiliter dubitare. Sunt sensus quos haberemus, gradu quidem intenso, si excelsi Dei haberemus visionem. Sunt sensus quos haberemus, si Eius praesentiae essemus 'conscii'. In mensura in qua credimus Eum esse praesentem, eos debemus habere. Eos non habere est huius rei conscios non esse, non credere Eum esse praesentem ».92

§ 2145
O fiel deve dar testemunho do nome do Senhor, confessando a sua fé sem ceder ao medo (71). A pregação e a catequese devem estar compenetrados de adoração e respeito pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fidelis Nomen Domini debet testari, suam fidem profitens quin timori succumbat.93 Actus praedicationis et actus catechesis debent adoratione penetrari et observantia erga Nomen Domini nostri Iesu Christi.
§ 2146
O segundo mandamento proíbe o abuso do nome de Deus, isto é, todo o uso inconveniente do nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os santos.
Secundum praeceptum abusum prohibet Nominis Dei, id est, omnem inconvenientem usum Nominis Dei, Iesu Christi, beatae Virginis Mariae et omnium sanctorum.
§ 2147
As promessas feitas a outrem, em nome de Deus, comprometem a honra, a fidelidade, a veracidade e a autoridade divinas. Devem ser respeitadas por justiça. Ser-lhes infiel é abusar do nome de Deus e, de certo modo, fazer de Deus um mentiroso (72)
Promissiones, Dei Nomine, aliis factae honorem, fidelitatem, veracitatem et auctoritatem obligant divinas. Observandae sunt ex iustitia. Illis infidelem esse est Dei abuti Nomine et, quodammodo, Deum facere mendacem.94
§ 2148
A blasfémia opõe-se directamente ao segundo mandamento. Consiste em proferir contra Deus – interior ou exteriormente – palavras de ódio, de censura, de desafio; dizer mal de Deus; faltar-Lhe ao respeito nas conversas; abusar do nome d'Ele. São Tiago reprova aqueles «que blasfemam o bom nome [de Jesus] que sobre eles foi invocado» (Tg 2, 7). A proibição da blasfémia estende-se às palavras contra a Igreja de Cristo, contra os santos, contra as coisas sagradas. É também blasfematório recorrer ao nome de Deus para justificar práticas criminosas, reduzir povos à escravidão, torturar ou condenar à morte. O abuso do nome de Deus para cometer um crime provoca a rejeição da religião.A blasfémia é contrária ao respeito devido a Deus e ao seu santo nome. É, em si mesma, pecado grave (73).
Blasphemia secundo praecepto directe opponitur. Consistit in verbis proferendis odii, exprobationis, provocationis — interius vel exterius — contra Deum, in male loquendo de Deo, in irreverentia erga Eum expressionibus habenda, in abusu Nominis Dei. Sanctus Iacobus eos reprobat qui « blasphemant bonum Nomen [Iesu], quod invocatum est super [...] [eos] » (Iac 2,7). Blasphemiae interdictio ad verba extenditur contra Christi Ecclesiam, sanctos, res sacras. Blasphemum etiam est ad Nomen Dei recurrere ad exercitia tegenda criminosa, ad populos redigendos in servitutem, ad cruciandum vel occidendum. Nominis Dei abusus ad crimen committendum reiectionem provocat religionis.Blasphemia est observantiae Deo debitae Eiusque sancto Nomini contraria. Suapte natura peccatum est grave.95
§ 2149
As juras, que invocam o nome de Deus sem intenção de blasfémia, são uma falta de respeito para com o Senhor. O segundo mandamento interdiz também o uso mágico do nome divino.

«O nome de Deus é grande, quando é pronunciado com o respeito devido à sua grandeza e majestade. O nome de Deus é santo. quando se pronuncia com veneração e temor de o ofender» (74).

Imprecationes, in quas Nomen Dei inseritur, sine blasphemiae intentione, irreverentia sunt erga Dominum. Secundum mandatum etiam usum magicum Nominis divini prohibet:

« Ibi magnum est Nomen Eius, ubi pro Suae maiestatis magnitudine nominatur. Ita ibi dicitur sanctum Nomen Eius, ubi cum veneratione et offensionis timore nominatur ».96

O SEGUNDO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O nome do Senhor invocado em vão

§ 2150
O segundo mandamento proíbe jurar falso. Fazer um juramento, ou jurar, é tomar a Deus como testemunha do que se afirma. É invocar a veracidade divina como garantia da própria veracidade. O juramento compromete o nome do Senhor. «Ao Senhor, teu Deus, adorarás, a Ele servirás e pelo seu nome jurarás» (Dt 6, 13).
Secundum praeceptum falsum proscribit iusiurandum. Iurare est Deum tamquam testem sumere rei quae affirmatur. Est veracitatem invocare divinam tamquam pignus propriae veracitatis. Iusiurandum Nomen obligat Domini. « Dominum Deum tuum timebis et Ipsi servies ac per Nomen Illius iurabis » (Dt 6,13).
§ 2151
A reprovação do falso juramento é um dever para com Deus. Como Criador e Senhor, Deus é a regra de toda a verdade. A palavra humana, ou está de acordo ou em oposição a Deus, que é a própria verdade. Quando é verídico e legítimo, o juramento realça a relação da palavra humana com a verdade de Deus. O juramento falso invoca Deus como testemunha de uma mentira.
Falsi iurisiurandi reprobatio officium est erga Deum. Deus, tamquam Creator et Dominus, omnis veritatis est regula. Verbum humanum consentit vel dissentit Deo qui ipsa est veritas. Iusiurandum, cum verax est et legitimum, relationem illustrat verbi humani cum veritate Dei. Falsum iusiurandum Deum vocat ut mendacium testetur.
§ 2152
Comete perjúrio aquele que, sob juramento, faz uma promessa que não tem a intenção de cumprir ou que, depois de ter prometido sob juramento, de facto não cumpre. O perjúrio constitui uma grave falta de respeito para com o Senhor de toda a palavra. Comprometer-se sob juramento a praticar uma acção má é contrário à santidade do nome divino.
Qui, sub iureiurando, promissionem facit, de cuius impletione intentionem non habet, vel qui postquam sub iureiurando promiserit, promissionem non tenet, periurus est. Periurium gravem constituit observantiae culpam erga Dominum omnis verbi. Se ad opus malum iureiurando obligare contrarium est sanctitati Nominis divini.
§ 2153
Jesus expôs o segundo mandamento no sermão da montanha: «Ouvistes que foi dito aos antigos: "Não faltarás ao que tiveres jurado, mas cumprirás os teus juramentos para com o Senhor". Eu, porém, digo-vos que não jureis em caso algum [...]. A vossa linguagem deve ser: "Sim, sim; Não, não". O que passa disto vem do Maligno» (Mt 5, 33-34. 37) (75). Jesus ensina que todo o juramento implica uma referência a Deus e que a presença de Deus e da sua verdade deve ser honrada em toda a palavra. A discrição no recurso a Deus, ao falar, anda a par com a atenção respeitosa à sua presença, testemunhada ou desrespeitada em cada uma das nossas afirmações.
Iesus secundum exposuit praeceptum in sermone montano: « Audistis quia dictum est antiquis: "Non periurabis; reddes autem Domino iuramenta tua". Ego autem dico vobis: Non iurare omnino [...]. Sit autem sermo vester: "Est, est", "Non, non"; quod autem his abundantius est, a Malo est » (Mt 5,33-34.37).97 Iesus docet omne iusiurandum relationem implicare ad Deum atque praesentiam Dei Eiusque veritatis in omni verbo esse honorandam. Moderationem recursus ad Deum in sermone attentio observans Eius praesentiae comitatur, quam in singulis nostris affirmationibus testamur vel despicimus.
§ 2154
Seguindo o exemplo de São Paulo (76), a Tradição da Igreja entendeu a palavra de Jesus como não se opondo ao juramento, quando feito por uma causa grave e justa (por exemplo, diante do tribunal). «O juramento, isto é, a invocação do nome de Deus como testemunha da verdade, não se pode prestar senão com verdade, discernimento e justiça» (77).
Ecclesiae Traditio, sanctum Paulum secuta,98 intellexit Iesu verbum non opponi iuriiurando cum hoc gravi et iusta fit de causa (exempli gratia, coram tribunali). « Iusiurandum, idest invocatio Nominis divini in testem veritatis, praestari nequit, nisi in veritate, in iudicio et in iustitia ».99
§ 2155
A santidade do nome de Deus exige que não se recorra a ele por questões fúteis, e que não se preste juramento em circunstâncias susceptíveis de serem interpretadas como uma aprovação do poder que injustamente o exigisse. Quando o juramento é exigido por autoridades civis ilegítimas, pode ser recusado. E deve sê-lo, se for pedido para fins contrários à dignidade das pessoas ou à comunhão da Igreja.
Nominis divini sanctitas exigit ne ad illud pro rebus futilibus fiat recursus neque iusiurandum praestetur in adiunctis quae illud permitterent interpretari tamquam approbationem potestatis quae id iniuste exigit. Cum iusiurandum ab auctoritatibus civilibus exigitur illegitimis, potest recusari. Ipsum recusari debet cum postulatur ad fines dignitati personarum vel communioni Ecclesiae contrarios. III. Nomen christianum

O SEGUNDO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O nome cristão

§ 2156
O sacramento do Baptismo é conferido «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»(Mt 28, 19). No Baptismo, o nome do Senhor santifica o homem, e o cristão recebe o seu nome na Igreja. Pode ser o dum santo, isto é, dum discípulo que levou uma vida de fidelidade exemplar ao seu Senhor. O patrocínio do santo oferece um modelo de caridade e assegura a sua intercessão. O «nome de baptismo» pode também exprimir um mistério cristão ou uma virtude cristã. «Procurem os pais, os padrinhos e o pároco que não se imponham nomes alheios ao sentir cristão» (78).
Sacramentum Baptismi confertur « in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti » (Mt 28,19). Nomen Domini in Baptismo sanctificat hominem, et christianus suum in Ecclesia recipit nomen. Hoc potest esse illud cuiusdam sancti, id est, discipuli qui vixit vita exemplaris fidelitatis Domino suo. Huius sancti patrocinium exemplar offert caritatis et suam praestat intercessionem. « Nomen Baptismi » potest etiam quoddam mysterium christianum vel quamdam virtutem christianam exprimere. « Curent parentes, patrini et parochus ne imponatur nomen a sensu christiano alienum ». 100
§ 2157
O cristão começa o seu dia, as suas orações, as suas actividades, pelo sinal da cruz «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen». O baptizado consagra o dia à glória de Deus e apela para a graça do Salvador, que lhe permite agir no Espírito, como filho do Pai. O sinal da cruz fortalece-nos nas tentações e nas dificuldades.
Christianus suum diem, suas orationes suasque incipit actiones signo crucis « in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. Amen ». Baptizatus diem suum gloriae Dei consecrat et Salvatoris invocat gratiam quae eumdem agere sinat in Spiritu ut Patris filium. Signum crucis nos in tentationibus roborat et in difficultatibus.
§ 2158
Deus chama a cada um pelo seu nome (79). O nome de todo o homem é sagrado. O nome é a imagem da pessoa. Exige respeito, como sinal da dignidade de quem por ele se identifica.
Deus unumquemque eius vocat nomine. 101 Omnis hominis nomen est sacrum. Nomen est personae icon. Observantiam exigit, tamquam signum dignitatis illius qui illud fert.
§ 2159
O nome recebido é um nome de eternidade. No Reino, o carácter misterioso e único de cada pessoa marcada com o nome de Deus resplandecerá em plena luz. «Ao vencedor [...] dar-lhe-ei uma pedra na qual estará escrito um novo nome, que ninguém conhece, a não ser aquele que a recebe» (Ap 2, 17). «Olhei e vi: o Cordeiro estava sobre o monte de Sido, e com Ele cento e quarenta e quatro mil pessoas, que tinham inscrito na fronte o nome d'Ele e o do seu Pai» (Ap 14, 1).Resumindo:
Nomen acceptum est nomen aeternitatis. In Regno, indoles arcana et unica uniuscuiusque personae Nomine Dei signatae pleno resplendebit lumine. « Vincenti [...] dabo illi calculum candidum, et in calculo nomen novum scriptum, quod nemo scit, nisi qui accipit » (Apc 2,17). « Et vidi: et ecce Agnus stans supra montem Sion, et cum Illo centum quadraginta quattuor milia, habentes Nomen Eius et Nomen Patris Eius scriptum in frontibus suis » (Apc 14,1). Compendium

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2160
«Senhor; nosso Deus, como é admirável o vosso nome em toda a terra! (Sl 8, 2).
« Domine, Dominus noster, quam admirabile est Nomen Tuum in universa terra » (Ps 8,2).
§ 2161
O segundo mandamento manda respeitar o nome do Senhor: O nome do Senhor é santo.
Secundum praeceptum Nomen Domini observare praescribit. Nomen Domini sanctum est.
§ 2162
O segundo mandamento proíbe o uso inconveniente do nome de Deus. A blasfémia consiste em usar o nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos santos de modo injurioso.
Secundum praeceptum omnem usum Nominis Dei prohibet inconvenientem. Blasphemia consistit in usu Nominis Dei, Iesu Christi, Virginis Mariae et sanctorum modo iniurioso.
§ 2163
O juramento falso invoca Deus como testemunha duma mentira. O perjúrio é uma falta grave contra o Senhor; sempre fiel às suas promessas.
Falsum iusiurandum Deum vocat ut mendacium testetur. Periurium gravis culpa est erga Dominum, semper Eius promissionibus fidelem.
§ 2164
«Não jurar nem pelo Criador, nem pela criatura, senão com verdade, por necessidade e com reverência» (80).
« Iurandum non est, neque per Creatorem, neque per creaturas ullas, nisi concurrentibus his tribus: veritate, necessitate ac reverentia ». 102
§ 2165
No Baptismo, o cristão recebe o seu nome na Igreja. Procurem os pais, os padrinhos e o pároco que lhe seja imposto um nome cristão. O patrocínio dum santo oferece um modelo de caridade e assegura a sua intercessão.
Christianus in Baptismo suum nomen accipit in Ecclesia. Parentes, patrini et parochus curabunt ut ei praenomen imponatur christianum. Cuiusdam sancti patrocinium exemplar offert caritatis et eius orationem praestat.
§ 2166
O cristão começa as suas orações e as suas actividades pelo sinal da cruz «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen».
Christianus suas orationes incipit et actiones signo crucis « in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. Amen ».
§ 2167
Deus chama a cada um pelo seu nome (81).
Deus unumquemque nomine appellat eius. 103 (89) Cf Dt 5,11. (90) Cf Zach 2,17. (91) Cf Ps 29,2; 96,2; 113,1-2. (92) Ioannes Henricus Newman, Parochial and Plain Sermons, v. 5, Sermon 2 [Reverence, a Belief in God's Presence] (Westminster 1967) p. 21-22. (93) Cf Mt 10,32; 1 Tim 6,12. (94) Cf 1 Io 1,10. (95) Cf CIC canon 1369. (96) Sanctus Augustinus, De sermone Domini in monte, 2, 5, 19: CCL 35, 109 (PL 34, 1278). (97) Cf Iac 5,12. (98) Cf 2 Cor 1,23; Gal 1,20. (99) CIC canon 1199, § 1. (100) CIC canon 855.(101) Cf Is 43,1; Io 10,3. (102) Sanctus Ignatius de Loyola, Exercitia spiritualia, 38: MHSI 100, 174.(103) Cf Is 43,1.

O TERCEIRO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O dia do sábado

§ 2168
O terceiro mandamento do Decálogo refere-se à santificação do sábado: «O sétimo dia é um sábado: um descanso completo consagrado ao Senhor» (Ex 31, 15).
Tertium Decalogi praeceptum in memoriam revocat sanctitatem sabbati: « In die septimo sabbatum est, requies sancta Domino » (Ex 31,15).
§ 2169
A Escritura faz, a este propósito, memória da criação: «Porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que nele se encontra, mas ao sétimo dia descansou. Eis porque o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou» (Ex 20, 11).
Hac occasione, Scriptura creationem commemorat: « Sex enim diebus fecit Dominus caelum et terram et mare et omnia, quae in eis sunt, et requievit in die septimo; idcirco benedixit Dominus diei sabbati et sanctificavit eum » (Ex 20,11).
§ 2170
A Escritura vê também, no dia do Senhor, o memorial da libertação de Israel da escravidão do Egipto: «Recorda-te de que foste escravo no país do Egipto, de onde o Senhor, teu Deus, te fez sair com mão forte e braço poderoso. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado» (Dt 5, 15).
Scriptura in die Domini ostendit etiam memoriale liberationis Israelis a servitute Aegypti: « Memento quod et ipse servieris in Aegypto, et eduxerit te inde Dominus Deus tuus in manu forti et brachio extento: idcirco praecepit tibi, ut observares diem sabbati » (Dt 5,15).
§ 2171
Deus confiou a Israel o sábado, para ele o guardar em sinal da Aliança inviolável (83). O sábado é para o Senhor, santamente reservado ao louvor de Deus, da sua obra criadora e das suas acções salvíficas a favor de Israel.
Deus sabbatum concredidit Israeli ut illud servet in signum Foederis quod frangi nequit. 105 Sabbatum pro Domino est, sancte reservatum ad Dei laudem, Eius creationis operum et Eius actionum salvificarum pro Israel.
§ 2172
O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus «descansou» no sétimo dia (Ex 31, 17), o homem deve também «descansar» e deixai que os outros, sobretudo os pobres, «tomem fôlego» (84). O sábado faz cessar os trabalhos quotidianos e concede uma folga. É um dia de protesto contra as servidões do trabalho e o culto do dinheiro
Modus agendi Dei exemplar est humani modi agendi. Si Deus septimo die « respiravit » (Ex 31,17), etiam homo debet a labore « cessare » et permittere ut alii, praesertim pauperes, « refrigerentur ». 106 Sabbatum efficit ut labores cessent quotidiani et quamdam concedit dilationem. Dies est protestationis contra laboris servitutes et pecuniae cultum. 107
§ 2173
O Evangelho relata numerosos incidentes em que Jesus é acusado de violar a lei do sábado. Mas Jesus nunca viola a santidade deste dia (86). É com autoridade que Ele dá a sua interpretação autêntica desta lei: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27). Cheio de compaixão, Cristo autoriza-Se, em dia de sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que perdê-la (87). O sábado é o dia do Senhor das misericórdias e da honra de Deus (88). «O Filho do Homem é Senhor do próprio sábado» (Mc 2, 28).
Evangelium plures refert casus in quibus Iesus accusatur de lege sabbati violata. Sed Iesus nunquam huius diei offendit sanctitatem. 108 Huic cum auctoritate interpretationem praebet authenticam: « Sabbatum propter hominem factum est, et non homo propter sabbatum » (Mc 2,27). Christus cum compassione Sibi auctoritatem tribuit sabbato bene faciendi et non male, animam salvam faciendi et non perdendi. 109 Sabbatum dies est Domini misericordiarum et honoris Dei. 110 « Dominus est Filius hominis etiam sabbati » (Mc 2,28). II. Dies Domini

« Haec est dies, quam fecit Dominus: exsultemus et laetemur in ea » (Ps 118,24).

« Haec est dies, quam fecit Dominus: exsultemus et laetemur in ea » (Ps 118,24).Dies Resurrectionis: nova creatio

O DIA DA RESSURREIÇÃO: A NOVA CRIAÇÃO

OS DEZ MANDAMENTOS

O dia do Senhor

§ 2174
Jesus ressuscitou de entre os mortos «no primeiro dia da semana» (Mc 16, 2) (89). Enquanto «primeiro dia», o dia da ressurreição de Cristo lembra a primeira criação. Enquanto «oitavo dia», a seguir ao sábado (90), significa a nova criação, inaugurada com a ressurreição de Cristo. Este dia tornou-se para os cristãos o primeiro de todos os dias, a primeira de todas as festas, o dia do Senhor (Hê kuriakê hêméra, dies dominica), o «Domingo»:

«Reunimo-nos todos no dia do Sol, porque foi o primeiro dia [após o Sábado judaico, mas também o primeiro dia] em que Deus, tirando das trevas a matéria, criou o mundo, mas também porque Jesus Cristo, nosso Salvador, nesse mesmo dia ressuscitou dos mortos» (91).

Iesus a mortuis surrexit « prima sabbatorum » (Mc 16,2). 111 Quatenus « prima dies », dies resurrectionis Christi in memoriam revocat primam creationem. Quatenus « octava dies », quae sabbatum sequitur, 112 novam significat creationem resurrectione Christi inauguratam. Christianis prima omnium dierum effecta est, prima omnium festivitatum, dies Domini (Hê kuriakê hêméra, dies Dominica), « Dominica »:

« Solis autem die communiter omnes convenimus, quia is primus dies est [post sabbatum Iudaicum, sed etiam primus dies], quo Deus, cum tenebras et materiam vertisset, mundum creavit, et quia Iesus Christus Salvator noster eodem die ex mortuis resurrexit ». 113

O DOMINGO – REALIZAÇÃO DO SÁBADO

OS DEZ MANDAMENTOS

O dia do Senhor

§ 2175
O domingo distingue-se expressamente do sábado, ao qual sucede cronologicamente, em cada semana, e cuja prescrição ritual substitui, para os cristãos. O domingo realiza plenamente, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do sábado judaico e anuncia o descanso eterno do homem, em Deus. Porque o culto da Lei preparava para o mistério de Cristo e o que nela se praticava era figura de algum aspecto relativo a Cristo (92):

«Os que viveram segundo a antiga ordem das coisas alcançaram uma nova esperança, não guardando já o sábado mas o dia do Senhor, em que a nossa vida foi abençoada por Ele e pela sua morte» (93).

Dominica expresse distinguitur a sabbato, cui chronologice, unaquaque hebdomada, succedit, et cuius praescriptionem caeremonialem substituit pro christianis. Ipsa, in Paschate Christi, veritatem spiritualem adimplet sabbati Iudaici et aeternam annuntiat requiem hominis in Deo. Etenim cultus Legis mysterium praeparabat Christi et quod in eo reapse fiebat, quoddam lineamentum figurabat quod ad Christum referebatur: 114

« Qui in veteri rerum ordine degerunt, ad novam spem pervenerunt, non amplius sabbatum colentes, sed iuxta Dominicam viventes, in qua et vita nostra exorta est per Ipsum et per mortem Ipsius ». 115

§ 2176
A celebração do domingo é o cumprimento da prescrição moral, naturalmente inscrita no coração do homem, de «prestar a Deus um culto exterior, visível, público e regular, sob o signo da sua bondade universal para com os homens» (94). O culto dominical cumpre o preceito moral da Antiga Aliança, cujo ritmo e espírito retoma, ao celebrar em cada semana o Criador e o Redentor do seu povo.
Celebratio Dominicae praescriptionem moralem observat naturaliter in corde hominis inscriptam qua « praecipitur exterior Dei cultus sub signo communis beneficii quod pertinet ad omnes ». 116 Dominicalis cultus morale Veteris Foederis adimplet praeceptum, cuius ordinem assumit et spiritum, unaquaque hebdomada Creatorem et Redemptorem Eius populi celebrando.Eucharistia dominicalis

A EUCARISTIA DOMINICAL

OS DEZ MANDAMENTOS

O dia do Senhor

§ 2177
A celebração dominical do Dia e da Eucaristia do Senhor está no coração da vida da Igreja. «O domingo, em que se celebra o mistério pascal, por tradição apostólica, deve guardar-se em toda a Igreja como o primordial dia festivo de preceito» (95).«Do mesmo modo devem guardar-se os dias do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, Epifania, Ascensão e santíssimo corpo e sangue de Cristo, Santa Maria Mãe de Deus, sua Imaculada Conceição e Assunção, São José e os Apóstolos São Pedro e São Paulo, e finalmente o de todos os Santos» (96).
Dominicalis celebratio Diei et Eucharistiae Domini in corde est vitae Ecclesiae. « Dies Dominica in qua mysterium Paschale celebratur ex apostolica Traditione, in universa Ecclesia uti primordialis festus de praecepto servanda est ». 117« Item servari debent dies Nativitatis Domini nostri Iesu Christi, Epiphaniae, Ascensionis et sanctissimi corporis et sanguinis Christi, sanctae Dei Genetricis Mariae, eiusdem Immaculatae Conceptionis et Assumptionis, sancti Ioseph, sanctorum Petri et Pauli apostolorum, omnium denique sanctorum ». 118
§ 2178
Esta prática da reunião da assembleia cristã data dos princípios da idade apostólica (97). A Epístola aos Hebreus lembra: «Sem abandonarmos a nossa assembleia, como é costume de alguns, mas exortando-nos mutuamente» (Heb 10, 25).

A Tradição guarda a lembrança duma exortação sempre actual: «Vir cedo à igreja. aproximar-se do Senhor e confessar os próprios pecados, arrepender-se deles na oração [...], assistir à santa e divina liturgia, acabar a sua oração e não sair antes da despedida [...]. Muitas vezes o temos dito: este dia é-vos dado para a oração e o descanso. É o dia que o Senhor fez: nele exultemos e cantemos de alegria» (98).

Haec praxis christianae congregationis inde ab initiis aetatis apostolicae procedit. 119 Epistula ad Hebraeos commemorat: « Non deserentes congregationem nostram, sicut est consuetudinis quibusdam, sed exhortantes » (Heb 10,25).

Traditio memoriam servat cuiusdam adhortationis semper actualis: « Mane igitur in ecclesia Dei compare, accede ad Dominum, confitere Ipsi peccata tua, poenitentiam age precibus [...], permane in divina et sacra liturgia, absolve preces tuas et nequaquam ante dimissam concionem egredere [...]. Haec enim dies, ut saepe diximus, ad preces et requiem tibi data est. Haec igitur illa est, quam fecit Dominus, gaudeamus et exsultemus in illa ». 120

§ 2179
«A paróquia é uma certa comunidade de fiéis, constituída estavelmente na Igreja particular, cuja cura pastoral, sob a autoridade do bispo diocesano, está confiada ao pároco, como a seu pastor próprio»(99). É o lugar onde todos os fiéis podem reunir-se para a celebração dominical da Eucaristia. A paróquia inicia o povo cristão na expressão ordinária da vida litúrgica e reúne-o nesta celebração; ensina a doutrina salvífica de Cristo; e pratica a caridade do Senhor em obras boas e fraternas (100):

«Podes também rezar em tua casa; mas não podes rezar aí como na igreja, onde muitos se reúnem, onde o grito é lançado a Deus de um só coração. [...] Há lá qualquer coisa mais: a união dos espíritos, a harmonia das almas, o laço da caridade, as orações dos sacerdotes» (101).

« Paroecia est certa communitas christifidelium in Ecclesia particulari stabiliter constituta, cuius cura pastoralis, sub auctoritate Episcopi dioecesani, committitur parocho, qua proprio eiusdem pastori ». 121 Ipsa locus est in quem omnes fideles possunt congregari ad Eucharistiae dominicalem celebrationem. Paroecia populum christianum initiat ordinariae expressioni vitae liturgicae, illum in hanc congregat celebrationem; doctrinam Christi docet salvificam; caritatem exercet Domini in bonis et fraternis operibus: 122

« Precari etiam domi potes; ita vero precari ut in ecclesia non potes, ubi tanta patrum frequentia, ubi clamor unanimiter ad Deum emissus. [...] Hic aliquid amplius est, nempe concordia et consensus, caritatis vinculum et sacerdotum orationes ». 123

A OBRIGAÇÃO DO DOMINGO

OS DEZ MANDAMENTOS

O dia do Senhor

§ 2180
O mandamento da Igreja determina e precisa a lei do Senhor: «No domingo e nos outros dias festivos de preceito, os fiéis têm obrigação de participar na missa» (102). «Cumpre o preceito de participar na missa quem a ela assiste onde quer que se celebre em rito católico, quer no próprio dia festivo quer na tarde do antecedente» (103).
Praeceptum Ecclesiae Legem Domini determinat et concrete definit. « Die Dominica aliisque diebus festis de praecepto fideles obligatione tenentur Missam participandi ». 124 « Praecepto de Missa participanda satisfacit qui Missae assistit ubicumque celebratur ritu catholico vel ipso die festo vel vespere diei praecedentis ». 125
§ 2181
A Eucaristia dominical fundamenta e sanciona toda a prática cristã. É por isso que os fiéis têm obrigação de participar na Eucaristia nos dias de preceito, a menos que estejam justificados, por motivo sério (por exemplo, doença, obrigação de cuidar de crianças de peito) ou dispensados pelo seu pastor (104). Os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave.
Eucharistia dominicalis totum christianum fundat et confirmat exercitium. Hac de causa, fideles obligantur ut Eucharistiam participent diebus de praecepto, nisi seria excusentur ratione (exempli gratia, aegritudine, infantium cura) vel a suo proprio dispensentur pastore. 126 Qui deliberate hanc obligationem transgrediuntur, grave committunt peccatum.
§ 2182
A participação na celebração comum da Eucaristia dominical é um testemunho de pertença e fidelidade a Cristo e à sua Igreja. Os fiéis atestam desse modo a sua comunhão na fé e na caridade. Juntos, dão testemunho da santidade de Deus e da sua esperança na salvação. E reconfortam-se mutuamente, sob a acção do Espírito Santo.
Participatio in celebratione communi Eucharistiae dominicalis testimonium est coniunctionis et fidelitatis Christo et Eius Ecclesiae. Sic fideles suam communionem testantur in fide et caritate. Simul testificantur Dei sanctitatem et suam salutis spem. Spiritus Sancti ductu mutuo confortantur.
§ 2183
«Se for impossível a participação na celebração eucarística por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave, recomenda-se muito que os fiéis tomem parte na liturgia da Palavra, se a houver na igreja paroquial ou noutro lugar sagrado, celebrada segundo as prescrições do bispo diocesano, ou consagrem um tempo conveniente à oração pessoal ou em família ou em grupos de famílias, conforme a oportunidade» (105).
« Si deficiente ministro sacro aliave gravi de causa participatio eucharisticae celebrationis impossibilis evadat, valde commendatur ut fideles in liturgia verbi, si quae sit in ecclesia paroeciali aliove sacro loco, iuxta Episcopi dioecesani praescripta celebrata, partem habeant, aut orationi per debitum tempus personaliter aut in familia vel pro opportunitate in familiarum coetibus vacent ». 127Dies gratiae et cessationis a labore

DIA DE GRAÇA E DE CESSAÇÃO DO TRABALHO

OS DEZ MANDAMENTOS

O dia do Senhor

§ 2184
Tal como Deus «repousou no sétimo dia, depois de todo o trabalho que realizara» (Gn 2, 2), assim a vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso. A instituição do Dia do Senhor contribui para que todos gozem do tempo de descanso e lazer suficiente, que lhes permita cultivar a vida familiar, cultural, social e religiosa (106).
Sicut Deus « requievit die septimo ab universo opere, quod patrarat » (Gn 2,2), vita humana vicissitudine laboris et requiei signatur. Institutio diei Domini ad id confert ut omnes sufficienti fruantur requiei et otii tempore quod eis suam familiarem, culturalem, socialem et religiosam permittat colere vitam. 128
§ 2185
Aos domingos e outros dias festivos de preceito, os fiéis abstenham-se de trabalhos e negócios que impeçam o culto devido a Deus, a alegria própria do Dia do Senhor, a prática das obras de misericórdia ou o devido repouso do espírito e do corpo (107). As necessidades familiares ou uma grande utilidade social constituem justificações legítimas em relação ao preceito do descanso dominical. Mas os fiéis estarão atentos a que legítimas desculpas não introduzam hábitos prejudiciais à religião, à vida de família e à saúde.

«O amor da verdade procura o ócio santo: a necessidade do amor aceita o negócio justo» (108).

Fideles, Dominica aliisque festivis diebus de praecepto, abstinebunt quominus se laboribus tradant vel activitatibus quae cultum Deo impediunt debitum, gaudium diei Domini proprium, exercitium operum misericordiae et convenientem spiritus corporisque relaxationem. 129 Necessitates familiares vel magna socialis utilitas excusationes quoad praeceptum dominicalis requiei constituunt legitimas. Fideles curabunt ne hae legitimae excusationes habitudines religioni, vitae familiae vel valetudini introducant damnosas.

« Otium sanctum quaerit caritas veritatis; negotium iustum suscipit necessitas caritatis ». 130

§ 2186
Os cristãos que dispõem de tempos livres lembrem-se dos seus irmãos que têm as mesmas necessidades e os mesmos direitos, e não podem descansar por motivos de pobreza e de miséria. O domingo é tradicionalmente consagrado, pela piedade cristã, às boas obras e aos serviços humildes dos doentes, enfermos e pessoas de idade. Os cristãos também santificarão o domingo prestando à sua família e vizinhos tempo e cuidados difíceis de prestar nos outros dias da semana. O domingo é um tempo de reflexão, de silêncio, de cultura e de meditação, que favorecem o crescimento da vida interior e cristã.
Oportet ut christiani, quibus praesto sunt otia, suos recordentur fratres, qui easdem habent necessitates eademque iura et propter paupertatem et miseriam quiescere nequeunt. Dominica traditionaliter a pietate christiana bonis operibus dedicatur et humilibus aegrotorum, infirmorum, senum servitiis. Christiani Dominicam etiam sanctificabunt suis familiis suisque proximis tempus et curas praebentes, quae difficulter reliquis hebdomadae diebus concedi possunt. Dominica tempus est considerationis, silentii, culturae et meditationis, quae vitae interioris et christianae favent incremento.
§ 2187
Santificar os domingos e festas de guarda exige um esforço comum. Todo o cristão deve evitar impor a outrem, sem necessidade, o que possa impedi-lo de guardar o Dia do Senhor. Quando os costumes (desporto, restaurantes, etc.) e as obrigações sociais (serviços públicos, etc.) reclamam de alguns um trabalho dominical, cada um fica com a responsabilidade de um tempo suficiente de descanso. Os fiéis estarão atentos, com moderação e caridade, para evitar os excessos e violências originados às vezes nas diversões de massa. Não obstante as pressões de ordem económica, os poderes públicos preocupar-se-ão em assegurar aos cidadãos um tempo destinado ao repouso e ao culto divino. Os patrões têm obrigação análoga para com os seus empregados.
Dominicas diesque sanctificare festivos communem exigit nisum. Unusquisque christianus debet vitare ne aliis sine necessitate imponat id quod eos impediat quominus diem Domini servent. Cum mores (ludi, popinae, etc.) et sociales necessitates (publica servitia, etc.) a quibusdam laborem requirunt dominicalem, singulis manet responsabilitas temporis sufficientis pro otio. Fideles curabunt ut, cum temperantia et caritate, excessus vitent et violentias quas quandoque otia generant multitudinis. Non obstantibus oeconomicis exigentiis, publicae potestates curabunt civibus tempus praestare requiei et cultui divino destinatum. Laboris locatores analogum habent officium erga suos conductos operarios.
§ 2188
No respeito pela liberdade religiosa e pelo bem comum de todos, os cristãos devem esforçar-se pelo reconhecimento dos domingos e dias santos da Igreja como dias feriados legais. Devem dar a todos o exemplo público de oração, respeito e alegria, e defender as suas tradições como uma contribuição preciosa para a vida espiritual da sociedade humana. Se a legislação do país ou outras razões obrigarem a trabalhar ao domingo, que este dia seja vivido, no entanto, como sendo o dia da nossa libertação, que nos faz participantes da «reunião festiva», da «assembleia de primogénitos inscritos nos céus» (Heb 12, 22-23).Resumindo:
Christiani, libertatem religiosam et bonum omnium commune observantes, debent operam dare ut Dominicae et dies festivi Ecclesiae tamquam feriarum legalium agnoscantur dies. Ii omnibus publicum praebere debent exemplum orationis, observantiae et gaudii, et suas traditiones defendere tamquam egregiam contributionem ad vitam spiritualem humanae societatis. Si legislatio regionis vel aliae rationes obligant ad laborandum die Dominica, in hac tamen die sic vita est ducenda ut in die nostrae liberationis quae nos efficit participare « frequentiam et Ecclesiam primogenitorum, qui conscripti sunt in caelis » (Heb 12,22-23).Compendium

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2189
«Guarda o dia do sábado para o santificar» (Dt 5, 12). «O sétimo dia será um dia de repouso completo, consagrado ao Senhor» (Ex 31, 15).
« Observa diem sabbati, ut sanctifices eum » (Dt 5,12). « In die septimo sabbatum est, requies sancta Domino » (Ex 31,15).
§ 2190
O sábado, que representava o acabamento da primeira criação, é substituído pelo domingo, que lembra a criação nova, inaugurada na ressurreição de Cristo.
Sabbatum, quod primae creationis repraesentabat impletionem, substituitur a Dominica, quae creationem commemorat novam, resurrectione Christi inauguratam.
§ 2191
A Igreja celebra o dia da ressurreição de Cristo no oitavo dia que, com razão, se chama dia do Senhor ou domingo (109).
Ecclesia diem resurrectionis Christi octava celebrat die, quae merito dies Domini seu Dominica nuncupatur. 131
§ 2192
«O domingo [...] deve guardar-se em toda a Igreja como o primordial dia festivo de preceito» (110). «No domingo e outros dias santos de preceito, os fiéis têm obrigação de participar na Missa» (111).
« Dies Dominica [...] in universa Ecclesia uti primordialis dies festus de praecepto servanda est ». 132 « Die Dominica aliisque diebus festis de praecepto fideles obligatione tenentur Missam participandi ». 133
§ 2193
«No domingo e nos outros dias festivos de preceito, os fiéis [...] abstenham-se daqueles trabalhos e negócios que impeçam o culto a prestar a Deus, a alegria própria do dia do Senhor ou o devido descanso do espírito e do corpo» (112).
« Die Dominica aliisque diebus festis de praecepto fideles [...] abstineant insuper ab illis operibus et negotiis quae cultum Deo reddendum, laetitiam diei Domini propriam, aut debitam mentis ac corporis relaxationem impediant ». 134
§ 2194
A instituição do domingo contribui para que «todos gozem do tempo suficiente de repouso e lazer, que lhes permita atender vida familiar, cultural, social e religiosa» (113).
Institutio Dominicae confert ut « ad vitam familiarem, culturalem, socialem et religiosam colendam etiam sufficiente quiete et otio omnes gaudeant ». 135
§ 2195
Todo o cristão deve evitar impor a outrem, sem necessidade, o que o impeça de guardar o Dia do Senhor.
Unusquisque christianus vitare debet id aliis sine necessitate imponere quod eos impediret quominus diem Domini servent. (104) Cf Dt 5,12-15. (105) Cf Ex 31,16. (106) Cf Ex 23,12. (107) Cf Ne 13,15-22; 2 Par 36,21. (108) Cf Mc 1,21; Io 9,16. (109) Cf Mc 3,4. (110) Cf Mt 12,5; Io 7,23. (111) Cf Mt 28,1; Lc 24,1; Io 20,1. (112) Cf Mc 16,1; Mt 28,1. (113) Sanctus Iustinus, Apologia, 1, 67: CA 1, 188 (PG 6, 429-432).(114) Cf 1 Cor 10,11.(115) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Magnesios, 9, 1: SC 10bis, 88 (Funk 1, 236-238). (116) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 122, a. 4, c: Ed. Leon. 9, 478. (117) CIC canon 1246, § 1. (118) CIC canon 1246, § 1. (119) Cf Act 2,42-46; 1 Cor 11,17. (120) Pseudo-Eusebius Alexandrinus, Sermo de die Dominica: PG 861, 416 et 421.(121) CIC canon 515, § 1.(122) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Christifideles laici, 26: AAS 81 (1989) 437-440.(123) Sanctus Ioannes Chrysostomus, De incomprehensibili Dei natura seu contra Anomoeos, 3, 6: SC 28bis, 218 (PL 48, 725). (124) CIC canon 1247. (125) CIC canon 1248, § 1. (126) Cf CIC canon 1245. (127) CIC canon 1248, § 2. (128) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 67: AAS 58 (1966) 1089. (129) Cf CIC canon 1247. (130) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 19, 19: CSEL 402, 407 (PL 41, 647).(131) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 106: AAS 56 (1964) 126.(132) CIC canon 1246, § 1.(133) CIC canon 1247.(134) CIC canon 1247.(135) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 67: AAS 58 (1966) 1089.

«AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO»

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2196
Respondendo à questão posta sobre o primeiro dos mandamentos, Jesus disse: «O primeiro é: "Escuta, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças!". O segundo é este: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo". Não há outro mandamento maior do que estes» (Mc 12, 29-31).E o apóstolo São Paulo lembra: «Quem ama o próximo cumpre plenamente a lei. De facto: "Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás", bem como qualquer outro mandamento, estão resumidos numa só frase: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". O amor não faz mal ao próximo. Assim, é no amor que está o pleno cumprimento da lei» (Rm 13, 8-10).
Iesus, respondens quaestioni positae circa primum ex mandatis, dixit: « Primum est: "Audi, Israel: Dominus Deus noster Dominus Unus est, et diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo et ex tota anima tua et ex tota mente tua et ex tota virtute tua". Secundum est illud: "Diliges proximum tuum tamquam teipsum". Maius horum aliud mandatum non est » (Mc 12,29-31).Sanctus apostolus Paulus id in memoriam revocat: « Qui [...] diligit proximum, Legem implevit. Nam: Non adulterabis, Non occides, Non furaberis, Non concupisces, et si quod est aliud mandatum, in hoc verbo recapitulatur: Diliges proximum tuum tamquam teipsum. Dilectio proximo malum non operatur; plenitudo ergo Legis est dilectio » (Rom 13,8-10).

O QUARTO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2197
O quarto mandamento é o primeiro da segunda tábua, e indica a ordem da caridade. Deus quis que, depois de Si, honrássemos os nossos pais, a quem devemos a vida e que nos transmitiram o conhecimento de Deus. Temos obrigação de honrar e respeitar todos aqueles que Deus, para nosso bem, revestiu da sua autoridade.
Quartum praeceptum secundam aperit tabulam. Caritatis indicat ordinem. Deus voluit ut, post Eum, nostros honoremus parentes quibus vitam debemus et qui nobis Dei transmiserunt cognitionem. Honorare et revereri tenemur omnes quos Deus, pro nostro bono, Sua induit auctoritate.
§ 2198
Este mandamento exprime-se sob a forma positiva de deveres a cumprir. Anuncia os mandamentos seguintes, relativos ao respeito particular pela vida, pelo matrimónio, pelos bens terrenos, pela palavra dada. E constitui um dos fundamentos da doutrina social da Igreja.
Hoc praeceptum in positiva officiorum adimplendorum exprimitur forma. Praecepta annuntiat quae illud sequuntur et quae ad particularem vitae, matrimonii, bonorum terrestrium, verbi referuntur observantiam. Unum constituit ex fundamentis doctrinae socialis Ecclesiae.
§ 2199
O quarto mandamento dirige-se expressamente aos filhos nas suas relações com o pai e a mãe, porque esta relação é a mais universal. Mas diz respeito igualmente às relações de parentesco com os membros do grupo familiar. Exige que se preste honra, afeição e reconhecimento aos avós e antepassados. E, enfim, extensivo aos deveres dos alunos para com os professores, dos empregados para com os patrões, dos subordinados para com os chefes e dos cidadãos para com a pátria e para com quem os administra ou governa.Este mandamento implica e subentende os deveres dos pais, tutores, professores, chefes, magistrados, governantes, todos aqueles que exercem alguma autoridade sobre outrem ou sobre uma comunidade de pessoas.
Quartum praeceptum ad filios expresse dirigitur in eorum cum patre et matre relationibus, quia haec relatio omnium est universalissima. Eodem modo ad relationes refertur propinquitatis cum membris familiaris coetus. Postulat honorem, affectum et gratitudinem avis et maioribus tribuere. Extenditur denique ad alumnorum officia erga magistrum, operariorum conductorum erga laboris locatores, subordinatorum erga eorum praefectos, civium erga eorum patriam et illos qui illam administrant et gubernant.Hoc praeceptum implicat et subintelligit officia parentum, tutorum, magistrorum, moderatorum, magistratuum, gubernatorum et omnium eorum qui auctoritatem in alium vel in communitatem exercent personarum.
§ 2200
A observância do quarto mandamento comporta a respectiva recompensa: «Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar» (Ex 20, 12) (3). O respeito por este mandamento proporciona, com os frutos espirituais, os frutos temporais da paz e da prosperidade. Pelo contrário, a sua inobservância acarreta grandes danos às comunidades e às pessoas humanas.
Quarti praecepti oboedientia suam retributionem secum fert: « Honora patrem tuum et matrem tuam, ut sis longaevus super terram, quam Dominus Deus tuus dabit tibi » (Ex 20,12). 138 Observantia huius mandati, cum fructibus spiritualibus, fructus praebet temporales pacis et prosperitatis. E contra, huius mandati inobservantia damna infert magna communitatibus et personis humanis. I. Familia in Dei consilioFamiliae natura

NATUREZA DA FAMÍLIA

OS DEZ MANDAMENTOS

A família no plano de Deus

§ 2201
A comunidade conjugal assenta sobre o consentimento dos esposos. O matrimónio e a família estão ordenados para o bem dos esposos e para a procriação e educação dos filhos. O amor dos esposos e a geração dos filhos estabelecem, entre os membros duma mesma família, relações pessoais e responsabilidades primordiais.
Coniugalis communitas consensu stabilitur coniugum. Matrimonium et familia ad bonum coniugum ordinantur, ad procreationem et ad filiorum educationem. Coniugum amor et filiorum generatio inter eiusdem familiae membra relationes personales et primordiales instituunt responsabilitates.
§ 2202
Um homem e uma mulher, unidos em matrimónio, formam com os seus filhos uma família. Esta disposição precede todo e qualquer reconhecimento por parte da autoridade pública e impõe-se a ela. Deverá ser considerada como a referência normal, em função da qual serão apreciadas as diversas formas de parentesco.
Vir et mulier matrimonio coniuncti cum suis filiis familiam constituunt. Haec institutio omnem praecedit agnitionem a publica auctoritate; insuper eam imponitur. Tamquam normalis considerabitur respectus iuxta quem diversae formae cognationis debent aestimari.
§ 2203
Ao criar o homem e a mulher, Deus instituiu a família humana e dotou-a da sua constituição fundamental. Os seus membros são pessoas iguais em dignidade. Para o bem comum dos seus membros e da sociedade, a família implica uma diversidade de responsabilidades, de direitos de deveres.
Deus, virum et mulierem creans, humanam instituit familiam eamque eius fundamentali dotavit constitutione. Eius membra personae sunt aequalis dignitatis. Familia, ad commune membrorum suorum et societatis bonum, diversitatem implicat responsabilitatum, iurium et officiorum.Familia christiana

A FAMÍLIA CRISTÃ

OS DEZ MANDAMENTOS

A família no plano de Deus

§ 2204
«A família cristã constitui uma revelação e uma realização específica da comunhão eclesial; por esse motivo [...], há-de ser designada como uma igreja doméstica» (4). Ela é uma comunidade de fé, de esperança e de caridade: reveste-se duma importância singular na Igreja, como transparece do Novo Testamento (5).
« Communionis ecclesialis ostensionem et effectionem christiana familia exhibet, quae hac quoque de causa "Ecclesia domestica" appellari [...] debet ». 139 Ipsa est communitas fidei, spei et caritatis; momentum in Ecclesia induit singulare, sicut in Novo Testamento apparet. 140
§ 2205
A família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e imagem da comunhão do Pai e do Filho, no Espírito Santo. A sua actividade procriadora e educativa é o reflexo da obra criadora do Pai. É chamada a partilhar da oração e do sacrifício de Cristo. A oração quotidiana e a leitura da Palavra de Deus fortalecem nela a caridade. A família cristã é evangelizadora e missionária.
Christiana familia communio est personarum, vestigium et imago communionis Patris et Filii in Spiritu Sancto. Eius procreatrix et educatrix activitas repercussio est operis creatoris Patris. Vocatur ad orationem et sacrificium Christi participandum. Quotidiana oratio et Verbi Dei lectio eam in caritate roborant. Familia christiana evangelizatrix est et missionaria.
§ 2206
As relações no seio da família comportam uma afinidade de sentimentos, de afectos e de interesses, que provêm sobretudo do mútuo respeito das pessoas. A família é uma comunidade privilegiada, chamada a realizar a comunhão das almas, o comum acordo dos esposos e a dili­gente cooperação dos pais na educação dos filhos (6).
Relationes intra familiam affinitatem inferunt sensuum, affectuum et consortionum, quae praecipue e mutua personarum provenit observantia. Familia est communitas praestans vocata ad commune coniugum consilium necnon sedulam parentum cooperationem in filiorum educatione conferendum. 141 II. Familia et societas

A FAMÍLIA CRISTÃ

OS DEZ MANDAMENTOS

A família e a sociedade

§ 2207
A família é a célula originária da vida social. É ela a sociedade natural em que o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A autoridade, a estabilidade e a vida de relações no seio da família constituem os fundamentos da liberdade, da segurança, da fraternidade no seio da sociedade. A família é a comunidade em que, desde a infância, se podem aprender os valores morais, começar a honrar a Deus e a fazer bom uso da liberdade. A vida da família é iniciação à vida em sociedade.
Familia est vitae socialis cellula originalis. Societas est naturalis in qua vir et mulier ad donum vocantur sui in amore et in vitae dono. Auctoritas, stabilitas et vita relationum intra familiam fundamenta constituunt libertatis, securitatis, fraternitatis intra societatem. Familia est communitas in qua, inde ab infantia, valores morales disci possunt, incipitur Deum honorare et libertate bene uti. Familiae vita initiatio est vitae in societate.
§ 2208
A família deve viver de modo que os seus membros aprendam a preocupar-se e a encarregar-se dos jovens e dos velhos, das pessoas doentes ou incapacitadas e dos pobres. São muitas as famílias que, em certos momentos, se não encontram em condições de prestar esta ajuda. Recai então sobre outras pessoas, outras famílias e, subsidiariamente, sobre a sociedade, o dever de prover a estas necessidades: «A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo» (Tg 1, 27).
Familia sic vivere debet ut eius membra sollicitudinem discant et susceptionem curae erga iuvenes et senes, personas aegrotas vel incapacitate (handicap) laborantes et pauperes. Plures sunt familiae quae, quibusdam temporibus, in condicionibus non inveniuntur hoc adiutorium praestandi. Tunc ad alias personas pertinet, ad alias familias et, subsidiaria ratione, ad societatem, his providere necessitatibus: « Religio munda et immaculata apud Deum et Patrem haec est: visitare pupillos et viduas in tribulatione eorum, immaculatum se custodire ab hoc saeculo » (Iac 1,27).
§ 2209
A família deve ser ajudada e defendida por medidas sociais apropriadas. Nos casos em que as famílias não estiverem em condições de cumprir as suas funções, os outros corpos sociais têm o dever de as ajudar e de amparar a instituição familiar. Mas, segundo o princípio da subsidiariedade, as comunidades mais vastas abster-se-ão de lhe usurpar as suas prerrogativas ou de se imiscuir na sua vida.
Familia idoneis socialibus provisionibus adiuvari et defendi debet. Ubi familiae in condicionibus non sunt sua implendi munera, alia socialia corpora officium habent eas adiuvandi et institutionem sustinendi familiarem. Secundum subsidiarietatis principium, communitates ampliores curabunt ne earum usurpent potestates neve se in earum immisceant vita.
§ 2210
A importância da família na vida e no bem-estar da sociedade (7) implica uma responsabilidade particular desta no apoio e fortalecimento do matrimónio e da família. A autoridade civil deve considerar como seu grave dever «reconhecer e proteger a verdadeira natureza do matrimónio e da família, defender a moralidade pública e favorecer a prosperidade doméstica» (8).
Momentum familiae pro vita et salute societatis 142 implicat huius peculiarem in matrimonio et familia sustinendis et affirmandis responsabilitatem. Potestas civilis consideret oportet, tamquam grave officium, « veram eorumdem indolem agnoscere, protegere et provehere, moralitatem publicam tueri atque prosperitati domesticae favere ». 143
§ 2211
A comunidade política tem o dever de honrar a família, de a assistir e de nomeadamente lhe garantir:

– a Liberdade de fundar um lar, ter filhos e educá-Los de acordo com as suas próprias convicções morais e religiosas;
–  a protecção da estabilidade do vínculo conjugal e da instituição familiar;
–  a liberdade de professar a sua fé, de a transmitir, de educar nela os seus filhos, com os meios e as instituições necessárias;
–  o direito à propriedade privada, a liberdade de iniciativa, de obter um trabalho, uma habitação e o direito de emigrar;
–  consoante as instituições dos países, o direito aos cuidados médicos e à assistência aos idosos, bem como ao abono de família;
–  a protecção da segurança e da salubridade, sobretudo no que respeita a perigos como a droga, a pornografia, o alcoolismo. etc.;
–  a liberdade de formar associações com outras famílias e de ter assim representação junto das autoridades civis (9).

Communitas politica officium habet familiam honorandi, ei assistendi eique praecipue praestandi:— libertatem familiam fundandi, filios habendi eosque educandi secundum proprias morales et religiosas persuasiones;— protectionem stabilitatis vinculi coniugalis et institutionis familiaris;— libertatem fidem profitendi, eam transmittendi, filios in ea educandi mediis et institutionibus necessariis;— ius privatae proprietatis, libertatem coeptandi, obtinendi laborem, habitationem, ius emigrandi;— secundum nationis institutiones, ius ad curas medicas, ad opitulationem senibus, ad familiaria subsidia;— protectionem securitatis et salubritatis, praesertim relate ad pericula sicut stupefactiva medicamenta, pornographiam, alcoholismum, etc.— libertatem ut consociationes cum aliis familiis creent et ut sic apud auctoritates civiles repraesententur. 144
§ 2212
O quarto mandamento esclarece as outras relações na sociedade. Nos nossos irmãos e irmãs vemos os filhos dos nossos pais; nos nossos primos, os descendentes dos nossos avós; nos nossos concidadãos, os filhos da nossa pátria; nos baptizados, os filhos da nossa mãe Igreja; em toda a pessoa humana, um filho ou filha d'Aquele que quer ser chamado «nosso Pai». Daí que as nossas relações com o próximo sejam reconhecidas como de ordem pessoal. O próximo não é um «indivíduo» da colectividade humana; é «alguém» que, pelas suas origens conhecidas, merece uma atenção e um respeito singulares.
Quartum praeceptum ceteras illustrat relationes in societate. In nostris fratribus et sororibus filios perspicimus nostrorum parentum; in nostris patruelibus, prognatos e nostris avis; in nostris concivibus, filios nostrae patriae; in baptizatis, filios nostrae Matris, Ecclesiae; in omni persona humana, filium vel filiam Illius qui « Pater noster » appellari vult. Hac de causa, nostrae relationes cum proximo nostro agnoscuntur ut ordinis personalis relationes. Proximus non est aliquod « individuum » humanae consortionis; ipse est « aliquis » qui, ob suas notas origines, attentionem et observantiam meretur singulares.
§ 2213
As comunidades humanas são compostas de pessoas. O bom governo das mesmas não se limita à garantia dos direitos e ao cumprimento dos deveres, bem como ao respeito pelos contratos. Relações justas entre patrões e empregados, governantes e cidadãos, pressupõem a benevolência natural, de acordo com a dignidade das pessoas humanas, solícitas pela justiça e pela fraternidade.
Humanae communitates personis componuntur. Earum bona gubernatio iurium non circumscribitur cautione et officiorum impletione, neque etiam fidelitate ad pacta. Iustae relationes inter laboris locatores et operarios conductos, gubernantes et cives, naturalem supponunt benevolentiam congruentem cum dignitate personarum humanarum, quae de iustitia et fraternitate sunt sollicitae. III. Officia membrorum familiaeOfficia filiorum

DEVERES DOS FILHOS

OS DEZ MANDAMENTOS

Deveres dos membros da família

§ 2214
A paternidade divina é a fonte da paternidade humana (10); nela se fundamenta a honra devida aos pais. O respeito dos filhos, menores ou adultos, pelo seu pai e pela sua mãe (11) nutre-se do afecto natural nascido dos laços que os unem. Exige-o o preceito divino (12).
Paternitas divina humanae paternitatis est fons; 145 ipsa honorem fundat parentum. Filiorum, minorum vel adultorum, observantia erga eorum patrem et matrem 146 naturali alitur affectu qui oritur e vinculo quod eos coniungit. Illa praecepto postulatur divino. 147
§ 2215
O respeito pelos pais (piedade filial) é feito de reconhecimento àqueles que, pelo dom da vida, pelo seu amor e seu trabalho, puseram os filhos no mundo e lhes permitiram crescer em estatura, sabedoria e graça. «Honra o teu pai de todo o teu coração e não esqueças as dores da tua mãe. Lembra-te de que foram eles que te geraram. Como lhes retribuirás o que por ti fizeram?» (Sir 7, 27-28).
Parentum observantia (pietas filialis) in gratitudine constat erga eos qui, dono vitae, suo amore suoque labore, suos filios huic genuerunt mundo eisque effecerunt possibile ut aetate, sapientia crescerent et gratia. « In toto corde tuo honora patrem tuum et gemitus matris tuae ne obliviscaris. Memento quoniam, nisi per illos, natus non fuisses; et quid retribues illis, quomodo et illi tibi? » (Eccli 7,28-30).
§ 2216
O respeito filial revela-se na docilidade e na obediência autênticas. «Observa, meu filho, as ordens do teu pai, e não desprezes os ensinamentos da tua mãe [...]. Servir-te-ão de guia no caminho, velarão por ti quando dormires, e falarão contigo ao despertares» (Pr 6, 20.22). «O filho sábio é fruto da correcção paterna, mas o insolente não aceita a repreensão» (Pr 13, 1).
Filialis observantia vera docilitate veraque ostenditur oboedientia. « Conserva, fili mi, praecepta patris tui et ne reiicias legem matris tuae [...]. Cum ambulaveris, dirigent te, cum dormieris, custodient te et, cum vigilaveris, colloquentur tecum » (Prv 6,20-22). « Filius sapiens disciplina patris; qui autem illusor est, non audit, cum arguitur » (Prv 13,1).
§ 2217
Enquanto viver na casa dos pais, o filho deve obedecer a tudo o que eles lhe mandarem para seu bem ou o da família. «Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, porque isto agrada ao Senhor» (Cl 3, 20) (13). Os filhos devem também obedecer às prescrições razoáveis dos seus educadores e de todos aqueles a quem os pais os confiaram. Mas se o filho se persuadir, em consciência, de que é moralmente mau obedecer a determinada ordem, não o faça.Com o crescimento, os filhos continuarão a respeitar os pais. Adivinharão os seus desejos, pedirão de boa vontade os seus conselhos e aceitarão as suas admoestações justificadas. A obediência aos pais cessa com a emancipação: mas não o respeito que sempre lhes é devido. É que este tens a sua raiz no temor de Deus, que é um dos dons do Espírito Santo.
Quamdiu filius in parentum habitat domicilio, omni parentum debet oboedire postulationi quae suum bonum vel illud familiae quaerit. « Filii, oboedite parentibus per omnia, hoc enim placitum est in Domino » (Col 3,20). 148 Filii etiam rationabilibus praescriptionibus suorum educatorum oboedire tenentur atque illorum omnium quibus parentes eos concrediderunt. Sed si filius est in conscientia persuasus, moraliter malum esse tali oboedire praecepto, ne illud sequatur.Filii, cum crescunt, suos parentes observare pergent. Eorum praevenient optata, eorum consilia libenter postulabunt eorumque iustificatas accipient animadversiones. Oboedientia erga parentes filiorum desinit emancipatione, non tamen observantia quae semper manet debita. Re quidem vera, haec suam radicem in Dei invenit timore qui inter dona est Spiritus Sancti.
§ 2218
O quarto mandamento lembra aos filhos adultos as suas responsabilidades para com os pais. Tanto quanto lhes for possível, devem prestar-lhes ajuda material e moral, nos anos da velhice e no tempo da doença, da solidão ou do desânimo. Jesus lembra este dever de gratidão (14).

«Deus quis honrar o pai pelos filhos e cuidadosamente firmou sobre eles a autoridade da mãe. O que honra o pai alcança o perdão dos seus pecados e quem honra a mãe é semelhante àquele que acumula tesouros. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será ouvido no dia da sua oração. Quem honra o pai gozará de longa vida e quem lhe obedece consolará a sua mãe» (Sir 3, 2-6).


«Filho, ampara o teu pai na velhice, não o desgostes durante a sua vida. Mesmo se ele vier a perder a razão, sê indulgente, não o desprezes, tu que estás na plenitude das tuas forças [...]. É como um blasfemador o que desampara o seu pai e é amaldiçoado por Deus aquele que irrita a sua mãe» (Sir 3, 12-16).

Quartum praeceptum filiis, cum adultae fiunt aetatis, revocat in memoriam, suas erga parentes responsabilitates. Eis, annis senectutis vel perdurante tempore aegritudinis, solitudinis vel indigentiae, adiutorium materiale et morale praestare debent, quatenus ipsis est possibile. Iesus hoc gratitudinis commemorat officium. 149

« Deus enim honoravit patrem in filiis et iudicium matris firmavit in filios. Qui honorat patrem, exorabit pro peccatis et continebit se ab illis et in oratione dierum exaudietur. Et, sicut qui thesaurizat, ita et qui honorificat matrem suam. Qui honorat patrem suum, iucundabitur in filiis et in die orationis suae exaudietur; qui honorat patrem suum, vita vivet longiore, et, qui oboedit Patri, refrigerabit matrem » (Eccli 3,3-7).

« Fili, suscipe senectam patris tui et non contristes eum in vita illius et si defecerit sensu, veniam da et ne spernas eum omnibus diebus vitae eius. [...] Quam malae famae est, qui derelinquit patrem; et maledictus a Deo, qui exasperat matrem » (Eccli 3,14-15.18).

§ 2219
O respeito filial favorece a harmonia de toda a vida familiar; engloba também as relações entre irmãos e irmãs. O respeito pelos pais impregna todo o ambiente familiar. «A coroa dos anciãos são os filhos dos seus filhos» (Pr 17, 6). «Suportai-vos uns aos outros na caridade, com toda a humildade, mansidão e paciência» (Ef 4, 2).
Filialis observantia favet totius vitae familiaris harmoniae, ad relationes inter fratres et sorores etiam refertur. Observantia erga parentes totum familiae irradiat ambitum. « Corona senum filii filiorum, et gloria filiorum patres eorum » (Prv 17,6). « Cum omni humilitate et mansuetudine, cum longanimitate, [...] [supportate] invicem in caritate » (Eph 4,2).
§ 2220
Os cristãos, têm o dever de ser especialmente gratos àqueles de quem receberam o dom da fé, a graça do Baptismo e a vida na Igreja. Pode tratar-se dos pais, de outros membros da família, dos avós, dos pastores, dos catequistas, dos professores ou amigos. «Conservo a lembrança da tua fé tão sincera, que foi primeiro a da tua avó Lóide e da tua mãe Eunice, e que, estou certo, habita também em ti» (2 Tm 1, 5).
Christiani specialem debent gratitudinem illis a quibus donum fidei, gratiam Baptismi et vitam in Ecclesia acceperunt. Potest de parentibus, de aliis familiae membris, de avis, de Pastoribus, de catechistis, de aliis magistris agi vel amicis. « Recordationem [...] [accipio] eius fidei, quae est in te non ficta, quae et habitavit primum in avia tua Loide et matre tua Eunice, certus sum quod et in te » (2 Tim 1,5). Officia parentum

DEVERES DOS PAIS

OS DEZ MANDAMENTOS

Deveres dos membros da família

§ 2221
A fecundidade do amor conjugal não se reduz apenas à procriação dos filhos. Deve também estender-se à sua educação moral e à sua formação espiritual. O «papel dos pais na educação é de tal importância que é impossível substituí-los» (15). O direito e o dever da educação são primordiais e inalienáveis para os país (16).
Coniugalis amoris fecunditas ad solam filiorum procreationem non circumscribitur, sed ad eorum moralem educationem extendi debet atque ad eorum spiritualem formationem. Parentum « munus educationis tanti ponderis est ut, ubi desit, aegre suppleri potest ». 150 Educationis ius et officium primordialia sunt pro parentibus et non alienanda. 151
§ 2222
Os pais devem olhar para os seus filhos como filhos de Deus e respeitá-los como pessoas humanas. Educarão os seus filhos no cumprimento da lei de Deus, na medida em que eles próprios se mostrarem obedientes à vontade do Pai dos céus.
Parentes suos filios tamquam filios Dei respicere debent eosque tamquam personas humanas observare. Suos filios educent ut Legem Dei impleant, se ipsos ostendendo voluntati Patris coelestis oboedientes.
§ 2223
Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Testemunham esta responsabilidade, primeiro pela criação dum lar onde são regra a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes, a qual requer a aprendizagem da abnegação, de sãos critérios, do autodomínio, condições da verdadeira liberdade. Os pais ensinarão os filhos a subordinar «as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais» (17). Os pais têm a grave responsabilidade de dar bons exemplos aos filhos. Sabendo reconhecer diante deles os próprios defeitos, serão mais capazes de os guiar e corrigir:

«Aquele que ama o seu filho, castiga-o com frequência [...]. Aquele que dá ensinamentos ao seu filho será louvado» (Sir 30, 1-2). «E vós, pais, não irriteis os vossos filhos: pelo contrário, educai-os com disciplina e advertências inspiradas pelo Senhor» (Ef 6, 4).

Parentes educationis suorum filiorum primi sunt responsabiles. Hanc testantur responsabilitatem imprimis creatione familiae, in qua teneritudo, indulgentia, observantia, fidelitas et servitium gratuitum sint normalia. Familia est locus ad virtutum educationem idoneus. Haec requirit tirocinium abnegationis, sani iudicii, dominii sui ipsius, quae omnis verae libertatis sunt condiciones. Parentes filios docebunt subordinare « materialia et naturalia interioribus et spiritualibus ». 152 Gravis est parentibus responsabilitas, suis filiis bona praebere exempla. Ipsi, suos proprios defectus coram eis agnoscere scientes, eos etiam melius regere et corrigere poterunt:

« Qui diligit filium suum, assiduat illi flagella [...]. Qui docet filium suum, fructum habebit in illo » (Eccli 30,1-2). « Et, patres, nolite ad iracundiam provocare filios vestros, sed educate illos in disciplina et correptione Domini » (Eph 6,4).

§ 2224
O lar constitui o âmbito natural para a iniciação da pessoa humana na solidariedade e nas responsabilidades comunitárias. Os pais devem ensinar os filhos a acautelar-se dos perigos e degradações que ameaçam as sociedades humanas.
Familia ambitum constituit naturalem ad initiationem personae humanae in solidarietatem et in communitarias responsabilitates. Parentes filios docebunt se a periculis custodire et abiectionibus quae societatibus minantur humanis.
§ 2225
Pela graça do sacramento do matrimónio, os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os filhos. Desde tenra idade devem iniciá-los nos mistérios da fé, de que são os «primeiros arautos» (18). Hão-de associá-los, desde a sua primeira infância, à vida da Igreja. A maneira como se vive em família pode alimentar as disposições afectivas, que durante toda a vida permanecem como autêntico preâmbulo e esteio duma fé viva.
Parentes, per sacramenti Matrimonii gratiam, responsabilitatem receperunt et privilegium suos filios evangelizandi. Eos, inde a prima aetate, mysteriis initiabunt fidei, cuius ipsi pro suis filiis sunt « primi [...] praecones ». 153 Eos, ab eorum tenerrima infantia, vitae sociabunt Ecclesiae. Modi familiares vivendi affectivas nutrire possunt dispositiones, quae per totam vitam authentica fidei viventis permanent praeambula et firmamenta.
§ 2226
A educação da fé por parte dos pais deve começar desde a mais tenra infância. Faz-se já quando os membros da família se ajudam mutuamente a crescer na fé pelo testemunho duma vida cristã, de acordo com o Evangelho. A catequese familiar precede, acompanha e enriquece as outras formas de ensinamento da fé. Os pais têm a missão de ensinar os filhos a rezar e a descobrir a sua vocação de filhos de Deus (19). A paróquia é a comunidade eucarística e o coração da vida litúrgica das famílias cristãs: é o lugar privilegiado da catequese dos filhos e dos pais.
Educatio ad fidem, ex parte parentum, inde a tenerrima incipere debet aetate. Iam praebetur, cum familiae membra ad crescendum in fide se adiuvant testimonio vitae christianae secundum Evangelium. Familiaris catechesis alias formas instructionis in fide praecedit, comitatur et ditat. Parentes missionem habent suos filios docendi orare et suam detegere vocationem filiorum Dei. 154 Paroecia communitas est eucharistica et cor vitae liturgicae familiarum christianarum; locus est privilegiatus catechesis filiorum et parentum.
§ 2227
Por sua vez, os filhos contribuem para o crescimento dos seus pais na santidade (20). Todos e cada um se darão, generosamente e sem se cansar, o perdão mútuo exigido pelas ofensas, querelas, injustiças e abandonos. Assim o sugere o afecto mútuo. E assim o exige a caridade de Cristo (21).
Filii, e parte sua, ad eorum parentum conferunt augmentum in sanctitate. 155 Omnes et singuli sibi generose et indefesse veniam concedent mutuam quae ab offensis, litibus, iniustitiis et derelictionibus exigitur. Mutua affectio id suggerit. Christi caritas id postulat. 156
§ 2228
Durante a infância, o respeito e o carinho dos pais traduzem-se, primeiro, no cuidado e na atenção que consagram à educação dos filhos, para prover as suas necessidades, físicas e espirituais. A medida que vão crescendo, o mesmo respeito e dedicação levam os pais a educar os filhos no sentido dum uso correcto da sua razão e da sua liberdade.
Pueritiae tempore, parentum observantia et affectio imprimis manifestantur cura et attentione, quas iidem dedicant ut filios suos educent, ut eorum necessitatibus physicis provideant et spiritualibus. Dum crescunt, eadem observantia et eadem dedicatio parentes movent ad filios educandos suos ut recte sua ratione utantur suaque libertate.
§ 2229
Como primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos, os pais têm o direito de escolher para eles uma escola que corresponda às suas próprias convicções. É um direito fundamental. Tanto quanto possível, os pais têm o dever de escolher as escolas que melhor os apoiem na sua tarefa de educadores cristãos (22). Os poderes públicos têm o dever de garantir este direito dos pais e de assegurar as condições reais do seu exercício.
Parentes, ut primi responsabiles educationis suorum filiorum, ius habent eligendi pro illis scholam quae eorum propriis correspondeat persuasionibus. Hoc ius fundamentale est. Parentes habent officium, in quantum possibile est, eligendi scholas quae eis, in eorum munere educatorum christianorum, quam optime assistent. 157 Publicae potestates officium habent hoc parentum ius praestandi et condiciones reales eius exercitii faciendi ratas.
§ 2230
Ao tornarem-se adultos, os filhos têm o dever e o direito de escolher a sua profissão e o seu estado de vida. Devem assumir as novas responsabilidades numa relação de confiança com os seus pais, a quem pedirão e de quem de boa vontade receberão opiniões e conselhos. Os pais terão o cuidado de não constranger os filhos, nem na escolha duma profissão, nem na escolha do cônjuge. Mas este dever de discrição não os proíbe, muito pelo contrário, de os ajudar com opiniões ponderadas, sobretudo quando tiverem em vista a fundação dum novo lar.
Filii, cum adulti fiunt, officium habent et ius suam eligendi professionem suumque vitae statum. Has novas responsabilitates in fiduciali relatione ad parentes assument suos, a quibus ipsi libenter petent et accipient opiniones atque consilia. Parentes curam habebunt ne filios cogant suos in professione vel coniuge eligendis. Hoc moderationis officium eos non impedit, immo e contra, quominus prudentibus illos adiuvent consiliis, praesertim cum illi intendunt fundare familiam.

DEVERES DOS PAIS

OS DEZ MANDAMENTOS

Deveres dos membros da família

§ 2231
Há quem não se case para cuidar dos pais ou dos irmãos e irmãs; ou para se dedicar mais exclusivamente a uma profissão; ou ainda por outros motivos válidos. Esses podem contribuir muitíssimo para o bem da família humana.
Quidam matrimonium non contrahunt ut de suis parentibus vel de suis fratribus et sororibus curam assumant, ut se modo magis exclusivo cuidam dedicent professioni vel aliis ex honestis motivis. Ipsi magnopere ad familiae humanae bonum possunt conferre.

DEVERES DOS PAIS

OS DEZ MANDAMENTOS

A família e o Reino

§ 2232
São importantes, mas não absolutos, os laços familiares. Quanto mais a criança cresce para a maturidade e autonomia humanas e espirituais, tanto mais a sua vocação individual, que vem de Deus, se afirma com nitidez e força. Os pais devem respeitar este chamamento e apoiar a resposta dos filhos para o seguir. Hão-de convencer-se de que a primeira vocação do cristão é seguir Jesus (23): «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim» (Mt 10, 37).
Vincula familiaria magni sunt momenti, sed non absoluta. Sicut infans in suam crescit maturitatem in suamque autonomiam humanas et spirituales, sic eius singularis vocatio, quae a Deo venit, clarius et fortius comprobatur. Parentes hanc observabunt vocationem et suorum filiorum favebunt responsioni ad illam sequendam. Oportet persuaderi primam christiani vocationem esse Iesu sequelam: 158 « Qui amat patrem aut matrem plus quam me, non est me dignus; et, qui amat filium aut filiam super me, non est me dignus » (Mt 10,37).

DEVERES DOS PAIS

OS DEZ MANDAMENTOS

A família e o Reino

§ 2233
Tornar-se discípulo de Jesus é aceitar o convite para pertencer à família de Deus, para viver em conformidade com a sua maneira de viver: «Todo aquele que fizer a vontade do meu Pai que está nos céus, é que é meu irmão e minha irmã e minha mãe» (Mt 12, 50).Os pais devem acolher e respeitar, com alegria e acção de graças, o chamamento que o Senhor fizer a um dos seus filhos, para O seguir na virgindade pelo Reino, na vida consagrada ou no ministério sacerdotal.
Discipulum fieri Iesu est invitationem accipere ad Dei familiam pertinendi, vivendi secundum Eius vivendi modum: « Quicumque enim fecerit voluntatem Patris mei, qui in caelis est, ipse meus frater et soror et mater est » (Mt 12,50).Parentes accipient et cum gaudio observabunt atque gratiarum actione vocationem Domini ad quemdam ex suis filiis ut Eum in virginitate sequantur propter Regnum, in vita consecrata vel in sacerdotali ministerio. V. Auctoritates in societate civili

DEVERES DOS PAIS

OS DEZ MANDAMENTOS

As autoridades na sociedade civil

§ 2234
O quarto mandamento da Lei de Deus manda que honremos também todos aqueles que, para nosso bem, receberam de Deus alguma autoridade na sociedade. E esclarece os deveres dos que exercem essa autoridade, bem como os daqueles que dela beneficiam.
Quartum praeceptum nobis etiam iubet ut omnes illos honoremus qui, ad bonum nostrum, auctoritatem in societate acceperunt a Deo. Ipsum officia illuminat eorum qui auctoritatem exercent, sicut etiam eorum qui eius beneficio fruuntur.Civilium auctoritatum officia

DEVERES DAS AUTORIDADES CIVIS

OS DEZ MANDAMENTOS

As autoridades na sociedade civil

§ 2235
Aqueles que exercem alguma autoridade, devem exercê-la como quem presta um serviço. «Quem quiser entre vós tornar-se grande, será vosso servo» (Mt 20, 26). O exercício da autoridade é moralmente regulado pela sua origem divina, pela sua natureza racional e pelo seu objecto específico. Ninguém pode mandar ou instituir o que for contrário à dignidade das pessoas e à lei natural.
Qui quamdam exercent auctoritatem, eam tamquam servitium debent exercere. « Quicumque voluerit inter vos magnus fieri, erit vester minister » (Mt 20,26). Auctoritatis exercitium eius origine divina, eius natura rationabili et eius obiecto specifico moraliter regulatur. Nemo potest id praecipere vel instituere, quod personarum dignitati et legi naturali est contrarium.
§ 2236
O exercício da autoridade visa tornar manifesta uma justa hierarquia de valores, a fim de facilitar o exercício da liberdade e da responsabilidade de todos. Os superiores exerçam a justiça distributiva com sabedoria, tendo em conta as necessidades e a contribuição de cada qual, e em vista da concórdia e da paz. Estarão atentos a que as regras e disposições que tomam não induzam em tentação, opondo o interesse pessoal ao da comunidade (24).
Auctoritatis exercitium tendit ad iustam manifestandam valorum hierarchiam ut libertatis et responsabilitatis omnium exercitium facilius reddatur. Superiores iustitiam distributivam sapienter exercent, rationem habentes necessitatum et collatae operae uniuscuiusque, et concordiam atque pacem quaerentes. Vigilabunt ne normae et dispositiones quas statuunt, in tentationem inducant, commodum personale illi communitatis opponendo. 159
§ 2237
Os poderes políticos são obrigados a respeitar os direitos fundamentais da pessoa humana. Administrarão a justiça como humanidade, respeitando o direito de cada qual, nomeadamente das famílias e dos deserdados.Os direitos políticos inerentes à cidadania podem e devem ser reconhecidos conforme as exigências do bem comum. Não podem ser suspensos pelos poderes públicos sem motivo legítimo e proporcionado. O exercício dos direitos políticos orienta-se para o bem comum da nação e da comunidade humana.
Politicae potestates tenentur iura observare fundamentalia personae humanae. Cum humanitate iustitiam impertient, uniuscuiusque, praesertim familiarum et opibus destitutorum, observantes ius.Iura politica civitati inhaerentia tribui possunt et debent secundum boni communis exigentias. A publicis potestatibus non possunt suspendi sine legitimo et proportionato motivo. Iurium politicorum exercitium ad commune nationis et communitatis humanae bonum destinatur.Civium officia

DEVERES DOS CIDADÃOS

OS DEZ MANDAMENTOS

As autoridades na sociedade civil

§ 2238
Os que estão sujeitos à autoridade considerarão os seus superiores como representantes de Deus, que os instituiu ministros dos seus dons «Submetei-vos, por causa do Senhor, a toda a instituição humana [...]. Procedei como homens livres, não como aqueles que fazem da liberdade capa da sua malícia, mas como servos de Deus» (1 Pe 2, 13.16). A sua colaboração leal comporta o direito, e às vezes o dever, duma justa reclamação de quanto lhes parecer prejudicial à dignidade das pessoas e ao bem da comunidade.
Illi, qui auctoritati sunt subiecti, suos aspicient superiores tamquam repraesentantes Dei qui eos ministros Suorum instituit donorum: 160 « Subiecti estote omni humanae creaturae propter Deum [...], quasi liberi, et non quasi velamen habentes malitiae libertatem, sed sicut servi Dei » (1 Pe 2,13.16). Eorum fidelis cooperatio implicat ius, quandoque officium iustam exercendi exprobrationem circa id quod ipsis dignitati personarum et bono communi videretur nocivum.
§ 2239
É dever dos cidadãos colaborar com os poderes civis para o bem da sociedade, num espírito de verdade, de justiça, de solidariedade e de liberdade. O amor e o serviço da pátria derivam do dever da gratidão e da ordem da caridade. A submissão às autoridades legítimas e o serviço do bem comum exigem dos cidadãos que cumpram o seu papel na vida da comunidade política.
Civium officium est cum potestatibus civilibus ad bonum societatis collaborare spiritu veritatis, iustitiae, solidarietatis et libertatis. Amor et servitium patriae ex officio oriuntur gratitudinis et ex ordine caritatis. Submissio auctoritatibus legitimis et servitium boni communis exigunt a civibus ut suum in communitatis politicae vita exerceant munus.
§ 2240
A submissão à autoridade e a corresponsabilidade pelo bem comum exigem moralmente o pagamento dos impostos, o exercício do direito de voto, a defesa do país:

«Dai a cada um o que lhe é devido: o imposto, a quem se deve o imposto; a taxa, a quem se deve a taxa; o respeito, a quem se deve o respeito; a honra, a quem se deve a honra» (Rm 13, 7).


Os cristãos «residem na sua própria pátria, mas vivem todos como de passagem; em tudo participam como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria [...]. Obedecem às leis estabelecidas, mas pelo seu modo de vida superam as leis [...]. Tão nobre é o posto que Deus lhes assinalou, que não lhes é lícito desertar» (26).


O Apóstolo exorta-nos a fazer súplicas e acções de graças pelos reis e por todos aqueles que exercem a autoridade, «a fim de que possamos ter uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e dignidade» (1 Tm 2, 2).

Submissio auctoritati et corresponsabilitas boni communis moraliter exigunt tributorum solutionem, exercitium iuris suffragii, defensionem nationis:

« Reddite omnibus debita: cui tributum tributum, cui vectigal vectigal, cui timorem timorem, cui honorem honorem » (Rom 13,7).

Christiani « patrias habitant proprias, sed tamquam inquilini; omnia cum aliis habent communia, tamquam cives, et omnia patiuntur tamquam peregrini [...]. Obsequuntur legibus constitutis, et suo vitae genere superant leges. [...] In tanta eos statione posuit Deus, quam nefas est iis defugere ». 161

Christiani « patrias habitant proprias, sed tamquam inquilini; omnia cum aliis habent communia, tamquam cives, et omnia patiuntur tamquam peregrini [...]. Obsequuntur legibus constitutis, et suo vitae genere superant leges. [...] In tanta eos statione posuit Deus, quam nefas est iis defugere ». 161Apostolus nos hortatur ut orationes et gratiarum actiones faciamus pro regibus et pro omnibus qui auctoritatem exercent, « ut quietam et tranquillam vitam agamus in omni pietate et castitate » (1 Tim 2,2).
§ 2241
As nações mais abastadas devem acolher, tanto quanto possível, o estrangeiro em busca da segurança e dos recursos vitais que não consegue encontrar no seu país de origem. Os poderes públicos devem velar pelo respeito do direito natural que coloca o hóspede sob a protecção daqueles que o recebem.As autoridades políticas podem, em vista do bem comum de que têm a responsabilidade, subordinar o exercício do direito de imigração a diversas condições jurídicas, nomeadamente no respeitante aos deveres que os imigrantes contraem para com o país de adopção. O imigrado tem a obrigação de respeitar com reconhecimento o património material e espiritual do país que o acolheu, de obedecer às suas leis e de contribuir para o seu bem.
Nationes ditiores accipere tenentur, in quantum fieri potest, alienigenam, qui securitatem quaerit et opes necessarias pro vita, quas in sua originis regione nequit invenire. Publicae potestates observantiam curabunt iuris naturalis quod hospitem ponit sub protectionem eorum qui eum accipiunt.Politicae auctoritates possunt ratione boni communis, cuius suscipiunt munus, exercitium iuris emigrationis diversis condicionibus subiicere iuridicis, praesertim observantiae officiorum emigrantis erga nationem adoptionis. Immigrans tenetur cum gratitudine patrimonium observare materiale et spirituale nationis eum accipientis, eius oboedire legibus et ad eius conferre onera.
§ 2242
O cidadão é obrigado, em consciência, a não seguir as prescrições das autoridades civis, quando tais prescrições forem contrárias às exigências de ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho. A recusa de obediência às autoridades civis, quando as suas exigências forem contrárias às da recta consciência, tem a sua justificação na distinção entre o serviço de Deus e o serviço da comunidade política. «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus» (Mt 22, 21). «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens» (Act 5, 29):

«Quando a autoridade pública, excedendo os limites da própria competência, oprimir os cidadãos, estes não se recusem às exigências objectivas do bem comum; mas é-lhes lícito, dentro dos limites definidos pela lei natural e pelo Evangelho, defender os seus próprios direitos e os dos seus concidadãos contra o abuso dessa autoridade» (27).

Civis conscientia tenetur ne praescriptiones auctoritatum civilium sequatur, cum haec praecepta exigentiis ordinis moralis, iuribus fundamentalibus personarum vel doctrinis Evangelii contraria sunt. Recusatio oboedientiae auctoritatibus civilibus, cum earum exigentiae illis rectae conscientiae sunt contrariae, suam invenit iustificationem in distinctione inter servitium Dei et servitium politicae communitatis. « Reddite [...], quae sunt Caesaris, Caesari et, quae sunt Dei, Deo » (Mt 22,21). « Oboedire oportet Deo magis quam hominibus » (Act 5,29):

« Ubi autem a publica auctoritate, suam competentiam excedente, cives premuntur, ipsi, quae a bono communi obiective postulantur, ne recusent; fas vero sit eis contra abusum huius auctoritatis sua conciviumque suorum iura defendere, illis servatis limitibus, quos Lex naturalis et evangelica delineat ». 162

§ 2243
A resistência à opressão do poder político não recorrerá legitimamente às armas, senão nas seguintes condições:

1 – em caso de violações certas, graves e prolongadas dos direitos fundamentais;
2 – depois de ter esgotado todos os outros recursos;
3 – se não provocar desordens piores;
4 – se houver esperança fundada de êxito;
5 – e se for impossível prever razoavelmente soluções melhores.

Actio resistendi oppressioni potestatis politicae ad arma legitime non recurret, nisi simul inveniantur condiciones quae sequuntur: 1. in casu in quo certo, graviter et continuo iura violantur fundamentalia; 2. postquam omnes alii recursus exhausti sunt; 3. dummodo ne peiores provocentur inordinationes; 4. cum spes fundata habetur prosperi exitus; 5. si impossibile est meliores solutiones rationabiliter praevidere. Communitas politica et Ecclesia

A COMUNIDADE POLÍTICA E A IGREJA

OS DEZ MANDAMENTOS

As autoridades na sociedade civil

§ 2244
Toda a instituição se inspira, mesmo que implicitamente, numa visão do homem e do seu destino, visão da qual tira as suas referências de juízo, a sua hierarquia de valores, a sua linha de procedimento. A maior parte das sociedades referiram as suas instituições a uma certa preeminência do homem sobre as coisas. Só a religião divinamente revelada é que reconheceu claramente em Deus, Criador e Redentor, a origem e o destino do homem. A Igreja convida os poderes políticos a referenciar os seus juízos e decisões a esta inspiração da verdade sobre Deus e sobre o homem:

As sociedades que ignoram esta inspiração ou a recusam em nome da sua independência em relação a Deus, são levadas a procurar em si mesmas ou a tomar de uma ideologia as suas referências e o seu fim: e não admitindo que se defenda um critério objectivo do bem e do mal, a si mesmas atribuem, sobre o homem e o seu destino, um poder totalitário, declarado ou oculto, como a história tem mostrado» (31).

Omnis institutio inspiratur, saltem implicite, quadam hominis eiusque destinationis visione ex qua illa suas iudicii trahit relationes, suam valorum hierarchiam, suam agendi normam. Pleraeque societates suas institutiones ad quamdam retulerunt praeeminentiam hominis super res. Sola divinitus revelata Religio in Deo, Creatore et Redemptore, originem et destinationem hominis clare agnovit. Ecclesia politicas invitat potestates ut sua iudicia suasque decisiones huic referant inspirationi veritatis de Deo et de homine.

Societates quae hanc inspirationem ignorant vel eam, nomine suae independentiae relate ad Deum, reiiciunt, ducuntur ad quaerendam in se ipsis vel commodato assumendam ideologiam suarum relationum et suae destinationis et, non admittentes ut criterium boni et mali defendatur obiectivum, sibi totalitariam tribuunt potestatem super hominem et eius destinationem, modo manifesto vel occulto, sicut historia id ostendit. 163

§ 2245
«A Igreja que, em virtude da sua função e competência, de modo algum se confunde com a comunidade política, [...] é, ao mesmo tempo, sinal e salvaguarda do carácter transcendente da pessoa humana» (29). « A Igreja respeita e promove a liberdade política e a responsabilidade dos cidadãos» (30).
« Ecclesia, quae, ratione sui muneris et competentiae, nullo modo cum communitate politica confunditur, [...] simul signum est et tutamentum transcendentiae personae humanae ». 164 Ecclesia « politicam civium libertatem et responsabilitatem reveretur atque promovet ». 165

A COMUNIDADE POLÍTICA E A IGREJA

OS DEZ MANDAMENTOS

As autoridades na sociedade civil

§ 2246
Faz parte da missão da Igreja «proferir um juízo moral, mesmo acerca das realidades que dizem respeito à ordem política, sempre que os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem utilizando todos e só os meios conformes com o Evangelho e o bem de todos segundo a variedade dos tempos e circunstâncias» (31).Resumindo:
Ad missionem pertinet Ecclesiae « iudicium morale ferre, etiam de rebus quae ad ordinem politicum respiciunt, quando personae iura fundamentalia aut animarum salus id exigant, omnia et sola subsidia adhibens, quae Evangelio et omnium bono secundum temporum et condicionum diversitatem congruant ». 166 Compendium

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2247
«Honra pai e mãe» (Dt 5, 16; Mc 7, 10).
« Honora patrem tuum et matrem » (Dt 5,16; Mc 7,10).
§ 2248
Segundo o quarto mandamento, Deus quis que, depois d'Ele, honrássemos os nossos pais e aqueles que, para nosso bem, Ele revestiu de autoridade.
Iuxta quartum praeceptum, voluit Deus, ut post Ipsum nostros honoremus parentes illosque quos Ipse, pro nostro bono, induit auctoritate.
§ 2249
A comunidade conjugal está fundada na aliança e no consentimento dos esposos. O matrimónio e a família estão ordenados para o bem dos cônjuges e para a procriação e educação dos filhos.
Coniugalis communitas super foedus et consensum stabilitur coniugum. Matrimonium et familia ad coniugum ordinantur bonum, ad filiorum procreationem et educationem.
§ 2250
«A saúde da pessoa e da sociedade humana e cristã depende estreitamente de uma situação favorável da comunidade conjugal e familiar» (32).
« Salus personae et societatis humanae ac christianae arcte cum fausta condicione communitatis coniugalis et familiaris connectitur ». 167
§ 2251
Os filhos devem aos pais respeito, gratidão, obediência justa e ajuda. O respeito filial favorece a harmonia de toda a vida familiar.
Filii suis parentibus reverentiam debent, gratitudinem, iustam oboedientiam et adiutorium. Filialis reverentia harmoniam fovet totius vitae familiaris.
§ 2252
Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos na fé, na oração, e em todas as virtudes. Eles têm o dever de prover, na medida do possível, às necessidades físicas e espirituais dos seus filhos.
Parentes primi sunt responsabiles educationis suorum filiorum in fide, in orationibus atque in omnibus virtutibus. Officium habent providendi, quoad possunt, necessitatibus physicis et spiritualibus suorum filiorum.
§ 2253
Os pais devem respeitar e favorecer a vocação dos seus filhos. Hão-de lembrar-se e hão-de ensinar-lhes que a primeira vocação do cristão é seguir Jesus.
Parentes suorum filiorum observare debent vocationem eique favere. Memores erunt atque docebunt, Iesum sequi, primam christiani esse vocationem.
§ 2254
A autoridade pública tem a obrigação de respeitar os direitos fundamentais da pessoa humana e as condições do exercício da sua liberdade.
Publica auctoritas iura fundamentalia personae humanae et condiciones exercitii eius libertatis observare tenetur.
§ 2255
É dever dos cidadãos colaborar com os poderes civis na edificação da sociedade, num espírito de verdade, justiça, solidariedade e liberdade.
Civium est officium cum potestatibus civilibus in societate aedificanda adlaborare spiritu veritatis, iustitiae, solidarietatis et libertatis.
§ 2256
O cidadão está obrigado em consciência a não seguir as prescrições das autoridades civis quando tais prescrições forem contrárias às exigências da ordem moral. «Deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens» (Act 5, 29).
Civis conscientia obligatur ad praescriptiones auctoritatum civilium non sequendas, cum haec praecepta postulatis ordinis moralis sunt contraria. « Oboedire oportet Deo magis quam hominibus » (Act 5,29).
§ 2257
Toda a sociedade refere os seus juízos e a sua conduta a uma visão do homem e do seu destino. Fora das luzes do Evangelho sobre Deus e sobre o homem, as sociedades facilmente resvalam para o totalitarismo.
Omnis societas sua iudicia et suum agendi modum ad quamdam hominis eiusque finis refert visionem. Extra Evangelii lumen de Deo et de homine, societates facile efficiuntur « totalitariae ». (136) Cf Mc 7,8-13. (137) Cf Dt 5,16. (138) Cf Dt 5,16. (139) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 21: AAS 74 (1982) 105; cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 16. (140) Cf Eph 5,21–6,4; Col 3,18-21; 1 Pe 3,1-7. (141) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 52: AAS 58 (1966) 1073. (142) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067. (143) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 52: AAS 58 (1966) 1073. (144) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 46: AAS 74 (1982) 137-138. (145) Cf Eph 3,15. (146) Cf Prv 1,8; Tb 4,3-4. (147) Cf Ex 20,12. (148) Cf Eph 6,1. (149) Cf Mc 7,10-12. (150) Concilium Vaticanum II, Decl. Gravissimum educationis, 3: AAS 58 (1966) 731. (151) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 36: AAS 74 (1982) 126. (152) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 36: AAS 83 (1991) 838.(153) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 16; cf CIC canon 1136. (154) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 11: AAS 57 (1965) 16. (155) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1069. (156) Cf Mt 18,21-22; Lc 17,4. (157) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Gravissimum educationis, 6: AAS 58 (1966) 733. (158) Cf Mt 16,25. (159) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 25: AAS 83 (1991) 823.(160) Cf Rom 13,1-2. (161) Epistula ad Diognetum, 5, 5; 5, 10; 6, 10: SC 33, 62-66 (Funk 1, 398-400).(162) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 74: AAS 58 (1966) 1096.(163) Cf Ioannes Paulus II, 13, 1997 Litt. enc. Centesimus annus, 45-46: AAS 83 (1991) 849-851. (164) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1099. (165) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1099. (166) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1100. (167) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067.

O QUINTO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2258
«A vida humana é sagrada porque, desde a sua origem, postula a acção criadora de Deus e mantém-se para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. Só Deus é senhor da vida, desde o seu começo até ao seu termo: ninguém, em circunstância alguma, pode reivindicar o direito de dar a morte directamente a um ser humano inocente» (33).
« Humana vita pro re sacra habenda est, quippe quae inde a suo exordio ‘Creatoris actionem postulet' ac semper peculiari necessitudine cum Creatore, unico fine suo, perstet conexa. Solus Deus vitae Dominus est ab exordio usque ad exitum: nemo in nullis rerum adiunctis, sibi vindicare potest ius mortem humanae creaturae innocenti directe afferendi ». 168 I. Vitae humanae observantia Historiae sacrae testimonium

TESTEMUNHO DA HISTÓRIA SAGRADA

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela vida humana

§ 2259
A Sagrada Escritura, na narrativa da morte de Abel pelo seu irmão Caim (34), revela, desde os primórdios da história humana, a presença no homem da cólera e da inveja, consequências do pecado original. O homem tornou-se inimigo do seu semelhante. Deus denuncia a perversidade deste fratricídio: «Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra por Mim. De futuro, serás maldito sobre a terra, que abriu a sua boca para beber, da tua mão, o sangue do teu irmão» (Gn 4, 10‑11).
Scriptura, in narratione occisionis Abel per Cain fratrem eius, 169 revelat, inde ab historiae humanae initiis, praesentiam, in homine, irae et cupiditatis, quae peccati originalis sunt consequentiae. Homo sui paris factus est inimicus. Deus declarat huius fratricidii nequitiam: « Quid fecisti? Vox sanguinis fratris tui clamat ad me de agro. Nunc igitur maledictus eris procul ab agro, qui aperuit os suum et suscepit sanguinem fratris tui de manu tua! » (Gn 4,10-11).
§ 2260
A aliança entre Deus e a humanidade é entretecida de referências ao dom divino da vida humana e à violência assassina do homem:

«Pedirei contas do vosso sangue [...]. A quem derramar sangue humano, por mão de homem será derramado o seu, porque Deus fez o homem à sua imagem» (Gn 9, 5-61).

Foedus inter Deum et humanitatem iteratis doni divini vitae humanae et mortiferae violentiae hominis recordationibus est intextum:

« Sanguinem enim animarum vestrarum requiram [...]. Quicumque effuderit humanum sanguinem, per hominem fundetur sanguis illius; ad imaginem quippe Dei factus est homo » (Gn 9,5-6).

§ 2261
A Escritura determina a proibição contida no quinto mandamento: «Não causarás a morte do inocente e do justo» (Ex 23, 7). O homicídio voluntário dum inocente é gravemente contrário à dignidade do ser humano, à regra de ouro e à santidade do Criador. A lei que o proíbe universalmente válida: obriga a todos e a cada um, sempre e em toda a parte.
Scriptura prohibitionem determinat quinti praecepti: « Insontem et iustum non occides » (Ex 23,7). Innocentis occisio voluntaria dignitati creaturae humanae, regulae aureae et Creatoris sanctitati est graviter contraria. Lex quae illam proscribit, universaliter est valida: omnes et singulos, semper obligat et ubique.
§ 2262
No sermão da montanha, o Senhor lembra o preceito: «Não matarás» (Mt 5, 21) e acrescenta-lhe a proibição da ira, do ódio e da vingança. Mais ainda: Cristo exige do seu discípulo que ofereça a outra face (36), que ame os seus inimigos (37). Ele próprio não Se defendeu e disse a Pedro que deixasse a espada na bainha (38).
Dominus, in sermone montano, praeceptum recolit: « Non occides » (Mt 5,21), eique proscriptionem addit irae, odii et vindictae. Immo etiam Christus a Suo discipulo etiam postulat ut alteram praebeat maxillam, 171 suos diligat inimicos. 172 Ipse Se non defendit dixitque Petro ut gladium suum relinqueret in vagina. 173 Defensio legitima

A LEGÍTIMA DEFESA

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela vida humana

§ 2263
A defesa legítima das pessoas e das sociedades não é uma excepção à proibição de matar o inocente que constitui o homicídio voluntário. «Do acto de defesa pode seguir-se um duplo efeito: um, a conservação da própria vida; outro, a morte do agressor» (39). «Nada impede que um acto possa ter dois efeitos, dos quais só um esteja na intenção, estando o outro para além da intenção» (40).
Personarum et societatum legitima defensio exceptio non est prohibitionis occisionis innocentis quae homicidium constituit voluntarium. « Ex actu [...] alicuius seipsum defendentis duplex effectus sequi potest: unus quidem conservatio propriae vitae; alius autem occisio invadentis ». 174 « Nihil prohibet unius actus esse duos effectus, quorum alter solum sit in intentione, alius vero sit praeter intentionem ». 175
§ 2264
O amor para consigo mesmo permanece um princípio fundamental de moralidade. E, portanto, legítimo fazer respeitar o seu próprio direito à vida. Quem defende a sua vida não é réu de homicídio, mesmo que se veja constrangido a desferir sobre o agressor um golpe mortal:

«Se, para nos defendermos, usarmos duma violência maior do que a necessária, isso será ilícito. Mas se repelirmos a violência com moderação, isso será lícito [...]. E não é necessário à salvação que se deixe de praticar tal acto de defesa moderada para evitar a morte do outro: porque se está mais obrigado a velar pela própria vida do que pela alheia» (41).

Amor erga se ipsum fundamentale moralitatis permanet principium. Est igitur legitimum efficere ut proprium ad vitam observetur ius. Qui suam vitam defendit, homicidii non est reus etiamsi cogatur aggressori suo ictum ferre mortalem:

« Si aliquis ad defendendum propriam vitam utatur maiori violentia quam oporteat, erit illicitum. Si vero moderate violentiam repellat, erit licita defensio [...]. Nec est necessarium ad salutem ut homo actum moderatae tutelae praetermittat ad evitandum occisionem alterius: quia plus tenetur homo vitae suae providere quam vitae alienae ». 176

§ 2265
A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas até um grave dever para aquele que é responsável pela vida de outrem. Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal. É por esta razão que os detentores legítimos da autoridade têm o direito de recorrer mesmo às armas para repelir os agressores da comunidade civil confiada à sua responsabilidade.
Legitima defensio potest esse non solum ius, sed grave officium ei, qui vitam aliorum praestare debet. Defendere commune bonum poscit ut iniustus aggressor extra possibilitatem nocendi collocetur. Hoc titulo, qui legitime auctoritatem detinent, ius habent etiam armis utendi ad repellendos aggressores civilis communitatis concreditae ipsorum responsabilitati.
§ 2266
O esforço do Estado em reprimir a difusão de comportamentos que lesam os direitos humanos e as regras fundamentais da convivência civil, corresponde a uma exigência de preservar o bem comum. É direito e dever da autoridade pública legítima infligir penas proporcionadas à gravidade do delito. A pena tem como primeiro objectivo reparar a desordem introduzida pela culpa. Quando esta pena é voluntariamente aceite pelo culpado, adquire valor de expiação. A pena tem ainda como objectivo, para além da defesa da ordem pública e da protecção da segurança das pessoas, uma finalidade medicinal, posto que deve, na medida do possível, contribuir para a emenda do culpado.
Exigentiae bonum commune tuendi correspondet nixus Status ut propagationem coerceat modorum agendi qui hominis iura atque civilis commercii normas fundamentales laedunt. Legitimae publicae auctoritatis ius est et officium ut poenas gravitati delicti proportionatas infligat. Poena tamquam primum habet scopum inordinationem a culpa introductam reparare. Cum poena voluntarie a culpabili accipitur, valorem acquirit expiationis. Poena deinde, praeter ordinis publici defensionem atque securitatis personarum tutelam, scopum intendit medicinalem, ipsa debet, quantum fieri potest, ad culpabilis emendationem conferre.2267[n] Quod auctoritas legitima, processu ordinario peracto, recurrere posset ad poenam mortis, diu habitum est utpote responsum nonnullorum delictorum gravitati aptum instrumentumque idoneum, quamvis extremum, ad bonum commune tuendum.His autem temporibus magis magisque agnoscitur dignitatem personae nullius amitti posse, nec quidem illius qui scelera fecit gravissima. Novus insuper sanctionis poenalis sensus, quoad Statum attinet, magis in dies percipitur. Denique rationes efficientioris custodiae excogitatae sunt quae in tuto collocent debitam civium defensionem, verum nullo modo imminuant reorum potestatem sui ipsius redimendi.Quapropter Ecclesia, sub Evangelii luce, docet “poenam capitalem non posse admitti quippe quae repugnet inviolabili personae humanae dignitati” atque Ipsa devovet se eidemque per omnem orbem abolendae. Homicidium voluntarium
§ 2267
Durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum. Hoje vai-se tornando cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos. Além disso, difundiu-se uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado. Por fim, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos sem, ao mesmo tempo, tirar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir. Por isso a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que «a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa» [Discurso aos participantes no encontro promovido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, 11 de outubro de 2017], e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo.
Traditionalis doctrina Ecclesiae, supposita plena determinatione identitatis et responsabilitatis illius qui culpabilis est, recursum ad poenam mortis non excludit, si haec una sit possibilis via ad vitas humanas ab iniusto aggressore efficaciter defendendas. Si autem instrumenta incruenta sufficiunt ad personarum securitatem ab aggressore defendendam atque protegendam, auctoritas his solummodo utatur instrumentis, utpote quae melius respondeant concretis boni communis condicionibus et sint dignitati personae humanae magis consentanea.Revera nostris diebus, consequenter ad possibilitates quae Statui praesto sunt ut crimen efficaciter reprimatur, illum qui hoc commisit, innoxium efficiendo, quin illi definitive possibilitas substrahatur ut sese redimat, casus in quibus absolute necessarium sit ut reus supprimatur, « admodum raro [...] intercidunt [...], si qui omnino iam reapse accidunt ». 177

O HOMICÍDIO VOLUNTÁRIO

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela vida humana

§ 2268
O quinto mandamento proíbe, como gravemente pecaminoso, o homicídio directo e voluntário. O assassino e quantos voluntariamente colaboram no assassinato cometem um pecado que brada ao céu (43).

O infanticídio (44), o fratricídio, o parricídio e o assassinato do cônjuge são crimes especialmente graves, em razão dos laços naturais que eles quebram. Não se podem invocar preocupações de eugenismo ou de higiene pública para justificar qualquer homicídio, ainda que tal seja imposto pelos poderes públicos

A aceitação pela sociedade humana de fomes mortíferas, sem se esforçar por lhe dar remédio, é uma escandalosa injustiça e um pecado grave. Os traficantes, cujas práticas usurárias e mercantis provocam a fome e a morte dos seus irmãos em humanidade, cometem indirectamente homicídio, que lhes é imputável (45).O homicídio involuntário não é moralmente imputável. Mas não se é desculpado de falta grave se, sem razões proporcionadas, se proceder de maneira a causar a morte, mesmo sem a intenção de a provocar.
Quintum praeceptum tamquam peccato graviter obnoxium proscribit homicidium directum et voluntarium. Homicida illique qui voluntarie cooperantur occisioni, committunt peccatum quod ad coelum clamat vindictam postulans. 178

Infanticidium, 179 fratricidium, parricidium et coniugis occisio crimina sunt speciatim gravia, propter naturalia vincula quae rumpunt. Sollicitudo pro eugenismo vel pro curanda publica valetudine nullam possunt iustificare occisionem, licet haec a publicis praecipiatur potestatibus.

§ 2269
O quinto mandamento proíbe fazer seja o que for com a intenção de provocar indirectamente a morte duma pessoa. A lei moral proíbe expor alguém, sem razão grave, a um perigo mortal, assim como negar assistência a uma pessoa em perigo. A aceitação pela sociedade humana de fomes mortíferas, sem se esforçar por lhe dar remédio, é uma escandalosa injustiça e um pecado grave. Os traficantes, cujas práticas usurárias e mercantis provocam a fome e a morte dos seus irmãos em humanidade, cometem indirectamente homicídio, que lhes é imputável (45). O homicídio involuntário não é moralmente imputável. Mas não se é desculpado de falta grave se, sem razões proporcionadas, se proceder de maneira a causar a morte, mesmo sem a intenção de a provocar.
Quintum praeceptum prohibet aliquid facere cum intentione mortem cuiusdam personae indirecte provocandi. Lex moralis vetat quemdam periculo mortis exponere sine causa gravi, et etiam auxilium recusare personae in discrimine constitutae. A societate humana condiciones famis tolerari, quae mortem afferunt, quin nisus fiat ut eisdem remedium afferatur, scandalosa est iniustitia et gravis culpa. Negotiatores, quorum usurarii et mercatorii usus, suorum in humanitate fratrum famem et mortem provocant, indirecte committunt homicidium. Hoc illis est imputabile. 180 Homicidium involuntarium moraliter imputabile non est. Sed si quis, sine rationibus proportionatis, ita agit ut mortem adducat, etiam sine intentione illam apportandi, de gravi non excusatur culpa.

O ABORTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela vida humana

§ 2270
A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida (46).

«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi: antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (Jr 1, 5).

«Vós conhecíeis já a minha alma e nada do meu ser Vos era oculto, quando secretamente era formado, modelado nas profundidades da terra» (Sl 139, 15).

Vita humana, a momento conceptionis, debet absolute observari et protegi. Creaturae humanae, inde a primo eius exsistentiae momento, agnosci debent personae iura, inter quae ius inviolabile omnis creaturae innocentis ad vitam. 181

« Priusquam te formarem in utero, novi te et, antequam exires de vulva, sanctificavi te » (Ier 1,5).

« Non sunt abscondita ossa mea a Te, cum factus sum in occulto, contextus in inferioribus terrae » (Ps 139,15).

§ 2271
A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral:

«Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido» (47).

«Deus [...], Senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis» (48).

Ecclesia, a saeculo primo, moralem affirmavit malitiam omnis abortus provocati. Haec doctrina mutata non est. Permanet immutabilis. Abortus directus, id est, tamquam finis vel tamquam medium volitus, legi morali est graviter contrarius:

« Non interficies foetum in abortione neque interimes infantem natum ». 182

« Deus [...], Dominus vitae, praecellens servandi vitam ministerium hominibus commisit, modo homine digno adimplendum. Vita igitur inde a conceptione, maxima cura tuenda est; abortus necnon infanticidium nefanda sunt crimina ». 183

§ 2272
A colaboração formal num aborto constitui falta grave. A Igreja pune com a pena canónica da excomunhão este delito contra a vida humana. «Quem procurar o aborto, seguindo-se o efeito («effectu secuto») incorre em excomunhão latae sententiae (49), isto é, «pelo facto mesmo de se cometer o delito» (50) e nas condições previstas pelo Direito (50). A Igreja não pretende, deste modo, restringir o campo da misericórdia. Simplesmente, manifesta a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente que foi morto, aos seus pais e a toda a sociedade.
Formalis cooperatio ad abortum culpam constituit gravem. Ecclesia hoc contra vitam humanam delictum poena canonica punit excommunicationis. « Qui abortum procurat, effectu secuto, in excommunicationem latae sententiae incurrit », 184 « ipso facto commissi delicti », 185 condicionibus a iure praevisis. 186 Ecclesia sic misericordiae campum restringere non intendit. Commissi criminis manifestat gravitatem, damnum irreparabile innocenti, qui morte afficitur, illatum, eius parentibus totique societati.
§ 2273
O inalienável direito à vida, por parte de todo o indivíduo humano inocente, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação:

«Os direitos inalienáveis da pessoa deverão ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, nem mesmo representam uma concessão da sociedade e do Estado. Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa, em razão do acto criador que lhe deu origem. Entre estes direitos fundamentais  deve aplicar-se o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até à morte» (52).

«Desde o momento em que uma lei positiva priva determinada categoria de seres humanos da protecção que a legislação civil deve conceder-lhes, o Estado acaba por negar a igualdade de todos perante a lei. Quando o Estado não põe a sua força ao serviço dos direitos de todos os cidadãos, em particular dos mais fracos, encontram-se ameaçados os próprios fundamentos dum «Estado de direito» [...]. Como consequência do respeito e da protecção que devem ser garantidos ao nascituro, desde o momento da sua concepção, a lei deve prever sanções penais apropriadas para toda a violação deliberada dos seus direitos» (53).

Ius inalienabile ad vitam uniuscuiusque hominis innocentis est elementum societatis civilis et eius legislationis constitutivum:« Inalienabilia personae iura agnosci atque observari debent a civili societate et a publicis auctoritatibus. Quae iura neque a singulis hominibus pendent, neque a parentibus, ac ne sunt quidem concessio a societate et a Civitate facta: verum ea pertinent ad humanam naturam, atque personae inhaerent vi creatricis actionis, a qua persona ipsa originem duxit. Inter haec fundamentalia iura, ad rem quod attinet, recolere oportet: ius ad vitam et ad corporis integritatem, quo unaquaeque creatura humana gaudet a conceptionis momento usque ad mortem ». 187« Cum lex civilis cuidam hominum coetui praesidium aufert, quod lex praebere debet, eo ipso tunc respublica negat omnium civium aequalitatem coram lege. Cum respublica vim suam non adhibet ad iura uniuscuiusque tuenda, maxime debiliorum, tunc labefiunt ipsa fundamenta Civitatis legitime constitutae. [...] Ex observantia atque tutela quae nascituro debentur, inde a conceptionis momento, consequitur ut lex congruas poenas praevideat contra quamlibet deliberatam violationem iurium ipsius ». 188
§ 2274
Uma vez que deve ser tratado como pessoa desde a concepção, o embrião terá de ser defendido na sua integridade, tratado e curado, na medida do possível, como qualquer outro ser humano.O diagnóstico pré-natal é moralmente lícito, desde que «respeite a vida e a integridade do embrião ou do feto humano, e seja orientado para a sua defesa ou cura individual [...]. Mas está gravemente em oposição com a lei moral, se previr, em função dos resultados, a eventualidade de provocar um aborto. Um diagnóstico [...] não pode ser equivalente a uma sentença de morte» (54).
Embryo, quippe qui tamquam persona, inde a conceptione, est tractandus, in sua integritate est defendendus, curandus et sanandus, quantum fieri potest, sicut quaelibet alia humana creatura. Praenatalis diagnosis est moraliter licita, si « tuetur vitam et integritatem embryonis et fetus humani atque spectat ad singulum embryonem servandum vel curandum [...]. Ea tamen graviter legi morali adversatur, si, prout erit eius exitus, admittat abortum fieri posse: diagnosis [...] aequiparanda non est damnationi ad mortem ». 189
§ 2275
«Devem considerar-se lícitas as intervenções no embrião humano, sempre que respeitem a vida e a integridade do mesmo e não envolvam para ele riscos desproporcionados, antes tenham em vista a sua cura, as melhoria das suas condições de saúde ou a sua sobrevivência individual» (55).«É imoral produzir embriões humanos destinados a serem explorados como material biológico disponível» (56).«Certas tentativas de intervenção no património cromossomático ou genético não são terapêuticas, mas têm em cesta a produção de seres humanos seleccionados segundo o sexo ou outras qualidades pré-estabelecidas. Tais manipulações são contrárias à dignidade pessoal do ser humano, à sua integridade e à sua identidade única, irrepetível» (57).
« Interventus in humano embryone liciti habendi sunt hac condicione, ut embryonis vitam integritatemque observent, ne secumferant pericula haud proportionata sed spectent ad morbi curationem, ad salutis statum in melius mutandum vel ad ipsius singularis fetus superstitem vitam in tuto ponendam ». 190 « Morum [...] honestati contrarium est embryones humanos gignere ad abutendum, scilicet ut efficiantur "materia biologica", quae praesto sit ad usum ». 191« Nonnulli conatus interveniendi in patrimonio cromosomico vel generativo non sunt therapeutici, sed spectant ad viventes humanos gignendos, selectos secundum sexum vel alias proprietates iam antea praestitutas. Huiusmodi artificiosae tractationes adversantur personali humanae creaturae dignitati eiusque integritati atque identitati » 192 unicae, non iterabili.Euthanasia

A EUTANÁSIA

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela vida humana

§ 2276
Aqueles que têm uma vida deficiente ou enfraquecida reclamam um respeito especial. As pessoas doentes ou deficientes devem ser amparadas, para que possam levar uma vida tão normal quanto possível.
Illi, quorum vita impedita est vel infirmata, specialem postulant observantiam. Personae aegrotae vel aliqua incapacitate (handicap) laborantes sustineri debent ut vitam degant ita normalem, quantum fieri potest.
§ 2277
Quaisquer que sejam os motivos e os meios, a eutanásia directa consiste em pôr fim à vida de pessoas deficientes, doentes ou moribundas. É moralmente inaceitável.Assim, uma acção ou uma omissão que, de per si ou na intenção, cause a morte com o fim de suprimir o sofrimento, constitui um assassínio gravemente contrário à dignidade da pessoa humana e ao respeito do Deus vivo, seu Criador. O erro de juízo, em que se pode ter caído de boa fé, não muda a natureza do acto homicida, o qual deve sempre ser condenado e posto de parte (58).
Euthanasia directa, quaecumque sunt eius motiva vel media, consistit in fine imponendo vitae personarum aliqua incapacitate (handicap) laborantium, aegrotarum vel morientium. Moraliter inacceptabilis est. Sic actio vel omissio quae, ex se vel in intentione, mortem causat ad dolorem supprimendum, occisionem constituit dignitati personae humanae et observantiae erga Deum viventem, eius Creatorem, graviter contrariam. Iudicii error, in quem quis bona fide incidere potest, naturam non mutat huius interficientis actus qui semper proscribendus est et excludendus. 193
§ 2278
A cessação de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou desproporcionados aos resultados esperados, pode ser legítima. É a rejeição do «encarniçamento terapêutico». Não que assim se pretenda dar a morte; simplesmente se aceita o facto de a não poder impedir. As decisões devem ser tomadas pelo paciente se para isso tiver competência e capacidade; de contrário, por quem para tal tenha direitos legais, respeitando sempre a vontade razoável e os interesses legítimos do paciente.
Cessatio a mediis medicinalibus, onerosis, periculosis, extraordinariis vel talibus quae cum effectibus obtentis proportionata non sunt, legitima esse potest. Haec est recusatio « saevitiae therapeuticae ». Hoc modo, non intenditur mortem inferre; accipitur non posse eam impedire. Decisiones suscipiendae sunt ab aegroto, si ad id competentiam habeat et capacitatem, secus autem ab illis qui ad id, secundum legem, habent iura, rationabilem aegroti voluntatem et legitimum commodum semper observantes.
§ 2279
Mesmo que a morte seja considerada iminente, os cuidados habitualmente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente interrompidos. O uso dos analgésicos para aliviar os sofrimentos do moribundo, mesmo correndo-se o risco de abreviar os seus dias, pode ser moralmente conforme com a dignidade humana, se a morte não for querida, nem como fim nem como meio, mas somente prevista e tolerada como inevitável. Os cuidados paliativos constituem uma forma excepcional da caridade desinteressada; a esse título, devem ser encorajados.
Etiamsi mors imminere consideretur, curae, quae ordinario personae aegrotae debentur, nequeunt legitime interrumpi. Analgesicorum medicamentorum usus ad moribundi dolores sublevandos, etiam cum periculo eius dies breviandi, potest esse dignitati humanae moraliter conformis, si mors neque ut finis neque ut medium est volita, sed solummodo praevisa et, tamquam inevitabilis, tolerata. Curae lenientes formam constituunt excellentem caritatis gratuitae. Hac ratione foveri debent. Suicidium

O SUICÍDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela vida humana

§ 2280
Cada qual é responsável perante Deus pela vida que Ele lhe deu, Deus é o senhor soberano da vida; devemos recebê-la com reconhecimento e preservá-la para sua honra e salvação das nossas almas. Nós somos administradores e não proprietários da vida que Deus nos confiou; não podemos dispor dela.
Unusquisque suae vitae est responsabilis coram Deo qui illam ei donavit. Ipse eius Dominus permanet summus. Tenemur eam cum gratitudine accipere et ad Ipsius honorem praeservare atque ad animarum nostrarum salutem. Vitae, quam Deus nobis concredidit, administratores sumus et non domini. De illa non disponimus.
§ 2281
O suicídio contraria a inclinação natural do ser humano para conservar e perpetuar a sua vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque quebra injustamente os laços de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, em relação às quais temos obrigações a cumprir. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo.
Suicidium naturali creaturae humanae contradicit inclinationi ad eius vitam conservandam et perpetuandam. Graviter iusto sui ipsius amori contrarium est. Pariter amorem offendit proximi, quia iniuste solidarietatis frangit vincula cum societatibus familiari, nationali et humanae, erga quas obligati permanemus. Suicidium amori Dei viventis est contrarium.
§ 2282
Se for cometido com a intenção de servir de exemplo, sobretudo para os jovens, o suicídio assume ainda a gravidade do escândalo. A cooperação voluntária no suicídio é contrária à lei moral.Perturbações psíquicas graves, a angústia ou o temor grave duma provação, dum sofrimento, da tortura, são circunstâncias que podem diminuir a responsabilidade do suicida.
Suicidium, si intentione committitur ut exemplo sit, praesertim iuvenibus, gravitatem etiam sumit scandali. Cooperatio voluntaria ad suicidium est legi morali contraria.Graves perturbationes psychicae, angustia vel gravis timor probationis, doloris vel cruciatus responsabilitatem se ipsum interficientis possunt imminuere.
§ 2283
Não se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida.
De salute aeterna personarum, quae sibi ipsis mortem intulerunt, desperari non debet. Deus potest, viis, quas solus Ipse noscit, occasionem illis praebere salutaris poenitentiae. Ecclesia orat pro personis quae vitae suae intulerunt vim. II. Observantia dignitatis personarum Observantia animae alius: scandalum

O RESPEITO PELA ALMA DO PRÓXIMO: O ESCÂNDALO

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela dignidade das pessoas

§ 2284
O escândalo é a atitude ou comportamento que leva outrem a fazer o mal. O escandaloso transforma-se em tentador do seu próximo; atenta contra a virtude e a rectidão, podendo arrastar o irmão para a morte espiritual. O escândalo constitui uma falta grave se, por acção ou omissão, levar deliberadamente outra pessoa a cometer uma falta grave.
Scandalum habitudo est vel agendi modus qui alium ducunt ad malum faciendum. Qui scandalizat, proximi sui fit tentator. Virtuti et rectitudini damnum affert; fratrem suum in mortem potest trahere spiritualem. Scandalum culpam constituit gravem si actione vel omissione alium deliberate ad culpam gravem trahit.
§ 2285
O escândalo reveste-se duma gravidade particular conforme a autoridade dos que o causam ou a fraqueza dos que dele são vítimas. Ele inspirou esta maldição a nosso Senhor: «Mas se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar» (Mt 18, 6) (59). O escândalo é grave quando é causado por aqueles que, por natureza ou em virtude da função que exercem, tem a obrigação de ensinar e de educar os outros. Jesus censura-o nos escribas e fariseus, comparando-os a lobos disfarçados de cordeiros (60).
Scandalum particularem induit gravitatem ratione auctoritatis eorum qui illud causant vel debilitatis eorum qui illud patiuntur. Id Domino nostro hanc suggessit maledictionem: « Qui autem scandalizaverit unum de pusillis istis, [...] expedit ei, ut suspendatur mola asinaria in collo eius et demergatur in profundum maris » (Mt 18,6). 194 Grave est scandalum, cum ab illis efficitur qui, natura vel munere, tenentur ad alios docendos et educandos. Iesus de eo scribas obiurgat et Phariseos: eos cum lupis agnos specie simulantibus comparat. 195
§ 2286
O escândalo pode ser provocado pela lei ou pelas instituições, pela moda ou pela opinião.É assim que se tornam culpados de escândalo os que estabelecem leis ou estruturas sociais conducentes à degradação dos costumes e à corrupção da vida religiosa, ou a «condições sociais que, voluntária ou involuntariamente, tornam difícil e praticamente impossível uma conduta cristã conforme aos mandamentos» (61). O mesmo se diga dos chefes de empresa que tomam medidas incitando à fraude, dos professores que «exasperam» os seus alunos (62), ou daqueles que, manipulando a opinião pública, a desviam dos valores morais.
Scandalum potest lege vel institutionibus provocari, usu vel opinione.Sic scandali efficiuntur culpabiles illi qui leges instituunt vel sociales structuras quae ducunt ad mores pervertendos et ad vitam religiosam corrumpendam, vel ad « sociales condiciones quae, voluntarie vel non, arduam vel fere impossibilem reddunt vitae rationem christianam, praeceptis summi Legislatoris congruentem ». 196 Idem valet de societatum ad bona gignenda moderatoribus qui dispositiones efferunt ad fraudem incitantes, de magistris qui suos pueros « exasperant » 197 vel de illis qui publicam opinionem arte mutant, eam a valoribus moralibus avertentes.
§ 2287
Aquele que usa dos poderes de que dispõe, em condições que induzem a agir mal, torna-se culpado de escândalo e responsável pelo mal que, directa ou indirectamente, favorece. «É inevitável que haja escândalos, mas ai daquele que os causa» (Lc 17, 1).
Ille, qui potestatibus, quibus gaudet, utitur in condicionibus quae ad male agendum inducunt, culpabilis est scandali et responsabilis mali cui directe vel indirecte favit. « Impossibile est ut non veniant scandala; vae autem illi, per quem veniunt » (Lc 17,1).Valetudinis observantia

O RESPEITO PELA SAÚDE

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela dignidade das pessoas

§ 2288
A vida e a saúde física são bens preciosos, confiados por Deus. Temos a obrigação de cuidar razoavelmente desses dons, tendo em conta as necessidades alheias e o bem comum.O cuidado da saúde dos cidadãos requer a ajuda da sociedade para se conseguirem condições de vida que permitam crescer e atingir a maturidade: alimentação e vestuário, casa, cuidados de saúde, ensino básico, emprego, assistência social.
Vita et physica valetudo bona sunt magni pretii, concredita a Deo. Earum curam rationabiliter sumere debemus, ratione habita necessitatum aliorum et boni communis.Cura valetudinis civium requirit adiutorium societatis ad exsistentiae obtinendas condiciones quae permittunt crescere et ad maturitatem pervenire: alimentum et vestitum, habitationem, valetudinis curas, fundamentalem institutionem, occupationem, socialem assistentiam.
§ 2289
Se a moral apela para o respeito da vida corporal, não é que faça dela um valor absoluto. Pelo contrário, insurge-se contra uma concepção neo-pagã, tendente a promover o culto do corpo, sacrificando-lhe tudo, e a idolatrar a perfeição física e o êxito desportivo. Pela escolha selectiva que faz entre os fortes e os fracos, tal concepção pode conduzir à perversão das relações humanas.
Etsi doctrina moralis ad observantiam appellet vitae corporalis, huic non tribuit valorem absolutum. Contra mentalitatem neo-paganam insurgit, quae tendit ad cultum corporis promovendum, ad omnia ei sacrificanda, ad idololatriam perfectionis physicae et victoriae in ludicris exercitationibus. Talis mentalitas, propter electionem selectivam, quam inter fortes facit et debiles, ad relationum humanarum potest ducere perversionem.
§ 2290
A virtude da temperança leva a evitar toda a espécie de excessos, o abuso da comida, da bebida, do tabaco e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado da velocidade, põem em risco a segurança dos outros e a sua própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpados.
Temperantiae virtus ad omne genus excessuum vitandum disponit, abusum mensae, vinolentiae, tabaci et medicamentorum. Qui in ebrietatis statu vel propter immoderatam velocitatis voluptatem, securitati aliorum vel suae propriae periculum afferunt in viis, in mari vel in aere, graviter fiunt culpabiles.
§ 2291
O uso de estupefacientes causa gravíssimos danos à saúde e à vida humana. A não ser por prescrições estritamente terapêuticas, o seu uso é uma falta grave. A produção clandestina e o tráfico de drogas são práticas escandalosas, e constituem uma cooperação directa, pois incitam a práticas gravemente contrárias à lei moral.
Stupefactivorum medicamentorum usus gravissimas infligit valetudini et vitae humanae destructiones. Extra indicationes stricte therapeuticas, gravis est culpa. Clandestina stupefactivorum medicamentorum productio et mercatura operationes sunt scandalosae; cooperationem constituunt directam, quoniam ad usus legi morali incitant graviter contrarios. Observantia personae et scientifica investigatio

O RESPEITO PELA PESSOA E A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela dignidade das pessoas

§ 2292
As experiências científicas, médicas ou psicológicas, sobre pessoas ou grupos humanos, podem concorrer para a cura dos doentes e para o progresso da saúde pública.
Scientifica, medicinalia vel psychologica in personis vel coetibus humanis experimenta conferre possunt ad aegrotorum sanationem et ad publicae valetudinis progressum.
§ 2293
A investigação científica de base, tanto como a aplicada, constituem uma expressão significativa do domínio do homem sobre a criação. A ciência e a técnica são recursos preciosos quando, postos ao serviço do homem, promovem o seu desenvolvimento integral em benefício de todos. Mas, só por si, não podem indicar o sentido da existência e do progresso humano. A ciência e a técnica estão ordenadas para o homem, a quem devem a sua origem e progressos. Por isso, é na pessoa e nos seus valores morais que encontram a indicação da sua finalidade e a consciência dos seus limites.
Investigatio scientifica fundamentalis et etiam investigatio applicata expressionem constituunt significativam dominatus hominis in creationem. Scientia et technica ars subsidia sunt magni pretii, cum in servitium adhibentur hominis et eius integralem promovent progressum in omnium beneficium; ipsae tamen, per se solas, exsistentiae et progressus humani nequeunt indicare sensum. Scientia et technica ars homini ordinantur, a quo ipsae originem sumunt et incrementum; in persona igitur et in eius valoribus moralibus indicatio finalitatis earum et conscientia earum limitum inveniuntur.
§ 2294
É ilusório reivindicar a neutralidade moral da investigação científica e das suas aplicações. Por outro lado, os critérios de orientação não podem deduzir-se nem da simples eficácia nem da utilidade que daí pode advir para uns em prejuízo de outros, nem, pior ainda, das ideologias dominantes. A ciência e a técnica requerem, pelo seu próprio significado intrínseco, o respeito incondicional dos critérios fundamentais da moralidade: devem estar ao serviço da pessoa humana, dos seus direitos inalienáveis, do seu bem autêntico e integral, de acordo com o projecto e a vontade de Deus.
Fallax est moralem investigationis scientificae et eius applicationum neutralitatem vindicare. Altera ex parte, criteria viam indicantia neque ex mera technica efficacia possunt deduci neque ex utilitate quae inde quibusdam in aliorum detrimentum possunt provenire, neque, id quod esset peius, ex ideologiis praevalentibus. Scientia et technica ars requirunt, e sua propria intrinseca significatione, absolutam criteriorum moralitatis fundamentalium observantiam; illae esse debent in servitium personae humanae, eius iurium non alienabilium, eius boni veri et integralis, secundum Dei propositum et voluntatem.
§ 2295
As investigações ou experiências sobre o ser humano não podem legitimar actos em si mesmos contrários à dignidade das pessoas e à lei moral. O eventual consentimento dos sujeitos não justifica tais actos. A experimentação sobre o ser humano não é moralmente legítima, se fizer correr riscos desproporcionados, ou evitáveis, à vida ou à integridade física ou psíquica do sujeito. A experimentação sobre seres humanos não é conforme à dignidade da pessoa se, ainda por cima, for feita sem o consentimento esclarecido do sujeito ou de quem sobre ele tem responsabilidades.
Investigationes vel experimenta in creatura humana non possunt legitimos reddere actus qui in se ipsis dignitati personarum et legi morali sunt contrarii. Subiectorum consensus, si forte detur, tales actus non iustificat. Experimentum in creatura humana moraliter legitimum non est, si vitam vel physicam et psychicam integritatem subiecti subire facit discrimina non proportionata vel evitabilia. Experimentum in hominibus dignitati personae conforme non est, si, praeterea, fit sine conscio consensu subiecti vel eorum qui ius in ipsum habent.
§ 2296
A transplantação de órgãos é conforme à lei moral se os perigos e riscos físicos e psíquicos, em que o doador incorre, forem proporcionados ao bem que se procura em favor do destinatário. A doação de órgãos após a morte é um acto nobre e meritório e deve ser encorajado como uma manifestação de generosa solidariedade. Mas não é moralmente aceitável se o doador ou os seus representantes lhe não tiverem dado o seu consentimento expresso. Para além disso, e moralmente inadmissível provocar directamente a mutilação que leve à invalidez ou à morte dum ser humano, ainda que isso se faça para retardar a morte de outras pessoas.
Organorum transplantatio legi morali est conformis, si pericula et discrimina physica atque psychica quae donans subit, bono sunt proportionata quod pro eo quaeritur cui illa destinatur. Donatio organorum post mortem est actus nobilis et meritorius atque alliciendus tamquam generosae solidarietatis manifestatio. Moraliter acceptabilis non est, si donans vel eius propinqui ius ad id habentes suum explicitum non dederint consensum. Praeterea nequit moraliter admitti, mutilationem, quae invalidum reddit, vel mortem directe provocare, etiamsi id fiat pro aliarum personarum retardanda morte.Observantia integritatis corporalis

O RESPEITO PELA INTEGRIDADE CORPORAL

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela dignidade das pessoas

§ 2297
Os raptos e o sequestro de reféns espalham o terror e, pela ameaça, exercem intoleráveis pressões sobre as vítimas. São moralmente ilegítimos. O terrorismo ameaça, fere e mata sem descriminação; é gravemente contrário à justiça e à caridade. A tortura, que usa a violência física ou moral para arrancar confissões, para castigar culpados, atemorizar opositores ou satisfazer ódios, é contrária ao respeito pela pessoa e pela dignidade humana. A não ser por indicações médicas de ordem estritamente terapêutica, as amputações, mutilações ou esterilizações directamente voluntárias de pessoas inocentes, são contrárias à lei moral (63).
Violenta retentio et obsidum captus spargunt terrorem atque, minis, intolerabiles in victimas exercent coactiones. Ipsa moraliter sunt illegitima. Terrorismus indiscriminatim minatur, vulnerat et interficit; ipse graviter iustitiae et caritati est contrarius. Cruciatus, qui physica vel morali utitur violentia ad confessiones extorquendas, ad culpabiles puniendos, ad adversarios terrendos, ad odium satiandum, observantiae personae et dignitati humanae est contrarius. Nisi praescriptiones habeantur medicae ordinis stricte therapeutici, amputationes, mutilationes vel sterilizationes directe voluntariae personarum innocentium legi morali sunt contrariae. 198
§ 2298
Nos tempos passados, certas práticas de crueldade foram comummente adoptadas por governos legítimos para manter a lei e a ordem, muitas vezes sem protesto dos pastores da Igreja, tendo eles mesmos adoptado, nos seus próprios tribunais, as prescrições do direito romano sobre a tortura. A par destes factos lastimáveis, a Igreja ensinou sempre o dever da clemência e da misericórdia; e proibiu aos clérigos o derramamento de sangue. Nos tempos recentes, tornou-se evidente que estas práticas cruéis não eram necessárias à ordem pública nem conformes aos direitos legítimos da pessoa humana. Pelo contrário, tais práticas conduzem às piores degradações. Deve trabalhar-se pela sua abolição e orar pelas vítimas e seus carrascos.
Temporibus anteactis, crudeles usus a gubernationibus legitimis sunt communiter exerciti, ad legem et ordinem servandum, saepe sine protestatione Pastorum Ecclesiae, qui et ipsi in suis propriis tribunalibus praescriptiones iuris Romani assumpserunt de cruciatu. Praeter haec dolenda facta, Ecclesia semper docuit clementiae officium et misericordiae; clericos prohibuit ne sanguinem funderent. Temporibus recentioribus, evidens est effectum, hos crudeles usus ordini publico necessarios non esse neque legitimis personae humanae iuribus esse conformes. E contra, hi usus ad pessimas ducunt depravationes. Oportet contendere ad eas abolendas. Pro victimis et eorum carnificibus orandum est. Mortuorum observantia

O RESPEITO PELOS MORTOS

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela dignidade das pessoas

§ 2299
Aos moribundos deve dispensar-se toda a atenção e cuidado, para os ajudar a viver os últimos momentos com dignidade e paz. Devem ser ajudados pela oração dos que lhes são mais próximos. Estes velarão por que os doentes recebam, em tempo oportuno, os sacramentos que os preparam para o encontro com o Deus vivo.
Attentio et cura morientibus tribuentur ad eos adiuvandos ut in suis ultimis momentis dignitate vivant et pace. Oratione adiuvabuntur suorum propinquorum. Hi curabunt ut aegroti tempore opportuno recipiant sacramenta quae ad occursum praeparant cum Deo viventi.
§ 2300
Os corpos dos defuntos devem ser tratados com respeito e caridade, na fé e esperança da ressurreição. Enterrar os mortos é uma obra de misericórdia corporal (64) que honra os filhos de Deus, templos do Espírito Santo.
Defunctorum corpora cum observantia et caritate tractanda sunt in resurrectionis fide et spe. Mortuorum sepultura misericordiae corporalis est opus; 199 eadem Dei honorat filios, Spiritus Sancti templa.
§ 2301
A autópsia dos cadáveres pode ser moralmente admitida por motivos de investigação legal ou pesquisa científica. O dom gratuito de órgãos depois da morte é legítimo e até pode ser meritório.A Igreja permite a cremação a não ser que esta ponha em causa a fé na ressurreição dos corpos (65).A salvaguarda da paz
Cadaverum sectio et inspectio (autopsia) moraliter potest admitti legalis indagationis et scientificae investigationis causa. Gratuita organorum post mortem donatio legitima est et potest esse meritoria. Ecclesia cremationem permittit nisi haec dubium fidei in corporum resurrectionem manifestet. 200 III. Pacis tutelaPax

A PAZ

OS DEZ MANDAMENTOS

A salvaguarda da paz

§ 2302
Evocando o preceito «Não matarás» (Mt 5, 21), nosso Senhor pede a paz do coração e denuncia a imoralidade da cólera assassina e do ódio:A ira é um desejo de vingança. «Desejar a vingança, para mal daquele que deve ser castigado, é ilícito»; mas impor uma reparação «para correcção do vício e para conservar o bem da justiça», isso é louvável (66). Se a ira for até ao desejo deliberado de matar o próximo ou de o ferir gravemente, ofende de modo grave a caridade, e é pecado mortal. O Senhor diz: «Quem se irar contra o seu irmão, será sujeito a julgamento» (Mt 5, 22).
Dominus noster, praeceptum commemorans: « Non occides » (Mt 5,21), cordis postulat pacem et irae interfectricis atque odii immoralitatem denuntiat:Ira est vindictae optatum. « Appetere vindictam propter malum eius qui puniendus est, illicitum est »: sed est laudabile reparationem imponere « propter vitiorum correctionem et bonum iustitiae conservandum ». 201 Si ira usque ad deliberatum perveniat optatum proximum occidendi vel serio vulnerandi, graviter contra caritatem offendit; peccatum est mortale. Dominus dicit: « Omnis qui irascitur fratri suo, reus erit iudicio » (Mt 5,22).
§ 2303
O ódio voluntário é contra a caridade. Odiar o próximo, querendo-lhe mal deliberadamente é pecado. É pecado grave, quando deliberadamente se lhe deseja um mal grave. «Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos céus...» (Mt 5, 44-45).
Odium voluntarium caritati est contrarium. Odium proximi peccatum est, cum homo illi malum vult deliberate. Odium proximi grave est peccatum, cum quis illi damnum grave deliberate exoptat. « Ego autem dico vobis: Diligite inimicos vestros et orate pro persequentibus vos; ut sitis filii Patris vestri, qui in caelis est... » (Mt 5,44-45).
§ 2304
O respeito e o crescimento da vida humana exigem a paz. A paz não é só ausência da guerra, nem se limita a assegurar o equilíbrio das forças adversas. A paz não é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade. Ela é «tranquilidade da ordem» (67); é «obra da justiça» (Is 32, 17) e efeito da caridade (68).
Vitae humanae observantia et progressus pacem postulant. Pax non est tantum belli absentia et ad virium adversarum servandum aequilibrium non reducitur. Pax nequit super terram obtineri sine tutela bonorum personarum, libera inter homines communicatione, observantia dignitatis personarum et populorum, assiduo fraternitatis exercitio. Eadem est « tranquillitas ordinis ». 202 Ea « opus iustitiae » (Is 32,17) est et caritatis effectus. 203
§ 2305
A paz terrena é imagem e fruto da paz de Cristo, o «Príncipe da Paz» messiânico (Is 9, 5). Pelo sangue da sua cruz, Ele, levando em Si próprio a morte à inimizade (69), reconciliou com Deus os homens e fez da sua Igreja o sacramento da unidade do género humano e da sua união com Deus (70). «Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14) e declara «bem-aventurados os obreiros da paz» (Mt 5, 9).
Terrena pax imago et fructus est pacis Christi, qui est « Princeps pacis » (Is 9,5) messianicae. Per sanguinem crucis Suae interfecit inimicitiam in Semetipso, 204 homines reconciliavit cum Deo et Ecclesiam Suam sacramentum effecit unitatis generis humani eiusque unionis cum Deo. 205 « Ipse est enim pax nostra » (Eph 2,14). Et declarat: « Beati pacifici » (Mt 5,9).
§ 2306
Os que, renunciando à acção violenta e sangrenta, recorrem a meios de defesa ao alcance dos mais fracos para a salvaguarda dos direitos humanos, dão testemunho da caridade evangélica, desde que o façam sem lesar os direitos e obrigações dos outros homens e das sociedades. E atestam legitimamente a gravidade dos riscos físicos e morais do recurso à violência, com as suas ruínas e mortes (71).
Qui actioni violentae renuntiant et cruentae, et pro iurium hominis tutela ad defensionis recurrunt media quae debilioribus praesto sunt, caritati evangelicae reddunt testimonium, dummodo hoc sine iurium atque officiorum aliorum hominum et societatum fiat detrimento. Legitime gravitatem testantur periculorum physicorum et moralium recursus ad violentiam cum eius ruinis et eius mortuis. 206Bellum vitare

EVITAR A GUERRA

OS DEZ MANDAMENTOS

A salvaguarda da paz

§ 2307
O quinto mandamento proíbe a destruição voluntária da vida humana. Por causa dos males e injustiças que toda a guerra traz consigo, a Igreja exorta instantemente a todos para que orem e actuem para que a Bondade divina nos livre da antiga escravidão da guerra (72).
Quintum praeceptum voluntariam vitae humanae prohibet destructionem. Ecclesia, propter mala et iniustitias quae omne bellum secum fert, singulos instanter adhortatur ad orandum et operandum, ut bonitas divina nos ab antiqua belli liberet servitute. 207
§ 2308
Cada cidadão e cada governante deve trabalhar no sentido de evitar as guerras.No entanto, enquanto «subsistir o perigo de guerra e não houver uma autoridade internacional competente, dotada dos convenientes meios, não se pode negar aos governos, uma vez esgotados todos os recursos de negociações pacíficas, o direito de legítima defesa» (73).
Singuli cives et gubernantes agere tenentur ad bella vitanda.« Quamdiu autem periculum belli aderit, auctoritasque internationalis competens congruisque viribus munita defuerit, tamdiu, exhaustis quidem omnibus pacificae tractationis subsidiis, ius legitimae defensionis guberniis denegari non poterit ». 208
§ 2309
Devem ser ponderadas com rigor as estritas condições duma legítima defesa pela força das armas. A gravidade duma tal decisão submete-a a condições rigorosas de legitimidade moral. É necessário, ao mesmo tempo:

– que o prejuízo causado pelo agressor à nação ou comunidade de nações seja duradouro, grave e certo;
– que todos os outros meios de lhe pôr fim se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes;
– que estejam reunidas condições sérias de êxito;
– que o emprego das armas não traga consigo males e desordens mais graves do que o mal a eliminar. O poder dos meios modernos de destruição tem um peso gravíssimo na apreciação desta condição.

Estes são os elementos tradicionalmente apontados na doutrina da chamada «guerra justa».

A apreciação destas condições de legitimidade moral pertence ao juízo prudencial daqueles que têm o encargo do bem comum.2310 Os poderes públicos têm, neste caso, o direito e o dever de impor aos cidadãos as obrigações necessárias à defesa nacional.Aqueles que se dedicam ao serviço da pátria na vida militar são servidores da segurança e da liberdade dos povos. Na medida em que desempenharem como convém esta tarefa, contribuem verdadeiramente para o bem comum e para a salvaguarda da paz (74).
Strictas condiciones legitimae defensionis vi militari oportet severe considerare. Talis decisionis gravitas eam condicionibus legitimitatis moralis subigit rigorosis. Requiritur simul:— damnum ab aggressore nationi vel nationum communitati inflictum esse diuturnum, grave et certum;
— omnia alia media ad illi imponendum finem manifestata esse impossibilia vel inefficacia;
— serias ad exitum prosperum simul haberi condiciones;
— armorum usum mala non implicare et perturbationes graviora quam malum supprimendum. Modernorum destructionis mediorum potentia in hac condicione aestimanda gravissimum habet pondus.Haec sunt elementa traditionalia quae enumerantur in doctrina « belli iusti » appellata.Aestimatio harum condicionum pro morali legitimitate ad prudens pertinet iudicium eorum qui boni communis habent officium.
§ 2310
Os poderes públicos têm, neste caso, o direito e o dever de impor aos cidadãos as obrigações necessárias à defesa nacional. Aqueles que se dedicam ao serviço da pátria na vida militar são servidores da segurança e da liberdade dos povos. Na medida em que desempenharem como convém esta tarefa, contribuem verdadeiramente para o bem comum e para a salvaguarda da paz (74).
Publicae potestates hoc in casu habent ius et officium civibus imponendi necessaria officia ad nationem defendendam. Qui sese, in vita militari, patriae dedunt servitio, securitatis et libertatis populorum sunt ministri. Si suum munus recte peragunt, vere ad bonum commune conferunt et ad pacem servandam. 209
§ 2311
Os poderes públicos atenderão equitativamente o caso daqueles que, por motivos de consciência, recusam o uso de armas; estes continuam obrigados a servir, de outra forma, a comunidade humana (75).
Publicae potestates cum aequitate casibus providebunt eorum qui, ob conscientiae motiva, armorum recusant usum, dum humanae communitati servire alia forma teneantur. 210
§ 2312
A Igreja e a razão humana declaram a validade permanente da lei moral durante os conflitos armados. «Uma vez lamentavelmente começada a guerra, nem por isso tudo se torna lícito entre as partes beligerantes» (76).
Ecclesia et humana ratio permanentem declarant validitatem legis moralis, perdurantibus armatis conflictionibus. « Nec bello infeliciter iam exorto, eo ipso omnia inter partes adversas licita fiunt ». 211
§ 2313
Devem ser respeitados e tratados com humanidade os não-combatentes, os soldados feridos e os prisioneiros.As acções deliberadamente contrárias ao direito dos povos e aos seus princípios universais, bem como as ordens que comandam tais acções, são crimes. Uma obediência cega não basta para desculpar os que a elas se submetem. Assim, o extermínio dum povo, duma nação ou duma minoria étnica deve ser condenado como pecado mortal. É-se moralmente obrigado a resistir às ordens para praticar um genocídio.
Non-praeliantes, vulneratos milites et bello captos oportet observare et humaniter tractare.Actiones iuri gentium et eius universalibus principiis deliberate contrariae, et etiam iussiones quae illas praecipiunt, sunt crimina. Caeca quaedam oboedientia non sufficit ut ii, qui se illis submittunt, excusentur. Sic cuiusdam populi, nationis vel minoris ethnicae partis exterminium tamquam peccatum mortale damnandum est. Moralis adest obligatio iussionibus resistendi quae praecipiunt « genocidium ».
§ 2314
«Toda a acção bélica, que tende indiscriminadamente à destruição de cidades inteiras ou vastas regiões com os seus habitantes, é um crime contra Deus e o próprio homem, que se deve condenar com firmeza, sem hesitação» (77). Um dos perigos da guerra moderna é o de oferecer aos detentores das armas científicas, nomeadamente atómicas, biológicas ou químicas, ocasião para cometer tais crimes.
« Omnis actio bellica quae in urbium integrarum vel amplarum regionum cum earum incolis destructionem indiscriminatim tendit, est crimen contra Deum et ipsum hominem, quod firmiter et incunctanter damnandum est ». 212 Periculum belli moderni est ne illis, qui arma possident scientifica, praesertim atomica, biologica vel chimica, praebeatur occasio, talia committendi crimina.
§ 2315
A acumulação de armas é considerada por muitos como um processo paradoxal de dissuadir da guerra eventuais adversários. Vêem nisso o mais eficaz dos meios susceptíveis de garantir a paz entre as nações. No entanto, esse processo de dissuasão suscita severas reservas morais. A corrida aos armamentos não garante a paz. Longe de eliminaras causas da guerra, corre o risco de as agravar. O dispêndio de fabulosas riquezas na preparação de armas sempre novas impede que se auxiliem as populações indigentes (78), e trava o desenvolvimento dos povos. O superarmamento multiplica as razões de conflito e aumenta o risco da sua propagação.
Armorum accumulatio multis quasi modus videtur inopinatus ad possibiles adversarios a bello dissuadendos. In illa medium perspiciunt efficacissimum capax praestandi pacem inter nationes. Hic dissuassionis modus graves morales exigit exceptiones. Ad congerenda arma certatio pacem non confirmat. Illa non solum belli non excludit causas, sed in discrimine est ne eas aggravet. Ingentium divitiarum dispendium in armis semper novis praeparandis impedit quominus indigentibus incolis afferatur remedium; 213 populorum progressioni obstaculum imponit. Armis sese excessivo modo munire rationes multiplicat conflictuum et periculum auget propagationis eorum.
§ 2316
O fabrico e comércio de armas tem a ver com o bem comum das nações e da comunidade internacional. Daí que as autoridades públicas tenham o direito e o dever de os regulamentar. A busca de interesses privados ou colectivos a curto prazo não pode legitimar empresas que incentivam a violência e os conflitos entre as nações e que comprometem a ordem jurídica internacional.
Armorum productio et commercium bonum nationum et communitatis internationalis afficiunt commune. Proinde publicae auctoritates ius habent et officium ea ordinandi. Commodorum privatorum vel publicorum brevi tempore quaestus legitima non efficit incepta quae violentiam et conflictiones excitant inter nationes quaeque ordinem iuridicum internationalem in discrimen adducunt.
§ 2317
As injustiças, as excessivas desigualdades de ordem económica ou social, a inveja, a desconfiança e o orgulho que grassam entre os homens e as nações, são uma constante ameaça à paz e provocam as guerras. Tudo o que se fizer para superar estas desordens contribui para edificar a paz e evitar a guerra:

«Na medida em que os homens são pecadores, o perigo da guerra ameaça-os e continuará a ameaçá-los até à vinda de Cristo: mas, na medida em que, unidos na caridade, superam o pecado, superadas ficam também as violências, até que se realize aquela palavra: "Com as espadas forjarão arados e foices com as lanças. Não mais levantará a espada povo contra povo, nem jamais se exercitarão para a guerra" (Is 2, 4)» (79).

Iniustitiae et excessivae in re oeconomica et sociali inaequalitates, invidia, diffidentia et superbia quae inter homines pullulant et nationes, constanter paci minantur bellaque causant. Quidquid fit ad has perturbationes superandas, confert ad pacem aedificandam et ad bellum vitandum:

« Quatenus homines peccatores sunt, eis imminet periculum belli, et usque ad Adventum Christi imminebit; quatenus autem, caritate coniuncti, peccatum superant, superabuntur et violentiae, donec impleatur verbum: "Conflabunt gladios suos in vomeres et lanceas suas in falces. Non levabit gens contra gentem gladium, nec exercebuntur ultra ad praelium" (Is 2,4) ». 214

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2318
«Deus tem nas suas mãos a vida de todo o ser vivo e o sopro de vida de todos os homens» (Job 12, 10).
« In [...] [Dei] manu anima omnis viventis et spiritus universae carnis hominis » (Iob 12,10).
§ 2319
Toda a vida humana, desde o momento da concepção até à morte, é sagrada, porque a pessoa humana foi querida por si mesma e criada à imagem e semelhança do Deus vivo e santo.
Omnis vita humana, inde a conceptionis momento usque ad mortem, sacra est, quia persona humana est propter se ipsam volitam ad imaginem et similitudinem Dei vivi et sancti.
§ 2320
O assassínio de um ser humano é gravemente contrário à dignidade da pessoa e à santidade do Criador.
Creaturae humanae occisio dignitati personae et sanctitati Creatoris graviter est contraria.
§ 2321
A proibição de matar não derroga o direito de retirar ao injusto agressor a possibilidade de fazer mal. A legítima defesa é um dever grave para quem é responsável pela vida de outrem ou pelo bem comum.
Occisionis prohibitio ius non abrogat ut iniustus aggressor extra nocendi possibilitatem ponatur. Legitima defensio grave est officium illi qui aliorum vitae vel boni communis est responsabilis.
§ 2322
Desde que foi concebida, a criança tem direito à vida. O aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, é uma «prática infame» (80), gravemente contrária à lei moral. A Igreja pune com a pena canónica da excomunhão este delito contra a vida humana.
Infans, inde a conceptione sua, ius habet ad vitam. Abortus directus, id est, tamquam finis vel tamquam medium volitus, est « probrum » 215 legi morali graviter contrarium. Ecclesia poena canonica excommunicationis hoc contra vitam humanam punit delictum.
§ 2323
Uma vez que deve ser tratado como pessoa desde a sua concepção, o embrião deve ser defendido na sua integridade, atendido e cuidado medicamente como qualquer outro ser humano.
Embryo, quippe qui tamquam persona, inde a sua conceptione, est tractandus, in sua integritate est defendendus, curandus et sanandus, sicut quaelibet alia humana creatura.
§ 2324
A eutanásia voluntária, quaisquer que sejam as formas e os motivos, é um homicídio. É gravemente contrária à dignidade da pessoa humana e ao respeito pelo Deus vivo, seu Criador.
Euthanasia voluntaria, quaecumque eius sunt formae et motiva, occisionem constituit. Ipsa est dignitati personae humanae et observantiae erga Deum viventem, Creatorem eius, graviter contraria.
§ 2325
O suicídio é gravemente contrário à justiça, à esperança e à caridade. É proibido pelo quinto mandamento.
Suicidium iustitiae, spei et caritati graviter est contrarium. Quinto praecepto prohibetur.
§ 2326
O escândalo constitui uma falta grave quando, por acção ou omissão, leva deliberadamente outrem a pecar gravemente.
Scandalum culpam constituit gravem cum alium, actione vel omissione, deliberate inducit ad graviter peccandum.
§ 2327
Devido aos males e injustiças que toda a guerra traz consigo, devemos fazer tudo o que for humanamente possível para evitá-la. A Igreja ora: «Da fome, da peste e da guerra – livrai-nos, Senhor!».
Propter mala et iniustitias, quae omne bellum secum fert, debemus facere quidquid rationabiliter possibile est, ad illud vitandum. Ecclesia orat: « A peste, fame et bello, libera nos Domine ».
§ 2328
A Igreja e a razão humana declaram a validade permanente da lei moral durante os conflitos armados. As práticas deliberadamente contrárias ao direito das gentes e aos seus princípios universais são crimes.
Ecclesia et humana ratio permanentem legis moralis declarant validitatem, perdurantibus armatis conflictionibus. Actiones iuri gentium et eius universalibus principiis deliberate contrariae sunt crimina.
§ 2329
A corrida aos armamentos é um terrível flagelo para a humanidade e prejudica os pobres de uma forma intolerável (81).
Cursus ad arma apparanda gravissima plaga humanitatis est, ac pauperes intolerabiliter laedit. 216
§ 2330
«Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9).
« Beati pacifici, quoniam filii Dei vocabuntur » (Mt 5,9). (168) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, Introductio, 5: AAS 80 (1988) 76-77. (169) Cf Gn 4,8-12. (170) Cf Lv 17,14. (171) Cf Mt 5,22-26.38-39. (172) Cf Mt 5,44. (173) Cf Mt 26,52. (174) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 64, a. 7, c: Ed. Leon. 9, 74. (175) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 64, a. 7, c: Ed. Leon. 9, 74. (176) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 64, a. 7, c: Ed. Leon. 9, 74. (177) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Evangelium vitae, 56: AAS 87 (1995) 464.(178) Cf Gn 4,10.(179) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1072.(180) Cf Am 8,4-10.(181) Cf Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 1, 1: AAS 80 (1988) 79.(182) Didaché 2, 2: SC 248, 148 (Funk 1, 8); cf Epistula Pseudo Barnabae 19, 5: SC 172, 202 (Funk 1, 90); Epistula ad Diognetum 5, 6: SC 33, 62 (Funk 1, 398); Tertullianus, Apologeticum, 9, 8: CCL 1, 103 (PL 1, 371-372). (183) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1072. (184) CIC canon 1398. (185) CIC canon 1314. (186) Cf CIC canones 1323-1324. (187) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 3: AAS 80 (1988) 98-99.(188) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 3: AAS 80 (1988) 99.(189) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 1, 2: AAS 80 (1988) 79-80.(190) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 1, 3: AAS 80 (1988) 80-81.(191) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 1, 5: AAS 80 (1988) 83.(192) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 1, 6: AAS 80 (1988) 85.(193) Cf Sacra Congregatio pro Doctrina Fidei, Decl. Iura et bona: AAS 72 (1980) 542-552.(194) Cf 1 Cor 8,10-13. (195) Cf Mt 7,15. (196) Pius XII, Nuntius radiophonicus (1 iunii 1941): AAS 33 (1941) 197.(197) Cf Eph 6,4; Col 3,21. (198) Cf Pius XI, Litt. enc. Casti connubii: DS 3722-3723. (199) Cf Tb 1,16-18. (200) Cf CIC canon 1176, § 3. (201) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 158, a. 1, ad 3: Ed. Leon. 10, 273. (202) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 19, 13: CSEL 402, 395 (PL 41, 640).(203) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1101.(204) Cf Eph 2,16; Col 1,20-22. (205) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 1: AAS 57 (1965) 5.(206) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1101-1102. (207) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 81: AAS 58 (1966) 1105. (208) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103. (209) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103. (210) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103. (211) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103. (212) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 80: AAS 58 (1966) 1104. (213) Cf Paulus VI, Litt. enc. Populorum progressio, 53: AAS 59 (1967) 283.(214) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1102.(215) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 27: AAS 58 (1966) 1048.(216) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 81: AAS 58 (1966) 1105. n : Indica che il testo corrisponde alla nuova versione. [Summus Pontifex Franciscus, in Audientia die XI mensis Maii anno MMXVIII Praefecto Congregationis pro Doctrina Fidei concessa, hanc novam Catechismi Catholicae Ecclesiae paragraphi 2267 approbavit formulam, quam alias iussit in linguas verti atque cunctas in praedicti Catechismi versiones inseri.] Lettera ai Vescovi circa la nuova redazione del n. 2267 del Catechismo della Chiesa Cattolica sulla pena di morte (1° agosto 2018)   Versione precedente:

O SEXTO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2331
«Deus é amor e vive em Si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Ao criar a humanidade do homem e da mulher à sua imagem [...] Deus inscreveu nela a vocação para o amor e para a comunhão e, portanto, a capacidade e a responsabilidade correspondentes» (83).«Deus criou o homem à sua imagem; [...] homem e mulher os criou» (Gn 1, 27); «Crescei e multiplicai-vos» (Gn 1, 28); «Quando Deus criou o ser humano, fê-lo à semelhança de Deus. Criou-os homem e mulher e abençoou-os; e chamou-lhes «Adão» no dia em que os criou»(Gn 5, 1-2).
« Deus est amor in Seque vivit Ipse ex mysterio personalis amoris communionis. Ad Suam imaginem creans [...] humanam naturam viri et mulieris, Deus indidit ei vocationem ac propterea potestatem et officium, cum conscientia coniunctum, amoris atque communionis ». 218« Et creavit Deus hominem ad imaginem Suam; [...] masculum et feminam creavit eos » (Gn 1,27); « Crescite et multiplicamini » (Gn 1,28); « In die qua creavit Deus hominem, ad similitudinem Dei fecit illum. Masculum et feminam creavit eos et benedixit illis; et vocavit nomen eorum Adam in die, quo creati sunt » (Gn 5,1-2).
§ 2332
A sexualidade afecta todos os aspectos da pessoa humana, na unidade do seu corpo e da sua alma. Diz respeito particularmente à afectividade, à capacidade de amar e de procriar, e, de um modo mais geral, à aptidão para criar laços de comunhão com outrem.
Sexualitas omnes personae humanae afficit rationes, in unitate corporis eius eiusque animae. Speciatim ad vim affectivam spectat, ad capacitatem amandi et procreandi et, generaliore modo, ad aptitudinem vincula communionis cum alio nectendi.
§ 2333
Compete a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar a sua identidade sexual. A diferença e a complementaridade físicas, morais e espirituais orientam-se para os bens do matrimónio e para o progresso da vida familiar. A harmonia do casal e da sociedade depende, em parte, da maneira como são vividos, entre os sexos, a complementaridade, a necessidade mútua e o apoio recíproco.
Ad unumquemque, virum et mulierem, pertinet suam sexualem identitatem agnoscere et accipere. Differentia et complementaritas physicae, morales et spirituales ad bona matrimonii ordinantur et ad vitae familiaris progressum. Utriusque coniugis et societatis harmonia partim dependet e modo quo complementaritas inter sexus, necessitas mutua et mutuum adiutorium deducuntur in vitam.
§ 2334
«Ao criar o ser humano homem e mulher, Deus conferiu a dignidade pessoal, de igual modo ao homem e à mulher» (84). «O homem é uma pessoa; e isso na mesma medida para o homem e para a mulher, porque ambos são criados à imagem e semelhança dum Deus pessoal» (85).
« Deus, homines creans "masculum et feminam", pari donavit personali dignitate virum et mulierem ». 219 « Homo persona est, pariter vir et mulier: ambo namque ad imaginem et similitudinem Dei personalis creati sunt ». 220
§ 2335
Cada um dos dois sexos é, com igual dignidade, embora de modo diferente, imagem do poder e da ternura de Deus. A união do homem e da mulher no matrimónio é um modo de imitar na carne a generosidade e a fecundidade do Criador: «O homem deixará o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). Desta união procedem todas as gerações humanas (86).
Uterque sexus, pari dignitate, licet modo diverso, imago est potentiae et teneritatis Dei. Viri et mulieris unio in matrimonio quidam est modus, in carne, imitandi generositatem et fecunditatem Creatoris: « Relinquet vir patrem suum et matrem et adhaerebit uxori suae; et erunt in carnem unam » (Gn 2,24). Ab hac unione omnes humanae generationes procedunt. 221
§ 2336
Jesus veio restaurar a criação na pureza das suas origens. No sermão da montanha, interpreta de modo rigoroso o desígnio de Deus:«Ouvistes que foi dito: "Não cometerás adultério". Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração» (Mt 5, 27-28). Não separe o homem o que Deus uniu (87).A Tradição da Igreja entendeu o sexto mandamento como englobando o conjunto da sexualidade humana.
Iesus venit ut creationem in puritate eius originis restauraret. In sermone montano, propositum Dei modo interpretatur rigoroso: « Audistis quia dictum est: "Non moechaberis". Ego autem dico vobis: Omnis, qui viderit mulierem ad concupiscendum eam, iam moechatus est eam in corde suo » (Mt 5,27-28). Homo non debet separare quod Deus coniunxit. 222 Ecclesiae Traditio sextum intellexit praeceptum sicut sexualitatis humanae comprehendens complexum. II. Vocatio ad castitatem

O SEXTO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

A vocação à castidade

§ 2337
A castidade significa a integração conseguida da sexualidade na pessoa, e daí a unidade interior do homem no seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando integrada na relação de pessoa a pessoa, no dom mútuo total e temporalmente ilimitado, do homem e da mulher.A virtude da castidade engloba, portanto, a integridade da pessoa e a integralidade da doação.
Castitas integrationem sexualitatis in persona significat obtentam atque ideo interiorem hominis unitatem in eius corporali et spirituali realitate. Sexualitas, in qua exprimitur hominem ad mundum corporalem et biologicum pertinere, personalis et vere humana fit, cum in relatione inseritur personae ad personam, in dono mutuo integro et temporaliter illimitato viri et mulieris. Castitatis igitur virtus integritatem implicat personae et totalitatem doni.Personae integritas

A INTEGRIDADE DA PESSOA

OS DEZ MANDAMENTOS

A vocação à castidade

§ 2338
A pessoa casta mantém a integridade das forças de vida e de amor em si depositadas. Esta integridade garante a unidade da pessoa e opõe-se a qualquer comportamento susceptível de a ofender. Não tolera nem a duplicidade da vida, nem a da linguagem (88).
Persona casta integritatem servat virium vitae et amoris, quae in ea sunt positae. Haec integritas unitatem personae praestat, ea omni procedendi opponitur modo qui illam vulneraret. Nec duplicem vitam nec duplicem tolerat sermonem. 223
§ 2339
A castidade implica uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz (89). «A dignidade do homem exige que ele proceda segundo uma opção consciente e livre, isto é, movido e determinado por uma convicção pessoal e não sob a pressão de um cego impulso interior ou da mera coacção externa. O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se de toda a escravidão das paixões, prossegue o seu fim na livre escolha do bem e se procura de modo eficaz e com diligente iniciativa os meios adequados» (90).
Castitas implicat dominii sui tirocinium, quod libertatis humanae est paedagogia. Optio est clara: homo aut suas regit passiones et pacem obtinet, aut se in servitutem redigi permittit per eas et miser fit. 224 « Dignitas igitur hominis requirit ut secundum consciam et liberam electionem agat, personaliter scilicet ab intra motus et inductus, et non sub caeco impulsu interno vel sub mera externa coactione. Talem vero dignitatem obtinet homo cum, sese ab omni passionum captivitate liberans, finem suum in boni libera electione persequitur et apta subsidia efficaciter ac sollerti industria sibi procurat ». 225
§ 2340
Aquele que quiser permanecer fiel às promessas do seu Baptismo e resistir às tentações, terá o cuidado de procurar os meios: o conhecimento de si, a prática duma ascese adaptada às situações em que se encontra, a obediência aos mandamentos divinos, a prática das virtudes morais e a fidelidade à oração. «A continência, na verdade, recolhe-nos e reconduz-nos àquela unidade que tínhamos perdido, dispersando-nos na multiplicidade» (91).
Qui sui Baptismi promissionibus fidelis vult permanere et tentationibus resistere, incumbet ut ad id adhibeat media: sui cognitionem, exercitium ascesis aptatae condicionibus in quibus versatur, oboedientiam praeceptis divinis, virtutum moralium operationem et fidelitatem orationi. « Per continentiam quippe colligimur et redigimur in unum, a quo in multa defluximus ». 226
§ 2341
A virtude da castidade gira na órbita da virtude cardial da temperança, a qual visa impregnar de razão as paixões e os apetites da sensibilidade humana.
Virtus castitatis dependet ex virtute cardinali temperantiae, quae sensibilitatis humanae passiones et appetitus intendit ratione imbuere.
§ 2342
O domínio de si é uma obra de grande fôlego. Nunca poderá considerar-se total e definitivamente adquirido. Implica um esforço constantemente retomado, em todas as idades da vida (92); mas o esforço requerido pode ser mais intenso em certas épocas, como quando se forma a personalidade, durante a infância e a adolescência.
Dominium sui est longae constantiae opus. Numquam considerandum est tamquam in perpetuum iam adquisitum. Nisum implicat in omnibus vitae aetatibus iterum atque iterum suscipiendum. 227 Requisitus nisus quibusdam temporibus potest esse intensior, ut cum personalitas formatur, in pueritia et adulescentia.
§ 2343
A castidade conhece leis de crescimento e passa por fases marcadas pela imperfeição, muitas vezes até pelo pecado. O homem virtuoso e casto «constrói-se dia a dia com as suas numerosas decisões livres. Por isso, conhece, ama e cumpre o bem moral segundo fases de crescimento» (93).
Castitas cognoscit incrementi leges, quae per gradus procedunt imperfectione signatos et nimis frequenter peccato. Homo castus et virtutis studiosus « de die in diem quasi exstruitur pluribus cum suis optionibus: ergo cognoscit, diligit, perficit morale bonum secundum incrementi eius gradus ». 228
§ 2344
A castidade representa uma tarefa eminentemente pessoal; implica também um esforço cultural, porque existe «interdependência entre o desenvolvimento da pessoa e o da própria sociedade» (94). A castidade pressupõe o respeito pelos direitos da pessoa, particularmente o de receber uma informação e educação que respeitem as dimensões morais e espirituais da vida humana.
Castitas laborem constituit quam maxime personalem, ea nisum culturalem etiam implicat, quia revera « apparet humanae personae profectum et ipsius societatis incrementum ab invicem pendere ». 229 Castitas observantiam praesupponit iurium personae, praesertim iuris ad informationem et educationem recipiendas, quae morales et spirituales vitae humanae observent rationes.
§ 2345
A castidade é uma virtude moral. Mas é também um dom de Deus, uma graça, um fruto do trabalho espiritual (95). O Espírito Santo concede a graça de imitar a pureza de Cristo (96) àquele que regenerou pela água do Baptismo.
Castitas virtus moralis est. Est etiam donum Dei, gratia, fructus operis spiritualis. 230 Spiritus Sanctus puritatem Christi ei concedit imitari 231 quem Baptismi regeneravit aqua. Totalitas doni sui ipsius

A INTEGRALIDADE DO DOM DE SI

OS DEZ MANDAMENTOS

A vocação à castidade

§ 2346
A caridade é a forma de todas as virtudes. Sob a sua influência, a castidade aparece como uma escola de doação da pessoa. O domínio de si ordena-se para o dom de si. A castidade leva quem a pratica a tornar-se, junto do próximo, testemunha da fidelidade e da ternura de Deus.
Caritas est omnium virtutum forma. Sub eius influxu, castitas tamquam schola apparet doni personae. Dominium sui ad sui ordinatur donum. Castitas ducit eum, qui eam exercitat, ut coram proximo testis fiat fidelitatis et teneritatis Dei.
§ 2347
A virtude da castidade expande-se na amizade. Indica ao discípulo o modo de seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos (97), que Se deu totalmente a nós e nos faz participar da sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade.A castidade exprime-se especialmente na amizade para com o próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos. Conduz à comunhão espiritual.
Castitatis virtus in amicitia expanditur. Discipulo indicat quomodo sequatur et imitetur Illum qui nos tamquam Suos proprios elegit amicos, 232 Se nobis totaliter donavit nosque participes effecit Suae divinae condicionis. Castitas immortalitatis est promissio.Castitas praesertim in amicitia erga proximum exprimitur. Amicitia, inter personas eiusdem sexus vel diversorum sexuum exculta, magnum pro omnibus bonum constituit. Ad spiritualem perducit communionem. Diversa castitatis genera

OS DIVERSOS REGIMES DA CASTIDADE

OS DEZ MANDAMENTOS

A vocação à castidade

§ 2348
Todo o baptizado é chamado à castidade. O cristão «revestiu-se de Cristo» (98), modelo de toda a castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta, segundo o seu estado de vida particular. No momento do seu Baptismo, o cristão comprometeu-se a orientar a sua afectividade na castidade.
Omnis baptizatus ad castitatem vocatur. Christianus Christum induit, 233 omnis castitatis exemplar. Omnes christifideles vocantur ut vitam castam ducant secundum suum peculiarem vitae statum. Christianus, in sui Baptismi momento, se obligavit ad suam affectivam vim in castitate regendam.
§ 2349
«A castidade deve qualificar as pessoas segundo os seus diferentes estados de vida: uns, na virgindade ou celibato consagrado, forma eminente de se entregarem mais facilmente a Deus com um coração indiviso: outros, do modo que a lei moral para todos determina, e conforme são casados ou solteiros» (99). As pessoas casadas são chamadas a viver a castidade conjugal; as outras praticam a castidade na continência:

«Existem três formas da virtude da castidade: uma, das esposas: outra, das viúvas; a terceira, da virgindade. Não louvamos uma com exclusão das outras. [...] É nisso que a disciplina da Igreja é rica» (100).

Castitate « pro variis vitae suae statibus homines ornari debent: alteri virginitatem aut coelibatum Deo sacrum profitentes, qua quidem eminenti ratione ipsi facilius uni Deo vacare indiviso corde possunt; alteri vero vitam agentes ea forma, quae omnibus lege morali statuitur, prout matrimonio iunguntur aut sunt caelibes ». 234 Personae matrimonio coniunctae vocantur ut in castitate coniugali vivant; ceterae castitatem colunt in continentia:

« Docemur itaque triplicem castitatis esse virtutem: unam coniugalem, aliam viduitatis, tertiam virginitatis; non enim sic aliam praedicamus, ut excludamus alias. [...] In hoc Ecclesiae est opulens disciplina ». 235

§ 2350
Os noivos são chamados a viver a castidade na continência. Eles farão, neste tempo de prova, a descoberta do respeito mútuo, a aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem um ao outro de Deus. Reservarão para o tempo do matrimónio as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade.
Sponsi vocantur ut castitatem colant in continentia. In hac subiectione ad probationem videbunt detegi mutuam observantiam, tirocinium fidelitatis et spei se a Deo mutuo recipiendi. Ad matrimonii tempus servabunt manifestationes teneritudinis, quae amoris coniugalis sunt specificae. Se mutuo adiuvabunt ut in castitate crescant. Contra castitatem offensae
§ 2351
A luxúria é um desejo desordenado ou um gozo desregrado de prazer venéreo. O prazer sexual é moralmente desordenado quando procurado por si mesmo, isolado das finalidades da procriação e da união.
Luxuria est inordinata cupiditas vel intemperans delectatio voluptatis venereae. Voluptas sexualis moraliter est inordinata, cum per se ipsam quaeritur, a procreationis et unionis dissociata finibus.
§ 2352
Por masturbação entende-se a excitação voluntária dos órgão genitais, para daí retirar um prazer venéreo. «Na linha duma tradição constante, tanto o Magistério da Igreja como o sentido moral dos fiéis têm afirmado sem hesitação que a masturbação é um acto intrínseca e gravemente desordenado». «Seja qual for o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das normais relações conjugais contradiz a finalidade da mesma». O prazer sexual é ali procurado fora da «relação sexual requerida pela ordem moral, que é aquela que realiza, no contexto dum amor verdadeiro, o sentido integral da doação mútua e da procriação humana» (101).Para formar um juízo justo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos, e para orientar a acção pastoral, deverá ter-se em conta a imaturidade afectiva, a força de hábitos contraídos, o estado de angústia e outros factores psíquicos ou sociais que podem atenuar, ou até reduzir ao mínimo, a culpabilidade moral.
Masturbationis nomine intelligere oportet voluntariam organorum genitalium excitationem, ad obtinendam ex ea veneream voluptatem. « Revera tum Ecclesiae Magisterium — per decursum constantis traditionis — tum moralis christifidelium sensus sine dubitatione firmiter tenent masturbationem esse actum intrinsece graviterque inordinatum ». « Quaecumque est ipsa agendi causa, deliberatus usus facultatis sexualis extra rectum coniugale commercium essentialiter eius fini contradicit ». Delectatio sexualis tunc quaeritur extra relationem sexualem, « quae ordine morali postulatur, quae nempe ad effectum deducit integrum sensum mutuae donationis ac humanae procreationis in contextu veri amoris ». 236Ad aequum iudicium de responsabilitate morali subiectorum efformandum et ad pastoralem actionem recte ducendam, perpendentur immaturitas affectiva, vis habituum contractorum, angustiae status vel alia elementa psychica vel socialia, quae possunt moralem minuere, fortasse etiam ad minimum reducere, culpabilitatem.
§ 2353
A fornicação é a união carnal fora do matrimónio entre um homem e uma mulher livres. É gravemente contrária à dignidade das pessoas e da sexualidade humana, naturalmente ordenada para o bem dos esposos, assim como para a geração e educação dos filhos. Além disso, é um escândalo grave, quando há corrupção dos jovens.
Fornicatio unio est carnalis extra matrimonium inter virum et mulierem liberos. Ea est personarum dignitati graviter contraria atque sexualitati humanae ad bonum coniugum et ad filiorum generationem et educationem naturaliter ordinatae. Est praeterea grave scandalum, cum iuvenum habetur corruptio.
§ 2354
A pornografia consiste em retirar os actos sexuais, reais ou simulados, da intimidade dos parceiros, para os exibir a terceiras pessoas, de modo deliberado. Ofende a castidade, porque desnatura o acto conjugal, doação íntima dos esposos um ao outro. É um grave atentado contra a dignidade das pessoas intervenientes (actores, comerciantes, público), uma vez que cada um se torna para o outro objecto dum prazer vulgar e dum lucro ilícito. E faz mergulhar uns e outros na ilusão dum mundo fictício. É pecado grave. As autoridades civis devem impedir a produção e a distribuição de material pornográfico.
Pornographia consistit in actibus sexualibus, realibus vel simulatis, ab agentium intimitate substrahendis, ad eosdem deliberate aliis personis exhibendos. Castitatem offendit quia actum coniugalem, intimum coniugum mutuum donum, pervertit. Graviter dignitatem attentat eorum qui se ei tradunt (actores, negotiatores, spectatores), siquidem alius pro alio obiectum efficitur vulgaris voluptatis et illiciti lucri. Alios et alios in illusionem submergit mundi fictitii. Culpa gravis est. Auctoritates civiles debent productionem et distributionem prohibere rerum pornographicarum.
§ 2355
A prostituição é um atentado contra a dignidade da pessoa que se prostitui, reduzida ao prazer venéreo que dela se tira. Quem paga, peca gravemente contra si mesmo: quebra a castidade a que o obriga o seu Baptismo e mancha o seu corpo, que é templo do Espírito Santo (102). A prostituição constitui um flagelo social. Envolve habitualmente mulheres, mas também homens, crianças ou adolescentes (nestes dois últimos casos, o pecado duplica com o escândalo). É sempre gravemente pecaminoso entregar-se à prostituição; mas a miséria, a chantagem e a pressão social podem atenuar a imputabilidade do pecado.
Prostitutio attentat personae, quae prostituitur, dignitatem, redactam ad voluptatem veneream, quae ab illa obtinetur. Qui pecunia retribuit, graviter contra se ipsum peccat: castitatem frangit, ad quam eius Baptismus obligat, et corpus inquinat suum, Spiritus Sancti templum. 237 Prostitutio sociale constituit flagellum. Generatim mulieres afficit, sed etiam viros, pueros vel adulescentes (in his duobus ultimis casibus, peccatum scandalo duplicatur). Etsi semper graviter peccato obnoxium sit se tradere prostitutioni, miseria, minaciae et socialis sollicitatio imputabilitatem culpae attenuare possunt.
§ 2356
A violação designa a entrada na intimidade sexual duma pessoa à força, com violência. É um atentado contra a justiça e a caridade. A violação ofende profundamente o direito de cada um ao respeito, à liberdade e à integridade física e moral. Causa um prejuízo grave, que pode marcar a vítima para toda a vida. É sempre um acto intrinsecamente mau. É mais grave ainda, se cometido por parentes próximos (incesto) ou por educadores contra crianças a eles confiadas.
Stuprum ingressum indicat per vim, cum violentia, in sexualem alicuius personae intimitatem. Iustitiam attentat et caritatem. Stuprum profunde uniuscuiusque violat ius ad observantiam, ad libertatem, ad physicam et moralem integritatem. Damnum causat grave, quod victimam per totam eius vitam potest signare. Actus est semper intrinsece malus. Adhuc gravius est stuprum a propinquis commissum (cf incestus) vel ab educatoribus erga pueros ipsis concreditos. Castitas et homosexualitas
§ 2357
A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atracção sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (103) a Tradição sempre declarou que «os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados» (104). São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.
Homosexualitas relationes designat inter viros vel mulieres qui sexualem experiuntur allectationem exclusive vel praevalenter erga eiusdem sexus personas. Per saecula et culturas, formas induit valde diversas. Eius psychica origo manet magna ex parte non explicata. Traditio, sacra nitens Scriptura, quae eos tamquam graves depravationes praesentat, 238 semper declaravit « actus homosexualitatis suapte intrinseca natura esse inordinatos ». 239 Legi naturali sunt contrarii. Actum sexualem dono praecludunt vitae. E vera complementaritate affectiva et sexuali non procedunt. Nullo in casu possent accipere approbationem.

CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE

OS DEZ MANDAMENTOS

A vocação à castidade

§ 2358
Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.
Virorum et mulierum numerus non exiguus tendentias homosexuales praesentat profunde radicatas. Haec propensio, obiective inordinata, pro maiore eorum parte constituit probationem. Excipiendi sunt observantia, compassione et suavitate. Relate ad eos vitandum est quodlibet iniustae discriminationis signum. Hae personae vocantur ad voluntatem Dei in sua vita efficiendam, et, si ipsae christianae sunt, ad coniungendas cum Sacrificio crucis Domini difficultates quas in facto suae condicionis possunt invenire.
§ 2359
As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.
Personae homosexuales ad castitatem vocantur. Ipsae, dominii virtutibus quae libertatem educant interiorem, quandoque amicitiae gratuitae auxilio, oratione et gratia sacramentali, possunt et debent ad perfectionem christianam gradatim et obfirmate appropinquare. III. Coniugum amor

CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE

OS DEZ MANDAMENTOS

O amor dos esposos

§ 2360
A sexualidade ordena-se para o amor conjugal do homem e da mulher. No matrimónio, a intimidade corporal dos esposos torna-se sinal e penhor de comunhão espiritual. Entre os baptizados, os laços do matrimónio são santificados pelo sacramento.
Sexualitas ad coniugalem ordinatur amorem viri et mulieris. In matrimonio, corporalis coniugum intimitas signum et pignus fit spiritualis communionis. Inter baptizatos, matrimonii vincula sacramento sanctificantur.
§ 2361
«A sexualidade, mediante a qual o homem e a mulher se dão um ao outro com os actos próprios e exclusivos dos esposos, não é algo de puramente biológico, mas diz respeito à pessoa humana como tal, no que ela tem de mais íntimo. Esta só se realiza de maneira verdadeiramente humana se for parte integrante do amor com o qual homem e mulher se comprometem totalmente um para com o outro até à morte» (105).

«Tobias ergueu-se do leito e disse [...] [a Sara]: "Irmã, levanta-te; vamos orar ao Senhor e pedir-lhe que nos conceda a sua misericórdia e salvação". Levantaram-se ambos e puseram-se a orar e a implorar que lhes fosse enviada a salvação, dizendo: "Bendito sejas, Deus dos nossos pais [...]. Tu criaste Adão e deste-lhe Eva, sua esposa, como amparo valioso, e de ambos procedeu o género humano. Com efeito, disseste: 'Não é bom que o homem esteja só; façamos-lhe uma auxiliar semelhante a ele'. Agora, Senhor, Tu bem sabes que não é por luxúria que agora tomo por esposa esta minha irmã, mas é com intenção pura. Permite, pois, que eu e ela encontremos misericórdia e cheguemos juntos à velhice» (Tb 8, 4-9).

« Sexualitas [...], per quam vir ac femina se dedunt vicissim actibus coniugum propriis sibi ac peculiaribus, minime quiddam est dumtaxat biologicum, sed tangit personae humanae ut talis veluti nucleum intimum. Sexualitas modo vere humano expletur tantummodo, si est pars complens amoris, quo vir et femina sese totos mutuo usque ad mortem obstringunt »: 240

« Exsurrexit Thobias de lecto et dixit [...] [Sarae]: "Surge, soror! Oremus et deprecemur Dominum nostrum, ut faciat super nos misericordiam et sanitatem". Et surrexit, et coeperunt orare et deprecari Dominum, ut daretur illis sanitas. Et coeperunt dicere: "Benedictus es, Deus patrum nostrorum [...]. Tu fecisti Adam et dedisti illi adiutorium firmum Evam, et ex ambobus factum est semen hominum. Et dixisti non esse bonum hominem solum: Faciamus ei adiutorium simile sibi. Et nunc non luxuriae causa accipio hanc sororem meam, sed in veritate. Praecipe, ut miserearis mei et illius, et consenescamus pariter sani". Et dixerunt: "Amen, amen!". Et dormierunt per noctem » (Tb 8,4-9).

§ 2362
«Os actos pelos quais os esposos se unem íntima e castamente são honestos e dignos; realizados de modo autenticamente humano, exprimem e alimentam a mútua entrega pela qual se enriquecem um ao outro com alegria e gratidão» (106). A sexualidade é fonte de alegria e de prazer:

«Foi o próprio Criador Quem [...] estabeleceu que, nesta função [da geração], os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal ao procurar este prazer e gozar dele. Aceitam o que o Criador lhes destinou. No entanto, devem saber manter-se dentro dos limites duma justa moderação» (107).

« Actus [...], quibus coniuges intime et caste inter se uniuntur, honesti ac digni sunt et, modo vere humano exerciti, donationem mutuam significant et fovent, qua sese invicem laeto gratoque animo locupletant ». 241 Sexualitas fons est gaudii et delectationis:

« Idem Creator [...] etiam disposuit coniuges, pro hoc munere [generationis], in corpore et in spiritu delectationem invenire et felicitatem. Coniuges igitur, hanc delectationem quaerentes istaque fruentes, nihil operantur mali. Ipsi id accipiunt quod Creator eis destinavit. Tamen etiam coniuges scire debent, se intra limites iustae moderationis tenere ». 242

§ 2363
Pela união dos esposos realiza-se o duplo fim do matrimónio: o bem dos próprios esposos e a transmissão da vida. Não podem separar-se estes dois significados ou valores do matrimónio sem alterar a vida espiritual do casal nem comprometer os bens do matrimónio e o futuro da família.O amor conjugal do homem e da mulher está, assim, colocado sob a dupla exigência da fidelidade e da fecundidade.
Coniugum unione, duplex matrimonii finis ducitur in rem: ipsorum coniugum bonum et vitae transmissio. Hae duae significationes seu valores matrimonii separari non possunt, quin vita spiritualis coniugum alteretur et matrimonii bona atque familiae futurum in discrimen adducantur. Sic amor coniugalis viri et mulieris sub duplici exigentia fidelitatis et fecunditatis est positus. Coniugalis fidelitas

A FIDELIDADE CONJUGAL

OS DEZ MANDAMENTOS

O amor dos esposos

§ 2364
Ambos os esposos constituem «uma íntima comunidade de vida e de amor, fundada pelo Criador e por Ele dotada de leis próprias». Esta comunidade «é instaurada pela aliança conjugal, ou seja, por um irrevogável consentimento pessoal» (108). Os dois entregam-se, definitiva e totalmente, um ao outro. Doravante, já não são dois, mas uma só carne. A aliança livremente contraída pelos esposos impõe-lhes a obrigação de a manter una e indissolúvel (109). «O que Deus uniu, não o separe o homem»(Mc 10, 9) (110).
Ab utroque coniugum constituitur « intima communitas vitae et amoris coniugalis, [quae] a Creatore condita suisque legibus instructa, foedere coniugii seu irrevocabili consensu personali instauratur ». 243 Uterque, alter alteri, se donat definitive et totaliter. Amplius duo non sunt, sed unam iam constituunt carnem. Foedus libere a coniugibus contractum eis imponit obligationem illud unum et indissolubile conservandi. 244 « Quod [...] Deus coniunxit, homo non separet » (Mc 10,9). 245
§ 2365
A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do matrimónio introduz o homem e a mulher na fidelidade de Cristo à sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles dão testemunho deste mistério perante o mundo.

São João Crisóstomo sugere aos jovens casados que façam este discurso às suas esposas: «Tomei-te nos meus braços, amo-te e prefiro-te à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada e o meu sonho mais ardente é passá-la contigo, de tal maneira que tenhamos a certeza de não ser separados naquela que nos está reservada [...]. Eu ponho o teu amor acima de tudo, e nada me seria mais penoso do que não ter os mesmos pensamentos que tu» (111).

Fidelitas constantiam exprimit in verbo dato servando. Deus fidelis est. Matrimonii sacramentum virum et mulierem introducit in fidelitatem Christi erga Eius Ecclesiam. Castitate coniugali coram mundo testimonium praebent huius mysterii.

Sanctus Ioannes Chrysostomus iuvenibus uxoratis suggerit ut suis uxoribus hos proferant sermones: « Te sum amplexus et te diligo, et meae etiam animae praefero. Nihil est enim vita praesens, oroque et hortor et omnia facio, ut nos ita digni habeamur qui praesentem agamus vitam, ut illic etiam possimus in futuro saeculo cum magna securitate simul versari. [...] Ego dilectionem tuam praefero omnibus; neque est quidquam mihi aeque molestum quam a te umquam dissidere ». 246

A FECUNDIDADE DO MATRIMÓNIO

OS DEZ MANDAMENTOS

O amor dos esposos

§ 2366
A fecundidade é um dom, uma finalidade do matrimónio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio coração deste dom mútuo, do qual é fruto e complemento. Por isso, a Igreja, que «toma partido pela vida» (112), ensina que «todo o acto matrimonial deve, por si estar aberto à transmissão da vida» (113). «Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, funda-se sobre o nexo indissolúvel estabelecido por Deus e que o homem não pode quebrar por sua iniciativa, entre os dois significados inerentes ao acto conjugal: união e procriação» (114).
Fecunditas quoddam est donum, quidam matrimonii finis, quia amor coniugalis naturaliter ad id tendit ut fecundus sit. Filius mutuo coniugum amori extrinsece addendus non accedit; surgit in ipso corde huius mutui doni, cuius ipse fructus est et adimpletio. Sic Ecclesia, quae « a vitae parte consistit », 247 docet « necessarium esse, ut quilibet matrimonii usus ad vitam humanam procreandam per se destinatus permaneat ». 248 « Huiusmodi doctrina, quae ab Ecclesiae Magisterio saepe exposita est, in nexu indissolubili nititur, a Deo statuto, quem homini sua sponte infringere non licet, inter significationem unitatis et significationem procreationis, quae ambae in actu coniugali insunt ». 249
§ 2367
Chamados a dar a vida, os esposos participam do poder criador e da paternidade de Deus (115). «No dever de transmitir e educar a vida humana – dever que deve ser considerado como a sua missão própria – saibam os esposos que são cooperadores do amor de Deus e como que os seus intérpretes. Cumprirão, pois, esta missão, com responsabilidade humana e cristã» (116).
Coniuges, ad vitam dandam vocati, potentiam creatricem et paternitatem participant Dei. 250 « In officio humanam vitam transmittendi atque educandi, quod tamquam propria eorum missio considerandum est, coniuges sciunt se cooperatores esse amoris Dei Eiusque veluti interpretes. Ideo humana et christiana responsabilitate suum munus adimplebunt ». 251
§ 2368
Um aspecto particular desta responsabilidade diz respeito à regulação da procriação. Os esposos podem querer espaçar o nascimento dos seus filhos por razões justificadas (117). Devem, porém, verificar se tal desejo não procede do egoísmo, e se está de acordo com a justa generosidade duma paternidade responsável. Além disso, regularão o seu comportamento segundo os critérios objectivos da moralidade:

«Quando se trata de conciliar o amor conjugal com a transmissão responsável da vida, a moralidade do comportamento não depende apenas da sinceridade da intenção e da apreciação dos motivos; deve também determinar-se por critérios objectivos, tomados da natureza da pessoa e dos seus actos; critérios que respeitem, num contexto de autêntico amor, o sentido da mútua doação e da procriação humana. Tudo isto só é possível, se se cultivar sinceramente a virtude da castidade conjugal» (118).

Peculiaris huius responsabilitatis ratio ad procreationem regulandam refertur. Coniuges, iustis de causis, 252 possunt suorum filiorum procreationes intervallis separare velle. Ad eos pertinet comprobare eorum optatum ex caeco sui amore (ex « egoismo ») non promanare, sed illud iustae generositati paternitatis responsabilis esse conformem. Praeterea suum agendi modum secundum criteria moralitatis regulabunt obiectiva:

« Moralis [...] indoles rationis agendi, ubi de componendo amore coniugali cum responsabili vitae transmissione agitur, non a sola sincera intentione et aestimatione motivorum pendet, sed obiectivis criteriis, ex personae eiusdemque actuum natura desumptis, determinari debet, quae integrum sensum mutuae donationis ac humanae procreationis in contextu veri amoris observant; quod fieri nequit nisi virtus castitatis coniugalis sincero animo colatur ». 253

§ 2369
«É salvaguardando estes dois aspectos essenciais, união e procriação, que o acto conjugal conserva integralmente o sentido de mútuo e verdadeiro amor e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade» (119).
« Quodsi utraque eiusmodi essentialis ratio, unitatis videlicet et procreationis, servatur, usus matrimonii sensum mutui verique amoris suumque ordinem ad celsissimum paternitatis munus omnino retinet ». 254
§ 2370
A continência periódica, os métodos de regulação dos nascimentos baseados na auto-observação e no recurso aos períodos infecundos (120), são conformes aos critérios objectivos da moralidade. Estes métodos respeitam o corpo dos esposos, estimulam a ternura entre eles e favorecem a educação duma liberdade autêntica. Em contrapartida, é intrinsecamente má «qualquer acção que, quer em previsão do acto conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação» (121).

«À linguagem que exprime naturalmente a doação recíproca e total dos esposos, a contracepção opõe uma linguagem objectivamente contraditória, segundo a qual já não se trata de se darem totalmente um ao outro. Daí deriva, não somente a recusa positiva da abertura à vida, mas também uma falsificação da verdade interna do amor conjugal, chamado a ser um dom da pessoa toda. [...] Esta diferença antropológica e moral, entre a contracepção e o recurso aos ritmos periódicos, implica dois conceitos de pessoa e de sexualidade humana irredutíveis um ao outro» (122).

Continentia periodica, methodi ad procreationem regulandam fundatae super auto-observationem et recursum ad periodos infecundas, 255 sunt criteriis obiectivis moralitatis conformes. Hae methodi corpus verentur coniugum, teneritudinem promovent inter eos et educationi favent authenticae libertatis. E contra, est intrinsece malus quivis « actus qui, cum coniugale commercium vel praevidetur vel efficitur vel ad suos naturales exitus ducit, id tamquam finem obtinendum aut viam adhibendam intendat, ut procreatio impediatur »: 256

« Naturali verbo, quod reciprocam plenamque coniugum donationem declarat, conceptuum impeditio verbum opponit obiectivae contradictionis, videlicet nullius plenae sui donationis alteri factae: hinc procedit non sola recusatio certa ac definita mentis ad vitam apertae, verum simulatio etiam interioris veritatis ipsius amoris coniugalis, qui secundum totam personam dirigitur ad sese donandum. [...] Discrimen anthropologicum simulque morale, quod inter conceptuum impeditionem et observationem intervallorum temporis intercedit [...], implicat duas personae ac sexualitatis species, quae inter se nequeunt conciliari ». 257

§ 2371
«Aliás, todos devem ter bem presente que a vida humana e a missão de a transmitir não se limitam aos horizontes deste mundo, nem podem ser medidas ou compreendidas unicamente em função dele, mas estão sempre relacionadas com o destino eterno do homem» (123).
« Omnibus vero compertum sit vitam hominum et munus eam transmittendi non ad hoc saeculum tantum restringi neque eo tantum commensurari et intelligi posse, sed ad aeternam hominum destinationem semper respicere ». 258
§ 2372
O Estado é responsável pelo bem-estar dos cidadãos. A tal título, é legítimo que intervenha para orientar o crescimento da população. Pode fazê-lo mediante uma informação objectiva e respeitosa, não porém com imposições autoritárias e obrigatórias. O Estado não pode legitimamente substituir-se à iniciativa dos esposos, primeiros responsáveis pela procriação e educação dos seus filhos (124). Neste domínio, não tem autoridade para intervir com medidas contrárias à lei moral.
Status responsabilis est prosperitatis civium. Hoc titulo, legitimum est eum intervenire ad incolarum incrementum ordinandum. Id obiectiva et observanti informatione facere potest, sed nequaquam via imperiosa et constringenti. Legitime non potest se substituere pro incepto coniugum, qui primi sunt responsabiles procreationis et educationis suorum filiorum. 259 In hoc dominio, auctoritate caret ut mediis interveniat quae legi morali sunt contraria.Donum filii

O DOM DO FILHO

OS DEZ MANDAMENTOS

O amor dos esposos

§ 2373
A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais (125).
Sacra Scriptura et traditionalis praxis Ecclesiae in familiis numerosis signum vident benedictionis divinae et generositatis parentum. 260
§ 2374
É grande o sofrimento dos casais que descobrem que são estéreis. «Que me dareis, Senhor Deus?» – pergunta Abraão a Deus. «Vou-me sem filhos...» (Gn 15, 2). – «Dá-me filhos ou então morro!» – grita Raquel ao seu marido Jacob (Gn 30, 1).
Magnus est dolor matrimonio coniunctorum qui se steriles detegunt. « Quid dabis mihi? », quaerit Abram a Deo. « Ego vadam absque liberis... » (Gn 15,2). « Da mihi liberos, alioquin moriar », clamat Rachel ad suum maritum Iacob (Gn 30,1).
§ 2375
As pesquisas que se destinam a reduzir a esterilidade humana devem ser encorajadas, com a condição de serem colocadas «ao serviço da pessoa humana, dos seus direitos inalienáveis e do seu bem verdadeiro e integral, em conformidade com o projecto e a vontade de Deus» (126).
Investigationes quae humanam minuere intendunt sterilitatem, fovendae sunt, si deserviant « personae humanae, eius iuribus inalienabilibus eiusque vero atque integro bono, secundum Dei consilium ac voluntatem ». 261
§ 2376
As técnicas que provocam a dissociação dos progenitores pela intervenção duma pessoa estranha ao casal (dádiva de esperma ou ovócito, empréstimo de útero) são gravemente desonestas. Estas técnicas (inseminação e fecundação artificial heteróloga) lesam o direito do filho a nascer dum pai e duma mãe seus conhecidos e unidos entre si pelo casamento. E atraiçoam «o direito exclusivo a não serem nem pai nem mãe senão um pelo outro» (127).
Technicae artes, quae parentum provocant dissociationem per interventum personae a matrimonio alienae (spermatis vel ovocyti donum, uteri commodatum) graviter sunt inhonestae. Hae technicae artes (inseminatio vel fecundatio artificiales heterologae) filii laedunt ius nascendi e patre et matre ab ipso cognitis et inter se matrimonio coniunctis. Ius produnt « ad hoc ut alter pater aut mater fiat solummodo per alterum ». 262
§ 2377
Praticadas no seio do casal, estas técnicas (inseminação e fecundação artificial homóloga) são talvez menos prejudiciais, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o acto sexual do acto procriador. O acto fundador da existência do filho deixa de ser um acto pelo qual duas pessoas se dão uma à outra, e «remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos. Instaurando o domínio da técnica sobre a origem e destino da pessoa humana. Tal relação de domínio é, de si, contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos» (128). «A procriação é moralmente privada da sua perfeição própria, quando não é querida como fruto do acto conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos. [...] Só o respeito pelo laço que existe entre os significados do acto conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação conforme à dignidade da pessoa» (129).
Hae technicae artes intra matrimonium exercitae (inseminatio et fecundatio artificiales homologae) fortasse minus sunt damnosae, sed moraliter manent inacceptabiles. Actum sexualem ab actu dissociant procreativo. Actus, filii fundans exsistentiam, iam non est actus quo duae personae se mutuo donant, ipse « vitam identitatemque embryonum humanorum in potestatem redegit medicorum atque biologorum, sicque rei technicae dominatum quemdam in personae humanae originem et sortem instaurat. Huiusmodi dominatus suapte natura contradicit dignitati et aequalitati, quae parentibus et filiis communes esse debent ». 263 « Eadem vero procreatio tunc debita sua perfectione destituitur sub aspectu morali, cum animo non intenditur ut fructus coniugalis actus seu illius gestus qui est proprius unionis coniugum. [...] Praeterea solummodo observantia erga vinculum quod inter significationes actus coniugalis intercedit, et observantia erga viventis humani unitatem id efficiunt, ut procreatio habeatur, quae congruat cum humanae personae dignitate ». 264
§ 2378
O filho não é uma dívida, é uma dádiva. O «dom mais excelente do matrimónio» é uma pessoa humana. O filho não pode ser considerado como objecto de propriedade, conclusão a que levaria o reconhecimento dum pretenso «direito ao filho». Neste domínio, só o filho é que possui verdadeiros direitos: o de «ser fruto do acto específico do amor conjugal dos seus pais, e também o de ser respeitado como pessoa desde o momento da sua concepção» (130).
Filius non est quid debitum, sed donum. « Donum [...] praestantissimum [...] matrimonii » est persona humana. Filius nequit considerari quasi proprietatis obiectum, ad quod induceret agnoscere ambitum « ius ad filium ». In hoc campo, solummodo filius vera possidet iura: illud « ad exsistendum tamquam fructus proveniens ex actu coniugalis amoris proprio suorum parentum, idemque ius habet ad observantiam sibi tamquam personae tribuendam inde a momento conceptionis ». 265
§ 2379
O Evangelho mostra que a esterilidade física não é um mal absoluto. Os esposos que, depois de esgotados os recursos médicos legítimos, sofrem de infertilidade, associar-se-ão à cruz do Senhor, fonte de toda a fecundidade espiritual. Podem mostrar a sua generosidade adoptando crianças abandonadas ou realizando serviços significativos em favor do próximo.
Evangelium ostendit physicam sterilitatem malum absolutum non esse. Coniuges, qui, exhaustis legitimis ad medicinam recursibus, infecunditatem patiuntur, se Domini sociabunt cruci, quae omnis fecunditatis spiritualis est fons. Suam significare possunt generositatem, filios relictos adoptando et aspera pro aliis adimplendo servitia. IV. Offensae contra matrimonii dignitatem

O DOM DO FILHO

OS DEZ MANDAMENTOS

As ofensas à dignidade do matrimónio

§ 2380
O adultério. É o termo que designa a infidelidade conjugal. Quando dois parceiros, dos quais pelo menos um é casado, estabelecem entre si uma relação sexual, mesmo efémera, cometem adultério. Cristo condena o adultério, mesmo de simples desejo (131). O sexto mandamento e o Novo Testamento proíbem absolutamente o adultério (132). Os profetas denunciam-lhe a gravidade. E vêem no adultério a figura do pecado da idolatria (133).
Adulterium. Hoc verbum infidelitatem designat coniugalem. Cum duo, quorum saltem alter est matrimonio coniunctus, relationem sexualem, etiam fugacem, nectunt inter se, adulterium committunt. Christus adulterium damnat, etiam illud simplicis optati. 266 Sextum praeceptum et Novum Testamentum absolute adulterium proscribunt. 267 Prophetae eius denuntiant gravitatem. In adulterio perspiciunt figuram peccati idololatriae. 268
§ 2381
O adultério é uma injustiça. Aquele que o comete, falta aos seus compromissos. Viola o sinal da Aliança, que é o vínculo matrimonial, lesa o direito do outro cônjuge e atenta contra a instituição do matrimónio, violando o contrato em que assenta. Compromete o bem da geração humana e dos filhos que têm necessidade da união estável dos pais.
Adulterium quaedam est iniustitia. Qui illud committit, a suis deficit obligationibus. Foederis frangit signum quod vinculum est matrimoniale, alterius coniugis laedit ius et matrimonii attentat institutionem, contractum violans qui illam fundat. Bonum generationis humanae adducit in discrimen atque filiorum qui unione parentum egent stabili.Divortium

O DIVÓRCIO

OS DEZ MANDAMENTOS

As ofensas à dignidade do matrimónio

§ 2382
O Senhor Jesus insistiu na intenção original do Criador, que queria um matrimónio indissolúvel (134). E abrogou as tolerâncias que se tinham infiltrado na antiga Lei (135).Entre baptizados, «o matrimónio rato e consumado não pode ser dissolvido por nenhum poder humano, nem por nenhuma causa, além da morte» (136).
Dominus Iesus originali institit intentioni Creatoris qui matrimonium volebat indissolubile. 269 Abrogat tolerantias quae in Legem veterem irrepserant. 270 Inter baptizatos, « Matrimonium ratum et consummatum nulla humana potestate nullaque causa, praeterquam morte, dissolvi potest ». 271
§ 2383
A separação dos esposos, permanecendo o vínculo matrimonial, pode ser legítima em certos casos previstos pelo direito canónico (137).Se o divórcio civil for a única maneira possível de garantir certos direitos legítimos, tais como o cuidado dos filhos ou a defesa do património, pode ser tolerado sem constituir falta moral.
Coniugum separatio, vinculo matrimoniali permanente, quibusdam in casibus iure canonico praevisis, potest esse legitima. 272 Si divortium civile unus restat modus ad quaedam iura legitima praestanda, filiorum curam vel patrimonii defensionem, potest tolerari quin culpam constituat moralem.
§ 2384
O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper o contrato livremente aceite pelos esposos de viverem um com o outro até à morte. O divórcio é uma injúria contra a aliança da salvação, de que o matrimónio sacramental é sinal. O facto de se contrair nova união, embora reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura: o cônjuge casado outra vez encontra-se numa situação de adultério público e permanente:

«Não é lícito ao homem, despedida a esposa, casar com outra; nem é legítimo que outro tome como esposa a que foi repudiada pelo marido»(138).

Divortium gravis est contra legem naturalem offensa. Contractum simul usque ad mortem vivendi, libere a coniugibus initum, frangere conatur. Divortium iniuriam infert salutis Foederi, cuius sacramentale Matrimonium est signum. Novam contrahere unionem, etiamsi haec a lege civili agnoscatur, rupturae addit gravitatem: coniux iterum matrimonio iunctus tunc in statu versatur publici et permanentis adulterii:

« Non licet viro, uxore dimissa, aliam ducere: neque fas est repudiatam a marito, ab alio duci uxorem ». 273

§ 2385
O carácter imoral do divórcio advém-lhe também da desordem que introduz na célula familiar e na sociedade. Esta desordem traz consigo prejuízos graves: para o cônjuge que fica abandonado; para os filhos, traumatizados pela separação dos pais e, muitas vezes, objecto de contenda entre eles; e pelo seu efeito de contágio, que faz dele uma verdadeira praga social.
Divortium suam indolem pravam etiam habet ex inordinatione quam in familiarem cellulam introducit et in societatem. Haec inordinatio damna gravia secum fert: pro coniuge, qui se derelictum invenit; pro filiis, parentum separatione profunde vulneratis, et saepe subiectis contentione inter eosdem; propter suum contagionis effectum, qui ex eo veram plagam efficit socialem.
§ 2386
Pode acontecer que um dos cônjuges seja a vítima inocente do divórcio declarado pela lei civil; esse, então, não viola o preceito moral. Há uma grande diferença entre o cônjuge que sinceramente se esforçou por ser fiel ao sacramento do matrimónio e se vê injustamente abandonado, e aquele que, por uma falta grave da sua parte, destrói um matrimónio canonicamente válido (139).
Fieri potest ut alter ex coniugibus victima sit innocens divortii lege civili declarati; hic tunc praeceptum morale non infringit. Notabilis est differentia inter coniugem qui cum sinceritate nisus est ut Matrimonii sacramento esset fidelis et se iniuste videt derelictum, et illum qui, gravi culpa e parte sua, canonice validum destruit Matrimonium. 274Aliae contra dignitatem matrimonii offensae

OUTRAS OFENSAS À DIGNIDADE DO MATRIMÓNIO

OS DEZ MANDAMENTOS

As ofensas à dignidade do matrimónio

§ 2387
É compreensível o drama daquele que, desejoso de se converter ao Evangelho, se vê obrigado a repudiar uma ou mais mulheres com quem partilhou anos de vida conjugal. Contudo, a poligamia não está de acordo com a lei moral. «Opõe-se radicalmente à comunhão conjugal: porque nega, de modo directo, o desígnio de Deus, tal como nos foi revelado no princípio e é contrária à igual dignidade pessoal da mulher e do homem, os quais, no matrimónio, se dão um ao outro num amor total que, por isso mesmo, é único e exclusivo»(140). O cristão que anteriormente foi polígamo é gravemente obrigado, por justiça, a honrar as obrigações contraídas para com as suas antigas mulheres e respectivos filhos.
Tragoedia intelligitur illius qui, ad Evangelium volens converti, se perspicit obligatum ad unam vel plures repudiandas mulieres, cum quibus vitae coniugalis particeps fuit per annos. Attamen polygamia cum lege morali non concordat. Coniugali « communioni funditus polygamia adversatur: haec enim directe recusat Dei propositum, sicut ipsis initiis revelatur, quoniam pari personalique dignitati viri et mulieris repugnat, qui in matrimonio alter alteri se dant amore integro ideoque ex se unico et exclusorio ». 275 Christianus, qui prius fuit polygamus, graviter iustitia tenetur ad obligationes relate ad suas antiquas uxores et suos filios contractas honorandas.
§ 2388
O incesto designa relações íntimas entre parentes ou afins, num grau que proíbe o matrimónio entre eles (141). São Paulo estigmatiza esta falta particularmente grave: «É voz corrente que existe entre vós um caso de imoralidade [...] ao ponto de certo homem viver com a mulher de seu pai! [...] Em nome do Senhor Jesus [...], que esse homem seja entregue a Satanás [...] para ruína do seu corpo» (1 Cor 5, 1. 4-5). O incesto corrompe as relações familiares e representa uma regressão à animalidade.
Incestus relationes indicat intimas inter consanguineos et propinquos, in gradu qui matrimonium vetat inter illos. 276 Sanctus Paulus huic culpae speciatim gravi inurit notam: « Omnino auditur inter vos fornicatio et talis fornicatio [...] ut uxorem patris aliquis habeat. [...] Iam iudicavi [...], in nomine Domini nostri Iesu, [...] tradere huiusmodi Satanae in interitionem carnis... » (1 Cor 5,1.3-5). Incestus relationes corrumpit familiares et ad animalitatem obsignat regressionem.
§ 2389
Podem relacionar-se com o incesto os abusos sexuais cometidos por adultos em relação a crianças ou adolescentes confiados à sua guarda. Nesse caso a culpa é dupla por se tratar dum escandaloso atentado contra a integridade física e moral dos jovens, que assim ficarão marcados para toda a sua vida e duma violação da responsabilidade educativa.
Ad incestum referri possunt abusus sexuales ab adultis patrati in pueros et adulescentes eorum custodiae concreditos. Culpa tunc duplicatur scandaloso facinore peracto contra psychicam et moralem integritatem iuvenum, qui illo, sua vita perdurante, manebunt signati, et violatione responsabilitatis educativae.
§ 2390
Há união livre quando homem e mulher recusam dar forma jurídica e pública a uma ligação que implica intimidade sexual.A expressão é falaciosa: que pode significar uma união em que as pessoas não se comprometem uma para com a outra, testemunhando assim uma falta de confiança na outra, em si mesmas, ou no futuro?A expressão tenta camuflar situações diferentes: concubinato, recusado matrimónio como tal, incapacidade de se ligar por compromissos a longo prazo (142). Todas estas situações ofendem a dignidade do matrimónio; destroem a própria ideia de família; enfraquecem o sentido da fidelidade. São contrárias à lei moral: o acto sexual deve ter lugar exclusivamente no matrimónio; fora dele constitui sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental.
Libera iunctio habetur, cum vir et mulier recusant iuridicam et publicam dare formam relationi intimitatem sexualem implicanti. Locutio fallax est: quidnam potest significare iunctio in qua personae invicem non obligantur et sic defectum testantur fiduciae in alteram, in se ipsam vel in futurum?Locutio ad diversas extenditur condiciones: concubinatum, reiectionem matrimonii qua talis, incapacitatem se obligationibus vinculandi ad longum tempus. 277 Omnes hae condiciones dignitatem offendunt matrimonii; ipsam familiae destruunt ideam; sensum fidelitatis debilitant. Eaedem contrariae sunt legi morali: actus sexualis locum habere debet solummodo in matrimonio; extra illud, grave semper constituit peccatum et a communione excludit sacramentali.
§ 2391
Hoje em dia, há muitos que reclamam uma espécie de «direito à experiência», quando há intenção de contrair matrimónio. Seja qual for a firmeza do propósito daqueles que enveredam por relações sexuais prematuras, «estas não permitem assegurar que a sinceridade e a fidelidade da relação interpessoal dum homem e duma mulher fiquem a salvo nem, sobretudo, que esta relação fique protegida de volubilidade dos desejos e dos caprichos»(143). A união carnal só é legítima quando se tiver instaurado uma definitiva comunidade de vida entre o homem e a mulher. O amor humano não tolera o «ensaio». Exige o dom total e definitivo das pessoas entre si (144).Resumindo:
Plures hodie speciem quamdam « iuris ad experimentum » tunc postulant, cum intentio habetur matrimonium contrahendi. Quaecumque est propositi firmitas eorum qui se his praematuris vinciuntur relationibus sexualibus, « hae iunctiones non sinunt, ut sinceritas ac fidelitas mutuae necessitudinis inter viri et mulieris personas in tuto ponantur, nec praesertim ut haec necessitudo a cupiditatum et arbitrii mobilitate protegatur ». 278 Unio carnalis moraliter est solummodo legitima, cum vitae definitivae inter virum et mulierem instaurata est communitas. Amor humanus « experimentum » non tolerat. Totale et definitivum exigit donum personarum inter se. 279Compendium

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2392
«O amor é a vocação fundamental e inata de todo o ser humano» (145).
« Amor est princeps et naturalis cuiusque hominis vocatio ». 280
§ 2393
Ao criar o ser humano homem e mulher, Deus conferiu a dignidade pessoal, de igual modo, a um e a outra. Compete a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar a sua identidade sexual.
Deus, creaturam humanam virum creans et mulierem, utrumque pari donavit personali dignitate. Ad unumquemque pertinet, ad virum et mulierem, suam sexualem agnoscere et acceptare identitatem.
§ 2394
Cristo é o modelo da castidade. Todo o baptizado é chamado a levar uma vida casta, cada um segundo o seu próprio estado de vida.
Christus est castitatis exemplar. Omnis baptizatus vocatur ad vitam castam ducendam, unusquisque secundum suum proprium vitae statum.
§ 2395
A castidade significa a integração da sexualidade na pessoa. Implica a aprendizagem do autodomínio.
Castitas integrationem sexualitatis significat in persona. Dominii personalis secum fert tirocinium.
§ 2396
Entre os pecados gravemente contrários à castidade, devem citar-se: a masturbação, a fornicação, a pornografia e as práticas homossexuais.
Inter peccata graviter castitati contraria, notare oportet masturbationem, fornicationem, pornographiam et homosexuales usus.
§ 2397
A aliança livremente contraída pelos esposos implica um amor fiel. Ele impõe-lhes a obrigação de guardar indissolúvel o seu matrimónio.
Foedus, quod coniuges libere contraxerunt, amorem implicat fidelem. Ipsum eis obligationem infert matrimonium suum custodire indissolubile.
§ 2398
A fecundidade é um bem, um dom, uma finalidade do matrimónio. Dando a vida, os esposos participam da paternidade de Deus.
Fecunditas quoddam est matrimonii bonum, donum, finis. Coniuges, vitam donantes, Dei participant paternitatem.
§ 2399
A regulação dos nascimentos representa um dos aspectos da paternidade e da maternidade responsáveis. A legitimidade das intenções dos esposos não justifica o recurso a meios moralmente inadmissíveis (por exemplo, a esterilização directa ou a contracepção).
Nativitatum regulatio quemdam responsabilium paternitatis et maternitatis repraesentat aspectum. Legitimitas intentionum coniugum recursum non iustificat ad media moraliter inacceptabilia (exempli gratia ad sterilizationem directam vel ad contraconceptionem).
§ 2400
O adultério e o divórcio, a poligamia e a união livre são ofensas graves à dignidade do matrimónio.
Adulterium et divortium, polygamia et libera iunctio graves sunt offensae contra matrimonii dignitatem. (217) Cf Dt 5,18. (218) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 11: AAS 74 (1982) 91-92.(219) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 22: AAS 74 (1982) 107; cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070. (220) Ioannes Paulus II, Ep. ap. Mulieris dignitatem, 6: AAS 80 (1988) 1663.(221) Cf Gn 4,1-2.25-26; 5,1. (222) Cf Mt 19,6. (223) Cf Mt 5,37. (224) Cf Eccli 1,22. (225) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037-1038. (226) Sanctus Augustinus, Confessiones, 10, 29, 40: CCL 27, 176 (PL 32,796).(227) Cf Tit 2,1-6.(228) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 34: AAS 74 (1982) 123.(229) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 25: AAS 58 (1966) 1045.(230) Cf Gal 5,22-23.(231) Cf 1 Io 3,3.(232) Cf Io 15,15.(233) Cf Gal 3,27.(234) Sacra Congregatio pro Doctrina Fidei, Decl. Persona humana, 11: AAS 68 (1976) 90-91.(235) Sanctus Ambrosius, De viduis 23: Sancti Ambrosii Episcopi Mediolanensis opera, v. 141 (Milano-Roma 1989) p. 266 (PL 16, 241-242).(236) Sacra Congregatio pro Doctrina Fidei, Decl. Persona humana, 9: AAS 68 (1976) 86.(237) Cf 1 Cor 6,15-20.(238) Cf Gn 19,1-29; Rom 1,24-27; 1 Cor 6,9-10; 1 Tim 1,10.(239) Sacra Congregatio pro Doctrina Fidei, Decl. Persona humana, 8: AAS 68 (1976) 85.(240) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 11: AAS 74 (1982) 92.(241) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070.(242) Pius XII, Allocutio iis quae interfuerunt Conventui Unionis Catholicae Italicae inter Ostetrices, (29 octobris 1951): AAS 43 (1951) 851.(243) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067.(244) Cf CIC canon 1056.(245) Cf Mt 19,1-12; 1 Cor 7,10-11. (246) Sanctus Ioannes Chrysostomus, In epistulam ad Ephesios, homilia 20, 8: PG 62, 146-147. (247) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 30: AAS 74 (1982) 116.(248) Paulus VI, Litt. enc. Humanae vitae, 11: AAS 60 (1968) 488. (249) Paulus VI, Litt. enc. Humanae vitae, 12: AAS 60 (1968) 488; cf Pius XI, Litt. enc. Casti connubii: DS 3717. (250) Cf Eph 3,14-15; Mt 23,9. (251) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1071. (252) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1071. (253) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1072. (254) Paulus VI, Litt. enc. Humanae vitae, 12: AAS 60 (1968) 489.(255) Cf Paulus VI, Litt. enc. Humanae vitae, 16: AAS 60 (1968) 491-492. (256) Paulus VI, Litt. enc. Humanae vitae, 14: AAS 60 (1968) 490.(257) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 32: AAS 74 (1982) 119-120. (258) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1073. (259) Cf Paulus VI, Litt. enc. Populorum progressio, 37: AAS 59 (1967) 275-276; Id., Litt. enc. Humanae vitae, 23: AAS 60 (1968) 497-498.(260) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1071.(261) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, Introductio, 2: AAS 80 (1988) 73. (262) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 2, 1: AAS 80 (1988) 87.(263) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 2, 5: AAS 80 (1988) 93.(264) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 2, 4: AAS 80 (1988) 91.(265) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Donum vitae, 2, 8: AAS 80 (1988) 97.(266) Cf Mt 5,27-28.(267) Cf Mt 5,32; 19,6; Mc 10,11-12; 1 Cor 6,9-10. (268) Cf Os 2,7; Ier 5,7; 13,27. (269) Cf Mt 5,31-32; 19,3-9; Mc 10,9; Lc 16,18; 1 Cor 7,10-11.(270) Cf Mt 19,7-9.(271) CIC canon 1141.(272) Cf CIC canones 1151-1155. (273) Sanctus Basilius Magnus, Moralia, regula 73: PG 31, 852.(274) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 84: AAS 74 (1982) 185.(275) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 19: AAS 74 (1982) 102; cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067.(276) Cf Lv 18,7-20.(277) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 81: AAS 74 (1982) 181-182.(278) Sacra Congregatio pro Doctrina Fidei, Decl. Persona humana, 7: AAS 68 (1976) 82.(279) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 80: AAS 74 (1982) 180-181.(280) Ioannes Paulus II, Adh. ap. Familiaris consortio, 11: AAS 74 (1982) 92.

O SÉTIMO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2401
O sétimo mandamento proíbe tomar ou reter injustamente o bem do próximo e prejudicá-lo nos seus bens, seja como for. Prescreve a justiça e a caridade na gestão dos bens terrenos e do fruto do trabalho dos homens. Exige, em vista do bem comum, o respeito pelo destino universal dos bens e pelo direito à propriedade privada. A vida cristã esforça-se por ordenar para Deus e para a caridade fraterna os bens deste mundo.
Septimum praeceptum vetat bonum proximi iniuste sumere vel retinere atque proximo damnum in suis bonis inferre, quocumque modo id fiat. In bonis terrestribus fructibusque laboris hominum gerendis iustitiam praescribit et caritatem. Propter bonum commune, observantiam et destinationem universalem postulat bonorum atque ius ad proprietatem privatam. Vita christiana nititur ut huius mundi bona ad Deum et ad caritatem dirigat fraternam. I. Destinatio universalis et proprietas privata bonorum

O SÉTIMO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O destino universal e a propriedade privada dos bens

§ 2402
No princípio, Deus confiou a terra e os seus recursos à gestão comum da humanidade, para que dela cuidasse, a dominasse pelo seu trabalho e gozasse dos seus frutos(147).Os bens da criação são destinados a todo o género humano. No entanto, a terra foi repartida entre os homens para garantir a segurança da sua vida, exposta à penúria e ameaçada pela violência. A apropriação dos bens é legítima, para garantir a liberdade e a dignidade das pessoas, e para ajudar cada qual a ocorrer às suas necessidades fundamentais e às necessidades daqueles que tem a seu cargo. Tal apropriação deve permitir que se manifeste a solidariedade natural entre os homens.
Initio, Deus terram eiusque opes concredidit humano generi communiter gerendas ut ipsum de ea adhiberet curam, ei per suum laborem dominaretur et eius frueretur fructibus. 282 Creationis bona toti generi destinantur humano. Tamen terra inter homines distribuitur ad praestandam eorum vitae securitatem, positae in discrimen penuriae et minis subiectae per violentiam. Bonorum appropriatio legitima est ad libertatem praestandam et dignitatem personarum, ad iuvandos singulos ut suis necessitatibus subveniant fundamentalibus et necessitatibus eorum erga quos habent officium. Illa permittere debet ut solidarietas inter homines manifestetur naturalis.
§ 2403
O direito à propriedade privada, adquirida ou recebida de maneira justa, não anula a doação original da terra à humanidade no seu conjunto. O destino universal dos bens continua a ser primordial, embora a promoção do bem comum exija o respeito pela propriedade privada, do direito a ela e do respectivo exercício.
Ius ad proprietatem privatam, aequo modo acquisitam aut acceptam, originalem terrae donationem ad generis humani complexum non abolet. Bonorum universalis destinatio permanet primordialis, licet boni communis promotio observantiam exigat proprietatis privatae, iuris ad eam atque exercitii eiusdem.
§ 2404
«Quem usa desses bens, não deve considerar as coisas exteriores, que legitimamente possui, só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar, não só a si, mas também aos outros»(148). A propriedade dum bem faz do seu detentor um administrador da providência de Deus, com a obrigação de o fazer frutificar e de comunicar os seus benefícios aos outros, a começar pelos seus próximos.
« Homo, illis bonis utens, res exteriores quas legitime possidet non tantum tamquam sibi proprias, sed etiam tamquam communes habere debet, eo sensu ut non sibi tantum sed etiam aliis prodesse queant ». 283 Proprietas cuiusdam boni possessorem eius efficit providentiae administratorem ut id fructificare faciat et eius beneficia communicet aliis, imprimis suis proximis.
§ 2405
Os bens de produção – materiais ou imateriais – como terras ou fábricas, com­petências ou artes, requerem os cuidados dos seus possuidores, para que a sua fecundidade aproveite ao maior número. Os detentores dos bens de uso e de consumo devem utilizá-los com moderação, reservando a melhor parte para o hóspede, o doente, o pobre.
Productionis bona — materialia vel immaterialia — sicut agri vel fabricae, competentiae vel artes, curas requirunt suorum possessorum ut eorum fecunditas quam plurimis proficiat. Qui usus et consumptionis possident bona, illis cum temperantia uti debent, optimam partem hospiti, aegroto vel pauperi reservantes.
§ 2406
A autoridade política tem o direito e o dever de regular, em função do bem comum, o exercício legítimo do direito de propriedade (149)
Auctoritas politica ius habet et officium moderandi, bonum commune perspiciendo, legitimum exercitium iuris proprietatis. 284 II. Personarum et earum bonorum observantia

O SÉTIMO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pelas pessoas e seus bens

§ 2407
Em matéria económica, o respeito pela dignidade humana exige a prática da virtude da temperança, para moderar o apego aos bens deste mundo; da virtude da justiça, para acautelar os direitos do próximo e dar-lhe o que lhe é devido; e da solidariedade, segundo a regra de ouro e conforme a liberalidade do Senhor, que «sendo rico Se fez pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza» (150)
In re oeconomica, dignitatis humanae observantia exercitium exigit virtutis temperantiae, ad studium bonorum huius mundi moderandum; virtutis iustitiae, ad iura praeservanda proximi ipsique tribuendum quod ei debetur; et solidarietatis, secundum regulam auream et secundum liberalitatem Domini qui propter nos egenus factus est, cum esset dives, ut Illius inopia nos divites essemus. 285Observantia bonorum alienorum

O RESPEITO PELOS BENS ALHEIOS

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pelas pessoas e seus bens

§ 2408
O sétimo mandamento proíbe o roubo, isto é, a usurpação do bem alheio, contra a vontade razoável do seu proprietário. Não há roubo quando o consentimento se pode presumir ou a recusa é contrária à razão e ao destino universal dos bens. É o caso da necessidade urgente e evidente, em que o único meio de remediar necessidades imediatas e essenciais (alimento, abrigo, vestuário...) é dispor e usar dos bens alheios (151).
Septimum praeceptum prohibet furtum, id est, usurpationem boni alieni contra rationabilem domini voluntatem. Furtum non habetur, si consensus potest praesumi vel si recusatio est rationi contraria et universali bonorum destinationi. Talis est casus evidentis et urgentis necessitatis in qua solum medium necessitatibus subveniendi immediatis et essentialibus (nutrimento, habitationi, indumento...) est de bonis alienis decernere eisque uti. 286
§ 2409
Todo o processo de se apoderar e de reter injustamente o bem alheio, mesmo que não esteja em desacordo com as disposições da lei civil, é contrário ao sétimo mandamento. Assim, reter deliberadamente bens emprestados ou objectos perdidos; cometer fraude no comércio (152); pagar salários injustos (153); subir os preços especulando com a ignorância ou a necessidade dos outros (154).São também processos moralmente ilícitos: a especulação pela qual se manobra no sentido de fazer variar artificialmente a avaliação dos bens, com vista a daí tirar vantagem em detrimento de outrem; a corrupção, pela qual se desvia o juízo daqueles que devem tomar decisões segundo o direito; a apropriação e o uso privado de bens sociais duma empresa; os trabalhos mal executados, a fraude fiscal, a falsificação de cheques e facturas, as despesas excessivas, o desperdício. Causar voluntariamente um prejuízo em propriedades privadas ou públicas é contra a lei moral e exige reparação.
Omnis modus iniuste sumendi vel retinendi bonum alienum, licet legis civilis non contradicat dispositionibus, septimo praecepto est contrarius. Sic bona commodata deliberate retinere vel res amissas; in commercio fraudare; 287 iniusta solvere salaria; 288 pretia augere ex ignorantia vel indigentia alienis lucra faciendo. 289Moraliter illicita sunt etiam: lucrosa negotiatio qua quis agit ad aestimationem bonorum modo artificiali mutandam, ut commodum obtineat in alius detrimentum; corruptio qua iudicium amovetur eorum qui iuxta ius decisiones sumere debent; appropriatio et usus privatus bonorum socialium cuiusdam negotii; opera male peracta, fiscalis fraus, mandatorum nummariorum et rationum mercium adulteratio, immodica dispendia, nimius sumptus. Proprietatibus privatis vel publicis voluntarie damnum infligere est legi morali contrarium et reparationem exigit.
§ 2410
As promessas devem ser cumpridas e os contratos rigorosamente observados, desde que o compromisso assumido seja moralmente justo. Grande parte da vida económica e social depende da validade dos contratos entre pessoas físicas ou morais. Por exemplo, os contratos comerciais de compra e venda, os contratos de arrendamento ou de trabalho. Todo o contrato deve ser convencionado e executado de boa fé.
Promissiones sunt tenendae et contractus stricte servandi quatenus obligatio sumpta est moraliter iusta. Magna vitae socialis et oeconomicae pars a contractuum inter physicas et morales personas dependet valore. Sic mercatorii contractus venditionis et emptionis; contractus locationis et laboris. Omnis contractus bona fide est contrahendus et exsequendus.
§ 2411
Os contratos estão sujeitos à justiça comutativa, que regula as permutas entre as pessoas e entre as instituições no exacto respeito pelos seus direitos. A justiça comutativa obriga estritamente; exige a salvaguarda dos direitos de propriedade, o pagamento das dívidas e a prestação das obrigações livremente contraídas. Sem a justiça comutativa, nenhuma outra forma de justiça é possível.A justiça comutativa distingue-se da justiça legal, a qual diz respeito ao que o cidadão equitativamente deve à comunidade, e da justiça distributiva, que regula o que a comunidade deve aos cidadãos, proporcionalmente às suas contribuições e às suas necessidades.
Contractus submittuntur iustitiae commutativae quae commercia regulat inter personas et inter institutiones, exacta eorum iurium observantia. Iustitia commutativa stricte obligat; tutelam exigit iurium proprietatis, solutionis debitorum et praestationis obligationum libere contractarum. Sine iustitia commutativa, nulla alia iustitiae forma possibilis est.Iustitia commutativa a iustitia distinguitur legali quae ad id refertur quod civis communitati aequitative debet, et a iustitia distributiva quae id regulat quod communitas civibus debet proportionaliter ad eorum contributiones et ad eorum necessitates.
§ 2412
Em virtude da justiça comutativa, a reparação da injustiça cometida exige a restituição do bem roubado ao seu proprietário:Jesus louvou Zaqueu pelo seu compromisso: «Se causei qualquer prejuízo a alguém, restitui-lhe-ei quatro vezes mais» (Lc 19, 8). Aqueles que, de maneira directa ou indirecta, se apoderaram de um bem alheio, estão obrigados a restituí-lo, ou a dar o equivalente em natureza ou espécie, se a coisa desapareceu, assim como os frutos e vantagens que o seu dono teria legitimamente auferido. Estão igualmente obrigados a restituir, na proporção da sua responsabilidade e do seu proveito, todos aqueles que de qualquer modo participaram no roubo ou dele se aproveitaram com conhecimento de causa; por exemplo, aqueles que o ordenaram, o ajudaram ou o ocultaram.
Propter iustitiam commutativam, commissae iniustitiae reparatio restitutionem exigit boni surrepti ad eius proprietarium:Iesus Zacchaeo propter eius decisionem benedicit: « Si quid aliquem defraudavi, reddo quadruplum » (Lc 19,8). Illi, qui modo directo vel indirecto potiti sunt alieno bono, id restituere tenentur, aut aliud aequivalens in natura vel specie reddere, si res disparuit, et etiam fructus et commoda quae dominus eius legitime ex eo obtinuisset. Pariter restituere tenentur, proportionaliter ad suam responsabilitatem et ad suum lucrum, omnes qui furtum quolibet participaverunt modo aut ex eo conscienter utilitatem perceperunt; exempli gratia, illi qui id mandaverint, vel ad id adiuvaverint, vel id celaverint.
§ 2413
Os jogos de azar (jogo de cartas, etc.) e as apostas não são, em si mesmos, contrários à justiça. Mas tornam-se moralmente inaceitáveis, quando privam a pessoa do que lhe é necessário para as suas necessidades e as de outrem. A paixão do jogo pode tornar-se uma grave servidão. Apostar injustamente ou fazer batota nos jogos constitui matéria grave, a menos que o prejuízo causado seja tão leve que quem o sofre não possa razoavelmente considerá-lo significativo.
Fortunae ludi (chartularum ludus, etc.) vel sponsiones in se ipsis iustitiae non sunt contrariae. Moraliter efficiuntur non accipiendae, cum personam eo privant quod ipsi est necessarium ad eius necessitatibus subveniendum atque illis aliorum. Lusionis passio in discrimine versatur ne gravis efficiatur servitus. Iniuste facere sponsionem vel in ludis fraudare materiam constituit gravem, nisi damnum inflictum ita leve sit ut is qui illud subit, illud tamquam magni ponderis non possit rationabiliter considerare.
§ 2414
O sétimo mandamento proíbe os actos ou empreendimentos que, seja por que motivo for – egoísta ou ideológico, mercantil ou totalitário – conduzam a escravizar seres humanos, a desconhecer a sua dignidade pessoal, a comprá-los, vendê-los e trocá-los como mercadoria. É um pecado contra a dignidade das pessoas e seus direitos fundamentais reduzi-las, pela violência, a um valor utilitário ou a uma fonte de lucro. São Paulo ordenava a um amo cristão que tratasse o seu escravo, também cristão, «não já como escravo mas como irmão [...], tanto humanamente como no Senhor» (Flm 16).
Septimum praeceptum actus vetat et incepta quae, quacumque ex causa, a caeco sui amore mota (« egoistica ») vel ideologica, mercatoria vel totalitaria, ad creaturas humanas subiiciendas ducunt, ad earum dignitatem personalem non agnoscendam, ad illas emendas, vendendas et permutandas sicut mercimonia. Easdem per violentiam ad valorem usus vel ad fontem lucri reducere peccatum est contra personarum dignitatem earumque iura fundamentalia. Sanctus Paulus cuidam domino christiano mandabat ut suum christianum servum tractaret « iam non ut servum sed [...] carissimum fratrem [...] et in carne et in Domino » (Philm 16).Observantia integritatis creationis

O RESPEITO PELA INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pelas pessoas e seus bens

§ 2415
O sétimo mandamento exige o respeito pela integridade da criação. Os animais, tal como as plantas e os seres inanimados, são naturalmente destinados ao bem comum da humanidade, passada, presente e futura(155) O uso dos recursos minerais, vegetais e animais do universo não pode ser desvinculado do respeito pelas exigências morais. O domínio concedido pelo Criador ao homem sobre os seres inanimados e os outros seres vivos, não é absoluto, mas regulado pela preocupação da qualidade de vida do próximo, inclusive das gerações futuras; exige um respeito reli­gioso pela integridade da criação (156).
Septimum praeceptum observantiam postulat integritatis creationis. Animalia, et etiam plantae atque entia inanimata bono communi destinantur generis humani praeteriti, praesentis et futuri. 290 Opum mineralium, vegetalium et animalium mundi universi usus ab exigentiarum moralium observantia nequit disiungi. Concessus homini a Creatore dominatus super entia inanimata et alia viventia absolutus non est; is a cura qualitatis vitae proximi, generationibus futuris inclusis, debet mensurari; integritatis creationis religiosam postulat observantiam. 291
§ 2416
Os animais são criaturas de Deus. Deus envolve-os na sua solicitude providencial (157). Pelo simples facto de existirem, eles O bendizem e Lhe dão glória (158). Por isso, os homens devem estimá-los. É de lembrar com que delicadeza os santos, como São Francisco de Assis ou São Filipe de Néri, tratavam os animais.
Animalia creaturae sunt Dei. Ipse ea Sua providentiali amplectitur sollicitudine. 292 Ea, sua mera exsistentia, Illi benedicunt Illumque glorificant. 293 Etiam homines eis debent benevolentiam. In memoriam revocare oportet qua accurata consideratione sancti, sicut sanctus Franciscus Assisiensis vel sanctus Philippus Neri, animalia tractabant.
§ 2417
Deus confiou os animais ao governo daquele que foi criado à Sua imagem (159). É, portanto, legítimo servimo-nos dos animais para a alimentação e para a confecção do vestuário. Podemos domesticá-los para que sirvam o homem nos seus trabalhos e lazeres. As experiências médicas e científicas em animais são práticas moralmente admissíveis desde que não ultrapassem os limites do razoável e contribuam para curar ou poupar vidas humanas.
Deus animalia procurationi concredidit illius quem Ipse ad Suam creavit imaginem. 294 Legitimum igitur est animalibus uti ad nutrimentum vel ad vestes conficiendas. Ea mansuefacere licet ut homini in eius laboribus vel in eius otiis assistant. Medica et scientifica experimenta in animalibus sunt exercitia moraliter acceptabilia, si intra rationabiles permaneant limites et ad vitas humanas curandas conferant vel salvandas.
§ 2418
É contrário à dignidade humana fazer sofrer inutilmente os animais e dispor indiscriminadamente das suas vidas. É igualmente indigno gastar com eles somas que deveriam, prioritariamente, aliviar a miséria dos homens. Pode-se amar os animais, mas não deveria desviar-se para eles o afecto só devido às pessoas.
Humanae dignitati est contrarium animalibus inutiliter dolores inferre et eorum dilapidare vitas. Indignum pariter est pro illis pecuniae expendere summas quae potius hominum miserias deberent sublevare. Animalia amare licet; affectio solis personis debita ad ea averti non deberet. III. Socialis doctrina Ecclesiae

O RESPEITO PELA INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

OS DEZ MANDAMENTOS

A doutrina social da Igreja

§ 2419
«A Revelação cristã conduz [...] a uma inteligência mais penetrante das leis da vida social» (160). A Igreja recebe do Evangelho a revelação plena da verdade acerca do homem. Quando cumpre a sua missão de anunciar o Evangelho, a Igreja atesta ao homem, em nome de Cristo, a sua dignidade própria e a sua vocação para a comunhão das pessoas, e ensina-lhe as exigências da justiça e da paz, conformes à sabedoria divina.
« Revelatio christiana [...] ad altiorem vitae socialis legum intelligentiam nos perducit ». 295 Ecclesia ab Evangelio plenam accipit revelationem veritatis de homine. Ipsa, cum suam implet missionem nuntiandi Evangelium, homini, nomine Christi, eius propriam testatur dignitatem eiusque vocationem ad personarum communionem; eum docet exigentias iustitiae et pacis, secundum divinam sapientiam.
§ 2420
A Igreja emite um juízo moral em matéria económica e social, «quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigem» (161). Na ordem da moralidade, ela exerce uma missão diferente da que concerne às autoridades políticas: a Igreja preocupa-se com os aspectos temporais do bem comum em razão da sua ordenação ao Bem soberano, nosso fim último. E esforça-se por inspirar as atitudes justas, no que respeita aos bens terrenos e às relações sócio-económicas.
Ecclesia iudicium fert morale in re oeconomica et sociali, « quando personae iura fundamentalia aut animarum salus id exigant ». 296 Ipsa in ordine moralitatis e missione agit diversa ab illa auctoritatum politicarum: Ecclesia curam habet de boni communis aspectibus temporalibus ratione eorum ordinationis ad Bonum excelsum, nostrum ultimum finem. Ipsa nititur habitudines inspirare iustas relate ad bona terrestria et in relationibus socialibus-oeconomicis.
§ 2421
A doutrina social da Igreja desenvolveu-se no século XIX aquando do confronto do Evangelho com a sociedade industrial moderna, as suas novas estruturas para a produção de bens de consumo, o seu novo conceito de sociedade, de Estado e de autoridade, as suas novas formas de trabalho e de propriedade. O desenvolvimento da doutrina da Igreja em matéria económica e social comprova o valor permanente da doutrina da mesma Igreja, ao mesmo tempo que o verdadeiro sentido da sua Tradição, sempre viva e activa (162).
Socialis doctrina Ecclesiae saeculo XIX est explicata in occursu Evangelii cum societate moderna machinalis industriae, cum eius novis structuris pro productione bonorum consumendorum, cum eius novo societatis, Status et auctoritatis conceptu, cum eius novis formis laboris et proprietatis. Explicatio doctrinae Ecclesiae, in re oeconomica et sociali, valorem permanentem doctrinae testatur Ecclesiae, insimul sensum verum eius Traditionis semper vivae et activae. 297
§ 2422
O ensino social da Igreja inclui um corpo de doutrina que se vai articulando à medida que a mesma Igreja interpreta os acontecimentos no decurso da história à luz do conjunto da Palavra revelada por Cristo Jesus, com a assistência do Espírito Santo (163). Este ensino torna-se tanto mais aceitável para os homens de boa vontade, quanto mais inspira o procedimento dos fiéis.
Socialis doctrina Ecclesiae implicat doctrinae corpus quod contexitur prout Ecclesia eventus decursu historiae interpretatur, sub lumine totius verbi a Christo Iesu revelati, cum assistentia Spiritus Sancti. 298 Haec doctrina eo acceptabilior pro bonae voluntatis fit hominibus, quo magis modum agendi inspirat fidelium.
§ 2423
A doutrina social da Igreja propõe princípios de reflexão, salienta critérios de julgamento e fornece orientações para a acção:Todo o sistema, segundo o qual as relações sociais forem inteiramente determinadas pelos factores económicos, é contrário à natureza da pessoa humana e dos seus actos (164).
Socialis doctrina Ecclesiae principia proponit reflexionis; deducit criteria pro iudicio; consilia praebet pro actione: Omne systema, secundum quod relationes sociales elementis oeconomicis prorsus determinarentur, naturae personae humanae et eius actuum est contrarium. 299
§ 2424
Uma teoria que faça do lucro a regra exclusiva e o fim último da actividade económica, é moralmente inaceitável. O apetite desordenado do dinheiro não deixa de produzir os seus efeitos perversos e é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social (165).Um sistema que «sacrifique os direitos fundamentais das pessoas e dos grupos à organização colectiva da produção», é contrário à dignidade humana (166). Toda a prática que reduza as pessoas a não serem mais que simples meios com vista ao lucro, escraviza o homem, conduz à idolatria do dinheiro e contribui para propagar o ateísmo. «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24; Lc 16, 13).
Theoria quae e lucro regulam efficit exclusivam et finem ultimum activitatis oeconomicae, moraliter acceptabilis non est. Inordinatus pecuniae appetitus suos effectus perversos producere non desinit. Ipse est una inter causas plurimorum conflictuum qui ordinem socialem perturbant. 300 Systema quod « iura fundamentalia personarum singularum et coetuum organizationi productionis collectivae » postponit 301 dignitati hominis est contrarium. Omnis actio quae personas reducit ita ut pura sint media ad lucrum obtinendum, hominem subiicit, ducit ad pecuniae idololatriam et confert ad atheismum propagandum. « Non potestis Deo servire et mammonae » (Mt 6,24; Lc 16,13).
§ 2425
A Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e ateias, associadas, nos tempos modernos, ao «comunismo» ou ao «socialismo». Por outro lado, recusou, na prática do «capitalismo», o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano (167). Regular a economia só pela planificação centralizada perverte a base dos laços sociais: regulá-la só pela lei do mercado é faltar à justiça social, «porque há numerosas necessidades humanas que não podem ser satisfeitas pelo mercado» (168). É necessário preconizar uma regulação racional do mercado e das iniciativas económicas, segundo uma justa hierarquia dos valores e tendo em vista o bem comum.
Ecclesia ideologias totalitarias reiecit et atheas, temporibus modernis, « communismo » vel « socialismo » sociatas. Ceterum, in « capitalismi » exercitio individualismum recusavit et absolutum primatum legis mercatus super laborem humanum. 302 Oeconomiae moderatio per solam praestitutam ordinationem in unum conglobatam fundamentum pervertit vinculorum socialium; eius moderatio per solam mercatus legem iustitiam offendit socialem, quia « quaedam exsistunt postulata humana quae ad mercaturam non attinent ». 303 Moderationem mercatus rationabilem et incepta oeconomica, secundum iustam valorum hierarchiam atque ad bonum commune attendendo, oportet propugnare. IV. Activitas oeconomica et iustitia socialis

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OS DEZ MANDAMENTOS

A actividade económica e a justiça social

§ 2426
O desenvolvimento das actividades económicas e o crescimento da produção destinam-se a ocorrer às necessidades dos seres humanos. A vida económica não visa somente multiplicar os bens produzidos e aumentar o lucro ou o poder; ordena-se, antes de mais, para o serviço das pessoas, do homem integral e de toda a comunidade humana. Conduzida segundo métodos próprios, a actividade económica deve exercer-se dentro dos limites da ordem moral e segundo as normas da justiça social, a fim de corresponder ao desígnio de Deus sobre o homem (169).
Activitatum oeconomicarum progressus et productionis augmentum destinantur ad creaturarum humanarum subveniendum necessitatibus. Vita oeconomica non dirigitur solummodo ad bona producta multiplicanda et ad lucrum augendum vel potentiam; ea imprimis ad servitium ordinatur personarum, totius integri hominis et totius communitatis humanae. Navitas oeconomica, secundum methodos et leges proprias ducenda, intra limites ordinis moralis, iustitiam socialem sequendo, debet exerceri, ut consilio Dei de homine correspondeat. 304
§ 2427
O trabalho humano procede imediatamente das pessoas criadas à imagem de Deus e chamadas a prolongar, umas com as outras, a obra da criação, dominando a terra (170). Portanto, o trabalho é um dever: «Se algum de vós não quer trabalhar, também não coma» (2 Ts 3, 10) (171). O trabalho honra os dons do Criador e os talentos recebidos. Também pode ser redentor: suportando o que o trabalho tem de penoso (172) em união com Jesus, o artesão de Nazaré e crucificado do Calvário, o homem colabora, de certo modo, com o Filho de Deus na sua obra redentora. Mostra-se discípulo de Cristo, levando a cruz de cada dia na actividade que foi chamado a exercer (173). O trabalho pode ser um meio de santificação e uma animação das realidades terrenas no Espírito de Cristo.
Labor humanus immediate provenit a personis, quae ad imaginem Dei sunt creatae quaeque vocantur ut aliae cum aliis et pro aliis opus creationis prorogent terrae dominando. 305 Labor igitur est officium: « Si quis non vult operari, nec manducet » (2 Thess 3,10). 306 Labor dona honorat Creatoris et accepta talenta. Potest etiam redemptivus esse. Homo, poenam sustinens 307 laboris in unione cum Iesu, operario ex Nazareth et crucifixo in Calvario, quodammodo cum Filio Dei collaborat in Eius opere redemptivo. Sese Christi manifestat discipulum, crucem quotidie gestans in activitate ad quam vocatur adimplendam. 308 Labor esse potest sanctificationis medium et realitatum terrestrium animatio in Christi Spiritu.
§ 2428
No trabalho, a pessoa exerce e cumpre uma parte das capacidades inscritas na sua natureza. O valor primordial do trabalho pertence ao próprio homem, seu autor e destinatário. O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho (174).Cada um deve poder tirar do trabalho os meios de subsistência, para si e para os seus, e a possibilidade de servir a comunidade humana.
Persona, in labore, exercet et perficit partem facultatum in sua natura inscriptarum. Valor primordialis laboris pertinet ad hominem, qui eius auctor est et scopus. Labor est pro homine, non homo pro labore. 309Unusquisque in labore debet media haurire posse ad subveniendum suae vitae eique suorum, et ad reddendum communitati humanae servitium.
§ 2429
Cada um tem o direito de iniciativa económica e usará legitimamente os seus talentos, a fim de contribuir para uma abundância proveitosa a todos e recolher os justos frutos dos seus esforços. Mas terá o cuidado de se conformar com as regulamentações impostas pelas legítimas autoridades em vista do bem comum (175).
Unusquisque ius ad oeconomicum inceptum habet, unusquisque suis legitime utetur talentis ut conferat ad abundantiam omnibus proficuam et ut suorum nisuum iustos fructus colligat. Curabit ut se conformet ordinationibus prolatis ab auctoritatibus legitimis propter bonum commune. 310
§ 2430
A vida económica põe em causa interesses diversos , muitas vezes opostos entre si. Assim se explica a emergência dos conflitos que a caracterizam (176). Todos devem esforçar-se por reduzir estes últimos através de uma negociação que respeite os direitos e deveres de todos os parceiros sociais: os responsáveis das empresas, os representantes dos assalariados (por exemplo, organizações sindicais) e, eventualmente, os poderes públicos.
Vita oeconomica diversas movet utilitates, saepe oppositas inter se. Ex hoc intelligitur enasci dimicationes quae eius sunt propriae. 311 Niti oportet ut hae dimicationes reducantur per negotiationem quae iura observet et officia uniuscuiusque partis socialis: illorum qui sunt officinarum responsabiles, illorum qui mercede conductos repraesentant, exempli gratia consociationes operariorum et, si res ferat, publicae potestates.
§ 2431
A responsabilidade do Estado. «A actividade económica, particularmente a da economia de mercado, não pode desenrolar-se num vazio institucional, jurídico e político. Pressupõe asseguradas as garantias das liberdades individuais e da propriedade, sem falar duma moeda estável e de serviços públicos eficientes. Mas o dever essencial do Estado é assegurar estas garantias, de modo que, quem trabalha, possa usufruir do fruto do seu trabalho e, portanto, se sinta estimulado a realizá-lo com eficiência e honestidade [...]. O Estado tem o dever de zelar e orientar a aplicação dos direitos humanos no sector económico. Todavia, neste domínio, a primeira responsabilidade não cabe ao Estado, mas sim às instituições e diferentes grupos e associações que compõem a sociedade» (177).
Responsabilitas Status. « Oeconomica [...] actio, potissimum quae mercatum respicit, deficientibus institutionum legibus ac iudicialibus normis et politicis, explicari non potest. Contra ipsa fiduciam praeponit de libertate singulorum et rerum possessione praeter rem nummariam stabilem et publica ministeria valida. Itaque Civitatis praecipuum munus in securitate ponitur ita praestanda ut opifex aeque ac rerum confector sui fructibus operis frui possint atque inde ad opus efficaciter honesteque faciendum concitentur. [...] Civitas porro vigilare debet et exercitium humanorum iurium in oeconomica provincia moderari; sed primum munus hac de re non ad Civitatem spectat, verum ad singulos variasque consociationes et numeros, quibus coagmentatur societas ». 312
§ 2432
Os responsáveis de empresas têm, perante a sociedade, a responsabilidade económica e ecológica das suas operações (178). Estão obrigados a ter em consideração o bem das pessoas, e não somente o aumento dos lucros. Estes são necessários, pois permitem realizar investimentos que assegurem o futuro das empresas e garantam o emprego.
Officinae responsabiles oeconomicam et oecologicam suarum operationum coram societate sustinent responsabilitatem. 313 Tenentur bonum personarum considerare et non solum incrementum lucrorum. Haec tamen necessaria sunt. Ipsa permittunt impendere pecuniam quae officinarum futurum spondet. Ipsa occupationem praestant.
§ 2433
O acesso ao trabalho e ao exercício da profissão deve ser aberto a todos sem descriminação injusta: homens e mulheres, sãos e deficientes, naturais e imigrados (179). Por sua vez, a sociedade deve, nas diversas circunstâncias, ajudar os cidadãos a conseguir um trabalho e um emprego (180).
Accessus ad laborem et ad muneris professionem sine iniusta discriminatione esse debet omnibus apertus, viris et mulieribus, sanis et infirmitate laborantibus, autochthonibus et advenis. 314 Societas, e parte sua, cives, secundum adiuncta, debet adiuvare ut laborem sibi et officium comparent. 315
§ 2434
O salário justo é o fruto legítimo do trabalho. Recusá-lo ou retê-lo, pode constituir grave injustiça (181). Para calcular a remuneração equitativa, há que ter em conta, ao mesmo tempo, as necessidades de cada um e o contributo que presta. «Tendo em conta as funções e a produtividade de cada um, bem como a situação da empresa e o bem comum, o trabalho deve ser remunerado de maneira a assegurar ao homem e aos seus os recursos necessários para uma vida digna no plano material, social, cultural e espiritual» (182). O acordo das partes não basta para justificar moralmente o montante do salário.
Iustum salarium legitimus laboris est fructus. Illud recusare vel retinere gravem potest iniustitiam constituere. 316 Ut remuneratio iuste aestimetur, simul attendendum est ad necessitates et ad contributiones uniuscuiusque. « Ita remunerandus est labor ut homini facultates praebeantur suam suorumque vitam materialem, socialem, culturalem spiritualemque digne excolendi, spectatis uniuscuiusque munere et productivitate necnon officinae condicionibus et bono communi ». 317 Partium consensio non sufficit ad salarii summam moraliter iustificandam.
§ 2435
A greve é moralmente legítima, quando se apresenta como recurso inevitável, senão mesmo necessário, em vista dum benefício proporcionado. Mas torna-se moralmente inaceitável quando acompanhada de violências, ou ainda quando por feita com objectivos não directamente ligados às condições de trabalho ou contrários ao bem comum.
Ab opere cessatio moraliter est legitima, cum tamquam recursus praesentatur inevitabilis, vel etiam necessarius, propter beneficium proportionatum. Moraliter fit non acceptabilis cum eam violentiae comitantur vel etiam si ei adscribuntur scopi non directe cum condicionibus laboris coniuncti vel bono communi contrarii.
§ 2436
É injusto não pagar aos organismos de segurança social as quotas estabelecidas pelas autoridades legítimas.O desemprego devido à falta de trabalho é, quase sempre, para quem dele é vítima, um atentado à sua dignidade e uma ameaça ao equilíbrio da vida. Para além do prejuízo pessoalmente sofrido, derivam dele numerosos riscos para a respectiva família (183).
Iniustum est organismis securitatis socialis stipes non solvere ab auctoritatibus legitimis statutas.Occupationis privatio propter laboris carentiam fere semper, pro illo qui eius est victima, est eius dignitati vulnus et vitae aequilibrio minitatio. Praeter damnum personaliter toleratum, plura pericula ex ea pro eius promanant familia. 318 V. Iustitia et solidarietas inter populos

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OS DEZ MANDAMENTOS

Justiça e solidariedade entre as nações

§ 2437
No plano internacional, a desigualdade dos recursos e meios económicos é tal que cava entre as nações um verdadeiro «fosso» (184) Dum lado, estão os que detêm e desenvolvem os meios do crescimento; do outro, os que acumulam dívidas.
In ambitu internationali, inaequalitas subsidiorum et mediorum oeconomicorum talis est ut ipsa inter populos verum provocet « hiatum ». 319 Ex altera parte sunt illi qui progressionis media retinent et augent, ex alia vero illi qui debita accumulant.
§ 2438
Diversas causas, de natureza religiosa, política, económica e financeira, conferem hoje «à questão social uma dimensão mundial» (185). A solidariedade é necessária entre nações cujas políticas já são interdependentes. E é ainda mais indispensável quando se trata de travar «mecanismos perversos» que contrariam o desenvolvimento dos países menos avançados(186). Os sistemas financeiros abusivos, quando não usurários (187), as relações comerciais iníquas entre as nações, a corrida aos armamentos, têm de ser substituídos por um esforço comum para mobilizar os recursos em ordem a objectivos de desenvolvimento moral, cultural e económico, predefinindo as prioridades e as escalas de valores» (188).
Causae diversae indolis religiosae, politicae, oeconomicae et nummariae efficiunt « socialem quaestionem nunc ad universam coniunctionem inter homines [...] pertinere ». 320 Solidarietas necessaria est inter populos, quorum actiones politicae iam inter se dependentes sunt. Eadem fit etiam pernecessaria cum agitur de « machinationibus perversis » intercludendis qui progressionem obstruunt populorum qui minus sunt promoti. 321 Opus est systemata nummaria abusiva vel etiam usuraria, 322 iniquas commercii relationes inter populos, cursum ad arma apparanda, substituere nisu communi ad subsidia impellenda versus scopos moralis, culturalis et oeconomicae progressionis « illustratis prius potioribus rebus necnon bonorum gradibus secundum quos [...] capienda sunt consilia ». 323
§ 2439
As nações ricas têm uma grave responsabilidade moral em relação aquelas que não podem, por si mesmas, assegurar os meios do seu desenvolvimento ou disso foram impedidas por trágicos acontecimentos históricos. É um dever de solidariedade e caridade; é também uma obrigação de justiça, se o bem-estar das nações ricas provier de recursos que não foram equitativamente pagos.
Nationes divites gravem habent moralem responsabilitatem erga illas quae per se ipsas suam progressionem nequeunt praestare vel ab ea tragicis historicis eventibus sunt impeditae. Officium est solidarietatis et caritatis; est etiam iustitiae obligatio si prosper nationum divitum status ex subsidiis provenit quae aequo modo soluta non sunt.
§ 2440
A ajuda directa constitui uma resposta apropriada a necessidades imediatas, extraordinárias, causadas, por exemplo, por catástrofes naturais, epidemias, etc.. Mas não basta para reparar os graves prejuízos resultantes de situações de indigência nem para prover, de modo durável, às necessidades. É necessário também reformar as instituições económicas e financeiras internacionais, para que melhor promovam relações equitativas com os países menos avançados (189). É necessário apoiar o esforço dos países pobres, trabalhando pelo seu crescimento e pela sua libertação (190). Esta doutrina deve ser aplicada de modo muito particular no domínio do trabalho agrícola. Os camponeses, sobretudo no terceiro mundo, formam a massa preponderante dos pobres.
Directum adiutorium apta est responsio necessitatibus immediatis, extraordinariis, causatis exempli gratia naturalibus ruinis, pestilentiis etc. Sed ipsum non sufficit ad gravia reparanda damna quae a statibus procedunt indigentiae neque ad providendum necessitatibus modo durabili. Oportet etiam reformare institutiones oeconomicas et nummarias internationales ut ipsae aequas relationes melius promoveant cum populis qui minus sunt progressi. 324 Nisus sustinendus est pauperum populorum qui ad suum incrementum et ad suam adlaborant liberationem. 325 Haec doctrina postulat ut applicetur modo valde particulari in ambitu laboris agricolarum. Agricolae, maxime in tertio mundo, pauperum praevalentem constituunt multitudinem.
§ 2441
Aumentar o sentido de Deus e o conhecimento de si mesmo está na base de todo o desenvolvimento completo da sociedade humana. Este multiplica os bens materiais e põe-nos ao serviço da pessoa e da sua liberdade. Diminui a miséria e a exploração económicas. Faz crescer o respeito pelas identidades culturais e a abertura à transcendência (191).
Dei augere sensum et sui ipsius cognitionem ad fundamentum pertinet totius integrae progressionis societatis humanae. Haec progressio bona multiplicat materialia eaque ad servitium collocat personae eiusque libertatis. Miseriam minuit et oeconomicum abusum. Facit ut identitatum culturalium et apertionis ad transcendentiam crescat observantia. 326
§ 2442
Não compete aos pastores da Igreja intervir directamente na construção política e na organização da vida social. Este papel faz parte da vocação dos fiéis leigos, agindo por sua própria iniciativa juntamente com os seus concidadãos. A acção social pode implicar uma pluralidade de caminhos concretos; mas deverá ter sempre em vista o bem comum e conformar-se a mensagem evangélica e o ensinamento da Igreja. Compete aos fiéis leigos «animar as realidades temporais com o seu compromisso cristão, comportando-se nelas como artífices da paz e da justiça» (192).
Ad Ecclesiae Pastores non pertinet in constructione politica et in vita sociali organizanda directe intervenire. Hoc munus pars est vocationis fidelium laicorum, qui suo proprio incepto cum suis concivibus agunt. Actio socialis pluralitatem viarum concretarum potest implicare. Illa semper ad bonum commune ordinata esse debet et nuntio evangelico conformis atque Ecclesiae doctrinae. Ad fideles laicos pertinet « cum christiani officii diligentia res temporales veluti animare in iisque ostendere se testes esse et operatores pacis atque iustitiae ». 327 VI. Amor pauperum

O RESPEITO PELA INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

OS DEZ MANDAMENTOS

O amor dos pobres

§ 2443
Deus abençoa os que ajudam os pobres e reprova os que deles se afastam: «Dá a quem te pede; não voltes as costas a quem pretende pedir-te emprestado» (Mt 5, 42). «Recebestes gratuitamente; pois dai também gratuitamente» (Mt 10, 8). É pelo que tiverem feito pelos pobres, que Jesus reconhecerá os seus eleitos (193). Quando «a boa-nova é anunciada aos pobres» (Mt 11, 5) (194), é sinal de que Cristo está presente.
Deus benedicit illis qui in pauperum veniunt adiutorium reprobatque illos qui ab hoc avertuntur: « Qui petit a te, da ei; et volenti mutuari a te, ne avertaris » (Mt 5,42). « Gratis accepistis, gratis date » (Mt 10,8). Iesus Christus Suos agnoscet electos in eo quod pro pauperibus fecerint. 328 Cum « pauperes evangelizantur » (Mt 11,5), 329 signum est praesentiae Christi.
§ 2444
«O amor da Igreja pelos pobres [...] faz parte da sua constante tradição» (195). Esse amor inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças (196), na pobreza de Jesus (197) e na sua atenção aos pobres (198). O amor dos pobres é mesmo um dos motivos do dever de trabalhar: para «poder fazer o bem, socorrendo os necessitados» (199). E não se estende somente à pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa (200).
« Ecclesiae in pauperes studium [...] in eiusdem translaticiis consuetudinibus usque continuatur ». 330 Idem inspiratur beatitudinum Evangelio, 331 Iesu paupertate 332 et Eius erga pauperes sollicitudine. 333 Pauperum studium inter motiva etiam est officii laborandi ad habendum unde tribuatur necessitatem patienti. 334 Illud ad paupertatem materialem non extenditur solummodo, sed etiam ad plures paupertatis culturalis et religiosae formas. 335
§ 2445
O amor dos pobres é incompatível com o amor imoderado das riquezas ou com o uso egoísta das mesmas:

«E agora, ó ricos, chorai em altos brados por causa das desgraças que virão sobre vós. As vossas riquezas estão podres e as vossas vestes roídas pela traça. O vosso oiro e a vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem servirá de testemunho contra vós e devorará a vossa carne como o fogo. Entesourastes, afinal, para os vossos últimos dias! Olhai que o salário que não pagastes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos está a clamar: e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do universo! Tendes vivido na terra entregues ao luxo e aos prazeres, cevando assim os vossos apetites para o dia da matança! Condenastes e destes a morte ao inocente, e Deus não vai opor-se?» (Tg 5, 1-6).

Pauperum amor cum immoderato amore divitiarum vel cum earum usu ad se solum spectanti (« egoistico ») componi nequit:

« Age nunc, divites, plorate ululantes in miseriis, quae advenient vobis. Divitiae vestrae putrefactae sunt, et vestimenta vestra a tineis comesta sunt, aurum et argentum vestrum aeruginavit, et aerugo eorum in testimonium vobis erit et manducabit carnes vestras sicut ignis: thesaurizastis in novissimis diebus. Ecce merces operariorum, qui messuerunt regiones vestras, quae fraudata est a vobis, clamat et clamores eorum, qui messuerunt, in aures Domini Sabaoth introierunt. Epulati estis super terram et in luxuriis fuistis, enutristis corda vestra in die occisionis. Addixistis, occidistis iustum. Non resistit vobis » (Iac 5,1-6).

§ 2446
São João Crisóstomo lembra com vigor: «Não fazer os pobres participar dos seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos» (201). «Satisfaçam-se, antes de mais, as exigências da justiça e não se ofereça como dom da caridade aquilo que é devido a título de justiça» (202):

«Quando damos aos indigentes o que lhes é necessário, não lhes ofertamos o que é nosso: limitamos a restituir-lhes o que lhes pertence. Mais do que praticar uma obra de misericórdia, cumprimos um dever de justiça» (203).

Sanctus Ioannes Chrysostomus id fortiter commemorat: « Non erogare pauperibus, est rapinam in illos exercere, illorumque fraudare vitam; [...] non nostras, sed illorum res detinemus ». 336 « Exigentiis iustitiae praeprimis satisfiat, ne tamquam caritatis dona offerantur quae iustitiae titulo iam debentur »: 337

« Cum quaelibet necessaria indigentibus ministramus, sua illis reddimus, non nostra largimur; iustitiae potius debitum solvimus, quam misericordiae opera implemus ». 338

§ 2447
As obras de misericórdia são as acções caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais (204). Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem nomeadamente em dar de comer a quem tem fome, albergar quem não tem tecto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos (205). Entre estes gestos, a esmola dada aos pobres (206) é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática de justiça que agrada a Deus (207):

«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos, faça o mesmo» (Lc 3, 11). «Dai antes de esmola do que possuis, e tudo para vós ficará limpo» (Lc 11, 41). «Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem do alimento quotidiano, e um de vós lhe disser: "Ide em paz; tratai de vos aquecer e de matar a fome", mas não lhes der o que é necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?» (Tg 2, 15-16) (208).

Opera misericordiae actiones sunt caritativae per quas in auxilium nostri proximi venimus in eius necessitatibus corporalibus et spiritualibus. 339 Instruere, consilia dare, consolari, confortare opera sunt spiritualis misericordiae, sicut dimittere et cum patientia tolerare. Opera corporalis misericordiae speciatim consistunt in esurientibus nutriendis, in hospitio carentibus hospitandis, in pannosis vestiendis, in aegrotis et captivis visitandis, in mortuis sepeliendis. 340 Inter haec opera, eleemosyna pauperibus facta 341 unum ex praecipuis testimoniis est fraternae caritatis: eadem est etiam iustitiae exercitium quod Deo placet: 342

« Qui habet duas tunicas, det non habenti; et qui habet escas, similiter faciat » (Lc 3,11). « Verumtamen, quae insunt, date eleemosynam, et ecce omnia munda sunt vobis » (Lc 11,41). « Si frater aut soror nudi sunt et indigent victu cotidiano, dicat autem aliquis de vobis illis: "Ite in pace, calefacimini et saturamini", non dederit autem eis, quae necessaria sunt corporis, quid proderit? » (Iac 2,15-16). 343

§ 2448
«Sob as suas múltiplas formas: indigência material, opressão injusta, doenças físicas e psíquicas, e finalmente a morte, a miséria humana é o sinal manifesto da condição congénita de fraqueza em que o homem se encontra desde o primeiro pecado e da necessidade que tem de salvação. Foi por isso que ela atraiu a compaixão de Cristo Salvador, que quis tomá-la sobre Si e identificar-Se com os "mais pequenos de entre os seus irmãos" (Mt 25, 40-45). É por isso, os que se sentem acabrunhados por ela são objecto de um amor preferencial por parte da Igreja que, desde o princípio, apesar das falhas de muitos dos seus membros, nunca deixou de trabalhar por aliviá-los, defendê-los e libertá-los; fê-lo através de inúmeras obras de beneficência, que continuam indispensáveis, sempre e em toda a parte» (209).
« Extrema inopia bonorum materialium, iniusta oppressio, physicae et psychicae aegritudines, demum mors, humanae nempe miseriae omnes signum sunt manifestum originalis condicionis infirmitatis qua, post primum Adae peccatum, homo versatur, itemque sunt signum necessitatis salutis; quae miseriae ideo misericordiam Christi Salvatoris attraxerunt, qui voluit eas portare, Seipsum assimulans "fratribus Suis minimis" (Mt 25,40.45). Propterea, in eos quos percutit miseria, potiore dilectione fertur Ecclesia quae iam ab initio, non obstantibus peccatis multorum membrorum, nunquam ab officio suo destitit eos consolandi, defendendi et liberandi. Id fecit quidem innumeris beneficentiae subsidiis, quae semper et ubique sunt necessaria ». 344
§ 2449
Desde o Antigo Testamento, toda a espécie de medidas jurídicas (ano de remissão, interdição de empréstimos a juros e da retenção dum penhor, obrigação do dízimo, pagamento quotidiano da jorna, direito de apanhar os restos da vindima e da ceifa) são uma resposta à exortação do Deuteronómio: «Nunca faltarão os pobres na terra; por isso, faço-te esta recomendação: abre, abre a mão para o teu irmão, para o pobre e necessitado que estiver na tua terra» (Dt 15, 1 l ). E Jesus faz sua esta palavra: «Pobres, sempre os haveis de ter convosco; a Mim, nem sempre Me tereis» (Jo 12, 8). Com isto não faz caducar a força dos oráculos antigos: «Compraremos os necessitados por dinheiro e os pobres por um par de sandálias» (Am 8, 6), mas convida-nos a reconhecer a sua presença na pessoa dos pobres que são seus irmãos (210):

No dia em que a sua mãe a repreendeu por manter em sua casa pobres e doentes. Santa Rosa de Lima respondeu-lhe: «Quando servimos os pobres e os doentes, é a Jesus servimos. Não devemos cansar-nos de ajudar o nosso próximo, porque nele servimos a Jesus» (211).

No dia em que a sua mãe a repreendeu por manter em sua casa pobres e doentes. Santa Rosa de Lima respondeu-lhe: «Quando servimos os pobres e os doentes, é a Jesus servimos. Não devemos cansar-nos de ajudar o nosso próximo, porque nele servimos a Jesus» (211).Resumindo:
Inde a Vetere Testamento, iuridicae omnis generis ordinationes (annus remissionis, prohibitio fenerandi et retinendi pignus, obligatio decimam dandi, quotidiana solutio stipendii mercenario, ius racemationis et spicilegii) adhortationi respondent Deuteronomii: « Non deerunt pauperes in terra habitationis tuae; idcirco ego praecipio tibi, ut aperias manum fratri tuo egeno et pauperi, qui tecum versatur in terra tua » (Dt 15,11). Iesus hoc verbum facit Suum: « Pauperes enim semper habetis vobiscum, me autem non semper habetis » (Io 12,8). Ipse vehementiam veterum oraculorum non ideo reddit caducam: « ut possideamus in argento egenos et pauperem pro calceamentis [...] vendamus...? » (Am 8,6), sed nos invitat ad Eius praesentiam agnoscendam in pauperibus qui Eius sunt fratres: 345

Sancta Rosa de Lima, die qua eius mater eam reprendit quia pauperes et aegrotos domum accipiebat, illi respondit: « Christi bonus odor sumus dum ministramus infirmis ». 346

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2450
«Não roubarás» (Dt 5, 19). «Nem ladrões, nem gananciosos [...] nem salteadores herdarão o Reino de Deus» (1 Cor 6, 10).
« Furtum non facies » (Dt 5,19). « Neque fures neque avari [...] non rapaces Regnum Dei possidebunt » (1 Cor 6,10).
§ 2451
O sétimo mandamento prescreve a prática da Justiça e da caridade na gestão dos bens terrenos e dos frutos do trabalho dos homens.
Septimum praeceptum iustitiae et caritatis praescribit exercitium in bonis terrestribus et fructibus laboris hominum gerendis.
§ 2452
Os bens da criação são destinados a todo o género humano. O direito à propriedade privada não pode abolir o destino universal dos bens.
Bona creationis generi humano destinantur universo. Ius ad privatam proprietatem destinationem bonorum universalem non abolet.
§ 2453
O sétimo mandamento proíbe o roubo. O roubo é a usurpação de um bem de outrem contra a vontade razoável do proprietário.
Septimum praeceptum furtum vetat. Furtum est usurpatio boni alieni contra rationabilem domini voluntatem.
§ 2454
Todo o processo de tomar e usar injustamente um bem alheio é contrário ao sétimo mandamento. A injustiça cometida exige reparação. A justiça comutativa exige a restituição do bem roubado.
Omnis modus iniuste sumendi bonum alienum vel eo utendi est septimo praecepto contrarius. Iniustitia commissa reparationem exigit. Iustitia commutativa restitutionem exigit boni subrepti.
§ 2455
A lei moral proíbe os actos que, com fins mercantis ou totalitários, conduzem a escravizar seres humanos, comprá-los, vendê-los e trocá-los como mercadoria.
Lex moralis actus vetat qui, propter mercatorios vel totalitarios fines, ad creaturas humanas in servitutem redigendas ducunt, ad illas emendas, vendendas et permutandas sicut mercimonia.
§ 2456
O domínio concedido pelo Criador sobre os recursos minerais, vegetais e animais do universo, não pode ser separado do respeito pelas obrigações morais, inclusivamente para com as gerações futuras.
Dominatus subsidiorum mineralium, vegetalium et animalium universi mundi a Creatore concessus ab observantia separari nequit moralium obligationum, illis inclusis erga futuras generationes.
§ 2457
Os animais são confiados ao cuidado do homem, que lhes deve benevolência. Podem servir para a justa satisfação das necessidades do homem.
Animalia curae concreduntur hominis, qui eis benevolentiam debet. Illa iustae satisfactioni necessitatum hominis inservire possunt.
§ 2458
A Igreja pronuncia-se em matéria económica e social, sempre que os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas  o exigem. Ela preocupa-se com o bem comum temporal dos homens, em razão da ordenação do mesmo ao soberano Bem, nosso último fim.
Ecclesia in re oeconomica et sociali fert iudicium, cum iura fundamentalia personae vel salus animarum id exigunt. Ipsa de hominum bono communi temporali adhibet curam propter eius ordinationem ad supremum Bonum, nostrum ultimum finem.
§ 2459
O homem é o autor; o centro e o fim de toda a vida económica e social. O ponto decisivo da questão social é que os bens criados por Deus para todos, cheguem de facto a todos, segundo a justiça e com a ajuda da caridade.
Ipse homo auctor, centrum est et scopus totius vitae oeconomicae et socialis. Caput maximi momenti in quaestione sociali est ut bona a Deo pro omnibus creata ad omnes revera perveniant, secundum iustitiam et cum caritatis adiutorio.
§ 2460
O valor primordial do trabalho diz respeito ao próprio homem, que dele é autor e destinatário. Mediante o seu trabalho, o homem participa na obra da criação. Unido a Cristo, o trabalho pode ser redentor.
Valor primordialis laboris pendet ab homine, qui eius auctor est et scopus. Homo per suum laborem opus creationis participat. Labor, Christo coniunctus, potest esse redemptivus.
§ 2461
O verdadeiro desenvolvimento é o do homem integral. Trata-se de fazer crescer a capacidade de cada pessoa para responder à sua vocação e, portanto, ao apelo de Deus (212).
Vera progressio est illa totius hominis integri. Agitur de augenda uniuscuiusque personae capacitate respondendi vocationi eius, nempe Deo vocanti. 347
§ 2462
A esmola dada aos pobres é um testemunho de caridade fraterna; é também uma prática de justiça que agrada a Deus.
Eleemosyna pauperibus facta caritatis christianae est testimonium: ea est etiam iustitiae exercitium quod Deo placet.
§ 2463
Na multidão de seres humanos sem pão, sem tecto, sem residência, como não reconhecer Lázaro, o mendigo esfomeado da parábola (213). Como não ouvir Jesus quando diz: «Também a Mim o deixastes de fazer» (Mt 25, 45)?
Quomodo, in multitudine creaturarum humanarum sine pane, sine tecto, sine loco, Lazarus parabolae mendicus esuriens non agnoscatur? 348 Quomodo Iesus non audiatur: « Nec mihi fecistis » (Mt 25,45)? (281) Cf Dt 5,19. (282) Cf Gn 1,26-29. (283) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 69: AAS 58 (1966) 1090. (284) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 71: AAS 58 (1966) 1093; Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 42: AAS 80 (1988) 572-574; Id., Litt. enc. Centesimus annus, 40: AAS 83 (1991) 843; Ibid., 48: AAS 83 (1991) 852-854.(285) Cf 2 Cor 8,9.(286) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 69: AAS 58 (1966) 1090-1091. (287) Cf Dt 25,13-16. (288) Cf Dt 24,14-15; Iac 5,4. (289) Cf Am 8,4-6. (290) Cf Gn 1,28-31. (291) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 37-38: AAS 83 (1991) 840-841. (292) Cf Mt 6,26. (293) Cf Dn 3,79-81. (294) Cf Gn 2,19-20; 9,1-4. (295) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 23: AAS 58 (1966) 1044. (296) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1100. (297) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 3: AAS 83 (1991) 794-796. (298) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 1: AAS 80 (1988) 513-514; Ibid., 41: AAS 80 (1988) 570-572. (299) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 24: AAS 83 (1991) 821-822. (300) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 63: AAS 58 (1966) 1085; Ioannes Paulus II, Litt. enc. Laborem exercens, 7: AAS 73 (1981) 592-594; Id., Litt. enc. Centesimus annus, 35: AAS 83 (1991) 836-838. (301) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 65: AAS 58 (1966) 1087. (302) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 10: AAS 83 (1991) 804-806; Ibid., 13: AAS 83 (1991) 809-810; Ibid., 44: AAS 83 (1991) 848-849. (303) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 34: AAS 83 (1991) 836.(304) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 64: AAS 58 (1966) 1086.(305) Cf Gn 1,28; Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 34: AAS 58 (1966) 1052-1053; Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 31: AAS 83 (1991) 831-832. (306) Cf 1 Thess 4,11. (307) Cf Gn 3,14-19. (308) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Laborem exercens, 27: AAS 73 (1981) 644-647. (309) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Laborem exercens, 6: AAS 73 (1981) 589-592. (310) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 32: AAS 83 (1991) 832-833; Ibid., 34: AAS 83 (1991) 835-836. (311) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Laborem exercens, 11: AAS 73 (1981) 602-605. (312) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 48: AAS 83 (1991) 852-853.(313) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 37: AAS 83 (1991) 840.(314) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Laborem exercens, 19: AAS 73 (1981) 625-629; Ibid., 22-23: AAS 73 (1981) 634-637. (315) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 48: AAS 83 (1991) 852-854. (316) Cf Lv 19,13; Dt 24,14-15; Iac 5,4. (317) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 67: AAS 58 (1966) 1088-1089. (318) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Laborem exercens, 18: AAS 73 (1981) 622625. (319) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 14: AAS 80 (1988) 526-528. (320) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 9: AAS 80 (1988) 520521. (321) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 17: AAS 80 (1988) 532-533; Ibid., 45: AAS 80 (1988) 577-578. (322) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 35: AAS 83 (1991) 836-838. (323) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 28: AAS 83 (1991) 828.(324) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 16: AAS 80 (1988) 531.(325) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 26: AAS 83 (1991) 824-826.(326) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 32: AAS 80 (1988) 556-557; Id., Litt. enc. Centesimus annus, 51: AAS 83 (1991) 856-857. (327) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Sollicitudo rei socialis, 47: AAS 80 (1988) 582; cf Ibid., 42: AAS 80 (1988) 572-574. (328) Cf Mt 25,31-36. (329) Cf Lc 4,18. (330) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 57: AAS 83 (1991) 862-863.(331) Cf Lc 6,20-22. (332) Cf Mt 8,20. (333) Cf Mc 12,41-44. (334) Cf Eph 4,28. (335) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 57: AAS 83 (1991) 863.(336) Sanctus Ioannes Chrysostomus, In Lazarum, concio 2, 6: PG 48, 992.(337) 3 Concilium Vaticanum II, Decr. Apostolicam actuositatem, 8: AAS 58 (1966) 845.(338) Sanctus Gregorius Magnus, Regula pastoralis, 3, 21, 45: SC 382, 394 (PL 77, 87).(339) Cf Is 58,6-7; Heb 13,3. (340) Cf Mt 25,31-46. (341) Cf Tb 4,5-11; Eccli 17,18. (342) Cf Mt 6,2-4. (343) Cf 1 Io 3,17. (344) Congregatio pro Doctrina Fidei, Instr. Libertatis conscientia, 68: AAS 79 (1987) 583. (345) Cf Mt 25,40. (346) P. Hansen, Vita mirabilis [...] venerabilis sororis Rosae de sancta Maria Limensis (Romae 1664) p. 200. (347) Cf Ioannes Paulus II, Litt. enc. Centesimus annus, 29: AAS 83 (1991) 828-830. (348) Cf Lc 16,19-31.

O OITAVO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2464
O oitavo mandamento proíbe falsificar a verdade nas relações com outrem. Esta prescrição moral decorre da vocação do povo santo para ser testemunha do seu Deus, que é e que quer a verdade. As ofensas à verdade exprimem, por palavras ou por actos, a recusa em empenhar-se na rectidão moral: são infidelidades graves para com Deus e, nesse sentido, minam os alicerces da Aliança.
Octavum praeceptum veritatem in relationibus cum aliis prohibet deturpare. Haec moralis praescriptio ex vocatione provenit populi sancti, ut testis sit Dei sui qui est veritas et qui veritatem vult. Offensae contra veritatem exprimunt, verbis vel actibus, reiectionem se in rectitudine morali obligandi: fundamentales sunt infidelitates Deo et, hoc sensu, Foederis suffodiunt fundamenta. I. Vivere in veritate

O OITAVO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

Viver na verdade

§ 2465
O Antigo Testamento declara: Deus é a fonte de toda a verdade. A sua Palavra é verdade (214). A sua lei é verdade (215). «A sua fidelidade permanece de geração em geração» (Sl 119, 90) (216). Uma vez que Deus é o «Verdadeiro» (Rm 3, 4), os membros do seu povo são chamados a viver na verdade (217).
Vetus Testamentum testatur: Deus est omnis veritatis fons. Eius Verbum est veritas. 349 Eius Lex est veritas. 350 « In generationem et generationem veritas Tua » (Ps 119,90). 351 Quia Deus est « Verax » (Rom 3,4), membra populi Eius vocantur ut in veritate vivant. 352
§ 2466
Em Jesus Cristo, a verdade de Deus manifestou-se na sua totalidade. Cheio de graça e de verdade (218), Ele é a «luz do mundo» (Jo 8, 12), Ele é a verdade (219). Quem nele crê não fica nas trevas (220). O discípulo de Jesus «permanece na sua palavra» para conhecer a verdade que liberta (221) e que santifica (222). Seguir Jesus é viver do Espírito de verdade (223) que o Pai envia em seu nome (224) e que conduz «à verdade total» (Jo 14, 17; 16, 13). Aos seus discípulos, Jesus ensina o amor incondicional à verdade: «que a vossa linguagem seja: "sim, sim; não, não"» (Mt 5, 37).
Veritas Dei in Iesu Christo est integre manifestata. Ipse, plenus gratiae et veritatis, 353 est « lux mundi » (Io 8,12). Ipse est veritas. 354 Omnis qui credit in Eum, in tenebris non manet. 355 Iesu discipulus manet in sermone Eius, ut cognoscat veritatem quae liberat 356 et sanctificat. 357 Iesum sequi est de Spiritu veritatis vivere 358 quem Pater mittit in nomine Eius 359 et qui deducit « in omnem veritatem » (Io 16,13). Iesus Suos discipulos docet amorem absolutum veritatis: « Sit autem sermo vester: "Est, est" "Non, non" » (Mt 5,37).
§ 2467
O homem tende naturalmente para a verdade. É obrigado a honrá-la e a testemunhá-la: «Em virtude da sua dignidade, todos os homens, porque pessoas, [...] são impelidos pela sua própria natureza e obrigados por exigência moral a procurar a verdade, em primeiro lugar aquela que diz respeito à religião. São obrigados também a aderir à verdade desde que a conheçam e a regular toda a sua vida segundo as exigências da verdade» (225).
Homo naturaliter ad veritatem tendit. Illam honorare et testari tenetur. « Secundum dignitatem suam homines cuncti, quia personae sunt, [...] sua ipsorum natura impelluntur necnon morali tenentur obligatione ad veritatem quaerendam, illam imprimis quae religionem spectat. Tenentur quoque veritati cognitae adhaerere atque totam vitam suam iuxta exigentias veritatis ordinare ». 360
§ 2468
A verdade, como rectidão da acção e da palavra humana, chama-se veracidade, sinceridade ou franqueza. A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e em dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia.
Veritas, tamquam rectitudo in modo agendi et in sermone humano nomen habet veracitatis, sinceritatis vel aperti animi. Veritas seu veracitas virtus est quae in eo consistit ut quis se verum suis actibus ostendat et verum suis dicat verbis, duplicitatem, simulationem et hypocrisim vitando.
§ 2469
«Os homens não seriam capazes de viver juntos, se não tivessem confiança uns nos outros, isto é, se não se dissessem a verdade» (226). A virtude da veracidade dá justamente a outrem o que lhe é devido. A veracidade observa um justo meio-termo entre o que deve ser dito e o segredo que deve ser guardado: implica honestidade e discrição. Por justiça, «um homem deve honestamente ao outro a manifestação da verdade» (227).
« Non [...] possent homines ad invicem convivere nisi sibi invicem crederent, tamquam sibi invicem veritatem manifestantibus ». 361 Virtus veritatis alteri iuste reddit quod ei debetur. Veritas iustum medium tenet inter id quod exprimi debet, et secretum quod servandum est: honestatem implicat et discretionem. In iustitia, « ex honestate unus homo alteri debet veritatis manifestationem ». 362
§ 2470
O discípulo de Cristo aceita «viver na verdade», isto é, na simplicidade duma vida conforme ao exemplo do Senhor e permanecendo na Sua verdade. «Se dizemos que estamos em comunhão com Ele e andamos nas trevas, mentimos, não praticamos a verdade» (1 Jo 1, 6).
Christi discipulus « vivere in veritate » acceptat, id est, in simplicitate vitae conformis exemplo Domini et permanentis in Eius veritate. « Si dixerimus quoniam communionem habemus cum Eo et in tenebris ambulamus, mentimur et non facimus veritatem » (1 Io 1,6). II. « Testimonium perhibere veritati »

O OITAVO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Dar testemunho da verdade»

§ 2471
Diante de Pilatos, Cristo proclama que «veio ao mundo para dar testemunho da verdade» (228). O cristão não deve «envergonhar-se de dar testemunho do Senhor» (2 Tm 1, 8). Em situações que exigem a confissão da fé, o cristão deve professá-la sem equívoco, conforme o exemplo de São Paulo diante dos seus juízes. É preciso guardar uma consciência irrepreensível diante de Deus e dos homens» (Act 24, 16).
Christus, coram Pilato, proclamat Se ad hoc venisse in mundum, ut testimonium perhibeat veritati. 363 Christianus non debet « erubescere testimonium Domini » (2 Tim 1,8). Christianus, in casibus qui testimonium exigunt fidei, illam debet sine ambiguitate profiteri, secundum exemplum sancti Pauli coram iudicibus. Oportet eum « sine offendiculo conscientiam habere ad Deum et ad homines » (Act 24,16).
§ 2472
O dever dos cristãos, de tomar parte na vida da Igreja, leva-os a agir como testemunhas do Evangelho e das obrigações que dele dimanam. Este testemunho é transmissão da fé por palavras e obras. O testemunho é um acto de justiça que estabelece ou que dá a conhecer a verdade (229): «Todos os fiéis cristãos, onde quer que vivam, têm obrigação de manifestar, pelo exemplo da vida e pelo testemunho da palavra, o homem novo de que se revestiram pelo Baptismo e a virtude do Espírito Santo, com que foram robustecidos na Confirmação» (230).
Officium christianorum vitam Ecclesiae participandi, eo impellit ut agant tamquam testes Evangelii atque obligationum quae ex hoc proveniunt. Hoc testimonium transmissio fidei est verbis et actibus. Testimonium actus est iustitiae qui stabilit veritatem vel efficit ut ipsa cognoscatur: 364

« Omnes [...] christifideles ubicumque vivunt, exemplo vitae et testimonio verbi novum hominem, quem per Baptismum induerunt, et virtutem Spiritus Sancti, a quo per Confirmationem roborati sunt, [...] manifestare tenentur ». 365

« Omnes [...] christifideles ubicumque vivunt, exemplo vitae et testimonio verbi novum hominem, quem per Baptismum induerunt, et virtutem Spiritus Sancti, a quo per Confirmationem roborati sunt, [...] manifestare tenentur ». 365
§ 2473
O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé; designa um testemunho que vai até à morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Suporta a morte com um acto de fortaleza. «Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus» (231).
Martyrium testimonium est supremum veritati fidei perhibitum; ipsum denotat testimonium quod usque ad mortem procedit. Martyr testimonium perhibet Christo, mortuo et resuscitato, cui ipse caritate est coniunctus. Testimonium perhibet veritati fidei et doctrinae christianae. Mortem tolerat per fortitudinis actum. « Sinite me ferarum cibum esse, per quas Deum consequi licet ». 366
§ 2474
A Igreja recolheu com o maior cuidado as memórias daqueles que foram até ao fim na confissão da sua fé. São as Actas dos Mártires, as quais constituem os arquivos da verdade escritos com letras de sangue:

«De nada me serviriam os atractivos do mundo ou os reinos deste século. Prefiro morrer em Cristo Jesus a reinar sobre todos os confins da terra. Procuro Aquele que morreu por nós; quero Aquele que ressuscitou por nossa causa. Estou prestes a nascer...» (232).

«Eu Te bendigo por me teres julgado digno deste dia e desta hora, digno de ser contado no número dos teus mártires (...). Tu cumpriste a tua promessa, Deus da fidelidade e da verdade. Por esta graça e por tudo, eu Te louvo e Te bendigo; eu Te glorifico pelo eterno e celeste Sumo-Sacerdote Jesus Cristo, Teu Filho muito-amado. Por Ele, que está contigo e com o Espírito, glória a Ti, agora e pelos séculos sem fim. Ámen» (233).

Ecclesia, maxima cura, memorias collegit eorum qui usque ad finem ad suam fidem testandam processerunt. Haec sunt martyrum acta. Veritatis constituunt archiva litteris scripta sanguinis:

« Nihil mihi proderunt mundi fines neque huius saeculi regna. Praestat mihi in Christo Iesu mori, quam finibus terrae imperare. Illum quaero, qui pro nobis mortuus est; Illum volo, qui propter nos resurrexit. Partus mihi instat... ». 367

« Benedico Tibi, quoniam me hac die et hac hora dignatus es, ut in numero martyrum acciperem partem [...]. Adimplevisti, Deus, mendacii nescius ac verax. Quapropter de omnibus Te laudo, Tibi benedico, Te glorifico per sempiternum et caelestem Pontificem Iesum Christum, dilectum Tuum Filium, per quem Tibi cum Ipso et in Spiritu Sancto gloria et nunc et in futura saecula. Amen ». 368

O OITAVO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

As ofensas à verdade

§ 2475
Os discípulos de Cristo «revestiram-se do homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeiras» (Ef 4, 24). «Libertos da mentira» (Ef 4, 25), devem rejeitar «toda a malícia, falsidade, hipocrisia, invejas e toda a espécie de maledicência» (1 Pe 2, I).
Discipuli Christi induerunt « novum hominem, qui secundum Deum creatus est in iustitia et sanctitate veritatis » (Eph 4,24). « Deponentes mendacium » (Eph 4,25), reiicere debent « omnem malitiam et omnem dolum et simulationes et invidias et omnes detractiones » (1 Pe 2,1).
§ 2476
Falso testemunho e perjúrio. Uma afirmação contrária à verdade feita publicamente, reveste-se de gravidade particular: perante um tribunal, é um falso testemunho (234); quando mantida sob juramento, é um perjúrio. Estes modos de agir contribuem quer para condenar um inocente, quer para absolver um culpado ou aumentar a pena em que tiver incorrido o acusado (235). E comprometem gravemente o exercício da justiça e a equidade da sentença pronunciada pelos juízes.
Falsum testimonium et periurium. Assertio veritati contraria, cum publice emittitur, peculiarem induit gravitatem. Id, coram tribunali, falsum testimonium fit. 369 Cum id iureiurando fit, agitur de periurio. Hi agendi modi conferunt sive ad innocentem damnandum sive ad culpabilem excusandum sive ad augendam sanctionem quam accusatus incurrit. 370 Graviter in discrimen ducunt exercitium iustitiae et aequitatem sententiae a iudicibus prolatae.
§ 2477
O respeito pela reputação das pessoas proíbe toda e qualquer atitude ou palavra susceptíveis de lhes causar um dano injusto (236). Torna-se culpado:

– de juízo temerário, aquele que, mesmo tacitamente, admite como verdadeiro, sem prova suficiente, um defeito moral do próximo;
– de maledicência, aquele que, sem motivo objectivamente válido, revela os defeitos e as faltas de outrem a pessoas que os ignoram (237);
– de calúnia, aquele que, por afirmações contrárias à verdade, prejudica a reputação dos outros e dá ocasião a falsos juízos a seu respeito.

Observantia existimationis personarum omnem vetat habitudinem omneque verbum quae iniustum damnum possunt illis inferre. 371 Culpabilis fit: — iudicii temerarii, qui, etiam tacite, defectum moralem in proximo, tamquam verum, sine sufficienti admittit fundamento;
— detractionis, qui sine ratione obiective valida defectus aliorum vel culpas personis ea ignorantibus manifestat; 372
— calumniae, qui assertionibus veritati contrariis existimationi nocet aliorum et occasionem praebet falsis iudiciis de illis.
§ 2478
Para evitar o juízo temerário, cada um procurará interpretar em sentido favorável, tanto quanto possível, os pensamentos, as palavras e os actos do seu próximo:

«Todo o bom cristão deve estar mais pronto a interpretar favoravelmente a opinião ou afirmação obscura do próximo do que a condená-la. Se de modo nenhum a pode aprovar, interrogue-se sobre como é que ele a compreende: se ele pensa ou compreende menos rectamente, corrija-o com benevolência; e se isso não basta, tentem-se todos os meios oportunos para que, compreendendo-a bem, ele regresse do erro são e salvo» (238).

Ad iudicium vitandum temerarium, unusquisque, quantum fieri potest, sensu favorabili, cogitationes, verba et actiones proximi sui curabit interpretari:

« Supponendum est, christianum unumquemque pium debere promptiore animo sententiam seu propositionem obscuram alterius in bonam trahere partem, quam damnare. Si vero nulla eam ratione tutari possit, exquirat dicentis mentem; et si minus recte sentiat vel intelligat, corripiat benigne; hoc nisi sufficit, vias omnes opportunas tentet, quibus illum sanum intellectu, ac securum reddat ab errore ». 373

§ 2479
A maledicência e a calúnia destroem a reputação e a honra do próximo. Ora, a honra é o testemunho social prestado à dignidade humana e todos gozam do direito natural à honra do seu nome, à boa reputação e ao respeito. Por isso, a maledicência e a calúnia lesam as virtudes da justiça e da caridade.
Detractio et calumnia existimationem et honorem proximi destruunt. Honor autem est sociale testimonium dignitati humanae praestitum, et unusquisque iure gaudet naturali ad sui nominis honorem, ad suam existimationem et ad observantiam. Sic detractio et calumnia virtutes laedunt iustitiae et caritatis.
§ 2480
Deve condenar-se toda a palavra ou atitude que, por lisonja, adulação ou complacência, estimula e confirma outrem na malícia dos seus actos e na perversidade da sua conduta. A adulação é uma falta grave, se se tornar cúmplice de vícios ou de pecados graves. Nem o desejo de prestar um serviço nem a amizade justificam a duplicidade de linguagem. A adulação é um pecado venial quando apenas se deseja ser agradável, evitar um mal, valer a uma necessidade ou obter vantagens legítimas.
Omne verbum omnisque habitudo sunt vetanda quae, assentatione, adulatione vel obsequentia alium excitant et confirmant in malitia actuum eius et in perversitate eius agendi modi. Adulatio culpa est gravis, si complex vitiorum et peccatorum gravium efficiatur. Optatum reddendi servitium vel amicitia duplicitatem sermonis non iustificant. Adulatio peccatum est veniale cum ipsa solummodo intendit ut grata sit, ut malum vitet, ut cuidam occurrat necessitati, ut commoda obtineat legitima.
§ 2481
A jactância ou vanglória constitui um pecado contra a verdade. O mesmo se diga da ironia que visa depreciar alguém, caricaturando, de modo malévolo, um ou outro aspecto do seu comportamento.
Iactantia vel venditatio culpam constituunt contra veritatem. Idem dicendum est de ironia quae tendit ad aliquem detrectandum, depingendo ridicule, modo malevolo, aliquem aspectum eius agendi modi.
§ 2482
«A mentira consiste em dizer o que é falso com a intenção de enganar» (239). O Senhor denuncia na mentira uma obra diabólica: «Vós tendes por pai o diabo, [... ] nele não há verdade; quando fala mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44).
« Enuntiationem falsam cum voluntate ad fallendum prolatam manifestum est esse mendacium ». 374 Dominus opus diabolicum denuntiat in medacio: « Vos ex patre Diabolo estis [...]. Non est veritas in eo. Cum loquitur mendacium, ex propriis loquitur, quia mendax est et pater eius » (Io 8,44).
§ 2483
A mentira é a ofensa mais directa à verdade. Mentir é falar ou agir contrariamente à verdade, para induzir em erro. Lesando a relação do homem com a verdade e com o próximo, a mentira ofende a relação fundamental do homem e da sua palavra com o Senhor.
Mendacium est directissima contra veritatem offensa. Mentiri est contra veritatem loqui vel agere ad inducendum in errorem. Mendacium, relationem hominis ad veritatem et ad proximum laedens, fundamentali nocet relationi hominis eiusque verbi ad Dominum.
§ 2484
A gravidade da mentira mede-se pela natureza da verdade que ela deforma, atendendo às circunstâncias, às intenções de quem a comete e aos danos causados àqueles que são suas vítimas. Embora a mentira, em si, não constitua mais que um pecado venial, torna-se mortal quando lesa gravemente as virtudes da justiça e da caridade.
Mendacii gravitas mensuratur secundum naturam veritatis quam deformat, secundum circumstantias, intentiones illius qui id committit, et damna quae ii patiuntur qui eius sunt victimae. Si mendacium in se peccatum constituit solummodo veniale, efficitur mortale, cum graviter iustitiae et caritatis laedit virtutes.
§ 2485
A mentira é, por sua natureza, condenável. É uma profanação da palavra, a qual tem por fim comunicar aos outros a verdade conhecida. O propósito deliberado de induzir o próximo em erro, por meio de afirmações contrárias à verdade constitui uma falta contra justiça e contra a caridade. A culpabilidade é maior quando a intenção de enganar pode ter consequências funestas para aqueles que são desviados da verdade.
Divortium suam indolem pravam etiam habet ex inordinatione quam in familiarem cellulam introducit et in societatem. Haec inordinatio damna gravia secum fert: pro coniuge, qui se derelictum invenit; pro filiis, parentum separatione profunde vulneratis, et saepe subiectis contentione inter eosdem; propter suum contagionis effectum, qui ex eo veram plagam efficit socialem.
§ 2486
A mentira (porque é uma violação da virtude da veracidade) é uma autêntica violência feita a outrem. Este é atingido na sua capacidade de conhecer, a qual é condição de todo o juízo e de toda a decisão. A mentira contém em gérmen a divisão dos espíritos e todos os males que a mesma suscita. É funesta para toda a sociedade: destrói pela base a confiança entre os homens e retalha o tecido das relações sociais.
Mendacium (quia violatio est virtutis veracitatis) est vera violentia alii illata. Illum vulnerat in eius cognoscendi capacitate quae condicio est omnis iudicii omnisque decisionis. In germine continet spirituum divisionem omniaque mala quae illa suscitat. Mendacium funestum est omni societati; inter homines suffodit fiduciam et relationum socialium scindit intextum.
§ 2487
Qualquer falta cometida contra a justiça e contra a verdade implica o dever da reparação, mesmo que o seu autor tenha sido perdoado. Quando for impossível reparar publicamente um mal, deve-se fazê-lo em segredo; se aquele que foi lesado não pode ser indemnizado directamente, deve dar-se-lhe uma satisfação moral, em nome da caridade. Este dever de reparação diz respeito também às faltas cometidas contra a reputação alheia. A reparação, moral e às vezes material, deve ser avaliada segundo a medida do prejuízo causado e obriga em consciência.
Quaelibet culpa contra iustitiam et veritatem commissa postulat reparationis officium, etiamsi eius auctori tributa sit venia. Cum impossibile est culpam publice reparare, id secreto facere opus est; si illi, qui damnum subiit, id directe non potest rependi, opus est illi moraliter satisfacere, ratione caritatis. Hoc reparationis officium etiam refertur ad culpas contra alius existimationem commissas. Haec moralis et quandoque materialis reparatio aestimanda est secundum mensuram damni quod illatum est. Illa in conscientia obligat. IV. Veritatis observantia

O OITAVO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O respeito pela verdade

§ 2488
O direito à comunicação da verdade não é absoluto. Cada um deve conformar a sua vida com o preceito evangélico do amor fraterno, mas este requer, em situações concretas, que avaliemos se convém ou não revelar a verdade a quem a pede.
Ius ad communicationem veritatis absolutum non est. Unusquisque suam vitam ad praeceptum evangelicum amoris fraterni debet conformare. Hoc, in casibus concretis, postulat perpendere utrum oporteat veritatem revelare poscenti illam necne.
§ 2489
É a caridade e o respeito pela verdade que devem ditar a resposta a qualquer pedido de informação ou de comunicação. O bem e a segurança de outrem, o respeito pela vida privada e pelo bem comum, são razões suficientes para calar o que não deve ser conhecido ou para usar uma linguagem discreta. Muitas vezes, o dever de evitar o escândalo impõe uma estrita discrição. Ninguém é obrigado a revelar a verdade a quem não tem o direito de a conhecer (240).
Caritas et veritatis observantia debent responsum determinare omni postulationi informationis vel communicationis. Bonum et securitas aliorum, observantia vitae privatae, bonum commune rationes sunt sufficientes ad id tacendum quod non debet cognosci vel ad sermone utendum prudenti. Officium vitandi scandalum saepe strictum ordinat silentium. Nemo tenetur ad veritatem revelandam ei qui ius ad illam cognoscendam non habet. 375
§ 2490
O sigilo do sacramento da Reconciliação é sagrado e não pode ser revelado sob pretexto algum. «O sigilo sacramental é inviolável; pelo que o confessor não pode denunciar o penitente, nem por palavras nem por qualquer outro modo, nem por causa alguma»(241).
Secretum sacramenti Reconciliationis sacrum est, nec sub ullo potest prodi praetextu. « Sacramentale sigillum inviolabile est; quare nefas est confessario verbis vel alio quovis modo et quavis de causa aliquatenus prodere paenitentem ». 376
§ 2491
Os segredos profissionais – conhecidos, por exemplo, por políticos, militares, médicos, juristas – ou as confidências feitas sob sigilo, devem ser guardados, salvo em casos excepcionais em que a retenção do segredo poderia causar a quem o confiou, a quem o recebeu, ou a terceiros, danos muito graves e somente evitáveis pela revelação da verdade. Mesmo que não tenham sido confiadas sob sigilo, as informações particulares prejudiciais a outrem não devem ser divulgadas sem uma razão grave e proporcionada.
Secreta officiosa — illa quae, exempli gratia, ab hominibus politicis, militaribus, medicis, iuristis retinentur — vel quae sub secreti sigillo amicaliter committuntur, servanda sunt, praeter casus exceptionales in quibus secreti custodia damna causaret gravissima ei qui illud concredidit, ei qui illud recepit vel tertiae personae, quaeque solum per veritatis evulgationem possint vitari. Informationes privatae, etiam si sub secreti sigillo non committantur, aliis damnosae evulgari non debent sine motivo gravi et proportionato.
§ 2492
Cada qual deve observar uma justa reserva a propósito da vida privada das pessoas. Os responsáveis pela comunicação devem guardar uma justa proporção entre as exigências do bem comum e o respeito pelos direitos particulares. A ingerência dos órgãos de informação na vida privada das pessoas comprometidas numa actividade política ou pública é condenável na medida em que atenta contra a sua intimidade e a sua liberdade.
Unusquisque iustam tenere debet circumspectionem quoad vitam privatam personarum. Responsabiles communicationis debent iustam servare proportionem inter boni communis exigentias et iurium particularium observantiam. Informationis invasio in vitam privatam personarum activitati politicae vel publicae deditarum damnabilis est quatenus earum intimitati et libertati insidiatur. V. Usus mediorum communicationis socialis

O OITAVO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O uso dos meios de comunicação social

§ 2493
Na sociedade moderna, os meios de comunicação social desempenham um papel de grande relevo na informação, na promoção cultural e na formação. Este papel é cada vez maior, em virtude dos progressos técnicos, do alcance e diversidade das notícias transmitidas e da influência exercida sobre a opinião pública.
In moderna societate, media communicationis socialis maiores habent partes in informatione, in promotione culturali et in formatione. Hae partes augentur propter technicae artis progressiones, propter amplitudinem et diversitatem nuntiorum evulgatorum, propter influxum in opinionem publicam exercitum.
§ 2494
A informação mediática está ao serviço do bem comum (242). A sociedade tem direito a uma informação fundada na verdade, na liberdade, na justiça e na solidariedade.

«O uso recto deste direito requer que a comunicação seja, quanto ao objecto, sempre verídica, e quanto ao respeito pelas exigências da justiça e da caridade, completa; quanto ao modo, que seja honesta e conveniente, quer dizer, que na obtenção e difusão das notícias, observe absolutamente as leis morais, os direitos e a dignidade do homem» (243).

Informatio per media est in servitium boni communis. 377 Societas ius habet ad informationem fundatam in veritate, libertate, iustitia et solidarietate:

« Huius tamen rectum iuris exercitium expostulat ut, quoad suum obiectum communicatio sit semper vera atque, iustitia et caritate servatis, integra; praeterea quoad modum, sit honesta et conveniens, scilicet leges morales hominisque legitima iura et dignitatem, cum in nuntiis quaeritandis tum in evulgandis, sancte servet ». 378

§ 2495
«Também neste domínio é necessário que todos os membros da sociedade cumpram os seus deveres de justiça e de verdade. Devem utilizar os meios de comunicação social no sentido de concorrer para a formação e difusão de um recta opinião pública» (244). A solidariedade é consequência duma comunicação verdadeira e justa e da livre circulação das ideias que favorecem o conhecimento e o respeito pelos outros.
« Necesse est ut omnia societatis membra sua iustitiae et caritatis officia, hac quoque in provincia, adimpleant; itaque, istorum etiam instrumentorum ope, contendant ad rectas publicas opiniones efformandas atque pandendas ». 379 Solidarietas apparet tamquam consequentia verae et iustae communicationis, atque liberi cursus idearum, quae aliorum cognitioni favent et observantiae.
§ 2496
Os meios de comunicação social (em particular os mass-média) podem gerar uma certa passividade nos utentes, fazendo deles consumidores pouco cautelosos de mensagens e espectáculos. Os utentes devem impor a si próprios moderação e disciplina em relação aos mass-média. Hão-de formar-se uma consciência esclarecida e recta, para resistir mais facilmente às influências menos honestas.
Communicationis socialis media (praesertim media pro hominum massa) quemdam animum passivum possunt generare in usuariis, eosdem parum vigilantes consumptores efficiendo nuntiorum vel spectaculorum. Usuarii sibi moderationem et disciplinam imponere debent relate ad media pro hominum massa. Conscientiam sibi debent efformare illustratam et rectam quo facilius influxibus minus honestis resistant.
§ 2497
Pela própria natureza da sua profissão na imprensa, os seus responsáveis têm a obrigação, na difusão da informação, de servir a verdade sem ofender a caridade. Esforçar-se-ão por respeitar, com igual cuidado, a natureza dos factos e os limites do juízo crítico em relação às pessoas. Devem evitar ceder à difamação.
Responsabiles ephemeridum, ratione sui ipsius muneris, obligationem habent, in informatione evulganda, veritati serviendi et caritatem non laedendi. Eadem cura, observare nitentur naturam factorum et limites iudicii critici de personis. Vitare debent diffamationi succumbere.
§ 2498
«Cabem às autoridades civis deveres particulares em razão do bem comum. [...] Os poderes públicos devem defender e proteger a verdadeira e justa liberdade de informação» (245). Promulgando leis e velando pela sua aplicação, os poderes públicos «responsabilizar-se-ão por que o mau uso dos média não venha a causar graves prejuízos aos costumes públicos e aos progressos da sociedade» (246). Sancionarão a violação dos direitos de cada um ao bom nome e à privacidade; prestarão a tempo e honestamente as informações que dizem respeito ao bem geral ou correspondem a justas preocupações da população. Nada pode justificar o recurso às falsas informações para manipular a opinião pública através dos média. Essas intervenções não deverão atentar contra a liberdade dos indivíduos e dos grupos.
« Civilis auctoritas hac in re peculiaribus officiis obstringitur ratione boni communis [...]. Eiusdem enim auctoritatis est, pro suo munere, informationis veram iustamque libertatem [...] defendere ac tutari ». 380 Publicae potestates, leges promulgando et earum applicationi vigilando, praestabunt « ne ex horum instrumentorum pravo usu gravia discrimina publicis moribus et societatis progressui obveniant ». 381 Violationem punient iurium uniuscuiusque ad existimationem et ad vitae privatae secretum. Opportune et honeste informationes praebebunt quae bonum respiciunt generale vel iustis respondent incolarum inquietudinibus. Nihil potest iustificare recursum ad falsas informationes ut publica opinio artificiose deformetur per media. Hi interventus libertati individuorum et coetuum inferre non debent vulnus.
§ 2499
A moral denuncia a chaga dos estados totalitários, que falsificam sistematicamente a verdade, exercem através dos «média» o domínio político da opinião, «manipulam» os acusados e as testemunhas dos processos públicos e pensam assegurar a sua tirania sufocando e reprimindo tudo o que consideram como «delitos de opinião».
Sensus moralis plagam denuntiat Statuum totalitariorum qui systematice veritatem adulterant, politicum opinionis exercent dominatum per media, « artificiose deformant » accusatos et testes publicorum processuum et suam tyrannidem firmare arbitrantur praecidendo et reprimendo quidquid ipsi tamquam « opinionis delicta » considerant. VI. Veritas, pulchritudo et ars sacra

O OITAVO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

Verdade, beleza e arte sacra

§ 2500
A prática do bem é acompanhada por um prazer espiritual gratuito e pela beleza moral. Do mesmo modo, a verdade comporta a alegria e o esplendor da beleza espiritual. A verdade é bela por si mesma. A verdade da palavra, expressão racional do conhecimento da realidade criada e incriada, é necessária ao homem dotado de inteligência; mas a verdade pode encontrar também outras formas de expressão humana, complementares, sobretudo quando se trata de evocar o que ela comporta de indizível: as profundezas do coração humano, as elevações da alma, o mistério de Deus. Antes mesmo de Se revelar ao homem em palavras de verdade, Deus revela-Se-lhe pela linguagem universal da criação, obra da sua Palavra e da sua Sabedoria: a ordem e a harmonia do  cosmos – que podem ser descobertas tanto pela criança como pelo homem de ciência – , «a grandeza e a beleza das criaturas levam, por analogia, à contemplação do seu Autor» (Sb 13, 5), «porque foi a própria fonte da beleza que as criou» (Sb 13, 3).

«Com efeito, a Sabedoria é um sopro do poder de Deus, efusão pura da glória do Omnipotente; por isso, nenhum elemento impuro a pode atingir. Ela é o esplendor da luz eterna, límpido espelho da actividade de Deus, imagem da sua bondade» (Sb 7, 25-26). «A Sabedoria é, de facto, mais formosa do que o sol e supera todas as constelações. Comparada com a luz, revela-se mais excelente, porque à luz sucede a noite, mas a maldade nada pode contra a Sabedoria (Sb 7, 29-30). Amei-a [...] e enamorei-me dos seus encantos» (Sb 8, 2)

Gratuita spiritualis delectatio et pulchritudo moralis exercitium comitantur boni. Pariter, veritas secum fert gaudium et splendorem pulchritudinis spiritualis. Veritas est per se ipsam pulchra. Verbi veritas, rationalis expressio cognitionis realitatis creatae et increatae, homini intelligentia praedito est necessaria, sed veritas alias etiam formas potest invenire expressionis humanae, ut complementum, maxime cum agitur de suggerendo id quod illa ineffabile implicat, cordis humani profunditates, animae elevationes, Dei mysterium. Deus, etiam priusquam Se homini verbis revelet veritatis, eidem revelatur per universalem sermonem creationis, operis Verbi Sui, Sapientiae Suae: a mundi universi ordine et harmonia — quae et puer et homo scientificus detegunt —, « a magnitudine [...] et pulchritudine creaturarum cognoscibiliter potest Creator horum videri » (Sap 13,5), « speciei enim principium et auctor constituit ea » (Sap 13,3).

« Halitus est enim [Sapientia] virtutis Dei et emanatio claritatis Omnipotentis sincera; ideo nihil inquinatum in eam incurrit: candor est enim lucis aeternae et speculum sine macula Dei potentiae et imago bonitatis Illius » (Sap 7,25-26). « Est enim haec speciosior sole et super omnem dispositionem stellarum; luci comparata invenitur splendidior: illi enim succedit nox, Sapientiam autem non vincit malitia » (Sap 7,29-30). « Amator factus sum formae illius » (Sap 8,2).

§ 2501
«Criado à imagem de Deus» (247), o homem exprime também a verdade da sua relação com Deus Criador pela beleza das suas obras artísticas. A arte é, com efeito, uma forma de expressão especificamente humana. Para além da busca da satisfação das necessidades vitais, comum a todas as criaturas vivas, a arte é uma superabundância gratuita da riqueza interior do ser humano. Fruto do talento dado pelo Criador e do esforço do próprio homem, a arte é uma forma de sabedoria prática, unindo conhecimento e habilidade (248) para dar forma à verdade duma realidade, em linguagem acessível à vista ou ao ouvido. A arte comporta assim uma certa semelhança com a actividade de Deus no mundo criado, na medida em que se inspira na verdade e no amor dos seres. Como qualquer outra actividade humana, a arte não tem em si mesma o seu fim absoluto; mas é ordenada e enobrecida pelo fim último do homem (249).
Homo « ad imaginem Dei creatus », 382 veritatem suae relationis ad Deum Creatorem per suorum artificiosorum operum etiam exprimit pulchritudinem. Ars, re vera, expressionis proprie humanae est forma; ultra conatum necessitatibus vitalibus satisfaciendi, qui omnibus creaturis viventibus est communis, ipsa est superabundantia gratuita interiorum divitiarum creaturae humanae. Ars, e talento praestito a Creatore et ex ipsius hominis nisu orta, forma est sapientiae practicae, cognitionem et industriam coniungens 383 ad formam praebendam veritati realitatis in sermone pervio ad visum et ad auditum. Sic ars quamdam implicat similitudinem cum activitate Dei in creatione, quatenus rerum veritate inspiratur et amore. Ars, sicut quaelibet alia humana activitas, finis in se ipsa non est absolutus, sed ultimo hominis ordinatur fini eoque nobilitatur. 384
§ 2502
A arte sacra é verdadeira e bela quando corresponde, pela forma, à sua vocação própria: evocar e glorificar, na fé e na adoração, o mistério transcendente de Deus, sobre eminente beleza invisível da verdade e do amor, manifestada em Cristo, «esplendor da sua glória e imagem da sua substância» (Heb 1, 3), no Qual «habita corporalmente toda a plenitude da divindade» (Cl 2, 9); beleza espiritual reflectida na santíssima Virgem Mãe de Deus, nos anjos e nos santos. A verdadeira arte sacra leva o homem à adoração, à oração e ao amor de Deus, Criador e Salvador, Santo e Santificador.
Ars sacra vera est et pulchra, cum per suam formam suae propriae correspondet vocationi: in fide et adoratione, suggerere et glorificare transcendens mysterium Dei, supereminentis invisibilis pulchritudinis veritatis et amoris, quae apparuit in Christo qui est « splendor gloriae et figura substantiae Eius » (Heb 1,3), in quo « inhabitat omnis plenitudo divinitatis corporaliter » (Col 2,9), qui pulchritudo est spiritualis in beatissima Virgine Maria, angelis et sanctis resplendens. Vera ars sacra hominem ad adorationem ducit, ad orationem et ad amorem Dei Creatoris et Salvatoris, Sancti et Sanctificatoris.
§ 2503
Por isso, os bispos devem, por si próprios ou por delegados, velar pela promoção da arte sacra, antiga e nova, sob todas as suas formas e, com o mesmo religioso cuidado, afastar da liturgia e dos lugares de culto tudo o que não for conforme com a verdade da fé e a autêntica beleza da arte sacra (250).Resumindo:
Hac de causa, debent Episcopi, per se ipsos vel per delegatos, vigilare ut ars sacra, antiqua et nova, in omnibus suis promoveatur formis, et, cum eadem cura religiosa, ut a liturgia et a cultus aedificiis removeatur omne quod veritati fidei et authenticae pulchritudini artis sacrae conforme non est. 385 Compendium

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2504
«Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo» (Ex 20, 16). Os discípulos de Cristo revestiram-se «do homem novo, que foi criado em conformidade com Deus, na justiça e na santidade, próprias da verdade» (Ef 4, 24).
« Non loqueris contra proximum tuum falsum testimonium » (Ex 20,16). Christi discipuli induerunt « novum hominem, qui secundum Deum creatus est in iustitia et sanctitate veritatis » (Eph 4,24).
§ 2505
A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e em dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia.
Veritas seu veracitas virtus est quae in eo consistit ut quis se verum suis actibus ostendat et verum suis dicat verbis, duplicitatem, simulationem et hypocrisim vitando.
§ 2506
O cristão não deve «envergonhar-se de dar testemunho do Senhor» (2 Tm 1, 8) em actos e palavras. O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé.
Christianus non debet « erubescere testimonium Domini » (2 Tim 1,8) opere et verbo. Martyrium supremum est testimonium veritati fidei perhibitum.
§ 2507
O respeito pelo bom nome e pela honra das pessoas proíbe toda e qualquer atitude ou palavra de maledicência ou calúnia.
Observantia existimationis et honoris personarum omnem habitudinem omneque vetat verbum detractionis vel calumniae.
§ 2508
A mentira consiste em dizer o que é falso, com a intenção de enganar o próximo.
Mendacium est falsum dicere cum intentione fallendi proximum.
§ 2509
Uma falta cometida contra a verdade exige reparação.
Culpa contra veritatem commissa reparationem postulat.
§ 2510
Em situações concretas, a regra de ouro ajuda a discernir se convém ou não revelar a verdade a quem a pede.
Regula aurea, in casibus concretis, adiuvat ad discernendum utrum oporteat veritatem revelare poscenti illam necne.
§ 2511
«O sigilo sacramental é inviolável» (251). Os segredos profissionais devem ser guardados. As confidências prejudiciais a outrem não devem ser divulgadas.
« Sacramentale sigillum inviolabile est ». 386 Secreta officiosa servanda sunt. Informationes secretae aliis damnosae evulgari non debent.
§ 2512
A sociedade tem direito a uma informação fundada na verdade, na liberdade e na justiça. É preciso impor-se moderação e disciplina no uso dos meios de comunicação social.
Societas ad informationem fundatam in veritate, libertate, iustitia habet ius. Oportet sibi moderationem imponere et disciplinam in usu mediorum communicationis socialis.
§ 2513
As belas-artes, mas sobretudo a arte sacra, «estão relacionadas, por sua natureza, com a infinita beleza de Deus, que deve ser expressa de algum modo nas obras humanas. E tanto mais se consagram a Deus e contribuem para o seu louvor e para a sua glória, quanto mais se afastarem de todo o propósito que não seja o de contribuir o mais eficazmente possível, através das suas obras, para dirigir o espírito dos homens, piamente, para Deus» (252).
Pulchrae artes, sed praecipue ars sacra « natura sua ad infinitam puchritudinem divinam spectant, humanis operibus aliquomodo exprimendam, et Deo Eiusdemque laudi et gloriae provehendae eo magis addicuntur, quo nihil aliud eis propositum est, quam ut operibus suis ad hominum mentes pie in Deum convertendas maxime conferant ». 387  (349) Cf Prv 8,7; 2 Sam 7,28. (350) Cf Ps 119,142. (351) Cf Lc 1,50. (352) Cf Ps 119,30. (353) Cf Io 1,14. (354) Cf Io 14,6. (355) Cf Io 12,46. (356) Cf Io 8,31-32. (357) Cf Io 17,17. (358) Cf Io 14,17. (359) Cf Io 14,26. (360) Concilium Vaticanum II, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 931.(361) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 109, a. 3, ad 1: Ed. Leon. 9, 418. (362) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 109, a. 3, c: Ed. Leon. 9, 418. (363) Cf Io 18,37. (364) Cf Mt 18,16. (365) Concilium Vaticanum II, Decr. Ad gentes, 11: AAS 58 (1966) 959.(366) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Romanos, 4, 1: SC 10bis, p. 110 (Funk 1, 256).(367) Sanctus Ignatius Antiochenus, Epistula ad Romanos, 6, 1: SC 10bis, p. 114 (Funk 1, 258-260). (368) Martyrium Polycarpi, 14, 2-3: SC 10bis, p. 228 (Funk 1, 330-332).(369) Cf Prv 19,9.(370) Cf Prv 18,5.(371) Cf CIC canon 220.(372) Cf Eccli 21,28.(373) Sanctus Ignatius de Loyola, Exercitia spiritualia, 22: MHSI 100, 164. (374) Sanctus Augustinus, De mendacio, 4, 5: CSEL 41, 419 (PL 40, 491).(375) Cf Eccli 27,17; Prv 25,9-10. (376) CIC canon 983, § 1. (377) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Inter mirifica, 11: AAS 56 (1964) 148-149. (378) Concilium Vaticanum II, Decr. Inter mirifica, 5: AAS 56 (1964) 147.(379) Concilium Vaticanum II, Decr. Inter mirifica, 8: AAS 56 (1964) 148.(380) Concilium Vaticanum II, Decr. Inter mirifica, 12: AAS 56 (1964) 149.(381) Concilium Vaticanum II, Decr. Inter mirifica, 12: AAS 56 (1964) 149.(382) Cf Gn 1,26.(383) Cf Sap 7,17.(384) Cf Pius XII, Nuntius radiophonicus (24 decembris 1955): AAS 48 (1956) 26-41; Id., Nuntius radiophonicus sociis sodalitatis iuvenum operariorum christianorum (J.O.C.) (3 septembris 1950): AAS 42 (1950) 639-642.(385) Cf Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 122-127: AAS 56 (1964) 130-132. (386) CIC canon 983, § 1. (387) Concilium Vaticanum II, Const. Sacrosanctum Concilium, 122: AAS 56 (1964) 130-131.

O NONO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2514
São João distingue três espécies de cupidez ou concupiscência: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (253). Segundo a tradição catequética católica, o nono mandamento proíbe a concupiscência carnal; e o décimo, a cobiça dos bens alheios.
Sanctus Ioannes tres cupiditatis seu concupiscentiae distinguit species: concupiscentiam carnis, concupiscentiam oculorum et superbiam vitae. 388 Secundum catholicam catecheticam traditionem, nonum praeceptum concupiscentiam vetat carnalem; decimum concupiscentiam prohibet boni alieni.
§ 2515
Em sentido etimológico, «concupiscência» pode designar todas as formas veementes de desejo humano. A teologia cristã deu-lhe o sentido particular de impulso do apetite sensível, contrário aos ditames da razão humana. O apóstolo São Paulo identifica-a com a revolta que a «carne» instiga contra o «espírito» (254). Procede da desobediência do primeiro pecado (255). Desregra as faculdades morais do homem e, sem ser nenhuma falta em si mesma, inclina o homem para cometer pecado (256).
Sensu etymologico, « concupiscentia » omnem formam potest indicare humani optati. Theologia christiana eidem sensum particularem tribuit motus appetitus sensibilis qui operi rationis humanae adversatur. Sanctus Paulus eam rebellioni comparat quam « caro » ducit adversus « spiritum ». 389 Illa ab inoboedientia procedit primi peccati. 390 Eadem facultates morales perturbat hominis et, quin culpa sit in se ipsa, hunc ad peccata inclinat committenda. 391
§ 2516
No homem, porque é um ser integrado de espírito e corpo, já existe uma certa tensão. Trava-se nele uma certa luta de tendências entre o «espírito» e a «carne». Mas esta luta, de facto, faz parte da herança do pecado, é uma consequência dele e, ao mesmo tempo, uma sua confirmação. Faz parte da experiência quotidiana do combate espiritual:

«Para o Apóstolo, não se trata de desprezar e condenar o corpo que, com a alma espiritual, constitui a natureza do homem e a sua personalidade de sujeito; pelo contrário, ele fala das obras, ou antes, das disposições estáveis, virtudes e vícios, moralmente boas ou más, que são o fruto da submissão (no primeiro caso) ou, pelo contrário, da resistência (no segundo caso) à acção salvadora do Espírito Santo. É por isso que o Apóstolo escreve: "Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o espírito" (Gl 5, 25)» (257).

Iam in homine, quia ipse ens compositum est, spiritus et corpus, quaedam inest contentio, quaedam tendentiarum initur pugna inter « spiritum » et « carnem ». Sed, revera, haec lucta ad hereditatem pertinet peccati, eius est consequentia et insimul confirmatio. Ipsa ad quotidianam experientiam dimicationis spiritualis pertinet:

« Liquet Apostolum nec discriminare nec condemnare corpus, quod cum anima spirituali efficit naturam hominis eiusque subiectivam indolem personalem; sed contra tractare de operibus vel potius de stabilibus habitibus — virtutibus et vitiis — moraliter bonis aut malis, quae sunt fructus oboedientiae (in priore casu) aut renisus (in altero casu) quoad actionem salvificam Spiritus Sancti. Quare Apostolus scribit: "Si vivimus Spiritu, Spiritu et ambulemus" (Gal 5,25) ». 392

O NONO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

A purificação do coração

§ 2517
O coração é a sede da personalidade moral: «Do coração procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições» (Mt 15, 19). A luta contra a concupiscência carnal passa pela purificação do coração e pela prática da temperança:

«Mantém-te na simplicidade, na inocência, e serás como as criancinhas que ignoram o mal, destruidor da vida dos homens» (258).

Cor sedes est personalitatis moralis: « De corde enim exeunt cogitationes malae, homicidia, adulteria, fornicationes » (Mt 15,19). Pugna contra concupiscentiam carnalem purificationem implicat cordis et exercitium temperantiae:

« Simplicitatem tene et innocens esto et eris sicut infantes, qui ignorant nequitiam vitam hominum perdentem ». 393

§ 2518
A sexta bem-aventurança proclama: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8). Os «puros de coração» são os que puseram a inteligência e a vontade de acordo com as exigências da santidade de Deus, principalmente em três domínios: a caridade (259); a castidade ou rectidão sexual (260); o amor da verdade e a ortodoxia da fé (261), Existe um nexo entre a pureza do coração, do corpo e da fé:

Os fiéis devem crer nos artigos do Credo, «para que, crendo, obedeçam a Deus; obedecendo a Deus, vivam como deve ser; vivendo como deve ser, purifiquem o seu coração; e purificando o seu coração, compreendam aquilo em que crêem» (262).

Sexta beatitudo proclamat: « Beati mundo corde, quoniam ipsi Deum videbunt » (Mt 5,8). « Munda corda » illos indicant qui suum intellectum suamque voluntatem sanctitatis Dei conformant exigentiis, praecipue in tribus ambitibus: in caritate, 394 in castitate seu sexuali rectitudine, 395 in amore veritatis et orthodoxiae fidei. 396 Vinculum est inter puritatem cordis, corporis et fidei:

Fideles Symboli credere debent articulos, « ut credendo subiugentur Deo, subiugati recte vivant, recte vivendo cor mundent, corde mundato quod credunt intellegant ». 397

§ 2519
Aos «puros de coração» é prometido que verão a Deus face a face e serão semelhantes a Ele (263). A pureza do coração é condição prévia para a visão. Já desde agora, permite-nos ver segundo Deus, aceitar o outro como um «próximo» e compreender o corpo humano, o nosso e o do próximo, como um templo do Espírito Santo, uma manifestação da beleza divina.
« Mundis cordibus » promittitur videre Deum facie ad faciem Eique esse similes. 398 Cordis puritas condicio est praevia visioni. Hinc iam nobis praebet ut secundum Deum videamus, alterum accipiamus tamquam « proximum »; nobis permittit ut corpus humanum percipiamus, nostrum et illud proximi, tamquam templum Spiritus Sancti, manifestationem divinae pulchritudinis. II. Pro puritate dimicatio

O NONO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

O combate pela pureza

§ 2520
O Baptismo confere a quem o recebe a graça da purificação de todos os pecados. Mas o baptizado tem de continuar a lutar contra a concupiscência da carne e os desejos desordenados. Com a graça de Deus, consegui-lo-ei:

– pela virtude e pelo dom da castidade, pois a castidade permite amar com um coração recto e sem partilha;
– pela pureza de intenção, que consiste em ter em vista o verdadeiro fim do homem: com um olhar simples, o baptizado procura descobrir e cumprir em tudo a vontade de Deus (264);
– pela pureza do olhar, exterior e interior; pela disciplina dos sentidos e da imaginação; pela rejeição da complacência em pensamentos impuros que o levariam a desviar-se do caminho dos mandamentos divinos: «a vista excita a paixão dos insensatos» (Sb 15, 5).
– pela oração:

«Eu pensava que a continência dependia das minhas próprias forças, forças que em mim não conhecia. E era suficientemente louco para não saber [...] que ninguém pode ser continente, se Tu lho não concederes. E de certo Tu o terias concedido, se com gemido interior eu chamasse aos teus ouvidos e se com fé sólida lançasse em Ti o meu cuidado» (265).

Baptismus ei, qui illum recipit, confert gratiam purificationis omnium peccatorum. Sed baptizatus pergere debet contra carnis concupiscentiam et cupiditates inordinatas certare. Cum gratia Dei ad id pervenit: — virtute et dono castitatis, quia castitas corde recto et sine divisione amare permittit;
— intentionis puritate, quae consistit in intendendo ad verum hominis finem: baptizatus, oculo simplici, in omnibus voluntatem Dei invenire et adimplere nititur; 399
— puritate intuitus, exterioris et interioris; disciplina sensuum et imaginationis; reiectione omnis obsequentiae in impuris cogitationibus quae inclinant ad se avertendum a mandatorum divinorum via: « Aspectus insensatis in concupiscentiam venit » (Sap 15,5);
— oratione:

« Propriarum virium credebam esse continentiam, quarum mihi non eram conscius, cum tam stultus essem, ut nescirem [...] neminem posse esse continentem, nisi Tu dederis. Utique dares, si gemitu interno pulsarem aures Tuas et fide solida in Te iactarem curam meam ». 400

§ 2521
A pureza exige o pudor. O pudor é parte integrante da temperança. O pudor preserva a intimidade da pessoa. Designa a recusa de mostrar o que deve ficar oculto. Ordena-se à castidade e comprova-lhe a delicadeza. Orienta os olhares e as atitudes em conformidade com a dignidade das pessoas e com a união que existe entre elas.
Puritas postulat pudorem. Hic temperantiae est pars integralis. Pudor intimitatem praeservat personae. Indicat reiectionem develandi id quod occultum debet manere. Ad castitatem ordinatur, cuius etiam testatur circumspectionem. Intuitus et gestus dirigit dignitati personarum unionisque earum conformes.
§ 2522
O pudor protege o mistério da pessoa e do seu amor. Convida à paciência e à moderação na relação amorosa e exige que se cumpram as condições do dom e do compromisso definitivo do homem e da mulher entre si. O pudor é modéstia. Inspira a escolha do vestuário, mantém o silêncio ou o recato onde se adivinha o perigo duma curiosidade malsã. O pudor é discrição.
Pudor mysterium protegit personarum et amoris earum. Ad patientiam invitat et ad moderationem in amoris relatione; postulat ut condiciones serventur doni et definitivae obligationis viri et mulieris inter se. Pudor est modestia. Vestium inspirat electionem. Silentium vel circumspectionem tenet, cum morbidae curiositatis pellucet periculum. Ipsa fit discretio.
§ 2523
Existe um pudor dos sentimentos, tal como existe um pudor corporal. Ele protesta, por exemplo, contra as explorações exibicionistas do corpo humano em certa publicidade, ou contra a solicitação de certos meios de comunicação em ir longe demais na revelação de confidências íntimas. O pudor inspira um modo de viver que permite resistir às solicitações da moda e à pressão das ideologias dominantes.
Sensuum exstat pudor sicut etiam corporis. Ipse insurgit, exempli gratia, contra corporis humani exhibitiones quae illud ad insanam curiositatem fovendam in quibusdam pervulgationibus ostentant vel contra sollicitationem quorumdam mediorum communicationis ad nimis longe progrediendum in intimis secretis amicaliter commissis revelandis. Pudor quemdam vivendi modum inspirat qui permittit resistere sollicitationibus hodierni moris et impulsibus ideologiarum dominantium.
§ 2524
As formas de que o pudor se reveste variam de cultura para cultura. No entanto, ele continua a ser, em toda a parte, o pressentimento duma dignidade espiritual própria do homem. Nasce com o despertar da consciência pessoal. Ensinar o pudor às crianças e adolescentes é despertá-los para o respeito pela pessoa humana.
Formae, quas pudor induit, ab alia in aliam culturam variant. Ubique tamen ipse dignitatis spiritualis homini propriae permanet praesensio. Nascitur expergefactione conscientiae subiecti. Pueros et adulescentes docere pudorem est personae humanae suscitare observantiam.
§ 2525
A pureza cristã exige uma purificação do ambiente social. Exige dos meios de comunicação social uma informação preocupada com o respeito e o recato. A pureza de coração liberta do erotismo difuso e afasta dos espectáculos que favorecem a curiosidade mórbida e a ilusão.
Puritas christiana purificationem socialis atmospherae postulat. A communicationis socialis mediis informationem exigit quae observantiae et discretionis habeant curam. Cordis puritas ab erotismo liberat grassante et spectacula amovet quae insanae curiositati et indecoris imaginibus favent.
§ 2526
A chamada permissividade dos costumes assenta numa concepção errónea da liberdade humana; para se edificar, esta precisa de se deixar educar previamente pela lei moral. Deve pedir-se aos responsáveis pela educação que ministrem à juventude um ensino respeitador da verdade, das qualidades do coração e da dignidade moral e espiritual do homem.
Id, quod morum permissivus animus appellatur, super erroneum sistit conceptum humanae libertatis; haec, ad se aedificandam, eget ut prius se lege morali educari permittat. Oportet ab educationis responsabilibus postulare ut iuvenibus tribuant institutionem, quae veritatem, qualitates cordis et dignitatem moralem et spiritualem hominis observet.
§ 2527
«A boa-nova de Cristo renova constantemente a vida e a cultura do homem decaído; combate e repele os erros e os males provenientes da sedução sempre ameaçadora do pecado. Purifica e eleva sem cessar a moralidade dos povos. Com as riquezas do alto, fecunda, consolida, completa e restaura em Cristo, como que a partir de dentro, as qualidades espirituais e os dotes de todos os povos e eras» (266)Resumindo:
« Bonum Christi nuntium hominis lapsi vitam et cultum continenter renovat, et errores ac mala, ex semper minaci peccati seductione manantia, impugnat et removet. Mores populorum indesinenter purificat et elevat. Animi ornamenta dotesque cuiuscumque populi vel aetatis supernis divitiis velut ab intra fecundat, communit, complet atque in Christo restaurat ». 401 Compendium
§ 2528
«Todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração» (Mt 5, 28).
« Omnis, qui viderit mulierem ad concupiscendum eam, iam moechatus est eam in corde suo » (Mt 5,28).
§ 2529
O nono mandamento acautela-nos contra a cupidez ou concupiscência carnal.
Nonum praeceptum contra cupiditatem seu concupiscentiam carnalem ad vigilantiam excitat.
§ 2530
A luta contra a concupiscência carnal passa pela purificação do coração e pela prática da temperança.
Pugna contra concupiscentiam carnalem purificationem implicat cordis et exercitium temperantiae.
§ 2531
A pureza de coração permitir-nos-á ver a Deus: desde já, permite-nos ver tudo segundo Deus.
Puritas cordis nobis Deum videre praebebit: eadem hinc iam nobis praebet ut omnia secundum Deum videamus.
§ 2532
A purificação do coração exige a oração, a prática da castidade, a pureza de intenção e do olhar.
Cordis purificatio orationem exigit, castitatis exercitium, puritatem intentionis et intuitus.
§ 2533
A pureza do coração requer o pudor que é paciência, modéstia e discrição. O pudor preserva a intimidade da pessoa.
Puritas cordis postulat pudorem, qui patientia est, modestia et discretio. Pudor intimitatem praeservat personae. (388) Cf 1 Io 2,16 (Vulgata). (389) Cf Gal 5,16.17.24; Eph 2,3. (390) Cf Gn 3,11. (391) Cf Concilium Tridentinum, Sess. 5a, Decretum de peccato originali, canon 5: DS 1515. (392) Ioannes Paulus II, Litt. enc. Dominum et vivificantem, 55: AAS 78 (1986) 877-878. (393) Hermas, Pastor, 27, 1 (mandatum 2, 1): SC 53, 146 (Funk 1, 70).(394) Cf 1 Thess 4,3-9; 2 Tim 2,22. (395) Cf 1 Thess 4,7; Col 3,5; Eph 4,19. (396) Cf Tit 1,15; 1 Tim 1,3-4; 2 Tim 2,23-26. (397) Sanctus Augustinus, De fide et Symbolo, 10, 25: CSEL 25, 32 (PL 40, 196).(398) Cf 1 Cor 13,12; 1 Io 3,2. (399) Cf Rom 12,2; Col 1,10. (400) Sanctus Augustinus, Confessiones, 6, 11, 20: CCL 27, 87 (PL 32, 729-730).(401) Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 58: AAS 58 (1966) 1079.

O DÉCIMO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

§ 2534
O décimo mandamento desdobra e completa o nono, que tem por objecto a concupiscência da carne. Proíbe cobiçar o bem de outrem, raiz de onde procede o roubo, a rapina e a fraude, proibidos pelo sétimo mandamento. A «concupiscência dos olhos» (1 Jo 2, 16) conduz à dolência e à injustiça, proibidas pelo quinto mandamento (267). A cobiça, bem como a fornicação, tem a sua origem na idolatria, proibida nos três primeiros mandamentos da Lei (268). O décimo mandamento incide sobre a intenção do coração e resume, com o nono, todos os preceitos da Lei.
Decimum praeceptum explicat et complet nonum, quod ad carnis refertur concupiscentiam. Hoc boni alieni prohibet cupiditatem, radicem furti, rapinae et fraudis, quae septimum vetat praeceptum. « Concupiscentia oculorum » (1 Io 2,16) ad violentiam ducit et ad iniustitiam a quinto praecepto vetitas. 402 Cupiditas, sicut fornicatio, suam invenit originem in idololatria tribus primis praescriptionibus Legis prohibita. 403 Decimum praeceptum ad intentionem refertur cordis; ipsum, cum nono, omnia Legis praecepta compendiat. I. Cupiditatum inordinatio

O DÉCIMO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

A desordem das cobiças

§ 2535
O apetite sensível leva-nos a desejar as coisas agradáveis que não possuímos. Exemplo disso é desejar comer quando se tem fome ou aquecer-se quando se tem frio. Estes desejos são bons em si mesmos; muitas vezes, porém, não respeitam os limites da razão e levam-nos a cobiçar injustamente o que não é nosso e que pertence, ou é devido, a outrem.
Appetitus sensibilis nos ducit ad gratas desiderandas res, quas non habemus. Sic desiderare edere, cum quis fame laborat vel calefieri, cum quis alget. Haec desideria in se ipsis sunt bona; attamen saepe rationis non servant moderationem nosque impellunt ad iniuste cupiendum quod nobis non correspondet quodque ad alios pertinet vel eis debetur.
§ 2536
O décimo mandamento condena a avidez e o desejo duma apropriação desmesurada dos bens terrenos; e proíbe a cupidez desregrada, nascida da paixão imoderada das riquezas e do seu poder. Interdita também o desejo de cometer uma injustiça pela qual se prejudicaria o próximo nos seus bens temporais:

«Quando a Lei nos diz: "Não cobiçarás", diz-nos, por outras palavras, que afastemos os nossos desejos de tudo o que não nos pertence. Porque a sede da cobiça dos bens alheios é imensa, infindável e insaciável, conforme está escrito: "O avarento nunca se fartará de dinheiro" (Sir 5, 9)» (269).

Decimum praeceptum aviditatem vetat et desiderium appropriationis bonorum terrestrium sine mensura; inordinatam prohibet cupiditatem natam ab immoderata passione divitiarum earumque potentiae. Etiam desiderium interdicit committendi iniustitiam per quam proximo damnum in eius bonis inferretur temporalibus:

« Cum Lege ita caveatur: Non concupisces, haec verba ad eum sensum referuntur, ut nostras cupiditates a rebus alienis cohibeamus. Alienarum enim rerum cupiditatis sitis immensa est atque infinita, neque unquam satiatur, ut scriptum est: Avarus non implebitur pecunia (Eccle 5,9) ». 404

§ 2537
Não é violar este mandamento desejar obter coisas que pertencem ao próximo, desde que seja por meios legítimos. A catequese tradicional menciona, com realismo, «os que têm que lutar mais contra as suas cobiças criminosas» e que, portanto, precisam de ser «exortados com mais insistência a observarem este preceito»:

«São [.. .] os comerciantes que desejam a falta ou carestia das coisas, que vêem com pena não serem eles os únicos a comprar e a vender, o que lhes permitiria vender mais caro e comprar mais barato; os que desejam ver o seu semelhante na miséria, para obterem maiores lucros, quer vendendo quer comprando [...]. Os médicos, que desejam que haja doentes; os advogados, que reclamam causas e processos importantes e numerosos...» (270).

Hoc praeceptum non violatur desiderando res obtinere quae ad proximum pertinent, dummodo id iustis sit mediis. Traditionalis catechesis cum sensu realitatis indicat illos « qui prae ceteris hoc cupiditatis vitio laborant » et quos proinde oportet « ad colendum hoc praeceptum diligentius cohortari »:

« illi sunt [...] mercatores [...], qui rerum penuriam annonaeque caritatem expetunt, atque id aegre ferunt, ut alii praeter ipsos sint qui vendant aut emant, quo carius vendere aut vilius emere ipsi possint; qua in re item peccant, qui alios egere cupiunt, ut aut vendendo aut emendo ipsi lucrentur. [...] Medici item qui morbos desiderant; iure consulti qui causarum litiumque vim copiamque concupiscunt... ». 405

§ 2538
O décimo mandamento exige que seja banida a inveja do coração humano. Quando o profeta Natan quis estimular o arrependimento do rei David, contou-lhe a história do pobre que só possuía uma ovelha, tratada como se fosse uma filha, e do rico que, apesar dos seus numerosos rebanhos, tinha inveja dele e acabou por lhe roubar a ovelha (271). A inveja pode levar aos piores crimes (272). «Foi pela inveja do demónio que a morte entrou no mundo» (Sb 2, 24).

«Combatemo-nos uns aos outros e é a inveja que nos arma uns contra os outros [...]. Se todos se encarniçam assim a abalar o corpo de Cristo, onde chegaremos nós? Estamos a aniquilar o corpo de Cristo. [...] Declaramo-nos membros dum mesmo organismo e devoramo-nos como feras» (273).

Decimum praeceptum invidiam ex corde humano exigit expellere. Cum propheta Nathan poenitentiam regis David stimulare cupiebat, ei historiam enarravit pauperis, qui nihil habebat praeter unam ovem tamquam suam propriam filiam tractatam, et divitis, qui, non obstante suorum gregum multitudine, ei invidebat suamque ovem est denique furatus. 406 Invidia ad pessima ducere potest facinora. 407 « Invidia autem Diaboli mors introivit in orbem terrarum » (Sap 2,24):

« Nosque adversus nos ipsos mutuo stamus, livore nimirum arma porrigente. [...] Cum omnes id agimus ut diruamus [corpus Christi], quis tandem finis erit? [...] Christi [...] corpus mortuum reddidimus. [...] Cumque membra omnes vocemus, ferarum tamen ritu inter nos dissidemus ». 408

§ 2539
A inveja é um vício capital. Designa a tristeza que se sente perante o bem alheio e o desejo imoderado de se apropriar dele, mesmo indevidamente. Se desejar ao próximo um mal grave, é pecado mortal:

Santo Agostinho via na inveja «o pecado diabólico por excelência» (274).
«Da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria causada pelo mal do próximo e o desgosto causado pela sua prosperidade» (275).

Invidia vitium est capitale. Indicat tristitiam, quam quis experitur coram bono alieno, et immoderatum desiderium illud faciendi suum, etiam modo indebito. Cum eadem malum grave proximo exoptat, peccatum est mortale:

Sanctus Augustinus in invidia perspiciebat « diabolicum vitium ». 409

« De invidia, odium, susurratio, detractio, exsultatio in adversis proximi, afflictio autem in prosperis nascitur ». 410

§ 2540
A inveja representa uma das formas da tristeza e, portanto, uma recusa da caridade; o baptizado lutará contra ela, opondo-lhe a benevolência. Muitas vezes, a inveja nasce do orgulho; o baptizado exercitar-se-á a viver na humildade:

«Quereríeis ver Deus glorificado por vós? Pois bem, alegrai-vos com os progressos do vosso irmão e, assim, será por vós que Deus é glorificado. Deus será louvado, dir-se-á, pelo facto de o seu servo ter sabido vencer a inveja, pondo a sua alegria nos méritos dos outros» (276).

Invidia est quaedam tristitiae forma et propterea caritatis reiectio; baptizatus adversus illam pugnabit benevolentia. Invidia saepe a superbia provenit; baptizatus se exercebit ad vivendum in humilitate:

« Per me vellem Deum gloria affici. Ergo gaude florente fratre, et per te Deus glorificabitur, omnesque dicent "Benedictus Deus" qui tales habet famulos, invidia omni liberos, qui de aliorum bonis mutuo gaudent ». 411

O DÉCIMO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

Os desejos do Espírito

§ 2541
A economia da lei e da graça desvia o coração dos homens da cobiça e da inveja; inicia-o no desejo do sumo bem; e instrui-o nos desejos do Espírito Santo que sacia o coração do homem.O Deus das promessas desde sempre pôs o homem de prevenção contra a sedução daquilo que, desde as origens, aparece como «bom para comer, [...] de atraente aspecto e precioso para esclarecer a inteligência» (Gn 3, 6).
Legis et gratiae Oeconomia a cupiditate et invidia cor hominum avertit; illud excelsi Boni initiat desiderio; illud instruit desideriis Spiritus Sancti qui hominis satiat cor.Deus promissionum semper hominem commonefecit contra seductionem illius quod, inde ab originibus, apparet « bonum [...] ad vescendum et pulchrum oculis et desiderabile [...] ad intelligendum » (Gn 3,6).
§ 2542
A Lei, confiada a Israel, nunca foi suficiente para justificar aqueles que lhe estavam sujeitos; chegou até a tornar-se instrumento de «concupiscência» (277). A inadequação entre o querer e o fazer (278) manifesta o conflito entre a Lei de Deus, que é a «lei da razão», e uma outra lei «que me retém cativo na lei do pecado, que se encontra nos meus membros» (Rm 7, 23).
Lex Israel collata nunquam sufficiens fuit ad iustificandos eos qui illi erant subiecti; ipsa est etiam « concupiscentiae » instrumentum effecta. 412 Adaequationis defectus inter velle et facere 413 conflictionem indicat inter Legem Dei, quae est lex mentis, et alteram legem « captivantem me in lege peccati, quae est in membris meis » (Rom 7,23).
§ 2543
«Agora, foi sem a Lei que se manifestou a justiça de Deus, testemunhada pela Lei e pelos Profetas: a justiça que vem para todos os crentes, mediante a fé em Jesus Cristo» (Rm 3, 21-22). E assim, os fiéis de Cristo «crucificaram a carne com as suas paixões e desejos» (Gl 5, 24); são conduzidos pelo Espírito (279) e seguem os desejos do Espírito (280).
« Nunc autem sine Lege iustitia Dei manifestata est, testificata a Lege et Prophetis, iustitia autem Dei per fidem Iesu Christi, in omnes qui credunt » (Rom 3,21-22). Exinde christifideles « carnem crucifixerunt cum vitiis et concupiscentiis » (Gal 5,24); ipsi a Spiritu ducuntur 414 et Spiritus desideria sequuntur. 415 III. Cordis paupertas

O DÉCIMO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

A pobreza de coração

§ 2544
Jesus impõe aos seus discípulos que O prefiram a tudo e a todos e propõe-lhes que renunciem a todos os seus bens (281) por causa d'Ele e do Evangelho (282). Pouco antes da sua paixão, deu-lhes o exemplo da pobre viúva de Jerusalém que, da sua penúria, deu tudo o que tinha para viver (283). O preceito do desapego das riquezas é obrigatório para entrar no Reino dos céus.
Iesus Suis praecipit discipulis ut Eum omni rei omnibusque praeferant personis et illis proponit ut abrenuntient omnibus quae possident 416 propter Eum et propter Evangelium. 417 Paulo ante Suam passionem, illis, tamquam exemplum, pauperem Hierosolymorum proposuit viduam, quae, in sua indigentia, dedit quidquid habebat ad vivendum. 418 Praeceptum libertatis cordis coram divitiis obligatorium est ad intrandum in Regnum coelorum.
§ 2545
Todos os fiéis de Cristo devem «ordenar rectamente os próprios afectos, para não serem impedidos de avançar na perfeição da caridade pelo uso das coisas terrenas e pelo apego às riquezas, em oposição ao espírito de pobreza evangélica» (284).
Omnes christifideles curare debent « ut affectus suos recte dirigant, ne usu rerum mundanarum et adhaesione ad divitias contra spiritum paupertatis evangelicae a caritate perfecta prosequenda impediantur ». 419
§ 2546
«Bem-aventurados os pobres em espírito» (Mt 5, 3). As bem-aventuranças revelam uma ordem de felicidade e de graça, de beleza e de paz. Jesus celebra a alegria dos pobres, aos quais o Reino pertence desde já (285):

«O Verbo chama "pobreza em espírito" à humildade voluntária do espírito humano e à sua renúncia; e o Apóstolo dá-nos como exemplo a pobreza de Deus, quando diz: «Ele fez-Se pobre por nós (2 Cor 8, 9)» (286).

« Beati pauperes spiritu » (Mt 5,3). Beatitudines ordinem revelant felicitatis et gratiae, pulchritudinis et pacis. Iesus gaudium celebrat pauperum, quorum iam est Regnum: 420

« Videtur mihi Verbum paupertatem spiritus nominare voluntariam animi humilitatem, atque huius exemplum Apostolus nobis Dei paupertatem proponit, dum dicit: Qui cum dives sit, propter nos pauper factus est (2 Cor 8,9) ». 421

§ 2547
O Senhor lamenta-Se dos ricos, porque eles encontram a sua consolação na abundância de bens (287). «O orgulhoso procura o poder terreno, ao passo que o pobre em espírito procura o Reino dos céus» (288). O abandono à providência do Pai do céu liberta da preocupação pelo amanhã. A confiança em Deus dispõe para a bem-aventurança dos pobres (289). Eles verão a Deus.
Dominus de divitibus lamentatur, quia ipsi in bonorum abundantia suam inveniunt consolationem. 422 « Superbi ergo appetant et diligant regna terrarum: Beati autem pauperes spiritu, quoniam ipsorum est Regnum coelorum ». 423 Se providentiae Patris coeli committere ab inquietudine liberat diei crastini. Fiducia in Deum ad beatitudinem disponit pauperum. 424 Ipsi Deum videbunt. IV. « Deum videre cupio »

O DÉCIMO MANDAMENTO

OS DEZ MANDAMENTOS

«Quero ver a Deus»

§ 2548
O desejo da verdadeira felicidade liberta o homem do apego imoderado aos bens deste mundo, e terá a sua plenitude na visão beatífica de Deus. «A promessa de ver a Deus ultrapassa toda a bem-aventurança. [...] Na Escritura, ver é possuir. [...] Por isso aquele que vê a Deus obteve todos os bens que se possam imaginar» (290).
Verae beatitudinis desiderium hominem separat ab immoderata affectione ad bona huius mundi, ut in visione et beatitudine impleatur Dei. « Promissio quidem [videndi Deum] tanta est, ut superet extremum terminum beatitudinis. [...] Nam videre in usu Scripturae, idem significat quod habere [...]. Ergo qui Deum vidit, quidquid in bonis numeratur, per hoc quod vidit, adeptus est ». 425
§ 2549
Resta ao povo santo lutar, com a graça do Alto, para alcançar os bens que Deus promete. Para possuir e contemplar a Deus, os fiéis de Cristo mortificam os seus maus desejos e, com a graça do mesmo Deus, triunfam das seduções do prazer e do poder.
Populo sancto restat, ut pugnet ad obtinenda, cum gratia ex alto, bona quae Deus promittit. Christifideles, ut Deum possideant et contemplentur, suas mortificant cupiditates et, cum gratia Dei, superant seductiones delectationis et potentiae.
§ 2550
Neste caminho da perfeição, o Espírito e a Esposa chamam quem os escuta (291) à comunhão perfeita com Deus:

«Ali será a verdadeira glória; ninguém ali será louvado por engano ou por lisonja; as verdadeiras honras não serão nem recusadas aos que as merecem, nem dadas aos indignos delas; aliás, não haverá ali indigno que as pretenda, pois só os dignos lá serão admitidos. Ali reinará a verdadeira paz; ninguém terá oposição, nem de si mesmo nem dos outros. O próprio Deus será a recompensa da virtude, Ele que a deu e Se lhe prometeu como recompensa, a maior e melhor que possa existir: [...] "Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (Lv 26, 12) [...] É também este o sentido das palavras do Apóstolo: "Para que Deus seja tudo em todos" (I Cor 15, 28). Ele mesmo será o fim dos nossos desejos, Ele que nós havemos de contemplar sem fim, de amar sem saciedade, de louvar sem cansaço. É este dom, este afecto, esta ocupação serão, sem dúvida, comuns a todos como a vida eterna» (292).

In hac perfectionis via, Spiritus et Sponsa vocant eos, qui illos audiunt, 426 ad perfectam cum Deo communionem:

« Vera ibi gloria erit, ubi laudantis nec errore quisquam nec adulatione laudabitur; verus honor, qui nulli negabitur digno, nulli deferetur indigno; sed nec ad eum ambiet ullus indignus, ubi nullus permittetur esse nisi dignus; vera pax, ubi nihil adversi nec a se ipso nec ab aliquo quisque patietur. Praemium virtutis erit Ipse, qui virtutem dedit eique Se Ipsum, quo melius et maius nihil possit esse, promisit. [...] "Ero illorum Deus, et ipsi erunt mihi plebs" (Lv 26,12) [...]. Sic enim et illud recte intellegitur, quod ait Apostolus: "Ut sit Deus omnia in omnibus" (1 Cor 15,28). Ipse finis erit desideriorum nostrorum, qui sine fine videbitur, sine fastidio amabitur, sine fatigatione laudabitur. Hoc munus, hic adfectus, hic actus profecto erit omnibus, sicut ipsa vita aeterna communis ». 427

COMPÊNDIO

OS DEZ MANDAMENTOS

Resumindo

§ 2551
«Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21).
« Ubi [...] est thesaurus tuus, ibi erit et cor tuum » (Mt 6,21).
§ 2552
O décimo mandamento proíbe a cupidez desregrada, nascida da paixão imoderada das riquezas e seu poder.2554 O baptizado combate a inveja pela benevolência, pela humildade e pelo abandono à providência divina.
Decimum praeceptum inordinatam prohibet cupiditatem, ab immoderata passione divitiarum earumque potentiae natam.
§ 2553
Inveja é a tristeza que se experimenta perante o bem alheio e o desejo imoderado de se apropriar dele. É um vício capital.
Invidia tristitia est quam quis experitur coram bono alieno et desiderium immoderatum illud faciendi suum. Ipsa vitium est capitale.
§ 2554
O baptizado combate a inveja pela benevolência, pela humildade e pelo abandono à providência divina.
Baptizatus invidiam oppugnat benevolentia, humilitate atque se Dei providentiae committendo.
§ 2555
Os fiéis de Cristo «crucificaram a carne com as suas paixões e desejos» (Gl 5, 24); são conduzidos pelo Espírito e seguem os seus desejos.
Christifideles « carnem crucifixerunt cum vitiis et concupiscentiis » (Gal 5,24); ipsi a Spiritu ducuntur et Eius sequuntur desideria.
§ 2556
O desapego das riquezas é necessário para entrar no Reino dos céus. «Bem-aventurados os pobres em espírito» (Mt 5, 3).
Superatio affectionis ad divitias est necessaria ad intrandum in Regnum coelorum. « Beati pauperes spiritu » (Mt 5,3).
§ 2557
O homem de desejo diz: «Quero ver a Deus», sede de Deus é saciada pela água da vida eterna (293).
Homo desiderii dicit: « Deum videre cupio ». Dei sitis aqua vitae aeternae satiatur. 428 (402) Cf Mich 2,2. (403) Cf Sap 14,12. (404) Catechismus Romanus, 3, 10, 13: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 518. (405) Catechismus Romanus, 3, 10, 23: ed. P. Rodríguez (Città del Vaticano-Pamplona 1989) p. 523. (406) Cf 2 Sam 12,1-4. (407) Cf Gn 4,3-8; 1 Reg 21,1-29. (408) Sanctus Ioannes Chrysostomus, In epistulam II ad Corinthios, homilia 27, 3-4: PG 61, 588. (409) Sanctus Augustinus, De disciplina christiana, 7, 7: CCL 46, 214 (PL 40, 673); Id., Epistula 108, 3, 8: CSEL 34, 620 (PL 33, 410).(410) Sanctus Gregorius Magnus, Moralia in Iob, 31, 45, 88: CCL 143b, 1610 (PL 76, 621). (411) Sanctus Ioannes Chrysostomus, In epistulam ad Romanos, homilia 7, 5: PG 60, 448. (412) Cf Rom 7,7. (413) Cf Rom 7,15. (414) Cf Rom 8,14. (415) Cf Rom 8,27. (416) Cf Lc 14,33. (417) Cf Mc 8,35. (418) Cf Lc 21,4. (419) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 42: AAS 57 (1965) 49.(420) Cf Lc 6,20.(421) Sanctus Gregorius Nyssenus, De beatitudinibus, oratio 1: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger, v. 72 (Leiden 1992) p. 83 (PG 44, 1200).(422) Cf Lc 6,24.(423) Sanctus Augustinus, De sermone Domini in monte, 1, 1, 3: CCL 35, 4 (PL 34, 1232).(424) Cf Mt 6,25-34.(425) Sanctus Gregorius Nyssenus, De beatitudinibus, oratio 6: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger, v. 72 (Leiden 1992) p. 138 (PG 44, 1265).(426) Cf Apc 22,17.(427) Sanctus Augustinus, De civitate Dei, 22, 30: CSEL 402, 665-666 (PL 41, 801-802). (428) Cf Io 4,14.

5. QUARTA PARTE - A ORAÇÃO CRISTÃ (§2558-2865)

PRIMEIRA SECÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2558
«Mistério admirável da nossa fé!». A Igreja professa-o no Símbolo dos Apóstolos (primeira parte) e celebra-o na liturgia sacramental (segunda parte), para que a vida dos fiéis seja configurada com Cristo no Espírito Santo para glória de Deus Pai (terceira parte). Este mistério exige, portanto, que os fiéis nele creiam, o celebrem e dele vivam, numa relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro. Esta relação é a oração.
« Magnum est mysterium fidei ». Ecclesia illud in Symbolo Apostolorum profitetur (pars prima) et in liturgia celebrat sacramentali (pars secunda), ut fidelium vita Christo fiat in Spiritu Sancto conformis ad gloriam Dei Patris (pars tertia). Hoc igitur mysterium exigit ut fideles illud credant, illud celebrent et ex illo vivant in relatione viva et personali cum Deo vivo et vero. Haec relatio est oratio. QUID EST ORATIO?

« Pro me oratio est impetus cordis, est simplex intuitus ad caelum missus, clamor est gratitudinis et amoris tam in probatione quam in gaudio ».1

« Pro me oratio est impetus cordis, est simplex intuitus ad caelum missus, clamor est gratitudinis et amoris tam in probatione quam in gaudio ».1Oratio tamquam donum Dei

A ORAÇÃO COMO DOM DE DEUS

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2559
«A oração é a elevação da alma para Deus ou o pedido feito a Deus de bens convenientes» (2). De onde é que falamos, ao orar? Das alturas do nosso orgulho e da nossa vontade própria, ou das «profundezas» (Sl 130, 1) dum coração humilde e contrito? Aquele que se humilha é que é elevado (3). A humildade é o fundamento da oração. «Não sabemos o que havemos de pedir para rezarmos como deve ser» (Rm 8, 26). A humildade é a disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração: o homem é um mendigo de Deus (4).
« Oratio est ascensus mentis in Deum: aut eorum quae consentanea sunt postulatio a Deo ».2 Unde loquimur orantes? Utrum de nostrae superbiae et nostrae propriae voluntatis altitudine an « de profundis » (Ps 130,1) cordis humilis et contriti? Qui humiliatur, exaltatur.3 Humilitas est orationis fundamentum. « Quid oremus, sicut oportet, nescimus » (Rom 8,26). Humilitas est dispositio ad orationis donum gratuito accipiendum: homo est mendicus Dei.4
§ 2560
«Se conhecesses o dom de Deus!» (Jo 4, 10). A maravilha da oração revela-se precisamente, à beira dos poços aonde vamos buscar a nossa água: aí é que Cristo vem ao encontro de todo o ser humano; Ele antecipa-Se a procurar-nos e é Ele que nos pede de beber. Jesus tem sede, e o seu pedido brota das profundezas de Deus que nos deseja. A oração, saibamo-lo ou não, é o encontro da sede de Deus com a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede d'Ele (5).
« Si scires donum Dei! » (Io 4,10). Orationis mirabile ibi praecise revelatur, iuxta puteos ad quos venimus ad nostram quaerendam aquam: ibi Christus in occursum venit omnis creaturae humanae, Ipse primus est qui nos quaerat et bibere petat. Iesus sitit, Eius petitio e profunditatibus venit Dei qui nos desiderat. Oratio, sive id scimus sive nescimus, occursus est sitis Dei et sitis nostrae. Deus sitit nos Ipsum sitire.5
§ 2561
«Tu é que Lhe terias pedido e Ele te daria água viva» (Jo 4, 10). Paradoxalmente, a nossa oração de súplica é uma resposta. Resposta ao lamento do Deus vivo: «Abandonou-Me a Mim, nascente de águas vivas, e foi escavar cisternas fendidas» (Jr 2, 13); resposta de fé à promessa gratuita da salvação (6); resposta de amor à sede do Filho Único (7).
« Tu forsitan petisses ab Eo et dedisset tibi aquam vivam » (Io 4,10). Nostra petitionis oratio, ad paradoxi modum, responsio est. Responsio ad Dei viventis querelam: « Me dereliquerunt fontem aquae vivae, ut foderent sibi cisternas, cisternas dissipatas » (Ier 2,13), fidei responsio ad gratuitam salutis Promissionem,6 responsio amoris ad unici Filii sitim.7Oratio tamquam Foedus

A ORAÇÃO COMO ALIANÇA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2562
De onde procede a oração do homem? Seja qual for a linguagem da oração (gestos e palavras), é o homem todo que ora. Mas para designar o lugar de onde brota a oração, as Escrituras falam às vezes da alma ou do espírito ou, com mais frequência, do coração (mais de mil vezes). É o coração que ora. Se ele estiver longe de Deus, a expressão da oração será vã.
Unde hominis venit oratio? Quicumque est orationis sermo (gestus et verba), totus orat homo. Sed ad locum indicandum unde oratio oritur, Scripturae de anima vel de spiritu quandoque loquuntur, saepissime de corde (plus quam millies). Cor orat. Si idem longe est a Deo, vana est orationis expressio.
§ 2563
O coração é a morada onde estou, onde habito (e segundo a expressão semítica ou bíblica, aonde eu «desço»). É o nosso centro oculto, inapreensível, quer para a nossa razão quer para a dos outros: só o Espírito de Deus é que o pode sondar e conhecer. E o lugar da decisão, no mais profundo das nossas tendências psíquicas. É a sede da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte. É o lugar do encontro, já que, à imagem de Deus, vivemos em relação: é o lugar da aliança.
Cor mansio est ubi sum, ubi habito (secundum semiticam seu biblicam expressionem: quo « descendo »). Nostrum est occultum centrum, incomprehensibile nostrae vel aliorum rationi; solus Spiritus Dei potest illud perscrutari et cognoscere. Locus est decisionis, in profundissimis nostrarum psychicarum tendentiarum. Veritatis est locus, ubi vitam eligimus vel mortem. Idem locus est occursus, propterea quod, ad Dei imaginem cum simus, in relatione vivimus: locus est Foederis.
§ 2564
A oração cristã é uma relação de aliança entre Deus e o homem em Cristo. É acção de Deus e do homem; jorra do Espírito Santo e de nós, toda orientada para o Pai, em união com a vontade humana do Filho de Deus feito homem.
Oratio christiana est relatio Foederis inter Deum et hominem in Christo. Dei et hominis est actio; a Spiritu Sancto et a nobis oritur, prorsus ad Patrem directa, in unione cum voluntate humana Filii Dei hominis facti.Oratio tamquam communio

A ORAÇÃO COMO COMUNHÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2565
Na Nova Aliança, a oração é a relação viva dos filhos de Deus com o seu Pai infinitamente bom, com o seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo. A graça do Reino é «a união de toda a Santíssima Trindade com a totalidade do espírito» (8). Assim, a vida de oração consiste em estar habitualmente na presença do Deus três vezes santo e em comunhão com Ele. Esta comunhão de vida é sempre possível porque, pelo Baptismo, nos tornámos um só com Cristo (9). A oração é cristã na medida em que for comunhão com Cristo, dilatando-se na Igreja que é o seu corpo. As suas dimensões são as do amor de Cristo (10).
In Novo Foedere, oratio est viva relatio filiorum Dei cum eorum Patre infinite bono, cum Eius Filio Iesu Christo et cum Spiritu Sancto. Gratia Regni est « Sanctae regiaeque Trinitatis [...] totamque Se cum tota mente miscentis, contemplatio ».8 Sic orationis vita est habitualiter esse in Dei ter Sancti praesentia et in communione cum Eodem. Haec vitae communio semper possibilis est, quia, per Baptismum, unum sumus effecti cum Christo.9 Oratio est christiana quatenus communio est cum Christo et dilatatur in Ecclesia quae Eius est corpus. Eius dimensiones illae sunt amoris Christi.10 (1) Sancta Theresia a Iesu Infante, Manuscrit C, 25r: Manuscrits autobiographiques (Paris 1992) p. 389-390. (2) Sanctus Ioannes Damascenus, Expositio fidei, 68 [De fide orthodoxa 3, 24]: PTS 12, 167 (PG 94, 1089). (3) Cf Lc 18,9-14. (4) Cf Sanctus Augustinus, Sermo 56, 6, 9: ed. P. Verbraken: Revue Bénédictine 68 (1958) 31 (PL 38, 381). (5) Cf Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 40, 25: SC 358, 261 (PG 36, 398); Sanctus Augustinus, De diversis quaestionibus octoginta tribus, 64, 4: CCL 44A, 140 (PL 40, 56). (6) Cf Io 7,37-39; Is 12,3; 51,1. (7) Cf Io 19,28; Zach 12,10; 13,1. (8) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 16, 9: PG 35, 945. (9) Cf Rom 6,5. (10) Eph 3,18-21.

A REVELAÇÃO DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

O apelo universal à oração

§ 2566
O homem anda à procura de Deus. Pela criação, Deus chama todos os seres do nada à existência. Coroado de glória e esplendor (1), o homem, depois dos anjos, é capaz de reconhecer «que o nome do Senhor é grande em toda a terra» (2). Mesmo depois de, pelo pecado, ter perdido a semelhança com Deus, o homem continua a ser à imagem do seu Criador. Conserva o desejo d'Aquele que o chama à existência. Todas as religiões testemunham esta busca essencial do homem (3).
Homo in Dei est indagatione. Deus omne ens per creationem ex nihilo vocat ad exsistentiam. Homo, gloria et honore coronatus,11 post angelos, capax est agnoscendi quam magnum sit Nomen Domini in universa terra.12 Homo, etiam postquam suam similitudinem cum Deo perdidit per peccatum, ad imaginem permanet Creatoris sui. Desiderium conservat Illius qui eum vocat ad exsistentiam. Omnes religiones hanc hominum indagationem testantur essentialem.13
§ 2567
Mas é Deus que primeiro chama o homem. Muito embora o homem se esqueça do seu Criador ou se esconda da sua face, corra atrás dos ídolos ou acuse a divindade de o ter abandonado, o Deus vivo e verdadeiro chama incansavelmente cada pessoa ao misterioso encontro da oração. Na oração, é sempre o amor do Deus fiel a dar o primeiro passo; o passo do homem é sempre uma resposta. A medida que Deus Se revela e revela o homem a si mesmo, a oração surge como um apelo recíproco, um drama de aliança. Através das palavras e dos actos, este drama compromete o coração e manifesta-se ao longo de toda a história da salvação.
Prior Deus hominem vocat. Sive homo Creatoris obliviscitur sui sive longe ab Eius absconditur vultu, sive ad sua currit idola sive divinitatem accusat quod eum dereliquerit, Deus vivus et verus infatigabiliter unamquamque personam ad arcanum orationis vocat occursum. Hic gressus amoris Dei fidelis semper est in oratione primus, gressus hominis semper responsio est. Prout Deus revelatur et hominem sibimetipsi revelat, oratio apparet tamquam vocatio reciproca, tamquam Foederis drama. Per verba et actus, hoc drama cor obligat. Illud per totam salutis develatur historiam. (11) Cf Ps 8,6. (12) Cf Ps 8,2. (13) Cf Act 17,27.

NO ANTIGO TESTAMENTO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2568
A revelação da oração no Antigo Testamento inscreve-se entre a queda e o levantar-se do homem, entre o doloroso chamamento de Deus pelos seus primeiros filhos: «Onde estás? [...] Porque fizeste isso?» (Gn 3, 9,13), e a resposta do Filho único, ao entrar neste mundo: «Eis que venho, [...] ó Deus, para fazer a tua vontade» (Heb 10, 7) (4). A oração está assim ligada à história dos homens; é a relação com Deus nos acontecimentos da história.
Orationis revelatio in Vetere Testamento inter lapsum inscribitur et hominis allevationem, inter dolorosam Dei primis Eius filiis vocationem: « Ubi es? [...] Quid hoc fecisti? » (Gn 3,9.13), et responsionem unici Filii mundum ingredientis (« Ecce venio, [...] ut faciam, Deus voluntatem Tuam »: Heb 10,7).14 Sic oratio coniungitur cum hominum historia, eadem est ad Deum in historiae eventibus relatio.Creatio – orationis fons

A CRIAÇÃO – FONTE DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2569
Antes de mais, é a partir das realidades da criação que a oração se vive. Os nove primeiros capítulos do Génesis descrevem esta relação com Deus como oferta das primeiras crias do rebanho por Abel (5), como invocação do nome divino por Henoc (6), como «caminhada com Deus» (7). A oferenda de Noé é «agradável» a Deus que o abençoa e, através dele, abençoa toda a criação (8) porque o seu coração é justo e íntegro. Também ele «anda com Deus» (Gn 6, 9). Esta qualidade da oração é vivida por uma multidão de justos em todas as religiões.Na sua aliança indefectível com os seres vivos (9), Deus está sempre a chamar os homens para lhe rezarem. Mas é sobretudo a partir do nosso pai Abraão que a oração se revela no Antigo Testamento.
Oratio in vitam ducitur imprimis a creationis realitatibus procedendo. Novem priora Genesis capita hanc ad Deum describunt relationem tamquam oblationem primorum natorum gregis ab Abel,15 tamquam Nominis divini invocationem ab Enos,16 tamquam « ambulationem cum Deo ».17 Oblatio Noe « grata » est Deo qui ei benedicit, et per eum omni creaturae benedicit,18 quia cor eius iustum est et integrum; etiam ipse « cum Deo ambulavit » (Gn 6,9). Haec orationis qualitas in vitam ducitur a iustorum multitudine in omnibus religionibus. Deus, in Suo indefectibili Foedere cum omnibus animabus viventibus,19 homines semper vocat ut Eum orent. Sed praecipue inde a nostro patre Abraham in Vetere Testamento oratio revelatur. Promissio et oratio fidei

A PROMESSA E A ORAÇÃO DA FÉ

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2570
Quando Deus o chama, Abraão parte «como o Senhor lhe tinha mandado» (Gn 12, 4). O seu coração está completamente «submetido à Palavra»: ele obedece. A escuta do coração que se decide em conformidade com Deus é essencial à oração; as palavras têm um valor relativo. Mas a oração de Abraão exprime-se, antes de mais, em actos: homem de silêncio, constrói, em cada etapa, um altar ao Senhor. Só mais tarde é que aparece a sua primeira oração por palavras: uma queixa velada que lembra a Deus as suas promessas que não parecem cumprir-se (10). Assim nos aparece, desde o princípio, um dos aspectos do drama da oração: a prova da fé na fidelidade de Deus.
Abraham, statim ac Deus eum vocat, proficiscitur « sicut praeceperat ei Dominus » (Gn 12,4): eius cor est plene « verbo subiectum », oboedit. Auscultatio cordis, quod se secundum Deum determinat, orationi est essentialis, verba ei sunt relativa. Sed oratio Abrahae imprimis exprimitur actibus: silentii homo, singulis stationibus, Domino construit altare. Solummodo serius eius prima verbalis apparet oratio: tecta lamentatio quae Deo Eius commemorat promissiones quae non videntur effici.20 Sic, inde ab initio, quaedam apparet ratio dramatis orationis: probatio fidei in Dei fidelitatem.
§ 2571
Tendo acreditado em Deus (11) caminhando na sua presença e em aliança com Ele (12), o patriarca está pronto para acolher na sua tenda o Hóspede misterioso: é a admirável hospitalidade de Mambré, prelúdio da Anunciação do verdadeiro Filho da promessa (13). Desde então, tendo-lhe Deus confiado o seu desígnio, o coração de Abraão fica em sintonia com a compaixão do seu Senhor pelos homens e ousa interceder por eles com uma confiança audaciosa (14).
Patriarcha, cum Deo credidisset,21 coram Eo ambulans et in Foedere cum Eo,22 paratus est ut suum arcanum accipiat Hospitem sub tentorium suum: haec est mira in Mambre hospitalitas, praeludium Annuntiationis veri Filii Promissionis.23 Exinde cor Abrahae, cum Deus ei Suum crediderit consilium, compassioni Domini sui erga homines conformatur et audet pro illis intercedere cum audaci fiducia.24
§ 2572
Como última purificação da sua fé, é pedido ao «depositário das promessas» (Heb 11, 17) que sacrifique o filho que Deus lhe deu. A sua fé não vacila: «Deus proverá quanto ao cordeiro para o holocausto» (Gn 22, 8),  «porque Deus, pensava ele, é capaz até de ressuscitar os mortos» (Heb 11, 19). E assim, o pai dos crentes conformou-se com a semelhança do Pai que não poupará o seu próprio Filho, mas O entregará por todos nós (15). A oração restaura o homem na semelhança com Deus e fá-lo participante no poder do amor de Deus que salva a multidão (16).
Tamquam ultima purificatio fidei eius, petitur ab eo « qui susceperat promissiones » (Heb 11,17), ut sacrificet filium quem Deus ei donaverat. Eius fides non infirmatur: « Deus providebit Sibi victimam holocausti » (Gn 22,8), propterea quod ipse est « arbitratus quia et a mortuis suscitare potens est Deus » (Heb 11,19). Sic credentium pater conformatus est similitudini Patris qui Suo proprio Filio non parcet, sed pro nobis omnibus tradet Illum.25 Oratio hominem ad similitudinem restaurat Dei et participem efficit potentiae amoris Dei qui multitudinem salvat.26
§ 2573
Deus renova a sua promessa a Jacob, o antepassado das doze tribos de Israel (17). Antes de enfrentar o seu irmão Esaú, ele luta durante uma noite inteira com «alguém», um ser misterioso que se nega a revelar o seu nome, mas que o abençoa, antes de o deixar, ao raiar da aurora. A tradição espiritual da Igreja divisou nesta narrativa o símbolo da oração como combate da fé e vitória da perseverança (18).
Deus Suam Promissionem renovat Iacob, duodecim tribuum Israel patri.27 Priusquam fratrem Esau aggrediatur suum, tota nocte, luctatur cum « quodam » arcano, qui nomen suum recusat revelare, sed qui ei benedicit antequam eum relinquat ad auroram. Spiritualis traditio Ecclesiae in hac narratione symbolum perspexit orationis tamquam dimicationis fidei et victoriae perseverantiae.28 Moyses et oratio mediatoris

MOISÉS E A ORAÇÃO DO MEDIADOR

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2574
Quando começa a realizar-se a promessa (a Páscoa, o Êxodo, o dom da Lei e a conclusão da Aliança), a oração de Moisés é a tocante figura da oração de intercessão, que terá a sua realização no «Mediador único entre Deus e os homens, Cristo Jesus» (1 Tm 2, 5).
Cum Promissio impleri incipit (Paschate, Exodo, Legis dono et Foederis conclusione), Moysis oratio est figura commovens orationis intercessionis quae perficietur in Eo qui est « unus et mediator Dei et hominum, homo Christus Iesus » (1 Tim 2,5).
§ 2575
Também aqui, a iniciativa é de Deus. Ele chama Moisés do meio da sarça ardente (19). Este acontecimento ficará como uma das figuras primordiais da oração na tradição espiritual judaica e cristã. Com efeito, se «o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob» chama o seu servo Moisés, é porque Ele é o Deus vivo, que quer a vida dos homens. Revela-Se para os salvar, mas não sozinho nem apesar deles: chama Moisés para o enviar, para o associar à sua compaixão, à sua obra de salvação. Há como que uma imploração divina nesta missão e Moisés, após um longo debate, conformará a sua vontade com a de Deus salvador. Mas neste diálogo em que Deus Se confia, Moisés também aprende a orar: esquiva-se, objecta e, sobretudo, interroga. E é em resposta à sua pergunta que o Senhor lhe confia o seu Nome inefável, o qual se revelará nas suas magníficas proezas.
Etiam hic, Deus venit prior. Moysen vocat de medio rubi ardentis.29 Hic eventus, in traditione spirituali Iudaica et christiana, inter primordiales permanebit figuras orationis. Re vera, si « Deus Abraham, Deus Isaac et Deus Iacob » Moysen servum Suum vocat, Ipse est Deus vivus qui hominum vult vitam. Se revelat ut illos salvet, sed non Ipse prorsus solus neque illis invitis: Ipse Moysen vocat ad illum mittendum, ad illum Suae sociandum compassioni, Suae salutis operi. Quasi imploratio divina in hac inest missione et Moyses, post longam contentionem, suam voluntatem ad illam accommodabit Dei Salvatoris. Sed in hoc dialogo, in quo Deus Se committit, Moyses etiam orare discit: ipse se substrahit, obiicit, praesertim interrogat, et in responsione ad eius interrogationem Dominus ei Suum ineffabile concredit Nomen quod in Suis revelabitur magnalibus.
§ 2576
«O Senhor falava com Moisés frente a frente, como um homem fala com o seu amigo» (Ex 33, 11). A oração de Moisés é o tipo da contemplação, graças à qual o servo de Deus se mantém fiel à sua missão. Moisés «conversa» muitas vezes e demoradamente com o Senhor, subindo à montanha para O ouvir e O implorar, descendo depois até junto do povo para lhe repetir as palavras do seu Deus e o guiar. «Eu estabeleci-o sobre toda a minha casa! Falo com ele frente a frente, à vista e não por enigmas» (Nm 12, 7-8), porque «Moisés era um homem deveras humilde, mais que todos os homens que há sobre a face da terra (Nm 12, 3).
« Loquebatur autem Dominus ad Moysen facie ad faciem, sicut solet loqui homo ad amicum suum » (Ex 33,11). Moysis oratio typus est orationis contemplativae, propter quam servus Dei suae missioni est fidelis. Moyses saepe et longe cum Domino « conversatur », montem scandens ad Eum auscultandum et implorandum, descendens ad populum ut ei verba Dei sui repetat eumque ducat. « In omni domo mea fidelissimus est! Ore enim ad os loquor ei, et palam » (Nm 12,7-8), « erat enim Moyses vir humillimus super omnes homines, qui morabantur in terra » (Nm 12,3).
§ 2577
Nesta intimidade com o Deus fiel, lento em irar-Se e cheio de amor (20), Moisés hauriu a força e a tenacidade da sua intercessão. Ele não ora por si, mas pelo povo que Deus adquiriu para Si. Já durante o combate com os amalecitas (21) ou para obter a cura de Miriam (22), Moisés foi intercessor. Mas foi sobretudo após a apostasia do povo que ele «se mantém na brecha» diante de Deus (Sl 106, 23), para salvar o mesmo povo (23). Os argumentos da sua oração (a intercessão também é um combate misterioso) irão inspirar a audácia dos grandes orantes, tanto do povo judaico como da Igreja: Deus é amor e, portanto, é justo e fiel; Ele não pode contradizer-Se; há-de, por conseguinte, lembrar-Se das suas acções maravilhosas; está em jogo a sua glória; Ele não pode abandonar o povo que tem o seu nome.
In hac intimitate cum Deo fideli, lento ad iram et amoris pleno,30 Moyses vim hausit et tenacitatem suae intercessionis. Non pro se orat, sed pro populo quem Deus Sibi acquisivit. Iam in proelio contra Amalec31 vel ad obtinendam sanationem Mariae,32 Moyses intercedit. Sed praesertim post populi apostasiam « stetit in confractione » in conspectu Dei (Ps 106,23) ad populum salvandum.33 Eius orationis argumenta (intercessio est etiam arcana dimicatio) audaciam inspirabunt magnorum orantium populi Iudaici, sicut etiam Ecclesiae: Deus amor est, iustus igitur est et fidelis; Ipse Sibi contradicere nequit, mirabilium Suorum debet recordari, de Eius agitur gloria, hunc nequit derelinquere populum qui Eius fert Nomen.David et oratio regis

DAVID E A ORAÇÃO DO REI

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2578
A oração do povo de Deus vai expandir-se à sombra da morada de Deus: a arca da aliança e, mais tarde, o templo. São, em primeiro lugar os condutores do povo – os pastores e os profetas – que o ensinarão a orar. O pequeno Samuel teve de aprender de Ana, sua mãe, o modo como devia «comportar-se na presença do Senhor» (24), e do sacerdote Eli, como devia escutar a sua Palavra: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta» (1 Sm 3, 9-10). Mais tarde, também ele conhecerá o peso e o preço da intercessão: «Longe de mim também este pecado contra o Senhor: deixar de rogar por vós! Eu vos mostrarei sempre o caminho bom e recto» (1 Sm 12, 23).
Oratio populi Dei sub umbra dilatabitur tabernaculi Dei, Foederis Arcae et posterius Templi. Imprimis populi duces — Pastores et Prophetae — eum docebunt orare. Puer Samuel a matre sua utique didicit quomodo « ante Dominum sisteret »34 et ab Heli sacerdote quomodo Eius auscultaret verbum: « Loquere, Domine, quia audit servus Tuus » (1 Sam 3,9-10). Posterius ipse etiam intercessionis cognoscet valorem et momentum: « Absit a me hoc peccatum in Dominum, ut cessem orare pro vobis et docere vos viam bonam et rectam » (1 Sam 12,23).
§ 2579
David é, por excelência, o rei «segundo o coração de Deus», o pastor que ora pelo seu povo e em nome dele, aquele cuja submissão à vontade de Deus, cujo louvor e cujo arrependimento serão o modelo da oração do povo. Ungido de Deus, a sua oração é adesão fiel à promessa divina (25), confiança amorosa e alegre n'Aquele que é o único Rei e Senhor. Nos salmos, inspirado pelo Espírito Santo, David é o primeiro profeta da oração judaica e cristã. A oração de Cristo, verdadeiro Messias e Filho de David, há-de revelar e dar pleno sentido dessa oração.
David est per excellentiam rex « secundum cor Dei », pastor qui pro populo orat suo et in eius nomine, ille cuius submissio voluntati Dei, laus et poenitentia exemplar erunt orationis populi. Oratio eius, sicut Dei uncti, est fidelis adhaesio Promissioni divinae,35 fiducia amans et gaudens in Eum qui solus est Rex et Dominus. In psalmis, David, a Spiritu Sancto inspiratus, primus est Propheta Iudaicae et christianae orationis. Oratio Christi, veri Messiae et Filii David, huius orationis sensum revelabit et adimplebit.
§ 2580
O templo de Jerusalém, a casa de oração que David queria construir, será obra do seu filho Salomão. A oração da Dedicação do templo (26) apoia-se na promessa de Deus e na sua aliança, na presença activa do seu nome no meio do seu povo e na memória das magníficas proezas do êxodo. O rei levanta então as mãos para o céu e suplica ao Senhor por si próprio, por todo o povo, pelas gerações futuras, pelo perdão dos seus pecados e pelas suas necessidades de cada dia, para que todas as nações saibam que Ele é o único Deus e o coração do seu povo Lhe pertença inteiramente.
Templum Ierusalem, orationis domus, quam David struere volebat, Salomonis, filii eius, erit opera. Oratio Dedicationis Templi36 in Promissione nititur Dei et in Eius Foedere, in actuosa Eius Nominis in medio Eius populi praesentia et in memoria magnalium Exodi. Rex tunc manus elevat in coelum et Dominum pro se precatur, pro toto populo, pro generationibus venturis, pro peccatorum eorum remissione et eorum quotidianis necessitatibus, ut omnes sciant nationes, Eum esse solum Deum et cor Eius populi ad Eum plene pertinere.Elias, Prophetae et conversio cordis

ELIAS, OS PROFETAS E A CONVERSÃO DO CORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2581
O templo devia ser, para o povo de Deus, o lugar da sua educação para a oração: as peregrinações, as festas, os sacrifícios, a oblação vespertina, o incenso, os «pães da proposição», todos esses sinais da santidade e da glória do Deus altíssimo e tão próximo, eram apelos e caminhos de oração. Muitas vezes, porém, o ritualismo arrastava o povo para um culto demasiadamente exterior. Faltava-lhe a educação da fé e a conversão do coração. Foi essa a missão dos profetas, antes e depois do Exílio.
Templum pro populo Dei locus esse debebat eius ad orationem educationis: peregrinationes, festa, sacrificia, oblatio vespertina, incensum, panes « propositionis », omnia haec sanctitatis et gloriae Dei Altissimi et omnino Propinqui signa, vocationes erant et orationis viae. Sed ritualismus populum saepe ad cultum trahebat nimis externum. Fidei educatio et cordis conversio erant necessariae. Haec Prophetarum fuit missio ante et post Exilium.
§ 2582
Elias é o pai dos profetas, da geração dos que procuram a Deus, dos que procuram a face do Deus de Jacob (27). O seu nome – «O Senhor é o meu Deus» – é prenúncio do grito do povo em resposta à sua oração no monte Carmelo (28). São Tiago remete para ele quando nos incita à oração: «Muito pode a oração persistente dum justo» (Tg 5, 16) (29).
Elias est Prophetarum pater, e generatione quaerentium Eum, quaerentium faciem Eius.37 Eius nomen, « Dominus est Deus meus », clamorem annuntiat populi respondentem eius orationi super monte Carmelo.38 Iacobus nos ad eum remittit, ut nos ad orationem stimulet: « Multum enim valet deprecatio iusti operans » (Iac 5,16).39
§ 2583
Depois de ter aprendido a misericórdia no seu retiro na torrente de Querit, ensina à viúva de Sarepta a fé na Palavra de Deus, fé que ele confirma com a sua oração insistente: Deus faz voltar à vida o filho da viúva (30).Aquando do sacrifício no monte Carmelo, prova decisiva para a fé do povo de Deus, é em resposta à sua súplica que o fogo do Senhor consome o holocausto, «à hora de oferecer o sacrifício da tarde». «Responde-me, Senhor, responde-me!» são as palavras de Elias, que as liturgias orientais retomam na epiclese eucarística (31).Finalmente, retomando o caminho do deserto em direcção ao lugar onde o Deus vivo e verdadeiro Se revelou ao seu povo, Elias recolheu-se, como Moisés, «na cavidade do rochedo», até «passar» a presença misteriosa de Deus (32). Mas será somente no monte da transfiguração que Se mostrará sem véu Aquele cuja face eles procuravam (33): o conhecimento da glória de Deus está na face de Cristo, crucificado e ressuscitado (34).
Postquam misericordiam didicit in recessu suo ad torrentem Charith, viduam Sareptae in verbum Dei docet fidem, quam sua instante confirmat oratione: Deus efficit ut filius viduae redeat in vitam.40 Tempore sacrificii super monte Carmelo, probationis definitivae pro fide populi Dei, ad eius supplicationem, ignis Domini holocaustum consumit, « cum [...] iam tempus esset, ut offerretur sacrificium » vespertinum: « Exaudi me, Domine, exaudi me » (1 Reg 18,37), eadem Eliae sunt verba quae liturgiae orientales in Epiclesi eucharistica iterum adhibent.41 Denique, Elias, viam deserti iterum faciens ad locum ubi Deus vivus et verus populo Suo est revelatus, se colligit, sicut Moyses, « in spelunca » donec praesentia Dei « transit » arcana.42 Sed solummodo in Transfigurationis monte develabitur Ille, cuius isti faciem sequebantur:43 cognitio gloriae Dei in facie est Christi crucifixi et resuscitati.44
§ 2584
É no «a sós com Deus» que os profetas vão haurir luz e força para a sua missão. A sua oração não é uma fuga do mundo infiel, mas uma escuta da Palavra de Deus, às vezes um debate ou uma queixa e sempre uma intercessão que espera e prepara a intervenção do Deus Salvador, Senhor da história (35).
Prophetae, in « solitudine cum Deo », lumen hauriunt et vim pro sua missione. Eorum oratio fuga mundi infidelis non est, sed verbi Dei auscultatio, quandoque certatio vel lamentatio, semper intercessio quae interventum exspectat et praeparat Dei Salvatoris, Domini historiae.45Psalmi, oratio coetus

OS SALMOS, ORAÇÃO DA ASSEMBLEIA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2585
De David até à vinda do Messias, os livros sagrados contêm textos de oração que atestam como esta se foi tornando mais profunda, quer feita em favor de si mesmo quer pelos outros (36). Os salmos foram a pouco e pouco reunidos numa colectânea de cinco livros: os Salmos (ou «Louvores»), obra-prima da oração no Antigo Testamento.
A David usque ad Messiae Adventum, Libri Sacri orationis continent textus qui profundius perceptam testantur orationem, pro semetipsis et pro aliis.46 Psalmi paulatim in quinque librorum sunt collectionem coniuncti: Psalmi (seu « Laudes ») opus orationis in Vetere Testamento sunt praestantissimum.
§ 2586
Os salmos nutrem e exprimem a oração do povo de Deus enquanto assembleia, por ocasião das grandes festas em Jerusalém e em cada sábado nas sinagogas. Esta oração é inseparavelmente pessoal e comunitária; diz respeito aos que a fazem e a todos os homens; sobe da Terra Santa e das comunidades da Diáspora, mas abraça toda a criação; recorda os acontecimentos salvíficos do passado, mas estende-se até à consumação da história; faz memória das promessas de Deus já realizadas, mas espera o Messias que as cumprirá definitivamente. Rezados por Cristo e n'Ele realizados, os salmos continuam a ser essenciais para a oração da sua Igreja (37).
Psalmi nutriunt et exprimunt orationem populi Dei tamquam congregationis, occasione magnorum festorum in Ierusalem et uniuscuiusque sabbati in synagogis. Haec oratio inseparabiliter personalis est et communitaria, ad eos attinet, qui orant, et ad omnes homines; e Terra sancta ascendit et e Dispersionis communitatibus, sed totam amplectitur creationem; eventus salvificos commemorat praeteritos et usque ad consummationem extenditur historiae; promissionum Dei iam adimpletarum memor est et Messiam exspectat qui eas definitive adimplebit. Psalmi, recitati a Christo et adimpleti in Eo, essentiales permanent pro Eius Ecclesiae oratione.47
§ 2587
O Saltério é o livro em que a Palavra de Deus se torna oração do homem. Nos outros livros do Antigo Testamento, «as palavras declaram as obras» (de Deus a favor dos homens) «e esclarecem o mistério nelas contido» (38). No Saltério, as palavras do salmista exprimem, cantando-as para Deus, as suas obras de salvação. É o mesmo Espírito que inspira, tanto a obra de Deus, como a resposta do homem. Cristo unirá uma e outra. N'Ele, os salmos não cessam de nos ensinar a orar.
Psalterium liber est in quo Dei verbum oratio fit hominis. In ceteris libris Veteris Testamenti accidit ut « verba [...] opera proclament [a Deo pro hominibus patrata] et mysterium in eis contentum elucident ».48 In Psalterio, verba Psalmistae exprimunt opera salutis Dei, illa Ei cantando. Idem Spiritus opus inspirat Dei et responsionem hominis. Christus utrumque coniunget. In Eo, psalmi nos orare docere non desinunt.
§ 2588
As expressões multiformes da oração dos salmos tomam forma, ao mesmo tempo, na liturgia do templo e no coração do homem. Quer se trate dum hino, duma oração de aflição ou de acção de graças, de súplica individual ou comunitária, dum cântico real ou de peregrinação, ou ainda duma meditação sapiencial, os salmos são o espelho das maravilhas de Deus na história do seu povo e das situações humanas vividas pelo salmista. Um salmo pode reflectir um acontecimento do passado, mas reveste-se de tal sobriedade que pode com verdade ser rezado pelos homens de qualquer condição e de todos os tempos.
Multiformes orationis psalmorum expressiones formam simul suscipiunt in liturgia Templi et in corde hominis. Psalmi sive de hymno agitur, de oratione angustiae vel de gratiarum actione, de supplicatione individuali vel communitaria, de regio cantico vel de cantico peregrinationis, de meditatione sapientiali, speculum sunt magnalium Dei in historia populi Eius et condicionum humanarum quas Psalmista experitur in vita. Psalmus imaginem potest reddere eventus praeteriti, sed talis est sobrietatis ut possit in veritate recitari ab hominibus omnis condicionis omnisque temporis.
§ 2589
Há traços constantes e comuns a todos os salmos: a simplicidade e a espontaneidade da oração; o desejar Deus em pessoa, através e com tudo o que é bom na sua criação; a situação desconfortável do crente que, no seu amor de preferência pelo Senhor, tem de se confrontar com uma multidão de inimigos e de tentações; a certeza do seu amor e a entrega à sua vontade, enquanto espera o que o Deus fiel fará. A oração dos salmos é sempre animada pelo louvor; e é por isso que o título desta colectânea corresponde bem ao que ela nos oferece: «Os Louvores». Coligida para o culto da assembleia, faz-nos ouvir o apelo à oração e canta a resposta ao mesmo apelo: «Hallelou-Ya» (Aleluia)! «Louvai ao Senhor!».

«Haverá coisa melhor que um salmo? É por isso que David diz, e muito bem: "Louvai o Senhor, porque salmodiar é bom: para o nosso Deus, louvor suave e belo!" E é verdade. Porque o salmo é uma bênção cantada pelo povo, louvor de Deus cantado pela assembleia, aplauso de todos, palavra universal, voz da Igreja, melodiosa profissão de fé...» (39).

Quaedam lineamenta psalmos constanter percurrunt: orationis simplicitas et spontaneus motus, desiderium Ipsius Dei per omnia et cum omnibus quae in Eius creatione sunt bona, incommoda condicio credentis qui, in suo amore praeferentiali erga Dominum, in discrimine versatur multitudinis inimicorum et tentationum, et, exspectando quod Deus fidelis est facturus, certus est de Eius amore et Eius committitur voluntati. Oratio psalmorum semper laude movetur et propterea huius collectionis titulus ad id bene correspondet quod eadem nobis tradit: « Laudes ». Cum ipsa pro congregationis cultu sit collecta, efficit ut ad orationem audiamus vocationem et responsionem canamus ad eam: « Hallelu-Ia! » (Alleluia), « Laudate Dominum! ».

« Quid igitur psalmo gratius? Unde pulchre ipse David: "Laudate, inquit, Dominum, quoniam bonus est psalmus; Deo nostro sit iocunda decoraque laudatio". Et vere; psalmus enim benedictio populi est, Dei laus, plebis laudatio, plausus omnium, sermo universorum, vox Ecclesiae, fidei canora confessio... ».49

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Resumindo

§ 2590
«A oração é a elevação da alma para Deus ou o pedido feito a Deus de bens convenientes» (40).
« Oratio est ascensus mentis in Deum: aut eorum quae consentanea sunt postulatio a Deo ».50
§ 2591
Deus não se cansa de chamar cada um, pessoalmente, para o encontro misterioso com Ele. A oração acompanha toda a história da salvação, como um apelo recíproco entre Deus e o homem.
Deus infatigabiliter unamquamque personam ad arcanum orationis vocat occursum cum Eo. Oratio totam historiam salutis comitatur tamquam mutua inter Deum et hominem vocatio.
§ 2592
A oração de Abraão e de Jacob apresenta-se como um combate da fé, confiante na fidelidade de Deus e na certeza da vitória prometida à perseverança.
Abrahae et Iacob oratio tamquam dimicatio praesentatur fidei quae in fidelitatem Dei confidit et quae certa est de victoria perseverantiae promissa.
§ 2593
A oração de Moisés responde à iniciativa do Deus vivo, com vista à salvação do seu povo. Prefigura a oração de intercessão do único mediador, Cristo Jesus.
Moysis oratio incepto respondet Dei vivi pro populi Eius salute. Eadem orationem praefigurat intercessionis unius mediatoris, Christi Iesu.
§ 2594
A oração do povo de Deus expande-se à sombra da morada de Deus, a arca da aliança e o templo, sob a guia dos pastores, nomeadamente do rei David e dos profetas.
Oratio populi Dei sub umbra dilatatur tabernaculi Dei, Arcae nempe Foederis et Templi, Pastorum, praesertim regis David, et Prophetarum ductu.
§ 2595
Os profetas convidam à conversão do coração e, procurando ardentemente a face de Deus, como Elias, intercedem pelo povo.
Prophetae ad cordis vocant conversionem et, ardenter, sicut Elias, Dei faciem quaerentes, pro populo intercedunt.
§ 2596
Os salmos constituem a obra-prima da oração no Antigo Testamento. Apresentam duas componentes inseparáveis: a pessoal e a comunitária. Estendem-se a todas as dimensões da história, comemorando as promessas de Deus já cumpridas e esperando a vinda do Messias.
Psalmi opus orationis in Vetere Testamento constituunt praestantissimum. Duo inseparabilia exhibent elementa: personale et communitarium. Ad omnes historiae extenduntur dimensiones, Dei commemorant promissiones iam impletas et Messiae sperant Adventum.
§ 2597
Rezados por Cristo e n'Ele realizados, os salmos são um elemento essencial e permanente da oração da sua Igreja. Adaptam-se aos homens de qualquer condição e de todos os tempos.
Psalmi, recitati a Christo et adimpleti in Eo, essentiale et permanens orationis Ecclesiae Eius sunt elementum. Ipsi hominibus omnis condicionis omnisque temporis sunt aptati. (14) Cf Heb 10,5-7. (15) Cf Gn 4,4. (16) Cf Gn 4,26. (17) Cf Gn 5,24. (18) Cf Gn 8,20–9,17. (19) Cf Gn 9,8-16. (20) Cf Gn 15,2-3. (21) Cf Gn 15,6. (22) Cf Gn 17,1-2. (23) Cf Gn 18,1-15; Lc 1,26-38. (24) Cf Gn 18,16-33. (25) Cf Rom 8,32. (26) Cf Rom 4,16-21. (27) Cf Gn 28,10-22. (28) Cf Gn 32,25-31; Lc 18,1-8. (29) Cf Ex 3,1-10. (30) Cf Ex 34,6. (31) Cf Ex 17,8-13. (32) Cf Nm 12,13-14. (33) Cf Ex 32,1–34,9. (34) Cf 1 Sam 1,9-18. (35) Cf 2 Sam 7,18-29. (36) Cf 1 Reg 8,10-61. (37) Cf Ps 24,6. (38) Cf 1 Reg 18,39. (39) Cf Iac 5,16-18. (40) Cf 1 Reg 17,7-24. (41) Cf 1 Reg 18,20-39. (42) Cf 1 Reg 19,1-14; Ex 33,19-23. (43) Cf Lc 9,30-35. (44) Cf 2 Cor 4,6. (45) Cf Am 7,2.5; Is 6,5.8.11; Ier 1,6; 15,15-18; 20,7-18.(46) Cf Esd 9,6-15; Ne 1,4-11; Ion 2,3-10; Tb 3,11-16; Idt 9,2-14. (47) Cf Institutio generalis de liturgia Horarum, 100-109: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 52-56. (48) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.(49) Sanctus Ambrosius, Enarrationes in Psalmos, 1, 9: CSEL 64, 7 (PL 14, 968).(50) Sanctus Ioannes Damascenus, Expositio fidei, 68 [De fide orthodoxa 3, 24]: PTS 12, 167 (PG 94, 1089).

NA PLENITUDE DO TEMPO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2598
O drama da oração é-nos plenamente revelado no Verbo que Se faz carne e habita entre nós. Procurar compreender a sua oração através do que as suas testemunhas dela nos dizem no Evangelho, é aproximar-nos do santo Senhor Jesus como da sarça ardente: primeiro, contemplando-o a Ele próprio em oração; depois, escutando como Ele nos ensina a rezar, para, finalmente, conhecermos como é que Ele atende a nossa oração.
Orationis drama plene nobis revelatur in Verbo quod caro factum est et quod nobiscum manet. Eius orationem intelligere niti per id quod Eius testes nobis in Evangelio de illa annuntiant, est ad sanctum Dominum Iesum nos accedere sicut ad rubum ardentem: Ipsum imprimis in oratione contemplari, deinde auscultare quomodo Ille nos orare doceat, ad cognoscendum, denique, quomodo Ille nostram exaudiat orationem.Iesus orat

JESUS ORA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2599
O Filho de Deus, feito Filho da Virgem, aprendeu a orar segundo o seu coração de homem. Aprendeu as fórmulas de oração com a sua Mãe, que conservava e meditava no seu coração todas as «maravilhas» feitas pelo Omnipotente (41). Ele ora com as palavras e nos ritmos da oração do seu povo, na sinagoga de Nazaré e no Templo. Mas a sua oração brotava duma fonte muito mais secreta, como deixa pressentir quando diz, aos doze anos: «Eu devo ocupar-me das coisas do meu Pai» (Lc 2, 49). Aqui começa a revelar-se a novidade da oração na plenitude dos tempos: a oração filial, que o Pai esperava dos seus filhos, vai finalmente ser vivida pelo próprio Filho Único na sua humanidade, com e para os homens.
Filius Dei, Filius Virginis effectus, secundum Suum hominis cor, orare etiam didicit. Orationis formulas discit a matre Sua quae « magna » Omnipotentis conservabat omnia et in corde meditabatur suo.51 Ipse verbis orat et rhythmis orationis populi Sui, in synagoga Nazareth et in Templo. Sed Eius oratio ex secretiore oritur fonte, sicut Ipse id, aetate duodecim annorum, praesentire sinit: « In his, quae Patris mei sunt, oportet me esse » (Lc 2,49). Hic revelari incipit novitas orationis in temporum plenitudine: filialis oratio, quam Pater e filiis exspectabat Suis, denique ducetur in vitam ab Ipso Filio unico in Eius humanitate cum hominibus et pro hominibus.
§ 2600
O Evangelho segundo São Lucas sublinha a acção do Espírito Santo e o sentido da oração no ministério de Cristo. Jesus ora antes dos momentos decisivos da sua missão: antes de o Pai dar testemunho d'Ele aquando do seu baptismo (42) e da sua transfiguração (43) e antes de cumprir, pela paixão, o desígnio de amor do Pai (44). Reza também antes dos momentos decisivos que vão decidir a missão dos seus Apóstolos: antes de escolher e chamar os Doze (45), antes de Pedro O confessar como o «Cristo de Deus» (46) e para que a fé do chefe dos Apóstolos não desfaleça na tentação (47). A oração de Jesus antes dos acontecimentos da salvação de que o Pai O encarrega, é uma entrega humilde e confiante da sua vontade à vontade amorosa do Pai.
Evangelium secundum sanctum Lucam actionem effert Spiritus Sancti et sensum orationis in Christi ministerio. Iesus orat ante missionis Suae definitiva momenta: priusquam Pater de Eo testimonium praebeat in Eius Baptismo52 atque in Eius Transfiguratione,53 et priusquam per Suam passionem consilium amoris Patris adimpleat.54 Orat etiam ante momenta definitiva quae Apostolorum Eius devincient missionem: antequam Duodecim eligat et vocet,55 antequam Petrus Eum tamquam « Christum Dei » confiteatur56 atque ne principis Apostolorum fides deficiat in tentatione.57 Iesu oratio ante salutis eventus, quos Pater ab Eo petit adimplendos, humilis et confidens est deditio Eius humanae voluntatis in voluntatem Patris amore plenam.
§ 2601
«Estando um dia Jesus em oração em certo lugar, quando acabou disse-Lhe um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar» (Lc 11, 1). Não é, porventura, ao contemplar primeiro o seu Mestre em oração, que o discípulo de Cristo sente o desejo de orar? Pode então aprendê-la com o mestre da oração. É contemplando e escutando o Filho que os filhos aprendem a orar ao Pai.
« Cum esset [Iesus] in loco quodam orans, ut cessavit, dixit unus e discipulis Eius ad Eum: "Domine, doce nos orare" » (Lc 11,1). Nonne Christi discipulus, suum Magistrum prius contemplans orantem, cupit orare? Tunc potest id discere ab orationis Magistro. Contemplantes et auscultantes Filium, filii discunt Patrem orare.
§ 2602
Jesus retira-Se muitas vezes sozinho para a solidão, no cimo da montanha, preferentemente de noite, a fim de orar (48). Na sua oração Ele leva os homens, porquanto Ele próprio assumiu a humanidade na sua encarnação, e oferece-os ao Pai oferecendo-Se a Si mesmo. Ele, o Verbo que «assumiu a carne», na sua oração humana partilha tudo quanto vivem os «seus irmãos» (49); e compadece-Se das suas fraquezas para os livrar delas (50). Foi para isso que o Pai O enviou. As suas palavras e as suas obras aparecem então como a manifestação visível da sua oração «no segredo».
Iesus saepe in solitudinem discedit, in montem, potissimum noctu, ad orandum.58 In oratione Sua homines portat, propterea quod Ipse humanitatem in Sua utique sumit Incarnatione, eosque Patri offert Se Ipsum offerendo. Ipse, Verbum quod « carnem assumpsit », in Sua oratione humana totum id participat quod « fratres Eius »59 experiuntur in vita; eorum compatitur infirmitatibus ut eos ab illis liberet.60 Ad hoc Pater Eum misit. Eius verba Eiusque opera tunc apparent tamquam visibilis manifestatio Eius orationis « in abscondito ».
§ 2603
Os evangelistas retiveram duas orações mais explícitas de Cristo durante o seu ministério. E ambas começam por uma acção de graças. Na primeira (51), Jesus louva o Pai, reconhece-O e bendi-Lo por ter escondido os mistérios do Reino aos que se julgavam sábios e os ter revelado aos «pequeninos» (os pobres das bem-aventuranças). O seu estremecimento – «Sim Pai!» – revela o íntimo do seu coração, a sua adesão ao «beneplácito» do Pai, como um eco do «Fiat» da sua Mãe aquando da sua concepção e como prelúdio do que Ele próprio dirá ao Pai na sua agonia. Toda a oração de Jesus está nesta adesão amorosa do seu coração de homem ao «mistério da vontade» do Pai (52).
Evangelistae duas Christi, perdurante Eius ministerio, orationes retinuerunt explicitiores. Utraque autem earum incipit gratiarum actione. In priore,61 Iesus Patrem confitetur, Eum agnoscit Eique benedicit quia Ipse Regni mysteria illis abscondit qui se sapientes putabant atque ea prorsus « parvulis » revelavit (pauperibus beatitudinum). Eius commotio « Ita, Pater! » intimum exprimit Eius cordis, Eius adhaesionis « beneplacito » Patris, quasi echo illius « Fiat » Matris Eius in Ipsius conceptione et quasi prolusio illius quem Ipse Patri in Sua dicet agonia. Tota Iesu oratio in hac amore plena est adhaesione Eius cordis humani « mysterio voluntatis » Patris.62
§ 2604
A segunda oração é referida por São João (53), antes da ressurreição de Lázaro. A acção de graças precede o acontecimento: «Pai, Eu Te dou graças por Me teres escutado», o que implica que o Pai atende sempre o que Lhe pede; e Jesus acrescenta logo: «Eu bem sabia que Tu Me atendes sempre», o que implica, por seu turno, que Jesus pede constantemente. Assim, apoiada na acção de graças, a oração de Jesus revela-nos como devemos pedir: Antes de Lhe ser dado o que pede, Jesus adere Aquele que dá e Se dá nos seus dons. O Doador é mais precioso do que dom concedido, é o «tesouro», e é n'Ele que está o coração do Filho; o dom é dado «por acréscimo» (54).A oração «sacerdotal» de Jesus (55) ocupa um lugar único na economia da salvação. Será meditada no final da primeira Secção. Ela revela, de facto, a oração sempre actual do nosso Sumo-Sacerdote e, ao mesmo tempo, contém tudo quanto Ele nos ensina na nossa oração ao Pai, que será explicada na Segunda Secção.
Altera oratio a sancto Ioanne refertur63 ante Lazari resurrectionem. Gratiarum actio eventum praecedit: « Pater, gratias ago Tibi quoniam audisti me », quod implicat Patrem Suam petitionem semper exaudire; atque Iesus statim addit: « Ego autem sciebam quia semper me audis », quod implicat Iesum, e parte Sua, constanter petere. Sic Iesu oratio ducta a gratiarum actione nobis revelat quomodo sit petendum: priusquam donetur donum, Iesus Ei adhaeret qui donat quique in donis Suis Se donat. Donator dono largito est pretiosior, Ipse est « Thesaurus » et in Eo est cor Filii Eius; donum donatur « per additionem ».64 Iesu « sacerdotalis » oratio65 in Oeconomia salutis locum obtinet singularem. Eadem considerabitur in fine primae sectionis. Ipsa utique semper actualem nostri Summi Sacerdotis revelat orationem atque simul continet quod Ipse nos docet in nostra ad Patrem oratione, quae in secunda explicabitur sectione.
§ 2605
Quando chegou a Hora em que cumpriu o desígnio de amor do Pai, Jesus deixa entrever a profundidade insondável da sua oração filial, não só antes de livremente Se entregar («Abbá... não se faça a minha vontade, mas a tua»: Lc 23, 42), mas até nas suas últimas palavras já na cruz, onde orar e dar-Se coincidem: «Perdoa-lhes, ó Pai, pois não sabem o que fazem» (Lc 23, 34); «em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso» (Lc 23, 43); «Mulher, eis aí o teu filho» [...] «eis aí a tua mãe» (Jo 19, 26-27); «tenho sede!» (Jo 19, 28); «meu Deus, por que Me abandonaste?» (Mc 15, 34) (56); «tudo está consumado» (Jo 19, 30); «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23, 46), até ao «grande brado» com que expira, entregando o espírito (57).
Iesus, cum Hora venit in qua Ipse amoris Patris adimplet consilium, inscrutabilem Suae orationis filialis prospicere sinit profunditatem, non solum priusquam Se libere tradat (« Pater... non mea voluntas, sed Tua »: Lc 22,42), sed usque ad Sua ultima verba in cruce, ubi orare Seseque donare nonnisi unum sunt: « Pater, dimitte illis, non enim sciunt quid faciunt » (Lc 23,34); « Amen dico tibi: Hodie mecum eris in paradiso » (Lc 23,43); « Mulier, ecce filius tuus. [...] Ecce mater tua » (Io 19,26-27); « Sitio » (Io 19,28); « Deus meus, ut quid dereliquisti me? » (Mc 15,34);66 « Consummatum est » (Io 19,30); « Pater, in manus Tuas commendo spiritum meum » (Lc 23,46), usque ad illam « vocem magnam » qua tradens spiritum exspiravit.67
§ 2606
Todas as desolações da humanidade de todos os tempos, escrava do pecado e da morte, todas as súplicas e intercessões da história da salvação estão reunidas neste brado do Verbo encarnado. E eis que o Pai as acolhe e as atende, para além de toda a esperança, ao ressuscitar o seu Filho. Assim se cumpre e se consuma o drama da oração na economia da criação e da salvação. Dele nos dá o Saltério a chave em Cristo. É no «hoje» da ressurreição que o Pai diz: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei. Pede-Me, e Te darei as nações por herança e os confins da terra para teu domínio!» (Sl 2, 7-8) (58).

A Epístola aos Hebreus exprime em termos dramáticos como é que a oração de Jesus realiza a vitória da salvação: «Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com um forte brado e com lágrimas, Aquele que O podia livrar da morte e, por causa da sua piedade, foi atendido. Apesar de ser Filho, aprendeu, de quanto sofreu, o que é obedecer. E quando atingiu a sua plenitude, tornou-Se, para todos aqueles que Lhe obedecem, causa de salvação eterna» (Heb 5, 7-9).

Omnes angustiae humanitatis omnium temporum, servae peccati et mortis, omnes petitiones et intercessiones historiae salutis in hoc Verbi incarnati colliguntur clamore. Ecce Pater illas accipit et, ultra omnem spem, illas exaudit Suum resuscitans Filium. Sic drama orationis in creationis et salutis Oeconomia adimpletur et consummatur. Psalterium nobis clavem huius dramatis praebet in Christo. In hodie Resurrectionis, Pater dicit: « Filius meus est tu; ego hodie genui te. Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae » (Ps 2,7-8).68

Epistula ad Hebraeos locutionibus exprimit dramaticis quomodo Iesu oratio victoriam operetur salutis: « Qui in diebus carnis Suae, preces supplicationesque ad Eum, qui possit salvum Illum a morte facere, cum clamore valido et lacrimis offerens et exauditus pro Sua reverentia, et quidem cum esset Filius, didicit ex his quae passus est, oboedientiam; et, consummatus, factus est omnibus oboedientibus Sibi auctor salutis aeternae » (Heb 5,7-9).

JESUS ENSINA A ORAR

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2607
Quando ora, Jesus já nos ensina a orar. O caminho teologal da nossa oração é a sua oração ao Pai. Mas o Evangelho fornece-nos um ensinamento explícito de Jesus sobre a oração. Como bom pedagogo, toma conta de nós no ponto em que nos encontramos e, progressivamente, conduz-nos até ao Pai. Dirigindo-Se às multidões que O seguem, Jesus parte daquilo que elas já conhecem acerca da oração segundo a Antiga Aliança e abre-as à novidade do Reino que chega. Depois, revela-lhes em parábolas essa novidade. E, por fim, aos seus discípulos que hão-de ser pedagogos da oração na sua Igreja, fala abertamente do Pai e do Espírito Santo.
Cum Iesus orat, nos iam orare docet. Theologalis via nostrae orationis oratio Eius est ad Eius Patrem. Sed Evangelium explicitam Iesu doctrinam nobis tradit de oratione. Tamquam paedagogus, nos ibi assumit, ubi sumus, et modo progressivo nos ad Patrem ducit. Iesus, Se dirigens ad turbas quae Eum sequuntur, ab illo procedit quod eaedem iam de oratione secundum Vetus noscunt Foedus et eas ad Regni venientis aperit novitatem. Deinde illis hanc novitatem revelat parabolis. Denique discipulis, qui orationis in Eius Ecclesia esse debebunt paedagogi, aperte de Patre loquetur et de Spiritu Sancto.
§ 2608
Jesus insiste na conversão do coração desde o sermão da montanha: a reconciliação com o irmão antes de apresentar a oferta no altar (59); o amor dos inimigos e a oração pelos perseguidores (60); orar ao Pai «no segredo» (Mt 6, 6); não se perder em fórmulas palavrosas (61); perdoar do fundo do coração na oração (62); a pureza do coração e a busca do Reino (63) Esta conversão está totalmente polarizada no Pai: é filial.
Inde a sermone montano, Iesus de cordis conversione insistit: de reconciliatione cum fratre priusquam oblatio super altare praesentetur,69 de amore inimicorum et oratione pro persequentibus,70 de orando Patrem « in abscondito » (Mt 6,6), de non repetendo saepius in multiloquio,71 de parcendo ex imo corde in oratione,72 de cordis puritate et Regni inquisitione.73 Haec conversio tota ad Patrem dirigitur, ipsa filialis est.
§ 2609
O coração, assim decidido a converter-se, aprende a orar na fé. A fé é uma adesão filial a Deus, para além de tudo quanto sentimos e compreendemos. Tornou-se possível, porque o Filho bem-amado nos franqueia o acesso até junto do Pai. Ele pode pedir-nos que «procuremos» e «batamos à porta», porque Ele próprio é a porta e o caminho (64).
Cor, sic ad se convertendum paratum, orare discit in fide. Fides adhaesio Deo est filialis, ultra id quod sentimus et intelligimus. Eadem possibilis est effecta quia Filius dilectus nobis ad Patrem aperit accessum. Ipse a nobis petere potest ut « quaeramus » et « pulsemus », quia Ipse porta est et via.74
§ 2610
Do mesmo modo que Jesus ora ao Pai e Lhe dá graças antes de receber os seus dons, assim também nos ensina esta audácia filial: «tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes» (Mc 11, 24). Tal é a força da oração: «tudo é possível a quem crê» (Mc 9, 23), com uma fé que não hesita (65). Assim como Jesus Se entristece por causa da «falta de fé» dos seus conterrâneos (Mc 6, 6) e da «pouca fé» dos seus discípulos (66), também Se enche de admiração perante a «grande fé» do centurião romano (67) e da cananeia (68).
Sicut Iesus Patrem orat et gratias agit antequam Eius recipiat dona, ita nos hanc docet audaciam filialem: « Omnia quaecumque orantes petitis, credite quia iam accepistis » (Mc 11,24). Talis est orationis vis, « omnia possibilia credenti » (Mc 9,23), fide quae non haesitat.75 Quo Iesus tristitia afficitur « propter incredulitatem » Suorum propinquorum (Mc 6,6) et propter modicam fidem Suorum discipulorum,76 eo etiam admiratione capitur coram magna fide centurionis romani77 et mulieris Chananaeae.78
§ 2611
A oração de fé não consiste somente em dizer «Senhor, Senhor!», mas em preparar o coração para fazer a vontade do Pai (69). Jesus exorta os seus discípulos a levar para a oração esta solicitude em cooperar com o desígnio de Deus (70).
Fidei oratio non in eo solummodo consistit ut dicatur « Domine, Domine », sed in corde componendo ad faciendam voluntatem Patris.79 Iesus Suos vocat discipulos ut hanc cooperandi cum consilio divino sollicitudinem in oratione ferant.80
§ 2612
Em Jesus, «o Reino de Deus está perto». Ele apela à conversão e à fé, mas também à vigilância. Na oração (Mc 1, 15), o discípulo vela, atento Aquele que é e que vem, na memória da sua primeira vinda na humildade da carne e na esperança da sua segunda vinda na glória (71). Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate; é vigiando na oração que não se cai na tentação (72).
In Iesu « appropinquavit Regnum Dei » (Mc 1,15), Ipse ad conversionem vocat et ad fidem, sed etiam ad vigilantiam. Discipulus in oratione attentus vigilat in Eum qui est et qui venit in memoria Ipsius primi Adventus in humilitate carnis et in spe Ipsius secundi reditus in gloria.81 Oratio discipulorum, in communione cum eorum Magistro, est dimicatio, atque in oratione vigilando ingressus in tentationem non fit.82
§ 2613
São Lucas transmite-nos três parábolas principais sobre a oração.A primeira, a do «amigo importuno» (73), convida-nos a uma oração persistente: «Batei, e a porta abrir-se-vos-á». Aquele que assim ora, o Pai celeste «dará tudo quanto necessitar» e dará, sobretudo, o Espírito Santo, que encerra todos os dons.A segunda, a da «viúva importuna» (74), está centrada numa das qualidades da oração: é preciso orar sem se cansar, com a paciência da fé. «Mas o Filho do Homem, quando voltar, achará porventura fé sobre a terra?».A terceira, a do «fariseu e do publicano» (75), diz respeito à humildade do coração orante. «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador». A Igreja não cessa de fazer sua esta oração: «Kyrie, eleison!».
Tres praecipuae parabolae de oratione nobis a sancto Luca traduntur:Prima, « amicus importunus »,83 ad instantem invitat orationem: « Pulsate, et aperietur vobis ». Sic oranti Pater de caelo dabit, quidquid ille necessarium habet, et maxime Spiritum Sanctum qui omnia continet dona. Secunda, « vidua importuna »,84 ut centrum habet unam e qualitatibus orationis: « oportet semper orare et non deficere », cum fidei patientia. « Verumtamen Filius hominis veniens, putas, inveniet fidem in terra? ».Tertia, « Pharisaeus et publicanus »,85 ad cordis orantis respicit humilitatem: « Deus, propitius esto mihi peccatori ». Ecclesia non desinit hanc orationem facere suam: « Kyrie eleison! ».
§ 2614
Quando Jesus confia abertamente aos discípulos o mistério da oração ao Pai, desvenda-lhes o que deve ser a oração deles e a nossa quando Ele tiver voltado para junto do Pai, na sua humanidade glorificada. O que há de novo agora é o «pedir em seu nome» (76). A fé n'Ele introduz os discípulos no conhecimento do Pai, porque Jesus é «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6). A fé dá os seus frutos no amor: guardar a sua Palavra, os seus mandamentos, permanecer com Ele no Pai que n'Ele nos ama ao ponto de permanecer em nós. Nesta aliança nova, a certeza de sermos atendidos nas nossas petições baseia-se na oração de Jesus (77).
Cum mysterium orationis ad Patrem Suis discipulis aperte concredit, eis detegit id quod eorum oratio atque nostra esse debebit, cum Ipse in Sua humanitate glorificata ad Patrem redierit. Nunc novum est « petere in nomine Eius ».86 Fides in Eum discipulos in cognitionem Patris introducit, quia Iesus est « Via et Veritas et Vita » (Io 14,6). Fides suum fert fructum in amore: Eius verbum servare, Eius praecepta, cum Ipso manere in Patre qui nos in Ipso diligit usque ad manendum in nobis. In hoc Novo Foedere, certitudo nos in nostris exaudiri petitionibus, super Iesu fundatur orationem.87
§ 2615
Mais ainda: o que o Pai nos dá, quando a nossa oração se une à de Jesus, é «o outro Paráclito, [...] para ficar convosco para sempre, o Espírito de verdade» (Jo14, 16-17). Esta novidade da oração e das suas condições aparece ao longo do discurso do adeus (78). No Espírito Santo, a oração cristã é comunhão de amor com o Pai, não somente por Cristo, mas também n'Ele: «Até agora, não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para a vossa alegria ser completa» (Jo 16, 24).
Immo, cum nostra oratio cum illa Iesu coniungitur, Pater nobis praebet « alium Paraclitum [...], ut maneat vobiscum in aeternum, Spiritum veritatis » (Io 14,16-17). Haec orationis eiusque condicionum novitas apparet per discessus salutationem.88 In Spiritu Sancto, oratio christiana est amoris communio cum Patre, non solum per Christum, sed etiam in Ipso: « Usque modo non petistis quidquam in nomine meo. Petite et accipietis, ut gaudium vestrum sit plenum » (Io 16,24).Iesus orationem exaudit

JESUS ATENDE A ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2616
A oração a Jesus já foi sendo atendida por Ele durante o seu ministério, mediante os sinais que antecipam o poder da sua morte e ressurreição: Jesus atende a oração da fé expressa em palavras (do leproso (79), de Jairo (80), da cananeia (81), do bom ladrão (82)) ou feita em silêncio (dos que trouxeram o paralítico (83) , da hemorroíssa que Lhe tocou na veste (84), as lágrimas e o perfume da pecadora (85)). A súplica premente dos cegos: «Filho de David, tem piedade de nós!» (Mt 9, 27), ou «Jesus, filho de David, tem piedade de mim!» (Mc 10, 47), foi retomada na tradição da Oração a Jesus: «Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador!». Seja a cura das doenças ou o perdão dos pecados, Jesus responde sempre à oração de quem Lhe implora com fé: «Vai em paz, a tua fé te salvou».

Santo Agostinho resume admiravelmente as três dimensões da oração de Jesus: «sendo o nosso Sacerdote, ora por nós; sendo a nossa Cabeça, ora em nós; e sendo o nosso Deus, a Ele oramos. Reconheçamos, pois, n'Ele a nossa voz e a voz d'Ele em nós» (86) .

Ad Iesum oratio iam a Iesu est tempore Eius ministerii exaudita per signa quae Eius Mortis Eiusque Resurrectionis anticipant vim: Iesus exaudit fidei orationem, verbis expressam (a leproso;89 a Iairo;90 a Chananaea;91 a bono latrone92) vel silentio (a ferentibus paralyticum;93 ab haemorrhoissa quae Eius tangit vestimentum;94 lacrimis et unguento mulieris peccatricis95). Instans caecorum petitio: « Miserere nostri, fili David » (Mt 9,27) vel « Fili David Iesu, miserere mei » (Mc 10,47) iterum in traditione sumitur Orationis ad Iesum: « Iesu, Christe, Fili Dei, Domine, miserere mei, peccatoris! ». Aegritudines sanando vel peccata remittendo, Iesus semper respondet orationi quae Eum cum fide deprecatur: « Vade in pace; fides tua te salvum fecit! ».

Sanctus Augustinus tres orationis Iesu dimensiones mirabiliter compendiat: « Orat pro nobis, ut Sacerdos noster; orat in nobis, ut Caput nostrum; oratur a nobis, ut Deus noster. Agnoscamus ergo et in Illo voces nostras, et voces Eius in nobis ».96

A ORAÇÃO DA VIRGEM MARIA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2617
A oração de Maria é-nos revelada na aurora da plenitude dos tempos. Antes da encarnação do Filho de Deus e da efusão do Espírito Santo, a sua oração coopera de um modo único com o desígnio bene­volente do Pai, aquando da Anunciação para a concepção de Cristo (87) e aquando do Pentecostes para a formação da Igreja, corpo de Cristo (88). Na fé da sua humilde serva, o Dom de Deus encontra o acolhimento que Ele esperava desde o princípio dos tempos. Aquela que o Todo-Poderoso fez «cheia de graça» responde pelo oferecimento de todo o seu ser: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». «Faça-se» é a oração cristã: ser todo para Ele, já que Ele é todo para nós.
Oratio Mariae nobis in aurora revelatur plenitudinis temporum. Ante Incarnationem Filii Dei et ante effusionem Spiritus Sancti, eius oratio, modo singulari, Patris consilio benevolenti cooperatur, in Annuntiatione pro Christi conceptione,97 in Pentecoste pro formatione Ecclesiae, corporis Christi.98 Donum Dei, in fide Eius humilis ancillae invenit acceptionem quam Ipse a temporum initio exspectabat. Illa, quam Omnipotens « gratia plenam » effecit, respondet totali sui ipsius oblatione: « Ecce ancilla Domini; fiat mihi secundum verbum tuum ». « Fiat » christiana est oratio: esse totaliter Eius quia Ipse totaliter noster est.
§ 2618
O Evangelho revela-nos como é que Maria ora e intercede na fé: em Caná (89), a Mãe de Jesus roga a seu Filho pelas necessidades dum banquete de bodas, sinal dum outro banquete, o das bodas do Cordeiro que dá o seu corpo e o seu sangue a pedido da Igreja, sua esposa . E é na hora da Nova Aliança, ao pé da cruz (90), que Maria é atendida como a Mulher, a nova Eva, a verdadeira «mãe dos vivos».
Evangelium nobis revelat quomodo Maria orat et intercedit in fide: in Cana,99 Mater Iesu orat Filium pro necessitatibus convivii nuptiarum, signi alius Convivii, illius nuptiarum Agni qui petitioni Ecclesiae, Sponsae Suae, Suum corpus Suumque donat sanguinem. In Novi Foederis hora, iuxta crucem, 100 exauditur Maria, tamquam Mulier, Nova Eva, vera « Mater viventium ».
§ 2619
É por isso que o cântico de Maria (91) o Magnificat latino, o Megalynárion bizantino – é, ao mesmo tempo, o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, cântico da Filha de Sião e do novo povo de Deus, cântico de acção de graças pela plenitude de graças derramadas na economia da salvação, cântico dos «pobres», cuja esperança se vê satisfeita pelo cumprimento das promessas feitas aos nossos pais, «em favor de Abraão e da sua descendência, para sempre».Resumindo:
Hac de causa, Mariae canticum, 101 « Magnificat » latinum, Megalynárion Byzantinum, simul est canticum Matris Dei et illud Ecclesiae, canticum Filiae Sion et novi populi Dei, canticum actionis gratiarum ob plenitudinem gratiarum in Oeconomia salutis diffusarum, canticum « pauperum » quorum spes impleta est per adimpletionem promissionum factarum nostris patribus « Abraham et semini eius in saecula ». Compendium

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Resumindo

§ 2620
No Novo Testamento, o modelo perfeito da oração é a oração filial de Jesus. Feita muitas vezes na solidão, no segredo, a oração de Jesus comporta uma adesão amorosa à vontade do Pai até à cruz e uma confiança absoluta em que será atendida.
In Novo Testamento, perfectum orationis exemplar in filiali Iesu residet oratione. Effecta saepe in solitudine, in abscondito, Iesu oratio plenam amore implicat adhaesionem voluntati Patris usque ad crucem et absolutam fiduciam ut exaudiatur.
§ 2621
Na sua doutrina, Jesus ensina os discípulos a orar com um coração purificado, uma fé viva e perseverante, uma audácia filial. Exorta-os à vigilância e convida-os a apresentar a Deus os seus pedidos em nome d'Ele. O próprio Jesus Cristo atende as orações que Lhe são dirigidas.
Iesus in Sua doctrina discipulos Suos docet orare corde purificato, fide viva et perseveranti, audacia filiali. Illos ad vigilantiam vocat atque invitat ut suas petitiones Deo in Eius praesentent nomine. Ipse Iesus Christus orationes exaudit quae Ei diriguntur.
§ 2622
A oração da Virgem Maria, no seu «Fiat» e no seu «Magnificat», caracteriza-se pelo oferecimento generoso de todo o seu ser na fé.
Virginis Mariae oratio, in eius « Fiat » et in eius Magnificat, generosa insignitur sui ipsius totali oblatione in fide. (51) Cf Lc 1,49; 2,19.51. (52) Cf Lc 3,21. (53) Cf Lc 9,28. (54) Cf Lc 22,41-44. (55) Cf Lc 6,12. (56) Cf Lc 9,18-20. (57) Cf Lc 22,32. (58) Cf Mc 1,35; 6,46; Lc 5,16. (59) Cf Heb 2,12. (60) Cf Heb 2,15; 4,15. (61) Cf Mt 11,25-27 et Lc 10,21-22. (62) Cf Eph 1,9. (63) Cf Io 11,41-42. (64) Cf Mt 6,21.33. (65) Cf Io 17.(66) Cf Ps 22,2.(67) Cf Mc 15,37; Io 19,30. (68) Cf Act 13,33. (69) Cf Mt 5,23-24. (70) Cf Mt 5,44-45. (71) Cf Mt 6,7. (72) Cf Mt 6,14-15. (73) Cf Mt 6,21.25.33. (74) Cf Mt 7,7-11.13-14. (75) Cf Mt 21,21. (76) Cf Mt 8,26. (77) Cf Mt 8,10. (78) Cf Mt 15,28. (79) Cf Mt 7,21. (80) Cf Mt 9,38; Lc 10,2; Io 4,34. (81) Cf Mc 13; Lc 21,34-36. (82) Cf Lc 22,40.46. (83) Cf Lc 11,5-13. (84) Cf Lc 18,1-8. (85) Cf Lc 18,9-14. (86) Cf Io 14,13. (87) Cf Io 14,13-14. (88) Cf Io 14,23-26; 15,7.16; 16,13-15.23-27. (89) Cf Mc 1,40-41. (90) Cf Mc 5,36. (91) Cf Mc 7,29. (92) Cf Lc 23,39-43. (93) Cf Mc 2,5. (94) Cf Mc 5,28. (95) Cf Lc 7,37-38. (96) Sanctus Augustinus, Enarratio in Psalmum 85, 1: CCL 39, 1176 (PL 36, 1081); cf Institutio generalis de liturgia Horarum, 7: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 24. (97) Cf Lc 1,38. (98) Cf Act 1,14. (99) Cf Io 2,1-12. (100) Cf Io 19,25-27. (101) Cf Lc 1,46-55.

NO TEMPO DA IGREJA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2623
No dia de Pentecostes, o Espírito da promessa foi derramado sobre os discípulos, «reunidos no mesmo lugar» (Act 2, 1), enquanto O esperavam, «todos [...] perseveravam unânimes na oração» (Act 1, 14). O Espírito que ensina a Igreja e lhe recorda tudo quanto Jesus disse (92) vai também formá-la na vida de oração.
Pentecostes die, Spiritus Promissionis effusus est in discipulos qui « erant omnes pariter in eodem loco » (Act 2,1), Eum exspectantes « omnes [...] perseverantes unanimiter in oratione » (Act 1,14). Spiritus qui docet Ecclesiam eique omnia suggerit quae Iesus dixit, 102 eam etiam ad orationis vitam est formaturus.
§ 2624
Na primeira comunidade de Jerusalém, os crentes «eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações» (Act 2, 42). Esta sequência é típica da oração da Igreja: fundada sobre a fé apostólica e autenticada pela caridade, alimenta-se na Eucaristia.
In prima Hierosolymitana communitate, credentes « erant [...] perseverantes in doctrina Apostolorum et communicatione, in fractione panis et orationibus » (Act 2,42). Colligatio characteristica est orationis Ecclesiae: fundata in fide apostolica et consignata caritate, ipsa in Eucharistia nutritur.
§ 2625
Estas orações são, em primeiro lugar, as que os fiéis ouvem e lêem nas Escrituras; mas eles actualizam-nas, em particular as dos salmos, a partir da sua realização em Cristo (93). O Espírito Santo, que assim recorda Cristo à sua Igreja orante, também a conduz para a verdade integral e suscita formulações novas que exprimirão o insondável mistério de Cristo operante na vida, sacramentos e missão da Igreja. Estas formulações desenvolver-se-ão nas grandes tradições litúrgicas e espirituais. As formas da oração, tais como as revelam as Escrituras apostólicas canónicas, continuam a ser normativas da oração cristã.
Hae orationes illae sunt imprimis quas fideles audiunt et legunt in Scripturis, sed eas ad praesentia accommodant, illas praesertim psalmorum, ab earum adimpletione in Christo 103 procedentes. Spiritus Sanctus, qui sic Christum Eius Ecclesiae commemorat oranti, illam etiam deducit in omnem veritatem novasque suscitat formulas quae inscrutabile Christi expriment mysterium, quod in vita, in sacramentis et in Eius Ecclesiae missione operatur. Hae formulae in magnis traditionibus liturgicis et spiritualibus explicabuntur. Orationis formae, quales Scripturae apostolicae revelant canonicae, normativae permanebunt pro oratione christiana.I. Benedictio et adoratio

NO TEMPO DA IGREJA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A bênção e a adoração

§ 2626
A bênção exprime o movimento de fundo da oração cristã: ela é o encontro de Deus com o homem; nela se encontram e unem o dom de Deus e o acolhimento do homem. A oração de bênção é a resposta do homem aos dons de Deus: uma vez que Deus abençoa, o coração do homem pode responder bendizendo Aquele que é a fonte de toda a bênção.
Benedictio imum orationis christianae exprimit motum: eadem Dei et hominis est occursus; in ea Dei donum et hominis acceptio sese vocant seseque coniungunt. Benedictionis oratio est hominis responsum donis Dei: quia Deus benedicit, potest cor hominis retribuendo benedicere Ei qui omnis benedictionis est fons.
§ 2627
Exprimem este movimento duas formas fundamentais: umas vezes, a bênção sobe, levada por Cristo no Espírito Santo, para o Pai (nós O bendizemos por Ele nos ter abençoado) (94); outras vezes, implora a graça do Espírito Santo que, por Cristo, desce de junto do Pai (é Ele que nos abençoa) (95).
Duae formae fundamentales hunc exprimunt motum: tum benedictio ascendit a Spiritu Sancto ducta per Christum ad Patrem (benedicimus Ei quippe qui nobis benedixit); 104 tum gratiam supplicat Spiritus Sancti qui per Christum a Patre descendit (Ipse nobis benedicit). 105
§ 2628
A adoração é a primeira atitude do homem que se reconhece criatura diante do seu Criador. Exalta a grandeza do Senhor que nos criou (96) e a omnipotência do Salvador que nos liberta do mal. É a prostração do espírito perante o «Rei da glória» (97) e o silêncio respeitoso face ao Deus «sempre maior» (98). A adoração do Deus três vezes santo e soberanamente amável enche-nos de humildade e dá segurança às nossas súplicas.
Adoratio est prima habitudo hominis qui se creaturam coram Creatore agnoscit suo. Magnitudinem extollit Domini qui nos fecit 106 et omnipotentiam Salvatoris qui nos a malo liberat. Eadem est spiritus prosternatio coram « Rege gloriae » 107 et silentium obsequiosum coram Deo qui « semper [...] maior est ». 108 Adoratio Dei ter Sancti et sublimiter amabilis confundit humilitate atque securitatem supplicationibus nostris praebet. II. Oratio petitionis

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A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A oração de petição

§ 2629
O vocabulário da oração de súplica é rico de matizes no Novo Testamento: pedir, reclamar, chamar com insistência, invocar, bradar, gritar e, até, «lutar na oração» (99). Mas a sua forma mais habitual, porque mais espontânea, é a petição. É pela oração de petição que traduzimos a consciência da nossa relação com Deus: enquanto criaturas, não somos a nossa origem, nem donos das adversidades, nem somos o nosso fim último; mas também, sendo pecadores, sabemos, como cristãos, que nos afastamos do nosso Pai. A petição é já um regresso a Ele.
Supplicationis lexicon in Novo Testamento dives est in coloris diversitate: petere, expostulare, instanter appellare, invocare, clamare, conclamare et etiam « in oratione concertare ». 109 Sed forma frequentissima, quippe quae maxime spontanea, est petitio. Per petitionis orationem conscientiam patefacimus nostrae relationis cum Deo: ut creaturae, nostra non sumus origo, neque adversitatum domini, neque noster ultimus finis, sed etiam ut peccatores, scimus, utpote christiani, nos a Patre nostro averti. Petitio est iam quidam ad Eum reditus.
§ 2630
O Novo Testamento quase não contém orações de lamentação, frequentes no Antigo. Doravante, em Cristo Ressuscitado, a petição da Igreja é sustentada pela esperança, embora ainda estejamos à espera e tenhamos de nos converter em cada dia. É de outra profundidade que brota a petição cristã, aquela a que São Paulo chama gemido: o da criação em «dores de parto» (Rm 8, 22) e também o nosso, «aguardando a libertação do nosso corpo», porque «foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 23-24); e, por fim, os «gemidos inefáveis» do próprio Espírito Santo, que «vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser» (Rm 8, 26).
Novum Testamentum fere non continet orationes lamentationum quae in Vetere Testamento frequentes erant. Iam in Christo resuscitato, Ecclesiae oratio fertur spe, etiamsi adhuc in exspectatione simus et quotidie convertere nos oporteat. Petitio christiana ab alia oritur profunditate, ab illa quam sanctus Paulus appellat gemitum: est ille creaturae quae « congemiscit et comparturit » (Rom 8,22), est etiam noster qui exspectat « redemptionem corporis nostri. Spe enim salvi facti sumus » (Rom 8,23-24), sunt denique gemitus inenarrabiles Ipsius Spiritus Sancti qui « adiuvat infirmitatem nostram; nam quid oremus, sicut oportet, nescimus » (Rom 8,26).
§ 2631
O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de petição (cf. o publicano: «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador» (Lc 18, 13). É o preliminar duma oração justa e pura. A humildade confiante repõe-nos na luz da comunhão com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo, bem como dos homens uns com os outros (100). Nestas condições, «seja o que for que Lhe peçamos, recebê-lo-emos» (1 Jo 3, 22). O pedido de perdão é o preâmbulo da liturgia Eucarística, bem como da oração pessoal.
Veniae petitio primus est orationis petitionis motus (cf publicanus: « Deus, propitius esto mihi peccatori », Lc 18,13). Ipsa est orationi iustae et purae praevia. Fidens humilitas nos in lumen remittit communionis cum Patre et Eius Filio Iesu Christo et ad invicem: 110 tunc « quodcumque petierimus, accipimus ab Eo » (1 Io 3,22). Veniae petitio praevia est liturgiae eucharisticae, sicut etiam orationi personali.
§ 2632
A petição cristã está centrada no desejo e na busca do Reino que há-de vir, em conformidade com o ensinamento de Jesus (101). Há uma  hierarquia nas petições: primeiro, o Reino; depois, tudo quanto é necessário para o acolher e para cooperar com a sua vinda. Esta cooperação com a missão de Cristo e do Espírito Santo, que agora é a da Igreja, é o objecto da oração da comunidade apostólica (102). É a oração de Paulo, o apóstolo por excelência, que nos revela como a solicitude divina por todas as Igrejas deve animar a oração cristã (103). Pela oração, todo o cristão trabalha pela vinda do Reino.
Petitio christiana habet, ut centrum, optatum et quaesitionem Regni quod venit, secundum Iesu doctrinam. 111 Hierarchia in petitionibus habetur: imprimis Regnum, deinde quod necessarium est ad illud accipiendum et ad cooperandum Adventui eius. Haec cum Christi et Spiritus Sancti missione cooperatio, quae nunc est illa Ecclesiae, obiectum est orationis communitatis apostolicae. 112 Oratio Pauli, apostoli per excellentiam, nobis revelat quomodo divina omnium Ecclesiarum sollicitudo orationem christianam debeat animare. 113 Oratione, omnis baptizatus adlaborat ad Regni Adventum.
§ 2633
Quando se participa assim no amor salvífico de Deus, compreende-se que qualquer necessidade pode tornar-se objecto de pedido. Cristo, que tudo assumiu a fim de tudo resgatar, é glorificado pelos pedidos que dirigimos ao Pai em seu nome (104). É com esta certeza que Tiago (105) e Paulo nos exortam a orar em todas as ocasiões (106).
Cum Dei amor salutaris sic participatur, intelligitur omnem necessitatem obiectum petitionis effici posse. Christus qui omnia assumpsit, ut omnia redimeret, glorificatur petitionibus quas Patri in Eius offerimus Nomine. 114 Hac securitate, Iacobus 115 et Paulus nos hortantur ad orandum in omni occasione. 116 III. Oratio intercessionis

NO TEMPO DA IGREJA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A oração de intercessão

§ 2634
A intercessão é uma oração de petição que nos conforma de perto com a oração de Jesus. É Ele o único intercessor junto do Pai em favor de todos os homens, em particular dos pecadores (107). Ele «pode salvar de maneira definitiva aqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus, uma vez que está sempre vivo, para interceder por eles» (Heb 7, 25). O próprio Espírito Santo «intercede por nós [...] intercede pelos santos, em conformidade com Deus» (Rm 8, 26-27).
Intercessio oratio est petitionis quae nos orationi Iesu prope conformat. Ipse unus est intercessor apud Patrem pro omnibus hominibus, peculiariter pro peccatoribus. 117 Ipse « salvare in perpetuum potest accedentes per Semetipsum ad Deum, semper vivens ad interpellandum pro eis » (Heb 7,25). Ipse Spiritus Sanctus « interpellat [...], quia secundum Deum postulat pro sanctis » (Rom 8,26-27).
§ 2635
Interceder, pedir a favor de outrem, é próprio, desde Abraão, dum coração conforme com a misericórdia de Deus. No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa na de Cristo: é a expressão da comunhão dos santos. Na intercessão, aquele que ora não «olha aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros» (Fl 2, 4), e chega até a rezar pelos que lhe fazem mal (108).
Intercedere, petere pro aliis, proprium est, inde ab Abraham, cordis misericordiae Dei conformati. In Ecclesiae tempore, intercessio christiana illam Christi participat: expressio est communionis sanctorum. In intercessione, qui orat, non considerat « quae sua sunt, [...] sed et ea, quae aliorum » (Phil 2,4) usque ad orandum pro eis qui illi malum faciunt. 118
§ 2636
As primeiras comunidades cristãs viveram intensamente esta forma de partilha (109). O apóstolo Paulo fá-las participar deste modo no seu ministério do Evangelho (110) mas ele próprio também intercede por elas (111). A intercessão dos cristãos não conhece fronteiras: «[...] por todos os homens, [...] por todos os que exercem a autoridade» (1 Tm 2, 1), pelos perseguidores (112), pela salvação dos que rejeitam o Evangelho (113).
Priores christianae communitates intense secundum hanc partitionis vixerunt formam. 119 Apostolus Paulus eas hoc modo suum Evangelii ministerium participare facit, 120 sed etiam pro eis intercedit. 121 Christianorum intercessio limites non agnoscit: « pro omnibus hominibus, pro [...] omnibus, qui in sublimitate sunt » (1 Tim 2,1), pro persecutoribus, 122 pro salute illorum qui Evangelium reiiciunt. 123 IV. Oratio actionis gratiarum

NO TEMPO DA IGREJA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A oração de acção de graças

§ 2637
A acção de graças caracteriza a oração da Igreja que, ao celebrar a Eucaristia, manifesta e cada vez mais se torna naquilo que é. De facto, pela obra da salvação, Cristo liberta a criação do pecado e da morte, para de novo a consagrar e fazer voltar ao Pai, para sua glória. A acção de graças dos membros do corpo participa na da sua Cabeça.
Gratiarum actio orationem insignit Ecclesiae, quae, Eucharistiam celebrans, id manifestat idque magis efficitur quod ipsa est. Revera, in salutis opere, Christus creaturam liberat a peccato et a morte ad illam iterum consecrandam et ad efficiendum ut ad Patrem redeat ad Eius gloriam. Actio gratiarum membrorum Christi illam participat eorum Capitis.
§ 2638
Como na oração de petição, qualquer acontecimento e qualquer necessidade podem transformar-se em oferenda de acção de graças. As cartas de São Paulo muitas vezes começam e acabam por uma acção de graças, e nelas o Senhor Jesus está sempre presente: «Dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus, em Cristo Jesus, a vosso respeito» (1 Ts 5, 18); «perseverai na oração; sede, por meio dela, vigilantes em acções de graças» (Cl 4, 2).
Sicut in oratione petitionis, quilibet eventus et quaelibet necessitas possunt oblatio actionis gratiarum effici. Epistulae sancti Pauli saepe incipiunt et concluduntur actione gratiarum, et Dominus Iesus semper est praesens in illa. « In omnibus gratias agite; haec enim voluntas Dei est in Christo Iesu erga vos » (1 Thess 5,18). « Orationi instate, vigilantes in ea in gratiarum actione » (Col 4,2). V. Laudis oratio

NO TEMPO DA IGREJA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A oração de louvor

§ 2639
O louvor é a forma de oração que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus! Canta-O por Si próprio, glorifica-O, não tanto pelo que Ele faz, mas sobretudo porque ELE É. Participa da bem-aventurança dos corações puros que O amam na fé, antes de O verem na glória. Por ela, o Espírito junta-Se ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus (114) e dá testemunho do Filho Único no qual fomos adoptados e pelo qual glorificamos o Pai. O louvor integra as outras formas de oração e leva-as Aquele que delas é a fonte e o termo: «o único Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem nós somos» (1 Cor 8, 6).
Laus forma est orationis quae omnino immediate agnoscit Deum esse Deum. Ipsa Ei canit propter Se Ipsum, Ei gloriam reddit, non ob id quod facit, sed quia IPSE EST. Beatitudinem participat purorum cordium quae Eum in fide diligunt, priusquam Eum in gloria videant. Per eam, Spiritus cum nostro coniungitur spiritu ut testetur nos filios esse Dei, 124 testimonium reddit uni Filio, in quo adoptati sumus et per quem Patrem glorificamus. Laus alias orationis formas componit et eas ducit ad Eum qui earum fons est atque terminus: « Unus Deus Pater, ex quo omnia et nos in Illum » (1 Cor 8,6).
§ 2640
São Lucas registra muitas vezes no seu Evangelho a admiração e o louvor perante as maravilhas operadas por Cristo. Sublinha também os mesmos sentimentos perante as acções do Espírito Santo que são os Actos dos Apóstolos: a comunidade de Jerusalém (115), o entrevado curado por Pedro e João (116), a multidão que por tal facto dá glória a Deus (117), os pagãos da Pisídia, que, «cheios de alegria, glorificam a Palavra do Senhor» (Act 13, 48).
Sanctus Lucas in suo evangelio saepe coram mirabilibus Christi commemorat admirationem et laudem, eas etiam effert propter Spiritus Sancti actiones, quae sunt Actus Apostolorum: communitatis Hierosolymitanae, 125 claudi a Petro et Ioanne sanati, 126 turbae quae Deum propterea glorificat, 127 gentilium Pisidiae qui « gaudebant et glorificabant verbum Domini » (Act 13,48).
§ 2641
«Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos inspirados; cantai e louvai ao Senhor no vosso coração» (Ef 5, 19) (118). Tal como os escritores inspirados do Novo Testamento, as primeiras comunidades cristãs relêem o livro dos Salmos, cantando neles o mistério de Cristo. Na novidade do Espírito, compõem também hinos e cânticos a partir do acontecimento inaudito que Deus realizou em seu Filho: a sua encarnação, a sua morte vitoriosa sobre a morte, a sua ressurreição e a sua ascensão à direita do Pai (119). É desta «maravilha» de toda a economia da salvação que sobe a doxologia, o louvor de Deus (120).
« Loquentes vobismetipsis in psalmis et hymnis et canticis spiritalibus, cantantes et psallentes in cordibus vestris Domino » (Eph 5,19). 128 Sicut Novi Testamenti inspirati scriptores, primae communitates christianae librum relegunt Psalmorum in eis Christi canentes mysterium. In novitate Spiritus, hymnos etiam componunt et cantica ab eventu, procedentes inaudito quem Deus in Filio adimplevit Suo: Eius Incarnationem, Eius Mortem de morte victricem, Eius Resurrectionem Eiusque Ascensionem ad dexteram Suam. 129 Ab his « mirabilibus » totius Oeconomiae salutis doxologia ascendit, Dei laus. 130
§ 2642
A revelação «do que deve acontecer em breve», que é o Apocalipse, apoia-se nos cânticos da liturgia celeste (121), mas também na intercessão das «testemunhas» (isto é, dos mártires) (122). Os profetas e os santos, todos os que na terra foram mortos por causa do testemunho dado por Jesus (123), a multidão imensa daqueles que, vindos da grande tribulação, nos precederam no Reino, cantam o louvor da glória d'Aquele que está sentado no trono e do Cordeiro (124). Em comunhão com eles, a Igreja da terra canta também os mesmos cânticos, na fé e na provação. A fé, na súplica e na intercessão, espera contra toda a esperança e dá graças ao Pai das luzes de Quem procede todo o dom perfeito (125). Assim, a fé é um puro louvor.
Revelatio eorum « quae oportet fieri cito », Apocalypsis, canticis fertur liturgiae caelestis, 131 sed etiam intercessione « testium » (martyrum). 132 Prophetae et sancti, omnes qui in terra propter Iesu testimonium interfecti sunt, 133 turba immensa eorum qui de magna venerunt tribulatione et nos praecesserunt in Regno, laudem canunt gloriae Illius qui sedet super Thronum et Agni. 134 In communione cum eis, Ecclesia terrestris etiam haec canit cantica, in fide et tribulatione. In petitione et intercessione, fides sperat contra omnem spem et gratias agit Patri luminum a quo omne donum perfectum descendit. 135 Sic fides est pura laus.
§ 2643
A Eucaristia contém e exprime todas as formas de oração: é «a oblação pura» de todo o corpo de Cristo «para glória do seu nome» (126); é, segundo as tradições do Oriente e do Ocidente, «o sacrifício de louvor».Resumindo:
Eucharistia omnes orationis continet et exprimit formas: eadem est « oblatio munda » totius corporis Christi in gloriam Nominis Eius; 136 eadem, secundum Orientis et Occidentis traditiones, est « sacrificium laudis ».Compendium

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Resumindo

§ 2644
O Espírito Santo, que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, também a educa para a vida de oração, suscitando expressões que se renovam no âmbito de formas permanentes: bênção, petição, intercessão, acção de graças e louvor.
Spiritus Sanctus qui docet Ecclesiam eique omnia suggerit quae Iesus dixit, eam etiam ad orationis vitam educat, suscitans expressiones quae renovantur intra formas permanentes: benedictionem, petitionem, intercessionem, gratiarum actionem et laudem.
§ 2645
É porque Deus o abençoa, que o coração do homem pode, retribuindo, bendizer Aquele que é a fonte de toda a bênção.
Quia Deus ei benedicit, potest cor hominis retribuendo benedicere Illi qui omnis benedictionis est fons.
§ 2646
A oração de petição tem por objecto o perdão, a busca do Reino, bem como qualquer necessidade verdadeira.
Oratio petitionis habet, ut obiectum, veniam, Regni quaesitionem, sicut etiam omnem veram necessitatem.
§ 2647
A oração de intercessão consiste numa petição em favor de outrem. Não conhece fronteiras e estende-se até aos inimigos.
Intercessionis oratio in petitione consistit pro aliis. Limites non cognoscit et usque ad inimicos extenditur.
§ 2648
Toda a alegria e todo o sofrimento, todo o acontecimento e toda a necessidade podem ser matéria da acção de graças, a qual, participando na de Cristo, deve encher a vida toda: «Dai graças em todas as circunstâncias» (1 Ts 5, 18).
Quodlibet gaudium et quilibet dolor, quilibet eventus et quaelibet necessitas possunt materiam esse actionis gratiarum, quae illam Christi participans, totam implere debet vitam: « In omnibus gratias agite » (1 Thess 5,18).
§ 2649
A oração de louvor, totalmente desinteressada, dirige-se a Deus: canta-O por Si próprio, glorifica-O, não tanto pelo que Ele faz, mas sobretudo porque ELE É.
Oratio laudis, prorsus gratuita, fertur in Deum; Ei canit propter Se Ipsum, Eidem gloriam reddit, non ob id quod Ipse facit, sed quia IPSE EST. (102) Cf Io 14,26. (103) Cf Lc 24,27.44. (104) Cf Eph 1,3-14; 2 Cor 1,3-7; 1 Pe 1,3-9. (105) Cf 2 Cor 13,13; Rom 15,5-6.13; Eph 6,23-24.(106) Cf Ps 95,1-6.(107) Cf Ps 24,9-10.(108) Sanctus Augustinus, Enarratio in Psalmum 62, 16: CCL 39, 804 (PL 36, 758).(109) Cf Rom 15,30; Col 4,12. (110) Cf 1 Io 1,7–2,2. (111) Cf Mt 6,10.33; Lc 11,2.13. (112) Cf Act 6,6; 13,3. (113) Cf Rom 10,1; Eph 1,16-23; Phil 1,9-11; Col 1,3-6; 4,3-4.12. (114) Cf Io 14,13. (115) Cf Iac 1,5-8. (116) Cf Eph 5,20; Phil 4,6-7; Col 3,16-17; 1 Thess 5,17-18.(117) Cf Rom 8,34; 1 Io 2,1; 1 Tim 2,5-8. (118) Cf Sanctus Stephanus pro suis orans tortoribus sicut Iesus: cf Act 7,60; Lc 23,28.34. (119) Cf Act 12,5; 20,36; 21,5; 2 Cor 9,14. (120) Cf Eph 6,18-20; Col 4,3-4; 1 Thess 5,25. (121) Cf 2 Thess 1,11; Col 1,3; Phil 1,3-4. (122) Cf Rom 12,14. (123) Cf Rom 10,1. (124) Cf Rom 8,16. (125) Cf Act 2,47. (126) Cf Act 3,9. (127) Cf Act 4,21. (128) Cf Col 3,16. (129) Cf Phil 2,6-11; Col 1,15-20; Eph 5,14; 1 Tim 3,16; 6,15-16; 2 Tim 2,11-13. (130) Cf Eph 1,3-14; 3,20-21; Rom 16,25-27; Ids 24-25.(131) Cf Apc 4,8-11; 5,9-14; 7,10-12. (132) Cf Apc 6,10. (133) Cf Apc 18,24. (134) Cf Apc 19,1-8. (135) Cf Iac 1,17. (136) Cf Mal 1,11.

A TRADIÇÃO DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2650
A oração não se reduz ao brotar espontâneo dum impulso interior: para orar, é preciso querer. Tão-pouco basta saber o que a Escritura revela sobre a oração: é preciso também aprender a rezar. Ora, é através duma transmissão viva (a Tradição sagrada), que o Espírito Santo, na «Igreja crente e orante» (1), ensina os filhos de Deus a orar.
Oratio ad ortum spontaneum interioris impulsus non reducitur: ad orandum, oportet id velle. Scire non sufficit quod Scriptura de oratione revelat: discere oportet etiam orare. Nunc vero, Spiritus Sanctus, per transmissionem vivam (sanctam Traditionem), Dei filios in credenti et oranti Ecclesia 137 orare docet.
§ 2651
A tradição da oração cristã é uma das formas de crescimento da Tradição da fé, particularmente pela contemplação e pelo estudo dos crentes, que guardam no seu coração os acontecimentos e as palavras da economia da salvação, e pela penetração profunda das realidades espirituais que eles experimentam (2).
Orationis christianae traditio quaedam e formis est incrementi Traditionis fidei, praesertim contemplatione et studio credentium qui eventus et verba Oeconomiae salutis in corde conservant suo, atque profunda penetratione realitatum spiritualium quas experiuntur. 138 (137) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.(138) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.

NAS FONTES DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2652
O Espírito Santo é a «água viva» que, no coração orante, «jorra para a vida eterna» (3). É Ele quem nos ensina a recolhê-la na própria Fonte: Jesus Cristo. Ora, há na vida cristã mananciais onde Cristo nos espera para nos dar a beber o Espírito Santo.
Spiritus Sanctus est « aqua viva » quae, in corde orantis, « salit in vitam aeternam ». 139 Idem nos docet eam accipere in ipso fonte: Christo. In vita autem christiana, fontis habentur canales, in quibus Christus nos exspectat ut nos Spiritu Sancto adaquet:Verbum Dei

A PALAVRA DE DEUS

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2653
A Igreja «exorta com ardor e insistência todos os fiéis [...] a que aprendam "a sublime ciência de Jesus Cristo" (Fl 3, 8) pela leitura frequente das divinas Escrituras [...]. Lembrem-se, porém, de que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração, para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem, porque "a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos"» (4).
Ecclesia « christifideles omnes [...] vehementer peculiariterque exhortatur, ut frequenti divinarum Scripturarum lectione "eminentem scientiam Iesu Christi" (Phil 3,8) ediscant [...]. Meminerint autem orationem concomitari debere sacrae Scripturae lectionem, ut fiat colloquium inter Deum et hominem; nam "Illum alloquimur, cum oramus; Illum audimus, cum divina legimus oracula" ». 140
§ 2654
Os Padres espirituais, parafraseando Mt 7, 7, resumem assim as disposições do coração, alimentado pela Palavra de Deus na oração: «Procurai na leitura e achareis na meditação; batei à porta na oração e ela abrir-se-vos-á na contemplação» (5).
Patres spirituales, paraphrasi Mt 7,7 interpretantes, sic cordis a Verbo Dei in oratione enutriti compendiant dispositiones: « Quaerite legendo, et invenietis meditando: pulsate orando, et aperietur vobis contemplando ». 141Liturgia Ecclesiae

A LITURGIA DA IGREJA

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2655
A missão de Cristo e do Espírito Santo que, na liturgia sacramental da Igreja anuncia, actualiza e comunica o mistério da salvação, prossegue no coração de quem ora. Os Padres espirituais comparam, por vezes, o coração a um altar. A oração interioriza e assimila a liturgia, durante e depois da sua celebração. Mesmo quando vivida «no segredo» (Mt 6, 6), a oração é sempre oração da Igreja; é comunhão com a Santíssima Trindade (6).
Missio Christi et Spiritus Sancti, qui, in sacramentali Ecclesiae liturgia, salutis mysterium annuntiat, efficit actuale et communicat, in corde prosequitur oranti. Patres spirituales quandoque cor altari comparant. Oratio liturgiam reddit interiorem et sibi propriam, eius perdurante celebratione et post eius celebrationem. Oratio, etiam cum in vitam ducitur « in abscondito » (Mt 6,6), semper est Ecclesiae oratio, eadem communio est cum Sanctissima Trinitate. 142Virtutes theologales

AS VIRTUDES TEOLOGAIS

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2656
Entra-se na oração como se entra na liturgia: pela porta estreita da fé. Através dos sinais da sua presença, é a face do Senhor que nós buscamos e desejamos, é a sua Palavra que nós queremos escutar e guardar.
Ingressus fit in orationem sicut in liturgiam: per portam angustam fidei. Vultum Domini, per Eius praesentiae signa, quaerimus et exoptamus, Eius verbum audire volumus et custodire.
§ 2657
O Espírito Santo, que nos ensina a celebrar a liturgia na expectativa do regresso de Cristo, educa-nos para orar na esperança. E vice-versa, a oração da Igreja e a prece pessoal nutrem em nós a esperança. Particularmente os salmos, com a sua linguagem concreta e variada, ensinam-nos a fixar em Deus a nossa esperança: «Esperei no Senhor com toda a confiança, e Ele atendeu-me. Ouviu o meu clamor» (Sl 40, 2). «Que o Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança pela força do Espírito Santo» (Rm 15, 13).
Spiritus Sanctus, qui nos liturgiam celebrare docet in exspectatione reditus Christi, nos instituit ut in spe oremus. Vicissim, oratio Ecclesiae et oratio personalis nostram alunt spem. Psalmi omnino peculiariter, suo sermone concreto et vario, nos docent in Deo spem nostram defigere: « Exspectans exspectavi Dominum, et intendit mihi » (Ps 40,2). « Deus autem spei repleat vos omni gaudio et pace in credendo, ut abundetis in spe in virtute Spiritus Sancti » (Rom 15,13).
§ 2658
«A esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5). A oração, formada pela vida litúrgica, vai haurir tudo no amor com que fomos amados em Cristo e que nos dá a graça de Lhe corresponder, amando como Ele amou. O amor é a fonte da oração; quem bebe dessa fonte atinge os cumes da oração:

«Eu Vos amo, ó meu Deus, e o meu único desejo é amar-Vos até ao último suspiro da minha vida. Amo-Vos, ó meu Deus infinitamente amável, e antes quero morrer a amar-Vos do que viver sem Vos amar. Amo-Vos, Senhor, e a única graça que Vos peço é a de Vos amar eternamente [...] Meu Deus: Se a minha língua não pode dizer a todo o momento que Vos amo, quero que o meu coração o repita tantas vezes quantas eu respiro» (7).

« Spes autem non confundit, quia caritas Dei diffusa est in cordibus nostris per Spiritum Sanctum, qui datus est nobis » (Rom 5,5). Oratio, formata a vita liturgica, omnia haurit in amore quo in Christo diligimur et qui nobis concedit ut Eidem respondeamus diligendo sicut nos Ipse dilexit. Amor unus est orationis fons: qui ab eo haurit, orationis culmen attingit:

« Ego Te diligo, Deus meus, et meum unicum desiderium est Te usque ad extremum vitae meae halitum diligere. Te diligo, Deus infinite amabilis, et malo mori Te diligendo, quam vivere quin Te diligam. Te diligo, Domine, et sola gratia, quam a Te postulo, est Te aeterne diligere. [...] Deus meus, etsi lingua mea singulis momentis nequit dicere, me Te amare, volo ut cor meum Tibi id repetat quoties respiro ». 143

«HOJE»

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2659
Aprendemos a orar em certos momentos, escutando a Palavra do Senhor e participando no seu mistério pascal. Mas a cada momento, nos acontecimentos de cada dia, o seu Espírito é-nos oferecido para fazer brotar a oração. O ensinamento de Jesus sobre a oração ao nosso Pai está na mesma linha que o ensino sobre a providência (8): o tempo está nas mãos do Pai; é no presente que nós O encontramos; não ontem nem amanhã, mas hoje: – «Quem dera ouvísseis hoje a sua voz; não endureçais os vossos corações» (Sl 95, 7-8).
Quibusdam momentis orare discimus Domini Verbum audiendo et Eius Paschale participando mysterium, sed semper, in uniuscuiusque diei eventibus, Eius Spiritus nobis offertur qui efficiat ut oriatur oratio. Iesu doctrina de oratione ad nostrum Patrem in eadem habetur linea ac illa de providentia: 144 tempus in manibus est Patris; in praesenti Illum invenimus, neque heri neque cras, sed hodie: « Utinam hodie vocem Eius audiatis: Nolite obdurare corda vestra » (Ps 95,8).
§ 2660
Orar nos acontecimentos de cada dia e de cada instante é um dos segredos do Reino, revelados aos «pequeninos», aos servos de Cristo, aos pobres das bem-aventuranças. É justo e bom orar para que a vinda do Reino da justiça e da paz influencie a marcha da história; mas também é importante levedar pela oração a massa das humildes situações quotidianas. Todas as formas de oração podem ser esse fermento a que o Senhor compara o Reino (9).Resumindo:
In uniuscuiusque diei et uniuscuiusque momenti eventibus orare unum est ex Regni secretis quae revelata sunt « parvulis », Christi servis, pauperibus beatitudinum. Iustum et bonum est orare ut Adventus Regni iustitiae et pacis influxum exerceat in historiae progressu, sed magni momenti etiam est massam humilium quotidianarum condicionum oratione subigere. Omnes orationis formae illud possunt esse fermentum cui Dominus Regnum comparavit. 145Compendium

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Resumindo

§ 2661
É por meio duma transmissão viva, pela Tradição, que, na Igreja, o Espírito Santo ensina os filhos de Deus a orar.
Per viventem transmissionem, per Traditionem, Spiritus Sanctus filios Dei, in Ecclesia, docet orare.
§ 2662
A Palavra de Deus, a liturgia da Igreja, as virtudes da fé, da esperança e da caridade são fontes da oração.
Dei Verbum, Ecclesiae liturgia, fidei, spei et caritatis virtutes fontes sunt orationis. (139) Cf Io 4,14.(140) Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 25: AAS 58 (1966) 829; cf Sanctus Ambrosius, De officiis ministrorum, 1, 88: ed. N. Testard (Paris 1984) p. 138 (PL 16, 50). (141) Guigo II Cartusiensis, Scala claustralium, 2, 2: PL 184, 476. Haec tamen verba non accipiuntur in textu editionis criticae SC 163, 84; vide ibi apparatum criticum. (142) Cf Institutio generalis de liturgia Horarum, 9: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 25. (143) Sanctus Ioannes Maria Vianney, Oratio, apud B. Nodet, Le Curé d'Ars. Sa pensée-son coeur (Le Puy 1966) p. 45. (144) Cf Mt 6,11.34. (145) Cf Lc 13,20-21.

O CAMINHO DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2663
Na tradição viva da oração, cada Igreja propõe aos seus fiéis, segundo o contexto histórico, social e cultural, a linguagem da sua oração: palavras, melodias, gestos e iconografia. Compete ao Magistério(10) ajuizar sobre a fidelidade destes caminhos de oração à Tradição da fé apostólica. E aos pastores e catequistas incumbe a tarefa de explicar o seu sentido, sempre com referência a Jesus Cristo.
In orationis viventi traditione, unaquaeque Ecclesia suis fidelibus, secundum historicum, socialem et culturalem contextum, eorum orationis proponit sermonem: verba, melodias, gestus, iconographiam. Ad Magisterium pertinet 146 harum orationis viarum discernere fidelitatem ad fidei apostolicae Traditionem, atque Pastorum et catechistarum est explicare earum sensum, qui semper ad Iesum Christum refertur.Oratio ad Patrem

A ORAÇÃO AO PAI

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2664
Não há outro caminho para a oração cristã senão Cristo. Seja comunitária ou pessoal, seja vocal ou interior, a nossa oração só tem acesso ao Pai se rezarmos «em nome» de Jesus. A santa humanidade de Jesus é, pois, o caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus nosso Pai.
Nulla alia orationis christianae est via quam Christus. Sive oratio nostra communitaria est sive personalis, vocalis, vel interior, accessus ad Patrem non habetur nisi « in nomine » Iesu oremus. Sancta Iesu humanitas est igitur via per quam Spiritus Sanctus nos docet Deum orare Patrem nostrum. Oratio ad Iesum

A ORAÇÃO A JESUS

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2665
A oração da Igreja, alimentada pela Palavra de Deus e pela celebração da liturgia, ensina-nos a orar ao Senhor Jesus. Mesmo sendo dirigida sobretudo ao Pai, ela inclui, em todas as tradições litúrgicas, formas de oração dirigidas a Cristo. Certos salmos, segundo a sua actualização na oração da Igreja, e o Novo Testamento, colocam nos nossos lábios e gravam nos nossos corações as invocações desta oração a Cristo: Filho de Deus, Verbo de Deus, Senhor, Salvador, Cordeiro de Deus, Rei, Filho muito amado, Filho da Virgem, Bom Pastor, nossa Vida, nossa Luz, nossa Esperança, nossa Ressurreição, Amigo dos homens...
Ecclesiae oratio, Verbo Dei et celebratione liturgiae nutrita, nos docet Dominum Iesum orare. Etiamsi eadem praesertim ad Patrem dirigatur, in omnibus traditionibus liturgicis formas implicat orationis ad Christum directas. Quidam psalmi, secundum eorum ad praesentes rerum condiciones accommodationem in oratione Ecclesiae, et Novum Testamentum in labiis nostris collocant et in cordibus inscribunt nostris invocationes huius orationis ad Christum: Fili Dei, Verbum Dei, Domine, Salvator, Agnus Dei, Rex, Fili dilecte, Fili Virginis, bone Pastor, Vita nostra, Lumen nostrum, Spes nostra, Resurrectio nostra, hominum Amice...
§ 2666
Mas o nome que tudo encerra é o que o Filho de Deus recebe na sua encarnação: JESUS. O nome divino é indizível para lábios humanos mas, ao assumir a nossa humanidade, o Verbo de Deus comunica-no-lo e nós podemos invocá-lo: «Jesus», « YHWH salva» (12). O nome de Jesus contém tudo: Deus e o homem e toda a economia da criação e da salvação. Rezar «Jesus» é invocá-Lo, chamá-Lo a nós. O seu nome é o único que contém a presença que significa. Jesus é o Ressuscitado, e todo aquele que invocar o seu nome, acolhe o Filho de Deus que o amou e por ele Se entregou (13).
Sed Nomen, quod totum continet, est illud quod Filius Dei in Sua recipit Incarnatione: IESUS. Nomen divinum nostris humanis labiis est ineffabile, 147 sed Verbum Dei, nostram assumens humanitatem, illud nobis tradit atque illud possumus invocare: « Iesus », « YHWH salvat ». 148 Nomen Iesu totum continet: Deum et hominem atque totam creationis et salutis Oeconomiam. « Iesum » orare est Illum invocare, Illum in nobis appellare. Eius Nomen unum est quod continet praesentiam quam significat. Iesus est resuscitatus, et quicumque Eius invocat Nomen, Dei accipit Filium qui eum amavit et Se tradidit pro eo. 149
§ 2667
Esta invocação de fé tão simples foi desenvolvida na tradição da oração sob as mais variadas formas, tanto no Oriente como no Ocidente. A formulação mais habitual, transmitida pelos espirituais do Sinai, da Síria e de Athos, é a invocação: «Jesus, Cristo, Filho de Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores!». Ela conjuga o hino cristológico de Fl 2, 6-11 com a invocação do publicano e dos mendigos da luz (14). Por ela, o coração sintoniza com a miséria dos homens e com a misericórdia do seu Salvador.
Haec fidei invocatio, prorsus simplex, in orationis traditione, pluribus formis in Oriente et in Occidente, est explicata. Formula maxime frequens, a spiritualibus montis Sinai, Syriae et montis Athi tradita, est invocatio: « Iesu, Christe, Fili Dei, Domine, miserere nobis, peccatoribus! ». Ipsa hymnum coniungit christologicum Phil 2,6-11 cum appellatione publicani atque mendicantium lumen. 150 Per eamdem, cor componitur cum miseria hominum et misericordia eorum Salvatoris.
§ 2668
A invocação do santo Nome de Jesus é o caminho mais simples da oração contínua. Muitas vezes repetida por um coração humildemente atento, não se dispersa num «mar de palavras» (Mt 6, 7), mas «guarda a Palavra e produz fruto pela constância» (15). E é possível «em todo o tempo», porque não constitui uma ocupação a par de outra, mas é a ocupação única, a de amar a Deus, que anima e transfigura toda a acção em Cristo Jesus.
Sancti Nominis Iesu invocatio via est continuae orationis omnium simplicissima. Eadem, corde humiliter attento saepe iterata, « in multiloquio » (Mt 6,7) non dispergitur, sed « Verbum retinet et fructum affert in constantia ». 151 Haec est « semper » possibilis, quia occupatio quaedam iuxta aliam non est, sed unica occupatio, illa nempe amandi Deum, quae omnem actionem in Christo Iesu animat et transfigurat.
§ 2669
A oração da Igreja venera e honra o Coração de Jesus, tal como invoca o seu santíssimo Nome. Adora o Verbo encarnado e o seu Coração que, por amor dos homens, Se deixou trespassar pelos nossos pecados. A oração cristã gosta de percorrer o caminho da cruz (Via-Sacra) no seguimento do Salvador. As estações, do Pretório ao Gólgota e ao túmulo, assinalam o caminho de Jesus que, pela sua santa cruz, remiu o mundo.
Ecclesiae oratio cor Iesu veneratur et honorat, sicut Eius sanctissimum invocat Nomen. Verbum Incarnatum Eiusque adorat cor quod amore hominum ob nostra peccata transfigi permisit. Orationi christianae placet viam crucis post Salvatorem sequi. Stationes a Pretorio ad Golgotha atque ad Sepulcrum iter efferunt Iesu qui mundum Sua sancta redemit cruce.« Veni, Sancte Spiritus »

«VINDE, ESPÍRITO SANTO»

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2670
«Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor", a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Cor 12, 3). Todas as vezes que começamos a orar a Jesus, é o Espírito Santo que, pela sua graça preveniente, nos atrai para o caminho da oração. Uma vez que Ele nos ensina a orar lembrando-nos Cristo, como orar-Lhe a Ele próprio? A Igreja convida-nos, pois, a implorar cada dia o Espírito Santo, especialmente no princípio e no fim de qualquer acto importante.

«Se o Espírito Santo não deve ser adorado, como é que Ele me diviniza pelo Baptismo? E se deve ser adorado, não há-de ser objecto dum culto particular?» (16).

« Nemo potest dicere: "Dominus Iesus", nisi in Spiritu Sancto » (1 Cor 12,3). Quotiescumque Iesum orare incipimus, Spiritus Sanctus, Sua praevenienti gratia, nos ad viam orationis trahit. Cum Is nos orare doceat, nobis Christum in memoriam revocans, quomodo Eum Ipsum non oremus? Hac de causa, Ecclesia nos invitat singulis diebus Spiritum Sanctum implorare, praesertim initio et fine omnis actionis magni momenti.

« Si enim Spiritus Sanctus adorandus non est, quomodo me deificat per Baptismum? Si autem adorandus, an non venerandus? ». 152

§ 2671
A forma tradicional de pedir o Espírito é invocar o Pai, por Cristo, nosso Senhor, para que nos dê o Espírito Consolador (17). Jesus insiste nesta petição em seu nome no próprio momento em que promete o dom do Espírito de verdade (18). Mas também é tradicional a oração mais simples e mais directa: «Vinde, Espírito Santo». Cada tradição litúrgica desenvolveu-a em antífonas e hinos:

«Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor» (19).

Traditionalis forma petitionis Spiritus est Patrem per Christum Dominum nostrum invocare ut nobis Spiritum Consolatorem concedat. 153 Iesus de hac petitione in Eius nomine tunc praecise instat, cum Ipse donum promittit Spiritus veritatis. 154 Sed oratio simplicissima et directissima est etiam traditionalis: « Veni, Sancte Spiritus », et singulae traditiones liturgicae in antiphonis et hymnis eam explicaverunt:

« Veni, Sancte Spiritus, reple Tuorum corda fidelium, et Tui amoris in eis ignem accende ». 155

« Rex coelestis, Consolator, Spiritus veritatis, ubique praesens et omnia replens, bonorum thesaure et vitae subministrator, veni, habita in nobis, purifica nos ab omni macula et salva animas nostras, Tu qui bonus es! ». 156

§ 2672
O Espírito Santo, cuja unção impregna todo o nosso ser, é o mestre interior da oração cristã. É o artífice da tradição viva da oração. Há, é certo, tantos caminhos na oração como orantes; mas é o mesmo Espírito que age em todos e com todos. É na comunhão do Espírito Santo que a oração cristã é oração na Igreja.
Spiritus Sanctus, cuius unctio nosmetipsos imbuit totos, interior est orationis christianae Magister. Ipse est artifex viventis traditionis orationis. Utique tot sunt in oratione viae quot orantes, sed Idem Spiritus agit in omnibus et cum omnibus. In Spiritus Sancti communione, oratio christiana est oratio in Ecclesia.In communione cum sancta Dei Genetrice

EM COMUNHÃO COM A SANTA MÃE DE DEUS

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2673
Na oração, o Espírito Santo une-nos à pessoa do Filho Único, na sua humanidade glorificada. É por ela e nela que a nossa oração filial comunga, na Igreja, com a Mãe de Jesus (21).
In oratione, Spiritus Sanctus nos cum Filii unici coniungit Persona in Eius humanitate glorificata. Per ipsam et in ipsa, nostra oratio filialis cum Matre Iesu communicat in Ecclesia. 157
§ 2674
Desde o consentimento prestado na fé à Anunciação e mantido sem hesitação ao pé da cruz, a maternidade de Maria estende-se aos irmãos e irmãs do seu Filho ainda peregrinos e que caminham entre perigos e angústias (22). Jesus, o único mediador, é o caminho da nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, é pura transparência dele: Ela «mostra o caminho» («Hodêghêtria»), é «o sinal» do caminho, segundo a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente.
Post consensum Annuntiationi in fide praestitum et sine haesitatione iuxta crucem sustentum, maternitas Mariae exinde extenditur ad eius Filii fratres et sorores adhuc peregrinantes necnon in periculis et angustiis versantes. 158 Iesus, unus mediator, est nostrae orationis via; Maria, Mater Eius Materque nostra, omnino translucens Eius imaginem reddit: ipsa « ostendit viam » (Hodêghêtria), eius est « Signum », secundum iconographiam in Oriente et in Occidente traditionalem.
§ 2675
Foi a partir desta singular cooperação de Maria com a acção do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas em que esta oração se exprime, alternam habitualmente dois movimentos: um «magnifica» o Senhor pelas «maravilhas» que fez pela sua humilde serva e, através d'Ela, por todos os seres humanos (23); o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois Ela agora conhece a humanidade que n'Ela foi desposada pelo Filho de Deus.
Inde ab hac singulari Mariae cooperatione actioni Spiritus Sancti, Ecclesiae ad sanctam Matrem Dei excoluerunt orationem, eam ad Personam Christi, in Eius mysteriis manifestatam, dirigentes quasi ad centrum. In innumeris hymnis et antiphonis, quibus haec exprimitur oratio, duo motus plerumque alternis vicibus succedunt: alter « magnificat » Dominum propter « magna » quae Suae humili fecit ancillae et, per eam, omnibus hominibus; 159 alter Matri Iesu supplicationes concredit et laudes filiorum Dei, propterea quod illa nunc cognoscit humanitatem quam in illa Filius Dei ut sponsam Sibi coniunxit.
§ 2676
Este duplo movimento de oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da «Ave-Maria»:«Ave, Maria (alegrai-vos, Maria)». A saudação do anjo Gabriel abre esta oração. É o próprio Deus que, por intermédio do seu anjo, saúda Maria. A nossa oração ousa retomar a saudação a Maria com o olhar que Deus pôs na sua humilde serva (24), alegrando-nos com a alegria que Ele n'Ela encontra (25). «Cheia de graça, o Senhor é convosco». As duas palavras da saudação do anjo esclarecem-se mutuamente. Maria é cheia de graça, porque o Senhor está com Ela. A graça de que Ela é cumulada é a presença d'Aquele que é a fonte de toda a graça. «Solta brados de alegria [...] filha de Jerusalém [...]; o Senhor teu Deus está no meio de ti» (Sf 3, 14. 17a). Maria, em quem o próprio Senhor vem habitar, é em pessoa a filha de Sião, a arca da aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: é «a morada de Deus com os homens» (Ap 21, 3). «Cheia de graça», Ela dá-se toda Aquele que n'Ela vem habitar e que Ela vai dar ao mundo.«Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus». Depois da saudação do anjo, fazemos nossa a de Isabel. «Cheia [...] do Espírito Santo» (Lc 1, 41), Isabel é a primeira, na longa sequência das gerações, a declarar Maria bem-aventurada (26): «Feliz d'Aquela que acreditou...» (Lc 1, 45); Maria é «bendita entre as mulheres», porque acreditou no cumprimento da Palavra do Senhor. Abraão, pela sua fé, tornou-se uma bênção «para todas as nações da terra» (Gn 12, 3). Pela sua fé, Maria tornou-se a mãe dos crentes, graças a quem todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, «fruto bendito do vosso ventre».
Hic duplex motus orationis ad Mariam in oratione « Ave Maria » expressionem invenit singularem:« Ave, Maria (Laetare, Maria) ». Gabrielis Angeli salutatio orationem aperit « Ave ». Deus Ipse, per Angelum Suum, Mariam salutat. Oratio nostra audet Mariae salutationem iterum sumere eo intuitu quo Deus Suam humilem respexit ancillam, 160 et laetari de gaudio quod Ipse in ea invenit. 161« Gratia plena, Dominus tecum »: Duae sententiae salutationis Angeli sese mutuo illustrant. Maria est gratia plena quia Dominus est cum ea. Gratia, qua ipsa cumulatur, praesentia est Illius qui omnis gratiae est fons. « Laetare [...], filia Ierusalem! [...] Dominus Deus tuus in medio tui » (Soph 3,14.17). Maria, in quam Ipse Dominus venit ut habitet, est ipsamet filia Sion, Foederis Arca, locus in quo Domini gloria commoratur: ipsa est « tabernaculum Dei cum hominibus » (Apc 21,3). « Gratia plena », ipsa est tota donata Ei, qui venit ut in ea habitet, et quem ipsa mundo est datura.« Benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui, Iesus ». Post salutationem Angeli, illam Elisabeth nostram facimus. « Repleta [...] Spiritu Sancto » (Lc 1,41), Elisabeth prima est in longa serie generationum quae Mariam beatam declarant: 162 « Beata, quae credidit... » (Lc 1,45); Maria est « benedicta [...] in mulieribus », quia in verbi Domini credidit adimpletionem. Abraham, sua fide, effectus est ille in quo « benedicentur universae cognationes terrae » (Gn 12,3). Sua fide, Maria effecta est credentium Mater propter quam omnes terrae nationes accipiunt Illum qui est ipsa Dei benedictio: « benedictus fructus ventris tui, Iesus ».
§ 2677
«Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós...». Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos: Ela ora por nós como orou por si própria: «Faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com Ela à vontade de Deus: «Seja feita a vossa vontade».«Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte». Pedindo a Maria que rogue por nós, reconhecemo-nos pobres pecadores e recorremos à «Mãe de misericórdia», à «Santíssima». Confiamo-nos a Ela «agora», no hoje das nossas vidas. E a nossa confiança alarga-se para lhe confiar, desde agora, «a hora da nossa morte». Que Ela esteja então presente como na morte do seu Filho na cruz e que, na hora do nosso passamento, Ela nos acolha como nossa Mãe (27), para nos levar ao seu Filho Jesus, no Paraíso.
« Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis... ». Miramur cum Elisabeth: « Unde hoc mihi, ut veniat Mater Domini mei ad me? » (Lc 1,43). Maria, propterea quod nobis Iesum Filium suum donat, Mater est Dei et Mater nostra; ei concredere possumus omnes nostras sollicitudines nostrasque petitiones; pro nobis orat, sicut pro se ipsa oravit: « Fiat mihi secundum verbum tuum » (Lc 1,38). Nos eius orationi concredentes, cum ea voluntati Dei nos dedimus: « Fiat voluntas Tua ».« Ora pro nobis, peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae ». Postulantes a Maria ut pro nobis oret, nos pauperes agnoscimus peccatores et nos convertimus ad « Matrem misericordiae », ad totam Sanctam. Nos ei tradimus « nunc », in die hodierna nostrae vitae. Atque nostra fiducia extenditur ut ei dedamus iam nunc « horam mortis nostrae ». Adsit ipsa tunc, sicut morti adfuit Filii sui in cruce, et in hora nostri transitus nos accipiat sicut Mater nostra 163 ut nos ad Filium ducat suum, in paradisum.
§ 2678
A piedade medieval do Ocidente propagou a oração do rosário como substituto popular da Liturgia das Horas. No Oriente, a forma litânica do akáthistos e da paráclêsis ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições arménia, copta e siríaca preferiram os hinos e cânticos populares à Mãe de Deus. Mas, na Ave-Maria, nas theotokía, nos hinos de Santo Efrém ou de São Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma.
Mediaevalis pietas Occidentis orationem excoluit Rosarii, tamquam popularem orationis Horarum substitutionem. In Oriente, forma litanica, sicut akáthistos et paráclêsis, propinquior permansit officio chorali in Ecclesiis Byzantinis, dum Armena, Copta et Syriaca traditiones, hymnos praetulerunt et cantica popularia in Matrem Dei. Sed Ave Maria, theotokía, hymni sancti Ephraem vel sancti Gregorii a Narek traditionem orationis conservant fundamentaliter eamdem.
§ 2679
Maria é a orante perfeita, figura da Igreja. Quando Lhe oramos, aderimos com Ela ao desígnio do Pai, que envia o seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo amado, nós acolhemos em nossa casa (28) a Mãe de Jesus que se tornou Mãe de todos os viventes. Podemos orar com Ela e orar-Lhe a Ela. A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria. Está-lhe unida na esperança (29).Resumindo:
Maria est mulier orans perfecta, figura Ecclesiae. Cum oramus eam, cum ea consilio Patris adhaeremus, qui Suum mittit Filium ad omnes salvandos homines. Sicut discipulus dilectus, eam accipimus in nostra, 164 Matrem Iesu, Matrem omnium viventium effectam. Orare cum ea eamque possumus orare. Oratio Ecclesiae quasi ab oratione fertur Mariae. Eadem est cum Ipso coniuncta in spe. 165 Compendium

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Resumindo

§ 2680
A oração é principalmente dirigida ao Pai. Igualmente se dirige a Jesus, nomeadamente pela invocação do seu santo Nome: «Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores!».
Oratio praesertim ad Patrem dirigitur; eadem etiam in Iesum fertur, speciatim per Eius sancti Nominis invocationem: « Iesu, Christe, Fili Dei, Domine, miserere nobis, peccatoribus! ».
§ 2681
«Ninguém pode dizer: "Jesus é o Senhor", a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Cor 12, 3). A Igreja convida-nos a invocar o Espírito Santo como mestre interior da oração cristã.
« Nemo potest dicere: "Dominus Iesus", nisi in Spiritu Sancto » (1 Cor 12,3). Ecclesia nos invitat ad Spiritum Sanctum invocandum tamquam interiorem orationis christianae Magistrum.
§ 2682
Em virtude da sua singular cooperação com a acção do Espírito Santo, a Igreja gosta de orar em comunhão com a Virgem Maria, para enaltecer com Ela as grandes coisas que Deus n'Ela realizou e para Lhe confiar súplicas e louvores.
Ecclesiae libet in communione cum beata Virgine orare propter eius singularem cooperationem cum actione Spiritus Sancti, ad magna magnificanda, quae Deus in ea operatus est, et ad ei supplicationes concredendas et laudes. (146) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.(147) Cf Ex 3,14; 33,19-23. (148) Cf Mt 1,21. (149) Cf Rom 10,13; Act 2,21; 3,15-16; Gal 2,20.(150) Cf Lc 18,13; Mc 10,46-52. (151) Cf Lc 8,15. (152) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 31 (theologica 5), 28: SC 250, 332 (PG 36, 165). (153) Cf Lc 11,13. (154) Cf Io 14,17; 15,26; 16,13. (155) In sollemnitate Pentecostes, Antiphona ad « Magnificat » in I Vesperis: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 798; cf Sollemnitas Pentecostes, Ad Missam in die, Sequentia: Lectionarium, v. 1, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 855-856. (156) Officium Horarum Byzantinum, Vespertinum in die Pentecostes, Sticherum 4: Pentêkostárion (Romae 1884) p. 394. (157) Cf Act 1,14. (158) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 62: AAS 57 (1965) 63. (159) Cf Lc 1,46-55. (160) Cf Lc 1,48. (161) Cf Soph 3,17. (162) Cf Lc 1,48. (163) Cf Io 19,27. (164) Cf Io 19,27. (165) Cf Concilium Vaticanum II, Const. dogm. Lumen gentium, 68-69:AS 57 (1965) 66-67.

UMA NUVEM DE TESTEMUNHAS

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2683
As testemunhas que nos precederam no Reino (30), especialmente aquelas que a Igreja reconhece como «santos», participam na tradição viva da oração pelo exemplo da sua vida, pela transmissão dos seus escritos e pela sua oração actual. Elas contemplam a Deus, louvam-n' O e não cessam de tomar a seu cuidado os que deixaram na terra. Tendo entrado «na alegria» do seu Senhor, foram «estabelecidas à frente de muita coisa» (31). A sua intercessão é o mais alto serviço que prestam ao desígnio de Deus. Podemos e devemos pedir-lhes que intercedam por nós e por todo o mundo.
Testes qui nos praecesserunt in Regno, 166 speciatim illi quos Ecclesia tamquam « sanctos » agnoscit, viventem orationis traditionem communicant, suae vitae exemplo, suorum scriptorum transmissione et sua hodierna oratione. Deum contemplantur, Eum laudant et curam de eorum habere non desinunt quos in terra reliquerunt. Iidem, intrantes « in gaudium » Domini sui, constituti sunt « supra multa ». 167 Eorum intercessio est altissimum eorum servitium consilio Dei. Possumus et debemus orare ut pro nobis intercedant et pro toto mundo.
§ 2684
Na comunhão dos santos desenvolveram-se, ao longo da história das Igrejas diversas espiritualidades. O carisma pessoal duma testemunha do amor de Deus pelos homens pode ter sido transmitido, como o espírito de Elias o foi a Eliseu (32) e a João Baptista (33), para que haja discípulos que partilhem desse espírito (34). Uma espiritualidade está também na confluência doutras correntes, litúrgicas e teológicas, e testemunha a inculturação da fé num determinado meio humano e na respectiva história. As espiritualidades cristãs participam na tradição viva da oração e são guias indispensáveis para os fiéis. Reflectem, na sua rica diversidade, a pura e única luz do Espírito Santo.

«O Espírito é verdadeiramente o lugar dos santos. E o santo é, para o Espírito, um lugar próprio, pois se oferece para habitar com Deus e é chamado seu templo»(35).

In communione sanctorum, decursu historiae Ecclesiarum, diversae excultae sunt spiritualitates. Charisma personale cuiusdam testis amoris Dei erga homines transmitti potuit, sicut « spiritus » Eliae ad Elisaeum 168 et ad Ioannem Baptistam, 169 ut discipuli hunc participarent spiritum. 170 Quaedam spiritualitas est etiam in confluenti aliorum motuum, liturgicorum et theologicorum, et fidei testatur inculturationem in ambitu quodam humano in eiusque historia. Spiritualitates christianae viventem participant traditionem orationis et duces pro fidelibus sunt necessarii. Ipsae reverberant, in sua divite diversitate, purum et unum Spiritus Sancti lumen.

« Spiritus vere locus est sanctorum. Sanctus itidem locus est Spiritui proprius, ac praebet seipsum ut habitet cum Deo, ac templum illius vocatur ». 171

SERVOS DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2685
A família cristã é o primeiro lugar da educação para a oração. Fundada no sacramento do Matrimónio, é «a igreja doméstica» na qual os filhos de Deus aprendem a orar «em igreja» e a perseverar na oração. Particularmente para os filhos pequenos, a oração familiar quotidiana é o primeiro testemunho da memória viva da Igreja pacientemente despertada pelo Espírito Santo.
Familia christiana primus est locus educationis ad orationem. Eadem, in Matrimonii fundata sacramento, est « Ecclesia domestica » in qua filii Dei orare discunt « ut Ecclesia » et in oratione perseverare. Pro parvulis praesertim pueris, oratio familiaris quotidiana testis est primus viventis memoriae Ecclesiae, quam patienter Spiritus Sanctus excitat.
§ 2686
Os ministros ordenados são também responsáveis pela formação na oração dos seus irmãos e irmãs em Cristo. Servos do Bom Pastor, são ordenados para guiar o povo de Deus até às fontes vivas da oração: a Palavra de Deus, a Liturgia, a vida teologal, o «hoje» de Deus nas situações concretas (36).
Ministri ordinati sunt etiam responsabiles formationis suorum fratrum et sororum in Christo ad orationem. Illi, boni Pastoris servi, ordinantur ut Dei populum ducant ad vivos orationis fontes: Verbum Dei, liturgiam, vitam theologalem, « Hodie » Dei in concretis condicionibus. 172
§ 2687
Muitos religiosos têm consagrado toda a sua vida à oração. Depois dos anacoretas do deserto do Egipto, eremitas, monges e monjas têm dedicado o seu tempo ao louvor de Deus e à intercessão pelo seu povo. A vida consagrada não se mantém nem se propaga sem a oração; é uma das fontes vivas da contemplação e da vida espiritual na Igreja.
Multi religiosi totam suam vitam consecraverunt orationi. Inde ab Aegypti deserto, eremitae, monachi et moniales suum tempus laudi dederunt Dei et intercessioni pro populo suo. Vita consecrata sine oratione non sustinetur neque propagatur; haec unus est ex vivis fontibus contemplationis et vitae spiritualis in Ecclesia.
§ 2688
A catequese das crianças, dos jovens e dos adultos visa a que a Palavra de Deus seja meditada na oração pessoal, actualizada na oração litúrgica e interiorizada em todo o tempo, para que dê fruto numa vida nova. A catequese é também o momento em que se pode purificar e educar a piedade popular (37). A memorização das orações fundamentais oferece um suporte indispensável à vida de oração, mas é importante que se faça saborear o seu sentido (38).
Puerorum, iuvenum et adultorum catechesis eo spectat ut Verbum Dei meditatione consideretur in oratione personali, ut in oratione liturgica reddatur actuale et ut semper interius fiat ad suum in vita nova ferendum fructum. Catechesis est etiam momentum in quo pietas popularis discerni potest et educari. 173 Orationes fundamentales memoria discere sustentaculum offert necessarium ad orationis vitam, sed magni momenti est efficere ut earum gustetur sensus. 174
§ 2689
Grupos de oração e até «escolas de oração» são hoje um dos sinais e um dos estímulos da renovação da oração na Igreja, na condição de irem beber às fontes autênticas da oração cristã. A preocupação com a comunhão é sinal da verdadeira oração na Igreja.
Orationis coetus, sive « orationis scholae », sunt hodie inter signa et inter media renovationis orationis in Ecclesia, si ad authenticos orationis christianae adaquentur fontes. Cura communionis est verae orationis signum in Ecclesia.
§ 2690
O Espírito Santo concede a certos fiéis dons de sabedoria, de fé e de discernimento, em vista deste bem comum que é a oração (direcção espiritual). Aqueles e aquelas que de tais dons são dotados, são verdadeiros ministros da tradição viva da oração:

É por isso que a alma que quer progredir na perfeição deve, segundo o conselho de São João da Cruz, «olhar em que mãos se põe, porque, qual o mestre, tal será o discípulo, e tal pai, tal filho». E ainda: o guia, «além de sábio e discreto, é mister que seja experimentado» [...]. Se o guia espiritual «não tem experiência do que é puro e verdadeiro espírito, não atinará a encaminhar nele, quando Deus lho dá, nem ainda o poderia entender» (39).

Spiritus Sanctus quibusdam fidelibus donum praebet sapientiae, fidei et discretionis propter bonum commune quod est oratio (directio spiritualis). Illi et illae, qui hoc dono sunt praediti, veri sunt ministri viventis traditionis orationis:

Hac de causa, anima, quae in perfectione progredi vult, debet, secundum sancti Ioannis a Cruce consilium, « perspicere in cuius tradatur manus; quia qualis magister erit, talis erit discipulus, et qualis pater, talis filius ». Et ulterius: opus est ut director « non solum sapiens sit et prudens, sed oportet illum esse expertum; [...] si experientia non habetur de eo quod purus et verus sit spiritus, nesciet in illo animam ducere, cum Deus huic illum dat, neque etiam illum intelliget ». 175

LUGARES FAVORÁVEIS À ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2691
A igreja, casa de Deus, é o lugar próprio da oração litúrgica para a comunidade paroquial. É também o lugar privilegiado para a adoração da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. A escolha dum lugar favorável não é indiferente para a verdade da oração:

– para a oração pessoal, pode servir um «recanto de oração», com a Sagrada Escritura e ícones (imagens) para aí se estar «no segredo» diante do Pai (40). Numa família cristã, este género de pequeno oratório favorece a oração em comum;


– nas regiões onde existem mosteiros, tais comunidades estão vocacionadas para favorecer a participação dos fiéis na Liturgia das Horas e permitir a solidão necessária para uma oração pessoal mais intensa (41);


– as peregrinações evocam a nossa marcha na terra para o céu. São tradicionalmente tempos fortes duma oração renovada. Os santuários são, para os peregrinos à procura das suas fontes vivas, lugares excepcionais para viver «em Igreja» as formas da oração cristã.

Ecclesia, domus Dei, pro communitate paroeciali, est locus orationis liturgicae proprius. Eadem est etiam locus privilegiatus adorationis praesentiae realis Christi in Sanctissimo Sacramento. Electio loci propitii non est indifferens ad orationis veritatem: — pro oratione personali potest esse « orationis angulus », cum sacra Scriptura et iconibus, ut « in abscondito » simus coram Patre nostro. 176 In familia christiana, hoc parvi oratorii genus orationi favet in communi;— in regionibus in quibus monasteria exsistunt, harum communitatum voca tio est participationi favere orationis Horarum cum fidelibus et permittere solitudinem necessariam ad intensiorem orationem personalem; 177— peregrinationes nostrum in terra ad caelum iter evocant. Traditionaliter intensa sunt tempora ad orationem renovandam. Sanctuaria, pro peregrinis qui suos viventes quaerunt fontes, loca sunt singularia ut ipsi, « tamquam Ecclesia », orationis christianae formas ducant in vitam.

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Resumindo

§ 2692
Na sua oração, a Igreja peregrina associa-se à dos santos, cuja intercessão solicita.
Ecclesia peregrinans, in sua oratione, illi sociatur sanctorum, quorum eadem intercessionem flagitat.
§ 2693
As diferentes espiritualidades cristãs participam na tradição viva da oração e são guias preciosos da vida espiritual.
Diversae spiritualitates christianae traditionem viventem participant orationis et duces sunt magni pretii ad vitam spiritualem.
§ 2694
A família cristã é o primeiro lugar da educação para a oração.
Familia christiana primus est locus educationis ad orationem.
§ 2695
Os ministros ordenados, a vida consagrada, a catequese, os grupos de oração, a «direcção espiritual» prestam, na Igreja, ajuda d oração.
Ministri ordinati, vita consecrata, catechesis, orationis coetus, « directio spiritualis » adiutorium ad orationem praestant in Ecclesia.
§ 2696
Os lugares mais favoráveis para a oração são: o oratório pessoal ou familiar, os mosteiros, os santuários de peregrinação e, sobretudo, a igreja, que é o lugar próprio da oração litúrgica para a comunidade paroquial e o lugar privilegiado da adoração eucarística.
Loca ad orationem maxime propitia sunt personale vel familiare oratorium, monasteria, peregrinationis sanctuaria et, praesertim, ecclesia quae pro communitate paroeciali locus orationis liturgicae est proprius et locus privilegiatus adorationis eucharisticae. (166) A A A5 Cf Heb 12,1. (167) Cf Mt 25,21. (168) Cf 2 Reg 2,9. (169) Cf Lc 1,17. (170) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Perfectae caritatis, 2: AAS 58 (1966) 703. (171) Sanctus Basilius Magnus, Liber de Spiritu Sancto, 26, 62: SC 17bis, 472 (PG 32, 184). (172) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Presbyterorum ordinis, 4-6: AAS 58 (1966) 995-1001. (173) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Catechesi tradendae, 54: AAS 71 (1979) 1321-1322. (174) Cf Ioannes Paulus II, Adh. ap. Catechesi tradendae, 55: AAS 71 (1979) 1322-1323. (175) Sanctus Ioannes a Cruce, Llama de amor viva, redactio secunda, stropha 3, declaratio, 30: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 171. (176) Cf Mt 6,6. (177) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Perfectae caritatis, 7: AAS 58 (1966) 705.

A VIDA DE ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2697
A oração é a vida do coração novo. Deve animar-nos a todo o momento. Mas acontece que nos esquecemos d'Aquele que é a nossa vida e o nosso tudo. É por isso que os Padres espirituais, na sequência do Deuteronómio e dos profetas, insistem na oração como «lembrança de Deus», frequente despertador da «memória do coração». «Devemos lembrar-nos de Deus com mais frequência do que respiramos» (1). Mas não se pode orar «em todo o tempo», se não se orar em certos momentos, voluntariamente: são os tempos fortes da oração cristã, em intensidade e duração.
Oratio vita est cordis novi. Eadem nos singulis momentis animare debet. Tamen Illius obliviscimur qui nostra est Vita et nostrum Totum. Hac de causa, Patres spirituales, in Deuteronomii et Prophetarum traditione, de oratione insistunt tamquam de « recordatione Dei », frequenti excitatione « memoriae cordis ». « Dei recordandum saepius quam respirandum ». 178 Sed orare « omni tempore » possibile non est, nisi quibusdam momentis oratio fiat, eam volendo: haec firma sunt tempora orationis christianae in intensitate et diuturnitate.
§ 2698
A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a alimentar a oração contínua. Alguns são quotidianos: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O Domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e as suas grandes festas constituem os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos.
Ecclesiae Traditio fidelibus proponit rhythmos orationis destinatos ad continuam nutriendam orationem. Quidam quotidiani sunt: oratio matutina et vespertina, ante et post prandium, liturgia Horarum. Dominica, cuius centrum est Eucharistia, praecipue oratione sanctificatur. Cyclus anni liturgici eiusque magnae festivitates rhythmi sunt vitae orationis christianorum fundamentales.
§ 2699
O Senhor conduz cada pessoa pelos caminhos e da maneira que Lhe apraz. Por seu turno, cada fiel responde-Lhe conforme a determinação do seu coração e as expressões pessoais da sua oração. No entanto, a tradição cristã conservou três expressões principais da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a contemplação. Têm um traço fundamental comum: o recolhimento do coração. Esta atenção em guardar a Palavra e permanecer na presença de Deus faz destas três expressões tempos fortes da vida de oração.
Dominus singulas ducit personas viis et modo quae Ei placent. Unusquisque fidelis Eidem respondet etiam secundum cordis sui determinationem et expressiones personales orationis suae. Tamen traditio christiana tres expressiones vitae orationis retinuit maiores: orationem vocalem, meditationem et orationem contemplativam. Illis lineamentum fundamentale est commune: cordis recollectio. Haec vigilantia ad Verbum custodiendum et ad permanendum in praesentia Dei efficit ut hae tres expressiones fortia sint vitae orationis tempora. (178) Sanctus Gregorius Nazianzenus, Oratio 27 (theologica 1), 4: SC 250, 78 (PG 36, 16).

AS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A oração vocal

§ 2700
Pela sua Palavra, Deus fala ao homem. É nas palavras, mentais ou vocais, que a nossa oração toma corpo. Mas o mais importante é a presença do coração Àquele a Quem falamos na oração. «Que a nossa oração seja atendida não depende da quantidade de palavras, mas do fervor das nossas almas» (2).
Deus homini loquitur Verbo Suo. Verbis, mentalibus vel vocalibus, nostra augetur oratio. Sed maximi momenti est cordis praesentia ad Eum cui in oratione loquimur. « Ut exaudiamur non est situm in verborum multitudine, sed in vigilantia mentis ». 179
§ 2701
A oração vocal é um elemento indispensável da vida cristã. Aos discípulos, atraídos pela oração silenciosa do seu mestre, este ensina-lhes uma oração vocal: o «Pai-nosso». Jesus não rezou apenas as orações litúrgicas da sinagoga: os evangelhos mostram-no-Lo a elevar a voz para exprimir a sua oração pessoal, desde a bênção exultante do Pai (3) até à desolação do Getsémani (4).
Vocalis oratio pernecessarium vitae christianae est elementum. Discipulos, oratione silentiosa eorum Magistri attractos, Hic quamdam vocalem docet orationem: Pater noster. Iesus non solum orationibus synagogae liturgicis oravit; Evangelia Eum nobis ostendunt attollentem vocem ad Suam orationem exprimendam personalem, ab exsultanti benedictione Patris 180 usque ad angustiam Gethsemani. 181
§ 2702
A necessidade de associar os sentidos à oração interior corresponde a uma exigência da natureza humana. Nós somos corpo e espírito e experimentamos a necessidade de traduzir exteriormente os nossos sentimentos. Devemos rezar com todo o nosso ser para dar à nossa súplica a maior força possível.
Necessitas sociandi sensus cum oratione interiore cuidam respondet exigentiae nostrae naturae humanae. Corpus sumus et spiritus, et necessitatem externe exprimendi nostras affectiones experimur. Oportet tota nostra natura orare ad totam nostrae supplicationi tribuendam virtutem quae possibilis est.
§ 2703
Esta necessidade corresponde também a uma exigência divina. Deus procura quem O adore em espírito e verdade e, por conseguinte, uma oração que suba viva das profundezas da alma. Mas também quer a expressão exterior que associe o corpo à oração interior, porque ela Lhe presta a homenagem perfeita de tudo a quanto Ele tem direito.
Haec necessitas cuidam exigentiae divinae etiam respondet. Deus quaerit adoratores in Spiritu et in veritate, et consequenter orationem quae viva ex profunditatibus ascendat animae. Externam etiam vult expressionem quae corpus cum oratione societ interiori, quia illa Ei hoc perfectum affert obsequium omnium ad quae Ipse habet ius.
§ 2704
Porque exterior e tão plenamente humana, a oração vocal é, por excelência, a oração das multidões. Mas até a oração mais interior não pode prescindir da oração vocal. A oração torna-se interior na medida em que tomamos consciência d'Aquele «a Quem falamos» (5). Então, a oração vocal torna-se uma primeira forma da contemplação.
Oratio vocalis, quippe quae exterior atque adeo perfecte humana, est per excellentiam oratio turbarum. Sed neque oratio maxime interior orationem vocalem negligere potest. Oratio fit interior quatenus conscientiam adquirimus de Illo « cui loquimur ». 182 Tunc vocalis oratio quidam primus modus fit orationis contemplativae.II. Meditatio

AS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A meditação

§ 2705
A meditação é sobretudo uma busca. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, para aderir e corresponder ao que o Senhor lhe pede. Exige uma atenção difícil de disciplinar. Habitualmente, recorre-se à ajuda dum livro e os cristãos não têm falta deles: a Sagrada Escritura, em especial o Evangelho, os santos ícones (as imagens), os textos litúrgicos do dia ou do tempo, os escritos dos Padres espirituais, as obras de espiritualidade, o grande livro da criação e o da história, a página do «hoje» de Deus.
Meditatio est praecipue inquisitio. Spiritus intelligere quaerit cur et quomodo sit vita christiana, ut adhaereat et respondeat ad id quod Dominus postulat. Attentio requiritur quae difficulter subigitur. Plerumque adiutorio est quidam liber; tales christianis non desunt: sacra Scriptura, praesertim Evangelium, sanctae icones, liturgici textus diei vel temporis, Patrum spiritualium scripta, spiritualitatis opera, magnus liber creationis et ille historiae, pagina de « Hodie » Dei.
§ 2706
Meditar no que se lê leva a assimilá-lo, confrontando-o consigo mesmo. Abre-se aqui um outro livro: o da vida. Passa-se dos pensamentos à realidade. Segundo a medida da humildade e da fé, descobrem-se nela os movimentos que agitam o coração e é possível discerni-los. Trata-se de praticar a verdade para chegar à luz: «Senhor, que quereis que eu faça?».
Meditari id quod legitur ducit ad id proprium sibi efficiendum, idem secum conferendo. Hic, alius liber aperitur: ille vitae. A cogitationibus ad realitatem fit transitus. In humilitatis et fidei mensura, ibi deteguntur motus, qui cor agitant, et possibile est illos discernere. Agitur de veritate facienda ut ad lumen perveniamus: « Domine, quid me vis facere? ».
§ 2707
Os métodos de meditação são tão diversos como os mestres espirituais. Um cristão deve querer meditar com regularidade; doutro modo, torna-se semelhante aos três primeiros terrenos da parábola do semeador (6). Mas um método não passa de um guia; o importante é avançar, com o Espírito Santo, no caminho único da oração: Cristo Jesus.
Meditationis methodi tot sunt diversae quot magistri spirituales. Christianus debet velle, modo regulari, meditari, ne tribus primis terrenis parabolae seminatoris sit similis. 183 Sed methodus solum dux quidam est; caput est progredi, cum Spiritu Sancto, in una orationis via: Christo Iesu.
§ 2708
A meditação põe em acção o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo. Esta mobilização é necessária para aprofundar as convicções da fé, suscitar a conversão do coração e fortalecer a vontade de seguir a Cristo. A oração cristã dedica-se, de preferência, a meditar nos «mistérios de Cristo», como na « lectio divina» ou no rosário. Esta forma de reflexão orante é de grande valor, mas a oração cristã deve ir mais longe: até ao conhecimento amoroso do Senhor Jesus, até à união com Ele.
Meditatio cogitatione, imaginatione, animi motu et desiderio utitur. Haec convocatio necessaria est ad fidei persuasiones profundius penetrandas, ad cordis conversionem suscitandam et ad roborandam voluntatem sequendi Christum. Oratio christiana praeferenter « mysteriis Christi » meditandis incumbit, sicut in lectione divina et in Rosario. Haec forma considerationis orantis magni pretii est, sed oratio christiana debet ulterius tendere: in cognitionem amoris Iesu, in coniunctionem cum Eo. III. Oratio contemplativa

AS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A contemplação

§ 2709
O que é a contemplação? Responde Santa Teresa: «Outra coisa não é, a meu parecer, oração mental, senão tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com Quem sabemos que nos ama» (7).A contemplação procura «Aquele que o meu coração ama» (Ct 1, 7) (8), que é Jesus, e n'Ele o Pai. Ele é procurado, porque desejá-Lo é sempre o princípio do amor, e é procurado na fé pura, esta fé que nos faz nascer d'Ele e viver n'Ele. Nesta modalidade de oração pode, ainda, meditar-se; todavia, o olhar vai todo para o Senhor.
Quid est oratio contemplativa? Sancta Theresia respondet: « Oratio mentalis, meo iudicio, aliud non est quam de amicitia agere, ita ut quis saepe se habeat solitarie agendo cum Eo a quo scimus amari ». 184 Oratio contemplativa Eum quaerit « quem diligit anima mea » (Ct 1,7). 185 Iesus, et in Eo Pater, quaeritur, quia Eum desiderare initium amoris semper est, et Ipse quaeritur fide pura, hac fide quae efficit ut ex Eo nascamur et in Eo vivamus. Etiam in oratione contemplativa potest quis meditari, intuitus tamen in Dominum fertur.
§ 2710
A escolha do tempo e duração da contemplação depende duma vontade determinada, reveladora dos segredos do coração. Não se faz contemplação quando se tem tempo; ao invés, arranja-se tempo para estar com o Senhor, com a firme determinação de não Lho retirar durante o caminho, sejam quais forem as provações e a aridez do encontro. Não se pode meditar sempre; mas pode-se entrar sempre em contemplação, independentemente das condições de saúde, trabalho ou afectividade. O coração é o lugar da busca e do encontro, na pobreza e na fé.
Electio temporis et diuturnitatis orationis contemplativae a firma pendet voluntate, quae cordis revelat secreta. Oratio contemplativa non fit, cum tempus habetur: tempus sumitur ut simus ad Dominum, cum firma determinatione id Ei, in itineris decursu, non iterum sumendi, quaecumque sint probationes et siccitates occursus. Meditari non semper possibile est, possibile est semper in orationem contemplativam intrare, independenter a valetudinis, laboris vel animi affectionum condicionibus. Cor locus est quaesitionis et occursus, in paupertate et in fide.
§ 2711
A entrada na contemplação é análoga à da liturgia eucarística: «reunir» o coração, recolher todo o nosso ser sob a moção do Espírito Santo, habitar na casa do Senhor que nós somos, despertar a fé para entrar na presença d'Aquele que nos espera, fazer cair as nossas máscaras e voltar o nosso coração para o Senhor que nos ama, de modo a entregarmo-nos a Ele como uma oferenda a purificar e transformar.
In orationem contemplativam ingressus analogus est illi liturgiae eucharisticae: cor « congregare », sub Spiritus Sancti impulsu totum id recolligere, quod sumus, habitare Domini mansionem, quae sumus nos, fidem suscitare ad ingrediendum in praesentiam Illius qui nos exspectat, efficere ut nostrae cadant larvae et cor nostrum revertatur ad Dominum qui nos amat, ut Illi nos concredamus tamquam oblationem purificandam et transformandam.
§ 2712
A contemplação é a oração do filho de Deus, do pecador perdoado que consente em acolher o amor com que é amado e ao qual quer corresponder amando ainda mais (9). Mas ele sabe que o seu amor de correspondência é o que o Espírito Santo derrama no seu coração, porque tudo é graça da parte de Deus. A contemplação é a entrega humilde e pobre à vontade amorosa do Pai, em união cada vez mais profunda com o seu Filho muito amado.
Oratio contemplativa est oratio filii Dei, peccatoris dimissi qui accipere consentit amorem quo amatur et eidem vult respondere magis adhuc amando. 186 Sed ipse scit amorem suum, tamquam restitutionem, illum esse quem Spiritus Sanctus in cor eius effundit, quia omnia gratia sunt ex parte Dei. Oratio contemplativa est humilis et pauper deditio amanti voluntati Patris in unione semper profundiore Eius Filio dilecto.
§ 2713
Assim, a contemplação é a expressão mais simples do mistério da oração. É um dom, uma graça; só pode ser acolhida na humildade e na pobreza. É uma relação de aliança estabelecida por Deus no fundo do nosso ser (10). A contemplação é comunhão: nela, a Santíssima Trindade conforma o homem, imagem de Deus, «à sua semelhança».
Sic oratio contemplativa est expressio simplicissima mysterii orationis. Oratio contemplativa est donum, gratia; accipi nequit nisi in humilitate et paupertate. Oratio contemplativa est relatio Foederis a Deo in imo nostro corde instituti. 187 Oratio contemplativa est communio: Sancta Trinitas in ea hominem, imaginem Dei, conformat « ad similitudinem Suam ».
§ 2714
A contemplação é, também, por excelência, o tempo forte da oração. Nela, o Pai enche-nos de força, pelo Espírito Santo, para que se fortaleça em nós o homem interior, Cristo habite nos nossos corações pela fé e nós sejamos radicados e alicerçados no amor (11).
Oratio contemplativa est etiam orationis firmum tempus per excellentiam. In oratione contemplativa, Pater nos virtute corroborat per Spiritum Suum in interiorem hominem, ut Christus habitet per fidem in cordibus nostris et simus in caritate radicati et fundati. 188
§ 2715
A contemplação é o olhar da fé, fixado em Jesus. «Eu olho para Ele e Ele olha para mim» – dizia, no tempo do seu santo Cura, um camponês d'Ars em oração diante do sacrário (12). Esta atenção a Ele é renúncia ao «eu». O seu olhar purifica o coração. A luz do olhar de Jesus ilumina os olhos do nosso coração; ensina-nos a ver tudo à luz da sua verdade e da sua compaixão para com todos os homens. A contemplação dirige também o seu olhar para os mistérios da vida de Cristo. E assim aprende «o conhecimento íntimo do Senhor» para mais O amar e seguir (13).
Oratio contemplativa est intuitus fidei, in Iesum fixus. « Ego Eum intueor et Ipse me intuetur », tempore sui sancti Parochi aiebat rusticus pagi Ars coram Tabernaculo orans. 189 Haec attentio ad Eum est « mei » abrenuntiatio. Eius intuitus cor purificat. Lumen intuitus Iesu illuminat nostri cordis oculos; idem nos docet omnia videre sub luce veritatis Eius et compassionis Eius erga omnes homines. Oratio contemplativa intuitum suum etiam ducit in mysteria vitae Christi. Sic discit « interiorem cognitionem Domini » ad Ipsum magis amandum et sequendum. 190
§ 2716
A contemplação é escuta da Palavra de Deus. Longe de ser passiva, esta escuta é obediência da fé, acolhimento incondicional do servo e adesão amorosa do filho. Participa do «sim» do Filho que se fez Servo e do «faça-se» da sua humilde serva.
Oratio contemplativa est Verbi Dei auditio. Haec auditio, quin ullo modo sit passiva, oboedientia est fidei, absoluta acceptio servi et amans adhaesio filii. Ipsa illud « Amen » participat Filii effecti Servi illudque « Fiat » Eius humilis ancillae.
§ 2717
A contemplação é silêncio, este «símbolo do mundo que há-de vir» (14) ou «linguagem calada do amor» (15). Na contemplação, as palavras não são discursos, mas acendalhas que alimentam o fogo do amor. É neste silêncio, insuportável para o homem «exterior», que o Pai nos diz o seu Verbo encarnado, sofredor, morto e ressuscitado e que o Espírito filial nos faz participar da oração de Jesus.
Oratio contemplativa est silentium, hoc « symbolum mundi futuri » 191 vel « sermo [...] tacitus amoris ». 192 Verba in oratione contemplativa discursus non sunt, sed ramuli qui amoris alunt ignem. In hoc silentio, quod homini « exteriori » est intolerabile, Pater nobis Suum Verbum dicit incarnatum, patiens, mortuum et resuscitatum, et Spiritus filialis nos orationis Iesu efficit participes.
§ 2718
A contemplação é união à oração de Cristo na medida em que nos faz participar no seu mistério. O mistério de Cristo é celebrado pela Igreja na Eucaristia e o Espírito Santo faz-nos viver dele na contemplação, para que seja manifestado pela caridade em acto.
Oratio contemplativa est cum oratione Christi coniunctio quatenus Eius mysterii facit participare. Mysterium Christi ab Ecclesia celebratur in Eucharistia atque Spiritus Sanctus in oratione contemplativa facit ut ex illo vivamus, ad illud caritate in actu manifestandum.
§ 2719
A contemplação é uma comunhão de amor, portadora de vida para a multidão, na medida em que é consentimento em permanecer na noite da fé. A noite pascal da ressurreição passa pela da agonia e do sepulcro. São estes três tempos fortes da «Hora» de Jesus, que o seu Espírito (e não a «carne», que é «fraca») nos faz viver na oração contemplativa. É preciso consentir em velar uma hora com Ele (16).Resumindo:
Oratio contemplativa est communio amoris vitam multitudini ferentis quatenus est assensus ad permanendum in nocte fidei. Nox Paschalis Resurrectionis transit per illam agoniae et sepulcri. Eius Spiritus (et non « caro » quae « infirma » est) facit ut haec tria tempora fortia Horae Iesu in oratione contemplativa ducamus in vitam. Necesse est assentire ad vigilandum una hora cum Eo. 193 Compendium

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Resumindo

§ 2720
A Igreja convida os fiéis para uma oração regular: orações quotidianas, Liturgia das Horas, Eucaristia dominical, festas do ano litúrgico.
Ecclesia fideles ad orationem invitat regularem: orationes quotidianas, liturgiam Horarum, Eucharistiam dominicalem, anni liturgici festivitates.
§ 2721
A tradição cristã compreende três expressões principais da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a contemplação. Têm em comum o recolhimento do coração.
Traditio christiana tres maiores includit vitae orationis expressiones: orationem vocalem, meditationem et orationem contemplativam. Cordis recollectionem ut lineamentum habent commune.
§ 2722
A oração vocal, fundada na união do corpo e do espírito na natureza humana, associa o corpo à oração interior do coração, a exemplo de Cristo que orava ao Pai e ensinava o «Pai-nosso» aos seus discípulos.
Oratio vocalis, fundata super corporis et spiritus unione in natura humana, corpus cum interiore cordis sociat oratione, ad exemplum Christi, Eius Patrem orantis et « Pater noster » Suos discipulos docentis.
§ 2723
A meditação é uma busca orante que põe em acção o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Tem por finalidade a apropriação crente do tema considerado, confrontado com a realidade da nossa vida.
Meditatio inquisitio est orans quae cogitatione, imaginatione, animi motu, desiderio utitur. Ut scopum habet obiectum consideratum fide proprium reddere, illud cum vitae nostrae realitate conferendo.
§ 2724
A contemplação é a expressão simples do mistério da oração. É um olhar de fé fixo em Jesus, uma escuta da Palavra de Deus, um amor silencioso. Realiza a união com a oração de Cristo, na medida em que nos faz participar no seu mistério.
Oratio contemplativa est simplex mysterii orationis expressio. Fidei est intuitus in Iesum fixus, auditio verbi Dei, amor tacitus. Coniunctionem efficit cum oratione Christi quatenus nos Eius mysterii reddit participes. (179) Sanctus Ioannes Chrysostomus, De Anna, sermo 2, 2: PG 54, 646.(180) Cf Mt 11,25-26.(181) Cf Mc 14,36.(182) Cf Sancta Theresia a Iesu, Camino de perfección, 26: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 3 (Burgos 1916) p. 122. (183) Cf Mc 4,4-7.15-19. (184) Sancta Theresia a Iesu, Libro de la vida, 8: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 1 (Burgos 1915) p. 57. (185) Cf Ct 3,1-4. (186) Cf Lc 7,36-50; 19,1-10. (187) Cf Ier 31,33. (188) Cf Eph 3,16-17. (189) Cf F. Trochu, Le Curé d'Ars Saint Jean-Marie Vianney (Lyon-Paris 1927) p. 223-224. (190) Cf Sanctus Ignatius de Loyola, Exercitia spiritualia, 104: MHSI 100, 224.(191) Sanctus Isaac Ninivensis, Tractatus mystici, 66: ed. A.J. Wensinck (Amsterdam 1923) p. 315; ed. P. Bedjan (Parisiis-Lipsiae 1909) p. 470. (192) Sanctus Ioannes a Cruce, Carta, 6: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 262. (193) Cf Mt 26,40-41.

O COMBATE DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

§ 2725
A oração é um dom da graça e uma resposta decidida da nossa parte. Pressupõe sempre um esforço. Os grandes orantes da Antiga Aliança antes de Cristo, bem como a Mãe de Deus e os santos com Ele no-lo ensinam: a oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra as astúcias do Tentador que tudo faz para desviar o homem da oração e da união com o seu Deus. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não se quiser agir habitualmente segundo o Espírito de Cristo, também não se pode orar habitualmente em seu nome. O «combate espiritual» da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração.
Oratio donum est gratiae et firma responsio e parte nostra. Nisum semper praesupponit. Magni orantes Veteris Foederis ante Christum, sicut etiam Mater Dei et sancti cum Eo nos docent: orationem dimicationem esse. Contra quem? Contra nosmetipsos et contra dolos Tentatoris qui omnia molitur ad hominem ab oratione avertendum, ab unione cum Deo eius. Unusquisque orat sicut vivit, quia unusquisque vivit sicut orat. Si quis habitualiter secundum Christi Spiritum agere non vult, neque poterit habitualiter in Eius orare nomine. « Spiritualis dimicatio » novae vitae christiani est ab orationis dimicatione inseparabilis. I. Obiectiones ad orationem

O COMBATE DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

As objecções à oração

§ 2726
No combate da oração, temos de enfrentar, em nós e à nossa volta, concepções erróneas da oração. Alguns vêem nela uma simples operação psicológica; outros, um esforço de concentração para chegar ao vazio mental; outros ainda, reduzem-na a atitudes e palavras rituais. No inconsciente de muitos cristãos, rezar é uma ocupação incompatível com tudo o que têm de fazer: não têm tempo. Os que procuram a Deus na oração desanimam depressa, porque não sabem que a oração também vem do Espírito Santo e não somente de si próprios.
In orationis dimicatione, obsistere debemus, in nobismetipsis et circa nos, conceptionibus orationis erroneis. Quidam in ea simplicem perspiciunt operationem psychologicam, alii recollectionis nisum ut quis ad vacuum perveniat mentalem. Alii eam in habitus et verba redigunt ritualia. In multorum christianorum inconscio animo, orare est occupatio quae componi nequit cum omnibus quae agere debent: tempore carent. Qui Deum oratione quaerunt, cito deficiunt animo, quia orationem etiam a Spiritu Sancto provenire ignorant et non ab illis solis.
§ 2727
Temos de enfrentar também certas mentalidades «deste mundo» que nos invadem, se não estivermos atentos. Por exemplo: só é verdadeiro o que se pode verificar pela razão e pela ciência (mas orar é um mistério que ultrapassa a nossa consciência e o nosso inconsciente); os valores são a produção e o rendimento (mas a oração é improdutiva, logo inútil); o sensualismo e o conforto são os critérios do verdadeiro, do bem e do belo (mas a oração, «amor da beleza» – philocália – deixa-se encantar pela glória do Deus vivo e verdadeiro); em reacção ao activismo, temos a oração apresentada como fuga do mundo (mas a oração cristã não é uma saída da história nem um divórcio da vida).
Etiam debemus obsistere modis cogitandi « mundi huius »; isti nos penetrant, nisi vigilantes sumus, exempli gratia: id solum esset verum quod ratione et scientia comprobatur (sed oratio mysterium est quod nostram conscientiam nostrumque inconscium superat animum); valores productionis et proventus (oratio productiva non est, ergo est inutilis); sensualismus et commoditates tamquam criteria veri, boni et pulchri (sed oratio, « amor Pulchritudinis » [philocália], a gloria Dei viventis et veri est capta); in reactione contra activismum, ecce oratio tamquam fuga mundi praesentata (sed oratio christiana exitus ab historia non est neque divortium cum vita).
§ 2728
Finalmente, o nosso combate tem de enfrentar aquilo que sentimos como sendo os nossos fracassos na oração: desânimo na aridez, tristeza por não dar tudo ao Senhor, porque temos «muitos bens» decepção por não sermos atendidos segundo a nossa própria vontade, o nosso orgulho ferido que se endurece perante a nossa indignidade de pecadores, alergia à gratuitidade da oração, etc... A conclusão é sempre a mesma: de que serve orar? Para vencer tais obstáculos, é preciso combater com humildade, confiança e perseverança.
Nostra denique dimicatio debet illis obsistere rebus quas tamquam nostros in oratione adversos exitus percipimus: animi defectioni coram nostris siccitatibus, tristitiae propterea quod non omnia Domino dedimus, quia « possessiones multas » habemus, 194 frustrationi quia secundum nostram propriam voluntatem non exaudimur, vulneri nostrae superbiae quae in nostra tamquam peccatores induratur indignitate, falsae perceptioni quoad gratuitatem orationis etc. Conclusio semper est eadem: ad quid orandum? Ad haec vincenda obstacula, oportet humilitate, fiducia et perseverantia dimicare. II. Humilis vigilantia cordisCoram orationis difficultatibus

PERANTE AS DIFICULDADES DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A humilde vigilância do coração

§ 2729
A dificuldade habitual da nossa oração é a distracção. Pode ter por objecto as palavras e o seu sentido, na oração vocal; mais profundamente, pode incidir sobre Aquele a Quem rezamos, na oração vocal (litúrgica ou pessoal), na meditação e na contemplação. Partir à caça das distracções seria cair nas suas ciladas; basta regressar ao nosso coração: uma distracção revela-nos aquilo a que estamos apegados e esta humilde tomada de consciência diante do Senhor deve despertar o nosso amor preferencial por Ele, oferecendo-Lhe resolutamente o nosso coração para que Ele o purifique. É aí que se situa o combate: na escolha do Senhor a quem servir (18).
Nostrae orationis difficultas habitualis est mentis evagatio. Respicere potest verba et eorum sensum, in oratione vocali; potest profundius respicere Eum quem oramus, in oratione vocali (liturgica vel personali), in meditatione et in oratione contemplativa. Procedere ad mentis evagationes persequendas in earum esset incidere insidias, cum in nostrum redire sufficiat cor: mentis evagatio nobis revelat id cui sumus astricti et haec adquisitio conscientiae humilis coram Deo nostrum amorem debet excitare potiorem erga Eum, Ei nostrum resolute offerentes cor ut illud Ipse purificet. Ibi ponitur dimicatio, electio Domini cui serviendum est. 195
§ 2730
Positivamente, o combate contra o nosso eu, possessivo e dominador, consiste na vigilância, a sobriedade do coração. Quando Jesus insiste na vigilância, esta refere-se sempre a Ele, à sua vinda, no último dia e em cada dia: «hoje». O Esposo chega a meio da noite. A luz que não se deve extinguir é a da fé: «Diz-me o coração: "Procura a sua face"» (Sl 27, 8).
Positive dimicatio contra nostrum possessivum et dominatorem animum est vigilantia, cordis sobrietas. Cum Iesus vigilantiae insistit, eadem ad Eum semper refertur, ad Eius Adventum, ad ultimum diem et ad singulos dies: ad « Hodie ». Sponsus venit media nocte; lux, quae exstingui non debet, est illa fidei: « De Te dixit cor meum: "Exquirite faciem meam" » (Ps 27,8).
§ 2731
Outra dificuldade, especialmente para os que querem rezar com sinceridade, é a aridez. Faz parte da oração em que o coração está seco, sem gosto pelos pensamentos, lembranças e sentimentos, mesmo espirituais. É o momento da fé pura, que se aguenta fielmente ao lado de Jesus na agonia e no sepulcro. «Se o grão de trigo morrer, dará muito fruto» (Jo 12, 24). Se a aridez for devida à falta de raiz, por a Palavra ter caído em terreno pedregoso, o combate entra no campo da conversão (19).
Alia difficultas, speciatim pro illis qui sincere volunt orare, est siccitas. Partem constituit orationis in qua cor est exspoliatum, sine sapore pro cogitationibus, recordationibus et affectibus, etiam spiritualibus. Tunc momentum est fidei purae, quae fideliter cum Iesu permanet in agonia et sepulcro. Granum frumenti, « si [...] mortuum fuerit, multum fructum affert » (Io 12,24). Si siccitas defectui debetur radicis, quia verbum super petram cecidit, dimicatio ad conversionem refertur. 196 Coram tentationibus in oratione

PERANTE AS TENTAÇÕES NA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A humilde vigilância do coração

§ 2732
A tentação mais comum e a mais oculta é a nossa falta de fé. Exprime-se menos por uma incredulidade declarada do que por uma preferência de facto. Quando começamos a orar, mil trabalhos e preocupações, julgados urgentes, apresentam-se-nos como prioritários. É mais uma vez o momento da verdade do coração e do seu amor preferencial. Umas vezes, voltamo-nos para o Senhor como nosso último recurso: mas será que acreditamos mesmo n'Ele? Outras vezes, tomamos o Senhor como aliado, mas conservamos o coração cheio de presunção. Em todos os casos, a nossa falta de fé revela que ainda não temos as disposições de um coração humilde: «Sem Mim, nada podereis fazer» (Jo 15, 5).
Tentatio frequentissima, occultissima, est noster fidei defectus. Hic minus in incredulitate manifesta exprimitur quam in praeferentia de facto. Cum orare incipimus, mille labores vel curae, quae urgere aestimantur, sese tamquam primaria exhibent; iterum tunc est momentum veritatis cordis et eius amoris potioris. Interdum ad Dominum vertimur tamquam ad ultimum recursum; at numquid id vere creditur? Interdum Dominum tamquam foedere sociatum sumimus, sed cor adhuc in arrogantia permanet. In omnibus casibus, noster fidei defectus revelat, nos illam humilis cordis nondum habere dispositionem: « Sine me nihil potestis facere » (Io 15,5).
§ 2733
Outra tentação, à qual a presunção abre a porta, é a acédia. Os Padres espirituais entendem por ela uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração. «O espírito está decidido, mas a carne é fraca» (Mt 26, 41). Quanto de mais alto se cai, mais magoado se fica. O desânimo doloroso é o reverso da presunção. Quem é humilde não se admira da sua miséria; ela leva-o a ter mais confiança e a manter-se firme na constância.
Alia tentatio, cui arrogantia ostium aperit, est acedia. Patres spirituales hoc verbo quamdam depressi spiritus intelligunt formam quae ascesis relaxationi, vigilantiae deminutioni, cordis debetur negligentiae. « Spiritus [...] promptus est, caro autem infirma » (Mt 26,41). Quo ex maiore quis decidit altitudine, eo maiore afficitur malo. Animi defectio, dolorosa, aversa est arrogantiae frons. Qui humilis est, suam non demiratur miseriam, ipsa eum ad maiorem ducit fiduciam, ad firmum in constantia manendum. III. Filialis fiducia

PERANTE AS TENTAÇÕES NA ORAÇÃO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A confiança filial

§ 2734
A confiança filial é posta à prova – e prova-se a si mesma – na tribulação (20). A principal dificuldade diz respeito à oração de petição, na intercessão por si ou pelos outros. Alguns deixam mesmo de orar porque, segundo pensam, o seu pedido não é atendido. Aqui, duas questões se põem: Por que é que pensamos que o nosso pedido não é atendido? E como é que a nossa oração é atendida, e «eficaz»?
Filialis fiducia probatur — se ipsam probat — tribulatione. 197 Praecipua difficultas refertur ad orationem petitionis, in intercessione pro se vel pro aliis. Quidam etiam orare desinunt, quia cogitant suam petitionem non exaudiri. Hic duae ponuntur quaestiones: Cur cogitamus nostram petitionem exauditam non esse? Quomodo nostra oratio exauditur, est « efficax »? Cur non exaudiri querimur?

PORQUE NOS LAMENTARMOS POR NÃO SERMOS ATENDIDOS?

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A confiança filial

§ 2735
Antes de mais, uma constatação deveria surpreender-nos. É que, quando louvamos a Deus ou Lhe damos graças pelos seus benefícios em geral, não nos importamos nada com saber se a nossa oração Lhe é agradável, ao passo que exigimos ver o resultado da nossa petição. Qual é, então, a imagem de Deus que motiva a nossa oração: um meio a utilizar ou o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo?
Quaedam nos deberet imprimis animadversio ad admirationem movere. Cum Deum laudamus vel Ei propter Eius beneficia in genere agimus gratias, vix inquieti sumus ut sciamus utrum nostra oratio Ei fuerit grata. E contra, effectum nostrae petitionis exigimus videre. Quaenam est igitur imago Dei quae nostram movet orationem: medium adhibendum an Pater Domini nostri Iesu Christi?
§ 2736
Será que estamos convencidos de que «não sabemos o que pedir, para rezar como devemos» (Rm 8, 26)? Será que pedimos a Deus «os bens convenientes»? O nosso Pai sabe muito bem do que precisamos, antes que Lho peçamos (21), mas espera o nosso pedido, porque a dignidade dos seus filhos está na sua liberdade. Devemos, pois, orar com o seu Espírito de liberdade para podermos conhecer de verdade qual é o seu desejo (22).
Sumusne persuasi de eo quod « quid oremus, sicut oportet nescimus » (Rom 8,26)? Petimusne a Deo « bona convenientia »? Scit enim Pater noster, quibus opus sit nobis, antequam petamus ab Eo, 198 sed Ipse nostram exspectat petitionem quia Eius filiorum dignitas in eorum libertate est. Oportet igitur orare cum Eius Spiritu libertatis, ut possimus re vera cognoscere Eius desiderium. 199
§ 2737
«Não tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões» (Tg 4, 2-3) (23). Se pedirmos com um coração dividido, «adúltero» (24), Deus não pode atender-nos, pois quer o nosso bem, a nossa vida. «Ou pensais que a Escritura diz em vão: "o Espírito que habita em nós ama-nos com ciúme"?» (Tg 4, 5). O nosso Deus é «ciumento» de nós e isso é sinal da verdade do seu amor. Entremos no desejo do seu Espírito e seremos atendidos:

«Não te aflijas, se não recebes logo de Deus o que Lhe pedes: é que Ele quer beneficiar-te ainda mais pela tua perseverança em permanecer com Ele na oração» (25).

Ele quer «que o nosso desejo se exercite na oração dilatando-nos, de modo a termos capacidade para receber o que Ele prepara para nos dar» (26).

« Non habetis, propter quod non postulatis; petitis et non accipitis, eo quod male petitis, ut in concupiscentiis vestris insumatis » (Iac 4,2-3). 200 Si corde petimus diviso, « adultero », 201 Deus nos exaudire nequit, quia Ipse nostrum vult bonum, nostram vitam. « Aut putatis quia inaniter Scriptura dicat: "Ad invidiam concupiscit Spiritus, qui inhabitat in nobis"? » (Iac 4,5). Deus noster est « zelotes » nostri, id quod signum est veritatis amoris Eius. Ingrediamur in desiderium Spiritus Eius et exaudiemur:

« Ne tamquam in potestate procedens petitionem confestim exquiras; vult enim tibi plurimum conferre beneficium perseveranti in oratione ». 202

Ipse vult « exerceri in orationibus desiderium nostrum, quo possimus capere, quod praeparat dare ». 203

Quomodo oratio nostra efficax sit?

COMO É QUE A NOSSA ORAÇÃO SERIA EFICAZ?

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A confiança filial

§ 2738
A revelação da oração na economia da salvação ensina-nos que a fé se apoia na acção de Deus na história. A confiança filial é suscitada pela sua acção por excelência: a paixão e ressurreição do seu Filho. A oração cristã é cooperação com a sua providência, com o seu desígnio de amor para com os homens.
Orationis revelatio in Oeconomia salutis nos docet, fidem inniti actione Dei in historia. Fiducia filialis actione Eius per excellentiam suscitatur: passione et resurrectione Eius Filii. Oratio christiana cooperatio est cum Eius providentia, cum Eius consilio amoris erga homines.
§ 2739
Em São Paulo, esta confiança é audaciosa (27), apoiando-se na oração do Espírito em nós e no amor fiel do Pai que nos deu o seu Filho Único (28). A transformação do coração que ora é a primeira resposta ao nosso pedido.
Apud sanctum Paulum, haec fiducia audax est, 204 fundata super oratione Spiritus in nobis et super fideli amore Patris qui nobis Suum Filium donavit unicum. 205 Cordis orantis transformatio petitioni nostrae est prima responsio.
§ 2740
A oração de Jesus faz da oração cristã uma petição eficaz. Jesus é o modelo da oração cristã; Ele ora em nós e connosco. Uma vez que o coração do Filho não procura senão o que agrada ao Pai, como poderia o dos filhos adoptivos apegar-se mais aos dons que ao Doador?
Oratio Iesu ex oratione christiana petitionem facit efficacem. Ipse eius est exemplar. In nobis orat et nobiscum. Quia Filii cor nihil aliud quaerit nisi quod Patri placet, quomodo illud filiorum adoptionis donis adhaereat potius quam Donanti?
§ 2741
Jesus também ora por nós, em nosso lugar e em nosso favor. Todos os nossos pedidos foram reunidos, de uma vez por todas, no seu brado sobre a cruz e atendidos pelo Pai na sua ressurreição; e é por isso que Ele não cessa de interceder por nós junto do Pai (29). Se a nossa oração estiver resolutamente unida à de Jesus na confiança e na audácia filial, obteremos tudo o que pedirmos em seu nome e muito mais do que isto ou aquilo: o próprio Espírito Santo que inclui todos os dons.
Iesus etiam pro nobis orat, loco nostro et in nostrum profectum. Omnes petitiones nostrae semel pro semper collectae sunt in Eius clamore a cruce et exauditae a Patre in Eius Resurrectione, et hac de causa intercedere non desinit pro nobis ad Patrem. 206 Si nostra oratio est cum illa Iesu firmiter coniuncta in fiducia et audacia filiali, totum id, quod in Eius petimus nomine, obtinemus, multo magis quam hoc vel illud: Ipsum Spiritum Sanctum, qui omnia continet dona. IV. In amore perseverare

COMO É QUE A NOSSA ORAÇÃO SERIA EFICAZ?

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Perseverar no amor

§ 2742
«Orai sem cessar» (1 Ts 5, 17), «dai sempre graças por tudo a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo» (Ef 5, 20), «servindo-vos de toda a espécie de orações e preces, orai em todo o tempo no Espírito Santo; e, para isso, vigiai com toda a perseverança e com preces por todos os santos» (Ef 6, 18). «Não nos foi mandado que trabalhemos, velemos e jejuemos constantemente, mas temos a lei de orar sem cessar» (30) Este fervor incansável só pode vir do amor. Contra a nossa lentidão e preguiça, o combate da oração é o do amor humilde, confiante e perseverante. Este amor abre os nossos corações a três evidências de fé, luminosas e vivificantes:
« Sine intermissione orate » (1 Thess 5,17), « gratias agentes semper pro omnibus in nomine Domini nostri Iesu Christi Deo et Patri » (Eph 5,20), « per omnem orationem et obsecrationem orantes omni tempore in Spiritu, et in ipso vigilantes in omni instantia et obsecratione pro omnibus sanctis » (Eph 6,18). « Semper quidem operari, vigilare, ieiunare, non fuit nobis praeceptum; at sine intermissione orare Lex sanxit ». 207 Hic ardor indefessus non nisi ab amore potest provenire. Contra nostram segnitiem et nostram pigritiam, dimicatio orationis illa est amoris humilis, fidentis et perseverantis. Hic amor nostra aperit corda ad tres fidei evidentias, luminosas et vivificantes.
§ 2743
Orar é sempre possível: O tempo do cristão é o de Cristo Ressuscitado, que está «connosco todos os dias» (Mt 28, 20), sejam quais forem as tempestades (31). O nosso tempo está na mão de Deus:

«É possível, mesmo no mercado ou durante um passeio solitário, fazer oração frequente e fervorosa; sentados na vossa loja, a tratar de compras e vendas, até mesmo a cozinhar» (32).

Orare semper possibile est: christiani tempus est illud Christi resuscitati qui nobiscum est « omnibus diebus » (Mt 28,20), quaecumque sunt procellae. 208 Nostrum tempus in manu est Dei:

« Licet etiam viro in foro versanti aut iter facienti attente precari: alteri itidem in officina sedenti ac coria suenti animam ad Deum erigere: licet servo obsonanti, ac sursum deorsum cursitanti, vel in culina ministranti [...] precationem intentam ex imo pectore ciere ». 209

§ 2744
Orar é uma necessidade vital. A demonstração do contrário não é menos convincente: se não nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, recairemos na escravidão do pecado (33). Ora, como pode o Espírito Santo ser a «nossa vida» se o nosso coração estiver longe d'Ele?

«Nada iguala o valor da oração; ela torna possível o impossível, fácil o difícil. [...] É impossível [...] que o homem que ora caia no pecado» (34). «Quem reza salva-se, de certeza; quem não reza condena-se, de certeza»».

Orare vitalis necessitas est. Demonstratio e contrario non minus est convincibilis: nisi nos a Spiritu duci sinamus, in servitutem iterum incidimus peccati. 210 Quomodo Spiritus potest « nostra vita » esse, si cor nostrum longe est ab Eo?

« Nihil enim precationi aequale: ea quippe est quae ex impossibilibus possibilia facit, ex difficilibus facilia [...]. Impossibile est [...] hominem [...] precantem [...] umquam in peccatum incidere ». 211 « Qui orat, certo salvatur; qui non orat, certo damnatur ». 212

§ 2745
Oração e vida cristã são inseparáveis, porque se trata do mesmo amor e da mesma renúncia que procede do amor; da mesma conformidade filial e amorosa com o desígnio de amor do Pai; da mesma união transformante no Espírito Santo que nos conforma sempre mais com Cristo Jesus; do mesmo amor para com todos os homens, desse amor com que Jesus nos amou. «Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros» (Jo 15, 16-17).

«Ora sem cessar, aquele que une a oração às obras e as obras à oração. Só assim é que podemos considerar como realizável o preceito de orar incessantemente» (36).

Oratio et vita christianae sunt inseparabiles quia de eodem agitur amore et de eadem abrenuntiatione quae ex amore procedit. De eadem filiali et amanti conformitate cum Patris consilio. De eadem unione transformanti in Spiritu Sancto qui nos semper magis Christo Iesu conformat. De eodem erga omnes homines amore, de hoc amore quo Iesus nos dilexit. « Ut quodcumque petieritis Patrem in nomine meo, det vobis. Haec mando vobis, ut diligatis invicem » (Io 15,16-17).

« Ille sine intermissione orat, qui debitis operibus orationem iungit, orationique convenientes actiones; istud enim, sine intermissione orate, hoc uno modo ut praeceptum possibile possumus accipere ». 213

COMO É QUE A NOSSA ORAÇÃO SERIA EFICAZ?

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A oração da Hora de Jesus

§ 2746
Ao chegar a sua «Hora», Jesus ora ao Pai (37). A sua oração, a mais longa que nos é transmitida pelo Evangelho, abraça toda a economia da criação e da salvação, bem como a sua morte e ressurreição. A oração da «Hora» de Jesus continua sempre sua, tal como a sua Páscoa, acontecida «uma vez por todas», continua presente na liturgia da sua Igreja.
Iesus, cum Eius venisset Hora, Patrem orat. 214 Eius oratio, longissima quae ab Evangelio transmittatur, totam Oeconomiam creationis et salutis complectitur, sicut etiam Eius Mortem Eiusque Resurrectionem. Oratio Horae Iesu semper permanet illa Eius, sicut etiam Eius Pascha, quod, cum « semel pro semper » evenerit, praesens permanet in Ecclesiae Eius liturgia.
§ 2747
A tradição cristã chama-lhe, a justo título, a oração «sacerdotal» de Jesus. Ela é, de facto, a oração do nosso Sumo-Sacerdote, inseparável do seu sacrifício, da sua «passagem» (páscoa) deste mundo para o Pai, em que é inteiramente «consagrado» ao Pai (38).
Traditio christiana eam merito orationem appellat « sacerdotalem » Iesu. Ipsa est illa nostri Summi Sacerdotis, inseparabilis est ab Eius sacrificio, ab Eius ad Patrem transitu (« Paschate ») in quo Ipse totus ad Patrem plene « consecratur ». 215
§ 2748
Nesta oração pascal, sacrificial, tudo está «recapitulado» n'Ele (39): Deus e o mundo, o Verbo e a carne, a vida eterna e o tempo, o amor que se entrega e o pecado que o atraiçoa, os discípulos presentes e os que n'Ele hão-de crer pela palavra deles, a humilhação e a glória. É a Oração da Unidade.
In hac oratione Paschali, sacrificiali, totum in Ipso « recapitulatur »: 216 Deus et mundus, Verbum et caro, vita aeterna et tempus, amor qui se tradit et peccatum quod eum prodit, discipuli praesentes et qui in Eum credent per verbum eorum, exinanitio et gloria. Oratio est Unitatis.
§ 2749
Jesus cumpriu perfeitamente a obra do Pai e a sua oração, como o seu sacrifício estende-se até à consumação do tempo. A oração da «Hora» preenche os últimos tempos e leva-os à sua consumação. Jesus, o Filho a Quem o Pai tudo deu, entrega-Se todo ao Pai; e, ao mesmo tempo, exprime-Se com uma liberdade soberana (40), segundo o poder que o Pai Lhe deu sobre toda a carne. O Filho, que Se fez Servo, é o Senhor, o Pantocrátor. O nosso Sumo-Sacerdote que ora por nós é também Aquele que em nós ora e o Deus que nos atende.
Iesus totum Patris adimplevit opus et Eius oratio, sicut Eius sacrificium, usque ad temporis extenditur consummationem. Oratio Horae complet ultima tempora eaque adducit in eorum consummationem. Iesus, Filius cui Pater omnia donavit, totus traditur Patri et simul cum libertate excelsa Se exprimit 217 propter potestatem quam Pater Ei dedit in omnem carnem. Filius, qui est factus Servus, est Dominus, Pantocrátor. Noster Summus Sacerdos, qui pro nobis orat, est etiam Ille qui in nobis orat et Deus qui nos exaudit.
§ 2750
É entrando no santo nome do Senhor Jesus que podemos acolher, desde dentro, a oração que Ele nos ensina: «Pai nosso!». A sua oração sacerdotal inspira, a partir de dentro, as grandes petições do Pai-nosso: a preocupação com o nome do Pai  (41), a paixão pelo seu Reino (a glória) (42), o cumprimento da vontade do Pai, do seu desígnio de salvação (43) e a libertação do mal (44).
Sanctum Nomen Domini Iesu ingredientes, accipere possumus, ab intus, orationem quam Ipse nos docet: « Pater noster! ». Eius oratio sacerdotalis, ab intus, magnas petitiones orationis « Pater » inspirat: curam de Nomine Patris, 218 ardorem Regni Eius (gloriae 219), adimpletionem voluntatis Patris, Eius consilii salutis, 220 et liberationem a malo. 221
§ 2751
Finalmente, é nesta oração que Jesus nos revela e nos dá o «conhecimento» indissociável do Pai e do Filho (45), que é o próprio mistério da vida de oração.Resumindo:
In hac denique oratione, Iesus nobis revelat nobisque praebet inseparabilem Patris et Filii « cognitionem » 222 quae ipsum mysterium est vitae orationis. Compendium

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Resumindo

§ 2752
A oração pressupõe esforço e luta contra nós mesmos e contra as ciladas do Tentador. O combate da oração é inseparável do «combate espiritual» necessário para agir habitualmente segundo o Espírito de Cristo: ora-se como se vive, porque se vive como se ora.
Oratio nisum praesupponit et dimicationem contra nosmetipsos et contra Tentatoris dolos. Orationis dimicatio inseparabilis est a « spirituali dimicatione » quae necessaria est ad habitualiter secundum Spiritum Christi agendum: unusquisque orat sicut vivit, quia unusquisque vivit sicut orat.
§ 2753
No combate da oração, devemos enfrentar concepções erróneas, diversas correntes de mentalidades e a experiência dos nossos fracassos. A estas tentações, que lançam a dúvida sobre a utilidade ou até mesmo a possibilidade da oração, convém responder com humildade, confiança e perseverança.
In orationis dimicatione, obsistere debemus erroneis orationis conceptionibus, diversis tendentiis in modo cogitandi, experientiae nostrorum adversorum exituum. His tentationibus, quae dubium suggerunt de orationis utilitate vel etiam possibilitate, respondere oportet humilitate, fiducia et perseverantia.
§ 2754
As principais dificuldades no exercício da oração são a distracção e a aridez. O remédio está na fé, na conversão e na vigilância do coração.
Praecipuae in orationis exercitio difficultates sunt evagatio animi et siccitas. Remedium in fide est, conversione et vigilantia cordis.
§ 2755
Duas tentações frequentes ameaçam a oração: a falta de fé e a acédia, que é uma espécie de depressão devida ao relaxamento da ascese e que leva ao desânimo.
Duae frequentes tentationes orationi minantur: defectus fidei et acedia, quae forma quaedam est depressi spiritus, quae ascesis relaxationi debetur et ad animi ducit defectionem.
§ 2756
A confiança filial é posta à prova quando temos a sensação de nem sempre ser atendidos. O Evangelho convida-nos a interrogarmo-nos sobre a conformidade da nossa oração com o desejo do Espírito.
Filialis fiducia probationi submittitur, cum sentimus, non semper nos exaudiri. Evangelium nos invitat ad nos interrogandos de nostrae orationis conformitate cum desiderio Spiritus.
§ 2757
«Orai sem cessar» (1 Ts 5, 17). Orar é sempre possível. É, até, uma necessidade vital. Oração e vida cristã são inseparáveis.
« Sine intermissione orate » (1 Thess 5,17). Orare semper possibile est. Est etiam vitalis necessitas. Oratio et vita christiana sunt inseparabiles.
§ 2758
A oração da «Hora» de Jesus, justamente chamada «oração sacerdotal» (46), recapitula toda a economia da criação e da salvação. É ela que inspira as grandes petições do «Pai-nosso».
Oratio Horae Iesu, recte « oratio sacerdotalis » appellata, 223 totam creationis et salutis compendiat Oeconomiam. Ipsa magnas petitiones inspirat orationis « Pater noster ». (194) Cf Mc 10,22. (195) Cf Mt 6,21.24. (196) Cf Lc 8,6.13. (197) Cf Rom 5,3-5. (198) Cf Mt 6,8. (199) Cf Rom 8,27. (200) Cf totus contextus Iac 1,5-8; 4,1-10; 5,16. (201) Cf Iac 4,4. (202) Evagrius Ponticus, De oratione, 34: PG 79,1173. (203) Sanctus Augustinus, Epistula 130, 8, 17: CSEL 44, 59 (PL 33, 500).(204) Cf Rom 10,12-13.(205) Cf Rom 8,26-39.(206) Cf Heb 5,7; 7,25; 9,24. (207) Evagrius Ponticus, Capita practica ad Anatolium, 49: SC 171, 610 (PG 40, 1245). (208) Cf Lc 8,24. (209) Sanctus Ioannes Chrysostomus, De Anna, sermo 4, 6: PG 54, 668.(210) Cf Gal 5,16-25.(211) Sanctus Ioannes Chrysostomus, De Anna, sermo 4, 5: PG 54, 666. (212) Sanctus Alfonsus Maria de Liguori, Del gran mezzo della preghiera, pars 1, c. 1, ed. G. Cacciatore (Roma 1962) p. 32. (213) Origenes, De oratione, 12, 2: GCS 3, 324-325 (PG 11, 452).(214) Cf Io 17.(215) Cf Io 17,11.13.19.(216) Cf Eph 1,10.(217) Cf Io 17,11.13.19.24. (218) Cf Io 17,6.11.12.26. (219) Cf Io 17,1.5.10.22.23-26. (220) Cf Io 17,2.4.6.9.11.12.24. (221) Cf Io 17,15. (222) Cf Io 17,3.6-10.25. (223) Cf Io 17.

QUARTA PARTE

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

§ 2759
«Um dia, estava Jesus em oração, em certo lugar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: "Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista também ensinou os seus discípulos"» (Lc 11, 1). Foi em resposta a este pedido que o Senhor confiou aos seus discípulos e à sua Igreja a oração cristã fundamental. São Lucas apresenta-nos um texto breve dessa oração (cinco petições)(1); São Mateus, uma versão mais desenvolvida (sete petições) (2). A tradição litúrgica da Igreja reteve o texto de São Mateus (Mt 6, 9-13):

Pai Nosso que estais nos céus,
santificado seja o vosso Nome,
venha a nós o vosso Reino,
seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do Mal.

« Cum esset [Iesus] in loco quodam orans, ut cessavit, dixit unus ex discipulis Eius ad Eum: "Domine, doce nos orare, sicut et Ioannes docuit discipulos suos" » (Lc 11,1). Dominus, huic petitioni respondens, orationem christianam fundamentalem Suis discipulis Suaeque concredit Ecclesiae. Illius sanctus Lucas textum praebet brevem (quinque petitionum), 224 sanctus Matthaeus versionem explicatiorem (septem petitionum). 225 Traditio liturgica Ecclesiae textum sancti Matthaei retinuit: (Mt 6,9-13).

Pater noster qui es in caelis:
sanctificetur Nomen Tuum;
adveniat Regnum Tuum;
fiat voluntas Tua,
sicut in caelo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a Malo.

§ 2760
Bem cedo o uso litúrgico concluiu a oração do Senhor por uma doxologia. Na Didakê: «Porque Vosso é o poder e a glória, pelos séculos» (3). A esta doxologia, as Constituições Apostólicas acrescentam no princípio: «o Reino» (4), e essa é a fórmula que se usa em nossos dias na oração ecuménica. A tradição bizantina acrescenta, depois de «a glória»: «Pai, Filho e Espírito Santo». O Missal Romano amplia a última petição (5) na perspectiva explícita da «expectativa da bem-aventurada esperança» (6) e da vinda de Jesus Cristo nosso Senhor, seguindo-se a aclamação da assembleia que retoma a doxologia das Constituições Apostólicas.
Usus liturgicus valde cito Orationem Domini conclusit doxologia. In Didaché: « Quia Tua est potestas et gloria in saecula ». 226 Constitutiones apostolicae addunt initio: « Regnum », 227 et haec formula in oratione oecumenica nostris diebus servata est. Traditio Byzantina post « gloria » addit « Patris et Filii et Spiritus Sancti ». Missale Romanum ultimam petitionem evolvit 228 in perspectiva exspectationis beatae spei 229 et Adventus Iesu Christi Domini nostri, postea acclamatio subsequitur congregationis vel resumitur doxologia Constitutionum apostolicarum. (224) Cf Lc 11,2-4. (225) Cf Mt 6,9-13. (226) Didaché, 8, 2: SC 248, 174 (Funk, Patres apostolici 1, 20).(227) Constitutiones apostolicae, 7, 24, 1: SC 336, 174 (Funk, Didascalia et Constitutiones Apostolorum 1, 410). (228) Cf Ritus Communionis [Embolismus]: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 472. (229) Cf Tit 2,13.

«O RESUMO DE TODO O EVANGELHO»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

§ 2761
«A oração dominical é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho»(7). «Depois de o Senhor nos ter legado esta fórmula de oração, acrescentou "Pedi e recebereis" (Jo 16, 24). Cada um pode, portanto, dirigir ao céu diversas orações segundo as suas necessidades, mas começando sempre pela oração do Senhor, que continua a ser a oração fundamental» (8).
« Revera in Oratione [Domini] breviarium totius Evangelii » comprehenditur. 230 Dominus « post traditam orandi disciplinam, petite, inquit, et accipietis (Io 16,24), et sunt quae petantur pro circumstantia cuiusque, praemissa legitima et ordinaria oratione quasi fundamento accedentium desideriorum, ius est superstruendi extrinsecus petitiones ». 231I. In Scripturarum centro

«O RESUMO DE TODO O EVANGELHO»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

No centro da Sagrada Escritura

§ 2762
Depois de ter mostrado como os Salmos são o alimento principal da oração cristã e convergem para as petições do Pai-nosso, Santo Agostinho conclui:

«Percorrei todas as orações que existem na Sagrada Escritura; não creio que possais encontrar uma só que não esteja incluída e compendiada nesta oração dominical» (9).

Sanctus Augustinus, postquam ostendit quomodo psalmi orationis christianae praecipuum sint nutrimentum et quomodo in petitiones orationis « Pater noster » confluant, concludit:

« Si per omnia precationum sanctarum verba discurras, quantum existimo, nihil invenies, quod non ista dominica contineat et concludat Oratio ». 232

§ 2763
Todas as Escrituras (a Lei, os Profetas e os Salmos) se cumpriram em Cristo (10). O Evangelho é esta «boa-nova». O seu primeiro anúncio está resumido por São Mateus no sermão da montanha (11). Ora a oração do Pai-nosso está no centro deste anúncio. E é neste contexto que se elucida cada uma das petições da oração legada pelo Senhor:

«A oração dominical é a mais perfeita das orações [...]. Nela, não só pedimos tudo quanto podemos rectamente desejar, mas também segundo a ordem em que convém desejá-lo. De modo que esta oração, não só nos ensina a pedir, mas também plasma todos os nossos afectos» (12).

Omnes Scripturae (Lex, Prophetae et Psalmi) in Christo adimplentur. 233 Evangelium hic est « Bonus Nuntius ». Eius prima nuntiatio a sancto Matthaeo compendiatur in sermone montano. 234 Oratio igitur ad Patrem nostrum in centro est huius nuntiationis. In hoc contextu unaquaeque illustratur petitio orationis a Domino legatae:

« Oratio dominica perfectissima est [...]. In Oratione autem dominica non solum petuntur omnia quae recte desiderare possumus, sed etiam eo ordine quo desideranda sunt: ut sic haec Oratio non solum instruat postulare, sed etiam sit informativa totius nostri affectus ». 235

§ 2764
O sermão da montanha é doutrina de vida e a oração dominical é prece; mas num e noutra, o Espírito do Senhor dá uma forma nova aos nossos desejos, a esses movimentos interiores que animam a nossa vida. Jesus ensina-nos a vida nova com as suas palavras e ensina-nos a pedi-la pela oração. Da rectidão da nossa oração dependerá a da nossa vida n' Ele.
Sermo montanus doctrina est vitae, Oratio dominica est precatio, sed in utroque Spiritus Domini novam praebet formam nostris desideriis, his interioribus motibus qui nostram animant vitam. Iesus Suis verbis nos hanc novam docet vitam et instruit ut hanc oratione petamus. A nostrae orationis rectitudine pendebit illa nostrae vitae in Ipso. II. « Oratio Domini »

«O RESUMO DE TODO O EVANGELHO»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«A oração do Senhor»

§ 2765
A expressão tradicional «oração dominical» (isto é, «oração do Senhor») significa que a prece dirigida ao nosso Pai nos foi ensinada e legada pelo Senhor Jesus. Tal oração, que nos vem de Jesus, é verdadeiramente única: é «do Senhor». Efectivamente, por um lado, nas palavras desta oração o Filho Único dá-nos as palavras que o Pai Lhe deu (13): Ele é o mestre da nossa oração. Por outro lado, sendo o Verbo encarnado, Ele conhece no seu coração de homem as necessidades dos seus irmãos e irmãs humanos e revela-no-las: Ele é o modelo da nossa oração.
Locutio traditionalis « Oratio dominica » (id est, « Oratio Domini ») significat orationem ad Patrem nostrum a Domino Iesu edoctam esse et datam. Haec Oratio, quae nobis a Iesu venit, est vere unica: est « Domini ». Ex altera parte, Filius unicus, huius orationis verbis, revera nobis dat verba quae Pater Ei dedit: 236 Ipse est nostrae orationis magister. Ex altera parte, Verbum incarnatum, quod, in corde Suo humano, Suorum humanorum fratrum et sororum cognoscit necessitates, eas nobis revelat: Ipse exemplar est nostrae orationis.
§ 2766
Mas Jesus não nos deixa uma fórmula para ser repetida maquinalmente (14). Como em toda a oração vocal, é pela Palavra de Deus que o Espírito Santo ensina os filhos de Deus a orar ao seu Pai. Jesus dá-nos, não somente as palavras da nossa oração filial, mas também, ao mesmo tempo, o Espírito pelo qual elas se tornam em nós «espírito e vida» (Jo 6, 63). Mais ainda: a prova e a possibilidade da nossa oração filial é que o Pai «enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho que clama: "Abbá! ó Pai!"» (Gl 4, 6). Uma vez que a nossa oração traduz os nossos desejos diante do Pai, é ainda «Aquele que sonda os corações», o Pai, que «conhece o desejo do Espírito, porque é de acordo com Deus que o Espírito intercede pelos santos» (Rm 8, 27). A oração ao nosso Pai insere-se na missão misteriosa do Filho e do Espírito.
Sed Iesus nobis non relinquit formulam machinali modo repetendam. 237 Sicut in omni oratione vocali, per Verbum Dei, Spiritus Sanctus filios Dei docet eorum Patrem orare. Iesus nobis dat non solum verba nostrae orationis filialis, simul nobis praebet Spiritum ut eadem in nobis efficiantur « spiritus [...] et vita » (Io 6,63). Immo, filialis nostrae orationis ratio et possibilitas in eo est quod Pater « misit [...] Spiritum Filii Sui in corda nostra clamantem: "Abba, Pater!" » (Gal 4,6). Quia nostra oratio desideria nostra interpretatur coram Patre, etiam Ille, « qui [...] scrutatur corda », Pater, « scit quid desideret Spiritus, quia secundum Deum postulat pro sanctis » (Rom 8,27). Oratio ad Patrem nostrum in arcanam missionem inseritur Filii et Spiritus. III. Oratio Ecclesiae

«O RESUMO DE TODO O EVANGELHO»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

A oração da Igreja

§ 2767
Esta dádiva indissociável das palavras do Senhor e do Espírito Santo que lhes dá vida no coração dos crentes foi recebida e vivida pela Igreja desde as origens. As primeiras comunidades rezavam a oração do Senhor «três vezes por dia» (15), em vez das «dezoito bênçãos» usadas pela piedade judaica.
Ecclesia donum hoc indissociabile verborum Domini et Spiritus Sancti, qui eis in fidelium cordibus dat vitam, inde ab originibus accepit et duxit in vitam. Primae communitates Orationem Domini « ter in die » 238 precantur, loco « Decem et octo benedictionum » quibus pietas utebatur Iudaica.
§ 2768
Segundo a Tradição apostólica, a oração do Senhor está essencialmente radicada na oração litúrgica:

O Senhor «ensina-nos a fazer a nossa oração em comum por todos os nossos irmãos. Porque Ele não diz «meu Pai» que estás nos céus, mas sim nosso Pai, para que a nossa oração seja, numa só alma, por todo o corpo da Igreja» (16).

Em todas as tradições litúrgicas, a oração do Senhor é parte integrante das «horas» principais do Ofício Divino. Mas é sobretudo nos três sacramentos da iniciação cristã que o seu carácter eclesial aparece com evidência:
Secundum apostolicam Traditionem, Oratio Domini essentialiter in oratione radicatur liturgica.

Dominus « docet autem communem pro fratribus orationem emittere. Non enim dicit, Pater meus, qui es in caelis; sed, Pater noster, pro communi corpore supplicationes emittens ». 239

In omnibus liturgicis traditionibus, Oratio Domini pars est integralis magnarum Officii divini Horarum. Sed eius indoles ecclesialis praecipue in tribus initiationis christianae sacramentis evidenter apparet:
§ 2769
No Baptismo e na Confirmação, a entrega («traditio») da oração do Senhor significa o novo nascimento para a vida divina. Uma vez que a oração cristã consiste em falar a Deus com a própria Palavra de Deus, aqueles que são «regenerados [...] pela palavra do Deus vivo» (1 Pe 1, 23) aprendem a invocar o seu Pai com a única palavra que Ele escuta sempre. E podem fazê-lo a partir de então, porque o selo da unção do Espírito Santo foi gravado indelevelmente no seu coração, nos seus ouvidos, nos seus lábios, em todo o seu ser filial. É por isso que a maior parte dos comentários patrísticos ao Pai-nosso são dirigidos aos catecúmenos e aos neófitos. Quando a Igreja reza a oração do Senhor, é sempre o povo dos «recém-nascidos» que ora e alcança misericórdia (17).
In Baptismate et Confirmatione, Orationis Domini traditio novam ad vitam divinam significat nativitatem. Quia oratio christiana est Deo loqui Ipso Verbo Dei, illi, qui sunt « renati [...] per Verbum Dei vivum » (1 Pe 1,23), Patrem suum invocare discunt solo Verbo quod Ipse semper exaudit. Atque ipsi id deinceps facere possunt, quia sigillum Unctionis Spiritus Sancti positum est indelebile super eorum cor, super eorum aures, super eorum labia, super totam eorum filialem realitatem. Hac de causa, maior commentariorum Patrum pars de oratione « Pater noster » ad catechumenos dirigitur et neophytos. Cum Ecclesia Orationem precatur Domini, semper populus « modo genitorum infantium » ille est qui orat et misericordiam obtinet. 240
§ 2770
Na liturgia eucarística, a oração do Senhor aparece como a oração de toda a Igreja. Ali se revela o seu sentido pleno e a sua eficácia. Situada entre a anáfora (oração eucarística) e a liturgia da comunhão, recapitula, por um lado, todas as petições e intercessões expressas no movimento da epiclese; e por outro, bate à porta do festim do Reino que a Comunhão sacramental vai antecipar.
In eucharistica liturgia, Oratio Domini tamquam totius Ecclesiae apparet oratio. Ibi eius plenus revelatur sensus eiusque efficacitas. Inter Anaphoram (precem eucharisticam) collocata et Communionis liturgiam, ex altera parte omnes petitiones compendiat et intercessiones in Epiclesis motu expressas, et, ex altera parte, ad portam pulsat Convivii Regni, quod Communio sacramentalis anticipabit.
§ 2771
Na Eucaristia, a oração do Senhor manifesta também o carácter escatológico das suas petições. É a oração própria dos «últimos tempos», dos tempos da salvação que começaram com a efusão do Espírito Santo e terminarão com o regresso do Senhor. Os pedidos que fazemos ao nosso Pai, diferentemente das orações da Antiga Aliança, apoiam-se no mistério da salvação já realizada, duma vez para sempre, em Cristo crucificado e ressuscitado.
In Eucharistia, Oratio Domini etiam indolem manifestat eschatologicam petitionum suarum. Eadem est oratio propria « ultimorum temporum », salutis temporum quae Spiritus Sancti inceperunt effusione et quae Domini finientur reditu. Petitiones ad Patrem nostrum, aliter ac Veteris Foederis orationes, salutis nituntur mysterio iam, semel pro semper, impleto in Christo crucifixo et resuscitato.
§ 2772
Desta fé inabalável brota a esperança que suscita cada uma das sete petições. Estas exprimem os gemidos do tempo presente, este tempo da paciência e da espera, durante o qual «ainda não se manifestou o que havemos de ser» (1 Jo 3, 2)(18). A Eucaristia e o Pai-nosso tendem para a vinda do Senhor, «até que Ele venha!» (1 Cor 11, 26).Resumindo:
Ex hac infragili fide oritur spes quae unamquamque suscitat septem petitionum. Eaedem gemitus exprimunt praesentis temporis, huius temporis patientiae atque exspectationis, quo durante « nondum manifestatum est quid erimus » (1 Io 3,2). 241 Eucharistia et « Pater » ad Domini tendunt Adventum, « donec veniat » (1 Cor 11,26). Compendium

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

Resumindo

§ 2773
Em resposta ao pedido dos seus discípulos («Senhor, ensina-nos a orar»: Lc 11, 1), Jesus confia-lhes a oração cristã fundamental do «Pai-nosso».
Iesus, Suorum discipulorum respondens petitioni (« Domine, doce nos orare »: Lc 11,1), orationem christianam fundamentalem « Pater noster » eis concredit.
§ 2774
«A Oração Dominical é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho» (19), «a mais perfeita das orações» (20). Está no centro da Sagrada Escritura.
« Revera in Oratione [Domini] breviarium totius Evangelii » comprehenditur, 242 ipsa « perfectissima est ». 243 In centro est Scripturarum.
§ 2775
É chamada «Oração Dominical», porque nos vem do Senhor Jesus, mestre e modelo da nossa oração.
Eadem « Oratio dominica » appellatur, quia nobis venit a Domino Iesu, qui nostrae orationis magister est et exemplar.
§ 2776
A Oração Dominical é a oração da Igreja por excelência. Faz parte integrante das «horas» principais do Ofício Divino e dos sacramentos da iniciação cristã: Baptismo, Confirmação e Eucaristia. Integrada na Eucaristia, manifesta o carácter «escatológico» das suas petições, na esperança do Senhor, «até que Ele venha» (1 Cor 11, 26).
Oratio dominica precatio est Ecclesiae per excellentiam. Partem constituit integralem magnarum Officii divini Horarum et initiationis christianae sacramentorum: Baptismatis, Confirmationis et Eucharistiae. In Eucharistia inserta, indolem manifestat « eschatologicam » suarum petitionum, in exspectatione Domini, « donec veniat » (1 Cor 11,26). (230) Tertullianus, De oratione, 1, 6: CCL 1, 258 (PL 1, 1255).(231) Tertullianus, De oratione, 10: CCL 1, 263 (PL 1, 1268-1269). (232) Sanctus Augustinus, Epistula 130, 12, 22: CSEL 44, 66 (PL 33, 502).(233) Cf Lc 24,44.(234) Cf Mt 5-7.(235) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, q. 83, a. 9, c: Ed. Leon. 9, 201.(236) Cf Io 17,7.(237) Cf Mt 6,7; 1 Reg 18,26-29. (238) Didaché, 8, 3: SC 248, 174 (Funk, Patres apostolici, 1, 20).(239) Sanctus Ioannes Chrysostomus, In Matthaeum, homilia 19, 4: PG 57, 278.(240) Cf 1 Pe 2,1-10.(241) Cf Col 3,4.(242) Tertullianus, De oratione, 1, 6: CCL 1, 258 (PL 1, 1255). (243) Sanctus Thomas Aquinas, Summa theologiae, II-II, 83, 9, c: Ed. Leon. 9, 201.

«PAI NOSSO, QUE ESTAIS NOS CÉUS»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Ousar aproximar-se com toda a confiança»

§ 2777
Na liturgia romana, a assembleia eucarística é convidada a orar ao nosso Pai com ousadia filial. As liturgias orientais utilizam e desenvolvem expressões análogas: «Ousar com toda a segurança», «tomai-nos dignos de». Diante da sarça ardente foi dito a Moisés: «Não te aproximes. Descalça as sandálias» (Ex 3, 5). Este umbral da santidade divina, só Jesus o podia franquear, Ele que, «tendo realizado a purificação dos pecados» (Heb 1, 3), nos introduz perante a face do Pai: «Eis-me, a mim e aos filhos que Deus Me deu!» (Heb 2, 13):

«A consciência que temos da nossa situação de escravos far-nos-ia sumir sob o chão, a nossa condição terrena dissolver-se-ia em pó, se a autoridade do próprio Pai e o Espírito do Seu Filho não nos levasse a soltar este grito dizendo: "Deus mandou o Espírito do Seu Filho aos nossos corações clamando Abba, ó Pai!" (Rm 8, 15) [...]. Quando é que a fraqueza dum mortal se atreveria a chamar a Deus seu Pai, senão somente quando o íntimo do homem é animado pelo poder do alto?» (21).

In Romana liturgia, congregatio eucharistica invitatur ad orandum « Pater noster » cum audacia filiali; liturgiae orientales similibus utuntur expressionibus easque evolvunt: « Audere cum omni securitate », « Fac nos dignos ad ». Ante rubum ardentem dictum est Moysi: « Ne appropies [...] huc; solve calceamentum de pedibus tuis » (Ex 3,5). Solus Iesus sanctitatis divinae poterat transire limen, Ille qui « purgatione peccatorum facta » (Heb 1,3), nos ante vultum Patris introducit: « Ecce ego et pueri, quos mihi dedit Deus » (Heb 2,13):

« Subcumberet conscientia servilis, terrena condicio solveretur, nisi nos ad hunc clamorem Ipsius Patris auctoritas, Ipsius Filii Spiritus excitaret. Misit, ait, Deus Spiritum Filii Sui in corda nostra clamantem Abba, Pater! (Rom 8,15). [...] Quando ausa mortalitas Deum vocare Patrem, nisi modo, quando superna virtute hominis animantur interna? ». 244

§ 2778
Este poder do Espírito que nos introduz na oração do Senhor é expresso, nas liturgias do Oriente e do Ocidente, pela bela expressão tipicamente cristã: «parrêsía», simplicidade sem desvio, confiança filial, segurança alegre, ousadia humilde, certeza de ser amado (22).
Haec potentia Spiritus, qui nos ad Domini introducit Orationem, in liturgiis Orientis et Occidentis exprimitur pulchra expressione characteristice christiana: parrêsía, simplicitate sine ambagibus, filiali fiducia, securitate gaudiosa, humili audacia, certitudine nos amari. 245 II. « Pater! »

«PAI NOSSO, QUE ESTAIS NOS CÉUS»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Pai!»

§ 2779
Antes de fazermos nosso este primeiro impulso da oração do Senhor, convém purificar humildemente o nosso coração de certas falsas imagens «deste mundo». A humildade faz-nos reconhecer que «ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho Se dignar revelá-Lo», quer dizer «os pequeninos» (Mt 11, 25-27). A purificação do coração refere-se às imagens paternas ou maternas provenientes da nossa história pessoal e cultural, que influenciam o nosso relacionamento com Deus. É que Deus, nosso Pai, transcende as categorias do mundo criado. Transpor para Ele ou contra Ele, as nossas ideias neste domínio, seria fabricar ídolos, a adorar ou a derrubar. Orar ao Pai é entrar no seu mistério, tal como Ele é e tal como o Filho no-Lo revelou:

«A expressão Deus Pai nunca tinha sido revelada a ninguém. Quando o próprio Moisés perguntou a Deus quem era, ouviu um nome diferente. A nós, este nome foi revelado no Filho; porque este nome (de Filho) implica o nome de Pai» (23).

Antequam hunc primum impulsum Orationis Domini nostrum faciamus, inutile non est, humiliter nostrum purificare cor a quibusdam falsis imaginibus « huius mundi ». Humilitas nos hoc agnoscere facit: « Nemo novit Filium nisi Pater, neque Patrem quis novit nisi Filius et cui voluerit Filius revelare » (Mt 11,27), id est, « parvulis » (Mt 11,25). Cordis purificatio ad imagines refertur paternas vel maternas, a nostra historia personali vel culturali ortas, et quae in nostram relationem ad Deum exercent influxum. Deus Pater noster categorias transcendit mundi creati. Super Eum vel contra Eum nostras in hoc campo transferre ideas idem esset ac idola fabricare adoranda vel evertenda. Patrem orare est in Eius ingredi mysterium, prout Ipse est et qualem Filius nobis revelavit:

« Nomen Dei Patris nemini proditum fuerat. Etiam qui de ipso interrogaverat Moyses, aliud quidem nomen audierat. Nobis revelatum est in Filio. Prius enim quam Filius non Patris nomen est ». 246

§ 2780
Nós podemos invocar Deus como «Pai», porque Ele nos foi revelado pelo seu Filho feito homem e porque o seu Espírito no-Lo faz conhecer. A relação pessoal do Filho com o Pai (24), que o homem não pode conceber nem os poderes angélicos podem entrever, eis que o Espírito do Filho nos faz participar dela, a nós que cremos que Jesus é o Cristo e que nascemos de Deus (25).
Deum tamquam « Patrem » possumus invocare quia Ipse nobis est revelatus per Filium Suum hominem effectum et quia Spiritus Eius facit ut Eum cognoscamus. Quod homo cognoscere nequit et quod angelicae potestates non possunt introspicere, personalem nempe Filii ad Patrem relationem, 247 ecce Spiritus Filii facit ut eamdem participemus, nos qui credimus Iesum esse Christum et qui ex Deo nati sumus. 248
§ 2781
Quando oramos ao Pai, estamos em comunhão com Ele e com o seu Filho Jesus Cristo (26). É então que O reconhecemos num encantamento sempre novo. A primeira palavra da oração do Senhor é uma bênção de adoração, antes de ser uma súplica. Porque a glória de Deus é que nós O reconheçamos como «Pai», Deus verdadeiro. Damos-Lhe graças por nos ter revelado o seu nome, por nos ter dado a graça de acreditar n'Ele, de sermos habitados pela sua presença.
Cum Patrem oramus, in communione cum Eo sumus atque cum Eius Filio Iesu Christo. 249 Tunc Eum cognoscimus et agnoscimus in semper nova admiratione. Primum verbum Orationis Domini, antequam imploratio sit, benedictio est adorationis. Etenim Dei gloriam Ei, tamquam « Patri », agnoscimus Deo vero. Ei gratias agimus propterea quod nobis Nomen Suum revelaverit atque nobis dederit hoc credere nosque Eius habitari praesentia.
§ 2782
Nós podemos adorar o Pai porque Ele nos fez renascer para a sua vida adoptando-nos por seus filhos no seu Filho Único: pelo Baptismo, incorpora-nos no corpo do seu Cristo; e pela Unção do seu Espírito, que da Cabeça se derrama pelos membros, faz de nós «cristos»:

«Deus, que nos predestinou para a adopção de filhos, tornou-nos conformes ao corpo glorioso de Cristo. Doravante, pois, participantes de Cristo, sois com todo o direito chamados "cristos"» (27).

«O homem novo, que renasceu e foi restituído ao seu Deus pela graça, começa por dizer, "Pai!", porque se tornou filho» (28).

Patrem possumus adorare, quia Ipse nos ad Eius vitam effecit renasci, nos adoptando tamquam Suos filios in unico Filio Suo: per Baptismum, Ipse nos in corpus Christi Sui incorporat, et, per Unctionem Sui Spiritus qui a Capite ad membra Se effundit, e nobis efficit « christos »:

« Qui enim praedestinavit nos Deus in adoptionem, conformes effecit corpori glorioso Christi. Participes igitur effecti Christi, "christi" non immerito appellamini ». 250

« Homo novus, renatus et Deo suo per Eius gratiam restitutus Pater primo in loco dicit, quia filius esse iam coepit ». 251

§ 2783
Deste modo, pela oração do Senhor, nós somos revelados a nós próprios, ao mesmo tempo que nos é revelado o Pai (29):

«Ó homem, tu não ousavas levantar o teu rosto para o céu, baixavas os teus olhos para a terra, e de repente recebeste a graça de Cristo: todos os pecados te foram perdoados, de mau servo tornaste-te bom filho [...]. Portanto, ergue os olhos para o Pai que te resgatou pelo seu Filho e diz: Pai nosso [...]. Mas não reivindiques para ti algo de especial. Só de Cristo é que Ele é Pai de modo especial, de todos nós é Pai em comum; porque só a Ele gerou, ao passo que a nós, criou-nos. Portanto, por graça, diz também tu "Pai nosso", para mereceres ser filho» (30).

Sic, per Orationem Domini, nobismetipsis revelamur simul ac Pater nobis revelatur: 252

« O homo, faciem tuam non audebas ad caelum adtollere, oculos tuos in terram dirigebas, et subito accepisti gratiam Christi, omnia tibi peccata dimissa sunt. Ex malo servo factus es bonus filius. [...] Ergo adtolle oculos ad Patrem, qui te per lavacrum genuit, ad Patrem, qui per Filium te redemit, et dic "Pater noster!" [...]. Sed noli tibi aliquid specialiter vindicare. Solius Christi specialis est Pater, nobis omnibus in commune est Pater, quia Illum solum genuit, nos creavit. Dic ego et tu per gratiam "Pater noster", ut filius esse merearis ». 253

§ 2784
Este dom gratuito da adopção exige da nossa parte uma conversão contínua e uma vida nova. Orar ao nosso Pai deve desenvolver em nós duas disposições fundamentais:O desejo e a vontade de nos parecermos com Ele. Criados à sua imagem, é pela graça que a semelhança nos é restituída e a ela devemos corresponder.

«Devemos lembrar-nos de que, quando chamamos a Deus «Pai nosso», temos de nos comportar como filhos de Deus» (31).
«Vós não podeis chamar vosso Pai ao Deus de toda a bondade se conservardes um coração cruel e desumano; porque, nesse caso, já não tendes a marca da bondade do Pai celeste» (32).
«Devemos contemplar incessantemente a beleza do Pai e impregnar dela a nossa alma» (33)

Hoc gratuitum adoptionis donum a nobis postulat conversionem continuam et vitam novam. Nostrum orare Patrem debet in nobis duas evolvere dispositiones fundamentales: desiderium et voluntatem se Ei similes esse. Ad Eius imaginem creati, per gratiam nobis redditur similitudo eidemque respondere debemus:

« Quando Patrem Deum dicimus quasi filii Dei agere debemus ». 254

« Non potest benignum Deum Patrem appellare quisquis est feroci immitique animo: neque enim servat illas benignitatis, quae in caelesti Patre est, tesseras ». 255

« Ad paternam omni tempore pulchritudinem spectandum esse, et iuxta illam, suam unumquemque animam exornare debere ». 256

§ 2785
Um coração humilde e confiante que nos faça «voltar ao estado de crianças» (Mt 18, 3): porque é aos «pequeninos» que o Pai Se revela (Mt 11, 25):

É um estado «que se forma contemplando a Deus somente, com o ardor da caridade. Nele, a alma funde-se e abisma-se em santa dilecção e trata com Deus como com o seu próprio Pai, muito familiarmente, numa ternura de piedade muito particular» (34).


«Pai nosso – que haverá de mais querido para os filhos do que o pai? – Este nome suscita em nós ao mesmo tempo o amor, o afecto na oração, [...] e também a esperança de obter o que vamos pedir [...]. De facto, que pode Ele recusar à súplica dos seus filhos, quando já previamente lhes permitiu que fossem filhos seus?» (35).

Cor humile et confidens quo convertamur et efficiamur « sicut parvuli » (Mt 18,3): quoniam Pater Se revelat « parvulis » (Mt 11,25):

Est status, « qui contemplatione Dei solius et caritatis ardore formatur, per quem mens in Illius dilectionem resoluta atque reiecta familiarissime Deo velut Patri proprio peculiari pietate conloquitur ». 257

« Pater noster. Quo nomine et caritas excitatur — quid enim carius filiis esse debet quam pater? — et supplex affectus [...] et quaedam impetrandi praesumptio, quae petituri sumus [...]. Quid enim iam non det filiis petentibus, cum hoc ipsum ante dederit, ut filii essent? ». 258

«PAI NOSSO, QUE ESTAIS NOS CÉUS»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

Pai «nosso»

§ 2786
Pai «nosso» refere-se a Deus. Pela nossa parte, o adjectivo «nosso» não exprime uma posse, mas sim uma relação totalmente nova com Deus.
Pater « noster » attinet ad Deum. Hoc adiectivum possessionem, e parte nostra, non exprimit, sed relationem ad Deum prorsus novam.
§ 2787
Quando dizemos Pai «nosso», reconhecemos, antes de mais nada, que todas as suas promessas de amor, anunciadas pelos profetas, se cumpriram na Nova e eterna Aliança no seu Cristo: nós tornámo-nos o «seu» povo e Ele é doravante o «nosso» Deus. Esta relação nova é uma pertença mútua, dada gratuitamente: é por amor e fidelidade (36) que temos de responder «à graça e à verdade» que nos foram dadas em Cristo Jesus (37).
Cum Pater « noster » dicimus, agnoscimus imprimis omnes Eius promissiones amoris, per Prophetas nuntiatas, Novo et aeterno Foedere in Christo Eius esse impletas: effecti sumus « Eius » populus et Ipse est exinde « noster » Deus. Haec nova relatio est mutua pertinentia gratuito donata: amore et fidelitate 259 oportet ut respondeamus « gratiae et veritati », quae nobis in Iesu Christo datae sunt. 260
§ 2788
Uma vez que a oração do Senhor é a do seu povo nos «últimos tempos», este «nosso» exprime também a certeza da nossa esperança na última promessa de Deus: na Jerusalém nova, Ele dirá ao vencedor: «Eu serei o seu Deus e ele será o meu Filho» (Ap 21, 7).
Quia Oratio Domini illa est populi Eius in « novissimis temporibus », hoc verbum « noster » exprimit etiam nostrae spei certitudinem in ultimam Promissionem Dei; Ipse in nova Ierusalem vincenti dicet: « Ero illi Deus, et ille erit mihi filius » (Apc 21,7).
§ 2789
Rezando ao «nosso» Pai, é ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nós nos dirigimos pessoalmente. Não dividimos a divindade, pois que o Pai é a sua «fonte e origem», mas confessamos desse modo que o Filho é por Ele gerado eternamente e que d'Ele procede o Espírito Santo. Também não confundimos as Pessoas, pois confessamos que a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo no seu único Espírito Santo. A Santíssima Trindade é consubstancial e indivisível. Quando rezamos ao Pai, adoramo-Lo e glorificamo-Lo com o Filho e o Espírito Santo.
Orantes Patrem « nostrum », nos personaliter vertimus ad Patrem Domini nostri Iesu Christi. Divinitatem non dividimus, quia Pater est eius « fons et origo », sed sic profitemur, aeterne ab Eo Filium generari et ex Eo Spiritum Sanctum procedere. Neque Personas confundimus, quia profitemur, nostram communionem cum Patre esse Eiusque Filio, Iesu Christo, in Eorum unico Spiritu Sancto. Sancta Trinitas consubstantialis est et indivisibilis. Cum Patrem oramus, Eum cum Filio et Spiritu Sancto adoramus et glorificamus.
§ 2790
Gramaticalmente, «nosso» qualifica uma realidade comum a vários. Há um só Deus, que é reconhecido como Pai por aqueles que, pela fé no seu Filho Único, renasceram d'Ele pela água e pelo Espírito (38). A Igreja é esta nova comunhão de Deus com os homens; unida ao Filho Único, que se tornou o «primogénito de muitos irmãos» (Rm 8, 29), ela está em comunhão com um só e mesmo Pai, num só e mesmo Espírito Santo (39). Ao rezar Pai «nosso», cada baptizado reza nesta comunhão: «A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma» (Act 4, 32).
Grammatice « noster » realitatem afficit pluribus communem. Unus est Deus et Ipse Pater ab illis agnoscitur, qui, per fidem in Eius Filium unicum, ab Eo renascuntur per aquam et Spiritum Sanctum. 261 Ecclesia est haec nova Dei et hominum communio: coniuncta Filio unico, qui effectus est « primogenitus in multis fratribus » (Rom 8,29), ipsa in communione est cum uno et Eodem Patre, in uno et Eodem Spiritu Sancto. 262 Patrem « nostrum » orans, unusquisque baptizatus in hac orat communione: « Multitudinis [...] credentium erat cor unum et anima una » (Act 4,32).
§ 2791
É por isso que, apesar das divisões dos cristãos, a oração ao «nosso» Pai continua a ser um bem comum e um apelo premente para todos os baptizados. Em comunhão pela fé em Cristo e pelo Baptismo, eles devem participar na oração de Jesus pela unidade dos seus discípulos (40).
Hac de causa, non obstantibus christianorum divisionibus, oratio ad Patrem « nostrum » permanet bonum commune et urgens pro omnibus baptizatis vocatio. Ipsi, in communione per fidem in Christum et per Baptismum, orationem Iesu pro Eius discipulorum unitate debent participare. 263
§ 2792
Por fim, se rezamos em verdade o «Pai-nosso», saímos do individualismo, pois o Amor que nós acolhemos dele nos liberta. O «nosso» do princípio da oração do Senhor, tal como o «nos» das quatro últimas petições, não é exclusivo de ninguém. Para que seja dito em verdade (41), as nossas divisões e oposições têm de ser superadas.
Denique, si vere orationem « Pater noster » precamur, ab individualismo eximus, quia amor, quem accepimus, nos liberat ex eodem. Verbum « noster », initio Orationis Domini, sicut verbum « nos » quattuor ultimarum petitionum, neminem excludit. Ut illud dicatur in veritate, 264 nostrae divisiones nostraeque oppositiones superandae sunt.
§ 2793
Os baptizados não podem dizer Pai «nosso», sem levar até junto d'Ele todos aqueles por quem Ele deu o seu Filho bem-amado. O amor de Deus é sem fronteiras; a nossa oração deve sê-lo também (42). Rezar Pai «nosso» abre-nos às dimensões do seu amor manifestado em Cristo: orar com e por todos os homens que ainda O não conhecem, para que sejam «reunidos na unidade» (43). Este cuidado divino por todos os homens e por toda a criação animou todos os grandes orantes; deve também dilatar a nossa oração num amor sem limites, quando ousamos dizer: Pai «nosso».
Baptizati nequeunt orare verba Pater « noster » quin apud Eum omnes illos afferant, pro quibus Ipse Suum dilectum tradidit Filium. Amor Dei finibus caret, nostra oratio etiam eis carere debet. 265 Patrem « nostrum » precari aperit nos ad dimensiones amoris Eius in Christo manifestati: orare cum omnibus hominibus et pro omnibus hominibus qui Eum adhuc ignorant, ut in unum congregentur. 266 Haec divina sollicitudo de omnibus hominibus totaque creatione omnes magnos animavit orantes: eadem nostram dilatare debet orationem in latitudinem amoris, cum audemus dicere Pater « noster ». IV. « Qui es in caelis »

«PAI NOSSO, QUE ESTAIS NOS CÉUS»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Que estais nos céus»

§ 2794
Esta expressão bíblica não significa um lugar («o espaço»), mas um modo de ser; não é o distanciamento de Deus, mas a sua majestade. O nosso Pai não está «algures», está «para além de tudo» o que podemos conceber da sua santidade. E é por ser três vezes santo que Ele está mesmo junto do coração humilde e contrito:

«É com razão que estas palavras: "Pai nosso que estais nos céus" se referem ao coração dos justos, nos quais Deus habita como em seu templo. Por isso, também aquele que ora há-de desejar ver morar em si Aquele a quem invoca» (44). «Os "céus" também poderiam muito bem ser aqueles que trazem em si a imagem do mundo celeste e em quem Deus mora e passeia» (45).

Haec biblica locutio non significat quemdam locum (« spatium »), sed modum essendi; non Dei longinquitatem, sed Eius maiestatem. Pater noster non est « alibi », Ipse est « ultra omnia » ea quae de Eius sanctitate possumus cogitare. Quia Ipse ter Sanctus est, cordi humili et contrito est prorsus proximus:

« Recte ergo intelligitur quod dictum est, Pater noster qui es in caelis, in cordibus iustorum esse dictum, tamquam in templo sancto Suo. Simul etiam ut qui orat, in se quoque ipso velit habitare quem invocat ». 267

« Caeli autem etiam essent ii qui caelestis imaginem ferunt, in quibus est Deus inhabitans et inambulans ». 268

§ 2795
O símbolo dos céus remete-nos para o mistério da Aliança que nós vivemos, quando rezamos ao Pai. Ele está nos céus: é a sua morada. A casa do Pai é, pois, a nossa «pátria». Foi da terra da Aliança que o pecado nos exilou (46), e é para o Pai, para o céu, que a conversão do coração nos faz voltar (47). Ora, foi em Cristo que o céu e a terra se reconciliaram (48), porque o Filho «desceu do céu», sozinho, e para lá nos faz subir juntamente consigo, pela sua cruz, ressurreição e ascensão (49).
Caelorum symbolum nos ad mysterium remittit Foederis, in quo vivimus, cum Patrem nostrum precamur. Ipse est in caelis, haec Eius est mansio, domus Patris est igitur nostra « patria ». A Foederis terra nos peccatum effecit exsules 269 et ad Patrem, ad caelum conversio cordis nos facit redire. 270 In Christo igitur caelum et terra reconciliantur, 271 quia Filius « descendit de caelis », solus, et Idem efficit ut nos cum Ipso in eos ascendamus, per Suam crucem, Suam Resurrectionem Suamque Ascensionem. 272
§ 2796
Quando a Igreja reza «Pai nosso que estais nos céus», professa que somos o povo de Deus já sentado nos céus em Cristo Jesus (50) escondidos com Cristo em Deus (51) e que, ao mesmo tempo, «gememos nesta tenda, ansiando por revestir-nos da nossa habitação celeste» (2 Cor 5, 2) (52):

Os cristãos «estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Passam a vida na terra, mas são cidadãos do céu» (53).

Cum Ecclesia « Pater noster qui es in caelis » precatur orationem, profitetur nos esse populum Dei iam in caelestibus in Christo Iesu consedentes, 273 absconditos cum Christo in Deo, 274 et qui simul « ingemiscimus, habitationem nostram, quae de caelo est, superindui cupientes » (2 Cor 5,2): 275

Christiani « in carne sunt, sed non secundum carnem vivunt. In terra degunt, sed in caelo civitatem suam habent ». 276

COMPÊNDIO

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

Resumindo

§ 2797
A confiança simples e fiel, a segurança humilde e alegre são as disposições que convêm a quem reza o Pai-Nosso.
Fiducia simplex et fidelis, securitas humilis et gaudiosa sunt dispositiones quae ei conveniunt qui orationem « Pater noster » precatur.
§ 2798
Podemos invocar Deus como «Pai», porque no-Lo revelou o Filho de Deus feito homem, em quem, pelo Baptismo, somos incorporados e adoptados como filhos de Deus.
Deum possumus tamquam « Patrem » invocare, quia Filius Dei, cui, per Baptismum, incorporati et in quo ut filii Dei sumus adoptati, nobis Eum revelavit.
§ 2799
A oração do Senhor põe-nos em comunhão com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. E, ao mesmo tempo, revela-nos a nós mesmos (54).
Oratio Domini efficit ut nos cum Patre Eiusque Filio Iesu Christo communicemus. Eadem simul nos nobismetipsis revelat. 277
§ 2800
Rezar ao nosso Pai deve fazer crescer em nós a vontade de nos parecermos com Ele e criar em nós um coração humilde e confiante.
Patrem nostrum orare debet voluntatem nos Ei similes fieri in nobis excolere, sicut etiam cor humile et confidens.
§ 2801
Ao dizermos Pai «nosso», invocamos a Nova Aliança em Jesus Cristo, a comunhão com a Santíssima Trindade e a caridade divina que, através da Igreja, se estende às dimensões do mundo.
Pater « noster » dicentes, Novum invocamus in Iesu Christo Foedus, communionem cum Sancta Trinitate et caritatem divinam quae per Ecclesiam ad mundi extenditur dimensiones.
§ 2802
A expressão «que estais nos céus» não designa um lugar, mas sim a majestade de Deus e a sua presença no coração dos justos. O céu, a Casa do Pai, constitui a verdadeira pátria, para onde caminhamos e à qual desde já pertencemos.
« Qui es in caelis » quemdam locum non denotat, sed maiestatem Dei et Eius in iustorum corde praesentiam. Caelum, Patris mansio, veram constituit patriam ad quam tendimus et ad quam iam pertinemus. (244) Sanctus Petrus Chrysologus, Sermo 71, 3: CCL 24A, 425 (PL 52, 401).(245) Eph 3,12; Heb 3,6; 4,16; 10,19; 1 Io 2,28; 3,21; 5,14. (246) Tertullianus, De oratione, 3, 1: CCL 1, 258-259 (PL 1, 1257).(247) Cf Io 1,1.(248) Cf 1 Io 5,1.(249) Cf 1 Io 1,3.(250) Sanctus Cyrillus Hierosolymitanus, Catecheses mystagogicae, 3, 1: SC 126, 120 (PG 33, 1088). (251) Sanctus Cyprianus Carthaginiensis, De dominica Oratione, 9: CCL 3A, 94 (PL 4, 541). (252) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. (253) Sanctus Ambrosius, De sacramentis, 5, 19: CSEL 73, 66 (PL 16, 450).(254) Sanctus Cyprianus Carthaginiensis, De dominica Oratione, 11: CCL 3A, 96 (PL 4, 543). (255) Sanctus Ioannes Chrysostomus, De angusta porta et in Orationem dominicam, 3: PG 51, 44. (256) Sanctus Gregorius Nyssenus, Homiliae in Orationem dominicam, 2: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger-H. Langerbeck, v. 72 (Leiden 1992) p. 30 (PG 44, 1148). (257) Sanctus Ioannes Cassianus, Conlatio 9, 18, 1: CSEL 13, 265-266 (PL 49, 788). (258) Sanctus Augustinus, De sermone Domini in monte, 2, 4, 16: CCL 35, 106 (PL 34, 1276). (259) Cf Os 2,21-22; 6,1-6. (260) Cf Io 1,17. (261) Cf 1 Io 5,1; Io 3,5. (262) Cf Eph 4,4-6. (263) Cf Concilium Vaticanum II, Decr. Unitatis redintegratio, 8: AAS 57 (1965) 98; Ibid., 22: AAS 57 (1965) 105-106. (264) Cf Mt 5,23-24; 6,14-15. (265) Cf Concilium Vaticanum II, Decl. Nostra aetate, 5: AAS 58 (1966) 743-744.(266) Cf Io 11,52.(267) Sanctus Augustinus, De sermone Domini in monte, 2, 5, 18: CCL 35, 108-109 (PL 34, 1277). (268) Sanctus Cyrillus Hierosolymitanus, Catecheses mystagogicae, 5, 11: SC 126, 160 (PG 33, 1117). (269) Cf Gn 3. (270) Cf Ier 3,19–4,1a; Lc 15,18.21. (271) Cf Is 45,8; Ps 85,12. (272) Cf Io 12,32; 14,2-3; 16,28; 20,17; Eph 4,9-10; Heb 1,3; 2,13.(273) Cf Eph 2,6.(274) Cf Col 3,3.(275) Cf Phil 3,20; Heb 13,14. (276) Epistula ad Diognetum, 5, 8-9: SC 33, 62-64 (Funk 1,398).(277) Cf Concilium Vaticanum II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.

AS SETE PETIÇÕES

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

§ 2803
Depois de nos termos posto na presença de Deus nosso Pai para O adorarmos, amarmos e bendizermos, o Espírito filial faz brotar dos nossos corações sete petições, que são sete bênçãos. As três primeiras, mais teologais, atraem-nos para a glória do Pai; as quatro últimas, como caminhos para Ele, expõem a nossa miséria à sua graça. «Abismo atrai abismo» (Sl 42, 8).
Postquam ante Deum Patrem nostrum venimus ad Eum adorandum, Eum amandum Eique benedicendum, Spiritus filialis efficit ut e nostris cordibus septem petitiones, septem benedictiones, ascendant. Tres primae, quae magis sunt theologales, nos in gloriam attrahunt Patris, quattuor postremae, tamquam viae ad Eum, Eius gratiae nostram offerunt miseriam. « Abyssus abyssum invocat » (Ps 42,8).
§ 2804
O primeiro conjunto leva-nos até Ele, para Ele: o vosso nome, o vosso Reino, a vossa vontade! É próprio do amor pensar, em primeiro lugar, n' Aquele que amamos. Em cada um dos três pedidos, nós não «nos» nomeamos, mas o que nos move é o «desejo ardente», é mesmo «a ânsia» do Filho bem-amado pela glória de seu Pai (55): «Santificado seja [...]. Venha [...]. Seja feita...». Estas três súplicas já foram atendidas no sacrifício de Cristo salvador, mas agora estão orientadas, na esperança, para o seu cumprimento final, enquanto Deus ainda não é tudo em todos (56).
Primus motus ad Eum, pro Eo, nos fert: Nomen Tuum, Regnum Tuum, voluntas Tua! Proprium est amoris imprimis cogitare de Eo quem amamus. In unaquaque ex his tribus petitionibus « nos » non nominamus, sed « desiderium ardens », « anxietas » ipsa, Filii dilecti pro Eius Patris gloria nos prehendit. 278 « Sanctificetur [...]. Adveniat [...]. Fiat... »: hae tres supplicationes in sacrificio Christi Salvatoris sunt iam exauditae, sed eadem exinde in suam finalem impletionem vertuntur in spe, dum Deus nondum est omnia in omnibus. 279
§ 2805
O segundo conjunto de petições segue a dinâmica de certas epicleses eucarísticas: é oferenda das nossas expectativas e atrai o olhar do Pai das misericórdias. Parte de nós e diz-nos respeito já agora, neste mundo: «Dai-nos [...], perdoai-nos [...], não nos deixeis [...], livrai-nos...». A quarta e quinta petições dizem respeito à nossa vida, como tal, quer para a alimentar, quer para a curar do pecado. As duas últimas dizem respeito ao nosso combate pela vitória da vida, que é o próprio combate da oração.
Secunda petitionum congeries in motu evolvitur quarumdam Epiclesium eucharisticarum: nostrarum exspectationum est oblatio et Patris misericordiarum attrahit intuitum. A nobis ascendit et iam nunc, in hoc mundo, attinet ad nos: « Da nobis [...]; dimitte nobis [...]; ne nos inducas [...]; libera nos... ». Petitiones quarta et quinta ad nostram attinent vitam, qua talem, sive ad illam nutriendam, sive ad illam a peccato sanandam; duae postremae ad nostram attinent colluctationem pro vitae victoria, ad ipsam orationis colluctationem.
§ 2806
Pelas três primeiras petições, somos confirmados na fé, repletos de esperança e abrasados pela caridade. Criaturas e, para além disso, pecadores, devemos pedir por nós – um «nós» à medida do mundo e da história – que entregamos ao amor sem medida do nosso Deus. Pois é pelo nome do seu Cristo e pelo Reino do seu Espírito Santo que o nosso Pai realiza o seu desígnio de salvação para nós e para todo o mundo.
Tribus primis petitionibus in fide confirmamur, spe implemur et caritate inflammamur. Creaturae et adhuc peccatores, petere debemus pro nobis, hoc « nobis » vocabulo ad mensuram mundi et historiae, quos immenso nostri Dei amori offerimus. Nam Pater noster, per Nomen Christi Sui et Regnum Sui Spiritus Sancti Suum salutis adimplet consilium pro nobis et pro universo mundo. I. « Sanctificetur Nomen Tuum »

AS SETE PETIÇÕES

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Santificado seja o vosso nome»

§ 2807
A palavra «santificar» deve ser entendida, aqui, antes de mais, não no seu sentido causativo (só Deus santifica, torna santo), mas sobretudo num sentido estimativo: reconhecer como santo, tratar de um modo santo. É assim que, na adoração, esta invocação é por vezes entendida como louvor e acção de graças (57). Mas esta petição é-nos ensinada por Jesus na forma optativa: um pedido, um desejo, e expectativa na qual Deus e o homem estão empenhados. Desde a primeira petição ao nosso Pai, mergulhamos no mistério íntimo da sua divindade e no drama da salvação da nossa humanidade. Pedir-Lhe que o seu nome seja santificado é envolvermo-nos «no desígnio benevolente que Ele de antemão formou a nosso respeito» (Ef 1, 9), para que «sejamos santos e imaculados diante d'Ele, no amor» (Ef 1, 4).
Verbum « sanctificare » debet hic intelligi, non imprimis suo sensu causativo (solus Deus sanctificat, sanctum efficit), sed praecipue sensu aestimativo: tamquam sanctum agnoscere, sancte tractare. Sic in adoratione, haec invocatio quandoque tamquam laus intelligitur et gratiarum actio. 280 Sed Iesus nos hanc docuit petitionem tamquam optativam formam: petitionem, desiderium et exspectationem in qua Deus et homo innectuntur. Inde a prima petitione orationis in intimum Eius divinitatis immergimur mysterium et in drama salutis humanitatis nostrae. Petere ut Nomen Eius sanctificetur nos implicat in « beneplacitum Eius quod proposuit » (Eph 1,9), « ut essemus sancti et immaculati in conspectu Eius in caritate » (Eph 1,4).
§ 2808
Nos momentos decisivos da sua economia, Deus revela o seu nome; mas revela-o realizando a sua obra. Ora esta obra só se realiza, para nós e em nós, se o seu nome for santificado por nós e em nós.
Deus, in definitivis Suae Oeconomiae momentis, Nomen revelat Suum, sed id revelat Suum adimplens opus. Hoc vero opus in rem pro nobis et in nobis non efficitur, nisi Eius Nomen a nobis et in nobis sanctificetur.
§ 2809
A santidade de Deus é o foco inacessível do seu mistério eterno. Ao que dela se manifestou na criação e na história, a Escritura chama Glória, a irradiação da sua majestade (58). Ao fazer o homem «à sua imagem e semelhança» (Gn 1, 26), Deus «coroa-o de glória» (59), mas, ao pecar, o homem é «privado da glória de Deus» (60). Desde então, Deus vai manifestar a sua santidade revelando e dando o seu nome, para restaurar o homem «à imagem do seu Criador» (Cl 3, 10).
Sanctitas Dei centrum est inaccessibile Eius mysterii aeterni. Scriptura quod de Eo in creatione manifestatur et in historia, gloriam appellat, Eius maiestatis splendorem. 281 Deus, hominem « ad imaginem et similitudinem » (Gn 1,26) faciens Suam, eum gloria coronavit, 282 sed homo peccans « eget gloria Dei ». 283 Exinde Deus Suam ostendet sanctitatem, homini Suum revelans ac donans Nomen, ut eum restauret « secundum imaginem Eius, qui creavit eum » (Col 3,10).
§ 2810
Na promessa feita a Abraão e no juramento que a acompanha (61), Deus compromete-Se a Si mesmo, mas sem revelar o seu nome. É a Moisés que começa a revelá-Lo (62), e manifesta-O aos olhos de todo o povo salvando-o dos Egípcios: «revestiu-Se de glória» (Ex 15, 1). A partir da Aliança do Sinai, este povo é «seu» e deve ser uma «nação santa» (ou consagrada; em hebreu é a mesma palavra) (63), porque o nome de Deus habita nela.
In Promissione Abrahae facta et in iureiurando, quod eam comitatur, 284 Deus Se obligat quin Nomen detegat Suum. Ipse id Moysi revelare incipit 285 idque oculis manifestat totius populi, eum ab Aegyptiis salvans: « Gloriose [...] magnificatus est » (Ex 15,1). Post Sinai Foedus, hic populus est « Eius » et debet esse « gens sancta » (seu consecrata, quod Hebraice idem est verbum) 286 quia Nomen Dei in eo habitat.
§ 2811
Ora, apesar da Lei santa que o Deus santo lhe deu e tornou a dar (64), e muito embora o Senhor, «por respeito pelo seu nome», usasse de paciência, o povo desviou-se do Santo de Israel e «profanou o seu nome entre as nações» (65). Por isso, os justos da Antiga Aliança, os pobres retornados do exílio e os profetas arderam de paixão pelo Nome.
Populus tamen, non obstante Lege sancta quam Deus Sanctus 287 semel ei donat atque iterum, et licet Dominus « propter Nomen sanctum Suum » patienter agat, se avertit a Sancto Israel et « polluit Nomen sanctum Eius in gentibus ». 288 Propterea iusti Veteris Foederis, pauperes, qui redierunt ab exilio, et Prophetae Eius Nominis ardebant passione.
§ 2812
Finalmente, é em Jesus que o nome do Deus santo nos é revelado e dado, na carne, como salvador (66): revelado pelo que Ele é, pela sua Palavra e pelo seu sacrifício (67). É o coração da sua oração sacerdotal: «Pai santo, [...] por eles Eu me consagro para que também eles sejam consagrados na verdade» (Jo 17, 19). Porque Ele próprio «santifica» o seu nome (68), é que Jesus nos «manifesta» o nome do Pai (69). No termo da sua Páscoa é que o Pai Lhe dá então o nome que está acima de todo o nome: Jesus é Senhor para glória de Deus Pai (70).
In Iesu denique Nomen Dei Sancti nobis revelatum est et datum, in carne, tamquam Salvator: 289 revelatum ab eo quod Ipse Est, ab Eius verbo ab Eiusque sacrificio. 290 Hoc Eius orationis sacerdotalis est cor: Pater Sancte, « pro eis ego sanctifico meipsum, ut sint et ipsi sanctificati in veritate » (Io 17,19). Iesus, quia Nomen Suum Ipse « sanctificat », 291 nobis Nomen Patris « manifestat ». 292 Ad Eius Paschatis finem, Pater Ei Nomen, quod est super omne nomen, tunc donat: Iesus est Dominus in gloriam Dei Patris. 293
§ 2813
Na água do Baptismo, nós fomos «purificados, santificados, justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus» (1 Cor 6, 11). Em toda a nossa vida, o nosso Pai chama-nos «à santidade» (1 Ts 4, 7) e, uma vez que é por Ele que nós estamos em Cristo Jesus, «o qual Se tornou para nós [...] santidade» (1 Cor 1, 30), interessa à sua glória e à nossa vida que o seu nome seja santificado em nós e por nós. Tal é a urgência da nossa primeira petição.

«Por quem poderia Deus ser santificado se é Ele próprio quem santifica? Mas porque Ele mesmo disse: "sede santos, porque Eu sou santo" (Lv 14, 44), nós que fomos santificados no Baptismo, pedimos e rogamos para perseverar no que começámos a ser. E isso nós o pedimos todos os dias. Precisamos de uma santificação quotidiana para que, incorrendo em faltas todos os dias, todos os dias sejamos delas purificados por uma santificação assídua [...] Portanto, oramos para que esta santificação permaneça em nós» (71).

In Baptismatis aqua, fuimus « abluti [...], sanctificati [...], iustificati [...] in nomine Domini Iesu Christi et in Spiritu Dei nostri » (1 Cor 6,11). Per totam nostram vitam, Pater noster nos vocat « in sanctificationem » (1 Thess 4,7), et quia ex Ipso sumus in Christo Iesu, « qui factus est [...] nobis [...] sanctificatio » (1 Cor 1,30), de Eius gloria agitur et de nostra vita in eo quod Eius Nomen sanctificetur in nobis et a nobis. Sic urget nostra prima petitio.

« Ceterum a quo Deus sanctificatur qui Ipse sanctificat? Sed quia Ipse dixit: "Sancti estote, quoniam et ego sanctus sum" (Lv 11,44), id petimus et rogamus, ut qui in Baptismo sanctificati sumus, in eo quod esse coepimus perseveremus. Et hoc cotidie deprecamur. Opus est enim nobis cotidiana sanctificatio, ut qui cotidie delinquimus delicta nostra sanctificatione adsidua repurgemus. [...] Haec sanctificatio ut in nobis permaneat oramus ». 294

§ 2814
Depende inseparavelmente da nossa vida e da nossa oração que o seu nome seja santificado entre as nações:

«Pedimos a Deus que o seu nome seja santificado, porque é pela santidade que Ele salva e santifica toda a criação. [...] Este é o nome que dá a salvação ao mundo perdido. Mas nós pedimos que este nome de Deus seja santificado em nós pela nossa actuação. Porque se nós agirmos bem, o nome de Deus é bendito; mas é blasfemado se agirmos mal. Escuta o que diz o Apóstolo: "O nome de Deus é blasfemado entre as nações, por causa de vós" (Rm 2, 24) 72. Nós, portanto, pedimos para merecermos ter nos nossos costumes tanta santidade, quanto é santo o nome de Deus» (73).

«Quando dizemos: "Santificado seja o vosso nome", pedimos que ele seja santificado em nós que estamos n'Ele, mas também nos outros, por quem a graça de Deus ainda está à espera, para nos conformarmos com o preceito que nos obriga a orar por todos, mesmo pelos nossos inimigos. É por isso que nós não dizemos expressamente: santificado seja o vosso nome "em nós", porque pedimos que o seja em todos os homens» (74).

A nostra vita et a nostra oratione inseparabiliter pendet ut Eius Nomen inter nationes sanctificetur:

« Nos petimus, ut sanctificet Nomen Suum Deus, quod sanctitate Sua totam salvat et sanctificat creaturam. [...] Hoc Nomen est quod mundo perdito dat salutem. Sed petimus ut Nomen Dei actu nostro sanctificetur in nobis. Nobis enim bene agentibus benedicitur Nomen Dei, male agentibus blasphematur. Audi Apostolum dicentem: "Nomen Dei per vos blasphematur in gentibus" (Rom 2,24). 295 Petimus ergo, petimus ut quantum Nomen Dei sanctum est, tantum nos Eius mereamur in nostris moribus sanctitatem ». 296

« Cum dicimus: "Sanctificetur Nomen Tuum", id petimus, ut sanctificetur in nobis, qui in Illo sumus, simul et in ceteris, quos adhuc gratia Dei expectat, ut et huic praecepto pareamus orando pro omnibus, etiam pro inimicis nostris. Ideoque suspensa enuntiatione non dicentes: sanctificetur in nobis, in omnibus dicimus ». 297

§ 2815
Esta petição, que as inclui todas, é atendida pela oração de Cristo, como as restantes seis petições que se seguem. A oração que fazemos ao nosso Pai é nossa, se for rezada «em nome» de Jesus (75). Na sua oração sacerdotal, Jesus pede: «Pai santo, guarda em teu nome aqueles que Me deste» (Jo 17, 11).
Haec petitio, quae omnes continet, Christi oratione exauditur, sicut sex reliquae petitiones quae sequuntur. Oratio ad Patrem nostrum nostra est oratio, si in nomine Iesu oratur. 298 Iesus in Sua oratione sacerdotali petit: « Pater Sancte, serva eos in Nomine Tuo, quod dedisti mihi » (Io 17,11). II. « Adveniat Regnum Tuum »

AS SETE PETIÇÕES

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Venha a nós o vosso Reino»

§ 2816
No Novo Testamento, a mesma palavra « basileia» pode traduzir-se por realeza (nome abstracto), reino (nome concreto) ou reinado (nome de acção). O Reino de Deus está diante de nós. Aproximou-se no Verbo encarnado, foi anunciado através de todo o Evangelho, veio na morte e ressurreição de Cristo. O Reino de Deus vem desde a santa ceia e, na Eucaristia, está no meio de nós. O Reino virá na glória, quando Cristo o entregar a seu Pai:

«É mesmo possível [...] que o Reino de Deus signifique o próprio Cristo, a Quem todos os dias desejamos que venha e cuja Vinda queremos que aconteça depressa. Do mesmo modo que Ele é a nossa ressurreição, pois n'Ele ressuscitamos, assim também pode ser Ele próprio o Reino de Deus, porque n'Ele reinaremos» (76).

In Novo Testamento, idem verbum basileia verti potest ut « regalitas » (nomen abstractum), « regnum » (nomen concretum) vel « regnatio » (nomen actionis). Regnum Dei nobis est prius. In Verbo incarnato appropinquavit, per totum Evangelium est annuntiatum, in morte et resurrectione Christi advenit. Regnum Dei venit inde a Sancta Coena et in Eucharistia, idem est in medio nostri. Regnum veniet in gloria, cum Christus illud Patri reddet Suo:

« Potest vero [...] et Ipse Christus esse Regnum Dei quem venire cotidie cupimus, cuius Adventus ut cito nobis repraesentetur optamus. Nam cum Resurrectio Ipse sit, quia in Illo resurgimus, sic et Regnum Dei potest Ipse intellegi, quia in Illo regnaturi sumus ». 299

§ 2817
Esta petição é o «Marana Tha», o clamor do Espírito e da esposa: «Vem, Senhor Jesus!»:

«Mesmo que esta oração não nos tivesse imposto o dever de pedir a vinda deste Reino, teríamos espontaneamente soltado este grito, com pressa de irmos abraçar o objecto das nossas esperanças. As almas dos mártires, sob o altar de Deus, invocam o Senhor com grandes gritos: "Até quando, Senhor, até quando tardarás em pedir contas do nosso sangue aos habitantes da terra?" (Ap 6, 10). Eles devem, com efeito, alcançar justiça, no fim dos tempos. Apressa, portanto, Senhor, a vinda do Teu Reino!» (77).

Haec petitio illud est « Marana tha », clamor Spiritus et Sponsae: « Veni, Domine Iesu »:

« Etiam si praefinitum in oratione non esset de postulando Regni Adventu, ultro eam vocem protulissemus festinantes ad spei nostrae complexum. Clamant ad Dominum invidia animae martyrum sub altari: "Quonam usque non ulcisceris, Domine, sanguinem nostrum de incolis terrae?" (Apc 6,10). Nam utique ultio illorum a saeculi fine dirigitur. Immo quam celeriter veniat, Domine, Regnum Tuum ». 300

§ 2818
Na oração do Senhor, trata-se principalmente da vinda final do Reino de Deus pelo regresso de Cristo (78). Mas este desejo não distrai a Igreja da sua missão neste mundo, antes a empenha nela. Porque, desde o Pentecostes, a vinda do Reino é obra do Espírito do Senhor, «para continuar a sua obra no mundo e consumar toda a santificação» (79).
In Oratione Domini praecipue agitur de finali Adventu Regni Dei per Christi reditum. 301 Sed hoc desiderium Ecclesiam ab eius in hoc mundo non avertit missione, eam potius ad illam obligat. Etenim inde a Pentecoste, Adventus Regni est opus Spiritus Domini, « qui, opus Suum in mundo perficiens, omnem sanctificationem » complet. 302
§ 2819
«O Reino de Deus [...] é justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rm 14, 17). Os últimos tempos em que nos encontramos são os da efusão do Espírito Santo. Trava-se desde então um combate decisivo entre «a carne» e o Espírito (80):

«Só um coração puro pode dizer com confiança: "Venha a nós o vosso Reino". É preciso ter passado pela escola de Paulo para dizer: "Que o pecado deixe de reinar no vosso corpo mortal" (Rm 6, 12). Quem se conserva puro nos seus actos, pensamentos e palavras é que pode dizer a Deus: "Venha a nós o vosso Reino!"» (81).

« Regnum Dei [...] [est] iustitia et pax et gaudium in Spiritu Sancto » (Rom 14,17). Tempora novissima, in quibus sumus, illa sunt effusionis Spiritus Sancti. Exinde dimicatio inter « carnem » et Spiritum committitur definitiva: 303

« Mundae animae est dicere cum fiducia: "Veniat Regnum Tuum". Qui enim audiverit Paulum dicentem: "Non igitur regnet peccatum in mortali vestro corpore" (Rom 6,12); et seipsum opere, cogitatione ac sermone purum praestiterit; is Deo dicturus est: "Veniat Regnum Tuum" ». 304

§ 2820
Discernindo segundo o Espírito, os cristãos devem distinguir entre o crescimento do Reino de Deus e o progresso da cultura e da sociedade em que estão inseridos. Esta distinção não é uma separação. A vocação do homem para a vida eterna não suprime, antes reforça, o seu dever de aplicar as energias e os meios recebidos do Criador no serviço da justiça e da paz neste mundo (82).
In discretione secundum Spiritum, christiani distinguere debent inter Regni Dei incrementum et culturae et societatis progressum in quibus inseruntur. Haec distinctio separatio non est. Hominis ad vitam aeternam vocatio non supprimit, sed roborat eius officium suas vires in praxim ducendi atque media quae a Creatore recepit ad in mundo serviendum iustitiae et paci. 305
§ 2821
Esta petição é feita e atendida na oração de Jesus (83), presente e eficaz na Eucaristia; ela produz o seu fruto na vida nova segundo as bem-aventuranças (84).
Haec petitio sustinetur ab oratione Iesu et exauditur in ea, 306 quae praesens est et efficax in Eucharistia; suum fructum fert in nova vita secundum beatitudines. 307 III. « Fiat voluntas Tua, sicut in caelo, et in terra »

AS SETE PETIÇÕES

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu»

§ 2822
É vontade do nosso Pai «que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 3-4). Ele «usa de paciência [...], não querendo que ninguém se perca» (2 Pe 3, 9) (85). O seu mandamento, que resume todos os outros e nos diz toda a sua vontade, é que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou (86).
Patris nostri voluntas est « omnes homines [...] salvos fieri et ad agnitionem veritatis venire » (1 Tim 2,4). Ipse « patienter agit [...], nolens aliquos perire » (2 Pe 3,9). 308 Eius praeceptum, quod cetera omnia compendiat, et quod nobis totam Eius exprimit voluntatem, est ut diligamus invicem, sicut Ipse dilexit nos. 309
§ 2823
Ele «manifestou-nos o mistério da sua vontade, segundo o bene­plácito que nele de antemão estabeleceu [...]: instaurar todas as coisas em Cristo [...]. Foi n'Ele também que fomos escolhidos como sua herança, predestinados de acordo com o desígnio daquele que tudo opera de acordo com a decisão da sua vontade» (Ef 1, 9-11). Nós pedimos com empenho que este plano benevolente se realize por completo na terra, como já se cumpre no céu.
Ipse « notum [...] [fecit] nobis mysterium voluntatis Suae, secundum beneplacitum Eius, quod proposuit in eo, [...] recapitulare omnia in Christo [...]; in quo etiam sorte vocati sumus, praedestinati secundum propositum Eius, qui omnia operatur secundum consilium voluntatis Suae » (Eph 1,9-11). Instanter petimus ut hoc benevolens consilium in terra plene adimpleatur sicut iam factum est in caelo.
§ 2824
Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente e duma vez para sempre. Ao entrar neste mundo, Jesus disse: «Eu venho, [...] ó Deus, para fazer a tua vontade» (Heb 10, 7) (87). Só Jesus pode dizer: «Faço sempre o que é do seu agrado» (Jo 8, 29). Na oração da sua agonia, Ele conforma-Se totalmente com esta vontade: «Não se faça a minha vontade, mas a tua» (Lc 22, 42) (88). Eis por que Jesus «Se entregou pelos nossos pecados [...] consoante a vontade de Deus» (Gl 1, 4). «Em virtude dessa mesma vontade é que nós fomos santificados, pela oferenda do corpo de Jesus Cristo » (Heb 10, 10).
Voluntas Patris, in Christo, et per Huius humanam voluntatem, perfecte et semel pro semper adimpleta est. Iesus, hunc ingrediens mundum, dixit: « Ecce venio, [...] ut faciam, Deus, voluntatem Tuam » (Heb 10,7). 310 Solus Iesus dicere potest: « Ego, quae placita sunt Ei, facio semper » (Io 8,29). In Suae agoniae oratione, prorsus huic consentit voluntati: « Non mea voluntas, sed Tua fiat » (Lc 22,42). 311 Ecce cur Iesus « dedit Semetipsum pro peccatis nostris [...] secundum voluntatem Dei » (Gal 1,4). « In qua voluntate sanctificati sumus per oblationem corporis Christi Iesu » (Heb 10,10).
§ 2825
Jesus, «apesar de ser Filho, aprendeu, por aquilo que sofreu, o que é obedecer» (Heb 5, 8). Com quanto mais razão nós, criaturas e pecadores, que n'Ele nos tornamos filhos de adopção! Nós pedimos ao nosso Pai que una a nossa vontade à do seu Filho, para que se cumpra a vontade d'Ele, o seu plano de salvação para a vida do mundo. Somos radicalmente impotentes para tal, mas unidos a Jesus e com o poder do seu Espírito Santo, podemos entregar-Lhe a nossa vontade e decidir escolher o que o seu Filho sempre escolheu: fazer o que é do agrado do Pai (89):

«Aderindo a Cristo, podemos tornar-nos um só espírito com Ele e assim cumprir a sua vontade; desse modo, ela será feita na terra como no céu» (90). «Considerai como Jesus Cristo nos ensina a ser humildes, fazendo-nos ver que a nossa virtude não depende só do nosso trabalho, mas da graça de Deus. Aqui, Ele ordena a todo o fiel que ora a fazê-lo de modo universal, por toda a terra. Porque não diz "seja feita a vossa vontade" em mim ou em vós, mas "em toda a terra": para que dela seja banido o erro e nela reine a verdade, o vício seja destruído e a virtude refloresça, e para que a terra deixe de ser diferente do céu» (91).

Iesus, « cum esset Filius, didicit ex his, quae passus est, oboedientiam » (Heb 5,8). Quanto maiore ratione, nos, creaturae et peccatores, in Eo filii adoptionis effecti. A nostro petimus Patre, nostram voluntatem cum illa Filii Eius coniungere ad Eius adimplendam voluntatem, Eius consilium salutis pro mundi vita. Ad id radicaliter sumus impotentes, sed Iesu coniuncti et cum Eius Spiritus Sancti potentia possumus Ei nostram tradere voluntatem et statuere illud eligere quod Eius Filius semper elegit: id facere quod Patri placet: 312

« Possumus [...] Ei adhaerendo unus cum Ipso spiritus fieri, et ita Eius capere voluntatem ut, quomodo perfecta est in caelo, sic perficiatur et in terra ». 313

« Viden quomodo [Iesus Christus] modeste agere doceat, ostendens virtutem non ex nostro studio tantum, sed etiam ex superna gratia pendere? Itemque totius orbis sollicitudinem, nos qui oramus singulos gerere praecipit. Neque enim dixit, "Fiat voluntas Tua" in me, aut in vobis; sed, ubique terrarum, ut error avellatur et veritas inseratur, omnisque nequitia eliminetur, virtus revertatur, atque in ea colenda nihil deinceps differat caelum a terra ». 314

§ 2826
É pela oração que podemos discernir qual é a vontade de Deus (92) e obter perseverança para a cumprir (93). Jesus ensina-nos que se entra no Reino dos céus, não por palavras, mas «fazendo a vontade do meu Pai que está nos céus» (Mt 7, 21).
In oratione discernere possumus quid sit voluntas Dei 315 et obtinere patientiam ad eam implendam. 316 Iesus nos docet in caelorum Regnum ingredi non verbis, sed faciendo « voluntatem Patris mei, qui in caelis est » (Mt 7,21).
§ 2827
«Se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende» (Jo 9, 31) (94). Tal é o poder da oração da Igreja feita em nome do seu Senhor, sobretudo na Eucaristia; ela é comunhão de intercessão com a santíssima Mãe de Deus (95) e com todos os santos que foram «agradáveis» ao Senhor por não terem querido senão a sua vontade:

«Podemos ainda, sem trair a verdade, traduzir estas palavras: "seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu" por estoutras: na Igreja como em nosso Senhor Jesus Cristo; na esposa que Lhe foi desposada, como no esposo que cumpriu a vontade do Pai» (96).

« Si quis Dei [...] voluntatem [...] facit, hunc exaudit » (Io 9,31). 317 Tanta est orationis Ecclesiae potentia in nomine Eius Domini, praesertim in Eucharistia; eadem est intercessionis communio cum sanctissima Matre Dei 318 et cum omnibus sanctis qui Domino fuerunt « grati » quia nihil nisi Eius voluerunt voluntatem:

« Nec illud a veritate abhorret, ut accipiamus, "Fiat voluntas Tua sicut in caelo et in terra", sicut in Ipso Domino nostro Iesu Christo, ita et in Ecclesia: tanquam in viro qui Patris voluntatem implevit, ita et in femina quae illi desponsata est ». 319

AS SETE PETIÇÕES

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«O pão nosso de cada dia nos dai hoje»

§ 2828
«Dai-nos»: como é bela a confiança dos filhos, que tudo esperam do Pai! «Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e chover sobre justos e injustos» (Mt 5, 45); dá a todos os seres vivos «de comer a seu tempo» (Sl 104, 27). É Jesus quem nos ensina esta petição que, de facto, glorifica o nosso Pai porque é o reconhecimento de quanto Ele é bom, acima de toda a bondade.
« Da nobis »: pulchra haec est fiducia filiorum qui omnia a suo exspectant Patre: « Solem Suum oriri facit super malos et bonos et pluit super iustos et iniustos » (Mt 5,45) et omnibus viventibus dat « escam in tempore suo » (Ps 104,27). Iesus nos hanc docet petitionem: eadem revera nostrum glorificat Patrem, quia agnoscit quantopere Ille, ultra omnem bonitatem, sit bonus.
§ 2829
«Dai-nos» é também expressão da Aliança: nós somos d'Ele e Ele é nosso, é para nós. Mas este «nós» reconhece-O também como Pai de todos os homens, e nós pedimos-Lhe por todos, solidários com as suas necessidades e os seus sofrimentos.
« Da nobis » est etiam Foederis expressio: Eius sumus et Ipse est noster, pro nobis. Sed hoc verbum « nos » Eum etiam tamquam Patrem agnoscit omnium hominum et Eum pro eis omnibus precamur, in solidarietate cum eorum necessitatibus eorumque doloribus.
§ 2830
«O pão nosso». O Pai que nos dá a vida não pode deixar de nos dar o alimento necessário para a vida e todos os bens «convenientes», materiais e espirituais. No sermão da montanha, Jesus insiste nesta confiança filial que coopera com a providência do nosso Pai (97). Não nos incita a qualquer espécie de passividade (98), mas quer libertar-nos de toda a inquietação ansiosa e de qualquer preocupação. Assim é o abandono filial dos filhos de Deus:

«Àqueles que procuram o Reino e a justiça de Deus, Ele promete dar tudo por acréscimo. Com efeito, tudo pertence a Deus: nada faltará àquele que possui a Deus se ele próprio não faltar a Deus»(99).

« Panem nostrum ». Pater, qui nobis dat vitam, nequit nobis nutrimentum ad vitam non dare necessarium, omnia bona « convenientia », materialia et spiritualia. In sermone montano, Iesus hanc filialem urget fiduciam quae Patris nostri cooperatur providentiae. 320 Ipse ad passivitatem nequaquam nos inducit, 321 sed vult nos ab omni anxia liberare inquietudine et ab omni sollicitudine. Talis est filialis deditio filiorum Dei:

« Quaerentibus Regnum et iustitiam Dei omnia promittit apponi: nam cum Dei sint omnia, habenti Deum nihil deerit, si Deo ipse non desit ». 322

§ 2831
Mas a presença daqueles que têm fome por falta de pão revela outra profundidade desta petição. O drama da fome no mundo chama os cristãos que oram com sinceridade a assumir uma responsabilidade efectiva em relação aos seus irmãos, tanto nos seus comportamentos pessoais como na solidariedade para com a família humana. Esta petição da oração do Senhor não pode ser isolada das parábolas do pobre Lázaro (100) e do Juízo final (101).
Sed praesentia eorum, qui panis inopia esuriunt, aliam huius petitionis revelat profunditatem. Drama famis in mundo vocat christianos, qui in veritate orant, ad efficacem responsabilitatem erga eorum fratres, tam in eorum personalibus agendi modis quam in eorum solidarietate cum humana familia. Haec Orationis Domini petitio separari nequit a parabolis pauperis Lazari 323 et Iudicii ultimi. 324
§ 2832
Tal como o fermento na massa, a novidade do Reino deve levedar a terra com o Espírito de Cristo (102). Há-de manifestar-se pela instauração da justiça nas relações pessoais e sociais, económicas e internacionais, sem nunca esquecer que não há nenhuma estrutura justa sem homens que queiram ser justos.
Sicut fermentum in massa, Regni novitas terram debet Spiritu Christi perfundere. 325 Hoc manifestari debet iustitiae instauratione in relationibus personalibus et socialibus, oeconomicis et internationalibus, quin oblivioni mandetur structuram iustam non haberi sine hominibus qui iusti esse velint.
§ 2833
Trata-se do «nosso» pão, de «um» para «muitos». A pobreza das bem-aventuranças é a virtude da partilha. Ela convida a comunicar e a partilhar os bens materiais e espirituais, não por coacção, mas por amor, para que a abundância de uns remedeie às necessidades dos outros (103).
De pane agitur « nostro », de « uno » pro « pluribus ». Beatitudinum paupertas virtus est communicationis: eadem vocat ad bona materialia et spiritualia communicanda et dividenda, non coactione, sed amore, ut aliorum abundantia necessitatibus aliorum sit remedium. 326
§ 2834
«Ora e trabalha» (104). «Orai como se tudo dependesse de Deus, e trabalhai como se tudo dependesse de vós» (105). Tendo nós feito o nosso trabalho, o alimento continua a ser uma dádiva do nosso Pai; é bom pedir-Lho dando-Lhe graças por ele. Tal o sentido da bênção da mesa numa família cristã.
« Ora et labora ». 327 « Sic orate ac si totum a Deo dependeret, et sic laborate ac si totum dependeret a vobis ». 328 Post nostrum peractum laborem, nutrimentum permanet donum Patris nostri; bonum est id ab Illo postulare, Eidem de hoc gratias agere. Hic in familia christiana sensus est benedictionis ad mensam.
§ 2835
Esta petição e a responsabilidade que comporta valem também para outra fome de que os homens morrem: «O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Deus» (Mt 4, 4) (106), quer dizer, da sua Palavra e do seu Sopro. Os cristãos devem mobilizar todos os esforços para «anunciar o Evangelho aos pobres». Há uma fome na terra que «não é fome de pão nem sede de água, mas de ouvir a Palavra do Senhor» (Am 8, 11). É por isso que o sentido especificamente cristão desta quarta petição tem a ver com o Pão da Vida: a Palavra de Deus, que deve ser acolhida na fé, e o corpo de Cristo, recebido na Eucaristia (107).
Haec petitio et responsabilitas quam eadem secumfert, etiam de alia valent fame, qua homines pereunt: « Non in pane solo vivet homo, sed in omni verbo, quod procedit de ore Dei » (Mt 4,4), 329 id est, in Eius Verbo et Eius Spiritu. Christiani omnes suos conatus impellere debent ut « pauperes evangelizentur ». Sunt qui famem habent in terra, « non famem panis neque sitim aquae, sed audiendi Verbum Domini » (Am 8,11). Hac de causa, sensus specifice christianus huius quartae petitionis ad Panem vitae refertur: Verbum Dei fide accipiendum, corpus Christi in Eucharistia receptum. 330
§ 2836
«Hoje» é outra expressão de confiança. É o Senhor que no-la ensina (108); a nossa presunção não poderia inventá-la. Tratando-se sobretudo da sua Palavra e do corpo do seu Filho, este «hoje» não é somente o do nosso tempo mortal: é o «Hoje» de Deus:

«Se em cada dia recebes o pão, cada dia é hoje para ti. Se Cristo é para ti hoje, todos os dias Ele ressuscita para ti. Como é isso? "Tu és o Meu Filho, Eu hoje Te gerei" (Sl 2, 7). Hoje quer dizer: quando Cristo ressuscita» (109).

« Hodie » est etiam fiduciae locutio. Dominus eam nos docet; 331 nostra praesumptio eam invenire non poterat. Siquidem praesertim de Eius agitur Verbo et de corpore Filii Eius, hoc « hodie » non solum est illud nostri mortalis temporis: est « Hodie » Dei:

« Cotidie si accipis, cotidie tibi hodie est. Si tibi hodie est Christus, tibi cotidie resurgit. Quomodo? "Filius meus es tu, ego hodie genui te" (Ps 2,7). Hodie ergo est, quando Christus resurgit ». 332

§ 2837
«De cada dia». Esta palavra «epioúsios» não é usada em mais lado nenhum no Novo Testamento. Tomada num sentido temporal, é uma repetição pedagógica do «hoje» (110) para nos confirmar numa confiança «sem reservas». Tomada no sentido qualitativo, significa o necessário para a vida e, de um modo mais abrangente, todo o bem suficiente para a subsistência (111). Tomada à letra (epioúsios, «sobre-substancial»), designa directamente o Pão da Vida, o corpo de Cristo, «remédio de imortalidade» (112), sem o qual não temos a vida em nós (113). Enfim, ligado ao antecedente, é evidente o sentido celestial: «este dia» é o do Senhor, o do banquete do Reino, antecipado na Eucaristia que é já o antegozo do Reino que vem. É por isso conveniente que a liturgia Eucarística seja celebrada em «cada dia».

«A Eucaristia é o nosso pão de cada dia [...]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos. [...] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação» (114).

O Pai celeste exorta-nos a pedir, como filhos do céu, o Pão celeste (115). Cristo «é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste» (116).

O Pai celeste exorta-nos a pedir, como filhos do céu, o Pão celeste (115). Cristo «é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste» (116).
« Cotidianum ». Novum Testamentum alias hoc verbo epioúsios non utitur. Id, sensu temporali sumptum, paedagogica est repetitio illius « hodie » 333 ad nos confirmandos in fiducia « sine exceptione ». Sensu qualitativo sumptum, significat id quod ad vitam necessarium est, et largius omne bonum sufficiens ad subsistendum. 334 Ad litteram sumptum (epioúsios:  « super-substantiale »), directe indicat Panem vitae, corpus Christi, « pharmacum immortalitatis » 335 sine quo vitam in nobis non habemus. 336 Tandem, si cum verbo praecedenti coniungatur, sensus caelestis est evidens: « dies », de quo ibi agitur, est ille Domini, ille Convivii Regni, anticipati in Eucharistia quae iam praegustatio est Regni venturi. Hac de causa, oportet liturgiam eucharisticam « cotidie » celebrari.

« Ergo Eucharistia panis noster cotidianus est [...]. Virtus enim ipsa quae ibi intelligitur, unitas est, ut redacti in corpus Eius, effecti membra Eius, simus quod accipimus. [...] Et quod in Ecclesia lectiones cotidie auditis, panis cotidianus est: et quod hymnos auditis et dicitis, panis cotidianus est. Haec enim sunt necessaria peregrinationi nostrae ». 337

Pater de caelo nos hortatur ut, sicut filii de caelo, Panem de caelo petamus. 338 Christus « Ipse est panis qui est satus in Virgine, fermentatus in carne, in passione confectus, fornace coctus sepulcri, in ecclesiis conditus, inlatus altaribus caelestem cibum cotidie fidelibus subministrat ». 339

Pater de caelo nos hortatur ut, sicut filii de caelo, Panem de caelo petamus. 338 Christus « Ipse est panis qui est satus in Virgine, fermentatus in carne, in passione confectus, fornace coctus sepulcri, in ecclesiis conditus, inlatus altaribus caelestem cibum cotidie fidelibus subministrat ». 339 V. « Dimitte nobis debita nostra, 
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris »

AS SETE PETIÇÕES

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido»

§ 2838
Esta petição é surpreendente. Se comportasse somente o primeiro membro da frase – «Perdoai-nos as nossas ofensas» – poderia estar incluída implicitamente nas três primeiras petições da oração do Senhor, pois que o sacrifício de Cristo é «para a remissão dos pecados». Mas, de acordo com o segundo membro da frase, a nossa petição não será atendida sem que primeiro tenhamos satisfeito uma exigência. É uma petição voltada para o futuro e a nossa resposta deve tê-la precedido; liga-as uma expressão: «assim como».
Haec petitio admirationem movet. Si solummodo primum sententiae implicaret membrum — « Dimitte nobis debita nostra » —, in tribus primis petitionibus Orationis Domini posset implicite includi, quia Christi sacrificium « in remissionem peccatorum » est. Attamen, iuxta secundum sententiae membrum, nostra petitio non exaudietur nisi prius cuidam responderimus exigentiae. Nostra petitio se vertit ad futurum, nostra responsio praecessisse debet; quoddam eas coniungit verbum: « sicut ».« Dimitte nobis debita nostra »...

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido»

§ 2839
Começámos a orar ao nosso Pai com um sentimento de audaciosa confiança. Suplicando-Lhe que o seu nome seja santificado, pedimos-Lhe para sermos cada vez mais santificados. Mas, apesar de revestidos da veste baptismal, não deixámos de pecar, de nos desviar de Deus. Agora, nesta nova petição, voltamos para Ele, como o filho pródigo (117), e reconhecemo-nos pecadores na sua presença, como o publicano (118). A nossa petição começa por uma «confissão» na qual, ao mesmo tempo, confessamos a nossa miséria e a sua misericórdia. A nossa esperança é firme, pois que em seu Filho «nós temos a redenção, a remissão dos nossos pecados» (Cl 1, 14) (119). E encontramos nos sacramentos da sua Igreja o sinal eficaz e indubitável do seu perdão (120).
Audaci fiducia, Patrem nostrum orare incepimus. Eum supplicantes ut Nomen Eius sanctificetur, ab Eo petivimus ut semper magis sanctificemur. Sed, licet veste baptismali superinduti, peccare nosque a Deo avertere non desinimus. Nunc in hac nova petitione, ad Eum redimus, tamquam filius prodigus, 340 et nos coram Eo agnoscimus peccatores, sicut publicanus. 341 Nostra petitio quadam incipit « confessione » qua simul nostram miseriam Eiusque confitemur misericordiam. Firma est nostra spes, quia, in Eius Filio, « habemus Redemptionem, remissionem peccatorum » (Col 1,14). 342 Efficax et indubium remissionis Eius signum in sacramentis invenimus Ecclesiae Eius. 343
§ 2840
Ora, e isso é temível, esta onda de misericórdia não pode penetrar nos nossos corações enquanto não tivermos perdoado àqueles que nos ofenderam. O amor, como o corpo de Cristo, é indivisível: nós não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amarmos o irmão ou a irmã, que vemos (121). Recusando perdoar aos nossos irmãos ou irmãs, o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-o impermeável ao amor misericordioso do Pai. Na confissão do nosso pecado, o nosso coração abre-se à sua graça.
Iam vero, et hoc quidem metuendum est, hic misericordiae fluxus nostrum cor nequit penetrare, dum illis non pepercerimus qui nos offenderunt. Amor, sicut corpus Christi, est indivisibilis: nequimus diligere Deum quem non videmus, nisi diligamus fratrem, sororem, quos videmus. 344 Nostrum cor, nostris fratribus et sororibus indulgere recusans, occluditur, eius durities illud misericordi Patris amori impenetrabile reddit; in nostri peccati confessione, cor nostrum aperitur gratiae Eius.
§ 2841
Esta petição é tão importante que é a única na qual o Senhor volta a insistir, desenvolvendo-a no sermão da montanha (122). Esta exigência crucial do mistério da Aliança é impossível para o homem. Mas «a Deus tudo é possível» (Mt 19, 26).
Haec petitio tanti momenti est, ut ea una sit ad quam Dominus redit quamque Ipse in sermone evolvit montano. 345 Capitalis haec mysterii Foederis exigentia homini est impossibilis. « Apud Deum autem omnia possibilia sunt » (Mt 19,26). ...« sicut et nos dimittimus debitoribus nostris »

«ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido»

§ 2842
Este «como» não é único no ensinamento de Jesus. «Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48); «sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36); «dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34). Observar o mandamento do Senhor é impossível, quando se trata de imitar, do exterior, o modelo divino. Trata-se duma participação vital, vinda «do fundo do coração», na santidade, na misericórdia e no amor do nosso Deus. Só o Espírito, que é «nossa vida» (Gl 5, 25), pode fazer «nossos» os mesmos sentimentos que existiram em Cristo Jesus (123). Então, a unidade do perdão torna-se possível, «perdoando-nos mutuamente como Deus nos perdoou em Cristo» (Ef 4, 32).
Hoc « sicut » non est unicum in Iesu doctrina: « Estote ergo vos perfecti, sicut Pater vester caelestis perfectus est » (Mt 5,48). « Estote misericordes, sicut et Pater vester misericors est » (Lc 6,36). « Mandatum novum do vobis, ut diligatis invicem; sicut dilexi vos, ut et vos diligatis invicem » (Io 13,34). Observantia mandati Domini est impossibilis, si agitur de exemplari divino extrinsece imitando. Agitur de vitali atque « ex imo corde » provenienti participatione sanctitatis, misericordiae, amoris Dei nostri. Solus Spiritus, quo « vivimus » (Gal 5,25), potest efficere « nostros » eosdem sensus qui in Christo Iesu fuerunt. 346 Tunc veniae unitas possibilis fit, « donantes invicem, sicut et Deus in Christo donavit vobis » (Eph 4,32).
§ 2843
Assim ganham vida as palavras do Senhor sobre o perdão, sobre este amor que ama até ao extremo do amor (124). A parábola do servo desapiedado, que conclui o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial (125), termina com estas palavras: «Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração». É aí, de facto, «no fundo do coração», que tudo se ata e desata. Não está no nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão.
Sic vitam accipiunt Domini verba de remissione, de hoc amore qui amat usque ad amoris finem. 347 Servi immisericordis parabola, quae Domini coronat doctrinam de communione ecclesiali, 348 his verbis concludit: « Sic et Pater meus caelestis faciet vobis, si non remiseritis unusquisque fratri suo de cordibus vestris ». Ibi, revera, in « imo corde » omnia ligantur et solvuntur. In potestate nostra non est offensam non amplius sentire eamque oblivisci; sed cor quod Spiritui Sancto se offert, vulnus in compassionem vertit atque memoriam purificat, offensam in intercessionem transformans.
§ 2844
A oração cristã vai até ao perdão dos inimigos (126). Transfigura o discípulo, configurando-o com o seu Mestre. O perdão é o cume da oração cristã; o dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a compaixão divina. O perdão testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação (127) dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si (128).
Oratio christiana usque ad inimicorum veniam procedit. 349 Transfigurat discipulum, eumdem Eius Magistro configurando. Venia quoddam culmen est orationis christianae; orationis donum solummodo in corde compassioni divinae conformi recipi potest. Venia etiam testatur, amorem, in nostro mundo, peccato esse fortiorem. Hesterni et hodierni martyres hoc Iesu ferunt testimonium. Venia condicio fundamentalis est Reconciliationis 350 filiorum Dei cum eorum Patre et hominum inter se. 351
§ 2845
Não há limite nem medida para este perdão essencialmente divino (129). Quando se trata de ofensas (de «pecados», segundo Lc 11, 4, ou de «dívidas» segundo Mt 6, 12), de facto nós somos sempre devedores: «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros» (Rm 13, 8). A comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda a relação (130). E é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia (131):

«Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (132).

Haec venia essentialiter divina nullum habet limitem nullamque mensuram. 352 Si de « offensis » agitur (de « peccatis » secundum Lc 11,4 vel de « debitis » secundum Mt 6,12), revera omnes semper sumus debitores: « Nemini quidquam debeatis, nisi ut invicem diligatis » (Rom 13,8). Sanctae Trinitatis communio fons est et regula veritatis cuiuslibet relationis. 353 Eadem fit vita in oratione, praesertim in Eucharistia: 354

« Nec sacrificium Deus recipit dissidentis et ab altari revertentem prius fratri reconciliari iubet, ut pacificis precibus et Deus possit esse pacatus. Sacrificium Deo maius est pax nostra et fraterna concordia et de unitate Patris et Filii et Spiritus Sancti plebs adunata ». 355

VI. « Ne nos inducas in tentationem »

«ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Não nos deixeis cair em tentação»

§ 2846
Esta petição atinge a raiz da precedente, porque os nossos pecados são fruto do consentimento na tentação. Nós pedimos ao nosso Pai que não nos «deixe cair» na tentação. Traduzir numa só palavra o termo grego é difícil. Significa «não permitas que entre em» (133), «não nos deixes sucumbir à tentação». «Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém» (Tg 1, 13). Pelo contrário, Ele quer livrar-nos do mal. O que Lhe pedimos é que não nos deixe seguir pelo caminho que conduz ao pecado. Nós andamos empenhados no combate «entre a carne e o Espírito». Esta petição implora o Espírito de discernimento e de fortaleza.
Haec petitio radicem attingit praecedentis, quia peccata nostra fructus sunt consensus tentationi. Patrem nostrum rogamus ne nos in eam « inducat ». Difficile est vocem Graecam uno vertere verbo: haec significat « ne permittas intrare in », 356 « ne sinas nos tentationi succumbere ». « Deus enim non tentatur malis, Ipse autem neminem tentat » (Iac 1,13), vult e contra nos a tentatione liberare. Eum precamur ne nos sinat ingredi viam quae ad peccatum ducit. In colluctationem incumbimus inter « carnem et Spiritum ». Haec petitio Spiritum implorat discretionis et roboris.
§ 2847
O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior (134) em vista duma virtude «comprovada» (135) e a tentação que conduz ao pecado e à morte (136). Devemos também distinguir entre «ser tentado» e «consentir» na tentação. Finalmente, o discernimento desmascara a mentira da tentação: aparentemente, o seu objecto é «bom, agradável à vista, desejável» (Gn 3, 6), quando, na realidade, o seu fruto é a morte.

«Deus não quer impor o bem, quer seres livres [...]. Para alguma coisa serve a tentação. Ninguém, senão Deus, sabe o que a nossa alma recebeu de Deus, nem nós próprios. Mas a tentação manifesta-o para nos ensinar a conhecermo-nos e desse modo descobrir a nossa miséria e obrigar-nos a dar graças pelos bens que a tentação nos manifestou» (137).

Spiritus Sanctus efficit ut discernamus inter probationem, ad interioris hominis progressum necessariam, 357 quaeque « virtutem probatam » intendit, 358 et tentationem quae ad peccatum ducit et mortem. 359 Etiam discernere debemus inter « tentari » et tentationi « consentire ». Discretio denique mendacium aperit tentationis: specie, eius obiectum est « bonum [...], pulchrum oculis et desiderabile » (Gn 3,6), dum revera eius fructus mors est.

« Neque enim cuiquam Deus bonum vult quasi necessitate fieri, sed voluntate [...]. Porro haec tentationis est utilitas. Quae in anima nostra recepta omnes praeter Deum latent, nosque etiam ipsos, ea per tentationes manifesta fiunt, ne nos amplius lateat quales simus, sed qui simus cognoscentes, sentiamus si velimus propria mala, et agamus etiam gratias pro bonis quae nobis per tentationes ostensa sunt ». 360

§ 2848
«Não entrar em tentação» implica uma decisão do coração: «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração [...] Ninguém pode servir a dois senhores» (Mt 6, 21, 24). «Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito» (Gl 5, 25). É neste «consentimento» ao Espírito Santo que o Pai nos dá a força. «Não vos surpreendeu nenhuma tentação que tivesse ultrapassado a medida humana. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar» (1 Cor 10, 13).
« Non induci in tentationem » decisionem cordis implicat: « Ubi enim est thesaurus tuus, ibi erit et cor tuum. [...] Nemo potest duobus dominis servire » (Mt 6,21.24). « Si vivimus Spiritu, Spiritu et ambulemus » (Gal 5,25). In hoc Spiritui Sancto « consensu », Pater nobis robur tribuit. « Tentatio vos non apprehendit nisi humana; fidelis autem Deus, qui non patietur vos tentari super id quod potestis, sed faciet cum tentatione etiam proventum, ut possitis sustinere » (1 Cor 10,13).
§ 2849
Ora um tal combate e uma tal vitória só são possíveis pela oração. Foi pela oração que Jesus venceu o Tentador desde o princípio (138) e no último combate da sua agonia (139). Foi ao seu combate e à sua agonia que Cristo nos uniu nesta petição ao nosso Pai. A vigilância do coração é lembrada com insistência (140) em comunhão com a sua. A vigilância é a «guarda do coração» e Jesus pede ao Pai que «nos guarde em seu nome» (141). O Espírito Santo procura incessantemente despertar-nos para esta vigilância (142). Esta petição adquire todo o seu sentido dramático, quando relacionada com a tentação final do nosso combate na terra: ela pede a perseverança final. «Olhai que vou chegar como um ladrão: feliz de quem estiver vigilante!» (Ap 16, 15).
Talis autem colluctatio talisque victoria possibiles non sunt nisi oratione. Per orationem, Iesus victor est Tentatoris, inde ab initio 361 et in ultima Suae agoniae colluctatione. 362 Christus Suae colluctationi Suaeque agoniae nos coniungit in hac ad Patrem nostrum petitione. Cordis vigilantia, in communione cum vigilantia Eius, instanter commemoratur. 363 Vigilantia est « custodia cordis » et Iesus Patrem precatur Suum ut servet nos in nomine Eius. 364 Spiritus Sanctus nos indesinenter excitare quaerit ad hanc vigilantiam. 365 Haec petitio suum sensum accipit dramaticum in relatione ad tentationem finalem nostrae colluctationis in terra; eadem perseverantiam finalem petit. « Ecce venio sicut fur. Beatus, qui vigilat » (Apc 16,15). VII. « Sed libera nos a Malo »

«ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Mas livrai-nos do Mal»

§ 2850
A última petição ao nosso Pai também está incluída na oração de Jesus: «Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno» (Jo 17, 15). Ela diz-nos respeito, a cada um pessoalmente, mas somos sempre «nós» que rezamos, em comunhão com toda a Igreja, pela libertação de toda a família humana. A oração do Senhor não cessa de nos abrir às dimensões da economia da salvação. A nossa interdependência no drama do pecado e da morte transforma-se em solidariedade no corpo de Cristo, em «comunhão dos santos» (143).
Ultima ad Patrem nostrum petitio etiam in Iesu oratione refertur: « Non rogo, ut tollas eos de mundo, sed ut serves eos ex Malo » (Io 17,15). Eadem ad nos spectat, ad unumquemque personaliter, sed semper sumus « nos » qui oramus, in communione cum tota Ecclesia et pro totius familiae humanae liberatione. Oratio Domini non desinit, nos ad dimensiones Oeconomiae salutis aperire. Nostra mutua dependentia in peccati et mortis dramate in solidarietatem intra corpus Christi mutatur, in « communionem sanctorum ». 366
§ 2851
Nesta petição, o Mal não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O «Diabo» («dia-bolos») é aquele que «se atravessa» no desígnio de Deus e na sua «obra de salvação» realizada em Cristo.
In hac petitione, Malum abstractio quaedam non est, sed personam designat, Satan, Malignum, angelum qui Deo opponitur. « Diabolus » (diá-bolos) est ille qui « se proiicit traversum » consilio Dei atque Eius « operi salutis » adimpleto in Christo.
§ 2852
«Assassino desde o princípio, [...] mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), «Satanás, que seduz o universo inteiro» (Ap 12, 9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo, e é pela sua derrota definitiva que toda a criação será «liberta do pecado e da morte» (144). «Sabemos que ninguém que nasceu de Deus peca, porque o preserva Aquele que foi gerado por Deus, e o Maligno, assim, não o atinge. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sujeito ao Maligno» (1 Jo 5, 18-19):

«O Senhor, que tirou o vosso pecado e perdoou as vossas faltas, tem poder para vos proteger e guardar contra as insídias do Diabo que vos combate, para que não vos surpreenda o inimigo que tem o hábito de engendrar a culpa. Mas quem a Deus se entrega não tem medo do Diabo. Porque "se Deus está por nós, quem contra nós?" (Rm 8, 31)» (145).

« Homicida [...] ab initio [...], mendax [...] et pater » mendacii (Io 8,44), « Satanas, qui seducit universum orbem » (Apc 12,9), est ille propter quem peccatum et mors intraverunt in mundum et per cuius definitivam cladem tota creatio erit « a corruptione peccati et mortis liberata ». 367 « Scimus quoniam omnis, qui natus est ex Deo, non peccat, sed ille, qui genitus est ex Deo, conservat eum, et Malignus non tangit eum. Scimus quoniam ex Deo sumus, et mundus totus in Maligno positus est » (1 Io 5,18-19):

« Potens est autem Dominus, qui abstulit peccatum vestrum et delicta vestra donavit, tueri et custodire vos adversum Diaboli adversantis insidias, ut non vobis obrepat inimicus, qui culpam generare consuevit. Sed qui Deo se committit, Diabolum non timet. "Si" enim "Deus pro nobis, quis contra nos" (Rom 8,31) ». 368

§ 2853
A vitória sobre o «príncipe deste mundo» (146) foi alcançada, duma vez para sempre, na «Hora» em que Jesus livremente Se entregou à morte para nos dar a sua vida. Foi o julgamento deste mundo, e o príncipe deste mundo foi «lançado fora» (147). «Pôs-se a perseguir a Mulher»(Ap 12, 13) (148), mas não logrou alcançá-la: a nova Eva, «cheia da graça» do Espírito Santo, foi preservada do pecado e da corrupção da morte (Imaculada Conceição e Assunção da santíssima Mãe de Deus, Maria, sempre Virgem). Então, «furioso contra a Mulher, foi fazer guerra contra o resto da sua descendência» (Ap 12, 17). Eis porque o Espírito e a Igreja rogam: «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 17.20), já que a sua vinda nos libertará do Maligno.
De « principe huius mundi » 369 victoria, semel pro semper, obtenta est illa Hora, qua Iesus Se libere tradit morti ut nobis Suam donet vitam. Tunc iudicium est huius mundi et princeps huius mundi « proiicitur ». 370 Hic « persecutus est Mulierem » (Apc 12,13), 371 illam tamen non prehendit: nova Eva, Spiritus Sancti « gratia plena », a peccato et a corruptione mortis praeservatur (immaculata Conceptio et Assumptio sanctissimae Matris Dei, Mariae, semper Virginis). « Et iratus est draco in Mulierem et abiit facere proelium cum reliquis de semine eius » (Apc 12,17). Hac de causa, Spiritus et Ecclesia orant: « Veni, Domine Iesu » (Apc 22,17.20), quia Eius Adventus nos a Malo liberabit.

«ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO»

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

«Mas livrai-nos do Mal»

§ 2854
Ao pedirmos para sermos libertados do Maligno, pedimos igualmente para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador. Nesta última petição, a Igreja leva à presença do Pai toda a desolação do mundo. Com a libertação dos males que pesam sobre a humanidade, a Igreja implora o dom precioso da paz e a graça da espera perseverante do regresso de Cristo. Orando assim, antecipa na humildade da fé a recapitulação de todos e de tudo, n'Aquele que «tem as chaves da morte e da morada dos mortos» (Ap 1, 18), «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Todo-Poderoso» (Ap 1, 8) (149):

«Livrai-nos de todo o mal, Senhor, e dai ao mundo a paz em nossos dias, para que, ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e de toda a perturbação, enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador» (150)

Petentes a Malo liberari, pariter ab omnibus malis liberari petimus, praesentibus, praeteritis et futuris, quorum ille auctor est vel instigator. In hac ultima petitione, Ecclesia omnem mundi angustiam fert coram Patre. Cum liberatione a malis quae genus opprimunt humanum, precatur donum pretiosum pacis et gratiam perseverantis exspectationis reditus Christi. Sic orans, in fidei humilitate recapitulationem anticipat omnium hominum omniumque rerum in Eo qui habet « claves mortis et inferni » (Apc 1,18), « qui est et qui erat et qui venturus est, Omnipotens » (Apc 1,8). 372

« Libera nos, quaesumus, Domine, ab omnibus malis, da propitius pacem in diebus nostris, ut, ope misericordiae Tuae adiuti, et a peccato simus semper liberi et ab omni perturbatione securi: exspectantes beatam spem et Adventum Salvatoris nostri Iesu Christi ». 373

A DOXOLOGIA FINAL

A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO»

§ 2855
A doxologia final – «Porque Vosso é o Reino, o poder e a glória» – retoma, por inclusão, as três primeiras petições do Pai-nosso: a glorificação do seu nome, a vinda do seu Reino e o poder da sua vontade salvífica. Mas esta repetição faz-se agora sob a forma de acção de graças, como na liturgia celeste (151). O príncipe deste mundo tinha-se atribuído mentirosamente este três títulos de realeza, de poder e de glória (152). Cristo, o Senhor, restitui-os ao seu e nosso Pai, até que Ele Lhe entregue o Reino, quando estiver definitivamente consumado o mistério da salvação e Deus for tudo em todos (153).
Doxologia finalis « Quia Tuum est regnum, et potestas, et gloria » tres primas petitiones ad Patrem nostrum, per inclusionem, resumit: glorificationem Eius Nominis, Adventum Eius Regni et potentiam Eius voluntatis salvificae. Haec tamen iterata sumptio in ea fit sub forma adorationis et actionis gratiarum, sicut in liturgia caelesti. 374 Princeps huius mundi sibi mendaciter hos tres titulos tribuerat regalitatis, potentiae et gloriae; 375 Christus Dominus eos Patri Suo Patrique nostro restituit, donec Ei Regnum tradat, cum mysterium salutis definitive consummabitur et Deus erit omnia in omnibus. 376
§ 2856
«Depois, acabada a oração, dizes: Ámen, subscrevendo com esta palavra, que significa «Assim seja» (154), o conteúdo desta oração que Deus nos ensinou» (155).Resumindo:
« Tum vero expleta oratione, dicis: "Amen", per illud Amen, quod significat "fiat", 377 quaecumque in hac a Deo tradita oratione continentur, obsignans ». 378
§ 2857
No «Pai-nosso», as três primeiras petições têm por objecto a glória do Pai: a santificação do Nome, a vinda do Reino e o cumprimento da divina vontade. As outras quatro petições apresentam-Lhe os nossos desejos: pedidos concernentes à nossa vida para a alimentar ou para a curar do pecado, ou relativos ao nosso combate para a vitória do Bem sobre o Mal.
In oratione « Pater noster » tres primae petitiones habent, ut obiectum, gloriam Patris: sanctificationem Nominis, Adventum Regni et adimpletionem voluntatis divinae. Reliquae quattuor Ei nostra praesentant desideria: hae petitiones ad nostram referuntur vitam ad eam nutriendam vel ad eam a peccato sanandam et ad nostram attinent colluctationem pro victoria Boni super Malum.
§ 2858
Ao pedirmos: «santificado seja o vosso nome», entramos no desígnio de Deus, que é a santificação do seu nome – revelado a Moisés e depois em Jesus – por nós e em nós, bem como em todas as nações e em cada homem.
Petentes: « Sanctificetur Nomen Tuum » ingredimur Dei consilium, sanctificationem Eius Nominis — revelati Moysi, deinde in Iesu — a nobis et in nobis, sicut etiam in omni gente et in unoquoque homine.
§ 2859
Na segunda petição, a Igreja tem em vista principalmente o regresso de Cristo e a vinda final do reinado de Deus. Reza também pelo crescimento do Reino de Deus no «hoje» das nossas vidas.
Secunda petitione, Ecclesia reditum Christi et finalem Regni Dei Adventum praecipue intendit. Etiam orat pro Regni Dei incremento in nostrarum vitarum « hodie ».
§ 2860
Na terceira petição, pedimos ao Pai que una a nossa vontade à do Seu Filho para cumprir o seu desígnio de salvação na vida do mundo.
In tertia petitione, Patrem nostrum precamur ut nostram voluntatem cum illa coniungat Filii Sui ad Suum salutis consilium in vita mundi adimplendum.
§ 2861
Na quarta petição, ao dizer «dai-nos», exprimimos, em comunhão com os nossos irmãos, a nossa confiança filial no nosso Pai dos céus. «O pão nosso» designa o alimento terrestre necessário à subsistência de nós todos, mas também significa o Pão da Vida: a Palavra de Deus e o Corpo de Cristo. Ele é recebido no «Hoje» de Deus, como alimento indispensável e (sobre) substancial do banquete do Reino, antecipado na Eucaristia.
In quarta petitione, dicentes « Da nobis », in communione cum fratribus nostris, nostram filialem exprimimus fiduciam erga Patrem nostrum caelestem. « Panem nostrum » nutrimentum indicat terrestre ad omnium subsistentiam necessarium atque etiam vitae significat Panem: Verbum Dei et corpus Christi. Recipitur in « Hodie » Dei, tamquam nutrimentum pernecessarium, (super-)substantiale Convivii Regni, quod Eucharistia anticipat.
§ 2862
A quinta petição implora para as nossas ofensas a misericórdia de Deus, a qual não pode penetrar no nosso coração sem nós termos sido capazes de perdoar aos nossos inimigos, a exemplo e com a ajuda de Cristo.
Quinta petitio pro nostris offensis misericordiam postulat Dei, quae nostrum cor nequit penetrare, nisi nostris inimicis indulgere didicimus secundum Christi exemplum et cum Eius adiutorio.
§ 2863
Ao dizermos: «não nos deixeis cair em tentação», pedimos a Deus que não permita que enveredemos pelo caminho que conduz ao pecado. Esta petição implora o Espírito de discernimento e de fortaleza; solicita a graça da vigilância e a perseverança final.
Cum dicimus « Ne nos inducas in tentationem », Deum rogamus ne permittat nos viam aggredi quae ad peccatum ducit. Haec petitio Spiritum implorat discretionis et roboris; gratiam efflagitat vigilantiae et finalem perseverantiam.
§ 2864
Na última petição: «mas livrai-nos do Mal», o cristão roga a Deus, com a Igreja, que manifeste a vitória, já alcançada por Cristo, sobre o «príncipe deste mundo», Satanás, o anjo que se opõe pessoalmente a Deus e ao seu plano de salvação.
In ultima petitione, « Sed libera nos a Malo », christianus Deum cum Ecclesia precatur, ut victoriam, iam a Christo obtentam, de « principe huius mundi », de Satana, angelo qui se personaliter Deo Eiusque salutis consilio opponit, manifestet.
§ 2865
Pelo «Ámen» final, exprimimos o nosso «fiat» em relação às sete petições: «Assim seja...».
Per finale « Amen », « Fiat » nostrum ad septem attinens petitiones exprimimus: « Ita sit... ».

Notas e Referências

  • 1. Cf. Act 2, 42. 2.
  • 2. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 1: AAS 71 (1979) 1277-1278.
  • 3. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 18: AAS 71 (1979) 1292.
  • 4. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 18: AAS 71 (1979) 1292.
  • 5. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 13: AAS 71 (1979) 1288.
  • 6. Sínodo dos Bispos, Assembleia extraordinária, Ecclesia sub Verbo Dei mysteria Christi celebrans pro salute mundi. Relatório final II B A 4 (Cidade do Vaticano 1985), p. 11.
  • 7. João Paulo II, Discurso de encerramento da Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos (7 de Dezembro de 1985), 6: AAS 58 (1986) 435.
  • 8. Sínodo dos Bispos, Ecclesia sub Verbo Dei mysteria Christi celebrans pro salute mundi. Relatório final  II B A 4 (Cidade do Vaticano 1985), p. 11.
  • 9. Cf. Mt 10, 23; Rm 10, 9.
  • 10. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 20-22: AAS 71 (1979) 1293-1296; Ibid., 25: AAS 71 (1979) 1207-1298.
  • 11. Catechismus Romanus seu Catechismus ex decreto Concilii Tridentini ad parochos, Pii V Pontificis Maximi iussu editus, Praefatio, 11:  ed  P. Rodríguez (Città del Vaticano – Pamplona 1989) p. 11.
  • 12. Catechismus Romanus, Praefatio 10: ed. P. Rodriguez (Città del Vaticano – Pamplona 1989) p. 10.

Notas e Referências

  • 1. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 19: AAS 58 (1966) 1038-1039.
  • 2. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes,, 19: AAS 58 (1966) 1039.
  • 3. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 19-21: AAS 58 (1966) 1038-1042.
  • 4. Cf. Mt 13, 22.
  • 5. Cf. Gn 3, 8-10.
  • 6. Cf. Jn 1, 3.
  • 7. Santo Agostinho, Confissões, I,1, 1: CCL 27. 1 (PL 32, 659-661).
  • 8. Cf. Act 14, 15, 17; 17. 27-28; Sb 13, 1-9.
  • 9. Santo Agostinho, Sermão 241. 2: PL 38, 1134.
  • 10. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes,18: AAS 58 (1966) 1038: cf. ibid., 14: AAS 58 (1966) 1036.
  • 11. São Tomás de Aquino,  Summa theologiae I. q. 2, a. 3, e: Ed. Leon. 4, 31.
  • 13. Pio XII. Enc. Humani Generis: DS 3875.
  • 14. Ibid., DS 3876. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius. c. 2: DS 3005; II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum. 6: AAS 58 (1966) 819-820; São Tomás de Aquino, Summa theologiae, I, q. 1, a. 1, c.: Ed. Leon. 4. 6.
  • 15. Liturgia Bizantina. Anáfora de São João Crisóstomo: Liturgies Eastern and Western, ed. F. E. Brightman, Oxford 1896. p. 384 (PG 63, 915).
  • 16. IV Concílio de Latrão, Cap. 2. De errore abbatis Ioachim: DS 806.
  • 17. São Tomás de Aquino, Summa contra gentiles I 30: Ed. Leon. 13, 92.
  • 18. Santo Agostinho, Confissões X, 28, 39: CCL 27, 175 (PL 32. 795).
  • 19. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, De revelatione, canon 2: DS 3026.
  • 20. II Concílio do Vaticano II, Const. past. Gaudium et Spes, 36: AAS 58 (1966) 1054.

Notas e Referências

  • 1. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3015.
  • 2. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.
  • 3. Cf. Ef 1, 4-5.
  • 4.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.
  • 5.  Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses III, 20, 2: SC 211, 392 (PG 7, 944); cf. por exemplo, Ibid. III 17, I: SC 211. 330 (PG 7, 929); Ibid. IV, 12. 4: SC 100, 518 (PG 7, 1006); Ibid. IV 21, 3: SC 100, 684 (PG 7, 1046).
  • 6. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 3: AAS 58 (1966) 818.
  • 7. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 3: AAS 58 (1966) 818.
  • 8. Oração eucarística IV: Missal Romano, editio typica. Typis Polyglottis Vaticanis. 1970 p. 467. [Gráfica de Coimbra 1992, p. 538].
  • 9. Cf. Gn 9, 9.
  • 10. Cf. Gn 10, 20-31.
  • 11. Cf. Act 17, 26-27.
  • 12. Cf. Sb 10, 5.
  • 13. Cf. Gn 11, 4-6.
  • 14. Cf. Rm 1, 18-25.
  • 15. Cf. Lc 21, 24.
  • 16. Cf. Gn 14, 18.
  • 17. Cf. Heb 7, 3.
  • 18. Cf. Gl 3, 8.
  • 19. Cf. Rm 11, 28.
  • 20. Cf. Jo 11, 52; 10, 16.
  • 21. Cf. Rm 11, 17-18. 24.
  • 22. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 3: AAS 58 (1966) 818.
  • 23. Cf. Ex 19, 6.
  • 24. Sexta-Feira da Paixão do Senhor. Oração universal VI: Missale Romanum. editio typica. Typis Polyglottis Vaticanis 1975, p. 254 [a tradução oficial portuguesa omite este particular: Missal Romano. Gráfica de Coimbra 1992. p. 259.267].
  • 25. João Paulo II, Discurso na sinagoga durante o encontro com a comunidade hebraica da cidade de Roma (13 de Abril de 1986), 4: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, IX/1, 1027.
  • 26.  Cf. Is 2, 2-4.
  • 27. Cf. Jr 31, 31-34: Heb 10, 16.
  • 28. Cf. Ez 36.
  • 29. Cf. Is 49, 5-6: 53, 11.
  • 30. Cf. Sf  2, 3.
  • 31. Cf. Lc 1, 38.
  • 32. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.
  • 33. São João da Cruz, Subida del monte Carmelo 2, 22, 3-5: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 11, Burgos 1929. p. 184. [ID. Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 196 = Segunda leitura do Ofício de Leituras da Segunda-Feira da II Semana do Advento].
  • 34. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 4: AAS 58 (1966) 819.
  • 35. Cf. Gn 3, 15.
  • 36. Cf. Gn 9, 16.
  • 37. Cf. Jo 14, 6.
  • 38. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820.
  • 39. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820.
  • 40. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820.
  • 41. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820.
  • 42. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 43. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 44. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 45. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 46. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 9: AAS 58 (1966) 821.
  • 47. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 9: AAS 58 (1966) 821.
  • 48. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 9: AAS 58 (1966) 821.
  • 49. Cf. 1 Tm 6, 20; 2 Tm 1, 12-14.
  • 50.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.
  • 51. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.
  • 52. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.
  • 53. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 20: AAS 57 (1965) 24.
  • 54. Cf. Jo 8, 31-32.
  • 55. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3016 «mysteriorum nexus». Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 29.
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  • 56. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 11: AAS 57 (1965) 99.
  • 57. Cf. 1 Jo 2, 20. 27.
  • 58. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16.
  • 59. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16.
  • 60. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 61. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 62: AAS 58 (1966) 1084: cf. Ibid.. 44: AAS 58 (1966) 1065; Const. dogm. Dei Verbum, 23: AAS 58 (1966) 828; Ibid. 24: AAS 58 (1966) 828-829: Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 94.
  • 62. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 63.  São Gregório Magno, Homilia in Ezechielem 1. 7, 8: CCL 142. 87 (PL 76, 843 D).
  • 64. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 65. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.
  • 66. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.
  • 67. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 68. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 13: AAS 58 (1966) 824.
  • 69. Cf. Heb 1, 1-3.
  • 70Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 103, 4, 1: CCL 40, 1521 (PL 37, 1378).
  • 71. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827.
  • 72. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829.
  • 73.  Cf. 1 Ts 2, 13.
  • 74. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827-828.
  • 75. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 822-823.
  • 76. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823.
  • 77. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823.
  • 78. São Bernardo de Claraval, Homilia super "Missus est", 4, 11: Opera, ed. J. Leclercq – H. Rochais, V. 4, Roma 1966, p. 57.
  • 79. Cf. Lc 24, 45.
  • 80. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum 12: AAS 58 11966) 823.
  • 81. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 823.
  • 82. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 824.
  • 83. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 824.
  • 84. Cf. Lc 24. 25-27. 44-46.
  • 85. Cf. Sl 22, 15.
  • 86.  São Tomás de Aquino, Expositio in Psalmos, 21, 11: Opera omnia. v. 18. Paris 1876, p. 350.
  • 87. Cf. Santo Hilário de Poitiers, Liber ad Constantium Imperatorem 9: CSEL 65. 204 PL 10, 570); São Jerónimo. Commentarius in epistulam ad Galatas I 1, 11-12: PL 26. 347.
  • 88. Orígenes, Homiliae in Leviticum 5, 5: SC 286, 228 (PG 12, 454).
  • 89. Cf. Rm 12, 6.
  • 90. São Tomás de Aquino, Summa theologiae I, q. 1, a. 10, ad I: Ed. Leon. 4, 25.
  • 91. Cf. 1 Cor 10, 2.
  • 92. Cf. Heb 3-4, 11.
  • 93. Cf. Ap 21, 1-22, 5.
  • 94. Agostinho de Dácia, Rotulus pugillaris, I: ed. A. Waltz: Angelicum 6(1929) 256.
  • 95. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 824.
  • 96.  Santo Agostinho, Contra Epistulam Manichaei quam vocant fundamenti 5. 6: CSEL 25, 197 (PL 42, 176).
  • 97. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 98. Cf. Decretum Damasi: DS 179-180: Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis: DS 1334-1336; Concílio de Trento. Sess. 4ª. Decretum de Libris Sacris et de traditionibus recipiendis: DS 1501-1504.
  • 99. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 14: AAS 58 (1966) 825.
  • 100.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 15: AAS 58 (1966) 825.
  • 101. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 17: AAS 58 (1966) 826.
  • 102. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 20: AAS 58 (1966) 827.
  • 103. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 18: AAS 58 (1966) 826.
  • 104. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 19: AAS 58 (1966) 826-827.
  • 105. Santa Cesária, A Jovem, Epistula ad Richildam et Radegundem: SC 345, 480.
  • 106. Santa Teresa do Menino Jesus, Manuscrit A, 83v: Manuscrits autobiographiques, Paris 1929, p. 268. [Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Obras Completas (Paço de Arcos. Edições do Carmelo 1996) p. 213].
  • 107. Cf. 1 Cor 10, 6: Heb 10, 1; 1 Pe 3, 21.
  • 108. Cf. Mc 12, 29-31.
  • 109. Cf. 1 Cor 5, 6-8: 10, 1-11.
  • 110. Santo Agostinho, Quaestiones in Heptateucumt 2, 73: CCL 33. 106 (PL 34, 623); cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 16: AAS 58 (1966) 825.
  • 111. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: A AS 58 (1966) 828.
  • 112. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 22: AAS 58 (1966) 828.
  • 113. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829.
  • 114. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 25: AAS 58 (1966) 829: cf. São Jerónimo, Commentarii in Isaiam, Prologus: CCL 73, 1 (PL 24, 17).
  • 115. Hugo de São Vítor, De arca Noe II, 8: PL 176, 642: cf. Ibid. 2. 9: PL 176, 642-643.
  • 116. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum. 24: AAS 58 (1966) 829.
  • 117. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 822-823.
  • 118. Cf. Orígenes, Homiliae in Exodum 4, 5: SC 321, 128 (PG 12, 320).
  • 119. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827.
  • 120. Cf. Is 50, 4.

Notas e Referências

  • 1. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.
  • 2. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 5: AAS 58 (1966) 819.
  • 3. Cf. Rm 1, 5; 16, 26.
  • 4. Cf. Gn 12, 1-4.
  • 5. Cf. Gn 23, 4.
  • 6. Cf. Heb 11, 17.
  • 7. Cf. Gn 15, 6.
  • 8. Cf. Gn 15, 5.
  • 9. Cf. Gn 18, 14.
  • 10 Cf. Lc l, 48.
  • 11. Cf. Lc 2, 35.
  • 12. Cf. Jr 17, 5-6; Sl 40, 5; 146, 3-4.
  • 13. Cf. Mc 1 , 11.
  • 14. Cf. Mc 9, 7.
  • 15. Cf. Mt 11, 27.
  • 16. Cf. Gl 1, 15-16; Mt 11, 25.
  • 17. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 5: AAS 58 (1966) 819.
  • 18. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c.3: DS 3008.
  • 19. São Tomás de Aquino. Summa theologiae II-II. q. 2. a. 9. c: Ed. Leon. 8. 37: cf. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3010.
  • 20. I Concílio Vaticano, Const. dogm.Dei Filius. c. 3: DS 3008.
  • 21. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3009.
  • 22. Cf. Mc 16, 20; Heb 2, 4.
  • 23.  I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3009.
  • 24. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3010.
  • 25. São Tomás de Aquino, Summa theologiae II-II. q. 171, 5, 3um: Ed. Leon. 10, 373.
  • 26.  J. H. Newman, Apologia pro vita sua, c. 5. ed. M. J. Svaglic, Oxford 1967, p. 210.
  • 27. Santo Anselmo da Cantuária, Proslogion. Prooemium: Opera omnia, ed. F. S. Schmitt. v. 1, Edimburgo 1946, p. 94.
  • 28.  II Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 5: AAS 58 (1966) 819.
  • 29. Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9: CCL 41. 512 (PL 38. 258).
  • 30. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3017.
  • 31. II Concílio Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 ((966) 1054.
  • 32. II Concílio Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 10: AAS 58 (1966) 936; cf. CIC cân. 748 § 2.
  • 33.  II Concílio Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 11: AAS 58 (1966) 936.
  • 34. II Concílio Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 11: AAS 58 (1966) 937.
  • 35. Cf. Mc 16, 16; Jo 3, 36: 6, 40: etc.
  • 36. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c 3: DS 3012; cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustiftcatione, c. 8: DS 1532.
  • 37. Cf. Mc 9, 24; Lc 17, 5: 22, 32.
  • 38. Cf. Tg 2, 14-26.
  • 39. Cf. Rm 15, 13.
  • 40. São Basílio Magno, Liber de Spiritu Sancto, 15, 36: SC 17bis. 370 (PG 32, 132); cf. São Tomás de Aquino, Summa Theologiae II-II, q. 4, a. I. c: Ed. Leon. 8. 44.
  • 41. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 58: AAS 57 (1965) 61.
  • 42. João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 17: AAS 79 (1987) 381.
  • 43. João Paulo II,  Enc. Redemptoris Mater, 18: AAS 79 (1987) 382-383.
  • 44. Símbolo dos Apóstolos: DS 30.
  • 45. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150 (no original grego).
  • 46. Iniciação cristã dos adultos, 75. 2ª edição, Gráfica de Coimbra 1996. p. 48: Ibid., 247, p. 153.
  • 47. Fausto de Riez, De Spiritu sancto 1, 2: CSEL 21, 104 (l, 1: PL 62.11).
  • 48. São Tomás de Aquino, Summa theologiae 11-II, q. I. a. 2. ad 2: Ed Leon. 8. 11.
  • 49. Cf. Jd 3.
  • 50. Cf. Ef 4, 4-6.
  • 51. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses I. 10, 1-2: SC 264, 154-158 (PG 7, 550-551).
  • 52. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses  I. 10. 2: SC 264, 158-160 (PG 7, 531-534).
  • 53. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses  V, 20. 1: SC 153, 254-256 (PG 7, 1177).
  • 54. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses  III. 24, 1: SC 211, 472 (PG 7, 966).
  • 55. São Cipriano de Cartago, Ecclesiae catholicae unitate, 6: CCL 3. 253 (PL 4. 519).
  • 56. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei [Credo do Povo de Deus], 20: AAS 60 (1968) 441.
  • 57. São Tomás de Aquino, Compendium theologiae, 1, 2: Ed. Leon. 42. 83., 1, 2.
  • 58. DS 30.
  • 59. DS 150.

Notas e Referências

  • 1. Cf. Rm 10, 9; 1 Cor 15, 3-5; etc.
  • 2. São Cirilo de Jerusalém, Catechese illuminandorum 5, 12: Opera, v. 1. ed. G. C. Reischl  (Monaci 1848), p. 150 (PG 33. 521-524).
  • 3. Cat Rom I, I, 4. p. 20.
  • 4. Santo Ireneo, Demonstratio apostolicae praedicationis, 100: SC 62. 170.
  • 5. Cat Rom I. 1, 4. p. 20.
  • 6. Cf. Santo Ambrósio10, Explanatio Symboli, 8: CSEL 73, 10-11 (PL 17. 1196).
  • 7. Cf. Symbola fidei ab Ecclesia antiqua recepta: DS 1-64.
  • 8. Cf. DS 75-76.
  • 9.  XI Concílio de Toledo: DS 525-541.
  • 10. IV Concílio de Latrão: DS 800-802.
  • 11. II Concílio de Lião: DS 851-861.
  • 12.  Professio ftdei Tridentina: DS 1862-1870.
  • 13. Cf. DS 71-72.
  • 14. Sollemnis Professio fidei: AAS 60 (1968) 433-445.
  • 15. Santo Ambrósio, Explanatio Symboli, 7: CSEL 73. 10 (PL 17, 1196).
  • 16. Santo Ambrósio, Explanatio Symboli, 7: CSEL 73. 3 (PL 17, 1193).
  •  
  •  

Notas e Referências

  • 1. CatRom I. 2, 6, p. 23.
  • 2. CatRom I. 2, 8, p. 26.
  • 3. Cf. Fl 2, 10-11.
  • 4. Cf. Mc 12, 29-30.
  • 5. Cf. Mc 12, 35-37.
  • 6. IV Concílio de Latrão, Cap. 1. De fide catholica: DS 800.
  • 7. Cf. Jz 13, 1.
  • 8. Cf. Ex 3, 5-6.
  • 9. Cf. Ex 32.
  • 10. Cf. Ex 33, 12-17.
  • 11. Cf. Ex 34, 9.
  • 12. Cf. Is 44, 6.
  • 13. Cf. Sl 85, 11.
  • 14. Cf. Dt 7, 9.
  • 15. Cf. Sb 13, 1-9.
  • 16. Cf. Sl 115, 15.
  • 17. Cf. Sb 7, 17-21.
  • 18. Cf. Jo 17, 3.
  • 19. Cf. Dt 4, 37; 7, 8: 10, 15.
  • 20. Cf. Is 43, 1-7.
  • 21. Cf. Os 2.
  • 22. Cf. Os 11, 1.
  • 23. Cf. Is 49, 14-15.
  • 24. Cf. Is 62, 4-5.
  • 25. Cf. Ez 16; Os 11.
  • 26. Cf. 1 Cor 2, 7-16: Ef 3, 9-12.
  • 27. Santa Joana D'Arc, Dito: Procès de condamnation, ed. P. Tisset–Y.Lanhers. v. I (Paris 1960) p. 280 e 288.
  • 28. Cf. Mt 5, 29-30: 16. 24: 19. 23-24.
  • 29. S. Nicolau de Flüe, Bruder-Klausen-Gebet, apud R. Amschwand, Bruder Klaus. Ergänzungsband zum Quellenwerk von R. Durrer (Sarnen 1987). p. 215.
  • üe
  • ä
  • 30. Santa Teresa de Jesus. Poesía. 9: Biblioteca Mística Carmelitana. v. 6 (Burgos 1919). p. 90. [Santa Teresa de Jesus, Obras Completas (Paço de Arcos. Edições Carmelo 1994) p. 1390]
  • 31. Tertuliano, Adversus Marcionem, I, 3, 5: CCL 1, 444 (PL 2. 274).
  • 32. Santo Agostinho, Sermo 52. 6. 16: ed. P. Verbraken: Revue Bénédictine 74 (1964) 27 (PL 38. 360).
  • 33. São Cesário de Arles. Expositio vel traditio Symboli (sermo 9): CCL 103. 47.
  • 34. Cf. Vigílio, Professio fidei (522): DS 415.
  • 35. Cf. Sagrada Congregação do Clero,  Directorium catechisticum generale, 43: AAS (1972)123.
  • 36. Ibid., 47.
  • 37.  I Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3015.
  • 38. Cf. Dt 32. 6: Ml 2. 10.
  • 39. Cf. 2 Sm 7, 14.
  • 40. Cf. Sl 68, 6.
  • 41. Cf. Is 66, 13: Sl 131, 2.
  • 42. Cf. Sl 27, 10.
  • 43. Cf. Ef 3, 14-15: Is 49, 15.
  • 44. Símbolo de Nicéia: DS 125.
  • 45. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 46. Cf. Gn 1. 2.
  • 47. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 48. Cf. Jo 14, 17.
  • 49 Cf. Jo 14, 26.
  • 50. Cf. Jo 14, 26: 15. 26; 16, 14.
  • 51. Cf. Jo 7, 39.
  • 52. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 53. VI Concílio de Toledo (em 638), De Trinitate et de Filio Dei Redemptore incarnato: DS 490.
  • 54. XI Concílio de Toledo (ano 675), Symbolum: DS 527.
  • 55. Símbolo Niceno Constantinopolitano: DS 150.
  • 56. Concílium de Florença. Decretum pro Graecis: DS 1300-1301.
  • 57. Cf. São Leão Magno, Ep. Quam laudabiliter: DS 284.
  • 58. II Concílio Vaticano, Decr. Ad gentes: AAS 58 (1966) 948.
  • 59. Concílio de Florença, Decretum pro Graecis (ano 1439): DS 1302.
  • 60. Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis (ano 1442): DS 1331.
  • 61. II Concílio de Lião, Constitutio de Summa Trinitate et fide catholica (ano 1274): DS 850.
  • 62.  Cf. 1 Cor 12, 4-6; Ef 4, 4-6.
  • 63.  Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 9: AAS 60 (1968) 437.
  • 64. II Concílio de Constantinopla (ano 553), Anathematismi de tribus Capitulis. 1: DS 421.
  • 65. XI Concílio de Toledo (ano 675). Symbolum: DS 530.
  • 66. IV Concílio de Latrão (ano 1215), Cap. 2. De errore abbatis Ioachim: DS 804.
  • 67. Fides Damasi: DS 71.
  • 68. XI Concílio de Toledo (ano 675). Symbolum: DS 530.
  • 69. IV Concílio de Latrão (ano 1215). Cap. 2, De errore abbatis Ioachim: DS 804.
  • 70. XI Concílio de Toledo (ano 675). Symbolum: DS 528.
  • 71. Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis (ano 1442): DS 1330.
  • 72. Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis (ano 1442): DS 1331.
  • 73. São Gregório de Nazianzo,  Oratio 40. 41: SC 358, 292-294 (PG 36, 417).
  • 74. Hino das II Vésperas de Domingo, nas semanas 2 e 4: Liturgia Horarum, editio typica, 3 (Typis Poliglottis Vaticanis Poliglottis Vaticanis 1974) p. 632 e 879 [Este hino está traduzido na ed. portuguesa: Liturgia das Horas (Gráfica de Coimbra 1983), v. 3, p. 86 e N. 4, p. 86].
  • 75. I Concílio de Vaticano, Decr. Ad gentes, 2-9: AAS 58 (1966) 948-958.
  • 76. II Concílio de Constantinopla (ano 553), Anathematismi de tribus Capitulis, 1: DS 421.
  • 77. Concílio de Florença, Decretum pro Incobitis (ano 1442): DS 1331.
  • 78.  Cf. 1 Cor 8, 6.
  • 79. II Concílio de Constantinopla (ano 553). Anathematismi de tribus Capitulis, 1: DS 421.
  • 80. Cf. Jo 6. 44.
  • 81. Cf. Rm 8, 14.
  • 82. Cf. Jo 17, 21-23.
  • 83. Beata Isabel da Trindade, Élévation à la Trinité: Écrits spirituels. 50. ed. M. M. Philipon (Paris 1949), p. 80. [Escritos espirituais (Oeiras, Edições Carmelo 1989) p. 327].
  • 84. Cf. Jo 14, 26.
  • 85. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 86. Santo Agostinho, De Trinitate 15, 26, 47: CCL 50A, 529 (PL 42. 1095).
  • 87. Paulo VI, Sollemnis Processio fidei, 9: AAS 60 (1968) 436.
  • 88.  Símbolo Quicumque: DS 75.
  • 89. Cf. Gn 1, 1; Jo 1, 3.
  • 90. Cf. Mt 6, 9.
  • 91. Cf. 1 Cor 1,18.
  • 92. Cf. Jr 32, 17; Lc 1, 37.
  • 93. Cf. Jr 27, 5.
  • 94. Cf. Est 4c. 17: Pr 21, 1;Tb 13, 2.
  • 95. Cf. Mt 6, 32.
  • 96. São Tomás De Aquino, Summa theologiae 1, q. 25, a. 5, ad 1: Ed Leon. 4, 297.
  • 97. Cf. 2 Cor 12, 9: Fl 4. 13.
  • 98. CatRom I, 2, 13, p. 31.
  • 99. Cf. Gn 18. 14: Mt 19, 26.
  • 100. Domingo XXVI do Tempo Comum, Colecta: Missale Romanum. editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 365 [Trad. oficial portuguesa: Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p. 420]
  • 101. Símbolo dos Apóstolos: DS 30.
  • 102. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 103. Cf. Sagrada Congregação do Clero, Directorium catechisticum generale, 51: AAS 64 (1972) 128.
  • 104. Cf. Rm 8, 18-23.
  • 105. Cf. Egria, Itinerarium seu Peregrinatio ad loca sancta 46, 2: SC 296, 308: PLS 1, 1089-1090: Santo Agostinho. De catechizandis rudibus 3, 5: CCL 46. 124 (PL 40, 313).
  • 106. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Fillius,  De Revelatione. canon I: DS 3026.
  • 107. Cf. Act 17, 24-29; Rm 1, 19-20.
  • 108. Cf. Is 43, 1.
  • 109. Cf. Gn 15, 5; Jr 33, 19-26.
  • 110. Cf. Is  44, 24.
  • 111. Cf. S1 104.
  • 112. Cf. Pr 8. 22-31.
  • 113. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 114.  Liturgia Bizantina. Tropário das Vésperas de Pentecostes: Pentêkostáriom (Rome 1883). 408.
  • 115.  Cf. Sl 33, 6; 104. 30; Gn 1, 2-3.
  • 116.  Santo Irineu de Lião, Adversus haereses, 2, 30, 9: SC 294, 318-320 (PG 7, 822).
  • 117. Ibidem, 4, 20, 1: SC 100, 626 (PG 7, 1032).
  • 118.  I Concílio Vaticano, Const dogm. Dei Filius. De Deo rerum omnium Creatore, canon 5: DS 3025.
  • 119. São Boavenura, In secundum librum Sententiarum, dist. 1. p. 2. a. 2, q. 1. concl.: Opera omnia, v. 2 (Ad Claras Aquas 1885), p. 44.
  • 120. São Tomás de Aquino, Commentum in secundum librum Sententiarum, Prologus: Opera omnia, v. 8 (Parisiis 1873), p. 2.
  • 121. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002.
  • 122. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses 4, 20, 7: SC 100, 648 (PG 7, 1037).
  • 123. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes. 2: AAS 58 (1966) 948.
  • 124. Cf. Sb 9, 9.
  • 125. I Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002.
  • 126. I Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Filius, De Deo rerum omnium Creatore, canones 1-4: DS 3023-3024.
  • 127.  IV Concílio de Latrão, Cap. 2. De fide catholica: DS 800; I Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Filius,. Const. dogm. Dei Filiu.s, De Deo rerum omnium Creatore, canon 5: DS 3025.
  • 128. São Teófilo de Antioquia, Ad Autolycum, 2. 4; SC 20. 102 (PG 6. 1052).
  • 129. Cf. Sl 51, 12.
  • 130. Cf. Gn 1, 3.
  • 131. Cf. 2 Cor 4, 6.
  • 132. Cf. Cf. Gn 1, 26.
  • 133. Cf. Sl 19, 2-5.
  • 134. Cf. Job 42, 3.
  • 135. Cf. São Leão Magno, Ep Quam laudabiliter: DS 286: I Concílio de Braga, Anathematismi praesertim contra Priscillianistas, 5-13: DS 455-463: IV Concílio de Latrão, Cap. 2, De fide catholica: DS 800; Concílio de Florença, Decretam pro Iacobitis: DS 1333. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002.
  • 136. Cf. Sir 43, 30.
  • 137. Santo Agostinho, Confissões, 3, 6, 11: CCL 27, 33 (PL 32, 688).
  • 138. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3003.
  • 139. Cf. Is 10, 5-15: 45, 5-7: Dt 32, 39: Sir 11, 14.
  • 140. Cf. Sl 22; 32; 35; 103; 138; etc.
  • 141. Cf. Mt 10, 29-31.
  • 142. Cf. Gn 1, 26-28.
  • 143. Cf. Cl 1, 24.
  • 144. Cf. 1 Ts 3, 2.
  • 145. Cf. Cl  4, 11.
  • 146. Cf. 1 Cor 12, 6.
  • 147. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes. 36: AAS 58 (1966) 1054.
  • 148. Cf. Mt 19, 26: Jo 15, 5; Fl 4, 13.
  • 149. Cf. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1, q. 25, a. 6: Ed. Leon. 4, 298-299.
  • 150. São Tomás de Aquino, Summa contra gentiles, 3, 71: Ed. Leon. 14. 209-211.
  • 151. Cf. Santo Agostinho, De libero arbitrio, 1, 1, 1: CCL 29, 211 (PL 32. 1221-1223): Santo Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 79, a. l: Ed. Leon. 7, 76-77.
  • 152. Santo Agostinho, Enchiridion de fide, spe et caritate. 3. 11: CCL 46, 53 (PL 40, 236).
  • 153. Cf. Tb 2. 12-18 vulg.
  • 154. Cf. Rm 5, 20.
  • 155. Santa Catarina de Sena,  ll dialogo della Divina provvidenza, 138: ed. G. Cavallini (Roma 1995) p. 441.
  • 156. Margarita Roper, Epistola ad Aliciam Alington (Agosto 1534): The Correspondence of Sir Thomas More, ed. E. F. Rogers (Princeton 1947), p. 531-532. [Texto no Ofício de Leituras da memória de São Tomás Moro a 22 de Junho].
  • 157. Juliana de Norwich, Revelatio 13, 32: A Book of Showings to the Anchoress Julian of Norwich. ed. E. Colledge — J. Walsh, vol.. 2 (Toronto 1978), p. 426 e 422.
  • 158. Cf. Gn 2. 2.
  • 159. Cf. Sagrada Congregação de Estudos, Decreto (27 Julho 1914): DS 3624.
  • 160. Cf. Mt 6, 26-34.
  • 161.  Cf. Sl 55, 23.
  • 162. DS 30.
  • 163. DS 150.
  • 164. Cf. Sl 115, 16.
  • 165. Cf. Sl 19. 2.
  • 166. Cf. Sl 115, 16.
  • 163. DS 150.
  • 164. Cf, Sl 115, 16.
  • 165. Cf. Sl 19, 2.
  • 166. Cf. Sl 115, 16.
  • 167. IV Concílio de Latrão, Cap. I. De fide catholica: DS 800; Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. I: DS 3002 e Paulo VI, Sollemnis Professio fìdei, 8: .AAS 60 (1968) 436.
  • 168. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum, 103, 1, 15: CCL 40, 1488 (PL 37, 1348-1349).
  • 169. Cf. Pio XII, Enc. Humani generis: DS 3891.
  • 170. Cf. Lc 20. 36.
  • 171. Cf. Dn 10, 9-12.
  • 172. Cf. Job 38, 7, onde os anjos são chamados «filhos de Deus».
  • 173. Cf. Gn 3, 24.
  • 174. Cf. Gn 19.
  • 175. Cf. Gn 21, 17.
  • 176. Cf. Gn 22, 11.
  • 177. Cf. Act 7. 53.
  • 178.  Cf. Ex 23, 20-23.
  • 179. Cf. Jz 13.
  • 180. Cf. Jz 6, 11-24; Is 6. 6.
  • 181. Cf. 1 Rs 19, 5.
  • 182. Cf. Lc 1, 11. 26.
  • 183. Cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.
  • 184. Cf. Mc 1, 13; Mt 4, 11.
  • 185. Cf. Lc 22, 43.
  • 186. Cf. Mt 26, 53.
  • 187. Cf. 2 Mac 10, 29-30; 11, 8.
  • 188. Cf. Lc 2, 10.
  • 189. Cf. Lc 2, 8-14.
  • 190 Cf. Mc 16, 5-7.
  • 191. Cf. Act 1, 10-11.
  • 192. Cf. Mt 13, 41; 24, 31; Lc 12, 8-9.
  • 193. Cf. Act 5, 18-20; 8, 26-29; 10, 3-8; 12, 6-11; 27, 23-25.
  • 194. Cf. Oração eucarística. «Santo»: (editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p. 392) [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 452].
  • 195. Ordo exsequiarum, 50, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969), p. 23 [Ed. portuguesa: Celebração das Exéquias. Braga, Conferência Episcopal Portuguesa – Editorial A.O., 1984, n. 77, p. 71].
  • 196. Liturgia Byzantina sancti Ioannis Chrysostomi, Hymnus cherubinorum: Liturgies Eastern and Western, ed. F. E. Brightman (Oxford 1896) p. 377.
  • 197.  Cf. Mt 18, 10.
  • 198. Cf. Lc 16, 22.
  • 199. Cf. Sl 34, 8; 91, 10-13.
  • 200. Cf. Job 33, 23-24; Zc 1, 12; Tb 12, 12.
  • 201. São Basílio Magno, Adversus Eunomium 3, 1; SC 305, 148 (PG 29, 656B).
  • 202. Cf. Gn 1, 1-2, 4.
  • 203. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823.
  • 204.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 41.
  • 205. Cf. Santo Agostinho, De genesi contra Manichaeos, 1, 2, 4: PL 36, 175.
  • 206.  II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054.
  • 207. Cf. Sl 145, 9.
  • 208. Cf. Gn 1, 26.
  • 209. São Francisco de Assis. Cântico das criaturas: Opuscula sancti Patris Francisci Assisiensis, ed C. Esser (Grottaferrata 1978) p. 84-86 [Fontes Franciscanas, l Braga, Editorial Franciscana, 1994) p. 77-78].
  • 210. Cf. Heb 4, 3-4.
  • 211. Cf. Jr 31. 35-37; 33, 19-26.
  • 212. Cf. Gn 1, 14.
  • 213. São Bento, Regula. 43. 3: CSEL 75, 106 (PL 66, 675).
  • 214. Cf. Vigília Pascal, oração depois da primeira leitura: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 276 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 304].
  • 215.  São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1, 114. 3, ad 3: Ed. Leon. 5, 535.
  • 216. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034.
  • 217. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 24: AAS 58 (1966) 1045.
  • 218. Santa Catarina de Sena, Il dialogo della Divina provvidenza, 13: ed. G. Cavallini (Roma 1995) p. 43.
  • 219. Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034: Ibid. 24: AAS 58 (1966) 1045; Ibid. 39: AAS 58 (1966) 1056-1057.
  • 220.  São João Crisóstomo, Sermones in Genesim, 2, 1: PG 54, 587D-588A.
  • 221. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 222. São Pedro Crisólogo, Sermones 117, 1-2: CCL 24A, 709 (PL 52, 520) [2ª leit. do Ofício de Leituras de Sábado da XXIX Semana do Tempo Comum: Liturgia das Horas (Gráfica de Coimbra 1983), v. 4, p. 440].
  • 223. Cf. Tb 8, 6.
  • 224. Pio XII, Enc. Summi Pontificatus: AAS 31 (1939) 427: II Concílio Vaticano, Decl. Nostra aetate, 1: AAS 58 (1966) 740.
  • 225. Pio XII. Enc. Summi Pontificatus: AAS 31 (1939) 426.
  • 226. Cf. Mt 16, 25-26; Jo 15. 13
  • 227.  Cf. Act 2, 41.
  • 228. Cf. Mt 26, 38; Jo 12, 27.
  • 229.  Cf. Mt 10, 28; 2 Mac 6, 30.
  • 230. Cf. 1 Cor 6, 19-20; 15, 44-45.
  • 231. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 14: AAS 58 (1966) 1035.
  • 232. Cf. Concílio de Viena (ano 1312), Const. «Fidei catholicae»: DS 902.
  • 233. Cf. Pio XII, Enc. Humani generis (ano 1950): DS 3896; Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 8: AAS 60 (1968) 436.
  • 234. Cf. V Concílio de Latrão (ano 1513), Bulla Apostolici regiminis: DS 1440.
  • 235. IV Concílio de Constantinopla (ano 870), canon 11: DS 657.
  • 236. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3005; II Concílio Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042-1043.
  • 237. Cf. Pio XII, Enc. Humani generis (ano 1950): DS 3891.
  • 238. Cf. Dt 6, 5; 29, 3; Is 29, 13; Ez 36, 26; Mt 6, 21: Lc 8, 15; Rm 5, 5.
  • 239. Cf. Gn 2, 7.22.
  • 240. Cf. Is 49, 14-15; 66, 13; Sl 131, 2-3.
  • 241. Cf. Os 11, 1-4; Jr 3, 4-19.
  • 242. Cf. Gn 2, 19-20.
  • 243. Cf. João Paulo II, Ep. ap. Mulieris dignitatem, 7: AAS 80 (1988) 1664-1665.
  • 244. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1070-1071.
  • 245. Cf. Gn 1, 28.
  • 246. Cf. Concílio de Trento, Sess. 5.°. Decretum de peccato originali, canon 1: DS1511.
  • 247. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6.
  • 248. Cf. Gn 2, 17; 3, 19.
  • 249. Cf. Gn 3, 16.
  • 250. Cf. Gn 2, 25.
  • 251. Cf. 1 Jo 2, 16.
  • 252. Cf. Gn 2, 8.
  • 253. Cf. Gn 3, 17-19.
  • 254. Oração eucarística IV 118: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 467 [Missal Romano. Gráfica de Coimbra 1992. 538].
  • 255. Cf. Ef 1, 3-6: Rm 8, 29.
  • 256. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 14: AAS 58 (1966) 1035.
  • 257. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034.
  • 258. Santo Agostinho, Confissões 7, 7. 11: CCL 27. 99 (PL 32, 739).
  • 259. Cf. 1 Tm 3, 16.
  • 260. Cf. Rm 5, 20.
  • 261. Cf. Lc 11, 21-22: Jo 16, 11; 1 Jo 3, 8.
  • 262. Cf. Rm 5, 12-21.
  • 263. Cf. I Cor 2, 16.
  • 264. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034-1035.
  • 265. Cf. Concílio de Trento, Sess. 5.º, Decretum de peccato originali, canon 3: DS1513: Pio XII, Enc. Humani generis: DS 3897: Paulo VI, Alocução aos participantes no «simpósio» teológico sobre o pecado original (11 de Julho de 1966): AAS 58 (1966) 649-655.
  • 266. Cf. Gn 3, 1-5.
  • 267. Cf. Sb 2, 24.
  • 268. Cf. Jo 8, 44; Ap 12, 9.
  • 269. IV Concílio de Latrão (ano 1215), Cap. 1, De fide catholica: DS 800.
  • 270. Cf. 2 Pe 2, 4.
  • 271. São João Damasceno, Expositio fidei [De fide orthodoxa 2, 4]: PTS 12, 50 (PG 94, 877).
  • 272. Cf. Mt 4, 1-11.
  • 273. Cf Gn 3, 1-11.
  • 274. Cf. Rm 5, 19.
  • 275. Cf. Gn 3, 5.
  • 276. São Máximo o Confessor, Ambiguorum liber: PG 91, 1156.
  • 277. Cf. Rm 3, 23.
  • 278. Cf. Gn 3, 9-10.
  • 279. Cf. Gn 3, 5.
  • 280.  Cf. Gn 3, 7.
  • 281.  Cf. Gn 3, 11-13.
  • 282. Cf. Gn 3, 16.
  • 283. Cf. Gn 3, 17.19.
  • 284.  Cf. Rm 8, 20.
  • 285. Cf. Gn 2, 17.
  • 286. Cf. Gn 3, 19.
  • 287. Cf. Rm 5, 12.
  • 288. Cf. Gn 4, 3-15.
  • 289. Cf. Gn 6, 5.12; Rm 1, 18-32.
  • 290. Cf. 1 Cor 1-6; Ap 2-3.
  • 291. I Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1035.
  • 292.  Concílio de Trento, Sess.5.ª, Decretum de peccato originali, canon 2: DS 1512.
  • 293 Concílio de Trento, Sess. 5.ª, Decretum de peccato originali, canon 4: DS 1514.
  • 294. São Tomás de Aquino, Quaestiones disputatae de malo, 4. 1, c.: Ed. Leon. 23, 105.
  • 295. Concílio de Trento, Sess. 5.ª, Decretum de peccato originali, canon 1-2: DS 1511-1512.
  • 296. Concílio de Trento, Sess. 5.ª, Decretum de peccato originali, canon 3: DS 1513.
  • 297. Concílio de Orange, Canones 1-2: DS 371-372.
  • 298. Concílio de Trento, Sess. Decretum de peccato originali, DS 1510-1516.
  • 299. Concílio de Trento, Sess. Decretum de peccato originali, canon l: DS 1511; cf. Heb 2, 14.
  • 300. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 25: AAS 83 (1991) 823-824.
  • 301. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 213-217.
  • 302. Cf. 1 Pe 5, 8.
  • 303. II Concílio do Vaticano. Const. past. Gaudium et spes, 37: AAS 58 (1966) 1055.
  • 304. Cf. Gn 3, 9.
  • 305. Cf. Gn 3, 15.
  • 306. Cf. 1 Cor 15, 21-22.45.
  • 307. Cf. Rm 5, 19-20.
  • 308. Cf. Pio IX. Bulla Ineffabilis Deus: DS 2803.
  • 309. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª., Decretum de iustificatione, canon 23: DS 1573.
  • 310. São Leão Magno, Sermo 73. 4: CCL 88A. 453 (PL 54. 151).
  • 311. São Tomás de Aquino, Summa theologiae. 3, q. 1, a. 3. ad 3: Ed. Leon. 11, 14: as palavras aqui citadas por São Tomás cantam-se no Precónio pascal «Exsultet».
  • 312. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034-1035.
  • 313. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 16: AAS 60 (1968) 439.
  • 314.  II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 2: AAS 58 (1966) 1026.

Notas e Referências

  • 1. Cf. Mc 1, 1.
  • 2. Cf. Lc 1, 68.
  • 3. Cf. Lc 1, 55.
  • 4. Cf. Mc 1, 11.
  • 5. Cf. 1 Jo 4, 2.
  • 6. Cf. Mt 16, 18: São Leão Magno. Sermão 4, 3: CCL 88, 19-20 (PL 54, 151 ); Sermão 51, 1: CCL 88A. 296-297 (PL 54, 309): Sermão 62, 2: CCL 88A, 377-378 (PL 54, 350-351); Sermão 83, 3: CCL 88A, 521-522 (PL 54, 432).
  • 7. João Paulo II. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 5: AAS 71 (1979). 1280-1281.
  • 8. João Paulo II. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 5: AAS 71 (1979). 1281.
  • 9. João Paulo II. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 6: AAS 71 (1979). 1281-1282.
  • 10. Cf. Lc 1 , 3 1 .
  • 11. Cf. Sl 51 , 6.
  • 12. Cf. Sl 51. 11.
  • 13. Cf. Sl 79, 9.
  • 14. Cf. Act 5, 41: 3 Jo 7.
  • 15.  Cf. Jo 3, 18: Act 2. 21.
  • 16. Cf. Rom 10, 6-13.
  • 17.  Cf. Act 9. 14; Tg 2, 7.
  • 18. Cf. Lv 16, 15-16: Sir 50, 20-22: Heb 9, 7.
  • 19. Cf. Ex 25, 22; Lv 16, 2; Nm 7, 8 9; Heb 9, 5.
  • 20. Cf. Jo 12. 28.
  • 21. Cf. Act 16, 16-18; 19, 13-16.
  • 22. Cf. Mc 16. 17.
  • 23. Cf. Jo 15, 16.
  • 24. Cf. La réhabilitation de Jeanne la Pucelle. L'enquête ordonée par Charles VII en 1450 et le codicille de Guillaume Bouillé, ed. P. Doncoeur – Y. Larhers (Paris 1956), p. 39.45.56.
  • 25. Cf. 1 Sm 9, 16; 10, 1; 16, 1.12-13: 1 Rc 1, 39.
  • 26.  Cf. Ex 29, 7; Lv 8, 12.
  • 27. Cf. 1 Rs 19, 16.
  • 28. Cf. Sl 2, 2; Act 4, 26-27.
  • 29. Cf. Is 11, 2.
  • 30. Cf. Zc 4, 14; 6, 13.
  • 31. Cf. Is 61, 1; Lc 4, 16-21.
  • 32. Cf.  Lc 1, 35.
  • 33. Cf. Rm 1, 3; 2 Tm 2, 8: Ap 22. 16.
  • 34. Santo Ireneu de Lyon, Adversus Haereses 3, 18, 3; SC 211, 350 (PG 7, 934).
  • 35.  Cf. Mc 1, 24; Jo 6, 69; Act 3, 14.
  • 36. Cf. Mt 2, 2; 9, 27; 12, 23; 15, 22; 20, 30; 21, 9.15.
  • 37. Cf. Jo 4, 25-26; 11, 27.
  • 38. Cf. Mt 22, 41-46.
  • 39. Cf. Jo 6, 15; Lc 24, 21.
  • 40. Cf. Mt 16, 16-23.
  • 41. Cf. Jo 6, 62; Dn 7, 13.
  • 42. Cf. Is 53, 10-12.
  • 43. Cf. Jo 19, 19-22; Lc 23, 39-43.
  • 44. Cf. Dt (LXX) 32, 8; Job 1. 6.
  • 45. Cf. Ex 4, 22; Os 11, 1; Jer 3, 19: Sir 36,14; Sb 18, 13.
  • 46. Cf. Dt 14, 1; Os 2, 1.
  • 47. Cf. 2 Sm 7, 14; Sl 82, 6.
  • 48. Cf. 1 Cr 17, 13; Sl 2. 7.
  • 49. Cf. Mt 27, 54.
  • 50. Cf. Lc 23, 47.
  • 51. Cf. Mt 16, 16.
  • 52. Cf. 1 Ts 1, 10.
  • 53. Cf. Jo 20, 31.
  • 54. Cf. Mt 16, 18.
  • 55.  Cf. Mt 26, 64; Mc 14, 62.
  • 56. Cf. Mt 11, 27; 21, 37-38.
  • 57.  Cf. Mt 21, 34-36.
  • 58. Cf. Mt 24, 36.
  • 59. Cf. Mt 5, 48; 6, 8; 7. 21; Lc 11, 13.
  • 60. Cf. Mt 3, 17; 17, 5.
  • 61. Cf. Jo 10, 36.
  • 62. Cf. Act 13, 33.
  • 63. 63 Cf. Ex 3, 14.
  • 64. Cf. 1 Cor 2, 8.
  • 65. Cf. Mt 22, 41-46; cf. também Act 2. 34-36; Heb 1, 13.
  • 66. Cf. Jo 13, 13.
  • 67. Cf. Mt 8, 2: 14, 30; 15, 22: etc.
  • 68. Cf. Lc 1, 43; 2, 11.
  • 69. Cf. Act 2, 34-36.
  • 70. Cf. Rm 9, 5; Tt 2, 13: Ap 5, 13.
  • 71. Cf. Rm 10, 9; 1 Cor 12, 3; Fl 2. 9-11.
  • 72. Cf. Ap 1, 15.
  • 73. Cf.Mc 12, 17; Act 5, 29.
  • 74. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 10; AAS 58 (1966) 1033; cf. ibid., 45: AAS 58 (1966) 1066
  • 75. Cf. Act 28, 20.
  • 76. Cf. Jo 1, 14, 18; 3, 16,18.
  • 77. Cf. Jo 1, 1.
  • 78. Cf. Act 8, 37; 1 Jo 2, 23, 7
  • 79. DS 150.
  • 80. São Gregório de Nissa, Oratio catechetica 15, 3: TD 7, 78 (PG 45, 48).
  • 81. Cf. Dt 6, 4-5.
  • 82. Cf. Mc 8, 34.
  • 83.  Santo Ireneo de Lião, Adversus haereses 3, 19, 1: SC 211, 374 (PG 7, 939).
  • 84. Santo Atanasio, De Incarnatione, 54, 3: SC 199, 458 (PG 25, 192B).
  • 85. São Tomás de Aquino, Officium de festo corporis Christi, Ad Matutinas. In primo Nocturno, Lectio 1: Opera omnia, v. 29 (Parisiis 1876) p. 336.
  • 86. Cf. Cântico nas I Vésperas de Domingo: Liturgia Horarum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1973-1974), v. 1, p. 545.629.718 e 808: v. 2, p. 844.937.1037 e 1129: v. 3. p. 548.669.793 e 916; v. 4, p. 496.617.741 e 864 [Ed. portuguesa: Liturgia das Horas (Gráfica de Coimbra 1983), v. I. p. 621.710.803 e 897: v. 2, p. 984, 1079, 1182 e 1278; v. 3. p. 685.800.918 e 1032; v. 4, p.633.748.866 e 980].
  • 87. Cf. 1 Jo 4, 2-3; 2 Jo 7.
  • 88. Símbolo de Niceia: DS 125.
  • 89. Concílio de Nicéia, Epistula synodalis «Epeidê tês» ad Aegyptios: DS 130.
  • 90. Símbolo de Niceia: DS 126.
  • 91. Concílio de Éfeso, Epistula II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS250.
  • 92. Concílio de Éfeso,  Epistola II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS251.
  • 93. Cf. Heb 4, 15.
  • 94. Concílio de Calcedónia, Symbolum: DS 301-302.
  • 95. II Concílio de Constantinopla, Sess. 8ª, Canon 4: DS 424.
  • 96. Cf. Concílio de Éfeso, Anathematismi Cyrilli Alexandrini, 4: DS 255.
  • 97. Cf. II Concílio de Constantinopla, Sess. 8ª, Canon 3: DS 423.
  • 98. Cf. II Concílio de Constantinopla, Sess. 8ª, Canon 10: DS 432.
  • 99. Antífona do «Benedictus» no ofício da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 394 [a edição oficial portuguesa omite a versão deste texto: Liturgia das Horas (Gráfica de Coimbra 1983),v. 1, p. 438]: cf. São Leão Magno, Sermão 21. 2: CCL138, 87 (PL 54, 192).
  • 100. Ofício das Horas Bizantino, Tropário «O monoghenis»: «Horológion tò méga (Romae 1876) p. 82.
  • 101. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 102. Cf. Jo 14. 9-10.
  • 103.  II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042-1043.
  • 104. Cf. São Dâmaso I, Epistula «Hóti tê apostolikê kathédra»: DS 149.
  • 105. Cf. Mc 6. 38: 8. 27; Jo 11. 34: etc.
  • 106. Cf. Fl 2, 7.
  • 107. Cf. São Gregório Magno, Ep. Sicut aqua: DS 475.
  • 108. São Máximo Confessor,  Quaestiones et dubia, Q. I, 67: CCG10, 155 (66: PG 90. 840).
  • 109.  Cf. Mc 14, 36: Mt 11. 27; Jo I. 18; 8. 55; etc.
  • 110. Cf. Mc 2. 8; Jo 2, 25; 6. 61; etc.
  • 111. Cf. Mc 8, 31; 9. 31: 10. 33-34; 14, 18-20. 26-30.
  • 112. Cf. Mc 13. 32.
  • 113. Cf. Act 1, 7.
  • 114. Cf. III Concílio de Constantinopla (ano 681). Sess.18.ª, Definido de duabus in Christo voluntatibus et operatianibus: DS 556-559.
  • 115.  III Concílio de Constantinopla (ano 681), Sess.18ª, Definitio de duabus in Christo voluntatibus et operationibus: DS 556.
  • 116. Cf. Concílio de Latrão (ano 649). Canon 4: DS 504.
  • 117. Cf. Gl 3, 1.
  • 118.  Concílio de Nicéia (ano 787), Act. 7ª, Definitio de sacris imaginibus: DS 600-603.
  • 119. Prefácio do Natal II: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 396 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 458].
  • 120. Concílio de Nicéia, Act.7ª, Definitio de sacris imaginibus: DS 601.
  • 121. Cf. Jo 19, 34.
  • 122. Pio XII, Enc. Haurietis aquas: DS 3924: cf. ID.. Enc. Mystici corporis: DS 3812.
  • 123. Cf. Jo 16, 14-15.
  • 124. Cf. Mt 1, 20; Lc 1, 35.
  • 125. Cf. Lc 2, 8-20.
  • 126. Cf. Mt 2, 1-12. A
  • 127. Cf. Jo 1, 31-34.
  • 128. Cf. Jo 2, 11.
  • 129. Cf. Heb 10, 5.
  • 130. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60; cf. ibid., 61: AAS 57 (1965) 63.
  • 131.  Cf. Gn 3,15.
  • 132. Cf. Gn 3, 20.
  • 133. Cf. Gn 18, 10-14; 21, 1-2.
  • 134. Cf. 1 Cor 1, 27.
  • 135.Cf. 1 Sm 1.
  • 136. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 55: AAS 57 (1965) 59-60.
  • 137. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60.
  • 138. Cf. Lc 1, 28.
  • 139. Cf. Lc 1, 28.
  • 140. Pio IX, Bulla Ineffabilis Deus DS 2803.
  • 141. Cf. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium,, 56: AAS 57 (1965) 60.
  • 142. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 53: AAS 57 (1965) 58.
  • 143. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60.
  • 144. Cf. Lc 1, 28-37.
  • 145. Cf. Rm 1, 5.
  • 146. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60-61.
  • 147. Santo Irineu de Lião, Adversus haereses, 3, 22, 4: SC 211, 440 (PG 7, 959).
  • 148. Cf. Santo Irineu de Lião, Adversus haereses, 3, 22, 4: SC 211, 442-444 (PG 7, 959-960).
  • 149. Cf.  II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60-61.
  • 150. Cf. Mt 13, 55.
  • 151. Cf. Concílio de Éfeso, Epistula II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS 251.
  • 152. Cf. DS 10-64.
  • 153. Concílio de Latrão (ano 649), Canon 3: DS 503.
  • 154. Cf. Rm 1, 3.
  • 155. Cf. Jo 1, 13.
  • 156. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Smyrnaeos 1-2: SC 10bis. p. 132-134 (Funk 1, 274‑276).
  • 157. Cf. Mt 1, 18-25: Lc 1, 26-38.
  • 158. Cf. Lc 1, 34.
  • 159. Cf. São Justino, Dialogus cum Tryphone Iudaeo 66-67: CA 2. 234-236 (PG 6, 628-629): Orígenes, Contra Celsum, 1. 32: SC 132, 162-164 (PG 8. 720-724); Ibid., 1, 69: SC 132, 270 (PG 8, 788-789): e outros.
  • 160. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3016.
  • 161. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios 19, 1: SC l0bis- 74 (Funk 1, 228); cf. 1 Cor 2, 8.
  • 162. II Concílio de Constantinopla, Sess.8ª Canon 6 : DS 427.
  • 163. Cf. São Leão Magno, Tomus ad Flavianum: DS 291; Ibid.: DS 294; Pelágio I, Ep. Humani generis: DS 442: Concílio e Latrão, Canon 3: DS 503; XVI Concílio de Toledo, Symbolum: DS 571; Paulo IV, Const. Cum quorumdam hominum: DS 1880.
  • 164. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 57: AAS 57 (1965) 61.
  • 165  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 52: AAS 57 (1965) 58.
  • 166. Cf. Mc 3, 31-35; 6, 3: 1 Cor 9, 5: Gl 1, 19.
  • 167. Cf. Mt 27, 56.
  • 168. Cf. Gn 13, 8; 14, 16; 29. 15; etc.
  • 169. Cf. Jo 19, 26-27; Ap 12, 17.
  • 170.  Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 63: AAS 57 (1965) 64.
  • 171. Cf. Lc 2, 48-49.
  • 172. Concílio de Friúl (ano 796). Symbolum: DS 619.
  • 173. Cf. 1 Cor 15, 45.
  • 174. Cf. Cl 1, 18.
  • 175. Cf. Jo 3, 9.
  • 176. Cf. 2 Cor 11, 2.
  • 177. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 63: AAS 57 (1965) 64.
  • 178. Cf. 1 Cor 7, 34-35.
  • 179. Santo Agostinho, De sancta virginitate, 3, 3: CSEL 41. 237 (PL 40, 398).
  • 180. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 63: AAS 57 (1965) 64.
  • 181. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 64: AAS 57 (1965) 64.
  • 182. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 103: AAS 56 (1964) 125.
  • 183. Santo Agostinho, Sermão 186, 1: PL 38, 999.
  • 184. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60.
  • 185. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3. q. 30, a. I. c: Ed. Leon. 11, 315.
  • 186. Cf. Jo 20, 3.
  • 187. Cf. Mc 1, 1; Jo 21, 24
  • 188. Cf. Lc 2, 7.
  • 189. Cf. Mt 27, 48.
  • 190. Cf  Jo 20, 7.
  • 191.Cf. Heb 10, 5-7.
  • 192. Cf. 1 Jo 4, 9.
  • 193.  Cf. Ef 1, 7: Cl I. 13-14 (Vulgata); 1 Pe 1, 18-19.
  • 194. Cf. 2 Cor 8, 9.
  • 195. Cf. Lc 2, 51.
  • 196. Cf. Jo 15, 3.
  • 197. Cf. Is 53, 4.
  • 198. Cf. Rm 4, 25.
  • 199. Santo Ireneo de Lião, Adversus haereses 3, 18, 1: SC 211, 342-344 (PG 7, 932).
  • 200. Ibidem, 18. 7: SC 211, 366 (PG 7, 937); cf. Ibid. 2, 22. 4: SC 294, 220-222 (PG 7, 784).
  • 201. João Paulo II, Enc. Redemptor hominis, 11: AAS 71 (1979) 278.
  • 202. Cf. Símbolo Niceno-Contantinopolitano: DS 150.
  • 203. Cf. Rm 15, 5; Fl 2, 5.
  • 204. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 38: AAS 58 (1966) 1055.
  • 205. Cf. Jo 13, 15.
  • 206. Cf. Lc 11, 1.
  • 207. Cf. Mt 5, 11-12.
  • 208. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 209. São João Eudes: Le royaume de Jésus, 3, 4: Oeuvres complètes, v. 1 (Vannes 1905) p. 310-311 [2ª leitura do Ofício de Leituras de sexta-feira da 33ª  semana do Tempo Comum: Liturgia das Horas, v. 4 (Gráfica de Coimbra 1983), p. 539].
  • 210. Cf. Heb 9, 15.
  • 211. Cf. Act 13, 24.
  • 212 Cf. Mt 3, 3.
  • 213. Cf. Lc 7 26
  • 214. Cf. Mt 11, 13.
  • 215. Cf. Act 1, 22: Lc 16, 16.
  • 216. Cf. Lc 1, 41.
  • 217. Cf. Mc 6, 17-29.
  • 218. Cf. Ap 22, 17.
  • 219. Cf. Lc 2, 6-7.
  • 220. Cf. Lc 2, 8-20.
  • 221.  São Romano o Melódio, Kontakion, 10, In diem Nativitatis Christi, Prooemium: SC 110, 50.
  • 222. Cf. Mt 18, 3-4.
  • 223. Cf. Mt 23, 12.
  • 224. Cf. Jo 1, 13.
  • 225. Cf. Jo 1, 12.
  • 226. Cf. Gl 4, 19.
  • 227. Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, 1ª Antífona das I e II Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. I (Typis Polyglottis Vaticanis 1973), p. 385 e 397 [a versão oficial portuguesa é menos exacta: «Oh admirável mistério! O Criador do género humano, tomando corpo e alma, dignou-Se nascer duma Virgem; e, feito homem, tornou-nos participantes da sua divindade!»: Liturgia das Horas. v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983). p. 426 e 441].
  • 228. Cf. Lc 2, 21.
  • 229. Cf. Gl 4, 4. -'9
  • 230. Cf. Cl 2, 11-13.
  • :231. Cf. Solenidade da Epifania do Senhor. Antífona do «Magnificat» das II Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 465 [Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 528].
  • 232. Cf. Mt 2, 1.
  • 233. Cf. Mt 2, 2.
  • 234. Cf. Nm 24, 17; Ap 22, 16.
  • 235. Cf. Nm 24, 17-19.
  • 236. Cf. Jo 4, 22.
  • 237. Cf. Mt 2, 4-6.
  • 238. São Leão Magno, Sermão 33, 3: CCL 138, 173 (PL 54. 242) [Solenidade da Epifania do Senhor, 2ª  Leitura do Ofício de Leituras: Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 519].
  • 239. Vigília Pascal, Oração depois da 3ª  leitura: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 277 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 305].
  • 240.  Cf. Lc 2, 22-39.
  • 241. Cf. Ex 13, 2. 12-13.
  • 242. Cf. Mt 2, 13-18.
  • 243. Cf. Jo 15, 20.
  • 244. Cf. Mt 2, 15.
  • 245. Cf. Os 11, 1.
  • 246. Cf. G1 4, 4.
  • 247. Cf. Lc 2, 51.
  • 248. Cf. Rm 5, 19.
  • 249. Paulo VI, Alocução na igreja da Anunciação à bem-aventurada Virgem Maria em Nazaré, 5 de Janeiro de 1964: AAS 56 (1964) 167-168 [Festa da Sagrada Família, 2ª  Leitura do Ofício de Leitura: Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 381-382].
  • 250. Cf. Lc 2, 41-52.
  • 251. Cf. Lc 3, 23.
  • 252. Cf. Act 1, 22.
  • 253. Cf. Lc 3, 10-14.
  • 254. Cf. Mt 3, 7.
  • 255. Cf. Mt 21, 32.
  • 256. Cf. Is 53, 12.
  • 257.  Cf. Mc 10, 38; Lc 12, 50.
  • 258. Cf. Mt 26, 39.
  • 259. Cf. Lc 3 . 22; Is 42, 1.
  • 260. Cf. Jo 1 , 32-33; Is 1 l, 2.
  • 261. São Gregório Nazianzeno, Oratio 40, 9: SC 358, 216 (PG 36. 369).
  • 262Santo Hilário de Poitiers, In evangelium Matthaei 2, 6: SC 254. 110 (PL 9, 927).
  • 263. Cf. Mc 1, 13.
  • 264. Cf. SI 95, 10.
  • 265. Cf. Mc 3, 27.
  • 266. Cf. Mt 16, 21-23.
  • 267. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.
  • 268.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6.
  • 269. I II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.
  • 270 Cf.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.
  • 271. Cf. Mt 10, 5-7.
  • 272. Cf. Mt 8, 11; 28, 19.
  • 273.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7.
  • 274. Cf. Lc 7, 22.
  • 275. Cf. Mt 11, 25.
  • 276. Cf. Mc 2, 23-26: Mt 21, 18.
  • 277. Cf. Jo 4, 6-7: 19, 28.
  • 278. Cf. Lc 9, 58.
  • 279. Cf. Mt 25, 31-46.
  • 280. Cf. 1 Tm 1, 15.
  • 281. Cf. Lc 15, 11-32.
  • 282. Cf. Mc 4, 33-34.
  • 283. Cf. Mt 22, 1-14.
  • 284. Cf. Mt 13, 44-45.
  • 285. Cf. Mt 21, 28-32.
  • 286. Cf. Mt 13, 3-9.
  • 287. Cf. Mt 25, 14-30.
  • 288. Cf. Mt 13, 10-15.
  • 289. Cf. Lc 7. 18-23.
  • 290. Cf. Jo 5, 36; 10, 25.
  • 291. Cf. Jo 10, 38.
  • 292. Cf. Mc 5, 25-34; 10, 52: etc.
  • 293. Cf. Jo 10, 31-38.
  • 294. Cf. Mt 11, 6.
  • 295. Cf. Jo 11, 47-48.
  • 296. Cf. Mc 3, 22.
  • 297. Cf. Jo 6, 5-15.
  • 298. Cf. Lc 19, 8.
  • 299. Cf. Mt 11, 5.
  • 300. Cf. Lc 12, 13-14; Jo 18, 36.
  • 301. Cf. Jo 8, 34-36.
  • 302. Cf. Mt 12, 26.
  • 303. Cf. Lc 8, 26-39.
  • 304. Cf. Jo 12, 31.
  • 305. Venâncio Fortunato, Hino «Vexilla Regis»: MGH 1/4/1, 34 (PL 88, 96).
  • 306. Cf. Mc 3, 13-19.
  • 307. Cf. Mc 3, 16; 9, 2; Lc 24, 34: 1 Cor 15, 5.
  • 308. Cf. 1 Pe 2. 4.
  • 309. Cf. Lc 22, 32.
  • 310. Cf. Mt 18, 18.
  • 311. Cf. Mt 16, 22-23.
  • 312. Cf. Mt 17, 23; Lc 9, 45.
  • 313. Cf. Mt 17, 1-8 e par.: 2 Pe 1, 16-18.
  • 314. Cf. Lc 24. 27.
  • 315.  Cf. Is 42, 1.
  • 316.  São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3. q. 45, a. 4, ad 2: Ed. Leon. 11, 433.
  • 317. Liturgia bizantina, Kontakion na Festa da Transfiguração: «Mênaîa toû bólou eniautoû», v. 6 (Romae 1901) p. 341.
  • 318.  Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 45. a. 4, ad 2: Ed. Leon. 11, 433.
  • 319. Cf. Lc 9. 33.
  • 320. Santo Agostinho, Sermão 78. 6: PL 38, 492-493.
  • 321. Cf. Jo 13, 1.
  • 322. Cf.  Mc 8, 31-33; 9, 31-32; 10, 32-34.
  • 323. Cf. Mt 23, 37a.
  • 324. Cf. Lc 19, 41.
  • 325. Cf. Jo 6, 15.
  • 326. Cf. Mt 21, 1-11.
  • 327. Cf. Jo 18, 37.
  • 328. Cf. Mt 21, 15-16; Sl 8, 3.
  • 329. Cf. Lc 19, 38: 2, 14.
  • 330. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 9: AAS 71 (1979) 1284.
  • 331. Cf. Gl 4, 19.
  • 332. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 7: AAS 57 (1965) 10.
  • 333. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7.
  • 334. Cf. São Leão Magno, Sermão 51, 3: CCL 138A, 298-299 (PL 54. 310).
  • 335. Cf. Heb 12, 3.
  • 336. Cf. Lc 24, 27, 44-45.
  • 337. Cf. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 19; AAS 58 (1966) 826-827.
  • 338.  Cf. Mc 3, 6.
  • 339. Cf. Mt 12, 24.
  • 340. Cf. Mc 2, 7.
  • 341. Cf. Mc 3, 1-6.
  • 342. Cf. Mc 7, 14-23.
  • 343. Cf. Mc2, 14-17.
  • 344. Cf. Mc 3, 22: Jo 8, 48: 10, 20.
  • 345. Cf. Mc 2, 7; Jo 5, 18; 10, 33.
  • 346. Cf. Jo 7, 12; 52.
  • 347. Cf. Jo 8, 59; 10, 31.
  • 348. Cf. Lc 2, 34.
  • 349. CL Jo 1, 19; 2, 18; 5, 10; 7, 13; 9, 22 18, 12: 19, 38; 20, 19.
  • 350. Cf. Jo 7, 48-49.
  • 351. Cf. Lc 13, 31.
  • 352. Cf. Lc 7, 36; 14, 1.
  • 353. Cf. Mt 22, 23-34; Lc 20, 39.
  • 354. Cf. Mt 6, 2-18.
  • 355. Cf. Mc 12, 28-34.
  • 356. Cf. Jo 8, 46.
  • 357. Cf. Jo 7, 19; Act 13, 38-41; 15, 10.
  • 358. Cf. Gl 3, 10; 5, 3.
  • 359. Cf. Rm 10, 2.
  • 360. Cf. Mt 15, 3-7; Lc 11, 39-54.
  • 361. Cf. Is 53, 11: Heb 9, 15.
  • 362.  Cf. Gl 4, 4.
  • 363. Cf. Gl 3, 13.
  • 364. Cf. Gl 3, 10.
  • 365. Cf. Jo 3. 2; Mt 22, 23-24. 34-36.
  • 366. Cf. Mt 9, 12; 12, 5: Mc 2, 23-27; Lc 6, 6-9; Jo 7, 22-23.
  • 367. Cf. Mt 5, 1.
  • 368. Cf. Mc 7, 8.
  • 369. Cf. Mc 7, 13.
  • 370. Cf. Gl 3, 24.
  • 371. Cf. Jo 5, 36; 10 25. 37-38; 12, 37.
  • 372 Cf. Mc 2, 25-27; Jo 7, 22-24.
  • 373. Cf. Mt 12, 5; Nm 28, 9.
  • 374. Cf. Lc 13, 15-16; 14, 3-4.
  • 375.  Cf. Lc 2, 22-39.
  • 376 Cf. Lc 2, 46-49.
  • 377. Cf. Lc 2, 41.
  • 378. Cf. Jo 2, 13-14; 5, 1.14; 7, 1.10.14; 8, 2; 10, 22-23.
  • 379. Cf. Mt 21, 13.
  • 380. Cf. Act 2, 46; 3. 1; 5, 20-21; etc.
  • 381. Cf. Mt 24, 1-2.
  • 382. Cf. Mt 24, 3: Lc 13, 35.
  • 383. Cf. Mc 14, 57-58.
  • 384. Cf. Mt 27, 39-40.
  • 385. Cf. Mt 8, 4; 23, 21; Lc 17, 14; Jo 4, 22.
  • 386. Cf. Jo 18, 20.
  • 387. Cf. Mt 17, 24-27.
  • 388. Cf. Mt 16, 18.
  • 389. Cf. Jo 2, 21; Mt 12, 6.
  • 390. Cf. Jo 2, 18-22.
  • 391. Cf. Jo 4, 23-24; Mt 27, 51: Heb 9, 11; Ap 21, 22.
  • 392. Cf. Lc 2, 34.
  • 393. Cf. Lc 20, 17-18; Sl 118, 22.
  • 394. Cf. Lc 5. 30.
  • 395. Cf. Lc 7, 36; 11, 37; 14, 1.
  • 396 Cf. Jo 7, 49; 9, 34.
  • 397. Cf. Jo 8, 33-36.
  • 398. Cf. Jo 9. 40-41.
  • 399. Cf. Mt 9, 13; Os 6, 6.
  • 400. Cf. Lc 15, 1-2.
  • 401. Cf. Lc 15. 23-32.
  • 402. Cf. Jo 5, 18: 10, 33.
  • 403. Cf.  Jo 17, 6.26.
  • 404. Cf. Mt 12, 6.
  • 405 Cf. Mc 12, 36-37.
  • 406. Cf. Jo 10, 36-38.
  • 407. Cf. Jo 3, 7.
  • 408. Cf. Jo 6, 44.
  • 409. Cf. Is 53, 1.
  • 410. Cf. Mc 3, 6; Mt 26, 64-66.
  • 411. Cf. Lc 23, 34; Act 3, 17-18.
  • 412. Cf. Mc 3, 5; Rm 11, 25.
  • 413. Cf. Rm 11, 20.
  • 414. Cf. Mt 5, 17-19.
  • 415. Cf. Jo 8, 46.
  • 416. Cf. Mt 5, 33.
  • 417. Cf. Heb 9, 15.
  • 418. Cf. Jo 5, 16-18.
  • 419.  Cf. Jo 1, 14.
  • 420. Cf. Jo 10, 33.
  • 421. Cf. Jo 7, 50.
  • 422. Cf. Jo 19, 38-39.
  • 423. Cf. Jo 9, 16-17; 10, 19-21.
  • 424. Cf. Jo 9, 16; 10, 19.
  • 425. Cf. Jo 9, 22.
  • 426. Cf. Mt 26, 66.
  • 427. Cf. Jo 18, 31.
  • 428. Cf. Lc 23, 2.
  • 429. Cf. Jo 19, 12.15.21.
  • 430. Cf. Mc 15, 11.
  • 431. Cf. Act 2, 23.36; 3, 13-14; 4, 10; 5, 30; 7, 52; 10, 39; 13, 27-28; 1 Ts 2, 14-15.
  • 432. Cf. Lc 23, 34.
  • 433. Cf. Act 3, 17.
  • 434. Cf. Act 5, 28; 18, 6.
  • 435. II Concílio do Vaticano, Decl. Nostra aetate, 4: AAS 58 (1966) 743.
  • 436. CatRom 1, 5, 11. p. 64: Cf. Heb 12, 3.
  • 437. Cf. Mt 25, 45; Act 9, 4-5.
  • 438. CatRom 1, 5, 11, p. 64.
  • 439. São Francisco de Assis, Admonitia 5, 3: Opuscula Sancti Patris Francisci Assisiensis, ed. G. Esser (Grottaferrata 1978) p. 66. [Fontes Franciscanas I (Braga. Editorial Franciscana. 1994) p. 114].
  • 440. Cf. Act 3, 13.
  • 441. Cf. Sl 2, 1-2.
  • 442. Cf. Mt 26, 54; Jo 18, 36: 19, 11.
  • 443. Cf. Act 3, 17-18.
  • 444. Cf. Is 53, 11: Act 3, 14.
  • 445. Cf. Is 53, 11-12; Jo 8. 34-3
  • 446. Cf. 1 Cor 15, 3.
  • 447. Cf. também Act 3, 18; 7, 52; 13, 29; 26, 22-23.
  • 448. Cf. Is 53. 7-8; Act 8, 32-35.
  • 449. Cf. Mt 20, 28.
  • 450. Cf. Lc 24, 25-27.
  • 451. Cf. Lc 24, 44-45.
  • 452. Cf. Rm 5, 12: 1 Cor 15, 56.
  • 453. Cf. Fl 2, 7.
  • 454. Cf. Rm 8, 3.
  • 455. Cf. Jo 8, 46.
  • 456. Cf. Jo 8, 29.
  • 457. Cf. Sl 22, 1.
  • 458. Cf. 1 Jo 4, 19.
  • 459. Cf. Rm 5, 18-19.
  • 460. Cf. 2 Cor 5, 15: 1 Jo 2, 2.
  • 461. Concílio de Quiercy (ano 853). De libero arbitrio hominis et de praedestinatione, canon 4: DS 624.
  • 462. Cf. Jo 6. 38.
  • 463. Cf. Lc 12, 50; 22, 15: Mt 16, 21-23.
  • 464. Cf. Lc 3, 21; Mt 3, 14-15.
  • 465. Cf. Jo 1, 29.36.
  • 466. Cf. Is 53, 7: Jr  11,19.
  • 467. Cf. Is 53, 12.
  • 468. Cf. Ex 12, 3-14; Jo 19, 36; 1 Cor 5, 7.
  • 469. Cf. Mc 10, 45.
  • 470. Cf. Heb 2, 10.17-18; 4, 15; 5, 7-9.
  • 471. Cf. Jo 18, 4-6; Mt 26, 53.
  • 472. Cf. Mt 26, 20.
  • 473. Cf. 1 Cor 5, 7.
  • 474. Cf. 1 Cor 11, 25.
  • 475. Cf. Lc 22, 19.
  • 476. Cf. Concílio de Trento, Sess. 22ª, Doctrina de sanctissimo Missae Sacriftcio, canon 2: DS 1752: Sess. 23ª, Doctrina de sacramento Ordinis, c. 1: DS 1764.
  • 477. Cf. Lc 22, 20.
  • 478. Cf. Mt 26, 42.
  • 479. Cf. Heb 5, 7-8.
  • 480. Cf. Heb 4, 15.
  • 481. Cf. Rm 5, 12.
  • 482. Cf. Act 3, 15.
  • 483. Cf. Ap 1, 18; Jo 1, 4; 5, 26.
  • 484. Cf. Mt 26, 42.
  • 485. Cf. 1 Cor 5, 7; Jo 8, 34-36.
  • 486. Cf. Jo 1, 29: 1 Pe 1, 19.
  • 487. Cf. 1 Cor 11, 25.
  • 488. Cf. Ex 24, 8.
  • 489. Cf. Mt 26, 28; Lv 16, 15-16.
  • 490. Cf. Heb 10, 10.
  • 491. Cf. 1 Jo 4, 10.
  • 492. Cf. Jo 15, 13.
  • 493. Cf. Jo 10, 17-18.
  • 494. Cf. Heb 9, 14.
  • 495. Cf. Is 53, 10-12.
  • 496. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª,  Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529.
  • 497. Cf. Jo 13, 1.
  • 498. Cf. Gl 2, 20; Ef 5, 2. 25.
  • 499. Concílio de Trento, Sess. 6ª. Decretum de iustificatione, c. 1: DS 1529.
  • 500. Cf. Heb 5, 9.
  • 501. Aditamento litúrgico ao Hino «Vexilla Regis»: Liturgia Horarum, editio typica. N. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974) p. 313: v. 4, p. 1129 [a versão litúrgica em português difere um pouco: «Cruz do Senhor, és única esperança!»: Liturgia das Horas. v. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 366; v. 4. p. 1267].
  • 502. Cf. 1 Tm 2, 5.
  • 503.  II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 504. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1043.
  • 505. Cf. Mt 16, 24.
  • 506. Cf. 1 Pe 2, 21.
  • 507. Cf. Mc 10, 39; Jo 21, 18-19; Cl 1, 24.
  • 508. Cf. Lc 2, 35.
  • 509. Santa Rosa de Lima: P. Hansen. Vita mirabilis [...] venerabilis sororis Rosae de sancta Maria Limensis (Romae 1664), p. 137.
  • 510. Cf. 1 Pe 1, 18.
  • 511. Cf. Is 53, 10.
  • 512. Cf. Is 53, 11; Rm 5, 19.
  • 513. Cf. Jo 19, 42.
  • 514. Cf. Heb 4, 4-9.
  • 515. Cf. Jo 19, 30.
  • 516. Cf. Cl 1, 18-20.
  • 517. São Gregório de Nissa, Oratio catechetica, 16, 9: TD 7, 90 (PG 45, 52).
  • 518. Cf. Act 3, 15.
  • 519. Cf. Lc 24, 5-6.
  • 520. São João Damasceno, Expositio fidei, 71 [De Fide orthodoxa 3, 27]. PTS 12, 170 (PG 94, 1098).
  • 521. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, 51, 3. ad 2: ED. Leon. 11, 490.
  • 522. Cf. Sl 16, 9-10.
  • 523. Cf. Mt 12, 40: Jo 2, 1; Os 6, 2.
  • 524. Cf. Jo 11, 39.
  • 525. Cf. Cl 2, 12: Ef 5, 26.
  • 526. Cf. Heb 2, 9.
  • 527. Vigília Pascal, Precónio Pascal («Exsultet»): Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 273 e 275 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 292 e 295].
  • 528. Cf. Act 3, 15; Rm 8, 11.
  • 529. Cf. Heb 13, 20.
  • 530. Cf. 1 Pe 3, 18-19.
  • 531. Cf. Fl 2, 10; Act 2, 24: Ap 1, 18; Ef 4, 9.
  • 532. Cf. Sl 6, 6; 88, 11-13.
  • 533. Cf. Sl 89, 49; 1 Sm 28, 19: Ez 32, 17-32.
  • 534. Cf. Lc 16, 22-26,
  • 535. CatRom 1. 6. 3. p. 71.
  • 536.  Cf. Concílio de Roma (ano 745), De descensu Christi ad inferos: DS 587.
  • 537. Cf. Bento XII, Libellus, Cum dudum (1341). 18: DS 1011; Clemente VI, Ep. Super quibusdam (ano 1351), c. 15, 13: DS 1077.
  • 538. Cf. IV Concílio de Toledo (ano 633). Capitulum, 1: DS 485; Mt 27, 52-53.
  • 539. Cf Mt 12, 40; Rm 10, 7; Ef 4, 9.
  • 540.  Cf. Act 3, 15.
  • 541. Antiga homilia para Sábado Santo: PG 43. 440.452.461 [Sábado Santo, 2ª Leitura do Ofício de Leituras: Liturgia das Horas, s. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 454-4551.
  • 542. Liturgia bizantina, Tropário no dia de Páscoa: «Pentêkostárion» (Romae 1884) p.6.
  • 543. Cf. Act 9, 3-18.
  • 544. Cf. Jo 20, l3; Mt 28, 11-15.
  • 545. Cf. Lc 24, 3. 22-23.
  • 546. Cf. Lc 24, 12.
  • 547. Cf. Jo 20, 8.
  • 548. Cf. Jo 20, 5-7.
  • 549. Cf. Jo 11, 44.
  • 550. Cf. Mc 16, l ; Lc 24, 1.
  • 551. Cf. Jo 19, 31.42.
  • 552. Cf. Mt 28, 9-10; Jo 20, 11-18.
  • 553. Cf. Lc 24, 9-10.
  • 554. Cf. 1 Cor 15, 5.
  • 555. Cf. Lc 22, 31-32.
  • 556. Cf. Act 1, 22.
  • 557. Cf. 1 Cor 15, 4-8.
  • 558. Cf. Lc 22, 31-32.
  • 559. Cf. Jo 20, 19.
  • 560. Cf. Mc 16, 11.13.
  • 561. Cf. Lc 24,38.
  • 562. Cf. Lc 24, 37.
  • 563. Cf. Jo 20, 24-27.
  • 564. Cf. Lc 24, 39; Jo 20, 27.
  • 565. Cf. Lc 24, 30.41-43: Jo 21, 9.13-15.
  • 566. Cf. Lc 24, 39.
  • 567. Cf. Lc 24, 40: Jo 20, 20.27.
  • 568. Cf. Mt 28, 9.16-17; Lc 24, 15.36; Jo 20, 14.19-26; 21, 4.
  • 569. Cf. Jo 20, 17.
  • 570.  Cf. Jo 20, 14-15.
  • 571. Cf. Jo 20, 14.16; 21, 4.7.
  • 572. Cf. 1 Cor 15, 35-50.
  • 573. Vigília Pascal, Precónio Pascal («Exsultet» ): Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 272 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 290 e 294].
  • 574.  Cf. Jo 14, 22.
  • 575. Cf. Rm 6, 4; 2 Cor 13, 4: Fl 3. 10; Ef 1, 19-22; Heb 7, 16.
  • 576. Cf. Mc 8, 31; 9. 9.31; 10. 34.
  • 577. São Gregório de Nissa, De tridui inter mortem et resurrectionem Domini nostri Iesu Christi spatio: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger — H. Langerbeck, V. 9 (Leiden 1967) p. 293- 294 (PG 46, 417B): cf. também Statuta Ecelesiae Antigua: DS 325: Anastásio II, Ep. In prolixitate epistulae: DS 359: Santo Hormisda. Ep. Inter ea quae: DS 369: XI Concílio de Toledo, Symbolum: DS 539.
  • 578. Cf. Lc 24, 26-27. 44-48.
  • 579. Cf. Mt 28, 6; Mc 16, 7; Lc 24, 6-7.
  • 580. Cf. 1 Cor 15, 3-4: Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 581. Cf. Sl, 2, 7.
  • 582.  Cf. Rm 4, 25.
  • 583. Cf. Ef 2, 4-5; 1 Pe 1, 3.
  • 584. Cf. Jo 20, 17.
  • 585. Cf. Cl 3, 1-3.
  • 586. Cf. Rm 6, 4.
  • 587. Cf. Rom 8, 11.
  • 588. Cf. Lc 24. 31; Jo 20, 19.26.
  • 589. Cf. Act 10, 41.
  • 590. Cf. Act 1, 3.
  • 591. Cf. Mc 16, 12; Lc 24. 15; Jo 20, 14-15; 21, 4.
  • 592. Cf. Act 1, 9; também Lc 9. 34-35; Ex 13, 22.
  • 593. Cf. Lc 24, 51.
  • 594. Cf. Mc 16, 19; Act 2, 33; 7. 56: também Sl 110, 1.
  • 595. Cf. 1 Cor 9, 1: Gl 1, 16.
  • 596. Cf. Jo 16, 28.
  • 597. Cf. Ef  4, 8-10.
  • 598. Cf. Jo 14, 2.
  • 599. Prefácio de Ascensão, I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 410 [Missal Romano. Gráfica de Coimbra 1992. 474].
  • 600. Cf. Ap 4, 6-11.
  • 601. São João Damasceno, Expositio fidei, 75 [De fide Orthodoxa 4, 2]: PTS 12. 173 (PG 94, 104D).
  • 601. Cf. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 603. Cf. Act 1, 11.
  • 604. Cf. Cl 3, 3.
  • 605. Cf. Ef  4, 10; 1 Cor 15, 24. 27-28.
  • 606. Cf. Ef 1, 10.
  • 607. Cf. Ef 1, 22.
  • 608. Cf. Ef  4, 11-13.
  • 609. Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.
  • 610. Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.
  • 611. Cf. 1 Pe 4,  7.
  • 612. Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
  • 613. Cf. Mc 16, 17-18.
  • 614. Cf. Mc 16, 20.
  • 615. Cf. Mt 25, 31.
  • 616. Cf. 2 Ts 2, 7.
  • 617. Cf. 1 Cor 15, 28.
  • 618. Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
  • 619. Cf. 1 Cor 11, 26.
  • 620. Cf. 2 Pe 3. 11-12.
  • 621. Cf. 1 Cor 16, 22; Ap 22, 17.
  • 622. Cf. Act  1, 6-7.
  • 623. Cf. Is 11, 1-9.
  • 624. Cf. Act 1, 8.
  • 625. Cf. 1 Cor 7, 26.
  • 626. Cf. Ef 5, 16.
  • 627. Cf. 1 Pe 4, 17.
  • 628. Cf. 1 Jo 2, 18; 4, 3: 1 Tm 4, 1.
  • 629. Cf. Mt 25, 1-13; Mc 13, 33-37.
  • 630. Cf. Ap 22. 20.
  • 631. Cf. Mc 13, 32.
  • 632. Cf. Mt 24, 44; 1 Ts 5, 2.
  • 633. Cf. 2 Ts 2, 3-12.
  • 634. Cf. Rm 11, 31.
  • 635. Cf. Rm 11, 26;  Mt 23, 39.
  • 636. Cf. Rm 11, 25.
  • 637. Cf. Rm 11, 12.
  • 638. Cf. Rm 11, 25; Lc 21, 24.
  • 639. Cf. Lc 18, 8; Mt 24, 12.
  • 640. Cf. Lc 21, 12; Jo 15, 19-20.
  • 641. Cf. 2 Ts 2, 4-12; 1 Ts 5. 2-3; 2 Jo 7; 1 Jo 2, 18.22.
  • 642. Cf. Santo Ofício, Decretum de millenarismo (19 de Julho de 1944): DS 3839.
  • 643. Cf. Pio XI, Enc. Divini Redemtptoris (19 de Março de 1937): AAS 29 (1937) 65-106, condenando o «falso misticismo» desta «simulação da redenção dos humildes» (p. 69); II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 20-21: AAS 58 (1966) 1040-1042.
  • 644. Cf. Ap 19, 1-9.
  • 645. Cf. Ap 13, 8.
  • 646. Cf. Ap 20, 7-10.
  • 647. Cf. Ap 21, 2-4.
  • 648. Cf. Ap 20, 12.
  • 649. Cf. 2 Pe 3. 12-13.
  • 650. Cf. Dn 7, 10; Jl 3-4: Ml 3, 19.
  • 651. Cf. Mt 3, 7-12.
  • 652. Cf. Mc 12, 38-40.
  • 653. Cf. Lc 12, Jo 3, 20-21; Rm 2, 16; 1 Cor 4, 5.
  • 654. Cf. Mt 11, 20-24: 12, 41-42.
  • 655. Cf. Mt 5, 22; 7, 1-5.
  • 656. Cf. Jo 5, 27: Mt 25, 31: Act 10, 42: 17, 31: 2 Tm 4, 1.
  • 657. Cf. Jo 3, 17.
  • 658. Cf. Jo 5, 26.
  • 659. Cf. Jo 3, 18: 12, 48.
  • 600. Cf. 1 Cor 3, 12-15.
  • 601. Cf. Mt 12, 32; Heb 6, 4-6; 10, 26-31.

Notas e Referências

  • 1. Santo Ireneu de Lião, Demonstratio praedicationis apostolicae, 7: SC 62, 41-42.
  • 2. Cf. Jo 17, 3.
  • 3. São Gregório de Nazianzo, Oratio 31 (Theologica 5), 26: SC 250, 326 (PG 36, 161-164).
  • 4. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 5. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 6. Cf. Jo 16, 13.
  • 7. Cf. Gl 4, 6.
  • 8. Cf. Jo 3, 34.
  • 9. Cf. Jo 7, 39.
  • 10. Cf. Jo 17, 22.
  • 11. Cf. Jo 16, 14.
  • 12. São Gregório de Nissa, Adversus Macedonianos de Spiritu Sancto, 16: Gregorii Nysseni
    opera,
    ed. W. Jaeger-H. Langerbeck, V. 3/1 (Leiden 1958) p. 102-103 (PG 45, 1321).
  • 13. Cf. Mt 28, 19.
  • 14. Cf. Jo 3, 5-8.
  • 15. Cf. 1 Jo 2, 1 (paráklêton).
  • 16. Cf. Jo 16. 13.
  • 17. Cf. Jo 19, 34; 1 Jo 5, 8.
  • 18. Cf. Jo 4, 10-14; 7, 38: Ex 17, 1-6: Is 55, 1; Zc 14, 8: 1 Cor 10, 4. Ap 21, 6; 22, 17.
  • 19. Cf. 1 Jo 2, 20. 27; 2 Cor 1, 21.
  • 20. Cf. Ex 30, 22-32.
  • 21. Cf. 1 Sm 16, 13.
  • 22. Cf. Lc 4, 18-19; Is 61, 1.
  • 23. Cf. Lc 2, 11.
  • 24. Lc 2, 26-27.
  • 25. Cf. Lc 4, 1.
  • 26. Cf. Lc 6, 19; 8, 46.
  • 27. Cf. Rm 1, 4; 8, 11.
  • 28. Cf. Act 2, 36.
  • 29. Santo Agostinho, Sermão 341, 1, 1: PL 39, 1493: Ibid. 9, 11: PL 39. 1499.
  • 30. Cf. 1 Rs 18, 38-39.
  • 31. Cf. Act 2, 3-4.
  • 32. Cf. São João da Cruz, Llama de amor viva: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 1-102; 103-213. [ID., Chama vida de amor: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 829-957)].
  • 33. Cf. Ex 24, 15-18.
  • 34. Cf. Ex 33, 9-10.
  • 35. Cf. Ex 40, 36-38; 1 Cor 10, 1-2.
  • 36. Cf. 1 Rs 8, 10-12.
  • 37. Cf. Lc 1, 35.
  • 38. Cf. Act 1, 9.
  • 39. Cf. Lc 21, 27.
  • 40. Cf. 2 Cor 1, 22; Ef 1, 13; 4, 30.
  • 41. Cf. Mc 6, 5; 8, 23.
  • 42. Cf. Mc 10. 16.
  • 43. Cf. Mc 16, 18; Act 5, 12; 14, 3.
  • 44. Cf. Act 8, 17-19; 13, 3; 19, 6.
  • 45. Cf. Heb 6, 2.
  • 46. Cf. Lc 11, 20.
  • 47. Cf. Domingo de Pentecostes, Hino das I e II Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974), p. 795 e 812. [Liturgia das Horas. vol. II p. 850 e 861. edição da Gráfica de Coimbra, 1999].
  • 48. Cf. Gn 8, 8-12.
  • 49. Cf. Mt 3, 16 e par.
  • 50. Cf. Gl 4, 4
  • 51. Cf. 2 Cor 3, 14.
  • 52. Cf. Jo 5, 39. 46.
  • 53. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 54. Cf. Lc 24, 44.
  • 55. Cf. Sl 33, 6; 104. 30; Gn 1, 2; 2, 7; Ecl 3, 20-21; Ez 37, 10.
  • 56. Liturgia bizantina, Ofício das Horas. Matinas dos Domingos do segundo modo, Antífonas 1 e 2: Paraklêtikês (Romae 1885), p. 107.
  • 57. Santo Ireneu de Lião, Demonstratio praedicationis apostolicae. 11: SC 62, 48-49.
  • 58. Cf. Rm 3, 23.
  • 59. Cf. Jo 1, 14; Fl 2, 7.
  • 60. Cf. Gn 18, 1-15; Lc 1, 26-38.54-55; Jo 1, 12-13; Rm 4, 16-21.
  • 61. Cf. Gn 12, 3.
  • 62. Cf. Gl 3, 16.
  • 63. Cf. Jo 11, 52.
  • 64. Cf. Lc. 1, 73.
  • 65. Cf. Gn 22, 17-18; Rm 8, 32; Jo 3, 16.
  • 66. Cf. Ef 1, 13-14; Gl 3, 14.
  • 67. Cf. Ex 19-20; Dt 1-11; 29-31.
  • 68. Cf. Gl 3, 24.
  • 69. Cf. Rm 3, 20.
  • 70. Cf. 1 Pe 2, 9.
  • 71. Cf. 2 Sm 7: Sl 89; Lc 1, 32-33.
  • 72. Cf. Lc 24, 26.
  • 73. Cf. Sf 2, 3.
  • 74. Cf. Is 6-12
  • 75. Cf. Is 42, 1-9; Mt 12, 18-21: Jo 1, 32-34; e também Is 49, 1-6; Mr 3, 17: Lc 2, 32: e, por fim, Is 50, 4-10 e 52, 13 - 53, 12.
  • 76. Cf. Is 61, 1-2.
  • 77. Cf. Ez 11, 19; 36, 25-28; 37, 1-14: Jr 31, 31-34; Jl 3, 1-5.
  • 78. Cf. Act 2, 17-21.
  • 79. Cf. Sf 2, 3; Sl 22, 27; 34, 3; Is 49, 13; 61. 1; etc.
  • 80. Cf. Lc 1. 17.
  • 81. Cf. Lc 1, 41.
  • 82. Cf. Lc 1, 68.
  • 83. Cf. Mt 17, 10-13.
  • 84. Cf. Lc 7, 26.
  • 85. Cf. Mt 11, 13-14.
  • 86. Cf. Jo 1, 23; Is 40. 1-3.
  • 87. Cf. Jo 15, 26; 5, 33.
  • 88. Cf. 1 Pe 1, 10-12.
  • 89. Cf. Jo 3, 5.
  • 90. Cf. Pr 8, 1 – 9, 6; Ecl 24.
  • 91. Cf. Sf 3, 14; Zc 2, 14.
  • 92. Cf. Lc 1, 46-55.
  • 93 Cf. Lc 1, 26-38; Rm 4, 18-21; Gl 4, 26-28.
  • 94. Cf. Lc 2, 15-19.
  • 95. Cf. Mt 2, 11.
  • 96. Cf. Lc 2, 14.
  • 97. Cf. Jo 19, 25-27.
  • 98. Cf. Jo 6, 27.51.62-63.
  • 99. Cf. Jo 3, 5-8.
  • 100. Cf. Jo 4, 10.14.23-24.
  • 101. Cf. Jo 7, 37-39.
  • 102. Cf. Lc . 11, 13.
  • 103. Cf. Mt 10, 19-20.
  • 104. Cf. Jo 14, 16-17.26; 15. 26; 16, 7-15; 17, 26.
  • 105. Cf. Jo 13, 1; 17, 1.
  • 106. Cf. Lc 23. 46; Jo 19, 30.
  • 107 Cf. Jo 20, 22.
  • 108. Cf. Mt 28, 19; Lc 24, 47-48; Act 1, 8.
  • 109. Cf. Act 2, 33-36.
  • 110. Liturgia bizantina, Oficio das Horas, Vésperas de Pentecostes, Sticherum 4: Pentekostárion (Romae 1884) p. 390.
  • 111. Cf. Rm 8, 23; 2 Cor 1, 22.
  • 112. Cf. 1 Jo 4, 11-12.
  • 113. Cf. Mt 16, 24-26.
  • 114. Cf. Gl 5, 25.
  • 115. São Basílio Magno, Liber de Spiritu Sancto 15, 36: SC 17bis. 370 (PG 32, 132).
  • 116. Cf. Jo 15, 5. 8. 16.
  • 117. São Cirilo de Alexandria, Commentarius in Iohannem 11, 11: PG 74. 561.
  • 118. Cf. Sl 2, 6-7.
  • 119. Cf. Act 2, 36.
  • 120. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium 1: AAS 57 (1965) 5. 121. CatRom I, 10, 1, p. 104. 122. Santo Hipólito Romano, Tradição Apostólica, 35: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) p. 82. 123. CatRom I 10, 22, p. 118. 124. Cf. Act 19, 39. 125. Cf. Ex 19. 126. Cf. 1 Cor 11, 18; 14, 19.28.34-35. 127. Cf. 1 Cor 1, 2; 16, 1. 128. Cf. 1 Cor 15, 9; Gl 1, 13; Fl 3, 6. 129. Cf. Ef 1, 22; Cl 1, 18. 130. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.131. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 8. 132. Cf. Jo 10, 1-10.133. Cf. Is 40, 11; Ez 34, 11-31. 134. Cf. Jo 10, 11: Ez 34, 11-31. 135. Cf. Jo 10, 11-15. 136. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 8. 137. Cf. 1 Cor 3, 9. 138. Cf. Rm 11, 13-26. 139. Cf. Mt 21, 33-43 e par.: Is 5, 1-7. 140. Cf. Jo 15, 1-5. 141. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 8. 142. Cf. 1 Cor 3, 9. 143. Cf. 1 Cor 3, 11. 144. Cf. 1 Tm 3, 15. 145. Cf. Ef 2, 19-22. 146. Cf. Ap 21, 3. 147. Cf. 1 Pe 2, 5. 148. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 8-9. 149. Cf. Ap 12, 17. 150. Cf. Ap 19, 7; 21, 2. 9; 22, 17. 151. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 9. 152. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6. 153. Hermas, Pastor 8, 1 (Visio 2, 4, 1): SC 53, 96; cf. Aristides, Apologia 16, 7: BP 11, 125; São Justino, Apologia 2, 7: CA 216-218 (PG 6, 456). 154. Santo Epifânio, Panarion, 1, 1, 5, Haereses 2, 4: GCS 25, 174 (PG 41, 181). 155. Clemente de Alexandria, Paedagogus 1, 6, 27, 2: GCS 12, 106 (PG 8, 281). 156. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 12; Ibid., 13: AAS 57 (1965) 17-18; Ibid., 16: AAS 57 (1965) 20. 157. Cf. Gn 12, 2; 15, 5-6. 158. Cf. Ex 19, 5-6; Dt 7, 6. 159. Cf. Is 2. 2-5: Mq 4, 1-4. 160. Cf. Os l; Is 1. 2-4; Jr 2: etc. 161. Cf. Jr 31, 31-34; Is 55. 3. 162. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 13. 163. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6; ID., Decr. Ad gentes, 3: AAS 58 (1966) 949. 164. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7. 165. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6. 166. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7. 167. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7. 168. Cf. Mt 10, 16; 26, 31; Jo 10, 1-21. 169. Cf. Mt 12, 49. 170. Cf. Mt 5-6. 171. Cf. Mc 3, 14-15.172. Cf. Mt 19, 28: Lc 22, 30.173. Cf. Ap 21, 12-14.174. Cf. Mc 6. 7.175. Cf. Lc 10, 1-2. 176 Cf. Mt 10, 25; Jo 15, 20. 177. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6. 178. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 5: AAS 56 (1964) 99. 179. Cf. Santo Ambrósio, Expositio evangelii secundum Lucam, 2, 85-89: CCL 14, 69-72 (PL 15, 1666-1668). 180. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 4: AAS 57 (1965) 6. 181. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 4: AAS 58 (1966) 950. 182. Cf. Mt 28, 19-20: II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948; Ibid., 5-6: AAS 58 (1966) 951-955. 183. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 4: AAS 57 (1965) 7. 184. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8. 185. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53. 186. Santo Agostinho, De Civitate Dei 18, 51 CSEL 40/2. 534 (PL 41. 614): cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12. 187. Cf. 2 Cor 5, 6; II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 9. 188. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8. 189. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 6. 190. CatRom. 1. 10. 20. p. 117. 191. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 11. 192. Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 2: AAS 56 (1964) 98. 193. São Bernardo de Bernardo de Claraval, In Canticum sermo 27, 7, 14: Opera, ed. J. Leclercq-C.H. Talbot-H. Rochais, V. I (Romae 1957) p. 191. 194. Cf. Ef 5, 25-27. 195. Cf. Ef 3, 9-11. 196. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53. 197. João Paulo II. Ep. ap. Mulieris dignitatem, 27: AAS 80 (1988) 1718. 198. Cf. Ef 5, 27. 199. João Paulo II, Ep. ap. Mulieris dignitatem, 27: AAS 80 (1988) 1718, nota 55. 200. Santo Agostinho, Epistula 187, 11, 34: CSEL 57, 113 (PL 33, 845). 201. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 1 : AAS 57 (1965) 5. 202. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 13. 203. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53. 204. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 45: AAS 58 (1966) 1066. 205. Paulo VI, Allocutio ad Sacri Collegii Cardinalium Patres (22 de Junho de 1973): AAS 65 (1973) 391. 206. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 956: cf. Id, Const. dogm. Lumen Gentium, 17: AAS 57 (1965) 20-21. 207. Cf. Ap 14, 4. 208. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 12-13.209. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 13. 210. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 13; cf. Jo 13, 34. 211. Cf. Rm 8, 2; Gl 5, 25. 212. Cf. Mt 5, 13-16. 213. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.214. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.215. Cf. João Paulo II,. Enc. Redemptor hominis, 18-21: AAS 71 (1979) 301-320.216. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 (1965) 14 217. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16. 218. Cf. Jo 12, 32. 219. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 41. 220. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12. 221. São Leão Magno, Sermão 4, 1: CCL 138. 16-17 (PL 54, 149). 222. Cf. Mc 1, 16-20; 3, 13-19.223. Cf. Mt 13, 10-17. 224. Cf. Lc 10, 17-20.225. Cf. Lc 22. 28-30. 226. Cf. Jo 14, 18.227. Cf. Mt 28, 20. 228. Cf. Jo 20, 22; Act 2, 33. 229. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 7: AAS 57 (1965) 9. 230. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 7: AAS 57 (1965) 9. 231. Cf. Rm 6, 4-5; 1 Cor 12, 13. 232. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 7: AAS 57 (1965) 9.233. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 7: AAS 57 (1965) 10.234. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 7: AAS 57 (1965) 10. 235. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 7: AAS 57 (1965) 10. 236. Cf. Cl 2, 19. 237. Cf. Ef 4, 11-16. 238. Santo Agostinho, In Iohannis evangelium tractatus 21, 8: CCL 36, 216-217 (PL 35, 1568). 239. São Gregório Magno, Moralia in Job, Praefatio 6, 4: 14 CCL 143, 19 (PL 75, 525). 240. São Tomás de Aquino, Summa theologiae 3, q. 48, a. 2, ad 1: Ed. Leon. 11, 464. 241. Santa Joana D'Arc, Dictum: Procès de condamnation, ed. P. Tisset (Paris 1960), p. 166 (texto em francês). 242. Cf. Jo 3, 29. 243. Cf. Mt 22, 1-14; 25, 1-13. 244. Cf. 1 Cor 6, 15-17; 2 Cor 11, 2. 245. Cf. Ap 22. 17; Ef 1, 4: 5, 27. 246. Cf. Ef 5, 29. 247. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 74, 4: CCL 39, 1207 (PL 37, 948-949). 248. Santo Agostinho, Sermão 268, 2: PL 38, 1232. 249. Pio XII, enc. Mystici Corporis: DS 3808. 250. Cf. 1Cor 3, 16-17; Ef 2, 21.251. Santo Ireneu de Lião, Adversus Haereses 3, 24, 1: SC 211. 472-474 (PG 7, 966). 252. Pio XII.enc. Mystici Corporis: DS 3808. 253. Cf. Ef 4, 16. 254. Cf. 1 Cor 12, 13. 255. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 7: AAS 57 (1965) 10. 256. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16; cf. Id. Decr. Apostolicam actuositatem, 3: AAS 58 (1966) 839-840. 257. Cf. 1 Cor 13. 258. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 17 259. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium,30: AAS 57 (1965) 37; João Paulo II, Ex. ap. Christifideles laici, 24: AAS 81 (1989) 435. 260. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 13: AAS 57 (1965) 17. 261. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1: AAS 58 (1966) 947. 262. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 4: AAS 57 (1965) 7; cf. São Cipriano de Cartago, De dominica Oratione, 23: CCL 3A. 105 (PL 4, 553). 263. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 11. 264 Cf. Santo Ofício, Ep. ad Episcopos Angliae (14 de Setembro de 1864): DS 2888. 265. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 3: DS 3013. 266. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 92.267. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 92.268. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1101.269. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 91. 270. Clemente de Alexandria, Paedagogus 1, 6, 42: GCS 12, 115 (PG 8, 300). 271.II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 13: AAS 57 (1905) 18.272. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 91-92; Id, Const. dogm. Lumen Gentium, 14: AAS 57 (1965) 18-19; CIC cân 205. 273. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 11-12. 274. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 94. 275. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 92-93. 276. Cf. CIC cân 751. 277. Orígenes, In Ezechielem homilia 9, 1: SC 352, 296 (PG 13, 732).278. II Concílio do Vaticano,. Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93. 279. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.280. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93: cf. Id. Const. dogm. Lumen Gentium, 15: AAS 57 (1965) 19.281. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93. 282. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.
  • 283. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 95.
  • 284. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 1: AAS 57 (1965) 90-91.
  • 285. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio,, 6: AAS 57 (1965) 96-97.
  • 286. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 7: AAS 57 (1965) 97.
  • 287. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 8: AAS 57 (1965) 98.
  • 288. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 9: AAS 57 (1965) 98.
  • 289. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 10: AAS 57 (1965) 99.
  • 290. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 94; Ibid. 9: AAS, 57 (1965) 98: Ibid. 11: AAS 57 (1965) 99.
  • 291. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio,12: AAS 57 (1965) 99-100.
  • 292. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 5: AAS 57 (1965) 96.
  • 293. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 24: AAS 57 (1965) 107.
  • 294. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 39: AAS 57 (1965) 44.
  • 295. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16.
  • 296. Cf. Act 9,13: 1 Cor 6, 1; 16, 1.
  • 297. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 10: AAS 56 (1964) 102.
  • 298. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 94.
  • 299. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
  • 300. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
  • 301. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16.
  • 302. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42: AAS 57 (1965) 48.
  • 303. Santa Teresa do Menino Jesus, Manuscrito B. 3v: Manuscrits autobiographiques (Paris 992) p. 299. [Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Obras Completas (Paço de Arcos, Edições do Carmelo 1996) p. 230].
  • 304. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12; cf. In. Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 92-94; Ibid. 6: AAS 57 (1965) 96-97.
  • 305. Cf. 1 Jo 1, 8-10.
  • 306. Mt 13, 24-30.
  • 307. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 19: AAS 60 (1968) 440.
  • 308. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 40: AAS 57 (1965) 44-45: Ibid, 48-51: AAS 57 (1965) 53-58.
  • 309. João Paulo II, Ex. ap. Christifideles laici 16: AAS 81 (1989) 417.
  • 310. João Paulo II, Ex. ap. Christifideles laici 17: AAS 81 (1989) 419-420.
  • 311. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 65: AAS 57 (1965) 64.
  • 312. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Smyrnaeos 8, 2: SC 10bis p. 138 (Funk 1, 282).
  • 313. Cf. Ef 1, 22-23.
  • 314. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 6: AAS 58 (1966) 953.
  • 315. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 4: AAS 58 (1966) 950-951.
  • 316. Cf. Mt 28, 19.
  • 317. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 13: AAS 57 (1965) 17.
  • 318. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 26: AAS 57 (1965) 31.
  • 319. II Concílio do Vaticano, Decr. Christus Dominus. 11: AAS 58 (1966) 677; CIC cân 368-369; CCEO cân 177 § 1. 178. 311, § 1. 312.
  • 320. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 23: AAS 57 (1965) 27.
  • 321. Santo Inácio de Antioquia, Ep ad Romanos, Inscr.: SC 10bis, p. 106 (Funk 1, 252).
  • 322. Santo Ireneu de Lião, Adversas Haereses 3, 3, 2: SC 211, 32 (PG 7, 849); I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Pastor aeternus, c. 2: DS 3057.
  • 323. São Máximo o Confessor, Opuscula theologica et polemica: PG 91, 137-140.
  • 324. Paulo VI, Ex. ap. Evangelii nuntiandi, 62: AAS 68 (1976) 52.
  • 325. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 23: AAS57 (1965) 29.
  • 326. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 13: AAS 57 (1965) 18.
  • 327. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 14: AAS 57 (1965) 18-19.
  • 328. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 15: AAS 57 (1965) 19.
  • 329. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93.
  • 330. Paulo VI, Allocutio in Aede Sixtina, decem exactis annis a sublatis mutuis excomunicationibus inter Romanam et Constantinopolitanam Ecclesias (14 de Dezembro de 1975): AAS 68 (1976) 121: cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 13-18: AAS 57 (1965) 100-104.
  • 331. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 16: AAS 57 (1965) 20.
  • 332. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Nostra aetate, 4: AAS 58 (1966) 742-743.
  • 333. Sexta-Feira da Paixão do Senhor, Celebração da Paixão do Senhor Oração Universal VI: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 254 [Trad. oficial portuguesa: Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p. 259.267].
  • 334. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; cf. Id, Decl. Nostra aetate, 3: AAS 58 (1966) 741-742.
  • 335. II Concílio do Vaticano, Decl. Nostra aetate, 1: AAS 58 (1966) 740.
  • 336. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; cf. Id, Decl. Nostra aetate, 2: AAS 58 (1966) 740-741; Paulo VI. Ex. ap. Evangelii nuntiandi, 53: AAS 68 (1976) 41.
  • 337. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 16: AAS 57 (1965) 20.
  • 338. Cf. Santo Agostinho, Sermão 96, 7, 9: PL 38, 588.
  • 339. Santo Ambrósio, De virginitate 18, 119: Sancti Ambrosii Episcopi Mediolanensis opera, v. 14/2 (Milano-Roma 1989) p. 96 (PL 16, 297).
  • 340. Cf. já em 1 Pe 3, 20-21.
  • 341. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 14: AAS 57 (1965) 18.
  • 342. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; cf. Santo Ofício, Epistula ad Archiepiscopum Bostoniensem (8 de Agosto 1949): DS 3866-3872.
  • 343. Cf. Heb 11, 6.
  • 344. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 955.
  • 345. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1: AAS 58 (1966) 947.
  • 346. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948.
  • 347. Cf. João Paulo II. Enc. Redemptoris missio, 23: AAS 83 (1991) 269-270.
  • 348. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 842-843; João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 11: AAS 83 (1991) 259-260.
  • 349. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 21: AAS 83 (1991) 268.
  • 350. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 952.
  • 351. Tertuliano, Apologeticum 50, 13: CCL 1, 171 (PL 1, 603).
  • 352. II Concílio do Vaticano, Const.past. Gaudium et spes, 43: AAS 58 (1966) 1064.
  • 353. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12: cf. Ibid, 15: AAS 57 (1965) 20.
  • 354. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1 AAS 58 (1966) 947.
  • 355. Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 12-20: AAS 83 (1991) 260-268.
  • 356. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.
  • 357. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 40: AAS 58 (1966) 1058.
  • 358. Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 42-47: AAS 83 (1991) 289-295.
  • 359. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 15: AAS 58 (1966) 964.
  • 360. Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 48-49: AAS 83 (1991) 295-297.
  • 361. Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 52-54: AAS 83 (1991) 299-302.
  • 362. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 6: AAS 58 (1966) 953.
  • 363. Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 50: AAS 83 (1991) 297-298.
  • 364. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 96.
  • 365. Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 55: AAS 83 (1991) 302-304.
  • 366. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 9: AAS 58 (1966) 958.
  • 367. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 9: AAS 58 (1966) 958.
  • 368. Cf. Ap 21, 14.
  • 369. Cf. Mt 28, 16-20; Act 1, 8; 1 Cor 9, 1; 15, 7-8: Gl 1, 1: etc.
  • 370. Cf. Act 2, 42.
  • 371. Cf. 2 Tm 1, 13-14.
  • 372. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 952.
  • 373. Prefácio dos Apóstolos Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 426 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p. 493].
  • 374. Cf. 1 Jo 13, 20; 17. 18.
  • 375. Cf. Lc 10, 16.
  • 376. Cf. Jo 15, 5.
  • 377. Cf. Mt 28, 20.
  • 378. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 20: AAS 57 (1965) 23.
  • 379. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 20: AAS 57 (1965) 23: cf. São Clemente Romano, Epistula ad Corinthios, 42, 4: SC 167, 168-170 (Funk, 1. 152); Ibid. 44, 2: SC 167, 172 (Funk, 1, 154-156).
  • 380. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 20: AAS 57 (1965) 24.
  • 381. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 2: AAS 58 (1966) 838.
  • 382. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 840; cf. Jo 15, 5.
  • 383. Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 3: AAS 58 (1966) 839.
  • 384.Cf. Ap 19. 6.
  • 385. Cf. Ef 1. 4.
  • 386. Cf. Ap 21, 9.
  • 387. Cf. Ap 21, 10-11.
  • 388. Cf. Ef 4, 3-5.
  • 389. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948.
  • 390. Cf. Ap 21, 14.
  • 391. Cf. Mt 16, 18.
  • 392. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 11-12.
  • 393. CIC, cân. 204, § l; cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 31: AAS 57 (1965) 37-38.
  • 394. CIC, cân. 208: cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 32: AAS 57 (1965) 38-39.
  • 395. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 2: AAS 58 (1966) 838-839.
  • 396. CIC cân. 207, § 2.
  • 397. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 18: AAS 57 (1965) 21-22.
  • 398. Cf. Rm 1, 1.
  • 399. Cf. 1 Cor 9, 19.
  • 400. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 951.
  • 401. Cf. Jo 17, 21-23.
  • 402. Cf. Mt 4, 19.21; Jo 1, 43.
  • 403. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 19: AAS 57 (1965) 22.
  • 404. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 22: AAS 57 (1965) 25: cf. CIC cân 330.
  • 405. Cf. Mt 16, 18-19.
  • 406. Cf. Jo 21, 15-17.
  • 407. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 22: AAS 57 (1965) 26.
  • 408. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 23: AAS 57 (1965) 27.
  • 409. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 22: AAS 57 (1965) 26: ID. Decr. Christus Dominus, 2: AAS 58 (1966) 673; Ibid, 9: AAS 58 (1966) 676.
  • 410. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 22: AAS 57 (1965) 26: cf. CIC cân 336.
  • 411. CIC cân 337 § 1.
  • 412. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 22: AAS 57 (1965) 27.
  • 413. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 22: AAS 57 (1965) 26.
  • 414. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 23: AAS 57 (1965) 27.
  • 415. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 23: AAS 57 (1965) 27.
  • 416. II Concílio do Vaticano, Decr. Christus Dominus, 3: AAS 58 (1966) 674.
  • 417 II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 23: AAS 57 (1965) 28.
  • 418. Cf. Gl 2, 10.
  • 419. Cf. Canones Apostolorum, 34 [Constitutiones apostolicae 8, 47, 34]: SC 336, 284 (Funk, Didascalia et Constitutiones Apostolorum 1, 572-574).
  • 420. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 23: AAS 57 (1965) 29.
  • 421. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbiterorum ordinis, 4: AAS 58 (1966) 995.
  • 422. Cf. Mc 16, 15.
  • 423. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 29.
  • 424. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16: cf. Id, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.
  • 425. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 30: cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Pastor aeternus, c. 4: DS 3074.
  • 426 II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.
  • 427. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 30.
  • 428. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 30.
  • 429. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 29-30.
  • 430. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 26: AAS 57 (1965) 31.
  • 431. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 26: AAS 57 (1965) 32.
  • 432. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 27: AAS 57 (1965) 32.
  • 433. Cf. Lc 22, 26-27.
  • 434. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 27: AAS 57 (1965) 32.
  • 435. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 27: AAS 57 (1965) 33.
  • 436. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Smyrnaeos 8, 1: SC 10bis, 138 (Funk 1, 282).
  • 437. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 31: AAS 57 (1965) 37.
  • 438. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 31: AAS 57 (1965) 37-38.
  • 439. Pio XII, Allocutio ad Patres Cardinales recenter creatos (20 de Fevereiro de 1946): AAS 38 (1946) 149; aduzido por João Paulo II, Ex. ap. Christifideles laici, 9: AAS 81 (1989) 406.
  • 440. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 33: AAS 57 (1965) 39.
  • 441. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 34: AAS 57 (1965) 40: cf. Ibid, 10: AAS 57 (1965) 14-15.
  • 442. CIC cân 835 § 4.
  • 443. Cf. CIC cân 230 § 1.
  • 444. CIC cân 230 § 3.
  • 445. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 35: AAS 57 (1965) 40.
  • 446 São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3 q. 71, a. 4, ad 3: Ed. Leon. 12, 124.
  • 447. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 35: AAS 57 (1965) 40.
  • 448. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 843: cf. Id, Decr. Ad gentes, 15: AAS 58 (1966) 965.
  • 449. Cf. CIC cân 774.776.780.
  • 450. Cf. CIC cân 229.
  • 451. Cf. CIC cân. 822 § 3.
  • 452. CIC cân 212 § 3.
  • 453. Cf. Fl 2, 8-9.
  • 454. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 41.
  • 455. Santo Ambrósio, Espositio psalmi CXVIII, 14, 30: CSEL 62, 318 (PL 15, 1476).
  • 456. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 42.
  • 457. Paulo VI, Ex. ap. Evangelii nuntiandi, 73: AAS 68 (1976) 61.
  • 458. CIC cân 129 § 2.
  • 459. Cf. C1C cân 443 § 4.
  • 460. Cf. CIC cân. 463 § 1-2.
  • 461. Cf. CIC cân 511-512.536.
  • 462. Cf. CIC cân 517 § 2.
  • 463. Cf. CIC cân 492 § 1. 537.
  • 464. Cf. CIC cân 1421 § 2.
  • 465. II Concílio do Vaticano, Const. dogm Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 42.
  • 466. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 33: AAS 57 (1965) 39.
  • 467. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 44: AAS 57 (1965) 51.
  • 468. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42-43: AAS 57 (1965) 47-50; ID. Decr. Perfectae caritatis, l: AAS 58 (1966) 702-703.
  • 469. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Perfectae caritatis, 5: AAS 58 (1966) 704-705.
  • 470. Cf. CIC cân 573.
  • 471. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 43: AAS 57 (1965) 49.
  • 472. II Concílio do Vaticano, Decr. Perfectae caritatis, 1: AAS 58 (1966) 702.
  • 473 Cf. CIC cân 605.
  • 474. CIC cân 603 § 1.
  • 475. 1 Cor 7, 34-36.
  • 476. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Vita consecrata, 7: AAS 88 (1996) 382.
  • 477. CIC cân. 604 § 1.
  • 478. Ordo Consecrationis virginum. Praenotanda 1, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p. 7 [ed. oficial portuguesa: Consagração das Virgens. Preliminares 1, edição típica.(Coimbra. Conferência Episcopal Portuguesa - Gráfica de Coimbra 1993) p. 9].
  • 479. Cf. CIC cân 604 § 1.
  • 480. Cf. Ordo Consecrationis virginum. Praenotanda 2. editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 7 [ed. oficial portuguesa: Consagração das Virgens. Preliminares 2, edição típica.(Coimbra, Conferência Episcopal Portuguesa — Gráfica de Coimbra 1993) p. 9].
  • 481. Cf. CIC cân 604 § 2.
  • 482. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 11: AAS 57 (1965) 102.
  • 483. Cf. CIC cân 573.
  • 484. Cf. CIC cân 607.
  • 485. Cf. CIC cân 591.
  • 486. II Concílio do Vaticano, Decr. Christus Dominus, 33-35: AAS 58 (1966) 690-692.
  • 487. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 18: AAS 58 (1966) 968-969; Ibid. 40: AAS 58 (1966) 987-988.
  • 488. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 69: AAS 83 (1991) 317.
  • 489. CIC cân. 710.
  • 490. Pio XII, Const. ap. Provida Mater: AAS 39 (1947) 118.
  • 491. CIC cân 713 § 2.
  • 492. II Concílio do Vaticano, Decr. Perfectae caritatis, 11: AAS 58 (1966) 707.
  • 493. Cf. CIC cân 713.
  • 494. CIC cân 731 § 1-2.
  • 495. CIC cân 783: João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 69: AAS 83 (1991) 317-318.
  • 496. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 31: AAS 57 (1965) 37.
  • 497. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 44: AAS 57 (1965) 50-51
  • 498. Cf. CIC cân 207 § 1-2.
  • 499. CIC cân 331.
  • 500. II Concílio do Vaticano, Decr. Christus Dominus, 2: AAS 58 (1966) 673.
  • 501. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 23: AAS 57 (1965) 27.
  • 502. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 2: AAS 58 (1966) 839.
  • 503. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 43: AAS 58 (1966) 1063.
  • 504. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 41.
  • 505. São Nicetas de Remesiana, Instructio ad competentes 5, 3, 23 [Explanatio Symboli, 10]: TPL 1, 119 (PL 52, 871).
  • 506. São Tomás de Aquino, In Symbolum Apostolorum scilicet «Credo in Deum» espositio, 13: Opera omnia, v. 27 (Parisiis 1875) p. 224.
  • 507. Cat Rom 1, 10, 24, p. 119.
  • 508. Cat Rom 1, 10, 24, p. 119.
  • 509. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16.
  • 510. Cat Rom 1, 10, 27, p. 121.
  • 511. Cf. Lc 16, 1-3.
  • 512. Cf. 1 Cor 10. 24.
  • 513. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 49: AAS 57 (1965) 54.
  • 514. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 49: AAS 57 (1965) 54-55.
  • 515. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 49: AAS 57 (1965) 55.
  • 516. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 49: AAS 57 (1965) 55.
  • 517. São Domingos, moribundo, aos seus irmãos: Relatio iuridica 4 (Frater Radulphus de Faventia), 42: Acta sanctorum, Augustus I, p. 551.
  • 518. Santa Teresa do Menino Jesus, Verba (17 de Julho de 1897): Derniers Entretiens (Paris 1971) p. 270. [Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Obras Completas (Paço de Arcos, Edições do Carmelo 1996) p. 1167].
  • 519. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 50: AAS 57 (1965) 56.
  • 520. Martyrium sancti Polycarpi 17, 3: SC 10bis. 232 (Funk 1, 336).
  • 521. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 50: AAS 57 (1965) 55.
  • 522. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 51: AAS 57 (1965) 58.
  • 523. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.
  • 524. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 30: AAS 60 (1968) 445.
  • 525. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 53: AAS 57 (1965) 57-58: cf. Santo Agostinho, De sancta virginitate 6, 6: CSEL 41, 240 (PL 40, 399).
  • 526. Paulo VI, Allocutio ad Conciliares Patres, tertia exacta Oecumenicae Synodi Sessione (21 de Novembro de 1964): AAS 56 (1964) 1015.
  • 527. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 57: AAS 57 (1965) 61.
  • 528. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 58: AAS 57 (1965) 61-62.
  • 529. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 69: AAS 57 (1965) 66.
  • 530.II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 59: AAS 57 (1965) 62.
  • 531. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 59: AAS 57 (1965) 62: cf. Pio XII, Const. ap. Munificentissimus Deus (1 Novembro de 1950): DS 3903.
  • 532. Liturgia bizantina, Tropário para a festa da Dormição da bem-aventurada Virgem Maria: Horológion tò mega (Romae 1876) p. 215.
  • 533. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 53: AAS 57 (1965) 59.
  • 534. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 63: AAS 57 (1965) 64.
  • 535. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 61: AAS 57 (1965) 63.
  • 536. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 62: AAS 57 (1965) 63.
  • 537. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 60: AAS 57 (1965) 62.
  • 538. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 62: AAS 57 (1965) 63.
  • 539. Paulo VI, Ex. Ap. Marialis cultus, 56: AAS 66 (1974) 162.
  • 540. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 66: AAS 57 (1965) 65.
  • 541. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 103: AAS 56 (1964) 125.
  • 542. Paulo VI, Ex. Ap. Marialis cultus, 42: AAS 66 (1974) 152-153.
  • 543. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 69: AAS 57 (1965) 66-67.
  • 544. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 68: AAS 57 (1965) 66
  • 545. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 15: AAS 60 (1968) 439.
  • 544. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 68: AAS 57 (1965) 66.
  • 545. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 15: AAS 60 (1968) 439.
  • 546. Cf. Rm 4, 25.
  • 547. CatRom 1, 11, 3, P.123.
  • 548. CatRom1, 11, 4, p. 123.
  • 549. São Gregório de Nazianzo, Oratio 39, 17: SC 358, 188 (PG 36, 356).
  • 550. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 2: DS 1672.
  • 551. Santo Agostinho, Sermão 214, 11: ed. P. Verbraken: Revue Bénédictine 72 (1962) 21 (PL 38, 1071-1072).
  • 552. CatRom 1, 11, 5, p. 124.
  • 553. Cf. Mt 18, 21-22.
  • 554. Santo Ambrósio, De Paenitentia 1, 8, 34: CSEL 73, 135-136 (PL 16, 476-477).
  • 555. São João Cristóstomo, De sacerdotio 3, 5: SC 272, 148 (PG 48, 643).
  • 556. Santo Agostinho, Sermão 213, 8, 8: ed. G. Morin, Sancti Augustini sermones post Maurinos reperti [Guelferbytanus 1, 9] (Romae 1930) p. 448 (PL 38, 1064).
  • 557. CatRom1, 11, 6, p. 124-125.
  • 558. Cf. Jo 6, 39-40.
  • 559. Cf. 1 Ts 4, 14; 1 Cor 6, 14; 2 Cor 4, 14; Fl 3, 10-11.
  • 560. Cf. Gn 6, 3: Sl 56, 5: Is 40, 6.
  • 561. Tertuliano, De resurrectione mortuorum 1, 1: CCL 2, 921 (PL 2, 841).
  • 562. Cf. 2 Mac 7, 29: Dn 12, 1-13.
  • 563. Cf. Act 23, 6.
  • 564. Cf. Jo 11, 24.
  • 565. Cf. Jo 5, 24-25: 6, 40.
  • 566. Cf. Jo 6, 54.
  • 567. Cf. Mc 5, 21-43: Lc 7, 11-17: Jo 11.
  • 568. Cf. Mt 12, 39.
  • 569. Cf. Jo 2, 19-22.
  • 570. Cf. Mc 10, 34.
  • 571. Cf. Act 4, 33.
  • 572. Cf. Act 17, 32: 1 Cor 15, 12-13.
  • 573. Santo Agostinho, Enarratio Psalmum 88, 2. 5: CCL 39, 1237 (PL 37, 1134).
  • 574. Cf. Dn 12, 2.
  • 575. IV Concílio de Trento, c. 1. De fide catholica: DS 801.
  • 576. Cf. Fl 3, 21.
  • 577. Santo Ireneu de Lião, Adversus Haereses 4, 18, 5: SC 100, 610-612 (PG 7, 1028-1029).
  • 578. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 54.
  • 579. Cf. Fl 3, 20.
  • 580. Cf. Fl 1, 23.
  • 581. Cf. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 28: AAS 60 (1968) 444.
  • 582. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 18: AAS 58 (1966) 1038.
  • 583. Cf. Gn 2, 17.
  • 584. Cf. Rm 6, 3-9: Fl 3, 10-11.
  • 585. Cf. Gn 2, 17; 3, 3.19; Sb 1, 13; Rm 5, 12; 6, 23.
  • 586. Cf. Concílio de Trento, Sess. 5ª. Decr. de peccato originali, can 1: DS 1511.
  • 587. Cf. Sb 2, 23-24.
  • 588. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 18: AAS 58 (1966) 1038.
  • 589.Cf. Mc 14, 33-34: Heb 5, 7-8.
  • 590. Cf. Rm 5, 19-21.
  • 591. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos 6, 1-2: Sc: l0bis, 114 (Funk 1, 258-260).
  • 592. Cf. Lc 23, 46.
  • 593. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos 7, 2: Sc 10bis, 116 (Funk 1, 260).
  • 594. Santa Teresa de Jesus, Poesía, 7: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 6 (Burgos 1919) p. 86. [Santa Teresa de Ávila, Seta de Fogo (Lisboa, Assírio & Alvim 1989) p. 31].
  • 595. Santa Teresa do Menino Jesus, Lettre (9 de Junho de 1897): Correspondance Générale, v. 2 (Paris 1973) p. 1015. [Santa Teresa do Menino Jesus e d Santa Face, Obras Completas (Paço de Arcos, Edições do Carmelo 1996) p. 622].
  • 596. Cf. 1 Ts 4, 13-14.
  • 597. Prefácio dos Defuntos I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 439 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 509].
  • 598. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 54.
  • 599. Imitação de Cristo 1, 23, 5-8: ed. T. Lupo (Città del Vaticano 1982) p. 70.
  • 600. São Francisco de Assis, Cântico das criaturas: Opuscula sancti Patris Francisci Assisiensis, ed. C. Esser (Grottaferrata 1978) p. 85-86. [Cf. Fontes Franciscanas, I (Braga, Editorial Franciscana, 1994) p. 781.
  • 601. Tertuliano, De resurrectione mortuorum 8, 2: CCL 2, 931 (PL 2, 852).
  • 602. II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 854. C
  • 603. Cf. 1 Cor 15, 42.
  • 604. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 18: AAS 58 (1966) 1038.
  • 605. Ordo Unctionis infirmorum eorumque pastoralis curae. Orto commendationis morientium. 146-147, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1972) p. 60-61 [em port.: Unção e Pastoral dos Doentes. Encomendação dos moribundos. 146-147, segunda edição típica (Coimbra, Gráfica de Coimbra — Conferência Episcopal Portuguesa, 1994) p. 1091.
  • 606. Cf. 2 Tm 1, 9-10.
  • 607. Cf. Lc 16, 22.
  • 608. Cf. Lc 23, 43.
  • 609. Cf. 2 Cor 5, 5: Fl 1, 23; Heb 9, 27: 12, 23.
  • 610. Cf. Mt 16, 26.
  • 611. Cf. II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 856: Concílio de Florença, Decr. pro Graecis: DS 1304: Concílio de Trento, Sess. 25ª, Decretum de purgatorio: DS 1820.
  • 612. Cf. II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 857; João XXII, Buda Ne super his: DS 991; Bento XII, Const. Benedictus Deus: DS 1000-1001; Concílio de Florença, Decr. pro Graecis: DS 1305.
  • 613. Cf. II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 858; Bento XII, Const. Benedictus Deus: DS 1002; Concílio de Florença, Decr. pro Graecis: DS 1306.
  • 614. São João da Cruz, Avisos y sentencias. 57: Biblioteca Mística Carmelitana, N. 13 (Burgos 1931), p. 238. [S. João da Cruz, Ditos de luz, e amor. 57: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) P. 1015].
  • 615. Cf. Ap 22, 4.
  • 616. Bento XII. Const. Benedictus Deus: DS 1000; cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 49 AAS 57 (1965) 54.
  • 617. Cf. Jo 14, 3; Fl 1, 23: 1 Ts 4, 17.
  • 618. Cf. Ap 2, 17.
  • 619. Santo Ambrósio, Expositio evangelii secundum Lucam 10, 121: CCL, 14, 379 (PL 15-1927).
  • 620. São Cipriano de Cartago, Epistula 58, 10: CSEL 3/2, (1996): 665; 58.10.1: CCL 3C, 333-334 (56, 10: PL 4, 367-368).
  • 621. Cf. Mt 25, 21.23.
  • 622. Cf. Conc. de Florença, Decr. pro Graecis: DS 1304.
  • 623. Cf. Concílio de Trento, Sess. 25ª, Decretum de purgatorio: DS 1820: Sess. 6ª. Decr. de iustificatione, canon 30: DS 1580.
  • 624. Por exemplo, 1 Cor 3, 15: 1 Pe 1, 7.
  • 625. São Gregório Magno, Dialogi 4, 41, 3: SC 265, 148 (4, 39: PL 77, 396).
  • 626. Cf. II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 856.
  • 627. Cf. Job 1, 5.
  • 628. São João Crisóstomo, In epistulam I ad Corinthios homilia 41, 5: PG 61, 361.
  • 629. Cf. Mt 25, 31-46.
  • 630. Cf. Mt 5, 22.29; 13, 42.50; Mc 9, 43-48.
  • 631. Cf. Mt 10, 28.
  • 632. Cf. Symbolum Quicumque: DS 76; Synodus Constantinopolitana. q (em 543), Anathematismi contra Origenem, 7: DS 409; Ibid, 9: DS 411; IV Concílio de Latrão, Cap. I, De fide catholica: DS 801: II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 858; Bento XII, Const. Benedictus Deus: DS 1002; Concílio de Florença, Decr. pro Iacobitis: DS 1351: Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decr. de iustificatione, canon 25: DS 1575; Paulo VI. Sollemnis Professio fidei, 12: AAS 60 (1968) 438.
  • 633. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 54.
  • 634. II Concílio de Orange, Conclusio: DS 397; Concílio de Trento, Sess. 6ª. Decr: de iustificatione, canon 17: DS 1567.
  • 635. Oração Eucarística I ou Cânone Romano, 88: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 450 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 518].
  • 636. Cf. Jo 12, 48.
  • 637. Santo Agostinho, Sermão 18, 4, 4: CCL 41, 247-249 (PL 38, 130-131).
  • 638. Cf. Ct 8, 6.
  • 639. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
  • 640. Cf. Ap 21, 1.
  • 641. Cf. Ap 21, 5.
  • 642. Cf. Ap 21, 27.
  • 643. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 1: AAS 57 (1965) 5.
  • 644. Cf. Ap 21, 27.
  • 645. Santo Ireneu de Lião, Adversus Haereses 5, 32. 1: SC 153, 398 (PG 7, 1210).
  • 646. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 39: AAS 58 (1966) 1056-1057.
  • 647. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 39: AAS 58 (1966) 1057.
  • 648. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 39: AAS 58 (1966) 1057: cf. Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6.
  • 649. São Cirilo de Jerusalém, Catecheses illuminandorum 18, 29: Opera. v. 2. ed. J. Rupp (Monaci 1870) p. 332 (PG 33, 1049).
  • 650. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 28: AAS 60 (1968) 444.
  • 651. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 29: AAS 60 (1968) 444.
  • 652. Cf. Sagrada Congregação do Clero, Directorium catechisticum generale, 69: AAS 64 (1972) 141.
  • 653. Oração antes da Comunhão, 132: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 474 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 546].
  • 654. II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 859: cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 16: DS 1549.
  • 655. Cf. Ap 22, 21.
  • 656. Cf. Mt 6, 2.5.16.
  • 657. Cf. Jo 5, 19.
  • 658. Santo Agostinho, Sermão 58, 11, 13: PL 38, 399.
  • 659. Doxologia final da oração eucarística: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 455, 460, 464 e 471 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 522, 528, 535, 543, etc.].

Notas e Referências

  • 1. Cf. Ef 3, 4.
  • 2. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 5: AAS 56 (1964) 99.
  • 3. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 2: AAS 56 (1964) 97-98.
  • 4. Cf. Jo 17, 4
  • 5. Cf. Act 13, 2: Lc 1, 23.
  • 6. Cf. Rm 15, 16; Fl 2, 14-17.30.
  • 7. Cf. Rm 15, 27; 2 Cor 9, 12; Fl 2, 25.
  • 8. Cf. Heb 8, 2.6.
  • 9. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 7: AAS 56 (1964) 101.
  • 10. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 11: AAS 56 (1964) 103.
  • 11. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 9: AAS 56 (1964) 101.
  • 12. Cf. Ef 3, 16-17.
  • 13.  II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 10: AAS 56 (1964) 102.
  • 14. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 23: AAS 71 (1979) 1296.
  • 15. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 3-4: AAS 56 (1964) 98.

Notas e Referências

  • 1. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 6: AAS 56 (1964) 100; Id, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 6.
  • 2. Cf. Lc 10, 21.
  • 3. Cf. Jo 13, 1; 17, 1.
  • 4.  II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosactum Concilium, 6: AAS 56 (1964) 100.
  • 5. Cf. Jo 20, 21-23.
  • 6.  II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosactum Concilium, 7: AAS 56 (1964)100-101.
  • 7.  II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosactum Concilium, 7: AAS 56 (1964)101.
  • 8.  II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosactum Concilium, 8: AAS 56 (1964) 101; cf. Id., Const. dogm. Lumen Gentium, 50: AAS 57 (1965) 55-57.
  • 9. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 6.
  • 10. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 14-16: AAS 58 (1966) 824-625.
  • 11. Cf. Lc 24, 13-49.
  • 12. Cf. 2 Cor 3, 14-16.
  • 13. Cf. 1 Pe 3, 21.
  • 14. Cf. 1 Cor 10, 1-6.
  • 15. Cf. Lc 1, 17.
  • 16. Cf. Jo 14, 26.
  • 17.  II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosactum Concilium, 24: AAS 56 (1964) 106-107.
  • 18. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbiterorum ordinis, 4: AAS 58 (1966) 996.
  • 19. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.
  • 20.  São João Damasceno, Expositio fidei, 86 [De fide orthodoxa, 4, 13]: PTS 12, 194-195 (PG 94, 1141.1145).
  • 21. Cf. Ef 1, 14; 2 Cor 1, 22.
  • 22. Cf. Jo 15, 1-17; Gl 5, 22.
  • 23. Cf. 1 Jo 1, 3-7.
  • 24. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosactum Concilium, 6: AAS 56 (1964) 100.
  • 25. Cf. II Concílio de Lião, Professio fidei. Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 860; Concílio de Florença, Decretum pro Armenis: DS 1310; Concílio de Trento, Sess. 7ª, Canones de sacramentis in genere, can 1: DS 1601.
  • 26. Concílio de Trento, Sess. 7ª,  Decretum de sacramentis, Prooemium: DS 1600.
  • 27. Concílio de Trento, Sess. 7ª, Canones de sacramentis in genere, can 1: DS 1601.
  • 28. São Leão Magno, Sermão 74. 2: CCL 138A, 457 (PL 54, 398).
  • 29. Cf. Lc 5, 17; 6, 19; 8, 46.
  • 30. Cf. Mt 13, 52; 1 Col- 4, I.
  • 31. Santo Agostinho, De civitate Dei 22, 17: CSEL 40/2, 625 (PL 41. 779); cf. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3. q. 64, a. 2. ad 3; Ed. Leon. 12, 43.
  • 32. Pio XII, Enc. Mystici corporis: AAS 35 (1943) 226.
  • 33. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.
  • 34. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.
  • 35. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 14: AAS 57 (1965) 14.
  • 36. Cf. Jo 20. 21-23; Lc 24. 47; Mt 28, 18-20.
  • 37. Concílio de Trento, Sess. 7ª, Canones de sacramentis in genere, can 9: DS 1609.
  • 38.II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 4: AAS 58 (1966) 995-996.
  • 39.  II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosactum Concilium, 59: AAS 56 (1964) 116.
  • 40. Próspero de Aquitânia [séc. V], Indiculus, c. 8: DS 246 (PL 51, 209).
  • 41. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 42. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 2: AAS 57 (1965) 91-92: Ibid., 15: AAS 57 (1965) 101-102.
  • 43. Cf. Concílio de Trento, Canones de sacramentis in genere, can 5: DS 1605; Ibid., can. 6: DS 1606.
  • 44. Cf. Concílio de Trento, Canones de sacramentis in genere, can 8: DS 1608.
  • 45. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 68, a. 8, c.: Ed. Leon. 12, 100.
  • 46. Cf. Concílio de Trento, Canones de sacramentis in genere, can 4: DS 1604.
  • 47. Cf. 2 Pe 1, 4.
  • 48. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 60, a. 3 c.: Ed. Leon. 12, 6.
  • 48. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 60, a. 3 c.: Ed. Leon. 12, 6.

Notas e Referências

  • 1. Cf. Ap 4, 2.
  • 2. Cf. Ec 1, 26-28.
  • 3. Cf. Jo 1, 29.
  • 4. Cf. Heb 4, 14-15; 10, 19-21: etc.
  • 5. Liturgia Bizantina. Anáfora de São João Crisóstomo: F. E. Brigtman, Liturgies Eastern and Western (Oxford 1896) p. 378 (PG 63, 913).
  • 6. Cf. Jo 4, 10-14; Ap 21, 6.
  • 7. Cf. Ap 4-5: Is 6, 2-3.
  • 8. Cf. Ap 7, 1-8; 14, 1.
  • 9. Cf. Ap 12.
  • 10. Cf. Ap 21, 9.
  • 11. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 26: AAS 56 (1964) 107.
  • 12. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 27: AAS 56 (1964) 107.
  • 13. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.
  • 14. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 (1965) 14: Ibid., 34: AAS 57 (1965) 40: Id., Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 991-992.
  • 15. Cf. 1 Pe 2, 4-5.
  • 16. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 14: AAS 56 (1964) 104.
  • 17. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 992; Ibid. 15: AAS 58 (1966) 992: Ibid. 15: AAS 58 (1966) 1014.
  • 18. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 29: AAS 56 (1964) 107.
  • 19.  II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 28: AAS 56 (1964) 107.
  • 20. Cf. Sb 13, 1: Rm 1, 19-20; Act 14, 17.
  • 21. Cf. Lc 8, 10.
  • 22. Cf. Jo 9, 6: Mc 7, 33-35; 8, 22-25.
  • 23. Cf. Lc 9, 31; 22, 7-20.
  • 24. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 112: AAS 56 (1964) 128.
  • 25. Cf. Cl 3, 16-17.
  • 26. Cf. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum, 72, 1: CCL 39, 986 (PL 36, 914).
  • 27. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 112: AAS 56 (1964) 128.
  • 28.  Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 112: AAS 56 (1964) 128.
  • 29.  Santo Agostinho, Confissões 9, 6, 14: CCL27, 141 (PL 32, 769-770).
  • 30. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 119: AAS 56 (1964) 129-130.
  • 31. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 118: AAS 56 (1964) 129.
  • 32. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 121: AAS56 (1964) 130.
  • 33. São João Damasceno, De sacris imaginibus oratio 1, 16: PTS 17, 89 e 92 (PG 94, 1245 e 1248).
  • 34. II Concílio de Niceia (em 787) Terminus: COD p. 135.
  • 35. Cf. Rm 8, 29; 1 Jo 3, 2.
  • 36. II Concílio de Niceia, Definitio de sacris imaginibus: DS 600.
  • 37. São João Damasceno, De sacris imaginibus oratio 1, 47: PTS 17. 151 (PG 94, 1268).
  • 38. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 102: AAS 56 (1964) 125.
  • 39. Cf. Mt 6, 1.
  • 40. Cf. Heb 3, 7-4, 11; Sl 95, 8.
  • 41. Pseudo-Hipólito de Roma, In sanctum Pascha 1, 1-2: Studia patristica mediolanensia 15, 230-232 (PG 59, 755).
  • 42. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 106: AAS 56 (1964) 126.
  • 43. Cf. Matinas do dia da Páscoa do rito Bizantino. Ode 9, tropário: Pentekostárion (Roma 1884) p. 11.
  • 44. Cf. Jo 21, 12: Lc 24, 30.
  • 45. São Jerónimo, In die Dominica Paschae homilia: CCL 78, 550 (PL 30. 218-219).
  • 46. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 106: AAS 56 (1964) 126.
  • 47. Fanqîth. Breviarium iuxta Ecclesiae Antiochenae Syrorum, v. 6, (Mossul )886) p. 193b.
  • 48. Cf. Lc 4, 19.
  • 49. Santo Atanásio de Alexandria, Epistula festivalis 1 (em 329), 10: PG 26, 1366.
  • 50. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 103: AAS 56 (1964) 125.
  • 51. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 104: AAS 56 (1964) 126; cf. Ibid., 108: AAS 56 (1964) 126 e Ibid., 111: AAS 56 (1964)127.
  • 52. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, IV, 83-101: AAS 56 (1964) 121-125.
  • 53. Cf. 1 Ts 5, 17; Ef 6, 18.
  • 54. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 84: AAS 56 (1964) 121.
  • 55. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 98: AAS 56 (1964) 124.
  • 56. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 84: AAS 56 (1964) 121.
  • 57. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 83: AAS 56 (1964) 121.
  • 58.  Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 86: AAS 56 (1964) 121: Ibid., 96: AAS 56 (1964) 123; Id., Decr. Presbyterorum ordinis, 5: AAS 58 (1966) 998.
  • 59. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 98: AAS 56 (1964) 124.
  • 60. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 100: AAS 56 (1964) 124.
  • 61. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 90: AAS 56 (1964) 122.
  • 62. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 4: AAS 58 (1966) 932-933.
  • 63. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 5: AAS 58 (1966) 998; cf. Id., Const. Sacrosanctum Concilium, 122-127: AAS 56 (1964) 130-132.
  • 64. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 7: AAS 56 (1964) 100-101.
  • 65. Cf. Heb 13, 10.
  • 66. Cf. Instrução geral do Missal Romano, 259: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p.75 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p. 56].
  • 67. Paulo VI, Enc. Mysterium fedei: AAS 57 (1965) 771.
  • 68. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 128: AAS 56 (1964) 132.
  • 69. Instrução geral do Missal Romano, 271: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 77 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p. 57].
  • 70. Instrução geral do Missal Romano, 272: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p.77 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 571.
  • 71.  II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 106: AAS 56 (1964) 126.
  • 72. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 102: AAS 56 (1964) 125.
  • 73. Cf. Paulo VI, Ex. ap. Evangelii nuntiandi, 63-64: AAS 68 (1976) 53-55.
  • 74. Cf. 2 Tm 1, 14.
  • 75. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 23: AAS 57 (1965) 28-29; in. Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 95.
  • 76. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 4: AAS 56 (1964) 98.
  • 77. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 37-40: AAS 56 (1964) 110-111.
  • 78. Cf. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 53: AAS 71 (1979) 1319-1321.
  • 79. João Paulo II, Carta Ap. Vicesimus quintus annus, 16: AAS 81 (1989) 912-913: cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 21: AAS 56 (1964) 105-106.
  • 80. João Paulo II, Carta Ap. Vicesimus quintus annus, 16: AAS 81 (1989) 913.

Notas e Referências

  • 1. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3. q. 65, a. 1. c: Ed. Leon. 12, 56-57.
  • 2. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3. q. 65. a. 3. c: Ed. Leon. 12, 60.
  • 3. Paulo VI, Const. Ap. Divinae consortium naturae: AAS 63 (1971) 657: cf. Ordo initiationis christianae adultorum, Praenotanda 1-2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1972) p. 7 [Iniciação cristã dos adultos, Segunda Edição, Preliminares, 1-2 (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa, 1996) p. 9-10]
  • 4. Cf. Concílio de Florença, Decretum pro Armenis: DS 1314: CIC can 204, § 1. 849; CCEO can 675 § 1.
  • 5. CatRom 2, 2, 5, p. 179.
  • 6. Cf. Rm 6, 3-4; Cl 2, 12.
  • 7. São Justino, Apologia 1, 61: CA 1, 168 (PG 6, 421).
  • 8. Cf. Heb 10, 32.
  • 9 Cf. 1 Ts 5, 5.
  • 10. São Gregório Nazianzo, Oratio 40, 3-4: SC 358, 202-204 (PG 36, 361-364).
  • 11. Vigília Pascal, Bênção da água: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 283 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 315].
  • 12. Cf. Gn 1, 2.
  • 13. Vigília Pascal, Bênção da água: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p. 283 [A tradução oficial portuguesa desta oração não inclui a metáfora da «concepção»: «Logo no princípio do mundo, o vosso Espírito pairava sobre as águas, prefigurando o seu poder de santificar»: Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 315].
  • 14. Vigília Pascal, Bênção da água: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 283 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. 3151.
  • 15. Vigília Pascal, Bênção da água: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 283 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 315].
  • 16. Cf. Mt 3, 13.
  • 17. Cf. Mc 16, 15-16.
  • 18. Cf. Mt 3, 15.
  • 19. CL Fl 2, 7.
  • 20. Cf. Mt 3, 16-17.
  • 21. Cf. Mc 10, 38; Lc 12, 50.
  • 22. Cf. Jo 19, 34.
  • 23. Cf.. 1 Jo 5, 6-8.
  • 24. Santo Ambrósio, De sacramentis 2, 2, 6: CSEL73, 27-28 (PL16, 425-426).
  • 25. Cf. Act 2, 41: 8, 12-13; 10, 48; 16, 15.
  • 26. Cf. Cl 2, 12.
  • 27. Cf. Gl 3, 27.
  • 28. Cf. 1 Cor 6, 11; 12, 13.
  • 29. Cf. 1 Pe 23; Ef  5, 26.
  • 30. Santo Agostinho, In Iohannis evangelium tractatus 80, 3: CCL 36, 529 (PL 35, 1840).
  • 31. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 64: AAS 56 (1964) 117.
  • 32. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 65: AAS 56 (1964) 117; cf. Ibid., 37-40: AAS 56 (1964) 110-111.
  • 33. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 14: AAS 58 (1966) 963: CIC can. 851.865 866.
  • 34. Cf. CIC can. 851, 2. 868.
  • 35. Cf. Rm 6, 17.
  • 36. Cf. Ordo Baptismi parvulorum, 62 (Typis Polyglottis Vaticanis 1969) p. 32 [Celebração do Baptismo das crianças, 62, Segunda edição típica (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa, 1994), p.61).
  • 37. Cf. Gl 3, 27.
  • 38. Cf. Fl 2, 15.
  • 39. CIC can.864; cf. CCEO. can.679.
  • 40. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 14: AAS 58 (1966) 962-963; cf. Ordo initiationis christianae adultorum, Praenotanda 19 (Typis Polyglottis Vaticanis 1972) p. 11 Iniciação cristã dos adultos. Segunda Edição, Preliminares, 19 (Coimbra, Gráfica de Coimbra - Conferência Episcopal Portuguesa. 1996) p. 26-27); Ibid., De tempore catechumenatus eiusque ritibus 98, p. 36 [Ibid.. O tempo do catecumenado e os seus ritos 98. p. 66].
  • 41. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 14: AAS 58 (1966) 963.
  • 42. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 14: AAS 57 (1965) 19: cf. CIC can. 206.788.
  • 43. Cf. Concílio de Trento, Sess. 5ª, Decretum de peccato originali, can. 4: DS 1514.
  • 44. Cf. Cl 1, 12-14.
  • 45. Cf. CIC can. 867: CCEO can. 868. § 1.
  • 46. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15-16; Ibid., 41: AAS 57 (1965) 47; Id., Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067-1069; CIC can. 774. § 2. 1136.
  • 47. Cf. Act 16, 15. 33; 18, 8; 1 Cor 1, 16.
  • 48. Cf. Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Pastoralis actio, 4: AAS 72 (1980) 1139.
  • 49. Cf. Mc 16, 16.
  • 50. Cf. CIC can. 872-874.
  • 51. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 67: AAS 56 (1964) 118.
  • 52. Cf. CIC can. 861, § 1; CCEO can. 677, § 1.
  • 53. Cf. CIC can. 861, § 2.
  • 54. Cf. 1 Tm 2, 4.
  • 55 Cf. Mc 16, 16.
  • 56. Cf. Jo 3, 5.
  • 57. Cf. Mt 28, 20. Cf. Concílio de Trento, Sess. 7°, Decretum de sacramentis, Canones de sacramento Baptismi, can. 5: DS 1618; II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 14: AAS 57 (1965) 18: ID., Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 951-952.
  • 58. Cf. Mc 16, 16.
  • 59. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes. 22: AAS 58 (1966) 1043; cf. In.. Const. dogm. Lumen Gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; In. Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 955.
  • 60. Cf. Act 2, 38: Jo 3, 5.
  • 61. Cf. Concílio de Florença, Decretum pro Armenis: DS 1316.
  • 62. Concílio de Trento, Decretum de peccato originali, can. 5: DS 1515.
  • 63. Cf. 2 Cor 5, 17.
  • 64. Cf. Gl  4, 5-7.
  • 65. Cf. 2 Pe 1, 4.
  • 66. Cf. 1 Cor 6, 15; 12, 27.
  • 67. Cf. Rm 8, 17.
  • 68. Cf. 1 Cor 6, 19.
  • 69. Cf. 1 Cor 6, 19.
  • 70. Cf. 2 Cor 5, 15.
  • 71. Cf. Ef 5, 21: 1 Cor 16, 15-16.
  • 72. Cf. Jo 13, 12-15.
  • 73. Cf. Heb 13, 17.
  • 74. Cf. 1 Ts 5, 12-13.
  • 75. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 37: AAS 57 (1965) 42-43; CIC can. 208-223: CCEO can 675, § 2.
  • 76. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium. 11: AAS 57 (1965) 16.
  • 77. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 17: AAS 57 (1965) 21; Id., Decr. Ad gentes. 7: AAS 58 (1966) 956; Ibid., 23: AAS 58 (1966) 974-975.
  • 78. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 3: AAS 57 (1965) 93.
  • 79. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 22: AAS 57 (1965)105.
  • 80. Cf. Rm 8, 29.
  • 81. Cf. Concílio de Trento, Sess. 7ª, Decretum de sacramentis, Canones de sacramentis in genere, can. 9: DS 1609: Ibid., Canones de sacramento Baptismi. can. 6: DS 1619.
  • 82. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11:AAS 57 (1965) 16.
  • 83. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 (1965) 15-16.
  • 84. Cf. Santo Agostinho, Epistula 98, 5: CSEL 34, 527 (PL 33, 362).
  • 85. Cf. Ef  1, 13-14; 2 Cor 1, 21-22.
  • 86. Santo Ireneu de Lião, Demonstratio praedicationis apostolicae, 3: SC 62, 32.
  • 87. Oração Eucarística I ou Cânone Romano: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 454 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 521].
  • 88. Cf. Concílio de Trento, Sess. Decretum de sacramentis, Canones de sacramentis in genere, can. 9: DS 1609; Ibid., Canones de sacramento Baptismi. can.11: DS 1624.
  • 89. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 16: AAS 57 (1965) 20.
  • 90. Cf. Ordo Confirmationis, Praenotanda 1 (Typis Polyglottis Vaticanas 1973) p. 16 [Celebração da Confirmação, Preliminares 1 (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa, 1991) p. 21].
  • 91. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15: cf. Ordo Confirmationis, Praenotanda 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 16 [Celebração da Confirmação, Preliminares 2 (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa, 1991) p. 21].
  • 92. Cf. Is 11. 2.
  • 93. Cf. Lc 4, 16-22; Is 61, 1.
  • 94. Cf. Mt 3, 13-17; Jo 1, 33-34.
  • 95. Cf. Ez 36, 25-27; Jo 3, 1-2.
  • 96. Cf. Lc 12, 12; Jo 3, 5-8: 7, 37-39; 16, 7-15; Act 1, 8.
  • 97. Cf. Jo 20, 22.
  • 98. Cf. Act 2, 1-4.
  • 99. Cf. Act 2, 17-18.
  • 100. Cf. Act 2, 38.
  • 101. Cf. Act 8, 15-17; 19, 5-6.
  • 102. Cf. Heb 6, 2.
  • 103. Paulo VI. Const. ap. Divinae consortium naturae: AAS 63 (1971) 659.
  • 104. Cf. São Cipriano de Cartago, Epistula 73, 21: CSEL 3/2, 795; (1996), CCL 3C. 556 (PL 3, 1169).
  • 105. Cf. CCEO can. 695, § 1. 696. § 1.
  • 106. Cf. Santo Hipólito de Roma, Traditio apostolica, 21: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) p. 50 e 52.
  • 107. Cf. Dt 11, 14; etc.
  • 108. Cf. Sl 23, 5: 104, 15.
  • 109. Cf. Is 1, 6: Lc 10, 34.
  • 110. Cf. 2 Cor 2, 15.
  • 111. Cf. Gn 38, 18; Cf . 8, 6.
  • 112. Cf. Gn 41, 42.
  • 113. Cf. Dt 32. 34.
  • 114. Cf. 1 Rs 21, 8.
  • 115. Cf. Jr 32, 10.
  • 116. Cf. Is 29, 11.
  • 117. Cf. Jo 6, 27.
  • 118. Cf. Ef 1, 13; 4, 30.
  • 119. Cf. Ap 7, 2-3; 9. 4; Ez 9, 4-6.
  • 120. Pontificale iuxta ritum Syrorum Occidentalium id est Antiochiae, Pars I, Versio latina (Typis Polyglottis Vaticanis 1941) p. 36-37.
  • 121. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 71: AAS 56 (1964) 118.
  • 122. Cf. CIC can. 866.
  • 123. Ordo Confirmationis, 25 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973). p. 26 [Celebração da Confirmação, 25 (Coimbra, Gráfica de Coimbra — Conferência Episcopal Portuguesa, 1991) p. 33].
  • 124. Paulo VI. Const. Ap. Divinae consortium naturae: AAS 63 (1971) 657 [Celebração da Confïrmação, Const. ap. sobre o Sacramento da Confirmação (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa. 1991) p. 19].
  • 125. Rituale per le Chiese orientali di rito bizantino in lingua greca, Pars 1 (Libreria Editrice Vaticana 1954) p. 36.
  • 126 Cf. Santo Hipólito, Traditio apostolica, 21: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) p. 54.
  • 127. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.
  • 128. Cf. Concílio de Florença, Decretum por Armenis: DS 1319: II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15; Ibid., 12: AAS 57 (1965) 16.
  • 129. Santo Ambrósio, De mysteriis, 7, 42: CSEL 73, 106 (PL 16, 402-403).
  • 130. Cf. Concílio de Trento, Decretum de sacramentis. Canones de sacramentis in genere, can. 9: DS 1609.
  • 131.Cf. Lc 24, 48-49.
  • 132. São Tomás de Aquino, Summa theologiae 3, q. 72, a. 5. ad 2: Ed. Leon. 12. 130.
  • 133. Cf. CIC can. 889. § 1.
  • 134. CIC can. 890.
  • 135. Cf. CIC can. 891.883. 3.
  • 136. São Tomás de Aquino, Summa theologiae 3, q. 72. a. 8, ad 2: Ed. Leon. 12. 133.
  • 137. Ordo Confirmationis, Praenotanda 3 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 16 [Celebração da Confirmação, Preliminares 3 (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa. 1991) p. 12].
  • 138. Cf. Act 1, 14.
  • 139. Cf. Ordo Confirmationis, Praenotanda 5 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 17 [Celebração da Confirmação, Preliminares 5 (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa. 1991) p. 22]: Ibid., 6: (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 17 [(Coimbra, Gráfica de Coimbra - Conferência Episcopal Portuguesa. 1991) 22]: CIC can 893, § 1-2.
  • 140. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 26: AAS 57 (1465) 32.
  • 141. Cf. CIC can. 883, § 2.
  • 142. Cf. CIC can. 882.
  • 143. Cf. CIC. can. 884, § 2.
  • 144. Cf. CIC can 883, 3.
  • 145. II Concílio do Vaticano, Sacrosactum concilium, 47: .AAS 56 (1964) 113.
  • 146. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.
  • 147. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 5: AAS 58 (1966) 997.
  • 148. Sagrada Congregação dos Ritos, Instr. Eucharisticum mysterium, 6: AAS 59 (1967) 545.
  • 149. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses 4, 18, 5: SC 100, 610 (PG 7, 1028).
  • 150. Cf. 1 Cor 11, 20.
  • 151. Cf. Ap 19, 9.
  • 152. Cf. Mt 14, 19; 15, 36; Mc 8, 6.19.
  • 153. Cf. Mt 26, 26: 1 Cor 11, 24.
  • 154. Cf. Lc 24, 13-35.
  • 155. Cf. Act 2, 42.46: 20, 7.11.
  • 156. Cf. 1 Cor 10, 16-17.
  • 157. Cf. 1 Cor 11, 17-34.
  • 158. Cf. Sl 116, 13.17.
  • 159. Cf. 1 Pe 2, 5. '
  • 160. Cf. Ml 1, 11.
  • 161. Cf. 1 Cor 10, 16-17.
  • 162. Cf. Constitutiones apostolicae 8, 13, 12: SC: 336, 208 (Funk, Didascalia et Constitutiones Apostolorum 1, 516); Didaké 9,5: SC 248, 178 (Funk, Patres apostolici 1, 22); Ibid. 10, 6: SC 248. 180 (Funk, Patres apostolici 1, 24).
  • 163. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios 20, 2: SC 10 bis, 76 (Funk 1, 230).
  • 164. Cf. Sl 104, 13-15.
  • 165. Cf. Oração Eucarística 1 ou Cânone Romano, 95: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p. 453 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. 521].
  • 166. Cf. Dt 8, 3.
  • 167. Cf. Mt 14, 13-21; 15, 32-39.
  • 168. Cf. Jo 2, 11.
  • 169. Cf. Mc 14, 25.
  • 170. Cf. Jo 13, 1-17.
  • 171. Concílio de Trento, Sess. 22ª, Doctrina de ss. Missae Sacrificio, c. 1: DS 1740.
  • 172. Cf. Jo 6, 13
  • 173. Cf. Mt 26, 17-29; Mc 14, 12-25; 1 Cor 11, 23-25.
  • 174. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1: AAS 58 (1966) 947.
  • 175. São Justino, Apologia, 1. 67: CA 1. 184-186 (PG 6. 429).
  • 176. São Justino, Apologia, 1. 65: CA 1, 176-180 (PG 6. 428)
  • 177. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 56: AAS 56 (1964) 115.
  • 178. Cf. III Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827.
  • 179. Cf. Lc 24, 13-35.
  • 180. Cf. 1 Ts 2, 13.
  • 181. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses 4. 18, 4: SC 100, 606 (PG 7, 1027): cf. Mt 1. 11.
  • 182. Cf. 1 Cor 16, 1.
  • 183. Cf. 2 Cor 8, 9.
  • 184. São Justino, Apologia, 1. 67, 6: CA 1, 186-188 (PG 6, 429).
  • 185. Cf. Oração Eucarística 1 ou Cânone Romano, 90: Missale Romarum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p.451 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 518].
  • 186 São Justino, Apologia, 1, 65: CA 1, 180 (PG 6, 428).
  • 187. São Justino, Apologia, 1, 66, 1-2: CA 1. 180 (PG 6, 428).
  • 188. Cf. Ex 13. 3.
  • 189. Cf. Heb 7, 25-27.
  • 190. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.
  • 191. Concílio de Trento, Sess. 22ª, Doctrina de ss. Missae Sacrificio, c. 1: DS 1740.
  • 192. Concílio de Trento, Sess. 22ª, Doctrina de ss. Missae Sacrificio, c. 2: DS 1743.
  • 193. Ibid.
  • 194. Santo Inácio de Antioquia, Epistula Ad Smyrnaeos 8, 1: SC 10bis. 138 (Funk 1, 282).
  • 195. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 993.
  • 196. Concílio de Trento, Sess. 22ª, Doctrina de ss. Missae Sacrificio, c. 2: DS 1743.
  • 197. Santo Agostinho, Confissões 9, II, 27: CCL 27, 149 (PL 32, 775): palavras de Santa Mónica, antes de morrer, a Santo Agostinho e ao seu irmão.
  • 198. São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae 5, 9-10: SC 126, 158-160 (PG 30, 1116-1117).
  • 199. Santo Agostinho, De Civitate Dei 10, 6: CSEL 40/1, 456 (PL 41, 284).
  • 200. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
  • 201. Cf. Mt 25, 31-46
  • 202. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 7: AAS 56 (1964) 100-101.
  • 203. São Tomás de Aquino, Summa theologiae 3, q. 73, a. 3, c: Ed. Leon. 12, 140.
  • 204. Concílio de Trento, Sess. 13ª, Decretum de s.s. Eucharistia, can. 1: Ds 1651.
  • 205. Paulo VI, Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 764.
  • 206.  São João Crisóstomo, De proditione Iudae homilia 1, 6: PG 49, 380.
  • 207. Santo Ambrósio, De mysteriis 9, 50: CSEL 73, 110 (PL 16, 405).
  • 208. Ibid.. 9, 52: CSEL 73, 112 (PL 16, 407).
  • 209. Concílio de Trento, Sess. 13ª, Decretum de ss. Eucharista, c. 4: DS 1642.
  • 210. Cf. Concílio de Trento, Sess. 13ª, Decretum de ss. Eucharista. c. 3: DS 1641.
  • 211. Paulo VI, Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 769.
  • 212. Cf. Gl 2, 20.
  • 213. João Paulo II, Ep. Dominicae Cenae, 3: AAS 72 (1980) 119; cf. Enchiridion Vaticanum 7, 177.
  • 214. Paulo VI, Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 757; cf. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3. q. 75, a. 1. c: Ed. Leon. 12, 156; São Cirilo de Alexandria, Commentarius in Lucam 22, 19: PG 72, 912.
  • 215.  AHMA 50, 589.
  • 216.  Santo Ambrósio, De Sacramentis, 5, 7: CSEL 73, 61 (PL 16, 447).
  • 217 Santo Ambrósio, De Sacramentis, 4, 7: CSEL73. 49 (PL 16. 437).
  • 218. Oração Eucarística I ou Cânone Romano, 96: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanas 1970). p.453 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. 521].
  • 219. Cf. Mt 8, 8.
  • 220.  Rito da Comunhão. 133: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p.474 [Missal Romano. Gráfica de Coimbra 1992, 546).
  • 221. Liturgia Bizantina. Anáfora de São João Crisóstomo, Prece antes da Comunhão: F. E. Brightman, Liturgies Eastern and Western (Oxford 1896) p. 394 (PG 63, 920).
  • 222. Cf. CIC can. 919.
  • 223. Cf. CIC can. 916-917: AAS 75 (1983 II), pp. 165-166.
  • 224. Os fiéis, no mesmo dia. só podem receber a ss. Eucaristia uma segunda vez. Comissão Pontifícia para a Interpretação Autêntica do Código de Direito Canónico, Responsa ad proposita dubia, 1: AAS 76 (1984) 746.
  • 225. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 55: AAS 56 (1964) 115.
  • 226. Cf. Decr. Ecclesiarum Orientalium, 15: AAS 57 (1965) 81.
  • 227. Cf. CIC can. 920.
  • 228. Instrução geral do Missal Romano, 240: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p.68 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 51].
  • 229. Fanqîth. Breviarium iuxta ritum Ecclesiae Antiochenae Syrorum, v. 1 (Mossul 1886) p. 237 a-b.
  • 230. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 5: AAS 58 (1966)997.
  • 231. Cf. I Cor 11, 26.
  • 232. Santo Ambrósio, De Sacramentis, 4. 28: CSEL 73, 57-58 (PL 16, 446).
  • 233. Cf. Concílio de Trento, Sess. 13ª. Decretum de ss. Eucharista, c. 2: DS 1638.
  • 234. São Fulgêncio de Ruspas, Contra gesta Fabiani 28, 17: CCL 91A, 813-814 (PL 65, 789).
  • 235. Cf. 1 Cor 12, 13.
  • 236. Santo Agostinho, Sermão 272: PL 38, 1247.
  • 237. Cf. Mt 25, 40.
  • 238 São João Crisóstomo, In epistulam I ad Corinthios, homilia 27. 5: PG 61, 230.
  • 239. Santo Agostinho, In Iohannis evangelium tractatus 26, 13: CCL 36. 266 (PL 35, 1613): cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 47: AAS 56 (1964) 113.
  • 240. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 15: AAS 57 (1965) 102.
  • 241. II Concílio do Vaticano, Decr, Unitatis redintegratio, 15: AAS 57 (1965) 102: ef. CIC can.844, § 3.
  • 242. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 22: AAS 57 (1965) 106.
  • 243. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 22: AAS 57 (1965) 106.
  • 244. Cf. CIC can. 844. § 4.
  • 245. Na solenidade do santíssimo corpo e sangue de Cristo, Antífona do «Magnificat» das Vésperas II: Liturgia Horarum, editio typica, v. 3 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 502 [Liturgia das Horas. v. 3 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 621].
  • 246. Oração Eucarística I ou Cânone Romano. 96: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p.453 [Missal Romano. Gráfica de Coimbra 1992, 521].
  • 247. Cf. Lc 22, 18: Mc 14. 25.
  • 248. Didaké 10, 6: SC 248, 180 (Funk, Patres apostolici 1, 24).
  • 249. Rito de Comunhão, 126 [Embolismo depois do Pai Nosso]: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p.472 [a tradução oficial portuguesa difere um pouco: «enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador»: Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 5451: cf. Tt 2, 13.
  • 250. Oração Eucarística III, 116: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 465 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 535].
  • 251. Cf. 2 Pe 3, 13.
  • 252. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.
  • 253. Santo Inácio de Antiquia,  Epistula ad Ephesios, 20, 2: SC l0bis. 76 (Funk 1, 230).
  • 254. Cf. Concílio de Trento, Sess. 13ª, Decretum de ss. Eucharistae. c. 3: DS 1640; Ibid., can. 1: DS 1651.
  • 255. Paulo VI, Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 771.

Notas e Referências

  • 1. Cf. 2 Cor 5, 1.
  • 2. Cf. Mc, 2, 1-12.
  • 3. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11 : AAS 57 (1965) 15.
  • 4. Cf. Mc 1, 15.
  • 5. Cf. Lc 15, 18.
  • 6. Ordo Paenitentiae. 46.55 (TypisPolyglottis Vaticanis 1974) p. 27. 37 [Celebração da Penitência, 46.55 (Coimbra. Gráfica de Coimbra — Conferência Episcopal Portuguesa, 1997) p. 47. 65].
  • 7. Cf. Gl 3, 27.
  • 8. Cf. Concílio de Trento, Sess. 5ª, Decretum de peccato originali, can. 5: DS 1515.
  • 9.  Cf.Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 16: DS 1545; II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 40: AAS 57 (1965) 44-45.
  • 10. Cf. Act 2, 38.
  • 11.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.
  • 12. Cf. Sl 51, 19.
  • 13. Cf. Jo 6, 44: 12, 32.
  • 14. Cf. 1 Jo 4, 10.
  • 15. Cf. Lc 22, 61-62.
  • 16. Cf. Jo 21, 15-17.
  • 17. Santo Ambrósio, Epistula extra collection 1 [41], 12: CSEL 82/3, 152 (PL 16, 1116).
  • 18. Cf. Jl 2, 12-13: Is 1,16-17: Mt 6, 1-8.16-18.
  • 19. Concílio de Trento, Sess. 14ª,  Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 4: DS 1676-1678; Id. Sess, 14ª, Canones de Paenitentiae, can. 5: DS1705: CatRom. 2, 5, 4, p. 289.
  • 20. Cf. Ez, 36, 26-27.
  • 21. Cf. Jo 19, 37: Zc 12, 10.
  • 22. São Clemente de Roma, Epistula ad Corinthios 7, 4: SC 167, 110 (Funk 1, 108).
  • 23. Cf. Jo 16, 8-9.
  • 24. Cf. Jo 15, 26.
  • 25. Cf. Act 2, 36-38: João Paulo II, Enc. Dominum et vivificantem, 27-48: AAS 78 (1986) 837-868.
  • 26. Cf. Tb 12, 8; Mt 6, 1-8.
  • 27. Cf. Tg 5, 20.
  • 28. Cf. Am 5, 24; Is 1, 17.
  • 29. Cf. Lc 9, 23.
  • 30. Cf. Concílio de Trento, Sess. 13ª, Decretum de ss. Eucharitia, c. 2: DS 1638.
  • 31. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 109-110: AAS 56 (1964) 127; CIC can. 1249-1253: CCEO can. 880-883.
  • 32. Cf. Lc 15, 11-24.
  • 33. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.
  • 34. Cf. Mc 2, 7.
  • 35. Cf. Lc 7, 48.
  • 36. Cf. Jo 20, 21-23.
  • 37. Cf. Lc 15.
  • 38. Cf. Lc 19, 9.
  • 39. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 22: AAS 57 (1965) 26.
  • 40. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 14: DS 1542; cf. Tertuliano, De Paenitentia 4, 2: CCL 1, 326 (PL 1, 1343).
  • 41. Cf. Ordo Paenitentiae, 46.55 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974) p. 27.37 [Celebração da Penitência,. 46.55 (Coimbra- Gráfica de Coimbra - Conferência Episcopal Portuguesa, 1997) p. 47.65].
  • 42. CatRom 2, 5, 21, p. 299: cf. Concílio de Trento, Sess.14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 3: DS 1673.
  • 43.  Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 4: DS 1676.
  • 44. Cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 4: DS 1677.
  • 45.  Cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª. Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 4: DS 1678: ID., Sess. 14ª, Canones de sacramento Paenitentiae, can. 5: DS 1705.
  • 46.  Cf. Rm 12-15: Cor 12-13: Gl 5: Ef 4-6.
  • 47. Cf. Ex 20, 17; Mt 5, 28.
  • 48. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 5: DS 1680.
  • 49. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 5: DS 1680; São Jerónimo, Commentarius in Ecclesiasten, 10, 11: CCL 72, 338 (PL 23, 1096).
  • 50. CIC can. 989: cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 5: DS 1683 ID., Sess. 14°, Canones de sacramento Paenitentiae, can. 8: DS 1708.
  • 51. Cf. Concílio de Trento, Sess. 13ª, Decretum de ss. Eucharistia, c. 7: DS 1647: Ibid., can. 11: DS 1661.
  • 52.  Cf. CIC can. 916; CCEO can. 711.
  • 53. Cf. CIC can. 914.
  • 54. Cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 5: DS 1680; CIC can. 988. § 2.
  • 55. Cf. Lc 6, 36.
  • 56. Santo Agostinho, In Iohannis evangelium tractatus, 12, 13: CCL 36, 128 (PL 35, 1491).
  • 57. Cf. Concílio de Trento, 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae,  can. 12: DS 1712.  
  • 58. Cf. Rm 3, 25: 1 Jo 2, 1-2.
  • 59. Cf. Concílio de Trento, 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 8: DS 1690.
  • 60. Cf. Fl 4, 13.
  • 61. Cf. Lc 3, 8.
  • 62. Concílio de Trento, 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 8: DS 1691
  • 63. Cf. Jo 20, 23: 2 Cor 5, 18.
  • 64. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 26: AAS 57 (1965) 32.
  • 65. Cf. CIC can. 844. 967-969: CCEO can. 722. §§ 3-4.
  • 66. Cf. CIC can. 1331: CCEO can. 1431.1434.
  • 67. Cf. CIC can. 1354-1357: CCEO can. 1420.
  • 68. Cf. CIC can. 976: em relação à absolvição dos pecados, CCEO can. 725.
  • 69. Cf. CIC can. 986: CCEO can. 735: II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 13: AAS 58 (1966) 1012.
  • 70.  II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 13: AAS 58 (1966) 1012.
  • 71. Cf. CIC can. 983-984. 1388. § 1: CCEC can. 1456.
  • 72.  «Poenitentiae itaque omnis in eo vis est, ut nos in Dei gratiam restituat, cum Eoque summa amicitia coniungat»: CatRom 2, 5, 18, p. 297.
  • 73. Concílio de Trento, 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 3: DS 1674.
  • 74. Cf. Lc 15, 32.
  • 75. Cf. 1 Cor 12, 26.
  • 76. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48-50: AAS 57 (1965) 53-57.
  • 77. João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia 31, § V: AAS 77 (1985) 265.
  • 78. Cf. 1 Cor 5, 11: Gl 5, 19-21; Ap 22, 15.
  • 79. Paulo VI, Const. ap. Indulgentiarum doctrina, Normae. I: AAS 59 (1967) 21.
  • 80. Paulo VI, Const. ap. Indulgentiarum doctrina, Normae. 2: AAS 59 (1967) 21.
  • 81. CIC can. 994.
  • 82. Cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Canones de sacramento Paenitentiae. can. 12-13: DS 1712-1713; Id., Sess. 25ª, Decretum de purgatorio: DS 1820.
  • 83.  Cf. Ef  4, 24.
  • 84. Paulo VI, Const. ap. Indulgentiarum doctrina, 5: AAS 59 (1967) 11.
  • 85. Paulo VI, Const. ap. Indulgentiarum doctrina, 5: AAS 59 (1967) 12.
  • 86. Paulo VI, Const. ap. Indulgentiarum doctrina, 5: AAS 59 (1967) 11.
  • 87. Paulo VI, Const. ap. Indulgentiarum doctrina, 5: AAS 59 (1967) 11-12.
  • 88. Cf. Paulo VI, Const. ap. Indulgentiarum doctrina, 8: AAS 59 (1967) 16-17; Concílio de Trento, Sess. 25ª, Decretum de Indulgentiis: DS 1835.
  • 89. Euchológion tò méga (Atenas 1992) p. 222.
  • 90. Cf. II Concílio do Vaticano, Sacrosanctum concilium, 26-27 AAS 56 (1964) 107.
  • 91. Cf. CIC can. 962. § 1.
  • 92. Cf. CIC can. 962. § 2.
  • 93. Cf. CIC can. 962. § 1, 2.
  • 94. Ordo Paenitentiae, Praenotanda 31 (Typis Polyglottis Vaticanis1974) p. 21 [Celebração da Penitência, 31 (Coimbra, Gráfica de Coimbra - Conferência Episcopal Portuguesa.1997) p. 29].
  • 95. Cf. Mc 2, 17.
  • 96. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.
  • 97. Cf. Sl 38.
  • 98. Cf. Sl 6, 3: Is 38.
  • 99. Cf. Sl 38, 5: 39, 9.12.
  • 100. Cf. Sl 32, 5: 107. 20; Mc 2, 5-12.
  • 101. Cf. Is 53, 11.
  • 102. Cf. Is 33, 24.
  • 103. Cf. Mt 4, 24.
  • 104. Cf. Lc 7, 16.
  • 105. Cf. Mc 2, 5-12.
  • 106. Cf. Mc 2, 17.
  • 107. Cf. Mc 5, 34.36: 9. 23.
  • 108. Cf. Mc 7. 32-36; 8, 22-25.
  • 109. Cf. Jo 9, 6-15.
  • 110. Cf. Mc 3, 10: 6. 56.
  • 111. Cf. Is 53, 4.
  • 112. Cf. Is 53, 4-6.
  • 113. Cf. Mt 10, 38.
  • 114. Cf. Act 9, 34: 14, 3.
  • 115. Cf. Mt 1, 21: Act  4, 12.
  • 116. Cf. 1 Cor 12, 9. 28. 30.
  • 117. Cf. Jo 6, 54.58.
  • 118. Cf. 1 Cor 11, 30.
  • 119. Cf. Santo Inocêncio, Epistula Si instituta ecclesiastica: DS 216; Concílio de Florença, Decretum pro Armenis: DS 1324-1325: Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento extremae Unctionis, c. 1-2: DS 1695-1696; Id., Sess. 14ª, canones de extrema Unctione, can. 1-2: DS 1716-1717.
  • 120. Cf. Mc 6, 13.
  • 121. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento extremae Unctionis, c. 1: DS 1695; Cf. Tg 5, 14-15.
  • 122.  Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento extremae UnctionisSess. 14ª, c. 2: DS 1696.
  • 123. Cf. II Concílio do Vaticano, Sacrosanctum concilium, 73: AAS 56 (1964) 118-119.
  • 124. Paulo VI. Const. ap. Sacram Unctionem infirmorum: AAS 65 (1973) 8. Cf.CIC 847, § 1.
  • 125. II Concílio do Vaticano, Sacrosanctum concilium, 73: AAS 56 (1964) 118-119: cf. CIC can. 1004. § I. 1005.1007: CCEO can. 738.
  • 126.  Cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª. Doctrina de sacramento extremae Unctionis, c. 3: DS 1697: Id., Sess. 14ª, Canones de extrema Unctione, can. 4: DS 1719.
  • 127.  II Concílio do Vaticano, Sacrosanctum concilium, 27: AAS 56 (1964) 107.
  • 128. Cf. Tg 5, 14.
  • 129. Cf. Tg 5, 15.
  • 130. Cf. Heb 2, 15.
  • 131. Concílio de Florença, Decretum pro Armenis: DS 1325
  • 132. Cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª, canones de extrema Unctione, can. 2: DS 1717.
  • 133. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15.
  • 134. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento extremae Unctionis, c. 3: DS 1698.
  • 135. Ibid.
  • 136. Cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento extremae Unctionis, Prooemium: DS 1694.
  • 137. Cf. Jo 13, 1.

Notas e Referências

  • 1. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.
  • 2.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 [ 1965} 15.
  • 3. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068.
  • 4. Cf. Heb 5, 6; 7, 11: Sl 110, 4.
  • 5. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 11965) 14.
  • 6. Cf. Is 61, 6.
  • 7. Cf. Nm 1, 48-53.
  • 8. Cf. Js 13, 33.
  • 9. Cf. Ex 29, 1-30; Lv 8.
  • 10. Cf. Heb 5, 1.
  • 11. Cf. Ml 2, 7-9.
  • 12. Cf. Heb 5, 3; 7, 27; 10, 1-4.
  • 13. Cr. Nm 11, 24-25.
  • 14. Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum. De Ordinatione Episcopi. Prex ordinationis, 47, editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis1990)  p.24 [Ordenação do Bispo, dos presbíteros e dos diáconos. Oração de ordenação do Bispo, 47 (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa.1992) 40].
  • 15. Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum. De Ordinatione presbyterorum. Prex ordinationis, 159, editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis1990) p. 91-92 [Ordenação do Bispo, dos presbíteros e dos diáconos. Oração de ordenação dos presbíteros, 159 (Coimbra, Gráfica de Coimbra Conferência Episcopal Portuguesa, 1992) p. 104].
  • 16. Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum. De Ordinatione diaconorum. Prex ordinationis, 207, editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis1990) p. 121 [Ordenação do Bispo, dos presbíteros e dos diáconos. Oração de ordenação dos diáconos, 207 (Coimbra, Gráfica de Coimbra Conferência Episcopal Portuguesa, 1992) p. 179].
  • 17. «Et ideo solus  Christus est verus sacerdos, alii autem ministri eius»: S. Tomás de Aquino,  Commentarium in epistolam ad Hebraeos, c. 7. lect. 4: Opera ommnia, v. 21 (Parisiis 1876) p. 647.
  • 18. Cf. Ap 1, 6; 5, 9-10; 1 Pe 2, 5.9.
  • 20. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.
  • 21. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 (1965) 14
  • 22. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 (1965) 14: Ibid., 28 AAS 57 (1965) 34: Id., Const. Sacrosanctum Concilium, 33 AAS 56 ( 1964) 108: In.. Decr. Christus Dominus, 11 AAS 58 (1966) 677: Id.. Decr. Presbyterorum ordinis, 2:. AAS 58 (1966) 992: Ibid. 6: AAS 58 (1966) 999.
  • 23. Pio XII. Enc. Mediator Dei: AAS 39 (1947) 548.
  • 24. «Christus est fons totius sacerdotii: nam sacerdos legalis erat figura ipsius, sacerdos autem novae leis in persona ipsius operatur»: São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 22, a. 4. e: Ed. Leon. 11, 260.
  • 25. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 21: AAS 57 ( 1965) 24.
  • 26. Cf. Santo Inácio de Antioquia,  Epistula ad Trallianos 3, 1: SC 10bis, 96 (Funk 1, 244) Id., Epistula ad Magnesios 6, 1: SC 10bis, 84 (Funk 1, 234).
  • 27. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 24: AAS 57 (1965) 29.
  • 28.  Cf. Mc 10, 43-45; 1 Pe 5,3.
  • 29. São João Crisóstomo, De sacerdotio 2, 4: SC 272, 118 (PG 48, 635); cf. Jo 21, 15-17.
  • 30. Cf. II Concílio do Vaticano, Sacrosanctum Concilium, 33: AAS 56 (1964) 108.
  • 31. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 10: AAS 57 (1965) 14.
  • 32. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 28: AAS 57 (1965) 33-34.
  • 33.  Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Trallianos 3, 1: SC 10bis, 96 (Funk1, 244).
  • 34.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 20: AAS 57 (1965) 23.
  • 35. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 21 : AAS 57 (1965) 24.
  • 36. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 21: AAS 57 (1965) 25.
  • 37. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 21 : AAS 57 (1965) 25.
  • 38. II Concílio do Vaticano, Decr. Christus Dominus, 2: AAS 58 (1966) 674.
  • 39. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 22: AAS 57 (1965) 26.
  • 40. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 22: AAS 57 (1965) 26.
  • 41. Pio XII. Enc. Fidei donum: AAS 49 (1957) 237: ct. II Concílio do Vaticano, Cons. Dogm. Lumen Gentium, 23: AAS 57 (1965) 27-28: In.. Decr. Christus Dominus, 4: AAS 58 (1966)  674-675: Ibid., 36: AAS 58 (1966) 692: Ibid., 37 AAS 58 (1966) 693; Id,. Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 951-952; Ibid., 6: AAS 58 (1966) 952-953: Ibid., 38: AAS 58 (1966) 984-986.
  • 42. Cf. II Concílio do Vaticano, Sacrosanctum Concilium, 41: AAS 56 (1964) 111; Id., Cons. Dogm. Lumen Gentium, 26: AAS 57 (1965) 31-32.
  • 43. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 28: AAS 57 (1965) 33.
  • 44. II Concílio do Vaticano, Decr. Prebyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 992.
  • 45. II Concílio do Vaticano, Decr. Prebyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 992.
  • 46. Cf. Heb 5, 1-10: 7, 24; 9, 11-28.
  • 47. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 28: AAS 57 (1965) 34.
  • 48. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 10: AAS 58 (1966) 1007.
  • 49. II Concílio do Vaticano, Decr. Optatam totius, 20: AAS 58 (1966) 726.
  • 50. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 28: AAS 57 (1965) 34.
  • 51. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 993.
  • 52. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 28: AAS 57 (1965) 35.
  • 53.  II Concílio do Vaticano, Dec. Presbyterorum ordinis, 8: AAS 58 (1966) 1003.
  • 54. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 29 AAS 57 (1965) 36; cf. Id.. Decr. Christus Dominus, 15: AAS 58 (1966) 679.
  • 55. Cf. Santo Hipólito de Roma, Traditio apostolica, 8: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) P 22-24.
  • 56. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 41:.AAS 57 (1965) 46: Id.. Decr Ad gentes 16: AAS 58 (1966) 967.
  • 57. Cf. Mc 10, 45: Lc 22, 27: São Policarpo de Esmirna, Epistula ad Philippenses 5, 2: SC 10bis. 182 (Funk 1, 300).
  • 58. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 29: AAS 57 (1965) 36; Id.. Cons. Sacrosanctum Concilium, 35, 4: AAS 56 (1964) 109: Id., Decr. Ad gentes, 16: AAS 58 (1966) 967.
  • 59. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 29: AAS 57 (1965) 36.
  • 60. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 16: AAS 58 (1966) 967.
  • 61. Cf. Pio XII. Const. ap. Sacramentum ordinis, DS 3858.
  • 62. Cf. Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum. De Ordinatione presbyterorum. Traditio panis et vini. 163, editio tipica altera (Typis PolyglottisVaticanis 1990) p. 95 [Ordenação do Bispo, dos presbíteros e diáconos, Entrega do pão e do vinho,163 (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferencia Episcopal Portuguesa.1992) p. 107].
  • 63. Cf. Prefácio dos Apóstolos I: Missale Romanum, editio typica(Typis Polyglottis Vaticanis1970). p. 426 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. 493].
  • 64. Cf. Ef 4, 11.
  • 65. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 21: AAS 57 (1965) 24.
  • 66. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 21: AAS 57 (1965) 24.
  • 67. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 20: AAS 57 (1965) 23.
  • 68. Cf. Inocêncio III, Professio fidei Waldensibus praescripta: DS 794; IV Concílio de Latrão, Cap. 1, De fide catholica: DS 802; CIC can. 1012; CCEO can. 744,747.
  • 69. CIC can. 1024.
  • 70. Cf. Mc 3, 14-19; Lc 6, 12-16.
  • 71. Cf. 1 Tm 3, 1-13; 2 Tm 1, 6: Tt 1, 5-9.
  • 72. Cf. São Clemente de Roma, Epistula ad Corinthios, 42, 4: SC 167, 168-170 (Funk I. 152); Ibid., 44. 3: SC 167, 172 (Funk 1, 156).
  • 73. Cf . João Paulo II, Ep. Ap. Mulieris dignitatem, 26-27: AAS 80 (1988) 1715-1720. Id.. Ep. Ap. Ordinatio sacerdotalis: AAS 86 (1994) 545-548; Sagrada Congregação da Doutrina da Fé,  Decl. Inter insigniores: AAS 69 (1977) 98-116; Id., Responsum ad dubium circa doctrinam in Epist. Ap. "Ordinatio Sacerdotalis" traditam: AAS 87 (1995) 1114.
  • 74. Cf. Heb 5, 4.
  • 75. Cf. 1 Cor 7, 32.
  • 76. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 16: AAS 58 (1966) 1915-1016.
  • 77. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr Presbyterorum ordinis, 16: AAS 58 (1966) 1015.
  • 78. Cf. Concílio de Trento, Sess. 23ª,  Canones de sacramento Ordinis, c. 4: DS 1767: II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 21: AAS 57 (1965) 25: Ibid., 28 AAS 57 (1965) 34: Ibid., 29: AAS 57 (1965) 36: Id., Decr. Presbyterorum ordinis, 2: AAS 58 (1966) 992.
  • 79. CIC can 290-293. 1336. § 1, 3 e 5. 1338. § 2.
  • 80. Cf. Concílio de Trento, Sess. 23ª,  Canones de sacramento Ordinis, can. 4: DS 1774.
  • 81. Cf. Concílio de Trento, Sess. 7ª, Canones de sacramentis in genere, can. 12: DS 1612: Concílio de Constança, Errores Iohannis Wyclif, 4: DS 1154.
  • 82. Santo Agostinho, In Iohannis evangelium tractatus, 5, 15: CCL 36, 50 (PL 35, 1422).
  • 83. Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum. De Ordinatione Episcopi. Prex ordinationis, 47, editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanis1990)  p.24 [Ordenação do Bispo, dos presbíteros e dos diáconos, Oração de ordenação do Bispo, 47 (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa.1992) 40].
  • 84.  II Concílio do Vaticano, Decr. Christus Dominus, 13: AAS 58 (1966) 678-679: Ibid., 16: AAS 58 (1966) 680-681.
  • 85.  São Hipólito de Roma, Traditio apostolica, 3: ed. B. Botte (Münster i.W. 1989) p. 8-10.
  • 86. Liturgia Bizantina, 2ª  oração da imposição das mãos presbiteral: Euchológion tò méga (Roma 1873) p. 136.
  • 87. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 29 AAS 57 (1965) 36.
  • 88.  São Gregório de Nazianzo, Oratio 2, 71: SC 247, 184 (PG 35, 480).
  • 89. São Gregório de Nazianzo, Oratio 2, 74: SC 247, 186 (PG 35, 481).
  • 90. São Gregório de Nazianzo, Oratio 2, 73: SC 247, 186 (PG 35, 481.
  • 91. B. Nodet, Le Cure d'Ars. Sa pensée-son coeur (Le Puy 1966) p. 98.
  • 92. Cf. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Trallianos 3, 1: SC 10bis. 96 (Funk 1, 244).
  • 93. CIC can. 1055. § 1.
  • 94. Cf. Gn 1, 26-27.
  • 95. Cf. Ap 19, 7.
  • 96. Cf. Ef 5, 32-32.
  • 97. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067.
  • 98. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 11966) 1067.
  • 99. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067.
  • 100. Cf. Gn 1, 27.
  • 101. Cf Gn 1, 31.
  • 102. Cf. Gn 2, 23.
  • 103. Cf Gn 2, 18.
  • 104. Cf. Sl 121, 2.
  • 105. Cf  Mt 19, 4.
  • 106. Cf. Gn 3, 12.
  • 107. Cf. Gn 2, 22.
  • 108. Cf. Gn 3, 16.
  • 109. Cf. Gn 1, 28.
  • 110. Cf. Gn 3, 16-19.
  • 111. Cf. Gn 3, 21.
  • 112. Cf. Gn 3, 16.
  • 113. Cf.  Mt 19, 8: Dt 24, 1.
  • 114. Cf. Os 1-3: Is 54; 62; Jr 2-3; 31; Ez 16; 23.
  • 115. Cf. Ml 2, 13-17.
  • 116. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 117. Cf. Ap 19, 7. 9
  • 118. Cf. Jo 2, 1-11.
  • 119. Cf. Mt 19, 8.
  • 120.  Cf. Mt 19, 10 .
  • 121. Cf. Mt 11, 29-30.
  • 122.  Cf. Mc 8, 34.
  • 123.Cf. Mt 19, 11.
  • 124. Cf. Ef 5, 26-27.
  • 125.  Cf. Concílio de Trento, Sess. 24ª. Doctrina de sacramento Matrimonii: DS 1800; CIC can. 1055, § I.
  • 126. Cf. Lc 14, 26; Mc 10, 28-31.
  • 127. Cf. Ap 14, 4.
  • 128. Cf. 1 Cor 7, 32.
  • 129. Cf. Mt 25, 6.
  • 130. Cf. Mc 12, 25: 1 Cor 7, 31.
  • 131. Cf. Mt 19, 3-12.
  • 132.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42: AAS 57 (1965) 48: Id., Decr. Perfectae caritatis, 12 AAS 58 (1966) 707: In., Decr. Optatam totius, 10: AAS 58 (1966) 720-721.
  • 133. São João Crisóstomo, De Virginitate 10, 1: SC 125, 122 (PG 48, 540): cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiares consortio, 16: AAS 74 (1982) 98.
  • 134. Cf. II Concílio do Vaticano, Sacrosanctum Concilium, 61:AAS 56 (1964) 116-117.
  • 135. Cl. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 9.
  • 136. Cf. 1 Cor 10, 17.
  • 137. João Paulo II, Ex. ap. Familiares consortio, 67: AAS 74 (1982) 162.
  • 138. Cf. CCEO can. 817.
  • 139. CCEO can. 828.
  • 140. Cf  Ef  5, 32.
  • 141. CIC can. 1057. § 1.
  • 142. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067; CIC can. 1057, § 2.
  • 143. Ordo celebrandi Matrimonium, 62, Editio typica altera (Typis Polyglottis Vaticanas 1991) p. 17 [Celebração do Matrimónio, 62, Segunda edição típica (Coimbra, Gráfica de Coimbra — Conferência Episcopal Portuguesa 1993) p.31].
  • 144. Cf. Gn 2, 24; Mc 10, 8: Ef 5, 31.
  • 145. Cf. CIC can. 1103.
  • 146. Cf. CIC can. 1057, § 1.
  • 147. Cf. CIC can. 1083-1108.
  • 148. Cf. CIC can. 1071, § 1, 3.
  • 149. Cf. Concílio de Trento, Sess. 24ª, Decretum "Tametsi ": DS 1813-1816: CIC can. 1108.
  • 150. Cf. CIC can. 1063.
  • 151. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070.
  • 152. Cf. CIC can. 1124.
  • 153. Cf. CIC can. 1086.
  • 154. Cf. C1C can. 1125.
  • 155. Cf. 1 Cor 7, 16.
  • 156. CIC can.1134.
  • 157.  Cf. Mc 10, 9.
  • 158. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067.
  • 159. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068.
  • 160. Cf. CIC can. 1141.
  • 161. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16.
  • 162. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 15-16: cf. Ibid., 41:.AAS 57 (1965) 47.
  • 163. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068.
  • 164. Cf. Gl 6, 2.
  • 165. Tertuliano, Ad Uxorem 2, 8. 6-7: CCL 1, 393 (PL 1, 1415-1416): cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 13: AAS 74 (1982) 94.
  • 166. João Paulo II, Ex. ap. Familiares consortio, 13: AAS 74 (1982) 96.
  • 167. Cf. Gn 2, 24.
  • 168. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 19: AAS 74 (1982) 101.
  • 169. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070.
  • 170. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 19: AAS 74 (1982) 102.
  • 171. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068.
  • 172. João Paulo II. Ex. ap. Familiaris consortio, 20: AAS 74 (1982) 104.
  • 173. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 83: AAS 74 (1982) 184; CIC can. 1151-1155.
  • 174. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio,  84: AAS 74 (1982) 185.
  • 175. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1068.
  • 176.  II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1070-1071.
  • 177. II Concílio do Vaticano, Decl. Gravissimum educationis, 3: AAS 58 (1966) 731.
  • 178.Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 28: AAS 74(1982) 114.
  • 179.Cf At 18, 8.
  • 180. Cf. At 16, 31; 11, 14.
  • 181. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16; cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 21: AAS 74 (1982) 105.
  • 182.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16.
  • 183. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium,10: AAS 57 (1965) 15.
  • 184. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 52: AAS 58 (1966) 1073.
  • 185. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 85: AAS 74 (1982) 187.
  • 186. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067-1068; CIC can. 1055, § 1.
  • 187. Cf. Concílio de Trento, Sess. 24ª. Doctrina de sacramento Matrimonii: DS 1799.
  • 188. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1070.

Notas e Referências

  • 1. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 60: AAS 56 (1964) 116: cf. CIC can. 1166; CCEO can. 867.
  • 2. Cf. Gn 12, 2.
  • 3. Cf. Lc 6, 28; Rm 12, 14; 1 Pe 3, 9.
  • 4. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 79: AAS 56 (1964) 120: cf. CIC can. 1168.
  • 5. Cf. De Benedictionibus, Praenotanda generalia, 16 e 18. Editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1984) p. 13.14-15 [Celebração das Bênçãos, Preliminares gerais, 16 e 18 (Coimbra, Gráfica de Coimbra Conferência Episcopal Portuguesa, 1991) p. 13].
  • 6. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 61: AAS 56 (1964) 116-117.
  • 7. Cf. Mc 1, 25-26.
  • 8. Cf. Mc 3, 15; 6, 7.13; 16, 17.
  • 9. Cf. CIC can. 1172.
  • 10. Cf. II Concílio de Niceia, Definitio de sacris imaginibus: DS 601; Ibid.: DS 603; Concílio de Trento, Sess.25ª,  Decretum de invocatione, veneratione et reliquiis sanctorum, et sacris  imaginibus: DS 1822.
  • 11. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium,  13: AAS 56 (1964) 103.
  • 12. Cf. João Paulo II,. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 54: AAS 71 (1979) 1321-1322.
  • 13.  III Conferência Geral do Episcoplado Latino-Americano, Puebla, La Evangelización en el presente y en el futuro de América Latina. 448 (Bogotá 1979) p. 131 [Puebla. A Evangelização no presente e no futuro da América Latina, Texto oficial da CNBB, 448 (Petrópolis, Ed. Vozes 1980) p.153-154]; cf. Paulo VI, Ex. ap. Evangelii nuntiandi, 48: AAS 68 (1976) 37-38.
  • 14. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  • 15. Cf. 2 Cor 5, 8.
  • 16.  Cf. 1 Cor 15, 42-44.
  • 17. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium,  81: AAS 56 (1964) 120.
  • 18. Cf. 1 Ts 4, 18.
  • 19. Cf. Ordo exsequiarum, De primo typo exsequiarum, 41, Editio typica (Typis PolyglottisVaticanis 1969) p. 21 [Celebração das Exéquias, n. 57 (Braga, Secretariado Nacional do Apostolado da Oração – Conferência Episcopal. 1984) p. 521.
  • 20.  Cf. Ordo exsequiarum, Praenotanda, Editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969) p. 7 [Celebração das Exéquias, Preliminares, I (Braga, Secretariado Nacional do Apostolado da Oração – Conferência Episcopal, 1984) p. 31.
  • 21. Cf. Ordo exsequiarum, De primo typo exsequiarum, 56. Editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969) p. 26 [Celebração das Exéquias, n. 87* (Braga, Secretariado Nacional do Apostolado da Oração — Conferência Episcopal. 1984) p. 82-83].
  • 22. Ordo exsequiarum, Praenotanda, 10, Editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969) p. 9 [Celebração dos Exéquias, Preliminares, 10 (Braga, Secretariado Nacional do Apostolado da Oração – Conferência Episcopal, 1984) p. 7].
  • 23. São Simão de Tessalónica, De ordine sepulturae, 367: PG 155, 685.

Notas e Referências

  • 1. São Leão Magno, Sermo 21, 3: CCL 138, 88 (PL 54, 192-193).
  • 2. Cf. Jo 1, 12.
  • 3. Cf. Fl 1, 27.
  • 4. Cf. Jo 8, 29.
  • 5. Cf. Rm 6, 5.
  • 6. Cf. Rm 6, 11.
  • 7. Cf. Cl 2, 12.
  • 8. Cf. Jo 15, 5.
  • 9. Cf. Ef 5, 1-2.
  • 10. Cf. Fl 2, 5.
  • 11. Cf. Jo 13, 12-16.
  • 12. Cf. 1 Cor 1, 2.
  • 13. Cf. Gl 4, 6.
  • 14. Cf. Gl 5, 25.
  • 15. Cf. Gl 5, 22.
  • 16. Cf. Ef  4, 23.
  • 17.  Cf. Dt 30, 15-20.
  • 18. Didaké 1, 1: SC 248, 140 (Funk 1, 2).
  • 19.  Cf. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 29: AAS 71 (1979) 1301.
  • 20. São João Eudes, Le Coeur admirable de la Très Sacrée Mère de Dieu, 1, 5 Oeuvres completes, v. 6 (Paris 1908) p. 113-114.
  •  
  •  

Notas e Referências

  • 1. Cf. Lc 15, 11-32.
  • 2. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 3. Cf. 2 Cor 4, 4.
  • 4. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 5. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 14: AAS 58 (1966) 1036.
  • 6. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 24: AAS 58 (1966) 1045.
  • 7. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 15: AAS 58 (1966) 1036.
  • 8. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037.
  • 9. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037.
  • 10. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034.
  • 11. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1035.
  • 12. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 13. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 15: AAS 58 (1966) 1036.
  • 14. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037.
  • 16. Santo Agostinho, De moribus Ecclesiae catholicae 1. 3, 4: CSEL 90, 6 (PL 32, 1312).
  • 17. Santo Agostinho, Confissões, 10, 20, 29: CCL 27, 170 (PL 32, 791).
  • 18. São Tomás de Aquino, In Symbolum Apostolarum scilicet «Credo in Deum», expositio, c. 15: Opera omnia, v. 27 (Parisiis 1875) p. 228.
  • 19. Cf. Mt 4, 17.
  • 20. Cf. 1 Jo 3, 2; 1 Cor 13.
  • 21. Cf. Mt 25, 21. 23.
  • 22. Cf. Heb 4, 7-11 .
  • 23. Santo Agostinho, De civitate Dei, 22, 30 CSEL 40/2, 670 (PL 41, 804).
  • 24. Cf. Jo 17, 3.
  • 25. Cf. Rm 8, 18.
  • 26. Santo Ireneu de Lião, Adversus Haereses, 4, 20, 5: SC 100, 638.
  • 27. Johannes Henricus Newman, Discourses addressed to Mixed Congregations, 5 [Saintliness the Standard of Christian Principle] (Westminister 1966), p. 89-91.
  • 28. Cf. parábola do semeador: Mt 13, 3-23.
  • 29. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037.
  • 30. Santo Ireneu de Lião, Adversus Haereses, 4, 4, 3: SC 100, 424 (PG 7, 983).
  • 31. Cf. Rm 6, 17.
  • 32. Cf. Gn 4, 10.
  • 33. Cf. 2 Sm 12, 7-15.
  • 34. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 930-931.
  • 35. Cf.  II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 7: AAS 58 (1966) 934-935.
  • 36. Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Libertatis conscientia, 13: AAS 79 (1987) 559.
  • 37. Cf. Jo 8, 32.
  • 38. Cf. Rm 8, 21.
  • 39. Domingo XXXII do Tempo Comum, Colecta: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p.371 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 426].
  • 40. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037.
  • 41. Cf. Mt 6, 2-4.
  • 42. São Tomás de Aquino, In duo praecepta caritatis et in decem Legis praecepta expositio, c.6: Opera omnia, v. 27 (Parisiis 1875) p. 149.
  • 43. Cf. Mc 7, 21.
  • 44. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2. q. 26. a. 4. c: Ed. Leon. 6, 190.
  • 45. Cf. Santo Agostinho, De Trinitate, 8, 3, 4: CCL 50, 271-272 (PL 42, 949).
  • 46. Santo Agostinho, De civitate Dei, 14, 7: CSEL 40/2. 13 (PL 41, 410).
  • 47.  São Tomás de Aquino, Summa theologiae,  1-2, q. 24, a. 1, e.: Ed. Leon. 6, 179.
  • 48. Cf. São Tomás de Aquino, Summa theologiae,  1-2, q. 24, a. 3. c.: Ed. Leon. 6, 181.
  • 49. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037.
  • 50. Cf. Rm 2, 14-16.
  • 51. Cf. Rm 1, 32.
  • 52. Joannes Henricus Newman, A Letter to the Duke of Norfolk, 5: Certain Difficulties felt by Anglicans in Catholic Teaching, v. 2 (Westminster 1969) p. 248.
  • 53. Santo Agostinho, In epistulam Iohannis ad Parthos tractatus 8, 9: PL 35, 2041.
  • 54. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 3: AAS 58 (1966) 932.
  • 55. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 14: AAS 58 (1966) 940.
  • 56. Cf. Lc 6, 31; Tb 4, 15.
  • 57. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037.
  • 58. Cf. 1 Tm 3, 9; 2 Tm 1, 3; 1 Pe 3, 21; Act 24, 16.
  • 59. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037.
  • 60. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 16: AAS 58 (1966) 1037.
  • 61. São Gregório de Nissa, De Beatitudinibus, oratio 1: Gregorii Nysseni opera. ed. W. Jaeger, v. 7/2 (Leiden 1992) p. 82 (PG 44, 1200).
  • 62. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 47. a. 2. sed contra: Ed. Leon. 8, 349.
  • 63. Cf. Sir 5, 2; 37, 27-31.
  • 64. Santo Agostinho, De moribus Ecclesiae catholicae, 1, 25, 46: CSEL 90, 51 (PL 32, 1330-1331).
  • 65.  Cf. 2 Pe 1, 4.
  • 66. Cf. 1 Cor 13, 13.
  • 67. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 5: AAS 58 (1966) 819.
  • 68. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 15: DS 1544.
  • 69.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42: AAS 57 (1965) 48: cf. ID., Decl. Dignitatis humanae, 14: AAS 58 (1966) 940.
  • 70. Cf. Gn 17, 4-8; 22, 1-18.
  • 71. Cf. Rm 8, 28-30.
  • 72. Cf. Mt 7, 21.
  • 73. Cf. Mt 10, 22: Concílio de Trento, Sess. 5ª, Decretum de iustificatione, c. 13: DS 1541.
  • 74. Santa Teresa de Jesus, Exclamaciones del alma a Dios, 15, 3: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 4 (Burgos 1917) p. 290. [Exclamações, XV. 3: Obras Completas (Paço de Arcos. Edições Carmelo 1994) p. 959).
  • 75. Cf. Jo 13. 34.
  • 76. Cf. Mt 22, 40: Rm 13, 8-10.
  • 77. Cf. Mt 5, 44.
  • 78. Cf. Lc 10, 27-37.
  • 79. Cf  Mc 9, 37.
  • 80. Cf. Mt 25, 40.45.
  • 81. Cf. 1 Cor 13, 1-4.
  • 82. São Basílio Magno, Regulae fusius tractatae, prol. 3: PG 31. 896.
  • 83. Santo Agostinho, In epistulam Iohannis ad Parthos tractus 10, 4: PL 35, 2056-2057.
  • 84. Cf. Is 11, 1-2.
  • 85. 1 Cor 13, 13.
  • 86. Cf. Lc 15.
  • 87. Santo Agostinho, Sermão 169, 11, 13: PL 38, 923.
  • 88. João Paulo II, Enc. Dominum et vivificantem, 31: AAS 78 (1986) 843.
  • 89. Santo Agostinho, Contra Faustum manichaeum, 22, 27: CSEL 25, 621 (PL 42, 418): cf. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 71, a. 6: Ed. Leon. 7, 8-9.
  • 90.  Santo Agostinho, De civitate Dei, 14, 28: CSEL 40/2, 56 (PL 41, 436).
  • 91. Cf. Fl 2, 6-9.
  • 92. Cf. Jo 14, 30.
  • 93. Cf. Rm 1, 28-32; 1 Cor 6, 9-10; Ef 5, 3-5; Cl 3, 5-9; 1 Tm 1, 9-10; 2 Tm 3, 2-5.
  • 94. Cf. 1 Jo 5, 16-17.
  • 95. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 88. a. 2, e: Ed. Leon. 7, 135.
  • 96. João Paulo II. Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia, 17: AAS 77 (1985) 221.
  • 97. Cf. Mc 3, 5-6; Lc 16, 19-31.
  • 98. João Paulo II,  Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia, 17: AAS 77 (1985) 221.
  • 99. Santo Agostinho, In epistulam Iohannis Parthos tractatus, 1, 6: PL 35, 1982.
  • 100. Cf. Mc 3. 29; Lc 12, 10.
  • 101. Cf. João Paulo II, Enc. Dominum et vivificantem, 46: AAS 78 (1986) 864-865.
  • 102. Cf. São Cassiano, Conlatio, 5, 2: CSEL 13, 121 (PL 49, 611).
  • 103. Cf. São Gregório Magno, Moralia in Job, 31, 45, 87: CCL 143B, 1610 (PL 76, 621).
  • 104. Cf. Gn 4. 10.
  • 105. Cf. Gn 18, 20; 19, 13.
  • 106. Cf. Ex 3, 7-10.
  • 107. Cf. Ex 22, 20-22.
  • 108. Cf. Dt 24, 14-15; Tg 5, 4.
  • 109.  João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 216.

Notas e Referências

  • 1. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 24: AAS 58 (1966) 1045.
  • 2. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 25: AAS 58 (1966) 1045.
  • 3. Cf. Lc 19, 13. 15.
  • 4. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 25: AAS 58 (1966) 1045.
  • 5.  João XXIII, Enc. Mater et magistra, 60: AAS 53 (1961) 416.
  • 6. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 24: AAS 58 (1966) 1045-1046; João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 16: AAS 83 (1991) 813.
  • 7. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 48: AAS 83 (1991) 854: cf. Pio XI, Enc. Quadragesimo anno: AAS 23 (1931) 184-186.
  • 8. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 36: AAS 83 (1991) 838.
  • 9. João XXIII, Enc. Pacem in terris, 36: AAS 55 (1963) 266.
  • 10. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 41: AAS 83 (1991) 844.
  • 11. Pio XII, Mensagem radiofónica (1 de Junho de 1941): AAS 33 (1941) 197.
  • 12. Cf. II Concílio do Vaticano, Cons. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 42.
  • 13. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 25 AAS 83 (1991) 823.
  • 14. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 25 AAS 58 (1966) 1045.
  • 15. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 5: AAS 83 (1991) 800.
  • 16. João XXIII, Enc. Pacem in terris, 46: AAS 55 (1963) 269.
  • 17. Cf. Leão XIII, Enc. Diuturnum illud: Leonis XIII Acta 2, 271; Id., Enc. Immortale Dei: Leonis XIII Acta, 5, 120.
  • 18. Cf. 1 Pe 2, 13-17.
  • 19 Cf. já 1 Tm 2, 1-2.
  • 20. São Clemente de Roma, Epistula ad Corinthios, 61, 1-2: SC 167, 198-200 (Funk 1, 178-180).
  • 21. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 74: AAS 58 (1966) 1096.
  • 22. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 74: AAS 58 (1966) 1096.
  • 23. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 93, a. 3. ad 2: Ed. Leon. 7, 164.
  • 24. João XXIII, Enc. Pacem in terris, 51: AAS 55 (1963) 271.
  • 25. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 44: AAS 83 (1991) 848.
  • 26. Pseudo Barnabé, Epistula, 4, 10: SC 172, 100-102 (Funk 1, 48).
  • 27. Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966)1046: cf. Ibid., 74: AAS 58 (1966) 1096.
  • 28. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1046.
  • 29.  Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1046.
  • 30. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 84: AAS 58 (1966) 1107.
  • 31. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1047.
  • 32. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 31: AAS 83 (1991) 847.
  • 33. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 3162: AAS 58 (1966) 1050.
  • 34. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 30: AAS 58 (1966) 1049.
  • 35. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 31: AAS 58 (1966) 1050.
  • 36. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 74: AAS 58 (1966) 1096.
  • 37. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1046.
  • 38. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 47: AAS 80 (1988) 581.
  • 39. Cf. João XXIII, Enc. Pacem in terris, 61: AAS 55 (1963) 274.
  • 40. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 27: AAS 58 (1966) 274.
  • 41. Cf. Mt 5, 43-44.
  • 42. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 29: AAS 58 (1966) 1048-1049.
  • 43. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 29: AAS 58 (1966) 1048.
  • 44. Cf. Mt 25, 14-30: Lc 19, 11-27.
  • 45. Santa Catarina de Sena, Il dialogo della Divina provvidenza, 7: ed. G. Cavallini (Roma 1995) p. 23-24.
  • 46. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 29: AAS 58 (1966) 1049.
  • 47. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 38-40: AAS 80 (1988) 564-569; Id.. Enc. Centesimus annus, 10: AAS 83 (1991) 805-806.
  • 48. Pio XII, Enc. Summi Pontificatus: AAS 31 (1939) 426.
  • 49. Pio XII, Mensagem radiofónica (1 de Junho de 1941): AAS 33 (1941) 204.
  •  
  •  

Notas e Referências

  • 1. Leão XIII, Enc. Libertas praestantissimum: Leonis XIII Acta 8. 218: São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 90. a. 1: Ed. Leon. 7, 149-150.
  • 2. Tertuliano, Adversos Marcionem, 2, 4, 5: CCL I. 479 (PL 2, 315).
  • 3. Leão XIII, Enc. Libertas praestantissimum: Leonis XIII Acta 8. 219
  • 4. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 89: AAS 58 (1966) 1111-1112.
  • 5. Santo Agostinho, De Trinitate, 14, 15, 21: CCL 50A, 451 (PL 42, 1052).
  • 6. São Tomás de Aquino, In duo praecepta caritatis et in detem Legi praecepta expositio 1: Opera amnia, v. 27 (Parisiis 1875) p. 144.
  • 7. Marco Túlio Cícero, De re publica, 3, 22, 33: Scripta quae manserunt omnia, Bibliotheca Teubneriana fasc. 39. ed. K. Ziegler (Leipzig 1969) p. 96.
  • 8. Cf. II Concílio do Vaticano,. Const. past. Gaudium et spes, 10: AAS 58 (1966) 1033.
  • 9. Santo Agostinho, Confissões 2, 4, 9: CCL 27, 21 (PL 32, 678).
  • 10. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3005: Pio XII. Enc. Humani Generis: DS 3876.
  • 11. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum, 57, I: CCL 39, 708.
  • 12. Cf. Rm 7, 12.
  • 13. Cf. Rm 7, 14.
  • 14. Cf. Rm 7, 16.
  • 15. Cf. Gl 3, 24.
  • 16. Cf. Rm 7.
  • 17. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses, 4, 15, 1: SC 100. 548 (PG 7, 1012).
  • 18. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 107, a.I, ad 2: Ed. Leon 7, 279.
  • 19. Cf. Jr 31, 31-34.
  • 20. Santo Agostinho, De sermone Domine in monte, 1, 1, 1: CCL 35, 1-2 (PL 34, 1229-1231).
  • 21. Cf. Mt 5, 17-19.
  • 22. Cf. Mt 15, 18-19.
  • 23. Cf. Mt 5, 48.
  • 24. Cf.  Mt 5, 44.
  • 25. Cf. Mt 6, 1-6; 16-18.
  • 26. Cf. Mt 6, 9-13.
  • 27. Cf. Mt 7, 13-14.
  • 28. Cf. Mt 7, 21-27.
  • 29. Cf. Lc 6, 31.
  • 30. Cf. Jo 13, 34.
  • 31. Cf. Jo 15, 12.
  • 32. Cf. Rom 14; 1 Cor 5-10.
  • 33.Cf. Tg 1, 25; 2, 12.
  • 34. Cf. G14.1-7; 21-31; Rm 8, 15-17.
  • 35. Cf. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2. Q. 184, a. 3: Ed. Leon. 10, 453-454.
  • 36. São Francisco de Sales, Traité de l'amour de Dieu, 8, 6: Oeuvres, v. 5 (Anecy 1894) p. 75.
  • 37. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2. q. 90, a. 4, e: Ed. Leon. 7, 152.
  • 38. Cf. Rm 10, 4.
  • 39. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42 AAS 57 (1965) 48.
  • 40. Cf. Rm 3, 22.
  • 41. Cf. Rm 6, 3-4.
  • 42. Cf. 1 Cor 12.
  • 43. Cf. Jo 15, 1-4.
  • 44. Santo Atanásio de Alexandria, Epistula ad Serapionem. 1, 24: PG 26, 585-588.
  • 45. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1528.
  • 46. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529.
  • 47. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 5: DS 1525.
  • 48. Santo Agostinho, In Iohannis evangelium tractatus, 72, 3: CCL 36, 508 (PL 35, 1823).
  • 49. Cf. Rm 7, 22; Ef 3,16.
  • 50. Cf. Jo 1, 12-18.
  • 51. Cf. Rm 8, 14-17.
  • 52. Cf. 2 Pe 1, 3-4.
  • 53. Cf. Jo 17, 3.
  • 54. Cf. 1 Cor 2, 7-9.
  • 55. Cf. Jo 4, 14; 7, 38-39.
  • 56. Santo Agostinho, De gratia et libero arbítrio, 17, 33: PL 44, 901.
  • 57. Santo Agostinho, De natura et gratia, 31, 35: CSEL 49, 258-259 (PL 44, 264).
  • 58. Santo Agostinho, Confissões, 13, 36, 51: CCL 27, 272 (PL 32, 868).
  • 59. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16-17.
  • 60. Cf. 1 Cor 12.
  • 61. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 9: DS 1533-1534.
  • 62. Santa Joana D'Arc: Dito: Procès de condannation, ed. P. Tisset (Paris, 1969) p. 62.
  • 63. Prefácio dos Santos, I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 428 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p . 495]: cf. o «Doutor da Graça». Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 102, 7: CCL 40, 1457 (PI_ 37, 1321).
  • 64. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 16: DS 1546.
  • 65. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 16: DS 1546.
  • 66. Santo Agostinho, Sermão 298, 4-5: SPM 1, 98-99 (PL 38, 1376).
  • 67. Santa Teresa do Menino Jesus, Acte d'offrande à l'Amour miséricordieux: Récréations pieuses – Prières (Paris 1992) p. 512-515. [Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 199) p. 1077].
  • 68. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 40: AAS 57 (1965) 45.
  • 69.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 40: AAS 57 (1965) 45.
  • 70. Cf. 2 Tm 4.
  • 71. São Gregório de Nissa, In Canticum homilia 8: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger - H. Langerbeck, v. 6 (Leiden 1960) p. 247 (PG 44, 941).
  • 72. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, can. 26: DS 1576
  • 73. II Concílio do Vaticano, Const dogm. Lumen Gentium, 40: AAS 57 (1965) 45.
  • 74. São Gregório de Nissa, De vita Moysis, 1. 5: ed. M. Simonetti (Vicenza 1984) p. 10 (PG 44. 300).
  • 75. Cf. Gl 6, 2.
  • 76. Cf. Rm 12, 1.
  • 77. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 17: AAS 57 (1965) 21.
  • 78. CIC can. 747, § 2.
  • 79. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 29.
  • 80. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 30.
  • 81. Cf. Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Mysterium Ecclesiae, 3: AAS 65 (1973) 401.
  • 82. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 14: AAS 58 (1966) 940.
  • 83. Cf. CIC can. 213.
  • 84. Cf. 1 Cor 2, 10-15.
  • 85. Cf. Rm 12, 8.11.
  • 86. Cf. CIC can. 1246-1248: CCEO can. 880, § 3, 881, §§ 1.2.4.
  • 87. Cf. CIC can. 989: CCEO can. 719.
  • 88. Cf. CIC can. 920: CCEO can. 708. 881, § 3.
  • 89 Cf. CIC can. 1249-1251; CCEO can. 882.
  • 90. Cf. CIC can. 222: CCEO can. 25. As Conferências Episcopais podem, para além destes, estabelecer outros preceitos eclesiásticos para o seu território: cf. CICcan. 455.
  • 91. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 842.
  • 92. Cf. Ef 1, 22.
  • 93. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 39: AAS 57 (1965) 44.
  • 94. Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do universo,  Prefácio: Missale Romanum. editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 381 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 429].

Notas e Referências

  • 1. Cf. Mt 5, 17.
  • 2. Cf. Mt 19, 6-12.21.23-29.
  • 3. Cf. Mt 5, 20.
  • 4. Cf. Mt 5, 46-47.
  • 5. Cf. Dt 6, 5: Lv 19, 18.
  • 6. Cf. Ex 31,18; Dt 5, 22.
  • 7. Cf. Dt 31, 9.24.
  • 8. Cf. Ex 20, 1-17.
  • 9. Cf. Dt 5, 6-22.
  • 10. Cf., por exemplo. Os 4, 2; Jr 7, 9: Ez 18, 5-9.
  • 11. Cf. Ex 19.
  • 12. Cf. Ex 24.
  • 13. Cf. Ex 24, 7.
  • 14. Orígenes, In Exodum homilia 8, 1; SC 321, 242 (PG 12, 350).
  • 15. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses, 4, 16, 3-4: SC 100, 566-570 (PG 7, 1017-1018).
  • 16. Santo Agostinho, Sermão 33, 2; CCL 41, 414 (PL 38, 208).
  • 17. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, can.19-20: DS 1569-1570.
  • 18. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 24: AAS 57 (1965) 29.
  • 19. Cf. Tg 2, 10-11.
  • 20. Santo Ireneu de Lião, Adversas haereses, 4, 15, 1: SC 100, 548 (PG 7, 1012).
  • 21. São Boaventura, In quattuor libros Sentenciarum, 3, 37, 1, 3: Opera amnia, v. 3 (Ad Claras Aquas 1887) p. 819-820.
  • 22. Cf. Tg 2, 10-11.

Notas e Referências

  • 1. Cf. Lc 10 , 27: «...com todas as tuas forças».
  • 2. Cf. Dt 5, 6-9.
  • 3. Cf. Ex 19, 16-25; 24, 15-18.
  • 4. São Justino, Diálogo com o judeu Trifão, 11, 1: CA 2, 40 (PG 6. 497).
  • 5. CatRom. 3, 2, 4. p. 408-409.
  • 6. Cf. Rm 1, 5; 16, 26.
  • 7. Cf Rm 1, 18-32.
  • 8. CIC can. 751.
  • 9. Cf. Dt 6, 4-5.
  • 10. Cf. Lc 1, 46-49.
  • 11. Santo Agostinho, De civitate Dei. 10, 6: CSEL 40/1. 454-455 (PL 41, 283).
  • 12. Cf. Am, 5, 21-25.
  • 13. Cf. Is 1, 10-20.
  • 14. Cf. Os 6, 6.
  • 15. Cf. Heb 9, 13-14.
  • 16. CIC can. 1191. §1.
  • 17. Cf. Act 18, 18; 21, 23-24.
  • 18. Cf. CIC can. 654.
  • 19.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42: AAS 57 (1965) 48-49.
  • 20. Cf. CIC can 692.1196-1197.
  • 21. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 1: AAS 58 (1966) 930.
  • 22. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 931.
  • 23. II Concílio do Vaticano, Decl. Nostra aetate, 2: AAS 58 (1966) 742.
  • 24.  II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 14: AAS 58 (1966) 940.
  • 25. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 1: AAS 58 (1966) 930.
  • 26. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 13: AAS 58 (1966) 849.
  • 27. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 1: AAS 58 (1966) 930.
  • 28. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 13: AAS 58 (1966) 850.
  • 29. Cf. Leão XIII. Enc. Immortale Dei: Leonis XIII Acta 5, 118-150: Pio XI. Enc. Quas primas: AAS 17 (1925) 593-610.
  • 30. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 931; cf. Id,. Const. past. Gaudium et spes, 26: AAS 58 (1966) 1046.
  • 31. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 931.
  • 32.  II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 6: AAS 58 (1966) 934.
  • 33. Cf. Leão XIII, Enc. Libertas praestantissimum: Leonis XIII Acta 8, 229-230.
  • 34. Cf. Pio XII, Alocução aos participantes no quinto Congresso nacional italiano da União dos Juristas católicos (6 de Dezembro de 1953): AAS 45 (1953) 799.
  • 35. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 930-931.
  • 36. Cf. Pio VI, Breve Quod aliquantum (10 de Março de 1791): Collectio Brevium atque Instructionum SS. D. N. Pii Papae VI, quae ad praesentes Ecclesiae Catholicae in Gallia 1...] calamitates pertinent (Romae 1800) p. 54-55.
  • 37. Cf. Pio IX. Enc. Quanta cura: DS 2890.
  • 38. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 7: AAS 58 (1966) 935.
  • 39. Cf. Mt 23, 16-22.
  • 40. Cf. Is 44, 9-20; Jr 10, 1-16; Dn 14, 1-30; Br 6; Sb 13, 1-15.19
  • 41. Cf. Sl 42, 3; etc.
  • 42. Cf. Ap 13-14.
  • 43. Cf. Gl 5, 20: Ef 5, 5.
  • 44. Orígenes, Contra Celsum 2, 40; SC 132, 378 (PG 11, 861).
  • 45. Cf. Dr 18, 10; Jr 29, 8.
  • 46. Cf. Lc 4, 9.
  • 47. Cf. 1 Cor 10, 9; Ex 17, 2-7: Sl 95, 9.
  • 48. Cf. CIC can. 1367.1376.
  • 49. Cf. Act 8, 9-24.
  • 50. Cf. já Is 55, 1.
  • 51. CIC can 848.
  • 52. Cf. Lc 10, 7; 1 Cor 9, 4-18; 1 Tm 5, 17-18.
  • 53. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 19: AAS 58 (1966) 1039.
  • 54. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 20: AAS 58 (1966) 1040.
  • 55. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 20: AAS 58 (1966) 1040.
  • 56. Cf. Rm 1,18.
  • 57. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 19: AAS 58 (1966) 1039.
  • 58. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 20: AAS 58 (1966) 1040.
  • 59. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 21: AAS 58 (1966) 1040.
  • 60. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 21: AAS 58 (1966) 1042.
  • 61. Cf. Nm 21, 4-9: Sb 16, 5-14; Jo 3, 14-15.
  • 62. Cf. Ex 25, 10-22: 1 Rs 6, 23-28; 7, 23-26.
  • 63.  São Basílio Magno, Liber de Spiritu Sancto, 18, 45: SC 17bis. 406 (PG 32, 149).
  • 64. II Concílio de Niceia, Definitio de sacris imaginibus: DS 601; cf. Concílio de Trento, Sess. 25ª, Decretum de invocatione, veneratione et reliquiis sanctorum, et sacris imaginibus: DS 1821-1825: II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 125: AAS 56 (1964) 132: Id., Const. dogm. Lumen Gentium, 67: AAS 57 (1965) 65-66.
  • 65. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2. q. 81, a. 3, ad 3: Ed. Leon. 9, 180.
  • 66. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 15: AAS 58 (1966) 940.
  • 67 Cf. Dt 5, 11
  • 68. Cf. Zc 2, 17.
  • 69. Cf. Sl 29, 2; 96, 2; 113, 1-2.
  • 70. Ioannes Henricus Newman, Parochial and Plain Sermons, v. 5, Sermon 2 [Reverence, a Belief in God's Presence] (Westminster 1967) p. 21-22.
  • 71. Cf. Mt 10, 32; 1 Tm 6, 12.
  • 72. Cf. 1 Jo 1, 10.
  • 73. Cf. CIC can. 1369.
  • 74. Santo Agostinho, De Sermone Domini in monte, 2, 5, 19: CCL 35, 109 (PL 34, 1278).
  • 75. Cf. Tg 5, 12.
  • 76. Cf. 2 Cor 1, 23; Gl 1, 20.
  • 77. CIC can. 1199. § 1.
  • 78. CIC can. 855.
  • 79. Cf. Is 43, 1: Jo 10, 3.
  • 80. Santo Inácio de Loiola, Exercitia spiritualia, 38: MHSI 100, 174.
  • 81. Cf. Is 43, 1.
  • 82. Cf. Dt 5, 12-15.
  • 83. Cf. Ex 31, 16.
  • 84. Cf. Ez 23, 12.
  • 85. Cf. Ne 13, 15-22; 2 Cr 36, 21.
  • 86. Cf. Mc 1, 21; Jo 9, 16.
  • 87. Cf. Mc 3, 4.
  • 88. Cf. Mt 12, 5; Jo 7, 23.
  • 89. Cf. Mt 28, 1; Lc 24, 1; Jo 20, 1.
  • 90. Cf. Mc 16, 1: Mt 28, 1.
  • 91. São Justino, Apologia, 1, 67: CA 1, 188 (PG 6, 429-432).
  • 92. Cf. 1 Cor 10, 11.
  • 93. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Mgnesios, 9, 11: SC 10bis, 88 (Fusk 1, 236-238).
  • 94. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2. q. 122. a. 4. c: Ed. Leon. 9, 478.
  • 95.  CIC can. 1246, § 1.
  • 96. CIC can. 1246, § 1.
  • 97. Cf. Act 2, 42-46; 1 Cor 11, 17.
  • 98. Pseudo Eusébio de Alexandria, Sermo de die dominica: PG 86 /  1, 416 e 421.
  • 99. CIC can. 515. § 1.
  • 100. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Christifideles laici, 26: AAS 81 (1989) 437-440.
  • 101.  São João Crisóstomo, De incomprehensibili Dei natura seu contra Anomeos, 3, 6: SC 28bis, 218 (PL 48, 725).
  • 102.  CIC can. 1247.
  • 103. CIC can. 1248, § 1.
  • 104. Cf. CIC can. 1245.
  • 105. CIC can. 1248, § 2.
  • 106. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 67: AAS 58 (1966) 1089.
  • 107. Cf. CIC can. 1247.
  • 108. Santo Agostinho, De civitate Dei, 19, 19: CSEL 40/2.407 (PL 41, 647).
  • 109. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 106: AAS 56 (1964) 126.
  • 110. CIC can. 1246, § 1.
  • 111. CIC can. 1247.
  • 112. CIC can. 1247.
  • 113. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 67: AAS 58 (1966) 1089.

Notas e Referências

  • 1. Cf. Mc 7, 8-13.
  • 2. Cf. Dt 5, 16.
  • 3. Cf. Dt 5, 16.
  • 4. João Paulo II. Ex. ap. Familiaris consortio, 21: AAS 74 (1982) 105; cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16.
  • 5. Cf. Ef 5, 21-6, 4; Cl 3, 18-21; 1 Pe 3, 1-7.
  • 6. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 52: AAS 58 (1966) 1073.
  • 7. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067.
  • 8. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 52: AAS 58 (1966) 1073.
  • 9. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 46: AAS 74 (1982) 137-138
  • 10.  Cf. Ef 3, 15.
  • 11. Cf. Pr 1, 8; Tb 4, 3-4.
  • 12. Cf. Ex 20, 12.
  • 13. Cf. Ef  6, 1.
  • 14. Cf. Mc 7, 10-12.
  • 15. II Concílio do Vaticano, Decl. Gravissimum educationis, 3: AAS 58 (1966) 731.
  • 16. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 36: AAS 74 (1982) 126.
  • 17. João Paulo II. Enc. Centesimus annus, 36: AAS 83 (1991) 838.
  • 18. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16: cf. CIC can. 1136.
  • 19. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16.
  • 20. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1069.
  • 21.Cf. Mt 18. 21-22; Lc 17, 4.
  • 22. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Gravissimum educationis, 6: AAS 58 (1966) 733.
  • 23. Cf. Mt 16, 23.
  • 24. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 25: AAS 83 (1991) 823.
  • 25. Cf. Rm 13, 1-2.
  • 26. Epístola a Diogneto, 5, 5; 5, 10; 6, 10: SC 33. 62-66 (Funk 1,. 398-400).
  • 27. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes,74: AAS 58 (1966) 1096.
  • 28. Cf. João Paulo II. Enc. Centesimus annus,  45-46: AAS 83 (1991) 849-851.
  • 29. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1099.
  • 30. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1099.
  • 31. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1100.
  • 32. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067.
  • 33. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, Introductio, 5: AAS 80 ( 1988) 76-77.
  • 34. Cf. Gn 4, 8-12.
  • 35. Cf. Lv 17, 14
  • 36. Cf Mt 5, 22-26.38-39.
  • 37. Cf. Mt 5, 44.
  • 38. Cf. Mt 26, 52.
  • 40. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 64. a. 7. c: Ed. Leon. 9, 74.
  • 41.  São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 64. a. 7. c: Ed. Leon. 9, 74.
  • 42. Discurso do Papa Francisco por ocasião do XXV Aniversário do Catecismo da Igreja Católica, 11 de setembro de 2017.
  • 43. Cf. Gn 4, 10.
  • 44. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1072.
  • 45. Cf. Am 8, 4-10.
  • 46. Cf. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae,  1. 1: AAS 80 (1988) 79.
  • 47. Didaké 2, 2: SC 248, 148 (Funk 1, 8); cf. Epistola Pseudo Barnabae 19. 5: SC 172, 202 (Funk 1, 90); Epistola a Diogneto 5, 6: SC 33. 62 (Funk 1. 398): Tertuliano, Apologeticum, 9, 8: CCL 1, 103 (PL 1, 371-372).
  • 48. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1072.
  • 49. CIC can. 1398.
  • 50. CIC can. 1314.
  • 51. Cf. CIC can. 1323-1324.
  • 52. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 3: AAS 80 (1988) 98-99.
  • 53. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 3: AAS 80 (1988) 99.
  • 54. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 1, 2: AAS 80 (1988) 70-80.
  • 55. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 1, 3. AAS 80 (1988) 80-81.
  • 56. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 1, 5: AAS 80 (1988) 83.
  • 57. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 1, 6: AAS 80 (1988) 85.
  • 58. Cf  Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, Iura et bona: AAS 72 (1980) 542-552.
  • 59. Cf. 1 Cor 8, 10-13.
  • 60. Cf. Mt 7, 15.
  • 61. Pio XII. Mensagem radiofónica (1 de Junho de 1941): AAS 33 (1941) 197.
  • 62. Cf. Ef 6, 4: Cl 3, 21
  • 63. Cf. Pio XI. Enc. Casti connubii: DS 3722-3723.
  • 64. Cf. Tb 1, 16-18.
  • 65.  Cf. CIC can. 1176, §3. III.
  • 66. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 158. a. 1. ad 3: Ed. Leon, 10, 273.
  • 67. Santo Agostinho, De civitate Dei, 19, 13: CSEL 40/2, 395 (PL 41, 640).
  • 68.  Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1101.
  • 69. Cf. Ef  2, 16: Cl 1, 20-22.
  • 70. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 1: AAS 57 (1965) 5.
  • 71.  Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1101-1102.
  • 72. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 81: AAS 58 (1966) 1105.
  • 73. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103
  • 74. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103.
  • 75. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103.
  • 76. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103.
  • 77. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 80: AAS 58 (1966) 1104.
  • 78. Cf. Paulo VI, Enc. Populorum progressio, 53: AAS 59 (1967) 283.
  • 79. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1102.
  • 80. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 27: AAS 58 (1966) 1048.
  • 81. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 81: AAS 58 (1966) 1105.
  • 82. Cf. Dt 5, 18.
  • 83. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 11: AAS 74 (1982) 91-92.
  • 84.  João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 22: AAS 74 (1982) 107: cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070.
  • 85. João Paulo II. Ep. ap. Mulieris dignitatem, 6: AAS 80 (1988) 1663.
  • 86. Cf. Gn 4, 1-2.25-26; 5,1.
  • 87. Cf. Mt 19, 6.
  • 88. Cf. Mt 5, 37.
  • 89. Cf. Sir 1, 22.
  • 90. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037-1038.
  • 91. Santo Agostinho, Confissões, 10, 29, 40: CCL 27, 176 (PL 32. 796).
  • 92. Cf. Tt 2, 1-6.
  • 93. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 34: AAS 74 (1982) 123.
  • 94.  II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 25: AAS 58 (1966) 1045.
  • 95. Cf. Gl 5. 22-23.
  • 96. Cf. 1 Jo 3, 3.
  • 97. Cf. Jo 15, 15.
  • 98. Cf. Gl 3, 27.
  • 99. Congregação da Doutrina da Fé,  Decl. Persona humana, 11: AAS 68 (1976) 90-91.
  • 100. Santo Ambrósio, De viduis 23: Sancti Ambrosii Episcopi Mediolanensis opera, v. 14/1 (Milano-Roma 1989), p. 266 (PL 16, 241-242).
  • 101. Congregação da Doutrina da Fé,  Decl. Persona humana, 9: AAS 68 (1976) 86.
  • 102. Cf. 1 Cor 6, 15-20.
  • 103. Cf. Gn 19, 1-29; Rm 1, 24-27; 1 Cor 6, 9-10; 1 Tm 1, 10.
  • 104. Congregação da Doutrina da Fé,  Decl. Persona humana, 8: AAS 68 (1976) 95.
  • 105. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 11: AAS 74 (1982) 92.
  • 106. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070.
  • 107. Pio XII, Alocução aos participantes no Congresso da União Católica Italiana de Obstetras (29 de Outubro de 1951): AAS 43 (1951) 851.
  • 108. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067.
  • 109. Cf. CIC can. 1056.
  • 110. Cf. Mt 19, 1-12; 1 Cor 7, 10-11.
  • 111. São João Crisóstomo, In epistulam ad Ephesios, homilia 20, 8: PG 62, 146-147.
  • 112. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 30: AAS 74 (1982) 116.
  • 113. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 11: AAS 60 (1968) 488.
  • 114. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 12: AAS 60 (1968) 488; cf. Pio XI, Enc. Casti connubii: DS 3717.
  • 115. Cf. Ef 3, 14-15; Mt 23, 9.
  • 116. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1071.
  • 117. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1071.
  • 118. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes,, 51: AAS 58 (1966) 1072.
  • 119. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 12: AAS 60 (1968) 489.
  • 120. Cf. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 16: AAS 60 (1968) 491-492.
  • 121. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 14: AAS 60 (1968) 490.
  • 122. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 32: AAS 74 (1982) 119-120.
  • 123. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1073.
  • 124. Cf. Paulo VI, Enc. Populorum progressio, 37: AAS 59 (1967) 275-276; Id., Enc. Humanae vitae, 23: AAS 60 (1968) 497-498.
  • 125. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1071.
  • 126. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, Introductio, 2: AAS 80 (1988) 73.
  • 127. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 2, 1: AAS 80 (1988) 87.
  • 128. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 2, 5: AAS 80 (1988) 93.
  • 129. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 2, 4: AAS 80 (1988) 91.
  • 130. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 2, 8: AAS 80 (1988) 97.
  • 131. Cf. Mt 5, 27-28.
  • 132. Cf. Mt 5, 32; 19, 6; Mc 10, 11-12; 1 Cor 6, 9-10.
  • 133. Cf. Os 2. 7; Jr 5, 7; 13, 27.
  • 134. Cf. Mt 5, 31-32; 19, 3-9; Mc 10, 9; Lc 16, 18; 1 Cor 7, 10-11.
  • 135. Cf. Mt 19, 7-9.
  • 136. CIC can. 1141.
  • 137. Cf. CIC can. 1151-1155.
  • 138. São Basílio Magno, Moralia, regra 73: PG 31, 852.
  • 139. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 84: AAS 74 (1982) 185.
  • 140. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 19: AAS 74 (1982) 102; cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067.
  • 141. Cf. Lv 18, 7-20.
  • 142. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 81: AAS 74 (1982) 181-182.
  • 143. Congregação da Doutrina da Fé, Decl. Persona humana, 7: AAS 68 (1976) 82.
  • 144. Cf. João Paulo, Ex. ap. Familiaris consortio, 80: AAS 74 (1982) 180-181.
  • 145. João Paulo II, Ex. ap. Familiares consortio, 11: AAS 74 (1982) 92.
  • 146. Cf. Dt 5. 19.
  • 147. Cf. Gn 1, 26-29.
  • 148. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 69: AAS 58 (1966) 1090.
  • 149. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 71. AAS 58 (1966) 1093.; João Paulo II. Enc. Sollicitudo rei socialis, 42: AAS 80 (1988) 572-574; Id. Enc. Centesimus annus, 40: AAS 83 (1991) 843, Ibid., 48: AAS 83 (1991) 852-854
  • 150. Cf. 2 Cor 8, 9.
  • 151. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 69: AAS 58 (1966) 1090-1091.
  • 152. Cf. Dt 25, 13-16.
  • 153. Cf. Dt 24, 14-15; Tg 5, 4.
  • 154. Cf. Am 8, 4-6.
  • 155. Cf. Gn 1, 28-31.
  • 156. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 37-38: AAS 83 (1991) 840-841.
  • 157. Cf. Mt 6, 26.
  • 158. Cf. Dn 3, 79-81.
  • 159. Cf. Gn 2, 19-20; 9, 1-4.
  • 160. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 23: AAS 58 (1966) 1044.
  • 161. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1100.
  • 162. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 3: AAS 83 (1991) 794-796.
  • 163. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 1: AAS 80 (1988) 513-514; Ibid., 41: AAS 80 (1988) 570-572.
  • 164. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 24: AAS 83 (1991) 821-822.
  • 165. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 63: AAS 58 (1966) 1085; João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 7: AAS 73 (1981) 592-594: Id., Enc. Centesimus annus, 35: AAS 83 (1991) 836-838.
  • 166. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 65: AAS 58 (1966) 1087.
  • 167. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 10: AAS 83 (1991) 804-806; Ibid., 13: AAS 83 (1991) 809-810; Ibid., 44: AAS 83 (1991) 848-849.
  • 168. João PauloII, Enc. Centesimus annus, 34: AAS 83 (1991) 836.
  • 169. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 64: AAS 58 (1966) 1086.
  • 170. Cf. Gn 1, 28; II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 34: AAS 58 (1966) 1052-1053; João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 31: AAS 83 (1991) 831-832.
  • 171. Cf. 1 Ts 4, 11.
  • 172.  Cf. Gn 3, 14-19.
  • 173. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 27: AAS 73 (1981) 644-647.
  • 174. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 6: AAS 73 (1981) 589-592.
  • 175.  Cf. João Paulo II, Enc. Centessimus annus, 32: AAS 83 (1991) 832-833: Ibid. 34: AAS 83 (1991) 835-836.
  • 176. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 11: AAS 73 (1981) 602-605. 07
  • 177. João Paulo II, Enc. Centesimus annnus, 48: AAS 83 (1991) 852-853.
  • 178. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 37: AAS 83 (1991) 840.
  • 179. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 19: AAS 73 (1981) 625-629; Ibid., 22-23: AAS 73 (1981) 634-637.
  • 180. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 48: AAS 83 (1991) 852-854.
  • 181. Cf. Lv 19, 13; Dt 24, 14-15; Tg 5, 4.
  • 182. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 67: AAS 58 (1966) 1088-1089.
  • 183. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 18: AAS 73 (1981) 622-625.
  • 184. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 14: AAS 80 (1988) 526-528. '
  • 185. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 9: AAS 80 (1988) 520-521.
  • 186. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 17: AAS 80 (1988) 532-533; Ibid., 45: AAS 80 (1988) 577-578.
  • 187.  Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus aunus, 35: AAS 83 (1991) 836-838.
  • 188. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 28: AAS 83 (1991) 828.
  • 189. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 16: AAS 80 (1988) 531.
  • 190. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 26: AAS 83 (1991) 824-826.
  • 191. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 32: AAS 80 (1988) 556-557; ID., Enc. Centesimus annus, 51: AAS 83 (1991) 856-857.
  • 192. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 47: AAS 80 (1988) 582; cf. Ibid., 42: AAS 80 (1988) 572-574.
  • 193. Cf. Mt 25, 31-36.
  • 194. Cf. Lc 4, 18.
  • 195. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 57: AAS 83 (1991) 862-863.
  • 196. Cf. Lc 6, 20-22.
  • 197. Cf. Mt 8, 20.
  • 198. Cf. Mc 12, 41-44.
  • 199. Cf. Ef 4, 28.
  • 200. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 57: AAS 83 (1991) 863.
  • 201. São João Crisóstomo, In Lazarum, concio 2, 6: PG 48, 992.
  • 202. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 8: AAS 58 (1966) 845.
  • 203. São Gregório Magno, Regula pastoralis, 3, 21, 45: SC 382, 394 (PL 77, 87).
  • 204. Cf. Is 58, 6-7; Heb 13, 3.
  • 205. Cf. Mt 25, 31-46.
  • 206. Cf. Tb 4, 5-11; Sir 17, 18.
  • 207. Cf. Mt 6, 2-4.
  • 208. Cf. 1 Jo 3, 17.
  • 209. Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Libertatis conscientia, 68: AAS 79 (1987) 583.
  • 210. Cf. Mt 25, 40.
  • 211. P. Hansen, Vita mirabilis [...] venerabilis sororis Rosae de sancta Maria Limensis (Romae 1664) p. 200.
  • 212. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 29: AAS83 (1991) 828-830.
  • 213. Cf. Lc 16, 19-31.
  • 214. Cf. Pr 8, 7, 2 Sm 7, 28.
  • 215. Sl 119, 142.
  • 216. Cf. Lc 1, 50.
  • 217. Cf. Sl 119, 30.
  • 218. Cf. Jo 1, 14.
  • 219. Cf. Jo 14, 6.
  • 220. Cf. Jo 12, 46.
  • 221. Cf Jo 8, 31-32.
  • 222. Cf. Jo 17, 17.
  • 223. Cf. Jo 14, 17.
  • 224. Cf. Jo 14, 26.
  • 225.  II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 931.
  • 226.  São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 109, a. 3, ad 1: Ed. Leon. 9, 418.
  • 227. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 109, a. 3, c: Ed. Leon. 9. 418.
  • 228. Cf. Jo 18, 37.
  • 229. Cf. Mt 18, 16.
  • 230. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 11: AAS 58 (1966) 959.
  • 231. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos, 4, 1: SC 10bis, p. 110 (Funk, 1, 256).
  • 232. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos, 6, 1 : SC 10bis, p. 114 (Funk, 1, 258-260).
  • 233. Martyrium Polycarpi, 14, 2-3: SC 10bis, p. 228 (Funk 1, 330-332).
  • 234. Cf. Pr 19, 9.
  • 235. Cf. Pr 18, 5.
  • 236. Cf. CIC can. 220.
  • 237. Cf. Sir 21, 28.
  • 238. Santo Inácio de Loyola, Exercitia spiritualia, 22: MHSI 100, 164.
  • 239. Santo Agostinho, De mendacio, 4, 5: CSEL 41, 419 (PL 40, 491).
  • 240. Cf. Sir 27, 17; Pr 25, 9-10.
  • 241. CIC can. 983, § 1.
  • 242. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 11: AAS 56 (1964) 148-149.
  • 243  II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 5: AAS 56 (1964) 147.
  • 244. II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 8: AAS 56 (1964) 148.
  • 245  II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 12: AAS 56 (1964) 149.
  • 246. II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 12: AAS 56 (1964) 149.
  • 247. Cf. Gn 1, 26.
  • 248. Cf. Sb 7, 17.
  • 249. Cf. Pio XII, Mensagem radiofónica (24 de Dezembro de 1955): AAS 48 (1956) 26-41; Id., Mensagem radiofónica aos membros das associações de jovens operários cristãos (J.O.C.) (3 de Setembro de 1950): AAS 42 (1950) 639-642.
  • 250. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 122-127: AAS 56 (1964) 130-132.
  • 251. CIC can. 983, § 1.
  • 252. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 122: AAS 56 (1964) 130-131.
  • 253. Cf. 1 Jo 2, 16 (Vulgata).
  • 254. Cf. Gl 5, 16.17.24; Ef 2, 3.
  • 255. Cf. Gn 3, 11.
  • 256. Cf. Concílio de Trento, Sess. 5ª, Decretum de peccato originali, can. 5: DS 1515.
  • 257. João Paulo II, Enc. Dominum et vivificantem, 55: AAS 78 (1986) 877-878.
  • 258. Hermas, Pastor 27, 1 (mandatum 2. 1): SC 53, 146 (Funk 1, 70).
  • 259. Cf. 1 Ts 4, 3-9: 2 Tm 2, 22.
  • 260. Cf. 1Ts 4, 7; Cl 3, 5; Ef 4, 19.
  • 261. Cf. Tt 1, 15; 1 Tm 1, 3-4; 2 Tm 2, 23-26.
  • 26. Santo Agostinho, De fide et symbolo, 10, 25: CSEL 25, 32 (PL 40, 196).
  • 263. Cf. 1 Cor 13, 12; l Jo 3. 2.
  • 264. Cf. Rm 12, 2; Cl 1, 10.
  • 265. Santo Agostinho, Confissões, 6, 11, 20: CCL 27. 87 (PL 32, 729-730).
  • 266. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 58: AAS 58 (1966) 1079.
  • 267. Cf. Mq 2, 2.
  • 268. Cf. Sb 14, 12.
  • 269. CatRom 3, 10, 13, p. 518.
  • 270. CatRom 3, 10, 23, p. 523.
  • 271. Cf. 2 Sm 12, 1-4.
  • 272. Cf. Gn 4, 3-8; 1 Rs 21, 1-29.
  • 273. São João Crisóstomo, In epistulam II ad Corinthios, homilia 27, 3-4: PG 61, 588.
  • 274. Santo Agostinho, De disciplina christiana, 7, 7: CCL 46, 214 (PL 40, 673); ID., Epistula 108, 3, 8: CSEL 34, 620 (PL 33, 410).
  • 275. São Gregório Magno, Moralia in Job, 31, 45, 88: CCL 143b, 1610 (PL 76, 621).
  • 276. São João Crisóstomo, In epistulam as Romanos, homilia 7, 5: PG 60, 448.
  • 277. Cf. Rm 7, 7.
  • 278. Cf. Rm 7, 15.
  • 279. Cf. Rm 8, 14
  • 280. Cf. Rm 8, 27.
  • 281. Cf. Lc 14, 33.
  • 282. Cf. Mc 8, 35.
  • 283. Cf. Lc 21, 4.
  • 284. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42: AAS 57 (1965) 49.
  • 285. Cf. Lc 6, 20.
  • 286. São Gregório de Nissa, De beatitudinibus, oratio 1: Gregorii Nysenni opera, ed. W. Jaeger, v. 7/2 (Leiden 1992) p. 83 (PG 44, 1200).
  • 287. Cf. Lc 6, 24.
  • 288. Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 1, 1, 3: CCL 35, 4 (PL 34, 1232).
  • 289. Cf. Mt 6, 25-34.
  • 290. São Gregório de Nissa, De beatitudinibus, oratio 6: Gregorii Nysenni opera, ed. W. Jaeger. v. 7/2 (Leiden 1992) p. 138 (PG 44, 1265).
  • 291. Cf. Ap 22, 17.
  • 292. Santo Agostinho, De civitate Dei, 22, 30: CSEL 40/2, 665-666 (PL 41, 801-802).
  • 293. Cf. Jo 4, 14.

Notas e Referências

  • 1. Santa Teresa do Menino Jesus, Manuscrit C, 25r: Manuscrits autobiographiques (Paris 1992) p. 389-390. [Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Obras Completas (Paço de Arcos, Edições do Carmelo 1996) p. 276]
  • 2. São João Damasceno, Expositio fidei, 68 [De fide orthodoxa 3, 24]: PTS 12, 167 (PG 94, 1089).
  • 3.  Cf. Lc 18, 9-14.
  • 4.  Cf. Santo Agostinho, Sermão 56, 6, 9: ed. P. Verbraken: Revue Bénédictine 68 (1958) 31 (PL 38, 381).
  • 5. Cf. Santo Agostinho, De diversis quaestionibus octoginta tribus, 64, 4: CCL 44A, 140 (PL 40, 56).
  • 6. Cf. Jo 7, 37-39; Is 12, 3; 51, 1.
  • 7. Cf. Jo 19, 28; Zc 12, 10; 13, 1.
  • 8. São Gregório Nazianzo, Oratio 16, 9: PG 35, 945.
  • 9. Cf. Rm 6, 5.
  • 10. Cf. Ef 3, 18-21.

Notas e Referências

  • 1. Cf. Sl 8, 6.
  • 2. Cf. Sl 8, 2.
  • 3. Cf. Act 17, 27.
  • 4. Cf. Heb 10, 5-7.
  • 5.Cf. Gn 4, 4.
  • 6. Cf. Gn 4, 26.
  • 7. Cf. Gn 5, 24.
  • 8. Cf. Gn 8, 20 – 9, 17.
  • 9. Cf. Gn 9, 8-16.
  • 10. Cf. Gn 15, 2-3.
  • 11. Cf. Gn 15, 6.
  • 12. Cf. Gn 17, 1-2.
  • 13. Cf. Gn 18, 1-15; Lc 1, 26-38.
  • 14. Cf. Gn 18, 16-33.
  • 15. Cf. Rm 8, 32.
  • 16. Cf. Rm 4, 16-21.
  • 17. Cf. Gn 28, 10-22.
  • 18. Cf. Gn 32, 25-31; Lc 18, 1-8.
  • 19. Cf. Ex 3, 1-10.
  • 20. Cf. Ex 34, 6.
  • 21. Cf. Ex 17, 8-13.
  • 22. Cf. Nm 12, 13-14.
  • 23. Cf. Ex 32, 1 - 34, 9.
  • 24. Cf. 1 Sm 1, 9-18.
  • 25. Cf. 2 Sm 7, 18-29.
  • 26. Cf. 1 Rs 8, 10-61.
  • 27. Cf. Sl 24, 6.
  • 28. Cf. 1 Rs 18, 39.
  • 29. Cf. Tg 5, 16-18.
  • 30. Cf. 1 Rs 17, 7-24.
  • 31. Cf. 1 Rs 18, 20-39.
  • 32. Cf. 1 Rs 19, 1-14; Ex 33, 19-23.
  • 33. Cf. Lc 9, 30-35.
  • 34. Cf. 2 Cor 4, 6.
  • 35. Cf. Am 7, 2.5; Is 6, 5.8.11; Jr 1, 6; 15, 15-18; 20, 7-18.
  • 36. Cf. Esd 9, 6-15; Ne 1, 4-11; Jn 2, 3-10; Tb 3, 11-16; Jdt 9, 2-14.
  • 37. Cf. Instrução geral da Liturgia das Horas, 100-109: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1(Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 52-56 [Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 54-58].
  • 38. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.
  • 39. Santo Ambrósio, Enarrationes in Psalmos, 1, 9: CSEL 64, 7 (PL14, 968).
  • 40. São João Damasceno, Expositio fidei, 68 [De fide orthodoxa 3, 24]: PTS 12, 167 (PG 94, 1089).
  • 41. Cf. Lc 1, 49; 2, 19; 2, 51.
  • 42 Cf. Lc 3, 21.
  • 43. Cf. Lc 9, 28.
  • 44 Cf. Lc 22, 41-44.
  • 45. Cf. Lc 6, 12.
  • 46. Cf. Lc 9, 18-20.
  • 47. Cf. Lc 22, 32.
  • 48. Cf. Mc 1, 35; 6, 46; Lc 5, 16.
  • 49. Cf. Heb 2, 12.
  • 50. Cf. Heb 2, 15; 4, 15.
  • 51. Cf. Mt 11, 25-27 e Lc 10, 21-22.
  • 52. Cf. Ef 1, 9.
  • 53. Cf. Jo 11, 41-42.
  • 54. Cf. Mt 6, 21.33.
  • 55. Cf  Jo 17.
  • 56. Cf. Sl 22, 2.
  • 57. Cf Mc 15, 37; Jo 19, 30.
  • 58. Cf. Act 13, 33.
  • 59. Cf. Mt 5, 23-24.
  • 60. Cf. Mt 5, 44-45.
  • 61 Cf. Mt 6, 7.
  • 62. Cf. Mt 6, 14-15.
  • 63. Cf. Mt 6, 21.25.33.
  • 64. Cf. Mt 7, 7-11.13-14.
  • 65.  Cf. Mt 21, 21.
  • 66. Cf. Mt 8, 26.
  • 67. Cf. Mt 8, 10.
  • 68. Cf. Mt 15, 28.
  • 69. Cf. Mt 7, 21.
  • 70. Cf. Mt 9, 38; Lc 10, 2; Jo 4, 34..
  • 71. Cf. Mc 13; Lc 21, 34-36.
  • 72. Cf. Lc 22, 40.46.
  • 73. Cf. Lc 11, 5-13.
  • 74. Cf. Lc 18, 1-8.
  • 75. Cf. Lc 18, 9-14.
  • 76. Cf. Jo 14, 13.
  • 77. Cf. Jo 14, 13-14.
  • 78. Cf. Jo 14, 23-26; 15, 7.16; 16, 13-15.23-27.
  • 79. Cf. Mc 1, 40-41.
  • 80. Cf. Mc 5, 36.
  • 81. Cf. Mc 7, 29.
  • 82. Cf. Lc 23, 39-43.
  • 83. Cf. Mc 2, 5.
  • 84 Cf. Mc 5, 28.
  • 85.  Cf. Lc 7, 37-38.
  • 86. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 85, 1 CCL39, 1176 (PL 36, 1081); cf. Instrução geral da Liturgia das Horas, 7: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 24 [Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 26].
  • 87. Cf. Lc 1, 38.
  • 88. Cf. Lc 1, 14.
  • 89. Cf. Jo 2, 1-12.
  • 90. Cf. Jo 19, 25-27.
  • 91. Cf. Lc 1, 46-55.
  • 92. Cf. Jo 14, 26.
  • 93 Cf. Lc 24, 27.44.
  • 94. Cf. Ef 1, 3-14; 2 Cor 1, 3-7; 1 Pe 1, 3-9.
  • 95. Cf. 2 Cor 13, 13; Rm 15, 5-6.13; Ef 6, 23-24.
  • 96. Cf. Sl 95, 1-6.
  • 97. Cf. Sl 24, 9-10.
  • 98. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 62, 16: CCL 39, 804 (PL 36, 758).
  • 99. Cf. Rm 15, 30; Cl 4, 12.
  • 100. Cf. 1 Jo 1, 7 – 2, 2. 49
  • 101. Cf. Mt 6, 10.33; Lc 11, 2.13.
  • 102. Cf. Act 6, 6: 13, 3.
  • 103. Cf. Rm 10, l; Ef  1, 16-23; Fl 1, 9-11; Cl 1, 3-6; 4, 3-4.12.
  • 104. Cf. Jo 14, 13.
  • 105. Cf. Tg 1, 5-8.
  • 106 Cf. Ef 5, 20; Fl 4, 6-7; Cl 3, 16-17; 1 Ts 5, 17-18.
  • 107. Cf. Rm 8, 34; 1 Jo 2, 1; 1 Tm 2, 5-8.
  • 108. Cf. Santo Estêvão rezando pelos que o supliciavam, como Jesus: cf. Act 7, 60; Lc 23, 28.34.
  • 109. Cf. Act 12, 5; 20, 36; 21, 5; 2 Cor 9, 14.
  • 110. Cf. Ef 6, 18-20; Cl 4, 3-4; 1 Ts 5, 25.
  • 111. Cf. 2 Ts 1, 11; Cl 1, 3; Fl 1, 3-4.
  • 112. Cf. Rm 12, 14.
  • 113. Cf. Rm 10, 1.
  • 114. Cf. Rm 8, 16.
  • 115. Cf. Act 2, 47.
  • 116. Cf. Act 3, 9.
  • 117. Cf. Act 4, 21.
  • 118. Cf. Cl 3, 16.
  • 119. Cf. Fl 2, 6-11; Cl 1, 15-20; Ef 5, 14; 1 Tm 3, 16; 6, 15-16; 2 Tm 2, 11-13.
  • 120. Cf. Ef 1, 3-14; 3, 20-21; Rm 16, 25-27; Jd 24-25.
  • 121.Cf. Ap 4, 8-11; 5, 9-14; 7, 10-12.
  • 122. Cf. Ap 6, 10.
  • 123. Cf. Ap 18, 24.
  • 124. Cf. Ap 19, 1-8.
  • 125. Cf. Tg 1, 17.
  • 126. Cf. Ml 1, 11.

Notas e Referências

  • 1. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
  • 2. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. '
  • 3. Cf. Jo 4, 14.
  • 4. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum,25: AAS 58 (1966) 829; cf. Santo Ambrósio, De officiis ministrorum, 1, 88: ed. N. Testard (Paris 1984) p. 138 (PL 16, 50).
  • 5. Guigo, O Cartuxo, Scala claustralium, 2, 2: PL 184, 476. Entretanto, estas palavras não foram retidas no texto da edição crítica SC 163, 84; veja-se aí o aparato crítico.
  • 6. Instrução geral da Liturgia das Horas, 9: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 25 [Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 27].
  • 7. São João Maria Baptista Vianney, Oração, In B. Nodet, Le Cure d'Ars. Sa pensée-son coeur (Le Puy 1966) p. 45.
  • 8. Cf. Mt 6, 11.34.
  • 9. Cf. Lc 13, 20-21.
  • 10. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.
  • 11. Cf. Ex 3, 14; 33, 19-23.
  • 12. Cf. Mt 1, 21. '
  • 13. Cf. Rm 10, 13; Act 2, 21; 3, 15-16; Gl 2, 20.
  • 14. Cf. Lc 18, 13; Mc 10, 46-52.
  • 15. Cf. Lc 8, 15.
  • 16. São Gregório de Nazianzo, Oratio 31 (theologica 5), 28: SC 250, 332 (PG 36, 165).
  • 17. Cf. Lc 11, 13.
  • 18. Cf. Jo 14, 17; 15, 26; 16, 13.
  • 19. Solenidade de Pentecostes, Antífona do «Magnificat» nas I Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 798 [Liturgia das Horas, v. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 930]; cf. Solenidade de Pentecostes, Sequência na Missa do dia: Lectionarium, v. 1, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 855-856 [Leccionário Dominical. Ano A (Coimbra, Gráfica de Coimbra - Conferência Episcopal Portuguesa, 1993) p. 238].
  • 20. Ofício das Horas Bizantino, Vésperas do dia de Pentecostes, Sticherum 4: Pentêkostárion (Rome 1884) p. 394.
  • 21. Cf. Act 1, 14.
  • 22. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 62: AAS 57 (1965) 63.
  • 23. Cf. Lc 1, 46-55.
  • 24. Cf. Lc 1, 48. s
  • 25. Cf. Sf 3, 17.
  • 26. Cf. Lc 1, 48.
  • 27. Cf. Jo 19, 27.
  • 28. Cf. Jo 19, 27.
  • 29.  Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 68-69: AAS 57 (1965) 66-67.
  • 30. Cf. Heb 12, 1.
  • 31. Cf. Mt 25, 21.
  • 32. Cf. 2 Rs 2, 9.
  • 33. Cf. Lc 1, 17.
  • 34. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Perfectae caritatis, 2: AAS 58 (1966) 703.
  • 35. São Basílio Magno, De Spiritu Sancto, 26, 62: SC 17bis, 472 (PG 32, 184).
  • 36. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 4-6: AAS 58 (1966) 995-1001.
  • 37. Cf. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 54: AAS 71 (1979) 1321-1322.
  • 38. Cf. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 55: AAS 71 (1979) 1322-1323.
  • 39. São João da Cruz, Llama de amor viva, redactio segunda, stropha 3, declaratio 30: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 171. [São João da Cruz, Chama viva de amor, III 30: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições do Carmelo 1986) p. 909].
  • 40. Cf. Mt 6, 6.
  • 41. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Perfectae caritatis, 7: AAS 58 (1966) 705.

Notas e Referências

  • 1. São Gregório Nazianzo, Oratio 27 (theologica 1), 4: SC 250, 78 (PG 36, 16).
  • 2. São João Crisóstomo, De Anna, sermo 2, 2: PG 54, 646.
  • 3. Cf. Mt 11, 25-26.
  • 4. Cf. Mc 14, 36.
  • 5. Santa Teresa de Jesus, Camino de perfección, 25: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 3 (Burgos 1916) p. 122. [Cf. Santa Teresa de Jesus, Caminho de perfeição, 25: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1994) p. 494].
  • 6. Cf. Mc 4, 4-7. 15-19.
  • 7. Santa Teresa de Jesus, Libro de la vida, 8: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 1 (Burgos 1915) p. 57. [Cf. Santa Teresa de Jesus, Livro da vida, 8: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1994) p. 56].
  • 8. Cf. Ct 3, 1-4.
  • 9. Cf. Lc 7, 36-50; 19, 1-10.
  • 10. Cf. Jr 31, 33.
  • 11. Cf. Ef 3, 16-17.
  • 12. Cf. F. Trochu, Le Curé d'Ars Saint Jean-Marie Vianney (Lyon-Paris 1927) p. 223-224.
  • 13. Cf. Santo Inácio de Loyola, Exercitia spiritualia, 104: MHSI 100, 224.
  • 14. Santo Isaac de Nínive, Tractatus mystici, 66: ed. A. J. Wensinck (Amsterdam 1923) p. 315; ed. P. Bedjan (Parisiis-Lipsiae 1909) p. 470.
  • 15. São João da Cruz, Carta, 6: Biblioteca Mística carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 262.[Cf. São João da Cruz, Carta Sexta: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 967].
  • 16. Cf. Mt 26, 40-41.
  • 17. Cf. Mc 10, 22.
  • 18. Cf. Mt 6, 21.24.
  • 19. Cf. Lc 8, 6.13.
  • 20. Cf. Rm 5, 3-5.
  • 21. Cf. Mt 6, 8.
  • 22. Cf. Rm 8, 27.
  • 23. Cf. todo o contexto de Tg 1, 5-8; 4, 1-10; 5, 16.
  • 24. Cf. Tg 4, 4.
  • 25. Evágrio do Ponto, De Oratione, 34: PG 79, 1173.
  • 26. Santo Agostinho, Epistula 130, 8, 17: CSEL 44, 59 (PL 33, 500).
  • 27. Cf. Rm 10, 12-13.
  • 28. Cf. Rm 8, 26-39.
  • 29. Cf. Heb 5, 7; 7, 25; 9, 24.
  • 30.  Evágrio do Ponto, Capita practica ad Anatolium, 49: SC 171, 610 (PG 40, 1245).
  • 31. Cf. Lc 8, 24.
  • 32. São João Crisóstomo, De Anna, sermo 4, 6: PG 54, 668.
  • 33. Cf. Gl 5, 16-25.
  • 34. São João Crisóstomo, De Anna, sermo 4, 5: PG 54, 666.
  • 35. Santo Afonso de Ligório, Del gran mezzo della preghiera, parte I, c. 1: ed. G. Cacciatore (Roma 1962) p. 32.
  • 36. Orígenes, De oratione, 12, 2: GCS 3, 324-325 (PG 11, 452).
  • 37.  Cf. Jo 17.
  • 38. Cf. Jo 17, 11.13.19.
  • 39. Cf. Ef 1, 10.
  • 40. Cf. Jo 17, 11.13.19.24.
  • 41. Cf. Jo 17, 6.11.12.26.
  • 42. Cf. Jo 17, 1.5.10.22.23-26.
  • 43. Cf. Jo 17, 2.4.6.9.11.12.24.
  • 44 Cf. Jo 17, 15. 4.
  • 45. Cf. Jo 17, 3.6-10.25.
  • 46. Cf. Jo 17.

Notas e Referências

  • 1. Cf. Lc 11, 2-4.
  • 2 Cf. Mt 6, 9-13.
  • 3. Didakê 8, 2: SC 248, 174 (Funk, Patres apostolici 1, 20)
  • 4. Constitutiones apostolicae 7, 24, 1: SC 336, 174 (Fink, Didascalia et Constitutiones Apostolorum 1, 410).
  • 5. Cf. Rito da Comunhão, [Embolismo]: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 472 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 545].
  • 6. Cf. Tt 2, 13.
  • 7. Tertuliano, De Oratione, 1, 6: CCL 1, 258 (PL 1, 1255).
  • 8. Tertuliano, De Oratione, 10: CCL 1, 263 (PL 1, 1268-1269).
  • 9. Santo Agostinho, Epistula 130, 12, 22: CSEL 44, 66 (PL 33, 502).
  • 10. Cf. Lc 24, 44.
  • 11. Cf. Mt 5-7.
  • 12. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 83, a. 9, c: Ed. Leon. 9, 201.
  • 13. Cf. Jo 17, 7.
  • 14 Cf. Mt 6, 7; 1 Rs 18, 26-29.
  • 15. Didakê 8, 3: SC 284, 174 (Funk, Patres Apostolici, 1, 20).
  • 16. São João Crisóstomo, In Matthaeum, homilia 19, 4: PG 57, 278.
  • 17. Cf. 1 Pe 2, 1-10.
  • 18. Cf. Cl 3, 4.
  • 19. Tertuliano, De oratione, 1, 6: CCL 1, 258 (PL 1, 1255).
  • 20. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 83, a. 9, c: Ed. Leon. 9, 201.
  • 21. São Pedro Crisólogo, Sermão 71, 3: CCL 24A, 425 (PL 52, 401).
  • 22. Cf. Ef 3, 12; Heb 3, 6; 4, 16; 10, 19; 1 Jo 2, 28; 3, 21; 5, 14.
  • 23. Tertuliano, De oratione, 3, 1: CCL 1, 258-259 (PL 1, 1257).
  • 24. Cf. Jo 1, 1. 11
  • 25. Cf. 1 Jo 5, 1.
  • 26. Cf. 1 Jo 1, 3.
  • 27. São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 3, 1: SC 126, 120 (PG 33, 1088).
  • 28. São Cipriano de Catargo, De dominica oratione, 9: CCL 3A, 94 (PL 4, 541).
  • 29. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 30. Santo Ambrósio, De sacramentas, 5, 19: CSEL 73, 66 (PL 16, 450).
  • 31. São Cirpiano de Cartago, De dominica oratione, 11: CCL 3A, 96 (PL 4, 543).
  • 32. São João Crisóstomo, De angusta porta et in Orationem dominicam, 3: PG 51, 44.
  • 33. São Gregório de Nissa, Homiliae in Orationem dominicam, 2: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger-H. Langerbeck, v. 7/2 (leiden 1992) p. 30 (PG 44, 1148).
  • 34. São João Cassiano, Conlatio, 9, 18, 1: CSEL 13, 265-266 (PL 49, 788).
  • 35. Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 4, 16: CCL 35, 106 (PL 34, 1276).
  • 36.  Cf. Os 2, 21-22; 6, 1-6.
  • 37. Cf. Jo 1, 17.
  • 38. Cf. 1 Jo 5, 1; Jo 3, 5.
  • 39. Cf. Ef 4, 4-6.
  • 40. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 8: AAS 57 (1965) 98; Ibid., 22: AAS 57 (1965) 105-106.
  • 41. Cf. Mt 5, 23-24; 6, 14-15.
  • 42. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Nostra aetate, 5: AAS 58 (1966) 743-744.
  • 43. Cf. Jo 11, 52.
  • 44. Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 5, 18: CCL 35, 108-109 (PL 34, 1277).
  • 45. São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 5, 11: SC 126, 160 (PG 33, 1117).
  • 46. Cf. Gn 3.
  • 47. Cf. Jr 3, 19 – 4, 1 a; Lc 15, 18.21.
  • 48. Cf. Is 45, 8; Sl 85, 12.
  • 49. Cf. Jo 12, 32; 14, 2-3; 16, 28; 20, 17; Ef  4, 9-10; Heb 1, 3; 2, 13.
  • 50. Cf. Ef 2, 6.
  • 51. Cf. Cl 3, 3.
  • 52. Cf. Fl 3, 21; Heb 13, 14.
  • 53. Epístola a Diogneto, 5, 8-9: SC 33, 62-64 (Funk, 1, 398).
  • 54. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  • 55. Cf. Lc 22, 15; 12, 50.
  • 56. Cf. 1 Cor 15, 28.
  • 57. Cf. Sl 111, 9; Lc 1, 49.
  • 58. Sl 8; Is 6, 3.
  • 59. Cf. Sl 8, 6.
  • 60. Cf. Rm 3, 23.
  • 61. Cf. Heb 6, 13.
  • 62. Cf. Ex 3, 14.
  • 63. Cf. Ex 19, 5-6.
  • 64. Cf. Lv 19, 2: «Sede santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo».
  • 65. Cf. Ez 20; 36.
  • 66. Cf. Mt 1, 21; Lc 1, 31.
  • 67. Cf. Jo 8, 28; 17, 8; 17, 17-19.
  • 68. Cf. Ez 20, 39; 36, 20-21.
  • 69. Cf. Jo 17, 6.
  • 70. Cf. Fl 2, 9-11.
  • 71. São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 12: CCL 3A, 96-97 (PL 4, 544).
  • 72. Cf. Ez 36, 20-22.
  • 73. São Pedro Crisólogo, Sermão 71, 4: CCL 24A, 425 (PL 52, 402).
  • 74. Tertuliano, De oratione, 3, 4: CCL 1, 259 (PL 1, 1259).
  • 75. Cf. Jo 14, 13; 15, 16; 16, 24.26.
  • 76. São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 13: CCL 3A, 97 (PL 4, 545).
  • 77. Tertuliano, De oratione, 5, 2-4: CCL 1, 260 (PL I, 1261-1262).
  • 78. Cf. Tt 2, 13.
  • 79. Cf. Oração Eucarística IV, 118: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 468 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 539].
  • 80. Cf. Gl 5, 16-25.
  • 81. São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 5, 13: SC 126, 162 (PG 33, 1120).
  • 82. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042-1044; Ibid., 32: AAS 58 (1966) 1057; Ibid., 45: AAS 58 (1966) 1065-1066; Paulo VI, Ex. ap. Evangelii nuntiandi, 31: AAS 68 (1976) 26-27.
  • 83. Cf. Jo 17, 17-20.
  • 84. Cf. Mt 5, 13-16; 6, 24; 7, 12-13.
  • 85. Cf. Mt 18, 14.
  • 86. Cf. Jo 13, 34; 1 Jo 3; 4; Lc 10, 25-37.
  • 87. Cf. Sl 40, 8-9.
  • 88. Cf. Jo 4, 34; 5, 30; 6, 38.
  • 89. Cf. Jo 8, 29.
  • 90. Orígenes, De oratione, 26, 3: GCS 3, 361 (PG 11, 501).
  • 91. São João Crisóstomo, In Matthaeum homilia l9, 5: PG 57, 280.
  • 92. Cf. Rm 12, 2; Ef 5, 17.
  • 93. Cf. Heb 10, 36.
  • 94. Cf. 1 Jo 5, 14.
  • 95. Cf. Lc 1, 38.49.
  • 96. Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 6, 24: CCL 35, 113 (PL34, 1279).
  • 97. Cf. Mt 6, 25-34.
  • 98. Cf. 2 Ts 3, 6-13.
  • 99. São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 21: CCL 3A, 103 (PL 4, 551).
  • 100. Cf. Lc 16, 19-31.
  • 10.1 Cf. Mt 25, 31-46.
  • 102. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 5: AAS 58 (1966) 842.
  • 103. Cf. 2 Cor 8, 1-15.
  • 104. Da tradição beneditina. Cf. São Bento, Regra 20;48: CSEL 75, 75-76.114-119 (PL 66, 479-480.703-704).
  • 105. Dito atribuído a Santo Inácio de Loyola; cf. Petrus de Ribadeneyra, Tractatus de modo gubernandi sancti Ignatii, c. 6, 14: MHSI 85, 631.
  • 106. Cf. Dt 8, 3.
  • 107. Cf. Jo 6, 26-58.
  • 108. Cf. Mt 6, 34; Ex 16, 19.
  • 109. Santo Ambrósio, De Sacramentis, 5, 26: CSEL 73, 70 (PL 16, 453).
  • 110. Cf. Ex 16, 19-21.
  • 111. Cf. 1 Tm 6, 8.
  • 112.  Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios 20, 2: SC 10bis, 76 (Funk 1, 230).
  • 113. Cf. Jo 6, 53-56.
  • 114. Santo Agostinho, Sermão 57, 7, 7: PL 38, 389-390.
  • 115. Cf. Jo 6, 51.
  • 116. São Pedro Crisólogo, Sermão 67, 7: CCL 24A, 404-405 (PL52, 402).
  • 117. Cf. Lc 15, 11-32.
  • 118. Cf. Lc 18, 13.
  • 119. Cf. Ef 1, 7.
  • 120. Cf. Mt 26, 28; Jo 20, 23.
  • 121. Cf. 1 Jo 4, 20.
  • 122. Cf. Mt 5, 23-34; 6, 14-15; Mc 11, 25.
  • 123. Cf. Fl 2, 1.5.
  • 124. Cf. Jo 13, 1.
  • 125. Cf. Mt 18, 23-35.
  • 126. Cf. Mt 5, 43-44.
  • 127. Cf. 2 Cor 5, 18-21.
  • 128. Cf. João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 14: AAS 72 (1980) 1221-1228.
  • 129 Cf. Mt 18, 21-22; Lc 17, 3-4.
  • 130. Cf. 1 Jo 3, 19-24.
  • 131. Cf. Mt 5, 23-24.
  • 132. São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 23: CCL 3A, 105 (PL 4, 535-536).
  • 133. Cf. Mt 26, 41.
  • 134. Cf. Lc 8, 13-15; Act 14, 22; 2 Tm 3, 12.
  • 135. Cf. Rm 5, 3-5.
  • 136. Cf. Tg 1, 14-15.
  • 137. Orígenes, De oratione, 29, 15 e 17: GCS 3, 390-391 (PG 11, 541-544).
  • 138. Cf. Mt 4, 1-11.
  • 139. Cf. Mt 26, 36-44.
  • 140. Cf. Mc 13, 9.23.33-37; 14, 38; Lc 12, 35-40.
  • 141. Cf. Jo 17, 11.
  • 142. Cf. 1 Cor 16, 13; Cl 4, 2; 1 Ts 5, 6; 1 Pe 5, 8.
  • 143. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 214-215.
  • 144. Oração eucarística IV, 123: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 471 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 543].
  • 145. Santo Ambrósio, De sacramentis, 5, 30: CSEL 73, 71-72 (PL 16, 454).
  • 146. Cf. Jo 14, 30.
  • 147. Cf. Jo 12, 31; Ap 12, 10.
  • 148. Cf. Ap 12, 13-16.
  • 149. Cf. Ap 1, 4.
  • 150. Rito da Comunhão [Embolismo]: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 472 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 545].
  • 151. Cf. Ap 1, 6; 4, 11; 5, 13.
  • 152. Cf. Lc 4, 5-6.
  • 153. Cf. 1 Cor 15, 24-28.
  • 154. Cf. Lc 1, 38.
  • 155.  São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 5, 18: SC 126, 168 (PG 33, 1124).