O conhecimento e a ciência da piedade consistem, segundo São Jerônimo, em conhecer a lei, compreender os Profetas e crer no Evangelho (Lib. sup. Matth.). A palavra devoção deriva, segundo São Tomás, de voto ou consagração; por isso se chamam devotos aqueles que se votam e se consagram a Deus, para não pertencerem mais a ninguém senão a ele. Portanto, a piedade e a devoção não parecem ser outra coisa senão a vontade de consagrar-se àquilo que diz respeito ao serviço de Deus; ela é, pois, um ato especial da vontade (4a q., art. 6). A piedade entendida neste sentido encerra a prática de todas as virtudes…
«Exercita-te na piedade», escrevia São Paulo a Timóteo (I, 4,7); isto é, dedica-te à prática de todas as virtudes, porque «a piedade é útil para tudo e traz consigo a promessa da vida presente e da futura» (Id. 8). «A oblação do homem piedoso enriquece o altar, e exala um odor agradável e suave na presença do Altíssimo», lemos no Eclesiástico (Eclo 35,8).
Quatro coisas, diz São Bernardo, alimentam e aumentam a piedade: 1° a lembrança dos pecados, que torna o homem humilde…; 2° a memória das penas do inferno, que o estimula a fazer o bem…; 3° o pensamento de sua peregrinação, que o leva a desprezar as coisas visíveis…; 4° o desejo da vida eterna, que anima o homem à perfeição e o mantém vigilante, para que jamais entregue sua vontade ao poder das criaturas… (In Sentent.).