No tempo do imperador Valeriano, São Melônio, que nascera na Bretanha Menor, veio a Roma para pagar o tributo de sua terra e servir ao imperador. Quando chegou ali, como era costume, foi ao templo de Marte para sacrificar com seus companheiros. Então ouviu o papa Estêvão, com alguns poucos cristãos, aos quais pregava a fé de Cristo e o Evangelho. Ele atentou e abriu os ouvidos para compreender suas palavras e, imediatamente, creu em Deus e pediu para ser batizado. Então este Melônio foi batizado pelo papa Estêvão e também instruído na fé católica; logo vendeu todos os bens que possuía e deu tudo aos pobres por amor de Deus. O papa promoveu-o a todos os graus da ordem sacerdotal, de tal modo que ele próprio fez de São Melônio um sacerdote; e assim perseverou nas orações, nas vigílias e nos jejuns.
Certa vez, enquanto ele celebrava sua missa, o papa e ele viram juntos, do lado direito do altar, um anjo que lhe entregou um báculo pastoral, dizendo desta maneira: “Mellonino, toma este báculo, sob o qual hás de reger e governar a cidade de Ruão, pois todo o povo dali é de Deus e está pronto para teu serviço e mandamento. E, embora ela esteja longe daqui e o caminho te seja muito penoso, porque não conheces a região, não deves, contudo, temer coisa alguma, pois Jesus Cristo te guardará sempre sob a sombra de suas asas.” E, depois dessas palavras, ele recebeu a bênção do papa e pôs-se a caminho. Quando chegou a tarde e ele levava o referido báculo na mão, encontrou um homem que tinha o pé ferido e aberto ao meio. Esse santo homem fez sua oração e logo o curou. Dali chegou a Ruão, onde cumpriu bem e santamente seu ofício e realizou muitos prodígios e milagres. Esse glorioso santo descansou em paz no décimo primeiro dia das calendas do mês de novembro, para honra de Deus, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.