São Justino nasceu na cidade de Nápoles, e seu pai chamava-se Cryspobachia, e era um grandíssimo filósofo, que se empenhou fortemente pela religião cristã, tanto que compôs muitos belos livros, muito proveitosos, como relatam São Jerônimo e Hugo. Apresentou ao imperador Antonino um livro que havia composto sobre a religião cristã, e trabalhou tanto junto do referido imperador que este teve piedade e compaixão do povo cristão, e não somente o próprio imperador, mas também todos os seus filhos e todos os senadores de Roma. E o referido imperador fez então um mandamento segundo o qual nenhum pagão deveria ousar desprezar o sinal da verdadeira cruz. Também Pompeu Trogo, que era da nação espanhola, compôs em quarenta e quatro livros todas as histórias que havia em todo o mundo, desde o tempo e o reinado de Nino, que era rei da Assíria, até o tempo e o reinado do imperador César, e escreveu-as em latim; essa história São Justino abreviou ou resumiu, e também compôs muitos outros livros, que seria demasiado longo relatar. Foi-lhe divinamente revelado ou anunciado que haveria de sofrer muito antes de sua morte, para sustentar a verdade, como aparece por um escrito ou carta que enviou ao imperador Antonino, na qual diz assim: “Terei perseguições suficientes, com bastões de ferro, por parte daqueles contra os quais combato ou luto para sustentar o estado da verdade; mas, quando isso acontecer, saberei então que eles não são filósofos, isto é, amantes da arte e da ciência, mas que podem ser amantes de todas as vaidades; pois não é digno de ser chamado filósofo aquele que afirma e atesta publicamente aquilo que não conhece, e que diz que os cristãos estão sem um deus, lançando em erro ainda maior aqueles que já estão no erro.” Tudo isso se cumpriu assim, como relata São Jerônimo e também Eusébio. Pois, quando o referido imperador partiu deste mundo para Deus, depois dele reinaram outros dois imperadores, chamados Antonino e Aureliano, que foram grandes perseguidores do povo cristão; e, como Justino perseverasse na vida santa e na santa doutrina, compôs o segundo livro para com ele defender a religião cristã. Aconteceu que havia muitos outros filósofos que tinham grande inveja de Justino, tanto por sua santa vida e honestos costumes, dos quais era cheio, quanto por sua grande ciência, e o acusaram diante do imperador, dizendo que ele era cristão e que destruiria a lei deles. Então Justino foi preso e fizeram-no sofrer muitos tormentos e dores diversas; e, como ele constantemente invocasse o nome de Deus, eles derramaram e espalharam seu sangue de tal maneira que ele entregou e deu sua alma a nosso Senhor Jesus Cristo, com quem repousa em paz e repousará sem fim, pelos séculos dos séculos. Amém.