Abdon é dito de abscin, em grego, que quer dizer cortar em latim, e dolos, que quer dizer ver. Ele foi cortado e talhado em seu corpo e viu a Deus pelo martírio. Sennen é dito de senos, em grego, que quer dizer entendimento, e en, isto é, em; por isso Sennen significa “em entendimento”, ou senex, isto é, velho, como quem diz que era velho em entendimento.
Abdon e Sennen sofreram o martírio sob o imperador Décio. Quando o imperador Décio subjugou Babilônia e as outras províncias, encontrou alguns cristãos dentro da cidade e levou-os consigo, atados, para a cidade de Córdova. E ali fez com que morressem por diversos tormentos. Então Abdon e Sennen, que eram como governadores daquela região, recolheram os corpos e sepultaram-nos. Depois foram acusados e levados diante de Décio, que mandou conduzi-los consigo, acorrentados, até Roma. Foram então apresentados diante de Décio e dos senadores. Ordenou-se-lhes que oferecessem sacrifício e que teriam livremente todos os seus bens, ou então seriam devorados pelas mordidas de feras selvagens. Mas eles desprezaram oferecer sacrifício e cuspiram contra os falsos ídolos e estátuas. Foram então arrastados ao lugar do martírio, e fizeram que lhes trouxessem dois leões e dois ursos; estes não lhes fizeram mal algum nem os tocaram, mas antes os protegeram do dano. Começaram então a arremessar contra eles lanças e espadas e, por fim, foram todos talhados em pedaços com espadas. Depois amarraram-nos pelos pés e arrastaram-nos pela cidade até o ídolo do sol. Quando jazeram ali por três dias, Quirino, subdiácono, recolheu os corpos e sepultou-os em sua casa. Eles sofreram a morte por volta do ano de Nosso Senhor de duzentos e cinquenta e três.