Legenda Áurea · Volume 4 · Capítulo 146

Os Sete Macabeus Seven Maccabees

Festa e tempo litúrgico · 1 parágrafo · português, com o inglês de Caxton a um clique

Havia sete Macabeus com sua venerável mãe e um sacerdote chamado Eleazar, que não queria comer carne de porco, porque isso era proibido em sua lei. Depois, conforme está contido no Primeiro Livro dos Macabeus, sofreram grandes tormentos, tais como nunca haviam sido ouvidos antes. Deve-se entender que a Igreja do Oriente celebra as solenidades dos santos tanto do Antigo como do Novo Testamento. A Igreja do Ocidente não celebra festa alguma dos santos do Antigo Testamento, salvo a dos Inocentes, porque as almas dos santos daquele tempo desceram ao inferno; mas celebra a festa dos Inocentes porque Jesus Cristo foi morto em cada um deles, e também celebra a dos Macabeus.

Há quatro razões pelas quais a Igreja celebra as solenidades dos Macabeus, embora eles tenham descido ao inferno. A primeira razão é que tiveram o privilégio de um martírio jamais ouvido antes e sofreram mais do que quaisquer outros do Antigo Testamento. Por isso são privilegiados, para que sua paixão seja solenizada por seu mérito. Essa razão está exposta na História Escolástica.

A segunda razão é a representação do mistério: o número sete é universal e geral. Neles são compreendidos e significados todos os patriarcas do Antigo Testamento dignos de ser solenizados. Embora a Igreja não celebre solenidade em honra deles, porque desceram ao inferno e também porque veio uma multidão tão grande de novos santos, nestes sete presta-se reverência a todos eles. Pois, como se diz, pelo número sete é designada uma universalidade.

A terceira razão é o exemplo de sofrimento. Eles são propostos como exemplo aos bons cristãos por duas coisas, isto é, pela constância: seguindo a constância deles, são fortalecidos no amor da fé; e também para que sofram pela lei do Evangelho, assim como eles sofreram pela lei de Moisés. A quarta razão é por causa de seus tormentos. Eles sofreram tais tormentos por sua lei, que se empenharam em defender, assim como os cristãos fazem pela lei do Evangelho. E Mestre João Beleth apresenta estas três últimas razões em sua suma do ofício.

Fonte: The Golden Legend or Lives of the Saints, compilada pelo Bem-aventurado Tiago de Varazze (Jacobus de Voragine, c. 1260), na versão inglesa de William Caxton (1483), edição Temple Classics de F. S. Ellis (1900), publicada em catholicapologetics.info. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico a partir do inglês de Caxton; o original de cada seção abre pelo botão Inglês, e o botão Ver original coloca o inglês ao lado do texto. Ler este capítulo dentro da obra completa.