Vós me perguntais, dizia São Bernardo, de que modo podereis saber se Deus vos perdoou? Para mim, ensina-o a cura do paralítico, da qual está escrito: “Jesus lhe disse: Levanta-te, toma o teu leito e anda” (Jo 5, 8). Deus vos perdoou: 1° se vos levantais cheios de desejo pelas coisas celestes; 2° se carregais o vosso leito, isto é, o vosso corpo, se o subtraís ao império dos sentidos e das loucuras da terra, de tal maneira que a vossa alma não esteja de modo algum sujeita às suas concupiscências, mas, segundo o que é justo e necessário, seja ela que o governe e conduza até mesmo para onde ele não gostaria de ir; 3° se caminhais, esquecendo o que deixais para trás e avançando para o céu que está diante de vós. Desde o momento em que tendes o desejo e o bom propósito de avançar, não duvideis mais da vossa cura. Por meio desse desejo, já vos levantastes; já se vos aliviou o fardo; já carregais o vosso leito; já caminhais desembaraçados e ligeiros pela subida do paraíso. Não separeis, porém, jamais o temor da confiança (De quatuor orando modis).
“Não é culpado aquele que experimenta a tentação ou os estímulos da concupiscência, diz Santo Agostinho, mas aquele que a eles cede (1).” “Não prejudica sentir, mas consentir, acrescenta São Bernardo; antes, o esforço daquele que resiste às paixões forma a coroa daquele que vence (2).” Quando é que alguém pode estar seguro de que Deus lhe perdoou?, pergunta São Basílio; e responde: isso acontece quando ele tem os sentimentos daquele que diz: “Odeio a iniquidade e abomino o pecado” (Sl 118,163) (3).
1° O seu auxílio. — “Deus, observa Santo Agostinho, não nos ordena o impossível, mas, dando uma ordem, adverte-nos que façamos o que podemos e peçamos o que não podemos; depois, ajuda-nos para que possamos (4).” Aquele que nos ordena combater ajuda-nos a combater. Deus não permanece como espectador ocioso da luta que sustentamos, como o povo assiste ao combate de um atleta. Este não recebe do povo reunido senão gritos de encorajamento e aplausos, mas não auxílio; o povo prepara-lhe uma coroa, mas não lhe dá a força para conquistá-la; Deus, ao contrário, enquanto dirige os seus olhares para os combatentes, estende ainda o braço para fortalecê-los na luta; anima aquele que o invoca e, ao mesmo tempo, ajuda-o a alcançar a vitória. Ouvi como fala aquele grande atleta que foi Davi: “Se eu dizia: Meu pé vacilou, eis que logo a vossa misericórdia, ó Senhor, vinha firmá-lo” (Sl 93, 18). E o incomparável lutador São Paulo dizia, intrépido e confiante: “Somos afligidos de mil maneiras, mas não desanimamos; apertados por todos os lados, mas não nos rendemos; perseguidos, mas não abandonados; feridos, mas não mortos” (2Cor 4, 8-9). (i E, de fato, em minha primeira defesa não houve ninguém que me socorresse, pois todos me abandonaram; mas o Senhor não me abandonou, antes me assistiu e me fortaleceu” (2Tm 4, 16-17). “Ah! tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4, 13).
Assim, animava os coríntios, dizendo-lhes que tivessem bom ânimo, porque Deus é fiel e jamais permitiria que fossem tentados acima das suas forças; mas que faria redundar a tentação em seu benefício, para que pudessem resistir (1Cor 10, 13). E aos hebreus escrevia que, tendo o próprio Deus dito: “Eu não vos deixarei nem vos abandonarei jamais”, também nós podemos repetir com confiança: “O Senhor é o meu auxílio, não temerei coisa alguma que o homem me possa fazer” (Hb 13, 5-6).
“Por que Cristo afirma que suave é o seu jugo e leve o seu peso (Mt 11, 30), isto é, que os seus mandamentos não são pesados, como explica São João? (1Jo 5, 3). II. Porque isso se encontra nestas palavras do Apóstolo das gentes a Timóteo: “Muitas perseguições e tribulações me afligiram, mas de todos os males me livrou o Senhor” (2Tm 3, 11). Com razão, portanto, São Pedro nos exorta a depor toda a nossa solicitude, a confiar toda a nossa angústia no seio de Deus, porque ele mesmo cuida de nós (1Pd 5, 7). E não assegurou porventura o próprio Deus, com a sua própria boca, a Abraão que nada temesse, porque ele era o seu protetor e a sua copiosa recompensa? (Gn 15, 1).
“O Senhor é o asilo do pobre, canta o Salmista, o seu refúgio nos dias de aflição. Nele esperam todos os que conhecem o seu nome, porque jamais abandona aqueles que o invocam” (Sl 9, 9-10). A salvação dos justos vem do Senhor; ele é a sua força no tempo da tribulação; o Senhor os protege e os livra do ímpio; salva-os porque nele puseram a sua confiança (Sl 36, 33-40). A misericórdia cobre por todos os lados aqueles que põem a sua esperança no Senhor (Sl 31,10).
Assim, também nós exclamemos com o mesmo Salmista: “Vós, ó Senhor, estais à minha direita, e não sofrerei desdita” (Sl 15, 8). “Se as tribulações me afogam, vós me dais a vida, e a vossa direita se levanta para me socorrer” (Sl 138,9). “A vossa misericórdia me acompanha passo a passo por toda a minha vida” (Sl 22, 6). Vós sois a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? Vós sois o protetor da minha vida; quem me fará tremer?” (Sl 26, 1-2).
Digamos também nós com Miqueias: “Fixarei o meu olhar no Senhor, esperarei o auxílio do meu Salvador e estou certo de que serei atendido pelo meu Deus” (Mq 7, 7). “E, se Deus combate por nós, quem ousará fazer-nos frente?”, diz São Paulo (Rm 8, 31).
“Ponde sem temor”, diz Santo Agostinho, “toda a vossa confiança em Deus e abandonai-vos em seus braços, porque ele não cessará de elevar-vos até ele e não permitirá que vos aconteça coisa alguma que não seja útil, ainda que disso não tenhais conhecimento (5).” Não vos deixeis tentar pelo desejo de viver à vossa vontade e de serdes senhores de vós mesmos, mas considerai-vos honrados por serdes servos do Deus clementíssimo e poderosíssimo. Imitemos o servo fiel, que não vê nem entende senão as ordens de seu senhor. Que nossos olhos não vejam, nossos ouvidos não ouçam, nossos corações não sintam senão a ele. Mantenhamo-nos firmes sobre a rocha inabalável da confiança (Soliloq. lib. I).
2° O auxílio e os méritos de Jesus Cristo e dos santos. — “Ó Deus”, dizia o real profeta, “meu escudo e minha espada, lançai os olhos sobre nós, contemplando o vosso Cristo” (Sl 83, 9).
“Se acontecer que alguém peque”, diz São João, “lembre-se de que temos como advogado junto do Pai Jesus Cristo, que é o justo por excelência; e ele é a vítima de propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1Jo 2, 1-2). Jesus Cristo é nosso advogado, patrono, mediador e intercessor; ele oferece a si mesmo por nós como garantia, faz-se nossa vítima; oferece a seu Pai as suas chagas, os seus méritos, a sua paixão, o seu sangue e a sua morte. Por isso, conservou também depois da sua ressurreição as cicatrizes das chagas, para mostrá-las continuamente ao Pai e obter-nos, em consideração a elas, o perdão, a graça, a glória…
Quem virá julgar-vos? — diz Santo Agostinho. Certamente, ninguém senão aquele que se deixou julgar e condenar por vós. Ele tomou, de certo modo, sobre si a sentença e cumpriu a pena estabelecida contra vós; deixou-se condenar para que vós fôsseis absolvidos (Soliloq.).
Ouvi o Crisóstomo: Se sois ímpio, olhai para o publicano; se sois impuro, lembrai-vos da mulher adúltera; se sois homicida, voltai os olhos para o bom ladrão; se sois delinquente, pensai no blasfemador; se sois adversário da Igreja, observai São Paulo, que de perseguidor encarniçado se tornou zelossíssimo anunciador do Evangelho. Mas, direis vós, posso eu esperar o perdão? Eu, blasfemador, libertino, perseguidor? Vós encontrais todos esses delitos nos grandes pecadores que vos precederam. Escolhei o lugar que vos agradar e refugiai-vos nele. Quereis exemplos do Antigo Testamento? Vede Davi, etc.; quereis exemplos do Novo? Olhai para Paulo. Que é cada pecado, e mesmo todos os pecados do mundo, em comparação com a misericórdia de Deus? Uma teia de aranha exposta ao sopro de um vento impetuoso (6). Por isso, dizia Santo Anselmo: “Por que desesperarei eu, enquanto Saulo é santo? (7)”
O Pontífice que temos, escrevia o Apóstolo aos Hebreus, não é tal que não saiba compadecer-se das nossas fraquezas, pois suportou, como nós, toda espécie de provas, embora sem pecado. Aproximemo-nos, pois, cheios de confiança, do trono da graça, para receber misericórdia e encontrar graça e auxílio (Hb 4, 15-16). Jesus Cristo pode sempre salvar aqueles que se aproximam de Deus por sua intercessão, porque está sempre vivo para interceder por nós (Ib. 7, 25). Jesus Cristo entrou no céu para comparecer agora em nosso favor diante de Deus (Ib. 9, 24). Temos, pois, pelo sangue de Jesus Cristo, a confiança de entrar no Santo dos Santos, isto é, no céu (Ib. 10,19).
Além da bondade e dos auxílios de Deus, da proteção e dos méritos de Jesus Cristo, que nos dão a esperança de obter o perdão dos pecados e a salvação, temos ainda, para nos assegurar disso, a palavra de Deus, a graça, os sacramentos, a santa Virgem, os santos, a oração, etc…. “Amai a Deus em sua bondade”, diz a Sabedoria, “e procurai-o na simplicidade do coração, porque aqueles que não o tentam o encontram; ele se manifesta aos que nele confiam.”
“Somente a esperança”, diz São Bernardo, “obtém misericórdia junto de vós, ó Senhor; vós não derramais o óleo da misericórdia senão no vaso da confiança (8).”
“Aquele que confia em mim”, diz Deus pela boca de Isaías, “herdará a terra e possuirá o meu santo monte” (Is 57, 13). “Bendito”, exclama Jeremias, “o homem que confia no Senhor! Ele será o seu apoio. Crescerá como um arbusto plantado às margens de um rio, que mergulha na água as suas raízes; não temerá o calor do verão; sempre verdejantes, mostrará os seus ramos, não murchará nos dias de seca e jamais deixará de produzir frutos” (Jr 17, 7-8). Deus diz que abençoará aquele que confia nele, porque a confiança honra infinitamente a Deus. Com efeito, quem confia em Deus, quem se lança em seu seio, como uma criança nos braços de uma boa e terna mãe, proclama altamente que Deus é boníssimo, que dele obterá auxílio nas necessidades, que o encontrará fiel e jamais enganador daqueles que nele depositam a sua confiança. Abraão teve confiança contra toda esperança; por isso, Deus lhe deu milagrosamente uma numerosa posteridade, cumulou-o de bênçãos e o honrou com a incomparável e inefável graça de ver sair de sua descendência Jesus Cristo e a santa Virgem.
Quem, ao contrário, carece de confiança em Deus, faz-lhe grave injúria, porque nega a sua providência, isto é, pretende que Deus não queira, ou não possa, ou não saiba socorrê-lo.
Quem deposita toda a sua confiança em Deus encontra nessa mesma confiança o auxílio e a graça com que pode tornar-se superior a todas as dificuldades e tentações. De Deus tira uma virtude sólida e todo bem. É semelhante ao loureiro que, segundo Plínio, jamais é atingido pelo raio, embora este derrube tudo o que toca; uma grande calamidade pode romper, abater e destruir tudo, mas jamais a firme confiança em Deus. A confiança em Deus é uma virtude forte, sempre verdejante, sempre bela. À semelhança do loureiro, não é ressecada nem consumida pelos ventos ardentes das provações e das tribulações. O loureiro é emblema da vitória; a confiança em Deus é seguro presságio de vitória sobre todos os inimigos que o inferno, o mundo e a carne armam contra o homem.
Nascemos, é verdade, filhos da ira, mas, transplantados em Jesus Cristo pela confiança em Deus e pelo amor que ele nos dedica, tornamo-nos árvores carregadas de frutos de bênção…
Daniel é lançado na cova dos leões; os leões não o tocam, e ele sai dali sem levar sequer um arranhão; por que esse milagre? Porque Daniel depositou toda a sua confiança em Deus (Dn 6,23). A casta Susana é injustamente acusada de um crime infame e, condenada à morte, já é conduzida ao lugar do suplício. Mas, com os olhos marejados de lágrimas, ela contempla o céu, porque seu coração está repleto de confiança em Deus (Dn 13,35).
Abandoná-la-á então Deus? Não; enche o jovem Daniel de seu espírito; as falsas testemunhas são desmascaradas em sua impostura; reconhece-se a inocência de Susana, e sua honra, tanto quanto sua vida, é salva; os caluniadores vão, cobertos de opróbrio, para o suplício (Dn 13). É a confiança de Susana que opera todos esses prodígios. Ah! Felizes, portanto, exclamemos com o Salmista, os que confiam em Deus (Sl 2,13).
Se entregarmos sem reservas nossos interesses às mãos de Deus, nem o demônio nem qualquer outro inimigo poderá vencer-nos, dizia Santo Antônio, que bem devia conhecer a força da confiança em Deus, pois tinha de suportar assaltos tão frequentes e terríveis do inferno (Vit. Patr.).
À sombra de vosso escudo, ó Senhor, dizia o Salmista, atravessarei o campo inimigo; em vossa companhia transporei as defesas (Sl 17,29). Sê valente e corajoso, disse Deus a Josué; não temas nem te assustes, porque o Senhor, teu Deus, estará contigo por onde quer que andares (Js 1,9). O Senhor abate e ergue, conduz às portas do inferno e delas nos retira, está escrito no Primeiro livro dos Reis (1Rs 2,6).
Quando falta todo auxílio humano, guardemo-nos de desesperar, pois é precisamente então que intervém o auxílio divino. Lemos no Livro de Judite que, aonde quer que entrasse o povo de Deus, embora estivesse sem arco, sem flechas, sem escudo e sem espada, sempre saía vitorioso, combatendo Deus por ele, por causa da confiança que tinha em Deus (Jt 5,16).
“O justo, dizem os Provérbios, é intrépido como um leão, porque está cheio de confiança em Deus” (Pr 38,1). Com efeito: 1° a confiança reta e inocente é corajosa; gera a liberdade, torna os justos enérgicos e fortes. 2° A confiança tranquiliza a consciência e não lhe permite temer coisa alguma. 3° Quem deposita sua confiança em Deus nada mais teme senão o pecado. Por isso, São Hilarião, tendo certo dia, como narra São Jerônimo, caído nas mãos de ladrões e sendo por eles interrogado se temia alguma coisa, respondeu: Quem nada possui não teme os ladrões. — Sim, mas eles podem matá-lo. — Bem o sei; e essa é precisamente a razão pela qual não os temo, estando eu pronto para morrer… 4° Os justos sabem que Deus cuida deles e que os traz em seu coração; apoiados nele, nada temem. 5° Deus comunica aos justos tanta confiança e força nas coisas difíceis e perigosas, que eles ousam empreender tudo o que é bom e, por isso, tornam-se terríveis para seus inimigos. Vede que heroísmo ele deu aos apóstolos, a Santo Atanásio etc., etc.
Armado dessa força que vem da confiança em Deus, São João Esmoler dizia: Se todos os homens que habitam a terra viessem ao mesmo tempo a Alexandria para pedir esmola, eu a daria a todos, porque o mundo inteiro não pode esgotar os tesouros de Deus. Cessai, portanto, almas sem confiança, de tentar a Deus com vossa pusilanimidade e desconfiança. Quanto mais São João Esmoler dava, mais recebia de Deus. Deus é a mina inesgotável, a fonte inexaurível; o mundo inteiro dela tira água, e ela não cessa um só instante de derramá-la por todo o mundo.
Lemos a respeito de um santo abade do deserto que, rezando pela cura de um de seus discípulos, chamado Abraão, o qual havia pecado por fraqueza, estava tão cheio de confiança em Deus que dizia: Meu Deus, queirais ou não, eu não cessarei enquanto não o tiverdes curado. E obteve o que pedia (Vit. Patr.). São Heleno, tendo ficado sem alimento no deserto, para si e para os seus, exclamou, animado de inteira confiança: Não percamos a coragem, porque Deus pode preparar-nos aqui uma mesa abundantemente guarnecida; e eis que, no mesmo instante, narra Paládio, um anjo lhes levou tantos víveres quantos puderam consumir.
O Senhor está comigo como um guerreiro formidável, diz Jeremias; por isso, aqueles que me perseguem cairão fracos e exaustos, e cobertos de confusão (Jr 20,11).
“Não percais a vossa confiança, à qual está reservada grandíssima recompensa”, exorta-nos São Paulo (Hb 10,35). Quem reza, acrescenta São Tiago, reze com confiança, sem hesitação nem dúvida (Tg 1,6). Porque, diz Santo Agostinho, “o que esperais com certeza de Deus, obtereis infalivelmente (9)”.
“Maldito o homem que confia no homem e se apoia num braço de carne, diz o Senhor pela boca de Jeremias; será semelhante ao tamarisco do deserto e não lhe aproveitará o bem quando este vier” (Jr 17,5-6). O pecador que não tem confiança em Deus: 1° não alcança bom êxito no negócio da própria salvação; 2° não produz fruto algum de bem; 3° é privado da suave chuva da graça e da sabedoria; abandonado por Deus, torna-se joguete do demônio em todos os tempos, mas principalmente nos dias das desgraças. Deus deve ser o único refúgio, o único asilo do homem; Deus se compraz em vir em auxílio e demonstrar seu poder e sua infinita bondade àqueles que, cheios de confiança, recorrem somente a ele.
É preciso, com todo empenho, precaver-se de desconfiar de Deus nas grandes provações e jamais deixar-se desanimar; devemos armar-nos de confiança: com ela estamos seguros do auxílio divino, ainda que este tivesse de manifestar-se por meio de milagres, como aconteceu com Ló, sitiado pelos infames sodomitas (Gn 19), com Moisés e os hebreus perseguidos pelos furiosos egípcios (Ex 14), com Davi, perseguido de morte por Saul (1Rs 23), com Judite e a cidade de Betúlia, cercadas por Holofernes (Jt), com o rei Ezequias, ameaçado por Senaquerib (Is 37), e com os Macabeus, atacados por Antíoco.
Santa Clara, vendo a cidade e o convento que habitava prestes a cair nas mãos dos inimigos, avança sozinha, mas cheia de confiança, sobre as muralhas; ali, sob os olhos dos sitiantes, dirige ao Senhor esta oração do profeta: “Não entregues às feras os teus servos” (Sl 73,19); e, no mesmo instante, tomados de pânico, os inimigos põem-se em precipitada fuga.
A desconfiança provém da falta de fé; quem desconfia não crê vivamente que Deus é onipotente, providentíssimo e bom; provém ainda da esperança que depositamos nos homens e nas criaturas, como se tivessem mais poder e mais vontade de nos ajudar do que Deus. Ora, quem não vê que esta é uma conduta própria de pagãos e injuriosíssima para com Deus? Por isso, ele a pune, permitindo que as criaturas nas quais alguém confiou o abandonem, enganem, prejudiquem e impeçam o bom êxito; ao contrário, faz que prosperem e triunfem, sobretudo espiritualmente, aqueles que a ele confiam os seus interesses. Qual inocente, diz Jó, jamais pereceu? Quem viu o justo sucumbir? (Jó 4,7).
Conhecimento de si mesmo (V. EXAME DE CONSCIÊNCIA)