Legenda Áurea · Volume 3 · Capítulo 89

São Vital S. Vital

Vida de santo · 1 parágrafo · com a interpretação do nome · português, com o inglês de Caxton a um clique

Interpretação do nome

Vital quer dizer “aquele que vive”, pois viveu exteriormente tal como era em seu interior. Ou Vital quer dizer “vida”. Ou Vital quer dizer “voando com asas”, ou “voando ele próprio com asas de virtudes”. Ele era como uma das bestas que Ezequiel viu, tendo em si quatro asas: a asa da esperança, pela qual voava ao céu; a asa do amor, pela qual voava para Deus; a asa do temor, pela qual voava para o inferno; e a asa do conhecimento, pela qual voava para si mesmo. E supõe-se que sua paixão se encontra no livro de Gervásio e Protásio.

São Vital era cavaleiro e cônsul, e de sua esposa Valéria gerou São Gervásio e São Protásio. Foi a Ravena com Paulino, que era juiz daquela região, e, quando chegou ali, viu que esse Paulino fazia o médico chamado Ursiano sofrer muitos tormentos, porque ele não queria renegar sua fé; e, por fim, quando quiseram decapitá-lo, teve tanto medo que teria renegado a Deus. Então São Vital lhe disse: “Ah! Ursiano, não faças isso; tu costumavas curar os outros e agora queres entregar-te à morte perpétua. Chegaste à vitória, e agora estás em perigo de perder a coroa que estava preparada para ti.” Quando esse médico ouviu essas palavras, foi inteiramente reconfortado, arrependeu-se de seu mau propósito e sofreu alegremente o martírio. E São Vital mandou sepultá-lo com muita honra, e nunca mais quis entrar na companhia do juiz Paulino. Então este teve grande indignação, tanto porque Vital o impedira de fazer sacrifício quanto porque não se dignava a ir ter com ele; e, por mostrar-se cristão, mandou que o pendurassem pelos braços num patíbulo. Então Vital lhe disse: “És extremamente tolo se pensas enganar-me, a mim que sempre livrei os outros.” Então Paulino disse: “Levai-o para fazer sacrifício; e, se não o fizer, abri uma cova profunda até a água e ponde-lhe a cabeça debaixo dela.” E assim fizeram, e ali o enterraram vivo, no ano de Nosso Senhor de cinquenta e sete. E o sacerdote dos ídolos que dera esse conselho foi logo tomado pelo demônio e gritou continuamente durante sete dias, dizendo: “São Vital, tu me queimas”; e, no sétimo dia, o demônio lançou-o no rio, onde morreu vergonhosamente. E a esposa de São Vital, quando chegou a Milão, encontrou ali pessoas de sua casa sacrificando aos ídolos, as quais lhe pediram que comesse com elas de seus sacrifícios. Ao que ela respondeu: “Sou uma mulher cristã, e não me é lícito comer de vossos sacrifícios.” Então elas, ouvindo isso, bateram nela por tanto tempo e com tanta violência que a deixaram como morta. E seus homens, que estavam com ela, levaram-na para Milão ainda meio viva, e ali ela morreu santamente no terceiro dia. E o corpo de São Vital jaz agora em Colônia, na igreja de Nossa Senhora.

Fonte: The Golden Legend or Lives of the Saints, compilada pelo Bem-aventurado Tiago de Varazze (Jacobus de Voragine, c. 1260), na versão inglesa de William Caxton (1483), edição Temple Classics de F. S. Ellis (1900), publicada em catholicapologetics.info. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico a partir do inglês de Caxton; o original de cada seção abre pelo botão Inglês, e o botão Ver original coloca o inglês ao lado do texto. Ler este capítulo dentro da obra completa.