Evangelho do décimo primeiro domingo depois de Pentecostes: “Dois homens subiram ao templo”, que se divide em duas partes.
Primeiramente, tema do sermão sobre a Natividade do Senhor e sobre os quatro cavalos do sol e seu significado, no trecho: “O sol queima três vezes os montes”.
[Da primeira parte.] Também sobre as quatro espécies de soberba, no trecho: “Dois homens subiram”.
Também contra o pobre orgulhoso, o rico mentiroso e o ancião insensato, no trecho: “Três espécies”.
Também um sermão moral sobre a miséria do nosso corpo, no trecho: “Três espécies”.
Também sobre a mentira do mundo, no trecho: “O rico mentiroso”.
Também sobre a insensatez do diabo e a obediência de Cristo, no trecho: “O ancião insensato”.
[Da segunda parte.] Tema do sermão sobre as seis coisas necessárias ao penitente, no trecho: “O publicano, permanecendo ao longe”.
Também sobre a concórdia e sobre os cinco sentidos do corpo, que são cinco irmãos, no trecho: “De três coisas se compraz o meu espírito”.
Também um tema moral sobre a humildade, no trecho: “Todo aquele que se exalta”.
Também sobre o verdadeiro penitente e sobre a natureza das abelhas, no trecho: “A memória de Josias”.
Também sobre a humildade e sobre a natureza do camelo, no trecho: “Todo aquele que se humilha”; e no trecho: “Saí pela porta do Vale”.
1. Naquele tempo: “Disse Jesus a alguns que confiavam em si mesmos como justos e desprezavam os outros esta parábola: Dois homens subiram ao templo” (Lc 18,9-10) etc.
Lê-se no Eclesiástico: “O sol queima os montes três vezes, lançando raios de fogo e, resplandecendo com os seus raios, ofusca os olhos” (Eclo 43,4). O sol é assim chamado porque aparece sozinho, depois de obscurecer com o seu fulgor todos os astros. Os cavalos do sol são representados em número de quatro: Pirois, isto é, resplandecente; Eoo, isto é, aquecedor; Etão, isto é, ardente; Flegão, isto é, temperado. Com efeito, o sol possui estas quatro propriedades: quando nasce, resplandece; quando sobe, aquece; quando está no meio-dia, arde; quando declina para o ocaso, abranda o calor. O sol é Jesus Cristo, que habita numa luz inacessível (cf. 1Tm 6,16); à sua luz, toda luz é treva; comparada com a sua justiça, toda a justiça dos santos é reputada como um pano de mulher menstruada (cf. Is 64,6).
Os quatro cavalos deste sol são os quatro evangelistas: Mateus, Marcos, João e Lucas. Mateus foi como um cavalo resplandecente; atribui-se-lhe o rosto de homem, porque começou a escrever falando do homem: “Livro da genealogia de Jesus Cristo” (Mt 1,1); Marcos, aquecedor, a quem se atribui o rosto de leão, que é de natureza ardente, pois assim diz: “Voz do que clama no deserto” (Mc 1,3) etc.; João, ardente, tem o rosto de águia, porque, com os olhos não ofuscados, elevado acima de si mesmo como uma águia, contemplou o sol, quando disse: “No princípio era o Verbo” (Jo 1,1); Lucas, temperado, a quem se atribui o rosto de bezerro, que é imolado em sacrifício. Jesus Cristo foi sol resplandecente em seu nascimento; aquecedor em sua pregação, na qual rugiu como um leão: “Fazei penitência”, disse ele (Mt 3,2) etc.; ardente na realização dos milagres, nos quais se manifestou que era verdadeiro Deus; temperado em sua paixão, e, como bezerro imolado ao Pai, morreu na morte.
Do mesmo modo, este sol, quando nasce para o pecador, torna-se para ele resplandecente no conhecimento do pecado, aquecedor na dor por ele, ardente no fervor da reparação e temperado na mortificação dos vícios.
É deste sol, portanto, que diz o Eclesiástico: “O sol queima os montes três vezes” etc. O monte é assim chamado por não ter movimento. Os montes significam os soberbos deste mundo, dos quais diz o Salmo: “Os montes derreteram-se como cera diante do Senhor” (Sl 96,5); e isso acontece quando ele os queima três vezes, isto é, com a contrição, a confissão e a satisfação pelas obras. Com essa queima desejava ser queimado o Profeta, quando dizia: “Queima os meus rins e o meu coração” (Sl 25,2). O coração é queimado pela contrição, a língua pela confissão e os rins pela satisfação.
Segue-se: “Lançando raios de fogo”, isto é, emitindo-os de si mesmo. Os raios do sol são a pobreza e a humildade, a paciência e a obediência de Jesus Cristo. Quantos exemplos nos deu, quantas palavras de salvação nos dirigiu, tantos raios de fogo lançou de si para nós, a fim de nos inflamarmos em seu amor. A respeito deles acrescenta-se: “E, resplandecendo com os seus raios, ofusca os olhos”. Com os raios de sua pobreza e humildade, cega os olhos dos soberbos, para que, não vendo, vejam (cf. Jo 12,40). Com efeito, é como um colírio que primeiro perturba o olho enfermo e quase o cega, mas depois o torna claro e o ilumina. Por isso ele mesmo diz em João: “Eu vim a este mundo para julgamento, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos” (Jo 9,39). E ainda: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado” — porque procuraríeis o colírio que tira todo pecado —; “mas agora dizeis: Nós vemos. O vosso pecado permanece” (Jo 9,41). Por este sol foi incendiado, queimado e cegado aquele publicano, verdadeiro penitente, de quem se diz no Evangelho de hoje: “Dois homens subiram ao templo” etc.
2. Observa que neste Evangelho se destacam duas atitudes: a arrogância do fariseu e o arrependimento do publicano. A primeira, quando se diz: “Dois homens subiram ao templo” etc. A segunda, quando se acrescenta: “E o publicano, estando de longe”. Observa também que neste domingo e no próximo harmonizaremos algumas passagens do livro do Eclesiástico com as cláusulas deste Evangelho e do Evangelho do domingo seguinte.
No introito da missa de hoje canta-se: “Ó Deus, atendei em meu auxílio”; e lê-se a epístola do bem-aventurado Paulo aos Coríntios: “Dou-vos a conhecer o Evangelho”, que queremos dividir em duas partes e harmonizar com as cláusulas do Evangelho. Primeira parte: “Dou-vos a conhecer”. Segunda: “Eu sou o menor”.
3. Digamos, portanto: “Dois homens subiram ao templo para orar: um fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava consigo mesmo, dizendo: Deus, eu te dou graças porque não sou como os demais homens: ladrões, injustos, adúlteros, nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto possuo” (Lc 18,10-12). Primeiramente, deve-se observar que há, como diz a Glosa, quatro espécies de soberba: quando alguém julga ter por si mesmo o bem que possui; ou, se reconhece que lhe foi dado por Deus, pensa que lhe foi dado por seus méritos; ou quando se vangloria de ter aquilo que não tem; ou quando, desprezando os demais, deseja singularmente parecer ter aquilo que possui. Daí o verso: “Por si mesmos, por seus méritos, pensando falsamente ter mais que todos, inflam-se”. O fariseu padecia desta peste; por isso não desceu justificado, porque, atribuindo singularmente a si os méritos dos bens, colocou-se acima do publicano. Eis o leão morto e o cão vivo, dos quais fala Salomão nos Provérbios: “Melhor é o cão vivo que o leão morto” (Ecl 9,4), isto é, o humilde publicano é melhor que o soberbo fariseu.
E nota que o osso do pescoço do leão é contínuo, e nele não há articulação em anéis; e em seus ossos não se encontra medula. Os ossos do leão são especialmente duros, mais que os ossos dos outros animais, e por isso, quando um se choca contra o outro, salta fogo. Do mesmo modo, no pescoço do soberbo não há articulação em anéis, isto é, flexibilidade. Por isso diz Jó: “Estendeu a mão contra Deus e se fortaleceu contra o Todo-Poderoso. Correu contra Deus com o pescoço erguido e armado com a cerviz gorda” (Jó 15,25-26). “Dobra teus ramos, árvore alta; relaxa as fibras tensas, e abrande aquela rigidez que te deu a natureza” (Hino do Tempo da Paixão). Soberbo fariseu, “o que eleva o teu coração”, como se diz em Jó, “e, como quem cogita grandes coisas, manténs atônitos os teus olhos? Por que se ensoberbece contra Deus o teu espírito, a ponto de proferires com tua boca palavras tais?” (Jó 15,12-13). A saber: “Não sou como os demais homens: ladrões”. “Que é o homem para que seja imaculado, e para que apareça justo aquele que nasceu de mulher? Eis que nem os céus são puros diante dele. Quanto mais abominável e inútil é o homem!” (Jó 15,14-16). “Eis que os que o servem não são estáveis”, como se diz no mesmo livro de Jó, “e encontrou perversidade em seus anjos. Quanto mais naqueles que habitam casas de barro e têm fundamento terreno!” (Jó 4,18-19). O soberbo tampouco possui a medula da compunção ou da compaixão; do choque entre suas palavras e suas obras brota o fogo da arrogância, da ira e da vanglória.
Por isso se diz no livro dos Juízes: “Saia fogo do espinheiro e devore os cedros do Líbano” (Jz 9,15). O espinheiro é uma espécie de arbusto muito denso e extremamente incômodo; significa o soberbo, coberto pelos espinhos das riquezas e dos pecados; dele procede o fogo da soberba, que devora todos os cedros do Líbano, isto é, todas as obras que ele realiza, a saber: “Jejuo duas vezes por semana” etc. Aí diz Gregório: De que serve guardar toda a cidade, se se deixa uma abertura pela qual entram os inimigos? Do mesmo modo, quando nos exaltamos pela perfeição da boa vida, mostramos que nem sequer a começamos. E diz o Eclesiástico: “Não te exaltes ao realizar tua obra” (Eclo 10,29). “Todo arrogante é abominação diante de Deus” (Pr 16,5). Bem se diz, portanto, do leão morto: “O fariseu, de pé”, como que com o pescoço inflexível. Fariseu interpreta-se como separado; pois, julgando-se justo, separava-se do publicano, dizendo: “Não sou como os demais homens: ladrões” etc. Que significa “os demais homens”, senão todos, exceto ele? Como se dissesse: Só eu sou justo; os demais são pecadores.
4. Sobre isso, encontra-se uma concordância no Eclesiástico: “Três espécies de pessoas minha alma detesta, e muito me horrorizo com a vida delas: o pobre soberbo, o rico mentiroso e o velho insensato e sem juízo” (Eclo 25,3-4). Soberbo é chamado assim por ir acima (super vadens); mentiroso é aquele que engana a mente alheia; velho é chamado assim por não se conhecer (senex, se nesciens): de fato, delira por causa da idade avançada; ou ainda por sofrer diminuição dos sentidos, pois, com a extrema velhice, já se torna insensato. Com efeito, os médicos afirmam que a idade das crianças e a dos velhos têm semelhança: naquelas, o sangue ainda não está inteiramente quente; nestes, já está frio.
Observa que estas três espécies, odiosas a Deus, encontram-se neste fariseu e em todo soberbo. O fariseu foi um pobre soberbo: pobre, pois, pela abertura que deixara aberta, entraram os ladrões e roubaram todos os seus bens; soberbo, porque, elevando-se acima de si, julgou-se melhor do que era. O soberbo é pobre porque carece das riquezas da humildade, e quem dela carece encontra-se na maior miséria.
O fariseu foi também um rico mentiroso: rico quando disse: “Jejuo duas vezes por semana”; mentiroso quando antepôs: “Não sou como os outros homens”. O mesmo fazem os religiosos de nosso tempo, ricos na aparência de santidade, mas mentirosos na soberba de seu espírito: dizem com Elias: “Senti grande zelo pelo Senhor, Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, destruíram os teus altares e mataram à espada os teus profetas; fiquei só, e procuram tirar-me a vida” (3Rs 19,10). Ouçam estes, que estão convencidos de serem os únicos a servir ao Senhor e a dobrar diante dele os joelhos, o que ele próprio diz: “Reservei para mim, em Israel, sete mil homens cujos joelhos não se dobraram diante de Baal” (3Rs 19,18). Irmão, porventura pode vir algo de bom de Nazaré? (cf. Jo 1,46). O nosso Deus não é somente o Deus dos montes, mas também o Deus dos vales (cf. 3Rs 20,28). Ele diz no Cântico: “Eu sou a flor do campo e o lírio dos vales” (Ct 2,1). Deus habita no mais alto dos céus e, contudo, olha para os humildes (cf. Sl 137,6).
O fariseu foi também um velho insensato: velho, porque não se conhecia, perdera o juízo e não compreendia o que dizia. Com efeito, subira ao templo para rezar, e não para louvar a si mesmo: começou pelo louvor de si, quando deveria ter começado pela oração ao Senhor. Assim fazem alguns em sua pregação: como se fosse um prólogo, começam a tecer os próprios louvores. O louvor na própria boca macula (cf. Eclo 15,9). Que te louve a boca alheia, e não a tua (cf. Pr 27,2).
5. À primeira cláusula concorda a primeira parte da epístola: “Faço-vos conhecer o Evangelho que vos preguei, que também recebestes, no qual permaneceis firmes e pelo qual sois salvos, se o conservais na forma como vo-lo preguei; de outro modo, tereis crido em vão” (1Cor 15,1-2). O Evangelho que Cristo e os Apóstolos pregaram é a humildade. “Aprendei de mim”, diz ele, “porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). Os discípulos aprenderam dele esta lição e a ensinaram aos outros. Por isso Paulo, cujo nome se interpreta “humilde”, diz: “Faço-vos conhecer o Evangelho, no qual permaneceis firmes e pelo qual sois salvos”. Onde há humildade, há estabilidade e salvação; como o fariseu não a possuía, caiu e, enquanto se justificava, constituiu-se pecador. Quem conserva a humildade salva-se; quem não a conserva crê em vão e trabalha em vão. E, porque é pela humildade que se chega à glória, lê-se hoje esta epístola, na qual se faz menção da morte e da ressurreição de Cristo, juntamente com o Evangelho no qual se diz: “Todo aquele que se humilha será exaltado” (Lc 14,11; 18,14). Cristo humilhou-se até a morte e foi exaltado na ressurreição.
Roguemos, portanto, caríssimos irmãos, ao próprio Senhor Jesus Cristo que afaste de nós a jactância do fariseu e grave em nossos corações o Evangelho de sua humildade, para que assim mereçamos subir ao templo de sua glória e, na ressurreição geral, colocados à sua direita, alegrar-nos com ele. Conceda-no-lo aquele que morreu e ressuscitou, a quem pertencem a honra e a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
6. “Três espécies de pessoas minha alma odiou: o pobre soberbo, o rico mentiroso e o velho insensato e sem juízo.” Diz o Eclesiástico: “O Altíssimo criou da terra os medicamentos, e o homem sensato não os desprezará” (Eclo 38,4). O Altíssimo, Jesus Cristo, criou da terra, isto é, de sua carne, o remédio da humildade, com o qual curou o gênero humano. Ou então: o remédio é criado da terra quando, por meio das aflições do corpo, são curadas as feridas da alma. Assim, de nossa carne se faz um remédio, como do serpente se faz a teriaga. A carne foi serpente na culpa e dará a teriaga na pena. Este remédio, isto é, a humildade de Cristo e a aflição da carne, o prudente não o desprezará; mas o soberbo, o mentiroso e o insensato o rejeitarão. É deles que se diz: “Três espécies de pessoas minha alma odiou: o pobre soberbo” etc.
7. O pobre soberbo é este corpo miserável; o rico mentiroso é o mundo; o velho insensato é o diabo. Corpo deriva de corromper, ou soa quase como “pus do coração” (corpus, cordis pus), isto é, guarda; ou porque perece corrompido; ou porque é posto diante. É chamado pobre por possuir muito pouco ou por ter pouco poder.
Pobre é o nosso corpo, que entra nu, cego e chorando neste exílio, e dele sai novamente nu, cego e miserável — e oxalá não saia para a perdição eterna —, sujeito às necessidades da fome e do frio, afligido por enfermidades e cheio de sujeiras e imundícies. De onde, então, te vem a soberba, pobre infeliz? De que podes gloriar-te? Se queres vangloriar-te, vangloria-te da cloaca de esterco que levas contigo.
Ó miserável, miserável pobre, que julgas ser? Por que te envaideces? Não és tu aquele que foi gerado, na caverna tenebrosa do ventre de tua mãe, de uma semente fétida? Não foste ali alimentado durante nove meses com sangue menstrual, que, se os cães o comessem, imediatamente se tornariam raivosos? De onde, então, te vem a soberba? Talvez te orgulhes do sangue de teus pais? Certamente, se é disso que se trata, orgulhas-te do esterco do qual foste gerado. Talvez te orgulhes das riquezas? Orgulhas-te do que é alheio, porque não são tuas, mas apenas te foram emprestadas. Não é teu aquilo que não podes levar contigo. O estreitíssimo portal da morte é aquele pelo qual mal poderás passar, pobre e nu, levando contigo, contudo, os pecados, que nada são.
Talvez te glories de tua sabedoria e eloquência? Não a ti, não a ti a glória, mas somente àquele que dá a boca e a sabedoria (cf. Sl 113B,1; Lc 21,15), que fez os mudos falar e os surdos ouvir (cf. Mc 7,37). Ó pobre, ó corpo miserável, estando colocado em tamanha indigência e miséria, ainda te ensoberbeces tanto, tanto te vanglorias! Que farias se tivesses sido rico? Bendito seja Deus, que humilhou o soberbo como um ferido (cf. Sl 88,11), secou o mar, a água do abismo impetuoso, feriu o dragão, derrubou o poderoso e te deu, em vez de suave perfume, podridão; em vez de cinto, uma corda; em vez de cabelos encaracolados, calvície (cf. Is 3,24).
Humilha-te, portanto, pobre miserável, e, gemendo e chorando, dize com Jeremias: “Eu sou o homem que vê a sua pobreza sob a vara da indignação do Senhor; ele me conduziu e me fez andar nas trevas, e não na luz. Envelheceu a minha pele e a minha carne, e triturou os meus ossos. Edificou ao meu redor e cercou-me de fel e de trabalho; colocou-me nas trevas, como os mortos eternos. Edificou contra mim ao redor, para que eu não saísse; tornou pesada a minha cadeia. Encheu-me de amarguras, embriagou-me com absinto. Quebrou um por um os meus dentes, alimentou-me com cinza. Lembra-te, Senhor, da minha pobreza e da minha transgressão, do absinto e do fel” (Lm 3,1-2.4-7.15-16.19).
8. Segue-se: “O rico mentiroso.” Rico é o mundo, acerca de cujas riquezas diz o profeta Naum: “Nínive é como uma piscina de águas; as suas águas fugiram. Parai, parai! e não há quem volte. Saqueai a prata, saqueai o ouro; não há fim para as riquezas, entre todos os vasos desejáveis” (Na 2,8-9). Nínive interpreta-se “sedutora” e significa o mundo, belo de uma beleza falsa. As suas águas, isto é, as riquezas e os prazeres, são como as poças que secam no verão. Com efeito, quando chega o ardor da morte, as riquezas e as delícias secam. Por isso diz o Eclesiástico: “No fim do homem, será revelado o desnudamento de suas obras” (Eclo 11,29). Todos fogem, todos pagam o tributo devido à morte. E Nínive, bela prostituta, zomba deles, dizendo: “Parai, parai, saqueai a prata, saqueai o ouro”. Os amantes do mundo deixam o que não podem levar consigo; e não há nenhum deles que volte, porque o dia do homem é como a sombra (cf. Jó 8,9), e a sua vida é como o vento (cf. Jó 7,7), que passa e não volta. “Não há fim para as riquezas” de Nínive e, por isso, não haverá fim para as suas misérias, “entre todos os vasos desejáveis”. Os vasos, isto é, os corações dos mundanos, são tão profundos na cobiça que, por maior que seja a quantidade de riquezas, ela não pode saciá-los.
Do mesmo modo, acerca da mentira do mundo, o mesmo profeta acrescenta: “Ai da cidade sanguinária, cheia de toda mentira, repleta de rapina, da qual não se afasta o roubo” (Na 3,1). Ai de culpa e de pena ao mundo, que é cidade sanguinária, isto é, de pecadores, na qual não há verdade, mas toda mentira. Por isso diz o Salmo: “Diminuíram-se as verdades entre os filhos dos homens” (Sl 11,2). Esta cidade está cheia de rapina e de dilaceração de despojos. Diz Gregório: A vida presente não se possui senão com lágrimas, e, contudo, é amada com lágrimas. Acerca de sua mentira, diz o Senhor por Jeremias: “Tornou-se para mim como uma mentira de águas infiéis” (Jr 15,48). Águas infiéis são as riquezas, que não guardam fidelidade alguma a quem as possui: prometem muito, mas nada cumprem. Seus amantes, quando abundam em riquezas, confessam ao Senhor: “Louvar-te-á quando lhe fizeres o bem” (Sl 48,19). Diz Gregório a esse respeito: Desprezível é a confissão que a prosperidade produz; mas é de grande mérito aquela que não é vencida pela força da dor. Os carnais, portanto, quando as riquezas lhes sobrevêm, confessam o Senhor; quando lhes são retiradas, também mentem ao Senhor.
9. Segue-se: “Um velho insensato e sem entendimento.” O velho insensato é o diabo, a respeito do qual se lê no Eclesiastes: “É melhor um jovem pobre e sábio que um rei velho e insensato, que não sabe prever o futuro” (Ecl 4,13). Com efeito, ele não conservou a sabedoria que lhe fora dada entre os anjos, porque não quis submeter-se ao seu Criador. Tornam-se seus membros aqueles que recusam submeter-se ao jugo da obediência, em nome daquele que foi obediente até a cruz. Todas as vezes que, obstinado, desprezas obedecer ao teu superior, tornas-te semelhante ao anjo apóstata. Não desprezas um homem, mas a Deus, que colocou homens acima da cabeça de outros homens.
Por isso, diz Jó: “Ele deu um peso aos ventos” (Jó 28,25). O vento é assim chamado porque é veemente e violento. A natureza humana, inclinada ao mal desde a adolescência, é como um vento leve e impetuoso; por isso, Deus lhe deu um peso, isto é, a obediência aos superiores, para que, oprimida pelo peso desta, não se elevasse inutilmente acima de si, como o diabo, e assim caísse miseravelmente abaixo de si. “É bom”, portanto, “para o homem”, como diz Jeremias nas Lamentações, “carregar o jugo desde a sua adolescência. Sentará solitário e permanecerá em silêncio, porque se elevou acima de si” (Lm 3,27-28). Quando te submetes humildemente a outro, então te elevas maravilhosamente acima de ti mesmo. O jugo é assim chamado porque une dois. Carrega, portanto, filho, com Cristo, Filho de Deus, o jugo da obediência. O novilho jovem, Jesus Cristo, preso ao jugo da obediência, carregou sozinho o fardo de todos os nossos pecados. Por isso, Isaías diz: “O Senhor colocou sobre ele a iniquidade de todos nós” (Is 53,6). Os judeus, como camponeses rústicos que o esporeavam, instigavam-no para que se apressasse mais. Eis como o nosso jovem novilho, sozinho, arrasta um peso insuportável para anjos e homens, e não há ninguém que o considere e o compreenda no coração (cf. Jr 12,11). Ó irmão, corre, eu te suplico, e une-te a este jugo; carrega-o com Jesus, ergue-o com Jesus. “Olhei ao redor”, diz ele pela boca de Isaías, “mas não havia quem me ajudasse; procurei, mas não havia quem prestasse auxílio” (Is 63,5). Ajuda, portanto, irmão, ajuda Jesus, porque, se fores participante de seus sofrimentos, também o serás de suas consolações (cf. 2Cor 1,7).
Nós te suplicamos, portanto, Senhor Jesus, que nos tornes pobres humildes, ricos sinceros e velhos sábios, para que mereçamos chegar às delícias e às riquezas eternas. Concede-no-lo tu, que és bendito pelos séculos dos séculos. Amém.
10. Segue-se o segundo. “O publicano, mantendo-se à distância, não queria sequer levantar os olhos para o céu; mas batia no próprio peito, dizendo: Ó Deus, sê propício para comigo, pecador. Em verdade vos digo: este voltou para casa justificado, e não aquele; porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 18,13-14). Nesta passagem devem ser observados seis pontos: a lembrança da própria iniquidade, a humilhação da mente e do coração, a contrição, a confissão, a satisfação e a justificação do próprio publicano.
A lembrança da iniquidade, quando se diz: “O publicano, mantendo-se à distância”. Consciente da própria iniquidade, manteve-se longe; julgou-se indigno até mesmo de entrar no templo. O fariseu acreditava estar perto, mas estava longe. O publicano julgava estar longe, mas estava perto (cf. Ef 2,13). O ramo foi quebrado e a oliveira brava foi enxertada (cf. Rm 11,17). “O que Israel procurava não o alcançou; os eleitos, porém, o alcançaram” (Rm 11,7). Fica, ó pecador, à distância; considera-te indigno, dizendo com Abraão: “Falarei ao meu Senhor, embora eu seja pó e cinza” (Gn 18,27).
Humildade da mente e do corpo, quando se diz: “Não queria sequer levantar os olhos para o céu”. O sinal da humildade costuma manifestar-se nos olhos. “Não me concedas”, diz o Eclesiástico, “a insolência dos olhos” (Eclo 23,5). O olho impudico, diz Agostinho, é mensageiro do coração impudico.
Do mesmo modo, no ato de bater no peito, observam-se três coisas: na percussão, a contrição; no som, a confissão; na mão, a satisfação pelas obras. “Ó Deus”, diz ele, “sê propício”, isto é, apaziguado, “para comigo, pecador”. O publicano, em sua humildade, não ousa aproximar-se, para que Deus se aproxime dele; não olha, para ser olhado; bate no peito, inflige a si mesmo uma pena, para que Deus o poupe; confessa, para que Deus perdoe. Deus perdoa aquilo que ele reconhece. Vê e considera atentamente quanta coerência havia consigo mesmo neste penitente: em sua mente resplandecia a humildade, à qual correspondia a humildade dos olhos; o coração sofria pelos pecados cometidos, a mão batia no peito, a língua proclamava: “Ó Deus, sê propício para comigo, pecador”.
11. Sobre esta concórdia, tens também a concordância no Eclesiástico: “De três coisas, diz ele, meu espírito se compraz, as quais são agradáveis diante de Deus e dos homens: a concórdia entre irmãos, o amor ao próximo e o homem e a mulher que vivem em acordo” (Eclo 25,1-2). Vejamos o que significam os irmãos, os próximos, o homem e a mulher. Irmãos são os cinco sentidos do corpo, dos quais se diz no Gênesis: “Judas, teus irmãos te louvarão” (Gn 48,9). Eles são Rúben, Simeão, Levi, Issacar e Zabulon. Judas é o penitente, a quem os cinco sentidos do corpo, se houver concórdia entre eles, louvam, isto é, tornam digno de louvor. Rúben interpreta-se “visão”: eis a vista; Simeão, “audição”: eis o ouvido; Levi, “assumido”: eis o olfato, pois pelo olfato aspiramos o ar, por meio do qual vivemos; Issacar, “que se lembra do Senhor”: eis a língua, pela qual o penitente deve lembrar-se, mediante a confissão do pecado e o louvor do Senhor; Zabulon, “habitação da fortaleza”: eis o tato. A concórdia desses irmãos é agradável a Deus e aos homens. Concórdia vem de união do coração; concordar é tornar-se um só coração.
Segue-se: “E o amor ao próximo.” Próximos são os afetos da mente, dos quais nada nos é mais próximo. Se entre eles houver o amor de Deus, de modo que o desejem e o amem, então isso será agradável a Deus. “E o homem e a mulher que vivem em acordo.” O homem é a razão, e a mulher é a sensualidade; se concordarem no temor e no amor de Deus, tudo quanto pedirem lhes será concedido. Daí o que se diz: “Se dois de vós concordarem, ser-lhes-á concedido” (Mt 18,19) etc.
Porque no publicano penitente havia tal concórdia, amor e acordo, por isso o Senhor disse dele: “Em verdade vos digo: este desceu justificado para sua casa, em comparação com aquele”, isto é, com o fariseu. Aqui diz o bem-aventurado Bernardo: O publicano, que se humilhou e cuidou de apresentar-se como um vaso vazio, recebeu uma graça maior. Eis quão grande é a graça do Redentor: o publicano subira maculado e desceu justificado; subira pecador e desceu santo.
Por isso, no introito da missa de hoje, confiante na misericórdia de Deus, ele clama, dizendo: “Ó Deus, vinde em meu auxílio”; isto é o mesmo que dizer: “Tende piedade de mim, pecador”, isto é, perdoai os meus pecados; “Senhor, apressai-vos em ajudar-me” (Sl 69,2), para que infundais a graça e, assim, eu desça justificado.
12. À segunda cláusula corresponde a segunda parte da epístola: “Eu sou o menor dos apóstolos, não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou, e a sua graça para comigo não foi vã” (1Cor 15,9-10). É chamado menor, do nome mônada, porque depois desse número não há outro. Eis como Paulo, “o menor”, corresponde ao publicano, “o humílimo”. Aquele, julgando-se indigno, permanecia a distância; este se considerava o menor dos apóstolos. Aquele não queria levantar os olhos ao céu, porque havia pecado contra o céu e diante de Deus; este dizia: “não sou digno de ser chamado apóstolo”. Aquele acusava-se de pecador; este, de ter perseguido a Igreja de Deus. Aquele encontrou a graça; e este também encontrou a graça. Por isso diz: “Pela graça de Deus, sou o que sou”.
Roguemos, portanto, irmãos caríssimos, ao Senhor Jesus Cristo para que ele, que perdoou os pecados do publicano e de Saulo e lhes concedeu a graça, também nos perdoe e nos conceda a graça, a fim de que mereçamos chegar à sua glória. Conceda-no-lo ele mesmo, que é bendito e glorioso, vida e salvação, justo e piedoso, pelos séculos eternos. Diga toda alma humilde: Amém. Aleluia.
13. “Todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.”
Diz o Eclesiástico: “A memória de Josias é como uma composição de perfumes, obra do perfumista; em toda boca sua memória será adoçada como mel, como música num banquete de vinho” (Eclo 49,1-2). Josias interpreta-se “em quem está o sacrifício” e significa o penitente, ou o homem justo, no qual há um sacrifício oferecido a Deus: o espírito contrito (cf. Sl 50,19), cuja vida é comparada à obra do perfumista, à doçura do mel e a um instrumento musical. O verdadeiro penitente, como um perfumista, no pequeno almofariz de seu coração, golpeando-o de cima com o pilão da contrição, tritura todas as espécies de pensamentos, palavras e obras, reduzindo-as a um pó finíssimo, e prepara-as com o bálsamo das lágrimas. Esta é a composição de perfume suavíssimo; e a obra do perfumista é comparada à doçura do mel.
Observa que as abelhas recolhem a cera das flores e a juntam com as patas dianteiras; depois a transferem para as patas do meio e, em seguida, para as coxas das patas traseiras; depois voam com ela, e então se manifesta o seu peso. E, quando voa, a abelha não se fixa em flores diversas, nem deixa uma flor para ir a outra, mas recolhe de uma só aquilo de que necessita, retorna à colmeia, trabalha e vive daquilo que produz. O penitente, por assim dizer, tem seis patas: as dianteiras são o amor de Deus e do próximo; as do meio, a oração e a abstinência; as traseiras, a paciência e a perseverança. As flores são os exemplos dos santos Padres, dos quais deve recolher a cera, isto é, a pureza da mente e da carne; ele a recolhe com essas seis patas e com ela retorna à colmeia da própria consciência, começa a trabalhar interiormente e, daquilo que produz, restaura-se. “Trabalhai”, diz o Senhor, “não pelo alimento que perece, mas pelo que permanece para a vida eterna” (Jo 6,27). A obra do homem justo é a doçura do mel, isto é, a pureza da consciência, a honestidade da vida, o perfume da boa reputação e a alegria da contemplação divina.
Ó curioso, que te afadigas e espalhas tua atividade em muitas direções, vai — não digo à formiga, mas à abelha — e aprende a sabedoria. A abelha não se fixa em flores diversas etc. Do mesmo modo, não te fixes nas diversas flores das palavras, nas diversas obras de livros; nem deixes uma flor para ir a outra, como fazem os exigentes, que sempre folheiam livros, examinam sermões, pesam as palavras e nunca chegam ao conhecimento; mas recolhe de um só aquilo de que necessitas e guarda-o na colmeia de tua memória. Diz o Filósofo: “Não viceja a planta que é frequentemente transplantada.” Nada é tão útil que não possa ser proveitoso até mesmo num contato passageiro (Sêneca, “Epístolas”).
Do mesmo modo, a vida do homem justo é comparada a um instrumento musical. O instrumento musical é a palavra da pregação do Senhor, ou a melodia da boa reputação, concorde com a santidade da vida. De tal vida procede uma memória perfumada, que adoça as mentes dos ouvintes e ressoa suavemente em seus ouvidos.
14. Portanto, acerca da humildade deste Josias, isto é, do homem penitente que se humilhou como o publicano, diz o Senhor: “Todo aquele que se humilha será exaltado.” Humilde é dito como que inclinado para a terra. A porta do céu é baixa, e é necessário que se incline aquele que quer entrar por ela. Isto nos ensinou o Senhor quando, “inclinada a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19,30). E ele mesmo diz: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” (Mc 10,25). Literalmente, porém, o buraco da agulha era uma certa porta em Jerusalém. O camelo, por sua natureza, sabe inclinar-se quando passa por um lugar baixo e caminha sobre os joelhos; por isso a natureza lhe deu nos joelhos certas saliências, semelhantes a solas, para que não se ferisse ao caminhar sobre os joelhos. Portanto, “é mais fácil um camelo passar pelo buraco” etc., porque o camelo pode naturalmente inclinar-se, coisa que o rico não pode fazer senão pela graça.
E para nos representar essa inclinação, uma certa porta em Jerusalém era chamada porta do Vale, da qual diz Neemias: “Saí de noite pela porta do Vale, em direção à fonte do Dragão e à porta do Esterco; e contemplava o muro de Jerusalém, destruído, e suas portas, consumidas pelo fogo. E passei à porta da Fonte e ao aqueduto do Rei; e não havia lugar por onde pudesse passar o jumento que eu montava. E, voltando, cheguei à porta do Vale e retornei” (Ne 2,13-15). A porta do Vale é a nossa entrada no mundo, para a qual saímos a fim de contemplá-la. A fonte do Dragão é a fonte das lágrimas. A porta do Esterco é a penitência, pela qual são removidos os estercos dos pecados; então se contempla a destruição do muro espiritual, causada pelo pecado. As portas consumidas pelo fogo são os sentidos, corrompidos pelo pecado. A porta da Fonte é a contemplação, à qual se passa depois de concluída a penitência. O aqueduto é a alma do contemplativo, pela qual correm as águas das compreensões espirituais. O jumento para o qual não havia lugar é o corpo, cujo peso precipita os homens do alto da contemplação, porque “o corpo corruptível torna pesada a alma” (Sb 9,15). E por isso é preciso retornar à porta do Vale, porque é necessário perseverar na humildade. A seu respeito diz o Eclesiástico: “Humilha profundamente o teu espírito, porque o castigo da carne do ímpio é fogo e vermes” (Eclo 7,19), isto é, da carne do ímpio carnal.
Por isso diz o Senhor em Ezequiel: “Soprarei contra ti na ira do meu furor; e te entregarei nas mãos de homens insensatos, que fabricam a destruição. E serás alimento do fogo” (Ez 21,31-32). E em Judite: “Dará fogo e vermes às suas carnes, para que sejam queimadas e sofram eternamente” (Jt 16,21). Humilha, portanto, o teu espírito, porque “a oração daquele que se humilha”, como diz o Eclesiástico, “penetrará as nuvens; e, enquanto não se aproximar, não terá consolação” (Eclo 35,21), isto é, no coração. Orígenes: Vale mais um único santo orando do que inúmeros pecadores combatendo. Com efeito, a oração do santo penetra os céus; como, então, não há de vencer o inimigo aqui na terra? Agostinho: Grande é a força da oração pura, que, como uma certa pessoa, entra junto de Deus e executa as ordens, ao que a carne não pode chegar. Gregório: Orar verdadeiramente é fazer ressoar amargos gemidos de compunção, e não proferir palavras. Humilha, portanto, o teu espírito, porque todo aquele que se humilha será exaltado. Por isso diz o Eclesiástico: “Ele o levantou de sua humilhação e exaltou a sua cabeça” acima da tribulação; “e muitos se admiraram dele” (Eclo 11,13).
Rogamos-te, portanto, Senhor Jesus, que imprimas em nós o selo da tua humildade e, no tempo da última necessidade, nos exaltes à tua direita.
Concede-no-lo tu, que és bendito pelos séculos dos séculos. Amém.