Livro II · Alfaias · n.º 87 · col. 1581-82

Vasos dos Santos Óleos em uma Igreja Paroquial Vessels of the Holy Oils in a Parish Church

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 9 parágrafos · 3 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

Se, por falta de recursos, os vasos destinados a conservar os santos óleos numa igreja paroquial não puderem ser feitos de prata, sejam feitos de estanho puro e nobre. Devem ser polidos e perfeitamente limpos.

Haverá três vasos, de forma redonda e em tudo semelhantes entre si. Serão dispostos bem próximos uns dos outros, formando um triângulo.

Uma única tampa, inteiriça, cobrirá conjuntamente os três vasos. Será feita de tal modo que proteja os vasos por todos os lados. Quando forem abertos, um dos lados da tampa permanecerá preso, deixando descoberto o conjunto inteiro dos vasos nela contidos.

Esta tampa, embora formada de uma só peça, será dividida em três compartimentos redondos, com três depressões na parte interna; será, contudo, ligeiramente convexa por fora. (O floco de algodão que cobre o santo óleo quando este é usado nos sacramentos deve ser colocado nessas depressões.) Em cada compartimento, serão claramente inscritas, por dentro e por fora, as letras que identificam o vaso de cada óleo.

Num vaso será conservado o óleo do crisma. No segundo, o óleo dos catecúmenos. Na tampa do vaso do santo crisma serão inscritas as letras CHR. Na que cobre o vaso do óleo dos catecúmenos serão inscritas as letras CATH. No terceiro vaso será inserido outro vaso muito pequeno, de prata, de estanho ou de salgueiro, coberto por uma tampa. Nesse vaso será conservado o sal, para que, quando for necessário reabastecê-lo, esse pequeno vaso possa ser retirado com segurança, evitando-se o perigo de derramar o santo óleo ou de misturá-lo com o sal.

Além disso, faça-se uma caixa com tampa (uma cotyla, chamada scatulum), de nogueira ou de outro material sólido e bem torneado, completamente revestida de couro. A tampa, também revestida de couro, será ornamentada com relevos dourados.

Tanto a caixa quanto a tampa serão forradas de seda branca.

A própria caixa deve ser feita um pouco mais baixa que a altura dos recipientes, para que seja fácil abri-la sem virá-la.

Faça-se uma pequena bolsa de seda branca, para ser usada [quando deve ser levada] a lugares montanhosos, onde o Bispo tenha dado permissão para administrar o batismo em outra igreja que não a igreja paroquial, por esta estar demasiado distante.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

Parecem ser aquilo que atualmente se conhece como caixas dos santos óleos. Não há, nesta descrição, menção alguma a uma inscrição no terceiro recipiente que indique o óleo da Ext. Unc., como aparece no capítulo seguinte. Além disso, Borromeu afirma claramente, em Docta 88, que o recipiente destinado ao óleo da Extrema-Unção deve ser conservado separado dos recipientes dos outros santos óleos(1)

O terceiro recipiente, portanto, é simplesmente um suporte para o recipiente menor do sal. Veja-se também a ilustração em Thesaurus e em Supp. Eccl., p. 154, embora esta última obra diga que os três óleos podem ser colocados juntos e soldados a uma bandeja, ou mantidos em caixas especiais.

  1. See visitation inventory Cesano, Church of S. Giovanni: inventory of 1573

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.