Livro II · Alfaias · n.º 84 · col. 1580

A Sobrepeliz The Surplice

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 5 parágrafos · 6 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

A sobrepeliz deve ser feita de linho puro ou cânhamo, não cru, mas branco, não demasiado grosseiro, e sim bastante fino.

Deve ter mangas longas e franzidas, que cheguem até às pontas dos dedos. Elas podem ter cerca de dois côvados de comprimento. Contudo, devem ter cerca de quatro côvados de circunferência. A abertura do pescoço deve ser redonda, e não quadrada, e suficientemente larga para a cabeça.

Ela [a sobrepeliz]+não deve, de modo algum, ser cortada ou aberta na frente. Deve estender-se abaixo dos joelhos e quase até o meio das panturrilhas.

Na borda inferior, deve ter cerca de treze côvados de largura, ou cerca de oito côvados na altura dos ombros, para que pareça ricamente franzida e ampla, em conformidade com a largura dos ombros e o tamanho do corpo.

Em nenhuma parte deve apresentar decoração elegante ou artificiosa e, sobretudo, nenhuma decoração mundana nos ombros.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

Esta túnica ampla, de mangas largas, é um paramento litúrgico usado por todos os clérigos e, ao contrário da alva, nunca é cingida. Até o século XIII, chegava aos pés. O nome deriva de superpelliceum, pois era usada sobre roupas de pele, como observa Durando no século XIII, e provavelmente apareceu primeiro na França ou na Inglaterra. Parece ter sido usada no século XII e é mencionada em uma bula de Clemente IV (1265- 68)1 e nos Pontificais dos séculos XIV e XV. Também é chamada cotta2.

Na Idade Média, ao contrário da alva, não era ornamentada e chegava aos pés. Foi gradualmente encurtada, e a renda começou a ser aplicada abundantemente no século XVI, com o desenvolvimento da indústria da renda.

O roquete assemelha-se à sobrepeliz, mas é mais estreito e guarnecido de renda, e só pode ser usado por eclesiásticos quando seu uso tiver sido concedido por um indulto papal. Não é, propriamente, um paramento sagrado. Decreto de Urbano VII anteposto ao Missal Romano3

  1. Braun, Die liturgische Gewandung im Occident und Orient, p. 137, 1907

  2. Braun, op. cit.,p. 142

  3. Cath. Enc. Vol. XIV, Surplice

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.