Livro II · Alfaias · n.º 79

Os Linhos a Serem Usados para a Sagrada Eucaristia Linens to be used for the Sacred Eucharist

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 2 parágrafos · 12 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

As toalhas que cobrem as longas mesas [grades] preparadas para administrar a Sagrada Eucaristia na igreja devem ter não menos de dois côvados de largura e ser tão compridas quanto as mesas.

As toalhas menores usadas quando a Sagrada Eucaristia é administrada na igreja ou aos enfermos devem ser feitas de material puro e fino. Terão três côvados de comprimento e cerca de dois de largura. Não terão franjas nas extremidades, exceto ocasionalmente, quando certos ornatos forem apropriados.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

A finalidade da toalha de comunhão (também chamada dominical, manutergium, véu de comunhão ou pano de comunhão1) era assegurar que nenhuma partícula da

As hóstias eram “perdidas” quando se dava a Comunhão. Talvez o pano ainda usado pelas mulheres na Gália do século VIII para cobrir as mãos ao receberem a Hóstia(2) e às vezes chamado dominical pudesse ser considerado um antepassado do pano de comunhão, embora Jungmann diga que não era o mesmo que o domenicale. ()”(3). Na Gália, do século VI ao IX, os leigos recebiam a Comunhão junto aos cancelli, grades baixas que separavam o santuário da nave. Enquanto os homens tinham apenas de lavar as mãos previamente, as mulheres eram obrigadas a cobri-las com um pano branco antes de receber o Corpo do Senhor. Mais tarde, esse pano era segurado por dois acólitos (4) quando a Comunhão era administrada, e essa prática ainda subsiste ocasionalmente em algumas partes da Itália, especificamente na Emilia Romagna(5) e em outros países. Gaisruck (ou Ratti, 1792)…. especifica que, se não mais de 10 ou 12 pessoas receberem a Comunhão, poderão fazê-lo nos degraus do altar, com um pano sustentado por baixo… “Mas, se forem mulheres, o pároco cuidará de descer alguns degraus e dar-lhes a Comunhão à entrada da grande capela….com o pano sustentado por baixo.” Um interessante vestígio dessa prática aparece em S. Gerolamo della Carità, em Roma. A balaustrada (1658) que separa a Cappella Spada do restante da igreja consiste em dois anjos de mármore (um deles com uma asa de madeira articulada) que sustentam um pano eucarístico de jaspe, e é atribuída a Antonio Giorgetti. Um dispositivo semelhante encontra-se em S. Biagio, em Finale Ligure (Finalborgo), onde quatro anjos de mármore (atribuídos a Francesco Schiaffino ou Domenico Bocciardo, século XVIII), de cada lado da entrada da capela-mor, sustentam um pano de comunhão de mármore. (fig. 79.2, 79.3) Quando o Papa, paramentado pontificalmente, dá a Comunhão da cátedra aos cardeais diáconos e aos nobres leigos, dois prelados uditori di rota sustentam um longo véu de seda branca com renda dourada, para que nenhum fragmento da Partícula sagrada caia ao chão, como aconteceu com Alexandre VI e Inocêncio X(6). Posteriormente, o pano passou a cobrir a mesa de comunhão ou a grade. Na Inglaterra, há três igrejas, além da Abadia de Westminster, onde o houseling cloth ainda é usado(7). O primeiro uso conhecido da palavra encontra-se nos cânones do rei Edgar (960)(8). O houseling cloth é representado numa fonte batismal (década de 1480) em St. Marys, Woodbridge, Sylly Suffolk, e em outra em Great Glemham, numa cena da Missa. No século XVI, o pano começou a ser colocado sobre uma mesa ou banco instalado entre a nave e o santuário(9). Haveria um longo pano de comunhão e panos mais curtos para serem segurados por cada indivíduo

comungantes, prática que foi então abandonada quando a patena de comunhão entrou em uso. Mais tarde, o pano foi fixado de modo semipermanente à mesa de comunhão e rebatido quando em uso. Ele permaneceu no ritus servandus10 do Missal Romano até a revisão de 1960.

  1. the latter term dating to before the 12th century and derived from ME, fr. OE husel sacrifice, Eucharist; akin to Gothic hunsi sacrifice; housel was the popular name for sacramental Communion in England

  2. synod of Auxerre, 578 or 585, can. 36: Jungmann, vol. II, p. 380, note 61 3 (Jungmann, The Mass of the Roman Rite)

  3. see 14th cent. Psalter of Mary, British Museum, MS Royal 2B viii, fol. 259 v., fig. 79.1

  4. as referred to us by the Dominican friar at San Domenico in Bologna

  5. Moroni, vol. under Velo, vol. XC

  6. in other English churches

  7. (website for St. Peters, Ilton).

  8. Genoa synod, 1574

  9. X.6

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.