Livro II · Alfaias · n.º 80 · col. 1579

A Mesa de Comunhão The Communion Bench

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 1 parágrafos · 14 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

As mesas longas, usadas na igreja para dar a Sagrada Eucaristia aos fiéis, devem ter cerca de dois côvados de altura e dezesseis onças de largura; e devem ser cuidadosamente talhadas (lisas).

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

A história da mesa de comunhão e da grade do altar frequentemente coincide. As fontes muitas vezes confundem as duas1 e é difícil dizer se as referências dizem respeito à mesma grade ou a dois elementos. Também é chamada de “mesa de comunhão”, mas também aqui é vista como uma adaptação da grade do altar2. Há menção a grades no cân. 44 do Concílio de Laodiceia3 com referência à comunhão (limitada aos homens) sendo administrada no altar. O fato de haver uma grade no Norte

A Igreja africana é evidente na advertência de Agostinho de que os culpados não deveriam aproximar-se para a Comunhão, “para que não fossem afastados das grades (de cancellis)”4. Na Gália, do século VI ao IX, os leigos recebiam a Comunhão junto às cancelli, baixas grades que separavam o santuário da nave5. Até o período carolíngio, os leigos recebiam a Sagrada Comunhão no altar (conforme ratificado pelo Sínodo de Tours de 567)6, e as portas permaneciam abertas, embora geralmente se tratasse de um altar lateral, pois raramente era concedido aos leigos receber no altar-mor — de fato, nem mesmo os homens, quanto mais as mulheres, tinham permissão para entrar no santuário, área sagrada delimitada pelo anteparo do altar ou pelas grades. Quando surgiu a prática de distribuir a Comunhão junto à grade do coro, nas igrejas paroquiais ela foi transformada em uma mesa de comunhão adornada com símbolos eucarísticos7.. Segundo O’Connell, a Comunhão não era recebida de joelhos diante de uma mesa de comunhão até os séculos XV-XVI, e não há nada nas rubricas sobre uma mesa desse tipo. “Se houver uma mesa fixa, ela deve ter portinholas... e deve estar firmemente fixada se as pessoas se ajoelharem diante dela para receber a Comunhão8. “Se a Comunhão for dada no altar-mor, geralmente há uma mesa de comunhão entre a

nave e o coro. Ela deve ser suficientemente baixa para que as pessoas possam ajoelhar-se junto a ela.”9. A balaustrada dos anjos em S. Girolamo della Carita' foi evidentemente calculada de modo que a pessoa que recebesse a Comunhão pudesse ajoelhar-se. As medidas fornecidas em Gaisruck10 correspondem a 1 pé e 8 ½ polegadas. Wigley11, contudo, dá a altura da mesa de comunhão como 2 côvados ou 2 pés e 9 polegadas, e 16 onças de largura, ou 11 polegadas.

O fato de Borromeu distinguir claramente entre os dois(12) e julgar oportuno mencionar uma mesa de comunhão específica e o pano no livro II é particularmente interessante.

  1. see altar rail article in Cath. Enc. Vol I, “also called the communion-rail”, vol. IV, Communion Bench.

  2. Enc. Cath. Vol. IV, Communion Bench, space called the chancel or pectoral.. 3 Jungmann, p. 374

  3. Jungmann, The Mass of the Roman Rite

  4. see above also Jungmann, vol. II, note 43 on p 380 6 Jungmann, p. 374, notes 3,4,5

  5. Baier-Stapper, Catholic Liturgics, NY, 1951, p. 82

  6. O'Connell, Church Building and Furnishing. The Church's Way, London, p. 12 ff.

  7. Foretescue/O'Connell, The Ceremonies of the Roman Rite Described, London, 1934, p. 2.

  8. 791. Instruct. de Sacram. Comm. (in volgare) “di banchi in numero sufficiente per li circoli o schiere delle Communioni più numerose, com’è la Pasquale, le quali banche siano alte da terra un braccio et un quarto” (Latin: Scabella oblonga, quod opus fuerint, …. quorum scabellorum altitudo sit unius cubiti et sex insuper unciarum

  9. (Wigley, note 1, Chapter XV, p. 45. In the chapel railings or altar rails just described, the reader must not seek for instructions on Communion rails. These latter are placed by St. Charles among Church furniture, or rather moveables, which are defined in another book; while this one contains only what relates to the Church structure and its fixtures. For administering Holy Communion to the faithful, our Saintly author prescribes Communion benches, such as may be seen universally in use in the nearest Catholic country to us, Belgium; and he gives about two cubits (2 ft. 9 in.) as the height, and sixteen ounces (11 in.) as the breadth of these benches. This breadth is certainly very suitable for the Holy Table.

  10. (see Instructiones, book I, Railings enclosing chapels and altars)

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.