Livro II · Alfaias · n.º 72 · col. 1575-76

O Pequeno Tabernáculo da Santíssima Eucaristia The Small Tabernacle of the Holy Eucharist

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 8 parágrafos · 4 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

O pequeno tabernáculo [ostensório] da Santíssima Eucaristia deverá ser de ouro ou de prata pura, dourado em algumas partes; deverá, ao menos, ser feito de latão [cobre], que deverá ser bem dourado [para parecer] ouro.

Terá forma redonda, com um côvado de altura, mais ou menos, conforme o tamanho do grande tabernáculo, e largura suficiente para conter uma hóstia grande.

Deverá ter pequenas colunas, equidistantes umas das outras, ao redor de toda a circunferência. Essas pequenas colunas, artisticamente trabalhadas, não deverão ser em número ímpar — para não constituírem obstáculo à visão da hóstia sagrada nos lados ímpares —, mas em número par: quatro, seis ou oito. Se forem oito, serão dispostas em pares.

Na parte superior das pequenas colunas deverá haver uma decoração composta de um zoóforo coríntio (conhecido como friso) e de cornijas maciças, sobre as quais poderá repousar a parte superior hemisférica ou piramidal do tabernáculo. A uma parte do topo deverão ser fixados dois fechos ou ganchos para prender a parte superior do tabernáculo ao friso.

Bem no alto será colocada uma pequena cruz quadrada ou a imagem de Cristo Senhor, crucificado ou ressuscitado.

A base que sustenta este tipo de tabernáculo deve ser um tanto mais larga em toda a volta e ter forma hexagonal ou octogonal, para que seja mais estável. No meio, terá um botão elegantemente decorado, mas apenas ligeiramente saliente, para que, ao ser segurado, não seja incômodo nem fira os dedos. Na parte inferior do tabernáculo deve haver um disco circular delgado de prata dourada, de tamanho proporcionado [ao do tabernáculo] e ligeiramente elevado nas bordas, que servirá de fundo e deverá ser removível quando necessário. No centro, na parte superior desta lâmina delgada, deve ser fixada uma pequena luneta dupla de ouro ou, pelo menos, de prata dourada. Sustentada por um suporte curto e delgado, esta [luneta dupla] projetar-se-á um pouco para fora do fundo. As duas partes serão separadas entre si pela espessura da sagrada hóstia, mas serão feitas de tal modo que, embora ambas estejam firmemente fixadas no suporte, possam, se necessário, ser separadas, para que se possam recolher os fragmentos da sagrada hóstia que permanecerem neste pequeno espaço intermediário.

Na parte inferior desta lâmina delgada haverá um pequeno tubo transversal e delgado, pelo qual passará um pino de prata que ligará firmemente essa lâmina ao tabernáculo.

Depois de construído o tabernáculo, deve-se providenciar um vaso de forma circular, de tamanho conveniente, fechado na parte superior e maciço, mas aberto na inferior, de cristal ou de vidro fino e transparente. Este será colocado no interior das pequenas colunas do tabernáculo, para que as sagradas hóstias possam ser vistas.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

Como Borromeu a empregava, a palavra tabernaculo em latim era aplicada tanto à edícula fechada destinada a conter o cibório com as espécies sagradas não consumidas — ver Livro I, capítulo 13 — quanto ao próprio cibório, em latim pyxis. Em referências mais antigas, a palavra tabernaculum é frequentemente usada no sentido de ostensório.

Este objeto litúrgico não é encontrado antes do final da Idade Média, após a afirmação da doutrina da Transubstanciação (IV Concílio de Latrão, 1215) e, particularmente, após a instituição da festa de Corpus Christi como festa oficial da Igreja por Urbano IV, em 1264. (Anteriormente, uma priora em Liège tivera uma visão, e o bispo de Liège instituíra a festa em sua diocese, em 1246.)

Inicialmente, foram usados cibórios ou relicários adaptados mediante o acréscimo da luneta, novamente por analogia entre o corpo de Cristo e a relíquia de um santo. Supp. Eccl. p. 115 O tipo mais antigo de ostensório em que a Hóstia era exposta era semelhante a um cálice, conhecido em inglês como cup-monstrance. Depois da instituição da Devoção das Quarenta Horas, no início do 16º século, desenvolveram-se quatro tipos (Braun, 349 e 363 ss.). Os dois mais importantes eram o ostensório arquitetônico e o ostensório radiante. Em 1705, o Papa Clemente XI recomendou esta última forma, então conhecida como ostensorio romano, em sua Instructio Clementina, 5. Os ostensórios arquitetônicos, ou do tipo torre, que eram conservados em Milão, Diz. Lit. Ambrosiana: Ostensorio, desenvolveram-se nas formas mais elaboradas, particularmente na Espanha e no sul da Itália.

A forma de torre parece refletir uma analogia com o Santo Sepulcro em Jerusalém.

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.