Livro II · Alfaias · n.º 15 · col. 1560

A Estola The Stole

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 3 parágrafos · 17 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

Externamente, a estola (que Dâmaso também chama de orarium e palla linostina) deve ser do mesmo material e da mesma cor que a sobrepeliz; internamente, deve ser forrada com seda leve da mesma cor.

Deve ter cerca de seis côvados de comprimento, de modo que se estenda abaixo dos joelhos; contudo, deve ter seis onças de largura. Deve alargar-se gradualmente nas extremidades e ser adornada com franjas de três onças de comprimento. Nela devem ser colocadas três cruzes, uma no meio e as outras duas nas extremidades. Cada cruz, porém, deve ser pequena e quadrada, com cerca de três onças de comprimento e de altura.

Nada deve ser preso à estola do sacerdote. Contudo, cordões de seda da mesma cor, com borlas, devem ser presos à estola do bispo e à do diácono, no meio de ambos os lados, para que possam ser devidamente amarrados.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

Das várias teorias sobre a origem da estola, a hoje mais comumente aceita é a de que ela era ou um lenço litúrgico (orarium, de os, boca, usado para enxugar a boca ou o rosto) ou uma insígnia litúrgica (introduzida no século IV)(1). A derivação de ora, borda, de um grande paramento, já não é levada em consideração. O termo estola é de origem gaulesa e chegou à Itália vindo do império franco por volta do século X, embora tenha sido substituído pela palavra orarium durante os séculos XI e XII.

A estola é usada somente por diáconos, sacerdotes e bispos((2) e é símbolo do ministério do diácono e do jugo de Cristo para o sacerdote. Deve ser colocada depois da alva, mas antes da casula e da dalmática, embora em Milão ainda seja costume o diácono usar a estola sobre a dalmática. É usada de diversas maneiras. Ao vestir a alva, as duas extremidades da estola do sacerdote((3) são cruzadas à frente. Nas procissões, nos funerais, nos sínodos, em outras palavras, quando se usa a sobrepeliz, na administração dos sacramentos, ao dar a bênção e ao pregar, é usada pendendo livremente. Os diáconos usam-na da esquerda para a direita, como uma faixa(4). O bispo geralmente não a usa cruzada, porque usa a cruz peitoral.

Na Igreja Ortodoxa Síria e Copta, o subdiácono ou leitor usa a estola cruzada nas costas, como se pode ver na Última Comunhão de São Jerônimo, de 1614, por Domenichini, no Vaticano. Essa pintura está de acordo com as determinações do Concílio de Trento ao enfatizar a presença real de Cristo no sacramento, com a Hóstia no centro da pintura, apesar de o acontecimento representado ter ocorrido no século V.

A referência a uma palla linostina aparece em várias fontes. Uma delas está em São Germano, onde ela é um dos três véus. São Isidoro5 define linostema como um material tecido de linho e lã.

Morôni(6) apresenta um relato pormenorizado do simbolismo da estola, assim como Braun(7). Ela é vista como o doce jugo da lei de Cristo, a inocência e a perseverança nas boas obras. Faz alusão às cordas com que Cristo foi amarrado para a sua Paixão e à sua cruz. Durando(8) diz: “Por isso é que a estola é atada em certos nós à direita e à esquerda, com a Zona ou

cíngulo, pois a virtude acompanha a virtude e a auxilia…”. “A estola… é ao mesmo tempo um jugo e uma carga. É um jugo para o sacerdote e uma carga para o diácono…”(9) Para Amalário(10), a estola pendendo livremente demonstra a profunda humildade do sacerdote. O cruzamento da estola sobre o peito(11) recorda a Paixão. Para o diácono, atar a estola do lado direito significa, para alguns, força para resistir às tentações da carne. Esse uso foi estabelecido no Concílio de Braga, para distingui-lo do costume militar da correia da espada.

  1. Raiment for the Lord's Service

  2. Council of Mainz, 813.

  3. As prescribed in 675 in the Fourth Council of Braga, ch. 3, dist. 3.

  4. See mosaics in S. Lorenzo fuori le Mura where Saints Stephen and Lawrence deacons have the cloth only over their left shoulder.

  5. Orig. 19,22.

  6. Moroni, vol. LXX, Stola

  7. Braun, Die Liturgischen Gewander

  8. Passmore, etc. p. 40

  9. op.cit. p. 42

  10. Amalar of Mainz, book 2, Chapter 20.

  11. S. Bonaventure, De Myst. Missae

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.