Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.
Das várias teorias sobre a origem da estola, a hoje mais comumente aceita é a de que ela era ou um lenço litúrgico (orarium, de os, boca, usado para enxugar a boca ou o rosto) ou uma insígnia litúrgica (introduzida no século IV)(1). A derivação de ora, borda, de um grande paramento, já não é levada em consideração. O termo estola é de origem gaulesa e chegou à Itália vindo do império franco por volta do século X, embora tenha sido substituído pela palavra orarium durante os séculos XI e XII.
A estola é usada somente por diáconos, sacerdotes e bispos((2) e é símbolo do ministério do diácono e do jugo de Cristo para o sacerdote. Deve ser colocada depois da alva, mas antes da casula e da dalmática, embora em Milão ainda seja costume o diácono usar a estola sobre a dalmática. É usada de diversas maneiras. Ao vestir a alva, as duas extremidades da estola do sacerdote((3) são cruzadas à frente. Nas procissões, nos funerais, nos sínodos, em outras palavras, quando se usa a sobrepeliz, na administração dos sacramentos, ao dar a bênção e ao pregar, é usada pendendo livremente. Os diáconos usam-na da esquerda para a direita, como uma faixa(4). O bispo geralmente não a usa cruzada, porque usa a cruz peitoral.
Na Igreja Ortodoxa Síria e Copta, o subdiácono ou leitor usa a estola cruzada nas costas, como se pode ver na Última Comunhão de São Jerônimo, de 1614, por Domenichini, no Vaticano. Essa pintura está de acordo com as determinações do Concílio de Trento ao enfatizar a presença real de Cristo no sacramento, com a Hóstia no centro da pintura, apesar de o acontecimento representado ter ocorrido no século V.
A referência a uma palla linostina aparece em várias fontes. Uma delas está em São Germano, onde ela é um dos três véus. São Isidoro5 define linostema como um material tecido de linho e lã.
Morôni(6) apresenta um relato pormenorizado do simbolismo da estola, assim como Braun(7). Ela é vista como o doce jugo da lei de Cristo, a inocência e a perseverança nas boas obras. Faz alusão às cordas com que Cristo foi amarrado para a sua Paixão e à sua cruz. Durando(8) diz: “Por isso é que a estola é atada em certos nós à direita e à esquerda, com a Zona ou
cíngulo, pois a virtude acompanha a virtude e a auxilia…”. “A estola… é ao mesmo tempo um jugo e uma carga. É um jugo para o sacerdote e uma carga para o diácono…”(9) Para Amalário(10), a estola pendendo livremente demonstra a profunda humildade do sacerdote. O cruzamento da estola sobre o peito(11) recorda a Paixão. Para o diácono, atar a estola do lado direito significa, para alguns, força para resistir às tentações da carne. Esse uso foi estabelecido no Concílio de Braga, para distingui-lo do costume militar da correia da espada.