Livro II · Alfaias · n.º 12 · col. 1559

O Amito The Amice

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 6 parágrafos · 4 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

O amito (que também é chamado superhumerale, porque é posto sobre os ombros) deve ter, como outrora, uma faixa costurada a ele, que possa ser ajustada ao redor do pescoço, sobre a casula, como uma gola.

A faixa será ornada com uma borda adequada, e nela serão acrescentadas três cruzes: uma no meio e uma em cada extremidade.

Esta faixa terá cerca de um côvado e seis onças de comprimento e cerca de sete onças de largura.

O amito deve ser de linho fino e branco. Os mais preciosos, de material mais fino.

Terá cerca de dois côvados de comprimento e um côvado e meio de largura na lateral. Serão presas fitas aos dois cantos superiores. Para manter o amito no lugar, elas serão cruzadas diagonalmente sobre o peito, levadas para trás ao redor da cintura e então amarradas na frente.

Se for usado um amito sem a faixa ornamental, deverá ser bordada ou aplicada de algum outro modo uma cruz de duas onças no centro, a dois dedos da borda superior. As bordas do amito, exceto na parte que toca o pescoço, devem ser moderadamente ornamentadas. Suas outras partes devem ser ornamentadas como as do amito precedente, que tinha a faixa.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

O termo amito vem do latim amicire, envolver, e este tecido também é conhecido como amess, amita, amyss, anabolagium ou anagolagium, humerale, superhumera. Sua finalidade parece ter sido proteger da sujeira no pescoço os paramentos mais preciosos, e provavelmente não provém, como pensava Rabanus Maurus, do éfode judaico. A primeira referência a ele como veste litúrgica parece encontrar-se no primeiro Ordo romano, de meados do século VIII, mas ele pode ser anterior(1). Chamado de “elmo da salvação” na oração de paramentação, originalmente cobria a cabeça e os ombros quando era vestido. Depois, ao chegar ao altar, era dobrado para baixo sobre a casula. No rito ambrosiano, é vestido depois da alva.

Originalmente, parece que não tinha fitas, pois Amalar teria atribuído um significado místico a esse elemento ao mencionar o amictus como o primeiro.

  1. Braun, p. 32, says it was mentioned by Pope Honorius (625-638) as a vestment to be put on, enfolding the neck(2) The use of the apparel as ornament for the amice when turned back over the chasuble dates to the Middle Ages.

  2. De Eccles., Offic., II, xvii, in P.L., CV, 1094.

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.