Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.
Caligas, também conhecidas como udones, campagi, caligae, sotulares, soculares, subtolares, calzari episcopali. Entre os escritores do início do século XII que se referiram às caligae como sendo regularmente incluídas entre os paramentos sagrados usados pelos bispos e cardeais estão Ivo Carnotensis e Sicardo de Cremona, que as menciona como tendo sido feitas de seda.
Estas meias que chegavam até os joelhos eram originalmente brancas e simbolizavam a limpeza ou pureza dos pés. Embora os sumos sacerdotes da Antiga Aliança estivessem descalços, o bispo usava calçado especial quando era apresentada a santa oblação(1). Moroni(2) chamou conjuntamente os sapatos e as meias de sandálias, dizendo que eram usados nas funções pontificais e em outras funções sagradas por aqueles que gozavam desse privilégio. Inocêncio II e Durando descreveram-nas como chegando até o joelho, onde eram atadas, e dotadas de variados significados místicos. “Mas, antes que as Sandálias sejam calçadas, os pés são revestidos de Caligas, que chegam até o joelho e aí são cingidas, pois o pregador deve endireitar os caminhos para os seus pés e fortalecer os joelhos vacilantes; porque aquele que cumprir e ensinar estes mandamentos será chamado grande no reino dos céus. E as caligas, sendo azuis, da cor do firmamento, denotam que os seus pés — isto é, os seus afetos — devem ser celestes e fortes…”. “Os pés unem-se às Sandálias por intermédio das Caligas, que são usadas entre ambos; e isto representa a união da Alma humana com a Divindade, por meio da Carne.”(3)
O uso das caligas é ilustrado em mosaicos antigos, mas, no século VIII, elas estavam reservadas ao Papa. No século IX ou X, as caligas foram concedidas aos bispos e a outros prelados, geralmente na cor púrpura. No entanto, no século XVI, as cores litúrgicas passaram a ser obrigatórias (com exceção do preto). A partir de então, as caligas de seda correspondiam à cor dos paramentos do dia.