Daremos agora algumas breves instruções relativas ao mosteiro de monjas contíguo à igreja.
O local para a construção deste mosteiro será escolhido em conformidade com as diretrizes agateanas e, naturalmente, ficará afastado dos mosteiros de monges e das edificações do clero regular, mas também das edificações canônicas e clericais em geral, das igrejas colegiadas, das torres, das muralhas públicas, dos baluartes, dos postos avançados, das obras de terra, da cidadela e, particularmente, de edifícios muito altos, qualquer dos quais poderia permitir uma vista para dentro do mosteiro. Sempre que possível, o mosteiro não será contíguo a uma edificação secular, mas terá um espaço intermediário.
Ficará afastado de praças, mercados, lojas e estradas por onde haja trânsito de animais de carga, carroças e veículos de vários tipos, bem como de lugares onde multidões se juntem, se reúnam e onde haja grande clamor.
Mais uma vez, deve-se ter o cuidado de não situar o mosteiro em lugar secreto e oculto, afastado do contato humano. Tampouco deverá situar-se fora das muralhas da cidade ou das da vila, nem, em geral, em área que o Concílio de Trento tenha declarado inadequada ao mosteiro de monjas.
As dependências do mosteiro, a serem descritas individual e detalhadamente abaixo, segundo sua função, são as seguintes, começando pelas que se encontram no andar térreo:
- Pequena sala capitular [atriolum]
- Refeitório, chamado “refectorium”
- Adega
- Cozinha
- Sala de aquecimento: hipocausto
- Lavatório
- Oficina
- Pórtico
- Locutórios internos e externos
- Portas
- Rodas (do mosteiro)
- Padaria
- Lavanderia
- Tonsório
- Dependências administrativas
- Dispensário de alimentos
- Farmácia
Dependências no andar superior
- Salão dormitório ou celas do dormitório
- Escola do noviciado
- Rouparia
- Celeiro
Dependências separadas
- Enfermaria
- Escola para meninas
- Horta e jardim
- Prisão e lugar de retiro
- Lugar interior e exterior para a confissão
- Alojamentos externos temporários para trabalhadores de fora
- Alojamento temporário para o sacerdote confessor
O tamanho da sala em que se realizam as reuniões capitulares das monjas deve ser proporcional ao número de monjas e deve ter bancos em todos os lados.
Ela não deve ter forma oblonga ou estreita, mas ser o mais quadrada possível, para que qualquer exortação ou admoestação que a superiora possa fazer seja prontamente ouvida em toda parte. A iluminação da sala capitular deve ser mais tênue que intensa, e a sala deve ser decorada com algum tipo de pintura, sobretudo na parte onde se encontra a cadeira da superiora, destinada a despertar sentimentos piedosos.
O refeitório deve situar-se no local mais conveniente em relação às demais partes do mosteiro. Deverá ser suficientemente grande para que não somente todas as monjas que residam no mosteiro naquele momento possam sentar-se confortavelmente ao longo das paredes, mas também aquelas que provavelmente venham a ser recebidas no mosteiro no futuro, conforme sua dimensão e seus recursos.
Na cabeceira haverá uma decoração de imagens sacras, pintadas de modo apropriado e piedoso. No centro de uma das paredes laterais haverá um púlpito, do qual a leitura espiritual possa ser ouvida claramente em toda parte. Haverá janelas de ambos os lados para proporcionar iluminação. A adega será construída abaixo do refeitório e também terá janelas dispostas em intervalos regulares.
Deve haver outro espaço situado próximo tanto ao refeitório quanto à adega, para que a pessoa responsável pela adega disponha de um lugar onde guardar garrafas, recipientes de barro e outros recipientes para água e vinho. Ou, se possível, um pequeno pátio com um poço poderá servir para a mesma finalidade.
A cozinha deve situar-se o mais próximo possível do refeitório, para que os pratos possam ser entregues por uma janela ou por uma pequena passagem intermediária às monjas que servem no refeitório. A cozinha será espaçosa e terá uma lareira proporcional à sua dimensão, bem como um pequeno fogão onde se possa cozinhar os alimentos.
À cozinha deverão ser anexados os seguintes cômodos: um pequeno aposento para distribuir os alimentos cozidos; um pequeno aposento que sirva de despensa para os alimentos e provisões diários; um lugar para lavar pratos, panelas e utensílios para os alimentos; um pátio com um poço, separado do restante; se já estiverem sendo usados tubos móveis de madeira para trazer água, poderão ser instalados tubos de chumbo, de madeira ou de outro material, a fim de conduzir a água, quando necessário, ao local de lavagem e à cozinha.
Deve haver outro pátio semelhante para as galinhas.
O lugar com o recipiente ou bacia de água onde as monjas se reúnem para lavar as mãos antes que as mesas sejam abençoadas deve ser construído não longe do refeitório e da sala capitular, e seu tamanho será proporcional ao número de monjas.
Aqui, a pia, de mármore, bronze ou outro material, fixada à parede, terá tantas bicas quantas a extensão exigir. Abaixo dela haverá um escoadouro côncavo e inclinado, por onde a água escoará para outro lugar ao sair da pia através de orifícios.
O calefatório, ou sala de aquecimento, chamado “hypocaustum”, é uma sala com uma lareira onde as monjas podem reunir-se ao redor do fogo no inverno para se aquecer. Pode ser construído próximo ao refeitório e ao lavatório, e será suficientemente grande para comportar todas as monjas. Terá uma lareira ampla, que pode ser construída voltada para qualquer direção, ou encostada à parede, ou inserida na parede da sala, para que se possa aquecer onde quer que se esteja.
A oficina, na qual as monjas se reúnem em determinadas horas para os trabalhos manuais, deve ser bem iluminada, sem áreas de meia-luz. A luz necessária para o trabalho, seja ele tecer, bordar ou costurar, virá de todos os lados. Além disso, será espaçosa e construída de modo a ser o mais luminosa possível.
Os pórticos serão simples, isto é, constituídos por uma ordem simples de colunas ou pequenos pilares, e modestos em sua estrutura, mais que magníficos e suntuosos. Esses pórticos serão construídos em forma quadrada.
Como os outros lugares descritos acima, eles podem ter um teto em caixotões ou alguma outra cobertura de madeira. Contudo, por sua durabilidade, bem como por precaução contra incêndios, deverão preferivelmente ser abobadados.
Os locutórios [ou parlatorium], tanto o interno quanto o externo, devem ser construídos em um lugar que não seja remoto nem escondido, mas à vista e próximo à porta da sala de recepção do mosteiro.
As janelas do locutório interno receberão luz do interior do mosteiro; as do locutório externo, da parte voltada para o exterior. Excetuada a janela ou as janelas feitas especificamente para as conversas [janelas do locutório], deverá também cuidar-se para que não haja nenhuma outra abertura entre um locutório e outro.
A janela do locutório terá uma grade dupla de ferro, com um espaço de cerca de doze onças entre elas. A grade terá barras firmemente fixadas, afastadas no máximo três onças entre si.
Haverá também uma chapa de ferro, não muito mais larga que a janela em todos os lados, que será fixada à parede pelo lado interno, isto é, o lado do mosteiro, e calafetada com piche, de modo que toque a grade pelo lado de dentro. Ela conterá numerosos furos do tamanho de um grão-de-bico, distantes cerca de três onças entre si.
Ao centro haverá uma pequena janela quadrada, de dezesseis onças de lado, fechada com ferrolho, fechadura e chave.
Do lado de dentro, a janela será então coberta por um pano preto, estendido sobre um caixilho que possa ser aberto.
Nestes mosteiros em que a regra vigente determina que as monjas de modo algum sejam vistas pela janela do locutório, esta terá uma simples grade de ferro, será coberta com uma chapa de ferro, sem a pequena janela, e não será possível abrir o caixilho do pano.
Sempre que, por causa do número de monjas, forem necessárias duas, três ou mais janelas, estas deverão ser construídas num único lugar ou compartimento, se for conveniente, da maneira prescrita, mas de modo que sejam dispostas em fila ordenada, a quatro ou cinco côvados umas das outras. Também podem ser separadas por divisórias, contanto que estas tenham uma janela ou abertura pela qual cada monja que estiver conversando possa ser vista pelas outras que falam nas demais janelas.
Tampouco se instalará uma roda giratória [roda (do mosteiro)] em qualquer lugar para conversação, exceto num único lugar, numa abertura construída especificamente para esse fim.
Como é lógico, somente duas portas serão construídas no mosteiro. Uma, chamada porta de recepção, será para o uso ordinário; a outra, para animais de carga, carroças e veículos.
A porta de recepção estará situada num lugar que não seja escuro nem escondido, mas claramente visível e conveniente para todas as partes do mosteiro. Não será grande e terá folhas sólidas, com duas camadas de tábuas. Será fechada por duas trancas ou por ferrolhos duplos e fechaduras com chaves diferentes. Haverá um postigo inserido nas folhas da porta. Este também será provido de folhas resistentes, ferrolhos duplos e fechaduras com chaves diferentes, para que não seja necessário abrir a porta grande por motivos de pouca importância.
Nas folhas da porta haverá uma portinhola, redonda ou quadrada, ou de qualquer outra forma, mas que não seja maior que cinco ou seis onças em todos os lados. Ela terá uma chapa de ferro com pequenos orifícios, não maiores que um grão de milheto. Por dentro, será coberta por um pano espesso ou por um painel fino, que possa ser girado quando se olhar para fora.
Esta porta deve ser colocada de tal maneira que, quando aberta, as monjas no interior não possam ver a rua pública, ficando a vista obstruída por um vestíbulo intermediário. Ou a porta será aberta de um lado, e a vista não dará diretamente para o mosteiro, mas para uma parede próxima ao vestíbulo. A soleira será de mármore ou de pedra maciça, ajustada estreitamente à própria porta.
Haverá ombreiras maciças, estreitamente ajustadas às folhas da porta ao longo de suas laterais, de ambos os lados da porta.
As diversas partes tanto da porta quanto da portinhola devem ser compactas e bem unidas, de modo a não deixar sequer a menor fresta.
Deve ser construída junto à porta uma pequena sala, onde as [monjas porteiras] possam exercer seu ofício e estejam prontas para responder àqueles que baterem. Haverá também uma roda nas proximidades, que se abre para a cela das porteiras ou para um lugar não muito distante.
A segunda porta, ou porta para carruagens, deve ser construída em lugar claramente visível e terá tamanho suficiente para permitir a entrada de veículos, carros e carroças. Terá uma soleira de pedra ou mármore, como acima, para que nem sequer o menor objeto possa passar por baixo. Não deverá haver portinhola. Será provida de folhas de porta, barras resistentes e duas chaves de tipos diferentes, como as outras. Além disso, poderá haver dois conjuntos de folhas de porta: um no interior, do lado das monjas, e outro no exterior, voltado para a via pública. Essa porta será construída numa parte do mosteiro conveniente para o acesso ao depósito de lenha e ao depósito de carvão, usados para a cozinha, e à despensa do vinho. A quatro ou cinco côvados dessa porta, no interior do mosteiro, haverá uma grade de tábuas de carvalho ou de algum outro material sólido, com as tábuas separadas por cerca de três onças. Essa grade deve ter a mesma altura que o topo da porta e ser firmemente fechada com barras, fechaduras e chaves.
A roda, que se encontra na igreja, junto à porta ou em outro lugar determinado, será de bronze ou de madeira; neste último caso, será cuidadosamente revestida com lâminas conhecidas como “de tola” [dialeto milanês para estanho]. Terá um côvado e oito onças de altura e um côvado de largura, mas, na abertura, não deverá ter mais de dezesseis onças de largura. Será toda bem unida e sólida, de modo que em nenhum lugar haja uma fissura, por menor que seja, pela qual se pudesse olhar para fora.
No interior, do lado do mosteiro, terá um gancho de ferro ou um pequeno ferrolho firmemente fixado, para fechá-la. Não será possível girá-lo pelo lado de fora, a menos que as monjas no interior o tenham soltado. No interior, será fechada com folhas maciças, barra, fechadura e chave.
A padaria será construída o mais longe possível do dormitório e do guarda-roupa, para evitar o perigo de incêndio.
O depósito de farinha será construído nas proximidades, em lugar mais alto ou mais baixo, ou em algum outro local conveniente. Também será construído um depósito para as peneiras, os crivos e os demais equipamentos necessários ao processamento da farinha, a menos que o depósito possa contê-los facilmente. Haverá ainda uma terceira sala onde o pão será preparado, isto é, onde a massa será misturada e deixada para crescer: ela será bem fechada por todos os lados. A ela serão anexos um poço e um pequeno forno com um caldeirão.
Na parte dianteira do forno haverá uma abertura de um côvado, pela qual as brasas vivas e as cinzas serão lançadas na vala construída sob a abóbada do próprio forno.
Na parte superior do forno haverá um pequeno vaporarium, conhecido na língua vernácula como “la stufetta”, que poderá ser utilizado para diversas finalidades.
Ao construir a padaria, deve-se levar em consideração o local onde são guardadas a lenha seca e os demais materiais para acender o fogo.
A lavanderia deve ficar próxima ao jardim ou às hortas, a fim de estender a roupa molhada lavada em local aberto e ensolarado. Se não houver hortas, será preparada uma estrutura elevada, à qual se terá acesso por meio de degraus, com um “pórtico” suspenso [alpendre, Lat. porticus pensiles] no alto, provido de varas ou hastes verticais e transversais, das quais as vestes, os cobertores, a roupa branca, a roupa de cama etc. possam ser pendurados para secar ao sol.
Essa estrutura terá boa exposição, mas será suficientemente baixa para que seja impossível ver para além dos limites do mosteiro. Se não houver espaço para construir a lavanderia no andar térreo do mosteiro, ela poderá facilmente ser instalada sob ele.
A lavanderia será bastante ampla, com piso de tijolos ou de algum outro material. Haverá um poço, do qual se tirará água por meio de uma roldana, isto é, uma espécie de roda para tirar água, conhecida como “la tromba”. Haverá também bacias de pedra para a água e pequenos fornos com caldeirões [furnulos clibanosve cum ahenis]
Sob esse local será escavada uma vala profunda e espaçosa, para a qual escoará a água derramada.
A carvoeira de onde se retira o combustível para aquecer os caldeirões também deve ficar nas proximidades.
Será conveniente situar junto à lavanderia uma sala onde as monjas possam lavar os cabelos, o couriceum ou tonsorium. Nela haverá uma lareira, um pequeno fogão, um caldeirão sobre o fogão para preparar lixívia e um recipiente para a água suja.
Deve-se escolher para o escritório administrativo um lugar muito conveniente e luminoso do mosteiro. As superioras das monjas reunir-se-ão aqui, numa sala bem construída, para examinar ou conduzir os assuntos do mosteiro.
Uma estrutura de madeira, subdividida em armários e estantes para livros, todos devidamente identificados, será disposta ao longo de todas as paredes da sala, para conservar em boa ordem os livros de contas do mosteiro, os rascunhos, os registros de haveres e dívidas, os arquivos, os documentos e as escrituras públicas referentes aos direitos do mosteiro, bem como cofres para dinheiro e outros objetos semelhantes.
A sala será fechada com duas chaves, igual número de fechaduras, duas trancas e portas duplas extremamente sólidas.
Já falamos da despensa destinada aos alimentos de uso diário. Mas também são necessárias instruções a respeito do depósito de alimentos onde se conservam as provisões anuais de trigo, legumes, azeite e outros gêneros comestíveis, e de onde são retiradas conforme a necessidade.
Este depósito deve ser construído num local isolado; será inteiramente revestido de estuque ou reboco, para que não haja em parte alguma a menor fresta por onde possam entrar ratos ou camundongos.
A sala terá caixas, arcas, cestos e recipientes de toda espécie, cada qual em seu lugar. Será fechada com uma fechadura dupla e duas chaves diferentes.
O mosteiro poderá ter uma botica para seu próprio uso. Embora nem todos os tipos de medicamentos sejam encontrados nela, deverão ser mantados ali aqueles remédios simples, fáceis de preparar e que servem para curar ou aliviar acessos súbitos de doença.
A botica deverá estar situada, tanto quanto possível, longe da igreja, da oficina e, em geral, de todas as partes do mosteiro que não devam ser perturbadas pelo ruído. Os numerosos almofarizes de uma botica, onde se trituram ervas e se preparam medicamentos, juntamente com as conversas frequentes, fazem dela tudo menos um lugar silencioso.
A botica não deverá ser demasiado quente, mas antes fresca.
Em seu interior, ela será dividida por divisórias verticais, encaixadas nas paredes ou a elas fixadas, e separadas umas das outras por um espaço determinado; entre elas serão colocadas prateleiras horizontais, apoiadas em suportes sólidos. Nelas e em determinados compartimentos serão dispostos ordenadamente todos os potes de botica.
Anexa à oficina haverá uma pequena sala onde serão guardados a água destilada e outros recipientes com unguentos ou medicamentos. Se necessário, essa pequena sala complementará o espaço de armazenamento da oficina. Haverá ainda outra sala fresca, na qual serão guardadas as ervas e os recipientes de destilação, bem como um pouco de carvão. Em uma dessas salas será construída uma lareira.
Haverá também uma pequena bacia, da qual a água escoará para uma vala abaixo.
Seria muito útil para a botica que ela pudesse ter um pátio e um poço próprios. Caso contrário, poderá ser construída perto de um poço.
Até aqui tratamos das partes inferiores do mosteiro. Passaremos agora às partes superiores.
No início, enumeramos as partes superiores do mosteiro. Entre elas, deve-se dedicar a mais cuidadosa atenção e reflexão à sala dos cubículos, conhecida como “dormitório”.
Uma das primeiras coisas a considerar na escolha do local é que ele não esteja sujeito a ar insalubre. Deve estar voltado para uma direção em que, conforme o clima, o ar não seja pesado nem espesso, e não haja vento contrário.
O local não deve estar sujeito a nenhuma servidão, como poderia ocorrer se fosse possível ver o interior a partir de alguma parte externa, ou se um muro ou edifício exterior impedisse a entrada da luz pelas janelas do mosteiro. Tampouco deve ser possível olhar para fora de qualquer parte do dormitório.
De acordo com os critérios seguidos na construção da parte inferior e com o número de monjas, haverá três ou quatro dormitórios, um de cada lado do claustro. A largura e o comprimento de cada dormitório dependerão das dimensões do pavimento inferior.
Em cada extremidade do dormitório, a luz entrará por janelas bastante grandes, a seis ou sete côvados do piso. Essas janelas serão firmemente gradeadas e terão vidro transparente, mas de modo que a parte superior possa, algumas vezes, ser aberta para permitir a circulação do ar. Se houver necessidade de uma ou duas janelas pequenas nas laterais compridas do dormitório, elas serão colocadas somente na parte voltada para o claustro.
Cada dormitório será subdividido em pequenas celas, cada uma com cinco ou seis côvados de lado, e separadas umas das outras por esteiras densamente trançadas, ou por panos esticados ou cortinas.
Contudo, se os dormitórios não forem salas comuns, como parecem indicar as instituições antigas, e forem construídos verdadeiros cubículos, separados e distintos, estes deverão ser dispostos sistematicamente de ambos os lados de uma passagem central e, se possível, formar um quadrado. Não serão espaçosos, mas terão cerca de sete côvados de lado, apenas o suficiente para conter um leito. Serão construídos de modo simples e humilde, sem qualquer decoração pintada.
Cada um terá apenas uma pequena janela e uma pequena porta, que não se fechará com fechadura e ferrolho, mas com um tipo de trinco, conhecido [na Itália] como “alzapiede” ou trinco de queda, fixado à porta de modo que possa ser facilmente aberto pelo lado de fora, puxando-se uma corda. Não haverá lareira de espécie alguma.
Se for necessário construir essas celas muito maiores, deve-se tomar toda precaução para que haja espaço suficiente para pelo menos três ou mais leitos, conforme julgarem conveniente as superioras, mas nunca apenas dois.
Deve-se também tomar cuidado para que não sejam construídas janelas das quais se possa olhar para além dos limites do mosteiro.
Se for necessário haver uma janela numa cela ou em algum outro lugar mais elevado, da qual se possa olhar para as hortas ou para os lugares vizinhos, a janela terá, em toda a sua extensão, a mais sólida grade de ferro. Do lado de fora, a uma distância de um côvado e meio, uma transena, barreira de mármore ou de chapa de ferro, com orifícios separados por uma onça, cobrirá inteiramente a janela e será solidamente embutida na parede.
Mas, por nenhuma razão, seja qual for o seu tamanho, se abrirá uma janela com vista para a via pública, seja nas partes inferiores, seja nas partes superiores do mosteiro.
As salas dos dormitórios, sejam aposentos comuns ou divididas em celas individuais, devem ser construídas de modo que só se possa chegar a elas por uma escada, ou, no máximo, por duas. Uma vez fechadas as portas e as entradas do mosteiro, não haverá então outra entrada nem outra possibilidade de entrar ou subir até essas salas.
As latrinas devem ser instaladas num lugar separado do dormitório, mas próximo dele. Devem ter um determinado tipo de assento e cada uma, separada das demais por uma divisória, consistirá num pequeno espaço onde a monja possa entrar sem ser vista pelas outras. Toda a área das latrinas não só deve ser fechada, mas também desprovida de frestas, para que nada possa ser visto e para que não possa exalar maus odores.
O noviciado ou sala de aula onde vivem as noviças deve ser construído num local separado daqueles frequentados pelas monjas professas. O lugar deve ser espaçoso e situado de modo a receber bom ar. Será fechado, com suas latrinas e todas as demais instalações adequadas às suas funções.
A rouparia comum será construída num lugar ensolarado e arejado, com janelas dos dois lados. Aqui serão guardadas somente vestes de lã.
Ao redor dele haverá armários de cinco ou seis côvados de altura, cuidadosamente dispostos e separados, cada qual com compartimentos tão altos quanto o comprimento dos hábitos das monjas.
Do lado de fora da porta dos armários haverá um alpendre longitudinal aberto. Na parte externa, serão fixados à parede suportes de ferro, não muito próximos uns dos outros. Sobre eles serão colocados paus ou varas, para que as roupas possam ser penduradas e batidas nos tempos determinados.
Deverá ser anexado aos armários um aposento para guardar as vestes de linho e todas as roupas brancas, a menos que haja espaço suficiente nos próprios armários para conter os baús e armários da roupa branca, separados do restante.
Contudo, se possível, é melhor que esse aposento seja separado dos armários.
Haverá então um terceiro aposento, também com armários por todos os lados, no qual deverão ser guardados, dispostos e separados ordenadamente, os cobertores, colchões e outros objetos semelhantes, bem como as vestes de pele. Esse aposento, porém, será construído em um local frio, e não ensolarado.
Os celeiros serão construídos perto da porta do [mosteiro]. As escadas que levam a eles deverão estar claramente visíveis, e terão portas fortes, cada uma das quais será fechada com chave dupla, fechadura e ferrolho.
Depois de descrever as partes inferior e superior do mosteiro, ainda devem ser tratados os lugares e aposentos que, de algum modo, devem ser mantidos separados do mosteiro. Em primeiro lugar, trataremos da enfermaria.
A enfermaria, isto é, o lugar onde são cuidadas as monjas enfermas ou convalescentes, não deverá ser construída dentro do mosteiro, mas um pouco mais distante da porta da sala de recepção. O local deve, acima de tudo, ser salubre.
A enfermaria terá pavimentos inferior e superior. Haverá um refeitório com cerca de vinte côvados de comprimento e largura proporcional, uma cozinha, uma despensa, uma lavanderia, um pátio com poço próprio, um depósito de lenha, um pórtico, duas ou três celas no pavimento inferior, de tamanho médio, cada uma contendo três leitos e dispondo de uma lareira, uma para cada cela ou uma compartilhada por duas delas. No pavimento superior haverá quatro ou seis celas de dimensões moderadamente amplas, também com lareira e latrinas separadas, como descrito acima.
Se houver espaço para uma pequena horta da enfermaria, convém que haja uma. A clausura, com apenas uma entrada, será fechada por uma única porta.
Nos mosteiros onde for permitido educar meninas, sob a custódia das monjas, serão construídos aposentos para elas, nos quais possam viver separadas das monjas. Todas as estruturas serão separadas, exceto a igreja. Os aposentos terão as seguintes dependências: um pequeno salão com lareira, uma despensa, um pátio com poço e um pequeno pórtico, um depósito de lenha, dois cubículos no pavimento inferior; na parte superior, um ou mais dormitórios bastante amplos, cada um contendo pelo menos três ou quatro leitos, ou mais, mas nunca menos. Haverá apenas uma porta para o edifício. Onde for possível, será útil haver uma horta.
As hortas das monjas não devem ser extensas, por causa dos muitos riscos de violação da clausura. Como grandes extensões não podem ser facilmente cercadas por muros, deverá proceder-se da seguinte maneira: no lado do mosteiro em que haveria uma abertura e uma vista para o público em geral, um espaço de cem côvados, ou pouco mais, de cada lado, será inteiramente cercado por muros com um côvado e oito onças de espessura e não menos de dezesseis côvados de altura, medidos desde o solo.
Não será conveniente ultrapassar o espaço acima determinado, de cem côvados quadrados, mesmo que as hortas possam ser facilmente cercadas, pois seriam grandes demais para serem cultivadas pelas monjas ou pelas irmãs leigas residentes, e seria necessário, contra as regras da clausura, trazer de fora trabalhadores rurais ou operários para cultivá-las e plantá-las.
Não se devem plantar dentro, junto aos muros, nem fora deles, mudas ou quaisquer outras plantas, videiras ou árvores, a menos que estejam a pelo menos seis côvados de distância. Não se devem plantar árvores grandes neste terreno nos fundos [da horta], mas antes arbustos baixos e esparsos. Não se devem formar pilhas de lenha, nem de palha ou de feno. Não se deve construir nenhum abrigo ou cabana, por menor que seja.
O terreno não será utilizado para cultivar feno nem como prado, mas nele serão cultivadas apenas hortaliças, ervas medicinais e ervas culinárias, e nada que não seja essencial.
Se a água correr pela horta em uma vala ou canal, deve-se tomar cuidado para que esse conduto seja bem coberto com pedra ou cimento numa extensão de cerca de seis côvados a partir do lugar onde a água entra na horta, considerando tanto a parte externa quanto a interna. A abertura pela qual a água entra, no início da cobertura de pedra ou alvenaria, e a outra abertura, no fim da cobertura, por onde a água sai, serão providas de grades de ferro em ambos os lados. O mesmo será feito na outra extremidade da horta, onde a água sai.
O próprio canal pode ser feito sem grades, se for coberto em toda a extensão da propriedade do jardim por onde corre a água. Se for necessário conduzir a água, seja para irrigar os jardins, seja para a lavanderia, será possível desviá-la onde for necessário por meio de pequenos orifícios e, depois, reconduzi-la ao canal.
Os mosteiros devem ter, como outrora tinham, uma prisão forte, na qual se encarcerará qualquer monja, conforme a gravidade da falta, que tenha se afastado da disciplina e se comportado mal.
A prisão ficará longe da via pública e igualmente dos edifícios vizinhos, e deverá estar situada, mais precisamente, no interior do andar superior do mosteiro, afastada dos lugares onde as monjas vão e se reúnem.
Será segura e bem construída de madeira, com uma abóbada sólida, e terá uma pequena janela de um côvado quadrado, com fortes grades, bem alto na parede, pela qual entre um pouco de luz. Terá uma pequena entrada com dois conjuntos de portas. Haverá uma minúscula janela na porta superior, fechada com dupla fechadura e duplos ferrolhos. Terá também grilhões, como sugerem as antigas regras, e algemas de ferro, para acorrentar, se necessário, as monjas encarceradas.
A prisão não terá lareira nem abertura alguma, exceto uma latrina, com canos estreitos.
O lugar de retiro não ficará longe da prisão e será mais livre e confortável do que esta. Ali, separadas das demais, as monjas farão ocasionalmente penitência salutar por pecados menores.
Até aqui descrevemos as partes do mosteiro. Agora trataremos dos lugares adjacentes. Antes de tudo, deve-se dar atenção ao lugar onde as monjas se confessam. Esse lugar, a uma pequena distância da igreja, terá uma segunda sala, contígua a ele pelo lado externo, onde o sacerdote confessor poderá ouvir suas confissões.
A sala interna, onde as monjas se confessam, ficará no andar térreo, de modo que não haja necessidade de uma escada, e terá abaixo um bom piso ou uma abóbada, para impedir o frio ou a umidade. Ficará afastada de qualquer espécie de ruído e será construída em todas as suas partes de modo que as monjas não possam ser ouvidas por ninguém, exceto pelo sacerdote confessor. A sala deverá ter aproximadamente seis ou sete côvados quadrados.
A cela do sacerdote, igual em tamanho e forma, será construída contígua [à sala acima], do lado de fora.
Na parede comum a ambas essas salas ou celas usadas para a confissão haverá uma pequena janela de, no máximo, um côvado de altura e de cerca de dezesseis onças de largura, proporcionalmente à altura. Não deverá haver maneira alguma de abrir essa pequena janela, que será bem equipada com grades de ferro e uma chapa de ferro com pequenos orifícios, tendo sobre ela um pano preto fixado.
Na mesma parede poderá haver uma roda, com metade do tamanho das outras descritas acima, para passar ao sacerdote o que ele necessitar. Essa roda será sólida e bem construída, conforme prescrito para as demais rodas.
Também serão construídos aposentos, situados entre a porta externa, que se abre para a rua pública, e a porta interna, que se abre para os claustros. Serão constituídos por duas salas, uma abaixo e outra acima.
O sacerdote poderá utilizar esses aposentos quando precisar pernoitar, para que esteja pronto a administrar os sacramentos a qualquer monja que possa estar gravemente enferma. Esses aposentos terão uma lareira, uma latrina e tudo o que for necessário, mas nenhuma roda e nenhuma janela pela qual se possa olhar ou conversar, sob pretexto algum. Ele não terá outras salas além dessas duas, para afastar qualquer ocasião de conversa ou contato, nem qualquer outro espaço adicional, por menor que seja.
Desse modo haverá menos ocasiões e facilidades, ou nenhuma, para permanecer ali, a menos que seja absolutamente necessário.
Esses critérios também deverão ser observados na construção dos aposentos abaixo.
Na mesma área intermediária serão construídos aposentos para os trabalhadores agrícolas temporários e as criadas das monjas. Esses aposentos terão dois ou três cubículos, mas nenhuma roda nem abertura de locutório. Não seria má ideia que esses aposentos pudessem ficar um tanto afastados do edifício monástico, de modo que nem mesmo os telhados se tocassem.
O critério a ser seguido na construção dos alojamentos das irmãs leigas não professas, situados além dos limites da clausura, é que eles se abram e se fechem para o interior, isto é, do lado das monjas. Para isso, poderá ser útil seguir as recomendações abaixo.
Nesse mesmo espaço intermediário, fora dos limites da clausura, serão construídos alojamentos para acomodar tantas irmãs leigas quantas o mosteiro provavelmente venha a necessitar. Esses alojamentos terão todos os compartimentos indispensáveis, isto é, um dormitório comum, cozinha, poço, lenheiro e outros espaços úteis e apropriados. Deve-se, porém, cuidar para que, na construção dos alojamentos, não haja janela alguma na parede externa voltada para a via pública, nem abertura ou a menor fresta. Haverá apenas uma porta, construída junto ao muro da clausura do mosteiro, onde quer que este se encontre.
No muro da clausura haverá uma abertura de cerca de seis onças, pela qual passará uma tranca de madeira (barra) da mesma espessura (que o muro). Atravessada e inserida por pequena distância na parede oposta, ela fechará com segurança as portas da entrada.
Na outra extremidade dessa tranca (barra), que fica do lado das monjas, haverá uma chave com fechadura, que poderá ser facilmente aberta e fechada pelas monjas que estiverem dentro.
Se for impossível utilizar a tranca transversal para fechar a porta, será fácil usar uma tranca perpendicular, e não transversal, à porta, do lado oposto à abertura, apoiada sobre a parte superior das folhas e fechando-as firmemente.
Nesses alojamentos, do lado do mosteiro, haverá uma pequena janela, não maior que cinco ou seis onças, provida de uma chapa de ferro com pequenos orifícios, através da qual a superiora poderá chamar as irmãs leigas e verificar se estão dentro quando a porta estiver fechada. E dali as irmãs leigas, quando estiverem se preparando para sair, pedirão sua bênção e permissão.
Sobretudo, na construção do mosteiro, deve-se ter extremo cuidado com a clausura, de modo que todo o local, onde quer que se encontre e qualquer que seja sua extensão, seja cercado por todos os lados com muros adequados e solidamente construídos.
Eles terão pelo menos vinte e quatro côvados de altura, exceto os muros do jardim, para os quais foram dadas acima as medidas. Terão um côvado ou pouco mais de espessura, mas não menos. As paredes externas não terão chaminés embutidas nelas; estas, porém, não são proibidas nas paredes internas, desde que se projetem da superfície. Além disso, não haverá janelas, nem janelinhas, nem rachaduras ou fissuras pelas quais se possa ter a menor visão.
Ao construir as diversas partes do mosteiro que servem a toda a comunidade, como o refeitório, a sala capitular, a enfermaria, o dormitório, o calefatório, o lugar para lavar as mãos, a oficina e outras, mas sobretudo o interior da igreja, é importante não negligenciar, mas ter especial cuidado para que todos esses lugares, nos quais as monjas geralmente se reúnem em bom número, sejam suficientemente espaçosos para acomodar confortavelmente não somente todas as monjas que já se encontram no mosteiro, mas também todas aquelas que provavelmente serão posteriormente recebidas nele, tendo em vista a quantidade e o acréscimo dos recursos e das dotações caritativas.
Mas a maior precaução de todas a ser tomada é que, em nenhum locutório externo, em nenhum aposento do sacerdote confessor ou dos trabalhadores rurais e criados temporários, em nenhuma parte externa do mosteiro, em nenhuma construção erguida externamente, haja um aposento superior ao qual as monjas tenham acesso. Tampouco deverá haver, nas partes internas, qualquer aposento superior ao qual pessoas de fora tenham acesso, por qualquer motivo que seja.
Deve-se também cuidar para que todas as entradas, vestíbulos, passagens estreitas e lugares desse tipo encontrados no mosteiro sejam bem iluminados e visíveis, e não sejam escuros ou estejam na penumbra.
Por fim, haverá uma imagem sacra, piedosamente pintada, em cada parte ou canto, entrada, escadaria e na sala de recepção do mosteiro.