Entre as estruturas anexas à igreja, a sacristia tem particular importância. Serão agora dadas breves instruções a seu respeito.
A sacristia, que entre os antigos era algumas vezes chamada de “camera” ou “secretarium”, e que é o lugar onde se guardavam as alfaias sagradas, deve ser construída em toda igreja, seja ela de que espécie for. Seu tamanho será proporcional ao da catedral, da igreja colegiada e da igreja paroquial, e proporcional ao número de ministros e à quantidade de alfaias sagradas, sendo até mesmo um pouco maior.
É permitido haver duas sacristias nas igrejas mais importantes e mais frequentadas: uma para as alfaias do coro e do capítulo; a outra, para os capelães, os demais ministros da igreja e as alfaias restantes.
Ela ficará suficientemente distante da capela-mor ou do altar principal, para permitir que o sacerdote prestes a celebrar a Missa, juntamente com aqueles que o assistirão, se dirija dali ao altar em procissão, conforme o antigo costume, com um significado místico.(1)
Nas demais igrejas paroquiais e nas menos importantes, por razões de conveniência, pode-se permitir, conforme decidir o Bispo, que a sacristia fique mais próxima da capela-mor ou do altar-mor. Deve-se, contudo, cuidar para que ela não fique demasiado distante da residência do sacerdote.
Toda sacristia, tanto quanto possível, ficará voltada para o leste e para o sul.
Será construída de modo a não obstruir as fontes de luz da capela-mor. Terá duas ou mais janelas, se possível uma em frente à outra, e preferivelmente à direita e à esquerda, para que seja possível ventilar o lugar e ele não fique úmido e mofado. Se houver mofo resultante da umidade, este será eliminado abrindo-se as janelas de tempos em tempos.
As janelas serão fechadas e providas de grades duplas de ferro ou, em particular, de grades simples muito sólidas e estreitamente espaçadas, ou ainda de vidro e tela de arame de ferro, como foi prescrito para as janelas das igrejas.
A sacristia será coberta por uma abóbada ou, ao menos, por um teto de caixotões.
O piso não será feito de tábuas, mas será construído do seguinte modo: terá pequenas abóbadas dispostas por baixo, de modo que, por causa da umidade, o piso, quando possível, fique elevado acima do nível do solo, para que os paramentos não mofem nem se estraguem em razão das condições do terreno ou do lugar.
Para assegurar isso ainda mais, será removida toda a terra acumulada no exterior junto às paredes, bem como as fontes de gotejamento que causam umidade. O terreno externo será coberto com cascalho e consolidado com entulho e cal.
A porta de entrada da sacristia não se abrirá para a capela-mor, a menos que, nas igrejas menos importantes, o Bispo decida em contrário. Ela se abrirá para um lugar ao qual os fiéis também tenham acesso, isto é, para a parte central da igreja.
Terá uma porta de painéis muito maciços, um ferrolho sólido e uma fechadura muito forte, com chave.
Haverá outras folhas mais leves diante das folhas de entrada, seja pelo lado de fora, seja pelo lado de dentro.(2) A parte inferior destas será de painéis de madeira trabalhada, e na parte superior será colocado tecido, para que não se possa entrar na sacristia nem olhar para dentro dela. Este segundo par de portas fechar-se-á por si mesmo, com um ferrolho e um contrapeso, habilmente confeccionados. É permitido abrir, também na parte superior da porta, uma pequena janela com grade, permanentemente fechada pelo lado de fora. Ela será aberta somente pelo lado de dentro, quando necessário, para que se possa responder, a partir da sacristia, a alguém que esteja do lado de fora fazendo um pedido.
Em toda sacristia, no lugar mais visível, haverá uma imagem sagrada e, se a sacristia for suficientemente grande, um altar, ou uma mesa, ou um armário em forma de altar, provido de uma cruz e castiçais e coberto com um pano, onde os sacerdotes que se preparam para celebrar poderão vestir os seus paramentos.
Haverá então, em alguma parte da sacristia, um oratório, saliente para dentro ou para fora, em lugar apropriado e semelhante a um pequeno cubículo, onde o sacerdote que se prepara para celebrar a Missa se recolha e, reunindo os seus pensamentos, medite e reze por algum tempo. Haverá um pequeno altar, sobre o qual haverá uma pintura, ou um crucifixo, ou alguma outra imagem piedosa, diante da qual sejam dirigidas piedosamente as orações. Haverá também um banco baixo, no qual se ajoelhará durante as orações.(3)
Se a sacristia for demasiado pequena e estreita para um oratório desse tipo, ao menos se colocará de um dos lados, no mais conveniente para a oração, um banco baixo ou uma “bradella”. Este espaço será resguardado por uma cortina ou um pano, e aqui o sacerdote poderá ajoelhar-se e rezar. Uma imagem sagrada será pendurada na parede, como acima.
Haverá em todo oratório, de qualquer espécie, uma tabuleta com as orações preparatórias para a celebração da Missa.
Haverá também um lavabo para lavar as mãos. Será de pedra maciça e terá uma ou mais bicas, conforme necessário. Na parte inferior haverá uma bacia côncava de pedra ou de mármore maciço, para receber a água que nela escoa. Terá um orifício pelo qual, através de um conduto, a água será enviada a uma pequena cisterna subterrânea ou a outro lugar, no ponto mais conveniente para conduzi-la para longe das paredes da sacristia.
Onde os recursos forem mais modestos, em lugar do lavabo prescrito de mármore maciço, poderá ser usado um balde, suspenso e provido de uma torneira em forma de galo, soldada, da qual escorra lentamente a água para as abluções. Abaixo dele haverá uma bacia, conforme descrito acima.
O lavabo e a bacia, bem construídos e ornamentados, serão colocados, inteira ou parcialmente, em um pequeno nicho de forma absidal na parede. Se se projetarem para fora, não deverão obstruir o espaço da sacristia.
Uma toalha branca e limpa será pendurada em um rolo junto ao lavabo.(4)
Haverá um grande guarda-roupa de nogueira, no qual serão guardados os paramentos. Ele ficará dois côvados e cinco onças acima do nível do piso da sacristia. Terá gavetas removíveis, bem proporcionadas e compridas, nas quais os paramentos serão colocados segundo sua cor, estendidos, separados uns dos outros e em ordem.
Acima dele haverá pequenos armários; ou, abaixo, de um lado das gavetas, haverá, construídos separadamente, pequenos compartimentos onde serão guardados, em ordem e ao alcance das mãos, os cálices, as patenas, os corporais, os sanguíneos, os véus e outras coisas semelhantes, cuidadosamente limpos. Do outro lado haverá compartimentos nos quais serão colocados aqueles que devem ser lavados.(5)
Tanto o armário dos santos óleos quanto os pequenos armários serão fechados com pequenos painéis bem-feitos, cada qual com fechaduras e chaves separadas.
Haverá tantos armários dos santos óleos quantos forem exigidos pelo número de alfaias sagradas. (6) Se vamos usar “armário dos santos óleos”, devemos ser coerentes.
Na sacristia haverá também suportes, bem-feitos, ligados a cordas e roldanas móveis. Neles os paramentos serão pendurados e estendidos, conforme for necessário.
Haverá, então, outros armários, construídos da mesma maneira que os prescritos acima. Um servirá para guardar os livros eclesiásticos usados na salmodia ou para outras necessidades do coro ou da igreja. Outro servirá para os livros de direito e todos os documentos públicos e privados referentes à igreja, quando esta não dispuser de um arquivo mais adequado e seguro. Um terceiro armário, se for uma igreja paroquial, será usado para guardar determinados registros paroquiais, isto é, os registros de matrimônios, batismos, confirmações e outros do mesmo gênero, bem como, em lugar separado, as cartas pontifícias, os editos episcopais, as cartas pastorais do Bispo que forem promulgadas de tempos em tempos, assim como outros escritos referentes ao governo espiritual da igreja ou das almas confiadas aos cuidados paroquiais.
Estes três armários deverão ser cuidadosamente fechados, cada um com uma chave diferente. Em seu lugar, poderá ser construído um único armário, bem dividido internamente em prateleiras para os diversos tipos de livros e documentos, quando a escassez de códices ou documentos, ou as pequenas dimensões da igreja, não exigirem dois ou três, como acima.
Nas sacristias mais importantes poderá haver um armário para os paramentos mais preciosos.
Ele terá o comprimento permitido pelas dimensões da sacristia, sete côvados de altura e dois côvados de profundidade. A parte inferior do armário, com dois côvados de altura, terá gavetas ou compartimentos removíveis. A parte superior, um tanto mais estreita na parte posterior e gradualmente mais larga na parte frontal, não será dividida em compartimentos; mas, sem divisórias, terá de cada lado, na proporção da profundidade do armário, ripas finas e retas, presas a ganchos móveis, em cada uma das quais, na parte superior, será solidamente fixada uma haste, sustentada por um apoio preso abaixo. Nelas serão pendurados os paramentos sagrados, bem estendidos.(7)
Se a igreja for catedral ou igreja colegiada, terá também armários nos quais se guardarão as sobrepelizes e os demais paramentos habitualmente usados no coro pelos cônegos e pelos outros ministros do coro. Ou, em lugar dos armários, poderá haver arcas apropriadas, dispostas ao redor de toda a sacristia, que também poderão servir de bancos para o capítulo, quando este se reunir nesse local.