Já apresentamos as disposições relativas ao interior da igreja. Apresentaremos agora outras relativas àquilo que está anexo à igreja, em primeiro lugar, o campanário, conhecido como campanile.
Quando se houver de construir um campanário, observar-se-ão os critérios abaixo. O campanário será quadrado ou de outra forma qualquer, conforme parecer conveniente ao arquiteto, de acordo com os critérios seguidos na construção da igreja e com o local. Sua altura será proporcional às dimensões da igreja, segundo o juízo do arquiteto.
Terá vários níveis, tantos quantos parecer conveniente ao arquiteto. O mais baixo será abobadado; os demais superiores serão constituídos por uma armação sólida de vigas, e o pavimento superior também será abobadado.
Cada nível terá janelas, que serão construídas em todos os lados, algo alongadas e elegantes, em conformidade com a estrutura da igreja.
As janelas do nível mais alto, marcadas por pequenas colunas ou pilares, serão maiores em todos os lados do campanário, ou terão outra forma, conforme decidir o arquiteto, de acordo com o tipo de construção.
As escadas também corresponderão aos critérios seguidos na construção da igreja e, quando possível, serão em espiral ou de outra forma, de pedra ou de madeira, para que seja fácil e não perigoso subir ao campanário.
O remate não será triangular, mas circular e piramidal. No alto, conforme exige seu significado místico, a figura de um galo, solidamente fixada, poderá sustentar uma cruz. (1)
A entrada terá folhas de porta sólidas, ferrolho e fechadura, de modo que permanecerá sempre fechada, exceto quando for necessário tocar os sinos.
O campanário será construído na cabeceira do átrio ou pórtico, na parte mais próxima da entrada da igreja. Onde não houver átrio, ficará à direita de quem entra e separado, em todos os lados, das paredes da igreja, de modo que seja possível andar ao seu redor.(2)
Se o campanário pertencer à catedral, terá sete sinos, ou ao menos cinco. Se pertencer a uma igreja colegiada, terá três: o grande, o médio e o pequeno. Se for uma igreja paroquial, terá o mesmo número ou ao menos dois. Cada um terá um som diferente, em harmonia entre si, conforme o exigido pela natureza e pelo significado dos diversos ofícios divinos celebrados.(3)
Também será conveniente colocar um relógio no campanário. Ele será habilmente confeccionado e terá forma adequada à do edifício, de modo que um mecanismo interno assinale cada hora com o som de um sino, enquanto, do lado de fora, isso será indicado por uma estrela que se mova em círculo e esteja colocada em lugar visível.(4)
As disposições acima dadas a respeito da forma do campanário e do relógio aplicar-se-ão às igrejas mais importantes.
Quando, porém, o local e a falta de recursos não permitirem a construção de um campanário tão dispendioso, ele poderá ser situado na esquina da igreja, à direita de quem entra, projetando-se para fora e não muito distante da porta. Terá a forma aconselhada pelo arquiteto. O acesso se fará por uma porta interna, a partir da igreja, e não pelo lado de fora, com folhas e fechadura, conforme descrito acima.(5)
Quando os recursos forem tão escassos que seja absolutamente impossível construir um campanário, até que isso se torne possível, poderá entretanto ser construída uma estrutura de pilares de tijolos unidos por arcos, assentada na parte superior da parede da igreja, na qual os sinos possam ser suspensos.(6)
Será, contudo, necessário escolher um lugar adequado, para que as cordas dos sinos não fiquem pendentes sobre a capela-mor ou alguma outra capela, nem no meio da porta da igreja ou em algum outro lugar semelhante. As próprias cordas deverão, então, passar por um tubo de madeira, inserido na abóbada do arco, para que, ao serem puxadas, a alvenaria não se desgaste gradualmente.
Os sinos não deverão ser colocados, seja no campanário, seja em outro lugar, se antes não tiverem sido consagrados com uma bênção solene e com oração, segundo a instituição da Igreja. Essa consagração será registrada em algum lugar do campanário ou da igreja.
Além disso, os sinos não deverão apresentar esculturas ou inscrições profanas em nenhum ponto, mas, antes, a imagem do Santo padroeiro da igreja ou de alguma outra figura sagrada, e uma inscrição piedosa.