Livro I · Capítulo 21

Pia de Água Benta Holy Water Font

Livro I — A construção da igreja · texto corrido · 5 parágrafos · 3 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

O que foi dito até agora sobre o sacrário é suficiente. Tratar-se-á agora da pia de água benta. Ela deve ser de mármore ou de pedra maciça, não porosa nem fissurada, e será sustentada por um fuste de coluna adequadamente trabalhado.

Ela será colocada não fora, mas dentro da igreja, à vista daqueles que entram, se possível do lado direito.(1) Será colocada uma pia de água benta perto da entrada dos homens e outra perto da das mulheres.

Não será encostada à parede, mas ficará a uma distância conveniente dela, conforme o espaço do local. Será sustentada por uma coluna, como mencionado acima, ou por um pilar ou base que não ostentem imagens profanas.(2)

Terá um aspersório apropriado, preso à borda por uma pequena corrente, de latão, marfim ou mesmo ferro, se bem confeccionado, ou de algum outro material adequado. Em sua parte superior, o aspersório terá cerdas, e não uma esponja.

Poderá terminar em uma esponja, desde que esta esteja encerrada em uma pequena esfera de prata, latão ou estanho, com orifícios por toda a superfície e com cerdas fixadas externamente.(3)

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

  1. As pias externas, em sua maioria, serviam às necessidades biológicas do reino animal, assim como às humanas; por isso, por decoro, as pias foram transferidas para o interior da igreja. Contudo, várias igrejas rurais conservaram suas pias externas; ver Fig. 21.1 e 21.2.

    Em suas orientações ao clero, Borromeu sustentava que, no interior da porta de toda igreja paroquial, deveria haver uma pia de água benta de pedra, acessível ao povo. As pias externas às igrejas deveriam ser removidas. A água benta deveria ser trocada toda semana, e isso deveria ser feito antes da Missa, com o sacerdote vestido de sobrepeliz e estola.

  2. Aqui também as instruções são, ao mesmo tempo, técnicas e funcionais, sem qualquer referência ao simbolismo medieval. O Capítulo 24 tratará expressamente da divisão dos sexos.

  3. O Sl refere-se ao rito de purificação: “Aspergi-me com hissopo e ficarei purificado; lavai-me, e ficarei mais branco que a neve.” As cerdas substituem os ramos de hissopo. Elas ainda estão em uso hoje. Embora não estejam mais presas à pia de água benta, essas aspersórios são usados para abençoar os fiéis durante o Asperges dominical.

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.