Livro I · Capítulo 20

Sacrário Sacrarium

Livro I — A construção da igreja · 2 seções · 9 parágrafos · 3 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

Além do sacrário unido ao batistério, será construído um segundo sacrário para outros usos em toda catedral, igreja prepositural, arquipresbiteral, paroquial ou de qualquer outro tipo em que se celebre missa algumas vezes. Será construído em uma ou outra das formas prescritas abaixo.

Será situado na capela-mor, se isso for conveniente e não apresentar nenhum obstáculo, ou em outro ponto da igreja mais próximo da sacristia, que seja mais adequado à finalidade, contanto que fique fora da vista do povo. Ou poderá ser construído na própria sacristia, se esta for grande, e sobretudo se a igreja for muito frequentada e tiver um clero numeroso.(1)

Primeira forma de sacrário

A primeira forma do sacrário é a de uma bacia de mármore ou de pedra maciça, côncava, como uma fonte batismal. Terá um côvado de comprimento e dezesseis onças de largura, e será redonda ou oval, quadrada ou de alguma outra forma, qualquer que ocupe o menor espaço. No centro da concavidade, no fundo, terá um orifício quadrado, com cerca de cinco onças de lado.

Será sustentada por um suporte quadrado ou de outra forma, conforme a da bacia, com uma pequena base, de modo que meça dois côvados desde o piso da igreja até o alto de sua borda.

Haverá um pequeno escoadouro correspondente ao orifício, que passará pelo centro do suporte. Também será quadrado e terá cinco onças de largura. Nele serão lançados e escoados água, cinzas ou outras coisas. Abaixo desse escoadouro será cavada uma cisterna, onde se recolherá tudo o que tiver sido derramado ou lançado fora.

Este sacrário terá uma tampa de nogueira, inclinada para cima, quase como uma pirâmide. Será hermeticamente fechada com um ferrolho, fechadura e chave.(2)

Segunda forma de sacrário

Esta será a segunda forma do sacrário. Será aberta na parede uma pequena cavidade côncava, com vinte onças ou um côvado de profundidade, conforme a espessura da parede, um côvado de largura ou um pouco mais e um côvado e meio de altura, e ficará a cerca de dois côvados do piso da igreja.

O fundo da cavidade será de pedra maciça escavada, com um orifício, como acima, de forma quadrada, e um conduto com uma pequena cisterna abaixo dele.

O sacrário será fechado por pequenas portas com fechadura e chave.(3)

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

  1. Ver a Fig. 20.1.

  2. As normas atuais são: para a primeira lavagem dos tecidos sagrados, deve ser instalado na sacristia dos sacerdotes um sacrário; isto é, uma pia cujo ralo esteja ligado diretamente ao solo abaixo da sacristia. Nesse sacrário são despejadas a água batismal usada, as cinzas etc., conforme prescrito pelas rubricas. Recomenda-se que esse sacrário seja encerrado em um armário ou gabinete.

  3. Os sacrários vistos nas Figs. 20.2 e 20.3 são indícios isolados que assinalam o local de um altar desaparecido. Originalmente, ambos eram altares laterais, em frente aos locais dos batistérios, atualmente usados para guardar as alfaias da igreja.

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.