Livro I · Capítulo 19

O Batistério The Baptistery

Livro I — A construção da igreja · 26 seções · 66 parágrafos · 13 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

Depois de explicar o que foi exposto acima, é tempo de dar indicações sobre as características e a forma do batistério.

Em cada catedral e também em cada igreja paroquial, conforme prescrito em nossos concílios provinciais(1), e em todas as demais igrejas onde se exerce o cuidado das almas, ou onde o Bispo tiver dado permissão por motivo específico, será construído um batistério com um sacrário(2), na forma e maneira indicadas abaixo, de acordo com as necessidades e o tamanho de cada igreja.(3)

O local e a forma da capela do batistério

Em cada catedral e igreja prepositural, arquipresbiteral(4) ou de outra designação, que seja a igreja principal do distrito, a localização e a forma do batistério serão as seguintes.

Escolher-se-á um local, conforme parecer conveniente ao arquiteto, distante da fachada da igreja, segundo a disposição do terreno, voltado para o sul. Ali será construído um santuário ou capela dedicada a São João Batista. Terá um volume de cerca de trinta e três côvados, com uma estrutura digna, correspondente às características da igreja.

Será redondo, octogonal ou hexagonal, ou de outra forma que, contudo, não ultrapasse os limites de um círculo perfeito. A forma mais adequada e decorosa é a octogonal(5). O teto do edifício será abobadado e, conforme a forma, terá uma parte superior proeminente e será revestido com lâminas de chumbo. Uma cúpula também fará parte do fastígio, por meio da qual o batistério receberá luz de todos os lados.

O pavimento será de mármore ou de pedra sólida, em mosaico ou, onde isso não for possível, ao menos de tijolos. Será elevado três ou mais degraus acima do nível da rua, contanto que não fique mais alto que o pavimento da igreja.

A entrada ficará voltada para o ocidente, será provida de um pequeno vestíbulo e terá a forma prescrita para uma porta de igreja.

O número de janelas dependerá da forma do edifício e do parecer de um arquiteto experiente. Cada uma terá a forma aprovada pelo arquiteto, com base no que a construção exigir.

A altura de todo o edifício, até a parte superior do teto, será proporcional à sua largura, segundo os critérios arquitetônicos gerais e conforme parecer conveniente ao arquiteto.

O altar da capela do batistério

No interior, será construído apenas um altar, a dois côvados da parede voltada para o leste, se houver espaço suficiente na capela. Ele terá a forma e as características indicadas para os demais altares e, como eles, será provido, cercado, guarnecido e decorado. Na parede acima do altar será representada a cena sacra de São João Batista batizando Cristo Senhor.

Se for impossível construir um altar conforme indicado e com esse tamanho, haverá, em seu lugar, na parede, uma imagem ou pintura sacra de São João Batista.(6)

Localização do batistério quando não é possível erigi-lo separado da igreja

Quando a capela de São João Batista não for separada da igreja e não puder ser construída por falta de recursos, então, com o consentimento do Bispo, poderá ser colocado na capela da igreja um batistério da forma indicada abaixo.

Diferenças no batistério segundo os ritos romano e ambrosiano

Descreveremos agora a forma do batistério, segundo o modo como o batismo é administrado hoje.

Por forma do batistério do rito romano entendemos aquela adequada ao batismo por infusão, visto que, em quase todas as igrejas de rito romano, o costume e a prática mais frequentes hoje consistem em batizar desse modo.

A segunda forma, construída para o batismo por imersão, chamamos de batistério ambrosiano, pois nas igrejas de rito ambrosiano a imersão ainda é conservada.(7)

Local e forma do batistério do rito romano

O batistério deve estar no centro da capela. Terá onze côvados de largura e profundidade, de modo que pelo menos três degraus conduzam até ele, descendo desde o piso da capela. Essa descida e essa profundidade relativa farão com que se assemelhe a um sepulcro.(8) Ao pé do degrau mais baixo haverá um espaço vazio de sete côvados e dezesseis onças de diâmetro. No centro desse espaço será colocada a fonte batismal ou bacia, para a qual flui a água. Terá três côvados de largura, excluídas as bordas, medida sobre o eixo central, e dois côvados de profundidade. Será redonda ou octogonal, ou de alguma outra forma, conforme for apropriado à forma da capela. Se possível, será feita de um único bloco de mármore ou de outra pedra. Ou será feita de duas ou mais placas de mármore ou pedra, com oito onças de espessura.

Essas placas serão compactas e não porosas. Ajustar-se-ão umas às outras de modo firme, sólido e perfeitamente unido. No interior, serão perfeitamente lisas. No exterior, serão ornamentadas com escultura piedosa, conforme o bom gosto.

Se não for feita de um monólito, a parte inferior da bacia será coberta e reforçada, revestida com placas de mármore ou granito, cuidadosamente ajustadas umas às outras e unidas com betume. Em todos os lados, descerá suavemente em direção ao centro e terá alguns sulcos, para que a água possa ser conduzida até o orifício no centro, escavado sob a base de uma pequena coluna. Abaixo do fundo da bacia, no subsolo, haverá uma pequena cisterna semelhante a um sacrário, para a qual fluirá a água que escorrer da cabeça da criança que está sendo batizada.

No centro desse fundo ou lugar será fixada ou se elevará uma pequena coluna de mármore, assentada sobre uma base triangular, quadrada ou hexagonal, ou de alguma outra forma que se julgue apropriada, bem e decorosamente trabalhada e ornamentada.

A fonte batismal, na qual a água será conservada durante todo o ano, será colocada de maneira adequada e decorosa na parte superior da pequena coluna. Esse vaso será redondo ou octogonal, ou de alguma outra forma, correspondente à da capela e à da bacia inferior. Terá dois côvados de largura e cerca de doze onças, ou um pouco mais, de profundidade, conforme o tamanho da igreja. Poderá ser cerca de dezesseis onças mais alto que a bacia inferior, calculando-se a altura perpendicularmente desde o alto da borda da bacia inferior até o alto da borda da fonte superior.

A colher de prata

Será usada uma colher de prata para derramar a água sobre a cabeça da criança que está sendo batizada. Ela será presa à fonte superior por um cabo, ligeiramente curvado na parte superior. No lado esquerdo, a borda da colher terá uma saliência elevada, semelhante a um canal, da qual a água será suavemente derramada sobre a cabeça da criança.

Local e forma do batistério do rito ambrosiano

O que foi dito acima diz respeito ao lugar e à forma do batistério romano. Seguem agora o lugar e a forma do batistério do rito ambrosiano.

O batistério estará situado no centro da capela. Será feito de tal modo que se assemelhe a um sepulcro, e degraus conduzirão até ele, conforme prescrito a respeito da forma do batistério romano.

A bacia batismal deve ter a forma que, pelos antigos vestígios de batistérios, sabemos ser extremamente antiga. Ela será utilizada nos batistérios que serão construídos em catedrais, igrejas distritais, prepositurais ou arquipresbiterais.

A bacia será de mármore ou de pedra maciça, não porosa. Se possível, a fonte batismal será feita de um único bloco de mármore, como um sepulcro. Se não for possível utilizar um único bloco, serão usados dois; e, se nem isso for possível, a bacia poderá ser feita de vários blocos quadrados, unidos compacta e firmemente com betume.(9)

Os blocos, de oito onças de espessura, devem ser lisamente polidos por dentro e decorados por fora com escultura piedosa e decorosa. A forma, quanto ao batistério do rito romano, será octogonal ou redonda, ou outra, de acordo com o edifício.

Ela terá dois côvados de altura, do fundo ao topo. Terá três côvados de largura, considerando-se o espaço vazio. Na parte inferior, do lado oriental, haverá um orifício de três onças, pelo qual, quando a água batismal for renovada, a água velha escoará para o sacrário que, como se explicará abaixo, será construído sob ele, à maneira de uma pequena cisterna.

Esse pequeno orifício será fechado hermeticamente com uma rolha de carvalho ou freixo envolta em estopa, ou por algum outro sistema ainda mais seguro. O fundo será sólido e inteiriço se a bacia for constituída de uma única pedra. Se for formada por mais de um bloco, o fundo será cuidadosamente e diligentemente feito de alvenaria de tijolos, e tão firmemente ladrilhado que não haja absolutamente nenhuma fissura pela qual possa escapar sequer a menor quantidade de água. O fundo terá uma inclinação suave em direção ao orifício. No centro da capela ou do lugar indicado, será, portanto, instalada uma bacia do tipo acima descrito, solidamente construída.

Na parte oriental, será escavada no pavimento, ao redor da bacia do batistério, uma pequena cisterna, como sacrário, para a qual escoará a água batismal velha quando for renovada.

Essa cisterna, contígua à fonte batismal, terá uma pequena porta, de um côvado quadrado, com folhas de porta resistentes, fechadura e ferrolho, e será aberta somente quando, depois de se abrir o orifício da bacia, a água for esvaziada nela.

Detalhes comuns aos batistérios romano e ambrosiano

Os seguintes elementos podem ser comuns aos batistérios romano e ambrosiano, no que diz respeito à construção: a cobertura ou o cibório (baldaquino), a dimensão do local, a clausura, a decoração, o teto e o baldaquino, como será descrito individualmente abaixo.

O cibório

A cobertura conhecida como cibório (baldaquino), adequada a ambos os tipos de batistério, será de mármore ou de pedra maciça nas igrejas mais importantes. (Uma estrutura estável, formada por pequenas colunas delgadas ou pilares, com espaço considerável entre as colunas, sustentará o cibório (baldaquino), e terá dois côvados de altura. No batistério do rito romano, essas pequenas colunas ou pilares serão fixados à parte superior do bordo da fonte batismal. No do rito ambrosiano, serão assentados sobre o próprio bordo da fonte batismal. Um arquitrave e um friso, bem como uma cornija, serão colocados no alto das colunas como ornamento adequado, conforme a orientação do arquiteto. Toda a estrutura terá uma cobertura de mármore, de forma esférica ou piramidal. No alto será colocada uma estátua de São João Batista batizando Cristo. Os espaços entre os pequenos pilares serão fechados por painéis de bronze, decorados com alguma história piedosa, que poderão ser removidos quando o batistério estiver em uso.

A tampa

Para manter limpa a água batismal, será usada, tanto no batistério do rito romano como no do rito ambrosiano, uma tampa feita de dois painéis de nogueira, unidos na forma prescrita, e também nos batistérios de forma diferente, que serão descritos abaixo. Os painéis serão unidos no centro por dobradiças de ferro e colocados entre o cibório (baldaquino) e a fonte batismal. Essa tampa cobrirá e fechará completamente a abertura da própria fonte batismal, de acordo com sua forma e proporções.

Onde, segundo o rito ambrosiano, o batismo for administrado por imersão, essa tampa será usada somente nos batistérios maiores, para que não impeça a imersão da criança, ao passo que poderá ser usada em todos os batistérios do rito romano, onde o batismo é administrado por infusão.(11)

O local de um e de outro batistério

O pavimento de ambos os batistérios terá a mesma forma da fonte batismal e da capela. O piso será consolidado com tesselas de mármore e será circundado por uma colunata no degrau mais alto.

A colunata

A forma da colunata deverá corresponder à estrutura do batistério. Ela será composta por oito colunas isoladas ou dezesseis colunas geminadas. Se for hexagonal, haverá seis ou doze colunas, conforme o exigir a forma. Será decorada e fechada no alto por um friso e uma cornija, conforme a orientação do arquiteto. Será coberta por um teto com caixotões, ou abobadado, ou em arco, solidamente construído com caniço estucado, embutido e decorado com trabalhos de estuque moldados e dourados. Serão colocadas grades entre as colunas da colunata, segundo os critérios prescritos acima para as grades da capela.

O baldaquino

A cobertura será usada para cobrir todo o cibório (baldaquino). Será de tecido de seda ou de meia-seda e será branca, cor condizente com o significado místico do sacramento. Contudo, também poderá ser usada uma cobertura de algum outro tecido adequado, da mesma cor.

O armário para o Santo Crisma etc.

O armário dos santos óleos, no qual serão guardados o recipiente do crisma e do óleo dos catecúmenos, o livro ritual dos sacramentos, as toalhas e todas as demais coisas necessárias para a administração do batismo, tanto no batistério do rito romano como no do rito ambrosiano, poderá ser colocado de um lado da capela do batistério, embutido na parede ou encostado a ela, conforme julgar conveniente o arquiteto.

Ele será firmemente fechado com painéis, fechadura e ferrolho, e decorado com mármore trabalhado ou imagens piedosas esculpidas. Em seu interior terá divisórias claramente distintas, segundo o tipo de objetos que ali deverão ser guardados e seu uso, e será revestido com painéis de choupo ou de alguma outra madeira, para impedir a entrada da umidade da parede ou do mármore. Em seguida, será inteiramente forrado de seda branca.

O tipo menor de batistério

Quando a falta de espaço ou de recursos tornar impossível construir uma capela de São João Batista e o batistério tão largos e altos [como descrito acima], ambos serão feitos segundo a forma prescrita, porém menores, de modo que o batistério, sem seu conjunto de colunas, seja cercado por uma grade de ferro disposta ao redor do único degrau que conduz para baixo. Será coberto somente pelo teto da capela, pois a modesta dimensão do edifício torna impossível que tenha um teto próprio.

A cobertura ou o cibório (baldaquino) também poderá ser feito de madeira, inclusive unido ao armário dos santos óleos, segundo a forma prescrita, caso não possa ser feito de mármore.(12)

Outra forma de capela ou local, a ser usada tanto no batistério do rito romano como no do rito ambrosiano

Em toda igreja paroquial ou igreja menor onde tenha sido concedida permissão para construir uma fonte batismal, a capela será construída junto à entrada principal, no interior, do lado do Evangelho. Será semelhante às demais capelas laterais construídas para os altares.

Serão observadas todas as disposições prescritas para as outras capelas com altares, relativas ao pavimento, à entrada, ao comprimento, à largura, à altura, ao espaço interno, à abóbada, às grades, etc.

Nas igrejas onde, por falta de espaço, não se possa construir uma capela das dimensões estabelecidas, será construída uma que ofereça ao menos espaço suficiente para os elementos essenciais do batistério, como descritos acima. Haverá também espaço suficiente para o sacerdote que administra o batismo e para os padrinhos. Se a capela não puder ser construída, conforme prescrito, do lado do Evangelho, será construída, segundo o parecer do Bispo, do outro lado, caso possa ser feita ali segundo a forma prescrita e com maior facilidade, como se explicará abaixo.

Se, então, por falta de espaço, for impossível construir até mesmo uma pequena capela, nem sequer do outro lado, no lado do Evangelho, junto à porta, a parede será consideravelmente curvada, fazendo-a projetar-se para fora em semicírculo. O batistério será convenientemente instalado, total ou parcialmente, nessa concavidade e será cercado, nos outros três lados, por grades de ferro.

Quando, por fim, nem sequer um batistério desse tipo puder ser construído, ele será colocado do mesmo lado, junto à parede, respeitando-se, contudo, o critério de que não seja bloqueado nem ocupado pela porta aberta desse lado. Será equipado, como acima, com grades de ferro, de modo que entre ele e a fonte batismal haja um espaço de um côvado ou pouco mais, conforme as características do local. Deve-se tomar a mesma precaução também em todas as outras formas de batistérios que serão descritas abaixo: a porta situada de um dos lados do portal principal não deve ser obstruída pelo batistério.

Acima de tudo, deve-se cuidar para que, se possível, o batistério não seja colocado junto à parede quando a igreja, ainda que sem naves laterais, for suficientemente ampla. Nesse caso, o local do batistério será no canto junto à porta, do lado do Evangelho, à mesma distância de dois côvados ou mais de cada uma das paredes, conforme o espaço, e cercado por grades de ferro. Será quadrado, octogonal ou de forma semelhante, respeitando-se sempre a precaução mencionada acima. O batistério ficará no centro desse local, qualquer que seja sua forma, de modo que esteja, se possível, a pelo menos um côvado e meio do recinto gradeado.

Se a igreja tiver naves laterais e tramos relativamente estreitos, o batistério será situado dentro dos limites do tramo mais próximo da porta principal, do lado do Evangelho, ou no espaço entre o tramo e a porta principal. Será cercado por grades de ferro. Esse espaço será quadrado, octogonal ou de outra forma, conforme parecer mais conveniente e decoroso, de acordo com as características do lugar.

Tudo quanto foi prescrito acima acerca da forma e da altura das grades das capelas deverá ser observado também quanto às grades do batistério. Se o Bispo julgar que o batistério construído na igreja, em qualquer lugar e sob qualquer forma, não pode, por falta de recursos, ser cercado por grades de ferro ou por um recinto de mármore, será ao menos provido de grades de madeira, como foi prescrito para as capelas.

Colocação do batistério no lado direito

Nos casos em que, conforme parecer ao Bispo, for mais conveniente situar o batistério, de acordo com os critérios prescritos, do lado direito da igreja em vez do lado esquerdo, ele será colocado desse lado, observando-se, contudo, em tudo o mais, os critérios seguintes: a capela do batistério, ou a abside, ou a parede próxima será decorada com uma pintura de São João Batista batizando Cristo Senhor. O batistério será construído nessa capela, ou nesse lugar, ou nesse local. A ele se entrará descendo um ou mais degraus, na forma acima descrita para todo o restante e adequada à igreja romana ou ambrosiana, se houver recursos. Se não houver, aplicar-se-á a forma seguinte, segundo o rito romano.

Segunda forma de batistério do rito romano

A bacia será redonda ou de outra forma apropriada, conforme parecer melhor, de mármore ou de pedra maciça, com dois côvados e meio de diâmetro, oito onças, ou no máximo dez, de profundidade, ligeiramente côncava no fundo, com suas ranhuras. Será colocada sobre uma base ou sobre uma coluna, com não mais de dois côvados de altura, desde o piso até a borda da bacia. Haverá no centro um orifício de aproximadamente a largura de um dedo, que atravessará a coluna ou a base e conduzirá a uma pequena cisterna, colocada abaixo para recolher a água batismal que for derramada.

A outra bacia

Além disso, no centro dessa bacia haverá outra, também de mármore, de forma semelhante, mas menor, isto é, de um côvado e oito onças de diâmetro, incluindo a espessura da bacia. Ela será sustentada por um suporte de mármore ou de pedra, apoiado sobre a bacia inferior. A água batismal será conservada nessa bacia menor.(13)

Segunda forma de batistério do rito ambrosiano

A segunda forma de batistério do rito ambrosiano será a seguinte. Haverá uma bacia da forma e do tamanho prescritos acima para o rito romano, mas ela não terá um orifício no centro. Será profundamente escavada e não terá uma bacia superior.

Se, porém, a bacia não for de pedra maciça, será colocada em seu interior outra bacia de estanho ou de bronze estanhado, para que a água não se infiltre gradualmente, até que se possa obter uma de pedra maciça, nem porosa nem rachada.

O sacrário

O sacrário a ser usado neste batistério do rito ambrosiano poderá ser de um ou de outro tipo, como será descrito abaixo, contanto que o batistério e o sacrário estejam cercados por um único recinto.

Detalhes comuns às duas segundas formas de batistério

O piso do batistério, na forma descrita acima, quer seja do rito romano, quer do rito ambrosiano, será rebaixado a uma profundidade tal que o acesso exija ao menos um degrau, quando não três. A bacia do batistério, sustentada pela pequena coluna, deverá, contudo, sobressair.

O batistério que, inteira ou parcialmente, estiver situado fora da capela ou em um hemiciclo, quer toque a parede, quer esteja afastado dela, terá uma cobertura, ou abobadada, sustentada por duas ou mais colunas, um tanto afastadas da própria parede, ou feita de painéis de madeira trabalhada, decorados com pintura piedosa, ou de tecido pintado. A cobertura de madeira ou de tecido será sustentada por correntes de ferro suspensas do teto ou por alguma outra estrutura sólida.

O cibório e o armário

O cibório (baldaquino) e o armário dos santos óleos, comuns a ambas as formas, serão como segue: o cibório (baldaquino) terá forma piramidal, feito de painéis de nogueira finamente trabalhados e, se possível, também convenientemente pintados e dourados. Esses painéis, compactos e bem unidos, se ajustarão perfeitamente uns aos outros, e suas juntas deverão ser cobertas com tiras muito finas de madeira ou molduras inseridas, para que nenhuma poeira ou qualquer outro tipo de sujeira possa penetrar no batistério.

O cibório (baldaquino) repousará sobre a borda da bacia inferior do batistério do rito romano e, no rito ambrosiano, sobre o topo da borda da fonte batismal. Na parte superior do cibório (baldaquino), será instalado um pequeno armário dos santos óleos, no qual se conservarão os santos óleos e os demais objetos necessários para a administração do batismo. Ele ficará a cerca de oito onças da parte superior da bacia. No interior, será cuidadosamente forrado de seda branca.

Outra forma de cibório

O cibório (baldaquino) também pode ter outra forma: ser de madeira, como o anterior, e ser sustentado por pequenas colunas e pilares do mesmo material, exatamente como o cibório (baldaquino) de mármore descrito acima.

Os painéis das portas do cibório

As folhas das portas do cibório (baldaquino), qualquer que seja a sua forma, deverão estar voltadas para a parede frontal da igreja, de modo que o rosto do sacerdote que batiza e a cabeça da criança que está sendo batizada estejam voltados para o oriente. As portas se abrirão não para dentro, mas para fora, e serão grandes, de modo que, quando abertas, toda a metade do batistério fique ao alcance. Serão seguramente fechadas com chave, fechadura e ferrolho.

Terceira forma de batistério, somente para o rito romano

Segue-se a terceira forma de batistério. Adequada ao rito romano, ela só pode ser admitida onde o Bispo, por causa de grave falta de recursos, julgar necessário conceder sua permissão.

Será providenciado um bloco de mármore maciço trabalhado, de forma oval, com dois côvados e oito onças de comprimento e um côvado e doze onças de largura. Serão talhadas nesse bloco duas bacias, distantes três onças uma da outra, e elas serão alisadas. Deverão ter forma redonda e igual largura e profundidade. Uma pequena coluna, na forma prescrita, será também colocada sob o bloco oval.

Dessas duas bacias, a que estiver mais próxima do altar-mor servirá para conservar a água batismal. A outra, na qual a água será derramada durante o batismo, ficará mais próxima da parede oposta ao altar-mor. No fundo desta última bacia haverá um canal que conduzirá a água a um orifício, aberto em um dos lados da bacia, o qual dará para o interior da coluna oca, de modo que a água possa escoar para uma pequena cisterna subterrânea.

Também este batistério será coberto por um cibório (baldaquino) de madeira, na forma prescrita acima, com um pequeno armário dos santos óleos e um dossel.

É quanto ao batistério. Seguem agora breves instruções acerca do sacrário.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

  1. O sacrário era um receptáculo situado dentro da fonte batismal ou em sua área imediata (ver o Capítulo 20 para um tratamento completo). Essa exigência era um meio de impedir que a água benta escorresse da cabeça da pessoa para o chão ou de volta para a fonte batismal. Borromeu dedicou considerável atenção a essa questão e forneceu descrições detalhadas de como lidar com ela. No centro do batistério deveria haver um receptáculo de 4 pés e 1½ polegada de largura e 2 pés e 9 polegadas de altura, com a mesma forma do edifício. No meio deste deveria haver uma pequena coluna de mármore, sustentando uma bacia de 2 pés e 9 polegadas de largura e 8¼ polegadas de profundidade. Também se providenciava uma concha de prata, por meio da qual a água consagrada da fonte batismal era derramada sobre a cabeça da criança, deixando-se que as gotas caíssem no receptáculo secundário e fossem conduzidas por um ralo a uma pequena cisterna, que deveria servir de sacrário.

    Uma alternativa era ter uma pequena fonte batismal com uma bacia de 3 pés e 5½ polegadas de diâmetro e de 5 a 7 polegadas de profundidade, assentada sobre uma coluna de 2 pés e 9 polegadas de altura. No meio desta deveria ser colocado um recipiente de forma semelhante, com 1 pé e 10 polegadas de diâmetro, para conter a água consagrada. A última das alternativas consistia em uma única bacia dividida por uma divisória, com uma pequena cisterna adjacente à fonte batismal. Os métodos finalmente adotados para o rito romano eram ou segurar uma pequena bacia sob a cabeça da criança ou, de modo mais geral e em conformidade com as normas, colocar uma divisória dentro da própria bacia.(e)

  2. Primeiro Concílio Provincial (1565)

    Quae pertinent ad baptismi administrationem, AEM, 43-44,

    Quarto Concílio Provincial (1576)

    Quae pertinent ad sacramentum kBaptismi, AEM, 344-48.

  3. Singulae Parochiales ecclesias singulos fontes habeant, in quibus diligenter toto anno servetur aqua baptismalis, solemni ritu benedicta. AEM, 44.

  4. Uma igreja arquipresbiteral é a igreja principal de um distrito, que constitui um vestígio da pequena diocese medieval que estava sob a jurisdição de um arquipresbítero, e não de um bispo.

  5. Os primeiros batistérios dos séculos III e IV eram quadrados, como o antigo batistério de São João de Latrão, em Roma. Este também sofreu mudanças significativas, assumindo por fim a forma octogonal. Essa fonte batismal é típica do tipo que Borromeu tinha em mente.

    Surge a questão de por que Borromeu apoiou um batistério de planta centralizada e depois escolheu construir um retangular no Duomo de Milão, igreja que, segundo ele, deveria servir de exemplo para todas as demais. Mais uma vez, recorre-se ao seu biógrafo Giussani, que, depois de descrever o batistério de Tibaldi (ver Figs. 19.2, 19.3), acrescenta: “Fabbricò però questo battistero solamente per modo di provvisione, avendo intenzione di erigere una magnifica cappella fuori della chiesa per simile effetto.(f)

    Em toda a Itália, e especialmente no norte, dava-se preferência à planta octogonal. Essa forma básica estava ligada ao significado místico do número oito, que significava o início da nova criação. O oitavo dia era o dia da ressurreição, o dia do Senhor; consequentemente, tornou-se o símbolo de tudo o que era permanente ou eterno. Supostamente, a inscrição encontrada no batistério octogonal da basílica de Santa Tecla, em Milão, foi composta por Santo Ambrósio. Em oito dísticos, afirma que o edifício era octogonal e que sua forma e a da piscina octogonal correspondiam ao significado do número; pois oito é o número da salvação, da regeneração da morte do velho Adão, do início da vida nova.(g)A inscrição diz: “Octochorum sanctos templum surrezit in usus, Octogonus fone est numere dignus eo. Hoc numero decuit sacri baptiematis aulam surgere, quo populis vera salus rediit.

  6. Isso também foi prescrito em 1576 no quarto Concílio provincial: Decebit etiam in cappella, aut in pariete proximo, S. Ioannis imago Christum Dominum baptisantis. AEM, 345.

  7. Havia quatro métodos principais de batizar: (1) submersão ou imersão total (rara); (2) imersão, quando a cabeça era mergulhada, estando ou não o candidato de pé na água; (3) infusão, quando se derramava água sobre a cabeça; e (4) aspersão, quando se aspergia água sobre a cabeça.

    No rito ambrosiano atual, para o batismo de crianças, a água é aquecida e o sacerdote, segurando a criança com ambas as mãos, inclina o infante ligeiramente para baixo, de modo que o alto da cabeça toque a água, que foi aquecida para prevenir qualquer perigo à saúde da criança. O rito romano, utilizando a infusão, derrama a água sobre a testa da criança. Naturalmente, o batismo de crianças foi em grande medida responsável pela forma da própria fonte batismal. Quando uma criança pequena deve ser batizada, uma fonte batismal grande é pouco necessária. Na realidade, bacias de pedra ou de metal começaram a aparecer já no século VI e, com o costume estabelecido da imersão, as fontes batismais maiores assumiram as dimensões de pequenas construções.

  8. A finalidade dos degraus era enfatizar a descida, como lembrança simbólica de que o cristão foi “sepultado com Cristo no batismo” (Rm 6:4, Cl 2:12), dirigindo-se a atenção para a crença de que, por meio do batismo, havia uma morte e uma ressurreição espirituais para o candidato.

  9. Esta instrução é uma repetição daquela dada no Concílio de 1576.

    Fons baptismalis e marmore, aut e solido lapide constet; qui (veja p. 275 de sua dissertação)

  10. O quarto Concílio Provincial (1576) antecipou a publicação das normas e sugestões pertinentes ao cibório. (h)

    O cibório (também conhecido como tegurium) tornou-se a cobertura ritual sobre o altar, que no Oriente também era considerado o túmulo e o trono de Cristo. Foi usado inicialmente como abrigo sepulcral sobre as relíquias e os restos mortais dos falecidos, com o resultado de que, ao longo de toda a Idade Média, conservou tanto o seu simbolismo sepulcral quanto o celeste. Algo dessa natureza e desse apelo místicos foi transferido para o batistério.(i)

  11. Esta mesa é, na realidade, uma grande tampa rebatível, ainda muito utilizada em toda a Lombardia.(j)

  12. Veja as Figuras 19.4, 19.5 e 19.6.

    Outra igreja, S. Maria Podone, já não funciona como paróquia canônica; por isso, já não se realizam batismos ali. Ainda aberta para a missa diária, a igreja, bem como a sacristia e o campanário, é razoavelmente acessível ao historiador. A parede externa à esquerda da fachada (ver Fig. 19.7) era o único indício externo de um batistério que outrora esteve em funcionamento. No interior, uma porta de madeira, com a curiosidade iconográfica de um cordeiro sentado sobre um livro com oito selos, conduz ao que constitui uma adaptação surpreendente. Nada resta de seu antigo esplendor. O armário dos santos óleos, a princípio quase invisível, acaba por revelar uma atração adicional: uma combinação dois em um de armário dos santos óleos e sacrário (ver Fig. 19.9). Quando a prateleira inferior é removida (encostada à parede na Fig. 19.8), revela-se um sacrário entre as paredes externa e interna. Os três orifícios permitem um sistema de ventilação e estão situados cerca de 6 polegadas abaixo, penetrando no sacrário, somente na parede externa. O escoadouro do sacrário prolonga-se diretamente para a terra.

  13. Ver Figs. 19.10 e 19.11.

Fontes citadas

  1. (e)John G. Davies, The Architectural Setting of Baptism (London, 1962), pp. 113-14.
  2. (f)Giussani, II, 10.
  3. (g)Krautheimer, p. 29.
  4. (h)Haveat operimentum vel ciborium ad sacra olea…
  5. (i)E. Baldwin Smith, The Dome (Princeton, 1950), pp. 54-57.
  6. (j)Tabella habeat item intrinsecus…

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.