Depois de apresentadas brevemente as instruções relativas às capelas menores e aos altares, seguem agora os elementos que as capelas e os altares maiores e menores têm em comum e que devem ser respeitados na construção.
Os altares não devem ser de madeira, mas de pedra ou tijolo. Devem ser solidamente construídos em todas as suas partes, sem aberturas ou buracos de qualquer lado, nos quais algo possa ser guardado ou ocultado.(1)
Contudo, não serão proibidos os altares sustentados por quatro ou mais colunas ou pilastras angulares de pedra, como se vê na província de Milão. Ao contrário, convém que os altares, mesmo quando construídos em alvenaria maciça, sejam sustentados nos ângulos por pilastras desse tipo, para que a parte consagrada com crisma, se for de tijolo, não se desagregue facilmente.(2) Ainda assim, nada deve ser colocado sob eles.
Os altares individuais, incluindo o espaço ocupado pelo sacerdote celebrante, que não sejam completamente cobertos por uma abóbada ou por um teto em caixotões, ou por uma abóbada tão alta que não possa ser limpa com facilidade e frequência, também serão protegidos por um baldaquino chamado “capocielo”.
Este pode consistir em quatro colunas, se for o altar-mor, de mármore ou pedra maciça, ou mesmo de alvenaria de tijolos; ou em duas colunas ou outro suporte adequado, se for um altar menor ou lateral, não distante da parede, voltado para o interior da igreja, uma à direita e outra à esquerda. O baldaquino, abobadado ou de outra forma, ou os painéis de madeira embutida, ou o tecido azul decorosamente pintado, será disposto sobre as colunas.
O baldaquino, seja de madeira ou de tecido, será suspenso por correntes de ferro presas ao teto ou à parede, ou por alguma outra estrutura sólida. Em todo caso, deverá ser suficientemente grande para cobrir completamente o altar e o sacerdote que celebra a Missa, a fim de proteger ambos da poeira e de qualquer sujeira que possa cair do alto.
A cobertura não ficará nem demasiado próxima nem demasiado distante do altar, conforme o exigir o decoro, para que também possa ser limpa de maneira conveniente e fácil.(3)
Na parede atrás do altar, do lado em que se lê a Epístola, deve ser feito, quando possível revestido de mármore ou de pedra maciça, um nicho bem executado e cuidadosamente acabado.
Ele ficará dois côvados acima do pavimento, terá dezesseis onças de largura e vinte e quatro de altura, e será dividido horizontalmente por uma pequena prateleira de mármore ou pedra. A parte inferior servirá para dar escoamento à água com que o sacerdote, durante o rito, lava as mãos. Por isso, terá no centro um pequeno orifício, pelo qual a água poderá escoar para uma pequena cisterna colocada abaixo. A parte superior será usada para sustentar a bandeja das galhetas durante a Missa.
Como o altar-mor às vezes fica bastante distante da parede posterior, contra a qual frequentemente são colocados os bancos do coro, e, portanto, se o nicho não puder ser instalado no lugar indicado, poderá ser colocada em seu lugar, junto à parede do lado da Epístola, ou em algum ponto próximo ou mais distante do altar, uma pia de pedra, bem ornamentada, na qual se despejará a água, contanto, naturalmente, que isso não prejudique a harmonia do conjunto.(4)
Do lado da Epístola, perto do nicho acima mencionado ou em algum outro lugar conveniente, haverá um prego de ferro com algum ornamento, de preferência de latão, no qual se pendurará o barrete do sacerdote celebrante. Ele não ficará a mais de dois côvados acima do pavimento.
Todo altar terá um pequeno sino fixado à parede lateral, do lado em que se lê o Evangelho. Ele será provido de uma corda suficientemente comprida para que, no momento da elevação da Hóstia, o clérigo possa tocá-lo puxando-a com força. Se o altar não estiver em uma capela, o sino ficará afastado e se projetará o máximo possível da parede, para que a corda não fique no caminho do altar nem do sacerdote.
Quanto ao altar-mor, será mais conveniente que o clérigo use o sino portátil, trazido da sacristia, em vez do sino suspenso. Portanto, não há razão para pendurar um sino perto do altar-mor, sobretudo nas igrejas maiores.(5)
Na parte frontal, junto à entrada de toda capela, inclusive da capela-mor, serão instaladas grades de ferro no degrau mais alto. Elas terão três côvados de altura, ou até mais, quando for aconselhável que sejam mais seguras e firmes.(6)
Quando possível, todas as grades deverão ser ornamentadas, na parte superior, na inferior e no meio, com motivos decorativos, tais como pequenas colunas ou pequenas saliências em forma de vaso, bem executados, para obter um belo efeito estético.
Se a capela for octogonal ou hexagonal, de modo que possa ser maior, ainda assim haverá grades (balaustradas) no degrau mais alto, que estarão de acordo com a forma da capela.
A ferragem, bastante artística, na parte inferior, com cerca de um côvado de altura, será cerrada, para que os cães não possam entrar.(7)
Haverá uma porta de duas folhas no centro das grades (balaustradas). Ela também será de ferro e do mesmo estilo, e fechará de ambos os lados com ferrolho e fechadura.
Quando for difícil obter a quantidade de ferro necessária para as grades (balaustradas) da capela, poderão ser usadas pequenas colunas de mármore ou de pedra maciça, se esse material estiver disponível. Chamado “balustrio” ou balaustrada, esse conjunto será encimado por uma cornija, será muito mais baixo que as grades e encerrará e ornamentará a parte frontal das capelas.
Nas igrejas, capelas ou altares em que os recursos limitados tornarem impossível ter grades (balaustradas) de ferro ou balaustradas de mármore ou pedra para encerrar e ornamentar, conforme descrito acima, poderá usar-se, segundo o parecer do Bispo e com sua permissão, madeira finamente torneada. As barreiras de madeira deverão ser muito mais baixas e simples que as grades de ferro e terão, no alto, uma moldura como ornamento.
Quando as capelas dos altares menores forem suficientemente grandes para comportar certo número de fiéis durante a Missa, ainda que já tenham grades (balaustradas) de ferro à entrada, deverão também ser providas de barreiras de madeira no interior, junto ao altar. Essas barreiras encerrarão o altar e manterão a multidão afastada do sacerdote celebrante, deixando o espaço necessário para o clérigo assistente.
Será acrescentada a cada predela, no ponto em que estiver contígua ao altar, inclusive à do altar-mor, uma pequena moldura de madeira, de altura não superior a três dedos. Ela a circundará em três lados, de modo que, na frente, as extremidades inferiores do frontal (antependium), e, nas laterais, as das toalhas do altar, fiquem ocultas sob a moldura. Será usada também no ponto em que a predela se projeta somente na frente do altar.(8)
Também será usada para o altar uma estrutura de madeira, chamada “telare” [armação], por meio da qual o frontal, estendido e pendurado em pequenos ganchos, será ajustado ao altar.
A armação será feita de ripas de carvalho ou nogueira, bem polidas, de quatro onças de largura, e disposta de modo a circundar a mesa do altar pela frente e por ambos os lados. As extremidades da armação serão pregadas ou inseridas na parede contra a qual o altar estiver encostado.
Haverá dois suportes para a armação, também formados de ripas de nogueira ou carvalho: um no canto anterior direito, o outro no canto anterior esquerdo do altar. Ambos deverão ter quatro onças de largura. Quando o altar estiver a certa distância da parede, a armação circundará o altar por todos os lados, e haverá outros dois suportes nos cantos posteriores.
Na parte superior, ao nível da mesa do altar, a armação terá algumas reentrâncias ligeiramente côncavas, em cada uma das quais haverá um prego fino em forma de gancho, no qual poderão ser pendurados os cordões ou as argolas do frontal (antependium); mas ele não deverá elevar-se acima da superfície do altar. Uma dessas reentrâncias deverá ficar no centro, e as demais, de cada lado, em grupos de duas ou três, ou mais, conforme o tamanho do altar, poderão ficar a intervalos iguais umas das outras.(9)
Poderá haver apenas um gradim de madeira na parte posterior da mesa do altar menor.
Ele terá o mesmo comprimento do altar, oito onças de largura e igual altura. Também poderá haver um no altar-mor, se este estiver a apenas dois côvados ou menos da parede posterior. Nesse caso, poderão ser construídos um ou mais gradins, de aspecto decoroso, contanto que não seja impedida a circulação em torno do altar sob essa estrutura.(10)
Deve-se dedicar particular cuidado à mesa do altar, de mármore ou de pedra maciça, do altar-mor de qualquer igreja, catedral, igreja colegiada ou paroquial, e também à do altar menor que será consagrado.
Sempre que possível, ela deverá ter o mesmo comprimento e a mesma largura que o altar. Quando não for possível ter uma com essa largura, deverá ainda assim ter pelo menos um côvado e meio de largura. Quanto ao comprimento, será igual ao do altar. Se, pelas características particulares da região, não for possível encontrar uma mesa do mesmo tamanho que o altar, ela poderá ser completada na parte posterior, onde faltar uma parte, com cimento ou alvenaria.(11)
O nicho das relíquias no altar que será consagrado (12)
Deve-se fazer, na parte dianteira ou traseira do altar, abaixo da mesa do altar, um sepulcro de quatorze ou dezesseis onças de extensão. Ou, conforme os critérios de consagração prescritos no Pontifical que o Bispo preferir utilizar, far-se-á nos suportes laterais da mesa do altar uma cavidade semelhante a um sepulcro, com a mesma função, mas em espaço muito menor. As sagradas relíquias serão colocadas no sepulcro ou na cavidade quando o altar for consagrado.
O sepulcro deve ser fechado com uma placa de mármore ou de pedra maciça, semelhante a uma porta, na qual se esculpirá uma cruz, juntamente com os nomes das santas relíquias ocultas no altar. Onde não houver sepulcro, mas uma cavidade, esta inscrição será gravada em um dos lados do altar ou na mesa. A cavidade na mesa também será firmemente fechada por uma pequena placa de mármore, que de modo algum se sobressaia acima da própria mesa do altar.
Ainda que parte da mesa do altar consagrado seja de tijolos, ela será inteiramente coberta por pano encerado, fixado com pregos à armação prescrita e nela inserido.(13)
A parte superior de cada altar não consagrado será coberta por uma mesa de painéis de madeira bem alisados, suficientemente grande para cobri-lo inteiramente.
Um altar portátil será embutido na parte central, equidistante dos lados da mesa e a não mais de oito onças da parte dianteira. O comprimento deste altar portátil não se estenderá da esquerda para a direita, mas da frente para trás. Ele será embutido na mesa de tal modo que mal se sobressaia da superfície, para que o sacerdote celebrante possa distingui-lo pelo tato.
A pedra de ara portátil(14)
A parte superior da pedra de ara portátil terá, em todos os lados, na direção da superfície superior, um corte chamado “smussum” [chanfro], com meio dedo de largura transversal. A pedra terá vinte onças de comprimento e dezesseis onças de largura, além das dimensões da caixa na qual será encaixada.
Esta caixa será feita de um único painel de nogueira, com duas ou mais onças de espessura, conforme a espessura da pedra.
A pedra será colocada neste painel, que será escavado na parte superior, em todos os lados, na proporção do comprimento e da espessura da pedra. A borda chanfrada será coberta pela borda saliente do painel escavado. Os nomes conhecidos das santas relíquias serão claramente inscritos na caixa.
Quando for necessário mudar de lugar um altar consagrado, podem ser adotados os seguintes critérios, para que não seja necessário consagrá-lo novamente. Ele deve ser cuidadosamente retirado de seu lugar depois de ter sido revestido com tábuas e painéis de madeira firmemente ajustados, de modo que o suporte, elevado do piso da igreja, não se desprenda absolutamente da mesa do altar, mas permaneça perfeitamente unido e aderente a ela, para não violar a consagração.
Os altares que forem mais estreitos e mais curtos do que o prescrito quanto à forma podem ser alargados ou alongados com acréscimos de pedra, tijolo ou madeira, cuidadosamente e adequadamente executados e colocados nas laterais ou na parte frontal, conforme for mais útil. Se forem mais baixos do que deveriam, podem ser elevados por meio de uma mesa suficientemente alta para fazê-los alcançar a altura estabelecida. Uma pedra de ara, com a forma prescrita, será embutida nessa mesa.