Livro I · Capítulo 11

Altar-mor High Altar

Livro I — A construção da igreja · 2 seções · 9 parágrafos · 5 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

O altar-mor da capela pode ser colocado de modo que, desde o degrau mais baixo do altar até as grades que o encerram ou deverão encerrá-lo, haja um espaço de oito côvados ou mais, quando possível e quando o tamanho da igreja o exigir por razões de decoro.

Esse espaço deve servir comodamente ao grande número de clérigos que, por vezes, assistem à Missa solene e aos ofícios divinos. Portanto, onde for necessário, se na parte posterior da capela, do lado de fora, houver espaço livre, a capela será prolongada até atingir as medidas acima indicadas. Se isso não for possível e a capela da igreja paroquial ou colegiada for limitada em tamanho pela estreiteza do lugar, então a distância entre o degrau mais baixo e a grade deverá ser de pelo menos quatro côvados, para que, durante a Missa solene e conforme o exigido pelas cerimônias, haja espaço suficiente ao menos para o sacerdote celebrante, o diácono e o subdiácono, e os clérigos coadjutores.

Se necessário, pode-se empregar o seguinte recurso para obter esse espaço de pelo menos quatro côvados na parte dianteira de uma capela estreita e curta. Em outras palavras, os degraus podem ser unidos ao nível do pavimento, formando, em relação a este e à capela, uma saliência de seis ou oito lados, agradável à vista.(1)

Se houver vãos imediatamente diante da capela e se o tamanho da igreja assim o exigir, esse mesmo espaço poderá ser criado prolongando-se a parede da capela até o primeiro desses vãos.

Por fim, quando, em razão da extrema estreiteza do lugar, o espaço disponível for praticamente nulo, deve-se ao menos cuidar para que o altar seja deslocado muito mais para perto da parede que está atrás dele; e, se realmente não houver maneira de obter esse espaço de quatro côvados, deverá cuidar-se para que o altar fique tão distante das grades quanto o local permitir, mas sempre separado da parede acima mencionada por um côvado e meio.

A altura do altar-mor será, a partir da predela, de dois côvados e oito ou, no máximo, dez onças. O comprimento será de cinco côvados ou mais, proporcionalmente ao tamanho da igreja ou da capela, mas a largura será de dois côvados e doze onças, e até mais, conforme o comprimento do local.(2)

Os degraus do altar-mor

Além disso, se houver espaço à frente e aos lados, serão construídos três degraus: um constituído pela predela e outros dois abaixo dela. Estes dois últimos devem ser de mármore ou de pedra resistente ou, se isso não for possível, de tijolo. Terão pelo menos dezesseis e, se possível, vinte onças ou mais de largura, conforme o espaço e de acordo com as proporções. O terceiro degrau, constituído pela predela, será feito de tábuas de madeira. A predela terá dois côvados de largura, medidos a partir da frente do altar, e se projetará dezesseis onças nas laterais, de modo a circundar o altar pelos três lados.(3) A altura de cada degrau será de oito onças.

Além disso, se, graças às dimensões da igreja e do altar-mor, houver espaço para mais degraus, poderão ser construídos cinco, observando-se a largura e a altura prescritas acima.(4)

A localização do crucifixo

Em toda igreja, especialmente numa igreja paroquial, uma cruz com a imagem de Cristo crucificado será devidamente colocada sob o arco da abóbada da capela-mor.(5) Será de algum tipo de madeira, confeccionada de modo piedoso e apropriado. Se não puder ser colocada ali porque o arco ou a abóbada são demasiado baixos, será pendurada na parede, acima do arco, no lado externo, abaixo do teto, ou mesmo acima da porta das grades da capela.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

  1. Ver Figura 11.1.

  2. Ver Figura 11.2.

  3. Castiglioni (p. 109-110) chama a atenção para o fato de que, em junho de 1883, a Sagrada Congregação dos Ritos, no decreto 2576, cânon I, incorporou a norma de Borromeu segundo a qual, se o último ou superior degrau da predela do altar fosse de mármore, deveria ter um forte inserto de madeira, com o mesmo comprimento da mesa do altar. O sacerdote deveria celebrar com os pés sobre a seção de madeira. Por razões alheias à liturgia, há também o problema de permanecer sobre pedra ou mármore frios em regiões que têm invernos rigorosos ou condições climáticas adversas. Podem ser usados tapetes para cobrir esses degraus, e Borromeu trata disso na continuação das normas arquitetônicas, que se ocupa exclusivamente das alfaias da igreja.

    Voltaremos a referir-nos aos muitos documentos que servem para sustentar o alcance sempre crescente da reforma litúrgica e as mudanças arquitetônicas graduais que ocorrerão à medida que os edifícios eclesiásticos forem adaptados para acomodar as normas. Seguem-se algumas determinações, escolhidas ao acaso, dadas por Borromeu numa região ao norte de Milão. São datadas de 1570 e dirigem-se aos diversos sacerdotes responsáveis por sua implementação.

    S. Gerolamo, Tesserè Uma cruz e um par de castiçais de latão devem ser providenciados para o altar. A predela deve ser ajustada para atender às medidas prescritas e deve ser reparada onde estiver quebrada. Esta mesma capela deve ser inteiramente pintada, e somente então poderá ser pendurada uma pintura na parede atrás do altar.

    S. Stefano, Tesserè Poderá ser feita uma pintura para a capela quando for possível, mas primeiro devem ser observados estes pontos da visitação.

    Deve-se colocar uma grade baixa, de parede a parede, sobre o primeiro degrau diante da capela, a fim de separar o coro clerical do restante da igreja. A capela deve ser pintada.

    São Bernardino, Sasello. O altar da Madonna deve ser provido de um crucifixo de bronze. O armário que fica junto ao altar deve ser removido, e todo o armazenamento de madeira deve ser retirado da igreja.

    Santa Maria, Loreto. O altar-mor deve ser substituído por outro, maior e bem ornamentado. As paredes da capela-mor devem ser caiadas. A portinhola que falta nas grades do altar deve ser recolocada e trancada com chave e corrente.

    São Pedro, Sureggio. Onde a parede do coro foi removida, deve-se construir uma parede nova. O altar deve ser afastado da parede e colocado no centro.

  4. Durando dedica todo o segundo capítulo do Rationale ao simbolismo e à disposição do altar. Observa que nas Escrituras se encontram muitos tipos de altares, e que o altar é semelhante ao coração, na medida em que o coração está no meio do corpo; assim também o altar deveria estar no meio da igreja (II, 11). O termo “in medio” acaba por se tornar objeto de discussão quanto à posição exata do altar. No corpo da igreja, onde todos pudessem vê-lo? No centro do “círculo” da abside? O que se compreendia claramente, porém, era que o altar não podia ser colocado contra uma parede. Esta deve ter sido uma prática inicial, pois até os antigos livros cerimoniais especificam que o bispo, ao benzer um altar, deve dar sete voltas ao seu redor enquanto recita as orações prescritas.

    Outro problema é a subida ao altar. Uma vez que Durando fala explicitamente de um presbitério rebaixado, a descida provavelmente se fazia por três a cinco degraus, e a subida até o estrado do altar, por três a cinco, sete e possivelmente quinze degraus.

    Os quinze degraus são sugeridos em conformidade com os quinze degraus que conduziam ao templo de Salomão (II, 15). Com certa reserva, Durando cita Êxodo XX, 26: “Não subirás por degraus ao meu altar, para que a tua nudez não seja descoberta sobre ele”, e, como observação posterior, acrescenta: “Pois talvez os antigos ainda não usassem calções” (II, 15).

  5. “Em muitos lugares, coloca-se uma cruz triunfal no meio da igreja para nos ensinar que devemos amar o Redentor do íntimo de nossos corações… Mas a cruz é elevada no alto para significar a vitória de Cristo” (Durando, I, 40) (ver Fig. 11.3).

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.