Já se disse o suficiente sobre as portas; os pormenores restantes serão deixados ao juízo de um arquiteto competente. Devemos agora tratar das janelas, que serão construídas na igreja e nas capelas de acordo com os critérios arquitetônicos, a estrutura e o tamanho do edifício.
Não há razão para tratar aqui de sua altura, largura ou forma, pois essas indicações pertencem à arte da arquitetura.(1)
Entretanto, a forma mais comum usada para as janelas das igrejas é aquela em que a parte superior é um tanto arredondada e, nas laterais, muito mais larga no interior do que no exterior, em conformidade também com os critérios místicos transmitidos pelos Padres.(2)
A nave terá janelas laterais, se a altura do teto o permitir, e, nas naves laterais, um número ímpar de cada lado, dispostas no centro de cada tramo, de modo a corresponderem diretamente umas às outras, e não muito distantes do friso ou da arquitrave do teto.
A principal fonte de luz para a igreja e para a capela-mor será uma janela circular, semelhante a um óculo, proporcionada ao tamanho da igreja, na fachada, acima da porta principal, e será decorada externamente de acordo com o estilo do edifício.
Correspondendo às outras naves laterais, haverá também uma janela de forma oblonga na fachada, conforme julgar conveniente o arquiteto.
A luz para a igreja e para a capela poderá, contudo, também ser admitida pela cúpula, isto é, a partir do centro da parte mais alta da abóbada, construindo-se lanternins ao redor.
Na capela-mor e em cada uma das capelas menores, de acordo com seu tamanho e estilo, haverá janelas de ambos os lados, para receber luz em toda parte.
Se, contudo, não for possível admitir luz pelos lados e a luz que entra pela janela circular e pelas outras janelas da fachada, ou de outras partes, for insuficiente, será admitida luz pela parede posterior da capela.
Deve-se, contudo, tomar a precaução de que as janelas da parede posterior não ocupem sequer a menor parte do espaço pertencente a qualquer altar. E também, sobretudo, de que não se abram diretamente sobre o altar encostado à mesma parede, nem estejam imediatamente acima dele.
Se, contudo, as janelas forem colocadas em altura e de tal modo que os que estão fora não possam olhar para dentro.(3) Se, contudo, for necessário fazer uma janela menos alta do que o prescrito, como facilmente pode ocorrer quando se restauram igrejas antigas, ela será provida de vidraças que não possam ser abertas para se olhar para dentro.
Todas as janelas, quaisquer que sejam, devem ser providas, sempre que possível, de grades de ferro, além da estrutura de vidro transparente, sem pintura em parte alguma ou, no máximo, com a imagem do santo a quem a igreja ou capela é dedicada, para que se possa admitir mais luz. Do lado de fora, portanto, serão protegidas em todos os lados por uma tela de fios de bronze.
Essa estrutura ou barreira de vidro pode ser mais ou menos decorada, conforme o tipo de edifício.(4) Por fim, nas igrejas que, por causa de sua renda limitada, não possam dispor de janelas com vidros, haverá ao menos painéis de tecido.
Ainda assim, qualquer que seja o tipo e qualquer que seja a sua constituição, as janelas devem ser do tipo que possa ser aberto ou removido caso seja necessário expelir todos os vapores do interior da igreja ou capela. (5)