Deve-se tomar especial cuidado na construção do telhado, que deve proteger todo o edifício, pois, se for mal planejado ou mal executado, a madeira apodrecerá, as paredes se enfraquecerão e, pouco a pouco, toda a estrutura cairá em ruínas.(1) Por isso, exige-se do arquiteto particular zelo e atenção ao cobrir a igreja que, com suas imagens sagradas, ornamentos piedosos e alfaias religiosas, deve ser construída para durar para sempre. Qualquer que seja a forma escolhida pelo arquiteto para o telhado, de acordo com as características do edifício, seja ele de duas águas, abobadado ou artesoado, deve ele cuidar, acima de tudo, para que o material de madeira, isto é, as vigas, os caibros, as escoras, as tábuas e tudo o mais de que o telhado é formado, bem como suas junções, sejam sólidos.
Quanto à cobertura do telhado, que varia conforme os costumes das regiões e a forma do edifício, o próprio arquiteto verá qual tipo é o mais adequado.
Nas igrejas de estrutura distinta e com recursos consideráveis, é melhor usar telhas de bronze para cobrir o telhado, como outrora se fazia, ou ao menos telhas de chumbo.(2)
Tanto a tradição de algumas basílicas romanas (3) quanto o significado atribuído ao mistério levam a construir tetos em caixotões nas igrejas, (4) mas não será inadequado construí-los com abóbadas, segundo os costumes dos lugares, para tornar as estruturas mais resistentes ao fogo. Tais coberturas abobadadas podem ser vistas em distintas e antigas basílicas da cidade e da província de Milão. Deve-se, contudo, ter o cuidado de eliminar o gotejamento na parte inferior da parede, dando ao telhado uma inclinação adequada. Caberá ao arquiteto providenciar que isso seja feito da melhor e mais conveniente maneira, projetando adequadamente a estrutura de suas partes.
Para que as paredes não sejam danificadas pelo gotejamento contínuo dos beirais, as fundações, assim que se elevarem acima do nível do solo, devem ser revestidas com um pavimento de lajes bem ajustadas, consideravelmente mais largo que os beirais. A terra retirada desses lugares deve ser removida de modo permanente.
Além disso, para que os beirais não fiquem sujeitos à infiltração da água da chuva, se as telhas ou telhas planas não forem impermeáveis, na cumeeira deverá ser empregada uma estrutura ou um parapeito de tijolos com coroamento saliente, apoiado sobre as vigas do telhado, o que também ajudará a determinar sua inclinação.