A primeira coisa a fazer ao construir uma igreja é que o Bispo e o arquiteto por ele contratado e aprovado escolham o local mais adequado.
É particularmente importante que o local da igreja, onde quer que ela seja construída, esteja situado em lugar elevado. Se o local for inteiramente plano, deve ao menos ser suficientemente proeminente para que o acesso à igreja se faça por três ou, no máximo, cinco degraus. Se a topografia não apresentar nenhuma parte mais elevada, então a igreja deve ser construída sobre um embasamento, de modo que seja elevada e se erga acima da planície, e que se alcance o piso por meio desses três ou cinco degraus.(1)
Para que haja maior veneração na igreja e, na medida do possível, para mantê-la afastada de todo ruído que possa perturbar os ofícios divinos, deve-se também cuidar, ao escolher o local, de que ele fique distante de áreas lamacentas e sujas, de toda espécie de imundície, estábulos, currais de ovelhas, tavernas, forjas, lojas e mercados de todos os tipos. Lugares dessa espécie também devem ficar afastados das áreas circundantes da igreja.
Deve-se também cuidar, ao escolher o local da igreja, de que o edifício se apresente como um bloco separado, isto é, sem ligação e separado das paredes dos edifícios circundantes por um espaço de vários passos, como será explicado mais adiante a respeito da rua, conforme estabelecido pelos antigos e exigido pelos critérios corretos.
Isso pode ser feito com maior facilidade nas cidades e nos lugares onde os edifícios não estão aglomerados.
Não é contrário aos critérios aplicados à construção da igreja que as moradias dos ministros da igreja, isto é, do Bispo, dos cônegos e do pároco, sejam construídas de um lado ou de outro, mas não, contudo, encostadas às paredes da igreja. Elas devem estar ligadas à igreja por paredes que atravessem o espaço livre mencionado acima e, em geral, situar-se nas proximidades do local da igreja, conforme recomenda o cânon do Concílio de Cartago.(2)
Os aposentos dos ministros chamados encarregados da guarda ou sacristãos podem ser construídos em um local adjacente à igreja ou à sacristia, ou acima da própria sacristia (como se pode ver em algumas igrejas), para que as alfaias eclesiásticas confiadas a esses ministros sejam mais bem protegidas do perigo de sacrilégio, furto ou incêndio. Contudo, ao se construir essa residência, deve-se cuidar, acima de tudo, para que a estrutura não obstrua nem desfigure a fachada da igreja, não bloqueie janelas ou aberturas, nem constitua impedimento de qualquer espécie.
Em segundo lugar, não deve haver na habitação aberturas ou janelas que tenham vista para a igreja. Por fim, não deve haver porta que dê acesso à igreja ou passagem através dela que possa ser utilizada por pessoas e coisas para uso doméstico, privado ou cotidiano, mas somente uma porta a ser usada por aqueles que entram para cumprir seus deveres relativos aos ofícios divinos.
Deve-se cuidar para que a área geral escolhida para a igreja não esteja em lugar úmido ou pantanoso, nem próxima de colinas ou encostas íngremes onde uma torrente ou algum outro forte fluxo de água possa danificar o edifício.
Se, contudo, for necessário construir em uma encosta, esta será nivelada de acordo com o tamanho da futura igreja, deixando-se, conforme a necessidade, uma área plana de doze ou mais côvados nos fundos e nas laterais, entre a igreja e a encosta que tiver sido cortada, a qual será então provida de um muro sólido, depois de terem sido abertas, em ambos os lados, valas para escoar a água que por vezes correrá para dentro.
O tamanho do terreno da igreja deve ser tal que acomode não somente as pessoas que vivem no local onde a igreja está sendo construída, seja ela uma igreja paroquial, colegiada ou catedral, mas também leve em conta o afluxo de outros fiéis em determinados dias santos.
Um critério que não deve ser desconsiderado é que, para cada pessoa, haja um espaço quadrado de um côvado e oito onças, além do espaço ocupado pelas colunas, pilares e paredes.(3)