Tesouro n.º 211 · Volume III

UNIÃO COM JESUS CRISTO UNIONE CON GESÙ CRISTO

2 seções · 4 parágrafos · pp. 2359–2361 do PDF · português, com o original italiano a um clique

1. A ALMA FIEL É A ESPOSA DE JESUS CRISTO

São Paulo escreve aos Coríntios: «Eu vos desposei com um único esposo, Cristo, para que lhe sejais apresentadas como uma virgem pura» (2Cor 11, 2). 1° Esta união divina realiza-se pela fé, pela esperança, pela caridade e pelas demais virtudes… 2° Esta aliança põe em comum os bens do esposo e da esposa; Jesus Cristo comunica todos os seus bens à sua esposa, que é a alma fiel; e, como o esposo é rei, ele constitui a sua esposa como rainha… 3° Desta aliança e união nasce uma família, que é a das virtudes; assim como da aliança da alma com o demônio nasce a família das concupiscências, das paixões, das inclinações perversas, dos vícios, dos crimes, das desgraças… 4° O vínculo desta união com Jesus Cristo é a caridade..: 5° Esta aliança se realiza de modo perfeitíssimo, principalmente por meio da virgindade e dos votos de castidade e de religião.

«Eu te desposarei, diz Deus à alma fiel, pela boca de Oseias, e te unirei a mim para sempre; e tu serás minha esposa pela justiça e pela equidade, pela misericórdia e pela graça; estarás unida a mim pela fé e saberás que eu sou o Senhor» (Os 2,19-20). Há seis modos, aqui na terra, de contrair aliança com Deus, ou melhor, são seis as uniões do homem com Deus. A primeira ocorreu na criação, quando Deus disse: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança»; a segunda, quando o Verbo divino se encarnou nas castas entranhas da Imaculada Virgem Maria; a terceira tem lugar entre Jesus Cristo e a Igreja; a quarta ocorre no santo Batismo; a quinta, na santa Comunhão; a sexta se contrai quando alguém se consagra a Deus na vida religiosa, por meio dos votos. Finalmente, terá lugar uma última aliança, uma nova espécie de união, não mais na terra, mas no céu; não mais no tempo, mas na eternidade: a da bem-aventurança celeste.

2. VANTAGENS PRECIOSAS DA UNIÃO COM JESUS CRISTO

1º Esta aliança une a Deus… 2º Esta aliança é uma união mútua… 3º Em virtude desta união, todos os pensamentos e todas as obras são para Deus… 4º Esta união transforma em Deus… A alma que aspira a esta união com Deus exclama com Santo Agostinho: «Ó Senhor, quando estiver unido a vós com todo o meu ser, já não experimentarei nem dor nem fadiga; a minha vida, toda repleta de vós, será verdadeiramente viva. No presente, porque não estou repleto de vós, torno-me pesado para mim mesmo (Soliloq.)».

São Lourenço Justiniano, falando da alma fiel que deseja unir-se a Jesus Cristo, seu divino esposo, e que zela por conservar fielmente esta santa e sublime união, assim se exprime: Seu amor ardente medita e procura sempre descobrir novas coisas preciosas. Na impaciência de seu ardente desejo, jamais cessa de estreitá-lo mais intimamente contra o peito, de conversar com ele com maior familiaridade e intimidade. Ela quer amar unicamente e exclusivamente o esposo; daí a santa inveja, os doces lamentos, as ternas queixas, a dor da ausência. Não cessa de clamar com a voz, de gemer em seu coração, de buscar, de desejar, até que goze da presença divina de seu amado. A veemência de seu amor triunfa nela sobre toda dor. O mesmo Santo passa depois a descrever as alegrias e os frutos desta união de amor. Esta esposa de Jesus, diz ele, transborda dos tesouros das delícias; seu coração está embriagado com eles, a alma se dilata, o espírito nada na doçura; ela possui a segurança do amor e se alegra com o prazer do fervor, da pureza da ciência da verdade, da perfeição das virtudes, dos vínculos da caridade, da plenitude das consolações, das delícias da alegria, do ardor dos desejos, da abundância da paz; saboreia a contemplação, a doçura da perseverança, a fecundidade da sabedoria, o esplendor da luz, a beleza da pureza, a graça da santidade, o louvor da majestade divina (De Connub. Verbi et Anim.). Esta alma, em suma, diz com o grande Apóstolo: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2,20).

Fonte: I tesori di Padre Cornelio a Lapide S.J., tratti dai suoi Commentari sulla S. Scrittura; dall'ab. Barbier, per uso dei predicatori e delle famiglie cristiane. Prima versione italiana dal francese, del sacerdote Francesco M. Faber. Parma, Pietro Fiaccadori, 1869 (3 volumes), em domínio público. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do italiano; o original de cada seção abre pelo botão Italiano ou fica ao lado do texto pelo botão Ver original em italiano.