«São pusilânimes, diz o abade Vítor, aqueles que, por qualquer tentação levíssima, perdem a calma» (1), e o Salmista os retrata ao vivo naquele versículo: «Tremeram onde não havia sombra a temer» (Sl 13,5). A pusilanimidade provém de uma mente débil, estreita, pequena; os pusilânimes são imprudentes, impacientes, propensos a irritar-se como mulherzinhas e crianças. Seu espírito, sem firmeza e sem energia, não pode suportar coisa alguma: falam e agem conforme a impressão que recebem naquele momento. Assim como a energia e o vigor da alma dependem da esperança que alguém tem de vencer determinado obstáculo, assim a pusilanimidade da alma, seu abatimento e sua queda provêm de que a pessoa desconfia e desespera de poder resistir ao combate e sair dele vitoriosa.
«Se, no dia da angústia, lemos nos Provérbios, vos deixais abater, vossa força diminuirá» (Pr 24,10). Com efeito, quem começa a ceder perde, ao ceder, as próprias forças; aquilo que vemos acontecer conosco no corpo e nos afazeres temporais verifica-se também na alma e nas coisas espirituais… Na pusilanimidade encontra-se ou desconfiança, ou preguiça, ou cansaço; muitas vezes, tanto uma como os outros. Quando uma alma perde a confiança de poder vencer ou libertar-se de uma aflição que julga mais forte do que ela, então renuncia às próprias forças e à esperança de resistir com bom êxito; torna-se fraca, lânguida, abatida; e, se a provação se prolonga, essa alma pusilânime desespera completamente de poder suportá-la; perde o restante de suas forças e sucumbe por inteiro… A esperança alarga, dilata e fortalece a alma, mostrando-lhe a recompensa e o triunfo da virtude; a pusilanimidade, ao contrário, estreita-a, fecha-a, entrava-a, enfraquece-a e a torna incapaz de qualquer nobre empreendimento. Não queirais ceder, clama o Poeta, a esta pusilanimidade no meio dos reveses; antes, animados pelos obstáculos, caminhai mais firmes e mais audazes pelo caminho das adversidades e das virtudes (2). A vitória está na magnanimidade que gera a esperança do triunfo.
Em geral, todas as pessoas irreligiosas, os homens de costumes dissolutos, são pusilânimes… A grandeza de alma, a energia, o zelo, a coragem, a força, o poder, o heroísmo são o patrimônio do homem virtuoso… Observai, de um lado, os apóstolos, os mártires, as virgens, os missionários católicos; de outro, os voluptuosos, os efeminados, os apóstatas, e suas obras vos dirão de que lado se encontra a magnanimidade e de qual a covardia… O homem pusilânime é inepto para o combate, é incapaz de fazer o bem; não deve esperar outra coisa senão o desprezo por parte do mundo e uma terrível condenação por parte de Deus. Com efeito, o lugar que o Profeta do Apocalipse atribui aos tímidos, aos pusilânimes, aos vis, é no lago de fogo e de enxofre ardente, em meio aos incrédulos, aos homicidas, aos fornicadores, aos idólatras e a gente semelhante (Ap XXI).