Tesouro n.º 155 · Volume III

PERSEGUIÇÃO PERSECUZIONE

5 seções · 21 parágrafos · pp. 1831–1839 do PDF · português, com o original italiano a um clique

1. SEMPRE HOUVE PERSEGUIÇÕES

«Guardai-vos, dizia Jesus aos apóstolos, porque sereis conduzidos diante de seus magistrados e de seus reis, aos tribunais e às sinagogas, e sereis açoitados por minha causa, para que lhes sirvais de testemunho. E todos os homens vos odiarão» (Mc 13, 9-13). Aproximando-se depois a hora de sua paixão, ele volta e detém-se longamente neste ponto das perseguições que o mundo lhes moveria, como se vê nos capítulos XV e XVI de São João, onde, entre outras palavras, lemos estas: «Lembrai-vos daquela minha palavra: O servo não é superior ao seu senhor: se me perseguiram, também vos perseguirão. Mas assim vos tratarão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou. Eu vos asseguro que vós chorareis e gemereis, enquanto o mundo se alegrará; vós caminhareis tristes, abatidos e angustiados, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. Se o mundo vos rejeita e odeia, sabei que me odiou antes de vós. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que é seu; mas, porque já não pertenceis ao mundo, tendo eu vos tirado do mundo, por isso o mundo vos detesta» (Jo 15, 20-21; 16, 20).

Por isso o Apóstolo São Paulo podia dizer aos coríntios: «Nós (isto é, ele e seus companheiros apóstolos e, em geral, todos os verdadeiros cristãos) somos considerados como loucos por causa de Cristo e tidos como lixo.

Até o presente sofremos fome e sede; andamos como gente rejeitada, esfarrapados, injuriados, maltratados por todo canalha; em suma, representamos o lixo do mundo e somos o objeto de escárnio de todos» (1Cor 4, 10-13). E aos gálatas recordava que os cristãos, sendo os filhos da promessa segundo Isaac, devem esperar as iras e as perseguições dos homens descendentes de Esaú, pela mesma razão pela qual então aquele que havia nascido segundo a carne perseguia aquele que havia nascido segundo o espírito (Gl 4, 28-29).

Sempre foi e sempre será verdade que «todos os que desejam viver piedosamente em Jesus Cristo sofrerão perseguição» (2Tm 3, 21). Serão perseguidos pela inveja e pela maldade. Perseguidos pelo demônio… perseguidos pelo mundo corrompido, que, por cego ódio e com cruel injustiça, os carregará de injúrias, vitupérios, ultrajes e afrontas…; perseguidos por ódio à verdade, ao bom exemplo, ao Evangelho, à religião, à ordem, à sã doutrina, à moral celeste e ao culto divino…; perseguidos interiormente pela concupiscência, pelo homem velho que neles se rebela, que quer ser livre e desenfreado e se sente refreado e conduzido por um braço forte.

Não é coisa nova nem inaudita que as almas boas e piedosas sejam feitas alvo dos maus-tratos do mundo; sempre foi assim. Caim, invejoso, mata o piedoso Abel. Os filhos dos homens escarnecem dos filhos de Deus. Abraão teve de sofrer por parte dos cananeus; Lot, por parte dos sodomitas; Isaac, por parte de Ismael; Jacó, por parte de Esaú; José, por parte de seus irmãos; Moisés, por parte do Faraó; os hebreus, por parte dos egípcios, depois dos filisteus e dos outros povos vizinhos. Saul armou ciladas contra Davi; Absalão rebelou-se contra seu pai; Manassés atormentou Isaías; os judeus perseguiram Jeremias, Amós, Ezequiel e os outros profetas; Herodes ordena o massacre dos inocentes; manda decapitar João Batista; Jesus Cristo é perseguido até a morte… Os Apóstolos enfrentam mil tormentos e finalmente a morte por Jesus Cristo… Quantos milhões de mártires! Todos os Santos, em geral, tiveram de sofrer vexames, abusos, perseguições… A Igreja, enfim, sempre foi, aqui e ali, e em todos os séculos, perseguida, maltratada, calcada aos pés. «O Senhor, como escreve São Gregório, não envia seus eleitos às alegrias e aos divertimentos do mundo, mas às perseguições e aos sofrimentos, como ele mesmo foi enviado. O Filho é infinitamente amado pelo Pai; e, contudo, o Pai o envia ao sofrimento: assim acontece com os discípulos do Filho de Deus; ele os ama com o mais terno amor e, contudo, envia-os ao mundo para que nele sofram perseguição. Como meu Pai me enviou, diz-lhes ele, assim também eu vos envio; isto é, se eu vos envio em meio aos escândalos dos perseguidores, é porque vos amo com aquele perfeito amor com que meu Pai me amou, quando me enviou a sofrer a paixão e a morte na cruz (1)».

Houve perseguições em todos os tempos, porque: 1° nunca falta no mundo a raça dos maus, dos corruptos, dos perversos, dos anticristos; 2° os perseguidores detestam Jesus Cristo e, por isso, odeiam e procuram suprimir tudo o que o representa e recorda; 3° é justo que o servo tenha a sorte do senhor; 4° encontram-se maus que perseguem por ignorância e, como se expressa o Salvador, julgando fazer coisa agradável a Deus; 5° os bons são os filhos da promessa; mas, para chegar a sê-lo, devem suportar grandes fadigas, diz São Gregório; 6° as perseguições provam e santificam; 7° dão a conhecer os bons e os maus, separam-nos uns dos outros, como o vento separa a palha do trigo, como o fogo separa a escória do ouro; 8° reanimam e fortalecem a fé; 9° formam heróis. As tempestades purificam o mar, lançando para fora de seu seio as imundícies. Não é diferente o que ocorre com as perseguições na Igreja; elas rejeitam de seu seio os membros mortos, apodrecidos e hipócritas, que a desfiguram em tempo de calmaria. As perseguições impelem os filhos fiéis da Igreja ao porto dos céus.

«De que modo, pergunta Santo Agostinho, os maus são úteis aos bons? E responde: são úteis, não porque lhes querem bem, mas porque lhes querem mal e os perseguem. As perseguições são para os bons cristãos o que são a lima e o martelo para o ferro, o que é o forno para o pão, o fogo para o ouro (De Civ. Dei). Os sofrimentos dos mártires ilustram a Igreja e constituem sua mais bela vitória.

O Sábio revela-nos os fins que movem os ímpios a atormentar os bons. «Armemos ciladas ao justo», vão dizendo os maus, «porque ele não nos é útil; antes, se opõe às nossas obras: repreende-nos as transgressões da lei e lança-nos em rosto as consequências de nossas doutrinas. Ele se gloria de possuir a ciência de Deus; torna-se-nos intolerável até à vista, porque sua vida é inteiramente diversa da dos outros e seus costumes são o avesso dos nossos. Considera-nos mentirosos e afasta-se de nossos atos como de uma imundície. Provemo-lo pelo ultraje e pelo suplício; condenemo-lo a uma morte infame» (Sb 2,12-20). Não se poderia mostrar, de modo mais conciso nem mais claro, a origem da má disposição que o mundo manifesta para com a Igreja, a religião e seus verdadeiros seguidores.

2. CEGUEIRA E PERVERSIDADE DOS PERSEGUIDORES

José conta um sonho inocente a seus irmãos, e eles entre si juram sua ruína. O Redentor ressuscita Lázaro, e seus inimigos declaram que é preciso dar morte a ele mesmo e a Lázaro, somente porque Jesus o havia chamado de volta à vida. Quem não exclamará com Agostinho: «Ó ferocidade cega!» (In Evang. de Laz.). Em todos os tempos, os maus sempre trilharam esse caminho. Em seu ódio cego e frenético, perseguem a Igreja, derrubam suas cruzes, abatem seus altares, maltratam seus ministros. A Igreja, os sacerdotes e a religião cumulam-nos de benefícios, favores e atenções; é preciso aniquilá-los! «É um jugo», gritam como energúmenos, «é uma escravidão; é preciso quebrar-lhe os grilhões; é um peso; é preciso livrar-se dele.» Eis a liberdade dos canalhas, a liberdade de praticar o mal.

Jesus dá a vista aos cegos, o ouvido aos surdos, a fala aos mudos, a saúde aos enfermos, a vida aos mortos; multiplica os pães, acalma as tempestades, expulsa os demônios; semeia a cada passo um novo benefício ou um novo prodígio, e os judeus conspiram para sua morte; entregam-no a Pilatos; e, se este lhes pergunta de que crime o acusam, pois declara, por sua parte, não encontrar nele motivo algum de condenação, por toda razão os desgraçados gritam: Crucifica-o, crucifica-o! São Paulo, em Jerusalém, falando com grande autoridade em nome do Senhor, instruía os gentios e discutia com os gregos; e estes, dizem os Atos dos Apóstolos, procuravam matá-lo (At 9,29).

Mas Deus nos assegura que, enquanto os iníquos julgam subjugar a nação santa, permanecem acorrentados nos grilhões de uma longa e tenebrosa noite; e esses escravos da Providência, que procuram subtrair-se a ela, definham encerrados em seus casebres (Sb 17,2).

3. CORAGEM NAS PERSEGUIÇÕES

«O soldado de Jesus Cristo, assim o retrata São Cipriano, instruído pelos preceitos e conselhos de seu comandante, não se assusta com o combate, mas o enfrenta preparado para a coroa. O soldado de Cristo sabe morrer, mas não ser vencido; e justamente por isso é invencível, porque não teme a morte (2).» Ouvi, com efeito, como São Lucas narra os primeiros feitos dos Apóstolos: «Tendo o conselho dos judeus mandado açoitar os Apóstolos e proibido-lhes que jamais tornassem a falar em nome de Jesus, eles partiram todos alegres e jubilosos da assembleia, porque haviam sido julgados dignos de sofrer pelo nome de Jesus Cristo» (At 5,40-41). «Em minha primeira defesa, dizia São Paulo a Timóteo, ninguém me assistiu; todos me abandonaram; que isso não lhes seja imputado como culpa. Mas o Senhor esteve ao meu lado, fortaleceu-me e livrou-me das fauces do leão» (2Tm 4,16-17). Em seu louvor, dizia Crisóstomo: «Paulo, inflamado de caridade, considerava mosquitos os tiranos e o próprio Nero; quanto à morte, aos tormentos e a toda espécie de suplícios, estimava-os brinquedos de crianças (3)».

Mas deixemos que fale o próprio São João Crisóstomo, para compreender e aprender dele qual é o sentimento do soldado de Jesus Cristo às voltas com as perseguições. «Cercado por perseguidores, ameaçado e condenado ao exílio, encontro-me como um navegante em meio ao mar tempestuoso; mas não temo ser submerso, porque me mantenho firme sobre a sólida pedra, contra a qual nada pode o mar, por mais que se enfureça. Não temo o exílio, porque o mundo é a casa de todos os homens. Expulso da cidade, não me inquietava absolutamente nada e dizia comigo mesmo: se a rainha Eudóxia quer exilar-me, que o faça, pois de Deus é toda a terra e tudo o que ela contém; se quer serrar-me, faça a sua vontade, pois semelhante tormento sofreu Isaías; se lhe agrada afogar-me, que assim seja, eu me lembrarei de Jonas. Ordena que me apedrejem? Não posso desejar morte melhor, porque terei por companheiro Santo Estêvão, o protomártir. Quer minha cabeça? Mande simplesmente cortá-la; consolar-me-á ter por companheiro um João Batista. Prefere tirar-me aquela pouca substância que possuo? Tome-a, pois nu saí do seio de minha mãe e nu irei para o seio da terra» (Homil. XI).

O mártir São Tibúrcio assim falava ao juiz Torquato: «Vamos, enforca, esquarteja, põe em ação os cavaletes, os ferros pontiagudos, as grelhas ardentes; reúne todos os suplícios que a mais refinada barbárie possa inventar e emprega-os todos para martirizar os cristãos. Se nos ameaças com o exílio, isso não nos importa nada, porque o mundo inteiro não é, aos nossos olhos, senão um horrendo exílio; se nos mandas à morte, para lá vamos jubilosos, porque saímos do cárcere da terra; se nos condenas às chamas, alegramo-nos, porque escapamos do fogo das paixões, muito mais terrível que as chamas terrenas. Ordena tudo o que te aprouver; toda pena é para nós, cristãos, um mero nada, quando levamos conosco uma consciência pura» (In Vita).

«Nada desejo absolutamente, nem sequer a saúde do corpo e a vida, fora de Jesus Cristo, dizia Santa Ágata. Não te iludas, ó Quinciano, julgando poder intimidar-me com tuas ameaças ou abater-me com tuas crueldades e tormentos. Sabe que o cervo abrasado de sede não corre com maior ânsia à fonte do que eu anseio por teus suplícios, para que, por meio deles, eu abrace meu Jesus e me una a ele para sempre. Se queres acabar comigo à espada, eis meu pescoço nu; se queres açoitar-me, golpeia todo o meu corpo; se queres lançar-me às chamas, eis meu corpo; cabeça, mãos, pés, enfim, todos os meus membros, de bom grado te ofereço. Corta, dilacera, tortura, queima, amarra, traspassa, crucifica, mata à tua vontade; quanto mais cruel fores comigo, tanto mais me serás benéfico, tanto mais consolo e glória receberei de meu doce esposo. Que esperas? Toda demora é longa demais para uma alma que anseia pelo céu» (In Vita).

Em uma palavra, concluamos com o Crisóstomo: «Sempre os confessores combatem, sempre os mártires triunfam, sempre os exércitos cristãos combatem armados de Deus e sempre saem vitoriosos dos demônios (4).» Generosas lutas, admiráveis combates, nos quais as virtudes triunfam e são coroadas! Tertuliano, para afastar os cristãos dos espetáculos dos pagãos, bradava-lhes: «Agradam-vos as lutas? Ei-las em abundância. Vede a impudicícia vencida pela castidade, a perfídia superada pela fé, a crueldade subjugada pela misericórdia, a petulância cedendo à modéstia; e estes são os nossos combates, dos quais saímos coroados de louros eternos (5)».

4. VANTAGENS DAS PERSEGUIÇÕES

«Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça!, disse a Sabedoria encarnada; porque deles é o reino dos céus. Sereis felizes quando os homens vos amaldiçoarem e perseguirem, e disserem falsamente toda espécie de vitupério contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque grande será a vossa recompensa no céu» (Mt 5, 10-12). A perseguição é, pois, como diz o próprio Jesus Cristo, uma das oito bem-aventuranças por Ele proclamadas. Mas adverti que, para ser bem-aventurado, é preciso sofrer perseguição por causa da justiça, pois aqueles que padecem vexações como ladrões, adúlteros, assassinos, incendiários e conspiradores estão longe de ser bem-aventurados; a perseguição é para eles justo castigo das culpas, não motivo de mérito diante de Jesus Cristo. Bem-aventurados os perseguidos. Com efeito, a perseguição sofrida pela virtude, pela religião e pela Igreja: 1° afasta-nos do mundo e une-nos a Deus; 2° torna-nos semelhantes ao Redentor perseguido; 3° purifica-nos dos pecados; 4° honra-nos; 5° fecha-nos o inferno e abre-nos o paraíso: «Singular graça, diz São Pedro Apóstolo, recebe aquele que sofre uma pena por causa de Deus, quando a suporta pacientemente» (1Pd 2, 19). «Se sofrerdes alguma coisa por causa da justiça, sois felizes» (Id. 3, 14). «Alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Jesus Cristo, para que também vos alegreis, cheios de júbilo, na manifestação da sua glória. Bem-aventurados sois se vos insultam por causa do nome de Cristo; porque aquilo que é da honra, da glória e da virtude de Deus e do seu Espírito repousa sobre vós» (Id. 4, 13-14). Santo Ambrósio observa que a Igreja, à semelhança do ouro de boa qualidade, quando passa pelo fogo, em vez de perder, adquire mais brilho (6).

Lê-se no Livro da Sabedoria: «As almas dos justos estão nas mãos de Deus, e a morte não pode atingi-las. Aos olhos dos insensatos parece que morrem, e seu fim é tido como aflição, e sua partida deste mundo, como aniquilamento; mas eles estão em paz. E, embora aos olhos dos homens tenham sofrido tormentos, sua esperança está fundada na imortalidade. Sua pena foi leve, mas grande será a recompensa, porque Deus os provou e os achou dignos de si. Sim, provou-os como o ouro no cadinho e recebeu-os como holocausto; e a seu tempo serão consolados. Resplandecerão como o fogo que se alastra por um canavial seco; julgarão as nações, dominarão os povos, e o seu Senhor reinará eternamente» (Sb 3, 1-8).

A palavra perseguição vem do verbo perseguir, que significa seguir de perto, porque a perseguição segue, não precede, o homem piedoso; segue-o de perto, mas não o ultrapassa para atravessar-lhe o caminho; antes, impele-o a alcançar a meta. A tribulação, ao contrário, que não se deve confundir com a perseguição, caminha diante dos maus e detém-nos no caminho que conduz à felicidade. «O valoroso atleta de Jesus Cristo, escreve Santo Ambrósio, é provado pelos ultrajes, pelos trabalhos e pelos perigos, para que se torne digno de cingir a coroa da justiça. Aquele que é perseguido e ferido pelos homens é copiosamente recompensado por Deus (7).» Meditemos estas palavras do Crisóstomo: «No vosso combate, o Senhor entra convosco em campo; convosco e por vós combate, e, entretanto, deixa-vos a honra da vitória. A vossa batalha é a batalha de Deus; o vosso combate é o combate de Cristo. Ora, por que havereis de temer? Por que vos deixareis dominar pelo espanto? Acaso saireis vencedores por vossa própria virtude? Ah! Empunhai as armas, saí para o combate; lutai com fortaleza, para que o braço do Invencível esteja convosco na batalha (8).»

«É preciso estar pronto, diz Santo Agostinho, para sofrer tudo aquilo que um mundo cego e insensato se compraz em fazer-nos sofrer: a perda dos bens, o exílio, as cadeias, a tortura, os tormentos, os aguilhões, as feras, as chamas, as cruzes, toda espécie de morte. Deus toma sobre si o encargo de nos recompensar» (Sentent. CCLXXII). «E sabeis por que, diz São Cipriano, o Senhor quis que permanecêssemos alegres e contentes nas perseguições? Porque então os soldados de Cristo são provados, as coroas da fé são distribuídas, os céus se abrem aos mártires. Enquanto combatemos, Deus, os Anjos e Cristo Jesus nos contemplam. Que glória, que dignidade, que honra combater sob os olhos de Deus e ser coroado por Jesus, juiz do combate! (9)».

5. MEIOS PARA TRIUNFAR DAS PERSEGUIÇÕES

1° Triunfa-se de toda perseguição e de todo tormento com a paciência e com a morte. Os perseguidores podem ser comparados às cantáridas; assim como elas, causam incômodo e sofrimento, mas purificam… 2° Não se devem temer os perseguidores. Eles proporcionam a salvação e a glória dos inocentes perseguidos, enquanto cobrem a si mesmos de ignomínia e trabalham para a própria ruína. Seu poder não se estende senão ao corpo e à vida presente; a alma e a eternidade estão infinitamente acima deles. Por isso Jesus nos adverte a não temer de modo algum aqueles que matam o corpo, mas nada podem fazer contra a alma; antes, a ter grande temor daquele que pode perder o corpo e a alma no fogo eterno (Mt 10,28). 3° É preciso vencer; ora, não se pode vencer sem combate, não se pode alcançar o triunfo sem ter combatido, diz o Crisóstomo, que por isso nos exorta a considerar o pacto que juramos; as condições às quais consentimos; a milícia na qual nos alistamos (Homil. XI). 4° Convém pesar na balança a brevidade das perseguições e a duração da coroa e da glória.

Fonte: I tesori di Padre Cornelio a Lapide S.J., tratti dai suoi Commentari sulla S. Scrittura; dall'ab. Barbier, per uso dei predicatori e delle famiglie cristiane. Prima versione italiana dal francese, del sacerdote Francesco M. Faber. Parma, Pietro Fiaccadori, 1869 (3 volumes), em domínio público. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do italiano; o original de cada seção abre pelo botão Italiano ou fica ao lado do texto pelo botão Ver original em italiano.