«Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste», diz Jesus Cristo (Mt 5, 48). «Sede perfeitos», repete o grande Apóstolo (2Cor 13, 11). Mas o que é essa perfeição, e em que consiste? Consiste, primeiramente, em imitar Jesus Cristo: «Quem diz estar em Jesus Cristo deve caminhar pelo caminho por onde caminhou Jesus Cristo» (1Jo 2, 6). Em segundo lugar, consiste em fazer Jesus Cristo viver em nós, e em vivermos nós somente de Jesus e para Jesus. Diz isso São Paulo, que certamente vivia segundo a perfeição: «Eu vivo, mas já não sou eu; é Jesus que vive em mim, porque toda a minha vida está em Jesus Cristo» (Gl 2,20; Fl 1,21).
Um sábio, tendo encontrado um mendigo, perguntou-lhe: De onde vens tu? — De Deus, respondeu o mendigo. — Onde aprendeste tão grande sabedoria? — Encontrei-a lá onde abandonei todas as criaturas. — Quem és tu? — Sou rei. — Onde está o teu reino? — Em minha alma, porque aprendi a governar os meus sentidos exteriores e interiores, para que todos os afetos e todas as potências de minha alma me estejam sujeitos. — Quem te guiou a essa perfeição? — O meu silêncio, as minhas orações, as minhas meditações, a minha união com Deus. Deixei tudo o que não é Deus, e encontrei o meu Deus, e nele gozo contínua paz e repouso (TAULERO, p. 685). Eis a perfeição…
A perfeição do homem, segundo Santo Agostinho, consiste em considerar-se imperfeitíssimo. «Nunca estejas contente, diz este santo Padre, com aquilo que és, se queres chegar àquilo que não és; pois, a partir do momento em que te comprazes em ti mesmo, paras; e, se dizes: basta, então estás perdido (1)». A perfeição consiste em progredir de virtude em virtude, até chegar à casa de Deus (Sl 83, 7); de modo que, como explica São João, aquele que já é justo procure tornar-se ainda mais justo; aquele que já é santo se torne mais santo (Ap 22, 11). Temos disso um belo exemplo no jovem Jesus, de quem o Evangelista observa, para seu louvor, que crescia continuamente em sabedoria, assim como em idade e em graça diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52).
A verdadeira perfeição dos justos consiste em nunca presumirem ser tais, para que não lhes suceda que, não continuando o seu caminho, corram o perigo de cair justamente onde cessariam de avançar… A perfeição é uma generosidade heroica, uma grande e constante aplicação em progredir em todas as virtudes e em praticar as obras maravilhosas que elas inspiram. Por isso devemos imitar, de certo modo, o avarento; assim como este nunca está saciado de ouro, assim nós nunca estamos saciados de graça, de virtudes e de boas obras. Conservais muito bem aquilo que adquiristes, se trabalhais sempre para acumular. O que possuís irá diminuindo à medida que cessardes de adquirir. São Marciano, tendo-se encontrado com um caçador, perguntou-lhe: Que fazeis? — E este respondeu: Caço lebres e cervos, como vedes, e persigo-os até havê-los apanhado. Também eu, retomou o Santo, corro atrás de Deus e não cessarei esta caça divina até que o tenha alcançado e dele me tenha apoderado para sempre (2).
O coração do homem perfeito procura sempre subir, diz o Profeta (Sl 83,6); o Sábio compara a vida dos justos ao sol nascente, que avança e cresce até chegar ao meio-dia (Pr 4, 18). «Feliz aquele, exclama São Jerônimo, que avança todos os dias; que não considera o bem que fez ontem, mas pensa no que deve fazer hoje para avançar. O santo está sempre disposto a subir; o pecador, a descer; e, portanto, assim como o homem perfeito se aperfeiçoa cada dia mais, assim o homem pecador desce e decresce a cada dia (3)». Santo Agostinho chama perfeito o homem quando trabalha durante toda a sua vida para tender à vida imutável e eterna, e se aplica a isso com toda a alma (4).
«Todo discípulo que, na escola de Jesus Cristo, não avança é indigno, diz São Bernardo, de seu ensinamento. A verdadeira virtude não conhece limite; não é limitada pelo tempo; nunca diz basta, mas tem sempre fome e sede de justiça, de modo que, se vivesse eternamente, sempre, tanto quanto dependesse dela, se esforçaria por tornar-se mais justa; empenhar-se-ia com todas as forças em passar do perfeito ao sublime da perfeição.
Com efeito, ela não se dedicou ao serviço de Deus por determinado tempo, como um servo comum, mas consagrou-se a Ele para sempre. Eis como fala o justo: Senhor, jamais esquecerei a vossa lei salutar, porque vós me santificais por meio dela. A perfeição não é para o tempo, mas para a eternidade. A fome contínua do perfeito merece saciar-se eternamente. E, embora o tempo lhe ponha fim prontamente, ela cumpriu, todavia, um longo espaço de tempo mediante a prática contínua da virtude» (Epl. CXLII).
«Por longa que seja a nossa carreira, escreve Santo Agostinho, por quantos passos se tenha avançado no caminho da perfeição, ninguém diga jamais: isto me basta, sou justo. Quem assim falasse ou pensasse ficaria pelo caminho e não alcançaria a meta. Eis o que diz o Apóstolo: Meus irmãos, não julgo ter terminado já a corrida. Ele corre continuamente, e vós vos detendes! Ele ainda se considera imperfeito, e vós vos gloriais de vossa justiça!» (Serm. XV de Verbo Apost.). «Ah, por caridade! acrescentai sempre, caminhai sempre, avançai sempre. Melhor e mais depressa caminha o coxo que permanece no caminho do que aquele que corre fora dele (5)». «Não é perfeito aquele que não deseja ser sempre mais perfeito; e mostra-se mais perfeito aquele que tende sempre a uma perfeição maior (6)». «Não avançar, diz São Bernardo, é sem dúvida recuar. Correi quanto quiserdes, mas, se não correrdes até à morte, não obtereis o prêmio do vencedor (7)».
Eis um esboço da perfeição cristã, traçado por São Cipriano: «A humildade no trato, a firmeza na fé, a discrição nas palavras, a justiça nas ações, a castidade nos costumes; jamais fazer injúria, suportar as que nos fazem, conservar a paz e a união com todos, amar a Deus como um pai, temê-lo como um juiz, preferir Jesus Cristo a todas as coisas, assim como Ele nos preferiu a tudo; unir-nos inseparavelmente à sua caridade, apegar-nos com coragem, confiança e perseverança à sua cruz; quando se trata de seu nome e de sua honra, mostrar constância nos discursos para confessá-lo, confiança nas provações, paciência nos sofrimentos e na morte para chegar à coroa; fazer tudo isso é querer ser coerdeiros de Jesus Cristo, é cumprir o preceito de Deus, é fazer a vontade do Pai celeste» (De Orat. domin.).
Na verdade, dizia São Macário, quem considera o desprezo como louvor, estima a pobreza como tesouro e toma a fome por excelente alimento jamais morre (Vit. Patr.).
Aos que tendem à perfeição, São João Clímaco prescreve, como lição, estas práticas: «A obediência, o jejum, o cilício, a cinza, as lágrimas, a confissão, o silêncio, a humildade, as vigílias, a coragem, o frio, o trabalho, as provações, o desprezo, a contrição, o esquecimento das injúrias, a caridade fraterna, a doçura, a fé simples, sem curiosidade, o desprezo do mundo, a renúncia aos parentes, o desapego de todas as coisas, a simplicidade unida à inocência, o desejo de ser esquecido». Prescreve obras mais elevadas àqueles que já estão adiantados na perfeição. A vida destes, diz ele, consiste em triunfar da vanglória e dos movimentos irrefletidos da alma, em esperar firmemente a salvação; no repouso da alma, na discrição, na lembrança profundamente arraigada e contínua do juízo final, na misericórdia, na hospitalidade, na correção moderada, na oração. Finalmente, quer que aqueles que chegaram à perfeição tenham o coração livre de todo impedimento, possuam caridade perfeita, humildade profundíssima, estejam inteiramente mortos para o mundo e completamente absortos em Jesus Cristo, se entreguem com fervor à contemplação, recebam todas as luzes celestes, desejem a morte, odeiem a vida e fujam continuamente do próprio corpo (Grad. XXVI).
É preciso tender à perfeição do próprio Deus. Perfeição consumada, elevação altíssima é a imitação de Deus. «E, já que não nos é dado imitá-lo, como adverte São Jerônimo, no poder, na magnificência, na eternidade e em outros atributos semelhantes, podemos ao menos imitá-lo de longe na doçura, na humildade, na caridade, na pureza, na santidade» (Epist.). «É preciso imitar, diz São Tomás, a imutabilidade de Deus pela constante igualdade de ânimo tanto na prosperidade como na adversidade; sua presciência, pela previdência dos fins últimos; sua veracidade, a sinceridade, a paciência, a clemência, a obediência, a sua caridade» (4 q. 2, art. 7).
«Quem é esta que se adianta como a aurora nascente, bela como a lua, resplandecente como o sol?» (Ct. 6, 9). Quem é esta que se ergue como a aurora nascente? Eis a alma que começa sua perfeição… Bela como a lua; eis a alma que avança na perfeição… Resplandecente como o sol; eis a alma que chegou ao ápice da perfeição. Aquilo que aqui é indicado sob uma figura é claramente explicado pelo Espírito Santo no livro da Sabedoria, onde se lê: «O princípio da sabedoria é o verdadeiro e sincero desejo da disciplina; o cuidado da disciplina torna-se o seu amor; o amor da sabedoria conduz à observância de suas leis; a observância das leis leva à consumação da santidade; e a santidade aproxima, e até une, o homem a Deus» (Sb. 6, 13-20).
«A escada da perfeição consta de dois braços e de doze degraus, escreve São Bernardo. O braço direito é o desprezo de si mesmo até o amor de Deus; o esquerdo significa o desprezo do mundo até o amor do reino celeste. Os doze degraus são: 1° o ódio ao pecado…; 2° a fuga do pecado…; 3° o temor do ódio de Deus…; 4° a submissão ao Criador em todas as coisas…; 5° a obediência ao próprio superior…; 6° a submissão ao próprio igual…; 7° a condescendência para com o inferior…; 8° colocar-se no último lugar…; 9° meditar incessantemente sobre o próprio fim…; 10° temer sempre as próprias obras…; 11° confessar humildemente os próprios pensamentos…; 12° deixar-se conduzir em tudo pela mão de Deus, segundo a sua vontade… Por esta escada descem e sobem os anjos, e os homens sobem ao céu» (Serm. in Cant.).
A perfeição, diz São Basílio, é uma escada em cujo topo está a caridade e cujos degraus são formados por outras tantas renúncias. 1° Renunciar às coisas terrenas…; 2° esquecê-las inteiramente…; 3° detestá-las, desprezá-las como lodo…; 4° despojar-se do apego ao próximo, aos amigos…; 5° odiar a própria alma por causa de Jesus Cristo…; 6° renunciar à própria vontade, ao próprio juízo…; 7° mortificar incessantemente os próprios desejos para cumprir aquilo que disse Jesus Cristo: «Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga os meus passos» (Mt 16, 24)…; 8° seguir Jesus e aprender dele a humildade e a mansidão…; 9° amar em toda circunstância e eficazmente o próximo, inclusive os próprios inimigos…; 10° apegar-se a Deus e formar com Ele um só espírito (In Psalm.). Esta escada apoia-se na casa de Deus, à porta do céu.
Cassiano escreve: «A ordem pela qual podereis subir com toda facilidade ao cume da perfeição é a seguinte: O começo da salvação e da sabedoria é o temor de Deus; do temor do Senhor nasce a compunção salutar; da compunção do coração provêm a renúncia, o desapego, o desprezo de todo desejo humano; dessa negação nasce a humildade; a humildade gera a mortificação da vontade; com a mortificação da vontade são destruídas ou cortadas as raízes de todos os vícios; extirpados os vícios, as virtudes lançam raízes, crescem, florescem e dão fruto; mediante o nascimento, o crescimento e o domínio das virtudes, adquire-se a pureza do coração; por meio da pureza do coração chega-se à posse da caridade perfeita» (Institut. ).
São Paulo, que era perfeito, descreve assim aos Coríntios as maravilhas, as riquezas e os estupendos frutos de sua perfeição: «Em tudo nos comportamos como ministros de Deus, com muita paciência, nas tribulações, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, entre as sedições, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns; com a castidade, com o conhecimento, com a longanimidade, com a mansidão, com o Espírito Santo, com a caridade não fingida; com a palavra da verdade, com o poder de Deus, com as armas da justiça à direita e à esquerda; por meio da glória e da ignomínia, da infâmia e da boa fama; como sedutores, e contudo verazes; como desconhecidos, mas também conhecidos; como moribundos, e eis que vivemos; quase melancólicos, e contudo sempre alegres; quase mendigos, mas enriquecendo a muitos; quase privados de tudo, e possuidores de todas as coisas» (2Cor. 6, 4-10).
São Gregório Nazianzeno diz dos perfeitos: «A vida deles é riqueza na indigência, abundância na penúria, glória no desprezo, paciência na enfermidade, uma família admirável no celibato (a família das virtudes); o desprezo das delícias constitui a sua delícia; abraçam a humildade para conquistar o reino celeste; nada possuem no mundo e são seus senhores; revestidos de carne, vivem como se não a tivessem; têm Deus por sua porção e vivem em absoluta pobreza pela esperança do reino, e essa pobreza completa os faz reinar sobre todas as coisas» (Orat. 1, de Pace).
As obras das pessoas perfeitas chegam ao heroísmo: heroica é a vitória sobre si mesmas; heroica, a vitória delas sobre o inferno e sobre as paixões; heroico é o modo pelo qual superam as dificuldades e vencem os obstáculos que ordinariamente se opõem à aquisição das virtudes; heroicos, os esforços que fazem para realizar empreendimentos nobres e árduos. Em virtude dos esforços que fazemos para chegar à perfeição, diz o Nazianzeno, tornamo-nos tanto mais terríveis aos demônios quanto mais nos aproximamos de Deus (Orat. 1, de Pace).
«Os raios do sol, escreve Sêneca, tocam, sim, a terra, mas permanecem lá de onde vêm (8)». Assim são os perfeitos: brilham sobre a terra e a iluminam com sua castidade; mas habitam no céu, e os raios de luz que espalham sobre o universo partem do próprio Deus. Além disso, os perfeitos são os únicos verdadeiramente felizes, no tempo e na eternidade, porque praticam todas as virtudes, as quais somente proporcionam a verdadeira felicidade; praticam tudo aquilo que concede as oito bem-aventuranças pregadas por Jesus Cristo. Mantêm-se baixos e humildes, e Jesus disse: bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. São inteiramente bondade e doçura, e Jesus disse: bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra; a terra de seu corpo, a terra dos viventes. Eles choram; e está escrito no Evangelho: bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Não têm outro desejo senão santificar-se, e Jesus disse: bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Quem mais do que eles possui entranhas de caridade, de humanidade e de compaixão para com o próximo? E Jesus disse: bem-aventurados os misericordiosos, porque obterão misericórdia. São anjos de pureza: bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. São pacíficos: bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Suportam pacientemente as aflições, os insultos, os desprezos, as cruzes e as perseguições; bem-aventurados os que padecem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus (Mt 5, 5-10).
O 1º meio para chegar à perfeição é fazer aquilo em que consiste a perfeição, isto é, a imitação de Deus e de Jesus Cristo, segundo a exortação de São Paulo: «Sede imitadores de Deus, como filhos caríssimos, e caminhai no amor, como Cristo nos amou» (Ef 5, 1-2).
2º São Egídio, discípulo de São Francisco, dizia: «Quereis enxergar bem? Sede cegos. Quereis ouvir bem? Sede surdos. Quereis falar bem? Sede mudos. Quereis caminhar bem? Cortai os pés. Quereis trabalhar bem? Cortai as mãos. Quereis amar-vos sinceramente? Odiai-vos. Quereis viver alegremente? Mortificai-vos. Quereis ganhar muito? Perdei tudo. O modo de tornar-se rico está em ser pobre. O segredo para viver feliz e entre delícias consiste em afligir-vos e castigar-vos. Desejais estar tranquilos e seguros? Permanecei sempre no temor. Agrada-vos ser elevados? Rebaixai-vos. Quereis as honras? Desprezai-vos e honrai aqueles que vos desprezam. Se amais ter o bem, suportai o mal. Se amais estar em repouso, ocupai-vos. Se amais ser benditos, desejai ser malditos. Grande sabedoria e sublime perfeição é saber praticar estas coisas! E precisamente porque estas coisas são grandes, os insensatos não chegam a elas» (Lib. 1, pag. 65).
3º Importa saber e estar persuadido: 1º de que estamos muito longe da perfeição; 2º de procurar avançar todos os dias na perfeição; 3º de ter um desejo insaciável de tornar-se perfeito; 4º de manter continuamente fixo o olhar no valor da celeste vocação de Deus e na palma prometida ao vencedor. Para chegar à perfeição, para merecer a coroa, o meio mais eficaz de todos é examinar-nos seriamente, sobretudo quanto ao pecado que domina em nós, e, por isso, nunca esquecer o exame diário da própria consciência; conhecido o pecado radical ou dominante, esforçar-se por destruí-lo. «Avançai, diz Santo Agostinho, entrai francamente em juízo convosco mesmos, sem vos lisonjear nem adular. Pois não há dentro de vós uma pessoa diante da qual devais corar ou de quem possais vangloriar-vos; mas há alguém a quem agrada a humildade. Que ele vos prove, e provai-vos a vós mesmos (9)».
4º Fazei tudo para a maior glória de Deus: «Uma pequena coisa bem feita, dizia já Platão, vale muito mais do que muitas coisas grandes e ilustres, feitas de qualquer maneira (10)». Tudo o que é bem feito é grande; mas nem tudo o que é grande é bem feito; e, quando não é bem feito, aquilo que é grande torna-se pequeno. As pequenas coisas bem feitas conduzem à perfeição; as grandes, realizadas negligentemente, conduzem à imperfeição. «O exercício de funções santas não prova a santidade, observa São Cipriano; para isso, é preciso que se cumpra santamente aquilo que é santo (11)». Louvai a Deus todos os dias, diz Santo Agostinho; e vós o louvareis todos os dias, se fizerdes bem tudo o que fazeis (12)».
Conduzi-vos, pois, ó atleta de Jesus Cristo, de modo que possais dizer com São Paulo, o mais admirável dos atletas: «Combati o bom combate, terminei a corrida, conservei a fé. Quanto ao mais, aguardo a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que aguardam com amor a sua vinda» (2Tm 4, 7-8). A vida é breve, breve é a corrida, eterna e incorruptível é a coroa… Ao levantar-vos pela manhã, pensai e dizei com Santo Antônio: «Comecei hoje a correr; somente hoje comecei a servir a Deus; pode ser que neste dia termine a minha corrida e o meu serviço. Pois bem, viverei como se tivesse de morrer hoje; correrei como se hoje devesse terminar a minha corrida. Como o tempo da corrida não é longo, e resta-me um longo caminho a percorrer para chegar ao céu, correrei a toda velocidade e com todas as forças (Vit. Pat. 1. I).
Outros meios excelentes para chegar à perfeição são: o pensamento da presença de Deus; a conformidade com sua vontade; uma profunda humildade; um absoluto desapego de todas as coisas; recolher-se ao fundo da alma, examinar nela os obstáculos à virtude e removê-los resolutamente; fixar a mente em Deus; professar uma resignação absoluta; desprezar tudo e desejar ser desprezado por todos… «Suportai e abstende-vos, diz Tertuliano; quem observar estes dois pontos viverá sem pecado e será feliz (Ad Martyr.)».