Tesouro n.º 57 · Volume I

DOMINGO DOMENICA

8 seções · 32 parágrafos · pp. 608–617 do PDF · português, com o original italiano a um clique

1. O DIA DO SENHOR

Deus é o criador e o conservador dos dias; todos os dias são seus, e nós somos obrigados a oferecer-lhe, em cada dia, o amor, o respeito, a adoração, a homenagem de tudo o que temos, fazemos e somos; pois não somente todos os dias pertencem a Deus, mas todos os dias nós pertencemos a Deus, isto é, ele é o nosso Deus todos os dias, e não há momento em que não estejamos sob sua dependência. Deus é tão grande e amável na segunda-feira e nos outros dias da semana quanto no domingo… Não obstante, como estamos condenados ao trabalho em expiação de nossos pecados, e esse trabalho distrai o nosso espírito e o aplica quase unicamente às coisas sensíveis, Deus escolheu, em cada semana, um dia especial que reserva inteira e exclusivamente para si. Quer que esse dia seja empregado unicamente no culto que lhe é devido e que teria razão de exigir todos os dias de todos os homens.

2. ENTRE OS HEBREUS, O DIA DO SENHOR ERA O SÉTIMO, E POR QUÊ

O dia que o Senhor havia reservado para si entre o povo judeu era o sábado, o sétimo dia da semana; e o havia escolhido porque nesse dia descansara das obras da criação, realizadas em seis dias, e o havia abençoado e santificado (Gn 2, 2-3).

O preceito da santificação do sábado, ou terceiro preceito do decálogo, está escrito nestes termos: “Lembra-te de santificar o dia do sábado” (Ex 20, 8). O primeiro mandamento ordena-nos prestar a Deus um culto interior; o terceiro impõe-nos um culto exterior; portanto, este terceiro é consequência do primeiro, porque é impossível honrar interiormente a Deus com a fé, a esperança e a caridade, sem honrá-lo também com o culto externo e sem testemunhar-lhe de modo sensível a nossa gratidão. Como, porém, é difícil àqueles que estão enredados nos negócios deste mundo cumprir os deveres do culto externo, Deus quis facilitar-lhes essa obrigação, fixando um tempo para que dela se desincumbissem e removendo os obstáculos ao cumprimento de tão importante dever.

Se Deus não tivesse fixado esse tempo, em breve se teria visto o culto externo negligenciado, e o culto interno também pouco a pouco teria desaparecido. Mas isso não bastava; era ainda necessário remover os obstáculos que poderiam distrair do culto exterior, e Deus o fez proibindo o trabalho; finalmente, convinha impedir que o homem se entregasse, nesse dia, à ociosidade, mãe de todos os vícios, e também a isso Deus providenciou, prescrevendo as obras mais convenientes para honrá-lo (GAUME, Catech. di persev.).

Deus quis que esse repouso do sétimo dia fosse para nós como uma preparação para o da eternidade feliz que sua bondade nos destina; por isso, dispôs que fosse um repouso de louvor, de culto, de adoração e de oração. Eis por que, enquanto nos proíbe toda obra servil e corporal, ordena-nos obras espirituais e santas…

3. POR QUE O DOMINGO FOI SUBSTITUÍDO AO SÁBADO

Este preceito, considerado em sua substância, isto é, como obrigação de santificar certos dias e de reservar determinado tempo para prestar a Deus o culto externo, é imutável e de direito natural e divino, e obriga toda pessoa. Considerado, porém, como determinação de um dia específico em vez de outro, é um preceito cerimonial pertencente à lei mosaica e que, consequentemente, foi abolido com ela… Esta consideração leva-nos ainda a concluir que tal preceito devia ser abolido no instante em que todas as demais cerimônias judaicas fossem rejeitadas, isto é, na morte do Salvador. Com efeito, aquelas cerimônias não eram senão a sombra da verdade; portanto, deviam terminar ao despontar daquela luz, ao aparecer daquela verdade que é Jesus Cristo, do mesmo modo que se dissipam as sombras da noite ao nascer do sol. Eis por que os apóstolos substituíram ao sábado dos judeus o primeiro dos sete dias da semana e o chamaram dia do Senhor, ou domingo. São Paulo fala disso em sua primeira epístola aos Coríntios, onde lhes recomenda que, no primeiro dia de cada semana, cada um deles ponha de lado alguma coisa para as esmolas (1Cor 16, 2). São João faz menção disso no Apocalipse, escrevendo que se achou arrebatado em êxtase no dia do Senhor (Ap 1, 10).

Várias razões moveram os apóstolos a transferir a festa do sétimo para o primeiro dia da semana. 1º Neste dia, a luz começou a resplandecer sobre o mundo. 2º Neste dia ocorreu a ressurreição de Jesus Cristo, e a humanidade, saindo das trevas do pecado, sentiu correr em suas veias os primeiros sopros da vida gloriosa do novo Adão. 3º Neste dia teve início a criação do mundo, que neste mesmo dia começou também a ser regenerado por meio do Espírito Santo, descido sobre os apóstolos. Por isso, a Igreja cristã, consagrando a Deus o domingo, que corresponde ao mesmo tempo à criação do mundo, à ressurreição de Jesus Cristo e à descida do Espírito Santo, reuniu vários motivos, todos aptos a estimular a nossa piedade. Ela honra a Deus Pai onipotente, como criador e conservador de todas as coisas; honra Jesus Cristo, seu Unigênito, como nosso Salvador, que nos libertou da servidão do demônio e do pecado e que, depois dos trabalhos de sua carreira mortal, entrou, por meio da ressurreição, no repouso eterno, figurado no repouso de Deus após a criação; honra o Espírito Santo, como princípio da nova criação, muito mais estupenda que a primeira, porque por meio dela fomos tirados do nada do pecado e recebemos um novo ser e uma nova vida.

Seja o domingo o nosso dia; dia de alegria, de santificação, no qual exclamemos com o rei profeta: (Sl 118, 24). Este é o dia da adorável Trindade: nele o Pai se manifesta pela criação da luz; o Filho, pela sua ressurreição; o Espírito Santo, pela sua descida sobre os apóstolos. Ó dia santo, ó dia bendito, dia felicíssimo! Possas tu ser sempre o verdadeiro domingo, o verdadeiro dia do Senhor, pela fidelidade e pontualidade com que te observaremos, assim como o és pela santidade de tua instituição! …

4. OBRIGAÇÃO DE SANTIFICAR O DOMINGO

O preceito da santificação do domingo obriga sob pena de culpa grave, porque Deus e a Igreja nos impõem dele um sagrado e estrito dever.

Não contente de haver escrito na tábua de pedra: Lembra-te de santificar o sábado, isto é, o dia do Senhor (Ex 20, 8), Deus volta muitas vezes a recordá-lo, inculcá-lo e explicá-lo ao povo de Israel pela boca de Moisés: “Fala, diz-lhe, aos filhos de Israel e recomenda-lhes que observem exatamente o sábado; e, se encontrares quem o profane, seja este punido de morte” (Ib. 31, 13-15),

O repouso do sábado é tão consagrado ao Senhor que o povo de Judá recebeu ordem de fazer, preparar e pôr em ordem, no dia anterior, tudo quanto deveria ser feito no sábado. Nem sequer o maná estava excluído dessa lei geral do repouso, pois encontramos este mandamento: “Recolhei o maná durante os seis dias; mas no sétimo não o encontrareis, porque é o sábado do Senhor” (Ib. 16, 26). Para tornar ainda mais sagrado e venerado esse preceito, Deus acrescentou-lhe o selo do milagre; com efeito, estava estabelecido que cada um recolhesse, a cada manhã da semana, somente a quantidade de maná que lhe bastasse para aquele dia, e o excedente que tivesse sido recolhido corrompia-se e apodrecia no decorrer de vinte e quatro horas. Na sexta-feira, ao contrário, cada família devia providenciar uma porção dupla, uma das quais seria guardada para o sábado, e esta se conservava sadia e fresca. E isso foi comprovado quando, chegada a aurora do sétimo dia, alguns, mais incrédulos à palavra de Moisés, saíram para recolher o maná, mas não encontraram vestígio dele e ouviram da boca de seu chefe esta repreensão de Deus: “E até quando vos recusareis a observar os meus mandamentos e a minha lei? Vede que o Senhor vos deu o sábado e, por isso, no sexto dia vos provê de alimento em dobro; cada um permaneça em sua tenda, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia (Ib. 16, 28-39)”. E esse tríplice milagre do maná durou quarenta anos, certamente para atestar a necessidade de santificar o sábado…

“Lembra-te de que o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; nele não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal de carga, nem sequer o estrangeiro que se hospeda em tua casa (Ex 20, 10). Durante seis dias trabalhareis; mas o sétimo é o sábado, repouso consagrado ao Senhor; quem quer que trabalhar nesse dia será punido de morte. Os filhos de Israel guardarão o sábado e o celebrarão por todas as suas gerações. Este é um pacto eterno, é um sinal perpétuo entre mim e eles, pois em seis dias o Senhor fez o céu e a terra e, no sétimo, repousou de suas obras (Ib. 31, 15-17)”. E encontramos este preceito renovado no capítulo XXXV.

Também no Levítico Deus volta a inculcar essa observância do sábado, isto é, da festa; tanto isso lhe importa! “Observai os meus sábados: Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 19, 3). “O primeiro dia do sétimo mês será para vós dia de festa, memorável pelo toque das trombetas, e será chamado santo” (Lv 23, 24). Dessas palavras se depreende que, além do sábado, Deus havia instituído outras festas que deviam ser santificadas e observadas com a mesma religiosidade que o sábado.

No Deuteronômio encontramos repetido: “Observa o dia de sábado para santificá-lo, como te ordenou o Senhor, teu Deus. Durante seis dias trabalharás e farás tudo quanto te for necessário. O sétimo dia é o sábado, isto é, o repouso do Senhor, teu Deus. Nele não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu boi, nem teu jumento, nem nenhum dos teus animais, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas, para que descansem o teu servo e a tua serva, assim como tu (Dt 5, 12-14)”.

Ouvi Jeremias: “Isto diz o Senhor: Cuidai de vossas almas e não carregueis pesos no dia de sábado… e não façais trabalho algum. Santificai o dia de sábado, como ordenei a vossos pais… Se não me ouvirdes nisto, em santificar o dia de sábado… acenderei um fogo que devorará as casas de Jerusalém e não se extinguirá” (Jr 17, 21, 22, 27).

É certo que todas as recomendações, as promessas e as ameaças feitas por Deus ao povo judeu a respeito da santificação do sábado aplicam-se aos cristãos relativamente à santificação do domingo.

5. VANTAGENS DA SANTIFICAÇÃO DAS FESTAS

Este mandamento, como os demais, é inteiramente para nosso proveito. Sem este dia de oração e repouso, nossa alma, toda ocupada com os cuidados e interesses temporais, esqueceria bem depressa seu último fim, e nosso amor, em vez de purificar-se, iria degradando-se, e nós nos tornaríamos em breve semelhantes aos pagãos, como se pode ver entre os povos que cessam de santificar o domingo. Nosso amor, concentrando-se nos bens do tempo, torna-se uma fonte contínua de calamidades; a ambição, a avareza e a volúpia tornam-se as únicas regras daqueles que não pensam na outra vida, e essas três paixões transtornam o mundo. É, pois, uma verdade incontestável que a santificação do domingo é tão necessária ao repouso da sociedade quanto à saúde do homem… Pobres artesãos, que vos consumis durante toda a semana em oficinas insalubres; míseros camponeses e trabalhadores rurais, que suportais o peso do calor e da fadiga, acaso julgais que, com um dia a mais de trabalho por semana, melhoraríeis vossa sorte? Se assim fosse, estaríeis enganados e seríeis vítimas de um funesto erro. Em primeiro lugar, o operário que trabalha no domingo não trabalha na segunda-feira, e eis frustrada a sua esperança; em segundo lugar, ele esbanja em desregramentos boa parte de seu ganho semanal; em terceiro lugar, desgasta com esses excessos as próprias forças e, tornando-se incapaz para o trabalho antes da idade, parte, velho prematuro, para terminar seus dias num hospital, enquanto sua mulher e seus filhos, cobertos de farrapos, ficam a cargo da caridade pública, até que a filantropia, cansada de vê-los por perto, os entregue a um asilo de mendicidade… este é um fato diário. Artesãos, desiludi-vos: o que vos proporciona o conforto para a velhice é a boa conduta; mas sem religião não há boa conduta, porque, sem a religião, não teríeis força para reprimir vossas paixões e resistir à torrente do mau exemplo; mas também jamais tereis religião sem instrução religiosa, e esta não podeis obter senão santificando as festas.

O trabalho do domingo jamais enriqueceu ninguém… Além disso, todo homem precisa de repouso; qualquer ocupação contínua logo enfraquece as forças… Acaso traz ele vantagem aos lavradores? Não: como castigo pela profanação do domingo, as secas, as inundações, o granizo, as doenças e os insetos levam consigo a esperança de uma colheita abundante… O próprio rico acaso tira proveito do trabalho que manda executar nesse dia? Não, porque o operário que trabalha no domingo certamente não tem uma consciência delicada e, se não teme ofender a Deus, pode-se bem concluir que não terá escrúpulo em negligenciar o trabalho do patrão… A santificação do domingo é uma questão de vida ou de morte: de vida, se este santo dia é observado; de morte, se é profanado.

O preceito da observância do domingo é uma das bases da sociedade, uma garantia para o rico, um benefício para o pobre… No domingo, as forças do corpo se restauram pelo repouso; as da alma, pela oração… Vestem-se as roupas festivas, e isso é uma espécie de ressurreição… Ao longo da semana vivemos separados; vemos-nos pouco ou nada; no domingo encontramo-nos todos reunidos em família no lugar santo, aos pés do Pai celeste, para receber dele as bênçãos…

Nesse dia, o pastor reúne as ovelhas e as instrui; nesse dia, os fiéis se estreitam ao redor de seu pai e escutam suas admoestações.

6. O QUE É PRECISO FAZER PARA SANTIFICAR O DOMINGO

O domingo é santo porque é o dia do Senhor; mas só é dia do Senhor se aquilo que nele se faz for diretamente referido ao Senhor; devem, pois, ser santas as obras que se fazem nesse dia. Não basta que o domingo seja santo em si mesmo; é necessário, além disso, que seja santificado, isto é, empregado em boas obras, em ações espirituais, na prática da fé, da esperança, da caridade, da oração e de toda outra virtude…

Deus e a Igreja proibiram o trabalho no domingo, para que tivéssemos mais oportunidade de frequentar o templo, ocupar-nos de orações e cânticos religiosos, dedicar-nos à instrução sagrada, entrar em relação com os santos, aprender o catecismo, meditar a lei de Deus, repassar os deveres do próprio estado, praticar as obras de misericórdia, enfim, dedicar-nos a tudo o que diz respeito ao serviço de Deus e é capaz de nos fazer progredir na perfeição que o Senhor exige de nós.

A primeira, a mais importante e a mais necessária ação para santificar o domingo é a assistência à missa. Todo fiel está obrigado a ouvi-la inteira, sob pena de pecado mortal, quando não o impedem graves razões. O sacrifício sempre foi, em toda religião, o ato principal do culto prestado pelos homens a Deus. A missa é o único sacrifício da religião cristã; exige que se assista a ela com atenção, fé, respeito e fervor…

Mas o cumprimento deste dever, indispensável para quem deseja santificar o domingo, não exclui as outras práticas de devoção. Embora não haja obrigação de assistir às vésperas e à bênção, trata-se, contudo, de algo tão bom e louvável que todos deveriam procurar não faltar, e quem nisso é negligente jamais poderá dizer-se bom cristão. Não se santifica o domingo nem se honra a Deus com tibieza: ora, quem se contenta em ouvir uma missa, e na maioria das vezes às pressas, que nunca é visto na missa paroquial e não pratica nenhuma outra boa obra durante todo o dia, mostra-se tíbio e indolente…

Para santificar devidamente o domingo, é preciso ouvir a palavra de Deus, aproximar-se dos sacramentos, dedicar-se a leituras devotas, visitar o Santíssimo Sacramento, instruir os ignorantes, visitar e confortar os pobres e os enfermos, etc.…

7. O QUE SE DEVE EVITAR PARA NÃO PROFANAR O DOMINGO

Como não chorar amargas lágrimas ao ver o dia do Senhor transformado, para grande número daqueles mesmos que se dizem cristãos, no dia do demônio, por causa dos pecados que nele se cometem? Este santo dia deve ser consagrado ao serviço de Deus e à salvação de nossa alma, e é justamente o dia em que os maus cristãos mais ultrajam a Deus e ferem, mais cruel e mortalmente, a própria alma. Ai de nós! As festas do céu tornaram-se, por um abuso sacrílego, as festas do inferno!

A primeira coisa, portanto, de que devemos abster-nos no domingo é o pecado; a segunda, o trabalho. Vimos como Deus no-lo proíbe absoluta e explicitamente… Mas será que, com isso, fica interditada toda espécie de trabalho? Não; distinguem-se três tipos de obras: as liberais, as mistas ou comuns e as servis.

As obras liberais são aquelas que se fazem mais com a mente do que com o corpo e assim se chamam porque ordinariamente são realizadas por pessoas livres; portanto, ler, escrever, desenhar, estudar, ensinar e outras semelhantes são, segundo os teólogos, obras liberais permitidas no domingo, ainda que sejam feitas por ganho. Se, porém, é permitido pintar, não é lícito moer as cores, nem ocupar-se de certas pinturas mecânicas e grosseiras, nas quais participa muito mais o esforço da mão do que a atenção da mente… Chamam-se obras mistas ou comuns aquelas em que concorrem tanto o espírito quanto o corpo, e que são praticadas por pessoas de toda condição; como, por exemplo, passear, divertir-se, caçar, viajar etc.…

As servis, finalmente, assim chamadas porque são feitas mais comumente pelos servos, pelos operários e pelos trabalhadores braçais, são aquelas que se exercem mais com o corpo do que com a mente; como, por exemplo, cultivar a terra, costurar, bordar, tecer, exercer qualquer ofício, uma arte não liberal. Somente as obras servis são proibidas no domingo, ainda que não sejam feitas por remuneração; e até mesmo quando se destinam a socorrer a indigência, se não se obtém a legítima dispensa ou não se trata daqueles trabalhos que o costume, conhecido e tolerado pela Igreja, permite para a conveniência da sociedade inteira… Como, porém, Deus é um pai que exige dos filhos obediência para o bem deles, e não para o seu próprio, dispensa-nos de sua lei quando há uma causa legítima.

Três são os motivos que podem escusar aqueles que se dedicam a trabalhos servis aos domingos e nas festas de preceito: 1º a dispensa do Romano Pontífice para toda a Igreja; a do bispo para a sua diocese; a do pároco para a sua paróquia; 2º a piedade; portanto, é permitido adornar os templos, os altares e as ruas por ocasião de uma solenidade; há, todavia, algumas obras que, embora piedosas, não são lícitas nos dias festivos; tais como, por exemplo, fabricar imagens de santos, escapulários, coroas, pães para serem benzidos, não para a igreja, lavar as roupas dos altares, remendar e bordar paramentos sagrados etc.… 3º a necessidade.

É preciso, além disso, sempre acautelar-se dos bailes, das tavernas, dos lugares de diversão, dos festins que têm lugar nos dias das festas patronais, dos jogos demasiado prolongados, das compras e das vendas…

8. CASTIGOS DOS PROFANADORES DO DOMINGO

Para nos persuadirmos de que a violação do domingo é um dos delitos que mais incitam o Senhor à vingança, basta recordar as severas ameaças que Ele faz pela boca dos profetas aos profanadores deste santo dia, e observar o castigo infligido por ordem de Deus àquele judeu que havia recolhido um feixe de lenha em dia de sábado: ele foi apedrejado. E, se hoje a benignidade da nova lei já não exige o cumprimento do castigo ameaçado na antiga, isto é, a morte (Nm 15, 36), contudo, a mão do Onipotente não se deteve; e a maior parte dos castigos temporais que flagelam a humanidade, como pestes, inundações, tempestades, guerras etc., são punição da profanação dos domingos.

Fonte: I tesori di Padre Cornelio a Lapide S.J., tratti dai suoi Commentari sulla S. Scrittura; dall'ab. Barbier, per uso dei predicatori e delle famiglie cristiane. Prima versione italiana dal francese, del sacerdote Francesco M. Faber. Parma, Pietro Fiaccadori, 1869 (3 volumes), em domínio público. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do italiano; o original de cada seção abre pelo botão Italiano ou fica ao lado do texto pelo botão Ver original em italiano.