Tesouro n.º 7 · Volume I

AMBIÇÃO AMBIZIONE

3 seções · 6 parágrafos · pp. 67–69 do PDF · português, com o original italiano a um clique

1. O QUE É A AMBIÇÃO E OS MALES QUE ACARRETA

“A ambição, diz São Bernardo, é um mal sutil, um veneno secreto, uma chaga oculta, uma artífice de enganos, a mãe da impostura, o princípio da inveja, a fonte dos vícios, o fomentador dos delitos, a ferrugem das virtudes, o caruncho da santidade, a que cega os corações; faz os remédios servirem para produzir as doenças e transforma a própria medicina em causa de esgotamento (1).” “Ó ambição, tu és a cruz daquele que te acolhe! Como é possível que, sendo tu um suplício para todos, ainda assim agrades a todos? Não há pena que nos faça sofrer mais, nem trabalho que nos oprima mais; entretanto, nada há que mais atraia dos mortais as considerações e os amores do que ela (2).”

A ambição cega o homem, tira-lhe a razão… Torna-se causa de rivalidades, ódios, injustiças e guerras… É a montanha, como diz o próprio São Bernardo, à qual subiu o anjo e foi transformado em demônio (3).

2. A AMBIÇÃO NUNCA ESTÁ SATISFEITA

A ambição é a chaga de todos os séculos… é um câncer que sempre devora… Ela jamais diz basta; mas, quanto mais tem, mais quer ter… Buscando dilatar-se, ambiciona aquilo que não lhe pertence…

O que não basta jamais constitui uma fortuna, diz Sêneca; ora, nada é suficiente para a ambição (4). Vede aquele Alexandre, a quem o mundo chama Grande: como é pobre! Ele sempre busca, vai continuamente à procura de terras e mares desconhecidos; enquanto ocupa o mundo inteiro, ainda não está contente: depois de tê-lo conquistado, chora. E por que choras, Alexandre? Ah! porque já não encontro reinos para conquistar. Ó loucura! e em breve te bastarão quatro pás de terra…

O que basta à natureza não basta à ambição… Que estranho cegamento! Os ambiciosos alimentam-se de vento, pois que outra coisa são as honras senão um sopro, um furacão que tudo derruba e passa. A ambição quereria fechar o vento numa rede, tiraria água com uma peneira, construiria sobre a areia, semearia sobre a pedra, cortaria a chama com um machado, abriria sulcos na água, quereria tornar branco um etíope, fiaria teias de aranha, cantaria diante de um surdo, quereria contar as ondas do oceano e ensinar o ferro a nadar…

3. É PRECISO FUGIR DA AMBIÇÃO

É sentença muito sensata de São Próspero que aquele que ama possuir a Deus deve renunciar ao mundo, para que Deus se torne o seu tesouro: quem se deixa lisonjear e seduzir pela ambição de possuir os bens da terra ainda não disse adeus às coisas daqui de baixo; enquanto não dá por preço vil aquilo que lhe pertence, é escravo do mundo, cujos bens conserva. Não pode servir a Deus e à ambição ao mesmo tempo (In Sentent.).

Fonte: I tesori di Padre Cornelio a Lapide S.J., tratti dai suoi Commentari sulla S. Scrittura; dall'ab. Barbier, per uso dei predicatori e delle famiglie cristiane. Prima versione italiana dal francese, del sacerdote Francesco M. Faber. Parma, Pietro Fiaccadori, 1869 (3 volumes), em domínio público. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do italiano; o original de cada seção abre pelo botão Italiano ou fica ao lado do texto pelo botão Ver original em italiano.