Sermões Dominicais · Parte III · Sermão n.º 60

Domingo IV do Advento Dominica IV de Adventu

Sermões Dominicais — Do Advento à Epifania · 4 seções · 14 parágrafos · português, com o latim e o italiano a um clique

Temas do sermão

Evangelho do quarto domingo do Advento: “A palavra do Senhor veio sobre João”, que se divide em duas partes.

Primeiro, tema do sermão aos pregadores ou prelados da Igreja: “Sobre um monte elevado”.

[da primeira parte] e aí: “Ide, anjos velozes” etc., passagem na qual são descritos os sete vícios.

Igualmente, sobre a vida do pregador ou prelado e a Paixão de Jesus Cristo, aí: “A voz daquele que clama no deserto”.

Igualmente, aos penitentes, no início do jejum, aí: “No primeiro tempo foi aliviada”.

Igualmente, aos religiosos, sacerdotes e prelados, aí: “A vereda da justiça”; e aí: “Vós, sacerdotes do Senhor”; e aí: “Naquele dia chamarei”.

Da segunda parte. Tema do sermão sobre a humildade, aí: “Todo vale será preenchido”.

Igualmente, sobre o tríplice estado dos bons, aí: “Come neste ano o que cresce espontaneamente”.

Igualmente, sobre a pena dos soberbos, aí: “Foi abatida até os infernos a tua soberba”.

Igualmente, sobre a Encarnação do Verbo e sua utilidade, aí: “Oxalá rasgasses os céus”.

Exórdio. Aos pregadores ou prelados da Igreja

1. Naquele tempo: “Veio a palavra do Senhor sobre João, filho de Zacarias, no deserto” (Lc 3,2).

Diz Isaías: “Sobe a um monte elevado, tu que evangelizas Sião; eleva com força a tua voz, tu que evangelizas Jerusalém” (Is 40,9). Vejamos o que significam estas três coisas: o monte, Sião e Jerusalém.

O monte, assim chamado por não ter movimento, significa a vida constante do justo, acerca da qual Isaías diz: “Será”, afirma, “como um homem que se esconde do vento e se abriga da tempestade, como ribeiros de águas na aridez e como a sombra de uma rocha saliente numa terra deserta” (Is 32,2). Como se dissesse: assim estará o homem justo seguro nas tribulações, como aquele que, fugindo do vento e do turbilhão, se esconde num lugar seguro; e como aquele que encontra fontes puríssimas no deserto e evita o ardor do sol sob a sombra de uma rocha saliente. O homem justo esconde-se do vento da sugestão diabólica, abriga-se da tempestade da prosperidade mundana e é irrigado por ribeiros de águas, isto é, de graças, contra a sede dos desejos carnais; e evita o ardor do sol, isto é, da perseguição do mundo, sob a sombra da rocha saliente, isto é, de Jesus Cristo, que o protege na tribulação. A vida do justo, portanto, é um monte.

Mas, ao contrário, diz Isaías: “Agitou-se o seu coração”, isto é, o do rei Acaz, “e o coração do seu povo, como se agitam as árvores das florestas diante do vento” (Is 7,2). É isto que diz Jó: “O monte, ao cair, desfaz-se, e a pedra é removida do seu lugar; as águas escavam as pedras, e a terra é pouco a pouco consumida pela inundação” (Jó 14,18-19). Procura acima, na história de Jó (“Dom. XIV depois de Pentecostes, III”).

“Sobe”, portanto, “a um monte elevado”, que, ao cair, não se desfaz, “tu que evangelizas Sião”. Diz Gregório: Quem se dedica à pregação celeste, abandonando já o que é inferior nas obras terrenas, parece estar colocado no alto das coisas; e tanto mais facilmente conduz os subordinados a coisas melhores quanto mais, pelo mérito da vida, clama do alto. Com efeito, aquela voz penetra mais de bom grado o coração dos ouvintes quando a vida daquele que fala a recomenda, porque aquilo que ordena com a palavra ajuda a realizar, mostrando-o pelo exemplo.

Segue-se: “Eleva com força a tua voz, tu que evangelizas Jerusalém”. Sião, que era a parte inferior da cidade, significa os seculares; Jerusalém, que era a parte superior, significa os religiosos. Quando evangelizas Sião, sobe a um monte elevado, para que ela suba contigo do inferior ao superior. Por isso se diz no segundo livro dos Reis: “Davi subia a encosta das Oliveiras, subindo e chorando, com a cabeça coberta e caminhando descalço; também todo o povo que estava com ele subia com a cabeça coberta e chorando” (2Rs 15,30). Davi é o pregador que, subindo a encosta das Oliveiras, isto é, a excelência da vida, iluminada e enriquecida pelo óleo da misericórdia divina, deve fazer três coisas: chorar, cobrir a cabeça e caminhar descalço. Chorar com Acsa, pela fonte inferior e pela superior (cf. Js 15,19; Jz 1,15); cobrir a cabeça, que contém todos os sentidos; caminhar descalço, isto é, desnudar os afetos da mente de toda a pele morta da própria vontade e da propriedade, afastando-se da vaidade do mundo. Se subir assim, todo o povo, com a cabeça coberta contra a vaidade do mundo e chorando os seus pecados, subirá devotamente atrás dele. Mas não se lê que o povo caminhasse descalço como Davi, porque aos seculares é lícito possuir bens próprios.

Do mesmo modo, quando evangelizas Jerusalém, isto é, os religiosos, eleva com força a tua voz, para que sejam fortemente animados e exultem em percorrer o caminho (cf. Sl 18,6) e alcançar a coroa incorruptível (cf. 1Cor 9,25). Por isso Jó diz acerca do cavalo, isto é, do homem justo: “Quando ouvir a trombeta”, isto é, a pregação que ressoa com força, “diz: ‘Ah!’ Pois exulta corajosamente e avança ao encontro dos armados; despreza o medo e não recua diante da espada” (Jó 39,21-22.25). Tinha subido a um monte elevado e elevado com força a sua voz o maior dos pregadores, o bem-aventurado João Batista; dele e de sua pregação se diz no evangelho de hoje: “Veio a palavra do Senhor sobre João”.

2. Observa que neste Evangelho se assinalam duas coisas: a sublimidade da pregação e o vale da humildade. A primeira, quando diz: “A palavra do Senhor veio”; a segunda, quando diz: “Todo vale”.

No intróito da Missa canta-se: “Lembra-te de nós, Senhor”; e lê-se a epístola do bem-aventurado Paulo aos Coríntios: “Assim nos considere o homem”, que queremos dividir em duas partes e harmonizar com as duas cláusulas do Evangelho. A primeira parte: “Assim nos considere”. A segunda: “Portanto, não julgueis antes do tempo”.

I. Da excelência da pregação

3. Digamos, portanto: “A palavra do Senhor veio sobre João, filho de Zacarias, no deserto”. João significa o prelado ou pregador da santa Igreja, que deve ser filho de Zacarias, nome que se interpreta como memória do Senhor, para que tenha sempre na memória, como um memorial, a Paixão de Jesus Cristo. Por isso Isaías: “Teu nome e tua memória estão no desejo da minha alma. Minha alma te desejará durante a noite, e também com o meu espírito, no íntimo de mim, te buscarei pela manhã” (Is 26,8-9). Na noite da adversidade devemos desejá-lo, e na manhã da prosperidade devemos velar por ele, conservando na memória o memorial de sua Paixão. Por isso se diz no Êxodo: “Será como um sinal em tua mão e como um memorial diante de teus olhos” (Ex 13,9). E no Deuteronômio: “Estas palavras”, isto é, a Encarnação e a Paixão do Senhor, “estarão em teu coração; tu as narrarás a teus filhos e meditarás sobre elas sentado em tua casa, caminhando pelo caminho, dormindo e levantando-te. E as atarás como um sinal em tua mão; e estarão como um pendente e se moverão diante de teus olhos; e as escreverás no umbral e nas portas de tua casa” (Dt 6,6-9).

Se o prelado ou pregador for filho de Zacarias, dizendo com o Profeta: “Lembrei-me de Deus e me alegrei” (Sl 76,4), isto é, na amargura de sua Paixão, de modo que diga com a esposa do Cântico: “Meu amado é para mim um feixe de mirra; ele permanecerá entre os meus seios” (Ct 1,12), então virá sobre ele a palavra do Senhor, palavra de vida e de paz, palavra de graça e de verdade, palavra que Isaías, filho de Amós, viu sobre Judá e Jerusalém (cf. Is 1,1), isto é, sobre a alma que confessa e vive em paz consigo mesma. Ó Palavra que não açoita, mas embriaga o coração! Ó Palavra doce, que conforta o pecador e é de feliz esperança! Ó Palavra, “água fresca para a alma sedenta, mensageiro bom que anuncia boas-novas de uma terra distante!” (Pr 25,25). Aqui está o “sussurro de uma brisa suave” (3Rs 19,12), isto é, a inspiração de Deus onipotente, da qual diz Jó: “Como vejo, há um espírito nos homens, e a inspiração do poder do Onipotente dá inteligência” (Jó 32,8). Ó quão bem-aventurado e verdadeiramente digno de ser chamado João, aquele sobre quem veio esta Palavra! Peço-te, Senhor: venha a tua palavra sobre o teu servo, “segundo a tua palavra, em paz” (Lc 2,29). “Tua palavra é lâmpada para os meus pés” (Sl 118,105).

Ouvimos sobre quem vem a Palavra. Mas em que lugar ela vem? “No deserto”, diz. Onde está o deserto, aí está a Palavra; refiro-me àquele deserto do qual fala o Salmo: “Numa terra deserta, sem caminho e sem água; assim, no santuário” (Sl 62,3) etc. Procura mais acima, no Evangelho: “Quando o espírito imundo tiver saído” (“Domingo III da Quaresma, IV”) etc.

4. Segue-se: “E percorreu toda a região do Jordão” (Lc 3,3). Aquele sobre quem vem a palavra da inspiração divina, sem dúvida percorre a região do Jordão, que se interpreta como “humilde descida”, na qual se designa a compaixão para com o próximo. O prelado ou pregador deve descer e condescender, para erguer o próximo que jaz por terra.

Sobre isso tens uma concordância em Isaías, onde o Senhor fala aos pregadores: “Ide, anjos velozes, a uma gente arrancada [de sua terra] e dilacerada, a um povo terrível, depois do qual não há outro, a uma gente expectante e oprimida, cujos rios devastaram a sua terra” (Is 18,2). Nesta autoridade são assinalados os sete vícios pelos quais o gênero humano é dissipado. Ó “anjos”, isto é, prelados ou pregadores, “ide velozes”, porque a demora traz perigo; por isso o Senhor disse aos apóstolos: “Não saudeis ninguém pelo caminho” (Lc 10,4), isto é, para que o curso da vossa pregação não seja impedido. E, no quarto livro dos Reis, Eliseu disse a Giezi: “Se encontrares um homem, não o saúdes; e, se alguém te saudar, não lhe respondas” (4Rs 4,29). “Ide”, portanto, “velozes, a uma gente”, isto é, que vive à maneira dos gentios, “arrancada” da raiz da humildade pelo espírito da soberba; daí Jó: “Como a uma árvore arrancada, tirou-me a esperança” (Jó 19,10); “dilacerada” pela inveja, que dilacera o coração, a respeito da qual o profeta Naum diz: “Ai da cidade sanguinária, toda cheia de mentira e de dilaceração!” (Na 3,1); “a um povo terrível” por causa da ira, da qual Jó diz: “Meu inimigo me olhou com olhos terríveis” (Jó 16,10); “a uma gente expectante” da recompensa da vanglória: “Receberam”, diz, “a sua recompensa” (Mt 6,5); e Jeremias: “Sentavas-te nos caminhos, esperando-os como um ladrão no deserto” (Jr 3,2); “e oprimida” pela avareza, donde Isaías: “Que ele o ponha como opróbrio, como o barro das praças” (Is 10,6), a respeito da qual Habacuc diz: “Ai daquele que multiplica o que não é seu! Até quando acumulará contra si uma pesada carga de lodo?” (Hab 2,6); “cujos rios devastaram”, isto é, a gula e a luxúria, “a terra”, isto é, a sua mente, a respeito das quais se lê em Ezequiel: “Eis que venho contra ti, grande dragão, que jazes no meio dos teus rios e dizes: O rio é meu” (Ez 29,3).

Quanto é necessária a pregação, deduz-se desta autoridade, da qual se acrescenta no Evangelho: “Pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados” (Lc 3,3). É isto que diz Isaías: “Lavai-vos, sede puros” (Is 1,16); e pouco depois: “Se os vossos pecados forem como o escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve; e, se forem vermelhos como a púrpura, serão como a lã branca” (Is 1,18). Procura mais acima, no Evangelho: “Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João” (“Dom. II in Quadrag., sermo prior, II”), etc.

Diz ainda o Senhor por meio de Isaías: “Apaguei”, diz, “como uma nuvem as tuas iniquidades e como uma névoa os teus pecados; volta para mim”, isto é, fazendo penitência, “porque te redimi” (Is 44,22) com o meu sangue. E ainda: “Consolai-vos, consolai-vos, povo meu, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e anunciai-lhe que se completou a sua aflição e foi perdoada a sua iniquidade. Recebeu da mão do Senhor o dobro por todos os seus pecados” (Is 40,1-2). Diz a Glosa nesse lugar: A causa da consolação é a remissão dos pecados; a causa da remissão é ter recebido o dobro do castigo. Deve-se notar que os nossos pecados não são expiados, a menos que os recebamos da mão do Senhor. E não é a mesma coisa expiar os pecados e perdoá-los; aquele a quem são perdoados não necessita de expiação. Daí: “Os teus pecados te são perdoados”. Quando, porém, são expiados, é porque foram purificados e cancelados pelos castigos.

5. Segue-se: “Como está escrito no livro dos sermões do profeta Isaías: Voz daquele que clama no deserto” (Lc 3,4). Observa estas três coisas: voz, daquele que clama e deserto. O que é a voz, quem é aquele que clama e o que é o deserto? A voz é o pregador; aquele que clama é Cristo; o deserto é a sua cruz.

A voz é ar, e o pregador deve ser aéreo, isto é, celeste, para que sua convivência seja com o céu. Por isso se diz no Êxodo que “sob os pés do Senhor havia algo semelhante a uma obra de pedra de safira, e como um céu sereno” (Ex 24,10). A safira tem a cor do ar; a obra de pedra de safira é a vida do santo pregador, que, pela humildade da mente, está submetido aos pés da Encarnação do Senhor e suspenso no ar pela contemplação da bem-aventurança celeste. Por isso Isaías diz: “Quem são estes que voam como nuvens e como pombas para suas janelas?” (Is 60,8). Os santos pregadores são chamados nuvens porque são leves, isto é, desonerados das coisas terrenas: fazem chover palavras, trovejam ameaças, relampejam com exemplos e voam para o céu nas asas das virtudes. E, simples como pombas, permanecem junto às janelas, guardando os cinco sentidos do seu corpo, para que a morte não entre na casa da mente. Ó Senhor, se eu ouvisse tal voz, clamaria como Adão: “Ouvi a tua voz e tive medo!” (Gn 3,10). Tal voz não é de homem, mas quase a voz do Deus Altíssimo. “Ressoe”, pois, “a tua voz aos meus ouvidos; a tua voz é doce” (Ct 2,14). Diante de tal voz, “meus lábios tremeram” (Hab 3,16). “A voz”, diz ele, “do teu trovão no turbilhão” (Sl 76,19).

Mas, ai de mim! Não ouço uma voz, mas um mugido e um murmúrio; por isso Isaías diz: “Falarás da terra; e da terra será ouvido o teu discurso, e a tua voz será como a da pitonisa que sai da terra, e o teu discurso murmurará desde o solo” (Is 29,4). Procura mais acima, no Evangelho: “Um homem ofereceu uma grande ceia” (“Domingo II depois de Pentecostes, II”). Esse murmúrio não é daquele Cristo que clama, o qual nos falou de coisas celestes, e não terrenas, e que, como diz Isaías, “clamou como um leão” (Is 21,8).

Mas onde? “No deserto”, diz ele. O deserto foi a sua cruz, na qual foi abandonado, nu e coroado de espinhos: ali clamou. Por isso o profeta Amós diz: “Moab morrerá com grande estrondo, ao clangor da trombeta” (Am 2,2). Moab é o diabo, que morreu “ao clangor da trombeta”, isto é, da pregação do Senhor, “e ao som” de sua voz, quando, na cruz, clamou: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46; cf. Sl 30,6). Por isso, novamente, Isaías diz: “Eis que o Dominador, o Senhor dos exércitos, quebrará o vaso com terror; os de alta estatura serão cortados, e os soberbos serão humilhados; e as densas florestas serão devastadas pelo ferro, e o Líbano cairá com os seus altos cedros” (Is 10,33-34). O vaso é a humanidade de Cristo, assumida da terra virgem, que ele quebrou na Paixão. E isso, infundindo terror aos demônios, os quais, altos em estatura, foram privados de seu poder; e os soberbos, isto é, os judeus orgulhosos, foram humilhados, isto é, rejeitados, na vindicação operada pela Paixão de Cristo; e as densas florestas, isto é, a Jerusalém terrestre, assim chamada por causa da multidão de seu povo, foram devastadas pelo ferro de Tito e Vespasiano; e o Líbano, isto é, o templo, caiu com os seus altos cedros, isto é, com os seus sacerdotes.

6. Segue-se: “Preparai o caminho do Senhor” (Lc 3,4). Diz Isaías: “No primeiro tempo, foi aliviada a terra de Zabulão e a terra de Neftali; e, no último, foi oprimida a via do mar” (Is 9,1). Isto é o tríduo de que Moisés diz no Êxodo: “Caminharemos durante três dias pelo deserto e ofereceremos um sacrifício ao Senhor, nosso Deus” (cf. Ex 3,18). “No primeiro tempo”, isto é, pela infusão da graça, que primeiro previne o pecador, “a terra”, isto é, a sua mente, “é aliviada”, pela contrição, do peso do pecado; e então é “a terra de Zabulão”, que se interpreta como habitação da fortaleza. Com efeito, a graça fortalece com a força da constância aquele em quem habita. Por isso Isaías: “Ele dá vigor ao cansado e multiplica a força e o vigor dos que desfalecem” (Is 40,29). “É aliviada” também na confissão, quando declara o pecado e as circunstâncias do pecado; e então é “a terra de Neftali”, que se interpreta como dilatação. A mente do pecador dilata-se na confissão, como disse o Senhor a Jacó no Gênesis: “Tu te dilatarás para o oriente e para o ocidente, para o norte e para o sul” (Gn 28,14).

Observa que o sacerdote deve propor ao pecador, na confissão, quatro compromissos: se ele se entristece e se arrepende dos pecados cometidos e omitidos; se quer observar humildemente a penitência que lhe for imposta; se tem o firme propósito de não pecar mortalmente daí em diante; e se quer satisfazer ao próximo, perdoá-lo de coração e amá-lo. Se quer fazer estas quatro coisas, então se deve impor-lhe a penitência e absolvê-lo; de outro modo, não. Quando, portanto, se entristece e se arrepende, então se dilata para o oriente, porque é iluminado pelo sol da justiça. Quando quer obedecer à vontade e à palavra do sacerdote, então se dilata para o ocidente; pois morre para si mesmo quando se submete a outro. Quando tem o firme propósito de não recair, então se dilata para o norte ou aquilão, no qual se entende a tentação do diabo. Dilata-se para o aquilão aquele que combate o diabo que o assalta. Para que combatas bem, um inimigo que combate bem faz com que combatas bem. Quando quer amar o próximo, então se dilata para o sul, no qual se entende o ardor da caridade.

Se tiver percorrido assim estes dois dias de caminhada, poderá chegar ao terceiro, do qual se acrescenta: “E, no último, foi oprimida”, isto é, profundamente afligida, “a via do mar” (Is 9,1). A via do mar é a satisfação da penitência, que é verdadeiramente amarga. Por isso Isaías: “Amarga é a bebida para os que a bebem” (Is 24,9). Nos dois primeiros, a alma é aliviada; no terceiro, porém, a carne é gravemente afligida. Por isso GREGÓRIO: É necessário que a carne, que alegremente conduziu à culpa, retorne, afligida, ao perdão. Este é o caminho pelo qual o Senhor vem à alma. Bem-aventurado aquele que assim o prepara. “Preparado está o meu coração, ó Deus” (Sl 56,8) etc.

7. Segue-se: “Endireitai os caminhos do nosso Deus” (Lc 3,4). Diz Isaías: “A vereda do justo é reta, reto é o caminho pelo qual o justo anda” (Is 26,7). O caminho estreito é chamado semita, como que metade do caminho (em latim, semis iter). Caminho estreito é toda religião, isto é, toda ordem religiosa, que se delimitou e se estreitou pelos votos de pobreza, castidade e obediência. Por isso, Isaías diz: “O leito foi estreitado, de modo que um outro caia; e a coberta curta demais não pode cobrir dois” (Is 28,20). O leito é a religião, que, se for bem estreitada, como um caminho estreito, acolherá somente o esposo da castidade e o espírito de obediência, e expulsará o adúltero e o fornicador, bem como o vício da desobediência. E a coberta curta da pobreza não poderá cobrir dois, isto é, aquele que quer possuir e o pobre de espírito. “Que acordo pode haver entre Cristo e Belial?” (2Cor 6,15). Que acordo pode haver entre o pobre e o possuidor, que é como Belial entre os filhos de Deus? “Endireitai”, pois, ó religiosos, “os caminhos do nosso Deus”.

8. A esta primeira cláusula corresponde a primeira parte da epístola: “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1Cor 4,1). Deles diz Isaías: “Vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, ministros de nosso Deus” (Is 61,6). Ministros e administradores são os prelados e os pregadores, que administram a palavra de Deus e pregam o batismo de penitência para a remissão dos pecados. Deles diz Isaías: “Como são belos”, isto é, livres da poeira do pecado, “sobre os montes”, isto é, com as virtudes, “os pés do mensageiro que anuncia a paz”, isto é, a reconciliação entre Deus e o pecador, “que anuncia o bem”, isto é, a infusão da graça, “que prega a salvação”, isto é, a bem-aventurança da vida, “e que diz: Ó Sião”, isto é, ó alma, “reinará”, isto é, em ti, “o teu Deus” (Is 52,7), e não o pecado.

“Agora, entre os administradores, procura-se que cada um seja encontrado fiel” (1Cor 4,2). Do administrador fiel diz o Senhor, por Isaías: “Naquele dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Helcias, e o vestirei com a tua túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto e colocarei o teu poder em sua mão; e ele será como um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá” (Is 22,20-21). Eliacim interpreta-se como ressurreição de Deus e significa o fiel administrador da Igreja, por meio do qual Deus ressuscita o pecador para a penitência. Ele é filho de Helcias, isto é, da justiça; vestido com a túnica da misericórdia e fortalecido pelo cinto da continência, é como um pai para todos os fiéis da Igreja.

Onde se pode encontrar hoje um administrador tão fiel? Ai! Como diz Isaías: “Como se tornou prostituta a cidade outrora fiel, cheia de justiça? A justiça habitava nela, mas agora, homicidas. A tua prata transformou-se em escória, o teu vinho misturou-se com água; os teus príncipes são infiéis, companheiros de ladrões: todos amam os presentes, procuram recompensas, não fazem justiça ao órfão, e a causa da viúva não chega até eles” (Is 1,21-23). A prata, isto é, a eloquência dos prelados e dos pregadores, transformou-se na escória da vanglória. O vinho da pregação misturou-se com a água da adulação e do lucro temporal. As demais palavras não precisam de explicação, pois estão patentes aos olhos de todos.

Roguemos, caríssimos irmãos, ao Senhor Jesus Cristo que faça descer sobre nós a palavra por ele inspirada; que nos lave com o batismo da penitência, por meio do qual possamos preparar-lhe o caminho e endireitar as suas veredas. Conceda-no-lo ele mesmo, que é bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

II. Do vale da humildade

9. Segue-se o segundo: “Todo vale será preenchido” (Lc 3,5). É isto que diz o Senhor em Isaías: “A quem olharei, senão ao pobrezinho, ao contrito de espírito e que treme diante das minhas palavras?” (Is 66,2). O vale é a humildade da mente, da qual Jeremias diz: “Vê os teus caminhos no vale” (Jr 2,23), isto é, reconhece os teus pecados com uma dupla humildade. A humildade mostra ao homem a si mesmo. Por isso, Isaías diz: “O Senhor será conhecido pelo Egito, e os egípcios conhecerão o Senhor naquele dia” (Is 19,21). Naquele dia, isto é, na claridade da humildade, os egípcios, isto é, os soberbos envoltos em trevas, conhecem o Senhor e, reciprocamente, conhecem também a si mesmos. Por isso, Agostinho diz: “Senhor, concede-me conhecer-te e conhecer a mim”. Por isso, Isaías, depois de ter visto o Senhor, repreende a si mesmo, dizendo: “Ai de mim, porque me calei, pois sou um homem de lábios impuros” (Is 6,5). E o Senhor diz a Ezequiel: “Filho do homem, mostra à casa de Israel o templo”, isto é, mostra-lhe Jesus Cristo, “e que se envergonhem de suas iniquidades” (Ez 43,10).

“Todo vale, portanto, será preenchido” com aquele grão de trigo que, caindo na terra, morreu (cf. Jo 12,24), do qual diz o salmo: “Os vales abundarão de trigo” (Sl 64,14). Bem-aventurada Maria, porque era um vale, foi preenchida; e de sua plenitude nós todos, que estávamos vazios, recebemos (cf. Jo 1,16). Por isso, diz o salmo: “Seremos saciados com a abundância da tua casa” (cf. Sl 35,9; 64,5). Somente os humildes serão preenchidos por aquela abundância que o Senhor promete no Levítico: “Darei a vós as chuvas no tempo oportuno, e a terra produzirá o seu fruto, e as árvores se encherão de frutos” (Lv 26,3-4). O Senhor dá as chuvas quando infunde a graça da compunção. Por isso, Isaías diz: “Cairá chuva sobre a tua semente, onde quer que tenhas semeado na terra” (Is 30,23), a qual produzirá o seu fruto. Da chuva da compunção nascerá o germe da boa vontade e, assim, as árvores, isto é, os sentidos do corpo, ficarão cheias dos frutos das boas obras.

10. Com isso concorda o que Isaías diz ao rei Ezequias: “Neste ano, come o que nasce espontaneamente; no ano seguinte, alimenta-te de frutos; no terceiro ano, porém, semeai e colhei, plantai vinhas e comei o seu fruto” (Is 37,30). Observa que há um tríplice estado dos bons, designado por estes três anos: o dos principiantes, o dos que progridem e, por fim, o dos perfeitos. Os principiantes, prevenidos pela graça gratuitamente concedida, comem o que nasce espontaneamente. É isto que o Senhor diz por meio de Oseias: “Eu os amarei gratuitamente” (Os 14,5). Com efeito, sem méritos precedentes, são restaurados pela graça unicamente pela bondade de Deus. Por isso, diz o bem-aventurado Bernardo: Às vezes não se encontra o afeto da oração pura nem aquela doçura conveniente dos sentimentos; mas, como que sem procurá-la, encontra-a aquele que não pede, não busca, não bate e quase nada sabe, quando a graça o previne; e, como um grupo de servos, é acolhida à mesa dos filhos, quando uma alma rude e ainda principiante é introduzida naquele afeto da oração que costuma ser concedido, como recompensa da santidade, aos méritos dos perfeitos. Do mesmo modo, os que progridem, como que no segundo ano, alimentam-se dos frutos das boas obras, para que a boa vontade, que antes estava apenas no afeto, já se manifeste na realização das obras. Os perfeitos, porém, são como que do terceiro ano, transbordando de toda espécie de plenitude. Por isso, diz o salmo: “Coroarás o ano”, isto é, a vida perfeita dos justos, “com a tua bondade, e os teus campos se encherão de abundância” (Sl 64,12). Diz-se, portanto, com razão: “Todo vale será preenchido”.

Esse preenchimento é aquela visita da qual se fala no intróito da missa de hoje: “Lembra-te de nós, Senhor, segundo a tua benevolência para com o teu povo” (Sl 105,4). É isto que diz Isaías: “Olha do céu e vê, Senhor, desde o teu santuário santo e do trono da tua glória” (Is 63,15). E novamente: “Não te indignes, Senhor, para sempre, nem te lembres perpetuamente da nossa iniquidade. Eis, Senhor, olha: somos todos o teu povo!” (Is 64,9). “Visita-nos com a tua salvação” (Sl 105,4), isto é, com o teu Filho, para que os vales se encham de trigo.

11. Segue-se: “E todo monte e colina será rebaixado” (Lc 3,5). É isto que diz Isaías: “A tua soberba foi precipitada até os infernos, o teu cadáver caiu por terra; debaixo de ti se espalhará a traça, e os vermes serão a tua cobertura” (Is 14,11). Observa estas duas coisas: monte e colina. O monte é a soberba no coração; a colina, a soberba nas obras. Aquela é maior que esta. Por isso, Isaías diz: “Ouvimos falar da soberba de Moab: é muito soberbo; a sua soberba, a sua arrogância e a sua indignação são maiores que a sua força” (Is 16,6). A Glosa interlinear diz ali: Ousa mais do que pode. “Por isso, Moab uivará contra Moab, todos uivarão” (Is 16,7). Isto é, no inferno, o soberbo uivará contra o soberbo, o luxurioso contra o luxurioso, em meio aos tormentos, e uivarão uns contra os outros. Por isso, Isaías diz: “Os sátiros clamarão uns contra os outros” (Is 34,14). Do mesmo modo: “Abaterá os que habitavam nas alturas, humilhará a cidade sublime; humilhá-la-á até a terra e a lançará até o pó” (Is 26,5). Por isso, diz ainda: “Sob os pés”, isto é, dos demônios, “será pisada a coroa da soberba dos ébrios de Efraim” (Is 28,3). E novamente: “Senta-te, cala-te e entra nas trevas, filha dos caldeus, porque não serás mais chamada senhora dos reinos” (Is 47,5). “Todo monte e colina, portanto, será rebaixado.”

12. Pode-se explicar de outro modo, tratando da boa humildade. Isaías, desejando ardentemente a vinda de Cristo e prevendo a sua humildade, diz: “Oxalá rasgasses os céus e descesses: diante da tua face, os montes se dissolveriam. Como ao fogo queima a lenha, assim se consumiriam; as águas arderiam ao fogo” (Is 64,1-2). Vê com que desejo arde aquele que deseja que os céus sejam rasgados, para poder contemplar, visível na carne, aquele que é invisível. Rasgue-se o céu, desça o Verbo, e diante da sua face dissolva-se a soberba dos montes. “Diante da tua face”, diz ele, isto é, na presença da tua humanidade, “os montes se dissolveriam”. Quem seria tão soberbo, arrogante e cheio de si, se atentasse bem para a majestade que se aniquilou, o poder que se enfraqueceu e a sabedoria que balbucia? Não se dissolveria o seu coração como a cera diante do fogo (cf. Sl 67,3), e não diria com o Profeta: “Na tua verdade”, isto é, no teu Filho humilhado, ó Pai, “tu me humilhaste?” (Sl 118,75)

E “como ao fogo”, isto é, a lenha, o feno e a palha, “se consumiriam” os avarentos. Quem, com efeito, seria ainda tão avarento se contemplasse devotamente o Filho de Deus envolto em faixas, reclinado numa manjedoura, ele que não teve onde reclinar a cabeça, senão onde, inclinando a cabeça, entregou o espírito? (cf. Lc 9,58; Jo 19,30). Não renunciaria ao amor das coisas terrenas, e todo o seu dinheiro não se reduziria a cinzas como a palha ao fogo? E “as águas”, isto é, os luxuriosos, que todos os dias, por suas quedas, caminham para o inferno, “não arderiam ao fogo” do Espírito Santo, que seca a umidade da luxúria e concede a graça da continência?

13. Segue-se: “E as veredas tortuosas serão endireitadas” (Lc 3,5). É isto que diz Isaías: “Abandone o ímpio o seu caminho”, isto é, o caminho perverso, “e o homem iníquo os seus pensamentos, e volte ao Senhor, que terá misericórdia dele” (Is 55,7) etc. Diz Jeremias: “Perverso e insondável é o coração do homem; quem o conhecerá?” (Jr 17,9). E sobre esta perversidade diz Isaías: “Andou errante”, isto é, como insensato, “como Caim, a quem foi dito: Serás errante e fugitivo sobre a terra” (Gn 4,12), “no caminho”, isto é, na ação perversa, “do seu coração” (Is 57,17). O coração perverso torna-se reto quando acontece aquilo que diz Isaías: “Voltai ao coração, prevaricadores” (Is 46,8), isto é, ao entendimento, vós que vivestes como animais. E ainda: “Convertei-vos, assim como vos tínheis afastado profundamente, filhos de Israel” (Is 31,6). E novamente: “Se buscais, buscai; convertei-vos e vinde” (Is 21,12). “Se buscais” o meu auxílio na adversidade, “buscai-o” igualmente na prosperidade. “Convertei-vos” a mim de coração, “vinde” por meio das obras.

Segue-se: “E os lugares escabrosos tornar-se-ão caminhos planos” (Lc 3,5). É isto que diz Isaías: “Pastorearão pelos caminhos, e em todos os lugares planos estarão as suas pastagens; não terão fome nem sede, nem o calor nem o sol os atingirão, porque aquele que se compadece deles os conduzirá e os saciará nas fontes das águas” (Is 49,9-10). Escabrosos são os corações dos cruéis, que então se tornam caminhos planos quando se fazem brandos e mansos. É isto que se lê no quarto livro dos Reis, onde Isaías diz: “Trazei uma massa de figos”. Quando a trouxeram e a puseram sobre a chaga de Ezequias, ele foi curado” (4Rs 20,7). A chaga na carne é a crueldade na mente; a massa de figos é a mansidão e a doçura da afabilidade, que curam a chaga da crueldade. Por isso, nos Provérbios: “A paciência aplacará o príncipe, e a língua branda quebrará a dureza” (Pr 25,15).

Segue-se: “E toda carne verá a salvação de Deus” (Lc 3,6), isto é, todo homem, no juízo, verá Jesus Cristo. Os ímpios “verão”, para sua confusão, “aquele a quem transpassaram” (Jo 19,37). Por isso Isaías: “Na terra dos santos praticou a iniquidade e não verá a glória de Deus” (Is 26,10). Os SETENTA traduziram: “Seja afastado o ímpio, para que não veja o esplendor de Deus”. Os justos, porém, como diz Isaías, “verão com os próprios olhos quando o Senhor fizer Sião voltar” (Is 52,8).

14. A esta segunda cláusula corresponde a segunda parte da epístola: “Não julgueis antes do tempo” (1Cor 4,5). Contra tais pessoas, diz Isaías: “Ai de vós, que chamais mal ao bem e bem ao mal; que pondes as trevas como luz e a luz como trevas; que pondes o amargo como doce e o doce como amargo” (Is 5,20). “Até que venha o Senhor” (1Cor 4,5). Por isso, Isaías: “Eis que o Senhor Deus virá com fortaleza, e seu braço dominará. Eis a recompensa”, isto é, a retribuição de todos, “com ele, e sua obra”, isto é, a cruz e os instrumentos da Paixão, pela qual “operou a salvação no meio da terra” (Sl 73,12), “diante dele” (Is 40,10), para a confusão dos réprobos.

“Ele também iluminará os segredos das trevas” (1Cor 4,5). A respeito disso, Isaías: “A luz de Israel estará no fogo, e seu Santo, na chama” (Is 10,17): luz para iluminar, no fogo para provar, na chama para queimar.

“E manifestará os desígnios dos corações” (1Cor 4,5). É isto que diz Isaías: “Porque se ensoberbeceram as filhas de Sião”, indicando-se aí a soberba do coração, “e andaram com o pescoço estendido”, indicando-se aí a arrogância nos membros; “e caminhavam piscando os olhos”, indicando-se aí a lascívia, “e batiam palmas, e andavam, e avançavam com passo estudado dos seus pés”: eis a leviandade e a inconstância. Por isso, no dia do juízo, “o Senhor descalvará o alto da cabeça das filhas de Sião”, porque aquilo que está oculto será manifestado e aparecerá a vergonhosa calvície, “e o Senhor lhes desnudará a cabeleira” (Is 3,16-17), isto é, os pensamentos e os desígnios delas. Esta será a ignomínia dos ímpios.

Mas “então”, quando “toda carne vir a salvação de Deus” (Lc 3,6), haverá para cada justo “louvor da parte de Deus” (1Cor 4,5). Por isso, Isaías: “Dizei ao justo: bem!” (Is 3,10). Porque não é possível expressar quão grande ou de que qualidade será aquele louvor e glória dos santos, Isaías não declarou quanto nem como seria, mas disse somente: “bem”.

Roguemos, portanto, caríssimos irmãos, ao Senhor Jesus Cristo, para que humilhe os montes, endireite os caminhos tortuosos e torne suaves as coisas ásperas, a fim de que mereçamos chegar àquele “bem que o olho não viu”, porque está oculto, “nem o ouvido ouviu”, porque é silencioso, “nem subiu ao coração do homem” (1Cor 2,9), porque é incompreensível. Que no-lo conceda aquele que, em sua primeira vinda, foi humilde e, na segunda, será terrível, amável, suave, desejável e bendito pelos séculos eternos.

Diga toda alma humilde: Amém. Aleluia.

Fonte: S. Antonii Patavini Sermones dominicales et festivi, texto latino da edição crítica do Centro Studi Antoniani (Pádua) e tradução italiana do mesmo Centro, publicados em centrostudiantoniani.it. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do latim com apoio do italiano; o original de cada seção abre pelos botões Latim e Italiano, e o botão Ver original coloca o latim ou o italiano ao lado do texto.