Livro II · Alfaias · n.º 57 · col. 1571-71

Os Vasos dos Santos Óleos The Vessels of the Holy Oils

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 7 parágrafos · 6 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

Os vasos da catedral basilical nos quais se preparam os santos óleos devem ser de prata ou, pelo menos, de puro e precioso estanho britânico.

Devem ter a forma de uma ampola, isto é, com o bojo grande e bojudo, que se eleva gradualmente até um pescoço redondo, sem qualquer cinzeladura. Devem ter uma boca grande e aberta. Na parte inferior, devem estreitar-se gradualmente e arredondar-se em forma globular. O pé deve ser estreito na parte superior e mais largo na inferior, para que seja muito estável.

Devem ter duas asas, cinzeladas no ponto em que se unem ao vaso.

Devem ter uma tampa hemisférica, com uma pequena cruz fixada no alto, presa [ao vaso] por uma dobradiça de estanho ou de prata, de modo que [quando aberta] penda completamente para trás, para que não impeça as mãos do Bispo consagrante quando ele abençoar os óleos com o sinal da cruz.

Na parte superior dianteira do bojo, deve ser devidamente soldado e firmemente fixado um pequeno bico, pelo qual se derramará o óleo. Esse bico será largo na parte inferior e se tornará gradualmente menor à medida que subir até a mesma altura do vaso; no alto, curvar-se-á para fora, formando uma abertura estreita.

Serão preparados três vasos da forma prescrita: um para o óleo do santo crisma, outro para o óleo da extrema-unção e outro para o óleo dos catecúmenos.

Cada vaso deve ser distinguido por uma inscrição em letras maiúsculas douradas. Cada um dos vasos de óleo terá o tamanho adequado às necessidades da catedral basilical e deverá, em todo caso, ter dimensões tais que possa ser facilmente transportado e manuseado no rito da consagração.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

Esses vasos destinam-se à consagração anual dos óleos e, em geral, só são encontrados nas igrejas catedrais. Na Idade Média, os recipientes de óleo podiam ser de metal, chifre ou marfim1. Foi somente no Concílio de Trento que o tipo de vaso foi regulamentado: ânforas para a consagração, pequenas ânforas para a reserva e pequenos vasos para a administração. As igrejas paroquiais tinham suas reservas, enquanto os vasos menores que eram levados a lugares mais distantes eram conhecidos em inglês como stocks.

As grandes ânforas também podiam ter uma torneira na base, como se observa em Supp. Eccl.2

Também se atribuía grande importância ao lugar onde esses óleos deveriam ser guardados, sempre sob chave e fechadura3.. Acreditava-se, por exemplo, que os malfeitores não seriam descobertos se fossem ungidos com óleo bento.

  1. Supp. Eccl. 151

  2. Supp. Eccl. 152

  3. See Borromeo, Book I,, chapter 28, Sacristy and 332, The Church for Nuns

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.