Livro II · Alfaias · n.º 31 · col. 1564-65

O Cálice The Chalice

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 4 parágrafos · 2 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

O cálice será de ouro puro ou, se isso não for possível por causa de recursos limitados, de prata pura, dourada tanto por dentro como por fora. O pé pode ser de latão dourado, caso não possa ser de ouro ou prata porque a igreja é demasiado pobre. O pé terá largura proporcional, de modo que o cálice fique firmemente apoiado onde quer que seja colocado e não possa tombar. Será octogonal ou hexagonal, ou de alguma outra forma semelhante.

Haverá, na superfície do pé, decorações alusivas a algum mistério sagrado da Paixão. Essas decorações, contudo, não devem dificultar o manuseio. Em nenhum caso haverá decorações de natureza vã e fútil.

O nó central, convenientemente decorado, não terá saliências que possam tornar desconfortável segurar o cálice ou ferir os dedos, sobretudo no momento em que, durante a Missa, o sacerdote celebrante segura o cálice com o polegar e o indicador de ambas as mãos. A copa, consideravelmente estreita na parte inferior, deverá abrir-se gradualmente até a borda superior, que não deverá curvar-se para dentro nem para fora.

O maior e mais precioso cálice, de ouro puro e decorado com imagens sagradas cinzeladas, usado nas Missas solenes, terá pelo menos dezoito onças de circunferência. Terá, ao todo, quatorze onças de altura e será mais capacioso nas igrejas catedrais, colegiadas e paroquiais insignes. O cálice pequeno, usado na Missa não solene, terá quatorze onças de circunferência e doze onças de altura.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

O cálice tem uma longa história, minuciosamente traçada por autores como O'Connell, Sadlowski, Moroni(1). Nos primeiros tempos, era de vidro, e é comumente aceito que aquele usado por Cristo na Última Ceia fosse de vidro. O cálice quebrado pelos arianos e milagrosamente recomposto por São Donato, bispo de Arezzo (ver ilustração?) era de vidro. Também se fabricavam cálices de cobre e estanho, até que estes, juntamente com o vidro e a madeira, foram abolidos no concílio de Reims, em 803, pelo Papa Leão III. Os metais que não fossem ouro e prata estavam sujeitos a alterações químicas; o vidro era demasiado frágil, e a madeira, demasiado porosa. Como todos os objetos sagrados, o cálice só podia ser tocado pelos ministros sagrados, lei que remonta ao século II.

  1. Moroni, vol, VI, Calice, 256-260: see also Cath. Enc. Vol. III, Chalice.

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.