Livro II · Alfaias · n.º 20 · col. 1561-62

A Casula The Chasuble

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 1 parágrafos · 6 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

A casula (que alguns chamam phelonium e também planetam por causa de sua largura) deve ter cerca de três côvados ou mais de largura, para que, quando cair dos ombros, forme uma dobra de pelo menos uma palma entre os ombros. Deve ter aproximadamente o mesmo comprimento ou ser um pouco mais comprida, de modo a alcançar os calcanhares. Deve também ter uma faixa de pelo menos oito onças de largura, costurada sobre ela. Essa faixa deve estender-se até a parte inferior, tanto na frente como atrás. A ela deve ser acrescentada outra faixa transversal, próxima à parte superior, tanto na frente como atrás, para formar uma cruz de ambos os lados.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

A casula (em latim também casula planeta) é o mais reconhecível dos paramentos da Missa, pois é usada sobre os demais. Originalmente, sendo uma peça de tecido mais ou menos redonda, com uma abertura para a cabeça, ela realmente parecia uma

“pequena casa”, pois cobria toda a figura. A casula medieval tinha o inconveniente de ser impossível levantar os braços sem erguer toda a parte dianteira do paramento. Isso levou a um progressivo encurtamento e à mudança de sua forma.7

Digno de nota é o comentário de Passmore(8): “Observar-se-á que Durando nada diz sobre os orfrés ou a ornamentação da casula, e não faz alusão à cruz em Y nela existente. Contudo, esta sem dúvida existia em seu tempo. Agnellus, em sua Vida de São Maximiano, que foi Bispo de Ravena no século VI, diz que Maximiano tinha uma toalha do altar bordada com imagens de seus predecessores, e que esses Bispos eram representados como

usando casulas com o ‘auriclave’ na frente, com forma semelhante à do Pálio… É bem sabido que essa cruz representa o erguimento dos braços de Nosso Senhor bendito na crucifixão, e que o orfré reto frequentemente encontrado na frente da casula é simbólico do poste ao qual ele foi amarrado quando açoitado. Esses significados são, naturalmente, exemplos da evolução do simbolismo a partir da utilidade.

  1. see Enc. Cath. Vol. III, for history of chasuble. Also Braun,

  2. Passmore, Durandus…

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.