Livro II · Alfaias · n.º 6 · col. 1557

Frontais Frontals

Livro II — As alfaias e os paramentos · texto corrido · 5 parágrafos · 6 notas da tradutora · português, com o inglês a um clique

O frontal, ou pallium, [também conhecido como antependium], isto é, o pano que pende da frente do altar, deve ser um pouco mais comprido que o próprio altar e um pouco mais alto, de modo que sua borda inferior possa ficar escondida sob a moldura da predela.

Na parte superior, a um palmo do alto, será adornado com pequenas borlas chamadas frangias [franjas], de ouro ou de seda, conforme a cor prescrita pela liturgia.

Na parte posterior, o tecido será forrado com algodão ou algum outro material leve; este deverá se estender um palmo além na parte superior, para que possa ser dobrado sob as toalhas do altar. Além disso, na parte interna superior, deverá ser provido de pequenos anéis diminutos de latão [aereis] ou de ferro, pelos quais poderá ser pendurado e preso à armação do altar. Uma cruz, ou a imagem do Santo ou dos Santos a quem o altar é dedicado, ou alguma outra efígie religiosa, será costurada de modo correto e conveniente na parte externa do frontal. Este era um antigo costume, pois sabemos que o Papa Zacarias levou ao altar de São Pedro Apóstolo um frontal entretecido de ouro, decorado com a imagem do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Um frontal mais precioso, a ser usado nas celebrações ou nos dias solenes, deverá ser entretecido de seda, ouro ou prata, ou, pelo menos, confeccionado com o rico tecido chamado brocatum [brocado], ou ser belamente bordado. Mas o que se destina ao uso cotidiano deverá ser de outro tipo de seda ou de meia-seda. Isso também é permitido nas igrejas cuja renda não pode suportar o custo de um frontal mais precioso. Contudo, os frontais existentes que forem demasiado modestos ou demasiado curtos para a altura do altar deverão ser tornados mais altos na parte superior, acrescentando-se tecido do mesmo material, convenientemente aplicado. Essa costura deverá ser devidamente ocultada por uma ornamentação de pequenas borlas chamadas frangiam [franjas], ou por outro ornamento adequado.

Aqueles frontais que não forem suficientemente largos, porque os altares foram ampliados, poderão ser devidamente ajustados mediante o acréscimo conveniente de faixas do mesmo tecido ou de outro tecido ou seda, conforme o comprimento dos altares.

Notas da tradutora

Notas e comentários de Evelyn Voelker, tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.

Segundo Moroni(1), o palliotto (arae amiculum, velum, velamen) ou frontal, uma vez que cobre apenas a parte frontal do altar, era originalmente uma simples cortina, para que as caixas com relíquias sob o altar não acumulassem poeira. A maioria dos autores(2) emprega o termo frontal, apresentando antependium, frequentemente usado pelos historiadores da arte, como o termo latino.

Em geral, com exceção dos antepêndios mais preciosos, eles devem corresponder, quanto à cor, à cor da festa ou do ofício do dia(3). Outras exceções incluem um frontal branco quando o Santíssimo Sacramento está exposto(4). Aqui, mais uma vez, Borromeu demonstra sua disposição de atender às igrejas com rendas limitadas.

  1. Moroni, op. cit. vol. LI, palla?

  2. O'Connell, Jungmann

  3. Caerem. Episc., I, XII, ll

  4. see also Cath. Enc., vol.?? (Online Edition 1999).

Fonte: Instructiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), de São Carlos Borromeu, na tradução inglesa Instructions on Church Building, de Evelyn Voelker, publicada em credobiblestudy.com. Tradução para o português brasileiro do Lírio Católico, feita a partir do inglês — não do latim —, por isso o texto inglês está sempre a um clique: o botão Inglês abre o de cada seção, e o botão Ver original em inglês o coloca ao lado do português. As notas numeradas e as fontes citadas são da tradutora inglesa; as referências bibliográficas ficaram como na fonte.