O Egito foi a terra-mãe do monaquismo cristão. Ele surgiu lá no início do século IV e, em poucos anos, espalhou-se por todo o mundo cristão. A rapidez do movimento só foi igualada pela durabilidade de seus resultados. Durante a vida de São Antão, o estado religioso tornou-se o que é até hoje, uma das características da Igreja Católica, com seus ideais e o que pode ser chamado de alicerce de sua organização, já determinado. Mas isso não é tudo. O ensinamento simples dos primeiros monges e eremitas egípcios fixou de uma vez por todas os amplos contornos da ciência da vida espiritual, ou, em outras palavras, da teologia ascética. O estudo, portanto, do monaquismo primitivo possui muito mais do que um mero interesse antiquário. Trata-se de um movimento cuja força de forma alguma foi esgotada e que teve uma parte muito grande na criação das condições que existem atualmente.
Egypt was the Motherland of Christian monasticism. It sprang into existence there at the beginning of the fourth century and in a very few years spread over the whole Christian world. The rapidity of the movement was only equalled by the durability of its results. Within the lifetime of St. Anthony the religious state had become what it has been ever since, one of the characteristics of the Catholic Church, with its ideals, and what may be termed the groundwork of its organization, determined. But this was not all. The simple teaching of the first Egyptian monks and hermits fixed once and forever the broad outlines of the science of the spiritual life, or, in other words, of ascetic theology. The study, therefore, of early monasticism possess a great deal more than a merely antiquarian interest. It is concerned with a movement the force of which is in no way spent and which has had a very large share in creating the conditions which obtain at the present day.
O primeiro capítulo da história do monaquismo é a vida de São Antônio, que já foi descrita (veja SÃO ANTONIO). A inauguração do movimento monástico pode ser datada por volta de 285, quando São Antônio, não mais satisfeito com a vida do asceta comum, retirou-se para o deserto, ou por volta de 305, quando organizou uma espécie de vida monástica para seus discípulos. Asceta é o termo geralmente empregado pelos escritores sobre monaquismo para aqueles que, nos dias anteriores ao monaquismo, abandonaram o mundo na medida do possível. Dos três conselhos evangélicos, a castidade é o único que pode ser praticado independentemente das circunstâncias externas. Naturalmente, portanto (começando com a era sub-apostólica), ouvimos primeiro sobre homens e mulheres levando a vida virginal (cf. Epístola de Clemente 38; Ignato, "ad Polucarp.", c.v.; Hermas, "Sim.", IX, 30).
The first chapter in the history of monasticism is the life of St. Anthony which has already been described (see SAINT ANTHONY). The inauguration of the monastic movement may be dated either about 285, when St. Anthony, no longer content with the life of the ordinary ascetic, went into the wilderness, or about 305, when he organized a kind of monastic life for his disciples. Ascetic is the term usually employed by writers on monasticism for those who in pre-monastic days forsook the world so far as they were able. Of the three Evangelical counsels, chastity alone can be practised independently of external circumstances. Naturally, therefore (beginning with the sub-Apostolic age), we hear first of men and women leading the virgin life (cf. Epistle of Clement 38; Ignat., "ad Polucarp.", c.v.; Hermas, "Sim.", IX, 30).
Os Apologistas apontaram triunfantemente para isso (Justino, "Apol.", I, xv; Athenágoras, Apelo aos Cristãos 33; Minúcio Félix, "Octav.", xxxi). A pobreza voluntária, na renúncia completa de todos os bens materiais, seria difícil até que existissem mosteiros, pois as pessoas com riqueza a renunciar, em termos gerais, não teriam sido educadas de maneira a serem capazes de ganhar a própria vida. Contudo, temos os exemplos de Orígenes, Santo Cipriano e Pânfilo para mostrar que isso foi feito. A plena prática do último conselho evangélico (obediência) só poderia ser realizada após o ideal monástico ter se enraizado e ultrapassado a fase puramente eremítica. O asceta anterior a Nicéia seria um homem que levava uma vida solitária, praticava longos e frequentes jejuns, abstinha-se de carne e vinho, e sustentava-se, se pudesse, por meio de algum pequeno ofício, guardando do que ganhava apenas o que era absolutamente necessário para sua própria subsistência e dando o restante aos pobres. Se fosse um homem educado, poderia ser empregado pela Igreja em alguma função como a de catequista. Muitas vezes, ele usaria o tipo de vestimenta que marcava o portador como um filósofo de uma escola austera.
The Apologists pointed triumphantly to such (Justin, "Apol.", I, xv; Athenagoras, A Plea for the Christians 33; Minucius Felix, "Octav.", xxxi). Voluntary poverty, in the complete renunciation of all worldly possessions, would be difficult till there were monasteries, for persons with wealth to renounce would not, generally speaking, have been brought up so as to be capable of earning their own livelihood. Still we have the examples of Origen, St. Cyprian, and Pamphilus to show that the thing was done. A full practice of the last Evangelical counsel (obedience) could only be realized after the monastic ideal had taken root and passed beyond the purely eremitical stage. The ante-Nicene ascetic would be a man who led a single life, practised long and frequent fasts, abstained from flesh and wine, and supported himself, if he were able, by some small handicraft, keeping of what he earned only so much as was absolutely necessary for his own sustenance, and giving the rest to the poor. If he were an educated man, he might be employed by the Church in some such capacity as that of catechist. Very often he would don the kind of dress which marked the wearer off as a philosopher of an austere school.
No Egito, na época em que Santo Antônio adotou pela primeira vez a vida ascética, havia muitos ascetas vivendo em cabanas nas proximidades das cidades e vilarejos. Quando Santo Antônio morreu (356 ou 357), dois tipos de monasticismo floresceram no Egito. Havia aldeias ou colônias de eremitas - o tipo eremítico; e mosteiros onde se levava uma vida comunitária - o tipo cenobítico. Um breve exame dos capítulos iniciais da "História Lausiaca" de Paládio servirá como uma descrição do primeiro tipo.
In Egypt, at the time when St. Anthony first embraced the ascetic life, there were numbers of ascetics living in huts in the neighbourhood of the towns and villages. When St. Anthony died (356 or 357), two types of monasticism flourished in Egypt. There were villages or colonies of hermits - the eremitical type; and monasteries in which a community life was led - the cenobitic type. A brief survey of the opening chapters of Palladius' "Lausiac History" will serve as a description of the former type.
Páladio foi um monge da Palestina que, em 388, foi ao Egito para absorver o espírito do monaquismo em sua fonte. Ao desembarcar em Alexandria, colocou-se nas mãos de um sacerdote chamado Isidoro, que na juventude tinha sido eremita em Nitria e agora aparentemente presidia um hospício em Alexandria sem, de maneira alguma, abrandar a austeridade de sua vida. A conselho de Isidoro, Páladio se colocou sob a direção de um eremita chamado Doroteu, que vivia a seis milhas de Alexandria, com quem passaria três anos aprendendo a dominar suas paixões e depois retornar a Isidoro para receber um conhecimento espiritual mais elevado. Este Doroteu passava o dia inteiro coletando pedras para construir celas para outros eremitas e a noite inteira tecendo cordas de folhas de palmeira. Ele nunca se deitava para dormir, embora, às vezes, o sono o surpreendesse enquanto trabalhava ou comia. Páladio, que parece ter vivido em sua cela, soube de outros solitários que essa era sua prática desde a juventude. A saúde de Páladio deteriorou-se antes que ele completasse seu tempo com Doroteu, mas ele passou três anos em Alexandria e seus arredores visitando eremitérios e se familiarizando com cerca de 2000 monges. De Alexandria, ele foi a Nitria, onde havia uma vila monástica contendo cerca de 5000 solitários. Não havia tipo de regra monástica. Alguns dos solitários viviam sozinhos, às vezes dois ou mais viviam juntos. Eles se reuniam na igreja aos sábados e domingos. A igreja era servida por oito sacerdotes, dos quais o mais velho sempre celebrava, pregava e julgava, os outros apenas assistindo. Todos trabalhavam na tecelagem de linho. Havia padarias onde o pão era feito, não apenas para a vila em si, mas também para os solitários que viviam no deserto além. Havia médicos. O vinho também era vendido.
Palladius was a monk from Palestine who, in 388, went to Egypt to drink in the spirit of monasticism at the fountainhead. On landing at Alexandria he put himself in the hands of a priest named Isidore, who in early life had been a hermit at Nitria and now apparently presided over a hospice at Alexandria without in any way abating the austerity of his life. By the advice of Isidore, Palladius placed himself under the direction of a hermit named Dorotheus who lived six miles outside Alexandria, with whom he was to pass three years learning to subdue his passions and then to return to Isidore to receive higher spiritual knowledge. This Dorotheus spent the whole day collecting stones to build cells for other hermits, and the whole night weaving ropes out of palm leaves. He never lay down to sleep, though slumber sometimes overtook him while working or eating. Palladius who seems to have lived in his cell, ascertained from other solitaries that this had been his custom from his youth upwards. Palladius' health broke down before he completed his time with Dorotheus, but he spent three years in Alexandria and its neighbourhood visiting the hermitages and becoming acquainted with about 2000 monks. From Alexandria he went to Nitria, where there was a monastic village containing about 5000 solitaries. There was no kind of monastic rule. Some of the solitaries lived alone, sometimes two or more lived together. They assembled at the church on Saturdays and Sundays. The church was served by eight priests of whom the oldest always celebrated, preached, and judged, the others only assisting. All worked at weaving flax. There were bakeries where bread was made, not only for the village itself, but for the solitaries who lived in the desert beyond. There were doctors. Wine also was sold.
Estranhos eram acolhidos em uma hospedaria. Se conseguissem ler, emprestavam-lhe um livro. Podiam ficar o tempo que quisessem, mas após uma semana eram designados a algum tipo de trabalho. Se na nona hora um homem parasse e escutasse o som da salmodia saindo das diferentes celas, ele imaginaria, diz Palládio, que estava sendo arrebatado ao paraíso. Mas, embora não houvesse uma regra monástica em Nitria, havia uma lei municipal, cujo símbolo externo eram três varas penduradas em três palmeiras, uma para monges que pudessem ser culpados de alguma falta, uma para ladrões que pudessem ser flagrados à espreita, e a terceira para estranhos que se comportassem mal. Mais adentro no deserto havia um lugar chamado Celas, ou Cellia, para onde os mais perfeitos se retiravam. Este é descrito pelo autor da "História dos Monges no Egito". Aqui, os solitários viviam em celas tão distantes que ficavam fora de vista e fora de ouvido uns dos outros. Semelhante aos de Nitria, eles se encontravam apenas aos sábados e domingos na igreja, para onde alguns deles precisavam viajar uma distância de três ou quatro milhas. Muitas vezes, sua morte só era descoberta por sua ausência na igreja.
Strangers were entertained in a guest-house. If able to read, they were lent a book. They might stay as long as they liked, but after a week they were set to some kind of work. If at the ninth hour a man stood and listened to the sound of psalmody issuing from the different cells, he would imagine, says Palladius, that he was caught up into paradise. But, though there was no monastic rule at Nitria, there was municipal law, the outward symbol of which was three whips suspended from three palm trees, one for monks who might be guilty of some fault, one for thieves who might be caught prowling about, and the third for strangers who misbehaved. Further into the desert was a place called Cells, or Cellia, whither the more perfect withdrew. This is described by the author of the "Historia monachorum in Aegypto". Here the solitaries lived in cells so far apart that that they were out of sight and out of hearing from one another. Like those of Nitria, they met only on Saturdays and Sundays at church, whither some of them had to travel a distance of three or four miles. Often their death was only discovered by their absence from church.
Em forte contraste com o individualismo da vida eremítica estava a rígida disciplina que prevalecia nos mosteiros cenobíticos fundados por São Pacômio. Quando, em 313, Constantino estava em guerra com Maximiano, Pacômio, ainda um pagão, foi forçosamente alistado junto com vários outros jovens e colocado a bordo de um navio para ser transportado pelo Nilo até Alexandria. Em alguma cidade onde o navio fez uma parada, os recrutas foram inundados pela bondade dos cristãos. Pacômio imediatamente resolveu se tornar cristão e cumpriu sua resolução assim que foi dispensado do serviço militar. Ele começou como um asceta em uma pequena vila, estabelecendo-se em um templo abandonado de Serápis e cultivando um jardim do qual se sustentava e dava esmolas. O fato de Pacômio ter feito um antigo templo de Serápis sua moradia foi o suficiente para uma teoria engenhosa que o considerava originalmente um monge pagão. Essa visão agora está completamente desacreditada.
In strong contrast with the individualism of the eremitical life was the rigid discipline which prevailed in the cenobitical monasteries founded by St. Pachomius. When, in 313, Constantine was at war with Maxentius, Pachomius, still a heathen, was forcibly enlisted together with a number of other young men, and placed on board a ship to be carried down the Nile to Alexandria. At some town at which the ship touched, the recruits were overwhelmed with the kindness of the Christians. Pachomius at once resolved to be a Christian and carried out his resolution as soon as he was dismissed from military service. He began as an ascetic in a small village, taking up his abode in a deserted temple of Serapis and cultivating a garden on the produce of which he lived and gave alms. The fact that Pachomius made an old temple of Serapis his abode was enough for an ingenious theory that he was originally a pagan monk. This view is now quite exploded.
Pachômio em seguida abraçou a vida eremítica e convenceu um velho eremita chamado Palemão a aceitá-lo como discípulo e compartilhar sua cela com ele. É importante notar que esse tipo de discipulado, que, como já vimos, foi tentado por Pelágio, era uma prática reconhecida entre os eremitas egípcios. Depois, ele deixou Palemão e fundou seu primeiro mosteiro em Tabennisi, perto de Denderah. Antes de morrer, em 346, ele tinha sob sua liderança oito ou nove grandes mosteiros de homens e dois de mulheres. Do ponto de vista secular, um mosteiro pachomiano era uma comunidade industrial na qual quase todos os tipos de comércio eram praticados. Isso, é claro, envolvia muito compra e venda, de modo que os monges tinham barcos próprios no Nilo, que transportavam seus produtos agrícolas e bens manufaturados para o mercado e traziam de volta o que os mosteiros necessitavam. Do ponto de vista espiritual, o monge pachomiano era um religioso vivendo sob uma regra mais severa, mesmo levando em consideração as diferenças de clima e raça, do que a dos trapistas.
Pachomius next embraced the eremitical life and prevailed upon an old hermit named Palemon to take him as his disciple and share his cell with him. It may be noted that this kind of discipleship, which, as we have already seen, was attempted by Palladius, was a recognized thing among the Egyptian hermits. Afterwards he left Palemon and founded his first monastery at Tabennisi near Denderah. Before he died, in 346, he had under him eight or nine large monasteries of men, and two of women. From a secular point of view, a Pachomian monastery was an industrial community in which almost every kind of trade was practised. This, of course, involved much buying and selling, so the monks had ships of their own on the Nile, which conveyed their agricultural produce and manufactured goods to the market and brought back what the monasteries required. From the spiritual point of view, the Pachomian monk was a religious living under a rule more severe, even when allowance has been made for differences of climate and race, than that of the Trappists.
Um mosteiro pachomiano era um conjunto de edifícios cercados por um muro. Os monges eram distribuídos em casas, cada casa contendo cerca de quarenta monges. Três ou quatro casas constituíam uma tribo. Havia de trinta a quarenta casas em um mosteiro. Havia um abade sobre cada mosteiro e prepostos com funcionários subordinados sobre cada casa. Os monges eram divididos em casas de acordo com o trabalho que realizavam: assim, havia uma casa para carpinteiros, uma casa para agricultores, e assim por diante. Mas outros princípios de divisão parecem ter sido empregados, por exemplo, ouvimos falar de uma casa para os gregos. Aos sábados e domingos, todos os monges se reuniam na igreja para a Missa; em outros dias, o Ofício e outros exercícios espirituais eram celebrados nas casas.
A Pachomian monastery was a collection of buildings surrounded by a wall. The monks were distributed in houses, each house containing about forty monks. Three or four houses constituted a tribe. There would be thirty to forty houses in a monastery. There was an abbot over each monastery, and provosts with subordinate officials over each house. The monks were divided into houses according to the work they were employed in: thus there would be a house for carpenters, a house for agriculturists, and so forth. But other principles of division sem to have been employed, e.g., we hear of a house for the Greeks. On Saturdays and Sundays all the monks assembled in the church for Mass; on other days the Office and other spiritual exercises were celebrated in the houses.
"A ideia fundamental da regra de São Pacômio", escreve o Abade Butler, "era estabelecer um nível moderado de observância (moderado em comparação com a vida levada pelos eremitas) que pudesse ser obrigatório para todos; e então deixar aberto para cada um - e de fato encorajar cada um - a ir além do mínimo fixo, de acordo com o que fosse movido por sua força, sua coragem e seu zelo" ("História Lausiaca", I, p. 236). Isso é strikingly ilustrado nas regras referentes à comida. De acordo com São Jerônimo, no prefácio de sua tradução da "Regra de Pacômio", as mesas eram postas duas vezes ao dia, exceto às quartas e sextas-feiras, que, fora das temporadas da Páscoa e do Pentecostes, eram dias de jejum. Alguns tomavam muito pouco na segunda refeição; alguns, em uma ou outra das refeições, restringiam-se a um único alimento; outros tomavam apenas um pedaço de pão. Alguns se abstinham completamente da refeição comunitária; para estes, pão, água e sal eram colocados em sua cela.
"The fundamental idea of St. Pachomius' rule", writes Abbot Butler, "was to establish a moderate level of observance (moderate in comparison with the life led by the hermits) which might be obligatory on all; and then to leave it open to each - and to indeed encourage each - to go beyond the fixed minimum, according as he was prompted by his strength, his courage, and his zeal" ("Lausiac History", I, p. 236). This is strikingly illustrated in the rules concerning food. According to St. Jerome, in the preface to his translation of the "Rule of Pachomius", the tables were laid twice a day except on Wednesdays and Fridays, which, outside the seasons of Easter and Pentecost were fast days. Some only took very little at the second meal; some at one or other of the meals confined themselves to a single food; others took just a morsel of bread. Some abstained altogether from the community meal; for these bread, water, and salt were placed in their cell.
Pachômio nomeou como seu sucessor um monge chamado Petrônio, que morreu em poucos meses, tendo também nomeado seu sucessor, Horsiesi. No tempo de Horsiesi, a ordem foi ameaçada por um cisma. O abade de uma das casas, em vez de encaminhar a produção do trabalho de seus monges para a casa-mãe da ordem, onde seria vendida e o preço distribuído às diferentes casas conforme a necessidade, desejou ter a disposição dela apenas para o benefício de seu próprio mosteiro. Horsiesi, não conseguindo lidar com a situação, nomeou Teodoro, um discípulo querido de Pachômio, como seu coadjutor.
Pachomius appointed his successor a monk named Petronius, who died within a few months, having likewise named his successor, Horsiesi. In Horsiesi's time the order was threatened with a schism. The abbot of one of the houses, instead of forwarding the produce of the work of his monks to the head house of the order, where it would be sold and the price distributed to the different houses according to their need, wished to have the disposal of it for the sole benefit of his own monastery. Horsiesi, finding himself unable to cope with the situation, appointed Theodore, a favourite disciple of Pachomius, his coadjutor.
Quando Teodoro morreu, no ano de 368, Horsiesi pôde retomar o governo da ordem. Este cisma ameaçador traz à tona uma característica ligada à fundação de Pacômio que nunca mais se encontra no Oriente e, no Ocidente, apenas muitos séculos depois. "Como Cister no século posterior", escreve o Abade Butler, "ela quase de imediato assumiu a forma de uma congregação ou ordem plenamente organizada, com um superior geral e um sistema de visitação e capítulos gerais - em suma, toda a maquinaria de um governo centralizado, que não aparece novamente no mundo monástico até que as Ordens Cistercienses e Mendicantes surgiram nos séculos XII e XIII" (op. cit., I,235).
When Theodore died, in the year 368, Horsiesi was able to resume the government of the order. This threatened schism brings prominently before us a feature connected with Pachomius' foundation which is never again met with in the East, and in the West only many centuries later. "Like Cîteaux in a later age", writes Abbot Butler, "it almost at once assumed the shape of a fully organized congregation or order, with a superior general and a system of visitation and general chapters - in short, all the machinery of a centralized government, such as does not appear again in the monastic world until the Cistercian and the Mendicant Orders arose in the twelfth and thirteenth centuries" (op. cit., I,235).
Uma palavra deve ser dita sobre Schenoudi, ou Schnoudi, ou Senuti. Pouco depois da metade do século IV, dois monges, Pgol e Pschais, transformaram seus mosteiros eremíticos em mosteiros cenobíticos. Sobre estes últimos, sabemos quase nada. Schenoudi, quando menino, com cerca de nove anos, ficou sob os cuidados de seu tio Pgol. Tanto Pgol como Schenoudi eram reformadores - a Regra de Pachômio não era estrita o suficiente para eles.
A word must be said about Schenoudi, or Schnoudi, or Senuti. Shortly after the middle of the fourth century, two monks, Pgol and Pschais, changed their eremitical monasteries into cenobitical ones. Of the latter we know scarcely anything. Schenoudi, when a boy of about nine years old, came under the care of his uncle Pgol. Both Pgol and Schenoudi were reformers - the Pachomian Rule was not strict enough for them.
Schenoudi sucedeu seu tio Pgol como chefe do Mosteiro Branco de Athribis e, até sua morte (cerca de 453), não foi apenas o maior líder monástico, mas um dos homens mais importantes do Egito. Ele travou guerra contra hereges; participou ativamente da erradicação do paganismo; defendeu a causa dos pobres contra os ricos. Certa vez, foi pessoalmente a Constantinopla para reclamar da tirania dos funcionários governamentais. Em uma ocasião, 20.000 homens, mulheres e crianças buscaram refúgio no Mosteiro Branco durante uma invasão dos selvagens Blemmyes da Etiópia, e Schenoudi manteve todos os fugitivos por três meses, fornecendo-lhes alimentos e assistência médica. Em outra ocasião, ele resgatou cem cativos e os enviou de volta para casa com comida, roupas e dinheiro para sua viagem. A importância de Schenoudi para a história do monaquismo é pequena, pois sua influência, apesar de grande em seu próprio país, não se fez sentir em outros lugares. Havia duas barreiras: o Alto Egito era um país difícil e perigoso para viajantes, e aqueles que penetravam lá provavelmente não visitariam um mosteiro onde mal se falava outra língua que não o copta. De acordo com o Abade Butler, "Schenoudi nunca é mencionado por nenhum escritor grego ou latino" (op. cit., II,204). Ele foi redescoberto em nosso próprio tempo em manuscritos copta.
Schenoudi succeeded his uncle Pgol as head of the White Monastery of Athribis, and, till his death (about 453), was not only the greatest monastic leader, but one of the most important men, in Egypt. He waged war against heretics; he took a prominent part in the rooting out of paganism; he championed the cause of the poor against the rich. He once went in person to Constantinople to complain of the tyranny of government officials. On one occasion 20,000 men, women, and children took refuge in the White Monastery during an invasion of the savage Blemmyes of Ethiopia, and Schenoudi maintained all the fugitives for three months, providing them with food and medical aid. On another occasion he ransomed a hundred captives and sent them home with food, clothing, and money for their journey. Schenoudi's importance for the history of monasticism is small, for his influence, great as it was in his own country, did not make itself felt elsewhere. There were two barriers: Upper Egypt was a difficult and dangerous country for travellers, and such as did penetrate there would not be likely to visit a monastery where hardly anything but Coptic was spoken. According to Abbot Butler, "Schenoudi is never named by any Greek or Latin writer" (op. cit., II,204). He has been rediscovered in our own time in Coptic manuscripts.
Na parte II da "História Lausíaca" de Butler, há um mapa do Egito Monástico. Um olhar para este mapa e para as notas que o acompanham traz à mente um fato importante na história monástica. Com a exceção de um único mosteiro pacomiano em Canopo, perto de Alexandria, os mosteiros cenobíticos estão no Sul e restritos a uma área relativamente pequena. Os mosteiros eremíticos, por outro lado, estão em toda parte, especialmente no Norte. Estes últimos foram, assim, muito mais acessíveis aos peregrinos que visitavam o Egito e tornaram-se os padrões ou modelos para o restante do mundo cristão. Foi o tipo eremítico, e não o cenobítico, de monaquismo que se difundiu a partir do Egito.
In part II of Butler's "Lausiac History" is a map of Monastic Egypt. A glance at this map and the notes accompanying it brings forcibly before the mind an important fact in monastic history. With the exception of a single Pachomian monastery at Canopus, near Alexandria, the cenobitic monasteries are in the South, and confined to a relatively small area. The eremitical monasteries, on the contrary, are everywhere, and especially in the North. These latter were thus far more accessible to pilgrims visiting Egypt and so became the patterns or models for the rest of the Christian world. It was the eremitical, not the cenobitical, type of monasticism which went forth from Egypt.
O monaquismo se espalhou muito cedo ao longo da rota do Êxodo e do deserto dos Quarenta Anos de Peregrinação. Os solitários tinham uma predileção especial por locais bíblicos. Em cada lugar santificado pela tradição, que a Síria visitou (A.D.385), ela encontrou monges. A atração do Monte Sinai para os solitários era irresistível, apesar do perigo de cativeiro ou morte nas mãos dos saracenos. Em 373, um número de solitários habitava esta montanha, vivendo de tâmaras e outras frutas, sendo o pão que tinham reservado para os Mistérios Sagrados. Durante toda a semana, eles viviam apartados em suas celas; juntavam-se na igreja na noite de sábado e, após passar a noite em oração, recebiam a comunhão na manhã de domingo. Quarenta deles foram massacrados em 373, e no mesmo dia outro grupo de solitários em Raithe (supostamente Elim) foi morto por um segundo grupo de bárbaros. Esses eventos foram descritos por testemunhas oculares (Tillemont, "H.E.", VII, 573-80). O mesmo tipo de vida era levado no Monte Sinai, e uma experiência semelhante foi vivida cerca de vinte anos depois, quando São Nilus esteve lá.
Monasticism at a very early date spread along the route of the Exodus and the desert of the Forty Years' Wandering. The solitaries had a special predilection for Scriptural sites. At every place hallowed by tradition, which Syria visited (A.D.385), she found monks. The attraction of Mt. Sinai for the solitaries was irresistible, in spite of the danger of captivity or death at the hands of the Saracens. In 373 a number of solitaries inhabited this mountain, living on dates and other fruit, such bread as they had being reserved for the Sacred Mysteries. All the week they lived apart in their cells; they gathered together in the church on Saturday evening and, after spending the night in prayer, received communion on Sunday morning. Forty of them were massacred in 373, and on the same day another group of solitaries at Raithe (supposed to be Elim) were killed by a second band of barbarians. These events were described by eye-witnesses (Tillemont, "H.E.", VII, 573-80). The same kind of life was being led at Mt. Sinai, and a similar experience was undergone some twenty years later when St. Nilus was there.
São Hilarion, que por um tempo foi discípulo de Santo Antão, propagou o monasticismo do tipo eremítico primeiro nas proximidades de sua cidade natal, Gaza, e depois em Chipre. Seu amigo, Santo Epifânio, após praticar a vida monástica no Egito, fundou um mosteiro perto de Eleuterópolis, na Palestina, por volta de 330 ou talvez um pouco depois.
St. Hilarion, who for a time had been a disciple of St. Anthony, propagated monasticism of the eremitical type first in the neighbourhood of his native city Gaza and then in Cyprus. His friend, St. Epiphanius, after practising the monastic life in Egypt, founded a monastery near Eleutheropolis in Palestine somewhere about 330 or perhaps a little later.
Em Jerusalém e nos arredores havia numerosos mosteiros desde uma época muito remota. Para citar apenas alguns, havia o mosteiro no Monte das Oliveiras, de onde Palládio partiu em sua jornada pelos mosteiros egípcios; havia dois mosteiros para mulheres em Jerusalém, construídos pelas Melanias, a mais velha e a mais nova, respectivamente. Em Belém, Santa Paula fundou três mosteiros para mulheres e um para homens por volta do ano 387 d.C. Havia, além disso, em Belém, o mosteiro onde Cassiano, alguns anos antes, começou sua vida religiosa. As Lauras, que eram muito numerosas, formavam uma característica conspícua do monaquismo palestinense. A primeira parece ter sido fundada antes de 334 por São Caritão em Faran, a poucos quilômetros de Jerusalém; mais tarde, dois outros foram fundados pelo mesmo santo em Jericó e em Suca.
In Jerusalem and its neighbourhood there were numerous monasteries at a very early date. To name only a few, there was the monastery on the Mount of Olives, from which Palladius went forth on his tour of the Egyptian monasteries; there were two monasteries for women in Jerusalem, built by the older and younger Melania respectively. At Bethlehem St. Paula founded three monasteries for women and one for men about A.D.387. There was, besides, in Bethlehem the monastery where Cassian some years before began his religious life. The Lauras, which were very numerous, formed a conspicuous feature in Palestinian monasticism. The first seems to have been founded before 334 by St. Chariton at Pharan, a few miles from Jerusalem; later on two more were founded by the same saint at Jericho and at Suca.
Santo Eutímio (473) fundou outra célebre laura no vale de Cedron. Perto de Jericó estava a laura regida por Santo Gerásimo (475). Alguns detalhes sobre as regras desta laura foram preservados, felizmente, em uma muito antiga Vida de Santo Eutímio. Ela consistia em um cenóbio onde a vida cenobítica era praticada por noviços e outros menos experientes. Também havia setenta células para solitários. Durante cinco dias da semana, estes últimos viviam e trabalhavam sozinhos em suas células. No sábado, eles levavam seu trabalho ao cenóbio, onde, após receber a Sagrada Comunhão aos domingos, participavam de alguma comida cozida e um pouco de vinho. O resto da semana, sua alimentação consistia em pão, tâmaras e água. Quando alguns deles pediram para ser autorizados a aquecer um pouco de água, para que pudessem cozinhar alguma comida e ter uma lamparina para ler, disseram-lhes que, se desejassem viver assim, era melhor que se estabelecessem no cenóbio (Acta SS., 1 de março, 386,87).
St. Euthymius (473) founded another celebrated one in the valley of Cedron. Near Jericho was the laura ruled over by St. Gerasimus (475). Some details concerning the rules of this laura have fortunately been preserved in a very ancient Life of St. Euthymius. It consisted of a cenobium where the cenobitic life was practised by novices and others less proficient. There were also seventy cells for solitaries. Five days in the week these latter lived and worked alone in their cells. On Saturday they brought their work to the cenobium, where, after receiving Holy Communion on Sundays, they partook of some cooked food and a little wine. The rest of the week their fare was bread, dates and water. When some of them asked to be allowed to heat some water, that they might cook some food and to have a lamp to read by, they were told that if they wished to live thus they had better take up their abode in the cenobium (Acta SS., March 1, 386,87).
Antioquia, quando São João Crisóstomo era jovem, estava repleta de ascetas e as montanhas vizinhas eram povoadas de eremitas. Era tão grande o impulso que levava os homens à vida solitária que, em um determinado momento, houve um clamor, quase equivalente a uma perseguição, tanto entre cristãos quanto pagãos contra aqueles que abraçavam essa vida. Esta foi a ocasião do tratado de São Crisóstomo contra os opositores do monasticismo: no primeiro livro, ele refletiu sobre a culpa que incorria por parte deles; o segundo e o terceiro foram dirigidos, respectivamente, a um pai pagão e a um pai cristão que se opunham ao desejo de seus filhos de abraçar o estado monástico. A cena patética entre o santo e sua mãe, que ele descreve no início do "De Sacerdotio", deve ser típica do que ocorreu em muitas casas cristãs. Ele mesmo cedeu a tal ponto aos apelos de sua mãe que se contentou com a vida ascética em casa até a morte dela. A Palestina e Antioquia devem ser suficientes como exemplos da rápida divulgação do monasticismo fora do Egito. Há abundantes evidências desse fenômeno em todos os países entre o Mediterrâneo e a Mesopotâmia; e a Mesopotâmia, segundo São Jerônimo, cujo testemunho é amplamente corroborado por outros escritores, rivalizava com o próprio Egito em número e santidade de seus monges (Comm. in Isaiam, V, xix).
Antioch, when St. John Chrysostom was a young man, was full of ascetics and the neighbouring mountains were peopled with hermits. So great was the impulse driving men to the solitary life that at one time there was an outcry, amounting almost to a persecution, among Christians as well as pagans against those who embraced it. This was the occasion of St. Chrysostom's treatise against the opponents of monasticism: in the first book he dwelt upon the guilt incurred by them; the second and third were addressed respectively to a pagan and a Christian father who were opposing the wish of their sons to embrace the monastic state. The pathetic scene between the saint and his mother, which he describes in the beginning of the "De Sacertio", must be typical of what took place in many Christian homes. He himself so far yielded to his mother's entreaties that he contented himself with the ascetic life at home till her death. Palestine and Antioch must suffice as examples of the rapid spread of monasticism outside of Egypt. There is abundant evidence of the phenomenon in all the countries between the Mediterranean and Mesopotamia; and Mesopotamia, according to St Jerome, whose testimony is amply borne out by other writers, rivalled Egypt itself in the number and holiness of its monks (Comm. in Isaiam, V, xix).
Chegamos agora a um nome que é segundo apenas ao de São Antônio em importância para a história do monaquismo oriental. São Basílio Magno, antes de abraçar o estado monástico, fez um estudo cuidadoso do monaquismo no Egito, Palestina, Coelesíria e Mesopotâmia. O resultado foi uma decidida preferência pela vida cenobítica. Ele fundou vários mosteiros na Pônto, sobre um dos quais ele mesmo presidiu por um tempo, e logo os mosteiros, modelados após o seu, se espalharam pelo Oriente. Seus monges se reuniam para "salmodiar" e "genuflexões" sete vezes ao dia, de acordo com as palavras do Salmista: "Septies in die laudem dixi tibi" (Sl. cxviii, 164): à meia-noite ("Media nocte surgebam" — Ibid., 62), à tarde, de manhã e ao meio-dia (Sl. lv, 18), na terceira hora, na hora de Pentecostes, e na nona, a hora sagrada da Paixão. Para completar a narrativa de sete, a oração do meio-dia era dividida em duas partes separadas pela refeição em comum (Sermo "Asceticus", edição beneditina, II,321). O ideal monástico de São Basílio é exposto em uma coletânea de seus escritos conhecida como "Asceticon", ou "Ascética", dos quais os mais importantes são as "Regulae fusius tractatae", uma série de respostas a perguntas, no total de cinquenta e cinco, e as "Regulae brevius tractatae", nas quais trezentas e treze perguntas são respondidas de forma breve. Não se deve supor que as "Regulae" formem uma regra, embora seja possível avançar significativamente na constituição de uma a partir delas. Elas são respostas a questões que naturalmente surgiriam entre pessoas que já possuem um arcabouço de costumes ou tradições. Às vezes tratam de questões práticas, mas, com a mesma frequência, lidam com assuntos referentes à vida espiritual.
We now come to a name second only in importance to St. Anthony's for the history of eastern monasticism. St. Basil the Great before embracing the monastic state made a careful study of monasticism in Egypt, Palestine, Coelesyria, and Mesopotamia. The result was a decided preference for the cenobitic life. He founded several monasteries in Pontus, over one of which he himself for a time presided, and very soon monasteries, modelled after his, spread over the East. His monks assembled together for "psalmody" and "genuflexions" seven times a day, in accordance with the Psalmist's "Septies in die laudem dixi tibi" (Ps. cxviii, 164): at midnight ("Media nocte surgebam" — Ibid., 62), at evening, morning and midday (Ps. lv, 18), at the third hour, the hour of Pentecost, and at the ninth, the sacred hour of the Passion. To complete the tale of seven, the midday prayer was divided into two parts separated by the community meal (Sermo "Asceticus", Benedictine edition, II,321). St. Basil's monastic ideal is set forth in a collection of his writings known as the "Asceticon", or "Ascetica", the most important of which are the "Regulae fusius tractatae", a series of answers to questions, fifty-five in number, and the "Regulae brevius tractatae", in which three hundred and thirteen questions are briefly replied to. It must not be supposed that the "Regulae" form a rule, though it would be possible to go a good way towards constituting one out of them. They are answers to questions which would naturally arise among persons already in possession of a framework of customs or traditions. Sometimes they treat of practical questions, but as often as not they deal with matters concerning the spiritual life.
Não seria fácil exagerar a influência de São Basílio sobre o monasticismo primitivo: ele forneceu o tipo que acabou prevalecendo. Mas dois pontos de extrema importância, que marcam a diferença entre os mosteiros orientais e ocidentais, devem ser considerados. (1) Ele não elaborou uma regra, mas deu, o que é algo muito mais elástico, um modelo ou padrão. (2) Ele não foi o fundador de uma ordem religiosa. Nenhum oriental, exceto São Pacômio, jamais foi. Uma ordem, como entendemos o termo, é um produto puramente ocidental. "Não é suficiente", diz um autor que certamente não subestima a influência de São Basílio, "afirmar que a Ordem Basiliana é um mito. É preciso ir mais além e deixar de chamar os monges bizantinos de Basilianos. Aqueles mais envolvidos nunca aceitaram esse título, e nenhum escritor oriental que eu conheça jamais o concedeu a eles" (Pargoire em "Dict. d'Archeologie chretienne", s.v. "Basile"). Em suma, cada mosteiro é uma ordem por si só. Com São Basílio, o monasticismo oriental alcançou seu estágio final - comunidades de monges levando a vida contemplativa e se dedicando inteiramente à oração e ao trabalho. A vida cenobítica tornou-se constantemente a forma normal da vocação religiosa, enquanto a eremítica tornou-se a forma excepcional, exigindo um longo treinamento anterior.
It would not be easy to exaggerate St. Basil's influence upon early monasticism: he furnished the type which ultimately prevailed. But two points of the utmost importance, as marking the difference between Eastern and Western monasteries, must be kept in mind. (1) He did not draw up a rule, but gave, what is far more an elastic thing, a model or pattern. (2) He was not the founder of a religious order. No Eastern, except St. Pachomius, ever was. An order, as we understand the term, is a purely Western product. "It is not enough", says a writer who certainly does not underrate St. Basil's influence, "to affirm that the Basilian Order is a myth. One must go farther and give up calling the Byzantine monks Basilians. Those most concerned have never taken this title, and no Eastern writer that I know of has ever bestowed it upon them" (Pargoire in "Dict. d'Archeologie chretienne", s.v. "Basile"). In a word, every monastery is an order of its own. With St. Basil Eastern monasticism reached its final stage - communities of monks leading the contemplative life and devoting themselves wholly to prayer and work. The cenobitical life steadily became the normal form of the religious calling, and the eremitical one the exceptional form, requiring a long previous training.
Devemos agora falar sobre os fundamentos nos quais São Basílio baseou sua decisão - uma decisão tão significativa para a futura história do monaquismo - em favor da vida cenobítica. A vida em comunidade é mais eficaz porque, em primeiro lugar, mesmo para o suprimento de suas necessidades corporais, os homens dependem uns dos outros. Além disso, existe a lei da caridade. O solitário tem apenas a si mesmo a considerar; no entanto, "a caridade não busca a si mesma".
We must now speak of the grounds upon which St. Basil based his decision - a decision so momentous for the future history of monasticism - in favour of the cenobitical life. Life with others is more expedient because, in the first place, even for the supply of their bodily needs, men depend upon one another. Further, there is the law of charity. The solitary has only himself to regard; yet, "charity seeks not itself".
Novamente, o solitário não descobrirá igualmente suas faltas, não havendo ninguém para corrigi-lo com mansidão e misericórdia. Existem preceitos da caridade que só podem ser cumpridos na vida cenobítica. Os dons do Espírito Santo não são dados a todos os homens, mas um é dado a um homem e outro a outro. Não podemos participar dos dons que não nos foram concedidos se vivemos sozinhos. O grande perigo para o solitário é a auto-satisfação; ele não é posto à prova, de modo que é incapaz de aprender suas faltas ou seu progresso. Como pode ele aprender a humildade quando não há ninguém a quem preferir antes de si mesmo? Ou a paciência quando não há ninguém a quem ceder? A quem lavará os pés? A quem servirá como um servo? (Reg. fus. tract., Q. vii.) Esta condenação da vida eremítica é interessante por causa do que poderia ser chamado quase de sua brandura. Esperar-se-ia pelo menos uma imagem vívida dos perigos que o solitário enfrentava, ilusões, melancolia culminando em desespero, quedas morais e espirituais terríveis, o abandono do chamado religioso pela vida de vícios, e assim por diante. Mas em vez de tais coisas, temos pouco mais do que desvantagens e o risco de tipos de falhas algo superficiais e comuns, contra as quais a vida comum oferecia a melhor proteção. Claramente, São Basílio encontrou pouco que fosse trágico durante os dois anos em que investigou o monaquismo no Egito, na Mesopotâmia e em outros lugares.
Again, the solitary will not equally discover his faults, there being no one to correct him with meekness and mercy. There are precepts of charity which can only be fulfilled in the cenobitical life. The gifts of the Holy Spirit are not all given to all men, but one is given to one man and another to another. We cannot be partakers in the gifts not bestowed on ourselves if we live by ourselves. The great danger to the solitary is self-complacency; he is not put to the test, so that he is unable to learn his faults or his progress. How can he learn humility when there is no one to prefer before himself? Or patience when there is no one to yield to? Whose feet shall he wash? To whom shall he be as a servant? (Reg. fus. tract., Q. vii.) This condemnation of the eremitical life is interesting because of what might almost be called its tameness. One would expect at least a lurid picture of the dangers which the solitary ran, delusions, melancholy culminating in despair, terrible moral and spiritual falls, the abandonment of the religious calling for the life of vice, and so forth. But instead of such things we have little more than what amounts to disadvantages and the risk of somewhat flat and commonplace kinds of failure, against which the common life afforded the best protection. Clearly St. Basil found little that was tragic during the two years he was investigating monasticism in Egypt, Mesopotamia, and elsewhere.
Pode-se supor que um veredicto tão intransigente contra a vida eremítica provocaria um intenso conflito. Na verdade, não aconteceu nada disso. A Palestina, no final do século IV, começou a substituir o Egito como o centro do monaquismo, e na Palestina a laura e o cenóbio estavam em perfeita harmonia. O de São Gerásimo, com seu cenóbio já mencionado, pode ser tomado como um exemplo típico. A autoridade de São Basílio era igual à de São Antão entre os líderes do monaquismo palestino; ainda assim, aceitavam como algo natural que a vida na laura era a mais perfeita, embora, em circunstâncias normais, não devesse ser iniciada antes que um estágio tivesse sido cumprido em um cenóbio. O paradoxo não é tão grande quanto pode parecer à primeira vista. O eremita que habita na laura estava sob a supervisão de um arquimandrita ou abade e, portanto, não estava exposto aos perigos do estado puramente eremítico.
It might be supposed that so uncompromising a verdict against the eremitical life would stir up a fierce conflict. As a matter of fact, it did nothing of the kind. Palestine, at the end of the fourth century, began to supersede Egypt as the centre of monasticism, and in Palestine the laura and the cenobium were in perfect harmony. That of St. Gerasimus, with its cenobium already referred to, may be taken as a typical example. St. Basil's authority was equal to St. Anthony's among the leaders of Palestinian monasticism; yet they took it as a matter of course that life in the laura was the most perfect, though under ordinary circumstances it should not be entered upon before an apprenticeship had been served in a cenobium. The paradox is not so great as it may at first sight appear. The dweller in the laura was under an archimandrite or abbot and so was not exposed to the dangers of the purely eremitical state.
No Concílio de Calcedônia, o monaquismo havia se tornado parte da vida da Igreja a tal ponto que foi especialmente legislado. Mosteiros não podiam ser erguidos sem a autorização do bispo; os monges deviam receber a devida honra, mas não deveriam se envolver com os assuntos da Igreja ou do Estado. Eles deveriam estar sujeitos ao bispo, etc. (cân. iv). Clero e monges não deveriam servir em guerras ou abraçar uma vida secular (cân. vii). Mosteiros não deveriam ser secularizados (cân. xxiv).
At the Council of Chalcedon, monasticism had so become part of the life of the Church that it was specially legislated for. Monasteries were not to be erected without the leave of the bishop; monks were to receive due honour, but were not to mix themselves up with the affairs of Church or State. The were to be subject to the bishop, etc. (can.iv). Clerics and monks were not to serve in war or embrace a secular life (can.vii). Monasteries were not to be secularized (can.xxiv).
Lugares solitários, segundo Santo Basílio, deveriam ser escolhidos como locais para mosteiros. No entanto, logo encontraram seu caminho nas cidades. Segundo um estudioso, pelo menos quinze mosteiros foram fundados em Constantinopla na época de Constantino, o Grande; mas outros afirmam que os três mais antigos datam apenas da época de Teodósio (375-395). Em 518, havia pelo menos cinquenta e quatro mosteiros em Constantinopla. Seus nomes e os de seus governantes estão listados em uma petição endereçada pelos monges de Constantinopla ao Papa Hormisdas em 518.
Solitary spots, according to St. Basil, should be chosen as sites for monasteries. Nevertheless, they soon found their way into cities. According to one scholar, at least fifteen monasteries were founded at Constantinople in the time of Constantine the Great; but others affirm that the three most ancient ones only dated back to the time of Theodosius (375-95). In 518 there were at least fifty-four monasteries in Constantinople. Their names and those of their rulers are given in a petition addressed by the monks of Constantinople to Pope Hormisdas in 518.