Criatura
Diz-se do que é criado. A criação implica o ente deficiente, pois criar a plenitude absoluta de ser é ser o Ser infinito, o Ser Supremo. A criatura, por ser dependente, não poderia ser o Supremo Ser. A criatura infinitamente perfeita é uma contradição formal; não é nada nem no pensamento nem na realidade a dizer-se que Deus não pode realizá-la, como o mostra Tomás de Aquino, pois criatura implica dependência. A criatura é, assim, dependente e participante do Ser Supremo, não apenas formalmente, mas concretamente, procedente que é do ser criador.
Dependentes do Ser Supremo são todos os seres finitos, e o mais elevado e o mais ínfimo, por maior que seja a distância que os separa daquele, nunca estão divorciados por um abismo insuplantável. Eis porque, em algo, tudo a ele se assemelha, porque tudo dele participa. Há um logos analogante que unifica todas as coisas, no qual elas se univocam. Se verticalmente os entes finitos se diferenciam e são heterogêneos horizontalmente, se identificam no ser. Se se distinguem pelas escalas de perfeição, há uma que os identifica: o serem ser e não nada. E este ser não podia vir do nada e sim do Ser Supremo. Vide Criação.