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Conhecimento

Conhecimento

Relação de índole muito especial entre um sujeito e um objeto, que consiste em uma espécie de penetração mútua de ambos. No uso prático da língua, a palavra designa duas coisas diferentes conforme o ponto de vista. Parte de um ou do outro dos dois termos dessa relação: do sujeito ou do objeto. Partindo do sujeito, a relação cognoscitiva se apresenta como um ato subjetivo; e este é o primeiro sentido da palavra. No processo cognoscitivo, o sujeito capta, pelo menos, uma parte da realidade que se lhe apresentou de maneira objetiva e incorpora-se ao tesouro de objetos já anteriormente apreendidos e tornados subjetivos; esse material apreendido, tanto o que corresponde a um ato só, como particularmente à soma do material assim captado em todos os atos cognoscitivos de um sujeito, ou às vezes também de um grupo, constitui o segundo sentido da palavra conhecimento.

Tanto o ato de conhecer, como o objeto conhecido podem ser classificados em razão da distinção em uma simples apresentação do objeto, que o identifica como tal, e o processo de compreender (vide) esse objeto em sua circunscrição definida e em suas relações com o resto da realidade, particularmente com as suas causas e os seus efeitos. Assim podemos conhecer (como simples presentação do objeto) a anatomia de um animal, sem compreendê-la ainda; só quando soubermos explicar a significação funcional de cada órgão, teremos um conhecimento que "compreenda" o objeto. São portanto quatro sentidos que a palavra conhecimento pode assumir, em virtude das duas distinções acima expostas.

Já foi feita a tentativa de reservar conhecer para o uso análogo de compreender e a designar um conhecer meramente aperceptivo com a palavra saber. Notadamente, em outras línguas, opõem-se assim, os respectivos termos de connaitre e savoir, kennen e wissen, noscere e scire. Não há dúvida sobre a justificação real dessa distinção, porém parece que, em nenhuma destas línguas, a oposição daqueles termos tenha uma base sólida na filologia. Em inglês knowledge significa tanto o conhecimento aperceptivo como compreender, e a respectiva distinção é feita pelas expressões knowledge of acquaintance e knowledge about.

A simples percepção se opõe, de um lado, a compreensão que ultrapassa a percepção por ser objetivamente mais perfeita, pela noção das causas e efeitos, bem que essas noções adicionais sejam adquiridas igualmente por novas percepções. Mas a simples percepção é susceptível, também, de ser completada, subjetivamente, pela intervenção da razão pura com os seus meios de raciocínio.

Em virtude disso, os conhecimentos são classificados em empíricos que são constituídos por percepções e filosóficos ou racionais, que se baseiam, inteira ou principalmente, em conclusões da razão.

Essas duas distinções se acham confundidas na classificação aristotélica de conhecimentos oti, a presentação dos próprios fatos, e conhecimentos dioti, que são produzidos por silogismos na sua maior perfeição como demonstrações e que correspondem às compreensões propter quid, pelas razões, e a quia, pelo fato, usadas pelos escolásticos. Eles proporcionam, do ponto de vista aristotélico, a compreensão também dos fatos.

Conforme o caráter do objeto distinguem-se conhecimentos apreensivos e conhecimentos judicativos, contendo os primeiros percepções, imagens ou representações, ao passo que os últimos constatam a existência ou não-existência de um fato.

Conforme ao propósito que aspiram eles são divididos em especulativos e práticos, o que não equivale à distinção acima dada em racionais e empíricos. Sem dúvida, as ciências especulativas são racionais por excelência, mas os resultados das ciências práticas podem ser devidas a raciocínios também, como à experiência imediata.

Sob o ponto de vista psicológico ainda se devem distinguir conhecimentos atuais, virtuais e habituais.

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