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Conhecimento Econômico

Conhecimento dos fatos econômicos

O conhecimento dos fatos econômicos está condicionado pelas concepções fundamentais que se podem formar da atividade econômica. São três as principais:


1) Concepções mecanicistas: Os que as seguem vêem a atividade econômica como um "ajustamento de quantidades de bens e de serviços sob uma forma que é o preço". Os termos usados são emprestados da mecânica: equilíbrio estável ou instável, resistência, nível, etc. Eles prestam atenção apenas aos aspectos quantitativos dos fatos econômicos, virtualizando os aspectos intensivos. Separam a sociologia da atividade econômica. Julgam que só será ciência a economia política, se se ativerem apenas aos aspectos objetivos exteriores ao homem, às quantidades, aos preços, etc. Têm assim uma visão parcial, abstrata, meramente extensista da atividade econômica. Nomes representativos: Léon Walras, Wilfredo Pareto, etc.

2) Concepções orgânicas: Para estes a atividade econômica é apenas um conjunto de operações que se realizam visando satisfazer as necessidades do organismo social. Seus termos são emprestados da biologia, como funções, órgãos, aspectos fisiológicos e patológicos da função tal ou qual. Nomes representativos: Robertus, Schaeffle, Worms, Marshall, etc.

3) Concepções humanas: Nesta corrente, tanto os fatores quantitativos como os qualitativos são considerados. Para ela, não é a atividade econômica separável dos quadros políticos, jurídicos, sociais, variáveis, nem da técnica, nem da história em geral.

Duas posições podem ser tomadas em face da economia: a) como uma ciência, como um conhecimento universalmente válido para todas as épocas, para todos os lugares ou, ao contrário, é ela apenas uma série de conhecimentos de ordem histórica, de caráter específico, válida para certos meios e limitada ao tempo? ; b) há apenas uma base de conhecimento indiferente no sentido científico, ou nela se incluem também juízos de valor e, consequentemente, lhe é possível estabelecer uma regra de ação?

Todo valor tem um contra-valor. bom e mau - corajoso e covarde - forte e débil - belo e feio. É o que se chama de polaridade dos valores. Quanto à economia os valores são úteis e podem ser considerados como adequados ou inadequados - convenientes ou inconvenientes, etc. Podemos aceitar um invariante na economia que se dirigiria a uma realidade econômica mais profunda, mais essencial, comum a todos os sistemas econômicos, independentemente dos acidentes da história, o que muitos chamam de economia pura, e outra parte variante, que se atenha às diversidades, às heterogeneidades, ao diferente, que se dá em cada fato e num conjunto de fatos, sem esquecer o que há de permanente e de contínuo.

A escola austríaca, a escola de Viena, com Karl Menger, Bohm-Bawerk e outros, defendia a economia invariante, enquanto a escola alemã, com Bucher, Werner, Sombart, Schmöller, procuravam as diferenciações, o estudos dos sistemas econômicos distintos. A conjugação das duas orientações dá um sentido mais concreto procurando através das diversidades e heterogeneidades dos fatos econômicos, proposições que enunciem uniformidades de alcance geral. Isto é concrecionar o parecido com o diferente, o invariante com o variante, o que se repete por entre o que é novo. Desta forma, a análise dos fatos diversos é um meio, mas o fim deve ser a construção da ciência econômica. Confundir um com o outro foi o erro da escola alemã, enquanto o da austríaca foi desprezar os meios pelo fim. No estudo das escolas pode caracterizar-se a distinção: economia pura e economia aplicada.

A pura pode ser considerada de dois modos: a) como a parte da ciência econômica que atualiza o estudo do invariante, inibindo as particularidades do meio em que se desenvolve a atividade econômica; b) como estudo das relações que se estabeleceriam numa sociedade hipotética, segundo um certo ideal. Os economistas que estudam a economia pura examinam o fato econômico simplificado pela abstração, quer se apresente como um resíduo pela abstração ou como construção ideal. A economia aplicada estabelece "as regras de utilidade, segundo as quais se deve efetuar a produção da riqueza social". Mas ela deve ser uma ciência e não uma arte, razão pela qual ela deve procurar aplicar-se aos fatos reconhecendo a sua heterogeneidade como variantes que são, e procurar os princípios invariantes que possam ser captados e estudados pela economia pura. Só aí a economia será concreta, como a preconizamos.

Todos esses elementos nos preparam para compreender o conhecimento do fato econômico. A atuação do Estado na Rússia comunista, na Alemanha hitlerista e na Itália, mostra-nos a sua interferência no conhecimento do fato econômico e também como neste penetram os juízos de valor, o que se verifica quando alguém se dedica à análise econômica desses sistemas. Indubitavelmente a vontade e as idéias humanas penetram na economia. Mostram os fatos entretanto que a escolha de um fim na economia ultrapassa as nossas possibilidades, desde que a consideremos sob certo aspecto e como também se verifica que é possível certa ação em determinados momentos e quais os meios apropriados para pô-la em execução. Mas tal verificação não é suficiente para afirmar-se um caráter finalista na economia. São precisamente os juízos de valor que querem forçar a marcha normal dos acontecimentos para que eles se coadunem com os fins previamente aceitos. Naturalmente aqueles que estabelecem por uma apreciação em que penetram elementos abstratistas uma finalidade para o acontecer econômico, reagem energicamente quanto os fatos mostram um desvio desse fim. A economia para permanecer como uma ciência deve verificar os fatos, deles extrair as normas gerais invariantes (ou constantes) registrá-las, explicá-las e aproveitá-las na ação prática. Quando ela serve à política, é desviada do seu verdadeiro campo de ação. Com um alcance prático, torna-se uma arte, desde que consista num conjunto de juízos de valor qualificadores dos fatos ou dos atos, e quando desses tendem a um fim previamente estabelecido torna-se uma doutrina. Quando, porém, se atém aos juízos de existência, exprimindo relações verificáveis, como as chamadas leis ou apenas supostas, como as hipóteses, entre os fatos econômicos, se torna uma teoria. Não deve a economia abdicar das suas funções próprias, e o Estado quando dela usa, deve reconhecer os seus limites. Quando procura transformá-la num meio para garantir o seu domínio, ele desvirtua a sua finalidade e a deturpa.

Como a economia é essencialmente social deve tomar-se em consideração as reações individuais e psíquicas que se observam. A estatística fornece dados embora tenha os seus limites. Os recenseamentos fornecem elementos importantes, que vão servir ao economista para seus estudos. Os tratados comerciais, os movimentos dos preços, seus índices estabelecidos, são também de grande valor.

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