A blasfêmia é uma palavra injuriosa contra Deus, ou contra a Santa Virgem, ou contra os Santos, ou contra as coisas santas… “Não profanarás o nome do teu Deus”, disse o Senhor (Lv 18, 21),
“Sabe contra quem blasfemaste e levantaste arrogantemente a voz? Contra o Santo de Israel” (Is 37, 23), diz Isaías. E Deus se queixa pela boca do mesmo Profeta de que seu nome é continuamente blasfemado (Is 52, 5).
“A boca do blasfemador está cheia de maldição”, diz Davi (Sl 10, 7). Por isso, Santo Agostinho assegura que o pecado daqueles que blasfemam contra Jesus Cristo reinante nos Céus é igual em gravidade ao pecado daqueles que o crucificaram (1).
O blasfemador é um insensato…, um louco furioso…, um semeador de escândalos…, um demônio… Onde se blasfema, há a imagem do Inferno.
Uma prova clara e convincente do enorme delito que comete o blasfemador é dada pelos castigos que lhe são ameaçados.
“Os blasfemadores perecerão”, diz em certo lugar o Salmista (Sl 36, 22); e em outro lugar:
“Falaram mal de Deus; o Senhor os ouviu, foi movido à indignação e os abateu com os raios de seu furor” (Sl 77, 19).
No Levítico, lemos que o Senhor ordenou que o blasfemador, fosse ele da nação ou estrangeiro, fosse condenado à morte e apedrejado pelas mãos de todo o povo (Lv 24, 16),
Senaqueribe blasfema, e eis que o Anjo do Senhor lhe massacra 185.000 soldados (Is 37, 36). E o próprio Senaqueribe foi morto pelas mãos de seus filhos Adramelec e Sarasar. O blasfemador Faraó, que dizia: “Eu não conheço quem seja o Senhor”, teve por túmulo o mar Vermelho. Holofernes teve a cabeça cortada pelas mãos de Judite (Jt 13, 10). Antíoco foi invisivelmente atingido por uma chaga incurável: os vermes o devoraram vivo, e de seu corpo exalava um fedor tal que se tornou insuportável para ele mesmo e para o seu exército. A Nicanor foi decepada a cabeça e exposta aos ultrajes públicos.
Os judeus blasfemaram muitas vezes contra Jesus Cristo, e foram quase todos exterminados por Tito. O mau ladrão blasfema na cruz e se perde. São Paulo entrega Alexandre e Himeneu ao poder do demônio, por causa de sua blasfêmia. Juliano, o Apóstata, blasfema e cai mortalmente traspassado por um dardo prodigioso. Antêmio blasfema e fica possesso. Ao blasfemador Arto arrebentam-se as entranhas, e ele expira em meio a dores atrovíssimas. Nestório teve a língua roída pelos vermes, porque havia blasfemado contra a Virgem, chamando-a mãe de Cristo, e não mãe de Deus.
Sabemos, por São Gregório de Tours, que certo Leão de Poitiers, tendo blasfemado, tornou-se, por justo castigo de Deus, surdo e mudo, e depois morreu louco. São Gregório Magno conta que um menino de cerca de cinco anos, que já tinha o hábito de blasfemar, foi arrancado pelo demônio dos braços de seu pai e nunca mais apareceu.
O imperador Justiniano punia de morte os blasfemadores. Filipe Augusto, rei da França, condenou-os, por seu édito, a ser afogados. Tendo Roberto, filho de Hugo Capeto, pedido a Deus, em Orléans, que se dignasse conceder-lhe paz e tranquilidade no reino, apareceu-lhe Jesus Cristo e disse-lhe que não gozaria de paz enquanto não pusesse fim às blasfêmias, então muito comuns. São Luís ordenou que, sem exceção, a língua dos blasfemadores fosse perfurada com um ferro em brasa.
“Senhor”, exclamava Tobias, “sejam amaldiçoados os que vos desprezarem, e sofram condenação todos os que vos blasfemarem” (Tb 8, 16),
Pela boca de Malaquias, Deus nos adverte de que, se recusarmos dar ouvidos à sua palavra e não nos persuadirmos de que é preciso dar glória ao seu nome, ele enviará a fome, fará apodrecer no solo as sementes e cobrirá de vergonha o nosso rosto (ML 2, 2-3).
“Ah! confessem todos, ó Senhor”, exclamava o Profeta, “o vosso grande nome, porque ele é terrível e santo” (Sl 98, 5); “e gozem de uma paz tranquila aqueles que o amam” (Sl 115, 165).
“Eu sou Aquele que sou”, disse o Senhor a Moisés; “este é o meu nome” (Ex 3, 14). “Por que”, disse da parte de Deus o Anjo a Gedeão, “me perguntas o meu nome, que é admirável?” (Jz 13, 18).
O nome de Deus é a virtude de Deus; é a sua santidade, a sua fidelidade, a sua glória, a sua imensidade etc. O seu nome é ele mesmo; blasfemar esse nome é o mesmo que blasfemar a essência de Deus.
“Todo aquele que invocar o nome de Deus será salvo”, diz Joel (Jl 2, 32); e o Salmista exclama: “Ó Senhor, nosso Deus, quanto é digno de ser admirado o vosso nome por toda a terra!” (Sl 8, 2). E a santa Virgem também proclamava a santidade do nome do Senhor com aquelas palavras (Lc 1, 19).
1° O nome de Deus é o esplendor e a glória de Deus…; 2° indica o seu poder e invoca o seu auxílio…; 3° mostra a adoração que lhe é devida…; 4° ele é o próprio Deus… Portanto, dizer que é preciso louvar, celebrar, exaltar, santificar e adorar o nome de Deus é o mesmo que dizer que se deve louvar, glorificar, venerar e adorar o próprio Deus… Ó meu Deus, seja santificado o vosso nome (Mt 11, 9).