Antipapa. Ele foi Mauritius Burdinus (Bordinho, Bourdin), que foi colocado na cadeira papal pelo Imperador Henrique V, em 8 de março de 1118. Bourdin era francês, provavelmente nascido em Limoges. Recebeu uma boa educação em Cluny e seguiu seu conterrâneo beneditino, Bernardo, Arcebispo de Toledo e Primaz da Espanha, além dos Pirenéus. Numa época em que Cluny representava aprendizagem e reforma, seu avanço estava assegurado. Em 1098, foi feito Bispo de Coimbra (Gams); em 1111, foi elevado à Sé Metropolitana de Braga. Três anos depois, em consequência de uma desavença com o primaz, foi suspenso por Pascoal II. Vindo mais tarde a Roma, conseguiu conquistar a confiança do pontífice, que também era cluniacense, a ponto de ser mantido na corte e empregado em assuntos de grande importância. Em 1117, quando Henrique veio a Roma para forçar suas condições sobre o papa, Pascoal, em segurança em Benevento, enviou Bourdin com alguns cardeais para negociar com o imperador. Essa missão se revelou a ruína de Bourdin. Seduzido de seus princípios gregorianos, ele abraçou abertamente a causa de Henrique e, para enfatizar sua apostasia, colocou a coroa sobre o imperador no Dia da Páscoa. Foi prontamente excomungado; mas foi escolhido para a dignidade suprema por seus novos associados. Alguns meses depois, quando Henrique, ao saber da morte de Pascoal, apressou-se até Roma, rodeado de juristas, só para descobrir que havia sido ultrapassado pela vigilância dos cardeais, falhando em capturar Gelásio, declarou a eleição deste último nula e, após um discurso do erudito Irnerius de Bolonha sobre os direitos imperiais, induziu uma assembleia comprada de romanos a proclamar Bourdin como papa, que, com uma ironia inconsciente, tomou o nome de Gregório. As honras do papado se tornaram cinzas em suas mãos. Excomungado repetidamente e finalmente entregue como prisioneiro a Calisto II, foi detido em vários mosteiros até sua morte por volta de 1137. Assim terminou a carreira de um prelado "que", diz William de Malmesbury (Gesta Regum Angl., V, 434), "todos teriam que venerar e quase adorar devido à sua prodigiosa dedicação, se não tivesse preferido buscar a glória por meio de um crime tão notório". Um dos cânones do Nono Concílio Geral, em 1123, declara todas as ordenações feitas por ele após sua condenação, ou por qualquer bispo consagrado por ele, como nulas.
Antipope. He was Mauritius Burdinus (Bordinho, Bourdin), who was placed upon the papal chair by Emperor Henry V, 8 March, 1118. Bourdin was a Frenchman, born probably at Limoges. He received a good education at Cluny, and followed his fellow-Benedictine, Bernard, Archbishop of Toledo and Primate of Spain, beyond the Pyrenees. At a time when Cluny stood for learning and reform, his advancement was assured. In 1098, he was made Bishop of Coimbra (Gams); in 1111, he was raised to the Metropolitan See of Braga. Three years later, in consequence of a quarrel with the primate, he was suspended by Paschal II. Coming later to Rome, he so ingratiated himself with the pontiff, who was also a Cluiac, that he was retained at court and employed on weighty affairs. In 1117, when Henry came to Rome to force his terms upon the pope, Paschal, safe in Benevento, sent Bourdin with some cardinals to negotiate with the emperor. This mission proved to be the downfall of Bourdin. Seduced from his Gregorian principles, he openly espoused the cause of Henry, and, to emphasize his apostasy, placed the crown upon the emperor on Easter Day. He was promptly excommunicated; but was marked out for the supreme dignity by his new associates. A few months later, when Henry, learning of Paschal's death, hastened to Rome, surrounded by jurists, only to find that he had been outwitted by the vigilance of the cardinals, failing to capture Gelasius, he declared the latter's election null, and, after a discourse by the learned Irnerius of Bologna on imperial rights, induced a bribed assembly of Romans to proclaim Bourdin pope, who with unconscious irony took the name of Gregory. The honours of the papacy turned to ashes in his hands. Repeatedly excommunicated and finally delivered as a prisoner into the hands of Callistus II, he was detained in several monasteries until his death about 1137. Thus ended the career of a prelate "whom", says William of Malmesbury (Gesta Regum Angl., V, 434), "everyone would have been obliged to venerate and all but adore on account of his prodigious industry, had he not preferred to seek glory by so notorious a crime". One of the canons of the Ninth General Council, 1123, declares all ordinations made by him after his condemnation, or by any bishop by him consecrated, to be inrito.
Fontes:
Sources:
- JAFFE, Regesta RR. PP., 2ª ed., I, 821-22: II, 715.
- JAFFE, Regesta RR. PP., 2d ed., I, 821-22: II, 715.