Alma
Os gregos já distinguiam vida, alma e espírito (bios, psiquê, nous). A alma era um composto de matéria sutil, cheia de energia e de atividade, como no "materialismo" de Demócrito. Para Platão ela é preexistente ao corpo, princípio de vida, mas pela captação das formas, participa do ser verdadeiro. É, portanto, imortal. A morte é decomposição, e só se pode dar nos seres imperfeitos, compostos, que podem por isso ser decompostos fisicamente. Aristóteles considerava a alma como uma manifestação do Logos, e subdividia-a em alma vegetativa (a alma das plantas), em sensitiva (a dos animais), e em racional (a do homem). A alma racional, pensante para os gregos, é o Nous, o espírito.
Com Santo Agostinho a alma é concebida como unidade do pensante, do volitivo e do afetivo. O corpo que para os platônicos era considerado o sepulcro da alma, somasema, decompõe-se, mas a alma pode salvar-se. A moderna psicologia (uma psicologia sem alma), deixa-a para o terreno noumenal como o propôs Kant, pertencendo portanto mais à metafísica, onde realmente deve ser estudado. O espírito pode ser objeto e matéria da ciência, enquanto a alma, pertence à metafísica. Mas há, no espírito, um ponto que metafisicamente precisamos tratá-lo: é o aspecto noológico. Se o espírito humano reflete suas experiências, atinge outros pontos que ultrapassam o campo da experiência, como a posse virtual da perfeição, certas realizações da tímese parabólica, a penetração em campos que não se dão na experiência tempo-espacial cronotópica, como as manifestações místicas. O exame da afetividade, sobretudo quanto ao seu profundo sentido e alcance, implica e exige o emprego da metafísica.