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Trabalho

Trabalho

a)

Na física é a produção de movimento ou de atividade a um corpo que resiste por meio de uma outra força.


b)

Na fisiologia é o desgaste de energia na ação muscular ou mental.


c)

Na psicologia, a produção de resultados fisiológicos ou psicológicos, por meio da ação muscular ou nervosa, psíquica.


d)

Na economia, a atividade produtora de bens.

O trabalho é a energia despendida com a intenção de conseguir bens. O homem é compelido, pela sua condição, ao trabalho, por ser o meio de obtenção de bens ou para a realização de serviços. Os economistas consideram o serviço, embora não tenda à fabricação, à manutenção, nem à distribuição de bens materiais, como o dos médicos, professores e magistrados como trabalho, porque tendem à realização de bens não materiais. Discutem os economistas o valor moral do trabalho, considerando uns uma servidão, outros um castigo. A idéia do penoso a ele é associada. Na psicologia nem todo esforço é penoso e pode até ser agradável. Há pessoas que encontram nele um verdadeiro prazer, quando representa ou realiza uma criação, o que o eleva e o tonifica. A educação tem um papel saliente na acentuação ou não do caráter penoso no trabalho. Se os homens são educados a verem nele algo desagradável, é natural que se predisponham a atualizar este caráter, virtualizando o que possa ser agradável. Ensina-nos a psicologia que há prazer na atividade, a qual levada a determinados graus pode tornar-se desagradável e até dolorosa. A economia não deve estar adstrita aos interesses criados pelas classes, grupos, etc. Tem que colaborar com a técnica, auxiliando a melhoria das condições de trabalho e a transformação deste, de penoso em agradável.

O trabalho na economia – 1) É uma atividade consciente e voluntária, que tende para um objeto conscientemente concebido. Por isso está incluído também no campo da sociologia, no meio social em que está imerso o agente econômico, em relação, portanto, com a organização jurídica, política, ética, como as condições culturais e as psicológicas emocionais; elementos que compõem o fato econômico. 2) Todo trabalho exige uma soma de esforços, custa; é um ato fisiológico e psicologicamente oneroso. 3) É uma atividade tendente, direta ou indiretamente, à consecução de bens econômicos. Uma atividade esportiva ou recreativa tendente para dar divertimento, não é um trabalho econômico, por lhe faltarem esses caracteres e suas conseqüências.

Análise do trabalho – Todo ato econômico é, de certo modo, uma troca onerosa. Sua realização custa esforço ou o que o representa. Nele o agente que o executa procura obter utilidade. O homem é biologicamente hedonista, procura obter o máximo de utilidade com o mínimo de esforço. Este no início tem um caráter tônico, hedonista, crescente, até atingir um maximum (variável quase sempre), e alcançar aí um patamar (maior ou menor) e ter, posteriormente, um decréscimo hedonístico e uma marcha para o desprazer crescente.

A produtividade no trabalho – Consiste na sua capacidade em tornar os bens aptos ou mais aptos à satisfação das necessidades; isto é, criar utilidades. O rendimento utilitário do trabalho é a soma de utilidades que ele produz em um determinado produto. O rendimento material é técnico, e o de utilidade é econômico. Um é diferente do outro, um é quantitativo; o outro, qualitativo. Certas obras podem ter um rendimento técnico, sem rendimento econômico. Numa economia monetária e de mercado há um rendimento em preço do trabalho, que consiste na quantidade de bens fisicamente transformada por ele, multiplicada pelo preço unitário do bem, no mercado. Os dois primeiros rendimentos são encontráveis em todos os sistemas econômicos. O último (o de preço) depende do mercado; por conseguinte, do sistema capitalista.


É o organismo humano um proporcionador de força motriz. Não tem a relativa continuidade de funcionamento de um motor mecânico. Chaveau estabeleceu três leis, completada por uma quarta:

1) o dispêndio de energia é proporcional à sua duração, ao esforço de contração dos músculos e ao grau de seu encurtamento.

2) o dispêndio de energia diminui à medida que a velocidade de contração aumenta.

3) existe um esforço e uma fadiga ótima para realizar o maximum de trabalho com a menor fadiga.

4) o músculo retorna mais depressa ao seu estado de repouso, quanto mais rápido for o seu trabalho.

O rendimento do trabalho está em estreita relação com a sua duração. Essa proposição, embora nos pareça um lugar comum, foi por muito tempo contestada pelos economistas. No início do capitalismo, na paleotécnica (em sua primeira fase) julgou-se que se obteria um aumento do rendimento técnico e em utilidade, desde que se aumentasse a duração do trabalho. É interessante, no entanto, estudarmos os juízos de valor elaborados em relação ao trabalho. Em todas as culturas ele foi julgado pelos homens segundo um princípio ético; isto é, quanto à sua dignidade, ao seu valor. Esses juízos foram divergentes, pois as funções, até as necessárias, tiveram julgamentos diversos. Na Antigüidade ocidental (greco-romana) o trabalho era exercido por escravos e era a base material da cidade. Na Idade Média, o trabalho dos comerciantes e o dos banqueiros, embora julgados úteis, eram subestimados em relação aos agrícolas e aos intelectuais. No século XVIII, os fisiocratas elaboraram a tese da produtividade exclusiva do fator terra. Só esta dava um rendimento verdadeiro. Dessa forma a sociedade era dividida, para eles, em duas classes: a classe produtiva , a dos proprietários da terra e os que nela trabalhavam, e as classes estéreis , os industriais e comerciantes. O erro dos fisiocratas consiste na confusão entre a criação material de bens (o rendimento físico) e a criação ou aumento da utilidade, a produtividade. No século XIX, com os saint-simonianos são incluídos entre os produtores os empresários, os banqueiros, os artesãos, os produtores agrícolas, os trabalhadores assalariados. São considerado não-produtores (classe ociosa) os funcionários públicos e os governantes. Assim a idéia de produtividade está ligada a uma transformação da matéria. Para os marxistas, a produtividade repousa sobre o trabalho, e é sobre ele que repousa o valor. Os produtores autênticos são os trabalhadores manuais ou intelectuais . Posteriormente os trabalhadores intelectuais independentes (profissões liberais) foram postos de lado e subestimados, e considerados como únicos produtores os trabalhadores manuais assalariados e os intelectuais assalariados. Devemos considerar primeiramente se um trabalho é produtivo, pouco importa a forma de atividade pela qual é obtida uma utilidade. O agrícola e o industrial são produtivos e também o comercial. Três aspectos podem ser estudados no trabalho do comerciante: 1) deslocação de bens no espaço; 2) conservação dos bens no tempo (estocagem); 3) aproximação de bens na quantidade e na qualidade desejadas pelo consumidor. Essas três funções são essenciais e se dão em todos os sistemas econômicos. Inclusive numa sociedade coletivista podem e devem ser transformados os órgãos de distribuição, embora não o sejam as funções propriamente que podem ser realizadas por órgãos cooperativos, unindo produtores com consumidores, sem a necessidade dos órgãos capitalistas.

Caracteres do trabalho

No regime de escravidão e no de servidão, as forças de trabalho estavam à disposição do senhor ou dono, que determinava seu emprego e duração. No capitalismo, o trabalhador passa a ser dono da sua força de trabalho, juridicamente apenas. No sistema capitalista ele é tratado como uma mercadoria, como um bem, um serviço dependente da oferta e da procura. Dá-se então a despersonalização e desumanização do trabalho , contra a qual são criadas leis protetoras ao trabalhador, através da chamada legislação social. Essa legislação não é um ato inerente ao capitalismo, mas um ato de defesa, uma reação contra ele. Não decorre de uma lógica, de um nexo interno do capitalismo, mas de defesa do trabalhador. O capitalista renuncia a certos "direitos" em benefício do trabalhador, forçadamente, após lutas mais ou menos cruentas e demoradas, e o faz para evitar renúncias maiores. Na paleotécnica de predomínio da máquina a vapor, o trabalho era visto como um objeto de mercado. O ser humano enquanto pessoa não era considerado, como ainda não o é, porque o espírito do capitalismo paleotécnico prossegue dominando as consciências. "Se os salários são muito elevados, tomai as mulheres e as crianças"(Pitt). Homens, mulheres e crianças eram transformados em escravos da necessidade; pois pouco importavam as condições de saúde física. Os castigos corporais eram admitidos, e muitos morriam durante o trabalho. O homem não era um homem, mas apenas uma máquina, um motor. A legislação favorável aos trabalhadores foi conseguida a despeito da resistência dos empresários capitalistas. Aliás, a história nos registra, que toda justiça foi sempre conquistada à força contra os que não queriam admiti-la. A remuneração do trabalhador na paleotécnica era uma prova dessa desumanização do trabalho. Sem ele, o trabalhador torna-se indigente. A assistência social, organizada em seu benefício, procura corrigir, remediar os males e não resolve-los. O trabalho é pago ao preço mais baixo possível, o suficiente para manter a vida ou permitir que ela não se destrua imediatamente. Como não pagar salário não seria possível, o capitalista da paleotécnica paga-o na base mínima, na base em que o trabalhador escolhe entre trabalhar para não morrer de fome e morrer de fome ou adiar a morte. Esse limite é importante, porque ele revela o sentido do capitalismo paleotécnico, que é uma exploração, uma especulação na baixa. Daí a exploração das crianças e das mulheres que podiam vender o trabalho a preço mais baixo e, consequentemente, a organização técnica despersonalizante do trabalho se desenvolve, porque permite que operários menos competentes possam realizar uma função. A paleotécnica é sempre uma especulação sobre a baixa, inclusive até na qualidade do trabalho. Só nessa situação é que pode surgir a idéia do salário mínimo , que é paralela ao predomínio da paleotécnica, mesmo num período neotécnico. A maior parte do trabalho de execução no sistema capitalista (operários, empregados, contramestres e inclusive diretores e dirigentes) é dependente porque: a) o agente econômico é ligado ao proprietário e detentor dos meios de produção por convenção jurídica (dependência jurídica); b) não lhe cabe a escolha nem dos instrumentos, nem do trabalho, nem da matéria prima, nem dos modos de proceder, etc. (dependência técnica); c) não responde, quanto ao emprego dos bens produzidos, nem quanto ao risco, lucro ou prejuízo verificado (dependência econômica); d) socialmente, sobretudo nos países desenvolvidos o trabalhador é dependente socialmente da classe a que pertence, sendo-lhe difícil mudar de profissão, à qual ficam muitas vezes jungidos os filhos (dependência de estamento). Esses caracteres de dependência predispõem, psicologicamente, a classe operária a ter um sentimento de sua exploração e da sua opressão. No sistema socialista planificado essa dependência não desaparece. Subsiste a dependência técnica; aumenta a dependência jurídica, com a criação do Estado como patrão único. Se a sociedade for plenamente socialista, sua dependência não será mais contratual, mas estatutária, segundo a comunidade, a que pertença (sociedade anarquista); a dependência econômica prossegue pelo salário. No caso soviético há o salariato, única renda do trabalhador. O artesão não é dependente nem técnica, nem jurídica, nem economicamente, salvo por contingência histórica, na sua luta, sobretudo, contra as grandes empresas; não, porém, como decorrência lógica do sistema artesanal.

Como resolver essa dependência?

A solução marxista afirma que, com a socialização, podemos transformar radicalmente os caracteres do trabalho, que deixará de ser penoso, substituído por um trabalho "atraente". É necessário distinguir o trabalho do artista, do sábio, do estudioso, que é penoso mas agradável. Há socialistas que são contrários ao trabalho e consideram-no superável, livrando o homem de seu esforço penoso, permanecendo apenas em sua fase ainda agradável (sindicalistas, etc.). Os anarquistas defendem que ele deve e pode ser sentido como o do artista. Para isto é necessário compreender-se o seu sentido ético e estético, pela inclusão nele da vida, do orgânico. O que se pode verificar é que a concepção da nacionalização da produção, a transformação do Estado em proprietário dos meios de produção, não resolve o problema da dependência, nem o caráter penoso e desagradável do trabalho, mais de ordem psicológica do que física. Não é a transformação da propriedade particular em coletiva que resolverá tal problema.

Técnica no trabalho

Em um sistema econômico podemos distinguir três coordenadas com suas variações: 1) a técnica; 2) a organização jurídico-social; 3) o espírito (com seus aspectos variáveis e co-variantes, além do invariante). Por si só a técnica não é suficiente para caracterizar um sistema, embora este tenha maior constância dentro de uma técnica. O capitalismo e o coletivismo empregam a mesma técnica, mas as variações são grandes em seus aspectos particulares. Pode, quanto à ela, o capitalismo ser examinado em referência à divisão do trabalho e ao maquinismo. Quanto à organização jurídico-social esta nos revela o mais íntimo do sistema: os costumes transformados em direitos, que são as aspirações e os interesses criados pelos grupos componentes de uma sociedade. Quanto ao espírito, podemos examinar essas aspirações e esses interesses que geram uma verdadeira lógica do sistema, os juízos de valor predominantes, com os quais se procura justificar os atos praticados, as categorias, os conceitos e os intuitos.

A organização do trabalho

Da organização do trabalho passa-se à racionalização do trabalho. Neste caso, as tarefas e operações são sistematicamente organizadas para obter o máximo de rendimento natural, para alcançar a maior soma de benefícios. A racionalização se processa: a) Taylorismo - É um conjunto de métodos e processos de organização científica do trabalho, no interior de uma mesma empresa. b) Racionalização propriamente dita. - Depois da Primeira Grande Guerra, e da crise que a sucedeu, crise da conjuntura e as transformações sofridas na estrutura (movimentos sociais, etc.), processou-se uma racionalização propriamente dita, muito mais ampla que o taylorismo, concernente ao trabalho num conjunto de empresas. c) Humanização do trabalho - Até aqui se cuidou da forma do trabalho, esquecendo- se porém do fator humano. O homem não é um motor, uma máquina, mas uma pessoa. A técnica como a economia o servem e não este a elas. Do exame desses três processos surgem vários problemas: a) os que se colocam quanto às relações entre o homem e os meios materiais de trabalho; b) entre o homem e a atividade profissional e as relações entre homem e homem para a execução do trabalho. Examinemos o taylorismo. A sistematização do trabalho vem de épocas anteriores ao capitalismo industrial. Taylor quis, pela aplicação à atividade industrial do método científico, obter um aumento do rendimento material, consequentemente da rentabilidade, com um aumento de ganho em moeda para o empresário, do qual se beneficiaria o trabalhador pelo aumento do salário. Consistia na aplicação dos conhecimentos científicos à indústria, aumentando a renda e os salários, desfazendo assim o antagonismo entre o patronato e o proletariado. Ele verificou, como trabalhador, que o trabalho em todas as oficinas não dava toda renda máxima. A má vontade do trabalhador, o descuido, o pouco caso, tudo isso influía para que não tirasse o maior rendimento da sua força de trabalho. Juntava a esses fatores, a ignorância técnica, a má organização da produção, da ordem de fabricação, cujas interrupções eram contínuas. O estudo dos movimentos do trabalhador levou-o a notar movimentos inúteis, mal aproveitados, esforço gasto sem proveito. Verificou o tempo em que tais movimentos se processam, comparando-os entre os diversos trabalhadores até atingir a uma base segura e que os salários eram pagos dentro de uma média pouco variável. Era necessário atrair para as oficinas os melhores, e para tanto era necessário criar máquinas. O trabalho mecanizou-se e o salário diferencial permitiu obter do operário o rendimento máximo. Os operários que produzissem menos que o normal receberiam menos. Desta forma se expulsaria o mau trabalhador. Com o sistema Taylor, o operário perde toda iniciativa e passa a ser apenas um mecanismo organizado no conjunto. Os trabalhadores resistiram ao taylorismo, obtendo algumas leis a seu favor. Fundavam-se em constatações de caráter científico, o que levou a muitas empresas em não empregá-los, receosas de represálias. Realmente o taylorismo havia trazido benefícios quanto ao aspecto quantitativo em geral. Quadruplicara o rendimento de muitas funções. Não é, porém, apenas esse aspecto que se deve considerar. O homem é o mais importante, porque nunca se deve esquecer que a economia é feita para ele. Por outro lado malogrou em muitas ocasiões e, sobretudo, serviu para esgotar a capacidade criadora do operariado, torná-lo mecânico cada vez mais, tirar-lhe o espírito de iniciativa e de criação. Taylor dizia que um operário em muitas funções deve "assemelhar-se intelectualmente a um boi" e "trabalhar com os companheiros, ombro a ombro, ajudados, guiados pelos instrumentos". O taylorismo trouxe uma superexcitação dos trabalhadores, uma fadiga extrema e o esgotamento. Aparece no movimento "stakhanovista" na Rússia, cujos salários são diferenciais, levando o trabalhador ao esgotamento.

A racionalização do trabalho

Com a racionalização, reuniu-se um conjunto de meios, de técnicas e de medidas apropriadas, a fim de dar o máximo rendimento às empresas, quer consideradas isoladamente, quer em grupos. Assim ela inclui processos técnicos e de organização. Tende a racionalização para a unificação dos tipos ou estandardização , que leve a um melhoramento da qualidade com um abaixamento do custo, ao aproveitamento integral das matérias primas, desde a escolha à verificação, à conservação, até à utilização dos resíduos e dos subprodutos; à adaptação de condições e meios de trabalho do agente, por dois aspectos: a psicotécnica objetiva , que é a adaptação dos meios ao agente, e a psicotécnica subjetiva , que é a adaptação do agente humano às condições e aos meios de trabalho; concentração das empresas e a criação de laços entre elas, sobretudo com as que anteriormente eram concorrentes, e que se tornam, depois, cooperantes. A racionalização do trabalho não encontrou sérias resistências por parte do trabalhador, que nela colaborou por encontrar soluções que lhe eram benéficas.

A humanização do trabalho

O movimento de humanização do trabalho é também complexo, variado e cheio de fórmulas e processos múltiplos. Um dos grandes problemas foi o da escolha da profissão e sobretudo da aptidão unida a ela. A orientação profissional se processa em geral por uma pré-orientação, que é uma educação dada às crianças durante a escolaridade, já preparando-as para o futuro profissional, daí para um exame de aptidões, que leve a conhecer a melhor profissão para o jovem. O que se pode chamar de humanização do trabalho é uma longa e ainda não acabada obra em benefício do homem, não mais utilizável como um instrumento, mas capaz de realizar-se plenamente através do trabalho. As pesquisas de Dubreuil levaram a várias críticas, que podemos sintetizar: as relações entre o homem e a coisa, as relações entre pessoas, a intervenção do Estado através da legislação protetora do trabalho, que tem efeitos muito limitados (elimina abusos gritantes, mas deixa subsistir a dependência econômica e jurídica do trabalhador e aumenta a que o liga ao Estado; em suma, ele sai de um paternalismo para outro maior). Suas observações como de muitos outros, vieram comprovar as teses já expostas por Kropotkine. O trabalho de maior rendimento é o trabalho mais livre . O trabalho servil foi sempre pouco fecundo, como o é o trabalho salariado. Os que, em nossas sociedades "fazem o máximo de sua atividade, dão o máximo, são os que trabalham sem o peso de qualquer constrangimento: o camponês no campo, o sábio ou o artista em seu laboratório ou oficina". As observações feitas até entre nós revelaram a capacidade criadora dos nossos trabalhadores quando livres, mas quando têm uma consciência ética dessa liberdade. Tais opiniões encontram bases psicológicas para justificá-las. Resumamo-las: 1) O trabalhador não assalariado, mas organizado sob a forma de cooperação , é um produtor cuja remuneração não é exclusivamente fixa. Pesa sobre ela um "risco", mas tem uma "margem de esperança". Pode o trabalhador melhorá-la, aumentá-la. Ela é um prolongamento da sua personalidade. 2) O trabalho é uma atualização do homem quando ele é livre, porque este se afirma. Não é um instrumento de ganho apenas, mas uma realização da personalidade. Para muitos a libertação do operário do salário, isto é, do comprador do seu trabalho, só será obtida pelo artesanato. Tal não se poderia dar, pois o artesão no mercado de trabalho não poderia competir com as grandes empresas e suas unidades. Cada serviço compra dos outros as matérias e máquinas de que necessita, e vende os produtos que fabrica eliminando o salário. Grupos de trabalhadores livres contratam sua produção com a direção, permanecendo senhores da nomeação de seus chefes se necessário, e da repartição do produto total obtido. Dubreuil cita várias experiências efetuadas, como contratos de comandita para a composição em tipografias, contratos entre empregados e empregadores, etc. Desta forma prevê a libertação de três dependências do trabalho no capitalismo: a técnica, a jurídica e a econômica. A primeira se dá pelos contratos, a segunda é substituída por uma relação comercial entre o proprietário dos meios de produção e dos grupos de operários livres; a terceira, singularmente reduzida, porque se dá, em vez de um salário miserável, uma repartição livre. Dessa forma seria transformada a usina industrial capitalista num centro de colaboração. Que resultaria daí? O fator humano seria utilizado para sua plena iniciativa, sob sua inteira responsabilidade e liberdade, animando a vida autônoma dos trabalhadores, os quais ficariam associados às transformações da técnica e do maquinismo, sem a necessidade de ressentimentos nem de resistências. A disciplina seria aceita, porque lhes seria útil, além de poderem por si mesmos escolherem os melhores para guiá-los. Desta forma, a oficina seria uma escola para a vida social, uma atividade plenamente humana, sob a base da responsabilidade e da solidariedade. Esse plano de humanização do trabalho, libertariamente organizado, poderia ser aplicado em qualquer sistema econômico, salvo ao que desejasse fundar-se sobre um autoritarismo absoluto como é o caso do socialismo autoritário (hitlerista, marxista, etc.). Mas mesmo numa organização de Estado socialista planificado, em que se respeitasse o trabalhador, a disciplina seria voluntariamente aceita pelos grupos livres. Ele oferece, pelo menos, a possibilidade de resolverem-se os problemas das dependências do trabalho. Contudo é preciso considerar o ato humano (vide) e os seus elementos, pois o vício que possa sofrer, influi de tal modo que perturba os aspectos positivos que essa solução oferece.

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