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Teoria Do Conhecimento

Teoria do Conhecimento

É a explicação e a interpretação filosófica do conhecimento humano, a qual se dedica ao estudo da possibilidade do conhecimento, como se processa, seu alcance, seus limites, e suas possibilidades futuras. É um tema de magna importância e fundamental para a filosofia, e tanto é assim que julgam muitos tratadistas que, por ele, se deve iniciar todo e qualquer estudo. Entretanto, a teoria do conhecimento só modernamente é colocada como uma disciplina independente, apesar de serem estudados os seus temas principais na Antiguidade e durante a Idade Média, na lógica maior, na crítica, já que seus problemas são meramente lógicos ou críticos. Locke é o fundador dessa disciplina na obra Ensaio sobre o entendimento humano.

Podemos partir dos cinco problemas fundamentais quanto ao conhecimento, geralmente propostos, seguindo a classificação de Hessen:

1) Possibilidade do Conhecimento – Caracteriza-se pela pergunta: pode o sujeito apreender realmente o objeto? As respostas dadas quanto à:

A resposta dogmática. Para essa posição não há problema do conhecimento, pois o dogmatismo dá como admitida a possibilidade e a realidade do contato entre o sujeito e o objeto, afirmando, portanto, a apreensão do segundo pelo primeiro. O dogmatismo é a posição mais antiga da filosofia grega, pois os gregos não discutiam a possibilidade do conhecimento, admitindo a capacidade integral da razão humana em apreender o objeto. Foram os sofistas que colocaram primeiramente este problema, e a crítica que fizeram do conhecimento tornou duvidosa a posição dogmática na filosofia.

A resposta céptica. Para o cepticismo, o sujeito não pode apreender o objeto. Manifesta-se de vários modos: lógico (cepticismo lógico), quando nega a possibilidade do conhecimento metafísico; cepticismo metódico (que o usa como método) e cepticismo sistemático. O primeiro, ao pôr em dúvida tudo quanto se apresenta, pretende, no entanto, atingir o verdadeiro pelo afastamento do falso; enquanto o sistemático reconhece a impossibilidade de atingir a esse saber verdadeiro e exato.

A resposta subjetivista e a relativista. A verdade tem apenas uma validez limitada. O subjetivismo limita essa validez ao sujeito que conhece, enquanto para o relativismo aquela é apenas relativa; é de validez limitada. Está assim determinada pela influência do meio, do ambiente cultural, enfim das condições históricas que atuam como fatores determinantes; portanto determinando sua variabilidade.

A resposta pragmática. É a de William James. Para os pragmatistas, o homem é um ser prático, um ser de vontade e de ação, que se orienta pelo intelecto. A verdade é assim útil e seu valor corresponde à sua conveniência ou não para a vida.

A resposta criticista. É a posição de Kant. Nota: A escolástica aceita um dogmatismo moderado, pois afirma a capacidade do sujeito conhecer o objeto totum et non totaliter (como todo, não, porém, totalmente).

2) Origem do Conhecimento

A posição racionalista. Vê na razão a fonte do conhecimento e este se dá quando logicamente necessário e universalmente válido. Desta forma é a razão a garantia do conhecimento, pois este só se dá por intermédio dela. Só o conhecimento racional é verdadeiro, e a razão é a fonte do conhecimento, e supera toda experiência, visto ter suas leis próprias, necessariamente lógicas e de validez universal.

A posição empirista. Não é a razão a verdadeira fonte do conhecimento mas a experiência, pois é desta que tiramos os conteúdos necessários. É a teoria da tabula rasa. O empirismo parte dos fatos concretos e, em seu favor, alega a evolução do pensamento e do conhecimento humanos, que se fundamentam na experiência. Observa-se, por exemplo, que a maioria dos empiristas parte das ciências naturais, pois nestas é a experiência que representa o papel decisivo. Tendem os racionalistas ao dogmatismo metafísico, enquanto os empiristas ao cepticismo metafísico ou ao dogmatismo moderado.

A posição intelectualista. O intelectualismo procurou encontrar um meio termo entre os extremos do racionalismo e do empirismo. Ele deriva da experiência os conceitos, mas estes exercem sua ação sobre as representações intuitivas sensíveis.

3) Essência do Conhecimento

A solução do objetivismo. O objeto determina o sujeito, o qual se rege por aquele. O objeto é algo dado que é reconstruído pela consciência cognoscente.

A solução do subjetivismo. Funda o conhecimento no sujeito. Não há objetos independentes da consciência, mas esta é quem os engendra, e estes são apenas produtos do pensamento.

A solução do realismo. Afirma a existência de coisas reais independentemente da consciência, afirmando assim a independência dos objetos da percepção do cognoscente.

A solução do idealismo. Os objetos reais são objetos de consciência ou objetos ideais. A posição de Berkeley é também uma posição idealista (solipsismo). Desta forma, o objeto do conhecimento nada tem de real, mas apenas de ideal, pois toda realidade está encerrada na consciência.

A solução fenomenalista. Segundo o fenomenalismo não conhecemos as coisas como elas são; apenas como nos aparecem. Sabemos que elas são, porém não o que são. Desta forma, o fenomenalismo aceita a posição realista ao afirmar as coisas como reais, mas aceita a posição idealista, quando limita o conhecimento à consciência.

4) Espécies do Conhecimento

O conhecimento discursivo, teórico, mediato. Os filósofos em sua maioria afirmam que há apenas um conhecimento: o discursivo, o teórico, reflexivo, mediato, o conhecimento através da razão, em que o objetivo é apreendido, comparado com outros, etc. O sentido exato do termo discursivo, vem de discorrer, ir e vir, andar daqui para ali. Assim procede a razão. Anda daqui para ali, leva a imagem do objeto e compara-a a outra, leva, traz, fixa-a, associa-a a outras; em suma: realiza um trabalho de conhecimento por meio de uma multiplicidade de ações (por isso é um conhecimento mediato, uma pluralidade de atos).

O conhecimento imediato. Em vez de mediato, um conhecimento intuitivo, em vez de discursivo, um conhecimento que não vai daqui para lá, que não discorre, que não compara, mas que é um dar-se imediato do objeto. Na realidade não se pode negar a apreensão imediata, a percepção direta. Mas aqui não se trata propriamente da intuição chamada sensível, mas da intuição intelectual. Quando notamos um objeto que é verde, e outro azul, intuímos a diferença. É um exemplo de intuição intelectual. Descartes no cogito ergo sum (penso, logo existo), aceitava a intuição como um meio autônomo de conhecimento. A maioria dos filósofos, porém, afirma que só há um conhecimento: o racional (discursivo). Mas os valores estéticos e os éticos são apreendidos pela intuição e o artista, enquanto tal, trabalha com a intuição. Temos uma certeza intuitiva de nós mesmos, do mundo exterior e das outras pessoas. Bergson afirmava que o conhecimento racional apenas apreende a forma matemático-mecânica da realidade, e só a intuição penetra em seu conteúdo íntimo, no âmago das coisas. A posição dos racionalistas extremados, que negam à intuição qualquer conhecimento, e que este é apenas o teórico, o racional, assim como a posição dos irracionalistas, que negam à razão qualquer valor no seu conhecimento, pecam por preferir um dos extremos.

5) Critério do Conhecimento. Como conhecemos que um juízo é verdadeiro ou falso? Essa pergunta coloca em exame o problema da verdade, o seu conceito, que é dual e implica a adequação entre dois termos, um dos quais é o intelecto humano, no caso da verdade para nós. Contudo, o pensamento mais seguro é que a verdade é a concordância do pensamento com o objeto. Vide Verdade. Este conceito de verdade implica uma série de outros elementos. O critério da verdade implica que se estabeleça o seu conceito. Para o idealismo lógico, a verdade não é transcendente, como na afirmação anterior em que aceitamos seria ela a concordância entre o objeto e o conteúdo do pensamento. Neste caso, o objeto transcende o pensamento, é algo colocado ante o pensamento. Para o idealismo, a concordância se dá no pensamento consigo mesmo, e essa concordância consiste em ser o pensamento isento de contradição. Dessa forma, a ausência da contradição é o critério da verdade. No tocante às ciências formais ou ideais tal critério é válido, porque o pensamento, ao encontrar-se com objetos ideais ou mentais, permanece dentro da sua esfera. Contudo, em face de objetos reais, esse critério malogra. A certeza de uma evidência prova a certeza e não a evidência. O sentimento da certeza é uma certeza emocional, intuitiva, que não pode pretender uma validez universal. É a certeza que é vivida, que é intuída, e que não é formalmente demonstrada. O conhecimento científico exige validez universal. É um conhecimento válido aqui e em qualquer parte. A evidência é um critério de verdade, mas essa evidência pode ser emocional ou racional, ou ambas simultaneamente.

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