Psicologia
1) A teoria da Gestalt, ou psicologia da estrutura, da forma; 2) A psicologia introspectiva de Bergson, James, Brentano; 3) A psicologia científico-espiritual de Dilthey e Spranger; 4) A psicanálise, com suas tendências; (Psicanálise) 5) A teoria da assimilação, de Piaget; (Teoria da Assimilação de Piaget) 6) A teoria do tacteamento (vide). Esta classificação não implica que essas teorias sejam estritamente independentes e não relacionadas umas com as outras.
A dificuldade consiste em elas terem pontos de convergência e até de coincidência.
A Gestalt – A palavra alemã Gestalt tem sido traduzida nos idiomas latinos por estrutura, ideia de forma, configuração, forma, trama, complexo e conexão, que são ligadas umas às outras por analogias. Alude a um conjunto de elementos solidários entre si, a um organismo, cujos componentes não são meros fragmentos independentes e arbitrariamente desintegráveis, mas que possuem interdependência entre eles quanto à totalidade. A psicologia da estrutura nasceu das investigações de Kurt Koffka, Max Wertheimer e Kohler. Eles estudaram as estruturas visuais, auditivas, estáticas, dinâmicas, etc., bem como as suas leis e relações mútuas. Essas observações levaram a ampliar a estrutura para a totalidade da vida psíquica. Assim a totalidade condiciona sempre o comportamento dos membros, de tal modo que só ela pode explicar este comportamento e não como ocorre no método atomista. Quando observamos, por exemplo, uns traços, em qualquer objeto, semelhantes aos traços do rosto humano, logo os completamos, dando-nos a impressão que vimos uma figura. Quando vemos um desenho incompleto, nem notamos o que falta, porque figuramos logo o todo. São configurações de caráter visual. Partindo desses fatos, que já haviam sido observados por outros psicólogos, puderam os seguidores dessa teoria organizar uma doutrina coordenada, que abrange até os mais complexos processos psíquicos.
Da segunda escola podemos salientar Brentano, que ante o fisiologismo, o associacionismo e o construtivismo na psicologia converte esta numa ciência descritiva, numa "psicognosis" (num conhecimento do psíquico), destinada a examinar, mediante uma eliminação de toda a suposição, os fenômenos psíquicos puros, dados nos atos intencionais. Brentano interessou-se pela ideia de intencionalidade. Os atos psíquicos, intelectuais, afetivos ou volitivos, tendem para um objeto. Esse é o caráter fundamental do psíquico, que o distingue do físico.
Quanto à terceira escola, a de Dilthey, funda-se na autognósis (conhecimento de si mesmo), com o qual fundamenta a sua teoria.
"A autognósis é o conhecimento das condições da consciência, nas quais se efetua a elevação do espírito à sua autonomia, mediante determinações de validez universal; quer dizer, mediante um conhecimento universal a normas de obrar, segundo fins de validez universal"
(Dilthey). Ele quis compreender o homem como realidade histórica e não como um ser imutável, como uma natureza ou substância. Ser ente histórico é concentrar no presente o passado. A psicologia, por si só, é insuficiente para compreender a complexidade do mundo espiritual e, por isso, quer torná-la capaz de apreender os objetos espirituais, transformando-a em descritiva e analítica. O fundamento metódico da hermenêutica de Dilthey não é a explicação, mas a compreensão. É pela compreensão, como ato original, que o espírito "capta o mundo do espírito, manifestado em exteriorizações (sinais, gestos, inscrições, etc.), e se refere ao homem como criador de cultura e como sujeito que vive a cultura".
"A idéia fundamental da minha filosofia é o pensamento de que até o presente não se colocou, nem uma só vez, como fundamento do filosofar a plena e não mutilada experiência, de que nem uma só vez, se fundou na total e plena realidade."
(Dilthey). Fundamenta-se em algumas proposições que são as teses sobre as quais se orienta a sua filosofia total da experiência: 1) A inteligência não é um desenvolvimento que tenha tido lugar no indivíduo particular e torne-se, por isso, incompreensível, mas é um processo na evolução da espécie humana, sendo esta, por sua vez, o sujeito no qual o querer é o conhecimento. 2) Em rigor, a inteligência existe como realidade nos atos vitais dos homens, todos os quais possuem também os aspectos da vontade e dos sentimentos, por isso existe como realidade só, dentro da totalidade da natureza humana. 3) A proposição correlativa à anterior é a que afirma que só por um processo histórico de abstração se forma o pensar, o conhecer e o saber abstratos. 4) Mas esta plena inteligência real tem também, como aspectos de sua realidade, a religião ou a metafísica ou o incondicionado, e sem estes não é nunca real nem efetiva.