Psicologismo
Para a posição psicologista (como a de Galton), há fatos psíquicos inconscientes, porque a consciência é limitada. Perceber é fazer seleção, escolher, inibir o que não interessa, tomar consciência só do que interessa. A atenção realiza-se por meio de inatenções, inconsciências. Certas anomalias, como a restrição do campo da consciência, explicar-nos-iam algumas anormalidade psíquicas. Entre a zona da consciência e a da inconsciência, há um limite vago e flutuante, onde fatos psíquicos "sobem" ora ao consciente, ora "descem" ao inconsciente. Dessa forma, consciente e inconsciente colaboram e, na vida normal, prestam mútua ajuda. Valoriza-se, assim, tudo o que a vida consciente deve ao inconsciente: inspirações poéticas, achados científicos, pressentimentos e sonhos premonitórios. Mas que seria o inconsciente sem a vida consciente? Se o consciente se alimenta de mil impressões, que escapam à consciência clara, é também o conservatório de percepções e de sentimentos conscientes, que as necessidades da vida prática nos fazem esquecer ou recalcar: nesse recesso obscuro se adicionam todas as experiências da vida consciente, o que a consciência percebeu cotidianamente "... as visões de conjunto ou sintéticas que flanquearão um dia as barreiras da consciência". (Foulquié). Não é, para esta posição, a consciência um epifenômeno dos fatos psíquicos. "A consciência não é um elemento constitutivo do fato psíquico: ela o acaba, mas não o constitui; em certo sentido é, pois, um epifenômeno. Já assinalamos que a sensibilidade protopathica, puramente afetiva, era primitiva e consciente, enquanto a sensibilidade epicrítica, constituída pelo conhecimento ou pela consciência, lhe era posterior e a ela se acrescentava por intervalos. Mas a consciência não se acrescenta ao fenômeno psíquico acidentalmente: o que é acidental é a inconsciência. Por si, com efeito, todo fato psíquico é consciente, e se a consciência está obstruída, permanece no inconsciente, voltará à consciência desde que o campo esteja livre: a inconsciência nada mais é que a ausência de consciência atual; ela é uma 'possibilidade de consciência' (Binet), 'uma consciência virtual' (Bergson). Também não se pode admitir o pensamento de Freud, para quem os processos psíquicos são em si mesmos inconscientes, de forma que sua percepção, pela consciência, é comparável à percepção do mundo exterior pelos órgãos dos sentidos. O fenômeno físico, as formas ou a luz, não aspiram absolutamente a ser conhecidos, e não fazem nenhum esforço para atrair o nosso olhar. Outra coisa se dá com os fatos psíquicos inconscientes". (Foulquié).